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Jornal do Colégio SEGUNDA QUINZENA DE MAIO DE 2014 – NÚMERO 572

ENTREVISTA

“Obtenha o máximo de informações e não fique só na Internet.” (em caso de dúvida sobre a carreira) Celina Yukari Morimoto entrou direto na escola de Veterinária da USP em 2010. Este ano – o último do curso – ainda deve ir para o Canadá, para a Universidade de Saskatchewan. Depois de formada, pretende fazer Residência e pós-graduação em Oncologia. Aqui ela apresenta um retrato do curso e das possibilidades de atuação profissional.

Celina Yukari Morimoto

JC – Como se deu sua escolha por Medicina Veterinária?

Na USP, você se adaptou bem?

Celina – Eu sempre gostei de animais. Todo mundo que faz Veterinária fala isso porque primeiramente tem de se ter paixão pelos animais. No 3º ano, durante a orientação profissional do Etapa, conheci a grade curricular e todas as matérias que tinha na faculdade. Cada vez mais fui gostando e vi que realmente queria Veterinária. Decidi que era isso mesmo.

Para se adaptar, o importante é ter a cabeça aberta para conhecer novas pessoas, novos lugares. Desde o 1º ano eu conheci muita gente, muitos veteranos. É uma vantagem conhecer gente mais experiente, porque você recebe muitas dicas para o mercado de trabalho, estágios, aulas, até provas.

Como veio estudar no Etapa?

Sim.

Minha mãe fez cursinho aqui há muito tempo. Eu estudava em um colégio razoavelmente bom, mas queria melhores condições para conseguir entrar direto na faculdade. Fiquei três anos aqui e me empenhei para estudar muito. Eu procurava sempre ter notas boas também para mostrar que o esforço que meus pais fizeram para eu estudar aqui valeu a pena. Isso foi muito bom e entrei direto na faculdade.

O que você teve de matérias em cada ano?

Mais perto do vestibular, no 3º ano, seu estudo mudou, se intensificou? Não. Eu sempre me esforçava bastante e levei o colégio muito a sério desde o começo. O colégio era difícil, puxado, mas acho que me ensinou a estudar. Aprendi a estudar e isso fez parte da minha faculdade também. Estudar acaba se tornando uma rotina. ENTREVISTA

Carreira – Veterinária

Basicamente, no 1º e no 2º ano, até o terceiro semestre, é o ciclo básico. A gente tem aulas na Biologia, em Ciências Biomédicas, na Química, menos na Veterinária. São as aulas mais básicas, Fisiologia, Biologia Celular, Bioquímica. Tem Anatomia, mas muita coisa teórica. Quem entra acha que vai chegar lá e começar dissecação, não é assim. No quarto semestre a gente tem aulas em Pirassununga, de produção animal, bovinocultura, suínos, aves, essa parte de criação para alimentos.

Os alunos de Veterinária ficam um semestre em Pirassununga? Em alojamento? Os alunos de São Paulo têm direito a alojamento estudantil dentro do campus. O campus é uma fazenda e bem maior que

SOBRE AS PALAVRAS

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Ficar a ver navios

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ARTIGO Produtos naturais auxiliam no tratamento de doenças inflamatórias intestinais

CONTO

In extremis – Artur Azevedo

O curso é em período integral?

POIS É, POESIA

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Cruz e Souza

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ESPECIAL

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Excursões culturais

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ENTRE PARÊNTESIS

No metrô

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ENTREVISTA

o de São Paulo. É maior na extensão, mas de construção é menor, tem muito pasto. É um campus muito bonito.

Como são as aulas em Pirassununga? As aulas são nos horários normais, como em São Paulo. Apesar de gostar de pequenos animais, fiz estágios na criação de bovinos de leite e na criação de suínos, aves e bubalinos, que são búfalos. Infelizmente, a criação de búfalos acabou porque teve um caso de tuberculose e eles tiveram de ser sacrificados. Eu escolhi fazer cada mês uma criação. Como veterinária, é importante ter uma opinião de todas as áreas. Já que eu estava lá, queria conhecer. Fui bastante também para a área de aves comerciais – galinha e frango.

O que você fazia nesses estágios? Lá é um campo experimental, tem vários experimentos de nutrição animal. Eu ajudava a fazer manejo, desde pesar ração até fazer exames nos animais, exame geral do lote. Fiz também estágio no abatedouro para conhecer as condições. Durante a graduação a gente visita outros abatedouros. Quis ter essa visão da Veterinária.

Do quinto semestre em diante, no 3º ano, como se desenvolve o curso? Em abril começa o quinto semestre em São Paulo. Nele as aulas são somente na Veterinária, mas tem um mês em que voltamos para Pirassununga. Para ter a parte de Economia Rural, Sociologia e Agrostologia, que é o estudo de gramíneas, capim que serve para alimentação de animal.

