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Pecuaristas investem em novas tecnologias no negócio do boi em TL

Mercado Imobiliário movimenta R$ 96 milhões no primeiro Feirão de Imóveis

Cooperativa de Brasilândia é maior produtora de mel do Estado

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EXPRESSÃOMS EDIÇÃO 002• ANO 01 • Junho - 2014 - R$ 8,50

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Foto: Yuri Spazzapan

28 ESPECIAL: Conheça os problemas enfrentados por usuários de Planos de Saúde

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SUMÁRIO Foto: Yuri Spazzapan

16 Expressão MS ouviu

Cana de Acúcar empresários do setor sobre as expectativas para a safra 2014-2015

58 Mercado Imobiliário

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Investir em imóveis em Três Lagoas é um bom negócio?

Shops 76 Pet Veja o potencial do mer-

99 anos: A um ano

do centenário, Três Lagoas comemora uma década de desenvolvimento

80 Apicultura Parceria entre Fibria

e Cooperativa gera sucesso na produção de mel

Empreendedorismo 22 Sebrae organiza a 6ª Feira do Empreendedor do Estado em Campo Grande

66 Técnologias, a força de Agronegócio

um mercado mais forte em TL

Foto: Yuri Spazzapan

cado em Três Lagoas e suas deficiências

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Turismo: Plano de

Secretaria é trazer a Três Lagoas evento para observadores de pássaros

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Carta do Editor

Expediente

Bom Começo

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primeira edição da revista Expressão MS superou todas as expectativas da empresa. Primeiro causar uma boa “primeira impressão” nos leitores, e as felicitações e elogios que recebemos de leitores de vários ramos de atividade, são a prova de que o objetivo foi alcançado. Segundo, porque a revista nasce vencedora já no primeiro concurso que participa, em sua primeira edição, através da jornalista Sarah Minini e do fotógrafo Yuri Spazzapan. Sarah ficou em primeiro lugar com a matéria especial sobre logística, na categoria em mídia impressa, e Yuri também ficou em primeiro lugar em fotojornalismo com uma foto publicada também na matéria de logística. Sarah ainda foi a grande vencedora da categoria interior. Nesta segunda edição, a equipe do Expressão MS procurou, além de produzir matérias do interesse da região leste do Estado, expandir suas fronteiras, com assuntos da capital Campo Grande e de Dourados. De Campo Grande a Feira do Empreendedor, organizada pelo Sebrae é destaque, como também o que pensam usuários e profissionais sobre os Planos de Saúde. De Dourados fomos saber com empresários e profissionais do ramo, como está o mercado do etanol e quais as perspectivas para a safra 2014/2015. Ao completar 99 anos, Três Lagoas vive uma década de franco desenvolvimento e já é a propulsora da economia da região. Saiba o que cresceu e o que precisa ainda de investimentos para acompanhar o “boom” desenvolvimentista que vive o município. O mercado do boi, diferente do que muitos pensavam, apesar da diminuição do rebanho, está bem e cresce em qualidade com investimentos em tecnologia para melhor aproveitamento da área, e o produtor também participa das oportunidades que o reflorestamento de eucalipto trouxe para a região. Um raio x do setor imobiliário e as oportunidades de investimentos é destaque em matéria que não deixará dúvidas sobre a realidade do mercado no momento. O destaque político desta edição fica por conta do fato inédito conquistado pelo atual presidente da Câmara de Três Lagoas, Jorginho do Gás (PSDB), que tornou-se o primeiro a se reeleger naquela Casa de Leis. O mercado de Pet Shops cresce e traz novas oportunidades de negócios, e uma cooperativa apoiada pela Fibria quer tornar-se a maior produtora de mel do Estado, saiba como. Concluindo a edição, Expressão MS aborda um tema complexo: o que fazer para desenvolver o turismo na região de Três Lagoas e da Costa Leste? Quais as principais alternativas? Boa Leitura!

Expressão MS Edição e Impressão de Jornais LTDA - ME Rua Elmano Soares, 449 - Centro/ Três LagoasMS CNPJ: 19.537.866/0001-64 Fone: 67-3522-0707 Tiragem: 5 mil exemplares Impressão: Gráfica Regente/Maringá-PR Jornalistas: Sarah Minini, Guilherme Henri, Gisele Mendes, Rose Rodrigues, Patrícia Acunha e Cícero Faria. Fotos: Yuri Spazzapan, Cícero Faria e Graça Mougenot Projeto Gráfico: Lucas Othon de Souza Diretora Executiva: Olívia Ap. de Souza Rodrigues diretoria@expressaoms.com.br Editor: Sebastião Rodrigues Neto - MTE 1223-MS e-mail: editor@expressaoms.com.br

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Radar Econômico Brasil

Brasil cai três posições, entre piores em ranking de competitividade

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Brasil caiu quatro posições no ranking de competitividade e está entre as sete piores economias do Índice de Competitividade Mundial 2014 (World Competitiveness Yearbook - WCY), que foi divulgado no dia 22 de maio pelo Institute for Management Development (IMD) e pela Fundação Dom Cabral. O país agora ocupa o 54º lugar, somente à frente de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela. Publicado anualmente desde 1989, o guia avalia 60 países. No ano anterior, o Brasil estava em uma posição um pouco melhor, ocupava o 51º lugar. De acordo com Carlos Primo Braga, professor do IMD e diretor do grupo Evian, o mais importante a constatar é que há uma tendência de declínio do Brasil porque pelo quarto ano consecutivo ele apresenta piora na sua classificação. Braga explica que eventualmente de um ano para o outro há casos de pioras pontuais na posição relativa de um país, mas no caso brasileiro já se constata a deterioração em um horizonte de longo prazo. Em quatro anos, o país perdeu 16 posições. Em 2010, quando a pesquisa avaliava 58 países, como comparação, o Brasil ocupava o 38º lugar. Segundo Braga, houve piora principalmente do ambiente de negócios, destacou ele, citando, entre vários fatores que contribuem para isso, a baixa produtividade do trabalho, pela pouca qualificação da mão de obra. O ranking tem quatro pilares para mensuração dos resultados: performance econômica, eficiência do governo, eficiência dos negócios e infraestrutura. São ao todo 338 critérios dos quais dois terços são relacionados a informações estatísticas (os indicadores usados referem-se a 2013) e um terço é elaborado a partir de questionários com empresários. A pesquisa mostra que o Brasil

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Em quatro anos, o país perdeu 16 posições. Em 2010, quando a pesquisa avaliava 58 países, como comparação, o Brasil ocupava o 38º lugar.

manteve no ranking de 2014 uma má performance em itens como: infraestrutura, considerada precária; abertura da economia, avaliada como pequena por Braga e ruim para o crescimento do país; e pela sua estrutura institucional-regulatória, tida como ineficiente. Entre outros problemas do país também está o "aumento significativo de preços". Em relação à eficiência do governo, o Brasil está desde 2011 entre os cinco piores países, por não apresentar "simplificação nas legislações trabalhistas e no sistema regulatório". Pesam desfavoravelmente também a alta carga tributária direta e indireta e as taxas de juros de curto e longo prazos que desestimulam o investimento na produção. "A redução do custo de se

fazer negócios no Brasil deveria ser prioridade do governo, deveria haver formas de reduzir burocracia, de aumentar a transparência e com isso reduzir a possibilidade de corrupção. São coisas que deveriam estar no topo da agenda do governo", diz Braga. A maioria dos países emergentes apresentou uma piora em relação à sua classificação no ano anterior na pesquisa. De acordo com Braga, além de ter ocorrido uma melhora relativa de economias centrais da Europa (como Alemanha) e do Japão, houve um crescimento econômico menor dos emergentes que explicam essa deterioração. Segundo o ranking, o melhor país em competitividade são os Estados Unidos (que já lideravam em 2013), seguido pela Suíça, Cingapura e Hong Kong.

As 10 aconomias mais competitivas

Em Movimento em 2014 relação a 2013 Estados Unidos Suíça Cingapura hong Kong Suécia Alemanha Canadá Emirados Árabes Dinamarca Noruega

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º

Fonte: World Competitiveness Yearbook 2014

0 0 +2 -1 -1 +3 +3 0 +3 -4

Em Movimento em 2014 relação a 2013 Colômbia Africa do Sul Jordânia Brasil Eslovênia Bulgária Grécia Argentina Croácia Venezuela

51º 52º 53º 54º 55º 56º 57º 58º 59º 60º

-3 +1 +3 -3 -3 +1 -3 +1 -1 0


Foto: Divulgação

Radar Econômico Brasil

Diego Bonomo, gerente-executivo da CNI.

Indústria e agronegócio querem mais briga na OMC

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setor privado identificou 18 violações de regras internacionais que têm prejudicado a venda de produtos brasileiros no exterior e podem ser contestadas na Organização Mundial do Comércio (OMC). A lista de travas comerciais passíveis de questionamento inclui restrições sanitárias a carnes, barreiras técnicas à madeira e ao etanol, subsídios à agricultura que distorcem preços de commodities no mercado global e a exigência de declarações juradas de importação na Argentina. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que fez o levantamento com base em diagnósticos de associações setoriais e pesquisa da

própria equipe técnica, está na hora de o governo brasileiro adotar uma postura mais agressiva nos tribunais da OMC e partir para o ataque contra países que têm abusado de práticas desleais de comércio. O gerente-executivo da unidade de comércio exterior da CNI, Diego Bonomo, afirma que boa parte das barreiras não é nova e nem pode ser atribuída à onda de protecionismo causada pela crise mundial. Mas antes, segundo ele, muitos obstáculos eram tolerados pelos empresários porque as commodities estavam em alta e os mercados - interno e externo - se mantinham aquecidos. "Como não há mais crescimento forte da economia global,

as barreiras ficaram mais salientes, passaram a incomodar mais", afirma. Desde 1995, quando a OMC ganhou seu formato atual, o Brasil já levou 26 disputas ao órgão de soluções de controvérsias em Genebra e tornou-se o quarto maior usuário do mecanismo. Bonomo nota que na última década, entretanto, houve uma pisada no freio e apenas cinco casos foram denunciados à entidade. A CNI cobra a retomada de uma postura mais ofensiva. "Para abrir mercados aos nossos produtos, os contenciosos têm que andar lado a lado com negociações de acordos comerciais. A estratégia de sucesso é fazer um mix entre essas duas ações. Nós já temos tradição e experiência na OMC. Só precisamos usá-las novamente a nosso favor." O último foi apresentado contra o Japão, na última semana de abril, por subsídios dados pelo governo asiático à fabricação e à exportação de jatos que concorrem com aeronaves da Embraer. Por enquanto, ainda é um pedido de consultas, de esclarecimentos. Para tornar-se um "painel", o país precisa declarar-se insatisfeito e pedir arbitragem da OMC, a fim de resolver a disputa. Outros 17 casos estão na mira dos empresários. Um deles envolve barreiras sanitárias da Indonésia à carne de frango brasileira sem amparo, na visão dos produtores, de estudos científicos ou análises de riscos consistentes. O vice-presidente de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, acusa a Indonésia de fazer exigências além das previstas no Codex Alimentarius (código internacional de padrão dos alimentos) e tem a expectativa de que essas barreiras possam ser contestadas pelo governo brasileiro na OMC ainda neste ano. Segundo o executivo, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) já deu aval à ofensiva e o setor privado contratou a consultoria Barral MJorge para formular "mais de 200 questionamentos e pedidos de explicações" ao governo asiático. "Os trabalhos devem ser finalizados até o fim de junho", diz Santin, garantindo que o Itamaraty tem atuado em parceria com a ABPA no assunto. www.expressaoms.com.br

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Radar Econômico Brasil

Agronegócio representou 45% das exportações no primeiro trimestre Para os próximos meses, pesquisadores do Cepea esperam aumento nas quantidades exportadas, principalmente dos produtos da soja.

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agronegócio brasileiro iniciou 2014 com avanço das exportações e, no primeiro trimestre, produtos agropecuários representaram 45% do faturamento obtido com tudo que foi exportado pelo País. Esse dado faz parte do relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, divulgado em maio. O levantamento também mostra que o faturamento das exportações do agronegócio em moeda nacional aumentou 9% no comparativo do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2013. Em dólares, contudo, o faturamento baixou 1,4%, já que os preços, também em dólares, recuaram 4,8% no comparativo dos primeiros trimestres. O volume exportado de soja mais que dobrou no comparativo trimestral (101, 27%); houve bons aumentos também nas vendas de carne bovina (21,92%), óleo de soja (20,79%), café (10,5%), farelo de soja (12,20%), madeira (10,76%) e celulose (5,43%). Por outro lado, as exportações de etanol diminuíram 46,45% e as de açúcar, 8,71%.

Já os preços em dólar caíram para quase todos os produtos. As exceções foram frutas, com aumento de 12,5%, e farelo de soja, com 0,93%. Com a ajuda do câmbio, no entanto, carnes suína e bovina, suco de laranja, soja em grão, etanol, celulose e madeira saíram do negativo quando se analisam os preços médios em reais. Para os próximos meses, pesquisadores do Cepea esperam aumento nas quantidades exportadas, principalmente dos produtos da soja. Quanto aos preços de exportação, há incertezas. A equipe reitera que a demanda por alimentos deve continuar firme mesmo com a redução no ritmo de crescimento da economia chinesa, principal parceiro comercial do Brasil. Do lado da oferta, os pesquisadores lembram que eventos climáticos já impactaram a safra brasileira no início de 2014, reduzindo a disponibilidade dos produtos exportados e que, nos Estados Unidos, a safra também pode ser afetada por adversidades climáticas, o que diminuiria a oferta mundial de produtos agrícolas para este ano e poderia elevar os preços externos. (Fonte: Agrolink)

Preço do bezerro registra valor recorde em MS O Indicador do bezerro ESALQ/ BM&FBovespa (parcial até o dia 21 de maio) divulgou que o valor do bezerro animal nelore (de 8 a 12 meses, Mato Grosso do Sul) foi de R$ 1.051,23. Esse preço atingiu o recorde do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciada em 2000 – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de abr/14. Até então, o maior valor real havia sido verificado em julho de 2008, quando a média do Indicador foi de R$ 1.026,69. No último mês, especificamente, a demanda por parte de confinadores impulsionou o aumento nos preços do bezerro. 12

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Radar Econômico MS

Complexo carne continua liderando a receita no Estado.

Exportação de industrializados no estado já ultrapassa US$ 1 bilhão no ano Os grupos “Complexo Carne” e “Papel e Celulose” continuam liderando a receita das vendas externas de MS

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e janeiro a abril deste ano, a receita com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul ultrapassou a casa de US$ 1 bilhão, totalizando, no período, US$ 1,061 bilhão, montante 1% superior ao registrado no mesmo momento do ano passado, quando o montante foi de US$ 1,050 bilhão, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. No entanto, os valores oficiais das exportações de minérios de ferro e manganês dos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano ainda não foram disponibilizados na base de dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Por outro lado, consultas realizadas com as empresas do segmento de mineração em Mato Grosso do Sul indicam que as exportações dos produtos mencionados alcançaram, no período indicado, o equivalente a 1,2 milhão de toneladas e, deste modo, a receita adicional estimada alcançaria o equivalente a US$ 96,6 milhões, o que elevaria o montante para US$ 1,157 bilhão. “As exportações de Mato Grosso do Sul vêm sinalizando a forte demanda mundial por produtos industrializados, decorrente do agronegócio no mundo. O Estado continua beneficiando-se disso, tendo como principais importadores a China, a Argentina, a Itália e a Rússia, países que estamos acompanhando a performance”, avaliou o diretor-corporativo da Fiems, Jaime Verruck.

Principais Responsáveis Ele acrescenta ainda que a exportação de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul teve um forte crescimento nos segmentos de “Celulose e Papel” e do “Complexo

Carnes” nos primeiros quatro meses deste ano. “O Complexo Carnes, entretanto, foi o principal produto de exportação, superando, em termos de receita, a celulose, o que pode indicar que durante o ano haverá uma disputa entre esses dois grupos”, avaliou, completando que um dos grupos que aguarda recuperação ao longo do ano é o de açúcar.

Principais Responsáveis Com receita equivalente a US$ 333,6 milhões, abril de 2014, registrou o melhor resultado já alcançado para o mês e o quarto melhor resultado em toda a série histórica da exportação de industrializados de Mato Grosso do Sul. Atrás somente dos meses de setembro de 2011, julho e setembro de 2013 com US$ 366,0, US$ 354,4 milhões e US$ 350,2 milhões, respectivamente. Quando comparado com os resultados de igual mês, ao longo da série, vale ressaltar que de janeiro de 2010 até agora foram registradas 43 quebras de recorde nas receitas de exportação. O que equivale a dizer que o recorde para o mês, ao longo desse período, foi quebrado em 82,7% das vezes. De janeiro a abril de 2014 as maiores evoluções ocorreram, principalmente, nos grupos “Complexo Carne”, com receita de US$ 382,58 milhões e crescimento de 14,9%, e “Papel e Celulose”, com faturamento de US$ 364,25 milhões e alta de 22%. Também apresentaram bons desempenhos os grupos “Óleos Vegetais”, com receita de US$ 86,45 milhões e elevação de 51,6%, “Couros e Peles”, com ganho de US$ 67,87 milhões e salto de 35%, e “Alimentos e Bebidas”, com lucro de US$ 8,10 milhões e aumento de 101,2%. (Fonte: FIEMS) www.expressaoms.com.br

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Radar Econômico MS

ADM aponta MS como estado estratégico Foto: Divulgação

Empresa vai construir a segunda unidade industrial de proteínas de soja do mundo

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om investimentos de quase R$ 600 milhões, o grupo norte-americano Archer Daniels Midland Company (ADM), uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, inicia ainda neste mês de junho em Campo Grande a construção da segunda unidade industrial de proteínas de soja do mundo – a primeira fica nos Estados Unidos, onde o grupo foi fundado no início do século XX. A cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental foi realizada na segunda-feira (2) ao lado da primeira unidade (de esmagamento de soja) da companhia no Estado, com a presença do governador André Puccinelli, do prefeito de Campo Grande Gilmar Olarte (PP), de empresários e executivos da ADM. A produtora de óleos vegetais (ex-Copasa, do grupo Zahran) foi adquirida em 1997 e produz 14

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atualmente 1.800 toneladas/ano. Ao lançar a pedra fundamental da nova planta, no Núcleo Industrial, o presidente da ADM Global Juan Luciano disse que o grupo escolheu Mato Grosso do Sul para investir pela sua infraestrutura de logística, capacidade e vocação para a produção de matéria prima, a força de trabalho e a parceria com o governo estadual, citando os incentivos fiscais e as condições favoráveis de transporte e logística. “Essa combinação de fatores foi o diferencial, nos deixando numa situação confortável para ampliar os negócios na região”, disse Juan Luciano, acrescentando que contribuiu para a aprovação da nova planta a proximidade do Estado com o mercado da América Latina, a rápida resposta do Estado quanto aos procedimentos burocráticos (licenças ambiental e de instalação) e a mão de obra qualificada.


