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[ Editorial ]

Director • Hubert de Haro • hubert.deharo@torresdistrib.com Editor • Paulo Costa Dias • costa.dias@torresdistrib.com Design gráfico • Paulo Pires • paulo.pires@torresdistrib.com Jornalista • Marta S. Ferreira • marta.ferreira@torresdistrib.com

“Prometi não comprar mais nenhum relógio este ano!”. Esta sentença definitiva foi pronunciada por um atarefado empresário e entendido comprador de relógios mecânicos, alguns instantes antes de iniciar a visita a uma grande Manufactura suíça... e ficou letra morta perante o engenho e a minúcia do trabalho dos relojoeiros!

Fotografia • Nuno Correia Editor técnico • Miguel Seabra • cronopress@hotmail.com Colaboraram nesta edição • Fernando Campos Ferreira • Fernando Correia de Oliveira • Isabel Stilwell • Rui Cardoso Martins Traduções • Maria Vieira • marie.vieira@torresdistrib.com • Letrário Contabilidade • Elsa Filipe • elsa.filipe@torresdistrib.com Coordenação de publicidade e assinaturas • Patrícia Simas • patricia.simas@torresdistrib.com Revisão • Letrário - Serviços de Consultoria e Revisão de Textos letrario@mail.telepac.pt • www.letrario.com

As exportações de relógios mecânicos suíços ilustram esta paixão indomável: passaram de 2.7 milhões de unidades em 2002 para 3.7 milhões em 2006; somando um valor de 8.3 biliões de Francos Suíços (5 biliões de euros), um crescimento de 55% em 4 anos! Há perto de 7 anos que a Espiral do Tempo acompanha esta tendência. Apostámos na informação relojoeira sempre documentada por reportagens “no terreno”. Viajamos e encontramos os actores deste sector para podermos mostrar, ilustrar e compreender esta formidável evolução da relojoa-

Parceiros

ria mecânica. Mais: para além de revelar as caras das personalidades que construíram a fama da

Air France • Ass. Jog. Praia d’El Rey • Belas Clube de Campo • Beloura Golfe • Casa da Calçada • Casa Velha do Palheiro • Clube de Golf Pinta/Gramacho • Clube de Golfe Miramar • Clube VII • Clube de Golfe de Vilamoura • Estalagem Melo Alvim • Golfe Aroeira • Golfe Paço do Lumiar • Golfe Ponte de Lima • Golfe Quinta da Barca • Hotel Convento de São Paulo • Hotel Fortaleza do Guincho • Hotel Golfe Quinta da Marinha • Hotel Melia – Gaia • Hotel Méridien Lisboa • Hotel Méridien Porto • Hotel Palácio Estoril • Hotel Quinta das Lágrimas • Hotéis Tivoli • Lisbon Sports Club • Morgado do Reguengo Golfe • Museu do Relógio de Serpa • Palácio Belmonte • Penha Longa Golf Club • Pestana Hotels & Resorts • Portugália Airlines • Quinta do Brinçal, Clube de Golfe • TAP Portugal • Tróia Golf • Vidago Palace Hotel, Conference & Golf Resort • Vila Monte Resort • Vintage House

relojoaria suíça, bem como os famosos locais de produção, vamos ao encontro, em Portugal, de

Ficha técnica Correspondência: Espiral do Tempo, Av. Almirante Reis, 39 1169-039 Lisboa • Fax: 21 811 08 92 espiraldotempo@torresdistrib.com Propriedade: todos os artigos, desenhos e fotografias estão sobre a protecção do código de direitos de autor e não podem ser total ou parcialmente reproduzidos sem a permissão prévia por escrito da empresa editora da revista: Company One, Lda sito na Av. Almirante Reis, 39 – 1169-039 Lisboa. A revista não assume, necessariamente, as opiniões expressas pelos colabo­radores. • • • • • •

Digitalização: ZL - Zonelab • Distribuição: VASP Impressão: Soctip Periodicidade: trimestral Tiragem: 52.000 exemplares Registo pessoa colectiva: 502964332 Registo no ICS: 123890 Depósito legal Nº 167784/01

Fundador: Pedro Torres

lugares de bem estar. Através da rubrica apresentada pelo nosso editor Paulo Costa Dias, aprendemos a saborear o tempo nos mais requintados hotéis, restaurantes e campos de golfe do país. Tavares, Eleven, Olivier, Lucas, Terreiro do Paço, Aya, Ramiro... os templos da gastronomia portuguesa nunca tiveram tantos adeptos. Nesses momentos de descontracção, os convertidos ao “saborear o tempo” cultivam um certo hedonismo que passa por uma selecção cuidadosa dos locais de “culto”. Onde alguns vêm sinais exteriores de riqueza, nós interpretamos a escolha de um bom restaurante, ou de um fantástico relógio mecânico, como a compensação de uma vida cujo ritmo intenso obriga a múltiplos sacrifícios. A altura natalícia exige um parêntesis no nosso quotidiano profissional. A família e as crianças voltam ao centro das atenções. É tempo de escolher a prenda mais adequada para cada um. Hoje, mais de que nunca, a oferta suíça de relógios mecânicos consegue seduzir todos os gostos e “quase” todas as bolsas. Esta versatilidade e complementaridade da oferta explicam, sem dúvida, o sucesso da indústria relojoeira suíça.

Um óptimo Natal... com muitas e boas prendas!

Hubert de Haro Director

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

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Onde fomos

Edição 27 | Inverno 2007

Sempre a perseguir o nosso objectivo de lhe trazer mais e melhor informação, rumámos aos EUA para assistir à oficialização da parceria entre a Audemars Piguet e o anterior presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Passámos por Dresden para entrevistar Fabian Krone, CEO da A. Lange & Söhne, e, já em Portugal, demos um salto à Base Aérea do Montijo para ouvir as histórias dos 30 anos da vida da Esquadra 501-Bisontes. E ainda deu tempo para entrevistar José Bento dos Santos, o Alquimista do gosto, e descobrir os segredos do seu sucesso… Sem esquecer, claro, as melhores sugestões para saborear o tempo, na capital e arredores…

96 Turcifal

Saborear o Tempo Westin Campo Real

54

16

Nova Iorque

Cascais

Reportagem Audemars Piguet - Bill Clinton

Entrevista José Bento dos Santos

98

50

Lisboa

Montijo

Saborear o Tempo Restaurante Tavares

Reportagem Fortis - Esquadra 501 Bisontes


Sumário Grande Plano

12

Entrevista - José Bento dos Santos

16

Crónica Rui Cardoso Martins

22

Crónica Fernado Correia de Oliveira

24

Correio do Leitor

26

Breves

30

Reportagens Entrevista - Fabian Krone

44

Reportagem - Esquadra 501 Bisontes

50

Reportagem - Audemars Piguet - Bill Clinton

54

Dossier - A Era da Techno-relojoaria

60

Técnica Em Foco

44 Dresden

Entrevista Fabian Krone - A. Lange & Söhne

Graham Chronofighter Oversize Skeleton

68

Jaeger-LeCoultre AMVOX 2 DBS

70

Chopard Mille Miglia Chrono XL 2007

72

Raymond Weil Nabucco Chronograph

74

Porsche Design Worldtimer

76

Glashütte Original Senator Rattrapante

78

Audemars Piguet Royal Oak Calendário Perpétuo Skeleton

80

A. Lange & Söhne Langematik Perpetual

82

Cartier Ballon Bleu

84

Laboratório Franck Muller - Split Seconds

86

Prazeres Perfil David Rosas

92 Lisboa

Perfil David Rosas

92

Saborear o Tempo Westin Campo Real

96

Restaurante Tavares

98

Acontecimentos

100

Livros

110

Internet

112

Assinaturas

113

Crónica Fernando Campos Ferreira

114

Espiral do Tempo 27 Inverno

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Tourbograph “Pour le Mérite” Medalha de mérito A casa germânica de alta-relojoaria A. Lange & Söhne já acostumou os aficionados às criações mais extraordinárias, mas não se cansa de se ultrapassar a si mesma com o advento pontual de novos prodígios mecânicos. É o caso do Tourbograph “Pour le Mérite”, assente num princípio de transmissão descoberto por Arquimedes e que alia duas fascinantes complicações: o turbilhão e o cronógrafo rattrapante, acompanhados por um indicador circular de reserva de corda. O Tourbograph comemora o 15º aniversário do renascimento da histórica manufactura e é a segunda peça com o atributo “Pour le Mérite”, relacionado com a mais elevada ordem de mérito germânica atribuída a feitos científicos e artísticos excepcionais. Devido à sua complexidade, apenas 12 exemplares do Tourbograph são concebidos anualmente.

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

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Jaeger-LeCoultre no Mosteiro dos Jerónimos Às 12 horas do dia 22 de Outubro o histórico relógio do Arco da Rua Augusta voltou a soar. A Jaeger-LeCoultre, que co-financiou o trabalho de restauro, considerou que este acontecimento único tinha de ser celebrado de uma forma exemplar no mesmo 22 de Outubro, numa noite de gala estonteante. Para atingir esse objectivo, a manufactura de Le Sentier escolheu como palco o Mosteiro dos Jerónimos, monumento classificado como património da UNESCO desde 1983, para receber duas centenas de convidados para a celebração. O cocktail que precedeu a noite de gala foi pretexto para uma retrospectiva histórica das mais belas peças da manufactura. O local foi seleccionado tendo em conta o claustro do famoso mosteiro, construído no século XVI, em honra dos navegadores portugueses.

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


[ Entrevista ]

José Bento dos Santos é um contador de histórias, e o talento com que as conta torna impossível não ficar preso na sua teia. Engenheiro químico, treinador de rugby, aprendiz de culinária (com os operários das fábricas que geria), cultivou de tal forma o «sentido do gosto», que não admira a ninguém o êxito dos seus vinhos Monte D´Oiro. Nem que durma pouco, para viver intensamente um dia-a-dia dividido entre as empresas, a gastronomia, os livros, a televisão e o ensino. Garante que teve sorte, mas percebe-se que fala é de persistência, rigor e capacidade de trabalho. Porque, como ele próprio diz, «a vida não é uma passadeira vermelha, que se atravessa de patins oferecidos de mão beijada.» Fomos descobrir o que acontece quando a procura da excelência marca a passagem do tempo.

entrevista Isabel Stilwell - Directora do Jornal Destak | fotos Nuno Correia

Isabel Stilwell – «Dormir pouco e viver intensamente», é o seu lema?

“Uma receita é um segredo que funciona com o rigor de um mecanismo de relógio. Aliás, como diz um provérbio australiano,

José Bento dos Santos – Adoro

dormir, mas a questão é que o tempo é a variável mais escassa do Universo. E quando se quer viver intensamente, não há outro remédio senão geri-lo muito bem. A verdade é que enquanto se dorme não se fazem outras coisas...

«Deus fez o tempo mas não falou de pressa».”

José Bento dos Santos

IS – Diz que teve «sorte» em ter os pais que teve, em

apanha a trabalhar»?

ter sido capitão de uma equipa de rugby tão cedo e por

JBS – Mais ou menos isso. O sucesso é muito mais

ai adiante. Acha que é, de facto, o factor sorte que está

fruto do suor do que do talento. 90% é trabalho.

é a propriedade dos metais voltarem à sua forma primitiva, depois de deformados, pelo calor ou a força. A resiliência, a paciência e a crença, são fundamentais.

IS – Mas os 10% é que fazem a diferença... Conta a ca-

IS – Acha que em Portugal é mais difícil lutar por um

pacidade de enfrentar a desilusão, conta a resiliência?

projecto?

Gosto tanto dessa palavra. Sou engenheiro químico-industrial, trabalhei sempre com metais, e essa palavra, que hoje passou para o vocabulário da psicologia, vem do meu campo. A resiliência

JBS – A vida não é uma passadeira vermelha, nem nos oferecem de mão beijada, uns patins para a percorrer. Temos imensos exemplos de portugueses de sucesso. Mas persiste ainda a ideia de que

IS – A «inspiração é uma coisa muito bonita quando nos

aqui em causa?

A sorte é o contrário do acidente, e nesse sentido tive sorte. É evidente que o esforço e o mé­rito têm um peso imenso mas, para ser hones­ to, tenho que reconhecer que nos momentos cruciais tive sorte. Agora, também sei que a sorte é dos audazes. É preciso correr riscos.

JBS –

JBS –

Entrevista José Bento dos Santos

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“A excelência é distinguir o Bom do Melhor. É conseguir dizer «Este vinho não é para o meu gosto, mas é o melhor», ou o contrário «Gosto mais deste, mas sei que há melhor».”

José Bento dos Santos são os outros que devem fazer por nós, que é o governo, o Estado, ou os pais. Não assumimos a responsabilidade pelo nosso futuro. E quando não admitimos os erros, e a culpa é sempre dos outros, não se pode ir longe. O desenvolvimento de um país não se faz com esta filosofia. IS – Quando tinha pouco mais de 20 anos, foi chamado a dirigir uma empresa da CUF com 400 empregados, porque consideraram que se era capaz de treinar uma equipa de rugby, estava preparado. Gerir recursos humanos é a parte mais complicada? JBS – E de que maneira! Por comparação, tudo o resto se resolve facilmente. Dinheiro, investimento, logística, o que for. Mas gerir as pessoas é o mais difícil. É complicado conseguir levá-las a perceber que embora tenham que procurar a perfeição, não podem desistir, nem cruzar os braços quando não a atingem, porque senão pára tudo. E no entanto, na vez seguinte, têm a obrigação de tentar ir ainda mais longe... IS – A sua especialidade é o «Sentido do Gosto», é sobre ele que dá aulas na universidade, faz programas de televisão, escreve livros. À primeira vista, é difícil compreender como é que esse sentido nasce no meio de uma indústria metalúrgica. É preconceito?

É preconceito. A fealdade de uma metalúrgica é uma ilusão exterior. Um fogo intenso é dantesco, mas extraordinariamente belo. Um forneiro, coberto de fuligem, mas que abre um sorriso naquela mancha preta, pode tocar muito mais do que o sorriso de um homem muito limpinho com que nos cruzamos no autocarro. Sabe que o meu gosto pela culinária conheceu um impulso enorme com os operários com que trabalhava? Como tinham que comer bacalhau todos os dias, inventavam receitas extraordinárias. Cozinhava com eles e aprendi imenso. Olhe aprendi a desmanchar carne com um operário que tinha um talho, um conhecimento fundamental para toda a minha vida.

JBS –

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

IS – Achamos sempre que se aprende a cozinhar com a

IS – Já, a mim própria, muitas vezes...

mãe, e as mulheres da família...

JBS – Mas é claro que sabe, toda a gente sabe tudo, ou seja, tudo aquilo que sabe. Trata-se de um juízo de valores, que se faz com os dados que se têm. Mas quem se dedica a uma área, alarga o seu leque de experiências e consegue relacionarse com o assunto em questão de uma outra maneira. Até ser capaz de chegar ao ponto máximo, que é distinguir o Bom do Melhor. Quem chega a este ponto, consegue dizer coisas como «Este vinho não é para o meu gosto, mas é o melhor», ou o contrário «Gosto mais deste, mas sei que há melhor». Ai sim, chegou-se à excelência.

JBS – Desde

o princípio dos tempos que a mulher esteve ligada à alimentação. Os homens caçavam, elas preparavam a comida, alimentavam os filhos e os maridos. Mas quando a cozinha se industrializou, com os restaurantes e as cantinas, as panelas e os tachos eram pesadíssimos, e ai cozinhar passou a ser uma tarefa muito violenta. Ninguém queria que a filha fosse cozinheira. Por isso é que os «chefes» são tradicionalmente homens. IS – É professor de uma disciplina de opção chamada o «Sentido do Gosto», no Instituto Superior Técnico. Tem

IS – Disse uma vez que «a aventura do vinho começou

muitos alunos?

antes de nascer». Como?

Quando andei no Técnico, era apenas uma escola de matemática. Deu-me exclusivamente o meu curso de engenharia, mais nada. Mas as universidades alargaram o seu campo de visão. Hoje, os finalistas podem optar por disciplinas como música, pintura, filosofia. Convidaram-me para dar uma disciplina sobre o «Sentido do Gosto», que inclui tudo, desde como comer bem, até às noções do gosto. E inclui uma outra lição, que me parece que muitos universitários, mesmo finalistas, precisam de aprender: que, quando nos comportamos com sentido cívico (por exemplo, não falando durante uma aula ao telemóvel!), comportamo-nos com bom gosto.

JBS –

JBS –

IS – Os gostos não se discutem, mas educam-se, é isso?

E é verdade. Se der ao seu filho só batatas fritas e gelados, ele nunca vai gostar de um bom vinho. As nossas mães obrigaram-nos a comer uma boa sopa de feijão, ao princípio não gostávamos, mas agora agradecemos-lhes. Há uma ideia de que estas coisas nascem com as pessoas, o que não é verdade. Ou que há pessoas com jeito, ou sem jeito para elas, com gosto ou sem gosto. Nunca ouviu dizer a alguém «Não percebo nada de vinhos»?

JBS –

O meu pai gostava e sabia apreciar vinho. Tínhamos uma quinta em Alenquer e nasci na vinha, aprendi a vindimar e a pisar uva. Sempre soube que queria ser engenheiro químico, porque tinha qualquer coisa de gastronomia e de alquimia. Na CUF, por uma sorte, que nunca acreditei completamente que fosse coincidência (talvez mais destino), puseram-me a gerir uma fábrica de sulfato de cobre, que era a maior fábrica de sulfato de cobre da Europa. Era como se me estivessem a recordar a minha ligação à vinha. Depois houve um segundo sinal...

IS – Que aconteceu como? JBS – Estava a visitar uma fábrica nos EUA, e um grande amigo meu citou-me aquela máxima que diz que a terra é o único investimento que vale a pena, porque já não se fabrica. Nessa altura viajava imenso, e senti que era realmente altura de «aterrar». Falei nisso com o meu pai e ele ligou-me, pouco depois, com a notícia de que a Quinta do Monte D´Oiro, que conhecia bem porque era ao lado da nossa, estava à venda. IS – Ou seja, comprou a quinta? JBS –

Comprei, comprei. E a quinta tinha um


“A paixão pode ser cega, e não acredito em paixões cegas, acredito em paixões muito bem geridas.”

José Bento dos Santos

Entrevista José Bento dos Santos

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“Aprendi a desmanchar carne com um operário que tinha um talho, um conhecimento fundamental para toda a minha vida.”

José Bento dos Santos

IS –Lembra-se de qual foi o seu primeiro relógio? JBS –Lembro-me lindamente, acho que toda a gente da minha geração se lembra, porque marcava a passagem da 4.ª classe. Foi o meu pai que mo deu, um Tissot, que tinha pontei­ ro dos segundos. Naquele momento estava convencido de que era o relógio para o resto da minha vida. Mas afinal ia ter uma relação mais próxima com os relógios... IS –Quando é que tem consciência dessa relação?

O meu pai gostava imenso de relógios e a partir de certa altura passou a oferecê-los a toda a família, no Natal e nos anos. Mais evoluídos, menos evoluídos, mais preciosos ou menos. De bolso ou de parede. O mais divertido é que depois era ele que ia de casa em casa a dar corda aos relógios que oferecia aos filhos. Um dia fui eu que lhe ofereci um relógio, comprei-lhe um Jaeger-LeCoultre, de secretária, que me encantou.

JBS –

IS –Qual das suas actividades lhe faz sentir de forma mais forte a passagem do tempo? JBS – A culinária é ideal para nos dar essa noção.

