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#4

l abril

2018

l

anual

2017 3.ª edição do estudo exclusivo que elege as 25 mais poderosas da política, negócios, justiça, media, ciência, cultura e setor social


editorial

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Fotografia: jOsé paulo santos

As 25 MuLHERES MAIS INFLUENTES DE PORTUGAL é um prémio que distingue a influência das mulheres em várias áreas. Foi criado pela Executiva, em 2015, com o objetivo de destacar a excelência, o talento e o poder das mulheres em Portugal e, com o seu exemplo, inspirar outras a seguirem carreiras de sucesso nas suas diferentes áreas de atividade. Diversos estudos demonstraram que a falta de role models femininos é um dos fatores que conti~ Maria Serina e Isabel Canha, nua a impedir mais mulheres de empreendedoras e diretoras da Executiva chegarem a cargos de liderança nas organizações ou na sua área de atividade. Com este estudo rigoroso e objetivo, feito em exclusivo para a Executiva pelo jornalista Filipe S. Fernandes, damos voz às premiadas, o que ajuda a que outras mulheres se sintam mais motivadas a prosseguir o seu próprio percurso e a atingirem todo o seu potencial. Pretendemos, assim, incentivar mais mulheres a entrar na esfera do poder e da influência, seja política, seja económica, cultural, científica ou desportiva. É por se identificarem com esta causa e por reconhecerem o mérito desta iniciativa que empresas como a PwC, a Multicare, a Seat e a Transearch apoiam a Executiva na sua realização. Esta iniciativa que já vai na sua terceira edição é uma manifestação do nosso compromisso com a missão de valorizar o papel da mulher na economia e na sociedade e a de ajudar a sua progressão profissional. A Executiva é um projeto ancorado no site de carreira dirigido a empresárias, empreendedoras, gestoras, quadros de organizações, profissionais liberais, cientistas, artistas, no fundo, a todas as mulheres para quem a carreira é uma parte muito importante da sua vida. O projeto declina-se em revistas, livros e eventos. Ao longo destes três anos, que completaremos a 22 de Maio, a Executiva organizou conferências, como “Work and Life Design - Boas Práticas, Melhores Resultados”, “Mulheres na Tecnologia” e “Grande Conferência Liderança Feminina”, que este ano terá a sua terceira edição. Editámos os livros Memórias de Executivas — Histórias de Mulheres que Marcaram os Negócios em Portugal, Lições de Liderança de CEO Portuguesas — Conselhos para a Nova Geração de Executivas, e Como Chegar a Líder — 600 Conselhos de Carreira (vindos de quem sabe”). Siga-nos no Facebook ou no LinkedIn, para acompanhar de perto o nosso trabalho e receber diariamente ferramentas para a sua carreira e modelos inspiradores que a incentivam a chegar lá, onde desejar.

FICHA TÉCNICA CONSELHO EDITORIAL Ana Fontoura, Filipe S. Fernandes, Mariana Belmar da Costa, Pedro Janela, Soledade Carvalho Duarte, Teresa Cardoso de Menezes DIRETORA Isabel Canha DIRETORA ADJUNTA Maria Serina COLABORADORES Filipe S. Fernandes PROJETO GRÁFICO Sandra Nascimento PAGINAÇÃO João Pedro Rato REVISÃO Vera Saldanha FOTOGRAFIA Paulo Alexandrino, Catarina Lopes, Getty COMERCIAL E MARKETING marketing@executiva.pt PROPRIETÁRIO E EDITOR Redcherry — Produção de Conteúdos, Lda. NIF: 513 442 154 Rua Aristides de Sousa Mendes, 4, 4.º Esq. — 1600-413 Lisboa REDAÇÃO Rua Martin Luther King, 4B 1750-452 Lisboa Tel: 215 818 786 PERIODICIDADE: Anual DEPÓSITO LEGAL: 402475/15 N.º REGISTO NA ERC: 126672

O estatuto editorial está publicado em www.executiva.pt

A Executiva é um projeto ancorado no site www.executiva.pt e que se declina em revistas (papel e digital), livros e eventos. www.executiva.pt | abril 2018

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As 25 mulheres mais influentes em Portugal Texto Filipe S. Fernandes

A propósito da influência na literatura, dizia Paul Valéry que “não há palavra que venha mais facilmente nem com mais frequência sob a pluma da crítica que a palavra influência e não há de modo algum noção mais vaga entre as vagas noções que compõem o armamento ilusório da estética”. A influência é muitas vezes como o gás, existe mas não se vê, e pode ser comparada ao efeito halo. A influência pode revestir-se de uma forma directa de relação que pode ser contabilizada. O poder mediático de Cristina Ferreira mede-se no impacto da sua presença na televisão em termos de audiências mas também, e sobretudo, na capacidade de vender produtos e serviços e de influir em comportamentos. Guta Moura Guedes ajudou, através da sua rede de contactos com o design nacional e internacional, a renovar o conceito de cortiça e a dar-lhe uma ligação com a arquitectura e o design modernos como mostra a Corticeira Amorim. A influência não se mede unicamente pela popularidade, relaciona-se sobretudo com o impacto que tem sobre as pessoas, as situações e os contextos. A popularidade pode-se medir pelos gostos do Facebook, a influência pela forma como a palavra é escutada, o livro é lido, os produtos são adquiridos, o exemplo é seguido e a admiração é nascida. Quem saiu e quem entrou As 25 selecionadas traçam um mapa de influências de grande diversidade. Em relação ao ranking do ano passado, saíram Rita Blanco, Maria Manuel Mota, Maria Filomena Mónica, Esmeralda Dourado e Maria João Pires, mais pela emergência de novas protagonistas do que por menor fulgor da sua influência. Entraram Joana Carneiro, Rita Pereira, Daniela Ruah, Guta Moura Guedes e Cláudia Azevedo. Joana Carneiro exerce grande parte da sua atividade em

Portugal mas ganha cada vez maior reputação internacional. É maestrina principal da Orquestra Sinfónica Portuguesa, maestrina convidada da Orquestra Gulbenkian e diretora artística do Estágio Gulbenkian para Orquestra, diretora musical da Sinfónica de Berkeley, desde 2009, e recentemente dirigiu a Orquestra Filarmónica Real de Estocolmo na cerimónia de entrega dos prémios Nobel. Rita Pereira, no reino das novelas em Portugal, e Daniela Ruah, no império das séries de Hollywood, tornaram-se incontornáveis no universo da representação. Por sua vez, Guta Moura Guedes é pelo seu papel de mediação entre o design nacional e internacional, a ligação da ExperimentaDesign ao mundo das empresas, uma figura cada vez mais relevante. Cláudia Azevedo é a emergência de uma nova personalidade nos negócios em Portugal. Herdou parte do império Sonae, após a morte do pai, Belmiro de Azevedo, mas é cada vez mais uma empresária atuante no mundo dos negócios, fazendo da Sonae Capital, de que é a CEO, uma compradora de ativos na área das energias renováveis e dos ginásios. As descidas e as subidas Em relação à edição de 2017 há casos em que se regista uma queda na classificação. Muitas têm que ver com o aparecimento de novas protagonistas mas também há situações em que o contexto social, político, económico e cultural se alterou pois a influência também é uma questão de clima, de ambiente, de contexto. Por exemplo, Isabel Jonet desce de 11.º para 18.º. A presidente do Banco Alimentar teve, por efeitos da crise económica e do elevado nível de desemprego que fustigou Portugal, um papel social mais destacado entre 2012 e 2015, mas graças à recuperação www.executiva.pt | abril 2018

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económica o seu papel deixou de ter a mesma evidência, embora ainda dê apoio a mais de 400 mil pessoas. Isabel dos Santos perdeu relevância, pois a sua influência decorria da proximidade do poder em Angola, que estava encarnado no pai, José Eduardo dos Santos, pulverizou-se com a ascensão de João Lourenço à liderança daquele país. Foi demitida da presidência da Sonangol e viu questionados os seus investimentos, nomeadamente na empresa de diamantes de Grisogno, em que a Sodiam, empresa de diamantes angolana, decidiu sair do capital. Mas também houve ascensões. Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda e deputada, acentuou o seu papel e rentabilizou a sua proximidade e influência no apoio ao Governo do PS liderado por António Costa. Assunção Cristas, líder do CDS e deputada, procurou aproveitar as incertezas estratégicas e o período de eleição do novo líder do PSD para se firmar como a principal polo de oposição de direita. A dominância do espectáculo A lista regista uma proeminência de mulheres provenientes do campo dos media e das artes cénicas, com destaque para as apresentadoras de programas de televisão, atrizes das novelas portuguesas e das séries de Hollywood. Apesar de ser uma área de poder difuso, em que há pouca capacidade de decidir, mesmo assim existe um crescente poder de decisão nas mãos de mulheres, como é o caso de Rosa Cullell, Ceo da Media Capital, ou Gabriela Sobral, diretora de programas da SIC. A Justiça também mostra a influência e o poder das mulheres, que chegaram a estar, simultaneamente, na liderança do ministério da Justiça, tanto através de Paula Teixeira da Cruz como de Francisca Van Dunem, da Procuradoria-Geral da República, como Joana Marques Vidal, e da Ordem dos Advogados. Manuela Paupério preside à Associação Sindical dos Juízes Portugueses, depois de a presidente eleita em 2015, Maria José Costeira,​ter rumado ao Tribunal de Justiça da União Europeia. A derrota da bastonária, Elina Fraga, foi amenizada com a conquista da Provedoria de Justiça por Maria Lúcia Amaral, que é professora catedrática da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e foi membro do Tribunal Constitucional entre 2007 e 2016. Nos media tradicionais, depois da substituição de Bárbara Reis na direção do Público, ficou apenas Graça Franco como diretora de informação da Rádio Renascença. Existem cada vez mais opinion-makers como Clara Ferreira Alves, Raquel Varela, Lívia Franco, Marina Costa Lobo, ainda que seja um número ínfimo em relação ao mundo masculino. Mas na apresentação de telejornais e espaços de informação 6

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há uma grande relevância de mulheres. Como referiu a cantora Capicua ao Diário de Notícias, “não só na música como na vida em geral, as mulheres não são estimuladas para estarem em lugares de destaque, para conquistarem o espaço público, para assumirem posições de liderança, para darem opiniões, para serem desbocadas”. Acrescentava que eram as características essenciais para ser rapper. “Aprendi no rap a ter orgulho em ser eu própria e faço-o com uma grande espontaneidade, o que não é aconselhável às mulheres. A autoestima é a primeira coisa que se mina numa sociedade patriarcal como a nossa”. As questões do poder Foi também ao Diário de Notícias que a psicóloga Lígia Amâncio, que estuda o género e a igualdade, disse que a chegada das mulheres ao poder não se prende apenas com questões como a educação ou a falta de ambição da mulher, mas com a forma como são avaliadas e vistas quando exercem uma função de poder. “Se é um homem que assume o poder, isso é visto como normal e as suas decisões são avaliadas de forma racional, se estão certas ou erradas, se são justas ou injustas. Se é uma mulher, o juízo é transportado para a própria pessoa. A decisão surge e é avaliada de forma subjetiva — porque ela é má, autoritária ou porque é simpática. Ora, isto acaba por ter um custo

o poder político e a economia são as áreas em que a influência das mulheres ainda está longe de ser equilibrada. adicional e penoso para a mulher, que se vê frequentemente em conflito. Isto é um obstáculo para atingir o poder”. As áreas em que a influência das mulheres está longe de ser equilibrada são as do poder político, apesar de liderarem três dos sete partidos, como é o caso de Catarina Martins, no Bloco de Esquerda, Assunção Cristas, no CDS e Heloísa Apolónia, líder mediática mas não formal de Os Verdes, e do poder económico. Apesar da legislação produzida, que pretende atingir um maior equilíbrio de género, há um tempo para a produção de efeito. Como se verificou com a política, em que uma década após a ação legislativa se atingiu um terço de deputadas na Assembleia da República.


Durante a primeira década após o 25 de Abril de 1974, a presença feminina na Assembleia da República foi praticamente irrelevante e em 2005 continuava a rondar apenas um quinto do total de lugares, como refere o documento da CIG-Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, “Igualdade de Género em Portugal – IndicadoresChave 2017”. Com a aprovação da chamada Lei da Paridade, em 2006 a representação de mulheres na Assembleia da República passou de 21,3% em 2005 para 33% em 2015, ano em que se atingiu o limiar de paridade de acordo com o que está definido na Lei. Nas autarquias locais obedece-se à lei da paridade nas listas, mas nas eleições autárquicas de 2017 os homens continuaram a ter a esmagadora maioria das presidências de câmara (276), tendo sido eleitas apenas 32 mulheres autarcas. Em 2013 eram apenas 23. Três dos dez maiores municípios portugueses em termos de população têm presidentes de câmara mulheres, como é o caso da Amadora, com Carla Tavares, de Matosinhos, com Luísa Salgueiro, e de Almada, com Inês Medeiros, todas do PS. E na autarquia mais populosa, Lisboa, a presidente da Assembleia Municipal é Helena Roseta. Nas capitais de distrito, Maria das Dores Meira (CDU) está no terceiro mandato na Câmara de Setúbal e Adelaide Teixeira conquistou a de Portalegre como independente.

de forma consistente entre 2011 e 2016 (mais 2,3 pontos percentuais e mais 5,7 pontos percentuais, respetivamente), ainda que com uma subida mais ligeira nos anos mais recentes. Porém, das quase 600 mil funções de gestão nas empresas nacionais, dois terços são desempenhadas por homens. Nos cargos de liderança, a representação masculina é ainda mais acentuada (71%), segundo dados do relatório “O Género na Gestão e Liderança nas Empresas Portuguesas” da InformaDB, de Março de 2017. Esmeralda Dourado, no Grupo SGC e no seu braço financeiro Interbanco, e Celeste Hagatong, que recentemente deixou a administração do Banco BPI, foram ao longo dos últimos 20 anos os principais rostos femininos na banca portuguesa. Hoje, as administrações financeiras, com exceção das principais seguradoras, começam a ter alguma preocupação com o género. No entanto, as mulheres ainda são remetidas para papéis mais secundários e para funções não executivas. Mas como diz Sara Falcão Casaca, professora no ISEG, “largar o poder é sempre muito difícil. Nós temos que agir já, não podemos esperar 81 anos para que haja paridade nas empresas e 75 anos para que se acabem as desigualdades salariais relativamente às mulheres. Em Portugal, ao nosso ritmo, a estimativa é de que precisaremos de mais uns 41 anos para que a igualdade nas empresas se verifique”.

