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EM cURITIBA EDIÇÃO 07 MARÇO 2016

TECH

mODA cULTURA cOmPORTAmENTO


EDITORIAL

Conexão Não vivemos em um mundo de roupas prateadas - bem, pelo menos não todas - mas já temos a leve consciência de que o futuro é o presente. Na moda, sentimos o peso de mudanças em estruturas muito sólidas. Seja na indústria, no desenvolvimento de materiais, métodos de divulgação e até mesmo nossa forma de nos relacionarmos com os produtos: tudo é tecnológico. Acontece que vivemos em uma grande transmissão ao vivo de nossas próprias vidas. Duvida? Te desafiamos a ficar uma semana desconectado. Interesses e necessidades caminham para novas descobertas, sempre foi assim. Evoluir é necessário. É por isso que nossas matérias te contam como que isso acontece. Quais os novos materiais de beleza que garantem filtros da vida real? Fomos até os produtores entender quais tecnologias vêm sendo estudadas para trazer o futuro para nosso dia a dia. Ou mesmo ver como as marcas e empresas têm se adaptado ao novo consumidor: aquele que tudo vê e tudo sabe. Até mesmo a escrita é outra. Como conseguimos nos adaptar a uma geração que tanto lê e, ao mesmo tempo, lê tão pouco? Se você continua a duvidar que vivemos numa mudança, gostaríamos de nos apresentar: Somos a EM Curitiba, uma revista constituída para ser inteiramente digital. Onde você está agora? Vendo seu celular? No computador do trabalho? Tablet? Esta edição é para te mostrarmos mais de quem somos também, e como queremos interagir de forma mais próxima, com nossos vídeos e links. Ainda temos muito para oferecer, mas não pararemos por aqui, afinal evoluir é movimento.


EXPEDI E N T E

#07 KAWANA fotografada por Raquel Bloomfield Beleza Kelli Giordano

Diretora de Redação: CARMELA SCARPI (carmela@evenmore.com.br) Projeto Gráfico e Diagramação: Lizi Sue Redação: ALÉXIA SARAIVA; CARMELA SCARPI; BEATRIZ MATTEI; MONIQUE BENOSKI; MONIQUE PORTELA; RENATA ORTEGA. Colaboradores: HARRIETE SCARPI; KELLI GIORDANO, RAQUEL BLOOMFIELD Revisão: CARMELA SCARPI A revista digital EM Curitiba é uma publicação produzida pela equipe do grupo Even More. Todos os direitos são reservados. É proibida a reprodução de qualquer tipo de conteúdo sem a autorização prévia e por escrito. Todas as informações técnicas, bem como anúncios e opiniões expressados, são de responsabilidade dos autores que estes assinam. Serviço de atendimento ao consumidor: contato@evenmore.com.br Anúncio e Publicidade: comercial@evenmore.com.br


6

36 Grade Curricular

8

38 Papo Literário

Mas que beleza é a tecnologia

Tecnologia é o atalho para inovação

14 15 MB de passarela 20 Conexão

44 Streaming 46 O Futuro já está aqui


Mas QUE BELEZA É A TECNOLOGIA

mercado de estética investe forte em novas tecnologias para não perder o público, grande e fiel

Monique Portela

No setor de beleza, a única crise que ocasionalmente existe é aquela entre nós e o espelho. Anualmente, as grandes empresas do mercado de estética fazem investimentos milionários no setor, apostando principalmente em novas tecnologias. Se hoje o brasileiro separa 2% do orçamento para a produtos de higiene e beleza, é porque o mercado periodicamente se reinventa, seja para atiçar nossa curiosidade ou suprir nossa demanda por novidades.

De baixo para cima, 3. Air Touch Foundation; 2. esponjas Beauty Blender; 4. eyelash Curler; 1. Dermacol make-up Cover; 5. lip Tattoo SkinAZ

Mas como escolher entre tantos produtos que se dizem incríveis? Para nos ajudar, convidamos a maquiadora Camila Jacques e a esteticista Chris Souza, ambas profissionais da rede Expert Beauty Center (Palladium). A Camila é uma celebridade cibernética do mundo da maquiagem: sua fanpage, na qual publica fotos dos makes que faz, tem mais de 45 mil curtidas. Já a Chris Souza conta com 10 anos de carreira na área estética e atualmente é proprietária da Beauty Box Estética. “Dentro do meu setor é imprescindível o conhecimento de novas tecnologias, sejam elas máquinas ou cosméticos, para estarmos alinhados com o que há de mais novo no segmento”, comenta Chris. Confira as dicas destas profissionais:

Maquiagens:

1. Dermacol Make-up Cover - À prova d’água, com FPS 30, hipoalergênica e uma cobertura absurda: o Dermacol foi a primeira base de alta cobertura lançada no mundo. Em 12 tonalidades diferentes, permite esconder sinais de acne, olheiras, manchas e até mesmo tatuagens.


em sentido horário, 6. CC Cream; 9. Água Termal lindoya; 8. Nanolift C Pure; 7. exsynutriment

2. Esponjas Beauty Blender (BB) - É uma espoja ultramacia em forma de gotinha. Seu diferencial está no acabamento que dá à cobertura do corretivo ou da base. “Com a moda das Kardashians, do contorno para afinar o rosto, usamos muito a BB, que ajuda a esfumar e tirar o excesso de produto”, comenta Camila Jacques.

dermatite de contato presentes na maioria dos filtros solares.

3. Air Touch Foundation, da SK-II - O pequeno aparelho é um pulverizador de base. Com apenas um click, libera uma suave névoa que espalha a base sobre rosto de forma homogênea.

8. Nanolift C Pure, da Peel Line - É um sérum com vitamina C e micropartículas que clareiam e rejuvenescem a pele. Também possui retinol, substância que promove a renovação celular e potencializa os efeitos da vitamina C. “Este produto será o must have para os protocolos de clareamento facial agora do inverno”, comenta Chris.

4. Eyelash Curler, da Panasonic - É um curvex eletrônico que atua através do calor. Ele é aplicado logo após o rímel e deixa os cílios duas vezes mais curvados. 5. Lip Tattoo SkinAz 24h - Depois de passar um hidratante nos lábios, você aplica o Lip Tattoo, cuja textura se assemelha a um gloss de forte pigmentação. Depois de 1015 minutos o produto seca, formando uma casquinha nos lábios que deve ser retirada. A cor permanece por até 24 horas!

