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Ano 16 nº 12 2013 Brasil ISSN 1413/7682

15 milhões de tartarugas vão ao mar na luta pela vida Ontem e hoje Um recorde histórico de visitantes

Comunidades Música e natureza, uma aliança que deu certo

milhões de Tartarugas

Marinhas


SUMÁRIO

7 30 ANOS

32 GENTE

Quem ajudou a fazer essa história

Programa variado na festa de aniversário

14 histÓRIA

34 COMUNIDADES

Valorização das pessoas, sua cultura e tradições.

O Tamar ontem, hoje e amanhã.

24 PESQUISA

42 BASES

Avança o conhecimento sobre as tartarugas marinhas

Coordenação

Coordenação

Veja o mapa e conheça as bases de pesquisa no Brasil

Patrocínio Oficial:

Publicação do Projeto Tamar/ICMBio / Fundação Pró-Tamar Coordenação Nacional Caixa Postal 2219, CEP 41950-970 Salvador-Bahia-Brasil Fone 71 3676.1045/1113/1020 Fax 71 3676.1067 protamar@tamar.org.br Site: www.projetotamar.org.br Conselho Editorial Guy Marcovaldi, Neca Marcovaldi, Joca Thomé, Cláudio Bellini, Cesar Coelho e Gustave Lopez Direção Executiva Neca Marcovaldi Jornalista Responsável Otto Freitas/Mtb-BA 855 otto.freitas@terra.com.br Coordenação e Produção Editorial Dizer Fone 71 3340.1881 Fotos Banco de Imagem Tamar/ICMBio Projeto Gráfico, Edição de Imagens e Design Solisluna Design e Editora www.solislunadesign.com.br Direção de Arte Enéas Guerra Colaboraram nesta edição Jose de Jesus Barreto e Elza Kioko Kawakami Savaget Revisão Maria José Bacelar Guimarães Produção Gráfica e Impressão Coan Gráfica Tiragem 6.000 exemplares Capa Banco de Imagem Tamar-ICMBio – * Os textos da Revista do Tamar podem ser reproduzidos, desde que seja citada a fonte.


ARTIGO

Elza Kawakami Savaget*

Diálogos

* Elza Kawakami Savaget Doutoranda no Programa de Pós Graduação do Núcleo de Pesquisas Ambientais da UNICAMP. Mestrado em Memória Social pelo Programa de Pós Graduação em Memória Social da UNIRIO, com a pesquisa sobre a construção do discurso ambiental. Especializada em História da Filosofia pela Faculdade São Bento do Rio de Janeiro. Graduada em jornalismo pelo Centro Unificado Profissional. Prêmio José Reis de Jornalismo Científico, de 1984, pelo conjunto de matérias para revistas e documentários produzidos sobre o meio ambiente. Participou do grupo de criação do Globo Ecologia em 1990 e durante 21 anos produziu mais de 1000 episódios para o programa. Produziu outras séries para televisão como Paixão pela palavra (2008) sobre a vida e a obra de Manoel de Barros; além de outras produções. Membro do Conselho Deliberativo da Fundação Pró Tamar e membro do Conselho da Associação MicoLeão-Dourado.

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O Projeto Tamar foi pioneiro na aplicação do conceito de inclusão social como parte das ações estratégicas para a conservação das tartarugas marinhas. Em 1984, enquanto a Comissão Mundial das Nações Unidas começava a se organizar em torno da formulação do conceito de sustentabilidade, o Projeto Tamar já havia viajado quase todo o litoral brasileiro e delimitado áreas com potencial para recuperação das populações de tartarugas. Os pesquisadores já tinham constatado que recuperar essas populações não poderia estar desvinculado da realidade social, não poderiam conservar espécies se isolando nos mecanismos jurídicos. Seria preciso uma solução para que as comunidades e as ações de conservação das tartarugas pudessem conviver e se beneficiar mutuamente. Essa percepção fez toda a diferença, porque determinou escolhas no modo de trabalhar e ampliou as perspectivas para o desenvolvimento de ações e atividades para multiplicar a mensagem da conservação marinha. Muitos acontecimentos, ações e expressões estão na memória do que poderia ser resumido num só conceito – Convivência. Várias formas de convivência. Do conhecimento tradicional com o conhecimento científico; das pessoas e no modo de viver local das pessoas com os pesquisadores nas suas atividades conservacionistas. Enfim, foi a partir desse dedicado convívio diário, baseado na troca de experiências e atitudes inclusivas que o Tamar pratica a sustentabilidade. São 33 anos de experiência, conhecimento acumulado, pesquisas desenvolvidas, outras tantas em desenvolvimento, mais de 15 milhões de filhotes de tartarugas marinhas soltas no mar e cada vez mais pessoas apoiando o trabalho. As marcas da convivência estão nas ações, trocas e parcerias com as comunidades e com os pescadores, que hoje conseguem desenvolver suas

atividades com a compreensão de que as tartarugas marinhas valem mais vivas que mortas. Mais de três décadas de trabalho parece muito mas, sob a perspectiva do planeta é um tempo muito curto. Porém, não será na quantificação de anos, meses, dias ou horas que o Tamar será lembrado. Será pelo resultado alcançado na restauração do ciclo reprodutivo das espécies de tartarugas marinhas, que, compartilhada com as comunidades, estabeleceu um elo com toda a sociedade na responsabilidade conjunta de conservar a natureza. O Tamar se inspirou nas formas alternativas para atuar e conjuga esse modelo contemporâneo de atuação com a missão de agência ambiental governamental. O Tamar é um programa de conservação de responsabilidade compartilhada com o ICMbio, sempre se pautou em análises, constantes, baseadas nos estudos e observações próprias do campo das ciências da conservação. Regidos por esses e outros critérios científicos de outros campos do conhecimento, os quais, somados à inovação e criatividade de equipes multidisciplinares e comprometidas, desenvolveram um projeto com identidade própria. Toda essa trajetória foi possível por uma característica muito singela, mas que é o núcleo de sua potência, a capacidade de se questionar e estar sempre aberto ao diálogo. São capacidades como essas, de questionamento e diálogo que permitem conviver com seu entorno, serem parte das comunidades, e, também de se comunicarem com a sociedade. Mas sobretudo, permitem estar onde estão as tartarugas marinhas. E, ao escolher o modo de desenvolver suas ações, baseado na convivência harmônica, demonstraram que a viabilidade do conceito da sustentabilidade é determinada pelas escolhas de suas ações.


