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Sequência Didática. Prática de Leitura e Escrita. Fábio Oliveira Santos1 O blog na escola: produção de um artigo científico.

1. Introdução Muito se ouve dizer isso, essencialmente, na escola que os alunos não sabem português. Mas, fica o questionamento, o que falam então essas pessoas nascidas no Brasil, que tem como idioma a língua portuguesa? Obviamente. A língua portuguesa. Para Travaglia2 (2005), língua materna é algo que é internalizado desde o nascimento da criança, quem sabe até mesmo na gestação, no contato com a família, durante os passeios e em todos os momentos a pessoa comunica-se e desenvolve, de maneira internalizada, sua língua materna, caso brasileiro, a internalização da língua portuguesa. Assim, é incoerente dizer que se ensina a língua portuguesa ao aluno, mesmo porquê, ele já tem a língua e sua gramática internalizada. Daí surgir outros questionamentos. Pois então, o que se ensina às crianças? Eis ai a essência do questionamento. Marilena Chaui (2002) afirma que para se descobrir a verdade é necessário retirar o véu que a encobre, superar as aparências e observar a verdade, daí tem-se a essência, que para os gregos é a verdade. De outro modo, permanece apena a ideologia, conforme afirma Chaui (2001), segundo a autora, nada mais é que o mascaramento da verdade, ou seja, grosso modo, a verdade ou suposta verdade que é construída e disseminada como forma absoluta. Ao contrário, as grandes verdades são apenas aparentes, daí a necessidade de desvendá-las. Na escola o que se ensina à criança é o funcionamento da língua em seu contexto de uso. Mas o que vem a ser isso? Simples. Depende a situação 1

Professor da Rede Estadual de São Paulo. Luiz Carlos Travaglia, entrevista realizada em 2005. <http://www.letramagna.com/travagliaentre.htm> Acesso em: 19/08/2012. 2

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em:

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social que se encontra utiliza-se a maneira correta de comunicação, seja ela, extremamente, formal, à situação mais cotidiana e corriqueira. O que faz pensar que a língua é sempre um aprendizado social, no sentido de interação que Vygotsky (2010) aponta. Mais ainda, existem mecanismos, mais ou menos estáveis, por onde circula a comunicação, o que Bakthin (1997), chama de gêneros do discurso, responsáveis por conduzir a mensagem a partir do contexto de uso e os discursos que circulam em seu bojo. Em relação ao ensino da língua, não se deve desconsiderar o que o aluno já conhece enquanto o funcionamento da gramática normativa, pois já traz inconsciente ou consciente o funcionamento da língua no sentido internalizado. Ao contrário, deve-se partir do que já conhece para estudar o funcionamento de maneira sistemática, ou a gramatica normativa. Por exemplo, quando o aluno escreve “nois vai”, não quer dizer que não saiba o funcionamento da língua, existe ai, dois aspectos a serem considerados: 1) aspecto social, uma vez que a sociedade da qual faz parte legitima o discurso e; 2) não tenha refletido sobre a própria escrita. Acredita-se que através disso, o professor possa trabalhar com o aluno outros aspectos da língua, que extrapolam o mero conhecimento da gramática normativa e acrescentem para além da gramática internalizada. Dessa maneira, acredita-se que a utilização do blog como ferramenta de ensino pode contribuir nessa direção e em diversas outras. 2. O Início do ensino da língua portuguesa no Brasil. Creio que é verdadeiro quando se afirma que o ensino da língua materna seguiu essa evolução: Exames preparatórios; para vestibulares e o ensino, efetivamente, da língua portuguesa. Em um primeiro momento, havia uma educação centrada nos estudos clássicos que, de certa maneira não ocorreram no ensino da língua materna, pois essa educação baseava-se na gramática e na retorica poética, isso a partir dos clássicos gregos, seguiam-se as orientações de Aristóteles. Nesse 2