Os meus fornos têm uns dez cronômetros-íman, porque os diversos componentes de têm tempos diferentes de cozedura. IS – Por isso é que não consigo cozinhar! Tenho a mania que os tempos e a ordem dos «factores» recomendados numa receita podem ser alterados aleatoriamente...

Uma receita tem que ser seguida rigorosamente, é um segredo que funciona com o rigor de um mecanismo de relógio. Alias, como diz um provérbio australiano, «Deus fez o tempo mas não falou de pressa».

JBS –

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

caseiro, que ainda lá está, que era um «expert» na produção de vinho. Nos primeiros anos foi tudo feito de qualquer maneira, mas no terceiro decidimos escolher a vinha com melhores características, informei-me, mandei comprar dois barris de carvalho, selecionámos a melhor casta, ia ser uma coisa a sério. Mas eu continuava a ir e a vir, e um dia cheguei lá e o vinho estava num barril de castanho. Perguntei porquê e o caseiro disse-me, com ar superior, que o «carvalho não presta para nada». Gorara-se a minha primeira intervenção, mas quando percebi que também não tinha usado a vinha escolhida, comecei-me a rir e disse «Isto assim não é nada». Tinha um amigo em França, especialista nesta área, pedi-lhe ajuda e comecei tudo do princípio. Plantámos em 1992, colhemos pela primeira vez em 1997, e para minha sorte ou azar, o Quinta do Monte d´Oiro Reserva 2000, foi eleito para a selecção de «Os Melhores do Ano», do guia Vinhos de Portugal, de João Paulo Martins. Pronto, fiquei preso aos remos...

binações aconteçam naturalmente, para deixar a cabeça livre para analisar o desafio do momento. Nem imagina a alegria que me deu a colheita de 2006/2007. Ainda ontem me deitei às três da manhã porque estivemos a fazer provas. Não será o melhor vinho do mundo, mas são vinhos que valem a pena. E isso entusiasma-me, acordo à noite com uma ideia nova, vivo a pensar no que vamos fazer a seguir... E sinto que o que me acontece a mim, acontece a toda a equipa. IS – É uma paixão nova, com a adrenalina das novas paixões?

A paixão pode ser cega, e não acredito em paixões cegas, acredito em paixões muito bem geridas.

JBS –

IS – A sua quinta é em Alenquer. A possibilidade do aeroporto vir a ser na Ota afecta-o?

Afecta-me? (a rir) Não, pelo contrário, tenho-lhe até muito «afecto». A porta do duty-free pode abrir logo para a minha adega.

JBS –

IS – Já antes, o célebre cozinheiro Alain Ducasse, tinha inaugurado o restaurante «Mix», em Nova Iorque, com

IS – Fala com tanta energia do futuro, que percebo que

um dos seus vinhos no menu...

não brinca quando diz que a reforma nunca lhe assen-

Era o jantar para a imprensa de inauguração do seu mais recente restaurante, o primeiro em Nova-Iorque, e o vinho eleito era o Vinha da Nora Reserva 1999. Eram 90 jornalistas americanos e estrangeiros, Ducasse não podia brincar, por isso contou tanto para mim, sobretudo porque não lhe pedi nada.

tará bem.

JBS –

Acredito que o segredo da felicidade e da longevidade está em fazermos coisas, em termos projectos...

JBS –

IS – Deu uma vez o exemplo dos gregos, que só depois de uma vida de experiência, se dedicavam à política. Será que o nosso problema é que geralmente acontece

IS – Mas agora o Monte D´Oiro é um «caso sério», no-

o contrário: começa-se pela política?

meadamente com as parcerias que conquistou.

É um problema europeu, não é só português. Já gerimos bem empresas; individualmente as pessoas têm performances fantásticas, mas a nível político, atrasámo-nos: na política contrata-se mal, contrata-se quem é capaz de iludir e não o sábio, o que não tem nada a perder, o que não precisa de mentir. Temos que saber usar o conhecimento dos mais velhos, conjugando-o com a ener­gia dos mais novos.

JBS – Fazer vinho é uma coisa muito séria, e é pre-

ciso uma organização extraordinariamente bem montada, tem que estar tudo previsto, e a parceria com a Maison Chapoutier, produtor de referência nas Côtes du Rhône, tem sido fundamental. Aplica-se aqui aquilo que já há anos dizia aos meus jogadores: é preciso que os gestos do corpo estejam todos automatizados, todas as com-

JBS –


[ Crónica ] Rui Cardoso Martins

Que mais nos conta o Borda D’Água

A força mais perturbadora do Borda D’Água é juntar uma convicção inabalável, às vezes ingénua e esotérica, com um conhecimento técnico perfeito. Não é astrologia de barraca de feira cigana... Consultei o almanaque Borda D’Água para 2008,

Portugal. E há o eclipse total do Sol de 1 de Agosto, a

faz tremer: um mundo escuro cheio de neves... a neve

um reportório útil a toda a gente, como diz na capa.

norte do Canadá, na Gronelândia, na Sibéria, na Mongólia

não devia ser branca e clara? A seguir, prevê uma quase

De facto, aproxima-se um ano bissexto e temos de nos

e na China.

banalidade das estações: «A Primavera será húmida e

preparar. Já vi o que isso custa: o meu primo nasceu a

o Verão quente, sendo o Outono seco». Mas regressa a

29 de Fevereiro e vai levar nas orelhas outra vez, «só

Eu, se for à Mongólia por essa altura, vou levar o Borda

destruição: «No mar, os infortúnios, as tempestades e

fazes anos de quatro em quatro!? etc.» «tens 12 ou tens

D’Água comigo. Quero impressionar os indígenas, orde­

os naufrágios; em terra, a carestia nos cereais, legumes,

três? etc.»

nan­do ao astro rei que se apague.

frutos e vinho. Estas características reflectem já as

Gostei muito do Borda D’Água para 2008. Aprendi que,

Os heróis de Júlio Verne e o repórter Tintin também

tendo nascido em Março, sou dessas pessoas de «na­

tiveram os seus ‘bordas d’água’ no bolso do casaco, e

Feitos num molho de brócolos, mas, entretanto, sosse­

tureza problemática, sofrem depressões facilmente». Es­

sal­varam a pele in extremis.

gamos: «Plante uma árvore e deixe respirar! Com estas

alterações climáticas que o Planeta está a sofrer.»

pe­rem, enganei-me na página, estava ainda nos Peixes...

e outras medidas poderemos todos contribuir, de modo

Afinal, sou «engenhoso, prudente e de nobre ânimo».

E já pensou nas consequências de termos o próximo ano

Pessoas como eu «são líderes, abertos e directos, facil­

dominado por Marte? Não é preciso muito para desconfiar,

mente emotivos e faladores». Isto é, «não é fácil viver

como eu, que não há-de ser coisa boa. Afinal, é o Deus

A coluna da esquerda acaba, dizendo: «E mais vos

com Carneiros.» Boa.

da Guerra. Mas o que quer isto dizer exactamente? Veja­

conto...»

sadio, para um planeta mais puro e habitável.»

mos o Juízo do Ano: «O ano que entra à terça-feira tem o Também nasci na altura indicada para, na horta, semear,

domínio de Marte. Navegando pelo quinto céu, é quente

Entramos na coluna direita e regressam as visões de

«em local definitivo, abóboras, alfaces, batata, beterraba,

e seco, colérico, masculino, nocturno e inimigo da cria­

pesadelo: «Rosto grande e feio, muitos sinais, cabelos

brócolos, cenoura, couves, fava, feijão, melão, melancia,

tura humana devido à sua péssima natureza; sendo de

ralos e ruivos, olhar agudo e espantoso, pescoço com­

nabo, pimento, rabanete, salsa, etc.»

tão contrária e perversa natureza tem a capacidade de

prido, narizes grandes e abertos, eis alguns dos traços

mover os ânimos dos mortais.»

da fisionomia daqueles que se juntarem a nós durante

A força mais perturbadora do Borda D’Água é juntar uma

este ano. Vamos recebê-los com amor [...]»

convicção inabalável, às vezes ingénua e esotérica, com

Um ano mau para as mulheres, avisa a actual directora

um conhecimento técnico perfeito. Não é astrologia de

do Borda D’Água, Célia Cadete, com «morte no sexo fe­

Com amor? Bom, vai ser um grande teste à nossa boa

barraca de feira cigana, com bola de cristal, nem página

mi­nino, bem como mortes repentinas».

educação. Podia, ao menos, Sr. Borda D’Água, dizer-

de crónica feminina, entalada entre dois resumos da

-nos em que dia temos de receber uma criatura destas

telenovela. Tem dados úteis, com um detalhe ao segundo

Vejamos como um clássico da ciência, a meteorologia,

em casa. Para ver se não me calha mesmo em cima do

e ao milímetro. Percorre todos os cantos e todos os

pode variar entre o «está tudo bem» e os livros do Apo­

eclipse, do aniversário ou da sementeira dos brócolos.

momentos do nosso planeta e do sistema solar.

calipse. Um carrossel de emoções.

Vai ser um bissexto muito ocupado.

Por exemplo, ficamos a saber que o eclipse total da Lua,

«O ano de 2008 terá um Inverno frio, chuvoso, escuro

de 21 de Fevereiro, vai ser visível durante 51 minutos em

e neves abundantes.» Reparem no paradoxo que nos

22

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

Rui Cardoso Martins


[ Crónica ] Fernando Correia de Oliveira*

Utopia mecânica

Rousseau, d’Alembert, Chamfort, Voltaire e a Relojoaria (2) Aquele de entre os protagonistas do Século

François Marie Arouet (1694-1778), que escolheu

«arquitecto» ou «bibliotecário». É a partir de 1770

das Luzes que mais relacionamento teve com a relo­

como nome literário Voltaire, foi mesmo industrial e

que se intitula orgulhosamente como «empresário de

joaria foi, sem dúvida, Voltaire. «O Universo embaraça-

comerciante de relojoaria. E tentou fazer à volta da

relógios de Ferney» ou mesmo como «relojoeiro».

-me, e não posso pensar que este relógio existe e

comunidade de operários e artesãos que dirigiu uma

não tem relojoeiro», refere este teísta, que acreditava

sociedade perfeita.

num ser supremo criador e guardião da harmonia das

Como é que Voltaire foi atraído a esta actividade insó­ lita? «Voltaire conhecia todas as modas do seu tempo

esferas. «Se um relógio não é feito para mostrar as

Voltaire montou em Ferney, localidade francesa junto

e, nomeadamente, a moda dos autómatos», refere a

horas, pensarei então que as causas finais são qui­

da fronteira com a Suíça, nos arredores de Genebra,

historiadora francesa Isabelle Frank Luxemburg, que

meras», decreta ele no seu determinismo.

uma fábrica de relógios, congregando voluntários do

investigou a relação do filósofo com o Tempo. «No

ofício que o quisessem seguir.

seu Sexto Discurso do Homem (1737) ele já tinha

Assistiu-se, no século XVIII, no ocidente europeu, à

expresso a sua admiração pelo Flautista criado dois

secularização da religião. Os padres foram retirados

Voltaire comprara terras em Ferney, em 1758, quando

anos antes por Vaucanson, o grande percursor de

do centro da sociedade e substituídos pelos intelec­

tinha 64 anos, regressando a França de um exílio

Jaquet-Droz», refere a especialista. «Ele interessava-

tuais. A nova ‘bíblia’, sem milagres, passou a ser a

que o tinha levado a Londres, à Prússia e a Genebra.

-se, também, pela relojoaria, arte mecânica por ex­

Enciclopédia de Diderot e d’Alembert, cujas defi­ni­

Construiu lá um castelo, e passou a viver nele com a

ce­lência no século XVIII, como demonstra o facto de

ções analíticas e frias, muitas delas escritas pelo

sobrinha, a partir de 1760, recebendo na sua ‘corte’

d’Alembert ter feito no Discurso Preliminar da Enci­

pró­­prio Voltaire, desdenhavam das efabulações das

os notáveis da Europa.

clopédia (1751) o elogio da perfeição dos relógios

escrituras.

contemporâneos.» Senhor de grande fortuna, fruto de um labor intelectual

Mas Voltaire venerava Deus ou, pelo menos, respeita-

intenso, mas também de empréstimos a nobres arrui­

va a inteligência que ele pensava estar por detrás da

nados, que lhe pagavam em forma de tença vita­

construção do Universo; tal como os seus colegas

lícia, Voltaire tinha espírito empresarial e, na sua

teístas, o criador que ele venerava assemelhava-se

correspondência, definia-se, além de intelectual, como

a um relojoeiro.

«agricultor», «vinicultor», «jardineiro», «trabalhador»,

24

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

Continua na próxima edição

Fernando Correia de Oliveira * Investigador do Tempo, da Relojoaria e das Mentalidades


[ Correio do Leitor ]

A hora certa, senhor Muller Qual a referência para saber sempre o tempo exacto (horas, minutos

Pergunta calibrada O que é, precisamente, um calibre? O termo é utilizado muito na vossa revista e parece reportar-se ao interior da máquina. Mas o que significa

e segundos)? As poucas buscas efectuadas nesse sentido na Internet

mais exactamente?

ainda não me permitiram encontrar uma fonte constantemente fide­

João Moutinho

digna. Será possível indicarem-me um site ou outra fonte credível e de fácil acesso para resolver este meu ‘problema’? Acertei os meus reló­ gios (quartzo e mecânicos) através de um site internacional sobre reló­ gios e no dia seguinte, aparentemente, todos já se tinham adiantado 20 segundos (embora coincidissem com o sinal horário do noticiário da RTP2)! Provavelmente, o meu próprio computador Macintosh tinha influência na hora indicada pelo site. Apesar da falta de experiência relativamente ao site do Observatório Atómico de Lisboa, será essa

Não anda longe na sua apreciação: calibre é o termo técnico que designa sobretudo o tamanho, mas também o formato e a especificidade de um mecanismo relojoeiro. Os calibres podem ser de corda manual ou de corda automática, redondos ou de forma; podem ser integrados ou modulares (com um calibre de base a receber um módulo de cronógrafo suplementar, por exemplo). Antigamente, o diâmetro de um calibre era expresso em linhas, com uma linha a equivaler a 2,256 milímetros.

uma fonte segura e constante na sua indicação da ‘hora legal’? José Alcobia

Complicações do cronógrafo

PS: Agradeço que não interpretem mal a minha observação sobre a fotografia do CEO da Glashütte Original exibida na pág. 84 do último número da Revista. Coincidência, mero lapso no nome e / ou foto? Falha pessoal nos meus escassos conhecimentos? Frank Muller vs. Franck Muller? Neste último caso, a pessoa na foto parece não corres­ ponder ao conhecido ‘Master of Complications’. O sítio na Internet do observatório astronómico de Lisboa é fiável – a instituição é a única entidade autorizada e homologada como emissor oficial de tempo em Portugal – e tem uma forma de descarregamento de um software que disponibiliza o UTC (Tempo Universal Coordenado) para o computador pessoal (fazendo os cálculos e os descontos de distância e velocidade de transmissão). O Observatório Naval dos Estados Unidos, de Washington (www.usno.navy.mil), é a principal entidade mundial emissora de tempo (juntamente com o Observatório Astronómico de Glashütte, na Alemanha, e um outro no Japão) e, consultando a página na Internet desta, tem também a possibilidade de importação de UTC. A hora exacta é estabelecida pelo BIPM – Bureau Internacional de Pesos e Medidas (www.bipm.org) –, em Sèvres, nos arredores de Paris, França, onde é realizada a escala de tempo para uso geral internacional. Esta é estabelecida através dos seguintes dois elementos essenciais: a realização da unidade de tempo (o segundo) e a manutenção de uma referência contínua temporal. Esta referência contínua é o TAI (Tempo Atómico Internacional), calculado no BIPM através de dados provenientes de mais de 200 relógios atómicos de mais de 50 países. O TAI é uma escala estável e uniforme que é isenta da irregularidade de rotação da Terra. Para uso público e prático foi criada a escala UTC (Tempo Universal Coordenado) que é idêntica ao TAI, salvo uma pequena correcção de um ‘leap second’, de tempos a tempos (em regra, no final de cada ano), em função das referidas irregularidades e que é determinada pelo IERS – Serviço Internacional da Rotação da Terra. Quanto a Frank Muller (Frank e não Franck!), não é engano: o director da Glashütte Original tem (quase) o mesmo nome do que o relojoeiro Franck Muller ‘Mestre das Complicações’.

26

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

Sou um apaixonado por relógios, mas gosto especialmente de cronó­ grafos. Sendo um leitor recente da revista, gostaria de que me eluci­ dasse sobre os termos ‘flyback’ e ‘rattrapante’. Significarão ambos a mesma coisa, mas em línguas diferentes? Vasco Miragaia São duas coisas completamente diferentes. Há dois tipos de cronógrafos tecnicamente mais aperfeiçoados do que os cronógrafos comuns: os que são dotados de um ponteiro flyback (‘retour en vol’, retorno ins­tantâneo) e, sobretudo, os que têm um segundo ponteiro rattra­ pante (o chamado cronógrafo de recuperação). No artigo de laboratório desta edição é explicado o que é a função rattrapante. Explicamos-lhe, agora, aquilo que se entende por flyback. A função flyback destinava-se a facilitar o manuseamento por parte dos pilotos de aviação, que com um simples premir de botão faziam regressar o ponteiro do cronógrafo ao zero e retomar instantaneamente uma nova contagem. Ou seja: através desta função, basta carregar no botão de baixo para que o pon­teiro dos segundos retorne ao zero e, instantaneamente, comece uma nova contagem. Substitui, assim, a tradicional paragem com o botão de cima, retorno ao zero através do botão de baixo e recomeço através do botão de cima.


Relógio simples mas excelente Acho que a relojoaria está a descambar um pouco para autênticos parques

Jaeger e sugestões

temáticos portáteis. Gosto de relógios simples e vi numa revista um relógio que me pareceu belo pela sua simplicidade: um Richard Lange. Gostaria de conhecer um pouco mais sobre o relógio e a marca. Tiago Cunha Vaz O nome que cita não é uma marca, é um modelo. E, de facto, enquanto todas as outras manufacturas de prestígio insistem em relógios ultracomplicados, a A. Lange & Söhne – que também tem no seu catálogo complexos prodígios da micromecânica – resolveu apresentar um relógio puro de três ponteiros que ao mesmo tempo homenageia Richard Lange (1845-1932), filho do fundador Ferdinand Adolf Lange. O Lange & Söhne Richard Lange ostenta um mostrador elegante que reúne apenas o essencial, fazendo recordar os relógios de observatório. Mas se o mostrador é despojado, o mecanismo de corda manual não é tão simples – apresenta um elevado grau de tecnicismo, com uma espiral exclusivamente concebida pela Lange & Söhne com sistema de fixação à espera de patente e regulação fina atra­vés de parafusos laterais. A caixa, de 40,5 mm de diâmetro, é somente concebida em ouro ou platina.

