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Nos dias que correm, ninguém poderia dizer que nós os cristãos estamos espiritualmente famintos. Graças ao cuidado e fidelidade dos servos de Deus, somos generosamente alimentados, instruídos, encorajados, animados, estimulados, apoiados e rodeados de cuidados. Circunda-nos um mundo religioso de sermões, discussões, artigos de revistas, hinos, mensagens, livros, reuniões e conferências, visando a nossa participação e crescimento. E, contudo, sabemos muito bem, se quisermos ser honestos, que todas estas coisas têm um efeito muito diminuto nas nossas vidas. Qual a razão disso? Se meditarmos um pouco sobre o assunto, verificaremos que muitos de nós estamos a viver em "dois mundos". Dividimos as nossas convicções, atividades e alvos em duas categorias. Em primeiro lugar, as nossas experiências religiosas: o que cremos, aquilo que cantamos, os assuntos pelos quais oramos, e o que defendemos com argumentos. A segunda categoria contém o nosso mundo de valores e ações seculares: o nosso uso do tempo livre; as ações que realizamos para impressionar as pessoas; a nossa atitude para com colegas que são melhores ou piores do que nós no trabalho; e como conseguimos e usamos o nosso dinheiro. Mantemos estes dois mundos rigorosamente separados e, embora possamos sentir vagamente que algo está errado, não suspeitamos de que sofremos duma grande desordem — uma espécie de esquizofrenia espiritual. Na igreja, e ocasionalmente entre amigos cristãos, falamos sobre dedicação, entrega, rendição, avivamento, uma vida em fogo para Deus e outras expressões de lealdade e amor a Deus. Mas tanto estas palavras como os atos que lhes correspondem têm pouco relevo fora das paredes da igreja. Esta dicotomia evangélica tem tido resultados mais sérios do que supomos. Têm produzido homens com quem é difícil lidar, mulheres que se classificam a si mesmas pelo mobiliário das suas casas e pelo estilo dos seus vestidos, e famílias inteiras que acompanham com faces risonhas as suas roupas domingueiras, durante algumas horas que passam na igreja. O falecido A.W. Tozer comentou esta situação no seu livro De Deus e o Homem, (Edit. Mundo Cristão): "As correntes evangélicas, bíblicas, como as conhecemos, produzem de fato alguns cristãos de verdade. Mas o clima espiritual em que muitos cristãos modernos nascem não favorece crescimento espiritual vigoroso. Na verdade, todo o mundo evangélico é, em grande extensão, desfavorável ao cristianismo sadio. E não estou pensando no modernismo, de modo nenhum. Tenho em vista antes a multidão de crentes na Bíblia, e crentes que usam o nome da ortodoxia. O fato é que não estamos produzindo santos hoje. Estamos conseguindo conversos a um tipo de cristianismo impotente, que tem pouca semelhança com o do Novo Testamento. O cristão bíblico, assim chamado, em seu tipo comum em nossos tempos, não passa de uma infeliz paródia da verdadeira santidade. “Contudo, colocamos milhões de dólares atrás de movimentos para perpetuar esta degenerada forma de religião, e atacamos o homem que se atreve a desafiar a sabedoria dela.” Por onde quer que passe, encontro jovens cônscios desta separação entre os valores cristãos e os valores seculares. Muitos se têm tornado ateístas ou agnósticos por causa disso,


enquanto outros têm resvalado para os abismos da indiferença. Muitos cristãos — inclusive líderes — têm admitido na minha presença que as suas crenças não controlam o seu viver diário. Todavia, muitos têm fome de autenticidade e genuinidade na vida cristã. Encontrei num seminário evangélico um estudante que era o primeiro da sua turma, no que toca ao aspecto acadêmico, presidente do grupo missionário da escola e capelão do corpo discente. Ao falar comigo, ele admitiu que tivesse pouco conhecimento experimental de Deus, mas ansiava por uma experiência cristã que o satisfizesse. Poderá esta dicotomia acabar e esta esquizofrenia ser curada? Poderá Cristo realmente revolucionar a sua vida de modo a torná-la consistente e produtiva? A resposta é sim. Não ofereço uma fórmula para conseguir esse resultado, mas posso oferecer o Cristo autêntico. Tenho-O visto revolucionando as vidas de pessoas em todo o mundo. Esses cristãos haviam vivido em esterilidade espiritual, mas então enfrentaram honestamente a Cristo e confessaram o pecado arraigado que se mantinha ligado à velha vida. Jesus transformou-os e pode transformá-lo. Não se trata duma vida de perfeição, mas duma vida de autenticidade. Não significa uma vida fácil, mas uma vida de alegria. Se você está cansado duma vida dividida, peça a Jesus que o torne uma pessoa inteira.


Senhor Jesus Cristo foi um revolucionário! Considere, por exemplo, alguns dos Seus mais básicos ensinos: "Amai os vossos inimigos"; "Fazei o bem aos que voz odeiam;" "Abençoai aos que vos perseguem"; "Quem quiser ser o primeiro entre vós, será servo de todos"; "Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra"; "Todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo". Você supõe que todas estas idéias se harmonizavam com os padrões culturais do tempo de Cristo? Claro que não! As pessoas do Seu tempo estavam tão escravizadas pelo aspecto material da vida, como as do século vinte. Mas o Senhor Jesus rompeu com qualquer padrão cultural que interferia com a vida de amor sacrificial que Ele veio dar! Na história do cristianismo tem havido poucos, comparativamente, que tenham vivido de acordo com os ensinos literais de Cristo. Claro que os primitivos apóstolos fizeram-no. E para eles, os resultados foram sofrimento, perseguição, prisão, exílio e morte! Parecerá isto estranho? Não! Estes são os resultados normais de qualquer vida baseada nos princípios apresentados por Cristo. Por que é que será isso? A resposta é simples: o indivíduo que quiser viver este tipo de vida é necessariamente um revolucionário, um não-conformista cultural, um "fanático", se você preferir! A adesão literal aos princípios estabelecidos por Jesus Cristo resultaria, sem dúvida, uma revolução a nível mundial — uma revolução motivada pelo amor, uma revolução executada pelo amor, e uma revolução culminando em amor! E nós somos revolucionários! Somos apenas um pequeno grupo de jovens cristãos na Operação Mobilização, todavia decidimos, pela graça de Deus, viver as nossas vidas de acordo com os ensinos revolucionários do nosso Mestre. Dentro da esfera duma obediência absoluta e literal aos Seus mandamentos jaz o poder que evangelizará o mundo. Fora dessa esfera, encontra-se o cristianismo nauseabundo e insípido dos nossos dias. Temo-nos entregado a nós próprios em abandono total às reivindicações de Cristo sobre as nossas vidas compradas pelo Seu sangue. Não possuímos direitos! Qualquer desejo pessoal, por mais insignificante, deve ser subordinado à suprema tarefa de alcançar o mundo para Cristo. Somos devedores. Não devemos permitir a nós mesmos o sermos arrastados pela maldição, que acorrenta as almas, do pensamento e da vida materialista dos tempos modernos. Os cristãos há muito tempo que estão "dispostos" a abandonar tudo — chegou a hora (e está passando) em que temos de abandonar tudo! Cristo deve possuir o controle absoluto sobre o nosso tempo e dinheiro. Temos de entregar bens, conforto, alimento e sono; temos de viver com o estritamente indispensável, a fim de que a Sua causa possa ser alargada. A propagação da fé é o nosso alvo supremo! Cristo é digno de tudo quanto é nosso! Temos de estar prontos a sofrer por Ele, considerando isso gozo; a morrer por Ele, considerando isso ganho. A luz da presente batalha espiritual, algo inferior à dedicação absoluta tem de ser considerada insubordinação ao nosso Mestre e escárnio da Sua causa! É este o nosso compromisso, e prosseguiremos até que cada pessoa tenha ouvido o Evangelho. Em breve estaremos em muitos e diferentes países, envolvidos em combate com todas as forças das trevas. Olhamos além dos milhares, para os milhões; além das cidades, para os países. O mundo é o nosso objetivo! O nosso primeiro alvo são as áreas aparentemente impenetráveis dos países comunistas e muçulmanos, que só podem receber a liberdade na medida em que tiverem oportunidade de receber a. Verdade. Estes países serão alcançados para Cristo, custe o que custar. A vitória final é nossa! Temos que dizer-lhe, companheiro cristão, que ressuscitamos com Cristo; buscando as


coisas que são de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus. Já colocamos os nossos afetos nas coisas de cima, não nas coisas da terra, pois estamos mortos, e a nossa vida está escondida com Cristo em Deus. Que esperança bendita! Que verdade impulsionadora para nos levar a um total abandono do eu e à rendição a Cristo! Sem isso, há vitória é certa para o inimigo, e derrota para o nosso Senhor Jesus Cristo que Se deu a Si mesmo por nós, a fim de que Ele pudesse ser tudo para nós! (Este manifesto para a evangelização do mundo, com leves alterações aqui, foi feito por vinte e cinco estudantes, em 1961, data do início da Operação Mobilização, que o autor agora coordena.)


Qualquer pessoa que pretende ser um discípulo de Jesus Cristo deveria estar experimentando a realidade de 1 João 2:6: "Aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou". Está fora de questão que é da vontade de Deus que os discípulos cristãos vivam como Cristo viveu. Isto não é uma mera teoria ou uma observação casual acerca do viver cristão; é o padrão dinâmico que produz um testemunho vital a respeito de Cristo perante os homens e mulheres perdidos. Por vezes, os homens do mundo são mais sábios nos negócios humanos, do que os homens de Deus. H.G. Wells disse no seu Outline of History (Esboço da História): "Pouco depois de Jesus Cristo ter morrido, aqueles que afirmavam segui-lO desistiram da prática dos Seus princípios revolucionários". Sim, "revolucionários", foi a sua descrição, e como ele tinha razão! A igreja tem-se agarrado a estruturas e a muitas das doutrinas, mas perdeu o âmago da verdade que Jesus ensinou. Hoje, pode-se notar cada vez mais a diferença entre os que "dizem ser evangélicos" e os que "são evangélicos". À medida que vou visitando escolas bíblicas, uma após outra, e um número crescente de instituições cristãs, encontro muitos "faladores" de cristianismo, — mas poucos que o vivem. Não apenas eu, mas muitos jovens cristãos estão profundamente conscientes desta discrepância. Muitos têm ficado desiludidos por esta contradição entre a fé e a vida. Se estivermos bem informados, iremos reconhecer que muitos dos jovens que crescem em igrejas evangélicas negam a fé antes de chegarem aos vinte e cinco anos. Interrogamonos por que, e alguns dizem: "Devem ser os últimos dias" — os dias de apostasia e juízo. Isso pode ser verdade, mas não é explicação suficiente para as nossas trágicas derrotas diante de Satanás. Alguns cristãos afirmam que a resposta está num "bom e são ensino bíblico". Mas isto também não chega. Nunca na história da igreja houve tantas conferências bíblicas, estudos bíblicos pela rádio e livros de estudo bíblicos. Você sabia que há mais de mil livros à venda, em língua inglesa, sobre as epístolas paulinas? E hoje em dia, temos também excelentes estudos bíblicos gravados. Você pode ouvir ilustres professores da Bíblia, em sua casa, apertando apenas o botão dum rádio. Temos todas as oportunidades de aprender a respeito da vida e ensinos de Paulo, mas onde estão os Paulos do século vinte? Onde estão os homens preparados como ele e os seus companheiros para enfrentarem o frio, os naufrágios e os ladrões por amor do evangelho, e para agradecer a Deus os vergões que lhes dilaceravam as costas? Temos muitos servos de Deus sinceros e muitos e grandes pregadores. Mas onde estão aqueles que podem dizer como Paulo que não cessava noite e dia de admoestar a homens e mulheres, com lágrimas? É muito difícil, senão impossível, encontrar tais homens. Por quê? A razão, creio eu, está em que nós temos separado as nossas convicções bíblicas do nosso viver diário. Paulo nunca fez isso. Nós queremos servir ao Senhor e afirmamos: "Estou pronto a servir ao Senhor, se, simplesmente, puder encontrar o meu lugar no Seu serviço!" Não o encontrando, sentimo-nos frustrados. O que é que está mal? Deus está muito mais interessado em que você encontre o seu lugar no próprio Cristo, do que no Seu serviço. O essencial no viver cristão não é o lugar para onde você vai, nem aquilo que está fazendo, mas sim, na força de quem está vivendo. Pode ir para além da Cortina de Ferro, ou simplesmente atravessar a rua para servir o Senhor, mas de quem é a