No quinto semestre é que começa a preparação especializada? Isso. Começa realmente a Veterinária, com matérias mais específicas: Patologia Animal, Patologia Geral e Farmacologia Veterinária. No sexto semestre, o curso vai cada vez mais se especializando, com áreas mais específicas. Clínica e Semiologia, que é uma matéria introdutória à clínica, aprende-se a fazer exame geral.

E no 4º ano?

a área e procurei estágios. Fiz um estágio em janeiro de 2013, estava começando o 4º ano. Fiquei um mês numa clínica particular que atende somente casos de câncer em cães e gatos. Descobri que é uma área muito interessante. Este ano, em janeiro e fevereiro, fiz estágio em outra clínica que só atende oncologia. Não tem nada relacionado com a faculdade. Fui por conta própria. E, no segundo semestre, de setembro a dezembro, vou fazer intercâmbio na Universidade de Saskatchewan, no Canadá, que abre espaço para estrangeiros acompanharem um projeto científico lá. Escolhi um projeto com oncologia também. Trabalhar com radioterapia em pequenos animais.

Teve processo seletivo? Eles pedem o currículo, as notas que você tem e um certificado de proficiência em inglês. Prestei o TOEFL e já tinha o certificado de Cambridge.

Precisa também de carta de recomendação? Sim, precisa de uma carta de recomendação de professor da USP. No geral, foi tranquilo o processo. O programa é de quatro meses.

O intercâmbio será no décimo semestre do curso, reservado para o estágio obrigatório. Você poderá fazer esse estágio no primeiro semestre do ano que vem? Isso está para ser discutido ainda. Não é certeza que eles vão abrir o estágio obrigatório para mim. Então, já pensei em fazer outro projeto científico. No 4º ano eu fiz Iniciação Científica.

Qual foi o tema de seu projeto na Iniciação Científica? Foi “Mastocitomas”, também na área de oncologia. Foi no Laboratório de Patologia Animal. Trabalhei com um tipo de câncer de cães.

Durou quanto tempo esse projeto? Durou seis meses, no primeiro semestre do 4º ano. Fui chamada para apresentar esse projeto no Simpósio de Iniciação Científica da USP.

Qual é a importância do estágio?

No 4º ano continuam as específicas, Anestesiologia, clínica de pequenos animais e clínica de bovinos, equinos. São matérias mais aplicadas.

Mais experiência em técnicas veterinárias. Oncologia, por exemplo, é um tema bem específico, que não tem na graduação. Se você tem em mente uma área específica, é importante procurar aprofundar fora da graduação.

Hoje você está no 5º ano?

É fácil conseguir estágio?

5º ano, nono semestre. É o último semestre de aula. Tem várias matérias de diversas áreas da Veterinária: Clínica, Cirurgia, Inspeção de Alimentos, Higiene Sanitária. Acho que isso agrada a todos, nem todo mundo gosta de Clínica, nem todo mundo gosta de Inspeção ou Obstetrícia. Inspeção é a parte do governo, os fiscais sanitários. Inspeção de produtos de origem animal, principalmente. Tem Clínica Cirúrgica de Equinos, Clínica Cirúrgica de Bovinos, Pequenos Animais – cães e gatos. No décimo semestre é só estágio obrigatório.

Depende do lugar. Na faculdade tem um processo de seleção. Quando o estágio é no hospital veterinário da faculdade tem uma prova, é mais difícil conseguir. Quando é fora, local privado, eles costumam deixar aberto para quem quer fazer acompanhamento da rotina. Fui bem aceita.

Você chegou a fazer algum outro estágio aqui em São Paulo? Fiz. Desde o terceiro semestre eu tenho foco para Oncologia Veterinária. Cães e gatos somente. Muito cedo conheci a Oncologia Veterinária num curso que fiz, me interessei, comecei a pesquisar

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De quais atividades você participou durante a graduação? No 1º ano comecei a participar da Atlética. Sempre gostei muito de voleibol, essa parte sempre me acompanhou desde o colégio. Logo que entrei na USP, na semana de recepção, eu fui treinar, fui conhecer as meninas do time.

Participou do InterUSP? Sim, participei de todas as modalidades. Vôlei, futebol, handebol, basquete. Gosto muito de vôlei, os outros esportes eram

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ENTREVISTA

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mais para participar, dar risadas. Em natação a gente ganhou até medalha. Foi legal.

começou a se especializar. Os hospitais veterinários maiores preferem contratar quem tenha uma especialidade.

Ainda continua na Atlética?

Com relação à remuneração, como fica o recém-formado?