No contacto com diversas lojas nacionais e respectivos proprietários ou colaboradores, dificilmente tenho encontrado duas pessoas a pro­ nunciar de igual modo Jaeger-LeCoultre. Afinal, como se pronuncia correctamente o nome desta conceituada marca que merece o maior respeito? O trabalho e esforço evidenciado na qualidade e interesse

Estética ou técnica?

da maioria dos artigos, aliado ao atraente aspecto gráfico, por certo

Tenho reparado num novo material que tem vido a ser aplicado na

o prazer trimestralmente renovado aos seus leitores. Pessoalmente,

relojoaria, que é o carbono forjado. Calculo que haja novos materiais

gostaria que a ‘nossa’ revista continuasse a dar ênfase a assuntos de

e tecnologias que são usados como uma mais valia em termos de

carácter técnico, permitindo ao leitor interessado aprofundar os seus

eficácia na prestação do relógio mas, pergunto, se será este um mero

conhecimentos, editando até artigos de revistas que se encontram

caso de aproveitamente estético?

actualmente esgotadas, bem como apresentar testes a relógios. Julgo

Ricardo Vieira - Torres Vedras • Via e-mail

permitirá manter e ampliar o êxito desta publicação especializada e

que seria igualmente interessante e enriquecedor ampliar horizontes dando destaque a pequenas marcas, por vezes designadas por garage

A primeira marca a usar este tipo de material na alta-relojoaria foi a

brands (delicioso exemplo na anterior edição através da MB&F), com

Audemars Piguet com o seu Royal Oak Offshore Alinghi Team, numa

produções limitadas de bonitos exemplares ou estética diferente do

edição limitada lançada este ano. Curiosamente, tudo começou numa

habitual, mesmo não sendo comercializadas em Portugal e com valo­

visita a uma feira da indústria aeroespacial, feita pelo seu presidente,

res disponíveis de 5 e 6 dígitos no estrangeiro que nos transportem

Georges-Henry Meylin. Seduzido pelas possibilidades de produção de

para um mundo de sonho, dando na realidade maior significado à

peças em carbono forjado a partir das fibras de carbono, a Audemars

famosa expressão «Time is money»...

Piguet continua a ser a única Manufactura a utilizar esta matéria para além dos meros aspectos estéticos. Outras marcas de relógios têm

José Alcobia

adoptado este produto apenas com essa finalidade mas a verdade é

É sempre com muito gosto que recebemos as suas palavras e as suas

que a dureza do carbono forjado é excepcional, sendo mais resisten­

sugestões – são mostra do seu interesse, com o qual nos congratula-

te que o aço, e a sua leveza é impressionante. No caso do modelo

mos. Em relação às sugestões, são bem acolhidas e não deixaremos

referido, apesar da sua complexidade e tamanho, não ultrapassa as

de as considerar visto que se inserem na nossa perspectiva editorial.

99 gramas. Por isso, esta Manufactura suíça usa este produto tanto na

Quanto à pronúncia: há quem pronuncie o Jaeger como no caso do

concepção de caixas como de lunetas, embora a complexidade técnica

Mick, dos Rolling Stones, à portuguesa ou à inglesa (iéguer, ou iáguer

não permita produzir mais do que 25 lunetas diariamente, e ainda

Le Cultre). Considerando que o senhor Edmond Jaeger era de origem

menos caixas. Para melhor informação, sugiro a leitura do artigo “Na

francesa, da Alsácia, e a própria Manufactura estar localizada numa

crista da onda” publicado nas edição 25 da Espiral do Tempo e o artigo

zona de predominância francesa na Suíça, parece mais curial usar a

sobre techno-relojoaria desta edição.

pronúncia gaulesa (Jêjê).

Espiral do Tempo 27 Correio do Leitor

27


“Eu mesmo o desenhei

[ Breves ]

porque os nossos designers não estavam a ousar o suficiente e eu queria que fosse um relógio ‘ruim’, forte.”

Master Compressor 46 O número de sorte de Valentino Rossi

Eric Loth

Este portentoso cronógrafo de indicação instantânea

CEO da The British Masters

(46,3 mm de diâmetro) jamais saído dos ateliês

dos 24 fusos horários é o maior re­ló­gio de pulso da manufactura Jaeger-LeCoultre – que lançou uma série limitada a 246 peças, fruto da associação com

Relógios oferecidos para leilão da Sotherby Cerca de 160 relógios foram oferecidos para o leilão da Sotheby, em Genebra, que tradicionalmente se realiza no Outono, e que este ano decorreu no dia 13 de Novembro. Entre os lotes que vão ser licitados esteve uma selecção de relógios vintage e modernos da Patek Philippe e da Rolex, tal como uma colecção privada e rara de relógios de

o campeão de motociclismo Valentino Rossi. O Extreme World Chronograph ‘46’ inclui pormenores únicos: disco dos segundos estilizado com a bandeira da vitória, botões do cronógrafo revestidos a PVD negro, número da sorte de Valen­tino Rossi (46) gravado no fundo, acompanhado da assinatura do ‘Príncipe das Motos’. Outra característica de excepção: o Extreme World Chronograph tem uma caixa em ouro rosa que reveste uma outra caixa em titânio. Preço: € 19.000

bolso, que incluem peças da Ilbery e Piguet & Meylan. A peça de maior valor a leilão é um requintado e raro relógio de pulso em platina, com calendário perpétuo e repetição de minutos, da Patek Philippe, de valor estimado entre 400 mil e 500 mil dólares. Todos os lotes foram ser exibidos numa exposição pré-venda que decorreu numa das salas do Hotel Beau-Rivage, em Veneza, de 10 a 12 de Novembro.

La Chaux-de-Fonds e Le Locle revelam o “know-how” relojoeiro

Linhas puras e de alta qualidade

Candidatas à inscrição no directório da

Na vanguarda da moda, de alta qualidade e de design exclusivo, a Porsche Design oferece acessórios que

UNESCO, as cidades de Chaux-de-Fonds e Locle decidiram organizar a 3 de Novembro o Dia do Património Relojoeiro. Uma quinzena de empresas ligadas ao sector relojoeiro

Acessórios Porsche Design não são apenas decorativos – são funcionais. Linhas depuradas e contemporâneas, com carácter intemporal. Escolha entre os mais diversos botões de punho e as mais diversas braceletes, para actualizar e realçar o seu guarda-roupa. Preço: Bracelete € 490 • Botões de punho € 650

aceitou abrir as suas portas ao público por ocasião do Dia do Património. As marcas Ebel, Girard-Perregaux, Corum, Montblanc, Tissot e Ulysse Nardin são algumas das

Franck Muller Casablanca

que aceitaram participar no evento. Várias

O clássico reinventado

sociedades de subcontratação abriram igual-

O Casablanca é um dos grandes clássicos do ‘Mestre

mente as suas portas a 3 de Novembro. O

das Complicações’, incorporando o refinamento e o

público pôde assim conhecer todo o proces­

encantamento do estilo que marcou o período entre

so de fabrico de um relógio, desde a con-

as duas guerras mundiais – a art déco. O modelo

cepção dos movimentos e complicações à

cronográfico de mostrador bicompax (totalizador de

estampagem das caixas. Também diversos

minutos às três horas e segundos às nove) aparece

mu­seus consagrados à relojoaria tiveram

agora com um look inovador: caixa em PVD e cor-

dis­poníveis visitas guiadas por ocasião do

reia em cauchu. Com visibilidade perfeita graças aos

Dia do Património.

ponteiros e números luminescentes, é estanque a 30 metros. Preço: € 12.900

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Audemars Piguet Royal Oak Offshore Chrono Cronógrafo arrojado Mantendo a originalidade que caracteriza o mais célebre modelo da Audemars Piguet, o Royal Oak surge numa versão mais arrojada com a bracelete em cauchu com fecho de báscula em aço. Este cronógrafo mecânico de corda automática tem funções de horas, minutos, segundos, data e cronógrafo. A caixa é em aço com luneta em aço também, estanque a 100 metros, com vidro em safira. O primeiro Royal Oak Offshore foi apresentado em 2001 e, desde então, já se tornou símbolo do espírito e inovação da marca. Preço: € 16.150

“O design deve ser funcional e essa funcionalidade deve ser visualmente transformada numa criação estética.”

Porsche Design Indicator

Ferdinand A. Porsche Fundador da Porsche

Cronógrafo colossal Complexo e inovador, o Indicator da Porsche Design é um supercronógrafo dotado de um mostrador de indi­ cações mistas (analógicas e digitais) com base num inédito mecanismo exclusivamente mecânico. O ultracom­ plicado mecanismo do Indicator, composto por 800 peças, alimenta e recoloca a zero os três discos da contagem cronográfica. A caixa em titânio com revestimento preto em PVD ostenta um imponente diâmetro de 49 mm para 17,8 mm de espessura com correia em borracha vulcanizada simulando o rastro de um verdadeiro pneu utilizado nos automóveis Porsche. Especial destaque para o fecho duplo que permite acompanhar o corpo do relógio. Preço: € 110.000

Graham Grand Silverstone Luffield Grand Silverstone Luffield O Grand Silverstone Luffield evoca o mundo das corridas de automóveis e a precisão absoluta. O nome é inspirado na perigosa curva à direita no lendário circuito britânico Silverstone, o que reforça as ligações da marca ao universo das grandes velocidades. O gatilho do Grand Silverstone Luffield é duplamente controlado: pelo tacómetro com a numeração a negro gravada no interior da caixa de aço, e pelos dois novos botões ovais, do lado direito. Este ‘duplo controlo’ oferece ao piloto mais facilidade em espoletar o cronógrafo e melhora a legibilidade, para que possa calcular a velocidade numa determinada distância. Feito para correr, o Grand Silverstone Luffield alberga horas, minutos, segundos, data panorâmica, segundo fuso horário e cronógrafo. Preço: € 6.350


[ Breves ]

Master Grand Réveil

Glashütte Senator Sixties

Duas supremas complicações num só relógio

Estilo revivalista

A secular manufactura suíça conseguiu reunir duas das

Para os saudosistas da década de 60, a Glashütte

especialidades relojoeiras num único modelo: o Master

Original concebeu um sedutor relógio automático

Grand Réveil tem calendário perpétuo e mecanismo de

reminiscente dos valores estéticos daquela época.

alarme. O mostrador é dividido com a indicação da hora,

Com um mostrador ligeiramente convexo, vidro de

dos minutos, dos segundos e a indicação de alarme por

safira bombeado, ponteiros ligeiramente curvos e

sonnerie ou por vibração. Também no mostrador está a

algarismos estilizados, o Glashütte Senator Sixties

indicação de calendário perpétuo: com quatro dígitos do

é uma celebração aos anos 60. O mostrador negro

ano, do dia, do dia da semana, do mês e das fases da lua

contrasta com a caixa extraplana em ouro rosa ou

nos dois hemisférios. Movimento automático JLC 909/1;

aço inoxidável. O movimento, decorado à mão com

os acabamentos e a decoração são efectuados à mão.

25 rubis, é visível através do fundo transparente em

Preço: € 27.300

vidro de safira. Preço: € 5.000

“A Jaeger-LeCoultre não é apenas uma marca relojoeira, é muito mais, é uma referência no universo relojoeiro.”

Jérôme Lambert CEO da Jaeger-LeCoultre

Chronomètre Royal 1907 Tributo a um centenário brilhante A Vacheron Constantin apresenta um novo Chronomètre Royal 1907 no âmbito da sua linha ‘Historiques’. Criado de acordo com o espírito da época e realçando o trabalho de artesãos especializados, o Chronomètre Royal 1907 – lançado numa edição limitada de 100 relógios – distingue-se pela caixa de inspiração clássica e pelo mostrador esmaltado Grand Feu. Além disso, contém um novo mecanismo de corda automática, o Calibre 2460 SCC, duplamente certificado. Preço: sob consulta.

Audemars Piguet Royal Oak Automatic Chronograph O cronógrafo por excelência Visando sempre o objectivo da excelência, a Audemars Piguet mantém o seu Royal Oak Automatic Chronograph como grande clássico na sua colecção. O mecanismo de corda automática foi criado especialmente para responder à exigência de integrar o maior número possível de funções num movimento de altura total de apenas 5,5 milímetros, para não interferir com a estrutura da emblemática caixa. O Royal Oak Automatic Chronograph bate a 21 600 alternâncias/hora e possui uma reserva de corda de 40 horas, bem como o habitual conjunto de opções técnicas e estéticas exigidas a um relógio desportivo com a mítica chancela Royal Oak. Preço: € 14.750

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


[ Breves ]

Hautlence HL08 Um ícone da nova relojoaria A estética Hautlence é inconfundível: na linhagem dos modelos iniciais da primeira colecção da marca, o HL08 apresenta um visual mais escurecido graças a um mostrador negro opalino que se mistura com tons metálicos contrastantes. No HL08, a estratificação do mecanismo dá a noção de tridimensionalidade ao mostrador, e os algarismos luminescentes permitem excelente visibilidade em condições difíceis. As horas saltantes e os minutos retrógrados são ligados por um sistema funcional inspirado nas locomotivas a vapor. Equipado com um calibre de corda manual a intrincada estrutura do mecanismo pode ser apreciada de ambos os lados através de vidros de safira. Preço: € 44.000

“Como poderemos criar relógios que apelem à nossa geração e não sejam recriações dos mesmos relógios que existem há 200 anos?

Renaud de Retz Co-fundador da Hautlence

Monaco Vintage Limited Edition Lembrando Steve McQueen O Monaco original surgiu em 1969 como um produto vanguardista e rapidamente se tornou num objecto de culto; além disto, o inconfundível perfil deste cronógrafo ficou imortalizado na longa-metragem de 1970 sobre as 24 horas de Le Mans. Por volta dos 24 minutos do filme, Steve McQueen – interpretando Michael Delaney – segura no capacete e o possante relógio quadrilátero torna-se bem visível aos olhos do espectador. Várias versões do carismático cronógrafo foram surgindo, incluindo o Monaco Vintage Limited Edition, uma nostálgica edição limitada a 4000 exemplares e caracterizada pelo mostrador preto com riscas laranja e azul reminiscentes do carro que o actor usou no filme. Preço: € 3.650

Novidade Rolex Rolex Oyester Perpetual GMT-Master II Em 1926, a Rolex desenvolveu e patenteou o Oyester, o primeiro relógio à prova de água do mundo. No ano seguinte, uma jovem nadadora, Mercedes Gleitzer, cruzou a nado o Canal da Mancha com um Rolex Oyster no pulso. Depois de vários acréscimos à colecção Oyster ao longo dos anos, com o Perpetual Rotor, o Oyster Datejust e o Oyster Submarine, resistente até 200 metros de profundidade, em 1955 o Rolex Oyster GMT Master é lançado, possibilitando ver as horas em duas zonas diferentes. Criado para responder às exigências dos pilotos profissionais, o GMT Master foi o primeiro relógio a dar as horas em dois fusos horários diferentes. O Oyester Perpetual GMT-Master II tem uma luneta rotativa de 24 horas, um ponteiro de 24 horas, bem como um ponteiro das horas que pode ser ajustado à parte. Com caixa em aço. Preço: € 5.439

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[ Breves ]

“Temos orgulho em sermos uma marca alemã, temos orgulho no nosso robusto património. Temos orgulho nos nossos relojoeiros que trabalham em Glashütte e nunca sairemos desta pequena cidade, onde o nosso ADN está enraizado.”

Fabian Krone CEO da A. Lange & Söhne

Glashütte PanoMaticChrono XL Design dinâmico em dimensões atraentes Design dinâmico, dimensões provocadoras, charme progressivo e uso de materiais preciosos: foi este o resultado do trabalho dos designers da ‘manufactura transparente’, sediada em Glashütte, na concepção da colecção PanoMatic XL. O PanoMaticChrono XL, que é conduzido pelo calibre automático 95-01. Com caixa de 42 mm de diâmetro e inclui as funções de horas, minutos, pequenos segundos, cronógrafo de retorno instantâneo (flyback) e data panorâmica. Disponível em ouro branco e rosa, com bracelete em pele de jacaré e fecho de báscula em ouro. Preço: € 43.050

A. Lange & Söhne Saxonia Automatik A distinção da simplicidade Numa era em que proliferam relógios repletos de múltiplas complicações com mostradores cheios de diferentes indicadores, o Saxónia Automatic da A. Lange & Söhne destaca-se pela pureza clássica de linhas. Com o mostrador em prata maciça e a caixa em ouro rosa ou branco, exala pura elegância. O fundo transparente em vidro de safira revela o calibre L921.4, composto por 378 peças, com 46 horas de autonomia e mecanismo ‘zero-reset’. A correia é feita manualmente em pele de crocodilo da melhor qualidade, sendo complementada com uma fivela em ouro maciço. Preço: € 20.200

Botões de punho Dunhill O complemento perfeito para a próxima estação A última colecção de botões de punho da Dunhill é o complemento perfeito para a sua entrada na próxima estação fria. A marcante série Coin foi alargada através de um conjunto de acabamentos minuciosos, disponível em fibra de carbono preta, olho-de-gato púrpura e acabamentos de ouro de 18 k com superfície rugosa. Já a nova série Sentryman está disponível em resina preta, madrepérola branca e superfície rugosa em padrão de diamante. Os botões de punho Switch, de contornos modernos e design de cariz industrial, está disponível em titânio polido ou madrepérola azul. Preço desde € 215

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


“A minha assinatura Audemars Piguet Millenary

acompanhada do meu próprio rótulo

Ode ao tempo oval

«Invenit et fecit» – (inventar e fazer),

Com a caixa ergonómica inspirada no Coliseu de Roma e com os mostradores carismáticos realçados

garante a minha ética e o meu

pela utilização excêntrica dos algarismos, a linha

respeito pelo meu trabalho

Millenary transmite uma nova dimensão ao tempo ao conjugar números árabes e romanos com linhas circulares e ovais. O Millenary é alimentado pelo calibre 3120 de corda automática que bate a 21 600

e pelos meus clientes.”

François-Paul Journe

alternâncias/hora e dispõe de 60 horas de reserva de marcha. Todas as peças são decoradas à mão e poA caixa em ouro branco ou rosa apresenta superfícies

A. Lange & Söhne promove exposição

alternadamente polidas e escovadas para acentuar

“De Dresden a Glashütte – as raízes da re-

os efeitos da luz. Preço: € 17.780

lojoaria de precisão na Saxónia” é o nome

dem ser apreciadas através do fundo transparente.

da exposição que decorre nas instalações da A. Lange & Söhne, com relógios seleccionados da colecção “Mathematisch-Physikalischen Salon”, que retrata a evolução da relojoaria de precisão na Saxónia até ao estabelecimento da indústria relojoeira em Ore

Ebel Classic Hexagon GMT

Mountains. A colecção de relógios históricos do Salão Mathematisch-Physikalischen Sa-

Feito para correr o mundo A Ebel, sintonizada com uma visão aberta do mundo, ofe­ re­ce aos globetrotters o Classic Hexagone, dotado de um segundo ponteiro para as horas e completado por uma grande janela de data. O submostrador aplicado à mão e situado nas 6 horas confere uma atracção irresistível a um relógio decididamente contemporâneo. A união harmoniosa entre correia e mostrador dota o relógio de uma elegância requintada que lhe permite ser utilizado em situações formais ou mais casuais. Preço: € 2.990

lon em Dresdner Zwinger é uma das mais im­portantes colecções do mundo. Permite uma percepção da história da relojoaria de precisão desde o século XVI ao século XIX, quando o sector teve o seu pico na Europa. Desde a Primavera de 2007, o Salão Mathe­ matisch-Physikalische Salon foi fechado para trabalhos de renovação. Até que reabra em 2009 com quase o dobro da área de exposição, cerca de 40 peças seleccionadas da colecção relojoeira do Salão vão estar expostas nas instalações da A. Lange & Söhne em Glashütte.

