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Outubro/ Novembro 2011

Esta publicação é resultado do projeto Click, um olhar curioso sobre o mundo, que promove oficinas de jornalismo comunitário.

Mãe,

estou grávida De quem é o erro? Um fato que tem se repeti-

(Ver pág. 11) do é ver adolescentes cada

vez mais jovens já ativos seA escola está prepara- xualmente e, muitas vezes, com uma responsabilidade da para o século XXI? para a vida toda. (Ver pág. 10)

(Ver páq. 06)


Fala, Click! Olá, leitor As palavras. Não é incrível o poder que elas exercem? Informam, educam, relacionam e, algumas vezes, confundem. No jornalismo, porém, as palavras não devem confundir. Foram também palavras que elogiaram a primeira edição de Pirituba Acontece. Não podemos demonstrar por meio destas o nosso entusiasmo em relação à recepção do jornal na comunidade, foi gratificante ouvir as críticas que chegaram a nossa redação e ver que estamos atingindo nossso público de maneira positiva. Neste mês, preparamos uma edição especial para você. Gravidez na adolescência é o tema central. Através das palavras de pessoas que viveram a situação, buscamos mostrar caminhos para uma possível prevenção.

Equipe: Amanda Sanches

Bruna Venâncio

Caio Gouveia

Caio Henrique

Daniella Miconi

Edson de Sousa

Heloisa Berenguel

Igor Franca

João Paulo de Castro

João Victor

Joice Loyola

Júlia Cristine

Juliana Lourenço

Lara Deus

Lucas Venâncio Pedro Augusto Thalita Xavier

Aproveite! Os mediadores

Marina Budoia Samuel Lopes Parmegiani Victhor Fabiano Mediadores:

Arthur Victor

Edson Caldas

Evelyn Kazan

Ouvindo Vozes a sua opinião aqui

“Gostei do jornal, ele vai abrir o olhos das pessoas de Pirituba para ajudar as pessoas mais necessitadas e também a cuidar do nosso bairro.” Millena Cristina Tavares Contri 12 anos .

Cena do filme “O Grito”

Redação: Obrigado Milena, gostamos muito do seu comentário. Continue acompanhando nosso jornal. E deixando a sua opinião. =D “Gostei do Jornal é muito bom, mas podia ter desenhos com cores e mais informações.” Matheus S. 11 anos. Redação: Fizemos o possível para aumentar as ilustrações nesta edição, porém não possuimos verba para um edição colorida. Você pode colaborar, mandando um desenho, temas ou uma notícia para ser publicada. 02

Ainda queremos saber o que você acha de nossa publicação. Mande críticas, sugestões e elogios (lógico!) para: clickumolhar@gmail. com Click Um Olhar @Clickumolhar


Piritubando

clickumolhar.blogspot.com

fique por dentro da nossa região

Venha e continue esta história. Por Bruna Venâncio e Juliana Lourenço

O centro educacional, como é conhecido, foi inaugurado por volta da década de 60.

Uns dos locais mais tradicionais de Pirituba, onde se encontra o Clube Escola Pirituba, vivenciou grandes clássicos de futebol. Um dos primeiros clássicos foi jogado pelo “Brasil de Pirituba” contra o “Máquinas Piratininga”: time da casa 3, visitante 1. Era de costume nos dias de jogos, encontrar bares da redondeza cheios, com muita música, samba no pé e grandes batuques; fora as brigas no largo, que deram origem ao nome do local, Largo da briga. Hoje com uma área de 36 mil m², o Centro Educacional oferece gratuitamente cursos de futebol de campo e salão, dança, yoga, ginástica acrobática e olímpica, natação e muito mais. E para a alegria dos moradores locais, o clube aguarda uma verba de dois milhões para a reforma. Estando prevista a colocação do gramado sintético, as reformas no alambrado e nos vestiários.