A mudança nas empresas No campo da economia e das empresas há um caminho para se fazer. “O que acontece muitas vezes é que, logo ao início, as mulheres vão para Letras e os homens vão para Ciência. Depois, isso vê-se nas carreiras profissionais. Outra coisa que acontece é que as mulheres são educadas de uma forma diferente. São educadas para ter menos ambição, menos auto-estima e mais vergonha. Mas isso tem mudado muito” disse Manuela Ferro, vice-presidente da Política de Operações do Banco Mundial ao Público. Em julho de 2017, o Parlamento votou uma nova lei, visando as empresas públicas e cotadas em bolsa, segundo a qual a partir de 2018 têm de cumprir uma quota mínima do género menos representado nos conselhos de administração e nos órgãos de fiscalização. Como o poder é maioritariamente masculino, nas empresas públicas 33,3% dos lugares terão de ser ocupados por mulheres. Para as cotadas, esse mínimo é de 20% e sobe para os 33,3% em 2020. Em abril de 2017, a presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas do PSI 20 era ainda de 14%. Na UE28 a média é de 23%. Entre os quase 400 administradores das cotadas, apenas 49 eram mulheres, ou seja, 12,4%. A presença feminina na gestão e na liderança aumentou

A vez da ciência Existem muitas mulheres cientistas no início da carreira, nos doutoramentos e na investigação — representam 45% dos investigadores — mas os grupos de investigação, os institutos e as universidades continuam a ser, na maioria, liderados por homens. “As mulheres têm que ser educadas para sentirem que conseguem, que é possível. E se não são educadas para sentirem que conseguem e que é possível, a dada altura, vão desistindo. Obviamente, que depois todas as nossas organizações, empresas e universidades estão muito organizadas de uma maneira masculina, no sentido que das leis, das regras, da organização, eles homens é que estão no topo, não é? Se assim é, no fundo todas estas regras, leis e organização são feitas pelos homens, são pensadas pelos homens”, referiu Leonor Saúde, Group Leader no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes. Há porém sinais de mudanças mais profundas, como a nomeação de Mónica Bettencourt Dias para diretora do Instituto Gulbenkian da Ciência, que se junta a Maria do Carmo Fonseca, presidente do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes da Universidade de Lisboa e Maria João Valente Rosa, diretora do Pordata. www.executiva.pt | abril 2018

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Como se faz a lista das 25 Mulheres Mais Influentes de Portugal Uma viagem aos estudos similares que se fazem em Espanha, França e Estados Unidos. E a explicação da metodologia aplicada em Portugal. A elaboração de uma lista com as mulheres mais influentes de Portugal assemelha-se ao desenho de um mapa do poder feminino e um roteiro da ocupação pelas mulheres dos lugares importantes e relevantes numa sociedade complexa, que cada vez mais cultiva a diversidade e a inclusão. Já não se trata de destacar os vultos femininos como aves raras que assomam numa paisagem masculina, implica medir a sua crescente proeminência e a emergência da equidade. É cada vez mais uma lista de influentes. Mulheres influentes no país. Se se fizesse a lista das personalidades mais influentes da televisão portuguesa Cristina Ferreira bater-se-ia pelo top 3, para não referir outros nomes que também fariam parte das pessoas mais influentes da televisão portuguesa. Na justiça, é evidente a relevância das mulheres

mesmo que, porventura, Carlos Alexandre levasse a palma de mais poderoso ou mais influente. Hoje, universidades com o peso da Universidade Católica ou do ISCTE têm mulheres como reitoras. Um dos principais grupos familiares portugueses, a Sonae, tem como acionista e gestora uma mulher, Cláudia Azevedo, que está a dar uma nova dimensão à sub-holding que gere, a Sonae Capital. Por sua vez, o Grupo Américo Amorim é detido pelas três herdeiras, Paula Amorim, presidente da Galp Energia, Marta e Luísa. Mas nos outros campos de atividade também está a deixar de ser o tempo da dama solitária entre cavaleiros solícitos. Em diversos países existem vários trabalhos deste género, uns com mais destaque e relevo do que outros. A Yo Dona, revista semanal do jornal El Mundo, elenca as 500 mulheres

As mais influentes por categorias Negócios

Política

Justiça

Ciência

Setor social

Media

Cultura

• Isabel dos Santos • Isabel Vaz • Cláudia Azevedo

• Catarina Martins • Assunção Cristas

• Joana Marques Vidal • Francisca Van Dunem • Maria José Morgado

• Elvira Fortunato

• Isabel Jonet • Leonor Beleza

• Cristina Ferreira • Judite Sousa • Júlia Pinheiro • Ana Garcia Martins

• Joana Vasconcelos • Alexandra Lencastre • Paula Rego • Mariza • Sara Sampaio • Rita Pereira • Daniela Ruah • Joana Carneiro • Olga Roriz • Guta Moura Guedes

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A s 2 5 m u l h e r e s m a i s i n f l u e n t e s DE P o r t u g a l Nomes

O que fazem

1

Cristina Ferreira

2

Rank

Carreira

Imagem

rede

Poder

Fortuna

Total

2017

Apresentadora da TVI

9

9

9

8

3

38

1

Joana Marques Vidal

Procuradora-Geral da República

9

8

8

10

0

35

2

3

Judite de Sousa

Jornalista da TVI

9

10

8

6

0

33

4

4

Júlia Pinheiro

Apresentadora da SIC

9

9

8

7

0

33

9

5

Catarina Martins

Líder do Bloco de Esquerda e deputada

9

9

7

8

0

33

12

6

Assunção Cristas

Líder do CDS e deputada

9

9

7

8

0

33

13

7

Joana Vasconcelos

Artista plásticA

8

9

8

6

1

32

6

8

Isabel dos Santos

Empresária

5

7

7

3

10

32

3

9

Alexandra Lencastre

Atriz

8

9

8

6

1

32

10

10

Isabel Vaz

CEO da Luz Saúde

8

6

7

7

3

31

5

11

Francisca Van Dunem

Ministra da Justiça

8

7

8

8

0

31

16

12

Paula Rego

Pintora

9

7

8

7

0

31

7

13

Mariza

Fadista/Cantora

8

8

8

6

1

31

15

14

Elvira Fortunato

Investigadora e vice-presidente da Universidade Nova

9

7

8

7

0

31

18

15

Sara Sampaio

Modelo

9

7

7

7

0

30

17

16

Rita Pereira

Atriz

6

10

8

6

0

30

-

17

Cláudia de Azevedo

Acionista do Grupo Sonae e CEO da Sonae Capital

8

3

7

5

7

30

-

18

Isabel Jonet

Presidente do Banco Alimentar

8

8

7

6

0

29

11

19

Daniela Ruah

Atriz

6

8

8

6

1

29

-

20

Joana Carneiro

Maestrina

8

7

7

7

0

29

-

21

Maria José Morgado

Procuradora-geral distrital de Lisboa

8

7

7

7

0

29

19

22

Olga Roriz

Coreógrafa

9

6

7

7

0

29

23

23

Leonor Beleza

Presidente da Fundação Champalimaud

9

6

8

6

0

29

24

24

Guta Moura Guedes

Presidente da Experimentadesign

8

5

8

7

0

28

-

25

Ana Garcia Martins

Blogger A Pipoca Mais Doce

7

8

7

6

0

28

25

Me todologi a

Partiu-se de uma lista com cerca de 200 mulheres, de várias atividades e carreiras profissionais, procurando cobrir todos os campos, tais como os negócios, a gestão, as artes e a cultura, a política, a tecnologia, os media, as celebridades, a filantropia, a organização governamental. Depois aplicaram-se, de forma o mais objetiva possível, as cinco métricas: carreira, imagem, rede, poder e fortuna, até se apurar um conjunto diversificado de 25 nomes. Em cada uma das métricas a pontuação vai de 1 a 10. CARREIRA o currículo, a relevância dos cargos ocupados e do trajeto profissional. IMAGEM tem a ver com a presença mediática em Portugal e em termos internacionais. rede tenta medir o reconhecimento que tem junto dos pares nas principais áreas de carreira e da atividade profissional e o seu peso nesses campos de atividade. PODER impacto social, profissional, político, empresarial. FORTUNA procura medir o património, a capacidade e recursos financeiros detidos ou em gestão. www.executiva.pt | abril 2018

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mais influentes e poderosas em Espanha e chega-se a esta lista num trabalho feito pela redação. O site espanhol Mujeres & Cia faz o top 100 das mulheres líderes em Espanha, que é apurado por um júri de 50 membros que avalia cerca de 500 perfis com base em critérios como a trajetória, os resultados atingidos, os valores pessoais e profissionais e o impacto na sociedade. Em França, prefere-se os métodos relacionados com as sondagens e os estudos de opinião. L’Argus de la presse (Groupe Cision) faz o ranking das mulheres mais referidas nos media tradicionais e no Twitter em três categorias, política, liderança de grandes empresas e media/cadeias de TV, que no fundo compila os resultados dos quatro barómetros trimestrais. Esta metodologia mede sobretudo a presença e o impacto mediático. Recentemente, Le Journal du Dimanche publicou a lista da Personnalités féminines françaises perçues comme ayant le plus d’influence et d’audace baseada numa sondagem do IFOP para a marca de cosméticos Shiseido e o clube Génération Femmes d’Influence. Christine Lagarde ficou em primeiro lugar, seguida de Brigitte Macron e Anne Hidalgo. Como salientava a Vanity Fair francesa “este pódio mostra que no espírito dos franceses ‘influência’ e ‘política’ são termos intimamente ligados”. No entanto, a Slate francesa fez, em 2013, as 100 francesas mais influentes. Partiu de uma lista de 600 nomes que depois foram definidos em cinco listas: políticas, mulheres de negócios, intelectuais, investigadoras e jornalistas. Estas foram reduzidas a 30 nomes por lista, cerca de 150 nomes que depois foram submetidos a uma votação por um colégio eleitoral constituído por jornalistas, especialistas, comentadores, em que cada um votou em 10 nomes. Desta votação surgiram as 100 francesas mais influentes em 2013. Por sua vez, as The Most Powerful Women in Business da Fortune é um trabalho feito pelos editores da revista e tem por base quatro critérios: a dimensão e a importância dos negócios na economia global, a saúde e a direção do negócio, a carreira e a influência social e cultural. O ranking das mulheres mais poderosas do mundo, World’s 100 Most Powerful Women, feito pela Forbes, que prepara já a 15ª edição de 2018, muda a sua grelha de análise com alguma frequência. Por exemplo, em 2017 escolheu as 100 mulheres mais poderosas repartindo-as por CEO (19), política (25), entretenimento e media (15), tecnologia, finanças e filantropia. No entanto, os seus critérios mantêm-se. São eles a fortuna, em que se inclui o património e os rendimentos pessoais, o

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PIB nominal, no caso dos políticos, ou montante despendido nas suas atividades, quando se trata de organizações filantrópicas e sem fins lucrativos, a que se juntam critérios como a presença mediática, com destaque para as redes sociais, e as esferas de influência e impacto. Tentar quantificar a influência coloca algumas questões preliminares. A influência mede-se pelo volume de negócios de uma empresa gerida por uma mulher, pelo número de citações nos media ou de seguidores nas redes sociais? Esta não prejudica quem está na sombra a fazer investigação, a gerir, a aconselhar? Depois surge a questão da comparação que procura um ponto comum para vidas e carreiras tão diferentes. Mas se Cristina Ferreira chega a milhões de pessoas, é valorizada por milhares de fãs, Joana Marques Vidal está no coração do Estado de Direito e da sua atuação depende o sistema de justiça mas também a vida em comunidade. A metodologia que se elaborou e se tenta seguir com as Mulheres mais Influentes de Portugal procura reunir a informação necessária e relevante segundo cinco critérios que pretendem ser uma malha larga de análise a vários campos de atividade. Primeiro, o da Carreira, ou seja o currículo, a relevância dos cargos ocupados e do trajeto profissional. O segundo, que se denomina Imagem tem a ver com a presença mediática em Portugal e em termos internacionais. Seguem-se a Rede, que tenta medir o reconhecimento que tem junto dos pares nas principais áreas de carreira e da atividade profissional e o seu peso nesses campos, o Poder e o seu impacto social, profissional, político, empresarial e, finalmente, a Fortuna, que procura medir o património, a capacidade e recursos financeiros detidos ou em gestão. Estes critérios permitem pela sua aferição, em que há uma certa subjectividade, que as mulheres mais influentes e mais relevantes se distribuam por mais áreas de atividade, embora haja uma proeminência de mulheres ligadas aos media (neste caso mais pela apresentação do que pela liderança), à representação e à justiça, onde a presença das mulheres se foi tornando cada vez mais forte e mais importante ao longo dos últimos 40 anos. A lista base, que é hoje constituída por perfis de quase 200 mulheres, mostra alguns aspetos interessantes sobre o peso crescente das mulheres em áreas como as autoridades de regulação, ordens profissionais, gestão financeira — tanto em bancos como em seguradoras —, nas autarquias de maior peso, nas fundações, no fado e nos reitores. Têm de ser lidos como sinais a que só o tempo dará mais peso e força.


