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CURSO DE GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

ANÁLISE FINANCEIRA E ORÇAMENTAL

Apontamentos

Leiria 30/09/2005

Fernando de Jesus Amado dos Santos Docente da ESTG Leiria


Parte I

I –INTRODUÇÃO O presente trabalho destina-se a ser utilizado pelo alunos do curso de Gestão e Administração Pública, e pretende sintetizar alguns dos aspectos leccionadas ao longo do semestre, nomeadamente a utilização das técnicas e métodos de análise financeira, partindo das demonstrações financeiras contabilísticas, transformando-as para efeitos de análise financeira, por forma a utilizar os diversos tipos de indicadores e rácios económico-financeiros.

II – BALANÇO e DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS CONTABILÍSTICOS As demonstrações financeiras contabilísticas são as que resultam do processo contabilístico e incluem o Balanço , Demonstração de resultados, demonstração dos fluxos de caixa etc. No essencial correspondem aos documentos elaborados de acordo com as regras do POC- Plano Oficial de Contabilidade e aprovados pelos sócios no final do exercício.


III – BALANÇO e DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS FUNCIONAL O Balanço Funcional, assim designado por expressar um estrutura representativa dos fluxos dos três ciclos da actividade das empresas exploração, de investimento e financeiro, é constituído a partir dos saldos das contas expressos no Balancete Analítico. Existe, assim, uma tripla vantagem: a) Coerência total dos dados com as restantes demonstrações financeiras visto serem construídas com base na mesma fonte; b) Maior rigor na preparação deste quadro para efeitos de análise financeira, na medida em que é possível incluir em cada rubrica as contas mais elementares, o que proporciona uma informação mais aderente à realidade financeira da empresa. c) Possibilidade de proceder aos ajustamentos aos saldos contabilísticos das contas, mantendo sempre os seus valores originários, o que torna o modelo mais flexível e com menor probabilidade de erros. O Balanço funcional está construído com base nos seis grandes grupos em que se decompõem as origens e aplicações de capital e assim definidas. BALANÇO FUNCIONAL APLICAÇÕES (ACTIVOS) Activos Fixos Necessidades Cíclicas Tesouraria Activa ORIGENS (PASSIVOS Capitais Permanentes Recursos Cíclicos Tesouraria Passiva


Cada um deste grandes grupos ainda se decompõe em subgrupos (p. ex: capitais próprios; imobilizados corpóreos, etc.) e estes, por sua vez, em rubricas mais elementares (por exemplo contas de capital, ou existência de mercadorias, etc.). Em síntese, a estrutura de informação é a seguinte GRUPO

P. ex.: Capitais Permanentes

SUB-GRUPOS

P. ex.: Capitais Próprios

RUBRICAS P. ex.: - Capital - Reservas Legais - etc. ) DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS FUNCIONAIS Tendo como base a natureza dos resultados evidenciada na Demonstração dos Resultados por natureza (modelo do POC), estruturam-se os proveitos e custos, particularmente os relacionados com a actividade operacional da empresa, em grupos que facilitem a análise económica e os riscos económico e financeiro. À semelhança do Balanço, os valores são obtidos directamente a partir dos saldos contabilísticos das contas do balancete analítico, podendo ser ajustados para efeitos da análise económica e financeira. A Demonstração dos resultados funcionais está estruturada nos seguintes grandes grupos: Proveitos Operacionais Custos Operacionais Resultados Financeiros Resultados extraordinários Tributação e distribuição de Resultados Os proveitos e custos operacionais e, consequentemente, os resultados operacionais são uma consequência das operações relacionadas com a actividade normal da empresa, ou seja, das directamente relacionadas com o negócio, independentemente das condições de financiamento


PROVEITOS OPERACIONAIS VENDAS DE MERCADORIAS

Contempla as vendas líquidas de mercadorias. Este valor obtém-se a

partir dos saldos líquidos das subcontas da conta 71 Vendas, representativas das vendas brutas e das reduções (descontos, devolução e IVA incluído nas vendas) de mercadorias. VENDAS DE PRODUTOS O mesmo que na rubrica anterior, mas no que concerne às vendas de produtos acabados, intermédios, subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos. PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS

Diz respeito ao saldo líquido da 72 - Prestações de serviços, do POC.

Adicionando às contas anteriores (vendas de mercadorias e produtos) obtém-se o VOLUME DE NEGÓCIOS, valor expresso na D.R. Funcional. VARIAÇÃO DE EXISTÊNCIAS DE PROD. ACABADOS

Diz respeito à diferença entre as

existências no fim e no início do período dos produtos acabados e intermédios, dos subprodutos, resíduos e refugos. VARIAÇÃO DE EXIST. DE PROD. EM CURSO

Diz respeito à diferença entre as existências no

fim e no início do período de análise, dos produtos e trabalhos em curso. OUTROS PROVEITOS OPERACIONAIS Engloba os saldos das restantes contas de proveitos operacionais, nomeadamente, proveitos suplementares, subsídios à exploração, trabalhos para a própria empresa e outros proveitos e ganhos operacionais (saldos credores das contas 73 a 76 do POC). Poderão aqui ser ajustados outros proveitos operacionais que, por critérios contabilísticos tenham sido lançados noutras contas do POC. CUSTOS OPERACIONAIS CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS

Corresponde ao preço de custo das mercadorias

vendidas, tendo em conta o critério valorimétrico adoptado pela empresa. É obtido pela expressão (Ex.iniciais + Compras líquidas - Ex. finais - Regul. existências (SC) + Regul. existências (SD).As compras líquidas correspondem às compras brutas (conta 312 do POC) deduzidas das respectivas reduções de valor (Devoluções - conta 3172 e Descontos e abatimentos - conta 3182)


CUSTO DAS MATÉRIAS CONSUMIDAS

O mesmo que na rubrica anterior, mas no que

concerne aos consumos de matérias primas e subsidiárias. Idem, para o referido na rubrica anterior. OUTROS CUSTOS VARIÁVEIS

Dizem respeito aos custos correntes, cujo montante se pode

relacionar com o nível de actividade da empresa O programa permite-lhe seleccionar qualquer conta de custos que pretenda aqui incluir. CUSTOS FIXOS DESEMBOLSÁVEIS

Dizem respeito aos custos correntes, cujo montante é

independente do nível de actividade da empresa e que resultem em pagamentos de exploração. . CUSTOS FIXOSNÃO DESEMBOLSÁVEIS

Dizem respeito sobretudo às amortizações e provisões

do exercício (contas 66 e 67 do POC), que poderão ser ajustadas pelos aumentos, reduções e compensações (v.g. de subsídios para investimento). Os resultados financeiros são uma consequência das operações do ciclo financeiro, que influenciam a rendibilidade e o risco, mas numa perspectiva de financiamento e do seu custo.

