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EDITORIAL

Nosso país, emergente, pretendente à ser desenvolvido passa por muitas transformações

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stamos entre as maiores economias do mundo, entretanto convivemos com um dos piores índices de qualidade de vida da América Latina. A corrupção, a falta de prioridades, a luta pelo poder, o analfabetismo funcional, o saneamento básico insuficiente, as carências nutricionais e habitacionais, a falta de leitos hospitalares, as dificuldades de acesso ao atendimento de saúde e a dependência financeira de mais de 25% do povo brasileiro, que hoje vive da bolsa família, cria um contraste desolador em nosso país. Quando aconteceram as manifestações nas ruas, entre as principais reivindicações, estava a melhoria do atendimento de saúde. O governo federal, de maneira covarde, gastou milhões de reais de nossos impostos em uma campanha difamatória e mentirosa contra a nossa classe. De maneira cruel nos imputou às mazelas da saúde pública. A vinda de médicos estrangeiros, sem a devida infraestrutura e acompanhamento de supervisores e tutores, a criação desenfreada de novos cursos e vagas no ensino médico, o desvirtuamento da residência médica, da condição de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização para ser utilizada como mão de obra de assistência médica precarizada, sem acompanhamento adequado de pre-

Os gestores médicos serão chamados a prestar esclarecimentos e responderão eticamente, e àqueles que o nosso código de ética médica não alcançar, denunciaremos e cobraremos das autoridades competentes! Somos aproximadamente 400 mil médicos em todo país e segundo o último levantamento demográfico realizado pelo CFM tivemos, de 1980 a 2012, um crescimento de 74% na relação de médicos por 1000 habitante. Temos atualmente, cerca de 2 médicos para cada 1000 habitantes. Somos fortes, desde que unidos! No nosso trabalho diário poderemos combater as mentiras a nós imputada. Sendo assim, conclamo a todos que exerçam o papel de fiscal da boa prática médica, denunciando e não aceitando a trabalhar de forma precária. Neste ano, teremos eleições estaduais e federal. Este é o momento de respondermos a todos os ataques e calúnias imputados a nossa classe. Vamos demonstrar que somos maiores que tudo isto, temos uma profissão maravilhosa, admirada e desejada! Somos nós quem salvamos vidas, somos nós quem levamos bem estar às pessoas! Este dom não vão nos tirar!

ceptores, são motivos de grande preocupação e será um dos focos principais no trabalho constitucional de nosso conselho. Fiscalizaremos as unidades de saúde, combateremos o subfinanciamento de nossos hospitais, principalmente os filantrópicos e as nossas santa casas que, com a falta de correção nas tabelas do SUS, agonizam. Exigiremos de nossos gestores de saúde mais agilidade para realização de exames, procedimentos e cirurgias. As filas em nossos serviços de urgência e emergência, a superlotação de nossas UPA´s, as internações em corredores de nossos hospitais e a falta de vagas para atendimento em Alberto Brull Cubel Junior Presidente CRM-MS nossos ambulatórios não serão toleradas!

EXPEDIENTE DIRETORIA EFETIVA Alberto Cubel Brull Júnior Presidente

Antonio Carlos Bil Vice-Presidente

Rosana Leite de Melo 1ª Secretária

Kleber Francisco Meneghel Vargas 2º Secretário

Celso Rafael Gonçalves Codorniz 1º Tesoureiro

Eloina Brasil Ferreira Tesoureira

Gil Pacífico Tognini Corregedor Geral

Marialda Goulart de Almeida Pedreira Corregedora Adjunta

CONSELHEIROS TITULARES Alberto Cubel Brull Júnior Alexandre Brino Cassaro Antônio Carlos Bilo Carlos Idelmar de Campos Barbosa Celso Rafael Gonçalves Codorniz Eloína Brasil Ferreira Eltes de Castro Paulino Gil Pacífico Tognini Heitor Soares de Souza José Antônio de Carvalho Ferreira Juberty Antônio de Souza Luciana Reis Vaz de Moura Covre Marco Aurélio Ratier Jajah Nogueira Marialda Goulart de Almeida Pedreira Mauro Luiz de Britto Ribeiro Moacyr Battistetti Oldemiro Hardoim Junior

Pedro Eurico Salgueiro Rosana Leite de Melo Takeshi Matsubara Eliana Patrícia Sempertegui M. Pires (AMMS) CONSELHEIROS SUPLENTES Alex Fabiano Nametala Finamore Cristina Yamakawa Higashi Darcy da Costa Filho Eduardo Lasmar Pacheco Elza Garcia da Silva Ernani José Vilela dos Reis Fábio Colagrossi Paes Barbosa Faisal Augusto Alderete Esgaib Helena de Lima Chaves Castro José Jailson de Araújo Lima Kléber Francisco Meneghel Vargas Leonildo Herrero Perandre


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2014 será um ano de desafios e continuidade” afirma Valdir Shigueiro Siroma, presidente eleito com 98% dos votos válidos para o Biênio 2014/2015 do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed-MS). No último ano, a instituição esteve à frente de lutas importantes como protestos contra às medidas do governo Federal em trazer médicos para o Brasil sem que passem pelo exame de revalidação de diploma, além do anúncio do programa Mais Médicos e o veto de importantes itens do Ato Médico. Marco Antônio Leite que presidiu o órgão por três anos explica que durante sua gestão muitos desafios foram enfrentados, entre eles o fato de ficar sem acesso a contribuição sindical por aproximadamente dois anos, porém mesmo com empecilhos sua gestão é motivo de orgulho, pois durante este período houve uma grande adesão de médicos, saltando de 900 para 1670 filiados. Marco Leite afirma que o êxito do sindicato acontece devido grande empenho da equipe em estar presente em todas as lutas pela classe, realização de campanhas e ações sociais em prol da categoria, serviços das assessoria jurídicas, trabalhista, contábil prestada pelo sindicato, além do bom

relacionamento e parceria com o Conselho Regional de Medicina e Associação Médica de Mato Grosso do Sul. Segundo o presidente eleito Valdir Shigueiro Siroma, é preciso que todos estejam focados no mesmo objetivo para que ocorram conquistas às causas médicas e para isso se estreitará ainda mais o bom relacionamento entre as entidades médicas para que as ações tenham força mediante a tantas injustiças com a categoria. “Nosso objetivo é lutar pelos direitos e pela dignidade médica e o caminho para isso é a união de todos”, afirma. Além das lutas de classe a gestão de Valdir Shigueiro primará pela qualidade dos serviços prestados pelo sindicato. “Nos últimos anos tivemos um aumento significativo de filiados e isso só aconteceu devido ao compromisso com a categoria e a qualidade dos serviços que prestamos. Por isso, nossa intenção é melhorar ainda mais os processos internos e externos, para que todos os médicos estejam juntos com a gente nas lutas e conquistas em prol à defesa médica. No entanto, para Siroma o principal objetivo desta gestão será a luta pela valorização profissional. “ O nosso desafio é resgatar a autoestima da categoria, pois estamos sendo

massacrados pelo Governo, que tem propagado informações mentirosas com o objetivo de se beneficiar politicamente, e atribuindo aos médicos a falta de estrutura, mal gerenciamento e descaso com saúde pública. Sabemos que não será fácil, mas a categoria pode contar com o nosso apoio e certamente com o apoio do Conselho Regional de Medicina e da Associação Médica”, finaliza.

Nova diretoria A próxima gestão ficará a comando médico Valdir Shigueiro Siroma, que atuou na gestão anterior como vice-presidente. Siroma tem formação em ginecologia e obstetrícia com doutorado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Os membros da nova diretoria foram indicados pelo corpo clínico dos principais hospitais do Estado, entre eles Santa Casa, Hospital Universitário e Hospital Regional.

