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Jornal do Colégio PRIMEIRA QUINZENA DE MAIO DE 2014 – NÚMERO 571

ENTREVISTA

“Entrar na faculdade que você quer é uma experiência inesquecível.” Erich Gothard Prats formou-se em Administração pela FEA-USP. Escolheu especializar-se em Marketing. Hoje é gerente de produto e planeja fazer MBA. Busca crescer na empresa e para isso está procurando aprimorar-se constantemente. Aqui, conta sua história no Etapa, na FEA e na atividade profissional.

Erich Gothard Prats

JC – Quando e por que você escolheu Administração como carreira? Erich – Ao longo do 2º e do 3º colegial eu procurei ver as grades curriculares das principais faculdades para decidir em qual queria estudar. Escolhi fazer Administração que seria um curso que prepara profissionais dinâmicos como o mundo hoje exige. Você precisa estar antenado, ter um pouco de conhecimento de tudo. E Administração é um curso mais abrangente, a partir dele você pode se especializar em outras áreas.

Por que você veio estudar no Colégio Etapa? Era normal na escola em que eu estava no Ensino Fundamental, e em colégios parecidos, mudar para colégios mais fortes com tradição em termos de aprovação nos grandes vestibulares. Pesquisei quais eram as melhores opções e achei que seria um passo legal vir para o Etapa.

Como foi sua adaptação no Etapa? Acho que me adaptei bem. O que me pegou mais foi a questão das provas diárias. Onde estudava antes eu tinha provas trimestrais. No Etapa, a cada três aulas de um professor tinha uma prova. Na primeira prova que fiz eu fiquei de recuperação. Nunca tinha ficado de recuperação. Aqui é outra dinâmica. Toda aula você tem de tentar entender, levar a sério, não pode deixar passar nada. É importante ter disciplina, todo dia estudar um pouco. No Etapa você não acha estranho ter prova todos os dias, estudar todos o dias. Eu me acostumei a chegar em casa e ficar horas estudando, fazer uma prova e estudar de novo. ENTREVISTA

Carreira – Administração

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Mudou bastante. Assim que escolhi Administração dei mais atenção a Português, História, Geografia e principalmente Matemática, em que eu tinha dificuldade desde o início. Sabia que era um ponto em que precisava melhorar. Foquei mais nessa parte porque achei que eram as competências que eu precisaria saber melhor. Lógico que continuei estudando as outras matérias.

Como foi seu início na USP? Superlegal. Para mim foram só coisas positivas. É uma experiência muito diferente, a USP é uma cidade mesmo, com milhares de estudantes, muitas unidades, atividades para fazer.

E o que você achou do estudo na FEA? Eu digo que, quando você está acostumado com o Etapa, com o nível de exigência e esforço e dedicação do colégio, tudo é muito mais simples depois. No Etapa existem mecanismos que levam a estudar, as provas diárias. Na USP, você fica seis meses sem prova. No fim, tem uma prova de cinco horas, que é o que define tudo. Quando chegava o momento de provas na USP o pessoal surtava.

O que você viu de matérias em cada ano da faculdade? No 1º ano você tem introdução e fundamentos de praticamente todas as áreas. Tem Introdução ao Pensamento Estratégico, Empresas, Finanças, Cálculo, Marketing, RH, os próprios fundamentos da Administração. Os pensadores antigos, a evoluESPECIAL

ENTRE PARÊNTESIS

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Árvores

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Pesquisa identifica gene associado ao ganho de peso

CONTO

O espelho – Machado de Assis

No 3o ano, você mudou seu método de estudo?

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Realizando um sonho

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ARTIGO

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ENTREVISTA

ção da Administração no tempo. Você tem Psicologia, Filosofia. São coisas que me interessaram bastante. Administração na USP tem o lado humano que faz você ter uma análise crítica das coisas. Eu já gostava desse lado desde o Etapa, onde tive aulas de Filosofia. No 2º ano você começa a entrar mais em detalhes técnicos, passa a entender mais profundamente de Finanças, das técnicas de Marketing. A partir do meio do 2º ano você já consegue focar o curso nas áreas que mais te interessam, pode montar sua grade de acordo com o que você tem mais interesse. Fiz até o último ano bem mais focado em Marketing do que em Finanças. Lá você pode adaptar o curso a você.

