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Juntos Navegando

Cooperativas fortes, comunidades progredindo 2

Ano 1 • Edição n.º 4 • Dezembro/2013

Boletim informativo do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP) e do Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP) Plano Básico Ambiental (PBA) – Programa de Comunicação Social

Treinamento no Japão multiplica conhecimento 3

Malaine de Almeida, soldadora.

São Roque, um novo canteiro em ação 4

Em campo, o desafio do gol de placa

Fotos JULIUS SÁ

J

á imaginou passar o São João de carro novo? Pois é para essa época que está programado o sorteio do prêmio máximo da campanha Gol de Placa, voltada para integrantes e colaboradores da produção do Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP). Quando ela terminar, em 2015, outro carro será sorteado. Mascote da campanha, o Estalinho está presente em vários locais do canteiro, levando no bolso as cartilhas que explicam o funcionamento da ação. A bola já está em campo, motivando as equipes a se empenharem para, todos os meses, ficarem entre as três melhores da rodada. Lançado no final de novembro, o programa foi criado para aperfeiçoar os procedimentos de segurança na obra e atingir a meta de zero acidente. “O maior patrimônio de qualquer

empresa são seus trabalhadores. Nossa obrigação como líderes é garantir um ambiente de trabalho seguro para todos”, afirmou José Luis Coutinho Faria, Diretor de Contrato do CEP. Segundo ele, cabe à empresa zelar pelo bem-estar coletivo e individual dos integrantes. “A campanha pode aguçar o espírito de prevenção, fazendo com que o integrante transforme em hábito padrões de segurança. Queremos que ele volte para casa, se possível melhor do que chegou na obra, local não apenas de trabalho mas que O mascote Estalinho está em campo em busca da meta acidente zero.

contribui para sua formação”, acrescentou Coutinho. Na marca do gol

Similar a um campeonato de futebol, o programa transformou encarregados em treinadores e seus liderados em jogadores de um mesmo time. As equipes marcam pontos sempre que seguem corretamente os procedimentos de segurança, como realizar e participar de Treinamentos Diários de Trabalho (TDTs), manter os exames ocupacionais em dia e usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Ao final de cada mês, os três melhores times da “rodada” ganharão cupons para o sorteio do carro, além de vales-compra. Os três integrantes

que identificarem mais desvios (práticas inseguras que podem causar acidentes) serão considerados os artilheiros da rodada e também ganharão cupons e vales-compra. “Todos os times passarão por treinamento para entender o mecanismo da campanha”, explica o engenheiro de segurança Ricardo Kasper, Gerente de SMS, setor responsável pelas diretrizes de Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional. De olho no perigo

Uma obra envolve vários riscos, para os quais muitas vezes não estamos atentos. Exige movimentação de cargas e equipamentos, trabalho em altura e com eletricidade e outras tantas atividades que, para serem realizadas, dependem de uma série de procedimentos de segurança. “Todo acidente pode ser evitado. O objetivo da campa-

nha é aprimorar a cultura da segurança, motivar as pessoas a serem intolerantes em relação ao risco”, reforça Ricardo Kasper. Ele acredita que, com a multiplicação de olhares atentos aos desvios na obra, é possível alcançar a meta de acidente zero.

Entenda o que são desvios Desvios são práticas inseguras geradas por pessoas que não cumprem normas de segurança – como deixar de usar EPI, por exemplo – ou causadas por condições inadequadas do ambiente de trabalho: um buraco aberto sem sinalização, uma escada sem guardacorpo, um fio elétrico desencapado, um barco sem coletes salva-vidas, entre outras coisas.


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Parceria do Estaleiro com o Sebrae fortalece cooperativas

“Sairei com ideias renovadas, com força e uma vontade enorme de produzir e crescer dentro da cooperativa” Taís Rainara, da Coobasa.

“Vim à feira em busca de ampliar meus conhecimentos, para que haja uma facilidade de agir na cooperativa e ajudar minha comunidade. Conheci pessoas legais, diferentes, que me lembraram que ser legal, gentil com o próximo, não custa nada. Foi tudo nota 10”

Etapa de fabricação dos fios na Coobasa.

parte da primeira lista de associações beneficiadas com consultoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), contratado pelo Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP). “Vamos acompanhar de perto as capacitações do Sebrae, que vai oferecer cursos de técnicas de comercialização e outras ferramentas para incrementar a produção. O objetivo é torná-los aptos a serem independentes”, explica Sandra Lima Costa, coordenadora da área de Responsabilidade Social do EEP. Associações de

Foto JULIUS SÁ

Givoney Santos, da Cooperativa de Badameiros de Saubara (Coobasa), que produz vassouras ecológicas.