Na Atlética, na parte administrativa, de organizar, foi só no 1º e no 2º ano. Eu era diretora de modalidade, quem organiza os treinos, paga o treinador, marca os jogos. Só que na metade do 2º ano, no quarto semestre, a gente vai para Pirassununga. Lá, organizamos um evento, Pirapais, para os pais conhecerem a cidade, a faculdade, os professores, integrar todo mundo num churrasco.

Tem muitas faculdades de Veterinária em São Paulo, então a concorrência é muito alta. O salário não é bom, por isso muita gente segue para a área de empresas. Existe uma demanda maior para a área de empresa do que clínica particular.

Em que áreas o veterinário pode trabalhar?

No 3º ano, assim que voltei de Pirassununga, comecei a participar da EJAV, Empresa Júnior de Assistência Veterinária. Fui trainee no 5º semestre, para saber como funciona. Logo depois entrei na gestão da empresa como diretora financeira, durante um ano. Fiquei seis meses como trainee e mais um ano como diretora financeira.

Ele pode trabalhar com inspeção, na parte de vigilância de produtos alimentícios de origem animal; na parte empresarial, tanto de produtos, por exemplo, ração de cães e gatos, quanto de medicamentos. Existem empresas que trabalham com nutrição de bovinos, suínos, aves, entre outros. Trabalham com formulação da ração desses animais. Existe a parte de clínica cirúrgica de grandes e pequenos animais. A reprodução animal também, mas é um mercado menor.

Especificamente, o que você fazia na Empresa Júnior?

Depois de formada você pretende fazer pós-graduação?

Controlava todos os gastos. Quando a gente organiza cursos tem de fazer cotação de material, custo. Na área da assistência veterinária estávamos com um projeto de testar um revólver para aplicação de medicamento. Tinha um diretor responsável pelo teste desse produto. Nesses projetos os alunos são sempre acompanhados por um professor. Um exemplo de assistência da Empresa Júnior, um projeto desenvolvido depois que eu saí, foi no canil da USP. Os cães estavam muito gordos e a professora pediu ajuda aos alunos para dar passeios com eles e fazer acompanhamento alimentar. A Empresa Júnior organizou os estagiários para fazer o acompanhamento.

Sim. Pretendo primeiramente tentar uma Residência e fazer um curso de pós-graduação na minha área. Futuramente, um mestrado, um doutorado. Meu foco mesmo é a parte de atendimento clínico-cirúrgico.

Além da área esportiva, o que mais você fez durante o curso?

Qual é sua maior preocupação neste seu último ano na faculdade? Se eu me formasse este ano, eu prestaria Residência na USP, Unesp e em outras faculdades, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais. Não existe uma Residência em Oncologia. Clínica e Cirurgia são os únicos módulos de Residência que existem na maioria das faculdades. Pretendo fazer em Cirurgia. Mas sempre tem um segundo plano, porque a Residência exige uma prova e nem todo mundo passa. Meu plano seria acompanhar uma clínica nos atendimentos oncológicos e fazer um curso de pós-graduação em Oncologia Veterinária.

Em algum momento você chegou a ter dúvida sobre a escolha de carreira? Nunca tive dúvida. Quando entrei, sabia o que esperar da faculdade. Sempre costumo planejar as coisas que faço. É importante conhecer, além da faculdade, as matérias que vai ter e o mercado de trabalho.

Como está o mercado de trabalho para os recém-formados? O salário não é alto para recém-formado. Por isso muita gente

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Quais são seus planos para este ano? Este ano é basicamente terminar o nono semestre e ir para o intercâmbio. Ainda estou no processo de arrumar o visto e tudo mais. Mas já é certeza que eu vou.

O que você estudou aqui no Etapa que foi importante na faculdade? Eu sempre dei muito valor a todas as matérias que tive aqui, mas Bioquímica, Química e Física, muito fortes no colégio, foram um diferencial quando entrei na faculdade. Eu sentia que outras pessoas tinham muita dificuldade em Bioquímica e aqui eu tive uma base boa.

Que recordações você guarda do colégio? Principalmente todo o esforço que eu tive em três anos de muito estudo, muita dedicação, valeu a pena, consegui entrar rápido na faculdade. Sou uma das mais novas do meu ano. Outra coisa que eu trouxe de bom foi o núcleo do voleibol, ainda tenho contato com todo mundo, são minhas melhores amigas, meus melhores amigos. Isso veio desde o Etapa.

O que você diria a quem está em dúvida quanto à carreira e talvez se interesse por Veterinária? Diria para pesquisar todas as possibilidades de atuação do veterinário, procurar saber qual a vantagem de uma faculdade ou outra, conversar com veterinários formados sobre a área de interesse, como está a área de grandes animais, como é a área de pequenos. O que o profissional acha que seria bom para o estudante fazer. Obtenha o máximo de informações e não fique só na Internet.