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Cristina Ferreira 40 anos, apresentadora de televisão

“É possível, num país geograficamente pequeno, fazer coisas grandes” Os momentos de viragem na sua carreira foram “todos aqueles momentos em que dei mais ao meu público e em que senti que chegava mais longe. E que é possível, num país geograficamente pequeno, fazer coisas grandes”. E enumera: “desde o primeiro dia em que dividi estúdio com o Manuel, ao lançamento do meu blogue e do Meu perfume internacionalmente, a minha linha de sapatos, o meu Sentir e, mais recentemente, a minha app SmartTV”. Natural da Malveira, onde nasceu em 9 de setembro de 1977, Cristina Ferreira licenciou-se em História e foi professora do ensino secundário durante dois anos. Fez depois Ciências da Comunicação na Universidade Independente e mais tarde um curso de apresentação de televisão. Em 2004 começou a apresentar, com Manuel Luís Goucha, o programa Você na TV!, talk show matinal da TVI, que é líder de audiências há longos anos. Nove anos depois, em fins de 2013, Cristina Ferreira tornou-se também a diretora de Conteúdos Não Informativos da TVI. Hoje apresenta também o programa de fim de tarde Apanhame se Puderes. A sua página no Facebook da TVI tem 1,7 milhões de gostos e no Instagram 640,2 mil seguidores. Tem procurado alargar a sua área de influência no mundo dos negócios. Começou pela moda e por uma loja

multimarca, a Casiraghi Forever. Como disse uma vez: “Gosto de moda. Sempre gostei. Um dos meus primeiros empregos foi precisamente numa loja. Aí apaixoneime por tudo o que envolve este setor tão importante na sociedade”. Mas já fez uma parceria com a marca de sapatos americana Hush Puppies para uma linha de calçado e, com a empresa de venda directa LR Healthy and Beauty, lançou, em 2014, um perfume em seu nome, designado por Meu, cuja primeira edição vendeu 10 mil unidades e esgotou em sete dias, e a segunda edição, de 5000 exemplares, desapareceu em 5 horas. A 21 de Maio de 2013, criou o site Daily Cristina e em 2015 lançou a revista mensal Cristina. Em Novembro de 2013 foi editado um livro de receitas, Deliciosa Cristina, que na primeira semana vendeu cerca de 3 mil exemplares. Em 2016, o seu livro Sentir, editado em Novembro, vendeu 45 mil exemplares num mês. “Considero-me uma pessoa com uma grande responsabilidade pública pelo grau de exposição que tenho neste momento. Os conteúdos que partilho são autênticos e espero que, com eles, possa inspirar pessoas a seguirem os seus sonhos e a não terem receio de assumirem as suas preferências”, disse numa entrevista. www.executiva.pt | abril 2018

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Joana Marques Vidal 62 anos, Procuradora-Geral da República

O poder é precário, uma coisa efémera Joana Marques Vidal vive um momento contraditório na sua carreira quando se aproxima este ano o fim do seu primeiro mandato, que para alguns deveria ser o único. O seu poder e capacidade de fazer multiplicar as investigações parecem não poupar centro de poder algum, incluindo o judicial. Ao mesmo tempo, uma investigação da TVI sobre as adoções realizadas nos anos 1990 ameaça atingir um dos seus principais legados. Num recente discurso, na cerimónia de abertura do ano judicial, fez quase um balanço do seu mandato, referindo que “é justo reconhecer como positivos os resultados dos caminhos até agora percorridos” e “assiste-se, hoje, a um mais eficaz exercício de ação penal, mesmo quando está em causa criminalidade de elevada complexidade”. Salientou o reforço de organização interna e a criação de estruturas especializadas para a investigação da corrupção, da criminalidade económico-financeira e da criminalidade complexa, com regras próprias num “desenvolvimento coerente e coeso da sua actividade” do Ministério Público. Em 2012, Joana Marques Vidal tornava-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Procuradora Geral da República em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. Em 2015, a TVI considerou-a a mais poderosa do país, numa lista de 30 personalidades com mais poder em Portugal. Numa entrevista à Máxima referiu que “ser mulher nunca afetou a minha carreira, provavelmente porque como não vejo nenhum poder como sagrado, necessariamente nunca vi assim o poder masculino”. Tem a noção de que o poder “é precário, uma coisa efémera. Hoje está-se num cargo de poder, amanhã

não, e não é por aí que devemos reger a nossa vida”. Nasceu em Coimbra a 31 de dezembro de 1955, numa família com carreiras ligadas à magistratura, sendo filha do juiz conselheiro jubilado José Marques Vidal, que também foi diretor da Polícia Judiciária, e irmã do procurador João Marques Vidal. Licenciou-se em 1978 na Faculdade de Direito de Lisboa e entrou na magistratura do Ministério Público no ano seguinte, onde tem feito toda a sua carreira. Em 1994, foi promovida a procuradora da República e colocada na comarca de Lisboa. Foi vogal do Conselho Superior do Ministério Público, procuradora da República coordenadora dos magistrados do Ministério Público do Tribunal de Família e Menores de Lisboa, de 1994 a 2002, e diretoraadjunta do Centro de Estudos Judiciários, entre 2002 e 2004. Destacou-se no domínio jurídico no âmbito do Direito da Família e dos Menores, tendo participado da comissão legislativa para a redação da Lei Tutelar Educativa e da comissão que alterou a legislação da adopção. Foi presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e vice-presidente da Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família — Crescer Ser. Como escreveu David Dinis num recente editorial no Público, “chamaram-lhe ‘Joaninha sem medo’, mas pecaram por defeito. Joana Marques Vidal deixou ontem um testemunho vivo de que ser Procuradora-Geral da República não é, para ela, ser uma espécie de Rainha de Inglaterra — sem poderes, como uma vez se queixou o seu antecessor e como muitos preferiam que o PGR fosse. Joana tem poderes, sim, e usa o que mais faz a diferença: a palavra, para marcar posição”. www.executiva.pt | abril 2018

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Judite Sousa 57 anos, jornalista da TVI

Uma estrela do jornalismo A jornalista é hoje um dos principais ativos da informação da TVI, estação de televisão que lidera audiências na informação. Nasceu no Porto a 2 de dezembro de 1960 e licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1987. Anos antes, em junho de 1979 tinha entrado para a RTP no Porto, não porque ambicionasse ser jornalista mas “por necessidade, precisava de um emprego.” Foi o início de uma carreira de sucesso. Ainda esteve um ano na Rádio Macau, mas regressou ao Porto e começou como pivô do Jornal da Tarde, mudando-se em 1991 para Lisboa, a convite de José Eduardo Moniz, para apresentar o Telejornal. Em 2000 foi nomeada diretora-adjunta de Informação da RTP, colaborando com José Rodrigues dos Santos. Em 2011 deixou a RTP e com José Alberto de Carvalho passou a integrar os quadros da TVI, onde também é sub-diretora de informação, e um dos principais apresentadores do Jornal da Noite e da TVI 24. Durante anos moderou o comentário político dominical de Marcelo Rebelo de Sousa, atual Presidente da República. Numa entrevista à Máxima referiu que “Sinceramente, nunca experimentei qualquer diferença de género, a não

ser uma... em termos de remuneração! Numa dada altura da carreira, tinha tanto trabalho como colegas meus, tantos resultados como eles, tanta notoriedade como eles, mas ganhava menos”. Num perfil para o site http://perfildojornalista.eusou.com/ Diana Andringa escreveu que Judite Sousa se define como “uma ‘fossona’, aquele tipo de pessoas que está sempre disponível e que vai a todas, que nunca põe limitações”. A morte do filho a 29 de Junho de 2014 de forma acidental foi um grande choque emocional e também mediático. Nessa altura, depois de algum tempo retirada, disse à revista VIP: “Recebo milhares de cartas de pessoas que me querem ver, que me querem ver a trabalhar. Tenho de voltar, é aquilo que esperam de mim, é a minha vida.” Mantém-se contudo como uma das imagens mais fortes da informação da TVI e com grande impacto mediático. Escreveu livros como Álvaro, Eugénia e Ana: Álvaro Cunhal — O homem por trás do político, Olá Mariana, A vida é um minuto: o poder e a imagem, Segredos, Os Nossos Príncipes, Olhos nos Olhos em colaboração com Medina Carreira. Com o psiquiatra e psicoterapeuta Diogo Telles Correia publicou Pensar. Sentir. Viver, em 2017. www.executiva.pt | abril 2018

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Júlia Pinheiro 55 anos, apresentadora da SIC

A apresentadora que tem quase tudo… Em entrevista ao Público em 2011, disse que os apresentadores do futuro seriam cada vez mais uma marca. Mais tarde, quando lhe perguntaram quais seriam os valores da sua marca referiu: “credibilidade, algum prestígio acumulado, proximidade, assertividade… Acho que me olham como alguém com uma posição de liderança. Sou aquilo a que se chama uma mulher forte. Tenho sentido de humor, capacidade de desconcertar, uma língua afiada. Penso que as pessoas me consideram uma mulher inteligente, que tem uma leitura das coisas marcada pela sensatez e experiência. E tenho pena que a natureza não me tenha dotado da beleza necessária para a ter na minha marca… A beleza faz falta!”. Júlia Pinheiro nasceu em 6 de Outubro de 1962, em Lisboa. Cresceu em Almada, foi colega liceu de José Manuel Durão Barroso e dos músicos António Manuel Ribeiro e Tim. Numa entrevista confessou que “queria ser arqueóloga desde os 9 anos e mantive esse objetivo até o dia em que a minha mãe, muito pragmática, me disse que, se fosse por aí, não ia arranjar emprego”. Optou por Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Nova de 18

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Lisboa. Iniciou a sua carreira profissional como estagiária na RDP, tendo como colegas Fernando Alves e Emídio Rangel. Em 1984 trocava a estação pública pela Rádio Renascença, onde permaneceu até 1992. Antes, em 1987, integrou a equipa fundadora da revista Máxima, tendo como chefe de redação Maria Antónia Palla. Com uma curta experiência na TV em 1981, na RTP com o programa Estamos Nessa, Júlia Pinheiro inicia a sua carreira televisiva em 1992 quando foi para a SIC, recém fundada, onde conduziu formatos como Praça Pública e Noite da Má Língua, começando a ganhar notoriedade mediática. Dez anos depois, seguiu Emídio Rangel, que fora seu diretor de informação na SIC, para a RTP. Mas foi uma passagem curta e em 2003 foi para a TVI, onde passou a conduzir outro tipo de formatos como As Tardes da Júlia e Casa dos Segredos e exerceu as funções de subdiretora de Programação. Em Janeiro de 2011 regressou à SIC para assumir o cargo de diretora de Gestão e Desenvolvimento de Conteúdos até Março de 2016, passando a diretora executiva de Conteúdos da SIC. Em 2011 foi onde se estreou com o programa diário Querida Júlia. Atualmente, divide o programa Queridas Manhãs com João Paulo Rodrigues. Foi ainda publisher da revista Activa e lançou a revista digital Júlia. Publicou livros como Um Castigo Exemplar, Não Sei Nada Sobre o Amor e O Que Diz Júlia. É casada com Rui Pêgo, do qual tem três filhos, Matilde e Carolina, e Rui Maria Pêgo, que é ator e apresentador de televisão e de rádio.


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Catarina Martins 44 anos, coordenadora do Bloco de Esquerda

A encenadora do poder do Bloco Era atriz e encenadora e chegou ao poder através da luta política mas, sobretudo, da participação e reivindicação culturais. Fez o primeiro curso de teatro aos 13 anos, começou por estudar Direito em Coimbra, mas foi o teatro do Citac que levou a melhor. Foi co-fundadora, em 1994, da Companhia de Teatro de Visões Úteis e dirigente da Plateia (Associação de Proposicionais das Artes Cénicas).

Foi eleita deputada à Assembleia da República como independente pelo Bloco de Esquerda, pela primeira vez em 2009. Como disse numa entrevista, hesitou um pouco em aceitar o convite: “depois aceitei, planeando fazer apenas um mandato, centrado nas questões da cultura e do trabalho precário. Entretanto a vida foi correndo. Hoje tenho outras responsabilidades que nunca planeei ter”. O responsável pelo convite fora João Teixeira Lopes, que vira no seu ativismo uma fórmula boa para o partido: “era muito ativa. Eles pediam para ser ouvidos, enviavam petições...” Acabou por ser re-eleita pelo círculo do Porto em 2011 e 2015. Em 2010, aderiu ao Bloco de Esquerda e passou a integrar a sua direção desde esse ano. Em 2012, juntamente com João Semedo, sucede a Francisco Louçã na liderança do partido. Curiosamente, dez anos antes enviara um e-mail para se filiar no Bloco de Esquerda mas não obtivera resposta. Em 2014, João Semedo abandona a liderança, passando a existir uma comissão permanente da qual Catarina era porta-voz. Em 2016, a Comissão Permanente foi dissolvida e Catarina Martins assumiu sozinha as funções de coordenadora do Bloco de Esquerda. É no seu mandato que o Bloco de Esquerda alcança o melhor resultado eleitoral de sempre, elegendo 19 deputados, superando o meio milhão de votos e obtendo 10,19% nas eleições legislativas. A 3 de Dezembro de 2015, na sequência do sucesso eleitoral e do afastamento da direita do poder, a conceituada revista norte-americana Politico classifica Catarina Martins como uma das 28 personalidades em destaque na Europa, considerando-a “a cara da esquerda” e referindo que “o sucesso de Martins provocou arrepios a todo o establishment da Europa”. Em Março de 2017, o Jornal Económico considera Catarina Martins a mulher mais influente em Portugal. Nasceu no Porto, a 7 de Setembro de 1973. Fez a primeira classe em São Tomé e a segunda e terceira classe em Cabo-Verde, países onde os pais foram cooperantes. Regressou a Portugal aos 9 anos e viveu em cidades como Aveiro, Gaia e Lisboa. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, tem um mestrado em Linguística e frequência de doutoramento em Didáctica das Línguas. É casada e tem duas filhas. O pai, Arsélio Martins, professor reformado de Matemática e prémio Nacional de Professores, foi fundador do Bloco. Ele e a mulher, Rosa Amélia Martins, mãe de Catarina, militaram na Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP), criada em 1972, que no final de 1975 esteve na origem do Partido Comunista Reconstruído e da UDP. É neta de uma professora de piano e irmã de João Martins, pianista e percussionista, que já residiu em Nova Iorque. Azul é a cor preferida e à beira-mar é o local onde as decisões complexas são tomadas. Gosta de nadar. www.executiva.pt | abril 2018

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Assunção Cristas 43 anos, presidente CDS-PP

