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FILHOS DO

MORRO


O Nascimento

E

la nasceu no bairro nobre da zona norte do Recife, em uma família da classe média. Ele nasceu em uma família de baixa renda, no Morro da Conceição. Os dois tiveram criações diferentes. Ela estudou em boas escolas, recebeu uma educação exemplar, finalizou seus estudos e trabalha como gerente do Banco do Brasil há 10 anos. Ele sempre teve que batalhar pelas coisas que queria. Largou cedo a escola, entrou para a escola de samba da sua comunidade quando ainda era um menino, experimentou do trabalho assalariado e como não conseguiu se desligar da sua paixão pela música, largou tudo e foi tentar construir sua carreira. Ela compõe sobre sua religião e encontra no seu público nas comunidades carentes da cidade. Ele canta para o público da bagaceira, que busca mais o entretenimento e faz seus shows nas zonas ricas da cidade. Karynna Spinelli e João do Morro são personagens de um cenário pouco comum na cidade do Recife. A produção cultural local, apesar de rica, sempre teve barreiras fortificadas pelo preconceito e pelos conceitos culturais enriquecidos ao longo dos anos. Apesar de ser novidade essa troca de cultura que os dois encenam no Recife, outras cidades já passaram pela experiência. O Grupo Raça Negra, que nasceu na periferia de São Paulo e atingiu o sucesso com milhões de cópias vendidas. Começou em pequenos shows nas comunidades e aos poucos foi crescendo, atingindo grandes produtoras, grandes patrocinadores e a classe A de vários estados brasileiros. Enquanto o Raça Negra cresceu do morro para o centro, Cartola, sambista conhecido pelo país inteiro, nasceu em bairro da classe média do Rio de Janeiro e precisou morar no Morro da Mangueira ainda adolescente. Foi lá que Cartola compôs e mostrou sua música. Seu samba foi cantado em toda a periferia da cidade. A inversão de cenário que Karynna e João encenam foi facilitada pela internet e as modificações que a sociedade sofreu ao longo do tempo. Começou com o crescimento da tecnologia e o avanço da imprensa. Antes tudo que era gerado era consumido no mesmo espaço, na mesma comunidade por conta das poucas opções de disseminação e exposição dos trabalhos. O rádio iniciou o processo de modificação dessa estrutura, que consequentemente foi se adaptando aos novos equipamentos que iam surgindo como a TV, e finalmente, a internet. A rede trouxe não só a divulgação em massa, como possibilitou aos consumidores o status de produtores. Com essas mudanças, artistas podiam propagar seus trabalhos para qualquer parte do mundo. E com tantas novidades o cenário cultural mudou. Os sites passaram a ser fonte de pesquisa e conhecimento. O trabalho musical que antes demorava meses para chegar à casa dos fãs e admiradores, hoje precisa apenas de um clique ou um download. E por isso, a música ganhou força na sociedade e deixou de ser apenas um produto para ser um fator social. Um dos principais motivos para o cenário musical de qualquer cidade ser modificado e enriquecido é quando os próprios artistas se propõem a quebrar barreiras e preconceitos. O trabalho de Karynna na periferia além de divulgar suas produções auxilia as comunidades. Ela proporciona aos moradores locais um trabalho temporário com vendas na hora do evento, arrecada alimentos e distribui. João do Morro, como morador do morro, produz e vende suas canções para a classe alta da sociedade afim de um dia poder criar uma oficina de música para seus vizinhos. Além disso, ele ainda quebra preconceitos falando através das letras de suas canções sobre situações do cotidiano e dia-a-dia das pessoas. Apesar de comprar algumas brigas com grupos sociais, ele acredita que seu trabalho ajude a abrir a percepção das pessoas. Existe hoje, no Recife, uma troca cultural que os artistas incentivaram e que algumas produções culturais continuam proporcionando. A presença de pessoas da classe média-alta nos morros e de pessoas dos morros na sociedade alta caracteriza uma quebra de antigos valores sociais. 


