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4ª Edição da Mostra Luta começa dia 5 de novembro

Suplemento Infantil

{pág 09} Novembro de 2011 Edição Nº 14

Movimentos populares se unem na luta por trabalho e moradia na região de Sumaré

Atenção | entrevista

Ocupação Dandara do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, em Hortolândia e trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô, em Sumaré, realizaram atos nas cidades

Conheça Élzio, carpinteiro, produtor rural e assentado da Comuna da Terra Elizabeth Teixeira {pág 16} Seguro-desemprego tem novas regras {pág 03}

Operação tenta calar a voz das rádios {pág 11} www.jornalatencao.org.br


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/opinião Fotos: Natasha Mota

Editorial

De que lado está a lei?

Uma coisa está mais que óbvia: a justiça brasileira está a favor dos ricos e contra os pobres e trabalhadores. Se um pobre comete um delito, fica jogado na cadeia durante anos. Se um rico rouba milhões dos cofres públicos, passa no máximo algumas horas detido e já é liberado. Se um rico invadir irregularmente terras públicas pra plantar cana, soja ou laranja pra exportação, pra gerar lucro pra meia dúzia, e assim financiar campanhas dos políticos, ele pode. A justiça fica do lado dele. Se um trabalhador quiser ocupar um pedacinho de terra pro sustento da família, ele leva porrada da polícia. E com ordem do Juiz! Se um trabalhador ocupar uma terra que está há anos parada, como foi o caso dos trabalhadores da ocupação Dandara do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto em Hortolândia, ele não pode. O juiz, o prefeito e a polícia ficam contra ele. Agora, se o dono do terreno – rico como o juiz e o prefeito – quiser deixar a terra parada durante anos, com o único objetivo de valorizar essa terra, pouco se lixando pros tantos brasileiros que não tem um teto pra morar, ele é ajudado pela justiça. No caso da ocupação Dandara em Hortolândia, o juiz nem aceitou que o proprietário sentasse pra conversar com o movimento e chegar a um possível acordo. Se um trabalhador quiser manter seu emprego, quando o patrão bandido não paga seus direitos e salários, a justiça atrapalha. É o caso da fábrica ocupada Flaskô. Está há 8 anos sendo gerida pelos trabalhadores e o judiciário insiste em leiloar máquinas da fábrica. Agora também quer novamente penhorar o faturamento. São muitas as injustiças cometidas pela justiça brasileira. Nesse número do jornal Atenção mostramos a luta de comunidades, coletivos e trabalhadores contra a violência do estado no Brasil e no mundo. Com a união cada vez maior dos movimentos populares da região, o Jornal Atenção passa a mostrar cada vez mais o que a imprensa burguesa não vai mostrar.

Jornal Atenção – Publicação da Associação Centro de Memória Operária e Popular - Tiragem: 5.000 exemplares Edição Coletiva - Fábrica Ocupada Flaskô | Coletivo de Comunicadores Populares | Coletivo Miséria redacao@jornalatencao.org.br- jornalatencao.org.br Telefone: (19) 3854 7798 / 3832 8831 / 3864 2624

Despejo da ocupação Dandara do MTST (24/10/2011)

Reclamação!

Esgoto em Sumaré é a céu aberto

Um morador do mando de um probleParque Bandeirantes ma em seu bairro. enviou um carta para “Esgoto no Parque nossa redação, recla- Bandeirantes existe?

Existe da casa até o muro e depois corre a céu aberto pelas ruas até as partes mais baixas do bairro. E nem pensar em andar nos dias de chuva nas avenidas, pois você vê

até canoa deslizando pelas ruas nas águas. Eu me pergunto até quando vai continuar assim?”, reclamou o morador.


/brasil

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ROLETA BRASILEIRA

Com as novas regras impostas ao seguro-desemprego trabalhadores brasileiros sofrem mais um ataque É verdade que o desemprego é o pior cenário para o trabalhador. É quando ele quer vender sua força de trabalho, mas não consegue. O que faz da situação tão grave não é a falta de trabalho, mas a necessidade de uma renda, que de outro modo o trabalhador não tem se não vendendo sua força de trabalho. Com a desculpa de combater fraudes e agilizar o sistema de emprego, as novas regras impostas ao sistema de seguro-desemprego são apenas mais um ataque aos direitos dos trabalhadores. O Governo Federal determinou que para ter direito a esse benefício, o brasileiro precisa antes tentar encontrar um trabalho em pelo menos três empresas. No momento em que o trabalhador pede o seguro-desemprego, o nome e o perfil profissional constam automaticamente no cadastro do Sine, um cadastro online que contém vagas oferecidas por empre-

sas e comércios locais. O novo sistema já está funcionando no Piauí. Os dados serão cruzados e, se identificadas oportunidades, o trabalhador tem de fazer a entrevista sob pena de ficar sem o benefício. "Se, por duas vezes, o trabalhador for convocado para aquela vaga de emprego e não aparecer, sem justificativa, o seguro é cancelado", explicou Paula Mazulo, da Superintendência Regional do Trabalho. Para as novas formas de organização do trabalho, em que reinam as terceirizações, a flexibilização das leis trabalhistas e os contratos temporários, as novas regras do seguro-desemprego caem como uma luva. Se antes o trabalhador tinha ainda um refúgio no seguro desemprego como forma de, em muitos dos casos, não aceitar condições mais precárias e predatórias de exploração do trabalho, agora querem tirar dele até mesmo esse direito. Os patrões cavam o buraco cada

vez mais fundo, e o governo empurra os trabalhadores para o abismo. As novas medidas do seguro-desemprego contribuem para a perda de direitos: cada vez mais contratos temporários, cada vez menos efetivos. Dessa forma gira a roleta brasileira. Se o Governo se mostra preocupado com as fraudes, por que não combate os contratos temporários permanentes?

