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Neville d’Almeida AlÊm Cinema 17 de maio a 8 de julho de 2012


Cinema campo A relevância cultural de uma trajetória artística pode ser medida pela qualidade das questões que ela mobiliza. Nesse sentido, uma trajetória que estabeleça uma relação complexa com seu entorno, evidenciando suas contradições e fazendo emergir suas facetas menos evidentes, merece uma atenção especial. Tal é a obra de Neville D’Almeida, presente no SESC Santo Amaro por meio do projeto Neville D’Almeida – Além Cinema. Neville nutre-se da aproximação a momentos fundamentais da arte brasileira – os parangolés de Helio Oiticica, o cinema marginal de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, a dramaturgia de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos – para criar um trabalho cuja força está ligada à capacidade de pensar os dilemas brasileiros sem se render a figurações simplistas. Trata-se de uma missão intrincada, já que aspectos centrais dessa realidade – sexualidade, violência, desequilíbrio social – são presença constante em sua poética, na qual aparecem de forma renovada.

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À multiplicidade de referências culturais, soma-se o interesse por múltiplas linguagens artísticas, nos impedindo de categorizar Neville unicamente como cineasta – a menos que pensemos no cinema num campo expandido, a ponto de abranger, por exemplo, suas Cosmococas (ambientes sensoriais feitos em parceria com Oiticica). Múltipla é também a recepção de sua obra: alguns de seus filmes foram assistidos por multidões, outros ficaram restritos a círculos especializados, e a crítica raramente foi homogênea em suas análises. Convergência de influências e linguagens, miríade de sentidos e provocações, Neville D’Almeida deve ser pensado à luz da ideia de diversidade. É emblemática, portanto, sua presença no SESC Santo Amaro, local vocacionado para acolher o diverso, que materializa em sua programação e em seus espaços o imperativo da ação cultural como instrumento para relacionar culturas – prova disso é o Mapeamento Sociocultural Santo Amaro em Rede, ferramenta digital que aproxima o público de artistas e coletivos de parte da Zona Sul paulistana e cercanias. Se a cultura adquire pleno sentido em seu movimento constante, o encontro entre a veia polivalente de Neville D’Almeida e o ambiente plural do SESC é pleno de possibilidades estéticas e culturais, contatos inesperados e novas significações. Danilo Santos de Miranda Diretor Regional do SESC São Paulo

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miNeiRo oU miNéRio...

CAUSA oU CoNSeQUÊNCi


...Talvez o símbolo das reticências consiga se aproximar em nível de signo ao mineiro Neville D’Almeida... Brutal e delicado. Combativo e bem ácido para alguns. Ousado e inventor de novas linguagens nos caminhos do cinema e da arte contemporânea... Para esclarecer: um artista de resultado! Aprendeu nos dois polos, o do ataque e do aplauso, que a criatividade é a sua força motriz. Pois com liberdade e ousadia, tornou-se um dos mais polêmicos cineastas brasileiro. Perseguido pela censura da ditadura militar teve alguns de seus filmes proibidos, interditados e jamais exibidos. Outros filmes foram proibidos, cortados e posteriormente exibidos. Com poesia, fala naturalmente de drogas, violência, amor, prostituição, contrabando, profecia e hipocrisia social, existencialismo, e afins... Cineasta e artista ligado a instalações, escultura e performance – ARTISTA que nasceu em Minas, vive no Rio de Janeiro com muita alegria e entusiasmo, mas é em São Paulo que recebe a oportunidade e a homenagem para apresentar entre maio e julho deste ano ao SESC SANTO AMARO – suas obras (visuais e cinematográficas) – com a retrospectiva completa (do que sobrou dela) de seus filmes clássicos e contemporâneos. Tem se dedicado a novas plataformas do cinema e das artes com dezenas de projetos culturais que envolvem fotografia, escultura, instalações, intervenções espaciais. O artista trabalha e mora numa Ilha no Rio de Janeiro. Ana Claudia Batista assistente e Neville D’Almeida artista

IA...


Quando se pensa na obra fílmica do cineasta Neville D’Almeida, logo vem à mente títulos de forte apelo carnal e sensual, sejam adaptações de Nelson Rodrigues (o grande sucesso de “A Dama do Lotação” e o controverso “Os Sete Gatinhos”), um roteiro original que deu o que falar à época do lançamento (“Rio Babilônia”) ou uma refilmagem de um clássico do chamado Cinema Marginal, “Matou a Família e Foi ao Cinema”. É bastante clara, porém, a ligação deste diretor e roteirista com o cinema “lado B” praticado na virada dos anos 1960/70, o off-Cinema Novo que, com nomes como Julio Bressane e Rogério Sganzerla à frente, entre tantos, fez uma releitura própria da cultura brasileira, das limitações de expressão impostas pela repressão militar e da então indigência estrutural de nosso cinema.

DA POLÍT Há uma “primeira metade” na obra de Neville que, bem menos conhecida e oficial, se associa a muitas das premissas do Cinema Marginal. O cineasta realizou cinco filmes entre o final dos anos 1960 e 1973, muitos em parceria com o ator e por vezes roteirista Guará Rodrigues, a começar por sua estreia, o politizado “Jardim de Guerra”, no qual investiu todo o dinheiro que tinha à época. É uma face underground de Neville que anuncia muitas das polêmicas posteriores em sua obra e o conecta estética e temporalmente com parte da geração experimentalista de cineastas de então. Obra esta que agora se descortina aos desavisados na retrospectiva que se apresenta. Christian Petermann crítico de cinema