Filhote 15 milhões vai ao mar na luta pela vida O filhote de número 15 milhões, nascido sob a proteção do Tamar, teve soltura simbólica em tarde de celebração à natureza na Praia do Forte. É uma conquista da sociedade brasileira e, particularmente, de todos os que se dedicam, dia e noite, na terra e no mar, ao trabalho de conservação das tartarugas marinhas.

O Projeto Tamar monitorou pela primeira vez, em 1982/1983, através das suas bases de pesquisa e conservação, uma temporada reprodutiva das tartarugas marinhas no litoral brasileiro. Na época, foram protegidos 2.183 filhotes. Após 33 anos de trabalho, no litoral e nas ilhas oceânicas, o Tamar atingiu a marca histórica de 15 milhões de filhotes. Foi uma longa e difícil caminhada, que começou com o levantamento das áreas de reprodução. O objetivo era confirmar a existência de tartarugas marinhas desovando nas praias, em quais delas, em quais quantidades e quando isso acontecia. Durante dois anos, entre 1980 e 1982, uma equipe de pesquisadores percorreu o país, de norte a sul, a pé, a cavalo, de barco e até mesmo cruzando barras de rio a nado.

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PESQUISA

Mas a confirmação das desovas e a identificação das praias vieram junto com uma triste constatação: o ciclo de vida desses animais estava interrompido, pois os ovos eram levados dos ninhos pelos pescadores, regularmente, sendo vendidos como petisco de bar em praias de veraneio. A situação era tão grave que até mesmo os adultos de várias comunidades costeiras nunca tinham visto um filhote de tartaruga marinha na vida. Os filhotes despertavam tanta curiosidade, nas primeiras temporadas, que a equipe da Praia do Forte improvisou um pequeno aquário, colocado na janela de uma das casas de apoio ao farol Garcia D’Ávila, onde funciona a base. O aquário vivia cercado de gente encantada com as tartaruguinhas. Eram moradores da região e os primeiros visitantes descobrindo o povoado à beira mar. Depois vieram os tanques de observação Duis inte dum, lorem et malesuada por ttitor.

e, mais tarde, os primeiros Centros de Visitantes mantidos pelo Projeto. Ficou evidente, portanto, o grande desafio e a prioridade, naquele momento: restabelecer o ciclo de vida interrompido pela ação do homem. As tartarugas marinhas estavam à beira da extinção. Para agravar o problema, havia uma cultura local, consolidada há décadas, em que a tartaruga representava fonte adicional de subsistência para as comunidades.

Primeiras ações Uma das primeiras medidas emergenciais adotadas foi a contratação de pescadores – que até então abatiam as fêmeas e coletavam os ovos no ninho – para participar do trabalho de conservação. Os pesquisadores lhes ensinavam a cuidar dos bichos e, ao mesmo tempo, aprendiam com eles sobre os hábitos e o comportamento das tartarugas marinhas.

Assim os pescadores logo se integraram ao Projeto, participando de várias ações de conservação, monitorando as praias, identificando e protegendo os ninhos; os pesquisadores faziam as patrulhas noturnas das praias, identificação e marcação de fêmeas, transferência de ninhos para cercados protegidos a céu aberto, onde estudavam os parâmetros de incubação. A partir daí, o Tamar iniciou a implantação de medidas de médio prazo, como os programas de envolvimento comunitário, sensibilização e educação ambiental. Assim foram estabelecidos os primeiros laços de confiança, na convivência do dia-adia entre os pesquisadores e os residentes locais, compartilhando dificuldades e buscando soluções em conjunto. Ao mesmo tempo, começou a criar e apoiar programas de inclusão social, com alternativas econômicas ecologicamente sustentáveis, através


PESQUISA

de oferta de oportunidades de trabalho, para ajudar a melhorar a qualidade de vida das comunidades. No longo prazo, os programas de sensibilização se estenderam a vários setores da sociedade, visando ampliar a conscientização e valorização das tartarugas marinhas, além de assegurar a sustentabilidade do Projeto e o combate às principais ameaças identificadas.

Resultados aparecem Com o tempo e o trabalho de conservação, os resultados começaram a aparecer, com especial destaque para a retomada do ciclo de vida das tartarugas que havia sido interrompido por causa da caça às fêmeas e a coleta dos ovos. Novas técnicas foram desenvolvidas e ampliaram o conhecimento do ciclo, como rastreamento por satélite, para saber mais sobre o comportamento dos animais, e estudos de ge-

nética, para conhecer melhor as populações de tartarugas marinhas que se reproduzem no litoral e ocorrem no mar brasileiro. Um avanço fundamental foi concretizado: a maioria dos ninhos já não precisava mais ser transferida para os cercados de incubação, pois as pessoas começaram a respeitar e entender a importância de mantê-los no local de origem, em ambiente o mais natural possível. Atualmente, apenas 30% dos ninhos, em média, são transferidos por razões naturais (erosão, inundação, etc), ou mesmo por conta da interferência humana, sobretudo nas áreas onde já havia ocupação urbana antes de o Tamar chegar. Com a organização e expansão do trabalho, através de novas bases de pesquisa, a adesão das comunidades e demais setores da sociedade também foi se ampliando e consoli-

dando. Com área de atuação maior e mais eficiência, o Tamar passou a proteger cada vez mais filhotes, alcançando a média de 1.200.000 tartaruguinhas por ano, no litoral e nas ilhas oceânicas. Hoje, apesar dos bons resultados, inclusive com o início da recuperação das populações de algumas espécies, o Tamar concentra ainda mais esforços para identificar e combater as novas ameaças que surgem a cada momento, como a captura incidental pela pesca e as mudanças climáticas. A ocupação urbana, com o tráfego de veículos e a iluminação das praias de desova, por exemplo, inibe a postura pelas fêmeas e impõe sérios riscos à sobrevivência dos filhotes.

