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Editorial

O Instituto Vigiai entrega roupas e alimentos na "Cristolândia", no bairro Bom Retiro em São Paulo, em 25 de abril de 2012

A epístola do editor...

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osso Informativo homenageia as mulheres, afinal é a nossa edição de março, o mês da mulher. A mulher é tão participativa nas igrejas que na minha elas significam 64%, em algumas ultrapassa os 75%. Já existe no Rio de Janeiro uma igreja evangélica só de mulheres... Como temos o foco em missões, a homenagem é representativa com as mulheres que atuam direta ou indiretamente como missionárias. São todas fantásticas, e “fantásticas” não é um termo ufanista, “fantásticas” é o termo mais adequado para nominar

tais irmãs que ao concederem as entrevistas ao Vigiai nos presenteando com os relatos e convivência. Apoios culturais, igrejas em destaque, pastores em destaque, projetos em destaque e nossos articulistas... Nossos articulistas continuam sendo o sangue do Informativo e como o sangue físico é renovado continuadamente, novos articulistas entraram e estão contribuindo nesta edição e somente um não é pastor batista, é diácono, juiz de direito e professor universitário, nosso amigo Vanias Mendonça de Manaus-AM; os demais são pastores bem conhecidos em seus estados.

No mês de março, entregamos roupas e alimentos no Lar Batista de Crianças de Mogi das Cruzes-SP e na Cristolândia-SP, conforme foto acima. Precisamos continuar com este ministério, precisamos do seu apoio. Envie já um e-mail com os seus dados adotando o Vigiai. Com apenas R$15,00 mensais você estará abençoando o ministério Vigiai. Boa leitura, em Cristo, Jornalista Vital Sousa vigiai.net@gmail.com Presidente do Instituto Vigiai Informação e Mobilização


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- Vigiai * Marรงo de 2012


Pastores em Destaque

25 ANOS

DE MINISTÉRIO DE ANTONIO CARLOS DE LIMA

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o último dia 31/03/2012 a Primeira Igreja Batista em Nilópolis no Estado do Rio de Janeiro se tornou pequena, acanhada para receber todos os amigos, parentes e irmãos da família Antonio Carlos de Lima, em comemoração ao Jubileu de Prata do profícuo ministério pastoral do estimado homem de Deus. Glórias e glórias ao Senhor pela vida do querido servo e de sua família foi a tônica do culto de gratidão. Várias participações do Grande Coral, mas, o hino que mais tocou os participantes foi a Maravilhosa Graça. A irmã do Pr. Antonio Carlos, Missionária Delfina Lane, fez a oração inicial. Um belo momento de louvor com os jovens da igreja deu o toque contemporâneo ao momento, como bem defende o Pr. Antonio Carlos. A Primeira Igreja Batista em Nilópolis prestou uma grande homenagem ao seu pastor adjunto, com destaque para os grupos de casais “Casados com Cristo” e “Casados para Sempre”, onde o Pr. Antonio e sua esposa Glaydes atuam com muita dedicação há anos. Presentes e lágrimas de alegria. O pastor titular da igreja, Levy de Abreu Vargas, proferiu uma poderosa mensagem. Alguns pastores se manifestaram em seguida e agradeceram ao Senhor por poderem conviver com o homenageado. Um solo de improviso, com a cantora sobrinha do Pr. Antonio Carlos, acompanhada ao violão pelo seu esposo, marcou os presentes com o cheiro suave da adoração ao Senhor dos Senhores.

Acima, Pastor Antônio Carlos de Lima e sua esposa Glades Lima. Abaixo, na primeira fila, com o pastor titular da Primeira Igreja Batista em Nilópolis Levy Vargas e sua esposa.

Para ter acesso ao álbum de fotos e da filmagem, basta entrar no site www. vigiai.net e clicar no cabeçalho em busca e digitar Antonio Carlos de Lima 25 anos de ministério. Março de 2012 * Vigiai -

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Expediente

Sumário Capa “Essas Mulheres Fantásticas” – 16 a 28

INFORMATIVO VIGIAI Ano I – Número 02 O informativo que transpira missões O informativo que respira missões O informativo que informa missões O informativo que vive missões DIREÇÃO Vital Sousa (Jornalista - Mtb 63.588-SP) JORNALISTA RESPONSÁVEL Fabiano Sousa (Jornalista - Mtb 65.300-SP) Capa, diagramação, Projeto Gráfico e Fotografias Correspondências Redação: Rua Edgard Pereira Viana, 140 Cataguá – Taubaté-SP – CEP 12093-240 Telefone/fax (12) 3621.2579 www.vigiai.net E-mail: vigiai.net@gmail.com Tiragem: 5.000 exemplares

www.igrejabatistanobonfim.org.br O Informativo Vigiai é uma publicação da Igreja Batista no Bonfim, Taubaté-SP. CNPJ: 07.415.933/0001-99; e Instituto Vigiai - Informação e Mobilização (em formação). Diretoria: Presidente: Vital Sousa Vice: Amilton Lucas

Instituto Vigiai:

1º Secretário: Sidnei Arruda 2º Secretário: Aparecida Brandão 1º Tesoureiro: Mirtes Reis 2º Tesoureiro: Anderson Borges Conselho Fiscal Membros: 1 – Reinaldo Barbosa Lima Júnior 2 – Denise Dias Marques de Andrade 3 – Aurélio Rosa Suplentes: 1 – Andreia Aparecida Souza Pereira 2 – Carla Geanfrancisco 3 – Paulo Randerson Novais de Oliveira

Apoio Geral: Vital - Prestação de Serviços de Informática CNPJ: 05.449.421/0001-18 Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos seus autores, e não representam necessariamente a opinião do informativo. É proibida a reprodução total ou parcial de reportagens, entrevistas, artigos, ilustrações e fotos, sem a prévia anuência dos titulares dos direitos autorais

Pastores em Destaque 05 - Antonio Carlos de Lima – 25 anos de ministério 44 – José Maria de Souza – 30 anos de ministério

Institucional 02 – Adote o Vigiai 03 – Editorial 06 – Expediente / Sumário / Agenda / Erratas / E-mails / Cartas

Projetos Especiais 35 - Missão Boa Vista 42 e 43 – 40 dias de jejum e oração - 2012 45 - 1º Congresso Internacional Brasileiro de “Business as Mission”. 47 – Missão Horizontes

Apoio Cultural 04 e 48 – JMN – Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira 09 - Projeto Igreja - Barueri, São Paulo 15 - VTI Vida Total da Igreja 30 – Lins & Lins e advogados 46 – Guaxi Hotel

Igrejas em Destaque 08 – Primeira Igreja Batista em Vila Formosa, São Paulo-SP 29 - Igreja Batista Parque do Carmo, São Paulo-SP 41 – Primeira Igreja Batista em Tapanã, Belém-PA

Articulistas 07 - Adriano Xavier – “Definindo Prioridades” 10 e 11 - Isaías Lins – “Não é obrigatório ter Conselho Fiscal em organizações religiosas” 12 - David Botelho – “O grande desafio missionário” 13 - Eli Fernandes de Oliveira – “Reconhecendo o valor da mulher” 14 - José Miguel Mendoza Aguilera – “Você precisa conhecer o verdadeiro Chile” 31 - Evaldo Rocha – “A loucura da palavra da cruz” 32 - Geraldinho Farias – “Doze passos para enfraquecer uma denominação centenária” 33 - Elias Valentim – “Porventura achará fé na terra?” 34 - Manoel de Jesus The – “Deu tudo errado! Deu mesmo?” 36 - José Messias Leite de Lima – “Essas maravilhosas mulheres no ministério” 37 - Niander Aguiar Cerqueira – “A natureza da verdadeira fé” 38 - Rinaldo de Mattos – “Capas, livros e pergaminhos missionários” 39 - Sérgio Nogueira – “Ana Wollerman, a missionária de Richmond” 40 - Vanias Mendonça – “Ameaças ao sacerdócio cristão”

Agenda Abril Dia 16 a 20 – São Paulo-SP - Trans-Cracolândia –

(11) 3224-0916 Dia 22 – Curitiba - Conlider - Congresso de lideres - (41) 3356 4040

Erratas 1

Na edição número 01 de janeiro/2012 constou na página 16 indevidamente o e-mail do Pastor Valtair Miranda;

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Na página 19 faltaram os textos bíblicos citados pelo Pr. Veloso em seu artigo, Provérbios 20:1 e Provérbios 23: 29-35. O texto original encontra-se no site do Pr. Veloso, www.pastorveloso.net e basta clicar em busca – notícias e colocar a expressão “drogas e bíblia” para ter acesso ao teor completo do texto;

Cartas 1

Recebemos bela carta da Sra. Maria Aparecida Pinto de Souza do Rio de Janeiro dando efusivos parabéns pela novel Vigiai. Que Deus continue abençoando a irmã.

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Recebemos dezenas de e-mails de congratulações, alguns foram destacados na segunda capa desta edição, mas, por falta de espaço, outros não puderam ter o mesmo destaque, mas, agradecemos o carinho manifestado: Pastores Neemias Lima, Hudson Galdino, Moizés de Oliveira, Carlos Elias S. Santos, Antonio Carlos de Lima, Ivo Seitz e muitos outros. Destaques também para os irmãos Beneh Santos, Carla Geanfrancisco e Sara Arantes.


Pr.

Definindo Prioridades V

ocê já parou para pensar por que atletas passam oito horas por dia treinando? Ou por que aventureiros escalam montes e atravessam lugares gélidos com o risco de terem partes de seus membros amputados? Ou o que faz uma pessoa nadar 3.8 km, pedalar 180 km e correr mais 42 km em um só dia (Ironman)? Ou ainda o que faz homens e mulheres entrarem em um octógono do MMA para se expor a tantos golpes que rasgam e deformam o rosto? Parece que tudo se resume em uma palavra: prioridade. De acordo com o dicionário Michaelis, prioridade é uma qualidade ou um estado “de primeiro”, isto é, algo que se tem “primazia, preferência “, tanto “no tempo” quanto “no lugar”. Em outros termos, prioridade é aquilo que damos tempo e tem lugar nas nossas vidas. Para tudo aquilo que realmente é importante para nós, não oferecemos desculpas, não levantamos empecilhos nem criamos dificuldades. Por isso dizem que “quem quer faz, quem não quer dá desculpas”.

o cuidado do corpo e com a excelência da qualidade de vida. Então, feitas essas considerações, qual tem sido a nossa prioridade? Em Seu ministério terreno, Jesus deixou um desafio que remete e nos conduz ao que verdadeiramente deve ser importante para nós. No Seu famoso Sermão da Montanha Ele falou para

A driano Xavier

com várias coisas, várias pessoas e inúmeros projetos. Há o trabalho, os estudos, a família, a igreja, os sonhos pessoais, os amigos etc. Contudo, precisamos aprender a reconhecer o que realmente é indispensável para um viver feliz e cheio de realizações. Os valores não devem ser invertidos. Mas, como alertou Richard Foster, quão “facilmente permitimos que coisas dispensáveis tenham prioridade em nossas vidas! Quão rapidamente suspiramos por coisas das quais não precisamos, até que elas nos escravizem". Deus tem o melhor para nós. A Sua vontade é boa, agradável e perfeita (Romanos 12.2). Não troquemos o melhor de Deus pelo que é simplesmente bom nesta terra. Não troquemos a eternidade pelo que é passageiro. O “mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2.17). Nada neste mundo pode se comparar com o que Deus planejou para as nossas vidas. “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais” (Jeremias 29.11). Não obstante, o que tem sido prioridade para nós? O que estamos buscando de todo coração? Em um dos seus aniversários, David Livingstone, não ansiou por nenhuma dádiva deste mundo, mas, sim, doar-se completa e intensamente no testemunho do evangelho do Reino de Deus. Ele registrou: “Hoje é meu aniversário. Meu Jesus, meu Rei, minha vida, meu tudo. Eu me dedico outra vez inteiramente a ti. Aceite-me Senhor. Que eu tenha tua graça e condições de terminar em paz minha carreira. Amém”. Que essa seja também a nossa motivação e alegria. Tudo pelo Reino. Tudo pelo evangelho. Tudo por Jesus.

Contudo, precisamos aprender a reconhecer o que realmente é indispensável para um viver feliz e cheio de realizações. Os valores não devem ser invertidos

Às vezes, podemos ter um discurso contraditório em relação ao que declaramos com o que vivemos. Podemos estar dizendo uma coisa, mas caminhando para outra direção. Muitos, por exemplo, consideram a saúde algo fundamental em suas prédicas, mas, quando comparado com as ações e posicionamentos concretos que promovam saúde, percebemos uma enorme distância entre o que se fala com o que se pratica, entre o que se diz com o que se vive. Logo, se essa área é de fato importante, daremos tempo em nosso dia a dia com

buscarmos primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça (Mateus 6.33). O texto é bastante conhecido e citado no contexto cristão, mas será que ele tem servido para nos encorajar a uma atitude definida, objetiva e prática em relação ao que Jesus especificou? O Reino de Deus tem tido “primazia” em nossas vidas? Temos dado “preferência” a Sua justiça? Decerto, temos muitos compromissos, responsabilidades ou mesmo necessidades. Estamos sempre envolvidos

PR. Adriano Xavier Machado é carioca, casado e têm três filhos. É bacharel em teologia pelo Seminário Betel do Rio de Janeiro e em Serviço Social pela Univali-SC e autor do livro "Conquistando as alturas com Deus". Site: adrianomachado.webnode.com.br Março de 2012 * Vigiai -

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Igrejas em Destaque

A união faz o CRESCIMENTO

Igreja Batista da Esperança + Igreja Batista Memorial em Vila Formosa = Primeira Igreja Batista em Vila Formosa

Nesta primeira participação no Vigiai, quero apresentar a você leitor a Primeira Igreja Batista em Vila Formosa. Nossa Igreja integra a Denominação Batista, sendo filiada a Associação Batista Missionária Suleste, Convenção Batista do Estado de São Paulo e Convenção Batista Brasileira, tem como regra de Fé e Prática a Bíblia Sagrada (como todas as Igrejas Batistas), tem como finalidades adoração a Deus, pregação do Evangelho, Assistência Espiritual e Social junto à comunidade interna e externa. Foi

criada após a união das Igrejas: Batista da Esperança e Batista Memorial em Vila Formosa, formando assim a atual Primeira Igreja Batista em Vila Formosa. Quero neste momento de debates so-

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bre a denominação Batista, contar nossa experiência, não para exaltação de nossa Igreja ou do seu Pastor, mas para mostrar que é possível mesmo com diferentes pensamentos em algumas questões, mas unidos no propósito maior que deve ser o crescimento do reino, nos unirmos e conquistar muito mais do que já foi conquistado até hoje, inclusive no que se refere à programação em TV e Rádio. Em Julho de 2010, quando a Igreja Batista Memorial em Vila Formosa passava por dificuldades, inclusive sem Pastor Titular, procurou a Associação que fazia parte, através de um grupo de irmãos solicitando ajuda. De imediato foi atendida e deu-se inicio a um trabalho de restauração da Igreja em todos os aspectos. Com o desenvolvimento do trabalho e conhecimento das dificuldades surgiu então a idéia não muito comum nos nossos dias, no meio de nossa denominação, de uma união com a Igreja Batista da Esperança, pois as duas Igrejas ficam no mesmo bairro. A Memorial em Vila Formosa com um prédio com muitas salas em anexo, porém com os problemas muitos deixaram a Igreja, ficando assim sem condições até de se auto-sustentar

e manter suas instalações, do outro lado a Igreja Esperança com a dificuldade de espaço, pois tinha muitos membros, mas o templo não tinha condições de acomodar todos. Diante desta situação o Secretário Executivo da Associação (ABAMSUL), movido com certeza por Deus começou um trabalho de oração e acompanhamento de ambas as Igrejas. Em Novembro do mesmo ano, depois de muita oração, reuniões, cultos e acima de tudo visando o crescimento do reino, tem-se a União das duas Igrejas em todos os seus aspectos: Jurídico, Patrimonial e de Rol de Membros. No inicio todos tiveram muito receio, as perguntas logo surgiram: e se não der certo? Como vai ser? E o patrimônio? E as diretorias? Tantas indagações, que somente a certeza dada por Deus através das orações é que nos levaram a ultrapassar todos os obstáculos. Resultado do primeiro ano de união, foram realizados diversos Batismos, recebemos muitos irmãos de outras Igrejas co-irmãs, até o momento não tivemos qualquer problema do tipo: eu sou da Esperança, eu de Memorial, eu tenho mais direito, etc. Com certeza dificuldades virão, porém estamos unidos no Senhor. Se foi possível esta união entre Igrejas que só se encontravam em trabalhos denominacionais, com certeza se trabalharmos com amor, dedicação e muita oração alcançaremos nossos objetivos para continuarmos a ser uma Denominação respeitada, forte e que procura pregar e viver o verdadeiro Evangelho. Adilson de Souza Brandão Pastor – Titular pastor@batistavilaformosa.com.br


Marรงo de 2012 * Vigiai -

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Pr.

i saías Andrade Lins Filho

O

Não é obrigatório ter Conselho Fiscal em organizações religiosas

tema sobre o qual me proponho a discorrer através deste artigo, tem pertinência e relevância, tendo em vista o clima de terrorismo que tem se instalado nas Igrejas e nas Convenções das diversas denominações evangélicas, isto porque, mesmo sem ser obrigatório, porque não o é, a maioria das Igrejas de todos os credos e denominações, nas reformas dos seus Estatutos, bem como as diversas Convenções Estaduais ou Associações, mesmo também sem serem obrigadas pelo Novo Código Civil que, de início estabelecia, inclusive uma data para a adequação dos Estatutos à letra do novo diploma Civil, resolveram criar e inserir a figura do "CONSELHO FISCAL" nos seus Estatutos e, em vista disso, algumas pessoas inescrupulosas e antiéticas, quando eleitas, ao assumirem as funções de integrantes de tais conselhos fiscais, já assumiram as suas funções, trazendo consigo para por em prática, uma inversão ao preceito constitucional que é o princípio da presunção da inocência, e chegaram para assumir suas novas funções, pensando da seguinte forma:” todos são desonestos até que se prove o contrário..." ao invés de pensarem certo, como ensina e está asseverado na Constituição da República Federativa do Brasil, a C.F de 1988, ”todos são honestos, até que se prove o contrário...", pois, de maneira contundente, assim dispõe o inciso LVII, do art. 5º da Constituição Federal de 1988 que : "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória", mas, lamentável é, que ditas pessoas, integrantes de alguns conselhos fiscais, vêm, para deles participar, legitimamente porque eleitos, mas, com o objetivo vil de perseguir, de querer aparecer e, de tentar a todo custo, macular com acintosas afirmativas a honradez e a dignidade dos dirigentes das Organizações Religiosas. Não tenho a menor duvida, que prevendo as dificuldades que viriam no de-

