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revista

café ARCTIC MONKEYS Conheça a história da banda de Sheffield

MICHAEL KIWANUKA Entrevista concedida ao The Guardian conta tudo sobre a revelação da Soul Music

COMPORTAMENTO Criticar o Big Brother Brasil te torna mais culto?

LISTAS 10 adaptações de livros para o cinema 5 adaptações dos quadrinhos para as telonas

COMPARTILHAMENTO ONLINE Tudo sobre a polêmica que dominou a internet no início de 2012


REVISTA CAFÉ

CARTA AO LEITOR DIFICULDADE E PRESUNÇÃO

CAFÉ ANALGÉSICOS

As questões que regem a nova fase do ‘Café’

D

esde o primeiro post publicado no novo formato do Café e Analgésicos a questão que sempre ocupou nossas mentes é o significado que esse blog/revista tem na vida todas as pessoas que participam, leitores, editores e os eventuais broders que escrevem conosco. É uma pergunta difícil e presunçosa, difícil porque é sempre um grande trabalho pensar o que algo é para outras pessoas (muitas vezes não sabemos o que significa para nós mesmos) e presunçosa porque é uma baita arrogância achar que o nosso Café significa mais do que uma mera publicação de conteúdo.

Mas a gente nunca deixou de ser presunçoso. E é essa presunção que nos impulsiona a escrever mais a cada dia, e escrever melhor. Nós nunca tivemos a intenção de ser uma "mera publicação de conteúdo. O objetivo do Café e Analgésicos é se tornar uma parte importante na vida de nossos leitores, gerar discussões, apresentar novas culturas e pontos de vista, e para isso, nós temos que ser presunçosos, ou pelo menos arrogantes o suficiente para não ligar para as críticas usuais que este campo tão rico e tão imaturo que é internet costuma fazer a projetos novos.

nós escrevemos isso há anos e em outros dias, parece que tudo começou ontem. Na primeira edição da Revista Café você irá encontrar a seleção do que pensamos ser os melhores textos deste primeiro trimestre de vida nova do Café e Analgésicos, a diagramação impecável do nosso editor Pedro, o bom gosto de Cuba e outras matérias de nosso time, como o grande sucesso da Daniela Amadeu e as listas que são os resultados de todas as influências que nos cercam. Mas além de tudo, você irá encontrar uma grande amizade e talvez essa seja a definição que mais se aproxima de algum significado real do que é o Café e Analgésicos: uma grande amizade, é como a gente se sente quando escreve e esperamos que você sinta o mesmo quando nos leia.

Editor-Chefe Evandro Cruz

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café revista

REVISTA CAFÉ

Co-Editor/Arte Pedro Farci

Editor de música Allan Assis

Contato cafeeanalgesicos@gmail.com www.cafeeanalgesicos.com.br

Todos os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da revista. A reprodução total ou parcial dos mesmos é autorizada, mediante apresentação de créditos.

COMPORTAMENTO

ESPECIAL COMPARTILHAMENTO ONLINE

Todas as imagens reproduzidas são de propriedade de seus autores.

Sem mais delongas, nós do Café e Analgésicos orgulhosamente apresentamos a primeira edição da Revista Café, aproveitem!

É com essa presunção que ignoramos as sempre venenosas perguntas do tipo "quem são vocês para dizer isso?" ou as declarações de arcaico recalque como "vocês são muito novos para isso." Ignoramos tais tipos de declaração por um motivo muito simples: não precisamos respondê-las, o Café nunca "será alguém" porque ele é todo mundo ao mesmo tempo, leitores, editores e autores constroem a identidade e o conteúdo a cada dia, a cada comentário, a cada post. E depois, nós não somos muito novos, também não somos muito velhos, em nossa missão de interpretar o passado e antecipar o futuro acabamos por nos perder um pouco do presente, as vezes parece que 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

MÚSICA Os Editores

entretenimento música cultura crítica 1º trimestre I 2012

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1º trimestre I 2012


CAFÉ LISTAS

10 ADAPTAÇÕES DE LIVROS PARA O CINEMA QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR Além do jargão convencional de que ‘‘a vida imita a arte’’ podemos dizer que a própria arte imita a si mesma. As adaptações de livros para as telas é uma constante na história do cinema e foi responsável por confeccionar grandes obras cinematográficas até os dias atuais.

Trilogia Poderoso Chefão

Blade Runner

O longa que para muitos é o melhor filme de todos os tempos vem da adaptação da obra de Mario Puzzo pelas mãos do diretor Francis Ford Coppola. Marlon Brando e Al Pacino dividem tela em atuações que beiram a perfeição, sendo envoltos por uma produção impecável e um enredo muito bem trabalhado, que formam apenas alguns motivos da crescente adoração que este filme suscita em seus fãs.

O grande marco no cinema de ficção cientifica é fruto de uma adaptação do livro Será "Ciborgues Sonham com Ovelhas Elétricas?" de Philip K. Dick. O filme estrelado por Harrison Ford, além de ser profundamente filosófico, com um roteiro profundo e digno de se assistir repetidas vezes, também foi o ultimo longa de ficção filmado sem nenhum recurso de computador. Sim, todos os carros voadores, cidades gigantes e outras efeitos apresentados são feitos à mão, o que só aumenta a admiração sobre a obra.

O Iluminado

Trilogia O Senhor dos Anéis

Levante a mão aquele que declara não ter medo deste filme e então nós teremos um mentiroso. O Iluminado é assustador, e talvez um dos poucos filmes que mereçam este adjetivo, ainda mais nos tempos de hoje com filmes de terror que beiram o ridículo. A adaptação do livro de Stephen King foi feita pelas mãos do lendário Stanley Kubrick (que só faz adaptações e por isso só vai aparecer uma vez nessa lista) e estrelada por Jack Nicholson.

Com uma produção impecável, a Saga do Um Anel ganhou tantos Oscars que foi preciso uma van para transportar as estatuetas. A adaptação de Peter Jackson para a jornada de Tolkien ganhou fãs por todo o planeta e volta este ano com a produção do prólogo Hobbit.

Harry Potter

A Lista de Schindler

Talvez a combinação mais eficaz entre sucesso comercial e qualidade cinematográfica encontrada nos dias de hoje. Os 8 filmes baseados nos 7 de J.K. Rowling conseguiu fazer centenas milhões em bilheterias e propaganda, além de aumentar exponencialmente a legião de fãs e revelar para o cinema bons talentos como Daniel Radcliffe e Emma Watson.

Na época em que todos achavam que Steven Spielberg seria apenas mais um cineasta industrial para gerar dinheiro em bilheteria, nos é entregue uma das grandes histórias do cinema. A Lista de Schindler é uma adaptação do romance homônimo de Thomas Kennealy e tem no papel principal o ator Liam Neeson como Oskar Schindler, homem responsável por salvar a vida de 1200 judeus na Alemanha nazista.

Um Sonho de Liberdade

O Sliêncio dos Inocentes

Os mais desavisados podem não saber, mas Um Sonho de Liberdade, o filme estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman, que é um grande elogio a esperança e a superação também é uma adaptação de um livro de Stephen King. Sim! O autor americano não faz apenas filmes sobre monstros e psicopatas, e a obra adaptada por Frank Darabont surpreender por nos apresentar um King sensível e humano.

Nos tempos em que os serial killers realmente colocavam medo em alguém, o livro de Thomas Harris fora adaptado pelo diretor Jonathan Demme para criar um verdadeiro icone do cinema mundial. O doutor Hannibal Lecter é uma das figuras eternas da sétima arte e ainda hoje amedronta marmanjos que se arriscam a re-assistir a fita dos anos 90.

Clube da Luta

Casablanca

Chuck Palahniuk foi o autor do livro que originou uma das ultimas revoluções no cinema americano das quais se tem notícia. Com a direção de David Fincher e elenco com núcleo centrado em Eduard Northon, Brad Pitt e Hellena Borran-Carter, o filme de 1999 é um dos grandes marcos cinematográficos da nossa geração, gerando discussões até hoje sobre qual seria a grande mensagem final do filme.

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Outro que também figura diversas listas de melhor filme de todos tempos, Casablanca é um épico dirigido por Michael Curtiz e baseado no livro de Murray Burnett e Joan Allison. O longa relata a história de pessoas que tentavam fugir da europa durante a ocupação nazista, e suas consequências, a obra é até hoje lembrada pelas atuações excepcionais de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

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CAFÉ OPINIÃO

CAFÉ OPINIÃO

POR QUE TRABALHAMOS TANTO?

SEUS ASSUNTOS TE TORNAM INSUPORTÁVEL? Por Pedro Farci Agência Café

Por Evandro Cruz Agência Café

É uma questão que a primeira vista parece óbvia: a gente trabalha muito porque é assim que as coisas são, o trabalho faz o mundo se movimentar, produz coisas e da sentido às nossas vidas. Todas as respostas seriam compreensíveis se a pergunta fosse direcionada ao trabalho em si, mas o que eu quero discutir aqui é o porquê de nós trabalharmos tanto. Contrariando a máxima de que o Brasil é uma terra de vagabundos, a jornada semanal do trabalhador brasileiro é uma das maiores na média mundial com pouco mais de 44 horas semanais de serviços prestados em troca de algum tipo de remuneração. Essa carga de trabalho é absurda e desnecessária. A jornada de trabalho tão extensiva que estamos habituados causa uma série de malefícios que afetam desde o individuo em si, até aspectos mais globais como o meio ambiente e a economia. Sim, trabalhar demais prejudica a economia de um país. Pela perspectiva individual, uma jornada de trabalho extremamente intensa pode causar uma série de problemas fisiológicos como lesões por repetição, altos índices de stress, além de uma gama de problemas cardíacos e respiratórios, devido a grande poluição 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

gerada nas cidades (que também é culpa do excesso de trabalho, como veremos adiante). Mas além da saúde, e ouso dizer que seja até mais importante, o excesso de horas trabalhadas priva o ser humano de trabalhar o lado cultural e emocional, hoje um pai de família tem pouquíssimo tempo para passar com seus entes queridos ou praticar alguma atividade de lazer, tornando sua qualidade de vida bem pior. O dano ambiental do excesso de trabalho não está localizado nas indústrias, obviamente, elas são fundamentais para o funcionamento do país e os gases gerados são um efeito colateral um tanto quanto esperado. O vilão aqui é a quantidade gigantesca de carros que ocupam as grandes cidades, emitindo gases poluentes, esses carros são obrigados a se movimentar devido ao ritmo incessante da nossa jornada de trabalho, e se nosso país quer realmente se tornar uma potência mundial, políticas ambientais devem ser tratadas como uma das prioridades. E por final, a jornada de trabalho muito extensa prejudica a economia por dois motivos muito simples: desvaloriza a hora de trabalho e gera desemprego. Quanto mais extenso o tempo que alguém permanece no trabalho, mais esse tempo se torna desvalorizado. Em um cálculo simples: se você recebe R$5,00 por hora e trabalha oito horas por dia, provavelmente você poderia

fazer a mesma atividade em 4 horas e receber os mesmos R$10,00. Essa diminuição de carga horária abriria mais espaço no mercado de trabalho, diminuindo o índice de desemprego. Quem trabalha ou já trabalhou em regimes fechados de trabalho sabe, sua hora de trabalho é desvalorizada e o seu trabalho dificilmente demanda o tempo que é acertado em contrato, tempo esse que muitas vezes é gasto em procastinação ou na execução de tarefas que parecem sem sentido. Em alguns países como a Holanda a solução tomada foi simples: a redução da jornada de trabalho para 7 horas por dia, em cinco dias da semana, o país se destaca pela sua valorização cultural e preservação do meio ambiente. Será que trabalhamos tudo aquilo que seja necessário? A questão volta: Por que nós trabalhamos tanto?