PARECER Luciene Lovatti Almeida Hemerly Elias Luis Gustavo Schaefer Maithe Vendas Galhardo Mara Luci Gonçalves Galiz Lacerda Marco Aurélio Bernardes Garcia Patrícia Helou dos Reis Ruiz Renata Ribeiro Duarte Rodrigues Rigoberto Américo de Oliveira Luís Henrique Mascarenhas Moreira (AMMS) Médicos que quiserem enviar sugestões para o jornal do Médico devem encaminha-las para o e-mail: crm-ms@crm-ms.org.br, ou para para mais informações entrar em contato pelo telefone: 2230-7700. Redação e Produção: Abaetê Comunicação Diretor de projetos: Fábio Sarzi

PARECER CRM/MS Nº 19/2013 A Lei garante ao médico o direito de praticar qualquer ato inerente à profissão, independentemente de qualquer habilitação adicional ao seu diploma. Se necessária, a prova de habilitação específica em técnicas de diagnóstico ou cirurgia deve ser fornecida pelas respectivas Sociedades de Especialidades. PARECER CRM/MS Nº 20/2013 EMENTA “ A permuta de pacientes graves entre instituições hospitalares é permitida, desde que previamente pactuadas, e que esta autorização seja de responsabilidade da Central de Regulação.


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riada após anos de debate e com participação direta de conselheiros de todos os estados brasileiros, a resolução 2056/2013 do Conselho Federal de Medicina (CFM), visa mais agilidade aos processos e padronização nas fiscalizações dos consultórios e ambulatórios do país. Para que a uniformização dos procedimentos fosse possível um checklist com os equipamentos e infraestrutura necessários para o funcionamento de consultórios e ambulatórios médicos foi criado. Além disso, os conselheiros passaram a contar com tablets para realização das vistorias, assim os relatórios serão encaminhados em tempo real, possibilitando agilidade e também auxiliando a criação de um banco de dados da real situação da saúde no Brasil. Os dados colhidos serão analisados pelo Conselho Federal de Medicina e quando necessário encaminhados aos demais órgãos de fiscalização como Tribunais de Conta e Ministério Público. Para o conselheiro e coordenador de fiscalização do CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul), Juberty Antônio de Souza, as novas regras trarão be-

nefícios para a categoria e para a população “O objetivo é a verificação das condições dos equipamentos básicos, medicamentos e condições de trabalho dos profissionais, assegurando assim, direito ao bom atendimento e qualidade de vida a população. Ainda de acordo com Juberty, a essência da fiscalização continuará, no entanto com as novas regras haverá uma maior uniformização das informações buscando uma visão mais homogênea das condições de atendimento e de trabalho nos estabelecimentos de saúde, além da agilidade no repasse dos relatórios. O checklist, será de conhecimento público e o descumprimento dos itens elencados nas vistorias em consultórios e ambulatórios gerará cobrança de soluções junto aos gestores de saúde, a ser feito pelas entidades. A resolução entrará efetivamente em vigor em maio de 2014. CRM MS se reúne com técnicos do CFM para debater o novo sistema Técnicos do Conselho Federal de Medicina (CFM) reuniram-se nos dias 27 e 28 de janeiro, com conselheiros, fiscais e presidência do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS), com o objetivo de aprimorar ainda mais o novo

sistema e sanar as dúvidas que estão surgindo quanto à nova forma de realizar as fiscalizações. A visita teve início na sede da conselho e finalizou com vistorias em ambulatórios, postos de saúde da família e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Durante o encontro, a comissão informou que o sistema está em fase de implantação e que por isso, estão buscando entender as dificuldades e dúvidas dos CRM’s para padronizar as ações, além de recolher sugestões para aprimorar a nova metodologia. A equipe do CFM foi composta pelo Conselheiro Federal, Mauro Britto, membro da comissão do DEFIS/CFM, João Martins Neto, e funcionários da área técnica e administrativa: Gleidson Porto e Maristela Barreto. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS) convocou para este encontro, o presidente do conselho Alberto Cubel Brull Junior, o coordenador de fiscalização Juberty Antônio de Souza, os médicos fiscais: Luiz Alberto Lopes Verardo e Carlos Vinicius Pistoia de Oliveira, além do responsável pela informática Juliano Augusto.


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SUS diminui prevenção ao câncer de mama e expõe mulheres ao risco de desenvolver a doença

acesso aos exames de prevenção ao câncer de mama dentro da rede pública está restrito por conta de medidas adotadas pelo Ministério da Saúde, o que tem deixado milhões de brasileiras, especialmente na faixa de idade inferior a 50 anos com maior risco de desenvolver a doença sem que o diagnóstico seja feito de maneira precoce. O alerta é do quatro das maiores entidades médicas do país dedicadas ao tema – Conselho Federal de Medicina (CFM), Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) – que aproveitaram o Dia Nacional da Mamografia (5 de fevereiro) para chamar a atenção do Governo e da sociedade para este problema. Elas divulgaram uma nota pública de repúdio à política implementada pelo Ministério da Saúde e orientam médicos e população a continuarem a buscar a prevenção precoce desta doença, independentemente de restrições impostas. O principal alvo da crítica dos médicos é a edição da Portaria 1.253/2013, pela qual o Governo excluiu o direito de mulheres de até 49 anos de realizarem mamografia diagnóstica no Sistema Único de Saúde (SUS). Para as entidades médicas, a portaria é ilegal por contrariar a Lei 11.664/08 - que afirma que o SUS deve assegurar “a realização de exame mamográfico a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade”.

Com a portaria do Ministério da Saúde, o governo federal diminuiu o repasse de verbas da União aos municípios para realização de mamografias, restringindo a ação aos exames feitos pelas pacientes na faixa etária de 50 a 69 anos. No entendimento das entidades, a Portaria nº 1.253/13 estabelece que os municípios realizem um procedimento condenável: a meia mamografia, denominada mamografia unilateral. Caso os municípios queiram, terão a opção de arcar sozinhos com o custeio de mamografias para mulheres com até 49 anos - podendo remunerar somente a mamografia unilateral, método que não é eficiente na prevenção do câncer de mama. “A mamografia é um exame que exige a comparação das duas mamas. Com a publicação da Portaria, pode-se interpretar que é possível realizar a mamografia unilateral. Mas não há como selecionar um dos lados a examinar sendo que a lesão procurada muitas vezes não é palpável. Tampouco se pode admitir a espera de que o tumor cresça para se examinar a mama com maior chance de câncer. Além disso, a chamada mamografia unilateral reduziria pela metade o número de casos diagnosticados. Se este impropério continuar, será inevitável o aumento de mortes e de retirada de seios (mastectomias) que poderiam ser evitadas”, avisam as entidades médicas em nota. Dados preocupantes - O câncer de mama é a mais freqüente e principal causa de morte por

câncer em mulheres no Brasil e no mundo e a mamografia é o principal exame para detectá-lo precocemente. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 57 mil novos casos sejam diagnosticados no país em 2014. De forma geral, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem ressaltado a necessidade de prevenção às neoplasias, doença que deve atingir 24 milhões de pessoas até 2035. A incidência global do câncer de mama aumenta progressivamente. De 641.000 casos, em 1980, passou para 1.643.000, em 2010, sendo responsável por 27% dos novos casos de câncer diagnosticados em mulheres. Desse total, cerca de dois terços ocorreram em mulheres acima de 50 anos, principalmente nos países desenvolvidos. Já nas mulheres abaixo dos 50 anos (entre 15 e 49 anos), a incidência de câncer de mama foi duas vezes maior nos países em desenvolvimento, conforme dados da Comissão Nacional de Mamografia. Estando o Brasil no grupo de países em desenvolvimento, a população abaixo dos 50 anos está ainda mais exposta ao risco. No Brasil, de acordo com o Inca, a mamografia e o exame clínico das mamas (ECM) são os métodos preconizados para o rastreamento na rotina da atenção integral à saúde da mulher. Para as mulheres de 40 a 49 anos, a recomendação é o exame clínico anual e a mamografia diagnóstica em caso de resultado alterado do ECM. O Instituto de Câncer (Inca) recomenda que o exame seja feito a cada dois anos por mulheres entre 50 e 69 anos, ou segundo recomendação médica.