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PESQUISA

Soltura simbólica aconteceu em cerimônia na Praia do Forte Os músicos Lenine e Luiz Caldas, e o representante da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o diretor do Departamento de Gestão Estratégica do Ministério do Meio Ambiente/Governo Federal, Raimundo Deusdará Filho, se juntaram às equipes do Projeto Tamar da base nacional, na Praia do Forte, e aos amigos e visitantes, para soltar o filhote número 15 milhões, no dia 14/12/2012. Pela tarde, o grupo deu uma voPela tarde, o grupo deu uma volta no Centro de Visitantes, acompanhado dos fundadores do Tamar, Guy e Neca Marcovaldi, e de membros das equipes. A marca de 15 milhões de filhotes levados ao mar em segurança, nestes 33 anos de atividades, emocionou a todos. Estavam também presentes no evento Fátima Pires, da Coordenação de Planos de Ação Nacional/Diretoria de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), o secretário do Meio Ambiente

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da Bahia, Eugênio Spengler, e o superintendente do IBAMA na Bahia, Célio Costa Pinto. Os convidados receberam informações sobre o programa de conservação das tartarugas marinhas do Brasil e seguiram para o cercado

de incubação, onde pegaram os filhotes que nasceram pela manhã. As tartaruguinhas foram soltas ao som do Coral do Mar, cantando “Casca do Ovo”, música do CD 30 Anos e Histórias para Cantar. Mais de mil pessoas participaram do acontecimento, que teve show de Luiz Caldas à noite, no palco do Centro de Visitantes. A abertura ficou por conta do grupo Tamarear e da cantora Cláudia Albuquerque. Houve participações especiais de Marcela Martinez, Ana Mametto e Yacoce e do baixista Fernando Nunes. Duis interdum, lorem et malesuada porttitor, nisl eros tempus nisl, gravida sollicitudin tellus ips iekasj skjf sfum. tempus nisl, gravida sollicitudin tellus ip

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15 milhões de visitantes, um recorde histórico. São 15 milhões de filhotes no mar e 15 milhões de pessoas nos Centros de Visitantes. É como se cada visitante tivesse ajudado um filhote a nascer, em mais de 30 anos de trabalho do Tamar no Brasil.

O

s Centros de Visitantes/Museus Abertos da Tartaruga Marinha, mantidos pelo Projeto Tamar/ICMBio, foram instalados, em sua maioria, em regiões turísticas do país e funcionam como complexos integrados de educação e sensibilização ambiental, lazer e entretenimento. Também representam a base do programa de autossustentação do Projeto, pois toda arrecadação, com a venda de ingressos, produtos e serviços, é integralmente investida nas ações de pesquisa e conservação das tartarugas marinhas.

O campeão de público é o CV da Praia do Forte/BA. Depois vêm, pela ordem, o Oceanário de Aracaju/SE, Ubatuba/SP e Florianópolis/SC. Em Fernando de Noronha, o Centro de Visitantes se integra a outros atrativos do arquipélago e acaba recebendo quase todo o fluxo de visitantes da ilha, como explica o coordenador nacional do Tamar, oceanógrafo Guy Marcovaldi. Basicamente, as comunidades locais, estudantes, veranistas e o turista de lazer compõem o perfil dos visitantes. Juntos, os CVs atraem


30 ANOS

Papagaio, onde um posto avançado de atendimento receberá aqueles interessados em saber mais sobre as tartarugas marinhas e o que se faz há 33 anos por sua conservação.”Assinamos um termo de compromisso com a Prefeitura municipal de Vitória. Também estamos negociando a compra de um terreno para ampliação do CV de Florianópolis/SC, na Barra da Lagoa”, diz Marcovaldi.

Cinco CEAs aproximadamente 1,5 milhão de pessoas por ano e nunca fecharam. Considerando todo o tempo de funcionamento, desde a inauguração do primeiro deles, em meados dos anos 80, na Praia do Forte, os CVs acabam de alcançar a marca recorde de 15 milhões de visitantes. Marcovaldi destaca ainda que os Centros representam alternativa de trabalho e renda para as popu-

lações litorâneas: 80 por cento das 800 pessoas que exercem atividades nos Centros de Visitantes, direta ou indiretamente, são moradores das comunidades onde o Tamar atua, incluindo pescadores e suas famílias e os artesãos cujas peças são vendidas nas lojas dos CVs. O mais novo Centro de Visitantes do Tamar foi instalado em Vitória/ ES, no Parque Municipal Ilha do

Com exceção do Oceanário de Aracaju (SE) e de Fernando de Noronha (PE), os Centros de Visitantes ficam em áreas anexas às bases de pesquisa, como acontece em Florianópolis (SC), Ubatuba (SP) e Praia do Forte, em Mata de São João (BA). Além deles, existem, ainda, cinco CEAs-Centros Ecológicos e de Educação Ambiental, cujo acesso é gratuito. São abertos ao visitante em geral, mas sua função principal é o trabalho de sensibilização e educação ambiental

PRAIA DO FORTE • Bahia O Centro de Visitantes/Museu Aberto da Tartaruga Marinha fica na base da Praia do Forte, sede nacional do Tamar, ao pé do farol Garcia d’Ávila, mantido em funcionamento pela Marinha do Brasil. Entre as principais atrações, destaque para o tanque das tartarugas em forma de raia e o dos tubarões. O Submarino Amarelo reproduz o ambiente frio e escuro do fundo do mar. Mantém em exposição permanente animais vivos que habitam as profundezas dos oceanos. Há ainda espaços em que o público conhece as principais ameaças à sobrevivência das tartarugas marinhas; o ciclo de vida desses animais; o monitoramento de ninhos e 10 Revista do Tamar 2013

patrulhamento das praias, entre outras atividades realizadas pelo Tamar. O Cine Tamar exibe vídeos de curta duração sobre a vida das tartarugas marinhas e as ações do Projeto. Tem loja de produtos Tamar e espaço de alimentação e bebidas - café, bar e restaurante. Na Cabana Digital,

