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Hist贸rias de Ensinar

Escola Superior de Tecnologia e Gest茫o de Felgueiras 2010


IMPRESSÃO E COMPOSIÇÃO: GRÁFICA DA LIXA, Lda Cerdeira das Ervas VILA COVA DA LIXA Telef. 255 491 277 * Fax 255 491 025 4615-404 - MACIEIRA DA LIXA


HISTÓRIAS DE ENSINAR Textos produzidos pelos formandos na Acção “ REINVENTAR A LEITURA E A ESCRITA NA AULA DO 1º CEB E DO PRÉ-ESCOLAR” Organização: José Alves Barroco e José Carvalho de Sousa

2010 ESTG de Felgueiras


TÍTULO: HISTÓRIAS DE ENSINAR ORIENTAÇÃO: José Alves Barroco e José Carvalho de Sousa TEXTOS: Formandos da Acção “Reinventar a Leitura e a Escrita na Aula do 1º CEB e do Pré-escolar ILUSTRAÇÕES: Alunos dos formandos SUPERVISÃO: Gabinete de Formação Contínua da ESTG de Felgueiras ARRANJO GRÁFICO: Gráfica da Lixa

EDIÇÃO: Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras Casa do Curral Rua do Curral, Margaride 4610-156 FELGUEIRAS

Março de 2010


PARTILHAR PARA APRENDERMOS EM CONJUNTO

“Um livro nunca é uma obra-prima: torna-se uma.” Jules Goncourt

A Acção de Formação de Professores “Reinventar a Leitura e a Escrita na Aula do 1º CEB e do Pré-escolar” visou promover a reflexão em torno da leitura e da escrita, nomeadamente dos textos da tradição oral, e enriquecer o leque de materiais e recursos conducentes à melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Não foi intenção esmiuçar o conto, enquanto elemento da designada Literatura Tradicional Oral, mas olhá-lo como mais um recurso de que os professores e educadores podem socorrer-se na tarefa de ensinar a ler e a escrever, numa época dominada pela evolução constante das tecnologias. Pretendemos acima de tudo agarrar em algo nosso, que faz parte do nosso imaginário colectivo, que não morreu e trazê-lo para a sala de aula, utilizando as ferramentas que a evolução tecnológica permite, convertendo-se, deste modo, os alunos nos dinamizadores activos das aulas de língua materna dedicadas à escrita e à leitura.


O conto permite uma diversidade de trabalho e a interdisciplinaridade entre a aula de Português e as outras áreas do saber. O fantástico das histórias tradicionais auxilia o professor a incutir nos alunos o espírito crítico, porque há nessas histórias um conjunto de valores em que assenta a nossa sociedade. As crianças gostam dos contos. Acreditam nas histórias, nas fadas e nas princesas que existem no seu imaginário. Quando deixam de acreditar, dizem simplesmente que a história é bonita e são transportadas para as lembranças da infância. Sendo assim, porque não aproveitar e renovar este recurso nas aulas? Foi neste contexto que nasceu a ideia de se construir este livro que reflecte a partilha de experiências relativas a actividades de leitura e escrita e procura criar nos alunos o gosto pela leitura de livros, em geral, e de histórias, em particular. Os textos aqui apresentados resultam de uma recolha levada a cabo pelos formandos, cuja adaptação, recriação e ilustração tiveram a participação activa dos seus alunos. Dada a riqueza dos trabalhos apresentados, todos entenderam que não deviam morrer num qualquer arquivo do Centro de Formação. Era obrigatória a sua partilha com toda a comunidade educativa! Foi essa constatação e a necessidade de partilhar o que de bom se faz nos estabelecimentos de ensino a génese deste livro que procura ser mais um elemento que promove a leitura e a escrita através do que mais genuíno existe em nós: a infância e as suas histórias de encantar.

Os formadores José Alves Barroco José Carvalho de Sousa


A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras, do Instituto Politécnico do Porto, tem por missão proporcionar formação de nível superior, com especial relevo para o desenvolvimento socioeconómico da região onde está inserida – Vale do Sousa e Baixo Tâmega. Na prossecução desta missão foi criado o Gabinete de Formação Contínua, no âmbito do qual foram estabelecidos protocolos e parcerias com diversas instituições de ensino. Pretende-se com estas parcerias o benefício mútuo das instituições, quer ao serviço das populações que em conjunto servem, quer dos profissionais que nelas trabalham. É o que tem acontecido no contexto do protocolo com a Escola Básica 2, 3 D. Manuel de Faria e Sousa, à qual, através do seu Director António Carvalho de Sousa, agradecemos toda a colaboração prestada. Aos professores deste curso e aos formadores endereçamos os nossos parabéns pelo trabalho realizado, cujo sucesso pode ser aferido pelo prazer da leitura das Histórias de Ensinar. Bem hajam!

O Presidente do ESTG de Felgueiras Luís da Costa Lima


Os Formandos

Alcina da Conceição Rodrigues Alice Maria Teixeira Dias Ana Maria Pereira Ribeiro Pinto Anabela de Castro Ferreira Andreia Maria da Fonseca Alves Célia Patrícia Carvalho da Costa Dias Clara Maria Rocha de Castro Dantas Fausto Alberto Pereira Quintas Florbela de Lurdes Leite Guimarães Helena Manuela Lopes da Costa Jaime Duarte Costa Silva de Sousa João Bruno da Silva Teixeira Maria da Conceição Fernandes Videira Maria de Fátima Gonçalves Maia Santos Sousa Maria Fernanda da Silva Amorim da Mota Teixeira Maria Gil Pavão Gabriel Maria Joaquina da Silva Teixeira Marisa Georgete Carvalho da Silva Patrícia Alexandra Leite Sampaio Patrícia Maria da Fonseca Alves Sandra Maria Mendes Teixeira Susana Isabel Ferreira de Melo e Silva Victor Alves de Carvalho Vitor Ricardo da Silva Lemos


O Sonho Voou Na Asa Branca Do Pássaro, Trazendo Consigo O Caminho E a Paisagem Escrita Pela Pena da IMAGINAÇÃO.


LENDA DA BICHA A Narrativa Fundadora de Ribeiros

Há anos, existia em Moreira de Rei uma bicha escondida nos silvados, que trazia as populações aterrorizadas, pois comia pessoas e animais que por ali passavam. Os aterrorizados habitantes do lugar, hoje denominado «Vale da Bicha», resolveram atear o fogo às silvas, para assim, destruírem a bicha. No entanto a bicha era muito maléfica e o que os habitantes não contavam era que a bicha tivesse asas e voasse… Quando um dia se sentiu ameaçada, voou com toda a velocidade na direcção de Ribeiros, vindo a poisar no lugar do Vinco, onde, hoje, existe o cemitério... continuando aí a sua sanha destruidora, começada em Moreira de Rei. Perante estes acontecimentos o Senhor Florentino, que vivia na Casa de Paços, revoltado decidiu matá-la. Pegando

na

sua

espada e acompanhado da sua cadelinha, dirigiu-se ao Vinco,

para

matar

a

bicha... Mas quando lá chegou deparou-se com um cenário assustador: a bicha já não estava sozinha, tivera entretanto, seis bichanas...


