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O ESTADO DE S. PAULO | DOMINGO, 19 DE AGOSTO DE 2012

Na era da ‘gestão wiki’

Traineese estagiários pediram eganharam maisautonomia e responsabilidade,parte deum processode transferênciade poderdoescalão médiopara a basedahierarquia corporativa


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www.estadao.com.br/educacao DANIEL TEIXEIRA/AE

MichaelSandel ONLINE

LemannFellows

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Bolsistas da Fundação Lemann, como Alfredo Sandes, que vai para Stanford, estreiam blog

Vagascobiçadas

Acompanhamos a passagem por São Paulo do professor de Harvard que virou celebridade com o curso Justice, sucesso mundial na web e na TV

Oxfordvem aí Vice-reitor Andrew Hamilton fala dos planos de Oxford no Brasil e de evento na Fiesp na terça-feira

Universum mapeia empresas dos sonhos de 12 mil alunos brasileiros

Blog Twitter Notícias, oportunidades de estágio e trainee no @EstadaoEdu

DIVULGAÇÃO

Notasquentesebastidoresdaeducação em blogs.estadao.com.br/ponto-edu/

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Coisas que eu queria saber aos 21 ❛❛

Desde pequena fui interessadapor pessoas. Na escola, meu negócio era a área de Humanas,nuncafuifãdematemática e da lógica cartesiana. SabiaquenãomedariabemfazendoEngenharia, Direitooumesmo Medicina – não gosto de verosofrimentodo outro.Apesar de ainda ser muito jovem e imatura para ter a certeza de que escolheria a profissão certa, quando fui prestar vestibular já conseguia enxergar que tinha uma identificação com a psicologia. Outro fator que me aproximoudapsicologiafoiterconhecido uma psiquiatra que adotouumametodologia inovadora na época, fins dos anos 60. Fazíamos com ela uma espécie de terapia de grupo. Ficava encantada ao ver como ela ajudava pessoas a resolver problemas a partir das conversas que tínhamos. Mas é interessante observar que os sinais das nossas habilidades e preferências não se dão só na escola. Fora das aulas, minha paixão era o esporte – em especial o hipismo. Pode parecer estranha essa associação, mas a relação que passei a ter com os animais, especialmente cavalos, ajudou adefinir minha profissão. Escolhi o adestramento e ali aprendi a ter total integração com o animal. Cheguei a pensar em fazer Agronomiaporcontadessapaixão. Mas acabei prestando dois

REFLEXÕES

vestibulares: Psicologia, para desespero do meu pai, que, naquela época, dizia que essa era profissão de mulherzinha em buscadecasamento;eComunicação. Fui aprovada em Psicologia na PUC. No primeiro dia já tive certeza de que havia acertado na escolha. A PUC seguia uma vertentepsicanalítica,junguiana, com a qual me identifiquei. Meu primeiro estágio foi no Hospital do Câncer, como voluntáriana área de arrecadação de fundos, e foi muito sofrido. Apesar disso, o voluntariado mefez perceberqueeu soumovida a causas. Acho que devo isso a meu pai, que marcou minha formação de valores, me

mostrouaimportânciadepraticar uma causa e de tratar a todos com igualdade. No 3.º ano descobri que não queria psicologia clínica, mas a psicologia social me atraía profundamente.Issoseconfirmou no estágio que fiz em um banco, em que o chefe era o João Mendes, meu professor na faculdade – hoje, aliás, me orgulho de tê-lo como sócio. Fizemos um trabalho intenso de treinamento de equipes, viajei muito pelo interior de São Paulo. Além dos seminários que organizávamos, fazíamos serestas, nos aproximávamos das pessoas. Aprendi a enxergar o ser humano no seu hábitat. Se pudesse dar um conselho

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Descubra suas causas e escolha seus modelos. Mas não vá atrás de gente amarga, fale com quem gosta do que faz” Vicky Bloch, psicóloga e consultora de executivos

para quem tem hoje 21, eu diria: se você não descobriu ainda o que te move, a sua causa, procure dicas que possam basear suas escolhas. No meu ca-

so foi o cavalo; o voluntariado; oacidenteque tive aos 11anose medeixouengessadado pescoço à bacia por quatro meses; os aprendizados com meu pai; as quintas-feiras à noite com meu avô, um sábio. Se você já escolheu o que quer fazer, vá conversar com gente que trilhou esse caminho, vejacomo é o dia a dia dessas pessoas e tente se enxergar nessa rotina. Mas não vá atrás de gente amarga, fale com quem gosta do que faz e tem brilho nos olhos. Estude muito, além daquilo que te pedem. E experimente. Não despreze oportunidades, enfie o pé na porta e mostre interesse. Boa sorte na vida.”