CFM ratifica apoio a acadêmicos da Gama Filho

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Conselho Federal de Medicina (CFM) ratificou, no dia 28 de janeiro, o apoio aos alunos da Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro. Em reunião da Comissão de Ensino Médico, nesta na sede da entidade, os conselheiros ouviram a situação dos alunos – que passam por processo de transferência assistida para outras instituições – e discutiram a melhor forma de atuar para garantir os direitos dos alunos e professores. Representando os alunos da Gama Filho, as acadêmicas Ana Flávia Hissa e Fernanda Lopes Moreira, expuseram a situação atual e os problemas enfrentados em razão da situação da universidade, recentemente descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC). Desde o dia 7 de janeiro, grupos de alunos de diversos cursos se revezam em Brasília, pleiteando a federalização da universidade e buscando garantir critérios mínimos de qualidade para a transferência, além da possibilidade de uma

atuação deliberativa e paritária na comissão do MEC responsável por conduzir o processo. Ainda de acordo com as acadêmicas, o edital publicado pelo Ministério com as regras para as instituições interessadas em acolher os alunos que eram da universidade ainda gera incertezas quanto à sua legitimidade e cumprimento das etapas. O presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, disse que a entidade prestará apoio para que os alunos continuem buscando meios – jurídicos, políticos e administrativos – de assegurarem os seus direitos.

Histórico – O apoio do CFM foi anunciado no dia 22 de janeiro, em audiência solicitada pelo CFM e Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Janeiro (Cremerj) com representantes dos estudantes e o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Segundo informações dos participantes da reunião, Janot asseverou que pedirá à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão integrante do MPF, que reporte a ele as deliberações da comissão do MEC responsável por conduzir o processo de transferência assistida dos alunos. A expectativa é de que, junto com o MPF, as discussões da situação da Gama Filho no âmbito da comissão do MEC levem a soluções efetivas. Durante a reunião, o procurador-geral confirmou que, na esfera criminal, também existem procedimentos instaurados para apurar a situação da universidade. Fonte: CFM


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grande nossa satisfação pessoal por ter participado por longo tempo da historia da AMMS, pelos anos de associativismo e também porque pela generosidade dos médicos fomos eleitos para participar em três gestões na entidade. 1985 – 1987 Secretario Geral 1987 – 1989 Presidente 1993 – 1995 Diretor Cientifico A AMMS, fundada em 1954, estatutariamente tem que promover atividades cientificas, esportivas, culturais e sociais. Tivemos na nossa gestão de Presidente (1987-1989) duas preocupações adicionais quais foram: 1º Atuação política vigorosa na defesa do médico, seus salários e condições de trabalho, especialmente os médicos da rede publica, pois seus salários na época eram vergonhosos. 2º Implantação de uma nova sede (clube médico) em área maior posto que já estava acanhada e obsoleta a velha sede da Rua Liberdade. Muito nos orgulhamos em nossa gestão de ter cumprido todas as atividades estatutárias graças ao apoio inconteste dos colegas de diretoria e ainda poder projetar a AMMS politicamente, pois nunca concordamos que ela seja apenas “clube social”, se ater somente a atividades sociais-esportivas é muito pouco para a grandeza histórica da entidade. Fizemos o Congresso médico multidisciplinar em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, congresso esse que lamento não mais ter sido feito pelas ultimas administrações, entretanto entendemos que os tempos são outros, as sociedades de especialidades cresceram e são atuantes na parte cientifica (umas mais outras menos) e esse fato até certo ponto “esvazia” congresso medico multidisciplinar. Seis (06) anos depois na condição de Diretor Cientifico (gestão 1993-95) novamente organizamos aquele que foi o ultimo congresso patrocinado pela AMMS e este foi realmente de grande porte com mais de 30 palestrantes,

cursos paralelos e o realizamos no Centro de Convenções do Parque dos Poderes, tivemos mais de 600 inscrições, número grandioso para aquela época. Resgatamos e realizamos o Baile do Médico (18 de Outubro) que varias gestões que nos antecederam não o fizeram (as dificuldades para tal são realmente grandes reconheço, especialmente na época quando nada era cobrado do associado nesta festa) regozijamos saber que a partir daí – 1987, o baile dos médicos jamais deixou de ser feito por todas as administrações que nos sucederam - resgatamos uma tradição que estava interrompida e felizmente até hoje ainda se mantém. O baile do médico é tradição que deveria fazer parte do calendário oficial de eventos de Campo Grande, em nossa modesta e “corporativa” opinião. É oportunidade impar para trazer à AMMS convidados não médicos, personalidades de respeito para congraçamento com a classe médica. É “microcefalia”, visão desinformada, pensar que o Baile do Médico deve ser “fechado”, exclusivo para médicos. Em nosso entendimento a diretoria, e somente a Diretoria, pode e deve fazer convites para autoridades responsáveis e formadores de opinião, pois relacionar-se bem é bom para a entidade e via de consequência para a classe médica. Alem do congresso criamos as REJANS (Reunião Cientifica com Jantar) – Toda ultima sexta-feira de cada mês uma palestra de interesse médico o mais amplo possível com palestrante local num mês e nacional (especialmente de São Paulo)noutro mês – Após a palestra um jantar sempre “pilotado” por colegas médicos bons de cozinha. É uma pena que não deram sequencia as REJANS, oportunidade impar para aprender e confraternizar muito informalmente. Os pós-palestras eram agradabilíssimos. Realizamos também exposições de colegas artistas, pintores prestigiando a cultura. Como já foi dito anteriormente, além das obrigações estatutárias elevamos muito a Discussão e Ação Política na Defesa do Médico. Apuramos e fizemos descredenciamento coletivo de plano de saúde (Banco do Brasil) e realizamos a maior greve médica de Campo Grande, quando médicos e dentistas unidos

pararam por quase 2 meses todo serviço publico municipal de saúde, gestão do Prefeito Juvêncio Fonseca, só voltando a trabalhar com a posse do novo Prefeito (Ludio Coelho) – a nossa AMMS foi quem planejou e executou toda a ação grevista; tivemos o apoio do CRM-MS e SINMED, na época, bem como da Associação dos Dentistas. A AMMS não pode prescindir de luta política de posicionamento e de ações de defesa de classe médica. A AMMS já foi centro de realização de debates em eleições da classe médica e eleições partidárias, este espaço precisa ser resgatado. A Nova Sede: Quando estávamos em campanha para presidir a AMMS uma de nossas propostas foi a de comprar terreno e iniciar a construção de uma nova Sede. Então eleito nomeamos uma comissão de prestativos e honestos colegas e orientamos que procurassem uma boa área urbana mínimo de 2 hectares, para mais uma sede da AMMS, digo mais uma sede porque sempre fomos contra a venda da sede da Rua Liberdade em honra e respeito dos seus construtores, abnegados médicos em 1954. Recentemente ela foi vendida, ainda bem que para a Academia de Medicina, menos mal, posto que “ficou tudo em casa”.


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Após exaustiva procura e inúmeras avaliações adquirimos 2 hectares no Parque dos Poderes que é onde hoje existe as piscinas, a sede e o estacionamento do “Clube de Campo”. Compramos e pagamos a área com recursos da própria AMMS, muita economia e alguns bingos, inclusive bingo de automóvel. Diretores que nos sucederam ampliaram a área, consolidaram o projeto que hoje pelo seu tamanho e localização vale uma “boa fortuna.” Foi importante a manutenção de investimentos no clube de campo, aumentando a área e dando aos Associados excelentes condições para lazer e atividades esportivas e sociais. O Clube de Campo a bem da verdade teve como impulso básico para que adquiríssemos a área, à vontade, a disposição e a energia dos médicos tenistas, reconhecemos que eles foram a “força motriz” para nos dar coragem de encarar e realizar o projeto. Iniciamos e durante algumas gestões seguintes foram realizadas inúmeras copas de tênis, promovidas pela AMMS em Campo Grande, no MS ( Dourados, Ponta Porã), no Brasil (Guarujá, Itaparica, Ilhéus, Praia do Forte) e no Exterior (Cancun, Cuba, Venezuela, Aruba). Os eventos do tênis “contami-