força na qual você vai? Vejamos o caso de Paulo. Em Atos 20:19-20, lemos acerca dele: "Servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram; jamais deixando de vos anunciar cousa alguma proveitosa, e devola ensinar publicamente e também de casa em casa." Repare nas palavras: "com toda a humildade." O apóstolo não diz que serve ao Senhor com grandes pregações, distribuição de literatura, tremendas campanhas através da Cortina de Ferro e grandes façanhas na Turquia e na índia. Ele diz que serviu ao Senhor com muitas lágrimas e tentações. O discipulado é antes de tudo uma questão de coração. A não ser que o coração esteja bem, tudo o mais estará mal. Os nossos corações precisam experimentar uma profunda fome e anseio de Deus. Fome de Deus é a marca genuína dum discípulo. Dá-me a confirmação de que eu sou Seu filho e de que Ele está trabalhando em mim. O que eu faço para Deus não prova que eu seja um discípulo. Posso tentar cumprir os termos do Sermão da Montanha, ou dos credos da igreja; posso viver frugalmente e viver no chão; mas estas coisas não me definem como discípulo. A maneira de saber que sou discípulo é ter fome intensa e insaciável pelo Senhor da Glória crucificado. Se esta é a sua experiência, se você anela por uma comunhão profunda com o seu Criador, se deseja conhecê-lo intimamente, andar com Ele e respirar com Ele — embora você possa parecer um fracassado e tenha cometido inúmeros erros graves — então estará bem no caminho para o discipulado. Davi foi um personagem do Velho Testamento que conhecia a Deus e andava com Ele. Será que Deus disse: "Davi foi um homem que viveu em pureza todos os dias da sua vida"? Não. Deus disse que Davi era "um homem segundo o Meu coração". Como vemos nos Salmos, Davi tinha fome de Deus. "A minha alma tem sede de Deus, do Deus Vivo." "Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma." A despeito dos erros e desvios de Davi, ele sentia fome e sede de Deus. Na história da igreja, exatamente no seu início, verificamos que a marca do verdadeiro discípulo, dum homem de Deus, é a fome de conhecer a Deus e a Sua justiça. O homem segundo o coração de Deus é descrito no Salmo 34. Ele pode louvar a Deus por todas as suas experiências. "Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no Senhor a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão. Engrandecei o Senhor comigo e todos a uma lhe exaltemos o nome. Busquei o Senhor e ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores" (vers. 1-4). E o versículo 10: "Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome, porém dos que buscam o Senhor, bem nenhum lhes faltará. Aos que buscam ao Senhor: buscá-lo e sentir fome dEle; louvá-lo continuamente; estas são as características dum verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. As características externas são muitas vezes enganadoras. O cristão esperto, aquele que brilha pela sua oração fluente ou pregação vigorosa, ou aquele que é capaz de responder a todas as questões teológicas não é necessariamente um discípulo. Nem o é necessariamente aquele que vendeu tudo, até a última camisa, num ato de "verdadeiro discipulado". Estas coisas, em si mesmas, não nos aproximam de Deus. Todavia, diz a Escritura, Deus aproxima-Se "dos que têm o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido". Nenhuma descoberta da verdade cristã me trouxe mais ânimo do que esta. Você lembra-se da parábola de Jesus acerca dos dois homens que foram orar no templo? O primeiro dirigiu-se para frente e contemplando o auditório, exultou: "Ó Deus, quanto te agradeço por não ser como aquele homem!" Talvez ele se tenha recordado do rico que se afastou de Jesus por possuir muitos bens, e então orou: "Ó Deus, agradeço-te porque também não sou como ele. Nenhum fariseu procederia assim!" Pode ser que tenha pensado num


jovem que nunca tivesse tomado parte numa cruzada de fariseus, sentindo-se por isso inspirado a declamar: "Graças te dou, ó Deus, porque não sou como aquele!" Em seguida, desenrolou uma bela oração que havia aprendido no Colégio Bíblico dos Fariseus e dispos-se graciosamente em torno do microfone a fim de dizer perante o público. Mas o outro homem, bem à distância, inclinou-se humildemente e bateu no peito em agonia, implorando: "Ó Deus, tem misericórdia de mim." De quem é que Deus se aproximou? Do orador teológico que proferia palavras vãs? Certamente que não! Ao sair com as suas vestes de justiça própria, esse ignorava em absoluto a justificação ou a bênção de Deus. Deus aproximou-se daquele que veio com o coração quebrantado e com um espírito contrito. E ouviu o clamor: "Ó Deus, tu sabes que eu sou um fracasso. Sabes que sou um embusteiro; sabes que sou um inútil. Eu sou um pecador! Tem misericórdia de mim." Aquele homem reconheceu os seus pecados e Deus justificou-o. Isto perturba o nosso entendimento humano, e todavia, constitui uma das razões por que eu creio na Bíblia: nenhum homem daria origem a este modo de salvação. Isto revela-nos o coração de Deus. Com exceção do cristianismo, todas as religiões oferecem uma combinação de serviço e recompensa: faça isto e terá aquilo. Por isso, qualquer pessoa em geral deduzirá que, se você for um bom discípulo de Jesus e viver de acordo com o Sermão da Montanha, ou se associar-se a campanhas evangelísticas e distribuir folhetos, ou talvez, se engraxar os sapatos de qualquer pessoa para mostrar quão humilde você é, então será recompensado com uma grande bênção. Mas a bênção só vem pelo método de Deus e não do homem. Você, por si mesmo, nunca será capaz de polir os sapatos de alguém, sem uma falsa motivação. Nem mesmo distribuirá folhetos sem qualquer ambição pessoal. Paulo perguntou aos gálatas: "Tendo começado pelo Espírito, ireis acabar agora pela carne?" Muitos cristãos tentam fazer isso: "Sou salvo pela graça", poderão eles dizer,"mas agora tenho de traçar o meu próprio caminho ao longo da vida cristã." Este é um erro grave! Você é salvo pela graça de Deus, e pela Sua graça terá de servir. O Senhor está perto, não do que prospera, mas daqueles que têm o coração quebrantado. Ele salva, não os enérgicos, mas os que têm um espírito contrito. "Agrada-te do Senhor" — diz o Salmista — "e Ele satisfará os desejos do teu coração"(Salmo 37:4). A razão por que muitas vezes não conseguimos descobrir a vontade de Deus é que nos deleitamos noutras coisas. Os cristãos envolvidos na evangelização são tentados a deleitarem-se na aventura da mesma. Ou então deleitamo-nos na comunhão do evangelho e no entusiasmo que partilhamos. Asseguro-lhe que, se você se deleitar em qualquer trabalho para Deus, ou em qualquer organização ou movimento, mais cedo ou mais tarde, o desânimo apoderar-se-á de você. O nosso Deus é um Deus zeloso e não partilhará a Sua Glória com uma organização, uma personalidade ou um movimento, mesmo que seja espiritual. Isto está muito claro em João 5:44, quando Jesus diz aos judeus incrédulos: "Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, e contudo não procurais a glória que vem do Deus único? Como é que podemos crer em Deus para coisas grandes — obreiros, sustento financeiro, conversões, vitória na vida dos cristãos — quando buscamos a honra de outros seres humanos? Enquanto buscamos honra para nós mesmos, ou tentamos promover o programa ou reputação dum movimento ou dum pregador, estamos a construir sobre o frágil mérito dos homens. Como a característica dum verdadeiro discípulo é a sua fome de Deus, o seu alvo é receber a aprovação de Deus. Depois do trabalho feito, ele deseja ouvir Deus lhe dizer: "Bem


está, servo bom e fiel." Dia após dia, ele vive para Deus e Sua glória, buscando-a como o veado anela pelas correntes das águas. Não obstante as fraquezas do povo de Cristo, há muitos hoje que têm fome de Deus. Esta fome deve ser cultivada, quer alimentando-a, quer desenvolvendo a sua capacidade. Deus quer todo o nosso ser, não apenas o nosso trabalho para o Senhor, as nossas soluções dos problemas, ou o nosso serviço atrás dos bastidores. Podemos ficar tão envolvidos em atividades, mesmo cristãs, que chegamos a perder o contacto consciente com o próprio Deus. Ele espera, perto, mas em silêncio, pronto a recordar-nos: "Meu filho, você está demasiado ocupado para receber qualquer força da minha parte." O Seu conselho permanece: "Aquietai-vos, e sabei que Eu sou Deus" (Salmo 46:10). O único caminho para encontrar o poder e recursos necessários para cada dia é esperar calmamente em Deus. Arranje tempo para passar a sós com Ele; aprenda a deleitar-se nEle; cultive a fome pelo Seu ser infinito. Sem isso, o seu trabalho será superficial; com isso, os seus mais profundos anseios serão satisfeitos e o seu discipulado glorificá-lo-á. A nossa situação hoje está bem descrita nestas palavras de A.W.Tozer: "Nesta hora de quase total escuridão universal, surge um alegre resplendor — dentro da esfera do cristianismo conservador está a revelar-se um número cada vez maior de pessoas cujas vidas piedosas são marcadas por uma fome crescente do próprio Deus. Elas anseiam pelas realidades espirituais e não se contentarão com palavras, nem se satisfarão com corretas interpretações da verdade. Têm sede de Deus e só se sentirão satisfeitas quando se dessedentarem profundamente na Fonte da Água Viva" Muitas coisas nos têm cegado os olhos; uma multidão de diferenças teológicas e de tradições religiosas tem causado uma dicotomia entre as doutrinas de Deus e uma relação íntima com Ele. Contudo, há esperança onde quer que os cristãos sintam fome de Deus. Eles juntam-se numa cruzada para conhecerem a Deus. Esta é a única causa que efetivamente conta, o único elo que não será torcido ou quebrado pela ignorância e egoísmo dos homens. A nossa ligação real não é com qualquer organização, mas com o Deus vivo. Quando nos humilharmos junto à cruz, conheceremos a realidade do poder de Jesus que venceu o pecado e a morte. Nós receberemos a promessa: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mateus 5:6).


“Litania" é uma palavra que descreve uma oração formal, lida sempre da mesma maneira pelas pessoas que freqüentam a igreja. Depois da Reforma, muitas litanias foram abandonadas pelas igrejas protestantes, e muita coisa de origem católica romana foi rejeitada pelas novas igrejas. Disso resultaram algumas perdas espirituais que não podíamos dispensar, pois alguns dos católicos romanos devotos são capazes de nos ensinar verdades vitais. O poder do evangelho e a presença do Senhor Jesus Cristo infiltram-se mesmo em igrejas sonolentas, e algumas pessoas chegam a conhecê-lo e a amá-lo, como no caso de Martinho Lutero, dentro da Igreja Católica. Se nós, protestantes, possuíssemos algo da profundidade espiritual evidenciada por homens tais come Francisco de Assis, creio que poderíamos realizar muito mais para o Senhor. Eu não sei o nome do católico romano que escreveu a seguinte litania, mas ela fala duma vida que todos os discípulos de Cristo precisam experimentar: "Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouve-me. Livra-me, Jesus, do desejo de ser estimado do desejo de ser amado, do desejo de ser exaltado, do desejo de ser honrado, do desejo de ser louvado, do desejo de ser preferido a outros, do desejo de ser consultado, do desejo de ser aprovado, do medo de ser humilhado, do medo de ser desprezado, do medo de ser repreendido, do medo de ser esquecido, do medo de ser ridicularizado, do medo de ser prejudicado, do medo de ser alvo de suspeitas. E, Jesus, concede-me a graça de desejar que outros possam ser mais amados que eu, que outros possam ser mais estimados que eu, que na opinião do mundo outros possam crescer e eu diminuir, que outros possam ser escolhidos e eu posto de parte, que outros possam ser louvados e eu passe despercebido, que outros possam ser preferidos a mim em tudo, que outros possam tornar-se mais santos do que eu, contanto que eu me torne tão santo quanto devo ser."


Se nós orássemos assim, sinceramente, todos os dias, estou certo de que o Espírito Santo transformaria dum modo maravilhoso as nossas vidas. Creio que as qualidades de que se fala nesta oração podem tomar-se, hoje, nossas. Deve ser este o nosso alvo, e não a realização de qualquer tarefa especial para Deus. Existem muitos substitutos baratos e caminhos secundários para a santidade genuína. Podemos vaguear dum caminho falso para outro, apoiando-nos em falsificações do discipulado novo-testamentário, em vez de possuirmos a realidade. Quando eu era estudante, senti fome de saber em que consistia a santidade cristã, e investiguei as Escrituras a fim de descobrir o coração da mensagem do Novo Testamento. Cheguei à convicção profunda de que o Espírito Santo deseja produzir indivíduos semelhantes a Cristo — não autômatos religiosos, nem campeões em doutrina, nem furacões evangelísticos, mas homens que sejam como Jesus Cristo. E, basicamente, é disso que trata esta oração. Estes atributos são característicos de Jesus. Ele, na realidade, não foi estimado, não foi amado, não foi exaltado. Ele não quis receber honra nem nenhuma das coisas por que suspiram os homens ambiciosos. Finalmente, Ele foi completamente desprezado e, conseqüentemente, executado. Esta oração foi escrita por uma pessoa que conhecia Deus intimamente. A obra que Deus quer Fazer acima de tudo nos nossos corações é produzir a semelhança com Cristo. E um trabalho que durará toda a nossa vida — não há atalhos para este tipo de crescimento espiritual. Não há qualquer organização ou atividade que o possa substituir. Precisamos duma constante fome e sede de que a natureza de Cristo seja reproduzida em nós. Precisamos também ter uma clara consciência da incessante guerra espiritual que nos rodeia. Os homens que andam na guerra têm de estar prontos a morrer em qualquer dia. Podem não conhecer a Cristo, mas quando saem para a peleja dispõe-se a perder a vida, pois doutra maneira seriam fracos soldados. Precisamos de algo desse mesmo espírito na guerra espiritual. Nós que possuímos a vida eterna de Cristo, necessitamos lançar fora as nossas próprias vidas. Esta pronta disposição pode surgir quando orarmos e vivermos na direção desta oração. Começa assim: "Livra-me, Jesus, do desejo de ser estimado." Todos nós temos um desejo inato de sermos estimados. Por mais insignificantes que sejamos, queremos ser apreciados. Quando nos encontramos com um novo grupo de cristãos, e um deles diz: "É um prazer tê-lo conosco, Irmão! Gostaria de nos falar do que Deus está fazendo na sua vida?" — então sentimo-nos compensados. Mas se somos ignorados ou desprezados, ficamos feridos. Quer sejamos extrovertidos ou introvertidos, desejamos egoisticamente atenção e, portanto, todos precisamos orar: "Senhor, livra-me do desejo de ser estimado." Em Filipenses, Paulo adverte contra os resultados da excessiva auto-estima: "Nada façais por partidarismo, ou vangloria, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (2:3). Isto requer o poder do amor de Jesus Cristo. A segunda súplica da oração é: "Livra-me, Jesus, do desejo de ser amado." Ser amado é a nossa necessidade psicológica básica. As crianças não se podem desenvolver normalmente, sem amor, e os adultos não podem trabalhar felizes sem a segurança do amor. Deus satisfez supremamente estas necessidades, dando o Seu Filho por nós, em amor. “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós" (1 João 3:16). A maior demonstração que Deus pôde fazer do Seu amor foi dar o Seu Filho amado e perfeito para nos redimir do pecado. O Seu desejo em relação a nós é que ministremos uns aos outros esse


