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Holoplex Sonhos: uma sĂ­ntese

FĂĄbio Novo


Sonhar é um dos meus esportes prediletos. Há anos faço um trabalho pessoal com os sonhos, escrevendo, ouvindo, pintando, dançando, conversando, interagindo e aprendendo com eles. Descobri muitas coisas sobre mim mesmo e sobre o meu caminho por intermédio das informações vindas nos sonhos. Este capítulo sobre os sonhos foi o primeiro que escrevi. Ele foi o mais fácil para mim e, de certa forma, abriu as portas sutis para que eu começasse a receber continuamente novas informações sobre o próprio livro. Através dos sonhos, recebi orientações, sugestões, neologismos e imagens. Alguns destes sonhos eram lembranças de experiências fora do corpo (viagens astrais) em que pude ver e me conectar com a energia de Holoplex. Os sonhos lúcidos também foram marcos importantes no meu caminho. Na primeira vez em que tive um sonho lúcido, como resultado da prática de uma técnica de yoga tibetana, fiquei tão feliz de “chegar lá” que logo quis sair voando, mas me lembrei de que a lama nos havia alertado para não voar,

pois isso nos faria sair do estado de lucidez. Então, saí voando, mas logo me agarrei a um poste e fiquei rindo sem parar da situação esdrúxula. Em outra ocasião, sonhava que mexia num fogão e colocava minha mão nas chamas para provar a mim mesmo que sabia que estava sonhando. Na terceira vez, comecei a interagir com os personagens do sonho, sentindo-me como se houvesse descoberto o grande segredo da criação e me libertado das ilusões do holodrama. Esses sonhos tiveram um forte impacto em mim, não só pela sensação de autorrealização, alívio, liberdade e alegria que me proporcionaram, mas por servirem como uma confirmação de que é possível nos libertarmos das ilusões. Depois dessas experiências, outras aconteceram, e continuam a acontecer, e procuro aproveitá-las para interagir com as situações e os personagens no sentido de harmonizar os conteúdos, resolver pendências, negociar com núcleos internos rebeldes, curar feridas emocionais, educar personalidades infantis, transmutar energias densas, e também para me divertir nesse verdadeiro game de realidade virtual.


Cada um desses estados conscienciais tem funções e características próprias, trazendo à tona uma ampla gama de conteúdos e produzindo um espectro quase ilimitado de experiências. Durante os muitos ciclos do sono pelos quais passamos ao longo da noite, transitamos por esses variados estados e, quando estamos na faixa de frequência teta, sonhamos.

O sonho integral O sonho é um drama energético-consciencial hiperprojetado na tela da mente durante o sono. Esse drama hiperdimensional contém múltiplos conteúdos que interagem segundo um complexo roteiro não linear e hipertemporal. A nossa mente funciona como uma espécie de espelho cujas imagens refletem, em forma de criativas metáforas e símbolos, as realidades psíquicas e energéticas internas e externas. Portanto, as imagens a que assistimos e com as quais interagimos na tela mental não são o sonho em si, mas representações simbólicas, em movimento, dos conteúdos latentes que gravitam no holocampo e se manifestam visualmente no campo de consciência através de um mecanismo de projeção multidimensional, ou hiperprojeção. Isto é possível porque, durante o sono, entramos em outros modos de consciência, sustentados por ondas cerebrais que vibram em faixas de frequência mais lentas e com amplitudes maiores. Em nosso estado de vigília, o cérebro opera em ondas de frequência acelerada beta, mais adequadas para o exercício lógico-racional. No estado de devaneio intermediário, entre o estar acordado e o estar dormindo, passamos à frequência vibratória alfa e, ao nos aprofundarmos no estado de relaxamento e sono profundo, chegamos às frequências de onda Theta e Delta, que viabilizam esse tipo de experiência sutil, dentre outras.