Produtos de estética:

6. CC Cream, da Peel Line - Esta é uma base nacional cujo efeito, afirma Chris, é mágico: a cobertura deixa a pele ao estilo photoshop. Dentre as vantagens está o ácido hialurônico, que mantém a hidratação da pele e filtro solar fator 50, livre de parabenos e benzophenona 4, grandes causadores de

7. Exsynutriment - É um silício orgânico, que reestrutura as fibras de colágeno e elastina, além de ter propriedades antioxidantes. Ele atua como um lifting de forma oral! O silício orgânico é ótimo para pele, cabelos e unhas. Encontrado em farmácias de manipulação.

9. Água Termal Lindoya Verão - A Água Termal é multiuso e “um cosmético coringa para quem quem deseja tratar, prevenir e acalmar a pele”. Ela é rica em minerais, tem ação antioxidante e propriedades antiinflamatórias. 10. Dmae 10%, da Peel Line - O Dmae é um tensor e firmador eficaz contra a flacidez. O resultado exercido nas rugas é notável. Ele contém pentapeptídeos, substâncias que estimulam a produção de colágeno e elastina no corpo.


Aléxia Saraiva

Tecnologia é atalho para a inovação

Detalhe da impressora de protótipos Noiga, loja de acessórios feitos em impressão 3D


A necessidade de reinvenção da moda encontra nas novas tecnologias um caminho para a inovação contínua


C

amisetas que mudam de cor, tecidos que se consertam sozinhos, impressão 3D. Mesmo que não existam carros voadores, o futuro parece ser agora. E algumas tecnologias já concretas no universo das roupas esportivas vêm ganhando espaço na moda causal. Apesar de ainda causarem certo estranhamento no contexto dia a dia, as inovações ligadas à tecnologia de produtos já são uma realidade bem acessível para marcas e para o consumidor. Num exemplo próximo, podemos falar da Noiga, loja de acessórios feitos com impressão 3D. A ideia nasceu em Curitiba/ PR a partir do TCC da designer Evelyne Pretti; que se juntou à sócia Renata Trevisan em 2014 para criar a marca. Os desafios em levar pra frente uma proposta criativa e pouco comum na área apareceram logo no começo. “Eu acho que uma das primeiras dificuldades enfrentadas foi a não crença das pessoas. Como assim, um acessório impresso em 3D? No design tem muito isso: como você vai inovar? Como você vai fazer seu produto ser diferente? As pessoas têm uma resistência à inovação em um primeiro contato”, conta Evelyne. Porém, foi por meio das redes sociais, em especial o Instagram, que elas identificaram a demanda, junto com a curiosidade das pessoas.

Afinal, como funciona o processo de impressão 3D? “A gente usa a tecnologia de sinterização a laser, que é uma máquina de porte industrial, e o material que ela usa é o nylon em pó. É bem parecido com polvilho, talco. A gente faz um arquivo no computador, desenvolve a peça, desenha, manda pro software, e gera um arquivo. A máquina fatia camada a camada, quase imperceptível. Depois, a gente faz o processo de tingimento”, explica. A designer ainda destaca o fato de que a tecnologia da impressão permite percorrer por estruturas e geometrias mais complexas na hora da criação. Essa grande liberdade de forma às vezes não é viável dentro do processo artesanal, por exemplo. E não é só no design que tecnologias como impressão 3D podem fazer a diferença. Um dos grandes trunfos da utilização dessa técnica é a sustentabilidade. Na sinterização a laser, por exemplo, a quantidade de material utilizado é exatamente a necessária para uma peça. No caso de sobras, 90% do pó remanescente é reaproveitado. Se o mesmo produto fosse feito a partir de um processo de molde, bastante material seria descartado. E, muitas vezes, por ser terceirizado, o processo fica ainda mais fácil, como é o caso da Noiga. “A gente consegue fazer sob demanda, se eu precisar de um anel, eu posso pedir, e não preciso fazer 30 mil pra valer a pena a produção”, ela conta.

Colar da coleção DNA - Noiga, feita em impressão 3D.


A DemANDA é Quem mANDA Esta mesma demanda por menores quantidades fomentou a busca por inovação também para fornecedores do mercado da moda. Com a crescente ascensão de pequenas marcas, mais autorais, as fábricas começaram a tomar iniciativas para administrar esses pedidos. Foi por meio da internet, por exemplo, que a Lancaster - empresa catarinense de estamparia em larga escala, que produz para marcas como Hering e Dudalina - começou, em 2015, uma iniciativa que permite produzir estamparia para pequenos produtores. A PrintmyPrint funciona inteiramente online, permite que você faça upload da sua estampa e imprima em pequenas quantidades, de no mínimo um metro. Eduardo Jumckes, gerente de eurekas da marca, explica que o objetivo era permitir que pequenos empreendedores, até mesmo sem CNPJ, tenham autossuficiência nas suas criações: “A capacidade de exclusividade

em tempos de crise tem sido um grande diferencial. As grandes marcas estão recessivas com novidades, mas a população brasileira continua a consumir. E é aí que surge o pequeno produtor”, ele explica. Essa iniciativa só foi possível com a adaptação da tecnologia. A máquina que normalmente imprime 150 metros por hora (cerca de 22 toneladas por dia) passou a fazer 150 metros por dia. Com a possibilidade de uma redução tão grande da produção, tornouse viável imprimir pequenas quantidades de tecidos completamente diferentes. Marcas personalizadas e pequenos estilistas que não tinham meios de imprimir grandes quantidades foram os primeiros clientes da marca. E foi isso que expandiu o negócio: pequenas quantidades aliadas à praticidade do contato ser todo online fizeram com que o público-alvo se expandisse de São Paulo para todo o Brasil.

PrintMyPrint estampas exclusivas criadas por clientes.


