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A VOZ DO CAMPEテグ |

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EDITORIAL

Q

uando fomos disputar a primeira partida do segundo turno do Campeonato Brasileiro, o Bahia estava na zona de rebaixamento. Tínhamos feito uma campanha no primeiro turno muito aquém do que desejávamos. Entramos em campo, contra o Santos, de Neymar e Ganso, na Vila Belmiro, e terminamos o primeiro tempo perdendo, por 1 a 0. Para muitos, era o sinal de mais uma derrota – e, quem sabe, por goleada. Mas, ao final dos 90 minutos, o que vimos foi uma impressionante reação tricolor, que encerrou o jogo com uma virada, de 3 a 1. E, desde esse jogo, voltamos a ser o time que desejamos – e planejamos. A verdade é que a beleza do futebol está na sua imprevisibilidade. Podemos ter um palpite, mas ninguém nunca sabe ao certo como um jogo vai terminar. Em campo, tudo pode acontecer. Começar um campeonato com dificuldades não significa que será assim em todo o percurso. E, para um time como o Bahia, com os torcedores mais fervorosos do Brasil, o imprevisível se potencializa – e geralmente guardamos boas surpresas para o final. Nos últimos três anos, temos trabalhado para que as boas surpresas sejam cada vez mais frequentes, mas também para que possamos confiar e que os resultados positivos sejam mais esperados do que surpreendentes. E a verdade é que, depois de recuperarmos o nosso lugar na série A, voltarmos a ganhar títulos depois de dez anos, nos classificarmos para a primeira competição internacional desde 1989, sentimos que o trabalho começa a dar resultados. É suficiente? Certamente que não! Embora tenhamos consciência de todas as dificuldades de ser um time nordestino, que possui recursos muito mais escassos do que os do Sudeste, isso não é desculpa para nos acomodar. Ao contrário, esse é o desafio ao qual nos propomos: vencer, apesar de todos os obstáculos. O trabalho na divisão de base leva tempo, mas já negociamos um dos nossos garotos com a maior cifra da história do futebol baiano. Temos trazido jogadores cuja experiência fazem a diferença

dentro de campo, como Souza, artilheiro da equipe no Campeonato Baiano e que já foi o maior goleador do Brasileiro, capa desta edição. E contratamos treinadores que estão entre os melhores nomes do Brasil, a exemplo de Jorginho, que você vai conhecer melhor em uma entrevista exclusiva. Dessa forma, pouco a pouco, o trabalho em campo vai ganhando destaque e nós vamos atingindo os objetivos que traçamos. Em paralelo, a nossa diretoria tem feito um trabalho importante de fortalecimento da marca “Bahia”. Hoje, o nosso Clube é respeitado em todo o País e esse reconhecimento se reflete também na hora de fazer as contratações e manter aqui alguns dos melhores profissionais disponíveis no mercado. Você vai conhecer um pouco mais desse trabalho em uma reportagem especial que preparamos para esta edição. Material humano e uma marca forte e respeitada se unem aos investimentos em infraestrutura. Se hoje o Fazendão não deixa nada a desejar em relação aos centros de treinamento de outros clubes, o novo CT tricolor, que ficará pronto em 2013, promete ser um dos mais modernos da América Latina – e você vai conhecer mais sobre ele nas páginas que seguem. Tudo isso nos enche de orgulho e nos guia rumo a um futuro glorioso como tem sido a nossa história, da qual não podemos nos esquecer. E é por isso que também nessa edição fazemos uma homenagem ao querido Mailson, que tantas alegrias deu ao nosso Tricolor. E muito, muito mais... Esta revista que chega às suas mãos com um conteúdo exclusivo é mais uma maneira de colocar você, torcedor, mais perto desse clube que tanto amamos.

Um grande abraço, Marcelo Guimarães Filho Presidente do Esporte Clube Bahia


SUMÁRIO

revista@esporteclubebahia.com.br twitter.com/ecbahia_oficial

Esporte Clube Bahia

34 ELE É O CARA Um perfil do centroavante Souza

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CLIQUE TRICOLOR A felicidade de ser Bahia retratada

40 TOB Torcedor Oficial do Bahia

42 CIDADE TRICOLOR O novo CT do Esquadrão

Presidente Marcelo Guimarães Filho Presidente do Conselho Deliberativo Ruy Accioly Vice Presidente Jurídico Dr. Ademir Ismerim Vice Presidente Financeiro Tiago Cintra Vice Presidente de Esportes Amadores e Olímpicos Valeriano Santiago Vice Presidente Social Jackson Picanso Vice Presidente de Patrimônio Valeriano Santiago Vice Presidente de Relações Públicas José Boanerges Vice Presidente Médico Dr. Marcos Lopes Vice Presidente de Marketing Sacha Mamede Vice Presidente Administrativo Mauricio Carvalho Gestor de Futebol Paulo Angioni Diretor da Divisão de Base Newton Mota

www.facebook.com/ecbahia

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Diretor Administrativo e Financeiro Hermes Carneiro Editor Leandro Silva - DRT 3238

ENTREVISTA: JORGINHO Saiba mais sobre o comandante da reação tricolor

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56 ARQUIVO TRICOLOR O guerreiro Mailson

MARKETING Como a marca do Clube recuperou o seu valor

www.esporteclubebahia.com.br

TORCIDA KIDS & TEENS

26 OS SETORISTAS DO BAHIA Eles levam as notícias do Esquadrão para você

32 MEU JOGO INESQUECÍVEL Bahia 5x0 Santa Cruz, por Normando Reis

A VOZ DO CAMPEÃO Publisher e Diretor de Arte André Duque

63 TRICOLÍRIO Juliana Cardoso, a Musa do Bahia

Jornalistas Augusto Serravalle Marcus Carneiro Maurílio Botani Colaboraram nesta edição Alessandro Isabel Bruno Brizeno Jayme Brandão Paulo Leandro Estagiária Leila Nogueira Fotografia Ulisses Dumas Projeto gráfico e editoração André Duque Tratamento de Imagens André Duque Ulisses Dumas Ilustração Cláudio Boaventura Tiragem 20.000 exemplares A VOZ DO CAMPEÃO é uma publicação bimestral do Esporte Clube Bahia. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial. Não nos responsabilizamos pelo conteúdo dos anúncios e mensagens publicitárias incluídos nesta edição.


CLIQUE TRICOLOR


CLIQUE TRICOLOR

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ENTREVISTA | JORGINHO

ATÉ QUE ENFIM,

JORGINHO COM 15 ANOS DE ATRASO, JORGE LUÍS DA SILVA CHEGA AO BAHIA PARA AJUDAR O TIME A ENGRENAR NO CAMPEONATO BRASILEIRO POR MAURÍLIO BOTANI FOTOS ULISSES DUMAS

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a beira do campo, um treinador tranquilo, porém participativo. Na partida em que o Bahia manteve o tabu de mais de quarenta anos sem perder para o São Paulo jogando em casa, pelo Campeonato Brasileiro, Jorginho estreava no comando técnico do tricolor em “Pituaço”, exibindo as características que o acompanharam ao longo de toda a carreira no futebol. A contratação foi definida em menos de dois dias. Foi o pedido de demissão de Caio Júnior, que promoveu um encontro que demorou 15 anos para acontecer. Em 1997, um meia habilidoso e já experiente chamou a atenção dos dirigentes do Bahia. Jorginho estava no Santo André e tinha um acordo alinhavado para defender o tricolor no Brasileirão daquele ano. “Eu acertei tudo com o Bahia. Conversamos à tarde. Quando foi à noite, o (Émerson) Leão me ligou”, recorda. O chamado foi suficiente para Jorginho trocar as passagens aéreas e preparar a mudança para Belo Horizonte, onde defendeu o Atlético Mineiro, treinado pelo antigo comandante. O Galo terminou a competição entre os quatro primeiros colocados. No Bahia, um ano para se esquecer. O time não fez um bom campeonato e foi rebaixado pela primeira vez, na sua história. Um insucesso que teve a ajuda indireta de Jorginho. No dia 5 de outubro,

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Bahia e Atlético se enfrentaram na Fonte Nova. Motivados pelas vitórias seguidas contra Botafogo, Goiás e União São João, 65 mil torcedores foram empurrar o time para longe da degola. Saíram frustrados pelos dois gols do maestro do time adversário, que emudeceram o estádio. Hoje, técnico de futebol, este paulistano de 47 anos, casado com uma baiana de Vitória da Conquista, chega ao Bahia com uma missão no mínimo parecida com a que declinou quinze anos antes. “Às vezes, a gente não consegue ser dono do nosso destino. Esperamos que agora, do lado de cá, eu consiga ser feliz, como eu fui do lado do Atlético”, diz. Afastar qualquer chance de rebaixamento do Bahia e brigar por vaga na Copa Sul-americana parece não ser das tarefas mais difíceis para um treinador que, em cinco anos de carreira, já pode se orgulhar de um título nacional: em 2011 venceu a Série B, com a Portuguesa, que encantou o País e foi apelidada de Barcelusa. Nesta entrevista, concedida em um resort de Busca Vida, em Lauro de Freitas, onde está hospedado, Jorginho falou dos desafios que espera encontrar no Bahia e revela uma ótica curiosa sobre a atividade com a qual convive há mais de 30 anos. Sem papas na língua, ele relata momentos delicados de um drama familiar, e é taxativo: “Não quero chegar à Seleção Brasileira”.

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Jorginho, em 1997, ano em que o Bahia caiu pela primeira vez, você quase jogou aqui. O que desandou na negociação? Eu acertei tudo com o Bahia. Conversamos à tarde. Naquela época, não tinha celular, era telefone fixo. Quando foi à noite, umas onze e meia, o (Émerson) Leão me ligou. Eu já tava dormindo. Aí eu falei: “ah, mas eu tô acertando com o Bahia”. Ele falou: “pode desfazer. Você vai largar seu amigo? Conversa lá”. Eu liguei para o presidente, ele não queria atender de jeito nenhum. Impressionante. Ele já sabia. Já tinha dado lá, em Minas... e acho que saiu aqui também. Aí, ele não queria me atender de jeito nenhum. Tanto é que eu liguei na residência dele, quem atendeu foi a esposa, eu falei: “se ele não atender, vai ficar pior. Eu vou terminar acertando

contexto. Tem que ser uma potência também. Eu acredito que os grandes desafios são para grandes homens, e como a minha vida nunca foi fácil, desde quando eu nasci – morava em casa que o piso era de barro – então por que eu não vir aqui e tentar fazer isso? É possível, mas não vai ser fácil. Vai ser muito sofrido, mas, acontecendo, vai ser um prazer muito grande fazer isso pelo Bahia. Isso não tem nada que pague. Foi Deus que me tirou naquela época, foi Deus quem me colocou agora. Acredito muito em Deus e agradeço por hoje estar no Bahia. Você foi contratado um dia antes do jogo contra o Santos, não conhecia o elenco e mesmo assim foi para o banco. Por quê?