Jornal do Colégio ETAPA, editado por Etapa Ensino e Cultura REDAÇÃO: Rua Vergueiro, 1 987 – CEP 04101-000 – Paraíso – São Paulo – SP JORNALISTA RESPONSÁVEL: Egle M. Gallian – M.T. 15343

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CONTO

In extremis Artur Azevedo

O

major Brígido era viúvo e tinha uma filha de vinte anos, lindíssima, que fazia muita cabeça andar à roda; entretanto, o coração da rapariga, quando “falou” (assim se dizia antes), falou mal. Quero dizer que Gilberta – era este o seu nome – se enfeitiçou justamente pelo mais insignificante de quantos a requestavam – pelo Teobaldo Nogueira, sujeito que vivia, pode-se dizer, de expedientes, sem retida certa que lhe desse o direito de constituir família, mendigando aqui e acolá, no comércio, pequenas comissões, corretagens, e lambugens adventícias. O major Brígido, cheio de senso prático, vendo com maus olhos essa inclinação desacertada da filha, abriu-se com o seu melhor amigo, o Viegas que, apesar de ter uns dez anos menos que ele, era o seu consultor, o seu conselheiro, o oráculo reservado para as grandes emergências da vida. – Deixe-a! opinou o Viegas. Se você a contraria, aquilo fica de pedra e cal! O melhor era fazer ver a Gilberta por meios indiretos, que a sua escolha poderia ser melhor... Não ataque de frente a questão!... Não bata com o pé... não invoque a sua autoridade de pai... O major Brígido aceitou o conselho, e, uma tarde, achando-se à janela com sua filha, viu passar na rua o Teobaldo Nogueira, que os cumprimentou. O pai correspondeu com muita frieza, a filha com muita afabilidade. Pareceu ao major que o momento não podia ser mais propício para uma explicação; tratou de aproveitá-lo. – Minha filha, disse ele, tenho notado que aquele homem passa amiudadas vezes por nossa casa, e não creio que seja pelos meus bonitos olhos... Gilberta corou e sorriu. – Não quero nem de leve contrariar as tuas inclinações, casar-te-ás com o homem, seja quem for, que escolheres para marido. O teu coração pertence-te: dispõe dele à vontade. Entretanto, o meu dever de pai e amigo é abrir-te os olhos para não dares um passo de que mais tarde te arrependas amargamente. Não me parece que este homem te convenha, não tem posição social definida, não ganha bastante para tomar sobre os ombros quaisquer encargos de família, e – deixa que teu pai seja franco – não é lá muito bem visto no comércio... Não és uma criança nem uma tola que te deixes levar pelos bigodes retorcidos nem pelas bonitas roupas de um homem! Não és rica, mas, bonita, inteligente, boa como és, não te faltarão pretendentes que te mereçam mais que o tal Teobaldo Nogueira. Gilberta fez-se ainda mais rubra, mordeu os lábios e não disse palavra. De nada valeram os conselhos paternos. Daí por diante, redobrou o seu entusiasmo pelo moço, e, um mês depois, quando o pai se preparava para impingir-lhe novo sermão, ela atalhou-o declarando peremptoriamente que amava aquele homem, com todos os seus defeitos, com toda a sua pobreza e que jamais seria mulher de outro! Consultado o oráculo Viegas, este aconselhou uma estação de águas que distraísse a moça. O major Brígido sacrificou-se em pura perda. Gilberta voltou de Lambari mais apaixonada que nunca. Um belo dia, Teobaldo Nogueira apresentou-se ao pai e pediu-a em casamento depois de fazer uma exposição deslumbrante dos seus recursos. Havia meses em que ganhava para cima de três contos de réis. Já tinha posto alguma coisa de parte e contava mais dia menos dia, estabelecer-se definitivamente.

