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Sumário espiral do tempo #42 primavera 2013

tema de capa

16 Inspirado por Portugal Nesta entrevista tentámos perceber o impacto da visita à Jaeger-LeCoultre mas, também, aquilo que move este jovem e bem sucedido Chef, os seus desafios e as suas paixões. Uma conversa sobre duas artes ligadas pelo epicurismo de quem as consome, e a que os próprios artistas não são alheios. Fotografia de capa Nuno Correia nunocorreiaphotography.com

12 Editorial por Hubert de Haro 14 Ficha Técnica/Cúmplices 24 Internet Espiraldotempo.com 26 Internet Surf‘n tell 28 Breves Contas feitas 30 Breves Tenho dito! 32 Breves Sabia que... 34 Breves Ilustrar o Tempo 36 Crónica p  or Rui Cardoso Martins Bruce Chatwin, Salt(e)ador de histórias 38 Reportagem T  AG Heuer Fangio Fangio, um sinónimo de velocidade por Carlos Torres 48 Reportagem M  anufatura Chopard A fundição de Midas por Miguel Seabra 54 Entrevista João Magueijo O tempo não existe por Rui Cardoso Martins 58 Entrevista Jacqueline Karachi-Langane À altura de um passado brilhante por Carlos Torres 64 Insider por Pierre Maillard O que se esconde debaixo do capot? 68 Reportagem F  .P. Journe Chronomètre Optimum A montanha que pariu uma obra-prima por Miguel Seabra

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Sumário espiral do tempo #42 primavera 2013

74 Reportagem Feiras Genebrinas Superlatividade relojoeira por Miguel Seabra 82 Produção A nossa escolha 90 Tempo Livre p  or Miguel Seabra Para além da cortina 92 Em Foco

A. Lange & Söhne Grand Lange 1 Lumen

Breguet Classique Calendário Perpétuo

Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Grande Complication

Vacheron Constantin Overseas Chronograph Calendário Perpétuo

Porsche Design P’6540 Heritage Set

Montblanc Nicolas Rieussec Chronograph Open Home Time

Chronoswiss Régulateur 30

110 Produção Still Life Fair-play 124 Moda TAG Heuer Há Diaz assim 130 Gadgets 134 Social 138 Livros 140 Contactos 141 Assinaturas 142 Crónica p  or José Luís Peixoto A meia hora da praxe

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editorial

Encontro O jovem chefe José Avillez nunca tinha visitado uma manufatura relojoeira. Não usava relógio, sequer, antes… de a Grande Maison Jaeger-LeCoultre o desafiar para uma viagem-descoberta na qual a revista Espiral do Tempo teve o privilégio de participar. Desta visita, lembramo-nos de uma só imagem, surpreendente alegoria de um encontro entre dois mundos que, aparentemente, tudo opõe: quando o mestre-relojoeiro Christian Laurent convida o chefe a apreciar melhor todos os pormenores do Master Sphérotourbillon, José Avillez aproxima o relógio para o… cheirar! Reflexo compreensível do cozinheiro que avalia, primeiro, os seus pratos com o olfato, esse momento ficará também nas nossas memórias por corresponder ao ADN da nossa revista. Durante os últimos doze anos de edição, tentámos sempre evitar limitar as nossas análises a um grupo restrito de colecionadores. Acreditamos que a arte relojoeira pode interessar um grande público, confrontando as suas especificidades às outras artes. É por este motivo que a revista de ‘quase’ todos os relógios decidiu voltar a ter uma periodicidade trimestral, apesar do momento difícil que os média atravessam. Temos a sorte de poder contar com o apoio sólido de inúmeros anunciantes, bem como com um crescente público lusófono: leitores, assinantes oriundos de Portugal e do Brasil (onde a revista está disponível em banca), mas também de Angola e Moçambique. A verdade é que também nós estamos disponíveis para ir ao fim do mundo a bem da nossa paixão, seja para distribuir a revista no espaço lusófono, seja para fazer uma reportagem sobre o ícone do automobilismo, Juan Manuel Fangio, na sua terra natal, a Argentina. Esta responsabilidade acrescida motiva-nos ainda mais. Para nossa grande felicidade e, esperamos, para a vossa!

Saudações relojoeiras Hubert de Haro

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ficha técnica

Diretor Hubert de Haro hubert.deharo@espiraldotempo.com Editores Paulo Costa Dias costa.dias@espiraldotempo.com Cesarina Sousa cesarina.sousa@espiraldotempo.com Editor técnico Miguel Seabra cronopress@hotmail.com

alguns cúmplices

Pierre Maillard Redator chefe, desde 1994, da revista especializada Europa Star – editada há 85 anos, é a mais antiga revista do setor e a sua grande referência. Interessado em todos os aspetos industriais, económicos e culturais da relojoaria suiça e internacional é também cineasta e documentarista. Um nome incontornável no mundo relojoeiro que inicia uma colaboração regular com a Espiral do Tempo. 64 O que se esconde debaixo do capô?

Design gráfico/ilustrações Paulo Pires paulo.pires@espiraldotempo.com Magda Pedrosa magda.pedrosa@espiraldotempo.com Fotografia Nuno Correia • Paulo Pires Colaboraram nesta edição Carlos Torres • José Luís Peixoto • Pierre Maillard • Rui Cardoso Martins Contabilidade Elsa Henriques - elsa.henriques@espiraldotempo.com Coordenação de publicidade e assinaturas Patrícia Simas: patricia.simas@espiraldotempo.com

Rui Cardoso Martins Já lá vai um tempo desde que Rui Cardoso Martins assinou a sua primeira crónica para a Espiral do Tempo, passando a ser uma presença de destaque nas nossas páginas. Escritor, jornalista, argumentista, repórter internacional, foi um dos fundadores do jornal Público e da Produções Fictícias. Ao longo das várias edições tem-nos brindado com a sua arte, mostrando o mundo à luz da sua escrita e, mais recentemente, tem-nos oferecido diferentes perspetivas do tempo numa análise pessoal de grandes obras literárias. 54 O tempo não existe

Revisão Letrário - Serviços de Consultoria e Revisão de Textos Contactos Correspondência: Espiral do Tempo, Av. Almirante Reis, 39 -1169-039 Lisboa • Tel: 21 811 08 96 Propriedade Todos os artigos, desenhos e fotografias estão sobre a proteção do código de direitos de autor e não podem ser total ou parcialmente reproduzidos sem a permissão prévia por escrito da empresa editora da revista: Company One, Lda sito na Av. Almirante Reis, 39 – 1169-039 Lisboa. Sede da Redação Av. Almirante Reis, 39 - 1169-039 Lisboa A revista não assume, necessariamente, as opiniões expressas pelos colabo­radores. Distribuição: VASP Impressão: Printer Portuguesa Av. Major General Machado De Sousa, Edif. Printer Casais de Mem Martins, 2639-001 Rio de Mouro Periodicidade: Quadrimestral Tiragem: 20.000 exemplares Registo pessoa coletiva: 502964332 Registo no ICS: 123890 Depósito legal Nº 167784/01 Registo na ERC - 123890 Nota da redação: A Espiral do Tempo foi redigida ao abrigo do novo acordo ortográfico Fundador: Pedro Torres

José Luís Peixoto Depois de O Livro, aquele que é talvez o mais pop dos escritores consagrados portugueses estreou-se no passado mês de abril na literatura infantil com a obra A Mãe que Chovia. No entanto, e apesar das suas inúmeras viagens, José Luís Peixoto permanece como presença assídua nas nossas páginas com as suas crónicas à volta do Tempo. O privilégio é nosso, mas o prazer, confiamos, será seu! 142 A meia hora da praxe

Nuno Correia É um dos membros de longa data da Espiral do Tempo enquanto fotógrafo e nos últimos números tem revelado uma nova faceta em produções de moda/ still life/relógios que não deixam ninguém indiferente. Destaque nesta edição para a produção centrada em grandes complicações da Franck Muller. Assina também a capa deste número. 110 Fair-play

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ENTREVISTA DE CAPA JOSÉ AVILLEZ

Inspirado por Portugal Perguntas Paulo Costa Dias, Fotografias Nuno Correia José Avillez é muito atento à gestão do tempo, como só pode ser alguém que tem uma profissão exigente como é a de chefe de cozinha e, ainda, edita livros, faz programas de televisão, gere um negócio e tem uma familia – mas era um perfeito amador na forma como olhava os relógios de pulso. Era! Acabado de receber uma estrela Michelin no seu Belcanto, foi convidado pela Torres Distribuição, representante da Jaeger-LeCoultre em Portugal, para uma visita particular à Grand Maison suíça. Como ficámos a perceber, há muito mais em comum entre as duas artes, a gastronómica e a relojoeira, do que um olhar cru poderia supor. Nesta entrevista tentámos perceber o impacto dessa visita mas, também, aquilo que move este jovem e bem sucedido Chef, os seus desafios e as suas paixões. Uma entrevista sobre duas artes ligadas pelo epicurismo de quem as consome e a que os próprios artistas não são alheios.

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Há ali um trabalho de artista muito perto do artesão que eu comparo muito ao nosso trabalho na alta cozinha. São muitas pessoas a trabalhar numa só direção, onde todos são importantes, onde se pode levar anos de trabalho para desenvolver uma peça microscópica para integrar um relógio com outras 200 ou 300 peças. Achei absolutamente extraordinário.   

José Avillez


ENTREVISTA DE CAPA JOSÉ AVILLEZ

A convite da Jaeger-LeCoultre, visitou, pela primeira vez, uma manufatura relojoeira. Ninguém, aficionado por relógios ou não, fica indiferente a essa experiência. Conte-nos como foi. O que aprendeu? Também não fui a exceção e cumpri essa regra. Já gostava de relógios, embora não fosse obcecado por eles. Mas passei a ser, no sentido em que passei a perceber a precisão, o carinho, a paixão com que tudo se desenvolve. Há ali um trabalho de artista muito perto do artesão, que eu comparo ao nosso trabalho na alta-cozinha. São muitas pessoas a trabalhar numa só direção, onde todos são importantes, onde se pode levar anos de trabalho para desenvolver uma peça microscópica para integrar um relógio com outras 200 ou 300 peças. Achei absolutamente extraordinário. Em que medida aquilo que viu pode ajudar no seu trabalho? Acho que é extremamente inspirador. Não sei se há uma relação direta entre o que eu aprendi lá e o que eu posso utilizar, mas, essencialmente, é o método, a organização, e perceber como é que se dinamiza uma equipa de 1300 pessoas. O objetivo é fazer algo de excelência com paixão. Se alguém me disser que qualquer relógio de quartzo que custe 10 euros é mais preciso, mas que gosta mais destes porque são o que são, isso hoje faz todo o sentido para mim. Só se compreende verdadeiramente o que é um relógio destes, depois de visitar o local que os produz.

a ideia de que as casas abrem-se, têm de ter sucesso ao fim de três meses e estar pagas ao fim de seis meses, e às vezes não é assim. Na cozinha, tem de existir diariamente uma grande dose de persistência. São os pratos que demoram determinada quantidade de tempo a construir, é uma série de contrariedades que temos de enfrentar ao longo do dia… Se não formos persistentes, não conseguimos chegar a lado nenhum. Precisão. A alta-cozinha é confecionada ao segundo? Sim. Na pastelaria, há mais rigor no que respeita à pesagem: ao grama ou ao miligrama. Na cozinha, depois de se afinar uma série de preparações, existe o segundo exato na cozedura, o grau certo. E foi uma das coisas que eu melhor consegui identificar quando estive na Jaeger-LeCoultre, uma grande precisão que tem de existir para se conseguir fazer estas obras de arte.

Vou mencionar três valores caros à indústria relojoeira e vai-me dizer qual a importância que eles têm para si. A regularidade. É um desafio para a indústria relojoeira e um dos cinco pontos considerados para avaliação pelo Guia Michelin. [Risos] Sim. Independentemente disso, é um facto que é dos pontos mais importantes no nosso trabalho. Não faz sentido que alguém coma algo e que três ou quatro dias depois o mesmo prato seja diferente. A regularidade é dos pontos mais importantes, dos que mais trabalhamos e nos esforçamos diariamente por alcançar.

O seu percurso não é comum, julgo. Como é que se vem de uma família com um nome nobiliárquico, se gosta de arquitetura, se tira um curso de marketing e em menos de 10 anos se é um reconhecido Chef internacional? Se atentarmos ao meu trajeto, de facto, não é comum. Mas em relação à primeira parte da pergunta, nem sei muito bem o que quer dizer. Nunca me senti numa família nobre ou especial. É uma família nobre em valores e nobre em educação, e é nobre, em especial, por ser a minha família. Obviamente que, em determinada fase, em Portugal, seria mais difícil eu dizer que queria ser cozinheiro. Não era bem visto, como é hoje em dia. Ainda por cima, estava a acabar um curso superior, e a minha mãe não terá achado a melhor ideia do mundo o facto de eu ter querido ser cozinheiro... Mas tive a sorte de poder fazer, sempre, aquilo de que gosto. Quando estudei artes, foi porque quis estudar artes; quando fiz comunicação empresarial, era o curso que queria tirar; quando quis ser cozinheiro, foi porque queria ser cozinheiro. Aí é que reside o segredo de ter conseguido fazer tantas coisas.

Persistência: incontornável numa indústria centenária como a da alta-relojoaria. E na restauração? Também é. Eu acho que há muito em Portugal

Portugal é a sua inspiração? Sim, uma das minhas grandes inspirações, como Lisboa. E também uma série de viagens que fiz, a história do nosso país, o meu dia a dia, as

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ENTREVISTA DE CAPA JOSÉ AVILLEZ

memórias da minha infância e adolescência, o meio onde cresci e vivi. Quanto da cozinha é memória? Tudo tem algo de memória. Há pratos em que, mesmo que sejam hipercontemporâneos, a memória está sempre presente. Sejam memórias de paladar ou de outros sentidos. Umas vezes, memórias mais antigas; outras, mais recentes. Diria que 50 por cento é memória. A sua cozinha tem raízes portuguesas, é uma cozinha que trabalha com produtos e receitas portuguesas. Reinterpretar a gastronomia portuguesa não é redutor? Tenho alguma dificuldade em rotular aquilo que faço, mas diria que faço uma alta-cozinha contemporânea de inspiração portuguesa. (pausa) Mas acho que não, não é redutor. Nem sempre damos valor a isso, mas nós, os portugueses, descobrimos o mundo. A cozinha portuguesa ou de Portugal não é só a cozinha tradicional. Primeiro, podia estar uma vida inteira a investigar sobre cozinha portuguesa e não teria tempo. Aquilo que se faz ainda hoje por esse Portugal fora é um mundo. Mas eu, que tenho oportunidade de ir à Índia, ao Brasil, a Timor, a África, eu que ouço histórias, descubro sabores, técnicas e preparações diria que, ficando só com o tema Portugal e tudo o que o rodeia, seriam precisas centenas de vidas para que o tema viesse a ser, um dia, redutor.

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Portugal tem os produtos, tem a matéria humana. O que falta para darmos passos consistentes no sentido de virmos a fazer parte do circuito internacional de gas­tró­ nomos? Costuma dizer-se que não se fazem omeletas sem ovos, mas parece haver ovos… Historicamente, as evoluções da alta-cozinha e da alta-restauração só se deram num contexto de país em franco crescimento económico, porque precisamos de clientes para frequentarem os restaurantes. Ora, esse crescimento não existe há umas dezenas de anos, pelo que temos essa contrariedade permanente. Mas estamos cada vez mais no mapa de uma cozinha que se sabe ser boa, de tradição, mas que, preparada por mãos contemporâneas, é considerada alta-cozinha. Acredito que já exista em Portugal o melhor que se faz no mundo.

Que significado tem o facto de sermos, provavelmente, o único país do mundo cujo principal ingrediente do prato nacional não é um produto autóctone? Essencialmente, revela o que nós somos. Viajámos, procurámos e encontrámos uma maneira de conservar o peixe, trazê-lo para Portugal e alimentar as pessoas quando havia escassez de alimentos, e a um preço bom. Acho que revela exatamente o que nós somos, a capacidade para, em momentos de crise, arregaçarmos as mangas. Acho que não é vergonha, é um traço de identidade de que nos devemos orgulhar. Teve uma ascensão rápida. Para si estes 10 anos demoraram a passar ou passaram num ápice? Passaram muito rápido. O único período da minha vida que demorou muito tempo a passar foi da primeira à quarta classe [risos]. Aí é que parece que foi uma vida, tudo o resto passou a correr. Acho que, à medida que vamos envelhecendo, o tempo passa mais rápido e, às tantas, não sei se tenho este restaurante há seis anos, se há seis meses. Tenho-o há um ano, mas, como nos consome tanto e é tão duro, parece que o tempo demora muito a passar. Ao mesmo tempo, tem um lado tão divertido, tão bom, que tudo acaba por passar num instante. Temos sempre esta balança que nos vai equilibrando, mas acho que passou rápido, tão rápido ao ponto de eu ter apagado da memória alguns dos anos. Há pessoas que eu conheci em alturas em que estava mais cansado, pessoas com quem me cruzo e não me lembro de quem são. Alguma vez pensou viver as coisas que já viveu, ter as experiências que a vida que escolheu lhe proporcionou? Desde pequeno, sempre tive muita vontade de descobrir, de fazer coisas, de ‘ir atrás’. Lembro-me de há 12 anos ter pensado que queria ser cozinheiro e ficar com um restaurante com 20 lugares, num bairro ao lado de minha casa, em Cascais, onde queria fazer uns cogumelos recheados e um queijo de cabra gratinado. Costumo dizer que consegui 100 vezes mais do que alguma vez sonhei. Trabalhei com grandes Chefs, provei, informalmente, enquanto comia um ovo estrelado na cozinha do José Bento dos


[Nesta página] Jaeger-LeCoultre Reverso Grande Taille Referência: Q2708410 Movimento: Mecânico de corda manual JLC 822 com 134 peças no total. Funções: Horas, minutos e pequenos segundos. Caixa: Aço, estanque até 30 metros. Dimensões: 26x42,2x9,4mm Bracelete: Pele de jacaré com fecho de báscula em aço.

[Página seguinte] Jaeger-LeCoultre Duomètre à Chronographe Referência: Q6012420 Movimento: Cronógrafo mecânico de corda manual JLC 380. Funções: Relógio (ponteiros rosa): horas, minutos, segundos, reserva decorda; Cronógrafo (ponteiros azuis em aço): horas, minutos e unidade dosminutos, segundos, segundos 'foudroyante' e reserva de corda. Caixa: Ouro rosa 18k, vidro e fundo em safira, estanque até 50 metros. Dimensões: Ø 42mm Bracelete: Pele de jacaré com fecho de báscula em ouro rosa 18k.


O único período da minha vida que demorou muito tempo a passar foi da 1.ª à 4.ª classe. (risos) Aí é que parece que foi uma vida, tudo o resto passou a correr.   

