Caderno - Concurso - Teatro de Natal

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04.05 Teatro de Natal - Concurso Público Nacional de Arquitetura

TEATRO NATAL - RN

Outubro de 2005

Apresentação O Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da Fundação José Augusto, entidade da administração estadual responsável pela promoção e divulgação da cultura potiguar bem como pela preservação e manutenção do patrimônio histórico, artístico e cultural do Estado, e com o apoio técnico do IAB/RN, promove o presente Concurso Público Nacional de Arquitetura com o objetivo de selecionar e premiar a melhor proposta arquitetônica visando a edificação do Teatro de Natal, a ser construído no bairro de Lagoa Nova. Enfoque do julgamento: criatividade, objetividade, clareza, atendimento •Nome oficial do concurso:

ao

Teatro de Natal - Concurso Público Nacional de Arquitetura

economicidade, entre outros de ordem técnica e cultural.

•Diretrizes projetuais: A idéia não é a de que seja apenas mais

Terreno

um teatro, mas, na realidade, um equipamento de referência

-Area: 20.871,41 m²,

para a área cultural do Rio Grande do Norte. Um espaço que

- Loclização: situado entre a Avenida Prudente de Morais e a Avenida

possibilite, sem restrições, a representação de toda e qualquer

Romualdo Galvão, esquina com a Rua Miguel Castro, no bairro de Lagoa

forma de arte; Um centro de formação de novos artistas e de

Nova, onde funcionaram oficinas do DER/RN, em Natal/RN

programa,

exeqüibilidade,

contribuição

tecnológica

novas platéias; Um marco na área teatral do Rio Grande do Norte, como o é, ainda hoje, o Teatro Alberto Maranhão nos seus 101 anos de existência; Um patrimônio da arquitetura potiguar; Um equipamento cultural que venha contribuir para o fortalecimento da economia norte-rio-grandense no seu mais importante

segmento,

o

turismo,

ao

se

transformar,

seguramente, em mais um motivo de atração de visitantes; E, principalmente, que este espaço venha a se constituir no maior e mais importante centro cultural do estado, onde todas as manifestações artístico-culturais do povo potiguar possam se apresentar e ser representadas.

BASES GERAIS •Unidade Promotora: Governo do Estado do Rio Grande do Norte; •Unidade organizadora: Fundação José Augusto; • Assessoramento Técnico e Apoio Administrativo: IAB/RN. •Data: Outubro de 2005 •Local: Natal - RN •Área total: 12.000,00 m²

e


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TEATRO NATAL - RN

Outubro de 2005

Prêmios

1º LUGAR Arquitetos Mario Biselli e Guilherme L. Motta

O partido arquitetônico se define no alinhamento das salas de espetáculo em paralelo à fronteira nordeste do terreno, reservando 6 metros para uma via interna. Ao longo desta linha posicionam-se as caixas cênicas em cujo perímetro vertical e horizontal se posicionam os ambientes de apoio artístico, ambientes de administração e difusão cultural e apoio técnico. Esta concepção permite a perfeita comunicabilidade entre as caixas e sua infraestrutura de acesso, carga e descarga e funcionalidade, permitindo simultaneidade e reversibilidade de todo o setor de bastidores e contra-regragem. Todo este corpo arquitetônico define-se como um bloco funcional e de restrito acesso, estratégia que permitirá que todos os espaços públicos e de acesso aos espetáculos estabeleçam frontalidades 'as três avenidas em níveis diversos, desfrutando das qualidades urbanas excepcionais que o sítio oferece. Permitirá também o desenho de uma cobertura para as caixas de platéia e para configuração de um saguão único de escala monumental que com seus beirais dilui a fronteira interior / exterior (e provendo o sombreamento de uma varanda nordestina), controlando os acessos através de foyers individualizados para cada sala e distribuindo os espaços de serviço vinculados ao fluxo de público. O gesto maior do projeto consiste no desenho de uma grande praça que antecede todo o conjunto arquitetônico. A praça nasce de uma linha diagonal derivada da geometria própria das salas de espetáculo, que se organiza segundo a ordem crescente das suas dimensões, tendo como base o alinhamento horizontal e vertical das bocas de cena. A praça é o espaço público que o projeto oferece 'a cidade, podendo abrigar todos os tipos de evento destacados pelo edital. Seu acesso se dá sempre em nível com as ruas e permite acessar o saguão em seus dois níveis. O nível principal da praça coincide com as cotas superiores do sítio.