TiCa À CARNe


Neville RoCKS


Aposto, na língua portuguesa, é um cartão de visitas gramatical. Trata-se daquela palavrinha ou expressão que, em relação de equivalência a um substantivo imediatamente anterior, ajuda a definir o termo ao qual se refere. Bom mineiro, Neville Duarte de Almeida gosta de usar um aposto um tanto quanto irreverente para se definir. Ao falar de si mesmo “o contrabandista da liberdade”. Seu contrabando já foi considerado ilegal isso lá nos tempos da ditadura. E hoje, mesmo com tudo (ou quase tudo) liberado, ele ainda é visto como um contraventor, ao menos no plano ideológico. Isso porque Neville D’Almeida contrabandeia inconformismo em forma de curta, média ou longa-metragem. Iluminado por Jean Genet e Kenneth Anger, a produção de Neville é uma crônica da devassidão que a hipocrisia (nossa) de todo dia provoca ao castrar o exercício cotidiano do prazer - sexual, afetivo, político e até artístico. Nudez, em seus filmes, não é luxúria gratuita, é um gesto de estetização da beleza - elemento que a repressão não faz murchar. Tesão é seu estilingue para matar o passarinho da caratice com a pedra polida da ousadia.

EVILLE ON THE


Nos anos 1960, a Censura escorraçou suas experiências com o audiovisual, defenestrando-o do planisfério cinéfilo, fazendo seus primeiros filmes caírem na névoa da invisibilidade, Mas depois dos 6.509.134 ingressos vendidos (isso nas contas da extinta Embrafilme, pois outras fontes falam em 7,5 milhões de pagantes) por “A Dama do Lotação”, em 1978, o escambo de ideias (e desejos) proposto por Neville ficou às claras, exposto, abençoado com o respeito do circuito exibidor. Aí o “contrabandista” obteve salvo-conduto moral. À força. À força de seu talento. Consagrado nas artes plásticas pela série “Cosmococas”, projeto multimídia que desenvolveu em parceria com Hélio Oiticica (19371980), Neville fez história no cinema brasileiro como “o marginal que deu certo”, o rebelde que faturou milhões. Provou do êxito ao mergulhar na obra de Nelson Rodrigues (1912-1980). Logo depois de “A Dama do Lotação”, ele arrastou 1.938.136 espectadores à força dos miados de orgasmos de “Os sete Gatinhos” (1980). O sucesso comercial de seu trânsito pelas taras rodriguianas deu vez a uma radiografia do submundo sexual carioca de “Rio Babilônia” (1982), visto por 900 mil pagantes e reprisado semanalmente até hoje em canais de todo o Brasil. Todo o êxito alcançado a partir de 1978 contrasta com sua fase inicial como realizador, vetada das telas. Dela fazem parte: “Surucucu Catiripapo” (1973), “The Night Cats” (1972), “Mangue-Bangue” (1971) e “Jardim de Guerra” (1968), sua obra-prima formal, premiada no Festival de Brasília. Mas a dor de ser invisível vezes por outra atinge o diretor. Depois de seu ápice como chamariz de plateias, ele viu sua relação com o público se embananar com a refilmagem de “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1990) e com a (subestimada) adaptação de “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos, lançado em 1997 como um evangelho pasoliniano. Desde a década de 1990, nenhum de seus projetos teve espaço nas planilhas dos distribuidores. “É engraçado saber que, mesmo tendo sido censurado durante o regime militar, eu consegui fazer mais filmes na ditadura, nos anos 60 e 70, do que na Retomada. A censura muda de forma. Os hipócritas e os fariseus são muito bem organizados”, disse o diretor, numa entrevista ao GLOBO, em outubro de 2010.


Na ocasião, Neville comemorava a notícia de ser contemplado com uma verba de R$ 1 milhão do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para adaptar a peça “A Frente Fria que a Chuva Traz”, do dramaturgo paranaense Mário Bortolotto. Aquele foi um lampejo de coragem da classe cinematográfica do cinema brasileiro, num indicativo de que “o menino mau” Neville poderia brincar de novo no parquinho da produção audiovisual. A diferença de Neville para muitos de seus pares é que ele traz em si as cicatrizes de quem foi rejeitado todas as formas de moralismo, seja ela fardada ou dolarizada. A sorte de Neville é que, além de boas ideias, ele tem boas memórias. E graças a elas, sabe viver, criar e resistir. “Fui garçom no restaurante Yellow Fingers em Nova York”, contou Neville, numa entrevista, em 2010. “Um dia, Glauber Rocha apareceu lá, do nada, encostou no balcão e me disse: ‘Precisamos falar da revolução do cinema brasileiro.’ Pensei: ‘É esse o meu barato.’ Mas disse: ‘Glauber, são 22h e só saio à 1h.’ E ele: ‘Tudo bem. Eu espero.’ E ele ficou lá, sentado, esperando três horas para falar de cinema. Eu saí de BH, onde via Jean Renoir, Jean Vigo, De Sica e Rossellini no Centro de Estudos Cinematográficos, o CEC, e fui para o New York City College estudar com aposentados de Hollywood. Um dia, virei para um professor e disse: ‘What about Eisenstein? What about Renoir?’ Ele respondeu que não conhecia aquela gente: ‘Here, there’s only one cinema: American cinema’ (Aqui, só tem um cinema: o cinema americano). Ali, eu me dei conta de que aprendi mais de cinema em BH do que nos EUA, e, de tanto brigar, acabei expulso. Mas eu me virei. Sempre me viro. Ficar sem filmar é que não dá”. Rodrigo Fonseca jornalista