mesmo amor, pois o texto citado continua: "e devemos dar nossa vida pelos irmãos". Creio que alguns cristãos lutam ansiosamente por manifestações do amor de Deus, por não experimentarmos o amor de irmãos na fé como Cristo ordenou. Quando flui pouco amor entre nós, podemos sentir-nos impelidos a buscar favores e bênçãos especiais da parte de Deus, como uma confirmação de que somos amados. O plano de Deus, de acordo com as Escrituras, é que os cristãos se amem uns aos outros, assim como Cristo amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela. A pessoa é apanhada na revolução do amor e difunde-a tanto horizontal como verticalmente. A maior parte dos homens que estão ardendo em zelo por Deus recebeu a centelha de outro homem em fogo. Grandes servos de Deus cresceram até a semelhança de Cristo, porque haviam estado em comunhão com um homem de Deus, bem assim com o próprio Deus. Deus encontra-nos na oração e na Sua Palavra, mas também vem ao nosso encontro através da pessoa e exemplo de outro irmão. Eu devo mais ao amor e encorajamento de outros cristãos, do que posso expressar. Um deles é Billy Graham, embora eu não o conheça na intimidade. Li a história da sua vida e tenho seguido o seu progresso; uma vez, cumprimentei-o no meio duma multidão e, mesmo ali, senti o seu amor. Eu tinha ido a serviço ao seu escritório, em Londres, e já se encontravam lá muitas pessoas antes de mim. Todo o pessoal do escritório estava envolvido nos preparativos para uma campanha evangelística, e ninguém falara com o meu amigo ou comigo, a não ser o recepcionista. Nesse momento, entrou Billy Graham e começou imediatamente a apertar a mão a todos os presentes. Dirigiu-se a nós e cumprimentou-nos, dizendo-nos algumas palavras muito amáveis. Ali estava um homem famoso, cinqüenta vezes mais ocupado do que a maior parte das pessoas, mas que achava tempo para dar um aperto de mão aos desconhecidos que se encontravam fora de seu escritório. Isso foi particularmente animador para mim, pois tinha encontrado Cristo como meu Salvador, através da pregação de Billy Graham. As pessoas chegarão a conhecer Jesus, se nós formos ao seu encontro e as amarmos desta maneira, mas a revolução do amor não se poderá propagar se nós estivermos empenhados em ganhar o amor dos outros. Todos precisamos de amor, mas o discípulo cristão concentra-se em dar amor, porque o tem recebido de Deus em abundância. Uma prova difícil vem quando sentimos que não somos amados e que somos rejeitados como Jesus foi. Mas nesse momento crucial podemos provar quão maravilhoso é o amor do Senhor, dando-nos a nós mesmos pelos outros. A outra cilada de que temos de ser libertos é "do desejo de ser exaltado". Eu defino "exaltar" como lisonjear ou louvar. Apreciamos muito isso! E quase como tomar parte num banquete. Jesus, como lemos em Filipenses, era exatamente o contrário. Ele era "tudo" no céu, e tornou-Se como um criminoso na terra. A Bíblia diz: "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só". Para dar fruto, o cristão tem de morrer para si mesmo. Não procure ser levantado, submerja-se. Isto pode ser posto em prática todas as vezes que não repararem em nós ou não reconhecerem os nossos feitos. É duro para o ego — mas é disso exatamente que o ego precisa. Esta oração ajuda-nos a desligarmo-nos radicalmente da cancerosa ânsia de ser alguém, de conseguir uma posição superior aos outros. Ela impede a invasão traiçoeira de Satanás aos obreiros cristãos. A prece seguinte é muito semelhante a esta: "Livra-me do desejo de ser honrado." Deus disse: "Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, e, contudo não


procurais a glória que vem do Deus único?" (João 5:44). O testemunho de Jesus era: "Eu não aceito a glória que vem dos homens." Muitas vezes, depois de um cristão ter realizado alguma coisa para Deus, é tentado a explorá-la para enaltecer a sua honra pessoal. Esta tentação vem de Satanás. Algumas honras e reconhecimentos são muito sutilmente perniciosos. Vêm de pessoas ou organizações cristãs bem intencionadas, e esses elogios tornam-se alimento para a exaltação própria. Por vezes, podemos receber mais honra de amigos cristãos do que das pessoas do mundo, e essa fonte "santificada" torna o louvor muito mais insidioso. Há mesmo o perigo de procurarmos experiências espirituais do engrandecimento próprio. Somos tentados a dar testemunho acerca da libertação do pecado, duma oração respondida, ou de qualquer outra experiência da graça de Deus, dum modo que nos traga satisfação a nós mesmos, em vez de darmos honra a Deus. A Sua graça deve ser realmente louvada, mas não ostentada como sinal do nosso mérito. Por vezes, recebo cartas de jovens que desejam preparar-se e que escrevem recomendando-se a si mesmos. Informam-me de quão importantes são e de quantas qualificações possuem. Você poderá imaginar-se recebendo uma carta assim do apóstolo João? Claro que houve tempo em que, como os outros, João procurou crédito e, mesmo, prioridade por ter seguido a Jesus, mas isso foi antes de a cruz ter produzido uma revolução na vida de todos eles. Não é mau ser encorajado. O que não está certo é procurar o louvor e elogios dos outros. Será que louvamos tanto a Deus quando estamos sós, como quando estamos acompanhados? Será que continuamos o nosso trabalho a sós com tanto entusiasmo como quando estávamos sendo observados? Eu não gosto de trabalhar sozinho e acredito no trabalho a dois. Mas por vezes, estamos preocupados com a nossa honra ou com a de Deus. A petição a seguir está muito próxima desta no seu significado: "Livra-me do desejo de ser louvado." Isto se relaciona com os contatos e atividades de todos os dias. Se temos fome de louvor, aceitamos prontamente migalhas de aprovação de qualquer pessoa, sejam elas sinceras e honestas, ou não. Tal louvor torna-se podre na boca de homens volúveis e sem princípios. Também oramos: "Livra-me do desejo de ser preferido aos outros." Como é que nos sentimos quando, sendo nós qualificados, é escolhida qualquer outra pessoa? Alegramo-nos quando outro ciente é honrado? Esta bênção dada a outro pode ferir-nos profundamente. A.W. Tozer diz: "A cruz ferirá profundamente as nossas vidas no lugar onde mais nos magoe, sem nos poupar a nós, nem a nossa reputação cuidadosamente cultivada." Os homens do mundo dão muita importância à sua categoria, mas João Batista declarou facilmente: "Aquele que vem depois de mim já existia antes de mim." "Livra-me também do desejo de ser consultado." A nossa experiência e conhecimento tornam-se entraves quando esperamos que os outros condescendam conosco e reconheçam a nossa sabedoria. Não nos darem importância é particularmente doloroso quando o nosso conselho parece estar tão nitidamente certo. Mas esta é outra forma de nos servirmos a nós mesmos, uma vez que podemos confiar que Deus aplicará o nosso conselho se ele for necessário para a Sua Glória. Muitos de nós precisamos, também, ser libertados "do desejo de ser aprovado" — de recebermos dos outros a certeza de que, afinal, nós estávamos certos. Os discípulos têm de continuar a aprender na escola da vida de Deus. Quando alguém me pergunta que curso é que eu estou fazendo, respondo: "O curso de A.P.D — Aprovado Por Deus". Não me será concedido o diploma nesta vida, mas é o único que interessa eternamente.


Um fardo comum que todos carregamos é "o medo de ser humilhado". Queremos "parecer bons" aos outros, desejando mesmo causar impressões favoráveis "para Deus". Mas Deus não tem esse problema — na Sua perfeição e poder Ele nunca Se sente humilhado. E o Seu Filho não Se furtou às humilhações quando esteve na terra. Deus leva-nos muitas vezes pelo mesmo caminho que o Seu Filho seguiu. As humilhações são uma ilustração viva do contraste entre os processos de Deus e os dos homens, e apontam o caminho para a salvação. As estatísticas mostram-nos que os nadadores que têm praticado socorros a náufragos são propensos a morrerem afogados por se sentirem demasiado confiantes na água. Deus quer salvar-nos duma confiança demasiada no "eu" e, portanto, humilha-nos. Ele mina e enfraquece os nossos pontos naturalmente fortes para nosso bem e para o nosso crescimento nEle. Não temamos a humilhação que pode trazer este valioso benefício. Livra-nos, também, Senhor, "do medo de ser desprezado". Oh! quanto necessitamos desta ousadia para o testemunho! Tantas pessoas escarnecem dos cristãos que testemunham de Cristo. Aquele que distribui folhetos pode ser desprezado, mas nós que conhecemos o seu valor, devemos entregá-los como se fossem notas de banco. Algumas pessoas reagem à "invasão da sua, vida privada" no que diz respeito aos assuntos espirituais, mas a testemunha cristã está a investir na eternidade. Que o amor de Deus afaste por completo este medo. O "medo de ser repreendido" apega-se à maioria dos cristãos e, contudo, precisamos de correção para evitar atrasos no nosso discipulado. Os cristãos têm de aprender a falar uns com os outros tanto em amor como em repreensão. Embora aprendamos principalmente do Espírito de Deus, Ele pode usar um irmão ou uma irmã para nos ensinar. Os discípulos fervorosos podem esperar que Deus fale através da Sua Palavra, da oração e das exortações. Deus tem me concedido, creio eu, uma graça crescente para aceitar repreensões, mas tem levado anos. Eu reagi como uma cobra cascavel às primeiras repreensões que recebi como cristão. Existe uma grande diferença entre uma cobra cascavel e um verme. A Bíblia compara Jesus a um verme no tratamento que recebeu (Salmo 22:6). Se você bater num verme, ele contorce-se ou morre, mas se ferir uma cascavel, ela responder-lhe-á, atacando. Quão significativo é o fato de Satanás ser descrito como uma serpente! As nossas vinte e cinco razões pelas quais o outro amigo está errado e nós certos estão sempre debaixo da nossa língua. Mas a prontidão ou relutância em nos defendermos a nós mesmos constitui uma medida da nossa espiritualidade. Imploremos a Deus que nos dê coragem para aceitarmos a repreensão. Depois, há também o quase universal "medo de ser esquecido". Na Índia, onde as condições de vida são tão pobres, algumas pessoas acumulam dinheiro para terem a certeza de que um belo memorial sobre a sua sepultura irá perpetuar o seu nome. Algumas igrejas cristãs também estão cheias de memoriais — que perpetuam o nome e o prestígio dos mortos. Muitos de nós receamos ser esquecidos pelos amigos. Se não lutarmos para provar o nosso valor e as nossas boas obras, as nossas contribuições passadas poderão ser esquecidas — e nós também. Mas a vida não se vive no passado. O serviço, a satisfação e a participação são experimentadas no presente. Esquecendo as coisas que ficam para trás — embora jamais possamos esquecer as pessoas — prosseguimos para o alvo do dia de hoje. Receamos ser lembrados somente pelo passado. Deus lembra-se de tudo o que fazemos de bem e isso é suficiente.


"Livra-me, Jesus, do medo de ser ridicularizado." A pessoa que consegue rir-se de si mesma é sábia. Às vezes, há motivos muito bons! Não raro, o ridículo é malicioso e pretende ferir. Em tais ocasiões, pode ser difícil reconhecer que o ridículo seja um bumerangue, ferindo a sua origem. A Bíblia diz: "O Senhor olha para o coração" e, se o meu coração é reto, posso experimentar a plenitude da paz. Quando pomos os nossos corações a nu na Sua presença, Ele está pronto a dar-nos segurança quando o homem está pronto a ridicularizar. "O medo de ser prejudicado" pode impedir-nos de confiarmos nas pessoas. Este medo pode nos paralisar, obstando a que demos o passo de fé que está logo diante de nós. O "medo de ser alvo de suspeitas", intimamente relacionado com este, imobiliza alguns cristãos. Mas nós haveremos de ser sempre mal compreendidos por alguém, independentemente do que façamos. O fato de você orar muito em público levará alguns a pensar que está pretendendo exibir a sua espiritualidade. Não podemos deixar-nos prender pelo medo do que os outros possam pensar. "Alegrai-vos" — disse Jesus — "quando, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.” Podemos chegar àquele grau de liberdade em que, por amarmos o Senhor Jesus e agirmos com fé, não nos sentirão ansiosos quanto ao que as outras pessoas possam pensar ou suspeitar. A segunda seção desta oração trata de desejos dignos. "Jesus, concede-me a graça de desejar que outros possam ser mais amados que eu." Isto recorda-nos a necessidade que as pessoas têm de amor, a qual eu posso ajudar a suprir. Por onde quer que passe, encontro pessoas que necessitam de amor e atenção — de serem visitadas, escutadas, de receberem cartas, de alguém que ore com elas. Como é que esta enorme necessidade pode ser satisfeita? Só pela graça de Deus operando em mim, a fim de que outros possam ser mais estimados do que eu. "Concede-me o desejo de que na opinião do mundo outros possam crescer e eu diminuir." O testemunho de João Batista é inequívoco: "importa que eu diminua". As frases que se seguem na oração: "Que outros possam ser escolhidos e eu posto de parte; que outros possam ser preferidos a mim em tudo; que outros possam ser louvados e eu passe despercebido", resumem-se no princípio de que Jesus tem de crescer, mas eu tenho de diminuir. Tenho de me esconder atrás da cruz, para que o meu Senhor possa ser visto e adorado. Tenho de reconhecer que não sou ninguém, e assim, Jesus será o meu Tudo. A frase final é revolucionária: "Que outros possam tornar-se mais santos do que eu, contanto que eu me torne tão santo quanto devo ser." Há sempre o perigo de os cristãos terem tal fome da realidade espiritual, que passem por cima das outras pessoas nessa sua busca por ela. A vida cristã não é uma competição com outros. Temos um alvo comum e crescemos juntos na força e na graça do corpo de crentes. Temos de beber juntos na Fonte da Água Viva. Poderemos honestamente proferir esta maravilhosa oração? Recordo-me de umas palavras de A.W.Tozer que tenho escritas na primeira página da minha Bíblia: "A Igreja, neste momento, precisa de homens prontos a gastar-se no combate das almas. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os mais fracos, da concupiscência dos olhos, da concupiscência da carne e da soberba da vida. Eles não serão forçados a fazer coisas sob a pressão das circunstâncias. A sua única motivação virá de dentro e de cima. Esta qualidade de liberdade é necessária, se queremos ter de novo profetas nos nossos púlpitos, em vez de mascotes. Estes homens livres servirão a Deus e à humanidade por motivos demasiado elevados para serem compreendidos pelo povo comum que se arrasta hoje para dentro e para fora do santuário. Eles não tomarão decisões com base no medo, não seguirão qualquer rumo só para satisfazer um desejo, não aceitarão qualquer serviço por razões financeiras. Não praticarão qualquer ato religioso, por mero costume.