momento histórico, primava-se para o bem falar e pelas estruturas da escrita a partir do latim. Não necessariamente ensinavam-se a língua portuguesa, tanto que ainda não existia essa disciplina. Nesse contexto histórico é necessário a compreensão, que no Brasil do século XIX, ainda convivia-se com a língua falada pelos colonizadores, pelos índios e negros, daí existir o ensino de latim como forma de distinção e não como língua universal. Marx (2004), sob esse aspecto, afirma que as ideias econômicas de uma sociedade moldam e organizam a própria sociedade. Em todo caso é necessário compreender que mesmo a falsa verdade, ou seja, a ideologia não acontece sozinha, Gramsci (1982) aponta que em todas as sociedades existem, o que chamou de intelectuais orgânicos, que pensam, a partir dos grupos do qual pertencem, as ideias e conceitos que ampliam e desenvolvem as ideologias de manutenção da classe da qual fazem parte. Mais ainda, nesse momento histórico, não havia consciência industrial e de desenvolvimento, mas de acúmulo de capital no sentido mercantilista e não industrial. De acordo com Iasi (2002), citando Marx, as ideias de uma época são sempre a ideologia da classe dominante, mas elas não surgem do nada, ao contrário são expressões e ideias latentes na sociedade. Desse ponto de vista, o Brasil era meramente um negócio e a sociedade legitimava isso, impulsionados ideologicamente pela igreja católica, daí a supremacia do ensino do latim. De acordo com Akamine (2005) existem palavras “ocas”, ou seja, não possuem materialidade que a expressem, por exemplo, quando se diz a palavra carro, imediatamente, observa-se que existe o seu correspondente material, de maneira diferente, quando se diz a palavra Deus, não se tem o correspondente material, mas apenas a ideia ou o conceito disso, ou seja, o discurso de legitimação de algo, que pode ser positivo ou negativo, isso a partir da necessidade. Nesse contexto, da necessidade do governo e da igreja. Segundo Fausto (2012) a evolução, em todos os aspectos, somente pode acontecer com a chegada da família real ao Brasil, pois com sua 3


chegada, a burocracia e mesmo de maneira rudimentar, a organização social, econômica, jurídica e letrada tiveram sua gênese no país. Abrem-se parênteses à reflexão, o ensino da língua materna no Brasil seguiu prescrições econômicas ou ideológicas de uma época determinada, na contemporaneidade, outro aspecto deve ser considerado, como por exemplo, a organização da sociedade pelo capitalismo mediadas pelas Tecnologias da Informação. Considerando a chegada da família real ao país, isso também influenciou na grade curricular com o ensino de Francês, possivelmente, implícito a isso, estava o desejo de retorno à Europa napoleônica, assim o domínio do dialeto francês tornava-se necessário aos interessados. Nesse contexto, a aprendizagem de um dialeto da língua brasileira não era importante. Ao contrário, percebe-se que o desenvolvimento do Brasil a partir de três fases: com a chegada da família real; fase posterior, ou independência brasileira até a proclamação da República, jamais tiveram como prerrogativa alguma espécie de bem social ou ensino da língua, mas apenas a defesa e manutenção da condição imperial e da ascensão burguesa, pois precisavam manter-se no poder, assim: a supremacia da classe dominante é explicada pela posse dos principais instrumentos de produção econômica, mas a sua predominância política é consolidada pelo controle que passa a exercer sobre a força militar e a produção de ideias. (Bottomore, 1974 p. 22)

Mesmo assim, no Brasil, precisava-se de mão de obra especializada. Dessa forma, em um segundo momento, tem-se o ensino para os vestibulares, passado o afã de retorno à Europa, a derrota de Napoleão e a independência brasileira, a família imperial percebeu que era necessário outras bases para o país, não sem razão faculdades de direito e medicina foram abertas, para atender a necessidade de organização social por meio do poder judiciário e na mesma mão, no sentido político. Dai o ensino para os vestibulares, pois a intenção era a formação para atender a necessidade do país. Novamente a língua materna permanece em outro plano. 4


