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suplemento Infantil

2ª quinzena de junho de 2011 Edição Nº 11

R$ 0,50 solidário: R$ 1,00

População de Sumaré teme novas enchentes - pág {04}

Rádios comunitárias lutam pelo direito à voz - pág 12

Descoberto esquema de corrupção em Campinas Operação da Polícia Civil e do Ministério Público atinge o alto escalão do governo do Dr. Hélio Pág {03} (PDT) trazendo a público o maior esquema de corrupção da história da cidade.

Foto: João Zinclair

VERGONHA

A luta contra o preconceito através da educação nas escolas - pág {07} Flaskô comemora oito anos sob controle operário - pág {16} Espanhóis protestam e ocupam praças por todo o país - pág {08}

www.jornalatencao.org.br


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/opinião

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Oito anos sob controle dos trabalhadores O Jornal Atenção chega em sua 11ª edição mantendo o foco no trabalhador. Desde a Espanha, passando pela luta por terra, mostrando a corrupção em Campinas e a preocupação dos moradores de Sumaré. Nesta edição você conhece um pouco mais da história da Flaskô, que neste mês de junho completa oito

Na rede

anos de ocupação. Além de manter os empregos a fábrica promove diversas outras funções, como culturais e esportivas. Não deixem de conferir a agenda da Fábrica de Cultura e Esporte, com debates, músicas e festa junina. Participem das atividades, são gratuitas. Boa leitura!

CHARGE

Confira os vídeos da TV Flaskô e o boletim operário da Rádio Luta TV: www.youtube.com/mobilizacaoflasko Boletim: www.fabricasocupadas.org.br

Jornal Atenção – Publicação da Associação Centro de Memória Operária e Popular - Tiragem: 5.000 exemplares Edição Coletiva - Fábrica Ocupada Flaskô | Coletivo de Comunicadores Populares | Coletivo Miséria - redacao@jornalatencao.org.br- jornalatencao.org.br Telefone: (19) 3854 7798 / 3832 8831 / 3864 2624

Foto: Luciano Claudino


/campinas 03

Corrupção em Campinas

“Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão!”

Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público atingiu recentemente o alto escalão do governo do prefeito de Campinas, o Dr. Hélio (PDT) trazendo a público o maior esquema de corrupção da história da cidade. Relatório do Ministério Público aponta a esposa do prefeito e chefe do gabinete do prefeito, Rosely Nassim Jorge Santos, como a líder de uma organização criminosa que fraudava contratos públicos, principalmente nas áreas de habitação, concessão de alvarás e obras. As informações foram dadas ao Ministério Público pelo ex-presidente da Sanasa (companhia de saneamento da cidade), Luiz Castrilon de Aquino. Aquino participou do esquema, mas se arrependeu e abriu o jogo todo de corrupção. Dois dos principais secretários de Dr. Hélio, Francisco de Lagos (Comunicação) e Carlos Henrique Pinto (Segurança), foram apontados pelo Ministério Público com envolvidos no esquema. Eles tiveram a prisão decretada, ficaram foragidos. Já foi decretada também a prisão preventiva do vice-prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra, do PT, por envolvimento com o esquema. O escândalo vem gerando grande mobilização da população que já realizou atos em frente a prefeitura e Câmara

Foto Cristina Beskow

Municipal exigindo que o prefeito de Campinas, Dr. Hélio, seja retirado de seu cargo (processo de “impeachment”).

Corrupção em todo o Brasil

Já estamos cansados de ouvir sobre novos casos de corrupção que explodem nas capas dos jornais quase todo mês, seja no governo federal, estadual ou, agora, municipal. Por que a corrupção é tão comum nos governos? Vamos tentar entender um pouco melhor onde tem início esse processo.

Entenda a origem da corrupção

Para se tornar vereador, prefeito, deputado, senador ou presidente o cidadão deve participar de um processo eleitoral. As chances de vitória no processo eleitoral estão diretamente ligados à quantidade de dinheiro que sua campanha possui, pois ela permite maior propaganda, mais cabos eleitorais, maior estrutura. E de onde vem o dinheiro das grandes campanhas? Ora... quem possui muito dinheiro? Obviamente os empresários, donos de grandes indústrias e bancos. Esse apoio financeiro com certeza cria vínculos, é o famoso toma-lá-dá-cá, eu

Mobilização na Câmara de Vereadores de Campinas

te ajudo agora, você me ajuda depois. Por isso mesmo, no sistema em quem vivemos, a grande maioria das pessoas que ocupam cargos nos governos se elegeram com “o rabo preso” a um conjunto de empresas e interesses. E quem é eleito vai ajudar seus “amigos” de campanha, até porque vai buscar se reeleger nas próximas eleições e precisa ter esses mesmos “amigos” por perto. Por isso mesmo, a corrupção, o favorecimento ile-

gal, faz parte da forma política de governo em que vivemos. A grande diferença desses ladrões de gravata para os ladrões comuns é que os “colarinho branco” roubam milhões causando males a uma imensa quantidade de pessoas.

Como lutar contra a corrupção?

É preciso que haja financiamento público para as campanhas, proibindo o apoio financeiro de grandes

empresas. Assim, todos os partidos partiriam em pé de igualdade para realizar o seu debate político e se reduziria enormemente o problema do “rabo preso” e da corrupção. É preciso também garantir que o mandato político possa ser desfeito pela população quando não se cumprem as promessas de campanha e também criar cada vez mais espaços de participação direta da população nas decisões, como plebiscitos populares.


/cidades

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SUMARÉ

População de Sumaré teme novas enchentes em 2012

LIMEIRA A população sofre enquanto o prefeito e seus aliados enchem os bolsos de dinheiro

Silvio Félix prefeito de Limeira

O que diz a prefeitura? Moradores em área de risco próximo ao córrego Pinheirinho

Seis meses se passaram, mas os moradores de Sumaré ainda temem as chuvas. As obras prometidas pela prefeitura ainda não foram feitas e a possibilidade de novas enchentes é real. O cadastro para moradia popular não passou de uma promessa, é o que muitos moradores dos locais de risco alegam. O aumento da calha e do leito do rio e até mesmo obras essenciais, como o conserto de buracos e a pavimentação de ruas afetadas, teriam deixado de ser realizadas nesses últimos meses. Esquecer o drama e o desespero diante da situação de calamidade que enfrentaram

é praticamente impossível, conta a merendeira Maria Cristina Mendes Julião. Ela teve a residência invadida por duas vezes e afirma que pouco foi feito nesse tempo. No Jardim Basilicata, Jardim São Domingos, Primavera, Picerno, Alvorada, Conceição, Manchester e Parque Franceschini sofreram e ainda sofrem com o descaso da prefeitura. O prejuízo calculado pela foi de pelo menos R$ 10 milhões, compreendendo as residências, vias que tiveram o asfalto destruído e ainda pontes que ficaram com a estrutura comprometida ou foram arrastadas com a força da água.