Os sonhos são manifestações hiperdimensionais. Seus conteúdos dinâmicos contêm informações integradas dos vários corpos, tempos e dimensões da holoconsciência. Assim sendo, um único símbolo onírico pode manifestar realidades energéticas provenientes do campo de consciência, do subconsciente, do supraconsciente, do infraconsciente, do inconsciente coletivo, dos corpos físico, energético, emocional, mental, causal, espacial, luminal, sônico e essencial, e ainda hiperligar passado, presente e futuro simultaneamente. Ou seja, os sonhos podem refletir as estruturas, os conteúdos e as funções de todo o amplo espectro da holoconsciência individual e coletiva. Dentre essas estruturas estão, por exemplo, sistemas de crença, modelos mentais, paradigmas, padrões de comportamento, condicionamentos socioculturais e familiares e as personalidades. Os conteúdos vão desde traumas psicológicos, feridas emocionais não cicatrizadas, emoções congeladas, desejos reprimidos, vontades negadas, fantasias sexuais, doenças latentes, bloqueios energéticos até talentos artísticos, potenciais intelectuais, competências profissionais e projetos de vida. E as funções refletidas pelos sonhos são especialmente as orgânicas, fisiológicas, automáticas, de organização, regulação, proteção, comunicação e integração. Devido a essa natureza hiperdimensional e à riqueza das informações que eles trazem embutidas, os sonhos podem e devem ser interpretados e trabalhados sob uma perspectiva e uma visão integral que considerem suas múltiplas possibilidades, camadas e significados, porque cada um desses elementos contém um aspecto da verdade e um nível de compreensão, e todos juntos e integrados oferecem o potencial para uma apreensão completa e mais precisa de seus símbolos.


Tipos Baseado em sua vibração, genericamente classifico os sonhos em 3 categorias: supra, sub e infra. Os sonhos de vibração infra são sonhos cotidianos que, apesar de conterem significado e cumprirem uma função, como veremos adiante, não contêm informações cognitivas significativas e, por isso, não necessitam ser trabalhados conscientemente. Esses sonhos são importantes para a manutenção da homeostase do holossoma e do holocampo, e muitas vezes liberam material residual (cacos energéticos) do período diurno que não foi digerido. Operam de forma autônoma e, assim, cumprem as funções de limpeza, harmonização, integração e reorganização do infraconsciente. Estimo que sejam 70% do total de sonhos. Os sonhos de vibração sub, que estimo calculo serem 29% do total, estes sim são sonhos para trabalharmos no dia a dia de forma ativa. São sonhos que contêm conteúdos subconscientes importantes, tanto no nível psicológico e emocional como no espiritual e prático, e podem nos ajudar em termos de autocompreensão e na resolução de problemas e questões da vida. Os sonhos de vibração supra, que correspondem ao 1% restante, são aqueles sonhos marcantes, inesquecíveis, e com os quais poderemos trabalhar por toda a vida. São sonhos que brotam do supraconsciente e permanecem em nossa mente por muito tempo. São aqueles que nos fazem acordar no meio da noite com o sentimento de que algo importante aconteceu e precisa ser compreendido. Esses sonhos nos trazem sinais, dicas e insights fundamentais para o despertar e para a autotransformação, e são como marcos ao longo do processo de desenvolvimento pessoal. Algumas das informações que esses sonhos trazem revelam-se tão fundamentais para o processo de conscientização individual que elas continuam retornando na figura de sonhos reincidentes, que são aqueles sonhos que se repetem, às vezes com imagens