Para onde vai a grana do FAT? O FAT é o Fundo de Amparo ao Trabalhador. É de onde sai a grana para pagar o seguro-desemprego. O Governo diz que tomou essa decisão de impor novas regras para evitar as fraudes que aconteciam em todo o país. Mas a quem realmente servem estas reformas? Por acaso essa “economia com as fraudes” será revertida em mais direitos ou benefícios aos trabalhadores? Por acaso faz parte de um conjunto de medidas para aumento dos salários? Vemos que não. Recentemente, por exemplo, imensas quantias de dinheiro do FAT foram desviadas para ampliação da planta produtiva da empresa JBS (o maior frigorífico do planeta) em Lins-SP. Como divulgamos na edição passada, essa empresa é campeã em condições precárias de trabalho, acidentes graves e mutilações.


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/brasil

Santuário dos Pajés luta contra a especulação imobiliária no Distrito Federal A comunidade indígena Santuário dos Pajés habita há 40 anos uma das últimas áreas de cerrado nativo do Distrito Federal. Esta comunidade exige demarcação de uma área de 50 hectares no local. Mas o interesse de grandes construtoras quer acabar com isso. As empreiteiras querem construir um bairro para pessoas de altíssima renda na região. O Laudo Antropológico da área, encomendado pela Funai, ficou pronto e concluiu que a área é tradicional. Recomendou-se que o processo de demarcação fosse iniciado para regularizar a área em favor da comunidade Santuário dos Pajés. Após essa informação, a direção da Funai afirmou publicamente que o estudo é fraco e em seguida sumiu sem pronunciar-se sobre a demarcação ou encaminhar o laudo para os órgãos legais. Desde então algumas questões acirraram ainda mais o conflito. A Emplavi, empresa especialmente interessada em retirar a comunidade indígena do local, invadiu a área em processo de demarcação e iniciou a construção irregular de um prédio. A comunidade buscou apoio e começou a organizar ações contra as irregu-

laridades da Emplavi. Um grupo amplo de apoiadores do Santuário dos Pajés passou a fazer ações em defesa da demarcação dos 50 hectares reivindicados. A Emplavi realizou manobras legais, avançou em decisões jurídicas e recomeçou a construção. O movimento radicalizou suas ações e no dia 12 de outubro reocu-

pou a área, destruindo as construções já realizadas. Na manhã do dia 13, a Construtora Brasal, em solidariedade à Emplavi, invadiu uma área a menos de 100 metros do núcleo do Santuário dos Pajés. A segurança privada da empresa, junto com a polícia, realizou um conjunto de agressões muito mais

violentas. Dezenas de pessoas ficaram feridas, um apoiador teve um corte na cabeça, um indígena foi espancado até ser rendido e preso. Outro apoiador foi desmaiado também sob detenção. A construtora passou com o trator nas estradas de acesso ao Santuário dos Pajés, de forma que não se pode chegar de

carro ao local. Apesar dos ataques das empresas e do estado, a luta dos moradores e apoiadores continua na região. Pra ver mais acesse http:// sagradaterraespeculada. blogspot.com/ (fonte: passapalavra.info; texto de Paíque reescrito por Jornal Atenção)


/brasil

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Bancários fazem maior greve dos últimos 20 anos Os bancários fizeram a maior greve dos últimos 20 anos, fechando mais de 9 mil agências e locais de trabalho durante 21 dias, em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal. Realizaram piquetes, atos e passeatas em várias cidades e se solidarizaram com a greve dos trabalhado-

res dos Correios. “Durante a greve, enquanto os bancos privados ameaçavam os trabalhadores e promoviam práticas anti-sindicais (como de costume, aliás), a mídia tratava de buscar reverter o apoio da população ao nosso movimento, incitando o governo a descontar o salário dos trabalhadores em greve”, nos contou Rafael Prata, bancário. Os bancários resistiam e ampliaram a mobilização. Os bancos retomaram as negociações com os bancários, após 17 dias de greve. A proposta - que foi aceita pela categoria nas assembléias – chegou

em 9% de reajuste salarial (1,5% de aumento real), aumento do piso (entre 10% e 14%, dependendo do banco) e PLR maior do que em 2010. “Não conseguimos avançar mais porque o governo Dilma orientou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a endurecer contra o movimento sindical, para deleite dos bancos privados. Usou os companheiros dos Correios como boi-de-piranha de uma política contrária aos reajustes salariais - política que tende a se aprofundar nos próximos anos, devido ao desenrolar da crise capitalista mundial.”, afirmou Prata.

Trabalhadores se mobilizam por salário, melhores condições de trabalho e contra a privatização dos Correios A greve deflagrada em setembro pelos trabalhadores faz parte da campanha salarial da categoria. Os trabalhadores exigem aumento salarial para compensar a perda sofrida pela categoria desde 1994 no salário real além de melhores condições de trabalho. Mas além dos direitos reivindicados pela categoria, os trabalhadores lutam contra a política de privatização do governo iniciada nos governos FHC e que os governos seguintes, do PT, continuam a fazer. Funciona assim: o governo não dá os reajustes e aumentos da categoria, deixa a empresa quase quebrada e

precariza o serviço público ao ponto da população e dos trabalhadores não mais suportarem a situação. Daí propõe a privatização da estatal como solução e, em boa parte das vezes, essa privatização é financiada com o próprio dinheiro público (do BNDES e/ ou Fundos de Pensão). Isso aconteceu com Telesp (virou Telefonica); Vale do Rio Doce (virou Vale); Embraer e CSN (essas duas mantiveram o nome), etc. E a mesma coisa o Governo pretende fazer com os Correios (Empresa de Correios e Telégrafos – ECT). Em nome da agilidade e eficiência do serviço ocorre a

privatização. Mas quem paga a conta? Em primeiro lugar é a população em geral, mas depois principalmente são os trabalhadores que perdem seus direitos e passam a trabalhar sem estabilidade. Em nome da eficiência do serviço ocorre um aumento da exploração dos trabalhadores. Mas o que se esconde por trás de tudo isso é o grosso das finanças que vai para os patrões em forma de lucro ou de repasse do governo ao invés de se repassado para saúde, educação, saneamento básico, habitação, ou para o próprio serviço dos Correios.