TexTo Filme Nevil d’Alm


oS eS de lle meidA comentários de Geraldo Veloso GRÁTiS

Não recomendado para menores de 16 anos


1968 JARdim de GUeRRA Teatro O primeiro longa metragem de Neville d’Almeida é parte de uma série de filmes que começam a pontuar naquele ano 22/05 de 1968. “O Bandido da Luz Vermelha”, de Sganzerla, “Blá, Ter 18h Blá, Blá”, de Andrea Tonacci, “A Vida Provisória”, de Maurício Gomes Leite, “Dezesperato”, de Sérginho Bernardes, “Fome 26/06 de Amor”, de Nelson Pereira dos Santos, são pontos de Ter 20h demarcação de um cinema que necessariamente trazia uma reflexão política sobre um momento decisivo para a história contemporânea do mundo (e especialmente do Brasil, que acabou o ano com a instauração do AI-5). Um encontro entre Neville e Jorge Mautner, produziu a ideia central de “Jardim de Guerra”. Neville, uma figura carismática e uma liderança “low profile”, foi um dos mais influentes inspiradores de um cinema que veio a desaguar naquilo que passou a se chamar “cinema marginal” (nome “dado” por Luiz Carlos Barreto, em uma tarde, no escritório de Billy Davis, para Neville, Geraldo Veloso e outros, que lá estavam). O filme é um discurso síntese de todas as preocupações que afloravam naquele momento, antecipatório de muitas coisas que viriam a pontuar a agenda política dos anos subsequentes: a ecologia, o atavismo poético mineiro, a preocupação com a Amazônia, o vazio ideológico que a fragmentação da esquerda mundial passou a viver. E sobretudo, a poesia. Neville, com seu filme, afirma uma originalidade total, no panorama do cinema brasileiro daquele ano.


1970 piRANHAS do ASFAlTo

CÓPIA DESAPARECIDA

Num ano que a radicalização política provocada pelo desenvolvimento da ação clandestina de grupos de resistência à ditadura militar, cada vez mais violenta, o cinema que se faz é um dos momentos mais produtivos daquilo que passou a ser uma nova tendência do cinema feito no país. Tonacci filma “Bangue Bangue”, Sylvio Lanna, o seu “Sagrada Família”, Csrlos Prates Correia, estreia no longa metragem, com o seu “Crioulo Doido”, Elyseu Visconti, nos dá o seu “Os Monstros de Babaloo”, surge “Perdidos e Malditos”, de Geraldo Veloso e aparece o fenômeno Belair, de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignez. Neville, dando sequência à sua presença no panorama criativo do cinema livre, inventivo e radicalmente original, filma “Piranhas do Asfalto”, com Paulo Villaça (no momento, seu sócio na produtora Stella Dallas), Marcelo França, Maria Gladys, Betty Faria, Maria do Rosário, Carlão Figueiredo, entre outros. É uma crônica poética radical do momento de busca de uma reação ao sufoco repressivo que era proposto pelo sistema político dominante. Um grito de liberdade, selvagem e original.


1971 mANGUe BANGUe Teatro No ano que antecede a uma revoada de talentos em direção ao exílio (obrigado ou voluntário), de muitos 03/07 talentos do cinema, Neville se une a Hélio Oiticica, que Ter 20h o leva para o Mangue, no Rio. Lá conhece “Jimi Hendrix” e cria a crônica do “droping out” de uma geração, representado por Paulo Villaça, que cria um personagem típico, um corretor da bolsa que rompe com a rotina do executivo em direção à fortuna (a bolsa de valores era um momento de enriquecimento instantâneo que o processo do “Brasil Grande” acenava para muita gente). A coragem crua, o autodesnudamento (literal) de Neville, a reflexão provocada pelo mergulho lisérgico dos criadores, a vivência da comunidade criativa Bandeira Dois, da rua João Afonso, no Humaitá, no Rio (Sérgio Bandeyra, Érico de Freitas, Maria Gladys e outros), são os pontos fortes deste “documentário” de um momento fundamental da vida alternativa brasileira.


1972 SURUCUCU CATiRipApo CÓPIA

DESAPARECIDA

Numa linha de militância de uma crônica da tribo de “resistência” ao impulso de implantação da “caretice”, pelo sistema político vigente, Neville (depois da sua experiência inacabada londrina, “Night Cats”, que é, coerentemente, este olhar sobre as tribos brasileiras que aportaram em Londres, ao final de 1971), vem ao Brasil, num trânsito permanente entre Rio, Londres, Nova Iorque, e filma “Surucucu Catiripapo”, onde pontuam alguns ícones de representação de uma época: o Pier de Ipanema (a construção do emissário submarino em frente à praia da Rua Montenegro, sob cuja “sombra” surgiu uma geração que ganhou a sua denominação - “geração pier”), Sandro Solviatti, o Sandrão, uma mala (ah, as malas nos filmes de Neville!). Um balé de câmera e de loucura, coreografados com precisão e liberdade, por Neville.


1978 A dAmA do loTAÇÃo Teatro Muito menos preocupado em criar um “blockbuster”, que em realizar um mergulho em um ícone de fascinação de 22/05 nossa geração, Nelson Rodrigues (objeto permanente Ter 20h de leitura, discussões, fruição iconoclástica, imitação estilística, etc.), Neville vai criar um mergulho reflexivo no 05/06 universo deste gênio, pelo aproveitamento de uma crônica Ter 18h da sua série “A Vida Como Ela É”, adensada por muitas outros apêndices nelsonrodrigueanos. O “blockbuster” é um fenômeno produzido por muitos outros fatores: a explosão do mito Sônia Braga (depois da sua participação na novela antológica da TV Globo, “Gabriela, Cravo e Canela”, numa leitura da unanimidade nacional, Jorge Amado), a redescoberta de Nelson Rodrigues, por Arnaldo Jabor (“Toda Nudez Será Castigada”), a política agressiva de conquista de mercado (até hoje não contrastada) pela Embrafilme, da gestão de Roberto Farias (capitaneada por Gustavo Dahl, o superintendente de comercialização da empresa), que produziu outros fenômenos de bilheteria (“Dona Flor”, “Xica da Silva”, entre outros), entre muitas outros fatores. Mas é um filme de “maturidade” de Neville. Um domínio artesanal cinematográfico pontua a narração deste “road movie” (!) em direção à busca de um universo de revelação da sexualidade (feminina e masculina) em direção ao patético da vida.