EU ENTENDO QUE A ÚNICA MANEIRA DE VOCÊ FICAR LONGE DA DERROTA É TENTANDO GANHAR TODA HORA. E TENTANDO GANHAR, TEM UM DESGASTE GRANDE.

com o Atlético sem ao menos conversar com ele”. Ele ficou bravo, mas paciência. Negociação é negociação. Aí, você veio com o Atlético jogar contra o Bahia na Fonte Nova e acabou com o jogo... Eu lembro que nós estávamos necessitando daquela vitória pra se distanciar dos outros e eu até comentei com o Leão: “não vai ser fácil lá, porque houve aquele negócio, vão me xingar”. Ele falou: “poxa, deixa isso pra lá, você vai lembrar disso?”. E Deus quis que nesse jogo eu fizesse dois gols: um com a perna esquerda e um com a perna direita. Foi um jogo triste pro Bahia, porque não conseguiu se reerguer novamente e sair daquele sufoco, e feliz pra mim. Naquele momento, eu tava com o Atlético e depois minha carreira voltou a deslanchar de novo, joguei em times de grande expressão até 2001, no Fluminense, então, foi um ano muito feliz. Agradeço ao Atlético por isso, por ter me dado essa chance e Deus sabe o que faz, né? Às vezes, a gente não consegue ser dono do nosso destino. Esperamos que agora, do lado de cá, eu consiga ser feliz, como eu fui do lado do Atlético. O que te fez aceitar a proposta do Bahia agora? O potencial do Bahia. Jogadores, a torcida, a direção. Isso faz com que você acredite no clube. O estado da Bahia tem um potencial enorme no Brasil e o Bahia não pode ficar fora desse 14 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

Você tem que ser audacioso e corajoso pra conquistar alguma coisa na vida. E desde que eu me conheço por gente, eu sou dessa forma. E quando você tem um time que tem uma experiência boa, como é o Bahia, bem mesclado e tentando mesclar ainda mais, você tem jogadores que sabem o que fazer. Muitas vezes é possível, outras vezes, infelizmente, não, porque o adversário às vezes tem muita condição, te impõe outro estilo de jogo e consegue ser mais forte que você. Mas quando não acontece, você tem obrigação de fazer isso. E naquele jogo contra o Santos, nós ficamos com o time praticamente dentro do campo deles e eles não tiveram força. Os meninos anularam muito bem o Neymar, o Ganso não vem atravessando um bom momento, isso também nos ajudou. E o Fahel ainda engoliu, contamos com os jogadores do banco que entraram bem, então tudo isso juntou para que o Bahia fizesse uma boa partida. Mas são times que jogam e deixam jogar. Com times que não deixam jogar, já é mais difícil. Prova já foi contra o Atlético (Mineiro) que não deixou que nós jogássemos. Então, essas são as diferenças que nós vamos ter durante a competição. Onde esse time do Bahia pode chegar? Difícil prever. Tem que ir tentando vencer cada jogo. Nós vamos ter dificuldade com lesão, com cartão, com elenco heterogêneo, uns jogadores vão estar bem treinados, outros, nem tanto. Nós temos jogadores que estavam muito tempo parados, outros que

vieram de outros países, com a forma completamente diferente de jogar. Lá na Europa se joga muito bem com dois toques na bola, aqui, pela própria característica do atleta, é mais difícil fazer isso. Quando você joga assim, é uma maravilha, é o sonho de todo treinador, mas é muito difícil reunir todo mundo com essa capacidade. O tempo da bola é diferente. Lá, a grama é bem ralinha, aqui é um pouco mais alta, a bola tem outra velocidade. As pessoas não costumam compreender, mas tudo isso atrapalha um atleta. O Bahia vai ter que ir passo a passo, conseguindo o seu espaço, conseguindo os seus pontinhos pra ir saindo desse sufoco e, se deixarem, a gente classifica pra Sul-americana, para que, no ano que vem, a gente tenha mais uma competição importante pra disputar. Até onde você quer chegar como treinador? Posso falar onde eu não gostaria hoje de chegar. Daqui a alguns anos pode ser que sim. Hoje, eu não quero chegar à Seleção Brasileira. É uma coisa que não me agrada. Mas eu tenho certeza de que vou trabalhar em todos os clubes de ponta, como o Bahia, a não ser que tenha alguma pessoa em algum clube que eu não goste. E quando tem, eu não vou. Não adianta. Por mais dinheiro que coloque na minha mão, ou por mais condição de trabalho. Pra quem perdeu um filho como eu, pra quem perdeu uma irmã, como eu perdi, sabe que o dinheiro não resolve o seu problema. Quando chega a hora, ninguém resolve. Só não quero ir para a Seleção Brasileira. Por que não? Porque hoje, não faz parte. Futebol é legal, mas tem coisas que eu não aceito. É um problema muito sério, a não ser que mude a forma da Seleção Brasileira. Se não, é muito difícil pra mim. E eu não gosto de ficar com o “rabo preso” com ninguém. Eu quero ter minha vida livre, pra fazer o que eu quero e o que eu bem entendo, sem ter que me prender a nada, nem a ninguém. Essa é minha forma de ser e eu não sei se na Seleção Brasileira poderia ser assim. Você treinou Ananias na Portuguesa ano passado e no começo deste ano pediu a contração dele. Gostaria de tê-lo aqui, no Bahia? Gostaria de ter sim e muito. Ananias é uma pessoa difícil, porque ele é muito tímido. Ele levou três meses na Portuguesa pra poder mostrar a sua grande capacidade. Ananias tem um problema muito sério. Ele não pode ser tão envergonhado nem tão tímido como ele é. Eu já conhecia o Ananias jogando contra a Ponte Preta. Ele entrou, deu um calor na gente e nós nos impressionamos com a agilidade e com a rapidez de raciocínio desse atleta. E aí, eu perguntei pra ele quantos gols ele tinha feito no Bahia. Ele falou: “de sete a 10”. Eu perguntei: “em quanto tempo de profissional?”.

Ele disse: “três anos”. Eu disse: “pô, se você tem três anos e fez só isso, é sinal de que você entra pouco na área. Ele falou: “poxa, eu sou muito pequeno”. E eu disse: “eu, deste tamanho, entrava na área, por que você não pode? Qual a diferença entre você e eu?”. E, nesse momento, eu descobri que ele é um dos grandes cabeceadores do Brasil, por incrível que pareça. Mas você não imagina quanto tempo eu levei. Ele precisou primeiro se ambientar com o elenco. Esse é um dos problemas que ele tem que resolver. Ele precisa saber chegar, se ambientar logo, pra poder mostrar o que ele sabe, porque ele é um jogador que tem muita capacidade, muito bom atleta. É um menino excepcional e eu gostaria de tê-lo no Bahia, cairia como uma luva para nós. E Gabriel? Ele também tem o mesmo problema de ser tímido. Impressionante como os jogadores bons do Bahia têm problema de timidez.

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Não é ser soberbo, não é querer ser melhor do que os outros, mas é ter personalidade para fazer com que os outros atletas respeitem não só o seu trabalho, mas também você como pessoa. Porque você pode encontrar, em um time, jogadores que jogam muito mais do que você e só o seu trabalho não vai fazer com que você tenha o respeito e sim a sua personalidade, a sua forma de ser, de falar, de se impor. Eu falei: “rapaz, você tem que jogar mais de fora pra dentro, pra você ir mais em direção ao gol”. Ele falou: “professor, eu tenho mesmo esse defeito”. Eu falei: “então, vamos

EU NÃO GOSTO DE FICAR COM O “RABO PRESO” COM NINGUÉM. EU QUERO TER MINHA VIDA LIVRE, PRA FAZER O QUE EU QUERO E O QUE EU BEM ENTENDO.

corrigir”. E, por incrível que pareça, no jogo (contra o São Paulo) ele foi na direção do gol e conseguiu fazer. Ele tem também que melhorar a condição física. Nós jogamos muito pra frente e tem um desgaste muito grande, haja vista que alguns jogadores nossos já começaram a sentir, porque eu entendo que a única maneira de você ficar longe da derrota é tentando ganhar toda hora. E você tentando ganhar, tem um desgaste grande. É muito sacrificante. Por isso que eu falo, tem hora que não vai dar. Então, esse é um problema que o Gabriel vai ter, que o Jussandro também vai ter, a gente percebe que eles não têm o corpo atlético ainda, mas o Bahia já está solucionando, pelo menos tentando. Tem um maquinário bom, já foi conversado pra melhorar em termos de musculação, eu pedi pra adquirir uma máquina que todos os clubes do Centro-Sul, hoje, já têm. Sem isso, hoje, é impossível jogar futebol. Você falou da perda de pessoas importantes da sua família. Em que isso mudou a sua maneira de ver o futebol? Eu tinha uma relação tão boa com a minha irmã quando eu a perdi, também com o meu filho. Tanto é que eu parei de jogar mais por causa dele e da minha irmã. Primeiro, minha irmã, porque ela tinha mais seis meses de vida, e falei: “poxa, vou ficar seis meses com ela porque depois eu não vou ter mais”. E depois, mais dois anos e meio, porque meu filho ficou revoltado e eu fiquei em casa. Não fazia nada, só cuidando dele. E, graças a Deus, ele foi um homem. Até hoje, todo mundo lá do Palmeiras fala dele, que ele era uma pessoa excepcional e o meu outro filho também, então, eu, graças a Deus, criei dois filhos maravilhosos. E por último, agora, 16 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

minha mãe. O que isso traz? Nós tínhamos um relacionamento de honestidade, seriedade. Meu filho teve de fazer um tratamento psicológico porque ele ficou revoltado com a perda da minha irmã e nós tivemos de tratar, e a psicóloga falou que a maior satisfação do meu filho, o maior exemplo de vida pra ele, eram os pais dele. (pausa). Que somos eu e minha esposa. O nosso relacionamento era de uma honestidade e de uma seriedade muito grandes. E de uma limpeza. E isso no futebol é muito difícil, mas não deveria ser. Eu brinco, dizendo que o vestiário deveria ser todo de vidro e todo

mundo deveria saber o que acontece ali dentro. A política deveria ser assim, todos os lugares que trabalho poderiam ser assim, porque, aí, não haveria problema, o “disse me disse”. A verdade viria sempre à tona. Eu tenho certeza que o mundo poderia ser bem melhor. É essa a força que a minha família me dá. Acima de tudo, eles sempre queriam que eu fosse feliz e a única forma que eu entendo de ser feliz é ganhando os jogos. É por isso que eu me dedico tanto pra ganhar, mas entendo que sem os atletas você não consegue nada. Os atletas é que fazem isso, eles são os merecedores de todos os elogios. Quando perde, aí eu sou o maior culpado, né? Porque sou eu quem os dirijo, então, eu assumo isso. O que a torcida pode esperar do técnico Jorginho? Dedicação total ao Bahia, honestidade, coragem, seriedade. Vai errar? Claro que vai errar, nós somos seres humanos e temos o direito de errar, mas sempre com boa intenção, sempre querendo fazer o Bahia maior do que ele ja é. Não vamos agradar todo mundo, eu tenho ciência disso, mas nós vamos lutar para que a grande maioria e a grande massa sejam felizes com o Bahia e nós esperamos que tenhamos tempo pra isso.

