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JORNAL DE ESPOSENDE

Opinião

CONTRA A CRISE, REZAR

Dr.Carlos Ferreira

A crise económica parece não nos querer deixar, apesar dos esforços dos nossos políticos em transmitir a ideia que a sua governação tem sido excelente, que Portugal está no caminho certo e que pairam no futuro próximo sinais de desanuviamento. Apesar desse esforço, as entidades estrangeiras com competência no assunto, transmitem nos seus relatórios que o nível de crescimento económico de Portugal é inferior ao nível médio de crescimento das demais economias europeias, ou seja, as nuvens que pairam no horizonte da economia em vez de serem de desanuviamento, são antes negras. Portugal, cuja história é fértil em mostrar que vivemos sempre com dependência do exterior, está cada vez mais isolado e só. Não há descobrimentos nas mentes dos políticos que

nos abram caminho para o sucesso, nem galinhas de ovos de ouro que nos salvem. O tecido empresarial rompeu e não se vislumbram aranhas que o possa tecer novamente. Costuma-se dizer que um mal nunca vem só e a verdade é que a crise económica sentida nos mais variados sectores da sociedade é, infelizmente, fonte de muitos outros males. Realmente, com a crise económica aumentaram de forma significativa os crimes que dia a dia vêm sendo noticias nos jornais e televisões. Com o aumento do crime, cresce a crise dos valores éticos e morais. Além do aumento do crime, aumentou de forma drástica o desemprego, cujo índice percentual ultrapassou já os dois dígitos, sendo já mais de 10% da população que se encontra desempregada. Com o aumento do desemprego e

com a crise económica aumentou a pobreza e o número de pessoas que se dedicam á esmola. A crise económica, o crime, o desemprego, o conflito social, a pobreza e esmola dançam de mãos dadas. Ora, por falar em esmola, lembrei-me dos “pobres” que conheci na minha infância: O Avelino, a Rosinha das Marinhas, o Pantomina e outros. Com frequência, esses pobres passavam de casa em casa parando junto das entradas onde, de imediato, começavam a rezar: - Pai Nosso, que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Amen. Ao ouvirem assim rezar, era rara a alma que não abria o seu coração, metia a mão na consciência e dava uma esmola. Aqueles que hoje se dedicavam a estender a mão à caridade, fazem-no de uma forma mais sofisticada. Uns, antes de fazer a recolha, deixam cartazes a expor males de família, de modo a apelar ás consciências dos mais incautos e depois, vêm recolher os cartazes e as esmolas. Outros, acomodam-se junto dos parques de estacionamento de veículos ou junto dos semáforos mais concorridos e aí, em vez de pedirem, praticamente exigem dinheiro. Frequentemente, quem não abre a mão a “esta caridade” sujeitase a ver o seu veículo riscado ou amolgado ou sujeita-se a ouvir o que não quer. Para não sofrerem tais dissabores, são muitos os que vão abrindo os cordões à bolsa. Acredito que se aparecessem novamente “pobres” a pedir esmola

como os de antigamente, pedindo esmola e rezando, não lhes faltaria esmola. O problema é que, antes de rezarem, teriam primeiro que tirar o curso e aprenderem a rezar, pois não o sabem fazer. Por outro lado, para quem procure emprego, desde que tenha idoneidade moral e vocação, não faltará emprego como padre. Realmente, há alguns anos, ainda o padre velho não tinha falecido e já o padre novo estava a estagiar na aldeia. Em todas as freguesias existia o seu padre. Actualmente, existem apenas um padre para cada duas freguesias, sendo necessário o dobro dos padres existentes para que cada freguesia tenha o seu padre. Com o dobro dos padres aumentaria a reza, diminuiria o desemprego e diminuiria, por pouco que fosse, a crise.

tem de optar. Por isso, consumir é um exercício de liberdade do consumidor. Ele escolhe, decide, reivindica direitos e assume responsabilidades.

ambientalmente sustentável, a longo prazo, o que nos remete para o conceito de consumo sustentável, o qual se apresenta como a possibilidade do consumidor escolher o que vai consumir, tendo em atenção o impacto ambiental que um produto provocou desde a extracção da matéria-prima da natureza para a sua produção, passando pela sua utilização até ao seu abate.

Os consumidores como têm alternativas de compra, têm um papel importante a desempenhar para o bem comum: consumir com responsabilidade e forma sustentável. Como fazê-lo? O primeiro passo é o da informação: sobre as características dos produtos, da sua composição, efeitos na saúde, ambiente, segurança e origem, aliada a mudança individual quotidiana nos hábitos de consumo.

O ideal é que os produtos, desde a sua concepção, tenham em consideração a variável ambiental, sendo produzidos de forma a gerar o menor impacto possível, por exemplo, que sejam facilmente desmontáveis e incorporem materiais possíveis de reciclar. Muitas empresas já descobriram que a preservação do meio ambiente é um bom negócio, por isso têm alterado os seus processos produtivos, substituindo matérias-primas e reduzindo a quantidade de resíduos gerados.

Ao aprender a escolher os produtos que consome, o consumidor está a contribuir para uma sociedade mais equilibrada, um ambiente melhor e uma boa cidadania. Compre com responsabilidade. A economia agradece e a carteira também.

Até breve.

Consumir com responsabilidade Dra. Carla Gomes – Economista Comprar é escolher. Escolher entre uma variedade de produtos que nos são oferecidos. Mas, em que pensamos quando compramos um produto? E, quantas vezes, pensamos na sua origem e materiais com que é produzido? O advento da globalização, o excesso de marketing e o acesso fácil ao crédito fez vir ao de cima uma característica do ser humano que choca com a situação económica actual: o consumo desenfreado de bens. Vivemos numa economia de mercado, onde o comércio é um dos motores que faz mover a economia. O comércio implica consumo. E, em nome do consumo, o mercado secundariza o ser humano e negligencia o ambiente, pois face a critérios de preços, produtividade, competitividade e maximização do lucro que regem os intervenientes do mercado, os critérios sociais, ambientais e humanos perdem quase sempre.

O mercado só tem, então, poder para influenciar uma parte do funcionamento da sociedade. A outra parte é influenciada, entre outros intervenientes, pelos cidadãos individuais, enquanto consumidores e elo da cadeia produtiva, pois, também, eles, com as opções diárias que fazem, afectam, não só a própria vida, mas a vida dos outros e a sustentabilidade do planeta. Na sociedade de consumo em que vivemos, os consumidores são bombardeados, diariamente, com anúncios publicitários apelativos e políticas ferozes de acesso ao crédito que os impelem a consumir. Os olhos e os sentidos estão, ainda que inconscientemente, sensibilizados para o consumo. E, neste mundo globalizado, cada vez mais produtos se oferecem ao consumidor. Mas, mesmo que pretendesse, o consumidor não pode comprar tudo o que lhe é oferecido. Ele

Numa época em que o consumo excessivo provocou desequilíbrios ecológicos e sociais, pretende-se promover um consumo responsável. Consumir com responsabilidade é a capacidade de escolher produtos e/ou serviços adequados às nossas necessidades, características intrínsecas e a uma correcta utilização do nosso dinheiro. A ideia base subjacente ao consumo responsável é ter em conta o impacto social, cultural e político na sustentabilidade das sociedades e encontrarmos uma solução: consumir com consciência da proveniência, condições de produção e qualidade, ou seja, consumir sem destruir. O consumo deverá ser, ainda,

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6 | 4 de Dezembro de 2009

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