é possível imprimir fotos, realizar fotomontagens e recarga de bateria. Há trocador de fraldas, telefone público e banheiros temáticos, acessíveis a portadores de deficiência. Horários Das 9h às 17h:30; no verão das 8h:30 às 18h. Ingresso R$ 16,00


30 ANOS

junto às comunidades, atuando em conjunto com as escolas locais. São dois CEAs no Espírito Santo (um em Regência, município de Linhares, e outro em Guriri, município de São Mateus), um em Sergipe (Pirambu), um no Ceará (Almofala) e um na Bahia (Arembepe, município de Camaçari).

Saber e diversão

ARACAJU • Sergipe O Oceanário de Aracaju foi construído e é mantido pelo Tamar, na praia da Atalaia. Tem forma de uma tartaruga gigante. É rodeado por três lagos, com várias espécies de peixes, ilhota com espécies nativas e pedalinhos. Entre as atrações há 70 espécies diferentes, expostas em 18 aquários, sendo cinco de água doce e 13 de água salgada, com destaque para o maior deles, com capacidade para 150 mil litros, abrigando meros, moreias, raias e outras espécies de vida marinha. Possui ainda cinco tanques: em um deles o visitante pode tocar nos animais; três abrigam exemplares de tartarugas marinhas em diferentes estágios do ciclo de vida; e o mais novo, com 200 mil litros, é a nova casa dos tubarões. Tem anfiteatro de 40 lugares, vitrine com exposição permanente sobre os manguezais da região, espaço infantil com brinquedos interativos e loja de produtos Tamar. O espaço cultural tem palco para realização de shows e outros eventos culturais.

Nos cinco Centros de Visitantes/Museus Abertos da Tartaruga Marinha (com exceção de Noronha) há estrutura completa, incluindo tanques, aquários e piscinas de toque; painéis informativos, réplicas em tamanho natural e silhuetas; cinema e palco para shows; espaços para exposições, palestras e exibição de vídeos; restaurantes, bares, cafés e lojas para venda de produtos Tamar e do artesanato local. O visitante se diverte e aprende como ajudar na conservação das tartarugas marinhas. Além dos espaços culturais, onde acontecem os espetáculos do programa Tamarear (leia na página ???), quase todos promovem, por exemplo, visitas guiadas e alimentação interativa dos animais, soltura de filhotes, teatrinho e oficinas de arte para o público infantil, além de exposições permanentes, réplicas e silhuetas de tartarugas e painéis in-

formativos, peças biológicas e exibição de vídeos ambientais.

Campeã de vendas As lojas são parte fundamental dos programas de renda para as comunidades e recursos para o programa de autossustentação. Também são importantes meios de comunicação e sensibilização da sociedade. A maioria funciona nos Centros de Visitantes, além de algumas instaladas em aeroportos e complexos hoteleiros localizados em regiões onde o Tamar atua. Oferecem um mix variado, com mais de uma centena de produtos, incluindo a produção do artesanato criado pelas comunidades. A camiseta é a campeã absoluta de venda. Há três lojas na Bahia (aeroporto de Salvador, Centro de Visitantes da Praia do Forte e Complexo Turístico Costa de Sauipe); uma em Sergipe (Oceanario de Aracaju); duas em Pernambuco/Fernando de Noronha (uma no aeroporto, outra no Centro de Visitantes); uma no Espírito Santo (aeroporto de Vitória); duas em São Paulo/Ubatuba (Centro de Visitantes e no comércio local); e uma em Santa Catarina/Florianópolis (Centro de Visitantes). Veja endereços e telefones no site projetotamar.org.br.

Horários De terça a domingo, das 9h às 21h. Ingressos R$ 10,00 2013 Revista do Tamar 11


30 ANOS

UBATUBA • São Paulo O Centro de Visitantes do Tamar em Ubatuba é o único instalado em um centro urbano. Tornou-se um dos principais atrativos da cidade, principalmente na temporada de verão, finais de semana e férias escolares. Em área superior a dois mil metros quadrados, há um complexo de tanques, com 200 mil litros de água do mar, onde estão expostas 30 tartarugas marinhas de quatro espécies. Destaque para o tanque com praia artificial: aqui se podem ver as tartarugas na areia ou observálas submersas através de visores panorâmicos. Para as crianças, tem parquinho temático e um espaço coberto com brinquedos e jogos interativos sobre a vida marinha, a natureza e a cultura de Ubatuba. O palco do espaço cultural oferece a infraestrutura para a valorização da cultura e manifestações artísticas. O Museu Caiçara, com um acervo de mais de 200 peças, preserva e valoriza a memória e a cultura dos moradores tradicionais da região. A área de serviços conta com lanchonete e loja Tamar. O visitante também acompanha imagens, em tempo real, das atividades no Centro de Reabilitação. Horários Domingo a quinta, das 10h às 18h; sexta, sábado, feriados e férias escolares, das 10h às 20h. Ingresso R$11,00

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FLORIANÓPOLIS • Santa Catarina O Centro de Visitantes/Museu Aberto das Tartarugas Marinhas fica na Barra da Lagoa, em Florianópolis, anexo à base do Tamar, instalada em 2005. Mantém exposição permanente com painéis sobre o trabalho desenvolvido pelo Tamar no Brasil e, especificamente, na região sul, inclusive com explicações sobre as artes de pesca que capturam incidentalmente tartarugas marinhas no litoral sul. Há ainda tanques com exemplares das espécies que desovam no Brasil, espaço infantil, sala de vídeo e loja com os produtos Tamar. O espaço cultural tem infraestrutura para abrigar shows musicais e espetáculos teatrais, valorizando as manifestações artísticas e culturais. Horários Aberto diariamente das 8h:30 às 17h:30. Ingresso R$8,00