Mas o nosso herói não desanimou... e buscando forças em todos os habitantes que depositaram confiança nele, não baixou os braços e mandou a cadela tomar conta dos filhos da bicha, e desembainhando a espada, iniciou a luta com a Bicha mãe. Entretanto, caía a noite... O nosso homem, temendo que a luz do dia lhe não permitisse acabar a missão a que se afoitara, invocou Santa Maria, padroeira da Freguesia de Ribeiros. Dirigindo-se ao Céu, exclamou: «Santa Maria de Ribeiros, ajudai-me, dai-me forças, alumiai-me!»... E, como por milagre, uma estrela, descendo do alto, poisou num penedo e alumiou-o... Então ele, depois de conseguir matar a mãe, matou os filhos... Cansado de tantas horas lutar, dirigiu-se a casa, deitou-se e jamais se levantou. E para que os cépticos não duvidem da «verdade da lenda», está na Igreja de Ribeiros a imagem «milagrosa» de Santa Maria, de pedra. A escultura da Bicha na Casa de Paços e há ainda quem se lembre da marca da estrela no penedo, que foi partida para a construção do cemitério... E toda a gente de Ribeiros sabe que todos os anos se reza, junto ao túmulo do Homem da Bicha, que se encontra na «Porta da Travessa» da Igreja Paroquial... Também toda a gente de Ribeiros sabe que, junto ao túmulo do Senhor Florentino, que matou a Bicha, existe o túmulo da fiel cadelinha...

Ilustrações: Daniel Peixoto, CERCIFEL


A LENDA DE SANTA QUITÉRIA

Santa Quitéria nasceu em Braga, no ano 120 d.C.. Os seus pais, Lúcio Severo e Cálcia Lúcia, eram pagãos e descendentes de famílias nobres. O seu pai era governador da Província de Braga, que pertencia ao Império Romano. Enquanto o governador se encontrava em viagem, Cálcia deu à luz nove gémeas, entre as quais se encontrava Quitéria. Como sua mãe era pagã, ficou assustada com o nascimento de 9 filhas, considerando o número agoirento. Com medo do que o marido pensaria com tal aberração mandou matar as suas filhas. Então, pediu à sua criada Cita, que era cristã, para as afogar no rio e dizer ao seu marido que tinha sido infeliz no parto. Contudo, apesar de Cita ter retirado as 9 meninas de casa não as afogou, pois era cristã e isso ia contra as suas crenças. Assim, levou as meninas ao arcebispo de Braga, Santo Ovídio, que as baptizou com os nomes de Quitéria, Genebra, Vitória, Marinha, Marciana, Germana, Basília, Liberata e Eufémia. O arcebispo alimentou e educou as nove irmãs, enquanto estas viviam com famílias cristãs que as tinham acolhido.


Mais tarde, souberam do perigo que passaram à nascença e como foram salvas da morte certa. Devido a esta revelação as irmãs decidiram viver juntas para se aperfeiçoarem na vida cristã. Durante esse tempo foi conhecida a caridade e piedade das nove donzelas cristãs. Mas, de um momento para o outro, a vida delas mudou. O imperador romano, que até então tinha tolerado os cristãos, decidiu proceder à eliminação de todos os cristãos, perseguindo-os por todo o Império. O pai de Santa Quitéria, sendo governador da Província de Braga, acatou as ordens do seu imperador e mandou prender todos os cristãos que se encontravam no seu território. Os seus soldados souberam da existência das nove virgens cristãs, prendendo-as e levando-as à sua presença. O governador não as conhecia como suas filhas e ao interrogá-las sobre a sua filiação, idade e religião ficou a saber pela boca de uma delas, Genebra, que ele era o pai das cristãs que se encontravam à sua frente e que todas elas adoravam e obedeciam a Deus acima de todos os homens. Estupefacto com a revelação, o governador reuniu-se com as suas filhas, a sua mulher e Cita, sua criada. Ao deparar-se com a verdade o governador juntamente com a sua mulher acariciam as filhas e fazem-lhes

várias

promessas

de

felicidade

se

abandonarem a fé cristã e prestarem culto aos ídolos do Império Romano. Inabaláveis na sua fé, as irmãs recusam abandonar o seu Deus e o seu pai passa às ameaças de morte. O governador dá-lhes tempo para pensarem e quando as irmãs ficam sós começam a pedir coragem a Deus. Nesse momento a sala enche-se de luz e um anjo aconselha-as a fugirem do palácio. Então, as irmãs despedem-se umas das outras e fogem separadas. Ao confrontar-se com a sala vazia o governador manda capturar as filhas, contudo só uma foi capturada, Quitéria. As outras viriam a ser capturadas e mortas mais tarde que Quitéria e em vários locais, dando assim todas o testemunho da sua fé.


Quitéria foi capturada e levada à presença de seu pai, que lhe deu mais uns dias para pensar na sua sorte. Num dia, quando Quitéria regressava de uma das suas orações, o seu pai diz-lhe que a prometeu em casamento a um rapaz rico, nobre e pagão, chamado Germano. Refugiando-se no seu quarto suplicou a Deus que a ajudasse, quando apareceu o anjo e lhe disse para se refugiar no Monte Pombeiro. Quitéria assim o fez, juntamente com outras donzelas cristãs. Pelas terras onde Quitéria se instalou existia outro governador que também perseguia cristãos. Este prendeu-a juntamente com as restantes cristãs e informou o seu pai. Este enviou soldados ao Monte Pombeiro para obrigar Quitéria a casar com Germano, mas esta diz que a sua decisão já estava tomada, que já era casada, ou seja, era esposa de Cristo. Ao conhecer a decisão de sua filha, o governador manda Germano, noivo de Quitéria, juntamente com soldados romanos, para a matar. Ao chegar ao Monte Pombeiro, hoje Monte de Santa Quitéria, Germano degola Quitéria. Esta somente tinha 15 anos. A sua cabeça rolou monte abaixo e no local onde parou rebentou uma fonte como símbolo da sua pureza, fé, caridade, piedade e amor a Deus.

Ilustrações: Germano Guimarães


MONTE DE SANTA QUITÉRIA

A lenda de Santa Quitéria menciona o Monte Pombeiro também conhecido por Monte das Maravilhas, monte onde se refugiou Santa Quitéria e que, após a sua morte, ficou conhecido com o seu nome. Este monte está situado na cidade de Felgueiras, que no ano mencionado na lenda (120-135 d.C.) pertencia à Lusitânia, que por sua vez fazia parte do Império Romano. Ainda hoje há vestígios desse tempo, existindo assim roteiros românicos, igrejas, mosteiros, etc. A lenda remonta aos tempos de confronto entre pagãos e cristãos que gerava uma indefinição de culto, crenças e fé. Santa Quitéria, segundo a tradição oral, foi a primeira mártir em terra que veio ser, anos mais tarde, portuguesa. O concelho onde se encontra este extraordinário monte é Felgueiras e pertence ao distrito do Porto. O nome Felgueiras deriva dos termos «felgaria rubeans» que significa terreno coberto de fetos avermelhados.