Tecnologia como inovação Antenados neste movimento do setor, a ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) decidiu juntar empresários têxteis, confeccionistas e varejistas de moda para discutir inovação e tecnologia. O Primeiro Congresso Internacional ABIT acontecerá nos dias 1 e 2 de junho em São Paulo e traz, entre outros destaques da programação, abordagens sobre o impacto das novas tecnologias na vida das pessoas num futuro muito breve e sobre os estudos tecnológicos já em andamento na área têxtil e de vestuário. “Quando falamos em inovação, obviamente não estamos enfocando apenas tecnologia, mas também processos e modelos de negócios. O wearable não se resume a ter um compartimento para levar o smartphone com os fios totalmente embutidos na roupa, mas o tecido já feito totalmente com tramas condutoras. Isso já está em fase de testes em centros de pesquisas aos quais a Abit tem convênio cooperativo”, explica assessora do evento, Ligia Santos.

Detalhe de impressora 3D

A organização também comenta que a roupa cada vez mais autoral, selecionada e montada pelo consumidor é um avanço dos modelos de negócios; assim como a impressão 3D de peças, que deve se popularizar nos próximos anos. “A nanotecnologia vai avançar cada vez mais, além do que se tem hoje no mercado como roupas com nano cápsulas cosméticas, fibras impregnadas de cerâmicas que emitem raios de infravermelho que regeneram a musculatura, dentre outros. E, antes de tudo, as novas tecnologias deverão ser sustentáveis, pois do contrário as pesquisas nem continuam”, afirma. Evelyne, pioneira na conciliação de novas tecnologias, criatividade e sustentabilidade, explica qual é o segredo de trabalhar num empreendimento tão autoral, porém num nicho ainda pequeno. “A gente ouvia: ‘mas vocês vão começar um negócio? Vocês quase não têm experiência de mercado. Vocês são mulheres…’ Só que a gente persistiu. Ter resiliência é o segredo pra empreender”, declara. E é por iniciativas como estas que os closets de hoje estarão cada vez mais conectados com a tecnologia e o amanhã.


Monique Benoski

Reprodução ID Fashion


15 mb de passarela A internet como plataforma para divulgação e inspiração dos novos caminhos no sistema da moda A tentativa de chegar mais rápido ao consumidor final faz grandes marcas inovarem em seus sistemas de divulgação das coleções e, consequentemente, “acelerar” a disponibilização das peças. É o caso de repercussão internacional da Burberry, que agora em fevereiro anunciou a decisão do diretor executivo, Christopher Bailey, em produzir as peças para serem comercializadas logo após a apresentação, adotando um modelo conhecido como “see now, buy now”. Aqui no Brasil, não é diferente, marcas como a Animale, por exemplo, também começam a investir em propostas parecidas. Todas estas mudanças, claro, são fruto da demanda cada vez maior por novidades. O consumidor conectado não tem mais tempo de esperar as comuns seis semanas para ver aquelas peças nas araras das lojas. E nem mesmo admite não ter acesso imediato à apresentação. Por isso, algumas novidades também chegam ao modelo mais clássico de divulgação das coleções, o desfile.


Um exemplo mais próximo foi a apresentação da marca Heroína - Alexandre Linhares. Realizado em uma chácara, a apresentação não tinha espectadores e só quando as peças já estavam prontas, os registros foram apresentados virtualmente na fachada da loja ao final de 2015; e posteriormente divulgados no site oficial e redes sociais. Segundo Linhares, a marca precisava apresentar a coleção nova e o tema de cada lote de peças sempre exige um suporte ou apresentação própria. “Foi um dos pon-

tos mais altos da nossa trajetória até aqui. As peças foram vistas como escolhemos apresentá-las e já estavam dentro da loja, etiquetadas, prontas para a venda”, conta.

Consumidor mais proximo por meio da tecnologia Não só marcas, mas instituições do segmento sentem a crescente necessidade de se conectarem com o público. Nesta vertente, o ID Fashion, evento de moda de iniciativa da Fiep/PR realizado em outubro de 2015, trouxe algumas novidades. A proposta era impressionar e mostrar ao público a importância da sua opinião. Para isso, cada expositor recebeu um tablet através do qual o público pode votar nas marcas mais queridas. Segundo Annelise Vaine Castelli, coordenadora geral do ID Fashion, um grande estudo foi feito sobre tendências de comportamento de consumo e o que estava acontecendo nos eventos de moda no Bra-

Alexandre Linhares acredita que para que qualquer ideia diferente dê certo não pode haver resvalos. E a única maneira que encontrou para isso foi correr riscos. “Todas

as coleções são muito arriscadas e honestas. Elas sempre extravasam limites e causam algum tipo de sensação que quase nunca é confortável, mas são sempre honestas”, afirma. Assumindo os riscos de produzir antes de mostrar, não só a Heroína, mas todas as marcas que adotam esta postura mais imediata de apresentação precisam ter um conhecimento muito mais profundo e detalhado do seu cliente. A novidade de Alexandre Linhares é um vídeo que ele está ensaiando “exaustivamente” com a cantora Íria Braga. A próxima coleção da Heroína também já está sendo pensada e será apresentada dentro do Moda Documenta, um evento técnico-científico que integra ações educativas do Museu da Indumentária e da Moda, o MIMo, em maio. “É uma apresentação pensada

para se realizar no evento, ela não funcionaria em nenhum outro lugar”, diz o estilista.

Desfile “baunilha, memórias e uma bandeira cor-de-rosa”da Heroína Alexandre Linhares. Foto: Andrielly Suzani


sil e no mundo. Annelise conta que no início do ano passado já haviam mapeado uma série de mudanças no sistema da moda, que apontavam para um novo modelo no lançamento das coleções, baseado no fenômeno chamado “consumer centricity” (algo como o consumidor no centro) A produtora de eventos diz ainda que a ideia da pesquisa surgiu com a própria concepção do evento e o uso do tablet foi para facilitar toda a tabulação dos dados e tornar amigável para as pessoas que iam responder. “O resultado foi mui-

to positivo, pois as pessoas se sentiram prestigiadas com a percepção de que sua opinião importa para as empresas” relata. Annelise explica que antes de tudo definiram

um conceito forte e alguns objetivos estratégicos: o evento tinha que ser compacto, de impacto, fugir do glamour (a equipe trocou o glamour pelo cool) e precisava ser muito interativo com o público consumidor, aquele que realmente importa no negócio e que compra o produto. “Decidimos que