Você fez optativa livre em outras unidades da USP? Sim, fiz uma optativa na ECA, de mídias e pensamento moderno sobre controle de massas. Era bem interessante porque era um lado do marketing menos comercial, mais comportamental. Incrível como sobre o mesmo assunto você consegue ter diferentes abordagens. Na ECA é menos empresarial e mais conceitual. As discussões que a gente tinha lá eram muito mais abstratas, enquanto na FEA eram muito mais práticas.

Participou de alguma outra atividade na FEA? Treinei quase um ano futebol de campo, mas acabei parando. Eu não era tão disciplinado quanto lá exige. Também fiz uma atividade voluntária que é o cursinho FEA-USP, um projeto social de vestibular para pessoas de baixa renda. Estava no 2º ano da faculdade, em 2009. Fiz isso até o meio de 2010. Era para pessoas que não conseguiam pagar um cursinho ou não tinham nem base de Ensino Fundamental.

O que você fazia lá, dava aula? Não, eu era coordenador de marketing e captação de recursos. As aulas eram dadas por voluntários, alunos ou formados da USP, de outras unidades. Era uma questão de retribuir o bem e o investimento da sociedade em você. Como estava fazendo uma faculdade pública, eu via que existe um esforço da sociedade para que você esteja lá. E o cursinho era uma maneira legal de começar a retribuir. É uma experiência que recomendo para todo mundo. Ter alguma experiência social abre muito a cabeça para coisas diferentes. Você vê outras realidades e começa a ter outra forma de enxergar, outra perspectiva.

A primeira experiência que você teve em marketing foi nesse cursinho? Foi. Na verdade, eu nem sabia o que era marketing. No 1º ano na FEA tive as matérias básicas sobre marketing, mas não consegui entender concretamente o que era. No cursinho eu me interessei bastante pela parte de divulgação, comunicação, como atrair novos alunos. Ali consegui explorar um pouco do que já tinha aprendido na faculdade. E foi me dando mais certeza de que era aquilo que eu queria mesmo.

Você chegou a ter dúvidas quanto à escolha da carreira? Sobre Administração não tive dúvidas. Assim que entrei eu vi que era o que eu queria. Muitas matérias me interessavam

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bastante. Psicologia, RH e Marketing me chamavam a atenção. Lógico, todo curso tem disciplinas com que você não se identifica, mas que são base necessária para você seguir a carreira.

Como foi seu Trabalho de Conclusão de Curso? No primeiro semestre do último ano você já tem de fazer o TCC. Você divide o TCC em partes e começa o trabalho, que demanda bastante tempo.

Qual foi o seu tema? Foi sobre gestão de marcas em redes sociais. Era sobre como as marcas hoje têm suas estratégias de comunicação e mídia on-line, tanto em redes sociais quanto através dos portais, para se comunicar com o consumidor e construir imagem através da Internet. Foi legal porque era o início das marcas no Facebook. As marcas estavam tratando o Facebook como uma mídia tradicional. Fiz uma análise de cases de marcas e também fiz uma pesquisa com muita gente de empresas e usuários da Internet sobre como eles viam as marcas e o que esperavam delas.

Você estagiou em que empresas? Só na Procter & Gamble. Comecei em 2010, no 3º ano da faculdade. Fiz dois anos de estágio e fui efetivado.

Foi difícil conseguir estágio? Não foi tão fácil, não é fácil conseguir emprego bom. Todas as grandes empresas têm muita concorrência. A Procter & Gamble teve participação em algumas feiras de carreiras dentro da FEA. O pessoal vai lá e apresenta a empresa, fala que tem processo seletivo. Fiquei uns meses procurando estágio. Entrevistas, provas, dinâmicas, tem bastante coisa. Depois de três, quatro meses consegui entrar.

No seu caso, qual foi o fator diferencial na entrevista, para ser aprovado para o estágio? Com faculdade de renome você já larga na frente. Idioma é básico. Na Procter & Gamble, inglês fluente é um pré-requisito. Línguas, experiência prática e conhecimento são diferenciais.

No início, o que você fazia na empresa? Entrei como estagiário de marketing da linha de medicamentos. São marcas como Hipoglós, Vick. Quando se trabalha em marketing, a Procter & Gamble é um dos principais lugares que você quer conhecer. Quando cheguei não conhecia muita coisa, tive de aprender tudo muito rápido. Tive dois anos de estágio. Isso é bom porque dá tempo de você entender e ter bastante tempo ainda como estagiário para ter projetos bons. Facilitou bastante na efetivação.

No último ano da faculdade, qual era sua maior preocupação? Ser efetivado.

Mais que o TCC? Mais que o TCC, porque o TCC eu já estava conseguindo fazer. Na empresa era mais difícil, a efetivação depende de muitos fatores.