“Habituei-me a olhar para o mundo com os olhos de uma família de direita” É a atual presidente do CDS-PP, cargo que desempenha desde 13 de março de 2016, substituindo o líder carismático, Paulo Portas. No seu primeiro embate eleitoral assumiu-se como candidata à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições autárquicas de 2017, tendo atingido o melhor resultado de sempre do CDS-PP (em coligação com o MPT e o PPM), com 20,57% dos votos e a eleição de quatro vereadores. Assunção Cristas aderiu ao CDS-Partido Popular em 2007 e apenas dois anos depois, em 2009, foi eleita deputada à Assembleia da República. No dia 21 de junho de 2011, tomou posse como ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território no XIX Governo Constitucional de Portugal. E, depois da remodelação de 24 de julho de 2013, manteve-se como Ministra da Agricultura e Mar, perdendo as pastas do Ambiente e do Ordenamento do Território para Jorge Moreira da Silva. Numa entrevista, afirmou que a sua chave para se ter sucesso está em “andar no terreno e ter a proximidade das pessoas” e que é “de direita porque a minha família é de direita. Habituei-me a olhar para o mundo com os olhos de uma família de direita”. Assunção Cristas nasceu em Luanda a 28 de setembro de 1974. Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1997. Era monitora desde 1995 e manteve-se como assistente entre 1997 e 1999, data em que foi admitida na Ordem dos Advogados depois de ter feito o estágio de advocacia. Foi assessora da ministra da Justiça do XV Governo Constitucional, Celeste Cardona, em 2002, assumindo nesse mesmo ano a direção do Gabinete de Política Legislativa e Planeamento, até 2005. Diz que ter “ido para o gabinete da ministra da Justiça fez-me ver o Direito de uma maneira completamente diferente. Percebi, em concreto, que é um instrumento de resolução de problemas, de estabilização de relações sociais”. Em 2004 tornou-se professora convidada na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou e se tornou professora auxiliar, em 2005, e professora associada, em 2009. Como assistente convidada, também lecionou no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI). Foi consultora jurídica na sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, desde 2010. Católica praticante, em Janeiro de 2013, tornou-se a primeira mulher em Portugal a estar grávida enquanto ministra. 20

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Kenton Thatcher_© Unidade Infinita Projectos

Joana Vasconcelos 46 anos, artista plástica

“Não trabalho com materiais, mas com ideias” “Digo que sou escultora. Depois, querem saber com que materiais trabalho. Aí, a resposta é mais complexa, porque o que eu trabalho não são materiais, são ideias”, disse recentemente Joana Vasconcelos. Joana Vasconcelos: I’m Your Mirror vai a ser a próxima exposição individual, a inaugurar a 9 de junho no Museu Guggenheim de Bilbau, mantendo-se até 11 de novembro. Para Joana Vasconcelos “a relação com Espanha é forte e antiga, foi em Valência que expus pela primeira vez fora de Portugal”. É constituída por algumas das obras mais conhecidas da artista, desde 1997 até agora, num total

de 35 obras, 14 das quais novas, ainda em preparação. I’m Your Mirror, que dá título à mostra, foi feita a partir da canção dos Velvet Underground, cantada pela Nico, e é uma máscara de grande formato feita de 231 molduras de duplo espelho, num total de 462 espelhos, e com duas toneladas e meia. “Ser mulher artista é muito mais difícil do que ser homem artista. Fui a primeira mulher da primeira exposição alguma vez comissariada por mulheres na Bienal de Veneza, que tem 125 anos. Fui a primeira mulher em Versalhes e a primeira na Ajuda. Porquê? É porque algo aconteceu, porque eu não sou especialmente melhor quando temos Vieira da Silva, Paula Rego, Ana Vieira, Graça Morais e tantas outras. Foi preciso muito tempo, muitas gerações para que as mulheres pudessem estar no lugar onde eu estou”, disse numa entrevista ao Expresso. Em 2013, a exposição de Joana Vasconcelos, realizada um ano antes no Palácio de Versalhes, liderava o top das cinco mais visitadas em Paris, nos últimos 50 anos, com 1,6 milhões de entradas. Em 2013, a sua exposição no Palácio da Ajuda foi vista por 235 mil pessoas, sendo a mais vista de sempre em Portugal. Nasceu em Paris, a 8 de novembro de 1971. Fez a sua formação artística sobretudo no Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual) em Lisboa, onde fez o curso básico de Desenho em 1989/94, o curso básico de joalharia em 1991/95 e o curso avançado de Artes Plásticas em 1994/96. Tem o seu atelier na Doca do Bom Sucesso junto ao rio Tejo em Lisboa. Segundo descreveu o Lisboacool.com, “o processo de criação de uma peça é o seguinte: a Joana tem uma ideia e faz um esboço, escolhe os tecidos e as cores e passa este esboço aos arquitetos que o transformam num desenho técnico em 3 dimensões, que é dado às artesãs e costureiras para criarem os adereços (tendo liberdade para fazer algumas alterações, sem fugir muito das linhas iniciais dadas pela Joana). Depois de todos os elementos prontos, é hora de construir a peça e testar se o seu propósito foi conseguido, de seguida é fotografada, e por fim pode seguir o seu caminho”. Expõe regularmente desde meados da década de 1990. O reconhecimento internacional do seu trabalho aumentou com a participação na Bienal de Arte de Veneza, (2005). Momentos relevantes na sua carreira recente incluem o projeto Trafaria Praia, Pavilhão de Portugal na Bienal de Arte de Veneza (2013), a individual no Palácio de Versalhes, em França (2012), a participação na coletiva The World Belongs to You, no Palazzo Grassi/François Pinault Foundation, em Veneza (2011), e a sua primeira retrospetiva, no Museu Coleção Berardo, em Lisboa (2010). No ano seguinte, representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza, com a conhecida obra do cacilheiro Trafaria Praia. Além de Bilbau, vai apresentar este ano duas obras de arte pública em França, a convite dos municípios de Paris e de Nice. A obra parisiense será instalada na Porta de Clignancourt, e a proposta para Nice, a escultura Tutti Frutti, de 2011, ficará no passeio marítimo da cidade, junto a uma nova estação de metropolitano. www.executiva.pt | abril 2018

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Isabel dos Santos 44 anos, empresária

Como fazer negócios sem o apoio do poder Em 26 de setembro de 2017, João Lourenço tomou posse como presidente de Angola, depois de ter vencido as eleições presidenciais, em substituição de José Eduardo dos Santos, que ocupara o poder durante quase 40 anos. O fim desta era atingiu profundamente o clã dos Santos e Isabel dos Santos deixou de ser o santo Graal do investimento em Angola para se tornar uma porta de entraves. Isabel dos Santos começou por ser demitida da Sonangol, a que presidia desde junho de 2016, com a missão de fazer a sua reestruturação. Depois a Sodiam, empresa de diamantes angolana, decidiu sair do capital da empresa de diamantes de Grisogno, instalada na Suíça. Esta nova atitude do governo de Angola para com as alianças empresariais de empresas estatais com Isabel dos Santos coloca alguma pressão em grande parte dos seus investimentos em Portugal. No banco de Fomento de Angola e na Unitel, em que tem 25% ao lado, por exemplo, da Sonangol, e nos braços financeiros que participam na NOS em Portugal e na Unicel Cabo Verde e S. Tomé. A Sonangol é também parceira de Isabel dos Santos no investimento na Galp Energia. Por sua vez, na Efacec conta com a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) de Angola. Tem ainda outros negócios, tais como cimentos, distribuição, cervejas, entre outros. No seu Instagram partilhou recentemente, a 6 de fevereiro de 2018, uma foto do Jornal de Angola em que o 22

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Presidente se reuniu com homens de negócios angolanos e Isabel dos Santos escreveu: “as mulheres angolanas continuam a lutar por um lugar na nossa sociedade. Desde a zungueira, a professora, a médica, a empresária… as mulheres têm um papel a jogar na sociedade. Uma reunião com o executivo aonde as mulheres não receberam convite… se calhar continuaremos a ser o segundo plano, sem opinião, triste retrocesso”. Isabel dos Santos nasceu em Baku, no Azerbaijão, em 20 de Abril de 1973 e é fruto do primeiro casamento de José Eduardo dos Santos com Tatiana Kukanova, de origem russa. Estudou na St. Paul’s Girls School e é licenciada em Engenharia Eletrotécnica pelo King’s College de Londres. É casada com Sindika Dokolo, empresário congolês e grande colecionador de arte africana. Depois de ter passado pela Coopers & Lybrand e por uma empresa de tratamento de resíduos em Luanda, lançou-se em vários negócios associados a empresas públicas angolanas e a membros da elite militar angolana. “Quero acreditar que sou mais, que estou além da marca. Sou uma mulher, criei riqueza para outros, criei um bom número de empregos, e além de tudo acho que no trabalho que faço, o objectivo não é criar riqueza, é criar desenvolvimento, trazer soluções para Angola e para África, que sejam sustentáveis e funcionem para nós”, resumiu em entrevista à BBC, em Março 2016.


Alexandra Lencastre 52 anos, atriz

Uma atriz em busca de amor “A nossa cotação no mercado sobe, depois desce e temos de aprender a lidar com isso. É difícil porque o negócio somos nós”, disse Alexandra Lencastre numa entrevista à Sábado. A atriz enche páginas e espaço nas revistas, na internet, na televisão, com a sua vida espiolhada, devassada e contada como a de uma diva. Não esconde que a idade tem sido um problema na construção da sua carreira. Considera que “as atrizes se lembram sempre do mesmo filme, Noite de Estreia, e da

mesma atriz, Gena Rowlands. A dada altura, ela explica porque é que está tão relutante em fazer uma personagem mais velha: ‘Quando o público me vir a fazer este papel, já não posso voltar para trás’”. Alexandra Lencastre nasceu em Lisboa, a 26 de Setembro de 1965. Estudou Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, seguindo pela carreira artística ao ingressar na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde se diplomou em Teatro (Formação de Actores) (1986). O seu apelido é Pedrosa mas escolheu Lencastre porque “o meu pai não concordava que eu desistisse de Filosofia para ser atriz. Achava que eu devia ir para Direito e dizia que eu dava uma boa advogada de defesa”, mas hoje “os meus pais vêem tudo o que eu faço, gravam, fazem recortes...” Começou a trabalhar profissionalmente no teatro em 1985, tendo ganho logo no ano seguinte o prémio de Atriz Revelação da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (APCT). Trabalhou em companhias ou grupos como o Teatro Experimental de Cascais, Grupo Teatro Hoje ou o Teatro Aberto. A entrar nos anos 1990, Alexandra Lencastre começou a ficar conhecida do grande público quer como atriz, ao participar na Rua Sésamo (1990) ou na A Banqueira do Povo (1993), quer como apresentadora de televisão na SIC em programas como Na Cama Com… (1993), Perdoa-me (1994) ou Frou-Frou, o único programa em que funcionou como pivô, exibido na RTP, em 1993. Da sua carreira ganharam relevo e destaque as participações nas telenovelas da TVI, tendo sido durante muito anos a atriz mais bem paga da televisão portuguesa. Com a década de 2010, surgiu também a participação regular de Alexandra Lencastre como jurada em várias temporadas de programas/concursos televisivos como A Tua Cara não Me É Estranha (2012), Dança com as Estrelas (2013) ou Pequenos Gigantes (2016). No cinema tem várias participações em filmes realizados por Fernando Lopes e João Botelho. Ao teatro tem regressado participando em várias peças, sobretudo, contracenando com Diogo Infante. À revista Cristina disse que “sinto sempre que amo mais do que sou amada”, acrescentando “talvez eu seja mais desejada e talvez eu ame mais”. De si própria diz que “é uma mistura de muitas coisas. É um ser complicado, mas é um ser dedicado. Posso, às vezes, não gostar muito dela, mas se a conhecesse seria amiga dela”. www.executiva.pt | abril 2018

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Isabel Vaz 52 anos, CEO da Luz Saúde

Um engenheira na saúde “Fazemos um bom serviço e tocamos na vida das pessoas de uma forma muito direta, e isso motiva-me, como me motiva, motivar os outros” disse numa entrevista. Isabel Vaz é figura relevante na Gestão e na Engenharia e recentemente recebeu o prémio Maria de Lurdes Pintassilgo, concedido pela Ordem dos Engenheiros a engenheiras que se destacam na sociedade. Nasceu no Porto, filha de um médico cardiologista, António José d’Oliveira Aníbal, mas tinha quatro anos quando foi viver para Setúbal, terra natal dos pais. “Desde muito pequenina, tive contacto com hospitais, médicos e com todo o mundo da saúde. Portanto, é um sítio onde me sinto bem”, diz. Depois de se ter licenciado em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico, em 1990, seguiram-se funções de investigação no Laboratório de Tecnologia de Células Animais e depois na AtralCipan, como engenheira de projetos fabris. Compreendeu que não tinha vocação para a investigação fechada num laboratório e, em 1992, entrou para a McKinsey. “Foi aqui que descobri a minha verdadeira vocação profissional”, explicou ao site Info RH, em 2014. Dois anos depois fez um MBA na Nova School Business & Economics. 24

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Em 1999, quatro pessoas num gabinete de 12 metros quadrados traçam o primeiro esboço do negócio que deu origem à atual Luz Saúde. A liderança da equipa cabia a Isabel Vaz, que recebera a incumbência de Ricardo Salgado, então homem forte do Grupo Espírito Santo. Hoje a executiva lidera uma empresa com 18 unidades — em que se incluem oito hospitais privados, o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, explorado em regime de parceira público-privada, sete clínicas privadas e duas residências sénior —, que faturou em 2014 mais de 400 milhões de euros, lucrou 18 milhões e tem 9 mil colaboradores. Neste projecto o impacto do MBA foi fundamental e enformou muitas das suas decisões “desde a forma inovadora como organizámos clinicamente os nossos hospitais — que, por incrível que pareça, foi inspirada numa aplicação do teorema de Nash, aprendido nas aulas de microeconomia — até aos princípios de corporate finance e de ética empresarial que aplicamos no dia a dia”. A determinação está no olhar e o rosto suaviza o discurso assertivo, como quando disse em 2007 à RTP que “melhor negócio do que a saúde só a indústria de armamento” ou que o setor privado é diabolizado em Portugal: “se as pessoas têm lucro são muito mal vistas em Portugal. Se [alguém] não tem lucro é um atrasado mental, não é eficiente e não devia existir”. No verão de 2013, com as crescentes dificuldades do Grupo Espírito Santo devido ao arrastar da crise financeira e económica, a então Espírito Santo Saúde era uma das jóias da coroa do grupo e ficou na linha da frente para ser colocada em Bolsa, como forma de o grupo aceder a mais capital. A 12 de Fevereiro vendia 49% do capital em Bolsa, o que rendeu 149,8 milhões de euros. A relação de Isabel Vaz com o GES e com Ricardo Salgado parecia um conto de fadas, até que a 3 de agosto de 2014 se tornou um pesadelo. Estava de férias em Tróia quando soube que o BES se dividia em banco mau e banco bom. “Foi provavelmente o pior dia da minha vida profissional e pessoal”, confessou à Bloomberg. Os problemas avolumaram-se no GES e a 29 de Julho o Tribunal Comercial do Luxemburgo aceitou analisar os pedidos de gestão controlada da Rioforte e da ESFG, accionistas da Espírito Santo Health Care Investments (ESHCI), dona de 51% da ES Saúde. A 19 de Agosto foi anunciada a OPA da mexicana Ángeles sobre a ES Saúde e seguiram-se propostas concorrentes da José de Mello Saúde, a única que não agradou a Isabel Vaz e disse-o em voz alta, e da Fidelidade. Além disso, os norte-americanos da Unitedhealth (donos do Grupo Lusíadas) fizeram uma proposta, fora de bolsa, aos accionistas da ESHCI para ficarem com 51% da ES Saúde. Em outubro de 2014, a Fidelidade, hoje controlada pela Fosun de Guo Guangchang, comprou em OPA 96% da ES Saúde, que mudou o nome para Luz Saúde. Isabel Vaz agora diz que “como tenho accionistas chineses, acredito no longo prazo”. E nas suas apresentações já surgem aforismos de gestão chineses como a “ação sem visão é um pesadelo, visão sem ação é um sonho”.


