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Inativação do vírus tipo 1 da imunodeficiência humana, vírus da hepatite A, vírus da sincicial respiratória, vírus da vacínia, vírus tipo 1 de herpes simples e poliovírus tipo 2 pela esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio Reproduzido do American Journal of Infection Control de 1998; 26 (2): 94-101.

Charles Roberts, MS, RM (AAM) Patrícia Antonoplos, PhD Irvine, Califórnia

Geral: Estudos foram realizados para determinar a capacidade do processo de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio em inativar vários tipos de vírus. Seis agentes de teste foram usados: HIV tipo 1, vírus da hepatite humana A, vírus da sincicial respiratória, vírus da vacínia, vírus tipo 1 de herpes simples e poliovírus tipo 2. Métodos: Os vírus de teste foram suspensos em meio de cultura celular e secos no fundo de placas de Petri estéreis. As placas inoculadas foram processadas no sistema de plasma de gás de peróxido de hidrogênio durante a metade do tempo do ciclo de esterilização normal. Foram utilizados quatro transportadores inoculados para cada vírus em dois meios ciclos separados. A infectuosidade e citotoxicidade dos vírus de teste às linhagens celulares indicadoras foram avaliadas. Resultados: O processo de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio produziu a inativação de seis agentes virais sob essas condições experimentais. A redução nos títulos virais variou de 2,5 log10 a 5,5 log10, uma diminuição de 99,68 a 99,999%. Conclusões: Esses resultados demonstram claramente a eficácia viricida do processo de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra os vírus lipídicos e não-lipídicos. (AJIC Am. J. Infect Control 1998; 26: 94-101)

métodos tradicionais que são usados para a inativação viral. Infelizmente, entretanto, poucas informações encontram-se disponíveis hoje em dia sobre a eficácia viricida das técnicas de esterilização e desinfecção normalmente usadas.

Nos últimos anos, foram desenvolvidos diversos sistemas de esterilização a baixa temperatura e que são usados nas instalações médicas nos Estados Unidos. Vários estudos foram realizados sobre a eficácia desses sistemas contra microorganismos, com ênfase na inativação de esporos bacterianos. As bactérias vegetativas e alguns fungos foram testados, porém existem poucos estudos sobre a inativação viral. Isso acontece porque os procedimentos de esterilização, com a eficácia determinada pela capacidade de inativar um alto número de esporos bacterianos, são considerados eficazes contra todos os outros tipos de microorganismos, incluindo os vírus. Além disso, é difícil testar os vírus em processos germicidas por causa da dificuldade do ensaio viral e da produção de uma concentração suficiente de suspensões de vírus, para a documentação de mais que 4 a 5 logarítmos de inativação.

Sabemos que os vírus diferem quanto à resistência à desinfecção. Os vírus não-lipídicos (por exemplo, poliovírus e o vírus da hepatite humana A [HAV]) são mais resistentes à inativação que os vírus lipídicos (por 2 exemplo, o HIV e o vírus da herpes). Estudos têm demonstrado que a desinfecção com glutaraldeído alcalino (2%) extermina efetivamente os vírus da hepatite 3-5 Entretanto, a eficácia dos processos de e do HIV. desinfecção e esterilização talvez seja afetada pelo aumento de práticas inadequadas de limpeza dos itens e do tempo de exposição inadequado ao processo 6 desinfetante ou de esterilização. Foi desenvolvido um processo de esterilização que contém peróxido de hidrogênio e radicais livres (por exemplo, radicais de peróxido, superóxido e hidroxila) criados por um plasma de gás de peróxido de hidrogênio. O peróxido de hidrogênio é reconhecido por apresentar uma atividade antimicrobiana, e os radicais livres, bem como a radiação UV emitida do plasma demonstraram, em estudos separados, inativar os microorganismos, destruindo as moléculas essenciais para o metabolismo 7-8 normal (DNA, RNA, enzimas e fosfolipídeos).