Encontro de aficionados da Relojoaria Antiga A Associação Francesa dos Aficionados da Relojoaria Antiga (AFAHA) escolheu Vannes

Diabolo Rock n’ Roll da Cartier Energia pura em tinta Inspirada numa criação original da Cartier, um best-seller reconhecido pelo seu design clássico art déco, as novas curvas desta caneta são definidas pela melhor tecnologia e cobertas por uma preciosa tampa em cabuchão. É a atitude rock-‘n’-roll em pleno para a caneta Diabolo da Cartier, que celebra agora o seu décimo aniversário. Esta edição especial é numerada e exclusiva, tal como os ícones dos Fifties. Estes modelos de aniversário dançam na batida certa do ritmo de rock-‘n’-roll. Numa combinação de contrastes rítmi-

para reunir os seus membros, este ano. 107 apaixonados pela relojoaria participaram no encontro. São 1300 os franceses apaixonados por relojoaria – profissionais e amadores – a fazerem parte da AFAHA, e 17 de outros países. O objectivo do encontro é «juntar os aficionados para que convivam, partilhem conhecimentos ou simplesmente para satisfazerem a curiosidade sobre a relojoaria», explica Jean-Loup Caron, presidente da AFAHA.

cos, traços de vinil e notas a preto e branco. Preço desde € 300 Espiral do Tempo 27 Breves

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[ Breves ]

“O ACP encontrou na Raymond Weil o parceiro ideal por ser uma marca clássica e de prestígio, com valores

Chronofighter Oversize Overlord O ‘look’ guerreiro da Graham

que casam na perfeição com o ACP...”

O Chronofighter Oversize da Graham viu as suas

Carlos Barbosa

Oversize Overlord. De dimensões imponentes, o seu

Presidente do ACP

características serem potenciadas com a nova versão look guerreiro foi exacerbado. A caixa em aço polido apresenta 47 mm de diâmetro e no mostrador predomina o verde acinzentado com um padrão decorativo que lembra o interior da cabine de um avião de combate. O mostrador dos segundos, na posição das 3 horas, assume a forma de um alvo – o símbolo dos aviões da Royal Air Force. E, como não podia deixar de ser, inclui o famoso gatilho das ‘granadas’ da Graham, colocado à esquerda. Preço: € 5.950

Chronograph Titanium Excelência no espaço A Fortis lança agora uma colecção Cosmonauts, na qual

Rali de Portugal Histórico

se inclui o B-42 Official Cosmonauts Chronograph Titani-

A ideia já andava na cabeça de alguns entu­

um, em que todos os modelos têm gravado no fundo da

siastas dos automóveis, mas só após a to-

caixa o logótipo oficial da Agência Federal Espacial Russa.

mada de posse da actual direcção do ACP,

O B-42 Official Cosmonauts Chronograph Titanium, com

presidida por Carlos Barbosa, e na sequência

caixa de 42 mm de diâmetro em titânio, é estanque a 200

do regresso do Rali de Portugal ao Campeo­

metros. Com numeração e índices luminescentes, permite

nato do Mundo, foi criado o Rali de Portugal

uma visibilidade perfeita, mesmo de noite. Os bo­tões que

Histórico. «Acabou por ser a comemoração

accionam o cronógrafo são em cauchu. Preço: € 2.380

dos 40 anos do Rali de Portugal com uma edição histórica», explica à Espiral do Tempo Carlos Barbosa. Na primeira edição em 2006 participaram 98 equipas e este ano o número subiu para 115. O Rali de Portugal Histórico é uma prova de regularidade e não de velocidade para automóveis matriculados até 1982, o que significa que os participantes e concorrentes têm que circular a uma velocidade média imposta de 50 km/h. Também para comemorar os 40 anos do Rali de Portugal, o ACP associou-se à Raymond Weil no lançamento de uma edição especial exclusiva para sócios. «O ACP encontrou na Raymond Weil o parceiro ideal por ser uma marca clássica e de prestígio, com valores que casam na perfeição com o ACP, com o Rally de Portugal Histórico e com os potenciais compradores desta edição, entusiastas do desporto automóvel», explica Carlos Barbosa.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

TAG Heuer Formula 1 Para viciados em adrenalina A versão de 2003 do modelo Formula 1 da TAG Heuer foi recentemente complementada com modelos de mostrador redesenhado. Destacam-se os coloridos cronógrafos, indicados para quem gosta de aproveitar os tempos livres ao máximo. O Formula 1 é o relógio mais desportivo concebido pela TAG Heuer, e consegue conciliar a funcionalidade e o aspecto casual com a qualidade da mais fina relojoaria. Possui as características técnicas necessárias para quem gosta de viver com adrenalina: estanquicidade a 200 metros, vidro de safira, bracelete de aço ou cauchu, coroa de rosca com protecções laterais e luneta giratória unidireccional. Preço: € 885


[ Breves ]

TAG Heuer Aquaracer Calibre S Na vanguarda da cronometragem desportiva Em 1949, o Maréographe tornava-se no primeiro instrumento de pulso a indicar o tempo das marés. Mais recentemente, o Searacer tornou-se numa referência com as suas funções de contagem decrescente para a partida das regatas – enquanto a marca estabelecia várias parcerias náuticas, patrocinando embarcações ou sendo cronome­ trista oficial da America’s Cup. Este ano, a TAG Heuer colo-

“O nosso desejo será trabalhar em inovações mecânicas mas também de quartzo e, creio que será seguro afirmar que somos inovadres em ambas as tecnologias sendo o Calibre S um exemplo da integração possível

cou no mercado o Aquaracer Calibre S como nova vede-

das duas.”

ta da linha Aquaracer. Tal como o seu antecessor Sea-

Jean-Christophe Babin

racer, o Aquaracer Calibre S é um elegante cronógrafo de vocação marítima – surgindo equipado com um sistema

CEO da TAG Heuer

de totalizadores perfeitamente revolucionário, assente em ponteiros retrógrados bidireccionais. Mais um relógio que a TAG Heuer coloca na vanguarda da cronometragem des­ portiva. Preço: € 1.650

Raymond Weil Nabucco GMT O regresso às raízes da imagem masculina A Raymond Weil assumiu o desejo de reforçar a imagem masculina e ‘mecânica’ da marca. Este desejo foi concretizado com o lançamento do Nabucco, com caixa em aço de 46 mm. A colecção Nabbuco inclui um modelo de corda automática, um cronógrafo e um modelo que apresenta um fuso horário suplementar – o Nabucco GMT. Com vidro e fundo em safira, é estanque a 200 metros. Disponível com bracelete em aço e fibra de carbono com fecho de báscula e em cauchu com fecho de báscula. Preço: € 2.980

Porsche Design Flat Six P'6341 Edição limitada a 935 exemplares Para comemorar os 35 anos da marca, a Porsche Design lançou um relógio que lembra os primeiros cronógrafos negros desenhados pelo fundador Ferdinand Alexander Porsche: o Edition 1 Flat Six P'6341. Cor emblemática da marca, o negro que impera vai sendo 'salpicado' pelo branco contrastante, como na escala taquimétrica e no triângulo dos pequenos segundos. No Flat Six P'6341 Porsche, o titânio está revestido de negro através do recurso ao PVD. Os botões de arranque e paragem da função cronográfica estão ergonomicamente integrados na caixa, tal como a coroa. O fundo transparente em vidro de safira permite observar o ‘motor’ em funcionamento – e a arquitectura muito especial do calibre Valjoux 7750, devidamente personalizado pela Porsche Design. A bracelete é em cauchu negro com fecho de báscula em titânio. Preço: € 4.500

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


[ Breves ]

Audemars Piguet Royal Oak Dual Time

Jaeger-LeCoultre Reverso Squadra Chrono GMT

Tempo a dobrar

O mundo quadrado

Nos dias de hoje, grande parte das pessoas já está

Quando os engenheiros da Jaeger-LeCoultre trabalha­

habituada a lidar frequentemente com mais de um

ram pela primeira vez o conceito Reverso, nos anos

fuso horário. Assim, o Royal Oak Dual Time é uma

30, fizeram-no em duas formas: a rectangular, paten­

natural adição à inconfundível linha da Audemars

teada, entrou logo para a história da relojoaria; mas

Piguet. O mostrador inclui um submostrador com um

a quadrada permaneceu em segredo na manufactura

segundo fuso horário às seis horas, acompanhado

e só 75 anos depois surgiu o Squadra, baseando-se

de um sempre útil indicador de reserva de corda

nos esquemas originais. Várias versões do Squadra

e outro submostrador com data analógica. Um de-

foram surgindo, entre elas o Squadra Chrono GMT,

talhe: o pequeno círculo, colado ao segundo fuso

com funções de horas, minutos, data, cronógrafo e

horário que indica o dia ou a noite, é a verdadeira

segundo fuso horário. Disponível com caixa em aço,

cereja no topo do bolo. Preço: € 22.000

estanque a 50 metros. Preço: € 6.750

Graham Swordfish Grillo GMT-Alarm Percorrendo o mundo Desde que deu a sua primeira braçada nas águas da relojoaria em 2005, o Swordfish tem vindo a provar o seu carisma de ‘espécie rara’ e impôs-se como representante do espírito inovador da Graham. Mantendo o seu ar robusto, com caixa sólida em aço, o novo modelo da colecção, o Grillo, distingue-se por um ‘olho’ protuberante que aumenta o visionamento da data de forma dramática, conservando um espa­ ço amplo no mostrador para o indicador da função GMT, a que se junta a função de alarme. A possante caixa de 46,50 mm alberga o resistente movimento Calibre G 1711 com 42h de reserva de corda. Preço: € 6.650

Radiomir Black Seal Cerâmica Não risca, não danifica, não oxida A linha Radiomir tem uma nova versão: o Radiomir Black Seal, com caixa de cerâmica e movimento mecânico de corda manual OPXI. Para a caixa do Black Seal Cerâmica, os relojoeiros da Panerai desenvolveram uma nova técnica: um processo de alta tecnologia de pressão isostática que realça e melhora as suas características técnicas. A cerâmica usada é óxido de zircónio, que apresenta várias vantagens: a extrema solidez (até cinco vezes superior ao aço 316L), a forte resistência a grandes variações de temperatura e o facto de o relógio não se riscar, não se danificar nem se oxidar. Preço € 4.900


“Vamos instalar no nosso Rolex Oyster Perpetual Milgauss

espaço próprio uma escola para

A nova coqueluche

aprendizes e para uma formação

O segredo da força da Rolex consiste em mudar sem pa­ recer que muda, introduzindo gradual e discretamen­te

especilizada no serviço de

melhorias substanciais nos seus relógios para os levar à

pós-venda dos nossos relógios.”

perfeição absoluta. É o caso do Oyster Perpe­tual Milgauss, que tem tudo para ser a nova coque­luche da colecção devido a uma estética rolexiana especialmente atraente e

François-Paul Journe

a um preço menos elevado do que o de outros recentes lançamentos da casa genebrina. O Milgauss do século XXI é ainda mais fiável do que o seu antecessor, graças a aperfeiçoamentos mecânicos no calibre automático e estruturais na concepção da caixa. Distingue-se pelo seu mostrador peculiar, dominado por um ponteiro dos segun­dos em forma de raio e índices em forma de bastão aplicados com rebordo em ouro à volta da matéria luminescente. Preço: € 4.810

Chopard inaugura 100.ª loja A Chopard escolheu um dos bairros novaior­quinos mais na moda para abrir a sua nova loja. Na esquina da Madison Avenue com a 63nd Street, este espaço no coração de Manhattan é a 100ª loja da Chopard nos cinco continentes. O novo estabelecimento abriu as portas oficialmente perante cerca de 600 convidados que pisaram a “Pink Carpet” desenrolada em plena rua, contando-se entre eles Ivana Trump, Liz Hurley, Adrian Brody e Maggie Gyllenhaal.

Ouvir as horas

Vacheron Constantin é Relógio do Ano

Com o L.U.C ‘Strike One’ em ouro rosa, a colecção

Depois de ter vencido por duas vezes o

de manufactura da Chopard foi substancialmente en-

maior prémio atribuído pelo Grande Prémio,

riquecida com um prestigiado modelo dotado de uma

a Vacheron Constantin ganhou o Prémio de

fascinante complicação acústica: permite não apenas

Relógio do Ano da revista Montres Passion.

ver as horas, como também ouvi-las à medida que

Sob a presidência de Kenan Tegin, o júri do

o tempo passa. Conduzido pelo calibre L.U.C 96SH,

Prémio Relógio do Ano 2007 (que realizou

que levou dois anos a ser concebido nos ate­liês da

este ano a sua 14º edição) elegeu o modelo

Manufactura Chopard em Fleurier, o ‘Strike One’ tem

contemporâneo bi-retrógado Patrimony, da

uma caixa com o diâmetro clássico de 40,5 mm e

Vacheron Constantin, devido à «conjugação

foi lançado numa edição limitada a 100 exemplares.

entre classicismo e moderni­da­de tanto em

Numa abertura na posição das 12 horas, é possível

termos técnicos como esté­ticos, além da

avistar o poderoso mecanismo e o martelo que bate

«abso­luta elegância» que apresenta. Dois

as horas. Preço: € 29.360

outros habitués arrecadaram os segundo e

Chopard L.U.C ‘Strike One’

terceiro prémios: François-Paul Journe, com o Octa Automatique Lune, e a Jaeger-LeCoultre, com o Duomètre.

Franck Muller Master Date

Print’Or 2008

Triplo calendário

Considerada uma das mais importantes ex-

Com belos mostradores dotados de indicações a verme-

posições de relógios e jóias em França, com

lho que contrastam com o fundo, o Master Date do ‘Mes-

mais de 600 marcas a marcar presença, o

tre das Complicações’ apresenta um extraordinário calen­

salão Print’Or já tem data marcada para

dário triplo apresentado sob três diferentes sistemas:

2008: vai realizar-se entre 3 e 5 de Feverei-

digi­tal para a data, numa janela panorâmica às 12 horas;

ro, em Lyon. O salão acabou de criar dois

retrógrado para o dia da semana, com o ponteiro a saltar

“clubes” – Jewelery Clun e Watch Club –,

para trás após percorrer um semicírculo; e analógico para

que são espaços fantásticos de acolhimento

o mês, num submostrador às 6 horas partilhado com os

onde as marcas poderão receber sumptuosa-

pequenos segundos. Tudo embalado na inigualável caixa

mente os seus clientes.

Cintrée Curvex idealizada por Franck Muller. Preço: € 27.310 Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


[ Entrevista ]

Fabian Krone, cidadão alemão por parte dos pais, nascido em Paris e criado em Itália, é uma das poucas personalidades capazes de transmitir, à primeira vista, charme e autoconfiança. Veio de Turim, em 2003, e rapidamente se adaptou à capital financeira e cultural da Saxónia, Dresden, mais conhecida pela Florença junto ao Rio Elbe. Bastaram alguns meses para que ele assumisse as maiores responsabilidades da A. Lange & Söhne, a casa do «made in Germany». Com a morte repentina, em 2001, do perturbadoramente carismático Günter Blümleina, a estrela ascendente da alta-relojoaria perdeu subitamente a principal força impulsionadora. O desafio que Fabian Krone enfrentou era o mais complexo de todos: dar uma segunda vida a esta marca de vanguarda, sem perder o sentido de tradição que lhe subjaz.

entrevista Hubert de Haro | fotos Nuno Correia | Dresden, Alemanha

Espiral do Tempo – Sabendo que um coleccionador

ET – Para si, qual a importância do «made in Germany»?

de relógios português acredita em que os melhores

FK – Uma marca de fabrico alemão é algo especial, mas é um aspecto que se está tornar menos importante. Há 13 anos, quando se apresentaram os primeiros relógios, a coisa foi vista como uma maluquice: imagine-se uma marca de relógios alemã, da antiga RDA, a produzir peças num pequeno vale, a querer até apresentar relógios de grandes aplicações, como o ‘Pour le Mérite’ (nota de leitura: um impressionante turbilhão lançado na colecção da A. Lange Söhne de 1994). Todos se riram! Hoje, a posição do fabrico alemão de relógios está firmada. Sim, temos orgulho em sermos uma marca alemã, temos orgulho no nosso robusto património. Temos orgulho nos nossos

carros vêm da Alemanha e os melhores relógios vêm da Suíça, como o convenceria a comprar um A. Lange & Söhne? Fabian Krone – Perguntar-lhe-ia primeiro se conhe­ ce a Lange. Se me dissesse que não, passar-lhe-ia o meu relógio e faria com que o sentisse, com que o observasse. Acho que a Lange não convence apenas pela história bonita e pelo património que tem, convence também pelos cronómetros que assina, pelo processo de construção que a eles conduz, pelos materiais e pelo design. As minhas palavras não seriam suficientes, em comparação com as palavras do próprio relógio.

relojoeiros que trabalham em Glashütte e nunca sairemos desta pequena cidade, onde o nosso ADN está enraizado. Penso que não importa se o mostrador ou os ponteiros vêm da Suíça. O movimento tem de ser feito internamente pelos nossos relojoeiros e desenvolvido pelos nossos próprios construtores. Isto é certo. ET – Voltando à sua realidade social, foi fácil fazer amizades nesta pequena cidade muito especial?

–Vim de Itália, de Turim, há cinco anos. Ali há mar, montanhas e vinhas maravilhosas. A temperatura é amena e as pessoas são receptivas. Quando cheguei, em Janeiro de 2003, deixei Turim com dez graus positivos e, em Glashütte, FK

Entrevista Fabian Krone

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“As minhas palavras não seriam suficientes (para convencer alguém a comprar um Lange), em comparação com as palavras do próprio relógio.”

Fabian Krone

estavam 15 graus negativos! As pessoas não se abriram imediatamente, mas pareceram-me honestas. Fiz vários amigos aqui. Refiro-me a amigos a sério, não a amizades superficiais. São amizades para muito tempo, mais do que amizades de curto-prazo, que são mais espontâneas. Estou, por isso, realmente feliz por estar aqui. Até encontrei algumas marcas italianas na arquitectura de Dresden!

nos contentamos quando respondemos à décima pergunta. Temos, também, um processo de design extremamente longo. Mas mantemo-lo assim, porque o consideramos importante. Prova­ velmente, nunca se verão todos os pequenos por­menores e todas as modificações que fazemos de protótipo para protótipo até estarmos prontos para lançar um novo produto. As pessoas dão em doidas, mas tudo tem de ficar perfeito até ao mais pequeno pormenor. Temos de fazer sempre melhor, sempre, e não deveríamos satisfazer-nos com o primeiro resultado. É um processo cansativo e doloroso, mas traz os melhores resultados.

as regras da marca. É importante não chocar o cliente. A Porsche é um bom exemplo disto: independentemente do Porsche para que se está a olhar, pelo design consegue-se saber que se trata de um Porsche, seja um Cayenne seja um 911. Outras marcas de carros mudaram a imagem tantas vezes nos últimos 20 anos que é realmente difícil reconhecê-las. Se tirar a estrela e olhar para um Mercedes hoje, não reconhecerá a marca por comparação com um modelo de há 20 anos. ET – Então, podemos afirmar que está lentamente, passo a passo, a reescrever o manual de identidade da marca, quebrando alguns tabus?