Francisca Van Dunem 62 anos, ministra da Justiça

O mérito e a inclusão Nasceu em Luanda, em 5 de Novembro de 1955, numa das famílias tradicionais de Angola e com peso no Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Van Dunem tornou-se “um nome tradicionalmente angolano, com quatro séculos”, como explicou ao Expresso Francisca Van Dunem, “tem origem num holandês que trabalhou para a coroa portuguesa e se estabeleceu em Angola. Relacionou-se com uma angolana com quem teve uma larga prole. Os respetivos descendentes decidiram seguir o exemplo e há imensos Van Dunem”. Em 1974, quando frequentava o curso de Direito na Universidade de Lisboa, deu-se o 25 de Abril e abriu-se a oportunidade para a independência de Angola. Regressou a Luanda mas um ano depois, em 1976, voltava a Lisboa. Pouco depois, a 27 de maio de 1977, uma tentativa de golpe de Estado em Angola levou a uma purga interna do MPLA e ao desaparecimento do irmão, José Van Dunem, e da cunhada, Sita Valles. Até hoje não sabe que se passou. A seu cargo ficou a educação do sobrinho, Che. Retomou o curso de Direito, que terminou em Julho de 1977 e durante dois anos foi monitora de Direito Penal e Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da

Universidade de Lisboa. Em Setembro de 1979 tornou-se magistrada do Ministério Público, onde fez grande parte da sua carreira, tendo sido, nomeadamente, diretora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa entre 2001 e 2007 e depois Procuradora-Geral Distrital de Lisboa, desde fevereiro de 2007. Entre 1985 e 1987 passou pela Alta Autoridade contra a Corrupção. Preparava-se para iniciar a carreira no Supremo Tribunal de Justiça quando António Costa, líder do PS, a convidou para funções políticas, tomando posse a 26 de novembro de 2015 como ministra da Justiça e tornando-se a primeira pessoa negra a ocupar um cargo ministerial em Portugal. “Não creio ter vindo para o Governo por ser mulher ou por ser negra. Estou convencida de que o convite que me foi dirigido tem a ver com o meu passado, com a minha experiência profissional”, disse Francisca Van Dunem em entrevista ao Expresso. Mas não excluiu que isso possa ter um significado numa comunidade negra que “provavelmente tem relativamente a ela própria uma ideia de exclusão ou de dificuldade de ascensão na pirâmide social”. É casada com Eduardo Paz Ferreira, professor catedrático na Faculdade de Direito de Lisboa. www.executiva.pt | abril 2018

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Paula Rego 83 anos, artista plástica

Uma contadora de histórias Em julho de 2015 um dos seus quadros, The Cadet and his Sister, de 1988, foi vendido num leilão da Sotheby’s por 1,6 milhões de euros, o que representou um novo recorde na obra da pintora. Hoje é a grande figura das artes plásticas portuguesas em termos internacionais, e é referida como um dos quatro maiores pintores vivos em Inglaterra. Em 2016 foi nomeada, pela Rainha do Reino Unido, Dame Commander of the Order of the British Empire pela sua contribuição para as Artes. Nasceu a 26 de Janeiro de 1935 em Lisboa, no seio de uma família republicana e liberal. O seu pai disse-lhe para ir para Inglaterra e seguir os seus sonhos, porque Portugal não “era lugar para uma mulher”. Em 1952 rumou à Slade School of Fine Art, em Londres, Reino Unido, onde conhece o artista inglês Victor Willing, ainda estudante, com quem viria a casar e teria três filhos. Um das suas principais referências foi o pintor Jean Dubuffet, que conheceu na capital britânica. Na década de 1960 26

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começou a expor em Inglaterra mas as suas maiores exposições individuais foram em Portugal. Em 1976, Paula Rego e a sua família fixam residência em Londres e em 1988 realiza ali a sua primeira grande exposição individual na Serpentine Gallery, Londres ganhando uma maior projeção internacional. Considera que o momento de viragem na sua carreira, “o que deu mais atenção, foi a exposição que eu fiz com o Eduard Totah das meninas com cães em 1982. Foi depois desta exposição que a Marlborough convidou-me para me juntar a eles. E foi assim que eu tive uma exposição em Nova Iorque.” O seu trabalho foi ganhando maturidade e, em 1987, Paula Rego passou a ter como representante da sua obra a galeria Marlborough Fine Art, que deu um impulso à divulgação internacional. Em 2005, seis litografias da série Jane Eyre (2001-2002) foram usadas pela Royal Mail para edição de uma coleção de seis selos. Em 2009, inaugura a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. Apesar de ter vivido grande parte da sua vida em Inglaterra, Paula Rego colocou aqui parte da sua obra. A instituição nasceu com o intuito de acolher e promover a divulgação e o estudo das obras de Paula Rego e Victor Willing. A sua filha Cas Willing diz dela:“usa as histórias dos outros para pintar a sua própria vida”. O filho, Nick Willing, fez um documentário intimista sobre a sua vida e obra, que passou na BBC e em Portugal em 2017.


Mariza 44 anos, fadista

Em Novembro de 2017, a cantora Mariza foi distinguida com o título de mestre da Música Mediterrânica, pela Universidade de Berklee, de Boston. Neste momento, prepara um novo disco, depois de Mundo, em 2015, que será o seu 9.º disco de originais. Como disse uma vez: “dar sempre a mesma coisa não faz parte da minha forma de estar na vida”. O El Pais considerou-a “como um Frank Sinatra no feminino”, chegam-lhe “de todas as partes composições pensadas para ela”. Em 2001, lançou o seu primeiro disco, Fado em Mim, que foi uma edição privada, mas depois editado em 32 países pela editora holandesa World Connection. Só em Portugal vendeu mais de 120 mil discos. Com este trabalho conquistou os primeiros prémios e iniciou a sua carreira internacional. Como escreveu o Público, “Mariza tornou-se, do dia para a noite, uma estrela maior que o mundo da guitarra portuguesa. Em pouco tempo o seu alcance tornou-se global”. A própria Mariza tem consciência do seu papel, neste após-Amália. “Quando eu ‘cheguei’ as editoras nem sequer pensavam em ter cantores de fado e existia um mercado internacional com algumas vozes como a Mísia e a Cristina Branco, mas não era nada tão aberto. E quando eu chego trago uma visão muito própria. A minha maneira de estar, a minha maneira de vestir, o conceito dos concertos, a utilização de percussões…” Como escreveu Rui Vieira Nery, rapidamente, “Mariza passou de um fenómeno local quase escondido, partilhado apenas por um pequeno círculo de admiradores lisboetas, para uma das mais aplaudidas estrelas do circuito mundial da world music”. Nasceu em Maputo a 16 de dezembro de 1973, mas viveu quase sempre na “Lisboa antiga”. Começou a cantar fado por influência familiar, ainda que durante a adolescência e o início da carreira cantasse pop, gospel, soul, jazz, música ligeira e brasileira e tenha pertencido a bandas de covers como a Vinyl e a Funkytown. Diz-se “cantadeira de fados” e passou por palcos como o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, com uma cenografia de Frank Gehry, o Lobero Theater, em Santa Bárbara, a Salle Pleyel, em Paris, a Ópera de Sydney ou o Royal Albert Hall. O jornal britânico The Guardian considerou-a “uma diva da música do mundo”. Hoje, como escreve o El País, “sejam finlandeses ou brasileiros, Mariza aparece sobre o cenário como uma deusa, uma sacerdotisa. Não se vai ouvir, vai-se sentir”.

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“Gosto de olhar para as pessoas quando canto”

“A menina de Moçambique criada no bairro popular lisboeta da Mouraria apropriou-se das raízes da sua cultura musical e converteu-se numa artista universal capaz de se abrir ao mundo sem perder a consciência intensa da sua identidade portuguesa. E o público português é o primeiro a reconhecer o seu triunfo e a pagar-lhe com um amor e uma gratidão sem limites” escreveu Rui Vieira Nery. Tem perto de 600 mil seguidores no Facebook. www.executiva.pt | abril 2018

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Elvira Fortunato 53 anos, professora e investigadora

“Portugal é grande, os portugueses é que são pequeninos” “A investigação que me deu mais satisfação foi, sem sombra de dúvida, a descoberta do transístor de papel, pois sendo uma área completamente disruptiva teve uma visibilidade internacional muito grande, o que nos permitiu alavancar uma área nova no Papel Electrónico e colocar Portugal na linha da frente numa área tecnológica e quem sabe ‘ajudar’ a Europa a ter liderança nesta nova área do conhecimento”, disse numa entrevista. Hoje está no top dos cinco investigadores mais importantes do mundo em eletrónica transparente. Elvira Fortunato foi a primeira investigadora portuguesa a receber a medalha Blaise Pascal, da Academia Europeia de Ciências e pertence ao Grupo de Alto Nível de conselheiros científicos da Comissão Europeia. Nasceu em Almada, em 22 de julho de 1964, e é licenciada em Engenharia Física pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em Engenharia dos Materiais. Em 2008 recebeu uma das Bolsas Avançadas do European Research Council no valor de 2,25 milhões de euros, para, durante cinco anos, desenvolver trabalho na área da microeletrónica transparente e montar um laboratório de Nanofabricação em Portugal. Como disse numa entrevista à RTP, este prémio foi crucial porque “dinheiro traz mais dinheiro, mas não foi só o dinheiro. Foi todo o reconhecimento científico e isso catapultou-nos para um outro patamar em termos de investigação científica”. Recentemente obteve a segunda Advanced Grant do ERC (Conselho Europeu de Investigação, no valor de 3,5 milhões de euros, a maior bolsa de sempre atribuída a um investigador português. A cientista diz que “Portugal é grande, os portugueses é que são pequeninos” e que “Portugal precisa de que os portugueses trabalhem na sua evolução”. As suas descobertas já deram origem a 16 patentes, cinco das quais internacionais e uma em parceria com a Samsung, mas refere que “as minhas conquistas não são só minhas, são também do País”. Foi incluída no livro Cientistas – 52 Mulheres Intrépidas que Mudaram o Mundo, de Rachel Ignotofsky, publicado pela Bertrand. Sportinguista, é uma assídua frequentadora dos jogos em Alvalade, onde de facto descontrai, porque, de resto, mesmo quando vai ao supermercado, “muitas vezes procuro ideias…”, confessou ao Jornal Económico.

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Rowan Papier para Sorbet Magazine

Sara Sampaio 26 anos, modelo internacional

“Não deixes que ninguém te limite” Foi considerada uma supermodelo internacional pela Business Insider de 8 de Setembro de 2016, é um dos anjos da Victoria’s Secret, e uma das personalidades portuguesas mais conhecidas online — tem mais de 6,3 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 2,7 milhões no Facebook, o que faz dela a mulher portuguesa com mais impacto no mundo global. “As coisas mudaram muito com o Facebook, o Instagram e o Twitter. Agora, as miúdas têm uma voz e isso é muito poderoso. Posso ir ao meu Instagram e dizer algo que é visto por milhões. Já não temos de entrar e sair caladas. Isso fez a indústria da moda perceber que não nos pode tratar como quer nem obrigar-nos a fazer o que quer. Podes sair de lá e responsabilizá-los por essas ações e tornar tudo público”, afirmou durante a conferência da Web Summit em Novembro de 2017.