Agora sim, depois do carnaval ninguém mais tem motivo pra ficar de preguiça e procrastinar todos os pedidos do chefe e muito menos ficar à toa no Facebook compartilhando aquelas imagens com setas e esse tipo de coisa inútil. As aulas nas faculdades começaram pra valer (se a sua não começou ainda você é um tremendo de um sortudo) e tudo vai tomando seu rumo normal, longe das aclamadas e famigeradas micaretas regadas a cachaça, animação e saliva alheia. Normalmente, é nessa época do ano, já em aulas e com o trabalho “a toda”, que as relações interpessoais entram mais em evidência se comparamos esse período com as férias ou com a época que os procrastinadores chamam de inútil, situada entre o ano novo e o carnaval (eu discordo completamente, mas “a voz do povo é a voz de Deus”). Relações interpessoais, como vocês devem saber, resultam em interações, que resultam em conversas. Simples. Existem conversas desagradáveis, existem conversas edificantes, conversas motivadoras; enfim, todo tipo de assunto pode ser tratado entre duas pessoas (ou mais). Mas então, os assuntos que você costuma tratar são realmente interessantes? Em tempos de Oscar, BBB, novela e futebol como assuntos em evidência na nossa sociedade (tendo em vista que a acessibilidade a estes está cada vez mais fácil), mesmo fazendo uma triagem de temas de conversas do cotidiano, é cada vez mais complicado selecionar algo que nos acrescente experiências interessantes. Refletindo um pouco, a relação de tópicos do início deste parágrafo terceiro é o que de ‘menos pior’ temos hoje em dia. Explico.

Texto publicado no site em 29 de fevereiro Evandro Cruz escreve às quartas-feiras.

1º trimestre I 2012

Fala-se de tudo em qualquer lugar. Deixando de lado as fofocas, futricos e mexericos referentes à vida alheia, nossas conversas se enchem, cada vez mais, de hipocrisia e ninharias repletas de futilidade. Ostentação 04 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Nossas conversas se enchem, cada vez mais, de hipocrisia e ninharias repletas de futilidade

desnecessária sobre os milhares de reais gastos em gesso e cimento de primeira linha para reformar a casa dentro do condomínio fechado (sem deixar de citar o valor do imóvel antes de depois da reforma), a viagem pela Europa com roteiros detalhados e fotos mostradas num iPad, e até mesmo, quem diria, projeções para o futuro (na maioria das vezes provenientes de devaneios) que não correspondem nem de perto à realidade vivida no momento. Algumas conversas numa roda de companheiros de trabalho acabam se tornando grandes Guerras Frias, tendo em vista que à medida que os “causos” (oh...) são contados, outros visam sair por cima da discussão, ainda que precisem desenterrar a história do cunhado, que viajou para Paris 18 anos atrás e pegou 8 horas de fila para visitar a Torre Eiffel. E não pense que a discussão sobre religião e política (geralmente iniciada após 8 copos de chopp ou algumas doses de Scotch) sai por cima de tudo isso, viu. Defender interesses com argumentos elaborados e baseados em Nietzsche, Marx e companhia limitada é extremamente edificante, mas só quando temos um propósito claro para isso; e, adivinhe, a maioria das pessoas não tem como componente diário as opiniões formadas a partir de discussões de pontos tão delicados como crença e posição política.

você ouvir a secretária do escritório dizendo que planeja uma aplicação de botóx. E é óbvio. Todos esses assuntos enumerados até aqui neste humilde texto podem se tornar interessantes caso seu interlocutor esteja engajado em tal e deseje dar prosseguimento à discussão. Arrisco-me a dizer, todavia, que não é o que acontece em boa parte dos casos. O bom-senso é de extrema importância na hora da conversa. Dizer por aí quanto você pagou na caríssima bolsa da sua esposa em forma de ostentação é tão piegas quanto citar Dostoievski a leitores habituados com a Turma da Mônica. Não se engane, mas os assuntos os quais você aborda podem te tornar insuportável, mesmo quando nada daquilo se trata de Big Brother, novela ou futebol.

Texto publicado no site em 2 de março Pedro Farci escreve às sextas-feiras.

E antes de chamar de ranzinza este que vos escreve, encare estes fatos como uma constatação da realidade na próxima vez que 1º trimestre I 2012


CAFÉ OPINIÃO

CAFÉ OPINIÃO

A MODA DO MACHO ‘ALFA’ A imagem do comportamento masculino sempre passou por mudanças ao longo da história, mas a imagem de que o homem seria um ser mais forte se tornou uma constante na maioria das culturas, as tornando consequentemente mais machistas, isso parecia estar caminhando para uma mudança, mas o otimismo, mais uma vez, provou-se errado. A partir do momento em que a primeira mulher queimou o primeiro sutiã foi dado o primeiro grito de uma frase que ressoaria pelo que até então conhecemos como eternidade : a mulher existe. E existe por si só desassociando sua imagem da obrigatoriedade de ser esposa de alguém, ou seja: a partir daquele momento a mulher era independente do homem e a luta por emancipação teve como um dos principais aspectos o ataque a visão do mundo que via o homem como mais forte, mais inteligente. E com a dissociação da mulher em relação ao homem criou-se o o que se chama de “cultura”: um grupo de pessoas com interesses semelhantes e potencial de consumo. A “cultura da mulher” foi o campo que provavelmente mais cresceu durante a segunda metade do século: as mulheres queriam ser “mulheres” e a adesão as aspas significava a adesão de um estilo de vida, representado pela nossa sociedade capitalista como os bens de consumo que se possui, causando uma enxurrada de produtos, discursos e modos de agir especificamente direcionados ao público feminino.

‘Este fenômeno cultural acabou por criar uma imensa lacuna: Se existe tanta coisa para dizer o que é ser mulher, então o que é ser homem?’ Antes da segunda metade do século XX era fácil ser homem: a mulher ocupava um lugar extremamente limitado e submisso, logo, era só não fazer o que as mulheres faziam e pronto, estava lá um homem. Porém, hoje não há separação e nós homens, fracos como somos, não resistimos a presença da mulher em cada aspecto da sociedade, o que gerou uma reação que profere a disseminação da cultura de um homem truculento, simplista e insensível, o tal do “macho alfa”

Por Evandro Cruz Agência Café

preservação do que consideram como “bons valores” este tipo de cultura geralmente tem como objetivo resgatar a imagem de macho alfa, da força e da retidão destes homens. Porém, o que se apresenta é um grande retrocesso cultural, com sites, revistas e culturas em gerais propagando o modo de vida “machão ignorante” que segue a risca o estereótipo do homem machista, truculento e que relega a mulher ao simples papel de “companheira”.

‘O que se apresenta é um grande retrocesso cultural’ Os indícios podem ser vistos pelos canais de comunicação, desde imagens supostamente engraçadas que desrespeitam diretamente o gênero feminino (vadia isso, vadia aquilo, vadia burra, etc), até publicações direcionadas apenas para dar apoio a um modo de vida machista (“você não pode ter dúvidas, não pode ser sensível nem calmo, você é homem, homem!”). Esta cultura de prepotência parece apenas confirmar o que já diziam há algum tempo : as mulheres são realmente mais inteligentes que nós. Enquanto em grande maioria consegue conviver com as diferenças de comportamento em seu gênero, nós permanecemos intolerantes, tentando achar um “ideal de homem” e recriminando – quando não ofendendo – quem tem uma orientação sexual, comportamento ou opiniões diferentes da “certa”. Esta onda de ideais machistas recobertos com uma camada de falsa retidão está nos deixando cada vez menos profundos e mais simplórios. Esta obsessão em tentar definir o que é coisa de homem e o que não é nos leva ao modo mais fácil de se perder, que é achar que apenas um caminho é o certo, quando na verdade as opções são inúmeras.

Texto publicado no site em 31 de janeiro Evandro Cruz escreve às quartas-feiras.

Vemos hoje em dia uma crescente corrente de uma cultura masculina de volta e

SOBRE SER ‘CULTO’ E CRITICAR O BBB Por Pedro Farci Agência Café

Pra você que está passando férias em Marte e ainda concentra no Orkut todos os seus contatos de rede social, no mês de janeiro começou a décima segunda edição do Big Brother Brasil, esta epopeia televisiva que já perdura e resiste há 11 anos nesta caixa de surpresas que é a tv brasileira (sim, estamos na edição 12, no ano 11). Os clichês são os mesmos de sempre, as carinhas bonitas, o gay (que não é o Bial) e o Pedro Bial. Com o começo do programa, aquilo de chamamos de Elite Intelectual do país já preparou todas as suas armas para atacar aqueles que assistem a obra dirigida por Boninho. A propósito, essa questão de Elite Intelectual á bem relativa, viu. A moda hoje é ser culto, pegar o metrô com o Dostoiévski embaixo do braço, citar frases de referências respeitadas pelo pensamento acadêmico, colocar em dúvida o existencialismo, a diferença social. Houve uma época em que se você tirava mais de 7 numa prova da escola, era inteligente o bastante pra ser deixado out of the box. A moda já foi ser burro, e quem não era se passava como um. A moda hoje é exercer a sociologia como segunda ocupação. Tem que dar pitaco em tudo. Aí é que entra o nosso querido BBB.