José Avillez


ENTREVISTA DE CAPA JOSÉ AVILLEZ

Santos, trufa branca com um vinho de 2000 euros; já viajei muito, e provei coisas de que não estava à espera provar. Hoje em dia, o meu chip mudou um bocadinho e já não acho que esteja a passar assim muitas fasquias. Mas ‘the sky is the limit’. Continuo a ver até onde é que isto tudo vai e fico sempre contente quando provo alguma coisa de que goste muito – não por ser caro, isso é indiferente. Ainda vai descobrindo novos sabores, coisas que o surpreendem? Sim, sim; sempre. Ainda vou sendo surpreendido algumas vezes. E vou aprendendo todos os dias. Costumo dizer que, quando saio da cama e a ela regresso sem aprender nada, é porque esse dia não aconteceu ou porque estou a ficar mais estúpido. Consegue dizer, numa frase ou duas, o que aprendeu com Alain Ducasse, Ferran Adrià ou Claude Troigros? Principalmente com o Adrià, aprendi a ver mais além do que está à nossa frente, aprendi a pensar ‘fora da caixa’ e cultivei muito a paixão pela cozinha. O Belcanto é um restaurante com uma longa vida, cheia de pormenores pitorescos. Era o que procurava? Um restaurante com história? Sim, sim. Sinto-me aqui lindamente. Sinto-me agarrado a algumas memórias do passado, a este ambiente maravilhoso com tantas histórias, às coristas do S. Carlos, ao facto de ser uma espécie de clube de homens. As pessoas divertiram-se muito neste restaurante, é um restaurante vivido, para o melhor e para o pior, digo eu, mas divertiram-se muito, e nós estamos num negócio ligado ao prazer. É o espaço que inconscientemente procurei durante muito tempo e mais tarde, de forma mais consciente, procurei e encontrei. Aqui no Belcanto tem um menu do Desasossego, e na estante de livros consegue ler-se uma frase do poeta: «Para ser grande, sê inteiro». Tem alguma ligação especial a Fernando Pessoa ou aproveita a circunstância de ele ter nascido aqui ao lado? Tenho, tenho. Desde pequeno, tenho um ligação muito forte a Fernando Pessoa, por gostar muito

do seu trabalho e por me inspirar imenso. Muito antes de começar a cozinhar já era fã incondicional dos seus poemas e dos vários heterónimos. Mas também faz todo o sentido esta ligação, porque, de facto, estamos bem próximo de onde ele nasceu. Sempre que ouço tocar o sino, lembro-me do «Ó sino da minha aldeia», que é esta Lisboa. No outro dia, encontrei escrito numa parede, e até fotografei, «não evoques Pessoa em vão», e espero não estar a fazê-lo, mas é mesmo uma inspiração. Como é que arranja tempo entre a cozinha, a gestão, os livros, a tv, os novos projetos, a família… A família sofre sempre mais. Pois, eu calculei e por isso é que eu a referi no fim… [Risos] As horas de sono também. Durmo pouco, estou pouco tempo com a família, mas, sobretudo, é preciso ter uma grande equipa e uma equipa muito boa. Não há nenhum segredo, nada que não possa ser revelado ou que pudesse ser revelador. Faz-se tudo, com paixão, com muito trabalho e com muitos sacrifícios. Cumpriu a promessa de fazer a primeira sopa para os seus filhos? [Risos] Sim, e o primeiro prato mais gastronómico. E que tal a reação? Foi boa, foi boa. A primeira sopa é sempre um bocado rejeitada [risos], mas a intenção foi cumprida. Recebeu uma estrela Michelin que é, mais ou menos, como receber um Óscar. A quem agradeceria, se fosse o caso? A quem já agradeci muitas vezes. O apoio incondicional da minha equipa – são pessoas que vivem o meu sonho tendo o deles –, os sacrifícios feitos pela minha família, pelos meus filhos que, sobretudo o mais velho, já vai sentindo a minha falta, mas que também me inspiram a continuar. Agradecia às pessoas que fazem parte da minha formação, às que ainda cá estão e às que já não estão; às pessoas que fizeram sentido no meu percurso. Mas, como nunca vou ganhar um Óscar, também estou à vontade, porque não tenho de preparar o discurso [risos].

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internet espiraldotempo.com

espiraldotempo.com Numa tentativa de permanente melhoria e atualização o site da Espiral do Tempo sofreu algumas remodelações de funcionamento e visuais que, temos a certeza, irão proporcionar uma consulta mais gratificante aos nossos utilizadores.

Conteúdos em francês e inglês O cabeçalho do nosso site foi redesenhado apresentando agora algumas novidades. Já é possível consultar os conteúdos que disponibilizamos em inglês e francês.

Última edição impressa Está agora em destaque a última edição impressa com os links respetivos para os artigos que são chamada de capa.

Folhear e PDFs disponíveis É agora possível navegar pelos principais artigos da última edição e fazer download dos PDF que mais lhe interessem. Mantém-se disponível a opção 'folhear' que lhe permite consultar toda a edição impressa, comodamente, no seu computador ou tablet.

A nossa escolha Semanalmente a equipa da Espiral do Tempo elege um modelo como nossa escolha. Ao 'clicar' nesse modelo terá acesso a um detalhado artigo sobre a peça em destaque.

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Arquivo Espiral do Tempo À semelhança da última edição impressa, também é possível consultar o arquivo da Espiral do Tempo, folhear a edição que quiser e fazer download dos artigos que mais lhe interessem em formato PDF.


internet surf’n tell

Surf’n tell Com apenas alguns cliques descobrem-se novidades e espaços realmente interessantes. Uma breve recolha de curiosidades que nos chamaram a atenção pelo modo como descobrem a relojoaria.

Blog Raymond Weil A Raymond Weil é uma das mais ativas marcas relojoeiras em termos de comunicação e parcerias. O seu concurso fotográfico anual e o seu patrocínio dos Brit Awards, são dois exemplos das atividades em que a casa suíça aposta para fazer chegar a sua comunicação a um público-alvo mais jovem. O blog da Raymond Weil é a porta de entrada para este mundo. http://blog.raymond-weil.com/

50 Anos de Carrera De todos os modelos que fazem parte da coleção da TAG Heuer, o mais emblemático é certamente o Carrera. Mítica criação relojoeira usada por famosos de todas as áreas de atividade, mas é a sua íntima ligação ao desporto motorizado que faz dele um autêntico ícone da relojoaria mundial. Para celebrar os 50 anos do Carrera, a TAG Heuer criou um site onde se pode navegar pela história deste modelo e ficar a conhecer melhor alguns nomes míticos do automobilismo que o usaram no pulso. http://baselworld.tagheuer.com/en/carrera/intro

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As espécies raras da Urwerk As criações da Urwerk não são para corações fracos. O arrojo estético e as incríveis soluções técnicas, fazem destes relógios peças marcantes no panorama relojoeiro internacional. É um site sedutor, informativo e que traz até si o que de mais raro a Urwerk faz. http://www.urwerk-rarespecies.com/


breves Contas feitas

Contas feitas De que números é feito o mundo da relojoaria? Dos números de vendas, dos números de peças, dos números das datas, dos números dos protagonistas... Reunimos aqui alguns destaques dos últimos tempos.

É a venerável idade da Jaeger-LeCoultre. A Manufatura celebra este ano o seu 180º aniversário e, para tal, lançou uma extraordinária série de modelos apresentada em Genève durante o SIHH 2013.

É a cota de mercado que a China representa na alta-relojoaria, tornando-se assim o país com maior procura pelos produtos relojoeiros suíços e destronando pela primeira vez os Estados Unidos, estes com 21%.

22ª 18 edição

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É o número desta página!

marcas

30.000

13.000 visitantes

m2 de área

1.200 jornalistas


breves Tenho dito!

Tenho dito! Porque sobre relojoaria há sempre muito para contar ou comentar, dedicamos este espaço a novas perspetivas e nova ideias. Palavras de quem sabe bem o que diz.

O sucesso da Franck Muller começa com a família e por família refiro-me a todos aqueles que historicamente se juntaram a nós, que estiveram comigo desde o início e que acreditaram no meu trabalho. O verdadeiro prazer é partilhar com pessoas de nível e que sabem viver a vida.

O que é que considera, hoje, essencial numa relojoaria para que seja digna de vender peças de alta-relojoaria? Elementos humanos com conhecimentos da história relojoeira que dominem o funcionamento das mais variadas complicações relojoeiras. Marcas de alta-relojoaria com coleções abrangentes e actuais que reflitam as novidades e tendências quer a nivel técnico quer estético. Uma exposição cuidada das peças que lhes permita que, por si só, sejam um polo de atração. Uma assistência técnica de alta qualidade, tão eficiente quanto credível.

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Franck Muller, fundador da marca

O Gérald Genta invadiu o stand da Audemars Piguet na feira de Basileia aos berros, dizendo que tinham destruído completamente o seu Royal Oak. E lembro-me que, depois do lançamento, fui almoçar com o meu amigo Max Büsser – que na altura era chefe de produto na Jaeger-LeCoultre – e de ele me ter dito: ‘és completamente maluco, vocês nunca vão conseguir vender esse monstro’    Emmanuel Gueit, designer Royal Oak Offshore

Explorámos três dos elementos fundamentais que explicam a história da Jaeger-LeCoultre através de uma série de relógios a que apelidámos Jubilée; em três eixos principais: um que se chama ‘Elegância Mecânica’, através do Master Jubilée Ultra-Plate’; outro que se chama ‘Performance Técnica’ através do Grande Tradition Tourbillon Calendário Perpétuo e mais um eixo, o da ‘Invenção’ que nos remete para os primeiros passos da Maison e ao fundador Antoine LeCoultre com o Gyrotourbillon 3

Jérôme Lambert, CEO da Jaeger-LeCoultre


breves sabia que

Sabia que... … os vencedores das míticas 24 Horas de Daytona recebem um Rolex Daytona devidamente personalizado com a correspondente inscrição no fundo do relógio? Filipe Albuquerque, ao atravessar a meta em primeiro lugar na categoria GT ao volante do seu Audi R8, recebeu um – mas não pode usá-lo: é embaixador da TAG Heuer Portugal…

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Irreverente e jovial, Filipe Albuquerque começou a chamar a atenção do grande público sobretudo quando, em 2010, bateu o campeão do mundo de Fórmula 1 (Sébastien Vettel) e o heptacampeão do mundo de ralis (Sébastien Loeb) e ganhou a Corrida dos Campeões – e esse triunfo foi determinante para integrar o lote dos embaixadores da TAG Heuer Portugal. Este ano, abrilhantou o seu palmarés com a vitória das 24 Horas de Daytona. Ao volante de um Audi R8 GRAND-AM da Alex Job Racing e na companhia de Edoardo Mortara, Olivier Jarvis e Dion von Moltke, o piloto de Coimbra fazia a sua estreia tanto em Daytona como em pistas ovais e assumiu o papel mais relevante no triunfo da sua equipa: foi ele quem disputou o arranque da prova e foi também ele quem a concluiu de maneira enfática, recuperando uma volta de atraso em relação ao líder a duas horas do final da corrida. O curioso é que, precisamente na altura em que a TAG Heuer arrancou com as celebrações dos 50 anos do seu emblemático cronógrafo Carrera, o piloto de Coimbra (que tem usado o Grand Carrera Caliper Calibre 36 RS) recebeu o Rolex Daytona que é tradicionalmente entregue aos vencedores e que também comemora o seu 50.º aniversário em 2013!


breves ILUSTRAR O TEMPO

Têtes et Queue, Alexander Calder, 1968 Terraço Neue Nationalgalerie, Berlim


Zeitgeist Os edifícios de Mies van der Rohe, um dos pioneiros do modernismo das décadas de 60 / 70 e um dos símbolos do minimalismo, são marcados pelo uso do ferro e do vidro, 'materiais modernos', em formas claramente geométricas e depuradas, com interiores luminosos que vão de encontro a uma conceção de espaço livre e fluído.

Tanto o edifício como a escultura estilizada de Calder, ambos construídos para o museu Neue Nationalgalerie, em Berlim, são claramente representativos do seu tempo. O contraste estético e histórico com a igreja que se avista à distância releva a passagem e evolução dos tempos.

Neue Nationalgalerie, Berlim Edifício de Ludwig Mies van der Rohe, 1968

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crónica Rui Cardoso martins

Bruce Chatwin Salt(e)ador de histórias Começo com alguém que admiro, e de que um dia falarei nestas páginas, o falecido escritor alemão G.W. Sebald: «Tal como Chatwin continua a ser um enigma, nunca sabemos como classificar os seus livros. O que é óbvio é que as suas estruturas e intenções os colocam em nenhum género conhecido.»

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Aqui estou a falar de alguém através de uma outra pessoa, um pouco à maneira de Chatwin, e isto poderia continuar indefinidamente, com uma linha narrativa de nós fechados e saídas inesperadas. Mas lembra-nos que é insuficiente tratar Bruce Chatwin como um dos grandes escritores de literatura de viagens, rótulo que se repete desde que publicou Na Patagónia (1977). Temos de abrir os olhos para a inusitada grandeza, e a miséria, da vida e obra do inglês-nómada. Lembro-me de uma conversa comum em minha casa, onde aliás mantenho a maior parte dos seus livros: é injusto que, mais do que um bom escritor, seja quase mais lembrado, a certa altura, como um vendedor/ embaixador póstumo de bloco-notas com nome russo e forrados a couro negro. Eram esses que, como explicou, só ele conseguia encontrar numa cave de Paris e hoje são uma praga (apesar da qualidade), comprados aos milhões por émulos e admiradores que só sabem escrever notas interessantes naquilo, mais uns começos de romances andarilhos. Será talvez o lado mais perverso, para a sua própria memória, do poder de sedução de Chatwin. Era alguém que, invariavelmente, quase de forma sobrenatural, seduzia os outros a entregarem-lhe o seu material, às vezes o seu amor (mulheres e homens, apesar de casado durante mais de 20 anos, foi bissexual ativo), os seus conhecimentos de campo e académicos, as melhores histórias. E de que ele depois de apoderava, mastigava e recriava, de forma honesta ou ‘mentirosa’, sem contemplações na descrição física e psicológica de pessoas reais, nas belas narrativas de Na Patagónia, Canto Nómada (Songlines, no original), ou, outro bom exemplo, O Que Faço Eu Aqui. Como diz de forma lapidar (e lapidar é também Chatwin na sua forma simples de escrever) o seu melhor biógrafo e seu amigo Nicholas Shakespeare:


Bruce não contava meias-verdades, contava verdade e meia.

Nicholas Shakespeare

«Bruce não contava meias verdades, contava verdade e meia.» Recomendo, a propósito, além dos romances, esta biografia (ed. Quetzal, tradução de Maria Dulce Guimarães da Costa.) No entanto, a culpa não era toda dele. Chatwin admitiu em várias entrevistas que não pretendia distinguir verdade de ficção e que, portanto, estes livros não deviam considerar-se nem literatura de viagens, nem jornalismo (onde também se destacou, no início). Umas coisas aconteciam, outras não. Um belo dia, deixando o lacónico bilhete «Gone to Patagonia», foi atrás de um pedaço de ‘pele de dinossauro’, que esclareceu tratar-se de um tufo de pelo avermelhado do extinto Mylodon, a preguiça gigante, descoberto por um seu tio antepassado numa gruta da América do Sul. Pelo caminho, conta a história da colonização inglesa e desenvolve uma teoria, que ainda hoje guardo na memória, com mais ou menos rigor científico (de novo à maneira de Chatwin, se me permitem) sobre o pavor de ser devorado que o homem das cavernas tinha pelos tigres dentes-de-sabre, e a ‘prova’ de que ainda hoje o temos no nosso código genético: o medo do escuro, universal entre as crianças. Entre as várias pessoas que ficaram furiosas com Bruce, depois de o terem ajudado, está um especialista da história da Patagónia, o chileno Mateo Martinic, que censura o livro pelo sensacionalismo, por exemplo, no exagero da morte dos índios. «O problema não é Chatwin, mas sim aqueles que lêem Chatwin e pensam que ele é a Bíblia». Bom, com todo o respeito, Mateo, isso será também admitir que a Bíblia não tem qualquer ficção sensacionalista... Quanto a Songlines, outro tremendo êxito, utilizou, numa prosa imbatível de poética de factos e especulações, anos de trabalhos (feitos por outros) de conhecimentos ultrassensíveis e complexos sobre a cultura aborígene

da Austrália, para corroborarem as suas próprias teorias sobre a natureza nómada do Homem. Songline é o termo popularizado por Chatwin para ‘linha tjuringa’ ou ‘trilho de sonho’. Segundo Shakespeare (é estranho citar assim este autor, não é?...), tjuringa não é traduzível em nenhum dos sentidos. «É, ao mesmo tempo, um mapa, um longo poema narrativo e o fundamento de uma religião e da vida tradicional aborígene. Para um estranho, a verdade sagrada de um canto é inacessível, o seu mecanismo fantasticamente complexo». Bruce achou que podia, e depressa. Como disse o escritor e polemista alemão Hans Magnus Enzensberger, era um homem eternamente em movimento e que buscava, para fugir à sua ‘natureza inglesa’, inclinar-se para as aventuras do espírito. Os talentos de Chatwin eram imensos e multifacetados. Entrado como porteiro na leiloeira Sotheby’s, em Londres, rapidamente ascendeu a diretor, graças a um ‘olho’ quase sobrenatural. Era especialista em detetar, à primeira, se um objeto ou obra de arte eram genuínos e quanto poderiam valer. Em arte antiga (incluindo jarrões milenares chineses...) e em qualquer pintura moderna. Frequentava festas da alta sociedade, em vários continentes, e de repente pegava na suja mochila e desaparecia meses. Era dado a felicidades e depressões. O seu gosto por uma boa história — mesmo que falsa, importa é a força — esmerou-se quando afirmou que contraíra uma terrível doença num fungo inalado nas cavernas de morcegos de Bali. Também sugeriu, se não me engano, que afinal fora envenenado por um ovo chinês de mil anos, enterrado. Chatwin nasceu a 13 de maio de 1940 e morreu a 18 de janeiro de 1989, de sida.


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Fangio, um sinónimo de velocidade Por Miguel Seabra, em Genebra Passaram 50 anos desde que Jack Heuer lançou o mítico Carrera inspirado na lendária Carrera Panamericana. A Espiral do Tempo foi até á Argentina conhecer o fabuloso legado de Juan-Manuel Fangio e perceber porque ainda hoje, piloto e prova, se mantêm como fonte inesgotável de fascínio e inspiração.

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Ele era muito especial, tanto no carro como fora dele, na forma como tomava conta do nosso desporto. Ele tinha carisma e nunca abusava dessa qualidade.