ET – No que diz respeito ao processo de inovação, é um

ET – Quer dizer que o produto final tem de se adequar

defensor convicto de que o produto dá origem à procu-

ao ADN da marca?

ra? Pode descrever como é que as ideias acabam por

FK –Tem de se encaixar na filosofia da marca e no

dar à luz novos ‘ai-jesus’?

tipo de design. Tem de se perceber de longe que se trata de um relógio Lange. Veja, por exemplo, o Lange 31: tem a grande data num sítio completamente diferente do normal, e um design diferen­ te do de um relógio Lange normal. Mas, mesmo assim, vê-se que é um relógio Lange. É fácil fa­ zer-se uma coisa completamente diferente. O difícil é fazer uma coisa diferente e, apesar disso, ficar no manual de identidade, seguindo sempre

– Os ‘ai-jesus’ nascem sempre na cabeça de alguém, que pode ser um relojoeiro, o Tony (nota de leitura: Anthonie de Haas, chefe do desenvolvimento do produto), ou qualquer outra pes­­soa. Depois, confirmamos a exequibilidade até mesmo da ideia mais disparatada. A nossa abordagem é bastante singular porque não nos ficamos pela primeira resposta encontrada. Só

FK

FK –Eu penso que o Lange 1 quebrou um tabu. Não estamos cá para nos agarrarmos à tradição. Sim, a tradição faz parte de nós, da história da marca; tem portanto de ser respeitada e tida em conta. Ela é, porém, a base para o futuro, para a inovação. Gosto de quebrar tabus, mas apenas se o resultado se encaixar na marca. ET – Falemos de números: 200 portas para uma produção anual de 5000 peças, produzidas por 450 funcionários (50 % deles relojoeiros)... e uma grande proporção de jovens senhoras. E quanto ao futuro, tendo em con-

Günter Blümlein e o estado em que ficou a fábrica após o bombardeamento da cidade de Dresden, durante a Segun­ da Guerra Mundial. Dois lados de uma história impressionante.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


ta as dificuldades em contratar novos relojoeiros e, ao mesmo tempo, em garantir que os actuais ficam? FK – A manutenção dos actuais relojoeiros não é, por agora, um problema. Claro que, com o tempo, a Suíça vai tentar arranjar mais relojoeiros. Nós não somos a única marca Glashütte que precisa de gente nova: os nossos vizinhos (nota de leitura: principalmente a marca Glashütte Original) também andam à procura. Nós temos a nossa própria escola com, aproximadamente, 30 jovens alunos. Isto é bom, mas pode não ser suficiente. Já contratámos alguns pintores de porcelana que têm muito jeito para o trabalho de mãos e que agora se sentem atraídos pela indústria relojoeira. Trabalhamos, também, com escolas diferentes de relojoaria, como, por exemplo, a Karlstein, na Áustria (nota de leitura: o Walter Lange formou-se nesta escola). Para mais, há uma grande percentagem de desemprego na nossa região e podemos ajudar nisso. Por quê olhar para tão longe, se temos o desemprego aqui? Vamos tentar encontrar pessoas boas, treiná-las e dar-lhes a oportunidade de aprende­ rem alguma coisa com futuro.

todo o departamento de desenvolvimento em Glashütte, porque antes tínhamos os designers dos mostradores na Suíça (nota de leitura: quando o Günter Blümlein criou a marca, em 1994, fazia a gestão da mesma a partir de Schaffhausen na Suíça, juntamente com a outra marca dele: a IWC. Esta situação durou aparentemente até 2003). Acredito mesmo em que as pessoas têm de trabalhar juntas, em equipa. Não somos uma enorme multinacional; somos uma pequena manufactura de relógios saxónica. Então, porque estar em diferentes locais do mundo? Naquela altura, trabalhávamos com a Renaud & Papi. Conheci o Tony, que me impressionou ao conversar com ele, e convidei-o para um fim-de-semana, bem como a toda a família. Além do mais, ele sempre gostou da Lange e conhecia o livro da nossa história da primeira à última página.

não faz sentido, não haveria nisso nenhu­ma poesia. Mas este novo mundo pode seguir outras direcções. Claro que é necessário dar espaço a esta reserva de marcha e a junção de muitas novas funções não será propriamente fácil. Vamos portanto ver o que acontece. Mas estou contente por este primeiro passo ter sido dado, que é aliás entre todos o que mais me espanta, por termos acrescentado a grande data. Esta data precisa de corda constante, a cada 24 horas, o que é admirável se tivermos em consideração a força desta reserva de marcha. ET – Voltando à distribuição, a marca começou no mercado alemão. Continua a ser um mercado importante para a marca?

FK – Sobre o Lange 31 (risos)?

– Hoje, a marca tem uma grande notoriedade na Alemanha. Mais de 70 % é um valor claramente acima do de outras marcas, que estão no mercado há muitos anos. A revista de economia alemã Wirtschaftwoche considerou-nos, em Março, a primeira das 30 marcas mais luxuosas da Alemanha. Este tipo de distinção leva a uma procura ainda maior.

ET – Contratou, em 2003, um brilhante relojoeiro e cons-

ET – Deixe-me ser mais preciso: o Lange 31 vai ser a

ET – Foi por isso que abriu a primeira loja em Dresden?

trutor da marca suíça Renaud & Papi (nota do redactor:

primeira e única peça carismática e os novos projectos

actualmente detida pela Audemars Piguet, é conside-

vão superar a actual colecção, ou vai haver irmãos e

rado um dos poucos muito inovadores fornecedores de

irmãs?

movimentos altamente complicados), que se tornou

FK – Uma coisa é o Lange 31 como relógio. Outra

no chefe do seu departamento de desenvolvimento de

é o que está por trás: os nossos relojoeiros controlam, neste momento, uma reserva de poder de 31 dias. Não foi apenas aberta uma porta, foi inaugurado um mundo totalmente novo! Ir, neste momento, além dos 31 dias de reserva de marcha

FK – Era nosso dever abrir a primeira loja aqui, no ponto de partida, na cidade onde o Ferdinand Adolph Lange nasceu. Mas ainda estamos num processo de aprendizagem. Ainda há uns pequenos pormenores que não me parecem perfeitos, pelo que ainda estamos a trabalhar neles. Acontece o mesmo com os relógios... A Alemanha vai continuar a ser o nosso principal mercado. Mas estamos agora a explorar o mer-

produto. Estava já, nessa altura, à procura de um novo rumo para o ADN da marca?

– Não vou falar da situação em que nos encontrávamos na altura. Precisávamos de ter FK

ET – O Lange 31 parece abrir uma nova janela dentro do ADN da Lange. Soubemos que está a trabalhar em novos produtos a lançar até 2012. Tem alguma coisa para revelar?

FK

Do fundador à última geração a A. Lange & Söhne passou por muitas vicissitudes, que conferem uma identidade ímpar a esta marca orgulhosamente germânica.

Entrevista Fabian Krone

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Fabian Krone usou durante a entrevis­ ta à Espiral do Tempo uma das mais emblemáticas criações da casa alemã: o Datograph Perpetual.

Um dos zeppelins originais usados em tempo de guerra, sobrevoando a cidade de Dresden e uma recriação actual, em tempo de paz, promovida pela manufactura alemã.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


cado dos Estados Unidos e da Ásia, com a China. No próximo ano, abordaremos a Índia. ET – Então, a loja de Dresden é a primeira de uma rede que se vai estender a Shangai este ano. Onde pensa abrir as outras e quantas lojas estão nos seus planos? FK – As próximas serão em Pequim, Hong Kong,

Dubai, Tóquio e Moscovo. Dez lojas no total é um número realista. As lojas não deverão afectar o fornecimento à actual rede de distribuição, pois aumentaremos a nossa produção anual, de 500 peças para 1000, com a construção de um sexto edifício de produção em Glashütte. ET – No que respeita à sua escolha de produzir caixas

– Com o Lange 31, também nos antecipámos muito. Mas quisemos afirmar-nos, antes de avançarmos para o passo seguinte, que é específico da Lange: encontrar a solução perfeita para a industrialização do Lange 31. Aquilo em que acredito, de uma forma geral, é que o cliente não esquece. Este crescimento extremo de séries limitadas nunca combinaria com a Lange. Só temos séries limitadas, quando há uma história por trás, credível e verdadeira. Quando vou à feira e me apresentam um protótipo que nem sequer funciona, para mim é só uma ideia, não é um relógio. Deveríamos respeitar a relojoaria e não recorrer demasiado ao marketing. FK

exclusivamente em ouro e platina, como vê a utilização, por parte de outras marcas de elite, do titânio, do

ET – No que diz respeito à família Lange, quais são as

carbono ou mesmo do aço inoxidável em relógios alta-

responsabilidades do Walter e do filho, Benjamin?

mente dispendiosos?

FK – O Walter tem já uma idade avançada. Gostamos de o ver, mas não aparece com muita frequência. O Benjamin foi um elemento activo da Lange, mas agora está noutro negócio de família alemão — Wellendorf –, onde se dedica a novas experiências. Já os conhecemos há muito tempo, uma vez que produzem braceletes de metal para nós. É principalmente uma empresa joalheira. Ele é o director internacional de vendas e talvez um dia volte para a Lange.

– Tentámos fazer o Lange Double Split em aço inoxidável, mas quando olhámos para ele, dissemos logo todos: «não é um Lange!». Mais uma vez, diria que temos de sentir que é um Lange... Penso que nem o titânio se enquadra actualmente no ADN da Lange. FK

ET – Há um pormenor que identifica imediatamente um movimento Lange: a prata alemã (nota do redactor: liga de níquel, zinco e bronze que dá ao movimento da Lange um tom acinzentado e ligeiramente brilhante

ET – Para terminar, como vê o mercado português?

que é único). Mas implica montar, desmontar e, depois,

– Está em grande desenvolvimento e é disto que estamos à procura. Mas o mercado português é sobretudo o de Lisboa. Penso que o nível cultural é alto e que há uma grande sensibilidade para o património, para a tradição e mais ainda para a relojoaria. Creio que voltará a ser um mer­cado interessante. Penso que a Lange tem a filosofia de produto certa para o específico mercado português.

montar de novo todo o movimento. Alguma vez pensou em substituir a prata alemã? FK – Claro. Estamos sempre a investigar alternativas. Mas, afinal, o que estamos a fazer? Estaremos a ver se conseguimos um processo mais eficiente? Estamos a concretizar sonhos. Estamos a tentar trazer para a realidade aquilo com que sonhamos. Se conseguirmos a mesma beleza, o mesmo toque e a mesma sensação com outro material, porque não? Mas actualmente é a prata alemã que dá aos nossos movimentos esta beleza, este calor, este brilho que encaixam na perfeição.

FK

ET – Pensa que uma presença forte em Portugal poderá funcionar como uma rampa de lançamento para chegar a outros países de língua portuguesa, como os da América do Sul ou da África?

ET – As marcas suíças de topo apresentaram, recentemente, muitos produtos ‘revolucionários’ que parecem incapazes de produzir. O que pensa desta estratégia de apresentação por relações públicas?

– A África não é bem, ainda, um território para nós investirmos. Mas quanto ao Brasil, pode certamente ser um mercado a considerar num futuro próximo. FK

Perfil Local e data de nascimento. 24 de Julho de 1963, Paris. Irmãos e irmãs. Primogénito da família? Dois irmãos, uma irmã. Aroma/perfume? Eu gosto de perfumes que não sejam doces, mas picantes ou ‘citrinos’. Matérias-primas? Porcelana, que me parece subestimada (nota do redactor: a Lange pediu a uma empresa especializada em Meissen, para pintar os calibres da Lange sobre porcelana; as «pinturas» estão expostas na loja de Dresden), e madeira. Prato preferido? Peixe. Vinho branco ou vinho tinto? Tinto no Inverno e branco no Verão. Fato e gravata ou calças de ganga e camisa? Depende da ocasião. Personagem histórica? O Garibaldi, pela nobre maneira de alterar coisas que não eram para mudar. Local preferido para passar um fim-de-semana? Com os meus filhos, nas montanhas, a ouvir os badalos das vacas ou, no mar, a brincar com eles na areia. Livro ou I-pod? Os dois ao mesmo tempo. Pintura ou banda desenhada? Uma exposição de pintura. Televisão ou cinema? Vejo todos os filmes novos no avião e não vejo televisão. Qual foi o seu primeiro relógio? Aos 14 anos: um Timex! Que relógio teria adorado criar? Não sou pai de muitos relógios. O que o Günter Blümlein fez tem de ser admirado. Mas talvez tivesse gostado de ter criado o turbilhão em geral.

Entrevista Fabian Krone

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[ Reportagem ] A Esquadra 501 – Bisontes acaba de celebrar 30 anos de transporte aéreo ao serviço da Força Aérea Portuguesa com uma edição limitada da Fortis. São muitas as missões que fazem parte do currículo dos Bisontes: do Zaire a Timor, passando pelo Congo e pelas cheias em Moçambique, sem esquecer o Afeganistão. Histórias de aventuras a bordo do C-130 Hércules que a Espiral do Tempo foi ouvir.

texto Marta S. Ferreira | fotos Nuno Correia

«Onde necessário, quando necessário». É este o lema da Esquadra 501-Bisontes da Força Aérea Portuguesa (FA), que efectua missões de transportes pilotando os potentes C-130 Hércules. Porquê 501-Bisontes? Cinco (5) é o código da FA para ‘transporte’. Zero (0) é o código para ‘avião’ e um (1) significa ‘prioritário’. A todas as esquadras da FA está associado um animal. O animal da 501 é o bisonte porque, quando a esquadra foi criada, os primeiros membros a integrá-la foram tirar um

curso nos EUA, numa zona onde havia muitos bisontes. E logo fizeram o paralelismo entre a força e robustez do animal com a força e robustez do C-130, o avião que esta esquadra pilota. Depois da Guerra do Ultramar, alguns ele­ men­tos da frota que estavam desactualizados foram vendidos. Com as verbas desta venda, fo­ ram adquiridos cinco aviões C-130. «O primeiro chegou a Portugal a 15 de Setembro de 1977. É por isso que nesse dia se assinala o aniversário

da Esquadra», explica à Espiral do Tempo o comandante da Esquadra 501-Bisontes, o tenente-coronel Azevedo Santos. A estes cinco primeiros C-130 juntou-se, mais tarde, um sexto, em 1991. E assim ficou composta a frota que os Bisontes pilotam nos dias de hoje. Na Base Aérea n.º 6, no Montijo, o dia co­ meça às 9 da manhã, com um briefing, para «resol­ver questões do dia-a-dia e definir a ordem de trabalhos», explica o Comandante. Depois,

Comandante Tenente Coronel Azevedo dos Santos Hoje com 42 anos, entrou para a Academia da FA em 1984, e até chegar a responsável máximo da Esquadra 501-Bisontes, em Setembro de 2001, pilotou de tudo um pouco: «Voei tudo aquilo que a FA tem, excepto helicópteros. Voei um caça, um avião de instrução a jacto, um avião de instrução a hélice e um avião de transporte. Foi uma experiência muito enriquecedora», conta à Espiral do Tempo. O que mais o atrai à Esquadra dos Bisontes é a possibilidade que tem de «voar além do espaço aéreo nacional, onde as missões têm como contexto um cenário calmo e tranquilo». Nesta altura da sua carreira militar, «devia estar a sair para ir para um estado-maior, mas não posso sair daqui neste momento porque não há ninguém que possa garantir todas as missões. Faço falta aqui neste momento. E gosto imenso de estar aqui estar», garante.

Reportagem Esquadra 501 - Bisontes

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


«Escolhemos a Fortis pela beleza dos modelos, a qualidade dos produtos e pela já conhecida relação com a FA.»

Tenente Coronel Azevedo Santos Hércules C-130 A frota da Esquadra 501 Bisontes é, actualmente constituída por seis C-130 Hércules três de versão curta (29,5 m) e três de versão alongada (34 m). Pesando cerca de 39 mil quilos e podendo voar até 33 mil pés, o C-130 descola com um peso máximo de mais de 70 mil quilos. «É uma aeronave fabulosa. É de grande fiabilidade, aterra em todo o lado – terra batida, pedras, chapa – e tem uma grande capacidade de carga», diz o Comandante.

«cada um vai cumprir as suas funções: preparar os processos para as missões, fazer actualizações e acertos nos manuais, tratar dos planeamentos de navegação para missões ou, no caso daqueles que têm missão para esse dia, preparar o avião e o voo». A esquadra voa quase todos os dias, muitas vezes mais do que uma vez por dia. Composta por uma equipa de voo e uma de manutenção, integra, no total, cerca de 120 pessoas. Da parte de voo fazem parte 50 elementos. A 501-Bisontes realiza três tipos de missão: transporte aéreo táctico, transporte aéreo geral e busca e salvamento. No âmbito do transporte aéreo táctico, efectuam o lançamento de car­ga aérea (materiais militares ou para fins huma­ nitários) e de paraquedistas em zonas que podem ser de conflito ou não, mas onde não existem pistas para aterragem. Executam também a co­

lo­cação de carga ou paraquedistas no terreno, aterrando em pistas não preparadas, ou seja, de terra batida, pedra ou mesmo chapa. Os Bisontes desempenham também transpor­ te aéreo geral ou apoio logístico que consiste, por exemplo, em transportar dinheiro do Banco de Portugal para os Açores e Madeira ou dar apoio logístico à frota de F-16 portugueses que se encontra, neste momento, na Lituânia a fazer patrulhamento aéreo. A Esquadra 501 tem ainda a responsabilidade de realizar missões de busca e salvamento nos mares (FIR de Lisboa e de Santa Maria).

Um currículo recheado Muitas missões internacionais memoráveis fazem já parte da bagagem dos Bisontes. Desde o Zaire a Timor, passando pelo Congo e pelas cheias em Moçambique. Todas ficaram na memória, mas

algumas são incontornáveis, como a que teve lugar no Afeganistão: em 2002, respondendo a um pedido da NATO, os Bisontes rumaram a território afegão. O primeiro destacamento esteve no terre­no durante três meses, realizando missões de trans­porte entre Carachi e Cabul. Um segundo destacamento foi enviado para o Afeganistão, já em 2004, e lá permaneceu durante um ano, realizando transporte de pessoal e de material entre Cabul e os aeródromos em todo o país. Sempre em missão, na agenda da Esquadra para os próximos tempos inclui-se a ida de um destacamento para a Lituânia, para ir prestar apoio ao destacamento de F-16 portugueses que lá se encontra. Vão também fazer as de­lícias de algumas crianças lituanas, que foram escolhidas para fazer um baptismo de voo. Para o segundo semestre de 2008, já está agendado o regresso ao Afeganistão.