Nem se permitirão a si mesmos ser influenciados por amor da publicidade, ou pela ambição duma boa reputação." O elo entre esta passagem e a oração está claramente delineado. É como se estes dois oradores, o católico mais antigo e o evangélico moderno, tivessem aprendido na mesma escola. E aprenderam realmente, porque ambos estudaram aos pés de Jesus.


A Terra do Descanso e a Terra Prometida era um território a conquistar sob a liderança de Josué, era também um lugar de descanso e vitória para os israelitas. Uma "Terra Prometida" espera também o cristão que deseja sair das jornadas do deserto do esforço próprio e da frustração. "Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé, naqueles que a ouviram. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso; conforme Deus tem dito: Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso; embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo. Porque em certo lugar assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera. E novamente, no mesmo lugar: Não entrarão no meu descanso. Visto, portanto, que resta entrarem alguns nele, e que, por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas-novas, de novo determina certo dia. Hoje, falando por Davi, muito tempo depois, segundo antes fora declarado: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações. Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria posteriormente a respeito de outro dia. Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência." (Hebreus 4: 1-11.) Tantos cristãos estão carregando fardos! Embora tentemos lançá-los fora ou fugir deles, agarram-se como lama aos nossos pés e oprimem-nos a mente. Esses fardos são cargas dos tempos pré-cristãos, e Deus quer que os crentes se vejam livres deles. O relato da saída de Israel do Egito e da sua entrada na Terra Prometida, Canaã, é uma descrição gráfica da redenção perfeita que temos em Jesus Cristo. Narra vividamente a intervenção de Deus nos assuntos humanos, assim como a variedade e complexidade de problemas que o povo de Deus encontrou. Paulo recorda-nos que "estas coisas foram escritas para o nosso exemplo". Moisés, o homem que recebeu de Deus os Dez Mandamentos, gravados na pedra, não havia compreendido os caminhos de Deus em anos anteriores. Ele abandonou realmente o prestígio e privilégios na hierarquia do Egito, para se identificar com o povo de Deus, mas colocou-se precipitadamente ao lado dos israelitas, em vez de agir sob a direção de Deus. O resultado foi um exílio de quarenta anos no deserto do Sinai. Aí, duma sarça ardente, o Senhor chamou e comissionou Moisés para que voltasse ao Egito e salvasse Israel. Moisés teve medo, tão viva era a consciência do seu antigo fracasso. Quando Deus o mandou ir, ele disse: "Não me ouvirão." E argumentou: "Não sei falar..." Moisés era como tantos embaixadores de Deus que têm começado por dizer: "Nunca serei uma testemunha de Cristo; mal sei falar. Nunca serei um missionário. Não gosto de aranhas e serpentes; não posso dormir no chão. Nunca poderei fazer isto, porque tenho medo daquilo." E, todavia, Deus fez coisas fantásticas através de Moisés. A saída de Israel da escravidão do Egito é uma figura do livramento do cristão das cadeias do pecado. O juízo de Deus caiu sobre os impenitentes egípcios, mas não sobre as pessoas marcadas com o sangue do cordeiro pascal. Depois de o anjo da morte ter ferido todos os lares egípcios, Faraó capitulou e ordenou: "Deixa-o ir": E a nação de escravos


iniciou a viagem para a Terra Prometida. Não iam ainda muito longe quando Faraó mudou de idéia e se lançou em sua perseguição. Se Moisés pensou que os seus problemas tinham acabado após a saída do Egito, a sua educação estava ainda no princípio. Dirigindo uma das maiores operações de mobilização na história, Moisés estava a desempenhar perfeitamente a tarefa de apascentar um milhão de pessoas e inúmeros animais para os lugares amplos e seguros. Foi então que nuvens de poeira dos velozes carros de guerra do Egito assinalaram a aproximação dum exército vingativo, e o pavor espalhou-se entre os refugiados. "Moisés", gritaram eles, "você nos trouxe para aqui para sermos mortos. Por que é que não nos deixou ficar lá? As coisas no Egito não estavam tão mal." Cercado de murmuradores, com os soldados egípcios a avançar e dispostos a chacinálos ou recapturá-los, e com as vagas encapeladas bloqueando-lhes a fuga, Moisés parecia estar em terríveis apuros. Mas a aparência era enganadora. Moisés clamou a Deus por auxílio e logo obedeceu à ordem divina de aguardar o livramento. Realizou-se então outro milagre quando as águas do mar Vermelho se dividiram e o vento fez um caminho seco para os israelitas atravessarem. Eles correram, mal acreditando no que os seus olhos viam, e os carros de Faraó apressaram-se a alcançá-los. De repente, as águas juntaram-se de novo, e carros, egípcios e Faraó desapareceram! Satanás não é aniquilado quando Cristo primeiramente nos livra das suas garras. Na noite em que me converti, saí do Madison Square Garden, em Nova Iorque, onde tinha aceitado Cristo, e esbarrei com forte oposição. Ela surgiu na forma dum jovem beligerante ansioso por demonstrar a sua masculinidade. Eu manifestei-me contrário a um comentário grosseiro acerca dumas moças e logo esse pugilista da rua me atirou contra o pavimento, com um soco. Foi essa a minha introdução na vida cristã — aprendi cedo que se trata dum combate! Os problemas que Moisés enfrentou no deserto eram os mesmos que qualquer líder cristão encontra. As pessoas queixavam-se das condições, questionavam os motivos de Moisés e avidamente recordavam os poucos prazeres que haviam deixado para trás. Assemelhando-se à igreja do século vinte, lamentavam-se: "Claro que desejamos ser livres, mas não poderemos levar um pouco do Egito conosco? Não queremos continuar a viver lá, mas alguns costumes egípcios não nos podem fazer mal!" Todavia, Deus tinha-lhes prometido um lugar de repouso, uma terra que manava leite e mel. Ele nunca pretende que o Seu povo subsista indefinidamente à base de rações de maná. A travessia do deserto para Canaã era curta e podiam ter-se dirigido para lá diretamente. Mas os espias que foram à frente só viram riscos e inimigos da Terra Prometida. "Há lá gigantes", gaguejaram eles. "Parecemos insetos à vista deles. Nunca poderemos possuir tal Terra." E eles ficaram imobilizados por falta de confiança em Deus. Hoje ouvimos e vemos a mesma descrença. “Não se pode fazer isso!” “Há gigantes na terra — budismo, islamismo, comunismo.” “Temos que esquecer os países fechados ao evangelho.” Como Israel, muitas vezes a Igreja não vê que o lugar de desafio é também o lugar de repouso. Houve dois "loucos por Cristo" em Israel: Calebe e Josué. Estes estavam prontos a crer em Deus e a agir, e mais tarde, entraram na Terra Prometida. A grande maioria foi condenada a vaguear, lutar e morrer no deserto. Quantos homens de fé e visão têm, na nossa geração, apontado para o lugar de descanso espiritual e têm sido desprezados? A Terra Prometida ainda espera. Não podemos viver uma vida de vitória no "deserto" da incredulidade e desobediência.


Se vamos servir ao Senhor na Ásia, na Europa ou na América — onde quer que seja — e vamos com dúvidas, carregados de problemas e de oposição violenta na nossa própria força, experimentaremos terrível fracasso e desânimo. Hebreus 4:10 declara que "aquele que entrou no descanso de Deus, ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas". Qualquer trabalho para Deus que dependa dos nossos próprios esforços, do nosso próprio zelo, da nossa própria habilidade e recursos, falhará. O lugar de vitória e repouso é o lugar das obras de Deus, não das nossas. Estamos ativos e completamente envolvidos, mas a vitória não depende de nós e, assim, desaparece a causa da ansiedade. Podemos entrar agora no descanso de Deus, porque Cristo entrou nele por nós. Quando contemplamos o que Cristo fez por nós na cruz, verificamos que Deus tem-nos genuinamente identificado com Cristo. Através da nossa fé nAquele que morreu por nós, fomos "crucificados com Cristo" - identificados com Ele na Sua morte. Se você é um cristão, já foi crucificado com Cristo! Não é qualquer coisa que pode ocorrer no futuro se confiarmos eficazmente, orarmos com interesse, ou decorarmos mais setenta e oito versículos das Escrituras. Não, temos de nos ver morrendo para o pecado, com Cristo, na Sua cruz, e à medida que a verdade surge, podemos encontrar-nos entrando no Seu repouso espiritual, assim como o povo de Israel achou o Jordão dividido e a sua herança pronta a ser recebida depois de o atravessarem. Esta entrada tem lugar quando reconhecemos que Cristo é o nosso Tudo, a nossa força, o nosso guia, a nossa esperança, a nossa vitória — e embora a batalha não esteja ainda terminada, a ansiedade e o medo desapareceram. Algumas pessoas sabem o dia exato em que nasceram de novo. Comigo, isso aconteceu em 5 de março de 1955. Outros têm uma experiência tão real como a minha, mas não conseguem indicar a data. Sabem que aconteceu. Passa-se o mesmo quando entrarmos nesta experiência de vitória — podemos não ser capazes de explicá-la ou de dizer quando ocorreu, contudo, sabemos que estamos numa nova relação com Deus. Nenhum homem pode oferecer ao Senhor um serviço verdadeiramente eficiente, a menos que tenha entrado na sua vida de repousante confiança em Deus, esta vitória do Cristo ressurreto. Porque então, assim como estamos verdadeiramente identificados com Cristo no Seu triunfo sobre o pecado e a morte, também estamos identificados com Ele na Sua vida da ressurreição. Cessamos a nossa luta por realizações centralizadas em nós mesmos e vivemos pelo poder da ressurreição de Cristo. Isso é vitória autêntica. Este é o único caminho para o sucesso na vida cristã. É o caminho da fé, o mesmo tipo de fé que nos trouxe salvação. "O justo viverá por fé" (Rom. 1:17). "Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele" (Col. 2:6). Então diremos como Paulo: "Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gál. 2:2O). Quando entramos no descanso de Deus, acabamos com as nossas lutas egoístas e com as preocupações que as acompanham. Há ocasiões em que tenho um cento de cartas na minha escrivaninha, muitas delas a respeito de problemas. Aonde devem ir as equipes de evangelização? Onde está o dinheiro para sustentá-las? Como encontraremos veículos para fazer chegar às equipes e a literatura ao seu destino? Tenho aprendido de 1 Pedro 5:7, como proceder com elas: "Lançando sobre ele a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." Às vezes, consigo dizer: "Senhor, aquelas cartas e aqueles telegramas são todos Teus. Eu vou-me deitar." O sono é uma bênção maravilhosa e não devemos permitir que a preocupação no-la roube. Não acredito em cuidados, porque acredito no lugar de descanso de Deus. Creio que Jesus Cristo foi crucificado por todas as preocupações do mundo, e se o Senhor Jesus fez isso, por que é que então eu hei de andar ansioso acerca delas? Isto se aplica a todas as esferas da vida, a toda a


frustração, a todo o sentimento de inferioridade, a tudo o que me perturba. Nada disto me pode derrotar, a não ser que eu abandone o lugar de repouso — a minha segurança em Cristo. Como cristãos, sabemos que caminhamos diariamente pelo deserto deste mundo, mas as atrações do deserto não precisam caminhar dentro de nós. Sempre que elas se intrometem através dos nossos olhos, dos ouvidos ou da mente, o cidadão na Terra Prometida deve orar: "Senhor, eu costumava apreciar esse divertimento na escravidão, mas já morri para ele em Cristo; mantém-me no Teu descanso e na Tua vida da ressurreição." Ela é nossa se pedirmos e confiarmos. A Terra Prometida de descanso, nesta terra não é para dormir, é para lutar — mas é o lugar onde você ouve Deus dizer: "Eu lutarei por você." Rodeiam-no oposição, perigo, tentações e incômodos, todavia o seu espírito descansa na fortaleza do amor e do poder de Deus. Você quer escolher este santuário em vez de tentar pôr um pé do lado de lá do Jordão, conservando o outro no mundo? É a coisa mais importante que você pode fazer em resposta a este livro.