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Jackie Stuart


A estrada de Buenos Aires para Balcarce estende-se ao longo de 400 Km num trajeto orientado a sudeste, onde uma ou outra curva ocasional fazem deslocar a paisagem verde cuja escala desmesurada nos apanha desprevenidos. 3 horas de viagem, sem sequer sair da província de Buenos Aires, atestam bem a dimensão de um pais extraordinário que tem tudo para ser feliz. Em 1950 o piso desta mesma estrada era em

tudo semelhante a uma outra, 7500 km mais a norte, que viria a ser o palco de uma das mais famosas provas automobilísticas da história. A Carrera Panamericana era provavelmente a mais perigosa das corridas do seu tempo. Organizada entre 1950 e 1954, contava com diversas etapas que se desenrolavam em dias consecutivos e fora lançada com a ideia de promover o troço Mexicano recém concluído da autoestrada Panamericana que ligava

a América do Norte à América Central. 132 viaturas inscreveram-se para a primeira corrida com predominância para os grandes carros americanos da época. Alguns dos pilotos notáveis do seu tempo a participar na primeira Carrera Panamericana incluíam os pilotos de Formula 1 italianos Piero Taruffi e Felice Bonetto num par de Alfa Romeo 6C25 coupé, e o francês Jean Trévoux num Delahaye tipo 1.75.


Ouvir falar sobre a Carrera, que Juan-Manuel Fangio tinha ganho em 1953, mas que tinha sido terminada em 1955 devido ao número de fatalidades, estimulou a minha imaginação. Percebi nessa altura que o meu novo cronógrafo era o tributo perfeito para esta lenda.

Jack Heuer Presidente Honorário TAG Heuer


reportagem tag heuer fangio

Cada ano há um vencedor do campeonato, mas não necessariamente um campeão do mundo. Penso que Fangio é o exemplo de um verdadeiro campeão do mundo.

A chegada a Balcarce faz-nos regressar deste passado glorioso das primeiras corridas de automóveis da América do Sul e é antecipada por uma ligeira mudança no relevo da paisagem, que agora se eleva em alguns pontos ao redor desta cidade com 44.000 habitantes. A quadrícula desenhada a régua e esquadro do mapa de Balcarce é típica das cidades que nasceram no século XX e que cresceram sem constrangimentos territoriais. O primeiro cruzamento da cidade denuncia o motivo da nossa visita, onde um monumento concebido pelo artista plástico Carlos Regazzoni reproduz à base de discos de arado o famoso Mercedes-Benz W196 de Juan-Manuel Fangio. Esta é inequivocamente a cidade natal do piloto lendário que escreveu uma das mais belas páginas da história da Formula 1 e que na Argentina foi elevado à condição de herói nacional. O palmarés de Fangio é tão imenso que em termos percentuais provavelmente jamais será batido. O piloto argentino correu em 51 Grandes Prémios de Formula 1 dos quais ganhou 24, estabelecendo 28 pole positions e 23 voltas mais rápidas. Ao longo de sete épocas completas

Ayrton de Sena

de Fórmula 1 arrecadou nada menos do que cinco campeonatos do mundo disputados a outros pilotos históricos como os inesquecíveis Sir Stirling Moss ou Alberto Ascari. Sobre a perícia invulgar de Fangio ao volante de um carro de corridas, Moss recorda ainda hoje que, onde à saída de uma curva Ascari tocaria apenas ao de leve numa palha, Fangio passaria por ela apenas a um milímetro de distância. Um outro testemunho da sua incrível habilidade, entre muitos, surgiu em 1950 no Mónaco onde evitou um acidente com diversos carros porque ao se aproximar da curva cega onde ocorrera reparou que os espetadores não estavam a olhar para ele, mas antes na direção oposta. Ao adivinhar algo fora do normal travou a fundo detendo-se a poucos metros do grupo de carros acidentados. Alguns dos carros históricos com que Fangio correu estas provas e ganhou estes campeonatos estão expostos num dos principais pontos de atração da cidade de Balcarce. O Museu Juan Manuel Fangio inaugurado em 1986 mostra-nos as corridas de automóveis não só como uma disciplina desportiva

mas também como uma genuína paixão do povo argentino. De uma forma lúdica, mas muito bem documentada, a vida do filho mais famoso de Balcarce é-nos contada numa sequência cronológica desde a sua infância humilde, passando pela sua primeira oficina de reparação automóvel que abriu com o seu amigo José Duffard, o seu inicio como piloto em 1936, e os campeonatos do mundo que ganhou em 1951, 54, 55, 56 e 57 até ao momento em que se retirou das corridas. É entre os 50 carros expostos ao longo dos 4600 m2 de área de exposição que vamos encontrar o Lancia D24 com que Juan Manuel Fangio ganhou a Carrera Panamericana em 1953. Uma visão que nos tráz de novo à memória as imagens fascinantes desta corrida e que uma década depois viriam a inspirar Jack Heuer na criação de uma coleção lendária de relógios. A Carrera Panemericana viria a terminar com a última corrida em 1954, e há quem argumente que terá sido o elevado grau de perigosidade da prova que terá ditado o seu fim. Mas esses tempos e essas corridas eram vividas pelos pilotos de uma forma que não só desafiava o perigo

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No desporto automóvel nunca voltou a haver um embaixador com a sua estatura. Ele era muito especial, um verdadeiro 'gentleman'.

iminente como quase lhe dava as boas vindas. Com as velocidades praticadas durante a corrida, a estrada convertia-se num inimigo mortal onde após 30, 40 ou 50 km de reta, do nada surgia uma curva totalmente desconcertante para o piloto. Este fator, aliado aos 3060 Km de extensão e cinco dias desde Tuxtla Gutierrez na Guatemala até à cidade de Juarez ao pé do Rio Bravo, mesmo junto à fronteira com os Estados Unidos, ainda faziam sonhar Jack Heuer quase uma década depois, em 1963: «Foi Pedro Rodriguez quem primeiro me contou sobre a Carrera durante as 12 Horas de Sebring, onde éramos o Cronometrador Oficial. Ele e o seu irmão Ricardo eram dois dos pilotos de endurance mais espertos, corajosos e rápidos de todos os tempos. Ouvi-los falar sobre a Carrera, que o nosso amigo de longa data JuanManuel Fangio tinha ganho em 1953, mas que tinha sido terminada em 1955 devido ao número de fatalidades, estimulou a minha imaginação. Só a forma como o nome da corrida se fazia ouvir – elegante, fácil de pronunciar em todas as línguas e carregado de emoção. Percebi nessa altura que o meu novo cronógrafo era o tributo perfeito para esta lenda.»

Sir Stiling Moss

A nossa viagem até Balcarce na Argentina não era assim obra de um qualquer acaso. A comemoração dos 50 anos do surgimento da linha Carrera da TAG Heuer, que se comemoram este ano, apenas faziam sentido na cidade natal daquele que provavelmente terá sido o maior piloto de todos os tempos. Ao longo de todos os locais que visitámos, desde a estância 'El Casco de Fangio' onde pernoitámos e onde Fangio passou muitos dos seus dias, passando pelo Fangio Sport Café onde jantámos na companhia de alguns membros da Fundação Fangio, até ao Museu que é o único no mundo dedicado apenas a um só piloto, lentamente fomo-nos deixando influenciar pela sua história, carreira e personalidade. Mas mesmo a experiência marcante de conduzir alguns carros históricos do piloto ao longo do traçado do autódromo desenhado pelo próprio Juan-Manuel Fangio, não se sobrepôs à admiração e quase reverência com que todos sem exceção descreveram o piloto já desaparecido. Fossem membros da Fundação ou apenas quem tivesse tido o privilégio de privar com Fangio em vida, invariavelmente a descrição da sua pessoa raiava a divindade com um ênfase

muito claro numa personalidade que hoje já não se encontra entre os atuais pilotos de Formula 1. O mesmo se passou aliás com alguns pilotos com quem Fangio privou e que deixaram o seu testemunho para a história. Segundo o lendário Sir Stiling Moss, Fangio «era um homem muito humilde, que nunca culpava ninguém por coisa nenhuma. Ele era genuinamente honesto e nunca o vi fazer qualquer manobra desonesta. No desporto automóvel nunca voltou a haver um embaixador com a sua estatura. Ele era muito especial, um verdadeiro gentleman». Segundo Jackie Stuart, campeão do mundo em 1969, 71 e 73, era sempre difícil separar Fangio, o piloto, de Fangio o ser humano: «Como homem ele era sem dúvida o maior dos pilotos de corridas. Sempre o vi como o melhor dos embaixadores do desporto automóvel aonde quer que fosse. Ele era muito especial, tanto no carro como fora dele, na forma como tomava conta do nosso desporto. Ele tinha carisma e nunca abusava dessa qualidade». O grande Graham Hill, campeão do mundo em 1962 e 68 descreve-o como «um dos melhores pilotos de todos os tempos,

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Os pontos que ele recolheu na sua carreira de 51 Grandes Prémios ao longo de sete épocas no Campeonato do Mundo, eu demorei 116 corridas e onze anos a igualar até ser o primeiro piloto a bater essa marca.

Graham Hill

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provavelmente o maior. Ele foi a pessoa mais incrível que já conheci. Era o 'Maestro' e o público adorava-o. Sempre que entrava numa sala, todos sentiam a sua presença, mesmo antes de o ver. Os pontos que ele recolheu na sua carreira de 51 Grandes Prémios ao longo de sete épocas no Campeonato do Mundo, eu demorei 116 corridas e onze anos a igualar até ser o primeiro piloto a bater essa marca». Mas nenhuma descrição alcança o significado da proferida pelo seu grande admirador, Ayrton de Senna: «Cada ano há um vencedor do campeonato, mas não necessariamente um campeão do mundo. Penso que Fangio é o exemplo de um verdadeiro campeão do mundo». O trajeto inverte-se, e a longa linha negra traçada pela estrada orienta-se agora de regresso em direção a Buenos Aires deixando Balcarce transformar-se num pequeno ponto prestes a

desparecer no espelho retrovisor. Para trás ficam as experiências, os locais e as pessoas cujas memórias nos hão de acompanhar durante muito tempo. Apesar de nos ter deixado há 18 anos, afinal ainda é possível conhecer Juan-Manuel Fangio através da influência que a sua personalidade singular incutiu nos testemunhos que deixou tanto ao nível das pessoas com quem lidou como da obra cujo maior expoente se traduz no Museu Juan-Manuel Fangio. À medida que o carro acelera recordo-me de uma passagem escrita no obituário de Fangio escrita pelo jornalista David Tremayne: «Apenas os grandes desportistas são tão apreciados enquanto estão a competir como quando já se aposentaram. No caso de Juan-Manuel Fagio o seu carisma envolveu-o num estatuto a que apenas os deuses podem ambicionar. O seu nome acabou por se tornar um sinónimo de velocidade».


1 - TAG Heuer Carrera Chronograph Calibre 1887 Ref: CAR2A10.BA0799 Preço: € 4.660 2 - TAG Heuer Carrera Calibre 1887 Jack Heuer Edition Ref: CAR2C11.FC6327 Preço sob consulta 3 - TAG Heuer Carrera Chronograph Calibre 1887 Ref: CAR2014.FC6235 Preço: € 5.800 4 - TAG Heuer Grand Carrera Caliper Calibre 36 RS Chronograph Ref: CAV5186.FC6304 Preço: € 9.350


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A fundição de Midas Por Miguel Seabra, fotos Nuno Correia Reconhecida pela sua elevada competência, tanto no plano relojoeiro como na vertente joalheira, a Chopard apresenta um notável índice de integração industrial – dominando praticamente todas as etapas de fabrico dos seus relógios e das suas joias. E tem literalmente o toque de Midas: na sua manufatura de Meyrin é capaz de fundir o metal precioso para as suas criações mais exclusivas.


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Para além da sua raridade e valor intrínseco, são múltiplas as razões da preferência pelo ouro desde os primórdios civilizacionais: a resistência à corrosão e às manchas, o tom, o brilho, a durabilidade e a maleabilidade fazem com que seja a escolha mais óbvia para acessórios de luxo.

A Chopard é uma companhia muito especial no universo do luxo. Não só se trata de uma empresa familiar que apresenta um elevado estatuto nas áreas da relojoaria e da joalharia de prestígio, como também junta as nacionalidades suíça e germânica num império que assenta em três baluartes geograficamente distintos: a sede atual, localizada em Meyrin, nos arredores de Genebra; Fleurier, nas montanhas do Jura, onde ficam situadas as manufaturas de calibres L.U.C de alta-relojoaria e Fleurier Ebauches de mecanismos para o seu segmento médio; e em Pforzheim, na Alemanha, de onde a família Scheufele é originária e onde ficam sobretudo situados os ateliers joalheiros. Para além de cerca de quatro dezenas de boutiques em todo o mundo. O centro nevrálgico da Chopard está localizado em Meyrin, numa zona que recentemente se transformou numa espécie de Sillicon Valley da alta-relojoaria. A Chopard foi das primeiras empresas a instalar-se no local, e as suas infraestruturas, para além de acolherem a sede diretiva e múltiplos ateliers dedicados às suas várias áreas de intervenção (incluindo a produção de 50.000 relógios e a montagem dos exemplares de alta-relojoaria que recebem o Punção de Genebra), incluem, também, uma fundição onde o ouro puro é primeiro transformado nas ligas mais adequadas e depois concretizado em caixas, braceletes e outro tipo de componentes relojoeiras ou joalheiras na sequência de um processo moroso e que requer uma complexa sucessão de etapas.

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O fascínio do metal precioso Fundada em 1860 por Louis-Ulysse Chopard, a Chopard nasceu como firma relojoeira e transitou diretamente da família do fundador para a família Scheufele de joalheiros alemães na década de 1960 – raízes que podem explicar de algum modo uma perfeita simbiose entre as duas áreas, para além de uma forte direção bicéfala personificada nos irmãos Karl-Friedrich Scheufele, mais dedicado à relojoaria, e Caroline Scheufele, mais inclinada para a joalharia. Atendendo ao volume de negócio e à verticalização da empresa, tornou-se necessário dominar as várias etapas da produção das peças em ouro. Tem havido um grande investimento nos chamados materiais high-tech, sobretudo ao longo da última década, e até há alternativas mais onerosas por grama, mas o ouro sempre foi o metal precioso por excelência, desde a sua descoberta por volta de 6.000 a.C., e nos conturbados dias de hoje constitui ainda mais um valor seguro. Na relojoaria e na joalharia, o ouro representa uma garantia eterna de investimento e é exaltado com toda a carga simbólica que lhe é inerente, sendo as suas várias tonalidades (sobretudo o amarelo, o rosa, o branco) exploradas de modo a serem conjugadas na perfeição com pedras preciosas e com mostradores claros ou escuros, clássicos ou desportivos, sóbrios ou ousados, simples ou complicados, sem esquecer a conjugação com outros materiais que até podem ser de vanguarda, como a cerâmica técnica e o cauchu. Para além da sua raridade e do valor intrínseco, são múltiplas as razões que justificam a preferência pelo ouro desde os primórdios civilizacionais: a resistência à corrosão e às manchas, o tom, o brilho, a durabilidade e a maleabilidade fazem com que seja a escolha mais óbvia para acessórios de luxo. Nos relógios, o ouro é principalmente utilizado na caixa e, por concordância, na fivela da correspondente correia de pele ou nas braceletes maciças – elementos externos que estão sempre mais vulneráveis. Mas o ouro também pode ser encontrado como componente principal nos próprios movimentos dos relógios ou como detalhe de exceção em elementos mais simples, nomeadamente mostradores, submostradores, indexes, algarismos e ponteiros.


As várias hipóteses estéticas e níveis de acabamento que o próprio ouro proporciona tornam-no ainda mais desejável


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Alquimia nos arredores de Genebra As várias hipóteses estéticas e níveis de acabamento que o próprio ouro proporciona tornam-no ainda mais desejável – o tratamento escovado nos relógios em ouro rosa para um efeito mate distinto ou o tratamento polido nos relógios em ouro amarelo para um efeito mais puro. O ouro amarelo sempre foi o mais utilizado em relojoaria, tanto a solo como aliado ao aço, mas na última década e meia as companhias relojoeiras têm optado mais pelo ouro rosa ou pelo ouro branco. Na sua fundição de Meyrin, a Chopard pega em lingotes de um quilo de ouro de 24 quilates (praticamente puro: percentagem de 99,99) compradas às instâncias oficiais (com certificação do controlo suíço dos materiais preciosos) e, através de ligas criteriosas, dá-lhe os tratamentos que tornam o nobre material ainda mais resistente e perene ou fornece-lhe as tonalidades requeridas pelas opções estéticas. Antigamente, os alquimistas procuravam transformar o chumbo em ouro através das mais variadas fórmulas químicas mas, ao que se sabe, a solução nunca foi encontrada e o Toque de Midas mantém-se na área da mitologia. Os especialistas metalúrgicos que trabalham na fundição da Chopard são descendentes desses alquimistas – e um deles, o mestre de ofício Paulo Caetano, é português. Dois fornos de vácuo com temperaturas à volta dos 1000 graus cozinham os lingotes durante 30 minutos até os transformarem em líquido. O ouro amarelo (2N e 3N) é o que se aproxima mais da cor original, recebendo normalmente uma pequena adição de prata; o ouro rosa (4N), rosado (5N) ou vermelho (6N) depende da adição de uma determinada percentagem de cobre para se chegar à tonalidade desejada, para além da adição de prata e zinco. O ouro branco requer processos mais complexos, conjugado com paládio e sendo revestido de ródio para a obtenção do desejado brilho prateado. No ouro ‘colorido’, a junção da platina – mesmo que seja apenas na ordem dos dois por cento – é importante: devido à sua inércia, age como um protetor do ouro e fixa os átomos de cobre perante a agressão dos elementos exteriores. A Chopard junta a 75 por cento de ouro mais 16 por cento de prata e nove por cento de cobre para a obtenção do ouro amarelo 2N, invertendo depois as proporções que vão até nove por cento de prata e 16 por cento de cobre para o ouro rosa 4N.

Pureza e dureza O ouro puro tem uma dureza de 2,5 Mohs, o equivalente a 30 Vickers; as ligas podem catapultar essa dureza para os 300 Vickers. Os quilates indicam o grau de pureza do ouro, sendo 24 a expressão máxima e 18 (o melhor compromisso entre luxo e funcionalidade) a versão instituída por lei na maior parte dos países para a sua designação enquanto ouro propriamente dito e consequente comercialização, sendo que a Chopard junta sempre um pouco mais do que os 18 quilates como garantia de qualidade. Após a fundição, a liga de ouro é colocada liquefeita em moldes e esfriada até saírem barras de quatro quilogramas. Essas barras entram depois em prensas que formam novos blocos de 60 por seis centímetros de onde são posteriormente extraídas as caixas e braceletes dos relógios Chopard em ouro – não sem antes serem oficialmente certificadas. As caixas e as braceletes são depois esculpidas através de maquinaria de extrema precisão e finalmente tratadas com múltiplos tipos de acabamento à mão ou não. O ouro é o metal de luxo por excelência e universalmente aceite como tal, simbolizando riqueza, poder, realeza. O seu simbolismo tem-se refletido desde as culturas ancestrais até às civilizações contemporâneas, valendo tanto para uma declaração de amor, como para uma demonstração de sucesso, legitimação social ou mesmo recompensa olímpica. Independentemente das soluções adotadas, o ouro distingue-se pela sua versatilidade e preciosidade. Com a certeza de que um relógio ou uma joia em ouro são um investimento no tempo, e que valem muito mais do que… o seu peso em ouro!