Manifestação dos trabalhadores: “Por um Correios público e de qualidade. Fim da exploração. Não à privatização.”


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/mundo

Ocupações tomam ruas e praças em mais de 70 cidades nos Estados Unidos Wall Street é o centro financeiro do Mundo. Lá, todos os bancos poderosos do planeta se reúnem e planejam as políticas econômicas mundiais. Wall Street fica em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O aumento do preço do feijão no Brasil, a falta de carne em Cuba, o aumento da fome na África. Tudo isso tem a ver com as políticas tomadas por esse centro financeiro. Os países têm pouca autonomia. Se não aceitam as decisões políticas dos banqueiros de Wall Street, sofrem ataques. É o caso de Cuba, Venezuela e outros países. E lá, nesse centro financeiro nos Estados Unidos, milhares de pessoas estão fazendo ocupações de praças, ruas e prédios públicos. Os manifestantes são pessoas que tiveram a casa tomada por não conseguirem pagar as hipotecas durante a crise, são estudantes endividados que desistem dos cursos no meio por não conseguir pagar, são os desempregados e muitos que não conseguem se inserir no mercado depois da crise. Muitos sindicatos e organizações de bairro somaram-se a essa luta. Este movimento surgiu da crise, desemprego e miséria nos Estados Unidos. Os Estados Unidos têm 46

milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. A taxa de desemprego é de 9,1%. A crise começou em 2008 e nunca foi resolvida. Começaram as manifestações em setembro e foram duramente reprimidos pela polícia. Mesmo assim as manifestações cresceram e tomaram mais cidades dos Estados Unidos. Em outubro já eram mais de 70 cidades. Hoje vemos experiências semelhantes no Brasil e em diversos países. Segundo o jornalista Nathan Schneider, os milhares de manifestantes querem criar assembléias do povo, tirar o poder desses poucos banqueiros e políticos que são donos do mundo. Querem um novo tipo de organização política para os Estados Unidos – contra a influência do dinheiro das grandes empresas. (fontes: passapalavra.info, texto de Charles-André Udry “EUA: Occupy Wall Street, prenúncio de um ‘novo bloco social’?” de 16/10/2011 w w w. o u t r a s p a l a v r a s . net, entrevista de Nathan Schneider para o The Nation, traduzido por Vila Vudu, de 6/10/2011)

Primeiro as pessoas

Uma das palavras de ordem desse movimento é «Nós somos os 99%», significando que, neste sistema, há 1% da população que manda e que dele tira as maiores vantagens. Esta relação de 99% para 1% simboliza a repartição da riqueza social produzida nos Estados Unidos. Outra palavra de ordem é «Os bancos foram salvos. Nós fomos vendidos.». Ou seja, é posta em questão a política do governo e dos “senhores de Wall Street”.

Banco Mundial é uma espécie de congresso de agiotas. Os donos

de bancos e políticos mais poderosos do mundo se reúnem para tomar decisões sobre as políticas econômicas do planeta. Depois tentam enfiar goela abaixo dos países. Na grande maioria das vezes o Banco Mundial consegue fazer o que quer.


/mundo

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Dia 15 de outubro foi marcado por mobilização mundial de ocupação de praças

O dia 15 de Outubro de 2011 ficou marcado na história como o maior processo de mobilização política a nível global. A chamada feita pela juventude espanhola, os “Indignados” que ocuparam a Praça do Sol em Madrid no primeiro semestre deste ano e teve eco em todos os continentes. Manifestações massivas contra os efeitos da crise mundial e a insustenta-

bilidade do sistema capitalista se unificaram na bandeira da “Democracia Real”, reunindo milhões de pessoas em todo o mundo. Acampamentos foram armados em praças centrais das principais cidades. Em 82 países foram realizados protestos exigindo mais democracia e se opondo ao poder do capital financeiro. No Brasil, mais de 80 cidades aderiram

à chamada e organizaram atos e ocupações de praças. Em São Paulo, apesar da forte chuva, mais de 200 pessoas ergueram um acampamento embaixo do viaduto do chá e lá permanecem até hoje. Em Porto Alegre, porém, foram quase 2000 indignados. Em Campinas, aderindo à onda de protestos globais e endossado pela profunda crise política existente no

poder público municipal (responsável pela cassação do Dr. Hélio e pelo recente afastamento de Demétrio), um acampamento foi erguido em frente a praça da igreja matriz (ao lado da 13 de maio). Os manifestantes exigem a cassação de Demétrio Vilagra e a efetivação da “Ficha Limpa” para as eleições municipais. Ao mesmo tempo, renegam a democracia

representativa e defendem uma democracia direta, com ampla participação popular. O acampamento de Campinas vem crescendo, com novas barracas chegando a cada dia, e não tem data pra acabar. Tais manifestações, com bandeiras de amplo apelo democrático, estão ligadas a toda uma conjuntura de crise política e econômica.


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/fábrica de cultura

1ª Acampamento Cultural na Flaskô Fotos: Natasha Mota

Moda de viola com os operários da fábrica, roda de Samba, recreação com as crianças, baile nostalgia dos anos 70, oficina de fotografia, churrasco, cervejada, tênis de mesa, futebol, baile sertanejo, bateria da Flaskô, almoços e jantares coletivos e muita confraternização com toda galera que foi convidada. Só tivemos um problema com o transporte que ia trazer o grupo de Teatro Os Inventivos, que não puderam vim, pois a empresa de transporte não apareceu com a van. Mais uma nova apresentação vai ser organizada com esses camaradas. Essa atividade foi chamada de Acampamento, porque organizamos uma retomada de um dos espaços da Fábrica de Cultura & Esportes. Esse espaço estava sendo mal utilizado pelo professor de judô, descumprindo todas as decisões do coletivo do espaço cultural. Inclusive há pouco tempo, esse professor trocou as fechaduras, ameaçou dizendo que tinha ocupado o espaço e que queriam ser os “proprietários”, contradizendo tudo que a gente defende no

Movimento de Ocupação de uma Fábrica. A decisão dos trabalhadores é coletivizar o espaço cultural, abrindo para novas atividades de esportes. Já tivemos diversos voluntários que ensinavam capoeira, tênis de Mesa, futebol, aulas de jogos de tabuleiro, recreação infantil, basquete, skate, teatro, cinema e vários outros grupos que estavam se aproximando. Mas numa forma impressionante o professor de judô conseguiu brigar com todos eles, causando o encerramento de todas essas atividades. Esses camaradas professores voluntários alegaram que enquanto o professor de judô estivesse no espaço eles não poderiam continuar. O impressionante é que foi unânime e todos saíram, todos! Mas agora o espaço foi re-ocupado e tenham certeza que vai ser socializado, pois defendemos que o espaço seja público, seja da comunidade que não tem acesso a cultura e ao esporte. Venham todos e todas, ainda estamos acampados aqui, mobilizados pra defender o espaço coletivo.