Nos últimos anos, os Centers for Disease Control and Prevention (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) registraram um número significativo de novos 1 agentes virais, bem como o reaparecimento de outros . O recente aparecimento de agentes virais novos e agressivos, tais como o HIV e o vírus da herpes humana, têm aumentado as preocupações sobre a eficácia dos De: Advanced Sterilization Products. Solicitações de Cópias: Charles Roberts, MS, RM (AAM), Principal Microbiologist, Advanced Sterilization Products, 33 Technology Dr., Irvine, CA 92618-9824. Copyright 1998 por Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology, Inc.

Estudos anteriores sobre esse processo de esterilização demonstraram que tal processo pode inativar uma ampla variedade de microorganismos, incluindo os esporos

0196-6553/98 $5.00+0 17/46/81704

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bacterianos, as bactérias vegetativas, levedura e fungos.9 A maioria dos estudos sobre inativação se concentrou nas cinéticas de inativação dos esporos bacterianos, que são basicamente o "padrão de ouro" para a avaliação dos sistemas de esterilizantes e esterilização. Os estudos demonstraram que um grande número de esporos aeróbicos e anaeróbicos são inativados e que um nível -6 de garantia de esterilidade de 10 (uma única chance em 1 milhão de esporos sobreviventes) pode ser obtido. Conforme mencionado anteriormente, é comum considerar que um processo, que seja classificado como um processo de esterilização, inativará os vírus. A história tem provado que isso é verdade. Devido ao fato de existirem poucos dados sobre os efeitos da esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio, entretanto, determinamos que um estudo para documentar a capacidade do sistema em inativar um painel de vírus adicionaria informações úteis para as comunidades de controle de esterilização e infecção.

Agency e com os regulamentos das Boas Práticas de Laboratório do U.S. Food and Drug Administration. O esterilizador utilizado foi o sistema de plasma de gás de peróxido de hidrogênio (Sistema de Esterilização Sterrad 100; Advanced Sterilization Products, Irvine, Califórnia).

Vírus A cepa HTLV-IIIB do HIV-1 foi originariamente obtida de Vanderbilt University (Nashville, Tennessi). O HAV (cepa HM-175, variante 18F do VR-1073) foi originariamente obtido de University of North Carolina (Chapel Hill, N.C.). O RSV (cepa Long, VR-26), vírus da vacínia (cepa WR, VR-119), HSV-1 (cepa F-1, VR-733) e poliovirus tipo 2 (cepa Lansing VR-1002) foram originariamente obtidos de American Type Culture Collection (Rockville, Md.).

Culturas celulares de teste As linhagens celulares indicadoras de vírus foram usadas para o ensaio de infectuosidade. As células MT-2, obtidas do National Cancer Institute (Frederick, Md.), foram usadas nos estudos de eficácia do HIV-1. Todas as outras culturas celulares de teste foram obtidas do ViroMed Cell Culture Division. As células do rim de um coelho foram usadas nos testes de eficácia do HSV-1, as células FrHK4 foram usadas nos estudos sobre o HAV e as células Hep-2 foram usadas nos estudos sobre o RSV. As culturas celulares Vero foram usadas nos testes de eficácia dos vírus da vacínia e poliovírus tipo 2.

Nesse estudo, testamos a eficácia do processo de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra os agentes virais lipídicos e nãolipídicos. Os vírus lipídicos usados foram o HIV tipo 1 (HIV-1), vírus da sincicial respiratória (RSV), vacínia e o vírus tipo 1 da herpes simples (HSV-1). Os vírus nãolipídicos usados foram o poliovírus tipo 2 e o HAV. Ficou determinado pelos primeiros experimentos conclusivos que o processo inativou os vírus rapidamente. O protocolo do estudo foi então elaborado para que os meios ciclos (metade do tempo de difusão do peróxido de hidrogênio, 25 minutos ao invés de 50 minutos) fossem usados. Essa metodologia, freqüentemente usada na validação de processos germicidas, adiciona um grau significativo de cautela. A metodologia de meio ciclo é geralmente usada para determinar o nível de garantia de esterilidade para um processo de esterilização. Com a metodologia de meio ciclo, os indicadores biológicos 6 (geralmente esporos de 10 por indicadores) são usados para demonstrar que um processo produzirá, no mínimo, 0 uma redução de esporo de 6 log10 (esporos de 10 ) em um meio ciclo. Quando o tempo de exposição para o processo é dobrado, uma redução adicional de esporos -6 para 10 é considerada. Um processo de esterilização com um nível de garantia de esterilidade de 6 tem, dessa forma, uma probabilidade de sobrevivência de 1 em 1 10 milhão.