idênticas, às vezes com imagens semelhantes e, às vezes, com imagens completamente diferentes, mas com um mesmo significado. Esses sonhos podem repetir-se numa mesma noite, num mês ou, mesmo, durante muitos anos. Em algumas ocasiões, os sonhos de vibração sub e supra podem trazer conteúdos literais, não simbólicos, com informações precisas sobre pessoas e situações do “mundo real” e até revelar interferências (ataques energéticos) que o sonhador possa estar recebendo. Infelizmente, muitos desses sonhos não costumam ser nem reconhecidos nem trabalhados, e toda a possibilidade de conhecimento que disponibilizam é desperdiçada. Por outro lado, quando nos abrimos para o mundo dos sonhos e trabalhamos sistematicamente com eles, aprendemos a “ler” nossa própria energia e decodificar a rica linguagem que a consciência usa para se expressar. E, como nossos holocampos estão hiperconectados a todos os demais holocampos existentes, poderemos também sonhar e decodificar, por exemplo, a energia de quem dorme ao nosso lado, de pessoas, animais e plantas com que interagimos durante o dia, do ambiente em que estamos, de consciências extrafísicas, a ponto de chegarmos a ler a energia da consciência – ou da inconsciência – coletiva, acessando informações sobre o passado, o futuro e até outros mundos e dimensões. Quanto mais nos dedicamos ao estudo dos sonhos, mais nítidas se tornam as suas imagens e mais explícitos os seus significados. A qualidade da comunicação intraconsciencial e do intercâmbio interdimensional acentua-se, distâncias internas diminuem, e a nossa habilidade em lidar e reconhecer seus conteúdos e linguagem amplia-se. Aos poucos, e com prática, podemos chegar a manifestar a lucidez dentro dos sonhos, ou mesmo aprender a programar o que queremos sonhar. Outro aspecto que interfere diretamente na qualidade dos sonhos é a qualidade do próprio sono. Embora não seja uma regra absoluta, a relação entre ambos é quase diretamente proporcional. Ou seja, se trabalhamos os sonhos e ainda nos preparamos adequadamente


para dormir, seja com um banho, seja com uma meditação, uma música relaxante ou uma caminhada; se dormimos num ambiente apropriado, numa cama confortável, num quarto escuro, silencioso, sem interferências nocivas, em horários regulares e com o corpo leve, sem o peso de uma refeição pesada, a probabilidade de termos sonhos relevantes é bem maior. Simplesmente porque estamos num estado de energia mais alta e numa condição mais favorável para manifestações significativas da consciência. A principal vantagem em cuidar do sono e desenvolver as habilidades de autocontrole dos fenômenos oníricos é que assim nos abrimos para possibilidades ainda maiores de conhecimento e encurtamos o caminho em direção ao autodespertar. Para quem busca a evolução, trabalhar com os sonhos é uma ferramenta imprescindível.

Funções Ao serem hiperprojetados e encenados no palco noturno da mente, diversas funções são realizadas pelos sonhos. As que apresentamos aqui são as que considero mais abrangentes e importantes. A primeira e mais básica dessas funções é a de autolimpeza, ou autorregulação, uma descarga de natureza fisiológica, psicológica, emocional, mental e energética diária, que acontece através da liberação de material do holocampo não devidamente digerido durante o período em que a consciência estava no estado de vigília. Em geral, esses conteúdos são oriundos do campo de consciência e de camadas mais superficiais do subconsciente. Estão mais associados ao primeiro, segundo e terceiro chakras e aos corpos físico e energético. Esse processo de limpeza e reorganização energética cotidiana é fundamental, e o sonhar assim como o dormir profundo, acessando as ondas delta, são pré-condições básicas para a manutenção do equilíbrio do organismo hiperdimensional.

Há outros tipos de sonhos que cumprem uma outra importante função, a de autocura, que pode acontecer de duas formas diferentes: inconsciente e consciente. No modo inconsciente, os sonhos simplesmente nos curam, e sem que saibamos. São sonhos de vibração básica, similares aos sonhos de limpeza, apenas um pouco mais específicos. É um processo autônomo de busca de equilíbrio sistêmico, que foca usualmente pequenas feridas psicoenergéticas que já estão em seu ponto de maturação e que, ao serem sonhadas, podem trazer a cura. Não necessitam, portanto, de nossa interferência direta e costumam estar associadas ao primeiro, segundo, terceiro e quarto chakras e aos corpos emocional e energético. No modo consciente, os sonhos curam através do estímulo à autotransformação. A partir do momento em que começamos a nos abrir para os sonhos e a interagir de forma mais consciente com eles, a transformação começa a ocorrer. Ao validá-los e, principalmente, ao mudarmos a nós mesmos na prática, alterando comportamentos, atitudes e crenças, automaticamente começamos a dissolver e liberar do holocampo as holoformas patológicas e condicionadas, permitindo assim que o fluxo de energia aconteça livremente. Ou seja, os sonhos trazem mensagens que aceitamos e aplicamos na vida; por consequência, nos transformamos e abrimos espaço para novos sonhos que trazem mais informações – as quais validamos e aplicamos – e assim sucessivamente, numa escala crescente de intensidade, profundidade e clareza. Este aumento na interação interdimensional favorece o processo de integração pessoal e a síntese global entre as várias dimensões e corpos da consciência. Outra função dos sonhos, estes de alta vibração, é servir como uma ferramenta para o autoconhecimento. Embora sejam em geral lúdicos, imaginativos e até divertidos (às vezes, nem tanto), esses sonhos revelam o que de fato acontece nos infinitos bastidores da consciência. As fontes desse material costumam ser o subconsciente, o infraconsciente, o supraconsciente e o inconsciente coletivo, em interação no próprio campo de consciência, e seus conteúdos podem estar relacionados a todos os chakras, corpos e