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curso dos meses e dos anos após a promulgação do NOVO CÓDIGO CIVIL, é que, de imediato, em tempo oportuno, com apenas um ano de vigência do Novo Código Civil, surgiu um dos legisladores do nosso País, um servo de Deus destemido e ousado, o Deputado Federal Walter Pinheiro, hoje Senador da República e, sob a inspiração e égide do Espírito Santo, teve a participação decisiva de apresentar uma emenda a um anteprojeto de lei que se apreciava e, que resultou na sansão pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da LEI FEDERAL 10.825 DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003 , que foi publicada no Diário Oficial da União em 23.12.2003, que incluiu no caput do citado art. 44, do Código Civil os incisos IV e V, estabelecendo como pessoas jurídicas de direito privado, as organizações religiosas e os partidos políticos. Desta forma, foi através da participação decisiva do Ilustre Deputado Federal Walter Pinheiro, que, através de Lei Federal referida, foi concedida às organizações religiosas, liberdade de criação, liberdade de organização, liberdade de estruturação interna e de funcionamento acrescentando-se também o § 1º, àquele artigo, através da alteração legislativa referida. Cuidou ainda a nova lei de acrescentar, um parágrafo único ao art. 2.031 do Código Civil, retirando a aplicação e a imposição do caput daquele artigo às organizações religiosas e aos partidos políticos, ficando estabelecido, por preceito legal, que até mesmo o prazo para a adaptação dos estatutos das associações, das sociedades e das fundações ao Código Civil, não se aplicava mais às organizações religiosas nem aos partidos políticos, pois, em verdade não poderia ser aplicado, porque as Igrejas (Organizações Religiosas de qualquer credo ou culto), as Convenções Denominacionais (também Organizações Religiosas) e, até os Partidos Políticos, por não serem Associações ou Agremiações assim entendidas pelo Novo Código Civil, por

este motivo, não estariam obrigadas a, dentro do prazo estabelecido no Novo Diploma Civil, de promoverem as modificações impostas pela nova legislação. Desta forma, as Igrejas de qualquer credo ou de qualquer culto, as Instituições do Candomblé, os Centros Espíritas, as igrejas e templos de quaisquer cultos, as Convenções das Diversas Denominações, as Instituições pertencentes às Dioceses da Igreja Católica e, todas as Igrejas Católicas, entidades que seriam e estavam sendo classificadas como associações diante do novo Código Civil, após a alteração levada a efeito, através da Lei nº 10.825/2003 passaram sim, à categoria legal de organização religiosa, pois, esta seria a mais correta classificação, em vista dos seus interesses e das suas diretrizes, deixando-lhes sem dúvida à vontade, para promover sua adequação ao Novo Diploma, sem obrigações e imposições. Não existia, portanto, a partir daquele momento a obrigação das Igrejas ou Convenções de adaptarem os seus Estatutos ao Novo Código Civil, e, se até hoje, ainda existem igrejas que não cuidaram de promover a adequação, ainda assim, não estão as mesmas, fora da lei, porque, se quisessem, poderiam ainda continuar adotando com pequenas alterações, normas antigas, pois em verdade, a modificação mesmo exigida, seria a que diz explicitamente, que aquela entidade, Igreja ou Convenção, passaria a ser, a partir do novo contexto “uma organização religiosa..." sendo necessária sim a adaptação da natureza jurídica da igreja ou da convenção, constante do art. 1º dos Estatutos, classificando-as como sendo sim, uma organização religiosa, passando desta forma a usufruir dos benefícios da Lei 10.825, de 22 de dezembro de 2003. Vale destacar, que no desejo de promover alterações e se apressando para atender aos ditames da lei, muitas Igrejas e a maioria das Convenções se precipitaram e, colocaram nos seus textos,


normas que hoje precisam ser modificadas, tendo a maioria de Igrejas e das Convenções, inserido nos seus estatutos a figura do Conselho Fiscal, e, em muitos casos, como no caso da Convenção Batista Baiana, dando-lhe prerrogativas até de propor medidas administrativas, o que é um verdadeiro descalabro, algo estapafúrdio, pois, conselho fiscal, é para verificar contas e, sinalizar algo que precisa ser melhorado e ajustado, mas, nunca querer e poder exorbitar das suas funções, querendo até exercer atividades de administração, querendo ingerir nas atitudes da Diretoria, tendo até a petulância de querer passar a administrar a Organização Religiosa, da qual o Conselho Fiscal, é apenas um apêndice, tanto das igrejas quanto das convenções. Daí, a sede desmedida de quererem aparecer, de certos membros e integrantes de Conselhos Fiscais, tanto de Igrejas, quanto de Convenções, no Brasil Batista, que sem saber quais são as funções que vão ou devam exercer (membros de conselhos fiscais), querem, por vezes tomar o lugar dos presidentes das organizações religiosas (igrejas ou convenções) passando de simples apreciadores de contas e sinalizadores de questões contábeis que necessitam de alguma modificação ou reparação, querendo passar a gerir as instituições das quais os conselhos fiscais são parte da diretoria, pois, Conselho Fiscal, em nenhum lugar é e pode ser, o Fiscal da Lei, como o é, o Órgão do Ministério Público e, como são os Promotores de Justiça, órgãos independentes que são. Muito embora, diversos operadores de direito tenham carregado consigo e, ainda carreguem muitas dúvidas, se as organizações religiosas têm de ter obrigatoriamente a figura do CONSELHO FISCAL nos seus Estatutos, sejam elas igrejas, centros espíritas, centros de umbanda, convenções das mais diversas denominações evangélicas ou igrejas católicas, entidades diocesanas e demais instituições religiosas, quero deixar patenteado, que este articulista não tem a

vem ser efetivadas, verbi gratia, aquelas menor dúvida em afirmar, que as orgaque atendem às normas dispostas nos nizações religiosas, podem ter, mas, não artigos 53 a 61, constantes do Novo Cóprecisam ter, obrigatoriamente a figura digo Civil, isto é, fundamentalmente as do conselho fiscal em seus estatutos. A que tratam de: denominação, sede, finaverdade é, que existem ainda, nas menlidades e, no caso das organizações relites de dirigentes das diversas organizagiosas sobre os membros , isto é aqueles ções religiosas, uma mentalidade descoque compõem e integram a organização, nexa atrelada e arraigada aos preceitos sua admissão, demissão ou exclusão, que dispostos no art. 16 , do antigo Código só poderá ocorrer por justa causa, e, por Civil de 1916 , obrigação essa, que não fim, as normas que tratam dos recursos mais existe e é impossível de se exigir, e do patrimônio e do funcionamento. vez que, os nobres legisladores do Novo Fundamentalmente são essas as modiCódigo Civil, de maneira sábia , promoficações exigidas pela Lei Civil Brasileiveram uma verdadeira separação das orra, que afetam a qualquer organização e ganizações religiosas, de todas as demais como não poderia deixar de ser, também entidades integrantes do contexto social às organizações religiosas. E o Conselho e com normas dispostas na Lei Civil, deiFiscal? A Lei Civil, o Novo Código Civil xando-as, totalmente livres, assegurannão exige que as Organizações Religiosas do-lhes plena liberdade tanto no tocante façam a inserção da figura do Conselho à sua criação, quanto à sua organização Fiscal nos seus Estatutos, aquelas que e ao seu funcionamento, sendo todavia, quiserem podem colocar nos seus Estaobrigadas as organizações religiosas a tutos, as que assim não desejarem, não não se desvirtuarem das suas funções fundamentais, sobretudo de suas finalidades, de serem organizaVale destacar, que no desejo de ções sem fins lucrativos. Como se vê, o legislador pátrio cumprindo promover alterações e se apressando de maneira muito clara, a norma para atender aos ditames da lei, contida na Carta Magna, no seu art. 19, inciso I, não engessou, muitas Igrejas e a maioria das nem acorrentou as Organizações Convenções se precipitaram e, Religiosas a qualquer norma concolocaram nos seus textos, normas trária, não as amarrou a nada, deixando-as livres, totalmente que hoje precisam ser modificadas livres, para administrar as suas estão obrigadas. atividades e ações, a criação, a organizaPor todo o exposto, há de se concluir, ção e o seu funcionamento. de maneira clara como a luz do sol, que Desta forma, as Igrejas de quaisquer a figura do Conselho Fiscal nos Estatutos cultos e ou, as Convenções de quaisquer das Organizações Religiosas, pode exisDenominações, não são associações relitir ou não e, pode até deixar de existir, giosas, são sim, organizações religiosas basta que assim decida em Assembléia e, como tais, estão livres, totalmente liExtraordinária competente, especialvres para promover as modificações que mente convocada para esse fim. Tais esbem pretenderem realizar, registrando clarecimentos põem fim a onda de terroem seguida, tais modificações e inserrismo que inescrupulosamente tem sido ções estatutárias nos Cartórios de Títulos praticada por integrantes de Conselhos e Documentos ou Cartórios de Registros Fiscais, parecendo até, que esses ilustres Públicos, dependendo da Organização integrantes desses órgãos de fiscalização judiciária de cada Estado onde se locapodem exorbitar dos limites que lhes são liza a organização religiosa, seja qual for. impostos. Basicamente, algumas mudanças de-

Isaias Andrade Lins Filho, especialista em Controle de Contas Municipais pela Unibahia; Pós-Graduado em Direito Público com Docencia Superior pela Fundacem; Advogado Público junto aos Tribunais de Contas da União, do Estado e dos Municipios; Advogado Público junto ao TJBA, STJ,STF,TRE-BA, TSE,TST; Professor de Direito Constitucional e de História do Direito. E-mail: isaiasalf@gmail.com Março de 2012 * Vigiai -

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Pr.

D avid Botelho

o GRANDE DESAFIO MISSIONÁRIO O

maior conquistador de todos os tempos foi Genghis Khan. Durante sua vida e a vida de seu filho, Kublai, mais terras e reinos foram conquistados do que em qualquer outra época da história. Em 1264, a China tornou-se parte do Império Mongol e Pequim era a capital. Cinco anos depois, Venice, o pai de Marco Polo, seu tio Maffeo e Niccilo Polo chegaram a Pequim, China. O Grande Khan, Kublai, recebeu-os de braços abertos. Um ano mais tarde, o Grande Khan enviou através deles uma carta em turco, endereçada ao Papa Clement IV pedindo que enviasse 100 homens estudados para ensinar seu povo sobre o Cristianismo e a ciência ocidental. Kublai entendeu que precisava alguma coisa que pudesse manter unido seu império em expansão. Sua intenção era enviar esses 100 missionários pelo seu reino estabelecendo para tornar seu império cristão. Três anos mais tarde, esses irmãos chegaram à Itália e por dois anos tentaram recrutar esses 100 missionários. Somente dois responderam ao seu apelo e em 1271 os dois irmãos, Marco Polo e os dois missionários, partiram para Pequim, os dois missionários seguiram para Beijing. Logo depois da partida, os dois missionários começaram a ficar desencorajados diante dos desafios da viagem através de territórios perigosos e voltaram para casa. Nove anos depois do

pedido de Kublai Khan, os irmãos Polo voltaram somente para dizer ao imperador que haviam falhado em sua missão. Kublai então enviou aos budistas o mesmo pedido. Eles responderam enviando 400 monges. Kublai então os enviou com sua bênção e hoje, essa parte do mundo, tem uma forte presença budista.

favor de Seu Reino. Você está disposto ir? Você está disposto a orar? Você está disposto a sustentar e enviar outros? A Horizontes está com dezenas de jovens do projeto Uniásia preparados para ir ao campo. No momento são 66 jovens para serem enviados até o final do ano, quatro já foram enviados no primeiro dia de 2012. Eles precisam dos recursos para complementar o sustento de três salários mínimos, pois vieram com apenas um salário. Cada um deles está buscando 40 investidores que possam investir com o mínimo de R$ 30,00 mensais durante o tempo do projeto de sete anos, pois são vários estágios: primeira fase no Brasil, depois: um país de língua espanhola, um país de língua inglesa, um país de língua asiática e uma graduação universitária, além da formação bíblica, transcultural e missiológica. Você também pode fazer parte deste projeto como um intercessor e um investidor! Além do complemento no sustento mensal, eles precisam dos recursos para as passagens, seguro de vida com direito a repatriamento, visto anuidade, semestralidade na universidade, aluguel de casa por um ano e mobília para montar a casa. Cada um deles está trabalhando para levantar os R$ 18.000,00 e os que enviarem uma oferta de R$ 100,00 para a viagem deles, receberão um DVD de um muçulmano que teve um sonho e visão com Jesus.

"A China agora está aberta ao Evangelho. Seus corações estão abertos e respondem à mensagem da salvação mais do que em qualquer outro lugar no mundo. Esse é o momento Kairós de Deus ou tempo de colheita para a China. A China agora está aberta ao Evangelho. Seus corações estão abertos e respondem à mensagem da salvação mais do que em qualquer outro lugar no mundo. Esse é o momento Kairós de Deus ou tempo de colheita para a China. As Olimpíadas de 2008 em Pequim foram à arrancada desta grande porta que está aberta. Nós vamos perder essa oportunidade assim como os crentes nos dia de Marco Polo? Vidas estão na balança, oscilando entre o céu e o inferno. Deus está pedindo que inclinemos a balança em

Aproveitando todas as oportunidades para apressar a vinda do Filho, Cleonice e David Botelho Ajude o projeto Missão Horizontes – Projeto Uniasia: banco Bradesco; agência: 1020; conta - corrente: 3111-9

DAVID BOTELHO é pastor, dirige a V Formation Empreendimentos e Incorporação Ltda. Site: www.vformation.com.br. Tel.: (035) 3438-2797

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Pr.

e li Fernandes de Oliveira

RECONHECENDO O VALOR E O LUGAR DA

Mulher M

uitas vezes, ouvimos que no mundo chamado cristão, especialmente, no seguimento conhecido como “evangélico”, a mulher sempre foi prestigiada e reconhecida por seu valor, respeitado o seu lugar dado por Deus. Bem, isso é absolutamente verdadeiro, somente em se tratando de Jesus Cristo, pois Ele, sim, jamais as discriminou, incluindo-as nos principais momentos do estabelecimento do cristianismo na terra (para incômodo dos judeus). Porém, por ironia “do destino”, muito do reconhecimento do valor e do lugar das mulheres na igreja e no ministério cristão dáse por influência dos movimentos feministas dos anos 60, quando poderia e deveria ter sido o contrário. Dói-nos ouvir discursos protagonizados por pastores, mormente em algumas das denominações históricas, dentre elas, a Batista, em julgamentos de direito em causa própria, de resultados que continuam, nem sei até quando, absolutamente incompletos, sem isenção e equanimidade, carecendo de embasamentos mais profundos, tanto teológicos quanto exegéticos. Paulo diz, em I Tm 1.12, que devemos sim “anunciar todo o propósito de Deus”. A história da humanidade, antes do advento do pecado, narrada em Gn 1 e 2, evidencia o propósito do Criador ao fazer o mundo perfeito e nele colocar homem e mulher. E o propósito de Deus na criação é: “criou Deus, pois, o homem à Sua imagem e semelhança; HOMEM E MULHER OS CRIOU”. E DEUS OS ABENÇOOU E DISSE AO HOMEM E À MULHER: SEDE FECUNDOS, MULTIPLICAIVOS E ENCHEI A TERRA…”. (Gn. 1.27 e 28). O lugar concedido à mulher desde

a criação é ao lado do homem, dominando com ele o mundo. Desde aquele momento, a ordem dada por Deus é para os dois. E isso fez com que Jesus dissesse: “Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio arsen e thêlu (macho e fêmea)?”. Ora, por que ignorar a conjun-

Senhor, pelas Tuas servas, as mulheres, cooperadoras com os homens em todas as fases da vida, para um viver melhor, mais justo. Como diz Tomás de Aquino, “para adjutório do homem e das gerações”. Muita coisa precisa mudar e este tempo configura-se oportuno. Muita coisa já está mudando, percebe-se. Um passo interessante: constatar mais presença significativa de mulheres na área da instrução teológica em nossos seminários, onde comumente dá-se grande e natural afeição à preservação da tradição – o que evidentemente não é mal -, conquanto que mulheres de Deus façam o que sabem fazer: promover inovações e mudanças. Daí à abertura de todas as denominações históricas – e já está acontecendo em algumas - as oportunidades às mulheres competentes, piedosas, capacitadas, será uma decorrência natural e inevitável ao quo vadis que mulheres seguidoras de Jesus procuram realizar feitas igualmente perfeitas por Deus, qual o homem, antes da queda. Não desistam, mulheres! Vocês já percorreram tanto chão para chegar até aqui! Não abram mão do sonho do serviço pleno a Jesus e à Causa eclesiástica. As mulheres cristãs precisam e haverão de gozar da sua plena herança: igualmente aos filhos, filhas de Deus, sem acepções quaisquer, convertidas igualmente a Jesus, chamadas igualmente pelo mesmo Senhor, inspiradas e ungidas igualmente pelo mesmo e único Espírito Santo, que é livre e por isso mesmo “sopra aonde quer”, dotadas igualmente de dons espirituais, que são dados a todas as pessoas "nascidas de novo", para a edificação da Igreja, propriedade tão somente de Jesus Cristo e ninguém mais.

Não desistam, mulheres! Vocês já percorreram tanto chão para chegar até aqui! Não abram mão do sonho do serviço pleno a Jesus e à Causa eclesiástica. ção aditiva na voz de Deus para homem “e” mulher? Todos os verbos do verso 28 estão no plural! Conquanto com funções diferentes, na criação há perfeita igualdade do homem e da mulher. Deus pronuncia: “tudo é bom” (vr 31). Prevalecendo a Bíblia, daremos honra a quem honra. Por isso, obrigado,

eli Fernandes De Oliveira é pastor titular da Igreja Batista da Liberdade (SP) desde 1984. É Bacharel em Teologia pelo STBNB; Psicanalista Clínico pela SPOB; Mestre em Teologia e Mestre em Ministério pela Faculdade Teológica da Fé Reformada, São Paulo, e Doutor em Teologia Th.D (cum claude) pela Universidade Cohen, Los Angeles, CA. Já foi condecorado com Medalha Anchieta, da Câmara Municipal de São Paulo; Prêmio de Personalidade do Ano, pela Academia Paulista Cristã de Letras; Comenda Paul Harris, do Rotary Club e Membro Honorário da Força Aérea Brasileira. E-mail de contato: eli.fernandes@libernet.org.br Março de 2012 * Vigiai -

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pr.

j osé Miguel Mendoza Aguilera

VOCê PRECISA CONHECER

O VERDADEIRO CHILE N

os últimos anos o Chile tem obtido destaque nos meios de comunicação como o país latinoamericano que caminha a passos largos para o primeiro mundo. Esta, porém, é uma realidade que beneficia apenas uma minoria. O Chile que não é apresentado ou visitado pelos turistas vive outros aspectos desse processo de desenvolvimento que não são divulgados. Existe uma realidade de conflitos sociais, uma sociedade classista e secularizada que frontalmente e sorrateiramente rejeita a mensagem do evangelho. A igreja evangélica sofre também esta realidade ao não se permitir, em grande escala, alcançar as classes mais abastadas com a pregação do evangelho. A falta de estratégias de alcançar segmentos sociais mais abastados seja economicamente ou intelectualmente marcam a evangelização chilena. Embora existam algumas comunidades em setores mais altos da sociedade, estas estão concentradas na Grande Santiago e diante da grande demanda de pessoas não alcançadas, apresentam-se em pequeníssima escala. Estatisticamente quando os dados sobre a educação dos jovens de 15 a 29 anos são cruzados com os níveis de religiosidade existentes nessa faixa etária, chama-nos a atenção que entre as pessoas de maior educacional existe um aumenta do número dos que se declaram ateus ou agnósticos. Na educação fundamental este número alcança 9,40% e No ensino médio aumenta para 9,91%, chegando a 15,31% entre os que possuem educação em nível superior. A porcentagem de ateus, agnósticos ou sem nenhuma religião chega a 20,35%, o que significa que de cada cinco pessoas que alcançaram um nível superior de educação, uma renega o fator religioso. Embora se fale do Chile como um país

e de outras pessoas pertencentes a classe media, que também carecem da mensagem evangelho. Nosso desejo é vencer os preconceitos e alcançar graça diante dos olhos dessas pessoas. Temos orado, pensado e planificado as possíveis estratégias para evangelizar este estilo de vida chileno. Em breve devemos iniciar a plantação de uma igreja que alcance os profissionais liberais na cidade de Talcahuano que fica a 540 km ao sul de Santiago na região do Bio Bio . É a região onde estamos morando Algumas igrejas brasileiras que nosso ministério aqui no Chile, como a Primeira Batista e a Igreja Batista Memorial de Campo Grande- MS e Igreja Batista Missionária Nova Jerusalém, de São Bernardo Campo-SP, mas desejamos mais cristãos e suas igrejas se envolvam neste projeto. Estamos contando ainda com a sua oração para que Deus nos dê os contatos e as possibilidades de ação junto a este seguimento social, para que a realidade chilena seja transformada através de pessoas cheias do conhecimento e da graça que há em Cristo Jesus.

totalmente evangelizado, não se menciona que esta evangelização produziu o que hoje se conhece como “evangélicos nominais” . O evangélico que as pesquisas sociais apontam é o “tipo pentecostal”, que na cultura chilena é visto como um indivíduo ”carismático de um tipo primitivo radical... e com frequência apolítico”. Ao mesmo tempo este tipo de evangélico cresce nas classes mais pobres. São nestas classes que são criadas leis disciplinares, moralistas e rígidas nas quais os membros das igrejas convivem. A imagem do evangélico, por sua maioria pentecostal, é apresentada como a de alguém que rejeita o conceito da “pesquisa bíblica” e cultura no geral, uma vez que estes elementos são considerados mundanos pelos penPr. José Miguel (quarto da esquerda para direita abaixo) com o tecostais chilenos. Essa imaprefeito e pequenos empresários gem, juntamente com a ênfase às questões de êxtases, línguas e revelações produzem uma rejeição ao evangelho nas classes média e média alta,e mais intelectualizadas. Assim, os bairros que abrigam esse seguimento social são construídos de forma a que nenhuma igreja cristã seja instalada em seus arredores. Entendendo este desafio desejamos iniciar a evangelização de professionais liberais

PR. JOSÉ MIGUEL Mendoza AGUILERA é Bacharel em teologia na Faculdade Teológica Batista de S. Paulo. Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo; Pós Graduação em Educação Cristã pela Faculdade Teológica Batista de Brasília; Pastor da 1ª. Iglesia Bautista de Talcahuano - Talcahuano – Chile. E-mail: 2008josemiguel@gmail.com; Telefone Igreja 56-41-3177783; Telefone Celular 56-65994262

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Especial

Essas mulheres fantásticas... Q

uando sonhei com o tema, o primeiro nome em mente foi o da Dra. Betty Antunes de Oliveira, autora do livro “Centelha em Restolho Seco”, membro da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro e com mais de 90 anos. Sua participação no cenário batista foi marcante, revolucionando a história dos batistas brasileiros que até então tinha como marco o inicio dos trabalhos no Brasil em Salvador - Bahia, com a organização da Primeira Igreja Batista Brasileira em 1882; ela outorgou aos batistas brasileiros a história real da chegada dos batistas ao Brasil, com sérios estudos publicados no livro “Centelha do Restolho Seco” e com a organização da primeira igreja em 10/09/1871, em Santa Bárbara do Oeste-SP. Contatei a amiga comum, Ana Maria Suman Gomes, que prontamente ajudou na ponte necessária, mas não teve como conciliar a nossa agenda com a da Dra. Betty. Outros nomes foram sonhados, como Westh Ney, professora de música do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil no Rio de Janeiro-RJ, a missionária Noêmia Cessito da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira e que serve em Moçambique, mas não obtive respostas aos e-mails enviados. Uma missionária muito próxima está no Irã, pela Operação Mobilização (OM), mas seu trabalho é de altíssimo risco e o nome foi descartado. Também não foi contatada a irmã Helga Kepler Fanini, uma mulher fascinante e que, se tiver-

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POR VITAL SOUSA

mos oportunidade, fará parte de nossas futuras entrevistas. Outro nome que chamou atenção foi o da Diretora da Junta de Missões Nacionais (JMN) – Regional São Paulo, Maria Helena Leão Santos. A entrevista foi realizada, mas o tempo para conversar foi muito curto, ficou faltando algo, não deu para explorar a riqueza do ministério de Maria Helena. Outra entrevista realizada foi com a Missionária da JMN, Barbara da Conceição Araujo. Personagem rico em missões, também o entrevistador não conseguiu obter o fundamental para sintetizar em uma entrevista. Na entrevista com a Missionária da Junta de Missões Mundiais, Silvania Maria da Costa, que serve no Timor Leste, também faltou o algo mais, devido ao tempo. Silvania é uma pessoa muito especial e realiza um projeto de suma importância. O repórter queria alguém não profissional, o chamado indevidamente de “leigo”, e procurou a articulista Miriam Emidia de Oliveira da Igreja Batista em Parque do Carmo, da capital de São Paulo. Mais uma vez o repórter não foi feliz e não soube explorar a riqueza do personagem e de sua história. O repórter foi para o Rio de Janeiro em busca de alguém “diferente” do meio tradicional, e entrevistou a Missionária da JMN, Rosali Ribeiro Novaes que serve na Cristolândia. Sem curso de teologia, sem curso de missões, divorciada e com

o casal de filhos criados e independentes, Rosali era a pessoa ideal, pois, mesmo nessas condições abriu o seu coração para missões e faz um trabalho muito vibrante na Cristolândia-RJ, mas...faltou também a liga necessária para que a entrevista tivesse o objetivo proposto. As entrevistas realizadas podem ser lidas nas páginas seguintes. A idéia de colocar duas jovens missionárias, Sarala Kumar e Munni Baangi, que foram para o Sul da Ásia e sozinhas é para demonstrar como as jovens mulheres estão se esforçando para realizar a Obra do Senhor. Não poderia faltar Nancy Dusilek, principal líder feminina dos batistas brasileiros. E uma pastora, Diana Flávia, pastora de tempo integral, pastora titular, mãe e esposa, um personagem riquíssimo. Dulce Helena é muito próxima, comemos no mesmo prato e representa o “ex” do meio acadêmico. O meio acadêmico é mestre em produzir “ex”. Madalena Alves e Gisele Nahime trabalham em conjunto com o Projeto Vigiai, são mulheres de fibra. Um poema em pessoa é Margarida Lemos Gonçalves, mereceu um acróstico. Ela se recupera de problemas de saúde, motivo de orações dos batistas brasileiros. Patrícia Bezerra é uma multi-mulher, realizando um grande trabalho social na capital de São Paulo. É a homenagem do Vigiai às mulheres, sintetizada nesta coluna especial.


