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Campus Jornal-laboratório da Universidade de Brasília v

Faculdade de Comunicação

ANO 40 - Edição 346

Brasília, de 19 a 31 de maio de 2010

v www.fac.unb.br Mai Dornelles

DO LIXÃO URBANO AO

BARRACO RURAL

Assentados no Núcleo Monjolo, como dona Neca (foto), saíram da Estrutural e agora aguardam regularização e infraestrutura em um lugar onde o desenvolvimento é proibido v página 3 Klaus Barbosa

ESPECIAL

Tupaciguara, a quase Brasília v

páginas 4 e 5

Universidade minada Levantamento inédito no campus Darcy Ribeiro indica que os crimes de maior recorrência nos últimos dois anos são roubo e estelionato v v

página 7


Complicar a pauta! Foi essa a ordem para os assuntos trazidos pelos repórteres à redação. Nesta medida, a terceira edição do Campus revela o que a microcidade de Tupaciguara tem a ver com a história da construção da Capital Federal. Descobrimos que, por muito pouco, Brasília não nasceu comendo pão de queijo às margens do Rio Paranaíba – o nosso Lago Paranoá, só que 40 vezes maior.

Charge

Carta do editor

Eu sei o que vocês vão fazer no próximo verão

Questão de opinião

Opinião

Doentes de passividade

Henrique Teles

Abordamos ainda a segurança da comunidade acadêmica por meio do levantamento de dados sobre os crimes registrados no campus Darcy Ribeiro nos últimos anos. Quem frequenta a UnB está sempre sob alerta. Assaltos, estelionatos, roubo de veículos e estupros. Os números não escondem que o ambiente universitário se desvirtuou. Fica a pergunta: como exercer e participar plenamente da universidade se o ambiente nos parece tão hostil e desfavorável? Ainda sobre UnB, vamos falar sobre os últimos acordos da greve e como os “rachas” no movimento ajudaram o fim da paralisação. O Campus acompanhou o dia-a-dia de moradores do Núcelo Rural Monjolo, no Recanto das Emas, para descobrir como é viver em um assentamento de condições precárias. Conversamos ainda com diferentes gerações de pilotos de kart e F1 formados na capital – a cidade que foi identificada como uma das melhores para se formar atletas da velocidade automotiva.

Campus 40 anos

M

ito ou realidade? No Campus da segunda quinzena de outubro de 1984, discutia-se o futuro da Capital Federal. A matéria indagava se todas as expectativas em torno de Brasília, aos 24 anos, seriam cumpridas no futuro. Nesta edição, o mito se renova com a revelação de um capítulo pouco conhecido na história da construção da cidade.

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Será que o verdadeiro criminoso é quem esta nas ruas, de bandeira na mão e gritos na garganta? Ou será quem está nos escritórios, de terno e sussurros aos ouvidos? O verdadeiro agressor é aquele que para o transito na cara e coragem, ou aquele que covardemente quebra ossos com cassetetes?

O vômito é amargo na boca e desagrada. Logo vão proclamar: “baderneiros!”, “vândalos”, “bando de vagabundos”. Mais que isso, vão criminalizar os ativistas. A mídia vai mostrar que qualquer coisa que fuja à ordem é ruim. Alguns professores vão dizer que sentem vergonha. Outros pais vão pedir para que os filhos fiquem fora disso, que é besteira ficar se arriscando. Assim, todos vão se esquecendo da história e de suas transgressões.

Ainda existe. Mesmo que ele esteja quase falecendo, ainda existem anticorpos que lutam pela sobrevivência. Eles gritam, agrupam-se, avançam e resistem. Mesmo que isso signifique perdas tristes e amargas, processos, hospitalizados, humilhação moral e psicológica. Como o combate a uma doença deveria ser, eles cumprem ao chamado.

Mais! Todos sabem que a reação é natural do corpo, mas acusam-na de ser a causa da doença. Que diagnóstico é esse?

Ombudskivinna

Editor-chefe: Gustavo Aguiar Editores: Clara Araújo, Felipe Müller, Felipe Matheus Pineda, Jerônimo Calorio, Mateus Rodrigues, Raio Gomes, Thiago Borges e Vinícius Pedreira Repórteres: Cecília Garcia, Felipe Giacomelli, Flávio Botelho, Lílian Pessoa, Marcela Mattos, Mariane Rodrigues, Milena Barros, Naiara Lemos, Rodrigo Vasconcelos, Thaís Regina e Vivian Rodrigues Fotógrafos: Gustavo Aguiar, Juliana Figueiredo, Klaus Barbosa, Mai Dornelles, Nayra Thyemi e Thalita Carrico Diagramadores: Gustavo Aguiar, Juliana Figueiredo, Mai Dornelles e Klaus Barbosa Projeto gráfico: Gustavo Aguiar, Jerônimo Calorio, Juliana Reis, Mateus Rodrigues e Vinicius Pedreira Diretor de arte: Mai Dornelles Ilustrações: Felipe Matheus Pineda, Lílian Pessoa, Henrique Teles e Marcos Morce Monitora: Juliana Reis Professores: Sérgio de Sá e Solano Nascimento Jornalista: José Luiz Silva Suporte técnico: Pedro França Gráfica: Palavra Comunicação Tiragem: 4 mil exemplares

Não é preciso ser atuante da área de saúde para saber que o Distrito Federal sofre de uma preocupante febre, em queanticorpos e parasitas dos mais variados tipos lutam diariamente. É ocupação daqui, manifestações dali. Em um dia estão abraçando monumentos, no outro em confronto com a polícia. O cidadão quer saber: de que patologia perecemos?