Mas a questão principal vai do princípio de que os reclamões da web não assistem ao que eles mesmos chamam de ‘estupro mental’ (acreditem, eu li isso), para continuar compartilhando imagens do “Melhor do Mundo”, “Risos no face”, dentre outros tradutores dos posts do 9gag.

Tudo gira em torno do respeito por pessoas que buscam o entretenimento em determinada hora do dia, seja no “Risos no face” (bleh) ou no Big Brother Brasil. O show business nunca acrescentou nada (eu disse NADA) além de uma ocupação nas tardes de domingo. Seu pai pode ser a pessoa com o pensamento mais ordenado e são de todo o universo, com inúmeras graduações; mas tenha certeza que ele se divertia com o show de calouros do programa do Chacrinha. Há algum tempo (desde que ser cult é ser cool) foi criada a ilusão da “cartilha cultural”, que traz uma relação de todas as expressões de arte/entretenimento consideradas boas (veja só, são apenas consideradas boas, não construtivas e que acrescentam conhecimento empírico realmente relevante para sua vida), e seja lá o que for que não estiver relacionado ali, não é bom; e se estiver em evidência na sociedade então, presta menos ainda. A impressão passada aqui é de que a nossa “Elite Cultural” prega, com veemência (e distorção), o conceito criado por Nelson Rodrigues de que “toda unanimidade é burra”. Deixemos de lado, por favor, essa ilusão supérflua de intelectualidade diferenciada, porque, afinal de contas, ninguém passa 24 horas do dia lendo Zygmunt Bauman.

Não que o Facebook seja o sítio mais legal do mundo durante o dia, mas na hora da transmissão do reality show em TV aberta ele fica insuportável. E, por mais incrível que pareça, ele não fica insuportável pelos comentários “a Maria do BBB pegou o José”, ou “Estou torcendo pro Dourado ser o líder”. É quando a vanguarda pseudo-culta da nossa geração dá as caras que o buraco fica mais embaixo. Críticas e mais críticas a quem assiste ao programa, colocando em xeque a capacidade/inteligência dos espectadores. O primeiro ponto aqui, é que cada um faz o que bem entender de sua vida (argumento simples, mas válido).

Texto publicado no site em 12 de janeiro Pedro Farci escreve às sextas-feiras. Chacrinha e BBB: separados por um bacalhau

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GUEST POST

O GLAMOUR E OS TRANSTORNOS Por Daniela Amadeu Guest Post

Qual a razão de uma pessoa normal querer adotar para si sintomas de certos transtornos?

ESCREVA PARA O CAFÉ E ANALGÉSICOS

Há quem goste da ideia de ter um cérebro quimicamente desbalanceado e desfrutar dessa característica como forma de enxergar o mundo sobre uma ótica menos normalóide, padronizada e ainda “herdar” algumas qualidades ditas tragas por esse desbalanceamento químico. Com a popularização de personagens fora do comum que enaltecem uma certa genialidade e idiossincrasia, pessoas têm dado mais atenção a certos sintomas de alguns transtornos e os adotado para suas vidas como forma de dizerem-se "diferentes".

House e o charme do desvio (Foto: Reprodução)

Misantropia, personalidade dissocial e bipolaridade são alguns exemplos. Às vezes até a esquizofrenia que de bela não tem nada acaba sendo adotada por pessoas extremamente sadias. Mas qual a razão de uma pessoa normal querer adotar para si sintomas de certos transtornos? Por que descrever-se como doente e ter a ideia de que isso é legal? Primeiro fator a se observar é que há um certo glamour em alguns transtornos, devido a ideia de que tais transtornos aperfeiçoam qualidades que pessoas normais não têm. Segundo que a sociedade exige muito um comportamento fora do normal, e nesse comportamento entram certas características de alguns transtornos que passam a ser considerados qualidades. Como a euforia fora do comum que um bipolar pode ter, a capacidade de viver bem sozinho que um misantropo possui, ou então, o hiperfoco que só um TDAH pode usufruir. Mas para casos como esse, é importante enfatizar que uma qualidade em um doente 05 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

não é suficiente para compensar todo o desequilíbrio emocional que este carrega. E tais qualidades exigidas pela sociedade não suprem a ausência ou deficiência de algumas características em um doente, como o controle emocional ou impulsivo, por exemplo. Antes de ‘‘adotar tais transtornos como estilo de vida’’, é interessante saber o quanto um doente pode tirar vantagem de seu problema se comparado a uma pessoa sadia. Pessoas bipolares podem ser criativas, mas oscilam entre mania e depressão. E devido a depressão, podem deixar um trabalho supercriativo inacabado, ou dependendo do caso, entrarem numa hipermania e exagerarem no senso de criatividade transformando o trabalho em algo incompreensível e confuso; assim como TDAHs podem ter o hiperfoco acima do comum, porém este foco pode não ser controlável e para todas as atividades que ele precisa fazer em um dia, são em poucas que ele consegue se concentrar.

‘Uma pessoa sadia tende a ser estável emocional e psicologicamente, um doente não’ Filmes e séries costumam dar visibilidade a essas personalidades e uma distorção e

glamourização acaba ocorrendo. Geralmente os personagens são estereotipados e com características clássicas de tais transtornos para que estes possam ser percebidos. Já os defeitos que acompanham os transtornos, muitas vezes são excluídos ou pela produção ou pelo próprio público. Uma pessoa sadia tende a ser estável emocional e psicologicamente, um doente não. E ainda que uma qualidade oscile muito de maneira positiva em um doente, defeitos podem ser potencializados devido a um transtorno e isso prejudica a qualidade de vida do indivíduo. Portanto, não há beleza em classificar-se como doente por modismo ou como meio de enfatizar uma qualidade. Depender de medicamentos e psicoterapia para ter um cérebro estável, descobrir meios de entender a doença e aprender a controlarse não é bonito, não é atraente e não pode ser encarado como modismo. É desrespeitoso ao doente que precisa aprender todos os dias a conviver com seu problema de maneira sadia, não prejudicar a si mesmo e nem as pessoas a sua volta.

Daniela é dona do blog ‘Unknown Blogueira’ www.unknownblogueira.com 1º trimestre I 2012

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Por LOREM IPSUM

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ESPECIAL

ESPECIAL

ENGANOS E EXAGEROS O Compartilhamento online de arquivos realmente afeta a economia?

Por Pedro Farci Agência Café

para ir ao banheiro), para que desta forma, dependendo da sua avaliação, pagar o ingresso para ver o mesmo filme no cinema (e ver as mesmas pessoas dando risada, e, pior, ter que dar passagem encolhendo as pernas para os outros irem ao banheiro). Talvez este seja o caso que ilustre um dos argumentos dos que defendem o compartilhamento online.

A situação já está resolvida, o projeto de lei SOPA foi arquivado no Congresso americano e o Anonymous fez com que os executivos que defendem a bruta aplicação de p r o p r i e d a d e intelectual estejam dormindo embaixo da pia. Mas aí vem aquela q u e s t ã o d o politicamente correto, a reflexão da O caso citado acima é liberdade, a questão b em verdade, e Shawn Fanning, criador do Napster -compartilhador pioneiro de arquivose arauto do caos (Foto: Reprodução) existencial e tudo c o m p r o v a d o mais: você está realmente prejudicando a economia do seu seria no Brasil) divulgou outra estimativa, que cientificamente (ah, as estatísticas...) na país ao baixar o mais novo single da Lady Gaga girava em torno de 58 bilhões de dólares. França e na Suíça (ver gráfico 1). Mas é uma pelo Ares? Também foram apontados inúmeros erros metodológicos que poderiam dobrar ou até Segundo o texto do projeto de lei que por triplicar os números. Afinal de contas, qual é pouco não foi votado nos Estados Unidos, a o prejuízo real? Como já foi constatado, é pirataria online é tida como grande problema, impossível falar em dados. que (ainda segundo o projeto de lei) custa à economia deles por volta de 200 a 250 bilhões É bom deixar clara a obrigação em utilizar de dólares por ano, além da ‘perda’ de 750 mil dados americanos para ilustrar o início do empregos americanos. texto ao invés de estimativas brasileiras, que, basicamente, não existem. Os números são realmente assustadores. Fazendo uma conta simples, esses 250 bilhões Mas então, qual o real prejuízo para o sistema são quase 800 dólares por cabeça (incluindo econômico como um todo? homens, mulheres e crianças americanas). Segundo dados, 750 mil é praticamente o Por aqui, na terra Tupiniquim, o download dobro de pessoas empregadas em toda a pago de músicas não pegou. Até porque, a indústria cinematográfica no ano de 2010. venda de música pelo iTunes chegou aqui oficialmente nada mais nada menos que cinco A boa notícia, é que essas estimativas são anos depois. Não que o comportamento fosse equivocadas. Ainda no ano de 2010, o ‘pegar’ aqui se chegasse antes, mas ajudaria. Government Accountability Office (órgão A nossa visão da internet é um pouco responsável pela Auditoria, Avaliações e diferente da americana. Ainda pensamos Investigações do Congresso dos Estados uma, duas, três vezes antes de comprar algo pela internet (isso quando não desistimos); o Unidos – seria equivalente no Brasil à que é justificável, uma vez que o sistema Controladoria Geral da União) divulgou um brasileiro de compras online é horrível. relatório reportando que esses números não podem ser fundamentados ou rastreados até a obtenção de uma fonte de dados subjacente e Mas existem casos e casos de pirataria. metodológica, ou seja, não podem ser rastreados mesmo. Existem aqueles que baixam o filme lançamento pelo uTorrent, em (péssima) Recentemente, o IPI (Institute for Policy qualidade TS ou R5 (gravada no cinema, com Innovation – não tenho a menor ideia do que risadas da plateia e o Seu José levantando 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

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Gráfico 1 ilustra a relação entre o conteúdo baixado na internet e os gastos em produtos legítimos na França

Kim Schmitz, fundador do site de compartilhamento online Megaupload. Foi preso como bode expiatório do virtual prejuízo de 58 bilhões de dólares. Foto: Reprodução

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ESPECIAL

PRENDA-ME SE FOR CAPAZ As diferentes visões sobre o compartilhamento de músicas via internet