As células MT-2, para os estudos sobre o HIV, foram usadas em uma suspensão de meio de cultura celular RPMI 1640 (Gibco BRL Life Technologies, Gaithersburg, Md.), complementadas com soro bovino fetal a 15% (volume/volume) aquecido e inativado a 56 ºC por 30 minutos em recipientes de cultura de tecido. O meio também foi complementado com 2 mmol/L de L-glutamina e 50 gm/ml de gentamicina. Todas as outras células para os teste viral foram usadas como monocamadas em recipientes descartáveis de cultura tissular. As células foram cultivadas em um meio essencial mínimo de Eagle (Gibco), complementado com soro bovino fetal (inativado por calor a 56 ºC por 30 minutos). Uma concentração de soro bovino fetal a 10% (volume/volume) foi usada nos meios de HAV, RSV e poliovírus; 5% (volume/volume) foram usados nos meios de vacínia e 2% (volume/volume) foi usado nos meios de HSV-1. Os meios para todas as células de teste, além das MT-1, foram suplementados com 100 IU/ml de penicilina, 10 g/ml de gentamicina e 2,5 g/ml de anfotericina B. A L-glutamina (2 mmol/L) também foi adicionada aos meios que continham as células de teste para os testes de HAV.

MATERIAIS E MÉTODOS Todos os experimentos de inativação viral foram realizados no ViroMed Laboratories (Minneapolis, Minn.), em conformidade com o U.S. Environmental Protection

II – 5.2


Tabela 1:

Resultados do sistema de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra o HIV-1 seco no fundo de placas de Petri de vidro. Replicatas do teste

Diluição

Controle de entrada

Controle de vírus secos

Controle de citotoxicidade

1

2

3

4

Meio ciclo 1 Controle celular -1

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10

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TCID50/0,2 ml

10

10 10 10 10 10

6,5

6,5

10

2,5

10

2,5

10

2,5

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2,5

10

2,5

10

Meio ciclo 2 Controle celular -1

10

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-6

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10

-7

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0000

TCID50/0,2 ml

10

10 10 10 10 10

6,5

6,25

10

2,5

10

2,5

10

2,5

10

2,5

10

2,5

10

Injeção de um volume de 1,8 ml de peróxido de hidrogênio a 59%, tempo de difusão de 25 minutos, 7,5 minutos de plasma a 400 W. 0, nenhum vírus de teste recuperado e/ou citotoxicidade presente; +, positivo para a presença de vírus de teste; T, citotoxicidade presente.

Métodos

esterilização. Para reconstituir a película de vírus, foram colocados 2 ml de meio de teste em cada placa de Petri. As placas foram raspadas com um raspador celular plástico e estéril para ressuspender o conteúdo. A -1 mistura (uma diluição de 10 ) foi, então, titulada por uma diluição em série de 10 partes e analisada quanto à infectuosidade.

O título de cada vírus estoque foi determinado imediatamente antes da preparação das películas virais. As películas de cada vírus foram preparadas, semeando 0,2 ml de suspensão viral no fundo de placas de Petri estéreis de vidro de 100 x 150 mm. As películas de vírus foram mantidas à temperatura e umidade ambientes até secarem (de 20 a 25 minutos).