Fazendo um diagnostico mais profundo, percebe-se que o vírus enfraquece o corpo, deixando seu sistema imunológico debilmente passivo. Apesar dessas enfermidades já assolarem o Brasil há vários anos, parece que ainda não foi criada uma defesa forte e eficiente. Talvez por uma cultura de opressão, reforçada pelo ranço das velhas elites e seus instrumentos: o coronelismo, a grande mídia, a impunidade e outros sintomas característicos.

Envie sua opinião para campus@unb.br

Expediente

Jeronimo Calório

Sim, estamos doentes. Mas para essa enfermidade não existe remédio, apenas tratamento. Não envolve repouso e nem reclusão. Ao contrário, recomendam-se exercícios físicos e mentais diários, com doses de revolta e indignação infinitas vezes ao dia. Como diria o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti, “não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”.

Jeronimo Calório é aluno de Jornalismo da UnB e faz parte da equipe do Campus.

Para que(m) escrevemos? Mel Bleil Gallo Quem é o Campus? Para quem – e para o quê - ele é escrito? É o jornal-laboratório da UnB, conjunto de experimentação e liberdade em um universo razoavelmente pré-definido: uma universidade no Distrito Federal. É muito interessante escancarar a crise política em Caldas Novas (GO), mas qual sua relação com a crise em que se encontra o DF e – por que não? – a própria UnB? O que podemos tirar da apatia dos caldasnovenses? Talvez tenha faltado contextualização. Durante a greve da Universidade de Brasília, a comunidade acadêmica se mobilizou intensamente sobre o problema político aqui enfrentado. Entretanto, a única reportagem sobre o assunto no jornal, “Férias só na primavera”, se restringiu à expectativa do fim – tido como dado – da paralisação. As mudanças no calendário são importantes, mas não menos relevante é o esquecido drama dos servi-

dores com salários cortados ou dos terceirizados sem garantias trabalhistas básicas. Idem para a reportagem sobre creches. Sensível e bem apurada, fica apenas uma dúvida: como fazem nossas mães trabalhadoras e estudantes, sem a tal creche extinta em 1978? Por fim, “Reza que a dor passa” e “Made in Santa Maria” mostram que a notícia também mora ao lado – apesar de essa proximidade ter sido levemente ignorada na seleção de tweets. Mel Bleil Gallo é estudante do sétimo semestre de Jornalismo da UnB. Ombudskivina é o feminino de Ombudsman e tem como função criticar e analisar o conteúdo de um jornal, representando a voz do leitor.

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Assentamento rural

DECEPÇÃO NA TERRA PROMETIDA Ex-moradores da Estrutural que hoje vivem em um assentamento do GDF contam como é depender de lamparina, caminhão-pipa e banheiro químico

Klaus Barbosa

Naiara Lemos Thaís Regina Ao Monjolo, só se chega com muita sorte. Escondido entre o Recanto das Emas e o Gama, o núcleo rural é um misto de cerrado, pasto, casas populares e barracos. Faltam transporte, saneamento básico, luz e água encanada. A terra produz mais poeira do que o milho que o GDF ofereceu para os assentados plantarem. “Tem hora que eu até choro de tristeza”, conta Maria Ferreira dos Santos, 60, conhecida como dona Neca. Ela, a filha e o genro se mudaram para lá em setembro de 2008. Desde então, moram em um barraco sem banheiro. A família usava um banheiro químico fornecido pelo GDF, mas retirado do Monjolo em janeiro deste ano. Dona Neca apelou para o improviso. “Nós vamos pro mato”, explica ela, envergonhada. Durante 22 anos, dona Neca morou em uma área invadida da Estrutural. Lá, ela e outros chacareiros plantavam, criavam animais e catavam material reciclável. O lixão era considerado um problema social, urbanístico e ambiental. A partir de 2008, o governo federal e o Banco Mundial investiram US$ 35,1 milhões no Projeto Integrado Vila Estrutural (Pive). O valor, que hoje seria equivalente a R$ 61,6 milhões, foi destinado a obras de infraestrutura e desenvolvimento para os moradores da segunda maior invasão do DF. A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) entendeu que, das 718 famílias a serem removidas, 70 tinham “aptidão agrícola”, ou seja, usavam a terra como fonte de renda e subsistência. Essas famílias aceitaram migrar para o Monjolo.

Mai Dornelles

As condições precárias de adaptação seriam provisórias. O que a princípio duraria três meses, se prolonga por quase dois anos. Parte das obras foi embargada porque 13 lotes estão dentro de uma Área de Proteção Permanente (APP). Oswaldo Cassemiro, da Gerência de Fiscalização da Seapa, afirma que a secretaria, responsável pela escolha do terreno, só descobriu a irregularidade depois que a remoção já havia começado. A falta de licenciamento ambiental interrompeu a construção de casas, impediu a instalação de redes elétricas e hidráulicas e proibiu o plantio.