A gravadora Trama inovou e lançou TODO o seu catálogo para download gratuito no site da distribuidor. Nele há a possibilidade de baixar os discos de artistas como Móveis Coloniais de Acajú, CSS, Cachorro Grande e muitos outros mediante um cadastro comum (nome, email...) pelo qual o usuário ainda recebe notícias das gravações de outros artistas. Outras gravadoras entretanto acabam não conseguindo lidar tão bem assim com uma mídia e participação em lucros mais descentralizada, o exemplo fica à cargo de Mallu Magalhães, vinda do My Space. No

Por Pedro Farci Agência Café

Em tempos de SOPA, PIPA e de fechamento do site de compartilhamento online Megaploud pelo FBI, fica a dúvida sobre o que os artistas que tem seus discos, EPS e afins expostos na internet pensam não só sobre a questão do copyright, mas sobre a tecnologia como um facilitador ou até sabotador de seus trabalhos de modo geral. Segue aqui, uma lista de opiniões de musicos que conseguem lidar com os direitos autorais e de outros que não. Metallica – Quem viu “A Rede Social” do diretor David Fincher e estranhou Justin Timberlake fazendo um nerd que expande os negócios de Mark Zuckerberg já deve saber um pouco sobre Sean Parker, co-fundador do Napster, o primeiro site de compartilhamento online da rede. Assim como Zuckerberg, Shaw Fanning criou o site de um computador comum em sua faculdade, disponibilizando um espaço onde fãs podiam compartilhar seus arquivos em MP3. A ideia durou até os integrantes do Metallica descobrirem que havia músicas suas que podiam ser baixadas gratuitamente na internet. Os empresários entraram à pedido da banda com um processo contra o Napster, que teve de fechar seus servidores. Thom Yorke (Radiohead) – É de “In Rainbows”, o titulo de primeiro disco baixado à preço de escolha pelo cliente, os valores do álbum do Radiohead variavam entre U$ 10, 00 e U$ 0,00. A ideia de Thom era justamente mostrar que no fundo o que importava era a divulgação da arte, além de colocar em voga a discussão sobre qual o seu valor nos dias de hoje. “In Rainbows” converteu uma nova leva de fãs de internet que se tornaram fãs de Radiohead também, fazendo com que as músicas da banda fossem disseminadas à pessoas que haviam se esquecido ou mesmo não conheciam a banda que teve seu auge nos anos 90. 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

redes sociais, o grande negócio da nova década, para se beneficiar e mostrar suas músicas. Com o advento do Pay with a tweet e Pay with a facebook like em que o usuário só precisa divulgar a fã page do artista e ganha o download do disco na faixa. Entre os adéptos estão o rapper Criolo e a banda Dorgas.

A internet tornou-se uma aliada natural de músicos iniciantes. Postando músicas e vídeos, é assim que conseguem conquistar algum público. Com Gaby Amarantos não foi diferente, sua música “Hoje eu tô solteira” versão em technobrega para Single Ladies da cantora Beyoncé ganhou milhares de acessos no youtube e deu chance para que a artista fizesse shows. Gaby atualmente grava seu primeiro álbum “Treme” e já noticiou que pretende vazá-lo para download gratuito em entrevista à MTV. No primeiro clipe para o single do mesmo disco, a cantora aparece numa brincadeira com o começo de sua carreira vendendo CDs e DVDs piratas, mas o chamariz fica na tirada sarcástica no fim do vídeo em que aparece o aviso: “A pirataria é crime e pecado. Não transgrida a lei de Deus.”

Emicida – O rapper que ganhou fama e maturidade após se tornar figurinha carimbada e repetida nas rinhas de MC em São Paulo, notou que seu próximo passo era gravar um disco, no entanto sem recursos ou gravadoras em vista, criou seu próprio estúdio dentro de casa, o “Laboratório Fantasma”, e na hora da distribuição não teve dúvidas: foi de loja em loja vendendo sua mixtape à 2 reais, e EXIGINDO que as lojas o revendessem à 5. A explicação do rapper morador de favela é simples: se não for barato, o povo não compra. Mesmo depois da fama o sistema é o mesmo, o CD é vendido a preços módicos na cidade de São Paulo e as pessoas que moram em outros estados podem encomendá-lo à 10 reais ou baixar gratuitamente pelo site. Muitos artistas tem utilizado também as

Os projetos de lei Sopa (Stop Online Piracy Act) e (Pipa Protect IP Act) foram suspensos por tempo indeterminado pelo congresso americano. De qualquer forma subentendese que a caça às bruxas pelos direitos autorais deve continuar (como sempre continuou) e acabarão surgindo outras formas da disseminação da ARTE via internet (como sempre foi).

Texto publicado no site dia 5 de março Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras

A discussão (polêmica) sobre copyrights finalmente chega ao Brasil. E agora, José?

Bom, senhores, para quem achava que SOPA, PIPA e projetos afins que seriam votados lá na ‘gringa’ eram as maiores ameaças para com a liberdade de compartilhamento na internet, saibam que, como diz o populacho, “o inimigo mora logo ao lado”. Aliás, mora bem aqui. Segundo noticiou o jornal O Globo da última quarta-feira (07/03), os responsáveis pelo blog Caligraffiti foram notificados pelo ECAD de que deveriam pagar ao órgão uma quantia de R$352,59 mensais para continuar com a permissão do compartilhamento de vídeos de fontes como Youtube e Vimeo, que contenham trilha sonora de terceiros; de modo a “pagar os devidos direitos autorais aos detentores dos mesmos”.

Primeiro, o que é o ECAD? ECAD é a sigla de “Escritório Central de Arrecadação e Distribuição”, e, além de ter um site com péssima estruturação (com direito a intro personalizada e com música ligada no autoplay), é uma sociedade de natureza privada e instituída por lei Federal e mantida por Leis de Direitos autorais (vou 1º trimestre I 2012

Não é só de vendagem física, felizmente, que sobrevive o mercado fonográfico. Hoje a disseminação do pagamento online é cada vez maior, mas em países que ainda não

foram agraciados por alternativas de venda barata de músicas, ou que o receberam há pouco tempo, como é o caso do Brasil com a Apple Store, há as limitações com relação ao catálogo de músicas, a reticência de alguns artistas mais velhos em vender sua obras pela internet ou mesmo a distribuição de obscuridades que invariavelmente acabam se perdendo com a mudança de mídias.

A POLÊMICA COM O ECAD

Na falta de um, ou dois, temos inúmeros pontos discutíveis (e absurdos) na decisão tomada pelo ECAD. Então, ao maior estilo Jack, o Estripador (AKA Jack, The Ripper), vamos analisar esse fuzuê.

Emicida em seu estúdio caseiro (Foto: Reprodução)

momento em que começou a receber prospostas para o lançamento de suas músicas em estúdio, Mallu escutou que teria de abrir mão de uma parte do que ganharia em shows, já que muitas de suas músicas já haviam sido disponibilizadas na internet e, como uma espécie de “moeda de troca” pela gravadora gastar seus recursos sabendo que não obteria retorno financeiro tão satisfatório quanto antigamente. Resultado: A cantora de então 16 anos decidiu continuar independepende e só assinou contrato em seu 2° disco, quando já havia se tornado um sucesso iminente. A dúvida fica quando pensamos em quantos músicos tomam a mesma atitude que Mallu, mas não tem a mesma sorte que ela, permanecendo desconhecidos pelo grande público.

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poupá-los dos números das leis). A sua função, laconicamente, é recolher os valores de direitos autorais de músicas (que tenham seus direitos reservados) reproduzidas publicamente e repassá-los da forma devida aos seus detentores – os artistas.

Como funciona Sites como Youtube e Vimeo que hospedam vídeos que tem trilha sonora cujos direitos pertencem ao autor da mesma são chamados de transmissores. De acordo com Lei Federal (poupá-los-ei do número da mesma, de novo), “toda pessoa física ou jurídica que utiliza músicas publicamente, inclusive através de sites na Internet, deve efetuar o recolhimento dos direitos autorais de execução pública junto ao ECAD”. Youtube, Google, Vimeo, Facebook e outros sítios que terão, de forma quase que iminente, vídeos e músicas com propriedade intelectual compartilhados por seus usuários devem pagar os valores devidos. Eles pagam, e não pagam barato.

Porque a medida tomada é um absurdo No caso que virou notícia, o blog Caligraffiti assim como todos os outros da blogosfera, inclusive este ‘Café’ - atua como

retransmissor do conteúdo com propriedade autoral disponível na rede. Seja um vídeo do Youtube ou uma música do SoundCloud. Como fora explícito no parágrafo acima, tais sites que hospedam o conteúdo e atuam na primeira fase da transmissão dos mesmos já pagam os valores devidos. É completamente sem sentido fazer esse tipo de cobrança em retransmissores. Como sempre, a gente explica: Se existe uma única razão para os artistas e empresários aceitarem um acordo com Youtube’s da vida para que estes possam reproduzir o conteúdo protegido por autoria, é o potencial que a internet tem de divulgar (às vezes de forma massiva) os conteúdos disponíveis nestes sites sejam eles os virais do ‘Sou Foda’ (dig din, dig din) ou a música do PitBull. Nos primórdios do pioneiro site de vídeos que é o YT, era proibido postar um vídeo cuja trilha sonora não era de autoria do próprio usuário. O próprio site proibia já que, convenhamos, promoção do trabalho dos outros de graça ninguém aqui quer fazer, né. Após o número assustador de visitas ao site, as próprias gravadoras passaram a entrar em contato com o host de vídeos, para viabilizar a postagem de vídeos com músicas. O acordo selado entre YouTube, proprietários de direitos autorais, o próprio ECAD (no Brasil) e gravadoras garante as postagens de clipes 1º trimestre I 2012


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e/ou vídeos com trilhas sonoras, mediante pagamento dos direitos pelo ‘hospedeiro’ (que expressão horrível). Cuidado para não se perder no raciocínio, então se atente ao fato de que o valor pago pelo Youtube para publicar esses vídeos é ínfimo perto do que é ganho pelo mesmo através de patrocínios e acessos.

(e que grandes lucros, hein?). Entretanto, cobrar trezentos paus por mês de um blog de caráter colaborativo, com o intuito exclusivo da divulgação da arte e cultura (existem poucos assim hoje em dia, viu) é o que chamamos de covardia. E tudo isso por um dinheiro que para os arrecadadores de direitos autorais é absolutamente insignificante.