personalidades. Como o foco é o autoconhecimento, esses sonhos nos mostram não só aspectos da nossa luz, mas também, e com relativa frequência, a nossa sombra – aspectos internos que reprimimos e que tentamos a todo custo esconder dos outros e de nós mesmos. Materiais de sombra, que usualmente brotam das profundezas do subconsciente e do infraconsciente, são particularmente difíceis de aceitar e processar, mas é bom não esquecer que, por mais que nos esforcemos para deletar essas manchas inconvenientes da nossa autoimagem idealizada, elas não desaparecem e continuam voltando e voltando, de formas cada vez mais intensas e explícitas, até decidirmos aceitá-las e integrá-las à consciência. É assim que, na calada da noite, e muitas vezes através de sonhos aparentemente simples e inofensivos, nos são reveladas questões importantes, não conscientes, de luz (valores superiores, ética, ideais, inteligência, amor incondicional, personalidades iluminadas, criatividade etc.) e de sombra (aspectos violentos, sombrios, bizarros, escatológicos, personalidades imaturas etc.), que necessitam ser trabalhadas para que o equilíbrio sistêmico seja alcançado e mantido, e para que o processo de autodescoberta e evolução possa continuar. A função autoconhecimento será mais ou menos efetiva, dependendo do grau de consciência com que a utilizamos. Se, por hábito ou descaso, a bloqueamos, por exemplo, não nos lembrando dos sonhos, não os registrando ou não validando as informações que eles trazem, essa função tende a atrofiar-se. Porém, a qualquer momento que quisermos reativá-la, ela estará disponível e pronta para nos auxiliar. Outras funções importantes realizadas pelos sonhos são as de revelação e iniciação. Estas são funções realizadas por sonhos de vibração hiper que manifestam conteúdos vindos mais provavelmente do supraconsciente e do inconsciente coletivo, e que muitas vezes são regidos pelo próprio Eu Superior, que desce do topo da holoconsciência para nos iluminar. Estão mais relacionados com as vibrações dos chakras 0, 7 e 8 e com os corpos mais sutis. Todos nós, em algum momento de nossas vidas, já tivemos, ou teremos, sonhos revelatórios, lúcidos ou iniciáticos.

Os sonhos revelatórios são os que nos revelam desde as verdades abstratas sobre a existência, a natureza da realidade e o universo, até informações mais diretas sobre nós mesmos, como a indicação de uma doença física latente, por exemplo. Em geral, apontam para questões que transcendem os limites do racional e que não conseguimos elaborar com a utilização da mente analítica durante o estado de vigília. Ao nos proporcionarem experiências de contato com conteúdos essenciais e supraconscientes, esses sonhos podem nos elevar a um estado de consciência mais alto e sutil, o que facilita a transcendência dos velhos padrões, programas e paradigmas, abrindo-nos para o novo e para o além. Uma variedade dos sonhos revelatórios são os sonhos educativos, que trazem lições e soluções para as mais variadas questões sobre os mais diversificados temas, indo de dicas sobre assuntos cotidianos até ensinamentos de cunho científico, filosófico ou matemático, e são especialmente úteis e frequentes para pesquisadores, cientistas e estudantes. Mas, de uma forma ou de outra, todos nós participamos de aulas noturnas, e por isso sonhar é também uma ótima maneira de aprender – quem estuda seus sonhos aprende mais e mais rápido. Há ainda uma outra variedade de sonhos revelatórios, os transcendentes, que trazem informações importantes sobre realidades fora do espaço e do tempo, comumente de natureza kármica, com o objetivo de nos orientar. Esses sonhos podem ser retrocognitivos ou pré-cognitivos. Os retrocognitivos revivem situações marcantes de vidas passadas, que estão diretamente conectadas ao momento presente, para que possamos compreender e curar uma questão atual e importante. Já os sonhos pré -cognitivos (premonitórios) vislumbram possíveis cenários e antecipam possíveis acontecimentos, tanto pessoais como coletivos, com o intuito de nos alertar sobre possibilidades futuras e nos estimular a ações mais conscientes no momento presente.