Fórum de Dependência Química da Área Cura aconteceu na Flaskô No dia 20 de outubro aconteceu na Flaskô o Fórum de Dependência Química da Área Cura, organizado pelo Posto de Saúde do Parque Bandeirantes, além de outros colaboradores, como a prefeitura, igrejas e a fábrica ocupada Flaskô. O Fórum teve como objetivo principal colocar em contato diversos setores da comunidade que atuam na prevenção e nos cuidados com dependentes químicos e dependentes de álcool. Foi importante para conhecer os diversos

tratamentos e as condutas que os trabalhadores da saúde têm com essas pessoas, da abordagem inicial até a necessidade de internação. Foi discutido também a necessidade da criação de um Centro de Vivência da Área Cura, que tem a função de atender a comunidade dando auxilio psicológico à família e aos usuários de drogas. Foi reafirmado também a importância de atividades de lazer e formação na comunidade, como acesso à cultura e es-

portes, pois mesmo não tendo ligação direta com o combate ao uso de drogas, servem para manter longe do tráfico crianças e adolescentes. Vale ressaltar que o Fórum trouxe como ponto positivo a união de vários setores da comunidade que ainda não se conheciam, o que pode servir para articular melhor futuras parcerias na Área Cura. Esta experiência deve ser levada para as demais regiões de Sumaré, é o que esperam os organizadores.


/luta pela comunicação

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4ª Edição da Mostra Luta começa dia 5 de novembro No Xingu, indígenas, agricultores e ribeirinhos poderão ser expulsos para a construção de uma grande hidrelétrica, mas estão resistindo. No Rio de Janeiro, famílias exigem Justiça contra o Estado que exclui e extermina. Na região de Campinas, trabalhadores fazem ocupações reivindicando terra e moradia, enquanto os operários da Fábrica Ocupada Flaskô lutam para manter o controle operário e a produção. Em todos os lugares vemos movimentos de grupos se organizando contra a opressão, a exploração. Mas isso não sai no Jornal Nacional, não sai na maioria dos cinemas e nem está na prateleira da maioria das locadoras. Quando alguns grupos de comunicação popular se reuniram em Campinas para exibir trabalhos que dão visibilidade a esses processos, foi criada a Mostra Luta. O evento, organizado pelo Coletivo de Comunicadores Populares, chega em sua quarta versão e traz, além de filmes, quadrinhos, teatro, fotografia,

música e debates. Do dia 5 ao dia 13 de novembro serão exibidos e discutidos temas que falam destas realidades. Falaremos de diferentes conflitos como esses citados no início do texto, além de outros. Junto a isso, a Mostra Luta trará a discussão sobre a memória da luta dos trabalhadores e movimentos sociais, com debates, exposições e exibição de filmes clássicos. A Mostra acontecerá no MIS (Museu da Imagem e do Som), em Campinas, localizado na Rua Regente Feijó, 859, Centro (Próximo à Catedral). A entrada é franca, claro! Todo mundo colando lá!

Programação: 5/11 16h- Mesa de debate- A Memória da Luta dos Trabalhadores. 18h- Abertura das exposições de fotografias, quadrinhos (organizado pelo Coletivo Miséria) e materiais históricos do Centro de Documentação Vergueiro. 19h30- Filme clássico “Braços cruzados, máquinas paradas”, com a presença do diretor Roberto Gervitz. 6/11 14h- Filme “Videolência”. 16h- Mesa de debate - Reflexões e Propostas sobre a luta do vídeo popular no Brasil. 19h30- Ensaio aberto “Espaço de conflito”- Cia Estudo de Cena.

9/11 19h30- Filmes: “Universidade em Crise” (clássico), “Nem santas, nem putas (um dia de Marcha das Vadias)”, “Mulheres em movimento”, “Passeata contra a onda de estupros em Barão Geraldo!”, “Bailão”, “Sem-terrinha em movimento”, “Campanha nacional contra os despejos”,”Criminalizacão do artista - como se fabricam marginais em nosso país”.

12/11 16h- “A luta do povo” (clássico), “Movimento sem-teto ocupa a Prefeitura de Hortolândia, “Nova ocupação do MST em Americana”, “Um dedo de prosa 2”, “Abuella grillo”, “America Lucha”. 19h- Pré-lançamento do filme - “Carlos Marighella: quem samba fica, quem não samba vai embora”.

10/11 19h30- Filmes: “Now” (clássico), “Racismo no Brasil”, “Hiato”, “Luto como mãe”.

13/11 16h- “A pedra da riqueza” (clássico), “Tucuruí, a saga de um povo”, “Flaskô: interesse social”, “Difusão comunitária Heliópolis”, “Migrantes”. 19h30- Encontro Cultural de Encerramento: “Marie Farrar” - Grupo de Teatro Cassandra, Flaskô Grupo de Teatro e Samba de Boa.

11/11 16h30- Filme “Ciclovida”. 19h30- “À margem do Xingu - vozes não consideradas”.

*TODAS AS SESSÕES TERÃO NO MÁXIMO 1h30min DE FILMES.


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/artes

Trabalhos de serigrafia do artista carioca Eduardo Marinho.