RESULTADOS FINANCEIROS Os custos financeiros podem ser ou não desembolsáveis e resultam da diferenças das contas do POC “78” menos “68” RESULTADOS EXTRAORDINÁRIOS Os resultados extraordinários têm um carácter eventual ou ocasional, pelo que infuenciam de forma mais aleatória a rendibilidade da empresa. Resultam da diferença das contas do POC “79” menos “69” . TRIBUTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE RESULTADOS Na tributação e distribuição de resultados pretende relevar-se quer o efeito fiscal sobre a rendibilidade, quer o impacto da distribuição sobre o autofinanciamento e o crescimento sustentado.


BALANÇO FUNCIONAL Activo fixo Imobilizações corpóreas Imobilizações incorpóreas Investimentos financeiros Dív. a receber MLP Acréscimos diferimentos Soma activo fixo Necessidades cíclicas Existências Dív. receber expl. CP Acréscimos diferimentos Soma necessidades cíclicas Tesouraria activa Dív. receber extra-expl. CP Disponibilidades Acréscimos diferimentos Soma tesouraria activa Total das aplicações

18,114 0,000 0,000 0,000 0,000 18,114

0,000 3,833 0,000 49,152

0,000 15,019 224,000 15,243 82,510

10,631 0,000 0,000 0,000 0,000 10,631

Capitais permanentes Capitais próprios Dívidas a pagar MLP Acréscimos diferimentos

37,270 0,000 0,000

39,771 0,000 0,000

Soma cap. permanentes

37,270

39,771

Recursos cíclicos 0,000 Fornecedores 7,284 Dív. pagar expl. CP 0,000 Acréscimos diferimentos 72,682 Soma recursos cíclicos

0,000 23,648 556,000 24,204

Tesouraria passiva Empréstimos obtidos CP Dív. pagar extra-expl. CP Acréscimos diferimentos Soma tesouraria passiva

107,519 Total das origens

2,454 13,942 397,000 902,000 0,000 0,000 2,851

14,845

1,000 41,388 0,000 42,388

0,000 52,902 0,000 52,902

82,510 107,519


DEMONTRAÇÃO DE RESULTADOS FUNCIONAL Exercícios 2003

2004

131,519 0

111,694 0

0

0

131,519

111,694

86,991 27,554 114,546 16,973

68,966 23,019 91,986 19,707

3,662

6,231

8,645 12,307 4,666

9,032 15,264 4,443

57 185 0

0 180 0

Resultado de Exploração

4,538

4,263

Resultados Eventuais Proveitos Extraordinários Custos Extraordinários Sub-Total

0 85 0

20 95 0

Resultados Antes Impostos

4,453

4,188

Imposto sobre Rendimento

1,452

1,064

Resultados Líquidos

3,001

3,123

0

0

3,001

3,123

Proveitos Operacionais Volume de Negócios Variação da Produção Outros Proveitos Operacionais Total Proveitos Operacionais Custos Operacionais C.M.V.M.C. Outros Custos variáveis Sub-Total Margem Bruta Custos Fixos Desembolsáveis Custos Fixos não Desembolsáveis Sub-Total Resultados Operacionais Resultados Financeiros Proveitos Financeiros Custos Financeiros Sub-Total

Dividendos Resultados Retidos


Parte II 1- O Equilíbrio Financeiro

A análise do equilíbrio financeiro tem como suporte os grupos previamente definidos para o balanço funcional e tendo como base os três ciclos: de investimento, de exploração e financeiro. Contudo, iremos no conjunto dos indicadores propostos dar ênfase aos relacionados com o ciclo de exploração. De forma geral, os três grandes indicadores do equilíbrio financeiro são: * Fundo de Maneio (ou Fundo de Maneio Líquido) - FML; * Necessidades em Fundo de Maneio (ou Fundo de Maneio Necessário) - NFM; * Tesouraria (ou Tesouraria Líquida) - TRL. 1.1- Fundo de Maneio (FML) 1.1.1-FORMA DE CÁLCULO Capitais Permanentes - Activos Fixos 1.1.2-SIGNIFICADO

O Fundo de Maneio expressa o diferencial entre os recursos estáveis da empresa (exigível a mais de um ano e capitais próprios) e as aplicações duradouras (realizável a mais de um ano). Esse diferencial, sendo positivo evidencia uma margem de segurança do financiamento sobre as aplicações permanentes. Tradicionalmente considerava-se que a empresa estava numa situação financeira equilibrada se o seu fundo de maneio fosse positivo. Contudo, tal não é verdade porque o fundo de maneio positivo não constitui, hoje em dia, condição nem necessária nem suficiente para que se verifique uma situação de equilíbrio financeiro. Para que tal se verifique, torne-se necessário que o valor do FM- fundo de maneio esteja adequado às NFM - necessidades em fundo de maneio.