NOTA DA REPORTAGEM A mãe de Jorginho faleceu em janeiro deste ano. Em 2008 ele perdeu o filho Leonardo, de 16 anos, num acidente de moto, em São Paulo. O garoto jogava no Palmeiras. Antes, em 2002, a irmã de Jorginho morreu vítima de um câncer no pâncreas. A VOZ DO CAMPEÃO | 17


Petrobras marca presença no futebol baiano A Petrobras tem sido presença marcante nos jogos do Esporte Clube Bahia. Desde maio de 2010, a Companhia assinou com o time baiano um contrato de merchandising de três anos para a realização de ações promocionais no estádio Governador Roberto Santos (Pituaçu). Para o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras no Nordeste, Darcles Andrade, a realização da ação de marketing é uma iniciativa da Petrobras, compatível com sua estratégia para ser líder no segmento em que atua, fazendo da marca Petrobras a preferida de todos, potencializando seus produtos e serviços. Darcles destaca ainda a importância social da parceria, que contribui para o desenvolvimento do esporte no estado. “Com esse contrato, de forma indireta, a Petrobras também pode permitir o apri-

moramento e desenvolvimento dos atletas baianos, já que os recursos poderão ser usados na melhoria da infra-estrutura do Centro de Treinamento do Bahia que possui seu programa de categorias de base, contemplando crianças carentes, que participam das atividades”, explica ele.

PROMOÇÃO NOS POSTOS Com a parceria com o time do Bahia, além de expor sua marca no estádio em placares eletrônicos, placas de gramado, backdrops e banners, nos jogos com mando de campo do Bahia, em Pituaçu, a Petrobras também tem desenvolvido ações promocionais nos postos da Petrobras Distribuidora. A cada R$ 60,00 em compra de Gasolina Podium nos postos (ver postos participantes), o consumidor recebe um ingresso do jogo.

O sucesso da promoção já permitiu a distribuição de mais de 17 mil ingressos do Bahia na rede de postos da Petrobras só em 2012, incentivando a presença dos torcedores nos estádios. Até o final do ano, serão distribuídos mais 3300 ingressos pelo Campeonato Brasileiro. “É inegável o reconhecimento histórico do Esporte Clube Bahia em todo o território nacional. A iniciativa da promoção nos postos é uma forma da Petrobras estar próxima desta torcida tão fiel e numerosa”, afirma Darcles.

POSTOS PARTICIPANTES DA PROMOÇÃO POSTO ESCOLA STIEP

Rua Edístio Ponde, 474 - Stiep

POSTO RODOVIÁRIA

Av. ACM, 4222 - Rodoviária

POSTO NAMORADO

Av. ACM, s/n - Itaigara

POSTO 1 PARALELA

Av Luiz Viana Filho, Km 3,5

POSTO VILAÇA

Estrada do Coco, Km 05

POSTO BONOCÔ

Av Mário Leal Ferreira S/N

POSTO VIDA NOVA

Av. Lafayete Coutinho - Comércio

POSTO ECOVIDA

Divulgação / Petrobras

Estrada do Coco, Km 08

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ESPORTE CLUBE BAHIA | MARKETING

O RESGATE DE UMA MARCA

FORTE SAIBA COMO O DEPARTAMENTO DE MARKETING RECUPEROU O DEVIDO VALOR DO CLUBE DIANTE DOS PATROCINADORES, FORNECEDORES E ANUNCIANTES FOTOS ULISSES DUMAS

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Q

uando Sacha Mamede sentou pela primeira vez para negociar um anúncio em uma das placas ao redor do campo do estádio de Pituaçu, ouviu do agente de publicidade que o espaço não valia nem metade do que ele estava pedindo e apenas 30% do valor foi oferecido. O ano era 2009 e o Esporte Clube Bahia estava na segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Marcelo Guimarães Filho tinha acabado de assumir a presidência do Tricolor, que tinha muitas dívidas. Qualquer trocado que entrasse já ajudaria o clube a respirar. Sacha, um jovem executivo que vinha de uma importante empresa baiana para assumir o departamento de Marketing do Bahia, olhou para aquele senhor, conhecido por ser implacável nas negociações, respirou fundo e disse, com firmeza: não. Era o início de um processo de revalorização da marca “Bahia”, um clube com 12 milhões de torcedores loucamente apaixonados, estampando no peito duas estrelas e, naquele momento, um coração ferido. Foram sete inesquecíveis anos fora da elite do futebol, que trouxeram mais do que lágrimas e desgosto para os seus aficionados. Devastaram a imagem do time frente aos outros clubes, jogadores, patrocinadores e investidores. Mas tudo isso tinha data para acabar.

ziam parte do programa. Lançado em agosto de 2010, o TOB garantiu renda para pagar a folha salarial do clube em janeiro e fevereiro do ano seguinte, meses geralmente difíceis por virem logo após o período de recesso, quando o faturamento diminui. Portanto, foi o torcedor tricolor quem ajudou a pagar o elenco. “É o tipo de negócio de sucesso, porque todo mundo sai ganhando. O torcedor ajuda o time e também tem benefícios”, comemora Sacha. Em 2011, 9 mil pessoas se associaram ao TOB, um crescimento de 350%. A meta agora é chegar aos 15 mil Torcedores Oficiais do Bahia (conheça mais sobre o TOB na página 40).

O MISTÉRIO DA NOVA CAMISA... Enquanto os torcedores voltavam a se aproximar, os parceiros do clube pareciam cada vez mais distantes. A relação estava

desgastada, sobretudo, pela falta até então de um departamento específico para lidar com eles. Com a implantação do departamento de Marketing, o relacionamento com os parceiros foi melhorando. E isso trouxe resultados financeiros. Um exemplo foi o lançamento do terceiro uniforme do Esquadrão de Aço, “A Fúria Tricolor”, em 2010. Pouca gente sabe, mas a nova camisa marcou a renovação do casamento entre a Lotto e o Bahia. E gerou bons frutos. A estratégia foi o mistério. Os torcedores sabiam apenas que a camisa faria alusão a uma seleção. E puderam ver uma pequena parte dela: o escudo em um fundo vermelho. Deu certo! O torcedor acreditou e, só na pré-venda, comprando no escuro, foram vendidas três mil peças. Outras 12 mil seriam vendidas depois que a camisa foi lançada. É claro que o bom momento do time

colaborou. O Bahia estava prestes a voltar para a primeira divisão. Nem a melhor estratégia de marketing surte resultados consistentes se não houver um bom produto. E, enquanto o escritório trabalha, em campo os jogadores também suam a camisa.

...E O ENCANTO DOS ANTIGOS UNIFORMES No mesmo ano, outra ousada estratégia incentivou a compra de uniformes. Mas era necessário um voto de confiança. Você conhece algum patrocinador máster que aceitaria investir em um clube e não ter sua marca estampada na camisa? Pois a construtora OAS fez isso em três oportunidades diferentes no ano de 2010. Para divulgar a linha de produtos retrô o patrocinador majoritário do Bahia abriu mão de expor o nome da empresa em três

Em ação inédita no país, camisa retrô do Campeonato Baiano de 94 voltou a entrar em campo em 2011.

Torcedor Oficial do Bahia: a meta agora é chegar aos 15 mil associados.

O primeiro passo para reerguer a imagem do clube foi reunir o seu patrimônio. Enquanto a reestruturação do time de futebol ficava a cargo de Paulo Angioni, o departamento de Marketing chamou para 22 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

si o que o Tricolor tem de maior valor: o seu torcedor. Nascia o Torcedor Oficial do Bahia, o TOB, um programa de relacionamento que é mais do que o acesso ao estádio nos dias de jogo. Premia o tricolor

com promoções, notícias exclusivas e vantagens em uma rede de lojas conveniadas. E, desde o lançamento do programa, um presente extra: uma camisa oficial do clube. Em cinco meses, duas mil pessoas já fa-

Acervo Esporte Clube Bahia

A MELHOR TORCIDA DO BRASIL

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OUTRAS AÇÕES Quando Marcelo Guimarães Filho perguntou a Milton Neves quanto ele cobrava para ser o mestre de cerimônias da festa

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A NIKE Cada um desses passos foi conduzindo o Bahia pelo caminho de valorização da própria marca. O maior sinal de que o objetivo estava próximo talvez tenha sido o novo contrato de fornecimento de material esportivo, assinado no fim do ano passado. O clube foi procurado pelas maiores empresas do mundo, além da própria Lotto, que desejava renovar a parceria e, para isso, chegou a oferecer quatro vezes o valor pago no contrato anterior. Era a resposta clara de que a marca Bahia havia se fortalecido bastante nos três anos de gestão de Marcelo Guimarães Filho.

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Os esforços do Marketing em alavancar a venda de uniformes foram uma tentativa de compensar o caixa do clube pela falência da “Roxos e Doentes”, empresa que licenciava os produtos do Bahia. Todo o valor previsto nos contratos assinados por ela – e que até hoje estão em vigor -, deixaram de ser pagos ao clube. Outra medida para incrementar a renda foi a chegada de um novo parceiro, a 4 Four, e o aumento do portfolio de produtos licenciados em 30%. Hoje os ar tigos vendidos com a marca Bahia representam cerca de 10% do faturamento total. E o negócio foi se expandindo. Além de lucrar com o licenciamento, o Bahia passou a vender os próprios produtos com o lançamento da Loja 88. Quando os artigos com a marca do time são comprados nas lojas oficiais, o torcedor ajuda o Bahia a faturar em dobro. Hoje a rede já tem quatro lojas e a meta é dobrar esse número nos próximos três anos. E a 4 Four acaba de lançar um produto novo: a franquia da Loja 88.

Bahia, além de uma camisa personalizada. As homenagens repercutiram nacionalmente. Dessa forma, além dos grandes projetos para reaproximar torcedores e parceiros, o Bahia também investiu em pequenas ações que aos poucos foram reposicionando o clube nos cenários local e nacional.

