Issuu on Google+

ABR / MAI / JUN 2012

PUCPR

Pesquisas com foco no mercado pesquisa

Biodiesel a partir do óleo de fritura

Paulo Stark, CEO e presidente do Grupo Siemens no Brasil

INOVAÇÃO une SIEMENS e PUCPR


ao leitor

A inauguração do segundo bloco do PUCPR Tecnoparque e a instalação da Siemens na unidade são motivos de comemoração. Quando lançamos o empreendimento, em 2009, era posto em dúvida se uma universidade deveria produzir inovação tecnológica. O rápido crescimento do PUCPR Tecnoparque, com a instalação de multinacionais como a Siemens e o reconhecimento da comunidade, não deixa dúvidas de que estamos no caminho certo.

Prof. Luiz Márcio Spinosa Diretor da Agência PUC e do PUCPR Tecnoparque

A parceria com a Siemens e com outras empresas já instaladas no Tecnoparque solidifica o esforço da PUCPR em se colocar como um dos grandes atores no Paraná e no Brasil no que diz respeito à área de energia, em particular às tecnologias Smart Grid. A demanda por pesquisas no domínio de conhecimento de Smart Grid é farta, indo de tecnologia em hardware, passando por software e logística, até novos modelos de negócios, dentre várias outras possibilidades.

Ao assumir o posicionamento de ser uma universidade que produz pesquisa, a PUCPR tornou-se muito mais do que uma formadora de profissionais. Tornou-se um agente transformador da sociedade, cumprindo a sua missão de produzir conhecimentos que gerem benefícios para as pessoas e tornem o mundo um lugar melhor. Temos a certeza de que cooperações com a iniciativa privada são fundamentais para melhorar ainda mais a qualidade e a utilidade de nossas pesquisas, bem como para oferecermos aos nossos alunos melhores oportunidades de aplicação prática dos conceitos vistos em sala de aula. Ao tornar atrativo para as empresas o desenvolvimento de inovação tecnológica, a PUCPR colabora para o lançamento de produtos de alto valor agregado, impulsionando a economia e dando uma significativa contribuição para a transformação do país.

Boa leitura!

expediente Jornalista responsável Fabiana Ferreira (MTB 4148/16/188) Edição e textos Danielle Sasaki (MTB 4731) REVISÃO DE CONTEÚDO Editora Universitária Champagnat Fotos João Borges Projeto gráfico e diagramação espresso design Impressão Gráfica APC

2

Agência PUC de Ciência, Tecnologia e Inovação Rua Iapó, 1225 - Prado Velho CEP: 80215-900 - Curitiba/PR Telefone: (41) 3271-1389 E-mail: agenciapuc@pucpr.br

Comentários, sugestões e críticas Rua Imaculada Conceição, 1155 Prado Velho - CEP: 80215-901 - Curitiba/PR Telefone: (41) 3271-1515 E-mail: imprensa@pucpr.br

A revista PUC_Inovação é uma publicação trimestral com distribuição dirigida, produzida pela Assessoria de Comunicação da Associação Paranaense de Cultura (APC).


r e p o r ta g e m

Pesquisas

estratégicas Projeto inovador da PUCPR alinha a produção científica às áreas estratégicas para o desenvolvimento socioeconômico do país

C Waldemiro Gremski, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da PUCPR

Incentivo à pesquisa O projeto pioneiro desenvolvido pela PUCPR abrange três grandes ações: •  O pesquisador que captar recursos externos para a sua pesquisa receberá 3% do valor captado, com um teto de R$ 15 mil por projeto; •  Pesquisas que obtiverem financiamento externo terão direito a um aluno bolsista; •  Pesquisadores que publicarem artigos em periódicos científicos indexados receberão gratificações, de acordo com a classificação da publicação.