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Cana de Açúcar

MS cresceu quase 300% em oito anos Produção da safra 2014/2015 deve ter leve alta, mas a política do Governo Federal sobre o etanol por causa da gasolina, tem prejudicado as usinas no Estado

Cícero Faria

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té o ano passado, o setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul andou na contramão de outras regiões, porque, apesar de sofrer os mesmos efeitos de tradicionais áreas de produção de açúcar e etanol, o Estado finalizou investimentos na implantação de novas unidades produtoras, inclusive com cogeração de energia elétrica. De acordo com a Associação dos Produtores de Bionergia (Biosul) hoje são 24 usinas em funcionamento no norte, leste e principalmente no centro-sul do Estado. Mas o cenário começou a mudar, com a crise instalada no setor industrial por causa do preço do etanol,


Foto: Cícero Faria

Usina Nova América, em Caarapó. dentro da política do Governo Federal de contenção dos preços da gasolina, afetando diretamente a rentabilidade e o faturamento das usinas. E o mesmo se abateu em Mato Grosso do Sul. A atividade de usinas no estado começou em 1978, mas somente a partir de 2006 apresentou um forte crescimento, diante da oferta de áreas para o plantio de canaviais, grande parte dela em cima de pastagens degradas ou subaproveitadas e mesmo em terras agrícolas, e do aporte de investimentos, especialmente estrangeiros, como ocorreu na região da Grande Dourados. Na região centro-sul do Estado operam 18 usinas sendo duas da

Adecoagro em Angélica e Ivinhema; Biosev, em Maracaju, Passa Tempo e Rio Brilhante; Monte Verde (Bunge), em Ponta Porã; Energética Vicentina; Fátima do Sul Agroenergética; DCOIL, em Iguatemi; Raízen, em Caarapó; São Fernando, em Dourados; Santa Luzia e Eldorado, em Rio Brilhante; Odebrecht Agroindustrial - Santa Luzia I, em Nova Alvorada do Sul; Laguna, em Batayporã; Usina Aurora Açúcar e Álcool, em Anaurilândia; Tonon Bioenergia, em Maracaju; e Usinav, em Naviraí. Na safra 2013/2014 foram produzidas 44,1 milhões de toneladas de cana em Mato Grosso do Sul. A atual temporada deverá crescer 6,76% frente a anterior, passando para 44,3

milhões de toneladas, segundo a mais recente projeção da Biosul. Isso graças a incorporação de novas terras e a melhoria da produtividade da cana, afetada na safra passada por seca e geadas. Segundo o presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho, a área destinada à cultura da cana no Estado deve ser ampliada em 11,60%, passando de 724.137 hectares da safra passada para 808.142 ha. na nova. Também a qualidade da cana deve melhorar, prevê Hollanda. O indicador de açúcares totais recuperáveis (ATR), deve passar de 126,74 por tonelada para 130/t. O Estado é um dos mais mecanizados do Brasil, onde 97% da colheita é feita por máquinas colhedoras. www.expressaoms.com.br

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Foto: Divulgação

Cana de Açúcar

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Alta A produção de açúcar deve crescer, de acordo ainda com a estimativa da Biosul, 19,12%, passando de 1,368 milhão de toneladas para 1,630 milhão de toneladas. Já o etanol deve ter um aumento de 9,74%, subindo de 2,230 bilhões para 2,447 bilhões de litros. Desse total, 668,6 milhões de litros deverão ser de álcool anidro, ainda misturado na proporção de 25% a gasolina, e 1,779 bilhão de litros de hidratado, consumido pelos veículos flex. O setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul deve contratar 297 novos trabalhadores por ano entre 2014 e 2015, segundo estudo preparado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgado pela Federação das Indústrias do Estado (Fiems). O segmento deve ser o terceiro da área industrial com o maior número de contratações nestes dois anos, ficando atrás somente da indústria de alimentos e bebidas, com média de 1.500 vagas/ano e da cons-

trução civil, com 757 novos postos de trabalho. Hollanda lembrou que o setor sucroenergético cresceu 285% nos últimos oito anos e o Estado passou de sem expressão nessa área, para grande produtor de etanol e açúcar. Aproveitando o ‘boom’ da cana na região, Dourados passou a sediar permanentemente o Canasul (Congresso da Cana de Mato Grosso do Sul) em sua 8ª edição em 2014 e a 4ª Feira Agrometal de Mato Grosso do Sul acontecem no pavilhão de eventos Dom Teodardo Leitz. O congresso reúne especialistas do setor sucroenergético em cursos, palestras e simpósios e a Agrometal é uma feira de máquinas, serviços e equipamentos para a indústria e o campo. Hoje operam em Dourados diversas metalúrgicas que fazem reparos em carretas canavieiras; reboques; e em equipamentos industriais das usinas de toda a região. Algumas empresas se transferiram do Estado de São Paulo para atender o crescente mercado de mão de obra especializada. www.expressaoms.com.br

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Foto: Cícero Faria

Roberto Hollanda Filho, presidente da Biosul


Cana de Açúcar

Preço do etanol prejudica as usinas, diz Celso Dal lago Foto: Cícero Faria

Crise O sócio-diretor da Fátima do Sul Agroenergértica, Celso Dal Lago Rodrigues disse à Expressão MS que o segmento sucroalcooleiro enfrenta dificuldades por causa do preço do álcool, “cujo valor não cobre os custos de produção”. Além disso, há a capacidade ociosa das usinas por causa da demanda menor do produto. “O preço do etanol é que está matando as usinas”, resumiu o empresário, cuja indústria em Fátima do Sul esmaga 1,5 milhão de toneladas por safra e produz apenas o biocombustível. A usina São Fernando, em Dourados, por exemplo, está em recuperação judicial desde o ano pas-

sado, com dívidas superiores a R$ 1 bilhão, apesar de ter entrado em operação há cinco anos. Somente com bancos oficiais, são mais de R$ 500 milhões. Dal Lago frisou que toda essa situação “está desmotivando a entrada de novos investimentos na cana. E pior do que isso, segundo as informações do mercado, existem até multinacionais que operam em Mato Grosso do Sul e em outros Estados que querem se desfazer de suas usinas devido a baixa rentabilidade”. De acordo com a União da Indústria da Cana de Açúcar (Única), que representa 130 usinas de açúcar e álcool, responsáveis por mais de

50% do etanol e 60% do açúcar produzidos no Brasil, as cotações internacionais do açúcar abaixo do custo de produção e a decisão de ‘segurar’ os preços da gasolina pelo Governo Federal são algumas das razões que levaram esse setor à crise, iniciada em 2008. Para o diretor da consultoria Datagro, Plinio Nastari, que esteve em maio em Campo Grande, atualmente o segmento enfrenta uma série de adversidades (principalmente as de preços) que vão desde fatores climáticos, até a falta de mão de obra qualificada na operação de maquinário para plantio e colheita da cana.

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Empreendedorismo

Conexões que trazem resultados Rose Rodrigues

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altando cerca de 60 dias para a 6ª. edição estadual da Feira do Empreendedor MS que é realizada pelo Sebrae, já é grande a movimentação no setor de inscrições e o evento promete resultados positivos e um público maior do que nas feiras anteriores. A Feira deste ano tem como tema “Conexões que Trazem Resultados” e a Revista Expressão MS entrevistou a coordenadora da feira, Ligia Oisumi, que detalhou a programação e as novidades para este ano. A 6ª. Edição da Feira do Empreendedor será realizada de 21 a 24 de agosto, das 14 às 22 horas, no pavilhão Albano Franco, em Campo Grande, com entrada gratuita. A idéia principal é promover o encontro dos setores de agronegócios, indústria, comércio e serviços, conectados para a realização dos melhores negócios. Na feira os visitantes poderão participar gratuitamente de cursos e palestras, obter orientação empresariais, informação sobre crédito, máquinas e equipamentos, franquias e oportunidades de negócios.A expectativa é de que mais de 30 mil pessoas visitem e participem do evento. A Feira do Empreendedor iniciou nacionalmente em 1992, tornando-se um dos eventos de maior sucesso no campo de empreendedorismo, com mais de 140 feiras realizadas em todo o País e 1,9 milhão de visitantes. O público alvo são Potenciais Empreendedores (que pretendem abrir um negócio); Microempreendedores Individuais; Empresários de Micro e Pequenas Empresas e Produtores Rurais.

Mato Grosso do Sul O Sebrae Mato Grosso do Sul é referencial de excelência quando se trata da Feira, que é realizada desde 2004 e foi eleita a melhor do Brasil nos circuitos de 2008 e 2010, segundo a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Com abrangência estadual, a edição de 2010 realizada na Capital, contou com a participação de 92% dos municípios de Mato Grosso do Sul – por meio de caravanas –, e recebeu mais 17 mil visitas ao site do evento. Em 2010, a Feira do Empreendedor recebeu a visi22

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ta de quase 30 mil pessoas, da Capital, do interior de Mato Grosso do Sul e de outros 11 estados brasileiros; além de países como Bolívia e Paraguai. Já em 2012, a Feira aconteceu na cidade de Dourados, levando oportunidades para a região sul do estado. Juntas, as três últimas edições receberam mais de 57 mil visitantes; realizaram mais de 70 mil atendimentos e 30 mil vagas em capacitações, com volume de negócios superior aos R$ 13 milhões. A Feira do Empreendedor 2014 é um evento promovido no Estado pelo Sebrae Mato Grosso do Sul em parceria com Amems, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Faems, Famasul, Fecomércio, Fiems, Fundect, Seprotur e UFMS.

Como participar O credenciamento para a 6ª edição da Feira do Empreendedor no Mato Grosso do Sul deve ser feito pelo site www.feiradoempreendedorms.com.br, o que dá o direito à entrada gratuita no evento para a visitação nos estandes de 150 expositores; evitando o enfrentamento de filas. Já as vagas para as palestras serão definidas a partir de 30 minutos antes do início de cada uma, quando as salas serão abertas, conforme ordem de chegada. Segundo a gestora da feira, Ligia Oisumi, serão disponibilizadas 12.800 vagas em capacitações gratuitas através de 250 eventos; além de 150 empresas expositoras ofertando oportunidades em produtos e serviços, e ainda espaços temáticos com orientação direcionada e especializada. Já são esperadas mais de 87 caravanas de municípios do Centro-Oeste. Para a seleção dos expositores, realizada pela coordenação do evento, serão considerados aspectos como perfil da empresa e adequação dos produtos e serviços oferecidos ao mercado local. Ao todo, serão 114 stands voltados a empresas de diversos segmentos; entre agronegócio, indústria, comércio e serviços. “Assim como em outras edições, esperamos receber fabricantes de pequenas máquinas e equipamentos; licenciadoras de marcas, produtos ou serviços interessadas em parcerias; até franqueadoras; startups na área de soluções digitais, empresas com oportunidades de negócios baseadas na tendência de sustentabilidade, entre outras”, disse a gestora.


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Gestora da feira do empreendedor, Ligia Oisumi www.expressaoms.com.br

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Empreendedorismo

Co-Criação Outra novidade para este ano, conforme Ligia Oisumi, foi a chamada Co-Criação, que envolveu entidades, clientes e colaboradores. O resultado foram alguns pontos inovadores da feira como o Estação MS, o túnel de entrada onde os visitantes terão uma visão em 360 graus de Mato Grosso do Sul, o balcão de atendimento, o setor para crianças - empreendedor mirim e o geração Y, para jovens prestes a entrar na faculdade, dentre outras novidades. Os micro empreendedores individuais também terão espaço na feira. Além das oficinas “SEI Empreender”, “SEI Controlar meu dinheiro”, “SEI Vender”, “SEI Comprar” e “SEI Planejar”, haverá serviços de orientação quanto à formalização, emissão de Alvará Municipal, aprovação da Guia de Consulta, consulta de Certificado da condição de MEI, emissão dos boletos mensais de contribuição, declaração Anual de Faturamento (DAS); entre outras. 24

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Facebook Equipe da rede social terá estande e vai ministrar palestra sobre como criar e administrar uma página para o próprio negócio. Em todos os dias da 6ª edição estadual da Feira do Empreendedor, interessados em divulgar as suas empresas no Facebook terão a oportunidade de aprender “colocando a mão na massa” com a própria equipe da rede social. Nas oficinas práticas “Facebook para Negócios” e “Facebook para Indústria” (esta especialmente direcionada ao setor no dia 23) os participantes aprenderão sobre o uso da ferramenta como solução de mídia e marketing; recebendo dicas sobre melhor maneira de divulgar a marca e alavancar os negócios através da criação e utilização ade-


Foto: Divulgação

Parceria quada de páginas e anúncios. Os horários variam de acordo com a data do curso: 21/8, às 19 horas; 22/8, às 16 horas; 23/8, às 16h45; e 24/08 às 17h30. O Facebook contará ainda com um estande no evento, onde há a oportunidade de tirar dúvidas sobre como se destacar na rede, aumentar as vendas e fidelizar clientes. Quem desejar, também poderá criar a página da empresa com ajuda especializada. Já a confirmação para participar das oficinas e palestras poderá ser feita no local a partir de meia hora antes do evento. Para o Facebook, são ao todo 120 vagas por dia (exceção da Indústria, com 60), preenchidas de acordo com a ordem de chegada.

A iniciativa é fruto de uma parceria inédita firmada em março entre o Sebrae Nacional e o Facebook, cuja meta é capacitar um milhão de empreendedores até o mesmo mês de 2015; uma das estratégias para alcançar este número é a participação nas Feiras do Empreendedor de 12 cidades brasileiras. Em comunicado à Imprensa, o diretor de Negócios para pequenas e médias empresas do Facebook, Patrick Hruby, destacou a importância da iniciativa e o fato de que oito em cada dez internautas brasileiros fazem uso da rede social. “É uma oportunidade única para que os empresários cheguem a seus consumidores.” www.expressaoms.com.br

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Especial Planos de SaĂşde

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Foto: Divulgação

O que seria solução agora é problema Com altos preços e difícil resolutividade, os convênios tem causado muita insatisfação ao consumidor que conta com o serviço e muitas vezes não o tem de maneira efetiva. Filas de espera e não atendimento são apenas o começo dos problemas.

N Sarah Minini

o último mês de maio foi suspensa a comercialização de 161 planos de saúde aplicadas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) a 36 operadoras em todo o país. A proibição de venda de planos é resultado das reclamações de consumidores que tiveram os prazos para consultas, exames e cirurgias descumpridos ou, então, coberturas indevidamente negadas aos usuários. Tanto em Três Lagoas, como em Campo Grande e todo o Estado, não houve planos de saúde desaprovados, mesmo assim, com a quantidade de empresas instaladas e os mais variados planos de diversas regiões a ANS afirma que todos devem ficar atentos. De acordo com a agência, dos 161 planos, 132 estão sendo suspensos a partir de um ciclo de Monitoramento da Garantia de Atendimento e 29 permaneceram com a comercialização proibida, desde o ciclo anterior, por não terem alcançado a melhoria necessária para serem reativados. Entre as operadoras, 26 permaneceram proibidas de comercializar seus produtos e 10 novas empresas entram na lista – oito delas têm planos suspensos pela primeira vez. As suspensões preventivas e reativações de planos são divulgadas a cada três meses. As suspensões de planos são resultado das 13.079 reclamações recebidas no período de 19 de dezembro de 2013 a 18 de março de 2014 sobre 513 diferentes operadoras. www.expressaoms.com.br

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Especial Planos de Saúde Como funciona

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ara verificar o cumprimento da resolução, a ANS vem monitorando os planos de saúde por meio de reclamações feitas em seus canais de relacionamento. E, a cada três meses, publica um relatório. Em janeiro de 2013, o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a inclusão de novos critérios para suspensão, entre eles os casos em que os planos se negam a liberar o atendimento ao cliente, irregularidade na exigência de carência e não pagamento de reembolsos. São punidas com a suspensão da venda todas as operadoras que atingiram, por dois trimestres consecutivos, um índice de reclamação superior a 75% da mediana do setor apurada pela ANS. A punição dura três meses, até que um novo relatório seja divulgado. Atualmente em Três Lagoas há 35.908 pessoas credenciadas em planos de saúde. Numa população de 110 mil, ou seja, 32,64% da população possui plano de saúde no município. É possível notar o quanto o percentual é elevado se comparado a Campo Grande (MS), a capital do Estado, por exemplo, com uma população que passa dos 800 mil, apenas 210 mil pessoas possuem plano de saúde. Em Dourados a população é de mais de 200 mil e a quantidade de pessoas com plano é de 57 mil. Ou seja, bastante inferior a proporção de Três Lagoas. O alto número tem causado transtorno. Pois essa parcela da população acaba não conseguindo ser atendida por seus planos e necessitando do SUS (Sistema único de Saúde) ou pagando consultas particulares. Este é um problema enfrentado pela jornalista Joice Alves Dias de 30 anos, segundo ela, o plano que sua família utiliza tem sido semelhante ao atendimento SUS, muita espera e consultas extremamente rápidas. “Os médicos sequer levantam os olhos do receituário. Parece que prescrevem remédios por premonição”, diz. O descontentamento dos mé-

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dicos com os planos de saúde é um dos argumentos de Joice para entender o porquê de um atendimento deficitário, o que reflete gravemente nos pacientes. “Percebo que eles decidiram que não querem mais atender pelos planos em Três Lagoas. Alegam que a tabela de recebimento é baixa e por outro lado a cidade cresce e a população aumenta a cada dia, então eles têm uma grande oferta de pacientes particulares, o que acaba se tornando mais rentável”, afirma. Conforme pesquisa feita pela redação da Revista ExpressãoMS a média de preços de consultas particulares no município é de R$ 280, com desconto de planos funerários esse valor cai para R$ 230 ou R$ 250. E esses são os preços que a jornalista tem dispensado em seus tratamentos médicos mesmo pagando mensalmente o plano de saúde que é vinculado a sua empresa e, portanto, descontado diretamente da folha de pagamento. Com dois filhos e o marido, Joice afirma que no último mês gastou R$ 1700 reais de consultas médicas, mais R$ 250 em medicamentos. “É um desespero porque, com o plano pensamos que estamos bem assistidos, e claro que a gente nunca quer usar, porque não queremos ficar doentes, mas quando precisamos simplesmente nos percebemos sem chão, porque não somos bem atendidos”, afirma. Joice pensa em solicitar à empresa onde trabalha o cancelamento do plano e fazer uma poupança saúde. “Eu agora, por exemplo, faço um tratamento médico e pouco estou tendo assistência do plano, e tenho filho pequeno, criança sempre precisa de atenção médica, mas não conseguimos e estamos quase sempre recorrendo ao UPA (Unidade de Pronto Atendimento), o que é ruim também, porque na verdade deveríamos estar usando o serviço do plano, e sobrecarregamos um outro sistema, que embora também tenhamos direito, se tivéssemos o nosso recurso efetivo, diminuiríamos a demanda do SUS”, diz.

Outra situação foi a vivenciada pelo advogado Clayton Mendes Moraes em que sua mãe Tereza da Silva Moraes de 66 anos, correu risco de morte por diversas vezes. “Precisei levar a minha mãe no médico aqui devido a problemas cardíacos. Chegando no hospital, o médico me orientou e fez um encaminhamento para que eu a levasse a Campo Grande, pois em Três Lagoas na ocasião não havia os recursos necessários. Então, o plano de saúde não autorizou o encaminhamento. Após muitas brigas, inclusive na justiça, consegui”, explica. Mas a luta de Moraes só estava começando. Ao chegar no Hospital da Capital, o médico solicitou uma cirurgia e fez o encaminhamento para o Incor em São Paulo, onde ela teria que fazer um procedimento cirúrgico bastante delicado e novamente o plano não autorizou. Para que sua mãe tivesse o tratamento adequado, o advoga-


Jornalista Joice Alves Dias Foto: Yuri Spazzapan

do levantou o valor de R$ 224 mil para pagar o tratamento, para depois entrar com os meios legais para reaver o dinheiro. “Com vergonha, consegui primeiro a parte dos médicos e pouco a pouco fui pagando o restante, mas entrei sim com liminar para reaver todo o dinheiro e consegui vencer na Justiça. Só dentro do Incor foram 93 dias de agonia, em saber que temos o plano e não conseguirmos a assistência médica necessária, tendo que buscar recursos, num momento em que não queremos ter problemas. Fico sempre pensando nas pessoas que contam com o plano de saúde e não tem meios de buscar outros recursos para garantir um bom atendimento”, afirma. O pecuarista Marcos Leonardo Souza da Costa Moura precisou mover uma ação de indenização por danos morais e materiais contra a Unimed Três Lagoas Cooperativa de Trabalho

Médico LTDA. A sentença aponta que Moura solicitou alguns pagamentos pelo plano e não teria sido atendido de forma integral, já que precisou dos primeiros socorros fora da área de Três Lagoas. Toda a conta foi R$ 1.034.104,60, a Unimed cobriu, conforme sua tabela, o valor de R$ 368.436,20 e foi sentenciada a cobrir o restante mais correções. De acordo com a sentença do juiz Renato Antonio de Liberali, do Tribunal da Justiça de Mato Grosso do Sul, na ação o pecuarista afirma que sofreu acidente no dia 23 de novembro de 2012 e, quando socorrido foi levado à Jaú (SP), mas devido ao risco de morte foi levado para a Capital paulista e, no Hospital Sírio Libanês de São teria sido submetido ao reimplante do braço esquerdo. A cirurgia incluía alterações estéticas e não recuperou as funções do membro. Na ocasião, correu ris-

co de morte várias vezes; porém, a Unimed só teria arcado com parte do tratamento, já que para viabilização do tratamento pediu para que Moura adiantasse e que depois o reembolsaria. Neste caso, de acordo com a sentença, foi solicitada a aplicação do Código de Defesa do Consumidor, solicitando a indenização por danos morais, danos emergentes (remanescente do valor que desembolsou, ou seja, R$ 669.791,51) e lucros cessantes (em R$ 12.135,00 por ter vendido uma propriedade rural para arcar com os custos hospitalares). A Unimed se defendeu afirmando que não é obrigada a reembolsar despesas efetuadas em hospital não conveniado, já que a hipótese não está prevista. Em qualquer situação de atendimento, emergencial ou não, são ressarcidos apenas os valores da tabela Unimed; a escolha do hospital não conveniado foi livre dos familiares e, não houve consulta prévia quanto a cobertura dos custos; somente teve conhecimento dos fatos com o pedido de restituição dos valores pós acidente, quando foram procurados pela família de Moura. Mesmo assim a diretoria da Unimed teria decidido que a alternativa seria efetuar o pagamento e solicitar o reembolso e, que ele ocorreria conforme as tabelas. As contas apresentadas foram auditadas e os pagamentos foram efetuados. A diretoria ainda afirma que teve a notícia de que a família estava contente com a forma que as negociações foram conduzidas. O Gerente Geral da Unimed Três Lagoas afirma que as Unimed´s são independentes entre si e, cada uma delas possui regras próprias; a Unimed Paulistana tem convênio com o Hospital Sírio Libanês, e mensalidade é de R$ 4.630,00 (casal) e, a Unimed local a mensalidade é de apenas R$ 767,08 (o casal); em ambas há o reembolso de despesas mas apenas conforme a tabela de cada plano contratado. “Ante o exposto e tudo o que mais dos autos consta, julgo parcialmente procedentes os pedidos iniciais, para o fim de condenar a Requerida Unimed ao pagamento do valor remanescente do reembolso das despesas médicas e hospitalares em favor do Requerente, no valor de R$ 665.668,40 (R$ 1.034.104,60 - R$ 368.436,20)”, em decisão do juiz. www.expressaoms.com.br

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Foto: Yuri Spazzapan

Especial Planos de Saúde

Antônio João de Carvalho, Presidente da Associação dos Médicos de Três Lagoas.