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Se fosse um especulador, um aventureiro mal-intencionado, procuraria casamento vantajoso. Sabia que Gilberta era pobre, casava-se por amor. O casamento ficou assentado. *** O major Brígido sofreu com isto um grande desgasto, agravado em seguida pela súbita enfermidade do Viegas, o seu melhor amigo, o seu oráculo, que caiu de cama e em menos de uma semana ficou às portas da morte. Dois médicos desenganaram-no. Jamais a tuberculose aniquilara com tanta rapidez um homem de 40 anos. As hemoptises eram frequentes, esperava-se que de um momento para outro o enfermo sucumbisse afogado em sangue. Nesta situação extrema o Viegas chamou para junto do seu leito o major Brígido, e disse-lhe: – Meu velho, eu vou morrer... – Deixa-te de asneiras! – Tenho poucos dias... poucas horas de vida... conheço o meu estado. No momento de deixar este mundo, de quem mais me posso lembrar senão de ti e de tua filha? Bem sabes que não tenho ninguém... Meu irmão, que não vejo há vinte anos, é um patife, um bandido, que está, dizem, milionário, e que, sabendo do meu estado, não me vem visitar... Minha irmã, que reside em Paris, é uma mulher perdida, uma desgraçada, que sempre me envergonhou... – Não se lembre agora disso! – Não fui um dissipado, guardei o que era meu, e tenho alguma coisa que por minha morte irá para as mãos dessas duas criaturas... Lembrei-me de fazer testamento, mas um testamento poderia dar lugar a uma demanda... Lembrei-me de coisa melhor: caso-me com Gilberta e doto-a com 100 contos de réis, isto é, o quanto possuo, mas com as devidas cautelas jurídicas para que este dote fique bem seguro, seja inalienável... tu bem me entendes... Ela tem um noivo, mas este não se oporá, talvez, a uma fortuna da qual participará mais tarde. A situação desse homem será modificada num ponto, apenas: em vez de se casar com uma moça solteira, casar-se-á com uma senhora viúva... E acrescentou: – Viúva e virgem. O major Brígido recalcitrou; que haviam de dizer? seriam capazes de inventar até que ele abusara de um agonizante! mas o Viegas insistiu, apresentando, com extraordinária lucidez, todos os argumentos imagináveis, inclusive aquele de que a última vontade de um moribundo é sagrada. Gilberta protestou energicamente quando o pai lhe comunicou a proposta do Viegas, e disse logo que não se prestava a esta comédia fúnebre, mas o Teobaldo Nogueira, pelo contrário, instou com ela para que aceitasse, e defendeu calorosamente a piedosa ideia do tuberculoso. A moça ressentiu-se dessa falta de escrúpulos, mas disfarçou o seu sentimento e disse: – Meu pai, faça o que entender! *** Alguns dias depois havia em casa do Viegas um vaivém de pretores, padres, testemunhas, escrivães, tabeliães, sacristães, etc.; mas todo esse movimento, longe de fazer com que o enfermo piorasse, ajudou-o a voltar à vida. As hemoptises tinham cessado.

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CONTO Depois de casado com Gilberta, o Viegas sentiu-se tão bem que desconfiou dos seus médicos e mandou chamar um dos nossos príncipes da ciência, para examiná-lo. Riu-se o famoso doutor quando lhe dissera o diagnóstico dos colegas. – Tuberculose? Qual tuberculose! O senhor é tão tuberculoso como eu! Aquele sangue era do estômago... Trate do seu estômago que este desvio é grave. – Mas as hemoptises... – Que hemoptises, que nada. Hematêmeses, isso sim! Pouco depois o Viegas, completamente restabelecido, empreendeu uma grande viagem à Europa com sua mulher. Era preciso pôr uma barreira entre ela e o Teobaldo, – e que barreira melhor que o Atlântico? *** A viagem durou dois anos. O Viegas e Gilberta trouxeram consigo uma filhinha, nascida na Itália.

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Ele fizera com muita diplomacia amorosa e muita dignidade conjugal a conquista da sua mulher, e ela foi sempre o modelo das esposas. Ao regressar do Velho Mundo, o Viegas pediu ao major Brígido notícias do Teobaldo Nogueira. – Está na cadeia, respondeu-lhe o sogro. Calculo o que estava reservado para minha filha, se não fosse a sua generosidade! – Quando nos casamos, já ela não gostava dele pelo empenho interesseiro em que o viu de que ela se casasse com um cadáver que valia cem contos... Gilberta que, sem ser pressentida, ouvira a conversa, aproximou-se do marido e disse-lhe: – E creia Viegas, que se você houvesse morrido, a minha viuvez seria eterna. Extraído de: Contos de Artur Azevedo.

(ENTRE PARÊNTESIS)

No metrô RESPOSTA

Válter tem duas namoradas (Ângela posição, decide ir até elas, ao invés de marcar encontro por telefone. Em geral, ele faz o seguinte: dirige-se para a estação do metrô e pega o primeiro trem em qualquer sentido. O que vai no sentido norte-sul leva-o até Ângela, e

Se um trem corre a cada 10 minutos numa das duas direções, deverá chegar com um intervalo de 1 minuto. Válter chegou num momento em que, casualmente, tomou o primeiro trem. A chance que tem de chegar até Ângela é de 9 : 1. Então, se o trem que o leva até Cristina já partiu, ele tem, deste modo, um espaço de tempo de 9 minutos, nos quais pode chegar à estação, enquanto que, se deseja ir até Ângela, chegará um minuto após a partida do trem para Cristina.

e Cristina) e, quando tem tempo e dis-

o que trafega no sentido sul-norte leva-o até Cristina. Como não tem hora certa para ir, surpreendeu-o o fato de que em 100 visitas ele tenha estado 90 vezes com Ângela e apenas 10 vezes com Cristina. Considerando-se que o intervalo de um trem para o outro é sempre 10 minutos, de onde surge o acaso?

