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Desvendando Mitos populares em Jaguaruana

Francisco Evanildo Pereira (Organização)


Desvendando Mitos Populares em Jaguaruana

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A oralidade é a ponte para a memória, é o meio pelo qual se propagam os causos ou contos nas rodas dos terreiros, nas reuniões familiares, nos encontros de gerações. Ela funciona como elo entre a memória individual e a memória coletiva.

Ana Maria de Carvalho

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Primeiras Palavras

Este livro é o resultado de um intenso trabalho de pesquisas e de produção literária desenvolvido pelos alunos da Escola de Ensino Médio Francisco Jaguaribe, do município de Jaguaruana-CE. Ele surge da idealização do projeto Minha Terra do Portal Educarede da fundação Telefônica, o qual tinha como proposta desenvolver pesquisas com alunos na perspectiva de registrar e publicar notícias, acontecimentos e fatos ocorridos no município e que fossem compreendidos como mitos. Nasce desse contexto o Projeto Desvendando mitos populares no município de Jaguaruana-CE, desenvolvido e coordenado pelo professor Evanildo Pereira, em parceria com alunos da instituição. A ideia inicial foi a de realizar pesquisas sobre acontecimentos que viesse a ter característica de uma narrativa mítica, para que fossem formulados seus registros. Ao longo das aulas da disciplina de Filosofia das turmas do 1º ano do Ensino Médio, foram apresentados textos, vídeos, e causos locais aos alunos, para reflexão, leituras, estudos e aprofundamentos, instrumentalizando os discentes com conteúdos que lhes possibilitassem desenvolver seus textos. Posteriormente, foram selecionados os melhores textos que, depois de revisados, consolidam-se no resultado desse trabalho você pode conferir nas histórias e causos apresentados a seguir, compreendendo sempre que, eles são frutos do pensamento e da capacidade produtiva dos alunos de ensino médio desta instituição de ensino.

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Agradecimentos

A realização deste Projeto significou muito para todos que compõem a comunidade escolar da EEM Francisco Jaguaribe. Sua elaboração é o resultado de um trabalho desenvolvido com discentes do 1º ano do ensino médio, embasado pela disciplina de Filosofia, em parceria com o Laboratório de Informática, através do Projeto Minha Terra da Fundação Telefônica.

A concretização deste Projeto deve-se a apoios fundamentais que serviram de suporte para a continuidade dos trabalhos e a motivação de todos que dele participaram Assim, agradecemos, primeiramente, aos professores coordenadores do Núcleo Tecnológico da 10ª Coordenadoria Regional de Ensino – 10ª CREDE, Fátima Gonçalves, Eliane Batista e Monalisa Chaves, que acreditaram na nossa capacidade e nos motivaram sempre, na perspectiva de viabilizar o desenvolvimento das atividades realizadas. Agradecemos, também, a confiança do Núcleo Gestor da Escola que empreendeu o apoio necessário, nos permitindo desenvolver todas as atividades dessa experiência exitosa, bem como aos professores do Centro de Multimeios que orientaram com sugestões de leituras de obras da Biblioteca Escolar. Aos professores dessa Casa, que contribuíram de forma significativa no acompanhamento e na orientação de seus discentes, motivando-os e conduzindo-os para a concretização de seus textos. Sobretudo, agradecemos aos alunos autores deste livro, que acreditaram em seus potenciais, investiram tempo, estudo e o desejo de ver seus trabalhos realizados. Sem eles não seria possível a publicação deste livro. Somos gratos, também, a todos que contribuíram para a idealização e concretização desta obra.

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Sumário

1. A Mulher Cavalo aterroriza Jaguaruana ........................................................................ 07 Wandryl Stolze de Oliveira Santos

2. O Batatão: mito ou realidade? ...................................................................................... 09 Yara Fernanda Benício Rebouças e Francisca Silvana Silva Amaral 3. O Mito das Corujas ........................................................................................................ 11 Thayane Sheyla Moreira Rebouças e Thaysa Keyla Moreira Rebouças 4. Discos voadores visitam Jaguaruana ............................................................................. 13 Anderson Germano Correia Lima 5. O Chupa-Cabra............................................................................................................... 15 Thayane Sheyla Moreira Rebouças e Thaysa Keyla Moreira Rebouças 6. A Perna Cabeluda vagueia o interior de Jaguaruana ................................................... 17 Francisca Herilane Silva Oliveira

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A Mulher Cavalo aterroriza Jaguaruana