Cenas da linha de produção das vassouras PET.

costura e de agricultura familiar, de Saubara e Maragojipe, também vão se beneficiar com a assessoria do Sebrae, que vai avaliar as formas de torná-las mais eficientes. O processo de profissionalização das cooperativas já está

Foto MÁRCIO LIMA

O município de Saubara, famoso por suas praias paradisíacas, é destino certo de milhares de turistas. A população, de quase 12 mil habitantes, chega perto de 50 mil durante o verão. Haja cerveja e peixe frito para matar a sede e a fome de tanta gente. “O problema é que os barraqueiros jogavam o óleo usado na areia, um desrespeito com a natureza”, conta Lituânia Cerqueira Santos de Almeida, uma veranista que se tornou, mais do que moradora, mentora de inúmeras ações diferenciadas envolvendo a comunidade. Há quatro anos, Lituânia e um grupo de moradores recolhem e reaproveitam garrafas pet – são toneladas descartadas a cada feriado – e óleo usado nas barracas da praia. O que era lixo virou matéria-prima de produtos que geram renda para várias famílias. As garrafas são a base da fabricação de vassouras e o óleo velho se transforma, semanalmente, em 500 barras de sabão. Ambos são produzidos por duas cooperativas de Saubara, que fazem

Impressões de quem foi à feira Fotos JULIUS SÁ

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As costureiras de Enseada estão sendo estimuladas a pensar sua atividade como um negócio sustentável.

em andamento. Com o apoio do EEP, um grupo de 33 pessoas viajou para Salvador, onde participaram, em outubro, da Feira do Empreendedor, promovida pelo Sebrae. Lá, tiveram a oportunidade de ouvir palestras e, por meio de oficinas e outras dinâmicas de treinamento, se inteirar de assuntos fundamentais para o desenvolvimento de pequenos negócios. Nos quatro dias da Feira, o grupo trabalhou temas relacionados a empreendedorismo, educação financeira, sustentabilidade e planejamento, entre outros assuntos. O evento foi avaliado pela maioria dos participantes como um marco inicial de transformação pessoal e profissional. Além dos treinamentos, as cooperativas receberão apoio do EEP para a aquisição de máquinas e equipamentos e para reformar suas instalações. “Também seremos clientes, fazendo encomendas de fardas e brindes”, ressalta Sandra.

“A feira, para mim, foi uma fonte de conhecimento. Fiquei maravilhada! Vou levando comigo uma bagagem nova em termo de empreendedorismo. Tô cheia de ideias e, com certeza, o que tenho em mente sei que, a partir daqui, vai fluir e vai dar certo. Cheguei como uma ignorante e estou saindo uma pessoa com capacidade de transmitir até o que me foi passado” Lídia de Souza Estrela, costureira da Cooperativa de Mulheres de Saubara Flor do Mangue.


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Brasileiros treinados no Japão multiplicam aprendizado na Bahia Fotos ARQUIVO PESSOAL

Conhecimento multiplicado

Grupo de brasileiros que está sendo treinado no Japão.

Uma experiência transformadora. Foi dessa forma que o engenheiro de petróleo e gás Rennan Gonçalves Branco de Souza, de 25 anos, definiu sua passagem pelo Japão. Ele faz parte da primeira turma de 40 engenheiros e técnicos do EEP que passou cerca de 4 meses na cidade de Sakaide, recebendo treinamento em construção naval. Alguns dos que voltaram, entre eles Rennan, já estão em plena atividade no canteiro de São Roque. Eles agora têm a missão de repassar todo o conhecimento adquirido no treinamento a centenas de integrantes do EEP. Um novo grupo de 21 brasileiros – entre eles muitos baianos – viaja para o Japão em janeiro. Sakaide é onde fica o estaleiro da Kawasaki, empresa de alta tecnologia sócia do EEP (as outras são Odebrecht, OAS e UTC). Lá está sendo construído o primeiro casco dos seis navios-sonda encomendados pela Sete Brasil (consórcio do qual a Petrobras faz parte) ao EEP, para a extração do petróleo na camada pré-sal. É preciso ter navios muito potentes para conseguir atingir essas reservas, por causa da profundidade em que se localizam: de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar.

