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[ Editorial ]

Director • Hubert de Haro • hubert.deharo@torresdistrib.com Editor • Paulo Costa Dias • costa.dias@torresdistrib.com

A relojoaria de qualidade está a viver tempos heróicos.

Design gráfico • Paulo Pires • paulo.pires@torresdistrib.com

E com ela, todos os curiosos, apaixonados e viciados nos mais recentes maquinismos suíços.

Jornalista • Marta S. Ferreira • marta.ferreira@torresdistrib.com Fotografia • Nuno Correia

Zenithium, hublonium ou markethium?

Editor técnico • Miguel Seabra • cronopress@hotmail.com Colaboraram nesta edição • Fernando Campos Ferreira • Fernando Correia de Oliveira • Isabel Stilwell • Rui Cardoso Martins Traduções • Maria Vieira • marie.vieira@torresdistrib.com • Letrário

O ponto alto da vida relojoeira mundial continua a ser as duas grandes feiras do sector – a Feira de

Contabilidade • Elsa Filipe • elsa.filipe@torresdistrib.com

110.000 metros quadrados e 100.000 visitantes em 2007, a segunda concentra 16 marcas em 24.000

Coordenação de publicidade e assinaturas • Patrícia Simas • patricia.simas@torresdistrib.com Revisão • Letrário - Serviços de Consultoria e Revisão de Textos letrario@mail.telepac.pt • www.letrario.com Parceiros Air France • Ass. Jog. Praia d’El Rey • Belas Clube de Campo • Beloura Golfe • Casa da Calçada • Casa Velha do Palheiro • Clube de Golf Pinta/Gramacho • Clube de Golfe Miramar • Clube VII • Clube de Golfe de Vilamoura • Estalagem Melo Alvim • Golfe Aroeira • Golfe Paço do Lumiar • Golfe Ponte de Lima • Golfe Quinta da Barca • Hotel Convento de São Paulo • Hotel Fortaleza do Guincho • Hotel Golfe Quinta da Marinha • Hotel Melia – Gaia • Hotel Méridien Lisboa • Hotel Méridien Porto • Hotel Palácio Estoril • Hotel Quinta das Lágrimas • Hotéis Tivoli • Lisbon Sports Club • Morgado do Reguengo Golfe • Museu do Relógio de Serpa • Palácio Belmonte • Penha Longa Golf Club • Pestana Hotels & Resorts • Portugália Airlines • Quinta do Brinçal, Clube de Golfe • TAP Portugal • Tróia Golf • Vidago Palace Hotel, Conference & Golf Resort • Vila Monte Resort • Vintage House

Ficha técnica

Basileia (a “Messe” de 3 a 10 de Abril) e o Salon Intenational de Haute Horlogerie (em Genebra de 8 a 15 de Abril). Enquanto a primeira consegue acolher 21.000 marcas (!) para uma superfície de mais de metros quadrados. Tanto pela quantidade como pela qualidade, a apresentação das novidades costuma espantar o mais blasé dos profissionais, tornando-se uma passagem obrigatória e particularmente revitalizante. Desde o início desta década, temos a alegria de poder assistir a uma mudança profunda, através da utilização sistemática de novas ligas metálicas no fabrico de caixas, mostradores e movimentos. O aço (Ferro e Carbono) e o latão (Cobre e Zinco) sempre constituíram os dois pilares da relojoaria mecânica de bolso e de pulso. As propriedades físicas desses dois materiais permitem um atrito mínimo nos pontos de contactos entre as rodas e os carretos de qualquer mecanismo relojoeiro. Logo, uma força motriz com menos “desperdício”, e uma média de 40 até 42 horas de reserva de corda. Ainda hoje, esta fidelidade do sector permite consertar qualquer relógio de bolso e, se for necessário, voltar a produzir dentes partidos ou carretos danificados. Hoje, as grandes marcas relojoeiras parecem decididas a deixar o seu cunho no grande livro da história da relojoaria. Os investimentos multiplicam-se na procura irrequieta de novas ligas, aplicadas tanto pelas suas qualidades estéticas como pelas suas propriedades físicas. Vimos reaparecer o maillechort (liga de Cobre, Zinco e Níquel inventada em 1819 pelos franceses Maillet e Chorier) cujo aspecto cinzento prateado seduziu os designers e apareceu nas pontes e platinas de alguns movimentos Audemars

Correspondência: Espiral do Tempo, Av. Almirante Reis, 39 1169-039 Lisboa • Fax: 21 811 08 92 espiraldotempo@torresdistrib.com Propriedade: todos os artigos, desenhos e fotografias estão sobre a protecção do código de direitos de autor e não podem ser total ou parcialmente reproduzidos sem a permissão prévia por escrito da empresa editora da revista: Company One, Lda sito na Av. Almirante Reis, 39 – 1169-039 Lisboa. A revista não assume, necessariamente, as opiniões expressas pelos colabo­radores.

Piguet e Richard Mille. Este último deu um passo grande na utilização de outras ligas – com a preciosa

• • • • • •

Enquanto alguns dedicam investimentos para a eliminação dos vários pontos de lubrificação exis­

Digitalização: ZL - Zonelab • Distribuição: VASP Impressão: Soctip Periodicidade: trimestral Tiragem: 52.000 exemplares Registo pessoa colectiva: 502964332 Registo no ICS: 123890 Depósito legal Nº 167784/01

Fundador: Pedro Torres

ajuda de Giulio Papi da Renaut & Papi – como o alusic (Alumínio e Silício). A Patek Philippe e a Ulysse Nardin foram dos primeiros a ousar trocar o balanço espiral em latão pelo Silício enquanto a Jaeger-LeCoultre marcou definitivamente a história relojoeira em 2007, com a apresentação de um protótipo dotado de 17 materiais diferentes e que não necessitava de lubrificação – o Extreme Lab. Assistimos ainda à invenção de novas ligas como o zenithium (Titânio, Nióbio e Alumínio) ou o hublonium (Alumínio e Magnésio).

tentes num relógio, outros aproveitam a estética de algumas ligas para apresentar designs inovadores. Em ambos os casos, os amantes da bela relojoaria ficam a ganhar com esta vitalidade do sector, nunca antes vista. Não é por acaso que a relojoaria suíça representou, em 2007, 75% do valor dos relógios fabricados no mundo, com uma produção de .... 2%! Boa leitura e óptima compra!

Hubert de Haro Director

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

03

Onde fomos

Edição 28 | Primavera 2008

No início deste ano foram muitas as viagens para cumprirmos a nossa promessa de lhe trazer sempre mais e melhor informação sobre o mundo da relojoaria! Rumámos aos Estados Unidos, nomeadamente a Miami, para assistir ao lançamento da nova colecção Reverso Squadra Lady, da Jaeger-LeCoultre. Destino incontornável: a Suíça. Lá assistimos à abertura do Museu 360 TAG Heuer, entrevistámos Giulio Papi, um dos principais master-minds da relojoaria de hoje, e descobrimos os segredos do fabrico do excepcional Worldtimer, da Porsche Design. Demos ainda um salto à Alemanha para lhe podermos apresentar o percurso da histórica manufactura A. Lange & Söhne. Cá por terras lusitanas, encaminhámo-nos para o Sul do país para descobrirmos quais as melhores formas para saborear o tempo em terras algarvias…

66 Miami

Reportagem Jaeger-LeCoultre/Reverso

90 Faro

96

Perfil Paulo Miranda

Tavira

Saborear o Tempo Pousada Convento da Graça

98

100

102

Vila Nova de Cacela

Vilamoura

Paderne

Saborear o Tempo Monte Rei Golf & Country Club

Saborear o Tempo Restaurante L’Olive

Saborear o Tempo Restaurante Veneza

Sumário Grande Plano

60 Dresden

8

Perfil - Tiger Woods

12

Crónica Miguel Esteves Cardoso

18

Crónica Science & Vie

20

Crónica Rui Cardoso Martins

22

Crónica Fernando Correia de Oliveira

24

Correio do leitor

26

Breves

28

Reportagens

Reportagem A. Lange & Söhne

Grande Entrevista - Giulio Papi

40

Reportagem - Porsche Design

48

Reportagem - TAG Heuer

54

Reportagem - A. Lange & Söhne

60

Reportagem - Jaeger-LeCoultre

66

Técnica Em Foco

48 Grenchen

Reportagem Porsche Design - Worldtimer

Audemars Piguet Millenary com Segundos Mortos

76

Franck Muller Split Second Chronograph

78

Graham Chronofighter Oversize GMT Big Date

80

TAG Heuer Link Calibre S

82

Laboratório TAG Heuer - Monaco Sixty Nine

84

Prazeres Perfil Paulo Miranda

90

Saborear o Tempo

40

54

La-Chaux-de-Fonds

La-Chaux-de-Fonds

Grande entrevista Giulio Papi

Pousada Convento da Graça

96

Monte Rei Golf & Country Club

98

Restaurante L’Olive

100

Restaurante Veneza

102

Acontecimentos

104

Internet

112

Assinaturas

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Crónica Fernando Campos Ferreira

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Reportagem Museu TAG Heuer 360 Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

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Maria Sharapova Nova imagem para TAG Heuer A estrela do ténis Maria Sharapova participou numa sessão fotográfica para a TAG Heuer, na mira da lente do aclamado fotógrafo Marco Grob e vestida pela estilista das celebridades Rachel Zoe. Parte da dream team de embaixadores da marca relojoeira desde 2005, a vencedora de três Grand Slam, que acabou de vencer também o Australian Open e os quartos de finais da Fed Cup, conseguiu encontrar uma brecha na sua apertada agenda de treinos para a sessão fotográfica, que decorreu em Los Angeles. Com um novo look, de franja, e com a boa disposição a que já habituou os fãs, Sharapova encantou a câmara envergando modelos da Dolce Gabbana, Lanvin, Christian Louboutin, e Nike, e provou que não é por acaso que muitos a consideram a mulher mais glamourosa do mundo do desporto. As fotografias vão ser usadas nos futuros lançamentos da TAG Heuer de luxuosos relógios e cronógrafos Maria Sharapova, ao longo de 2008.

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

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Franck Muller ‘Pride of Portugal’ A caixa do tesouro A Franck Muller vai lançar em breve uma edição limitada dedicada a Portugal – ‘Pride of Portugal’. Para acolher peças tão especiais, era preciso uma caixa tão preciosa como o seu recheio. Assim, a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) foi desde logo encarada como a escolha ideal para levar a cabo tal tarefa. Sendo a maior especialista em Portugal no que toca a artes decorativas, adoptando sempre o fabrico artesanal, a FRESS criou uma caixa sóbria, elegante e requintada, o receptáculo indicado para os três modelos da edição especial. O caminho que a caixa percorre até poder receber os relógios é longo, passando por grande parte das 18 oficinas da Fundação. Cada caixa demora cerca de 15 dias até estar finalizada. Mas, no método artesanal, a pressa é inimiga da perfeição. A madeira escolhida foi o ébano – espécie de origem africana, rara, escura, densa. E, pela primeira vez na história da Fundação, foi utilizada folha de ouro rosa para os embutidos.

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

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[ Perfil ]

A primeira vez que chamou a atenção, com a sua tacada, na televisão, tinha dois anos. Muitos pensaram «este miúdo tem futuro». Mas nem os mais audaciosos poderiam imaginar o que se seguiria… Tiger Woods tornou-se a ‘cara’ do golfe no mundo inteiro. O que é impressionante, se tivermos em conta que tem trinta e poucos anos. E torna-se mais impressionante ainda se considerarmos o seu sangue afro-americano, num desporto cujo circuito profissional incluía poucos jogadores negros. Mas desde cedo mostrou que entrou no golfe para ficar, e tem vindo a tornar-se numa lenda viva. Com o seu estilo inconfundível e a incrível – e assumida – competitividade que o move, Tiger Woods é o número um do golfe e conseguiu levar multidões a assistir às competições.

texto Marta S. Ferreira | fotos TAG Heuer

Se algum golfista estava destinado à

Profissional vitorioso

grandeza desde cedo, esse é Tiger Woods. Cresceu nos subúrbios de Los Angeles e aprendeu a dar uma tacada imitando o pai, Earl Woods. Fez a sua primeira incursão no driving range com apenas 18 meses de vida. Aos dois anos – ainda nem falava correctamente – venceu um torneio para crianças com idades até 10 anos e apareceu no Mike Douglas Show. Aos 14, já vencia torneios juvenis nacionais para jogadores com idades até 17 anos. As maiores realizações amadoras de Woods aconteceram nos torneios do USGA. Antes dele, nenhum jogador tinha ganho o Torneio Amador Júnior dos EUA mais de uma vez. Woods venceu aos 15 e aos 18 anos. Quando conquistou o Amador dos EUA novamente, aos 19 e aos 20, tornou-se o primeiro jogador a ganhar este torneio três vezes seguidas.

Nessa época, Woods tinha completado dois anos na Universidade de Stanford e conquistado uma vitória no Campeonato NCAA, e a especulação no mundo do golfe voltou-se para quando se tornaria profissional. Woods deu esse passo após a sua terceira vitória no Amador dos EUA, enco­ rajado por muitos profissionais vitoriosos que di­ ziam que já estava pronto para o Torneio. Revelou-se um fenómeno no verdadeiro sentido da palavra. Mesmo os seus colegas profissionais reverenciaram a sua saída do tee, realizada com a eficiência do seu swing em vez da força bruta. E Woods levou multidões de espectadores aos campos, particularmente os jovens que, de outra forma, não se interessariam pelo golfe. A ‘Tigermania’ continuou até 1999. No final dessa temporada, Woods tinha acumulado oito vitórias, incluindo vitórias nas finais de qua-

tro torneios. Woods entrou em 2000 com a sua quinta vitória consecutiva. Aquela tornou-se a sua melhor temporada até então, com três vitórias consecutivas nos torneios mais importantes, nove eventos totais do Torneio PGA, estabelecendo ou igualando 27 recordes no Torneio. A sua vitória no Masters no início de 2001 fez dele o detentor dos títulos de todos os quatro mais importantes torneios ao mesmo tempo os majors: o U.S. Open, o Campeonato da PGA, o British Open e o Masters. Quando em 2002 renovou o seu primeiro lugar no Masters conseguiu igualar Nick Faldo e Jack Nicklaus, os únicos homens até então a conseguir vencer o Masters consecutivamente.

Ao nível de um comum mortal Em 2003 e 2004, Woods caiu para um nível mais próprio de comum mortal quando modi-

Perfil Tiger Woods

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“Quero ser o que sempre desejei ser: Dominador!”

Tiger Woods Tiger Woods tem uma longa parceria com a TAG Heuer, tendo sido figura de destaque de uma das mais conhecidas e aclamadas campanhas publicitárias da marca suíça: What Are You Made Of? Tiger Woods surgia então fazendo competir a força do seu swing com um carro de Fórmula 1 em pleno circuito urbano do Mónaco.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

“O meu pai sempre me ensinou a preocupar-me e a partilhar. A única coisa que posso fazer é retribuir um pouco.”

Tiger Woods O swing perfeito daquele que é considerado um dos melhores jogadores de golfe de todos os tempo. Em parceria com a TAG Heuer, Tiger Woods concebeu o relógio perfeito para os jogadores de golfe: o Professional Golf Watch. Este ano lançado na versão cinza antracite.

ficou o seu swing. Apesar de não ter ganho um grande evento durante esses dois anos, venceu seis torneios enquanto lidou com severas críticas da comunicação social: correram fortes boatos quanto à alegada tensão entre Tiger e o seu treinador de swing, Butch Harmon. Mas já se aproximava outra temporada dominante: Woods iniciou o ano de 2005 com uma vitória naquele que foi o seu primeiro grande torneio desde 2002, obtendo o primeiro lugar no Masters. Esta vitória colocou-o, novamente, no topo do ranking oficial do golfe mundial. Se­guidamente, conquistou o seu décimo título importante, vencendo o British Open. No final de 2005, tinha ganho seis eventos oficiais com prémios em dinheiro e liderou a lista financeira pela sexta vez na sua carreira.

Um duro golpe e regresso às vitórias Ao mesmo tempo que iniciou a temporada de 2006 no topo do jogo, a sua vida pessoal passou por um revés devastador. O pai, Earl Woods, morreu a 3 de Maio, após uma longa batalha contra um cancro na próstata. Woods despediu-se dos torneios e ausentou-se por um período de nove meses. Quando regressou, venceu o British Open de 2006 – a emoção falou mais alto quando dedicou a vitória ao seu pai. Em 2007, somente dez anos após sua primeira grande vitória, Tiger Woods permaneceu no topo não apenas do seu jogo, mas do golfe mundial. O início do ano trouxe novidades sobre o abrangente domínio de Tiger no mundo do golfe: anunciou que organizaria o seu próprio torneio no mês de Julho. O torneio basea­

do em Maryland que, na verdade, é organizado pela fundação homónima de Tiger, foi apelidado de AT&T National e substituiu o extinto Internacional anteriormente mantido fora de Denver. Apesar de o AT&T National não ter o nome de Tiger oficialmente ligado a ele, o torneio ganhou fama como o ‘Torneio de Tiger’.

Mudanças pessoais e planos ambiciosos O Verão de 2007 foi de grandes acontecimentos para Tiger: obteve o segundo lugar no U. S. Open; nasceu a sua filha com a modelo sueca Elin Nordegren, Sam Alexis, e anunciou planos para projectar o seu primeiro campo de golfe nos Estados Unidos: o Cliffs, um campo particular localizado nas montanhas. No início da temporada de 2008, comprovou que continua em grande.

Fundação Tiger Woods Em 1996, quando iniciou a sua carreira profissional, Tiger criou a Fundação Tiger Woods, cujo objectivo é «inspirar sonhos na juventude americana». Para alcançar esta meta, a fundação disponibiliza programas de enriquecimento pessoal, bolsas de estudos, subvenções directas, equipas de golfe juniores e o Centro de Aprendizagem Tiger Woods, criado em Anaheim, Califórnia, em Fevereiro de 2006. O prédio de 3.150 metros quadrados abriga tecnologia de última geração num ambiente de aprendizagem destinado a ajudar os jovens a identificar os seus sonhos e a procurar formas de concretizá-los, a analisar como escolher uma profissão e a relacionar as aulas frequentadas com as futuras carreiras. O centro oferece cursos de matemática, ciências, tecnologia e comunicação e expressão linguística. Na inauguração do centro, Woods disse a um público de 600 pessoas: «Isto supera o golfe. Supera qualquer coisa que fiz nos campos de golfe. Porque poderemos moldar vidas». Tiger e a mãe, Kultida, inauguraram uma estátua para celebrar o legado de Earl Woods e para honrar o seu grande esforço em ajudar as crianças. A estátua, uma réplica de Tiger e do pai, está na fundação que, segundo o golfista, é o sítio ideal para estar uma vez que um pouco do coração de Earl ficou lá.

Perfil Tiger Woods

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“Adoro vencer. É tão simples como isto: adoro vencer, adoro ser o melhor; e acho que a TAG Heuer partilha comigo esta ambição de ser melhor naquilo que faz.”

Tiger Woods

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Em 17 torneios disputados (11 pelo European Tour e seis pelo PGA Tour), foi o único golfis­ ta a ganhar duas vezes – e só jogou duas vezes na temporada! Se continuar a jogar da mesma forma, deve aproximar-se ainda mais, em 2008, do recorde de Jack Nicklaus, que venceu 18 dos maiores torneios da modalidade. Com 13 títulos, essa é a maior obsessão de Tiger Woods no momento. «Não posso negar que igualar ou quebrar o recorde de Nicklaus é um dos meus maiores desejos. Mas não posso colocar muita pressão em cima de mim.» E esse sonho parece cada vez mais perto: Tiger Woods voltou a vencer o campeonato do mundo de Match Play, depois dos êxitos de 2003 e 2004, o Dubai Desert Classic, do European Tour, e o Arnold Palmer Invitational – então conta agora com 64 triunfos no circuito americano.

o meu pai também era assim. E a minha mãe é capaz de ser ainda mais competitiva que nós os dois. Foi assim que cresci, num ambiente de competitividade. Sempre fomos competitivos. Nunca desistimos a favor de ninguém. E essa é a parte divertida do desporto de competição.» Mas, mesmo sendo considerado o número um do golfe a nível mundial, Tiger Woods acredita que «podemos sempre melhorar. O golfe é fluido, está sempre a evoluir e a mudar». E como jogador competitivo que é, Tiger continua a desafiar diariamente o seu mais feroz opositor: ele mesmo.

“Se estou a jogar ao meu melhor nível sou um adversário difícil de bater. Gosto disso!”

Tiger Woods Fonte: site oficial de Tiger Woods (www.tigerwoods.com).

Tiger Woods e a TAG Heuer É um jogador de golfe excepcionalmente talentoso e os seus feitos são conhecidos por todos. Porque escolheu unir-se à TAG Heuer?

Uma máquina de fazer dinheiro Tiger Woods é o atleta profissional mais bem pago do mundo. Em 2006, arrecadou cerca de 100 milhões de dólares entre prémios e patro­ cínios. Em 2007, totalizou 123 milhões. Ao lon­go da sua carreira profissional, já amealhou, no total, 750 milhões, dentro e fora do campo de golfe. A Golf Digest prevê que, em 2010, Woods vai tornar-se o primeiro atleta bilionário do mundo. Logo no ano em que se tornou profissional – 1996 – assinou contratos de patrocínio no valor total de 60 milhões de dólares e em apenas oito torneiros ganhou 800 mil dólares. Em 1997, foi o jogador que mais dinheiro venceu no PGA Tour, batendo um recorde com os seus prémios de 2.066.833 dólares. O ano de 1998 já foi pior, tendo vencido apenas um torneiro do PGA, acabando em quarto na lista dos vencedores com 1.841.117 dólares. O ano de 2004 foi o de regresso às grandes vitórias… e aos grandes prémios: logo no início do ano, Tiger tornou-se o primeiro jogador a passar a marca dos 40 milhões de dólares em vitórias profissionais.

Esta é uma grande aventura e uma oportunidade fantástica. Espero dar um grande contributo à TAG Heuer, uma marca que considero única e excepcional. Os meus gostos mudaram ao longo da minha carreira, da minha «curta» carreira, e é muito bom conseguir associar-me a uma empresa tão ousada e prestigiante como a TAG Heuer. Como é que consegue conciliar a sua carreira de jogador profissional de golfe com o seu papel de embaixador da TAG Heuer? A TAG Heuer é sinónimo de excelência na precisão, e a precisão representa um papel importante na minha carreira profissional. Em primeiro lugar, tenho de ser pontual para poder jogar e, em segundo lugar, a precisão faz parte do jogo de golfe. Este é um jogo de milímetros. Portanto, para se ter sucesso neste desporto, temos de ser precisos. Como nós os dois – eu e a TAG Heuer – competimos para sermos os melhores naquilo que fazemos, desafiamo-nos a nós próprios a todo o momento, desafiamos os nossos próprios limites. Assim, ao partilhar os mesmos valores e objectivos, torna-se um processo natural conciliar a minha carreira profissional com o meu papel de embaixador da TAG Heuer. A história da associação da TAG Heuer com o mundo do desporto data dos anos 20 do século passado. O que significa para si ser o representante da gama TAG Heuer Link? Para ser honesto, cresci sem nunca sequer imaginar que alguma vez poderia ter um relógio de luxo. Lembrome do primeiro relógio que comprei – era um relógio do Rato Mickey. Como se vê, percorri um longo caminho. E estou muito entusiasmado por actualmente representar uma grande empresa como a TAG Heuer e colecções como o Link, que representa a elegância no desporto de hoje em dia, e o Professional Golf Watch, um projecto excitante em que estive completamente envolvido, desde os primeiros passos até ao produto final. Encontra semelhanças entre a arte de criar relógios e jogar golfe? Adoro vencer. É tão simples como isto: adoro vencer, adoro ser o melhor; e acho que a TAG Heuer partilha comigo esta ambição de ser a melhor naquilo que faz. Também acredito que, para se ter sucesso constante e

A sede de vencer

durante um longo período de tempo, é necessário trabalhar muito. É necessário desafiarmo-nos a toda a hora

Uma coisa que sempre o acompanhou desde a pri­meira tacada até aos grandes palcos do golfe mundial foi a sua feroz competitividade, que, segundo ele, está-lhe no sangue. Tiger confessa que adora « jogar contra os melhores do mundo» e admite: «Adoro vencer e odeio perder. Mas

e ter muita força de vontade. Penso que são estas as regras-base, tanto para jogar golfe profissional como para fazer relógios lindos e prestigiantes, durante um longo período de tempo. Quais das características da TAG Heuer assume como suas também? Existem tantos valores que partilhamos, mas menciono apenas a precisão, o desempenho, a força e a paixão.

Perfil Tiger Woods

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[ Crónica ] Miguel Esteves Cardoso para Joaquim António Nabais Pinheiro

É pena. As pessoas dizem que o tempo cura tudo, mas não sabem dizer como. Ou não podem. Porque a ideia delas, mais automática do que mal pensada, é que o tempo cura através do esquecimento.

É pena. As pessoas dizem que o tempo cura

No entanto, as mesmas pessoas que jamais

quando o amor é pouco. E assim desconsidera o

tudo, mas não sabem dizer como. Ou não podem.

sugeririam uma viagem à Índia como maneira de

luto – que igualmente desconhece – da boa alma

Porque a ideia delas, mais automática do que

fugir a um luto profundo sentem-se à vontade para

que a quis consolar e identificar-se com ela.

mal pensada, é que o tempo cura através do

recomendar os poderes curativos da distância no

esquecimento.

tempo.

Como povo que vive a saudade como parte do dia-a-dia e não se coíbe até de se orgulhar disso,

Quando morre alguém que se ama muito, pro­

Fazem-no por bem e por aflição diante a dor.

nós os portugueses frequentemente revelamos ter

curam consolar-nos com a cura do tempo. Mas

Umas escolhem a forma «Eu sei o que estás a

da saudade a concepção vápida do mais apressa­

depois não podem confessar que é no es­que­ci­

sofrer; eu já passei por isso». Parece diferente,

do turista, despejado por um autocarro por uma

men­to que confiam para levantar a dor.

mas é o mesmo.

casa de fados adentro.

Porque o esquecimento é contrário ao amor:

O que está implícito é que a pessoa que «pas­

Vemos o tempo apenas como distância e a

é um atentado contra ele. É uma ofensa recorrer

sou pelo mesmo» agora está bem; que o pior já

saudade apenas como um desejo impossível de

a ele como promessa. Seria mais honesto o des­

passou; que o tempo se encarregou de distanciá-

regresso ao famoso tempo «que não volta mais».

dém e a brutalidade de grunhir: «Deixa lá, isso

-la daquela agonia original.

E, por conseguinte, ouvimos o fado como um

passa-te».

A verdade é que não há nada que se possa

mero lamento que assim seja.