A gente ia ter tudo, não teve foi nada. Só sofrimento” Dona Neca, assentada do Monjolo

Ivonete toma banho de balde no banheiro que o marido construiu. Antes, eles se lavavam no córrego Monjolo

“Lá na Estrutural a gente trabalhava. Aqui não tenho em que pegar. Se a gente mora na terra e não pode viver dela, como é que mora num lugar assim?”, queixa-se dona Neca. “A gente ia ter tudo, não teve foi nada. Só sofrimento.” João Carlos Quijano, coordenador do Brasília Sustentável – programa do GDF responsável pelo Pive – diz que a remoção não foi forçada. “O nível de assistência que nós estamos dando é estupidamente elevado, muito alto. Principalmente, em comparação ao que eles tinham”, argumenta Quijano.

Vida e morte Ivonete dos Santos Assis, 48 anos, chegou ao Monjolo em abril de 2008. “Não tinha ninguém nesse meio de mato, eu só via passarinho cantar.” Hoje, ela divide o barraco com o marido, o neto, dois passarinhos, três gatos e seis cachorros. A geladeira e a televisão foram levadas recentemente, em fevereiro, quando o vizinho fez uma gambiarra elétrica. “Antes era só na lamparina. Quando acabava, a gente alumiava de vela. Comida era só carne de sol. Frango, essas coisas, é novidade”. A água usada para beber, cozinhar, lavar e tomar banho chega de caminhão-pipa, de segunda a sexta-feira. O armazenamento em recipientes antigos e mal tampados aumenta os riscos de contaminação. Há um mês, Ivonete tem banheiro. O marido ergueu a casinha de madeira, com espaço para banho e vaso sanitário.

“Ele fez a fossa porque ninguém mais aguentava o banheiro químico. Tinha vez que batia o vento e trazia aquele cheiro. Isso quando não derrubava”. E o banho? “A gente enche o balde, pega a caneca e vai banhando. Não é mais no córrego.” Ela ri. Dores na barriga, coceira e corrimento. Os sintomas apareceram em outubro de 2008, dois meses depois que Maria Aparecida Alves Pereira, 29, foi assentada no Monjolo. Além do tratamento, para curar a infecção Maria passou a usar um matagal, a 200 metros de seu barraco, no lugar do banheiro químico. “Passava um, dois, três, quatro, cinco meses sem limpar [o banheiro]”, lembra a agricultora. Recuperada, Maria velou o pai. Antônio Alves Pereira morreu porque sofria dos rins – precisava fazer hemodiálise três vezes por semana – e porque, como a filha, era assentado do Núcleo Monjolo. Para chegar ao ponto de ônibus mais próximo de casa, ele caminhava, lentamente, por duas horas. Às vezes, sangrava durante o percurso. Diante do sofrimento do pai, Maria tentou colocá-lo em uma lista de pacientes que são levados por uma ambulância para fazer a hemodiálise. Ouviu: “Quando alguém daqui [da lista] morrer, a gente coloca ele no lugar”. Mas Pereira morreu primeiro. Havia ficado três semanas com o sangue impuro, sem hemodiálise. v

Desde 2008, dona Neca mora em um barraco no Monjolo. Até hoje, espera pelo fim da construção das casas populares do GDF

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A capital que não f

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Flávio Botelho enviado especial

auze Abdulmassih guarda no escritório de casa um documento importante da história de Tupaciguara, cidade localizada no Triângulo Mineiro, próxima a Uberlândia. É uma carta, datada de 6 de setembro de 1962, na qual Juscelino Kubitschek pede votos para uma chapa do antigo Partido Social Democrata (PSD), que disputava as eleições para a prefeitura naquele ano. Em uma cidade que não costuma guardar registros históricos, aquela pequena folha amarelada com a assinatura de JK vale muito para o economista aposentado de 88 anos, morador e ex-prefeito de Tupaciguara. “Tenho isto aqui guardado com muito carinho, pois foi escrita por aquele ali”, diz, apontando para o retrato de JK pendurado na parede. Mas o que teria o presidente que conduziu a construção de Brasília em comum com essa pequena cidade? Entre 1946 e 1949, foi travada uma disputa entre goianos e mineiros pela localização da nova capital do Brasil. Os goianos queriam que fosse seguido o relatório da Missão Cruls, comitiva que em 1893 escolheu um quadrilátero de Goiás, no Planalto Central, para instalar a futura capital. Já os mineiros propunham novo local: uma região do norte do Triângulo Mineiro da qual Tupaciguara era o centro. Ainda que com propostas distintas, a intenção de goianos e mineiros era a mesma. “Os dois grupos eram aliados na causa mudancista. Trazer a capital para o interior era a ideia central e primordial”, explica o historiador Ronaldo Costa Couto, autor do livro Brasília Kubitschek de Oliveira. Essa curta passagem da história da mudança da capital do litoral para o interior, que não é muito conhecida, pode ser divida em dois capítulos.

