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Número 5 Novembro de 2009

Mensal

O Jogo do Século Há 37 anos, as duas maiores super-potências entravam pela primeira vez fisicamente em território de Guerra Portugal

Literatura na Primeira Pessoa

Desporto

As novas limitações do governo de José Sócrates

valter hugo mãe revela em exclusivo as suas visões

Entrevista a Ukra, jovem médio do Olhanense


EDITORIAL

H

A controvérsia chamada José Saramago

á dias que não se fala de outra coisa. José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998, encarregou-se de oferecer no passado dia 15 de Outubro mais um “presentinho envenenado” à casta religiosa do país. E se em anos anteriores o Nobel se havia preocupado em disfarçar as suas convicções religiosas com títulos mais ou menos pomposos, desta feita, não fez por menos e simplificou a situação recorrendo ao nome de uma das personagens mais marcantes da sagrada escritura: Caim. Num registo sóbrio, polémico e inquieto, Saramago escreveu com clareza aquilo que nenhum escritor português havia escrito até hoje. Tecendo duras críticas à Igreja e ultrajando o Deus em que acreditam as suas gentes, José Saramago merece que lhe sejam tecidas algumas considerações. A primeira é a de que a escrita é acima de tudo um acto de coragem. E enquanto acto de coragem, tem os seus guerreiros. Ele é sem dúvida um deles. A segunda é que, enquanto escritor e Ser humano crítico face à realidade que o rodeia lhe assiste o direito de pensar e escrever sobre o que pensa, vive e sente. Por fim, e porque ao escrever Caim Saramago teve perfeita consciência da controvérsia que este geraria, não poderia deixar de referir que pese embora

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a liberdade inerente ao acto da escrita, qualquer livro implica uma boa dose de bom senso e respeito por terceiros. Ora, é precisamente sobre este ponto que creio valer a pena reflectir. Será que foram efectivamente cumpridos pelo Nobel os pressupostos de respeito e bom senso que a escrita de uma obra requer? Ou para além da liberdade Saramago fez uso da chamada “libertinagem”? Dizem algumas vozes que ao Nobel se lhe deve perdoar a idade. Pois, em abono da verdade se diga que se a idade despromove o ser de bom senso, desprovê-o também de algumas das principais qualidades que distinguem o escritor sublime do banal.


INDICE

INDICE 4 6 8 9

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Portugal A doce amarga vitória de José Sócrates Gripe A - Grávidas em risco Os hábitos de leitura dos portugueses Alentejo Ecológico MUNDO Obama, o Nobelizado

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Polémica com «Caim» José Saramago volta a gerar polémica, desta vez foi “Caim”, o novo rebento do Nobel a agitar as hostes

A tensão no Irão Crise nas Honduras Literatura NA PRIMEIRA PESSOA valter hugo mãe CULTURA U2 em Coimbra “This is it” chega e arrasa Hertha Muller, Nobel da Literatura A polémica de “Caim” ESPECIAL

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Duelo de Génios LAZER Em Viagem: Los Angeles

16 Entrevista valter hugo mãe

Profundo, intimista e aberto, valter hugo mãe aceitou o convite da revista Mundo Contemporâneo e partilhou os seus projectos para o futuro

32 Entrevista a Ukra

O jovem jogador do Olhanense foi entrevistado pelo site Academia de Talentos e o Mundo Contemporâneo conta-lhe tudo

FIFA 10 vs. PES 2010 “FlashForward” - a nova série de sucesso Gadgets DESPORTO Entrevista a Ukra (SC Olhanense)

24 Duelo de Génios

Quando os Estados Unidos fizeram xeque-mate à União Soviética

Mortes no desporto O regresso do «pequeno Napoleão» MUNDO AO CONTRÁRIO

FICHA TECNICA Directora: Isa Mestre Sub-Director: Fábio Lima Redactores Principais: Adriano Narciso e David Marques Director de Arte: Fábio Lima

14 Crise nas Honduras

Refugiado na embaixada brasileira, o presidente deposto das Honduras, Manuel Zelaya, reivindica o seu regresso ao poder

26 Lazer

Aproveite para consultar a nova secção para ver as nossas sugestões para o seu tempo livre e algumas extravagâncias

Portugal e Mundo: Adriano Narciso, Isa Mestre, Sofia Trindade e David Marques Cultura: Adriano Narciso e Grethel Ceballos Desporto: Fábio Lima e David Marques

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PORTUGAL

A agridoce vitória de José Sócrates

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inguém lhe perguntou «trick or treat?». Ele também não teve hipótese de escolher. Coincidência ou não a composição do XVIII Governo ficou completa, a 31 de Outubro, com a posse de 37 Secretários de Estado, no Palácio da Ajuda. O governo de Sócrates avançou sem coligações, depois das respostas do partidos lhe terem pregado uma partida. A vitória amarga a 27 de Setembro vai reflectir-se nos próximos quatro anos de mandato. Apela-se ao diálogo por parte do PS mas a «oposição» nem a hipotética coligação aceitou. O Hallowen chegou mais cedo ao Governo. Desde a partida dos outros partidos ao não aceitarem o convite para uma possível coligação, ao doce sabor, muito provavelmente amargo, da vitória sem a maioria absoluta. Serão os quatro anos do segundo governo de Sócrates escuros? Ou passarão disfarçados pela «festa» de discussões no Parlamento? A dar a cara pelo PS neste governo estão mais oito novos governantes. O governo surgiu revigorado. Desta forma António Manuel Soares Serrano, Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, António Augusto da Ascensão

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texto_ Sofia Trindade Mendonça, Ministro Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Dulce dos Prazeres Fidalgo Álvaro Pássaro, Ministra do Ambiente e Ordenamento do Território, Maria Helena dos Santos André Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Isabel Alçada Ministra da Educação e Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas, Ministra da Cultura estreiam-se no Executivo. O Governo sofreu realmente algumas alterações, a escolha dos novos detentores das pastas e a troca de pastas esperam fazer-se reflectir numa maior concordância no Parlamento. Do anterior Governo saíram Maria de Lurdes Rodrigues, a tão contastada Ministra da Educação, Mário Lino, Alberto Costa, José António Pinto Ribeiro, Severiano Teixeira, Jaime Silva e Nunes Correia. Já Jorge Lacão e João Tiago Silveira trocam de pastas, ficando o primeiro encarregue dos Assuntos Parlamentares em detrimento do cargo de secretário de Estado da Presidência que ocupava. Enquanto João Tiago Silveira fica deixa a secretaria do Estado da Justiça para desempenhar funções como o novo O novo Ferrari F-60 da Presidência do secretário de Estado

Conselho de Ministros. Luís Amado mantém-se Ministro dos Negócios Estrangeiros, assim como, Teixeira dos Santos, Pedro Silva Pereira, Rui Pereira, Mariano Gago mantêm as respectivas pastas Estado e Finanças, Presidência, Administração Interna e Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Apresentado o Governo e o programa, alvo de críticas por se colar às promessas eleitorais, Sócrates mantém o «Diálogo» em cima da mesa. A arma para o seu próximo mandato é a palavra, mas acredita que «os partidos estão dispostos a procurar os consensos, o diálogo e os compromissos na Assembleia da República». Habituado ao conforto da maioria absoluta o Primeiro-Ministro vê-se agora obrigado a confrontar o Parlamento com temas como o casamento gay ou as uniões de facto. Possivelmente será a esquerda a apoiar o ponto de vista do governo. Mas há decerto outras temáticas que levantarão discussões na Assembleia e que se arrastarão no tempo a sua concretização ou não. Uma das mais prováveis será a crise, mais concretamente o trabalho e a Segurança


PORTUGAL

Social. Apesar da realidade o PS já veio a público defender que não se vai deixar abalar pela minoria parlamentar. Os social-democratas estão dispostos a «entendimento pontuais» embora Aguiar-Branco tenha dito ao Público que o PS «não pode passar o ónus da estabilidade para a oposição» pois acredita que «Quem tem a obrigação primeira de o fazer é o Governo». A oposição uniu-se para defender esta visão, já o Bloco de Esquerda defende que «Anda aí a canção de embalar da responsabilidade. Todos temos responsabilidade, mas alguns têm mais» reforçando a ideia de que cabe ao partido vencedor estabelecer no Parlamento um clima de concordância, no que toca a decidir o futuro do País. Um dos possíveis temas a causar mais contestação na sua análise no

Parlamento é o caso da avaliação dos Professores que colocará à prova o poder (da palavra) do novo governo. Bernardino Soares, líder parlamentar do Partido Comunista Português, defende que «A maioria relativa obriga a outro tipo de comportamento. Não basta dialogar, é preciso mudar de atitude e de políticas». O que não parece acontecer, O novo programa do Governo cola-se às promessas eleitorais, e pouco mais avança. Dando continuidade ao programa anterior de José Sócrates a maior prioridade é o combate à crise. Como o defende o Primeiro-Ministro «É preciso que o país mobilize todas as suas energias para continuar a enfrentar, com responsabilidade, determinação e visão de futuro, esta que é a maior crise económica mundial dos últimos

80 anos». Outros pontos com prioridade são “ganhar competitividade, de modo a responder aos exigentes desafios da economia global”; reduzir o défice externo; valorizar as exportações; trabalhar para o crescimento económico do País, com o objectivo de o aproximar do nível de vida dos países mais desenvolvidos. O Governo defende que é preciso continuar reformas, e prosseguir a modernização do país, no que toca às energias renováveis e de eficiência energética. A luta contra a pobreza e a justiça, numa sociedade mais igual, é o que defendido pelo novo Governo que promete lutar para que as suas ideias e reformas não fiquem à sombra dos chumbo da oposição parlamentar na Assembleia.

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PORTUGAL

Grávidas em Risco T

Os mais recentes dados internacionais confirmam que as grávidas são um dos grupos mais vulneráveis à Gripe A. O maior risco ocorre nas primeiras 12 semanas de gestação. texto_ Grethel texto_ SofiaCeballos Trindade

udo começou com uma ida ao Hospital S. Francisco Xavier em Agosto. Posteriormente dirigiuse ao Amadora-Sintra. O diagnóstico em ambas as instituições foi o mesmo: Gripe A. No Hospital da Luz foilhe identificado o vírus, já quando padecia de pneumonia e precisava de ventilação. Daí, conduziram-na para o hospital de referência em gripe A na zona de Lisboa, o Curry Cabral. O desfecho deste vaivém hospitalar não foi afortunado para uma grávida de 32 anos, uma das cinco vítimas mortais da gripe A em Portugal. Com cerca de sete meses de gravidez foi-lhe realizada uma cesariana para salvar a criança, que nasceu saudável. A história desta mulher, que tinha regressado há pouco tempo de Angola, ilustra a vulnerabilidade das mulheres grávidas face a gripe A. MAIS VULNERÁVEIS

Na maioria das grávidas a infecção pelo novo vírus da gripe pandémica (H1N1) evolui sem complicações. Porém, estas têm maior probabilidade de ter complicações graves.

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Não se sabem exactamente os motivos que tornam as grávidas mais vulneráveis, mas quando contraem o vírus têm quatro vezes mais risco de sofrer complicações do que outras pessoas. Já em Julho deste ano, constatavase que mulheres grávidas contaminadas com o Gripe A tinham maior risco de desenvolver sintomas graves e morrer. Tais resultados, de um estudo realizado no CPCD (Centro de Prevenção e Controle de Doenças) dos EUA, basearam-se nas mortes de seis grávidas entre os 45 óbitos ligados ao vírus que foram notificados ao CDC entre 15 de Abril e 16 de Junho, o que representa 13% dos casos. Segundo o levantamento do CDC, a mortalidade de gestantes por gripe A era muito elevada, considerando que as grávidas representam cerca de 1% da população dos EUA. Denise Jamieson, autora do estudo, reconheceu que essa cifra era inconstante, porque dependia do número de mortes relatadas naquele momento. Na altura, as asserções de que as grávidas tinham um risco aumentado foram consideradas, por alguns, O novo Ferrari F-60

precipitadas e alarmistas. Porém, os mais recentes dados internacionais, em países que passaram pelo Inverno em contexto de pandemia, vêm confirmar que as grávidas são um grupo de risco. Na Austrália e Nova Zelândia, dos 722 hospitalizados, 9,1% eram grávidas, 28,6 % obesos, e 32,7 por cento sofriam de asma ou outra doença pulmonar crónica. No geral, 31,7% não tinham qualquer factor de risco (dados recém-publicados no New England Journal of Medicine). As explicações podem ser diversas: maior debilidade do sistema imunitário, alterações hormonais ou capacidade respiratória diminuída devido à compressão do diafragma pelo peso da barriga. Outras das complicações, resultante da gripe A em grávidas, é o aborto. A taxa de aborto espontâneo é três vezes superior nas grávidas que contraem gripe no primeiro trimestre de gestação, devendo estas evitar contágios que potenciem a infecção e, a partir daí, ser vacinadas, defende um especialista.


PORTUGAL MULHERES INFECTADAS PODEM AMAMENTAR

RESTRIÇÃO DE VISITAS A GRÁVIDAS

Débora Silva tem cerca de nove semanas de gestação e são muitos os motivos pelos quais tem temor de contrair Gripe A. Uma das questões que se colocava, assim como outras grávidas portuguesa, era se poderia amamentar caso contraísse o vírus. Parar tirar todas as suas dúvidas visitou o Website da DirecçãoGeral de Saúde. Na secção «Gripe A - Informação para grávidas e amamentação» encontrou a resposta para sua interrogação. «Idealmente os bebés deverão receber sobretudo leite materno pelo que todas as mães deverão ser encorajadas a iniciar precocemente a amamentação e a amamentar com frequência os seus filhos.» As mulheres infectadas com o vírus da gripe A “podem e devem” amamentar os seus bebés, mas para tal são necessários alguns cuidados. A DGS aconselha que as mulheres doentes extraiam o leite, para recipientes próprios, e solicitem a um membro da família que esteja saudável que o dê ao bebé. Os recémnascidos têm um elevado risco de doença grave. Se possível, apenas os adultos saudáveis deverão cuidar dos recém-nascidos, inclusive para os alimentar. A mãe enferma, sem mais ninguém que possa cuidar ou alimentar o seu bebé, deverá evitar não tossir ou espirrar a menos de 1 metro do bebé ou para a sua face; proteger o nariz e a boca com um lenço quando tossir ou espirrar. Terá de esforçar-se em lavar as mãos depois de espirrar ou tossir, e utilizar máscara quando cuida do seu filho. A própria amamentação constitui-se uma protecção para os bebés, que caso não sejam amamentados estão mais vulneráveis à infecção e à hospitalização, por doença respiratória grave. Os recém-nascidos não amamentados têm menor capacidade de se defenderem da infecção pois não dispõem dos anticorpos protectores do leite materno.