Não podia ser mais incompleta esta noção

dizer. Mas não se pode dizer que o tempo fará

Sabemos muito bem – e se algum povo tem a

do tempo como mera distância. É a tal ‘questão

es­quecer. Ou que o esquecimento fará com que

obrigação de sabê-lo é o nosso – que a saudade

de tempo’. Parece sábia, mas é estúpida. Tão

dei­xe de doer tanto.

é muito mais rica e menos linear do que isso.

es­tú­pida como dar importância ao espaço físico

Isso apenas cria, em quem se procurava con­

Não se vá mais longe: no ‘Lisboa Antiga’, em que

e aconselhar, para um luto ou um desgosto de

solar, uma sensação de revolta e de deter­minação

se cantam as coisas que «já não voltam mais», a

amor, pôr-se a milhas do lugar onde aconteceu.

perante o ser amado que se perdeu: «Ai é? Pois eu

enumeração delas é, ao mesmo tempo, uma dor

Não há grande diferença entre a distância tem­

não quero que deixe de me doer, nunca!». O que

e uma alegria.

poral do «Isso passa-te» e a distância geográfica

é o mesmo que dizer «Jamais hei-de esquecer-me

a que se recorre quando se aconselha um coração

de quem tanto amei e tanto me amou!».

partido a «sair daqui; ir para qualquer lado; mudar de ares; que vais ver que ajuda».

18

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Responde assim, com violência, à ofensa do «isso passa-te»: sugerindo que isso só acontece

À dor de saber que já não voltam mais, é sempre preciso contrapor a felicidade de não as ter esquecido e de poder relembrá-las as vezes que se quiser.

“Porque o esquecimento é contrário ao amor: é um atentado contra ele. É uma ofensa recorrer a ele como promessa. Seria mais honesto o desdém e a brutalidade de grunhir: Deixa lá, isso passa-te.”

Aqui já se começa a reconhecer o tempo tal

equi­valências em dias. Aquela que parte sempre

nunca mais se foi embora; nunca mais saiu de

como ele é; muito mais que mera distância. Mas

da mesma equação básica: quanto maior o amor,

mim. O tempo fez-se pagar; é verdade. Custou

pode-se ir mais longe. Embora os ‘pregões’ e as

mais tempo demora a dor a passar.

muito. Mas trouxe-o. E, a partir desse momento, nunca mais cobrou nada senão as taxas e os emo­

‘esperas’ do fado já não voltem mais, a Lisboa

As pessoas que dizem que o tempo cura

antiga continua a ser Lisboa. Não só foi aqui que

tudo sabem que não é assim tão fácil. Sabem

elas se passaram como é aqui que, de uma ou de

que o tempo não é apenas distância. Sabem que

Assim há-de voltar o pai amado à filha dele.

outra forma, continuam ou poderão continuar.

o tempo, quando se junta a um grande amor,

Leva muito tempo, mas leva muito menos do que

Há ainda outros prazeres da ‘Lisboa Antiga’

faz outra coisa: aproxima. E é essa aproximação

a vida. E, quando volta, fica para sempre, como

a acrescentar, entre os quais o maior é continuar

que transforma a dor da ausência na companhia

não pode nenhum ser vivo.

a ser cantada e ouvida, em Lisboa, todas as

eterna da saudade.

lumentos normais de qualquer grande saudade.

É que no dia 23 de Fevereiro deste ano morreu o pai da Maria João, a minha mulher. Mais amado

noi­tes. O lamento nostálgico só faz sentido se

É o tempo que nos volta a trazer a pessoa

o povoarmos de tudo o que o acompanha, a

ama­­da que partiu. E trá-la de uma forma que não

co­meçar pelo quentinho da comemoração. De

sofre nem morre, portátil e interior, renovando-se

Ele chama-se Joaquim e nasceu em Fevereiro

lembrar em conjunto. De estar ali com outras pes­

dentro da nossa alma com um feliz sossego que

de 1920. O meu pai também se chama Joaquim e

soas a lamentar uma Lisboa que, afinal, nem nós

nada nem ninguém – nenhuma doença; nenhuma

também nasceu em Fevereiro de 1920. Imagino

nem nenhuma delas conheceu.

distância; nenhuma traição – pode atingir ou in­

a paródia que não vai lá por cima desde que

quie­tar.

finalmente se conheceram.

A força da saudade faz-se sentir só quando

por ela – e ela por ele – não podia ser.

se abandona a noção linear do tempo como um

O tempo cura porque aproxima o amor do

Mas ela, coitadinha, ainda não. Falta muito

tos­­co equivalente cronológico das distâncias qui­

amor. O tempo purifica a saudade mas, ao mes­

tem­po; falta muito sofrimento; falta tudo. Mas o

lo­métricas entre cidades. Tanto mais que, quando

mo tempo, dá-lhe vida. A pessoa que se perdeu

tempo já começou a aproximar o que a vida se­pa­

se ouve as palavras costumeiras da consolação

encontra-se e reencontra-se, sempre diferente da

rou. Momentaneamente.

– «o tempo cura tudo» –, apetece pedir para ver

última vez que se esteve com ela; nunca estática;

a tabela.

nunca decadente; tão fluida e vívida e essencial

Qual tabela? A tabela em que de um lado

como o sangue que nos corre nas veias. Foi assim

estão as quantidades de amor e, do outro, as

que voltou o meu pai depois de ter morrido – e

M.E.C.

Espiral do Tempo 28 Crónica

19

[ Crónica ] Revista Science et Vie

Qual é a duração do tempo presente?

... para um físico, a duração do tempo presente representa o mais pequeno intervalo de tempo indivisível e concebível em teoria para levar a cabo uma experiência ou observar um acontecimento.

Eis uma questão engraçada... à qual a Física

pela justaposição de miríades de tPlanck, à seme­

entre a teoria da relatividade geral que analisa a

não consegue responder. Se tivessem perguntado

lhança das peças de um dominó longilíneo. Nesta

gravitação e a mecânica quântica que des­creve as

«qual é a duração do tempo presente segundo

metáfora, um segundo compõe-se de cerca de

leis físicas à escala das partículas.

as teorias actuais?», teria, com certeza, sido mais

2 x 10 s dominós tPlanck seguidos. 43

Com efeito, as fórmulas matemáticas destas duas

simples. Isto é, de acordo com estas, o presente dura exactamente 5,4 x 1044 segundos.

É impossível encurtar? Porém, nada impede ima­

teorias revelam-se inconciliáveis, o que impede

ginar, por exemplo, um fotão (partícula de luz)

de ter acesso simultaneamente ao infinitamente

Efectivamente, para um físico, a duração do tempo

deslocando-se durante metade do tPlanck. Nume­

pequeno e ao imensamente ‘pesado’ (maciço).

presente representa o mais pequeno intervalo de

ricamente falando, tal conceito, não apresenta

Ou seja, o limite de ‘resolução’ espaço-temporal

tempo indivisível e concebível em teoria para le­

qual­quer problema: já que metade do tPlanck

daquilo a que podemos chamar de ‘relatividade

var a cabo uma experiência ou para observar um

equivale a 2,7 x 10

s e que a velocidade

quântica’ – espécie de híbrido artificial e pouco

acontecimento.

de um fotão é de 3 x 108 m/s, uma “uma

estável das duas teorias juntas – é de 1,6 x 1035 e

regra de três simples” resulta numa deslocação

m por 5,4 x 1044 s.

Ora, relativamente às nossas teorias, o mais pe­

44

de 0,8 x 1035 m.

que­no intervalo temporal concebível, identifica-

Para nos aventurarmos mais além, precisaremos

se com o «tempo de Planck», sendo tPlanck

Incompatibilidade entre teorias

de esperar pela conclusão da teoria das cordas,

(5,4 x 1044 s), que representa o «átomo teórico

O problema é que as equações das teorias físicas

que é uma das vias mais avançadas para resolver

de tem­po»: pois, actualmente, não se consegue

actuais não conseguem ser resolvidas para uma

a incompatibilidade dos dois grandes pilares da

con­ceber qualquer experiência ou acontecimento

distância inferior a 1,6 x 1035 metros. Como tal,

física moderna, ou pelo aparecimento de uma

com uma duração inferior a 5,4 x 10

s. O que

as nossas lacunas actuais são coerentes. De

teo­­ria de grande unificação. Só então é que po­

leva a imaginar uma «linha de tempo» formada

quem é a culpa? Da famosa incompatibilidade

de­­remos falar do tempo presente...

44

20

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

[ Crónica ] Rui Cardoso Martins

Mais veloz do que o tempo

A velocidade é, então, isto: a surpresa absoluta, uma informação que não coincide com a realidade, porque a realidade vai mais depressa que a informação.

Tendo chegado atrasado, como de costume,

ta de 1995, nos ‘googles’ de 2008 só cheguei a partes

começou a ser evacuado; a polícia trouxe, inclusivamente,

à cavalariça onde se davam aulas inesperadas, na Uni­

mastigadas por outros), Virilio explicava onde foi buscar

cães… Estávamos todos a rir do disparate – eram tempos

ver­sidade Nova de Lisboa, e ouvi exclamar uma frase

a sua obsessão, a ideia da implosão do espaço-tempo e

ingénuos –, quando… BAAAAUMM!!! Um estrondo horrível

que, misteriosamente, não esqueci, em 20 anos: «É pre­

a criação, por assim dizer, da «Dromologia», a ciência da

que fez os vidros entortarem. Era a bomba.

ciso ler Paul Virilio!»

velocidade. Foi buscá-la onde, normalmente, todos nós

O Professor Emídio Rosa de Oliveira desenhou um seg­

vamos buscar as obsessões: à infância. «A guerra», diz

Numa das salas, houve feridos ligeiros, devido aos tro­

ele, «foi a minha universidade».

peções e ao pânico e disse-se que uma professora saiu

mento de recta – uma linha no quadro – e, entusiasmado,

aos gritos e que uma aluna soluçou: «Eu quero morrer

apagador na mão, começou a comer o segmento do

Foi em 1940, em Nantes, onde a família se tinha refugiado,

lado direito e o do esquerdo, encurtando a linha dos

enquanto estava a jantar com os pais, que, de repente, a

dois lados, até restar apenas um pontinho no quadro. A

rádio anuncia que os alemães estavam em Orléans. Pouco

Foi a primeira reportagem da minha vida num jornal lo­

passagem da linha ao ponto, seria esse o nosso futuro.

depois, ouve «um ruído bizarro» na rua. Precipita-se para

cal. Ganhei uns poucos admiradores e alguns inimigos,

ver o que se passa, como todos os miúdos, e descobre

por escrever ‘falsidades’. Eu próprio apanhei um grande

Era o que a velocidade e a tecnologia estavam a fazer

que os alemães estão a atravessar a ponte de Nantes.

susto, acreditei na bomba. Mas não: eram os caças da

ao mundo: em breve, um avião supersónico transportar-

«Foi para mim a experiência fundamental da velocidade.

base de Beja, a passarem a baixa altitude, tão rápidos

-nos-ia de Paris a Nova Iorque, em pouco mais de uma

A velocidade é, então, isto: a surpresa absoluta, uma

como o som, sem aviso.

hora. Um aparelho comercial encurtaria para metade o

infor­mação que não coincide com a realidade, porque a

lendário voo do Concorde. Isto é, a velocidade anulava o

realidade vai mais depressa do que a informação.» Num

Em Janeiro deste ano, aconteceu o mesmo em Penamacor.

espaço, como previu o filósofo e urbanista francês Paul

outro dia, saiu para as compras, de manhã, com a mãe,

Também não avisaram ninguém. Uma simulação de bom­

Virilio, cujas obras era preciso ler.

e, à tarde, essa rua tinha já desaparecido num bom­

bardeamento rasante com 16 caças, à velocidade de uns

bardeamento aéreo, caído «como um cenário».

340 metros por segundo, sobre as povoações da Serra

Com os anos, a cavalariça das aulas da Nova transformou-

sem sofrer!»

da Malcata, partiu vidros, fez rachas, assustou de morte

-se numa torre feia e o Concorde desapareceu, e não foi

Onde eu quero chegar é que em Portugal também é

substituído (o custo financeiro interfere no espaço-tempo,

possí­vel uma criança ter experiências destas, sem ofensa

creio eu; questão a estudar…). Contudo, a Internet e a

para a II Guerra Mundial. Pode-se, também, ver o tempo

Em Portugal, onde não há dinheiro para nada, só para os

omnipresença do directo televisivo (guerras, furacões

veloz a fazer implodir o espaço, se não mesmo a fazer

ricos enriquecerem, chegámos, finalmente, ao cúmulo:

etc.) reforçaram as previsões e os medos de Virilio.

explodir paredes: basta viver na vasta área de treinos de

matar dois coelhos, não de uma cajadada só, mas com

uma base aérea militar.

a onda sonora de 16 aviões F16. Nem Virilio previu tal

Parece que já não é preciso irmos fisicamente a lado

grau de utilização da tecnologia, tamanha distorção da

nenhum para nos deslocarmos, ou pensar que o fazemos.

Quando estudava num liceu no Alentejo, tive esta ex­pe­

Numa entrevista ao Le Magazine Littéraire (ainda há ci­ta­

riência: num dia de provas, um palerma telefonou a dizer

ções destas, se me permitem usar o papel de uma revis­

que havia uma bomba no Liceu de Portalegre. O Liceu

22

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

os velhotes, pôs a chorar os bebés e matou coelhos.

realidade.

Rui Cardoso Martins

[ Crónica ] Fernando Correia de Oliveira*

Utopia mecânica

Rousseau, d’Alembert, Chamfort, Voltaire e a Relojoaria (final) É possível que Voltaire tenha descoberto o seu

joeiros franceses. A criação de uma manufactura relo­

Calcula-se que a produção em Ferney tenha sido de

interesse pela relojoaria durante a sua estadia na corte

joeira inscrevia-se pa­ra­lelamente no quadro do pro­jec­

cerca de mil relógios por ano, contrastando com 33 mil

de Frederico da Prússia (1750 – 1753), um grande amante

to voltairiano de transformar Ferney, na sequência da

que se produziam em Genebra. Tendo em conta que, em

de relógios que tinha uma importante colecção de pên­

revogação do Édito de Nantes (liberdade religiosa), num

Ferney, trabalhavam, em média, cem relojoeiros e que,

dulos franceses. Mas sabe-se também que Voltaire gos­­

burgo florescente e obediente ao lema que o filósofo

em Genebra, havia, nessa altura, cinco mil, os números

tava especialmente dos relógios de Julien Leroy, o cé­

decretara para o seu pequeno mundo – ‘Fazer o Bem’.

são razoáveis.

le­­bre relojoeiro parisiense (1686–1751). «Ele terá dito

Depois de se ter dedicado à agricultura, Voltaire fundou,

Os mestres-relojoeiros da manufactura de Voltaire

ao filho, Pierre Leroy, que o seu pai e o marechal de

sucessivamente, na localidade, uma olaria, uma fábrica

em Ferney assinaram as suas obras ’Dufour & Céret’,

Saxe tinham vencido a Inglaterra», afirma a historiadora

de faiança, uma outra de telhas, uma tanoaria e um tear

‘Valentin & Dalleizette’, ‘Servant & Boursault’ ou ’Panrier

Isabelle Frank Luxemburg. A Inglaterra era, no séc. XVIII,

de seda, antes de fundar a manufactura de relojoaria.

& Mauzié’. Cerca de uma dezena e meia de relógios

um grande centro relojoeiro e o mais feroz concorrente

Os relojoeiros que Voltaire empregava eram franceses

Voltaire (ele nunca assinou nenhum deles, limitando-se

da França no que dizia respeito ao desenvolvimento de

huguenotes ou seus descendentes que tinham fugido

a financiar a operação e a publicitá-la junto dos ricos e

novas proezas técnicas.

para Genebra e que agora regressavam sob o ‘guarda-

poderosos que conhecia) chegaram até aos nossos dias.

-chuva’ do filósofo.

Estão em museus, como o da manufactura Vacheron

«Voltaire, antes de fundar a sua própria manufactura

Cons­tantin, o de Relojoaria, o da casa-museu do filósofo,

de relógios, tinha já comprado nos anos 60 vários reló­

E dá-se, aí, mais uma experiência utópica. Nas cartas

gios, segundo consta do seu livro de contabilidade», faz

que dirigia às personalidades mais destacadas do seu

notar a historiadora, que estudou a relação entre Voltaire

tempo, Voltaire insistia na necessidade de protecção

Terminamos estas andanças pelo tempo dos en­ci­

e o Tempo. «O inventário do seu castelo em Ferney dá-

da sua pequena república. A uns, enviava amostras do

clo­pe­dis­tas citando Claude-Daniel Proellochs, um his­tó­

-nos conta de que ele tinha lá seis relógios de pêndulo,

trabalho realizado pelos seus ‘súbditos’; a outros, pedia

rico da relojoaria suíça, oriundo de uma família com

dois deles no seu quarto».

ajuda na importação de ouro para o fabrico das caixas

grande tradição no sector. Aquele que foi Presidente da

em Genebra, ou ainda no Louvre, em Paris.

Ao fundar, em 1770, uma manufactura de relógios,

dos relógios. A outros, ainda, pedia que intercedam

Vacheron Constantin de 1988 a 2005 e que hoje está na

Voltaire, ‘o rei de Ferney’, como gostava de se descrever,

junto do rei de França, para que encomendasse os seus

deWitt, tem uma explicação para a relação entre os fi­

seguia a moda do seu tempo e encontrava-se em bem

relógios, cujos preços eram muito mais baixos do que os

lósofos e os relojoeiros: «ambos reflectem sobre a mar­

ilustre companhia. Na época, os monarcas europeus Luís

dos relojoeiros de Paris, Londres ou Genebra.

cha do Tempo».

XV, Luís XVI, Frederico II, Catarina II e José II esforçavam-

A manufactura de Ferney funcionou até 1778, não

se por criar manufacturas relojoeiras nos respectivos rei­

re­sis­tin­do à morte de Voltaire. Durante os nove anos

nos. Em Portugal, por iniciativa do Marquês de Pombal,

de la­bo­ração fez só relógios de bolso, com caixas deco-

fun­dava-se, em 1765, no Bairro das Amoreiras, em Lis­­

ra­das a esmalte, à moda da época, alguns sonneries,

boa, uma Real Fábrica de Relojoaria, a primeira do seu

espe­cialmente para os mercados francês, russo, espanhol

género no País, e que teve à sua frente mestres--relo­

e turco.

24

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Fernando Correia de Oliveira * Investigador do Tempo, da Relojoaria e das Mentalidades

[ Correio do Leitor ]

Certificação COSC Como apreciador de relógios mecânicos – possuo quatro – noto, no dia-a-dia,

Precisão e oscilação

que este tipo de relógio tem um comportamento específico. Comportamento também evidente no relatório que acompanha um dos meus relógios com certificação COSC, onde se constata que o relógio tem índices de precisão distintos em posições diferentes. A questão é: porquê este tipo de comportamento e como se pode explicar tecnicamente tais diferenças de precisão? A variação de precisão também é afectada pela variação de temperatura; usando metais menos susceptíveis de alteração da sua estrutura em face da temperatura não se resolvia o problema? José António Sanchez Coelho Silva Um cronómetro (não confundir com cronógrafo) é qualquer medidor de tempo

Gostaria de mais uma vez levantar uma questão, que como não podia

de alta precisão. Para a lei suíça, um fabricante só pode afixar a designação

deixar de ser, sobre relógios. É sabido que um dos grandes inconven-

‘cronómetro’ a um modelo próprio depois de cada exemplar ter superado uma

ientes dos relógios a corda e automáticos prendesse com o facto da

série de testes e obtido o certificado do COSC – sigla de Contrôle Officiel Suisse

precisão dos mesmos estar interligada como a “quantidade” de corda

des Chronomètres, a mais famosa das entidades suíças de controlo de marcha

armazenada, ou seja muita corda boa precisão, pouca corda menor

e precisão. O COSC testa apenas mecanismos, não o relógio completo (como o

precisão. Sei também que algumas manufacturas conseguem solucio-

faz a Jaeger-LeCoultre, por exemplo). Os movimentos mecânicos são muito sen-

nar este problema a minha questão é como fazem isso?

síveis a variações de temperatura e posição, daí o COSC testar cada mecanismo

José António Sanchez Coelho Silva

durante 15 dias consecutivos, submetendo-o a cinco diferentes posições e três temperaturas (20º, 4º e 36º centígrados). Todas as alterações na precisão são anotadas e comparadas com uma norma-padrão. Actualmente, quando testados, os mecanismos devem apresentar os seguintes comportamentos para serem classificados como cronómetros e receberem o boletim de marcha oficial: 1) a variação diária média em cada posição não pode representar um atraso superior a quatro segundos ou um adiantamento maior do que seis; 2) a média de todas as variações observadas durante dez dias de testes não deve ser superior a dois segundos; 3) a maior variação entre as diversas posições testadas não pode ser superior a cinco segundos; 4) a diferença entre as médias das posições horizontais e verticais não pode significar um atraso de seis ou um adiantamento de oito segundos; 5) a diferença entre a maior variação num dia e a variação diária média não pode ser superior a dez segundos; 6) não pode ocorrer um atraso ou adiantamento superior a 0,6 segundos por cada grau centígrado de variação na temperatura dos testes; 7) em cada ciclo de cinco dias de testes, não pode ocorrer uma variação média superior a cinco segundos de atraso ou adiantamento. Os testes do COSC simulam as condições aproximadas a que o relógio será submetido em uso normal. Alguém que tenha tendência para manter o pulso em apenas uma posição (quem trabalha ao computador, por exemplo) fará com que o seu relógio acumule regularmente todos os erros relativos àquela posição. A precisão do relógio só é alcançada através do fenómeno da ‘compensação de erros’. Um relógio que, colocado numa única posição durante o dia, adianta dois segundos, e, no dia seguinte, noutra posição, atrasa dois segundos, não possuirá variação alguma ao terceiro dia. O mesmo raciocínio pode ser aplicado às alterações de temperatura, sendo que actualmente se utilizam os materiais e óleos mais imunes às variações. O certificado de cronómetro atribuído pelo COSC indica o extremo cuidado da manufactura no ajuste e na construção do movimento, sendo garantia de excelente precisão – mas nem sempre de absoluta precisão. De qualquer das formas, um relógio mecânico que tenha uma variação de dez segundos por dia atinge uma notável precisão de 99,97 por cento!

26

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

A precisão dum instrumento de medir o tempo, depende principalmente da frequência do oscilador. A título de comparação, nos relógios mecânicos a frequência mais utilizada hoje em dia é de 4 Hz (num segundo o balanço executa 4 oscilações completas) e nos relógios electrónicos, o quartzo, no mesmo segundo efectua 32768 oscilações. No que toca a este critério, podemos concluir, que os relógios electrónicos são muito mais precisos que os relógios mecânicos. Na relojoaria mecânica, um outro critério muito importante é o da transmissão da força da corda. Infelizmente esta força nunca é constante (problemas com as engrenagens) e tem tendência a diminuir à medida que a corda se vai desenrolando dentro do tambor. Se ligarmos este factor ao facto do conjunto balanço-espiral não ser isócrono, vamos então verificar que cada vez que o valor da amplitude do balanço variar a marcha do relógio varia igualmente. Estes problemas são quase tão antigos como a história da relojoaria. Apesar dos constantes melhoramentos nos elementos que compõem o relógio mecânico, continuamos a ter uma força que é criada por uma mola metálica. Por isso as duas maneiras por si citadas, não resolvem só por si o problema, mas ajudam a atenuá-lo. Durante o tempo em que o relógio automático está a ser utilizado a força da corda está sempre no máximo e a curva de descida da força só se inicia a partir do momento em que o utilizador retira o relógio do pulso, portanto a amplitude do balanço é elevada, durante mais tempo. Nos relógios de corda manual, logo após que esta seja remontada a fundo, inicia-se a curva de descida da força. Para que essa descida não seja tão pronunciada e leve a que o balanço perda amplitude, e por consequência a marcha varie, optou-se por aumentar a duração de marcha, para que a parte da curva de descida da força, correspondente a 24 horas, não seja tão pronunciada.

Precioso ou funcional? Como apreciador de relógios, não poderia deixar de ser, também, lei­tor da vossa revista, que aproveito para elogiar. A razão de ser des­­te meu contacto prende-se com uma questão que me acompanha

Reserva de marcha

há al­gum tempo, mas que, por diversas razões, ainda não esclareci.

O que significa precisamente a expressão ‘reserva de marcha’ tão utilizada

A minha questão é: por que razão se utilizam rubis nos relógios, se

nos vários artigos da vossa revista?

se depreende que um bom relógio tem de ter obrigatoriamente essas pedras, que, em número variável, revelarão a qualidade do mecanis­ mo? Serão esses rubis genuínos ou sintéticos? José António Sanchez Coelho Silva

Luísa Vasques Reserva de marcha ou reserva de corda é a autonomia que um relógio mecânico (de corda automática ou de corda manual) apresenta desde o momento em que está com a corda toda até ficar sem ela... e parar. Por exemplo: um

O rubi utilizado em relojoaria é uma pedra sintética dura usada num

relógio automático completamente ‘carregado’ e com uma autonomia de 44

mecanismo pelo seu efeito anti-atrito como rolamento de fricção. O

horas é imobilizado em cima de uma mesa sem receber qualquer tipo de

atrito é o inimigo número um do movimento mecânico – é a resistência

corda; demorará precisamente 44 horas até parar. Já os relógios de quartzo

que se opõe ao movimento relativo de dois corpos em contacto e os

funcionam até à pilha acabar.

seus efeitos mais perniciosos são as perdas de energia e o desgaste. E é entre pivots (extremidades adelgaçadas dos eixos) e chumaceiras (apoios circulares) que os nefastos efeitos do atrito mais se fazem sentir. Para reduzir o atrito, utilizaram-se, de início, lubrificantes primi-

Vidro de safira ou mineral

tivos de préstimos muito limitados, os quais, em contacto com o latão,

Nas descrições dos relógios da vossa revista, tenho notado que a maior

criavam azebre que, ao secar, aumentava a resistência cinética em vez

parte deles são dotados de um vidro de safira, mas que também há

de a diminuir, originavam verdete e, misturados com as poeiras do ar,

relógios com vidro mineral. Qual é a diferença?

constituíam massas abrasivas que desgastavam tanto furos como pi-

JOÃO MADEIRA RUIVO

vots. A utilização do rubi como chumaceira para os pivots das peças mais sensíveis do mecanismo veio dar resposta ao problema. O rubi natural é uma pedra preciosa que pertence à família dos corindos, minerais que se distinguem pelo seu elevado grau de dureza. Conhecedor das características do rubi e dos problemas do atrito no relógio, o matemático suíço Nicolas Fatio teve a brilhante ideia de utilizar estas gemas como chumaceiras, em 1704. A grande revolução da produção de componentes em rubi para o relógio inicia-se em finais do século XIX e, nos anos 20 do século seguinte, fica consumada com a industrialização do rubi sintético. Possuindo rigorosamente as mesmas características químicas, físicas e cristalográficas, o rubi sintético substituiu completamente o rubi natural. A título de curiosidade: um relógio mecânico simples, de corda manual, tem, normalmente, 17 rubis – cujo preço é quase irrisório se comparado com o dos componentes metálicos, não constituindo uma mais-valia a não ser funcional. Mesmo os rubis naturais utilizados

A diferença é sobretudo qualitativa, quando não tem a ver com tradição. No último caso está o TAG Heuer Monaco, que reedita o famoso cronógrafo automático quadrado de 1969 e que respeita o original recorrendo a um vidro em plexiglas. Mas, normalmente, todos os relógios de qualidade são equipados de um vidro de safira (sintética, por vezes com tratamento anti-reflexo) sobre o mostrador e até no fundo (quando é transparente) – uma vez que se trata de um material anti-risco e com uma dureza de nove na escala de Mohs. Entre os materiais conhecidos, só o diamante é mais duro (dez na escala de Mohs), ao passo que a dureza do vidro mineral é de cinco na escala de Mohs. Os vidros em plexiglas são aplicados quando a sua forma é de tal modo específica que o vidro de safira não é possível. Na imagem pode ver-se o Monaco Chronograph da TAG Heuer, cujo vidro, devido às suas características específicas não poderia ser feito em safira.

em relógios antigos, depois de furados e manufacturados, são pedras que, pelas suas dimensões, formas e características, não têm qualquer outra serventia.