Por Edson de Sousa e Lara Deus

O Teatro Silva, grupo de atores que desde 2008 leva a todo o bairro a prática cênica, idealiza realizar a bioconstrução de sua sede, que se estabelecerá na Vila Mirante. A necessidade de um espaço físico para sediar as atividades do Teatro Silva foi sentida posteriormente à crença do grupo nos valores ligados à cidadania e à sustentabilidade. Por isso, logo que foi oferecido o espaço no bairro, os participantes elaboraram práticas centradas na preservação do meio ambiente. A bioconstrução, que consiste em alternativas ecológicas positivas, em todas as etapas do projeto do ecoteatro, promete revolucionar o cenário cultural de Pirituba. Atualmente, os projetos existentes visam à inclusão da comunidade na prática artística. Na peça ‘O Julgamento’, as pessoas da plateia representam importantes papéis na história. Segundo o diretor do Teatro, Baal Demarÿ, esta participação faz com que o público sinta que é semelhante ao personagem e ao ator. Aulas de capoeira são ministradas às terças e quintas, às 19h30, pelo Mestre Tião do Grupo Azânia. Desde setembro é realizado no espaço um Sarau que traz a poesia a Pirituba a cada 15 dias. A partir de outubro, o Teatro Silva oferece aulas de teatro aos sábados à tarde.

Quem se interessar pelo projeto pode obter informações através do site www.teatrosiva.com. br e ainda segui-los no Twitter, no @TeatroSilva e curtir a página no Facebook. 03


clickumolhar.blogspot.com Por Caio Gouveia e Marina Budóia

Água na Spama

No dia 1 de outubro de 2011, demos um importante passo para conquista dos direitos humanos aqui na região de Pirituba. O Instituto Neotropica, através da Amora, em parceria com a Amanco, Faculdade Belas Artes, Cruz de Malta e Fundação Prada, realizou a apresentação do curso de capacitação para instalação hidráulica, do qual resultarão ações práticas na Comunidade do Spama. O Instituto Neotropica é uma entidade sem fins lucrativos que desenvolve projetos de intervenção e ações estratégicas para defesa da cidadania e do meio ambiente. Ou seja, além levar saneamento básico para comunidades, eles capacitam os moradores - estimulando para que façam o serviço- e com a experiência adquirida tenham uma nova oportunidade no mercado de trabalho. Tudo isso com uma visão de sustentabilidade e cidadania. Ao final do evento cada morador recebeu um certificado assinado pelos organizadores. Podemos enxergar as coisas acontecendo, uma realidade que está em transformação. Com a instalação de uma rede de esgoto na Spama, os moradores começam a mudar a sua visão, daquela de “excluídos da sociedade’’, como o entrevistado Sr. Ivan disse: “Não há nada mais digno do que você pagar pelo o que você gastar.”

Por Lucas Venâncio e Thalita Xavier

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Jornada Cidadã

Por Equipe Click

Kung Fu, corte de cabelo, exame de vista, curso de maquiagem, aulas de origami, palestras sobre economia, exame de glicemia, apresentação de orquestra e emissão de documentos. Essas foram as atividades presentes no evento realizado pela Faculdade Anhanguera, localizada próxima ao posto policial, na Raimundo no dia 24 de setembro, no qual jovens, adultos e idosos puderam desfrutar de diversas atividades. Enquanto as crianças podiam se divertir no pula-pula, pintando o rosto ou comendo algodão doce, os pais podiam aproveitar as palestras, fazer exames ou até tirar algum documento. O evento acontece todo ano durante uma semana, geralmente no mês de setembro e é uma iniciativa de toda a Rede Anhanguera, sempre buscando parceiros nas comunidades locais. O ponto alto do evento foi a apresentação da orquestra musical que faz parte do projeto “Hiper 10”, criado pelo professor Valmir Ricardo dos Santos. Em diversas escolas, inclusive na Faculdade Anhanguera, o professor desenvolve o projeto em que crianças de todas as idades podem aprender instrumentos musicais e o valor das aulas é de acordo com as suas notas na escola. Jorge Edson, de 18 anos, que participou da apresentação, diz que acha “muito legal essa diversidade cultural e de idades na orquestra”.