Foto:: http://www.mossoroemfoco.com

Jaguaruana, uma cidade do interior do Ceará, distante 180 km da capital Fortaleza, foi tomada pelo pânico do aparecimento de mais um ser misterioso. Surgiu nessa cidade um mito que uma tal mulher cavalo (metade mulher metade cavalo), estava aterrorizando os moradores da cidade, alguns moradores afirmam ter visto esta estranha criatura. O assunto está presente em todos os lugares, nas praças, nos comércios, nas escolas, e discutido em toda a cidade, e muitas histórias são contadas referente ao surgimento dessa “mulher cavalo”, que tem aparecido constantemente na zona rural e nos bairros periféricos do município, sempre no período da noite e para homens. Muitas pessoas na cidade dizem que essa história surgiu a partir de um pacto de uma mulher com o diabo, um dia ela morreu, mas ela estava amaldiçoada por causa do pacto então ela voltou, mas não voltou normal voltou como uma mulher cavalo e passou a aterrorizar os moradores do vale Jaguaribe, a partir daí esse mito foi se espalhando até chegar em Jaguaruana onde moradores disseram ter visto e outras não acreditam na história. Outros contam que a mulher cavalo morava em um sítio no estado de Rio Grande do Norte, pois ela tinha descoberto que seu marido tinha 7


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ficado com outra mulher e tinha lhe traído. Cheia de ódio no coração e tomada pela loucura tentou matar os próprios três filhos. Seus filhos foram levados pelo pai que percebendo o ódio da mulher teve medo dela cometer uma loucura com as crianças. Depois, ao perceber a loucura que tinha feito, e não encontrando suas crianças em casa enlouqueceu e fez um pacto com o diabo, para que o mesmo a fizesse encontrar seus filhos. Diz a lenda que ela morreu e renasceu com a metade mulher e metade cavalo, e saiu pelo mundo a procurar as crianças. O medo está presente em todos os moradores de Jaguaruana, muitos não saem mais de casa a noite. Para não correr o risco de se encontrar com a criatura, alguns jovens, após saírem das festas, juntam-se em grupos para voltar para casa, enquanto outros nem para festas vão mais. Outras pessoas, mais curiosas, estão a caça do animal. Comentou-se por toda a cidade que o antigo “inspetor Marcão”, e chefe da unidade policial

do

município, tenha se encontrado com a aberração e efetuado alguns disparos – boato negado por ele. Mais relatos sobre aparições da “mulher-cavalo” correm pela cidade de Jaguaruana. Segundo Geovane, de 18 anos, ele saiu de um circo que se encontrava no município no domingo (4) e, ao se dirigir a sua casa, no bairro do Juazeiro, a cerca de 100 metros, uma mulher com formas de um cavalo o perguntou para onde ele iria. Geovane correu em direção de casa, sendo perseguido pela tal mulher. Ao chegar na residência o rapaz foi socorrido pela mãe e vizinhos que ouviram os gritos de socorro. Segundo o depoimento de sua mãe, Dona Biró, o filho “não é menino de mentiras” e ele chegou “quase sem fala em casa” e com “as calças molhadas”. Homens vizinhos do rapaz se armaram de paus e foram atrás da criatura. De acordo com o jovem, ela teria fugido para as terras do DNOCS, em meio a escuridão e o mato. Com tempos depois essa tal “mulher cavalo” desapareceu de repente e nunca mais apareceu.

Autor: Wandryl Stolze de Oliveira Santos

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O Batatão: mito ou realidade? Na comunidade de Santa Luzia, zona rural do município da cidade de Jaguaruana é formada praticamente de agricultores, que tem na lida diária o costume de acordar muito cedo, ainda pela madrugada, para realizar suas atividades, como tirar o leite do gado, ir para o mato cortar lenha para abastecer o fogão, ir para a roça plantar ou colher alguma alimento, concertar uma cerca ou até mesmo caçar ou pescar. E, não incomum surgir relatos de acontecimentos que não tem uma explicação muito lógica, ou que venha a ser uma coisa que acontece normalmente. Entre um desses relatos, me chamou a atenção a de um bicho chamado “Batatão”, que havia surgido por diversas vezes antigamente e que muitas pessoas já tinham visto. Contam uns senhores da comunidade, de certa idade, que um dia alguns dois amigos saíram para caçar numa mata pertinho da comunidade. Lá para “boquinha” da noite, saíram a pé rumo a mata, conversando, e andando, já tinha andado um bom pedaço quando chegaram num certo ponto, encontraram uma árvore de uma copa grande e resolveram fazer o rancho. Ajeitaram as coisas, limparam o lugar, acenderam o fogo, depois fizeram um café e ficaram aguardando a saída da lua para começar a caçar. Logo que a lua saiu eles pegaram os cachorros e entraram numa vereda e lá mais na frente os cachorros atocaiaram um peba, deram de garra desse buraco e começaram a cavar, até que deram com o peba. Mais na frente os cachorros 9