naram” também os médicos futebolistas e o futebol que era o único esporte praticado desde a fundação em 1954 cresceu muito na Associação Médica, tudo contribuindo para mais união, convivência e sedimentação dos colegas no meio médico. Fatos Pitorescos (nem tanto) durante nossa gestão na AMMS ocorreram vários fatos ate certo ponto estressantes, porém pitorescos. Cito alguns: 1º Corria o ano de 1988 e a comissão encarregada da compra da área para a sede campo finalmente encontra um terreno excelente onde é hoje a nova Sede. Ficamos um pouco aflitos porque os proprietários (2) eram de fora, se não me engano um de Cuiabá e o outro do interior de São Paulo, mandaram procuradores para fechar o negocio, assinar a escritura, em um sábado a tarde. Pela amizade conseguimos que o cartório abrisse excepcionalmente fora de dia e horário para nos atender e enfim realizar o negócio. Acontece que para tal era imprescindível à presença de um determinado membro da Diretoria, que “nem sob tortura” digo quem é. Coube ao colega Verardo (urologista) e membro da comissão achar o referido colega diretor. Imaginem a situação aflitiva, o tempo passando, os procuradores inquietos e com passagens marcadas para voltar para casa. Porém o Verardo se virou (lembro que na época não tinha telefone celular) e encontrou o dito cujo diretor, alivio! Negocio realizado. Obviamente que levaremos “para o tumulo” o nome do colega e a “paróquia” onde foi encontrado. Por pouco a AMMS não perdeu um excelente negocio devido a prevaricação “frenética e libidinosa” de um distinto diretor.

deu a “vencedora” e quis arrumar confusão com a associação; deu um trabalhão danado, depois até achamos divertido. Ô Raça! 3º Fizemos em nossa gestão alguns “moais” (Alguém lembra o que é?!) visando arrecadar capital financeiro para comprar a área da nova sede; também nem sob tortura conto quem foi, mais um colega ao receber os cheques dos participantes do moai, já que ele deu o lance vencedor, não quis, pasmem!!! Aceitar seu próprio cheque que fazia parte do montante. E se achava cheio de razão. Incrível! Foi categórico: meu cheque eu não quero não. Ave Maria! 4º Na gestão 93-95 organizamos na condição de diretor cientifico mais um grande congresso multidisciplinar, as reuniões iniciavam às 8hs e terminava às 18hs. Através de uma empresa foram contratadas várias recepcionistas para o evento; não conto também o nome de quem as “selecionou”; e o fez bem, pois eram garotas realmente muito bonitas (e espertas!!). No ultimo dia do congresso observamos que no período vespertino elas “sumiram”. Apura-se daqui e dali, cada palestrante após a palestra levava uma para “passear”. Humana Libertinagem! Declaração final: Foi muito gratificante e honroso ter participado de 3 gestões da AMMS e sentir que alguma coisa fizemos, deixamos uma marca e sabendo com humildade que muito mais precisava ser realizado. Ouso dizer que, tendo participado nas administrações das entidades, inclusive Presidindo a Unimed.CG, o que deu mais satisfação pessoal e alegria, ressalvada a trabalheira e a falta de recursos, foi presidir a AMMS. Sempre afirmei que a Associação Médica é uma “forja” de líderes para nossa classe, posto que para bem dirigi-la, com sua gama de atividades (sociais, esportivas, cientificas, culturais e políticas) e seus parcos recursos, os dirigentes obrigatoriamente precisam ser muito criativos, ousados, honestos, trabalhadores, enfim com muita inspiração, transpiração e disposição podem “crescer e aparecer.” Alguns conseguem. A classe médica agradece.

2º Em um dos Bingos para arrecadar dinheiro, bingo de 1 carro zero km, o colega Flavio Renato, que alguns anos mais tarde veio ser presidente da associação, muito dinâmico, prestativo e com transito fácil em todos os meios, ex-vereador em Campo Grande, vendeu muitas cartelas do bingo. Um dos seus clientes deu de presente à cartela para a “amante”. Eis que a moçoila ganha o carro e como era previsto entregamos o carro para a vencedora, Dr. Wellington Penafortte na hora conforme anunciado. Acontece que o Geriatra rapaz “arrependeu” do presente (cartela) que Ex-Presidente da AMMS


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A medicina perde um personagem ilustre

Deixamos aqui, nossa singela homenagem!

Não perdemos apenas um médico, perdemos um amigo. Tenho a certeza que, Fauzi Adri cumpriu sua missão. Apaixonado pela medicina obstétrica, ele prestou relevantes serviços à sociedade sul-mato-grossense, além de ser um amigo querido e homem de grande valor.

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aleceu na noite de 21 de janeiro, aos 79 anos o médico obstetra Fauzi Adri. Ele vinha lutando contra um câncer generalizado desde o ano passado e não resistiu ao tratamento. Pela vida pautada em ética, competência e trabalho o CRM-MS fez uma homenagem a este profissional que tanto se dedicou a boa prática da medicina.

Presidente do CRM-MS Alberto Cubel Brull Júnior.

Obstetrícia e o dom da vida, uma vocação dada por Deus Enquanto trabalhava na Santa Casa verificou que faltavam leitos para os serviços de obstetrícia e por isso, decidiu fundar a Pró-Matre de Campo Grande, proporcionando melhores condições de atendimento para as gestantes de todo o Estado. Fauzi Adri, também observou que não havia equipamento de ultrassonografia em Mato Grosso do Sul e foi pioneiro em trazer o equipamento. Em sua carreira, Adri acumulou muitos títulos e cargos relevantes, entre eles estão o Diploma de mérito médico oferecido pelo Conselho Federal de Medicina, por seus relevantes serviços prestados; Membro titular da cadeira de número 17 da Academia de Medicina de Mato Grosso do Sul, além de ter sido presiden-

te desta em 2009, sendo reeleito por uma vez; Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso do Sul (Sindhesul) de 2004 à 2009; Professor da Cadeira de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Secretário Municipal de Saúde de Campo Grande, entre outros. Esta foi a última entrevista concedida por Fauzi Adri, que faleceu aos 79 anos. Ele já estava aposentado e dedicava seu tempo à família e a seus hobbies: cinema, música e leitura. Seu casamento com Sadie Jafar lhe proporcionou duas filhas, Adriana e Adele, que por sinal, apaixonou-se pela Ginecologia e Obstetrícia como o pai.

Roberto Higa

“Ser médico é um dom de Deus. Tem que ter vocação, porque é um sacerdócio, onde cura-se enfermos, atendemos desde o mais pobre ao mais abastado”. É assim que o Ginecologista e Obstetra, Fauzi Adri, vê a profissão que escolheu. Filho único dos Libaneses, Jorge Adri e Adele Adri, Fauzi teve oportunidade de estudar em boas escolas, como o Colégio Dom Bosco e Liceu Pauster em São Paulo e posteriormente entrar na Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, que naquela época era Capital do Brasil. “Os estudantes do então Mato Grosso, pois ainda não havia, sido divido o Estado, iam estudar no Rio, pois lá tínhamos mais oportunidades”. Fauzi, conta que o interesse pela medicina nasceu ao ver os colegas optando por esta profissão, e como seus pais faziam gosto, decidiu seguir em frente, formando-se em 1958. O médico lembra que durante o curso sua mãe ficou doente, e seu pai teve que fazer sacrifícios para custear seus estudos e estadia no Rio de Janeiro, mas nem assim, seu amoroso pai deixou que ele trabalhasse para ajudar. Seu primeiro emprego foi na época de residência, onde teve oportunidades de trabalhar em hospitais de referência como Pró-Matre, Ipase e Sandú. Em 1960 retornou à Campo Grande, onde foi muito bem recebido por João Pereira da Rosa. O Ginecologista passou então, a dar plantões na Santa Casa e posteriormente trabalhar no Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência (Samdu).