omo no Brasil a maioria das patentes é gerada pelas universidades, o alinhamento das pesquisas produzidas pela academia com as áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento socioeconômico do país é fundamental. Saúde, agronegócios, meio ambiente, tecnologia da informação e comunicação, biotecnologia, nanotecnologia, energia, gás e petróleo são algumas das áreas definidas como estratégicas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por organizações como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e pela própria sociedade civil. A PUCPR, em uma iniciativa pioneira no Estado, desenvolve desde 2006 um grande projeto que tem como objetivo direcionar as pesquisas produzidas pelos pesquisadores da Instituição para as necessidades do mercado. Em 2012, a PUCPR avançou com o mapeamento de todas as pesquisas produzidas pela Instituição e a definição das áreas que serão prioritárias para o financiamento de pesquisas.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da PUCPR, Waldemiro Gremski, explica que a definição das áreas prioritárias está sendo feita em conjunto com toda a Universidade e, quando implantadas, representarão uma quebra de paradigma. “Na maioria das universidades brasileiras, os pesquisadores atuam de forma independente, sem muitas vezes olhar para as necessidades e demandas da população. Porém, a partir do momento em que a PUCPR optou por se tornar uma universidade de classe mundial, assumiu o compromisso de produzir conhecimento relevante para a região em que está inserida, para o país e para o mundo”. A diretora de Pesquisa da PUCPR, Paula Trevilatto, explica que o projeto não tirará a liberdade dos pesquisadores, mas direcionará as pesquisas para as áreas prioritárias. Por exemplo, os pesquisadores que tiverem interesse em se aperfeiçoar nas áreas definidas pela Universidade poderão receber bolsas integrais. _

3


r e p o r ta g e m e s p e c i a l

Unidos pela inovação PUCPR recebe o primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento para Smart Grid da Siemens na América Latina

4


U

ma parceria estratégica entre a PUCPR e a Siemens resultou na instalação, em Curitiba, do primeiro centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de soluções Smart Grid na América Latina. Inaugurado oficialmente no dia 19 de abril, o novo centro da Siemens opera desde o início de 2012 no PUCPR Tecnoparque, unidade da Agência PUC de Ciência, Tecnologia e Inovação voltada para a aproximação da Universidade com a indústria. Com a instalação

da Siemens, o PUCPR Tecnoparque conta com 14 empresas instaladas, desenvolvendo projetos em conjunto com a Universidade. Segundo o vice-reitor da PUCPR, Paulo Mussi Augusto, a instalação da Siemens é mais uma conquista da Universidade, que apostou na criação do PUCPR Tecnoparque. “A complexidade do desenvolvimento tecnológico demanda esforços colaborativos. Soma-se a isso o fato de a nova economia global estar baseada no

conhecimento. Empresas como a Siemens veem neste cenário a importância de projetos como o PUCPR Tecnoparque, que promove a parceria tripla entre universidade, iniciativa privada e poder público para o desenvolvimento de inovação tecnológica”, explica. O CEO e presidente do Grupo Siemens no Brasil, Paulo Stark, afirma que a integração da empresa com a academia é uma resposta aos desafios da área de redes inteligentes. “Encontramos 5


r e p o r ta g e m e s p e c i a l

“ Empresas como a Siemens

veem a importância de projetos como o PUCPR Tecnoparque, que promove a parceria tripla entre universidade, iniciativa privada e poder público para o desenvolvimento de inovação tecnológica”.

Paulo Mussi Augusto, vice-reitor da PUCPR

no Brasil o mercado, e na PUCPR a vocação e a competência em P&D. É nas universidades que surge a maioria das inovações e nossa expectativa é muito grande com esta parceria, que une a pesquisa básica produzida pela academia e o desenvolvimento aplicado na indústria”. Inicialmente, o centro de P&D da Siemens concentrará as atividades no desenvolvimento de softwares e soluções de tecnologia da informação para gestão e automação de sistemas de energia. “Este novo centro de P&D nasce integrado à estratégia global da Siemens para soluções Smart Grid, desenvolvendo tanto soluções para os clientes do mercado brasileiro quanto soluções de aplicação global”, afirma Guilherme Mendonça, diretor da Divisão de Negócios Smart Grid da Siemens do Brasil. Atualmente, o centro opera com 24 desenvolvedores de software

e TI, sendo que em três anos a expectativa é de que o centro conte com 100 colaboradores. A iniciativa faz parte do pacote de US$ 600 milhões em investimentos anunciados para a criação de novas linhas de pesquisa e a expansão da capacidade produtiva no país. “O Brasil está adquirindo uma posição de vanguarda na estratégia da companhia, incorporando centro de competência global em setores estratégicos, como Smart Grid e Oil&Gas”, afirma Paulo Stark. Atualmente, a empresa possui seis centros de pesquisa e desenvolvimento no país, 13 fábricas e emprega cerca de 10,8 mil colaboradores. Segundo Stark, no fim de 2012 será inaugurado mais um centro de P&D no Rio de Janeiro, voltado para o setor de Petróleo e Gás. “Com os dois novos empreendimentos, vamos completar oito centros de P&D no Brasil”, afirma Stark. _