Veja mais trabalhos do artista em observareabsorver.blogspot.com

Coletivo MisĂŠria: Para ler mais charges entre em miseriahq.blogspot.com Para ler mais tirinhas entre em tirasdamiseria.blogspot.com

Serigrafia


Suplemento Infantil


QUINOTERAPIA

Quadrinho de Quino, cartunista argentino. Acesse: www.quino.com.ar

Desenho feito pelas crian莽as que participam do curso de Hist贸ria em Quadrinhos, realizado na Flask么, todas quartas-feiras.


Para Colorir


Para mais informaçþes falar com Batata | (19) - 9360-8220


/cultura

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Operação tenta calar a voz das rádios As rádios comunitárias e as rádios livres são meios de comunicação feitos por pessoas comuns, que veiculam suas mensagens, suas músicas, sua arte, suas informações. Serve para a galera das comunidades se comunicar, se ouvir, se identificar e poder receber algo diferente da manipulação das grandes emissoras, que mal conhecem os lugares de que falam. Mas, infelizmente, os Governos não acham isso importante. Segundo Jerry Oliveira, coordenador da ABRAÇO (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias), a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), junto com a Policia Federal, realiza uma grande operação de fechamento das rádios no Brasil. Só na região de Campinas, os agentes tentaram fechar nove emissoras, mas só conseguiram fazer isso com uma. Como já estavam sabendo das operações, os radialistas organizados conseguiram resistir e impedir mais fechamentos. No dia 15/09 a Rádio Muda (rádio livre localizada na Unicamp) recebeu a visita de dois agentes da Policia Federal à paisana. Segundo uma das participantes do coletivo, eles chegaram pedindo para conhecer o lugar, mas deixaram cair uma carteira e foram

descobertos. Mesmo com as autoridades dentro da rádio, os programadores conseguiram retirar o transmissor. Outros agentes tentaram seguir o automóvel que levava o transmissor mas os programadores, no mesmo instante, fizeram uma corrente e não permitiram a passagem deles. Houve uma entrevista filmada com esses agentes que estavam dentro do carro, cobrando a necessidade de permissão da Reitoria para entrar no campus. Vendo que não tinham outra opção, os policiais foram embora. A Rádio Muda, logo depois, continuou sua transmissão (88,5 FM) e continua na luta.

Instalações da Rádio Muda localizada na Unicamp

Para saber mais sobre as rádios comunitárias, acesse abracosp. blogspot.com, para saber mais sobre as rádios livres acesse radiolivre.org. Veja também o vídeo no You Tube - “3 X 1 Rádio Muda”, feito na hora da chegada dos agentes à Rádio Muda.

Ato contra a criminalização das rádios comunitárias em frente à Rede Bandeirantes, em Campinas


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/fábrica ocupada

A Flaskô luta contra a injustiça do Poder Judiciário Mais uma vez a Flaskô sofre um ataque. Mais uma vez este ataque ocorre via Poder Judiciário. Já sofremos diversas tentativas claras de fechamento da fábrica ocupada. Em 2003, quando o patrão abandonou a fábrica, a instabilidade e insegurança eram muito grandes. Os patrões quiseram fechar a fábrica, mas os trabalhadores se organizaram e garantiram a continuidade da produção e da defesa dos empregos. De lá para cá, foram mais de 200 leilões de máquinas, prejudicando a continuidade da Flaskô, tudo para pagar dívidas da época dos patrões. O Poder Judiciário iniciava a contradição de cobrar dos trabalhadores a responsabilidade pela sonegação fiscal dos patrões. Em 2007, o maior golpe contra as ocupações de fábrica veio do Poder Judiciário, com o apoio de 150 Policiais Federais. A intervenção criminosa acabou com o controle operário nas fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC. Tentou-se destruir a Flaskô, mas esta conseguiu resistir e depois de 45 dias sem luz retomou a produção e seguiu como exemplo para a classe trabalhadora. É bom lembrar o que o juiz de Santa Catarina, aliado dos

Foto: Cristina Beskow

Traballadores no ato contra os leilões do dia 7 de outubro

empresários, disse em 2007: “imagina se a moda pega?”. Isso mostra o medo da classe empresarial em relação as experiências de gestão dos trabalhadores sem patrão. Na Flaskô, todos estão cientes de que a luta continua, pois justamente os interesses da classe trabalhadora são contrários aos dos capitalistas. O Estado é seu “co-

mitê de negócios” e o Poder para que as conquistas hisJudiciário é onde muitas de tóricas realizadas a partir da suas decisões são tomadas. Flaskô continuem. Por isso, sabe-se que para garantir seus direitos os traAto público contra balhadores da Flaskô estaleilões e penhoras rão nas ruas, pressionando de faturamento junto com seus apoiadores, moradores da Vila Operária, No último dia 07 de ouda periferia de Sumaré, com tubro os trabalhadores da sindicalistas, militantes do Flaskô estiveram num ato MST, do MTST e do MTD, público no centro de Sumaré

denunciando os ataques do Poder Judiciário. Desta vez, o ataque se deu com o início de mais um leilão de máquina da Flaskô, que caso seja arrematada, levará ao fechamento da fábrica, e o fim de todas as conquistas sociais, como a ocupação da Vila Operária e as atividades da Fábrica de Cultura e Esporte. A dívida do processo em


13 questão é de 1998, da época do patrão. A lei diz que a dívida deve ser cobrada de quem a fez. A gestão operária também explicou que junto com os leilões, as penhoras de faturamento são indevidas, pois já somam mais de 300%, e, neste caso, com base na lei, a Flaskô propôs diversas medidas para resolver a questão, para que os credores, entre eles o Estado, recebam as dívidas deixadas pelos patrões, seja via unificação das execuções fiscais*, seja com a desconstituição da personalidade

jurídica*. A Constituição Federal e as demais leis demonstram que os trabalhadores não podem pagar pelas dívidas dos patrões, ainda mais quando os trabalhadores não têm seu direito de defesa garantido. Quando é para se defender, os trabalhadores não são reconhecidos pela lei como legítimos representantes da Flaskô. Por outro lado, quando é para responsabilizar, criminalizar, a gestão operária é reconhecida pelos Juízes. Ora, tal contradição do Poder Judiciário não pode continuar!