Espiral do Tempo 28 Correio do Leitor

27

[ Breves ]

“Incluir a aparência externa e o design na definição de alta-relojoaria é problemático uma vez que estes aspectos são uma questão de gosto pessoal.”

Fraçois-Paul Journe Relojoaria suíça: Recorde de exportação Nunca antes a indústria relojoeira suíça ex­

Audemars Piguet Royal Oak

por­tou tanto como em 2007. As exportações

Ícone eterno em ouro rosa

aumentaram 16,2% para 16 biliões de fran-

Nem sempre são as grandes complicações ou as

cos – o maior crescimento dos últimos 18

múl­tiplas funções que conferem excelência a uma

anos. Cerca de 26 milhões de relógios de

peça de alta-relojoaria, como o prova o Royal Oak

pulso saíram das fábricas do país. Os

Automatic. Apenas com as funções de horas, minu-

maiores mercados para esse produto são os

tos, segundos e data, é um mito da relojoaria graças

EUA, seguidos por Hong Kong e Japão. Os

à sua arquitectura singular há mais de 35 anos.

países em que mais aumentaram as vendas

Com a célebre luneta octogonal fixada por parafusos

de relógios suíços foram a Rússia (+ 57,4%)

hexagonais e o habitual padrão quadriculado Grande

a China (43%) e os Emirados Árabes Unidos

Tapisserie no mostrador, o Royal Oak surge também

(36,6%). Também no ano passado a venda

numa versão em ouro rosa acompanhada de correia

de relógios de luxo em França disparou, regi-

em pele de jacaré com fecho de báscula também em

stando um crescimento de 11%.

ouro rosa. Preço: € 19.280

Chopard: Investimento de 15 milhões em Fleurier A Chopard vai incrementar as suas activi-

Acessórios Porsche Design

dades na região de Val-de-Travers: o grupo

Linhas puras

genebrino de relojoaria e joalharia pretende

Para o homem actual que se preocupa com a sua imagem e o assume, sem constrangimentos, a Porsche De-

investir 15 milhões de francos no crescimen-

sign disponibiliza diversas linhas de acessórios masculinos de luxo. Com linhas puras e design moderno, os

to das capacidades de produção em Fleurier.

acessórios exclusivos da Porsche Design – que vão desde botões de punho e braceletes a porta-chaves, anéis

O investimento consiste na compra de um

e óculos, não são apenas decorativos – são acima de tudo funcionais. Preço: A partir de € 140

terreno e de um novo edifício; nos últimos onze anos, a Chopard passou de três para 130 efectivos na Manufactura L.U.C situada na principal localidade do Val-de-Travers.

Print’Or 2008 Mais de 600 expositores e marcas Para a sua 16ª edição, o Print’Or regressou à Eurexpo de 3 ao 5 de Fevereiro. Três dias de negócios, tendências, criações, encontros e trocas: o cocktail de brilho, eficácia e convivência que faz o sucesso da feira desde a sua criação! Com mais de 600 expositores e marcas, o Print’ Or confirma o seu estatuto de acontecimento profissional mais importante de França dedicado ao universo relojoeiro e joalheiro.

28

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Jaeger-LeCoultre Master Tourbillon

“Quando lançamos as

Precisão incomparável A história da Jaeger-LeCoultre ficou marcada em 2006 com o lançamento do primeiro clássico Master Control

nossas colecções, o nosso objectivo

dotado com um turbilhão. Este relógio extraordinário,

é que definam o tom para os doze

com as linhas clássicas e design simples e elegante surge

meses do ano.”

dotado de um turbilhão que assegura que o movimento

Jérôme Lambert

da peça opera com extrema precisão. O turbilhão em ti­ tâ­nio é acompanhado de um movimento de corda auto­

CEO Jaeger-LeCoultre

má­tica que opera a 28.800 alternâncias/hora e com um novo balanço de grandes dimensões. Com as funções de horas, minutos, segundos, data e segundo fuso horário, surge aqui em ouro rosa, a combinar com uma bracelete em pele de jacaré. Preço: € 42.500

Chopard Mille Miglia Grand Turismo XL Chrono A força de um mito Criada em 1988, fruto da parceria celebrada entre a Chopard e o rali nostálgico que reedita a mítica corrida transalpina de mil milhas (Brescia–Roma–Brescia), a colecção Mille Miglia não tem parado de crescer. A última adição: o Mille Miglia Grand Turismo XL Chrono Classic – considerado XL não apenas pelo tamanho da sua caixa em aço (44 mm) mas também graças ao seu conteúdo mecânico e à dimensão do mito Mille Miglia, assente na qualidade mecânica e no prestígio. Pormenor a realçar: a gravação do percurso das mil milhas no verso da caixa. Preço: € 4.240 euros

Cintrée Curvex Automatic O lado doce da vida A inigualável caixa que é imediatamente associada ao ‘Mestre das Complica­ ções’ – a Cintrée Curvex – ganha outra vida com o novo mostrador em tons de chocolate. Seguindo sempre o lema de «fazer relógios excepcionais para pessoas excepcionais», o Cintrée Curvex Automatic foi o primeiro relógio de Franck Muller a adoptar a cor chocolate no mostrador, que mais tarde foi aplicada também à colecção Conquistador Cortez, para quem aprecia o lado doce da vida. Este modelo mecânico de corda automática com rotor em platina 950 tem as funções de horas, minutos, segundos e data. Com caixa em ouro rosa e com fundo em safira, é estanque a 30 metros. A bracelete em pele de crocodilo. Preço: € 17.100

[ Breves ]

François-Paul Journe Chronomètre à Ressonance Apresentado em 2000, este relógio representa um dos maiores desafios na área do relógio mecânico: François-Paul Journe conseguiu a prova relojoeira que dois movimentos conseguem funcionar em unís­ sono através da ressonância. Este relógio excep­cio­ nal apresenta-se em duas versões: com caixa em pla­tina com mostrador em ouro branco ou em ouro rosa. Ampliou-se a caixa para 40 mm para realçar a face do relógio que indica as horas, minutos e se­ gun­dos através de mostradores pequenos em prata guilhoché, presos por círculos em aço polido no verso do relógio em ouro 18 quilates. Desvenda-se o mecanismo subtil, agora manufacturado em ouro 18 quilates, através do fundo safira, permitindo descobrir os dois corações mecânicos batendo em perfeita sincronia. Preço: € 62.640

“Em última análise temos de estar presentes em cada uma das capitais mundiais do luxo.”

Georges Kern CEO da IWC

Levado ao extremo Master Compressor Extreme World Chronograph O Extreme World Chronograph é a evolução natural da colecção Master Compressor. Cronógrafo mecânico de corda automática JLC 752, tem como funções: horas, minutos, data, cronógrafo, horas universais e reserva de corda. A sua caixa de 46,3 mm em aço e titânio é estanque a 100 metros. Robusto, beneficia ainda do sistema ‘Chaves de compressão’ que, além de o tornar uma caixa-forte, permite o accionamento do cronógrafo sem os habituais “saltos” iniciais. É fornecido ainda com duas correias: cauchú e pele de jacaré. Preço: € 10.000

Lange 31 da A. Lange & Söhne Energia para um mês inteiro À primeira vista, o Lange 31 impressiona pela caixa de grandes dimensões (um diâmetro imponente de 46 mm e uma altura total de 15,9 mm) mas, apesar do invólucro de aparência falsamente simples, trata-se de um relógio com excepcionais atributos técnicos que permitem uma sensacional reserva de corda de 31 dias. O indicador ocupa uma grande área à direita do mostrador de prata maciça; o último segmento, a vermelho, lembra o proprietário que, decorrido um mês completo, é finalmente hora de dar corda ao relógio através de uma chave que se insere na ranhura existente no fundo. Preço sob consulta

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

[ Breves ]

TAG Heuer Aquaracer Automatic Day-Date Mergulho no universo aquático Inspirado na lendária Série 2000 o Aquaracer acumula todos os atributos para conquistar os amantes dos des­ portos aquáticos. Com a caixa de 41 mm de diâmetro em aço, e vidro em safira, é estanque até 300 metros. Os ponteiros luminescentes permitem uma excelente visibilidade, mesmo nas águas mais profundas. A luneta em aço tem um anel interior unidireccional em borracha com escala de minutos. Na posição das três horas, a indicação do dia da semana e da data. Um modelo a ser usado com charme em qualquer ocasião – a bordo de um iate ou no tapete vermelho de uma noite de Óscares. Preço: € 1.500

“Usar o meu TAG Heuer já faz parte do meu visual, estou habituado a vê-lo no meu pulso. Sem ele sinto que falta qualquer coisa.”

Lewis Hamilton Piloto de F1 e embaixador TAG Heuer

B-42 Official Cosmonauts Design e funcionalidade acessíveis Galardoada pela criação de relógios automáticos com desempenhos extraordinários no espaço, a Fortis lançou a colecção Cosmonauts – na qual se inclui o B-42 Official Cosmonauts Day/Date Titanium. Com caixa de 42 mm em titânio, é estanque a 200 metros e possui indicador de dia do mês e dia da semana. Com numeração e índices luminescentes, tem uma visibilidade perfeita. Com um design desportivo e excelente funcionalidade, este Fortis representa a inigualável oportunidade para ter uma extraordinária peça de relojoaria a um preço bem razoável. Preço: € 1.480

Raymond Weil Nabucco Chrono Força imperial Sendo o maior modelo jamais criado pela Raymond Weil, o novo cronógrafo da marca assume uma personalidade forte e poderosa. É o primeiro modelo da marca genebrina a surgir com uma imponente caixa de 46mm, estanque a 200 metros, e com uma estrutura sólida em aço inoxidável conjugada com os pormenores em fibra de carbono – um material high-tech. O cronógrafo automático apresenta um totalizador de 30 minutos às 3 horas, um totalizador com contagem de horas às 6 horas e segundos contínuos às 9 horas. A data, na posição das 4h30m, é alterada por um botão independente na caixa, às 10 horas. Preço: A partir de € 2.870

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[ Breves ] A. Lange & Söhne: 18 prémios em 2007, um recorde 2007 foi um bom ano para a manufactura alemã A. Lange & Söhne, dado que os seus relógios mecânicos foram pre­ miados 18 vezes e, muito recente­men­­ te, dois modelos foram eleitos ‘Watch of the Year 2007’ em Viena de Áustria.

Swordfish Grillo GMT-Alarm

Desde o lançamento da primeira co­

Data dramática

lecção pós II Guerra Mundial, há já 13

A Graham impressionou, desde sempre, pelos seus

anos, a marca do grupo Richemont já

modelos de dimensões imponentes e design inova-

recebeu mais de uma centena de con-

dor. E desde que surgiu, em 2005, a linha Sword-

sagrações, entre elas 64 primeiros pré-

fish tornou-se imediatamente num ícone da marca.

mios, fazendo assim prova das palavras

Um dos mais distintos modelos da colecção, o

de Walter Lange quando afirmou que

Swordfish Grillo GMT-Alarm, une duas das funções

queria voltar a fazer os melhores reló-

mais procuradas: segundo fuso horário e alarme.

gios do mundo.

Com a possante caixa de 46,5 mm e estanque a 100 metros, distingue-se por um ‘olho’ protuberante que aumenta o visionamento da data de forma dramática. Os ponteiros e a numeração estão revestidos em superluminova branca, permitindo uma visibilida­ de excelente. Preço: € 6.650

“O Grillo era uma das minhas ideias para a Graham se afirmar e poder apresentar aos seus admiradores mais A Rolex defende que cada agente da marca tenha o seu serviço após ven-

uma extraordinária união entre o design arrojado e o melhor da relojoaria suíça.”

das (SAV) independente, com relojoei-

Eric Loth

ros competentes para o efeito. Muitos agentes optam por ter o serviço direc­

CEO The British Master

ta­mente na loja. Considera que esta po­ lítica deveria ser seguida por todas as marcas de alta-relojoaria? Paulo Torres Administrador C.S. Torres SA Penso que cada retalhista deveria ter no seu serviço de atendimento ao cliente um relojoeiro permanente para a satisfação imediata do mesmo. Acredito que seja uma política dispendiosa, mas também acredito que a longo prazo colha-se o fruto do investimento. Penso ser uma estratégia inteligente por parte das marcas para a defesa do serviço do cliente final do seu produto, embora nem sempre rentável no imediato.

Porsche Design Flat Six ‘Prego a fundo’ Denominada Flat Six, a última colecção de relógios da Porsche Design foi inspirada nos motores de seis cilindros que contribuíram para a reputação da escuderia alemã em todo o mundo. Para comemorar os 35 anos da marca, a Porsche Design lançou um relógio que lembra os primeiros cronógrafos negros desenhados pelo fundador Ferdinand Alexander Porsche: o Edition 1 Flat Six P'6341. Cor emblemática da marca, o negro que impera é 'salpicado' pelo branco contrastante. No Flat Six P'6341 Porsche, o titânio está revestido de negro através do recurso ao PVD. Preço: € 4.500

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Audemars Piguet Millenary Tempo oval A linha Millenary da Audemars Piguet é inconfundível – graças à conjugação de um formato de caixa original, ergonómico e inspirado no Coliseu de Roma, com carismáticos mostradores, onde o toque de excentricidade é dado pela combinação de algarismos árabes e romanos em linhas circulares e ovais. O motor que faz funcionar esta peça de alta-relojoaria é o calibre AP 3120 de corda automática e todas as peças são decoradas à mão para serem apreciadas através do fundo transparente. A caixa, neste modelo em ouro branco, tem superfícies alternadamente polidas e acetinadas. Preço: € 19.870

Patek Philippe Nautilus Renovação após 30 anos Quando a Patek Philippe lançou o Nautilus há 30 anos, o original conceito do relógio e a marcante afirmação de elegância casual foram objectos de culto. Agora, a prestigiada manufactura genebrina apresenta uma nova e subtilmente redesenhada colecção Nautilus, com frescor renovado para comemorar o aniversário da linha. Entre os modelos renovados encontra-se o Nautilus 5712, que, além das horas e minutos, contém pequenos segundos às 4 horas, indicador de reserva de corda entre as 10 e 11 horas e data às 7 com indicador das fases da Lua integrado. Para um relógio mais desportivo, este é um número excepcional de complicações adicionais – assentes no famoso calibre automático Patek Philippe 240 PS IRM C LU. Disponível em ouro rosa e ouro branco de 18 quilates, com correia em pele de jacaré cosida à mão em castanho (ouro rosa) ou preto-safari (ouro branco). Preço: € 24.610

Rolex GMT Master II A beleza do essencial Criado em 1955, o GMT Master foi o primeiro relógio de pulso a indicar a hora em dois fusos horários diferentes. O modelo Oyster Perpetual GMT Master II é equipado com luneta giratória e um ponteiro de 24 horas com ajuste independente do ponteiro de horas tradicional. A nova luneta foi desenvolvida numa cerâmica extremamente rígida e bela, para uma superior resistência à corrosão. Um detalhe a realçar: à meia-noite, o preciso calendário Rolex salta instantaneamente para a data do dia seguinte. A operação é accionada por meio de energia armazenada. A legibilidade da data é ampliada com a lupa Cyclops. Preço: € 5.440

“Temos que nos lembrar

[ Breves ]

que lidamos com sonhos: a pior coisa que pode acontecer a uma marca é ver que um cliente ficou desiludido.”

Master Compressor Diving Lady A visão feminina do mergulho

Bernard Fornas

Desportivo, elegante e aperfeiçoando as exigências básicas dos

CEO da Cartier

Coultre simboliza a união entre o mundo aquático e o universo

re­ló­gios de mergulho, o Master Compressor Diving da Jaeger-Lefe­minino. Com luneta giratória unidireccional decorada com 16

Relojoaria impulsiona publicidade: Anúncios a relógios registaram o maior crescimento O mercado da publicidade na Suíça entrou com pujança no ano 2008. As despesas no

diamantes, bem como os instrumentos de compressão da marca que garantem a estanquicidade que se procura num relógio deste género, oferece ainda uma inovadora complicação na colecção feminina Master Compressor: a função de cronógrafo. A caixa, em aço, é estanque até 300 metros. Preço: a partir € 6.900

ramo aumentaram 10% em Janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado, fixando-se nos 279,4 milhões de francos. A publicidade de relógios/jóias registou o maior crescimento (+75%), segundo dados do instituto de mercado Media Focus, revelados no seu relatório mensal. Os produtos alimentares apresentaram igualmente um forte aumento (+53,7%), tal como o ramo da electrónica de divertimento (+57,6%).

Considera os relógios de maior dimensão uma moda efémera? António Machado

Franck Muller Color Dreams

Machado Joalheiros

Ousadia no feminino

Não, de todo. Penso que os relógios grandes vieram para ficar. Hoje, o relógio, para além do factor muito importante que é o seu lado técnico e de inovação, pos­sui também um lado estético, de aces­sório, de imagem e personalidade. Assim, precisa de uma maior dimensão, para poder transmitir esses valores.

Com a audácia que lhe é característica, Franck Muller de­ senhou uma colecção a pensar nas mulheres (e também nos homens!) que apreciam peças de alta-relojoaria que primam pela elegância, mas que não têm medo de ousar: a linha Color Dreams. Com o formato exclusivo do ‘Mestre das Complicações’ – o Cintrée Curvex –, a colecção mostra o seu carácter arrojado na utilização de algarismos árabes de design multicolorido que se destacam tanto no mostrador preto como no azul ou branco. A caixa é em ouro branco maciço, conjugada com correia em pele de crocodilo. Preço: € 12.920

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A ousadia em forma de acessórios de Grisogono A mundialmente famosa marca de joalharia de Groisogono lançou agora uma fabulosa linha de malas. A marca não é estreante em acessórios: no passado, já criou telemóveis, óculos de sol e mesmo um par de algemas, todos eles decorados com diamantes e caracterizados por um design arrojado. A nova colecção de malas não foge à regra. Esta linha em couro e com cores vibrantes, com assinatura de Grisogono gravada à mão, foi feita a pensar numa mulher confiante, feminina e audaciosa, o tipo de mulher que Fawaz Gruosi, fundador e criador da marca, tem sempre em mente nos seus projectos. Preço: Sob consulta

“Os relógios fazem parte do dia-a-dia das pessoas, seja como acessório de moda, seja como um símbolo de luxo que representa um certo modo de vida, por isso nunca se irão cansar deles.”

Fawaz Grousi CEO da de Grisogono

Fusion Collection Manuel dos Santos Jóias A griffe Manuel dos Santos assina mais uma colecção de jóias – a Fusion. A nova colecção expressa a elegância, feminilidade e sobriedade numa composição entre diamantes, ouro amarelo, rosa e branco. Num apelo à memória da joalharia clássica, renova-se o design na manufactura das sublimes escravas em ouro, anéis e brincos. Um conjunto de jóias para a mulher sofisticada e clássica que gosta de exibir jóias em qualquer momento. Preço: a partir de € 840

Chopard Happy Sport Edition 2 Feminilidade desportiva Desde que foi lançado, em 1993, o modelo Happy Sport tem sido um vencedor nato – aliando de maneira especialmente criativa (e divertida) o seu carácter joalheiro a uma vocação particularmente desportiva. Hoje em dia, o Happy Sport Editon 2 surge numa altura em que as mulheres apreciam cada vez mais os modelos robustos. A caixa de ouro, de 36 mm de diâmetro, alberga sete diamantes que se vão movendo alegremente ao longo do mostrador. Alimentado por um mecanismo de quartzo com data, é a escolha certa para quem deseja um modelo robusto mas feminino no pulso. Preço: € 6.990

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[ Breves ]

“Um relógio é o objecto mais altamente manufacturado no mundo que mede a mais íntima das coisas, que é pessoal, em oposição ao tempo universal.”

Alain Silverstein Recorde em leilão: 1,6 milhões de dólares por um pêndulo A Cartier acaba de bater um recorde na casa

Limited Edition

lei­loeira Sotheby’ s, em Nova Iorque. Um co­

Sector aposta nos acessórios

lecc­ionador americano desembolsou 1,6 mi-

Tendo consciência de que mesmo os homens mais

lhões de dólares por um pêndulo de es­cri­

aventureiros de hoje em dia já não descuram a sua

tório. Trata-se de um exemplar único, criado em 1943 e oferecido por Pierre Cartier como presente pessoal ao presidente americano Franklin Delano Roosevelt, que cumpriu quatro mandatos de quatro anos à frente dos Es-

“Tenho muito apreço pelo

aparência, a Sector decidiu inovar e criou uma edi­

meu relógio. Foi o meu avô que mo

Limited Editon fazem parte modernas braceletes em

vendeu no seu leito de morte.”

Woody Allen

tados Unidos no conturbado período de 1933 e 1945. O novo recorde bate a marca prece­ dente de 1,5 milhões de dólares estabelecida há cerca de 15 anos.

200 mil relógios contrafeitos confiscados em Itália A polícia financeira italiana anunciou uma apreensão recorde em Roma de 200 mil relógios de marca contrafeitos e 30 mil canetas de luxo pirateadas, importados da China. Segundo as autoridades italianas, esta foi uma das mais importantes operações recentes da luta contra a contrafacção. O valor global da apreensão ascendeu aos quatro milhões de euros. Um exame técnico revelou a “excelen­ te qualidade” dos produtos que pa­­recem “pra­ticamente idênticos aos originais”.

Equilíbrio entre cultura e economia Dar novos impulsos à relação entre a cultu­

Sector Chrono Retrograde

ra e a economia é o principal objectivo do

Sempre a desafiar os limites

fórum Tiberius, fundado em Dresden há quat-

A nova colecção de relógios desportivos da Sector não

ro anos, como um fórum internacional de cul­

foge à regra e continua a fazer eco do mote da marca:

tura e economia. Os fundadores pretendem

«desafie os seus limites». Com um look arrojado e uma

acolher o primeiro World Culture Forum em

precisão garantida, os novos cronógrafos retrógrados

Dresden, no início de 2009, que será um con-

incluem uma robusta caixa em alumínio, com 44 mm

gresso com representantes de toda a Europa.

de diâmetro, vidro em cristal mineral e fundo aparafu-

O prelúdio para esta visão ambiciosa – um

sado. É estanque até 100 metros e tanto a coroa como

simpósio – foi realizado na capital saxónica,

os botões são de rosca. Com funções de cronógrado

de 23 a 25 de Novembro e teve a manufac-

1/20 segundos e data. A bracelete é de cauchu. O com-

tura alemã Glashütte Original como parceira.

panheiro ideal para ‘viciados’ em adrenalina. Preço: € 159

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

ção limitada de acessórios masculinos. Da colecção aço e pele, um anel em aço com um diamante negro e elegantes pendentes, também em aço e pele. Preço: a partir de € 95

“Este é o nosso mundo e o nosso tempo. É isso que tento mostrar, acreditando no meu estilo.”

Roberto Cavalli

A supremacia do dourado

Versace Eclissi

Roberto Cavalli e Just Cavalli

Sofisticação contemporânea

Pode ter passado por tempos difíceis no que toca

A colecção de relógios da Versace foi enriquecida

à decoração, mas na moda, e mais especificamente

com um novo modelo: o Eclissi, um exemplo supre­

nas jóias e nos relógios, o dourado manteve sempre

mo de sofisticação contemporânea. A caixa e brace-

o seu lugar de rei e senhor. Sempre in, seja em peças

lete de design elegante em plaquè marcado com

mais clássicas ou nas mais arrojadas, o dourado é

pa­drão Greca e com oito diamantes de 0,12 Cts, com-

uma aposta ganha. E os grandes criadores sabem

binam com o mostrador prateado guillochè com dois

disso: em plaquè, na nova colecção de relógios Cle­

diamantes e index em plaquè. O Eclissi é a prova

a­vage de Roberto Cavalli, e em PDV dourado, na co­

incontestável de que o sucesso e a distinção de um

lecção Just Joy da Just Cavalli, que inclui anel, pulsei­

relógio não dependem do ouro.

ra, brincos e colar. Preço: a partir de € 45

Preço: € 1.100,00

Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

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[ Grande Entrevista ]

Responsável pelo reputado ‘atelier’ Renaud & Papi, Giulio Papi está directamente associado à concepção de algumas das mais audaciosas complicações relojoeiras da actualidade e à corrente da nova relojoaria. A entrevista que se impõe, numa altura em que o mestre de origem toscana não enjeita o lançamento da sua própria marca, num futuro não muito distante.

texto Miguel Seabra | fotos Nuno Correia | La-Chaux-de-Fonds, Suíça

A associação entre a Audemars Piguet e o gabinete Renaud & Papi promoveu uma plataforma tecnológica que estabeleceu um novo conceito na relojoaria; os quilómetros de distância entre a secular manufactura de Le Brassus, no Vallée de Joux, e a sua sucursal, localizada em Le Locle, não afectam o laço umbilical entre as duas entidades – mas se a Renaud & Papi é responsável por alguns mecanismos ultracomplicados da Audemars Piguet, também é suficientemente independente para fornecer prodígios da micro-mecânica a outros clientes de prestígio.

Fundada em 1986 por Dominique Renaud e Giulio Papi, dois jovens mestres relojoeiros formados na Audemars Piguet, a empresa é actualmente dirigida por Giulio Papi e 60 por cento da produção destina-se precisamente a satisfazer as mais complexas necessidades da Audemars Piguet; a colecção Tradition d’Excellence (20 exemplares cada, com preço unitário superior a 250 mil euros) é feita lá, tal como o Royal Oak Concept Watch e os modelos de Richard Mille que abalaram decisivamente os cânones estéticos da alta-relojoaria, graças a um visual técnico, ma-

“Não sou um relojoeiro conservador de museu: sou um relojoeiro normal mas sempre com o espírito de vanguarda e o fascínio pela tecnologia que o relojoeiro deve ter.”