Principais Diretrizes Projetuais: • O projeto desenha primeiramente um grande espaço urbano, e extrai desta ação a condição de implantação do grande equipamento público. • Como estratégia geral estabelece uma faixa infra-estrutural junto à divisa reservando 'as três frentes as áreas públicas. Edifício a ser construído predominantemente em estrutura de concreto e alvenaria, com exceção da cobertura principal do saguão e das estruturas superiores das salas de espetáculo em estrutura de aço, possibilitando a sua construção em etapas sem prejuízo de sua operacionalidade. A cobertura principal é composta de treliças de aço e fechamento de materiais isolantes termo-acústicos de translucidez controlada. A cobertura apóia apóia-se na estrutura de concreto das salas mantendo sua independência em relação a estas principalmente para garantir a constante e abundante ventilação do espaço como um todo.


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Outubro de 2005

Prêmios

2º LUGAR Frentes / Arquitetos Juliana Corradini e José Alves

As dunas e as falésias de Natal são um grande marco visual na paisagem da cidade. Aqui a natureza se torna fonte de inspiração e referência: a caixas cênicas dos quatro teatros são colocadas lado a lado no sentido do menor para o maior configurando uma íngreme e inclinada parede de concreto armado junto ao movimento constante da Avenida Prudente de Moraes, remetendo à verticalidade pujante das falésias. Uma cobertura levemente inclinada de vidro refletivo incolor pousa delicadamente no espelho d’água. Tem a forma sinuosa e em movimento como as dunas e está lá para abrigar as mais diversas expressões artísticas e folclóricas, feiras de artesanato, shows de música, protegendo o homem das intempéries e proporcionando conforto ambiental. As laterais do edifício são abertas e sua implantação está voltada para o sudeste, de onde vêm os ventos dominantes. Assim, a brisa é constante e o ar está em contínua circulação através do efeito chaminé proporcionado pelas grandes aberturas na cobertura. A vegetação e o espelho d’água com seus chafarizes borrifando gotículas de água contribuem para a criação de um ambiente agradável sob a cobertura, de modo ecológico e sustentável, eliminando a necessidade de climatização deste recinto. O corpo semi-enterrado do edifício composto das quatro salas de espetáculos mais o programa anexo foi projetado em concreto armado aparente. As coberturas dos teatros são constituídas de lajes nervuradas de concreto que vencem as grandes larguras e apóiam parte do programa. As platéias são sustentadas através de pilares que seguem a malha estrutural do subsolo: 7.50 X 8.00m. O primeiro pavimento, formado pelas escolas e áreas administrativas e que faz a transição entre o piso térreo e o da biblioteca e restaurante, tem a laje constituída por uma bandeja metálica.

Principais Diretrizes Projetuais: • A natureza se torna fonte de inspiração e referência; • Preocupações distintas e que se complementam serão adotadas para obtermos uma adequada qualidade acústica nas salas.

A grande cobertura de cristal sobre a Praça central será constituída por painéis de vidro de segurança laminado refletivos incolores para o controle solar. Ela será inclinada e com sua aerodinâmica voltada para o sudeste, donde provêm os ventos dominantes. Abaixo das aberturas estarão praças arborizadas cujas árvores terão as copas densas que atravessarão os rasgos na cobertura, protegendo os vidros e fazendo sombra para os usuários. Além disso, um grande espelho d’água e chafarizes proporcionarão um clima agradável ao ambiente.