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CFM alerta para critérios de uso da técnica de embolização no tratamento da próstata

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rata-se de reforço junto aos pacientes e profissionais para assegurar o emprego correto do procedimento analisado pelo parecer 29/13 O emprego da técnica de embolização das artérias para tratamento do aumento benigno da próstata (HPB) depende da observação rigorosa de critérios estabelecidos pelo parecer 29/13, aprovado pelo plenário Conselho Federal de Medicina (CFM). O alerta foi feito pela entidade aos pacientes e profissionais como forma de esclarecimento para evitar o uso inadequado deste tipo de procedimento. O procedimento deverá ser objeto de nova discussão, que poderá resultar na aprovação de Resolução específica, na qual serão abordados em profundidade os pré-requisitos para sua realização. Esta cautela é comum ao CFM, sempre na tentativa de impedir a exposição da sociedade e dos médicos a riscos e suas consequências para a vida e o bem estar. Critérios - Pelo parecer, os pré-requisitos abrangem aspectos clínicos e técnicos, que devem ser cumpridos antes de sua realização. O primeiro passo para o paciente que tem este diagnóstico é passar por uma avaliação de médico urologista, que determinará qual a opção mais adequada de tratamento.

As indicações devem obedecer aquelas elencadas como opção terapêutica para o tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB), conforme indicação urológica especializada, não devendo ser este tipo de procedimento considerado como primeira opção até evidência científica em contrário, conforme salienta o parecer. Após a indicação, o paciente deve buscar o suporte de um médico radiologista intervencionista, habilitado e com treinamento avançado e específico para este procedimento. De acordo com o documento, este profissional deve ter realizado, ao menos, 10 procedimentos deste tipo. Recomenda-se ainda que sua capacitação tenha sido feita em um centro de excelência credenciado pela Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular. Consentimento - Uma etapa importante no processo é a informação ao paciente de todos os possíveis riscos atrelados à técnica. Para assegurar seu cumprimento, o CFM determina que todos os médicos habilitados somente o executem após terem dados todas as explicações necessárias e obterem um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado. Apenas após isto o procedimento poderá ser realizado. A cada dois anos, os centros de excelência autorizados deverão encaminhar ao

CFM relatórios para análise da segurança, eficácia e exequibilidade do procedimento. A Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular, à qual fará o credenciamento dessas unidades, também encaminhará ao CFM relatórios bianuais acerca dos resultados e complicações dos procedimentos realizados. Esta entidade ainda deverá estabelecer as condições materiais, físicas e de equipamentos necessárias ao credenciamento. Liberação - Outra exigência definida no parecer 29/13 é que as instituições de saúde credenciadas e autorizadas pelo CFM para oferecer o procedimento atendam as normas vigentes de funcionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado onde se localizar. Também ficou determinado que essas instituições terão um Centro de Excelência para realizar os procedimentos endovasculares. O emprego da técnica ficará sujeito a um monitoramento rigoroso do CFM por um período de cinco anos. A liberação sem esse acompanhamento pelo CFM para todos os centros (os credenciados e outros interessados) só ocorrerá após a análise dos resultados dos relatórios e de um posicionamento da entidade.

A importância do Número do CRM e do RQE (Registro de Qualificação de Especialidade)

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orque é que a população, porque é que uma pessoa procura um médico? A resposta mais simples e mais clara é que o médico é procurado para curar as pessoas doentes; para minimizar a dor, o sofrimento das pessoas e ainda explicar, esclarecer e orientar as pessoas doentes e seus familiares. E isto acontece porque há mais de 25 séculos os médicos é que são reconhecidos e assumiram este papel na história da humanidade. Entretanto, em nossa história frequentemente outras pessoas tentaram e ainda tentam assumir o papel de médico na sociedade. Assim foram as mais diferentes pessoas, das mais diferentes formações e que são representados pelos charlatões e que amiúde enganam, confundem e colocam a vida das pessoas em risco aprovei-

tando-se do sofrimento, da boa fé ou da ingenuidade das pessoas. Os médicos são formados em Faculdades de Medicina, recebem seus diplomas e estão habilitados e qualificados para exercerem a medicina, mas só podem exercê-la depois de registrarem os seus diplomas no Conselho Regional de Medicina. Se o diploma não for registrado e estiver trabalhando é exercício ilegal da medicina. Quando o diploma é registrado o médico recebe o número do registro que deve constar nas placas, nos consultórios, receituários, carimbo e cartão de visita. Da mesma forma, se o médico possui alguma especialidade, reconhecida pela Associação Médica Brasileira TAMBÉM deve ser registrada no CRM, é o Número do Registro de Qualificação

da Especialidade (RQE); caso contrário o profissional não pode apresentar-se como especialista, se o fizer estará incorrendo em ilícito ético. A população, as pessoas têm o direito de saber quem está procurando e se é ou não especialista, e é por isto que o No. Do CRM e o No. do RQE (se tiver) devem ser colocados de forma visível juntamente com o nome do profissional. A não observância destes registros constitui-se em ilícito ético e passível de punição pelo CRM. Se tem o número de registro significa que o médico além de ser formado em medicina, tem o seu diploma reconhecido e registrado no Conselho Regional de Medicina. Significa que a população sabe que o médico é médico e que com isto a população sabe o que esperar. Juberty Antônio Souza Conselheiro CRM-MS


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INSCRIÇÃO MÉDICA PRIMEIRA INSCRIÇÃO 7566 PATRICIA VANDIRA PEDROSO DOS SANTOS 7567 THAÍS FERNANDA MAZINE BAZAN 7570 RODRIGO BRAZ SANTOS 7571 RICARDO GARCIA RODRIGUES 7573 JACQUELINE BITTINGER HAMMES 7574 TASSILA PEIXOTO BARBOSA VALEIS 7575 JAMIL MUGAYAR NETO 7576 JAQUELINE NAZARKO DA CUNHA 7577 THAIS VERGINIO GERALDELLI 7578 CARLOS AUGUSTO DE OLIVEIRA BOTELHO JUNIOR 7579 LUCIANA DE OLIVEIRA BOTELHO 7580 TAIUÃ VARDASCA MILAN 7581 ANNELISE ACHUCARRO OLIVEIRA 7582 ESTÊVÃO BARBOSA DA CRUZ 7583 RENATO EBERHART RIBEIRO DA SILVA 7584 RAFAELI CARDOSO BARBOSA 7585 KELLEN ALVES TEODORO 7586 GUSTAVO VIEIRA SOARES DE CARVALHO 7587 ANDREZZA LOUISE DELMONDES RIBEIRO 7588 LUÍS FELIPE RAGAZZI QUIRINO CAVALCANTE 7589 FERNANDA RAYLLER PEREIRA SILVA 7590 THAÍS DE CÁSSIA RAMOS FILIZOLA MAMEDES 7591 NATALIA SOUZA AONO 7592 TÂNIA MARA FERREIRA GONÇALVES DEROSSI 7593 ROBERTO ALLGAYER 7594 JULLYANA MENDONÇA SOUZA 7595 RAFAEL TEODORO LOPES LALIER 7596 ALINE TOMAZ DE SOUZA 7597 DANIEL ROCHA DO CARMO 7598 NATHALIA REZENDE DA COSTA 7599 BRUNO ALFREDO GONÇALVES SALVETTI 7600 ALEXANDRE DA SILVEIRA ALONSO 7601 IANARA MARTINEZ DA ROSA 7602 LUCAS DANIEL RIBEIRO DE CAMPOS SALUSTIANO 7603 GUSTAVO LEOPOLD SCHUTZ PEREIRA 7604 ANDRESSA UNGARO AYRES DE OLIVEIRA 7605 ANA CARULINA GUIMARÃES BELCHIOR 7606 IGOR HISSÃ CARVALHO ARIMA 7607 STEPHANIE HONORÉ WELTER 7608 GABRIEL MARCONDES DE LIMA 7609 PAOLA MARI NAKASHIMA CANO 7610 PAULO HENRIQUE VENDAS VILLALBA 7611 LUIZ AUGUSTO POSSI JÚNIOR 7612 LETÍCIA TRAD MARTINS COSTA 7613 ALEXANDRE BASSANEZE BERNARDO 7614 ELISSE CABRAL ROSA 7615 LORETA DE OLIVEIRA LIBERATTI 7616 MARIA CAROLINA BOGONI BUDIB 7617 GUILHERME GOBBI NETO 7618 TAYNÁ SANCHES SANTIAGO 7619 NATALY SAUCEDO PEREZ 7620 ANA JULIA DE OLIVEIRA 7621 ANA CAROLINA DE OLIVEIRA 7622 MILENE DA SILVA PESQUEIRA 7623 THAISSA MAZINA SMANIOTTO 7624 THAIS KEIKO SIROMA 7625 CAROLINA ALBUQUERQUE ARROYO 7626 GABRIELA PARO ELIAS 7627 MARGARETHE NOVAES 7628 MAIRA MIGLIOLI FAGIOLO 7629 LEANDRO MAMEDE MAHMOUD 7630 ALEXANDRE BRAGA GONFIANTINI 7631 JULIANA MAFFEI 7632 THALINE EMANUELE SGUAREZI 7633 LAURA CHAPARRO DA COSTA NEVES 7634 ELMER BRUNO SILVA SALVIANO 7635 WILLIAM DO VALE SILVEIRA 7636 IVAN LUIZ GAYOSO 7637 BIANCA LUIZA DE SÁ E SILVA 7640 GLÁUCIA MOREIRA SOUZA DE QUEIROZ 7641 INGRIDY VALÉRIO NORMANDO 7642 MARCELO HITOSHI KINASHI 7643 ANDRE SERRA MOTA 7644 ANNA CAROLINA CASTRO NETO SILVA