Alguns hospitais públicos do País recorrem a restrição de visitas a grávidas, mães recentes e recémnascidos. O objectivo é reduzir as probabilidades de contágio da doença a estes grupos de risco. Na maioria dos casos, apenas um familiar pode visitar as mulheres. Tal medida faz parte dos planos de contingência dos hospitais contra a pandemia e a decisão foi tomada autonomamente por cada um deles. Amadora-Sintra, São Francisco Xavier e Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, bem como Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), são certas unidades onde já foram promovidas ou entrarão em vigor medidas para limitar as visitas. Na maioria dos casos, o número de visitas é de apenas uma pessoa. VACINAÇÃO PRIORITÁRIA

A primeira fase de vacinação contra a gripe A em Portugal principiou a 26 de mês de Outubro, com 54 mil doses de vacina, mais 5 mil do que o esperado, segundo o anúncio do Ministério da Saúde. Portugal obteve seis milhões de doses de vacina contra a Gripe A para a vacinação de 30% da população residente, embora essa percentagem possa incrementar, dado que a dose infantil é metade da adulta.

O propósito da campanha de vacinação é «proteger os cidadãos mais vulneráveis» devido «ao risco acrescido de desenvolverem complicações» e à «maior probabilidade de adquirirem infecção», segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS). Francisco George, dir. da DGS, assegurou à Lusa que as grávidas seriam consideradas o «principal grupo prioritário» na vacinação. «Vamos eleger as grávidas como principal grupo prioritário, porque foram identificados riscos maiores durante a gravidez e como tal têm que ser as primeiras a ser imunizadas» - afirmou. Nas primeiras 12 semanas de gravidez, quando o risco de aborto espontâneo é três vezes maior, não é aconselhada a vacinação. Luís Graça (dir. do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Santa Maria e Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Feta) aconselhou a vacinação só a partir do primeiro trimestre. A classificação das grávidas como grupo prioritário também se deve ao facto de se localizarem na faixa etária mais prejudicada por esta doença, antes dos 40 anos. Em Portugal, as grávidas com doença prévia foram as primeiras a ser vacinadas. Espera-se que até Dezembro sejam todas imunizadas, num total de um milhão de portugueses que deverão receber a vacina até essa altura.

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PORTUGAL

Hábitos diminutos de leitura ditam sentença dos farenses texto_ A Redacção

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ão oito horas da manhã e às bancas dos quiosques da capital algarvia começam a chegar uma panóplia de jornais vindos um pouco de toda a parte. Desde os jornais regionais, passando pelos célebres jornais nacionais e culminando nas referências internacionais, tudo cabe num espaço que se quer de partilha com o leitor. Todavia, em Faro, à semelhança do que é possível observar nos outros centros urbanos, há muito que a literatura informativa e o leitor parecem estar de costas voltadas. A imprensa periódica em papel é vista como um utensílio obsoleto por parte das novas gerações, que privilegiam formas mais baratas de ter acesso à informação. Como consequência, nem a informação mais detalhada fortifica os jornais. Na verdade, os hábitos de leitura dos farenses são escassos e os jornais em banca parecem sobrar relativamente às intenções de compra. «Cada vez se vende menos. A crise tem acentuado o problema e perante a necessidade de fazer cortes orçamentais, as pessoas fazem-nos neste tipo de bens», desabafa Carla Rodrigues, proprietária de um quiosque na periferia da cidade. Também Patrícia Nazareno, a trabalhar no ramo, reconhece que «o negócio já teve melhores dias», numa altura em que afirma estar a vender uma média de vinte a trinta jornais por dia. No entanto, também há quem afirme que os diminutos hábitos de leitura da população farense não podem ser atribuídos à crise, na medida em que «o processo de desenvolvimento de interesses e hábitos de leitura deve começar a ser fomentados em casa, desde a infância», o que, segundo António Gamito, responsável por uma empresa de distribuição de jornais, não acontece. Opinião que, em parte, é partilhada

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por Fábio Oliveira, funcionário de uma outra tabacaria situada à saída de Faro, na estrada de São Brás. Afirma que a falta de dinheiro das pessoas afecta “não tanto a venda de jornais, mas sim a de tabaco”, acrescentando que a massificação do fenómeno internet pode, sim, ser vista como um inimigo do negócio. “Ter acesso à informação através de casa é uma grande vantagem para as pessoas”, conclui. Na tentativa de descobrir a razão pela qual os farenses lêem cada vez menos, o Redacção DoisPontoTrês saiu à rua e foi ao encontro dos principais envolvidos na questão: os cidadãos farenses. Sílvia Torres seguia num passo apressado quando confrontada com os escassos hábitos de leitura da população farense nos devolveu um ar de surpresa, afirmando que tal facto se deve «única e exclusivamente à falta de tempo». Já Fernanda Pereira, entrevistada a caminho do trabalho, confessou que o fenómeno pode ter origem na «preguiça lusitana», que, segundo a mesma, começa a «empurrar o país para a cauda da Europa». Os estudantes farenses, quando questionados acerca dos seus hábitos de leitura informativa, variam nas opiniões. João Gomes, aluno do ensino secundário, afirma que a internet o dissuade de comprar jornais nas bancas. “Através da internet leio as notícias que quero, não pago e muitas vezes são anexados vídeos e links que vão dar a outras notícias. Os jornais só me interessam quando oferecem dvd’s ou livros porque tenho acesso à cultura a preços baixos”, confessa o jovem. Por outro lado, Nelson Salgado, aluno do 11º ano, declara não ler jornais porque “não é uma coisa que me dê prazer, prefiro gastar meu dinheiro noutras coisas O novoo Ferrari F-60 mais interessantes”. Grande parte dos

alunos inquiridos afirma comprar jornais muito raramente, sendo que na sua maioria versam sobre desporto, principalmente futebol. A música e a apelidada “imprensa cor-de-rosa” são outros dos gostos das camadas mais jovens da população farense. Faro tem hoje em dia, ao dispor dos cidadãos, jornais gratuitos que podem ser obtidos em centros comerciais ou até mesmo quando se está no carro, nas filas de trânsito. É o caso do Global Notícias, o jornal diário com maior tiragem a nível nacional, distribuído em sete distritos do país que agrupa notícias de vários periódicos e revistas nacionais, como é o caso do Jornal de Notícias, 24 horas, Evasões e Diário de Notícias. A maioria dos farenses indagados não sabia da existência deste tipo de jornal e os que sabiam admitiram não os ler por falta de tempo e de vontade. Joana Antunes, empregada de escritório afirmou ao Redacção DoisPontoTrês que, embora tenha levado o jornal várias vezes para casa, nunca o chegou a ler porque “em casa prefiro estar a par das notícias através da televisão. Perco menos tempo e posso tratar de outras coisas enquanto vejo o noticiário”. De acordo com um estudo avançado há um ano pela Novadir, com o nome “Observatório News”, constatou-se que a internet já ocupa 61% do tempo que os leitores dedicam aos Media. Apesar do crescente interesse na informação facultada através da internet, a análise apurou que os jornais continuam a ser o terceiro mais privilegiado meio de acesso à informação (depois da televisão e da rádio) com 66% dos portugueses inquiridos a afirmar que lêem jornais. Desses 66%, contudo, apenas 27 assumem ser leitores diários de jornais generalistas.


PORTUGAL

Alentejo Ecológico Aldeia solar em Odemira

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uem avança alguns quilómetros por uma estrada de terra batida, próxima de Colos, em Odemira, depara-se com um cenário diferente ao esperado. Numa área com mais de 150 hectares, em Tamera, encontra-se o campo de testes de uma Aldeia Solar. AUTONOMIA ENERGÉTICA

O projecto iniciou-se no mês de Outubro e terá a duração de um ano. A responsabilidade é da eco-comunidade de Tamera, que pretende demonstrar que, sem a utilização de combustíveis fósseis ou poluentes, é possível efectuar variadas tarefas domésticas. Tais como «bombear água, produzir e cozinhar alimentos, aquecer e iluminar as casas». Aaldeia solar é um modelo alternativo para uma futura comunidade ou aldeia da paz, que pode ser generalizado e erigido em qualquer lugar na Terra que tenha uma quantidade de luz solar razoável. O motivo da escolha da região alentejana é evidente, está privilegiada em exposição solar. «A ideia é viver um ano inteiro com esta tecnologia, ver como funciona e encontrar os pontos fracos e fortes, para poder projectar um modelo para a Tamera inteira», onde vivem mais de 150 pessoas, explicou à Agência Lusa Barbara Kovats, coordenadora da Aldeia Solar.

texto_ Grethel Ceballos

PROTÓTIPOS TECNOLÓGICOS

A aldeia solar experimental, que visa a auto-suficiência energética de 50 pessoas, conta, por exemplo, com uma estufa multifuncional que possibilita o cultivo de alimentos com pouco consumo de água. Ainda, aquece óleo vegetal que é acumulado num receptáculo. Captasse e distribuísse o calor entre um motor Stirling, que produz electricidade. Junto da cozinha, construída no âmbito do projecto, um espelho, com cerca de dois metros de diâmetro, desperta a curiosidade: “É um espelho de foco fixo, que vai reflectir o Sol para um tacho próprio, que aquece água em cerca de 30 minutos”, explica Fabian Deppner, também membro da Tamera e colaborador no projecto. Outro protótipo em testes no Alentejo é a bomba de água, que trabalha, à semelhança dos restantes sistemas, apenas com energia solar termal.para poder projectar um modelo para a Tamera inteira», onde vivem mais de 150 pessoas, explicou à Agência Lusa Barbara Kovats, coordenadora da Aldeia Solar. ECO-ALDEIAS

Uma eco-aldeia, pequena comunidade de indivíduos numa estrutura social coesa, está sedimentada em três dimensões: comunidade, ecologia e espiritualidade. O objectivo

é promover um estilo de vida aos seus membros em harmonia com a Natureza. Apesar da propagação do conceito nos últimos anos, as comunidades humanas sustentáveis ainda dão passos tímidos em Portugal, e a maioria das pessoas parece não estar preparada para abdicar do seu estilo de vida actual. Porém, já está em fase de formação a “Rede Portuguesa de Eco-aldeias e Comunidades Sustentáveis”, a cargo da organização Global Ecovillage Network. O objectivo é «promover o desenvolvimento de comunidades humanas sustentáveis em território Nacional, facilitar a troca de informações e a colaboração entre todos os membros portugueses pertencentes à rede mundial, e disseminar o conceito de eco-aldeia, práticas e centros de demonstração.» Assim, pretendem «encorajar sistemas que integrem ecologia, educação, mecanismos de participação em decisões, espiritualidade, bem como tecnologias e negócios ecológicos.» Até ao momento, em Tamera utilizam-se energias à base de combustíveis fósseis. A próxima etapa do projecto será granjear “patrocinadores”, para desenvolver a tecnologia e planejar sua proliferação. E no seu caso, se comprovada a viabilidade do projecto, será capaz de abandonar a sua vida actual e aderir a uma eco-comunidade?

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MUNDO

Obama, O Nobelizado Sobre ele muito se disse e muito se escreveu, mas a verdade é que poucos estariam preparados para ver Obama receber um dos mais conceituados galardões a nível mundial – o Nobel da Paz – onze meses depois de assumir o controlo de uma das maiores potências mundiais. Críticas, elogios e dúvidas revestem a história da atribuição do Nobel da Paz de 2009. texto_ Isa Mestre

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arack Hussein Obama é o nome do homem que em pouco mais de um ano se tornou num dos maiores fenómenos mundiais ao nível político, social e cultural. A 4 de Novembro de 2008 a voz do actual Presidente dos Estados Unidos entoou um pouco por todo o mundo num discurso de vitória onde até mesmo os mais cépticos perceberam estar perante uma nova realidade. Onze meses volvidos, o quadragésimo quarto Presidente dos Estados Unidos, voltou a surpreender o mundo, desta feita com a atribuição do Prémio Nobel da Paz, a 9 de Ou-

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fotografia_ AFP

tubro de 2009. Obama tornou-se assim o número 120 da lista dos que até hoje escreveram o seu nome nas páginas da história dos prémios Nobel, seguindo-se a nomes tão sonantes como o de Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Kofi Annan e até mesmo Nelson Mandela. Recorde-se que o Prémio Nobel da Paz é atribuído pelo Comité Nobel norueguês que este ano justificou a escolha de Obama com os “seus extraordinários esforços para reforçar o papel da diplomacia internacional e a cooperação entre povos”. Embora o Comité tenha sido

firme na decisão de eleger Obama como uma das figuras marcantes do ano 2009, as reacções por parte das intelectualidades a nível mundial foram instantâneas e de cariz diverso. Gideon Rachman, célebre colunista do Financial Times, foi dos primeiros a ter voz sobre a matéria, anunciando a ideia de que o Nobel de Obama foi “prematuro”. «Embora seja correcto dar prémios a crianças nas escolas por ‘’esforço’’, acredito que políticos internacionais provavelmente deveriam ser avaliados por padrões mais elevados», afirmou o jornalista numa das suas crónicas no jornal britânico.


MUNDO

Em perfeita consonância com Rachman surgiu a voz de Iain Martin, actual vice-editor do Wall Street Journal que ironizando sobre a atribuição do Nobel da Paz a Obama afirmou que «um líder agora pode ganhar o prémio da paz por dizer que espera trazer a paz em algum momento no futuro. Não precisa realmente de o fazer, só precisa de ter aspirações. É brilhante.». No entanto, as vozes dissonantes não pertenceram apenas a elementos ligados à imprensa. Lech Walesa, galardoado em 1983 também com o Nobel da Paz não demorou a fazer sentir o seu desagrado, realçando a rapidez com que Obama foi distinguido: «Tão rapidamente? Muito cedo. Ele ainda não tem contribuições. Ele ainda está em uma fase inicial. Ele ainda está a começar a agir». Igualmente desapontado com a atribuição ficou Michael Steele, líder do Partido Republicano, que considerou «infeliz que o status de estrela do presidente tenha ofuscado outras personalidades incansáveis que conseguiram conquistas reais a favor da paz e dos direitos humanos». Todavia, a juntar-se á decisão do comité norueguês surgiram vozes como a de: Jimmy Carter, ex-presidente norte-americano; Nicolas Sarkozy, Primeiro-Ministro francês; Ban Ki-moon, SecretárioGeral da ONU e Shimon Peres, Presidente israelita. Carter, que assumiu em 1977 o poder dos EUA acreditou na justiça da decisão do comité ressalvando-a como «uma manifestação ousada de apoio internacional» para a visão de Barack Obama «e para com o seu comprometimento com a paz e a harmonia nas relações internacio-

nais». Também Nicolas Sarkozy, companheiro de Barack no G-20, se mostrou convicto na decisão do comité em eleger o norte-americano como figura pacificadora do ano 2009 considerando que «o prémio faz Justiça à sua visão em favor da tolerância e do diálogo entre os Estados, as culturas e as civilizações.». Barack Obama, num discurso ao seu estilo, cedo reagiu ao Nobel encarando-o como uma “chamada para a acção” e reconhecendo que não o merecia pelo que fez, mas tudo fará por interpretá-lo como uma responsabilidade pelo que ainda tem a fazer. «Honrado» e «surpreendido» Obama afiançou ter recebido a notí-

cia com toda a humildade. Recorde-se que desde o ano transacto, ano ao qual o Nobel da Paz diz respeito, Obama conseguiu encerrar a prisão de Guantánamo, uma das mais cruéis prisões militares estado-unidenses, defendeu um mundo sem armas nucleares, demonstrou intenções de abertura face a Cuba e ao mundo muçulmano e prometeu uma “nova era de diálogo”. Após se tornar no primeiro negro a governar os Estados Unidos da América, Barack Obama assume-se como o terceiro democrata a receber o Nobel da Paz no espaço de alguns anos, depois dos compatriotas Jimmy Carter, em 2002, e Al Gore, no ano 2007.