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acuaram mais uma caça, depois de um tempo eles resolveram voltar pro rancho, mas já meio sem rumo, seguiram a vareda abaixo, quando avistaram um fogo. Eles acharam que era o fogo do rancho que tinha ficado meio aceso e que o vento tinha acendido, mas era um fogo estranho, pois ficava flutuando no ar. Mas eles já estavam meio cansados foram indo, foram indo e o fogo começou a crescer, e a ficar mais vivo, foi aí que eles começaram a se arrepiar. Aí eles deram de conta que não era um fogo mais sim, um Batatão. Mas que depressa eles largaram tudo que tinha na mão e começaram a correr nessa mata no rumo de casa, e quanto mais corria mais o fogo se aproximava. Já quase caindo de cansados, os dois caçadores deram com a vareda que dava pra saída da mata foi quando eles conseguiram respirar um pouco e já perto de casa pararam pra descansar um pouco. Quase sem fala um perguntou pro outro se ele sabia que bicho era aquele, quando eles chegaram em casa foi que um velho que morava perto da casa deles contou que há muito tempo tinha visto aquele fogo. Que os pais dele contava que era um tal de “Batatão” que corria atrás de pessoas que invadiam o seu espaço. Embora muitos não acreditem, que digam que é uma história de trancoso, existem muitos relatos, principalmente do povo mais velho. Verdade ou mentira, mito ou realidade, ninguém pode afirmar, mas que ouvindo eles contarem, fica difícil não acreditar.

Autoras: Yara Fernanda Benício Rebouças e Francisca Silvana Silva Amaral

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O Mito das Corujas Muitos mistérios envolvem os seres da natureza. As superstições variam desde o aparecimento de um gato preto, uma cobra preta, uma aranha e sapos. O medo que as pessoas costumam ter desses animais sempre tem uma ligação com algum acontecimento contado por pessoas,

ao

longo

do

tempo.

No

município de Jaguaruana muitas pessoas têm medo de um animal bem exótico, e que seu aparecimento, segundo reza a lenda, é presságio de má notícia. Os mais velhos narram muitas histórias onde a coruja, quando voam a noite, sobre a casa é que um acontecimento ruim vai acontecer. Isso faz com que muitas pessoas tenham medo e que até repugne se aproximar desse animal por conta que quando uma coruja desse tipo sobrevoa ou pousa sobre a janela, telhado ou sacada de uma moradia, e após isso a mesma emitir um barulho parecido com um rasgo de um tecido de seda, é sinal de que alguém de sua família ou alguém conhecido seu irá morrer em breve. Ao “soltar o rasgo”, que é o canto delas, mas que se parece com o som emitido ao se rasgar um tecido, que é associado a “mortalha”. Muitos contam que, logo após serem visitados pela coruja, receberam noticias da morte de familiares, que moravam em lugares distantes, fortalecendo a crença de mal agouro que essa ave trás. Assim, a coruja é vista com repulsa pelas pessoas, principalmente das comunidades rurais que, costumam vê-las com mais freqüência. Verdade ou mentira, lenda, mito ou realidade, ninguém pode de certo dizer, mas que, as narrativas das pessoas idosas sobre essa ave é bem 11


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convincente, a ponto de nos impressionar. Contam que, um velho comerciante, que viajava bastante para fazer suas feiras nas cidades da redondeza, uma vez pernoitou num rancho que costumava dormir, e depois de cear (jantar), deitou para dormir. Após fazer suas orações, acendeu seu cachimbo e ficou a pensar, olhando o céu, quando de repente ele foi surpreendido pelo rasgo de um “rasga mortalha”. Naquele momento ele se arrepiou todo, logo foi acometido com um pressentimento muito forte de que tinha acontecido algo ruim com algum familiar dele. Pela manhã, ao levantar, já que não havia conseguido dormir a noite toda, recebeu a noticia. Trazida por um mensageiro, que sua mãe havia morrido. Aí, ele contou a história para o mensageiro e que já sabia que algo ruim teria acontecido, pois o “rasga mortalha” tinha agourado a noite passada. São muitos os relatos que trás a marca da coruja como uma ave mensageira da má notícia.