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ENTREVISTA Quando foi efetivado você continuou na área de medicamentos? Não. Fui efetivado diretamente em Pampers, linha de cuidados infantis, como gerente de produto. Na Procter & Gamble tem essa estrutura; em marketing você começa como gerente. É bem diferente de outras áreas em que você demora muito tempo a ser gerente. Em marketing, pelo desenho da empresa, você tem um papel de liderança maior. No time de Pampers, apesar de focado em marketing, eu cuido de orçamento, estratégias de vendas. Lógico que existe um especialista em finanças, um especialista em vendas, mas você precisa fazer o meio de campo. Na empresa tem uma máxima que é interessante, diz que em marketing você tem de ser o melhor em marketing e o segundo melhor em todo o resto. Como gerente de produto você precisa entender de tudo, lucro, custo.

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Como está o mercado de trabalho? Eu acho que está bastante dinâmico. Na Procter & Gamble tem muitas oportunidades. Quando entrei descobri que tinha 10 vagas de estágio sempre abertas. É claramente competitivo. Hoje, nas empresas, a pressão por produtividade é intensa. Não existe espaço nas grandes empresas, nos melhores cargos, para pessoas sem capacitação. A pessoa precisa estar sempre se desenvolvendo, sempre se aprimorando, senão naturalmente será substituída.

Quais são seus planos para este ano? Meus planos são finalizar todos os projetos que a gente tem hoje e criar novos projetos para colocar no mercado. Em breve devo mudar de área, ter novos desafios, me adaptar, conhecer novas realidades, novas pessoas.

Você cuida de que na Pampers?

Como o Etapa foi importante para você em sua carreira?

Eu cuido de algumas marcas. Em fraldas existem submarcas, cuido da categoria de lencinhos, cuido das estratégias digitais. Como a gente se posiciona com marketing no meio digital, investimento, campanhas. Também cuido das estratégias de e-commerce, que é a venda on-line de todos os produtos.

A parte de organização foi fundamental. No Etapa não tem como, você precisa se organizar. A agenda é extensa, provas, horários de estudo. Isso você leva para a vida. Na faculdade você tem mais espaço, mais liberdade, mas se você é organizado é mais fácil. No trabalho não tem opção, você não pode deixar as coisas passarem. Te ajuda na vida em tudo. E a parte de adaptação também. Se adaptar a mudanças hoje é uma característica muito valorizada. A velocidade com que você se adapta e quão bem você vai é fundamental. Gostei da experiência que eu tive de me adaptar no Etapa e agradeço realmente por ter participado de tudo aquilo. Hoje eu vejo que me ajudou bastante para enfrentar as coisas do dia a dia.

Na área em que você está tem gente de outras áreas além de Administração? Tem. Tem engenheiros, como meu chefe, que é do ITA. Tem gente de Psicologia. Tem um pouco de intersecção mesmo. É interessante ter um pouco de cada. Só agrega.

Qual é a importância do estágio na formação profissional? Essencial. Quando comecei a estagiar, dei muito mais valor a matérias que eu tinha, porque quando você está vendo uma teoria é difícil entender como vai usar aquilo. No estágio você dá valor. Você sabe que dominar um assunto melhor que os outros é um diferencial. Na Procter & Gamble a gente tem um sistema de produtividade – as áreas estimulam a atingir uma performance superior para que você tenha mais remuneração. Cada pessoa tem um nível de performance que tem uma curva salarial associada dentro de um grupo de trabalho.

O que você vislumbra daqui a alguns anos? Eu busco crescer na empresa. Busco também ter experiências internacionais. A Procter & Gamble é uma empresa que tem muitas possibilidades internacionais, você pode trabalhar em qualquer lugar do mundo. Ajuda bastante ter experiências, conhecer outras culturas, tanto como pessoa quanto como profissional.

Você pretende fazer pós-graduação? Penso fazer MBA. Acho que para fazer o MBA é interessante já ter experiência profissional, o aproveitamento é melhor. Espero fazer em Marketing, em algum subtópico que eu sinta que tem uma tendência interessante. Pretendo fazer nos próximos dois anos.