Constituinte de 1946 Com o fim do Estado Novo, o Congresso Nacional discutiu o texto da nova Cons-

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tituição brasileira. Um dos artigos aprovados era o que definia a mudança da capital para “a região central do país”. Os mineiros JK e Israel Pinheiro, deputados federais à época, fizeram pronunciamentos na Câmara defendendo a instalação da capital em seu estado, utilizando o argumento de que o Planalto Central abrangeria áreas de Goiás e Minas Gerais. Outro deputado mineiro, Benedito Valladares, tentou usar da famosa malandragem brasileira. Segundo trecho do livro Brasília: memórias da construção, do historiador Lourenço Fernando Tamanini, o parlamentar propôs incluir no texto a expressão “região central do país compreendida entre o rio Paranaíba e o rio Grande”. Para o historiador, era uma “maneira disfarçada de escrever Triângulo Mineiro e de não falar em Planalto Central”. Os goianos não aceitaram tal acréscimo ao texto original da Constituição e conseguiram fazer com que o trecho permanecesse inalterado. Por fim, Israel Pinheiro propôs que o impasse fosse resolvido em votação. Por 108 votos a 102, o texto permaneceu sem mudanças, propondo que a nova capital fosse transferida para o Planalto Central. Para os goianos, um passo já havia sido dado para receber a nova capital brasileira. Já entre os mineiros, o pensamento era o de que haviam perdido a batalha, mas não a guerra.

Missão Polli Coelho Com a Constituição de 1946 aprovada e promulgada, o então presidente Eurico Gaspar Dutra criou uma comissão – chefiada pelo marechal Djalma Polli Coelho e composta por 11 engenheiros e um médico – para estudar a região demarcada pela Missão Cruls e outras possíveis áreas, como a de Tupaciguara, que poderiam abrigar a nova capital. Após dois anos de estudos, o grupo começou a escrever o relatório final. Os engenheiros da comissão favoráveis à região do Triângulo Mineiro argumentavam que a área tinha melhor estrutura de transportes, vínculos com áreas do país mais desenvolvidas, condições ideais de

clima e solo fértil. O engenheiro Lucas Lopes chegou a desenhar um novo mapa indicando o quadrilátero na região de Tupaciguara e calculou que a mudança da capital para lá seria mais barata do que para Goiás. Porém, na contagem final dos votos, a região goiana mais uma vez saiu vencedora. Por uma diferença mínima – seis votos a cinco –, os engenheiros da Missão Polli Coelho consideraram a área mais apropriada do que a de Tupaciguara. Por um voto, o sonho tupaciguariense de ser Brasília não se concretizou.

A cidade que não sabe “Tupaciguara é assim: uma cidade praticamente sem memória.” As palavras do historiador Muriel Costa de Moura definem bem o que a cidade sabe dessa tentativa de reviravolta na mudança da capital federal. Funcionário da Prefeitura Municipal, ele criou e mantém o primeiro arquivo público da cidade, que tem menos de um ano de existência. A primeira vez que o assunto veio à tona entre os cidadãos tupaciguarienses foi em reportagem veiculada na extinta Revista Impacto, de circulação regional, publicada no ano de 2005. Nela, o relato de um falecido morador da cidade, Eurípedes Faria, contava que ele, o sobrinho e o sogro acompanharam uma dupla de engenheiros que haviam sido enviados por JK para conhecer a região do Brilhante, povoado pertencente à Tupaciguara, distante cerca de 30 km da cidade. Nenhum registro da passagem desses engenheiros pela região existe ou, se houve algum, desapareceu com o tempo. Todo o conhecimento da cidade a respeito da possível transferência da capital para lá se resume ao bom e velho costume do interior brasileiro: as prosas, histórias e boatos que correm de casa em casa, de rua em rua. Com o tempo, o relato original se transformou, como as árvores ao passar das estações, e agora compõe a galeria de histórias que povoam o imaginário da pequena Tupaciguara, mineira de nascença, interiorana com orgulho e capital quase que por acidente. v

Em tupi-guarani, o nome significa “terra da mãe de Deus”. Com pouco mais de 25 mil habitantes, a cerca de 450 km de Brasília, a cidade localizada ao norte do Triângulo Mineiro recebe a todos com um enorme portal. Neste, o signi-

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Fotos: Gustavo Aguiar

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A história de como um grupo de deputados mineiros, entre eles JK e Israel Pinheiro, tentou transferir a construção de Brasília para o Triângulo Mineiro Filhos de quem? Por volta dos anos 1930, a modernidade invadiu Tupaciguara, vinda juntamente com o fluxo migratório de sírio-libaneses, alemães e italianos para a cidade. Prédios e casas com a arquitetura influenciada no art dèco começaram a ser levantados. Uma revolução no olhar e na forma de se conceber a cidade. O comércio começou a crescer exponencialmente e a cidade antes comandada pelas fazendas viu suas ruas serem tomadas por um nascente caráter urbano. Foi nesse contexto que surgiu um dos prédios mais famosos de Tupaciguara. Uma edificação de dois andares, que abrigava o Cine Teatro Helena e a Rádio Tupaciguara, cernes da modernidade da pacata cidade. Era ali, entre 1930 e 1960, o lugar onde a vida pulsava.

Fauze Abdulmassih mosta com orgulho a carta de JK e uma foto dele com o ex-presidente

ficado do nome da cidade está em latim. E escrito errado. Terra Matris Dei vem logo abaixo do letreiro “Tupaciguara”. O correto seria Terra Mater Dei. “Já falamos com os vereadores e com a prefeitura para que isso seja arrumado”, conta Muriel Costa.