Uma outra interessante função dos sonhos é a de iniciação, que costuma acontecer em momentos de crise ou de grande reforma interna, quando estamos dando ou prestes a dar passos importantes no caminho da autotransformação. Esses sonhos funcionam como ritos de passagem, que registram o ponto de mutação de um estágio evolutivo da consciência para outro superior, e podem nos mostrar alternativas sobre caminhos a seguir, preparando-nos para os próximos desafios. É nesse momento que, muitas vezes, somos apresentados ao Eu, aos nossos guias de luz, mentores, protetores e mestres espirituais, e também aos nossos animais totens e animais de poder, todos estes importantes parceiros para o nosso projeto de vida. A partir de um certo estágio da caminhada evolutiva, é praticamente impossível avançar sem a cooperação constante e consciente de todas essas forças. Para que não passem despercebidas, as experiências revelatórias são inesquecíveis e nos preenchem com uma imensa sensação de êxtase, paz e felicidade. Quem já teve não esquece! Por último, temos os sonhos lúcidos para executar a função de autolucidez. Esses são sonhos em que o eu onírico, aquele que nos representa no sonho, acorda dentro do próprio sonho. Nesta situação, de repente, sabemos que estamos sonhando e, automaticamente, passamos a compreender a nossa condição de ser e estar com maior clareza. A realidade na qual estamos inseridos é imediatamente ressignificada e passa a ser percebida como realmente é – relativa, simbólica e ilusória. No sonho lúcido, o eu pessoal liberta-se de suas amarras, desidentifica-se das personalidades, ascende ao supraconsciente, aproxima-se do Eu, identifica-se com a sua luz e ilumina-se temporariamente. A lucidez onírica é um estado de alta energia (experiência de pico) com grande potencial de conscientização e transformação, e é também uma prática de alquimia energética sofisticada que, ao ser utilizada com habilidade, torna-se um instrumento eficaz para transmutar holoformas e reprogramar a holopersonalidade e até os códigos-fonte da holomatriz.

Abordagens Existem basicamente 3 abordagens no trabalho com os sonhos: a analítico-interpretativa, a funcional-interativa e a transcendente. A abordagem analítica foca a interpretação do sonho e procura decifrar cada um dos símbolos e elementos que ele traz. A ideia é compreender seus simbolismos através de uma análise sistemática e contínua de seus conteúdos. Esta abordagem permite uma profunda compreensão psicológica do material psíquico interno que navega pelas diversas camadas da holoconsciência, especialmente no infraconsciente, no subconsciente e no inconsciente coletivo; revela condicionamentos, padrões de comportamento, traumas, complexos, fobias, personalidades etc. É um trabalho de base fundamental que abre o caminho para uma transformação baseada no conhecimento. Porém, muitas vezes é limitante, e por dois motivos. O primeiro diz respeito ao fato de que a interpretação pura, muitas vezes, fecha o sonho, e o excesso de rótulos predefinidos não permite que ele viva, se expanda e mostre suas várias possibilidades. Outro aspecto que limita essa abordagem é que a interpretação baseia-se no cardápio de referências de quem interpreta, e este, de forma bastante usual, pode estar utilizando mapas conceituais genéricos, e assim desconsiderar os significados únicos que cada pessoa pode dar aos símbolos oníricos. Existe um conjunto de códigos que é exclusivo e que pertence a cada sonhador, sendo o resultado de suas experiências e referências pessoais e de vida. Com um pouco de treino, esses símbolos ficam acessíveis. Embora haja símbolos universais do coletivo (os arquétipos), no caso dos sonhos em geral, interessa mais o contexto e o significado que o próprio sonhador dá ao conjunto de símbolos. Por exemplo, costuma-se afirmar que o oceano representa o inconsciente. Porém, nem sempre nos sonhos o oceano simbolizará o inconsciente; isso dependerá das circunstâncias como se apresenta, como o sonhador interage com ele, quais as emoções presentes e, principalmente, o que o oceano expressa para ele próprio, significado que pode mudar em cada fase da vida. Para alguns, o