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da PUCPR, Waldemiro Gremski, o CEO e presidente do Grupo Siemens no Brasil, Paulo Stark, e o vice-reitor Paulo Mussi Augusto

6


radar

inauguração

Marcos Wesley, Clemente Ivo Juliatto e Wilmar Prochmann

A PUCPR inaugurou, no dia 22 de março, o segundo bloco do PUCPR Tecnoparque. O evento contou com a participação do diretor presidente da SOFHAR Gestão&Tecnologia, Wilmar Prochmann, e do presidente nacional da ZOOM/LEGO® Education, Marcos Wesley, cujas empresas estão instaladas no bloco. Segundo o reitor da PUCPR, Clemente Ivo Juliatto, a inauguração de mais um bloco do PUCPR Tecnoparque é outro passo em

direção à meta de transformar a PUCPR em uma universidade de classe mundial. “A PUCPR já tem o respeito internacional. Formamos mais de 100 mil profissionais, entre eles o governador do Paraná, Beto Richa, o vice-governador Flávio Arns e o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci. Com iniciativas como o PUCPR Tecnoparque, queremos a sintonia social, queremos estar próximos do barulho da rua, produzindo conhecimentos que promovam o bem-estar da nossa sociedade”, afirma Juliatto. _

Equipamentos de telecomunicações A PUCPR recebeu, em março, a doação de uma série de equipamentos da SOFHAR Gestão&Tecnologia S.A, empresa especializada em soluções de tecnologia da informação e comunicação, instalada no PUCPR Tecnoparque. Os equipamentos de telecomunicação serão utilizados pelo curso de Engenharia Elétrica da PUCPR. A doação foi entregue pelo diretor administrativo financeiro da SOFHAR, Flávio Yukiharu Miashiro, ao coordenador do curso de Engenharia Elétrica, Ricardo Nabhen. Segundo Miashiro, os

equipamentos fazem parte do início da história da SOFHAR, quando a empresa era voltada ao ramo de telecomunicações. “Quando decidimos deixar essa área e focar na informática, esses equipamentos deixaram de ser utilizados e foram preservados, pelo alto valor e nível tecnológico”. Nabhen afirma que os equipamentos auxiliarão o aprendizado dos alunos do curso de Engenharia Elétrica, que tem ênfase justamente em telecomunicações. Entre os equipamentos estão analisadores de espectro e fontes estabilizadoras. _ Flávio Miashiro apresenta os equipamentos para Ricardo Nabhen

mba internacional Dezenove alunos do MBA Internacional Gestão Estratégica da Inovação estiveram, entre os dias 23 e 27 de abril, na França, participando do módulo internacional do curso. O MBA é fruto de uma parceria entre o Sistema FIEP e a PUCPR, sendo coordenado pela Agência PUC e viabilizado pelas Escolas de Negócios e

Politécnica. Os alunos participaram de aulas teóricas e práticas na Université de Technologie de Compiègne, conhecendo o habitat de inovação local. A avaliação foi extremamente positiva, sendo que 79% dos alunos afirmaram estar totalmente satisfeitos e o restante, 21%, satisfeitos com o módulo. _

7


e n t r e v i s ta

Dever

cumprido R

oberto Pecoits-Filho, nefrologista, pesquisador e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUCPR, buscou a área científica na fase mais madura de sua carreira. Ao se deparar com um desafio clínico e não encontrar informações satisfatórias nos livros ou artigos já publicados, Pecoits-Filho encontrou a motivação para agregar a carreira de pesquisador à atividade de médico, tornando-se ativo não só na aplicação da informação, mas na geração de informações novas, ainda não investigadas. Atualmente, Pecoits-Filho coordena pesquisas reconhecidas internacionalmente

8

> Entre as pesquisas que realiza ou já realizou, alguma teve resultado além do esperado? na área de doenças renais crônicas e ocupa a presidência do Capítulo Latino Americano da Sociedade Internacional de Diálise Peritoneal e a vicepresidência da Sociedade Brasileira de Nefrologia e da Sociedade Latino Americana de Nefrologia e Hipertensão. Nesta entrevista, o médico fala sobre a importância do desenvolvimento de pesquisas que beneficiem diretamente a população e o sentimento de dever cumprido ao ver as suas pesquisas contribuindo para melhorar a qualidade de vida, reduzir as complicações de doenças e aumentar a perspectiva de sobrevivência da população.