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O tempo não existe Conversa de cervejaria entre o escritor Rui Cardoso Martins e o astrofísico João Magueijo Espero que o leitor da Espiral do Tempo não se ofenda com João Magueijo! Para o astrofísico português, as grandes complicações, o turbilhão que desafia a gravidade e o calendário perpétuo que antecipa os anos bissextos têm uma ‘precisão ridícula’. Afinal, o astrofísico do Imperial College de Londres, que desafiou Einstein com a hipótese de a luz ter sido muito mais rápida nos instantes iniciais do Universo, trabalha com um relógio atómico. Só daqui a 15 mil milhões de anos se vai atrasar... um segundo, a idade atual do Universo. Obriguei-o a fazer as contas, entre mariscos e imperiais, numa ruidosa cervejaria com vista para o Intendente, a zona de prostíbulos e má fama poupada pelo terramoto de 1755 que arrasou as igrejas da Baixa cheias de fiéis e que inspirou Voltaire para Cândido, o eterno otimista no melhor dos mundos possíveis. Uma conversa desde o tempo em que se acreditou num ‘Deus-relojoeiro’ (Newton), até se concluir que o tempo nem sequer existe. Como o princípio desta conversa, que se perdeu num prato de camarões.


ENTREVISTA joão magueijo

Rui Cardoso Martins: [...] Voltaire o quê, João? João Magueijo: Essa história newtoniana de o Universo ser um relógio, e toda a história do relojoeiro cego, digamos assim. Basicamente, como é que a tua vivência terrena interfere no mundo. E o grande exemplo foi exatamente o terramoto de Lisboa, precisamente por contradições como aquela que disseste. Eu não sabia desta aqui do Intendente, sabia da outra lá em baixo. A ideia do Leibniz, no fundo, de que havia um princípio finalista no Universo. As coisas aconteciam para um fim. E o fim era a bondade. Obviamente, o Cândido é a gozar com isso; aquilo é só desgraças e confusões. RCM: O Cândido foi escrito contra Leibniz. JM: Precisamente. Mas com o Leibniz ainda havia um bocado de respeito, quem levou mais porrada foi o [filósofo, matemático e astrónomo francês] Maupertuis. Este foi quem, inclusivamente até hoje, formulou o princípio da ação mínima, ou seja, as coisas acontecem para minimizar a ação. Mas isso era visto de uma maneira literal, filosófica. Era o mundo, não era só um instrumento matemático, mas uma coisa filosófica. RCM: Como é que o tempo entrava aí? O tempo era onde as coisas se inscreviam. JM: Claro. O tempo é diferente. De certa maneira, se tens uma teoria finalística, não há tempo. As coisas já existem para um fim... O tempo é tramado, porque, basicamente, na física, precisamente por causa dos princípios da ação mínima, não há fluir do tempo. O tempo não existe, é um parâmetro... que nem sequer é mesmo um parâmetro. Basicamente, as coisas existem em quatro dimensões espaço-tempo. Mas a ideia do fluir do tempo, que é uma coisa psicológica óbvia – nós estamos aqui e sentimos o tempo a fluir – não cabe dentro da física. RCM: Não cabe nunca? JM: É muito estranho, quer dizer... a ideia de um tempo que flui, a ideia de um presente a fluir, que se separa de um passado e de um futuro, não existe. Não há um ponto a fluir: há uma linha, ponto

final. É mesmo assim... O tempo é uma coisa complicadíssima. RCM: O fluir do tempo, para nós, é uma experiência sensorial, quase. JM: Mas é uma coisa que não existe fisicamente, sequer. É uma ilusão psicológica, fisiológica. RCM: Fisiológica... a degeneração das tuas células, tu sentes isso, não é? JM: E aí voltamos aos relógios atómicos: nós envelhecemos eletromagneticamente, uma coisa engraçadíssima. RCM: Como assim? JM: Os processos químicos e biológicos são todos eletromagnéticos. São coisas que têm a ver com eletricidade e magnetismo e eletrões a ir para um lado e para o outro. O nosso peso é forças nucleares, mas aquilo que muda é tudo eletromagnético. O que faz o tique-taque é exatamente aquilo que faz o tique-taque de um relógio atómico: está relacionado com transições e processos eletromagnéticos. E o que acontece é que, se houvesse uma velocidade da luz variável, essa constante que faz as coisas variarem, o que faz o tique-taque variar a ele próprio, o tal relógio atómico que atrasa um segundo ao fim da idade toda do Universo, teria um erro sistemático. RCM: Dizes uma coisa a que achei muita graça no livro Mais Rápido que a Luz: é mais difícil, mais complexo, explicar uma ponte suspensa ou um organismo biológico do que o próprio Universo. JM: Isso é porque as coisas se simplificam quando começas a ver as coisas em escalas grandes. À escala pequenina, isto é uma confusão do caraças. Tu estás a pensar que o Universo deve ser uma confusão, porque há mais coisas, mas é ao contrário. RCM: O grande exemplo é talvez a equação do Einstein, ou não? JM: Acho que o Universo tem mais a ver com... Basicamente, as coisas transformam-se numa sopa homogénea. À medida que começas a ver

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ENTREVISTA joão magueijo

Porque se as leis da física forem eternas e não houver evolução, de facto o Universo muda mas as leis não mudam. Mas do que nos temos vindo a aperceber, em parte por causa do nosso amigo Voltaire e dessa gente toda, é que isso quer dizer que não há tempo, o tempo não existe, no fundo é um número que tu pões ao longo de uma linha porque te dá jeito, mas não é uma coisa que exista.      

João Magueijo Astrofísico

numa escala maior, não estás, obviamente, a explicar os detalhes, estás a tentar explicar o todo. Não pensas na árvore; queres é a floresta. Mas a coisa engraçada é que a floresta – o ecossistema, digamos assim – é mais simples do que propriamente a árvore, que é uma complicação. Eu acho que isso é verdade em cosmologia. Agora, pode haver... Esta questão do tempo, a questão dos relógios, inclusivamente, enquadra-se na questão: no fundo, será verdade ou não que há evolução? Porque se as leis da física forem eternas e não houver evolução, de facto, o Universo muda, mas as leis não mudam. Mas do que nos temos vindo a aperceber, em parte por causa do nosso amigo Voltaire e dessa gente toda, é que isso quer dizer que não há tempo: o tempo não existe. No fundo, é um número que tu pões ao longo de uma linha, porque te dá jeito, mas não é uma coisa que exista. RCM: Os calendários, obviamente, são já uma construção humana sobre isso... JM: Claro. RCM: A medição do tempo com um relógio, no fundo, é uma ficção. JM: Sim. Mas a coisa que seria engraçada com estes relógios atómicos é que não podes estar à espera todo o tempo do Universo para medires uma variação de um segundo, mas podes ao longo de... Esta porcaria tem precisão suficiente para tu notares se, ao fim de um ano, as constantes eletromagnéticas variaram. O relógio tinha-se desacertado. Porquê? Porque a física em que estava construído tinha, de facto, mudado fisicamente, não é? E, por acaso, eu nunca tinha feito a conta! Tu obrigaste-me a fazer a conta! Dez

elevado a menos 18 dá um segundo ao longo da vida toda do Universo! [risos] RCM: Podíamos, portanto, duplicar a vida do Universo até a ‘porcaria’ do relógio com que trabalhas se atrasar... JM: Ou adiantar. RCM: Ao mesmo tempo, parece que estamos a falar da eternidade, não é? Já temos um instrumento... o Homem conseguiu construir um instrumento capaz de simular a eternidade. JM: Se realmente o relógio for baseado na física que nós assumimos ser eterna. Se calhar, não é... A questão é essa: se realmente não houver eternidade e as coisas estivessem a mudar, o relógio dizia-te isso, porque, ao fim de algum, tempo estragava-se todo. RCM: Quanto tempo achas que o Universo ainda vai durar? Tens alguma ideia? JM: Isso ninguém sabe, mas deverá durar pelo menos o dobro da idade que tem. Mas pode continuar para sempre. O que parece que vai acontecer – a gente não sabe – é que vamos entrar numa fase de dominação do vácuo, ou nada. Então, o Universo vive para sempre, mas fica preenchido pelo nada. Isso é uma desgraça. RCM: Mas é uma nada gelado ou quê? Não tem estrelas a brilhar, não tem fusão atómica nas estrelas, não tem nada? JM: Não tem graça nenhuma. RCM: Mas quando é que isso pode acontecer? Daqui a outros 15 mil milhões de anos? JM: Exatamente. RCM: Estamos a meio do caminho, é? E há observações astronómicas e cosmológicas que dizem isso? JM: Quando digo a meio, pode ser um terço, podem ser dois terços, mas é a escala correta, não é ao milésimo. RCM: Um astrofísico também coloca outra questão como esta: nós, como espécie, evoluímos muito rapidamente. JM: Sim.


RCM: Uma loucura desde aqueles... macacos, no fundo, os primeiros hominídeos, até agora. Foi de uma rapidez espantosa. Já fizeste as contas, ou alguém já fez: no que é que nos podemos transformar e em quanto tempo é que desaparecemos... JM: [risos] RCM: ... como espécie que se pode considerar humana? JM: O que o Darwin diz não é uma teoria quantitativa, ou melhor, só há pouco tempo é que começou a ser. Os cosmólogos são muito mais precisos. Nesse sentido, é mais fácil fazer cosmologia. Basicamente, temos este instrumento maravilhoso que é olharmos para coisas muito distantes e estarmos a vê-las no passado. Temos acesso ao passado. E porquê? Porque as coisas ficam muito homogéneas, e estás a ver uma coisa distante no passado, mas as coisas, em média, são a mesma ali e aqui. Ora isso não existe em biologia. Ora cá está ela, e vem quente! [Chega uma biológica santola, na hora certa. E duas imperiais para não perder o rumo espaciotemporal.] RCM: Onde é que íamos? JM: Constantes da natureza. Por exemplo, o alfa, que é a constante eletromagnética que ex­pli­ca como é que nós envelhecemos: por uma com­bina­ ção da velocidade da luz, a constante de Planck e a carga do eletrão. Não sei se sabes, mas se esta porcaria fosse três por cento para um lado, ou três por cento para o outro, nós não estavamos aqui. RCM: Quando dizes a gente, estás a falar dos dinossauros também? JM: Claro, estou a falar da vida tal como nós a conhecemos. Agora, nós temos um preconceito: assumir que a vida tal como nós a conhecemos é a única forma de vida. Como é que se define vida? A definição mais abstrata é: uma coisa autónoma que consegue processar informação e reproduzirse. Mas isso, no fundo, é uma elaboração. É verdade que há um máximo, nós construímo-nos num máximo da probabilidade de vida em relação ao espaço das constantes. Pode haver outros [no Universo], pode haver um máximo local, pode haver um máximo daqui, um máximo dali. Pode haver coisas completamente diferentes.

RCM: A baleia da Gronelândia pode viver mais de 180 anos, alguns elefantes podem viver 100 anos, os papagaios, as tartarugas... Falaste em questões eletromagnéticas, mas também há um medidor de tempo biológico interno de cada espécie, ou não? Mesmo sendo o tempo uma ficção. Ou são só degenerescências e crescimentos de células? JM: É isso. Eu acho que a nossa ideia de o tempo mudar tem uma coisa biológica. Quando eu digo que o tempo é uma ilusão, é uma coisa altamente abstrata que tem a ver com... Pá, tu não queres saber de coisas concretas, tu queres é saber as leis da estrutura do Universo, se existe realmente tempo. Outra questão é o mundo estar a mudar, e nós estarmos a mudar: o nosso envelhecimento. E o nosso envelhecimento é eletromagnético. Quando dizes que uma espécie envelhece de uma maneira diferente da outra, o processo é eletromagnético. Por exemplo, se tu mudasses essa coisa do alfa, bem, era uma desgraça: as moléculas desintegravam-se todas. Mas, abstraindo disso, o rácio dos processos mudava também. Passávamos a viver dez vezes mais... RCM: Há alguém a trabalhar nessa hipótese de vivermos mais? JM: A velocidade da luz variável tem esse fenómeno. É que não eram só as células a variar ao longo do tempo. Mas se tens as equações e se resolveres aquilo tudo ao pé de um buraco negro, o resultado varia no espaço. À medida que te aproximas de um buraco negro, podes ter situações em que... RCM: Vives centenas de anos? JM: E vice-versa. Pode ser muito mais rápido, acabar tudo em instantes. São mais duas, se faz favor!

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entrevista Jacqueline Karachi-Langane

À altura de um passado brilhante Por Carlos Torres, fotos Cartier Jacqueline Karachi-Langane é a face criativa por trás da alta joalharia da Cartier e a responsável pela excecional coleção revelada na ultima Biennale des Antiquaires de Paris.

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entrevista Jacqueline Karachi-Langane

É aqui que a magia acontece.... Começa-se por escolher uma pedra e depois outra, que se conjuga mas que não nos deixa totalmente satisfeitos. Falta qualquer coisa, mas num único golpe de inspiração, elas fundem-se. Uma pedra acaba por chamar as outras.

Jacqueline Karachi-Langane

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Uma recente viagem à ilha da Madeira deixou-a completamente rendida à luxuriante vegetação da pérola do atlântico que caracterizou como «absolutamente delirante». No entanto, não deixou de manifestar alguma deceção induzida pelo estilo da arquitetura dominante que considerou estar em contraste com a invulgar beleza da ilha. Com esta simples mas sagaz apreciação, Jacqueline Karachi-Langane revelou-nos durante a 26ª Biennale des Antiquaires de Paris um pouco da sua invulgar sensibilidade para as formas orgânicas a par com a sua enorme capacidade para apreciar o belo, ou a sua ausência. Jacqueline Karachi formou-se na famosa École Boulle de artes aplicadas em Paris, de onde saiu diretamente para a Maison Cartier, onde acumula já quase três décadas de trabalho criativo. Responsável por um dos setores mais importantes da casa francesa, Karachi é hoje a diretora criativa de uma área que, apesar de todo o desenvolvimento recente da marca no campo da alta-relojoaria, se mantém como a alma e o caráter original desta manufatura. A alta joalharia é uma especialidade na qual Jacqueline Karachi-Langane se sente como peixe na água e uma, que, apesar de tudo, preenche de forma esmagadora a história da Maison Cartier desde 1847. A primeira troca de palavras aborda forçosamente o animal fetiche da Cartier, sempre omnipresente nas criações da marca: «A inspiração para a Pantera vem de Jeanne Toussaint, a diretora de alta joalharia da Cartier a partir de 1933 e a quem aliás chamavam a Pantera, devido à sua figura um pouco felina e também por ser esse o seu animal preferido». Para Karachi o aspeto mais interessante é que a Pantera se manteve sempre como o animal fetiche da Cartier, cujas características correspondem hoje também a uma boa parte das mulheres que usam joias da marca. «A doçura, a agressividade ou a ternura, todas se podem expressar pela figura da pantera, que para nós é verdadeiramente uma figura fabulosa». A Pantera tem estado sempre presente em todas as coleções da Cartier, e a coleção apresentada na última Biennale não foi uma exceção. Mas Karachi prefere ver esta característica da marca sob uma outra perspetiva: «para os nossos criadores, o maior desafio é fazer a Pantera evoluir ao longo do tempo. A Pantera da Cartier evolui um pouco como uma mulher, e neste momento ela está num período de modernidade. Este ano misturámo-la com pedras esculpidas e colocámo-la em ambientes diferentes». Um exercício que Karachi compara à criação de uma história pensada e contada à medida. «O que é verdadeira-mente importante é poder contar histórias nas quais a Pantera se apresente numa ilusão de movimento, onde tenhamos a impressão que ela vai saltar da joia. Toda esta coleção é baseada sobre esta noção de cinemática que nos permite dizer que, hoje, a Pantera da Cartier é uma Pantera em movimento».


High Jewellery Collection 26th Biennale des Antiquaires Julien Claessens & Thomas Deschamps Š Cartier 2012


High Jewellery Collection 26th Biennale des Antiquaires, Anel "Panther" Julien Claessens & Thomas Deschamps Š Cartier 2012


entrevista Jacqueline Karachi-Langane

Segundo Jacqueline Karachi, a Pantera provoca um certo sentimento de cumplicidade entre esta, a joia e quem a usa, manifestando também que o mais importante é que a mulher se aproxime da sua joia de forma a sentir que ela foi feita propositadamente para ela. «A joia deve poder falar e é a história de quem a usa que ela deve contar. É como se o objeto pudesse desencadear emoções em quem o usa, fazendo recordar memórias passadas entre histórias de infância ou episódios vividos. Nesse aspeto jogamos verdadeiramente sobre o campo do emocional». Todas as 148 peças expostas na Biennale são peças únicas pensadas e criadas em Paris entre três ateliers especializados da Cartier, um dos quais localizado nos andares superiores do famoso nº 13 da Rue de La Paix. Um processo criativo, lento e laborioso, que deu origem a um número de universos que Karachi nos descreve: «o fio condutor desta coleção é efetivamente o dépaysement, ou seja uma noção de viagem e de descoberta que engloba quatro universos distintos. Um universo luxuriante, onde emergimos numa paisagem tropical para encontrar o tradicional Tutti-Frutti entre peças bastante coloridas e com muitos animais. Segue-se um universo solar onde vamos encontrar todas estas peças numa tonalidades ocre, com amarelos, laranjas, e muitas vezes com um desenho hipnótico representando raios de sol e areia. Depois temos o universo Boreal para o qual nos situamos no extremo norte, sendo este o motivo porque encontramos muitas peças brancas e azuis, frias e mesmo um pouco glaciares, e onde desenvolvemos jogos de transparência. Finalmente, o quarto universo, e também o mais importante, é o universo urbano. Nele situamo-nos na cidade, onde tudo é muito mais estruturado e onde a inspiração assenta no design, na arquitetura e no ritmo da cidade. Aqui apresentamos sobretudo peças de uma grande modernidade, de grande complexidade técnica, e com muitos elementos em branco e negro». Sobre se neste processo criativo a sua equipa vai à procura de pedras já com uma ideia em mente ou se, pelo contrário, são as pedras que em absoluto definem à posteriori a coleção que irá surgir, Karachi não hesita, «são os dois! É sem duvida um pouco de ambos os processos em simultâneo. A Cartier tem já um stock de pedras importante, e para além disso também sabemos quais as pedras que estão disponíveis no mercado.» Utilizando o exemplo da bracelete Tutti Frutti deste ano, Karachi reafirma que «se fossemos à procura das pedras necessárias para a construção desta bracelete, tenho a certeza de que jamais as encontraríamos. Se hoje desenhássemos uma coleção toda em vermelho, seria impossível encontrarmos pedras vermelhas em qualidade e quantidade suficientes. O Rubi está verdadeiramente intocável, e a Rubilita extremamente difícil de conseguir devido à enorme apetência da China por esta pedra.