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Outubro de 2005

Prêmios

3º LUGAR Autores: Arquitetos Renato Dal Pian e Lilian Dal Pian Colaboradores: Pablo Chakur, Gabriel Arruda Bicudo, Miguel Felipe Muralha, Filomena Piscoletta e Eleutério Mamoré Consultor de Estruturas: João Vendramini

Com acessos pelas três avenidas que conformam o lote, uma rua interna recebe os percursos urbanos e distribui os fluxos de todas as atividades contidas no complexo. paralela à avenida Miguel Castro, à cota de nível 102,00, conecta as avenidas Prudente de Morais e Romualdo Galvão. Espaço fulcral do complexo, a rua interna pode abrigar, também, feiras, exposições e eventos. Um conjunto contínuo de caixilhos ao longo de toda a rua interna, torna permeável e fluída suas transposições e ligações com a cidade. brises em malha de aço estruturados à caixilharia, protegem seu interior do rigor do sol, filtrando a luz e permitindo que sejam revelados seus acontecimentos. Uma grande cobertura metálica, com beirais longos e delgados, sobre a qual afloram os volumes das caixas cênicas e o corpo que comporta as áreas administrativas e salas de ensaio, protege o espaço da rua interna e dá unidade ao conjunto. os pisos externos contíguos, como prolongamentos das calçadas, são espaços generosos oferecidos ao convívio. As vagas de estacionamento de veículos, no subsolo, têm seus acessos tanto pela avenida Prudente de Morais quanto pela avenida Romualdo Galvão. A multiplicidade e pluralidade dos ambientes funcionais, que se expressam em escalas variadas, compõem um espaço urbano de imediato reconhecimento, franco e aberto à fruição do público. Ordenado por malha modular de 1,25 x 1,25m e seus múltiplos, o edifício expressa uma técnica estrutural que otimiza e flexibiliza os espaços. os pilares que suportam a grande cobertura metálica respeitam essa malha modular, com espaçamentos de 7,50 x 15,00m. esse mesmo espaçamento é também reproduzido nas estruturas que conformam as caixas dos teatros. A modulação estrutural 7,50 x 15,00 permite a distribuição racional e sem desperdício das vagas de veículos no subsolo.

Principais Diretrizes Projetuais: • Acessos pelas três avenidas que conformam o lote. • Um Grande cobertura metálica, com beirais longos e delgados, sobre a qual afloram os volumes das caixas cênicas . • Conforto ambiental Propomos para a cobertura que conclui o complexo beirais generosos que avançam 7,50m para além da linha dos pilares metálicos. distanciando distanciando-se 1,25m desses pilares, a caixilharia que define os espaços internos recebe um sistema contínuo de brises em malha de aço inox composta por trama em dois sentidos: um horizontal rígido e outro vertical flexível (que trabalha sob tensão) tensão). A utilização de contínuos panos de vidros (principalmente na face sul) possibilita a transparência para o exterior que revela os acontecimentos e integra todo o complexo com a cidade. sabe-se, porém, que o vidro aplicado em grandes superfícies pode acarretar problemas de insolação e de desequilíbrio térmico aos ambientes.


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TEATRO NATAL - RN

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Prêmios

MENÇÃO HONROSA Arquitetos Eduardo Lucio Maurmann e Lauro Vianna Poletto

A proposta para a construção de um espaço de espetáculos de grande porte na cidade, num terreno de aproximadamente 20 mil metros quadrados, permitiu a implantação de um edifício com um generoso espaço aberto. Sua solução plástica, resultado das exigências técnicas e funcionais do programa, pode ser compreendida como uma “caixa cênica”. E a caixa do teatro, enfim foi aberta! O teatro convida a entrada do público. Seu “corte” na fachada, instiga a curiosidade de quem passa. O edifício, com suas diversas perspectivas (efeito dos planos acumulados em pontos distintos) busca uma nova relação com o ambiente urbano imediato, ortogonal e regular, destacando-se como objeto e ponto de referência da cidade.