Uma praça sujeita a reformas e projetos socioambientais.

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Por Caio Gouveia e Marina Budoia

É fundamental cuidarmos do meio em que vivemos. Se não jogamos lixo no chão de nossas casas, então, porque jogamos sujeira (muitas vezes despercebidamente) nas ruas? São tantas coisas necessárias a serem feitas em meio a tantos problemas e responsabilidades pessoais, que acabamos não percebendo o quanto é importante colaborarmos com o meu e o seu lar, ou seja, nosso meio ambiente. Pensando nisso, a gestora ambiental Romilda Hadad, traz o programa Biobairro para Pirituba, e o melhor, ali mesmo na pracinha da pista de cooper, na rua Padre Guido Del Toro, na altura 600. O projeto a ser desenvolvido na área, possui duas grandes metas: a primeira é a reforma da praça, instalar equipamentos de ginástica, melhorar a sinalização e qualidade da pista e criar um nome para a praça, que até hoje não possui nenhum. Uma sugestão de nome que está sendo cogitado é Aristóteles Barbosa. A segunda, é a construção de uma “praça verde”, que terá a meta de trabalhar a Educação Ambiental na comunidade local

e de formular um sistema de reciclagem e de coleta seletiva de materiais retornáveis, como pilhas e baterias. A ideia é realizar uma “bioconstrução” dos estabelecimentos desse sistema, ou seja, utilizar materiais práticos, recicláveis e que causem um menor dano ao meio ambiente. Além dessas ideias, se destacam também a criação de uma horta comunitária, um bazar da economia. “É so participar e ficar informados sobre projetos desse tipo, pois a construção de uma Praça Verde melhora diretamente nossa qualidade de vida e saúde de todos os habitantes da região, além de ensinar na prática, como devemos agir para ajudar e melhorar o nosso meio ambiente”, comenta, Marina, uma moradora da região. Gostaríamos que vocês, caros leitores, mandassem sugestões de nomes para essa praça. Se tiver alguma, nos envie pelas redes sociais: Twitter @clickumolhar e Facebook - Click Um Olhar, ou pelo nosso blog: clickumolhar.blogspot.com, ou nosso e-mail: clickumolhar@gmail.com. (Saiba mais sobre o programa Biobairro em www.ecosdovitoria.org.br/wp)

Por Samuel Parmegiani

Calçadas de Pirituba não são conservadas e oferecem riscos aos pedestres.

Já não é de hoje que a situação das calçadas em São Paulo atrapalha a vida dos pedestres. Além de serem estreitas, ainda acomodam postes e tampas de bueiros - muitas vezes quebradas. Se, para qualquer pessoa, andar pela cidade nessas condições é bem difícil, para um deficiente ou uma mãe com carrinho de bebê, torna-se quase uma missão impossível. Na Av. Cabo Adão Pereira, em Pirituba, ocorrem muitos desses problemas. Calçadas servem de estacionamento para comerciantes e clientes, ou são obstruídas por sacos de lixo ou material de construção e obrigam o pedestre a andar fora delas, pela via, ao lado de carros e ônibus. Quase não se vê um semáforo que funcione, e o pedestre, mais uma vez, tem de correr riscos, fazendo a travessia sem segurança. Uma polêmica antiga é a dúvida a respeito de quem é a responsabilidade sobre as calçadas - da prefeitura ou dos cidadãos. Uma lei sancionada no dia 10 de setembro estabelece que o proprietário e o usuário do imóvel, seja ele comercial ou residencial, é quem deve cuidar da manutenção das calçadas e cabe à prefeitura a fiscalização, que só é feita quando há denúncia (www.prefeitura.sp.gov.br ou pelo telefone 156). A denúncia pode ser anônima.

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Especial

Equipe Click

Mãe, estou grávida!