Sélio Morais da Silva

pleno século XXI em nosso meio? Entendo que Deus nos trata sem preconceitos ou hierarquias por causa da criação. Alguém tinha que ser primeiro, certo? Mas a nossa sociedade é preconceituosa e no meio evangélico também. Em algumas situações alguns assumem posições bem claras em outras, veladas. Como a mulher tem um sexto sentido aguçado por causa da maternidade, ela também percebe “no ar” a discriminação velada. Infelizmente, em pleno século XXI ainda vemos essa discriminação quer na sociedade como no meio evangélico. Veja a dificuldade da presidente Dilma diante do monopólio masculino. Existem no nosso meio grandes ministérios que investem na formação de pastores, desde que os pastores não defendam o pastorado feminino e sejam contrários ao divórcio, mesmo o divórcio bíblico. Como conviver com Escritora Nancy Dusilek: primeira vice-presidente tal realidade? Vamos por parte: da Convenção Batista Brasileira na minha opinião, pastores contrários ao pastorado feminino alegam que não é bíblico. Muito bem: mostre-me onde, na Bíblia, a igreja se reúne para um culto de comissionamento de missioAlém da diretoria da CBB a irmã nárias? E por que fazemos? Não está na exerce outra função na Causa hoje? Bíblia. E ai de nossas Juntas MissionáE quais as funções a irmã exerceu? rias se não tivesse as mulheres em seus Atualmente, além de ser a primeira vice- quadros! Podemos mandar missionárias presidente da Convenção Batista Brasi- sozinhas para todo canto do Brasil e do leira, sou a primeira vice-presidente da mundo, mas elas não podem pastorear Igreja Batista Itacuruçá, RJ, membro do nossas igrejas aqui. Sempre me faço uma Conselho Administrativo da Convenção pergunta: por que as igrejas que têm pasBatista Carioca e membro da Academia toras não são excluídas da CBB? Se não Evangélica de Letras do Brasil. Já atuei é bíblico, então estão fora do nosso Pacalgumas vezes como vice-presidente da to. Mas não fazemos. Para mim, a quesCBB e presidente da UFMBCarioca e tão não é ser bíblica ou não, mas espaço uma vez da UFMBB, além de professora de poder político. No meu entender, o e diretora de EBD por muitas vezes. Fui problema está nas regras da Ordem. Já redatora por 11 anos da revista Mulher pensou uma diretoria da Ordem com Cristã Hoje, da UFMBB. Com 7 anos de uma presidente? Se ela pode votar e ser idade eu era presidente da Sociedade de votada... Nem pensar para alguns. É ou Crianças da minha igreja no antigo mo- não é discriminação? Entendo que esse assunto ainda vai render muito. Repito, delo. Pode? A irmã escreveu um artigo: essa é a minha ótica pessoal sobre o as"Deus e a mulher - Uma parceria sunto. Sobre o divórcio não desejo para sem preconceitos". E com rela- ninguém. Deus não criou o casamento ção aos homens, alguns ainda têm para depois divorciar. O problema é que preconceitos contra a mulher em somos fracos no preparo de nossos jo-

Nancy Dusilek

vens para o casamento. Quando os casais enfrentam dificuldades procurar quem? O pastor? Um profissional? E quando é com pastores? Nesse caso entendo que a Ordem deveria ter um espaço de ajuda a seus filiados e famílias quando diante de problemas. Mas, um dos problemas é o pastor aceitar ajuda. Os batistas investem pesadamente em missões, mas, ainda não é o bastante. A área de missões não profissionais, como da União Feminina, recebe a devida atenção dos batistas? Bom, quem faz missões, na realidade, são mais as mulheres do que os homens. São elas que dão à luz e ensinam os futuros missionários. Neste caso da União Feminina está cumprindo o seu papel através de suas organizações. O problema é que muitas igrejas estão inovando “copiando e colando” modelos importados e alguns deles se descuidam dessa caminhada desde pequenos até adultos ao ensino do amor a missões. De um modo geral entendo que a União Feminina recebe a atenção dos batistas. Quando trabalhei na JMM li vários depoimentos de candidatos e a grande maioria sentiu chamado missionário quando eram mensageiras ou embaixadores do Rei. Isso me chamou a atenção. Pensar em Nancy Dusilek, escritora, viúva e mãe de pastor nos remete ao livro "Mulher Sem Nome". A mulher de pastor ainda não tem "nome"? Sempre louvei a Deus por ser esposa de pastor. Não existe nada melhor, na minha compreensão. Ser mãe, então, mais ainda. Lembro-me no dia da ordenação de Sérgio Ricardo, enquanto ele estava ajoelhado, eu o sentia mexer em meu ventre. Foi uma sensação muito boa, saber que fui a pessoa que abrigou no ventre alguém para ser ministro de Deus. Não tem preço. O livro “Mulher sem Nome” foi um incentivo que tive do marido, na época. Durante 28 anos fui totalmente apoiada por ele que me incentivou a escrever e a falar. Refiz uma segunda edição em 2010 com mais experiências e no ultimo capitulo coloquei a “Mulher com Nome”. Ainda há muitas esposas sem nome e muitas vezes endossadas por um marido inseguro que se assusta com os dons e talentos da esposa e ai a sufoca. Felizmente, há muitos cujas esposas têm nome, voz e vez. Um hoMarço de 2012 * Vigiai -

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mem bem resolvido não tem problemas com uma esposa talentosa. A irmã tem participado várias vezes da mesa da CBB, como é liderar no meio de pares sempre masculinos? Sempre fui tratada com cortesia, carinho e consideração pelos meus pares masculinos. Jamais recebi uma palavra de desagravo. No entanto, quando estou dirigindo uma sessão administrativa percebo, claramente, que não posso errar. Tenho que saber na ponta da língua o Regimento Interno, as Regras Parlamentares, o Assunto discutido, acompanhar quem está falando, etc., tudo ao mesmo tempo. Se um pastor dirige e “pisa na bola” com Regimento ou as Regras, sempre há uma justificativa, mas quando é uma mulher, “está no lugar errado”. Não é falado, mas a expressão corporal de alguns já me diz tudo. Afinal, não nasci ontem, aliás, nasci há muito tempo... Problemas particulares afetam a performance de qualquer líder. A irmã passou por um que se tornou amplamente conhecido e conseguiu superá-lo, como? Confesso a você que nos 28 anos de vida conjugal onde o carinho e respeito mútuo eram palpáveis, jamais passou pela minha cabeça enfrentar a dor que enfrentei àquela altura. Aprendi que nossas decisões afetam a todos que nos cercam, quer positiva ou negativamente. Daí a responsabilidade do livre arbítrio dado por Deus. O deserto e o vale que passei realmente foi uma dura experiência que não desejo para ninguém. Mas, nasci e fui criada num lar simples, na cidade de Suzano, SP, por um casal totalmente comprometido com Deus. Aprendi que Deus chora conosco em nossas dores. E como Deus chorou comigo em 1998! A superação só é possível quando estamos centrados no Deus do equilíbrio e que nos mantém em pé, enquanto estamos dobrados diante Dele. Aprendi com o Senhor “tirar Graça da desgraça” ou “transformar a desgraça em Graça”. Com isso consigo falar a mesma linguagem de quem passou ou está passando pelo mesmo problema. Há uma identificação. Congressos, palestras, congressos e mais palestras. A irmã não é pastora e nem missionária. Qual é o seu discurso? Deus tem me dado

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muitas oportunidades de falar principalmente a grupos de mulheres de vários seguimentos denominacionais. Em alguns deles sou chamada de “pastora ou missionária”. Eu sempre digo, brincando, “não me comprometam”. Prefiro o titulo de “serva do Senhor”, nada mais, nada menos. O que sempre passo é que Deus nos fez mulheres inteiras. A mulher conheceu a Deus antes de conhecer o homem e vice-versa. Foi Deus quem apresentou um ao outro. Portanto, diante de Deus sou responsável pelos meus atos e meu compromisso com Ele. Sempre enfatizo a necessidade de uma saúde mental, emocional, espiritual e consequentemente, física. O homem não percebe que a melhor coisa é conviver com uma mulher inteira e de bem com ela mesma e com a vida. Se ele boicota o prejudicado é ele mesmo. Há muitos que ainda não perceberam isso, infelizmente. Quem é Nancy Dusilek por Nancy Dusilek? Uma mulher que busca sempre fazer o melhor que pode no Reino de Deus, mesmo sabendo que nem sempre atinge seus objetivos por causa da limitação humana. Mãe realizada de dois filhos que só me dão alegria e, agora, coroada há 2 anos com uma neta. Uma mulher desejosa de que as mulheres cristãs sejam totalmente comprometidas com os valores do Reino de Deus. Qual o recado que a irmã deixa para os jovens, para as mulheres e para os evangélicos em geral? Creio que a nossa juventude nunca viveu tempos tão difíceis como os nossos de hoje. Muita facilidade com tecnologia, mas muita dificuldade com valores e caráter. Não é fácil ser jovem e adolescente cristão comprometido com Jesus no mundo de hoje. Os pais e líderes religiosos precisam estar atentos para oferecer orientação a eles para que não os percamos. Para as mulheres e crentes em geral, o meu desafio é que vivamos o verdadeiro evangelho sem fantasias. Repito uma frase de um pastor que me impactou: “não adianta louvor na vida se não tiver vida de louvor”. Que marcas estamos deixando? Que tipo de louvor estamos fazendo? Só êxtase e lágrimas na hora do louvor ou uma vida comprometida com valores inalienáveis do Reino de Deus? Esse tem sido o nosso maior desafio como cristãos neste mundo.

Diana Flávia Quem é a pastora Diana Flávia pela Pastora Diana Flávia? A Pastora Diana Flávia é uma rata de Igreja. Desde pequena envolvida no Reino! De natureza destemida, qualquer missão mais complicada, pode mandar que ela encara. Alegre, vibrante e moderna. Baixinha. Sensível, chorona e apaixonada pelas pessoas. Tem sede de justiça e luta por ela, sem medo de pagar o preço. Líder autocrática e carismática (sem desmerecer os conselhos, mas a decisão final é minha). Teimosa. Mãe dedicada e esposa amantíssima. E como Paulo, faço o possível para ganhar alguns para Cristo. Será que esqueci alguma coisa? (RISOS). A irmã já foi discriminada por ser pastora batista tradicional? Muitas vezes. Já fui impedida de pregar em algumas Igrejas; já fui discriminada em seleções para cargos remunerados na Convenção; já fiquei de fora em sucessões pastorais; já me mandaram calar a boca em reuniões onde haviam questões morais envolvendo pastores (o agressor disse que eu não era homem, e não entendia "dessas" coisas); sou eleita para cargos menores na Ordem com votação elevada mas quando se fala em presidência, há um discurso de que "ela é capaz, mas ainda não é o tempo"; já fui rotulada de homossexual e de estranha, só porque estava à frente da direção da Igreja; As pastoras que lidam apenas com mulheres e são líderes


fro com a discriminação. Luto contra ela, pois assim como a discriminação na área de direitos naturais é contrária à vontade de Deus, a discriminação na área de direitos espirituais também o é. A Bíblia ensina que todos têm o direito de conhecer a Deus, de agir conforme esse conhecimento, e uma vez regenerados, têm o direito de servir a Deus conforme o Seu chamado. Discriminação é todo ato que restringe esses direitos espirituais, e portanto prejudica ou diminui as oportunidades dessa pessoa servir a Deus. Paulo em Tito 2:3 fala às "presbutidas", a mesma raiz de "presbíteros"... Por que os biblistas nunca tiveram coragem de traduzir o termo exato como pastoras como fizeram em outros textos com a raiz presbíteros? Presbítero significa "o mais velho", sendo o termo usado posteriormente para indicar autoridade. Nas traduções usuais há a confusão de quando usar a transliteração "presbítero" ou a tradução "ancião", embora Diana Flávia: pastora titular da Primeira Igreja Batista de Camboinha, Maceió - PB eu recomendasse o uso no superlaticrescendo, tenho convites de pastorado vo: "mais velho". No texto acima, temos em outros Estados, tenho convites para presbutas (velhos) no v. 2 epresbutidas outras denominações, sou ouvida e res- (velhas) no v. 3 - não encontramos enpeitada entre a maioria dos colegas pas- tão o sufixo superlativo -teros. A tradutores, etc. E sem falar na família que é ção para pastora não seria conveniente. minha grande inspiração. Meu marido Paulo está querendo que Tito aconseé o maior defensor do meu ministério. lhe as gerações, por isso no v. 6 fala dos Meus filhos me acompanham em tudo, e neoteros, os mais novos. De repente eu minhas ovelhas ouvem a minha voz. So- também sou biblista (risos). Um uso de de MCA, Déboras e outros departamentos são preferência nas programações e congressos enquanto que eu e outras que são titulares de Igrejas ficamos de fora ; enfim, já passei por todo tipo de discriminação que se possa imaginar. O bom é que também há o outro lado. Já ouvi que sou pastora de verdade! Vejo a Igreja

presbuteros/neoteros com tradução recomendada está em Lc 15.13 (neoteros) e Lc 15.25 (presbuteros). O fato de Paulo tratar das idosas após os idosos indica uma abertura para as diversas faces do ministério das mulheres na Bíblia. O pastorado feminino no meio batista tem sido detonado como barganha em nome de uma pseudo-unidade, as pastoras vieram para destruir? As Pastoras não vieram para destruir. Costumo dizer, elas sempre existiram, mas o título veio agora. Quando nos foi negada a ordenação, a filiação, e, outros direitos espirituais e institucionais, em nenhum momento pensamos em ir à justiça, fazer confusão, organizar outra Ordem de Pastores, etc. Sempre lutamos de forma justa e limpa, e sem querer prejuízo para ninguém. Sendo assim, nossa presença veio para acrescentar, não para destruir. Sei que nosso povo Batista tem discutido e se estranhado em alguns lugares, mas até isso eu creio que seja mover de Deus. Ele está levantando uma Igreja dentro da Igreja, para preparar os crentes verdadeiros para Sua vinda. O Apocalipse é iminente. E toda revolução que aconteça, contribuirá para o fortalecimento da real Igreja de Cristo! As Pastoras fazem parte dessa revolução... fico satisfeita. A irmã tem sido pastora titular por mais de uma dezena de anos. Alguns líderes sinalizam com uma idéia esdrúxula aceitando o pastorado feminino, desde que seja auxiliar, o que a irmã pensa disso? Acho um absurdo. Pastorado é dom, chamado. E é coisa específica. Colocam "pastoras" para cuidar de departamentos femininos, coisa que uma irmã bem preparada poderia fazer. Ou "ordenam" a esposa de fulano, só porque se ele é pastor e ela também deve ser. Essa posição é pior do que se fosse contrária a ordenação. Desmerece o dom concedido pelo Espírito e limita as ações da verdadeira vocacionada. Servir em papéis de apoio também é benção, para aquelas que se encaixam nesse papel. E pra isso não precisam de ordenação. Mas aquelas que foram chamadas ao Ministério devem ser ordenadas com consciência, dela, e de quem lhes impõe as mãos. Diga da experiência e da formação da irmã. Fui a mais nova aluMarço de 2012 * Vigiai -

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na do Itebes (instituto Teológico Batista de Ensino Superior-PB) com 15 anos de idade. Formei-me em Bacharel em Teologia. Servi em várias igrejas como líder de jovens e ministra de louvor (leiga). Membro fundador da I Igreja Batista de Mangabeira e da II Igreja Batista de Mangabeira VII (João Pessoa-PB). Consagrada Missionária pela II Igreja Batista de Mangabeira VII, fui enviada à Juripiranga-PB para passar seis meses, e colocar a Igreja "no rumo certo". Passei dois anos à frente da Igreja Batista de Juripiranga-PB, até que a mesma pediu minha ordenação ao Ministério Pastoral. Foi a primeira carta recebida pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil-Seção Paraibana, e a terceira carta a ser atendida. Ordenada em 2003, pastoreei até ano passado, quando saí para assumir a coordenação da Secretaria Executiva de Missões e Evangelismo da CBPB. Nesse ínterim assumi diversos cargos na Ordem e Convenção. Participei de diversos concílios para pastores, inclusive como examinadora. Fui professora de seminário na área de Antigo Testamento-Profetas Maiores e Menores. E hoje, pastoreando a Igreja Batista de Camboinha, em um desafio gigantesco que é a compra do terreno e a construção do templo. O Evangelho, a Causa do Nosso Senhor Jesus Cristo estão sendo prejudicados o anúncio e vivência no meio batista por causa da discriminação de alguns líderes? Toda discriminação é prejudicial. Mas vamos olhar com esperança, novos tempos estão surgindo, e vejo que em breve, a Igreja terá que se unir para poder sobreviver à perseguição dos opositores ao Evangelho. A irmã se sente menor que um pastor do sexo masculino? Nunca me senti menor. Apesar de alguns quererem que me sinta assim. Um dia recebi como secretária da Ordem dos Pastores uma comitiva de irmãos de uma igreja que recentemente perdera o pastor. Eles queriam auxílio na sucessão pastoral. O primeiro requisito da comitiva foi: "que não seja uma mulher". Eu perguntei por quê, e eles gaguejaram na resposta. Isso é frequente. Apesar de ter a mesma formação teológica dos colegas, apesar de ter sido professora de seminário, apesar de ter experiência, apesar de tocar um

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instrumento musical (coisa rara entre os pastores daqui), apesar de ter sido peça fundamental em muitos concílios de pastores (secretariando, ou perguntando), apesar de tantas coisas favoráveis e que me igualam ou me colocam uma posição superior, o fato de ser mulher, na mente de alguns, me desvaloriza. Mas eu não me sinto inferior. Qual o legado que a irmã está deixando... revolucionária ou missionária? Revolucionária sim. Missionária muito mais. Revolucionária porque as irmãs verdadeiramente vocacionadas têm hoje a chance de exercer seu ministério por causa de mim e de outras mulheres que enfrentaram uma luta tremenda para que a ordenação feminina fosse realidade entre os Batistas. Missionária porque onde Deus mandar, irei. Juripiranga, Camboinha, e até os confins da terra. Minha pátria está nos céus. E ainda sonho em acabar meus dias no Oriente Médio, pastoreando uma Igreja Batista, para honra e glória do Senhor Jesus. Meu filho de 18 anos disse que tem vontade de escrever um livro sobre sua mãe. Ele disse: "Essa mulher tem história pra contar". É um orgulho ver que nossos filhos admiram nosso trabalho e caráter. Esse é meu maior legado. O que tem a irmã a dizer ao povo batista brasileiro? Amo esse povo. Faço parte dele e farei até que Jesus venha buscar Sua Igreja. Mesmo que um dia (Deus me livre) fosse excluída, continuaria a ser Batista. Gostaria apenas que o povo Batista de alguns lugares despertasse para a importância de lutas antigas, como defender a verdade, a pureza e a unidade verdadeira. Vejo que a política tem entrado em nosso meio com força. Se mata uma pessoa em nome de uma unidade mascarada, com ganhos para uma elite e perdas para os pequenos. Em nome da Paz, se esconde coisas erradas sob o pretexto de não escandalizar o mundo. Não queria que fosse assim. Eu mesma, não procedo assim. E sei o preço que pago. Mas os Batistas ainda são o povo santo de Deus. Com nossa fé simples e forte, fomos preservados por Deus desde nosso nascimento até agora. E em relação ao Ministério pastoral feminino, os Batistas em comunhão com o Espírito Santo não farão objeção a ele. Que Deus abençoe o povo Batista.