Chega assim uma altura em que temos de adaptar a nossa criatividade aos materiais que encontramos e que conseguimos disponibilizar. Ao longo deste processo, e já com alguma pedras definidas, vamos procurar e comprar outras para ir ainda mais além na temática que definimos». Nesta altura impõe-se questionar sobre a noção de haver gemas que são mais Cartier do que outras, uma ideia que Karachi não nega: «É isso que é interessante. Eu diria que a Cartier já não está no domínio das harmonias subtis. Por exemplo, veja-se o casamento inédito entre uma Água Marinha e uma Espinela, algo que nunca tinha sido feito. São cores tão subtis que primam pela ausência de contraste.» O processo de escolha que dá origem a esta mescla de estilos e tipos de gemas diferente merece por parte de Karachi uma explicação mais detalhada: «Quando chegamos de Hong Kong, misturamos as pedras que encontrámos com as pedras que já possuímos, e tentamos casá-las entre si. Podemos ter pedras que não tínhamos conseguido obter anteriormente e que agora completam um conjunto que ambicionávamos criar». O brilho patente no olhar de Jacqueline Karachi à medida que descreve este processo impõe a pergunta seguinte sobre se esta é uma parte do seu trabalho que executa com um especial prazer. A resposta é evidente e faz-se acompanhar por um largo sorriso, «É aqui que a magia acontece.... Consideremos por exemplo este Crisoberilo que se encontra sobre a mesa», apontando para um magnifico escaravelho, «a gema foi conjugada aqui com uma opala excecional, e ali com uma extraordinária Safira Padparadscha. Começa-se por escolher uma pedra e depois outra, que se conjuga mas que não nos deixa totalmente satisfeitos. Falta qualquer coisa, mas com a conjugação do laranja da Padparadscha, e num único golpe de inspiração, elas fundem-se. Uma pedra acaba por chamar as outras.» Uma perspetiva inovadora que leva a questionar onde se posiciona a obediência ao elemento histórico da marca: «Nós respeitamos de forma absoluta o nosso passado que temos a sorte de estar bem registado nos nossos arquivos e que nos dá um vislumbre do que já foi feito. Temos uma história maravilhosa que nos cabe continuar a escrever, e temos consciência de que estamos à altura do nosso passado». O tempo esgota-se, mas resta-nos ainda o suficiente para uma pergunta final para a qual já conhecemos a resposta: «Quer destacar uma peça em particular das 148 que se expuseram na Biennale?». A resposta de Karachi não podia ser outra: «Impossível!».

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Insider PIERRE MAILLARD

Redator chefe, Europa Star

O que se esconde debaixo do capot? Para além do que está à vista, convém não esquecer que a motorização é uma parte fundamental da indústria relojoeira suíça – e tem dado cada vez mais que falar, sobretudo a partir do momento em que o fabrico industrial de mecanismos anteriormente acessíveis a todas as marcas passou a ser distribuído de maneira criteriosa.

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Um relógio é um rosto – e um motor. A aparência (a carrosseria) é importante para muitos, mas o que está debaixo do capot (o motor) reveste-se da mesma importância. Tanto mais porque uma das mais recentes evoluções históricas da relojoaria consiste na ‘fusão’ cada vez mais articulada entre o exterior e o que está no interior. O movimento mecânico já não está escondido, encerrado na sua caixa – a caixa e o mecanismo formam cada vez mais frequentemente um conjunto coerente e interdependente. Ou, pelo menos, o mecanismo está cada vez mais à mostra, visível através do vidro de safira que equipa o fundo de muitos relógios mecânicos. Nos últimos anos, temos visto aparecer todo o tipo de designações atribuídas a movimentos, mais ou menos conformes à verdade industrial e artesanal. E o número de movimentos referidos como sendo de ‘manufatura’ disparou exponencialmente. Mas essa designação, ‘manufatura’, não é verdadeiramente controlada: ela cobre tudo e o seu contrário, desde o movimento integralmente desenvolvido e manufaturado in house, até à personalização de movimentos industriais adquiridos no mercado, passando por todo o tipo de transformações e inovações desenvolvidas sobre a base de mecanismos preexistentes. Um pouco como a Abarth transforma e potencia um motor de um Fiat 500.


O golpe é rude. Mas salutar, sem dúvida. Não só relançou uma importante vaga de investimentos industriais na Suíça, mas permitiu também ao consumidor perceber com maior clareza a origem do ‘motor’ do seu instrumento do tempo.

Perante um tal cenário, como é que um aficionado – mesmo esclarecido – de relojoaria consegue destrinçar a natureza exata do ‘motor’ que alimenta o seu relógio? Até porque um grande pontapé no formigueiro foi recentemente dado pelo Swatch Group, que – entre as suas numerosas possessões – dirige a ETA, empresa-rainha do fabrico de movimentos mecânicos suíços. Por isso, vale a pena abordar tão delicado assunto com alguma perspetiva histórica. Trovão num céu outrora tranquilo 18 de dezembro de 2009. Nicolas Hayek, ainda bem vivo na condução do Swatch Group, enerva-se: «Chegámos ao ponto do não-retorno, da frustração e da cólera do nosso pessoal relativamente às entregas a terceiros, ou seja, a outras marcas. Vamos pedir oficialmente permissão à Comissão da Concorrência (COMCO) para não mais sermos obrigados a entregar a toda a gente tudo o que o nosso pólo industrial produz: mecanismos, órgãos reguladores e todas as outras peças de relojoaria, como as peças do escape – âncoras, rodas de escape, balanço – e as peças oscilantes, como os balanços e as espirais». Por outras palavras, após ter investido mais de dois milhões de francos suíços ao longo das duas décadas anteriores na consolidação do mais poderoso pólo industrial da relojoaria mundial, o patriarca Hayek

decidiu que «as outras marcas deixam de se abastecer connosco como se estivessem num supermercado e investem somente em publicidade». O golpe é rude. Mas salutar, sem dúvida. Porque a decisão não só relançou uma importante vaga de investimentos industriais na Suíça, mas também permitiu também ao consumidor perceber com maior clareza a origem do ‘motor’ que faz andar os ponteiros do seu instrumento do tempo. Os grandes aglomerados concorrentes do Swatch Group, seja a Richemont ou a LVMH, deram-se ao trabalho extra de reforçar o seu aparelho industrial e obter gradualmente a sua própria autonomia, no que diz respeito aos movimentos. Passo a passo, e por ordem arbitrária, marcas como a Cartier, a Jaeger‑LeCoultre, a IWC, a Vacheron Constantin, a Panerai e a Piaget, relativamente à Richemont ou à TAG Heuer, Zenith, Hublot, e até recentemente a própria Louis Vuitton, no âmbito da LVMH, anunciaram investimentos colossais nessa autêntica corrida aos mecanismos. Nos independentes, houve uma reação similar, sem esquecer que um ‘mastodonte’ como a Rolex inaugurou, no passado outono, uma fábrica tão grande quanto oito campos de futebol, e que agrupa integralmente, a partir de agora, todas as etapas de fabrico dos seus próprios movimentos, desde o mais pequeno parafuso até às pontes, platinas, ébauches etc.; trata-se


Insider PIERRE MAILLARD

de uma unidade industrial absolutamente fora do comum e cujo custo nunca foi comunicado: como a Rolex não está cotada em bolsa, continua a cultivar o segredo. E faltam 1,5 milhões de movimentos A referida lista de marcas está longe de ser exaustiva porque uma agitação semelhante afetou todos os protagonistas relojoeiros quando, no arranque de 2012, a COMCO (o organismo suíço que vela pela concorrência leal) rejeitou os diversos recursos que foram depositados e atribuiu ao Swatch Group uma autorização – a confirmar após um período probatório – para a aplicação progressiva da sua decisão de fechar a torneira à entrega de mecanismos. A tarefa é de monta porque, como já o havia explicado há dois ou três anos Henry-John Belmont (antigo patrão da Jaeger-LeCoultre e consultor de industrialização do grupo Richemont), «não serão seguramente as marcas isoladas que, sozinhas, irão fazer face aos investimentos necessários à produção de um milhão ou de um milhão e meio de movimentos que são necessários para alimentar o mercado. Só o fabrico de 250.000 calibres de base do tipo cronógrafo ETA 7750 requer, efetivamente, um financiamento na ordem dos 100 milhões de francos e o recrutamento de 200 a 250 pessoas. Fora os montantes referidos, o problema crucial que se vai colocar é o da falta de pessoal em caso de se tornar necessário encontrar de 800 a 1000 pessoas, talvez mesmo 1500 consoante as necessidades que se preveem».

De uma certa maneira, a ETA e o Swatch Group foram ‘vítimas’ da qualidade dos seus movimentos mecânicos. Um calibre cronográfico ETA 7750, entre outras referências, é um excelente produto usado durante décadas e continuamente melhorado, com muitos milhões de exemplares já produzidos; é fiável, robusto, preciso, acessível e reparável em todo o mundo. Desde que fosse possível adquiri-lo, porque não recorrer a ele? E, durante tantos anos, as marcas relojoeiras não se privaram de o adquirir e de o usar nos seus cronógrafos. Equipados com um rotor personalizado com as cores da respetiva marca, com acabamentos e decoração diferentes, esqueletizados ou aumentados com placas modulares para pequenas complicações adicionais, o 7750 e os seus irmãos e irmãs da ETA – rebatizados e disfarçados com a etiqueta ‘movimento de manufatura’ – equiparam um elevado número de marcas dos mais variados escalões de preço. Em 2009, aquando do anúncio final do Swatch Group (as primeiras ameaças haviam surgido em 2002), os diversos movimentos concebidos pela ETA figuravam em cerca de 70 por cento dos 5,1 milhões de relógios mecânicos produzidos nesse ano (que conheceu uma ligeira baixa). E, segundo o grau do seu acabamento, a subtileza do marketing ou a notoriedade da marca, um mesmo mecanismo podia vender-se até cinco ou seis vezes mais caro numa comparação entre o preço de relógios com a mesma motorização de base.


Equipados com um rotor personalizado com as cores da respetiva marca, com acabamentos e decoração diferente, esqueletizados ou aumentados com placas modulares adicionais, os calibres ETA equiparam um elevado número de marcas.

Fiabilidade requer tempo Esses tempos mudaram. E, na maior parte dos casos, para melhor, porque a retirada do Swatch Group e a decisão de manter os mecanismos apenas nas marcas do grupo em os vender a terceiros forneceu uma espécie de chicotada psicológica que se tornou não apenas industrial mas também criativa. Novas ideias puderam ser colocadas em marcha, a pesquisa e o desenvolvimento foram aceleradas, a integração entre a caixa e o mecanismo foi reforçada. O certo é que criar um movimento a partir do zero permanece um processo moroso. As novas ferramentas informatizadas de ajuda à conceção e construção permitiram ganhar muito tempo, mas um movimento mecânico só é testado e comprovado através da sua utilização no tempo. É preciso contabilizar anos e anos até se chegar a um grau de fiabilidade a toda a prova. Porque, paradoxalmente, é muitas vezes mais fácil de fabricar, apurar e ajustar um mecanismo produzido artesanalmente em pequenas quantidades (várias dezenas ou centenas) do que produzir em quantidades industriais que requerem enormes reformulações no caso de algo falhar. Se a linha da frente do cenário mediático relojoeiro está constantemente ocupada por algumas vedetas que ostentam movimentos de exceção (um, dois, três ou quatro turbilhões…), a indústria relojoeira helvética vive, sobretudo, graças à qualidade, robustez, fiabilidade e precisão de excelentes movimentos mecânicos de base. E, na

verdade, o principal palco de ferozes batalhas comerciais que agitam os grandes grupos reside aí – na faculdade de se poder dispor, de maneira rápida e eficaz, desses mecanismos mais simples. Até porque, como noutros setores económicos, a relojoaria também se tornou numa indústria que funciona segundo fluxos tensos. Mas convém não esquecer que no meio de uma tal batalha de gigantes há muitas marcas independentes conhecidas por propor uma bela relojoaria a preço acessível e que agora se encontram reféns de uma conjuntura que ultrapassa os seus meios. São marcas que, à falta de alternativas, correm simplesmente o risco de um dia ter de fechar portas… Felizmente para muitas dessas marcas, as alternativas à ETA têm vindo a ganhar importância e a ocupar gradualmente um posto cada vez mais relevante no cenário da indústria relojoeira. A crónica da próxima edição da Espiral do Tempo abordará precisamente essas alternativas.

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reportagem F.P.Journe CHRONOMÈTRE OPTIMUM

A montanha que pariu uma obra-prima Por Miguel Seabra, fotos F.P.Journe – Invenit et Fecit Na relojoaria não há nada que caia do céu – a montanha nunca vem até Maomé, é sempre Maomé que tem de ir à montanha. François-Paul Journe é um dos profetas da indústria relojoeira tradicional e embrenhou-se numa escalada ao olimpo da precisão para finalmente estrear o Chronomètre Optimum, transformado na nova coqueluche da sua prestigiada coleção.

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reportagem F.P.Journe CHRONOMÈTRE OPTIMUM

O objetivo era fazer o relógio mecânico mais preciso em existência, daí ter-lhe chamado Chronomètre Optimum… pode parecer algo pretensioso, mas esse desiderato está finalmente concretizado.

François-Paul Journe Mestre relojoeiro

A precisão absoluta tem sido a grande demanda da relojoaria mecânica tradicional desde os seus primórdios: mais do que qualquer exercício de estilo que constituem as complicações, desde as sonneries até às equações do tempo, e por mais úteis que sejam, o Santo Graal dos relojoeiros sempre foi a exatidão durante o máximo de tempo possível de um qualquer mecanismo que dê simplesmente as horas, os minutos e os segundos. A nova vedeta da coleção de François-Paul Journe é precisamente um relógio aparentemente simples, mas que encerra em si mesmo uma grande complexidade que o coloca a par de outros destacados modelos do catálogo do mestre francês que são dotados das complicações propriamente ditas – incluindo o recentemente desvelado Quantième Perpetuel, que passa a dotar a sua linha Octa de um modelo automático com calendário perpétuo. Sim, o Chronomètre Optimum dá simplesmente as horas, os minutos e os segundos com uma indicação de reserva de corda complementar… mas é atualmente a criação dotada da etiqueta ‘Invenit et Fecit’ mais debatida pelos aficionados. A alegoria da montanha Foi um parto difícil e que durou uma dúzia de anos, mas o Chronomètre Optimum lá nasceu de boa saúde e recomenda-se. «É um relógio extremamente complicado, mas um relógio que ‘só’ mostra horas, minutos, segundos e reserva de marcha», sublinha o mais galardoado mestre da atualidade; «foi como construir uma montanha para alcançar algo de simples». Na verdade, esse simples representa o cume para qualquer relojoeiro e François-Paul Journe levou tempo para lá chegar: «Demorei 12 anos até acabá-lo. Comecei a desenhá-lo em 2001 e, na altura, o objetivo era fazer o relógio mecânico mais preciso em existência, daí ter-lhe chamado Chronomètre Optimum… pode parecer algo pretensioso, mas esse desiderato está finalmente concretizado».

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Porquê uma dúzia de anos? «Havia muitos outros relógios que tinham de ser feitos, como a Grande Sonnerie, o Centigraphe, o Repetição Minutos. Por isso, fui deixando o Chronomètre Optimum na gaveta e provavelmente até fiz bem, porque entretanto com os desenvolvimentos da tecnologia o relógio sai agora muito melhor do que se o tivesse lançado há dez anos». A escalada valeu a pena, porque a montanha foi mesmo conquistada. E acabou por parir uma obra-prima. A pedra filosofal Mas não é apenas a precisão absoluta que os relojoeiros procuram: é a manutenção da precisão absoluta no tempo. O Chronomètre Optimum assegura o tão almejado isocronismo (que é a característica de um fenómeno que se reproduz em tempos iguais apesar de influências exteriores, desde a força da gravidade aos campos magnéticos) através do apelidado Remontoir d’Égalité. «O isocronismo é a pedra filosofal para qualquer relojoeiro. Se houvesse isocronismo, o relógio seria mais constante – ou seja, a roda do balanço demoraria exatamente o mesmo tempo para um lado e para o outro independentemente da força que lhe fosse proporcionada – mas isso não acontece devido à espiral, devido à fricção do mecanismo e, porque a amplitude da oscilação muda, também a duração da precisão varia», sublinha François-Paul Journe; «O Remontoir d’Égalité transmite constantemente uma força idêntica e faz com que o balanço tenha sempre o mesmo arco de desenvolvimento… e se tem o mesmo arco, tem a mesma duração». E explica melhor: «A precisão deve ser medida na duração; podemos ter um relógio com um escape suíço tradicional de âncora que seja regulado para apresentar uma boa prestação, mas essa regulação só funciona durante dois ou três dias e depois perde-se, porque a diferença na estabilidade de um relógio no tempo, que é como quem diz a cronometria, e o uso normal de um relógio fazem com que a precisão não seja a mesma um ano depois da afinação». No Chronomètre Optimum, o isocronismo é conseguido através do Remontoir d’Égalité; o seu sistema de escape assegura a estabilidade do relógio e sem essa degradação do sistema de escape torna-se possível que o relógio se mantenha estável durante quatro ou cinco anos».


reportagem F.P.Journe CHRONOMÈTRE OPTIMUM

Balanço com espiral dotada de curva Phillips

Escape Bi-axial de Alto Rendimento (EBHP)

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O Remontoire d'Egalité (patente EP1528443.A1) equilibra a força motriz aplicada ao escape para torná-la constante. Com a adição de uma roda suplementar que representa um sistema independente alimentado por sopetões curtos pela mola principal, o escape assegura o isocronismo do balanço. O Escape Bi-axial de Alto Rendimento (EBHP) também foi patenteado (EP 11405210.3). O escape de duas rodas com impulsão direta funciona sem óleo e é o único escape de impulsão direta a arrancar por si próprio. O balanço com espiral dotada de curva Phillips garante maior estabilidade.


O isocronismo é a pedra filosofal para qualquer relojoeiro. Se houvesse isocronismo, o relógio seria mais constante. O Remontoir d’Egalité transmite constantemente uma força idêntica e faz com que o balanço tenha sempre o mesmo arco de desenvolvimento… e se tem o mesmo arco, tem a mesma duração.