Já decidiu percorrer a estrada do discipulado? Está determinado a seguir a Cristo para onde quer que Ele o dirija? Então, preparem-se para obstáculos, insucessos e desprendimentos de rochas! Pois é absolutamente certo que você tem à sua frente um caminho difícil. Uma das maneiras pela qual Deus ajuda o discípulo é dar-lhe, nas Escrituras, um vislumbre dos perigos que se encontram no caminho para uma vida cristã vitoriosa. "Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem, como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual, e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto. Ora, estas cousas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as cousas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idolatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber, e levantou-se para divertir-se. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram num só dia vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram, e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis como alguns deles murmuraram, e foram destruídos pelo exterminador. Estas cousas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário juntamente com a tentação, vos provera livramento, de sorte que a possais suportar." (1 Cor. 1O:1-13.) Note particularmente que Paulo diz que todas estas experiências são exemplos "para advertência nossa". Ele está alertando quanto aos muitos perigos que afligem os cristãos. Embora estes israelitas participassem na revelação do poder de Deus a Moisés na coluna de nuvem e na divisão do mar, e embora recebessem o mesmo sustento espiritual, não conseguiram passar nos rigorosos testes em que Moisés venceu. Semelhantemente, o cristão deixa o Egito — o mundo — e atravessa o mar Vermelho — que fala, creio eu, da salvação. Ele começa a cantar a sua libertação, como fizeram os israelitas quando viram as águas do mar Vermelho juntar-se de novo e os inimigos ficarem para trás, destruídos. Mas erra em não reconhecer que há ainda poderosos inimigos em frente. O ancião Simeão Stylites viveu no topo duma coluna durante trinta anos e, todavia, não escapou a tentações. Você pode isolar-se em qualquer lugar e, mesmo assim, enfrentar conflitos. Por quê? Porque o inimigo vagueia dentro de você. O povo de Israel fugiu dos gigantes de Canaã, mas sofreu derrota após derrota no solitário deserto. Só Josué e Calebe sobreviveram dentre os viajantes pioneiros, porque confiaram em Deus. Estes dois homens ilustram a realidade da entrega do coração a Deus. Eles podiam facilmente ter discordado um do outro, mas os seus corações eram retos para com Deus. Calebe, por exemplo, disse: "Eia! subamos, e possuamos a terra, porque certamente prevaleceremos contra ela." Alguns observadores podem tê-lo acusado de autoconfiança, mas o Senhor conhecia a sua intenção fiel. Josué focalizou as suas palavras em Deus: "Se o Senhor se agradar de nós, então nos fará entrar nessa terra e no-la dará." O que me faz vibrar, é que ambos andaram com Deus, ambos entraram na Terra Prometida e ambos foram ricamente abençoados. Cada um deles não julgou os motivos do


outro na base duma variação de terminologia. Nem nós o devemos fazer. Um cristão ainda novo na fé, com vocabulário incorreto e doutrina mal expressa, pode na verdade estar confiando mais na obra de Cristo, do que o senhor "muito espiritual" que a explicou completamente até a última sílaba. A chave para a entrada de Calebe e Josué em Canaã foi a mesma, a sua resposta sincera e perseverante à promessa de Deus. Eu creio que a Terra de Canaã fala da vida vitoriosa do cristão. A salvação de Deus levou-nos através do "Jordão", mas muitos cristãos desfalecem na fronteira da Terra Prometida. Teimosamente, não acreditamos que a subida do monte nos leve à nossa herança, e escondemo-nos entre as rochas do vale. Temos de prosseguir, embora não estejamos a penetrar num local de piquenique ou num acampamento de férias quando atravessamos o Jordão. Batalhas, lutas, provações e fracassos esperam-nos na Terra Prometida, mas do mesmo modo nos aguardam a vitória, a alegria e o poder. Depois de realmente entrar nesta terra, você conhecerá mais da plenitude e poder de Deus, das emocionantes respostas à oração e da intimidade do verdadeiro discipulado. Contudo, ficará admirado por poder o combate ser tão renhido. Em certas ocasiões não haverá mais do que necessidades essenciais supridas. Então compreenderemos que estamos numa luta para acabar com o pecado, o eu e Satanás. O reconhecimento de que estamos envolvidos num constante combate espiritual pode constituir uma grande fonte de energia e conforto. Quando surge alguma situação difícil e os dardos inflamados de Satanás nos atravessam, sabemos que isto é parte do maravilhoso plano de Deus para nós. A minha esposa e eu podemos testificar que isso está fazendo maravilhas por nós na nossa vida conjugai. Os amigos dão muitas vezes conselhos: "Vocês deviam fazer isto...”; "Todos os pais fazem aquilo...". Mas nós podemos ajoelhar-nos e dizer: "Senhor, aquilo está certo em tempo de paz, mas isto é uma guerra!" Somos ajudados quando refletimos nas duas guerras mundiais deste século: Pense no que se exigiu dos jovens; pense nas ansiedades sofridas pelas esposas e filhos. E a nós foinos dado o privilégio de lutar no campo de batalha ao lado do Senhor da glória, o Capitão da nossa salvação. Que sacrifício poderá ser grande demais para Ele? Comparado com o que Cristo fez por nós na cruz, o nosso serviço para Deus não é nada. Alguém disse: "O diabo não desperdiça os seus dardos inflamados com cristãos nominais." A história da guerra confirma que os exércitos fazem dos dirigentes na oposição os seus alvos. Satanás usa a mesma tática. Ele não perde tempo com aqueles que não contam para Deus; visa os discípulos ativos. Quando o diabo vê alguém que segue firmemente a Cristo, convoca uma reunião de estratégia com os demônios do inferno e, juntos, planejam um ataque em grande escala. Se nós percebermos alguma coisa dos movimentos do inimigo e nos armarmos contra ele, não seremos apanhados desprevenidos. As duas táticas que somos aconselhados a usar contra o diabo, são: resistir e fugir. Sempre tenho sido melhor "corredor" do que "resistente", mas desejo aprender mais no que toca a resistir no poder de Deus: A Palavra do Senhor diz-nos: "foge" das tentações de Satanás (2 Tm. 2:22). Diz que lhe devemos resistir, não no nosso próprio poder, mas no poder da cruz de Cristo (Tiago 4:7). O sangue remidor de Jesus Cristo remove a culpa do nosso pecado, e a cruz destrói o controle de Satanás sobre nós. A vida crucificada dum discípulo só se mantém na medida em que outros perigos camuflados são reconhecidos e evitados. O primeiro é a soberba. A Palavra de Deus diz: "A soberba precede a ruína" (Prov. 16:18). Precisamos pedir a Deus que sonde os nossos corações e desenraize este sutil perigo que muitas vezes tem arruinado tantos cristãos. Tenho visto jovens dedicados, zelosos,


cheios do Espírito, aparentemente sendo usados por Deus, tornarem-se totalmente inúteis por causa do orgulho. Têm constatado respostas à oração e estão certos de que têm acesso a Deus; ou então têm sido grandemente usados por Deus na salvação de almas; ou alguém lhes afirmou que são excepcionalmente dotados, de algum modo. Então, invade-os a presunção espiritual e esta assume a direção. Permanecer indiferente a elogios é um sinal de estabilidade espiritual e emocional. Uma pessoa assim é capaz de encarar o louvor e a honra dos homens com realismo. Ela sabe a quem é devida a verdadeira honra. A pessoa instável recebe o louvor e agarra-se a ele como uma proteção. Se alguém lhe diz que ela é fraca numa determinada área, deleitar-se-á com a recordação de que alguém lhe afirmou ser esse o seu ponto forte! Um cristão equilibrado sabe como aceitar o louvor dos homens com indiferença, e apreciar a crítica com verdadeiro interesse. Quando você começar a realizar algo para Deus, acautele-se do orgulho que se segue e arrependa-se dele diante da cruz. Há uma espécie de soberba que nos eleva, ao mesmo tempo em que rebaixa os outros. Temos de ser cuidadosos na crítica a crentes, por eles não terem conseguido alguma coisa espiritual que nós julgamos já possuir. Mas, se realmente a temos, não fomos nós que a ganhamos; recebemo-la de Deus. Às vezes gosto de pensar em como serei daqui a quarenta anos: Pregarei com tanto zelo, com tanto senso de urgência, com tanta energia de espírito como agora? Não posso saber, e tenho de ter cuidado quanto ao que digo a respeito dos outros. Alguém já me fez notar que os defeitos que por vezes vemos e condenamos nas outras pessoas podem ser cicatrizes de combate, sofridas em serviço fiel a Cristo. Talvez esses cristãos tenham presenciado mais batalhas, e mais duras, do que nós. Eles podem ter ganhado até muitas batalhas, mas não sem cicatrizes e feridas no combate. Podemos considerar servos de Deus veteranos como antiquados e pouco zelosos. Os cristãos mais jovens têm de mostrar bondade para com a geração anterior. E eu peço a estes que, por sua vez, sejam compassivos nas suas relações conosco. Deus quer que tanto as gerações mais velhas, como as mais novas, reconheçam que nenhuma delas seria coisa alguma sem Cristo e a Sua graça. O perigo mais aparentado com a soberba é o dum espírito de crítica. Parece fácil ver distintamente tudo o que está errado nas outras pessoas. Mas os psicólogos dizem-nos que as coisas que mais prontamente criticamos nos outros, são, por vezes, coisas que estão erradas nas nossas próprias vidas. Isto se chama projeção, e alguns cristãos, sem darem por isso, especializam-se nela. Quando me provei a mim mesmo nisto, fiquei assustado com os resultados. Se dia sim, dia não, eu via algo de errado nos outros, seria isso realmente o reflexo de alguma fraqueza na minha própria personalidade ou hábitos? Eu notava tão prontamente as inconsistências dos outros: Um tendia a ser superficial; outro dizia coisas que não fazia; um terceiro era fraco na questão de economizar tempo. Mas seria verdade que essas fraquezas supostamente contrastassem com as minhas forças, embora a comparação não fosse justa nem amável? Paulo ensinou os cristãos em Filipenses 4 a pensar positivamente: "Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento." Eu creio que isto representa parte da revolução que Cristo veio operar na vida dos homens. É uma revolução que substitui as queixas por pensamentos saudáveis e afirmativos,


uma revolução que passa por cima dos erros e loucuras das pessoas, para pôr em evidência a luz e o amor de Deus. Certa vez, eu ia correndo para apanhar um trem, em Estocolmo e, no íntimo, criticava duramente o irmão que tinha confundido o horário e me havia trazido à estação dez minutos depois da hora da partida: "Por que é que pessoas que têm passado uma vida inteira em Estocolmo não são capazes de conhecer os seus horários?" — pensava eu com meus botões. Eu pretendia chegar a Gotemberg na manhã seguinte a fim de inspecionar um barco que poderia servir para o nosso alvo da evangelização mundial Deixei a estação em luta comigo mesmo, até que o Senhor trouxe à minha mente Romanos 8:28. Alguns poderiam dizer que este versículo é uma "muleta" para o aleijado, mas eu sentia-me realmente aleijado, enquanto procurava a vitória sobre os sentimentos do meu coração. Apoiei-me na promessa: "Todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." E, pela fé, pude louvar a Deus por não haver apanhado o trem. Nessa noite, o trem que eu perdi chocou com outro. Eu não dou qualquer explicação ao acidente, mas aprendi a ser mais cuidadoso quanto a concluir que acontecimentos desanimadores são erros. Nós cometemos erros, mas o nosso Deus, não. E com infinita paciência e previsão, Ele é especialista em dominar os nossos. A Bíblia diz-nos que Deus confiou os tesouros do Espírito Santo aos vasos de barro do nosso corpo, como recipientes. No nosso trabalho para o Senhor, confundimos muitas vezes o Seu propósito. Há ocasiões em que eu poderia chorar por desfigurar a maravilha da Sua verdade com a minha personalidade corroída, o meu vaso gasto. Mas o soberano poder de Deus está por cima e faz com que o mais rude, o mais fraco, o mais insignificante, o mais deslocado testemunho dado a Seu respeito, conte para a eternidade. Se tivéssemos uma visão maior do nosso soberano Deus, o nosso negativismo e as críticas diminuiriam ou desvanecer-se-iam. Quando nos apercebemos exatamente de que os líderes humanos estão a aprender como todos nós, podemos concentrar-nos em Deus e ficarmos livres dum espírito de crítica. Outro perigo para o cristão vitorioso é acostumar-se às coisas espirituais. À medida que vemos o poder de Deus a operar, respondendo à oração e realizando o impossível nas vidas das pessoas, podemos ficar calejados quanto ao miraculoso. Uma equipe que trabalhava na Operação Mobilização reuniu-se, para orar, em Zaventem, na Bélgica, e um bom número permaneceu em oração até as 3 horas da manhã. As necessidades financeiras do trabalho eram graves e Deus incitou-nos a um grande exercício de fé: Quando nos fomos deitar, tínhamos uma emocionante convicção de que Deus ia agir. Na manhã seguinte, eu tive de telefonar para o escritório central, na Inglaterra, a respeito de qualquer outro assunto. Ao telefone, alguém me perguntou se eu já sabia da avultada oferta que havia chegado dum outro país. O telegrama que anunciava essa oferta chegou ao nosso escritório nesse mesmo dia. A quantia era cerca de 6.000 dólares. O dinheiro não veio de ninguém que tivesse sido despertado na reunião de oração, mas de alguém a milhares de quilômetros de distância que o havia mandado algum tempo antes. Temos visto acontecer coisas como esta, durante mais de uma década, e nós tão somente louvamos a Deus pelas Suas respostas à oração Mas há um grande perigo em se ficar familiarizado com o miraculoso e quase indiferente quando Deus atua de maneiras maravilhosas.