Não há dúvidas de que o que é pedido pelos trabalhadores da Flaskô está na lei e por isso deve ser garantido. Não é esta a função do Poder Judiciário? A Flaskô estará em luta para fazer valer seus direitos e contará com o apoio de todos para que na prática suas conquistas sejam garantidas e assim avançar para a efetiva transformação social. Desta forma, seguem firmes contra o fechamento da Flaskô, dizendo “Juiz, vá cobrar as dívidas do patrão, leiloando sua fazenda e sua mansão!”

O que são: Unificação das execuções fiscais?

Significa reunir todas as dívidas deixadas pelo patrão e pagar mensalmente uma porcentagem do faturamento da fábrica.

Desconsideração da personalidade jurídica?

Significa atingir os bens dos sócios da Flaskô que fizeram a dívida na época do patrão, ao invés de insistir em leiloar os bens da fábrica ou penhorar o faturamento da gestão dos trabalhadores.

Orquestra Filarmônica de Sumaré, que fez apresentação na Flaskô na quarta-feira, dia 26 de outubro de 2011


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/moradia

Após despejo, MTST recebe solidariedade da Flaskô Os moradores do acampamento Dandara receberam a solidariedade dos trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô e estão acampados em um galpão da fábrica, em Sumaré Foto: Fernandão Martins

Carta do MTST a população de Hortolândia após o despejo da ocupação Dandara À população de Hortolândia

Assembléia do MTST na fábrica ocupada flaskô

Depoimento de moradora do Dandara Neste galpão, enquanto acontecia a aula de desenho com as crianças (realizada pelo setor de cultura da fábrica ocupada), na quarta feira, 26 de outubro, o Jornal Atenção escutou o depoimento de Lenilza, 55 anos, moradora da ocupação Dandara: “Tava muito difícil a vida que eu tava levando. Meu marido ganha mil e cem reais e a gente pagava quinhentos reais de aluguel. Eu tenho

3 filhos desempregados e uma neta, tomo dois remédios pra osteoporose, e a vida que a gente levava pagando aluguel era muito dura, o dinheiro não dava, a gente abria a geladeira e tava vazia, passava fome mesmo. Depois que entrei pro movimento, pro MTST, parei de pagar aluguel e nunca mais passei fome. Por isso vou com o movimento onde ele for. O MTST mudou minha vida.”

nas de viaturas a ocupação, para realizar um despejo surpresa. Trata-se de mais um dos inúmeDesde 13 de agosto, centenas de famílias ocuparam o terreno aban- ros ataques ao povo brasileiro, redonado no Jardim Minda em Hor- presentado aí por mais de 800 famítolândia, construindo ali um espaço lias que ali depositam esperança na concreto de luta e resistência frente luta por moradia e vida dignas. A luta deve prosseguir e a resisà opressão diária ao trabalhador que reside na periferia urbana Brasilei- tência será fundamental para a vitória das famílias. ra. Após dois meses de Dandara, a polícia invadiu na segunda-feira OCUPAR! RESISTIR! E MORAR AQUI! MTST! A LUTA É PRA VALER! (24/10) de madrugada com centeFoto: Natasha Mota


/moradia

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Sem Teto com vida

Foto: Natasha Mota

Porque o papo é reto: sem casa e tiro no Sem Teto

Bilhões de pessoas no mundo estão privadas de uma habitação ou de condições mínimas para uma moradia digna. Essa característica revela o alcance da expropriação social do mundo globalizado da mercadoria, que lança seres humanos a um circuito de humilhações e sofrimentos, além de os expor a riscos de morte pela iminência de desmoronamentos, soterramentos, deslizamentos de encostas etc. No Brasil, o problema é crônico. Dados oficiais indicam o déficit de aproximadamente 6,3 milhões de moradias, contestado por muitos pesquisadores e pesquisadoras por não abarcar um quadro de degradação que é maior e mais amplo. Mulheres e homens Sem Teto insurgem-se contra essa situação e descobrem que só um processo coletivo, organizado e diversificado de lutas possibilita erradicá-la. Com isso, passam a atuar como movimentos sociais, organizados politicamente. Essa atuação não contém apenas o clamor de reverter a precariedade material: de alguma maneira, agrega também a expectativa de participar da construção da vida cotidiana em outros termos, sem a expropriação do tempo, do espaço e das capacidades criativas. Diante dessa atuação crítica dos Sem Teto, o sistema econômico e o aparato de poder revelam a barbárie enraizada. O papo é reto: sem casa e tiro no Sem Teto. Destacamos, dentre vários, três fatos violentos envolvendo militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que motivaram a realização desta Campanha. Além do mais, está sendo elaborado um relatório, que apresentará outros fatos violentos e trará mais

Moradores da ocupação Dandara durante despejo no dia 24 de outubro

informações sobre os elencados neste manifesto. No Amazonas, estado assolado pela grilagem, houve uma série de ameaças seguida de tentativas de homicídio ao companheiro Júlio César e a companheira Jóia, integrantes das coordenações estadual e nacional do Movimento. O companheiro Júlio sofreu sete atentados e encontra-se entre as trinta e uma pessoas listadas pela Comissão Pastoral da Terra, no estado, com ameaças de morte geradas da luta por terra ou moradia. Em virtude das ameaças, sua filha recém-nascida permanece escondida. A companheira Jóia foi ameaçada, com arma na cabeça, por policiais militares do Amazonas, que ocultaram a identificação. Em Minas Gerais, no dia 14/06/2011, a companheira Elaine (uma das coordenadoras do MTST no estado de Minas) e sua filha Sofia (de apenas quatro anos) sofreram uma tentativa de homicídio. A menina Sofia só não foi morta porque a arma, apontada para sua cabeça, travou depois de três tentativas. Ao chegar desesperado ao local, o companheiro Lacerda, pai de Sofia, no momento da fuga com a menina foi alvo de disparos que não o atingiram. O comportamen-