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LOJAS 88

dos 80 anos do Esquadrão, o apresentador respondeu: “nada. Eu já recebi do Bahia. Eu recebi milhões de carinhos naquele dia em Pituaçu, no jogo contra o Santo André”. Ele se referia à partida do dia 20 de novembro de 2010. O jogo não tinha nada para ser memorável. O Tricolor já tinha subido para a Primeira Divisão e o Santo André já estava rebaixado. Mas Milton Neves se lembra bem daquele dia. “O Bahia ganhava por 1 a 0 e acabou perdendo por 2 a 1. Aí disseram que eu era pé frio”, conta, entre risos. Não foi pela piada que o jogo ficou na memória do apresentador. Naquele dia, Milton Neves foi homenageado pela Bamor e ouviu o estádio em peso gritando o nome dele. Era o reconhecimento a um dos principais comunicadores do País que, por sua vez, tem um carinho especial pelo Bahia e faz questão de divulgar o nome por todo Brasil. Na festa dos 80 anos, Milton Neves recebeu o título de torcedor honorário do

Festa de 80 anos do Bahia fez parte das ações para reposicionar o Clube nos cenários local e nacional. Na foto à direita, Benedito Borges de Melo, diretor do clube em 1959.

Acervo Esporte Clube Bahia

jogos oficiais. “Eles se engajaram no processo de fortalecimento da marca”, conta Sacha. As camisas que faziam alusão aos campeonatos brasileiros de 1959 e 1988 e ao campeonato baiano de 1994 - o do lendário gol de Raudinei -, tiveram as vendas alavancadas em 35%. No ano seguinte, em 2011, viria o lançamento de mais um terceiro uniforme, desta vez em homenagem à seleção da França, tricolor como o Bahia. O time já estava na elite do futebol brasileiro e conseguiu se classificar para a primeira competição internacional em 20 anos: a Copa Sul-americana. As vendas de camisas? Dispararam! Venderam 50% a mais que no ano anterior.

Milton Neves: “Eu recebi milhões de carinhos do Bahia”.

Entre as tantas outras marcas que se interessaram por se associar ao Bahia, o clube escolheu fechar parceria com a maior de todas: a Nike. Por questões contratuais, o valor negociado não pode ser divulgado. Mas, além da proposta financeira ser vantajosa, pesou na decisão todo o valor agregado que a Nike representa por ser o maior fornecedor de material esportivo do mundo. É ela que fornece os padrões das seleções do Brasil, Holanda, França e Portugal e de times como o Barcelona, Manchester United, Arsenal e Internazionale de Milão. No Brasil, apenas Santos, Corinthians, Internacional, Coritiba e Bahia têm o privilégio de ter a marca Nike estampada na camisa. Um símbolo que muito orgulha o torcedor tricolor.

É O TIPO DE NEGÓCIO DE SUCESSO, PORQUE TODO MUNDO SAI GANHANDO. O TORCEDOR AJUDA O TIME E TAMBÉM TEM BENEFÍCIOS. Sacha Mamede, sobre o TOB

Dessa forma, os investimentos no clube e nas ações de marketing refletiram naturalmente na imagem do Bahia. O interesse pelo Esquadrão passou a vir não apenas do torcedor. Marcas importantes também voltaram o olhar para o Tricolor e passaram a manifestar o desejo de se

associar ao clube. Ah, e a negociação daquela placa, lá em 2009, sabe como terminou? Dias depois, o agente de publicidade ligou para Sacha aceitando pagar o preço que o Bahia pedia. E, no ano passado, ele voltou a negociar a mesma placa por um valor três vezes maior.

A VOZ DO CAMPEÃO | 25


OS SETORISTAS DO BAHIA

SINTONIA FINA

Nome: Bru no Britto de Queiroz Data de na scimento: 16.05.1990 Naturalidad e: Salvado r, Bahia Slogan: “A Revelação do Rádio Esportivo” Rádios em que trabal hou: Rádio Transamér ica, Tudo FM , Nova Salvador FM e CBN (atu al). Jogo marca nte: Bahia 3x0 Portuguesa , em 2010 , pela Série Partida qu B. e garantiu o acesso do Bahia a prim eira divisão.

Nome: Ben edito Lope s Magalhã Data de na es scimento: 15 .07.65 Naturalidad e: Salvado r, Bahia Slogan: “O Craque da Informação Rádios em ” que trabal hou: Bandeirant es FM, Rád io Bahia, Salvador FM e Excelsior AM (atual). Jogo marca nte: Interp or to 0 x 8 Bahia, pela Copa do B rasil de 20 00.

Nome: Jaíls on Paranhos Baraúna Data de na scimento: 16 .0 8.1972 Naturalidad e: Salvado r, Bahia Slogan: “O Repór ter de Todas as Paradas” Rádios em que trabal hou: Rádio Atividade (c omunitária ), Rádio Cruzeiro A M, Cristal AM, Metró FM, Rádio pole Sociedade , Transamér e Tudo FM ica (atual). Jogo marca nte: Bahia 1 x 0 Fast, pela Série C, em 2007 .

Nome: Man oel Messias de Jesus Data de na scimento: 08.06.1956 Naturalidad e: Cícero D antas, Bah Slogan: “O ia Bem Inform ad o” Rádios em que trabal hou: Rádio Sociedade AM e Rádio Cultura Jogo marca nte: Bahia 4 x 3 São Paulo, pela série A do ca m peonato Brasileiro.

D

eixar o torcedor bem informado sobre o dia-a-dia dos clubes é uma tarefa menos fácil do que muita gente pensa. A internet diminuiu a lacuna deixada pelo conteúdo condensado das TVs e praticamente se igualou ao jornal impresso no volume de informação prestada. Considere ainda que a rapidez na Web, atualmente, é quase insuperável. Mas quando o quesito é simpatia e credibilidade, as resenhas de rádio disparam na preferência dos amantes do futebol. Só em Salvador, cinco equipes na rádio FM e três na AM cumprem bem esse papel. E aí, a figura dos repórteres setoristas, aqueles que, faça chuva ou sol, acompanham de perto as atividades do clube, tem importância fundamental. São eles que apuram (e revelam) o desenrolar de contratações, o andamento da recuperação de atletas e adiantam tudo que o que o torcedor poderá encontrar na partida do seu time. No caso do Esporte Clube Bahia, alguns profissionais cumprem rigorosamente bem a tarefa de municiar os tricolores com as informações que vão preencher as conversas de boteco e ajudá-los a “escolher” a melhor escalação titular. Em dia de jogo, eles são uns dos primeiros profissionais a chegar e dos últimos a sair do estádio, para que nada passe despercebido. São os interlocutores entre o Bahia e seus mais de oito milhões de seguidores.

POR AUGUSTO SERRAVALLE FOTOS ULISSES DUMAS

26 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

Nome: Man oel José Pe titinga do Nascimento Data de na scimento: 30.06.1960 Naturalidad e: Salvado r, Bahia Slogan: “O Repór ter A te nto” Rádios em que trabal hou: Rádio Excelsior, R ádio Clube , Band FM Sociedade , , Cristal AM , Sociedade Feira, Metró de pole, Itapa rica, Itapoan FM, Tudo FM e Transam érica (atual Jogo marca ). nte: Bahia 5 x 4 Inter, pela Copa do Brasil de 1994.

Nome: Már cio Mar tin s Barbosa Data de na scimento: 18.04.1971 Naturalidad e: Ipiaú, B ahia Slogan: “O Repór ter Tr epidante” Rádios em que trabal ho u: Educador de Ipiaú, Ed a ucadora de Ja cobina, Rádio Soc iedade da Bahia, Cul AM, Crista tura l AM, Tran sa mérica, 10 FM, Itapoan 4 FM (atual). Jogo marca nte: Bahia 1 x 1 Vitória pelo Campe , onato Baian o de 1994 (gol do atac , ante Raudi nei, aos 46 minutos do 2° tempo).

Nome: Paul o Rober to Magalhães Teive e Arg de ollo Data de na scimento: 15.06.1972 Naturalidad e: Salvado r, Bahia Slogan: “O Barra Limpa ” Rádios em que trabal ho u: Rádio S Cruz, Cultu anta ra e Baiana (Ilhéus); R Jacarandá ádio e Rádio Jo rnal (Eunáp Rádio Difu olis); sora e Rád io Clube (Itabu e as sotero na) politanas R ádio Socie AM e Metró da de pole FM (a tual). Jogo marca nte: Bahia 1 x 0 Fast, pela Série C, em 2007 . A VOZ DO CAMPEÃO | 27


Manoel Messias

Dito Lopes

Bruno Queiroz Estudante de jornalismo, Bruno Queiroz faz parte da geração multimídia da comunicação baiana. Em menos de três anos já pôs no currículo trabalhos na internet, no rádio, na televisão e até em assessoria de imprensa. Sempre na área esportiva. Começou em 2009, estagiando na Equipe Gol da Rádio Transamérica, “atendendo telefone e comprando pastel”, como ele mesmo gosta de dizer. Lá, conheceu Elton Serra, dono do portal Futebol Baiano e logo se ofereceu para trabalhar de graça no projeto. Pouco tempo depois foi contratado nos dois veículos. No site, virou setorista do Vitória e na rádio, estreou como plantonista e depois migrou para a reportagem. Como produtor, passou pela equipe de esportes da TVE e pelo programa Rodada de Fogo, da TV Aratu. Em 2011, um convite da TV Baêa o levou para o Fazendão, onde trabalhou também auxiliando a Assessoria de Comunicação do clube. De volta ao rádio, trabalhou como setorista do Bahia, na Equipe Salvador Esportes, e agora joga no time da CBN, fazendo a mesma função. 28 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

Dizem que ex-jogador consegue ver melhor os detalhes do futebol. Se isso for verdade, Dito Lopes, repórter da Rádio Excelsior AM, está bem na fita. Antes de trabalhar com Comunicação, ele jogou profissionalmente em quatro equipes de Salvador: Botafogo, Vitória, Galícia e Ypiranga. Dentro do campo, parou cedo, com 21 anos. Depois do futebol profissional, trabalhou em uma empresa de tintas, até chegar à Rádio Bandeirantes FM, em 1992, quando trabalhou ao lado de Enaldo Rodrigues, ex-dirigente do Bahia. De lá, passou pela Rádio Bahia, Salvador FM, até ser contratado pela Rádio Excelsior, onde, além da cobertura diária do Bahia, apresenta, há treze anos, o Programa “Coração Tricolor”, que vai ao ar todo domingo, das 13h30 às 15h. Ainda trabalha na TV Bandeirantes. Torcedor do Bahia declarado, Dito não perde a oportunidade de revelar um dos seus maiores orgulhos: “Dos setoristas que vão ao Fazendão, sou o mais antigo. Márcio Martins tem mais tempo na função, mas não vai mais ao CT”, brinca. Ele garante que trabalha em todos os jogos do clube, mesmo aqueles que acontecem fora de Salvador. Por isso mesmo, guarda uma partida em especial. Um confronto em Tocantins, entre Bahia e Interporto, pela Copa do Brasil, em 2000. “Foi a maior goleada do Bahia fora de casa que eu vi. Oito a zero. Evaristo era o técnico. Isso me marcou muito”.