íamos ‘dar a cara para bater’ e ouvir o que o consumidor tinha para falar”, finaliza. Internet e a nova rua Neste movimento do sistema da moda, em que o consumidor e suas percepções acabam sendo o principal fator de produção de algumas marcas, alternativas de rastreamento de desejos têm surgido e são cada vez mais difundidas graças à tecnologia. Mariana Smolka é a collhunter por trás do Instagram Curitibacool e, para ela, monitorar quem são os influenciadores digitais, acompanhar novos aplicativos e redes sociais e ver o que as grandes marcas estão fazendo nesse sentido, com quem estão fazendo parcerias, são métodos essenciais para começar a se destacar. Um exemplo interessante para Mariana, é o trabalho que a Burberry (lá do começo da matéria) faz produzindo um conteúdo exclusivo para o aplicativo Snapchat, que permite vídeos de até dez segundos e fotos que podem ser vistas várias vezes num período de vinte e quatro horas ou apenas uma vez de acordo com a função escolhida pelo administrador. Outro exemplo desse mesmo “app” foi a transmissão dos detalhes do Oscar 2016, no qual pela primeira vez uma Live Storie, nome dado às coberturas de evento feitas pela rede social, foi disponibilizada fora do aplicativo para Android ou iPhone (iOS), com acesso livre em navegadores como Firefox, Microsoft Edge, Safari e Google Chrome. No universo da moda, a coolhunter aposta na criação de novos materiais, novas texturas e muitas novidades em 3D. “Mas isso


a longo prazo, vai levar um tempo até isso acontecer”, completa. Já a produtora Annelise confirma as mudanças que já observamos em relação ao calendário internacional de moda. “A ideia

de mostrar a coleção de forma muito antecipada está sendo revista, o consumidor não quer esperar uma eternidade para ter acesso ao produto, ele perde o pique. E esse tempo dá margem para o Fast Fashion “fazer a festa” na cópia”,diz. Annelise acredita ainda que desenvolver estratégias em mídias digitais é fundamental e serão usadas de forma cada vez mais intensa, com recursos audiovisuais cada vez mais interessantes (fashion films, interações on line, associação do lançamento ao e-commerce, compartilhamento, engajamento, etc). Ou seja, o antes e o depois do evento contam tanto quanto o momento do evento em si.

“Os gêneros (masculino e feminino) e as estações (primavera-verão/outono–inverno) estão ficando cada vez mais fluídos e essa mistura vai ser cada vez mais presente nos lançamentos das coleções”, completa. E se antes a moda buscava na rua os movimentos que inspiravam suas roupas, hoje é a internet quem fornece os dados para que ela determine seu futuro.

Foto reprodução ID Fashion - Desfile NovoLouvre


conexao

Fotografia Raquel Bloomfield| Beleza Kelli Giordano| Modelo Kawana Goulart Take Agency| Styling Carmela Scarpi| Assistência e tratamento de imagem Lizi Sue| Produção Even More|


Acess贸rios Noiga| Cal莽a Reptilia| Colete Rocio Canvas| Sapato Acervo pessoal|


Acess贸rios Noiga| Camiseta e Saia Reptilia|


Acess贸rios Austral|


Acess贸rios Austral| Blusa Reptilia| Saia Rocio Canvas| Sapato Acervo pessoal|


Acess贸rio cabe莽a The Address.Love| Brincos Austral| Vestido Rocio Canvas|


Brinco Austral| Vestido Rocio Canvas|


Acess贸rios Noiga| Vestido Rocio Canvas|


Grade curricular

Carmela Scarpi

Apreender conhecimento tem se mostrado cada vez mais difícil em tempos de inovação tecnológica intensa


A

tecnologia, aplicada a tantas áreas de conhecimento, é um tema tão imediato que sempre parece escapar pelos dedos e correr a nossa frente quando tentamos entendê-lo. Como se toda a vez em que fosse alcançado, já fosse tarde. Se sentimos isso no consumo de conteúdo do dia a dia, quem dirá adequar às grades de ensino algo sempre tão efêmero. Para Camila Teixeira, coordenadora do Curso de Design de Moda da PUC-PR, essa inserção é um constante desafio, mas dentro da academia é possível estimular sempre a pesquisa. “Nós temos uma disciplina chamada Moda e Tecnologia, mas é mais teórica, para os alunos entenderem como a moda se aproxima da tecnologia em diversos aspectos. Mesmo assim, em todas as disciplinas tentamos aproximá-los deste tema”, comenta. Esse estímulo à pesquisa também fez parte da graduação de Diego Malicheski, o estilista, recém formado pelo Senai-PR, aponta que muitas vezes o tema era abordado como curiosidade. Mas, segundo ele, pelo perfil da faculdade, esta pesquisa estava bastante ligada à prática. “O Senai é muito pautado na indústria e no fazer agora, então tínhamos acesso a muita tecnologia. A gente usufruía de algumas que muita gente não sabe que existe, por exemplo, a modelagem no CAD, novo sistema Audaces. Isso, querendo ou não, é uma tecnologia, mesmo já sendo

muito bem resolvido no mercado”, defende. Apesar da pesquisa ser a essência da academia, o acesso a alguns equipamentos e técnicas novos é um ponto a favor da formação aliada aos novos tempos. A designer e blogueira Júlia Alcântara percebeu essa diferença durante um intercâmbio na Savannah College of Art and Design (SCAD), nos EUA. “A quantidade de ferramentas a que tínhamos acesso na SCAD é incomparável a qualquer outro lugar que eu tenha cursado. Todos os instrumentos, todos os softwares, todos os livros e materiais que eram de livre acesso aos alunos com certeza eram estímulos para o conhecimento.”, comenta. Júlia ainda cursa Bacharelado em Design na UTFPR e completou o curso de Design de Moda no Centro Europeu. Por aqui, Camila diz que há cerca de 5 anos a PUC-PR já consegue oferecer, por exemplo, acesso à tecnologia de impressão 3D para os alunos - não só de moda, mas de todos os outros cursos de Design. Porém, como o perfil do curso é o design, algumas outras tecnologias como tecidos inteligentes ainda são apenas tema de pesquisa. “Essa parte de tecidos inteligentes é o mais difícil para a gente trazer, até porque é algo mais da engenharia têxtil. Eu gostaria de trazer, acho importante para o aluno ter esse contato e aperfeiçoamento, mas teríamos que ter um químico junto, tem que ir para outras áreas para pesquisar”, diz.