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"Medicina não é uma profissão diferente, mas diferenciada"

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tualmente o corpo médico de Três Lagoas é composto por aproximadamente 150 profissionais. Destes pelo menos 70 fazem parte do corpo da Unimed, por exemplo, plano mais utilizado no município devido a grande quantidade de empresas que não tem suprido a demanda, optando por pacientes particulares. A resposta dos médicos sobre isso é a baixa remuneração por parte dos planos de saúde e uma pressão muito forte da comunidade que utiliza o serviço. “O médico é visto como alguém diferente, mas na verdade deveríamos ser vistos como pessoas diferenciadas, que fez um grande investimento em uma formação que presta serviço de saúde às pessoas. A medicina não é um sacerdócio, nós médicos somos casados, temos filhos e obrigações de uma casa como todas as pessoas e precisamos ser uma empresa rentável como qualquer outra. Nossos filhos também fazem faculdade”, aponta do médico e terapeuta Antônio João de Carvalho, presidente da Associação dos Médicos de Três Lagoas. Para Antônio João, os problemas referentes a diminuição de médicos que se disponibilizam a atender pelos planos de saúde trata-se simplesmente de uma prioridade de venda de serviço. Porque os médicos também precisam se prover. “Temos consultório e com isso contas a pagar: água, energia, telefone, reformas, material de escritório, secretária, etc. São custos fixos e atendendo as consultas pelo plano de saúde utilizamos a nossa estrutura que não paga o valor investido”, diz. A tabela estabelecida atual-

mente pelos planos de saúde por consulta, segundo o médico, é em média de R$ 70, o que representa menos de 30% da remuneração particular. “ou seja, nem de longe cobre os custos e a medicina tem que ser de boa qualidade, independentemente do pagamento e portanto, não vejo como uma negação dos médicos ao atendimento de consultas particulares, mas uma priorização de trabalho”, explica. O médico ainda coloca que este é mais um problema dos planos de saúde do que dos médicos, já que os planos de saúde repassam valores “muito aquém da realidade médica”. “E já existe uma pressão forte da comunidade que utiliza o serviço de planos de saúde. Porque muitos dos procedimentos solicitados pelas pessoas não constam no seu tipo de plano, que quando negado, esse usuário solicita na justiça e consegue ora o atendimento, ora reaver o dinheiro investido, o que acaba prejudicando o caixa dos planos e isso respinga nos médicos que é a forma de economia dos planos: a baixa remuneração dos médicos tanto da consulta como dos procedimentos laboratoriais”, complementa.

"Não vejo como uma negação dos médicos ao atendimento de consultas particulares, mas uma priorização de trabalho"

O universo do médico dentro dos planos de saúde, é um local de credenciamento e portanto, possuem um cliente certo, mas a medida que a demanda de pacientes aumenta os médicos tem diminuído a quantidade de pessoas pelo plano. Há médicos que atendem até três pessoas com plano por dia, mas se existe um retorno neste dia de alguém com plano, uma “vaga” já foi extinguida e então restam apenas mais duas oportunidades de atendimento dia, o que torna a lista de espera altíssima para pacientes com convênio, ao contrário do atendimento particular. Deste modo, Antônio João analisa que em consultório o médico não tem a obrigação de atender, porque não há urgência. O “cliente” pode esperar, ou até procurar um outro médico que atenda com mais rapidez, é uma questão de escolha. “Se o paciente quer um médico específico e a agenda dele está lotada, ele tem que esperar. Eu entendo que a consulta no consultório não tem caráter de urgência. Óbvio que atendimentos de urgência e atendimentos e procedimentos de hospitais os médicos tem que dar o atendimento e prioridade”, diz. Para Antônio João esse é um problema longe de ser resolvido porque esbarra na precariedade da saúde no Brasil como um todo. Hospitais sem estrutura, falta de boas universidades, população que não sabe utilizar corretamente os serviços dispensados pelo SUS, etc. Mas é importante sim, discutir por meio de fóruns para buscar cada dia mais soluções que atendam o tripé: plano de saúde, usuários e médicos. “Lidamos com limites, vida e morte e não podemos prometer algo às pessoas. Somos apenas médicos”, conclui. www.expressaoms.com.br

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Especial Planos de Saúde Convênios têm assumido muita responsabilidade

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problema do atendimento em saúde no Brasil é uma discussão de longa data. Buscando ofertar atendimento de melhor qualidade e maior conforto, surgiram os planos de saúde, que com o decorrer dos anos, também apresentam por parte do consumidor e dos médicos que atuam, certa insatisfação. Sobre isso o gerente da Unimed de Três Lagoas, Jurandir Bertalli, explica que o problema afeta o Brasil inteiro. O governo por intermédio da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, atribui periodicamente aos Planos de Saúde, novas responsabilidades, onerando o setor de forma preocupante. Além disso, existe outro fator que vem sendo chamado de “Judicialização dos Planos de Saúde”. A forma e os limites de cobertura a serem ofertados em contrato aos clientes são estabelecidos pela ANS, através da Lei 9656/98 e sua regulamentação. Entretanto, é comum a solicitação por médicos, de serviços e/ou materiais e medicamentos que não estão previstos na legislação. Ao se depararem com a negativa da Operadora de Planos de Saúde, o cliente aciona a justiça que quase sempre dá parecer favorável gerando assim, custos não previstos no orçamento das Operadoras. Com relação à reclamação dos médicos referente às tabelas de preços pagas pelos planos de saúde, Bertalli afirma que os preços são elaborados conjuntamente por diversos setores da saúde no Brasil, incluindo a Associação Médica Brasileira. Ao ser questionado, o gerente disse que se preocupa com o crescimento das reclamações dos clientes em não conseguir atendimento em algumas especialidades médicas dentro do prazo estabelecido pela ANS. “A insatisfação do cliente é um fator altamente negativo à imagem da Operadora de Plano de Saúde, sem contar com a possibilidade de punições que poderão ser impostas pela ANS”, diz. 32

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Bertalli complementa que a cooperativa possui uma ampla lista de médicos de diversas especialidades. A garantia do atendimento dentro do prazo estabelecido deve ser oferecida dentro da especialidade. O que acontece com certa frequência, são escolhas por “médicos específicos”. Ao reclamar, no entanto, o cliente omite tal fato, levando os órgãos de defesa do consumidor a um entendimento equivocado. “Apesar de algumas dificuldades, a Unimed Três Lagoas tem conseguido atender à demanda. Tanto é verdade que não entramos para as listas das operadoras com “planos com comercialização suspensa” para readequação de serviços, divulgadas

periodicamente pela ANS”, comenta. “É conveniente lembrar que a Unimed é uma cooperativa. Desta forma, os médicos associados são os donos, e não simplesmente conveniados. Creio que esta conscientização por parte dos médicos tem feito a diferença”. Bertalli também argumenta que a ANS é extremamente rígida em alguns aspectos com as Operadoras de Plano de Saúde, quando na verdade seu papel seria defender tanto os interesses do consumidor como também dos planos de saúde. “Em certa ocasião, ao ser questionada sobre uma decisão Judicial que conflitava com suas normas, a ANS respondeu que não interfere em tais questões”.

Gerente da Unimed de Três Lagoas, Jurandir Bertalli Foto: Yuri Spazzapan


Foto: Yuri Spazzapan

Monitoramento de Planos O monitoramento da garantia de atendimento utiliza como base todas reclamações referentes a problemas assistenciais que chegam aos canais da ANS, como o rol de procedimentos, período de carência dos planos, rede de atendimento, reembolso e autorização para procedimentos. Essas reclamações devem ser solucionadas pelas operadoras em até cinco dias úteis, a partir do momento que as queixas são registradas na Agência. Na sequência, o consumidor tem 10 dias úteis para informar se o seu problema foi ou não resolvido. “Este monitoramento é uma ferramenta permanente de indução de mudança de comportamento das operadoras. O corpo de fiscalização tem observado nas visitas às empresas a preocupação em tratar a reclamação dos beneficiários cada vez com mais zelo porque sabem que estão sendo cobradas pela Agência. É importante lembrar que essa é uma medida cautelar que tem como objetivo proteger os usuários dos planos de saúde”, ressaltou o diretor-presidente da ANS, André Longo. Na prática, esse processo propicia maior agilidade na resolução dos problemas assistenciais dos 50,3 milhões de consumidores de planos de assistência médica e 20,7 milhões em planos apenas odontológicos do país. Desde 2011, quando foi criado, o programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento já suspendeu preventivamente 868 planos de 113 operadoras. Ao longo dos nove ciclos, houve a reativação de 705 planos de saúde, que melhoraram o atendimento ao consumidor.

Como buscar soluções a respeito do seu Plano de Saúde Conforme levantamento do Sindec (Sistema Nacional de Defesa do Consumidor) foram registrados 36 atendimentos dentro do órgão do Procon de Três Lagoas desde sua implantação (01/01/2009 à 26/05/2014) referente a planos de saúde.

Conforme Lillian Campos, responsável pelo Procon de Três Lagoas, as operadoras registradas sucessivamente foram: Cassems, Unimed Três Lagoas/ MS, Unimed Paulistana/SP, Fundação Cesp e outras. As reclamações são referentes a cobrança de multa acima do

permitido pela legislação, descredenciamento, descumprimento de garantia pelo convênio médico (guia), não cumprimento a oferta, negativa de cobertura, abrangência, reembolso, problemas com emissão de carnês, reajuste anual com percentual elevado, recusa/mau www.expressaoms.com.br

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Especial Planos de Saúde atendimento, rescisão/substituição/alteração de contrato de saúde, Acesso ao SAC, cancelamento de serviço via SAC, qualidade do atendimento via SAC, venda enganosa. A chefe do Procon esclarece que em caso de dúvidas ou problemas com o seu plano de saúde, o consumidor pode reclamar em um dos canais de atendimento do órgãos de defesa do consumidor do Procon de Três Lagoas/MS e também pode fazer sua reclamação na ANS no site www.ans.gov. br. “O Procon atua por meio dos canais de atendimento pessoalmente realizados pelo Procon/TL e também através de reclamações de oficio originadas por denúncias”, diz. Lillian também explica que quem deve respeitar esses prazos é a operadora de planos de saúde. Isso significa garantir acesso em pelo menos um prestador de serviço de saúde

habilitado para prestar o atendimento solicitado no prazo legal, e não necessariamente a um profissional ou estabelecimento de saúde específico escolhido pelo usuário. Portanto, se o profissional de saúde ou a clínica, laboratório ou hospital de escolha não puder atender dentro do prazo estipulado pela ANS, e for escolha ser atendido somente por este ou aquele profissional ou estabelecimento, é necessário aguardar o período estipulado. “Caso você abra mão de ser atendido por este prestador de serviço de saúde, a operadora do seu plano deverá indicar outro profissional ou estabelecimento de saúde para realizar o atendimento dentro do prazo definido na norma. Para isso, o plano deve oferecer um número de profissionais e serviços coerente com o perfil e a quantidade de seus beneficiários”, comenta. Além disso, a operadora que

comercializa o plano deve planejar a expansão de sua rede conveniada de forma a atendê-los. A norma, portanto, não interfere na autonomia do médico ou de qualquer outro profissional de saúde quanto à marcação de consulta e ao gerenciamento de sua agenda. “Caso não consiga agendar o atendimento que precise, inicialmente, você deve entrar em contato com a operadora de seu plano de saúde e solicitar que ela efetue o agendamento. A operadora deverá fornecer um número de protocolo e providenciar o atendimento”, diz. Feito isso, se mesmo assim a operadora não efetuar o agendamento dentro do prazo estabelecido pela norma, é necessário fazer uma denúncia à ANS e no Procon/TL endereço sito: Av. Capitão Olinto Mancini, nº 2462, bairro Jardim Primaveril, Edifício Erpe, 1º andar, Três Lagoas/MS das 07h às 13h.

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Especial Planos de Saúde

A Culpa não é dos Médicos

Foto: Graça Mougenot

Forma de reajustes dos planos coletivos e individuais, regulados pela ANS, pode ser um dos grandes problemas do setor.

Rose Rodrigues 36

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Presidente do Conselho Regional de Medicina de MS, Alberto Cubel Brull Júnior

m Campo Grande a situação não é diferente. A cidade possui 210.473 usuários de planos de saúde. São seis oficiais, mas a Unimed Campo Grande e a Caixa de Assistência aos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul-Cassems tem a maior parte dos beneficiários e também são as que acumulam o maior número de reclamações, que só nos três primeiros meses de 2014 já são 19 ao todo. São planos individuais e coletivos. O plano coletivo pode ser de dois tipos: o empresarial, feito por empresas para seus funcionários; e o coletivo por adesão, feito por grupos formados em sindicatos ou associações. A dife-

rença está nos reajustes. O reajuste do plano coletivo não tem limite. Todo ano, a operadora decide qual vai ser o aumento na mensalidade. O plano individual tem uma regulação que é fixado anualmente pela ANS. Entre as seis operadoras que atendem usuários de planos de saúde em Campo Grande, somente a Unimed vende planos individuais. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, o Idec, os planos individuais estão diminuindo porque os coletivos são mais lucrativos para as operadoras. A ANS, que regula o setor, admite que há menos planos individuais disponíveis ao consumidor. Segundo o médico Alberto Cubel Brull Júnior, pediatra e presidente do Conselho Regional de Medicina do MS, a maior divergência é mesmo com

relação aos reajustes. “Os planos coletivos tem reajustes livres e os individuais (maioria) são regulados pela Agência Nacional de Saúde. Porém, os médicos não tem seus honorários reajustados nos mesmos moldes. Atualmente um médico recebe em Campo Grande algo em torno de R$ 65 por consulta”, informou. Qualquer profissional da medicina não tem condições de manter um consultório se depender dos planos de saúde. “Sou pediatra e gasto em média uns 40 minutos em cada consulta. Os custos para manter um consultório são muitos, funcionários, impostos, gastos com luz, água e telefone, etc. Descontando esses custos, sobre em torno de R$ 11 reais para a médico. Nem que ele atenda das 8 às 20 horas, vai conseguir sobreviver com estes valores. E nem estou computando aí gastos com especializações e congressos. Seria impossível”, disse ainda o pediatra Alberto Cubel, que afirmou atender uma média de 4 pacientes de planos de saúde por dia. Cubel informou ainda que muitos profissionais preferem cumprir plantões em hospitais e clínicas, “que dá uma renda de uma semana no consultório.” Muitos profissionais estão fechando seus consultórios e isso interessa muito aos planos de saúde, que apostam no atendimento massificado, em maior número e em menos tempo”, disse. Ele destacou ainda que é cômodo para os planos de saúde culpar os médicos quando são notificados. "Isso desestimula os profissionais. Ficamos limitados e com dificuldades de aumentar o número de atendimentos”, concluiu Professor de residência em pediatria do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Cubel explica que entre as especialidades médicas a de pediatria é a menos rentável para os profissionais. “É a especialidade que tem menor remuneração. Precisa ter amor, não só pela criança, mas também pela família. Tem que ter vontade de ser pediatra”. Muitos profissionais acabam optando por áreas de atuação dentro da especialidade. Ou seja, ao invés de realizar a pediatria geral, opta se especializar na gastroenterologia pediátrica, na neonatologia, na pneumologia pediátrica, na neurologia pediátrica, entre outras”. www.expressaoms.com.br

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Foto: Graça Mougenot

Especial Planos de Saúde

Médico Psiquiatra Juberty Antônio de Souza

Psiquiatria Especialidade necessita de mais de uma consulta por mês, mas os planos não autorizam.

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utro profissional entrevistado, o médico psiquiatra Juberty Antonio de Souza, não atende nenhum plano de saúde. Ele afirma que deixou de atender por problemas pessoais depois de sofrer um acidente e ficar muito tempo parado. “Fiquei em dificuldades financeiras e não podia depender do valor muito baixo pago pelas operadoras. Mas esse não foi o único motivo do meu desligamento. Minha especialidade necessita de mais de um atendimento no mês e o plano não autoriza. Fica difícil manter um tratamento eficaz desse jeito”, declarou. Segundo ele, a psiquiatria requer tempo junto ao paciente. “O paciente medicado precisa de acompanhamento quase diário. A Unimed, por exemplo, já permitiu mais de uma consulta por mês em algumas especialidades. Hoje não permite mais. É complicado”, afirmou. “Sempre fui um “clínico geral” da psiquiatria. Lecionei por duas décadas a disciplina de Psicopatologia na Universidade Católica Dom Bosco em Campo Grande. Trabalhei durante mais de 20 anos na Unidade Psi-

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quiátrica da Santa Casa também em Campo Grande, a mais antiga do Brasil sem ser serviço universitário. Antes do caos instalado no Ministério da Saúde, esta unidade servia de modelo onde havia integração com serviço de emergência geral, unidades de internação, ambulatório e hospital dia, ao mesmo tempo em que se constituiu num serviço de formação de quadros das mais diversas profissões (psicologia, serviço social, terapia ocupacional entre outros).” Atualmente Juberty Antônio é professor da UFMS onde leciona na disciplina de Bioética e de Psiquiatria na graduação em medicina e na residência médica em psiquiatria. O psiquiatra, também atende em clínica própria: “continuo trabalhando em consultório, onde considero que é o local em que o médico trabalha da forma como deveria e gostaria.” Na opinião do psiquiatra entre os principais desafios da profissão estão a busca constante do respeito ao doente psiquiátrico, o reconhecimento pelas autoridades constituídas de que o doente psiquiátrico é uma pessoa e como tal deve ser considerada e tratada.


Foto: Graça Mougenot

Cardiologista Luiz Ovando

Defesa Apesar de algumas criticas pontuais, o cardiologista Luiz Ovando defende os planos de saúde em geral. Ele faz parte da rede credenciada e diz que os médicos “precisam parar com a embromação e cumprir com sua obrigação. Aceitou o contrato, os valores, tem que cumprir”, enfatizou. Para Ovando, a saúde está tomando um rumo tecnológico. Para ele a situação é muito mais complexa do que aparenta. “Vivemos um momento de insatisfação geral com a saúde, envolvendo o Governo, os planos de saúde e principalmente o individuo. A saúde é sim responsabilidade do Estado. Se houvesse um plano de saúde decente, que pudesse atrair os médicos, mais de 80% dos problemas seriam resolvidos. É tudo uma questão de valores e quem sofre são os usuários”, concluiu.

Defesa do Consumidor A PROTESTE Associação de Consumidores considera importantes as medidas adotadas pela Agência

Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na tentativa de agilizar a solução de problemas dos usuários de planos de saúde. Agora, é possível acompanhar o andamento das demandas pelo portal da Agência (www.ans.gov.br). E questões não assistenciais como reajustes indevidos, quebra de contrato e alteração de rede credenciada também passaram a ser tratadas por meio de mediação de conflitos. Antes, só as reclamações assistenciais eram tratadas desta forma. Eles orientam o consumidor a formalizar queixa também nas entidades de defesa do consumidor, caso as operadoras não resolvam os problemas encaminhados. E em situações de urgência, como em negativas de atendimento, a via judicial ainda será a indicada, diante do prazo de até 5 dias úteis dado pela ANS para as operadoras solucionarem as pendências. Para questões não assistenciais, o prazo para as operadoras adotarem as medidas necessárias é de até 10 dias. A não resolução do conflito nesta etapa de mediação resultará em abertura de processo administrativo para aplicação de multa. Em caso de dificuldades de atendimento pelo plano de saúde, primeiro deve ser feito contato com a

operadora para buscar a solução. Caso o consumidor não consiga resolver, deve entrar em contato com a Agência, de posse do número de protocolo da queixa registrada na operadora. Isso agilizará a identificação da solicitação e a solução do conflito. O registro da reclamação pode ser feito pelos dois canais de relacionamento da Agência: Disque ANS – 0800- 701-9656; Central de Atendimento ao Consumidor no portal de internet; ou nos núcleos de atendimento presencial existentes em 12 cidades nas cinco regiões do Brasil. Para acompanhar o andamento das demandas pelo portal da Agência, é preciso acessar o Espaço do Consumidor no portal da ANS na internet. É preciso informar um endereço de e-mail para recebimento da senha de acesso no momento do registro da queixa. Na seção Acompanhamento de Solicitações, o consumidor terá acesso a todos os documentos referentes à demanda, como os pareceres da Agência e as respostas da operadora. As operadoras são notificadas diretamente pelo portal da ANS, em espaço próprio, onde podem acompanhar essas demandas específicas e anexar a resposta dentro do tempo determinado. www.expressaoms.com.br

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Três Lagoas 99 anos

Na véspera do centenário Três Lagoas celebra 10 anos de crescimento Município cresce acima da média no Estado, impulsiona a economia da região e apesar de problemas na infraestrutura, lidera qualidade de vida no MS, segundo pesquisa da Firjan.