Dessa época, entretanto, só ficou a nostalgia. O Cine Teatro Helena fechou as portas nos anos 70. A Rádio Tupaciguara mudou de lugar. Daqueles tempos áureos, restou apenas A Royal, que ainda preserva a fachada e o interior da época. “Era uma rua maravilhosa, mas agora está abandonada. Só tem velório e tristeza. Ninguém fica mais aqui”, relata Idete Fátima da Silva, funcionária da loja há 31 anos. Nas ruas que antes ecoavam a música e o fervor das vozes dos que a frequentavam, hoje fica silenciosa. Ouve-se algo quando anuncia o carro de som: “Atenção: nota de falecimento. Faleceu hoje em nossa cidade...”

Cinco anos em cinquenta Após o boom da modernidade, Tupaciguara entrou em uma leve decadência e voltou a ter a rotina das típicas cidades de interior. Muito disso teve a ver com o crescimento da metrópole mais próxima, Uberlândia. “A grande maioria da população jovem migrou para lá. Para

os moradores daqui, Uberlândia é considerada a cidade do progresso”, relata Muriel Costa, de 26 anos, que é um dos remanescentes de sua turma de colégio que ainda reside na cidade. Sem muitas opções de diversão, Tupaciguara vive situações inusitadas nos finais de semana. Quando não há eventos em Uberlândia ou em outra localidade próxima, como Ituiutaba ou Itumbiara (GO), o jeito é sentar-se em algum barzinho e desfrutar da boa hospitalidade mineira, regada a cerveja gelada e (muita) música sertaneja. A juventude que ainda reside na cidade se reúne nas praças. O vai-e-vem das pessoas lembra os velhos tempos da rua Coronel Joaquim Mendes, mas é o som que chega dos carros e caminhonetes que embala as conversas dos grupos que se formam. Porém, em um momento do ano, Tupaciguara vira referência: o carnaval de rua da cidade é um dos mais famosos do interior mineiro. v

A rua Coronel Joaquim Mendes ficou conhecida como Vai-e-Vem,, tamanho era o número de pessoas que a frequentavam. Os rapazes, apoiados nas paredes, observavam as moças, que paravam para se olhar nos espelhos bisotados da loja A Royal. Paqueras e namoros começavam embalados pelos filmes do Cine Teatro Helena ou ao som de grandes nomes da música brasileira que marcavam presença na Rádio Tupaciguara, como Nelson Gonçalves, Francisco Alves, Ângela Maria e Nalva Aguiar, tupaciguariense de nascimento.

Prédio onde funcionava a famosa Rádio Tupaciguara e o Cine Teatro Helena, um dos primeiros da região

Colaborou: Gustavo Aguiar


Fim da greve

SEPARADOS

PELA MESMA CAUSA

Eleições da Associação dos Docentes e derrotas judiciais dos servidores dividem o movimento grevista e contribuem para a volta às aulas depois de 63 dias de paralisação Nayra Thyemi

Felipe Giacomelli Lílian Pessoa Vívian Rodrigues Um movimento unido. Essa era a proposta inicial da paralisação dos professores e funcionários, que pretendia garantir o pagamento da URP. Mas, ao longo do tempo, a realidade se mostrou bastante diferente. Os desafios lançados durante a batalha pela gratificação evidenciaram as divergências existentes dentro dos grupos que protagonizaram a iniciativa grevista. Os professores seguem recebendo os 26,05% sobre o salário devido a uma liminar do Supremo Tribunal Federal, até o julgamento definitivo. Os funcionários, porém, perderam o direito à gratificação, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e devem entrar na justiça com liminar. Na segunda-feira, 10 de maio, em assembleia com mais de 500 presentes – que fizeram fila fora do Anfiteatro 9 para poder votar – os professores decidiram encerrar a paralisação. Foram 268 votos a favor da volta às aulas, contra 261, além de seis abstenções. Os docentes terminaram o movimento enquanto ainda havia mobilização, evitando que os departamentos retomassem as atividades unilateralmente, como já estava acontecendo. “O que influenciou o fim da greve foi a falta de perspectiva de para onde levar o movimento”, analisa o professor Sadi dal Rosso, do Departamento de Sociologia. Já os funcionários, até o fechamento desta edição, permaneciam em greve. Durante a paralisação, tanto a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) quanto o Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), representantes das categorias em greve, viramse expostos aos desgastes provocados pelo processo. Ao longo das assembleias, o posicionamento da diretoria da ADUnB – que procurava encaminhar discussões para o fim da paralisação – tornou-se oposta à opinião de parte dos professores do comando de greve, que pretendiam continuar parados. “A greve não é em solidariedade aos servidores. Professores e servidores compõem uma única categoria”, afirma o professor Rodrigo Dantas, do Departamento de Filosofia, um dos integrantes do comando de greve a favor do movimento. A divergência na categoria ficou ainda mais clara por causa da campanha eleitoral para a diretoria da Associação dos Docentes. Os dois grupos em disputa

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Divergências entre membros do comando de greve, como Rodrigo Dantas, e a diretoria da ADUnB foram recorrentes durante a paralisação

pelo controle da entidade participavam do comando de greve. A Chapa 1, Plural e Independente, representava o mesmo grupo que está na diretoria da ADUnB. O professor Ebnezer Nogueira, candidato à presidência, é o vice-presidente da atual gestão. Já a Chapa 2, Participação e Luta, da oposição, foi encabeçada por Maria Auxiliadora César, professora aposentada do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam). “O conflito de ideias dentro da ADUnB é salutar, seria horrível se todos pensassem igual”, opina Maria Auxiliadora. As eleições aconteceram dias 18 e 19 de maio, depois do fechamento desta edição.