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Hora de ocupar espaços Ávidos por novos desafios, jovens profissionais ganham cada vez mais responsabilidade (e poder) nos programas de estágio e trainee

Carlos Lordelo Cristiane Nascimento Jacyara Pianes ESPECIAL PARA O ESTADO

Quando diz aos amigos que está no terceiro ano do programa de trainee, Renata Assunção, de 26 anos, já sabe o que alguns vãoresponder:“Todoessetempo só treinando?” Ela até se divertecomabrincadeira,masexplica em seguida que não, não está “só treinando”. “Eu tenho assumidoresponsabilidadescada vez maiores e ganhado mais autonomia não só para executar tarefas, mas também para saber a quem delegá-las”, afirma Renata, que atua na área de Marketing da Unilever. Entre outros projetos, ela foi um dos líderes do relançamento mundial do sabão em pó Omo, um dos carros chefes da empresa, que ganhou nova fórmula. Com trainees e estagiários cada vez mais bem preparados e informados, algumas empresas passaram a transferir responsabilidades antes restritas a funcionários experientes a jo-

Trainees na alta cúpula Simone Katz ● Head de Distribuição de Consumer Bank do Citi Brasil. Foi trainee em 1992

Quando ainda frequentava o curso de Administração da USP, Simone foi selecionada como trainee da Credicard, braço de cartões de crédito do Citibank no Brasil. Ao fim do programa, recebeu uma proposta para migrar para a área de mercado do Citi. Em 98, decidiu acompanhar seu marido, que se mudaria para o Chile por razões profissionais. Anunciou seus planos ao chefe, que disse que ela era uma peça muito importante para ser perDIVULGAÇÃO

CAPA

vens talentos. Alguns especialistas em administração chamam esse processo de “empoderamento”, termo adaptado do inglês empowerment (que, para dizer a verdade, não soa tão bem em português). A ideia édaràtãofaladageraçãoyoportunidade de assumir o protagonismo na tomada de decisões, em um ambiente corporativo com hierarquias mais fluidas e de estímulo à criatividade. De acordo com Sofia Esteves, presidente do Grupo DMRH, consultoriadeserviços de RH, os próprios trainees e estagiários têm exigido maior integraçãocomaequipeeparticipação em projetos estratégicos. “As empresas aumentaram o grau de complexidade das atribuições dos jovens por entenderemqueesteéumdesejo deles e também porque existe demanda real por pessoas mais preparadas.” A valorização dos talentos ganhouforçaapartirdaretomada do crescimento econômico doPaís,avaliao presidenteexecutivo do Centro de Integração

Empresa-Escola (Ciee), Luiz Gonzaga Bertelli. “A crescente geração de empregos esbarrou no problema da falta de mão de obra qualificada para atender aos complexos processos de produção e gestão dos dias atuais”, diz ele. “As empresas precisam investir com urgênciana formaçãodenovos talentos, sob pena de comprometerem seu futuro.” A gerente de RH da Unilever JoanaRudigerafirmaqueoselementos citados por Sofia e Luiz Gonzaga contribuíram para a importância que os trainees ganharam na empresa na última década.Maslembraqueotrabalhodos jovenstem deser acompanhado de perto. “Preciso de um gestor próximo do trainee para auxiliá-lo em tarefas do dia a dia, e de outro, mais sênior, para o coaching, mostrandoadireçãoqueessejovemprofissional deve seguir.” Renata, a trainee que trabalha no Marketing do sabão Omo, teve gestores diferentes ao longo do programa. Houve situações em que, por falta de

um gerente direto, ela precisou se reportar ao diretor da área. “Dado o rigor da seleção, é normalquehajaumagrande expectativa e demanda em relação aos trainees. O frio na barriga existe,mas eutenhode darconta do recado”, diz. Formada em Comunicação Integrada pela PUC-Minas, a jovem cuidou do desenvolvimento do conceito, de estratégias de marketing e até do rótulo do “novo” Omo. Assim como Renata, Lara Toledo, de 23, deixou sua cidadenatal para ser trainee em São Paulo, na Johnson & Johnson. A publicitária carioca, graduada pela ESPM, trabalhou por um ano no marketing da Johnson’s Baby, linha de produtos para a higiene de bebês. “Participei de projetos de produtos que serão lançados daqui a dois anos e pesquisei tendências do mercado para pensar o portfólio da marca para os próximos cinco anos”, conta Lara. Desde janeiro ela mora no Recife, onde fica até o fim do ano, parte da rotação prevista no programa de treinamento.

