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Auto do 8ยบ A

Edmilson Joaquim Curado Ribeiro


ACTO 1 Sala de aulas, com cerca de dez mesas. CENA 1 Personagens: Carlos, Bucha, Isabel, Professora, João e Pedro. Carlos – Bucha, Bucha, acorda que estamos nas aulas! Bucha – Não me chateies que estou a ter um sonho lindo. Carlos – (aparte) Nem quero imaginar sobre o que é… Isabel – (insistindo) Chama-o outra vez, antes que a professora dê conta dele! Carlos – Mas ele dorme que nem uma pedra e eu não consigo encontrar forma de o acordar. Isabel – Então, nesse caso, teremos que utilizar artilharia pesada, ou seja, invocar a sua deusa, a comida. Carlos – Já percebi o esquema (num tom de voz elevado). Vou deitar este bolo fora, já que está todo espalmado. Não tem um bom aspecto. É pena, pois foi a minha mãe que o fez ontem. Paciência! Bucha – (sobressaltado) É que nem penses (agarrando no bolo). Este bolo é como uma folha de papel que dá para reutilizar e reciclar depois. Mas, neste caso, dá para tapar o buraco que tenho na barriga. Professora – Menino Luís e companhia, o que é que se passa aí nesse canto? Quero saber o motivo desse comportamento? Isabel – Não é nada, senhora professora, o Bucha, quer dizer o Luís, estava a explicar-nos uma coisa. Professora – E posso saber o que é? Carlos – (interrompendo) Era sobre a reciclagem. Professora – Óptima ideia e espero que saibam muito, pois é do que vamos falar. E como vocês sabem, vão ter de responder a muitas perguntas. Bucha – Mas, ó professora, foi por mero acaso que falámos de tal. Professora – Não há mais, nem meio mas, já disse! Carlos – (aparte) Ai que vida, mas o pior está para vir.


Professora – Luís, quais são as três palavras que costumamos utilizar neste assunto? Bucha – Essa é fácil, as três palavras são: preparar, cozinhar e, claro, comer. João – És mesmo “vurro” com todas as letras. Isabel – E tu sabes por acaso, ó chico-esperto? Professora – Meninos, olhem a educação e o respeito pelos colegas. João – Sei, mas não digo nada, porque a professora não deixa, são vocês sempre a responder. Professora – Nesse caso podes dizer. João – Claro professora, as palavras são: reduzir, reutilizar, repensar e reaproveitar. Professora – Muito bem. Agora esta pergunta também é para ti. Para que serve o meio ambiente? João – Para enfeitar a paisagem. Bucha – (aparte) E o burro sou eu? (abanando a cabeça) En, en, en, en, en. Pedro – Professora, está na hora! Carlos – Era o que eu dizia, isto hoje está a correr-me mesmo mal. Ainda por cima vamos ter dança. O nosso grupo ensaiou bem. Espero que não nos enganemos Professora – Podem sair. ACTO 2 Sala de dança, um rádio, duas colunas e uma mesa. CENA 1 Personagens: Carlos, Professora (de dança), Ana, Ricardo, Bucha, João, Isabel, Pedro e outros colegas da turma. Professora – Bom dia, meninos. Todos – (em coro) Bom dia, senhora professora. Carlos – (aparte) Querem ver, querem ver, lá vem o pior! Professora – Ora muito bem, vamos lá ver quem fez as suas coreografias. Ana – Eu e o meu grupo ensaiámos muito, professora.


Professora – Aplicada como sempre. Não é, Ana? Isabel – (aparte) O que ela é, é uma graxista. Ainda bem que não é do meu grupo, é que não me dou mesmo com ela. Carlos – (dirigindo-se para o seu grupo) Ensaiaram a nossa dança? Bucha – (acalmando-o) Amigo, não te preocupes que a dança é tão fácil como fazer uma sandes. Carlos – Espero bem que sim, espero bem que sim. Professora – Começa o grupo da Ana. Que estilos vão dançar? Ana – Não temos bem a certeza, mas a coreografia mereceu a opinião de todos nós. Isabel – (aparte) Olha que bom para ti. Ir a MTV ver videoclips e fazer os downloads deles na net, isso também eu fazia, não? Ana – Ei, Ricardo, põe música. Ricardo – Tenho cara de ser pai de alguém? Ana – Tens mais cara de ser avô, mas como queiras! Ricardo – Tás a gozar comigo? Professora – Vá meninos, comportem-se. E tu, Ricardo, com esse comportamento não consegues arranjar nenhuma namorada. Ana – Mas quem seria burra ao ponto de namorar com esta personagem?! Ricardo – Olha! Há quem goste e não se queixe, mas, ao contrário de ti, o cão é que vai atrás das cadelas. Professora – Basta! Meninos, chega. Peçam desculpa uns aos outros ou levam falta de comportamento. Ana – Eu não peço desculpa, pois foi ele quem começou. Ricardo – Eu também não. Professora – Chega, quero os vossos números!? O resto da turma – Peçam lá desculpa que queremos continuar a nossa aula. Ricardo – Desculpa a minha má educação, Ana. Ana – Aceito as tuas desculpas, e queria também que me desculpasses, Ricardo. João – Custou alguma coisa? Professora – Está tudo esclarecido, continuemos.