François-Paul Journe Mestre relojoeiro

Remontoir d’Egalité

Da gaveta ao óptimo O Chronomètre Optimum tem sido uma espécie de segredo partilhado por François-Paul Journe e alguns dos seus amigos mais próximos ao longo da última década. Sabia-se que estava lá, na gaveta, e que era apenas uma questão de tempo até à conclusão do projeto – que surgiu numa fase em que o mestre resolveu dedicar-se mais ao desenvolvimento da parte puramente relojoeira da sua empresa, entregando a gestão do negócio à nova CEO, Amélie Lefévère. Vários conceitos presentes nos primeiros esboços do Chronomètre Optimum foram mesmo aproveitados noutros relógios de nomeada: o Remontoir d’Égalité (transmissão de força constante) e os segundos mortos (salto do ponteiro do segundo em vez da deslocação contínua habitual num relógio mecânico) integraram a atualização do Tourbillon Souverain em 2003, e, já em 2005, o Chronomètre Souverain incluiu dois tambores de corda para assegurar uma superior estabilidade de funcionamento. A nova coqueluche do catálogo da F.P. Journe simboliza a essência da precisão graças a um mecanismo (o Calibre 1510) com uma fricção interna mínima, transmissão de força constante para a obtenção de isocronismo no balanço, um sistema de escape que funciona sem lubrificante para manutenção da estabilidade e uma espiral Philips com curva. A constância da transmissão de energia é alcançada através de dois tambores de corda e o Remontoire d’Égalité equilibra a força aplicada ao sistema de escape biaxial de impulso direto, que é o único do seu tipo a arrancar diretamente. «Todos os escapes tradicionais que fiz precisavam de um arranque através de corda manual.

Este escape inspira-se na cronometria do século XVIII, mas é um escape moderno adaptado a relógios de pulso», revela François-Paul Journe, que refuta a utilização de novos materiais tão em voga na relojoaria contemporânea e vanguardista, como o silício. «Não recorro ao silício, porque é um material de vidro muito frágil e vai ser bem difícil repará-lo sem o partir. Por isso decidi usar somente materiais que foram usados e testados nos últimos 200 anos, tendo nós uma perspetiva do que aconteceu e do que foi feito em relojoaria nos séculos XVIII, XIX e XX com materiais tradicionais. E é por isso que nos meus relógios só utilizo materiais que possam ser reparados daqui a 200 anos». Ouro e platina O patenteado sistema de escape do Chronomètre Optimum, referido no mostrador como Echappement BHP (Echappement Bi-axial à Haute Performance), é precisamente inspirado no escape natural de Abraham-Louis Breguet no século XVIII e tem a capacidade de trabalhar até 50 horas sem qualquer perda de amplitude do balanço num total de reserva de corda de 70 horas. O Remontoir d’Égalité é orgulhosamente exibido através de uma abertura no mostrador às 11 horas – e a parte de trás do Calibre 1510 de corda manual concebido em ouro rosa exibe um pormenor delicioso: um submostrador de pequenos segundos mortos para deleite do observador! O Chronomètre Optimum está disponível em dois tamanhos (40 e 42 milímetros) e dois materiais preciosos (platina e ouro rosa). Um tesouro que esteve tanto tempo no baú e que está agora ao alcance dos pulsos mais afortunados.


reportagem feiras genebrinas

Superlatividade relojoeira Por Miguel Seabra, em Genebra A primeira grande concentração anual da indústria relojoeira em 2013 ocorreu em janeiro, com a realização da 23.ª edição do Salon Internacional de la Haute Horlogerie, que arrastou consigo a realização de várias iniciativas paralelas em Genebra – desde o Geneva Time Exhibition até à World Presentation of Haute Horlogerie, passando por muitas outras apresentações individuais. Eis o rescaldo global, incluindo as tendências mais vincadas e os modelos de destaque.

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1815 Rattrapante Perpetual Calendar © A. Lange & Söhne


reportagem feiras genebrinas

Termos aparecido com uma grande complicação significa que respondemos a todas as dúvidas sobre aquilo que somos capazes de fazer.

Wilhelm Schmid CEO A. Lange & Söhne

Parte da Europa pode estar em recessão, mas não se sentiu muito a crise no primeiro grande rendez-vous anual da relojoaria – realizado em Genebra, tendo por principal pólo de atração a 23.ª edição do elitista Salon International de la Haute Horlogerie com eco em outras iniciativas na sua órbita, desde o Geneva Time Exhibition (que completou a quarta edição) formado por várias marcas independentes até à World Presentation of Haute Horlogerie do Grupo Franck Muller, passando pelos múltiplos showrooms preparados em hotéis genebrinos por diversas companhias tradicionalmente expositoras na feira de Basileia. Cada vez mais o ano surge dividido em dois principais polos relojoeiros, separados no tempo e no espaço entre Genebra (janeiro) e Basileia (habitualmente em março, este ano, excecionalmente, no final de abril). E, para além das grandes marcas do Salon Internacional de la Haute Horlogerie, que expõem exclusivamente em Genebra, nota-se que há um número crescente de empresas relojoeiras a mostrarem as suas novidades nas duas grandes cidades suíças. Como a TAG Heuer, que, pelo terceiro ano consecutivo, divide as suas coleções em duas fases, arrancando com a sua exibição própria em Genebra para depois apresentar o grosso da sua coleção em Baselworld. Sempre mais alto A tal profecia Maia que pendia sobre as nossas cabeças como a espada de Damocles não se confirmou a 21 de dezembro, e rapidamente se tornou na chacota da indústria relojoeira suíça, que até fechou o ano de 2012 a bater todos os recordes de exportação. Nos corredores da Palexpo (SIHH), do Bâtiment des Forces Motrices (GTE) e de Watchland (WPHH), tornou-se recorrente a piada do fim do mundo falhado a par dos votos de um bom ano, sobretudo relativamente a marcas que em 2013 cumpriam relevantes aniversários: os 180 anos da Jaeger‑LeCoultre e os 50 anos do emblemático Carrera da TAG Heuer, que o fatalismo Maia não impediu que fossem celebrados. E houve mesmo muitos ‘sobreviventes’ da profecia a afluir a Genebra: as 16 marcas do seleto SIHH reuniram 13.000 visitantes de todos os cantos do globo (mais 3% do que no ano

anterior) e foram acompanhadas por 1.200 jornalistas; as 35 marcas do GTE tiveram cerca de 5.000 visitas. Fora todas as restantes iniciativas. O que foi imediatamente possível constatar em Genebra confirma que a alta-relojoaria está cada vez mais… alta. A elevação da cultura relojoeira mecânica e tradicional tem sido paulatina desde a retoma após os anos da crise do quartzo (meados da década de 70 e até mesmo à década de 90), mas ultimamente – e após alguma contenção nos anos da crise internacional entre 2008 e 2010 – as melhores casas relojoeiras têm-se sucedido na apresentação das obras-primas mais exclusivas e onerosas que levam a micromecânica aos píncaros. Há cada vez mais relógios a ultrapassar o milhão de euros exclusivamente graças às suas complicações mecânicas e não pelo seu peso joalheiro. E alguns dos modelos desvelados ultrapassaram mesmo o milhão e meio, com o Grand Complication da A. Lange & Söhne a atingir os dois milhões. Tendência tripla No meio de tanta efervescência genebrina gerada logo no dealbar do novo ano, sobressaíram as grandes tendências da alta-relojoaria da atualidade – e a mais clara tem a ver com um movimento de reação já sentido a partir de 2009: o da insistência de marcas tradicionais em modelos simples ou cronógrafos de menor dimensão, dotados de um classicismo absoluto como isco para o interesse do mercado chinês e em contraponto aos modelos contemporâneos sobredimensionados que exalam uma maior tecnicidade estética e funcional.


Um dos nossos grandes lançamentos é o Royal Offshore Grand Complication, um portento com 648 peças que agrega 3 movimentos complexos, um calendário perpétuo, um cronógrafo rattrapante e um repetição de minutos. Octavio Garcia Diretor artístico Audemars Piguet

Métiers d’Art Florilège – modelo Queen © Vacheron Constantin

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reportagem feiras genebrinas

Os modelos mais marcantes neste Salão foram os novos IWC Ingenieur, os Panerai com reserva de marcha de oito dias e o Jaeger‑LeCoultre Gyrotourbillon 3 comemorativo dos 180 anos da marca.

António Machado Machado Joalheiro

Não havendo grandes novidades, grande aposta da IWC no Ingenieur.

José Teixeira Camanga

Piaget Emperador Coussin Ultra-Thin Minute Repeater, Montagem do bordão © Piaget

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A Panerai ocupa desde há alguns anos lugar de destaque neste salão, inovando anualmente nos materiais das caixas que apresenta e evoluindo os seus movimentos a maior parte manufacturados, mantendo a 'simplicidade' dos modelos.

Nuno Torres Anselmo 1910

Mas ambos os vetores coabitam tranquilamente. A velha máxima da compra de um único relógio para toda a vida está mais do que ultrapassada e enterrada, sendo quase que ‘exigidos’ modelos para diferentes exigências sociais – clássicos, pequenos e finos para ocasiões mais elegantes; contemporâneos, agressivos e maiores para situações mais desportivas; formais, de design avançado ou depurados para um ambiente mais fashionista. Ou seja, quase que existem três pólos antagónicos… e o meio-termo parece existir apenas para aqueles que só querem um relógio! Perpétuos & turbilhões No extremo oposto dos modelos mais simples, surgem as complexidades mecânicas. Entre as complicações a solo mais utilizadas, o cronógrafo mantém-se em primeiro lugar – mas foi muitas vezes espetacularmente conjugado com turbilhões, com algumas das mais relevantes peças desveladas a associaram sobretudo o cronógrafo rattrapante a calendários perpétuos e complicações acústicas (grande et petite sonnerie; repetição minutos) numa superlativa exaltação da cultura relojoeira tradicional, muitas vezes projetada no futuro com modelos de técnica vanguardista. O turbilhão continua a ser a complicação mais emblemática, e até é exaltado aos pares em várias casas, mas qualquer grande e pequena sonnerie ou repetição de minutos oferece uma dimensão acústica e exige um nível de especialização ainda maior que lhe confere mais exclusividade – e foram apresentados muitos modelos dotados de repetição minutos. De resto, as complicações astronómicas mantêm-se populares, desde simples fases da Lua até aos calendários anuais ou perpétuos, e ainda com projeções celestes. Outra moda verificada incide sobre a cada vez maior aposta das casas relojoeiras na cerâmica ou suas variantes como material de eleição para modelos mais desportivos ou de inspiração militar – seja na caixa, seja apenas na luneta. E em

tons escurecidos, quando até há pouco se verificava sobretudo a aposta em aço tratado com PVD ou DLC para a obtenção da tal sofisticação negra. O curioso é que, sentindo-se que a Audemars Piguet abrandou nitidamente o investimento em modelos elaborados no seu carbono forjado em detrimento precisamente da cerâmica, a TAG Heuer lançou um Concept Chronograph feito num carbono mais avançado: o denominado Carbon Matrix. Complicações femininas e artesanato Mais uma tendência óbvia tem a ver com a crescente dedicação de modelos de grande complexidade mecânica exclusivamente para senhoras, quando anteriormente se via sobretudo relógios masculinos adaptados a um formato menor para pulsos femininos ou o recurso a calibres de quartzo. Simultaneamente, também os chamados métiers d’art estiveram em grande destaque – colocando em evidência o tradicional artesanato decorativo das artes relojoeiras, desde a marquetterie (trabalho com pequenas peças de madeira) até à esmaltagem. Em suma, a alta-relojoaria mecânica continua viva e criativa pela mão das novas marcas independentes e, sobretudo, das principais casas relojoeiras. E continua, sobretudo, a gerar emoção e paixão. Enquanto assim for, as grandes feiras do setor continuarão a ser pólos de atração, e os modelos que custam verdadeiras fortunas continuarão a vender-se muito bem. Afinal de contas, tempo é mesmo dinheiro.


reportagem feiras genebrinas

As escolhas dos especialistas Dody Giussani Diretora da revista L’Orologio

Pierre Maillard Redator chefe da revista Europa Star

Os melhores da(s) feira(s) •• Roger Dubuis Excalibur Quatuor Silicium •• Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Gyrotourbilln 3 Jubilée •• Rotonde de Cartier Double Mystery Tourbillon •• Audemars Piguet Royal Oak Offshore Grande Complication •• Piaget Emperador Coussin Minute Repeater

Os melhores da(s) feira(s) •• De Bethune DB28 Skybridge •• Urwerk UR 210 •• Rotonde de Cartier Double Mystery Tourbillon •• Richard Mille RM 59-01 Tourbillon Yohan Blake •• Piaget Altiplano Date

Destaque pessoal Um relógio que eu usaria: o novo Panerai Radiomir 1940 (tamanho 42 mm) Tendências verificadas Relógios mecânicos e com complicações para senhoras, mostrando que se trata de um setor a crescer rapidamente em todo o mundo.

Carlos Torres Editor técnico da revista 12 Os melhores da(s) feira(s) •• A. Lange & Söhne Grand Complication •• Audemars Piguet Royal Oak Offshore Grande Complication •• Rotonde de Cartier Double Mystery Tourbillon •• Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Gyrotourbillon 3 Jubilee •• Officine Panerai Luminor Submersible Ceramica •• Richard Mille RM 27-01 Rafael Nadal Destaque pessoal Houve dois modelos, em lados totalmente opostos no que respeita à complicação, mas que, apesar disso, comungam de uma excelência relojoeira similar: o A. Lange & Söhne Grand Complication e o Jaeger-LeCoultre Master Ultra-Thin 41. Tendências verificadas Uma continuidade de algo que já se iniciou no ano passado: cada vez maior percentagem de aplicação da cerâmica e os métiers d´art aplicados à alta-relojoaria, com variadíssimas técnicas com origem noutras artes (por exemplo, a ourivesaria) aplicadas apenas, e por enquanto, ao mostrador do relógio.

Destaque pessoal O DB28 Skybridge da De Bethune Tendências verificadas: Métiers d’art, métiers d’art, métiers d’art...

Miguel Seabra Editor técnico da revista Espiral do Tempo Os melhores da(s) feira(s) •• A. Lange & Söhne Grand Complication •• Audemars Piguet Royal Oak Offshore Grande Complication •• Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Gyrotourbillon 3 Jubilee •• Richard Mille RM 59-01 Tourbillon Yohan Blake •• IWC Ingenieur Constant-Force Tourbillon •• De Bethune DB 28 Skybridge Destaque pessoal O Grand Complication, da Lange & Söhne, pela excelência milionária, e, sobretudo, o simbolismo de colocar a marca germânica a par do topo que se faz na relojoaria suíça. Como modelo desportivo, o Panerai Luminor 1950 Regatta 3 Days Chrono Flyback Titânio; na relojoaria contemporânea, o De Bethune DB 28 Skybridge. Tendências verificadas Grandes complicações (destacando-se a associação do cronógrafo ao calendário perpétuo), uso de cerâmica em versões desportivas/militares high-tech, métiers d’art, modelos complicados femininos.

1. Panerai Radiomir 1940 © Officine Panerai

2. Royal Oak Offshore Chronograph © Audemars Piguet 3. Rendez-Vous Celestial © Jaeger‑LeCoultre 4. Rotonde Tourbillon Mysterieux © Cartier

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Sete maravilhas Entre os vários focos de interesse nas diversas exibições ocorridas no primeiro grande rendez-vous relojoeiro do ano em Genebra, o corpo redatorial da Espiral do Tempo selecionou sete obras-primas que se destacaram pela excelência e que também se diferenciam entre si pela oposição de estilos, embora alguns partilhem semelhantes conjugações de complicações. Sim, são relógios de exceção dificilmente acessíveis ao comum dos mortais – mas são também modelos que exaltam a relojoaria mecânica e cuja técnica acaba também por beneficiar modelos mais acessíveis das respetivas marcas.


A. Lange & Söhne Grand Complication Referência: 912.032 | Preço: € 1.900.000 A manufatura germânica surpreendeu com o relógio de pulso mais complicado da sua história, inspirado num antigo relógio de bolso da Lange & Söhne e baseado no calibre L1902. Inclui grande e pequena sonnerie, repetição de minutos, calendário perpétuo com fases da Lua e ainda cronógrafo monopulsante com rattrapante e segundos foudroyantes. Botões silenciadores das complicações acústicas. Caixa em ouro rosa de 50 milímetros com mostrador esmaltado. Limitado a seis exemplares.


De Bethune DB28 Skybridge Referência: DB28CEN | Preço sob consulta A De Bethune voltou a ser aclamada com uma nova adição à sua linha DB28: o Skybridge tem a mesma carrosseria com asas flutuantes e coroa às 12 horas numa caixa em titânio de 43 milímetros, mas é dotado de um mostrador azulado que evoca o céu noturno com bolas de titânio polido e diamantes e que é atravessado por uma estrutura cónica que tem na sua base uma esfera com a disposição tridimensional das fases da Lua.


Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Gyrotourbillon 3 Jubilee Referência: 503 64 20 | Preço: € 465.000 A estrela da exclusiva coleção que a Grande Maison concebeu para celebrar o seu 180.º aniversário. Inclui um gyrotourbillon (turbilhão de dois eixos, com um balanço esférico), um cronógrafo monopulsante com disposição híbrida (analógica para os minutos e digital para as horas) e indicador de dia/noite numa caixa em platina de 43,5 milímetros de diâmetro. Quem quiser adquiri-lo é também ‘forçado’ a comprar dois outros modelos da coleção Jubilée…


Audemars Piguet Royal Oak Offshore Grande Complication Referência: 26571IO.OO.A002CA | Preço: € 600.000 Após ter celebrado o 40.º aniversário do seu ex-libris Royal Oak, a Audemars Piguet optou por não comemorar os 20 anos da variante Royal Oak Offshore para não exagerar nas celebrações, mas as principais novidades foram mesmo integradas na linha Royal Oak Offshore – incluindo o Grande Complication, que junta calendário perpétuo, cronógrafo rattrappante e repetição de minutos numa caixa de 44 milímetros em titânio ou ouro rosa com luneta em cerâmica. Limitado a seis exemplares.


Franck Muller Tourbillon Rapide Referência: 8889 T F SQT BR | Preço: € 178.200 A marca fundada pelo relojoeiro que tanto divulgou o turbilhão nos anos 90 concorre ao estatuto de turbilhão mais rápido do mundo no seu Tourbillon Rapide. Propulsionada por quatro tambores de corda, a caixa do turbilhão efetua uma rotação completa em cinco segundos (a rotação tradicional é de um minuto); o mecanismo inclui um escape patenteado pela Franck Muller com roda de escape fixa, âncora invertida, balanço, espiral Breguet concebida nos próprios ateliers.


IWC Ingenieur Constant-Force Tourbillon Referência: 5900 | Preço sob consulta A IWC inspirou-se na parceria com a escuderia Mercedes AMG Petronas de Formula 1 para renovar por completo a sua linha Ingenieur – e na pole position surge o surpreendente Constant-Force Tourbillon, com uma caixa que combina a preciosa platina à cerâmica hi-tech para albergar um mecanismo de força constante integrado no turbilhão. O mostrador inclui indicação das fases da lua. Calibre de corda manual com quatro dias de reserva de corda.