dida. Simone conseguiu então uma colocação na área de Riscos na unidade chilena. Três anos depois, foi convidada a assumir, nos Estados Unidos, o cargo de especialista em modelos de avaliação de crédito. Com o nascimento de sua primeira filha, em 2002, decidiu que era hora de deixar Nova York e voltar ao Brasil. A administradora resolveu mudar de setor e passou a trabalhar em business inteligence na área de Marketing da Credicard. Voltou ao banco em 2005 e, há 4 meses, assumiu a área de Distribuição de Produtos. O segredo para uma carreira dinâmica e satisfatória? “Sempre encarei as mudanças como algo positivo e nunca tive medo de pedir o que queria.”

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Existe o frio na barriga, mas tenho de dar conta” Renata Assunção Trainee da Unilever


Domingo, 19 de Agosto de 2012

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Paulo Borrego ● Gerente de controladoria

na Votorantim Cimentos. Foi trainee em 2001

Em 1997, aos 19 anos, Paulo embarcou para o Tennessee, nos EUA, graças a uma bolsa de estudos concedida em parte pelo seu desempenho esportivo – na época, ele jogava tênis. Quatro anos depois, já formado em Marketing, o jovem retornou ao Brasil com o objetivo de construir carreira em uma grande empresa. Inscreveu-se no programa de trainee da Votorantim e foi admitido. De lá para cá, trabalhou em várias divisões do grupo. Passou pela fábrica de Celulose e Papel, localizada em Piracica-

Laraéumadasresponsáveispelo Departamento de Vendas da J&J na unidade de negócios da empresa para o Norte e o Nordeste. O escritório tem como metadobrarasvendasdamultinacional nas duas regiões até 2014.“Precisamos adaptarnossa comunicação aos consumidores locais, entender como funcionam os canais de distribuição e enfrentar os desafios de logística”, diz. “Recebi um projetodebastanteresponsabilidade. Ao mesmo tempo em que a empresa confia em mim e me dá autonomia, tenho um gestor que acompanha o andamento das atividades.” Segundo Sônia Marques, diretora de RH da J&J, a empresa precisa dar espaço para que os trainees mostrem talento, mas é fundamental definir os critérios pelos quais os jovens serão avaliados ao longo do programa. “Essa moçada tem cada vez mais iniciativa”, afirma Sônia. Por isso, a seleção dos trainees coloca os candidatos em situações nas quais eles precisam “se virar nos 30”. “Quero saber,

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Sou responsável por 200 pessoas na minha primeira gerência”

Bruno Addesso Gerente de Contas da Ambev

na dinâmica, como eles se posicionam quando têm pouco ou nenhumpoder. Consegueminfluenciar seus grupos? É uma questão de exercer o controle emocional e a resiliência.” O fortalecimento do trabalho em equipe é um dos reflexos dessa transferência de poder na hierarquia corporativa, diz o professor da faculdade de tecnologiaFiapeconsultorempresarial Erik Guttmann. “Diversos setores da indústria estão horizontalizando suas estruturas hierárquicas e, por consequência, eliminando níveis intermediários de decisão. Assim, entra mais ‘oxigênio’ nas empresas e aumenta a velocidade da tomada de decisões.” Por outro lado, alerta o consultor Rogério Sepa, da empresa de RH LHH/DBM, existem companhias que estão depositando fichas nos jovens talentos para cortar custos. “Tudo depende da área de atuação e dos propósitos da empresa. Ela pode assumir riscos no longo prazo pela queda da qualidade do serviço em razão da pouca

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ba, interior de São Paulo, onde teve contato com uma série de departamentos da companhia, até assumir a área de business controller de um dos braços do grupo. Com seis anos de empresa, o ex-trainee migrou da fábrica de papel para a Votorantim Cimentos. Entrou como controller corporativo e hoje trabalha como gerentegeral de controladoria, área que mescla contabilidade e administração. Às nove equipes de trainees que se formaram sob sua gestão, Paulo aconselhou: mais do que sonhar com altos cargos, os profissionais devem se preocuparse em ter uma carreira consistente. “É preciso ter conteúdo, algo que só se conquista com experiência.”