A LENDA DO ERMITÃO

Era uma vez um pobre ermitão que vivia na gruta do Penedo Rachado, nas encostas do Monte do Pilar, e que, para saciar a fome, descia à povoação. Entre tantas, havia uma senhora muito rica, D. Lopa, que não gostava nada do modo como o ermitão agradecia o que lhe davam: “Quem bem o faz, para si o faz!”. Projectando eliminar o pobre velho, D. Lopa deitou veneno num bolo e ofereceu-o. Satisfeito com a dádiva, o ermitão, mais uma vez, retorquiu a frase da inquietação: “Quem bem o faz, para si o faz!” Regressado à sua lapa, eis que uma grande tempestade se abate sobre o monte e forte trovoada obriga a que um jovem caçador, filho de D. Lopa, lhe solicite guarida. Vendo-o assim tão cansado e cheio de fome o ermitão oferece-lhe o bolo e garante: “É de confiança! Não tenha receio! É o bolo que eu recebi das mãos de sua mãe. Coma!” Quando a tempestade amainou, o jovem voltou para casa mas começou a sentir-se bastante incomodado. Ao vê-lo naquele estado, D. Lopa quis saber o que se tinha passado. Pálido e já desfigurado, o filho garantiu-lhe que apenas tinha comido o bolo que

ela

oferecera

ao

pobre velho. Estarrecida, D. Lopa debruçou-se sobre o jovem moribundo e exclamou: Perdão, meu filho, perdão! Quis envenenar o velho e matei-te! Agora, só agora, percebo as palavras do velho Ermitão: “Quem bem o faz, para si o faz!”.


BOLO DE MEL

Ingredientes:

Preparação:

8 pessoas 4 ovos

Bata os ovos com o açúcar, junta o mel e a canela,

300gr de açúcar

adicione o leite, a manteiga derretida e a farinha

60gr de mel

peneirada com o fermento aos poucos.

Canela em pó q.b.

Bata tudo muito bem.

4dl de leite

Leve a cozer o preparado numa forma untada com

150gr de manteiga

manteiga em forno aquecido a 160ºC durante 45

200gr de farinha

minutos.

10gr de fermento em pó

Polvilhe com açúcar em pó.


A LENDA DO PENEDO DO SINO

No sopé da Citânia, junto ao Penedo do Sino, vivia um humilde pastor com sua única filha. A jovem era de lida e todos os dias, de manhã cedo, levava o rebanho a pastar pela serra. Nada lhe metia medo e só regressava a casa quando o Sol se escondia. Numa manhã,

fresca enquanto

libertava as cabras e as ovelhas, viu um sardão de

olhos

muito

brilhantes no alto do Penedo. Por muito que fosse o barulho e a confusão do rebanho, nada agitava o sardão. Dia após dia, a jovem pastora achou graça e começou a dar-lhe leite duma cabrinha branca que aparecera abandonada na serra. Certo dia, o leite faltou à cabritinha e a rapariga, preocupada, desabafou: - Pobre bichinho! Não sei o que há-de ser de ti! No dia seguinte, no lugar do sardão, estava lá sentado um bonito rapaz. - Não fujas! Não tenhas medo! Eu fui transformado em sardão. Sou eu! Tu quebraste-me o encanto e mereces ser recompensada, pelos noventa dias que me deste o leite a beber. Não contes isto a ninguém! O segredo de tudo será a tua felicidade. Assim que estiver salvo, a cabrinha branca voltará a dar leite e assim terás a certeza de que tudo correu bem. Por fim, disse-lhe o jovem moiro: - Deixo-te este talismã. Guarda-o muito bem e ao fim de três meses, quando a cabra voltar a dar leite, pegarás nele e abrirás o penedo no sítio que eu, agora, vou beijar. E que Alá te proteja, meu anjo. Dito isto, o moiro, parecendo ter asas nos pés, encaminhou-se para o alto da Citânia e nunca mais foi visto. A bondosa pastorinha ficou rica e, sedutora, casou com um abastado lavrador das redondezas.


CITÂNIA DE SANFINS

A Citânia de Sanfins localiza-se quase na sua totalidade na freguesia de Sanfins de Ferreira, no concelho de Paços de Ferreira, distrito do Porto. Está classificada pelo IPPAR como monumento nacional. É uma das mais importantes zonas arqueológicas da civilização castreja na Península Ibérica. Surgiu por volta do século I a.C. e ocupa uma área de cerca de 15 hectares, numa colina integrada numa zona de montanhas de afloramentos graníticos, num local estratégico entre a região do Douro e do Minho. A Citânia estava protegida por várias linhas de muralhas defensivas. Uma das particularidades da Citânia de Sanfins e que a distingue de todas as outras citânias na Península Ibérica, é o seu núcleo familiar bem reconstruído. A Citânia possui mais de cento e cinquenta construções de planta circular e rectangular, agrupadas em cerca de quarenta conjuntos de unidades familiares. O edifício destinado aos banhos públicos destaca-se, do conjunto arqueológico da Citânia, pela sua técnica e por possuir a “Pedra Formosa da Citânia de Sanfins”: um monólito de grandes dimensões decorado com gravuras em baixo relevo que se situa no interior dos balneários e

que

acesso,

permitia por

o

uma

pequena abertura, ao compartimento

dos

banhos e dos vapores quentes. Os

primeiros

estudos, desta Citânia, devem-se aos historiadores Francisco Martins Sarmento e a Leite de Vasconcelos. As escavações iniciaram-se em 1944 e prolongaram-se por mais de cinquenta anos.

www.wikipedia.com (adaptado)

Ilustrações: Beatriz Ribeiro, Gilberto Santos e Luís Alvesda EB1/JI de Gilde, Ferreira


A LENDA DE PENAFIEL

“Era uma vez…”. Era assim que o avô Ferreira começava a contar as suas sábias histórias aos seus quinze netos e bisnetos. Apesar da idade já ter passado de oito décadas, o avô Ferreira mantinha ainda uma frescura de memória, invejável a qualquer jovem. Dizia quem o conhecia que se devia à regrada vida que levava. Certo dia ao juntarem-se em mais um convívio familiar, o avô Ferreira viu-se rodeado pela pequenada à espera que lhes contasse mais uma das suas histórias. O Luís, o mais palrador, pergunta ao avô: - Avô, tu que sabes tantas e tantas histórias, não sabe nenhuma sobre Penafiel? - Bem, sobre Penafiel, sobre Penafiel, contam-se várias histórias, mas existe uma lenda muito antiga que diz que: Em tempos muito remotos, existiu na encosta poente ao monte de Airó, próximo do rio Douro, uma pequena povoação toda murada e fortificada, assente em grandes penhas que formavam a sua própria defesa, e, a que antigos chamaram de Penha Fiel. Mas devido à decadência que a agricultura sofreu nessa época, esta povoação “uma das mais ricas regiões agrícolas, conjuntamente com a de Pêgas e de Santa Cristina”, viuse envolvida em guerra com as povoações vizinhas. Devido ao seu fraco poderio militar a resistência foi quase nula. Assim, numa noite de luar em Agosto, os seus habitantes conseguiram abandonar a povoação por uma passagem secreta, levando tudo o que tinham e podiam com eles.