O controle da enumeração viral foi realizado em paralelo com películas de vírus. Uma película de vírus foi preparada, conforme descrito anteriormente para cada ciclo, e reconstituída imediatamente antes da colocação dos vírus de testes na câmara. Os vírus foram ressuspensos em meios de teste de 2 ml, titulados por uma diluição em série de 10 partes e avaliados quanto à infectuosidade.

As placas de Petri que continham as películas secas de vírus foram, então, colocadas em bandejas de esterilização e essas bandejas envolvidas duplamente em um envoltório reforçado de polipropileno para esterilização (Spunguard; Kimberly Clark, Roswell, Ga.) As bandejas envolvidas foram carregadas no esterilizador e processadas.

Os preparados de controle de citotoxicidade foram feitos, inoculando alíquotas de 0,2 ml de meio estéril em placas de Petri e então secos, como descrito anteriormente. As placas de Petri foram colocadas em ciclos de esterilização por gás de peróxido de hidrogênio, ao mesmo tempo que as amostras de teste. Após os ciclos de esterilização, os preparados de controle foram ressuspensos e titulados. A citotoxicidade das culturas celulares foi classificada ao mesmo tempo que os vírus e as culturas de controle de vírus.

Dois meios ciclos do processo de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio foram operados, com quatro repetições cada ciclo. Os parâmetros do processo de esterilização de meio ciclo foram 25 minutos de difusão com uma injeção de 1,8 ml de peróxido de hidrogênio a 59%, seguido de 7,5 minutos de plasma a 400 W. As placas de Petri, que continham as películas de vírus, foram removidas das bandejas e cultivadas imediatamente após a conclusão de cada ciclo de

II – 5.3


Tabela 2:

Resultados do sistema de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra o HAV seco no fundo de placas de Petri de vidro. Replicatas do teste

Diluição

Controle de entrada

Controle de vírus secos

Controle de citotoxicidade

1

2

3

4

Ciclo 1 Controle celular

00

0000

0000

0000

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-6

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0000

0000

10 10 10 10 10 10

TCID50/0,25 ml

4,5

10

4,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

0,5

10

10

Ciclo 2 Controle celular

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

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-6

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0000

0000

10 10 10 10 10 10

TCID50/0,25 ml

4,5

10

4,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

Injeção de um volume de 1,8 ml de peróxido de hidrogênio a 59%, tempo de difusão de 25 minutos, 7,5 minutos de plasma a 400 W. 0, nenhum vírus de teste recuperado e/ou citotoxicidade presente; +, positivo para a presença de vírus de teste. *Impossível determinar a presença de placas devido à perda da monocamada celular durante o processamento.

Ensaio para recuperação do vírus

10 dias. Após o período de incubação, as culturas foram fixas com formalina a 10%, coloridas com cristal violeta e observadas quanto à presença de placas.

As células de MT-2 em placas de cultura com multicopos foram inoculadas com 0,2 ml de cada diluição, preparada a partir do teste viral do HIV-1, e grupos de controle, com quatro repetições, e inoculadas a 36 a 38 °C em dióxido de carbono a 5 a 7%. As células foram observadas periodicamente por 10 dias quanto à viabilidade e presença ou ausência de efeitos citopáticos específicos dos vírus.

A linhagem celular Hep-2, que apresenta efeitos citopáticos na presença de RSV, foi usada para o ensaio de infectuosidade do RSV. Diluições das misturas e controles de teste de vírus foram inoculadas em culturas celulares de Hep-2 por quatro vezes. As células foram inoculadas com 0,1 ml de cada diluição e incubadas a 36 a 37 °C, em dióxido de carbono a 5 a 6%. As células foram incubadas por 8 dias e observadas quanto aos efeitos citopáticos típicos do RSV.

As células do rim de um coelho, usadas nos estudos sobre o HSV-1, foram inoculadas com 0,1 ml de cada diluição das misturas de teste de HSV-1, com quatro repetições, e incubadas a 36 a 38 °C em dióxido de carbono a 5 a 6% por 8 dias. Durante esse período, as células foram observadas quanto à presença de vírus e efeitos da citotoxicidade.