FERNANDO DE NORONHA • Pernambuco O Centro de Visitantes/Museu Aberto da Tartaruga Marinha de Fernando de Noronha tem 15 anos. Tornou-se centro local de palestras e debates e referência nas questões ambientais e sociais. Além de mostras temporárias, mantém exposição permanente de painéis explicativos e objetos educativos sobre as tartarugas-marinhas e as ações do Projeto Tamar. Tem auditório para 90 pessoas e setor de serviços, com estandes de divulgação, caixa eletrônico 24 horas, loja dos produtos Tamar e o Chelonia Café. Anexo ao Centro de Visitantes fica a praça

temática, dedicada a apresentações e manifestações culturais locais, onde estão silhuetas e réplicas de tartarugas e de outros animais marinhos típicos do arquipélago. Horários Das 9h às 22h Ingresso Grátis


MÚSICA

Música e natureza, uma aliança que deu certo O Tamarear entra no seu quarto ano e se consolida como programa de sensibilização ambiental em defesa da natureza e das tartarugas marinhas.

D

esde que foi criado pelo Projeto Tamar, o Tamarear teve boa receptividade entre os artistas e o público em geral, como programa cultural e ferramenta de divulgação e sensibilização ambiental, abrigando nomes famosos nacionais e músicos locais. “Através da música, buscamos ampliar o alcance da mensagem do Tamar e atingir um novo público”, afirma o oceanógrafo Guy Marcovaldi, coordenador nacional do

Tamar e autor da iniciativa. A partir de 2013, a meta é consolidar e aprimorar o programa, agregando cada vez mais personalidades e jovens cantores, compositores e músicos. Como explica o coordenador, mais do que um neologismo, Tamarear é um verbo de primeira conjugação cujo significado traduz uma ação coletiva em defesa da natureza e das tartarugas marinhas através da música. Como diz a canção, escrita 2010 Revista do Tamar 13


MÚSICA

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por Marcovaldi e gravada por Stanley Jordan e Milton Nascimento, Tamarear é, “mesmo molhado, mareado e cansado, não desistir”. O programa nasceu como parte dos eventos comemorativos dos 30 anos do Tamar. Chamava-se, então, 30 Anos de História para Cantar. Deu certo, tornou-se permanente e ganhou o nome atual. Para sua concretização, foram criados espaços culturais em alguns Centros de Visitantes do Tamar (Praia do Forte, Ubatuba, Florianópolis, Oceanário de Aracaju e Fernando de Noronha). Desde então este CVs ganharam nova área permanente de lazer e entretenimento, sensibilização e educação ambiental através da arte. Além da Bradesco Seguros, que apoiou a implantação dos palcos e toda a infraestrutura, o Tamarear 14 Revista do Tamar 2010

tem despertado o interesse de patrocinadores culturais, como o Conexão Vivo e VM Tubes.

Artistas e canções Com estrutura profissional (palco, som, iluminação), os chamados cascos acústicos abrigam os shows de bandas, artistas independentes e manifestações culturais locais, além de atrações nacionais. Todas as músicas são inéditas e têm como temas principais o ciclo de vida das tartarugas marinhas, a conservação dos oceanos e a história das pessoas e das comunidades que ajudam o Tamar. Além de compositores profissionais, entre os autores há pescadores, moradores das comunidades e integrantes das equipes do próprio Projeto.

Estão envolvidos no programa artistas como Lenine, Milton Nascimento, Stanley Jordan, João Donato, Wagner Tiso, Flavio Venturini, Dudu Lima, Duda, da Diamba, Luiz Caldas, Xangai, Armandinho e bandas como Móveis Coloniais Acaju e Camisa de Venus, entre outros. Além do CD 30 Anos de Histórias para Cantar, já lançado, e do DVD Tamarear, em fase de produção, o movimento Tamarear, como diz o seu diretor musical Luciano Calazans, conta com algumas bandas formadas por músicos profissionais e amadores, ligados às comunidades e ao Projeto. Todas têm como repertório as canções exclusivas sobre o mar, o Tamar e as tartarugas marinhas. Na Bahia, são quatro grupos, todos ligados à base da Praia do Forte: Cas-


MÚSICA

co Cabeça, Tamarock, Tamareando Reggae e Tamarear. Em outros Estados, integram o programa as bandas Som no Casco (Sergipe/Aracaju), Os Cascudos (São Paulo/Ubatuba), Tamarazul (Pernambuco/Fernando de Noronha) e Septeto Tamarear (Santa Catarina/Florianópolis).

Coral do Mar

Além das bandas, o programa Tamarear mantém ainda o Coral do Tamar, formado por crianças das comunidades da Praia do Forte e seu entorno. Com coordenação e regência de Luciano Calazans, o Coral é principalmente mais uma ação de inclusão social e educação ambiental do Tamar. Foram selecionados cerca de 20 meninos e meninas, entre 8 e 14 anos. Além de participar do CD e de algumas apresentações, as crianças têm aulas semanais de teoria musical gratuitas, desde que frequentem a escola regular.

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HISTÓRIA

Os meninos do Tamar transformam o futuro

A primeira geração de jovens das comunidades litorâneas que cresceu junto com o Tamar chega à universidade e ganha uma profissão de nível superior.