KARYNNA Spinelli

Karynna Spinelli

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esceu do palco devagar, com um sorriso cansado no rosto e o suor revelando mais um dia de trabalho. Quando criança não achou que pudesse chegar até ali. Família de classe média, pais amantes da música, Karynna sempre teve sua paixão pelas notas musicais, mas nunca soube ao certo o que fazer com ou que caminho seguir. Ao chegar à escada lateral do palco recebeu o primeiro abraço. Sabia que o show tinha sido um sucesso, pois assim como todos que já fizera, Karynna tentava fazer de cada um deles um grande espetáculo. Passou por diversos braços e abraços, ouviu palavras de agradecimento e parabenizações. Eis que recebeu então, o abraço final. Moreno, alto, barbudo, usando um boné preto e com um par de muletas para ajudar a apoiar o corpo, seu irmão a aguardava. Maurício não precisava ser aquele abraço principal assim que ela descia as escadas, mas ele sabia que daquelas inúmeras demonstrações de carinho, a dele era diferente. Há alguns anos atrás, durante um show da banda na Calçada na Toca da Joana, Maurício tinha alterado o rumo da vida de sua irmã. Ele era produtor do grupo de samba e que por ser formado só por homens, estavam precisando de uma voz feminina. Karynna já havia contribuído participando de alguns shows, mas o convite para ser parte da banda foi especial. E aquele abraço era repleto de amor e gratidão pela mudança que ele iniciara na vida dela. Havia sido mais um grande show. Muitas participações, muitos amigos presentes e cerca de três mil vozes cantaram o samba com alegria. Karynna olhava o público com atenção enquanto seus amigos de carreira se apresentavam. Espaço lotado, todos dançando, cantando e embelezando aquele ambiente que ela sentia ser a sua segunda casa. A história de Karynna e do Morro da Conceição foi na verdade, um grande encontro. Ela conheceu um rapaz negro, de família simples, mas com um talento musical enorme. Lucas dos Prazeres é marido de Karynna e pai da filha mais nova dela, a pequena Klara Lua. Além de um grande percussionista, ele foi o principal “culpado” pela relação entre ela e o morro. Com o desenrolar da história do casal, Karynna foi frequentando o local cada dia mais. Os pais de Lucas moram lá, e com o passar do tempo ela foi fazendo parte daquele cenário. Hoje ela tem uma relação de carinho com o lugar. Gosta de tomar uma cerveja em Geralda, visitar o terreiro, às vezes fica de resguardo na casa da sua mãe de santo, e muitas vezes vai buscar sua filha lá, que visita avó com frequência. Pode-se dizer que Lucas entrou na vida de Karynna para dar um rumo diferente, mudar os planos. Apresentou a ela o candomblé e a sua diversidade de crenças e orixás. Aos poucos Karynna foi se sentindo parte daquele mundo e começou a compor. “Tudo que eu compus até hoje, que não foi muita coisa, foi uma homenagem a alguém ou a algum momento. Morro do Samba foi uma homenagem ao meu encontro com o Morro da Conceição. Todas as águas, que fala de Oxum e de Iemanjá, é o encontro da minha música com as águas. Segure meu coração é um pedido, uma súplica. De vez em quando segure meu coração sabe?

EM MAIS uma tarde de domingo, o Clube do Samba estava com a quadra lotada

Quatro Cantos é homenageando os quatro cantos do Brasil, quatro sambistas, quatro mulheres. Uma música que eu acabei de compor é pra Seu Zé, que é uma entidade religiosa, e é meu padrinho de Jurema. A Oliveira Chorou é uma música nova em homenagem a Silas de Oliveira e assim vai”. Caminhou um pouco entre o público que estava presente. Brincou com as crianças, conversou com os amigos e ajudou na contagem dos alimentos doados naquela tarde. Karynna não deixa passar nada. Ela gosta de estar presente em todos os momentos, inclusive com o público e aquele dia não seria diferente. Conversou um pouco com novos frequentadores, e com alguns fãs que a abordavam para elogiar o seu trabalho. O caminho até aquele domingo de novembro não tinha sido fácil. Ela sabia bem o que as más

línguas podiam apontar: “Ouvi de tudo. Porque uma amarela está cantando música de negros? Porque essa menina está cantando macumba?” contou. A primeira experiência no ramo musical tinha iniciado esse trajeto. Não passou muito tempo com o grupo Na Calçada, pois logo percebeu que precisava trilhar seu próprio caminho. Foi quando suas composições se tornaram centro de sua carreira. Uniu o amor e a fé pelo candomblé à alegria de cantar e de repartir com o público sua arte, e começou sua carreira solo. 