A linhagem celular Vero foi usada nos testes de infectuosidade da vacínia e poliovírus tipo 2. As diluições das misturas de vírus e os preparados de controle foram inoculados em culturas celulares de Vero, com quatro repetições. As células foram inoculadas com 0,1 ml de cada diluição e incubadas a 36 a 37 °C em dióxido de carbono a 5 a 6%. As células foram incubadas por 8 dias e observadas quanto aos efeitos citopáticos típicos da vacínia e do poliovírus tipo 2 e quanto aos efeitos de citotoxicidade das linhagens celulares indicadoras.

A linhagem celular FrHK4 foi usada nos ensaios de infectuosidade do HAV, porque apresentam placas específicas de vírus na monocamada celular na presença de HAV. As diluições das misturas dos testes de vírus e os controles foram inoculados em culturas celulares de FrHK4 com quatro repetições. As células foram inoculadas com 250 µl de cada diluição e adsorvidas por 60 minutos a 36 a 37 °C em dióxido de carbono a 5 a 6%. Após a adsorção, cada cultura celular foi sobreposta com 4 ml de agarose a 1%. As culturas foram incubadas a 36 a 37 °C em dióxido de carbono a 5 a 6% por um total de

O método de Karber, conforme descrito em Schmidt e 11 Enmons , foi usado para calcular os pontos finais medianos da dose infectante da cultura tissular (TCID50), nos quais o TCID50 é a dose que causa alterações citopáticas em 50% das culturas inoculadas.

II – 5.4


Tabela 3:

Resultados do sistema de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra o RSV seco no fundo de placas de Petri de vidro. Replicatas do teste

Diluição

Controle de entrada

Controle de vírus secos

Controle de citotoxicidade

1

2

3

4

Ciclo 1 Controle celular

000

0000

0000

0000

0000

0000

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-1

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NT

NT

NT

NT

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10 10 10 10 10 10 10

TCID50/0,1 ml

5,0

10

4,0

10

1,5

10

1,5

10

1,5

10

1,5

NT 1,5

10

10

Ciclo 2 Controle celular

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

++

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0000

0000

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-7

00

NT

NT

NT

NT

NT

10 10 10 10 10 10 10

TCID50/0,1 ml

4,5

10

3,75

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

NT 0,5

10

Injeção de um volume de 1,8 ml de peróxido de hidrogênio a 59%, tempo de difusão de 25 minutos, 7,5 minutos de plasma a 400 W. 0, nenhum vírus de teste recuperado e/ou citotoxicidade presente; +, positivo para a presença de vírus de teste; T, citotoxicidade presente; NT, não testado.

RESULTADOS

Na Tabela 3, encontram-se os resultados do desafio de RSV. O título do controle de entrada foi de 5,0 log10 (ciclo 1) e de 4,5 log10 (ciclo 2). O título do controle de vírus seco foi de 4,0 log10 para o primeiro ciclo e de 3,75 log10 para o segundo. A infectuosidade não foi detectada na mistura de vírus de teste, em nenhuma diluição, nas quatro repetições testadas para cada ciclo (1,5 log10 para o ciclo 1 e 0,5 log10 para o ciclo 2). A citotoxicidade foi observada no primeiro ciclo a 1,5 log10, porém não foi observada no segundo (0,5 log10). Foi demonstrada uma redução de 2,5 log10 no título do RSV no primeiro ciclo (redução de 99,68%). Foi demonstrada uma redução de 3,25 log10 no segundo ciclo (redução de 99,94%).