to da polícia de Minas Gerais diante do horror transcorrido figura como mais um exemplo da criminalização em curso da pobreza e dos Movimentos Populares, marcado pela seletividade racial. O companheiro Lacerda, vítima de tentativa de homicídio, foi colocado, momentaneamente, na posição de criminoso, por meio da acusação de porte de arma e desacato à autoridade. Alguns companheiros e companheiras que presenciaram o horror e a posterior atuação da autoridade policial sofreram, ainda, ameaças anônimas. No Distrito Federal, o companheiro Edson, da coordenação nacional do MTST, teve sua casa invadida por dois homens, na noite de 6 de setembro, que dispararam 18 tiros. Um dos tiros atingiu o companheiro, de raspão. Meses antes, Edson sofreu um grave constrangimento institucional ao ser arrolado como testemunha de defesa num processo. Inicialmente, foi objeto de uma tentativa de ser conduzido a força para depor. Ao chegar no Fórum, sofreu pressões psicológicas. O episódio foi tão absurdo que o companheiro foi mantido no Fórum após o seu fechamento e ainda sob pressões; só foi retirado do local por causa da manifestação insistente

do advogado, acionado por mensagem telefônica, enviada às escondidas. O estranho ocorrido figura como mais um exemplo da criminalização em curso da pobreza, dos Movimentos Populares, marcado pela seletividade racial. Além dos fatos denunciados, é importante destacarmos o papel dos interditos proibitórios e tutelas inibitórias na criminalização das lutas dos Sem Teto. Esses mecanismos jurídicos já foram utilizados, por exemplo, nos municípios paulistas de Itapecerica da Serra, Taboão da Serra, Embu das Artes, Sumaré, Mauá para coibir o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de se reunir em espaços públicos e prédios dos municípios. Ante o exposto, sem teto com vida. Participem das atividades da nossa Campanha (a serem divulgadas), cujo início acontecerá no dia 4 de outubro de 2011, com um ato público no Senado Federal (Plenário 2, Ala Senador Nilo Coelho), às 9 h. Pedimos que assinem nosso manifesto! MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TETO (MTST) E RESISTÊNCIA URBANA FRENTE NACIONAL DE MOVIMENTOS.


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/luta pela terra

Jornal Atenção | Entrevista Foto: Natasha Mota

Élzio - Muito difícil, né? As pessoa fica tão distante, né? Porque no tempo do Fernando Henrique tinha uma coisa pra nóis conversar, né? Hoje tá mais difícil, o povo tá desinteressado. Atenção - E como você pensa a formação? Élzio – Tem a história de um russo, um ministro russo, que tinha um filho de cinco ano de idade mais ou menos. Daí o filho perguntava pro pai: "Pai, vamo jogá bola na praça?". E o pai respondia "Não!". "Papai, vamo andar de bicicleta?", "Não!". Daí um dia o pai se

aborreceu com o filho, pegou um mapa do mundo, rasgou o mapa inteirinho, e disse pro filho: "O dia que cê conseguir montar esse mapa eu vou sair com você, vou na praça com você" . Uma hora depois volta o menino com o mapa pronto, montadinho. O pai dele disse assim: "Meu filho, foi seus irmão que te ajudou?" "Não, pai" "Foi a mamãe que te ajudou?", “Não, pai. É que do outro lado do mapa tinha a figura de um homem e eu reconstitui o homem. Eu sei onde tá a cabeça dele, as perna os braço e reconstitui o homem. Quando virei tava o mapa pronto". Daí Foto: Natasha Mota

O Jornal Atenção entrevistou Élzio, de 69 anos, carpinteiro, produtor rural e assentado da Comuna da Terra Elizabeth Teixeira, em Limeira - SP.

as crianças. Fazer um viveiro pedagógico, fazer uma carpintaria, né? Fazer junto com os outros companheiros, pra ver se a gente consegue formar as pessoas, o que é muito imAtenção - Seu Élzio, há quanto portante. Pra poder ensinar as tempo você está no MST (Mo- crianças e os demais. Pra ver se vimento dos Trabalhadores a gente consegue retorno, lá na frente, das pessoas. Não retorRurais Sem Terra)? no financeiro, mas retorno das Élzio - Desde 2005. pessoas. Atenção - Por que você entrou Atenção - Então você já entrou no movimento? no movimento pensando na Élzio - Eu entrei no movimen- formação das crianças? to foi por opção, por uma ide- Élzio - Isso. Tamo conseguinologia. Foi pra fazer um traba- do já dar os primeiros passos lho. Um trabalho de base com sobre o viveiro, a estufa e a car-

pintaria. A carpintaria tamo até com um barracãozinho feito já. Atenção - Quantas pessoas estão envolvidas nesse projeto? Élzio - Umas 10 pessoas envolvidas, o pessoal da Unicamp tá junto com a gente. Tá difícil envolver a criançada, mas vamo conseguir, eu gostaria muito de fazer essa formação, tamo tentando há um tempo e agora vamo conseguir. Comprei as lona, fui juntar madeira pra levantar as estruturas... Atenção - E como é que você tá enxergando o Brasil, a política, a luta pela terra...?


/luta pela terra 17 tem aquela mensagem: "Só vamo conseguir melhorar esse mundo quando nóis conseguir reformar o homem, mudar o homem”. Atenção – E como anda a vida, o dia a dia? Élzio - É um desafio pra gente. A gente tem um pique que é de astutar. Eu me assustou com meu pique. Eu levanto todo dia as 5 e meia da manhã. Agora as 4 e meia, né? Nesse horário de verão, famigerado horário de verão queu não gosto não... Aí eu levanto, vou cuidar da minha vida, trabalho duas horas mais ou menos até três horas por dia na horta social...

Atenção - E o que você acha da juventude do movimento? Élzio - A juventude precisa de formação. Eu luto muito pela formação das pessoas. As pessoas vim pro movimento e ter uma formação. Quando eu cheguei no movimento eu já tinha uma formação política, uma formação de vida. A luta nossa é pra formar a mulecada. Atenção - Quer falar mais alguma coisa que você acha importante?

