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Novembro Novembro2011 2011

N.º 35 N.º Ano: 35 XVII Ano: XVII Preço: Gratuito Preço:

Gratuito

Edição Especial Comemorativa do Dia da Escola

1911, Academia Portuense de Belas Artes - interior de ateliê. Prova final do curso de Escultura, obra "Pela Pátria", classificação de 18 valores. Diogo de Macedo é o 1º a contar da esquerda.

PARABÉNS À "DIOGO DE MACEDO" Todas as Famílias, todas as Comunidades, todos os Estados têm o seu dia, a sua data de referência, seja ela de celebração, comemoração, louvor ou memória. Em Portugal o decreto - lei n.º 387/90, de 10 de Dezembro, definiu as normas aplicáveis à denominação dos estabelecimen-

tos de educação ou de ensino públicos não superiores. Com base nessa legislação a Comunidade Educativa que servia, e serve, de suporte à nossa escola decidiu que seria vantajoso a inclusão na denominação do estabelecimento de ensino do nome de um patrono. (cont. pág.2) Página 1


E s c o l a FACE AO DOURO

Assim, e após cumpridos todos procedimentos legais, foi decidido, por unanimidade, atribuir à Escola Secundária de Olival a designação de "Diogo de Macedo". Estávamos no ano letivo de 1992/1993 e a Comunidade Escolar decidiu adotar o dia de nascimento de Diogo de Macedo como Dia da Escola. A partir dessa data, religiosamente ao longo destes anos, a Escola comemorou o seu dia, 22 de Novembro, através da realização de um inúmero reportório de atividades, as mais diversificadas possíveis e abrangendo a totalidade das várias áreas disciplinares, agregando também instituições e personalidades públicas e particulares. Neste ano as celebrações distribuemse por dois dias, galgando o espaço físico da escola e indo ao encontro da comunidade envolvente, precisamente naquele que é o coração da sua vivência cultural. O jornal Face ao Douro associa-se mais uma vez a esta efeméride através da publicação de um número extra que será distribuído gratuitamente a todos os alunos, professores e demais colaboradores. Numa época de estrangulamentos financeiros esta atitude dos responsáveis da escola aplaude-se porque pretende dar a conhecer a todos a figura de Diogo Cândido de Macedo, desafiando os alunos e seus familiares a descobrirem mais desta personalidade das artes e das letras nacionais. Face ao Douro

Soberba - Esc. Margarida Santos

BIOGRAFIA DE DIOGO DE MACEDO Diogo de Macedo 1889-1959 Escultor, museólogo, escritor e crítico de arte Diogo Cândido de Macedo nasceu no Largo de S. Sebastião, freguesia de Mafamude, concelho de Vila Nova de Gaia, a 22 de Novembro de 1889. Era filho de Diogo Cândido de Macedo, descendente dos Macedos do Peso da Régua, e de Maria Rosa do Sacramento. Foi baptizado na Igreja Paroquial de S. Cristóvão de Mafamude a 8 de Dezembro desse ano. O seu avô paterno, de nome Diogo José, viveu numa aparatosa casa em Santo Ovídeo, na qual recebeu a família real aquando da visita de D. Pedro V ao Porto. Foi um amante das artes e um dos responsáveis pela entrada de António Soares dos Reis nas Belas Artes. Diogo foi educado pela mãe e viveu na companhia da avó materna e do irmão Tomás, mais velho 10 anos, que procurava orientar os seus estudos e a sua vida. Com o pai, mestre cigarreiro na Fábrica de Tabacos e tocador de cornetim nos tempos livres, teve pouco contacto. Era o menino da mãe. A meninice e juventude foram passadas em Gaia, numa casa vizinha das habitações do músico "Macio" e do santeiro Fernandes Caldas, o seu primeiro mestre, com quem aprendeu a desenhar, modelar e esculpir. Tocou cornetim como o pai, mas logo descobriu um interesse maior no violão com o qual se exibia no Grupo Infantil de Mafamude. Frequentou a Escola das Estafinhas e, depois, a Escola Industrial Infante D. Henrique, no Porto, em horário nocturno. Por essa altura, Tomás tentou empregá-lo num escritório. Sem sucesso: Diogo fugiu nos primeiros dias de trabalho. Teixeira Lopes, que morava nas proximidades da família Macedo,

Propriedade: Escola Secundária/3 Diogo de Macedo Diretora: Olinda Guedes dos Santos Equipa Coordenadora: Manuel Filipe Sousa e Isabel Pereira. FACE AO DOURO Professores: Manuel Filipe Sousa. Fotografias: Espólio da Casa Museu Teixeira Lopes/Galerias Diogo de Macedo Arranjo gráfico: Isabel Pereira Impressão: Secretaria e Reprografia da ESDM Agradecimentos: Dr. Delfim de Sousa, diretor da CMTL/Galerias Diogo de Macedo