Jaílson Baraúna Para quem começou no rádio topando qualquer missão – daí o slogan “O de todas as paradas”, Jaílson Baraúna conquistou a credibilidade do torcedor do Bahia muito rápido. E não é para menos. Além de fazer questão de declarar sua paixão pelo Bicampeão brasileiro, é um dos setoristas mais presentes na vida do clube. Base, ele teve. É sobrinho do conceituado repórter Silva Rocha, hoje, setorista do Vitória, mas que durante anos da década de 1990, cobriu o Esporte Clube Bahia. A habilidade com a comunicação, Baraúna desenvolveu ainda jovem, participando de movimentos estudantis. Em 1998, incentivado pelo radialista João Sá, começou na atividade radiofônica através da Rádio Atividade (comunitária), onde fazia plantão esportivo. Foi lá que, um ano depois, ele participou da primeira transmissão esportiva, quando o então setorista do Bahia faltou a uma partida pelo Campeonato Baiano e Bará assumiu o microfone. O jogo? Bahia 1x3 Camaçari. Foi o início de uma carreira de um dos profissionais que atualmente mais se destacam no rádio esportivo baiano. Trabalhou em outras seis rádios e hoje é líder da Equipe Tudo na Bola, da Rádio Tudo FM.

Trabalhar 35 anos em rádio não é pra qualquer um. E o primeiro e único ofício de Manoel Messias começou com sacrifício. O então garoto de Cícero Dantas precisou concorrer com outros 20 candidatos por uma vaga de repórter policial na Rádio Sociedade da Bahia. Aprovado, começou uma história que logo chegaria à beira do gramado. Antes, Messias trabalhou como plantonista esportivo, na década de 1980. Como setorista, cobriu o Vitória por 25 anos e, desde 2010, informa os ouvintes da Sociedade sobre as notícias do Tricolor de Aço. Chegou a trabalhar em outras emissoras, mas sempre voltou para a rádio que o revelou. Está na quarta passagem pela “mais potente”.

Manoel Petitinga Quando o ouvinte escuta o bordão “Disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza”, durante uma resenha ou transmissão esportiva, já sabe que Manoel Nascimento, também conhecido como Petitinga ou Piti, está na área. O verso, retirado da música “Há Tempos” da banda Legião Urbana, já denuncia que o Rock’n’Roll faz companhia ao futebol na lista das grandes paixões deste soteropolitano. Embora seja um radialista de currículo extenso, a comunicação não foi a primeira atividade profissional de Piti. Antes de estrear na Rádio Excelsior como “escuta”, pesquisando resultados de jogos

pelo Brasil, ele trabalhou como comerciante e office boy. Foi nesse período que Petitinga frequentou aulas de redator auxiliar no Colégio Severino Vieira. Não concluiu o curso mas se apaixonou pela Comunicação. Em 25 anos de carreira se tornou um verdadeiro andarilho das rádios soteropolitanas e na Transamérica contabiliza mais de uma passagem, prova do quanto é querido entre os colegas. Há cinco anos é setorista do Bahia e faz questão de dizer que está diariamente no Fazendão. “Acompanho até treino regenerativo”, gaba-se. Atualmente integra a Equipe Gol, da Rádio Transamérica FM.


Márcio Martins A história de quem ingressa numa profissão por acaso, normalmente é interessante. É o caso deste repórter por acidente. Foi graças ao carnaval de 87 que Márcio Martins estreou no rádio baiano. Ainda com 16 anos, ele trabalhava na área administrativa da Rádio Educadora de Ipiaú, cidade natal. Por fatalidade ou obra do destino, um dos jornalistas da emissora fazia uma reportagem na rua e não voltou a tempo de assumir a programação. Perguntado se queria substituí-lo, Márcio não pensou duas vezes e não só preencheu o espaço na grade daquele dia, como também permaneceu na rádio, como repórter, até 1990, quando

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se mudou para Jacobina, onde trabalhou também na Rádio Educadora da cidade. Em 1994, com a reformulação na equipe de esportes da Rádio Sociedade da Bahia, Raimundo Varela e Djalma Costa Lino convidaram Márcio Martins para integrar a equipe da emissora de maior audiência na Bahia. Antes de se tornar um dos chefes da equipe de esportes líder em audiência em Salvador, ele passou ainda pelas Rádios Cristal e Cultura na freqüência AM, até chegar às FM’s, onde atuou na Transamérica e na 104. Aliás, foi no veículo do Grupo A Tarde que Márcio inaugurou a parceria com

o radialista Zé Eduardo, com quem divide hoje a direção da equipe dos Galáticos, na Itapoan FM. Atualmente Márcio Martins é presidente da Associação Baiana dos Cronistas Desportivos (ABCD) e estudante de direito. É o profissional de rádio que há mais tempo acompanha o Bahia. São 18 anos cobrindo o clube de coração.

Paulo Roberto Assim como outros profissionais da imprensa esportiva baiana, Paulo Roberto lembra com carinho da vitória sofrida do Bahia sobre o Fast Clube, em 2007. Era o terceiro ano dele como setorista do clube e a torcida por uma reação do Tricolor no cenário do futebol nacional era grande. O Barra Limpa, como é chamado, ajudou a contar as emoções daquele jogo para os milhares de ouvintes da Sociedade espalhados pela Bahia e outras cidades do nordeste. Foi na emissora da Central Record de Comunicação que o radialista estreou em Salvador, em 2005. Antes, trabalhou como operador e repórter esportivo em rádios de Ilhéus (onde começou, por influência do pai, também radialista), Itabuna e Eunápolis. Cobriu, entre outras equipes, o River e o Eunápolis, times do sul do Estado que, há anos, não disputam mais o Campeonato Baiano. Em maio de 2012 mudou de endereço profissional. Foi contratado pela Metrópole FM para ser setorista do Bahia na equipe esportiva da emissora.

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MEU JOGO INESQUECÍVEL | NORMANDO REIS

bahia 5x0 santa cruz BAIANOS E PERNAMBUCANOS SEMPRE MANTIVERAM UMA GRANDE RIVALIDADE PELA HEGEMONIA DO FUTEBOL NORDESTINO Era exatamente 5 de abril de 1981, e o Bahia vinha de uma derrota de 4 a 0 para o Santa Cruz, na época campeão pernambucano, no estádio do Arruda. Essa derrota foi uma verdadeira frustração para a torcida tricolor, e a revanche teria que ser vencida por 5 a 0 senão o clube não se classificaria para a próxima fase da Taça de Ouro. Um feito quase impossível. O Esquadrão fez o que ninguém esperava que acontecesse: ganhou por 5 a 0 e se classificou. Só o

Tricolor seria capaz de uma façanha como essa, agarrando com unhas e dentes, a última chance de ir para a próxima fase. Foi uma vitória gloriosa, que entrou para os anais da história do futebol baiano. Ninguém em sã consciência seria capaz de imaginar o Bahia devolvendo, com juros, a derrota sofrida no Recife. Ganhou e eliminou o poderoso Santa Cruz. Antes de embarcar para Salvador, o Santa catimbou muito e disse que só viria

na hora do jogo e ainda pediu policiamento para proteger a delegação. O irreverente Dario, o Dadá Maravilha, como sempre, soltou das suas e disse que o baiano só fazia 5 quando acertava na loto, desafiando os atacantes, não acreditando na força do nosso clube. Fernando e Newton, dois dos melhores jogadores do Esquadrão foram vetados pelo depar tamento médico. O Bahia ia para o campo bem desfalcado sem a sua força máxima, mas o grupo que iria jogar tinha fé. A diretoria, jogadores e a imprensa apelaram para os torcedores encherem a Fonte Nova, mas a torcida não estava acreditando que o Bahia se classificaria. Somente 28.373 torcedores compareceram

ao estádio, todos muito tensos, inclusive eu, que estava com meu radinho de pilha, muito nervoso. Não havia calmante que desse jeito. Uma parte da torcida estava na Kombi do Reggae, bebendo uma cervejinha, e a outra parte no portão de entrada do ônibus com a delegação do Santa, e lá estava “Lourinho” – o eterno torcedor nº1 do Bahia – à espera de Dario, para fazer a sua lavagem. Ao descer do ônibus, o artilheiro foi recebido por Lourinho com um banho de farofa e dendê para anular

teve jeito: era o dia do Tricolor. Mas ainda precisava, com urgência, fazer o quinto gol. Aos 35 minutos, Gilson deu um chute poderoso em direção ao gol do Santa, mas o goleiro defendeu. E, aos 40 minutos, novamente Léo Oliveira, o homem do jogo, pegou a redonda pela direita, olhou para os lados e viu Toninho Taino que a recebeu e mandou para o canto esquerdo da trave, fazendo o quinto. Com o Tricolor classificado para a próxima fase da Taça de Ouro, a torcida invadiu

O IRREVERENTE DARIO, O DADÁ MARAVILHA, COMO SEMPRE, SOLTOU DAS SUAS E DISSE QUE O BAIANO SÓ FAZIA 5 QUANDO ACERTAVA NA LOTO, DESAFIANDO OS ATACANTES, NÃO ACREDITANDO NA FORÇA DO NOSSO CLUBE.

o jogador. O atacante não gostou, deu-lhe um safanão e, em altos brados, falou: “ele sujou a minha roupa que eu ia voltar para o Recife”. O Bahia entrou em campo com o seu uniforme nº2: camisas com listras verticais, calções azuis e meiões vermelhos, com o seguinte time: Renato, Edinho, Zé Augusto, Edson Soares e Ricardo Longhi; Washington Luiz, Léo Oliveira e Emo; Toninho Taino, Dirceu e Gilson Gênio. O Técnico era Aimoré Moreira. Com a arquibancada totalmente tensa, a partida começou e, logo aos 5 minutos, Léo Oliveira sofreu uma falta. Na cobrança, o próprio Léo encostou para Gilson Gênio que, de fora da área, mandou uma bomba no canto esquerdo do gol de Wendell, marcando o primeiro gol. A torcida foi à loucura

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e o Bahia voltou ao ataque. E o segundo gol chegou aos 13 minutos. Novamente Léo Oliveira penetrou pela direita, tocou para Toninho Taino, que lançou para Gilson Gênio, que mandou uma bomba para a meta de Wendell. Aí o time pernambucano ficou todo perturbado em campo, não sabendo mais o que fazer. O treinador do Santa fez mudanças táticas, trocou jogador mas não adiantou. Ninguém acreditou no que estava acontecendo: o Bahia jogava demais, e o terceiro gol logo sairia. Aos 43 minutos,

Léo Oliveira, de novo, em uma jogada pela direita, cruzou para a grande área. Aí apareceu Dirceu, que só teve o trabalho de cabecear para o gol. Na volta para o segundo tempo, o Santa veio mais tranquilo, depois que os jogadores ouviram a preleção do treinador, dizendo que o Santa poderia perder por quatro gols que ainda estaria classificado, mas eles não contavam com uma torcida incentivadora como a do Bahia, que levantava até defunto, diante da necessidade de o time vencer por cinco gols. Aos 19 minutos, Léo Oliveira lançou para Gilson Gênio, que chutou forte, no canto esquerdo, fazendo o quarto gol. Nesse momento, o treinador do Santa, Hilton Chaves, ficou louco de raiva e tentou de todas as maneiras parar o Bahia, mas não

o campo para a grande comemoração. O jogador Dario foi o mais procurado para ser informado que os baianos tinham acertado a quina da loto. O treinador Aymoré Moreira disse que nos seus 45 anos de vida esportiva nunca tinha visto coisa igual. Era algo inacreditável, coisa do além, esse triunfo do Bahia. Em um gesto bonito, o artilheiro Dario, do Santa Cruz, foi ao vestiário do Bahia, para parabenizar o técnico e os jogadores, dizendo que estava nocauteado e que nunca mais usaria essa expressão: “que time é esse?”. Depois também seria ídolo do Tricolor. Normando Reis, 66 anos de idade, aposentado, é pesquisador e historiador do futebol baiano e do Esporte Clube Bahia.