Decisões controversas A direção da ADUnB provocou polêmica entre os professores em duas ocasiões. A primeira, quando convidou os docentes para o Happy Hour da Vitória, em comemoração à concessão da liminar pelo STF que determinava o pagamento da URP à categoria. O convite foi enviado logo após os funcionários perderem na Justiça o direito à gratificação. “O happy hour não teve nada a ver com a situação

dos servidores”, declara Flávio Botelho, presidente da associação. Outra controvérsia foi um comunicado distribuído na assembleia de 7 de maio. No documento, a instituição afirmava que estudaria a possibilidade de pedir na Justiça o impeachment do presidente Lula e a prisão do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Paulo Bernardo, do advogado-geral da União, Luís Adams, e do reitor José Geraldo. A atitude foi duramente criticada. O professor Antônio Sebben, ex-presidente do sindicato, afirmou que a nota foi irresponsável. “Poderia ter sido uma molecagem, mas quem assina é a diretoria da nossa entidade”, diz. Os próprios diretores da Associação dos Docentes ficaram confusos quando viram o comunicado. “Nós não sabíamos da nota. Foi uma decisão unilateral do Flávio Botelho”, afirma Ebnezer Nogueira. Em contrapartida, Botelho explica a polêmica decisão: “Fui eu quem fiz a nota junto com dois outros diretores da ADUnB. O professor Ebnezer não sabia. Íamos para uma negociação [com o MPOG] que chamava nosso movimento de ilegal.” v

Divisão entre funcionários Embora o Sintfub expresse um pensamento mais homogêneo se comparado ao da ADUnB, suas divergências ganharam força por conta do imbróglio judicial que excluiu os servidores sindicalizados do julgamento pela manutenção da URP. Os funcionários pagaram taxa mensal pelo serviço prestado pelo escritório Wagner Advogados Associados. A decisão do TRF despertou desconfiança entre os membros e a diretoria do sindicato. A pressão para que a assessoria jurídica agilizasse o pedido de liminar aumentou a tensão entre os sindicalizados, gerando embates internos. Outro conflito enfrentado pelo Sintfub é a falta de consenso quanto à participação dos trabalhadores terceirizados, que não recebem a URP, no comando de greve. “Eu sou contra. No comando devem estar aqueles que estão em greve”, afirma o diretor executivo do sindicato, Luís Carlos de Sousa. Os terceirizados defendem sua participação. Esse é o caso de Francisco Matos, que faz parte do comando de greve e da diretoria do Sintfub. “Para o público, todos nós somos servidores, sem discriminação”, argumenta. (V.R.)


MAPA DA VIOLÊNCIA

Segurança na Universidade

Dados inéditos mostram locais onde frequentadores do campus Darcy Ribeiro estão sujeitos a crimes como roubo, estelionato, atentado ao pudor e calúnia

Marcela Mattos Ainda que estacionamentos e locais ermos do campus Darcy Ribeiro sejam conhecidos como perigosos, é dentro de salas de aula e laboratórios que ocorrem mais de 60% dos casos de agressões físicas e verbais. Essa é uma das revelações do levantamento feito pelo Campus na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) entre o início de janeiro de 2008 e o dia 8 abril de 2010.

O conto do vigário Para o diretor de Segurança, uma das maiores dificuldades é reconhecer os criminosos dentro do campus. “Eles andam vestidos como estudantes, carregando mochilas e cadernos”, explica Souza. Além disso, são bons de papo. Discreto, o famoso 171 também ronda a Universidade. Os índices de estelionato e fraude nas agências bancárias são ultrapassados apenas pelos casos de furto e roubo.

Além desses problemas, quem transita pela Universidade também sofre com a grande quantidade de furtos e roubos. Dos 287 casos, 65% são referentes a bicicletas, carros e motocicletas. Os estacionamentos do Minhocão e da Faculdade de Tecnologia são os mais visados pelos criminosos. É pela manhã que os assaltantes preferem invadir os veículos, mais precisamente entre 10h e 12h. Para o diretor de Transporte e Segurança da Prefeitura do campus Darcy Ribeiro, José Sérgio de Souza, esse dado é uma surpresa. “A informação que nos chegava era de mais ocorrências à tarde e à noite”, afirma.

De acordo com o delegado da 2ª DP (Asa Norte) Cláudio Ota, uma das ações mais comuns dos golpistas é a da recompensa. Após a vítima ter retirado dinheiro, o estelionatário deixa a própria carteira cair propositalmente. Quando a vítima a pega do chão e devolve, ele diz que dentro tem muito dinheiro e quer recompensá-lo pela boa atitude, convidando-o para ir à empresa receber a gratificação.

Mesmo a recorrência sendo no turno matutino, a verdade é que não existe horário ou local que inibam a ação dos assaltantes. Em 2008, o estudante de sociologia Alan Schvarsberg teve três bicicletas roubadas. A primeira, às 15h, estava presa no corrimão da rampa de entrada da biblioteca. Os 10 minutos que ficou lá dentro foram suficientes para os ladrões conseguirem quebrar o cadeado e fugir.