Isabel – Carlos, Bucha, Catarina, Joana, juntem-se aqui que somos a seguir. Professora – Próximo grupo, o que vão dançar? Carlos – É uma mistura de vários estilos de dança. Professora – Então, comecem! Alguns minutos depois da dança acabar: CENA 2 Personagens: Carlos, Professora, Todos e Funcionária. Funcionária – Senhora Drª Carolina, trago aqui um recado para ler à turma. Professora – (com o recado na mão) É hoje!? Pensei que fosse só para a semana. Carlos – O que é, senhora professora? Professora – Temos de ir limpar a escola, é a vez desta turma. Nunca foram, pois não? Todos – Não, e nem sabíamos de tal. Professora – Então, vão-se preparar, que eu estarei lá fora à vossa espera, mas despachem-se! Saem todos da sala aos poucos.

ACTO 3 Pátio da escola cheio de lixo.

CENA 1


Personagens: Professora e a Turma toda. Todos – Senhora professora, onde vamos buscar os materiais de higiene e segurança? Professora – Vão ter com a funcionária que ela dar-vos-á luvas, pás, vassouras e sacos de lixo. Ana – Ih! Que nojo, apanhar lixo. Isabel – Vejam a menina de porcelana que vai estragar as suas unhazinhas bem arranjadinhas. Ana – Tás a gozar, mas olha que é bem capaz. Professora – Já que não queres apanhar lixo, então podes lavar as casas-de-banho. Ana – Ih, Ih!... Ricardo – Ai rapariga, estamos feitos contigo, nem digas que és da minha turma. Professora – Vá, meninos, já chega. Vamos! Façam grupos de quatro. Os que trouxerem o saco mais cheio ganharão um prémio, mas não quero que façam batota, percebido? Bucha – (cansado de fome) Mas, ó stora, estou cansado. Carlos – Hei, Bucha, recompõe-te. Bucha – Tou cheio de fome, não tens nada que se coma? Carlos – Aguenta-te que isto acaba depressa. Isabel – O que se passa com vocês? Carlos – Ele está com fome. Isabel – Que novidade… acabaste de devorar três sandes mistas, um croissant com manteiga e duas lancheiras. Bucha – (desolado) Mas isso foi para aí há vinte minutos. João – (interrompendo a conversa) Não se importam que faça parte do “bosso” grupo. É que os outros estão feitos e só resto eu. Carlos – (aparte) E porque será? Isabel – Caso estejas calado… mas é para trabalhares e não para estares na sombra da bananeira! João – Não te preocupes, “Isavelinha”. Isabel – Mau, agora deu-te para seres simpático ou então é só graxa!


Carlos – (interrompendo a conversa) Vá lá pessoal, animem-se, que vamos começar. Prontos? Vamos! Depois de já terem os sacos cheios

Professora – Bem, depois de ter avaliado o vosso empenho, declaro o grupo da Isabel vencedor. Ana – O quê??? Mas, mas, como é possível eu ter perdido com uma Maria rapaz, uma baleia, uma santinha que até enerva e que tem a mania que é boa. João – Ei, um momento, tu não gozas com o meu grupo, tás a “oubir”, e outra coisa: não gozes comigo que um dia a amiga da minha irmã mais “belha” disse que eu era um “vom” rapaz e olha que ela não era pouco “voa”. Isabel – (aparte) Ai que vergonha, este rapaz é mesmo ignorante. Ana – Tu nem falar sabes, trocas os bês pelos vês e os vês pelos bês. E queres ter tu uma namorada! João – “Vem” desde que não sejas tu, até a “Isavel” é melhor que tu e olha que é bem gira. Isabel – O que é que queres dizer com isso? João – Nada, nada… “estaba” só a fazer um elogio. Isabel – Espero bem que seja só isso. Professora – Chega, venham pôr os sacos nos contentores para depois irem embora. Aprendam a comportar-se!