Comemoração em grande No dia 15 de Setembro de 2007, a Esquadra 501-Bisontes comemorou o seu 30.º aniversário. Para assinalar a data, o Comandante quis «um relógio da Esquadra, mas que fosse de uma boa marca, uma peça que as pessoas gostassem de usar e se orgulhassem de ostentar no pulso. Escolhemos a Fortis pela beleza dos modelos que cria, a qualidade dos produtos e a já conhecida relação com a FA», conta. Para celebrar o aniversário, a Esquadra fez a largada, a partir de um dos seus C-130, de uma palete contendo os 130 cronógrafos Fortis Bisontes. B-42 Flieger Chrono – Bisontes Edição limitada a 130 exemplares numerados e personalizados. Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática, calibre 7750. Funções: Horas, minutos, segundos, data, dia da semana e cronógrafo. Caixa: Aço, vidro e fundo em safira, estanque a 200 metros. Bracelete: Pele com fecho de báscula. Preço: € 1.910,00

Reportagem Esquadra 501 - Bisontes

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


[ Reportagem ] A Audemars Piguet anunciou, no dia 10 de Outubro, em Nova Iorque, uma parceria única com a Fundação William J. Clinton. Este novo projecto mediático consolida uma estratégia filantrópica iniciada com o lançamento da Fundação Audemars Piguet, em 1992. A marca Suíça du Brassus, conhecida pelas inovações técnicas e as grandes complicações, soube demonstrar, ao longo de perto de duas décadas, um genuíno altruísmo e uma grande preocupação com as questões do ambiente, da educação e da saúde. Longe da demagogia que guia certos anúncios semelhantes, a Audemars Piguet veste, mais uma vez, a camisola da responsabilidade social, servindo assim de exemplo aos seus pares da alta relojoaria suíça.

reportagem Hubert de Haro - Nova Iorque

Todas as controvérsias que envolveram os últimos anos do segundo mandato do 42.º pre­ sidente dos Estados Unidos da América se evaporam na sua presença. Hoje, aos 61 anos (William “Bill” Jefferson Clinton nasceu na cidade de Hope, no Arkansas, a 19 de Agosto de 1946), e apesar do cabelo branco, Bill transmite pelo verbo a determinação de um líder. O ex-presidente da nação mais rica do mundo decidiu continuar a fazer história, usando da mais formidável arma de ajuda em massa: o lóbi. Nas inúmeras viagens em que passou pelos cinco continentes, estreitou laços de confiança e de amizade, não só com a maioria dos líderes políticos e religiosos deste planeta, mas também com os grandes gestores económicos. Este património invejável serviu de pedra angular ao lançamento, em 1997, da Fundação William J. Clinton, cujas iniciativas abordam questões tão variadas como a sida, as mudanças climáticas, a saúde, a educação dos mais pobres e, ainda, a obesidade das crianças americanas. O relatório de 2006 da Fundação resolve, com pormenores, todas as eventuais dúvi-

Georges-Henri Meylan, CEO da Audemars Piguet, François-Henri Benhamias, presidente da Audemars Piguet América e Bill Clinton, durante o evento.

Reportagem Bill Clinton Foundation/Audemars Piguet

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O animado leilão do Jules Audemars Equação do Tempo, especialmente ajustado para o fuso horário da Casa Branca.

“Qualquer pessoa tem a oportunidade de ser um cidadão global e deverá ser-lhe dada essa oportunidade.”

Bill Clinton das sobre a eficácia da organização. Os números impressionam: a iniciativa CHAI (Clinton foundation against Hiv /AIds), por exemplo, permitiu subsidiar 750 000 medicamentos, durante o ano de 2006, o que representa o triplo do valor anterior. Bill Clinton resolveu escrever um livro – Giving, edição Krope – para melhor passar a sua mensagem.

Um casamento de sonho François-Henri Benhamias, Presidente da Audemars Piguet América, encontrou pela primeira vez Bill Clinton num campo de golfe. Movidos pela mesma paixão, a experiência foi reiterada várias vezes até os dois homens encontrarem um outro ponto comum: o apoio aos mais desfavorecidos. Já no início dos anos 2000, o dinâmico Presidente da Audemars Piguet América tinha marcado os espíritos do mundo relojoeiro, lide­ rando uma iniciativa privada única naquela altura: juntar as boas vontades das maiores celebri­dades americanas, em prol do Afeganistão. A ideia era leiloar 17 peças da Audemars Piguet, todas dife-

rentes e todas únicas: cada uma levava a assinatu­ ra de uma pessoa famosa. Este projecto, cujo su­ cesso marcou a entrada das marcas relojoeiras nos eventos de caridade, permitiu ao jovem gestor da marca adquirir um formidável carnet d’adresses onde figuram nomes sonantes como os de Tom Cruise, Georges Bush (pai), Mohamet Ali... Alguns destes contactos deram mais tarde início a colaborações mais abrangantes com a marca du Brassus, que, tendo dado origem a várias edições Arnold Swarzenneger, foi a mais famosa e frutuosa para ambas as partes. A parceria entre a Audemars Piguet e a Fun­ da­ção William J. Clinton, no entanto, viria a assumir contornos diferentes. Desta vez, a famosa

Uma peça que representa o que de melhor se faz na alta-relojoaria mundial: movimento mecânico de corda automática calibre AP 2120/2808. Funções: Horas, minutos, hora de nascer e pôr do Sol, equação do tempo, calendário perpétuo e fases da Lua.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

marca suíça decidiu lançar três edições limitadas de uma das suas mais emblemáticas complicações: a Equação do Tempo. A particularidade desta colecção premium reside na escolha da Casa Branca para referência da Equação do Tempo. O fundo da caixa revela ainda a inscrição gravada “William J. Clinton 42th President of the United States.” Apresenta-se em três versões, de 42 peças cada, que se distinguem pelos metais nobres platina (137 000 $), ouro rosa 18 ct (98 000 $) e ouro branco 18 ct (100 000 $). Antecipando a venda destas excepcionais peças, a Audemars Piguet optou por doar três milhões de dólares à Fundação William J. Clinton. Um gesto que não deixará, certamente, de ficar na história.


O Extreme LAB da Jaeger-LeCoultre apresenta-se como um relógio que marca uma etapa na história da Manufactura. Capaz de suportar temperaturas extremas dispensa ainda qualquer tipo de óleo de lubrificação ao usar esferas de cerâmica e carbono nas partes de atrito do movimento.


[ Dossier ]

Após décadas afio de um exasperante conservadorismo, a relojoaria suíça sofreu uma revolução técnica e estilística que a catapultou finalmente para o século XXI. A nova era da ‘alta techno-relojoaria’ é caracterizada por modelos ousados, concebidos em materiais vanguardistas e com mostradores estruturados que deixam transparecer os prodígios da micromecânica ao serviço do tempo.

texto Miguel Seabra

Ainda há não muito tempo, dois tipos

novo milénio. Para trás ficou um longo período

ceber um relógio de cariz moderno que se torne

de relógio de pulso dominavam as colecções das

em que a indústria do sector deu provas de pou-

num ícone ao cabo de poucos anos. Outros fac-

grandes marcas do sector – o relógio clássico por

co arrojo estético; foi necessário a ousadia de um

tores, tão díspares como a crescente influência

excelência consistia num modelo de mostrador

grupo de mestres iconoclastas e a intromissão de

automobilística ou o crescimento físico da popu-

prateado decorado em guilloché e acompanhado

designers oriundos de outras áreas para revitali-

lação mundial (que exige relógios sobredimen-

de uma delicada correia em pele de crocodilo,

zar a relojoaria suíça e acompanhar as exigên-

sionados para pulsos maiores e vistas cansadas),

enquanto o paradigma do relógio desportivo ou

cias galopantes de um mundo em constante mu-

contribuíram para o advento de um nova filosofia

militar era dotado de mostrador preto e bracelete

tação.

relojoeira. Uma filosofia que, como diria Fernan-

de aço.

É certo que os clássicos são eternos, mas

do Pessoa, começou por se estranhar e agora

Em dez anos, esse cenário modificou-se: mais

hoje em dia o conceito de clássico altera-se mais

já se entranha. E que pode ser adequadamente

do que numa nova década, a relojoaria entrou no

rapidamente e o grande desafio consiste em con-

baptizada de... ‘techno-relojoaria’.

Dossier Techno-Relojoaria

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Idealizado na Renaud & Papi, atelier vanguardista da Audemars Piguet, o Royal Oak Concept sUrgiu com uma estética decididamente contemporânea graças aos tons escurecidos da caixa em titânio e à bracelete em tela técnica, mas também o seu mostrador denotava algo de novo...

O atelier Renaud & Papi foi o responsável pelo Royal Oak Concept e pelo novíssimo Millenary Watch, vencedor do Prémio Relógio Design na última edição do Grande Prémio de Relojoaria de Genebra.

Fica assim resolvida a eterna demanda relojoeira em busca de um mecanismo que funcione sem óleo, o tal pequeno e fundamental detalhe que força os instrumentos do tempo a revisões periódicas.

Na leve e rígida estrutura exterior do Extreme LAB, o carbono é protegido pelo titânio nas zonas mais vulneráveis aos riscos e impactos, mas é no coração do relógio que os novos materiais contribuem para a eliminação da necessidade de recurso ao óleo. Para além dos rolamentos de esfera em cerâmica, o ‘Easium’ – uma carbonitrura muito escorregadia e deslizante – faz a sua estreia na relojoaria e assume um protagonismo muito especial.

De uma dureza excepcional, o ‘Easium’ é dotado de propriedades tribológicas (a tribologia é a ciência da fricção e do desgaste…) inauditas e afigura-se perfeito para substituir os tradicionais rubis lubrificados com óleo fino.

Vencedor do Prémio Relógio Complicação o Tourbillon Glissière de Harry Winston.

O uso da platina foi previligiado neste modelo optando a casa Harry Winston por uma estética que faz jus às suas criações de alta-relojoaria. Arrojada, distinta e sobretudo dotada de inovações ao nível da reserva de corda o Tourbillon Glissière é um relógio de excepção.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


O carbono – especialmente encomendado com uma mistura certa de carbono e resina – é cortado em quantidades precisas de fios de 1 a 2 mm de diâmetro (compostos por milhares de fibras de carbono de sete mícrones com um fio de resina). Estes fios são colocados num molde e impregnados com resina líquida, sendo posteriormente aquecidos a 230 graus e comprimidos a mais de 300 kg por centímetro cúbico. As caixas saem quase prontas, faltando apenas polir e abrir buracos para os parafusos e a bracelete.

Diariamente, o atelier concebe 25 lunetas e quase outras tantas caixas em carbono forjado. Tudo indica que o Royal Oak Offshore Alinghi Team seja o primeiro de vários modelos que no futuro beneficiarão da nova tecnologia...

A força do concept Apesar de manter princípios inabaláveis desde a era

não apenas através do fundo transparente, subter­

Idealizado na Renaud & Papi, atelier vanguardis-

de Abraham-Louis Bréguet, a relojoaria mecânica está

fúgio generalizado na década de 90. Claro que tam-

ta da Audemars Piguet, o Royal Oak Concept surgiu

a mudar radicalmente. Para a passagem a uma nova

bém existem os mostradores esqueletizados em

com uma estética decididamente contemporânea

era, tornava-se necessário que as mais credenciadas

deli­cada filigrana, mas não têm nada a ver com o

graças aos tons escurecidos da caixa em titânio

marcas do sector abraçassem as novas tendências

novo estilo contemporâneo, simultaneamente tecno­

e à bracelete em tela técnica, mas também o seu

e as sancionassem com a inclusão de modelos ar-

lógico e viril.

rosto denotava algo de novo (o mostrador era es-

rojados nos seus prestigiados catálo­gos – fazendo

E o mais curioso é que a nova tendência come­

truturado) e a sua composição integrava materiais

face às marcas de gama média e inferior, que se

çou com um relógio concebido em 2002 para come­

pouco usuais como o alacrite (à base de cobalto e

têm lançado nos grandes salões do sector com um

morar o 30.º aniversário de um modelo que, em

crómio). Paralelamente, enquanto era desenvolvido

alargado espectro de propostas e diversos protóti-

1972, pareceu extremamente ousado para o seu

o Royal Oak Concept, nascia a companhia relojoeira

pos para poder auscultar as preferências dos deta-

tempo. Quando a Audemars Piguet lançou o Royal

de Richard Mille – actuamente comparticipada pela

lhantes e, a partir daí, arrancar com a produção.

Oak como primeiro relógio de alta-relojoaria em

Audemars Piguet e cujos relógios são precisamente

Nas gamas baixas, a estética sobrepõe-se à téc-

aço, foi alvo de chacota e desdém; rapidamente,

feitos na Renaud & Papi. Num ápice, a indústria do

nica e permite aos designers uma grande liberdade

a concorrência abandonou as críticas para seguir a

sector abraçou o ter­mo ‘Concept’ como designação

criativa. Na gama alta, a estética está intimamente

mesma via.

mágica que evoca audá­cia, vanguardismo e exclu-

ligada à técnica; as manufacturas inventam peças

Trinta anos depois, a Audemars Piguet apresen-

sividade. Inovar é bom, comunicar essa inovação é

e funções que colocam a técnica em evidência no

tou o Royal Oak Concept em edição limitada para

vital – daí a utilização do termo em vários modelos

plano estético: a beleza do mecanismo passou a

homenagear o modelo original e, a partir daí, a relo-

que vão surgindo anualmente para satisfazer uma

ser também apreciada através do mostrador – e

joaria não mais foi a mesma.

estratégia de nicho do extremo.

O Defy Xtreme Open Stealth da Zenith, vencedor do Prémio do Público

O Royal Oak Offshore Alighi Team vencedor do Prémio Relógio Desportivo


Richard Mille, Grande Prémio Ponteiro de Ouro, com o seu RM012.

O Tourbillon Evolution 2 da Franck Muller. O Mestre das Complicações faz jus à sua assinatura.

A revolucionária espiral do Lange 31 que possibilita 31 dias de reseva

A espiral Spriromax, inovação da Rolex, que pelo seu design revolu-

O mecanismo do Indicator. O “super-consumidor” de energia necessita

cionário possibilitou um avanço na precisão dos mecanismos.

de quatro tambores de corda para alimentar as suas funções.

não poderia deixar de estar dissociada do universo

nalidade rapidamente granjearam adeptos entre os

motorizado, onde se multiplicam os Concept Cars.

espíritos mais abertos.

As múltiplas parcerias estabelecidas nos últimos

A transparência dos mecanismos através do

anos entre as melhores escuderias de automóveis

mos­trador e da caixa já podia ser encontrada no

e de instrumentos do tempo fomentaram o advento

Swatch Jelly Fish de 1983. Agora, tudo é feito a um

do relógio moderno; a revolução técnica e estética

nível superior – com o recurso a soluções tecnológi-

da relojoaria pode comparar-se à revolução operada

cas que podem ir desde caixas em metais exóticos,

pelo New Edge Design da Ford ou pelo estilista Chris

mostradores em nanofibras de carbono e pedras re-

mais clássica no seu interior trabalha-se recorrendo às tecnologias e

Bangle, que deu por completo a volta ao visual da

sinosas na platina de base até à construção tubular

materiais de ponta.

BMW graças a linhas côncavas e convexas na carros-

do mecanismo. E o Monaco V4, um Concept Watch

seria que estabeleceram um corte com o passado.

apresentado pela TAG Heuer em 2003, também se

de corda sem perder precisão. Mesmo em relógios com uma estética

New Edge Design

Houve reacções virulentas ao novo estilo, mas

revelou uma pedrada no charco com o seu mecan-

Alguns desses protótipos passam quase intactos

a aposta revelou-se um sucesso: foi apresentada

ismo assente em correias e um rotor de massa rec-

à produção; outros continuam à espera de se tor-

num timing perfeito que lhe permitiu marcar tendên-

tangular sobre uma calha linear.

nar exequíveis para serem comercializados. O certo

cias futuras; se tivesse sido antecipada em excesso,

O último grande exemplo é o vanguardismo des­

é que a febre do Concept Watch promoveu dina-

poderia ficar condenada à partida. Na relojoaria, a

portivo do Master Compressor Extreme LAB, que

mismo, fomentou arquitecturas inéditas tanto no

revolução também surgiu no momento ideal; a nova

tem a assinatura de uma marca tão tradicional como

interior como no exterior dos relógios e implicou a

interpretação de design industrial utilizando mate-

a Jaeger-LeCoultre e que passa por ser o primeiro

inclusão de novos materiais ou a fusão de matérias

riais da era espacial na construção dos relógios ar-

relógio a funcionar com fiabilidade sem o recurso a

para o estabelecimento de novas ligas a serem uti-

rancou com o Royal Oak Concept e foi cimentada

qualquer tipo de óleo. Várias outras manufacturas

lizadas nas caixas, mostradores e até mecanismos.

na crescente colecção de Richard Mille. O êxito dos

seculares não querem perder o comboio da ‘techno-

A nova linguagem estilística da relojoaria de topo

mostradores assimétricos e a noção da tridimensio-

-relojoaria’…

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


O Monaco V4 , concept watch da TAG Heuer que tem como objectivo substituir as rodas usadas em todos os movimentos, por correias de transmissão, inspirada no mundo automóvel.

Porsche preparou o caminho Criado a partir do sucesso da Porsche no domínio da mecânica automóvel, o atelier Porsche Design foi funda­ mental na transição para o denominado estilo de luxo contemporâneo. Investindo em novos exercícios de estilo ergonómico, os relógios Porsche Design foram os primeiros a adoptar um visual urbano escurecido e materiais como o titânio, o alumínio ou a borracha vulcanizada para as braceletes de cauchu integradas tão em voga actualmente. O Indicator é um portento de engenharia mecânica e insere-se na linhagem de instrumentos de excepção ligados ao universo automobilístico, como o cronógrafo AMVOX da Jaeger-LeCoultre ou os modelos especiais da Audemars Piguet com a chancela Maserati.

O AMVOX 2 utiliza um sistema revolucionário de accionamento do cronógrafo pressionando directamente sobre a caixa do relógio às 12 horas. As alavancas de báscula (em vermelho às 6 horas) transmitem os impulsões ao calibre.

O engenhoso sistema de bloqueio do vidro do AMVOX 2 que evita o accionamento involuntário do cronógrafo.

Dossier Techno-Relojoaria

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O Opus VI de Harry Winston desenvolvido em conjunto com o relojoeiro Greubel Forsey.

O magnífico sistema de “cubos satélite” usado por Felix Baumgartner quando desenvolveu o Opos V para a casa Harry Winston. Esta solução inovadora marcou a linguagem relojoaeira des­ te talentoso jovem, como se pode ver em baixo no modelo 103 da Urwerk.

Alta-relojoaria pura! À esquerda o Jaeger-LeCoultre Master Eight Days Perpetual e à direita o Chopard L.U.C. Tech. Dois exemplos contemporâneos que usam a transparência dos mostradores para revelar o trabalho relojoeiro das peças.

Rosto transparente Antigamente, e até há bem pouco tempo, a ética da alta-relojoaria implicava que todas as peças do mecanismo (que, antes do surgimento dos fundos transparentes, nunca se viam) fossem trabalhadas criteriosamente. Esses fundos fechados também evitavam que os raios ultravioletas tornassem os óleos mais espessos, tal como transpiração ácida emitida pela pele apresenta efeitos nefastos para os relógios. Ultrapassada essa fra­ gilidade perante o sol, a visualização dos mecanismos através de mostradores transparentes promoveu novas ideias e glorifica o aturado trabalho de decoração dos especialistas, valorizando ainda mais todo um universo mecânico por trás dos ponteiros.

«A relojoaria está no meu sangue porque sou filho e neto de relojoeiros. Fui relojoeiro por nascimento e, agora, sou relojoeiro por paixão.»

O 103 da Urwerk. Os discos satélites usados tornam o criador deste relógio facilmente reconhecível. Felix Baumgartner não procura apenas outras linguagens estéticas mas sim a criação de peças com “assinatura”.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


«O luxo, símbolo da elegância, discrição e classicismo, está a tomar um novo rumo».

Max Büsser lançou a MB & F apostando numa linguagem muito própria. É mais um talen­ toso relojoeiro que decidiu iniciar um caminho próprio criando novas soluções técnicas e estéticas.

A mais recente “locomotiva” da Hautlence inova através de uma estética muito própria e neste caso particular com o uso de ouro cinza 18 k.