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tentou então convencer a mãe a deixá-lo seguir Escultura, como era seu desejo. Em 1902 ingressou precocemente na Academia Portuense de Belas Artes. Por "desatenção ao estudo", chumbou no primeiro ano, tendo, por isso, regressado à Escola Industrial Infante D. Henrique. Em 1906 renovou a matrícula na Academia Portuense de Belas Artes, dedicando-se, desta vez, seriamente, ao curso de Escultura, o qual concluiu em 1911 com a obra "Pela Pátria" e a classificação de dezoito valores. Nesta escola teve por mestres José Brito e Marques de Oliveira, em Desenho, e António Teixeira Lopes, em Escultura. Foi um jovem activo e sociável. Na sua roda de amigos e colegas contavamse outros artistas como Armando de Basto e Joaquim Lopes. Em Outubro de 1911 viajou para Paris com uma pensão familiar e com uma carta de Oliveira Ramos dirigida a Xavier de Almeida, para que este o guiasse na cidade. Aí, recebeu lições do escultor americano Bartlet nas Academias de Montparnasse, foi aluno de Bourdelle na "Académie de La Grande Chaumière", de Injalbert, na Escola Nacional de Belas-Artes, e foi influenciado, entre outros, pelos pintores Bernard Naudin e Amadeo Modigliani. No período parisiense produziu L'Adieu ou Le Pardon, um grupo escultórico datado de 1920, de sabor neo-romântico e forma moderna.

Em 1912 expôs em Lisboa e no Porto, cidade onde passou o Verão, regressando depois a Paris. No início de 1913 participou no Salon e foi noticiado nos jornais portugueses (Jornal de Notícias e Montanha). Porém, nem tudo corria bem.


No dia 12 de Fevereiro, vinteE e três alunos sda nossa c escola oparticiparam l ano Corta-mato Distrital. Bem cedo e já todos marcavam presença junto da escola trazendo consigo a esperança, mais ou menos secreta, da obtenção de uma honrosa classificação. A viagem curta até Santo Tirso revelou-se demasiado longa, fruto da ansiedade que aumentava à medida que os quilómetros passavam. FACE AO DOURO

BIOGRAFIA DE DIOGO DE MACEDO

Debatia-se com dificuldades monetárias e pessoais que, no entanto, não o impediram de visitar a Bélgica, para o que recorreu às economias amealhadas e ao patrocínio da mãe. Em Maio, participou na Exposição Anual da Sociedade de Belas-Artes do Porto. Continuou a esculpir e a pintar e desfrutou da vida boémia parisiense. No Verão desse ano voltou ao Porto. Mais famoso. Expôs na Galeria da Misericórdia e concorreu a um lugar de professor de segunda cadeira da Escola de Belas Artes do Porto, posição da qual acabou por desistir. Dirigiu-se, então, a Lisboa, daí partindo, mais uma vez, para a capital francesa, onde trocou a morada na Cité Falguière pela Rua Bara. Durante esse período, esculpiu e pintou aguarelas. Um mês após o começo da I Guerra Mundial voltou ao Porto. Expôs no Ateneu Comercial e no átrio do Palácio da Bolsa, onde a sua obra "Rajada" foi pretendida, embora não adquirida, pela Câmara do Porto, acontecimento que levou o seu autor a destruí-la. Em 1915, e na mesma cidade, produziu três grandes relevos ("A Dor", "O Amor" e o "Ódio") e duas cariátides para o Teatro de S. João, participou no 1º Salão dos Humoristas, no Jardim Passos Manuel, onde apresentou desenhos sob o pseudónimo de Maria Clara, e colaborou no Jornal A Tarde.

Nos anos seguintes (1916-1919) dividiu-se entre o Porto e Lisboa e continuou a expor, individual e colectivamente, no Palácio da Bolsa, na Santa Casa da Misericórdia, no já desaparecido Palácio