Toda a assistência necessária aos moradores foi garantida desde a primeira enchente, com recursos de programas municipal e estadual, remoção de famílias mais prejudicadas, distribuição de roupas, móveis e kits de limpeza. É o que alega a Prefeitura de Sumaré. Porém os moradores não confirmam essa história e a única coisa que existe é um estudo para a construção de 220 unidades habitacionais pela CDHU em terreno já cedido no Distrito de Nova Veneza. Famílias do Jardim São Domingos e de áreas de risco foram removidas para unidades no Jardim das Orquídeas, construídas em parceria com o governo federal.

Está aberta em Limeira uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar denúncias de corrupção na terceirização da merenda escolar. A terceirização foi o repasse da produção de merenda das escolas públicas para empresas privadas. Em 2006 a prefeitura passou essa responsabilidade para a empresa SP Alimentação, num contrato anual de R$ 15,4 milhões. Em 2007, o contrato foi expandido por mais um ano, aumentando o valor ara R$ 16,2 milhões. Na época, a Comissão de Fiscalização dos Atos do Executivo da Câmara Municipal, da qual faziam parte os vereadores José Carlos Pinto, Carlos Ferraresi e César Cortez, recebeu denúncias sobre a qualidade, a quantidade e a forma de distribuição das merendas. Mas o caso não chegou a ser investigado, aparentemente porque os donos da empresa

podem ter subornado políticos e funcionários da prefeitura para impedir as investigações. No início de outubro de 2010, uma investigação do Ministério Público Estadual descobriu que o golpe envolve um apresentador de televisão, um jornal impresso, vereadores, ex-vereadores e até o prefeito Silvio Félix, que teria recebido cerca de R$ 6 milhões. Os políticos de oposição que compõe a CPI tem recebido ameaças por email para que paralisem as investigações que continuam. O caso fica ainda mais absurdo quando se nota que o esquema de corrupção levou a uma má qualidade na alimentação das crianças das escolas públicas de Limeira. Isso demonstra que a prioridade do prefeito e seus aliados não é o povo mais necessitado de Limeira, mas sim encher seus bolsos com o dinheiro da corrupção.


/brasil

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Desenvolvimento pra quê? Pra quem? Os países “desenvolvidos” devastaram seus próprios ambientes naturais para crescer economicamente. Depois de destruírem seus recursos naturais, agora os países desenvolvidos buscam outros países para explorar, como o Brasil. Então, se os países ricos destruíram seu ambiente nós devemos fazer o mesmo para crescer também? Não! É bobagem dizer que quem for contrário a esse modelo quer impedir o desenvolvimento do Brasil. Há várias formas de enxergar o desenvolvimento. Muitas pessoas no Brasil são ao mesmo tempo contra a dominação externa de outros países sobre seu território e contra a destruição ambiental. É possível extrair riqueza do ambiente sem destruir tudo. O problema é que olhamos para os países “desenvolvidos” e queremos ser como eles, usar as suas roupas, falar sua língua, aplicar os seus modelos, sem levar em conta as nossas próprias características. Uma imitação nunca sai igual ao original. Um exemplo típico disso são as roupas dos executivos: ternos e gravatas engomados num calor de mais de 40°C não faz sentido! Vamos imitar até as maiores idiotices desses países, como a devastação ambiental? Somos

diferentes e precisamos criar nosso próprio modelo de desenvolvimento, porque só copiar não funciona.

Quem vem destruindo nosso meio-ambiente?

Os senhores de engenho da época colonial no Brasil se tornaram os grandes fazendeiros que, por sua vez, se tornaram os agro-empresários de hoje. Eles são herdeiros dos privilégios de classe e do roubo das terras dos índios, controlam o Estado em benefício próprio e fazem de tudo para manter seu poder. São herdeiros dos lucros da exploração do trabalho escravo, presente ainda hoje em muitas fazendas. E, por fim, são eles que plantam a soja, a cana e criam o gado para atender sobretudo aos interesses externos, quase tudo vai pra exportação. O agronegócio é responsável por boa parte da devastação das grandes áreas verdes do Brasil. Os europeus querem carne, os chineses querem soja, os estadunidenses querem etanol (álcool). Só não querem os enormes impactos ambientais causados por esses cultivos. Esss ficam com o povo brasileiro! Quanto vale a Amazônia? O Cerrado? Quanto vale um rio ou um povo? Não há di-

nheiro que pague isso!

Desmatar a floresta e matar agricultores

O agronegócio não se importa com as pessoas, destrói milhares de vidas, além da natureza. Quem se coloca contra isso muitas vezes acaba sendo assassinado, como os agricultores assassinados na semana passada no Pará e em Rondônia: José Claudio Ribeiro da Silva, Maria do Espírito Santo da Silva, Erenilto Silveira dos Santos e Adelino Ramos. Os três primeiros denunciavam a

ação ilegal de madereiras. Eles só queriam viver e preservar a natureza! Mas os fazendeiros querem destruir e lucrar a qualquer custo!

Nossas riquezas para nossos interesses!

Vale a pena diminuir as áreas de proteção ambiental, as matas ciliares (que ficam ao redor dos rios) causando assim o assoreamento dos rios? Vale a pena jogar fora boa parte de nossa biodiversidade ainda desconhecida ao desmatar imensas áreas de mata só para

atender interesses externos e de poucos barões daqui de dentro? Não queremos ser colônia nem precisamos imitar as metrópoles. Podemos buscar alternativas, criar o nosso modelo, para atender os interesses da nossa população. Deve-se buscar um modelo mais igualitário, em que necessidades básicas, como o acesso à água e à comida, a uma moradia digna, sejam atendidas antes de pensarmos em servir outras mesas, cuja fartura foi obtida através da nossa exploração. E podemos fazer isso preservando a natureza!