1980 oS SeTe GATiNHoS Teatro Nelson adorou Neville e permitiu-lhe o repeteco de trabalho com um de seus “clássicos” para o teatro: 29/05 “Os Sete Gatinhos”. É um filme clássico. Neville, Ter 20h amadurecido, com prestígio profissional consagrado, reúne um dos elencos mais vigorosos do cinema 19/06 brasileiro na sua transposição para a tela dessa Ter 18h tragédia suburbana carioca, delirante e reveladora. Lima Duarte, Aninha Magalhães, Cristina Aché, Antônio Fagundes, Regina Casé, Telma Reston, são parte de uma trupe de atores que melhor se mesclou em um trabalho em torno de Nelson Rodrigues. Uma linguagem contida, pontua discretamente um texto denso e impactante, representado pelos melhores atores brasileiros, extremamente bem dirigidos por Neville. É das mais impressionantes adaptações de Nelson Rodrigues que o cinema já teve (provavelmente como “Boca de Ouro”, de Nelson Pereira dos Santos e “A Falecida”, de Leon Hirszman).


1982 Rio BABilÔNiA teatro Aqui Neville retorna à sua vocação de produtor de argumentos. Uma história desenvolvida por amigos 19/06 históricos (Ezequiel Neves, seu mais influente amigo, Ter 20h desde sempre, João Carlos Rodrigues) e uma realização respaldada por Guaracy Rodrigues (sempre o Guará), nos dá um filme que é provavelmente a sua aposta mais ambiciosa. Um filme autoral radical e de grande produção. Livre e cirúrgico, sua câmera (com foto e sua operação) do amigo, Edson Santos, acompanha um elenco impressionante (a volta da cumplicidade criativa de Joel Barcellos), numa incursão em um Rio de Janeiro selvagem e sublime, numa sinfonia de imagens, situações e personagens, inédita no cinema brasileiro. Afirmação total de seu potencial criativo. Neville, em tom maior. A música de Lincoln Olivetti (o tema principal) é carismática e moleque, como o filme exige. Obra maior de afirmação da originalidade da trajetória de Neville, no cinema brasileiro.


1991 mAToU A FAmÍliA e Foi Ao CiNemA teatro Refilmagem de um clássico de Júlio Bressane. Uma homenagem ao grande amigo. Estão para ser definidas, por 12/06 um processo de observação e reflexão, as interações criativas Ter 20h geracionais produzidas por Neville d’Almeida sobre a sua geração (Júlio, Sganzerla, Eliseu Visconti, Geraldo Veloso, entre outros). Esta segunda versão de um tema original de Júlio, um filme de transição radical do seu trabalho (realizado paralelamente com “O Anjo Nasceu”), é levada a uma chave criativa onde Neville incorpora as ideias básicas do argumento original, a leituras completamente novas da intrincada teia de relações sexuais, afetivas, éticas, comportamentais e, sobretudo, estéticas propostas por Júlio, em seu projeto de origem. Um elenco de primeiríssima linha (é impressionante como Neville trabalha com os atores, que o adoram, como profissional) repete de forma nova, o desenrolar dessa história que permeia vários “mundos” (o subúrbio, a alta burguesia, a classe média), criando uma síntese épica e humana, das relações entre as pessoas.


1997 NAvAlHA NA CARNe teatro Mais uma “revisita” a um tema já abordado pelo cinema. Plínio Marcos já tinha sido filmado por Braz 29/05 Chediak (que também já havia adaptado para o Ter 18h cinema, o seu “Dois Perdidos Numa Noite Suja”). Neville retoma o argumento (a peça de Plínio) Ao contrário da 26/06 adaptação de Chediak, literal e “claustrofóbica”, Neville Ter 18h (autor do roteiro) explode o espaço dramatúrgico e cria um universo, inteiramente fiel a Plínio Marcos, com um elenco riquíssimo, que representa uma gama enorme de personagens recriados. Atores como Vera Fischer, Jorge Perrugoria, Carlos Loffler e dezenas de outros (uma ponta significativa de Guará, o eterno “escudeiro”). O filme é dedicado a amigos e companheiros de estrada, muito significativos: Paulo Villaça, Hélio Oiticica e Sandro Solviatti (o Sandrão).


2008 mAKSUARA, o CRepÚSCUlo doS deUSeS teatro Uma visão do paraíso. Neville, como o filme anuncia, busca um processo de transferência de experiência de vida, como seus 12/06 personagens/fábula/reais o fazem: com o filho Tamur Aimará, Ter 18h embrenha-se na selva e busca uma leitura do que podemos chamar de choque cultural, e comunga com o filho, a visão de um mundo de poesia e harmonia com a natureza. É um filme síntese de preocupações e incursões de Neville (lembram-se de “Jardim de Guerra”, onde o discurso é explícito?) ao Amazonas, sua convivência com o universo da cultura Kaiapó (em 1989 vai a um encontro de culturas indígenas onde está presente Sting e outros personagens que levaram o “recado” da “rain forrest” para o mundo, e registra o encontro) e, sobretudo, na sua entressafra em busca de novas formas de expressão (o vídeo) que o tornam um protagonista/técnico de seu próprio projeto expressivo (passa a operar o seu próprio registro em experiências visuais requintadas, abstratas, sensuais). Poesia pura, de sons delicados da floresta, imagens idílicas de uma cultura que não pode morrer. Mas está prestes a perder a pureza. “Maksuara, O Crepúsculo dos Deuses” é uma obra prima de sensibilidade e de poesia etnográfica.