Jornal do Colégio

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Você tem recordações da época do colégio? Tenho, claro, amigos, lembro das aulas, dos professores. Meu primo é cinco anos mais novo, fez Etapa, entrou na FEA também. Hoje, meu irmão de 14 anos faz Etapa. É muito legal porque eu vou revivendo com eles as lembranças do Colégio. E você só tem lembranças boas do Colégio. Você tem de entender que é uma fase necessária. Tem de aproveitar ao máximo para aprender. O Etapa dá possibilidades e conhecimentos para você se desenvolver, aprender melhor. No Etapa a gente está à frente de muitos outros colégios. Você tem todas as oportunidades e ferramentas para fazer seu sonho acontecer. É aproveitar isso agora e dar o seu máximo que vai dar certo.

O que você pode dizer a quem vai prestar Administração no final deste ano? É procurar ter garantia de que é isso que vocês querem, pesquisar sobre o curso, sobre as faculdades, conversar com profissionais que estão na área. Eu acho que é um curso ótimo, estou muito satisfeito de tê-lo feito. Agora nessa parte do vestibular é focar, continuar se esforçando, dar o máximo, que realmente vale a pena. Entrar na faculdade que você quer é uma experiência inesquecível.

Jornal do Colégio ETAPA, editado por Etapa Ensino e Cultura REDAÇÃO: Rua Vergueiro, 1 987 – CEP 04101-000 – Paraíso – São Paulo – SP JORNALISTA RESPONSÁVEL: Egle M. Gallian – M.T. 15343

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CONTO

O espelho Machado de Assis uatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo. Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lhe um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu: – Pensando bem, talvez o senhor tenha razão. Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão, tornou-se difícil, senão impossível, pela multiplicidade de questões que se deduziram do tronco principal, e um pouco, talvez, pela inconsistência dos pareceres. Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, – uma conjetura, ao menos. – Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas... – Duas? – Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; – e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exte-

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rior implica a da existência inteira. Shylock, por exemplo. A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados; perdê-los equivalia a morrer. “Nunca mais verei o meu ouro, diz ele a Tubal; é um punhal que me enterras no coração”. Vejam bem esta frase; a perda dos ducados, alma exterior, era a morte para ele. Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma... – Não? – Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell. São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável. Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior, nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos. Pela minha parte, conheço uma senhora, – na verdade, gentilíssima, – que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra; um concerto, um baile do Cassino, a Rua do Ouvidor, Petrópolis... – Perdão; essa senhora quem é? – Essa senhora é parenta do diabo, e tem o mesmo nome: chama-se Legião... E assim outros muitos casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei. Um episódio dos meus vinte e cinco anos... Os quatro companheiros, ansiosos de ouvir o caso prometido, esqueceram a controvérsia. Santa curiosidade! tu não és só a alma da civilização, és também o pomo da concórdia, fruta divina, de outro sabor que não aquele pomo da mitologia. A sala, até há pouco ruidosa de física e metafísica, é agora um mar morto; todos os olhos estão no Jacobina, que concerta a ponta do charuto, recolhendo as memórias. Eis aqui como ele começou a narração: – Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da guarda nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Minha mãe ficou tão orgulhosa! tão contente! Chamava-me o seu alferes. Primos e tios, foi tudo uma alegria sincera e pura. Na vila, note-se bem, houve alguns despeitados; choro e ranger de dentes, como na Escritura; e o motivo não foi outro senão que o posto tinha muitos candidatos e que estes perderam. Suponho também que uma parte do desgosto foi inteiramente gratuita: nasceu da simples distinção. Lembra-me de alguns rapazes, que se davam comigo, e passaram a olhar-me de revés, durante algum tempo. Em compensação, tive muitas pessoas que ficaram satisfeitas com a nomeação; e a prova é que todo o fardamento me foi dado por amigos... Vai então uma das minhas tias, D. Marcolina, viúva do Capitão Peçanha, que morava a muitas léguas da vila, num sítio escuso e solitário, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes. Achava-me um rapagão bonito. Como era um tanto patusca, chegou a confessar que tinha inveja da moça que houvesse de ser minha mulher. Jurava que em toda a província não

