Page 1

ACERCA DA SUPOSTA LEGITIMIDADE DAS DEMISSÕES EM MASSA NA AVIBRAS

I – As demissões não procedem porque a empresa teve, em 2009 e 2010, os melhores resultados nos últimos sete anos

Em documento oficial apresentado por Oliveira e Santarém Advogados Associados, a empresa alega a “total impossibilidade de manter os contratos de trabalho rescindidos”, por motivo de que “o lucro apresentado nos exercícios de 2009 e 2010, não se refere a lucro financeiro.” Porém, o resultado operacional da empresa (a produção real dos operários da empresa) gerou uma receita operacional líquida de R$ 189 milhões de reais em 2009 e R$ 201 milhões de reais em 2009 em 2010. Representam receitas recordes da empresa nos últimos sete anos. Teve um crescimento da receita na ordem de 6,3% acorde com o crescimento do PIB brasileiro em 2010. A empresa informou um lucro líquido de R$ 270 milhões em 2009 e um lucro líquido de quase R$ 8 milhões em 2010. Tanto a receita operacional quanto o lucro líquido seriam suficientes para manter a mão de obra da empresa (ultra especializada, cujo tipo de trabalho não existe em outras empresas). Porém, no mesmo documento, a empresa alega que o lucro líquido anunciado em seu balanço auditado 2009 e não auditado de 2010, A empresa alega tais lucros “não se refere a lucro financeiro, nem geração de caixa”, mas simplesmente, “de lucro contábil, que reflete uma situação tributária/fiscal” Contestamos esta afirmação porque este lucro líquido foi imobilizado (em um valor aproximado de R$ 207.527.000,00 reais), isto significa que a empresa pegou liquidez (dinheiro) de 2009 e colocou em imobilizado (talvez máquinas, prédios, móveis) em 2010, como atesta o balanço:


2010

2009

Inclusive, aproveitamos o ensejo para solicitar que a empresa publique a nota 9, que se refere ao valor imobilizado. Assim como todas as demais notas explicativas ao balanço, que são partes importantes do balanço e que não constam nos balanços apresentados neste egrégio tribunal. Portanto, pelo próprio balanço da empresa, ela fez investimentos em 2010 e o fez com dinheiro próprio já que o endividamento não cresceu entre 2009 e 2010. Solicitamos um esclarecimento da empresa sobre estes 207 milhões imobilizados no ano de 2010. Parte deste dinheiro imobilizado poderia ser usada para evitar a demissão destes 170 pais de família, que custam para a empresa somente R$ 926.865,49 reais por mês, segundo o valor da folha de pagamento anunciado pela empresa. Os operários estão pagando com seus empregos as dívidas antigas da empresa. E logo neste ano, onde se produziram os melhores resultados da empresa, quando ela saiu da recuperação judicial, repactuando o pagamento das dívidas de longo prazo, ganhando descontos destas dívidas por parte do Banco do Brasil, quando recuperou seu direito de conseguir empréstimos nos bancos no final de 2010 e às vésperas de fechar um contrato bilionário com o governo brasileiro, que para tanto o próprio sindicato tem se empenhado de pressionar o governo para assinar o contrato de desenvolvimento do projeto Astros 2020.


II – A AVIBRAS teve um lucro operacional recorde nos últimos anos

A Receita Operacional Líquida da empresa alcançou mais de R$ 200 milhões de reais em 2010. Isto significa que, por fora das dívidas antigas que a empresa carrega, ela goza de boa saúde operacional. Seus operários são produtivos e geram muito valor para a empresa. Os operários não devem ser responsabilizados pelas dívidas antigas da empresa. A empresa poderia priorizar a manutenção desta mão de obra especializada e não gerar o desgaste de uma demissão massiva. Isto gera uma crise entre os demitidos, mas também nos que ficam na empresa. É um trauma para todos os trabalhadores, portanto para a empresa também, que poderia ser evitado com apenas R$ 9 milhões de reais em uma produção de R$ 200 milhões. Solicitamos à empresa que busque a conciliação com seus funcionários, que evite o trauma de uma demissão massiva, que custará muito mais à empresa.


III – O Sindicato dos Metalúrgicos de São José sabe e entende as dificuldades que a empresa tem em conseguir novos clientes e contratos. Por isso, nos empenhamos com o governo brasileiro para aprovar e liberar as verbas do projeto Astros 2020. Fomos por duas vezes a Brasília, entrevistar-nos com o Ministro da Defesa e dos Assuntos Estratégicos para que acelerem os trâmites burocráticos do contrato referente ao projeto Astros 2020. O Sindicato, usando de toda boa vontade, pois seu papel não é procurar clientes para as empresas, foi atacado pela empresa quando agia em sua defesa. Foi um golpe baixo e desleal por parte dos proprietários da Avibras. Apesar disto, continuaremos exigindo do governo Dilma que garanta compras das Forças Armadas brasileiras de foguetes, mísseis, carros blindados, VANTs, etc. da Avibras. A empresa também se utilizou de má-fé com seus funcionários e o povo brasileiro, já que boa parte dos investimentos da empresa é realizada pelo governo brasileiro, portanto dinheiro público. Veja no quadro abaixo quanto o governo investiu na AVIBRAS:

Fonte: Relatórios financeiros anuais apresentados pela Avibras no Diário oficial do Estado de São Paulo

O governo brasileiro tem injetado na empresa uma média de R$ 37 milhões por ano entre 2003 e 2009, como mostra o gráfico acima. Isto é dinheiro público usado na empresa. A AVIBRAS paga isto com demissão massiva de trabalhadores que compõem o povo brasileiro, que está lhe financiando ano após ano. Esta atitude intransigente e desrespeitosa com quem produz e com os investimentos públicos brasileiros, é que leva o Sindicato a defender que a empresa seja estatizada. Exigimos da direção da AVIBRAS outra atitude. Que volte atrás nas demissões e que, juntos, exijamos do governo brasileiro contratos pesados que garantam a sobrevivência da empresa nos próximos anos. Assinam: Cristiano Monteiro da Silva (economista do ILAESE, Instituto Latino americano de Estudos Socioeconômicos) e Nazareno de Deus Godeiro (Coordenador Nacional do ILAESE)

Réplica ao Relatório Econômico da Avibras  

Réplica ao Relatório Econômico da Avibras