HoJe é diA de RoCK teatro Uma trajetória de coerência (poderia dizer, mesmo, linear ver seus filmes, nessa retrospectiva, nos proporcionará essa 05/06 percepção, certamente) que se confunde numa dimensão que Ter 20h “produz” um tempo: personagem de sua história, observador dele, ator de seu “teatro”, Neville conviveu (e convive) com figuras que mostraram, testemunharam e se tornaram vítimas de sua lucidez. Leilah Assunção (sua namorada e admiradora, por muito tempo), Isabel Câmara (uma mineira sensível, complexa e brilhante), Antônio Bivar e José Vicente (outro mineiro sofrido, conflituado e lúcido), todos amigos de Neville, e seus contemporâneos, irmãos de sensibilidade. Zé Vicente foi um cometa que pontuou o seu tempo com uma lucidez extemporânea. Essa lucidez o colocou em dessintonia com seus contemporâneos (a “galera” - mas não com seus sensíveis cúmplices de trajetória) nos deu belos testemunhos da sua geração e suas preocupações. Waltinho Lima Júnior o filmou, em 1970 (“O Assalto”) e Neville se debruça sobre um dos seus espetáculos mais comprometidos com a observação da sua geração, “Hoje é Dia de Rock”. Neville não poderia deixar de homenagear o seu irmão de contemporâneidade.


A FRENTE FR AS BOAS NOV NEVILLE TRA Neville D’Almeida sempre esteve próximo do teatro. Eu lembro da chamada de “A Dama do Lotação” na televisão. O próprio Nelson Rodrigues aparecia e dizia algo sobre o filme. Não lembro bem agora o que era, mas jamais vou esquecer aquela expressão (e aquela voz) meio que saída de um filme B de terror convidando as pessoas a “testemunharem” o filme. Fui ver o filme por causa do Nelson, por causa da Sonia (ah, não há cartaz mais sensual na história do cinema mundial. Eu era garoto ainda – estava no seminário - e ficava teso só de olhar aquele cartaz na porta do cinema), é claro, e fiquei fã do Neville. Depois assisti “Rio Babilônia” e chapei. Era melhor ainda. Se alguém quiser entender o que estava acontecendo no Rio de Janeiro no começo dos 80 tem que assistir esse filme. Neville já tinha feito “Hoje é Dia de Rock”, adaptação da peça do genial Zé Vicente (do qual tive o privilégio de trabalhar como ator na montagem do inédito “Santidade” sob a direção do mito Fauzi Arap) e depois ainda voltou pro Nelson com “Os 7 Gatinhos” – adaptação das mais acertadas com uma Regina Casé brilhante - e mergulhou em Plinio Marcos com “Navalha na Carne”.


RIA E OVAS QUE AZ

E aí ele me apareceu com essa ideia de adaptar a minha peça “A Frente Fria que a Chuva Traz”. Gostei da ideia, porque Neville ama o cinema, mas também ama o teatro. Lembro do diretor de outra adaptação minha para o cinema (adaptação essa que repudio categoricamente) interpelando o Neville na saída da estreia e dizendo: “Você tem que me ajudar a fazer o Mário entender que nós cineastas, temos que ter total liberdade pra mexer nas obras dos dramaturgos. Cinema é cinema e teatro é teatro” (enfim, o tipo de clichê que eles sempre falam). Neville retrucou prontamente: “Eu não preciso mexer num texto de teatro pra fazer ele virar cinema. O que eu preciso é encher o texto de teatro de cinema”. Achei perfeita sua colocação e fiquei com mais vontade ainda que ele realmente conseguisse adaptar a minha peça. Neville esteve noite dessas lá no Teatro que estou cumprindo um projeto durante esse ano e participou de um debate com o público. Toda a sua fala foi uma declaração de amor ao cinema. Uma declaração emocionada aos amigos e às pessoas que admira. Quem esteve lá, saiu com a alma pronta pra ir pro varal e com esperança renovada no poder da arte que tentam exercer ou que simplesmente admiram. O cinema tem que fazer mais por merecer um sujeito como Neville. Ele merece o teatro que admira e o teatro fica feliz por essa admiração. E tanto o teatro como o cinema assim como o próprio Neville só tem a ganhar com essa aproximação. Estou começando a sentir a frente fria que se aproxima e dessa vez me parece que bons augúrios a acompanham. Mário Bortolotto dramaturgo


Foto: Bob Sousa


Teatro

Teatro os Sete Gatinhos $ Uma forte e original releitura. A tragédia de 1958 é centrada na família do funcionário público Noronha, na 18 e 19 qual todos se sacrificam, sem pudor algum, em torno de um objetivo: fazer com que a caçula, Silene, se case Sex e sab virgem. Quando a garota é expulsa do colégio interno por 20h estar grávida, o clã entra em colapso. Em uma montagem irreverente e inventiva, o diretor transformou o cenário principal no próprio inferno, inseriu números musicais e em nenhum momento subtrai elementos da trama original ou menospreza a essência dos personagens de Nelson Rodrigues. Ficha-Técnica. Direção: Nelson Baskerville. Com Renato Borghi, Élcio Nogueira, Roberto Arduin, Roberto Borenstein, Willians Mezzacapa, Michel Waisman, Gabriela Fontana, Caroline Carreiro, Greta Antoine, Debora Veneziane e Adriana Guerra. 80 min.