Apesar de sempre termos uma hipótese por trás das nossas pesquisas, o resultado não deve ser esperado, deve ser uma consequência da aplicação metodológica e de uma disciplinada e justa apresentação dos resultados. Do ponto de vista gerencial, os resultados da pesquisa, em termos de apoio e reconhecimento, fazem parte de uma boa estratégia e uma administração eficiente. A boa ideia é fundamental, ganhar e perder faz parte do jogo e a diversidade de projetos dentro de uma plataforma sólida de investigação quase sempre dá bons resultados, esperados ou não, positivos ou negativos. O importante é a sequência de perguntas relevantes que surgem após cada investigação. O processo é inesgotável, nunca acaba.

> Na sua avaliação, os pesquisadores brasileiros realizam os seus estudos pensando apenas na publicação? Acho que esse é um conceito tradicional, em rápido processo de mudança. Essa observação é um pouco culpa da forma de se avaliar a produtividade dos pesquisadores no Brasil. Ainda se cobra muito a quantidade de publicações, levando-se pouco em conta o impacto daquela produção intelectual e sua relevância no contexto social e econômico da região onde a pesquisa é feita. No entanto, é notável que tanto a avaliação individual dos pesquisadores e dos programas de pós-graduação quanto a seleção de projetos para financiamento têm levado em consideração a geração de riqueza para a região e relevância para um impacto social. Essa mudança de paradigma vai provocar rapidamente uma mudança no foco da produção científica, para abordar temas mais relevantes, de maior impacto na realidade regional.


“ Observar a

contribuição da pesquisa feita aqui mudar conceitos e práticas médicas pelo mundo é sensacional e muito prazeroso.”

> Por que iniciativas como a Agência PUC, que faz a intermediação entre empresa e academia, são importantes para os pesquisadores? A Agência PUC influi diretamente nessa mudança de cultura dos pesquisadores, nos recordando sempre da importância da aplicação da pesquisa, que está na demanda das empresas. Por outro lado, a competência administrativa e gerencial da Agência PUC adiciona eficiência no processo da pesquisa e facilita a nossa vida. Na verdade, assumindo muito do processo de gerenciamento do financiamento da pesquisa com as ferramentas de gestão, oferece a nós, pesquisadores, a oportunidade de fazer mais livremente o que somos formados para fazer: pesquisar.

> No Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, há incentivo para que os professores e alunos vislumbrem mais do que apenas a publicação do conhecimento em periódicos científicos? Sim, há um trabalho contínuo de esclarecimento e estímulo à produção científica de relevância socioeconômica regional. Recentemente, os professores Marcelo Mira e Paula Trevilatto investigaram as áreas mais promissoras em ciências da saúde a partir de documentos de agências de fomento regionais, nacionais e internacionais. Ao analisar onde está sendo feito o investimento pelas agências de fomento públicas e privadas, percebe-se os setores com melhor perspectiva e demanda socioeconômica. Da mesma forma, vários observatórios têm projetado as maiores

demandas na área de saúde para o futuro. As informações provenientes desses observatórios orientam onde devemos gastar nossos esforços. Um exemplo é a discussão que temos hoje dentro do programa para aumentar as atividades de pesquisa em doenças crônicas não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares, diabetes e as consequências do tabagismo, uso nocivo de álcool, inatividade física e obesidade. Essas prioridades estão muito claras no Plano Nacional de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis do Governo Federal e da Organização Mundial da Saúde, e nossas atividades de pesquisa serão redirecionadas para esse problema, aumentando a chance de financiamento e, principalmente, de impacto social.