7645 ANTONIO GOMES DA SILVA NETO 7646 IZAIAS PEREIRA DA COSTA JUNIOR 7647 BARBARA ASSUNÇÃO GONÇALVES 7648 PEDRO DE SOUZA JAFAR 7651 AMANDA OLIVA DE BRITO COUTINHO 7652 MARCOS VINICIUS GUIMARÃES TORRES 7653 SARAH BUCHALLA BOSCO 7656 JOÃO HÉLIO ZUCARELLI REZENDE 7657 LARISSA DENADAI RAFFA DE SOUZA 7658 ISABELA SOARES DA SILVA RAMOS 7659 LARISSA TRIVELATO PORTO 7660 RUBYA TESSER CARNEIRO 7661 EDVAN JUNQUEIRA VILELA SOBRINHO 7662 VINICIUS LUSTOSA DE ARAUJO RODRIGUES 7663 GUSTAVO ALVES RAPASSI 7664 RENATO HIDEKI YAMADA 7665 RENATA ALBERTI MANFRIN 7666 JOSÉ FAVORETO NETO 7667 JAIR ALVES BONFIM FILHO 7668 ALEX YONEZAWA GUIMARÃES 7669 GABRIELA SAYURI AGUENA 7670 MARCUS VINÍCIUS DA CRUZ DE MENDONÇA 7671 LETICIA DE ASSIS MARTINS CELESTINO 7672 FREDERICO RESENDE AZEVEDO PARREIRA 7673 RAMATIS BARBOZA NUNES 7674 HEVERLLYN AUGUSTO FERRO SARAIVA 7675 DANIEL OLIVEIRA DE ALMEIDA 7676 JOÃO MARCELLO BORBA LEITE 7677 VINICIUS DE SOUZA SIEBERT 7678 BRUNO EDUARDO RICARDO RODRIGUES 7679 RAFAEL PONTES ANDREUSSI 7680 JOÃO PAULO BITENCOURT 7681 FERNANDA CAETANA MARTINS SILVA 7682 JAQUELLINE SEVERO ALENCAR 7683 MARIANA LIMA MASCARENHAS MOREIRA 7684 CARLOS AUGUSTO CERILLO MACHADO 7685 ARTHUR HENRIQUE DA FONSECA 7686 ANDREA CYLENE TAMURA 7687 ANA TEREZA MOURA MARTINS 7688 VÍTOR HUGO KUSSUMOTO 7689 CAMILA CRISTINA TORMENA 7690 MARCEL ARAKAKI ASATO 7691 FERNANDA FERREIRA DE FREITAS XAVIER 7692 LUÍS GUSTAVO RIBEIRO DE CAMPOS LAZZAROTTO 7693 LEONARDO MACEDO LUCENA 7694 CRISTIANE MIDORI MAEDO 7695 RICARDO SCHLEY CUNHA 7696 DANILO UMETSU 7697 CAROLINE MEDEIROS PROHMANN 7698 DANIELLE PAULA DE OLIVEIRA 7699 ALESSANDRO AKIO ITIKI AKAMINE 7700 EDUARDO RÁFAGA GONÇALVES CALVOSO 7701 TIAGO BISINOTO 7702 PAULO VICTOR CUNHA COSTA 7703 DANIELLE SACCHI DE SOUSA CORREIA 7704 MARILICE CHARÃO TEODORO 7706 NETO JÚNIOR LEMES MATCHIL 7707 MEIRE ANNE VIEIRA MOTA 7708 MARCOS VINICIUS FERREIRA EVANGELISTA LOBATO 7709 DANIELA ROCHA FRANCO DRUMOND 7710 RENATA DE ACACIO VITORINO 7711 BRUNO HENRIQUE PALMONARI 7712 PEDRO PEREIRA TROIAN 7713 BEATRIZ TEODORO JAJAH 7714 MARIANA REGINALDO SILVA 7717 NIKOLAS HIGA BENITES 7718 NATHÁLIA FAVERO GOMES 7719 MAURÍCIO ÉRNICA FILHO 7720 BRUNO ARECO DE SOUZA 7721 PAULO RAFAEL FREITAS ROESE 7722 DOUGLAS ROSSONI 7723 BRUNO PAULO MARQUES DA FONSECA 7725 MARCOS KHALAF FARAH ALBENY 7726 FABRÍCIO QUEIROZ DA SILVA 7727 RODRIGO KAI 7728 JOSE MAURICIO DE BRITO ARAUJO

7729 RAFAEL MULLER 7730 TALINE CARVALHO DOS SANTOS 7731 MARIA CRISTINA MAGGIORA LAGO 7733 PEDRO RICARDO UBIRAJARA FRANZON 7734 DANIEL ZANGARI BERTOLDI 7735 RICARDO COSMO DA SILVA 7736 MARIANA BOZELLI SERRA 7738 JOÃO PEDRO HORTA MARCATO 7739 LEANDRO CÉSAR TAVARES MARTINS 7740 ALEX RENAN OTANI 7741 RAFAEL JÚLIO GARCIA BRANDÃO E SILVA 7742 ANDERSON OLIVEIRA ESTEVAN 7743 AKEMI MIYAHIRA VALOIS BARBOSA 7744 CARLA CEJANA DE REZENDE PEÑA 7745 ALFREDO SIMIONATO MOREIRA INSCRIÇÃO POR TRANSFERÊNCIA 7561 AMANDA COSTA DA SILVA VITORINO 7564 FRANCIELE SCOBAR GOMES 7565 ALEXANDRE WALTER FIGUEIREDO DE AZEVEDO 7639 LUCIELE CRISTOFARI DA SILVA 7654 FERNANDO DA HORA SILVA 7655 FÁBIO DA HORA SILVA 7705 EDIMERE FERREIRA OTTONI 7716 MARCOS CESAR DE LIMA ALVES 7724 BIANCA MARIZ SANTOS 7732 AUDIE PAULO 7737 HUMBERTO DE CAMPOS BELLO 7746 RAPHAEL DE CARVALHO DANTONIO INSCRIÇÃO SECUNDÁRIA 7562 ANDRE LUIZ FERREIRA DA SILVA 7563 MARCELO FALCO DE OLIVEIRA 7568 EDMAR CUNHA DE CASTRO 7569 ENZO MATSUBARA TAKAHASHI 7572 ERICA MARIA MARQUES 7638 ANDRÉ CARRARA RIBEIRO CARAM 7649 MURILO DE JESUS FRIAÇA TATIBANA 7650 NILTON FERRAZ JUNIOR 7715 JULIANA CAROLINA CONTRERA REINSCRIÇÃO POR TRANSFERÊNCIA 6397 FABIANA TOBARU KANASHIRO 7202 IZABELLA NOEMIA DE CASTRO ALVES REINSCRIÇÃO SECUNDÁRIA 6356 MARIANA MAIRA DE CASTRO INSCRIÇÃO SECUNDÁRIA - OUTRA UF 6153 WANKEL OTTO BECCARIA VIOLA TRANSFERÊNCIA PARA OUTRA UF 5923 CRISTIANE MENDES DA SILVA 6001 RAPHAEL DE MAURICIO ROSA 6022 RONALDO SMOLENTZOV 6434 LETÍCIA DE FARIA BANDEIRA 7118 LAISE CHIMOIO AZEVEDO DE OLIVEIRA TRANSFERÊNCIA COM TRANSFORMAÇÃO DE SECUNDÁRIA EM PRIMÁRIA 5227 RODRIGO ALBUQUERQUE DE FIGUEIREDO 5550 RAFAEL OLIVEIRA DE SOUZA 5788 LEANDRO BASSO 6715 TATIANE DOMINGOS BENITO 7060 MAYSA SOARES MARRA 7451 RODRIGO SILVA GRILO REINSCRIÇÃO PRIMÁRIA 7366 ALBERTO CARLOS GUSMÃO JUNIOR REINSCRIÇÃO COM TRANSFORMAÇÃO DE PRIMÁRIA EM SECUNDÁRIA 5503 MOISES FERNANDES TABOSA NETO 5856 THIAGO NOGUEIRA SANTOS