Sem se aperceberem do sucedido, os guerreiros que ainda cercavam a povoação esperaram em vão a sua rendição, pois os habitantes antes de partirem ainda tiveram a astúcia de deixarem alguns “espantalhos” em diversos locais para assim lograrem o seu inimigo. Ao verem-se enganados, entraram na povoação e saquearam o pouco que ainda tinha ficado, e, no final queimaram tudo ficando tudo reduzidos a cinzas. Os habitantes abandonaram então esta região passando a fazer uma vida errante. Passados vários anos regressaram de novo ao local de onde tinham partido, mas vendo como tudo se encontrava, não ficaram e chamaram-lhe a Cidade Morta. Caminharam mais para Norte, e encontraram um local, junto de uma colina situada entre-os-rios Alsou e Alcavum, criando uma povoação, que ainda se mantém até hoje. Mais tarde toda esta região foi invadida pelos mouros, que ainda ficaram muitos e muitos anos em terras em redor, criando as suas Moiranas. Com o avanço dos mouros, a povoação e os seus habitantes corriam perigo, por isso pediram ajuda ao Conde Hermenegildo Gonçalves, que com as suas tropas expulsaram os mouros de toda esta vasta região. A partir daí a povoação e toda a região ficou protegida do ataque dos mouros, mas ao mesmo tempo pertença do Conde Hermenegildo. Com a morte do conde a viúva de nome Momadona Dias e os seus dois filhos mais novos de nomes Arriana e Nuno, herdaram toda esta vasta terra, continuando a proteger a povoação. Certo dia, um fidalgo vizinho de nome D. Mendo de Sousa, senhor importante e poderoso, dono de uma vasta terra, resolveu fazer uma visita à nobre viúva Momadona e ao mesmo tempo pedir em casamento a filha Arriana, mas ela não aceitou. Mais tarde todas estas terras ficaram nas mãos do poderoso fidalgo D. Mendo de Sousa, que deu o nome à povoação de Arrifana de Sousa. E assim Arrifana de Sousa se manteve até ao dia 24 de Março de 1770, quando no reinado de El-Rei D. José I a elevou a cidade e mudando-lhe o nome para Penafiel, nome que ainda se mantém até hoje e já lá vão 240 anos.

In Contos do meu Avô - Lenda de Penafiel

Ilustrações: Filomena Camoesas


OS TRÊS PORQUINHOS

Era uma vez três porquinhos que viviam na floresta com a sua mãe. Um dia, a mãe disse-lhes para construírem cada um a sua casa. O primeiro porquinho fez uma casa de palha. O segundo porquinho construiu uma casa de madeira. O terceiro porquinho que era mais ajuizado e trabalhador construiu uma casa de tijolo. Um dia, um lobo muito feroz bateu à porta da casa de palha do porquinho e disse: - Abre essa porta, se não abrires eu vou soprar e a tua casa vai pelo ar! O porquinho cheio de medo trancou a porta, mas o lobo furioso destruiu logo a casa. O porquinho fugiu para a casa de madeira do seu irmão. Só que o lobo foi atrás para o apanhar. Bateu à porta e disse: - Abre essa porta, se não abrires eu vou soprar e a tua casa vai pelo ar! Os porquinhos cheios de medo fugiram para a casa de tijolo do irmão mais velho. Dentro de casa, em segurança, os porquinhos estavam felizes. Nesta casa feita de tijolos os porquinhos não corriam perigo. Que bom! Aqui o lobo não lhes podia fazer mal! De repente, os porquinhos vêem o lobo a subir pela chaminé e decidem pôr uma panela com água a ferver. O lobo fica muito assustado e fugiu para a floresta.

Ilustrações: alunos da sala dos 5 anos do JI de Torrados, Felgueiras


CANÇÃO «Os Três Porquinhos»

Os três porquinhos Viviam na floresta Estavam sempre a cantar:

Ó mãe, mãezinha As nossas casinhas, Nós vamos acabar!

Os três porquinhos Fizeram as casinhas E o lobo estava a espreitar!

Aú! Aú! Que ricos porquinhos, Para o meu jantar!

Ó mãe, mãezinha Nesta casinha O lobo não vai entrar!

Ilustrações: alunos da sala dos 5 anos do JI de Torrados, Felgueiras


BELA INFANTA Estava a bela infanta No seu jardim assentada, Com o pente de oiro fino Seus cabelos penteava. Deitou os olhos ao mar Viu vir uma nobre armada; Capitão que nela vinha, Muito bem que a governava. – «Diz-me, ó capitão Dessa tua nobre armada, Se encontraste meu marido Na terra que Deus pisava?» – «Anda tanto cavaleiro Naquela terra sagrada... Diz-me tu, ó senhora, As senhas que ele levava.» – «Levava cavalo branco, Selim de prata doirada; Na ponta da sua lança A cruz de Cristo levava.» – «Pelos sinais que me deste Lá o vi numa estacada Morreu morte de valente: Eu sua morte vingava.» – «Ai triste de mim viúva, Ai triste de mim coitada! De três filhinhas que tenho, Sem nenhuma ser casada!...»


– «Que dirias tu, senhora, A quem no trouxera aqui?» – «Dera-lhe oiro e prata fina, Quanta riqueza há por i.» – «Não quero oiro nem prata, Não nos quero para mi: Que darias mais, senhora, A quem no trouxera aqui?» – «De três moinhos que tenho, Todos três tos dera a ti; Um mói o cravo e a canela Outro mói do gerzeli: Rica farinha que fazem! Tomara-os el-rei pra si» – «Os teus moinhos não quero Não nos quero para mi; Que diria mais senhora, A quem to trouxera aqui?» – «As telhas do meu telhado Que são oiro e marfim.» – «As telhas do teu telhado Não nas quero para mi: Que darias mais, senhora, A quem no trouxera aqui?» – «De três filhas que eu tenho, Todas três te daria a ti: Uma para te calçar, Outra para te vestir, A mais formosa de todas Para contigo dormir.»


– «As tuas filhas, infanta, Não são damas para mi: Dá-me outra coisa senhora, Se queres que o traga aqui. – «Não tenho mais que te dar, Nem tu mais que me pedir.» – «Tudo, não, senhora minha, Que inda te não deste a ti.» – «Cavaleiro que tal pede, Que tão vilão é de si Por meus vilões arrastado O farei andar aí Ao rabo do meu cavalo. À volta do meu jardim Vassalos, os meus vassalos, Acudi-me agora aqui!» – «Este anel de sete pedras Que eu contigo reparti... Que é dela a outra metade? Pois a minha, vê-la aí!» – «Tantos anos que chorei, Tantos sustos que tremi! Deus te perdoe, marido, Que me ias matando aqui.»

in Romanceiro, de Almeida Garrett Ilustrações: Jorge Nuno Teixeira


LENDA DA CIDADE DE BRAGANÇA

Reza a lenda que há muitos, muitos anos, no Castelo de Bragança, vivia um rei rico, mas também muito autoritário. Era pouco simpático e, por isso, recebia visitas de poucas pessoas. Com ele vivia somente uma sobrinha que ele tratava muito bem como se fosse sua filha. O rei preocupava-se em arranjar-lhe um bom marido e dizia-lhe frequentemente para arranjar um bom rapaz para casar e ter filhos como era costume naquele tempo. A afilhada não andava muito preocupada com o assunto não dando grande importância ao que o seu tio lhe dizia pois acreditava que um dia haveria de encontrar um jovem valente, destemido e corajoso por quem se haveria de apaixonar de verdade. Num determinado dia, chegou ao castelo de Bragança um

jovem

cavaleiro

que

durante toda a sua vida tinha sonhado lutar num reino, com um rei poderoso ao qual pudesse servir. Deste modo tornar-se-ia famoso e glorioso. O

jovem

permaneceu

cavaleiro

neste

local

durante algum tempo durante o qual conheceu a sobrinha do rei, num dos serões do castelo, em que conversaram e dançaram muito. A partir daí, sentiam-se felizes com a presença um do outro e acabaram por se apaixonar perdidamente. Contudo, e apesar de gostar muito da sua amada, o jovem cavaleiro queria tornarse um herói, um cavaleiro famoso e aventureiro e nesse lugar nunca o poderia ser. Por isso tomou uma decisão partir mesmo que isso implicasse deixar a sua amada. A sobrinha do rei permaneceu no castelo à espera do seu grande amor. Mas passaram muitos anos, cerca de dez anos, o cavaleiro não regressava e a sobrinha do rei não se interessava por mais ninguém, apesar dos vários pretendentes que lhe tentavam fazer a corte, o que começou a preocupar deveras o seu tio que a queria ver casada e com filhos.