Giulio Papi

Grande Entrevista Giulio Papi

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“A evolução é natural e na relojoaria também; para além do mecanismo em si, quisemos dar uma tridimensionalidade estética aos mostradores e oferecer uma terceira dimensão com noção de profundidade.”

Giulio Papi Giulio Papi não esconde a sua admi­

O magnífico Audemars Piguet Mille-

ração por Richard Mille, a quem re­

nary com Segundos Mortos. Portento

conhece um espírito e uma aborda­

exercício de técnica relojoeira ao al-

gem inovadoras em relação à técnica

cance de muito poucos. Este modelo

e estética da alta-relojoaria actual.

está equipado com o novo escape da Audemars Piguet.

teriais de ponta e mostradores estruturados. Para além de mecanismos de excepção, a Renaud & Papi concebe também máquinas para a fabricação de peças especiais e tem um departamento de acabamento / decoração de elevada qualidade. Mas tem sido sobretudo graças às últimas criações de elevado pendor high-tech que o mestre relojoeiro de 41 anos e origem toscana granjeou a fama de progenitor da nova relojoaria…

Espiral do Tempo: A Renaud & Papi está na vanguarda da indústria relojoeira, não só graças à concepção

tornarmo-nos mais contemporâneos. E há uma evolução natural na utilização de materiais nos objectos que nos rodeiam – por exemplo, agora uso uma bicicleta com um quadro em carbono ultraleve e carreto de velocidades completamente diferente… mas continua a ser uma bicicleta! O design evoluiu igualmente, desde os utensílios mais banais até às casas desenhadas para consumir menos energia. A evolução é natural e na relojoaria também; para além do mecanismo em si, quisemos dar uma tridimensionalidade estética aos mostradores e oferecer uma terceira dimensão introduzindo a noção de profundidade.

de complicações tradicionais para a relojoaria clássica,

na sua missão sem que houvesse qualquer sinal de que seria bem aceite ou de que teria sucesso. Nós também fomos visionários… mas nada nos indicava que pudéssemos ter sucesso comercial. Apenas queríamos fazê-lo, era um feeling – enfim, observamos o que se passa no mundo à nossa volta, o cérebro absorve as mudanças e elabora dados utilizando a imaginação… algo nos dizia que devíamos fazê-lo. E o Richard Mille tinha razão; foi ele o primeiro a lançar-se na gama alta com um produto genuinamente contemporâneo. ET: Mas terá sido a Audemars Piguet – uma respeitada marca secular – a validar a entrada na nova era da alta-

mas sobretudo pela capacidade de apresentar meca-

ET: A alta-relojoaria sempre teve a fama de ser um meio

-relojoaria com o seu Royal Oak Concept…

nismos e soluções técnicas de vanguarda que abalaram

excessivamente tradicional. As mentalidades custam a

os cânones estéticos da alta-relojoaria…

mudar e o advento do Audemars Piguet Royal Oak Con-

Giulio Papi: A relojoaria não é estática, ultrapassada

cept e dos modelos Richard Mille parece ter acontecido

nem baseada exclusivamente em premissas ancestrais – é uma actividade que tem estado sempre na vanguarda, e os grandes relojoeiros do passado nunca cessaram de melhorar tecnicamente ou inventar novas ligas de metais e diferentes tecnologias para aperfeiçoar a cronometria. Não sou um relojoeiro conservador de museu: sou um relojoeiro normal, mas sempre com o espírito da vanguarda e o fascínio pela tecnologia que um relojoeiro deve sempre ter. Há muito que desejávamos impor um design diferente – e a ideia não surgiu porque estávamos fartos de ver elegantes mostradores tradicionais ou em esmalte. A intenção era

no momento certo…

A situação surgiu praticamente ao mesmo tempo e é verdade que o facto de a Audemars Piguet ter lançado um tal relógio deu legitimidade ao novo conceito. Jogou um trunfo importante e foi necessária uma grande coragem devido à sua reputação conservadora – imagine-se a Rolls Royce fazer um carro completamente futurista que não tivesse nada a ver com as suas viaturas! Era difícil de imaginar, mas o exercício foi conseguido. Foi preciso coragem e a verdade é que, actualmente, a Audemars Piguet é vista como uma marca audaz.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

GP: Na verdade, tivemos a ideia do novo visual ainda nos anos 90, há cerca de dez anos. Fizemos a proposta e na altura não fomos bem-sucedidos porque a relojoaria de gama alta é um meio muito conservador. A ideia de mudança através de um produto radical chocou a Audemars Piguet. Até que um dia Richard Mille, responsável pela relojoaria da Mauboussin e com quem já havíamos trabalhado, decidiu criar a sua marca e veio ter connosco para nos encomendar um conceito contemporâneo que nos agradou de imediato. Ele foi visionário, teve a coragem de se lançar totalmente

GP:

ET: A utilização de novos materiais, uma característica da Renaud & Papi, também está associada à nova vaga da tecnorelojoaria…

O mestre relojoeiro orgulha-se de exi­ bir no seu pulso umas das mais emblemáticas complicações relojoeiras: o calendário perpétuo. Giulio Papi e o seu Royal Oak Perpetual Calendar da Audemars Piguet

A paixão de Giulio Papi pela arte da re­lojoaria tornaram-no numa figura re­conhecidamente capaz de ombrear com qualquer mestre relojoeiro.

Grande Entrevista Giulio Papi

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

“Começamos por um design técnico e ergonómico e se esse design requer um material de cor preta, azul ou amarela, vamos à procura de um material nessas cores com as melhores propriedades mecânicas.”

Giulio Papi

Ao alcance de muito poucos, o Royal

O mecanismo do Royal Oak Concept

Oak Concept da Audemars Piguet é

deslumbra pela sua complexidade

outra das criações de Giulio Papi e

técnica e pela sua beleza estética.

uma referência do seu atelier. Cada relógio demora quatro meses a ser mon­tado.

O modelo do escape da Audemars Piguet e a sua aplicação no movimento do Millenary com Segundos Mortos.

Mille, a ideia inicial era ter um look cinzento, an­tracite e negro; foi necessário procurar materiais condizentes. Começámos por lançar um modelo de materiais convencionais mas com um revestimento muito técnico em PVD negro. Ao mesmo tempo, fomos estudando um carbono sólido, passível de ser trabalhado e limpo, que não produzisse pó; quando encontrámos a matéria em carbono, substituímos todos os materiais convencionais pelo novo carbono.

O silêncio no atelier de Giulio Papi é

ET: Tecnicamente, qual é a próxima via a seguir? No

total. Aqui são montados e desenvol­

início da década, o objectivo da Renaud & Papi era o de

vidos alguns dos mais complexos re­ ló­gios da actualidade.

produzir mecanismos sem óleo e com uma reserva de corda aumentada. Há outros caminhos revolucionários a considerar?

um escape sem lubrificante é muito mais estável no tempo. Havia duas soluções possíveis: trabalhar com materiais novos, que não precisassem de óleo, ou então trabalhar com materiais tradicionais que fossem utilizados numa técnica de funcionamento diferente. Escolhemos a segunda via, a dos materiais convencionais, porque dentro de um ou dois séculos, quando um relojoeiro for reparar um mecanismo com materiais tradicionais, poderá sempre restaurá-lo ou refazê-lo, como sempre se fez na relojoaria. Mas se utilizarmos os novos materiais, como o silício, que até é muito válido, daqui a um século ou dois o relojoeiro vai ter poucas hipóteses de refazer a peça – são peças que se fazem em laboratórios de física e que não têm a ver com a mecânica.

GP: Trabalhámos muito no sentido de aumentar a

Há duas diferentes abordagens relacionadas com a utilização de novos materiais – uma em que se descobre um novo material, que pode ser uma nova liga metálica nunca utilizada na relojoaria, e se decide depois o que fazer com ele; a outra abordagem, contrária, é a que utilizamos: começamos por um design técnico e ergonómico, e se esse design requer um material de cor preta, azul ou amarela, vamos à procura de um material nessas cores com as melhores propriedades mecânicas. Começamos com a estética e a técnica e depois decidimos qual o material que melhor corresponde às premissas. No caso de Richard

GP:

reserva de marcha e depois no de suprimir a lubrificação. É no sistema de escape que existem problemas de lubrificação – mais de 90 por cento dos problemas têm a ver com o escape do mecanismo; o escape precisa de equilíbrio e, à medida que trabalha, o óleo dispersa-se… há outros pontos onde se pode cortar com a lubrificação, mas o escape é o mais sensível e foi logo incidindo sobre o escape que começámos a trabalhar. O que se passa é que o lubrificante funciona bem quando está novo, mas passados cinco anos as coisas já não correm tão bem e é preciso fazer a substituição e limpar o relógio. A ideia era conceber um escape sem lubrificante, mas que consumisse menos energia, o que poderia aumentar a reserva de marcha. E

ET: O novo escape da Audemars Piguet tem estado precisamente em grande destaque nos últimos tempos. Em que consiste? GP: A prioridade era utilizar materiais tradicionais e não sintéticos para que, no futuro, pudesse sempre ser recuperado; depois, olhámos para o passado e para os relojoeiros ancestrais, de modo a equacionar diversas soluções para o escape – havia um muito interessante, chamado ‘escape Robin’, do relojoeiro Robin. Os registos indicavam que não funcionava bem e achámos bizarro porque a razão da falha não estava descrita; então anali­ sámos o assunto e Patrick Augereau percebeu porque funcionava mal: o problema situava-se ao nível do amortecimento: a segurança era tão

Grande Entrevista Giulio Papi

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A pequenez do escape e do balanço pode ser apreciada à escala real. De notar que esta é já uma peça compos­ ta por dezenas de outras peças ainda mais pequenas.

As ideias surgem no caderno de apon­ tamentos de Giulio Papi, depois são transpostas para desenhos téc­nicos e simulações computorizadas.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

“Adoptámos uma lógica artesanal – o que queremos atingir é o domínio absoluto da arte para realizar um objecto e actualmente não há máquinas que possam chegar a um tal nível.”

Giulio Papi pequena que bastava um pequeno choque e tudo ficava bloqueado. O nosso técnico encontrou uma solução para o problema, envolvendo o antichoque, que patenteámos e graças à qual o escape funciona com excelentes resultados. Chamámos-lhe escape AP, porque não se parece muito com o escape Robin… talvez devêssemos baptizá-lo escape Augereau! O novo escape dá-nos grande satisfação e consome claramente menos energia – um escape tradicional suíço de âncora absorve 65 por cento de energia, porque recebe 100 e restitui 35; o novo escape consome apenas 45 por cento de energia, recebendo 100 e restituindo 55. Com o excedente de energia podemos fazer três coisas: ou aumentamos a reserva de marcha, ou aumentamos a frequência do balanço (que consome mais energia) ou alargamos o tamanho do balanço – ou fazemos um pouco as três coisas ao mesmo tempo, aumentando a duração da reserva de corda e elevando um pouco a frequência. Os balanços maiores são mais estáveis, menos sensíveis às perturbações e à utilização, logo, à cronometria. Conseguimos também manter a tensão da corda. ET: A sua companhia pertence à Audemars Piguet em quase 80 por cento – numa situação maioritária, como é possível gerir todo um cenário de concorrência com o fornecimento à Richard Mille e a vários outros clientes da alta-relojoaria? GP: A Audemars Piguet tem na realidade 78,4 por

cento, o director-geral Fabrice Deschanel tem 1,6 por cento e eu tenho 20 por cento. O objectivo da Renaud & Papi é fazer relógios que façam sonhar, relógios contemporâneos. Se trabalharmos exclusivamente para a Audemars Piguet, não saberemos se somos os melhores – o facto de trabalharmos para outras companhias diz-nos que elas estimam que fazemos um bom trabalho e o facto de continuarem a vir até nós prova que somos mesmo muito bons. É claro que para a Audemars Piguet é um sacrifício deixar que façamos belos relógios para outros, mas é também uma

garantia de que a nossa empresa trabalha sempre bem. E há muitos aspectos positivos: a pesquisa, a aprendizagem perante outras dificuldades, a constante melhoria faz com que os produtos Audemars Piguet também melhorem. A própria imagem da Audemars Piguet torna-se muito positiva: é uma empresa tolerante que não tem medo. E a relojoaria suíça é feita em conjunto, há uma concorrência sã num país muito pequeno. Por exemplo, para além da linha Richard Mille, fizemos o Turbograph para a Lange & Söhne, uma peça única com turbilhão para a Panerai, alguns me­ ca­nismos para a colecção Cartier Paris, já trabalhámos para a Franck Muller, fizemos mecanismos muito especiais para a Mauboussin e existem outros casos sigilosos… ET: Torna-se então natural que pense em criar a sua própria marca, seguindo o exemplo de muitos outros mestres relojoeiros…

Tenho a vontade de criar uma marca… mas não é assim tão simples. É preciso ter um conceito e criar a marca sem perder a confiança dos nossos clientes – e isso é delicado, porque os clientes podem ir para outro lado e teria de ser uma marca que não chocasse com a Audemars Piguet ou a Richard Mille. Seguramente a marca aparecerá um dia, mas há um ritmo a respeitar… seria uma evolução natural, existem projectos e vamos tentar chegar lá… mas se não acontecer não será grave! GP:

ET: É quase paradoxal saírem da Renaud & Papi produtos tão futuristas como os relógios Richard Mille de construção tubular e mecanismos tradicionais com a velha escola de decoração da alta-relojoaria!

Queremos fazer o melhor possível no que respeita à qualidade, tanto no plano técnico como estético – e a parte estética tem a ver com acabamento e decoração. Há máquinas que fazem um excelente trabalho de acabamento, mas a mão de artesãos qualificados faz um trabalho bem melhor do que as máquinas. O objectivo nem é

GP:

fazer à mão ou à máquina, é oferecermos a melhor qualidade possível. No momento, a mão faz um trabalho muito melhor do que a máquina e é essa a resposta – custa muito mais caro, mas só queremos o melhor para o cliente. Adoptámos uma lógica artesanal – o que queremos atingir é o domínio absoluto da arte para realizar um objecto e actualmente não há máquinas que possam chegar a um tal nível. Talvez no futuro… ET: Os relógios que têm utilizado o escape AP apresentam uma estética muito peculiar, de mostrador tridimensional… mas com um visual tradicional bem diferente da arquitectura high-tech de Richard Mille…

Trabalhámos com o designer da Audemars Piguet em Le Brassus, o Octávio Garcia. A ideia era apresentar o novo escape e colocá-lo em evidência; ele elaborou um primeiro projecto e depois, ao fazermos a construção, achámos que era demasiado clássico e pensámos em algo mais ‘sensual’. Houve colaboração e acabámos com um visual rétro-contemporâneo… o Octávio tinha um feeling sobre um designer americano dos anos 30 chamado Raymond Levi, adepto de uma corrente chamada streamline, e adaptámos o estilo ao relógio.

GP:

ET: A especialidade da Renaud & Papi são as complicações – pessoalmente, qual é a de que mais gosta?

Para mim é a grande sonnerie, uma complicação de culto. A grande sonnerie que fazemos para a Audemars Piguet é extremamente comple­xa e requer um grande trabalho a partir das peças de base em máquinas especiais, muito trabalho de decoração e grande destreza dos relojoeiros, que demoram quatro meses a montar um exemplar. É um relógio mágico porque dá as horas de modo sonoro – e tudo o que é acústico representa uma outra dimensão. Para além disso, o relógio com grande sonnerie soa a hora ou os quartos de hora… proporcionando uma excelente companhia ao longo do dia! GP:

Grande Entrevista Giulio Papi

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[ Reportagem ]

A Porsche Design lançou mais um modelo emblemático: o Worldtimer P’6750 junta-se ao Indicator como grande especialidade da marca, complementando de forma ideal as linhas Dashboard e Flat-Six. Análise a um relógio decididamente diferente que marca pela estética e que alia, de modo perfeito, a forma à função.

texto Miguel Seabra | fotos Nuno Correia | Grenchen, Suíça

O nome Porsche é incontornável no universo do prestígio e do luxo – mas a filosofia técnica e estética inerente à prestigiada escuderia alemã há muito que ultrapassou o âmbito automobilístico para representar um conceito estilístico válido para as mais diversas aplicações, desde acessórios de suprema qualidade até caixas de champanhe ou mesmo mobiliário de cozinha! Tudo começou com o Porsche 911, que revolucionou a estética automóvel nos anos 60 graças a linhas tão intemporais que basta uma simples actualização pontual para continuarem vigentes. Da autoria do professor Ferdinand Alexander

Porsche, o design da lendária viatura manteve-se ao longo das décadas para se transformar num clássico intemporal; o próprio Ferdinand Alexander Porsche fez questão, já nos anos 70, de alargar o conceito a uma bem-sucedida linha de produtos vanguardistas onde a forma e a função se fundem, de maneira ideal, através do atelier Porsche Design. Era o ponto de partida para a primeira linha de acessórios de luxo para Homem. E como uma das suas grandes paixões sempre foi a relojoaria, foi sem surpresa que a filosofia estética do professor surgiu estampada em vários cronógrafos de características inovadoras…

Manufactura Trinta anos depois de os primeiros cronógrafos Porsche Design terem estreado o visual escurecido e a conjugação de titânio com cauchu tão em voga nos dias de hoje, a marca tem sido consolidada através de uma colecção mais alargada e suportada pela experiência técnica da histórica manufactura Eterna – comprada pela família Porsche, em 1995. A tradicional linha de cronógrafos Dashboard foi complementada, há dois anos, com a gama Flat-Six, enquanto era lançada uma especialidade que imediatamente se tornou no orgulho

Reportagem Porsche Design Worldtimer

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Imagem técnica do sistema que permite a “transposição” do segundo fuso horário para os ponteiros principais do Worldtimer.

Virtudes da sincronização Os três ponteiros centrais (horas, minutos, segundos) indicam o tempo local. Dois discos que rodam debaixo do mostrador e visíveis através de aberturas na zona das nove horas (horas) e das três horas (nome da cidade que marca o respectivo fuso) mostram o tempo no segundo fuso horário que se deseja referenciar; o disco das horas roda em sincronização com o tempo revelado pelos ponteiros principais. A mudança do meridiano que se deseja obter para o segundo fuso horário é feita através da rotação da coroa (depois de desenroscada) localizado às duas horas. Depois, basta pressionar o botão e o ponteiro principal das horas assume a hora desejada sem que o ponteiro dos segundos (e o dos minutos) seja afectado, já que o mecanismo automático continua a trabalhar sem qualquer interferência.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

“O Worldtimer parece um relógio fácil, mas trata-se de um produto técnico de grande dificudade e complexidade mecânica desenhado para promover a facilidade de utilização.”

Patrick Schwarz As duas versões do Porsche Design Worldtimer. Ambas em titânio para tornar o relógio mais leve, sendo uma delas finalizada com um tratamento em PVD preto. O Worldtimer vem equipado com com uma correia em cauchú.

Da simulação em computador para o Propriedade da Porsche Design, é na

modelo real foram muitos meses de

Eterna que são desenvolvidos os me­

ensaios e pesquisa para que o re­sul­

canismos que equipam os relógios da

tado se tornasse a nova obra-prima

marca.

da Porsche Design.

da colecção e do universo Porsche: o sensacional cronógrafo Indicator, com um preço unitário superior ao de um bólide Boxster! Mais recentemente, um novo modelo surgiu para se posicionar entre o Indicator e a colecção ‘regular’: o Worldtimer P’6750, um relógio que, mesmo não sendo o habitual cronógrafo conotado com a vertigem automobilística, é tipicamente Porsche Design. Desenhado no atelier da localidade austríaca de Zell-am-Zee e concebido na manufactura relojoeira suíça em Grenchen, o Worldtimer apresenta uma estrutura original deveras impactante e surge equipado com uma função GMT particularmente inteligente – um instrumento do tempo de grandes dimensões vocacionado para os viajantes modernos que gostam de um estilo depurado. O estilo vanguardista assenta sobretudo na combinação de formas cilíndricas e lineares, com um grafismo no mostrador que acentua o carácter funcional do relógio; o visual escurecido é carac­ terístico da Porsche Design e foi implementado

tanto pela utilização do titânio na caixa quanto da borracha vulcanizada na bracelete. Mas a principal característica técnica reside na mostragem simultânea de dois fusos horários; uma coroa suplementar com um botão integrado permite a fácil transição para qualquer um dos 24 meridianos do planeta.

Ovo de Colombo E como é que o Worldtimer P’6750 prima pela diferença perante as dezenas de modelos dotados de múltiplos fusos horários existentes no mercado? Pela fiabilidade e facilidade instantânea, não sendo necessário puxar a coroa principal e parar o mecanismo, como sucede em praticamente todos os relógios mecânicos do género. A solução técnica encontrada pela equipa chefiada por Patrick Kauri é tão evidente que mais parece um ovo de Colombo… A base do mecanismo assenta no calibre automático ETA Valgranges A 07 111, que recebeu

uma placa adicional idealizada pela manufactura Eterna para o segundo fuso horário inteligente. Os três ponteiros centrais indicam o tempo de referência, enquanto o módulo suplementar acoplado ao calibre de base faz com que, graças a discos que rodam sob o mostrador, duas aberturas mostrem um meridiano de referência (ex.: Londres para a hora portuguesa) e a correspondente hora desse segundo fuso. Uma coroa localizada às duas horas permite mudar a cidade de referência do segundo fuso horário; um botão integrado nessa coroa facilita a tarefa de mudar instantaneamente a hora dos ponteiros principais, com a particularidade de não travar o movimento do ponteiro dos segundos – as horas, os minutos e os segundos são ajustados através da coroa principal, às quatro horas, que não precisa de ser mexida quando se manuseia o segundo fuso horário. O disco das 24 horas / 24 fusos horários está ligado ao mecanismo base através de um eixo cen-

Reportagem Porsche Design Worldtimer

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

O mecanismo do Worldtimer. Seguramente o

O perfil da portentosa caixa do Worldtimer. São 45

mo­delo com indicação de segundo fuso horário

mi­límetros de diâmetro por 18 milímetros de espes­

mais inovador do mercado.

su­ra. O titânio assegura uma leveza extrema.

“O Worldtimer está intimamente identificado com a filosofia Porsche Design; mesmo que o Indicator permaneça a obra-prima da colecção, o Worldtimer é igualmente uma montra do que somos capazes.”

Patrick Schwarz

É com orgulho que a Porsche Design apresenta este modelo. O sucesso da linha Flat Six tem um digno sucessor se bem que numa gama mais alta.

São volumosos os dossiers com os estudos e detalhes técnicos do Worldtimer. A marca suíça está em plena produção deste modelo que têm feito um enorme sucesso entre os amantes da alta-relojoaria.

tral pela roda das horas, o que requereu um tubo de centro novo. Uma roda em forma de coração despoleta o salto da mudança da hora. Este é um tipo de roda inspirado na solução técnica que o relojoeiro Adolphe Nicole concebeu para os cronógrafos, há mais de século e meio,: uma pequena roda em forma de coração, patenteada em 1844 e que permite o retorno ao zero do ponteiro do cronógrafo a partir de qualquer posição. O engenhoso mecanismo cronográfico independente que conecta com o mecanismo do relógio quando desejado foi desvelado numa exi­ bição em Londres, no ano de 1862. A efeméride marcou o nascimento do cronógrafo dos tempos modernos... O Worldtimer P’6750 é sem dúvida um ins­ trumento contemporâneo e, com tantas funções e peças pesadas no mecanismo, foi necessário gerir a dinâmica e o gasto de energia – o accionamento da função do segundo fuso horário produz fortes choques internos e não é fácil fazer com que a roda em forma de coração funcione, mas a equipa do responsável técnico Patrick Kauri resolveu a questão. «O princípio de funcionamento é o mesmo de um cronógrafo rattrapante, porque o disco do segundo fuso horário permite ‘recuperar’ a hora de origem», refere. Para máxima segurança, tem a primeira coroa de rosca com botão integrado. «Designers, engenheiros e relojoeiros tiveram de trabalhar em

uníssono para resolver os grandes desafios que o Worldtimer nos proporcionou», diz Kauri. «E conseguimos um produto extremamente preciso e fiável».

Estrutura impactante A inovadora solução técnica está associada ao depurado design pragmático, que enche a vista. A caixa do Worldtimer P’6750 é estanque a 100 metros e, para além das imponentes dimensões (45 milímetros de diâmetro por 16,8 milímetros de espessura), apresenta asas estilizadas que terminam numa barra transversal à qual é acoplada a bracelete de cauchu. «Trata-se de uma caixa de construção particularmente complexa, sobretudo devido à curvatura das asas e à dificuldade de polimento na zona entre a caixa e as asas», assinalia Kauri. Construída em titânio (de acabamento mate cinzento ou com revestimento negro em PVD) e acompanhada de um vidro em safira anti-reflexo, tem um fundo fixo com seis parafusos onde surgem explanadas as abreviaturas das cidades referentes aos 24 fusos horários que surgem no mostrador. A bracelete em borracha vulcanizada tem um padrão interior de ranhuras que permite melhor aderência ao pulso e surge equipada com um fecho de segurança igualmente em titânio. Em suma: um sedutor cocktail que mistura design e tecnicismo – ideal para o sofisticado viajante dos tempos modernos.

Reportagem Porsche Design Worldtimer

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[ Reportagem ]

Só há uma marca de luxo no mundo que tem no seu portfolio relógios que medem até décimos, centésimos e milésimos de segundo, ou que no seu equipamento de timekeeping dispõe de meios para medir até ao décimo milésimo de segundo. A TAG Heuer é especialista na corrida contra o tempo e século e meio desta saga estão agora disponíveis no revolucionário Museu 360 Graus, uma experiência multimédia inolvidável.

reportagem Fernando Correia de Oliveira, em La Chaux-de-Fonds, Suíça

O termo ‘cápsula do tempo’ é aqui empregue com propriedade – entra-se numa bolha de imagens e sons e faz-se uma viagem de 150 anos por terra, mar e ar; mas também se pode falar em entrar num relógio de pulso, num mundo liliputiano inesperado – o tecto representa o vidro, o meio o espaço intermédio onde se movimentam os ponteiros, o chão é o mostrador, debaixo do qual se esconde o mistério da precisão. Mas também se pode dizer que se está num templo, erigido à criatividade e ao amor pela precisão – as imagens no tecto sucedem-se a um ritmo alucinante, tão rápidas quanto os bólides que vão passando nos vários ecrãs um pouco mais abaixo, transformando o todo numa capela sistina do

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

século XXI, onde o Tempo e a sua medição são os deuses. O Museu 360 Graus da TAG Heuer segue a tradição – inovar, com tecnologia avant-garde, desde 1860. Situado em La Chaux-de-Fonds, em pleno coração relojoeiro helvético, o museu demorou 21 meses a ser construído, ocupando 200 metros quadrados. A ideia, como o nome indica, é ‘mergulhar’ na realidade histórica da TAG Heuer, a 360 graus – há um ecrã panorâmico de 7,5 metros de diâmetro que cerca todo o tecto, onde 12 projectores de vídeo lançam ininterruptamente imagens para oito ecrãs de LCD de 32 polegadas. Trata-se do primeiro ecrã de cinema cónico do mundo – operado por uma bateria de 12 com-

Uma vista do novíssimo Museu TAG Heuer 360, espaço de história mas tam­bém de inovação. Estará aberto ao público que deseje conhecer um pouco mais acerca da marca suíça.