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MUNDO

Lá vai um, lá vão dois, três mísseis a voar E em terra, duas fábricas de enriquecimento de ûranio Mísseis de curto/médio alcance geográfico, mas de longo alcance político, foram lançados pelo Irão, em Setembro, durante manobras militares.

texto_ Sofia Trindade

O

s exercícios militares, que podem envolver disparos de médio alcance acontecem numa altura de relações pouco pacíficas com o Ocidente. Ocidente esse que «descobriu» recentemente a segunda fábrica de enriquecimento de urânio no território iraniano. Fateh, com um alcance de 200 quilómetros, Tondar, que podem atingir 150 quilómetros de distancia, foram testados, assim como um novo lançamento de mísseis em simultâneo, denominando por Zelzal. O governo Iraniano defende que os projécteis «não representam uma ameaça aos países vizinhos» tendo acrescentado o comandante do sector aéreo dos Guardas da Revolução que os mesmos simbolizam «firmeza, capacidade de destruição e resistência infinita» para quem ainda poderia alimentar a ideia de uma invasão militar ao país. Coincidência ou não os lançamentos, apesar de relativamente habituais, foram executados quatro dias depois do encontro entre os representantes do Irão e dos Estados Unidos da América, da Rússia, da China, da França, do Reino Unido e da Alemanha. Uma consequência da descoberta da segunda fábrica de urânio. Reincidentes na matéria, esta «não é a primeira vez que o Irão esconde», segundo Obama, as suas actividades. Há espera de uma prova de transparência do governo Iraniano as potên-

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cias avançam que o mesmo poderá sofrer novas sanções se não cooperar. Apesar da descoberta da fábrica o Irão mantém a sua posição no programa nuclear «Um padrão preocupante de omissão», foi assim que o Presidente dos Estados Unidos da América classificou a atitude do Irão depois de se ter tornado pública a existência de mais uma fábrica de urânio no seu território. Nos arredores de Qom fica a fábrica da discórdia. Se por um lado o Irão defende que não há nada de ilegal na fábrica, acrescentando que a mesma só entrará em funcionamento daqui a mais de um ano, numa tentativa de justificar o facto de ainda não a ter tornado pública, e reforçando a ideia de que é muito recente. O Ocidente coloca o ex-segredo sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica, que se encarregará de visitar as instalações e controlá-las, estando a data da primeira inspecção ainda dependente de um acordo com a agência. Desde 1992 que a Agência Internacional de Energia Atómica, como aprovou no Tratado de Não-Proliferação Nuclear, define a divulgação pública aquando a decisão da construção, e não apenas nos seis meses antes do seu inicio de actividade, como antigamente estava em vigor. Se o Irão não reconhece(u) a alteração a ONU já reforçou a sua discordância da actual

legislação. A nova fábrica foi apresentada como não tendo fins militares mas o G20 suspeita que o Irão esteja a desenvolver um programa nuclear paralelo devido ao reduzido tamanho da fábrica para alimentar uma central nuclear, mas suficiente para conseguir urânio enriquecido para a elaboração de uma bomba atómica. Respostas do Ocidente Estados Unidos da América, Reino Unido e França garantem que continuam empenhadas nas negociações com o Irão. Embora avisem que o mesmo deve estar «preparado para cooperar totalmente com a Agência Internacional de Energia Atómica» e «cumprir as resoluções do Conselho de Segurança», isto é, suspender o seu programa de enriquecimento. Gordon Brown defende supervisão das acções do Irão e lança «novas e mais estritas sanções» para o mesmo se não agir dentro do previsto. Já o Presidente francês acredita que o Irão deve «pôr todas as cartas na mesa», avançando mesmo Nicolas Sarkozy com um prazo para o Irão adoptar outra postura. Dezembro é a data marcada. Caso contrário as três potencias anunciam que «o Irão será responsabilizado ao abrigo dos padrões e leis internacionais».


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MUNDO

Crise nas Honduras Homem de passado promíscuo e de presente nebuloso, Manuel Zelaya Rosales é hoje um homem prisioneiro da sua própria sombra. No passado dia 28 de Junho um golpe militar liderado pelo General Romeo Vásquez Velásquez fez cair o 65.º presidente das Honduras. texto_ David Marques

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inte e oito de Novembro de 2005. José Manuel Zelaya Rosales é eleito o 65.º presidente da República das Honduras. Depois de uma disputa acesa, o candidato do Partido Liberal superioriza-se a Porfírio Lobo Sosa, com 49,90% dos votos contra 46,17%. É o culminar de mais de três décadas e meia de filiação ao seu partido político e de 20 anos enquanto deputado no Congresso Nacional e o reconhecimento da sua competência política. Proveniente de um partido conservador, «Mel» rapidamente rescinde com parte dos princípios defendidos por si até então, ao promover políticas económicas e sociais facilmente identificáveis com a esquerda – a assinatura da «Aliança Bolivariana para as Américas» (ALBA), criada por Fidel Castro e Chávez foi prova disso. Em três anos, o presidente hondurenho não só se aliou ao poder autoritário de esquerda dos seus vizinhos Hugo Chávez, Daniel Ortega e Evo Morales abandonando posturas democráticas, como também adoptou posições hostis aos Estados Unidos da América e à televisão local, que caracterizava de “injusta na cobertura do governo”. Mas a gota de água ainda estaria para chegar. A seis meses de terminar o seu mandato, Manuel Zelaya pretendia a realização de uma consulta popular para a convocação de uma Assembleia Constituinte a fim de garantir apoio público para a ampliação do mandato presidencial. Como a Constituição hondurenha

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obriga a que todos os presidentes não possam ser reeleitos Zelaya, por intermédio de meios que considerava legais, tentou, segundo os seus opositores, perpetuar-se no poder, dirigindo o país à semelhança do seu homólogo Hugo Chávez. Romeo Vásquez Velásquez, general do exército, opôs-se à distribuição do material eleitoral, indispensável à realização da consulta. Como consequência, o presidente tentou destitui-lo, não obtendo, porém, o indispensável apoio da Suprema Corte para tal. A 28 de Junho passado, dia em que se deveria realizar a consulta popular, «Mel» Zelaya é detido em sua casa por militares a mando do Supremo Tribunal. De pijama, é obrigado a embarcar de imediato para a Costa Rica. Consumava-se, assim, mais um dos cerca de cem golpes de Estado em território hondurenho desde a sua independência espanhola em 1821. Na tentativa de reaver o poder num país com 7 milhões de habitantes e com perto de 80% abaixo do limiar da pobreza, o presidente deposto voltou às Honduras a 21 de Setembro. Apoiado pela comunidade internacional, que condena a acção do chefe de Estado interino Roberto Micheletti, Zelaya irá a votos em eleições legislativas e presidenciais previstas para o próximo dia 29, esperando que até à data lhe seja devolvida a cadeira que lhe foi abruptamente tirada após mais de três anos. Oriundo de uma poderosa família

burguesa, não foi pela propensão política que Zelaya deu que falar desde cedo. Em 1975, quando contava apenas com 22 anos, na fazenda do seu pai foram mortas 14 pessoas que se deslocavam à capital, Tegucigalpa, para participar na Marcha da Fome, reivindicando por terras e propriedade. Os cadáveres foram posteriormente deitados a um poço com 40 metros. Juntamente com três cúmplices, em 1979 o pai do agora presidente deposto foi condenado a 20 anos de prisão, sendo libertado no ano seguinte devido a uma amnistia entretanto decretada. Apesar de não ter visto o seu nome envolvido no processo, são poucos os que acreditam que não participou no massacre. As suspeitas de ligação do presidente deposto ao narcotráfico são forte. Apesar de ter prometido combater arduamente o tráfico de droga em território hondurenho, a verdade é que desde que abandonou o poder, a 28 de Junho, nunca mais foram avistadas tantas avionetas. “Desde que ele se foi embora já não se vêem avionetas […] Toda a gente sabia porquê, mas nunca se fez nada”, afirmou um jovem de Olancho a Jacobo García, do El Mundo. Um dos filhos de Zelaya está intimamente relacionado com os grandes cartéis de droga tendo, inclusive, convivido de perto com o maior narcotraficante do mundo, Joaquín Guzmán Loera, conhecido como “El Chapo”. Diz a voz do povo que “filho de peixe…”.


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Texto_ Isa Mestre

valter hugo m達e

Fotografia_ www.valterhugomae.com


LITERATURA NA PRIMEIRA PESSOA

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uando o leu pela primeira vez Saramago disse ter tido a clara sensação de «estar a assistir a um novo parto da Língua Portuguesa». Mas, a verdade é que valter hugo mãe, vencedor do Prémio Saramago em 2007, nascera trinta e oito anos antes, na humilde cidade de Saurimo, em Angola. Hoje, em entrevista à Revista Mundo Contemporâneo o escritor que “agitou” os sismógrafos da literatura portuguesa abre-nos a porta dos seus pensamentos e deixa-nos antever uma nesga dos projectos futuros. Paciente, simples e profundo, o escritor português diz buscar apenas «tudo quanto existe dentro de si e dos outros». Rejeita a palavra triunfo e encara a sua afirmação no panorama literário português com a única tradução da palavra sucesso em que acredita: gratidão.

Conte-nos um pouco acerca do seu percurso literário… Que dificuldades enfrentou? Como conseguiu triunfar no mundo da literatura nacional? O que sentiu ao ver um livro seu publicado pela primeira vez?

dentro de si e dos outros. Muito ansioso no acto da escrita, muito paciente e calmo para a vida dos livros.

Não gosto da palavra triunfo, parece que estou em alguma corrida ou concurso. Parece que para eu ganhar alguém teria de perder. Não vejo as coisas assim, trabalho no que sempre quis, escrevo com a convicção de que é o melhor que posso dar aos outros. Se acontece de os meus livros serem cada vez mais lidos, talvez seja da natureza do tempo, da natureza dos que persistem e acreditam em algo.

Talvez usar de uma maior rapidez. Não sei. O Camilo escreveu como um escravo, foi rápido, sem dúvida. Não sei. Mas acho que, no que me diz respeito, sinto o nosso mundo como profundamente acelerado em relação ao que terá sido até décadas atrás. Na torrente, escrever neste tempo é estar sujeito (ou poder estar) a uma vertigem que traz novos ritmos para a escrita e para a leitura.

É bom, isso de podermos comunicar com um público tão lato que ultrapassa já fronteiras e línguas. No entanto, cria também algumas angústias. O processo de tradução revela sempre algumas dificuldades em reproduzir o mesmo efeito numa língua diferente. Mas vamo-nos habituando. Faz parte.

A ausência de maiúsculas é uma das características da sua escrita. É um modo de criar um estilo próprio ou apenas uma preferência ao nível literário?

Em duas caracterizaria portuguesa?

palavras como a literatura

Muitas. Talvez a mais permanente é a de que considero que devemos acreditar e exigir mais da humanidade, em detrimento de ilusões religiosas e políticas de ego.

Tem que ver com muita coisa. Com a aceleração do texto, a mesma dignificação das palavras, a limpeza formal e o desafio literário que me coloca.

José Saramago afirmou em 2006, que o seu romance remorso de baltazar serapião se tratava de uma revolução. O Nobel diz ter tido a sensação de estar a assistir a um novo parto da Língua Portuguesa. Considera-se rebento de uma nova geração de talentos?

Que projectos podemos esperar para o futuro? Está para breve o lançamento de um novo livro?

Foi 17vencedor de dois dos prémios mais conceituados em Portugal: o Prémio de Poesia Almeida Garrett e o Prémio Saramago. Sente de alguma forma o peso do seu sucesso? Sinto-me grato. Talvez essa possa ser uma tradução da palavra sucesso em que acredito: a gratidão. Como caracterizaria o valter hugo mãe que encontra quando escreve? Um rapaz com uma necessidade profunda de encontrar tudo quanto existe

Como é ser escritor no século XXI?

Muito boa.

Hummm. Faço parte de uma geração, mas já não acho que seja mesmo a nova. Estou com 38 anos e careca. Isso de dizerem que sou um jovem escritor é só porque há gente mais velha. Mas a nova geração de escritores já são outros. Eu talvez faça parte de uma geração que, subitamente, se demarca. Também tem que ver com o tempo. É o tempo de o público descobrir o nosso trabalho. Tarda nada, viramos clássicos (se tivermos mesmo sorte) e depois o público vai querer saber de gente que já nasceu depois de nós. É natural.

A sua poesia está traduzida em países como Espanha, Brasil, República Checa, Tunísia, Israel e até mesmo Estados Unidos. Qual a sensação de ser lido um pouco por todo o mundo?

Qual a mensagem que pretende passar ao mundo com a sua escrita?

Estou a escrever o meu novo romance (ainda sem título). Deverá sair apenas em 2010. Entretanto foram publicados pela Booklândia dois livros meus para crianças, «A verdadeira história dos pássaros», e «A história do homem calado». Estou muito entusiasmado com estes livros e quero seguir a colecção com novos títulos. Sempre quis escrever para os mais novos, agora sinto que chegou o tempo de o fazer.

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CULTURA

U2 voltam em 2010 para dose dupla de adrenalina Bono Vox, Edge e companhia declararam que vão voltar a Portugal no próximo ano. Desta vez o local de passagem é Coimbra e, tendo em conta o número de fãs lusos, o estádio da cidade vai ser pisado duas vezes pelo conjunto irlandês.