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/brasil

Mais um trabalhador rural é assassinado no Norte do país O trabalhador rural Obede Loyla Souza, de 31 anos, casado e pai de três filhos, foi assassinado no Pará. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), informou que ele foi morto com um tiro no ouvido e que o corpo foi encontrado em Tucuruí (considerada uma das principais áreas de exploração ilegal de madeira da região, principalmente da castanheira). As testemunhas contaram que o agricultor discutiu com representantes de madeireiros na região.

Trabalhadores da Volkswagen fazem greve no Paraná Sem receber os salários do mês de maio, trabalhadores da Volkswagen do Paraná, estão em greve há mais de 30 dias. Os metalúrgicos querem R$ 12 mil de PLR, com a metade a ser paga imediatamente e a segunda parcela no fim do ano. A Volkswagen ofereceu inicialmente uma parcela de R$ 4,6 mil - depois subiu para R$ 5,2 mil - e negociação posterior para a

segunda parcela, com valo- radas ociosas pela empresa res atrelados a cumprimento - que enfrenta falta de peças importadas do Japão - e um de metas de produção. pacote de benefícios para os demitidos no mês passaHonda mantém 400 do. demissões "O ideal era reintegrar os Em Sumaré (SP), a Honda demitidos, mas foi positivo o e o Sindicato dos Metalúrgi- fato de garantirmos a permacos de Campinas e Região nência de 800 trabalhadores, chegaram a um acordo on- pois a empresa queria detem no Tribunal Regional do mitir 1.200 pessoas", disse o Trabalho (TRT). Serão man- presidente do sindicato, Jair tidas as 800 vagas conside- dos Santos.

No fim de maio, quatro ambientalistas foram assassinados – três no Pará e um em Rondônia. A lista de pessoas ameaçadas, segundo a CPT, contabiliza mil nomes. Após uma reunião de emergência, a presidenta Dilma Rousseff determinou o envio de homens da Força Nacional de Segurança ao Pará. Os homens chegaram ao estado no início do mês de junho e devem permanecer no local por tempo indeterminado.

Fábrica de Manaus fecha as portas e dá calote em trabalhadores Cerca de 12 trabalhadores ficaram a ver navios quando a fabricante de mídias Vegatronic, instalada no Pólo Industrial de Manaus (PIM) decidiu fechar as portas. Falida em 2010, a empresa resolveu abrir as portas novamente no início deste ano, mas poucos meses depois parou novamente, man-

dou os trabalhadores aguardarem em casa e até agora nada Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Mídias Magnéticas do Amazonas, Jair Aquino, não deu nem baixa na carteira eles tiveram. À procura de informações, o sindicalista encontrou a Vegatronic fechada, com cadeados.


/brasil

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A luta contra o preconceito através da escola

Um político quando fala de cidadania nunca vai defender que ela não é para todas e todos. Uns vão falar que o exercício dessa cidadania pode ser conquistado assim como a comida que você compra. Outros políticos vão afirmar que o exercício dessa cidadania só é carregado de sentido (ou seja, praticado por todo mundo) quando o Estado cumpre o seu dever de garantir direitos básicos como a saúde, habitação e educação, etc. Acontece que aqueles políticos (os que acham que direito é mercadoria) não estão interessados em solucionar de fato a condição na nossa realidade social (aquela que vemos no jornal e mostra a triste realidade de segregação social, miséria material, individualismo e, principalmente, preconceito). Muitos preconceitos atingem setores da nossa sociedade: o machismo que oprime as mulheres, o racismo que oprime os negros e a homofobia que oprime os LGBTs. Você deve estar se perguntando: “homofobia? LGBTs? São doenças? Comidas típicas?”. Fique calmo, pois esse texto vai tentar te explicar isso.

Foto: Cristina Beskow

O que é homofobia?

Homofobia é a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Um indivíduo homofóbico elege ou os gays, ou as lésbicas, ou os bissexuais, ou as travestis, ou as(os) transexuais (enfim, toda a população que chamamos LGBT), ou todos estes para promover incitação do ódio, humilhação e constrangimento. Mesmo sendo uma estatística real, tem gente que ainda não acredita que homofobia mata, porém mata muito! O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo (só no ano passado foram registradas mais de 250 mortes ocasionadas pela violência homofóbica). O que mais nos assusta é que esse discurso de ódio encontra lastro (tem vez e voz) na mídia, nas Igrejas, na família e também nas escolas. A piada do “viadinho”, por exemplo, é tão banal que ninguém se importa em condenar quem faz a piada. Mas não deveria ser assim: é que esse tipo de piada tem riso garantido por conta da tradição homofóbica da nossa sociedade.

O que é homofobia? Homofobia é a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Homofobia é crime: bandeira política da Parada Gay, em Campinas

Como mudar essa re no movimento social que chamado “Kit Escola sem questiona essa “ordem natural Homofobia”. O objetivo desse situação? Bom, se até aqui você se indignou e concordou com o que dissemos, você vai ter de concordar que é preciso fazer alguma coisa pra mudar essa situação alarmante. Nós achamos que a hora é agora pra mudar esse jogo. É preciso que todas e todos se comprometam em refletir sobre a necessidade de pensar uma sociedade democrática, sem opressão e preconceito. Mas uma perguntinha básica de todo bom lutador social é: “o que fazer para mudar?” Bem, se você transforma essa pergunta em ação prática transformadora, você se inse-

das coisas”. É justamente por conta dessa pergunta que houve a possibilidade de você ler esse jornal: um grupo de pessoas pensou, discutiu e trabalhou para levar um conjunto de informações que você não vê no Correio Popular e nem no Jornal da EPTV. A idéia virou ação!

Kit Escola sem Homofobia! Algumas dessas idéias que viraram ação merecem destaque, como, por exemplo, a idéia de combate à violência homofóbica nas escolas, através do material didático

material é oferecer aos professores do ensino médio informações sobre as formas de combate a discriminação por identidade de gênero e por orientação sexual dentro da escola. Acreditamos é que só o kit não é suficiente para modificar do dia pra noite a mentalidade homofóbica da cultura brasileira. Porém, é uma medida que deve ser apoiada, por isso os governos deveriam garantir para que não só o Kit Anti-Homofobia mas que muitas outras medidas surjam e tenham a finalidade da redução do preconceito em nossa sociedade.