1.2- Necessidades em Fundo de Maneio (NFM) 1.2.1 FORMA DE CÁLCULO Necessidades Cíclicas-Recursos Cíclicos 1.2.2- SIGNIFICADO As necessidades em fundo de maneio constituem o principal indicador do ciclo de exploração. Reflecte os impactos dos aspectos normativos relacionados com o negócio (prazos médios de recebimentos e pagamentos, rotações), bem como a forma como os gestores operacionais executam as suas actividades. O valor deste indicador depende muito do tipo de negócio e da capacidade negocial e de gestão da empresa e dos seus responsáveis. No sector da distribuição ao público (particularmente grandes superfícies) este indicador é frequentemente negativo (recursos em fundo de maneio), enquanto que na indústria é bastante positivo e, por isso, indiciador da necessidade de um elevado fundo de maneio. Muita da competitividade dos negócios está relacionada com este indicador. As necessidades em fundo de maneio constituem uma das grandes determinantes (senão a principal) da política financeira da empresa. Por isso, a referência de que os principais gestores financeiros são os gestores operacionais.

1.3- Tesouraria (TRL) 1.3.1- FORMA DE CÁLCULO TRL = Fundo de Maneio - Nec. Fundo de Maneio Ou TRL =Tesouraria Activa - Tesouraria Passiva 1.3.2- SIGNIFICADO A tesouraria constitui o indicador de equilíbrio financeiro. Se o seu saldo se aproxima do zero significa que o fundo de maneio está adequado às necessidades em fundo de maneio. Sendo muito positivo, pode ser sintoma da existência de excedentes ociosos de tesouraria com impacto negativo sobre a rendibilidade. Sendo negativo, poderá representar dificuldades ou impossibilidade em cumprir os compromissos


financeiros a curto prazo. Esta situação obriga a frequentes expedientes financeiros para manter o normal funcionamento da empresa (negociação de descobertos, de apoios à caixa, de créditos sobre facturas, etc.).

1.4-Activo Económico (AE) 1.4.1- FORMA DE CÁLCULO Activo Fixo+Necessidades em Fundo de Maneio 1.4.2-SIGNIFICADO Representa o valor do investimento líquido afecto ao negócio. Constitui uma referência de grande importância para as decisões de financiamento da empresa, na medida em que no activo económico já foi deduzido o financiamento normal da actividade operacional (crédito de fornecedores e outros de exploração, v.g. Estado).Também para análise das taxas de rendibilidade operacional ou de retorno do investimento, deverá ser este o valor a ter em conta, na medida em que representa o verdadeiro investimento do negócio, (e não o valor do activo líquido, como tem sido tradicionalmente utilizado).A determinação do EVA (Economic Value Added) tem também por base o conceito de activo económico (ver outros indicadores económicos e financeiros)

2- Ciclo de Exploração O ciclo de exploração representa a quantidade necessária de dias de volume de negócios para cobrir as necessidades em fundo de maneio. Ou seja, em linguagem simplista, o nº de dias em que a empresa está a vender apenas para suprir as suas necessidades internas. Daí o esforço de gestão no sentido de reduzir ao máximo este indicador. Para efeitos de simplicidade de cálculo, determinou-se previamente o volume de negócios por dia, calculado pelo quociente entre o volume de negócios do período e o nº de dias de análise..


2.1 -Necessidades Financeiras (em dias de Volume de Negócios) 2.1.1 - FORMA DE CÁLCULO Necessidades Cíclicas Volume de Negócios diário 2.1.2 - SIGNIFICADO Este indicador indica o nº de dias necessário para que as vendas e prestações de serviços cubram as necessidades financeiras decorrentes do ciclo de exploração. Estas necessidades prendem-se com os níveis necessários de stocks, com o crédito concedido a clientes e com outras necessidades cíclicas.Por esse motivo, são determinados os indicadores para cada um dos activos mencionados, cuja interpretação é equivalente à já referida. 2.2 - Recursos Financeiros (em dias de Volume de Negócios) 2.2.1 -FORMA DE CÁLCULO

SIGNIFICADO

Recursos Cíclicos Volume de Negócios diário

2.2.2- SIGNIFICADO Este indicador indica o nº de dias de vendas e prestações de serviços cobertos pelos créditos decorrentes do ciclo de exploração. Estes recursos dependem sobretudo do crédito de fornecedores, do Estado e de outros recursos cíclicos, constituindo atenuante às necessidades financeiras referidas no indicador anterior. Por esse motivo, são determinados os indicadores para cada um dos passivos mencionados, cuja interpretação é equivalente à já referida, sendo deduzidos para efeito do cálculo do nº de dias do ciclo financeiro.


2.3- -Ciclo de Exploração (em dias de Volume de Negócios) 2.3.1 -FORMA DE CÁLCULO Necessidades em Fundo de Maneio Volume de Negócios diário Ou ( Nec. Financeiras - Rec. Financeiros) Volume de Negócios diário 2.3.2-SIGNIFICADO Como já anteriormente foi referido, este indicador informa o nº de dias de vendas e prestações de serviços necessários para cobertura das necessidades em fundo de maneio. Refira-se que, embora o seu valor dependa sobretudo dos prazos médios de recebimentos e pagamentos e da rotação de stocks (para além do volume de negócios), os valores encontrados para cada um dos indicadores mais elementares representam as respectivas durações em dias de volume de negócios e não as suas rotações (existências) ou prazos de recebimentos (clientes) ou pagamentos (fornecedores). Tal serão identificados no quadro de outros indicadores do ciclo. 2.4- Outros Indicadores do Ciclo de Exploração

Este capítulo contempla os indicadores do ciclo de exploração geralmente utilizados, não apenas para a análise financeira, mas sobretudo na gestão e acompanhamento quotidianos da função financeira. 2.4.1- CRÉDITOS Indicadores sobre os prazos médios de recebimentos e pagamentos, tendo como base os valores a receber de clientes e a pagar a fornecedores, respectivamente, na data a que reportam as demonstrações financeiras. Para maior rigor deveriam ser considerados os saldos médios das contas referidas durante o período de análise, o que obrigava ao tratamento das operações em data valor. Para efeitos desta análise, são ajustadas as receitas e as despesas com as respectivas taxas média de IVA, sem o que a análise seria distorcida.