O Clube do Samba

KARYNNA dança, roda e não para em cima do palco

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arynna parou um pouco entre o pú- amigo e parceiro de João Nogueira, chegou ao blico pra ouvir a música que um de Recife para fixar moradia e Karynna tinha acaseus convidados cantava. Sorriu e bado de viver esse encontro com Jorge. Junto a cantarolou baixinho. Era uma música todos esses acontecimentos, era aniversário do que Karynna se identificava bastante e lembrava grupo Na Calçada, o qual ela ainda fazia para história da sua infância e da sua carreira. Seus te. “Foi uma correria. Fizemos o lançamento do pais criaram essa ponte entre a menina e as boas manifesto, que eu escrevi muito cheio de emomúsicas. Ensinaram a ela sucessos de Clara Nu- ção. Foram meus pais, minha família, Jorge Sines, Vinícius de Morais, Bendito de Paula, João mas e pessoas do samba. Lancei o manifesto em Nogueira, o Clube do Samba do Rio de Janeiro 2009 e no mês seguinte do lançamento, fizemos e logo cedo ela aprendeu a tocar violão. Seu pa- o encontro no bar da Geralda” explicou. drasto Tio Eduardo, como ela carinhosamente Karynna cantou algumas músicas. Um pouchama, foi quem mais contribuiu com essa pai- co distante ainda, seu olhar encontrou algo que xão. “Ele sempre viveu comigo essas histórias despertou seu interesse e atenção. Desceu as es(Tio Eduardo). Sempre me mostrou esse univer- cadas ainda cantando e chegou ao encontro de so e eu sempre fiquei encantada de ver aqueles vídeos com todo mundo reunido no Clube do Samba do Rio”. Ela passa uma imagem positiva para todos, inclusive aos que trabalham com ela “Karynna Spinelli é uma mãe, uma gerente de banco e uma das maiores artistas do nosso estado. Uma cantora que vem se tornando um ícone não só do samba pernambucano, como também do brasileiro. Além de chamar atenção pela voz, ganhou destaque também pela beleza e carisma” comentou Bruno Takahashi, Assessor de Imprensa da cantora. Era mais uma vez seu momenDEFICIENTE físico to de subir ao palco. Ela tem uma amigo de Karynna forma engraçada de chegar aos vem prestigiá-la olhos do público. Muitas vezes já sobe cantando, segurando com uma mão o longo vestido e com a outra o microfone. Os cabelos estão sempre um velho amigo. Utilizando de uma cadeira de soltos, livres, assim como seu corpo que dança rodas para locomoção, o rapaz negro e de chaum embalo diferente, rodando. Para Karynna, o péu preto na cabeça cantava com Karynna. Era Clube do Samba não é só um evento. É como o primeiro cadeirante presente no dia. A estrutuestar em casa, recebendo um monte de amigos. ra do Clube do Samba de hoje possibilita a incluA ideia do projeto nunca foi chegar aonde che- são social. Qualquer pessoa pode estar presente gou. Tudo começou por Karynna no ano que no evento, mas nem sempre foi assim. “O prifazia 20 anos da morte de João Nogueira. Era o meiro encontro foi uma loucura. Foi no meio da momento perfeito. Jorge Simas, grande compo- rua, na frente do bar da Geralda, passei metade sitor e instrumentista, que tinha sido um grande do tempo segurando o toldo se não ele ia voar.

Depois a gente conseguiu depois amarrar umas pedras e reunimos várias pessoas. Foi muito legal”. A estrutura foi crescendo com o passar do tempo. No quarto encontro do Clube do Samba, Dona Geralda, proprietária do bar da Geralda, chamou Karynna pra uma conversa. “Dona Geralda me chamou e disse que não dava mais pra fazer lá, porque era muita gente”. De volta ao palco, Karynna agradecia algumas presenças. Alguns cantores, sambistas, amigos e familiares. De onde estava ela conseguia ver os sorrisos e a alegria de quem estava ouvindo, afinal foi a sua força de vontade aliada à presença constante daquele público que havia levantado o evento. Depois que deixaram de fazer no bar da Geralda, o Clube do Samba ficou um tempo sem patrocínio. Karynna, que não ia desistir tão fácil do seu sonho, insistiu e começou a fazer os shows com a sua conta. Juntou algumas dívidas, mas o projeto se mantinha de pé. “De vez em quando a gente conseguia parceria. Um amigo meu do governo, me apresentou um amigo da polícia, Nestor, e no outro mês ele pagou a metade do Clube do Samba. E sempre apareceram essas oportunidades. A Prefeitura do Recife também ajudou em alguns momentos. Cada ajuda que chegava o evento crescia mais, porque quando chegava ajuda eu queria aumentar a estrutura pra dar mais conforto as pessoas”. Chegou então o dia de uma conquista. A aprovação no SIC Municipal – Sistema de Incentivo a Cultura do Município. Karynna não conseguiu nem comemorar a vitória, que já apareceram os problemas. “Foi maravilhoso no primeiro momento, depois começou o verdadeiro inferno. Porque você tem que captar recurso, eu captei. Porém a empresa no último dia não depositou o dinheiro, só que eu já tinha me endividado com o Clube do Samba e tinha que pagar as pessoas. Posso dizer que perdi o dinheiro da compra do meu apartamento pra pagar essa dívida”. 


A organização do evento

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arynna desceu do palco após convidar mais um sambista para uma pequena apresentação. Sentou para descansar, tomar uma água e conversar um pouco com os convidados presentes. Era um mês intenso antes do show. Começavam as preparações para o Clube do Samba com 30 dias de antecedência da data do evento. “A primeira semana é feita a formalização de toda parte burocrática por um dos produtores, onde o responsável é Jorge Féo. Na segunda semana começa a produção de toda parte artística, gráfica e da assessoria de comunicação e é feito também o convite aos convidados. Já na terceira semana é intensificada a divulgação e são feitas as contratações de som. Na semana do evento é uma loucura. Divulgação bombando. Produção de check list, roteiro, agradecimentos. Receber documentação e pagar imposto. É bem agoniado”. Caminhando um pouco entre o público, Karynna saiu do espaço dos convidados. Parou para conversar com um dos rapazes que vendia bebidas no show. Eram barracas organizadas, com um toldo protegendo do sol, grades limitando o espaço, freezers mantendo a bebida gelada e conservando o gelo. Era uma conversa simples, que fluía e os dois deram um sorriso no final. Karynna sabia o quanto aquele show era positivo para a comunidade e as pessoas que moram ali sabem reconhecer isso. “O evento ajuda muito. Principalmente a doação que chega até nós. Gosto do samba e vou sempre que posso. Ele anima o morro e nós só temos a agradecer” afirmou Edna, de 51 anos, moradora do morro. Apesar de alguns transtornos, que algumas vezes acontecem e são inevitáveis, o Clube do Samba ajuda a venda dos comerciantes locais, movimenta a cultura do morro, arrecada alimentos não perecíveis e, ainda, integra trabalho e