Colaborou: Michel Pena (Michely Shantal) é militante do Coletivo “28 de junho” (http://coletivo28dejunho.wordpress.com/)


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/mundo

Espanhóis em protesto ocupam praças em todo o país

Plaza del Sol tomada pela população

Mapuches suspendem greve de fome

Faixa de apoio em frente ao hospital

Quatro indígenas mapuche presos no Chile, encerraram uma greve de fome que durou mais de 90 dias em protesto contra a Lei Antiterrorista, através da qual foram julgados e condenados a 25 anos de prisão. José Huenuche Reiman, Ramón Llanquileo Pilquiman, Héctor Llaitul Carrillanca e Jonathan Huilli-

Em 15 de maio uma manifestação com mais de 10 mil pessoas, ocupou a Plaza del Sol, praça pública do centro de Madrid, capital da Espanha. Os manifestantes, em sua maioria jovens, protestam contra o desemprego e o sistema político espanhol. Essa manifestação se transformou em um grande acampamento que chegou a ter mais de 60 mil pessoas, o que mostra que muitos estão cansados de uma falsa democracia em que o povo nada decide e sofre com as políticas que só beneficiam aos ricos. As desigualdades e injustiças sociais se agravaram após a crise de 2008. A partir daí muitas cidades do interior da Espanha tiveram suas praças ocupadas pela população insatisfeita com as atuais condições de vida. Na sextafeira (27-05) os manifestantes da Praça Catalunha, em Barce-

lona, sofreram com um ataque violento da polícia, que buscou desocupar a praça. Mesmo após sofrer violência física por parte da polícia, os manifestantes retornaram ao local e reconstruíram o acampamento. As praças seguem ocupadas na Espanha e mesmo após as eleições, a população segue organizada na Plaza del Sol em Madrid em torno das seguintes reivindicações:

cal Méndez encontram-se em um delicado estado de saúde. Eles foram transferidos para o hospital da prisão de Angol, onde cumpriam suas penas desde o ano passado. Depois de perder entre 20 e 25 quilos pelo prolongado jejum, os indígenas presos decidiram encerrar a greve no inicio deste mês de junho. “Tivemos uma conversa

e eles decidiram terminar com esta greve de fome, criando-se uma comissão pela defesa dos direitos do povo mapuche”, disse a porta-voz Natividad Llanquileo à radio local. Os quatro mapuches haviam sido julgados e condenados pelo roubo e o ataque contra três policiais e um promotor, em outubro de 2008.

1. Eliminação dos privilégios da classe política; 2. Contra o desemprego; 3. Direito à moradia 4. Serviços públicos de qualidade 5. Controle dos Bancos 6. Controle das transações do capital financeiro 7. Liberdades cidadãs e democracia participativa 8. Redução do gasto militar


/fábrica de cultura e esportes 09

Festa junina na Flaskô!! TEATRO FAVELA DE PAPEL NA BARRA DO CATIMBÓ

Venha você , toda sua família e amigos para a festa junina na Flaskô!! Com quadrilha, correio elegante, milho verde, paçoca, pé de moleque, quentão e muito mais! VENHA SE DIVERTIR A VALER COM A FESTA JUNINA.

(Salamandra Teatro e Companhia) Peça para crianças, jovens e adultos - teatro de bonecos Catimbó, homem negro que vive em uma favela da periferia, certo dia briga com a polícia e tem que fugir com sua mulher para a mata. Perto de uma nascente com água cristalina eles constroem uma casa e passaram a chamar o lugar de Barra do Catimbó. Vários amigos resolvem ir morar lá e se constitui a nova favela. O crescimento desenfre-

CINEMA

JULHO 17/07 (dom) às 16h grátis

ado da favela traz novos moradores, intrigas e também solidariedade. Texto de referência: Na barra do Catimbó Autor: Plínio Marcos Adaptação do texto: Paulo Farah André

Direção: Wilton Amorim Elenco: Paulo Farah André e Nei Silva Direção musical: Nei Silva Cenografia e bonecos: Paulo Farah André Figurino: Ana Maria Carvalho Iluminação: Wilton Amorim

DEBATE

09/07 - Velozes e Furiosos 5 Desde que Brian e Mia tiraram Dominic da custódia da polícia, eles têm cruzado diversas fronteiras para evitar as autoridades. Agora, encurralados em um canto do Rio de Janeiro, precisam executar um último serviço para conquistar a liberdade. Conforme montam seu time de corredores, os improváveis aliados sabem que sair limpos significa confrontar o homem de negócios corrupto que os quer mortos.

23/07 Bróder Capão Redondo, bairro de São Paulo. Macu (Caio Blat), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Sílvio Guindane) são amigos desde a infância e seguiram caminhos distintos ao crescer. Jaiminho tornou-se jogador de futebol, alcançando a fama. Pibe vive com Cláudia e tem um filho com ela, precisando trabalhar muito para pagar as contas de casa. Já Macu entrou para o mundo do crime e está envolvido com os preparativos de um sequestro. Uma festa surpresa organizada por dona Sonia (Cássia Kiss), mãe de Macu, faz com que os três amigos se reencontrem. Em meio à alegria pelo reencontro, a sombra do mundo do crime ameaça a amizade do trio.

ULHO - 02/07 das 9h às 13h

“EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO POLÍTICA E PERSPECTIVAS DE TRANSFORMAÇÃO”

Sinopse: Neste debate serão discutidos os dilemas da educação pública, a importância e os limites da formação política crítica e independente para os trabalhadores, e sua relação com os problemas sociais numa perspectiva de transformação. Quem? Representante do Núcleo de Educação Popular 13 de maio, Leonardo Badell (dirigente do PSUV - Partido Socialista Unificado da Venezuela - foi estudante da Universidade Bolivariana da Venezuela - UBV), e representante da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF).