Autoria de: Thayane Sheyla Moreira Rebouças e Thaysa Keyla Moreira Rebouças”

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Discos voadores visitam o município de Jaguaruana

Foto: http://3.bp.blogspot.com

Em Jaguaruana surgiram há alguns anos atrás algumas histórias que aterrorizaram muita gente, principalmente as pessoas que moram na zona rural do nosso município. Contam os mais velhos que teve um tempo que apareceram uns objetos voando no céu a noite e que, eles surgiam e desapareciam numa velocidade muito grande. Os moradores de Jaguaruana ficaram tão assustados, com tanto medo que poucos arriscavam sair de casa à noite, principalmente, as pessoas que moram em interiores. Os boatos surgiam de toda parte, todos os dias os moradores das localidades que aparecem mais como São José, Saco, Giqui falam na rádio sobre os ataques dos discos no município. No começo todo mundo achava que era mentira, mas depois quando começou a ir gente todos os dias à rádio do município, todo mundo começou a ficar com medo. Uma pessoa que mora no interior do São José do Lagamar contou uma história que ia pra casa de bicicleta com muito medo quando avistou uma luz 13


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muito forte à sua frente. Ela falou que seu rosto esquentou muito e pensou que era um carro e depois quando se aproximou mais, viu uma imagem de um disco. Ela disse que ficou com tanto medo que não conseguiu sair do caminho e depois criou coragem e correu e por sorte encontrou uma árvore e ficou em baixo e o disco não conseguiu pegá-lo e foi embora. Muito antes dessa história foi um morador da localidade do Antonópolis na rádio e contou uma história parecida com essa e mais aterrorizante. Ele contava que tava trabalhando no período da noite quando avistou uma luz bem forte bem no meio do milharal descendo. Depois que essa luz estava bem próximo dele, ele resolveu ir até ela quando ele chegou perto dela viu a imagem de um disco voador. Então depois daquela imagem aterrorizante perto dele avistou um trator que ele trabalhava e ele disse que com muito medo se jogou em baixo dele. Com muito tempo, por volta de duas horas, aquela luz muito estranha foi embora e ele também contou que não foi a primeira vez que ele viu um disco voador. Dias antes disso acontecer, ele disse pra um amigo vizinho que viu uma luz muito estranha passando pelo céu, uma luz muito diferente de uma luz de avião. Ela piscava muito diferente e passava muito rápido pelo céu e também desaparecia muito rápido, seu amigo ficou também com muito medo quase não vem pra fora de casa, todo mundo desses interiores ficaram com muito medo alguns, principalmente o rapaz que viu a imagem saíram dos seus trabalhos e passaram a trabalhar em outros lugares que era no período da manhã. São assim os ataques de discos voadores, só aparecem à noite em lugares assim no escuro e em matas e também em lugares que pessoas não andam muito como plantações e matas. Elementos de outro planeta não gostam de serem vistos pelos humanos. Passou na tv alguns dos ataques de discos voadores nas matas, alguns repórteres conversando com os alienígenas e eles falaram que um dia a terra ainda ia pertencer a eles.

Autor;. Anderson Germano Correia Lima

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O Chupa-Cabra

Foto: http://3.bp.blogspot.com

È comum, nos pequenos lugarejos, ou mesmo em pequenas cidades aparecerem rumores de acontecimentos pouco explicáveis, assim como também são muitos os “causos” contados por pessoas que presenciaram episódios estranhos as nossas compreensões. No município de Jaguaruana, interior do Estado do Ceará não é diferente da grande maioria dos municípios que vivenciam essas lendas. Aqui, há algum tempo atrás, surgiram boatos sobre inexplicáveis mortes de animais, geralmente em sítios da zona rural. Esses boatos rapidamente se espalharam pela cidade e comunidades vizinhas ao nosso município, e todos começaram a associar os mais diversos acontecimentos a esse fenômeno. Rapidamente surgiram inúmeros nomes, desde o lobisomem, bichodo-mato, batatão. Também associaram os ataques a cachorros, raposas e gatos. Mas o nome que mais se evidenciou mesmo foi o Chupa-cabra. Após muitos relatos conseguiram desenhar um perfil para essa estranha criatura. O chupa-cabra como é conhecido, trata-se de um tipo de animal que tem aspectos de vampiros, tendo pêlos pontudos por todo o corpo e olhos vermelhos.