Ainda nesse mesmo sentido, as ideologias necessitam, não somente das ideias, como forma ideológica, mas precisam de veículos ou mecanismos que possam disseminar e, diria, doutrinar os indivíduos para adequarem o comportamento segundo a perspectiva ideológica. Althusser (1985) sobre essa perspectiva aponta que para isso acontecer, o governo utiliza-se dos aparelhos Ideológicos do Estado, mecanismos que controlam e disseminam a ideologia, como por exemplo, a escola, a igreja, a polícia entre outros. Fim do regime imperial e ascensão do regime republicano, nesse contexto, diria de nacionalização e unificação do país, pós 1889, iniciou-se o ensino de uma língua unificadora, porém a disciplina língua portuguesa somente veio afirmar-se 40 anos depois no regime de Getúlio Vargas. Nota-se que nos três momentos que discutimos a base curricular para o ensino foi o ensino construído pelo colégio Pedro II, todo interesse de ordem econômica, mundial ou de governo eram repassados ao colégio e esse era encarregado de disseminá-la através da educação. Seguem, nesse sentido, as observações que foram realizadas, pois as necessidades do país eram a necessidade do colégio Pedro II. A meu ver, a entrada da disciplina Língua Portuguesa no currículo possui mais o sentido de unificação do país do que um fator de aprender a língua materna, pois se percebe que através de uma língua única o país teria coesão. Dessa forma, não necessariamente houve preocupação em ensinar a língua portuguesa, mas a assimilação de uma regra única, nesse contexto a regra gramatical e essa herança, acredito, permanecem mesmo na contemporaneidade. 2.1.

Outra perspectiva de ensino.

Sob as argumentações que se discutiu é possível perceber que o ensino da língua portuguesa como finalidade de união nacionalista ou para manutenção da posição social não se adequa mais à realidade do século XXI, entre outras coisas, outras maneiras de ensino foram propostas, dentre elas, o ensino através de gêneros textuais e orais.

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De acordo com Schneuwly & Dolz (2004), a apropriação dessa nova forma de aprendizagem é essencial para o ensino da língua materna, uma vez que o ensino pauta-se pelas estruturas socialmente construídas, por uma determinada sociedade, assim, o ensino através dos gêneros textuais e orais adequam-se à realidade contemporânea. Nesse mesmo sentido, Marcuschi (2005), propõe o ensino de gêneros textuais, mas direciona suas pesquisas para a fala e escrita, segundo esse autor, as duas perspectivas não são excludentes, ao contrário são complementares em um continum tipológico. Importa perceber que a linha de pesquisa deste autor, inova quando redireciona a concepção que afirma que há diferença entre fala e escrita, pois, para o pesquisador isso não existe, as duas são diferentes, porém complementares. Esse tipo de trabalho é realizado a partir de gêneros textuais, porém são escritos para serem oralizados, como por exemplo: a apresentação de um noticiário jornalístico. Escrever um texto é uma atividade complexa e exige do escritor a interlocução com o texto, diferente de como foi no inicio do ensino da língua com

o

colégio

Pedro

II,

nesse,

os

alunos

recebiam,

geralmente

descontextualizado, os textos e deveriam produzir seus próprios textos, porém sem orientação. Daí o ensino ser algo onde a memorização era uma constante, pois, ao contrário, como produzir textos? A necessidade do ensino da língua exige que novas maneiras sejam repensadas, pois a realidade não é algo estanque e imutável e, com a entrada da tecnologia, outras maneiras de comunicação exigem novas capacidades de aprendizagem e ensino. A língua portuguesa segue essa premissa. 2.2.

A Sociedade mediada pelas TIC.

Cada vez mais os projetos escolares serão desenvolvidos por meios tecnológicos, uma vez que com a complexidade social torna-se mais intensa, o aparato mais eficiente para acompanhar a velocidade da informação e da educação, a nosso ver, são por vias tecnológicas que se fazem isso.