TODAS ATIVIDADES GRATUITAS MAIS INFORMAÇÕES: cultura@fabricasocupadas.org.br ou (19) 3832-8831


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/artes

Foi assim eles estavam no caminho de casa na moto velha de guerra talvez conversando sobre banalidades dessas que a gente fala todo dia o que fazer pra comer o preço do leite o filho doente o futuro. Então quase ninguém ouviu vindos do escuro, escondidos, os ruídos repetidos sem cessar desde o descobrimento da Nossa América. A vida deve sempre dar lugar ao progresso. Não é o bagre bigodudo presente só no afluente do afluente do grande rio, não é só a castanheira, o açaizeiro, é o homem, a mulher, o casal que hoje não volta pra casa. Vai ver prendem uns pistoleiros depois de dois anos regime semi-aberto, de mil dos poderosos prendem um, aguarda os mil recursos em liberdade. Antes fosse a lei da selva! Agora quem vai tirar da cabeça das pessoas esse progresso-trator infinito, vai arrastando tudo mata-mata-mata preto, branco, índio, mestiço mata floresta mata cerrado mata água mata terra mata ar? Zé Castanha não colhe mais, o boi do desenvolvimento quer pastar no seu quintal. A Maria foi mesmo pro Espírito Santo, deixou o caminho aberto pra moto-serra zunir e fazer do Brasil potência. O futuro deles não veio, o nosso está aí por fazer. * Ambientalistas assassinados recentemente no Pará por denunciarem a ação ilegal de madeireiras . Poema de Geraldo Witeze (http://www.sobreaspalavras.blogspot.com/)

Coletivo Miséria: Para ler mais charges entre em miseriahq.blogspot.com Para ler mais tirinhas entre em tirasdamiseria.blogspot.com

Zé Castanha e Maria do Espírito Santo *


suplemento Infantil


AGENDINHA

07/07 - às 15h - RIO Blue é uma arara que foge de seu cativeiro, deixando o conforto de sua jaula na pequena cidade de Minnesota, EUA, e vai para o Rio de Janeiro. A arara Blue embarca na aventura de uma vida, e aprende a se abrir para tudo que a vida tem para oferecer ao longo do caminho. 14/07 - às 15h - RANGO Rango é um camaleão da cidade grande que vai parar, após um acidente, em pleno velho oeste, na cidade de Poeira no deserto do Mojave, na Califórnia. De uma hora para outra, sua rotina de animal de estimação mudou radicalmente e agora ele precisa deixar a vida “camuflada” para enfrentar os perigos existentes no mundo real, fazendo com que ele vivencie a experiência de fazer amigos, conhecer inimigos e até, quem sabe, se tornar um herói.


/cultura

Ditadura da Televisão

11 09

Em julho participe da semana musical na Flaskô 20/07 – HIP HOP DJ´s, Mc´s, b boys, venham todos pra fazermos uma noite com muito rap e muito break!

FESTAS, CADA NOITE COM UM ESTILO MUSICAL (20h até 1h) “Banda Ponto de Equilíbrio” Representando o Reggae Nacional, da Vila Isabel do Rio de Janeiro para todas as bocadas do mundo. Com músicas protestantes a banda se torna muito conhecida e admirada pela juventude. Veja a letra de uma das músicas: Ditadura da Televisão Ponto de Equilibrio Na infância você chora Te colocam em frente da tv Trocando suas raízes Por um modo artificial De se viver Ninguém questiona mais nada Os homens do poder Agora contam sua piada Onde só eles acham graça Abandonando o povo na desgraça Vidrados na tv Perdendo tempo em vão, em vão. Ditadura da televisão Ditando as regras, contaminando a nação O interesse dos grandes É imposto, de forma sutil

Fazendo o pensamento do povo Se resumir a algo imbecil Fofocas, ofensas, pornografias E pornografias, ofensas, fofocas Futilidades ao longo da programação Numa manhã de sol ao ver a luz Você percebe que seu papel é resistir, não é Mas o sistema é quem constrói as arapucas Que você está prestes a cair .. ô ié Da infância a velhice Modo artificial de se viver Alienação Ainda vivemos aquela velha escravidão A quela velha escravidão . Ditadura da televisão Ditando as regras, contaminando a nação.

Semana 18/07 a 21/07 18/07 – LUAU DE REGGAE DE RAIZ

Vamos nos juntar em volta da fogueira e cantar muito reggae. 19/07 – MOVIMENTO ELETRÔNICO Festa com vários DJs, muita música e pista de dança.

21/07 – FORRÓ E SERTANEJO UNIVERSITÁRIO Venha ouvir banda ao vivo e dançar forró e sertanejo universitário. FESTIVAL MUSICAL 24/07 das 15h às 00h Inscrevam sua banda! mobilizacaoflasko@ yahoo.com.br


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/luta pela comunicação

Rádios comunitárias lutam pelo direito à voz

Ouça: Rádio Luta na web, rádio

comunitária da Flasko! orelha.radiolivre.org:8000/radioluta.ogg Assista: “Nossa voz (rádios comunitárias em luta)”, de Gabriel Barcelos www.youtube.com/watch?v=h_ mocjV74rk

Quem nunca ouviu falar de “rádio pirata”? Este é o termo utilizado por muitas pessoas para se referir às rádios comunitárias ou livres. “Piratas são eles, as rádios comerciais, que querem o ouro. O que nós queremos é o direito à liberdade de expressão e comunicação”. Assim surgiram as rádios comunitárias, para atender aos interesses da população local, difundindo suas idéias e diversidade cultural. Só que existe uma lei de rádio comunitária no Brasil que limita muito o alcance destas idéias. A lei diz que o alcance da rádio tem que ser de 1 quilômetro, muito pouco para

DE OLH NA MÍDIA •Informações liberadas pelo Ministério da Comunicação mostram que 56 congressistas são sócios ou têm parentes em emissoras de TV. A lista está disponivel em www.mc.gov.br Pela legislação, o político pode ser sócio de rádio ou TV,

mas não pode exercer cargo de diretor. O problema é que esses políticos acabam colocando parentes ou “laranjas” para ocupar a diretoria em seu lugar, assim continuam com o controle direto das emissoras para alavancar candidaturas e

alcançar todo um bairro, por exemplo. E daí, a lei limita a altura da antena (30 metros) e a potência do transmissor (25 watts). O resultado é que fica quase inviável ter uma rádio dentro da lei. Enquanto isso, muitas rádios comunitárias são fechadas e reprimidas pelo governo e, as rádios comerciais, mesmo em situação irregular (concessão de funcionamento vencida, dívidas públicas etc.), continuam funcionando. Foi o que aconteceu com a Rádio Bandeirantes, em Campinas. Em agosto de 2010, duzentas pessoas de movimentos sociais e organizações políticas

prejudicar adversários, é o “coronelismo midiático” •O coronelismo foi um sistema de poder político vigente na época da República Velha , caracterizado pelo enorme poder concentrado em mãos de um poderoso chefe local, geralmente um grande latifundiário, um fazendeiro ou um senhor de engenho próspero. O “coronelismo midiático” é esse mesmo sistema de poder concentrado na posse de grandes meios de comunicação.