Nasceu no Porto a 21 de julho de 1991 mas acabou por vir estudar Matemáticas Aplicadas para Lisboa. Como modelo teve algumas dificuldades iniciais porque tem 1.72m e porque o seu rosto não era considerado comercial. Numa entrevista revelou que “no primeiro dia em que comecei, colocaram-me limitações. ‘És baixa. Nunca vais ser capa de revista. Nunca vais estar numa passerelle’. E eu perguntava: porquê?”. Mas seguiu em frente e como conselho deixou: “não deixes que ninguém te limite”. Apesar da sua influência e presença no mundo da moda, a sua aposta para o futuro passa pela representação, por isso está “a ter aulas, a fazer o trabalho de casa para quando realmente as oportunidades surgirem eu poder abraçálas”, porque “sempre foi o que quis fazer, e depois a moda aconteceu e fui aproveitando. E acho que é onde eu vejo o meu futuro”. Participou recentemente num filme feito em Portugal e disse numa entrevista que estava “muito orgulhosa de ter feito e mal posso esperar que saia, deve ser para o próximo ano e deu-me assim...aquele gostinho, é realmente aquilo que quero fazer”. Sara Sampaio já fez uma pequena participação na comédia The Clapper, ao lado de celebridades das mais diversas áreas do entretenimento. A supermodelo tornou-se conhecida após vencer o concurso Cabelos Pantene 2007. Foi fotografada para as revistas Vogue, Glamour, Elle e Biba francesa, bem como para a revista Elle espanhola. Em 2012 foi capa de abril da Vogue portuguesa e escolhida para ser a representante da campanha internacional da Calzedonia — depois sucederam-se as campanhas. Em 2013 apareceu na primeira edição do ano da revista GQ portuguesa, apresentada como a “oitava maravilha do mundo”. Em 13 de novembro de 2013 desfilou no espetáculo anual em Nova Iorque da Victoria´s Secret, tornando-se na primeira manequim nascida em Portugal a participar neste desfile, e foi eleita modelo revelação de 2013 pela revista espanhola Hola!. Em fevereiro de 2014 foi fotografada para a Sports Illustrated Swimsuit Issue, tornando-se a primeira modelo portuguesa, ao lado de modelos como Lily Aldridge, Nina Agdal, Irina Shayk e Kate Upton, entre outras. Um ano depois, volta a ser uma das caras da Sports Illustrated Swimsuit e torna-se uma Victoria’s Secret Angels. Ainda em 2015, a Maxim assinalou o 20.º aniversário da marca Victoria’s Secret e incluiu Sampaio como uma das “20 Angels mais bonitas de sempre”. Em 2016 é capa da Maxim, com a modelo nua dentro de água. Também nesse mês foi capa da Vogue espanhola, juntamente com outros anjos da Victoria’s Secret. Em 2016, protagonizou o videoclipe de Chainsaw, de Nick Jonas, e em 2017 apareceu no videoclipe 2U, de David Guetta com Justin Bieber. Apesar da carreira internacional, como disse uma vez, “no final do dia, quando tiro a maquilhagem e as roupas caras, sou a Sara de sempre”.

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Rita Pereira 36 anos, atriz

“Faço questão de viver de forma positiva”

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Rita Pereira é a nova estrela da TVI e uma das rainhas das redes sociais, com mais de 850 mil seguidores no Instagram e 1,4 milhões no Facebook. “As pessoas não fazem ideia do que é ser reconhecido permanentemente. Não existe vida privada. Mesmo que esteja sozinha nunca estou só”, referiu numa entrevista. Tem de se ter “uma bagagem emocional sólida para se conseguir gerir todos os aspetos negativos e positivos que a fama envolve”. Mas condescende que “mesmo que naquele dia eu não esteja bem, tenho muito presente que a pessoa que se vai cruzar comigo não tem culpa do que se está a passar, enquanto figura pública, tenho de aprender a lidar com isso”. Rita Pereira nasceu em Carcavelos a 13 de março de 1982, mas durante algum tempo viveu com a família emigrada em Toronto, no Canadá. Antes de chegar à televisão trabalhou numa pizzaria, foi rececionista e teve um programa na Rádio Tropical, e foi promotora e manequim enquanto se licenciava em Comunicação e Jornalismo na Universidade Autónoma de Lisboa. Fez ballet durante 10 anos, depois seguiu-se a dança contemporânea, o R&B e o hip hop, pois um dos seus sonhos era ser bailarina. Começou na televisão como apresentadora do programa Altamente da SIC, a que se seguiriam participações como atriz em programas como Morangos com Açúcar, da TVI. Entrou num dos episódios da série Uma Aventura da SIC. Em 2009, fez o papel de Mel Fontes em Meu Amor, novela que ganhou o Emmy na categoria de Melhor Telenovela. Já estudou no Lee Strasberg Theatre & Film Institute, em Los Angeles. É embaixadora da marca Pantene e da Chiado Eyeglass Factory. Adora jogar basquetebol e foi federada durante cinco anos. Adepta fervorosa de exercício físico, não descura os treinos. Fez parte de um dos momentos de comoção da nova era mediática quando o ex-namorado, o ator e cantor Angélico Vieira, morreu num acidente de viação em junho de 2011. Em dezembro de 2016 lançou a Beiju, uma tapiocaria, tendo a rede atingido já as seis lojas em Lisboa e Porto. Recentemente, venceu o Prémio Personalidade Feminina Lux 2017, na categoria Negócios, tendo referido que pretende continuar a crescer como empresária. Como disse à Caras, “Quero ser uma empresária de sucesso. Não faço nada a meio gás, gosto de desafios duradouros. Gostava que este projecto se tornasse um franchising”. Acrescentou: “sou muito organizada e tenho tudo bem estipulado na minha cabeça. Acredito que se nos empenharmos totalmente podemos concretizar os nossos sonhos. Trabalho muito e a minha família e amigos sabem isso. Sou muito focada”. “Faço questão de viver de forma positiva e não sou nada materialista”, disse numa entrevista. Diz que faz voluntariado desde os oito anos, pois foi escuteira durante 12 anos. “O escutismo marcou a construção da minha personalidade, a autoconfiança. Por exemplo, sou incapaz de dizer ‘não consigo’, ‘não faço’ ou ‘não sei para onde vamos’. Talvez por isso goste tanto de viajar sozinha, de partir sem hotel definido. Não tenho medo”, disse ao portal Sapo.


Cláudia Azevedo 48 anos, CEO da Sonae Capital e acionista do Grupo Sonae

A herdeira de Belmiro “A Cláudia é talvez a mais parecida comigo, a que tem mais killer instinct”, disse uma vez Belmiro de Azevedo. Em 2013 foi nomeada presidente executiva da Sonae Capital, que gere a área de Turismo do grupo, incluindo o Tróia Resort, e tem os ginásios Solinca, em substituição do pai Belmiro de Azevedo, que viria a falecer em 29 de Novembro de 2017. Cláudia passou a deter 25,11% da Efanor, tal como os irmãos Paulo e Nuno. Esta holding — juntamente com a Pareuro, que detém a 100% —, controla 52,47% da Sonae Investimentos, 62,18% da Sonae Capital e 68,49% da Sonae Indústria. Cláudia Azevedo nasceu a 13 de Janeiro de 1970 no Porto, e começou por estudar no liceu inglês do Porto, seguindo-se um colégio interno no Reino Unido, dos 15 aos 18 anos. Regressou a Portugal e licenciou-se em Gestão de Empresas pela Universidade Católica. Em 1992 entrou para a Sonae, integrando a área financeira, que arrancou com o cartão de crédito Universo e que estaria na origem do Banco Universo, em 1997, e que fez parte da efémera onda do store-banking que a internet matou. Este projeto, um banco com balcões nos supermercados do grupo, não aceitava depósitos e estava

focado no crédito ao consumo. Em 1998 o braço financeiro foi vendido ao parceiro BPI e Cláudia era então diretora de marketing do banco. Passou para a Optimus, o projeto de telecomunicações recém conquistado pela Sonae associada à EDP e à France Telecom e, em 2006, tornar-se-ia administradora da Soneacom. Entretanto tinha feito um MBA do Insead, como quadro da Optimus — a empresa financiava os estudos dos colaboradores. Foi com o marido, Miguel Barros, hoje presidente da agência de publicidade Fuel e da Associação Portuguesa das Empresas de Publicidade, Comunicação e Marketing, com quem tem dois filhos. Apaixonada pelos produtos da Apple (anda sempre com o iPad), incentivou o jornal Público — de que foi administradora — a desenvolver uma aplicação para iPhone, onde foi pioneiro. Em Dezembro de 2012, Cláudia tornou-se administradora da Zopt, empresa constituída pela Sonaecom e por Isabel dos Santos, para controlar a Zon-Optimus, empresa que resultou da fusão das duas companhias. Como descreveu Carlos Oliveira Santos, um ex-Sonae, nos anos 80, “sabia-se que o irmão mais velho era tanto a fibra do pai que não estava disposto a aturá-lo em sucessões. Queria era coisas como ciência política, jornalismo ou teatros, e era bem capaz de criticar o pai como muito limitado à Sonae e coisas do género. A filha, mais nova que eles, seria, infelizmente, num grande grupo português firmado a Norte, uma impossibilidade histórica. Contudo, este, o do meio, não era o que sobrava. Era e seria uma meticulosa construção, externa e interna, dum sucessor”. Todos os anos, Nuno, Paulo e Cláudia procuram passar um período de férias juntos. www.executiva.pt | abril 2018

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Isabel Jonet 58 anos, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome

“Distribuir alimentos não é dar restos de comida”

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O seu nome é inseparável do Banco Alimentar Contra a Fome, embora diga e repita: “eu sou voluntária. Não sou mais nem menos que os outros”. E são cerca de 42 mil voluntários que ajudam a alimentar a rede de 21 bancos alimentares espalhados pelo país, que distribui 120 toneladas de comida por dia a 2600 instituições, e que ainda apoia 430 mil pessoas. Nascida em Lisboa, a 16 de Fevereiro de 1960, é licenciada em Economia pela Universidade Católica Portuguesa. Começou a carreira numa seguradora, a Sociedade Portuguesa de Seguros, que, por fusão com a Portugal Previdente, deu em 1999 origem à Allianz Portugal, e, em Bruxelas, trabalhou durante uns meses na direcção financeira da Assurances Générales de France, e durante quase seis anos como tradutora no Comité Económico e Social das Comunidades Europeias. Em 1993 aproximou-se do Banco Alimentar Contra a Fome, como voluntária desta instituição fundada em 1991 por ação de José Vaz Pinto para angariar alimentos e distribuí-los pelas pessoas necessitadas. Passou pouco depois para a direção e em 2003 tornou-se presidente e principal dinamizadora. A obra social Banco Alimentar tem, desta forma, a marca indelével de Isabel Jonet. Como disse à Executiva, “sou economista de formação académica e, por feitio, gosto de processos eficientes e de eficácia. Desde os 12 anos que faço voluntariado no setor social enquanto participação cívica e cidadã. Poder colocar as minhas competências ao serviço de instituições que operam no sector social foi, assim, uma opção de vida que me parece natural”. O Banco Alimentar Contra a Fome teve um papel importante no apoio aos que mais sofreram com a crise. Mas há uma pobreza estrutural que representa um desafio, pois como disse, “há milhares de pessoas que vivem com muitas dificuldades (em Portugal um quinto da população — 2 milhões de pessoas — vive com menos de 400 euros por mês) e o processo de mudança é lento, muito lento, e requer muita determinação e dedicação”. Depois de muitos anos a defender que a imagem da instituição era a própria instituição, deixou-se arrastar para a cena mediática, onde ressaltam todas as suas qualidades, mas também algumas da suas opiniões pessoais que alimentaram polémicas nos media sociais, muitas vezes descontextualizando as suas afirmações. O Banco Alimentar permitiu ainda o nascimento de várias instituições e iniciativas, como a ENTRAJUDA, a Bolsa do Voluntariado e o Banco de Bens Doados. Num entrevista à Visão, em 2012, referiu aquele que é o seu lema de vida: “a minha luta é a luta contra o desperdício. Desperdício de tempo, de pessoas, de recursos. Esse é o motor da minha vida”.


Daniela Ruah 34 anos, atriz

“Gostava de fazer cinema” Nasceu a 2 de dezembro de 1983, filha de Moisés Ruah e de Catarina Azancot Korn, e estudou na St. Julian´s School, em Carcavelos. A sua carreira teve início aos 16 anos, no papel de Sara na telenovela Jardins Proibidos, e dois anos depois foi estudar artes de representação na London Metropolitan University. Regressou a Portugal para fazer televisão, cinema e teatro. Participou no programa da RTP Dança Comigo, versão portuguesa de Dancing with the Stars da ABC (Estados Unidos), tendo sido a vencedora da 1.ª temporada. Em 2005, foi apresentadora do cinemagazine Cinebox, da TVI. Em 2007 foi para Nova Iorque estudar no Lee Strasberg Theatre and Film Institute. Como primeiro trabalho nos Estados Unidos, Daniela Ruah participou no spin-off de NCIS e acompanha a nova série NCIS: Los Angeles como uma das co-protagonistas. Foi nomeada para os Teen Choice Awards, em 2010, na categoria de Melhor atriz numa série de televisão de ação, pelo seu trabalho em NCIS: LA. Desempenhou a mesma personagem, Kensi Blye, em três diferentes séries: NCIS: Investigação Criminal (2009), Investigação Criminal Los Angeles (2009), e Hawaii Five-0 (2010). Em entrevista ao Expresso em 2017 disse: “de uma forma criativa, quero fazer o máximo de coisas, mas neste momento estamos a viver uma era dourada com as séries de televisão. Há uma quantidade enorme de plataformas que apostam nas séries, são centenas e centenas de produções. Isso implica que há muito mais competição entre atores e produções. Quando nós gravamos um episódio estamos a fazer uma espécie de filme de ação em sete dias e com um budget muito mais reduzido. Isto para dizer que claro que gostava de fazer cinema, quem não quer. É o ultimate dream”. Em 2018 vai apresentar o Festival Eurovisão da Canção 2018, organizado pela RTP, juntamente com Catarina Furtado, Filomena Cautela e Sílvia Alberto. Tem o denominado Nervo de Ota, que lhe cobre parte da irís e lhe dá a aparência de ter um olho de cor diferente, o que não afeta a visão. Hoje tem dupla nacionalidade (portuguesa e norte-americana). Em 19 de Junho de 2014 casou-se, no Farol Hotel, em Cascais, com o duplo norteamericano David Olsen, de quem tem dois filhos. Por isso, disse numa entrevista: “sinto-me ligada aos dois países. Quando estou cá, tenho saudades da minha vida em Los Angeles e, quando estou lá, tenho saudades de Portugal. Mas, por tudo isso que referiu, acabei por fazer de Los Angeles o meu lar. Irei sempre voltar a Portugal, pois é cá que está a minha família”. www.executiva.pt | abril 2018

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Joana Carneiro 41 anos, maestrina