Os resultados dos meios ciclos de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio, desafiados com HIV-1, encontram-se na Tabela 1. O título do controle de entrada, antes da secagem, para ambos os ciclos foi de 6,5 log10. O título do controle de vírus seco foi de 6,5 log10 para o primeiro meio ciclo e de 6,25 log10 para o segundo. A citotoxicidade foi observada a 2,5 log10. A infectuosidade não foi detectada nas amostras de teste, em nenhuma diluição, nas quatro repetições testadas dos dois meios ciclos (2,5 log10 para ambos). Considerando os resultados de toxicidade, a redução no título do HIV-1 foi de >3,75 log10 no primeiro ciclo de esterilização e de >4,0 log10, no segundo (uma redução de 99,98% no ciclo 1 e de 99,99% de redução no ciclo 2).

Os resultados do desafio viral da vacínia encontram-se na Tabela 4. O título do controle de entrada para ambos os ciclos foi de 5,0 log10. O título do controle de vírus seco foi de 5,0 log10 para o primeiro ciclo e de 4,5 log10, para o segundo. A infectuosidade não foi detectada na mistura de vírus, em nenhuma diluição, nas quatro repetições testadas durante cada ciclo (0,5 log10). Não foi observada citotoxicidade (0,5 log10). A redução no título da vacínia no primeiro ciclo foi calculada como sendo de 4,5 log10, segundo essas condições de teste (redução de 99,99%). A redução no segundo ciclo foi calculada a 4,0 log10 (redução de 99,99%).

Os resultados do desafio com o HAV encontram-se na Tabela 2. O título do controle de entrada para ambos os ciclos foi de 4,5 log10. O título do controle de vírus seco foi de 4,5 log10 para ambos os ciclos. A infectuosidade não foi detectada na mistura de vírus de teste nas quatro repetições (0,5 log10). Não foi observada citotoxicidade (0,5 log10). A redução no título do HAV foi calculada como sendo de 4,0 log10, segundo essas condições de teste (redução de 99,99%).

II – 5.5


Tabela 4:

Resultados do sistema de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra o vírus da vacínia seco no fundo de placas de Petri de vidro.

Diluição

Controle de entrada

Controle de vírus secos

Controle de citotoxicidade

1

Replicatas do teste 2 3

4

Ciclo 1 Controle celular

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-2

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-3

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-4

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-5

0+

++00

0000

0000

0000

0000

0000

-6

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-7

00

NT

NT

NT

NT

NT

10 10 10 10 10 10 10

TCID50/0,1 ml

5,0

10

5,0

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

NT 0,5

10

10

Ciclo 2 Controle celular

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-2

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-3

++

++++

0000

0000

000*

0000

0000

-4

++

++++

0000

0000

000*

0000

0000

-5

+0

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-6

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-7

00

NT

NT

NT

NT

NT

10 10 10 10 10 10 10

TCID50/0,1 ml

5,0

10

4,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

NT 0,5

10

Injeção de um volume de 1,8 ml de peróxido de hidrogênio a 59%, tempo de difusão de 25 minutos, 7,5 minutos de plasma a 400 W. 0, nenhum vírus de teste recuperado e/ou citotoxicidade presente; +, positivo para a presença de vírus de teste; NT, não testado.

Tabela 5:

Resultados do sistema de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra HSV-1 seco no fundo de placas de Petri de vidro. Replicatas do teste