Sarah Minini

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Foto: Yuri Spazzapan www.expressaoms.com.br

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Foto: Divulgação

Três Lagoas 99 anos

Fibria, Fábrica de Celulose Há 10 anos Três Lagoas possuía 79 mil habitantes e atualmente já passou de 110 mil; a renda média per capta passou de R$ 750 para R$ 2.774 nos últimos 7 anos.

O

s incentivos fiscais e logística bem favorecida ajudam a explicar a formação do polo industrial da micro-região de Três Lagoas. E embora pareça assunto batido, apontar os porquês e os booms de Três Lagoas ainda é pertinente. As análises a respeito de como o município que há 10 anos possuía 79 mil habitantes passou a ter mais de 110 mil e a renda média per capita saiu de R$ 750 para R$ 2.774 em sete anos são importantes para mostrar à comunidade local, regional e nacional, como Três Lagoas era, como está e onde pode chegar. Três Lagoas é uma cidade sul-mato-grossense situada na divisa com o Estado de São Paulo, sua localização no Centro-Oeste do país permite chegar a outros estados com uma distância de apenas 280 quilômetros. Estando às margens do Rio Paraná permite o acesso a um dos modais mais baratos e sustentáveis para escoamento de produção: a hidrovia. Metade do que é exportado pelas gigantes da celulose é direcionado para o porto de Santos por meio de uma combinação entre hidrovias e ferrovias. A outra metade faz todo o trajeto de trem. A companhia 42

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gera 3.000 empregos diretos e 27.000 indiretos. Há quinze anos, a economia de Três Lagoas (MS) dependia essencialmente da pecuária. Até então, o tamanho do comércio local era bem deficitário, não contendo serviços comuns, mas atendia a comunidade local. Com mão de obra relativamente mal qualificada e a média salarial era baixa. A cidade era quieta, parecia condenada a continuar dependente do setor primário, como tantos outros municípios do Estado, entretanto, com algumas políticas do governo do estado e da prefeitura, a implantação de um distrito industrial e a vinda das primeiras indústrias, como Mabel, Cargill, Corttex, Klin e outras, mudaram a trajetória da Cidade das Águas. Conforme o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Luciano Dutra, atualmente com três distritos industriais, o 1º com 35 indústrias instaladas e em instalação, o 2º com 29 empresas e o 3º onde é localizado a Unidade de Fertilizantes da Petrobras, com área para a construção de mais 11 empresas que prestarão serviço para ela, Três Lagoas recebeu investimentos da ordem de mais de US$ 16 bilhões, tudo isso num cenário de 10 anos. De acordo com a prefeita Márcia Moura (PMDB) para se ter uma ideia do crescimento, a arrecadação de quatro meses deste ano (R$ 131 milhões), equivale ao do ano inteiro em 2007.


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Três Lagoas 99 anos

Instalação das indústrias e crescimento

E

ssa forte política de atrair as empresas para Três Lagoas, vai além da isenção de IPTU por cinco anos, isenção de ISS no período da construção da indústria, de ICMS, etc. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, o crescimento econômico de Três Lagoas é conciso porque além dos benefícios logísticos o município possui energia em abundância com gasoduto, termelétrica, hidrelétrica, etc. A fabricante de biscoitos Mabel, chegou na década de 90, na sequência a Metalfrio, que instalou na cidade a maior fábrica de refrigeradores industriais da América Latina, com produção anual de um milhão de unidades; as multinacionais americanas Cargill e International Paper. Nos últimos cinco anos, as mudanças se aceleraram ainda mais com a chegada de duas grandes produtoras de celulose: a

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Fibria e a Eldorado. A estimativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico é que em 2014 se instalem mais seis empresas de diversos setores. De acordo com informações da secretaria, de forma incentivada em 2012 e 2013 foram abertas nove indústrias em Três Lagoas. Os setores são metalurgia, fabricação de gelo, artefatos de concreto, produtos de marmoraria, artefatos de cimento e pré-moldados, usinagem, fibras, creme dental e enxaguante bucal, gerando aproximadamente 2 mil empregos diretos somente nestes 2 anos. E ainda existe área para mais indústrias no distrito industrial. Os números revelam a transformação radical na economia do município. Referente à balança Comercial. Três Lagoas é a maior exportadora do Estado, responsável por 52% do total exportado. Em 2012 o resultado final de exportação foi de US$ 645 milhões. Em

2013 entre janeiro e agosto, foi acumulado em exportações US$ 747 milhões, ou seja; superando em menor período 2012, ao todo a cidade exportou 1,1 bilhão de dólares, sendo que 90% deste volume é celulose. Dez anos antes, sem a Fibria e a Eldorado haviam sido exportado U$ 7,6 milhões. Os empreendedores só abriram os olhos para essas vantagens depois que o Estado e a prefeitura instituíram uma política de benefícios fiscais. As companhias que se instalam no parque industrial recebem gratuitamente o terreno com asfalto, luz e água, o que facilita a logística da produção. "As grandes empresas não vêm para o interior se não tiverem incentivo", diz a prefeita Márcia Moura (PMDB). Com o programa de atração de empresas, a cidade viu sua população se elevar significativamente em um curto período de tempo. A renda per capita média cresceu 110,26% em vinte anos.


Foto: James LucK

Polo Industrial de Três Lagoas

Problemas de infraestrutura Segundo a prefeita Marcia Moura, município precisa de R$ 80 milhões para conseguir sanar os principais problemas de infraestutura.

M

as todo este crescimento não foi fácil e nem do dia para a noite. Houve muitas dificuldades referentes a mão de obra por exemplo. “A vinda desses investimentos empurraram os investimentos públicos. Três Lagoas ficou anos parada em infraestrutura, por gestões diferentes da atual. Então para dar conta desta nova demanda de indústria foi necessário muito trabalho em termos de saneamento básico, educação, habitação, etc.”, aponta a prefeita Marcia Moura. Conforme a prefeita, este ano, por exemplo, eram aguardados do governo federal R$ 80 milhões em financiamentos pelo PAC 2, direcionados para mobilidade urbana, ou seja; maior infraestrutura para o município,

entretanto, deste total o município só conseguiu R$ 5 milhões. “Seriam duas parcelas, a primeira de R$ 18 milhões e a segunda de R$ 62 milhões. Porque eu não consigo mais caminhar com o asfalto sem fazer todo o esgoto e drenagem. Seria trabalho perdido. E o Governo Federal, havia solicitado um projeto bem elaborado que contemplasse e encerrasse os nossos problemas de mobilidade urbana, afirmando que o governo tinha dinheiro e que iria repassa-lo no PAC 2, mas o que era R$ 7 bilhões para todo o Brasil se transformou em R$ 3 bilhões do dia para a noite e eles diminuíram os repasses de todos. Licitamos uma empresa que fez um projeto detalhado. Pagamos com dinheiro do município, que se soubéssemos que não seríamos contemplados, teríamos feito um projeto mais simplificado e menos caro”, lamenta. Mesmo assim, a Prefeita afirma que

não jogou a toalha e ainda tentará reaver esse recurso. Caso não consiga tentará uma outra possibilidade de financiamento. “Busco no mínimo R$ 40 milhões para acabar com o problema de drenagem da vila Haro e Paranapungá e na sequencia fazer a cobertura asfáltica. Os dois bairros já são um avanço nos percentuais de falta de infraestrutura no município”, diz. Atualmente o município possui 62% de cobertura asfáltica, de drenagem 45% e a Sanesul garante que até o final deste ano terá 97% de cobertura de esgoto executado ou em execução. “Quero acreditar que minha gestão consiga até o final desses dois anos 90% de cobertura asfáltica com esgoto e drenagem. Mas é claro a responsabilidade não cabe só a mim. Dependo de outras esferas”, acrescenta. www.expressaoms.com.br

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Foto: Yuri Spazzapan

Três Lagoas 99 anos

Educação e Qualificação

R

eferente a qualificação, atualmente Três Lagoas possui cursos técnicos tendo a sua disposição além do IFMS (Instituto Federal do Mato Grosso do Sul), todo o sistema S com Sebrae, Sesi, Senai, Senac, Sesc, Sest Senat, Senar e IEL). Todas atuando em parceria com a indústria, comércio e pecuária, atendendo a demanda de mercado local com programas de qualificação inclusive das fornecedoras da matriz econômica. Neste processo, em 2012 foram qualificados mais de 8 mil pessoas, já em 2013 foram qualificados pelo ensino técnico 14 mil. O município também possui cinco unidades de ensino superior sendo que uma delas é federal. A UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul) investiu em no-

vos cursos de engenharia e em breve será iniciado o curso de medicina. O que deve proporcionar maior infraestrutura em saúde, já que juntamente com o curso, será implantado o Hospital Universitário, que deve ampliar os atendimentos em saúde. Outro grande centro de educação é a AEMS (Faculdades Integradas de Três Lagoas), que também vem abrindo cursos conforme a necessidade local e atrai pessoas de toda a região para estudarem na instituição. A Uni Cesumar, a Anhanguera e a UNOPAR são outras possibilidades de ensino superior e técnico. Com isso, Três Lagoas atualmente recebe milhares de estudantes de vários municípios da região leste do estado e também da região noroeste do vizinho estado de São Paulo.

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Foto: Yuri Spazzapan

Geração de Riquezas A geração de riquezas pelas indústrias incrementou o comércio. Desde 2005, uma norma local incentivou as lojas a funcionarem 24 horas por dia para atender os empregados dos três turnos das fábricas. A cidade de 110.000 habitantes tem unidades da lanchonete Bob's, das lojas Americanas, Subway e deve acomodar em breve uma loja do Habib’s e seu primeiro shopping center.

Com a criação acelerada de vagas (apenas uma das fábricas de celulose responde por 30.000 postos diretos e indiretos), o município se aproximou do pleno emprego. Três Lagoas passou a atrair mão de obra de outras cidades da região, de outros estados e também recebeu mais de 400 haitianos que hoje trabalham nas indústrias locais.

Quanto a saúde Três Lagoas possui além dos ESFs (Especialidade de Saúde da Família). O Hospital da Mulher, o Centro especializado em pediatria e fisioterapia, tudo gerenciado pelo município, também existe o Hospital da Cassems (antiga Unimed) e o Auxiliadora, que atualmente possui uma estrutura de alvenaria, com área de 11.000.00m² setorizado por blocos, contendo Anestesiologia, Buco Maxilo, Cardiologia, Cirurgia Geral, Clínica Médica, Fisioterapia, Gastroenterologia, Ginecologia, Obstetrícia, Nefrologia, Neurocirurgia, Neurologia, Oncologia Clínica Oncologia Cirúrgica, Ortopedia, Traumatologia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Pneumologia, Radiologia e Urologia, e é referência regional, atendendo vários municípios. De acordo com informações do HNSA atualmente são 188 Leitos Cadastrados no CNES, destes, 105 leitos SUS e 10 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Os exames e especialidades são Broncoscopia, Ecocardiogradia, Eletrocardiografia, Endoscopia Digestiva, Hemoterapia, Hemodiálise,

Foto: Yuri Spazzapan

Saúde em busca da cura

Laparoscopia, Litotripsia Extracorpórea, Mamografia Digital, Quimioterapia, Radiologia, Tomografia, Computadorizada e Ultra-Sonografia. Nos últimos 3 anos ocorreu um investimento em capacitação e aprimoramento de pessoal, por meio do Planejamento Estratégico através da consultoria NORTIA. Em relação a estrutura física foi realizado reformas básicas (pinturas de setores assistenciais).

Para outras melhorias o Hospital foi cadastrado junto ao Fundo Nacional de Saúde, proposta via recursos de emenda parlamentar, para ampliação do setor de Hemodiálise e construção do setor de hemodinâmica, aguardando parecer da equipe técnica do ministério da saúde. Sendo R$ 507.000,00 para construção da hemodinâmica e R$ 500.000,00 para ampliação da Hemodiálise. “Além disso, temos aprovado pelo ministério www.expressaoms.com.br

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recurso via programa para reforma do Pronto Socorro (R$ 2.000.000,00) e Maternidade (R$ 250.000,00), aguardando liberação da Caixa Econômica Federal para inicio da obra”, conforme assessoria de hospital. Também há previsão de inaugurar a Unidade Psicossocial, local estruturado para dar mais conforto para os pacientes com transtornos mentais e com necessidades de saúde, decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas. No ano de 2013 o Hospital conquistou a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia. Visando o crescimento e melhorias no atendimento um corpo clinico formado por médicos da USP (Universidade Federal de São Paulo) de Ribeirão Preto e do Hospital de Câncer de Barretos estão atendendo os pacientes de Três Lagoas e da macrorregião. Um novo prédio será construído para o setor de Oncologia do Hospital Auxiliadora, com o Instituto do Câncer de Três Lagoas, e investimento com a compra e instalação do aparelho de Acelerador Linear, aparelho de radioterapia contra o câncer no valor de R$ 3 milhões. Acompanhando o crescimento do município o Hospital Auxiliadora inaugurou no mês de maio o Ambulatório de Especialidades Médicas para o convênio e particular, um espaço amplo e moderno e que atende todas as especialidades médicas, com 4 consultórios, sala de procedimento e internação e com recepção diferenciada e com consultas pré-agendadas. A obra foi orçada em R$ 250.000,00. Isso porque os índices de atendimentos vem aumentando expressivamente com a industrialização de Três Lagoas. De 2012 foram realizados 4.811 procedimentos cirúrgicos, em 2013 foram realizados 5.461 procedimentos, observa-se um aumento de 12% no volume cirúrgico. As internações no primeiro trimestre de 2013 somam 2.467 atendimentos, no mesmo período de 2014 observa-se um aumento de 10,4% (2.756 internações). Os atendimentos Pronto Socorro no período de janeiro á 19/05 de 2013, foram realizados 13.655 atendimentos no pronto socorro e no mesmo período de 2014 já ultrapassa a casa dos 18.644 atendimentos. Pensando nisso, e ao encontro das necessidades da formação universitária, Três Lagoas em breve terá um Hospital Universitário, que ampliará a cobertura em saúde. 48

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Foto: Yuri Spazzapan

Trânsito buscando maior mobilidade urbana

U

ma das formas de ver como uma cidade cresceu é pelo aumento do número de veículos nas ruas, o salto é visível. O número de carros quase triplicou em menos de dez anos. O município possui registrados 69 mil veículos; em 2005, eram 26 mil. O crescimento é 32% superior ao da média nacional no mesmo período. O aumento de veículos reflete o processo de industrialização que se acelerou nos últimos anos. Segundo aponta a secretaria de desenvolvimento Econômico, de 2012 para cá, Três Lagoas ganhou quatro novas concessionárias. E a Toyota procura um terreno para abrir uma revendedora no município. As bicicletas que dominavam as ensolaradas ruas locais foram sendo substituídas por motocicletas. O aumento no número de veículos em um curto espaço de tempo trouxe problemas para a cidade. Os engarrafamentos na região central de

Três Lagoas (MS) são diários, especialmente nos pontos de cruzamento entre ferrovias e avenidas. Na área central estacionar exige um enorme esforço de paciência pois o número de vagas é infinitamente inferior ao número de veículos. A prefeitura já deu início aos estudos para implantação da Zona Azul, o que poderia amenizar um pouco o problema, pois os veículos passarão a ser monitorados por tempo de estacionamento, com cobrança de taxa. Decreto publicado no início de junho cria mais de 3 mil vagas na área central com o novo sistema. A prefeita Márcia Moura afirma que a criação de uma secretaria de Trânsito, já é para ter maior autonomia na resolutividade do trânsito. Atualmente existe um engenheiro de trânsito que semanalmente frequenta cursos em Campo Grande referente a mobilidade e está produzindo um planejamento.


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Três Lagoas 99 anos

PESQUISA FIRJAN Nacional

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Estadual

IFDM Consolidado

UF

Município

188º

0.8232

MS

Três Lagoas

269º

0.8080

MS

Campo Grande

334º

0.7998

MS

Costa Rica

425º

0.7898

MS

São Gabriel do Oeste

428º

0.7893

MS

Chapadão do Sul

620º

0.7695

MS

Dourados

684º

0.7634

MS

Naviraí

731º

0.7603

MS

Paranaíba

777º

0.7575

MS

Rio Brilhante

939º

10º

0.7451

MS

Aparecida do Taboado

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Qualidade de vida

P

Os resultados obtidos têm base em informações oficiais dos ministérios da Educação, Saúde, Trabalho e Emprego. Nesta edição de 2014, foram utilizados os dados de 2011, o que permite a comparação do desenvolvimento dos municípios com o ano de 2010 – último ano da primeira década do século XXI. A metodologia foi aprimorada para captar os novos desafios do desenvolvimento brasileiro. O principal incremento foi situar o Brasil no mundo, com base em padrões de desenvolvimento encontrados em países mais avançados. No geral, Mato Grosso do Sul também não tem nenhum município de baixo desenvolvimento. O último colocado é Tacuru, com 0,4027 pontos. Campo Grande teve IFDM de 0,8080. Assim, Três Lagoas cresce e mesmo sendo uma cidade do interior, alcança números e desenvolvimento de uma capital.

“Mas o trabalho é árduo, precisamos que a locomotiva da ALL pelo menos pare de utilizar o centro da cidade para abrirmos as ruas, que já amplia as possibilidades de fluxo. Precisamos das obras de drenagem e asfalto, para que mais ruas passem a ser mão única. Estamos contratando técnicos que atuarão 24 horas nos semáforos, vamos sincroniza-los. Estamos instalando faixas de pedestres com elevação e em breve teremos o estacionamento ro-

tativo no centro, que se assemelha a zona Azul, utilizada em cidades do estado de São Paulo”, diz. Outra meta é obter recursos para implantar o contorno rodoviário do município, o que reduziria o tráfego de caminhões pela cidade. Desta forma, Marcia acredita que no final do seu mandato entregará para o próximo chefe do executivo uma Três Lagoas melhor. “Acredito que se entregasse hoje a prefeitura já estaria entregando um município melhor”.

Foto: Yuri Spazzapan

esquisa aponta que Três Lagoas é o munícipio de Mato Grosso do Sul que tem o mais alto desenvolvimento no ranking estadual, com IFDM 0,8232, seguida da capital Campo Grande – ambas de alto desenvolvimento, e de Costa Rica, com nível de desenvolvimento moderado. Os dados fazem parte do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM), criado pela FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) para acompanhar a evolução dos 5.565 municípios brasileiros. Com recorte municipal a abrangência nacional, o IFDM avalia as condições de Educação, Saúde, Emprego e Renda de todos os municípios brasileiros. O índice varia de 0 (mínimo) a 1 ponto (máximo) para classificar o nível de cada cidade em quatro categorias: baixo (de 0 a 4), regular (0,4001 a 0,6), moderado (de 0,6001 a 0,8) e alto (0,8001 a 1) desenvolvimento.

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Informe Publicitário

Deputado Eduardo Rocha Prestando Contas | Três Lagoas e Região

Eleito em 2010 o deputado estadual Eduardo Rocha é desde o primeiro ano de seu mandato o líder do PMDB na Assembléia Legislativa, onde atualmente também é o presidente da Comissão de Serviço Público, Obras, Transporte, Infraestrutura e Administração e o vice-presidente da Comissão de Turismo, Indústria ewww.expressaoms.com.br Comércio. O deputado também integra, 2 52www.expressaoms.com.br como membro titular, as comissões de Finan-

ças e Orçamento, Saúde e Seguridade Social. Também é o presidente da Frente Parlamentar de Combate às Drogas da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Em seu primeiro mandato como deputado, já é reconhecido como um dos mais atuantes, com participação ativa no plenário e na apresentação de proposições, a maioria já atendida pelo Governo do Estado.


Leis de sua autoria já foram aprovadas e sancionadas • Lei que institui a Semana de Enfrentamento e Combate ao Crack. • Lei que obriga a fixação de placas permanentes em escolas privadas e de cartazes em bares, boates, lanchonetes e casas noturnas, alertando sobre os riscos do uso das drogas. • Lei que dispõe sobre a obrigatoriedade de fixação de placas permanentes em escolas da rede estadual de ensino alertando sobre os riscos do uso de drogas. Tramita também lei para inclusão da frase “Diga não às drogas” nos ingressos e materiais promocionais patrocinados ou apoiados pelo Governo do Estado. • Lei que dá denominação à Escola Estadual em construção no Bairro Santa Terezinha, no município de Três Lagoas-MS. • Lei que Inclui no Calendário Oficial de Eventos do Estado de Mato Grosso do Sul o Torneio de Pesca Esportiva de Três Lagoas - MS / SUCURIU FISH, realizado no município de Três Lagoas. • Lei que declara como de Utilidade Pública Estadual o Instituto Sul-mato-grossense de Ação Cristã - ISAC, com sede e foro na cidade de Três Lagoas - MS. • Lei que declara como de Utilidade Pública Estadual a Associação Nazarena Assistencial de Três Lagoas - MS. Declara como de Utilidade Pública Estadual a Casa de Recuperação Restaurando Vidas, com sede e foro no Município de Três Lagoas-MS. • Lei que Institui o Dia Estadual de Combate ao exercício ilegal da profissão de Corretor de Imóveis. • Lei que dá ao Município de Três Lagoas o cognome de “Capital Mundial da Celulose"

Títulos recebidos O deputado estadual Eduardo Rocha (PMDB) recebeu o título de cidadão Santarritense, na cidade de Santa Rita do Pardo. Também foi agraciado com os títulos de Cidadão Três- Lagoense, Cidadão em Glória de Dourados, Aparecida do Taboado , Vicentina e Costa Rica. Emendas Deputado Eduardo Rocha destinou mais de R$ 2 milhões em emendas parlamentares só para as cidades do bolsão sul-matogrossense, em especial para Três Lagoas e região. Ao todo ele disponibilizou R$ 3,7 milhões, sendo que o restante foi para cidades da região da grande Dourados.