A Bíblia diz que há alegria na presença dos anjos por uma alma que se arrepende, mas por vezes nós não nos alegramos a não ser por uma dúzia. Lembro-me que na Escola Bíblica, saí um dia e consegui ajudar alguém a encontrar Cristo. Fiquei realmente excitado e entrei pelo quarto dum colega, vibrando de alegria. "Venha cá, deixe o seu trabalho. Vamos fazer uma reunião de oração, irmão. Usemos algum tempo para louvar o Senhor." Uma semana mais tarde, outro irmão veio ter comigo. Este não era tão barulhento como eu: "Louvado seja o Senhor, George; um amigo lá em baixo na rua aceitou Cristo, esta noite." Qual foi a minha reação? "Oh, graças a Deus; isso é bom. Amém." E voltei aos meus estudos. Que Deus nos perdoe por nos tornarmos demasiado familiarizados com as coisas santas, ou por nos alegrarmos com a nossa vitória e não com a de um colega. Tal familiaridade pode ser desoladora em encontros do povo de Deus: Às vezes reunimo-nos em torno da mesa do Senhor para recordarmos a Sua morte, e há menos louvor entre nós do que se participássemos numa refeição de presunto com ovos, depois duma longa noite. No deserto, os israelitas consideravam os milagres de Deus como certos: acostumaram-se ao maná e suspiravam por carne. Deus deu-lhes a carne que desejavam, e as suas almas encheram-se de pobreza. Isso pode acontecer-nos também a nós. Outro perigo da vida cristã é o ascetismo. Se procurarmos dificuldades por elas aumentarem o nosso prestígio, não estamos a sofrer por amor de Cristo. Um exemplo disto foi um jovem que numa viagem de testemunho foi convidado a pernoitar num lar cristão. Aí, a hospedeira não se poupou a esforços para lhe preparar um leito confortável. O jovem endireitou-se orgulhosamente e anunciou que já não dormia em camas. Ele tinha-se esquecido — ou nunca havia aprendido — que Paulo sabia tanto ter necessidade como ter abundância. Este equilíbrio é difícil, mas é possível, na medida em que fazemos do amor o nosso caminho e de Cristo o nosso alvo. O ascetismo não chega a ser um problema tão grande como o seu oposto — preguiça e comodismo. Este é um dos perigos mais fatais para o cristão de responsabilidade independente. A disciplina nos é benéfica, a preguiça é um grande pecado. Uma razão por que a igreja carece de soldados de infantaria é que lhe faltam pessoas que queiram trabalhar duramente. Os homens de Neemias terminaram a sua tarefa, porque o seu "coração se inclinava a trabalhar". Quando a pressão dos deveres desaparece, a preguiça torna-se um tremendo perigo para muitos cristãos. Depois, há o sério perigo da desqualificação. Quando Deus começa a usá-lo de modo significativo, o diabo concentra-se na descoberta de alguma falha que possa explorar e tornar num escândalo. O Dr. Alan Redpath salientou que o pecado do rei Davi com Bate-Seba foi precedido do seu pecaminoso afastamento da batalha. Enquanto as suas tropas lutavam com o inimigo, ele estava ocioso, e a sua descontração física e espiritual o expôs à fúria da tentação que o arrastou para a luxúria indigna e o juízo de Deus. Isto ilustra o perigo de se estar longe do lugar para o qual Deus nos chamou, de quebrar a comunhão com o Senhor Jesus Cristo, de auto-indulgência e de crítica arrogante. Estes dão a Satanás a oportunidade de invadir o nosso espírito e inflamar o pecado que desonrará a Deus e arruinará o nosso testemunho. Embora o pecado possa ser perdoado, as conseqüências podem prejudicar o evangelho durante anos. Os perigos continuam a rodear o cristão que vive na Terra Prometida, e temos de estar conscientes deles. Devemos lembrar o aviso em 1 Coríntios 10:12: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia." A provisão de Deus para nós no meio dos perigos é constante: "não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel.. - provera livramento" (10:13). Escolha-a e a graça de Deus dar-lhe-á vitória.


O Amor que Vence João 13:34 e 35, lemos estas palavras de Jesus: "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vós ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." Esta é a pedra de toque do cristianismo e a dinâmica da revolução que foi iniciada pelo próprio Jesus Cristo. Alguns cristãos dão a impressão de que têm lido mal este versículo. Aparentemente vêem-no assim: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se não possuirdes quaisquer bens." Ou " ...se lerdes e trouxerdes as vossas Bíblias". Ou talvez "...se tiverdes uma sã doutrina". Ou mesmo "... se atravessardes a terra e o mar para ganhar almas para Cristo". Mas Jesus não mencionou nenhuma destas coisas. Ele afirmou que existe algo superior capaz de convencer o mundo de que nós somos Seus discípulos e isso é o amor que temos uns pelos outros. Não somos discípulos duma teoria, duma doutrina ou duma instituição, mas sim discípulos de Jesus que ama! O Seu amor levou-O a dar a vida por nós, e é esse tipo de amor que se requer entre os seguidores de Jesus. Por vezes, as pessoas perguntam-me: "Como é que você concebe o amor de Deus?" A minha resposta encontra-se em 1 João 3:16: "Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós". Como resultado, João afirma: “e devemos dar nossa vida pelos irmãos." Este é o amor supremo, pois Jesus disse-nos: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13). O amor é a essência do discipulado: é o muro que cerca o discípulo, o telhado que o protege e o soalho que o suporta. A Bíblia diz com toda a ênfase: ainda que eu possa falar línguas de homens e de anjos, ter toda a sabedoria, fazer tremendos sacrifícios, dar o meu corpo para ser queimado e abandonar tudo o que possuo, nada valho, se não tiver feito isso em amor. Muitos de nós temos de admitir que conhecemos muito pouco acerca de pessoas que verdadeiramente amam. Sabemos que muitas vezes amamos por causa dos benefícios que recebemos. O amor divino é imparcial; ama o repelente e o que atrai, o pedinte e o príncipe. Será realmente possível este amor? Será que ele funciona? Se eu me der por amor de outro, se "cair na terra e morrer" a fim de dar fruto, se negar a mim mesmo, tomar a cruz e seguir a Jesus — fará isso uma diferença revolucionária? Ou transformar-me-á isso num fanático cego, correndo duma boa obra para outra, e sendo espezinhado pelos fortes? Este amor é possível e muito prático. Não surge naturalmente, nem aparece instantaneamente num culto de consagração ou em qualquer experiência particular. O amor autêntico vem de Deus, que é amor, e desenvolve-se na dura escola da vida, ao longo de muitos anos. Pode haver uma crise na apropriação do amor de Deus, mas segue-se então um processo de expressão do amor, ou tudo se tornará num abscesso. A Bíblia fala claramente sobre como adquirir e desenvolver o amor de Deus. A primeira coisa que ela me diz é que o amor é um fruto do Espírito (Gál. 5:22). Como cada cristão tem o Espírito, todos os cristãos podem ter este amor. Efésios 5:18 apresenta um dos poucos mandamentos acerca do Espírito Santo, no Novo Testamento: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução; mas enchei-vos do Espírito." O encher provoca um transbordar que toca outras pessoas. Quais são as evidências de se estar cheio do Espírito? " ...falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais." Isto é alegria e encorajamento partilhados com outros


cristãos. E também comunica com Deus “... cantando ao Senhor com graça em vosso coração; dando sempre graças a Deus por tudo.” Estes sinais acompanham o amor dado pelo Espírito Santo. As Escrituras ensinam também que a oração, desenvolverá este amor. Paulo constitui um exemplo para nós: "Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai... para que... conceda-vos que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito... e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento" (Ef. 3:14,16,19). A medida que o Senhor abençoa a pessoa por quem você orou, Ele trabalhará também no seu coração. Somos por vezes, parcialmente responsáveis pelas fraquezas dos outros, e as fraquezas na vida dum irmão podem refletir fraquezas na nossa própria vida. Se eu tenho estado a notar algo de errado no campo espiritual, através da oração poderei ajudar a mudar as coisas. Oremos fervorosamente pelas pessoas de quem não gostamos ou que não compreendemos, e Deus fará alterações na situação. Temos muitos exemplos disto nas Escrituras, e somos exortados a orar por todos os homens, mesmo pelos nossos inimigos, disse o Senhor Jesus. Outro passo proveitoso é orar com a pessoa em questão. Se você está tendo problemas com alguém da sua igreja ou grupo, tente orar com ele acerca de várias necessidades e alegrias. Este esforço no sentido de partilhar e compreender será recompensado com comunhão e amor crescentes. O amor de Deus acredita no melhor acerca das pessoas e dá o desconto a relatos e rumores. O amor compadece-se e auxilia. Talvez haja graves problemas a embaraçar a pessoa. Uma saúde débil pode deixá-la deprimida e inativa. O meio ambiente ou a hereditariedade podem controlar, ainda, o indivíduo. O fato de orarem juntos pode abrir o canal do amor e da sabedoria de Deus para ambos. A crença na soberania de Deus habilita-nos a descansar na certeza de que Ele é responsável por tudo o que está a acontecer na terra. Às vezes, o diabo parece estar ameaçadoramente perto, mas ele é fraco em comparação com Deus que tem a Seu cargo as nossas vidas. Embora Satanás faça progressos, não pode vencer o cristão que confia em Deus. O crente pode dizer: "O Senhor está nisso". E procurar em Deus a saída. Filipenses 1:6 assegura-nos que Deus começou a Sua obra em nós e a completará. Outro passo que desenvolve o amor é o interesse pessoal no bem-estar dos outros. Isto se mostra tanto por palavras como por obras. A atenção sincera constrói um laço que nos envolve na vida dos outros. Se a personalidade de alguém choca com a sua, faça perguntas sobre os seus interesses comuns e procure coisas que você possa elogiar. Você verá que o amor brota do interesse, e poderá receber amor em resposta. Alguns de nos caçoam das pessoas com muita facilidade: da forma das suas orelhas, do estilo das roupas, ou de maneirismos excêntricos. As anedotas sobre outras pessoas são um bom divertimento, exceto quando ferem a vítima. Amy Carmichael disse: "Se eu sinto prazer numa anedota à custa de outrem, se de alguma maneira humilho outra pessoa, em conversa ou mesmo em pensamento, então desconheço por completo o amor do calvário. Se menosprezo aqueles que sou chamada a servir, se falo dos seus pontos fracos em contraste com os que, na minha opinião, constituem o meu forte; se adoto uma atitude de superioridade, esquecendo, quem te fez diferente? Que tens tu que não tenhas recebido? Então ignoro por completo o amor do calvário." Outro estímulo para o amor é dar algo a uma pessoa. Conta-se a história dum casal cujo matrimônio estava em ruínas. O marido nunca se lembrava de aniversários e andava constantemente a queixar-se. Ela sentia-se cada vez mais desanimada. Um dia,


inexplicavelmente, ele decidiu trazer-lhe algumas flores. Isso era uma coisa tão rara que, quando ele chegou à porta e lhe estendeu as flores, ela desatou num choro histérico. "Oh, que dia horrível!" - lamentou ela — "Tive problemas com as crianças durante todo o dia, a máquina de lavar quebrou-se; a sopa queimou-se, e agora ainda vens tu bêbado para casa!" Não espere tanto para restabelecer um convívio, a ponto de a sua oferta não poder ser acreditada! Dê algo em ajuda prática, ou uma lembrança que mostre o seu cuidado. Quão cegos nós somos, às vezes, em relação às simples palavras das Escrituras! Jesus ordenou ao Seu povo que se ajudassem uns aos outros, dizendo: "Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mat. 25:4O). Esta é uma passagem revolucionária das Escrituras, e se a deixarmos penetrar dia a dia nas nossas mentes, ela mudará as nossas vidas. Deus diz que a nossa atitude para com o fraco e necessitado revela a que temos para com o Seu Filho. Isto deve conduzir-nos ao arrependimento. "Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê" (1 João 4:2O). E teremos nós esquecido a chamada Regra de Ouro? "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei vós também a eles; porque esta é a lei, e os profetas" (Mateus 7:12). Este versículo oferece-nos uma maneira simples de aferirmos o nosso falar ou proceder: Ficaria eu contente com isto se me fosse dirigido? Isto eliminaria a cruel maledicência e crítica destrutiva, e poupar-nos-ia de futuro juízo. A Bíblia diz-nos que devemos corrigir alguém, quando for necessário, com espírito de amor. "Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais" — o que exclui um bom número de cristãos — "corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado" (Gál. 6:1). Amy Carmichael escreveu: "Se somos capazes de ir corrigir alguém sem sentir angústia no nosso coração, então não conhecemos nada do amor do calvário." O amor descrito em 1 Coríntios 13 não admite um coração alegre ante as falhas de outra pessoa. O amor nunca fala com esta atitude: "Eu avisei-o; devia ter ouvido o que lhe disse!" Ele chora com os que choram e levanta os que caem. No Seu amor, Deus pode transformar tristezas e fracassos, de modo a podermos ajudar e confortar os outros. Deus, diz Paulo, "consola-nos em toda a tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus" (2 Cor. 1:4). Como é que uma mulher que teve quatro filhos, sem complicações nos partos, nem problemas durante o crescimento, será capaz de ajudar outra que teve três bebês mortos e que agora tem uma criança aleijada? Ela não está preparada para esta oportunidade. Mas outra que perdeu, ela própria, um filho, ou que sofreu profundamente de qualquer outro modo, pode comunicar a sua experiência do amor de Deus. Pode falar, diretamente, mas com compaixão, àquela que está sofrendo. Repreender a exortar outro cristão é uma das coisas mais difíceis de fazer devidamente. É mais fácil passar por alto essa falta, mas o amor, por vezes, tem que corrigir. Amy Carmichael comenta: "Se tenho medo de dizer a verdade com receio de perder afeto, ou de que a pessoa em causa diga: "Tu não compreendes", ou se temo perdera minha reputação de pessoa amável; se ponho o meu nome acima do maior bem do meu semelhante, então não conheço nada do amor do calvário." O amor atua. Quando vejo uma criancinha correr em direção a uma rua de movimento, não me limito a presenciar e a sugerir: "Não seria melhor você ficar no passeio?" Entro em ação. Agarro a criança e tiro-a da rua, a fim de que a sua vida possa ser salva. A Bíblia diz que temos de arrebatar os homens do fogo do inferno. Considerar tal ação demasiado drástica é ter um conceito errado do amor. O amor de Jesus não era do tipo do de Hollywood. O Seu amor levou-O a servir. Eu


creio que foi também o amor que levou Jesus ao templo para purificar toda a confusão mercenária e expulsar lentamente os avarentos comerciantes. Era o amor pela Justiça; era o amor por aqueles que estavam a ser defraudados. O Seu amor levou-O à ação durante toda a Sua vida. O amor cresce — quando é exercido. Providenciar o amor que tudo vence é da competência de Deus; expressar tal amor é nossa responsabilidade. À medida que andarmos com Deus, Ele nos fará ter por certo "de que aquele que começou boa obra, em vós há de completá-la até o dia de Jesus Cristo" (Fil. 1:6). E Deus agirá nas vidas de outros pelo amor, pois o Seu perfeito amor nunca falha.


