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O Monóculo GAZETA DE ACTUALIDADES Trabalho desenvolvido pela turma 11ºD Curso Profissional de Técnico de Análises Laboratoriais

NÚMERO ÚNICO

SUPLEMENTO DO JORNAL FACE AO DOURO

EDITORIAL O nosso trabalho tem a ver com as actividades desenvolvidas em torno da obra Os Maias de Eça de Queirós. Vamos pois espalhar o nosso monóculo sobre tudo o que fizemos. Fomos ao teatro - não foi o S. Carlos com as senhoras do high life ou as das Terças-feiras dos Gouvarinhos, mas estava lá muita gente “da fina”, como diria o nosso amigo Dâmaso Salcede; não fomos de break até Sintra, mas percorremos as nossas estradas alegremente. Subimos à Pena e que pena que temos daqueles que nunca lá foram! Claro que, tal como Carlos na sua busca incessante por Maria Eduarda, apesar de termos um guia, também não a encontrámos. Pois bem, a ideia era ir a Sintra, respirar o ar de Sintra, passar o dia em Sintra… e conseguimos! Foi difícil a leitura da obra, pois ela parece gigantesca, mas foi bom ter partido à sua descoberta.

Teatro “Os Maias” No dia 13 de Março, os alunos do 11ºD foram assistir a uma peça adaptada da obra Os Maias (crónica social romântica) de Eça de Queirós pelo TEP. No Auditório Municipal de Gaia não foram vistas nem as plumas, nem as vidrilhos, muito menos os vestidos acolchoados da época. Éramos apenas estudantes mais ou menos curiosos. Na peça foram destacados alguns episódios que o próprio Eça salienta no seu romance, como a ida ao Teatro S. Carlos, os chás da Gouvarinho, o baile de máscaras dos Cohen, as corridas em Belém, a ida a Sintra, o Sarau de beneficência no Teatro da Trindade, a vida no “Ramalhete” e as cenas românticas na casa dos Olivais. Na opinião dos alunos do Curso Profissional de Análises Laboratoriais, o episódio que despertou mais a atenção do público foi quando Ega procurou fazer justiça em nome do seu amigo Carlos, obrigando Dâmaso a redigir uma carta onde este se humilhava, para posteriormente ser publicada no jornal “A Tarde”. Aliás, a personagem do “chique a valer” era muito divertida. Todos gostaram muito da peça, pois os actores procuraram interpretar da melhor forma a sua personagem, criticando a política e a sociedade burguesa e portuguesa do tempo de Eça de Queirós e tendo proporcionado um espectáculo fantástico.


Roteiro Queirosiano

Antes de começar o Roteiro queirosiano, fomos até ao Palácio de Valenças e estivemos a ouvir um pequeno resumo sobre Os Maias, falado pelo Dr. João Rocha, o nosso guia. De seguida, começamos o roteiro a partir da praça onde está o Palácio Nacional de Sintra com as suas gigantes e brancas chaminés erguidas no céu e fomos ao Hotel Tivoli Sintra, construído no local onde existia o Hotel Nunes, que foi demolido em 1977. Ao longe, vimos o Hotel Vítor na encosta da serra. Passamos pelo café Central, a Fonte de Azulejo, pelo Hotel Lawrence, um dos mais antigos hotéis no mundo, situado no coração do Centro Histórico de Sintra. Passamos pela Fonte dos Amores, que é uma lívida cascata, dona de uma límpida queda de água cristalina e com fundo musgoso. Sentamo-nos nos bancos duros e ouvimos uma quadra do poeta Alencar. Seguimos pela Quinta do Relógio, construída em 1860, e que tem na fachada uma legenda em Árabe que repete três vezes “Deus é o único vencedor”. Dirigimo-nos para o Palácio da Regaleira (séc.XIX) que é uma quinta que apresenta um conjunto de símbolos que sugere uma leitura mítica. Por fim, seguimos caminho directo a Seteais, um deslumbrante monumento ao descanso. A porta de Seteais emoldura a Pena como um quadro magnífico, mas nós não pudemos lá entrar, havia obras. Foi cansativo, mas regalámos a vista e depois o estômago com as queijadas e travesseiros da “Piriquita”.