fizeram um ato em frente à empresa da Band, para denunciar sua concessão vencida e protestar contra a repressão às rádios comunitárias. Para organizar a luta das rádios comunitárias que surgiu a ABRAÇO, Associação Brasileira de Rádios Comunitárias. São 600 rádios ditas comunitárias no estado, mas muitas destas estão nas mãos de políticos e igrejas. Destas, 150 rádios são filiadas à ABRAÇO. “Nós temos um código de ética e só filiamos as rádios que consideramos realmente comunitárias, as voltadas à coletividade, sem relação político-partidária e

organizadas pela comunidade ou movimento.” Estas rádios atendem 15 regiões metropolitanas do estado, mas muitas ainda não possuem autorização do governo para funcionar e acabam sendo lacradas. Segundo Jerry de Oliveira, nos últimos 12 anos, foram fechadas 20 mil rádios comunitárias, condenadas 5 mil pessoas por atuaram nestes veículos e apreendidos R$ 180 milhões em equipamentos. “A rádio tem que ser autorizada pelo povo e não por um papel do governo pregado na parede. E as conquistas só virão com a organização do povo,” enfatiza Jerry”.

Experiências de Comunicação Popular Em maio de 2006, foi lançado o Jornal dos Trabalhadores, um projeto da ABRAÇO (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias), de transmissão de notícias dos trabalhadores e movimentos sociais em rádios comunitárias do estado de São Paulo. Hoje são mais de 100 rádios comunitárias que transmitem o jornal de meia hora, todos os dias, das 18h30 às 19h00. Para ouvir, acesse o site ou sintonize alguma rádio comunitária da região filiada à ABRAÇO. Já são 1.300 programas abordando a temática dos trabalhadores. Para enviar sugestões de pauta, divulgar um ato ou fazer alguma denúncia, entrar em contato com a produção do jornal. Contatos Jornal dos Trabalhadores: www.abracosaopaulo.org Telefone: (19) 9731-7632 - Jerry de Oliveira – ABRAÇO São Paulo.


/juventude 13

A cada R$ 1 investido em transporte público, governo dá R$ 12 em incentivo para carro A cada R$ 12 gastos em incentivos ao transporte particular, o governo investe R$ 1 em transporte público. A constatação foi feita pelo Ipea no estudo sobre a mobilidade urbana no Brasil. A pesquisa considera esse desequilíbrio de valores gastos em incentivos como um dos fatores responsáveis pelo aumento do número de carros e motos no país e, por consequência, dos congestionamentos. "Muitas vezes, essas políticas não são percebidas claramente pela população por envolver omissão do poder público", diz o texto.

O Ipea estima que o governo deixe de arrecadar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 7,1 bilhões somente com a isenção do IPI por ano. Já os ônibus e trens recebem de R$ 980 milhões a até 1,2 bilhão em isenção de impostos. Com a isenção do IPI somado aos estacionamentos nas vias públicas, os veículos individuais recebem aproximadamente 90% de todos os subsídios dados pelo governo para mobilidade urbana. Além da questão do subsídio, o estudo apontou outras razões para a piora do transporte público do país.

Ocupação Squat Torém luta contra ameaças e promove abaixo assinado

Fachada do prédio recuperado pelo Coletivo Squat Torém

De 1995 até hoje, as tarifas de ônibus subiram cerca de 60% mais que a inflação. Para chegar à conclusão, o instituto considerou o Índice Nacional de Preços do Consumidor, que é calculado pelo IBGE todos os meses.

Veículos individuas recebem mais incentivo do governo que o transporte público

Nesse mês de junho de 2011 a ocupação Squat Torém em Fortaleza-CE completa um ano e três meses de existência. Assim como a ocupação Flor do Asfalto , o acampamento Dom Aloiso e várias outras ocupações urbanas e no campo, esta tem sofrido diversos ataques por parte dos ditos ‘proprietários’ de intimidação e acuamento. Mesmo com abuso físico através de capangas, ou terror psicológico, essas ocupações permanecem cumprindo uma função social do terreno. Nos últimos dias, a ocupação sofreu mais algumas ofensivas: foi aberto um

TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) na delegacia da Polícia Civil onde acusam os ocupantes de “esbulho possessório e usurpação”, ou seja, nesse documento relatam que eles (antigos “proprietários”) estavam morando dentro do espaço e que o Coletivo Squat Torém os tirou de lá, para isso, derrubaram um muro para tal. Tal denúncia não é apenas inverídica e imoral, como também atesta o tipo de política e jurisdição que seguem. A esse fator se agrava mais ainda as ameaças psicológicas e “toques” que veem sendo dado por parte da Polícia Civil.

Segundo os ocupantes, alguns policiais civis disseram que a qualquer hora se poderia forjar um flagrante para tirá-los de lá. O Coletivo precisa do apoio e você pode ajudar através do abaixo assinado. Contando com a sua assinatura para continuar a luta por um mundo onde os seres não sejam tratados como mercadorias, onde o dinheiro e as estruturas de concreto não tenham mais importância que as relações, o sentimento e a natureza. Acesse o endereço e assine o abaixo assinado: http://bit.ly/kwXDHr


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/juventude

De onde vem a violência na escola? EDUCAÇÃO

Já está se tornando comum ouvirmos falar de casos de agressão a professores. Também não é incomum sabemos que professores ofenderam ou trataram mal alunos. Para muitos alunos já parece normal que aquele cara ou aquela “dona” que está lá na frente só quer que ele fique quieto. Muitos professores por outro lado olham para os alunos com tristeza, dó, medo ou rebaixando o aluno.

Enquanto alguns se matam outros riem!

Ao mesmo tempo em que alunos e professores se desgastam no dia-a-dia da escola pública, alguns empresários donos de escolas particulares estão dando festas e comemorando ótimos resultados de seus negócios. Sabemos que muitos políticos (deputados e representantes de governos) estão comemorando junto com esses empresários. A educação no Brasil tornou-se, para alguns, um ótimo negócio. E não é tão fácil compreender que aquela situação na sala de aula, em que alunos e professores estão “se matando”, tem relação com a alegria desses empresários da educação. Muitos professores poderiam jurar que seus principais inimigos são o Joãozinho ou a Maria-

zinha que não lhes respeitam. Por outro lado tanto os alunos, como uma boa parte da população, acham que o problema da educação é a incompetência dos professores.

“Quanto pior, melhor!”