Diluição

Controle de entrada

Controle de vírus secos

Controle de citotoxicidade

1

2

3

4

Ciclo 1 Controle celular

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

++

++++

TTTT

TTTT

TTTT

TTTT

TTTT

-2

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-3

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-4

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-5

++

+++0

0000

0000

0000

0000

0000

-6

++

+000

0000

0000

0000

0000

0000

-7

0+

NT

NT

NT

NT

NT

10 10 10 10 10 10 10

TCID50/0,1 ml

7,0

10

5,5

10

1,5

10

1,5

10

1,5

10

1,5

10

NT 1,5

10

Ciclo 2 Controle celular

0000

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

++

++++

TTTT

TTTT

TTTT

TTTT

TTTT

-2

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-3

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-4

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-5

++

+++0

0000

0000

0000

0000

0000

-6

++

0000

0000

0000

0000

0000

0000

10 10 10 10 10 10

-7

10

TCID50/0,1 ml

++ 7,5

10

NT 5,25

10

NT 1,5

10

NT 1,5

10

NT 1,5

10

NT 1,5

10

NT 1,5

10

Injeção de um volume de 1,8 ml de peróxido de hidrogênio a 59%, tempo de difusão de 25 minutos, 7,5 minutos de plasma a 400 W. 0, nenhum vírus de teste recuperado e/ou citotoxicidade presente; +, positivo para a presença de vírus de teste; T, citotoxicidade presente; NT, não testado.

II – 5.6


Tabela 6:

Resultados do sistema de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra o poliovírus tipo 2 seco no fundo de placas de Petri de vidro. Replicatas do teste

Diluição

Controle de entrada

Controle de vírus secos

Controle de citotoxicidade

1

2

3

4

Ciclo 1 Controle celular

00

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-2

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-3

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-4

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-5

++

++0+

0000

0000

0000

0000

0000

-6

++

000+

0000

0000

0000

0000

0000

-7

++

NT

NT

NT

NT

NT

NT

-8

00

NT

NT

NT

NT

NT

NT

10 10 10 10 10 10 10 10

TCID50/0,1 ml

7,5

10

5,5

0,5

10

0,5

10

10

0,5

0,5

10

0,5

10

10

Ciclo 2 Controle celular

0000

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-1

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-2

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-3

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-4

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-5

++

++++

0000

0000

0000

0000

0000

-6

++

0000

0000

0000

0000

0000

0000

-7

0+

NT

NT

NT

NT

NT

NT

-8

00

NT

NT

NT

NT

NT

NT

10 10 10 10 10 10 10 10

TCID50/0,1 ml

7,0

10

5,5

0,5

10

0,5

10

10

0,5

0,5

10

0,5

10

10

Injeção de um volume de 1,8 ml de peróxido de hidrogênio a 59%, tempo de difusão de 25 minutos, 7,5 minutos de plasma a 400 W. 0, nenhum vírus de teste recuperado e/ou citotoxicidade presente; +, positivo para a presença de vírus de teste; NT, não testado.

Tabela 7:

Resultados do sistema de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra os vírus de teste: Efeito sobre os valores TCID50.

Vírus de teste HIV-1

Controle de entrada Meio ciclo 1 Meio ciclo 2

HAV

Meio ciclo 1 Meio ciclo 2

RSV

Meio ciclo 1 Meio ciclo 2

Vacínia

Meio ciclo 1 Meio ciclo 2

HSV-1

Meio ciclo 1 Meio ciclo 2

Poliovírus tipo 2

Meio ciclo 1 Meio ciclo 2

Controle de vírus

Controle de

secos

citotoxidade

6,5

6,5

10

10

6,5

6,25

10

10

4,5

4,5

10

10

4,5

4,5

10

10

5,0

4,0

10

10

4,5

3,75

10

10

5,0

5,0

10

10

5,0

4,5

10

10

7,0

5,5

10

10

7,5

5,25

10

10

7,5

5,5

10

10

7,0

5,5

10

10

Os resultados do desafio do HSV-1 ao sistema de esterilização encontram-se na Tabela 5. O título do controle de entrada para o primeiro ciclo foi de 7,0 log10 e de 7,5 log10 para o segundo. O título do controle de vírus seco foi de 5,5 log10 para o primeiro ciclo e de 5,25 log10 para o segundo. Não foi detectada infectuosidade na mistura de vírus, em nenhuma diluição, nas quatro

Amostras de teste

2.5

10

2.5

10

0.5

10

0.5

10

1,5

10

0,5

10

0,5

10

0,5

10

1,5

10

1,5

10

0,5

10

0,5

10

10

10 10 10 10

10 10 10 10

10 10 10

2,5 2,5 0,5 0,5 1,5 0,5 0,5 0,5 1,5 1,5 0,5 0,5

repetições testadas, durante cada ciclo de esterilização. A citotoxicidade foi observada a 1,5 log10 em ambos os ciclos. A redução no título do HSV-1 no primeiro ciclo foi calculada como sendo de 4,0 log10, segundo essas condições de teste (redução de 99,99%). A redução no segundo ciclo foi calculada a 3,75 log10 (redução de 99,98%).