Dulce Helena

Dulce Helena: ministra de educação religiosa da Igreja Batista em Vila Nova, Nova Iguaçú-RJ.

Quem é Dulce Helena? Eu não cresci em um lar evangélico, eu era católica praticante. Conheci o evangelho na Escola Bíblica Dominical, que é uma instituição que eu defendo como evangelizadora. Foi através do estudo que eu tomei a decisão. Tive um chamado com o apoio do pastor Albino Adolfo Veríssimo ao ser despertada pela vocação foi ele quem me orientou e ajudou e até mesmo num momento de uma rejeição no IBER porque sou epilética. Eles não viam condições para que eu estivesse lá, mas foi trabalhada a questão de que eu não poderia ser impedida de aprender a servir melhor por uma questão de saúde que podia ser controlada, e, foi o que aconteceu. Já que a irmã entrou na questão IBER, diga como foi a sua passagem pelo IBER? Dentro do próprio IBER encontrei grandes apoiadores. Foi de 1981 a 1984 que estive como aluna. Em fevereiro 1985 fui chamada para trabalhar na Casa Batista da Amizade com crianças. Como fui uma boa estagiária no IBER, deixei caminhos abertos para este trabalho. Mais tarde, eu fui orientada pelos missionários de lá, CBA para fazer o serviço social. Assim fui me envolvendo


dentro da denominação. Devo muito à denominação batista. Cresci muito profissionalmente por causa dela. Em 1980 eu não tinha condições de ser uma aluna do IBER. Em 1989 eu tinha condições de ser professora do IBER. Deus me abençoou muito. A irmã fala do IBER com muito sentimento... Eu trabalhava na Casa da Amizade, dei aulas no IBER (a partir de 1986) por dezessete anos. Só saí quando mudaram para CIEM. Foi o lugar onde eu cresci como pessoa, como educadora e como profissional dentro das oportunidades que me foram dadas. Além de grandes amizades e ricas histórias de vida que experenciei no IBER, não há como deixar esta história pra trás e nem deixar de se ter grandes e bons sentimentos. Não passei somente os quatro anos de estudos. Estudei, dei aulas, morei como aluna e como funcionária, me diverti e convivi com grandes personalidades do meio eclesiástico, conhecidas ou anônimas que me apoiaram muito e dividiram o crescimento de vida comigo. A irmã fez também a Faculdade de Serviço Social? Eu fiz Serviço Social com o apoio das pessoas que trabalharam comigo no IBER. Que conseguiram uma bolsa para mim. Eu fiz na Gama Filho através de irmãos norte-americanos, missionários como Marylois que me ajudaram. Depois eu tive uma oportunidade de fazer uma pós-graduação e mais tarde mestrado em psicologia social. Sempre na Gama Filho e com apoio dos irmãos, pois eu não tinha condições. Como foi a sua passagem pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil? No Seminário do Sul eu comecei dando aulas quando estava terminando meu mestrado. Dentro do Seminário tinha os Campus, e eu comecei a trabalhar no Campus de Nova Iguaçu – que foi na Primeira Igreja Batista de Nova Iguaçu. Mais tarde comecei a trabalhar na Primeira Igreja Batista em São João de Meriti e depois na Primeira Igreja Batista de Campo Grande. Na década de 90 fui encaminhada para própria sede. Trabalhei por dezenove anos no Seminário do Sul. O Seminário entrou em crise e eu fui demitida. Hoje eu dou aulas em uma faculdade de engenharia civil, produção e ambiental, na cadeira

de Metodologia Científica e trabalho na área de Serviço Social. Trabalhar no Seminário do Sul era um prazer, uma realização de uma vocação. A irmã recentemente recusou um bom emprego no meio batista, por quê? Porque hoje eu tenho uma realidade social e financeira, e que para fazer este tipo de trabalho eu teria que abdicar desta realidade. Não tinha tantas garantias, certezas e convicções. Não tenho nenhum problema com o nome batista (pelo contrário), mas com a forma da administração batista. Eu tenho, como todo mundo, necessidades financeiras e preciso me manter. Existe, no meu entendimento, uma realidade denominacional de cargos por indicação, amanhã ou depois se quem tivesse me indicado para este cargo poderia não estar mais lá e a minha vida sofreria grandes prejuízos, que no momento me assusta ter que enfrentá-los. A minha preocupação é com a forma de administrar da denominação que poderia me deixar numa situação de ter que buscar um novo sustento a qualquer momento. A irmã tem mágoa dos batistas? Não, porque a minha questão não é com a minha denominação. A minha questão é de trabalho. Eu gosto do trabalho na Causa/denominação/igreja. Trabalho com educação religiosa na Associação Batista Iguaçuana. Gosto do que eu faço. O problema é que os nossos cargos administrativos são por indicação. E se indica pessoas que são conhecidas. E isso faz com que eu, mesmo tendo competência para o cargo, somente seja nomeada em função de ter alguém conhecido, por ser de sua confiança. Se o meu “conhecido” saísse do seu posto, eu correria o sério risco de ser dispensada, também. É assim que funciona. Não quero mais isso para mim hoje, pois, tem outras pessoas dependendo de mim financeiramente. O que falta nos e/ou aos batistas? O que mudou para pior? Eu acho que nos perdemos muito na questão de despertamento vocacional, tanto na educação quanto no pastoreio. Muitos buscam uma formação profissional e poucos uma vocacional. A questão é de orientação e despertamento. As Juntas de Missões Mundiais e Nacionais fazem isso. Por isso temos tantos jovens se dedicando a missões. A partir do momento

que o IBER mudou o foco, a União Feminina mudou o foco dela para missões e fechou o foco pra educação religiosa. Embora tenha um curso de educação religiosa missionária no CIEM, não é mais o mesmo empenho ou a mesma divulgação. Perdemos o foco. Perdeu-se também o despertamento vocacional focado no ensino. Corremos o risco de pagar um preço muito alto no longo prazo. A ênfase em missões sem preparo teológico não está correta? O ensino teológico é muito pouco comparado com o que há para missões. Os professores, como eu têm perdido oportunidades de trabalhar com jovens vocacionados para o ministério, de ensino ou da Palavra. Missões têm crescido com qualidade, mas, a igreja local está perdendo o despertamento vocacional. São poucos obreiros especializados na área de educação. Tem que se estudar uma nova forma de despertamento. Despertar mais as pessoas para questão educacional. Senão cairemos na realidade das pessoas que vão para seus grupos religiosos somente para ouvir a palavra ou para cantar. Aí o ensino fica sem objetivo. Não ter na igreja quem administra ou coordene a educação é danoso pra qualquer igreja. Há educadores sem preparo de ensino religioso. Há tantas coisas para se fazer dentro da igreja e muitas pessoas não têm esta visão. A pedagogia por si só não dá essa formação para as pessoas atuarem como educadores religiosos. A nossa denominação sempre teve, sempre manteve uma boa produtividade educacional e hoje está perdendo a oportunidade para os outros grupos que tem formado cursos de educação religiosa. A irmã se emociona ao falar em despertamento. Vamos concluir a entrevista com “despertamento”. Qual é a sua recomendação? Eu acredito que temos que despertar vocações, na questão educacional da igreja, porque pessoas que são formadas nessa área estão envelhecendo. Eu tenho procurado pessoas para me substituir como educadora religiosa daqui a algum tempo e não encontro na igreja porque eu não percebo o despertamento. Não temos nos preparado, e isso não tem sido uma ênfase para aqueles que são mais jovens e que futuramente irão nos substituir. Precisamos de gente no futuro que veMarço de 2012 * Vigiai -

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Missionária Saralá Kumar: primeira mulher solteira enviada pela JMM para trabalhar com os mulçumanos no sul da Ásia

nha assumir coisas que hoje nós estamos construindo, e que vamos precisar manter. A gente tem que respeitar e valorizar quem é capaz. E construir pessoas que se tornem capazes também. Senão perdemos o caminho, o objetivo e as oportunidades para outros que observa, descobre o que fazer e age conquistando um campo de atuação que a denominação poderia estar investindo. Temos talentos que estão dentro da nossa denominação, que Deus nos deu, são perdidos para outros grupos religiosos ou até para o mundo. Finalizando: Dulce Helena por Dulce Helena... Sou batalhadora. Tenho metas. Tenho crescido e aprendido por causa disto. Eu sei que eu sou assim. Gosto da idéia de ajudar aos outros. Eu acho que não posso viver no mundo sem contribuir de alguma maneira. Pelo menos na minha realidade de mundo eu tenho que contribuir em alguma coisa. E ver a importância de não só passar na história, mas deixar uma marca. Paulo escreve em Romanos 16.12 sobre Pércia se refere a ela como "amada". Não se sabe exatamente o que ela fez, mas o fez "no Senhor" e o fez com qualidade e deixou sua marca. Quero que as pessoas lembrem assim de mim, como alguém que soube deixar boa marca na vida dos que comigo viveram. Sei que não sou perfeita, mas tenho tentado fazer o melhor.

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- Vigiai * Março de 2012

Saralá Kumar Como foi a sua chamada? A gente sempre ouve as historias bíblicas dentro da igreja. Para mim que fui criada como evangélica e nascida na igreja batista, foi mais ou menos isso que aconteceu. O meu chamado está muito ligado a esse processo da conversão, quando eu pedi uma experiência com Deus, para conhecê-lo, e que veio aos 20 anos. Passei por uma crise de fé muito grande na faculdade, ao ter contato com pessoas diferentes, de diferentes religiões. Entrei em crise e orei a Deus: Senhor eu quero te conhecer, se o Senhor esta me ouvindo, por favor, se revele a mim de uma maneira pessoal. A resposta desta oração veio natural: a minha melhor amiga da igreja, que nem sabia dessa minha crise, me ligou e disse que o irmão dela estava estudando o livro "Conhecendo a Deus e Fazendo a Sua Vontade." Nele, numa das lições que fala sobre Abraão, o autor pergunta "você teria a mesma coragem de deixar sua terra, sua parentela, e ir para um lugar que Deus iria ainda mostrar para você?". Eu parei e disse não. “Não” foi a sua primeira resposta, como foi o sim? Veio uma forte voz que causou um impacto muito grande em meu coração, dizendo que era isto que Deus queria de mim. Demorou al-

guns anos e no final da minha faculdade, e com a vinda de alguns americanos e na convivência com a americana Laurie Chaudoin, me inspirou a dizer sim. A vida daquela mulher foi um impacto sobre minha vida. Você se preparou? Sim, fui para o seminário no mesmo ano que havia sido impactada. A própria vida é um preparo. Deus, na sua onisciência e em seu controle... Ele colocou no próprio caminho as experiências para que a gente viva. E o relacionamento diário com Ele também é importante, não adianta ser intelectualmente preparada, se no processo eu não estiver caminhando com Ele. Além do estudo superior em teologia a irmã fez outros cursos superiores? Sim, fiz comunicação social, uma ferramenta muito boa, e que tem me ajudado na comunicação com as pessoas. Depois veio o seminário, foi um curso atrás do outro. Como foi esse período? O Senhor trabalhou a parte ministerial e pessoal da minha vida. Porque eu precisava rever algumas coisas na vida, a santificação, o estudo da Bíblia, entender realmente o que é missões. Qual foi a sua primeira experiência missionária? Foi com a “Jovens com uma Missão” (Jocum) em 2005; durante três meses estudamos a Bíblia, na área missiológica, conhecer Deus e


fazê-lo conhecido. Investi muito tempo nas devocionais e no a sós com Deus. Foi sobrenatural. Minha vida foi dividia no antes e depois de Jocum, a ETED (Escola de Treinamento em Evangelismo e Discipulado) foi um divisor de águas. A irmã pode detalhar este processo? É pregar o evangelho e envolver todas as áreas da vida, em áreas básicas: Família, igreja, educação, artes e entretenimento, ciência e tecnologia, negócios, política. Missões precisa ser levado às macroestruturas. Dê um exemplo, na prática, como fazer isto? O que William Carey fez na Índia, é um exemplo, ele lutou para mudar leis contra a vida, como o “sati”, que é o costume de queimar as viúvas com seus maridos mortos. Não é só a pregação, mas é modificar a cultura e lutar por uma sociedade mais justa. Isto também é viver o evangelho. Como foi sua formação na Junta de Missões Mundiais? Na JMM, o preparo foi mais pastoral. Cuidado do missionário como pessoa, aprofundando na área antropológica, teórica de missões, saber qual é a visão de Missões da Junta . A irmã trabalhou no meio empresarial? Eu fui web designer, trabalhei em atendimento ao cliente na área publicitária, e fui secretária executiva. Missões não é só pregar o tempo todo. As experiências profissionais, as coisas práticas do dia-adia são importantes também. E no Brasil, a irmã fez missões? Sim, desde os 11 anos comecei a participar em missões com minha igreja, fui para o sertão da Bahia, pela Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira, fui para a Trans-Bico do Papagaio, Trans-Minas Gerais. Trabalhei com minha igreja também. E para o exterior, a irmã foi alguma vez? Sim, pela JOCUM e pela Rede Sal e Luz do Seminário Betel, fui para China, Índia, Estados Unidos, Inglaterra, Paraguai e Argentina. Agora vou para um país do sul da Ásia pela JMM. A irmã também trabalhou na Jocum aqui no Brasil, em qual função? Fui professora de inglês para os

tendimento... . Existe um lado da insatisfação que é muito grande dentro de min. Eu não me conformo com este mundo, quero mudar e melhorar como pessoa e que o mundo mude também. Temos que escolher passos muitos difíceis... às vezes a realização pessoal é adiada ou fica de lado, às vezes a realização pessoal fica em segundo plano. Qual é a sua opinião sobre satisfação integral? O ser humano consegue viver sozinho? Não. "Não é bom que o homem esteja só". Eu acredito no dom do celibato, já tive oportunidade de ver pessoas que encontram muita realização em ter muitos amigos, e não são afetadas pelo fato de não terem casado, conseguem viver sem um cônjuge. Eu não, eu preciso de uma família. Isso não é uma verdade para todos. Qual seu conselho para as pessoas que decidiram ir para o campo de missões, um campo totalmente desconhecido? Apertem os cintos, porque a viagem é turbulenta. Porque Deus não faz os caminhos como a gente pensa. O processo nos ofende, fere muito. Mas é uma ferida que é para curar. Não podemos nos sentir como os donos Saralá Kumar da verdade, mas sim possuídos pela Verdade. Não sintam que vão (para o campo) como detentores um pouco essa distância e a saudade. da verdade, mas como aqueles que são O que lhe garante? Temos a outra tratados pela Verdade. Porque nós tampromessa de Jesus, "ninguém que deixar bém somos campo missionário de Deus pai e mãe por amor do meu nome, vai mesmo quando missionários. Ao mesdeixar de ter ainda nesta vida cem vemo tempo que Deus faz a obra lá fora, zes mais pais, mães, irmãos e com eles ele faz aqui dentro. Muitos missionáa vida eterna". Quando fiquei doente lá rios vão com esta postura, como "donos fora, tive apoio de muitos que se tornada verdade", "eu vou levar a cura", mas ram minha família. não percebem que Deus vai tratar com Vislumbra algo? Sonha? Já visele as coisas que ele tem lá no escondido lumbrei no passado. Sonhei demais, e da alma. Sugiro a essas pessoas ir com nunca é como a gente pensa. Eu planejo a mente e coração abertos, sabendo que sim, mas não quero vislumbrar além da vão ser feridos durante o processo. Mas medida. Busco viver cada dia com o Se"fiéis são as feridas feitas por um amigo" nhor, o que de mal e de bem houver, tenporque elas nos curam. to tirar lições positivas de tudo. E cresVocê não teme pela sua integricer. A dor e o sofrimento fazem parte. A dade física? Temo sim. Me pergunto se Bíblia nunca mentiu a este respeito, mas em uma situação limite faria como Pegarante o bom ânimo em Cristo. dro, que negou a Jesus. Não sei qual seA irmã é feliz? Não sou feliz plenaria a minha reação. Mas por outro lado, mente. Aqui nunca vamos estar plenaeu sinto muito forte, que é preciso eu ir. mente felizes. Embora tenha uma grande Eu estou indo contando com Deus, mas satisfação na presença do Senhor, uma Ele é soberano em minha vida. Ele pode paz que excede às circunstâncias, ao enmissionários em trânsito, que estavam indo para diversas nações e que precisavam do inglês como língua ponte para aprender a língua local. Essa convivência com outros missionários nos dá mais bagagem. Como é largar, literalmente, tudo, e, ir para o estranho, o inimaginável, o desconhecido? A parte mais difícil é de largar família e amigos. O coração do missionário é bem fragmentado. Mudei de igreja poucas vezes. Foi muito difícil eu dizer adeus. Fiquei 1 ano fora do Brasil e quando voltei, senti o choque reverso. Me senti estrangeira na minha própria terra. É mais difícil, você deixou de fazer parte da história de pessoas queridas por um tempo, deixou de conviver com a cultura. Porém, isso tem um lado positivo. Você firma mais ainda sua amizade com Deus. Pois ele é seu amigo em todos lugares, e você se apega mais a Ele. Mas hoje também tem a internet que ameniza

Eu creio que eu estou indo para o olho do furacão

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Madalena Alves: missionária urbana, fundadora da Igreja Batista no Bonfim, Taubaté-SP

tanto me proteger, como pode usar minha morte para dar testemunho. Você em uma situação de confronto, em que sua integridade estivesse ameaçada, você negaria a Jesus? É essa minha dúvida. Vendo o exemplo de Pedro, prefiro ser humilde e dizer que não sei. A carne pode me trair. Mas eu espero em Deus que não fraqueje se houver tal situação. Você daria sua vida? Eu creio que eu estou indo para o olho do furacão. Isso já demonstra alguma disposição em dar a minha vida. Mas na hora"h" mesmo, eu só conto com a misericórdia de Deus para fazer a vontade dEle. Se é isso que Ele quer de mim, espero corresponder positivamente..

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- Vigiai * Março de 2012

Madalena Alves Quem é Madalena Alves de Campos para você? Uma filha criada sem irmãos e que perdeu seu pai que amava muito quando tinha quatorze anos, mas que superou sem traumas pela mãe dedicada que tem. Aprendeu o caminho em que se devia andar, e por isso morria de medo de morrer, pois, sabia que se morresse sem Jesus seria morte eterna, separação de Deus para sempre. Foi quando com 19 anos, entregou sua vida a Jesus e prontamente sentiu o chamado. E se empenhou por saber que chamado era este. Praticamente gastava todo seu salário em livros de biografias

de missionários; participava de toda programação de evangelismo na igreja, e concluiu: “Quero ser missionária de tempo integral!” Essa decisão continuou com o passar dos anos, e cada vez mais convicta. Quando Deus falou: É agora! Já tinha se passado dezessete anos desde a conversão, trabalhava em uma empresa de telecomunicações há dezesseis anos. Apesar da convicção, foi difícil... o sustento. Praticamente depois de alguns anos da morte do pai, se responsabilizou pela casa. Mas, quando Deus bate o martelo não tem como questionar. E Ele confirmou isso com alguns acontecimentos muito marcantes e inesquecíveis. Nesse meio tempo já estava fazendo Teologia. Tem o temperamento extrovertido. E por isso se comunica com facilidade, é expansiva, divertida, calorosa, sociável. Esse jeito de ser, contribui para o que ela é: Missionária! Quais as lembranças da sua atuação na cidade de Natividade da Serra? Foram anos de muito trabalho, mas de muita alegria! Todos os domingos à tarde estávamos lá chovendo ou fazendo sol. Era uma alegria tão grande chegar à Escolinha Batista, assim chamada, com chuva e ver todas aquelas crianças nos esperando. Infelizmente alguns empecilhos impediram de darmos continuidade aquele trabalho. Nem todos eram assíduos, mas, as que foram hoje estão todas confirmando o compromisso com Jesus através do batismo, inclusive alguns já adultos, em uma Igreja Batista, mas de outra Convenção. E como é a sua percepção e como foi à atuação missionária na Copa do Mundo na África do Sul? Quando ouvi do Projeto “Conexão África” no Acampamento Promotores de Missões – Sumaré-SP, meu coração bateu forte, mas como ir? Praticamente tinha um mês para levantar R$ 5.000.00, questionei isso em meu pensamento, e em seguida o Pr Marcos Grava diz: “Pra Deus não ter dinheiro não impede você de ir, se tiver nos planos dele, você vai!” E foi exatamente isso que aconteceu, em duas semanas já continha todo o valor da passagem. E com tantas demonstrações de carinho com ofertas e presentes, tive certeza que Deus me queria lá. Foi uma experiência sem igual! E que projeto organizado! Evangelizamos com a “pulsei-


Munni: missionária brasileira que trabalha com filhas de prostitutas do templo na Índia

ra da salvação”, em inglês, só na oração que dificultava, mas logo chamávamos quem falava fluentemente, de cada trio ou quarteto, um falava. As pessoas pediam para ser evangelizadas, nunca tinha visto isso, e quantas aceitaram Jesus como Salvador. Levei meu testemunho de conversão por escrito em inglês para quase quatrocentas pessoas no Shopping, e vi muitas mulçumanas guardando em suas bolsas. Depois dessa viagem e uma experiência única, que me fez ver que não estava desenvolvendo meu dom, apesar de estar muita ativa na igreja. Voltando de lá sabia com muita clareza onde era o meu lugar: “Meu lugar é fora das quatro paredes!” Diga da sua experiência na organização da Igreja Batista no Bonfim de Taubaté-SP Existia uma congregação, mas, com as mudanças constantes de lideres, os poucos congregados se dispersavam. E por isso a igreja mãe propôs fechar esse trabalho, mas tocada por Deus propus estar dando continuidade, com a ajuda somente de combustível. Foi aceito, mas com uma ressalva, somente por seis meses. Mas foi da vontade de Deus... em menos de quatro meses, chegaram três famílias, e algumas que tinham se dispersado voltaram. Foi organizada com 29 membros. Desde sua organização já se passaram nove anos. Continua sendo sustentada por Deus. A irmã é feliz? Sim! Muito feliz! Nesses vinte e nove anos de relacionamento com Deus, tenho experimentado o apoio e o cuidado constante. Dê suas considerações finais e seu recado... Meu recado pra você que está lendo essa matéria é: “Não desista, mesmo que já tenha passado muitos anos... Deus tem um propósito especifico para você!”