de Cristal, no Porto, e na Liga Naval e na Sociedade de Belas Artes, na capital. Em 1918 passou uma temporada na Figueira da Foz, no palácio da família Sotto-Mayor, para a qual já havia feito o busto de uma criança. Nesta casa, conheceu D. Ana Sotto-Mayor, com quem casou em Março de 1919, à revelia dos seus familiares. No início de 1920, depois de se reconciliar com os Sotto-Mayor, partiu para França, na viagem passando por Bayonne, Biaritz e Villa Petite Jeanne. Por fim, fixou-se em Paris, no mês de Março de 1921. Em 1922 visitou a Alemanha. Nesta fase, que foi rica em trabalho e vida social, preparou um álbum sobre costumes tradicionais em colaboração com a "Ilustração Portuguesa", expôs em Paris e em Portugal, onde organizou a exposição dos 5 Independentes, em 1923. Em 1926, fixou-se definitivamente em Lisboa, onde continuou a produzir e a exibir a sua (frequentemente) premiada arte, numa época de desafogo económico. Entre as décadas de 20 e de 30 editou as primeiras publicações, colaborou em jornais e revistas, como no Ocidente, onde, desde 1939, publicou Notas de Arte. E viajou pela Europa. De 1939 a 1940 executou "Tejo" e quatro "Tágides" para a Fonte Monumental da Alameda Afonso Henriques. Em 1941, ano em que perdeu a mulher e renunciou à Escultura, estreou-se como conferencista. Entre esse ano e 1944 publicou biografias de artistas, estudos, separatas, escreveu prefácios de catálogos de exposições e integrou júris e comissões. Nesse último ano foi convidado a dirigir o Museu de Arte Contem-

porânea (actual Museu do Chiado), cargo que aceitou e que manteve até ao fim da vida. Em 1946, casou, em segundas núpcias, com D. Eva Botelho Arruda. Passados dois anos, o Ministério das Colónias incumbiu-o de escolher as peças a integrar uma exposição itinerante de Artes, em Angola e Moçambique, que dirigiu e acompanhou. No ano seguinte promoveu uma Semana Cultural Portuguesa em Santiago de Compostela. Nos anos 50 fez uma viagem de estudo ao Brasil, na companhia da mulher; visitou a ilha de S. Miguel, terra natal da segunda mulher, na sequência de um convite para organizar os processos de classificação dos imóveis de interesse público; voltou a escrever (biografias de artistas, crítica literária e ensaios) e apresentou peças em certames artísticos (na Exposição Bienal Internacional de Veneza de 1950, no Pavilhão Português da Exposição Internacional de Bruxelas de 1958 e na Exposição Retrospectiva de Mário Eloy, na Escola de Belas Artes do Porto). Morreu em casa, a 19 de Fevereiro de 1959, no n º 110 da Avenida António Augusto de Aguiar, Lisboa. in Univ. do Porto 100 Anos, Antigos estudantes ilustres da U. Porto

PRÉMIOS E DISTINÇÕES 1913

3º prémio obtido com uma maqueta para um monumento a Camões, realizada e apresentada em Paris

1915

Diploma de Menção Honrosa na secção de Escultura da 12ª Exposição da S. N. B. A.

1929

2ª Medalha em Escultura na IV Exposição anual da S. N. B. A.

1938

Eleito, em Junho, vogal da Academia Nacional de Belas-Artes

1944-1959 1948

Nomeado director do antigo Museu de Arte Contemporânea, em Lisboa Eleito secretário da Academia Nacional de Belas-Artes

“Ao meu Mestre Teixeira Lopes, respeitosamente, com muita gratidão e com muita amizade. Diogo de Macedo 1936”

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D i a FACE AO DOURO

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E s c o l a

22 DE NOVEMBRO DE 2011 PROGRAMA

19 de Novembro de 2011 - Sábado 21H30 Concerto de Aniversário Sociedade Filarmónica de Crestuma Cerimónia de entrega dos diplomas Alunos do Quadro de Honra e do Quadro de Mérito Ano Lectivo 2010/2011 da ESDM Entrega de prémios do Concurso “Pensar Física e Química”

Auditório Centro Cultural de Olival

22 de Novembro de 2011 - Terça - Feira 8H45 Hastear das Bandeiras 9H00 Momento Comunitário - Celebração Eucarística 9H45 Abertura da Feira do Livro e da Exposição “Música e Expressões” 10H00 XVIII Torneio Diogo de Macedo – Futsal Feminino Abertura da Expo Saúde: rastreios e colheita de sangue pelo IPS Palestra “ Os óleos alimentares usados” Projeto ECO-EGI Torneio de Counter Strike Projeto “Veste a tua camisola” 10H15 Teatro “Auto a Diogo de Macedo”, adaptação a partir do “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente 11H15 Conferência/ Colóquio “ O Castelo de Crestuma” Arqueólogo Dr. J. A. Gonçalves Guimarães 12H15 Inauguração da Exposição de Pintura e Escultura “Ritmos” de Margarida Santos 13H15 Convívio

“O meu retrato feito em Paris em 1913, por Luiz Bourney” Página 4

Diogo de Macedo ao lado do busto da 1ª mulher

Face ao Douro nº 35 - Edição Especial Comemorativa do Dia da Escola  

Edição Especial Jornal Face ao Douro Novembro de 2011 N.º 35 Ano:XVII

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