Infotenimento Já a H3 de Jorg Hysek e a BRM de Bernard Richard

outra obra-prima de arrojo relojoeiro, uma espécie

são marcas recentes que nasceram com a nova vaga

de escultura cinética com pistões deslizantes que

de relojoaria moderna; Max Büsser é outro dos pro-

lhe fornecem corda.

tagonistas da nova geração, primeiro fomentando a

A Hautlence também aposta exclusivamente num

criação de soluções técnicas únicas quando esteve à

visual radicalmente técnico. Renaud de Retz, um dos

frente do departamento relojoeiro da Harry Winston,

seus criadores, afirma: «Não queríamos reinventar a

depois com o seu estabelecimento por conta própria

relojoaria, mas sim apresentar uma diferente leitura

para lançar a MB & F.

do tempo. Andávamos frustrados com a falta de

«Vejo mais beleza em algo de ousado e com

inovação do sector e decidimos criar algo que ape-

um carácter forte do que em algo que é bonito e

lasse à nossa geração, optando por uma mecânica

politicamente correcto. Quero fazer relógios adequa-

diferen­te e atraente que fosse interpretada à moda

dos à nossa época», refere Max Büsser. «O luxo,

da alta-relojoaria».

que sempre foi simbolizado pela elegância, discrição

A conjugação entre a interactividade da função

e classicismo, está a tomar um novo rumo; devido

mecânica e forma de expressar os dados transfor-

a criadores como Richard Mille, Vianney Halter e

mam os novos relógios de ‘alta-tecnolojoaria’ em

alguns outros, a alta-relojoaria está a seguir numa

autênticos pólos de ‘infotenimento’ (informação e

nova direcção». Como os relógios Urwerk de Felix

entretenimento)... porque vale a pena saber as ho-

Baumgartner e o designer Martin Frei, que desfazem

ras ou o dia e, ao mesmo tempo, apreciar toda a

o preconceito de que quantos mais ponteiros um

tecnologia em funcionamento sem retirar o relógio

relógio tem, mais ele é complicado – graças ao

do pulso. Tão fascinantes cocktails tecnológicos,

seu modelo 103 com mostragem da hora assente

enquadrados em dramáticas estruturas arquitectóni-

em satélites móveis num sistema que já se via

cas, prometem ser o padrão a seguir na relojoaria

no Opus V da Harry Winston Opus V. O Opus VI é

de luxo!

Dossier Techno-Relojoaria

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Graham Chronofighter Skeleton [68]

Jaeger-LeCoultre AMVOX 2 DBS [70]

Chopard Mille Miglia Chrono XL [72]

Raymond Weil Nabucco Chonograph [74]

Porsche Design Worldtimer [76]

Glashütte Original Senator Rattrapante [78]

Audemars Piguet Royal Oak CP Skeleton [80]

A. Lange & Söhne Langematik Perpetual [82]

Cartier Ballon Bleu [84]

Laboratório - Franck Muller Split Seconds [86]

Espiral do Tempo 27 Técnica

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Em Foco Chronofighter R.A.C. Skeleton Graham

De perto ou à distância, o Chronofighter é o mais inconfundível dos cronógrafos – e a crescente fama motivou a sua declinação em diversos modelos capazes de satisfazer os adeptos de tão emblemático instrumento do tempo. A última geração surgiu melhorada com um mecanismo cronográfico de roda de colunas. Uma das mais interessantes variantes da alargada panóplia de novos mostradores é, sem dúvida alguma, o Chronofighter R.A.C. Skeleton. Com um visual parcialmente esqueletizado que coloca em evidência o funcionamento deste cronógrafo, o Chronofighter R.A.C. Skeleton associa – melhor que qualquer outro membro da sua família – a forma à função. O fundo transparente em vidro de safira permite apreciar o mecanismo, mas o mostrador parcialmente recortado torna possível a apreciação do funcionamento do relógio mesmo no pulso. No entanto, a principal característica do modelo mantém-se na parte exterior: a famosa coroa dotada de uma alavanca optimizadora das funções cronográficas.

Grande calibre Além da roda de colunas, o calibre G1742SQ de corda automática unidireccional faz-se também acompanhar de um calendário (reflectido na janela para a data aberta no mostrador) e é decorado com motivos Côtes de Genève. Dotado de 42 horas de reserva de corda, é um motor suíço que se alia à estética exterior de cariz britânico: é este o segredo do sucesso por trás dos instrumentos do tempo com a assinatura Graham.

Fiabilidade mecânica O Chronofighter surge agora equipado com

Eric Loth

o sistema cronográfico mais apurado: um

[ CEO The British Masters ]

calibre dotado de roda de colunas (roue à

Qual o maior desafio técnico colocado

uma maior precisão na medição de tempos

pela visibilidade de certas partes do mo­

cur­tos. Este mecanismo consiste numa roda

vi­mento no mostrador?

com seis colunas de forma triangular que re­

Os desafios técnicos não podem ser dis­

gula as funções de diversas alavancas. O grau

so­ciados do aspecto estético que que­ría­

de sofisticação necessário é tão elevado que

mos dar a este modelo. Quisemos que o movimento fosse pensado, desde o

colonnes, daí a designação R.A.C.) assegura

raras são as companhias relojoeiras capazes de o produzir.

início, também como mostrador, de­vi­do à visibilidade de certas partes. Não é apenas revelar determinados por­menores, é pen­­ sar neles desde a sua origem em termos

Várias variantes O Chronofighter R.A.C. Skeleton está disponível em várias versões de edição limitada: ouro rosa

de colocação, cor e material usa­do. Os

com mostrador negro (100 exemplares), ouro rosa com mostrador prateado (100), aço com

ma­teriais e os revestimentos usados re­

mostrador negro (200) e aço com mostrador prateado (200). O estilo desportivo/militar do

pre­sentaram au­tênticos desafios técni­

conjunto é acentuado por uma bracelete em cauchu ou por uma voluptuosa correia de couro

cos. O Skeleton é, quanto a nós, a união

com pespontos. A configuração da pujante caixa (43 mm de diâmetro) é surpreendente, com

perfeita da téc­nica e da estética.

a coroa à esquerda e correspondente alavanca optimizadora das funções cronográficas, além de um botão assimétrico que recoloca o ponteiro a zero.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Alavanca do sucesso A característica alavanca do cronógrafo foi inspirada em modelos que os aviadores da Royal Air Force usavam presos à perna durante os bombardeamentos da II Guerra Mundial. O princípio ergonómico para op­timizar a utilização das funções cronográficas atra­vés do dedo polegar justifica-se plenamente: in­ dependente dos restantes dedos, o polegar reage algumas décimas de segundo mais depressa para o arranque/a paragem do contador.

Ficha técnica Chronofighter RAC Skeleton Graham

Referência: 2CRBR.BQ1A.K25B • Série limitada: 100 exemplares • Diâmetro: 43 mm • Espessura: 15 mm • Caixa: Ouro rosa 18K • Coroa: Característica da marca • Vidro: Safira com tratamento anti-reflexos • Movimento: Mecânico de corda automática, calibre G1722 com Roda de Colunas • Decoração do movimento: Cotês de Genéve • Funções e indicadores: Horas, minutos, segundos, data e cronógrafo • Estanquicidade: 50 metros • Bracelete: Cauchu • Fecho: Fivela em ouro rosa 18k Preço: 7.400 euros

www.graham-london.com

Em Foco Graham

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Em Foco AMVOX 2 DBS Chronograph Jaeger-LeCoultre

O mais recente cronógrafo nascido da associação entre a manufactura helvética Jaeger-LeCoultre e a escuderia britânica Aston Martin representa uma evolução tranquila – e até mais prestigiada – do revolucionário modelo AMVOX2, lançado em 2006. O sistema de accionamento vertical da função cronográfica surpreendeu, então, o mundo relojoeiro, e mantém-se como a característica técnica dominante do novo AMVOX2 DBS. A estética do mostrador foi, contudo, transformada, de modo a oferecer um visual mecânico ainda mais consentâneo com o universo automóvel. O desvelar do AMVOX2 DBS sucede ao lançamento do bólide Aston Martin DBS, considerado ‘potência explosiva em black-tie’. Também o AMVOX2 DBS é um cronógrafo radical com charme mais do que suficiente para ser utilizado com smoking: a elegante caixa em ouro rosa ou titânio oferece um luxuoso contraste com o fundo tecnologicamente escurecido do mostrador. A atracção é visceral – não só para os amantes da bela relojoaria, mas também para todos os apaixonados da engenharia mecânica.

Cocktail tecnológico O AMVOX2 DBS é inovador relativamente ao modelo seu antecessor: apresenta um mos­ trador que transmite toda a força mecânica do seu interior. O centro, transparente, deixa ver as pontes do mecanismo, decoradas em

Jérôme Lambert [ CEO Jaeger-LeCoultre ] A Jaeger-LeCoultre surpreendeu com

perlage e os discos dos contadores dos mi­

Dispositivo de segurança

nutos e das horas. Às 6 horas, uma abertura

No flanco da caixa, às 9 horas, um cursor

redonda indica que o mecanismo está em

de três posições permite bloquear todas as

funcionamento (novidade em relação ao

funções do cronógrafo ou apenas a função de

AMVOX2) e, em baixo, podem ver-se as ala­

retorno a zero – para impedir qualquer pressão

van­cas vermelhas de activação.

inadvertida que afecte a cronometragem.

esta declinação do AMVOX 2. Que dife­ renças existem em relação ao modelo anterior? As diferenças são sobretudo estéticas. O AMVOX 2 DBS também usa o sistema que criámos para o AMVOX 2 Chronograph em

Só para privilegiados

que o cronógrafo é accionado pres­sio­

O AMVOX2 Chronograph DBS está disponível

nando directamente a caixa do reló­gio;

em apenas duas versões de edição limitada.

às 12 horas para o iniciar e às 6 ho­ras

A edição mais exclusiva, que conta com uma

para o parar e voltar a zero. No en­tan­to

produção de 300 exemplares, representa o

o lançamento do Aston Martin DBS pro­

Accionamento vertical

primeiro modelo AMVOX em ouro rosa. A outra

vocou um impulso criativo nos nossos

É a principal característica técnica do relógio: basta um rápido gesto para espoletar a contagem

edição, concebida em titânio, é distribuída

designers que decidiram evoluir o AMVOX

através de um engenhoso sistema de embraiagem vertical. Pressiona-se o vidro na posição das

em 999 peças. O estojo do relógio evoca as

2 Chronograph. Este novíssimo DBS é uma

12 horas, e assim arranca a função cronográfica. Volta-se a pressionar esta posição, e a contagem

cores e os materiais do espírito Aston Martin

peça da qual muitos nos orgulhamos.

pára; uma pressão na posição das 6 horas fará com que todos os indicadores regressem ao zero.

– tal como as correias, é em couro negro com

Tão fascinante que dá vontade de brincar durante todo o dia!

acabamentos em cordura e alcantara.

70

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Revolução técnica O mecanismo do AMVOX2 DBS representa um corte epistemológico ao nível da activação: não necessita dos tradicionais botões laterais porque a contagem é accionada e travada mediante pressão directa sobre o vidro. Um sistema de rolamentos permite à caixa e à lu­ neta bascularem pela base do relógio, numa acção que activa uma série de alavancas que, por sua vez, transmitem os impulsos que con­trolam as funções cronográficas.

Ficha técnica AMVOX 2 DBS Jaeger-LeCoultre

Referência: Q192T450 • Diâmetro: 44 mm • Espessura: 15,1 mm • Caixa: Titânio grau 5 • Coroa: Personalizada com o logótipo da marca • Vidro: Safira com tratamento anti-reflexos • Movimento: Mecânico de corda automática JLC 751E de roda de colunas • Decoração do movimento: Decorado à mão • Funções e indicadores: Horas, minutos, segundos, data e cronógrafo Estanquicidade: 50 metros • Bracelete: Couro negro, misturado com cordura e pespontos em alcantara • Fecho: Fecho de báscula em titânio grau 5 • Preço: 12.500 euros (21.500 euros para a versão em ouro rosa 18k)

www.jaeger-lecoultre.com

Em Foco Jaeger-LeCoultre

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Em Foco Mille Miglia Gran Turismo XL Chrono 2007 Chopard

Era inevitável. Criada em 1988 na sequência da parceria estabelecida entre a Chopard e o rali nostálgico que reedita a mítica corrida transalpina de mil milhas (Brescia-Roma-Brescia), a colecção Mille Miglia não tem parado de crescer – em número e tamanho. Por isso, depois de, há dois anos, ter sido apresentado o novo modelo Gran Turismo XL com três ponteiros, já se sabia que a nova caixa de 44 milímetros receberia, mais cedo ou mais tarde, uma versão cronográfica... Foi o que acabou por acontecer, mas em duas ramificações. A primeira corresponde a uma edição mais comum; a outra a uma série limitada, directamente associada à edição de 2007 da corrida. A Chopard comemora cada Mille Miglia com o lançamento de um relógio numerado que oferece aos famosos participantes. Este modelo é depois comercializado em produção restrita. O modelo desta temporada é um belo Gran Turismo XL Chrono, cuja principal característica são os dois grandes algarismos árabes (o 6 e o 12) que tem decalcados no vidro. Um modelo excepcional para celebrar o 80.º aniversário da più bella corsa del mondo!

Espírito racing

Versões limitadas

O mostrador do Gran Turismo XL Chrono é de

O Gran Turismo XL Chrono de 2007 está

uma qualidade excepcional e foi concebido em

dis­ponível em duas edições limitadas com

dois níveis para destacar os totalizadores dos

mostrador na cor da ardósia, números decal­

minutos e das horas, além do submostrador

cados sob o vidro de safira e fundo maciço

dos pequenos segundos. A combinação do

com gravação do percurso da Mille Miglia.

vermelho e do preto com o logótipo Mille

A edição em aço está disponível com 2007

Miglia ressalta o carácter automobilístico

exemplares e a edição em ouro rosa é de

do cronógrafo – que está disponível em

500 exemplares. Além destas duas versões, o

correia de pele de crocodilo ou em cauchu

modelo regular em aço com mostrador preto

Dunlop Racing.

tem fundo transparente em vidro de safira. Qualquer artigo Mille Miglia gera sempre

Motor à altura

Karl-Friedrich Scheufele [ CEO Chopard ] O Mille Miglia, além de um acontecimen­ to muito aguardado todos os anos, também trás consigo a não menos esperada edição de um símbolo da Chopard. Os adeptos dos automóveis e dos despor­

O calibre automático que equipa o Gran Turismo XL Chrono apresenta elevados índices de precisão que lhe granjearam o certificado de cronómetro pelo Controlo Oficial Suíço dos Cronómetros. Bate a uma frequência de 28.800 alternâncias/hora, integra 25 rubis e as pontes do respectivo mecanismo estão decoradas com Côtes de Genève. Contém, ainda, a muito útil função stop-seconds.

tos motorizados sentem-se muito atraí­dos pela colecção Mille Miglia, que continua a cres­cer. Este envolvimento no rali foi o catalizador que nos levou a produzir os primeiros relógios relacionados com

Caixa poderosa A estrutura do Gran Turismo XL Chrono assenta numa pujante caixa de 44 mm estanque a 100 metros. A coroa de rosca tem protecções

esta temática e, felizmente, o sucesso

laterais e é ladeada por botões rectangulares

têm sido extraordinário. A qualidade dos

integrados. A luneta apresenta uma escala

mecanismos e o investimento na nossa

taquimétrica gravada com indicações a negro

Manufactura acrescentam tam­bém a

que dão um toque ainda mais desportivo

estes modelos a qualidade que preten­

ao cronógrafo. O vidro de safira, com trata­

demos em todos os nossos relógios.

men­to anti-reflexo, inclui uma lupa sobre a janela da data.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

grande entusiasmo entre os saudosistas das viaturas clássicas e os aficionados da bela relojoaria.


O mito Mille Miglia A lendária corrida dos primórdios do automobilismo, Mille Miglia, atraiu os melho­res pilotos do mundo e juntou centenas de milhares de espectadores ao longo das estradas do centro e do norte de Itália, entre 1927 e 1957. A presença dos entusiásticos tifosi nas bermas provocou várias tragédias mortais que determinaram a suspensão da prova. Esta só foi retomada duas décadas mais tarde, sob um carácter mais lúdico.

Ficha técnica

Referência: 168489-3001 (aço) • 161268-5001 (ouro rosa 18k) • Série limitada: 2007 peças em aço e 500 peças em ouro

Mille Miglia Gran Turismo XL Chrono 2007

rosa 18k • Diâmetro: 44 mm Caixa: Aço e ouro rosa 18K • Coroa: Personalizada com o logótipo da marca • Vidro: Safira com

Chopard

Funções e indicadores: Horas, minutos, pequenos segundos, data e cronógrafo • Estanquicidade: 100 metros

tratamento anti-reflexos • Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática, calibre ETA 2894-2 Bracelete: Pele Brown Barrenia ou borracha preta para a versão em aço e pele de crocodilo para a versão em ouro rosa Fecho:

www.chopard.com

Fecho de báscula em aço ou ouro rosa 18k • Preço: 20.500 euros

Em Foco Chopard

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Em Foco Nabucco Raymond Weil

A Raymond Weil surgiu em 1976 para dar uma nova dimensão à relojoaria que então se fazia. E porque a filha do fundador, Raymond Weil, era uma pianista profissional, a música sempre serviu de inspiração para o nome das diversas linhas da marca – baptizadas segundo composições musicais épicas baseadas em grandes dramas teatrais, desde a Parsifal até à Don Giovanni. A última colecção chama-se Nabucco em homenagem à ópera do mesmo nome, mas a sua personalidade tem mais a ver com rock n’roll do que com música clássica. É que o novo cronógrafo Nabucco assume uma personalidade forte e poderosa, tal como o rei – o Nabucodonosor II – que serviu de inspiração ao lendário compositor Giuseppe Verdi. Sendo o maior modelo jamais criado pela Raymond Weil, conjuga a sua sólida estrutura em aço inoxidável com pormenores contrastantes em fibra de carbono e um mostrador estruturado que é realçado pelo uso de parafusos. A data pode ser ajustada directamente através do botão às 10 horas.

Mostrador Forte O mostrador do Nabucco é realçado pela zona central em relevo, acoplada a uma base negra com nuances em xadrez condizentes com a fibra de carbono usada noutras partes. Também o nome da marca surge afixado numa etiqueta de aço aparafusada. E a utilização do vermelho nos ponteiros dos submostradores e no ponteiro cronográfico dos segundos ofe­rece grande dinamismo ao conjunto.

Taquímetro para Medições O teor desportivo do Nabucco é salientado por uma escala taquimétrica, que permite o cálculo

Olivier Bernheim

de velocidades médias. Para o cálculo, é necessário percorrer-se uma distância padrão de um quilómetro: activa-se a função cronográfica no início e, um quilómetro depois, pára-se a conta-

[ CEO Raymond Weil ]

gem. Nessa altura, o ponteiro do cronógrafo indicará a velocidade média (em km/h) a que foi

O Nabucco corre o risco de se tornar num

percorrida a distância.

enorme sucesso para a Raymond Weil. Qual a filosofia deste relógio? Depois do tempo e empenho de­­dicados a modelos femininos, com a linha Shine, e a relógios de quartzo, como os RW Sport, decidimos apostar num modelo

Estrutura Portentosa A caixa-forte do cronógrafo Nabucco tem um impressionante diâmetro de 46 milímetros para 15,5 milímetros de espessura – sendo que, com as asas, a estrutura chega aos 55,5 milímetros. É o relógio mais robusto alguma

vincadamente masculino, im­­ponente e

vez apresentado pela Raymond Weil, poden-

so­bretudo automático. O Nabucco nas

do ser equipado com uma bracelete em aço

suas versões chrono, GMT ou simples­

e fibras de carbono ou uma correia em pele.

mente watch e o uso do carbono conju­

O uso da fibra de carbono é determinante

gado com o aço vai-nos permitir ter uma

para o estilo da nova linha Nabucco. Trata-

peça para um determinado público-alvo,

-se de um material ultra-leve que se revela

algo carenciado de um modelo assim. Foi

perfeito para evocar simultaneamente técnica

uma aposta ganha e um ca­minho que

e estética de vanguarda; o seu característico

manteremos no futuro.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

padrão entrelaçado é realçado nos elos da bra­celete e nas partes laterais da caixa.