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CONTO havia outro que me pusesse o pé adiante. E sempre alferes; era alferes para cá, alferes para lá, alferes a toda a hora. Eu pedia-lhe que me chamasse Joãozinho, como dantes; e ela abanava a cabeça, bradando que não, que era o “senhor alferes”. Um cunhado dela, irmão do finado Peçanha, que ali morava, não me chamava de outra maneira. Era o “senhor alferes”, não por gracejo, mas a sério, e à vista dos escravos, que naturalmente foram pelo mesmo caminho. Na mesa tinha eu o melhor lugar, e era o primeiro servido. Não imaginam. Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que destoava do resto da casa, cuja mobília era modesta e simples... Era um espelho que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas via-se-lhe ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom... – Espelho grande? – Grande. E foi, como digo, uma enorme fineza, porque o espelho estava na sala; era a melhor peça da casa. Mas não houve forças que a demovessem do propósito; respondia que não fazia falta, que era só por algumas semanas, e finalmente que o “senhor alferes” merecia muito mais. O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. Imaginam, creio eu? – Não. – O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado. Custa-lhes acreditar, não? – Custa-me até entender, respondeu um dos ouvintes. – Vai entender. Os fatos explicarão melhor os sentimentos; os fatos são tudo. A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada; e, se bem me lembro, um filósofo antigo demonstrou o movimento andando. Vamos aos fatos. Vamos ver como, ao tempo em que a consciência do homem se obliterava, a do alferes tornava-se viva e intensa. As dores humanas, as alegrias humanas se eram só isso, mal obtinham de mim uma compaixão apática ou um sorriso de favor. No fim de três semanas, era outro, totalmente outro. Era exclusivamente alferes. Ora, um dia recebeu a tia Marcolina uma notícia grave; uma de suas filhas, casada com um lavrador residente dali a cinco léguas, estava mal e à morte. Adeus, sobrinho! adeus, alferes! Era mãe extremosa, armou logo uma viagem, pediu ao cunhado que fosse com ela, e a mim que tomasse conta do sítio. Creio que, se não fosse a aflição, disporia o contrário; deixaria o cunhado, e iria comigo. Mas o certo é que fiquei só, com os poucos escravos da casa. Confesso-lhes que desde logo senti uma grande opressão, alguma coisa semelhante ao efeito de quatro paredes de um cárcere, subitamente levantadas em torno de mim. Era a alma exterior que se reduzia; estava agora limitada a alguns espíritos boçais. O alferes continuava a dominar em mim, embora a vida fosse menos intensa, e a consciência mais débil. Os escravos punham uma nota de humildade nas suas cortesias, que de certa maneira compensava a afeição dos parentes e a intimidade

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doméstica interrompida. Notei mesmo, naquela noite, que eles redobravam de respeito, de alegria, de protestos. Nhô alferes de minuto a minuto. Nhô alferes é muito bonito; nhô alferes há de ser coronel; nhô alferes há de casar com moça bonita, filha de general; um concerto de louvores e profecias, que me deixou extático. Ah! pérfidos! mal podia eu suspeitar a intenção secreta dos malvados. – Matá-lo? – Antes assim fosse. – Coisa pior? – Ouçam-me. Na manhã seguinte achei-me só. Os velhacos, seduzidos por outros, ou de movimento próprio, tinham resolvido fugir durante a noite; e assim fizeram. Achei-me só, sem mais ninguém, entre quatro paredes, diante do terreiro deserto e da roça abandonada. Nenhum fôlego humano. Corri a casa toda, a senzala, tudo, nada, ninguém, um molequinho que fosse. Galos e galinhas tão somente, um par de mulas, que filosofavam a vida, sacudindo as moscas, e três bois. Os mesmos cães foram levados pelos escravos. Nenhum ente humano. Parece-lhes que isto era melhor do que ter morrido? era pior. Não por medo; juro-lhes que não tinha medo; era um pouco atrevidinho, tanto que não senti nada, durante as primeiras horas. Fiquei triste por causa do dano causado à tia Marcolina; fiquei também um pouco perplexo, não sabendo se devia ir ter com ela, para lhe dar a triste notícia, ou ficar tomando conta da casa. Adotei o segundo alvitre, para não desamparar a casa, e porque, se a minha prima enferma estava mal, eu ia somente aumentar a dor da mãe, sem remédio nenhum; finalmente, esperei que o irmão do tio Peçanha voltasse naquele dia ou no outro, visto que tinha saído havia já trinta e seis horas. Mas a manhã passou sem vestígio dele; e à tarde comecei a sentir uma sensação como de pessoa que houvesse perdido toda a ação nervosa, e não tivesse consciência da ação muscular. O irmão do tio Peçanha não voltou nesse dia, nem no outro, nem em toda aquela semana. Minha solidão tomou proporções enormes. Nunca os dias foram mais compridos, nunca o sol abrasou a terra com uma obstinação mais cansativa. As horas batiam de século a século, no velho relógio da sala, cuja pêndula, tic-tac, tic-tac, feria-me a alma interior, como um piparote contínuo da eternidade. Quando, muitos anos depois, li uma poesia americana, creio que de Longfellow, e topei com este famoso estribilho: Never, for ever! – For ever, never! confesso-lhes que tive um calafrio: recordei-me daqueles dias medonhos. Era justamente assim que fazia o relógio da tia Marcolina: – Never, for ever! – For ever, never! Não eram golpes de pêndula, era um diálogo do abismo, um cochicho do nada. E então de noite! Não que a noite fosse mais silenciosa. O silêncio era o mesmo que de dia. Mas a noite era a sombra, era a solidão ainda mais estreita ou mais larga. Tic-tac, tic-tac. Ninguém nas salas, na varanda, nos corredores, no terreiro, ninguém em parte nenhuma... Riem-se? – Sim, parece que tinha um pouco de medo. – Oh! fora bom se eu pudesse ter medo! Viveria. Mas o característico daquela situação é que eu nem sequer podia ter medo, isto é, o medo vulgarmente entendido. Tinha uma sensação inexplicável. Era como um defunto andando, um sonâmbulo, um boneco mecânico. Dormindo, era outra coisa. O sono dava-me alívio, não pela razão comum de ser irmão da morte, mas por outra. Acho que posso explicar assim esse fenômeno: – o sono, eliminando a necessidade de uma alma exterior, deixava atuar a alma interior. Nos sonhos, fardava-me, orgulhosamente, no meio da família e dos amigos, que me elogiavam o garbo, que me chamavam alferes; vinha um amigo de nossa casa, e prometia-me o posto de tenente, outro o de capitão ou major; e tudo isso fazia-me viver. Mas quando acordava, dia claro, esvaía-se