EUREKA. Vocês, leitores inteligentes, educados em Harvard, já devem ter percebido a incoerência aqui, não é? Mas eu vou explicar do mesmo jeito, já que eu ainda não atingi o número mínimo de caracteres instituído pelo editor-chefe desta grandiosa online magazine.

Mais uma perspectiva que pode ser feita caso a medida seja seguida à risca (duvido e torço para que não seja) é a de que com a censura – sim, isso é censura – aos vídeos ‘embedados’ em blogs, a divulgação através do que chamamos de mídia espontânea cairá ainda mais, e afetará de forma mais do que direta os proprietários de direitos autorais.

É perfeitamente compreensível o fato de que o ECAD cobra os direitos de reprodução das músicas de sites grandes, com fins lucrativos

No final da tarde do dia 9 de março, Marcelo Leonardi, diretor de políticas públicas e governamentais do Google soltou um

memorando em resposta às cobranças realizadas pelo ECAD, aqui vai um trecho: “O ECAD não pode cobrar por vídeos do YouTube inseridos em sites de terceiros. Na prática, esses sites não hospedam nem transmitem qualquer conteúdo quando associam um vídeo do YouTube em seu site e, por isso, o ato de inserir vídeos oriundos do YouTube não pode ser tratado como “retransmissão”. Como esses sites não estão executando nenhuma música, o ECAD não pode, dentro da lei, coletar qualquer pagamento sobre eles”.

Texto publicado no site dia 9 de março Pedro Farci escreve às sextas-feiras

ARCTIC

De Sheffield para o mundo: graças à internet

MONKEYS

Por Pedro Farci Agência Café

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O Ano era 2002 e o local ficava nos arredores de Sheffield, na Inglaterra. Dois garotos de dezesseis anos fanáticos por rock são presenteados com guitarras, Alexander David Turner e Jamie Cook, além de vizinhos, estudavam na mesma escola e já eram amigos de longa data, relação construída a partir de inúmeras tardes inteiras ouvindo, admirando e venerando discos de Led Zeppelin e Queens of the Stone Age. As guitarras, no entanto, não eram nem de perto a Gibson Les Paul e a Gibson ES-335 usada por ambos (respectivamente) nos shows feitos como um consagrado e inovador grupo de rock 10 anos depois. A Jamie e Alex se juntaram Andy Nicholson - que mesmo sabendo tocar baixo havia menos de um ano, já era o mais experiente do grupo - e Matt Helders, a quem, literalmente, restou a bateria. Sem ter um estilo definido, após covers frustrados de “Payback” de James Brown e mais algumas faixas de Soul, foi o estilo Indie que a banda adotou. Jamie Cook se considerava um fanático pelo ritmo que ascendia no início da década através de bandas como The Strokes e Oasis, além das raízes de The Smiths e obviamente o Queens of the Stone Age.

A faixa I bet you look good on the dancefloor foi topo das paradas Britânicas por meses e meses consecutivos. O fato curioso, é que meses antes da música estourar Alex declarava em off que apesar de uma melodia contagiante e um destaque gigante para a bateria de Helders, a letra não o agradava (apesar dele mesmo ter escrito) e ele realmente não esperava que aquela fosse a música que o carregasse ao sucesso. No embalo do sonhado mainstream, é lançado o EP Who the Fuck are the Arctic Monkeys com cinco músicas ainda mais rock n roll que as contidas no primeiro álbum. O disco também marcou a introdução do novo baixista, Nick O’Malley, substituindo Andy Nicholson, que deixou a banda.

Em junho de 2003 os Arctic Monkeys se apresentaram em público pela primeira vez, numa casa pequena no centro de Sheffield. Após uma série de apresentações no mesmo ano, as letras das músicas ganhavam fãs da região, que não se importavam com o fato da banda não fazer parte do chamado mainstream. O ritmo do rock de garagem empolgava e, além de tudo, dava destaque para o baterista Matt Helders com sua precisão e agilidade.

De Sheffield para a Internet Cinco meses depois, com a prática dos instrumentos mais aperfeiçoada, a banda, sob o nome de Bang Bang, estava em busca de um vocalista. Até então, Glyn Jones (também amigo de Alex e Jamie) improvisava os vocais dos covers indie, já que Alex afirmava não gostar da própria voz. Alex Turner assumiu os microfones de forma definitiva, além de sugerir o nome Arctic Monkeys, que anos mais tarde seria adotado pela banda. Apesar de ter um nome, um vocalista e o ritmo definidos, faltavam músicas. Discussões sem fim sobre quais músicas tocar, quais covers seriam feitos, uma vez que a banda não tinha composições próprias. (Na verdade eles tinham, mas não sabiam) Há pouco tempo atrás Alex Turner deu entrevistas, assumindo que escrevia letras desde os 15 anos de idade, apesar de ter mantido o fato em segredo durante muito tempo, mesmo depois da criação da banda. 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Pouco a pouco as composições de Turner tomavam o espaço dos covers na setlist do grupo. Em 2004 eles decidiram gravar seu primeiro disco demo. O Beneath the Boardwalk continha 18 faixas e era vendido no backstage ao final dos shows pelo preço de 3 Libras Esterlinas. À medida que os eventos lotavam, mais discos eram vendidos ou distribuídos. Quantidade insuficiente, no entanto, para alcançar sucesso absoluto, mas foi o próprio lançamento do álbum demo proporcionou a ‘digitalização’ da música do grupo, que teve suas músicas compartilhadas por fãs em programas como Ares e Lime. A banda se tornou um fenômeno na internet quando um grupo de admiradores criou uma página da banda no MySpace.com, e esse talvez seja o fato que mais contribuiu para a disseminação de suas músicas.

Da Internet para o Mundo Finalmente, em Maio de 2005, o Arctic Monkeys (sob o nome de Bang Bang) lança seu primeiro EP. Five Minutes with Arctic Monkeys tinha apenas duas faixas: Fake Tales of San

Francisco e From the Ritz to the Rubble. A primeira faixa do curto EP chamou a atenção da rádio BBC One, que passou a executá-la com certa frequência.

Um ano e três meses após o disco de estreia, o Favourite Worst Nightmare vem com músicas no mesmo estilo acelerado pelos resquícios do rock de garagem de I bet you look good on the dancefloor e Still Take You Home, além da introdução da influência New Wave ao utilizar sintetizador em algumas músicas. Brianstorm, Teddy Picker e Fluorescent Adolescent perseguiam a todos em todos os lugares. As três estiveram entre as dez músicas mais tocadas no ano de 2007 na Inglaterra.

O sucesso fabuloso credenciou o grupo para uma de suas mais memoráveis apresentações, no palco principal de um dos mais almejados festivais do mundo: Glastonbury. Apesar da clara evidência da manutenção de influências antigas, já era notável àquela altura a metamorfose ambulante que se tornaria o estilo de música indie do Arctic Monkeys. A faixa 505 (última do disco) traz um som de órgão tocado por Alex Turner acompanhado pela guitarra do amigo Miles Kane, e introduz ao público o estilo do terceiro álbum, Humbug, que mesmo assim surpreendeu.

A fase do Humbug O lançamento previsto do disco era para o ano de 2008, mas segundo informações Alex teve sua caderneta de letras e arranjos roubada (ou perdida?) alguns meses antes do início de sua produção, e isso, segundo o próprio Alex, teve um efeito benéfico para o novo disco. O resultado teve letras e ritmos completamente novos, uma discrepância gigante se comparados à “primeira versão” composta, que obviamente jamais será publicada. A ideologia já demonstrada em 505, entretanto, seria a mesma.

Milhares de fãs irritaram-se com o novo estilo adotado pelo quarteto, com muito mais cadência e letras ainda mais elaboradas, assim como os arranjos. Por mais curioso que possa parecer, o mesmo disco que reverteu a opinião de inúmeros fãs a respeito da banda fez com que a crítica finalmente classificasse o Arctic Monkeys como uma das grandes bandas da década. O Humbug (produzido por James Ford, que a propósito teve forte colaboração de Josh Homme - guitarrista do Queens of the Stone Age) traz um Alex Turner maduro, até então no seu prime da afinação, respeitando as pausas das músicas, além do visual com um cabelo longo (dir.), que passava a impressão clara de que sua fase imatura foi deixada para trás junto com suas composições simples. Crying Lightning, Cornerstone e Pretty Visitors são os retratos perfeitos da “nova fase”. Com um tanto de obscuridade e vocabulário complexo, o disco conquistou (além da crítica) uma nova legião de fãs, que posteriormente também se apaixonou pelos trabalhos anteriores. Até mesmo o “ranzinza” Noel Gallagher (Oasis) elogiou o trabalho da banda.

No dia 23 de Janeiro de 2006 chega às lojas um CD com capa que leva uma foto em preto e branco de um sujeito fumando um cigarro. Todas as trezentas e sessenta mil cópias produzidas do Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not se esgotaram em apenas uma semana. Tal marca ainda é o recorde quando se trata de um álbum de estreia. Das treze faixas do disco, nove integraram o demo gravado em 2004 (algumas com outro título). As críticas vieram tão rápido quanto o sucesso. Os especialistas britânicos rechaçavam a falta de ritmo do vocalista de cara infantil que usava um cabelo redondo e, por suas palavras, “apenas falava com um pouco de ritmo cantando tão bem quanto um amador”. A falta de acordes mais criativos e variados no decorrer dos sons irritava os entendedores, que apontavam Matt Helders como o único talento do grupo. Ainda em 2006, o fotógrafo Mark Bull (que também disponibilizara o Beneath the Boardwalk para download em seu site) registrou um show feito numa pequena casa de show de Londres, de onde extraiu o vídeo da performance de Fake Tales of San Francisco e o transformou no primeiro videoclipe oficial do grupo, com o consentimento da gravadora Domino Records. Arctic Monkeys durante show realizado em Paris, no início de 2012 (Foto: Reprodução)

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bla O Suck it and See O topete adotado por Alex Turner para toda a turnê do disco lançado em 2011 já anuncia: É a hora de assumir o rock clássico. O Suck it and See é a combinação perfeita de todos os pontos positivos que consagraram o Arctic Monkeys ao longo da carreira: letras inteligentes (com um toque romântico digno 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

de Elvis Presley), ritmo cativante (que em alguns momentos chega a ser completamente dançante, como foi em Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not) e solos de guitarra desenvolvidos de maneira inédita pelos garotos de Sheffield. A variedade de ritmos dentro do próprio CD é imensa. Desde as mais carregadas como Don’t sit down ‘cause I’ve moved your chair,

Brick by Brick e Library Pictures até as mais leves e agradáveis como The Hellcat Spangled Shalalala e She’s Thunderstorms. O disco inclui o single Piledriver Waltz, lançado anteriormente no EP solo de Alex Turner, Submarine, trilha sonora de filme homônimo, dirigido por Richard Ayoade (que também dirigiu os videoclipes das músicas Fluorescent Adolescent, Crying Lightning e Cornerstone).