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m 33 anos de atividade, o Projeto Tamar-ICMBio acompanha e contribui com o desenvolvimento pessoal de crianças e adolescentes das comunidades litorâneas onde atua. Filhos de pescadores, ex-aprendizes, guias-mirins ou antigos membros dos clubinhos ecológicos mantidos pelo Projeto, a primeira geração do Tamar cresceu e entrou para a universidade, para conquistar um diploma e mudar o futuro, melhorando a própria vida e da família. Além do mais, esses rapazes e moças reproduzem pelo caminho a mensa-

gem conservacionista que aprenderam nos programas que participam e no dia-a-dia das bases de pesquisa. Desde a sua fundação, o Tamar apoia jovens das comunidades de diversas regiões do país onde atua. Até agora, 44 novos profissionais de nível superior já estão atuando no mercado, ou com o curso em andamento. Desse total, 30 jovens ocupam atualmente alguma função como contratados do Tamar. O restante está trabalhando em outros lugares, fora do Projeto. Dos 44, 19 se formaram em informática, pedagogia, gestão ambiental, contabilidade, gestão de RH, ciências biológicas, administração e serviço social. Os outros 23 (dois trancaram matrícula) cursam faculdades de administração, educação física, biologia, análise de sistemas, ciências contábeis, pedagogia, gestão de recursos humanos, serviço social, letras, engenharia de petróleo, história, ecologia, medicina veterinária e arquitetura.

Cuidar do homem O Tamar fincou raízes nas regiões onde implantou suas bases de pesquisa e conservação, criando vínculos com as comunidades. O Projeto proporciona postos de trabalho para 1.300 pessoas - 80% delas selecionadas entre a população local. O envolvimento comunitário nas ações de conservação, adotado intuitivamente desde o começo, hoje é referência e modelo para outros países. O objetivo é cuidar das pessoas, para que elas aprendam a cuidar do lugar onde vivem e, por consequência, das tartarugas marinhas. Por isso, o Tamar mantém e apoia programas de inserção social e geração de trabalho e renda, como os Centros de Visitantes, as lojas, e as confecções próprias. Também incentiva a formação de grupos produtivos de artesanato, promove a educação ambiental e apoia as manifestações culturais locais. As ações voltadas exclusivamente para a infância e juventude incluem apoio institucional às creches locais, projetos de inserção sócio-econômica e educação ambiental, como guias mirins, clubes ecológicos e oficinas de papel reciclado.


HISTÓRIA

FABIO LIRA

EFRAIM Efraim Raizer Silva Filho chegou ao Tamar/Ubatuba (SP) em 1998, com 14 anos. Começou na horta e na Oficina de Papel. Filho de eletricista, aos 9 anos começou a aprender eletrônica com o pai. No ensino médio, despertou interesse pela informática. Autodidata, logo se iniciou na atividade, realizando cursos de pequena duração e trabalhando no estoque da loja e como suporte de informática, ambos na base de Ubatuba. Daí para a profissionalização foi um pulo. Entrou para a universidade e se formou em Computação Aplicada/ Análise de Sistemas. Hoje, aos 29 anos, 15 de Tamar, mora na Bahia, para onde se mudou, para assumir a coordenação do sistema nacional de informatização do Projeto. E o futuro? “Farei mestrado de engenharia mecânica ou de produção e depois seguirei para o doutorado. Se houver oportunidade, penso em docência no ensino superior”.

GLEUSIANE Filha de pescador, nascida em Regência (ES), terra dos seus pais, Gleusiane Santos Carlos é a pioneira dessa geração. Ela chegou ao Tamar em 1992, aos 17 anos. Em 2004, concluiu o curso de Ciências Contábeis e a pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos. Hoje, aos 37 anos, coordena a Confecção do Tamar em Regência, com uma equipe de 33 pessoas sob sua orientação. Planos para o futuro: “Crescer ainda mais dentro do próprio Tamar”.

A história de Fabio Lira no Tamar começa ainda criança, quando teve seu primeiro contato com uma tartaruga marinha, capturada pelo barco de pesca do pai. Aos 8 anos, já participava das atividades realizadas pelo Tamar em Pirambu (SE), como integrante da Quadrilha Junina das Tartarugas e, mais tarde, como membro do Clubinho das Tartarugas. Em 1994, começou a trabalhar no Projeto como auxiliar administrativo. O dia-a-dia no Tamar consolidou seu interesse pelo assunto e assim começou o curso de biologia. Virou estagiário e, depois de se formar, em 2010, tornou-se executor de base do Abaís. Daqui para frente pretende continuar trabalhando em atividades de conservação ambiental e das tartarugas marinhas, em Sergipe e no Brasil.

GIL Nascido em Ubatuba, Gilberto dos Santos Eustaquio, ou Gil, como é conhecido, está no Tamar desde 1995. Começou como office boy. Curioso, criativo e muito disposto, logo passou a auxiliar em diversos serviços na base do Tamar em Ubatuba, onde hoje é chefe de Manutenção, coordenando uma equipe de oito pessoas. O seu trabalho na base o ajudou a descobrir habilidades que desconhecia, sobretudo na área

da construção civil. Assim, como sempre teve vontade de cursar uma faculdade, entrou para arquitetura. Sobre seus planos, Gil não tem dúvida: terminar a faculdade, em 2013, tornar-se um bom arquiteto, “e sempre colaborar com o Tamar, que me acolheu e me deu a chance de aprender tudo que eu sei”.

MAZINHO Claudemar da Silva Santana, que todo mundo conhece como Mazinho, nasceu na Praia do Forte (BA). Seu avô Ademário, o seu Dedé, que também nasceu lá, é pescador e conserta barcos na vila. Mazinho cresceu com o Tamar. Aos 13 anos se destacou no programa Tamarzinhos e virou monitor. Depois, aos 18, tornou-se tratador dos animais da base da Praia do Forte. Hoje, aos 23 anos, é supervisor de atendimento do Centro de Visitantes. Neste ano de 2013 vai se formar. “Escolhi Biologia porque se aproxima muito do que faço e queria ser o primeiro biólogo nativo do Tamar. Minha história vem servindo de exemplo para meu irmão e outros funcionários que também estão entrando na faculdade. Ainda vamos ter muitos nativos com nível superior cuidando de tartaruga!”, prevê Mazinho, afirmando que pensa em “retribuir profissionalmente aos meus companheiros do Tamar toda ajuda que me deram nessa minha trajetória”. 2013 Revista do Tamar 17


HISTÓRIA

Em busca dos anos perdidos / I Desvendar o comportamento migratório de tartarugas em estágio inicial de vida é o objetivo de pesquisa que o Tamar está fazendo, em parceria com a Universidade Atlântica da Flórida, sob a coordenação da pesquisadora Kate Mansfield. O estudo investiga os primeiros momentos de vida das tartaruguinhas em águas oceânicas, período que os pesquisadores chamam de anos perdidos. Pouco se sabe sobre o que acontece com a maioria das espécies de tartarugas marinhas nessa fase da vida. O Tamar e a Universidade da Flórida querem saber para onde os filhotes vão, além de identificar as áreas de berçário e o uso de habitat. O domínio desse conhecimento é fundamental para conservação e manejo dessas espécies.