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CONTO

com o sono, a consciência do meu ser novo e único, – porque a alma interior perdia a ação exclusiva, e ficava dependente da outra, que teimava em não tornar... Não tornava. Eu saía fora, a um lado e outro, a ver se descobria algum sinal de regresso. Soeur Anne, soeur Anne, ne vois-tu rien venir? Nada, coisa nenhuma; tal qual como lenda francesa. Nada mais do que a poeira da estrada e o capinzal dos morros. Voltava para casa, nervoso, desesperado, estirava-me no canapé da sala. Tic-tac, tic-tac. Levantava-me, passeava, tamborilava nos vidros das janelas, assobiava. Em certa ocasião lembrei-me de escrever alguma coisa, um artigo político, um romance, uma ode; não escolhi nada definitivamente; sentei-me e tracei no papel algumas palavras e frases soltas, para intercalar no estilo. Mas o estilo, como a tia Marcolina, deixava-se estar. Soeur Anne, soeur Anne... Coisa nenhuma. Quando muito via negrejar a tinta e alvejar o papel. – Mas não comia? – Comia mal, frutas, farinha, conservas, algumas raízes tostadas ao fogo, mas suportaria tudo alegremente, se não fora a terrível situação moral em que me achava. Recitava versos, discursos, trechos latinos, liras de Gonzaga, oitavas de Camões, décimas, uma antologia em trinta volumes. Às vezes fazia ginástica; outras dava beliscões nas pernas; mas o efeito era só uma sensação física de dor ou de cansaço, e mais nada. Tudo silêncio, um silêncio vasto, enorme, infinito, apenas sublinhado pelo eterno tic-tac da pêndula. Tic-tac, tic-tac... – Na verdade, era de enlouquecer. – Vão ouvir coisa pior. Convém dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só vez para o espelho. Não era abstenção deliberada, não tinha motivo; era um impulso inconsciente, um receio de achar-me um e dois, ao mesmo tempo, naquela casa solitária; e se tal explicação é verdadeira, nada prova melhor a contradição humana, porque no fim de oito dias, deu-me na veneta olhar para o espelho com o fim justamente de achar-me dois. Olhei e recusei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra. A realidade das leis físicas não permite negar que o espelho reproduziu-me textualmente, com os mesmos contornos e feições; assim devia ter sido. Mas tal não foi a minha sensação. Então tive medo; atribuí o fenômeno à excitação nervosa em que andava; receei ficar