Munni Baangi Quem é a Missionária Munni Baangi? Meu nome é Munni Baangi, sou brasileira e tenho 29 anos de idade. Sou também biomédica e missionária na Índia há um ano. Depois da graduação em Biomedicina, deixei meu emprego na área e fui para o Seminário me preparar para o campo missionário e hoje estou servindo a Deus aqui na Índia. O que motiva uma bela jovem largar tudo e ir servir em um país estranho, com uma cultura totalmente diferente? O amor que tenho por Deus e a vontade de servi-Lo com os meus dons e talentos. A irmã está trabalhando com crianças filhas de prostitutas religiosas. Como é isso? O meu trabalho aqui na Índia tem 2 linhas distintas. Como biomédica estou trabalhando na Clínica de uma Organização Cristã, onde ajudo principalmente no Laboratório de Análises Clínicas desde coleta de amostras ao processamento de exames clínicos, incluindo HIV e quando necessário ajudo no trabalho de campo, onde vamos com a Clínica Movél a favelas, escolas e vilarejos distantes oferecendo consultas médicas e também medicamento gratuito a toda população interessada. Durante esse ano estarei trabalhando também em uma casa Resgate com 18 meninas de 7 a 13 anos, filhas de prostitutas templuais (e consagradas), conhecidas como Devadasi. Devadasi é um sistema na Índia em que as meninas são dedicadas à deusa "Yellamma" para uma vida de prostituição religiosa. "Devadasi" é traduzida literalmente como "serva de deus". Uma menina destinada a ser Devadasi é consagrada à deusa por seus pais em qualquer momento após o seu nascimento.

A dedicação ocorre normalmente depois que as garotas atingem a puberdade. A Devadasi torna-se a "prostituta religiosa" do chefe da aldeia e, posteriormente, é disponibilizada a todos os homens da aldeia para fins de exploração sexual. Ela também pode trabalhar em um bordel da cidade e poderá servir até 50 homens por dia. Esse Projeto visa primeiramente resgatar as meninas que são vítimas do Tráfico Humano, muito comum aqui na Índia, dando toda a assistência necessárias que elas precisam e esperançca para um futuro melhor, como um lar, assitência médica e psicológica, escola, etc e ao mesmo tempo as meninas conhecem a Jesus e são discipuladas. Qual o recado que a irmã dá aos jovens que sentem o ardor missionário? As vezes não é fácil e nem tão simples chegar no campo, principalmente no trans-cultural. É difícil passar pelo treinamento, levantar mantenedores e até mesmo pessoas que dê o mínimo de suporte pra você no campo. Mas não desanimem e perseverem sempre, afinal de contas, a causa é maior e as dificuldades sempre serão menores. Deus é fiel e está no controle, Ele é o maior interessado em alcançar as pessoas que ainda não O conhecem e na expansão do Seu Reino. Missões não são só emoção. Como é na prática fazer missões no exterior? Não é tão fácil como muitos imaginam. Às vezes é fácil chegar ao campo pela emoção, mais a falta de perseverança e os diversos desafios fazem muitos desanimarem e voltarem para casa antes do tempo estimado. Nós como missionários no exterior, ainda mais em um país onde há perseguição aos cristãos. Passamos por vários desafios que dia a dia nos desanimam e que muitas vezes nos fazem pensar em desistir. É difícil se adaptar a cultura local, ao clima (aqui na cidade da Índia estou, nesse momento está quase 40°C), a perseguição, até mesmo no trabalho missionário. Estar longe do Brasil, da minha família e dos amigos também não é fácil, mas Deus nos consola e nos fortalece; pessoas nos encorajam a seguir em frente e assim nós caminhamos mesmo diante das dificuldades e desafios. De que a irmã mais sente falta e/ou saudade? Sinto muita saudade da minha família, amigos e do meu país. Março de 2012 * Vigiai -

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estava procurando até aquele instante. Desde que aceitei Jesus tenho tido muitas experiências que me provam que só Ele é Deus e que sempre me sustentará com Seu imenso amor. Como é ser missionária em um presídio de segurança máxima? Nunca imaginei que teria uma experiência na área carcerária. Mas tem sido maravilhoso poder servir a Deus onde poucos têm disposição de estar. E vivenciar "estive preso e fostes me visitar". Tenho um amor tão grande por aquelas vidas, que meu maior desejo é ver todas restauradas pelo poder de Jesus. E é um privilégio ser instrumento de Deus para abençoá-las. Quais os fatos que mais lhe marcou durante este ministério? O que mais me marcou foi ver o poder de Deus na vida de algumas daquelas mulheres. Foi descobrir que elas precisam de discipulado para se fortalecer na fé, e que os batistas precisam avançar para ensinar a Bíblia para elas. E vê-las cantando, encenando, coreografando para falar de Jesus é a melhor recompensa pra mim. Quanto talento Deus tem dado àquelas meninas! Louvado seja Deus por este projeto! O que é ser mulher de pastor? Ser mulher de Gisele Nahime: missionária urbana no presídio de seguranpastor é um privilégio tão ça máximo feminino em Tremembé-SP grande, tão sublime, tão especial, pois somos escolhidas pelo Senhor. Poder ajudar na Quem é Gisele Nahime? É uma obra do Senhor, no avanço missionário, mulher que vive para dar o seu melhor no cuidado das vidas sem ter "preparo" para quem se aproximar dela. É esposa, como o pastor é fabuloso! Saber que sou mãe, serva, ovelha, irmã em Cristo, prouma formiguinha e que posso de algufissional... enfim sou quase como "bomma forma fazer parte da obra que Deus bril" (risos) apenas uma pessoa comum! está concretizando em nós, e através de Como se deu sua conversão? nós! Fico muito feliz de ser uma esposa Conheci Jesus através do testemunho de pastor com nome, identidade, persodas minhas colegas de trabalho Clotilde nalidade, e mais feliz ainda porque Deus e Dirce quando entrei no meu primeiro colocou irmãos muito amorosos para emprego em 1983, uma entidade benenos ajudarem nesta caminhada. Nunca ficente da igreja luterana. Parece que me senti, nem me sinto uma mulher sem Deus já estava me ensinando a servir nome, mesmo que alguns possam não não é mesmo? Elas com muito carinho e saber como me chamo, mas conhecem a sabedoria foram me apresentando Jesus “esposa do pastor”. até que compreendi que era Ele quem eu Algumas vezes sinto falta da comida brasileira, principalmente de Guaraná e um bom Churrasquinho. A irmã está feliz? Eu estou super feliz! Não me vejo em qualquer outro lugar que não seja aqui na Índia servindo ao Senhor e ao povo indiano. Quando estamos no centro da vontade de Deus, somos tão felizes e não nos imaginamos em nenhum outro lugar que não para onde Deus nos enviou.

Gisele Nahime

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- Vigiai * Março de 2012

Como você faz para dar conta do recado: mãe, esposa, igreja, missionária, profissional... Como é sua agenda e horários? Minha vida é muito corrida, afinal sou esposa, mãe, esposa de pastor, motorista, mestre de obras, governanta, faxineira, passadeira, cozinheira, vendedora, enfermeira, secretária, bombeira... Quase não consigo ter uma agenda e cumprir meus horários (você bem sabe disto, pois, tive que adiar nossa entrevista algumas vezes no mesmo dia!) Mas, a graça de Deus tem me sustentado e dou um passo por vez. Faço o que é possível para manter tudo em ordem, mas algumas vezes não é possível, mas conto com a compreensão da família, dos irmãos, enfim sou uma mulher como qualquer outra. No meio desta correria, Gisele é feliz? Sim no meio da correria a Gisele é feliz por saber que eu nasci para adorar ao Rei dos Reis e Ele me sustenta e me abençoa em cada etapa! Tem me feito mais que vencedora! Sua filha faz medicina. O que mudou na vida de vocês com tal conquista? A conquista de nossa filha nos encheu de orgulho e de deleite no Senhor. Por saber que Ele ouviu a nossa oração e a abençoou tremendamente e que em breve ela poderá ser mais e mais usada na obra do Senhor, como ela já tem trabalhado e servido com seus talentos. Quando a irmã encosta a sua cabeça no travesseiro, a irmã se lembra do presídio? De que? Sabe, sempre oro por todas as presas e pessoas que me pedem, agradeço pelas maravilhas que Deus operou em minha vida e ao meu redor naquele dia. Mas quando me deito para dormir estou sempre tão cansada que deito e durmo imediatamente. Qual é o recado que a irmã deixa aos batistas brasileiros? Irmãos têm sido prazeroso trabalhar para Deus e meu desejo é que todos os batistas brasileiros realmente se disponham a serem servos ATUANTES, OPERANTES na obra do Senhor. Seja em que área for... levantem dos bancos... trabalhem para que vidas sejam restauradas, resgatadas, abençoadas através de VOCÊ! E vocês irão experimentar da alegria e do prazer do dever cumprido naquele dia. Deus os abençoe!


EspecialMissionária Margarida Lemos Gonçalves

O

acróstico abaixo em homenagem à Missionária Margarida Lemos Gonçalves, tenta dar um minúsculo panorama dessa guerreira da fé, sem nenhuma dúvida, uma mulher fantástica, um exemplo. Oremos em favor de Margarida. Ao encerrarmos a edição ela encontrava-se internada em um hospital em Palmas-TO e seu estado inspira muitos cuidados.

“Seja luz”

M A R G A R Í D A

POR VITAL SOUSA

issionária, pastora integral, dia após dia, mais de 63 anos pastoreando! Zacarias 10:1-2 rdor com autenticidade! Ardor com fidelidade! Ardor com espiritualidade! Salmo 119:11 enovada pela graça do Senhor na entrega, no discipulado, na pedagogia, na visão, todos os dias. Sofonias 3:17 oiás velho, Goiás pobre, eis ai o Tocantins de Margarida, sua Jerusalém, seu chão, sua estrada. Joel 3:17 ndando e pregando, conversando e ensinando, compartilhando, crescendo e dando crescimento Mateus 13:38 ica sem pérolas, sem ouro, sem prata, sem dinheiro no banco. Rica de fé e amor. Rica de ideais. Provérbios 16:16 cone? Não! Serva, sempre. O ide o seu destino, seu objetivo, seu rumo, seu norte, seu estar e bem-estar. Mateus 22:9 oa-se! E ela doou sua vida! Doou tudo! Multiplicando doação em mais doação, na razão de 100%. 2 Pedro 1:3-4 legria interior. Discreta, mas, concreta. Vida em plenitude, em harmonia com o que prega. Gálatas 5:22

L E M O S

egado de trabalho. Assumiu a direção de um Colégio para ser reaberto com 85 anos! João 5:17 legante nas palavras, nunca alterou seu tom de voz. Convencia no amor. I Coríntios 13:4 atriarca que sabe representar o Estado de Jesus, atemporal. Com zelo, com decência, com amor inteiro. I Pedro

2:9

ferecido sem interesses, sem subtefúrgios, na coerência do ser cristão, de fato. Salmo 136 ábia no conhecimento da Palavra de Deus, no conhecimento do ser humano, imagem e semelhança Dele. 1 Corintos 3:18

G O N C A

arantia de solidez e prudência nos enunciados, tornaramna uma conselheira em essência, ouvida e praticada. Jó 34:33 nde passou deixou sua marca, indelével. A marca da superação com Cristo, em Cristo, razão de ser. 2 Coríntios 3:3 a sua trajetória não existiam medos, os desafios por mais difíceis eram só metas, bastava começar e caminhar, e, caminhar mais um pouco... Isaías 62:10 ânticos d’alma ao orar no silêncio, várias vezes ao dia, com ou sem melodia, na súplica, na gratidão. Eclesiastes 9:17 ltivez sem empáfia, sem imposição, sem arrogância, com a simplicidade das margaridas dos campos... A beleza indescritível. Cântico dos Cânticos 5:13 onganimidade aprendida com Paulo, materializada no trato com os camponeses. 2 Coríntios 6:6 erdade, mais que um lema social, que se vive, como dádiva, no oferecimento de Jesus, o Cristo, que está dentro. João 14:6 os camponeses souberam compreender isto com a exatidão que se propôs 2 Timóteo 4:7-8 er Margarida, anunciadora do Evangelho de Jesus: da salvação, do perdão, da paz, da vida eterna. João 3:16

L V E S

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EspecialPsicóloga Patrícia Bezerra

À frente de uma das principais ONGs do país, a psicóloga Patrícia Bezerra não pára. Entre assistência a bairros pobres, visitas a presídios e serviço voluntário, ela defende uma fé engajada: ‘o cristianismo tem de sair da igreja e ganhar as ruas’ FOTO Help Portrait

tempo. Acho que um pouco da correria da minha agenda vem dessa qualidade. Mas, além disso, acredito que somos chamadas a edificar não apenas o nosso lar. E, olhe, entenda bem: não que eu ache que cuidar de casa e da família seja fácil. Longe disso. Mas também precisamos nos preocupar com o lugar em que vivemos, em que nossos filhos estudam, onde trabalhamos e construímos nossas vidas. Como cristãs, não podemos desprezar essa missão. Se somos sábias, vamos zelar por uma cidade melhor ”, ressalta. Patrícia Bezerra e o deputado Carlos Bezerra Jr., seu Patrícia é mãe de duas adomarido, em projeto social para a periferia da zona lescentes, Giovanna e GiulianLeste de São Paulo na, e é casada há 17 anos com Carlos Bezerra Jr., filho do pastor Carlos iz o livro bíblico de Provérbios Alberto de Quadros Bezerra, presidente que a mulher sábia edifica sua da Comunidade da Graça. Além de pascasa. O texto de Salomão é um tor como o pai, o marido é ainda médico, velho conhecido de nossos púlpitos e um deputado estadual e líder do PSDB na dos prediletos de congressos para evanAssembleia Legislativa de SP. “Nunca gélicas. O versículo, aliás, é também um tinha pensado nas múltiplas atribuições dos mais citados por Patrícia Bezerra – como uma marca da família. Mas, agora, mas para ela seu sentido extrapola o do vou começar a considerar (risos)!”, cocuidado doméstico. mentou. Psicóloga clínica, ela não deixa sua Na entidade cristã que dirige volunfé do lado de fora do consultório em que tariamente, Patrícia usa sua experiência atende voluntariamente na zona Leste de como gestora de ações do Terceiro Setor São Paulo nem abre mão de suas convicpara cuidar de 13 programas de desenções cristãs no trabalho que desempenha volvimento social que, juntos, atendem a à frente da ONG Fundação Comunidade mais de 500 mil pessoas por ano. Da coda Graça. Em sua gestão, a entidade foi ordenação de projetos de reforço escolar apontada pela revista Veja como uma para crianças a iniciativas de geração de das mais confiáveis do país. “Os valores emprego, passando por ações de alfabedo Evangelho não só me acompanham tização e nutrição, ela liderou, inclusive, em tudo que faço como são minha moa criação de um abrigo para mulheres tivação para fazer o que faço”, afirma vítimas de violência e levou por mais de Patrícia, que foi procurada pela Vigiai uma década serviço de atendimento grapara esta edição, especial para mulheres. tuito a famílias que nunca teriam como Nossa reportagem conheceu parte de pagar por uma consulta em psicólogo. suas atividades e constatou: para acomDurante a semana do Dia Internapanhá-la, é preciso fôlego. cional da Mulher (8 de março), Patrícia “Nós, mulheres, temos a capacidaBezerra formou uma equipe multidiscide de articular várias tarefas ao mesmo

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Patrícia e Carlos Bezerra Jr. participam de culto em igreja evangélica de São Paulo FOTO Help Portrait

Mulher sábia, cidade edificada

plinar e visitou penitenciária feminina no bairro de São Miguel Paulista, periferia de São Paulo. Lá, organizou cinco dias de eventos, com palestras, dinâmicas de grupo e atividades de integração para quase 200 mulheres em regime de privação de liberdade. “Levamos cabeleireiras, maquiadoras e manicures– todas voluntárias – para atender às reeducandas”, conta. Na palestra que ministrou, a psicóloga começou falando sobre auto-estima, explicando às mulheres a importância do cuidado consigo. Mas não demorou para que o Evangelho se tornasse o tema central da preleção. “A Verdade, que é Jesus, pode libertar a cada uma de vocês. Há muita gente que não está atrás de grades, mas que sofre com cadeias em seu interior. A verdadeira liberdade é aquela que começa em nossos corações, e vocês podem tê-la agora mesmo”, falou. Ainda ao deixar o lugar, enquanto a equipe que participou da ação comemorava os resultados, Patrícia começou a organizar uma nova visita. Há poucos dias, quando recebeu uma carta de agradecimento escrita em letra de mão pelas mulheres da penitenciária, já estava quase tudo certo para mais uma ida ao centro de detenção, que deverá ocorrer no segundo semestre. Expor-se em lugares como presídios não é uma exceção na agenda de Patrícia. Favelas, regiões dominadas pelo tráfico de drogas e comunidades com altos índices de violência já foram beneficiadas com seus projetos. Ela participa de tudo e vai pessoalmente acompanhar cada iniciativa. No meio dessa correria, foi perguntada pela reportagem se sua ação teria certas limitações, justamente por sua condição de mulher. “Você teria medo de fazer aquilo para que nasceu?”, respondeu.


Igrejas em Destaque

Igreja Batista em Parque do Carmo

ganhou um grande presente do Senhor no seu

14º ano: uma comunidade carente!

"Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes." Mateus 25:37 e 40

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POR VITAL SOUSA

m 25/04 a Igreja Batista em Parque do Carmo, São Paulo, Capital, vai completar 14 anos; o banquete espiritual será realizado no dia 21 – 20 horas, sábado, todos são convidados! A favela invadiu o Parque Florestal do Carmo e a igreja ganhou muitos vizinhos. E está cuidando deles. São pessoas carentes de bens materiais, mas, principalmente, carentes de Jesus. Às quartas-feiras, antes dos cultos, a igreja fornece um jantar e todos são convidados; atualmente mais de 80 pessoas participam deste momento especial da igreja. A igreja quer ampliar o projeto e por isto está contando com novos parceiros. Precisamos de novos parceiros! Queremos fornecer refeições todos os dias!

Participe você também deste desafio! www.igrejabatistaemparquedocarmo.net E-mail: aurelio.rosa@gmail.com

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FOTO: Darlinton Ferreira-RJ

A “loucura” da palavra da cruz

“Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo; mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus”. I Co 1.18-NVI A palavra loucura é definida da seguinte forma: “Caráter, estado de louco. Ato próprio de louco. Falta de discernimento. Tudo o que é fora do comum, ou que não está de acordo com as normas. Atitude irrefletida; imprudência, temeridade”. (1) Assim, quando vemos alguém agindo de forma impensada e insana, o classificamos como louco. Entretanto, à luz do texto de I Coríntios 1.18, gostaríamos de aprofundar esta questão através do pensamento paulino. O apóstolo Paulo escreve sua carta para os cristãos de Corinto, uma das importantes cidades gregas. A cidade se caracterizava por seu sincretismo (2) religioso (processo mediante o qual elementos de uma religião são assimilados por outra religião, de modo que a forma sintetizada é uma coisa nova) e ao mesmo tempo por apresentar um ambiente filosófico fértil. A palavra de Paulo dentro deste contexto se constituiu em um desafio e uma constatação para a igreja de Cristo. A pergunta que deve ser respondida é: Por que a palavra da cruz como discurso da fé é loucura? A palavra da cruz é “loucura”... 1. Porque está para além do conhecimento humano. O texto afirma: “Pois a mensagem da cruz é loucura...”. O evangelho de Paulo está fundamentado na cruz. A expressão “palavra da cruz” ou “mensagem da cruz” não se refere à madeira ou ao aparato do sistema da crucificação, mas à mensagem e proposta de redenção de Cristo. A palavra da cruz possibilita a transformação humana através da renúncia e entrega à vontade de Deus. Paulo diz que a palavra da cruz para os que perecem é loucura. Deseja mostrar que, para eles,

que estão se perdendo, o discurso da fé é tolice, não no sentido de insanidade mental, mas algo sem valor. Corinto era um centro filosófico onde alguns se achavam acima das chamadas superstições e crenças. Não concebiam uma mensagem fundamentada no Cristo sofredor. Entretanto, aquela era a mensagem que desafiava o conhecimento humano e estava para além deste conhecimento. D. A. Carson afirma que, “A cruz é o lugar em que Deus destruiu completamente toda a arrogância e pretensão dos homens”. (3) A intelectualidade não garante por si só a descoberta do propósito da vida. A obra de Deus é por meio da cruz. Esta é uma constatação para o mundo em que vivemos. O próprio apóstolo afirma de forma categórica, “Mas Deus escolheu o que para o mundo é loucura para envergonhar os sábios, e escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte” (I Co 1.27-NVI). . A palavra da cruz é “loucura”... 2. Porque denuncia um modelo comprometedor de vida. Quando Paulo firma “... para os que perecem...”. Ou “... para os que estão se perdendo” (NTLH), aponta para os que estão distanciados da verdade do evangelho libertador. Aqueles que pensavam na existência, mas não descobriam o príncipe e doador da vida, vivendo um modelo de vida comprometedor. Falando aos coríntios, o apóstolo denúncia uma forma de vida onde não se valoriza a mensagem do Cristo ressurreto. Algumas pessoas estavam (como alguns estão também nos dias atuais) no caminho da perdição sem o discernimento devido pensando que já haviam obtido todas as respostas. O evangelho

Pr.

