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www.esportivotala.com.br | 19 a 21 de maio de 2014 2|

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Carta ao leitor: Por Johnny Flavio Advogado e-mail: johnnyflavio@ig.com.br

Do Bom Retiro para o mundo Peço desculpas ao leitores em interromper nessa nossa crônica semanal, o tema Copa do Mundo como tínhamos comentado anteriormente. Mas hoje é um dia muito especial. Nasci em 1970 e cresci em Ermelino Matarazzo na Zona leste de São Paulo, onde de cada três torcedores quatro torciam para o Bi-Campeão Mundial FIFA. Como ocorre nos dias atuais em relação ao povo no poder e o preconceito que isso gera na elite, senti na pele as enormes agressões que sofríamos dos adversários naqueles dias, especialmente da colônia e da elite do Morumbi. Era pequeno e lembro que em 1977 estávamos já há muito tempo sem ganhar um título, e antes dos 36 minutos do segundo tempo daquele 13 de outubro, éramos o time sem título, sem estádio, sem campeonato brasileiro, sem campeonato mundial, sem libertadores e sem dinheiro para tentar crescer mais. A torcida, contudo, nunca foi contestada pelos adversários. Não tinham coragem. Quanto mais porrada, mais adversidade, mais ofensas, ela crescia e já se tornava a mais apaixonada e fanática do Estado. Ao final do jejum daquele ano, grandes esquadrões desfilaram pelos lados do Tatuapé. Joguei nas categorias de base do Timão em meados dos anos 80 e cansei de ficar assistindo o Sócrates, o Casagrande, Zenon, Ataliba e tantos outros belos jogadores que desfilaram na Fazendinha, depois do treino. Após o começo dourado dos anos 80, ainda faltava muito: o campeonato brasileiro, a Libertadores, o Mundial e obviamente, o estádio. 1990: o gol único do talismã Tupãzinho em 16 de dezembro, fazia a nação gritar em plenos pulmões que era campeão do Brasil e deixava de ser um time regional. Na mesma década de 90 vieram mais 02 títulos e consolidava o time como um dos maiores vencedores nacionais. Mas, e o resto? 14 de janeiro de 2000. Apesar das reclamações e da inveja dos recalcados, o time pinta o mundo de preto e branco e se consagra como o primeiro clube campeão do mundo FIFA. Era um timaço: Dida; Índio, Adílson, Fábio Luciano e Kléber; Vampeta, Rincon, Ricardinho e Edílson; Marcelinho e Luisão. A primeira década no século XXI, torna o time o mais importante do Brasil e os adversários voltam a lembrar daquele time da zona leste de operários e extremamente popular, que era olhado de maneira preconceituosa pelo restante. Voltavam a falar de Libertadores, estádio.... Veio 04 de julho de 2012. Chegou a Libertadores invicta sobre um time argentino e o maior deles. As piadas começaram a ficar extremamente fracas e a pressão aumentava sobre os rivais que via o time do

povo, o time da periferia, crescer e crescer. Muitas pessoas que habitam essa grande terra, tiveram o seu final de ano de 2012 estragado, ofuscado pela conquista do Bi-Campeonato Mundial em 16 de dezembro no Japão. O Santos que vinha de uma goleada sofrida pelo Barcelona no ano anterior, era o retrato de um futebol brasileiro que estava sofrendo enxovalhos e humilhações. Estive em Yokohama naquela noite e garanto sem medo de errar, que foi a maior invasão de um povo em outro território em tempo de paz. Falar mais o que? Tinha alguma agremiação maior? Mas os recalcados e invejosos batiam na mesma tecla: cadê o estádio? Nossos argumentos eram legítimos, ou seja, que mesmo sem estádio, éramos os maiores vencedores no Pacaembu e no Morumbi até então os principais palcos da cidade. O resto, todos sabemos. Enfim, nasceu o nosso estádio que é o mais moderno do Brasil e um dos melhores do mundo, em Itaquera como sonhou um dia o eterno presidente Vicente Matheus. Essa geração de corinthianos é a mais feliz de todas. No ano de 2187, um grupo de homens reunidos num boteco espacial, dirão: como foram felizes aqueles corinthianos que viveram em 2012 (teve bi rebaixamento neste ano para ficar completo). 02 títulos mundiais (oficiais da FIFA); 01 Libertadores invicta; 05 campeonatos brasileiros no campo (sem fax ou lobby); 03 copas do Brasil; 27 campeonatos paulistas, e dezenas de torneios no exterior. Vestiram essa camisa jogadores extraordinários como: Rivellino, Sócrates, Tevez, Ronaldo, Adriano, Casagrande, Gilmar, Wladimir, Paulinho, Luizinho, Claudio, Baltazar, Zé Maria, Domingos da Guia, Marcelinho, Rincon, Guerrero, Basílio, Biro Biro, Chicão, Ricardinho, Marcio, Claudio Adão, Waguinho, Geraldão, Romeu, Luisão, Wilson Mano, Tupãzinho, Zenon, Dida, Cássio, enfim... Muitos outros que não caberiam nessas linhas. Agora caro amigos, fechem o “face” e vão viver. Não há mais para onde chegar. Ganhou tudo, tem tudo e tudo é tudo. Mas desde a sua fundação em 1910, uma coisa

jamais f o i contestada: a força de sua torcida e seu imensurável tamanho. Obrigado meu paizinho Bio, pela maior herança que o senhor me deixou depois de sua honra e caráter: torcer para aquele time da zona leste que fazia a elite e a burguesia olhar de lado, mas que para sempre, vão ficar com a boca amarga pelo silêncio.

Esportivo Tala ed42  

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