Estes indicadores são de muita utilidade quer para a análise financeira, quer para a gestão pelo facto de serem facilmente confrontáveis com valores normativos ou padrões. 2.4.1.1 - Prazo médio de recebimentos (PMR) 2.4.1.1.1- FORMA DE CÁLCULO Clientes

x

Nº de dias da análise

Vol. de Negócios com IVA) 2.4.1.1.2 – SIGNIFICADO Para o cálculo deste indicador foi ajustado o volume de negócios (vendas e prestações de serviços) com as respectivas taxas de IVA, por forma a ser confrontável com o crédito a clientes, que já inclui o IVA. Indicador de extrema utilidade não apenas para a análise financeira, mas também para o acompanhamento e controlo do crédito concedido a clientes.

2.4.1.2 - Prazo médio de pagamentos (PMP) 2.4.1.2.1 - FORMA DE CÁLCULO Fornecedores x

Nº de dias da análise

Compras bens e serviços com IVA 2.4.1.2.2 –SIGNIFICADO Para o cálculo deste indicador foi ajustado o valor das compras (líquidas) com a respectiva taxa de IVA, por forma a ser confrontável com o crédito de fornecedores, que já inclui o IVA.No 2º indicador (PMP com FSE) adicionou-se às compras o valor dos fornecimentos e serviços externos (FSE), também ajustados com a respectiva taxa média de IVA. Indicador de extrema utilidade não apenas para a análise financeira, mas também para o acompanhamento e controlo do crédito obtido dos fornecedores.


2.4.2 - EXISTÊNCIAS Conjunto de indicadores sobre os prazos de rotação de existências (durações médias), as margens brutas de vendas e consumos e as cadências de venda ou consumo, tendo como base os valores das existências em armazém na data a que reportam as demonstrações financeiras, bem como os custos e proveitos durante o período, directamente relacionados com estes elementos patrimoniais. Para maior rigor deveriam ser considerados os saldos médios das referidas existências em armazém durante o período de análise. Para efeitos desta análise, excluiu-se qualquer incidência de IVA, na medida em que sendo dedutível, não afecta o valor do stock nem dos custos e proveitos em causa. À semelhança do referido para os prazos médios de recebimentos e pagamentos, também estes indicadores são de muita utilidade quer para a análise financeira, quer para a gestão pelo facto de serem facilmente confrontáveis com valores normativos ou padrões.

2.4.3 - Durações médias de existências (DME) 2.4.3.1 – FORMA DE CÁLCULO MERCADORIAS: (Mercadorias (Ef) Custo Merc. Vendidas) x nº dias análise MATÉRIAS PRIMAS: Matérias primas (Ef) Custo Mat. Primas x nº dias análise PRODUTOS EM CURSO: Produtos em Curso (Ef) Custo da Prod. Acabada x nº dias análise PRODUTOS ACABADOS E SEMIACABADOS: Prod. Acab. e Semiacab. (Ef) Custo Industrial Prod. Vendidos x nº dias análise


2.4.3.2 - SIGNIFICADO Estes indicadores evidenciam o montante das existências em armazém, expresso em número de dias, face aos seus consumos ou utilizações. No caso das mercadorias, o indicador dá-nos a conhecer o número de dias que as existências em armazém perfazem em relação ao custo das vendas do período em análise. Caso se mantenham estes dados, identifica o número de dias de vendas de mercadorias que podem ser assegurados com o stock de armazém. Relativamente às matérias primas o seu significado é equivalente mas em relação aos consumos do período em análise. Caso se mantenham estes dados, identifica o número de dias de consumos (produção) que podem ser assegurados com o stock de armazém. Em relação aos produtos em curso expressa o número de dias que a produção em curso perfaz em relação ao valor global da produção no período em análise. O valor da produção (CIPA – Custo industrial da produção Acabada) é obtido pela fórmula: CIPV + Ex. Final PA - Ex. Inicial PA. Por último, relativamente aos produtos acabados e semiacabados o seu significado é equivalente ao das mercadorias, mas em relação ao custo industrial dos produtos vendidos do período em análise. Caso se mantenham estes dados, identifica o número de dias de vendas de produtos que podem ser assegurados com o stock de armazém. 2.4.4 - Custos e margens (em %) 2.4.4.1 - FORMA DE CÁLCULO MARGEM BRUTA (MB) nas MERCADORIAS VENDIDAS: Custo Mercadorias Vendidas Vendas de Mercadorias INTENSIDADE CUSTO MATÉRIAS PRIMAS: Custo Matérias Primas Consumidas Custo de Produção MARGEM BRUTA (MB) PRODUTOS ACABADOS E SEMIACAB. Custo Industrial Produtos Vendidos /Vendas de Produtos


2.4.4.2 – SIGNIFICADO Estes indicadores evidenciam o seguinte: No caso das mercadorias, a margem bruta (comercial) praticada, calculada sobre o valor das vendas líquidas de mercadorias. Relativamente às matérias primas, o peso do custo das matérias primas no total do custo de produção. Desta forma, evidencia a intensidade da matéria prima no total do custo do produto e, consequentemente, o grau de dependência daquela e, em consequência, dos fornecedores. O custo de produção (CP) é calculado com base nos valores já identificados anteriormente (durações médias) e de acordo com a seguinte fórmula:·

CP = CIPA + Ex. Final P. Curso - Ex. Inicial P. Curso.