Chegando ao local, o golpista indica a sala, informando que não é permitindo entrar com a bolsa. Iludida, a pessoa abandona todos os pertences – e dificilmente os verá novamente. “Os criminosos que praticam esse tipo de crime normalmente vêm de outros estados. É muito difícil prendê-los”, explica o delegado.

As outras duas estavam dentro do Centro Acadêmico de Sociologia. “Meu pneu furou e tive que deixá-la no CA. Lá tem uma salinha fechada, e só eu e um amigo tínhamos a chave. Quando fui buscar no dia seguinte, deparei com a porta arrombada. Levaram de novo”, narra. Depois disso, o estudante comprou uma bicicleta

SAIBA MAIS

culdades, os casos de estupro e atentado violento ao pudor acontecem mais à noite, nas proximidades da L2 Norte. O último estupro registrado ocorreu em março deste ano, às 20h40, na 606 Norte. Em abril do ano passado, outro crime, atentado violento ao pudor, foi cometido às 21h, na 607.

de R$ 80, para não chamar atenção - mas não adiantou. Alan foi roubado pela terceira vez, e teve de arcar com um prejuízo total de mais de R$ 3 mil.

Agressão contra a mulher Enquanto registros de atos obscenos são corriqueiros pela manhã e dentro das fa-

Algumas semelhanças entre as agressões levam a crer que a mesma pessoa tenha agido nos dois casos. O mesmo retrato falado, feito pela Polícia Civil, foi apresentado às vítmas. Ambas avaliaram o grau de semelhança entre o criminoso e o retrato com a nota oito. Por enquanto, a polícia não conseguiu encontrar o suspeito, mas, aos poucos, as investigações avançam. William Aguiar, amigo de uma das vítimas, luta pela prisão do culpado. Ele revela que, após rastreamento da polícia, o celular da última jovem violentada foi encontrado com uma família em Planaltina. “Nos contaram que o celular foi comprado na rodoviária. No momento a polícia está à procura do vendedor”, diz. Pedindo socorro por e-mail, ele solicita a quem tiver alguma ideia do paradeiro do suspeito, que contate os policiais. “Eles precisam muito da sua ajuda e irão investigar toda e qualquer denúncia”. v

Os criminosos andam disfarçados de estudantes, carregando mochilas e cadernos” José Souza, diretor de Segurança do campus Darcy Ribeiro

Faculdade de Educação

Destaque de ato obsceno Horário: entre 9h e 11h

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- Ao todo são 621 ocorrências - Acidentes e furtos são recordistas em quantidade: 149 acidentes e 276 furtos em geral - Foram registrados três casos de sequestro em lugares e horários diferentes. Em todos eles as vítimas são homens

Instituto de Artes - IDA

Auditório Multiuso II

85% dos casos registrados no local são referentes a furtos em geral Horário variado

Destaque de lesão corporal Todas as vítimas são do sexo masculino

Faculdade de Tecnologia 2º lugar recordista em furto de veículos Horário: manhã e tarde

Restaurante Universitário

Agência Banco do Brasil

100% dos casos registrados são de furto

87% dos casos de estelionato Horário variado

80% entre 13h20 e 14h

L2 Norte 100% dos casos de estupro e atentado violento ao pudor Horário: entre 20h e 21h

Posto de gasolina

Destaque de calúnia e ameaça Horário: tarde

Faculdade de Estudos Sociais Aplicados - FA

67% das ocorrências registradas no local são de furto de veículos Horário: manhã e tarde

www.flickr.com/photos/marcosmorce

Faculdade de Saúde Destaque em ato obsceno Horário: manhã

Casa do Estudante Universitário

Destaque para localização de veículos furtados Horário: manhã e tarde

Minhocão Recordista em furto de veículo Horário: entre 10h e 12h

Faculdade de Educação Física Recordista em roubo a transeuntes 70% das vítimas são mulheres

Biblioteca Central 80% dos acidentes de trânsito foram à tarde

Pavilhões

70% das ocorrências registradas no local são de furto de veículos Horário: manhã e tarde

L4 Norte Recordista em acidentes de trânsito

Centro Comunitário

Destaque de furtos de veículo e celulares nas festas Horário: entre 23h e 5h

Marcos Morce

Recordista em casos de lesão corporal Horário: noite

Centro Olímpico

Colina

Único caso de remoção de cadáver

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Ultra-velozes

NA PISTA DO SUCESSO As histórias dos jovens pilotos brasileiros que iniciam carreira no Distrito Federal, conquistam o país e chegam às competiçõess internacionais, sempre de olho na Fórmula 1 Mai Dornelles