O profissional multidisciplinar Justamente esta questão da multidisciplinariedade do ramo da moda que movimenta novas ideias para o futuro do setor enquanto curso acadêmico. Para Júlia, a possibilidade do intercâmbio nos Estados Unidos a fez ter contato com outras propostas para o ensino. “Nosso sistema acadêmico brasileiro ainda limita-se na grade inflexível, sem muitas opções dos estudantes de criarem conhecimento em outras áreas. Uma das coisas que mais gostei quando tive a oportunidade de estudar na SCAD, é que eu tive a liberdade para escolher matérias que fossem do meu interesse”, lembra. Apesar de ter como base a grade de Design de Moda, durante o tempo em que estava fora ela conseguiu adaptar a grade para cursar disciplinas de fotografia, comunicação e marketing em seus respectivos setores. “Se fosse do meu interesse me aprofundar em matérias com cerne na engenharia, por exemplo, eu poderia. Essa é uma decisão do aluno, e faz com que ele seja mais responsável pelo profissional que vai se tornar ao sair da Universidade”, complementa. Diego, que possui uma formação anterior

em Design Gráfico, confirma: a familiaridade com softwares, fruto da primeira graduação, trouxe uma outra visão para seu processo criativo.”Os softwares só ajudaram, porque eu já conseguia me expressar visualmente. Enquanto outros alunos aprendiam a usar alguns programas eu já tinha isso de base. Crio meus boards e vou colorindo por lá mesmo”, diz. E, para ele, as escolas de Design, como um todo, ganhariam muito mais se as segmentações (como moda, produto, gráfico, etc) fossem feitas depois de uma base em comum obrigatória. Camila Teixeira concorda com a alternativa como forma de auxiliar na compreensão dos cursos e até mesmo do próprio profissional, principalmente no quesito de acesso a técnicas e tecnologias segmentadas. “É um intuito nosso aqui, aproximar disciplinas. Têm as eletivas que os alunos escolhem desde 2013, que são matérias de outros cursos, mas ainda não é o ideal. Você precisa, às vezes, de uma aula de química, uma visão mais global, porque é difícil hoje separar em caixinhas as áreas, está tudo muito interligado. As equipes hoje são multidisciplinares, você trabalhar com pessoas de outras áreas o tempo todo, é importante ter esses conhecimento desde a graduação sim”, completa.


Criacao e Divulgacao Mesmo com as restrições referentes a conhecimentos específicos de outras áreas, a Universidade também tem grande papel em guiar o aluno dentro daquilo que já está em suas mãos. Não apenas na parte de produção, mas na prórpia conceituação e divulgação de trabalhos relacionados à moda existe um espaço mais aberto com as tecnologias que temos disponíveis. Segundo Camila, apesar de parecer intuitivo, alguns alunos ainda não conseguem conectar as ferramentas de hoje, como mídias sociais, à produção profissional. E, para ela, é papel das faculdades estimular essa visão também. “Temos que mostrar as várias possibilidades que a tecnologia pode gerar para a inovação. Na própria parte de criação e conceituação. Hoje, por exemplo, a gente vê vários desfiles extremamente tecnológicos, fazendo uso das mais variadas mídias digitais”, comenta.

Dentro do âmbito das redes, Julia, que possui um blog com suas irmãs , enxerga uma inovação ainda mais profunda e que, com o aperfeiçoamento constante, representa uma das maiores tecnologias aplicadas a sua marca, a ORNA. “Sinto sim que usamos muito as inovações tecnológicas quando se trata de pré-produção, na hora da criação e desenvolvimento de novos produtos, estudos e pesquisas. Também fazemos uso da inovação tecnológica dentro da área de Fashion Marketing. Usamos as ferramentas da tecnologia em aspectos como divulgação, fotografia e vídeo e mídias sociais, o que é de grande importância para nós, uma vez que entendemos que a comunicação é uma das mais importantes ferramentas do mercado de moda hoje“. Longe de esgostar o tema em uma solução de moldes tradicionais, o futuro parece seguir seu caminho na constante busca, não só da tecnologia, como da inovação, dentro deste ou de outros setores.


PAPO LITERARIO DE

BoteCo virtual Monique portela

curitiba cultiva sua tradição de falar sobre literatura de maneira muito mais leve de despretensiosa


“Ok, nós não somos o centro da literatura do mundo, também não temos nossa cena literária muito forte, então vamos ser os divulgadores disso, vamos debater a coisa porque é o que a gente consegue fazer daqui”, diria Curitiba, se pudesse. Como não pode, quem fala é Yuri Al’Hanati, 27, que se fosse um jovem em meados do século XX, provavelmente teria fundado seu próprio periódico literário. Mas Yuri somou, em moldes modernos, à tradição curitibana de falar sobre literatura: criou em 2010 um blog chamado Livrada!, no qual há 6 anos tece críticas muito bem-humoradas sobre os livros que lê. “No começo do site eu nem divulgava meu nome, porque era muita palhaçada. Eu falava muito mal dos livros, escrachava clássicos”. Desde 2014, Yuri divulga bem mais do que o nome. Ele grava vídeos semanais para seu canal do Youtube que já ultrapassa os 5 mil inscritos, fazendo do Vlog Livrada! o quarto maior canal literário curitibano. A onda dos booktubers assolou a internet em 2012, como um desdobramento dos já populares blogs literários. A tendência de migrar para a plataforma audiovisual esteve em consonância com o aumento dos lançamentos de títulos Young Adults (YAs), nome dado à literatura voltada para jovens entre 16 de 29 anos. “O surgimento dos canais literários representa, ao mesmo tempo, uma consequência deste crescimento – devido ao surgimento de uma nova e apaixonada geração de leitores que têm a tecnologia a sua disposição – e também um fator de impulso para esta própria literatura”, comenta Adriana Sardinha, da editora Rocco, que em janeiro convocou a primeira seleção de parceria para booktubers. Os selecionados não recebem dinheiro para resenhar as publicações da editora, mas recebem livros de cortesia: o que, para um leitor assíduo, costuma dar no mesmo.