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experiência dos funcionários.” Sentimento de dono. Na Am-

bev,conhecida por sua estrutura enxuta, desafiar os trainees e estagiários a entregar resultados “desde o primeiro dia” deixa os programas mais “interessantes”, afirma a gerente de Recrutamento e Seleção Isabela Garbers – ela mesma uma extrainee.“Oque diferencia acarreira de um profissional na empresa não é a porta por onde ele entrou,masacapacidadedeentregar resultados.” Trainee da Ambev em 2011, Bruno Addesso, de 25, diz que não havia um responsável por monitorar todos os seus passos nos dez meses de duração do programa. “A empresa confia nos trainees e acaba inflando na gente um sentimento de dono do negócio. Assim, nos desenvolvemos muito rápido”, afirma o bacharel em Relações Internacionais pela PUC-SP. No primeiro semestre deste ano, Bruno trabalhou como gerente de Mercado e, em julho, assumiu uma gerência de Con-

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Tenho autonomia, mas meu líder sempre cobra o status do projeto” Lara Toledo Trainee da Johnson & Johnson


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Trainees na alta cúpula DIVULGAÇÃO

Liana Fecarotta ● Diretora de RH da divisão Food Solutions da Unilever. Foi trainee de 2003 a 2005

Depois de fazer estágio no RH da Kibon, Liana participou da seleção para trainee da Unilever, dona da marca de sorvetes. Durante o treinamento, a psicóloga recém-formada pela PUC-SP viajou o País para elaborar um plano de ação que aumentasse as vendas de produtos da companhia em farmácias. Também foi responsável pela capacitação das equipes de marketing da América Latina e, por fim, trabalhou na reestruturação da área de RH

tas. Comanda um staff de 200 promotores e 6 supervisores de vendas da cervejaria na região de Campinas. “Nunca havia sido gestor de uma equipe. O convite (para a área de Contas) me fez perceber como a companhia confia no meu trabalhoepodemedarresponsabilidades cada vez maiores.” A jornalista Bruna Guedes, de25, também desenvolveu um “sentimento de dono” em relação à loja do McDonald’s na qual aplica o que aprende no programa de trainee da companhia.Emoito meses,elajá assumiuváriasfunções:foiatendente, treinadora, coordenadora de balcão e agora, na reta final, é gerente-trainee. Em setembro, quando o programa termina, ela cobrirá as férias de um gerente – maior cargo do ponto devenda –edepois será efetivada em outra loja. “A empresa nos dá desafios, mas isso nunca me amedrontou. Nunca achei que tinha responsabilidades demais, até mesmo porque aqui tudo é gradativo, com um passo após o outro, o que nos dá bastante se-

gurança”, diz Bruna. Ela se formou numa faculdade particulardeRioBranco,noAcre,emudou para São Paulo em 2011, para fazer uma pós. Quer migrar depois para a área de Comunicação do McDonald’s. Longe da xerox. Os estagiários tambémnãoqueremficardefora desse processo de fortalecimentodosjovenstalentosereivindicam das organizações uma atenção extra. No entanto, especialistas dizem que os universitáriosprecisamganhar mais experiência dentro das empresas antes de querer assumir maiores responsabilidades. “No passado o estagiário tirava xerox. Hoje ele tem indicadores de desempenho e uma série de atribuições nas mãos”, diz Manoela Costa, gerente da consultoria de recrutamento Page Talent. “Por mais exposição e responsabilidade que tenha, o universitário não pode ser cobrado por algo que não pode entregar.” Aluna de Administração do Mackenzie, Marcella Fanti, de 20, passou oito meses em uma