Principais Diretrizes Projetuais: O volume do edifício - posicionado no fundo do lote salvaguarda um espaço de acesso de serviço na divisa lindeira e apresenta-se utilizando a praça como interface com a cidade. A evolução do concreto armado e da técnica construtiva nos últimos anos mostra que o material “moderno” ainda pode ser bastante explorado pelos arquitetos. Sua escolha neste projeto resulta da solução técnica de apoio das lajes protendidas dos teatros diretamente nas fachadas do edifício e do pilar de apoio da cobertura do porte cochére. O custo total do edifício tende a se beneficiar do uso correto da proporção de aberturas na fachada e do espaço reduzido que necessita ser condicionado, equilibrando sua relação de custobenefício. A cobertura leve do edifício – tipo “roll-on” – foi escolhida pela sua leveza e facilidade de instalação.

• Condicionantes ambientais; •Sua Sua solução plástica, resultado das exigências técnicas e funcionais do programa, pode ser compreendida como uma “caixa cênica”.

Natal possui uma boa condição climática, com baixa diferença entre mínimas e máximas e umidade do ar alta, permitindo o uso de espaços abertos de forma mais generosa. O teatro orienta seu acesso na direção do vento predominante e cria uma corrente ascendente para renovar os ambientes voltados para o foyer principal através de uma abertura na sua cobertura, ao lado do urdimento do teatro menor. O espaço condicionado está restrito aos teatros, mas duas prumadas de instalações junto às circulações verticais permitem que os demais ambientes sejam climatizados de forma independente.


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Outubro de 2005

Prêmios

MENÇÃO HONROSA Arquitetos Gustavo de Oliveira Martins, Ana Paula Polizzo e Marco Antonio Milazzo de Almeida

Queremos fazer de nosso objeto arquitetônico parceiro do imaginário popular, e para isso, nosso palco não poderia ser outro se não o espaço público, materializado na forma de uma praça que une e evidencia através de seus vazios, quatro grandes edifícios que servem como panos de fundo aos anseios populares. São objetos que absorvem os vestígios do povo em forma de arte, funcionam como catalisadores físicos que respondem externamente valores do dia a dia grifados em suas paredes. Queremos que este espaço se misture com a cidade, e ao mesmo tempo, que a cidade impregne esse espaço. Ele poderá ser encarado como continuidade das ruas e praças, onde é revelada a cultura peculiar do lugar, os eventos populares, as manifestações do folclore, as danças típicas, o artesanato livre. Que não se feche, ou se torne espaço fixo e imutável. Pelo contrário! Deve ser construído como uma xilogravura, buscando falar através de seus contrastes. Deve ser marca do seu tempo para contar e recontar histórias, na medida que se faz descobrir a cada dia. Além disso, o espaço deverá servir de suporte para uma estratégia rumo à construção da cidadania, uma vez que poderá possibilitar a potencialização de encontros, de trocas de informações, experiências e convívio social. É a partir do reconhecimento e criação de um “lugar” pelo próprio povo, através da geração de uma referência local produtora de significados simbólicos é que são gerados palcos e platéias, a arte da vida, da língua, da cultura. É no encontro que se conta história, se forma gente, que se revela a genuína cultura do lugar.

Principais Diretrizes Projetuais: • A partir do entendimento físico do espaço existente, aliado ao conhecimento histórico de implantação do bairro e da absorção do espírito do lugar, buscamos mecanismos para propor um projeto conseqüente, resultante destas leituras e que reflete, através de sua conformação física e desejos culturais. •A praça como conexão entre os conteúdos programáticos

O edifício da ESA é desde já pensado em termos de acessibilidade universal É adaptado em todos seus ambientes ao acesso de portadores de universal. deficiência física, possuindo

rampas de acesso, vagas de estacionamento

reservadas, banheiros e elevador adaptados, inclusive rampa articulada de acesso ao palco do teatro.