2.4.5 - Cadências (índices) 2.4.5.1 - FORMA DE CÁLCULO Nas COMPRAS de MERCADORIAS : Compras de Mercadorias Custo das Mercadorias Vendidas Nas COMPRAS de MATÉRIAS PRIMAS : Compras de Matérias Primas Custo das Mat. Primas Consumidas Da PRODUÇÃO : Custo Industrial dos Produtos. Acabados Custo Industrial dos Produtos Vendidos 2.4.5.2- SIGNIFICADO Estes indicadores evidenciam a relação entre os inputs (compras ou produções) e os outputs (consumos ou vendas). Desta forma é possível identificar se no período de análise os consumos e as vendas reduziram os níveis de stocks ou se, pelo contrário, não conseguiram o seu escoamento. Poderá, ainda, ser resultado da política de aprovisionamentos ou de produção. Se o valor do indicador for superior à unidade, significa que a empresa aumentou os seus níveis de existências em armazém. Sendo inferior a um, a conclusão é a inversa. Este indicador deve ser interpretado à luz da política de stocks definida pela


empresa. A aplicação da técnica de gestão, vulgarmente conhecida por just-in-time, leva a que o valor deste indicador em cada uma das três situações seja igual à unidade. 2.5- Outros Indicadores Económicos e financeiros Embora o utilizador tenha a faculdade de definir os seus próprios indicadores, a partir do módulo de edição de indicadores, propõe-se um quadro com um conjunto de indicadores não contemplados na análise do equilíbrio financeiro (e ciclo) e da rendibilidade (e risco) e que fazem parte da grande maioria de modelos de avaliação e análise económica e financeira das empresas. Não se pretende esgotar a produção de indicadores, mas tão somente proporcionar os de uso mais frequente e de utilidade mais visível. Introduziu-se também a determinação do EVA (Economic Value Added) que tem vindo a substituir o ROI na análise das contribuições quer de unidades, quer de segmentos da organização (mercados, clientes, negócios, centros de investimento, etc.). 2.5.1- EXCEDENTE BRUTO DE EXPLORAÇÃO: 2.5.1.1 – FÓRMULA DE CÁLCULO E SIGNIFICADO Proveitos operacionais -Custos Operacionais Desembolsáveis Estes indicador evidencia o excedente gerado pelo negócio da empresa. Representaria os meios libertos (cash-flow) se não houvesse variações de existências em armazém e se as operações se processassem a pronto pagamento (vendas e compras) ou se não se verificassem variações nos créditos e débitos de exploração. Isto é, difere dos meios libertos de exploração porque não tem em conta variação das necessidades em fundo de maneio. 2.5.1.2 - MEIOS LIBERTOS ou CASH-FLOW OPERAC. Excedente Bruto de Exploração -Variação das Necessidades Fundo Maneio Evidencia os meios líquidos (meios monetários) gerados pelo negócio da empresa. Trata-se dum indicador de natureza monetária e que representa a capacidade do negócio da empresa em gerar tesouraria


para solver os seus compromissos financeiros e investir. Por isso, constitui para o financiador um barómetro de avaliação do risco dos créditos concedidos. 2.5.1.3-CASH-FLOW OPERACIONAL / RESULTADO OPERACIONAL Confronta os meios líquidos gerados pelo negócio com o seu resultado contabilístico. Em regra, o cashflow é superior ao resultado operacional (indicador > 1) em consequência do efeito dos custos fixos não desembolsáveis. Se tal não acontecer, há que ter em atenção a gestão dos elementos cíclicos. 2.5.1.4 - AUTOFINANCIAMENTO BRUTO: Res. Líquido + Custos não desembolsáveis(Amortizações e provisões) Este indicador representa o excedente bruto da empresa, isto é, a diferença entre os seus proveitos e todos os custos desembolsáveis, independentemente de serem operacionais, financeiros ou extraordinários. O seu significado é equivalente ao referido para o excedente bruto de exploração, mas para a todo o tipo de proveitos e custos. 2.5.1.5-AUTOFINANCIAMENTO LÍQUIDO: Resultado Retido + Custos não desembolsáveis Corresponde ao autofinanciamento bruto deduzido da distribuição de resultados (dividendos, pessoal e outras caso tenha havido). 2.5.1.6 - AUTONOMIA FINANCEIRA Capitais Próprios Activo Líquido Identifica o grau de cobertura do total dos activos por capital próprio. Este indicador é de extrema importância em termos de avaliação da estrutura e risco financeiro da empresa. Nos projectos de investimento ou desenvolvimento com candidatura a apoios públicos nacionais ou comunitários (PEDIP,


PROCOM, IDL, RETEX, etc.) são exigidos valores mínimos a este indicador quer na data de início, quer na data de fecho do projecto normalmente 20 a 25%. . 2.5.1.7 – ENDIVIDAMENTO Capitais Alheios Activo Líquido Com significado inverso do imediatamente anterior. O seu valor pode também ser calculado por (1 Autonomia Financeira) 2.5.1.8 - ESTRUTURA DO ENDIVIDAMENTO Passivo de Curto Prazo Passivo de Médio de Longo Prazos Evidencia a estrutura dos capitais alheios, relacionando os valores exigíveis a curto prazo com os valores a médio e longo prazos. Um valor baixo para este indicador indicia uma estrutura financeira de menor risco, por ser reduzido o exigível a curto prazo ou por o endividamento integrar os capitais permanentes. 2.5.1.9 - LIQUIDEZ GERAL Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Este indicador está estritamente relacionado com o fundo de maneio. Sendo >1 significa que o fundo de maneio é positivo; se compreendido entre 0 e 1, então o fundo de maneio será negativo. Trata-se de um indicador clássico de análise do equilíbrio financeiro, mas que tem relevância principalmente para a análise na óptica do credor. A actual actuação de gestão financeira no sentido de reduzir ao máximo as necessidades em fundo de maneio e o nível de tesouraria conduz a uma forte pressão de redução deste indicador. Por esse motivo, um valor alto para este indicador é, em regra, sintoma de má gestão de activos.