Emendas Parlamentares MUNICÍPIO

Água Clara Aparecida do Taboado Bataguassu Brasilândia Cassilândia Costa Rica Inocência Paraíso das Águas Paranaíba Ribas do Rio Pardo Selvíria Três Lagoas

VALOR

R$ 20 Mil R$ 180 Mil R$ 230 Mil R$ 155 Mil R$ 70 Mil R$ 135 Mil R$ 225 Mil R$ 60 Mil R$ 170 Mil R$ 25 Mil R$ 125 Mil www.expressaoms.com.br www.expressaoms.com.br R$ 1,005 Milhão

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Foto: Yuri Spazzapan

Política

Presidente da Câmara dos Vereadores, Jorginho do Gás 54

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Reeleito, Jorginho do Gás fala sobre novos desafios Gisele Mendes

O

presidente da Câmara de Vereadores, Jorginho do Gás (PSDB), falou à Revista ExpressãoMS, sobre os desafios que enfrentou quando assumiu a presidência, para administrar a casa, que passou a contar com 17 vereadores em 2013. Em um bate papo, em seu gabinete, ele destacou que precisou da colaboração de todos os parlamentares para conseguir administrar o duodécimo, que continuou o mesmo de quando o Legislativo tinha 10 vereadores. No início teve que tomar algumas medidas de emergência para economizar e conseguir fazer com que os trabalhos legislativos não fossem prejudicados, e contou com a ajuda de todos os parlamentares e funcioná-

ExpressãoMS: Presidente, como foi regulamentar as cotas parlamentares, diárias de viagens e divulgar tudo no portal da transparência da Câmara? J.G: Foi um desafio superado. O portal, na verdade, já existia, estamos apenas dando sequência e ampliando as informações. Esse trabalho é extremamente importante, porque a população tem que saber o custo real de cada vereador e como ele administra o seu mandato. Com base nessas informações, o cidadão vai conseguir identificar se o parlamentar merece ou não o seu voto, que representa a sua confiança. ExpressãoMS: Sua administração foi marcada pela inovação em transmitir licitações da Câmara, ao vivo, permitindo ao cidadão acompanhar todos os processos de compras. Você tem um balanço da economia? Quais os benefícios podem ser destacados? J.G: Eu posso garantir, com precisão, que conseguimos economizar bastante, adotando o sistema de pregão. Em alguns casos, a economia chegou aos 30%. Há uma lenda de favorecimento, que escolhemos algumas empresas, mas isso não é real. Tra-

rios. Uma das principais medidas citadas pelo presidente foi a redução da cota de combustível; cada vereador tinha direito a 600 litros (R$ 1.860, em média, totalizando R$ 31.620), e, hoje, eles têm 300 litros (R$ 930, totalizando R$ 15.810) por mês. Jorginho do Gás nasceu em 23 de abril de 1965 e se formou em engenharia elétrica, pela Universidade Mogi das Cruzes-SP. Sua vida política foi iniciada em 1996. Ele foi gerente adjunto da Prefeitura de Três Lagoas, no setor de iluminação, zerando o déficit de iluminação pública em 2001. Em 2004, foi o candidato a vereador mais votado, sendo reeleito em 2008 e 2012. Confira abaixo, a entrevista na íntegra.

balhamos dentro da transparência, oferecendo a todos a oportunidade de fornecer para a Câmara. A transmissão ao vivo, via internet, ajudou muito, principalmente aqueles, que por algum motivo, não podem comparecer pessoalmente à Câmara em períodos de licitação. Um dos destaques de economia são os gastos em acervo pessoal que diminuiu significativamente. A água mineral, por exemplo, que antes comprávamos em garrafas, hoje foram substituídas por galões de 20 litros. São medidas simples que têm feito a diferença em nosso orçamento. ExpressãoMS: Você já deu posse a mais de 14 servidores públicos nestes 17 meses à frente do Legislativo. Como é seu relacionamento com eles? J.G: O relacionamento é bom. Na verdade, tínhamos até mais dois anos para convocá-los, mas optamos por chama-los antes, para mostrar que há credibilidade nos concursos municipais da Câmara. Muitos não confiam, acreditam que são forjados, que já possuem cartas marcadas, mas isso não procede, tanto que meus dois filhos prestaram e nenhum deles passou. Teve ainda funcionários da Câmara que também não conseguiram

vaga. O concurso elegeu, realmente, aqueles que se prepararam. Acho que o fato dos funcionários trabalharem satisfeitos tem contribuído também com o sucesso dos trabalhos nesta atual legislatura, pois percebo que se sentem prestigiados, e tento fazer, dentro do possível, o melhor para os servidores. ExpressãoMS: Como foi colocar em prática as investigações de denúncias, por meio das comissões permanentes, e como você avalia o trabalho realizado por elas? J.G. Os parlamentares concordaram com a nova ideia e têm contribuído bastante na execução. Anteriormente, todas as denúncias acabavam em um CPI, porém, grande parte delas não eram concluídas, pela falta de fatos consumados. Hoje, com as comissões permanentes, os parlamentares responsáveis por cada pasta, levantam o máximo de informações possíveis antes de iniciar uma CPI ou até uma Processante. É feito um pré-estudo, que define se há realmente a necessidade de dar sequência às investigações, depois é elaborado um relatório e apresentado em plenário, que é quem realmente decide sobre o que será feito posteriormente, se arquiva ou dá sequencia à apuração das denúncias. www.expressaoms.com.br

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ExpressãoMS: Você foi o primeiro presidente da Câmara reeleito. Como foi a sua trajetória para esta conquista? Você acredita que as mudanças que implantou e o igualitário que deu aos vereadores permitiram este feito inédito? J.G.: Eu acredito que o diferencial foi a minha forma de tratá-los (os vereadores). Eu sempre os deixei inteirados de tudo, porque eu acredito que um presidente apenas preside, ele não decide sozinho. Fiz questão de contar com o apoio e opinião de todos. Discutimos em conjunto, dividimos responsabilidades e o recurso do duodécimo é investido no trabalho de cada vereador, integralmente. Eles entenderam a minha

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Política

proposta de trabalho, aceitaram, e, por isso, me deram mais dois anos, o que me deixou muito feliz, já que eu sempre fui a favor da reeleição, mesmo antes de me tornar presidente pela primeira vez. ExpressãoMS: Você pretende disputar uma cadeira na Câmara Federal nas próximas eleições? J.G: Já sou pré-candidato a Deputado Federal, a convite do meu partido. Eu acredito que Três Lagoas precisa de representatividade na esfera federal, porque estamos um pouco esquecidos. A falta desta força política nos impede de receber recursos que poderiam ser investidos no município. Bem sabemos que um deputado federal, por mais que

ele lute pelo seu estado, ele tem um carinho a mais por sua região, e acaba a beneficiando mais. A região do bolsão precisa de um representante, o quanto antes, pois apenas a administração municipal e estadual não conseguem, sozinhas, trazer os recursos necessários principalmente para investimentos em infraestrutura. Temos um exemplo recente, quando a prefeita, depois de aprovado o projeto pela Câmara, solicitou empréstimo de um montante que daria para sanar praticamente os problemas de drenagem e asfalto do município, mas foi aprovado apenas menos de 10% do solicitado, tenho certeza de que se tivéssemos mais parlamentares aqui da nossa região, os números poderiam ser diferentes.


Opções de montagem da sala

240m2

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Mercado Imobiliário

Setor segue aquecido e aposta no segmento

de condomínios fechados Nos últimos anos foram construídas 3,5 mil unidades residenciais em condomínios de luxo e populares Gisele Mendes

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Mercado Imobiliário

A

expansão imobiliária e um mercado consumidor promissor impulsionaram o município de Três Lagoas a atingir a marca de 109.633 habitantes, conforme estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) de 2013, apresentado um crescimento de 22.320 habitantes nos últimos seis anos, quando grandes indústrias passaram a ser instaladas na Cidade. Esse aumento habitacional é maior do que a população de Aparecida do Taboado, por exemplo, que conta com 22.320 pessoas, segundo o IBGE. Acompanhando o crescimento, grandes empreendedores passaram a investir no mercado imobiliário, construindo apartamentos, casas geminadas ou residenciais, mudando radicalmente o perfil da cidade. Hoje, muitas fazendas foram tomadas por prédios. Se antes era comum ver gado nesses locais, hoje é possível encontrar crianças brincando nas ruas. Ao redor dos bairros a vegetação chama a atenção, pois ela ficou mais perto. O setor cresce em um ritmo tão acelerado que tem atraído cada vez mais adeptos e já existem condomínios sendo instalados em um raio de cinco quilômetros da área central do município. Condomínios de luxo ou mais modestos, belas casas com arquiteturas modernas e imponentes, há também aquelas mais discretas, porém, localizadas em um condomínio fechado, onde os moradores acreditam estar mais seguros. Imóveis chegam a ser comercializados por até R$ 1 milhão, com pessoas dispostas a investir no mercado imobiliário da capital mundial da celulose. O motivo do crescimento é quase que óbvio: após o aquecido e avassalador desenvolvimento industrial, que vem marcando a cidade e a tornando conhecida em todo o país nos últimos dez anos, trabalhadores passaram a conquistar empregos com melhores salários, o que refletiu no

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aumento do poder aquisitivo. Houve então a necessidade de se investir também em condomínios fechados. Atualmente, já foram construídas 3,5 mil unidades residenciais, localizadas em condomínios de luxo e populares nos últimos anos. Outras 1,4 mil unidades são construídas pela Prefeitura e fará com que esse número salte para 4,9 mil. Os valores dessas residências ficam entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, podendo alcançar diversificados públicos. Porém, os imóveis mais procurados pela população custam em média R$ 300 mil e 80% desses consumidores optam pelo pagamento por meio de financiamentos. “A classe média é a maior responsável por esse aumento”, disse Luiz Alberto Lima Gusmão, presidente da Associação das Imobiliárias e Corretores de Imóveis de Três Lagoas. Na avaliação de Gusmão, esse novo segmento vem conquistando o mercado porque há pelo menos cinco anos o perfil de cerca de 30% dos consumidores mudou. “Uma gama da população possui um novo aporte financeiro e como não tínhamos residências que atraíssem essas pessoas, que hoje possuem um poder aquisitivo melhor, foi necessário investir em condomínios, pois a procura aumentou expressivamente”, destacou. Conforme Gusmão, aqueles condomínios, que são considerados de luxo, foram lançados quase que inevitavelmente pensando nos inúmeros trabalhadores da indústria, que conquistaram cargos de alto escalão. O perfil da maioria deles é o mesmo: profissionais que vieram de outras regiões do Brasil ou até mesmo de outros países. Morar bem e com conforto fazia parte da condição de muitos para “abandonar” suas cidades e se transferir para Três Lagoas. Andréa Saraiva, empresária, veio de Aracruz, no Espírito Santo, e atualmente mora no Jardim dos Ipês, mas já faz planos em começar a construir no Condomínio Terras de Jupiá, onde comprou um terreno. Na opinião

de Andréa, morar em um condomínio fechado vai oferecer para a sua família, além de conforto e comodidade, mais segurança. “Eu tenho um filho adolescente que adora praticar esporte e no nosso condomínio teremos várias opções de espaços para jogar futebol, andar de skate, e tem também área de lazer com piscina e churrasqueira”, destacou. A estudante de processos químicos, Jéssica Nacfur Medeiros, também optou por morar em um condomínio quando casou. Hoje, ela e o marido vivem no Condomínio Alfha, localizado no bairro Santa Terezinha. Embora ele seja mais modesto, a estudante só vê vantagens em morar no residencial. “Sem dúvida nenhuma a vantagem de morar assim nos dias de hoje é que eu e minha família nos sentimos mais seguros, sem contar a tranquilidade e o ambiente agradável que o condomínio nos oferece”, disse.


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Beto Gusmão, Presidente da Associaçao das Imobiliárias e Corretores de Imóveis de Três Lagoas

Mercado imobiliário continua sendo vantagem para investidores Quando a transformação industrial mudou radicalmente o perfil de Três Lagoas, atraindo milhares de pessoas de outros lugares para a construção das grandes indústrias, faltaram imóveis para abrigar tanta gente. E esse “boom” começou a chamar a atenção de investidores, que passaram a construir imóveis para alugar ou vender. O retorno do investimento acontecia muito rapidamente, em quatro anos, em média. Hoje, porém, a realidade mudou um pouco, já que foram construídas inúmeras residências. Segundo Luiz Gusmão, atualmente o empreendedor tem o retorno financeiro entre oito e nove anos. “Mesmo assim ainda compensa investir em imóveis, mes-

mo que o retorno seja mais lento”, disse destacando que esse tipo de investimento pode ser mais rentável do que uma poupança. Um levantamento feito pela Associação das Imobiliárias e Corretores de Imóveis de Três Lagoas mostra que nos últimos quatro anos seis mil lotes e sete mil residências foram postos a venda no município e o que mais chama a atenção é a valorização que eles vêm sofrendo. Nos últimos 10 anos houve um aumento de 700% no valor dos terrenos e na área construtiva o aumento foi de 300%. “A nossa margem de aumento está acima da nacional, por isso eu defendo que investir em imóveis é um grande negócio”, salientou.

Há 10 anos a realidade era bem diferente. Um terreno em Três Lagoas era tão desvalorizado que era comum ver proprietários o vendendo a “preço de banana”. Ouve-se falar que muitos trocavam um lote por um televisor, uma motocicleta ou o vendida por uma média de R$ 2 mil. “Eu mesmo já comprei terrenos na Vila Haro que custou um valor irrisório e um ar condicionado”, completou Gusmão. Os investimentos expressivos no setor imobiliário vêm refletindo diretamente nas locações residenciais. A população que ainda depende do aluguel conta com mais opções hoje em dia. Conforme Luiz Gusmão, atualmente, uma empresa imobiliária chega a ter 50 opções de residências disponíveis para locação, com valores entre R$ 800 e R$ 5 mil. Hoje, esses imóveis chegam a ficar até quatro meses fechados, aguardando um locatário, isso porque a oferta tornou-se maior do que a procura. “Esse fator proporciona ao cliente mais opções de escolha e também mais chances de conseguir chorar no preço”, explicou. Na época em que o setor imobiliário passou por um dos períodos mais aquecidos de toda a história de Três Lagoas, a atual realidade era bem diferente. Entre 2007 e 2009 era comum faltar casas para alugar. De acordo com Gusmão, se a média de contratos fechados por mês, hoje em dia, é de 15, naquele período era possível alugar entre 40 e 50 imóveis no período de 30 dias. Curiosamente, 20% das casas alugadas naquela época eram de pessoas que optaram por “abandonar” o próprio lar para alugá-lo; era uma forma adotada por eles para aumentar a renda familiar. “Todos os dias as imobiliárias recebiam pessoas interessadas em alugar a própria casa para aproveitar o mercado aquecido. Eles saiam das suas residências e iam morar com parentes, amigos mais chegados ou com os pais”, destacou Gusmão. www.expressaoms.com.br

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Mercado Imobiliário Mercado imobiliário sofre deflação de 40% nos aluguéis A Associação das Imobiliárias e Corretores de Imóveis de Três Lagoas registrou uma queda de 40% nos valores dos aluguéis residenciais nos últimos 12 meses. Segundo Luiz Gusmão, presidente da Associação, a deflação já estava prevista por conta do aumento natural da aquisição da casa própria. “Conquistar um imóvel ficou mais fácil em todo o país, principalmente por conta do programa do Governo Federal Minha Casa Minha vida”, explicou. Porém, mesmo com a baixa, a média de um imóvel pequeno com dois quartos, sala, cozinha, um banheiro e garagem custa entre R$ 800 e R$ 1,5 mil, valor bem acima do salário mínimo, que hoje é de R$ 714. Uma casa que oferece mais conforto, com três

quartos, por exemplo, e uma área de lazer, pode custar até R$ 5 mil por mês. Gilmar Garcia é técnico em segurança do trabalho e ganha pouco mais de três salários mínimos para sustentar a esposa e o filho de quatro anos. Ele faz parte do grupo daquelas pessoas que ainda dependem do aluguel e paga R$ 650 em um imóvel, localizado no bairro Santa Luzia, em uma rua que não tem asfalto. “A casa é bem pequena, tem apenas um quarto, sala cozinha, um banheiro e uma garagem sem cobertura”, disse. Ele pretende financiar uma casa, mas ainda não conseguiu guardar dinheiro para dar a entrada. “Pagando aluguel todo mês fica difícil conseguir poupar. Porque não é só o aluguel que

Estudante Thaiara Linhares e seu Marido 62

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é caro em Três Lagoas, o combustível e a comida também são caríssimos. Por conta da migração de pessoas para o município tudo foi inflacionado”, disse, destacando que morou em Campo Grande e o orçamento mensal era mais equilibrado. “Eu encontrei casas com três quartos, sala, cozinha, dois banheiros, cerca elétrica, portão eletrônico por R$ 500 e eu não gastava muito com combustível, nem no supermercado, que tem preços bem melhores”, pontuou. A enfermeira Natália Marini é casada com um médico veterinário, proprietário de uma loja de pet shop, tem um filho de sete anos e espera mais um menino; ela está grávida de cinco meses. A família, que está crescendo, mora em uma casa com dois quartos no bairro Vila Nova (R$ 850 por mês) e a opção mais confortável encontrada com a chegada do bebê é coloca-lo para dividir o quarto com o irmão. “Uma casa com três dormitórios custa mais de mil reais por mês. É um valor que eu não tenho coragem de pagar, pois ele jamais voltará. Prefiro viver em uma casa menor até que eu consiga adquirir a minha”, destacou. Já a estudante de engenharia de produção, Thaiara Linhares levou um susto tão grande quando chegou a Três Lagoas, há dois anos, que logo organizou tudo para financiar uma casa. Ela veio com o marido, técnico em automação, de Salvador, na Bahia, e, inicialmente, pagava R$ 1,2 mil em um imóvel pequeno, localizado em uma rua sem pavimentação. “Os valores dos alugueis são exorbitantes então preferimos dar entrada em um financiamento”, disse. “Hoje pagamos R$ 1,7 mil por mês, mas pela nossa casa. Isso faz toda diferença”, completou. O mesmo aconteceu com a auxiliar de departamento pessoal, Gracy Kelly Leal Rodrigues. Ela pretende se casar em breve, mas antes desse passo tão importante, preferiu financiar um apartamento, junto com o noivo. “Os alugueis são um absurdo, por conta do desenvolvimento da cidade. Então optamos por pagar mensalmente por algo que é nosso a investir um valor que não volta em aluguel”, destacou.


Infográfico: Lucas Othon

O MERCADO IMOBILIÁRIO DE TRÊS LAGOAS 3.500 unidades residenciais já foram construídas 1.400 novas unidades estão sendo construídas pela prefeitura

CONSTRUÍDAS

EM CONSTRUÇÃO

Valores variam de R$ 100 mil a R$ 1 milhão Imóveis mais procurados custam em torno de R$ 300 mil

80%

Financiamento

80% dos pagamentos são por meio de financiamentos LOCAÇÃO

De 2007 a 2009 média de locação era de 50 imóveis por mês

Atualmente a média mensal é de 15 locações

Valores variam de R$ 800 a R$ 5 mil

www.expressaoms.com.br 63 1º Feirão de Imóveis, realizado no final de maio, movimentou R$ 98 milhões com a venda de mais de 2 mil imóveis


Mercado Imobiliário Feirão da Caixa movimentou R$ 98,6 milhões em Três Lagoas

E

m apenas três dias, o 1º Feirão da Caixa, realizado em Três Lagoas, foi responsável pela movimentação de R$ 98,6 milhões no mercado imobiliário. O feirão que aconteceu no ginásio da Lagoa Maior entre os dias 29 e 31 de maio, atraiu milhares de pessoas e pelo menos 641 delas fecharam negócio. No primeiro dia, foram comercializados R$ 8 milhões em imóveis, no segundo R$ 30 milhões e no último dia, R$ 60,6 milhões. No Feirão, foram montados cerca de 20 estandes de imobiliárias, incorporadoras e prestadoras de serviços. Segundo Luiz Alberto Gusmão, presidente da Associação das Imobiliárias e Corretores de Imóveis de Três Lagoas, os valores dos imóveis, lotes e serviços continuaram os mesmos encontrados no mercado antes mesmo da realização do evento, porém, mesmo assim, a população contou com um serviço diferenciado. “A maior vantagem é que os consumidores puderam avaliar os tipos de imóveis e valores em um único espaço. Ficou bem mais fácil”, desta-

cou. Inicialmente, a previsão era que o Feirão movimentasse cerca de R$ 10 milhões. Porém, os números finais surpreenderam os organizadores. Conforme Gusmão, a quantidade de pessoas que passaram pela feira foi muito maior do que o esperado e muitas pessoas já chegavam com todos os documentos em mãos, dispostos a já fechar algum contrato. “O movimento foi tão grande que o estoque de imóveis disponíveis do Programa Minha Casa Minha vida, foi arrematado”, disse. Os imóveis mais vendidos custaram, em média, R$ 160 mil, porém, alguns clientes puderam investir até R$ 800 mil em uma unidade residencial. A partir do mês de junho, os consumidores, que iniciaram suas negociações no Feirão, vão se certificar da aprovação do crédito, oferecer a entrada exigida e aguardar para pegar as chaves do imóvel. Quem fizer todo esse procedimento até julho poderá começar a pagar a primeira parcela só em janeiro do ano que vem. Essa vantagem só vale para quem iniciou a negociação no feirão.