multinacionalonde fazia “tarefas que ninguém queria fazer e sobravam para os estagiários”. Agora na Nestlé, trabalha com desenvolvimento de carreiras, recrutamento e seleção. “Faço análises de indicadores da área que inclusive vão para diretores e a vice-presidência”, diz. “Meus chefes deixam claro que queremmeformarcomoanalista e me efetivar no cargo.” Segundo Marcella, o fato de ter mais responsabilidades não significa que seus chefes a cobrem por algo que ela não sabe. “Estágio é um aprendizado. Se eu errar, terei feedback”, diz. O contrato dela termina no fim do ano que vem. No Google, o programa de estágiocomeçacomadistribuição de projetos entre os estudantes. Ao fim dos cinco meses de duração do programa, eles precisamapresentarosresultados. No ano passado, quando a primeira turma de estagiários concluiuasatividades,ostrabalhos foram publicados em um site para serem analisados pelos responsáveis de cada área, a diretoria e o setor de RH.

da Unilever. Foi promovida a gerente e ajudou a replicar o projeto na América Latina. Em seguida, passou seis meses na sede da empresa, em Londres, onde fez parte da equipe que definiu o novo modelo de carreira global de RH. Ficou outros seis meses em Nova York e voltou ao Brasil em 2007. Trabalhou como gerente para diversas áreas e há quatro meses é a diretora de RH para a divisão que desenvolve produtos e serviços para o mercado de alimentação fora de casa. Cuida da operação em sete países. “A empresa está totalmente em linha com meus valores. Adoro as pessoas com quem trabalho.”

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O desafio é um indício de que a empresa tem confiança em nós” Bruna Guedes Trainee do McDonald’s

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Alegandoanaturezaestratégica dos projetos, a diretora de RH do Google para a América Latina, Mônica Santos, só revelou que um dos estagiários trabalhou em algo que envolvia a rede social Google Plus. “O Googlecria possibilidades para as pessoas agregarem valor para a empresa”, diz Mônica. Segundo a executiva, a decisão de contratar só estagiários do último ano da faculdade, para um programadecurtaduração,permite à empresa atrair jovens talentos de todo o País. Pensando no lado do estudante, a dica da gestora de Carreiras do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) Carmen Alonso é a de que o universitário ingresse no mercado de trabalho oquantoantes.“Umex-estagiário que participa de seleção para trainee ou é efetivado no cargoestámuitoàfrentedoscandidatos que não tiveram nenhuma experiência profissional”, diz. “Hoje não existe mais plano de carreira. Existem meritocracia, oportunidade e preparo. Quando a vaga surgir, é preciso estar apto.”


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FOTOS WERTHER SANTANA/AE

Ferrovias

Espontâneo. Para Breno, ‘adrenalina do jogo’ faz esquecer a autocensura

No tabuleiro, o mapa do Brasil é recortado por uma malha ferroviária que tem exatas 36 estações. As linhas, de extensões diferentes, são identificadas por cores. Os participantes devem se organizar para cumprir desafios que lembram operações de logística

Componentes do jogo

‘REALITY’

Seleção gamificada Acompanhamossimulaçãodeprocesso seletivoque usa game para testarjovens Cristiane Nascimento ESPECIAL PARA O ESTADO

Como atravessar os mais de 2.300 quilômetros que separam Rio Verde, em Goiás, do Parque Nacional da Guiana Francesa, limite do Brasil ao norte? Qual é o melhor trajeto? O que passa por Novo Progresso, no Pará, ou por Manaus? Essas foram algumas das perguntas feitas por um grupo diante de um Brasil em miniatura, de menos de 4 metros quadrados. No dia 1.º, 13 jovens se reuniram em Moema, zona sul de São Paulo, em busca de respostas a desafios como este acima. O objetivo foi simular um pro-

cessoseletivodetraineeseestagiárioscomusodejogocorporativo – recurso empregado por um número crescente de empresas não só para selecionar, mas para treinar funcionários. Organizado para o Estadão. edu pela consultoria de Recursos Humanos MBA Empresarial, a simulação usou o jogo de tabuleiro Expresso Brasil, desenvolvido pela empresa DarwinJogos,paraanalisarcompetências comportamentais de participantes de quatro times, como criatividade, espírito de equipe e senso de liderança. “É possível descobrir mais a respeito de uma pessoa em uma hora de jogo do que em um ano

Cada time controla um conjunto de vagões. Na mesa, há um monte de cartas coloridas, que reproduzem trechos do mapa. Só cinco delas ficam abertas – a maioria permanece virada para baixo. Há ainda cartas curingas, que têm o desenho de uma locomotiva