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A crise da Medicina de Urgência e Emergência no Brasil

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crise no atendimento do Setor Hospitalar de Urgência e Emergência no Brasil, talvez seja a face mais perversa do caos que assola a saúde pública do Pais, sendo a falta de acesso da população a todos os níveis de atenção a saúde, a triste rotina dos cidadãos que necessitam de atendimento. Quando nos deparamos com as condições sub-humanas que são oferecidas à população que necessita do atendimento de Urgência, quase sempre analisamos o componente hospitalar, esquecendo que o Setor Hospitalar de Urgência e Emergência está inserido na Rede de Atenção às Urgências, que tem como componentes a Promoção, Prevenção e Vigilância, a Força Nacional, a Sala de Estabilização, o componente Pré-Hospitalar com as UPAS’s e o SAMU, o Setor Hospitalar de Urgência e Emergência e a Atenção Domiciliar. Para que seja possível resolver a crise no componente Hospitalar de Urgência e Emergência, são necessárias Políticas Públicas do Governo Federal, assim como ações planejadas, integradas e conjuntas, dos Gestores Estaduais e Municipais, para todos os componentes da Rede de Atenção às Urgências. Infelizmente, esta não é a realidade no Brasil. O que existe são ações isoladas, implementadas sem planejamento pelos gestores em momentos de crise, com o único intuito de resolver o problema do momento, que não têm continuidade, criando um círculo vicioso, até a próxima crise, que é representada pelo colapso no sistema de atendimento de Urgência e Emergência. Existem inúmeros fatores que são determinantes para a crise no atendimento no Setor Hospitalar de Urgência e Emergência no Brasil. Aqui, analisaremos os seguintes aspectos: 1. Dificuldade dos pacientes ao acesso primário de assistência médica. O Sistema de Saúde no Brasil é extremamente deficiente no atendimento na Atenção Primária. A população que depende do SUS não consegue agendar consultas eletivas nos postos de saúde com médicos clínicos gerais, e a situação é ainda pior quando a população necessita de consultas eletivas com médicos especialistas, pois estes simplesmente não existem em número suficiente no Serviço Público para atender a demanda da população. Com isso, as pessoas que necessitam de consultas eletivas, quer seja com clínicos gerais ou com especialistas, procuram espontaneamente O Setor Hospitalar de Urgência e Emergência dos Hospitais de Referência, por saberem que ali serão atendidos. Esta fluxo de pacientes com doenças de caráter eletivo que procuram as Emergências, contribui para tumultuar o ambiente nestes setores, além de ser um fator importante na superlotação dos mesmos. 2. Grande número de encaminhamento pacientes para Hospitais de Referência. Atualmente o Setor Hospitalar de Urgência

e Emergência está estruturado baseado em grandes Hospitais de Referência, que se localizam nas Capitais ou grandes cidades do País. Idealmente seria necessário que existissem hospitais estruturados em Urgência e Emergência em diferentes regiões dos Estados brasileiros, que serviriam de referência para a macroregião onde se localizassem, resolvendo os problemas de saúde daquela região, assim evitando o encaminhamento em massa dos pacientes das cidades do interior para os Hospitais de Referência nas grandes cidades brasileiras, o que leva a superlotação e ao completo esgotamento destas unidades de bem atender a população. 3. Atendimento Pré-Hospitalar de Urgência O Atendimento Pré-Hospitalar Móvel de Urgência é feito pelo SAMU, que foi implantado há aproximadamente 10 anos. O SAMU atende pacientes em Urgência e Emergência clínicas ou vítimas de acidentes, fazendo um trabalho de excelência, salvando milhares de vidas de pacientes que anteriormente morriam sem assistência médica. O problema é que quando o SAMU foi implantado, o Sistema Hospitalar de Urgência e Emergência já estava esgotado para o atendimento da demanda existente na época. O SAMU trouxe um aumento excepcional na demanda de pacientes extremamente graves para os Hospitais de Referência, o que fez explodir a crise do Setor Hospitalar de Urgência e Emergência no Brasil, ficando evidente a falta de profissionais de saúde em número suficiente para o atendimento nos Pronto-Socorros, especialmente de médicos, a falta de médicos especialistas, a falta de regulação do sistema, a falta de estrutura de Centro Cirúrgico para atender a demanda, a falta de leitos de CTI para internação dos pacientes necessitados, fazendo com que os mesmos permaneçam intubados e em ventilação mecânica nas salas de atendimento de Urgência e Emergência dos PS, o que é uma agressão aos cidadãos brasileiros, que em um momento de risco extremo para suas vidas, não têm garantido pelo Estado as condições mínimas de assistência médica que lhes possibilitem chances reais de sobrevivência. 4. O atendimento hospitalar de Urgência São as piores possíveis, não apenas para os médicos, mas para todos os profissionais de saúde que trabalham no setor. No local existe superlotação de pacientes, que são atendidos normalmente por uma equipe de saúde subdimensionada, gerando grande estresse em todos os profissionais, que trabalham além do limite físico e intelectual para bem atender aos pacientes. As razões para as más condições dos Pronto-Socorro são: dificuldade de acesso dos pacientes ao atendimento primário; falta de estrutura hospitalar no Interior dos Estados; falta de equipe de profissionais adequada; grande rotatividade de médicos; pacientes atendidos por ordem de chegada, sem Acolhimento com Classificação de Risco, que prioriza o atendimento pela gravidade do paciente, e não