Lewis Hamilton e o CEO da TAG Heuer, Jean-Christophe Babin na entrada do Museu. O piloto de Fórmula 1, embai­ xador da marca, foi um dos convidados de honra da cerimónia

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Os convidados puderam apreciar em primeira mão o vasto espólio da TAG Heuer agora exposto. Jack Heuer, Lewis Hamilton e Jean-Christophe Babin partilham as mesmas paixões, carros e relógios.

Lewis Hamilton autografou e ofereceu o seu capacete ao Museu TAG Heuer 360. Foi a mais recente peça a fazer parte do espólio museográfico.

putadores, que processam mais de um milhão de imagens por hora, o conjunto cria uma representação dinâmica da saga ímpar da TAG Heuer em cerca de século e meio. O museu foi concebido e realizado por Eric Carlson e pelo seu gabinete de arquitectura parisiense, Carbondale. O notável design foi inspirado na «intrigante inacessibilidade» que constitui o espaço entre o mostrador de um relógio e o vidro que o cobre, e onde os ponteiros são movidos «por uma força inexplicável vinda do interior», segundo as palavras do criador. O filme projectado no ecrã de 360 graus na parte superior do conjunto (simbolizando o vidro de um relógio) enfatiza as figuras lendárias e embaixadores que contribuíram para a evolução da marca. Os altifalantes de ultra-som emitem de cima para baixo um feixe direccionado de som, audível apenas para aqueles que estão posicionados directamente em baixo, intensificando a experiência sensorial. É nesta parte superior que se desenrola a acção dedicada ao que já é lendário e épico – os homens e as mulheres que fundaram, consolidaram e projectaram a imagem da TAG Heuer. É nesta galeria da fama que vemos Ayrton Senna ou Tiger Woods em acção. Nesta ‘sandes’ vanguardista, a parte do meio actua como uma linha do tempo. Uma faixa de alumínio, vidro e borracha, com 50 metros de comprimentos, circunscreve o museu a toda a volta. Ali, estão 16 expositores, oito ecrãs de vídeo, onde passam outros tantos filmes históricos, 51 imagens feitas em luz negra e zonas de texto, procurando dar uma sequência lógica à passagem do tempo. Começando da entrada e seguindo o movimento dos ponteiros do relógio, momentos-chave na história da medição de tempos (especialmente desportivos) são realçados com peças

“O notável design foi inspirado na intrigante inacessibilidade que constitui o espaço entre o mostrador de um relógio e o vidro que o cobre, e onde os ponteiros são movidos por uma força inexplicável vinda do interior.” originais de época, fazendo afinal um passeio pela história da TAG Heuer, desde a fundação até à actualidade. Trata-se da parte pedagógica e educativa do Museu – a saga da procura da precisão máxima é ilustrada por cronógrafos, datas-chave, textos, citações, ilustrações, documentos, objectos de colecção. Cá em baixo, mesas circulares, com tampos de vidro e lentes de aumentar móveis, apresentam 300 peças históricas da TAG Heuer. Esta ‘fatia’ do museu representa o mostrador de um relógio. Em vez de utilizar a maneira clássica de disposição in­ dividual de peças por armários e vitrinas espalha­ dos pelo espaço, a equipa de Eric Carlson teve uma abordagem arquitectónica inovadora. Um único plano horizontal feito de plástico negro como que ‘deambula’ por todo o espaço, fazendo de chão, e lembrando uma mancha de óleo. Por entre curvas suaves, emergem nove expositores circulares, que actuam como mostradores secundários. As 300 peças em exposição nestas mesas estão agrupadas em nove temas: Grandes Invenções, Do Bolso ao Pulso, Tempos Modernos, O Sonho do Voo, Corridas Lendárias nos Estádios e nas Pistas, Parceiros Famosos, O Apelo do Mar, Tecnologia + Funcionalidade = Design, Relógios Femininos.

Na linha de inovação tecnológica que é, afinal, o ADN da TAG Heuer, as mesas dispõem de sistemas hidráulicos que, num perfeito silêncio, ele­ vam ou baixam as peças em exposição. Para dar um toque final a este ambiente, 50 lentes de aumentar, de vários tamanhos, e fazendo lembrar gigantescas gotas de água na carroçaria de um carro, foram colocadas aleatoriamente nos tampos de vidro, podendo ser arrastadas para cima da peça que se pretende ver com mais pormenor. O Museu pode ser visitado mediante pedido prévio à TAG Heuer e Jean-Christophe Babin disse à Espiral do Tempo que a intenção é, dentro de alguns meses, abri-lo pelo menos uma vez por mês ao público em geral.

150 anos a inovar com precisão Capítulos cruciais da TAG Heuer, como a paten­ te de um relógio de bolso sem chave para dar cor­da (substituída por uma coroa), registada em 1869 pelo fundador, Edouard Heuer, estão representados no Museu 360 Graus. Os seus filhos, Charles-Auguste e Jules-Edouard prosseguiram no campo da inovação, patenteando em 1911 o Time of Trip, o primeiro cronógrafo para o tablier de carros e aviões.

Reportagem Museu TAG Heuer 360

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“Em 1916, a TAG Heuer patenteou o Mikrograph, primeiro cronógrafo mecânico do mundo a medir centésimos de segundo, quando a concorrência estava ainda no quinto de segundo...”

Desde sempre ligada à cronometra­

Jules-Edouard, filho do fundador da

gem desportiva a TAG Heuer criou

marca, Edouard Heuer, manteve ace­

uma infinidade de modelos específi-

sa a paixão pela relojoaria no seio

cos para este fim.

desta família cujo nome se confunde com a própria marca e com a históra da relojoaria.

Em 1916, a TAG Heuer patenteou o Mikro­ graph, o primeiro cronógrafo mecânico do mundo a medir centésimos de segundo, quando a concorrência estava ainda no quinto de segundo, fazendo com que a marca fosse naturalmente o fornecedor de instrumentos de medição de tempo para os Jogos Olímpicos de 1920. A marca está presente, pela primeira vez, na feira de Basileia (a maior do mundo) em 1934, e, em 1949, apresenta o Mareographe, um cronógrafo de pulso que mede as marés num determinado porto e que tem ainda indicação de contagem decrescente, para regatas. Na década de 50 do século passado, a TAG Heuer reforça a sua presença nas competições desportivas motorizadas, beneficiando de embaixadores como Juan Manuel Fangio, que usavam nos seus carros instrumentos de medição de tempos como o famoso Rally Master. O primeiro relógio suíço do espaço era um TAG Heuer – a 20 de Fevereiro de 1962, o astronauta americano John Glenn usava um cro­nó­metro da marca quando pilotou a nave espacial Mercury-Atlas 6 Friendship 7, na primeira missão orbital tripulada norte-americana. Jack Heuer, da terceira geração da família, que desde os anos 70 do século passado dirigia a empresa (e de que hoje é Presidente Honorário), tomou conhecimento em 1964 da Carrera Panamericana, uma lendária corrida, iniciada em 1950 no México, e lançou um dos modelos de cronógrafo mais famosos de sempre, o Carrera. Em 1969, a TAG Heuer lança um calibre revolucionário, o primeiro cronógrafo automático de sempre, que passa a equipar os seus modelos

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Monaco (lançado na mesma altura, o primeiro de caixa quadrada e estanque), Carrera e Autavia. Nesse mesmo ano, o piloto suíço Jo Siffert assinou um contrato como embaixador da marca, tornando-se no primeiro desportista do seu género a ser patrocinado por uma empresa de relojoaria. Em 1970, Steve McQueen, no filme Le Mans, e fazendo um papel inspirado em Jo Siffert, imortaliza o modelo Monaco, usando-o. Niki Lauda, Jacky Ickx ou Ayrton Senna são pilotos que, nas décadas seguintes, assinam como embaixadores da TAG Heuer, numa política sustentada que prosseguiu com Michael Schumacher ou, actualmente, Lewis Hamilton. Maria Sharapova no ténis, Tiger Woods no golfe, ou Uma Thurman no estilo de vida, são outros poderosos personagens que dão a sua imagem por uma marca que «não parte sob pressão», acha que «o sucesso é tudo uma questão de cabeça» e interroga quem a usa: “afinal, és feito de quê?” Sublinhando o seu mote, «swiss avant-garde since 1860», a TAG Heuer surpreendeu o sector em 2004, em plena Feira de Basileia. Numa sessão pública hoje considerada histórica, e onde as centenas de pessoas presentes aplaudiram es­ pon­taneamente o que tinham acabado de ver num filme passado no exterior do stand da marca, dava-se conhecimento de um protótipo, o Monaco V4, um relógio mecânico que virava do avesso os princípios clássicos da relojoaria – os con­vencionais rodas dentadas e pinhões eram subs­tituídos por correias de transmissão e rolamentos. O relógio continuou a ser desenvolvido e um modelo pré-série foi apresentado em 2007.

A TAG Heuer garante que o Monaco V4 deverá entrar, muito proximamente, em fase de produção em série. Em 2005, surgia o Calibre 360, o relógio mecânico mais preciso alguma vez fabricado, capaz de medir fracções até ao centésimo de segundo, graças à frequência excepcionalmente elevada da sua roda de balanço – 360 mil oscilações por hora, dez vezes mais do que qualquer outro cronógrafo. No capítulo do quartzo, onde a marca sempre esteve igualmente na vanguarda da tecnologia, desenvolvendo nos anos 70 do século XX modelos com a precisão do décimo de segundo em parceria com a Ferrari, a TAG Heuer apresentou recentemente o Microtimer, que marca tempos até ao milésimo de segundo e que guarda em memória o tempo da melhor volta, feito especificamente para o exigente mundo da Fórmula 1. E, em 2007, revolucionou o conceito de calibre de quarto, ao lançar o Calibre S, um híbrido com 230 componentes electro-mecânicos e cinco motores. Este revolucionário movimento equipa agora a linha Aquaracer, num cronógrafo que usa pela primeira vez os ponteiros centrais de horas minutos e segundos para medir, simultaneamente, de forma analógica, o tempo e o tempo intermédio. Agora, e aproveitando a inauguração do Museu 360 Graus, a TAG Heuer lançou os novos modelos da sua linha Carrera. Destaque para o Grand Carrera, cujas linhas se inspiram na colecção nascida em 1964 e que vem equipado com o Calibre RS, um movimento automático que permite dar a função de cronógrafo através de discos, mais uma inovação mundial.

Desenho de 1886 mostrando o meca­ nis­mo de um relógio de bolso da autoria de Edouard Heuer.

Seja na Fórmula 1 ou no espaço os re­ lógios TAG Heuer marcaram um tempo e conquistaram o seu próprio lugar na história da relojoaria e na história da cronometragem desportiva.

Reportagem Museu TAG Heuer 360

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[ Reportagem ]

A A. Lange & Söhne é uma manufactura à parte no cenário da alta-relojoaria. Porque é germânica, porque adopta diferentes técnicas de construção e decoração, porque tem uma história sofrida e de redenção que torna ainda mais glorioso o seu renascimento. O futuro? Tranquilo e auspicioso.

texto Miguel Seabra | fotos Nuno Correia | Dresden, Alemanha

Quando Walter Lange anunciou, em 1994, que queria «voltar a fazer os melhores relógios do mundo», foi interpretado com um misto de admiração e incredulidade. Ao seu lado, as ima­ gens dos primeiros quatro modelos A. Lange & Söhne da nova geração deixavam entrever algo de verdadeiramente especial – tão especial que, nem mesmo uma década depois, já havia quem admitisse que a profecia se havia tornado realidade... Depois do enorme impacto inicial provocado pela eclosão de uma marca luxuosa dotada de uma proveniência (Alemanha, para mais de leste!) diferente e de um ADN (técnico e estético) distinto das principais casas relojoeiras suíças, a A. Lange & Söhne prossegue paulatinamente o seu cami­

nho de afirmação pela excelência. A inauguração de um sexto edifício de produção permitirá um incremento da produção anual de 500 para 1000 relógios instrumentos do tempo com a chancela ‘Made in Germany/Glashütte’.

Redenção Entre as várias histórias das mais prestigiadas firmas relojoeiras do planeta existem deliciosos por­menores de superação humana e piscar de olho do destino, mas nenhuma consegue apresentar um grau dramático tão elevado como a da A. Lange & Söhne – os episódios trágicos e os revezes da fortuna foram tantos que têm forçosamente de abrilhantar cada relógio saído de um

Reportagem A. Lange & Söhne

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O galo do balanço já decorado manu­ al­mente é um dos pontos de honra da casa alemã. Um detalhe que re­ve­la todo a atenção e primor pelo detalhe que caracterizam os relógios saídos da manufactura de Dresden.

A decoração do galo do balanço é uma tarefa morosa e cada gravador têm a sua própria técnica e estilo, como tal, são peças únicas e irrepetíveis. O uso de microscópios electónicos é usado apenas porque seria humanamente im­possível fazê-lo a olho nú.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

“Imagine-se uma marca de relógios alemã, da antiga RDA, a produzir peças num pequeno vale, a querer até apresentar grandes complicações como o ‘Pour Le Mérite’. Todos se riram. Hoje, a posição do fabrico alemão de relógios está firmada.”

Fabian Krone

local que foi destruído há 60 anos. Só que a crise pós-Primeira Guerra Mundial, as feridas dos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial, as cicatrizes da expropriação política na Alemanha de Leste, a redenção após a queda do Muro de Berlim, o milagre do inverosímil regresso e até as cheias do início da presente década podem dar sentido histórico aos relógios da Lange & Söhne, mas não a alma. Essa nunca foi vendida ao diabo. Nem o coração, que sempre palpitou no peito do herdeiro Walter Lange e do financeiro Günter Blümlein, os artífices da segunda vida de uma firma que tinha praticamente 150 anos por altura da reunificação... e que precisou de mais quatro para renascer como uma fénix nos escombros da antiga RDA, minada pela bancarrota e pelo desemprego. Walter Lange, bisneto do fundador Ferdinand Adolph Lange, recebeu a chave da cidade de Glashütte e a ordem de mérito do estado da Saxónia; actualmente pode descansar com o sentido do dever cumprido. A visão estratégica do malogrado Günter Blümlein é recordada por um busto de homenagem nas instalações da marca e na memória colectiva da manufactura. Hoje em dia, a Lange & Söhne é liderada por Fabian Kröne no seio do Grupo Richemont – e se há década e meia os cépticos metaforizavam a aventura da marca saxónica como uma corrida entre um Trabant de leste e um Mercedes ocidental, não há dúvida de que a Lange & Söhne mostra uma cilindrada capaz de ombrear com as míticas

Peças ainda por trabalhar. A partir daqui irão ser sujeitas aos diversos tipos de decoração que as tornarão dignas de equipar um “Lange”.

A específicidade de cada tarefa é tal que certos coleccionadores preferem que certos acabamentos sejam feitos por determinados artesãos de quem apreciam o estilo.

Reportagem A. Lange & Söhne

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

“Uma coisa é o Lange 31 como relógio. Outra é o que está por trás: os nossos relojoeiros controlam, neste momento, uma reserva de poder de 31 dias. Não foi apenas aberta uma porta, foi inaugurado um mundo totalmente novo!”

Fabian Krone O famoso Lange 31, em que 31 são

Um dos segredos dos 31 dias de reser-

os dias de reserva de corda. Pode ob-

va de corda reside aqui, na novíssima

servar-se à esquerda e em cima um

espiral especialmente desenvol­vida

pequeno oríficio quadrado através do

pela A. Lange & Söhne.

qual e mediante uma chave especial se dá corda ao relógio

manufacturas relojoeiras suíças. Afinal de contas, foi considerada a primeira das 30 marcas mais luxuosas da Alemanha... à frente da Mercedes. A A. Lange & Söhne é menos mediática que certas manufacturas suíças, no entanto, é uma das casas relojoeiras mais premiadas da actualidade.

Os relógios A. Lange & Söhne têm um estatuto de exclusividade mas em que a pro­cura supera largamente a capacidade de produção.

www.alange-soehne.com

Quatro mosqueteiros Filha da glasnost e da perestroika, a A. Lange & Söhne pós-Muro de Berlim surgiu personificada em quatro modelos iniciais. Esses ‘Quatro Mosqueteiros’ – o Lange 1, o Arkade, o Saxónia e o complicado Tourbillon Pour le Mérite – passaram com distinção no escrutínio da primeira apresentação aos clientes e à crítica especializada, no dia 24 de Outubro de 1994. Não bastava que os relógios fossem esteti­ camente apelativos ou concebidos exclusivamen­ te em metais preciosos. Denotavam pura classe e eram sobretudo diferentes sem destoar da tradição da marca, desde o plano estético e decorativo até ao aspecto técnico e à originalidade de concepção. Transpareciam alma e coração, im­buí­dos numa história com pedigree imperial: mecanismo tradicional em prata alemã com platina a três quartos, decoração única com gravação do galo do balanço e chatôns de ouro; a data sobredimensionada numa janela dupla inspirada num relógio da Ópera Semper de Dresden representou uma tremenda originalidade; o mostrador descentrado do emblemático Lange 1 e o princípio de transmissão (com fusée à chaîne) utilizado no Tourbillon ‘Pour le Mérite’ deixaram a indústria boquiaberta.

Feito um 31 A filosofia de produto manteve-se inalterável, insistindo na platina de base dos mecanismos em prata alemã (com níquel, zinco e bronze) que dá um tom único aos calibres Lange mas que é de difícil decoração e não permite margem para erro; oxida facilmente e qualquer descuido anula todo o processo, que é duplo: monta-se cada mecanismo para regulação e testes, desmonta-se para acabamento e decoração, e finalmente monta-se uma segunda vez. A colecção evoluiu naturalmente, com os modelos menos complicados a serem devidamente acompanhados por prodigiosas complicações incluídas em modelos como o Langematik Perpetual, o Datograph, o Double Split com dupla função rattrapante, o Tourbograph com fusée à chaîne, o Datograph Perpetual ou o recente Lange 31. O nível dos acabamentos é simplesmente excepcional e a inventividade também, com a apresentação em média de dois novos calibres mecânicos por ano. A transição entre o passado e o futuro parece assegurada da melhor maneira pelo actual chefe de pesquisa e desenvolvimento – o brilhante holandês Anthony de Haas, oriundo da escola vanguardista da manufactura de calibres Renaud & Papi mas que está imbuído da peculiar identidade da Lange & Söhne. É ele o homem por trás dos progressos no capítulo da reserva de corda, da criação de uma espiral própria e de novas invenções que aí virão.

Reportagem A. Lange & Söhne

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

[ Reportagem ]

A lenda nasceu na Índia, nos tempos do Raj, há 77 anos. Mas o coração do Reverso bate com rigor e sede de inovação bem helvéticas. A manufactura de alta-relojoaria Jaeger-LeCoultre passeia os pergaminhos do seu mais perene modelo pelos campos de pólo do mundo. Desta vez, foi ao sol latino-americano de Palm Beach e Miami.

A CAVALO reportagem Fernando Correia de Oliveira - Miami

Os Estados Unidos estão à beira de se tornarem num país assumidamente bilingue, e os ‘latinos’ já são maioritários em vastas zonas do território, onde o castelhano ultrapassa o inglês no quotidiano de milhões. A Florida, especialmente Miami, é um desses casos onde a latinidade é omnipresente e atravessa todos os estratos sociais. A relativamente pequena comunidade argentina é poderosa, do ponto de vista económico, e há todo um mundo de sofisticação e exclusividade girando à volta do pólo e dos seus clubes, onde a maioria das estrelas são argentinas e onde a ‘beautiful peo­ ple’ anglo-saxónica luta pelo privilégio de entrar.

Qual é o desporto da moda entre os ricos e famosos do mundo? Se o golfe e o ténis desde há muito se massificaram, se a vela segue o mesmo caminho, restará a essa diminuta elite mundial con­centrar-se nos clubes de pólo, de Gstaadt, na Suíça, ao Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, passando por Sotogrande, em Espanha. Mas os centros mais prestigiados deste des­ por­to estão na América – Argentina –, onde a modalidade é adorada e de onde provêm os jo­ gadores mais ta­len­tosos e os cavalos mais hábeis; e é na área de Miami / Palm Beach, na Flo­rida, que os gran­des praticantes, os melhores do mundo,

passam metade do ano. Latinos, cavaleiros, ga­ lantes, more­nos e atléticos, além de ricos, são autênticos ímãs para as mulheres jovens e bonitas das redondezas. Enquanto isso, os pais e maridos fazem os seus negócios nos bares e restaurantes destes clubes, onde a quota anual (que dá apenas o direito de entrada) equivale a 60 mil euros. Foi neste ambiente de tropicalismo caribenho, pontilhado de pragmático estilo americano e misturado de tradição ‘british’, que a Jaeger-LeCoultre lançou as suas novidades para este ano em termos de Reverso, o modelo mais perene da Grand Maison, o nome por que é

Reportagem Jaeger-LeCoultre

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Adolfo Cambiaso O argentino Adolfo Cambiaso Júnior é considerado pela generalidade dos especialistas e adeptos o melhor jogador de pólo do mundo, sendo um dos poucos com um handicap 10, o máximo na modalidade, que ele atingiu com a idade-recorde de 17 anos. Dado que tem o mesmo nome do pai, é tratado no meio como Adolfito. Hoje, com 33 anos, já ganhou um total de 15 títulos do Grand Slam do pólo, incluindo o Open argentino e o norte-americano (cinco vezes cada), bem como o Open britânico. Tem no currículo quase 30 títulos na Polo Masters Cup, incluindo seis Queen’s Cup e seis Prince of Wales Trophy. A vida de Adolfo Cambiaso reparte-se pela Argentina, pelos Estados Unidos, pelo Reino Unido, pela Suíça e por Espanha (sobretudo em Sotogrande, um dos clubes mais importantes da Europa). Adolfo é casado com uma das mais conhecidas modelos sul-americanas, Maria Vazquez, que hoje em dia é também apresentadora de televisão. O casal tem dois filhos – Mia e Adolfo júnior. Este último nasceu durante o Abierto Argentino, no meio de uma partida, que o pai abandonou para assistir ao parto do primeiro filho.

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Espiral do Tempo 28 Inverno 2008

Foi neste ambiente de tropicalismo caribenho, pontilhado de pragmático estilo americano e misturado de tradição ‘british’ que a Jaeger-LeCoultre lançou as suas novidades em termos de Reverso.

Reverso Squadra World Chrono

Reverso Squadra Chrono GMT

Série Limitada: 1500 exemplares.

Movimento: Cronógrafo mecânico de corda

Movimento: Cronógrafo mecânico de corda

automática JLC 754. Funções: Horas, minutos, data, cronógrafo

automática JLC 753. Funções: Horas, minutos, segundos, data,

e 2º fuso horário.

cronógrafo e indicação dia/noite.

conhecida a manufactura relojoeira suíça. As pe­ ças Reverso apresentadas – o Giroturbilhão, o Squadra em cerâmica e a nova colecção Squadra para senhora – aliaram, mais uma vez, e na pura tradição Jaeger-LeCoultre, a forma carismática e a função complexa, numa base de movimentos de manufactura que continuam a estabelecer no­vas fronteiras em termos de desenvolvimento tec­ nológico e uso de novos materiais. Para o grupo de jornalistas da especialidade vindos de todo o mundo, incluindo os da Espiral, o ‘tiro de partida’ foi dado no Palm Beach International Club, um dos mais exclusivos do mundo, e onde o manusear do novo Giroturbilhão (pela primeira vez aplicado a uma caixa de Reverso, adaptada) provou a capacidade técnica

inultrapassável da JLC. Uma partida de pólo, para fins de beneficência, contou com a presença do Adolfo Cambiaso, uma espécie de Maradona do pólo, considerado o melhor jogador da modalidade no mundo e que há anos vem sendo embaixador da Jaeger-LeCoultre. No pulso do cavaleiro apa­­recia o novo Reverso Squadra Polo Fields Chronograph, com caixa em cerâmica negra. Nas equipas, mistas, figurou outra das embaixadoras da marca, a marquesa Clare Mountbatten. O objectivo era marcar o máximo número de golos, já que a manufactura se dispôs a dar um tanto por cada um a uma associação local de luta contra o cancro da mama. No final, seriam sete mil dólares, mas o presidente da Jaeger-LeCoultre, Jerôme Lambert, resolveu dobrar a parada e foi passado

um cheque de 14 mil dólares. Um ‘asado’ no The Mallot Grill retemperou as forças da comitiva, que depois visitou os estábulos de Cambiaso, nos arredores do Palm Beach International Club. A família Cambiaso cria cavalos destinados à prática do pólo – tem cerca de mil. Os animais não podem ser muito altos, as éguas aprendem melhor que os machos, o ensino só pode começar a partir dos quatro anos e um cavalo atinge o auge das suas capacidades por volta dos seis, terminando a carreira por volta dos oito. No dia seguinte, já em Miami, foi a vez de visitar os estábulos de Eduardo Novillo Astrada, Las Monitas. A família Astrada é uma das que tem mais tradição e palmarés no mundo do pólo, e Eduardo é considerado o segundo melhor jo-

As regras do pólo O pólo é um jogo que terá as suas origens na Ásia central, há mais de 2.500 anos. Já era praticado na Índia quando os ingleses ali chegaram. A potência colonial cria no Raj o primeiro clube de pólo, em 1859. E, em 1873, ocorre o primeiro jogo de pólo oficial em Inglaterra. Um campo de pólo tem 275 metros de comprimento por 180 metros de largura, e o objectivo é a marcação do maior número de golos, acertando numa bola de 8 centímetros de diâmetro, em cima de um cavalo, com um taco com cerca de 3 metros de comprimento, e fazendo-a entrar numa baliza de 7,3 metros de largura. Cada uma das equipas tem quatro elementos e cada partida dura cerca de uma hora, dividida por quatro ou seis períodos (chukkas) de sete minutos e meio cada. Há intervalos de três minutos entre cada período e de cinco, a meio da partida (altura em que o público é tradicionalmente convidado a entrar em campo para, com os pés, alisar o relvado descomposto pelos cascos dos cavalos). A cada período, os cavalos são obrigatoriamente trocados e cada animal só pode ser usado duas vezes. Há dois árbitros em campo, a cavalo, e um terceiro a pé, fora de campo. Cada cavaleiro poderá percorrer, em cada partida, até 160 quilómetros. Como, por exemplo, no golfe, os praticantes são avaliados e classificados por handicap, que começa em -2 e acaba em +10.