Lição de humildade

No dia a dia em terras asiáticas, Rennan se impressionou com a humildade do povo japonês e sua disposição em servir à comunidade. “Na segunda-feira, todo mundo se dedica à limpeza do estaleiro. Até o presidente varre sua sala, tira o lixo. Vimos o gerente geral da produção cortando a grama e fazendo jardinagem”, conta.

A distância da família foi a parte difícil da viagem, mas as saudades ajudaram a fortalecer a união do grupo. “Um dava força pro outro, brincava, saía junto pra espantar a tristeza. E a empresa nos deu a liberdade de telefonar todos os dias para o Brasil”, diz o engenheiro. Num dos passeios, Rennan escalou o monte Fuji, encarando 12 horas de subida até o topo de 3 756 metros de altitude.

O treinamento no Japão faz parte de um pacote de transferência de tecnologia da Kawasaki, que representa um investimento de 80 milhões de dólares (cerca de 186 milhões de reais) feito pelo EEP. “Desse total, U$S 5,5 milhões (em torno de 13 milhões de reais) são para a capacitação dos nossos profissionais em tecnologia atualizada de construção naval. Eles estão se saindo muito bem no treinamento, que será ainda mais útil quando for multiplicado para outros 3 mil funcionários”, explica João Cândido Gonçalves da Silva, diretor do EEP responsável pelo programa. No Japão, cada integrante segue um programa específico para a função que exerce. Ao voltar ao Brasil, eles compartilham o conhecimento adquirido com as equipes dos canteiros da Enseada e de São Roque. O aprendizado será fundamental para aumentar a eficiência e a qualidade nos processos do EEP. Até 2014, perto de 106 pessoas de diferentes profissões – incluindo soldadores, encanadores industriais e operadores de guindastes – serão treinadas no Japão. “Extrair todo o conhecimento dentro de minha área e dar o melhor de mim é minha meta” afirma Heitor Borges, soldador de arco submerso, um dos selecionados por meio do Serviço Estadual de Intermediação para o Trabalho (SineBahia).

“Foi uma experiência

transformadora. Na segunda-feira, todo mundo se dedica à limpeza do estaleiro. Até o presidente varre sua sala” Rennan Gonçalves Branco de Souza, Engenheiro de petróleo e gás

Rennan Souza retornou do Japão e já está em plena atividade em São Roque.

De boeings a robôs Conhecida no Brasil pelas motos com sua marca, a Kawasaki é famosa no mundo inteiro pela complexidade dos seus produtos. De aviões comerciais, como o Boeing 787, a trens de altíssima velocidade (o trem-bala), a empresa se destaca por produzir itens com tecnologia extremamente sofisticada. Além de navios-sonda, fabrica equipamentos espaciais, locomotivas, helicópteros e foi pioneira na produção de robôs industriais.

Navegando Juntos Boletim informativo do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP) e do Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP). www.eepsa.com.br informes@consorcioep.com.br Presidente: Fernando Barbosa Vice-presidente de Operações: Guilherme Guaragna Diretor de Implantação: Silvio Zen Diretor de Relações Institucionais: Humberto Rangel Diretor de Pessoas e Organização: Ricardo Lyra Diretor de Execução: José Luis Coutinho de Faria Gerente de Comunicação Externa: Hermann Nass Coordenador de Comunicação e Editor: Marcelo Gentil (Conrerp 7ª/nº 1771) Redação: Denise Ribeiro (MTB 12.379) Fotografia: Julius Sá e Márcio Lima Apoio: Malany Tavares, Roque Peixoto, Thaise Muniz e Caíque Fróis Projeto gráfico e editoração: Solisluna Design Revisão: Maria José Bacelar Guimarães Pré-impressão e impressão: Rocha Impressões Tiragem: 15.000 exemplares O EEP é uma empresa associada à Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). www.navegandojuntos.com.br


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São Roque, um novo canteiro em ação Fotos JULIOS SÁ

“Procuramos soldadores,

caldeireiros, montadores de estruturas, pintores industriais, operadores de guindaste, de ponte rolante, de máquina CNC e de caminhão munck, entre outros” Fernanda Sampaio, responsável pelo processo de contratação

O canteiro de São Roque passará por melhorias visando a construção do primeiro navio-sonda.