Vacheron Constantin Métiers d’Art Florilège White Lily Referência: 82650-000G-9853 | Preço: € 115.000 Completamente rendida aos encantos femininos, a Vacheron Constantin só desvelou modelos de senhora no Salon International de la Haute Horlogerie. E adicionou mais uma vertente à sua coleção Métiers d’Art, denominada Florilège, que junta à fina relojoaria mecânica especialidades do artesanato artístico como a esmaltagem cloisonné Grand Feu (com a assinatura da artista Anita Porchet) e a gravação decorativa em guilloché.


tempo livre por miguel seabra

Frauenkirche de Bahr

Para além da cortina O tempo parou durante muito tempo em Dresden. Mas, à semelhança do que sucedeu com a manufatura relojoeira A. Lange & Söhne, a sofrida cidade tem renascido como uma Fénix das cinzas da Segunda Guerra Mundial e do atrofiamento de quatro décadas de comunismo. A capital da Saxónia, que outrora foi a capital do Barroco, está intimamente associada ao mais importante foco relojoeiro fora da Suíça.

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Ainda sou daqueles cuja juventude foi beliscada pelos temores nucleares da Guerra Fria e que ficavam apreensivos ao ouvir o Sting cantar «I hope the Russians love their children too». Sim, o mundo estava dividido entre ‘nós’, os do lado de cá, e ‘eles’, os estranhos do lado de lá. Felizmente, a Cortina de Ferro foi derretida pela Glasnost e o Muro de Berlim derrubado pela Perestroika – e comprovou-se que ‘os outros’ também amam as suas crianças. Pessoalmente, também comprovei que Dresden exala um fado muito português. Tenho ido à capital da Saxónia várias vezes em reportagem ao longo dos últimos 12 anos e não posso deixar de sentir o peso inexorável de décadas de atrofiamento psicológico e económico na Alemanha de Leste. Continua uma cidade monumental de fado triste, que se nota bem no angst das gentes mais velhas e ainda se vislumbra nos mais jovens, porque foram educados precisamente por esses outros. Mas é também uma cidade fascinante que, à imagem das suas várias pontes sobre o rio Elba, está entre esse passado sofrido e um futuro auspicioso. O paralelismo entre Dresden e a Lange & Söhne é incontornável, se bem que a manufatura relojoeira tenha recuperado a sua aura mais depressa do que a cidade. Ainda se nota que o tempo parou durante muito tempo em toda a região; no entanto, após a reunificação alemã e com a injeção de biliões de euros ‘ocidentais’, Dresden tem vindo paulatinamente a recuperar a aura de antiga capital não só estatal, mas também da arte e cultura germânicas – tal como a Lange & Söhne recuperou toda a sua grandiosidade para se tornar na única entidade de alta-relojoaria capaz de rivalizar com as melhores das melhores manufaturas suíças.


Ópera de Semper

Anúncio luminoso A. Lange & Söhne

Excelência na renascença Ainda me recordo da primeira vez em que tive na mão relógios Lange & Söhne: foi na feira de Basileia, em 1997. Jorge de Freitas, o gentleman e artista que nos deixou recentemente após prolongada doença, era então o representante em Portugal da IWC através da sua firma J. Borges de Freitas (atualmente, dirigida pela filha, Ana de Freitas) e levou-me até ao primeiro andar do stand da IWC para me mostrar «algo de especial». É verdade: a Lange & Söhne não tinha sequer um espaço próprio nesses tempos após a apresentação dos primeiros modelos da nova geração em 24 de outubro de 1994. O certo é que fiquei tão convencido com o que vi e tão tocado pela saga da marca que não hesitei em promovê-la para a capa do suplemento que fiz então para o Correio da Manhã, numa edição apadrinhada pelo grande aficionado da relojoaria que é Carlos Barbosa, que na altura era o diretor do jornal. Pude depois conhecer in loco as raízes da Lange & Söhne e sentir o peso da sua história. E gosto sempre de regressar a Dresden, porque a cada nova visita se reergue a monumentalidade de uma orgulhosa metrópole onde a cada esquina se constata a dicotomia entre os tempos gloriosos da Saxónia dominada por Augusto, O Forte (que na verdade era O Gordo, mas suficientemente viril para ter 346 filhos!) e o purgatório de quatro décadas de comunismo, com as feridas da Segunda Guerra Mundial sempre bem abertas. A fisionomia da cidade, e em especial do seu centro, mudou muito, mantendo-se com grandes áreas abertas onde anteriormente existia uma grande densidade habitacional destruída pelas bombas aliadas; os cidadãos continuam a debater se devem ou não preservar sinais do jugo comunista

através de edifícios com a característica arquitetura do período, mas entretanto vão recuperando todos os principais marcos históricos – desde o Zwinger (o palácio real) até à emblemática Frauenkirche (catedral), passando pela Ópera Semper (salão nobre de espetáculos). E não deixa de ser irónico que a marca de luxo eleita repetidamente como a melhor da Alemanha nos últimos anos venha de uma zona que estava tão depauperada – precisamente a Lange & Söhne. Fundada em 1845 por Ferdinand Adolph Lange na localidade de Glashütte, a cerca de 30 quilómetros de Dresden, a Lange & Söhne ganhou logo a reputação de criar sublimes relógios de bolso e cronómetros de marinha infalíveis, mas foi transformada em empresa de instrumentos de precisão durante as duas guerras mundiais e, após ter sido bombardeada precisamente no último dia do segundo conflito, incluída numa cooperativa de relógios baratos durante a vigência comunista. A reunificação permitiu à Walter Lange regressar às origens para recuperar o património familiar do avô e transformá-lo numa das mais prestigiadas manufaturas da atualidade. Os novos modelos confirmam ainda mais que está ao nível das melhores criações suíças! Sempre que concluo essa notável viagem no tempo que é a visita a Dresden e a Glashütte, sou brindado com um grande anúncio luminoso que me faz despedir da capital da Saxónia com nostalgia – e, desta última vez, também com água na boca: o relógio escolhido foi o Zeitwerk Striking Time (com um gongo que assinala o passar da hora), o meu preferido da marca. A frase diz tudo. «Ícones de Dresden: a Frauenkirche de Bahr, a Ópera de Semper e os relógios da A. Lange & Söhne». Mal posso esperar para ver qual será o próximo modelo escolhido.


Em Foco A. Lange & Söhne Grand Lange 1 Lumen

Uma ideia muito luminosa Grand Lange 1 Lumen Referência 117.035 | Preço € 61.000

A Lange & Söhne reinventou o Lange 1 para apresentar um relógio em platina limitado a 200 exemplares que corresponde a uma soberba versão contemporânea do seu mais emblemático modelo – e o resultado é perfeito, já que o Lange 1 Lumen se mostra moderno e de personalidade única sem perder o ADN característico da companhia saxónica.

Uma engenhosa solução para o mostrador permite dar grande protagonismo à dupla janela para a data grande que surpreendeu o mundo relojoeiro aquando do relançamento da marca em 2004.

Apenas o anel no perímetro do mostrador e os submostradores são em prata maciça pintada a preto, contrastando com a base em safira escurecida que permite entrever a parte superior do calibre L095.2.

paulo torres

torres joalheiros

É o exemplo perfeito de como uma marca reputada pelas suas criações clássicas consegue uma obra-prima de estilo contemporâneo sem perder a sua identidade.


Em Foco Audemars Piguet ROO Chrono Michael Schumacher

O desafio enfrentado pela equipa técnica da A. Lange & Söhne liderada por Anthonie de Haas consistia em assegurar uma máxima luminosidade para o sistema de data grande sem que essa luminescência não transbordasse para além do estritamente necessário. A solução encontrada foi uma espécie de Ovo de Colombo.


Exercício de estilo O revolucionário sistema para a data que está normalmente escondido debaixo do mostrador surge em discreta evidência no Grand Lange 1 Lumen, graças a um mostrador que nem é totalmente opaco nem demasiado transparente e à luminescência que lhe dá o nome (‘lumen’ é a correspondente palavra em latim). Semitransparência As secções do vidro de safira do mostrador são tratadas com um filtro especial que bloqueia a maior parte do espetro visível de luz – já para o espetro ultravioleta invisível da luz, essa película não representa uma barreira, e, assim, os raios ultravioletas conseguem passar para ‘tocar’ as superfícies tratadas com luminescência. A cruz e a película A cruz da janela das dezenas (branco, 1, 2 e 3) foi fácil de adaptar, sendo construída numa placa luminescente; o problema residia no disco das unidades – e a solução foi fazê-lo de maneira transparente, em vidro, com os algarismos pintados a preto que rodam sobre uma pequena plataforma luminescente.

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Em Foco BREGUET Classique Calendário Perpétuo

Nome perpetuado até à eternidade Classique Calendário Perpétuo Referência 5327BA/1E/9V6 | Preço € 61.200

O Classique Quantième Perpetuel captura a essência da marca que ostenta o nome do genial Abraham-Louis Breguet, a quem se devem praticamente todos os principais desenvolvimentos da relojoaria mecânica – patenteados no final do século XVIII e em inícios do século XIX. Dotado de calendário perpétuo, exala uma elegância intemporal através da sua meticulosa decoração em guilloché.

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Em Foco BREGUET Classique Calendário Perpétuo

O passado e o futuro da relojoaria numa vedeta do catálogo da marca no presente: o Classique Calendário Perpétuo é uma súmula do savoir-faire relojoeiro tradicional e do artesanato decorativo acumulados desde Abraham-Louis Breguet mas está já dotado de uma vanguardista espiral em silício.


Mostrador precioso Tal como a caixa (disponível em ouro branco, rosa, amarelo ou platina) e a especialidade mecânica, o mostrador em prata maciça criteriosamente decorado é marcante na personalidade do relógio. Diversos padrões em guilloché executados artesanalmente oferecem uma textura única que reage sumptuosamente à incidência da luz. Calendário perpétuo Através de um mecanismo automático extraplano decorado manualmente com artísticas gravações, o Calibre 502.3 DRP1, com espiral plana em silicone, proporciona a indicação da reserva de corda e horas, minutos, segundos, data, dia da semana, mês, anos bissextos, fases e idade da Lua. Estilo marcante Para além do mostrador trabalhado em guilloché, outras características históricas da marca surgem exaltadas: ponteiros azulados com o estilo Breguet, algarismos romanos, caixa canelada no perímetro exterior.

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Em Foco Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Grande Complication

Corpo celestial com catedral Master Grande Tradition Grande Complication Referência Q5023580 Preço € 324.000

Integrado na linha Hybris Mechanica (reservada às maiores especialidades relojoeiras da Jaeger-LeCoultre), o Master Grande Tradition Grande Complication inclui um turbilhão volante que acompanha o ritmo dos fenómenos celestiais com indicação do tempo sideral e a projeção sonora do tempo através da repetição de minutos. Tão superlativo que tem ‘grande’ por duas vezes no nome!


Tradição secular Mais uma obra-prima que personifica toda a excelência da Jaeger-LeCoultre desde a sua fundação em 1833: o Master Grande Tradition Grande Complication reinterpreta de maneira magistral complicações relojoeiras nobres num relógio acústico de configuração ímpar. Tempo sideral O artístico mostrador de azul esmaltado mostra a constelação do hemisfério norte (vista projetada do céu a partir do Pólo Norte), acompanhada de um calendário anual e do zodíaco – ajustáveis através de uma única coroa. Porque a Terra roda em torno do seu eixo e à volta do Sol, a vista vai mudando ao longo do dia e do ano, indicando a posição das estrelas dentro da elipse no mostrador. Dimensão acústica As complicações acústicas são outra das especialidades da Grande Maison e a função repetição de minutos permite fazer soar o tempo após o acionamento da alavanca. Dois martelos trébuchet (um, com nota grave para as horas, outro, com nota aguda para os minutos, juntos para os quartos de hora) proporcionam um som puro e cristalino.

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Em Foco VACHERON CONSTANTIN Overseas Chronograph Perpetual Calendar

Combinação ideal em luxo desportivo Overseas Chronograph Perpetual Calendar Referência 49020/000R-9753 Preço € 90.700

Lançado em 1996 e remodelado em 2004, mas com raízes num modelo de 1977 que também teve a participação do lendário designer Gérald Genta, o Overseas da Vacheron Constantin é um dos mais celebrados modelos desportivos da alta-relojoaria. O Chronograph Perpetual Calendar junta duas complexidades mecânicas numa versão que passa a ocupar um lugar de destaque na linhagem.


josé faria

relojoaria faria

Uma prestigiada associação entre cronógrafo e calendário perpétuo. No fundo, a chancela Overseas em relevo: o veleiro Américo Vespúcio.

Evolução da espécie A génese do Overseas remonta ao 222 que, curiosamente, foi o primeiro projeto que o atual presidente da Vacheron Constantin (Juan Carlos Torres) liderou. O design, caracterizado pela bracelete integrada, evoluiu até atingir a maturidade absoluta – e a perfeição. Simbolismo aplicado Vincent Kauffmann, diretor criativo da marca, deu as pinceladas finais ao traçado atual do Overseas com a estilização da Cruz de Malta aplicada na luneta e na bracelete em metal (aço ou ouro). A versão Chronograph Perpetual Calendar faz-se acompanhar de uma correia em pele de crocodilo. Brilhantismo e antimagnetismo O calibre modular automático 1136 QP é meticulosamente decorado e está protegido dos campos magnéticos por uma caixa em aço macio dentro da caixa em ouro rosa de 42 milímetros.

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Em Foco porsche design P’6540 Heritage Set

Tempo e visão em ótima combinação P’6540 Heritage Set Referência 6540.1041.0271 Preço € 5.290

Associando o tempo e a visão com muito estilo, o conjunto Heritage da Porsche Design celebra o 40.º aniversário sobre o primeiro relógio e 35 anos sobre os primeiros óculos de sol concebidos pela marca – num apelativo estojo limitado a apenas 911 exemplares. Afinal de contas, também o lendário Porsche 911 comemora meio século de vida em 2013.


paulo miranda

paulo miranda joalheiro

A Porsche Design foi pioneira no design e na utilização do titânio, sendo o Conjunto Heritage um excelente exercício de estilo das suas criações mais emblemáticas.

O cronógrafo Aquando da fundação do atelier da Porsche Design, em 1972, Ferdinand Alexander Porsche optou pelo preto monocromático para o primeiro relógio lançado pela marca. O Chronograph 1, com caixa e bracelete em titânio, respeita o modelo original, mas é declinado num tom acinzentado. Os óculos Os óculos P’8478 em titânio com lentes intercambiáveis foram o segundo produto de sucesso a sair do estúdio da Porsche Design. A versão do conjunto Heritage inclui detalhes que combinam com o Chronograph 1, incluindo logótipo nas hastes e superfícies interiores em vermelho reminiscentes do ponteiro dos segundos. A marca A Porsche Design estabeleceu a primeira linha de acessórios de luxo exclusivamente para homens e alargou a filosofia de design do seu fundador a objetos de culto, nos quais a forma combina com a função, graças a uma estética arrojada e materiais de ponta.

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Em Foco Montblanc Nicolas Rieussec Chronograph Open Home Time

Exercício de estilo em rosto singular Nicolas Rieussec Chronograph Open Home Time Referência 107067 Preço € 25.900

A inconfundível linha de cronógrafos Nicolas Rieussec, dedicada ao inventor do cronógrafo (chronos + graphein: registador de tempo) propriamente dito em 1821, recebeu recentemente a adição da versão Open Home Time em ouro vermelho exclusiva para as boutiques da marca. Um terceiro disco rotativo para um segundo fuso horário junta-se aos habituais discos do cronógrafo.


nuno teixeira

montblanc portugal

A elegância das suas linhas e as funções que apresenta foram pensadas para o homem do Séc. XXI e são um bom exemplo do expoente tecnológico alcançado.

Característica monopulsante Os dois totalizadores (segundos, minutos) assentam em discos rotativos inspirados no cronógrafo original do mestre relojoeiro francês. Outro elemento distintivo da linha Nicolas Rieussec é o botão único às oito horas que aciona, para e remete a zero a contagem. Visual recortado O mostrador é recortado em três áreas: ao centro, e por baixo do disco do segundo fuso horário para a hora de referência (Home Time), é possível ver o mecanismo de manufatura; à esquerda, um disco bicolor dia/noite associado à hora de referência; à direita, a indicação da data. Calibre comum, versão exclusiva O Calibre MB 210 automático está dotado de uma roda de colunas, dois tambores de corda e 72 horas de autonomia visível através do fundo transparente da caixa em ouro vermelho 5N, que é exclusiva das boutiques Montblanc. Também está disponível em aço.

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Em Foco chronoswiss Régulateur 30

Dois aniversários num só relógio Régulateur 30 (ouro rosa / aço) Referência CH 2811 R / CH 2813 Preço € 14.490 / 6.720

O mestre-relojoeiro Gerd-Rüdiger Lang fundou a Chronoswiss em 1983 para perpetuar a relojoaria mecânica tradicional numa era em que os relógios de quartzo inundavam o mercado. Três décadas depois, a marca germano-suíça mata dois coelhos de uma cajadada só ao celebrar o seu 30.º aniversário e os 25 anos de um dos seus mais emblemáticos modelos com o lançamento do Régulateur 30.


josé madeira gil

giles joalheiros

Atenção pelo detalhe e exaltação da relojoaria tradicional numa edição limitada (130 peças em ouro rosa, 300 em aço) que fica para a história da Chronoswiss.

Diferentes leituras do tempo O Régulateur original de 1988 inspirou-se nos antigos reguladores de parede pelos quais os outros relógios eram acertados – com submostradores e eixos distintos para os ponteiros das horas, minutos e segundos. O Régulateur 30 fornece a indicação digital das horas numa janela; os minutos e os segundos mantêm a disposição analógica. Decoração pormenorizada O mostrador é trabalhado à maneira dos modelos clássicos da Chronoswiss: sobre uma placa de prata maciça, a decoração em guilloché ‘grão de cevada’ expande-se para contrastar com o axadrezado nos submostradores dos minutos e dos segundos. Ponteiros azulados oferecem o contraste ideal. Janela para o coração Se a maior parte dos relógios mecânicos apresenta, hoje em dia, um fundo transparente, isso deve-se à Chronoswiss – que popularizou essa solução na década de 80. O Régulateur 30 tem um fundo de safira que permite apreciar devidamente a beleza do calibre C.283 de corda automática.