Em busca dos anos perdidos / II Como parte da pesquisa que busca conhecer o comportamento das tartaruguinhas, três cabeçudas (Caretta caretta) foram soltas na costa da Praia do Forte/ BA (novembro 2012), levando transmissores adaptados para monitorar seus deslocamentos. Elas foram preparadas e alimentadas durante oito meses, para ganhar peso e tamanho, o suficiente para torná-las capazes de carregar o equipamento sem prejudicar a movimentação natural. De acordo com a coordenadora de conservação e pesquisa do Tamar, 18 Revista do Tamar 2013

oceanógrafa Neca Marcovaldi, mais duas solturas serão realizadas ao longo da temporada reprodutiva de 2012-2013 (fevereiro e março/2013), para coincidir com mudanças de correntes na costa. “Com essa pesquisa poderemos verificar se as tartaruguinhas seguem o mesmo padrão das correntes predominantes em meses diferentes e comparar com rotas estudadas das fêmeas adultas”, explica a oceanógrafa. Os transmissores podem ficar, no máximo, seis meses em funcionamento. Depois, eles se soltam sozinhos.

As tartarugas híbridas Outra pesquisa em curso no Tamar - Hibridismo em tartarugas marinhas na costa brasileira: uma análise genética, ecológica e comportamental - é para tentar entender porque ocorre o hibridismo entre as espécies cabeçudaXde pente e cabeçudaXoliva. Através de análises genéticas, vai-se aprofundar o conhecimento já acumulado, para descobrir, por exemplo, como se dá a distribuição dos genótipos nos ninhos, a preferência de parceiros pelas fêmeas e a influência disso no sucesso reprodutivo. Os pesquisadores do Tamar vão estudar também a ecologia alimentar e o padrão de deslocamento de híbridos entre cabeçuda e oliva. Estão sendo coletados tecidos de filhotes e de suas mães, dados de parâmetros reprodutivos e informações sobre as áreas de alimentação já conhecidas para as híbridas no sul da Bahia e no Ceará. Também serão instalados transmissores em híbridos das duas espécies em Sergipe. Para esse trabalho, o Tamar conta com a colaboração do Archie Carr Center (Dra. Karen Bjorndal, Dr.Alan Bolten e Luciano Soares), e do College of Staten Island (Dra. Eugenia Naro-Maciel).


HISTÓRIA

Redes e luzes de Ubatuba O Projeto Tamar/Ubatuba divulga este ano, junto às comunidades locais e o público em geral, os resultados dos testes realizados de 2009 a 2011, em parceria com pescadores locais, com redes de emalhe, uma das modalidades de pesca mais utilizadas ao longo da costa brasileira. O trabalho buscou identificar medidas que possam contribuir com a redução da captura incidental de tartarugas, sem afetar negativamente a captura de espéciesalvo. A primeira parte dos testes teve como principal objetivo identificar

se havia diferença entre a taxa de captura de peixes e tartarugas de dia e de noite. Na segunda etapa, realizada também com a parceria com a National Oceanic and Atmospheric Administration-USA (NOAA), o objetivo principal foi avaliar a influência de luzes na captura de peixes e tartarugas. Os testes foram realizados durante a noite, sendo utilizadas redes com e sem iluminadores. A pescaria com redes de emalhe costeira é a mais difundida no país e atua, coincidentemente, sobre as áreas de alimentação da tartaruga

verde (Chelonia mydas). Dentre as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, as verdes são as mais impactadas por esta pescaria.

Galera da Praia faz sucesso Faz o maior sucesso a participação da Galera da Praia no trabalho de sensibilização, conscientização e educação ambiental e em defesa das tartarugas marinhas. A Galera é formada por Dermón, Cabeção, Kelly Pente, Nana e Oliver, personagens criados pelo artista baiano Renato Barreto, inspirado

nas cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil. Além das historinhas disponibilizadas no site do Projeto e na revista (veja na página???), esses novos colaboradores do Tamarintegram campanhas de conscientização, programas

educativos e peças gráficas, além de placas e cartazes espalhados pelos Centros de Visitantes e tirinhas publicadas em portais de notícias, como o iBahia.com, e nas mídias sociais. As personagens também são temas de jogos e brincadeiras para as crianças, além de estamparem produtos à venda nas lojas do Tamar.


HISTÓRIA

Inaugurado Centro de Visitantes de Vitória O mais novo Centro de Visitantes do Projeto Tamar está localizado em Vitória, no Espírito Santo, e foi inaugurado no dia 19/12/2012. O evento contou com a participação do subsecretário municipal de gestão e controle ambiental, Ronaldo Freire Andrade e de muitos amigos e visitantes que já começaram a chegar. O Centro de Visitação do Projeto Tamar já conta com auditório para palestras e exibição de filmes, dois tanques de dois mil litros e outro de 30 mil litros. O tanque maior é montado dentro de um barco para retratar as ameaças que a pesca desordenada e ilegal podem causar ao ambiente marinho, e apresenta alternativas de pescarias sustentáveis. O tanque menor retrata o ninho e os filhotes de tartarugas marinhas. Há, também, segurança 24h, banheiros e bebedouros, árvores com sombra para descasar e um mirante com a linda vista da baía de Vitória, onde o nascer e pôr do sol são inesquecíveis para contemplação e para quem gosta de tirar fotos. 20 Revista do Tamar 2013

Gravação de 1ª parte do DVD Tamarear termina em clima de carnaval Com direito a confete e serpentina no final, a gravação da primeira parte do DVD Tamarear (14/11) contou com as performances inspiradas de artistas nacionais e locais que apoiam o programa de conservação das tartarugas marinhas no Brasil. Lenine, Luiz Caldas, Ricardo Chaves, Ana Mametto e Yacoce, Duda Diamba, Marcela Martinez, entre outros, agitaram o público que foi conferir mais uma iniciativa do Tamar para divulgar a mensagem de conservação das tartarugas e de todo o ambiente marinho. A gravação da segunda parte do DVD, com data a confirmar, será também na Praia do Forte.