KARYNNA em um papo descontraído com alguns de seus convidados

KARYNNA convida Selma do Samba para subir ao palco

diversão. “Com o Clube do Samba, a troca não acontece só com a música. A sociedade passou a conhecer melhor o Morro da Conceição e seus valores. Quem sobe para prestigiar o projeto de Karynna no final do mês, aproveita para ir até a santa, colabora com os comerciantes locais, almoça no Bar da Geralda. Quem sobe pela música, acaba consumindo a gastronomia, a religião, a cultura do Morro da Conceição” afirmou Bruno Takahashi. Muitos moradores estão engajados no evento. Alguns vendem refrigerantes, águas e bebidas alcoólicas dentro da quadra, outros preferem ficar nos churrasquinhos ao redor do show. Ainda tem os vendedores de balas, de CDs, algodão doce, entre outras mercadorias de consumo. “Não vou dizer que 100% do Morro da Conceição está feliz com o Clube do Samba. Tem pessoas que não gostam do estilo de música. Tem pessoas que se chateiam e com razão. Porque nem sempre a gente consegue que a CTTU, EMLURB, ou Polícia Militar apareça. Mas isso está fora do que eu consigo mexer. A gente tem obrigação de pedir oficialmente toda essa estrutura que o município tem que dar. Mas nem sempre a gente consegue. No dia do evento o trânsito fica absurdo e prejudica um pouco algumas pessoas. Então assim, agradar todo mundo não, mas acho que a maioria está feliz, porque realmente deu uma modificada, deu uma mexida no morro”. O evento agrada ao público e aos participantes. “Com esse movimento a classe média consegue ver que na periferia também tem movimentos sérios. Eu sou carioca e no Rio de Janeiro as coisas são diferentes. Tudo lá é mais distante, não congrega tanto o samba como aqui. Mas o trabalho de Karynna é sério e isso fortalece o público e o evento” afirmou Seu Paulo, integrante da mesa de samba autoral. Voltou para perto de seus convidados. Sentou um pouco. Mostrava fortes sinais de cansaço e seus pés já começavam a mostrar que a tarde estava chegando ao fim e que o dia de trabalho tinha sido intenso. “Ás 8 da manhã a gente começa tudo. Montagem de som, subida de cenário daqui debaixo lá pra cima do morro, organização de tudo isso, passagem de som, chegada de músico, organização do almoço da equipe, tudo que você sonhar. Começa a chegada dos convidados e eu chego à quadra ao meio dia. Quando

atrasa o evento, que nem sempre os prestadores de serviços montam na hora, eu chego uma hora. Aí é chegando, cumprimentando cada pessoa que está na quadra e subindo no palco pra começar os trabalhos”. Karynna conquista a todos ao seu redor pelo cuidado com os detalhes. “Ficamos juntos no final dos dias de trabalho fazendo os pratos na casa dela (que ela sempre dá um jeito de cozinhar para a equipe de produção e os músicos) pulando, sorrindo, dividindo, conversando sobre os shows, os rostos das pessoas, as coisas que temos que melhorar e as coisas que queremos fazer diferente” comentou Jorge Féo, produtor do Clube do Samba. Ela observou ao redor. A decoração se mantinha impecável. Karynna deixa o ambiente ao seu gosto. Ao entrar na quadra você conseguia observar a disposição das barracas, e dos toldos que formava um “U” na entrada da quadra. Mais a frente, mesas e cadeiras, que o público poderia utilizar para aproveitar o show com sua família. A frente dessas cadeiras estava o palco. Repleto de instrumentos musicais e com a marca do Clube do Samba de fundo, na parede. Em cima do palco vasos de flores, cestas com frutas, velas e

Cestas, flores e frutas para enfeitar o palco do show

alguns colares valorizando os pequenos detalhes do evento. Ao lado do palco de shows, ficava um ambiente para os convidados e artistas que aparecessem. Era guardado por pequenas grades, onde ficavam algumas mesas, diversas cadeiras, um freezer e uma parede final, coberta de fitinhas de Nossa Senhora da Conceição. Tudo pensado pela anfitriã. 