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CAFÉ MÚSICA

DAVID BOWIE ZIGGY STARDUST Por Allan Assis Agência Café

Sabe quando você está no bar tomando uma cerveja e seus amigos cabeçudos começam a falar sobre alguns discos que mudaram tudo? Mercado fonográfico, temática das letras, sonoridades e etc e você simplesmente não sabe o quê dizer por que nunca teve a oportunidade de ouvi-los? Pois é, seus problemas acabaram pois chegou a tecpix... não. Uma vez por mês o Café e Analgésicos te trás um desses discos comentado: o que mudou na musica depois dele, que bandas influenciaram... tudo. E claro, finalmente convecê-lo do porquê ouvi-los.

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São 11 faixas originais e mais 5 bônus liberados na reedição de 1990, entre eles a provocante John I’m Only Dancing, a quase circense Velvet Goldmine, a barulhenta Sweet Head e as demos para Lady e Ziggy Stardust.

Five Years A apocalíptica canção é um anuncio do fim da vida na Terra, se não fosse tão boa poderia até ser um discurso de Bono Vox na ONU, com u m t a n t o d e esquizofrenia. A música cresce aos poucos, de início só com uma bateria e piano para terminar com tudo que tem direito: coro, violinos e gritos de choro de Bowie.

David Bowie não vivia um momento muito fácil de sua carreira nos anos 70, tinha lançado anteriormente 3 álbuns experimentais e vinha sendo pressionado por sua gravadora

Pois bem, com a perspectiva de um novo sopro de criatividade para o rock, como não se tornar obsoleto? Bowie pareceu descobrir após assistir a uma apresentação dos New York Dolls nos EUA, perfecionista como é, o camaleão precisava de tempo pra criar todos os aspectos de sua obra, a gravadora entretanto, não estava com tanta paciência assim, e queria que o album ficasse pronto logo, assim, em 1971 sai o LP Hunky Dory, um tapa buraco de luxo, genial por muitas de

trágico de Ziggy, que se suicida no palco por começar a achar tudo apático e não conseguir mais encontrar seu caminho como artista. Gimme your hands cause you're wonderful (wonderful), dá ideia de um astro quase que sendo arrebatado aos céus acompanhado pelo fim catártico da música.

Destaques

O primeiro album a ser esquartejado em nossa discoteca básica é um clássico conceitual de 1972: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars.

para que fizesse algo mais fácil do ponto de vista comercial, a época também não ajudava muito, pra quem não lembra o final dos anos 60 e começo dos 70 foram marcados pelo glam na Inglaterra e o hard rock no underground dos EUA. Os Beatles estavam no auge de sua falta de paciencia com seu publico e surge, então, espaço para que novas bandas apareçam com um rock mais influenciado pelo funk, caso do Led Zeppelin.

e sforç a d a c om o é , Stefani Germanotta estudou ostesivamente a moda e a construção de um alter ego que hoje se confunde com quem realmente é. Quase uma extensão do trabalho de David Bowie, Lady Gaga é um Ziggy que não voltou à seu planeta natal. Isso sem falar em Marylin Manson, The Cure...

suas musicas, que viriam a se tornar classicas posteriormente, mas que na época tinham a função de calar a boca da gravadora, para que Bowie pudesse se concentrar no seu próximo disco.

Em junho de 1972, sai Rise and Fall, com um Bowie de cabelo vermelho-alaranjado, vestindo colan e recusando que o chamassem pelo nome, pois agora era Ziggy Stardust um rockstar alienígena e bissexual vindo de marte que queria tocar na Terra antes de sua destruição por falta de recursos naturais, dali a 5 anos. É, viagem da porra. A criação de seu alter ego se mostra impressionante satírica durante a audição, Ziggy passa por todas as fases pelas quais geralmente passa um rockstar comum: o sucesso (Star), os excesso com drogas e álcool (Ziggy Stardust), a arrogância (Suffragette City) e o fim trágico (Rock’n Roll Suicide).

Quem influenciou: As influencias para criação das roupas do alter ego representavam muito do que se via no glam rock inglês dos anos 70: a androgenia. Entretanto Bowie trouxe um novo ingrediente à fórmula feminina das vestimentas, as ideias de como ele achava que deveriam ser os figurinos de alguém que mora em um planeta mais avançado tecnologicamente. Ziggy deixou um legado gigantesco ao eletropop dos anos 80. Sim, sintetizadores, mullets, ombreiras e claro, os visuais futurísticos que influenciaram Eurymithics, Metrô, o próprio Michael Jackson de Thriller e tantos outros. Lady Gaga – A criação de um personagem exagerado e do esforço de um artista em manter sua imagem irretocável e sem brechas para sua arte durante 24 hrs por dia. Devemos a Ziggy a existencia de Gaga, 1º trimestre I 2012

Soul Love – A segunda música traz esperança, descrevendo o amor durante a juventude. É marcada por camadas de baixo e um solo de saxofone no meio que não soa brega, pois é devidamente equilibrado com guitarras.

diferente de tudo que o cantor fez até então, carregando influencias da soul music no refrão gritado por backing vocals enquanto o resto da música caminha numa morosidade folk.

Moonage Daydream – Na faixa vemos a inflência do rock progressivo no disco, guitarras distorcidas que dão lugar ao SOLO de um instrumento de sopro.

Lady Stardust – Há desavisados que acreditam que Ziggy teria encontrado um amor na Terra, no entanto Lady Stardust é sobre o lado bissexual do próprio personagem, não só no ponto de vista sexual, mas quase uma confissão de seu lado mais sensível. O piano choroso de saloon acompanha a letra que pela primeira vez fala da banda que acompanha o compositor no disco: os Spiders. Banda que o ET forma em sua chegada à Terra.

Starman – O primeiro single do album explica como Ziggy se vê diante de suas andanças pelas galáxias, ou numa realidade menos viajandona como um astronauta deve se sentir longe de casa, é nela que o extraterrestre chega à Terra com a missão de avisar que estamos fazendo merda. Com influências de country rock em riffs que lembram artistas como Johny Cash, a audição valeria só por essa canção que mescla referências de rock incrivelmente distintas, mas que casam perfeitamente umas com as outras. A música fez tanto sucessso que ganhou uma versão em português da banda Nenhum de Nós, que eu não recomendo. IIt ain’t easy – O vocal estérico de Bowie que quase se aproxima do de uma mulher tem a missão de dar vida à única faixa do disco não escrita por ele, e que destoa do disco por ser 06 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Hang On to yourself – Elvis Presley teria ficado orgulhoso se escutasse Hang on, cheia de baixos no estilo rockabilly e estilo de cantar mais contido. É aqui que você nota que The Rise and Fall é um album extremamente democrático e até inclassificável na diferenciação de influencias: rockabilly, rock progressivo, folk, country... o disco é acima de tudo rock, em todos os bons sentidos que a palavra inplica. Rock’n Roll Suicide fecha o disco com o fim

O primeiro album conceitual de Bowie e seu primeiro alter ego, carimbaram seu passaporte aos EUA, que antes só o via como mais um cantor inglês estranho e magricela. Tornou-se o retrato de como o artista viria a ser chamado posteriormente: camaleão do rock, por sua capacidade de mudar de acordo com o que cada época e seu respectivo público escutam, sendo sempre relevante. Ziggy Stardust morre na última faixa do disco Rock’n Roll Suicide e nos palcos em 1973 numa apresentação em Londres, por não conseguir lidar com a fama e os problemas com as drogas, abre assim as portas aos outros personagens do cantor: Aladdin Sane, com disco lançado ainda no mesmo ano e Diamond Dogs de 1974, o do hit Rebel Rebel, último com o cantor interpretando personagens em discos. Mas sem Rise and Fall, jamais conheceríamos nenhum destes, ou entenderíamos o significado da palavra reinvenção, ensinada pelo maior mestre nessa arte. “Porra com tanto disco clássico pro Cuba resenhar, tem o Abbey Road, o Dark Side of The Moon, o primeiro tem que ser logo do David Bowie?” The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars completa em junho 40 anos de seu lançamento, sem cair no esquecimento e ainda influenciando meio mundo na música, então pare de ler essa maldita resenha e vá ouvir logo o disco. Texto publicado no site dia 13 de fevereiro Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras

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CAFÉ ENTREVISTA

MICHAEL KIWANUKA

eles.”

‘‘Chega uma hora em que você aceita quem realmente é‘‘ Por The Guardian Tradução e adaptação: Agência Café