Dicas: Casa do adolescente- Doutora res-

ponsável pelo projeto: Albertina Duarte- (11)3819-2022 (disque adolescente) 11h- 14h sempre há médicos, enfermeiros, psicólogos para orientar os adolescentes sobre prevenção e cuidados relacionados à sexualidade. O Programa Adolescer tem como foco a prevenção da gravidez na adolescência. E Programa BemVindo tem como objetivo a melhor atenção ao pré-natal. É um programa de orientação e informação. Mais informações: http://bemvindo.org.br/home/ - Rua Fidêncio Ramos, 195 – cj. 85 – Tel. (11) 3049-8031 / 3049-8025

Um fato que tem se repetido é ver adolescentes cada vez mais jovens já ativos sexualmente e, muitas vezes, com uma responsabilidade para a vida toda. Em 26 de setembro, os veículos de comunicação foram pautados pelo “Dia Internacional ao Combate à Gravidez na Adolescência”. Porém, tal assunto não deveria ser lembrado apenas nessa data. Não é apenas um dia por ano que os jovens passam por isso. Nesse especial conheceremos cinco histórias de pessoas que vivenciam essa realidade, além de sugestões de lugares que podem dar o suporte necessário nessas situações.

Pílula do dia seguinte Meninas após o ato sexual sem o uso dos métodos contraceptivos, institivamente e/ou incentivadas pelas amigas, tomam a pílula do dia seguinte, esquecendo os riscos que estas podem causar, como: desregramento do organismo feminino, e excesso de hormônios. Devido a isso, esta só pode ser tomada em emergências, e raramente. A pílula deve ser tomada em até 72 horas após o ato sexual. Quanto mais tempo demorar, menor será a eficácia. 06


A MÃE Cristina dos Reis da Silva, 26 anos, foi fruto de uma gravidez na adolescência, fato que se repetiu com a própria, tendo seu primeiro filho aos 17 anos. Aos 14 conheceu seu atual marido e aos 16 engravida do primeiro filho. Teve que interromper os estudos, retomando quatro meses após o nascimento da criança. “Mesmo não tendo minha mãe por perto por causa de vários motivos, não quer dizer que meus filhos vão passar pelo mesmo. Hoje eles têm uma estrutura formada por mim e meu marido, e sempre contei com a ajuda dos meus sogro e minha tia.”

A FILHA Júlia* engravidou aos 13 anos, de sua filha Marcela*, sendo que o pai tinha 15 anos, e na época, não deu apoio. Marcela diz que as duas têm uma relação de amigas, sempre saem juntas e se divertem muito, mas que ela também sabe se colocar como mãe, dando conselhos para a filha não fazer o mesmo que ela, pois, argumenta que a partir “do momento em que você engravida, não pode mais aproveitar sua vida, já que tem outra para cuidar”. Marcela conta que além de sua própria história, existe outra na família, e por isso sabe que deve tomar cuidado, inclusive, responde que não quer ter nenhum filho, pelo menos por enquanto. * Nome fictício, a pedido da entrevistada.

O PAI 1984. Ele com 16, ela com 13. O ator Rony Guilherme teve que encarar a rotina de um adulto com responsabilidades igualmente sérias. Para Rony, o maior problema seria o financeiro, pois ele pensou que não conseguiria sustentar uma criança. Com o intuito de cobrir todas as necessidades, ele passou a trabalhar em dois lugares diferentes, teve que abandonar o ensino médio e as diversões da juventude. Hoje em dia, Rony distingue a tal gravidez indesejada daquela não planejada. “O nascimento do primeiro filho foi produto da última, já que ter filho é também um privilégio”.

GESTANTE Jociane, de 15 anos está grávida de 5 meses. Descobriu no 4º mês, impossibilitando o aborto, que chegou, em um momento a ser cogitado. Atualmente sem o apoio do namorado, só pode contar com sua mãe. A falta de informação quantos aos métodos contraceptivos foi o agravante da situação, por conta do uso desregulado da pílula do dia seguinte, Jociane engravidou sem esperar e o que era para ser evitado, inevitavelmente ocorreu.