Gravação do Cd e produção do clipe APRESENTAÇÃO do Maestro Spok

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Clube do Samba não tem regras para quem sobe ao palco ou quanto tempo permanece por lá. É um evento livre. Karynna descia e subia do palco quantas vezes bem entendesse ou fosse solicitada e seus convidados também. É comum, porém, Karynna entrar nos intervalos entre os convidado, nem que seja para apresentá-lo ou fazer o convite para uma breve apresentação. Naquele domingo, diversas pessoas estavam presentes e participaram. Maestro Spok, Selma do Samba, Andrea Luiza, participantes da mesa autoral e muitos outros marcaram presença. Karynna valorizava cada convidado presente, fazia questão de proporcionar a eles não só um bom lugar para assistir as apresentações, como oferecer bons comes e bebes e cadeiras para descanso. Ela observava do palco a interação entre seus convidados. Parecia encantada com tantas presenças importantes para o samba e para o cenário da música de Pernambuco. A cena relembrava o lançamento do seu CD, que tinha sido recorde de público. Foi um evento importante, marcante e emocionante para Karynna. “Foi muito emocionante o lançamento do meu cd, por vários motivos. Primeiro porque a gente fez um cortejo da casa da minha mãe de santo, que é no Morro da Conceição, com o Oxum Pandá e o

Alafin Oyó. Sou filha de Oxum com Xangô, então ver o encontro desses dois afoxés, pra mim foi muito emocionante. Então fizemos o cortejo até chegar à quadra e lá eles fizeram a louvação aos santos”. Karynna fez seu show com um público especial. Seus pais, amigos, sua família e alguns de seus ídolos marcaram presença no lançamento. “Uma presença marcante nesse show foi a do como Seu Wilson das Neves. Eu ficava olhando assim sem acreditar, pegando nele. Eu falava: Senhor Wilson, o Sr está aqui. Às vezes você não acha que vai chegar perto do seu ídolo”. Apesar da produção do cd não sair como ela planejava, Karynna caprichou nos detalhes. Começou a produção sozinha e logo depois seu irmão entrou colocando ordem e foco na produção. Convidaram Juan Guimarães para fazer a parte gráfica e fotografia. “O jeito que eu queria a capa não deu pra fazer porque precisava de muito dinheiro, então tivemos a ideia de usar as guias em miniatura. Usamos a fita de Nossa Senhora da Conceição, que no sincretismo religioso é Iemanjá, minha madrinha de santo. E usamos as guias do meu xirê: amarelo de Oxum, vermelho de Xangô, branco de Orixalá e rosa de Iansã. Foram lavadas no terreiro da minha mãe de santo”. Apesar de ter passado algum tempo procuran-

MESA decorativa no palco com velas, flores e alguns colares

do seu lugarzinho nesse mundo musical, Karynna leva sua carreira muito a sério e tem grande bagagem no ramo. Na produção de cd e clipe, Karynna está começando. Seu primeiro álbum de trabalho foi lançado e é vendido nas lojas Passadisco e na Livraria Cultura. Seu videoclipe foi produzido logo após o cd e com a promessa de ser o primeiro de muitos, o clipe já está nos computadores e redes sociais. Foi todo produzido em um dia. Saiu em uma van com a equipe, rumo ao Morro da Conceição e passaram o dia inteiro em gravação. Escolheram os pontos principais do morro e locais de importância para sua carreira. “Muito bom fazer e melhor ainda ver o resultado. Juan é um multiartista e fez do meu clipe um espetáculo. Ficou lindo”. O clipe ganhou o brilho do acaso em muitos momentos. “Eu tava passando por um bar, na Rua da Mocidade e tava um pessoal que me conhece e me chamou e não foi nada combinado. Outro encontro foi com as crianças. Elas estavam distantes e não tinha combinado nada. Fiquei chamando por elas e quando elas vieram eu tava do lado de muitas crianças fazendo o clipe comigo”. Karynna tem orgulho da sua produção. O clipe é a primeira produção audiovisual de samba da cidade e Karynna sabe o peso que isso terá para a cultura local. O show havia chegado ao fim, assim como mais um dia de trabalho. O cansaço e o suor apenas lembravam que o corpo necessitava de descanso, mas isso não era bem o que Karynna permitia sentir no momento. Seus pensamentos fluíam, suas preces eram notadas e os agradecimentos eram as palavras finais. Karynna tem motivos de sobras a comemorar. O Clube do Samba permanece de pé, mesmo com todas as dificuldades, seu CD foi produzido e as vendas não param, seu primeiro clipe acabou de sair do forno e foi a mais nova conquista da sua carreira. Não há motivos para deixar o cansaço dominar. Há várias razões para agradecer que o cansaço existe, porque seu trabalho é realizado e seus sonhos realizados. 