Os últimos tempos parecem ter sido preciosos para Michael Kiwanuka. É uma tarde de quinta, sem graça e fria como em todo janeiro, o cantor folk de 25 anos de idade está envolto em um casaco de lona e com ar de distraído, sentado nas profundezas de um bar em Londres. Amanhã ele receberá o "Sound of 2012" da BBC, um prêmio que visa identificar, nos primeiros dias do novo ano, o artista estreante mais significativo da música britânica para o ano. Você poderia até dizer que é apenas mais um prêmio, mas a ideia com certeza desapareceria quando soubesse que entre os ganhadores do prêmio em anos anteriores estavam figuras como Keane, Jessie J e Adele. O “Sounds” é além de tudo uma grande ajuda na promoção do disco Home Again, que será lançado em março mas já ocupada o top 5 da área de pré-vendas nos sites Amazon e Itunes. Nesta quinta-feira lenta, Kiwanuka ainda 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

parecia não acreditar que em breve sentaria no mesmo sofá que o fenômeno de vendas Adele, e que teria um time de reporters para entrevistá-lo. “Essas coisas me deixam muito animado” o cantor diz sobre o prêmio da BBC, tendo sido avisado com antecedência de que havia ganho “Eu não vou mentir e dizer que não me importo, não vou dizer que isso é só um resultado do meu trabalho como artista. Esse tipo de coisa vem acompanhado de muitas outras, outras expectativas, o fato de mais pessoas ouvirem sua música aumenta a expectativa de encontrar mais pessoas que não gostem dela.” Kiwanuka é uma figura fácil de se admirar e simpatizar, em sua primeira apresentação, no programa de Jools Hollad, o cantor surpreendeu a todos com uma performance concentrada, calma e demonstrou uma voz de baritono admirável para um jovem de apenas 25 anos. Perguntei a ele se havia algum tipo de truque secreto para ter uma voz daquela, ele respondeu sorridente “Eu simplesmente não consigo cantar de outra forma. No início eu odiava ter essa voz, eu tinha meus heróis e queria cantar como eles, então eu pensava 'ok, eu não canto como Marvin Gay, eu sou uma droga'. Mas uma hora você acaba aceitando quem você é e que é sempre melhor soar como você mesmo, isso sim é legal.” Músicas compostas nos três EP's publicados

por Kiwanuka soam como um encontro de Bill Withers com o folk moderno de Laura Marling, suas músicas ganham ainda mais profundidade como groove da música de Uganda, como sugere o produtor Paul Butler. Os pais do cantor são ugandeses e se mudaram para o Reino Unido nos anos oitenta, antes dele ter nascido, e acabaram se instalando em um bairro mulçumano da periferia de Londres. Lembrando de sua infância, Michael contou que ninguém havia avisado para ele que era normal um garoto negro gostar do que ele gostava. Cantores como Crosby, Stills & Nash, nada disso tocava no seu bairro, então Kiwanuka ficava quieto quando lhe perguntavam sobre seus gostos. “Eu ouvia músicas com guitarras fortes, eu tocava guitarra, mas, não haviam muitos garotos negros que tocavam naquela ela época. Quando eu vi uma camiseta com o Jimi Hendrix, eu pensei que ele era só mais um cara tentando ser branco.” A má interpretação sobre Hendrix foi desfeita quando o Michael viu um documentário do artista, e foi aí que o cantor começou a procurar por outros guitarristas negros, surgindo assim a paixão pelo folk e pelo soul. “Richie Havens, Curtis Mayfield, Sly, e o Family Stone, esses caras eram ótimos na guitarra, eu não sabia muito bem o que eles tocavam na época, soul, folk, para mim era tudo a mesma coisa, eu só queria ser como 1º trimestre I 2012

A paixão de Michael pela música fez com que ele largasse duas vezes a faculdade e começasse a trabalhar com a única oportunidade da época: guitarrista em gravações de R&B. “Quando eu estava com esses caras [rappers, cantores de R&B] eu tentava agir como eles, falar como eles falavam – e continuava fingindo que não gostava de caras como o Bob Dylan. Quando eu voltava para casa, colocava os cd's que gostava para tocar e perguntava a mim mesmo o que estava fazendo da vida.” Após uma discussão com o rapper Chipmunk, o cantor decidiu sair dos projetos de R&B e se aventurar pelos barzinhos da cidade, tocando seu folk, ele conta com certa timidez sobre o período. “Não que eu ache que todo mundo tinha preconceito comigo, mas, eu tinha pouco mais de 18 anos e era muito sensível a essas coisas. Certa vez eu subi num ônibus com o meu violão, um homem me ajudou a passar pela catraca, ele me perguntou se aquilo era um violão, eu confirmei, então ele disse : 'isso não é aquilo que as crianças brancas tocam?' Essas coisas acontecem, e naquela época eu sentia necessidade de aprovação.” As memórias desses sentimentos inspiraram a composição do seu single que dá nome ao álbum que será lançado em março: “Home Again é sobre voltar para si mesmo e ser sincero consigo mesmo”. A partir de 2009 a carreira de Kiwanuka começou a tomar impulso e em apenas dois anos já havia lançado três EP's e viajado em turnê com a cantora Adele. “Eu a acompanhei de perto e prestei atenção nos detalhes, ela não fala muito sobre música, mas dava para perceber que ela sabia exatamente o que expressar, e é 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Michael durante as gravações de Home Again

isso que é necessário quando se é tão talentoso quanto ela é”. Quando comparei as músicas de Adele com as suas, disse que as músicas mais famosas da cantora vinham de separações, perguntei se o novo cd continha alguma canção do tipo, ele respondeu um pouco envergonhado. “Não não, eu nunca me apaixonei por alguém, e para fazer uma música como ela [Adele] faz, você precisa ter um forte sentimento por alguém, eu nunca tive, sempre estive solteiro a maior parte do tempo nessa minha curta vida”. Depois de uma pequena pausa, ele brinca “Espero que isso mude, existem tantas músicas boas sobre separação, preciso escrever a minha.” 2012 amanheceu como um ano agitado para Michael, ele será mundialmente famoso, aproveitando o assunto da fama, perguntei para ele o que ele faria se aquele fosse seu ultimo dia no conforto do anonimato. Ele respondeu rapidamente “Um bar, uma partida do Spurs (Toteham, time de futebol de Londres) e uma boa caneca de cerveja”. O sentimento pelo futebol explica analogia com a qual termina a nossa conversa.

QUEM É MICHAEL KIWANUKA? Cantor e instrumentista nascido em Uganda e radicado no Reino Unido é a grande aposta para 2012 dos críticos de música. A música soul de Kiwanuka mistura influências que vão de All Green a Bob Dylan e apesar de desconhecido do grande público, já participou da banda de Adele em dois festivais. Lançou no mês de Março que passou seu disco de estúdio ‘Home Again’. Michael Kiwanuka foi apresentado aos leitores do ‘Café’ em Janeiro de 2012 e atraiu mais de mil leitores curiosos pela música da sensação do Reino Unido. A música agradou e foi muito bem recebida. Kiwanuka já é um xodó da redação do Café e Analgésicos.

Para ouvir o single Home Again, acesse: bit.ly/escuteKiwanuka

“Se você treina para ser um jogador de futebol, você não pensa em jogar na terceira de divisão. Se alguém lhe da uma chance na liga principal você vai agarra, certo? Se alguém pede para você bater um pênalti no último minuto do final da Copa do Mundo, você vai lá e cobra, mesmo sabendo que pode errar. Você vai querer tentar, e é assim que eu vejo tudo isso, pode ser um desastre, eu não acho que será, mas pode ser. Mas eu não vou desistir de tudo isso por causa dos riscos, não vou mesmo”. 1º trimestre I 2012


CAFÉ MÚSICA

BLACK KEYS

A BRASILIDADE DE MALLU A metamorfose de Mallu Magalhães se destaca no disco Pitanga, lançado em 2011

NO TOPO DO ROCK Little Black Submarines – começa lenta e constrói aos poucos um ar country-rock, seja pelo violão que inicia a música ou pela bateria que te leva pra algum lugar onde Johnny Cash já encheu a cara. O ritmo previsível e calmo da música vai se arrastando e levando a crer que esta será curta quando o ouvinte leva um verdadeiro soco no estômago no minuto 02:06 com o solo de Dan Auerbach. Escrita sem dúvida alguma pra uma Michele Rodrigues do mundo”Run Right Back” é um dos melhores momentos do disco em que Auerbach se dá ao desplante de meter um solo de guitarra(é, mais um) no refrão chiclete. Essa tem cara de single desde o início e aliás bem que podia ganhar um clipe bem no estilo Grindhouse.

Por Allan Assis Agência Café

Conversando com meu chefe em meio a cervejas pretas e xingamentos fraternais, ele comentou o quanto todas as bandas ultimamente soavam como o Arctic Monkeys, o modo como o indie tomou conta da música e de toda a criatividade que pudesse surgir na cabeça dos músicos. Entretanto de tempos em tempos surgem bandas que servirão de referencia pra tudo que é feito nos próximos anos, os já citados e imitados Arctic Monkeys e claro, o Nirvana (nunca desperdice uma referencia como o Nirvana em ano de aniversário do “Nevermind”) felizmente ao ouvir “El Camino”(2011) percebe-se claramente uma ruptura nos discos “mais do mesmo” e o aparecimento de algo que não soa “antigo” como o indie, algo que aponta pro novo, sem abandonar referencias antigas como o blues e o rock dos anos 60 e 70.

O primeiro segundo do disco é de um riff de guitarra que logo evolui pra uma frase inteira e a bateria, agora, controlada de Patrick Carney aparece de vez em quando lembrando que a musica tem uma estrutura – Lonely Boy, 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

primeiro single do álbum surgiu com um clipe viral na internet de um cara dançando enquanto o pedal da guitarra grita, e ao final da música você percebe que se não tiver auto-controle suficiente acabará dançando também. O disco produzido pelo agora hype Danger Mouse que já havia colaborado em trabalhos anteriores da dupla se mostra simples, geralmente guitarra e bateria pontuado por baixos e gaitas em algumas faixas. Um disco pra se ouvir no último volume e de intensidade marcante conferida pela infinidade de solos de guitarra. “Dead and gone”, tem o primeiro deles que cresce junto com a canção dá o tom do resto do disco. Desataques: Gold on the celling - Surge como uma prima próxima de “Howling’ for you”(Brothers 2010) lembrando que as referencias dos discos anteriores continuam todas ali, conversando também com os novos formatos como os backing vocals emprestados das canções jazzistas.

Sister – entra com um baixo que imediatamente nos remete a Michael Jackson e sua “Billie Jean” que assim como a referida irmã dos texanos acaba sozinha e com problemas, talvez seja loucura minha, mas a história da garota problemática que é encorajada por todos à autodestruição soa familiar quando lembramos de Amy Winehouse, que infelizmente nunca pôde emprestar sua voz as canções simples do duo. Nova Baby – Outro dos melhores momentos do disco surpreende o ouvinte na entrada do refrão quando entra um teclado enquanto Dan canta “...All your enemies. Smile when you fall...”, pra mostrar um groove novo nos ingredientes da banda. No geral “El Camino” é um disco que não poderia ter sido feito por outra banda e que revisita tudo de bom que já se ouviu no rock em outras épocas. Mostra que não é preciso uma mega banda pra construir musicas sólidas, guitarra e bateria bastam, lição que eles talvez tenham aprendido de uma outra dupla (White Stripes: 1997 - 2011) ou não.