O que muitos professores e alunos não percebem é que quanto pior a educação pública, melhores as oportunidades para alguns poucos ganharem cada vez mais dinheiro com a educação particular. Os recursos que os trabalhadores entregam ao Estado (impostos) deveriam retornar à população na forma de direitos sociais (saúde, educação, moradia). O que acontece hoje é que grande parte desses recursos que os trabalhadores entregam ao Estado acabam sendo repassados a grandes empresários (geralmente banqueiros) através dos chamados “juros da dívida pública”, quando não são desviados pela corrupção. Gastamos 44,93% do orçamento com o pagamento dos juros e apenas 2,89% com educação!!! (fonte http://www. divida-auditoriacidada.org. br/) Assim, os trabalhadores são explorados de diversas formas pela dupla Estado-patrões. O Estado fixa um salário mínimo ridículo para que os patrões

aula da escola pública, o professor vai dar aula preocupado com suas dívidas e exausto, pois para conseguir pagá-las tem que trabalhar em muitas escolas, com algumas centenas de alunos. Os alunos não querem parar de brincar e conversar para que a sala fique “mais tranqüila”. Grande parte dos alunos ou trabalham ou fazem parte de famílias que trabalham muito e ganham muito pouco. O clima em casa e no bairro é tenso. Na sala de aula, muitos A boa briga está fora da sala de aula! alunos percebem o abatimenEnquanto isso na sala de to e desgaste dos professores

possam pagar muito pouco aos trabalhadores e lucrarem mais. O dinheiro que os trabalhadores passam ao Estado, ao invés de ser investido em educação e outros direitos sociais, é passado aos banqueiros. E, por fim, uma boa parte dos trabalhadores ainda acaba colocando seus filhos em escolas particulares, o que faz com que muitos empresários da educação fiquem cada vez mais ricos.

e pensam que é má vontade. A sala está lotada, fica ainda mais difícil haver um entendimento. Começa a briga... Mas a briga necessária de se fazer está fora das salas de aula: professores e alunos precisam lutar pela ampliação do sistema público de ensino e lutar para que se aumente a verba destinada à educação pública contra o lucro dos banqueiros e escolas particulares. Enquanto essa grande luta não avançar as brigas diárias na sala de aula continuarão...


/luta pela terra 15

Acampamento reivindica água em Limeira No dia 31 de maio, cerca de 40 pessoas do acampamento Elizabeth Teixeira reuniram-se na frente da prefeitura de Limeira para denunciar a falta de abastecimento de água na área em que vivem. O acampamento sofria há um mês sem distribuição de água. O abastecimento de água é um direito que deve ser garantido pelo poder público. Em março já havia sido feita a denúncia da falta de água pelas mulheres do MST. O secretário da prefeitura Pejon se comprometeu a resolver o problema, mas não cumpriu o acordado. Os acampados permaneceram no gramado em frente ao prédio da prefeitura desde 7h30 até conseguirem ser re-

cebidos às 13 hs pelo mesmo secretário chefe do gabinete da prefeitura José Luiz Pejon que se comprometeu novamente a resolver o problema. Os acampados cobraram também providências a respeito da apropriação indevida e contaminação de uma mina de água próxima ao horto florestal, feita por uma empresa que produz blocos de concreto. O Secretário do Meio Ambiente, Domingos Furgione Filho, responsável pelo caso, ainda não respondeu à denúncia de dano ambiental. Os Trabalhadores Rurais do Movimento Sem-Terra aguardam a resposta concreta diante do comprometimento das autoridades de Limeira.

O acampamento Elizabeth Teixeira tem sofrido com o descaso da prefeitura de Limeira não só pela falta de água, mas pelas diversas reivindicações abaixo: - RETIRADA DOS PROCESSOS QUE IMPEDEM O ASSENTAMENTO: A retirada dos processos abertos pelo prefeito Silvio Felix que impedem a efetivação do assentamento Elizabeth Teixeira. - RETIRADA DO LIXÃO: A retirada do lixão da área localizada próximo ao ribeirão Tatu. Pois este não apresenta as condições sanitárias e ambientais adequadas.

- SAÚDE: O atendimento médico público é direito de toda a população. Porém, quando as famílias do assentamento Elizabeth Teixeira vão ao posto médico e tentam acessar o serviço público de saúde (SUS) são discriminadas pelos funcionários públicos. - EDUCAÇÃO: As crianças, devidamente matriculadas nas escolas publicas de Limeira, muitas vezes não conseguem chegar

até a escola, pois o transporte não atende a todas as crianças, cando comprometido principalmente nos dias de chuva. É necessário transporte adequado a todas as crianças do assentamento Elizabeth Teixeira. - ENERGIA: Há quatro anos as famílias vivem sem energia, mesmo existindo o programa nacional Luz para Todos, que garante o direito das famílias de terem acesso a energia elétrica. É fundamental a ga-

rantia desse direito a todas as famílias. - ESTRADAS: A prefeitura se comprometeu em concertar as estradas que dão aceso ao assentamento. No entanto, não cumpriram com o compromisso assumido em audiência judicial. O atendimento dessa demanda pode resolver a questão do transporte da água para todas as famílias e o transporte para todas as crianças todos os dias da semana.”


16

/especial

Flaskô comemora oito anos sob controle operário HISTÓRIA

A Flaskô é uma fábrica de transformação de plástico. Produz vários modelos de embalagens industriais, chamados de tambores ou bombonas. Tem cerca de 90 trabalhadores atualmente, mas chegou a ter 600 em seu auge. Foi fundada no final dos anos 70 e pertencia à Corporação Holding do Brasil (CHB). A CHB também era dona das marcas Cipla e Interfibra e integrou o Grupo Hansen Industrial S.A. até 1992, ano da partilha de bens familiar ocasionada pela morte de João Hansen Júnior (sócio fundador). Luís Batschauer (que era casado com Eliseth Hansen) e

seu irmão Anselmo assumem a CHB, mas perdem a massa de capital do Grupo Hansen necessária para a modernização tecnológica. Assim, enquanto as outras empresas do grupo cresciam, a CHB começa a definhar as fábricas sob seu comando. No entanto, os trabalhadores da Flaskô não assistem a tudo isso passivamente. Há registros de greves em 1994 e 1997 contra a jornada de até 12 horas, baixos salários e não cumprimento de acordos trabalhistas. Porém, uma mudança significativa na fábrica só foi possível após a ocupação e o estabelecimento do controle operário.