João do Morro

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abelo estilo “black power”, camiseta regata vermelha, calça branca, óculos escuros, muita disposição e um toque de fuleragem. É assim que João do Morro se apresenta em mais uma noite de quinta-feira na zona sul do Recife. Canta seus sucessos como Putaria, Frentinha, Eu não presto e como ele mesmo diz “as nêga endoida”. João Pereira da Silva não esperava que um dia fosse conhecido por João do Morro e pelas suas músicas de duplo sentido. Menino nascido e criado no Morro da Conceição, João teve uma infância difícil como qualquer criança moradora da periferia que possui poucas oportunidades. Apesar das dificuldades que a vida lhe colocou, seu pai, Seu Joca, sempre influenciou na paixão pela música. “Ele tocava na escola de samba da comunidade, assim como muitos dos meus irmãos. Eu assistia os ensaios, ia pra algumas apresentações e achava tudo aquilo o máximo”. Sua mãe, Dona Nice, desde cedo batalhadora, manteve o sustento da família vendendo mungunzá, atividade que mantém até os tempos atuais. João, caçula de seis irmãos, demonstrou logo de cara um talento nato com a música e os instrumentos, mas essa história não ia acabar por aí. Chegou ao show na van, acompanhado de toda sua equipe. João deixa claro no seu jeito de agir que não se sente a estrela da noite nem a peça mais importante da banda. Para Pecinho Amorim, filho do cantor Petrúcio Amorim, João é um artista e tanto. “Ele é um grande artista. Talvez o maior representante do samba popular de Pernambuco”. Permaneceu por lá enquanto os instrumentos eram montados e a organização do evento finalizada. Quando solicitado, subiu as escadas da casa noturna e se encaminhou ao palco. Fez questão de cumprimentar as pessoas que passavam por ele e começou sua apresentação agradecendo a presença de todos. Uma piada aqui, outra acolá. João não perde o senso de humor nem quando escuta as fortes críticas. Teve seu primeiro contato com a música aos 14 anos, na escola de samba Galeria do Ritmo, ainda na bateria mirim. Aprendeu a tocar alguns instrumentos e aos poucos se familiarizou com tudo que pode. Não tinha grandes dificuldades. João foi crescendo, sua vontade de profissionalizar sua música e sair da ala mirim da escola também. “Um dia, um dos meus irmãos me chamou e disse que não ia poder se apresentar com a bandinha de pagode que ele tinha. Era uma banda conhecida, presente em algumas e eu acompanhava os ensaios e shows. Topei na hora a oportunidade. Ocupei o lugar dele nesse dia, não saí mais”. João tem um jeito diferente de interagir com o público. Ele faz piada com as pessoas presentes e aponta para elas personagens das suas músicas. São diversos apelidos, do Papa-frango ao “cabelo alisado de chapinha” e os fãs do João se divertem com as brincadeiras. Ele mesmo ri, aponta para uma pessoa do público e começa: “Esse

JOÃO apresenta mais uma de suas coreografias


JOÃO e sua banda divertem o público presente

cabelo precisou de algumas horas de salão. Ah minha filha, mas se chover, ele vai embora”. E assim João faz do seu show um espaço divertido. Camila Lima faz parte do público presente e comenta “O show desse cara é criativo e irreverente. Não vejo outros shows assim por aqui”. Nem sempre ele conseguiu sorrir ao longo de sua carreira. Depois de passar pela banda de pagode, resolveu escrever e divulgar suas músicas. Gravava alguns CDs demo e saía vendendo nas boates, casas noturnas e em alguns shows da cidade. “Passei por vários locais de shows e apresentações naquela época. Não foi fácil. Recebi muito não, fecharam muitas vezes a porta na minha cara. Mas é bom quando a gente dá a volta por cima. Todos aqueles que já me deram um não no meu início, já procuraram o João do Morro pra shows”. Perto do palco é possível ver os flashes das câmeras. São fotos e vídeos que o público aproveita para fazer do cantor. João se diverte fazendo poses e sorrindo. Ele parece gostar da fama e dos holofotes. O caminho tinha sido longo até aqui. Antes de investir no seu cd e começar a trabalhar ele havia passado uma experiência de emprego fora do ramo musical. Foi pai de sua primeira filha e precisava trabalhar. Foi então que ele entrou para uma empresa terceirizada de uma grande rede de supermercados. Trabalhou alguns meses na empresa e foi logo contratado pelo próprio supermercado para o setor de açougue. Aprendeu a cortar as carnes, embalar. Mas não era isso que ele sonhava para sua vida. E a busca pela renda através da música começou. Os músicos da banda se divertem tocando e demonstram isso com largos sorrisos. Toda alegria que vem do palco cria uma atmosfera divertida e não tem como não ser contagiado. João

procurou, em toda sua carreira, manter as boas relações e o otimismo na hora do show. Quando começou com “João do Morro e os Caras” também buscava esses valores. Faziam shows para pessoas das classes mais altas. Festinhas privadas, em casas de praia ou de campo. João contava com uma equipe de mais quatro músicos e começavam a fazer sucesso. Porém o custo de vida de cada um não possibilitava que os rapazes investissem mais na carreira. Foi então que por meio de uma doação de alguns conhecidos, João ganhou mil e quinhentos reais para produzir o seu CD. Foi o suficiente para a produção de mil cópias e daí em diante, João do Morro não parou mais. Eduardo Sampaio frequentou alguns shows do artista e relembra um dos primeiros álbuns do cantor: “Devido à disponibilidade na

internet fui logo adquirindo o meu. Foi um sucesso. Todos comentando as letras engraçadas e diferentes”. A integração e animação do grupo não estão presentes apenas no palco. Uma hora antes do show todo o grupo se junta no Morro da Conceição, onde João ainda reside e começam a concentração. Uma cervejinha pra alguns, água e refrigerantes pra outros e conversa a vontade. É assim que João tenta fortalecer os laços de amizade que existe com os rapazes. “A gente sempre se junta antes da apresentação. Alguns tomam uma gelada pra animar a noite, outros como eu, permanecem na água e refrigerantes. Não é que faça mal a voz, mas há onze anos que não bebo e faço parte dos Alcoólicos Anônimos do Morro”. 