Texto publicado no site dia 15 de janeiro Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras 1º trimestre I 2012

Por Allan Assis Agência Café

Dezesseis anos, um violão à tiracolo, desenhos do Bob Dylan espalhados pelo chão e tinta guache nos olhos. Mallu Magalhães aparecia sentada no chão de seu quarto fazendo covers de folk para seu My Space. O conhecimento musical da cantora sobre a carreira de Dylan e Johnny Cash espantava à medida que a garota tímida dissertava sobre o quanto seu gosto musical destoava dos colegas de sua idade, ouvintes do pop radiofônico. A cantora dividiu opiniões, inclusive a minha devo dizer, quando surgiu cantando suas composições que mostravam certas afetações em sua voz e ares distraídos enquanto as interpretava. Pois bem, as influências folk não se foram no terceiro trabalho de estúdio de Mallu, mas também surgem aqui temperos bem brasileiros a começar pelo próprio nome do disco: Pitanga, que reforça a ideia de que talvez a mudança de ares da cantora, que em 2011 se mudou para o Rio de Janeiro, tenha reflexos no trabalho. Destaques: Velha e Louca – O primeiro single do disco mostra uma cantora mais rockeira com levadas de guitarra que evidenciam sua admiração por Rita Lee, ainda assim, se ouve um violão mais calmo dedilhando ao fundo, o que ajuda a montar um quadro agradável, que não cai no absurdo de colocar a intérprete fazendo algo que não soe como ela. O clipe da música também vale o play pelo susto que temos ao observar que a cantora nerd introvertida se transformou em 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

cool sexy. O vídeo estreou primeiramente em algumas salas de cinema e e era exibido antes do filme "As aventuras de Tintim: O segredo de Licorne". Simples e bonito traz Mallu e seus músicos tocando no alto de um prédio paulista. Cena – A música que era conhecida como “Coração Vulcânico” antes do lançamento oficial do disco tem o violão sempre calmo e bem tocado de Marcelo Camelo, também produtor do álbum. A interferência de Camelo fica a cargo de alguns arranjos que foram previamente aceitos por Mallu. Nesta faixa, por exemplo, o marido da cantora disse que a musica soaria muito brega, por causa da letra, (que é um apelo de uma mulher que quase implora por uma segunda chance) e arranjos escolhidos, o aviso foi sumariamente ignorado e a música ainda soa brega, mas de um jeito bom. Sambinha Bom – É um samba (!) embalado por uma percussão e letra interessantes: “Eu? Eu quero me bordar em você. Quero virar sua pele. Quero fazer uma capa. Quero tirar sua roupa”. Surpreendeu a crítica por ser a mais diferente do disco e de todo o repertorio da cantora, entretanto a música depois de algumas audições assume um caráter meloso que só os extremamente apaixonados continuam a gostar. Em Youhuhu você se recorda de onde conhece a cantora das levadas folk de violão e letras em inglês, até que Mallu solta mais um “moreno” (palavra recorrente no disco) e aparece um som de água correndo num moinho no meio da música; e é aqui que surge a essência de Pitanga, mostrar que

influencias recorrentes podem se unir muito bem à ideias novas. Por que você faz assim comigo – A mais bela do disco, é lenta e reflexiva. Surgem trompetes desses que só Camelo sabe colocar sem que pareçam elementos estranhos à musica. “Talvez eu deva ser forte, pedir ao mar por mais sorte e aprender a navegar” é um dos melhores versos colocados em uma música há muito tempo, o mérito é da própria dona do disco, sorte dos ouvintes, já que o campo das letras no Brasil andava meio parado, chegando a fazer vergonha às bandas instrumentais, cada vez melhores, vide Pata de Elefante, Bixiga 70 e etc. Cais – A música que fecha o disco é quase instrumental, tem barulho de sinos, um piano nostálgico e é marcado por balbucias da cantora, que só solta a letra no final da musica, a delicada canção é como uma recordação de alguém que aportou em um cais há muito tempo por amor, mas agora se sente perdido. O disco inteiro transborda bons momentos por pelo menos alguns instantes nas outras canções. Mallu abandona seus cacoetes irritantes do início de sua carreira e descobre seu potencial como cantora, que apesar de não possuir uma voz límpida como a de outras da “MPB”, parece ter muito mais criatividade. O álbum corre fácil em músicas curtas, e dificilmente cansa o ouvinte, que desfaz de vez a imagem que tinha da adolescente aprendendo a fazer música. Texto publicado no site dia 20 de fevereiro Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras 1º trimestre I 2012


CAFÉ MÚSICA

CONHEÇA MÚSICA Sessão semanal no ‘Café’ que traz as novidades do mundo da música, que, por ironia ou não, só são reconhecidos graças à internet

CITY AND COLOUR Os que já conhecem a banda Alexisonfire estão cientes do talento do vocalista Dallas Green, que antes mesmo da formação da banda de hard-rock já compunha músicas solo. Pois bem, o City and Colour (uma brincadeira com o nome do artista, que é composto por uma cidade e uma cor) deixou de ser um projeto alternativo do canadense para ser o foco principal de sua carreira. Com 31 anos e 5 albuns lançados, o cantor começa a ter notoriedade após ter ganho por dois anos seguidos o Juno Awards, a maior premiação da música canadense e os rumores de uma turnê sulamericana em 2012 já se espalham.

ANUNCIO

YUCK O Yuck é uma banda inglesa, entretanto se você pensou nas bandas indie da cena, já desgastada, das terras da rainha pensou errado. O quinteto formado por gente de várias partes do mundo: Londres, New Jersey, Escócia e até de Hyroshima não é um cover de Arctic Monkeys, nem um deprimente grupo de pessoas fazendo “world music”. As inflências do Yuck são americanas, de uma década bem precisa, os anos 90. Se um desavisado qualquer escutasse o homônimo albúm de estréia, provavelmente daria o crédito pelas boas canções ao Sonic Yuth, Dinossaur Jr., Smashing Pumpkins... ou a todos eles. Canções sujas, melodias bem construídas e letras sobre desilusões amorosas. A crítica apesar de chamar “Yuck”, o referido albúm, de “um dos, se não O MELHOR, albúm de 2011”, não tem certeza de como lidar com uma banda que fez sua fama soando como bandas já existentes.

RAPHAEL SAADIQ Guitarrista desde os seis anos de idade e marcado por tragédias familiares que não interferem sua música, Raphael Saadiq é produtor de diversos artistas de R&B e soul que vão de Erikah Badu e Joss Stone à gigantes como Mary J. Blige e Stevie Wonder, ganhador de grammys e com cinco discos de estúdio lançados. Estreante nos palcos como backing vocal numa turnê do Prince, o cantor e compositor de 45 anos voltou ano passado com Stone Rollin disco aclamado pela crítica que lhe rendeu mais uma indicação ao Grammy Awards pelo single Good Man.

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WEB STUFF

CAFÉ LISTAS

5 ADAPTAÇÕES DOS QUADRINHOS QUE FOGEM DO ÓBVIO 2012, além de ser o ano em que todos nós iremos para o lugar de onde nunca deveríamos ter saído, também será um ano de estréia de grandes adaptações do quadrinho para o cinema. Citando alguns exemplos, temos a finalização da trilogia Batman, a estréia do reboot de Homem Aranha e a tão esperada estréia dos Vingadores (que será um lixo), e como a gente do Café e Analgésicos adora fazer lista de coisas para vocês discodarem e falarem que o blog já não é aquele Café moleque, feito por amor a camisa e com pé descalço, aqui vai uma lista com as 5 melhores adaptações de quadrinho para o cinema que não conta com nenhum blockbuster do tipo Homem de Ferro, Batman, Homem Aranha ou X-Men. A intenção aqui é fugir do óbvio, apresentar filmes bons mas poucos conhecidos, até porque, de uma maneira ou de outra você irá ficar sabendo dos grandes blockbusters, apresentá-los aqui seria um serviço inútil. Então, vamos nós ao lado mais "alternate" das adaptações de HQ!

A Liga Extraordinária Adaptação dos quadrinhos criados por Alan Moore, a Liga Extraordinária se passa na Inglaterra do período vitoriano e tem como plot principal a investigação sobre dois crimes internacionais : o roubo das plantas de Veneza e o sequestro de diversos cientistas alemães. Para investigar os crimes, uma equipe composta com vários personagens da literatura americana e inglesa é reunida, o time é composto por figuras como Tom Sawyer, Capitão Nemo e Allan Quartermain.

Scott Pilgrim vs. o Mundo A melhor adaptação de todas segundo o Instituto do Café, Scott Pilgrim conta a história do personagem que dá nome ao filme (e ao quadrinho) : Um nerd com problemas em manter relacionamentos, viciado em cultura pop e guitarrista de uma banda de garagem. A vida de Scott começa a mudar quando ele se apaixona por uma garota misteriosa e descobre que ela tem 7 ex-namorados malignos (e que terá que derrotá-los em batalhas até a morte....) O filme é cheio de referências a cultura pop, grande indicação para os viciados em informação, como você.

V de Vingança O filme do Anonymous. Mentira, o filme V de Vingança é uma adaptação de uma revista em quadrinhos criada - mais uma vez - por Allan Moore com o mesmo nome. Em V de Vingança, somos apresentados a uma Londres futurista, em que uma grande ditadura censura e controla a maioria das atividades dos cidadãos, em meio a esse cenário ditatorial, "V" um vigilante mascarado surge com ataques às principais instituições da cidade, incitando a população a uma revolução.

Old Boy Old Boy é o filme que destoa de todas a outras adaptações de quadrinhos feitas até hoje. Primeiro fato que ele é uma adaptação séria de mangá (o que sabemos, é bem raro de acontecer) e segundo porque a história não é sobre um herói ou sobre a superação de um mocinho, Old Boy é um filme tenso. O plot do filme se baseia na vida de Oh Dae Su, o jovem é sequestrado e mantido em carcere por 15 anos, quando é subitamente solto. Quando Dae volta a realidade, vê seu nome como principal suspeito de um homicídio cometido na época de seu rapto, e agora tem como missão descobrir quem o sequestrou e porquê está sendo acusado de um crime que não cometeu.

Anti-Herói Americano Mais uma adaptação de quadrinho que foge do padrão "herói vs vilão", a história do Anti Herói Americano é uma biografia em quadrinhos que foi adaptada para o cinema. O biografado em questão é Harvey Pekar, um arquivista que já casou três vezes e tem uma visão extremamente pessimista. Pekar decide criar uma biografia e conta com a ajuda do cartunista Robert Crumb para realizar o projeto, na construção da sua história de vida, Pekar nos apresenta uma viagem introspectiva, com os motivos e frustrações que o levaram a ser tão descrente da vida.

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Revista  

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