O

s U2 vão voltar a Portugal em Outubro de 2010 para presentear o público com dois concertos no Estádio Cidade de Coimbra. Os bilhetes para o primeiro dia esgotaram em poucas horas. A banda irlandesa liderada por Bono Vox decidiu acabar com a impaciência dos fãs portugueses que já durava desde o verão de 2005, quando mais de cinquenta mil pessoas assistiram ao concerto de encerramento da «Vertigo Tour». Desta vez a digressão chama-se «360º Tour» e vai passar pela cidade dos estudantes nos dias 2 e 3 de Outubro do próximo ano. A tournée tem como objectivo promover o último álbum da banda, No line on the horizon, editado em Março deste ano, que inclui temas como "Get on your boots", "Moment of surrender", "Cedars of Lebanon" e "Magnificent". O espectáculo contará

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Texto_ Adriano Narciso certamente com uma maior interacção com a assistência na medida em que a estrutura, em forma de aranha, vai ter um palco rodeado de público por todos os lados. Mas a interactividade se não fica aqui. Os fãs mais insaciáveis que estiverem dispostos a pagar 260 euros podem ver o concerto no palco, ao lado dos seus ídolos. Para aqueles que não se possam dar a esses luxos, o preço de um bilhete varia entre os 32 (na assistência em pé) e os 125 euros (para as bancadas ao pé do palco). Os quarenta e dois mil bilhetes para o primeiro concerto estiveram à venda no site da Blueticket e em lojas Fnac, Worten e Media Markt de todo o país mas esgotaram em apenas sete horas. Cerca de três mil bilhetes estiveram reservados apenas aos fãs do clube da banda, que conseguiram fazer pré reserva através da internet antes da venda nos balcões. O novo Ferrari F-60

De recordar que o conjunto irlandês que popularizou Sunday bloody Sunday, With or without you e, por exemplo, a One, foi recebido no Palácio de Belém por Jorge Sampaio, Presidente de Portugal na altura, durante a sua passagem pela capital portuguesa há quatro anos. Bono Vox, The Edge, Adam Clayton e Larry Muller foram condecorados com a Ordem da Liberdade. No passado dia 25 de Outubro a banda ficou conhecida por outra inovação, ao transmitirem em directo, através do Youtube, um concerto que realizaram na Califórnia, durante o Pasadena Rose Bowl. O acesso ao vídeo foi gratuito e a transmissão ocorreu ao mesmo tempo nos cinco continentes. Mais uma prova de que a banda irlandesa quer usar todos os meios disponíveis para se aproximarem dos seus fãs.


CULTURA

“This Is It” chega e arrasa! Texto_ Manuela Vaz

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ia 28 de Outubro foi o dia escolhido para a estreia mundial do documentário sobre os últimos meses de vida de Michael Jackson. Na longa-metragem poderemos ver cenas obtidas das mais de 100 horas de filmagens dos ensaios ocorridos entre Abril e Junho – mês do falecimento do cantor, para a que seria a maior e mais marcante digressão da vida de Michael Jackson. Na O2 Arena em Londres iria haver 50 concertos. O documentário é dirigido por Keny Ortega, segundo o mesmo “quando começamos a juntar as imagens para o filme, demos conta que tínhamos filmado algo extraordinário, único e muito especial”. “«This Is It» pode ser o melhor espectáculo que ninguém teve a oportunidade de ver mas, com este filme, teremos um retrato raro de Michael enquanto ele se prepara para a sua última actuação e

no que eu acredito ser o seu melhor trabalho.” O produtor, que trabalhou com Michael Jackson durante 20 anos, foi também o responsável por outras duas tournés do astro: Dangerous (1993) e History (1996-97). Familiarizado com o cinema, Ortega dirigiu e criou ainda a triologia High School Musical, da Disney, e assumirá a direcção do remake de Footlose. Dois dias depois da sua estreia ficou a saber-se que o documentário poderá ainda concorrer aos Óscares, na categoria de melhor filme, edição de som, edição de imagem e direcção, assim adiantou a imprensa norte-americana. Os estúdios Columbia Pictures, no entanto, ainda não confirmaram se incluirão o filme na corrida pelas estatuetas de Hollywood, embora apresente as condições necessárias para participar, assim que completar uma semana

de projecção nos cinemas do condado de Los Angeles. Keny Ortega, afirmou que uma indicação para os Óscares de 2010 seria um reconhecimento merecido para Michael e para o seu último projecto. O filme está a ter um bom desempenho nas bilheteiras liderando, como previsto, a bilheteira nos EUA, arrecadando 32,5 milhões de dólares (aproximadamente 21.83 milhões de euros) nos primeiros 5 dias de exibição. Devido ao sucesso nas bilheteiras, os estúdios Sony, que tinham previsto exibir a longa-metragem durante duas semanas, estenderam o prazo para três nos EUA. “Os números são incríveis”, disse o presidente de distribuição da Sony. Rory Bruer. “ É muito mais que um filme sobre um espectáculo. Kenny Ortega criou um filme emocionante e excitante, um incrível tributo ao rei da pop”, acrescentou.

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CULTURA

Herta Müller, quando a ficção se confunde com a realidade Contra todas as expectativas, no passado dia 8 de Outubro o maior prémio que um escritor pode receber foi atribuído a Herta Müller. A escritora não estava entre os ‘nobelizáveis’ mas a Academia sueca conseguiu surpreender mais uma vez. Herta é a décima segunda mulher a receber o Nobel da Literatura. texto_ Adriano Narciso

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atribuição do prémio Nobel da Literatura gera sempre muita polémica e este ano não foi excepção. Herta Müller foi a escritora eleita como sucessora a Jean-Marie le Clézio, autor francês vencedor no ano passado. As maiores críticas à atribuição do prémio a esta autora (e muitos outros) reiteram a ideai de que, mais importante do que a qualidade literária e as características directamente ligadas ao estilo de escrita são as motivações políticas da escritora ao longo da sua carreira. De facto, a obra de Müller é quase indissociável da sua vida privada. Nascida numa aldeia romena de Nitzkydorf, a jovem filha de um pai e uma mãe estudou alemão e literatura romena. Mais tarde aceitou o trabalho de trabalho de tradutora mas acabou por ser demitida – em 1979 - por se ter recusado a cooperar com a polícia política do regime de Nicolae Ceaucescu. Durante a década de 80 casou com o também escritor Richard Wagner e em 1987 o casal fugiu para a Alemanha, uma vez que a situação da escritora no seu país natal estava a tornar-se insustentável tendo em conta o teor contestatário das suas publicações, que atingiam sobretudo o regime totalitário, que acabaria por ser derrubado em 1989. Uma análise às temáticas predominantes na sua bibliografia permitem-nos concordar com a ideia de uma autora cuja obra se liga à experiencia pessoal num regime totalitário. A Academia parece ter-se apoiado nesta premissa para fazer a sua escolha. Para o júri, Herta Müller é uma escritora que consegue “com a densidade da sua poesia e a franqueza

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da sua prosa, retratar o universo dos desapossados”. A acompanhar esta tendência para discordar da atribuição do galardão, existem casas de aposta para aqueles que acham ter um dedo que adivinha. Este ano as opiniões dividiam-se. Nos lugares cimeiros encontravam-se o israelita Amos Oz, os norte-americanos Philip Roth, Thomas Pynchon, Cormac McCarthy e Joyce Carol Oates e o italiano Claudio Magris. A lista continha até nomes de grandes figuras da música, como Bob Dylan. O de Herta Muller só entrou para esta lista, para espanto de muita gente, na véspera da atribuição do prémio. Philip Roth é um dos eternos candidatos ao Nobel. Ao lado dele existe uma lista de outros autores ‘canonizáveis’ como o caso de Milan Kundera, Vargas Llosa e até Chinua Achebe. A escrita do autor de A Pastoral Americana, Conspiração contra a América, A Mancha Humana ou O Teatro de Sabbath compara-se à de Saul Bellow (1915-2005), condecorado em 1976 pela academia sueca e aborda o desejo sexual, monólogos pejados de referências à morte, loucura e à decadência moral da sociedade americana. O interesse suscitado no nosso país em relação a este autor não é novo. Roth é um dos escritores mais queridos dos leitores lusos. Indignação acabou de ser editado pela Dom Quixote e conta com uma boa receptividade. Entretanto a editora afirmou que está a ser preparada a publicação daquela que é considerada por muitos a tour de force do escritor, Portnoy’s Complaint. Outro norte-americano cujo nome vem sendo repetido ano após ano como can-

didato ao prémio sueco é Thomas Pynchon, escritor conhecido por viver numa reclusão quase absoluta. As únicas fotos conhecidas remontam á sua juventude e não é conhecido o seu local de residência. Sabe-se que tem 72 anos e que recentemente emprestou a sua voz para o trailer do seu livro Inherent Vice (2009). De resto, o que se conhece de Pynchon é o que este nos dá a conhecer através da sua escrita que mistura influências pós-modernistas e humorísticas com um surrealismo impregnado de ficção científica e leituras alternativas de acontecimentos históricos. Romances como Gravity’s Rainbow reúnem centenas de personagens que obrigam o leitor a ter muita atenção e acima de tudo paciência. A natureza polímata do autor é também um factor de realce dado o nível de detalhe que é prestado pelo mesmo nas descrições de uma situação que à primeira vista parece banal. Cormac McCarthy era outra grande aposta para este ano. O autor de bestsellers como A Estrada ou Este País não é para Velhos (adaptado para cinema pelos irmãos Cohen) tem um discurso reminiscente do sulismo e do ‘fluxo de consciência’ preconizados por William Faulkner, laureado com o prémio sueco em 1949. A autora não está muito traduzida no nosso país. Só podemos contar com O homem é um grande faisão sobre a terra, editado pela Cotovia e A terra das ameixas verdes, publicado pela Difel. Mas tal como aconteceu com o laureado do ano passado, essa situação deve ser corrigida nos próximos meses, esperando-se certamente uma grande vaga de traduções.


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CULTURA

Cai(m) em pecado José de Sousa Saramago, é este o nome do homem que desde 1991, com a publicação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo tem vindo a suscitar opiniões controversas a seu respeito no seio da Igreja Católica. Os crentes dizem-se ofendidos pela sua escrita, Saramago continua a expressar descomplexadamente os seus ideais. Desta feita, foi Caim, o novo livro do autor, o centro da polémica. texto_ Isa Mestre

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osé Saramago, prémio Nobel da Literatura em 1998 e autor de livros como Ensaio sobre a Cegueira, Memorial do Convento e Evangelho segundo Jesus Cristo continua a gerar opiniões controversas a seu respeito no seio da sociedade portuguesa. A 19 de Outubro e com o lançamento do seu mais recente “rebento”, Caim, José Saramago voltou a reabrir o dossier de discórdia que desde alguns anos a esta parte o tem vindo a separar de grande parte da casta religiosa do país. É que se com a publicação de Evangelho segundo Jesus Cristo muitas vozes se levantaram em tom de crítica, o lançamento de Caim foi um autêntico coro de censura face ao Nobel. Acusado de ferir a religião e ultrajar o nome de Cristo, José Saramago garante já ter “a pele dura”. A confirmar isso

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fotografia_ wordpress.com

mesmo, o escritor português prestou-se no dia 23 de Outubro a uma debate na SIC, num frente-a-frente com o Padre Carreira das Neves, onde discutiu e defendeu a sua obra enquanto fruto do seu pensamento face ao universo religioso. Nomeando a Bíblia como “manual de maus costumes”, Saramago garante que Caim não afectará directamente os católicos pois afiança que estes não lêem a sagrada escritura. Num momento em que a sua carreira se aproxima do fim, José Saramago volta à praça pública suscitando reacções um pouco por toda a parte. A primeira e talvez uma das mais fulcrais, veio precisamente da parte do padre Carreira das Neves, que confessando admirar a prosa do autor português, o acusou de reduzir a Bíblia a

“dois ou três versículos à sua medida”. Também o sacerdote católico Anselmo Borges lançou severas críticas ao romancista por uma «leitura completamente unilateral» da Bíblia. Já D. Manuel Clemente, bispo da diocese do Porto, deixou no ar a ideia de que Saramago revela «uma ingenuidade confrangedora quando faz incursões bíblicas», aconselhando o Nobel a «informar-se antes de escrever», para dar aos seus livros uma «significação bem diferente da que lhe quis dar». Recorde-se que Saramago havia proferido em Penafiel, a 18 de Outubro, uma das frases mais polémicas de todo o “enredo”: «Deus não é de confiança, é vingativo, rancoroso e a Bíblia é um rosário de incongruências». A 30 de Outubro, e indiferente a toda a polémica em torno de Caim, Saramago


CULTURA apresentou a sua mais recente obra num auditório da Culturgest a “rebentar pelas costuras”. Num registo ousado, provocatório e destemido, o Nobel voltou a ironizar: “Da Bíblia, parece que se venderam uns exemplares mais e eu congratulo-me, porque as pessoas que não a tinham lido podem agora confirmar a justeza das minhas afirmações”. Afirmando o novo romance como “o melhor em todos os aspectos”, Saramago frisou que a polémica que se tem gerado em torno da obra foi desencadeada “a mando da Igreja Católica e com a execução dos seus homens de mão, ou outros que se guiam por interesses pessoais ou rancores”. No entanto, fechando a sessão o autor afirmou: «Sem querer parecer vaidoso, estou acima de tudo quanto digam de mim». Pese embora todas as polémicas, o facto é que Caim, de José Saramago, vendeu seiscentos e vinte e sete exemplares no primeiro dia e quatro mil cento e vinte e quatro nos cinco dias seguintes. Decorrente desta onda de

popularidade que o livro tem vindo a levantar, a Igreja Católica foi pronta na resposta afirmando que as declarações de Saramago são nada mais nada menos que «operações de publicidade» com vista à venda do maior número possível de exemplares. Segundo declarações de Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, «um escritor da craveira de José Saramago deveria ir por um caminho mais sério», realçando ainda que o português radicado em Lanzarote «poderá fazer as suas críticas, mas entrar num género de ofensa não fica bem a ninguém, sobretudo quem tem um estatuto de Prémio Nobel». Recorde-se que a Igreja Católica portuguesa reagiu em bloco às primeiras asserções de Saramago que, na véspera do lançamento de “A Bíblia para Todos”, a primeira edição literária do livro sagrado com um texto simples e acessível a todos, considerou que «sem a Bíblia seríamos outras pessoas. Provavelmente melhores.» No entanto, as críticas estenderamse para além das fronteiras de actuação da Igreja Católica e a Aliança

Evangélica Portuguesa (AEP) não deixou a sua opinião por mãos alheias, considerando que as ideias do escritor mostram «ignorância, preconceito e agressividade acerca da Bíblia e acerca de Deus». Quem se mostrou surpreendido pela dimensão da reacção dos portugueses ao novo romance de Saramago foi Zeferino Coelho, editor do escritor português. Para Zeferino, a reacção foi sobretudo antecipada tendo em conta que «com Evangelho Segundo Jesus Cristo demoraram quatro meses». Contente com o ritmo a que as vendas têm decorrido, Zeferino Coelho garantiu ao Diário de Notícias que a polémica tem dado os seus frutos «não há melhor publicidade que esta para a comercialização», lamentando no entanto que não seja a força dos temas do autor a determinar as vendas de Caim. Perante uma polémica que parece longe do fim , José Saramago encerrou a sessão de lançamento de Caim com uma única certeza : a de que resistirá a «todas as canalhadas que se façam à volta do livro».e

As frases mais polémicas do Nobel • • • • • • •

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“Portugal deveria ser província de Espanha” - em entrevista ao Diário de Notícias em Julho de 2007 “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa” - no lançamento do seu novo livro, Caim. “Sobre o livro sagrado, eu costumo dizer: lê a Bíblia e perde a fé!” - no lançamento do seu novo livro, Caim. “Deus é um filho da puta” - no livro Caim “O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo” - em Evangelho Segundo Jesus Cristo. “Não vou sentar-me outra vez no banco da escola primária” - sobre o novo acordo ortográfico. “Não esperava esta reacção dos católicos porque eles não lêem a Bíblia. Quem é que lê um livro deste tamanho senão por obrigação?” - in Correio da Manhã

No Lançamento de Caim em penafiel

“Não percebo como é que a Bíblia se tornou um guia espiritual. Está cheia de horrores, incestos, traições, carnificinas.” “Nós somos manipulados todos os dias. Temos de lutar contra isso. Que a leitura deste livro vos ajude a ver o outro lado.” “Deus não é de confiança, é vingativo, rancoroso e a Bíblia é um rosário de incongruências” ”Bíblia é um livro sagrado e nenhum dos meus o é” “[A Bíblia] não é uma invenção minha” “Eu sou ateu mas capaz de ser sensato” “Só o ser ateu é uma mostra de sensatez” “Não há ateus absolutos porque não existem sociedades onde Deus não tivesse entrado. Posso rejeitar mas está cá e não posso apagar Deus ao dizer que não existe.”