O rei achou por bem ter uma conversa com a sua sobrinha dizendo-lhe que não compreendia porque é que ela não namorava com um dos vários pretendentes que lhe tinham tentado fazer a corte, mas ela respondeu-lhe que se tinha apaixonado pelo cavaleiro que partira há dez anos e que ele lhe prometera também que um dia quando pudesse a viria buscar. O tio quando percebeu a verdadeira promessa da sobrinha e que ela estava determinada em cumpri-la pensou em arranjar uma maneira que fizesse com que ela esquecesse rapidamente o seu amor. Aproveitando a altura em que ela estava a dormir cobriu-se com um lençol e fazendo-se passar por um fantasma dirigiu-se, ao quarto da princesa, dizendo-lhe que era o cavaleiro por quem ela esperava há dez anos e que tinha morrido numa batalha sem honra nem glória e que a partir daí ela ficaria livre para amar quem quisesse. A rapariga ficou aterrorizada e pediu a ajuda de Deus. Nesse mesmo momento, a porta do quarto abriu-se e uma luz muito clarinha mostrou-lhe afinal que o fantasma era apenas o seu tio que só teve tempo de fugir. A partir daquela noite, o rei nunca mais falou em tal assunto e a princesa passava os dias sozinha, na torre mais alta do castelo, à espera de ver chegar finalmente o seu amado. Durante muitos anos a princesa cumpriu a sua promessa fazendo tudo o que podia pelo seu herói. Naquele reino, a partir daquele momento, as pessoas atribuíram à torre onde a princesa se refugiava a sonhar com o seu cavaleiro, o nome de Torre da Princesa. A porta onde o fantasma apareceu, ficou doravante conhecida como a porta da Traição e, à porta onde surgiu a luz, atribuíram-lhe o nome de Porta da Verdade. Não há nada mais bonito Do que fez esta princesa. Esperou o seu amor, Acto de muita grandeza.

Narração da lenda por D. Adelaide Videira, habitante de Bragança. Ilustrações: Carlos Lopes 3ºAno Centro Escolar de Margaride


BRAGANÇA… Esta cidade teve origem a partir de dois núcleos: um dos núcleos a cidade e o outro a vila. A ligar a vila e a cidade estão duas ruas : a Rua Direita e a Rua de Trás. A cidade antiga ficaria, no local onde hoje está a Sé. Era uma povoação neolítica e serviu de base a uma cidade romana, com as invasões bárbaras e guerras entre mouros e cristãos desapareceu. Em 1130 foi restaurada, no alto de um outeiro a centenas de metros. Surgiu a vila de Benquerenças e edificou-se o castelo, onde se encontra a Domus Municipalis (séc. XIII). À volta do castelo e dentro das muralhas cresceu a vila, e alargou-se aos espaços exteriores. A cidade extinta voltou a renascer e não tardou que as duas povoações se unissem, e o nome que ficou foi o da mais antiga. Depois desta tentativa de povoamento, feita por Fernão Mendes (da família da D. Afonso Henriques), o Rei D. Sancho I concedeu o foral a Bragança em 1187. Bragança então floresceu depressa. Era um local de passagem para as peregrinações de S. Tiago de Compostela desde o século XII. Nos sécs. XV e XVI surgiu um importante centro manufactureiro de veludos, damascos e outros tecidos de luxo. O volume de vendas era alto e quanto à qualidade dizia-se "a doçura das carícias femininas compara-se ao toque dos veludos de Bragança". A inquisição foi muito activa em Bragança, ao todo 734 vitimas. Os teares fecharam e a região passou por um período de decadência. A concessão de título de cidade foi dada por D. Afonso V em 1464. E em 1560 construí-se o colégio dos Jesuítas, entretanto Bragança vai crescendo. Já em 1906 (1 de Dezembro) chegou o comboio a Bragança. Durante a década de 60 constroem-se a Escola Industrial e o Liceu Emídio Garcia.

In http://www.bragancanet.pt/braganca/historial.html


DRIANA Aos meus avós.

No tempo em que o universo era o reino dos seres mágicos, havia um lugar secreto e longínquo onde repousava a mais antiga de todas as florestas. Ali o musgo formava um mar, onde os pés mergulhavam profundamente e o verde sombrio das copas não deixava espreitar o céu. Ora acontece, que numa noite brumosa, Garcia, filho de um homem estranho e cruel, perdeu o seu caminho e entrou na floresta. Ouvia o murmúrio dos regatos que se misturava com o canto das aves. Pensando no seu destino, Garcia procurou abrigo junto do tronco rugoso de um belo carvalho e, exausto, adormeceu. Foi então que se ouvi o ruído…estranho, longo e sonoro como o rasgar de uma alma. Primeiro viu-se um pequeno pé sair da casca da árvore, depois surgiu um ser de fogo e de chuva. O rosto era iluminado por olhos enormes, cor de âmbar. O cabelo era uma cascata de flores de centelhas entrelaçadas e a pele era como geada cintilante. Ela debruçou-se sobre o rapaz, e com os seus dedos esguios, tocou-lhe levemente o cabelo. Parecendo reflectir, suspendeu a mão no ar e observou-o longamente. Sorriu e sentou-se ao seu lado. A madrugada encontrou os dois adormecidos sob a copa do carvalho. Garcia acordou e, perplexo, olhou em seu redor. Foi então que a viu. O seu coração parou de surpresa… Como era bela, como era impossivelmente bela! Aproximou-se, e com todo o cuidado, afagou o seu delicado braço. Lentamente, ela abriu as longas pestanas e olhou-o com uma malícia alegre que iluminou o coração do pobre rapaz. - Finalmente acordaste? - soltou ela numa voz que parecia o vento nas folhagens. Como te sentes? - Quem és tu? - sussurrou ele maravilhado. Ela ergueu-se e, formidável, respondeu. - Sou Driana.


Garcia estremeceu, algo nela lhe lembrava as histórias antigas que a sua avó lhe contara. Ela continuou. - Esperei por ti porque queria conhecer o homem que, apesar do frio e da noite, não mutilou as árvores desta floresta. Como te chamam? Garcia respondeu-lhe. Driana sorriu de novo e disse: - Fico feliz por te conhecer Garcia. Voltaremos a encontrar-nos, agora vai. A tua gente deve procurar-te. Com a ajuda dela o rapaz chegou a salvo, mas as suas noites e os seus dias estavam para sempre presos à visão daquela criatura maravilhosa. Acreditava ouvi-la na brisa, na orla dos bosques e dos montes. Então resolveu voltar à floresta durante a noite. Não reparou num vulto escondido nas sombras. Ele encontrou o carvalho, mas Driana não estava lá. Chamou, gritou mas só ouvia o eco da sua voz. Deixou-se cair no chão e resolveu esperar. As trevas apoderaram-se dele durante sete intermináveis dias e sete intermináveis noites. Na manhã seguinte, ouviu o ruído e ele pôde ver o que a sua alma adivinhava. Ela, Driana, emergia resplandecente daquele carvalho. Era uma Dríade, um espírito das árvores! - Garcia, fico feliz de voltar a ver-te, murmurou docemente. Garcia contou-lhe o seu tormento e como todo o seu ser só queria estar perto dela. - Sabes dos sacrifícios que terás de fazer? Não voltarás a ver a tua família ou os teus amigos e passarás a viver no meu mundo para sempre. Serás capaz de tamanha provação? Ele, demasiado emocionado para reflectir, jurou-lhe que nada era mais importante do que ela, mas pediu-lhe que o deixasse despedir-se dos seus pais. - Assim será Garcia, mas volta antes do anoitecer, sentenciou gravemente, e não contes a ninguém. Ele prometeu e correu para a aldeia só pensando na felicidade futura. Saltava vales e subia montes como num sonho. Quando chegava à aldeia ouviu subitamente um grito arrepiante no mais fundo da sua mente.