Espaço Navalha na Carne das Artes Esta montagem do texto de Plínio Marcos recria os $ conflitos de interesse, a fragilidade psicológica e a confusão de sentimentos da relação de um cafetão e 04,05,06 uma prostituta, além da atmosfera violenta e decadente e 07/07 de uma zona marginal. Inicialmente, tendo recusado o palco, a montagem cumpriu duas temporadas dentro de qua, qui, quartos de hotel de alta rotatividade no centro do Rio de sex e SAB Janeiro. Aqui, adaptada, manterá a proposta de realçar 20h a contundência da obra de Plínio Marcos e aproximar demasiadamente o espectador de uma realidade miserável nos aspectos afetivo, social e econômico. Direção: Rubens Camelo. Com Marta Paret, Rogerio Barros e Rodolfo Mesquita (RJ). Duração: 48 minutos. $

R$ 16,00 (inteira); R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Não recomendado para menores de 16 anos


NEVILLE ARTES PL Neville D’Almeida faz arte: transita pelo cinema e artes plásticas, mantendo nesse percurso a qualidade de um artista primordialmente sensorial. Em sua produção artística, os filmes alternam-se com trabalhos plásticos que utilizam os recursos da fotografia, das mídias digitais e da construção de ambientes. Cosmococa-programa ‘in progress’ (1973-74), série realizada com Helio Oiticica, conta com nove blocos, dois apenas esboçados e cinco deles com a presença de Neville. Cada um desses cinco inclui slides em sequência, trilha sonora, cenário, instruções de performance para o espectador, configurando uma ambientação que solicita o uso de todo corpo para fruir a obra, não apenas o olho, mas olfato, audição, tato e percepção cinestésica. Oiticica escreveu na ocasião: “a Neville interessa gadunhar a plasticidade sensorial do ambiente que quer como se fora artista plástico (e o é mais q ninguém)”. Hoje os cinco blocos estão montados em um pavilhão especial em Inhotim, Minas Gerais. No entanto, o projeto ficou vinte anos totalmente desconhecido do público, entre outros fatores, especialmente devido aos slides que mostravam desenhos feitos com cocaína nas superfícies de LPs, livros e pôsteres. Dois dos blocos foram montados pela primeira vez apenas em 1992, na retrospectiva de Helio Oiticica em países da Europa; no Brasil, o bloco CC5Hendrix-War foi apresentado em São Paulo, em 1994, mostrando a faceta de artista plástico de Neville de Almeida, até então pouco conhecida. Durante uma das atividades de cineasta, Neville teve um encontro que marcou sua trajetória artística recente. Gravou cenas de uma aldeia indígena Kayapó na Amazônia para o longa-metragem Maksuara, em 2003, e estas imagens tem acompanhado parte de seus trabalhos em artes plásticas. Tabamazônica resultou do impacto dessa experiência.


E AS PLÁSTICAS Construída em 2009, essa obra consiste em uma oca indígena onde seis projetores mostram imagens e sons de cenas diversas de uma festa e do cotidiano indígena. São imagens digitais, não mais fotogramas, que se expandem em vertiginoso movimento pelas paredes, chão, teto da taba, e pela superfície dos corpos de quem entra naquele espaço. Escolhida para a Bienal de Veneza de 2010, não pôde ser levada por falta de verba. Neville enviou, porém, um vídeo especial editado com algumas cenas gravadas na aldeia Kayapó, denominado Verde Moreno. Segundo Neville, “a linguagem do olho é a linguagem-frame”. Na série Kayapoemas, apresentada em 2011, na Bienal de Curitiba, a visualidade bidimensional é retomada a partir de stills do vídeo projetado na Tabamazônica e de pinturas gráficas indígenas com sobreposição de objetos e desenhos feitos com trilhas do pó vermelho urucum. Os poemas são construídos com tais elementos e fotografados para a exposição. São poemas visuais, prescindem das palavras e se realizam no jogo de formas e arranjos surpreendentes. Entretanto, Neville vai além da linguagem do olho em vários outros trabalhos: ocupa-se em inventar espaços em que a fruição da obra de arte ocorre mediante vários outros sentidos. O espectador parece ser colocado dentro de um set de filmagem, com som, objetos, imagens e é convidado a se deixar transportar pelas sensações e a manter-se atento ao trajeto que percorre. Beatriz Scigliano Carneiro Doutora em Ciências Sociais, pesquisadora no Núcleo de Sociabilidade Libertaria –NuSol, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


ARTeS De 17/05 a 08/07 Ter sex das 10h às 19h Sáb, dom e fer das 10h às 19h Grátis

De 17/05 a 08/07 Ter a dom das 10h às 22h Grátis

Cinelotação Um ônibus, como plataforma expositiva, expõe em sua lataria fotos e registros históricos do cineasta Neville D’Almeida. No seu interior, exibe documentários, curtas-metragens, vídeos digitais, entrevistas e produções em Super 8, consideradas uma das mais prolificas dos anos 70. Convivência. Não recomendado para menores de 14 anos

Kayapoemas Foto-poemas-visuais realizados com a intervenção de desenhos diretamente sobre fotografias da tribo dos índios Kaiapo. São diálogos com a série de fotografias das Cosmococas criadas por Neville D’Álmeida e Hélio Oiticica nos anos 60. Mas aqui Neville promove o cruzamento entre a tradição da poesia visual brasileira e sua própria produção. Neville acredita que a poesia em si traduz aquilo que podemos chamar “arte”, isto significa que deve haver de fato um eixo poético que faça da obra um objeto distinto e reflexivo. Sala de múltiplo uso. Livre para todos os públicos

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lÁSTiCAS viSUAiS


meU AmiGo Neville


Neville D’Almeida, eu o conheci em Nova Iorque no início de 1966. Logo nos tornamos amigos, conversávamos muito sobre todos os assuntos, poesia, literatura, filosofia, política, artes, tudo naturalmente ligado ao cinema. Neville se trajou sempre elegantemente, e tudo que ele falava e pensava transpirava cinema por todos os poros. Fiquei muito impressionado quando ele me contou que estava presente assistindo Malcolm X falar, quando foi assassinado, claro que falávamos muito em política, revolução, Vietnã e Che Guevara. Neville investiu todo seu dinheiro que havia ganho, trabalhando como garçom sempre com muita elegância. O filme “Jardim de Guerra”, o qual eu fiz o argumento, e compareço como ator, foi o filme mais censurado do regime militar, aquele que teve o maior número de cortes. Dos outros filmes, como “Rio Babilônia”, “Os Sete Gatinhos” e “Dama da Lotação”, eu não participei. Apenas tivemos conversas sobre “Os Sete Gatinhos”. Neville D’Almeida é um grande e genial cineasta e através de seus filmes sempre expressou sua preocupação em retratar e interpretar as harmonias humanas, suas alegrias, com imensa preocupação pelo social e pela história, ele é também um precursor e um inovador nessa arte cinematográfica, sempre com muita coragem, elegância e talento excepcional de cercar-se de grandes nomes, em torno dele e de seu trabalho, tais como: Dib Lufti, seu amigo Bigode, Ezequiel Neves e outros. Ele também sempre deu imensa importância à trilha sonora e as escolhas das músicas sempre foram, quase em sua maioria, sua escolha. “Jardim de Guerra” é uma fábula que claramente se coloca contra o regime militar, é também um tema inédito, pois envolve o réu inocente e sem saber que leva em sua mala armas para insurreição, esse tema foi usado anos mais tarde por um famoso diretor internacional. Jorge Mautner músico