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ESPECIAL

Duelo de Génios Spassky e Fischer disputaram há 37 anos o “jogo do século”. Em plena Guerra Fria, o duelo de Grão-mestres era muito mais do que uma batalha de orgulho pessoal. Era um duelo entre duas nações em busca da superioridade intelectual. texto_ David Marques

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o auge da Guerra Fria, em que nenhuma das grandes potências internacionais se superiorizava num combate sem data nem campo de batalha marcado, cabia aos soviéticos a asfixia do panorama global do xadrez. Desde 1948, há precisamente 24 anos, que ninguém ousava desafiar a hegemonia que Grão-mestres, desde Botvinnik passando por Petrosian até Spassky, construíram habilidosamente. Nos Estados Unidos, a popularidade do desporto da mente era quase nula e o seu último campeão mundial de xadrez datava de 1894, ano em que Wilhelm Steinitz – que nem era um produto made in América, mas checoslovaco – foi destronado após um longo ciclo de 28 anos. Para os soviéticos, o xadrez era a prova da

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sua superioridade intelectual sobre os americanos. Por seu turno, os seus antagonistas pareciam não ter o engenho nem a vontade de lhes fazer frente até ao aparecimento de um jovem. Robert “Bobby” Fischer era mais do que um jovem com talento para a prática do xadrez. Desde cedo mostrou a sua superioridade face a jogadores mais experientes e respeitados internacionalmente. Aos 13 anos, derrota o Grão-mestre Donald Byrne e com apenas 14 vence o campeonato nacional de xadrez. Dois anos depois adquire o título de Grão-mestre, o mais jovem xadrezista de sempre a conseguir a ser distinguido. Grão-mestre é um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez aos jogadores que

obtenham pontuação igual ou superior a 2500 em pelo menos 24 partidas válidas pela FIDE (Federação Internacional de Xadrez). É por essa altura que decide abandonar a escola, mas não os estudos “A escola é uma perda de tempo”, confessou Fischer, que decide rumar à Califórnia para aumentar os seus conhecimentos sobre o jogo. Enquanto o seu talento aumentava, a vida social deteriorava-se. Abandonava encontros quando considerava já não haver luz suficiente, lançava suspeitas de resultados combinados entre os seus oponentes para o prejudicarem e recusava-se a disputar ou terminar encontros ao Sábado - dia santo para os judeus – mesmo quando já era declarado virtual vencedor. Assim, o tão an-


O JOGO DO SÉCULO siado encontro para o título mundial com o campeão Boris Spassky só se viria a realizar em 1972, não antes de Fischer ter de conquistar o lugar de desafiante após vencer o torneio dos candidatos, onde bateu três oponentes, os dois primeiros com vantagem sem precedentes 6-0 à melhor de dez partidas. No último encontro afastou Tigran Petrosian, campeão entre 1963 e 1969. “O jogo do século”, como ficou imortalizado, com começo agendado para 1 de Julho em Reiquiavique, capital da Islândia – país entusiasta por xadrez – opunha mais do que dois prodígios do xadrez. Desde meados dos anos 40 que tanto os Estados Unidos como a URSS usavam os computadores para simular confrontos nucleares. As duas super-potências entravam pela primeira vez fisicamente – como comprova o envolvimento de ambos os governos – em território de guerra. Uma guerra sobre um tabuleiro. Auto-suficiente, Bobby Fischer prepara-se sozinho para o encontro com o seu oponente, dedicando-se ao estudo exaustivo das jogadas de Spassky. “Eu dou 98% da minha energia mental ao xadrez. O restante fica apenas com 2%”, afirmou em tempos o norte-americano. Por sua vez, Boris Spassky treinou-se cerca de três meses com o ex-campeão mundial e seu tutor Mikhail Botvinnik. No dia 1 de Julho estava tudo a postos para o encontro entre aquele que era considerado o melhor estratega da actualidade e o campeão mundial. Fischer, que defrontara Spassky por duas ocasiões antes do confronto sem nunca ter saído vencedor (perdeu no primeiro duelo em 1960 e empatou no segundo, em 1966), não compareceu. Em causa estava um desacordo de verbas. Caprichoso, o norte-americano exigiu a duplicação do prémio a ser distribuído pelos intervenientes, que viria a ser elevado para uns sem precedentes 250 mil dólares, e verbas referentes a receitas televisivas. Depois de aceites todas as exigências Bobby Fischer aterrou na Islândia três dias após o estipulado para o início do “jogo do século”, que teve início a 11 de Julho, não sem antes exigir que se sentasse numa cadeira particular ao longo do encontro. Boris Spassky venceu a primeira de

24 partidas. Na segunda, surpreendentemente, o seu adversário não compareceu. Fischer estava mais preocupado em impedir que as câmaras e as pessoas presenciassem o duelo, alegando que o barulho o perturbava. Pensou até em abandonar o encontro caso os seus desejos não fossem satisfeitos. Henry Kissinger, secretário de Estado do presidente Richard Nixon, chegou mesmo a telefonar para o seu compatriota incitando-o a continuar no jogo. O campeão aceitou a solicitação e o jogo foi deslocado para uma sala nas traseiras da Laugardalshöll Arena. Ao aceitar jogar sob condições exigidas pelo seu adversário, Spassky mal sabia que estava a cavar a sua própria sepultura. Ou talvez soubesse: “Senti que tinha perdido o jogo antes mesmo de ter começado”, revelou anos depois. De facto, o soviético ficara 11 dias à espera que o jogo se iniciasse, e aceitou sem relutância todas as exigências do seu oponente, quando sabia certamente que era Fischer que desejava algo que era seu. Sergei Pavlov, presidente da comissão oficial de desportos da URSS, aconselhou o seu compatriota a abandonar o encontro, em protesto contra o comportamento de Fischer. Mas Spassky era um jogador. A 31 de Agosto, 50 dias depois do início do encontrou jogar-se-ia a vigésima primeira e última partida. No dia seguinte o encontro não recomeçou. Boris Spassky capitula…por telefone. Bobby Fischer é, aos 29 anos, o novo

campeão mundial de xadrez depois de 8 vitórias, 11 empates e apenas 3 derrotas. A partir desse dia, as vidas dos dois intervenientes não mais voltaram a ser como antes. Spassky é culpado pelo governo soviético por não ter seguido o conselho de Sergei Pavlov e passa a viver em França a partir de 1976, onde obtém nova cidadania. Porém, a caminhada do novo campeão foi mais tempestuosa. Bobby Fischer perde o título em 1975 depois de se recusar a defendê-lo frente à nova promessa soviética, Anatoly Karpov e em 1992 reedita o duelo de 1972 frente ao seu rival. O vencedor levaria como prémio mais de 3,5 milhões de dólares, mas o norte-americano estava impedido pelo seu país de disputar o encontro. Os Estados Unidos tinham declarado embargo à Jugoslávia de Milosevic, local onde decorreria o jogo. Bobby Fischer recusa-se a ceder às exigências da sua pátria, cuspindo inclusive no comunicado da justiça do seu país à frente da imprensa internacional. O norte-americano vence o duelo, mas perde a sua liberdade para sempre. Saltando de país em país, lança duras farpas aos Estados Unidos na altura dos atentados de 11 de Setembro, que descreveu como “notícias maravilhosas”. Em 2005 torna-se cidadão islandês, onde permanece até à sua morte, a 17 de Janeiro de 2008.

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LAZER

texto_ Grethel Ceballos

fotografia_ Gilberto Ceballos

A cidade de São Francisco (E.U.A) é a quarta maior do Estado de Califórnia. Fundada como um presídio espanhol em 1776, com o nome de Yerba Buena, localiza-se numa região vulnerável a actividade sísmica. A historia da cidade é uma mistura de colonialismo espanhol e romantismo americano. O acervo cultural de São Francisco é muito rico, e possui várias atracções turísticas mundialmente conhecidas, como a Ponte Golden Gate, a antiga prisão de Alcatraz, o Cais dos Pescadores e Chinatown. Viaje connosco até São Francisco e deixe-se apaixonar.

Painted Ladies A silhueta de São Francisco proporciona um magnífico cenário para as famosas Painted Ladies ("Damas Coloridas"), uma série de casas vitorianas em Alamo Square - um bairro residencial. São Francisco é um caldeirão de misturas, com jovens e idosos de toda a parte do mundo fixando-se em casas, lojas e comunidades nos vários bairros da cidade. A sua beleza encontra-se na soma de suas partes: cada bairro tem personalidade e charme únicos e, juntos, eles compõem essa metrópole, uma das maiores cidades da costa pacífica dos E.U.A.

A Ilha de Alcatraz está localizada no meio da baía de São Francisco, foi inicialmente utilizada como base militar (1850-1930), e só foi posteriormente convertida numa prisão de máxima segurança (1933). A prisão alojou alguns dos maiores criminosos norte-americanos, como Al Capone, Robert Franklin Stroud e Alvin Karpis. A prisão foi fechada em 21 de Março de 1963, devido ao seu alto custo de manutenção, e ao fato de que não garantia uma total segurança, em relação às prisões mais modernas. Actualmente, é um ponto turístico operado pelo National Park Service junto com a Área de Recreação Golden Gate.

Para Visitar MUSEU DE ARTE MODERNA (MOMA)

Situado na 151 Third St. é considerado o museu de arte mais popular da cidade. Existem vários museus que igualmente valem uma visita. UNION SQUARE

Aventure-se na terceira maior área de compras nos EUA. Abrange lojas especializadas. excelentes restaurantes e galerias de artes plásticas. FISHERMAN’S WHARF

Encontra-se numa longa linha costeira de restaurantes , vendedores de rua, e lojas. Uma famosa atracção turística.

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PARQUE GOLDEN GATE

O mais extenso parque da cidade (407 hectares). Ideal para um passeio relaxante. Poderá desfrutar de lagos, jardins, colina e de mais atracções. CHINATOWN

É a maior e a mais antiga de America do Norte. O centro japonês é um bairro único e culturalmente diverso. Uma das atracções Top da cidade. SOMA DISTRICT

A maioria dos clubes nocturnos estão localizados em South of Market, no Distrito de SoMa, ou em Potrero Hill.


PONTE GOLDEN GATE Com 6 153 habitantes por quilómetro quadrado, São Francisco é a segunda cidade com mais densidade populacional dos E.U.A, depois de Nova Iorque. O clima de São Francisco é muito influenciado pelas correntes frias do Oceano Pacífico. O tempo da cidade é ameno o ano inteiro, caracterizado por um clima temperado mediterrâneo, com verões relativamente quentes e Invernos relativamente frios. A combinação do calor do solo californiano e do frio do Oceano Pacífico causam constantemente névoa e neblina. . Em Setembro a ocorrência de névoa e neblina é mais rara, e faz uma semana das mais quentes do ano, conhecida pelo nome de Indian summer.

PILAR 39 ( FISHERMAN’S WHARF)

Os leões-marinhos do “Pilar 39” são uma atracção imperdível. Em grande número e barulhentos, fazem as delícias dos turistas que visitam a vasta área do cais. O local ainda oferece marisco fresco, passeios de barco, compra de lembranças e actuações de artistas de rua.

ELÉCTRICO

Os característicos eléctricos de São Francisco são uma excelente maneira de cruzar a cidade e desfrutar da paisagem ao mesmo tempo. Os eléctricos servem Russian Hill, Nob Hill, Chinatown, North Beach, Fisherman’s Wharf, Downtown/Union Square/Financial District e Pacific Heights.

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LAZER

O FUTEBOL NA PONTA DOS DEDOS Ano após ano, as séries FIFA e PES renovam o seu produto. Analisamos as duas versões disponíveis para computador e damos a nossa opinião.

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texto_ Fábio Lima

om o aproximar do Natal, as grandes sagas de jogos de vídeos começam a chegar às lojas. Uma das mais concorridas lutas tem sido a de melhor simulador de futebol, FIFA 2010 contra Pro Evolution Soccer 2010. Um ponto prévio de análise que convém realçar é que a versão em que fizemos a nossa análise é a de computador. Fala-se e confirma-se que nas consolas de 7ª geração a qualidade dos dois jogos é razoavelmente similar, mas em plataforma PC, a versão PES 2010 dá uma goleada. FIFA, ONDE FICOU A EVOLUÇÃO?