SOBRE AS PALAVRAS

Ficar a ver navios O rei de Portugal, Dom Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, mas o corpo não foi encontrado. A partir de então (1578), o povo português esperava sempre o sonhado retorno do monarca salvador. Lembremos que, em 1580, em função da morte de Dom Sebastião, abre-se uma crise sucessória no trono vago de Portugal. A consequência dessa crise foi a anexação de Portugal à Espanha (1580 a 1640), governada por Felipe II. Evidentemente, os portugueses sonhavam com o retorno do rei, como forma salvadora de resgatar o orgulho e a dignidade da pátria lusa. Em função disso, o povo passou a visitar com frequência o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando, ansiosamente, o retorno do dito rei. Como ele não voltou, o povo ficava apenas a ver navios. Ou seja, esperava em vão.

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ARTIGO

Produtos naturais auxiliam no tratamento de doenças inflamatórias intestinais Diego Freire

Em outro grupo de experimentos, o projeto estudou diferentes ma pesquisa realizada no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), constatou a cumarinas naturais isoladas e, entre os resultados, destacam-se eficiência de produtos naturais derivados da flora brasileira no os obtidos com a 4-metil-esculetina, princípio ativo presente nas tratamento das doenças inflamatórias intestinais (DII), como a retocofolhas e raízes de diversas espécies de plantas, entre as quais as lite ulcerativa e a doença de Crohn. O estudo apresenta ainda novos do gênero Mikania, que incluem diferentes plantas conhecidas no marcadores moleculares que podem ampliar a compreensão que se Brasil como guaco. tem dessas doenças, cuja etiologia ainda é desconhecida. A pesquisa, publicada nos periódicos científicos Chemico“Trata-se de um projeto que consideramos audacioso por es-Biological Interactions e European Journal of Inflammation, detudar tanto a doença em si, priorizando alvos moleculares da ação monstrou que a 4-metil-esculetina produz efeitos semelhantes de fármacos clássicos, como alvos farmacológicos para novos proaos da prednisolona, e seus efeitos protetores estão relacionados dutos, como as cumarinas naturais e algumas plantas medicinais”, à capacidade de reduzir o estresse oxidativo do cólon e inibir a disse Luiz Claudio Di Stasi, responsável pela pesquisa “Doença produção de citocinas pró-inflamatórias. A administração de metilinflamatória intestinal (DII): novos marcadores moleculares e ativi-esculetina nos modelos da pesquisa exerceu tanto efeitos prevendade anti-inflamatória intestinal de fármacos e produtos de origem tivos quanto curativos, de acordo com o pesquisador. vegetal”, realizada com apoio da FAPESP. Entre os principais resultados está a descoNovos marcadores berta de que uma dieta com farinha de banana nanica verde pode impedir a inflamação intesComo as causas das DII ainda não são clatinal em roedores. ras, uma maior compreensão dos mecanismos “Consideramos a importância da microbiota que regulam a integridade da barreira intestiintestinal na proteção contra o processo inflanal e de sua função pode ajudar a entender o matório para propor o estudo de alguns produmodo de ação dos medicamentos atuais usatos naturais adicionados à dieta, que reunissem dos para tratamento. a capacidade de modular a microbiota intestinal Diante disso, o trabalho também estudou como previamente e agissem na prevenção das recia expressão da enzima heparanase, do complexo divas dos sintomas da retocolite ulcerativa e da proteico NF - kB, do gene hipoxantina fosforibosilEm experimentos com ratos, pesquisadores da doença de Crohn”, disse Di Stasi. transferase (HPRT) e da proteína HSP70 afeta a Unesp de Botucatu verificam efeito benéfico do O grupo coordenado pelo pesquisador esjatobá-do-cerrado e da taboa. (foto: Wikimedia) inflamação intestinal induzida por TNBS em ratos tudou vários agentes prebióticos – fibras que e os efeitos anti-inflamatórios dos medicamentos servem de “alimento” para as bactérias intestinais benéficas, ajualopáticos sulfassalazina, prednisolona e azatioprina, possibilitando o dando a organizar a flora intestinal –, como a polidextrose e as fientendimento de novos modos de ação desses fármacos. bras da banana nanica (Musa spp AAA) verde, do jatobá-do-cerrado “Nossos resultados indicam que a heparanase, o NF - KB, a HSP70 (Hymenaea stigonocarpa) e da taboa (Typha angustifolia). e o gene HPRT são alvos farmacológicos que devem ser consideraO extrato da casca do caule do jatobá-do-cerrado e a farinha da polpa dos nos estudos de novos medicamentos para tratar a inflamação da fruta apresentaram ação anti-inflamatória em ratos com inflamação intestinal, sendo alvos moleculares importantes que explicam alintestinal induzida por ácido trinitrobenzeno sulfônico (TNBS). De acordo guns dos aspectos da etiopatogenia das DII”, avaliou Di Stasi. com os resultados publicados no Journal of Ethnopharmacology, “os Os pesquisadores pretendem, agora, estudar algumas espécies efeitos farmacológicos estão relacionados à presença de compostos de plantas alimentícias da Amazônia como potenciais produtos preantioxidantes no extrato, como flavonoides, taninos condensados e bióticos, que podem ser usados como substrato de fermentação da terpenos na casca e na polpa de frutos de jatobá-do-cerrado”. flora benéfica do intestino com consequente aumento dessas bacO projeto também estudou várias concentrações da farinha produzitérias e de seus metabólitos, que possuem atividade imunomodulada com o caule da taboa, planta aquática muito comum no Brasil, típica dora e anti-inflamatória. de brejos, manguezais e várzeas. Verificou-se que, quando a farinha A ideia, de acordo com Di Stasi, é possibilitar a produção de alicompõe 10% da dieta, há uma redução na lesão provocada por DII, mentos funcionais, “agregando valor a esses produtos, que já poscom efeitos nas aderências de órgãos adjacentes e na diarreia. suem apelo científico e comercial, e ampliando as possibilidades Esses efeitos estão relacionados à inibição de marcadores biode prevenção por meio de sua incorporação a uma dieta preventiva químicos de inflamação colônica, como a atividade das enzimas de recidivas dessas doenças”. mieloperoxidase, liberada em resposta a invasões microbianas, e O grupo também pretende aprofundar as pesquisas com as espéfosfatase alcalina, que inibe o crescimento de bactérias intestinais cies já estudadas e com as da Amazônia para avaliar se a microflora que estimulam a inflamação e impedem a translocação de microrintestinal foi modulada, assim como seus metabólitos, além de reaganismos para a corrente sanguínea, além de uma atenuação das lizar estudos de sinergismos com fármacos envolvendo as espécies atividades da glutationa, um antioxidante hidrossolúvel. mais promissoras, apontando novos alvos moleculares, obtendo da“A farinha do caule da taboa demonstrou ser tão eficaz quanto a dos que podem continuar auxiliando na elucidação da etiologia das prednisolona, fármaco do grupo dos anti-inflamatórios esteroidais DII e indicando novas estratégias de tratamento e prevenção. utilizado atualmente no tratamento de DII, com a vantagem de não apresentar efeitos adversos e colaterais”, destacou Di Stasi. Os esExtraído de: Agência FAPESP – Divulgando a tudos com a planta foram descritos em artigo publicado na BMC cultura científica, abr./2014. Complementary and Alternative Medicine.