COREOGRAFIA da música “Quem é você?”


Produções

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proveita cada espaço que ele tem no palco. Dança, interage com os rapazes da banda, com o público, anda de um lado pro outro. A energia toma conta do cantor e do público presente. João não consegue esquecer os tempos em que tocava de graça para divulgar a banda. Os tempos antes da fama não foram fáceis. Até que um dia, já como “João do Morro e os Caras”, foi gravado por um fã em um show. O rapaz disponibilizou um pequeno clipe com essa apresentação na internet e um cd com o áudio. O som foi um sucesso. Era tocado nas carrocinhas que vendem discos pela cidade e muitas pessoas estavam comprando o álbum. “Um dia eu tava descendo o morro e ouvi minha música. Cheguei para o vendedor e perguntei que banda era aquela. Ele foi logo dizendo que era João do Morro, um cantor novo e que tava fazendo sucesso. Vendia que nem água. Fui e comprei um disco por cinco reais”. Ele percebeu que a gravação do fã vendia muito. “O vídeo era um dos mais assistidos da internet, nas barraquinhas era o que mais saía. Não tinha muita qualidade, era uma gravação péssima, mas se vendia eu podia tirar proveito. Então fiz umas cópias e fui vender pela cidade”. João termina seu sucesso Gigolô e começa a contar uma de suas histórias de palco. O público presta atenção e caem todos na risada. Ele já passou por vários caminhos e fez diversos shows, mas assim como a maioria dos artistas,

ele também tem o seu favorito. “Posso dizer que o melhor show da minha vida foi no Recife Antigo, no carnaval, espaço Rec Beat. Meu empresário da época que estava à frente do espaço, mas não tinha me colocado para tocar. Entre os problemas que surgiram do evento, ele se envolveu em uma briga e por pirraça ele me colocou pra abertura do evento. O local ficou lotado de gente. Foi recorde de público de abertura do Rec Beat. Foi um show lotado, animado e que ninguém ficou parado mesmo”. Volta ao palco e recomeça “A galera tá ligada de olho no movimento. Deixa falar. Enquanto tão preocupados com minha vida, eu tô vivendo”. A internet entrou para ajudar a divulgação do trabalho de João. Enquanto ele fazia shows e buscava um espaço maior na música pernambucana, seus fãs compartilhavam pequenas produções audiovisuais. Assim, os internautas encontram com facilidade o trabalho do cantor. São diversos vídeos e CDs disponibilizados nos mais diversos sites. Das produções caseiras, até as gravações oficiais, os álbuns são dos mais variados. “É possível encontrar muita coisa de João do Morro na internet. Vídeos, áudios, fotos. Tem de tudo” comentou Eduardo Lins. Participações em shows, áudios, vídeos feitos através de montagens de fotos do evento e o mais comum hoje: pequenos vídeos dos seus shows. “Várias vezes fiz shows e encontrei as músicas na internet. A maior parte do que

você encontra na internet sobre o meu trabalho ou até reproduções dos meus shows, são os fãs que colocam”. Ele comenta também do show no Espaço Aberto que foi gravado por alguém da plateia e o vídeo teve milhares de acessos: “Foi um estouro. Eu tava começando a ganhar espaço e o vídeo na internet ajudou bastante. Foram muitas visualizações e todo mundo comentava”.  JOÃO do Morro