Papo de boteco O Youtube democratizou o debate sobre literatura às custas de deixá-lo mais raso. Mas quem decide criar um canal literário está mais preocupado em divulgar do que analisar a fundo uma obra. “Pra mim é tipo papo de boteco, uma coisa bem light”, comenta Gisele Eberspacher, 25, que além de booktuber no canal Vamos falar sobre livros?, o qual conta com mais de 15 mil inscritos, também é colaboradora do Rascunho, o maior jornal literário do país. Seus vídeos costumam ter em média 6 minutos, enquanto suas resenhas ultrapassam os 6 mil caracteres. Mas quanto mais simples, rápida e próxima é a linguagem, maior é o engajamento dos leitores, especialmente dos mais novos. “As pessoas se sentiram muito repelidas por essa complexidade da crítica de jornal, esse discurso sério, esse tom sóbrio”, aponta Yuri, que durante quase 2 anos trabalhou como crítico literário na Gazeta do Povo. “Este é o grande mal da crítica hoje, a grande razão pela qual essa coisa de booktuber deu certo”.


Geração audiovisual

Deu muito certo E apesar de muitos booktubers manterem seus canais por hobby, há quem os transforme em profissão. É o caso de Melina Souza, 28, criadora do blog Serendipity, que em 2012 também foi para o Youtube. Seu canal, que já bateu os 120 mil inscritos, não trata exclusivamente de livros, mas o assunto é predominante desde o início. “Escolhi falar sobre livros porque poderia mostrar. Gosto muito de gravar segurando coisas, então o foco não fica na minha cara”. No final de 2011, logo depois de terminar a faculdade de Psicologia, ela resolveu investir no blog de fotografia e variedades que havia criado — caso não desse certo, tentaria o mestrado. Cinco anos depois, Melina está muito feliz com a profissão que escolheu e pretende investir ainda mais: acaba de contratar uma empresa, a mesma que cuida do canal da youtuber Kéfera Buchmann, para analisar seu canal de forma a fazê-lo crescer. A meta é chegar, ainda este ano, aos 500 mil inscritos.

Não foram poucos os blogueiros literários que cresceram para o Youtube ou até mesmo migraram completamente de plataforma. Mas ao que se deve a popularidade dos vlogs em detrimento dos blogs? É um tanto contraditório notar que o debate literário se adaptou melhor aos vídeos do que aos textos. Gisele e Melina apostam na proximidade: a oralidade dos vídeos contrapõe-se à formalidade dos textos, deixando o leitor mais à vontade. Já Yuri sugere que a plataforma intuitiva do Youtube é um fator importante para o maior engajamento do público — mas não deixa de apontar também uma certa preguiça por parte dos leitores. O principal fator, porém, parece estar ligado a uma questão geracional: no canal de Melina, por exemplo, 41,24% dos inscritos têm 18 e 24 anos. “É uma geração que tem uma identidade mais ligada ao visual, às imagens, aos sons, muito menos ao texto. E eles pegaram muito rápido essa coisa de rede social, de usar a rede social e aproveitar, interagir”, comenta Yuri.


streaming que transforma o Consumo Cinematográfico Com uma dinâmica intuitiva e atual, os serviços de streaming conseguiram democratizar ainda mais a produção audiovisual, mas falham nos clássicos

Ainda que a ida ao cinema seja insubstituível, as plataformas online de serviço de filmes e séries ganharam o coração do mundo transformando nossa relação com a sétima arte. Te dou 3 principais motivos: • O catálogo organizado fica diante dos olhos e com o simples clique é possível ir do terror à animação. Existe a liberdade de procurar obras por pontos de interesse como: ator, diretor e trilha sonora! • O preço é justo! Em alguns casos, o serviço é disponibilizado por uma mensalidade pouco menor que R$ 30, com acesso ilimitado ao catálogo. Às vezes uma única sessão de cinema custa esse valor. É bem verdade que você fica dependente de um bom serviço de internet durante toda a exibição da obra, mas esse porém não é capaz de vencer o custo/benefício. • Para continuar lucrando com os filmes e fugir da pirataria, estúdios e produtoras se

apressam em disponibilizar os títulos para o público quando saem de cartaz. Por isso, quando o filme para de ser reproduzido nas telonas, dentro de 6 a 12 meses já é colocado nessas plataformas. Tudo bem que para a internet é um prazo longo, mas a tendência é diminuir cada vez mais esse período. Ainda podemos considerar o conforto de casa, as produções próprias das plataformas, a possibilidade de arquivar o momento em que você parou a última exibição. É inevitável dizer que o serviço de streaming é a ferramenta tecnológica mais popular entre os cinéfilos hoje; e aproximou da plataforma audiovisual montantes inesgotáveis de pessoas que antes não tinham interesse. NOVO Para Os NOVOs? Apesar deste movimento de adesão aparentemente unânime, sempre existe a resistência. E ela está muito menos ligada à intransigência e bem mais à qualidade e


BEATRIZ MATTEI

disponibilidades. Entre fácil, rápido e barato (para focarmos apenas nos dispositivos de reprodução legal) há quem foque a busca por títulos ainda indisponíveis apesar da certa idade: os clássicos. E talvez seja este o motivo de algumas locadoras resistirem à limitada demanda. Em Curitiba - lá na Padre Anchieta, 458 - a CineVídeo1 preenche esse vazio da internet com um catálogo com mais de 2000 filmes em DVD e – pasmem; também em VHS. Além das produções antigas, que por vezes empresta gratuitamente para professores e estudantes, a locadora ainda mantém um acervo voltado para arte e para a memória paranaense. Há mais de 5 mil títulos que retratam a história do Paraná e mais de 1400 voltados à arte. um verdadeiro ponto fora da curva que resiste às mudanças do mundo e de consumo cinematográfico.