Dinâmica O primeiro objetivo das equipes é preencher trechos do mapa com trens de sua companhia. Para isso, elas têm de acumular cartas da mesma cor da linha que desejam ocupar, em número igual à distância entre um ponto e outro


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Desafios A equipe recebe três ‘cartas de destino’, cada uma com duas estações a serem ligadas. A pontuação indicada depende do grau de dificuldade da conexão. O grupo decide se persegue todos as metas, mas pode descartar até duas delas e ficar só com uma carta

Ações A cada rodada, as equipes podem comprar cartas da mesa, fechadas ou abertas; realizar uma conexão entre duas cidades caso tenham cartas em número e cor correspondentes aos trechos; adotar mais um desafio ou negociar cartas com os demais times

Pontuação As equipes ganham pontos quando conectam duas cidades, completam o desafio que lhes foi proposto ou criam a maior malha ferroviária contínua ao final do jogo. Quando um destino não é alcançado, o valor atribuído na carta é subtraído da pontuação

Expresso Brasil. Game de tabuleiro ajuda a selecionar estagiários e trainees

Ansiedade. Thais se irritou com outros integrantes do seu time e teve de dar um tempo

de conversa”, diz Satiko Monobe, diretora da MBA. “Emmeioàadrenalina dojogo, deixamos aflorar emoções e atitudes que talvez tentássemos evitar em um processo seletivo convencional”, diz Breno Fortuna, de 19 anos, aluno deAdministração daFGV.Confrontados com algo para o qual nãoforamtecnicamentetreinados, os candidatos deixaram transparecer pontos fortes e fracos. Ao longo de quase três horas de dinâmica, teve gente que mal conseguiu falar, enquanto outros insistiram em suas ideias mesmo quando a equipeargumentava na direção contrária. O clima lembrou, às vezes, o de reality shows. “Acabei deixando a ansiedade falar mais alto”, admitiu Thais Sayuri, de 18, aluna de Gestão de RH do Senac, que num determinado momento se irritou com seu grupo, bateu o pé e decidiu sair da roda até se acalmar. “Mesmo trabalhando na área, nunca havia participado de uma dinâmica como esta”, diz Bianca Guido, de 26, analista de RH da MBA que acabou entrando na simulação. “Como psicóloga, é curioso perceber o quanto as características pessoais ficam explícitas.” Apesar de a aplicação dos jogos empresariais não se limitar aos jovens, são eles que mais se adaptam às dinâmicas, afirma Yuri Fang, engenheiro de jogos da Darwin. A recepção positiva, no entanto, não se dá apenas pela familiaridade com o universo dos games. “Tanto no caso de trainees quanto de esta-

giários, estamos falando de jovens talentos cada vez mais ávidos por grandes desafios.” Como qualquer jogo, o Expresso Brasil teve uma equipe vencedora. Seriam seus integrantes os selecionados caso a dinâmica fosse para valer? Difícil dizer. Isso depende da leitura feita pelos recrutadores e, principalmente,das competências valorizadas pela empresa. Online. O tabuleiro é só uma das opções de jogos corporativos. Games de negócios online, por exemplo, permitem recriar o ambiente de uma organização, com concorrentes, mercado e métricas próprias. “As simulações colocam as pessoas emumadimensão muitopróxima à realidade”, afirma Antonio Dirceu de Miranda, diretor daBRAcademy,empresasespecializada em jogos para empresas e escolas de negócios. ACompass Consult, consultoria de RH que também é responsável pela criação de jogos empresariais, recorre até a um ambiente com fotos e projeções do Monte Everest, no qual executivos se dividem em equipes para a escalada da montanha. Eles têm de tomar decisões como resolver se seguem em frente para ultrapassar o grupo adversário ou se permanecem onde estão para garantir segurançaàequipe.“Entretenimento à parte, mostramos a eles como a atuação no jogo podeestarvinculadaaocomportamento no ambiente profissional”, diz Wilson Roberto Lourenço, sócio da consultoria.


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Estadão.edu - Edição 20/08/2012: Na era da ´gestão wiki´  

Trainees e estagiários pediram e ganharam mais autonomia e responsabilidade, parte de um processo de transferência de poder do escalão médio...