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Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo volta a ser disputado em 2012 Sem acontecer desde 2008, o prêmio volta com o valor de 1,5 milhão que será dividido para produção de um longa e três curtas. Por Aline Przybysewski, Etiene Mandello e Rosane Cadena

Os produtores de cinema do Paraná têm mais um motivo para comemorar nesse ano: o Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo, que foi esquecido por algum tempo no calendário cultural do Paraná, abre suas inscrições novamente. Instituído por meio da Lei n.º 14.279, o valor total soma 1,540 milhão para a produção de quatro filmes, sendo um longa metragem e três telefilmes. Entre as modalidades, podem concorrer: ficção, documentário, animação e também temática livre. O objetivo da criação do prêmio é fomentar o desenvolvimento audiovisual no Paraná, aumentando a produção e fornecendo recursos para os realizadores criarem obras de valor artístico competitivas no circuito comercial, explica Fernando Severo, cineasta e diretor do Museu de Imagem e do Som do Paraná. Ele conta também, que o valor recebido pelo ganhador só pode ser usado para produção do filme, a divulgação será um custo à parte. As questões mais discutidas acerca do prêmio são o fato do valor ser insuficiente para produção e que estabelece o montante e não prevê o reajuste desde de sua criação no ano de 2004, e também porque aconteceu somente três vezes em um período de oito anos. Segundo a Secretaria da Cultura, em 2011 o orçamento precisou ser alterado por conta das enchentes no litoral do estado. Já nos anos anteriores a gestão era diferente da atual. A correção do valor só poderá ser feita com alteração na

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Imagens de divulgação do documentário ‘Made in Ucrania - Os Ucranianos no Paraná’, dirigido por Guto Pasko.

lei, que estabelece o montante, mas não prevê a correção. As inscrições estão abertas desde o dia 16 de agosto e seguem até 05 de outubro de 2012 e, para concorrer ao prêmio, os projetos propostos devem, obrigatoriamente, ser inéditos, além de atender aos seguintes requisitos: ter registro na Ancine (Agência Nacional de Cinema), a produtora deve estar sediada no Paraná há no mínimo dois anos, o elenco do filme deve ser composto por pelo menos 70% de atores paranaenses e, por fim, o diretor e mais três componentes da equipe devem residir no Paraná. Eloi Pires Ferreira, diretor do último longa premiado, “Curitiba Zero Grau”, explica que no caso da periodicidade das edições e seus valores, “o próprio estado não está respeitando a legislação”. Para o cineasta as lacunas deixadas durante os anos que não houveram edições, prejudi-


caram a cena cinematográfica paranaense, pois diversas obras não puderam ser produzidas. Eloi destaca que além de termos mais filmes no Paraná, quem trabalha na área estaria praticando, aprendendo mais, assim como o setor estaria gerando mais empregos e movimentando a economia. “O cinema é algo caro de se fazer, mas consolida a cultura e tem a característica de ser uma atividade estratégica, inclusive economicamente”, salienta. A respeito dos valores, ele afirma que estão baixos para produção. “Estes valores são os mesmos desde que o Prêmio foi criado, em 2004. Deveria existir um indexador, que reajustasse o valor a cada ano. Gastamos cerca de 1,3 milhão com a finalização do filme, eu e os outros produtores, acabamos tendo que utilizar dinheiro próprio”, ressalta Eloi. Porém, apesar dos problemas, Ferreira lembra que essa foi uma importante conquista, à qual quem trabalha na área cinematográfica já batalhava há anos. “Temos que agradecer pelo fato do Prêmio existir, pois mesmo que o valor não tenha sido reajustado ainda, é relativamente alto”, destaca. Segundo o diretor, os recursos oferecidos até o momento viabilizaram a produção de três longas-metragens e de nove telefilmes. Outro ponto destacado por ele é que, sem o financia-

Imagens de divulgação dos filmes premiados: ‘Curitiba Zero Grau’, de Eloi Pires, ‘Corpos Celestes’, de Fernando Severo e Marcos Jorge, e ‘Caminho da Escola Paraná’, de Heloísa Passos.

mento que seu projeto conquistou, o filme Curitiba Zero Grau não existiria. “Logicamente eu não iria desistir, mas seria muito difícil conseguir produzí-lo”, afirma o cineasta. Em relação ao resultado do filme, Eloi conta que a resposta está sendo muito positiva e que o longa–metragem conseguiu conquistar a empatia do público. “Acredito que tenhamos acertado, pois o retorno está sendo ótimo”. O diretor ainda conta que, com o valor oferecido pelo Prêmio, hoje seria impossível realizar uma produção com o porte da sua. “Se considerarmos valores de um filme como esse, orçado

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nos padrões do eixo Rio - São Paulo ficaria entre dois ou três milhões de reais”, acrescenta. Segundo o diretor, uma série de imprevistos acaba deixando o filme mais caro. Além disso, à medida que o tempo vai passando, pela lógica da economia, os preços de diversos produtos e outros fatores, como mão de obra e materiais de produção, acabam aumentando. Os interessados em concorrer ao prêmio devem conferir todas as informações no site da Secretaria da Cultura (www.cultura. pr.gov.br) e acompanhar o processo. Após fazer a inscrição cumprindo as regras estabelecidas pelo Edital, é necessário aguardar o julgamento dos projetos que é feito da seguinte maneira: inicialmente eles passam por uma comissão de credenciamento, que analisa se estão de acordo com essas regras. Feito isso, os projetos habilitados são encaminhados para uma comissão de avaliação que é composta por três membros, indicados pelas entidades de classe e pela Secretaria de Estado da Cultura, explica Fernando Severo, diretor do Museu de Imagem e Som e porta voz da

edição desse ano. PROJETOS JÁ CONTEMPLADOS Na primeira edição, em 2004, foram selecionados o longa “Corpos Celestes”, de Fernando Severo e Marcos Jorge, e os curtas “Caminho da Escola”, de Heloisa Passos, “Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná”, de Guto Pasko, e “O Coro”, de Werner Schumann. Na segunda edição, em 2005, “Mistéryos”, longa dirigido por Beto Carminatti e Pedro Merege Filho, e os telefilmes “Belarmino e Gabriela”, de Geraldo Pioli,“Guerra Dentro da Gente”, de Paulo Munhoz, e “Amadores do Futebol”, de Eduardo Baggio. Em 2008, na terceira edição do Prêmio Estadual de Cinema, os três telefilmes classificados foram “Deserto D’Água”, documentário de Heloisa Passos, “Geada Negra”, documentário de Adriano Luís Andrade Justino, e “Gol a Gol”, ficção de Adriano Esturilho e Fábio Allon. Além destes, foi contemplado o longa-metragem “Curitiba Zero Grau”, com direção de Eloi Pires Ferreira, que estreou nos cinemas em agosto de 2012.

Sthefany Brito no filme ‘Mistéryos’, de Beto Carminatti e Pedro Merege Filho

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Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo volta a ser disputado em 2012