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AMOR EM DOSE DUPLA Casal que corre unido permanece unido – e ganha medalha em dobro. Ana e Rivail são parceiros de vida e de esporte

Fotos Guto Gonçalves Texto Yara Achôa

E13


“Todos somos atletas. A diferença é que alguns de nós estão treinando e outros não” George Sheehan


©Copyright 2013 by Yara Achôa e Guto Gonçalves

Realização

São Paulo - SP www.estudio13.com.br


Dedicamos esse livro às nossas meninas Mariana e Amanda Muitas vezes estávamos ausentes em momentos importantes, treinando ou viajando para participar de alguma corrida, mas tenham certeza de que nestes momentos nossos pensamentos estavam sempre com vocês. Correr é a forma que encontramos de mostrar a vocês que o mais importante não é a vitória, mas sim a determinação, a disciplina e o amor que dedicamos a uma causa visando alcançar um objetivo. Maripeca, pholha, florzinha, “sacão”, você é o maior fruto de nossa união. Mamã você é o presente precioso que Deus nos enviou. Nosso amor por vocês está acima de tudo. Que Deus as proteja sempre! Também dedicamos esse registro de nossas aventuras esportivas a

Sr. Rivail e Dona Leonor

Sr. Antônio e Dona Nila (em memória) ANA E RIVAIL


Amor em Dose Dupla Casal que corre unido permanece unido – e ganha medalha em dobro... A atividade física sempre fez parte do cotidiano de Ana Lyra e Rivail Silveira Júnior. E desde que se conheceram, em 1992, começaram a se exercitar juntos. O nascimento da filha, alguns anos depois, porém, mexeu um pouco com essa rotina. “Nossa principal dificuldade era a falta de tempo. Mas em 2003, com a Mariana já mais crescida, retomamos nosso foco. Era janeiro, estávamos de férias em Guarapari. Saímos para uma corridinha e desde então não paramos mais”, conta Ana. Nessa retomada do esporte surgiu também a vontade de participar de uma prova. “Pensamos logo na Dez Milhas Garoto, em nossa cidade, que aconteceria seis meses depois. Gostávamos de correr, mas naquela época não tínhamos muito ideia do que representava 10 milhas (16 quilômetros)”.


“A corrida é meu momento de reflexão com Deus. Corro para refletir, para resolver meus problemas, para planejar meu dia. E aprendi a ter bons pensamentos durante os treinos – assim não só o rendimento melhora como as soluções também surgem com mais facilidade”


Treinaram por conta própria, contando apenas com orientações da associação de corredores capixabas e com informações de publicações especializadas. A meta era apenas chegar. Apesar de andarem parte do

percurso e até sentirem dores musculares, a sensação de completar a primeira corrida foi muito boa. “Foi emocionante ver meu sogro, minha sogra e minha filha nos esperando”, lembra Ana. E depois vieram outras. Eles fi-

zeram várias corridas de 10K, São Silvestre (15K), Volta da Pampulha (18K) e chegaram às meias maratonas (21K), muitas vezes unindo a paixão pela corrida com o prazer de viajar e de desfrutar a companhia dos amigos.


Em 2011 resolveram partir para uma maratona e treinaram firme – encarando longos de até 34K. “Estava tudo certo para corrermos a Maratona de Amsterdã. Mas na véspera da prova, comi alguma coisa que me fez mal. Tive febre à noite. Tentei esconder do Rivail, só que ele percebeu que eu não tinha condição”, revela Ana. “Também estava inscrito, mas não ia deixar a Ana sozinha. E mesmo não concretizando nossos planos, eu estava feliz de ter chegado até ali. Para mim, o mais importante foi nossa preparação”, completa Rivail.