Iniciativas que resistem e se adaptam às mudanças do consumidor são atraentes alternativas para quem quer evitar a pirataria, potenciais vírus e busca apreciar clássicos com maior qualidade - visto que sites ilegais não garantem a qualidade de exibição. Porém, as coisas podem mudar novamente. Com o recente lançamento da plataforma Oldflix no Brasil, o novo serviço de streaming trará cerca de 800 títulos 'antigos’ para os assinantes amantes dos clássicos. Por enquanto, o foco é nas produções de meados dos anos 1990; dentre filmes, séries, animações e shows. Hoje, o usuário já pode testar a plataforma por uma semana gratuitamente e somente depois passará a pagar uma mensalidade de R$ 9,90. Mesmo sem aplicativo, o novo serviço promete mudar ainda mais o setor cinematográfico daqui para frente.


IlíadaHistóriadaGuerradoPeloponeso R a b i n d r a n a t hT a g o r e É t i c a a Ni c ô m a c o 1 9 8 4 AA r t e d e A m a r VidasParalelasEneidaRamayanaO H o b b i tO s S o f r i m e n to s d oJ ov e m WertherTaoTeChingAnalectosArtedaG u e r r a AR e p ú b l i c aCo n f i s s õ e s S u m aT eo l ó gi c a O P r í n c ip e D o m Q u i x o t e H a m letElogiodaLoucuraFurukotofumiÉdip o R e iSi d a r t a Di á r i o d e A n n e F r a n k O s S o f r i m e n to s d oJ o v e m W e r t h e r L a r anjaMecânica A m o n t a n h a m á gi caAPesteAsCrônicasdeNárnia C r i m e e c a s t ig o M a h a b h a r a t a O s I r m ã o s K a r a m a z o vAi l h a d o t e s o u r o M e m ó r i a s d o S u b s o l o ADivi n a C o m é d i a Nih o n s h o k iA l m a s M o r t a s E u g e n e O n e gi n G u e r r a e P a z A n a K a r ê n i n a M e ta m o r f o s e s Fa h r e n h e i t451 Walden OR e t r ato d e o o f u t u r o V j á o e o M a r P a r i s é u m a f e s ta O G r a n d e G at s b y D e c a m e r ãoAsAv e n t u r as d e To m Saw y e r Huckleberry Finn Moby Dick A d m i r á v e l MundoNovoOdisseiaOrgulhoePreconceitoARevoluçãodosBichosOIdiotaRobi n s o n C r u s o e n h o r d o sA n é RENATAi s Sat i r i c o n OS e n h o r d a s M o s c O R T E G A a s O Ap a n h a d o r n o C a m p o d e C e n t e i o G i t a n j a l iU l i s s e s O P r o c e s s o OA -

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A internet reescreve o conceito de literatura - uma entrevista com Julie Fank Em tempos de posts, tweets, gifs e memes, muitas são as dúvidas que rondam as perspectivas e o futuro da Literatura, seja como escrita, seja nas formas de produção, distribuição e recepção. Para a idealizadora e fundadora da Esc Escola de Escrita, Julie Fank, a Internet é um importante divisor de águas na conceituação do que é Literatura e está reinventando os dispositivos teóricos da linguagem. Em entrevista ao Even More, Julie falou sobre suas reflexões de como a tecnologia digital afeta o mundo das Letras, moldam o comportamento de leitores e escritores e influenciam a necessidade de se desenvolver uma escrita criativa. “O futuro já está aqui!”, afirma. Julie é licenciada em Letras Português/ Inglês e mestre em Letras, com ênfase em Literatura Comparada pela Unioeste-PR. Atualmente é doutoranda em Escrita Criativa pela PUC-RS. Já atuou no mercado editorial local como diretora de redação e editora de revistas de comportamento, cultura, design, arquitetura e arte e ministra oficinas de texto, criatividade e Literatura. Confira e entrevista completa:

Na sua opinião, como a ampliação das tecnologias digitais afeta a Literatura, seja na escrita propriamente dita, seja nas formas de produção, distribuição e acesso de conteúdos? A tecnologia digital modifica e amplia consideravelmente nossa experiência estética, seja na literatura e no texto em si ou em outros tipos de produção artística. A partir daí, temos dois pontos: primeiro, o imediatismo da recepção, segundo, a transmidialidade. O imediatismo afeta a maneira como a gente lida com a produção e com a distribuição porque, positivamente e negativamente, já não importa mais tanto o resultado estético, mas a experimentação, e não importa tanto o conteúdo ou o cuidado com ele, mas a informação contida nele. É preciso postar, repassar uma impressão ou informação e compartilhar, independentemente de ter havido reflexão sobre. E como, nesse espaço, somos todos produtores-editores de conteúdo, é natural que o texto saia meio imaturo, não completamente “pronto”. Mas não é partir de uma perspectiva negativa que levanto isso. A possibilidade da atualização/edição instantânea de conteúdos, como é o caso das redes sociais, nos coloca também num lugar de reflexão sobre o que se escreve. Outro ponto interessante é ver como os usuários das redes facilmente se adaptam às novas linguagens dentro de cada mídia e conseguem, de maneira intuitiva, ler as plataformas digitais e passar a se relacionar com elas a partir do que elas propiciam de criação. A mescla de tudo isso dá lugar a uma linguagem híbrida que transita entre diferentes interfaces – o que resulta em novas práticas literárias e artísticas. Não tem como ser negativo quando o que vem pela frente é tão promissor.


Para você, essas tecnologias digitais também moldam o comportamento de escritores e leitores? A simultaneidade e a instantaneidade são nossos calcanhares quando o assunto é tecnologia digital. Nosso cérebro não está preparado para lidar com a quantidade de informação e com a velocidade com a qual devemos lidar com ela. Ao mesmo tempo em que nos adaptamos a voltar a consumir o conteúdo em pílulas mais fáceis de digerir – e isso condensou o conteúdo, quase como se voltássemos a produzir em formato de folhetim –, também precisamos nos adequar às múltiplas telas com as quais lidamos diariamente e ao hipertexto, a versão digital da nota de rodapé. Ainda que isso não seja novo, é a primeira vez que vivemos essa realidade no ambiente digital e incluímos o conteúdo no nosso rol de escolhas diárias. Ainda não achamos o caminho da consistência no meio desse caos, mas há oásis – é só a gente treinar o olho para reconhecê-los.