2.5.1.10 - VALOR ACRESCENTADO BRUTO (VAB) (Proveitos Operacionais - Outros Prov.Operac.)- (CMVMC + F. S. Externos + Imp. Indirectos) Valor acrescentado da empresa na óptica da produção, segundo a terminologia do Plano Oficial de Contabilidade (POC). Evidencia os excedentes dos outputs da empresa sobre os seus inputs. Este valor acrescentado poderia também ser calculado na óptica d distribuição, ou seja, pela remuneração dos factores que contribuíram para a sua realização (pessoal, capital e imobilizados - amortizações). Ou seja VAB = RL +AMORT.+PROVISÕES+CUSTOS PESSOAL+JUROS+IRC 2.5.1.11 - VAB / Nº DE TRABALHADORES Valor Acrescentado Bruto nº de trabalhadores Vulgarmente conhecido como indicador de produtividade (do pessoal), evidencia o valor acrescentado por cada trabalhador. 2.5.1.12 - VAB / MASSA SALARIAL Valor Acrescentado Bruto Custos com o pessoal Evidencia a relação entre o VAB e os custos com o pessoal. O inverso deste indicador releva a fracção de VAB que é atribuída ao factor humano. 2.5.1.13 - EVA (ECONOMIC VALUE ADDED) Resultado Operacional -(Custo capital x Activo Económico) O EVA (equivalente à margem de contribuição residual) evidencia o resultado obtido após remunerado o investimento líquido do negócio, independentemente de ser financiado em capitais alheios ou capital próprio. Um EVA negativo significa actividade destruidora de valor, ou seja o resultado de exploração


não é suficiente para cobrir o financiamento do investimento líquido necessário. Trata-se de um conceito de origem recente que tem vindo a substituir o ROI (taxa de retorno do investimento) na avaliação de performance de segmentos da empresa (negócios, actividades, mercados, centros de responsabilidade, filiais em grupos económicos, produtos, clientes, etc.), na medida em que é o único que integra numa só unidade de medida as vertentes financeira e económica. 2.5.1.14 - PRODUTIVIDADE DO EQUIPAMENTO Valor Acrescentado Bruto Imobilizados Corpóreos e Incorpóreos Indicador equivalente à produtividade do pessoal, mas em relação ao investimento em imobilizados de exploração (corpóreos e incorpóreos). Evidencia o montante de valor acrescentado por cada unidade monetária de investimento neste tipo de activos. 2.5.1.15 - RPA (Resultado por Acção) Resultado líquido Número de acções Este indicador é apenas calculado no caso de sociedades com o capital representado por acções. Evidencia o enriquecimento bruto de cada acção decorrente dos resultados obtidos no período. Se negativo, evidencia a perda de valor de cada acção. 2.5.1.16 - Valor Contabilístico por Acção (VCA) Capitais próprios Número de acções Representa a fracção dos capitais próprios que cabe a cada uma das acções, isto é, o seu valor patrimonial. Se confrontado com o valor nominal, evidencia a valorização contabilística de cada acção; sendo-o com a cotação expressa a relação entre o valor contabilístico e o valor de mercado.


2.5.1.17 - Price Earnings Ratio (PER) Cotação da Acção Resultado por acção (RPA) Trata-se dum indicador de avaliação baseado no mercado. O seu inverso representa a rendibilidade de cada acção baseada no seu preço de mercado.

2.5.1.18 - COEFICIENTE CAPITAL EMPREGO Imobilizações Corpóreas e Incorpóreas Número de Trabalhadores Evidencia o investimento médio em imobilizados de exploração por cada trabalhador. Na prática representa a intensidade de capiatal média por cada posto de trabalho.

3-Análise da rendibilidade e risco 3.1 - Análise Integrada da Rendibilidade O conceito de rendibilidade é um dos conceitos mais importantes ao tratarmos da análise económica e financeira de uma empresa. Ao falarmos em rendibilidade estamos a falar de um valor relativo que resulta de uma relação entre um resultado ou output gerado e um recurso ou investimento que permitiu gerar esse mesmo resultado.

Rendibilidade = Resultado ou output recurso investido


Existem vários indicadores que permitem medir a rendibilidade, e importa neste caso termos presente que tipo de rendibilidade nos interessa analisar. Um dos indicadores mais utilizados para medir a rendibilidade de uma empresa é o denominado indicador da Rendibilidade dos Capitais Próprios (RCP). Este indicador é calculado da seguinte forma:

Rendibilidade dos Capitais Próprios (RCP) = Resultados Líquidos Capitais Próprios

A RCP é uma taxa que permite relacionar o nível de resultados líquidos gerados em função do montante investido pelos sócios/accionistas e pelos resultados gerados pela própria empresa. Deste modo, estamos na presença de um indicador de rendibilidade global que se destina sobretudo a entidades externas como a banca e investidores. De um ponto de vista mais específico interessa-nos poder utilizar a RCP como instrumento de análise interna, nomeadamente como indicador de gestão. Desta forma podemos proceder a uma análise integrada da rendibilidade dos capitais próprios, decompondo a sua fórmula (RL/CP) em vários sub-indicadores, permitindo-nos avaliar de forma mais precisa a influência dos principais factores que contribuem para a formação do valor final da RCP. Numa primeira abordagem verificamos que a RCP é calculada a partir dos resultados finais da empresa (Resultado Líquido Exercício na expressão contabilística). Só que importa ter presente que os Resultados Líquidos são influenciados por vários tipos de resultados ou de factores. É-nos algures familiar expressões como a empresa economicamente é viável, o problema são os encargos financeiros e por isso temos resultados negativos ou então se não fosse a mais valia na venda do imobilizado não teríamos tido lucro. Expressões como estas traduzem a influência que a componente financeira ou a componente eventual têm na formação dos Resultados Líquidos, e por esta via na determinação da taxa da RCP. A análise da rendibilidade permite-nos avaliar a performance económica e financeira da empresa, identificando de forma coerente e integradora, os grandes factores que a influenciam. O modelo que se apresenta (modelo multiplicativo, também conhecido como método DuPont), parte de avaliação da performance da empresa numa perspectiva do accionista (rendibilidade dos capitais próprios), e identifica os principais factores que a influenciam.


Assim, a rendibilidade dos capitais próprios resulta, fundamentalmente: * Da capacidade do negócio em gerar valor (rendibilidade do activo económico); * Da situação financeira e do custo do dinheiro (alavanca financeira); * Do impacto de operações eventuais ou excepcionais (efeito do resultado eventual); * Do impacto da tributação sobre os rendimentos (efeito fiscal). Como se identifica de seguida, quer a rendibilidade do activo económico, quer a alavanca financeira ainda estão dependentes de outros factores. No primeiro caso: das margens praticadas e da estrutura dos custos operacionais (fixos e variáveis) e do nível de investimentos (activo económico); no segundo caso: do custo do financiamento e do nível de endividamento.