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De acordo com Coelho & Bellico (2009), não basta apenas a utilização da tecnologia enquanto meio para o ensino, entre outras coisas, deve-se pensar a formação humana sob vários aspectos, que seguem minimamente por um viés voltado ao trabalho até a perspectiva humanizadora. Nesse sentido, não basta apenas ensinar e orientar os alunos para o manuseio do aparato tecnológico, uma vez que se perderia a concepção humana, mas utilizá-lo como potencializador dos fatores humanos. Percebe-se que nessa nova sociedade, mediada por tecnologias, o indivíduo sem esse domínio será excluído inconscientemente, pois não perceberá os efeitos somente os resultados. Nessa nova sociedade, afirma Pimenta (2009), as relações sociais serão mediadas através das TIC (Tecnologias das Informações e Conhecimentos), isso é realizado por meio dos aparatos tecnológicos como, por exemplo, os blogs. Nesse tipo de realidade, segundo Souza (2010), existem universos de diversas dimensões, pois não se lê apenas o texto, mas as imagens, os hiperlinks, o contexto do leitor e outros, abre-se, dessa maneira, um universo em expansão de conhecimento ilimitado e inesgotável, como é a literatura, porém com a possibilidade de ter tudo no mesmo instante e isso, de maneira fácil, pode-se adequar à necessidade e compreensão do leitor. Afirma-se isso, pois os blogs são ou fazem parte, em algum sentido, das redes sociais, é uma espécie de diário onde se pode produzir diariamente ou não o conhecimento e, também, pode-se interagir com as demais pessoas como se fazem em redes sociais, daí crer-se na utilidade essencial dos blogs, uma vez que em sua estrutura é possível divulgar desde aspectos corriqueiros até um artigo de opinião produzido pelo aluno. Acredita-se que se deva repensar a educação sob duplo aspecto: utilização tecnológica e formação humana, as duas não são excludentes, ao contrário convergem e se imbricam. Para Wiske (2007), o ensino deve pautarse pela compreensão do conteúdo através da pesquisa e prática, grosso modo, a relação dá-se com a absorção do conceito e, através deste, a aplicação na prática do conteúdo. 7


Nesse mesmo sentido, Lévy (1999), afirma que a tecnologia ou cibercultura como define, segue para o desenvolvimento e aprendizagem de maneira coletiva, entre outras coisas o conhecimento é construído a partir da coletividade, daí a iniciativa e trabalho com blogs, uma vez que se acredita que este gênero que possui um caráter individual e singular, deixa de sê-lo e passa a ser construído de maneira coletiva. O trabalho, a partir dos blogs, a nosso ver, atende as duas premissas que julgamos importantes para a educação, são elas: utilização tecnológica e formação humana. Neste aspecto, este projeto converge para as pesquisas de Thurler (2001), que afirmam ser essencial a inovação na escola, uma vez que os paradigmas antigos não mais atendem as necessidades atuais. Além disso, essa iniciativa atende a necessidade nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), uma vez que, através dos conceitos, as pesquisas e desenvolvimentos em diversas áreas são realizadas na prática. Ainda nesse sentido, Hargreaves (2004), aponta que nesse momento histórico, o mundo vive uma economia do conhecimento, ou seja, a economia é voltada, estimulada, exclusivamente, para a inventividade e a criatividade. Daí o estímulo à pesquisa dentro da escola ser essencial para o desenvolvimento nacional. Nesse mesmo sentido, porém sob outro viés, Kao (2008), afirma que se deve investir em educação, preparar os melhores alunos e, sobretudo, mantêlos no país, pois isso será como um divisor das águas, uma vez que grandes homens são de um mesmo país. 2.3.

O ensino a partir dos textos.

Do ponto de vista histórico o ensino das letras é algo recente, isso como referência a idade da pedra, que se utilizava de pinturas rupestres, desta perspectiva, o ensino das letras ainda é algo em evolução. Desde o princípio, a linguagem, enquanto comunicação escrita, sempre teve relações estreitas com a arte, dai a expressão beletrista, ou belas letras, mesmo porque, considerava8