Há anos surgem “previsões” (por vezes catastróficas) sobre o futuro da Literatura frente às novas tecnologias. Talvez a substituição do livro impresso pelo e-book seja a mais recorrente delas. Como você avalia as transformações que já ocorreram – sobretudo com o surgimento da Internet – e o que você espera do que ainda virá? Mesmo a escrita já teve seus dias de incredulidade, no seu surgimento, há 5.000 anos. Hoje, não conseguimos imaginar um mundo sem a escrita – e, agora, sem tecnologia também. Confesso que ainda estou me adaptando ao Kindle, mais por uma queda que tenho por projetos gráficos e um fetichismo por livros, do que por dificuldades tecnológicas; mas vejo um mundo de possibilidades quando você pode carregar sua biblioteca em um dispositivo ou mesmo usar mecanismos de consulta ou indexação superiores a uma biblioteca no seu próprio computador. E me dá ainda mais esperança saber que já não precisamos mais imprimir ou xerocar artigos científicos e gastar

Foto: Eduardo Macarios


Nosso cérebro não está preparado para lidar com a quantidade de informação e com a velocidade com a qual devemos lidar com ela.


toneladas de papel, sabendo que tudo isso vai fora depois que uma pesquisa chega ao fim ou fazemos aquela limpa. Isso só quando falamos em armazenamento e leitura – e, apesar de eu ter certeza que não substituirá o livro impresso, isso encanta. A gente que trabalha com escrita e leitura tem muita dificuldade em organizar bibliotecas e ter acesso a livros ainda não traduzidos, por exemplo – temos que comemorar essa facilidade toda. Quando o assunto é a publicação, vejo o outro lado – estamos lendo e escrevendo muito, e isso, se não é bom, não sei o que é. O acesso à leitura se democratizou com a Internet, o ponto é sempre o que estamos lendo e que tipo de mediação estamos sofrendo. Efetivamente, falta critério, mas é incrível poder ter acesso a autores que estão produzindo em Manaus ou Recife sem precisar ir a uma livraria. E é mais legal ainda poder contar com uma infinidade de textos à ponta do dedo. A formação crítica continua a cargo da escola, mas as ferramentas são outras. Se o professor souber desestigmatizar a Internet como vilã do texto e, pelo contrário, souber utilizar a literatura multimodal, vídeos, editores de texto e aplicativos que se relacionam diretamente com a literatura em sala de aula, há grandes possibilidades de o aluno passar a traçar os caminhos para construir uma trajetória de leitura na rede – além das redes sociais ou por meio delas. Sou da geração que aprendeu inglês traduzindo músicas e jogando videogame, programava os templates dos primeiros blogs em HTML, incluindo plug-ins e links de leituras favoritas. Fiz amigos na Internet, comecei a escrever poesia nos meus blogs com 14 anos e discutia significados de textos em fóruns e comunidades no Orkut. E isso foi há pelo menos 10 anos. Imagine o que é possível hoje.

Considerando que você trabalha com escrita criativa, as tecnologias digitais podem ser consideradas aliadas ou rivais quando se pretende ser criativo nos dias de hoje? Você só dedica o seu tempo a um texto que te conquista, caso contrário, pode ouvir um podcast sobre o assunto enquanto responde e-mails. Você só retorna a um site depois do link se o conteúdo é interessante – e, se não volta, pode nunca mais encontrá-lo.


A gente não escreve para não ser lido – a gente escreve porque quer que o texto chegue a um leitor. E nesse ponto, a escrita criativa, mesmo com os erros de conceito por aí, pode ser uma aliada. A escrita criativa como um método que se propõe a ensinar a contar histórias, mas também a pensar e planejar os textos que escrevemos a partir de conceitos como forma, linguagem, técnica, marca autoral é um caminho para que não produzamos textos automáticos, mas entendamos o seu processo de maneira artesanal e consciente e possamos compreender o nosso próprio processo criativo. Isso melhora o nosso texto consideravelmente – estejamos ou não produzindo literatura. A literatura é uma das consequências da escrita criativa. No tempo sem fronteiras que vivemos, as margens ganharam voz e não há mais linhas que dividam duplamente o sexo, um país ou um tipo de texto e outro. É o texto líquido e lábil, que se adapta a diferentes linguagens que está pedindo para ser lido. Somos expostos o tempo todo a novas estruturas de significação – e saber manipular a linguagem é parte necessária à sobrevivência nesse momento.

Por fim, o que você sugere de boas e criativas iniciativas no campo da Literatura hoje? Quando falamos em criatividade, é natural se pensar em originalidade – o que não é possível. Grande parte das manifestações literário-artísticas defensáveis que encontramos na rede hoje são na verdade uma reinvenção de linguagem e um caminho de cruzamento e deslocamentos de diferentes searas artísticas. Há, por exemplo, uma série de coletivos literários que propõe o texto sempre a partir de uma ilustração, colagem ou conversa com outras artes, há peças gráficas fantásticas reescrevendo textos conhecidos, há a Pitchfork com suas reportagens multimídia em html5 impecáveis, há os poemas-vídeo da Matilde Campilho, disponibilizados gratuitamente no Youtube, há os poemgifs da Alice Sant’Anna, a revista Peixe-Elétrico que traduz muito bem o significado de consistência, há twiteratura em 140 caracteres, o Antessala das Letras, a revista Criação e Crítica, da USP, que já se propõe a ter um olhar menos canônico em relação ao texto que é fruto da academia. Nem os museus, quando se propõem a fazer mostras em homenagens a literatura e escritores, não se utilizam somente do suporte-texto. A Internet é um importante divisor de águas na conceituação do que é literatura e está reinventando os dispositivos teóricos da linguagem. É a mídia, a programação como atividade estética, a mass media – tudo reposicionando o status quo da arte a partir de ferramentas digitais de autoria. O futuro já está aqui – e o lego pode ser montado como quisermos, é só a gente ter paciência para aprender a mexer com as peças de formatos diferentes e quebrar algumas paredes. Uma casa invisível nos espera para ser desenhada. Fotos da matéria: Eduardo Macarios

C r i m e e c a s t ig o M a h a b h a r ata O s I r m ã o s K a r a m a z o vAi l h a d o t e s o u r o M e m ó r i a s d o S u b s o l o ADivi n a C o m é d i a Nih o n s h o k iA l -


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EM Curitiba #07 - Tech