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SP em Pirituba o que acontece na cidade?

Por Daniella Miconi, Heloisa Berenguel e Lara Deus.

Pintando o sete, oito... até às 24h A história dos artistas de rua, para quem vê do lado de fora pode parecer bem simples, mas há um equívoco. Até um tempo atrás os mesmos eram repreendidos pelas autoridades por fazer seu trabalho (seja dançando, cantando, pintando). Eram todos, sem exceção, considerados ambulantes não regularizados. E por que isso? Não dá para saber ao certo, por isso conversamos com alguns deles, para saber mais sobre suas experiências e apresentar essas vivências.

Cyro se aquecendo para o Slack Line.

Fomos para a rua procurar por essas pessoas tão talentosas no meio de tanta gente. Primeiro conversamos com Luana (23),

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que é estátua viva de segunda à sexta na Praça da República no Centro de São Paulo. Segundo ela: “A melhor coisa em ser uma artista de rua é justamente ter a liberdade, e poder escolher ser uma artista de rua”. Ela escolheu as ruas como seu local de trabalho, pelo simples fato de amar arte e poder; ver seu resultado na hora, diante dos olhos das pessoas. Quem encontramos também, foi o Cauã (16), que além de estudar, em suas horas vagas escolhe o rap e a rima como seu principal passatempo. Ele nos contou que aprendeu a rimar sozinho, indo para a escolinha de futebol quando tinha apenas onze anos. Ele aponta a falta de divulgação como a maior dificuldade em se fazer arte na rua, pois segundo ele, é preciso dinheiro para poder conseguir a divulgação necessária, e assim, poder fechar shows. Mas também ama o que faz; e sonha em viver de suas rimas daqui a alguns anos. Já Cyro (17), capixaba, traz consigo não só a arte, mas também um esporte não tão reconhecido aqui no Brasil, mas que exige certa habilidade, o Slack Line – que é uma fita presa dos dois lados em que o praticante possa se equilibrar e fazer manobras, graças à elasticidade do material. Ele diz que “em pa-

lavras, o Slack Line é muito simples, mas na prática é muito complexo” e que há duas coisas que o fizeram seguir com Slack Line ‘’Primeiro são as amizades, pois amizade sempre te leva para alguma coisa, e segundo, é preciso se apegar e ter amor por alguma coisa’’, e esse amor o direcionou para Slack Line. Não importa as dificuldades que os artistas de rua terão que passar, eles sempre conseguirão superar, pois todos têm consigo não só a sede de liberdade, mas também pelo amor à arte. Veja mais informações sobre o Slack Line, MC’s e arte na íntegra (www.clickumolhar. blogspot.com).


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Moradores de rua decoram praça Por Amanda Sanches

A Praça Jácomo Zanella recebeu decorações um tanto inusitadas. Peixes de papelão foram amarrados às árvores, que foram pintadas. Esculturas, com mensagens para as pessoas que passavam, balançavam ao vento. Quem são os responsáveis pela decoração? Dois moradores de rua. O senhor Reginaldo e o senhor Alexandre. Eles disseram que tiveram muito trabalho para limpar a praça, expulsar os moradores que a sujavam, e então decorá-la. Perguntados do propósito dessa expressão artística, eles disseram que fazem pensando nas pessoas, que precisam de um lugar melhor no meio da cidade. Os senhores Reginaldo e Alexandre recebiam ajuda dos comerciantes locais, como comida, e algumas doações para a compra do material para as esculturas. Mas, infelizmente, essa decoração durou pouco tempo. Alguns dias após entrevistarmos o artista, Alead, como gosta de ser chamado, as obras foram recolhidas pela prefeitura. Agora, na praça, só permanecem as árvores pintadas, com a pouca mensagem que restou. Não se sabe do paradeiro dos dois moradores. Os frentistas do posto em frente à praça disseram que eles foram expulsos e até mesmo suas barracas recolhidas.