se como belas letras a tríade: oratória, retórica e poesia. Pressupunha que era uma arte a ser ensinada. Todavia esse ponto de vista, na contemporaneidade, não tem mais essa conotação, ao contrário, o ensino das letras segue outra perspectiva, que dentre outras coisas, seguem padrões e procedimentos, como é o ensino da língua portuguesa. Porém, mesmo sob padrões rígidos de aprendizagem, procura-se ensinar a linguagem em várias vertentes e, não somente, das letras. Acredita-se que é uma retomada do passado, quando se lia varias linguagens, porém hoje se ensina a ler vários gêneros. Devido às varias linguagens, não se concebe que se desenvolva a compreensão de apenas uma, mas várias linguagens, sob esse aspecto, o ensino por gêneros contribuiu para isso, uma vez que existem diversos. Para Geraldi (2006), a linguagem, assim como a linguagem textual, é algo apreendido e compreendido na interação, de maneira que isoladamente perde seu sentido, pois seu significado é percebido e construído pela relação com o outro. De acordo com Rojo (2003), a aprendizagem, a partir dos textos, pode ser ampliada, no momento em que se desenvolvem atividades didáticas que proporcionem aos alunos diversas perspectivas teóricas e conceituais sobre a língua, dai seus apontamentos convergirem para as propostas de Geraldi (2006), pois no ensino da língua, mesmo que seja de maneira interativa, deve acontecer por meio de ações planejadas. Outro aspecto relevante do ensino com textos, ou gêneros, observa-se nos critérios e escolhas de produção. Na escola, pressupõem que a maneira de trabalho com textos servem apenas a uma única função: a função institucional, como afirma Lerner (2002), pois segundo a autora os gêneros privilegiados são para aprovação ou retenção escolar. Nesse sentido, não existe várias perspectivas textuais, muito menos gêneros diversos. Apenas procedimentos que devem ser respeitados e seguidos como, por exemplo, a alfabetização. Aprendem-se as letras, porém não se aprende a compreensão. De outra maneira, Orlandi (1994), afirma que não é somente isso, o efeito do discurso somente pode ser desvendado através dos sentidos entre 9


interlocutores, ou seja, diferentes sentidos são construídos a partir de “quem se fala, onde se fala e para quem se fala” e com qual objetivo. Segundo Rojo (2004), as pessoas têm acesso a diversas linguagens, mas não compreendem o que leem, pois são alfabetizadas, mas não letradas. A primeira reconhece o código; a segunda compreende a linguagem. A primeira procedimental; a segunda beletrismo. E para que isso seja diminuído é necessário propor objetivos para serem buscados tanto na leitura quanto na escrita. 3. Análise comentada. Esse trabalho pode ser desenvolvido em qualquer série do ensino fundamental, mas para esse estudo, optamos em trabalhar com o ensino médio. Acredita-se que cada vez mais os projetos escolares serão desenvolvidos por meios tecnológicos, uma vez que com a complexidade social torna-se mais intensa, o aparato mais eficiente para acompanhar a velocidade da informação e da educação, a nosso ver, são por vias tecnológicas. 3.1.

Objetivos.

Levar o aluno a: 4. Construir uma agenda eletrônica: o blog; 5. Produzir um artigo científico; 6. Produzir conhecimento e compartilhá-lo; 7. Discutir diversos pontos de vista; 8. Publicar de maneira organizada e a partir do modelo acadêmico as ideias, intenções e discussões. 3.1.2. Característica dos alunos. Diferente de como o ensino da língua materna transcorreu, do ponto de vista da história, o ensino através dos blogs, procura aprimorar a habilidade que os alunos já possuem ao manusear os equipamentos tecnológicos, nesse sentido, pode-se desenvolver atividades em qualquer turma, de qualquer série, desde que na escola tenha minimamente alguns computadores. 10


3.1.3. Oficina: o blog na sala. Nós, em tudo que fazemos, temos a necessidade de comunicar a alguém, muitas vezes não conseguimos fazê-lo e acabamos por esquecer a ideia inicial, para evitar isso se criou a agenda comum, viável, do ponto de vista da individualidade, porém para a comunicação e o alcance com diversas pessoas e discussões de múltiplos pontos de vista torna-se inviável. Dessa maneira, o blog superou essa dificuldade, pois possibilita dividir e compartilhas as ideias com todo o mundo além de um formato acadêmico. Através destas discussões, pretendemos que você: a) Compreenda o que é um blog. Uma vez que se aponta o que essa ferramenta é necessário apontar a utilidade prática; b) Saiba utilizá-lo da melhor maneira possível, sob esse aspecto, acreditamos que quando desenvolvermos esse trabalho, possamos apontar situações que vão além dos muros escolares, no sentido, que se possa publicar diversas outras atividades que não sejam somente as solicitadas na escola, mas sejam de interesse pessoal; c) Construa suas ideias de maneira articulada e organizada e possa dividi-la com toda a comunidade escolar, científica e mundial; d) Divulgue suas ideias no formato de artigo de opinião. Para atingir esses objetivos, seguem abaixo as atividades: I.