oceano pode sugerir a imensidão do desconhecido, mas, para um mergulhador, por exemplo, pode representar a sua casa; para um pescador, talvez uma extensão de si mesmo; para um empresário da indústria do sal, sua fonte de renda; e, para alguém que nunca esteve no mar, sabe-se lá o que pode significar. No exercício da interpretação, temos que considerar a dimensão em que está o observador, ou auto-observador, e qual dimensão do objeto ele está observando. Imaginemos dois prédios, um em frente ao outro. Se acontece um fato no quarto andar do prédio A, e eu estou no terceiro andar do prédio B, a perspectiva que terei deste acontecimento será diferente de alguém que está no quinto andar do prédio B. E essas serão especialmente diferentes, e em certa medida menos importantes, para quem está vivenciando a própria cena. Porém, todas as perspectivas serão relativamente verdadeiras, cada uma a seu modo, mas é importante saber ponderar seus significados na hora da interpretação. Um sonho dificilmente será compreendido e bem interpretado por alguém que nunca teve esse tipo de sonho e que desconhece os fenômenos oníricos. A abordagem funcional-interativa dá um passo à frente e vai além da análise, interpretação e classificação do sonho, ao procurar mantê-lo vivo e utilizá-lo como um instrumento terapêutico mais amplo. A ideia aqui é interagir funcionalmente com o sonho sem a preocupação em compreendê-lo apenas com a razão. Importa mais dançar o sonho, pintá-lo, escrevê-lo, reimaginá-lo criativamente, dialogar com os personagens, elementos e situações, e abri-lo cada vez mais, ao invés de limitá-lo às definições conceituais. O resultado dessa interação é surpreendente e ajuda a desvelar as muitas camadas ocultas em cada sonho, abrindo assim níveis mais profundos de compreensão. As conclusões nesse tipo de experiência são mais vivenciadas, percebidas, intuídas e sentidas do que faladas ou deduzidas. Uma combinação dessas diferentes abordagens permite uma exploração mais ampla e profunda da consciência, ao mesmo tempo trazendo compreensão cognitiva, liberação biopsicoenergética e emocional, e ainda preparando o campo para a última abordagem, a transcendente.

Esta é uma abordagem milenar praticada em especial no budismo tibetano (yoga dos sonhos) e no taoismo esotérico. O objetivo dessa perspectiva é transcender a mente e seus conteúdos, e treinar a consciência para despertar dentro do sonho e desenvolver a qualidade da autolucidez. A visão é que, ao despertarmos para a ilusão dos sonhos, estaremos despertando do sonho da vida. A lucidez onírica é fruto de um desenvolvimento mental bastante sofisticado, e abre caminho para o trabalho numa dimensão mais sutil da consciência. Acordar e interagir com lucidez no sonho é uma forma potencializada de autocura e transmutação energético-consciencial, pois permite uma atuação sobre os múltiplos conteúdos do sonho em real time, enquanto o sonho está acontecendo. Esta característica confere a essa abordagem resultados ainda mais profundos que nas abordagens anteriores. Na HoloSíntese, consideramos, por premissa, que as 3 perspectivas são igualmente importantes, válidas e complementares, e podem (e devem), ao longo de um processo de Síntese Pessoal ou Hiperpessoal, ser sintetizadas em conjunto.


Sumo

Os sonhos refletem o drama energético-consciencial vivenciado pela nossa consciência. Caracterizam-se como uma importante ferramenta de autoconhecimento, autodesenvolvimento e transformação. Os sonhos cumprem diversas funções e, através deles, podemos nos curar, acessar informações de outros tempos e dimensões, receber instruções sobre o nosso caminho evolutivo e treinar a nossa mente. Por meio dos sonhos, podemos despertar.

Holoplex - Sonhos: uma síntese  

uma síntese sobre o tema dos sonhos.

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