MÚSICOS da banda de João do Morro se divertem em mais um show


Composições FRENTINHA tem dança especial

JOÃO dança e faz coreografias engraçadas no palco

O

riso é solto diante das músicas engraçadas de João do Morro. Sarará, uma das composições do seu repertório, conta um pouco sobre a vida de João. “Uma mulher branca engravidou de um negro, o povo a se perguntar: esse menino como será? Pegue uma galega e misture com um negão. Não vai nascer uma zebra, você vai ver o que vai dá. Vai nascer, vai nascer um sarará”. João compôs essa canção no nascimento do seu terceiro filho, uma menina chamada Maria Júlia. Sua atual esposa, mãe de Maria Júlia, tem os cabelos loiros, lisos e pele branca, sendo contraste com a pele negra e o cabelo “black power” dele. Maria Júlia se tornou a famosa Sarará. E assim João utiliza de fatos da sua vida para fazer seus shows e compor músicas de sucesso. Enquanto muitos consideram as músicas de João do Morro como críticas sociais, ele afirma que sempre tentou produzir músicas com um sentido inteiro, onde as pessoas não precisassem pensar muito e entender bem o que ele quer dizer. “Já ouvi dizerem que sou um crítico social. Posso ser muita coisa, mas isso aí não. Sou um cantor de músicas de duplo sentido, aliás, eu canto é o sentido inteiro. Canto realidades da vida de muita gente e faço música disso. A questão do sucesso é ser divertido”. E é assim que as músicas de João ficam famosas: pelo seu teor. Tudo é motivo para fazer música. Ele não deixa de fora nem as vaidosas mulheres que passam horas no salão. “No fim de semana, é meio banho de noiva. Tem mulher que vai ao salão pra dar massagem e escova e passa o dia inteiro no estica e puxa. Se bater um pingo da chuva, o cabelo fica feito bucha. As meninas tão correndo, com medo da tempestade porque deram uma pisa, uma pisa e balaiagem”. João utiliza assuntos simples, acontecimentos do dia-a-dia que poucos prestam atenção. Ele tenta mostrar o quão fútil podem ser algumas atitudes ou em outros casos ele enfrenta os preconceitos que algumas pessoas ainda possuem. É como ele mesmo diz na música Frentinha “A turma gosta de falar dos outros. A turma gosta de meter o pau. A pior coisa é a língua do povo que abre a boca pra fazer o mal. Coisa de gente que não tem cultura se é gente eu também não sei. Eu não tenho preconceito. Se você olhar direito, hoje em dia o mundo é gay”. João começa mais um sucesso “Quem é você? Quem é você? Quem é você?”. Foi uma das músicas mais conhecidas dele e estourou junto com sua carreira. “É sempre uma das mais pedidas. Os fãs gostam e é boa pra dançar também”. A noite continua e o público presente não descansa. Estão sempre dançando, rindo, conversando, bebendo. Ele tem um público bem sortido. “Não acho que tenho um público definido. Os mais jovens é que curtem o tipo de música, mas vejo muitos adultos nos meus shows. Acho que tem que gostar da “fuleragem” e da brincadeira. 


O PÚBLICO se diverte ao som de João do Morro

Polêmicas

O

s músicos começam a ensaiar um passo de dança no palco. Nada ensaiado. É hora de cantar “Eu fui na casa de um amigo que mora no Morro da Conceição. Ele me disse: - vai domingo lá em casa, que vai ter uma feijoada, cachaçada e pagodão”. E o coro fala alto na hora do refrão: “Quer mamar? Vai pra debaixo do burro”. Trabalhar com as letras e produções que João do Morro apresenta em Recife não é fácil. Além de criticar algumas atitudes cotidianas, ele procura combater o preconceito falando abertamente de assuntos que a sociedade procura manter distância. “Comigo tem isso não. Eu falo mesmo. O povo reclama porque falo palavrão, ou uso termos inadequados. Mas é porque eu falo assim que as pessoas entendem o que quero passar” explica. Não tem adequação de termos, com ele é Papa frango, Gigolô e “nêga”. Mesmo com muita gente encarando suas músicas como sátiras e letras engraçadas, ele acredita que consegue atingir seu alvo. “Eu tento é quebrar esse preconceito falando abertamente dele. Não tem porque falar diferente. É isso mesmo e acabou. Ninguém tem nada com isso” finaliza. Algumas vezes João precisou se retratar e explicar suas atitudes. Pelo teor crítico e social de suas músicas, ele sempre foi alvo de opiniões e debates. O trabalho que ele apresenta retrata casos específicos que podem, ou não, agredir semelhantes. A música Papa Frango levantou uma polêmica com a Organização Leões do Norte. A letra que conta a história de um rapaz que mantem relações sexuais com um homossexual para poder ganhar presentes, foi vista como uma ofensa pelo movimento gay que acusou João do Morro de homofobia e canção preconceituosa. Na época do caso, João em entrevista para a Revista OGrito afirmou que a música havia sido composta por ele com um grupo de amigos homossexuais e que ninguém havia ficado ofendido com a canção. Mais uma noite de apresentações chega ao fim. Com muitos agradecimentos, João vai deixando o palco sabendo que seu trabalho não termina ali. Apesar de já ter grande conhecimento na música, ele tem planos grandes pro seu futuro. “Quero criar uma oficina de música no morro. Quero trazer pra essa criançada as mesmas oportunidades que eu tive, quem sabe até o mesmo contato com a música. Quero continuar minha carreira. Desejo que ela não seja passageira, como muitos por aí”. 

NO IMPROVISO, João arrisca umas batidas na percussão


Expediente

Faculdades Integradas Barros Melo Coordenadora de Jornalismo: Mônica Fontana Professor Orientador: Bruno Nogueira Textos: Brunna Lyra Fotografia e tratamento: Brunna Lyra Ilustração da capa: Lucas Bueno Projeto gráfico e editoração: Fabiano Oliveira

Filhos do Morro_por Brunna Lyra  

Trabalho de Conclusão de Curso, Jornalismo