E valdo Rocha

verdadeiro sempre denunciará um modelo de vida sem vida. O evangelho é vida na vida. A palavra da cruz é “loucura”... 3. Porque está pautado no poder de Deus. O texto continua: “Mas para nós que somos salvos é o poder de Deus”. A mensagem da cruz para os que estão no caminho da salvação possui outra definição. Aqueles que têm experimentado da graça divina sabem o que significa a mensagem da cruz. Assim sendo, não está baseada na sabedoria humana ou na força dos homens. Como sinaliza o apóstolo Paulo, "Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus” (I Co 1. 22-24-NVI). Duas tendências que se repetem nos dias atuais: sinais e sabedoria humana. O evangelho aponta Cristo como poder de Deus e a sabedoria de Deus. Em Cristo temos tudo. O poder do Altíssimo é libertador, provoca mudança que transforma o ser humano em uma “nova criação” (II Co 5.17) e o coloca em uma missão especial na terra. O novo homem que pelo poder divino anuncia uma nova mensagem. Este novo estado é resultado da ação poderosa de Deus. O discurso da fé é ”loucura” para os que estão se perdendo, porque o homem se utiliza do padrão humano para ordenar sua existência. O discurso da fé é ”loucura” porque convoca o homem a pensar sobre seu estilo de vida. O discurso da fé é ”loucura” porque aponta para o fato de que mudança no homem se fundamenta na obra divina e não no potencial humano. Descansemos na palavra apostólica: “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo; mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (I Co 1.18-NVI).

EVALDO ROCHA é Pastor da Primeira Igreja Batista em Seropédica no Rio de Janeiro. Conheça seus textos no site: www.evaldorocha.com. Contatos pelo E-mail: evaldonrocha@uol.com.br ou por telefone 21-26821877. Autor do livro: “Vivendo de Forma Equilibrada – o alfabeto da vida saudável” Março de 2012 * Vigiai -

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Pr.

G eraldo Farias

DOZE PASSOS PARA

ENFRAQUECER

UMA DENOMINACAO CENTENARIA 1. Invista em missões três vezes ao ano. Não estimule vocações. O crescimento da igreja e apenas biológico. Ignore as reuniões de orações vazias. 2. Envolva-se com política partidária. Faça conchavos com coligações e candidatos. Torne a denominação em “curral eleitoral”; púlpitos em palanques; e ovelhas em eleitores sob tutela. 3. Aprove balanços em vermelho. Considere pequenos déficits “eventuais”. Convença comissões, GTs (grupos de trabalhos) e assembléias inteiras a aprovarem pequenos rombos, garantindo que não crescerão. O argumento? Culpe a gestão anterior! Lembre-se: Um balanço negativo nada tem a nos ensinar. 4. A cada novo buraco financeiro alugue, venda, penhore o patrimônio denominacional. Sabe aquele imóvel – prédio, terreno, casa – que custou o suor piedoso de famílias antigas, comprometidos com a Causa do Mestre e doados generosamente? Entregue-os! 5. Seja complacente em casos de ministros desviados, flagrados em quebra de decoro ou sob escândalo. Comissões de ética devem fazer “vista grossa”: Nada melhor que dar-lhes um novo ministério, de preferência noutro extremo do Estado, sob as bênçãos convenientes da Cúpula. 6. Subestime o poder de uma tribuna

de comunicação: Sem rede de TV com bons programas doutrinários e edificante entretenimento que releve a historia e os princípios da Denominação, assista a invasão e proliferação de conteúdos rotulados evangélicos e neopentecostais, genéricos, de qualidade duvidosa, apregoando novos e “outros” evangelhos. 7. Divida Ministros e Igrejas: Em cima os “Galácticos” ou alto-escalão; noutra categoria, os comuns; os de “baixoclero” e ainda os “bolsa-família”. Ou: Os que incomodam, os acomodados e os indiferentes. Divida as igrejas em: As primeiras, centrais, as segundas e terceiras – das periferias, vilarejos pobres e rincões; as tradicionais, as pentecostais, as avivadas e “tradicostais”. Favor não confundi-las. 8. Vocacionados serão apenas ministros. Portanto, aposente os filtros e afrouxe as regras: Consagre-os em massa – mesmo egressos de cursos sem credibilidade, com conteúdos sofríveis, sem supervisão e com problemas emocionais (bipolar doutrinário?!), aprovados em concílios feitos por compadres. Substitua “imposição” por “aperto de mãos”. 9. Em nome da comunhão não denuncie ou confronte ministros e comunidades que abraçam teologias estranhas, avatares, aberrantes ou doutrinas da moda. E bíblico: “Andemos em amor piegas”. Um confronto poderia rachar, dividir a denominação, e isso não será

bom para nossas estatísticas. 10. Em nome da sagrada autonomia das comunidades locais, seja complacente com grupos anárquicos e divisionistas: Qual o problema de uma grei receber por aclamação um grupo de irmãos metralhas que implodiu a grei de origem, onde foram disciplinados e excluídos??? 11. Considere a literatura usada nas igrejas “farinha do mesmo saco”. Não importam a origem, qualidade e substancia doutrinaria. Tem rotulo “cristão” ou “evangélico”? Consuma! Quando possível, acabe com a Escola Bíblica, não estimule o culto domestico e aposente coros e hinários. 12. Esmere-se em cumprir os passos anteriores. Não eleja, não de espaço, não repercuta a opinião daqueles(as) que não concordam com estas praticas. Isole-os. Eles são uma ameaça ao enfraquecimento da Denominação. Com discursos moralistas, lembram da geração passada comprometida com o Evangelho, a ética pastoral e a expansão missionária. Só eles poderão impedir o declínio da Denominação. Andemos na contramão destes passos. E possível resistir e avançar, preservando nossa identidade com ímpeto missionário, impactando a nação. Temos legado, princípios e gente comprometida em nadar contra a corrente.

PR. GERALDO FARIAS é Pastor da IB Selecta - S. Bernardo do Campo, psicólogo clinico (CRP 06/88367), associado ao Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos/CPPC; Especialista em Gestão de Pessoas; Líder graduado pelo Instituto Haggai; professor e conferencista em Treinamento e Desenvolvimento de Lideres, Equipes e Famílias. Casado com Marina e pai de Sarah. gerafarias@hotmail.com; (11) 9638 2775.

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Pr.

PORVENTURA ACHARÁ FÉ NA TERRA? ? Lucas 18:8 As questões que se levantam são: Por que tantas pessoas são atraídas por um tipo de evangelho e, consequentemente, de igrejas cujo conteúdo está baseado em eventos, festas, encontros onde são feitas verdadeiras lavagens cerebrais, onde há preocupação com números grandiosos, dinheiro, prosperidade, fama etc.? Por que tantas de nossas igrejas chamadas fundamentalistas e tradicionais (batistas e outras) não têm experimentado crescimento, ao contrário, tem diminuído seu número de membros? Por que tantos de nossos pastores têm sido atraídos para um pentecostalismo cujo conteúdo é eminentemente emocionalista, subjetivista, e superficialmente bíblico. Será que estamos tratando, em nossas igrejas, com verdadeiros cristãos que, por mais que apresentemos a Palavra de Deus, trabalhamos os propósitos para os quais a igreja existe, batalhemos pela fé, de repente os vemos dar as costas e ir à busca de novas igrejas? A PERGUNTA DE JESUS No texto acima Jesus introduz uma pergunta inquietante cujo conteúdo nos remete a outros textos bíblicos tais como I Timóteo 4:1-2 Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, (AR) e II Pedro 3:14, 17 Pelo que, amados, como estais aguardando estas coisas, procurai diligentemente que por ele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz... Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que pelo engano dos homens perversos sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza;.(AR) A PERMANÊNCIA NA FÉ Entendem alguns que nesse texto Jesus está questionando tanto a fé no sentido de continuar buscando insisten-

temente a resposta para nossas necessidades humanas e confiando na resposta de Deus, assim como está questionando a fé em todo o conteúdo dos ensinos do evangelho transmitidos por ele; evangelho este que leva o homem à salvação e a ocupar-se de preservar a sua fé como recomenda o apóstolo Paulo aos coríntios: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. 2 Coríntios 13:5. DESVIOS EVIDENTES O crescimento instituições denominadas de igrejas que alcançaram a mídia eletrônica, inicialmente no rádio e depois na TV, de fácil acesso, é o que atrai multidões aos seus templos, com um conteúdo de pregação de um evangelho fácil, de uma graça barata, de um evangelho utilitário, de um Deus submisso às vontades humanas, um Deus pronto a atender os anseios materiais, desde que através de um intermediário ungido como apóstolo, ou qualquer outro título grandioso. Nestas igrejas a palavra da verdade não brota das Escrituras Sagradas, mas dos “homens de Deus”, dos gurus, sob cuja “autoridade espiritual” todos precisam estar. A presença de líderes em evidência que embora tendo produzido grandes escândalos continuam ditando doutrinas e princípios aceitos por seus seguidores, inclusive membros de nossas igrejas. O CÉU É AQUI Igrejas têm servido para promover cantores, grandes “eventos” marchas e uma grande soma de dinheiro circula em seus cofres, e são adquiridas empresas, fazendas, aviões etc. como se estivessem se preparando para viver o céu aqui mesmo, já que não pregam um evangelho de renúncia, de submissão a Cristo, de sofrimento, de compromisso com a santidade e de perspectiva de uma pátria celestial, ao contrário dos verdadeiros heróis da fé:” Mas agora desejam uma

E lias Valentim

pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. Hebreus 11:16. Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo” Filipenses 3:20. OS ATRATIVOS DA FÉ Tudo isso tem atraído os membros de nossas igrejas, principalmente os jovens que se vêem atraídos por seus amigos que vivem uma atmosfera de glamour e “oba-oba” de bailes gospel, de shows de estrelas gospel, e de permissividade onde o que mais importa é o fazer e o sentir e não o ser. Nossas igrejas não servem mais porque não lhes é permitido fazer o que os outros jovens de outras igrejas fazem. É constrangedor encontrar antigos membros de igrejas e perguntar: Em que igreja você está? A resposta é quase sempre frustrante, de tal maneira que é melhor evitar tal pergunta. AINDA HÁ ESPERANÇA Finalmente, entendemos que as preocupações deste tempo também foram as dos cristãos e dos pregadores do passado. Preocupações como acima nos afirma o apostolo Pedro (o da Bíblia) para as quais, no entanto, encontramos resposta quando volvemos nosso olhar submisso para a Palavra de Deus. (I Pe.3.17) O Senhor da igreja, de sua verdadeira igreja, está preocupado com a preservação da fé tanto nas suas providências quanto na salvação visto “que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; 1 Pe.1:5. por isso nos adverte: “...quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” A resposta para a fé verdadeira está em permanecer nos princípios e na verdade do evangelho conforme nos aconselha a Palavra de Deus em 2.Pe.3.18a antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo... Se assim entendermos e cuidarmos diligentemente de anunciar “todo o conselho de Deus”, permaneceremos na fé, sem nos inquietarmos com tantos desvios.

Elias Valentim do Vale é pastor da Primeira Igreja Batista em Sobradinho, São Paulo – SP e 1º Vice Presidente do Lar Batista de Crianças de São Paulo; E-mail: eliasvale@ig.com.br Março de 2012 * Vigiai -

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M anoel de Jesus The

DEU TUDO ERRADO!

DEU MESMO? E

stávamos naquela manhã recolhendo nossas redes vazias, após uma noite que não estava nada pra peixe. Consertávamos nossas redes quando o vimos acompanhado de nossos amigos, Simão e André. Ele se aproximou, e olhando para seus olhos, reconhecemos que era o mesmo de que João dera testemunho: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Disse ele.

Ao chegarem próximos a nós, vimos algo de muito convincente em seus olhos. Ele nos convidou que o seguíssemos. Olhei para meu irmão Tiago e disse: Porque não experimentar? Se não vier coisa boa disso, voltamos para o trabalho com nosso velho pai. Levantamos, deixando nossas redes e o seguimos. Ele abria as Escrituras nos textos que falavam do Messias, e dizia a todos ser o Messias. Não havia dúvida! Que sinal fazia! Curava todos, era evitado pelo demônio, tinha pleno poder sobre eles.

vão perder essa chance!) com o poder de ressuscitar soldados? Ah! Que excitação crescia em nosso peito só em pensar nesse momento!

àquela vidinha sem sentido de outrora. Gente! Tínhamos passado três anos e meio comendo , bebendo , dormindo, andando com ele de cidade em cidade! Então Pedro (gente! Sempre ele!), disse: Vou pescar. Não era um convite para uma pesca esportiva. Era o retorno ao passado. Não pescamos nada a noite inteira! Era um silencio total. Havia algo lúgubre, pois, todas as vezes que isso aconteceu nada pudemos fazer, com exceção de uma vez que, Ele, estando conosco, mostrou ser o Senhor da natureza. Quando nos preparávamos para descer do barco, vimos um vulto na praia. Dirigindo-se a nós disse: Filhos: vocês têm alguma coisa para comer? Todos, a uma voz; não! Lancem a rede do lado direito do barco e encontrarão! Um frio me correu pela espinha. Já vi esse filme, pensei. Não deu outra era Ele!

"Seu amor era posto em prática a cada cidade que entrava. Ele cobriu nossa querida Galiléia com milagres um atrás do outro."

Em pouco tempo éramos 12. Que trabalho lhe dava! Seu amor era posto em prática a cada cidade que entrava. Ele cobriu nossa querida Galiléia com milagres um atrás do outro. Aquilo que era mera curiosidade tornou-se certeza. Era sem dúvida o restaurador do reino de Israel. Que exercito o perseguiria andando sobre as águas? Quem dizimaria seu exército (por certo os nossos não

Bem, as coisas não foram bem assim. Ao invés de reagir pondo em ação seus poderes, ele nada fez! Que horror! Os judeus uniram-se aos inimigos (que vergonha!) e o levaram a cruz. Todos nós caímos na maior prostração. É o jeito é voltarmos para a pesca, pensamos. Todavia, ninguém tinha coragem de tomar a iniciativa de voltarmos

Nunca mais voltamos ao nosso trabalho secular. Ele não reagiu. Ele morreu, mas depois reviveu. Deu tudo errado? Não! Se você duvida, pense nisso! Passaramse 2.000 anos, e Ele prossegue vitorioso! Naquele dia, nós todos e também Pedro, nos reconciliamos com Ele. Ele saiu vitorioso. Eu, João, o apóstolo dou meu testemunho, para que você também se reconcilie com Ele, através de Sua vitória sobre a morte.

Manoel de Jesus The é pastor emérito e articulista do OJB – Jornal Batista. Email: manoeldejesus.the@gmail.com

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Pr.

J osé Messias Leite de Lima

Essas “Maravilhosas Mulheres” no Ministério O necessário e urgente Pastoreio de Pastoras, Esposa de Pastor e Missionárias Na primeira edição, discorremos um pouco sobre essa urgência de Pastoreio entre os Pastores; mas não podemos ignorar nossas amadas “guerreiras”, nossas “maravilhosas Mulheres em Ministérios”. Sim, porque para nós não somente a Missionária efetiva no campo, as pastoras efetivas; mas, também a esposa dedicada de pastor, quer ele esteja na capela rural, ou na mega - igreja; precisam de Pastoreio. Para isso, adaptamos um Capitulo do Livro, de nossa companheira de ministério, Miss. Barbara Lamp da Sepal. Grupos de Apoio e Pastoreio Mútuo Barbara Lamp A esposa de pastor, a pastora, ou a missionária freqüentemente sentem necessidade de um grupo de apoio. Sendo uma mulher no ministério cristão, ela precisa de conexão com outras que conheçam sua realidade e possam ajudá-la a crescer espiritualmente. Vamos a um pequeno teste! • Você se sente sozinha em sua caminhada cristã? • Você sabe ouvir os pensamentos profundos e dificuldades imensas de outras pessoas, mas não tem com quem abrir seu próprio coração? • Você envolve-se no urgente, deixando para amanhã o mais importante? • Você preocupa-se muito no cuidado de outras pessoas – marido, filhos, membros da igreja –, restando-lhe pouquíssimo tempo para receber apoio? • Você coloca em primeiro lugar o fato de “ser uma serva do Deus Onipotente” ou o “viver em relacionamento íntimo com ele, como filha do Pai Amoroso”? • Você conhece outra mulher em ministério que precisa de apoio em sua vida relacional e espiritual?

Estou convencida de que é possível formar grupos pequenos de mulheres no ministério que possam funcionar como um pastoreio mútuo. Sei disso porque, em minha própria vida, esses grupos têm sido grande fonte de encorajamento. Seguem quatro elementos importantes a desenvolver nesses grupos: Transparência Charles Swindoll em “Vivendo sem máscaras” esclarece como cultivar relacionamentos abertos. É fácil tentar se proteger escondendo-se atrás de uma imagem da “perfeita” mulher. Mas o fingimento é irmão da mentira. A transparência se desenvolve por meio de uma comunicação sincera e verdadeira, num pequeno grupo. Se seguirmos a verdade em amor, cresceremos em tudo naquele que é a cabeça (Ef 4.15). Ambas as qualidades, a verdade e o amor, são essenciais para desenvolver uma transparência transformadora no grupo pequeno. A comunicação é uma troca de idéias. Cada uma deve expressar como sente, ou opinar sem sofrer críticas das outras. Ao mesmo tempo, “tirar a máscara” não é uma abertura sem medida de todos os nossos sentimentos e pensamentos com qualquer ouvinte. Não é uma mostra de transparência saudável falar o tempo todo em um grupo pequeno. Também a pessoa tímida não tira a máscara se não abre a boca. Prestação de contas Quando Deus pede uma mudança em sua vida, você costuma pedir oração e apoio de amigas? E quando alguém compartilha uma necessidade com você, lembra-se de orar e perguntar sobre a resposta que Deus deu a ela? Você cumpre sua palavra? Para desenvolver prestação de contas num grupo pequeno, to-

das precisam notar os pedidos de oração, orar esperando respostas e, nos tempos seguintes, conversar juntas acerca das respostas dadas por Deus. A prestação de contas em um grupo pequeno serve como teste de autocontrole e fidelidade. Confiança Quando queremos apoiar o crescimento espiritual e a amizade transparente com outras mulheres no grupo pequeno, é essencial que o relacionamento seja de confiança. Muita mulher no ministério já foi ferida por ter divulgado algum problema a uma pessoa que repassou o segredo a outros. É um risco confessar pecado, confusão e desânimo. Compromisso O compromisso firme é essencial para que as mulheres no grupo pequeno possam desenvolver pastoreio mútuo. Os encontros precisam ser uma prioridade na agenda de seus membros. A confidência e a confi anca são resultados desse cumprimento. Se houver uma troca de membros e ausências freqüentes, será impossível progredir na prestação de contas, porque as mulheres ausentes não terão noção de ansiedades, pecados, fraquezas e necessidades, relatados em semanas anteriores. Sem um compromisso firme, o crescimento na área da transparência será impedido. Como começar um grupo? É bom começar um grupo com oração, entregando nossos sonhos e necessidades a nosso Pai Amoroso. Mais informações: www.pastoreiodepastores.org

Nota: Este artigo foi editado. Para ler na íntegra favor entrar no site www.vigiai.net e no cabeçalho clicar em busca e logo em seguida colocar a expressão: Messias Leite: Essas “Maravilhosas Mulheres” no Ministério.