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Lição de casa você faz a sua?

Diário da Educação Por Victhor Fabiano

Nesta edição entrevistamos a professora de geografia pela USP, Rosicleide Moura, que leciona há 18 anos. Conversamos com ela sobre as deficiências na educação e as possíveis soluções, principalmente as de responsabilidade pública. A educadora conta que a educação norteou sua vida, “Com muito esforço consegui entrar na USP”. “Sempre possuí a certeza de que a escola mudaria minha vida.” Sobre a educação atual, a professora conta que ”nos últimos cinco anos houve uma queda de qualidade muito grande nas escolas estaduais, é possível ver esse processo tanto na estrutura física como na relação com os alunos. Na rede municipal é menor na estrutura física, mas os alunos continuam com um problema na questão do aprendizado”. Rosicleide relata que as deficiências educacio nais agrupam consequências de alguns problemas na sociedade. “O que foi colocado, realmente, é uma situação difícil, não das escolas, mas da sociedade. (...) Antes os alunos vinham para a escola para realmente estar aprendendo; hoje ele vêm porque não têm quem cuide, porque eles não podem ficar na rua. A escola perdeu o sentido de escola. (...) Então, acho que nós vamos ter de discutir o papel dela na sociedade.” É necessário um novo modelo que faça a educação prática ser tornar “viva”, para renovar os ânimos dentro da sala de aula. “O nosso desafio está aí!” Ao ser questionada sobre a adolescência e sua relação com a escola, Rosicleide nos diz que a grande maioria “não tem muito compromisso”. “Nesses últimos cinco anos são pouquíssimos os alunos que apresentam compromisso.” O caminho trilhado por este modelo de educação nos levou a indagar se há esperança. “Não tem uma solução única”, responde. “Ninguém quer pensar no assunto, então todos pegam um caminho fácil para se resolver. (...) A escola está no meio de uma confusão terrível.”

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Uma segunda opção de estudo Por Caio Henrique

Existem cerca de 200 Escolas Técnicas (Etecs) espalhadas pelos Munícipios paulistas. Essas escolas oferecem mais de 100 opções de cursos técnicos gratuitos que vão de Administração à Zootecnia. Os cursos são realizados em 3 módulos semestrais (1 ano e meio) em um dos períodos: matutino, vespertino ou noturno. Para o ingresso no curso o estudante deverá passar em um “Vestibulinho” com questões de nível fundamental e ter concluído ou estiver concluindo o 2° ano do ensino médio. As inscrições para o 1° semestre de 2012 aconteceram de 28/09/11 a 18/10/11. Agora é estudar para a prova que acontecerá no dia 20/11. Os locais da prova serão divulgado no dia 14/11 no site http://www.centropaulasouza.sp.gov.br ou http://www.vestibulinhoetec.com.br/home/

“Vou lançar um livro com os dos bilhetes que eu recebo dos pais. Mandei um para uma mãe ajudar sua criança de quinta série a fazer lição, a mãe mandou um bilhete para mim: ‘a minha filha está assistindo televisão, não pode fazer lição’”. O final da entrevista foi o relato de como uma mudança é necessária, “ A criança quer ver até onde pode ir”. Concluindo, deve-se desenvolver uma nova postura diante desse grande desafio de ensinar no século XXI. Até a próxima! A entrevista na íntegra, mais fotos e novidades no blog do Click: clickumolhar.blogspot.com. Até a próxima!