Reportagem Jaeger-LeCoultre

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Reverso Squadra Hometime Movimento: Mecânico de corda automática JLC 754. Funções: Horas, minutos, segundos, data, indicação AM/PM e 2º fuso horário.

A caixa reversível para relógio é uma criação Jaeger-LeCoultre que permaneceu única no mundo, desde 1931. Um símbolo intemporal do movimento ‘art déco’ (como alguns famosos edifícios de Miami), o Reverso é o mais clássico de todos os relógios rectangulares.

gador mundial. Também ele embaixador da Jaeger-LeCoultre, possui, igualmente, cerca de mil cavalos, estando com Cambiaso entre os maiores criadores de cavalos de pólo do Globo. Mais partidas demonstrativas da modalidade serviram para os neófitos tomarem contacto com um desporto rápido, perigoso, exigente e, pela logística que envolve, apenas aberto a quem tem, na realidade, muito dinheiro. O fim do dia, no Shore Club de Miami, foi uma ladies’ night, momento propício para a apre­ sentação, junto à piscina, e com modelos vivos a passearem os relógios por entre mais de mil con­vidados locais, da nova colecção Squadra

de senhora. A actriz Diane Kruger, outra em­ baixadora da marca, esteve presente. No final, bem ao espírito de Miami, algumas dezenas de convidados foram parar à piscina, vestidos e com telemóveis de última geração no bolso… A caixa reversível para relógio é uma criação Jaeger-LeCoultre que permaneceu única no mundo, desde 1931. Um símbolo intemporal do movimento art déco (como alguns famosos edifícios de Miami), o Reverso é o mais clássico de todos os relógios rectangulares. Há três anos, nascia o Reverso Squadra – a mesma filosofia, mas em caixa quadrada. Este mítico modelo nasceu de um desafio lançado por

militares britânicos em serviço na Índia colonial, que queriam ter relógios de pulso capazes de resistirem aos choques inevitáveis a que estão sujeitos em partidas de pólo. De um lado, o Reverso mostra o tempo com precisão, enquanto do outro, ou esconde o tempo ou o mostra num outro aspecto – segundo fuso horário, com fun­do em safira mostrando o movimento, um mo­nograma, uma decoração com diamantes ou em esmalte… As duas faces de um Reverso, que giram so­ bre um eixo assente numa base, encerram em si possibilidades infinitas de lidar com as horas e de as ler.

Eduardo Astrada Considerado o segundo melhor jogador do mundo, Eduardo Novillo Astrada é, com o seu handicap 9, uma das mais fortes personalidades na modalidade, imprimindo a sua marca inconfundível nas equipas de que tem feito parte. Além disto, Eduardo é, juntamente com Cambiaso, um dos mais conhecidos jogadores argentinos. Com 35 anos, tem no seu palmarés uma série de vitórias em opens importantes, tendo feito parte de equipas tão famosas como as argentinas La Cañada, Ellerstina e La Aguada. É nesta última que joga actualmente, com três irmãos, facto raro numa modalidade onde, no entanto, a tradição familiar tem imenso peso. Nos Estados Unidos, Astrada é o capitão de Las Monjitas e, tal como Cambiaso, possui estábulos na Argentina e na região de Miami, sendo, com os seus cerca de mil animais, outro dos grandes criadores mundiais de cavalos para pólo. No Reino Unido, Astrada integra a equipa Black Bears, que tem ganho nos últimos anos o Open local. Tal como o resto da elite mundial do pólo profissional, Astrada vive repartido entre a Argentina natal e os Estados Unidos, com incursões anuais ao Reino Unido, à Suíça e a Espanha (ganhou recentemente em Sotogrande).

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Espiral do Tempo 28 Inverno 2008

Reportagem Jaeger-LeCoultre

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Clare Mountbatten Na última década, Clare Husted Mountbatten, marquesa de Milford Haven, tem praticado pólo sob as cores da Jaeger-LeCoultre. Nascida em 2 de Setembro de 1960, é editora convidada da influente revista Tatler, uma espécie de bíblia do ‘social’ britânico. Casou, pela primeira vez, em 1985 com Nicholas Philip Wentworth-Stanley, de quem teve três filhos. Voltou a casar-se em 1997 com George Mountbatten, quarto marquês de Milford Haven. Membro muito activo do exclusivo Cowdray Park Polo Club, com um handicap 1 (em comum para homens e mulheres), Clare tem passeado a sua simpatia e classe por Inglaterra, por Espanha, por Itália, pela África do Sul, pelo México, pela Argentina, pelo Chile ou pela Índia. Também ela e o marido se dedicam à criação de cavalos nas suas propriedades, na Grã-Bretanha.

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Espiral do Tempo 28 Inverno 2008

Reverso Squadra Lady Dois anos depois do advento do Reverso Squadra para homem, a Jaeger-LeCoultre apresenta uma co­lecção de­di­cada à mulher. Com os tradicionais dois mos­tradores, a versão feminina tem um sis­tema de mudança fácil de pulseiras, usa uma panóplia de materiais, um design clássico e um toque de dia­mantes. Equipados com a úl­tima geração de ca­li­bres JLC, combinam a fiabilidade técnica da Ma­nufactura com um grau de refinamento reservado exclusivamente para pulsos femininos. A colecção, nas palavras da equipa de designers que a criou, destina-se a corresponder às exigências específicas de mulheres totalmente preparadas para usarem ‘armas de sedução maciça’ bem masculinas. Assim, os Squadra apresentam-se em caixas de duas dimensões – a mais pequena para pul­ sos e personalidades mais delicados; a maior para mulheres que gostam de mostrar peças desportivas reconhecíveis a um primeiro olhar. Esteticamente, os mostradores são de grande variedade em cor e forma. E as caixas, com dia­ mantes, podem ser em ouro branco, amarelo ou rosa. Os calibres podem ser de quartzo ou mecânicos automáticos (estes últimos com fundo em safira) e as funções podem incluir GMT. O inovador sistema de mudança de pulseiras per­mite uma rápida alteração de aparência, sem necessidade de recurso a qualquer ferramenta – do aço ao ouro, passando pelo cabedal e pela borracha.

Reportagem Jaeger-LeCoultre

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Audemars Piguet Millenary Segundos Mortos [76]

Franck Muller

Graham

Split Seconds Chronograph [78]

Chronofighter GMT Big Date [80]

TAG Heuer

Laborat贸rio - TAG Heuer

Link Calibre S [82]

Monaco Sixty Nine [84]

Espiral do Tempo 28 T茅cnica

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Em Foco Millenary Segundos Mortos Audemars Piguet

A Audemars Piguet oferece mais uma prova da sua enorme competência técnica com o Millenary Segundos Mortos – um excepcional relógio que recebeu o galardão de ‘Melhor Design’ no Grand Prix d’Horlogerie de 2007 e que dá seguimento ao exclusivo relógio Cabinet n.º5 da colecção ‘Tradition d’Excellence’ de 2006. Esse complicado relógio de produção limitada era um calendário perpétuo com cronógrafo e indicador de reserva de marcha que estreou um revolucionário sistema de escape visível através de um mostrador estruturado; o Millenary Segundos Mortos é sensivelmente igual… embora não possua tantas complicações, mantendo apenas os segundos mortos e o escape AP. O escape tem um papel essencial ao manter e ‘contar’ as oscilações do órgão regulador (balanço e espiral); inspirada por um mecanismo criado por Robert Robin no final do século XVII, a Audemars Piguet desenvolveu um novo sistema que reduz a energia perdida e dispensa lubrificação. O ponteiro dos segundos, que tradicionalmente se move de modo contínuo nos relógios mecânicos, fica ‘morto’ durante um segundo, até dar o salto para o segundo seguinte.

Decoração apurada Construído em formato oval condizente com a caixa e com um total de 233 peças (31 rubis), o calibre 2905 de corda manual bate a uma frequência de 21.600 alternâncias/ /hora e apresenta uma reserva de marcha de sete dias (168 horas). Todos os componentes são decorados à mão seguindo os mais no­ bres princípios da alta-relojoaria: anglage, rhodiage, perlage e Côtes de Genéve.

Coração que pulsa

Peito aberto

O órgão regulador centra todas as atenções

Um fabuloso design tridimensional põe em

às 9 horas, num cenário tecnicista que re­

destaque uma arquitectura contemporânea

pre­senta uma autêntica lição relojoeira. A

que reinventa os códigos estéticos da alta-

pla­taforma do escape foi virada ao contrário

-relojoaria. O visual é sublimado pelas pulsa­

O Millenary Segundos Mortos, é um

e a platina de base foi ‘esqueletizada’ para

ções do órgão regulador, pela cadência dos

ex­celente veículo para honrarmos o

que o mecanismo seja apreciado através

segundos mortos e pela rotação dos dois

nosso novo escape. Com design sur­

do mostrador. Pode ver-se o enorme balan­

tambores visíveis, que alternadamente reve­

preendente, associa uma cai­xa oval a

ço Gyromax de inércia variável com os pe­

lam e escondem as inscrições ‘Echappement’

uma arquitectura muito con­temporânea

quenos parafusos em ouro branco que asse­

e ‘Audemars Piguet’. Os materiais escolhidos,

guram uma regulação fina e duas espirais

o relevo da decoração e os ponteiros azulados

sobrepostas a 180 graus.

reforçam o fascinante espírito técnico.

George-Henri Meylan [ CEO Audemars Piguet ]

no que diz respeito ao mostrador e ao movimento. Respeitan­do as características da colecção Mille­­nary, este mode­ lo adopta uma dis­­posição descentrada das funções no mostrador, que permite revelar o mo­vimento na sua totalidade,

Novo sistema de escape O novo escape da Audemars Piguet é a con­ cretização de um sonho relojoeiro: a sua geo­metria permite que o mecanismo não necessite de lubrificação. Para mais, o facto

seguindo uma estética tridimensional.

de o impulso ser transmitido directamente

Graças ao seu balanço de grandes di-

ao balanço também reduz significativamente

mensões, to­das as pulsações do escape

o gasto de energia. A forma específica das

estão à vista, oferecendo um espectácu­

várias peças que compõem o delicado sis­

lo fascinante.

te­ma de escape oferece uma superior resis­ tência aos choques.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Oval e colossal Inspirado no Coliseu de Roma, o formato oval da linha Millenary é ideal para o Seconde Morte – o alon­gamento horizontal permite uma disposição ideal dos vários elementos descentrados. A colossal caixa em ouro rosa, de 47 milímetros de diâmetro e 15,8 de espessura, apresenta um tratamento de superfície alternadamente polido e escovado. É es­ tan­que a 20 metros e tem fundo transparente em vidro de safira.

Ficha técnica Millenary Segundos Mortos Audemars Piguet

Modelo: Millenary Segundos Mortos • Referência: 26091OR.OO.D0803CR.01 • Caixa: Ouro rosa 18 k ; 47 mm de diâmetro; fundo em safira • Movimento: Calibre 2905 de corda manual com escape Audemars Piguet; largura/comprimento: 32 x 37 mm; 9.15 mm de espessura; 31 rubis; 233 peças; sete dias de reserva de corda; 21.600 alternâncias/hora; todas as peças decoradas à mão • Funções: Horas, minutos e segundos mortos • Estanquicidade: 20 metros • Bracelete: Pele de jacaré; fecho de báscula em ouro rosa

www.audemarspiguet.com

Preço: € 151.000

Em Foco Audemars Piguet

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Em Foco Split Seconds Chronograph Franck Muller

Autodenominado ‘Master of Complications’, Franck Muller celebrizou-se pelo domínio de todas as complexidades da relojoaria mecânica – mas houve dois ingredientes particulares que estiveram na base do seu enorme sucesso: o peculiar formato da caixa ‘Cintrée Curvex’ e o fascínio exercido pelos seus modelos cronográficos. O Split Seconds Chronograph conjuga esses dois ingredientes num sensacional cronógrafo de grande sofisticação técnica e estética. Se o objectivo principal de um relógio é indicar as horas e os minutos, o Split Seconds Chronograph dá especial ênfase às funções cronográficas. As horas e os minutos surgem num submostrador descentrado às 6 horas, libertando o eixo central para os dois ponteiros de medição dos segundos; os segundos contínuos surgem às 9 horas e o acumulador da contagem dos minutos está situado às 3 horas. A grande surpresa surge no fundo da caixa, que apresenta um segundo mostrador exclusivamente reservado a funções cronográficas e que se faz acompanhar de uma escala pulsimétrica, uma escala telemétrica e uma escala taquimétrica dupla!

Tabelas de cálculo Existe uma escala taquimétrica no mostrador e mais três tabelas de cálculo no verso. A escala taquimétrica, presente no mostrador (60 a 900 km/h) e no verso (20 a 30 km/h e 30 a 60 km/h), avalia a velocidade de um veículo. A escala telemétrica permite medir uma distância com base na velocidade do som (exemplo: inicia-se a cronometragem quan­­­­do se avista um relâmpago e pára-se a cronometragem quando se ouve o trovão). A escala pulsimétrica permite calcular a fre­ quên­cia cardíaca.

Pierre-Michel Golay

Tridimensionalidade

Base mecânica

[ Director de R&D da Franck Muller ]

A caixa do Split Seconds Chronograph é um

O calibre automático FM 7002 RDF é alimen-

portento – não só na respectiva concepção

tado por um rotor em platina 950 de grande

arquitectónica estanque a 30 metros, mas

densidade (para optimizar a circulação) e a

também na relação entre forma e função.

sua sofisticação cronográfica assenta numa

O emblemático formato ‘Cintrée Curvex’ foi

roda de colunas (em vez da roda de cames),

construído sobre um ponto de referência es-

numa placa rattrapante e numa desmultipli-

férico que reúne os três eixos curvos da caixa;

cação (graças a um pivot no rotor) que per-

tantemente a pesquisar e ensaiar no­

o mostrador, os ponteiros maiores e o vidro

mite o funcionamento do ponteiro suplemen-

vas soluções para que as possamos

de safira acompanham a curvatura geral da

tar no mostrador do verso.

aplicar aos novos conceitos e às no-

caixa para um acabamento perfeito.

Qual a importância de inovar em termos de movimentos? O desenvolvimento e criação de novos movimentos é muito importan­te para a Franck Muller. Estamos cons­

vas formas estéticas. Franck Muller é sinónimo de inovação e de audácia. A marca conquistou o seu lugar na relojoaria mundial precisamente por esta

Complexidade cronográfica

abordagem criativa. O desenvolvimen­

Quando se fala em complicações de prestígio no universo da relojoaria mecânica, pensa-se

to de novidades é essencial para não

imediatamente em turbilhões, grandes sonneries ou calendários perpétuos – mas o cronógrafo

estagnarmos e gostamos de surpren­

é igualmente uma especialização que requer grande mestria técnica, sobretudo os comple-

der os nossos admiradores.

xos modelos dotados de um segundo ponteiro de recuperação (rattrapante, em francês; split seconds, em inglês).

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

Três ponteiros Se a função cronográfica torna um relógio mais interactivo, o Split Seconds Chronograph tripli­ ca o prazer de utilização: além do ponteiro cro­ nográfico e do segundo ponteiro rattrapante, tem um terceiro ponteiro no mostrador do fundo da caixa que eleva a complexidade técni­ca do conjunto. Um excepcional instrumento de precisão entre as inúmeras variantes cronográficas que têm saído de Watchland!

Ficha técnica Split Seconds Chronograph Franck Muller

Modelo: Split Second Chronograph Double Face • Referência: 8883 CC RCDF/ACBRV • Caixa: Cintrée Curvex em aço; vidro e fundo em safira • Coroa: Em aço com dispositivo split second • Movimento: Calibre automático FM 7002 RDF, com rotor em platina 950, 42 horas de reserva de corda, 28.800 alternâncias/hora • Funções: Horas, minutos e segundos, segundos do cronógrafo, contador de minutos e split second; Verso: três escalas diferentes: pulsimétrica, telemétrica e taquimétrica • Estanquicidade: 20 metros • Bracelete: Pele de jacaré com fivela em aço

www.franckmuller.com

Preço: € 28.500

Em Foco Franck Muller

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Em Foco Chronofighter Oversize GMT Big Date Graham

Modelo mais emblemático da Graham, o Chronofighter é também um ícone da relojoaria contemporânea. Contudo a sua inconfundível alavanca de accionamento do cronógrafo tem origens no passado: os aviadores da Segunda Guerra Mundial utilizavam instrumentos de precisão presos à perna que eram accionados, mediante uma alavanca semelhante para o cálculo do tempo entre o lançamento da bomba e a explosão no solo. O enorme sucesso do Chronofighter deu origem a uma versão maior e a novas variações dotadas de fins específicos, como o Chronofighter Oversize Diver Deep Seal de mergulho e o novo Chronofighter Oversize GMT Big Date – que surge equipado com a sempre útil função GMT e uma janela dupla para a data sobredimensionada. Os apurados detalhes gráficos (índices, algarismos) e a dinâmica conjugação de cores (preto, laranja, prateado) fazem com que o Chronofighter GMT Big Date seja particularmente desportivo e apresente elevados índices de legibilidade.

Motor de arranque O Calibre G1733 de corda automática foi conce­ bido para incluir um segundo ponteiro das horas e uma data panorâmica assente em dois discos, para além de implementar o accio­na­ men­to do cronógrafo através da alavanca sobre a coroa. O ponteiro cronográfico dos se­gun­dos surge ao centro, com o submostrador de se­gun­ dos contínuos às três horas e um tota­lizador de 30 minutos às nove. A reserva de corda é de 42 horas.

Eric Loth [ CEO The British Masters ] Como surgiu a ideia de base para a nova colecção Chronofighter Oversize? Estavam sempre a dizer-me que o Chro­ no­fighter parecia uma granada – eu tei­ mava que não e a certa altura disse que conseguiria fazer algo que fosse realmen-

Alavanca protuberante Os modelos Chronofighter Oversize são dota­

Cores e grafismos

dos de uma alavanca do cronógrafo diferente

É através da luneta bicolor, numa escala de

– maior e mais estilizada – da do Chronofighter

24 horas, que se faz a leitura do segundo fuso

original, mas mantêm o mesmo perfil, qua­se

horário, graças ao ponteiro esqueletizado

bélico. A superfície da protuberante ala­van­­

suple­mentar. A parte negra reporta-se às ho­

ca é canelada para melhor atrito do pole­gar

ras nocturnas, enquanto a laranja se refe­re

aquando do accionamento da função crono­

ao período diurno. A alternância entre alga­

gráfica.

rismos alaranjados, prateados e o tratamento

te parecido com uma granada e lancei

luminescente em Superluminova nos índices

então o Chronofighter Oversize. Lancei o

e ponteiros confere um espírito alegre e dinâ­

de­safio aos nossos designers mas depois

mico ao relógio.

de algumas propostas do departamento criativo eu mesmo o desenhei, porque as propostas não eram ousadas o suficiente – eu queria que fosse um relógio ‘infernal’.

Pujança desportiva

Creio que o conseguimos, a versão GMT

O Chronofighter Oversize GMT Big Date assenta numa estrutura fenomenal: diâmetro de 47

Big Date é um cocktail de adrenalina para

milímetros para uma espessura de 16,5 e coroa com nove milímetros de diâmetro acom­

“pulsos” arrojados.

panhada da emblemática alavanca; vidro de safira com tratamento anti-reflexo de ambos os lados; as asas da caixa são ergonómicas para melhor acompanharem a curvatura do pulso.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Espírito de aventura O Chronofighter Oversize GMT Big Date tem tudo para satisfazer os viajantes e os aventureiros. Apresenta gran­de robustez perante o choque, é estanque a 50 metros de profundidade, dispõe de um segundo fuso horário e surge equipado com uma bracelete de borracha vulcanizada anti-alérgica inalterável pe­rante o calor, a humidade ou a acidez do suor.

Ficha técnica

Referência: 2OVASGMT.B01A.K10B • Caixa: Aço, 47 mm de diâmetro, 16,5 mm de espessura, vidro em safira

Chronofighter Oversize GMT Big Date

Coroa: 9 mm de diâmetro, localizada à esquerda, com duplo sistema de protecção • Movimento: Cronógrafo mecânico de

Graham

Estanquicidade: 100 metros • Bracelete: Cauchu ou calfe com fivela em aço

corda automática calibre G1733 • Funções: Horas, minutos, segundos, cronógrafo, 2º fuso horário com indicação dia/noite Preço: € 6.990

www.graham-london.com

Em Foco Graham

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Em Foco Link Calibre S TAG Heuer

Depois da surpreendente apresentação do futurista Calibre S num modelo Aquaracer particularmente desportivo, a TAG Heuer optou agora por decliná-lo numa versão igualmente despretensiosa mas ainda mais sofisticada: o Link Calibre S. A pureza do aço surge aliada à pujança arquitectónica da colecção Link num instrumento do tempo simultaneamente urbano e casual que exalta – através de uma leitura de dados inédita – toda a complexidade do seu mecanismo. O Calibre S estabelece um corte epistemológico na disposição dos dados cronográficos, combinando princípios mecânicos num revolucionário mecanismo de quartzo (patenteado) com 230 peças e cinco motores bidireccionais de elevadas prestações. A sincronização dos ponteiros centrais com os ponteiros retrógrados adicionais requer uma precisão extrema, mas os técnicos da TAG Heuer há muito que se habituaram a transformar o desejo em realidade. E aí está o Link Calibre S – belo, estilizado e de elegância suprema em qualquer circunstância!

Think Link! O Link tem as suas raízes na emblemática linha S/el (Sport/elegance) que, em 1987, es­ta­beleceu um novo marco na estética re­ lo­joeira. Em 1999, as formas S/el foram re­ de­­­senhadas pelo mesmo autor (o designer Eddy Schopfer) e apresentadas sob o novo conceito Link, dotado de elos da bracelete mais poderosos e caixa esculpida num blo­co Mecanismo perpétuo

de aço sólido. As linhas voltaram a ser actua­

O Link Calibre S apresenta um mostrador iné­

lizadas recentemente.

dito com ponteiros bidireccionais em tota­ li­­zadores semicirculares situados às cinco e às sete horas. Se a função ‘tempo’ está em

Jean-Christophe Babin

uso, esses dois ponteiros indicam a data: o da

[ CEO TAG Heuer ]

esquerda para as dezenas, o da direita para

Viemos da tradição do mecânico, fomos para o quartzo, como o resto da in­dústria.

as unidades. O calendário é perpétuo e não é necessário acertar a data até… 2099.

Estamos a trabalhar revolu­ções me­câni­ cas e de quartzo, ao mesmo tem­­­po, so­ mos inovadores em ambas as tecnologias. A qualidade não está con­finada aos relógios mecânicos. Que­re­mos mostrar

Caixa-Forte

que o quartzo não deve ser visto como

O Link Calibre S está disponível numa caixa

sendo menos nobre, tal como uma peça

de 42 milímetros dotada de um mostrador

mecânica não deve ser vista como algo

negro com apliques de aço contrastantes ou

que é mais do que nobre. Na indústria

com mostrador branco com detalhes em azul.

automóvel: a Mercedes e a BMW já

Originalidade vanguardista

A luneta, em aço polido, tem uma escala

provaram que um carro de luxo tam-

Mais um relógio que a TAG Heuer coloca na vanguarda da cronometragem desportiva: basta

ta­quimétrica gravada. O vidro é de safira e

bém pode ser a diesel. Procuramos com-

pressionar uma vez a coroa para que o Link Calibre S passe da função ‘tempo’ para a função

a bracelete tem fecho duplo de segurança.

binar as duas tecnologias e retirar o me-

‘cronógrafo’, com o ponteiro bidireccional da direita a indicar os centésimos de segundo suple­

Estanque até aos 200 metros, passou testes

lhor que cada uma oferece.

mentares à indicação central das horas, minutos e segundos passados. A função split seconds

de resistência e precisão ao longo de 12.000

permite medir tempos parciais e intermediários.

horas.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Contabilidade Decrescente O Link Calibre S é o segundo relógio da TAG Heuer a utilizar o mecanismo híbrido, depois do Aquaracer Calibre S – modelo de vocação náutica que possibilita a função regatta count­­­down até ao tiro de partida: os ponteiros centrais dos segundos e dos minutos iniciam uma contagem decrescente de dez minutos até à entrada em funcionamento do cronógr­a­­­­­ fo normal para a cronometragem da regata.

Ficha técnica Link Calibre S TAG Heuer

Referência: CJF7110.BA0587 • Caixa: Aço, 42 mm de diâmetro, luneta, em aço polido, escala taquimétrica gravada, vidro em safira • Movimento: Mecanismo de quartzo (patenteado) com 230 peças e cinco motores bidireccionais • Funções: Horas, minutos, segundos, cronógrafo, calendário perpétuo, ‘split seconds’ • Estanquicidade: 200 metros • Bracelete: Aço, fecho duplo de segurança Preço: € 2.490

www.tagheuer.com

Em Foco TAG Heuer

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

[ Laboratório ] O surpreendente Monaco Sixty Nine é um relógio híbrido que conjuga o passado com o futuro num simples revirar: a combinação única entre audácia, inovação e tecnicismo faz dele mais um ícone no historial da TAG Heuer. E fica bem no pulso de José Mourinho!

texto Miguel Seabra | fotos Nuno Correia

José Mourinho tornou-se num treinador de futebol revolucionário ao conjugar de modo perfeito a emoção e a razão para potenciar ao máximo as qualidades da sua equipa. E um dos relógios que utiliza regularmente no pulso também consegue aliar de modo perfeito dois princípios aparentemente antagónicos, reunindo o romantismo da relojoaria mecânica e o vanguardismo da tecnologia digital numa original carrosseria basculante. Trata-se do Monaco Sixty Nine, talvez o modelo que melhor personifica a ponte entre passado e futuro que constitui a TAG Heuer. Foi em 1860 que Edouard Heuer fundou um atelier vocacionado para a construção de instrumentos de precisão; na década de 80, a histórica casa relojoeira Heuer associou-se à TAG e tornou-se TAG Heuer. Se o apelido Heuer representa uma companhia tradicional com múltiplos galardões no âmbito da cronometragem, o que significam as iniciais TAG? Resposta: Techniques d’Avant-Garde. Fiel ao seu nome composto, a famosa marca relojoeira suíça continua a estabelecer novas fronteiras para a arte de medir o tempo

A TAG Heuer encarregou-se de conceber um sistema patenteado que permite alternar os mostradores, podendo o utilizador tirar o melhor partido de tão feliz simbiose entre o mecânico e o electrónico.

Sistema basculante O Monaco Sixty Nine é o primeiro instrumento do tempo reversível que permite alternar no pulso um mostrador analógico tradicional e um mostrador digital vanguardista. Pensado para tornar a opera­ção o mais simples possível, o sistema patenteado permite levantar verticalmente a caixa graças a dois braços simetricamente opostos até ao eixo de rotação; efectuada essa rotação da caixa, bas­ta reposicioná-la na sua base com o mostrador dese­jado à mostra.

