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AGRICULTURA

Da Palma à Palmatória

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omo já dizia Euclides da Cunha, o sertanejo tem realmente de ser um forte para superar as adversidades que lhe oferece as agruras do Sertão em termos de enfrentamento das adversidades climáticas que tantos prejuízos econômicos lhe causam, mas não lhe causa a destruição da sua esperança. Primeiro, foi o bicudo (Anthonomus grandis), um besouro de coloração cinzento-castanha com mandíbulas afiadas, originário da América Central, introduzido no Brasil na década de 80 não se sabe como e por qual razão, tornando-se desde então uma praga que chegou ao ponto de dizimar praticamente toda plantação de algodão no Nordeste, levando à falência diversas indústrias algodoeiras. Agora, enfrentando seu 72º período de seca braba, vendo as plantações torrarem sob o sol escaldante, fazendo o preço do milho e do feijão dispararem, o gado morrer à míngua pela falta d’água, o homem do campo enfrenta mais uma praga que atende pelo charmoso nome de cochonilha do carmim (Dactylopius opuntiae), que ataca sistematicamente a palma forrageira, também conhecida como palmatória.

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Existem diversos tipos de palma, sendo as variedades da palma graúda ou gigante e a palma miúda ou doce usadas como forrageiras, justificando assim o seu sobrenome. De fácil resistência à seca, por ser da família das cactáceas, sempre foi uma alternativa fácil e barata para a alimentação do gado. Entretanto, a cochonilha do carmim vem ganhando a parada e destruindo plantações de palmas na região do semiárido dos estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Somente no ano passado, a praga devastou mais de 100 mil hectares em 54 municípios, causando prejuízo da ordem de R$ 500 milhões. E a solução? Desde 2009, pesquisadores de instituições governamentais voltadas para agricultura começaram a desenvolver uma técnica conhecida como “cultura de tecidos

vegetais”, no sentido de produzir mudas de uma variedade resistente ao inseto, denominada de “orelha de elefante mexicana”, cuja variante já vem sendo produzida no México, de onde é importada a peso de ouro. Uma experiência desenvolvida no município de Taperoá, no Cariri paraibano, comprovou que essa variedade é imune à praga da cochonilha. O problema é a aquisição das mudas! Falta vontade política, visão dos órgãos de pesquisas e de controle de pragas talvez ofuscados pela imagem dos grandes conglomerados industriais de ração animal, interessados na comercialização dos seus produtos, vendidos a preços exorbitantes, inviabilizando sua aquisição por parte dos agropecuaristas menos dotados de recursos financeiros. Enquanto isso, o homem do campo vai vencendo mais um período de estiagem e, conforme reza sua infalível sabedoria, se preparando para um novo período de seca, cujo ciclo se renova a cada 10 anos, durando exatos dois anos, faça chuva ou faça sol. Somente os institutos de meteorologia não sabem! (WM)

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Revista Tribuna - 153  
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