Dar música ao Nobel Em Dezembro passado, Joana Carneiro dirigiu a Orquestra Filarmónica Real de Estocolmo, no concerto da cerimónia de entrega dos prémios Nobel na capital sueca. O programa foi feito de acordo com os laureados e incluiu peças de Mozart, Lindblad, Amy Beach, Bach, Korngold, Peterson-Berger, Alfvén, para além do hino sueco. Foi o primeiro de vários concertos com esta orquestra ao longo de 2018. Joana Carneiro é maestrina principal da Orquestra Sinfónica Portuguesa. É também maestrina convidada da Orquestra Gulbenkian e diretora artística do Estágio Gulbenkian para Orquestra. Em 2009 assumiu as funções de diretora musical da Sinfónica de Berkeley, sucedendo a Kent Nagano e tornando-se no terceiro maestro a ocupar este lugar nos 40 anos de atividade da orquestra. Joana Carneiro nasceu em Lisboa, a 30 de Setembro de 1976, e é a quinta de nove irmãos, filhos de Roberto Carneiro e de Maria do Rosário Carneiro. Aprendeu as letras e as notas musicais aos 6 anos, e também a tocar um instrumento: violeta (viola de arco). Aos 9 disse que preferia uma batuta e iria dirigir orquestras em todo o mundo — está perto de o conseguir. Estreou-se aos 17 anos e já só lhe falta entrar em África. Diplomou-se em Direção de Orquestra pela Academia Nacional Superior de Orquestra, onde estudou com Jean-Marc Burfin. Concluiu o mestrado na Northwestern University e o doutoramento na Universidade do Michigan. Em 2002 foi American Symphony Orchestra League Conducting Fellow na Filarmónica de Los Angeles. 34

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Trabalhou com Esa-Pekka Salonen, Kurt Masur e Christoph von Dohnányi e dirigiu a Filarmónica de Londres como uma das três maestrinas escolhidas para a Allianz Cultural Foundation International Conductors Academy. Foi assistente do maestro Esa-Pekka Salonen na estreia mundial de Adriana Mater, de Kaija Saariaho, na Ópera de Paris. Em seguida dirigiu a ópera A Flowering Tree, de John Adams, na Ópera de Chicago, na Cité de la Musique, na Fundação Calouste Gulbenkian e na Ópera de Cincinnati. Em 2010 dirigiu apresentações de Oedipus Rex e da Sinfonia de Salmos de Stravinsky, numa encenação de Peter Sellars para o Festival de Sydney, que ganhou o Prémio Helpmann para o melhor concerto sinfónico do ano. Em 2014, na sua estreia com a English National Opera, dirigiu a versão encenada da oratória The Gospel According to the Other Mary, de J. Adams. Dirigiu também A Flowering Tree na ópera de Gotemburgo e estreou-se à frente da Orquestra Nacional de Lyon e da Sinfónica de Helsingborg. Mais recentemente dirigiu uma produção de La Passion de Simone, de K. Saariaho, no Festival de Ojai, na Califórnia. Em novembro de 2015 dirigiu a produção Prima Donna, de Rufus Wainwright, na Fundação Gulbenkian. Em 2010 recebeu o Prémio Helen M. Thompson, atribuído pela Liga das Orquestras Americanas. Disse em entrevista ao Diário de Notícias que artisticamente Portugal é a sua casa. “Sinto-me muito próxima do público, há uma proximidade muito maior do que em outro país. Nos Estados Unidos também me sinto muito bem. Vivi lá muito tempo e acredito que foi aí que criei muito da minha identidade como artista, em termos daquilo que acredito que é um maestro no século XXI ou o que é um diretor musical no século XXI. E, mais recentemente, comecei a trabalhar no Norte da Europa. É uma forma de trabalhar muito interessante”.


Maria José Morgado 67 anos, magistrada do Ministério Público

“A justiça é muito relativa e é utópica” Em novembro de 2015, Maria José Morgado sucedeu a Francisca Van Dunem na Procuradoria-Geral Distrital (PGD) de Lisboa. Não gosta do epíteto de “a justiceira” porque, diz, “o justiceiro nunca é justo. A justiça é muito relativa e é utópica. Tem erros, falhas e vai até onde pode. Não podemos usar os processos como uma arma alternativa para transformar a sociedade.” Nasceu em Malanje em 1951 e é licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa, tendo ingressado na magistratura do Ministério Público em 1979. Pouco tempo depois foi colocada no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa e passaria longos anos nos Juízos Criminais. Chefiou, entre Novembro de 2000 e Agosto de 2002, a Direção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da Polícia Judiciária. Pelas suas mãos passaram os processos relativos ao Apito Dourado, os casos Vale e Azevedo, paquetes da Expo, subornos na GNR e corrupção no Fisco ou na Câmara Municipal de Lisboa, Vitória de Guimarães/Pimenta Machado. Foi ainda a acusadora pública no caso Melancia. A missão que se seguiu foi no Tribunal da Relação de Lisboa, já como procuradora-geral

adjunta e de onde sairia, em 2007, para o DIAP de Lisboa. Disse numa entrevista em Fevereiro de 2015 à RTP 3: “nesta área temos um inimigo sem rosto porque estamos no domínio do crime sem vítima, porque a vítima somos todos nós e não nos podemos queixar coletivamente. Estes são os custos intangíveis da corrupção: são mais défice público, mais despesa pública, serviços públicos mais caros, injustiça fiscal”. Durante o período em que estudou foi militante do PCTP/ MRPP, onde conheceu o falecido fiscalista José Saldanha Sanches, com quem foi casada. Abandonaram a militância em 1976 porque, como revelou numa entrevista que deu em conjunto com Saldanha Sanches ao Público, em 2008: “não acreditava no partido nem na ideologia marxista-leninista, não havia nada a salvaguardar desse lado. Nunca mais pensámos em lógicas partidárias”. “Não éramos políticos, éramos revolucionários”, pois o que os motivava “era a luta por um mundo melhor, com tudo o que isso implicava: liberdade, pluralismo.” Tem o vício pelo exercício físico, que a faz acordar todos os dias às 6h, gosta de música e poesia porque, como disse numa entrevista ao Expresso, “ao contrário do gin, a poesia não faz dor de cabeça”. www.executiva.pt | abril 2018

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Olga Roriz 62 anos, coreógrafa

“Há uma coisa que me faz sempre feliz: recriar-me diariamente” “Fui, sou e serei uma bailarina e coreógrafa. Uma não está dissociada da outra. Consegui pôr em prática aquela verdade que era uma dúvida enquanto criança. Pergunto: ‘Os bailarinos fazem as suas danças, mãe?’. Responde: ‘Não, são os coreógrafos’. Digo: ‘Então, quero ser isso!’”, conta Olga Roriz. Nasceu em Viana do Castelo em 1955 e aos 3 anos veio para Lisboa. “Tive a sorte de ter uma professora que tinha ido fazer um curso à Suíça e que tinha um método de trabalho diferente. A minha mãe contava que ela dizia aos meninos que se dormissem a sesta, a Olguinha dançava... A minha mãe era muito virada para as artes e viu em mim 36

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um alter-ego. E o meu pai era muito sensível. Desenhador de barcos, foi um dos sócios-fundadores dos Estaleiros de Viana do Castelo, e também desenhava os móveis lá de casa. Acreditaram naquilo. Deixaram a casa de Viana do Castelo, o meu pai mudou-se para um apartamento lá, e eu, a minha mãe e a minha irmã para um em Lisboa. O meu pai vinha a Lisboa todos os fins-de-semana. Era uma lua-de-mel constante para a minha mãe, o casal ficou eternamente feliz, e para nós era o Pai Natal com tudo o que trazia do Norte. A minha mãe, na capital, ia muito ao cinema, ao teatro, aos fados, conhecia os artistas... Vinha de uma família de fotógrafos que tinham posto a filha a estudar, por isso, estava preparada e, em Lisboa, sempre esteve satisfeita e ativa”. Fez o curso de dança da Escola de Dança do Teatro Nacional de S. Carlos, com Anna Ivanova, e na Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa. Em 1976 entrou para o Ballet Gulbenkian, onde foi primeira bailarina e coreógrafa principal (sob a direção de Jorge Salavisa). Em 1988, quando apresentou o primeiro espectáculo a solo, deu início ao percurso de um método de trabalho que ainda hoje utiliza. Em Maio de 1992 assumiu a direção artística da Companhia de Dança de Lisboa (CDL). “Foi o abandono do local onde me fiz intérprete e coreógrafa com um estatuto profissional e todo um repertório deixado para trás. Deixei de ter a proteção da Fundação Calouste Gulbenkian para ingressar no mundo do trabalho independente”, referiu numa entrevista. Três anos depois demitiu-se da CDL e fundou a Companhia Olga Roriz, da qual é diretora e coreógrafa. O seu reportório na área da dança, teatro e vídeo é constituído por mais de 90 obras, onde se destacam as peças Treze Gestos de um Corpo, Isolda, Casta Diva, Pedro e Inês, Propriedade Privada, Electra, Pets, A Cidade, A Sagração da Primavera. Numa entrevista à Visão disse que “não é que viva em sofrimento todo o tempo, mas o meu corpo não sabe o que é um dia em que não tenha uma dor. Sempre tive um corpo disciplinado de uma maneira mais ou menos natural, com mais ou menos esforço”. Criou e remontou peças para um vasto número de companhias nacionais e estrangeiras, entre elas o Ballet Gulbenkian e Companhia Nacional de Bailado (Portugal), Ballet Teatro Guaira (Brasil), Ballets de Monte Carlo (Mónaco), Ballet Nacional de Espanha, English National Ballet (Inglaterra), American Reportory Ballet (EUA), Maggio Danza e Alla Scala (Itália). Os seus trabalhos foram apresentados nas principais capitais europeias, assim como nos Estados Unidos, Brasil, Japão, Egito, Cabo Verde, Senegal, Tailândia, Macau, Moçambique e Coreia do Sul. Numa entrevista, referiu: “tenho uma grande capacidade de tornar o negativo em positivo. Apesar de também ser um bocadinho negra. Mas há uma coisa que me faz sempre feliz: recriar-me diariamente numa ideia, numa frase, numa coisa que escrevo, numa coisa que penso, em algo que projeto”.


Leonor Beleza 69 anos, presidente da Fundação Champalimaud

“Eu quero as mulheres com mais poderes, seja lá onde for” Abandonou as luzes da ribalta política e longe vão os tempos em que fez parte das quatro magníficas do PSD: Manuela Ferreira Leite, Teresa Gouveia e Isabel Mota, a nova presidente da Fundação Calouste Gulbenkian. Mas, como disse numa entrevista à Notícias Magazine, “não estou completamente fora, não é? Sou membro de um partido, conselheira de Estado, não estou fora. As pessoas sabem que eu tenho escolhas partidárias, mas sou uma militante-base. E não tenho a mais pequena ideia de voltar, porque tenho uma outra missão, que aceitei”. É presidente da Fundação Champalimaud desde 2004, conforme decisão de António Champalimaud, deixada em testamento, conselheira de Estado desde 2008, e preside, desde 2013, ao Conselho Geral da Universidade de Lisboa. Nasceu no Porto a 23 de novembro de 1948 numa família ligada à burocracia do regime e com ações da empresa de Vinhos Borges. O pai, José Júlio Pizarro Beleza, foi professor na Universidade de Coimbra e subsecretário de Estado do Orçamento (1958-1963). Licenciou-se em Direito em 1972, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde iniciou uma carreira académica, tendo colaborado na reforma de 1977 do Código Civil português. Entrou para a SEDES antes do 25 de Abril de 1974 e, depois da instauração da democracia, aderiu ao PPD, actual PSD, onde ocupou diversos cargos de relevo. Foi deputada entre 1983 e 2005. Fez parte de três governos, como secretária de Estado da Presidência do Conselho de Ministros (1982-1983), secretária de Estado da Segurança Social (1983-1985), e como ministra da Saúde (1985-1990).

Foi vice-presidente da Assembleia da República de 1991 a 1994 e entre 2002 e 2005. Foi consultora principal do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, de 1994 a 2005, tendo desempenhado outros cargos, como o de coordenadora do Serviço Jurídico da TVI, entre 1994 e 1997, a presidência do Conselho Fiscal do Banco Totta & Açores, de 1995 a 1998, e tendo sido membro do Conselho Geral e de Supervisão do BCP entre 2011 e 2013. Uma das suas lutas de sempre foi a igualdade de género e participou, há 40 anos, na alteração do Código Civil que tornou legal a igualdade das mulheres. “Eu não fui nenhuma heroína. Eu já sou de uma geração privilegiada comparada com as que estiveram para trás”, recordou à Notícias Magazine. No entanto, foi pioneira em alguns aspetos. Fez o curso com uma média de 17 valores e foi a primeira mulher sem doutoramento convidada para dar aulas e a segunda, depois de Maria de Lurdes Pintasilgo (primeira-ministra entre julho de 1979 a janeiro de 1980), a exercer funções de ministra no Governo de Portugal. O irmão Miguel Beleza, que foi professor universitário na Nova School of Business and Economics, governador do Banco de Portugal e ministro das Finanças, faleceu inopinadamente com 67 anos, em junho de 2017. A irmã Teresa Pizarro Beleza é professora catedrática e diretora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, onde está desde 1998. Nesse ano lectivo introduziu uma disciplina, ensinada pela primeira vez em Portugal, Direito das Mulheres e da Igualdade Social. Tem ainda um outro irmão, José Beleza. www.executiva.pt | abril 2018

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52 anos, presidente da ExperimentaDesign

“Fui desenhada para ser feliz” “Fui desenhada para ser feliz”, disse uma vez Guta Moura Guedes, batizada Augusta Regina. Em fins de 2017, abriu a Lisbon Gallery Design & Architecture, que nasceu pela mão da ExperimentaDesign, dirigida por Guta Moura Guedes. Depois de uma hora a receber os convidados, a curadora não poderia sentir-se mais satisfeita com o projeto. “As reações foram muito boas, não tinha dúvidas de que fosse assim, porque estamos a trabalhar com alguns dos melhores designers do mundo, sendo essa uma das linhas que iremos seguir. Todas as peças são feitas com indústria portuguesa, e isso é um factor muito importante para o trabalho que a experimentadesign faz.” E se as peças criadas por designers de renome internacional tiveram destaque nesta abertura, alguns deles estiveram presentes, como foi o caso de Philippe Starck, amigo da anfitriã há mais de 15 anos. Segundo o jornal Público, a bienal ExperimentaDesign (EXD), que se despediu em Setembro de 2017, ao longo de 18 anos e nove edições recebeu mais de um milhão de visitantes, convidou mais de 1800 participantes, portugueses e estrangeiros, e envolveu 48 países em projetos totalmente originais. Segundo Guta Moura Guedes, “quisemos desmitificar a disciplina do design:

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CarlosRamos

Guta M. Guedes

isto não é um bicho-de-sete-cabeças, é uma ferramenta utilíssima que produz soluções e aumenta a eficácia das coisas que nós fazemos”. Nasceu em 23 de julho de 1965, em Torres Vedras, e veio para Lisboa estudar Gestão Hoteleira, depois de se ter recusado a ir estudar Biologia para a Universidade dos Açores, por amor. Já confessou que “a meio do curso percebi que não queria nada daquilo mas como não gosto de desistir continuei até ao fim. Cheguei a fazer estágios em hotéis e em restaurantes durante o verão”. Casou-se, teve dois filhos, fez anúncios de televisão a margarina e detergentes, fez a programação cultural e a gestão financeira da discoteca Sociedade Anónima, um curso de Gestão Hoteleira na Universidade Independente e um disco com Nanã Sousa Dias — eram os Beat. Entrou para a Faculdade de Belas Artes para estudar Design, mas com a aventura da experimentadesign os estudos académicos ficaram a meio. Ainda começou por desenhar uns móveis inspirada no livro O Memorial do Convento, de José Saramago, nos quadros de Mondrian e nas Variações Goldberg, de Bach. Pelo caminho foi administradora da Fundação Centro Cultural de Belém (2004-2005) e assessora da Casa da Música (2006-2008).