Muitos jovens começam o serviço cristão convencidos de que são crentes dedicados e fiéis. Foram encorajados a pensar assim pelos elogios dos amigos ou oficiais da Igreja. E talvez realmente eles se tivessem erguido acima do cristão médio à sua volta Mas o serviço na linha de fogo torna-os cada vez mais conscientes das palavras de Jesus: "Sem mim, nada podeis fazer" (João 15:5). Todos os obreiros cristãos chegam à determinada altura — se são honestos — ao ponto em que já não podem afirmar naturalmente a sua dedicação ao Senhor. Reconhecem simplesmente, sem qualquer dúvida, que não são Hudson Taylor, George Muller ou C.T. Studd. O resultado pode ser uma depressão extrema: uma vez que constantemente fracassam quando tentam grandes façanhas, concluem que não há qualquer esperança para eles. Existe um antídoto para isso. Robert Murray M'Cheyne disse um dia que, por cada olhadela que dava a si mesmo, olhava dez vezes para o Senhor Jesus: Ele tinha deixado de ter esperança em si mesmo, mas a sua esperança em Cristo era ilimitada! Para M'Cheyne e para nós pode ser necessário um fracasso total para nos levar à convicção de que a nossa única esperança está em Jesus! E não é Jesus mais dinheiro, ou Jesus mais uma organização eficiente, ou equipamento próprio, mas só Jesus! Graças ao apóstolo Paulo, temos um exemplo que tem provado este caminho para a vitória. "E disse-me: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2 Coríntios 12:9). Quando você estiver numa situação difícil, quando os demônios da discórdia, crítica, desentendimentos e confusão o esmagarem, como se estivesse sendo espremido, recorde estas palavras: "A minha graça te basta." Sem este conhecimento e confiança você não pode sobreviver ao combate que espera o discípulo de Cristo. Poderá o custo da peleja cristã ser menor que o de nações em conflito? Se for, então não é peleja. Alexandre Duff, o santo de Deus escocês, conhecia o preço. Chorando enquanto enfrentava a multidão, ele perguntou se a Escócia tinha mais filhos para dar. "Quando a rainha Vitória pede voluntários para a índia, centenas respondem" — lembrou ele — "mas quando o Rei Jesus chama, ninguém vai." O silêncio foi total."Se não há ninguém que vá" continuou ele — "então, eu voltarei lá. Irei e deixarei os meus ossos junto do Ganges, para que a índia saiba que a Escócia tem ao menos um que se interessa por ela". Quer permaneçamos em casa ou vamos para o estrangeiro, o apelo de Cristo às nossas vidas é uma chamada à batalha. O inimigo é poderoso, ele arrasta e engana as almas para o inferno, ele devasta as esperanças e os planos dos homens na terra. Todavia, Jesus pode derrotá-lo através de qualquer cristão que envergue a sua armadura espiritual (Ef. 6:11-18). Portanto, a nossa esperança está no todo suficiente Senhor Jesus, não em nós mesmos. Quaisquer que sejam as circunstâncias: "A minha graça te basta" é a promessa de Deus. Alguém disse que "graça são as riquezas de Deus à custa de Cristo". Esta definição realça a grande dádiva que Deus nos concedeu por Cristo. São as riquezas do Deus infinito herdadas pela morte e ressurreição do Seu Filho. É realmente muito fácil tornarmo-nos indiferentes ao que Cristo fez por nós na cruz. É de fato muito possível reunirmo-nos em torno da Mesa do Senhor, descuidadamente. Quando isto acontece, estamos a considerar de nenhum valor as riquezas da graça de Deus! Há outra maneira de tornar vã a graça de Deus, fazemo-lo quando a menosprezamos. Se chegarmos ao ponto de desesperar e disser: "Ó Deus, o que é que adianta? Eu não posso ir


mais além — e tu também não me podes ajudar" — estamos a negar a graça de Deus. E, precisamente nesse momento, nós poderíamos descobrir que a Sua graça, a Sua suficiência, a Sua vida e o Seu poder estão ao nosso alcance para nos levar até ao fim. Isto é trágico e pecaminoso. As exigências e padrões de Cristo são, sem dúvida, extremas — de fato, impossíveis. Mas Jesus não nos pede que vivamos a vida cristã, pede-nos, sim, que O deixemos vivê-la em nós. Não houve graça para o homem que se considerava a si mesmo justo e que orou: "Graças te dou, Senhor, porque não sou como os demais". Mas houve graça para aquele que clamou: "Sou um pecador, Senhor tem misericórdia de mim!" A completa suficiência do Senhor Jesus Cristo compensa a nossa deficiência. Não podemos ganhar a Sua graça, só a podemos obter, indo vazios à cruz. Paulo afirma uma grande verdade em Colossenses 2:9,10: "Porquanto nEle (Cristo) habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Também nele estais aperfeiçoados". Perfeitos! Estaremos conscientes disto quando lutamos por adquirir uma boa reputação? Estaremos conscientes disto quando alguém nos priva de consideração? Estaremos conscientes disto quando não nos sentimos à vontade num grupo? Talvez nos sintamos pior quando sofremos perseguição ou doença por servirmos a Deus. Ou poderemos desfalecer na cadeia por amor da justiça. Os nossos planos falham, o nosso testemunho é rejeitado. Como nos sentimos então? Estais perfeitos em Cristo! A nossa perfeição não está em Cristo mais amigos, em Cristo mais serviço, em Cristo mais posição, em Cristo mais almas salvas. Estamos perfeitos só em Jesus. NEle está toda a plenitude, por isso Jesus é tudo o que precisamos. Tudo o mais pode falhar; Jesus nunca nos deixará. Nem abandonará. Surja o que surgir para nos desencorajar, podemos fazer eco da convicção de Paulo: Jesus é suficiente para o que quer que seja. A questão não está na Sua suficiência, mas só na nossa confiança nEle. Nós não somos capazes de avançar, simplesmente, não conseguiremos! Poderemos querer desistir: o Senhor está a pedir demasiado de nós! Em qualquer ocasião, Ele é suficiente. Ele diz-nos: "Estais perfeitos em mim." Fomos feitos agradáveis a Deus, em Cristo, o Amado. Todos buscamos aceitação, todos desejamos que necessitem, gostem e cuidem de nós. Se esperarmos vir a encontrar o marido ou a esposa ideal para satisfazer essas necessidades, iremos ficar desapontados. Nem mesmo um marido ou uma esposa pode preencher os anseios mais profundos do nosso coração, porque fomos feitos para Deus. Só Ele pode baixar até nós e encher esse profundo vazio, só Ele pode satisfazer. Em Jesus Cristo, somos agora aceitos por Deus. Fomos aceitos, não por um grupo social, mas pelo Deus infinito. Fomos aceitos, não na nossa virtude manchada, mas no perfeito Senhor Jesus Cristo. Com esta confiança a motivar-nos, nada nas alturas, ou nas profundezas, na vida ou na morte, nem em todo o universo, nos pode fazer parar, porque nada Lhe pode resistir. A Sua graça abundante e transbordante é nossa — se a quisermos receber.


Depois de ler estas páginas, você poderá perguntar a si mesmo: "O que é que eu vou fazer agora?" Ler acerca da total suficiência de Jesus Cristo é uma coisa, obtê-la e experimentá-la na sua vida é outra. Mais do que qualquer outra coisa, este livro constitui um apelo e um guia para a autenticidade da vida cristã. O padrão do cristianismo vivo descrito nestas páginas não se atingirá facilmente. Não ocorrerá através duma breve oração de entrega, ou por qualquer espécie de experiência crucial. Deus pode usar uma crise para sacudir o cristão para a ação, mas é necessário uma crise mais um processo para mantê-lo em movimento como discípulo revolucionário de Jesus Cristo. A fim de que este livro se torne significativo para você, você terá de "declarar uma revolução pessoal". Isto exigirá toda a sua dedicação e a aplicação de todos os meios de graça oferecidos na Palavra de Deus. Não pode haver uma revolução para aqueles que meramente "entram no jogo" ou se deixam ir na onda. Nem a revolução é possível para o cristão que não está disposto a negar-se a si mesmo, a tomar diariamente a sua cruz e a seguir a Jesus. Não estamos prontos para a revolução, se ainda não nos apercebemos da esquizofrenia em nós e à nossa volta. Deus tem de nos convencer de que "o coração é enganoso mais do que todas as coisas e desesperadamente perverso". O nevoeiro espiritual deste mundo penetra nos nossos corações e só Deus pode dissipá-lo em resposta à oração fervorosa. Se queremos aprontar-nos para a revolução, temos de admitir que somos culpados por não vivermos uma vida cristã dinâmica. Cristo vive dentro do cristão, e Ele é o revolucionário. Temos de estar dispostos a morrer para os nossos próprios interesses e determinação, e deixar que Cristo viva a Sua vida através de nós. Muitos cristãos entram no ministério, nos campos missionários e noutros lugares de serviço cristão, sem estarem espiritualmente preparados. Temos de reconhecer que estamos em território perigoso, se o serviço que fazemos para Deus nos leva além da nossa experiência com Ele. Satanás está lá, pronto para nos atacar — e nós somos muito vulneráveis. A vida espiritual revolucionária emana duma profunda relação e experiência com Deus, que faz do discípulo um fiel soldado de Cristo. Estou absolutamente convencido de que os cristãos que dão os seguintes passos para a revolução descobrirão que eles "dão resultado". Eles são eficazes, porque o cristianismo é eficaz. Estes passos são princípios bíblicos básicos que Jesus Cristo e os apóstolos repetidamente salientaram perante aqueles que queriam ser discípulos de Jesus. 1. Uma revolução na nossa vida de oração. Um dos mais deprimentes sinais na igreja de hoje é a falta de oração tanto a sós como em grupos. É quase incrível ver quão pouco a igreja evangélica em geral se apóia na oração para fazer a obra de Deus. Quando há uma reunião de oração, só um pequeno número participa. Noites de oração, reuniões de oração nos lares, dias de oração e jejum — uma parte tão importante da Igreja primitiva — parecem não ser mais que relíquias cristãs, hoje em dia. Porque estão ocupadas, as pessoas convencem-se de que estão demasiado ocupadas para orar. A Igreja tem procurado inúmeros substitutos para a oração a fim de levar a cabo o trabalho que só pode ser feito através da oração. Se levarmos a sério o fato de sermos revolucionários espirituais, temos de decidir aprender a orar! Há muitos livros excelentes sobre o assunto, mas não há nada que substitua o ajoelharmo-nos e começarmos a orar. Samuel Chadwick disse: "A única preocupação do diabo é afastar os santos da oração. Ele nada receia de estudos sem oração, de trabalho sem


oração, de religião sem oração. Ri-se do nosso labor, troça da nossa sabedoria, mas treme quando oramos." O cume do monte da nossa vida de oração será adoração. Todos os dias se deve reservar tempo específico para subir ao cume da realidade espiritual através da adoração, louvor e ação de graças. O rei Davi declarou: "Louvarei com cânticos o nome de Deus, exaltá-lo-ei com ações de graça. Será isto muito mais agradável ao Senhor do que um boi ou um novilho com chifres e unhas" (Salmo 69:30,31). A autenticidade no culto criará uma revolução espiritual no homem interior, algo que poucas pessoas têm experimentado no século vinte. Não se conseguirá num ano ou dois, nem talvez em dez ou vinte. Contudo, uma vez que esta é a mais alta chamada do cristão, vale bem a pena, seja qual for o número de anos, chegar a conhecer a realidade no culto diário. Não há aspecto mais importante do que esta na revolução espiritual. Há um sentido em que nós podemos "orar sem cessar", e fazer oração e louvar a Deus a qualquer hora do dia. Contudo, há também a necessidade de nos separarmos a nós mesmos dos outros seres humanos e de ficarmos a sós com Deus. Toda a Igreja e a causa de Cristo ao redor do mundo estão a sofrer por falta deste tipo de oração. Se a única resposta dada a este livro fosse a determinação de separar todos os dias um período definido para oração, louvor e deleite na Palavra de Deus, o livro seria eminentemente bem sucedido. Pois pela oração podemos chegar a ver os outros princípios da revolução espiritual, os quais nos levarão de vitória em vitória, na medida em que a Palavra de Deus se mistura com a nossa fé. 2. Uma revolução no nosso estudo bíblico. Os revolucionários espirituais têm de se tornar a todo o custo "homens do livro". D.L. Moody declarou: "O pecado te fará evitar este Livro, ou este Livro te fará evitar o pecado." A maior parte dos cristãos dá pouco valor à memorização e meditação da Palavra de Deus. Contrastando com isso, milhares de muçulmanos deixam as suas universidades com o Alcorão totalmente decorado. Atores e atrizes decoram milhares de linhas para ganharem fama e riqueza. A despeito das recompensas espirituais prometidas aos estudantes da Palavra de Deus, poucos cristãos as buscam. O resultado são igrejas povoadas por anões espirituais, alguns deles tendo estado a "crescer" há dez ou vinte anos na fé. Em alguns casos, os anões espirituais tornam-se líderes da congregação, e o contraste com as igrejas do Novo Testamento é chocante. Se alguém chama a atenção para isso, é considerado um fanático, um extremista ou um intrometido. Por outro lado, tenho encontrado por todo o mundo um crescente número de crentes que estão cansados de comer miolo de pão e desejam penetrar na Palavra de Deus, dum modo novo e revolucionário. Contudo, o importante não é tanto "penetrarmos nós na Palavra de Deus", como "a Palavra de Deus penetrar em nós!" Isto significa que devemos empenharnos em mais do que simples leitura da Bíblia; temos de meditar intensamente na Palavra de Deus, como o salmista nos ensina no Salmo 119:9,11. O nosso estudo da Bíblia deve ser tão honesto e livre de preconceitos, quanto possível. Não podemos aproximar-nos da Palavra de Deus com o nosso ponto de vista favorito, esperando que a Bíblia derrame nova luz. Temos de nos abeirar das Escrituras, com humildade e mente aberta, e tentar obedecer na nossa vida diária a cada verdade que lá encontramos. Certo evangelista advertiu: "Nós temos pegado na Palavra de Deus, a Espada do Espírito, e temo-la usado para nos ferirmos uns aos outros, em vez de avançarmos numa grande ofensiva em nome de Cristo: É muito mais fácil guerrear por doutrinas prediletas e versículos favoritos, do que continuar a receber todo o conselho de Deus e avançar contra o