Prefeita fala sobre expansão imobiliária e seus reflexos Um dos pontos citados foi o alto preço dos aluguéis, que vem prejudicando a vida econômica de alguns três-lagoenses 64

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Prefeita Marcia Moura

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expansão imobiliária mudou radicalmente o perfil de Três Lagoas. Há pelo menos dez anos era comum ver muitos terrenos abandonados, e no centro da cidade o número de lojas era bem menor; hoje o centro cresce aceleradamente, chegando cada vez mais perto de alguns bairros da cidade. Com a mudança foi necessário criar alternativas para que o município pudesse crescer de forma organizada e sustentável. Para isso, o Plano Diretor vem sofrendo alterações, que possam minimizar os impactos ambientais e até mesmo aos vizinhos de cada residência ou prédios comerciais. Segundo Márcia Moura (PMDB), prefeita do município, o Plano Diretor contempla inúmeras regras

que devem ser seguidas. Entre elas, um espaço destinado a área verde, que colabora com a absorção da água da chuva, janelas devem ser colocadas em pontos indicados pelo plano, para garantir a privacidade do morador e do vizinho, a criação de corredores especiais, dividir o perímetro urbano em 5 áreas de priorização do adensamento urbano, entre outros. “Estamos modernizando a cidade, mas toda essa mudança não acontece do dia para a noite. O importante é que estamos fazendo isso de forma sustentável e organizada”, destacou. A expansão trouxe consigo, ainda, o aumento na arrecadação do IPTU (Imposto Sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana). No primeiro quadrimestre deste ano, o pagamento destes impostos rendeu R$ 10,324 mi-

lhões. O valor foi investido em infraestrutura e também no setor da saúde. Segundo Márcia, era para ser repassado 15% do valor, porém, foi necessário investir 22% do valor em saúde. “De qualquer forma o investimento, feito através do IPTU, tem levado qualidade de vida para a população. Isso que é importante”, disse. Quanto aos valores exorbitantes de venda ou locação de imóveis e terrenos, a prefeita disse que esses valores realmente “são irreais”, e vem prejudicando alguns moradores. Porém, a Prefeitura não pode interferir. “É a lei da oferta e da procura. Infelizmente nestes casos não há o que fazer. O que pudemos fazer foi entregar mais de 1,2 mil apartamentos a população que precisa e entregaremos outros 1,4 mil”, explicou. www.expressaoms.com.br

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Agroneg贸cio

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Tecnologias

são a força de uma pecuária mais forte em Três Lagoas Sarah Minini www.expressaoms.com.br

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Agronegócio

Saneamento Mesmo assim o presidente aponta que a pecuária tem ganhado novo ânimo na região, com maior busca por parte dos pecuaristas em tecnologia e capacitação além do melhoramento da genética. “Alguns tem 68

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E

ntre 10 e 12 anos atrás a micro região de Três Lagoas possuía 1,1 milhão de cabeças, atualmente este número reduziu pela metade, isso porque com a grande oferta de arrendamentos oriunda das fábricas de celulose, tornou-se atrativo para o produtor disponibilizar suas fazendas para o manejo do eucalipto. Entretanto, conforme é apontado pelo presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Pascoal Luiz Secco, o investimento em insumos, recuperação de pastagens e tecnologia unidas ao melhoramento genético é a resposta para a recuperação da pecuária na região que possui condições de em longo prazo recobrar a quantidade de gado e porque não aumenta-la? Pascoal explica que a diminuição da quantidade de gado, não necessariamente é culpa do aumento da quantidade de florestas, mas sim consequência da falta de investimento por parte do produtor para o desenvolvimento da cultura. “Tudo requer investimento, e muitos não investiram e a pecuária já enfrentava crises, com a queda do valor da arroba, então os produtores viram o eucalipto como uma oportunidade mais rentável, porque quem não investiu em tecnologias fatalmente tinha uma produção mais baixa e consequentemente menos lucro”, explica o presidente. Outro ponto levantado por Pascoal é que o monopólio do frigorífico sobre o preço do boi também prejudica o produtor. “Não somos nós que definimos quanto queremos pelo nosso produto, no caso o gado, mas sim os frigoríficos, eles estipulam o preço e temos que vender. Claro que sempre dentro de uma oferta e procura, mas o pecuarista não tem força de argumento para melhorar valores e acabamos dentro de uma situação manipulada”, aponta.

Pascoal Luiz Secco, Presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas buscado sim novas tecnologias, mesmo com as dificuldades do alto custo e o trabalho de manejo da terra. A partir de uma a parceria com o Sistema Famasul, Senar, Funar, Aprosoja e Sindicatos Rurais envolvidos, foi implantado em Três Lagoas o programa “Mais Inovação”. Quinze fazendas participaram do programa na sua primeira etapa no município. “Eu mesmo, faz dois anos que participo e estou tendo ótimos

resultados. Temos que aproveitar essa tecnologia, independente do tamanho da fazenda. Fazemos pouco, mas bem feito”, diz. Pascoal aponta que onde colocava apenas duas cabeças de gado, atualmente ele coloca 10. “O manejo também foi fundamental. Pretendo dar sequência e participar da segunda etapa. O Sindicato agora busca mais fazendas para participarem do Mais


não consegue crescer no ramo e é possível, com trabalho e investimento”, comenta. Atualmente Três Lagoas possui 700 propriedades onde há criações de gado. A maior produção é de Nelore mais cruzamentos para engorda e cria. Dentre os produtores da região, aproximadamente 10 produzem gado de elite P.O registrado e L.A. Pascoal afirma acreditar na tendência de aumento da produção da pecuária local. "Com dedicação e investimento, tudo é possível, mesmo com a grande quantidade de florestas, temos condições com tecnologias, voltar a ter a mesma quantidade, mas primeiro deve sim haver uma mudança de postura do produtor, que precisa se capacitar e entender a necessidade de investir no setor”, pontua.

Mais Inovação Com os resultados alcançados na primeira fase do programa, e depois das etapas de implantação e inovação,

será iniciado o Mais Inovação II. “Devemos trabalhar com o produtor rural por mais 24 meses. Iremos levar as novas tecnologias nas propriedades e também boas práticas de agropecuária, o BPA. Outro fator que iremos abordar é a boa prática de gestão. O produtor rural que não sabe fazer com que a sua empresa tenha uma ótima rentabilidade, não consegue fazer gestão”, finaliza. Por meio de assessoria do Sindicato Rural de Três Lagoas, o engenheiro Agrônomo, Delaor Vilela que realiza a parte técnica do programa, explicou sobre as etapas do Mais Inovação II e disse que “será feito um diagnóstico da unidade de produção, de início. Logo na sequência, a elaboração do projeto técnico, ratificação e/ou retificação do projeto junto a Embrapa Gado de Corte ou Fundação MS; validação do projeto junto aos produtores rurais, entrega do projeto aos produtores, aplicação da lista de verificações com elaboração do relatório do perfil Foto: Yuri Spazzapan

Inovação”, explica. Ele exemplifica com uma de suas fazendas. Em 5 alqueires cria atualmente 14 animais por alqueire, o que representa 5.8 animais por hectare. “Se não fosse as tecnologias e a recuperação das pastagens não seria possível colocar nem 4 animais por hectare. Assim temos o sistema rotacionado, que degrada menos o solo e podemos ter uma plantação sustentável”, diz. Outro apontamento é referente a genética dos animais e sua precocidade. “Com um sistema bem feito de pastagens, tecnologias e insumos, precisamos também de bons animais“. Três Lagoas é bem avançada no que se diz respeito à genética. Em Araçatuba (município do interior de São Paulo localizado a 150 km de Três Lagoas - MS) temos um local onde os embriões são fecundados e já produzimos bons animais como melhoramento da espécie. Com tudo funcionando direito é uma cadeia. Se temos uma área favorável, com boas espécies, podemos abatê-los mais cedo, o que proporciona maior giro de animais e consequentemente maior qualidade e rentabilidade no resultado final. O programa é coordenado por Mariana Urt que explica que o objetivo do “Mais Inovação”, além de inserir tecnologia nas propriedades rurais de Mato Grosso do Sul, alerta o produtor rural sobre as técnicas de um melhor aprimoramento nas pastagens degradadas e a melhoria do processo produtivo, com reflexos econômicos, sociais e ambientais. O programa é realizado em fases, a primeira parte foi a avaliação dessas propriedades, verificando estados de degradação, e recentemente foi iniciada a segunda com a aplicação das tecnologias para melhoramento das áreas. “Com isso teremos a possibilidade de quadruplicar a média de produção de cada uma dessas propriedades, que em números gerais pode aumentar a quantidade de cabeças da região em até 30% ao ano se continuarmos com o trabalho adequadamente”, argumenta. Desta forma, o presidente do Sindicato afirma que não se pode mais simplesmente colocar o gado em uma grande área de pasto e deixá-lo, é necessário tratar a fazenda como uma empresa e toda empresa deve ser produtiva, por meio da utilização de várias estratégias. “Quem não for produtivo,

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Agroneg贸cio

Marco Garcia, Pecuarista e Administrador 70

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de entrada da propriedade, recomendações para o atendimento dos itens não conformes na lista de verificação do programa de boas práticas agropecuárias; consultorias/ execução das ações descritas no projeto, consolidação e apresentação dos resultados às entidades participantes e aos produtores rurais, análise e verificação da propriedade rural de acordo com a lista de verificação do BPA com elaboração do relatório do perfil de saúde da propriedade”.

Rentabilidade da pecuária só depende de investimentos e tecnologia O responsável técnico pelo programa afirma que quando se fala em pastagens, é necessário saber que é preciso buscar essa rentabilidade. “A pecuária ainda é rentável sim, só que temos que investir. Não podemos renovar as pastagens de 20 em 20 anos. Temos que fazer isso anualmente ou de 2 em 2 anos”, reforça. Todo o trabalho realizado pela equipe do programa “Mais Inovação”, obedece o novo código florestal e também incentiva a diversificação da produção. Segundo os responsáveis técnicos, o objetivo

do programa, até o ano de 2015, é alcançar 225 propriedades. Para participar do “Mais Inovação”, o produtor rural deve ter capacidade de investimentos, recursos próprios ou financiamento; tamanho da área: 50 ha ou 10% da área; disponibilizar área para visitas técnicas; aceitar orientações técnicas e gerenciais de inovação; após validação do projeto, realizar exclusivamente as ações previstas, não sendo admitida qualquer alteração e o investimento de contrapartida financeira de R$ 1.500,00 não será devolvido em nenhuma hipótese após assinatura do termo de adesão.

O Programa O programa é estruturado em forma de consultoria técnica e em treinamento nas diversas áreas dos conhecimentos voltados à produção do campo, como: orientações na aptidão do uso do solo, oportunidades de negócios regionais de gestão, produção, beneficiamento, comercialização, logística, construção de planos de negócios das atividades e serviços agrosilvopastoris.

Gado e Eucalipto: possibilidade de diversificação no agronegócio A diminuição de produtores na ocasião da ascensão do eucalipto foi uma seleção natural daqueles que não investiram em tecnologia e tinham baixa rentabilidade.

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mbora exista algumas correntes que afirmem que a grande quantidade de florestas na micro região de Três Lagoas (MS) ocasionou a diminuição da criação de gado, propondo essa mudança da cultura econômica negativa, há quem diga que as plantações de eucalipto foram um fenômeno benéfico para pecuaristas e proprietários rurais da região. “Há mudança da cultura econômica sim, pois anteriormente o propulsor da região era a produção de gado extensivo. Não havia outra possibilidade de manejo, senão esta, então quem possuía áreas rurais, as utilizava para o gado de corte”, diz o pecuarista e administrador Marco Garcia. Atualmente a migração de cultura é vista como uma seleção natural. Quem não havia optado por investir em tecnologias de manejo, como criação de gado em sistema rotacionado, cuidados com as pastagens , ração, entre outros mecanismos, viu na plantação de eucalipto por meio de arrendamento ou parceria, uma forma de captação de renda rápida, segura e sem trabalho. “Foi uma seleção natural, uma questão de aptidão para a pecuária.

Para alguns, o gado não apresentava tanta rentabilidade, quanto o que foi apresentado pelas empresas de celulose que buscavam propriedades próximas a fábrica para maior desempenho logístico e lucratividade. Além da segurança dos contratos de 15 anos (duas colheitas) recebendo valores maiores do que receberiam na criação de gado, reajustados ano a ano conforme a alíquota atual e prazos estabelecidos em contrato”, explicou o pecuarista.

Arrendamento ou Parceria A plantação de eucalipto foi vislumbrada no agronegócio como mais uma possibilidade de business, sua terra seria produtiva, com maior rentabilidade sem precisar se desvencilhar do bem, ou seja, sem diminuir seu patrimônio. As formas de atuação na micro região de Três Lagoas são parcerias ou arrendamentos com empresas como Eldorado Brasil do grupo JBS e Fibria, do grupo Votorantim. Na parceria o proprietário pode obter mais lucratividade, en-

tretanto, maior risco. Neste sistema o pagamento é feito de acordo com o crescimento esperado da floresta. “As empresas já possuem os cálculos de quanto cada floresta produz por ano, a margem de erro é muito pequena, então, normalmente os repasses são feitos coerentes com o previsto, mas há sim riscos, como situações climáticas ou até queimadas. Maior risco, corresponde a menor possibilidade de lucratividade”, diz Garcia. Outra é o arrendamento, em que os pagamentos também podem ser acordados, mensalmente, de seis em seis meses ou anuais. O contrato é o que define. Neste caso o proprietário não tem risco, nem trabalho, consegue rentabilidade pré-estabelecida e acordada proporcionalmente ao tamanho da área e localização, mas o imposto é maior. Todos os contratos são de 15 anos, posterior a isso não há garantias de renovação, porém, é uma forte tendência já que ambos os empreendimentos da celulose (Fibria e Eldorado) em Três Lagoas, anunciam a construção de novas linhas de produção e desta forma necessitarão de maior quantidade de madeira”, explica. www.expressaoms.com.br

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Agronegócio Tendência para o crescimento da pecuária

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rentabilidade da pecuária ainda proporciona uma média de lucro menor do que o arrendamento para o eucalipto, e é isso que realmente faz com que o eucalipto consiga se prover e alcançar uma quantidade de florestas satisfatórias para a exploração da indústria de celulose, mas o que deve ficar claro é que mesmo o rebanho tendo diminuído, no mesmo ritmo que aumentaram as florestas de eucalipto, por este aspecto, não pode-se entender que as gigantes da celulose sejam as vilãs dos pastos, ao contrário. “ A partir disso foi possível diversificar as culturas e escolher os sistemas de produção. Hoje o pecuarista pode por os "ovos em diferentes cestas". "Agora ele pode ceder uma área para parceria ou arrendamento e criar gado da mesma forma" explica. Atualmente mesmo com a diminuição de áreas de pastagens na região, seria sim possível voltar a ter a mesma quantidade de gado que 15 anos atrás, e até mesmo aumentar o rebanho, desde que isso seja interessante para os pecuaristas. Garcia explica ainda que no caso de sua família, sempre houve investimentos em novas tecnologias, o que fez com que eles permanecessem no negócio de criação de gado. Mesmo assim ele afirma que 5% de seu patrimônio em terras é direcionado para atuar em parceria com a Eldorado Brasil. Esse percentual representa 50% de uma propriedade, onde também há criação de gado e a lotação não foi afetada quando o pecuarista decidiu por fazer esta parceria. A explicação de Garcia vai além, ele afirma que se ele quisesse destinar mais da metade do seu patrimônio em terras para arrendamento ou parceria com florestas de eucalipto, ainda poderia criar a mesma quantidade de gado que possui no mesmo espaço. “O índice de lotação é baixo no país e em nossa região. A média atual de ocupação é de 0,8 UA por hectare (UA – Unidade Animal) é de 450 quilos, mas o nú72

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mero pode saltar para 2, com o manejo adequado”, explica. “Essa foi uma forma de diversificar os meus investimentos, além da parceria ainda planto eucalipto em outra área, para extração de madeira. Todas essas possibilidades deixam não só a mim, mas como as outras pessoas envolvidas no agronegócio, outras fontes de renda. Diversifica nossa produção e diminui os riscos de ter uma só atividade. Essa é a forma que eu entendo”, diz. O pecuarista explica que entre 5 e 6 anos atrás, a pecuária proporcionava baixa rentabilidade, mas nos últimos meses os preços melhoraram e houve uma recuperação de 20%, diante a defasagem de 30% no preço da arroba, nos últimos anos . “É sem dúvida um fôlego, porque além da rentabilidade ainda estar abaixo do esperado, sofremos também os efeitos do clima. Em 2010, por exemplo, uma seca histórica na época de seca, já em 2011 também houve uma seca intensa. Em 2012 um alívio, choveu normal, mas no ano passado até choveu bem, mas tivemos

uma geada e queimou todo o pasto, onde até algumas plantações novas de eucalipto chegaram a morrer e este ano não choveu no período das águas, algo jamais registrado anteriormente, mas o produtor rural deve estar preparado para essas intemperes, por isso a importância de se investir nas tecnologias”, diz. No caso, a família de Garcia cria três tipos de rebanho, o de elite (Nelore e Guzerá), gado de cria e engorda e mesmo o pecuarista tendo apontado algumas condições desfavoráveis para pecuária na região, ele acredita que o setor vem recuperando as forças e que a tendência é melhorar. “Apesar dessa seleção natural, atualmente os pecuaristas que estão bem no mercado é porque fazem uma boa gestão financeira. Agora o que devemos começar é aumentar a produtividade de gado na região. O potencial é gigante, mas com muito trabalho e investimento e tecnologia. O rebanho tem tudo sim para voltar a crescer, igualar aos números de 15 anos atrás ou até aumentar”, finaliza.

Sistema de integração pecuária e floresta, pode ser uma possibilidade rentável Mostrar a recuperação de áreas degradadas, diversificação de renda, aumento da produtividade e profissionalização da gestão do setor agropecuário é um dos trabalhos que desenvolve Mateus Arantes na fazenda São Mateus. Para isso ele construiu uma parceria com a Embrapa Agropecuária Oeste e Embrapa Gado de Corte, para desenvolver em sua fazenda e apresentar para produtores da região o sistema de ILP (Integração Lavoura e Pecuária) com o processo de rotação de cultura de pastagem e soja (no caso a produção da São Mateus é de soja e milho). O destaque é que este

sistema na São Mateus tem sido considerado um sucesso, mesmo em áreas de solos arenosos e podendo-se dizer que Três Lagoas pode ter um sistema de agricultura juntamente com a pecuária. Para os pesquisadores da Embrapa, Júlio César Salton e Ademir Zimmer, a busca pela sustentabilidade é peça de destaque. “Os resultados obtidos com o uso do Sistema São Mateus são positivos e quanto mais produtores implantarem o sistema, melhor será a qualidade do solo da região. É bom perceber que o número de produtores que utilizam essa tecnologia na região está aumentando”, diz Salton.


Pecuarista Mateus Arantes Foto: Divulgação

Pesquisa e tecnologias Há seis anos Mateus apoia as pesquisas e utiliza o sistema em sua propriedade e se diz muito satisfeito com os resultados obtidos até o momento. “Precisamos mudar a forma de fazer agricultura em regiões de terras baixas, de pouca fertilidade e pouca chuva. A utilização de sistemas integrados, como a ILP (Integrado Lavoura Pecuária), nesta região tem se mostrado uma excelente alternativa para o produtor. Mas, é preciso mudar a forma de pensar do pecuarista, que também passará a ser um agricultor, implicando em capacitação, investimentos e mudanças na rotina de uma fazenda tradicional", diz. Mateus também coloca o uso da tecnologia como estratégia para o desenvolvimento do agronegócio. Segundo ele, esse processo iniciou-se em

2003 e desde lá teve momentos ruins, médios e bons. “Em 2005 pensei em desistir, mas mesmo assim tentamos. Já em 2011 iniciamos com o milho safrinha. Nesses anos também plantamos soja. Já em 2012 começamos a estabelecer processos dentro da fazenda e virou uma administração compartilhada. Hoje, precisamos pensar muito na tecnologia, pois conseguimos aplicá-la no plantio direto em pastagem, no nelore P.O, na utilização do sistema DeltaGen, no desenvolvimento de uma agricultura de precisão, na ultrassom de carcaça e carne, e também na administração profissional”. O produtor aponta que a pecuária necessita de muito investimento e seu alto custo fez com que muitos pecuaristas arrendassem suas fazendas, entretanto, ele entende o negócio como aptidão e quem trabalha com a terra precisa aprender sobre ela, e será muito feliz em seu manejo. “Você primeiramente precisa saber se quer ser produtor rural ou dono de terra. Se não

souber isso, fica difícil saber aonde quer chegar. Eu precisei aprender isso, juntamente com minha família, para que o processo desse certo”.