36 anos, AUTORA DO blogue A Pipoca Mais Doce

“24 horas ligada ao blogue” Ana Garcia Martins nasceu em Lisboa “num friorento dia de Janeiro”em 1981. Como escreveu no seu blogue A Pipoca Mais Doce, “quando, finalmente, percebi que tinha de escolher alguma coisa para seguir, o Jornalismo pareceu-me assim uma coisa espectacular”. Licenciou-se em Ciências da Comunicação, na Universidade Nova de Lisboa, e, mais tarde, pós-graduou-se em Comunicação, Protocolo e Relações Públicas, em Madrid, e também em Marketing Management e em Consultoria de Imagem. Estagiou na Antena1/Antena 3, foi jornalista no diário A Capital e editora da secção de Consumo da Time Out Lisboa durante cinco anos, antes de decidir dedicar-se ao blogue A Pipoca Mais Doce, que lançou em 2004 e que se viria a tornar a sua marca. “Gostava mesmo era de escrever. Mas rapidamente percebi, quando cheguei a um jornal, que não podia escrever da forma que queria, nem sobre o que queria por causa de todas as contingências editoriais que me eram impostas. Nessa altura, os blogues estavam a aparecer em Portugal e achei que era uma boa forma para expressar tudo aquilo que queria e que não tinha espaço no meu trabalho” explicou Ana Garcia Martins numa entrevista. O sucesso traduziu-se em parcerias

paulo alexandrino

Ana Garcia Martins

com marcas para a criação de linhas próprias de acessórios, como jóias, relógios ou óculos de sol. Pelo meio foi cronista no jornal 24 Horas, na revista Playboy, no jornal i e colaborou com a Elle, Rádio Clube Português, revista J, jornal do Lux, entre outros. Escreveu livros como A Pipoca Mais Doce, Estilo, Disse Ela, O Problema Não És Tu, Sou Eu, e dois livros infantis Já dormias, não? e Quem deu um pum?, na Porto Editora, e abriu a loja Bazaar Chiado. “Casei, arranjei um cão e tive um filho, Mateus. Só falta mesmo a árvore (…) benfiquista ferrenha, dona de uma considerável colecção de sapatos, desportista ocasional (a idade e a gravidade não perdoam), pessoa que não diz que não a um chocolate e sempre prontinha para se enfiar num avião (apesar do pânico), que não há coisa melhor na vida”, escreveu no seu blogue, que tem em média 65 mil visitas diárias e é o n.º 2 da blogosfera em Portugal. Tem mais de 250 mil seguidores no Facebook e 181 mil no Instagram. Diz que está 24 horas por dia ligada ao blogue. “Com as redes sociais, smartphones, ipads é impossível não estarmos ligados ao mundo. Para um bom post basta estar atenta. E estou sempre atenta”, garante.

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O poder de Eva além das 25 mulheres que integram a lista das mais influentes em portugal, muitas outras assumem papeis preponderantes em diferentes áreas da sociedade. representando as mulheres metade da população em portugal, é inevitável que o poder femino seja cada vez mais evidente.

Nas eleições autárquicas de 2017, os homens têm 276 presidências de câmara, tendo sido eleitas apenas 32 mulheres, mais nove do que em 2013. Três dos dez maiores municípios portugueses em termos de população são administrados por mulheres, como é o caso da Amadora, Matosinhos e Almada. E na autarquia mais populosa, que é Lisboa, a presidente da Assembleia Municipal é Helena Roseta. Em termos de capitais de distrito, Setúbal e Portalegre são lideradas por mulheres.

Depois de Elina Fraga, atual vice-presidente do PSD, não ter conseguido renovar o seu mandato como bastonária da Ordem dos Advogados, a feminização das Ordens, que ainda não chegou aos médicos nem aos engenheiros, reduziu-se.

Autarcas

BastonáriAs

Inês Medeiros, presidente, Câmara de Almada Carla Tavares, presidente, Câmara da Amadora Luísa Salgueiro, presidente, Câmara de Matosinhos Maria das Dores Meira, presidente, Câmara de Setúbal Helena Roseta, presidente, Assembleia Municipal de Lisboa Adelaide Teixeira, presidente, Câmara Municipal de Portalegre

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Ana Rita Cavaco, bastonária, Ordem dos Enfermeiros Ana Paula Martins, bastonária, Ordem dos Farmacêuticos Alexandra Bento, bastonária, Ordem dos Nutricionistas Paula Franco, bastonária, Ordem dos Contabilistas Certificados


Grande parte das mulheres mais ricas de Portugal são-no por herança, mas isso também acontece com grande número de fortunas masculinas. Mas começam a emergir empresárias que numa geração fazem uma acumulação de riqueza.

Depois da sombra de Amália Rodrigues (1920-1999), surgiram fadistas como Mariza e Mísia, que fizeram apostas certeiras no mercado internacional e abriram as sendas para as novas fadistas, que palmilham novos caminhos no fado de sempre.

Durante a primeira década após o 25 de Abril de 1974, a presença feminina na Assembleia da República foi praticamente irrelevante e em 2005 a representação feminina continuava a rondar apenas um quinto do total de lugares. Com a aprovação da chamada Lei da Paridade, em 2006, deu-se um incremento significativo da representação de mulheres na Assembleia da República, que passou de 21,3% em 2005 para 33% em 2015, ano em que se atingiu o limiar de paridade de acordo com o que está definido na Lei.

Apesar da saída de Fátima Barros da presidência da ANACOM, a presença das mulheres na liderança de organismos de supervisão e regulação está a ganhar visibilidade. A presidência da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões poderá ser o próximo reforço.

Bilionárias

fado

Política

Regulação

Paula Amorim, Grupo Américo Amorim Luísa Amorim, Grupo Américo Amorim Marta Amorim, Grupo Américo Amorim Ana Maria Caetano, Grupo Paranaima/Caetano Coatings Angelina Caetano, Grupo Salvador Caetano Rita Celeste Violas, Grupo Violas Maria Folhadela de Oliveira, Grupo TMG Maria Isabel dos Santos, Grupo Jerónimo Martins Manuela Medeiros, Parfois Paula Bulhosa, Sonacin Gabriela Costa Leite, Grupo Vicaima

Cuca Roseta Carminho Gisela João Raquel Tavares Ana Moura Katia Guerreiro Mafalda Arnauth Joana Amendoeira Ana Marta Aldina Duarte Cristina Branco Maria Ana Bobone

Mariana Mortágua, deputada, Bloco de Esquerda Ana Catarina Mendes, deputada e secretária-geral adjunta, Partido Socialista Maria Manuel Leitão Marques, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa Ana Paula Vitorino, ministra do Mar Teresa Caeiro, vice-presidente, Assembleia da República Heloísa Apolónia, líder informal e deputada, Os Verdes

Gabriela Dias, presidente, CMVM Maria Lúcia Amaral, Provedora de Justiça Elisa Ferreira, vice-presidente, Banco de Portugal Teodora Cardoso, presidente, Conselho de Finanças Públicas Maria do Céu Machado, presidente, Infarmed

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O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas é formado por 15 reitores, mas as duas únicas mulheres reitoras estão na Comissão Permanente formada por cinco membros.

Há muitas mulheres estudantes de doutoramento e cientistas, mas os lugares de chefia continuam a ser maioritariamente ocupados por homens.

Reitoras

Advogadas

Ciência

Ana Costa Freitas, reitora, Universidade de Évora Isabel Capeloa Gil, reitora, Universidade Católica Maria de Lurdes Rodrigues, reitora, ISCTE Maria de Fátima Carioca, dean, AESE- Business School Sofia Salgado Pinto, dean, Católica Porto Business School Teresa Pizarro Beleza, diretora, Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa

Paula Teixeira Pinto, sócia, FCB Associados Maria João Ricou, managing partner e sócia, Cuatrecasas Carmo Sousa Machado, presidente do conselho de administração e sócia, Abreu Advogados Gabriela Rodrigues Martins, sócia, AAA Advogados Graça Carvalho, Head of Legal, CTT Magda Cocco, sócia, VdA Margarida Olazabal Cabral, sócia, MLGTS Maria Castelos, sócia, CS Associados; Mariana Norton dos Reis, sócia, Cuatrecasas; Paula Gomes Freire, sócia, VdA; Serena Cabrita Neto, sócia, PLMJ; Susana Pimenta de Sousa, sócia, Garrigues Portugal.

Mónica Bettencourt Dias, diretora, Instituto Gulbenkian da Ciência Maria do Carmo Fonseca, presidente, Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, da Universidade de Lisboa Maria Manuel Mota, diretora-executiva, Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes Maria João Valente Rosa, diretora. Pordata Zita Martins, considerada uma das maiores especialistas do mundo na astrobiologia

Fonte: InspiraLAw, “The Iberian Lawyer InspiraLAw Top 50 Women List“

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A presença feminina na gestão e na liderança tem vindo a aumentar de forma consistente entre 2011 e 2016 (+2,3pp e +5,7pp, respetivamente). Porém, das quase 600 mil funções de gestão existentes nas empresas nacionais, 2/3 continuam a ser desempenhadas por homens. Nos cargos de liderança, a representação masculina é ainda mais acentuada (71%), segundo dados do relatório O Género na Gestão e Liderança nas Empresas Portuguesas da Informadb, de Março 2017. Empresárias e gestoras

Esmeralda Dourado, empresária Ana Paula Rafael, empresária e gestora, Dielmar Beatriz Rubio, empresária e CEO, Remax Portugal Cristina Fonseca, cofundadora, Talkdesk Leonor Freitas, empresária e gestora, Casa Ermelinda Freitas Ana Torres, PWN Judite Mota, Chief Creative Officer, Grupo WWP, e directora-geral, Y&R Sofia Tenreiro, diretorageral, Cisco Paula Panarra, directorageral, Microsoft Maria Amália Freire de Almeida, administradora, Parpública Cristina Rios Amorim, administradora não executiva, BP,I, e administradora, Corticeira Amorim Susana Carvalho, CEO, JWT Isabel Reis, CEO, Dell EMC

É um observatório interessante pois o número de administradoras em empresas financeiras está a aumentar de uma forma acelerada, embora os lugares de liderança sejam diminutos.

Financeiras

Maria Cândida Rocha e Silva, presidente e accionista, Banco Carregosa Remedios Ruiz Macia, administradora, Santander Totta Inês Oom Ferreira de Sousa, administradora, Santander Totta Isabel Mota, administradora não executiva, Santander Totta Carla Bambulo, administradora não executiva, BPI Maria João Carioca, administradora, CGD Ana Maria Fernandes, administradora não executiva, CGD Cidália Lopes, administradora não executiva, BCP Conceição Calle Lucas, administradora executiva, BCP Madalena Torres, CEO, Banco Best Raquel Vunge, administradora não executiva, BCP

Maria Isabel Cabral de Abreu Castelo Branco, presidente, BPI Vida & Pensões Susana Isabel de PaivaManso Trigo Cabral Quinaz, administradora, BPI Vida & Pensões Maria Isabel Revês Arsénio Florêncio Semião, administradora, BPI Vida & Pensões Teresa Brantuas, CEO, Allianz Teresa Mira Godinho, CFO, Allianz Spa (Itália) Madalena Tomé, CEO, SIBS Emília Vieira, CEO, Casa de Investimentos Ana Paula Freitas, administradora, Caixa de Crédito Agrícola Isabel Ferreira, administradora, Novo Banco Luísa Amaro de Matos, administradora, Novo Banco

Outras áreas

Graça Franco, diretora de informação, Rádio Renascença Carla Rocha, locutora de rádio Maria Flor Pedroso, jornalista de rádio Irene Pimentel, historiadora Clara Ferreira Alves, jornalista Bárbara Bulhosa, editora, Tinta da China Isabel Stilwell, escritora Beatriz Batarda, encenadora e atriz Maria Filomena Mónica, investigadora Bárbara Reis, ex-diretora, Público Lídia Jorge, escritora Ágata Roquette, nutricionista Raquel Varela, historiadora Inês Pedrosa, escritora Margarida Rebelo Pinto, escritora

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As mulheres mais influentes de Portugal: 2018 / Revista Executiva  

3.ª edição do estudo exclusivo que elege as 25 mais poderosas da política, negócios, justiça, media, ciência, cultura e setor social

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