A VOZ DO CAMPEÃO | 33


ELE É O CARA | SOUZA

ARTILHARIA PESADA 34 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

NA SEGUNDA TEMPORADA NO BAHIA, SOUZA FAZ DOS GOLS (E ATÉ DAS ASSISTÊNCIAS) E DA SUPERAÇÃO, A RESPOSTA PERFEITA PARA A DESCONFIANÇA DA TORCIDA. O “CAVEIRÃO” JÁ É O SEGUNDO MAIOR ARTILHEIRO DO TRICOLOR NA ERA DOS PONTOS CORRIDOS E TEM SIDO DECISIVO PARA A RECUPERAÇÃO DO TIME NA SÉRIE A POR MAURÍLIO BOTANI FOTOS ULISSES DUMAS

A VOZ DO CAMPEÃO | 35


C

ara de mau. Ficha de matador. E dos bons. Predicados não de um serial killer, mas sim de um fazedor de gols profissional, que combina a malandragem do típico carioca com o perfil sisudo de centroavante marrento. Quando desembarcou em Salvador, em dezembro de 2010, para ser o homem de área do Bahia, Rodrigo de Souza Cardoso, 30 anos, já era o “Caveirão”, artilheiro de Campeonato Brasileiro e vitorioso por Flamengo, Vasco e Corinthians. E em vez de choramingos, foi a este currículo que Souza recorreu para prorrogar a paciência do torcedor enquanto a má fase inicial não passava. De gol em gol, o camisa nove encaixotou as desconfianças e ganhou até música. Se ainda não é ídolo, já pode ser considerado uma referência no time. Desde Nonato, nenhum atacante foi tão decisivo para o Bahia. São 44 arremates letais nos alvos adversários. Sem dar espaço à falsa modéstia, o jogador reconhece a própria importância no clube: “sei que quando estou bem, eu posso desequilibrar uma partida, eu tenho essa característica, essa vontade de jogar e sinto que essa é minha responsabilidade”. Até agora, o entusiasmo tem feito a diferença. Com Souza na linha de frente, as chances do pelotão tricolor vencer a batalha são bem maiores.

Matemática de centroavante Intervalo da partida entre Botafogo e Bahia, no Engenhão. A placa da arbitragem indica substituição no tricolor. Após três faltas e um cartão amarelo o atacante que estreava na competição após sete rodadas, dá lugar a Jones Carioca. Temendo uma expulsão, o próprio Souza pediu para deixar o gramado. É verdade que a iniciativa manteve o Bahia completo até o fim da partida, mas não evitou a suspensão pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, por causa de uma entrada forte no zagueiro Antônio Carlos. Quatro jogos em que a torcida tricolor sofreu sem a presença de área do Caveirão. Doze pontos disputados, apenas dois conquistados e só um gol feito. Antes de cumprir a punição, porém, gols no empate contra o Coritiba e na vitória diante do Palmeiras, primeira fora de casa, neste campeonato. Analisados de forma mais ampla, os números de Souza comprovam o quanto ele aumenta o poder de fogo do time. Até o jogo

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O BAHIA ESTAVA HÁ ONZE ANOS SEM CONQUISTAR ESSE TÍTULO E EU ME SENTI NA OBRIGAÇÃO DE DAR O MÁXIMO DENTRO DE CAMPO PARA TENTAR AJUDAR MEUS COMPANHEIROS. Souza, sobre a atuação na

contra o Sport, o camisa nove entrou em campo 13 vezes, fez sete gols. Contando com as três assistências para os gols de Gabriel contra Ponte Preta e Santos, e de Jones contra o Vasco, o atacante leva crédito em 10 dos 24 gols do Bahia no campeonato. Com ele entre os onze, a equipe conquistou 19 pontos, um aproveitamento de 48,7%, mais do que suficiente para garantir a permanência na série A com folga. E é nesse retrospecto que o jogador se apega, para cravar uma melhor sorte para o tricolor em 2012: “foi uma cobrança muito grande pra conquistar esse título (Baiano), tivemos um pouco de desgaste. Mas o Bahia tem tudo pra crescer nesse Brasileiro, fazer bastante gols e sair dessa situação”.

Raça As estatísticas ajudam Souza a cativar um lugar no coração dos torcedores. Mas o espírito guerreiro também é um argumento que ninguém despreza. Se o atacante já é o segundo maior artilheiro do Bahia na era do Brasileirão em pontos corridos, com 18 gols – só perde pra Jael, que em 2009 e 2010 marcou 22 vezes, porém na segunda divisão – o desejo de se superar para estar em campo também agrada a galera. Na decisão do Baianão deste ano, por exemplo, Souza não mediu esforços para enfrentar o arquirrival. Machucado, jogou as duas partidas. “O Bahia estava há onze anos sem conquistar esse título e eu me senti na obrigação de dar o máximo dentro de campo para tentar ajudar meus companheiros”, revela. Na comemoração, era, visivelmente, um dos jogadores mais

final do Campeonato Baiano

comovidos com o fim do jejum. Um sonho que começou quase um ano e meio antes, quando foi contratado com a missão de ser a referência ofensiva do time, no retorno à elite do futebol brasileiro. Se no primeiro semestre o faro do artilheiro não foi suficiente para a conquista do caneco estadual, o tino de goleador foi uma das principais armas do time para ficar com uma das vagas da Copa Sulamericana. Quem não se arrepia ao lembrar do primeiro gol da vitória histórica contra o São Paulo, em Pituaçu? Ou do tento que garantiu, contra o Santos, na Vila Belmiro, o ponto que faltava para a permanência na primeira divisão? Fim de campeonato elétrico, para um jogador que começou sua trajetória no Bahia prejudicado pelas lesões e atordoado pela perda do pai, naquele mesmo ano.


67 44

jogos pelo Bahia

gols marcados

(até o jogo contra o Sport no dia 12/09)

Caveirão provocador O estilo trombador é um convite às pancadas. E muitas vezes, as contusões são inevitáveis. Mas tirar o pé não é bem a dele. Ou então, a alcunha de “Caveirão” não faria sentido. O apelido nada singelo apareceu quando Souza ainda jogava no Flamengo. A sequência de choques com os adversários, que lembra o avanço truculento dos blindados da PM do Rio de Janeiro – chamados de caveirões – subindo as favelas, consagrou o jeito rompedor. “Quem me colocou esse apelido foi o Gérson – Canhotinha de Ouro e um repórter que trabalhava com ele, Gilson Ricardo. Eu fiquei muito feliz. Eu jogava no Flamengo nessa época, fazia muitos gols e como eu sou um cara muito forte, com vigor físico muito bom, o apelido pegou”, recorda. No Bahia, o nome de guerra virou hit nas arquibancadas e foi até tema de música feita por Ricardo Chaves.  O apelido, aliás, é uma das boas lembranças que o jogador tem do rubro-negro carioca. Na Gávea, Souza não conseguiu repetir o desempenho que fez dele o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2006 pelo Goiás, com 17 gols, mas não dá pra dizer que os dois anos defendendo o clube de coração passaram em brancas

0,66 gol por partida

nuvens. Foram dois títulos cariocas em cima do Botafogo, além de uma desafeto desmedido com a torcida alvinegra, graças ao sarcasmo da comemoração de um gol em que Souza ironiza as lamentações do adversário, após a perda do estadual de 2008, esfregando as mãos nos olhos. Pronto. O chororô estava formado. Nem as transferências para o Panathinaikos da Grécia, Corinthians e Bahia aplacaram a rivalidade. Até hoje o jogador é persona non grata em General Severiano.  As lágrimas, pelo jeito, vão demorar pra secar. Não na face do guerreiro. Chorar, nem de saudade do tempo em que corria atrás da bola ou soltava pipa com os amigos em Bento Ribeiro, subúrbio carioca. O bairro que revelou Ronaldo, um dos maiores jogadores de todos os tempos, também foi o berço de Rodrigo do Madureira, que depois virou Souza da Seleção sub-17, até se transformar em caveira, no aumentativo. Bom que a artilharia do campeonato brasileiro ainda é um sonho pra ele. Até 2014, quando vence o atual contrato com o Bahia, essa façanha pode vir embalada de azul, vermelho e branco. A metralhadora de Souza está sempre calibrada. Basta preparar a munição.

Caveirão Tricolor Ele chegou de mansinho, bem devagarinho Conquistou a simpatia da torcida tricolor O Caveirão saiu do Rio, direto pra Salvador Tricolor, tricolor, tricolor É o Souza matador Tricolor, tricolor, tricolor Ele é o homem gol Pula sai do chão, com a torcida do

Um filme: Os Mercenários Um ator: Antônio Fagundes Uma atriz: Débora Secco

30 vitórias, 19 empates e 18 derrotas

54,2% de aproveitamento

Tabelinha

| Ricardo Chaves

Esquadrão Pula, pula, é mais um do Caveirão Pula sai do chão, com a torcida do Esquadrão Pula, pula, é o artilheiro da nação Tricolor, tricolor, tricolor É o Souza matador Tricolor, tricolor, tricolor É o Caveirão do Fazendão

Uma novela: A Favorita Um programa de TV: qualquer um de esportes Um programa que assistia na infância: Os Trapalhões Uma cor: branca Um cantor: Zeca Pagodinho Música: Quando a Gira Girou                                                   Um tipo de música: pagode Uma banda: Grupo Revelação Ídolo no futebol: Edmundo Treinador que admira: Joel Santana Um lugar bonito: Rio de Janeiro Prato preferido: estrogonofe de carne O que mais gosta de fazer nas folgas: ir à praia e ouvir música em casa O dia mais feliz da vida: qualquer um em que eu esteja com a minha família e amigos O mais triste: o dia da morte do meu pai O gol mais bonito: contra o Santos, quando eu jogava no Goiás O melhor jogador que já enfrentou: Diego Lugano, ex-jogador do São Paulo Um sonho: voltar a ser artilheiro do Campeonato Brasileiro Se não fosse jogador, seria: não sei O que pretende fazer quando parar? Aproveitar a vida Animal de estimação: cachorro Religião: católico Mania: acordar cedo Uma qualidade: ajudar as pessoas Um defeito: achar que estou sempre certo Outro esporte que gosta: futevôlei

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TOB | TORCEDOR OFICIAL DO BAHIA

www.torcedoroficialdobahia.com.br


A nossa

Cidade EM OITENTA ANOS DE HISTÓRIA, O BAHIA ENSAIA A TERCEIRA MUDANÇA DE ENDEREÇO. EM PARCERIA COM A OAS EMPREENDIMENTOS, O TRICOLOR ESTÁ CONSTRUINDO O MAIOR CT DO NORDESTE E UM DOS MELHORES DO BRASIL POR MAURÍLIO BOTANI COLABOROU PAULO LEANDRO (jornalista esportivo e doutor em Cultura e Sociedade) FOTOS ULISSES DUMAS

Luiz Ferreira e Lucas Dias: orgulho de trabalhar na nova casa do clube do coração.