Palácio da Pena Carlos da Maia não chegou a subir à Pena, mas nós, tal como o grupo de “Uma Aventura”, fomos à descoberta do Palácio da Pena. A caminhada foi dura: a subida da Serra é difícil e o clima não ajudava muito - estava calor. Quando chegámos, ficámos surpreendidos com a beleza do Palácio. Fomos muito bem recebidos pela nossa guia que, embora trabalhasse há pouco tempo no palácio, fez um óptimo trabalho e esclareceu todas as nossas dúvidas. Uma das coisas que mais nos chamou a atenção, para além dos vários estilos que o palácio apresentava, foi a paisagem que rodeava toda a Serra. Na descida, avaliámos a resistência dos alunos e o seu ritmo cardíaco, no âmbito da disciplina de Educação Física. Foi uma visita breve, mas muito interessante e todos nos gostámos. Sintra é, na verdade, o “glorious Eden” de Byron.


“Queirosiano” Routing Sintra is not only old stones, not even Gothic things… Sintra is this, a little of water, a bit of moss… this is a paradise. The abundance of running and springs, the fertile ground and the pleasant climate make it possible the fixaton of people. It is a vast district, with an area superior to three hundreds Km2. In 1995, Sintra and its forest were classified as “Cultural Landscape” by UNESCO. On Thursday, 3th April, our class went to Sintra. In the morning we visited the Palácio Nacional da Pena. After that, we had a break to lunch. In the afternoon, we did a “Queirosiano” Routing (Roteiro Queirosiano) where we saw the Sintra National Palace (Palácio Nacional de Sintra), Hotel Nunes (Tivoli), Café Central, Fonte de Azulejo, Lawrence, Fonte dos Amores (Cascata), Palácio da Regaleira, Quinta do Relógio and our last visit was to Seteais. In our class opinion, “Palácio Nacional da Pena” was the most interesting because it was the most beautiful monument we saw on that day. “Palácio Nacional da Pena” was recently considered one of the seventh wonders of Portugal.

Lo! Cintra's glorious Eden intervenes In variegated maze of mount and glen. Ah me! what hand can pencil guide, or pen, To follow half on which the eye dilates Through views more dazzling unto mortal ken Than those whereof such things the bard relates, Who to the awe-struck world unlocked Elysium's gates? (Lord Byron on Sintra )


O Parque da Pena A Serra de Sintra, com seu frondoso arvoredo, as suas quintas e palácios, a sua riqueza botânica, os seus amplos horizontes e belas paisagens, constitui um dos conjuntos mais valiosos do património florestal nacional. Situada junto ao litoral, beneficia de um clima temperado e húmido favorável ao desenvolvimento de um exuberante manto vegetal. A sua floresta, rica em espécies atlânticas e mediterrânicas, marca a transição entre a vegetação do norte e sul do país. O carvalho negral (Quercus pyrenaica) teve grande expansão cobrindo os cumes rochosos e as vertentes mais abrigadas e, nas encostas sombrias e húmidas, viradas a norte e nalguns locais mais abrigados, vive em associação tipicamente atlântica com o carvalho roble (Quercus robur). Ao longo dos vales, junto às linhas de água, crescem freixos (Fraxinus angustifola), salgueiros (Salix atrocineria), amieiros (Almus glotinosa), sanguinhos (Frangula almus) e sabugueiros (Sambucus migra). Desde a segunda metade do século XX, a Serra de Sintra tem sido atingida por diversos incêndios que destruíram a maior parte da sua floresta original que vem sendo naturalmente substituída por povoamentos degradados, completamente infestados de acácias e outras espécies exóticas de crescimento rápido e de grande capacidade de propagação. A área florestal da Serra de Sintra tem cerca de 5000 hectares, dos quais 26%, ou seja 1 300 ha são geridos pelo Estado (Direcção Geral de florestas — Núcleo Florestal de Sintra).


O Monóculo