Rendibilidade dos Capitais Próprios (RCP) FORMA DE CÁLCULO

SIGNIFICADO

Resultado Líquido Capitais Próprios Usado como indicador de rendibilidade na perspectiva dos sócios/accionistas. Permite avaliar o retorno do capital próprio, confrontando o nível de resultados gerados com o montante de capital dos accionistas/sócios. Tal como foi referido, este indicador decompõe-se em indicadores mais elementares, que a seguir se indicam, como forma de melhor quantificar os factores que o influenciam.

Rendibilidade do Activo Económico (RAE) Resultado Operacional Activo Económico Indicador que expressa a rendibilidade económica do investimento líquido. Avalia, desta forma, a capacidade do negócio gerar resultados face ao investimento que lhe está afecto (Activo Económico), independentemente da forma de financiamento. Este indicador decompõe-se nos três indicadores seguintes:


Rendibilidade Bruta do V. Negócios ou efeito dos custos variáveis (RBV) Margem Bruta Volume de Negócios Expressa a rendibilidade do volume de negócios tomando face aos seus custos variáveis. Este indicador depende da margem de comercialização praticada pela empresa e da sua estrutura de custos (variáveis ou fixos). Efeito dos Custos Fixos (ECF) Resultado Operacional Margem Bruta Indica até que ponto a margem bruta é absorvida pelos custos fixos. Um valor próximo da unidade (1), significa que os custos fixos têm um peso reduzido na estrutura de custos da empresa, o que reduz o seu risco económico (o ponto crítico é baixo). Se o indicador for negativo (sendo MB>0) significa que a margem bruta é insuficiente para cobrir os custos de estrutura (fixos). Rotação do Activo Económico (TAE) Volume de Negócios Activo Económico Este indicador quantifica a relação entre o volume de negócios e o investimento líquido (medido pelo Activo Económico). Indica o nº de vezes que este último foi vendido durante o período de análise.

Alavanca financeira (AF) Efeito do Resultado Financeiro x Estrutura financeira


Avalia o impacto do factor financeiro na RCP. Este impacto depende sobretudo da relação entre a RAE e a taxa média dos custo do endividamento e da estrutura financeira. Por isso, para melhor se avaliar este indicador torna-se necessário decompo -lo nos dois indicadores seguintes. Efeito do Resultado Financeiro (ERF) Resultado de Exploração Resultado Operacional Este indicador quantifica a relação entre o resultado após e antes do resultado financeiro. A sua interpretação varia muito de acordo com os valores de cada uma das grandezas. Assim: Se o resultado operacional for positivo quanto mais se aproximar da unidade (1), menor é o impacto do resultado financeiro; Um valor próximo do zero significa encargos financeiros absorvem a quase totalidade do resultado operacional;* Um valor superior à unidade representa resultado financeiro positivo (proveitos financeiros superiores aos custos financeiros); Um valor negativo significa que os resultados operacionais são insuficientes para cobrir os encargos financeiros (o negócio não gera resultados suficientes para cobrir os custos da sua estrutura financeira. Se o resultado operacional for negativo este indicador deve ser analisado com muito cuidado, pois o agravamento de custos financeiros conduz a valores positivos, o que distorce o seu significado. Neste caso, a fórmula de cálculo foi adaptada, utilizando-se no numerador RERO (acréscimo) em vez de RE.

Estrutura Financeira (EF) Activo Económico Capitais Próprios Indicador que evidencia a estrutura de financiamento do activo económico. O seu valor é, em regra, superior a 1 o que reflecte financiamento em capital alheio, o qual será tanto maior quanto mais elevado for este indicador. Se o custo de capital alheio for inferior à rendibilidade do activo económico, um valor elevado deste indicador provocará um acréscimo de rendibilidade dos capitais próprios. Caso contrário,


deverá reduzir-se o valor deste indicador. Por isso, a conjugação deste indicador com o imediatamente anterior provoca o que vulgarmente se designa por alavanca financeira.

Efeito do Resultado Eventual (ERE) Resultado Antes de Impostos Resultado de Exploração Além dos factores económico e financeiro, também os ganhos e perdas ocasionais (eventuais ou extraordinários) influenciam o nível da rendibilidade dos capitais próprios. Este indicador expressa a relação entre o resultado após e antes do Resultado Eventual. A sua interpretação é equivalente para a apresentada no efeito dos resultados financeiros, com as respectiva adaptações de terminologia, pelo que remetemos o leitor para a sua leitura.

Efeito Fiscal (ET) Resultado Líquido _____ Resultado Antes de Impostos Permite avaliar o nível de incidência fiscal sobre o resultado e, consequentemente, sobre a rendibilidade do accionista. Quanto mais este indicador se aproximar da unidade (1) - caso o RAI seja positivo - menor será o peso da tributação sobre o rendimento. Se o valor deste indicador for negativo (sendo o RAI positivo), significa que o resultado antes de impostos não é suficiente para cobrir o montante da tributação. Sendo o RAI negativo, este indicador deverá ser interpretado com muitas reservas (vide comentários a indicadores anteriores).

3.2 - Rendibilidade e Risco Neste quadro apresenta-se um conjunto de indicadores complementares à análise da rendibilidade da empresa e relacionados com duas categorias de risco: económico e financeiro.


3.2.1 - Risco Económico O risco económico relaciona-se directamente com o nível de actividade operacional da empresa e da correspondente estrutura de custos. Em linhas muito gerais, pode dizer-se que o risco económico depende fundamentalmente do volume de negócios da empresa e do nível dos seus custos fixos. Os principais indicadores deste tipo de risco são os seguintes.