Estacou, olhou em redor, e voltou a ouvir aquele som desesperado. Voltou atrás e, com a força do desespero, correu para junto de Driana. Ao chegar, viu o carvalho que outrora se erguia majestoso, jazendo no chão e abraçada a ele estava ela, translúcida e quase irreal. - Oh, Garcia, o que fizeste? Soluçou ela. Porque deixaste que ele abatesse o meu carvalho? - Mas quem? O que aconteceu? Perguntou ele atormentado. Mas Driana já não tinha forças para responder e desapareceu com um suspiro profundo de toda a floresta. Então, das trevas, surgiu o pai dele enlouquecido. - Não podia deixar que fosse com aquela coisa, gritou ele. Só podia deitar abaixo a árvore, elas morrem com elas, as malditas! Garcia escutava atónito, aos poucos a raiva e a dor apoderam-se dele. - Com que direito tiraste duas vidas? Quem és tu? Renego-te para sempre, nunca mais quero ver um ser da tua espécie! Vai! Desaparece! O pai recuou assustado e fugiu. Garcia sentou-se no chão e finalmente conseguiu soltar a sua mágoa, lágrimas grossas e quentes corriam-lhe pelas faces. Uma dessas lágrimas rolou pelo musgo suave até uma lande do carvalho. Imediatamente, esta começou a inchar e dela saiu uma pequena raiz que se agarrou com força à terra e cresceu numa árvore prodigiosa. Abismado, Garcia viu a árvore abrir-se e dela sair Driana, ainda mais bela e fulgurante do que jamais tinha sido. O teu amor salvou-me, Garcia. Sei agora que o teu coração é puro e honesto. Driana estendeu-lhe a mão. Vem, deixa-me mostrar-te o nosso mundo. E assim ficaram os dois, unidos na eternidade daquela árvore, imortais protectores da floresta. Ilustrações: Clara M. R. de Castro Dantas.


RESPONSO DE SANTO ANTÓNIO

Se milagres desejais Recorrei a Santo António, Vereis fugir os demónios E as tentações infernais.

Recupera-se o perdido Rompe-se a dura prisão, E no auge do furacão Cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão Foge a peste, o erro, a morte, O fraco torna-se forte E torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido… Todos os males humanos Se moderam, se retiram, Digam-no os que o viram, Digam-no os paduanos

Recupera-se o perdido Glória ao Pai, …

Recupera-se o perdido… Rogai por nós, Bem-Aventurado Santo António, Para que sejamos dignos das promessas De Cristo.


ENCOMENDAÇÃO DAS ALMAS

Pela Quaresma, antigamente, era costume Fazer-se as Encomendações das Almas, ou Amentar das Almas. Exemplo: Alerta, alerta, Vida é curta, morte é certa! Óh irmãos meus, filhos de Maria, Pelas almas do Purgatório, Um Padre-Nosso, Uma Avé-Maria! Mais vos peço, meus irmãos, outro Padre-nosso e uma Avé-Maria P´ra aqueles que andam Em pecado mortal. Que Nosso Senhor lhes dê graça Com que se apartem dele. E seja pelo amor de Deus. Mais vos peço, meus irmãos, Outro Padre-Nosso e uma Avé-Maria. P´ra aqueles que andam Sobre as águas do mar. Que Nosso Senhor os chegue A porto de salvação. E que seja por amor de Deus. Mais vos peço, meus irmãos, Mais uma Salve-Rainha À Virgem Nossa Senhora, Que ela seja nossa advogada, Nossa intercessora Diante do seu amado Filho. Informadora: Maria Salomé, 79 anos, Telões, Amarante Ilustrações: alunos da EB1 da Refontoura, Airães


E A LEBRE O LEÃO

Numa linda tarde de Primavera, um leão esfomeado passeava pela floresta quando ouviu um barulho que lhe despertou a atenção. Era o ressonar profundo de uma lebre que, à sombra de uma árvore, dormia a sua sesta, descansadamente. Ao vê-la, o leão disse consigo mesmo: - Tem um ar apetitoso! Vou comê-la e matar a minha fome. Quando se preparava para atacar a lebre reparou que um gordinho veado bebia água do riacho que ali passava e pensou: - Que sorte a minha! Duas presas à disposição. Qual destes dois hei-de comer primeiro? A verdade é que o veado tinha um aspecto delicioso e como a fome apertava cada vez mais, resolveu atacá-lo primeiro desatando a correr atrás dele. Mas o veado, que é muito veloz e atento, apercebeu-se da situação e rapidamente fugiu. Como tanta barulheira, a lebre despertou da sua soneca e, observando o que se estava a passar, fugiu num abrir e fechar de olhos. Bastante zangado e furioso com a situação, o leão voltou para se consolar com a lebre mas esta desaparecera. - Não acredito no que me está acontecer. Poderia ter comido a lebre enquanto dormia mas não aproveitei e agora não tenho nada. Que grande lição eu aprendi hoje.

Mensagem: Devemos agarrar as oportunidades que nos surgem e tirar o máximo proveito delas.

Fábula de Esopo (adaptada) Ilustrações: Clara Vasconcelos (Aluna da T4 do Centro Escolar de Idães)


Provérbios relacionados com a história: Mais vale um pássaro na mão que dois a voar. Quem tudo quer tudo perde. Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje. Quem muito pula pouco caça.

TEXTO INFORMATIVO FÁBULA – A fábula é uma história narrativa que surgiu no Oriente, mas foi particularmente desenvolvido por um escravo chamado Esopo, que viveu no século VI a.C., na Grécia antiga. Esopo inventava histórias em que os animais eram os personagens. Por meio dos diálogos entre os bichos e das situações que os envolviam, ele procurava transmitir sabedoria de carácter moral ao homem. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para o ser humano. Cada bicho simboliza algum aspecto ou qualidade do homem como, por exemplo, o leão representa a força; a raposa, a astúcia; a formiga, o trabalho etc. É uma narrativa inverosímil, com fundo didáctico.(…) in, Wikipédia, enciclopédia livre


HISTÓRIA DA CAROCHINHA

Era uma vez uma linda Carochinha, que encontrou cinco réis enquanto varria a cozinha. Com

o

dinheiro,

foi

comprar uns brincos, um colar e um anel, pôs-se à janela e perguntou? - Quem quer casar comigo? Passou

um

burro

e

respondeu: - Quero eu! - Como te chamas? - Chamo-me im om, im om, im om. - Eu não gosto de ti porque tens uma voz muito feia. A Carochinha voltou a perguntar: - Quem quer casar comigo? Passou um cão e respondeu: - Quero eu! - Como te chamas? - Au, au, au. - Eu não gosto de ti porque tens uma voz muito grossa. A Carochinha voltou a perguntar: - Quem quer casar comigo? Passou um gato e respondeu: - Quero eu! - Como te chamas? - Miau, miau, miau. - Eu não gosto de ti porque tens uma voz muito fina. A Carochinha voltou a perguntar: - Quem quer casar comigo? Passou um rato e respondeu:


- Quero eu! - Como te chamas? - Chamo-me João Ratão. - Tu sim, tens uma voz bonita, quero casar contigo. A Carochinha e o João Ratão casaram e foram muito felizes. Porém, certo dia, a Carochinha disse ao João Ratão que estava na hora de ir à missa. O João Ratão, que era muito guloso, disse que não podia ir porque estava doente. A Carochinha, que fazia a refeição, disse-lhe então que não mexesse no caldeirão. Depois da Carochinha sair, logo o João Ratão foi espreitar o caldeirão. Espreitou, espreitou e trum, deu um grande trambolhão e caiu no caldeirão. Quando a Carochinha chegou, procurou, procurou o João Ratão mas não o encontrou. Muito aflita, a Carochinha entrou na cozinha, viu o João Ratão caído no caldeirão e disse: Ai o meu João Ratão, que caiu no caldeirão! Ai o meu João Ratão, que caiu no caldeirão!