CT

Duas letras que juntas e pronunciadas em um contexto esportivo se referem a Centro de Treinamento. Para o Bahia, ao pé da letra (ou das letras), a sigla carrega um significado completamente diferente, mas que, na prática, tem exatamente a mesma função do objeto da tradução mais comum. A Cidade Tricolor é o novo centro de treinamento do clube, que fica entre os municípios de Dias D’Ávila e Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O espaço que, a partir do ano que vem, abrigará toda a estrutura funcional do clube, substituindo o Fazendão, vai ser um dos mais modernos do Brasil e, sem dúvidas, o mais bem equipado do Nordeste. “Um clube não alcança sucesso em campo se você não der mínimas condições de trabalho para os profissionais que lá estão”, justifica o presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho. A OAS Empreendimentos, patrocinadora do Bahia e executora do projeto, também celebra o surgimento de um equipamento dessa grandeza em território baiano. “Participando de parcerias de sucesso com projetos inovadores, como a Cidade Tricolor, que trará maior visibilidade à Bahia, a OAS Empreendimentos reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento do Estado”, explica Pedro Aragão, Diretor de Incorporação da empresa. Na maquete, exposta em um shopping de Salvador, entre janeiro e abril de 2011, o conforto e a auto-suficiência, mesmo em miniatura, lembram uma verdadeira metrópole do futebol. Para os torcedores, a Cidade Tricolor é muito mais que isso. Se juntos não podem ser um País, os milhares de tricolores, que se auto-intitulam uma “nação”, já podem se orgulhar de possuir uma referência física com status de cidade.

ALÉM DO HORIZONTE Quem não costuma visitar Camaçari e Dias D’Ávila pode estranhar o novo endereço do Esporte Clube Bahia. Uma das vias de acesso é a Via Parafuso. A viagem de 40 quilômetros termina no bairro de Nova Dias D’Ávila, onde ainda se vê muito verde. Foi ali que o Bahia encontrou o terreno onde está erguendo a própria 44 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

Entrada da Cidade Tricolor. Primeira etapa da obra fica pronta até o final de abril/2013.

Campo coberto para treino é uma das dependências do novo CT. Após a conclusão das duas etapas da masterplan, a estrutura terá dez campos oficiais, alojamento para profissionais e atletas da base, centro de fisiologia, vestiários, blocos de serviço e apoio, além do centro administrativo.

Acima, alojamento das divisões de base. Ao lado, à direita, campo com arquibancada.

Cidade. Um lugar de água abundante (fica próximo ao Balneário Nascente) e com espaço suficiente para a construção de todas as dependências do Centro de Treinamento. São mais de 300 mil metros quadrados, todos planos, onde mais de 200 operários trabalham desde maio deste ano para cumprir o cronograma traçado pelo Bahia e pela OAS. A previsão de inauguração da primeira fase da CT é até o final de abril/2013 e o cronograma está em dia. Já foram finalizadas as estruturas de vestiário e de alojamento profissional, do centro de fisiologia e da hotelaria para as divisões de base. Nesta etapa serão entregues quatro campos oficiais, um alojamento para 40 profissionais e outro para 96 atletas da base, um centro de recuperação e condicionamento físico, vestiários e todos os blocos de serviço e apoio, além do centro administrativo. A certeza de que tudo ficará pronto no tempo previsto tem um motivo: o Bahia espera que a nova estrutura seduza alguma das seleções que disputarão a Copa das Confederações, em junho de 2013. A Espanhola, já homenageada pelo clube com a confecção de uma camisa comemorativa, é a mais cortejada. “Essas tratativas

estão sendo feitas e vão precisar também de uma participação do Governo do Estado, mas eu espero que a gente consiga. Nós não temos nada de concreto ainda, mas eu acredito muito que o nosso CT vai atrair a atenção das seleções para utilizar esse equipamento visando a competição”, diz, confiante, Marcelo Guimarães Filho. Mesmo ainda tão nova, a Cidade Tricolor já tem boas chances de entrar no mapa das principais competições do futebol mundial. A VOZ DO CAMPEÃO | 45


PARTICIPANDO DE PARCERIAS DE SUCESSO COM PROJETOS INOVADORES, COMO A CIDADE TRICOLOR, QUE TRARÁ MAIOR VISIBILIDADE À BAHIA, A OAS EMPREENDIMENTOS REAFIRMA O SEU COMPROMISSO COM O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO. Pedro Aragão, Diretor de Incorporação da OAS Empreendimentos

Orgulho compartilhado pelos operários da obra. Gente como Lucas Dias, de 28 anos, que saiu de Serrinha para integrar a equipe de construtores da Cidade Tricolor. “Tô muito satisfeito. Saber que tanto jogador importante vai estar aqui, no lugar onde você trabalhou, derramou seu suor, vai ser uma sensação maravilhosa”. E quem, além de trabalhar, mora próximo ao empreendimento, como o pedreiro Luiz Ferreira, 49 anos, não esconde a alegria de pensar que, em alguns meses, vai se tornar vizinho do berço de futuros profissionais do clube do coração. Fã do baiano Daniel Alves, lateral do Barcelona e da Seleção Brasileira, Luiz quer, em breve, exibir à família o resultado do trabalho. “Vou desfrutar daquilo que nós construímos. Quero mostrar à minha esposa e aos meus seis filhos, aquilo que eu ajudei a construir com as minhas próprias mãos”.  

INÍCIO MODESTO Até chegar à nova casa, o Bahia teve sede em diversos lugares de Salvador e Região Metropolitana. A primeira delas, a Fazendinha, tem uma história até parecida com a da Cidade Tricolor. O terreno onde foi construída (depois transformado em sede do clube do

Baneb, no Costa Azul) tinha o bairro da Pituba como referência. O acesso era complicado, com muito mato, por causa das amplas fazendas (daí o nome Fazendinha) naquela região. Foi a chegada do Bahia que ajudou a movimentar o lugar. Quem garante é o jornalista esportivo Paulo Leandro, resgatando uma das suas pesquisas sobre o futebol da época. “A aquisição da Fazendinha é um momento de muita união dos tricolores. Uma multidão caminhou por aquele ermo, pois não havia como passar carro naquela área, em 1956. O brinde foi à base de água de coco. O objetivo da diretoria era construir ali o estádio do Bahia, inicialmente para 8 mil torcedores”. O estádio não foi possível. O projeto assinado pelo engenheiro Odilon Franco indicava um CT bem modesto: um campo de treino e alojamento dos jogadores chamado Casa do Atleta; departamento médico, cozinha, vestiários, rouparia, duas salas para refeições, banheiros e a sala para preleção dos treinadores. Tudo bem acanhado. Tanto que, muitas vezes, parte das atividades era feita fora da Fazendinha: “O treinamento físico era correndo no meio da rua, onde hoje fica a Magalhães Neto. Não tinha a sede de praia e a gente tinha de correr na areia. Era um tempo difícil”. Palavra de

Jorge Campos, atacante revelado pelo Bahia, na década de 1970. A mesma habilidade para superar as condições precárias de treino, o ex-jogador usou para ser titular de um dos melhores times que o Tricolor já teve. Como centroavante, a disputa pela vaga era com Beijoca. O jeito foi fugir da briga e jogar improvisado em outra posição. “Fantoni me ofereceu um lugar de ponta-direita, aí eu fui e me adaptei bem”, recorda. Tão bem que foi um dos primeiros jogadores daquela geração a se transferir para outro clube. Sem saber, Campos seria o símbolo de uma nova era no Bahia.

FAZENDÃO Cinco milhões, na moeda da época. Foi quanto rendeu Jorge Campos, negociado com o Atlético Mineiro. O recurso ajudou o Bahia a construir um novo CT, num lugar também desconhecido e em outro município. Em Lauro de Freitas, o então presidente Paulo Maracajá adquiriu um terreno de 120 mil metros quadrados e ergueu uma fazenda bem maior: “da venda da Fazendinha ao Baneb sobrou um milhão e duzentos. Nós vendemos Jorge Campos, metade desse dinheiro, dois milhões e meio mais um milhão e

Futebol de Jorge Campos ajudou o Bahia a adquirir o Fazendão.

Fazendinha, primeiro CT do Bahia, depois clube do Baneb.

Acervo pessoal - Paulo Leandro

O TREINAMENTO FÍSICO ERA CORRENDO NO MEIO DA RUA, ONDE HOJE FICA A MAGALHÃES NETO. NÃO TINHA A SEDE DE PRAIA E A GENTE TINHA DE CORRER NA AREIA. ERA UM TEMPO DIFÍCIL. Jorge Campos, ex-atleta do tricolor

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Almoxarife na obra da CT, Carlos Alberto é tricolor de arquibancada.

duzentos, foram utilizados para a compra do terreno do Fazendão. Com a outra metade, nós concluímos o CT”, recorda Maracajá. Foi do Centro de Treinamento Osório Villas Boas, em Itinga, inaugurado em janeiro de 1979, que surgiram nomes marcantes na história do Bahia, entre eles Ronaldo Passos, João Marcelo, Charles e Zé Carlos, a base do time campeão brasileiro de 1988. Após seguidas reformas, o Fazendão ainda é considerado um CT eficiente para os projetos do clube. Hoje, conta com quatro campos de treinamento, dos quais dois são oficiais; hotelaria para as divisões de base; sede administrativa; academia; refeitório e cozinha industrial.