> Qual o sentimento ao ver a sua pesquisa beneficiando diretamente a população? É um sentimento de dever cumprido, de retorno à sociedade que me formou e investiu em mim. Fiz meu doutorado em uma universidade pública, a Universidade de São Paulo (USP), e estudei no exterior como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Se minha pesquisa não gera retorno ao país, esse investimento foi em vão. Ao mesmo tempo, observar a contribuição da pesquisa feita aqui mudar conceitos e práticas médicas pelo mundo é sensacional e muito prazeroso. Espero que a valorização da pesquisa que acontece hoje na PUCPR seja perene e interfira mais e mais não só no dia a dia dos programas de pós-graduação, mas se infiltre no ensino de graduação, formando profissionais mais críticos e curiosos. _

9


pesquisa

Óleo de fritura

vira combustível Pesquisa desenvolvida pela PUCPR resulta em tecnologia inovadora para produção de biodiesel

O

óleo de soja residual utilizado em frituras ganhou uma nova aplicação com a pesquisa desenvolvida pela PUCPR, que resultou em uma tecnologia inédita para produção de biodiesel. Coordenada pelo professor do curso de Engenharia Química Nei Hansen de Almeida, a tecnologia patenteada pela PUCPR permite a produção do biodiesel a partir do óleo de fritura de forma contínua, com a utilização de álcool etílico no processo de fabricação em vez do metanol, que é um derivado de petróleo muito utilizado na fabricação de biodiesel, apesar de ser obtido do petróleo e não de fonte renovável.

10

O projeto pioneiro conta com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que destinou R$ 500 mil para a construção de uma unidade piloto para a produção de biodiesel em regime contínuo. A unidade está instalada na Fazenda Experimental Gralha Azul, no município de Fazenda Rio Grande, e tem capacidade para produzir 150 litros de biodiesel por dia. Segundo Almeida, a produção em escala contínua permite que sejam constatadas oportunidades de melhoria no processo, consolidando a tecnologia para utilização em escala industrial. O combustível já foi testado em veículos agrícolas da Fazenda

Experimental Gralha Azul e mostrou-se eficiente, dispensando modificações nos motores de ciclo diesel. A partir do momento em que a operação contínua estiver consolidada, o grupo de pesquisadores realizará testes de rendimento, potência e torque, análises físicas e químicas, entre outros. O biodiesel produzido na unidade piloto utiliza óleo de soja residual cedido pelo restaurante Rigoleto, de Curitiba. De acordo com Almeida, além do aproveitamento do óleo de fritura e da utilização de álcool etílico, a tecnologia tem como vantagem a possibilidade de operar também com a utilização de óleo vegetal como matéria-prima. _


Inovação em engenharia As áreas da tecnologia relacionadas às ciências exatas e tecnológicas da PUCPR estão concentradas no Núcleo de Engenharias, que tem como objetivo desenvolver parcerias com o setor produtivo para a condução de pesquisa, desenvolvimento e inovação de produtos e processos, bem como a prestação de serviços tecnológicos especializados e a formação de pessoal in-company. O Núcleo oferece competências nas áreas da Engenharia Mecânica, Produção e Sistemas, Mecatrônica, Elétrica, Eletrônica e Telecomunicações, Construção Civil, Química, Engenharia de Alimentos, Engenharia ambiental, Arquitetura e Urbanismo. Entre em contato com o Núcleo de Engenharias: nucleo.engenharias@pucpr.br (41) 3271-2424 Coordenação: Pablo Deivid Valle

passo a passo O processo de fabricação do biodiesel desenvolvido pela PUCPR utiliza três matérias-primas básicas: óleo de fritura, álcool hidratado e álcool anidro. Confira as etapas de fabricação: 1. O  óleo de fritura é misturado ao álcool hidratado e passa por um processo de reação tendo o ácido sulfúrico como catalisador. 2. A mistura recebe gás amônia, com o objetivo de remover o ácido sulfúrico. 3. Com a adição do gás amônia, é gerado o sulfato de amônio, que é extraído da mistura por meio de um filtro, sendo reaproveitado como fertilizante na própria Fazenda Experimental.

4. A  mistura passa por outro processo para remover o excesso de álcool hidratado. 5. U  m segundo processo de reação com soda cáustica dissolvida em álcool anidro completa a reação de formação do biodiesel. 6. A  mistura recebe gás carbônico (CO2), que retira a soda cáustica, gerando carbonato de sódio, que pode ser reaproveitado para a produção de sabão.

7. A mistura passa por um filtro que retira todo o carbonato de sódio formado. 8. O álcool em excesso da segunda reação é removido, resultando no biodiesel puro. Todo o álcool utilizado é recuperado e reutilizado no processo como álcool hidratado. 9. Não existem correntes efluentes contaminantes do processo. Os catalisadores são removidos no processo e geram subprodutos.

11



Puc_Inovação #2