Élzio - De importante... gostaria que as pessoas se engajassem mesmo na luta e deixasse um pouco de hipocrisia. Fosse engajado mesmo na luta com os companheiros, afinal de Atenção - Essa horta social é contas o MST foi formado pra em uma área coletiva? fazer a formação das pessoas e Élzio - Isso uma área coleti- pra ajudar as pessoas mais neva em que nóis tamo fazendo cessitadas. O que eu acho da uma barragem pra fazer uma vida é isso: a gente partir pra horta coletiva... depois eu tra- formar as pessoas e ajudar os mais necessitados. balho no meu lote...

Reforma Agrária não aconteceu no governo Dilma A presidente Dilma não desapropriou nenhuma fazenda até agora desde que começou seu mandato. Já rejeitou 90 processos de desapropriação. Apenas o governo de Fernando Collor tinha ficado tanto tempo sem desapropriar uma área para assentamento rural. Duas ocupações foram rea-

lizadas recentemente na região de Campinas em área grilada pela Usina Ester, em Americana. Infelizmente, a justiça se definiu pela manutenção da posse - mesmo que ilícita - pela Usina Ester. Os trabalhadores rurais que foram despejados se encontram hoje numa área cedida provisoriamente pelo Assentamento Milton Santos.

Poema

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Unidos, presente poesia de André e Isaque, jovens do não vai adiantá, acampamento Helenira Rezende prefeito nem tá vendo. Movimento Sem Terra é o MST. Se depender dos políticos de lá pra cá, Tamos na luta por justiça e ninguém vai isso é um veneno. nos detê, Se chamar a TV pra nos ajudar de mãos dadas, unidos, o latifúndio vaHuuuummmmm, isso já to vendo. mos vencê. Mas chegando lá vão contrariar, Homens, mulheres, crianças, jovens, eu isso é de menos. e você. A noite na portaria, Que vai entrá na luta e ter a nossa vitória. polícia nós tem que vigiá É a conquista de nós todos que vai ficar debaixo do sereno. na história. De dia na portaria Com os pés daquela senhora pra polícia não entrá. que está disposta a marchá a qualquer Usina tá querendo. hora. Leite pra ciranda A marchá por uma vida melhor ninguém quer doá. a qual desce de muitos rostos um cansa- Criança tá querendo. do suor Os corre todos os dias que do lado de fora pra nos alimentá. o latifúndio não tem dó. O povo tá sofrendo. Mas aqui dentro somos unidos e ninguém É correria, todos os dias, vai ficar só. cada colherada que a criança Meu sofrimento eu passo, dava em seu prato ela sorria. passo na união. E se sofremos, sofremos juntos, Minha alegria eu divido, mas se sorrimos, sorrimos todos. divido com meus irmãos. Os grandes do lado de fora A esperança de um dia falam que são maioria, ter um pedaço de chão e que nós aqui dentro, e falar para meus filhos somos a minoria. que conquistei com as mãos. Mas eles não sabem que a cada dia, Na onde no passado e no futuro o movimento cresce. estamos sempre. Nós agradece, movimento black, Quando chega o choque, que tá com nós em nossa casa, ninguém sorridente. também fábrica ocupada, É uma infelicidade e tamos unidos com o que cai na gente. mesmo grito dos excluídos. E a esperança do coração E na luta mudando a nossa vida, deixa o povo valente lutando juntos la via campesina. vendo o barraco e a lona preta esquentá, Índigenas e sem teto, lutando juntos e e as crianças dentro. sérios. E ao escurecer sem coberta vai esfriá. Conte com nós, sempre Mas que sofrimento. porque o acampamento Helenira Rezende, Se for na prefeitura está sempre presente.


18 /galeria - Encontro dos Sem-Terrinha - 29/10 | Fotos: Gabriela Carvalho


No sábado (29/10) aconteceu no Acampamento Milton Santos, em Americana, mais um encontro dos Sem-Terrinha. Este encontro teve vídeos e diversas oficinas, dentre elas de contação de histórias e de bateria, realizada pela bateria da Fábrica Ocupada Flaskô. Também participaram do encontro os estudantes do Coletivo Universidade Popular da Unicamp.


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Trabalhadores Trabalhadores da Unicamp químicos em luta lutam por isonomia

Os trabalhadores do ramo químico em todo o país estão em campanha salarial. Mesmo com crescimentos gigantescos no faturamento e milhões em emprestimos do BNDES para o setor, a patronal pouco quer oferecer aos trabalhadores. A última informação fornecida pelo Sindicato dos Químicos Unificados fala em uma proposta de reposição da inflação e um aumento de 2%. O que significa muito pouco com a escalada dos preços nos alimen-

tos. A cada dia, comida, aluguel e serviços básicos, como energia e telefone, estão mais caros. Este aumento não vai durar 2 ou 3 meses de inflação. A verdadeira pauta para a categoria seria a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas parece que pouco se fez sobre a questão. É necessários ficar de olho. Porque as assembléias serão nos dias 12 e 13 de novembro, e se não tivermos aceitas nossas propostas temos que ampliar a luta.

Doações para salvar o meio ambiente Ajude a Salvar o planeta. A Flaskô, fábrica ocupada, aceita doações de material plástico para reciclagem. O projeto pretende ajudar a retirar o lixo das cidades e ao mesmo tempo, através da reciclagem produzir novos materiais. Entre em contato com com Chaolim, no telefone: (19) 38642139

Os trabalhadores da Unicamp estão em greve desde 18 de outubro lutando por isonomia com a USP (para ter o mesmo salário dos funcionários da USP). A MOBILIZAÇÃO cresce a cada dia.

No site do STU(Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) www.stu.org.br, encontramos as palavras dos trabalhadores: "Sabemos que há dinheiro em caixa, que o ICMS não

para de crescer e que os gastos com as obras dentro da Unicamp estão a pleno vapor, então queremos nossa parte em forma de valorização do trabalhador: ISONOMIA JÁ!"


Jornal Atenção - 14ª Edição