Neto de Trotsky visita a Flaskô

Esteban Volkov durante evento realizado na Flaskô

Foto: João Zinclair

Oito anos de muita luta e várias caravanas a Brasília em busca de soluções

Para comemorar os oito anos sob controle operário, a Flaskô trouxe o neto do Trotsky. De cabelos brancos e olhos claros, aos 85 anos, Esteban Volkov foi o único sobrevivente da família de Trotsky. Na década de 30, o revolucionário russo e seus familiares foram mortos, no México, a mando de seu rival político, Stalin. Mas, Esteban, na época com 14 anos, sobreviveu. Durante o evento, o neto de Trotsky enfatizou que sua missão é propagar a verdade diante de algumas histórias sobre seu avô. Ele deixou evidente sua postura em preservar a memória de Trotsky e dizer as pessoas que o sistema de governo comandado por Stalin não era o ideal para o seu avô, e por isso Trotsky foi assassinado.


/especial

Audiência Pública no Senado 05 de julho, às 9h PARTICIPE DA CARAVANA! leia mais na página 20

15 17

GALERIA FLASKÔ Onde há luta envolvendo os trabalhadores, a Fábrica Ocupada Flaskô estáo ao lado e participando ativamente. Confira algumas imagens da luta dos trabalhadores: Fotos: Fernando Martins

Itabira, Minas Gerais, policias impedem greve na porta da Vale do Rio Doce

Acima Ato contra o Bush na Paulista. Abaixo confronto com os protestantes


18 /galeria - trabalhadores e trabalhadoras

Nรฃo nos representam, em outdoor na Praรงa do Sol | Foto Tatiana Dimov

Biblioteca na Praรงa do Sol organizado pelos acampados | Foto Tatiana Dimov

Sem Casa, Sem Trabalho, Sem Pensao, Sem Medo | Foto Poliana Lima


Sim, nós acampamos - ironia com o slogan da campanha de Obama Yes we can (sim, nós podemos) | Foto Tatiana Dimov

Entrada do metrô na Praça do Sol | Foto Tatiana Dimov

Eles mais ricos e a crise para nós | Foto Poliana Lima


20

/fábricas ocupadas

Novo avanço da luta da Flaskô e Vila Operária! Audiência Pública no Senado – 05 de julho, às 9h

Em 12 de junho completam 8 anos da ocupação e controle operário na fábrica Flaskô. Diante da crise capitalista e a decisão dos patrões de fechar a fábrica os operários levantaram a cabeça e organizaram-se para manter a fábrica funcionando na luta em defesa dos empregos. Ocupando a fábrica e tomando seu controle. Sem o patrão e a partir do controle operário, da democracia operária, foi reduzida a jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução nos salários. Sem o patrão, os operários, em conjunto com famílias da região, organizaram a ocupação do terreno da Fábrica e constroem hoje a Vila Operária e Popular com moradia para mais de 560 famílias. Sem o patrão, os operários reativaram um galpão abandonado e iniciaram o projeto “Fábrica de Cultura e Esporte”, com teatro, cinema, judô, futebol, balé e dança Além de cursos e atividades de formação Desde o início os operários defenderam a estatização da fábrica sob controle dos trabalhadores diante das dívidas dos patrões com o estado. Desde o inicio os operários e operárias se somaram a luta do conjunto da classe trabalhadora. Defendendo a reforma agrária junto

Foto: Luciano Claudino

Trabalhadores da Flaskô na Câmara dos Deputados em Brasília, em 2009

com os trabalhadores do campo, defendendo a luta pelas moradias com os operários na cidade, defendendo os direitos e a luta contra os patrões em dezenas e dezenas de fábricas. Defendendo os serviços públicos como saúde e educação junto ao povo e aos trabalhadores do setor publico. Lutaram desde o inicio pela reestatização das ferrovias junto aos ferroviários, pela reestatização da Vale do Rio Doce e da Embraer, por uma Petrobrás 100% estatal. Os operários da Flaskô organizaram, junto ao Movimento das Fábricas Ocupadas em conjunto com os operários da Cipla e Interfibra 8 caravanas a Brasília para exigir a estati-

zação da fábrica. Os operários organizam conferencias, seminários, encontros nacionais e internacionais, além de manifestações por todo o Brasil sempre discutindo com sua classe os caminhos da luta. Hoje desenvolvem a Campanha para que a prefeitura Declare a Fábrica e toda a sua área de Interesse Social, dando um passo no caminho da desapropriação das propriedades do patrão para a sua definitiva estatização sob o controle dos trabalhadores. Com objetivo de sempre dialogar com toda a sociedade, a luta da Flaskô buscou realizar Audiências Públicas. Em maio de 2007, realizamos

na Câmara dos Vereadores em Sumaré/SP. Em 20 de maio de 2009 a luta dos trabalhadores da Flaskô foi tema da Audiência Pública na Câmara dos Deputados, em Brasília. Em 31 de março de 2011, novamente a luta da Flaskô, juntamente com a Vila Operária, procurou a Câmara dos Vereadores e realizou uma Audiência Pública em Sumaré/ SP. As perspectivas estão sendo debatidas, e o Manifesto em apoio à Campanha tem sido um sucesso. Agora, um novo e importante passo precisa ser dado. Para isso, faremos uma Audiência Pública no Senado, em Brasília, no dia 14 de junho, terça-feira, às 9h e contamos

Participe da Caravana! Se inscreva! Maiores informações: mobilizacaoflasko@ yahoo.com.br (19) 3864-2624 com a presença de todo(a) s apoiadore(a)s na Caravana que estamos organizando. Sairemos no dia 04/07 (segundafeira) às 14hs e temos a previsão de chegada no dia 06/07 (quarta-feira) às 7h00. Por tudo isso, convocamos todas as organizações operárias, estudantis, sindicatos, partidos e organizações políticas, personalidades a ajudarem os trabalhadores da Flaskô rumo à vitória, participando da Caravana, subscrevendo o referido manifesto e multiplicando iniciativas de apoio a Declaração de Interesse Social da Flaskô permitindo com isso a regularização de 560 moradias na Vila Operária, permitindo a transformação da Fábrica de Cultura e Esportes num verdadeiro centro cultural e esportivo público, além de estatizar a fábrica, tornando-a pública, sob o controle dos operários que resistem há 8 anos com seu suor e luta.

Jornal Atenção 11ª Edição  

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