24/05 Jorge mautner e Nelson Jacobina Qui 20h cantam e tocam Jardim de Guerra $ Este show do cantor e violinista Jorge Mautner relembra algumas músicas do filme Jardim de Guerra, o qual Jorge escreveu o argumento e que são resgatadas neste espetáculo. “Vampiro”, “Olhar Bestial”, “Sapo Cururu”, “Eu Não peço Desculpa” , “Homem Bomba” e “Manjar de Reis” estarão no repertório que, além de canções, Mautner traz poesia e filosofia ao lado de seu parceiro ao violão, Nelson Jacobina. Teatro.

13/06 Tetine toca Rio Babilônia Qua 20h A dupla de músicos residente em Londres reinventa ao vivo $ novas sonoridades para o filme ‘Rio Babilônia’, de Neville D’Almeida. A dupla, formada em 1995 por Bruno Verner e Eliete Mejorado, trafega por universos inusitados da performance art, da música eletrônica e da videoarte, através de sintetizadores eletrônicos, samplers, piano, voz e baixo. Utilizam ainda canções de seus últimos álbuns, ‘Vodoodance & Others Stories’ (2011) e ‘From a Forest Near You’ (2010). Teatro.

21/06 André Abujamra toca A dama do lotação Qui 20h O cantor, compositor e multi-instrumentista paulista $ André Abujamra executa, ao vivo, novas sonoridades para o filme ‘Dama do Lotação’, de Neville D’Almeida. Teatro.

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R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Não recomendado para menores de 14 anos


mĂşsica Foto: Daryan Dorneles


ENCONTROS 31/05 Maria Gladys lê e Interpreta ‘Matou Qui 21h a Família e Foi ao Cinema’ Grátis A atriz é uma das musas do Cinema Marginal, participando de mais de vinte filmes durante esse período, destacandose ‘Matou a Família e Foi ao Cinema’, onde interpreta quatro papéis no filme. Sua trajetória no cinema é tão marcante que foi tema do curta “Maria Gladys, Uma Atriz Brasileira” (1979), de Norma Bengell, e do documentário “Vida” (2008), de Paula Gaitán. Vagas Limitadas. Local: CineLotação (Espaço de Convivência). 05/06 Lima Duarte ter 20h Ao criar personagens marcados pela originalidade e de grande Grátis apelo popular, o artista tornou-se um ícone da dramaturgia brasileira. Do rádio, aos primórdios da televisão, Lima marcou sua passagem no teatro e em mais de quarenta filmes, entre eles ‘Os Sete Gatinhos’. Neste encontro, ele relembra seu trabalho com o cineasta Neville D’Almeida. Local: Cine Lotação. 06/06 Joel Barcellos lê e interpreta Qua 20h Jardim de Guerra Grátis Parceiro de Neville em diversas produções, o ator Joel Barcellos apresenta o roteiro do filme que marcou de maneira significativa a sua biografia profissional. Vagas limitadas. Local: CineLotação (Espaço de Convivência). 28/06 Paulo César Pereiro lê e Qui 20h interpreta A Dama do Lotação Grátis Uma das características de Pereio é a sua irreverência e personalidade que imprime em seus personagens, seja no teatro, televisão e cinema. Neste encontro, o ator apresenta sua visão do clássico ‘Dama do Lotação’. Vagas limitadas. Local: CineLotação (Espaço de Convivência).


03/07 A Redescoberta de Mangue Bangue ter 19h Produzido em 1971 e dado como desaparecido há mais de trinta Grátis anos, o filme foi encontrado na cinemateca do MOMA em 2006. O cineasta Geraldo Veloso comenta o filme que refez o pacto entre Helio Oiticica e Neville e que detonou o processo do QuaseCinema que ambos desenvolveram nas Cosmococas. Local: Teatro. Não recomendado para menores de 14 anos 08/07 Nuno Leal Maia dom 17h O ator conversa com o público sobre o seu trabalho com o Grátis cineasta Neville D’Almeida em ‘A Dama do Lotação’, comenta sobre os bastidores da filmagem e a sua marcante trajetória no cinema. Local: CineLotação (Espaço de Convivência).

WORKSHOPS 24 e 25/05 qui e sex das 14h às 17h $

Cinema Marginal Os encontros percorrem as filmografias de diretores considerados malditos/marginais, bem como suas temáticas. 20 vagas. Local: Espaço das Artes. Com Christian Petermann. Inscrições na Central de Atendimento.

30 e 31/05 qua e qui das 15h às 18h $

Fernando Pimenta Autor do cartaz de Os Sete Gatinhos, de Neville D’Almeida, o artista Fernando Pimenta é considerado um dos maiores criadores de cartazes e vinhetas, tendo trabalhado em mais de duzentas campanhas de filmes brasileiros. Em 1979, foi nomeado diretor de criação da Embrafilme. Ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais por cartazes que criou para filmes como Bye bye Brasil (1979), de Carlos Diegues, Eu sei que vou te amar (1986), de Arnaldo Jabor, e A cor de seu destino (1986), de Jorge Duran, além de prêmios pelo conjunto de sua obra. Seus cartazes ganharam exposições em diversos lugares do mundo, como Cuba, Paris e Nova York. Neste encontro, Fernando irá abordar as técnicas para elaboração e desenvolvimento de cartazes de cinema. Local: Sala de Oficinas.