mais tempo, e enlouquecer. – Vou-me embora, disse comigo. E levantei o braço com gesto de mau humor, e ao mesmo tempo de decisão, olhando para o vidro; o gesto lá estava, mas disperso, esgaçado, mutilado... Entrei a vestir-me, murmurando comigo, tossindo sem tosse, sacudindo a roupa com estrépito, afligindo-me a frio com os botões, para dizer alguma coisa. De quando em quando, olhava furtivamente para o espelho; a imagem era a mesma difusão de linhas, a mesma decomposição de contornos... Continuei a vestir-me. Subitamente por uma inspiração inexplicável, por um impulso sem cálculo, lembrou-me... Se forem capazes de adivinhar qual foi a minha ideia... – Diga. – Estava a olhar para o vidro, com uma persistência de desesperado, contemplando as próprias feições derramadas e inacabadas, uma nuvem de linhas soltas, informes, quando tive o pensamento... Não, não são capazes de adivinhar. – Mas, diga, diga. – Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e... não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior. Essa alma ausente com a dona do sítio, dispersa e fugida com os escravos, ei-la recolhida no espelho. Imaginai um homem que, pouco a pouco emerge de um letargo, abre os olhos sem ver, depois começa a ver, distingue as pessoas dos objetos, mas não conhece individualmente uns nem outros; enfim, sabe que este é Fulano, aquele é Sicrano; aqui está uma cadeira, ali um sofá. Tudo volta ao que era antes do sono. Assim foi comigo. Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria, e o vidro exprimia tudo. Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro. Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo, olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regímen pude atravessar mais seis dias de solidão, sem os sentir... Quando os outros voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas. Extraído de: Papéis avulsos.

(ENTRE PARÊNTESIS)

Árvores (Fuvest) Uma floresta tem 1 000 000 de árvores. Nenhuma árvore tem mais de 300 000 folhas. Pode-se concluir que: a) b) c) d) e)

existem na floresta árvores com números de folhas distintos. existem na floresta árvores com uma só folha. existem na floresta árvores com o mesmo número de folhas. o número médio de folhas por árvore é 150 000. 12 o número total de folhas na floresta pode ser maior que 10 .

RESPOSTA Alternativa C O número máximo de folhas por árvore é 300 000. Se todas as árvores tivessem números distintos de folhas, deveríamos ter, no máximo, 300 001 árvores. Como há 1 000 000 delas, existem necessariamente árvores com mesmo número de folhas. JC_571.indd 6

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ARTIGO

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Pesquisa identifica gene associado ao ganho de peso Maria Guimarães

pelos quais o gene está associado ao efeito, o que dea busca por culpados pelo excesso de peso, um gene conhecido como FTO ganhou destapende de procedimentos experimentais complexos. que nos últimos anos. Mais especificamente, Para isso, eles usaram abordagens múltiplas. Enalterações numa região sem função conhecida, já que contraram a interação entre o funcionamento do FTO não participa da produção da proteína codificada por e do IRX3 em embriões de camundongo e de peixeaquele gene. Um artigo publicado em 12/3 no site da -paulistinha, o zebrafish, no cérebro de camundongos revista Nature, porém, desvia o foco e explica por que adultos e em células humanas, um indício de que do ponto de vista evolutivo a relação entre esses genes não se conseguia estabelecer uma conexão entre mué antiga. Em 153 amostras de células cerebrais humatações nessa região, um íntron, e a função do FTO. nas, os pesquisadores mostraram que a expressão do “Estávamos procurando os efeitos no gene errado”, IRX3 de fato afeta a produção de substâncias associadiz o geneticista brasileiro Marcelo Nóbrega, da Unidas à obesidade, ao contrário do que observaram para versidade de Chicago, nos Estados Unidos. O estuo FTO. Por fim, produziram camundo coordenado por ele mostrou que dongos com defeito no IRX3 e obseralterações na parte não codificante varam que eles são mais magros do do FTO na verdade afeta o funcionaque os normais, caracterizados por mento de outro gene bem distante um metabolismo mais rápido e um na fita do DNA, chamado de IRX3. acúmulo menor de gordura. Eles na No material genético, este assume verdade tendem a produzir um tipo agora o topo do pódio como o maior de gordura não associado ao sobreresponsável pelo ganho de peso. Gene chamado de IRX3 poderia ser o peso, a marrom. Mas não adianta jogar toda a culpa maior responsável pelo ganho de peso. Os resultados são um passo na nele como justificativa para comer compreensão da influência genética sobre a tendêngrandes quantidades de doces e deixar de fazer exercia a ganhar peso, mas Nóbrega é realista quanto à cícios. “O efeito dessas variantes genéticas no peso possibilidade de se desenvolver novos medicamentos são modestos: se você as tiver, é cerca de 3 quilograemagrecedores com base em suas descobertas. “No mas mais gordo do que se não as tiver”, explica Nóbremomento não tem nenhuma e é possível que contiga. Segundo ele, duas em cada três pessoas têm pelo nue a não ter”, afirma. “Tendo dito isso, é exatamente menos uma cópia dessa alteração em seu gene FTO, o que estamos agora investigando e investindo.” e uma em cada seis tem ambas as cópias alteradas, Um aspecto importante do trabalho é dar um exemaumentando o risco de ganho excessivo de peso. plo de como investigar associações entre o genoma O trabalho do laboratório de Nóbrega se baseia na e determinadas características. “Acreditamos que há noção que emergiu de inúmeros estudos anteriores um número grande de histórias parecidas com a do que examinaram o genoma inteiro em busca de geFTO-IRX3, em que uma avaliação mais cuidadosa nes que afetam características específicas: mais imacabará por revelar que o gene-alvo das variantes asportante do que as porções dos genes que contêm sociadas a um traço não era o que a comunidade acreo código para alguma proteína são as regiões antigaditava”, diz Nóbrega. Estudos desse tipo ajudam cada mente conhecidas como DNA-lixo por não ter função vez mais a entender a complexidade dos sistemas de conhecida. Hoje se sabe que elas atuam na regulação regulação embutidos no material genético. de outros genes, e é o que o grupo de Chicago e colaNata-Lia/Shutterstock