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POIS É, POESIA

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Cruz e Sousa (1861-1898) Antífona

Ó

Formas alvas, brancas, Formas claras de luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras... Formas do Amor, constelarmente puras, de Virgens e de Santas vaporosas... Brilhos errantes, mádidas frescuras e dolências de lírios e de rosas... Indefiníveis músicas supremas, harmonias da Cor e do Perfume... Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume... Visões, salmos e cânticos serenos, surdinas de órgãos flébeis, soluçantes... Dormências de volúpicos venenos sutis e suaves, mórbidos, radiantes... Infinitos espíritos dispersos, inefáveis, edênicos, aéreos, fecundai o Mistério destes versos com a chama ideal de todos os mistérios. Do Sonho as mais azuis diafaneidades que fuljam, que na Estrofe se levantem e as emoções, todas as castidades da alma do Verso, pelos versos cantem. Que o pólen de ouro dos mais finos astros fecunde e inflame a rima clara e ardente... Que brilhe a correção dos alabastros sonoramente, luminosamente. Forças originais, essência, graça de carnes de mulher, delicadezas... Todo esse eflúvio que por ondas passa do Éter nas róseas e áureas correntezas... Cristais diluídos de clarões alacres, desejos, vibrações, ânsias, alentos, fulvas vitórias, triunfamentos acres, os mais estranhos estremecimentos... Flores negras do tédio e flores vagas de amores vãos, tantálicos, doentios... Fundas vermelhidões de velhas chagas em sangue, abertas, escorrendo em rios... Tudo! vivo e nervoso e quente e forte, nos turbilhões quiméricos do Sonho, passe, cantando, ante o perfil medonho e o tropel cabalístico da Morte...

Carnal e místico

Pelas regiões tenuíssimas da bruma vagam as Virgens e as Estrelas raras...