Blog: para que serve?

a) História da internet: apresentar o nascimento da internet; b) História do blog, diagnosticar o conhecimento prévio dos alunos; c) A aplicação: deixar os alunos refletirem como se usa a ferramenta. @ Atividade 1: desenvolver uma pequena reflexão sobre o funcionamento do blog; @ Atividade 2: desenvolver uma pequena reflexão sobre um artigo de opinião

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II.

Reflexão: artigo de opinião. A ideia é discutir sobre o funcionamento de um artigo de opinião.

a) Ler diversos artigos de opinião publicados em diversos veículos; b) Decidir um tópico gerador. @ Atividade 3: Produzir um pequeno artigo de opinião sobre a discussão; @ Atividade 4: Produzir um pequeno artigo com o tema gerador. III.

Construção: Agora é momento de construir o blog e realizar as primeiras experiências.

a) Levar os alunos ao laboratório de informática e construir os blogs a partir da ferramenta Blogger; b) Manuseio e reconhecimento da ferramenta. @ Atividade 5: Publicar a primeira reflexão que foi realizada na primeira atividade; @ Atividade 6: Comentar de maneira assíncrona os blogs dos demais alunos: todos devem ler o texto do outro e postar um pequeno comentário. IV.

Avaliando: a ideia é analisar o conteúdo escrito sob três critérios:

1) Coesão; 2) Coerência e; 3) Articulação das ideias e posicionamento em defesa do conteúdo. V.

Auto avaliação: nesse momento os alunos avaliar-se-ão a partir da dificuldade que encontraram e o progresso que tiveram.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Acreditamos que o ensino na atualidade é diferente de tudo que aconteceu na história do Brasil, uma vez que esse nunca teve o objetivo de reflexão para além dos muros escolares, desse ponto de vista, existe a caminho uma revolução, não no sentido de mudança de um poder pelo outro, mas na perspectiva que o ensino não permanecerá na escola, ao contrário, irá extrapolá-lo.

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Para nós, o ensino a partir da perspectiva do blog segue essa direção, pois além de construir a todo o momento um novo conhecimento, torna possível a divulgação a todo público.

Bibliografia. AKAMINE, Oswaldo. A linguagem do direito e a realidade: a materialidade da norma jurídica; Revista Prisma Jurídico, ano/volume 4. Centro Universitário Nove

de

Julho,

São

Paulo:

Brasil,

p.

87

a

104.

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HARGREAVES, Andy. O Ensino na Sociedade do Conhecimento: Educação na era da insegurança; trad, Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2004. IASI, Mauro. O Dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência; 1º ed., Editora Viramundo: São Paulo, 2002. KAO, John J. Nação Inovadora: Como a América Está Perdendo Seu Poder de Inovação, Por que isso é importante e o que podemos fazer para reconquistá-lo; trad. Celso Paschoa. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2008. LERNER, Delia. Ler e Escrever na escola: o real, o possível e o necessário; Artmed, Rio Grande do Sul, 2002. LÉVY, Pierre. Cibercultura; trad. Carlos Irineu da Costa – São Paulo: Ed. 34, 1999. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização; 6. Ed. São Paulo: Cortez, 2005. MARX, Karl. Manuscritos econômicos - filosóficos; tradução e notas Jesus Ranieri; São Paulo: Boitempo, 2004. ORLANDI, E. P. Discurso, imaginário social e conhecimento. Revista Aberto, ano 14, n.61. Brasília, jan./mar. 1994, p. 52-59. Disponível em: <http://www.rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/911/817>. Acesso em: 18/02/2012. PIMENTA, Selma Garrido. Pedagogia Universitária; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009. ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania; Revista

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Sequência Didática: Prática de Leitura e Escrita.