PR. JOSÉ MESSIAS LEITE DE LIMA é Pr. da Igreja Batista Liberdade-AM; formado em Teologia pela Fabin-Faculdade Batista Ida Nelson- Manaus-AM; Administração de Empresas pela OMEC- Mogi das Cruzes-SP; Pós-graduando em Pedagogia pela Candido Mendes-RJ; Prof. Teologia na FATEM Faculdade de Teologia Evangelica em Manaus-AM; Consultor Corporativo na Manaós Logistica Ltda Manaus-AM 36

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A NATUREZA DA VERDADEIRA FÉ

N iander Aguiar Cerqueira

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb.11.1)

O

país em que vivemos poderia ser chamado de “país da fé”, pois nosso povo é extremamente ‘crente’, e aberto à ‘novas crenças’. Pela nossa formação miscigenada, há uma imensa gama de credos e religiões que exercem influência em nossa matriz religiosa, culminando num tremendo sincretismo. Há uma música que retrata bem essa realidade do Brasil, quando diz que o brasileiro tem “A arte de viver da Fé, só não se sabe fé em quê?”. Muitos crêem, mas não sabem no que crêem! Mesmo em nossas igrejas podemos verificar pessoas que crêem em Deus por algo que Ele fez (um milagre pessoal e não o amor demonstrado por meio de Cristo), por algo que espera que Ele faça e não porque conhece e tem um relacionamento com Deus. Dr. Francis Schaeffer, em seus livros A Morte da Razão e O Deus que Intervém, afirma que o homem moderno se afastou de Deus e de Sua palavra, vivendo num total descaso com os mesmos. Ele fala que até mesmo dentro de nossas igrejas, dentro de nossas escolas teológicas, existem aqueles que desconsideraram a Bíblia como Palavra de Deus, e que por isso têm que “inventar” motivos para confiar em Deus. É nesse tempo, que somos convocados por Deus para vier a verdadeira fé. Por isso, como servos do Senhor, devemos ter em mente que a verdadeira fé, é a fé que é firmada em Deus, no Deus que Se revelou, e em Sua Palavra Inspirada (A Bíblia Sagrada). A verdadeira Fé, fé baseada naquilo que Deus revelou de Si, apresenta algumas características, conforme o texto de Hebreus 11. Antes de analisarmos algumas de suas afirmativas, se faz impor-

tante deixar bem claro que o objetivo do escritor da epístola aos Hebreus não era o de definir um conceito de Fé. Na verdade o versículo 1 é parte de um todo que é a epístola aos Hebreus, ele é uma continuação do conteúdo do capítulo 10, se caracterizando não por uma definição de Fé, mas por uma descrição da Natureza e das características da Fé. Primeiramente a fé genuína produz no homem CONFIANÇA INABALÁVEL EM DEUS (“Certeza de coisas que se esperam"). A própria origem da palavra fé denota “Confiança”. No latim fidere é confiar e no grego pistis é confiança, crédito. A palavra grega no original, aqui traduzida por “certeza”, é hypóstasis, que segundo os dicionários, podem significar: “natureza”; “essência”; “substância”; “fundamento”; “atestação”, ou ainda "convicção”; “garantia”. Segundo Guthrie, existem pelo menos duas formas de entendimento do texto, que embora diferentes não são excludentes: 1) a Fé dá realidade às coisas esperadas; 2) a Fé consiste na convicção de que as coisas que se esperam acontecerão. Ambas implicam em CONFIANÇA INABALÁVEL EM DEUS. Abraão, chamado de ‘Pai da Fé’, foi um grande exemplo de um homem que pela fé deixou tudo para seguir à vontade de Deus (Gn. 12). O escritor da epístola aos Hebreus, diz que ele ”quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia” (Hb. 11:8). Isto é CONFIANÇA INABALÁVEL EM DEUS, pois a Fé dá realidade às coisas esperadas, é uma Confiança baseada na Certeza. Além disso, a fé genuína produz no

homem VISÃO DO INVISÍVEL (“Convicção dos fatos que se não vêem"). Outra característica marcante da Fé é exatamente Ver o Invisível. Ver o invisível não é o ver o que não existe, mas é “a extrema certeza e a mais forte evidência de que os fatos que se não vêem são realidade” (Comentário Moody). A palavra aqui traduzida por “convicção” é elegchos, que significa “prova”, “convicção interior”. A Fé é o único meio que existe para “Ver o Invisível”, pois ela nos permite conhecer o que não podemos ver com os olhos. Os Hebreus, primeiros leitores desta carta, conhecedores que eram do Antigo Testamento, tinham sua fé em Deus alicerçada naquilo que eles conheciam dEle. Fé para o escritor e os leitores dessa carta, é Crer e confiar em Deus e Suas declarações, ou seja, é ter CERTEZA e CONVICÇÃO de que aquilo que Deus revelou de Si mesmo é suficiente para atestar, assegurar a REALIDADE DO INVISÍVEL. Embora tenha passado por dificuldades, quedas, deslizes, Abraão figura como o Pai da Fé, exatamente por que ele conseguiu Ver o Invisível, pois conhecia e cria na vontade de Deus revelada a ele. O autor da epístola aos Hebreus, concluindo sua descrição da Fé genuína, nos convida a “perseverarmos na carreira que nos foi proposta, olhando para Jesus o Autor e Consumador da nossa Fé” (Hb.12;1b e 2a). Assim irmãos, podemos concluir, dizendo que Fé é crer em algo invisível, em algo que ainda virá, simplesmente por que Deus prometeu. “A Fé é a consubstanciação do invisível e Eterno, é a plena certeza da realidade dos fatos que se não vêem”. É essa fé genuína, que produz CONFIANÇA INABALÁVEL EM DEUS e VISÃO DO INVISÍVEL, fé que é alicerçada na Palavra de Deus a Fé que devemos vivenciar e pregar. O povo de Deus deve ser conhecido como aquele que tem a “Arte de viver da FÉ, e sabe muito bem a Fé em QUEM”.

PR. NIANDER AGUIAR CERQUEIRA é casado com a Thiara Mourão Costa Cerqueira, Engenheiro Civil e Professor Universitário, atualmente membro da IB Boa Fortuna, Itaperuna-RJ Março de 2012 * Vigiai -

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Pr.

R inaldo de Mattos

Capas, Livros e Pergaminhos

Missionários

“Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos” (2 Timóteo 4.13) Missionário não pode viver sem capa, sem livros e sem pergaminhos. Livros e pergaminhos de um bom preparo missionário e capa de um sustento digno. Elementos esses que, aliás, não faltam à igreja de Cristo no Brasil. O que falta é a consciência da necessidade de disponibilizá-los a nossos missionários e candidatos. Quanto ao preparo, progredimos bastante. A partir do Congresso Internacional de Evangelização Mundial de Lausanne, 74, na Suíça, passamos a visualizar com maior clareza a dimensão da tarefa missionária da igreja e das estratégias a serem adotadas para se alcançar pessoas de todas as línguas e culturas do mundo, em todos os lugares e em qualquer situação e tempo. Com o surgimento da disciplina Missiologia, seguida de sua rica literatura, aprendemos como preparar melhor nossos missionários. Escolas especializadas em preparo missiológico e agências missionárias transculturais, começaram a surgir, uma após outra, em nosso País. Seminários e institutos bíblicos passaram a inserir em seus currículos a disciplina Missiologia. Começou-se aí uma onda de preparo missionário que não pode jamais ser detida. Dias atrás, por exemplo, falei a um grupo de 38 alunos do Curso de Linguística e Missiologia da Missão ALEM, em Brasília. Eles estão fazendo a última parte de seu treinamento missionário antes de seguirem para o campo. Estão aprendendo Linguística para traduzirem a Bíblia para povos de línguas ágrafas. Já vieram para o curso com o preparo teológico completo. Todos fizeram também, de uma forma ou de outra, o curso

de Missiologia e alguns deles possuem Mestrado nessa disciplina. No final, farão o curso de Sobrevivência nas Selvas, num treinamento in loco nas cercanias de uma aldeia indígena. Esses seguirão para o campo bem preparados... Menos do que isso, diria eu, é pouco. Entretanto, ainda há igrejas e até agências missionárias em nosso País enviando obreiros para os campos missionários com treinamentos de curta duração, com a agravante de aventurarem-se a mandar esses missionários para trabalhos transculturais. Isso hoje já não é mais um simples erro, mas chega a ser uma afronta ao que o Senhor nos tem concedido até aqui. Mas a nossa maior falha está na questão do sustento dos missionários. Estamos negando a eles a capa que os protege do frio e das chuvas de sua sobrevivência. Estamos tratando-os aquém da dignidade que o obreiro e o próprio ministério requerem. Em minha vivência missionária de mais de cinquenta anos, tenho me encontrado com muitos colegas que vivem com salários abaixo da média, com missionários que nunca conseguiram levantar a quantia exata do sustento exigido pela sua Missão e com um grande número, senão a maioria deles, que não possuem qualquer Plano de Saúde e não são inscritos no INSS. Numa certa ocasião perguntei a um missionário veterano, amigo meu, se ele sabia quem eram os obreiros de sua Missão que estavam trabalhando com sustento incompleto e ele me sussurrou ao pé do ouvido dizendo: Rinaldo, como somos velhos amigos, posso lhe dizer: Eu sou um deles!... Doutra feita, falava

com um candidato ao trabalho no Exterior a respeito do seu sustento e quando cheguei à questão do INSS ele me disse: - Pastor, não pago o INSS há mais de dois anos e não tenho nenhuma previsão de como irei resolver o problema daqui para frente... Mas o que mais me chocou, em meio a essas confissões, foi o que ouvi certa vez de um colega pastor batista. Ele me disse que tem conhecimento de situação em que obreiros nossos estão sendo enviados ao campo, em grande número, sem qualquer critério sobre nível de salário e absolutamente sem qualquer previsão para Plano de Saúde e INSS. Enquanto você lê esse artigo, um número enorme de missionários e candidatos estão fazendo seus giros pelas igrejas do Brasil em busca de comissionamento e sustento. São obreiros dignos de seu salário (1 Timóteo 5.18) que estão buscando, eles mesmos, a sua dignidade. Mas será que não estamos fazendo as coisas ao inverso? Se a tarefa da evangelização do mundo foi dada à igreja e não a indivíduos em particular, não seriam as igrejas que deveriam estar correndo atrás de missionários e de candidatos para enviá-los ao campo? Se a tarefa da evangelização do mundo foi dada à igreja e não a indivíduos em particular, não seriam as igrejas que deveriam estar correndo atrás de missionários e de candidatos para oferecer-lhes o sustento e não eles correndo atrás das igrejas? Se o obreiro é digno de seu salário, não seriam as igrejas que teriam a obrigação de atribuir-lhes essa dignidade? Este é o fenômeno. Indivíduos estão atendendo o chamado de Deus, pessoalmente e em grande escala hoje no Brasil, mas a igreja do Senhor, o povo de Deus, não está acompanhando esse movimento. Já se tem escrito bastante, produzido manuais e até realizado cursos para orientar missionários e candidatos na arte de obter sucesso no levantamento pessoal de sustento junto às igrejas. Mas, parece que está na hora

RINALDO DE MATTOS é Bacharel em Teologia com especialização em Missões Transculturais pela Faculdade Teológica Batista de Brasília. Curso de Lingüística (intensivo) do Summer Institute of Linguistics (hoje Sociedade Internacional de Lingüística). É missionário entre os Xerente (TO) pela Junta de Missões Nacionais da CBB - A atuação entre os Xerente compreende dois períodos: de 59 a 76, pela Missão Novas Tribos do Brasil, e de 93 até o presente, pela Junta de Missões Nacionais da CBB.

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- Vigiai * Março de 2012


Pr.

Ana Wollerman

P

ouquíssimas pessoas puderam influenciar de forma mais impactante na denominação batista em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul do que a missionária Ana Wollerman. Sua biografia é repleta de episódios marcantes, com histórias de fé, determinação e confiança em Deus. Superou desafios, venceu preconceitos e deixou um legado que jamais poderá ser esquecido da história batista da região oeste do Brasil. Nasceu em 13 de dezembro de 1910 em Pine Bluff, Arkansas, EUA e faleceu com a idade de 97 anos, no dia 18 de fevereiro de 2008. Sentiu a chamada missionária aos 26 anos de idade e buscou o preparo. Na Ouachita Baptist University, Arkadelphia, Arkansas, trabalhava para o seu sustento como bolsista na Universidade. Concluiu o Bacharel em Belas Artes “Suma-cum laude”. Cursou o mestrado em Educação Religiosa no South-Western Baptist Theological Seminary, Fort Worth, Texas. Durante o mestrado ouviu uma palestra proferida por Telma Bagby, quando pela primeira vez sentiu no coração o desejo de vir para o Brasil. Após o curso, apresentou-se a Junta de Richmond, mas foi rejeitada com a alegação de ter ultrapassado a idade limite. Exerceu o ministério de Educadora Religiosa na FBC Corpus Christi, Estado do Texas, de 1942

a 1945. De volta ao seu Estado, foi professora e capelã na Ouachita Baptist University até 1947. Neste período convidou o Pr. Guilherme Hankins a falar sobre Missões na Universidade. O casal Hankins, que também não era nomeado pela Junta de Richmond, foi o instrumento usado por Deus para sua vinda ao Mato Grosso. Ana Wollerman veio ao Brasil pela fé. Mesmo sem saber como seria sustentada aqui, pediu exoneração das funções na Universidade. Os alunos promoveram um jogo e lhe ofereceram U$ 250,00, o resultado da cobrança dos ingressos. Foi o suficiente para pagar a passagem de 3ª. classe em um navio cargueiro. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, deu um beijo no solo que considerava seu novo país. Foi com a família Hankins para Ponta Porã. Depois de alguns meses foi a Campo Grande e por seis meses ficou morando numa pensão, período que estudou e aprendeu a Língua Portuguesa com o jovem Rafael que não falava Inglês e que mais tarde, devido a sua influência sobre a sua vida, tornou-se conhecido nacionalmente como evangélico, político e poeta Gióia Martins Jr. Iniciou seu trabalho missionário em Vila União, hoje Amambaí e em março de 1948, fundou e dirigiu a Escola Primária Batista. Durante três anos os alunos da Universidade e alguns irmãos lhe mandavam ofertas mensais. Fez um voto a Deus de nunca pedir dinheiro a Igrejas ou a pessoas. Depois de três anos, a Junta de Richmond, tomando conhecimento de seu trabalho a nomeou como sua missionária. Mudou-se para Campo Grande em 1954. Foi a primeira mulher a ser eleita secretária executiva de uma Convenção Batista Estadual. Na sua gestão a Junta fez pela primeira vez, trabalhos de férias com seminaristas do Rio de Janeiro. Iniciou o “Plano Cooperativo” na CBSM, portanto um dos campos pioneiros na sua implantação. Foi a responsável pela realização do primeiro retiro dos pastores do Estado.

s érgio Nogueira

Conheceu o trabalho batista em Cuiabá, e em 1956 aceitou transferir-se para a Capital. O trabalho teve grande impulso. Começou a expandir novas frentes missionárias que geraram novas igrejas. Foram abertas e construídas novas escolas, construiu mais de 12 residências para pastores, foram construídos mais de 10 templos, foram adquiridos veículos para obreiros, mas a sua maior atenção era para as vidas que ganhou para Cristo e as que despertaram para a vocação cristã, ajudando-as a se equiparem nos estudos. Mais de 50 jovens foram diretamente ajudados por Ana Wollerman, tendo seus estudos custeados integralmente ou em parte. Foram 10 anos dedicados a região norte do Estado. Em 1965 voltou para Campo Grande, onde foi Vice-diretora e professora do Instituto Teológico Batista d’oeste do Brasil e em 1967 aceitou o convite de retornar para Dourados e trabalhar na Associação Sul. Nesta associação Ana Wollerman realizou trabalhos evangelísticos, promoção de Educação Religiosa nas Igrejas. Foi Diretora e Professora do Curso de Educação Teológica por Extensão. Foi uma grande incentivadora da criação do Instituto Teológico Batista na região sul de Mato Grosso e contra sua vontade a Instituição recebeu o seu nome, onde foi Vice-diretora e professora até o ano de 1980. Aposentada pela Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, em 1980, já com 70 anos de idade, voltou para sua Pátria, mas como ela mesma afirmava: Voltei aos Estados Unidos da América, mas o meu coração eu deixei em Mato Grosso. Com a idade de 92 anos de vida, realizava seu trabalho, evangelizando e dirigindo cultos no condomínio de aposentados onde residia. Pregava também em igrejas nos Estados Unidos e acompanhava à distância, mas com carinho o trabalho aqui no Brasil. Sua grande contribuição sempre foi a intercessão. Sua pregação foi usada por Deus para falar a muitos corações, tanto jovens, moços e moças como também a casais, que ouvindo o convite, atendiam ao chamado do mestre.

PR. SÉRGIO NOGUEIRA é diretor da Faculdade Teológica Batista Ana Wollerman e da Teológica Batista Sul-Mato-Grossense, coordenador do curso de Teologia a distância da UNIGRAN e Dir. Executivo da ABIBET. Pastor da Igreja Batista Memorial Charles Compton em Dourados-MS. Março de 2012 * Vigiai - 39


Dr.

v anias Batista de Mendonça

Ameaças ao

Sacerdócio cristão O

crescimento da igreja cristã depende do envolvimento de todos os cristãos e não apenas dos ministros profissionais. A proclamação da mensagem de salvação, o testemunho eficaz na sociedade e o culto de adoração precisam do envolvimento de todos. Esses propósitos estão ameaçados. As influências do movimento neopentencostal deitou raízes sobre vários aspectos da missão da igreja. Algumas visíveis, outras não. Algumas positivas, outras negativas. Uma das que merece reflexão é a influência sobre o ministério de todos os crentes. A pregação de que a solução está na Igreja e não em Deus, afasta o novo cristão do envolvimento com Cristo para priorizar o envolvimento com a instituição. Por conseguinte, a submissão aos mandamentos de Cristo fica em segundo plano, para que predomine a observância dos rituais. O cristão foi chamado para amar a Deus e ao próximo (Mt. 22.37-40), e isso deveria dar uma noção exata de que a prioridade é o relacionamento com o Senhor e, depois, com os demais que se reúnem como igreja para adorar o mesmo Senhor. Sem o relacionamento com o Senhor, a comunhão com os demais cristãos é um mero encontro. A pregação de que o novo cristão foi chamado para a vitória material e aquisição de bens é uma valorização das coi-

sas seculares em detrimento dos valores eternos. Assim, esse novo evangélico não entende o que significa servir aos outros, porque seu interesse está no seu bem estar. O cristão foi chamado à liberdade, mas não para dar ocasião à carne, e sim

como corpo em cada membro tem uma função a exercer. O cristão foi chamado para o ministério cristão, utilizando seus dons para o aperfeiçoamento dos santos e para edificação do Corpo de Cristo (Ef. 4-11-12). Sem a cooperação de cada membro o corpo não se desenvolve, não cresce. Ao contrário, definha, morre. Ora, tais mensagens são repetidas dia e noite pela mídia televisiva. Invadem os lares dos cristãos de quaisquer grupos ditos evangélicos e vão solapando a mensagem pura do evangelho, de tal forma que já se percebe em todas as igrejas uma mudança de comportamento. Surge uma geração de cristãos mais parecidos com consumidores de uma religião do que imitadores do Senhor Jesus. Cristãos que mais se preocupam com a instituição do que com o Senhor da Igreja. Cristãos que mais desejam ser servidos do que servir. Cristãos que já não se empenham pela edificação da igreja. São ameaças reais. Avizinham-se dias em que a igreja estará recheada de pessoas que desejam ser tratadas como senhores e não como servos do evangelho. Se a igreja de Cristo pretende ser relevante no futuro, deve atentar para essas ameaças.

"Esse novo evangélico não entende o que significa servir aos outros, porque seu interesse está no seu bem estar." para servir uns aos outros pelo amor (Gl. 5.13). A mensagem da prosperidade, no entanto, pode resultar em uma igreja de membros cada vez mais egoístas que não terão interesse em agir como sacerdotes para ministrar no mundo. Uma igreja que não olhará para o próximo a quem deve amar e servir. O ensino de que o novo cristão depende do líder para resolver seus problemas, anula por completo a verdade de que o crente é ministro, é sacerdote, que não depende de um guru humano. Com isso fica prejudicado o aperfeiçoamento do novo crente e dos demais cristãos. Perde-se a noção de edificação da igreja

Dr. Vanias Batista de Mendonça é diácono batista, advogado, juiz aposentado do TRT da 11a Região. E-mail: vaniasbm@ yahoo.com.br

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- Vigiai * Março de 2012


Pr.

Sonho e Realidade

no PePe

da Primeira Igreja Batista em Tapanã "De noite apareceu a Paulo esta visão: Estava ali em pé um homem da Macedônia, que lhe rogava: passa à Macedônia e ajuda-nos.” (Atos 16.9).