Até o final do ano, cerca de 200 integrantes já devem estar circulando pelo canteiro de São Roque, local que funcionará como uma extensão do Estaleiro de Enseada. “O contrato de locação com a Petrobras, dona da área, tem prazo de 60 meses, prorrogáveis por mais 30 meses”, afirmou Bernardo Pedral Sampaio, Gerente Administrativo da Diretoria Industrial em São Roque. Em janeiro, começa a construção da parte superior do convés (no jargão naval é cha-

mada de top side) do primeiro navio-sonda encomendado ao EEP. O ritmo de trabalho deve se intensificar em agosto de 2014, quando o número de funcionários pode chegar a 2 mil pessoas. Em janeiro de 2015, o novo canteiro atinge o número máximo de contratações previstas: 3 mil integrantes. Fernanda Sampaio, da área de Pessoas e Organização (P&O), responsável pelo processo de contratação, disse que seu setor está se estruturando para atender à demanda cres-

cente de mão de obra em São Roque. Ela ressalta que, diferentemente do canteiro em Enseada, onde as contratações se concentram nas necessidades de construção civil, em São Roque, a busca é por profissionais com experiência no setor naval. “Procuramos soldadores, caldeireiros, montadores de estruturas, pintores industriais, operadores de guindaste, de ponte rolante, de máquina CNC e de caminhão munk, entre outros”, explica Fernanda. A área mantém um banco de

Na luta, como todo mundo Ele faz barba, cabelo e bigode com hora marcada. Aos sábados e domingos vai pedalando a bicicleta pelas ruas de Nazaré das Farinhas para atender em domicílio os clientes. Roque da Hora dos Santos, 44 anos, casado, três filhos, é cabeleireiro há 22 anos. Mas tem tido pouco tempo para exercer a profissão, já que agora trabalha como ajudante no Estaleiro. Desde maio, Roque é responsável pela troca de EPIs do prédio 6 e também dá apoio no bebedouro, verificando se há

água fresca e copos suficientes para seus companheiros da produção. Roque faz parte do grupo de 66 deficientes contratados pelo Estaleiro. Eles têm prioridade na fila do ponto e também do refeitório. Muitas vezes, com o tumulto de gente apressada pra bater o ponto, Roque põe a mão atrás da perna direita, para se proteger de empurrões. A lesão no pé, sequela da paralisia infantil, e as dores nas costas não o impedem de cumprir bem suas tarefas diárias. Animado, ele,

muitas vezes, tenta transmitir seu estado de espírito aos colegas no TDT matinal. “Falo da importância de cumprir horários e trabalhar direito, porque é uma alegria de estar empregado e poder pagar as contas no final do mês”, conta. Dificuldades, ele sabe, todo mundo tem. “Mas com vontade e esforço a gente chega lá. Vamos alavancar essa obra”, diz Roque, com um cativante sorriso.

dados com candidatos testados e aprovados para futuro aproveitamento, a maior parte moradora da região. Fernanda afirma que o EEP também vai oferecer formação técnica, como a de soldagem, que aprovou 10 dos 20 profissionais inscritos. “Temos um Centro de Treinamento muito bem equipado, que era da Petrobras e será usado para recrutamento e capacitação”, explica Bernardo. É bom esclarecer que as vagas oferecidas em São Roque

não serão preenchidas por integrantes do CEP ou do EEP de Enseada. “Sabemos que há muita gente interessada em se mudar para São Roque, mas, infelizmente, não existe a possibilidade de transferência. A empresa montou seu cronograma de trabalho em Enseada e conta com o comprometimento dos funcionários para que as obras avancem conforme o previsto. Não há como desmobilizar essas pessoas, que foram contratadas justamente para construir o Estaleiro”, esclarece Bernardo. Assim como há prazos a serem cumpridos pelo CEP para a entrega das obras, também há prazos a serem cumpridos por integrantes desligados do canteiro. Quem sair do Estaleiro só poderá ser admitido por outra empresa do grupo seis meses após o desligamento. Regras são regras. Fala comunidade Quer ficar por dentro das principais notícias e ainda interagir com o Estaleiro? Então acesse o nosso blog oficial: www.navegandojuntos.com.br

“Falo da importância

de cumprir horários e trabalhar direito, porque é uma alegria de estar empregado e poder pagar as contas no final do mês” Roque da Hora dos Santos, ajudante no Estaleiro

Jornal Navegando Juntos 4 (dezembro)  
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