A EA Sports parece que, ano após ano, começa a querer realmente descartar os utilizadores de computador. Em relação ao jogo do ano passado, o título da Electronic Arts parece um simples update. Sem grandes adições de realce, o FIFA 10 deixa muito a desejar. Quando se entra no jogo salta logo à vista a enormidade de licenças. São mais de 20 ligas licenciadas, desde a milionária MLS até à K-League. Inglaterra recolhe o maior número de campeonatos

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fotografia_ Gamespot

(Barclays Premier League, Coca Cola Championship, Coca Cola League 1 e Coca Cola League 2). Espanha, Itália, França e Alemanha têm direito a duas divisões dos seus campeonatos. Portugal conta com a Liga Sagres totalmente licenciada. Um dado inédito é que pela primeira vez, uma equipa de futebol, o Swindon Town, será patrocinada pelo jogo. Quando se entra no jogo vemos que este está em português. Os menus são apelativos e as músicas chamam à atenção, principalmente quando descobrimos que a equipa liderada por Paul Hossack escolheu uma música de uma banda portuguesa, os Buraka Som Sistema. A primeira experiência a fazer-se é criar um perfil e escolher um clube preferido. Completo o registo, pode-se começar pelos encontros de exibição. Ao entrar, o clube preferido está lá já seleccionado. Aqui na nossa redação fizemos um Benfica vs. Porto. Entrados no jogo, gostamos muito do aspecto real que o Estádio da Luz adquire, mas depois disto só podemos criticar. A bola começa a rolar e perguntamos

se isto é mesmo o melhor simulador de futebol, como a EA Sports afirma. Um jogador com a tarimba técnica de Aimar quando recebe a bola consegue o feito de a adiantar 1 metro à sua frente sempre que a recebe. E mais estranho é quando notamos que todos os jogadores fazem isso. Assim torna-se impossível conseguir controlar um jogador. Ultrapassada a má experiência do jogo de exibição, decidimos avançar para o modo “Joga como um Pro”. A ideia é original e muito apelativa: jogar apenas com um jogador, e deixar os colegas tomarem conta do resto. A ideia está lá, a qualidade ficou posta de parte. Torna-se irritante quando procuramos levar o nosso jogador para a esquerda e ele insiste em não aceitar os nossos comandos. Podemos tentar o modo de época também, mas a experiência continua a ser má. O título da EA Sports tinha tudo para ser um sucesso, em face da quantidade enorme de licenças, mas parece que a Electronic Arts agora prefere dar mais crédito aos utilizadores das consolas.


FIFA 10 vs. PES 2010 Graficamente, os jogadores de renome conseguem ter um detalhe fantástico, mas os outros são simplesmente gémeos uns dos outros. Um último destaque para uma das melhores coisas que este FIFA 10 tem: os comentários em português a cargo de António Tadeia e David Carvalho. Apesar de serem muito pausados por vezes, acabado por dar algo diferente ao jogo. LENTO, DIFERENTE E MELHOR

A série Pro Evolution Soccer chegou à plataforma PC em 2003, no ano em que se viu a maior mudança no jogo. De lá para cá, o título japonês tem vindo a evoluir bastante, tem angariado mais licenças e na versão 2010 consegue reunir a Champions League e a Europa League. Além das competições da UEFA, 3 ligas estão licensiadas (francesa, italiana e holandesa) e mais outros 50 clubes totalmente licenciados, incluíndo os três grandes do futebol nacional e o Sporting de Braga. Em termos de selecções nacionais, 15 estão licenciados. Mas as licenças de qualidade não terminam por aqui. 13 estádios fielmente reproduzidos, de entre os quais três portugueses, fazem do título da KONAMI um regalo para os olhos. Quando se entra no jogo, cedo se percebe que a empresa japonesa não quis deixar de mudar para melhor. A língua portuguesa volta a figurar no jogo, mas com um aditivo que iremos falar mais à frente. No topo do reformulado menu consta a Champions League, com todos os clubes devidamente licenciados. O formato é igual ao original e isso é muito bom. Descendo no menu, chegamos à tradicional Master League, e desta vez a KONAMI esmerouse. Ao entrar no modo de jogo observamos que agora passamos a ter patrocinadores, recebemos dinheiro das quotas dos sócios. Ah! E agora a moeda é o euro. Deixam de existir os menus básicos e agora o jogo está dividido em três categorias: Filial, Volta ao Estádio e Escritório da Equipa. Resumidamente somos jogadores, treinadores e presidentes do clube. Uma adição

Pontuação Geral

6/10

interessante é que podemos alinhar em duas competições continentais (Champions League e Europa League). O Rumo ao Estrelato volta a ser uma aposta segura do título japonês. Criamos o nosso jogador para num determinado número de anos conquistarmos o mundo do futebol. Praticamente igual ao da versão anterior, o aditivo do contentamento do treinador traz ainda mais realidade e qualidade ao modo de jogo. O modo de Liga em nada muda das edições anteriores. Quanto ao jogo propriamente dito, os controlos estão mais simplificados, mas não esperem poder correr o campo todo com o Cristiano Ronaldo. As trocas de bola são mais realistas e a jogabilidade mais refinada. Outro investimento do título da KONAMI foi em termos de táctica. Agora podemos definir o nível de pressão, a intensidade de troca de bola ou por onde queremos atacar pref-

Pontuação Geral

9/10

erencialmente. Um dos aspectos negativos é a equipa de arbitragem. Se você é daquelas pessoas que acha que a arbitragem portuguesa é má, então deve realmente pensar que a equipa que ajudou a KONAMI em termos de arbitragem só pode ser portuguesa. Por fim, uma das mais esperadas novidade do PES 2010 é os comentários em português. É bom, mas não o suficiente. Pedro Sousa consegue emprestar profissionalismo e emoção ao jogo, mas por vezes a realidade foge por instantes com um simples “e o guarda-redes agarra a bola”. E chega a ser estranho ver que os nomes dos jogadores parecem faltar no vocabulário do comentador. O analista é João Vieira Pinto, prometia muito e desiludiu ainda mais. Raras são as suas intervenções e quando fala não acrescenta nada. De uma forma geral, os comentários portugueses são uma simples tradução dos ingleses.

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LAZER

Apetece-lhe um “FLAsH FORWARD”? Baseada no best-seller de Robert J. Sawyer, «Flash Forward», da ABC Studios, conta no elenco com Joseph Fiennes, John Cho, Jack Davenport, Sonya Walger e Dominic Monaghan, entre outros. Chegou a Portugal para bater recordes.

texto_ Fábio Lima

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magine que está a fazer uma viagem transatlântica e, por 2 minutos e 17 segundos, perde a consciência, você e toda a humanidade. Consegue imaginar as consequências? Provavelmente caíria no meio do Atlântico e nesses 2 minutos e 17 segundos acabaria por perder a vida. Como se não bastasse perder a consciência, durante o período de inconsciência teria projecções de futuro daquilo que virá a acontecer dali a 6 meses. Assustador no mínimo… É este o fio condutor da nova série da ABC «Flash Forward». Do mesmo produtor de Lost, a série começou a ser transmitida no AXN 13 dias depois da estreia nos EUA. Por terras do tio Sam, a prémiere contou com uma audiência de 12 milhões de espectadores. Baseada num best-seller de Robert J. Sawyer, «FlashForward» é mais uma série que promete dar que falar. J. J. Abrams traz consigo a marca de qualidade reconhecida em Lost

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fotografia_ AXN

mas também alguns nomes com provas dadas de talento. Joseph Fiennes («A Paixão de Shakespeare») e John Cho («Star Trek») são as personagens principais. Trata-se de dois agentes do FBI que passam a liderar a equipa que investiga o «apagão global». A equipa liderada por Mark Benford e Demetri Noh começa então a indagar no sucedido, criando então o chamado «Mosaico», uma espécie de padrão para juntar todos os «sonhos» que as pessoas tiveram. Imagine o que podia mudar na sua vida se soubesse que daqui a seis meses iria estar separado da sua esposa, que estaria a ser afogado ou que provavelmente estaria morto. São estes os casos das projecções de Mark Benford, Tracy Stark ou John Cho. Se tudo isto lhe parece surpreendente e atractivo, mais se tornará quando perceber que uma pessoa apenas permaneceu consciente durante o «apagão». 7 mil milhões de «sonhos», uma

«FlashForward» Às Quartas-Feiras, 22h25m De J. J. Abrams Com Joseph Fiennes, John Cho, Jack Davenport, Sonya Walger e Dominic Monaghan Género: Drama, Ficção Científica, Thriller Baseado num best-seller Robert J. Sawyer Criado por ABC Studios M/12 humanidade a saber o que se passaria dali a seis meses, parece-lhe agradar o enredo? Então não perca no AXN, ainda vai a tempo de apanhar o fio à meada. Quartas-feiras às 22h.25m, com algumas retransmissões ao longo da semana.


GADGETS

Nokia 888 Hi-Can High Fidelity Canopy PODE IMAGINAR FAZER MUITAS coisas numa cama, mas certamente que esta passará completamente todas as suas previsões. Para começar, o seu design já deixa qualquer um intimidado. Depois, podemos ver filmes, ouvir música, jogar jogos de computador e até ir ao e-mail. Inventado por um designer transalpino, esta cama ainda traz um projector que se recolhe ou estende aos pés da cama, com ligação à Internet, entradas para a antena de televisão, consolas e um DVD incorporado. Todo o divertimento sem ter que sair da cama.

A NOKIA SEMPRE NOS HABITUOU a inovação, mas este telemóvel passa tudo aquilo que esperamos. É diferente, é um concept é certo. Este protótipo de telemóvel é ultra-fino e é capaz de nos ajudar a dar asas à imaginação graças à sua incrível flexibilidade. Desenhado por Tamer Nakisci, um designer turco de 23 anos, vencedor do concurso de design Nokia Benelux Design Contest.

Sony Ericsson Aino O SONY ERICSSON AINO é um telemóvel 3G/3G+ que vem equipado com um teclado deslizante e um ecrã táctil de 3 polegadas e resolução de 240×432 pixels. Bastante versátil, apresenta um sensor fotográfico de 8,1 megapixels com sistema de focagem automática e flash LED assim como um rádio FM, um receptor GPS compatível A-GPS e módulos comunicantes Bluetooth e WiFi. Além disso, o Aino também permite reproduzir conteúdos multimédia (áudio, vídeo e fotos) armazenados numa PS3. Os conteúdos são acedidos através de WiFi ou 3G e reproduzidos em streaming. Uma ideia interessante para quem tem planos de dados ilimitados.

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DESPORTO

Entrevista a UKRA Cortesia do site Academia de Talentos, o Mundo Contemporâneo disponibiliza a entrevista feita em 30 de Setembro no Estádio José Arcanjo em Olhão. texto_ Academia de Talentos

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o mundo do futebol, André Filipe Alves Monteiro é conhecido como Ukra. Aos 21 anos, este jovem formado no Futebol Clube do Porto assume-se como uma das pedras nucleares do xadrez de Jorge Costa no Olhanense. Entrou nos quadros do clube portuense aos 11 anos e completou toda a sua formação com grande nível. Dois títulos nas camadas jovens, e duas épocas como sénior bem sucedidas fazem de Ukra uma das maiores promessas do futebol luso. Numa entrevista informal e com muita boa disposição, Ukra revelou à Academia de Talentos tudo aquilo que o move na carreira futebolística. Desde o passado no Famalicão, a passagem pelo FC Porto, os empréstimos ao Varzim e Olhanense, culminando na Selecção Nacional.

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fotografia_ Academia de Talentos

O DESPERTAR PARA O FUTEBOL

O futebol foi sempre o teu desporto de eleição? Sim foi, desde pequeno que sempre gostei de futebol. O meu pai esteve sempre ligado ao futebol, porque chegou a ser director do Famalicão e acho que isso foi o principal motivo que me puxou para ser futebolista. Quem é que mais te apoiou na decisão de seguir carreira no futebol? Ao início foi o meu pai. A minha mãe não achava muita piada à ideia mas depois lá conseguimos convencê-la. Acabou por ser mais uma pessoa que me apoiou para dar seguimento à minha carreira.

Como foi conciliar os estudos com a vida de jogador? Ao início foi fácil porque eu saía da escola e estava logo no campo de futebol. Os meus pais sempre me avisaram que tinha que tirar boas notas senão não ia aos treinos. E eu não queria faltar aos treinos, queria jogar e isso foi mais um factor para eu me aplicar na escola. A partir do momento em que fui para o FC Porto, tudo se tornou mais complicado porque tinha aulas até as 18h15m, sair de Famalicão e ir até ao Porto com os treinos as 19h era muito complicado porque apanhávamos trânsito e quando chegava a casa já era noite. Basicamente era jantar e ir dormir. Comecei a descuidar-me um pouco dos estudos. É normal, uma pessoa começa a focar-se


DESPORTO só no futebol, é a coisa que gostamos de fazer e lá se foram os estudos. O DESAFIO DO FC PORTO

Como surgiu a oportunidade de ires para os dragões? Como sabes, Famalicão pertence ao distrito de Braga e quando comecei a ser chamado à selecção da AF Braga, as pessoas do FCP começaram a seguirme e chegaram a falar com o meu pai para saber se era possível eu ir para o Porto, no meu primeiro ano de Infantil. Mas como eu era muito pequeno, o meu pai torceu o nariz e achou que era melhor eu ficar mais um ano no Famalicão. Depois no final da segunda época de infantil, voltaram a insistir e eu pedi ao pai para me dar essa oportunidade de poder representar o clube do meu coração desde sempre. Quando assinaste pelo FC Porto, ficaste a morar em Famalicão ou mudaste-te para o Porto? Fiquei a morar em Famalicão, são apenas 28 km que se fazem bem em 20 minutos. E acho que era melhor para mim estar em casa, porque podia ir para lá [Porto] sozinho e depois perder-me como acontece com alguns jogadores. Nem eu nem o meu pai queríamos que isso acontecesse, e acho que foi o melhor para mim ficar em Famalicão. Fiz toda a formação tendo este ritual de ir todos os dias para o Porto para os treinos. Quando chegaste ao FC Porto como eram as condições logísticas em termos de formação? Na altura treinávamos e jogávamos na Constituição, que foi o primeiro campo do FC Porto. Para Iniciados e Infantis naquela altura era dos melhores campos que havia no país. Mas conforme os anos passam, as coisas vão evoluindo e agora a Constituição tem um sintético fantástico, tem condições muito melhores do que tínhamos na nossa altura. Depois, após o empréstimo ao Padroense, no meu segundo ano de juvenil comecei a utilizar as instalações do Olival. Notou-

se bastante a diferença, mas é como eu digo, quando uma pessoa lá está não dá tanto valor ao que tem. Porque quando saímos do Porto vamos sempre para um clube com condições inferiores, e só depois é que damos valor ao que tínhamos, e que muitos jovens gostavam de ter e não têm. Como foi a adaptação ao nível de exigência do FCP? No Famalicão tinha três treinos por semana e no FC Porto treinava todos os dias. E claro que o nível de exigência era muito diferente daquele que eu tinha no Famalicão. Porque o FC Porto é um clube com cultura de vitória, que entra em todos os jogos para ganhar, e aprendi muito no tempo que estive no FC Porto. Houve alguém no clube que mais te tenha ajudado na integração? Desde o momento que cheguei ao Porto todas as pessoas foram espectaculares comigo, nunca me faltaram com nada e mesmo o grupo, alguns dos jogadores que agora jogam comigo estavam lá, me integrou muito bem. E fiz lá boas amizades. Visto estares sempre em casa, achas que isso te ajudou a passar a tua fase de formação? Ajudou sim. Sei que alguns passam pelas saudades da família, algo que é perfeitamente normal porque jovens com 13, 14 anos querem estar com a família e que sintam saudades dela. Eu estava com eles todos os dias, e eram sempre um apoio para mim e isso é muito importante para alguém da minha idade na altura. Os dois anos de iniciado como te correram? Correram bem, no primeiro ano cheguei a fazer 5 jogos pelos Iniciados B, que alinhavam no Campeonato Distrital. No ano seguinte passei para a equipa que alinhava no Campeonato Nacional e até fomos campeões.