por ordem de chegada ao PS; escalas de profissionais incompletas; falta de médicos especialistas de sobreaviso; área física dos hospitais inadequada; falta de leitos de retaguarda; falta de leitos de CTI. A. As condições de trabalho do médico São as piores possíveis, o que faz com que os médicos que trabalham no setor se demitam assim que se estabilizam profissionalmente. Além disso, trabalhar no Pronto-Socorro é colocar-se em risco constante para demandas éticas, legais ou jurídicas. Existem inúmeras razões para estas más condições: má remuneração; péssimas condições de trabalho; jornada de trabalho massacrante; falta de segurança; falta de escala de especialistas; dificuldade de encaminhamento de pacientes. B. A “vaga zero” A Portaria 2048/02 do Ministério da Saúde atribui ao Médico Regulador do Sistema de Urgência e Emergência o grau de Autoridade Sanitária, e determina que o mesmo não deve aceitar a inexistência de vagas nos Hospitais de Referência, “mesmo na situação em que inexistam leitos vagos para a internação dos pacientes (a chamada “vaga zero” para internação)”. Assim, a Portaria autoriza o Médico Regulador a encaminhar os pacientes graves para Hospitais de Referência, mesmo que estes estejam superlotados, sem vagas, sem a menor condição de atendimento. Os desafios da Política Nacional para melhorar as condições do Setor de Urgência e Emergência no Brasil, são: Melhorar o acesso dos pacientes ao atendimento primário; implantação de Hospitais de Referência Regionais; adequar as equipes de saúde dos Pronto-Socorros às necessidades da demanda, especialmente os médicos, com remuneração digna e sem excesso de carga horária; adequar a estrutura física dos Pronto-Socorros às necessidades de atendimento da demanda; estrutura física dos Hospitais adequada; médicos especialistas na retaguarda; implantação do Acolhimento com Classificação de Risco, em que o paciente é atendido pela gravidade do quadro clínico que apresenta, e não por ordem de chegada; campanhas de prevenção para a Epidemia do Trauma; abertura imediata de novos leitos de CTI ou de Unidade Intermediária que permita a alta precoce de pacientes do CTI, assim possibilitando o acesso ao CTI dos pacientes que hoje encontram-se intubados e nos respiradores dos Pronto-Socorros, onde terão o atendimento adequado as suas necessidades, proporcionando-lhes a chance real de sobrevivência, que na situação atual é inexistente. Pela analise fica claro que os problemas no setor são complexos, e não existe solução simples para a solução dos mesmos. Urge que os Gestores, em todos os níveis, se conscientizem da imensa responsabilidade que têm, e priorizem de forma imediata a formulação de Políticas Públicas que possibilitem um atendimento digno nas Emergências dos hospitais brasileiros. Mauro Luiz de Britto Ribeiro Conselho Regional de Medicina MS Conselho Federal de Medicina


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Prêmios não reclamados das loterias federais poderão beneficiar a saúde

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s recursos de prêmios não reclamados das loterias federais administradas pela Caixa Econômica Federal podem sair do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para integrar o Fundo Nacional de Saúde (FNS). Essa é a proposta contida no Projeto de Lei do Senado (PLS) 313/2011, de autoria do senador Paulo Davim (PV-RN). O texto está pronto para ser votado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), na forma de um substitutivo oriundo da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), que tem parecer favorável da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). De acordo com a lei em vigor, os prêmios da loteria prescrevem em 90 dias se não forem procurados por seus ganhadores. O projeto de Davim altera a Lei 10.260/2001, que regulamenta o Fies e estabelece que 30% da renda líquida das loterias administradas pela Caixa constituem receitas daquele fundo, assim como os prêmios não reclamados dentro do prazo. A proposta retira do Fies apenas o dinheiro dos prêmios não reclamados. Ao examinar o projeto, a CAS optou por um substitutivo que preserva o mérito, mas muda outras leis. A

A

comissão decidiu que, além da lei do Fies, devem ser alterados o Decreto-Lei 204/1967, que disciplina a exploração das loterias; a Lei 8.080/1990, que regulamenta os serviços de saúde; e a Lei 9.615/1998, conhecida como Lei Pelé. Relatora da matéria na CE, a senadora Vanessa Grazziotin afirma que a iniciativa de Paulo Davim tem o mérito de buscar ampliar os recursos à disposição do Sistema Único de Saúde (SUS), com vistas a garantir o direito da população a esse serviço básico. Ela também sublinha que, ao destinar o dinheiro dos prêmios não reclamados para o FNS, o texto tem o cuidado de manter para o Fies a destinação de 30% da renda líquida das loterias da Caixa, reconhecendo a relevância social do financiamento estudantil. Vanessa observa ainda que a nova distribuição dos recursos dos prêmios não reclamados visa apenas a contemplar outra área de fundamental importância para o brasileiro. Depois de votado na CE, o projeto ainda irá ao exame da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), à qual caberá a decisão em caráter terminativo. Agência Senado

Vale a pena viver no interior? Qualidade de vida hoje é um ideal buscado por muitos que acabam por se cansar do estresse causado pelas grandes cidades. Foi este estilo de vida que fez com que o ortopedista e traumatologista, Pedro Eurico Salgueiro, deixasse sua cidade natal para viver em Paranaíba, interior de Mato Grosso do Sul. Essa mudança trouxe melhorias para a vida do médico, de sua família e dos pacientes que podem contar com toda sua dedicação e amor pela profissão. Na década de 80, o ortopedista e sua esposa, também médica, decidiram mudar-se para o interior em prol do bem estar de sua família e em Paranaíba viram seus três filhos crescerem e formarem-se, sendo que dois deles optaram pela medicina e uma pelo jornalismo. Pedro Eurico, nasceu em 13 de outubro de 1954, no Rio de Janeiro e desde a infância sonhava em ser médico, perseguindo este ideal por toda a vida. Para ele é algo que vai além de profissão. “É minha vida, sempre foi paixão, orientada pala vocação e com muita dedicação. O que sou hoje é fruto desta dedicação”. Mesmo tendo saído do Rio de Janeiro, há 30 anos, o médico comenta que existem enormes diferenças em se comparar infraestrutura de uma grande cidade para o interior e ressalta que há muitas dificuldades por viver longe dos grandes centros. “Há real possibilidade de se desatualizar rapidamente. Lidar com pacientes é sempre delicado, quer seja no interior quer seja na capital. A remuneração profissional é menor, limitada e fica-se muito a mercê da política local”, diz o médico. Porém, nem isso é capaz de esmorecer o amor pela cidade que o acolheu. Sua rotina é pesada, realiza consultas todos os dias das 06h30 da manhã até as 21 horas, e nada de folga nos finais de semana, esse tempo é usado para fazer análise de laudos periciais e ler as documentações recebidas do Conselho Regional de Medicina (CRM-MS), e quando tem um tempinho livre dedica-se a família e seus hobbies: trabalhos manuais e manutenção de tudo em mecânica e eletricidade. Quando lhe foi perguntando sobre o futuro, Salgueiro revelou o desejo de continuar trabalhando, porém em ritmo menos acelerado, além disso, aspira poder deixar sua experiência para os colegas mais jovens.

Vaga zero, responsabilidades do médico regulador

portaria 2048/GM, de 05 de novembro de 2002, atribui ao médico regulador a capacidade técnica de discernimento do grau presumido de urgência e prioridade para cada caso. É da competência do médico regulador julgar e decidir sobre a gravidade, enviar recursos necessário ao atendimento, monitorar e orientar o atendimento, definir e acionar o serviço de destino do paciente, informar as condições e previsão de chegada, orientar e esclarecer ao solicitante todas as medidas tomadas, inclusive dar aconselhamentos médicos, ter capacidade e experiência na assistência médica em urgência. Deve decidir sobre os meios disponíveis, recursos a serem mobilizados, destino do paciente, não aceitando a inexistência de leitos vagos como argumento para não direcionar os pacientes, garantindo o atendimento nas urgências, a chamada vaga zero.

O que estamos presenciando na prática diária em nossas emergências não corresponde com a determinação da portaria ministerial, senão vejamos: é comum o entendimento, dos médicos solicitantes, de que ao solicitar uma vaga e colocar a descrição “vaga zero”, terão a liberação imediata e que somente a vaga zero necessita de médico acompanhando o transporte do paciente. Parece que este equívoco conceitual, comum também aos nossos reguladores, está cada vez mais enraizado em nosso meio, inclusive, com escalas médicas contendo nome dos plantonistas responsáveis pelo transporte das “vaga zero”. Faz-se necessário a revisão e a correta utilização destes conceitos, ou seja, quem denomina se há vaga ou não, usando o preceito da vaga zero, é o médico regulador,

cabendo ao solicitante única e exclusivamente a função de bem descrever o quadro clínico do paciente, motivando a necessidade de transferência. Em breve, uma nova resolução do CFM especificará melhor as atribuições dos reguladores, que serão responsáveis pelos pacientes até o destino final em relação ao transporte de pacientes, existe resolução específica, que obriga a presença do médico em todos os deslocamentos de pacientes graves, independente se há a vaga ou se trata de uma “vaga zero”. Nas próximas edições debateremos a responsabilidade do médico solicitante e do médico que acompanha o transporte de pacientes. Alberto Cubel Brull Junior Presidente CRM-MS

Jornal do Médico - CRM-MS  
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