Ilustrações: alunos da EB1 do Paraíso – Agrupamento de Escolas de Airães


A GALINHA RUIVA A Galinha Ruiva achou umas espigas de trigo. Ela chamou o gato. Ela chamou o pato. Ela chamou o porco. Ela chamou o cão. A Galinha Ruiva disse: - Quem me ajuda a semear o trigo? - Eu não! - Disse o gato. - Eu não! - Disse o pato. - Eu não! - Disse o porco. - Eu não! - Disse o cão. - Então semeio eu o trigo - disse a Galinha Ruiva E a Galinha Ruiva semeou o trigo. O trigo cresceu, cresceu, cresceu muito. A Galinha Ruiva disse: - Quem me ajuda a ceifar o trigo? - Eu não! - disse o gato. - Eu não! - disse o pato. - Eu não! - disse o porco. - Eu não! - Disse o cão. - Então ceifo eu o trigo. Disse a Galinha Ruiva. E a Galinha Ruiva ceifou o trigo e levou-o para o moinho. Depois de ter já o trigo moído e feito em boa farinha, a Galinha Ruiva disse: - Quem me ajuda a fazer o pão?


- Eu não! - disse o gato. - Eu não! - disse o pato. - Eu não! - disse o porco. - Eu não! - disse o cão. - Então, faço eu o pão. Disse a Galinha Ruiva. E a Galinha Ruiva amassou o pão, que ficou muito bem amassado, e cozeu-o no forno, muito bem cozido. - Quem me ajuda a comer o pão? O gato disse: - Miau! Miau! Miau! Quero eu, quero eu, quero eu. O pato disse: - Quá! Quá! Quá! Quero eu, quero eu, quero eu! O porco disse. - Gurnin! Gurnin! Gurnin! Quero eu, quero eu, quero eu! O cão disse: - Au, au, au! Quero eu, quero eu, quero eu! A Galinha Ruiva disse: - Vocês não me ajudaram a semear o trigo. Vocês não me ajudaram a ceifar o trigo. Vocês não me ajudaram a fazer o pão. Pois então vocês não me ajudarão a comer o pão. Os meus pintainhos comerão o pão. E a Galinha Ruiva e os pintainhos comeram o pão.

Ilustrações: Alunos da EB1 de Aldeia Nova – Agrupamento de Escolas de Ribeirão


O MOLEIRO E OS TRÊS FILHOS Era uma vez um moleiro que decidiu repartir tudo o que tinha pelos seus três filhos. Ao primeiro deu um moinho, ao segundo deu uma cabra, e ao terceiro deu um gato, ficando este muito triste. O filho mais novo ficou muito admirado quando viu que o seu gato falava e que lhe pedia um saco. O gato dirigiu-se para a floresta, apanhou uma lebre e meteu-a dentro do saco. Foi para o castelo do rei para lhe oferecer a lebre como um presente que o seu amo lhe mandava, que era o filho mais novo do moleiro. O gato como era muito malandro foi ao castelo de um gigante, que era conhecido por se valorizar por tudo o que fazia, pedindo ao gigante para se transformar num rato. O gigante, todo vaidoso, fez-lhe a vontade, e de repente o gato comeu-o, ficando a mandar no castelo. A partir daí, todos os dias o gato oferecia presentes ao rei em nome do seu amo. O rei como agradecimento, convidou o filho mais novo do moleiro para uma festa no castelo, apresentando-lhe a sua filha, a princesa. Passados alguns dias, o gato e o amo convidaram o rei a visitar o seu maravilhoso castelo. O rei ficou muito admirado, oferecendo a filha em casamento ao filho mais novo do moleiro. Casaram e viveram felizes no castelo.

Conto tradicional adaptado Ilustrações: alunos do 2º ano da T2 do Centro Escolar de Idães


FORMIGAS

Uma formiga de gravata a matar uma barata.

Uma formiga ao balcão a vender bolos e pão.

Uma formiga de bicicleta a pedalar para ser atleta.

Uma formiga a jogar xadrez com um marinheiro inglês.

Uma formiga fotografando o rei a fazer contrabando.

Uma formiga de altifalante a namorar com um elefante.

Uma formiga com bigode a gritar “Ai quem me acode!”.

Texto de Luísa Ducla Soares, A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca Ilustrações: Alunos do 1º ano, Centro Escolar de Idães


Uma formiga doente com uma dor de dente.

Uma formiga a nadar está quase a afogar.

Uma formiga a gritar que não pára de chorar.

Uma formiga apaixonada a comer feijoada.

Uma formiga a varrer e depois vai ler.

Uma formiga no quintal semeou um vegetal.

Uma formiga a comer e um sumo vai beber. Texto e ilustrações: Alunos do 1º ano, Centro Escolar de Idães


A VELHA E A CABACINHA

Era uma vez uma velhinha que tinha uma filha que se ia casar. A filha da velhinha ia viver para uma aldeia vizinha. Pouco antes da boda, a filha foi com duas amigas preparar o banquete. No dia do casamento, a velha dirigiu-se alegremente para o lugar onde se ia festejar a boda. Entretanto, o lobo esfaimado, com os olhos a luzir e com a língua de fora, vagueava pelos campos e quando avistou a velha, escondeu-se atrás de uma árvore e esperou-a pronto a devorá-la. O lobo saltando do seu esconderijo gritou à velha: - Ah, mulher, vens mesmo a calhar para me matar a fome! A velha ficou a tremer e disse: - Senhor lobo, faz-me pena vê-lo estragar os seus dentes na minha carcaça. Deixe-me ir à boda da minha filha, quando voltar, venho gordinha e Vossa Senhoria já se pode consolar… O lobo respondeu: - Velha manhosa, queres-me enganar mas eu não me fio na tua cantiga! Mas a velhinha insistiu: - Engolir-me é muito perigoso pois falta de gordura traz-me coceguenta e, com o gargalhar, acudia aí todo o povoado… Dou-lhe a minha palavra que voltarei e mais gordinha!. O lobo convencido, deixou partir a velhinha para a boda da filha. Radiante de ver a filha tão bem casada, a velha comeu e dançou como uma rapariga. Mas… de madrugada, lembrou-se de que o lobo estava à sua espera e desatou a chorar. A filha, julgando-a consumida de saudades, começou a confortá-la. Mas a velhinha disse-lhe:


- Não é nada disso! É o lobo que tem uns dentes tão compridos e umas orelhas tão grandes que... E contou tudo à filha. - Não se canse vossemecê mais a chorar, vou sem demora buscar uma cabaça das maiores, vossemecê leva-a e, quando avistar o lobo, mete-se dentro dela. As artes mágicas da minha madrinha Mãe Bruxa farão o resto. A filha foi à horta e trouxe a cabaça maior que lá havia. Mãe e filha despediram-se e a velha lá partiu levando a cabaça. Pouco depois, de longe, avistou o vulto do lobo, que estava à sua espera, que andava e desandava de um lado para o outro. A velha abriu a cabaça, meteu-se lá dentro e fechou-se com cuidado. Mas, o lobo estava morto de fome, e perguntou à cabaça: - Linda cabacinha, viste uma velhinha, muito engelhadinha, como uma passinha já muito sequinha e encarquilhadinha? E a cabaça respondeu: - Senhor lobo, senhor lobo, senhor de alta condição, não vi velha, nem velhinha, nem velhinha, nem velhão! Corre, corre, cabacinha, corre, corre, cabação! E a cabaça seguiu viagem saltando nas pedras do caminho, deixando o lobo embasbacado. O lobo faminto e enfurecido, andava de um lado para o outro, bem esperava pela velhinha que, àquela hora, já estava longe e em segurança. A velha, a filha e o genro, quando se lembram da história do lobo e da cabaça riem perdidamente da ingenuidade do lobo que caiu na esparrela por não ter percebido que as aparências iludem.

Ilustrações: Alunos do 2º e 3º ano da turma 5 do Centro Escolar de Idães


LENDA DA LAGOA DAS SETE CIDADES

Há muitos, muitos anos, num reino maravilhoso chamado «O Reino das Sete Cidades» vivia num belo palácio, uma princesa. Essa menina era filha única de um velho rei. A princesa cresceu e transformou-se numa linda jovem de cabelos loiros e olhos azuis. Porém, se todos ouviam falar da sua beleza, eram poucos ou nenhuns os que a tinham visto, pois o seu austero pai não a deixava sair dos limites do palácio. Mas a princesa não se deixava assustar pelo pai e com o auxílio da sua aia costumava escapar-se depois do almoço, enquanto o rei dormia a sesta. Saía sem que ninguém a visse e ia contemplar montes e vales vizinhos. A princesa amava a vida campestre! Num desses passeios, a jovem escutou uma música. A música era tão bela, encantou-a de tal forma que ela se deixou guiar pelo som e foi descobrir um pastor a tocar flauta, sentado à sombra de uma árvore, no cimo de um monte. Ele era um músico muito talentoso! A princesa, maravilhada, ficou escondida a ouvir aquela melodia. Até que o pastor a descobriu por detrás de uma árvore. Quando viu aquela menina ficou encantado. Falaram durante toda a tarde, dessa conversa nasceu o amor.


Os dois enamorados continuaram a encontrar-se em segredo sempre que a princesa conseguia escapar à vigilância do rei. Passavam muito tempo a conversar, a rir e o pastor a tocar para a princesa, ambos se sentiam muito felizes juntos. Certo dia apresentou-se no palácio o príncipe de um reino vizinho para pedir a mão da princesa. O rei informou a sua filha: - Vais casar com um príncipe! Nesse tempo quem escolhia o noivo era o pai. Nessa mesma madrugada a princesa correu para o cimo de uma montanha para o último encontro com o seu amado. Choraram tanto que ali formaram duas lindas e grandes lagoas. Uma de água azul como os olhos da princesa. E a outra de água verde como os olhos do pastor. Ainda hoje estas duas lagoas no Vale das Sete Cidades, na Ilha de São Miguel, nos Açores, evocam o amor do pastor e da bela princesa.

Açores Em pleno Atlântico, entre a América do Norte e a Europa, três grupos de ilhas de origem vulcânica, apontadas por alguns investigadores como vestígios da lendária Atlântida, formam o Arquipélago dos Açores (nome das aves de rapina muito idênticas aos milhafres aí existentes desde a altura do seu descobrimento). O arquipélago é constituído por três grupos: Oriental – Santa Maria, São Miguel; Central – Terceira, Pico, Graciosa, São Jorge, Faial; Ocidental – Flores e Corvo. A descoberta dos Açores ocorreu em 1427 pelo navegador português Diogo de Silves, da casa do Infante D. Henrique. Nova Enciclopédia Portuguesa, p. 30.

Ilustrações: Alunos do 4º ano – turma 6, Centro Escolar de Idães


A FLOR DA ALEGRIA

O João e a Rosalinda viviam em casa muito juntas. Só o muro separava os dois quintais. Os dois amigos passavam o tempo a saltar para o outro lado do muro. Certo dia, os pais de ambos decidiram deitar o muro abaixo para ficarem com o quintal maior. Um dia Rosalinda não apareceu debaixo da laranjeira. O João estranhou e foi a casa dela. Quando João chegou a casa da Rosalinda encontrou-a sentada numa cadeira e muito triste. Nessa noite o João deitou-se muito triste e não conseguia dormir. De repente, ouviu uma voz:


- Só tu podes salvar a Rosalinda! Sobe até ao pico mais alto das montanhas e arranca a flor da alegria! Pelo caminho encontrou um dragão que lhe disse: - Não sabes que sou eu o guardião destas montanhas? Nunca ninguém passou aqui. - Mas eu tenho de arrancar a flor da alegria para salvar a minha amiga Rosalinda. O dragão ficou surpreendido e disse ao João que a amizade era uma coisa muito bonita. - Se queres mesmo salvar a tua amiga, tens que passar em três provas. A primeira é entrar nas cavernas dos leões ferozes, a segunda é trazer a coroa de diamantes da rainha das fadas e a terceira atravessar o lago das águas verdes. O João venceu as três provas e conseguiu colher a flor da alegria. O João correu até casa da Rosalinda. Quando chegou entregou a flor da alegria à sua amiga. Ela sorriu. Os dois amigos voltaram a brincar debaixo da laranjeira.

Ilustrações: Alunos da EB1/JI de Cepães


Índice: A Lenda da Bicha ....................................................................................... 11 A Lenda de Santa Quitéria .......................................................................... 13 Monte de Santa Quitéria ........................................................................... 16 A Lenda do Ermitão .................................................................................... 17 Bolo de Mel ............................................................................................. 18 A Lenda do Penedo do Sino ................................................................... 19 Citânia de Sanfins ...................................................................................... 20 A Lenda de Penafiel ................................................................................... 21 Os Três Porquinhos ................................................................................... 23 Canção «Os Três Porquinhos» .................................................................. 24 Bela Infanta ............................................................................................. 25 Lenda da Cidade de Bragança ................................................................... 28 Bragança… …………………………………………………………………………................... 30 Driana ......................................................................................................... 31 Responso de Santo António ....................................................................... 34 Encomendação das Almas ......................................................................... 35 O Leão e a Lebre ........................................................................................ 36 Texto Informativo (Fábula) …..................................................................... 37 História da Carochinha .............................................................................. 38 A Galinha Ruiva ......................................................................................... 40 O Moleiro e os Três Filhos ………………….…………………………………………......... 42 Formigas .................................................................................................... 43 A Velha e a Cabacinha ……… ...................................................................... 45 Lenda da Lagoa das Sete Cidades ............................................................ 47 A Flor da Alegria ……………………………………………………………......................... 49


Reinventar a Leitura e a Escrita na Aula do 1º CEB e do Pré-escolar

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Livro de histórias  

Trabalhos realizados pelos formandos da acção A15 de 2010, realizada na Formação Contínua de Professores

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