Com a frustração rapidamente superada, o casal voltou a focar em meia maratonas – distância que consideram perfeita. As mais recentes, em 2013, foram a Meia de Paris, na França, e a Wine Run,

em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. “Em Paris enfrentamos zero grau na largada. Mesmo agasalhada com roupas térmicas, nos quilômetros iniciais eu não sentia meus dedos. Mas

depois que esquentou foi uma prova bem animada. Já em Bento Gonçalves subimos e descemos morros e corremos em meio aos vinhedos. Foi uma prova bem difícil, mas muito legal”, relata Ana.


Tendo como inspiração a animação do casal, amigos e familiares também foram se juntando ao longo dos anos, formando a equipe dos “Malacabados” – Analice, Toninho, Eliana, Rogério, Rita, Zezinho e Sarah –, cujo lema é “na corrida, quanto pior, melhor”. E assim as corridas acabaram se tornando momentos de festa. Em meio aos compromissos e obrigações semanais, Ana e Rivail se esforçam para treinar de três a quatro vezes por semana e fazem até pequenos sacrifícios. “Se temos uma prova no domingo de manhã, sábado à noite não tem badalação. Tudo na vida a gente paga um preço”, resume Ana. Mas garantem que vale a pena. “Para nós a corrida é saúde, bem-estar, superação”, diz Rivail. E além de tudo, o esporte reforça a bonita união dos dois.

Casal que corre unido permanece unido – e ganha medalha em dobro!


Uma apaixonada declaração de amor... “Correr é um momento mágico, quando marco um encontro comigo mesmo e me deparo com desafios a serem alcançados, com fraquezas a serem superadas. É o local onde melhor posso ‘temperar’ a minha vontade. Ao correr passam por minha cabeça vários momentos da vida, onde situações são revividas com uma percepção mais aguçada, o que me possibilita, quase sempre, extrair o lado bom de cada experiência.É quase uma meditação, onde estou focado e em paz de espírito. Mas há momentos difíceis, quando o cansaço me alcança e me desafia, me obriga a escolher entre parar ou continuar. Vivo ao vivo e a cores a luta de meu corpo contra minha vontade. Cada momento que é superado me traz lições que procuro empregar em momentos difíceis da vida. Isto me fortalece e, mais importante, me traz a garra necessária para querer superar e vencer. Correr também é aprender a lidar com frustrações, metas ousadas que não podem ser alcançadas, contusões inesperadas que me impedem de treinar e participar de competições. Correr me faz encontrar pessoas, conhecer lugares, compartilhar experiências e participar de uma comunidade muito entusiasmada com a vida. Quando estamos reunidos na linha de largada, sinto uma energia enorme e que me faz agradecer: “obrigado por estar aqui de novo”. Quando visualizo a linha de chegada é como se uma grande euforia tomasse conta de meu espírito. E a cada passo dado ela vai aumentando até o mágico de cruzá-la. Este sentimento é tão especial que me faz querer treinar mais para competir melhor nas próximas participações. Correr também me torna mais calmo, mais centrado, melhor conselheiro para meus amigos. Passo a ser fonte de inspiração, quando conto minhas histórias para que outros se motivem a praticar este ou outro esporte e melhorar sua saúde. A corrida foi um divisor de águas em minha qualidade de vida. E ainda sou muito privilegiado por correr e treinar ao lado da minha inseparável companheira e grande amor da minha vida. A bela Ana, minha grande atleta e exemplo de dedicação.” Rivail Silveira Júnior


Espaço reservado para as próximas conquistas ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________

Texto, fotos e edição Yara Achôa e Guto Gonçalves Realização Estúdio13 www.estudio13.com.br Tel. (11) 2478-1029 | (11) 99722-1505


Rivail Silveira Júnior e Ana Lyra: juntos eles conversam, riem, dividem alegrias e dúvidas, ouvem conselhos um do outro; juntos eles correm e descobrem novas paisagens, novos horizontes; novos objetivos. Para o casal, a corrida é mais do que saúde, bem-estar e superação – a corrida é, dia após dia, uma nova declaração de amor.


AMOR EM DOSE DUPLA