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Como que o leve aroma das searas todo o horizonte em derredor perfuma. Numa evaporação de branca espuma vão diluindo as perspectivas claras... Com brilhos crus e fúlgidos de tiaras as Estrelas apagam-se uma a uma. E então, na treva, em místicas dormências, desfila, com sidéreas latescências, das Virgens o sonâmbulo cortejo... Ó Formas vagas, nebulosidades! Essência das eternas virgindades! Ó intensas quimeras do Desejo...

Dilacerações

Ó

carnes que eu amei sangrentamente, ó volúpias letais e dolorosas, essências de heliotropos e de rosas de essência morna, tropical, dolente... Carnes virgens e tépidas do Oriente do Sonho e das Estrelas fabulosas, carnes acerbas e maravilhosas, tentadoras do sol intensamente... Passai, dilaceradas pelos zelos, através dos profundos pesadelos que me apunhalam de mortais horrores... Passai, passai, desfeitas em tormentos, em lágrimas, em prantos, em lamentos, em ais, em luto, em convulsões, em dores...

Supremo desejo

Eternas, imortais origens vivas da Luz, do Aroma, segredantes vozes do mar e luares de contemplativas, vagas visões volúpicas, velozes... Aladas alegrias sugestivas de asa radiante e branca de albornozes, tribos gloriosas, fúlgidas, altivas, de condores e de águias e albatrozes... Espiritualizai nos Astros louros, do sol entre os clarões imorredouros toda esta dor que na minh’alma clama... Quero vê-la subir, ficar cantando na chama das Estrelas, dardejando nas luminosas sensações da chama. Extraído de: Broquéis. In: Obra completa. Ed. José Aguilar, Rio de Janeiro, 1961.

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ESPECIAL

Excursões culturais Em 2014 já aconteceram visitas muito interessantes!

D

urante o ano, os alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental do Colégio Etapa participam de excursões culturais que visam complementar o aprendizado feito em sala, aliando educação e entretenimento.

Show de Física da USP

A Física não é apenas teorias e fórmulas. Muito pelo contrário, ela está em tudo o que existe à nossa volta. No dia 14 de abril, os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental II viram um pouco do que a ciência é capaz de fazer e explicar, no Show de Física da USP. O projeto tem como meta complementar o conteúdo visto na escola. Funciona como uma aula prática, em que são realizadas diversas experiências, enquanto os conceitos são discutidos de forma leve e divertida. Os monitores do projeto, que fazem o show, são os próprios alunos do curso de graduação de Física da universidade. A ideia é que os jovens desenvolvam o interesse pela ciência e pela busca de explicações acerca dos fenômenos físicos. Para isso, são feitas demonstrações sobre assuntos como o estudo dos gases e as Leis de Newton. A performance conta com a participação da plateia em diversos momentos, tornando a apresentação bastante interativa.

Fábrica da Coca-Cola No mês de abril, os alunos do 5º ano do Ensino Fundamental l participaram de uma excursão bastante interessante: eles conheceram a fábrica da Coca-Cola. Durante a visita, eles receberam informações sobre a história e o método de fabricação dos produtos, além de participarem de um tour pelas linhas de produção do local. Logo ao chegarem, as crianças assistiram a um vídeo que fala sobre a composição do refrigerante – basicamente constituído por água, açúcar e uma fórmula secreta, que torna a bebida o que ela é. A fórmula é tão secreta que nem mesmo os funcionários a conhecem por completo. Duas fábricas são responsáveis por etapas diferentes da produção. Posteriormente, essas duas partes são misturadas, juntamente com os outros ingredientes. Após verem de perto o que acontece dentro de uma fábrica, contando com explicações fornecidas pela monitoria especializada do local, os alunos ainda assistiram às várias propagandas do refrigerante, desde a primeira até a mais atual.

AGENDA CULTURAL → São Paulo – Clube de Cinema (quintas, das 19h10min às 21h35min, sala 65) 22.05 – O artista (Michel Hazanavicius: 2011) 29.05 – Taurus (Aleksander Sokúrov: 2001) → São Paulo – Clube do Livro (mensal, das 19h10min às 21h35min, sala 65) 20.05 – Otelo, o mouro de Veneza (William Shakespeare – edição sugerida: Editora L&PM) → São Paulo – Clube de Debate (mensal, das 19h10min às 21h35min, sala 65) 27.05 – Ação afirmativa e cotas → Valinhos – Clube de Cinema (sextas, das 14h05min às 15h45min) 23.05 – Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry: 2004) 30.05 – Planeta dos macacos (Franklin J. Schaffner: 1968)

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Fique ligado: todas as terças-feiras acontecem as Palestras de Profissões para os alunos de 2º e 3º anos do Ensino Médio!

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Jornal do Colégio Nº572  
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