Laboratório TAG Heuer Monaco Sixty Nine

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Os testes A desmontagem e os testes efectuados pelos relojoeiros Tiago Teixeira e Luís Simão nos ateliers da Auto-Quartzo permitiram avaliar mais de perto a singularidade do Monaco Sixty Nine. Os testes de estanquicidade permitiram confirmar uma resistência à água até 50 metros – com pressões de 0,5 (deformação máxima: + 003,3 u) e 2,0 bar (deformação máxima: + 012,5 u). A análise ao funcionamento confirmou a precisão absoluta do mecanismo de quartzo multifunções e também revelou a fiabilidade do mecanismo de corda manual: avaliado em cinco posições (VB, coroa para baixo; VG, coroa à esquerda; VH, coroa para cima; HB, horizontal com mostrador para baixo; HH, horizontal com mostrador para cima), apresentou uma média entre as várias posições de apenas cinco segundos!

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

e tem procurado estar sempre na vanguarda com um punhado de excelentes ideias apre­sentadas sob a designação «Concept Watch». A série desses extraordinários modelos conceptuais foi estreada pelo Micrograph F1, um futurista cronógrafo de quartzo preciso até ao milésimo de segundo desvelado em 2002 e que recebeu o prémio de design do prestigioso Grand Prix d’Horlogerie de Genève. Em 2003, foi a vez do notável Monaco Sixty Nine, um modelo reversível que reúne a mecânica tradicional e a electrotécnica contemporânea. Em 2004, o Monaco V4 surpreendeu pela troca do habitual sistema de rodagens por um conjunto de correias de transmissão alimentadas por um rotor rectangular que se move ao longo de uma calha. Em 2005, a vedeta deu pelo nome de Calibre 360 Concept Chronograph, um alucinante protótipo que se tor­nou no primeiro cronógrafo mecânico de pulso a registar centésimos de segundo. E em 2006 surgiu a apresentação do Calibre S, um mecanismo cronográfico electromecânico equipado com um revolucionário sistema de totalizadores.

Multifuncional 1 | C ronometragem F1 – permite a cronometragem de uma corrida de automóveis até ao milésimo de segundo (80 1

voltas no máximo); os tempos das diferentes voltas ficam guardados em memória e ficam depois disponíveis no modo ‘Best Lap’. 2 | C ronógrafo 1/1000 (CHR) – função cronográfica tra­di­ cional que permite medir, até ao milésimo de se­gun­ 2

do, um só tempo, tempos adicionais e tempos inter­

3

mediários (rattrapante). 3 | Alarme diário – permite assinalar hora do alarme diário. 4 | Calendário perpétuo – a mudança da data no final do mês faz-se de modo automático, mesmo em anos 4

bissextos, até 2100.

5

5 | Segundo fuso horário – função que permite a mostragem do tempo num segundo fuso horário. 6 | Iluminação – uma pressão sobre o botão backlight ilu­ mina o mostrador durante cerca de seis segundos em 6

cada uma das funções; retroiluminação de cor branca

7

que optimiza os contrastes para melhor legibilidade. 7 | Stand-by – permite extinguir por completo o ecrã digital,

Do conceito à realidade O Micrograph foi o primeiro protótipo a passar à linha de produção regular, sob o nome Microtimer. O segundo foi o Monaco Sixty Nine, um instrumento híbrido verdadeiramente fascinante que assenta no formato do lendário Monaco (o carismático cronógrafo quadrado dotado de um dos primeiros mecanismos cronográficos automáticos), mas que está a anos-luz do original de 1969. A diferença traduz-se nas suas três características principais: o cronógrafo mecânico automático de mostrador bi-compax foi transformado num elegante relógio de corda manual com horas, minutos e pequenos segundos às seis horas; a caixa em aço apresenta um engenhoso sistema basculante que roda de modo a desvelar outra face no lado oposto; a face digital no lado oposto apresenta as funções de hora, minutos, segundos, calendário perpétuo, alarme, segundo fuso horário, iluminação e cronógrafo F1 até ao milésimo de segundo com diversas contagens de voltas e melhor volta! Um tão carismático instrumento multifuncional só podia ser alimentado por tecnologias

preservando a pilha.

contrastantes – o Calibre 2 de corda manual alimenta o relógio num clássico mostrador analógico reminiscente do Monaco de 1969; o Calibre HR03 surge debaixo do arrojado mostrador rectangular já presente no Microtimer. A TAG Heuer encarregou-se de conceber um sistema patenteado que permite alternar os mostradores, podendo o utilizador tirar o melhor partido de tão feliz simbiose entre o mecânico e o electrónico consoante as circunstâncias; como não podia deixar de ser, o Monaco Sixty Nine recebeu o galardão de «Melhor Design» no Grand Prix d’Horlogerie de Genève. O formato quadrado é claramente parente do Monaco original; no entanto, o Monaco Sixty Nine é ligeiramente maior (cerca de dois mi­lí­me­ tros) e compreensivelmente mais espesso. E se o Monaco clássico e as suas várias reedições (a primeira bi-compax, de 1998, as seguintes em formato tri-compax, as versões vintage bi-com­pax mais recentes) apresentam um vidro em plexi­glass, o

Monaco Sixty Nine surge com um vidro de safira anti-risco e faz-se acompanhar de uma correia em pele de crocodilo com fecho de báscula. A sucessão de modelos high-tech que rom­ pem com os dogmas da relojoaria tem cimentado a reputação da TAG Heuer – considerada a empresa helvética mais inovadora num recente estudo efectuado por um grupo de consultores e uma revista de economia. A fama não é de hoje: desde a sua fundação que a marca se tem especializado na medição das mais ínfimas parcelas de tempo; a histórica associação às corridas de automóveis permitiu-lhe desenvolver novas técnicas e já em 1977 apresentava o primeiro relógio de pulso a quartzo com dupla visualização analógica e digi­tal: o Chronosplit Manhattan GMT. Três décadas depois do Chronosplit e quase quarenta anos após o Monaco de Steve McQueen, o Monaco Sixty Nine está aí para as curvas – no pulso de Lewis Hamil­ ton, de José Mourinho… ou no seu!

Laboratório TAG Heuer Monaco Sixty Nine

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Perfil Paulo Miranda Joalheiro [90]

Saborear o Tempo Pousada de Tavira [96]

Saborear o Tempo

Saborear o Tempo

Monte Rei Golf [98]

Restaurante L’Olive [100]

Saborear o Tempo

Acontecimentos [104]

Restaurante Veneza [102]

Espiral doEspiral Tempodo 24Tempo Primavera 28 Prazeres 2007

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[ Perfil ] Figura incontornável da alta-relojoaria e da joalharia no Algarve, Paulo Miranda carrega no apelido muitas décadas dedicadas ao comércio de relojoaria e ourivesaria. Agora acrescenta os seus 20 anos de experiência e prepara-se, confiante, para uma bem ponderada expansão. Com uma nova loja a abrir no coração de Faro, junta mais marcas às anteriormente trabalhadas, acreditando que é na alta-relojoaria e na joalharia de qualidade que está o seu futuro.

texto Paulo Costa Dias | fotos Nuno Correia

O caçador O negócio de relojoaria e ourivesaria na família Miranda remonta ao início do século passado, quando um bisavô, oriundo da região de Cantanhede, o fundou. Em meados do século, o avô estabelece-se no Algarve e é já sob a batuta do pai, Manuel de Oliveira Miranda, que a sua rede de lojas se torna na maior referência do sector a nível regional. Paulo Miranda seguiu as pisadas dos seus antepassados e, há dez anos, decide criar a sua própria empresa. Em 2002, abre uma excelente loja no Fórum Algarve, que se viria a tornar o motor da firma e uma referência na região e no País. Depois de alargada, a loja proporciona agora uma enorme modernidade e visibilidade para as marcas. É com os olhos experimentados e a agilidade do caçador – a caça é outra das suas paixões – que Paulo Miranda analisa o mercado e os tempos que correm. E correm de feição, ao que parece! Para que isso acontecesse, soube esperar. Apostou

Dois amores Desde miúdo que Paulo Miranda está ligado ao desporto. Primeiro, jogou basquetebol e mais tarde nasceu a paixão pelo tiro. Seleccionado, representou muitas vezes Portugal continuando ainda a praticar, «mas cada vez é mais difícil». São curiosas as semelhanças que se podem encontrar nos produtos. Ambos, relógios e espingardas, são máquinas que se pretendem precisas e fiáveis, tendo ainda em comum a faceta mecânica e a elegância que as grandes marcas lhes emprestam através do design e da decoração.

numa loja de centro comercial quando o comércio de rua se degradou, optando pela qualidade e facilidades oferecidas por espaços novos, concebidos com qualidade para a actividade comercial. Expande-se agora, regressando à rua – no centro histórico de Faro –, quando os preços do imobiliário estão mais realistas; as lojas de luxo começam a florescer; o público-alvo consolida-se; e as perspectivas criadas pelas novas apostas turísticas fazem prever novos clientes com um mais forte poder de compra. Assim, Paulo

Miranda pretende proporcionar diversidade na oferta, porque julga que o público que compra numa loja de rua nem sempre se desloca ao centro comercial e vice-versa.

A arma A sua Purdey é a mulher, Margarida Miranda, que empresta a confiança e dinâmica necessárias à expansão. A visão e a argúcia femininas percebem-se em muitos pormenores e sensibilidades, como quando afirma, com uma graça e

Perfil Paulo Miranda

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2007

um riso cúmplice que não escondem a atenção ao mercado, «o homem contemporâneo preocupa-se mais com a imagem pessoal que os homens da geração aqui do senhor Paulo Miranda…» Por isso, a perspectiva das lojas é de serem complementares, quer em termos de oferta relojoeira, quer de joalharia. Uma das vantagens de ter os dois produtos é poder ter uma oferta relojoeira diversificada para um público eminentemente masculino e o mesmo em relação à joalharia e ao público feminino. Até porque, acrescenta Margarida Miranda prevendo os arrufos da vida, «o homem preocupa-se muito em compensar a mulher das situações que correm menos bem no casal – quando eles vão para a caça ou para o golfe, por exemplo…»

O saber Apesar das perspectivas, ou por causa delas, Paulo Miranda sabe que não pode estar desatento. Pelo conhecimento que tem do mercado e pela experiência de vida, faz uma leitura panorâmica e compreende os desafios dos novos tempos, vendo neles uma oportunidade de trabalhar com excelência. Sabe, por exemplo, que as vendas de hoje não são feitas apenas na loja. Sabe que tem de comunicar e apresentar-se dentro e fora de portas, sempre com o nível que a alta-relojoaria exige. Não se limita a esperar pelo cliente, por isso trabalha via Internet – «hoje temos o mundo inteiro como clientes» –, faz mailings e publicidade, organiza eventos e aposta na formação dos colaboradores. «Temos de manter os funcionários actualizados e essa é uma grande aposta da nossa parte. Neste momento, temos uma colaboradora em formação na Suíça. Mas o acompanhamento da formação é também da responsabilidade de quem representa as marcas. Precisamos desse apoio e que sejam desenvolvidas importantes iniciativas de formação para os pontos de venda», dispara Paulo Miranda.

O alvo Profundo conhecedor da região e do seu tecido social, o joalheiro e relojoeiro diz que são seus

clientes «os algarvios, mas também quem se desloca do norte e do centro do País em negócios ou férias e os muitos estrangeiros residentes ou de férias. Há vários resorts de qualidade a nascerem e que potenciam as taxas de ocupação, tornando-as mais consistentes ao longo do ano e com pessoas com maior capacidade económica. Turismo de qualidade é o que pretendemos no Algarve e é essa a aposta neste momento. E esse é, claramente, um público mais virado para a loja de rua!» Em comum entre o consumidor português e estrangeiro está a noção do que se pretende comprar. «Já ninguém compra alta-relojoaria para ostentação ou só para ver as horas. As pessoas já estão muito informadas sobre os movimentos; sobre os argumentos dos diversos modelos; sobre as características, a história e a imagem das marcas. O consumidor português de há 20 anos, por exemplo, era muito diferente do de hoje. Antes vendia-se pelo nome e pelo design, mas sem um real conhecimento do produto. Hoje, o cliente olha para as características técnicas de um relógio e pondera a sua fiabilidade, conhece os movimentos, as evoluções dos mode­ los e o posicionamento das marcas.»

A caça Aquilo que todos querem caçar, os troféus que todos querem possuir, é o resultado do que a indústria consegue hoje fazer e apresentar. São «os novos materiais, as evoluções tecnológicas, a decoração e o design que, além de fascinantes, se transformam em importantes argumentos de venda». A dinâmica e inovação que a indústria demonstra são fundamentais e tornam tudo ainda mais aliciante, tanto para quem compra como para quem vende. O reverso da medalha é que, em consequência das altíssimas taxas de crescimento, fruto da aceleração da procura nos mercados emergentes – e não só – dá-se alguma escassez de produto. Coisa que, diga-se, não faz esmorecer Paulo Miranda, que prefere deixar-se arrebatar pelas belas peças que elegantemente se encontram expostas na sua loja.

“Temos de manter os funcionários actualizados e essa é uma grande aposta da nossa parte. Neste momento, temos uma colaboradora em formação na Suíça.”

Paulo Miranda

Duas ofertas para o mesmo segmento Com um conceito e uma imagem semelhantes e destinadas ao mesmo target, pretende-se, no entanto, que as marcas a expor na Paulo Miranda Joalheiro não sejam coincidentes nos dois espaços, salvo uma ou outra excepção. A joalharia estará mais bem posicionada na loja da Baixa, enquanto a do Fórum será mais relojoeira. Não se vão repetir porque há nuances a considerar «uma está aberta à noite, a outra não», por exemplo. «No Fórum, teremos a Porsche Design e a Jaeger-LeCoultre enquanto na Baixa vamos ter Franck Muller e TAG Heuer.»

Paulo Miranda Joalheiro Faro Fórum Algarve, Loja 35 • 8000-125 Faro Faro Rua de Santo António, 21 • 8000-282 Faro T: 289 865 433 geral@paulomirandajoalheiro.com www.paulomirandajoalheiro.com

Perfil Paulo Miranda

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Tido por ser no sul, a palavra Algarve vem do árabe "al-Gharb al-Ândaluz" e indica o ocidente do “al-Andaluz”. Foi reino “de jure” até 1910, sendo o seu soberano o “Rei de Portugal e dos Algarves”. De visões equívocas é fértil a história e a imagem deste Algarve onde, quixotescamente, uns vêem moinhos, enquanto outros vêem gigantes...

[ Saborear o tempo ]

“Qualquer obra em Tavira revela reminiscências do passado.”

Isabel Guerreiro Directora REGIONAL

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

[ Saborear o tempo ]

Num país com mais de 850 anos de nacionalidade e tanto e tão importante património arquitectónico, tantas vezes negligenciado, é excepcional e estimulante verificar o resultado da intervenção a que o Convento da Graça, datado de 1562, foi sujeito. Praticamente em ruínas, e após múltiplos usos, sofreu três anos de obras que revelaram, no subsolo, uma cidade islâmica dos séculos XII e XIII. Esta impediu a construção de uma vulgar piscina interior, em favor da exposição de parte dos significativos achados. Dignos deste esforço, e do Tempo que envolve o espaço, são o resultado, o serviço que presta e o conforto obtido. A zelar por esta jóia do Grupo Pestana, numa razoa­ velmente bucólica Tavira, encontrámos Isabel Guerreiro, com a camisola bem vestida e as unhas afiadas para que a sua equipa faça jus à beleza e história do local. Acompanhou o processo e deixou-se apaixonar por este «outro Algarve»: «Aqui temos turistas de outra qualidade, que procuram cultura. Tavira é uma cidade com muitos interesses históricos e está, toda ela, assente em vestígios árabes e mesmo fenícios. E depois, há o enorme potencial por causa dos excelentes empreendimentos de golfe que se desenham Pousada Convento da Graça Rua D. Paio Peres Correia • 8800-407 Tavira www.pousadas.pt recepcao.conventograca@pousadas.pt T: +351 281 32 90 40

na zona». Sente-se que o esforço é comum às pessoas envolvidas e também a várias entidades, privadas e públicas, governamentais e autárquicas… a bem da Nação! Finalmente.

Jaeger-LeCoultre Master Compressor Diving Chronograph Lady • € 7.900

Saborear o Tempo Pousada de Tavira

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“Não me consigo organizar sem um relógio no pulso”

Francisco David Golf Reservations manager

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

[ Saborear o tempo ]

«Aqui não se faz uma volta de golfe. O que proporcionamos é uma experiência de golfe, rara, com as características ímpares que só um campo Jack Nicklaus Signature, que é a etapa premium, pode proporcionar. Na Europa há dois ou três.» Quem o afirma é Francisco de Lancastre David, eborense, formado profissionalmente em Espanha e golf reservations manager da mais brilhante oferta golfista nacional. De facto, Monte Rei é «um relógio extraordinariamente preciso mas nada complicado», apesar da primeira impressão causada pela imponência do clubhouse. Nascido da persistência olímpica de investidores apaixonados pelo Algarve, o empreendimento marca a nova forma de olhar para a oferta turística da região, apostando decisivamente na qualidade, extrema neste caso. «Portugal já não tem desculpa e não pode repetir erros. Fomos ao encontro dos bons exemplos e aprendemos com os maus. É fundamental termos algo que nos distinga da imensa oferta que há aqui ao

Raymond Weil Nabucco Chronograph • € 2.650

lado, em Espanha, e é a única maneira de podermos com­petir com mercados emergentes.» As características que distinguem Monte Rei, onde «o cliente não tem de se preocupar com nada, além do desafio do campo», são inúmeras e um misto de qualidade pura e «mordomias». Não cabem neste espaço, mas impressionam amadores e profissionais, portugueses ou estrangeiros, e são certamente dignas de um… tigre. Monte Rei Golf & Country Club Sítio do Pocinho • 8901-907 Vila Nova de Cacela www.monte-rei • golf@monterei.com Tel. + 351 281 950 960

Saborear o Tempo Monte Rei Golf

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[ Saborear o tempo ]

Foi por amor que Dominique Lienhard

como um relógio suíço. Cada um sabe o que tem de

se dedicou à profissão de chefe de cozinha, e foi por

fa­­­zer e se alguma peça falha, como nos relógios, tudo

amor à mulher, portuguesa, que descobriu Portugal e os

se atrasa. Por isso, é fundamental a preparação. Durante

múltiplos encantos que aparentemente só os estrangei-

o serviço, não há tempo para pensar. Perderíamos o

ros reconhecem. Natural de França, chefia há dois anos a

timing, seria terrível», diz-nos como quem anticipa o apo-

equipa que teve «possibilidade de estrela» no Guia

calipse. A associação estabelecida entre cozinha e reló-

Michelin de 2007. «Não é um objectivo. Há outras coi-

gios não se esgota aqui, aliás, pois Dominique considera

sas na vida. O cliente é que deve estar satisfeito e nós

que ambos têm duas características comuns, uma prática

também.» Viajante gastronómico, diz que os «produtos

e outra mais prazenteira: «Comemos por­que temos fome

fantásticos» que encontra em Portugal ajudam, e permi­

e a principal função de um relógio é dar as horas. Mas

tem, fazer pratos mais elaborados, finos e perto do gos-

também se vai a um restaurante pelo prazer dos sabores,

to próprio do produto. Mas a facilidade é um conceito

como nos relógios há a componente de bijoux». Fazemos

alheio ao gaulês: «Somos uma equipa e funcionamos

o voto, Chef, de que o céu não lhe caia em cima!

Restaurante L’Olive Hotel Vila Sol Spa & Golf Resort Morgadinhos • 8125-307 Vilamoura www.vilasol.pt • reservations@vilasol.pt T: +351 289 320 320

Jaeger-LeCoultre Master Compressor Chronograph • € 6.650

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

“Todas as coisas têm um lado positivo e outro negativo, mas é melhor olhar só para o positivo...”

Dominique Lienhard Chefe do cozinha do restaurante L’Olive

Saborear o Tempo Restaurante L’Olive

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[ Saborear o tempo ]

Restaurante Veneza Sítio Mem Moniz • 8200-488 Paderne ABF T. +251 289 367 129

Não falta pão mas, sobretudo, não falta

marca é a qualidade do produto que lá existe, e a sapiên-

vinho sobre a mesa nesta ‘espécie de restaurante’ com

cia e afabilidade do apaixonado que criou semelhante

nome herdado de um antigo salão de baile que exis-

poiso. O corrupio de conhecedores nacionais e estrangei-

tiu no mesmo local. Local esse onde também nasceu o

ros não pára ao longo do dia, estendendo-se muito além

seu proprietário, Manuel Janeiro, que afirma peremptório

dos horários das refeições. Há anos no negócio, Manuel

«enquanto houver refeições, vai haver vinho». Numa

Janeiro disponibiliza um curso intensivo aos amigos que

zona do País onde esta cultura foi há muito trocada pelo

tão bem acolhe e com quem «bebe das melhores». É o

betão turístico mas onde há actualmente um esforço de

verdadeiro prazer do vinho, dos paladares únicos e da sua

retoma desta tradição secular, existe este restaurante na

compreensão, e uma boa e sã conversa que fazem deste

beira da estrada que liga Ferreiras a Paderne, considerado

espaço um local que apetece saborear. Aqui descobrimos

por muitos «único no mundo». Dizem que tem mais de

e aprendemos muito, como no meu caso em que, pelas

1000 marcas de vinho e mais de 50.000 garrafas, mas,

mãos do maestro Janeiro, fui embalado por um Batuta

acreditem, não são os números que impressionam. O que

duriense que insiste em não me largar.

Audemars Piguet Royal Oak Chronograph • € 25.730

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Espiral do Tempo 26 Primavera 2008

“As pessoas, às vezes, bebem mais rótulos.”

Manuel Janeiro PROPRIETÁRIO RESTAURANTE VENEZA

Saborear o Tempo Restaurante Veneza

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[ Acontecimentos ]

O ano de 2008 começou com apostas de expansão por parte das grandes marcas de alta-relojoaria. Numa altura em que completa 175 anos, a Jaeger-LeCoultre vai acrescentar 9.000 metros às suas instalações e tanto a Audemars Piguet como F. P. Journe e a Versace estão a celebrar a abertura de novas lojas. Este primeiro trimestre fica ainda marcado pela relação entre as marcas e os seus embaixadores: Kimi Räikkönen fortaleceu a sua ligação à TAG Heuer e a Jaeger-LeCoultre tem uma nova embaixadora: a bela actriz alemã Diane Kruger. A Torres Distribuição antecipou-se a Basileia e apresentou as novidades em relógios e jóias para este ano.

F.P. Journe inaugura novo espaço na Florida A primeira loja F.P. Journe nos Estados Unidos abriu as portas oficialmente no final de 2007, em Mizner Park, Boca Raton, na Florida. Esta é a quarta boutique da marca, depois de Tóquio, Hong

Audemars Piguet abre loja em Genebra No dia 6 de Março, às 16:30, as portas do n.º 12 em Place de la Fusterie, em Genebra, abriram-se para a inauguração da nova loja da Audemars Piguet. Situada na capital da alta-relojoaria, no espaço antigamente ocupado pelo mítico bar Baroque, esta nova boutique assume o papel de ‘loja-mãe’ da marca de Brassus. Com 300 m2, 250m2 destinados à venda, é a 12ª e a mais importante das boutiques da Audemars Piguet. A loja é espaçosa, arejada e o espaço é dividido em diferentes zonas: uma parte onde estão expostas as últimas novidades da marca, os seus best-sellers e produtos relacionados com uma temática escolhida; uma zona de venda; um espaço lounge, propício para a leitura e sossego, com uma adega de vinhos e charutos; e, por último, um serviço pós-venda, onde os clientes podem apreciar o trabalho dos relojoeiros. Para celebrar a abertura da nova loja, a Audemars Piguet criou o cronógrafo Royal Oak Offshore “Rhône-Fusterie”, uma edição limitada a 500 exemplares numerados.

Kong e Genebra. François-Paul Journe juntou-se a Simon Dahan e Greg Osipov da Les Bijoux para criar uma sala de exposição dos relógios com um espaço lounge e um bar, onde os coleccionadores podem partilhar o seu entusiasmo num cenário de elegância casual. A loja foi inteiramente desenhada pelo próprio François-Paul Journe, que manteve o mesmo conceito base utilizado nos três anteriores espaços. O novo espaço F.P. Journe situa-se em Mizner Park, apenas a alguns quilómetros de Palm Beach e Miami. A festa de abertura foi um sucesso: coleccionadores e jornalistas de todos os Estados Unidos puderam conhecer François-Paul Journe pessoalmente e apreciar algumas peças de edições limitadas reservadas a lojas da F.P. Journe.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

Morreu o conquistador do Evereste Sir Edmund Hillary, o primeiro homem a escalar o Evereste, na companhia do seu amigo, o sherpa Tensing Norgay, morreu aos 88 anos. Apaga-se, assim, não só uma grande figura do alpinismo mundial, mas também uma parte da história relojoeira – dado que o explorador neozelandês levava um Rolex Explorer no pulso aquando dessa escalada his­tórica do cume mais alto do Planeta, em 1953.

Kimi Räikkönen fortalece relação com a TAG Heuer Desde que se juntou à ‘Dream Team’ de embaixadores da TAG Heuer em 2002, Kimi Räikkönen esteve sempre activamente envolvido na criação e desenvolvimento dos relógios TAG Heuer Sports e nos óculos TAG Heuer Avant-Garde. Também conhecido como “Ice Man”, Kimi prolongou recentemente o seu contrato a longo termo com a marca relojoeira suíça, e participou numa sessão fotográfica exclusiva com a esposa Jenni para a nova campanha publicitária da TAG Heuer. Para comemorar a performance extraordinária de Kimi na campeonato de F1 do ano passado, a

Recorde para leilão de um IWC

TAG Heuer vai lançar na Primavera de 2008 os novos óculos de sol Räikkönen e no Outono irá

O martelo soou pela última vez: com o lance mais

lançar a “Edição limitada de relógios desportivos Kimi Räikkönen”.

alto de 57.500 dólares, o relógio da colecção Pilot Antoine de Saint Exupéry em platina da IWC Schaffhausen passa para um novo proprietário em Hong Kong. Foi em suspense que muitos apreciadores de relógios aguardaram o final do leilão de bene­ ficência on-line da IWC. Com as receitas do leilão, a instituição beneficiada – a escola Tuareg École des Sables Antoine de Saint-Exupéry, no Mali – construi­ rá uma nova escola. A licitação-base era elevada: quem quisesse entrar na competição pelas duas raridades seleccionadas tinha de ultrapassar o lance de 30.000 dólares.