Ações Práticas Para conseguir sucesso na fazenda, processos como a recuperação de áreas degradadas, voltados para a química e física, foram feitos, assim como um sistema de rotação de cultura ideal, bovinos a pasto sem ração, dimensionamento de máquinas, assistência técnica, pesquisa, associativismo e também treinamento de pessoal. “Com tudo isso funcionando corretamente, conseguimos em 2011/2012, colher 94 sacos de milho safrinha e 43 de soja. Hoje temos 1.000 he de área útil na fazenda com um solo de 9% a 70% de argila. O plantio direto de soja representa 650 he. Temos 1.700 cabeças de animais de cria, recria e engorda”, conclui Mateus. www.expressaoms.com.br

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Foto: Yuri Spazzapan

Agronegócio

Eldorado deve mais que dobrar sua área de plantação de eucalipto

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om todas as áreas de plantio no Mato Grosso do Sul, a área produtiva (área plantada somada a recém colhida) da Eldorado é de mais de 174 mil hectares. Somente no primeiro trimestre deste ano, foram plantados cerca de 10 mil hectares de florestas de eucalipto. Essa informação é de Carlos Justo, Gerente de Planejamento da Eldorado. Na Eldorado é utilizado um sistema estratégico em que apenas 15% de terras são próprias e 85% arrendadas ou parcerias. Desta maneira, o proprietário na região mantém suas terras permitindo que ampliem sua renda sem excluí-los do negócio. “É importante destacar que nos três casos (terras próprias, arrendadas ou parcerias) toda a mão de obra é composta por funcionários colaboradores próprios da Eldorado, que utilizam máquinas modernas e altamente tecnologicas para plantações, cultivos e colheitas. Com estas ações, trabalhamos para garantir uma floresta de qualidade a custos cada vez mais competitivos”, acrescenta o gerente. Com a ampliação da fábrica já é meta da Eldorado Brasil até 2019 ter plantado 370 mil hectares de florestas de eucalipto. “Nossa base florestal vem sendo planejada e preparada para atender com qualidade e sustentabilidade a toda a demanda da indústria, inclusive para o projeto da segunda linha. Temos metas desafiadoras para este ano. Iremos colher mais de 5 milhões de metros cúbicos de madeira para atender a produção atual de celulose e plantar 50 mil 74

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hectares para a continuidade do nosso projeto florestal”.

Fibria quer reduzir quantidade de florestas

Com uma área total de 343.318,41 hectares de área, desse total 178.507,59 hectares de floresta plantada, mesmo com a ampliação da fabrica seu complexo fabril prevista para este ano, a empresa afirma que uma de suas metas em longo prazo é reduzir sua quantidade de florestas. Tudo isso a partir de tecnologias de melhoramento das plantas e dessa forma cada vez mais utilizar menos madeira para maior quantidade de celulose. Desta forma a pretensão da Fibria é que cada vez mais as árvores sejam colidas em idade correta e consequentemente plantas maiores. Segundo seu estudo de metas aumentando a produtividade de 10 toneladas de celulose/hectare/ano, em 2011, para 15 toneladas/hectare/ano, em 2025, por meio de: técnicas convencionais de melhoramento genética, melhoria da gestão florestal, é possível inclusive o aumento da produtividade industrial. Os benefícios são menor concentração fundiária maior disponibilidade de terras para outros usos aumento de competitividade e maior retorno aos acionistas. Atualmente a Fibria produz por ano 12 milhões de mudas.


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Foto: Yuri Spazzapan

Tendência

Empresária Ana Paro e sua mãe Sônia Paro 76

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Pet Shops: esse mercado é “o bicho” Donos de cachorros podem chegar a gastar cerca de R$ 500 por mês em Três Lagoas Guilherme Henri

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ados da Jucems (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul) apontam que Três Lagoas possuí atualmente 38 Pet Shops ativos. Segundo levantamento do órgão, somente nos dois últimos anos foram abertos 15 estabelecimentos do ramo no município, sendo oito em 2012 e sete no ano passado. E nos cinco primeiros meses deste ano já foram abertos mais três. O motivo não poderia ser outro: a busca pelo lucro, considerando que em média um dono de dois cachorros de pequeno porte pode chegar a gastar nestas lojas cerca de R$ 500 por mês entre banho, tosa, ração, remédios e brinquedos que proporcionam bem estar aos bichinhos. Esse é o caso da empresária Ana Paro, dona do Shih-Tzu Toby, de 9 anos e do Lhasa Apso Fubá, de 1 ano. “Eles tomam banho em Pet Shops toda semana e só com esse serviço gasto cerca de R$ 250”, disse a empresária que aproveitou a oportunidade para lembrar que não economiza para proporcionar bem estar aos seus cães. “A ração deles é de qualidade, compro brinquedos e quando

ficam doentes gasto o que for necessário para que se recuperem”, afirma. E os gastos não ficam apenas em produtos e serviços. Ana conta que Toby foi seu primeiro cachorro e que ele morou com ela em um apartamento em Campinas (SP) por quatro anos. Embora ela destinava o máximo de atenção e tempo que podia ao seu cãozinho ele acabava ficando um pouco sozinho o que o tornou “um fujão” quando ela regressou para Três Lagoas. “O Toby não pode ver um portão aberto que já corre para rua. Ele já deve ter fugido umas cinco vezes de casa. Uma vez ele ficou cinco dias desaparecido e para encontrá-lo imprimi cinco mil panfletos, um outdoor, anunciei em rádios e contratei uma moto com som para dizer que ele estava desaparecido e que oferecia uma recompensa de R$ 300 para quem encontrá-lo”, comentou. Dias depois Toby foi encontrado em um sítio e devolvido à dona que pagou a recompensa. “Para tentar fazer ele parar de fugir adotamos o Fubá. Eles são como filhos, em casa possuem hora do almoço e do pão”, ressalta. www.expressaoms.com.br

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Foto: Yuri Spazzapan

Foto: Yuri Spazzapan

Veterinário Teodoro Paiva

Veterinário Rafael Bonato

“Existe competitividade, mas não mão de obra qualificada” Proprietários de Pet Shops e Casa de Rações relatam os desafios do mercado neste segmento em Três Lagoas

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om donas como Ana, empresários e veterinários tem apostado nesse mercado visando lucro. Contudo, com a abertura de muitos estabelecimentos do ramo em Três Lagoas o mercado ficou mais competitivo e para uns menos lucrativo. O veterinário Teodoro Paiva, proprietário de uma casa de ração que está no mercado há três anos revela que no começo ele obtinha mais lucro, mas agora a disputa entre os proprietários está acirrada. “Minha loja também oferecia o serviço de banho e tosa, porém, devido a falta de mão de obra qualificada precisei deixar de atuar nessa área e centrei apenas em vender ração, assessórios e alguns animais de pequeno porte”, disse o veterinário, que ainda ressaltou que diversas vezes foi “deixado na mão” por funcionários. “Aos que pretendem investir nesta área em Três Lagoas minha dica é para que o empresário tenha paciência, pois o dono do animal está cada vez mais exigente”. Opinião que foi compartilhada pelo veterinário Rafael Bonato, proprietário de um Pet Shop que além de oferecer banho, tosa, ração, remédios e assessórios também realiza atendimento clínico. “O que vemos com freqüência em Três Lagoas são Pet Shops com um atendimento ruim. E jus-

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tamente nessa área que procuro meu diferencial oferecendo atendimento de até 24 horas para os donos”, disse o veterinário que é de Andradina (SP), cidade em que se formou e que está no ramo há seis meses. “A princípio vim a Três Lagoas para trabalhar em uma clínica e após um tempo foi me oferecida a oportunidade de assumir os negócios”, relata Bonato que enfatizou que o mercado para o ramo esta em expansão no município. “Embora exista um grande número de Pet Shops na cidade existem grandes deficiências neste mercado em Três Lagoas, como por exemplo, a cidade possui apenas uma clínica que oferece exame de raio-x para os animais de pequeno porte, mas que muitas vezes está quebrado. Quando isso ocorre geralmente preciso encaminhar meus clientes para a cidade mais próxima que possui este serviço, como Andradina e consequentemente o mercado em Três Lagoas deixa de ganhar”, conta o veterinário. Para tentar se sobressair no meio dos colegas de profissão Bonato ainda aposta em um serviço diferenciado: o hotel para os pets. “A diária é de apenas R$ 15. Caso o dono precise viajar ou se ausentar de sua residência e não quer deixar seu cachorro sozinho, ele pode deixá-lo aqui, que receberá o melhor atendimento para que não sinta tanta a ausência de seu dono”, explica.


Foto: Yuri Spazzapan

Beto Araújo tentou em vão salvar a vida deste cachorro, com um hospital isso seria possível, segundo ele.

Três Lagoas pode ganhar hospital veterinário No entanto, vale ressaltar que muitos donos desses animais não possuem condições de bancar estes altos custos que este mercado cobra. E para isso o vereador Beto Araújo (PSD) elabora um projeto de um Hospital Veterinário, para proporcionar estes atendimentos oferecidos por Pet Shops e Clínicas Veterinárias, gratuitamente a famílias com menor poder aquisitivo e que também possuem cães e gatos. “Estou realizando uma série de visitas nos melhores hospitais veterinários do país, como por exemplo, o de São Paulo, que é modelo nacional que servirão de referência para o nosso”, disse o parlamentar que aproveitou para ressaltar

RAÇÕES A GRANEL À PARTIR DE R$ 1,80

que embora a idéia seja considerada uma boa alternativa, ainda não houve uma reposta positiva do Poder Público no que se refere a investimentos para a construção da unidade no município. “Para que a ideia não fique apenas no papel estou buscando parcerias. A Petrobras sinalizou o interesse em ver o projeto quando ele for concluído”, revela, aproveitando para destacar que o hospital irá oferecer todo o tipo de atendimento clínico e exames para os pets. Além das visitas em hospitais, Beto Araújo ainda conta com o apoio do vereador mais bem votado de São Paulo e do Brasil, Roberto Tripoli (PV), que também é ativista na causa dos animais.

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Apicultura

União União com com sabor sabor de de mel mel Parceria Parceria entre entre aa Fibria Fibria ee aa Cooperativa Cooperativa de de Apicultores Apicultores de de Brasilândia Brasilândia resultou resultou em em uma uma das das maiores maiores produções produções de de mel mel do do Estado Estado

Patricia Acunha

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Apicultura

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ciência já comprovou os principais benefícios do mel: ajuda a eliminar toxinas favorecendo a digestão; revigorante para as pessoas cansadas e nervosas; prevenção de combate de gripes e constipações, expectorante no combate a tosse, inclusive de indivíduos fumantes; bactericida, anticéptico, antirreumático, vasodilatador, diurético e digestivo, dá vida aos cabelos e ajuda no tratamento da gastrite. Quem passa pelo município de Brasilândia, localizado na região Costa Leste de Mato Grosso do Sul, a 450 quilômetros de Campo Grande, nem imagina que o local está se tornando um dos maiores produtores de mel do Estado. Tudo isso, se deve a união entre apicultores e a Fibria para que o negócio sustentável esteja se solidificando na região.

Aposta no mel José Henrique dos Santos Almeida, 29 anos, atua como apicultor há quatro e no momento é o presidente da Associação Brasilandense dos Apicultores (ABA). O interesse pelo ramo de apicultura, segundo ele, foi devido a atividade ser ligada ao meio ambiente, que garante renda e sustentabilidade de uma forma autônoma e em sintonia com a natureza. Ao despertar a sua atenção na apicultura, José Henrique iniciou o processo para começar a sua produção, entretanto, ele admite que não foi nada fácil. “Foi difícil, pois não havia tanta informação sobre o manejo, e não tínhamos também nossos equipamentos para extração. Trabalhávamos com equipamentos emprestados, éramos apicultores em número menor e não tínhamos uma perspectiva tão boa como temos hoje, pois não existia um plano de negócio bem elaborado. A ideia ainda era produzir e entregar nas mãos dos atravessadores”, relembra. Embora naquela época a ABA tivesse a produção de mel, para conseguir o aumento da demanda da matéria prima, a associação não era suficiente. Então os apicultores resolveram em 2012 solidificar a união fundando a Cooperativa Brasilandense de Apicultores – Coo82

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peraba. Segundo o presidente da ABA, a ideia da fundação da cooperativa nasceu graças ao Programa Redes (que conta com a parceria da Fibria, BNDES e o Instituto Votorantim), quando eles foram pré-selecionados por um projeto elaborado pela própria entidade. “Houve a necessidade de montar uma cooperativa para poder comercializar os nossos produtos direto para os mercados convencionais e também acessar algumas políticas públicas como PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), pois a associação é sem fins lucrativos e não poderia vender o mel”, disse. José Henrique explicou que o objetivo desta cooperativa é fomentar o negócio apícola na região Costa Leste, alinhando tecnologia e conhecimento para a geração de renda e novas oportunidades. Hoje, a entidade conta com 22 cooperados. A produção de mel vem crescendo a cada ano que passa. Segundo dados da associação em base de informações do Instituto Brasileiro de Geografias e Pesquisa (IBGE) Brasilândia ficou com o 1º lugar no Estado na produção de mel em 2012, com a marca de 82 mil quilos. Entretanto, em 2013 foram extraídos 15 mil quilos de mel e o presidente justificou a queda.

“Isso foi devido a falta de chuvas no ano passado, que foi atípico para a produção de mel. Em 2014 a expectativa é de uma produção maior e estamos otimistas, pois já produzimos 30 mil quilos nos primeiros quatro meses e quanto a marca atingida em 2012, queremos superar agora em 2014”, explica.

Trabalho do dia a dia

As colmeias estão instaladas nas áreas de florestas plantadas de eucalipto da Fibria. “A empresa é parceira e ajuda a desenvolver a apicultura em toda a região por meio de fornecimento da floresta e também de consultorias de alto nível em conhecimento técnico” – conheça mais o trabalho desenvolvido com os apicultores em parceria com a indústria Fibria no box ao lado Lá, é feito o trabalho de apicultura, onde é recolhido o mel extraído pelos próprios apicultores. A parceria na produção é tão grande, que o presidente da associação falou da sintonia entre os cooperados. “Aqueles que já possuem os veículos trocam serviço com os que não possuem”, disse.


Doce futuro Com essas ações, a tendência é que aumente ainda mais a produção de mel no Estado. O presidente da ABA disse das perspectivas positivas da associação diante das ações que estão para serem executadas na região. “São as melhores possíveis, pois levando-se em consideração os avanços que adquirimos nos últimos anos, toda a estrutura que estamos construindo para dar suporte ao crescimento desta atividade, tanto pelo crescimento individual de cada apicultor, quanto pelo aumento de número de cooperados, já que vamos sair das mãos dos atravessadores e vamos nós mesmos colocar nosso produto no mercado com um valor agregado pelo beneficiamento de rastreabilidade e certificação orgânica, tornando a ati-

vidade mais rentável e atraindo outras pessoas ao negócio. Em breve vamos ter casos de sucesso dentro da nossa associação e isso vai contribuir para despertar o interesse de futuros apicultores”, salientou. O presidente também ressaltou que a partir do meio do ano, a ideia será beneficiar a comunidade local, tanto na merenda escolar quanto nos mercados convencionais. Embora tenha um índice positivo de produção, o presidente aponta ainda as dificuldades que a entidade possui. “Atualmente é aprender a gerir um negócio tão promissor, consolidar um mercado aquecido e ávido por um produtor com alto padrão de qualidade, com aumento significativo na oferta do mel através do aumento

da produtividade e inserção de novos membros no grupo, além de que agora muda a realidade. Vamos deixar de ser informal e tocar uma empresa que já nasce forte, pela história da associação e pelos parceiros que acreditam na ideia e os dão apoio para tirar do papel esse sonho de liberdade e valorização dos produtos da nossa terra”, disse. Por se tratar de uma associação, José Henrique disse que a atividade está aberta para quem quiser participar da produção de mel. “Os interessados em aderirem à apicultura devem procurar a Associação e se tornarem sócios, em seguida, agendamos um curso sobre apicultura básica, além de dar todo o suporte e informação necessária para começar de forma empreendedora”, informou. www.expressaoms.com.br

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Apicultura

foto: divulgação

PROJETO COLMEIAS

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parceria entre pequenos produtores entre grandes empresas tem mostrado o sucesso e destaque nos negócios em nosso Estado. Esta é a relação da Cooperaba com a Fibria, empresa líder mundial na produção de celulose de eucalipto, sendo uma de suas fábricas instaladas em Três Lagoas, a 350 quilômetros da capital de Mato Grosso do Sul. “O apoio da Fibria se dá de duas formas: por meio da parceria entre a associação e a empresa, que é o Programa Comeias e a viabilização e maquinário da casa do mel”, disse o presidente. O presidente explica que além da consultoria técnica prestada pela Fibria, o Projeto dá suporte à associação. “Isso nos ajuda entender um pouco mais sobre a gestão do projeto em si, e também a gestão do negócio onde os cooperados vão estar mais capacitados pra gerir essa agroindústria e trazer mais benefícios e oportunidades para 84

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todos. Este projeto se chama Colmeias”, salientou. Segundo José Henrique, o objetivo do programa é contribuir para o aperfeiçoamento da atividade apícola na região, implantando novas tecnologias em conjunto com os apicultores e agricultores dos assentamentos. “Isso sem dúvida é o diferencial de toda a nossa região, até pouco tempo atrás, éramos inexpressíveis no setor apícola dentro do nosso Estado e hoje já recebemos contatos de apicultores e entrepostos interessados no nosso mel de norte a sul do país, sinal de que esta parceria vem dando resultado e é incrível fazer parte de todo este processo de transformação de conceito e perceber que a floresta traz muito mais benefício que imaginávamos. É só saber alinhar os conhecimentos necessários com as pessoas que estão dispostas a trabalhar pra fazer acontecer, só temos a agradecer a Fibria pela oportunidade” encerra.

O programa Colmeias atua também em Três Lagoas, Brasilândia e Água Clara e conta atualmente com 142 apicultores. Com a integração dos três municípios, gera a produção de 140 toneladas de mel em Mato Grosso do Sul. Existente há cinco anos, o programa já se estendeu por outros estados do país onde a empresa atua, sendo em São Paulo, Bahia e Espírito Santo. O número total de produtores de mel chega a 700 com a produção de 800 toneladas. De acordo com a Fibria, o Colmeias tem como proposta contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos apicultores, gerando trabalho e renda por meio de desenvolvimento e aperfeiçoamento da cadeia apícola. Isso acontece com a instalação das colmeias nas áreas da empresa, onde as florestas estão ainda em fase de floração, para que as abelhas utilizem do néctar para a produção do mel. A consultora de sustentabili-


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Apicultura dade, Evânia Lopes, explica que com o apoio de uma consultoria técnica especializada, periodicamente os apicultores recebem qualificações e capacitações para potencializar a produção. “O programa está inserido em uma das metas de sustentabilidade de longo prazo da Fibria, que é ajudar a tornar 70% dos projetos de geração de renda autossustentáveis. É importante ressaltar, que o ganho da empresa com uma ação como esta, é contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades onde ela atua, além de fomentar um ambiente de confiança e cooperação entre comunidades e empresa”, disse. As principais ações desenvolvidas pela consultoria é o estudo minucioso, com o nome de georreferenciamento, na qual determina qual é a melhor localização para que as colmeias sejam posicionadas em meio às florestas plantadas de eucalipto. “Hoje nós contamos com cerca de 50 mil hectares que são utilizados como pasto apícola em Mato Grosso do Sul, e o estudo possibilita uma distribuição uniforme das colmeias, para que todos os apicultores participantes do programa tenham um bom local para colocar as colmeias e uma produção maior de mel”, diz Evânia. Segundo José Henrique Almeida, presidente da ABA, a expectativa é

de crescimento. “O Colmeias dá todo o amparo que precisamos e mantém a sustentabilidade da atividade. Antes do programa, havia poucos apicultores em Brasilândia e eles tinham a atividade como hobby, após a parceria essa realidade começou mudar e a tomar um ar mais profissional. Acredito que em breve começará a aparecer os casos de sucesso, o que sem duvida, vai atrair mais pessoas e gerar mais credibilidade para a cadeia produtiva do mel”.