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boradores mostram no caso específico da obesidade. O feito raro do trabalho é desvendar os mecanismos

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Extraído de: Revista Pesquisa Fapesp, mar./2014.

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ESPECIAL

Realizando um sonho Palestra contou com a participação de ex-alunos aprovados em universidades internacionais

P

ara muitos estudantes, cursar uma faculdade no exterior pode soar algo extremamente distante. Entretanto, com disciplina, dedicação e persistência, não é impossível. Todos os anos, os alunos do Colégio Etapa obtêm resultados expressivos em aprovações em universidades internacionais. Foi para falar sobre essa possibilidade que aconteceu no dia 9 de abril uma palestra voltada ao Ensino Médio. Contando com as dicas e experiências de dez ex-alunos do Etapa que aguardam o momento de embarcar para os Estados Unidos, onde passarão os anos de graduação, o Prof. Pablo Ganassim e o ex-aluno Henrique Vaz comandaram a conversa. Eles iniciaram destacando que os destinos possíveis são vários. França, Canadá, Japão e Coreia são alguns países bastante procurados – além dos Estados Unidos, é claro. É importante reforçar que cada país e cada universidade possuem um processo e um perfil diferente. Portanto, é imprescindível fazer uma pesquisa aprofundada para descobrir aquilo que tem mais a ver com os seus interesses, possibilidades e planos para o futuro. A partir daí, o candidato precisa começar a se preparar para o processo de admissão. Com relação aos Estados Unidos – principal escolha de estudantes internacionais em todo o mundo –, existem diversos itens: realização de provas específicas, como o SAT e o Toefl; preenchimento de formulários; envio de documentos; cartas de recomendação escritas por professores e diretores da escola; várias redações – bem diferentes daquelas exigidas pelos vestibulares brasileiros, pois têm um caráter mais pessoal. Também pode ser realizada uma entrevista ao final do processo. As particularidades dependem de cada universidade. Além disso, as atividades extracurriculares são bastante consideradas. Afinal, as instituições estão interessadas em alunos que aproveitem as oportunidades extraclasse que oferecem. “As atividades extracurriculares não podem ser efêmeras. Elas têm que mostrar que tiveram impacto e relevância na vida do estudante e das pessoas que ele envolveu”, explicou o Prof. Pablo. É importante não deixar para se preocupar com isso apenas na última hora e começar a se preparar o mais rápido possível, já que os processos de admissão exigem grande dedicação e atenção por parte do candidato. Como disse o Prof. Pablo, “não existe uma história única para se ter sucesso. Cada um dos alunos aprovados encontrou uma maneira de mostrar as suas potencialidades e realizar o seu sonho”.

AGENDA CULTURAL → São Paulo – Clube de Cinema (quintas, das 19h10min às 21h35min, sala 65) 08.05 – Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry: 2004) 15.05 – Cidade dos sonhos (David Lynch: 2001) → Valinhos – Clube de Cinema (sextas, das 14h05min às 15h45min) 09.05 – O túmulo dos vagalumes (Isao Takahata: 1988) 16.05 – Central do Brasil (Walter Salles: 1998)

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Fique ligado: todas as terças-feiras acontecem as Palestras de Profissões para os alunos de 2º e 3º anos do Ensino Médio!

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Jornal do Colégio Nº571  
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