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Fair-Play Regressa o a primavera e com ela a exaltação dos desportos ao ar livre. Mente sã em corpo são, o tempo voa quando nos dedicamos à nossa paixão – seja ela o râguebi, o ténis, o beisebol, o futebol, o golfe, o skate, a natação ou qualquer outra atividade desportiva. Sete modalidades individuais e coletivas, sete relógios de características diferentes mas com o mesmo espírito competitivo. Está na hora de jogar! Realização: Ricardo Preto Fotografia: Nuno Correia Pós-produção: Miguel Curto


Ralf Tech WRX 'A' Hybrid Day Ref: WRXA1001 Edição limitada a 500 exemplares. Preço: € 1.390 Relógio cedido por Machado Joalheiro www.machadojoalheiro.com


Panerai Radiomir Ref: PAM 379 Preço: € 19.200 Relógio cedido por Anselmo 1910 www.anselmo1910.com


Rolex Yacht-Master Ref: 116622/78800 Preço: € 9.650 Relógio cedido por Torres Joalheiros www.torres.pt


Franck Muller Cintrée Curvex Mariner Ref: 8080CCATNR/ACPRAZ Preço: € 25.660 Relógio cedido por Marcolino Relojoeiro www.marcolino.com.pt


Raymond Weil Nabucco Va, Pensiero Ref: 7820-STC-05607 Preço: € 4.650 Relógio cedido por Ourivesaria Correia


TAG Heuer Aquaracer DUO Ref: CAK2111.AQUADUO Parte do conjunto AQUADUO Preço: € 9.950 Relógio cedido por Paulo Miranda Joalheiro www.paulomirandajoalheiro.com


Porsche Design P'6780 Diver Ref: 6780.4543.1218 Preço: € 8.710 Relógio cedido por Gilles Joalheiros vasco@gillesjoalheiros.com


Há Diaz assim… Quando duas grandes personalidades se juntam, o resultado é explosivo. O reputado fotógrafo Tom Munro retratou a conhecida atriz Cameron Diaz numa produção da TAG Heuer destinada a destacar a beleza única da californiana e a cumplicidade com o seu relógio – o Aquaracer Steel & Gold de senhora. Tom Munro especializou-se em fotografar moda e celebridades; Cameron Diaz tornou-se modelo muito jovem e como atriz recebeu múltiplas nomeações para os Globos de Ouro. A combinação entre os dois resultou nas sugestivas imagens que se seguem. Modelo: Cameron Diaz Fotografia: Tom Munro para TAG Heuer Estilista: Jessica Diehl @ Jed Root Cabelo: Serge Normant @ Jed Root Maquilhagem: Mark Carrasquillo @ art + commerce


TAG Heuer Aquaracer Lady Ref: WAP1452.BD0837


TAG Heuer Aquaracer Lady Ref: WAP1452.BD0837


MERIDIIST Black PVD Comunicação de vanguarda é a proposta da TAG Heuer na sua constante busca pelas soluções mais inovadoras. De facto, o exclusivo MERIDIIST em PVD negro com pormenores em ouro rosa é um portento no que à tecnologia diz respeito; 28 dias de autonomia em standby e 7 horas em conversação, câmara digital de alta qualidade e todas as opções de topo que o transformam num instrumento quer de trabalho imprescindível para quem estar sincronizado e atualizado em qualquer parte do mundo. Mais informações: www.torresdistrib.com

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gadgets

Quem de 77 tira 20 Da colaboração entre a Aston Martin e a Buben & Zorweg nasceu o Objecto do Tempo One-77. A inspiração? Nada mais, nada menos do que o extraordinário Aston Martin One-77. O Objecto do Tempo One77 é um cofre de alta segurança com 1,77m de altura concebido para seduzir visualmente mas, sobretudo, para ser o guardião de objetos preciosos. Inclui nichos rotativos para relógios mecânicos, humidificadores para charutos, gavetas próprias para jóias, quatro relógios e um sistema de som que permite a acoplagem de um iPod. Como não poderia deixar de ser é uma edição limitada a 77 unidades, sendo que as 20 primeiras foram imediatamente encomendadas após a apresentação do 'Object of Time One-77'. Mais informações: www.astonmartin.com

Coração Lunar Quando a Hasselblad apresenta novidades o mundo da fotografia fica em suspenso. A marca rainha da fotografia procurou e encontrou na Sony o sensor que procurava para a sua Lunar. São 24.3 milhões de pixeis num corpo compacto de objetivas intermutáveis. A sensibilidade vai desde 100 ISO até a uns incríveis 16000 ISO, que torna a Lunar imbatível em condições de luz reduzidas também graças ao seu sistema de dupla redução de ruído. No plano estético, o punho da Lunar pode ser customizável em termos de cores e materiais que variam da madeira à borracha. Luxo, estilo e extraordinário desempenho sob a irrepreensível chancela Hasselblad. Mais informações: www.hasselblad-lunar.com


gadgets

Urban 7 Tudo o que a TAG Heuer faz, faz muito bem e a linha de óculos da marca suíça não foge à regra. Intimamente ligados às coleções relojoeiras, os óculos TAG Heuer primam pela excelência dos materias e pela qualidade em todos os detalhes. O grande mote é esse mesmo: a constante inovação, resistência, conforto e sobretudo a elegância de um encaixe perfeito. O modelo apresentado, o Urban 7, tem uma elegância desportiva e um design sóbrio, extremamente confortável para uma utilização diária em ambiente urbano. As linhas rectas são inspiradas nos desportos motorizados, com a exploração dos materiais utizados na aeronáutica. Mais informações: www.prooptica.pt

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Perto das estrelas Muito mais que uma simples caneta, a colecção Caelograph exibe autênticas cartas astrais delicadamente gravadas em laca chinesa azul. Em qualquer momento e através de aneis rotativos, as Caelograph indicam as estrelas e as constelações em qualquer data escolhida. Na tampa pode observar-se uma decoração que remete para os antigos relógios de Sol e no topo oposto foi mesmo incluída uma pequena bússola reforçando a ligação entre astronomia e navegação. A coleção Caelograph é composta por três modelos em edições limitadas: a Alpha, em platina; a Sirius, em ouro amarelo; e a Zenith, em ouro rosa. Mais informações: www.carandache.com


Para o gentleman driver Se há algo que o nome Chopard evoca é sem dúvida um sentimento de elegância e requinte. A sua nova linha de acessórios para homem não foge à regra, como o provam as novas carteiras criadas a pensar no moderno 'gentleman driver'. As carteiras Chopard são um perfeito complemento para os relógios de inspiração automobilística a que a casa suíça já nos habituou em algumas das suas coleções ou simplesmente objetos de alta qualidade para quem aprecia o que de melhor se faz no mundo dos acessórios masculinos. Mais informações: www.chopard.com

Elegância estival A nova colecção de sapatos Primavera/Verão da Louis Vuitton apresenta soluções casuais e mais formais tendo em vista os dias quentes de praia e as noites amenas de calor em que um jantar à beira bar se torna algo quase obrigatório. Em qualquer situação as propostas Louis Vuitton primam pela elegância, conforto e qualidade dos materiais – como é apanágio da marca. Mais informações: www.carandache.com


social

TAG Heuer mais perto da McLaren A temporada de Formula 1 de 2013 acabou de arrancar e a TAG Heuer reforçou os seus laços com a McLaren de diversas maneiras, não só através de uma maior visibilidade nos bólides e vestuário da equipa Vodafone McLaren Mercedes como também através de uma nova parceria com a McLaren Automotive – o departamento da escuderia especializado em supercarros. A TAG Heuer também passa a apoiar o Programa de Desenvolvimento de Jovens Pilotos da marca e incluiu o jovem piloto mexicano Sérgio Perez no seu lote de embaixadores. A TAG Heuer está associada à McLaren há já 28 anos, com muitos sucessos pelo meio: 140 vitórias em Grandes Prémios, 134 pole positions, 373 pódios, seis títulos mundiais de construtores e nove títulos mundiais de pilotos. O responsável da McLaren, Ron Dennis, esteve na exibição ’50 Anos de Carrera’ que a TAG Heuer montou em Genebra e que já passou por Nova Iorque. Em Melbourne, o CEO Jean-Christo­ phe Babin e o piloto Jensen Button fizeram o lançamento do Grande Prémio da Austrália na Boutique TAG Heuer.


Ralf Tech domina Vendée Globe A regata Vendée Globe foi fundada em 1989 pelo experiente navegador francês Philippe Jeantot e, depois de uma segunda edição em 2002, tem decorrido sempre de quatro em quatro anos – atingindo contornos épicos pela sua dureza e perigosidade, tendo já registado várias vítimas fatais. A epopeia naval a solo arranca sempre em Les Sables d’Olonne, na costa francesa, que no regresso também acolhe os intrépidos marinheiros após a circumnavegação. Este ano, 10 dos 20 solitários skippers participantes na volta ao mundo usaram relógios Ralf Tech. E o grande vencedor da edição 2012/2013 cruzou a chegada usando um Ralf Tech no pulso, precisamente o WRX 'A' Hybrid: o francês François Gabart não só se tornou no mais jovem campeão de sempre da Vendée Globe com os seus 29 anos como também concluiu a prova em novo tempo recorde – com 78 dias, 2 horas, 16 minutos e 40 segundos (média de 15,3 nós ou 28,33km por hora), demorou menos seis dias do que a marca estabelecida pelo vencedor da última edição.

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social

Rolex domina as raquetas Pouco depois de ter anunciado o seu patrocínio à Formula 1, a Rolex reforça a sua liderança no ténis ao tornar-se cronometrista oficial do ATP World Tour – o circuito profissional masculino. A associação, que inclui a renovação do contrato existente de patrocínio do ATP World Tour Finals (Masters masculino de final de época), faz com que a Rolex se torne Official Gold Partner do ATP World Tour. O lote de embaixadores da marca no ténis é liderado pela lenda viva Roger Federer, que personifica tanto no court como fora dele a classe e precisão suíça. O espetacular francês Jo-Wilfried Tsonga, o ‘bom gigante’ argentino Juan Martin del Potro, as bonitas ex-número um mundiais Caroline Wozniacki e Ana Ivanovic, e as vedetas chinesas Li Na e Zheng Jie também defendem a marca genebrina nos courts de todo o mundo. Desde 1978 que a associação a Wimbledon constitui uma das mais antigas parcerias de sempre no universo dos patrocínios desportivos, mas no decurso da última década, a Rolex tornou-se mesmo num dos principais investidores do ténis: para além de Wimbledon, também patrocina outro evento do Grand Slam (o Open da Austrália), as maiores competições por equipas nacionais (Taça Davis e Fed Cup), as cimeiras de final do ano com os melhores de cada circuito (ATP World Tour Finals e WTA Championships, conhecidas por Masters) e ainda vários torneios Masters 1000.


Esquadra 501 'Bisontes' celebra 70 501 horas de voo A Espiral do Tempo foi convidada a participar na comemoração da passagem das 70 501 horas de voo da Esquadra 501 'Bisontes' que se assinalou, no dia 21 de janeiro, na Base Aérea Nº 6 (BA6) no Montijo. O ponto alto da cerimónia foi a apresentação da Aeronave Lockheed Hercules C130, com uma pintura na cauda alusiva e comemorativa das 70.501 horas de voo. Militares da BA6, elementos desta esquadra de voo e convidados marcaram também presença no evento, que contou com uma apresentação sobre a Esquadra 501 e sobre a aeronave C-130, proferida pelo Comandante da Esquadra 501, Major Jorge Gonçalves. A Esquadra 501 'Bisontes' está intimamente ligada à relojoaria Suíça, nomeadamente à Fortis que, em 2007, criou uma edição limitada de 130 relógios especificamente para esta Esquadra. Ao longo das 70 501 horas de voo, pela sua natureza e pela excecional capacidade da aeronave C-130, a Esquadra 501 tem levado o nome da Força Aérea e de Portugal aos quatro cantos do mundo, no cumprimento das mais variadas missões, honrando o seu lema 'Onde Necessário, Quando Necessário'. Das mais variadas missões, destacam-se as de combate a incêndios florestais e as de apoio humanitário em Moçambique, na Turquia, no Haiti e, mais recentemente, no Egito e Líbia. A Esquadra 501 teve ainda um papel preponderante nas operações militares no âmbito dos compromissos de Portugal com a ONU, NATO e União Europeia, bem como no apoio às Forças Nacionais Destacadas. Por todos estes serviços relevantes e extraordinários, a Esquadra 501 foi condecorada com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos e com a Medalha de Mérito de Proteção e Socorro, Grau Ouro.

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livros

Chopard The Passion for Excellence / Autor Salomé Broussky / Fotógrafo Helmut Stelzenberger Fundada por Luis-Ulysse Chopard em 1860, a Chopard sempre foi sinónimo de luxo e qualidade. Reconhecida mundialmente pelos seus relógios e jóias, a casa suíça nunca descansou sobre os seus louros. Inovando constantemente mas sempre consciente da sua histórica herança, é o perfeito exemplo de uma marca que se rege segundo os mais elevados padrões. Esta obra regista o extraordinário desenvolvimento da Chopard e da família Scheufele, a quem se deve o mérito de a ter conduzido à sua atual proeminência. Este livro leva-nos aos bastidores e mostra-nos o trabalho dos criadores, dos relojoeiros e de todos os artesãos envolvidos nas criações relojoeiras e joalheiras da Chopard.

Treasures of Vacheron Constantin

Montblanc Writing Time

/ Autor Julien Marchenoir

/ Autores Gisbert Brunner, Reinhard Meis Laurence Marti / Prefácio Franco Cologni

Um livro sumptuoso que acompanha a cronologia de uma das mais celebradas manufaturas relojoeiras. Fundada em 1755 por Jean-Marc Vacheron, a Vacheron Constantin é a mais antiga casa relojoeira em funcionamento ininterrupto desde a sua criação e uma das principais embaixadoras da alta relojoaria suíça. A obra acompanha todos os momentos-chave da sua história.

O livro essencial para os admiradores da Montblanc, destacando-se a decisão da marca alemã reputada pelos seus instrumentos de escrita em se dedicar também aos instrumentos do tempo, desde a compra da manufatura Minerva até ao lançamento de relógios dotados de mecanismos próprios.


Rolex Daytona Story / Autores Osvaldo Patrizzi e Guido Mondani / Edição Guido Mondani Osvaldo Patrizzi e Guido Mondani, duas das maiores sumidades mundiais no que diz respeito à Rolex e autores dos mais diversos livros relojoeiros, juntaramse para criar o maior e mais relevante livro de sempre sobre o Oyster Perpetual Cosmograph Daytona – vulgarmente conhecido por Daytona e um cronógrafo que não só atingiu estatuto de culto mas que também se tornou lendário ao longo dos seus 50 anos que se completam em 2013, chegando a ser o relógio em aço de série mais procurado do planeta. A edição limitada e em formato largo (31x41 cm) contém material nunca antes publicado, abordando todos os mais pequenos detalhes das múltiplas referências do Daytona e satisfazendo qualquer curiosidade sobre o tema. Capa dura com estojo, 280 páginas.

Panerai in Florence 150 Years of History / Autores (Primeiro volume) Mario Paci (Segundo volume) Dino Zei / Edição Guido Mondani Uma publicação completa sobre a mais conhecida das marcas relojoeiras italianas e que tanta importância teve no contexto militar da Segunda Guerra Mundial, sendo preponderante para a tendência dos relógios sobredimensionados quando foi ‘ressuscitada’ na década de 90. A obra divide-se em três volumes distintos inseridos num estojo ilustrado: o primeiro, em italiano, aborda a história completa da Officine Panerai desde os seus primórdios em Florença; o segundo é a tradução em inglês do primeiro volume; o terceiro, da autoria de Dino Zei, mostra imagens de exemplares entre 1930 e 1997 com informação técnica extremamente pormenorizada sobre cada um deles. Uma grande obra com a garantia da qualidade da editora especializada de Guido Mondani.

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ONDE COMPRAR

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montblanc montblanc.com (Canetas, Relógios) Boutique Montblanc Av. Liberdade 213 259 825 Boutique Montblanc El Corte Inglés

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crónica José Luis Peixoto

A meia hora da praxe Trinta minutos são suficientes para confecionar uma receita de dificuldade média, para ver o telejornal, para casar no registo civil. Trinta minutos são suficientes para quase tudo. Em trinta minutos, vou ali e já venho.

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Quando os portugueses falam naquilo que os distingue dos outros povos, subestimam-se ou sobrestimam-se. Só raramente referem as mesmas características que os estrangeiros apontam quando comentam as suas experiências por cá. Entre estas características nacionais, uma das mais referidas pelos outros é a pontualidade. A falta de pontualidade, entenda-se. Entre os europeus do norte ou os asiáticos, por exemplo, sobram histórias acerca de encontros marcados com portugueses. Tratando-se de asiáticos, chegaram alguns minutos antes da hora marcada e, a seguir, entraram em pânico à medida que o tempo foi passando. Se não desistiram de esperar, a surpresa foi absoluta quando, cerca de meia hora depois, chegou o português sorridente, sem uma palavra acerca do atraso. Meia hora é o tempo subentendido de espera. Não sei quem determinou esse número. Talvez esse seja o tamanho médio da paciência lusa, não há mais mensagens de telemóvel para atualizar depois disso. Ou talvez essa seja a medida da energia necessária para que os nossos compatriotas ganhem coragem, se levantem e iniciem a trajetória até ao lugar onde marcaram o compromisso. Repare-se que não utilizei a primeira pessoa no plural, não me incluí. A razão é óbvia: nenhum português em nenhuma circunstância admite que se atrasa. Muito facilmente reconhece que esses atrasos existem, pode sentir que é vítima ocasional dessas esperas, mas não admitirá essa prática. E eu, claro, sou português. De certo modo, faz sentido. Em Portugal, meia hora não é considerado atraso. Não foram poucas as vezes em que, estando no horário marcado para qualquer compromisso público, me pediram para esperar alguns minutos. Esses minutos servem para dar tempo às pessoas de irem chegando. Esse minutos, já se sabe, são meia hora. Durante muitos anos, Fernando Mamede foi o recordista mundial dos dez quilómetros. Fernanda Ribeiro também foi a melhor corredora mundial dessa distância em vários anos. Na sua melhor prestação, Mamede fez pouco mais de 27 minutos. Fernanda Ribeiro fez cerca de 30 minutos. Como se nota, são marcas que equivalem mais ou menos à tradicional meia hora. Ou seja, durante esse tempo omisso, há portugueses que correm dez quilómetros inteiros. Não sei se é uma teoria muito forçada. É possível que eu não seja o melhor intérprete de números e estatísticas. Ainda assim, tudo parece bater certo. Passo a explicar. Como os portugueses deixam sempre tudo para o último instante, a minha teoria para justificar este enorme sucesso nos dez quilómetros, a tal exata meia hora, tem a ver com o facto de, repentinamente, se aperceberem das horas que já são. Então, dizem a famosa frase: já estou atrasado. Pensam: já devia lá estar. E é nesse momento que batem o recorde mundial. Refiro-me aos outros. Eu não, claro. Eu, como é evidente, chego sempre a horas.


Espiral do Tempo 42  

A revista de quase todos os relógios.

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