inimigo. Temos, não só de determinar obedecer aos versículos de que gostamos, ou que nos impressionam como sendo importantes, mas também estarmos prontos a obedecer aos versículos que, por vezes, nos chocam no sentido oposto. Não raro estamos ansiosos por aceitar aqueles versículos que falam acerca de bênção, negligenciando os que falam de sofrimento. Recebemos alegremente a primeira parte de 1 João 3:16, "Nisto conhecemos o amor (de Deus), em que Cristo deu a sua vida por nós" — e o resto passa pela nossa consciência e desaparece: "... e devemos dar nossa vida pelos irmãos". A admoestação seguinte também nos merece pouca atenção: "Ora, aquele que possuir recursos deste mundo e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?" Isto também é Palavra de Deus! Que desculpa podemos dar por não atendermos ao mandamento "não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade"? Obediência aqui é revolução! 3. Uma revolução de disciplina. Para muitos, disciplina é uma palavra desagradável. Contudo, a história da igreja não mostra qualquer homem ou mulher sem disciplina que tivesse feito muito por Cristo. A base de apoio para a disciplina é a motivação, e a melhor motivação é o amor de Cristo que constrange. Cristo disse: "Se me amardes guardareis os meus mandamentos."E disse também: "Se guardardes a minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos." Isto é um ponto crítico, como podemos verificar pela preocupação de Paulo em 1 Coríntios 9:26,27: "Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado." Paulo era disciplinado, mas reconhecia o perigo de escorregar e cair em pecado. A verdadeira disciplina é possível, somente por causa da promessa de Deus. Nós achamo-nos incapazes de guardar um mandamento em especial, ou de empenharmos numa forma de autodisciplina, mas podemos ser apoiados por promessas tais como estas: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fil. 4:13). Para cada batalha e dificuldade na vida, há uma afirmação da graça e suficiência de Deus que nós podemos reivindicar. Ouvimos falar cada vez mais nos círculos cristãos acerca duma vida vitoriosa que se obtém através duma teoria especial de santificação ou duma experiência de crise que inicia um descontraído e alegre passeio com Deus. Mas para cada versículo bíblico que fala de descanso, permanência, confiança e submissão à atuação de Deus em você, há outra palavra, bem perto, que fala de batalha, prova, obediência, e da necessidade de apresentarmos os nossos corpos como um sacrifício vivo para fazermos a vontade de Deus. Estes são complementares e essenciais para uma vida equilibrada. Nós não pomos Josué contra Calebe por usarem terminologia e conceitos diferentes ao desafiarem o povo a entrar na Terra Prometida. O revolucionário espiritual aprende a ver o equilíbrio entre a ação de Deus e a sua própria. Ele depende da força e sabedoria de Deus para operar a vida de salvação dentro de si. Por exemplo, se amanhã de manhã você estiver na cama e orar para que o Senhor o levante, provavelmente irá tomar o café da manhã muito tarde! O recitar "Não eu, mas Cristo" produzirá poucas mudanças, se não entrar em movimento. Mas se você se mover, a consciência de "Não eu, mas Cristo" produzirá resultados eternos pelo Espírito de Deus. Uma das disciplinas importantes é o arrependimento. Quando pecamos ou falhamos, podemos recuperar-nos e prosseguir, se imediatamente encontrarmos perdão junto à cruz.


Muitos cristãos têm desfalecido em depressão e derrota por não terem aprendido a disciplina do arrependimento. Nem mesmo Jesus Cristo "sentiu" vontade de ir à cruz, mas foi porque nos amava e porque era obediente à vontade de Deus. Nós podemos não "sentir" vontade de ir à cruz, mas iremos por causa do nosso amor a Cristo. Lá, receberemos perdão total e uma renovação jubilosa que nos capacitará para vivemos em disciplina. 4. Uma revolução de amor. Jesus Cristo disse que as pessoas conheceriam que os cristãos são seus discípulos, por causa do seu amor uns pelos outros. A maior acusação contra o cristianismo evangélico é que os cristãos não têm evidenciado esta espécie de amor. Todavia, sempre que tenho visto este amor nuns poucos cristãos, isso me tem impressionado como sendo a expressão do cristianismo genuíno. É admirável ver como o Senhor Jesus Cristo pode transformar uma alma sem amor e perdida. Tenho visto o poder desta revolução de amor em muitos países. Se mais de entre nós entrassem e ateassem as chamas deste amor, creio que veríamos uma revolução espiritual por todo o mundo, na nossa geração. Isto não significa necessariamente a conversão de grandes multidões, mas sim indivíduos por todo o lado transformados pelos princípios revolucionários do Novo Testamento, e vivendo-os diante dos outros. Contudo, a não ser que "declaremos uma revolução" nas áreas da vida já mencionadas, não veremos uma revolução de amor. Pois é só quando chegamos a conhecer Deus a um nível profundo e confiamos em Cristo a fim de que Ele opere através de nós, que podemos receber e demonstrar amor revolucionário. Antes de experimentarmos realmente este amor, a revolução espiritual não irá muito longe. Nada obstrui tanto o cristianismo revolucionário como o oposto do amor — ressentimento, inveja, ira, medo, ciúme e ódio. A tolerância mútua evidenciada nos apertos de mão depois de um típico culto de domingo de manhã, também está longe do amor revolucionário que une irmãos em comunhão dinâmica. No entanto, uma maior exibição de interesse uns pelos outros não é a resposta autêntica; o amor revolucionário é o resultado da obediência a Cristo e da comunhão com Ele. O maior impacto possível no mundo seria feito se os cristãos de muitas raças, ambientes, igrejas e temperamentos trabalhassem juntos em amor e harmonia com Jesus como Rei e Senhor. A Bíblia diz: "O amor lança fora o temor" e nós podíamos avançar na base desta promessa, verificando que o amor divino lançaria fora o temor dos nossos corações — o temor das pessoas que não entendemos que são duma raça diferente ou que prestam culto de maneira diversa. Temos de abandonar completamente as nossas facções e trabalhar com todo o povo de Deus temos de nos unir sob a bandeira do amor de Cristo e as doutrinas fundamentais e princípios do cristianismo do Novo Testamento. O orgulho que despreza os cristãos fora do “nosso grupo” terá de morrer na cruz, antes que possamos juntar-nos em revolução. Se qualquer de nós recebeu mais luz, exerceu mais dons ou recebeu mais atenções, isso deve demonstrar-se em mais humildade e mais amor. Este é o princípio essencial do viver cristão e da revolução espiritual, sem ele, não há poder. 5. Uma revolução de honestidade. Honestidade espiritual é uma das nossas maiores necessidades. Nós, evangélicos, temos vindo a acostumar-nos cada vez mais às nossas máscaras religiosas, pretendendo ser uma coisa e vivendo de modo completamente diferente. Isto se tem prolongado por tanto tempo, que agora dificilmente sabemos onde está a realidade. Poderá você imaginar o que é que uma revolução de honestidade faria nas nossas igrejas? Se fôssemos honestos, muitos de nós teríamos de mudar as palavras de "Avante


Soldados Cristãos" em algo do seguinte teor: Pra trás soldados cristãos, fugi da dura peleja, fazei com que a cruz de Cristo neste mundo se não veja; Jesus nosso bom Senhor quer Satanás destruir, mas em frente para a batalha, nós recusamos seguir. Qual pesada tartaruga move-se a Igreja de Deus; irmãos, nós marcamos passo na senda que vai aos céus. Tantos corpos divididos no trabalho do Senhor, tendo diferentes doutrinas, e carecendo de amor. Coroas e tronos passam, e reinos perecerão, mas a Igreja de Cristo é procurada em vão; portas do inferno sobre ela jamais hão de triunfar, é a promessa de Cristo que, cremos, irá falhar. Sentai-vos, povos, conosco, engrossai a multidão; misturai as vossas vozes na nossa débil canção. Bênçãos, alívio e conforto a Cristo o Rei suplicai, Com o nosso pensar moderno o tempo desperdiçai. Estas palavras poderão parecer duras, mas você encontrará palavras mais fortes no Novo Testamento: "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio, ou quente! Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de cousa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" (Apoc. 3:15-17). Temos de declarar guerra a esse tipo de auto-ilusão descrita nestes versículos. Para isso, temos de determinar tornarmo-nos espiritualmente honestos. Temos de nos ver como somos, e temos de permitir que Deus comece a produzir mudanças revolucionárias. Muitos de nós tentam viver num nível espiritual especial, quando sabem que estão muito longe dele! Isto leva a todos os gêneros de irrealidade, confusão e, por vezes, até a esgotamentos nervosos. Acontece também que o cristão mais ansioso por melhorar a sua vida espiritual acaba tendo os maiores problemas - porque tenta ele próprio mudar as coisas. A necessidade não é de extremistas espirituais, mas de revolucionários espirituais que conhecem a realidade do equilíbrio espiritual. O revolucionário espiritual sabe que, de acordo com Efésios 1:6, ele é plenamente aceito no Amado e, portanto, deixa de tentar ganhar mérito através da sua atividade espiritual. Reconhece que é um pecador, mas que em Cristo é vitorioso. Os líderes cristãos podem cair nesta armadilha mais depressa do que o cristão em geral. Quando os crentes fazem dos seus líderes heróis, estes podem sentir-se forçados a representar os seus papéis, ao mesmo tempo que desprezam a hipocrisia de tais atitudes. É um caminho muito pouco saudável e precário para se seguir. Uma das razões por que muitos jovens crentes abandonam a igreja e os seus pais, é a pretensão espiritual muito espalhada. Um jovem normal compreende que as falhas são inevitáveis, mas uma incoerência e desonestidade espiritual contínuas confundem-no tremendamente. Alguns ficam tão revoltados com essa duplicidade que "desistem". Eles prefeririam conviver com um agnóstico "honesto", a viver à sombra de esquizofrenia espiritual. Poderá ser necessária uma revolução espiritual para trazer estes rebeldes à comunhão da igreja. Eu desafio os rebeldes a seguirem a Cristo e a ajudarem a fazer surgir esta revolução. 6. Uma revolução de testemunho. Quando a revolução tem lugar nas áreas descritas, trará espontaneamente uma revolução de testemunho. Metade do mundo ainda permanece em trevas espirituais, no que se refere ao conhecimento de Jesus Cristo. Ao avançarmos, temos muitas vezes seguido uma forma de cristianismo não revolucionária. A.W. Tozer escreveu: "A noção popular de que a primeira obrigação da Igreja é levar o Evangelho a todos os cantos da terra é falsa. A sua primeira obrigação é ser espiritualmente digna de disseminá-lo. Espalhar um tipo de cristianismo estéril e degenerado


às nações pagas não é cumprir os mandamentos do Senhor." Tozer foi um profeta do século vinte que falou da parte de Deus no púlpito e nos seus livros. Se pusermos em prática os princípios que ele apresentou (descontando o erro humano), veremos uma revolução espiritual. Isto, por seu lado, levará a testemunhar de todas as formas, o que agregaria muitas pessoas à Igreja do Senhor Jesus Cristo. Através da história, homens que tinham diferentes perspectivas teológicas têm vivido o mesmo tipo de cristianismo dinâmico e revolucionário, e nós devemos ser capazes de largar as nossas armas explosivas doutrinárias e trabalharmos juntos na evangelização e revolução espiritual do mundo. As Testemunhas de Jeová, com todas as suas falsas doutrinas, orgulham-se de serem noventa por cento ativas. Isto é, noventa por cento dos seus membros estão envolvidos em ação definida e testemunho. Que poderemos nós dizer da mobilidade das nossas igrejas evangélicas? Em algumas igrejas parece que só o pastor e talvez alguns outros sabem como ganhar almas para Cristo. Mas o Novo Testamento ensina claramente que cada crente em Cristo é uma testemunha. O fato de haver pessoas que têm vindo a Cristo apenas pela leitura duma porção de literatura cristã, devia mostrar-nos que nenhum cristão precisa chegar ao céu sem ter ajudado alguém a ir para lá. Há muitos meios de testemunhar e, embora alguns possam ser melhores do que outros, o ensino das é que devemos em primeiro lugar testemunhar através da vida e da palavra. Muito mais do que uma cruzada, um projeto especial ou um programa de ação evangelística, o verdadeiro testemunho é um jorrar espontâneo do Cristo que em nós habita. Cessemos de nos agarrar às nossas fraquezas, timidez, falta de treino, temor, ou a qualquer outra desculpa, e comecemos a crer no Deus do impossível que é perito no uso de vasos fracos. Não há um único cristão que não possa tornar-se uma testemunha eficiente e revolucionária de Jesus Cristo, se realmente quiser. Em conclusão, tenho dois pedidos a fazer. O primeiro é o mais importante. Peço que se una comigo em arrependimento aos pés da cruz e creia que Deus pode trazer uma revolução às nossas vidas e às vidas de outros cristãos. Inclinemo-nos em arrependimento diário, reconhecendo os nossos fracassos e crendo em Deus para grandes e dinâmicas mudanças nos dias vindouros. Segundo, peço-lhe que use alguns minutos e me escreva uma expressando o que sente após a leitura destas páginas. Talvez este possa ser o seu primeiro ato de disciplina, depois de ler este livro. Eu sinto um profundo desejo de orar por qualquer pessoa que deseja verdadeiramente uma revolução espiritual no seu próprio coração e vida. Aqueles de nós que desejam uma revolução espiritual no século vinte devem unir-se e trabalhar juntos para atingir este alvo. Deus está do nosso lado — e se Ele é por nós, quem será contra nós? _______________ 1 Operação Mobilização Rua da Constituição, 14 Rio de Janeiro.


Vida em Profundidade