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Cada vez mais surgem novos vestígios: animais que aparecem mortos sem nenhuma gota de sangue no corpo, e com perfurações circulares que imitam presas de animais, o que significa que foram atacados por alguma espécie de animal feroz. Essa questão vem intrigando fazendeiros e criadores de cabras, dos demais locais que tiveram grande parte dos seus animais encontrados mortos, com os respectivos aspectos. Esse fato ganhou uma grande repercussão não só em nosso município, mas em muitos outros lugares, a ponte de ganhar destaque em algumas emissoras de televisão e no jornal impresso. Também foi realizada pesquisas em alguns laboratórios importantes no Brasil e, alguns estudos já feitos desmentem os acontecimentos relatados pela população, mas não conseguiram elucidar de forma clara os fatos acontecidos. E, como acontece com todos os casos ligados aos mitos, da mesma forma como se espalhou a noticia do tal chupa-cabra, também se espalhou o medo entre os moradores da região, que passaram a se municiarem de toda espécie de armas, e a pastorar seus rebanhos. O medo assombrava o município, homens, mulheres e crianças buscavam a proteção nas orações, e na destreza de seus animais de guarda, reforçando a presença do tal monstro. E aí fica essa questão, que dentre outras, causa mistério, curiosidade e medo por parte da população que vem sofrendo com esses acontecimentos, até então absurdos, por conta das características que se encontram. Então, você acredita nesse mito?

Autoras: Thayane Sheyla Moreira Rebouças Thaysa Keyla Moreira Rebouças

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A perna cabeluda

Jaguaruana é uma pequena cidade do interior do Ceará onde vivem um pouco mais de trinta mil habitantes. E, como é de costume nas pequenas cidades do interior, principalmente do nosso Nordeste, as pessoas se sentarem ao final da tarde para prosear sobre os acontecimentos da cidade, ou alguns boatos que circulam pela cidade. E, entre tantas histórias que surgem todos os dias, apareceu uma há algum tempo atrás que causou muito medo na população desse município. Foi a história que tava aparecendo nas redondezas da cidade uma assombração horrível, uma perna, toda cabeluda, que aparecia para as pessoas. Muitos afirmaram ter visto a perna cabeluda, dizem que é uma lenda de um homem que antes de morrer escondeu uma botija com muito dinheiro num lugar e que anda atrás de uma pessoa de coragem para tirar a botija para que ele possa “descansar em paz”. Outras pessoas dizem ser um espírito de um homem, mas que são as duas pernas bem cabeludas. Diz a lenda que a perna cabeluda sai correndo atrás de pessoas para procurar toda fortuna escondida. Mas para tentar encontrar toda essa fortuna é preciso muita coragem para enfrentar vários desafios, quem tentar encontrar esta fortuna 17


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enfrentara uma enorme dificuldade, pois terá que passar por animais selvagens e espíritos zangados que vagam por ali muitas pessoas dizem que esses espíritos estão em busca dessa botija. No tempo era costume encontrar pessoas conversando sobre o assunto e quem ouvia falar dessa lenda diziam que enfrentaria todos os desafios para ficar rico, mas outros dizem que sairiam correndo com medo dessas pernas. Diante de tantos boatos, muitas pessoas deixaram de sair à noite, ou mesmo de levantarem cedo para trabalhar, pois tinha medo de se encontrarem com a dita “perna cabeluda”. Essa história também surgiu em muitos outros locais, sempre com relatos muito semelhantes. Verdade ou mentira, mito ou realidade? Esta é a lenda da perna cabeluda que vagou pelo imaginário dos moradores de Jaguaruana por muito tempo e, ninguém sabe se o tal homem encontrou ou não um cabra corajoso para desenterrar sua botija para que sua alma descanse em paz. Autora: Francisca Herilane Silva Oliveira

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Os Autores

Wandryl Stolze de Oliveira Santos - Cursa o 1º ano do Ensino Médio, autor do texto “A Mulher Cavalo aterroriza Jaguaruana”.

Yara Fernanda Benício Rebouças e Francisca Silvana Silva Amaral – Cursam o 1º ano do Ensino Médio, autoras do texto “O Batatão: mito ou realidade?”.

Thayane

Sheyla Moreira Rebouças e Thaysa Keyla Moreira Rebouças - Cursam o 1º ano do Ensino Médio, autoras dos textos “O Mito das Corujas” e “O Chupa-Cabra”.

Anderson Germano Correia Lima - Cursa o 1º ano do Ensino Médio, autor do texto “Discos voadores visitam Jaguaruana”.

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Francisca Herilane Silva Oliveira - Cursa o 1º ano do Ensino Médio, autora do texto “A Perna Cabeluda vagueia o interior de Jaguaruana ”.

Francisco Evanildo Pereira, professor e Organizador do livro “Desvendando Mitos Populares em Jaguaruana”.

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Este livro é o resultado de um intenso trabalho de pesquisas e de produção literária desenvolvido pelos alunos da Escola de Ensino Médio Fra...

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