Felipe Giacomelli

Preparar-se a vida toda para receber uma oportunidade em que os milésimos de segundo fazem a diferença entre o sucesso e a derrota: essa é a realidade dos pilotos de automobilismo. Um esporte caro no qual cada chance dada por uma grande equipe é o último momento de o piloto mostrar serviço. Os números comprovam a popularidade no DF. A Federação de Automobilismo do Distrito Federal (FADF) tem 820 filiados, em uma população de 2,5 milhões. Muito se comparado ao estado de São Paulo, com 1.501 associados de um total de 40 milhões de habitantes. Um dos pilotos do DF é Nathan William, que se recupera de uma cirurgia recente por um problema na perna. Ele tem um fêmur menor que o outro. No quarto, os troféus dividem o espaço da estante com um caderno da Ferrari, caprichosamente escondido embaixo de um álbum do desenho Pokémon. A televisão ligada em um canal infantil entrega a pouca idade do menino: nove anos. Para conseguir entrevistar o garoto, foi necessário ganhar uma disputa desigual com um personagem animado que pode se transformar em dez monstros diferentes. Mas bastou perguntar sobre as vitórias de Nathan para que ele começasse a falar. Contou sobre a corrida em que liderava, caiu para terceiro lugar faltando duas voltas, mas se recuperou após ultrapassar por fora os rivais. Empolga-se ao falar dos treze segundos de diferença uma eternidade no automobilismo - para os adversários em outra prova.

Nathan William exibe os troféus que já ganhou em apenas um ano de carreira no kart

Com todos esses feitos, é natural perguntarmos se o problema na perna o prejudicou: “Até ajudou! Assim eu não conseguia alcançar o freio”, diz o menino com a resposta na ponta da língua. Foi justamente o tamanho do osso que determinou o início no kart, o primeiro desafio para os pilotos em começo de carreira. Nathan queria jogar futebol com os amigos, mas não conseguia. Para evitar o sedentarismo, o jeito foi o automobilismo. O menino conta com as dicas de Vitor Meira, que atualmente compete na Indycar e ficou entusiasmado com o talento do jovem ao vê-lo nos primeiros treinos. Assim, a carreira já bem assessorada está planejada: retorna às competições em agosto, fica no kart até os 15 anos, mas começa a treinar de Fórmula 3 um ano antes. Nathan, assim como todos os meninos que começam no

automobilismo, sonha em chegar à Fórmula 1. Ele se espelha em Felipe Nasr, outro brasiliense com o mesmo objetivo. Vindo de uma família de 30 anos no automobilismo brasileiro, Felipe conta como aproveitou a primeira oportunidade para chamar atenção: “O Augusto Farfus [piloto da BMW no Mundial de Carros de Turismo] convidou a equipe do meu tio Amir [Nasr], para competir na Fórmula BMW Americas. Eu consegui um pódio em Interlagos. Depois fui chamado para um teste no dia seguinte à final mundial da categoria e bati o recorde da pista que o campeão tinha marcado durante a competição”, afirma. O treino rendeu a Felipe Nasr a oportunidade de disputar o certame europeu de F-BMW, sagrando-se campeão. No final de 2009, assinou com Steven Robertson

A convocação dos jogadores brasileiros para a Copa em 140 caracteres

Twittando

“Cada um montou sua casinha e botou o tijolinho. Teve algumas que eu fui o lobo mau e assoprei” Twitter falso do técnico Dunga, citando uma frase dita pelo verdadeiro comandante durante a convocação da equipe

“O Brasil não concordou com a Seleção do Dunga, mas a concordância nunca foi uma preocupação para ele”

Tirinha

por Felipe Matheus Pineda

Maurício Ricardo, cartunista e humorista do site charges.com

8

e Kimi Raikkonen, campeão da F1 em 2007, para a disputa da atual temporada da Fórmula 3 inglesa.

Chegando lá O campeonato britânico é o objetivo de Yann Cunha, de 19 anos. O brasiliense ainda disputa a versão sul-americana de Fórmula 3, mas já mira a terra da rainha. Em meio a risadas, ele entrega o pai, que financiou toda a carreira: “Ele gosta [de automobilismo] até mais do que eu”. Situação oposta à que viveu Luiz Razia, que percorreu categorias menos badaladas como a Fórmula 3000 Master e a Fórmula 3000 italiana. “Minhas opções não foram feitas procurando visibilidade e sim correndo em categorias mais baratas. Mas chega uma hora que tem que estar na GP2 para mostrar resultado”, explica por email o piloto que vai disputar a categoria, considerada o último degrau antes da F1. Baiano, nascido em Barreiras, a 871 quilômetros de Salvador, Luiz veio para Brasília em 2004. Começou a curta carreira no Kartódromo do Guará, assim como Nathan, Felipe, Yann e tantos outros. Hoje, vivendo na Inglaterra, o atleta está ainda mais próximo de alcançar o sonho compartilhado por todos, pois é piloto de testes da equipe Virgin na F1, esperando ser titular na próxima temporada. v

820

é o número de pilotos registrados no DF

“Se existisse twitter em 2002, a campanha para ir para a Copa teria sido muito maior. Quem sabe teria dado certo” Romário, ex-jogador da Seleção Brasileira “Dunga também é cultura. Jogadores de futebol aprenderam a falar uma palavra nova: coerência. O significado fica para depois” Marcelo Tas, apresentador do programa CQC, da TV Bandeirantes

“Defina em uma só palavra a não ida de Paulo Henrique Ganso para a Copa da África? Pena” Ronaldo, atacante do Corinthians, em resposta a um leitor.

“Lista estranha com gente esquisita” Maurício Noriega, comentarista do canal SporTV.

CAMPUS ANO 40 - Edição 346  

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