BASE PREMIADA Um dos departamentos mais beneficiados com a construção da Cidade Tricolor será a divisão de base. Em busca de resultados ainda mais satisfatórios no trabalho com os garotos, a distância de Salvador é comemorada pelo vice-presidente de Patrimônio e Esportes, Valeriano Santiago. “Os meninos vão morar lá, totalmente afastados das badalações, dedicados ao clube e o Bahia tem todo interesse que isso seja rápido”, garante. “Hoje nós temos dez ou onze categorias e temos que fazer uma alternância nos campos. Logicamente, se vem uma condição favorável em termos de estrutura, virá uma condição em termos de conquista também”, revela Gilmey Aymberê, técnico do time 48 | REVISTA OFICIAL DO ESPORTE CLUBE BAHIA

sub-17, apontando outro benefício da nova estrutura. Acostumados com o roteiro intermunicipal para acompanhar a vida do clube, muitos torcedores não apontam a localização da nova sede como um obstáculo. Carlos Alberto Soares mora em São Marcos e passa quase todos os dias da semana no canteiro de obras da CT, mas não deixa a paixão de lado, mesmo longe. Assiste aos jogos do tricolor em um barzinho próximo da casa onde pernoita. “Mas quando o trabalho termina cedo, pego um ônibus e vou assistir lá, em ‘Pituaço’. Contra o Atlético, eu tava lá”, adverte o almoxarife, para quem o amor pelo Bahia vale qualquer sacrifício. A vocação desbravadora anima o presidente do clube, que faz questão de exaltar as vantagens do novo endereço. “O importante é que nós vamos ter um grande CT. Em breve, vamos tratar desse assunto com relação à cobertura de imprensa e ao acesso do torcedor”. Para Marcelinho, os benefícios levados a Dias D’Ávila e Camaçari também são dignos de destaque. “A gente cumpre também uma função social porque estamos levando progresso e vida para cidades que ficam perto de Salvador e nós esperamos que o CT consiga alcançar o seu objetivo de gerar novos craques e ajude o Bahia a conquistar títulos”. Se pensarmos que os dois campeonatos nacionais do tricolor começaram a partir de centros de treinamentos diferentes, dá pra sonhar com a terceira estrela. Uma coisa é certa: haverá, sim, uma Cidade em que a comemoração por uma nova epopeia será uníssona e unânime. A VOZ DO CAMPEÃO | 49


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TORCIDA KIDS & TEENS

Envie a foto para revista@esporteclubebahia.com.br, com nome completo da criança, idade, cidade e estado. O próprio envio da foto já se caracteriza como cessão e autorização de uso de imagem.


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ARQUIVO TRICOLOR | MAILSON

Guerreiro

em sua batalha mais difícil

O EX-LATERAL-DIREITO, QUE PASSA POR PROBLEMAS SÉRIOS DE SAÚDE, VÊ A TORCIDA TENTAR AJUDAR, RETRIBUINDO TODA A SUA ENTREGA QUANDO VESTIA A CAMISA TRICOLOR POR MARCUS CARNEIRO FOTOS ULISSES DUMAS

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Í

dolo da torcida Tricolor na década de 1990, o ex-lateral-direito Maílson conquistou títulos importantes pelo Bahia, fazendo parte dos elencos que venceram o Brasileiro de 1988 e o Baiano de 1994, do inesquecível gol de Raudinei. Ele ganhou o status de ídolo também pela vontade, garra, habilidade e, principalmente, pelo amor que demonstrava quando vestia o manto do time do coração. Hoje, aos 43 anos, enfrenta o seu maior adversário: uma doença degenerativa, que compromete os movimentos das mãos e pernas, e a fala. Casado, pai de quatro filhos e com dois netos, ele tem a família como estímulo para encarar o tratamento, enfrentando as dificuldades. Maílson enfrenta a doença conhecida como ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica –, que afeta os neurônios responsáveis pelos comandos dos músculos. Os sintomas mais comuns são a perda do controle dos movimentos, dificuldades para engolir e complicações na fala. Com o avanço da medicina, já existe tratamento eficaz para prolongar a vida do paciente. A cura, entretanto, ainda não foi descoberta. Maílson começou a perceber os sintomas quando sentiu fraqueza nas mãos. “Eu não tinha força para segurar nenhum

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objeto”, conta. Segundo Lícia Cavalcante, esposa do ex-jogador, o aparecimento dos sintomas causou uma enorme surpresa. “Na verdade, eu nem sabia que existia essa doença. Os médicos também demoraram a descobrir. Cerca de oito meses depois do surgimento dos primeiros sintomas, eles diagnosticaram, mais precisamente em maio de 2010. Quando descobrimos, a patologia já se encontrava no nível quatro, ou seja, segundo os médicos, no nível mais avançado”, diz Lícia.

MAÍLSON JÁ NÃO COME MAIS NADA SÓLIDO, FALA COM MUITA DIFICULDADE, NÃO ANDA E NEM MEXE OS BRAÇOS. O QUE SURPREENDE A TODOS É A FORMA COMO ELE ENFRENTA A DOENÇA, ACREDITANDO SEMPRE EM UM MILAGRE. DESSA FORMA, ELE SUPERA MUITAS DE SUAS DIFICULDADES” Lícia Cavalcante, esposa de Maílson

AMIGOS Segundo Lícia, Maílson sempre procurou fazer o bem e cultivar as boas amizades. Agora, ele colhe alguns frutos desse tipo de comportamento, recebendo o carinho e atenção dos amigos e admiradores da época do futebol. Diversas pessoas procuram ajudar no pagamento do tratamento, como o ex-vice-presidente e atual conselheiro da Torcida Organizada Bamor, Cristóvão Contreiras. “Através da Bamor, conseguimos ampliar a campanha, divulgando em redes sociais, rádios e nas arquibancadas. O Bahia nos deu alguns materiais, como camisas autografadas pelos jogadores, e fizemos uma rifa para arrecadar fundos”, diz.

O ex-jogador, também campeão brasileiro de 1988, Zé Carlos, conviveu com Maílson durante muito tempo. Os dois chegaram a morar juntos em uma chácara, no Jardim das Margaridas, no período em que defendiam o Tricolor. Zé Carlos, por ser mais velho, conversava sobre muitos assuntos, passando experiência de vida para o colega, criando, assim, um laço de amizade. “Ele sempre foi uma pessoa boa, e hoje passa por dificuldades. A necessidade é muito grande. Precisamos nos empenhar para arrecadar fundos e ajudar a pagar o tratamento dele. A gente precisa se preocupar com o outro. Mesmo nas pequenas coisas, a gente consegue ajudar”, diz. Ele usa o próprio exemplo de vida e fé em Deus para dar forças ao antigo companheiro de lado direito do Esquadrão. “Anos atrás, os médicos tinham dito que eu não poderia ter filho, mas aconteceu. Minha esposa conseguiu engravidar e Matheus Marques já tem 18 anos. Segundo os médicos, foi um milagre. Sempre procurei elevar meus pensamentos a Deus. É isso que falo para Maílson. Fé em Deus porque só Ele pode mudar o rumo de nossas vidas”, diz, Zé Carlos, emocionado. Em agosto deste ano, Zé Carlos realizou uma partida entre artistas e ex-jogadores de futebol, no estádio de Pituaçu, que teria parte da renda destinada para ajudar o antigo companheiro. “Infelizmente, não tivemos um bom público. Consequentemente, a renda foi pequena, mas o importante é tentar ajudar. Espero que este exemplo motive outras pessoas a ajudá-lo”, espera.

DIFICULDADES Lícia explica que, mesmo com tantas ajudas recebidas, as dificuldades aumentam de acordo com o agravamento dos sintomas da doença. Um dos grandes problemas é a dificuldade de locomoção para as clínicas onde são realizados os tratamentos. “Moramos em um apartamento no terceiro andar. Tenho que pedir para vizinhos me ajudarem com ele para descer as escadas. Estou trabalhando e preciso de uma equipe para me ajudar. Maílson já não come mais nada sólido, fala com muita dificuldade, não anda e nem mexe os braços. O que surpreende a todos é a forma como ele enfrenta a doença, acreditando sempre em um milagre. Dessa forma, ele supera muitas de suas dificuldades”, explica. A fé em Deus e o apoio da família são os suportes em que Maílson se agarra para enfrentar as dificuldades. Ele sabe que a ELA não tem cura, mas quer servir de exemplo de força, coragem e determinação, assim como foi quando era jogador. Agora, pelo amor à vida.

Conta Bancária

Maílson Souza Duarte CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Agência: 0618 / Conta poupança: 5240-1 / Operação: 013 CPF: 630.813.265-91

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ESPORTE CLUBE BAHIA | FINANCEIRO

Acervo Esporte Clube Bahia

Sócios aprovam as contas de 2011 do Clube O BALANÇO FINANCEIRO DO ESPORTE CLUBE BAHIA, REFERENTE AO ANO DE 2011, FOI APROVADO PELOS SÓCIOS DO CLUBE NA ASSEMBLEIA GERAL, REALIZADA NA SEDE DE PRAIA DA BOCA DO RIO, EM SETEMBRO.

A Assembleia foi presidida por Ruy Accioly, presidente do Conselho Deliberativo, e contou com a participação do presidente do Clube, Marcelo Guimarães Filho.

D

urante o encontro, o presidente Marcelo Guimarães Filho, então suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Despor tiva (STJD), esteve presente como conselheiro, impedido de assinar documentos. Por conta disso, a sessão foi presidida excepcionalmente por Ruy Accioly. Na ocasião, por sugestão dos conselheiros Nelson José de Carvalho, Nelson Moscoso de Carvalho e Darke Magalhães de Abreu, as contas foram aprovadas por aclamação e unanimidade, com todos de pé e com uma salva de palmas. Segundo o vice-presidente financeiro do Clube, Tiago Cintra, a aprovação incontestável e os elogios aconteceram porque

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o Esporte Clube Bahia utiliza as normas contábeis/financeiras legais, definidas por lei. “Sempre colocamos à disposição as documentações para apreciação do Conselho Deliberativo e Fiscal”. “No ano passado, o Clube aumentou cinco vezes os seus recebíveis, e, em 65%, o investimento na formação de futuros atletas profissionais. Reduzimos, consideravelmente, as causas trabalhistas, investimos na infraestrutura do Clube, reformando o campo principal do Fazendão, e ainda criamos o Departamento de Fisiologia e o Departamento de Análise e Desempenho (DADE)”, complementa Tiago Cintra. Ainda segundo o vice-presidente financeiro, a previsão para 2012 é de que

as despesas tenham um aumento de 10% com relação a 2011, por conta dos investimentos na qualificação do elenco de futebol profissional. Este ano, porém algumas medidas foram adotadas para melhorar o resultado contábil, como o controle maior dos gastos e algumas perspectivas de novas receitas e a maximização das existentes. “A receita total prevista para 2012 é de R$ 70 milhões. Acreditamos que o balanço de 2012 será superavitário com destaques para as costas de TV e venda de jogadores. Já o contrato com a Nike e a inauguração de diversas lojas oficiais melhoraram muito o retorno financeiro”, explica Tiago Cintra. A VOZ DO CAMPEÃO | 61


TRICOLÍRIO | JULIANA CARDOSO

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Revista do Bahia  

Primeira edição da revista do Bahia

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