3.2.1.1 - Grau de Alavanca Operacional (GAO) Margem Bruta Resultado Operacional Ao relacionar a proporção entre a Margem Bruta e os Resultados Operacionais, este indicador coloca em evidência o peso dos Custos Fixos na estrutura dos custos operacionais da empresa. Quanto maior for este indicador maior é o risco da empresa, pois significa que grande parte da Margem Bruta é absorvida por custos fixos. Este indicador serve ainda para simular o impacto das variações do Volume de Negócios sobre os Resultados Operacionais. Por exemplo, se o GAO for 5, uma variação de 10% no Volume de Negócios irá corresponder a uma variação de 50 % nos Resultados Operacionais (desde que a estrutura de custos se mantenha inalterada).

3.2.1.2 - Ponto Crítico Custos Fixos 1-(Custos Variáveis/Vol. Negócios)} Também designado por ponto morto ou break-even point, o valor deste indicador reflecte o nível de actividade necessária (traduzida em Volume de Negócios) para que os Resultados Operacionais seja nulos. Isto é, representa o volume de negócios mínimo que é necessário para cobrir os operacionais.

custos


3.2.1.3 - Margem de Segurança Volume de Negócios actual

-1

Volume de Negócios ponto crítico Mede a margem percentual que separa o actual Volume de Negócios do correspondente ao Ponto Crítico. Quanto maior for a Margem de Segurança menor será o risco económico, porquanto a empresa poderá resistir com maior facilidade a recessões do mercado.

3.2.2 - Risco Financeiro O risco financeiro relaciona-se directamente com o nível e tipo de endividamento da empresa e dos respectivos custos financeiros. De forma genérica, pode dizer-se que o risco financeiro depende fundamentalmente da estrutura financeira (relação entre capitais próprios e alheios) e da relação entre a rendibilidade do seu negócio (RAE) e do custo do financiamento. Os principais indicadores deste tipo de risco são os seguintes. 3.2.2.1 - Grau de Alavanca Financeiro (GAF) Resultado Operacional Resultado de Exploração Avalia a capacidade do negócio da empresa em fazer face aos compromissos com encargos financeiros. Quanto maior for este indicador maior é o risco financeiro, porque significa que o resultado operacional foi em grande parte absorvido pelos custos financeiros. Se o resultado operacional for positivo e este indicador negativo, significa que os custos financeiros excedem o valor do resultado operacional. À semelhança do Grau de Alavanca Operacional, o GAF pode indicar a alteração percentual nos Resultados de Exploração em função de alterações percentuais nos Resultados Operacionais. Por exemplo se o GAF for 2, a uma variação de 3% nos Resultados Operacionais corresponderá um a variação de 6% nos Resultados de Exploração.


3.2.2.2 - Solvabilidade Capital Próprio Passivo Avalia a capacidade da empresa para fazer face aos seus compromissos com terceiros. Nesta comparação entre os capitais próprios e alheios obtêm-se indicações sobre o risco que os credores correm em relação a decisões de concessão de crédito à empresa.

3.2.2.3 - Estrutura Financeira Passivo Capital Próprio Este indicador é o inverso da Solvabilidade, pelo que a sua interpretação é equivalente. Trata-se de indicadores com uma perspectiva de médio e longo prazos, na medida em que evidenciam a estrutura de financiamento entre capitais próprios e alheios.

3.2.2.4 - Rendibilidade Económica do Activo Resultados Operacionais Activo Líquido Nível de resultados operacionais obtidos em função da totalidade dos capitais investidos na empresa (Activo = Capital Próprio + Capital Alheio). É um indicador de rendibilidade económica, expressando a relação entre o resultado gerado pelo negócio e a totalidade do investimento da empresa, independentemente da forma de financiamento.


3.2.2.5 - Rendibilidade do Activo Resultados Líquidos Activo Líquido Total Indicador de rendibilidade líquida, uma vez que relaciona o nível de resultados líquidos da empresa em função do montante total investido.

3.2.2.6 - Custo médio do capital CMC= (CMCA +COCP) Capital Próprio + Passivo CMC-Custo Médio do Capital CMCA - Custo médio dos capitais alheios COCP - Custo oportunidade dos Capitais Próprios

Esta percentagem, indica a taxa média do custo do financiamento da empresa. Esta taxa resulta da média ponderada do custo de oportunidade dos capitais próprios, ou seja, a remuneração do capital que os sócios/accionistas da empresa obteriam num negócio de rendibilidade e risco equivalentes, com o custo médio do capital alheio, ou seja a taxa média de juro (estas taxas são indicadas pelo utilizador no menu de informações adicionais).

3.2.2.7 - Efeito de alavanca financeira Estrutura financeira x (Rendibilidade Económica do Activo - Custo Médio do Capital) Este efeito permite avaliar o impacto na rendibilidade dos capitais próprios provocado pelo recurso a capitais alheios. Para interpretar este indicador deve comparar-se a rendibilidade económica do activo com o custo médio do capital. Se a primeira for superior a esta última, significa que, quanto maior for o


recurso a capital alheio, ou seja, quanto mais pesar o passivo na estrutura financeira, maior será o efeito incremental na rendibilidade dos capitais próprios. Constituindo um indicador de rendibilidade, as suas conclusões deverão ser devidamente conjugadas com os restantes indicadores de risco financeiro.

3.2.2.8 - Risco Económico e Risco Financeiro Grau Combinado da Alavanca (GCA) Grau de Alavanca Operacional x Grau de Alavanca Financeira Indicador de risco global que conjuga as vertentes operacional e financeira. O Grau Combinado de Alavanca também pode ser calculado pelo quociente Margem Bruta / Resultados de Exploração. Quantifica o peso dos custos fixos operacionais e dos custos financeiros e, por conseguinte, o impacto das variações no volume de negócios sobre os resultados de exploração. Este impacto deve ser lido com algumas reservas na medida em que, se os custos fixos operacionais se podem considerar um pouco independentes do volume de negócios, idêntica relação já não é possível estabelecer em relação aos resultados financeiros.

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