Na temporada seguinte, à imagem do que sucede com a maioria dos juvenis de primeiro ano, foste emprestado ao Padroense, como encaraste essa experiência? Foi uma experiência muito benéfica para nós, porque o Padroense era uma equipa satélite do Porto que nos deu oportunidade de alinhar no Campeonato Nacional de Juvenis. Porque há outras equipas que têm equipa B, mas essa equipa B nunca pode jogar no campeonato principal, onde haja a equipa A. E nós, como o Boavista tem o Pasteleira, tivemos a possibilidade de jogar ao mais alto nível e até fizemos uma boa campanha, passando à segunda fase. Penso que no geral foi uma boa experiência para nós. Na temporada seguinte, voltaste ao Porto e não mais saíste, sentes que a tua formação no clube azul e branco foi positiva? Foi bastante positiva, conquistei dois campeonatos nacionais. Um outro perdemos por diferença de um golo, no escalão de juvenis. Foi uma experiencia boa, passei ali momentos muito felizes e só tenho que agradecer ao FC Porto pela oportunidade que me deu, de poder representar esse grande clube. Quando foi o teu primeiro treino juntamente com os seniores? Como te sentiste? Lembro-me que foi depois de um jogo contra o Leixões, na altura era júnior de segundo ano. Fui eu, o Castro, o Rui Pedro, o Ventura e o Hugo Monteiro. Foram momentos únicos, que certamente ficarão na minha memória para sempre. Era o sonho de poder treinar com o plantel principal e acho que foi muito bom para mim. Senti-me bem, eles receberam-me muito bem. São pessoas fantásticas, por vezes as pessoas têm ideias erradas deles. Eles também já passaram pelo nosso lado e entendem bem como nós nos sentimos quando vamos fazer um treino com o plantel principal. Só tenho que agradecer a maneira como me receberam e da forma como fui lá tratado.

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DESPORTO A PROFISSIONALIZAÇÃO E OS EMPRÉSTIMOS

Em que altura é que surgiu a oportunidade de assinares o contrato profissional com o FC Porto? Quem é que foi falar contigo sobre essa possibilidade? Assinei contrato de profissional com o FC Porto quando era júnior de primeiro ano, era um contrato de três anos. Quem veio falar comigo foi o Senhor Joaquim Pinheiro, que é irmão do Reinaldo Teles. Como reagiste a essa notícia? Tive uma reacção normal, fiquei bastante contente. Na altura tinha contrato de formação e quando se recebe uma proposta de contrato profissional com um clube grande é sinal de orgulho, sinal de que as pessoas estiveram atentas ao nosso trabalho e que gostam de nós. No 1º ano de sénior foste emprestado ao Varzim e conseguiste ter bastantes presenças na equipa poveira apesar de muito jovem. Qual achas ser o principal problema para os jogadores de primeiro ano de sénior em se integrarem nas equipas seniores e serem mais utilizados? Como toda a gente diz, o primeiro ano de sénior é o mais complicado. Porque saímos da formação, e há clubes que não gostam de apostar nos jovens, porém acho que isso é um erro porque há muitos jovens que saem da formação com muita qualidade. Nesse ano, eu e o Candeias estivemos emprestados ao Varzim, tivemos muita sorte em o Varzim se interessar nos nossos serviços porque jogar na 2ª Liga logo no primeiro ano de sénior é muito bom para nós. Ganhamos muita experiencia e em termos competitivos é muito diferente, exigindo muito mais de nós. Sendo o teu primeiro ano de sénior, achas que foi positiva para ti essa passagem no Varzim? Não pensava fazer tantos jogos, visto ser muito complicado o primeiro ano de

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sénior. Foi um ano muito positivo para mim. Após essa temporada, surgiu a oportunidade de ires para o Olhanense, o que te fez aceitar o desafio de percorrer o pais de lés a lés para vir jogar para o Algarve? Na altura em que ia renovar contrato com o FC Porto, o Mister Jorge Costa disse que queria contar comigo e eu disse-lhe logo “quando renovar vou logo para baixo [Algarve] ”. Ainda por cima sendo o Jorge Costa uma figura incontornável do FC Porto, o grande capitão, nem hesitei. Achei que iria ser uma experiencia boa para mim, também por estar longe da família pensei que iria crescer enquanto pessoa. Encontraria dificuldades que não tinha no Norte, porque quando estamos em casa os pais fazem quase tudo por nós, e aqui estando sozinho temos que tratar nós dos assuntos. Logo no primeiro ano cá, não falhaste um único encontro na liga, qual foi o segredo dessa regularidade? Não tiveste lesões, nem foste nenhuma vez castigado… Não tive qualquer lesão nessa época. Antes, no primeiro ano de júnior tive uma lesão complicada, uma rotura dos ligamentos cruzados. E quando um jogador não tem lesões graves acho que

tudo fica bem mais encaminhado para fazer uma boa época. E o Mister Jorge Costa apostou em mim e eu dei sempre o meu máximo em todos os jogos para retribuir essa confiança. E penso que esse foi o segredo para ter feito essa época tão regular. O treinador Jorge Costa foi um dos heróis da subida, qual é a tua opinião sobre ele e os seus métodos? Por vezes as pessoas vêm falar comigo, porque têm a ideia de que o Jorge Costa é igual tanto como treinador ou jogador. Sabemos que o Jorge Costa era um jogador agressivo, no bom sentido da palavra, disputava os lances como se fossem os últimos do encontro. E as pessoas têm uma ideia completamente errada do que ele é. É amigo, que é sem dúvida o mais importante. Como pessoa é cinco estrelas. Enquanto treinador dá para ver que ainda é jovem, comparado com alguns treinadores, mas é um treinador que gosta de uma equipa de ataque, uma equipa que dê espectáculo, com posse de bola. Acho que tem tudo para ser bem sucedido. E aqui em Olhão temos uma equipa à imagem daquilo que o Mister gosta de aplicar em campo. Subiram de divisão nesse mesmo ano, qual foi o principal factor? Penso que tenha sido a união e amizade que existe dentro do grupo, equipa téc-


DESPORTO nica, direcção e jogadores. Acho que foi o segredo da subida, porque houve alturas que passamos por dificuldades, como uma fase em que tivemos três derrotas seguidas, mas tivemos sempre o apoio uns dos outros. Penso que no fundo foi esse o segredo.

provavelmente a Inglaterra e a Grécia são as equipas que nos vão fazer frente mas acho que temos todas as capacidades de ser primeiros no grupo.

O carinho que os adeptos demonstram por ti foi um dos factores que te fez continuar aqui em Olhão?

Toda a gente sabe que foi o grande capitão do Sporting. É um excelente treinador, até agora tivemos poucas oportunidades para estar com ele. Apenas fizemos dois jogos com ele, mas dá para ver que é um bom treinador, que obteve alguma experiencia internacional enquanto jogador, algo que tem a favor.

No ano passado perguntavam-me se eu queria regressar ao FC Porto ou queria ficar aqui, e eu dizia que preferia ficar aqui e poder jogar. Aqui sei que as pessoas gostam muito de mim, sinto que sou muito acarinhado e acho que isso é um factor importante, fazendo com que o jogador se sinta bem num clube tudo se torna mais fácil para nós. REPRESENTAR UMA NAÇÃO

Lembraste da tua primeira internacionalização? Em que escalão foi? Quem era o treinador? Foi a 15 ou 16 de Dezembro contra a França em Odivelas, nos sub-16. O seleccionador era o António Violante. Como reagiste à notícia? Foi um orgulho para mim pode representar o nosso país, foi sinal de que as pessoas estavam atentas ao meu trabalho e ao meu valor e foi muito importante para mim. Deu-me mais motivação para seguir a minha carreira. Como foi vestir a camisola das quinas?

O que achas do seleccionador actual, Oceano?

Na selecção jogas juntamente com o Fábio Coentrão nas alas, como tens visto a afirmação dele na equipa do Benfica? O Fábio passou por momentos complicados, quando foi emprestado ao Saragoça e não foi utilizado, mas sabia que ele tinha qualidade e ele agora está a mostrar. No fundo sabia que ele ia dar a volta por cima e fico muito feliz por ele estar em tão boa forma. Acreditas que poderás a longo prazo conseguir seguir os passos dele mas no FCP? Acredito que sim, se não acreditasse talvez não valesse a pena estar aqui. Acredito que posso evoluir ainda mais, que posso chegar ao plantel do FC Porto. Mas vou continuar a trabalhar para que o meu sonho se realize.

A AUTO-AVALIAÇÃO DE UKRA

És supersticioso? Não, apenas me lembro da minha filha sempre que entro em campo. E a única coisa que peço é que o jogo me corra bem e que não me lesione. Como te define enquanto jogador? Sou um jogador rápido, forte no um-para-um, bom cruzamento, acho que são estes os meus pontos fortes. Há algum jogador com quem te identifiques mais? Talvez o Simão Sabrosa, porque às vezes faço fintas mais vistosas enquanto o Simão é um jogador de fintas simples e um jogador muito objectivo. Mas eu também sou um jogador objectivo, às vezes faço fintas vistosas mas talvez mesmo tendo sido formado no Sporting e tendo passado no Benfica é o jogador de referência. Mas o meu jogador preferido, aquele que sigo mais atentamente é o Cristiano Ronaldo. Porquâ a alcunha Ukra? Quando era mais novo tinha o cabelo muito loiro e as pessoas diziam que tinha cara de ucraniano e começaram-me a chamar «ucraniano», só que depois era um nome muito longo e adaptaram para Ukra. E assim ficou.

É sempre um orgulho, é um prazer vestir aquela camisola e então quando toca o hino até a pele arrepia. É mesmo uma sensação única. Actualmente integras a equipa de sub21 que disputa o apuramento para o Euro 2011, achas que somos capazes de ir em frente num grupo que inclui a Inglaterra e a Grécia? Sim, temos uma equipa cheia de talento e de amigos e sabemos que podemos passar. Mas também sabemos que,

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DESPORTO

O DILEMA ENTRE DESPORTO E VIDA

texto_ Fábio Lima

C

ostuma-se dizer “ o desporto faz bem”, “pratiquem desporto porque assim terão uma vida mais longa”. Pode parecer um preciosismo, mas o desporto por vezes faz precisamente o contrário. Mortes, desmaios ou problemas graves, tudo isto pode advir da prática desportiva. Os futebolistas Miklos Féher, MarcVivan Foé ou, mais recentemente o basquetebolista Kevin Widemond foram vítimas de problemas durante a sua prática desportiva. O FATÍDICO DIA 25 DE JANEIRO

Em Guimarães, o Benfica vencia já perto dos descontos, Miklos Fehér faz o jogo arrastar-se e vê das mãos do árbitro o cartão amarelo. Esboça um sorriso e caí fatidicamente no chão. Uma imagem que, cinco anos depois, acompanha qualquer adepto do futebol. O jogador hungaro foi vítima de uma paragem cardiorespiratória. No ano anterior, no decorrer da Taça das Confederações, Marc-Vivian

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fotografia_ A Bola

Foé falece no decorrer do jogo contra a Colômbia, vítima de um aneurisma. Mais recentemente, António Puerta, jogador do Sevilha, sofre uma paragem cardíaca durante o encontro com o Getafe e não resiste, apesar de ter, em primeira instância, recuperado a consciência. Pavão (1973), Renato Curl (1977), Omar Sahnoun (1980) ou o jovem Bruno Baião foram vítimas de problemas que os conduziram à morte.

vamente 200 quilómetros deve deixar o mais comum dos humanos a pensar que não aguentaria. Apesar de todas as características do ciclismo, a principal razão das mortes não é problemas cardíacos, mas sim os atropelamentos. Em Portugal, no ano passado, o corredor da LA-MSS cai na Clássica de Amarante, vítima de uma insuficiência respiratória aguda, consecutiva de uma arritmia cardíaca.

O CICLISMO, O LIMITE HUMANO

UM SALVA-VIDAS

A explicação para os não-raros problemas que ocorrem no desporto está associada ao limite que o corpo humano consegue suportar. Se bem que, por vezes, os erros médicos ou a falta de análise detalhada também podem provocar problemas. O ciclismo é o desporto que mais pede aos seus atletas. Trepar montanhas que parecem não ter fim, fazer mais de 200 quilómetros num só dia e recuperar para no seguinte fazer no-

Quando o último caso ocorreu em Portugal, soube-se que no pavilhão onde o jogo decorreu não havia uma desfibrilador. Um simples equipamento no valor de 1.800€ que poderia ter salvo a vida ao base norte-americano Kevin Widemond. Os exames médicos comprovavam que o jovem de 23 anos era saudável e este fora um caso onde a bateria de testes havia deixado escapar. O mais gritante ainda, é que no


DESPORTO

Alguns episódios trágicos

pavilhão não havia uma ambulância, e por lei este comportamento é correcto. Na sequência deste e outros momentos, os basquetebolistas Sérgio Ramos e Nuno Manarte lideram um movimento que pretende levar 4 mil assinaturas ao Parlamento, tendo como objectivo a mudança da lei. O basquetebol português ficou abalado, como há sete anos. No encontro entre Aveiro Basket e Benfica, o na altura capitão da Selecção Nacional Paulo Pinto sofre um ataque cardíaco e morre. O basquetebol luso nessa altura teve que olhar para esta realidade com outros olhos, mas sete anos depois a tragédia voltou a bater à porta da modalidade. Manuel Carrageta, Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia confirma que o problema que ocorreu com Widemond é comum aos atletas negros, principalmente no basquetebol. “Muitas das mortes devem-se à miocardiopatia hipertrófica, que é um grande aumento das paredes do ventrículo esquerdo. É mais frequente em atletas negros e acontece muito no basquetebol.” Manuel Carrageta chega ao ponto de afirmar que a alta competição não é saudável, “A alta competição não é uma actividade saudável. Os atletas ultrapassam os limites.” Acrescentando, “no basquetebol os atletas são altos, mas acabam por não ter a robustez física mais adequada, como acontece em indivíduos de estatura média. São atletas que não têm grande resistência física. No futebol, há jogadores que chegam a correr 12 quilómetros em 90 minutos e perdem quatro quilos de peso. O ciclismo dá grandes alterações no coração pelo esforço que é desenvolvido.” QUANDO A MORTE LHES PASSA AO LADO

Com mais sorte, vários outros

atletas conseguiram fintar a morte e sobreviveram após desmaios. O jogador do Chelsea Petr Cech é o mais conhecido. O guardião checo sofreu uma grave lesão na cabeça em consequência de um choque violento como o joelho de Stephen Hunt. Foi operado de emergência e desde então usa um capacete de protecção. Ruben de la Red do Real Madrid também não se livrou de um grande susto. A 29 de Outubro de 2008, o jovem espanhol no decorrer de um jogo da Taça do Rei cai no chão, vítima de uma síncope. A pronta reacção dos médicos pode ter sido a chave para a sua vida. Um ano depois, o médio blanco afirma querer voltar à competição, “Não sou um louco que quer voltar a jogar a todo o custo. E se um dia voltar a jogar não o farei com medo.” Ümit Özat, ex-jogador do Colónia, tem registado um historial estranho de complicações durante a actividade física. Na temporada passada, num encontro ante o Karlsruhe, o jogador turco desmaiou em pleno relvado, fazendo toda a sua equipa temer o pior. Conseguiu recompor-se, mas abandonou a carreira de futebolista. O Colónia, após a recuperação, ofereceu-lhe um cargo nas camadas jovens e no decorrer de um treino de pré-temporada, o seu coração voltou a dar problemas. Desmaiou de novo, mas recompôs-se rapidamente, indo directo para o hospital. O futebol é muito fértil em casos de desmaios, muitas vezes fruto de choques entre jogadores.