D

esde que chegamos à Primeira Igreja Batista no Tapanã (Belém-Pa), fim de 2002 e começo de 2003, nosso coração foi motivado por Deus a trabalhar com a comunidade local por diversas situações. Uma destas é porque identificamos um índice muito baixo de escolaridade, principalmente entre adolescentes e jovens. Nosso bairro, o Tapanã, como muitos das periferias da grande Belém e de outros Estados da federação, sofre com a falta de saneamento básico, de água encanada e tratada, de iluminação adequada nas ruas, de segurança pública, e também com a insuficiência de escolas. Assim, juntos com a igreja, pedíamos a Deus que pudéssemos suprir de alguma forma, mesmo minimamente, uma forma de ajudar os irmãos e as pessoas deste bairro eivado de problemas sociais. Evidente que esta estratégia também visava à evangelização das pessoas em nosso bairro. O que fazer? Com a identificação de um bom número de adolescentes, criamos um projeto denominado Projeto SER (Social Evangelístico Restaurador). Este projeto tem como base o esporte, e nada melhor que o futebol para socializar a garotada. No entanto, enquanto procurávamos nos associar com uma ONG (Pró-Vida) para levar adiante o Projeto SER, Deus nos sensibilizou para outra área carente em nossa comunidade do Tapanã: A educação das crianças. Esta parceria PIB Tapanã-Pró-Vida por intermédio do PePe (Programa de pré-alfabetização) abriu para nossa igreja um novo horizonte para ajudar as famílias carentes de nosso bairro: levar as boas novas de salvação e motivar os membros da igreja. Vejam bem, queríamos a princípio investir nos adolescen-

tes e jovens. Mas Deus, na sua infinita sabedoria, nos fez ver que o investimento primeiro seria nas crianças de quatro a cinco anos, pois, educando estas crianças, na razão e no espírito, estamos investindo em um adolescente melhor no futuro, com menos dificuldade para ser inserido em um contexto social, político e espiritual que, por conseguinte, lhe proporcionará ser um cidadão digno deste país, do mundo e dos céus. Hoje já formamos três turmas, a última em dezembro de 2011 com treze alunos (meninos e meninas), que são encaminhadas, pelos pais, para a Escola Pública. Custo praticamente zero para as famílias, já que pedimos uma taxa irrisória para o uniforme, mas nem todas cooperam por não terem condições. Deus enviou um casal suíço, irmãos Adalbert e Cecilia Müller que muito tem

R uy de Nazaré Barata

nos ajudado nesta obra. Suas ofertas fizeram com que melhorássemos nossas salas, e também através destas (ofertas) podemos atualmente dar uma cesta básica para cada missionária educadora. Temos proporcionado às famílias da comunidade do Tapanã, através do PePe, educação, ensino bíblico e lazer. No começo as crianças apenas lanchavam, hoje almoçam duas vezes por semana, e uma vez por mês tomam banho nas instalações do PePe onde são cortadas as unhas e feitas assepsias em alguns ferimentos. Quem conhece a realidade de nossa igreja, não muito diferente das muitas espalhadas pelos bairros belenenses, pode estar perguntando: De onde veem os recursos para a manutenção destes projetos? Veem das orações dos irmãos, do envolvimento com os projetos da igreja e da dependência do Deus Provedor. Por que isto acontece? Porque quando a igreja atende ao necessitado: àquele que não tem o pão diário, que não tem acesso a planos de saúde, a água tratada, à segurança, ao lazer e à educação, o Senhor dos senhores, dono da prata e do ouro (Ag.2.8), o que tem o bálsamo para curar as feridas do corpo e da alma, providencia através das pessoas, das instituições e até de não crentes o abastecimento de sua Igreja na Terra, louvado seja nosso Deus! Ele é Fiel, e sempre será fiel, acredite! Isto é Missão Integral da Igreja (Is.55.1). Logo, o texto de Atos 16.9 tem se tornado uma resposta de Deus. Estes pequeninos e pequeninas do Bairro Tapanã estavam clamando: Passem à Macedônia (Tapanã) e nos ajudem.O PePe Tapanã atravessou esta fronteira e concretizou o sonho destas crianças. Somos muito gratos a Deus, à PIB no Tapanã, aos irmãos Adalbert e Cecília Müller (Suíça), à Pró-Vida, à COBAPA que tem contribuído para que o PePeTapanã seja um sucesso em nosso bairro. Deus é maravilhoso, é provedor, louvado seja o seu nome para todo sempre! Amém.

Ruy de N. Barata Machado é pastor na PIB noTapanã e Presidente da Seção Paraense da OPBB - Ordem de Pastores Batistas do Brasil. E-mail: yurb@ig.com.br Março de 2012 * Vigiai -

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Pr.

E dison Queiroz

40 dias

de jejum e oração

E

ste movimento iniciou-se no ano de 2006, e tem se espalhado por todo o Brasil, fazendo uma grande diferença na vida dos cristãos, nas igrejas e consequentemente na nossa pátria. A cada ano buscamos a direção de Deus sobre o tema que devemos focalizar. Nos anos anteriores, os temas foram: “A transformação do Brasil”,

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- Vigiai * Março de 2012

“Evangelização”, “Família”,” Igreja, Corpo de Cristo”, e este ano o tema é “Atos 1.8 em 40 dias”. A igreja brasileira é um grande potencial para a evangelização do mundo, portanto se estudarmos a Grande Comissão de Cristo, com ênfase geográfica e prática, experimentaremos uma grande transformação em nossas cidades, Estados, na Pátria e no mundo. Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia, e Samaria e até aos confins da terra. Atos 1.8 A Grande comissão aparece nos quatro evangelhos (Mateus, 28.18-20, Marcos 16.1518, Lucas 24.46-49 e João 20.21-22) e no livro de Atos, conforme o texto acima. Se estudarmos bem, veremos duas ênfases de Jesus Cristo: Primeiro a ordem descrita como Fazer Discípulos, ser testemunhas e pregar o evangelho em segundo lugar o alcance geográfico: Todas as nações e todo o mundo. No texto de Atos 1.8 Jesus apresenta detalhes deste alcance geográfico: Jerusalém, Judeia, Samaria e os confins da terra. A maioria das nossas Bíblias apresenta alguns mapas nas páginas fi-

nais, para que entendamos a geografia da época de Cristo. Olhando o mapa da Palestina nos tempos de Jesus, veremos que Jerusalém era uma cidade, capital do Estado da Judeia; Samaria uma região ao norte do mar da Galiléia, e os confins da terra sabemos que é o mundo todo. Devemos então entender que o Senhor nos chama para sermos suas testemunhas na nossa cidade, no nosso Estado, na nossa nação e no mundo todo. Cada cristão tem o chamado de testemunhar para estas quatro regiões. Esta é a visão de Deus. Não podemos nos concentrar apenas no nosso bairro, ou cidade, mas Deus espera que façamos todos os esforços e tenhamos estratégias para alcançar estas quatro regiões. Nas nossas cidades, todos os membros das igrejas são os missionários e devem empreender todos os esforços para levar almas ao conhecimento do evangelho. Nos Estados, no Brasil e no mundo, deveremos enviar missionários para ganharem vidas para Cristo, plantarem igrejas e fazerem discípulos que se reproduzam em outros discípulos. Ao vermos o alcance desta tarefa, muitas vezes nos sentimos incapazes, e temos a tendência de achar que é impossível cumpri-la, mas foi exatamente por esta razão que Jesus, junto com a ordem de evangelizar o mundo, deu a promessa da presença do Espírito Santo que é o agente de Deus para preparar, ungir, dirigir e utilizar seus filhos na expansão do Reino. Muitos pensam que o Poder do Espírito Santo é somente para os pastores e evangelistas, mas a Bíblia é bem clara afirmando que todo cristão deve viver cheio do Espírito Santo: “Enchei-vos do Espírito” (Efésios 5.18). Deus conhece nossa incapacidade e providenciou um poder sobrenatural que nos ajuda obedecer aos seus mandamentos, e levar vidas aos pés de Cristo.


Que bom saber que o nosso trabalho para Deus não depende da nossa capacidade humana ou de nossas condições pessoais, mas sim da presença e do Poder do Espírito Santo. Ele agirá em nós e através de nós, e nos usará para sua Gloria. A promessa já foi dada, basta apenas nos apropriarmos dela pela fé, pedindo a Deus que nos encha com o seu Espírito. Ele o fará e nossas vidas nunca mais serão as mesmas, e com certeza produziremos muitos frutos para a Glória de Deus. Por outro lado, alem da visão geográfica e da promessa do poder, devemos também nos concentrar na função de cada cristão como testemunha de Cristo. A vida cheia do Espírito Santo nos levará a ser testemunhas de Cristo. Mas o que é uma testemunha? É uma pessoa que assiste a determinado fato contestado, ou dele tem conhecimento, e é chamada a depor sobre o que souber a respeito desse fato. Portanto, ser testemunha de Cristo é dizer a outros o que Ele fez e está fazendo em nossas vidas. Isto implica em ter um relacionamento pessoal com Ele, e então, dizer a outros o quanto é boa a vida cristã. Todos os cristãos são chamados e separados por Jesus para este trabalho: Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome. João 15.16 A primeira verdade deste verso, é que somos escolhidos de Deus. Que grande privilégio saber que Ele nos escolheu. Mas notem bem que Ele nos escolhe com um propósito, que é dar fruto, e fruto que permaneça.

Infelizmente vivemos em um tempo Quarta Semana – Judeia, nosso Estado. onde a pregação do evangelho tem sido Quinta Semana – Samaria, nosso país. diluída, e as pessoas estão buscando a Sexta Semana – Confins da Terra Deus com interesses egoístas, querendo apenas levar vantagens, mas não as vanNo final de cada mensagem diária, tagens espirituais, e sim as vantagens há motivos de oração, e os participantes influenciadas pelo esquema do mundo. vão orar em concordância com outros, e Por isso muitos cristãos não dão fruto, também tomarão decisões que envolveapenas querem receber as bênçãos de rão sua vida pessoal e igreja no cumpriDeus. Mas o verdadeiro cristianismo en- mento da Grande Comissão. sina que somos salvos para servir a Deus. A cada ano que passa este movimenQualquer cristão maduro espiritualmente sabe Vamos separar 40 dias em jejum e oração que deve produzir fruto, e o faz para a Gloria para a igreja ampliar a visão e cumprir de Deus. a missão. Temos um pequeno livro com Claro que os misquarenta mensagens sobre a visão e a sionários são aqueles enviados a outros locais missão, separadas com as seguintes ênfases para proclamarem o semanais: evangelho. Mas aqueles que não são enviados para outros locais, dePrimeira Semana – Visão e Poder – vem entender que seu Recebereis Poder; campo de trabalho são Segunda Semana – Consagração e Ação – as pessoas do seu relacionamento. Notem Sereis minhas Testemunhas; que a questão é geográTerceira Semana – Jerusalém, nossa fica. Se Deus não lhe cidade; manda ir a outros lugares, é porque Ele quer Quarta Semana – Judeia, nosso Estado; usar sua vida onde você Quinta Semana – Samaria, nosso país; está. Sexta Semana – Confins da Terra; Eu fico imaginando, se todos os cristãos entendessem e vivessem o que Jesus disse, to tem crescido. No ano passado tivemos com certeza teríamos uma grande co- 1.421 igrejas e 393.494 participantes, e lheita de almas para o Reino de Deus. todos os Estados do Brasil estiveram rePara isso, nós vamos separar 40 dias presentados. Queremos aumentar e ver em jejum e oração para a igreja ampliar muitos cristãos jejuando, orando e ama visão e cumprir a missão. Temos um pliando sua visão do Reino. pequeno livro com quarenta mensagens O convite é para todos os cristãos sobre a visão e a missão, separadas com no Brasil, para que se envolvam pessoas seguintes ênfases semanais: almente a motivem suas igrejas a partiPrimeira Semana – Visão e Poder – Re- cipar. cebereis Poder Segunda Semana – Consagração e Ação – Sereis minhas Testemunhas Mais informações no site: Terceira Semana – Jerusalém, nossa www.jejum40dias.com.br cidade. ou no telefone (11) 4468-1352

Edison Queiroz é pastor da Primeira Igreja Batista em Santo Andre, Foi diretor executivo do COMIBAM – Cooperação Missionária Ibero Americana, foi presidente do COMHINA – Cooperación Misionera de los Hispanos de Norte America. Autor de diversos livros incluindo “A Igreja Local e Missões” (Edições Vida Nova). Casado com Rute, tem três filhos e dois netos. Março de 2012 * Vigiai -

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Pastores em Destaque

JOSÉ MARIA DE SOUZA COMPLETA 30 ANOS DE MINISTÉRIO PASTORAL POR VITAL SOUSA

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o dia 8 de março o Pr. José Maria de Souza, titular da Primeira Igreja Batista da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, capital, e SecretárioExecutivo da Convenção Batista Fluminense completou 30 anos de ministério. O belo templo estava lotado, muitos convidados e a bela membresia da igreja anfitriã. Dezenas de pastores estiveram presentes. O cantor Fernandinho deu um toque todo especial no louvor ao Senhor, encantando a todos com sua maestria com sua banda e esposa, também cantora. Pregou na ocasião o querido homem de Deus, Pr. Éber Silva, titular da Segunda Igreja Batista em Campos do Goitacaysés, interior do Estado do Rio de Janeiro e Presidente da OPBB. As fotos retratam alguns momentos, outras estão no álbum Picasa que poderá ser acessado através de busca no site www.vigiai.net “Parabéns pr. Zé Maria. Que as bênçãos do Eterno continuem sendo derramadas sobre sua vida. Pr. Jadai” “Dê por mim um forte abraço neste amigão. Com carinho Adalto Amaral” “Olá meu amigo José Maria. Quero deixar registrado minha gratidão a Deus por tua vida. Trinta anos de Ministério Pastoral, vivendo os desafios que este tempo nos impõe e ainda ter todo esse vigor é sim, motivos de muitas graças a Deus. Parabéns, por esta data tão significativa. Ricardo Reis” “Parabéns pelo seu jubileu de pérola de ministério. Que Deus continue usando poderosamente na Pib Barra da Tijuca e na direção executiva batista fluminense! Pr. Jonas de Oliveira”

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- Vigiai * Março de 2012


De 26 a 30/06/2012 Convite para o

1º Congresso Internacional Brasileiro de

“Business as Mission”

Prezados homens e mulheres de negócios

T

emos o prazer de convidá-los para o “First International Brazilian Business & Missions Congress” que acontecerá nos dias 26 a 30 de Junho de 2012.

Os primeiros três dias serão em Monte Verde, Suíça Mineira, no sul do estado de Minas Gerais – e os dias seguintes em um Hotel em Sorocaba-SP. Monte Verde, fica cerca de duas horas e meia de São Paulo (160 km) e do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Em Sorocaba teremos uma manhã de turismo com a oportunidade de encontrar autoridades e também uma roda de negócios com empresários da região. Após o evento, você terá a oportunidade de visitar diferentes lugares para observar oportunidades nas áreas de negócios. Durante os encontros informaremos sobre as últimas oportunidades e o desenvolvimento do Brasil em negócios. Você será capaz de encontrar homens e mulheres de negócios e investidores do Golfo Pérsico, China, Índia, Coréia do Sul, Alemanha, Finlândia e outras partes do Mundo.

No congresso teremos também a oportunidade de ouvir notícias dos campos por Diretores de Missões e conhecer mais sobre organizações missionárias que estão trabalhando entre Grupos não Alcançados, especialmente na Janela 10-40. CONEC Brasil, Expo Cristã, Horizontes América Latina e uma Organização Européia são os Coordenadores desse congresso. Necessitamos de sua confirmação o mais breve possível para fazermos as reservas nos hotéis. Se você necessita mais informação, sinta-se livre pra contactar-nos. Atenciosamente David Botelho Diretor Horizontes America Latina. negocios@mhorizontes.org.br 35-3438-2192

Organizadores & Palestrantes

Eduardo Berzin - EXPOCRISTÃ Daniel Leite - CONEC BRASIL CEO de uma organização europeia (Nome e Organização não revelados por motivo de Segurança) David Botelho – Horizontes América Latina

Outros Palestrantes: Josias Messias Sarah Lee John Pasterkamp Stuart Robinson Niilo Närhi


E

m Fevereiro / 2011 reiniciamos, pela fé, o novo edifício – Guanxi Hotel - com 46 suítes nas categorias luxo e master. O prédio tem cinco andares com ótima infraestrutura: SPA, sauna, piscina aquecida e salão de café com vista panorâmica. Cremos que esse empreendimento servirá de suporte e abençoará missões juntamente com a igreja brasileira. Graças a Deus já concluímos cinco suítes luxo e uma master com toda a infraestrutura de hospedagem de uma estância turística como Monte Verde. As suítes da categoria luxo são sofisticadas, contendo cama Box Queen / TV LCD/ aquecedor de ambiente com decoração de muito bom gosto para o seu total conforto. As suítes da categoria master, além de sofisticação é super requintada: possui dois ambientes com cama Box Queen / TV LCD/ Lareira/ hidromassagem dupla/ ducha dupla/ lavatório duplo e decoração de primeira linha. Optamos em fazer algo especial para que seu conforto seja pleno. Para ver a conclusão desse empreendimento, precisamos de um milhão e duzentos mil reais. Para completar, queremos contar com 1000 parceiros e amigos da Horizontes que contribuam com: 1 – R$50,00 mensais por 12 meses. A contribuição dará direito a um final de semana na suíte luxo; 2 – R$100,00 mensais por 12 meses. Essa contribuição dará a você uma semana na suíte luxo; 3 – R$200,00 mensais por 12 meses. Você terá um final de semana na suíte master; 4 – R$300,00 mensais por 12 meses. Você poderá descansar por uma semana na suíte master..

O investimento feito é inferior ao custo de uma suíte similar nos hotéis da cidade. Contamos com seu apoio e o convidamos a se unir conosco nesta nova etapa para que, ao final dela, possa vir e ver de perto aqueles que o Senhor tem levantado para encarar o grande desafio: alcançar os povos não alcançados da terra em nossa geração.

Novo edifício do Centro para as Nações

Informações: reservas@mhorizontes.org.br ou pelo telefone 035-3438-1546 * As estadias não contemplam feriados prolongados e os meses de Junho e Julho. ** Inclui o café da manhã e serviço de quarto.


Horizontes América Latina

A

Horizontes tem uma história de mais de vinte anos na área de mobilização missionária, recrutamento, treinamento e envio para os povos menos alcançados da terra; Já treinou mais de 1.000 candidatos em seus diversos projetos tais como: Treinamento Transcultural, Projeto Espanha, Sahel, Seminário Missiológico, Teen, Radical e Uniasia que estão atuando no Brasil e em mais de 60 países. O Projeto Radical idealizado originalmente pela Horizontes enviou de uma vez 96 jovens para a Janela 10-40 e Além e que foi escolhido como modelo multicultural de treinamento pelo Congresso de Lausanne realizado em Pattaya – Tailandia em 2004. Um terço dos missionários brasileiros atuando na Janela 10-40 e Além passaram por um desses treinamentos. Curso de Especialização em Missões Transculturais a Distância Estude em sua própria casa com Patrick Johnstone, Bruce Olson, John Dekker, Don Richardson, Stan Guthrie, Luis Bush, Edison Queiroz, Glenn Myers, David Botelho e outros...Esse curso está organizado em 20 módulos que tratam de assuntos diversos como Base Bíblica de Missões, Contextualização Missionária, Antropologia Cultural, Princípios de Missões, Culturas, Treinamento Missionário, Regiões Menos Alcançadas pelo Evangelho, a Janela 10-40, a Janela 35-45 (também conhecida como Rota da Seda), Mundo Muçulmano, Índia, Península Arábica, os Povos Nômades, a Igreja Perseguida, o Evangelismo Cronológico, Estratégias e Métodos de Missões Transculturais, etc. Faça parte deste treinamento que já conta com mais de cinco mil estudantes de diversos lugares. Revolution Teen – Adolescentes com propósitos Treinamento transcultural de uma nova geração de Missionários. Adolescentes concluintes do primeiro

grau são treinados em Monte Verde e depois concluíam o segundo grau em espanhol e agora em língua inglesa, após fazem graduação e mestrado em lingüística para serem tradutores da Bíblia. Eles recebem treinamento em oito competências: Dominar as linguagens utilizadas pelo homem; Saber resolver problemas; Analisar e interpretar fatos; Compreender o entorno social e atuar sobre ele; Receber criticamente os meios de comunicação; Localizar e selecionar informações; Planejar e decidir em grupo e criar no estudante uma mentalidade global: Quando este jovem chegar à idade adulta, seu campo de ação não será apenas o bairro ou a cidade, mas o mundo. Uniásia – Sete formações em sete anos Projeto de sete anos com sete formações diferentes para a região menos alcançada da terra a Ásia. Este proporcionará ao candidato, a oportunidade de ter uma formação bíblica, missiológica/cultural, formação universitária ou pós graduação no exterior, língua inglesa, espanhola e uma língua asiática. Os candidatos são recebidos com um terço do sustento e restante é complementado no treinamento entre a organização e candidato. A visão é de se especializarem na área educacional, tradução bíblica e negócios. Literatura e vídeos Conta com mais de 70 títulos e diversos livros inéditos como: Intercessão Mundial que contém informações completas sobre todos os países do mundo, Segredos do Alcorão, Teologia do Cachorro e do Gato, Série Perspectivas com regiões do mundo como China, India, Mundo Árabe, Aro de Fogo e outros, Preparo Integral para o Ministério que mostra os melhores tipos de treinamento escolhidos pela Aliança Evangélica Mundial e mais recentemente o kit

de vídeos que mostra as histórias de muçulmanos que tiveram sonhos e visões com Jesus. Esportes e Missões Desde 1992 a Horizontes tem participado e desenvolvido projetos esportivos ou de alcance de curto prazo. Em 2008 a Horizontes coordenou o Conexão China, projeto missionário de curto-prazo que levou 104 brasileiros às Olimpíadas de Beijing, a maior delegação das américas. Missionários da Horizontes desenvolvem ministério com esportes em países fechados. Curso Visão Global Mais de 20.0000 líderes e pastores atendaram ao seminário Visão Global no Brasil e países da América Latina, e foram desafiados a participarem e se comprometerem com a obra missionária transcultural para os nãoalcançados. Empreendedorismo em Missões Atendendo a demanda de novas estratégias de alcance missionário e globalização temos focado o nosso trabalho e visão na área de Missão Empresarial, ou Business as Missions (Inglês), utilizando o potencial empreendedor do brasileiro para impactarmos o mundo com o Evangelho do Reino, nosso anelo é ver empresários com visão missionária abrindo empresas e financiando missões entre os não-alcançados. Se você quer fazer parte da história que Deus tem escrito conosco, por favor nos contate: contato@ mhorizontes.org.br ou (35) 3438 1546 Como investir no ministério da Horizontes. Missão Horizontes: Bradesco Agência 1020 – Conta 3474-6 CNPJ – 59.958.983/0001-16


Revista Vigiai 2ª Edição  

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