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As bases de pesquisa no Brasil O Projeto Tamar/ICMBio mantém 23 Bases de pesquisa e conservação, no litoral e nas ilhas oceânicas, protegendo áreas de desova e de alimentação das tartarugas marinhas em nove estados brasileiros. Rio Grande do Norte Áreas de desova protegidas Protected nesting area

Áreas turísticas Visitors centers

Reserva Biológica do Atol das Rocas Áreas de alimentação protegidas Protected feeding area

Almofala Atol das Rocas Fernando de Noronha Pipa

CE

RN

Ponta dos Mangues Pirambu Oceanário de Aracaju

PE

Abaís Mangue Seco

SE

Sítio do Conde Costa do Sauípe

BA

Praia do Forte Arembepe Itaunas Guriri Pontal do Ipiranga Povoação Trindade

ES

Regência

SP

Anchieta

RJ

Alameda Boldró, s/n, Caixa Postal 50 Fernando de Noronha (PE), CEP 53.990-000 Fones 81 3619.1171/3619.1174 Fax 81 3619.1367 E-mail: infonoronha@tamar.org.br

Escritório Regional Natal Av. Alexandrino de Alencar, 1399, Tirol, Natal (RN) CEP 59.025-200 Telefax 84 3201.5944 E-mail: infonoronha@tamar.org.br Compreende duas pequenas ilhas e abriga desovas da tartaruga verde (Chelonia mydas) e juvenis desta espécie e da tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata). No litoral sul potiguar já foram registrados encalhes e ninhos das cinco espécies que ocorrem no Brasil. Nos encalhes, a espécie mais comum é a tartaruga-verde (Chelonia mydas); nas ocorrências reprodutivas, a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) predomina.

Ceará | Almofala Acesso Projeto Tamar, 151, Almofala (CE), CEP 62.592-000 Telefax 88 3667.2020 E-mail: tamarce@tamar.org.br O litoral de Almofala é área de alimentação da tartaruga verde (Chelonia mydas), embora existam registros da ocorrência das outras quatro espécies existentes no Brasil.

Espírito Santo Av. Paulino Muller, 1111, Vitória (ES), CEP 29.042-571 Telefax 27 3222.1417 E-mail: comunicacao.es@tamar.org.br Área de concentração de desovas da tartaruga de couro (Dermochelys coriacea), a espécie mais ameaçada de extinção no Brasil. São oito bases no Estado: Regência, Povoação, Pontal do Ipiranga, Guriri, Itaúnas, Anchieta, Vitória e Ilha de Trindade.

Bacia de Campos

Rio de Janeiro | Bacia de Campos

Ubatuba

SC

Caixa Postal 114.262, Campos dos Goytacazes (RJ) CEP 28.010-972 Fone 22 2747.5277 E-mail: baciacampos@tamar.org.br

Florianópolis

Sergipe | Reserva Biológica de Santa Isabel Reserva Biológica de Santa Isabel, s/n, Pirambu (SE) CEP 49.190-000 Telefax 79 3276.1201/1217 E-mail: tamarse@tamar.org.br Tem a maior concentração de desovas conhecidas de tartaruga oliva (Lepidochelys olivacea) no Brasil. Além de Pirambu, Sergipe conta ainda com as bases de Abaís e Ponta dos Mangues e com o Oceanário de Aracaju, na praia de Atalaia.

Bahia | Praia do Forte (sede nacional) Caixa Postal 2219, Rio Vermelho, Salvador (BA) CEP 41.950-970 Fones 71 3676.1045/3676.1113 Fax 71 3676.1067 E-mail: protamar@tamar.org.br Abriga o maior número de desovas da tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata), considerada umas das mais ameaçadas no mundo, assim como da tartaruga cabeçuda (Caretta caretta), a mais comum nas praias brasileiras. Além da Praia do Forte, conta com mais quatro bases: Arembepe, Costa do Sauípe, Sítio do Conde e a sub-base de Mangue Seco.

Pernambuco | Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha Alameda Boldró, s/n, Caixa Postal 50 Fernando de Noronha (PE), CEP 53.990-000 Fones 81 3619.1171/3619.1174 Fax 81 3619.1367 E-mail: infonoronha@tamar.org.br O arquipélago é sítio de reprodução da tartaruga verde (Chelonia mydas) e área de alimentação de juvenis desta espécie e da tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata).

Área mais ao sul de desova da tartaruga cabeçuda (Caretta caretta) no Brasil. São também encontradas tartarugas verdes juvenis se alimentando ao longo do litoral.

São Paulo | Ubatuba Rua Antonio Atanásio, 273, Itaguá, Ubatuba (SP), CEP 11.680-000 Telefax 12 3832.6202/7014/4046 E-mail: ubatuba@tamar.org.br É área de alimentação de quatro das cinco espécies que ocorrem no Brasil (apenas a Lepidochelys olivacea não é encontrada nessa região). A tartaruga verde (Chelonia mydas) em estágio juvenil é a mais abundante.

Santa Catarina | Tamar-Sul Caixa Postal 5098, Trindade, Florianópolis (SC) CEP 88.040-970 Telefax 48 3236.2015 E-mail: tamarsul@tamar.org.br A pesca oceânica praticada na região faz da base catarinense um ponto estratégico na redução da captura incidental de tartarugas que chegam ao litoral em busca de alimento, abrigo e repouso.


24 Revista do Tamar 2010

Revista Tamar Teste  

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