Jewellery Arábia O Jewellery Arabia 2007, a 16.ª exposição do mercado de jóias e relógios de luxo do Médio Oriente, reafirmou a sua posição como principal evento deste segmento do mercado na região. O evento de cinco dias – que decorreu sob o patronado do primeiro-ministro do reino de Bahrain, Shaikh Khalifa bin Salman Al Khalifa – assistiu a um crescimento de 6 % em relação ao evento de 2006. Ocupando os 16 mil metros quadrados do espaço disponível no Centro Internacional de Exposições do Bahrain, acrescido de duas estruturas temporárias, o Jewellery Arábia 2007 atraiu um total de 43.638 visitantes, o que significou um aumento de 8 % em relação ao ano anterior.

Acontecimentos

105

[ Acontecimentos ]

Diane Kruger é a nova embaixadora Jaeger-LeCoultre Diane Kruger, a actriz alemã de fama inter-

Corum é o novo parceiro da Fundação da Alta-Relojoaria

nacional, é a mais recente embaixadora da

«Para criar um valor a longo-termo»: foram estas

los da marca no pulso nas suas aparições

as palavras de Antonio Calce, CEO da Corum, para

no tapete vermelho. O Reverso, o 101 e ou­

resumir as razões que levaram a marca relojoeira a

tras linhas de relógios e jóias concebidos

assinar um acordo de parceria com a Fundação da

e realizados nas oficinas da manufactura

Alta-Relojoaria.

suíça vão viajar no pulso da nova embaixa-

Jaeger-LeCoultre e vai passar a usar mode­

dora, de Paris a Nova Iorque, passando por Berlim, Miami, Cannes e Veneza. Convidada pelo Berlim Film Festival como membro do júri, Diane Kruger tem ajudado a revelar o savoir-faire único da Jaeger-LeCoultre ao mun­do do cinema mundial.

Laboratório de ideias da Panerai A Panerai vai revelar os seus quatro calibres próprios de manufactura numa exposição que mostra a retros­pectiva da história dos dez anos desde o reaparecimento da marca italiana, em 1997. Durante 60 anos, a Panerai especializou-se no de­ sen­volvimento de instrumentos de medição e reló­ gios desenhados para cumprir os rigorosos crité­ rios exigidos para perigosas missões de guerra – produzindo apenas algumas centenas de modelos robustos e extremamente precisos, com excelente legibilidade. No entanto, apenas conhecedores de relógios militares ou historiadores da marinha ita-

Ebel é Timing Partner do Bayern de Munique O FC Bayern Munich estabeleceu uma aliança estratégica com a Ebel. Em Junho de 2007, a marca relojoeira suíça tinha já anunciado a parceria com o FC Arsenal, outro colosso do futebol

liana tinham conhecimento da marca. Quando a

europeu, e agora está claramente a reforçar o seu envolvimento no mundo do futebol. A parceria

parceria terminou, a Panerai ficou na linha de água

com o clube bávaro tem início a 1 de Julho e manter-se-á durante os próximos cinco anos. Na

até 1997, quando ressurgiu após ter sido comprada

qualidade de Official Timing Partner do Bayern de Munique, a Ebel assumirá a responsabilidade

pelo grupo Richemont (na altura Vendôme) e reto-

de todos os aspectos ligados à cronometragem do tempo durante os jogos realizados em casa

mou o caminho de sucesso, assente no seu carisma

e fornecerá a temporização aos adeptos dentro do estádio Allianz-Arena. A presença da marca

e garantia de fiabilidade. Para celebrar uma década

relojoeira proporcionará, igualmente, uma nova sofisticação de cronometragem ao clube, so-

sobre o seu renascimento e para sublinhar as ori-

bretudo nas salas VIP, nas salas de negócios e nos bares. A visão estratégica da Ebel é a de se

gens italianas, a Panerai organizou uma exposição

associar exclusivamente aos clubes pertencentes à elite europeia e representar algo mais que

que engloba os quatro calibres e diversas peças de luxo com assinatura da marca no Instituto Cultural Italiano em Tóquio.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

meras equipas de futebol.

Aos 175 anos a Jaeger-LeCoultre expande-se Protagonista económico essencial do Vale de Joux por ser a maior entidade empregadora da região, a Jaeger-LeCoultre anunciou a maior expansão de sempre da sua história – acrescentando 9.000 metros quadrados, a partir de 2010, aos 16.000 metros quadrados actualmente existentes. Fiel à sua localização histórica, situada num excepcional ambiente natural entre lago e florestas, à saída da aldeia de Sentier, a Manufactura reteve como quadro do seu desenvolvimento o berço histórico ao qual a nova construção vai estar ligada por pontes arquitecturais. Necessário devido ao forte crescimento da marca, o projecto de expansão inscreve-se num programa mais vasto que sublinha a integração natural da Jaeger-LeCoultre no seu ambiente geográfico e

Audemars Piguet no pulso da tripulação do Ladycat

social desde há 175 anos.

A 1 de Fevereiro, a Audemars Piguet convidou alguns amigos da marca para o prestigioso Grand Hotel Park, em Gstaad. A manufactura de Le Brassus tinha dois motivos para comemorar: o lançamento do cronógrafo Royal Oak Offshore Ladycat e a abertura de uma nova boutique no hotel. A ligação entre o lançamento de um novo produto e a abertura de uma nova loja pode não ser evidente à primeira vista. No entanto, o denominador comum, neste caso, é Dona Bertarelli Späth, a velejadora de primeira classe que reuniu todas as mulheres da tripulação Ladycat para competir nas regatas do Challenge Julius Baer. Já desde 2002 que a Audemars Piguet está no mundo da vela, sendo patrocinadora desde então da tripulação masculina do Alinghi. Assim, desde logo se interessou pelo projecto ambicioso de Späth, concordando em apoiar a equipa. A Audemars Piguet está empenhada em promover a mensagem da velejadora: a vela é um desporto que

Estreia da Feira de Relojoaria de Prestígio

exige resistência, agilidade, precisão e coordenação – todas as qualidades demonstradas pelas

O balanço da primeira edição da Feira Internacional

mulheres. Com isto em mente, Späth abraçou o objectivo de destacar tanto as competências da

de Relojoaria de Prestígio «Belles Montres», que se

competição feminina em vela quanto tornar o público mais consciente das doenças cardiovascu-

realizou de 7 a 9 de Dezembro em Paris, no Carrou-

lares nas mulheres. O Grand Hotel Park de Gstaad juntou-se à Audemars Piguet para patrocinar

sel du Louvre, foi muito positivo. De acordo com os

o magnífico catamarã Décision 35 Ladycat (SUI10) e, com a abertura da nova boutique, os dois

organizadores, a «primeira edição, muito esperada,

parceiros reforçam ainda mais as sinergias da sua parceria. Em homenagem à equipa do Ladycat, a Audemars Piguet criou um cronógrafo com as cores dominantes do catamarã – fúchsia e preto e limitado a 150 exemplares.

cumpriu os objectivos: 7000 visitantes, profissionais, jornalistas, aficionados, coleccionadores e amadores puderam, durante três dias, ver pela primeira vez reunidos num mesmo lugar em Paris as mais bonitas peças de marcas relojoeiras de prestígio».

Art Basel Miami Beach A Cartier e a Fundação Cartier para a Arte Contemporânea marcaram presença na Art Basel Miami Beach, no passado mês de Dezembro. A Cartier prossegue o seu compromisso em prol dos artistas contemporâneos e participa, pelo terceiro ano, na feira de arte contemporânea. A Fundação Cartier para a Arte Contemporânea esteve presente pela primeira vez na Art Basel Miami Beach e convidou o arquitecto Jean Nouvel para criar o desenho do espaço que ocupou.

Acontecimentos

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[ Acontecimentos ]

Rambo regressa com Panerai Luminor no pulso Sylvester Stallone vai voltar aos ecrãs dos cinemas para a quarta e última aventura do lendário

Rolex estabelece parceria com a Orquestra Filamónica de Viena

John J. Rambo. O actor, grande fã dos relógi-

A Rolex perpetua a sua tradição em empenho e ino-

florentina entre os seus amigos de Hollywood,

vação ao tornar-se no primeiro parceiro exclusivo

vai aparecer, uma vez mais, com um modelo da

os Panerai e grande impulsionador da marca

de marketing da Orquestra Filarmónica de Viena

emblemática linha Luminor no pulso.

(Wiener Philharmoniker) desde a sua criação, em 1842. A marca relojoeira apostará numa inovadora plataforma de comunicação, única no mundo da música clássica, baseada num conceito desenvolvido pela Orquestra Filarmónica de Viena com a ajuda da sua agência de marketing, T.E.A.M. Marketing

Jude Law é novo rosto internacional da Dunhill

AG. A parceria compreende uma visi­bilidade televi-

A Alfred Dunhill, prestigiada marca britânica de roupa e acessórios para homem, anunciou que tem um

siva a nível mundial antes e após as divulgações

novo rosto internacional: Jude Law, que já representava a marca desde há dois anos na Ásia. Assente na

dos concertos clássi­cos emitidos por televisão. «A

ideia de um novo género de cavalheiro britânico, a Alfred Dunhill ganhou uma reconhecida reputação ba-

excelência, o sucesso e a inovação são valores que

seada nos valores do estilo, da inovação, da qualidade e da sagacidade. O estilo masculino de Jude Law

a Rolex e a Orquestra Filarmónica de Viena parti-

e o respectivo estatuto inegável de ícone do homem moderno – bem como o facto de ser considerado

lham», anunciou o Dr. Clemens Hellsberg, presidente da Orquestra Filarmónica de Viena. Patrick Heiniger, presidente da Rolex S. A., acrescentou: «A associação a uma das mais famosas orquestras do mundo vem completar a nossa longa tradição de apoio a indivíduos, acontecimentos e espectáculos excepcionais».

A. Lange & Söhne vence “Golden Balance 2008” A edição deste ano do “The best watches in the world – Golden Balance 2008” resultou em dois prémios para modelos da A. Lange & Sonhe. Enquanto o Lange 31 venceu na categoria “E – relógios com preço superior a 25 mil euros”, o Saxónia Automatik foi o vencedor na categoria “D – relógios com preço até 15 mil euros”. Esta foi a décima vez que os leitores do jornal de relojoaria Uhre-Magazin e da revista semanal FOCUS e os visitantes da FOCUS-Online votaram em relógios da A. Lange & Söhne, atribuindo-lhes posições de destaque na competição. Os votantes podiam escolher entre 452 produtos de luxo vindos das mais conhecidas manufacturas do mundo.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

um actor talentoso e consagrado – adequam-se na perfeição ao espírito Dunhill. A internacionalização da relação de sucesso entre o actor britânico e a marca de luxo vai ter início oficial com a campanha publicitária da colecção Primavera / Verão 2008.

Jaeger-LeCoultre organiza Gala de Inauguração em Singapura A Jaeger-LeCoultre organizou uma grande gala de inauguração da nova loja em Singapura, no Raffles Hotel. O imprescindível corte da fita deu início à cerimónia, que contou com a presença de celebridades como a actriz tailandesa Kelly Lin, que voou de Taipei até Singapura para participar no evento. Também o CEO da marca, Jérôme Lambert, viajou desde a Suíça para assistir às celebrações. Entre as personalidades que marcaram presença no evento, esteve o embaixador suíço em Singapura, Daniel Woker. Os convidados puderam apreciar uma expo­ sição da joalharia de luxo e da requintada relojoaria da marca, mas o ponto alto da noite foi mesmo a apresentação de um dos dois relógios da colecção La Rose.

Estrelas de Hollywood rendem-se ao dominó O jogo fenómeno “Hollywood Dominó”, actualmente o hobby favorito das estrelas de Hollywood e que deve chegar às lojas de todo o mundo no final de 2008, foi apresentado com pompa e circunstância no dia 21 de Fevereiro, no Beverly Hills Hotel, em Los Angeles. Decorreu também o torneiro inaugural, patrocinado pela marca de jóias e relógios de luxo de Grisogono. Fawaz Gruosi, o fundador da marca, foi o anfitrião do evento, cujos lucros reverteram para uma instituição de caridade. O tema da noite foi “A Night in Havana”, sendo obrigatório o estilo anos 40. Entre os jogadores estiveram Demi Moore, Penelopé Cruz, Charlize Theron, Salma Hayek, Ashton Kutcher e Olivier Martinez. Todas estas estrelas da sétima arte receberam uma pulseira “Hollywood Domino” criada pela de Grisogono especialmente para este evento. O último ‘confronto’ na mesa de jogo foi entre Charlize Theron, Olivier Martinez, Ashton Kutcher e Demi Moore, acabando Theron por sair vencedora. O prémio foi um relógio personalizado Instrumento N°Uno’ de Grisogono e um cheque, que a actriz doou à instituição “The Art of Elysium”.

Greguet recupera “Maria-Antonieta” Maria Antonieta era uma fiel cliente da casa Breguet. Em 1782, Abraham-Louis Breguet criou especialmente para a rainha francesa o relógio Perpétuelle N.º 2 10/82, com mecanismo de repetição e calendário. Em 1783, Breguet recebeu uma encomenda surpreendente e misteriosa: um relógio que incorporasse todas as complicações e os mais sofisticados mecanismos então existentes; era um presente para a rainha e nenhum limite de preço ou prazo de entrega foi especificado pela pessoa que o encomendou, um membro da Guarda da Rainha. A monarca, de má sorte, morreu decapitada muito antes de o fabuloso relógio N.º 160, conhecido para a posteridade como o «Marie-Antoinette», ficar ter­minado. Roubada em 15 de Abril de 1983, do museu de arte islâmica L. A. Mayer, em Jerusalém, a obra-prima mecânica nunca mais foi vista… até que foi recentemente recuperada pelo museu, após receber uma pista de um relojoeiro de Tel Aviv, em Agosto de 2006.

Acontecimentos

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[ Acontecimentos ]

Raymond Weil relógio oficial dos BRIT Awards

Pedro Lamy entre os pilotos TAG Heuer em Le Mans

A marca relojoeira genebrina foi relógio oficial de

Mais uma vez a confirmar o seu estatuto de referência de marca relojoeira de luxo no universo das cor-

um dos mais glamorosos certames de música: o BRIT Awards 2008. Para celebrar tão importante parceria, a Raymond Weil criou uma edição limitada da colecção Freelancer que foi oferecida a todos os artistas que participam no evento, tal como aos

ridas de automóveis, a TAG Heuer será novamente um importante protagonista nas próximas 24 Horas de Le Mans, que vão decorrer a 14 e 15 de Junho, bem como nas 12 Horas de Sebring e no campeonato Le Mans Series de 2008. A TAG Heuer vai ser Timekeeper e Chronograph oficial da equipa Peugeot Total, da equipa Peugeot Sport Total e dos seus 10 condutores, entre eles o português Pedro Lamy,

apresentadores dos prémios. A ligação entre a Ray-

Jacques Villeneuve, Marc Gene, Nicolas Minassian, Stephane Sarrazin, Alexander Wurtz, Christian Klien e

mond Weil e o mundo da música é já de longa du-

Ricardo Zonta. Ao volante dos protótipos avant-garde Peugeot 908 HDI FAP LMP1, os pilotos tentarão

ração – desde colaborações com Craig David, Jay Kay

vencer a lendária corrida 38 anos depois do mítico filme “Le Mans”, onde a TAG Heuer já era uma

(Jamiroquai) e até associações com outros prestig-

protagonista com o Monaco Chrono nos pulsos de Steve McQueen e Joe Siffert. A associação entre a

iantes eventos musicais.

equipa Peugeot Total e TAG Heuer começou em 2007 quando um Peugeot 908 HDI FAP que envergava as cores da TAG Heuer terminou em segundo lugar nas 24 Horas de Le Mans na sua primeira participação na competição. No Le Mans 2008, a TAG Heuer estará associada a três Peugeot 908 HDI FAP, os pilotos usarão no pulso o mítico TAG Heuer Monaco e todos os membros da equipa estarão equipados cronógrafos da marca.

Designer japonês cria carro inspirado no Grande Carrera O famoso designer japonês Ken Okuyama vai estar presente no stand da TAG Heuer durante dois dias da feira de Basileia. O designer apresentou recentemente em Genebra a sua última criação automóvel – o K.O 7 –, inspirado na colecção TAG Heuer Grand Carrera. O carro, que vai estar também presente no stand da marca relojoeira, tem um cronógrafo Grand Carrera Cal 36 RS Caliper Concept instalado no tablier. «O interior do K.O. 7 foi inspirado no Grand Carrera, e instalámos o extraordinário cronógrafo Grand Carrera Cal 36 RS Caliper Concept no seu tablier. Os cronógrafos da TAG Heuer são construídos com materiais leve da melhor qualidade. A colaboração com a TAG Heuer tornou possível mostrar uma coisa que as duas indústrias [automóvel e relojoaria] têm em comum: a busca incessante pela qualidade, performance e design invocador através das novas tecnologias», explica Ken Okuyama.

Versace abre loja em Roma A Versace abriu a sua primeira loja inteiramente dedicada às jóias e relógios da Maison, na Via Bocca di Leone, em Roma. Este espaço, a poucos passos das Escadas Espanholas, foi o primeiro dos vários espaços que a marca pretende inaugurar por todo o mundo. O interior reflecte a elegância e o requinte característicos da Versace – o cenário perfeito para as jóias e relógios da marca estarem expostos. As colecções em exposição são iluminadas e destacadas pela luz reflectida pelo candelabro de vidro Murano, cria­do especialmente para a nova loja. As paredes estão cobertas por uma suave pele branca, o que confere ao espaço um clima de intimidade. Uma abordagem minimalista caracteriza a nova “zona de jóias”, onde estão expostas as peças preciosas da Versace.

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

15.º Rali Chopard Escuderia Castelo Branco Decorreu no final do ano passado o 15º Rali Chopard Escuderia Castelo Branco, uma prova a contar para a categoria FIVA. Trata-se de uma competição de regularidade histórica e é organizada pela Escuderia Castelo Branco. Esta última edição da prova decorreu na paisagem das Termas de Monfortinho tendo passado também por Penha Garcia, Idanha-a-Nova e Proença-a-Velha. Num evento onde a competitividade foi a nota a reter, a Chopard e Torres Joalheiros foram os grandes protagonistas ao patrocinar o evento e os prémios dos entusiasmados concorrentes.

Torres Distribuição: Seminário Pré-Basileia 2008 O Baselworld – o grande evento anual de relojoaria e joalharia que decorre em Basileia – vai decorrer este ano de 3 a 10 de Abril. As mais recentes novidades em jóias e relógios são todos os anos apresentadas em Basileia. Mas a Torres Distribuição levantou o véu e revelou antes, em exclusivo para os agentes das marcas, as novidades da TAG Heuer, Porsche Design, Raymond Weil, Sector, Versace e Roberto Cavalli, que vão ser apresentadas em Basileia. O Seminário Pré-Basileia 2008 decorreu nos dias 13 e 14 de Março, no Grande Real Villa Itália Hotel & Spa, em Cascais, um evento exclusivo para os agentes oficiais das marcas em Portugal. Enquanto descobriram as mais recentes novidades em relógios e jóias no decorrer do seminário, os convidados puderam usufruir das excelentes instalações do hotel e do Spa do Grande Real Villa Itália, considerado um dos melhores da Europa.

Acontecimentos

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[ Internet ]

www.audemarspiguet.com

www.thebritishmasters.com

www.chopard.com

www.fpjourne.com

www.raymondweil-nabucco.com

Raymond Weil lança site para Nabucco Depois do site internacional oficial www.raymondweil.com, os sites americano, russo, chinês e o RW Club (www. raymondweil.com/club), a Raymond Weil lançou um novo site na Internet inteiramente dedicado ao Nabucco, a

www.jaeger-lecoultre.com

última colecção masculina e mecânica da marca. Seguindo sempre os princípios da inovação e do dinamismo, a Raymond Weil encontrou na Internet um novo canal de comunicação que lhe permite estar mais próxima dos seus clientes. Este novo projecto, pensado e tornado realidade por Elie Bernheim, director de marketing da empresa genebrina, persegue o objectivo da comunicação entre a marca e os seus clientes, e permite à Raymond Weil veicular os seus valores e dar a conhecer a colecção Nabucco de uma forma lúdica e interactiva.

www.porsche-design.com

O novo site transporta os visitantes para o mundo inovador e possante do Nabucco, onde podem descobrir a história da colecção em quatro actos; obter informações detalhadas sobre o relógio; participar no passatempo «Nabucco Challenge» para ganhar um relógio Nabucco personalizado; assistir ao filme de lançamento do relógio, que explica o seu conceito (filme que pode ser carregado no iPod); saber mais sobre a rede de vendas da Raymond Weil e fazer a tour Nabucco no Second Life. A Raymond Weil tinha assumido o desejo de reforçar a imagem masculina e ‘mecânica’ da marca, desejo este que

www.raymond-weil.com

foi concretizado com o lançamento do Nabucco, com caixa em aço de 46 mm. A colecção Nabucco inclui um modelo de corda automática, um cronógrafo e um modelo que apresenta um duplo fuso horário – o Nabucco GMT. Com vidro e fundo em safira, é estanque a 200 metros. Disponível com bracelete em aço e fibra de carbono com fecho de báscula e em cauchu com fecho de báscula. www.torresdistrib.com

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008

[ Assinaturas ]

Nº 1 • € 5

Nº 2 • € 5

Nº 3 • € 5

Nº 4 • € 5

Nº 5 • € 5

Nº 6 • € 5

Nº 7 • € 5

Nº 8 • € 5

Nº 9 • € 5

Nº 10 • € 5

Nº 11 • € 5

Nº 12 • € 5

Nº 13 • € 5

Nº 14 • € 5

Nº 15 • € 5

Nº 16 • € 3,5

Nº 17 • € 3,5

Nº 18 • € 3,5

Nº 19 • € 3,5

Nº 20 • € 3,5

Nº 21 • € 3,5

Nº 22 • € 3,5

Nº 23 • € 3,5

Nº 24 • € 3,5

Nº 25 • € 3,5

Nº 26 • € 3,5

Nº 27 • € 3,5

Assinaturas A assinatura deverá ser feita em nome de: Morada: Localidade:

Cont.:

Profissão:

Tel:

Pretendo assinar a partir da edição n.º:

(inclusive)

Apaixonado

Curioso

Tm.:

Cheque n.º:

Como se vê no mundo dos relógios? Coleccionador

C.Postal:

Data de nascimento:

Email.: Banco:

Onde viu a Espiral do Tempo?

Banca

TAP

Relojoaria

Hotel/Golfe

Assinatura para 8 edições (dois anos): • Portugal € 28 • Europa € 60 • Resto do mundo € 80 Fotocopie este questionário, preencha, junte um cheque emitido/endereçado a: Company One, Publicações Lda. Av. Almirante Reis, 39 1169-039 - Lisboa - Portugal Caso queira encomendar um número anterior da Espiral do Tempo, envie-nos uma carta para: Av. Almirante Reis, 391169-039 Lisboa, juntando a quantia respectiva em cheque. Não esquecer de colocar remetente. O cheque deverá ser emitido em nome de: Company One, Lda.

[ Crónica ] Fernando Campos Ferreira

Quotidianos

Pessoalmente, fico à espera que um dia destes François-Paul Journe ou Franck Muller decidam lançar um modelo virado para os desportos náuticos e para isso conto com as influências do meu Amigo PT junto dos Mestres.

Janeiro, 21h 45m

Fevereiro, 8h 50m

Os lábios da Angelina Jolie são naturalmente carnudos,

Uma noite de chuva forte bastou para esventrar o mal

pensei que os eurocratas bem que já poderiam ter

com bolsas estrategicamente descaídas nas pontas,

remendado pavimento da generalidade das artérias

harmonizado o local da instalação da coisa, mas ago-

ou há ali botox vulgaris injectado? Ficarei eternamente

de Lisboa, do Chiado a Algés, a cidade a parecer uma

ra penso que... é melhor não. Cada um que trate de

na dúvida, hélas, e, por isso, dou-lhe o benefício da

espécie de teatro de guerra submetido a carpet bom-

ler o livro de instruções antes de se fazer à estrada e

mesma. Salvo raras excepções, e a Jolie é uma delas,

bing. O problema é que o alfacinha sabe que, com as

deixemos aqueles senhores entretidos a harmonizar

na modesta opinião do aqui escrevinhador, a moda da

finanças camarárias arrefecidas ao nível da indigência,

outras coisas.

beiça inchada não é sexy e, nalguns casos, o exagero

os buracos estão aí para continuar.

Fevereiro, 21h 20m

foi tal que até parece que foram mordidas nos lábios por um enxame enraivecido de vespas. Mas se elas

Fevereiro, 14h 20m

A locutora a noticiar que no «maior outlet da Europa...

acham que lhes fica bem...

O cozido à portuguesa das tardes de Domingo no

Alcochete» – deve ser por isso, digo eu, que o mesmo

Restaurante Q.B., na Quinta da Beloura, é uma boa

foi um flop – estava em exposição o «maior ovo da

Fevereiro, 22h 40m

opção para quem gosta do dito e quer ter uma alter­

Páscoa», candidato a um lugar no Livro Guiness dos

Bem, acho, fica-lhes o novo Jaeger-LeCoultre (que os

nativa aos estafados restaurantes do Guincho, que

Recordes. A nossa habitual pequenez serôdia a mani-

Suíços pronunciam ‘gê-gê’, nuance linguística relojoei-

mais parecem stands de popós de topo de gama, ma-

festar-se em todo o seu triste esplendor, ela sim uma

ra cuja inutilidade talvez só seja comparável à da utili-

trículas ainda a escorrer de fresco e muitos zeros de

candidata natural ao Guiness da menoridade…

zação, de rigueur, do feminino quando se fala de uma

cilindrada no capot.

Março, 21h 40m

qualquer Ferrari...), modelo Master Compressor Diving

Além da comida, no Q.B. há ainda a boa disposi-

Chronograph Lady, nome quase tão extenso quanto o

ção do João Braga Gonçalves e a simpatia do pessoal,

Para os apreciadores de cronógrafos, sugiro que na-

da estanquicidade até aos 300 metros.

e, para os que não gostam de cozido, há sempre ou-

veguem no site da Torres (www.torresdistrib.com) ao

tros pitéus por onde escolher.

encontro do Monaco Sixty Nine da TAG Heuer, com as

Como a nossa vida é feita de mudança, eis de

suas funções mecânica e digital, e do Split Seconds

volta a moda dos relógios de mergulho. A oferta que

Março, 9h 35m

da Franck Muller, complicação cimeira nos cronógra-

Pessoalmente, fico à espera que um dia destes

Numa travagem de emergência na A5, procurei e não

fos ditos rattrapantes. Como dizia Fernando Pessoa,

François Paul-Journe ou Franck Muller decidam lançar

achei o botão dos quatro piscas, insuspeito que está

«Navegar é preciso...».

um modelo virado para os desportos náuticos e para

no topo do mostrador do conta-quilómetros, na parte

isso conto com as influências do meu Amigo PT junto

de cima do tablier, descentrado do posto de condu-

dos Mestres.

ção. Passado o aperto e parado na fila de trânsito,

alimenta a procura ou esta que induz aquela...?

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Espiral do Tempo 28 Primavera 2008


Espiral do Tempo 28