1973, Pavão (Morte provocada por paragem cardio-respiratória) 1975, Jean-Claude Misac (Morte devido paragem cardio-respiratória) 1980, Omar Sahnoun (Morte provocada por ataque cardíaco) 1987, Paulo Navalho (Morte por enfarte Agudo do Miocárdio) 1995, Amir Angwe (Morte por insuficiência cardíaca) 2002, Landu Ndonbasi (Morte devido a paragem cardíaca) 2002, Paulo Pinto (Morte por ataque cardíaco) 2003, Marc-Vivian Foé (Morte por aneurisma) 2004, Miklos Féher (Morte por paragem cardio-respiratória) 2004, Bruno Baião (Morte devido a paragem cardio-respiratória) 2006, Petr Cech (Grave lesão na cabeça leva a desmaio após choque) 2007, Antonio Puerta (Morte devido a paragem cardíaca demasiado prolongada) 2008, Bruno Neves (Morte devido a queda provocada por insuficiência respiratória aguda) 2009, Kevin Widemond (morte por causa indeterminada)


DESPORTO

O regresso do «Pequeno Napoleão» Proclamado presidente da Federação Internacional do Automóvel, Jean Todt sucede a Max Mosley que depois de 16 anos de muitos escândalos e histórias picantes para contar deixa a organização. Ele é o Michel Vaillant da engenharia automóvel.

H

texto_ David Marques

omem calejado no mundo automóvel, Jean Todt experienciou quase tudo. E com sucesso! Apontando pela Peugeot para arquitectar um carro vencedor no campeonato de ralis, o francês, então com 38 anos, o motor turbo do construtor francês não foi tão eficaz como se pretendia na temporada de 1984. Porém, sem dar tempo aos críticos para se fazerem ouvir, no ano seguinte concebeu o primeiro automóvel vitorioso da marca centenária, faceta que se tornaria a repetir em 1986, ano em que o finlandês Juha Kankkunen conquistou o primeiro de 4 títulos mundiais. Desde então, o construtor gaulês só voltou às vitórias no WRC (Campeonato do Mundo de Ralis) em 2000, com Marcus Grönholm. No entanto, a profícua colaboração de Todt com a Peugeot não se ficou por aqui. Foi da sua responsabilidade o desenvolvimento do

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fotografia_ Autosport

carro desportivo Peugeot 205, vencedor de Le Mans em 1992 e 93, tendo participado em quatro vitórias no Dakar, três delas arrebatadas por Ari Vatanen, seu oponente nas recentes eleições para a FIA. As portas da Fórmula 1 foram abertas pela Ferrari em 1993. A viver uma era sabática da sua história – não vencia um Campeonato de Pilotos de Fórmula 1 desde 1979 e o único homem que desde então estivera perto do céu fora Alain Prost – a marca transalpina requisitou os serviços do engenheiro francês. Nos primeiros anos nada mudou. A Ferrari continuava atrás dos seus rivais e até a Benneton, uma modesta equipa liderada por Flavio Briatore, ganhava títulos através do mais recente prodígio da Fórmula 1. Em três épocas os resultados não foram animadores: apenas duas vitórias em meia centena de cor-

ridas e o outrora veloz cavalinho rampante continuava a assemelhar-se mais a um elefante branco…moribundo. A partir de 1996 a Ferrari recuperou algum respeito perdido na última década e meia. Valha a verdade que não se deveu muito ao “pequeno francês”, mas sim à entrada do bicampeão mundial Michael Schumacher (o tal mais recente prodígio da Fórmula 1, referido no parágrafo acima), acompanhado pelo Know How de Ross Brawn, seu estratega. O primeiro ano da “nova Ferrari” não foi o da reconciliação com a sua história, mas as três vitórias em corrida – todas pelo piloto alemão – começavam a exumar a escuderia, que no ano seguinte esteve perto, embora Schumacher tenha sido desclassificado do mundial após colisão propositada com Jacques Villeneuve. Dois segundos lugares, primeiramente pelo piloto germânico e depois


DESPORTO por Irvine, fecharam as épocas de 1998 e 1999, ano este em que Michael Schumacher esteve ausente por seis corridas após grave acidente no Grande Prémio de Silverstone, em Inglaterra. Apesar de todos os contratempos, a marca italiana regressou aos triunfos por equipas, troféu que perseguia há 17 anos. Impossível seria imaginar uma melhor transição de milénio. Os conhecimentos de Jean Todt, aliados à mestria táctica de Brawn e à condução exímia de Michael Schumacher, patentearam, finalmente, os primeiros grandes frutos em mais de duas décadas. Entre 2000 e 2004, Michael Schumacher conquistou cinco títulos de pilotos e a Ferrari outros tantos de construtores (título calculado através da soma da pontuação dos pilotos das equipas). Depois de um ano de 2005 para esquecer e de 2006 ter sido razoavelmente bom, mas não o suficiente para bater a Renault de Briatore, em 2007 a Ferrari, já sem Ross Brawn e ‘Schummy’, regressou aos triunfos por Kimmi Raikonnen. Após a retirada do piloto alemão, em 2006, Jean Todt foi destacada por Luca di Montezemolo para chefe executivo, passando a ser responsável não só pelos resultados desportivos da escuderia, como também pelo desenvolvimento dos carros de rua da marca de Maranello. Em 16 temporadas na Ferrari, Todt, agora popularizado no paddock como «Pequeno Napoleão», celebrou não só muitas vitórias, como bebeu muito champanhe, como resultado das idas ao pódio a acompanhar os seus pilotos vencedores. Ao todo, foram 107 vitórias em corridas, 6 mundiais de pilotos e 8 de construtores, que fazem dele um dos homens mais ganhadores do backstage da categoria rainha do desporto automóvel. A candidatura à liderança da Federação Internacional do Automóvel não foi surpresa nem para os mais desatentos. Figura presente no desporto automóvel desde 1966 – uma espécie de Michel Vaillant da engenharia automóvel – em 2004, o nome de Jean Todt já era constantemente avançado para

a presidência da organização, inclusive por Mosley que chegou mesmo a afirmar que daria um excelente presidente. Contudo, a hipótese de avançar para a presidência da federação ganhou força depois de o tablóide inglês News of the World divulgar um vídeo e algumas fotos onde Max Mosley, presidente da FIA, estava a ter uma aparentemente inusitada “orgia sadomasoquista nazista” com cinco prostitutas. Algumas escuderias, instadas a comentar o sucedido, qualificaram a situação de “vergonhosa e desprestigiante”. Bernie Eclestone a par do Xeque do Bahrein, local onde decorre uma das provas do Mundial, repudiaram o acontecimento, tendo o segundo aconselhado o presidente a não comparecer no local da prova quando o Grande Prémio fosse realizado. Mosley tem mesmo raízes intimamente ligadas ao movimento NAZI: o seu pai foi um dos principais pregadores de Hitler em Inglaterra. Apesar de não pretender abandonar o púlpito que orgulhosamente ocupara nos últimos 16 anos, a pressão externa – também devido a uma série de medidas propostas que colocaram em causa o futuro da Fórmula

– prevaleceu sobre a vontade pessoal, estando a sua saída preconizada…a bem ou a mal. Avançaram assim definitivamente os nomes de Jean Todt e Ari Vatanen, outrora unidos em busca de uma só vitória. Contando com o apoio de Eclestone, que o reconheceu como “o candidato mais inteligente”, e da maioria das federações associadas, inclusive da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), Todt venceu as eleições com 135 votos para 49 do se oponente, garantindo presidência francesa para os próximos quatro anos. A Fórmula 1 não é o único desporto automóvel gerido pela FIA. São 27 os campeonatos com o cunho da organização. Por ser o mais visível, o mais dispendioso e aquele que gera maiores receitas, legitima-se que a maior parte do tempo e do orçamento seja dedicado a tratar de problemas a ele inerentes. Porém, outros campeonatos de renome estão incorporados na Federação Internacional do Automóvel, com especial destaque para o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) e o Campeonato de Turismo, competição onde compete Tiago Monteiro.

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MUNDO AO CONTRÁRIO

ENTRE MARIDO E MULHER… Um italiano de 30 anos quer voltar para a cadeia depois de o juiz ter decidido que o resto da pena deve ser cumprido em prisão domiciliária. A causa deste comportamento reside nos problemas que Santo Gambino tem com a mulher, que o acusa de não ter dinheiro para sustentar a família.

MENINA BÚLGARA CONTRA O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO

DIZ-ME QUEM ASSALTAS, DIR-TE-EI QUEM ÉS

Quando uma das grandes preocupações dos países europeus é a diminuição da natalidade, aparecem pessoas que decidem resolver o problema… cedo de mais. Foi o caso de Kordeza Zhelyazkova, uma menina búlgara de 11 anos que deu à luz uma menina no dia em que se ia casar com o namorado, de 19 anos. O pai do bebé corre agora o risco de ser preso.

Um ladrão australiano tentou assaltar uma jovem turista alemã que passeava pelas ruas de Alice Springs mas não sabia que a rapariga, de 20 anos, era cinturão negro de karaté. O resultado foi uma série de lesões infligidas no larápio.

ASSALTO PACÍFICO A UM BANCO Um homem decidiu assaltar um banco de Lublin, na Polónia, com uma… colher. Embora o indivíduo tentasse disfarçar, uma funcionária do banco percebeu a situação e começou a gritar, assustando-o. O assaltante acabou por fugir.

MONGE BUDISTA IMITA MILAGRES CRISTÃOS Shi Liliang, um monge chinês de 33 anos, bateu o recorde mundial de correr sobre água. A marca está nos 18 metros. Para tal, o monge recorreu apenas a placas de madeira com apenas um centímetro de espessura. 40


HUMOR OS EUA TÊM O IRON MAN, A ROMÉNIA TEM O IRON KID Giuliano Stroe arrisca-se a ser o miúdo mais forte do mundo. Com apenas 5 anos de idade, o rapaz vai desde os 2 com o pai ao ginásio. O progenitor diz que o exercício faz bem à saúde ao filho e que, quando este se cansa, pára para descansar de forma a não ser prejudicial à saúde de Giuliano.

NÃO COBIÇARÁS A MULHER DO PRÓXIMO A fotografia não engana. Um jovem chinês fugiu pela janela de um apartamento em Chengdu, depois de ter sido apanhado a fazer sexo com uma mulher. Com medo do homem traído, Sun Meng acabou por se refugiar numa caixa de ar condicionado. Um transeunte captou a cena.

DOUTOR, PRECISO DE AJUDA! Shauvon Torres, participante do programa da MTV ‘The Real world’ sofreu um acidente caricato. A jovem de 24 anos rompeu um dos seus implantes mamários quando teve de saltar com os seus colegas para um lago. Depois de levada ao hospital, Torres decidiu sair do programa.

O ‘BATMAU’ A NBA começou há pouco tempo mas já há um caso caricato e ao mesmo tempo polémico. Durante o encontro entre San Antonio Spurs e Sacramento Kings, o argentino Manu Ginobili, farto de ver um morcego pairar sobre o terreno de jogo, resolveu dar-lhe uma forte chapada. Conclusão: morcego caiu no chão morto. Consequência: As entidades protectoras da vida animal reagiram com veemência contra a atitude de Manu Ginobili em pleno campo de jogo.

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ESTUDAR | EXPERIMENTAR | DESENVOLVER

2009-2010 LICENCIATURAS | MESTRADOS INTEGRADOS

Artes, Literatura e História Arqueologia Artes Visuais Design de Comunicação Estudos Artísticos Línguas e Comunicação Línguas, Literaturas e Cultura Património Cultural Tradução e Interpretação Multimédia

Ciências Básicas e da Engenharia Engenharia Alimentar Engenharia Biológica* Engenharia Civil (regimes diurno e nocturno) Engenharia do Ambiente* Engenharia Eléctrica e Electrónica Engenharia Electrónica e Telecomunicações* Engenharia Informática Engenharia Mecânica

Ciências Sociais, da Educação e da Formação Ciências da Comunicação Ciências da Educação e da Formação Desporto Educação Básica Educação Social Psicologia Sociologia

Ciências e Tecnologias da Saúde Análises Clínicas e Saúde Pública Ciências Biomédicas Ciências Farmacêuticas* Dietética e Nutrição Enfermagem Farmácia Ortoprotesia Radiologia Terapia da Falaa

Ciências da Vida, da Terra, do Mar e do Ambiente Agronomia Arquitectura Paisagista Biologia Biologia Marinha Bioquímica Biotecnologia Ciências do Mar

Economia, Gestão e Turismo Assessoria de Administração (Faro e

Portimão | regime nocturno) Economia Gestão (Faro e Portimão | regimes diurno e nocturno)

Gestão de Empresas Gestão Hoteleira Informação e Animação Turística (Portimão) Marketing Turismo (Faro e Portimão) * Mestrado integrado (1.º ciclo + 2.º ciclo Bolonha)

www.ualg.pt


Mundo Contemporâneo Edição 5  

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