Acto IV Sala de Visual, com as mesas coladas umas nas outras. Cena I Personagens: Bucha, Carlos, Ana, Professora, Ricardo e João.


Bucha – Que seca, Visual… acho que perdi a fome! Carlos – (aparte) É de admirar. Anima-te que a aula passará num instante, olha… canta para aí. Bucha – (pensando com as mãos na cabeça) Já sei o que vou fazer, vou cantar. Carlos – (aparte) Porquê que lhe dei ideias?! Ele nem sequer sabe cantar. Bucha – (cantando) Serás para sempre o meu amor, tenhas ou não recheio. Tarte, ou torta. O amendoim é bom para mim e p`ra ti. Ana – Não sabia que o Manel Carapiço vinha à nossa pequena terra. Professora – Então, senhor Luís, está a armar-se em quem, desta vez? Bucha – Eu não me estou armar em nada nem em ninguém. Sabe porquê, senhora professora? Porque sou um artista. Professora – Que rico artista me saíste, ao menos já fizeste o teu trabalho? Bucha – Eu não fiz, nem vou fazer, porque como sou um artista, não vou fazer nada para não gastar o meu talento. Professora – Então, o nosso artista não se importa se eu lhe marcar uma faltinha de comportamento e o mandar ir dar uma voltinha até à biblioteca com uma tarefa, pois não? Bucha – O que é que era para fazer, senhora professora? É que esqueço-me com a fome. Carlos – (aparte) Então não lhe tinha passado a fome por causa de Visual? Professora – Assim está melhor, agora toca a trabalhar, que no fim quero ver. Bucha – Sim, senhora professora. Ricardo – (irónico) Então artista, o tiro saiu-te pela culatra, não foi? João – Deixa estar o “Vucha” em paz que ele não te fez nada.


Ricardo – Estás armado em bonzinho ou é só graxa para andares com eles? João – Eu não estou armado em nada, porque não tenho armas. Ricardo – Deixa-me ir embora, antes que me torne um ignorante como tu. João – Retira já o que disseste. Ricardo – Ignorante. João – Tu não me “proboques”, porque senão… Ricardo – Senão o quê? Fazes queixa à professora? Tem mas é juízo que já és grandinho. CENA 2 Personagens: Paulo, Professora, Bucha, Ana, Isabel, João, Pedro e Ricardo. Paulo – Chetóra, chetóra, olhe, que fich, não echtá muito giro? Professora – De facto, vamos lá mostrar aos teus colegas a tua obra de arte. Paulo – Meninoch, olhem a profechora. Professora – Obrigado, Paulo. Olhem o trabalho do vosso colega, ele realçou-o muito bem, não? Bucha – Que giro! Mas de artista… não tem nada. Professora – Então! Deixa ver o teu. Bucha – Tá melhor que esse, vê-se logo que sou um artista. Professora – (com o trabalho na mão) Que rico artista que me saíste, isto está uma aldrabice. Paulo – Poich, poich artichta, uma ova é que é. Bucha – Está melhor que o teu, por isso cala-te. Paulo – Echtá, echtá é uma vergonha é o que echtá, aliach pareche a tua cara. Bucha – Ó rapaz, a minha cara é muito linda e sabes porquê? (cantando) Porque Sou artista e vou ser famoso. Paulo – Querech dizer, felhoso. Bucha – (cantando) Não interessa, eu vou deixar de ser felhoso, vou passar a ser famoso e é claro comer um cremoso.


Ana – (aparte) Coitada de mim, ainda bem que esta é a ultima aula do dia. Isabel – (gritando) Hei, Bucha, (com carinho) menos, tá bem? Bucha – (aborrecido) Vocês não percebem mesmo nada de arte. João – (aparte) Se isso é arte “bou ali e bolto”. Pedro – Professora, faltam cinco minutos. Ricardo – Cala-te lá com as horas, estou farto de te ouvir. Pedro – Não irrites, pois esta é a minha função. Foi a directora de turma que ma deu. Ricardo – Que bom para ti… Toca a campainha de saída Professora – Meninos, comecem a arrumar, mas para a semana quero ver o que vocês fizeram. Bucha – (aparte) Nem sei se chego para a semana… Todos – Até amanhã, senhora professora. Professora – Até amanhã, meninos. Sejam amigos e respeitadores. Não se esqueçam de respeitar o ambiente. E tu, João, não troques os “b”pelo “v”e vice-versa. João- Sim, professora, vou ler muito. Quero melhorar!

Auto do 8ºA  

Escola EB2,3/S de Oliveira de Frades