INVESTIMENTO Segundo a Fibria, além do apoio aos apicultores no Programa Colmeias, outra parceria que ajuda no desenvolvimento econômico desta atividade é o Programa Redes, sendo uma parceria entre a Fibria, o Instituto Votorantim e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), com o investimento mais de R$ 1 milhão na construção e compra de equipamento para as duas Casas do Mel, localizadas em Brasilândia e em Arapuá, distrito de Três Lagoas. Em Brasilândia, com a existência da Casa do Mel, o investimento será para ampliação da unidade e compra de mais equipamentos para o processamento e envasamento. Com isso, deverá ser atendida a demanda dos api-

cultores locais. Em Três Lagoas, no distrito de Arapuá, a Casa do Mel será construída para beneficiar os apicultores da Associação Três-lagoense de Apicultores (ATLA), que também será equipada com maquinários para o processamento e envasamento do mel. “A intenção, é que por meio dessas duas Casas do Mel, a produção possa ser certificada e disponibilizada para compras públicas com o objetivo de fortalecer as associações e agregar mais valor a renda dos atores envolvidos”, finaliza Evânia.

MAIORES PRODUTORAS DE MEL DE MS A parceria entre empresa privada (Fibria), produtores de mel (apicultores) e município (Prefeitura de Brasilândia) tem sido fundamental para que o município de Brasilândia tenha se destacado com um dos mais importantes polos de apicultura (criação de abelhas com ferrão) e meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) de Mato Grosso do Sul. Além disso, outro fator favorável apontado pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Agricultura, João Luiz Almeida Rosa é o potencial de produção de mel de eucalipto e silvestre que o município possui. A parceria entre a associação a cooperativa de apicultores também conta com a ajuda da Federação dos Apicultores e Meliponicultores de Mato Grosso do Sul. De acordo com o secretário, Brasilândia destaca-se como importante polo apí86

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cola, produzindo cerca de 82 toneladas de mel por ano, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2012 e já pode ser considerado o município com a maior produção de mel do Estado que é comercializado internamente e para outros Estados. “Essa produção, no ano de 2007, era de apenas 3.260 quilos (IBGE, 2007) e o aumento da produção de mel nos últimos cinco anos deve-se principalmente à parceria entre a Associação de Apicultores de Brasilândia, a ABA, com a empresa Fibria, na qual os apicultores foram capacitados em diversos treinamentos e receberam autorização para trabalhar nos hortos de eucalipto da empresa para produzir mel”, disse o secretário. Por esse destaque estadual, Brasilândia sediou ainda neste ano o 9º Encontro Sul-Matogrossense de

Apicultores, que contemplará um novo momento que a apicultura e meliponicultura estadual atravessam. “Um período de fortalecimento das entidades que compõem a governança do setor no Estado e também pela continuidade do projeto ‘Caminhos do Mel’ para a produção de mel rastreado, que trará mais desenvolvimento e profissionalismo para a atividade, possibilidade de melhores preços e consequentemente maior renda para o apicultor e sua família, com respeito ao meio ambiente e de maneira sustentável, características da apicultura e meliponicultura e que ganhará força com a realização deste importante evento e outro importante passo na atividade apícola, que será a introdução do mel na merenda escolar”, finalizou João Luiz.


Parabenizo a todos os três-lagoenses, bem como a todos que se encantaram com este município e aqui decidiram residir e fazer parte da nossa história.

Ângelo Guerreiro Neste dia 15 de junho, ao completar 99 anos, Três Lagoas destaca-se dentre as principais cidades do Estado. Muito ainda há que se fazer, e com trabalho, dedicação e planejamento, alcançaremos lugares ainda mais altos.

Vamos juntos continuar construindo essa história. www.expressaoms.com.br

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Turismo

Muitos negócios em Três Lagoas e o lazer onde fica? Turismo de lazer, de negócios e eventos em conjunto com demais municípios da região, fazem parte de estudos para desenvolver o setor, mas infraestrutura deficiente e ausência de cultura voltada para atender o turista são questões que necessitam de atenção especial.

Sarah Minini 88

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Foto: Yuri Spazzapan www.expressaoms.com.br

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Foto: Yuri Spazzapan

Turismo

Diretor de Turismo de Três Lagoas, Ottony Ávilla

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inda tentando consolidar o Turismo de Lazer em Três Lagoas, o departamento de Turismo vem participando de eventos como o Fórum Regional do Turismo entre outros para conseguir recursos e estar inserido em programas que fomentem o desenvolvimento do setor no município. O Diretor de Turismo de Três Lagoas (MS), Ottony Ávilla Ornellas, afirma que o turismo não pode mais ser dependente de recursos da Fundtur (Fundação do Turismo do Mato Grosso do Sul) para sobreviver, mas de recursos diretos de projetos específicos, mesmo assim não pode pautar seu sucesso em um crescimento individual com eventos esporádicos, mas com o crescimento da região, já que a Seprotur setoriza os investimentos e projetos de turismo, como, por exemplo, o desenvolvimento da macro-região da Costa Leste. Dessa forma é necessário criar oportunidades para que existam eventos intercalados com os municípios da Costa Leste: “Três Lagoas foi convidada junto com outros municípios da Costa Leste a sediar uma etapa do regional de jogos de vôlei de areia. O mesmo já acontece com campeonatos de motocicletas, que são realizados em outras cidades da região”, diz. Em relação a potencialidade turística de Três Lagoas, com a exploração dos rios, Ornellas explica que ainda é muito difícil implantar um projeto no Jupiá, por exemplo, às margens do Rio Paraná, porque o local é da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), que de tempos em tempos tenta, inclusive, retirar a população ribeirinha dos leitos do rio, já que, mesmo os que vivem no local já foram inclusive indenizados. “Precisamos estudar locais que convivem em harmonia e que conseguiram desenvolver bons projetos para usar esse potencial, inclusive incorporando esses restauran-

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tes, bares e a população que conta uma parte da história de Três Lagoas. Enquanto não conseguimos isso, o Jupiá será um potencial inexplorado”, explica. Mesmo assim fala de uma parceria com professores da federação da canoagem para treinarem professores de educação física em Três Lagoas, para que crianças e adolescentes possam ter aulas de canoagem e num futuro até mesmo passeios, travessias e campeonatos. Além disso, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, onde é acomodada a pasta de Turismo, passou a ser responsável pelo Balneário Municipal, e agora busca formas de torná-lo mais atrativo, ampliando horário de atendimento, pesquisa para saber a viabilidade de camping e produção de eventos, como já ocorreu na Lagoa Maior, com diversas bandas. Já sob a tutela da Secretaria, foi realizado este ano o Campeonato de Pesca, promovido pelo Grupo RCN, mas com parceria e apoio da prefeitura; ou seja, é o setor público criando ambiente para que o setor privado invista em atividades turísticas. O evento contou com 374 duplas inscritas, sendo considerado o maior Campeonato do Brasil, e primeiro do Estado, sendo adicionado ao calendário turístico de Três Lagoas. Sobre a Lagoa Maior já foram feitas diversas reuniões para tentar resolver o problema de marginalidade no local, como ações policiais, mesmo assim pessoas mal intencionadas permanecem lá aos domingos, com alto consumo de bebida e drogas. Mesmo assim, o projeto de criar o Parque das Lagoas permanece, entretanto tem esbarrado em questões ambientais e a secretaria de Desenvolvimento Econômico busca alternativas e é projeto revitalizar as três lagoas, para que toda a comunidade e obviamente turistas possam desfrutar dessa natureza bem no centro da cidade.


Foto: Yuri Spazzapan

Roteiros Turísticos

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om o Fórum de Turismo realizado em Três Lagoas para discutir com os municípios da Costa Leste quais serão as ações possíveis para desenvolver a região turisticamente, o Gerente da Fundação de desenvolvimento de Turismo de MS, Jean Carlos, apontou a importância de desenvolver ações para o crescimento do turismo de maneira regionalizada para agregar mais investimentos, tanto de recursos com projetos na Fundação de Turismo, como formas de fomentar o investimento privado”, aponta. O gerente afirma ainda que a melhor forma de desenvolvimento é criar corredores turísticos entre os municípios da Costa Leste. Ou seja; roteiros turísticos. “Temos muitos potenciais para promover o turismo como atividade Econômica. Muitas fontes naturais, além do turismo de negócios, que mais cresce atualmente na Região”, explica. Carlos afirma que para o Turismo, o Estado se divide em 10 regiões

Jean Carlos, Gerente da Fundação de Desenvolvimento de Turismo pelo Programa de Regionalização. “O objetivo é fortalecer cada uma delas, o que diminui a competitividade em relação a cada uma, transformando-as em parceiras pelo mesmo objetivo”, comenta. Além disso, o gerente destaca algumas potencialidades, como os rios da região, o turismo da pesca, a observação de pássaros, como ocorre em Campo Grande com o Avistar, os

ranchos para locação. “Tudo isso deve ser apresentado fora daqui para que as pessoas saibam que exista”, destaca. Para o primeiro plano já foram criados alguns banners com as seguintes frases; “Costa Leste: Pesca nos Grandes Lagos”, “Costa Leste: Roteiros”, “Costa Leste: Desenvolvimento”. Ações efetivas do departamento de turismo. Já pensando nos potenciais

A Financial Ambiental, dispõe dos mais altos níveis de capacitação em coleta, transporte, tratamento e disposição final de resíduos sólidos urbanos (lixo), comerciais, industriais, de serviços de saúde – implantação, operação, manutenção e movimentação de aterros sanitários, usinas de triagem, reciclagem e compostagem, execução e operação de sistemas de tratamento de efluentes de aterros sanitários, recuperação de áreas degradadas (lixões) e demais atividades em saneamento e gestão ambiental. A empresa visa “o manejo ambientalmente saudável de resíduos" conciliando www.expressaoms.com.br 91 o "desenvolvimento com proteção ambiental".


da região apresentados pela Seprotur, a turismóloga do departamento de Turismo de Três Lagoas, Thais Arsioli afirma que vem desenvolvendo projetos e fazendo testes para tentar consolidar o turismo de lazer. “Estivemos em Bonito (MS) onde o turismo de lazer já é consolidado, com o turismo ambiental. Temos condições, mas o processo é lento. Conhecemos também o Avistar, um evento para apreciação de pássaros na natureza. O evento tem data em Campo Grande e é objetivo trazê-lo para Três Lagoas”, diz. O festival do churrasco também é uma potencialidade para Três Lagoas, conforme explica Thais, o churrasco sul mato-grossense é tradição. As famílias daqui fazem churrasco quase toda semana. As pessoas que chegaram de fora, já integram coisas do churrasco de Três Lagoas em suas vidas. "E um campeonato tem tudo a ver”, comenta.

Foto: Yuri Spazzapan

Turismo

Thais Arsioli, Turismóloga

Criar ambiente para investimentos privados

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ara o consultor na área de desenvolvimento setorial, Idevaldo Garcia, o mercado consumidor mais aquecido do interior de Mato Grosso do Sul passa por uma fase de transição. Aos poucos o foco nas grandes obras perde espaço para um comportamento de consumo mais elaborado e mais exigente. Essa mudança no perfil do consumo é proporcionada pela fase de plena operação da cadeia produtiva do papel e celulose na região.“Essa percepção é facilmente justificada pela implantação de redes nacionais de fast-food como Bob´s e Subway e de redes de lojas conhecidas nacionalmente com as Lojas Americanas, além do adiantado processo de implantação do primeiro shopping center da cidade”, diz. A proximidade do término da construção da Unidade de Fertilizantes III – UFNIII da Petrobras consolidará essa tendência. Segundo o consultor, o início de operação da cadeia produtiva do petróleo, gás e energia em Três Lagoas proporcionará um crescimento ainda maior em diversos segmentos do mercado regional que receberá cada vez mais investimentos no setor do varejo e de serviços. “Nesse cenário de evolução, onde há influências de grandes redes com conceitos de negócio bem definidos, é necessário que os empresários e investidores locais planejem o marketing para obter competitividade. Não basta oferecer hospedagem e alimentação”, destacou Idevaldo. O mercado busca mais que isso, busca experiências

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únicas de consumo, sejam através de momentos vivenciados durante uma refeição ou de uma noite e um dia de hospitalidade que agreguem algo a mais durante a estadia. “A tendência de oferecer experiências únicas inicia através do desenvolvimento de um conceito bem definido para o negócio e deve ser planejado através da utilização de regionalismos e padrões de qualidade capazes de competir com as técnicas utilizadas pelas grandes redes”, comenta. Desta forma Idevaldo aponta que é perceptível a grande evolução no setor de hospitalidade, alimentos e bebidas. “Há bons hotéis instalados e o número de leitos disponíveis na cidade praticamente dobrou. Da mesma forma houve a abertura de novos restaurantes, além de outros, tradicionais, que se adaptaram à nova realidade. Mas ainda percebemos um grande vazio quando falamos em lazer e entretenimento”, diz. Essa sensação se deve, sobretudo, à cultura regional de convívio às margens dos rios e lagos da região. Nesses locais, apesar da existência de centenas de ranchos particulares, há pouca oferta de empresas formalizadas prestadoras de serviços de lazer e entretenimento. O ambiente oferece dificuldades em relação à obtenção de licenças, à contratação de mão de obra capacitada, aos altos custos operacionais com transporte, entre outros. Há também problemas estruturais com distribuição de energia e serviço de coleta de lixo. “Esses fatores, somados ao fluxo de consumidores,


ainda incipiente, promovem riscos aos investimentos, fato que afugenta investidores, tanto empresários, quanto instituições financeiras (bancos). Por isso assistimos a uma canalização dos investimentos do setor para a área urbana”. Com isso o consultor explica que essa política pública para o turismo nas margens dos rios beneficia apenas iniciativas informais, que não arrecadam, não investem, não prestam bons serviços. “Acredito ser mais interessante abdicar de uma receita que atualmente não existe, tendo em vista a possibilidade de começar a arrecadar após um determinado período. É hora do Poder Público pensar em uma Lei de Incentivo ao Turismo, que proporcione benefícios capazes de equilibrar os primeiros anos de investimentos como pousadas, restaurantes, marinas e atrativos que operem no setor de lazer e entretenimento às margens dos rios”, aponta. Se por um lado há poucas iniciativas no turismo de lazer e entretenimento às margens dos rios, por outro, se assiste uma boa fase no turismo de negócios. Há na cidade um conjunto de empresas que se complementam na prestação de uma grande diversidade de serviços para o setor. O mercado de eventos, congressos, convenções e reuniões de negócios proporcionam diversas oportunidades de negócios na cidade. Os hotéis estão se adaptando para receber eventos, mas a cidade não tem ainda um centro de convenções que abrigue eventos de maior porte. “Da mesma forma, ainda falta maturidade para o setor. Não há uma união formalizada dos empresários para defender interesses comuns e fomentar ações estratégicas para o segmento”, aponta. Ainda no setor de eventos, Idevaldo entende que a velha fórmula do extinto PNMT (Programa Nacional de Municipalização do Turismo), que prevê que o desenvolvimento sustentável do turismo ocorra através da articulação conjunta do poder público, empresários e comunidade, pode ser facilmente exemplificada através de eventos como a Expotrês, Motoshow e do Campeonato de Pesca Esportiva de Três Lagoas. “Todos são realizados pelo terceiro setor e recebem o apoio de empresários e do poder público. Acredito que o modelo deve ser estendido a outros eventos que podem decolar nos próximos anos”, finaliza.

Idevaldo Garcia, Consultor em Desenvolvimento setorial Foto: Yuri Spazzapan

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Turismo

Potencial para observação de aves

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ensando em ambiente e iniciativa privada, já é plano da Secretaria de Desenvolvimento Econômico trazer a Três Lagoas o Projeto Avistar, evento para adoradores de pássaros. Assim como em Três Lagoas, o Pantanal e o Planalto da Bodoquena apresentam elevada diversidade avifaunística e relevante potencial para o turismo de observação de aves. No Pantanal sul-mato-grossense mais de 650 espécies de pássaros vivem neste ambiente. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena - Localizado nos municípios de Jardim, Bonito, Bodoquena e Porto Murtinho - também é considerado um dos lugares mais indicados para o turismo de observação de aves, principalmente de espécies raras. Por ter mistura de ambiente, a Serra da Bodoquena tem um papel importante: um refúgio até para aves migratórias e patos selvagens, por exemplo. Em Campo Grande, quase 300 aves já foram catalogadas nas áreas verdes da capital. A cidade já se prepara para receber os amantes da prática de observação de aves na primeira edição do Avistar-MS 2014. O evento deve ser realizado em outubro, no Parque das Nações Indígenas. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Três Lagoas tem tudo para receber o evento e já inicia algumas conversas. Por meio do monitoramento da biodiversidade, a Fibria registrou

330 espécies de aves em suas florestas de eucalipto e áreas de preservação ambiental. De acordo com o sistema de informação, Avibase, o número representa 44,1% das espécies de aves registradas em Mato Grosso do Sul. O trabalho consistiu em avaliar a passagem e a permanência das espécies entre o mosaico de plantios de eucalipto e a vegetação nativa, localizadas na região leste de Mato Grosso do Sul. Entre as espécies de aves monitoradas nas florestas da Fibria com maior relevância para a preservação ambiental estão: águia-cinzenta (Urubitinga coronata), caboclinho-de-chapéu-cinzento (Sporophila cinnamomea), pula-pula-de-sobrancelha (Myiothlypis leucophrys), bandoleta (Cypsnagra hirundinacea) e papagaio-galego (Alipiopsitta xanthops). Segundo o coordenador de meio ambiente florestal em Três Lagoas, Renato Cipriano Rocha, “As aves são consideradas fiéis indicadoras do efeito produzido pelas atividades florestais na biodiversidade. A presença de um elevado número de espécies de aves nas áreas de manejo florestal indica que as plantações de eucalipto são utilizadas como habitat para muitas espécies, além de funcionarem como área de trânsito e de conexão entre fragmentos de vegetação nativa”. Esse é um dos estudos e agora o Departamento de Turismo aguarda uma resposta positiva para que se consiga trazer adoradores de pássaros para apreciar as aves de Três Lagoas.

garça-branca-pequena garça-branca-pequena Egretta Egretta thula thula 94

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Fotos: Yuri Spazzapan

arara-canindé Ara ararauna

garça-moura Ardea cocoi Linnaeus

asa-branca Dendrocygna autumnalisLinnaeus

periquitão-maracanã Psittacara leucophthalmus

socozinho Butorides striata

papa-moscas-canela Polystictus pectoralisi Linnaeus www.expressaoms.com.br

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Turismo

Empresário aponta deficiências do setor “Três Lagoas tem muito potencial para ser explorado turisticamente, mas mercadologicamente pena por causa de infraestruturas simples”

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mbora algumas ações relacionadas ao turismo aconteçam. Muitos processos são bastante lentos e assusta um pouco aquele que investe diariamente no setor de turismo em Três Lagoas. Com dois hotéis, ao todo 184 leitos em Três Lagoas e uma empresa de turismo, o empresário Leonardo Konno, da rede Druds, afirma que o turismo em nível nacional já possui problemas de longa data, mesmo tendo forte potencial. Segundo ele, Três Lagoas assim como todo o Brasil tem muito potencial para ser explorado turisticamente mas mercadologicamente pena por causa de infraestruturas simples, como saneamento básico. “Enfrentamos sérios problemas nos dois hotéis que temos na cidade, por exemplo, com a grande quantidade de terra que se acumula em frente. Temos que pagar mensalmente para remover essa terra, para valorizar as fachadas que não podem ficar sujas. E uma cidade que se propõe também conter o turismo de lazer precisa ser apresentável, para ser vendida e fomentar interesse de investidores”, comenta. O empresário também comenta a falta de mão de obra especializada, além da falta de interesse de capacitação das pessoas que já atuam nos ramos de hotelaria e restaurantes. “Andamos nas ruas e percebemos que todos os restaurantes com maior qualidade estão lotados e sentimos falta de mais. Porém quando alguém pensa em abrir um bar voltado a entretenimento ou restaurante esbarra 96

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numa questão simples, pessoal para trabalhar”, diz. O Druds tem atendido a tripulação da empresa aérea Passaredo, as pessoas que trabalham passam o dia em Três Lagoas sem ter qualquer atividade. “Muitas vezes sou questionado sobre passeios no rio, ou pescaria, mas são pessoas que não tem indumentária para a pesca ou passeio. Seria interessante ter um negócio mais sofisticado, como varas e barcos de passeio para essas pessoas. Tenho certeza que não apenas esse público seria beneficiado, mas como outras pessoas que fazem turismo de negócios e querem dar um tempo na cidade para conhecer mais do que ela oferece”, explica. Deste modo, o empresário, não acredita que tão cedo possa ser consolidado o turismo de lazer e mesmo o turismo de negócios, ele afirma não estar mais em alta como anteriormente. “Recentemente li na Revista ExpressãoMS que um dos nichos para se investir em Três Lagoas é hotelaria. Eu não acredito nisso. Hoje diariamente temos apenas 50% dos leitos dos dois hotéis reservados. São muitos hotéis e mesmo que venha outro ‘boom’ de indústrias, não acredito que a oferta atual de conta. E que mesmo que conseguíssemos desenvolver parcialmente o turismo ainda assim a quantidade de hotéis que temos conseguiria atender essa demanda”, explica. Mesmo assim não nega que atualmente quem movimenta alguns mercados em Três Lagoas são pessoas de fora com nível maior de exigência e que o município possui público para restaurantes e bares melhores.


Foto: Yuri Spazzapan

Leonardo Konno www.expressaoms.com.br

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A vida te mostra caminhos e o OBJETIVO te prepara para eles.

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Revista Expressão ms junho 2014