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desconfiando do que guardavam os

Portugês XXI

líderes nos seus bolsos. Isto, porque o Solta-se em mim um grito

português sempre foi esperto e procura

silencioso por querer sair deste país

trabalhar o menos possível. Enquanto

egoísta, desigual e comodista. Não

recebia, tudo corria bem. Hoje, em

cómodo como o regaço da nossa avó,

plena crise, o português não procura

que nos acariciava o cabelo enquanto

lutar contra a maré, espera que alguém o

dizia que viríamos a crescer, a ser bons

faça por si. O português quer melhorar a

homens. Cresci, mas não me sinto bem

vida, mas não quer trabalhar mais por

nesta realidade. O meu futuro está

isso. O português não joga em equipa;

incerto perante tal negrume na minha

prefere atirar a toalha ao chão e pedir

terra natal e comodidade é algo que nela

esmola. Se foi para isto que eu cresci,

desconheço. Não consigo ser um bom homem

desiludo-me que seja para ver os

face à desonestidade entranhada nos

portugueses

portugueses: um povo, outrora de

sepultura.

cavar

a

sua

própria

grandes conquistas, que se virou para o facilitismo e para a desonestidade. A

TEJ II - Imprensa

versão XXI do português é, na sua

Fábio Silva, turma 2

essência, um murro no estômago de todos aqueles que lutaram pelo mínimo de respeito e igualdade. O dinheiro corrompe-nos as veias, torna-nos maus. Por ele, os governantes

viraram

vilões.

Não

resistiram ao brilho das moedas, ao cheiro das notas; quiseram evitar que se perdesse nas mãos do Zé – aquele sujeito bêbedo e ignorante. Guardaramno, seguro, nos seus bolsos. Foram-no amealhando,

e

o

povo

anuiu,

embrulhado na comodidade da esmola que

eles

lhe

davam,

mesmo


Português XXI - Crónica Imprensa, Fábio Silva