16 e 17/06 sab e dom das 15h às 18h $

J.L.Benicio José Luiz Benicio é responsável pela criação de centenas cartazes na produção do cinema nacional. O artista aplicou sua inconfundível técnica de ilustração em gouache em mais de 300 trabalhos que vão desde o clássico período da chanchada, passando pelos 30 desenhos da série “Os Trapalhões”, além de sucessos do cinema nacional. O artista orienta os alunos a confeccionar cartazes valorizando a peça como uma importante ferramenta de venda do filme. Salas de Oficinas. 15 vagas. Inscrições na Central de Atendimento.

DEBATES 23/05 O Cinema Marginal e o Cinema de Neville qua 20h A obra de Neville D’Almeida encontra-se no centro de um Grátis debate sobre mercado e experimentalismo no cinema e também no bojo de questões sobre a geração que produziu nos anos 60 e 70 e que ganhou títulos como Cinema Marginal ou Cinema de Invenção. O que estes títulos deixam escapar de central para suas obras? Como elas devem ser absorvidas pela crítica e quais os pontos de atrito com o público? São muitas as questões que advém de um debate com Neville e Jorge Mautner - artistas cuja marca é a provocação. Debatedores: Neville D’Almeida (cineasta, fotógrafo, artista plástico e visual) e Jorge Mautner (ator, cantor e compositor). Mediação: Rejane Arruda (mestre em Artes Cênicas e pesquisadora no Centro de Pesquisa em Experimentação Cênica do Ator da Universidade de São Paulo; professora de Direção de Atores na Academia Internacional de São Paulo). Vagas Limitadas. Local: Espaço das Artes.

Não recomendado para menores de 14 anos


20/06 Artes Visuais nas Telas, de qua 20h Cinema e das Galerias Grátis As artes plásticas muitas vezes é uma referência direta para obras de cinema de cunho experimental. O encontro irá discutir esta relação e como ela pode ser potencializada no discurso fílmico que tanto Neville se apropriou. Debatedores: Rubens Machado (professor livre-docente em Teoria e História do Cinema no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Curador da Mostra Marginália 70) e Fabio Camarneiro (roteirista e mestre em comunicação audiovisual pela ECA / USP. Professor de roteiro e linguagem cinematográfica na Academia Internacional de Cinema e no Bacharelado em Audiovisual do SENAC). Mediação: Rejane Arruda. Vagas Limitadas. Local: Espaço das Artes. 04/07 Adaptações: Teatro e Cinema, qua 19h convergências e divergências Grátis Este ano é o centenário de nascimento de Nelson Rodrigues - autor presente no cinema de Neville D’Almeida, assim como Plinio Marcos e José Vicente. Será debatido como a dramaturgia destes autores podem servir a duas poéticas distintas, quais as particularidades de suas relações com uma e com outra e quais as questões que daí advém. Debatedores: Ismail Xavier (doutor em Cinema pelo New York University e professor em Teoria e História do Cinema no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA/USP; autor dos livros Sertão Mar, Alegorias do Subdesenvolvimento e O Olhar e a Cena) e Hector Babenco (cineasta e diretor das peças ‘Louco de Amor’ (1988), ‘Closer’ (2000) e ‘Hell’ (2010)). Mediação: Rejane Arruda. Vagas Limitadas. Local: Espaço das Artes.

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R$ 8,00 (inteira); R$ 4,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).


SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO Administração Regional no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Danilo Santos de Miranda Superintendentes Técnico Social Joel Naimayer Padula | Comunicação Social Ivan Giannini | Administração Luiz Deoclécio Massaro Galina | Assessoria Técnica e de Planejamento Sérgio José Battistelli Gerências Ação Cultural Rosana Paulo da Cunha, Adjunto Flávia Carvalho | Assistentes Juliana Braga, Melina Izar, Sérgio Pinto, Sérgio Luis, Cássio Quitério | Artes Gráficas Hélcio Magalhães, Adjunto Karina C.L. Musumeci | Estudos e Desenvolvimento Marta Colabone, Adjunto Andréa Nogueira | SESC Santo Amaro Claudia Prado, Adjunto Maracélia Ramos Teixeira | Coordenadores de Área Ana Luiza Correia, Fabiano Mendes, Marcelo Alberini, Mauricio del Nero, Ricardo Martins, Vanessa Zago | Núcleo de Programação Artística Marcos Villas Boas, Mônica Calmon, Rafael Spaca | Apoio Administrativo Patrícia das Neves

PROJETO NEVILLE D’almeida, ALÉM CINEMA Idealização e Realização Equipe SESC Santo Amaro | Curadoria Neville D’Almeida e Rafael Spaca | Direção de Arte Joãozito | Montagem Blade Cenografia & Design | Projeto Gráfico e Diagramação Estúdio Kiwi | Imagens Tamur Aimara e Neville D’Almeida | Fotos Antonio Guerreiro e Vicente de Mello | Desenhos e Croquis Lielzo Azambuja e Joãozito | Assistentes (Rio de Janeiro) Ana Tavares e Ana Cláudia Batista | Produtora Luminata Cultural Ltda | Produção Geral Cássia Bianco | Projeto Expográfico e Ilustrações Neville D’Almeida e Lielzo Azambuja


design. estĂşdio kiwi

SESC R. Amador Bueno, 505 Santo Amaro Tel: (11) 5541- 4000 email@santoamaro.sescsp.org.br Terminal Santo Amaro Largo Treze

Neville D'Almeida  

Programa de mediação de Neville D'Almeida - além cinema

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