Novo

lhar

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crônicas, desenhos e afins

De quem é o erro? Por Igor Franca

Estou andando no meu carro, mas não sei para onde estou indo. Eu só estou tentando clarear um pouco meus pensamentos. Magoei todo mundo que eu amo. Meu pai está P. da vida e enchendo a cara para tentar relaxar, minha mãe está procurando uma solução que não existe e minha namorada está chorando e se culpando por tudo que eu falei para ela. Eu... ainda estou tentando colocar as peças no lugar. Minha namorada me ligou dizendo que queria que eu e os meus pais fôssemos até a sua casa. Quando chegamos lá, ela e os pais dela estavam nos aguardando. Foi ai que ela deu a notícia. “Estou grávida”. Grávida aos 17 anos. Os pais dela estavam muito tristes e preocupados. Meu pai... Quase surtou! Saiu xingando todo mundo e foi embora para casa com a minha mãe, que tinha começado a chorar como se alguém tivesse morrido.

Eu chamei minha namorada para conversar e então falei que o erro foi dela! Ela que não se preveniu. Ela que não tomou o anticoncepcional. Eu disse que a única solução era não ter essa criança, pois eu não iria jogar o meu futuro fora. Seria isso, ou ela iria criar esse bebê sozinha. E aqui estou eu agora, dirigindo pra esfriar a cabeça. O que eu fiz? Eu não deveria ter falado tudo aquilo para ela. A culpa é minha também. Eu deviaria ter usado camisinha. Eu percebo o erro que cometi e ligo para a casa dela. A mãe dela diz que ela não estava, que foi atrás de mim. Eu viro o carro e faço o caminho de volta para casa dela. Tudo ia dar certo. Eu iria falar com ela e a gente daria um jeito nessa situação. Nem sonhando ela teria que abortar. Chegando perto da casa dela vejo que aconteceu um acidente. Alguém bateu o carro em um poste. Me bate um desespero quando eu vejo que é o carro dela. Saio do carro e os médicos já estão tirando seu corpo. Pergunto se ela vai ficar bem e o médico me dá a pior notícia que eu poderia receber. Ela está morta. Ela se foi. Ela se foi e levou um pedaço de mim com ela.

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A Casa Azul agora é verde! Por Arthur Victor

Foi assim, de uma hora para outra, de um dia para o outro. Azul, de repente: verde. Quer dizer, a casa já vinha passando por algumas reformas, mas isso nunca nos veio à cabeça! Mudar o mais puro azul celeste para um verde que ainda nem maduro está. Diz-se que foi ordem lá de cima. “Pode mandar pintar de verde!” Sendo que antes, uma simples mulher acostumada à rotina da casa, informou o tom da divina cor habitual. Com a reforma (longa até) o ambiente ganhava novos ares – um brilho - que foi esverdeado pela ordem superior. E a mudança de cor deu briga! (Não era pra dar?) Além da empresa que agora quer cobrar pelo serviço feito e refeito, os moradores estão indignados com o mal feito. Motivo até para não dormir, especialmente para os jovens; de preces e visitas ao Padre Neno, por parte das senhorinhas aqui do bairro, que já acabam importunando-o. De fato, é para se preocupar. A Casa Azul

(agora verde) é uma construção pública realizada pelos próprios moradores, através de mutirões. Portanto, é resultado de uma mobilização coletiva (subprefeitura, moradores e comerciantes locais) faz parte de um patrimônio comunitário. Sua antiga cor não foi escolhida apenas por uma questão estética. Os moradores decidiram que seria necessário algo que a identificasse – e a diferenciasse - das demais, sua tonalidade cumpria essa função. - Vamos à Casa Azul? - Qual? Aquela que agora é verde? Senhores responsáveis, entende-se que é padrão a cor verde nos equipamentos de saúde pública deste gênero, no entanto, este não é um simples equipamento: é uma obra pertencente a toda comunidade. Solicitamos que reavaliem o caso, para que enfim, a Casa Azul volte do verde para a cor que está presente até mesmo em seu nome - o ainda nobre, puro e belo azul.


2ª Edição do Pirituba Acontece  

Esta publicação é resultado do projeto "CLICK, um olhar curioso sobre o mundo" (http://clickumolhar.blogspot.com/) que promove oficinas de j...

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