II – 5.7


Os resultados do desafio viricida para o poliovírus tipo 2 encontram-se na Tabela 6. O título do controle de entrada foi de 7,5 log10 para o primeiro ciclo e de 7,0 log10 para o segundo. O título do controle de vírus seco foi de 5,5 log10 para ambos os ciclos. A infectuosidade não foi detectada na mistura de vírus, em nenhuma diluição, nas quatro repetições dos dois ciclos (0,5 log10). Não foi observada citotoxicidade (0,5 log10). A redução no título de vírus foi calculada como sendo de 5,0 log10 para ambos os ciclos, segundo essas condições de teste (redução de 99,999%).

2.

Prince HN, Prince DL, Prince RN. Principles of viral control and transmission. In: Block SS, editor. Disinfection, sterilization, and preservation. 4th ed. Philadelphia: Lea & Febiger; 1991. p. 411-44. 3. Kobayashi H, Tsuzuki M, Koshimizu K, Toyama H, Yoshihara N, Shikata T, et al. Susceptibility of hepatitis B virus to disinfectants or heat. J Clin Microbiol 1984; 20:214-5. 4. Hanson PJV, Gor D, Jeffries DJ, Collins JV. Chemical inactivation of HIV on surfaces. BMJ 1989; 298:862-4. 5. Ayliffe GAJ. "Sterilization" of arthroscopes and laparoscopes. J Hosp Infect 1992; 22:265-9. 6. Association for the Advancement of Medical Instrumentation. Designing, testing, and labeling reusable medical devices for reprocessing in health care facilities: a guide for device manufacturers. AAMI TIR no. 12. Arlington (VA): AAMI; 1994. p. 11. 7. Ewing D. Radiation sensitization of E. coli B/r by nitrous oxide. Radiat Res 1983; 96:275-83. 8. Halliwell B, Gutteridge JMC. Oxygen toxicity, oxygen radical, transition metals and disease. Biochem J 1984; 219:1-14. 9. Jacobs PT, Lin SM. Gas-plasma sterilization. In: Cough RL, Shalaby SW, editors. Irradiation of polymers: fundamentals and technological applications. Washington (DC): American Chemical Society; 1994. 10. Pflug IJ. Microbiology and engineering of sterilization processes. 8th ed. Minneapolis: University of Minnesota Environmental Sterilization Laboratory; 1995. p. 14.28. 11. Schmidt NJ, Enmons RW, editors. Diagnostic procedures for viral, rickettsial, and chlamydial infections. 6th ed. Montreal: Multiscience; 1989. p. 18-9.

Os efeitos da esterilização, nos valores de TCID50 para todos os vírus testados, encontram-se na Tabela 7.

DISCUSSÃO Os resultados desse estudo demonstram a eficácia viricida do processo de esterilização por plasma de gás de peróxido de hidrogênio contra o HIV-1, HAV, RSV, vírus da vacínia, HSV-1 e poliovírus tipo 2. Mesmo operando com metade do ciclo de esterilização normal, o processo com plasma de gás de peróxido de hidrogênio inativou completamente os seis agentes virais usados nesse estudo. Os resultados são um complemento aos estudos anteriores, os quais estabeleceram a capacidade desse processo de esterilização em inativar uma variedade de microorganismos, incluindo os esporos bacterianos, 9 bactérias vegetativas, leveduras e fungos.

Referências 1.

Domin M. Hospitals under siege: emerging drugresistant pathogens. Infect Control Steril Tech 1996 Apr.:15-21.

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II – 5.8

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