Robustez Implementada Para tornar o Nabucco à prova de qualquer teste mais radical, o vidro (com tratamento anti-reflexo em ambos os lados) ostenta uma reforçada espessura de 2,5 milímetros. O fundo da caixa em aço inoxidável é aparafusado e devidamente personalizado com o monograma RW em relevo. A coroa está ladeada de protectores laterais.

Ficha técnica Nabucco Raymond Weil

Referência: 7800-SCF-05207 • Diâmetro: 46 mm • Espessura: 15,5 mm • Caixa: Aço • Coroa: Personalizada com o logótipo da marca • Vidro: Safira com tratamento anti-reflexos • Movimento: Mecânico de corda automática • Funções e indicadores: Horas, minutos, segundos, data e cronógrafo • Estanquicidade: 200 metros • Bracelete: Aço e fibra de carbono • Fecho: Fecho de báscula em aço Preço: 3.650 euros (2.650 euros para a versão com correia em cauchu)

www.raymond-weil.com

Em Foco Raymond Weil

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Em Foco Worldtimer P’6750 Porsche Design

Complementando uma colecção dominada pelos modelos Dashboard e que, no ano passado, recebeu a adição da linha Flat Six, a Porsche Design lançou recentemente um pujante relógio concebido numa estrutura completamente original e equipado com uma função GMT particularmente inteligente – em suma, um instrumento do tempo de grandes dimensões vocacionado para os viajantes modernos que gostam de um estilo depurado. A estética vanguardista do Worldtimer P’6750 assenta na combinação de formas cilíndricas e lineares, com um grafismo que acentua o carácter funcional do relógio; o visual escurecido é característico da Porsche Design e implementado tanto pela utilização do titânio na caixa como pela borracha vulcanizada na bracelete. Mas a principal característica técnica reside na mostragem simultânea de dois fusos horários; uma coroa suplementar com um botão integrado permite mudar facilmente para qualquer um dos 24 meridianos do Planeta.

Estrutura impactante

Funcionalidade

A caixa do Worldtimer P’6750 é um surpre­

Uma coroa às 2 horas permite mudar a cidade

endente exercício de design. Além das im­po­

de referência do segundo fuso horário; um

nentes dimensões (45 mm de diâmetro por

botão integrado nessa coroa facilita a tarefa

16,8 de espes­sura), apresenta asas estilizadas

de mudar a hora no disco que surge na janela

que terminam numa barra transversal à qual

às 9 horas, com a particularidade de não travar

é acoplada a bracelete de cauchu. Construída

o movimento do ponteiro dos segundos. As

em titânio e acompanhada de um vidro anti-

abreviaturas do nome das cidades surgem

-reflexo em safira, tem um fundo fixo com

explicadas numa gravação no fundo da caixa

seis parafusos.

do relógio.

Patrick Kury

Sofisticação escura

[ CTO da Eterna SA ]

Estão disponíveis duas versões, ambas adop­

Qual foi a maior dificuldade técnica en-

tando tonalidades tradicionalmente caras ao

contrada na realização do Worldtimer?

universo Porsche Design: uma é cinzenta em

A maior dificuldade prendeu-se com o

titânio de acabamento mate, com mostrador

salto do ponteiro das horas do segundo

cinza dotado de algarismos brancos e negros;

fuso horário. O relógio indica uma hora

a outra é preta graças ao revestimento em PVD sobre titânio, com um mostrador negro

principal e um segundo fuso horário

povoado por algarismos brancos e cinzentos.

à escolha. No entanto, após a escolha desse fuso, é possível “passá-lo” para os ponteiros principais através de pressionar da coroa superior. É o ponteiro das horas que terá que se mover e esse movimento

Fusos mundiais

terá que ser feito em saltos de 1 hora,

O calibre automático ETA Valgranges A 07 111 recebeu uma placa adicional

precisamente, independentemente da

idealizada pela Eterna para o segundo fuso horário inteligente. Os três

hora em que decidimos efectuar essa

ponteiros centrais indicam o tempo local enquanto o módulo suplementar

alteração. E aí residiu a maior dificuldade

faz com que, graças a discos que rodam sob o mostrador, duas aberturas

técnica no controle desses “saltos”.

mostrem um meridiano de referência (ex.: Londres) e a hora correspondente desse segundo fuso.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Titânio e cauchu O Worldtimer P’6750 é construído com ma­ te­riais que foram introduzidos na relojoaria precisamente pela Porsche Design há já três décadas: o titânio para a caixa e a borracha vulcanizada para a bracelete, que tem um padrão interior de ranhuras que permitem uma melhor aderência ao pulso e que sur­ge equipada com um fecho de segurança igual­ mente em titânio.

Ficha técnica Worldtimer P’6750 Porsche Design

Referência: 6750.1344.180 • Diâmetro: 45 mm • Espessura: 16.8 mm • Caixa: Aço com tratamento PVD preto Coroa: Personalizada com o logótipo da marca • Vidro: Safira com tratamento anti-reflexos • Movimento: Mecânico de corda automática, ETA Valgranges A 07 111 com módulo GMT Eterna • Funções e indicadores: Horas, minutos, segundos, segundo fuso horário e consulta de qualquer fuso horário à escolha • Estanquicidade: 100 metros • Bracelete: Cauchu • Fecho: Fecho de báscula em aço

www.porsche-design.com

Preço: 9.200 euros

Em Foco Porsche Design

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Em Foco Senator Rattrapante Glashütte Original

Com o primeiro cronógrafo de recuperação da Glashütte Original, todos os segundos contam... até mesmo a dobrar. Depois das especialidades cronográficas da linha Pano (o fabuloso PanoRetroGraph e o PanomaticChrono), a manufactura saxónica estreia o seu primeiro calibre cronográfico dotado de função rattrapante num instrumento do tempo inserido na linha Senator e limitado a 100 exemplares. O prestígio de tão exclusiva edição faz-se sentir de dentro para fora e de fora para dentro: a caixa é concebida em platina, o belo mostrador contrastante apresenta totalizadores fora dos habituais eixos utilizados por outras marcas e a intrincada arquitectura do mecanismo é complementada por soberbos detalhes decorativos; a função rattrapante é a cereja no topo do bolo – fornecendo ao utilizador a habitual capacidade de parar o tempo que todos os cronógrafos têm, mas de forma dupla. É que o segundo ponteiro (rattrapante, ou de recuperação) faz com que seja possível controlar, simultaneamente, a duração de duas ou mais sequências iniciadas ao mesmo tempo, mas que terminam em momentos diferentes.

Configuração original Geralmente, os cronógrafos mecânicos apre­­­ sentam totalizadores dispostos de modo ho­ rizontal ou vertical, mas sempre na sequên­ cia de uma linha imaginária que atravessa o centro do mostrador. No Se­nator Rattrapante, os totalizadores estão des­cen­trados na meta­ de superior, de modo a não ficarem demasiado juntos da janela para a data panorâmica.

Preciosa platina A caixa em platina do Senator Rattrapante apresenta um diâmetro de 42 que é canónico

Franc Muller

para os padrões actuais. Como sucede em

[ CEO Glashütte Original ]

todos os modelos em platina da Glashütte Original, a caixa é acompanhada de uma

Qual a vantagem principal de um siste­

coroa embelezada com um cabuchão em

ma rattrapante comparado com o siste­

ónix; tal como em todos os modelos da linha

ma fly-back?

Senator, é utilizada uma correia em crocodi-

Ambos têm vantagens e são bas­tante

lo da Luisiana que acompanha a curvatura

com­plicados. O rattrapante é um sistema

da caixa.

de contagem intermédia. Con­segue-se me­dir, por exemplo, o tem­po decorrido depois dos 400m, numa corri­da de 800m,

Calibre de luxo O Calibre 99 de corda manual foi concebido

Inspiração de bolso

de modo a minimizar a fricção entre os

Históricos relógios de bolso de Glashütte

componentes e estabilizar a amplitude para

serviram de inspiração para a concepção

um máximo aproveitamento da energia. Com

estética do Senator Rattrapante – sobretudo

van­tagem é que, em vez de parar um

uma reserva de corda de 44 horas, bate a

na cor antracite, que domina o mostrador em

cro­­nógrafo em andamento, proceder ao

uma frequência de 28 800 alternâncias/hora

contraste com algarismos romanos prateados,

reset e, pos­­teriormente, rei­ni­ciá-lo (três

e a decoração é excepcional: anglage, partes

totalizadores em prata polida, indicações

operações), precisa de apenas uma para

escovadas e polidas, parafusos azulados, 47

avermelhadas e pretas, ponteiros azulados e

atingir o mesmo objectivo.

rubis em chatons de ouro, regulação fina e

prateados complementados com o ponteiro

galo do balanço gravado à mão.

de recuperação.

enquanto a medição to­tal continua a de­ cor­rer. Com o sistema de fly-back, não é possível obter tempos intermédios. A

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Ponteiro de recuperação A função rattrapante assenta num segundo ponteiro acoplado ao ponteiro do cronógrafo por meio de um mecanismo complexo e extremamente valioso. Através de um botão suplementar, é possível interromper o funcionamento do segundo ponteiro a qualquer altura (por ex. para ler um tempo intermédio) e depois fazê-lo avançar instantaneamente, de modo a recuperar a sua posição para coincidir com o primeiro ponteiro do cronógrafo (ver página 26).

Ficha técnica Senator Rattrapante Glashütte Original

Referência: 99.01.03.03.04 • Série limitada: 100 exemplares • Diâmetro: 42 mm • Espessura: 15 mm • Caixa: Platina Coroa: Decorada com o logótipo da marca • Vidro: Safira com tratamento anti-reflexos • Movimento: Mecânico de corda manual Calibre 99 • Decoração do movimento: Decoração típica Glashütte Original • Funções e indicadores: Horas, minutos, pequenos segundos, data panorâmica e cronógrafo split seconds com função fly back • Estanquicidade: 50 metros Bracelete: Pele de jacaré • Fecho: Fivela platina

www.glashuette-original.com

Preço: 48.850 euros

Em Foco Glashütte Original

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Em Foco Royal Oak Calendário Perpétuo Skeleton Audemars Piguet

Numa era em que se está a tornar comum a utilização de mostradores técnicos e estruturados que deixam vislumbrar parte do mecanismo, o Royal Oak Calendário Perpétuo Esqueleto combate essa moda vanguardista ao incluir um mostrador transparente em safira. Tal mostrador permite que se visualize um calibre esqueletizado, segundo os mais tradicionais processos da alta-relojoaria. Todo esse notável trabalho em filigrana, a complexidade do calendário perpétuo e a minuciosa decoração manual de todos os componentes comprovam que a Audemars Piguet é um dos expoentes máximos da indústria relojoeira. Contém, num só relógio, três grandes especialidades da histórica manufactura sediada em Le Brassus: a combinação do calendário perpétuo com a esqueletização é ainda mais valorizada pelo facto de se inserir na inconfundível estrutura couraçada da colecção Royal Oak. O contraste entre a delicadeza mecânica e a robustez geométrica faz com que o Calendário Perpétuo Esqueleto seja um fascinante guardião do tempo adequado a todas as circunstâncias – desde uma regata de vela a um serão na ópera!

Alma geométrica Gerald Genta inspirou-se no HMS Royal Oak, um navio de guerra de 1862 com bocas para canhões em forma octogonal, para conceber o novo relógio. Aplicou o formato dos orifícios à luneta, por sua vez fixada à caixa monocoque através de oito parafusos hexagonais em ouro. Além disto, a bracelete integrada foi idealizada para se fundir na caixa, sendo aquela simultaneamente rígida e flexível. O revolucionário modelo foi apresentado pela Elegia do aço

primeira vez em 1972.

O aço inoxidável do Royal Oak Calendário Perpétuo Esqueleto é tratado como se fosse

Georges-Henri Meylan

Especialização mecânica

ouro, com pouco carbono e crómio. Os

A Audemars Piguet domina todos os diferentes

[ CEO Audemars Piguet ]

parafusos hexagonais da emblemática luneta

tipos de complicações da relojoaria tradicional

octogonal são em ouro branco. A bracelete

e ainda outros que lhe são exclusivos. O me­

é formada por centenas de peças. Todas as

canismo de Calendário Perpétuo foi preparado

superfícies do relógio são cuidadosamente

trabalho artesanal saído dos ateliers da

para ter em conta os meses de 28, 29, 30

acabadas, alternando as superfícies polidas

Audemars Piguet. É um relógio “con­

e 31 dias, os períodos de lunação e os anos

com as superfícies escovadas, para estabelecer

servador”?

bissextos – se estiver sempre a funcionar, não

fabulosos contrastes de luz.

necessita de qualquer correcção até ao acerto

O Royal Oak Calendário Perpétuo é uma peça de referência quando se pensa no

Na Audemars Piguet, po­sicionamo-nos no lado oposto ao da in­dús­tria informática, que se torna obsoleta e desvalorizada de um dia para o outro. Quando produzimos um relógio me­cânico, como é o caso do Royal Oak Ca­len­dário Perpétuo Esquele-

Calibre excepcional A caixa de 39 mm é estanque a 20 metros e alberga um coração mecânico excepcional: o calibre automático 2120/2802, que bate a 19 800 alternâncias/hora e é esqueletizado à mão, é formado por 268 peças, incluindo

to, estamos a ultrapassar a mera mais-

38 rubis, um balanço de inércia variável, um

-valia – as pessoas apreciam a qualida-

porta-pitão móvel e um rotor personalizado

de artesanal e sabem que um relógio

em ouro de 21 quilates. A decoração manual

Audemars Piguet se pode tornar numa

é excepcional: perlage na platina, polimento

herança de valor acrescentado no futuro.

em diamantage, anglage nos ângulos e colimaçonnage nas pontes.

80

Espiral do Tempo 27 Inverno 2007

do calendário gregoriano, no próximo século.


O advento de uma saga A história do Royal Oak remonta aos finais da dé­ ca­da de 60, quando a Audemars Piguet quis apos­ tar na simbiose entre a tecnologia de ponta da manufactura e a tradição relojoeira da Vallée de Joux para apresentar o primeiro relógio desportivo de alto luxo. Comissionou Gerald Genta para desenhar o novo modelo, e o conceito apresentado tornou-se num sucesso tão grande que constitui actualmente um marco incontornável da relojoaria.

Ficha técnica

Referência: 25829ST.OO.0944ST.01 • Diâmetro: 43 mm • Espessura: 15 mm • Caixa: Aço • Coroa: Personalizada com o logótipo

Royal Oak Calendário Perpétuo Skeleton

da marca • Vidro: Safira com tratamento anti-reflexos • Movimento: Mecânico de corda automática calibre AP 2120/2802

Audemars Piguet

perpétuo • Estanquicidade: 20 metros • Bracelete: Aço • Fecho: Fecho duplo de segurança

SQ Decoração do movimento: Cotês de Genéve, anglage • Funções e indicadores: Horas, minutos, fases da Lua e calendário Preço: 62.800 euros

www.audemarspiguet.com

Em Foco Audemars Piguet

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Em Foco Langematik Perpetual A. Lange & Söhne

Um relógio eterno para acompanhar a eternidade do tempo: a A. Lange & Söhne apresenta na sua colecção um excepcional calendário perpétuo que passa por ser um fiel herdeiro dos antepassados de bolso que a manufactura saxónica concebia para os kaisers germânicos do século XIX. No elegante Langematik Perpetual, os relojoeiros da Lange & Söhne conseguiram simplificar uma das complicações mais respeitadas pelos aficionados. Além de ter o astucioso sistema ‘zero-reset’ (que coloca automaticamente o ponteiro dos segundos na posição das 12 horas, permitindo o acerto do relógio ao segundo), é o primeiro a apresentar correctores individuais para cada função do calendário. Além disso, concentra num só botão a regulação simultânea de todas as indicações do calendário – as 24 horas, a data, o dia da semana, o mês, o ano e as fases da lua! A lendária marca de Glashütte sublinha que o Langematik Perpetual «reflecte a clareza de princípios que falta em qualquer outro calendário perpétuo», apontando o facto de as informações mais importantes – horas, minutos e data – serem imediatamente legíveis.

Proporções clássicas Porque o melhor exige o melhor, o Langematik Perpetual está somente disponível em caixas elaboradas em metais preciosos e dotadas de uma proporção clássica: 38,5 milímetros de diâmetro. A mais recente versão em ouro rosa complementa a oferta em platina e ouro amarelo. O precioso conjunto é com­ ple­mentado com uma rica correia de pele de crocodilo da Luisiana, equipada com fivela de platina ou ouro personalizada. Leitura perfeita

Anthony de Haas [ Chefe de I&D da A. Lange & Söhne ] Sendo um modelo de enorme complexidade a A. Lange & Söhne introduziu me­ lhorias recentes devido a questões de pormenor...

Os principais dados do Langematik Perpetual têm leitura central (horas e minutos) ou quase (data grande). O dia da semana e a indicação dia/noite surgem num submostrador às 9 horas, que também inclui a indicação das 24 horas. As fases da lua aparecem numa janela aberta no pequeno mostrador dos segundos às 6 horas, enquanto o submostrador das 3 horas dá a informação do mês e do ano (bissexto ou não). Qualquer calendário perpétuo que se preze coloca em evidência as fases da lua. O Langematik Perpetual não é excepção, apresentando um mecanismo de indicação lunar tão preciso que, se o relógio funcionar ininterruptamente, o botão de acerto imediato das fases da lua só precisará de ser utilizado daqui a 122,6 anos.

Em relação aos modelos anteriores eli­ mi­námos o botão rectangular colocado às 10 horas que servia para o acerto da data. Ao invés colocámos um botão em­ butido que evita que o utilizador altere a data inadvertidamente e como tal todo o

Universo mecânico O fundo transparente em vidro de safira anti-reflexos des­­­­vela a bela arquitectura e a refinada me­­câ­nica do Calibre L922.1 Sax-O-Mat,

funcionamento do calendário perpétuo.

com­posto por 478 peças manufacturadas e

Sendo o ajuste de um calendário perpé­

ali­mentado automaticamente por um rotor

tuo uma tarefa morosa e delicada, cre­

bidireccional em ouro (de 21 quilates) e pla­­­­­­

mos ter dado um passo importante

ti­na que proporciona 46 horas de reserva

para a satisfação total de todos quanto

de corda. Como é tradição, o mecanismo é

possuam esta peça extraordinária.

profusamente decorado à mão segundo os elevados padrões ancestrais de Glashütte.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Mostrador inconfundível O mostrador do Langematik Perpetual é característico da tradição estética da Lange & Söhne. Concebido em prata maciça, coloca em destaque a dupla janela da data gran­ de e os algarismos romanos aplicados. Os ponteiros em ouro são preenchidos com ma­ té­ria luminescente. E o vidro de safira apre­ senta um tratamento especial para que a beleza do mostrador não seja afectada por nenhum reflexo.

Ficha técnica Langematik Perpetual A. Lange & Söhne

Referência: 310.025 • Diâmetro: 38,5 mm • Espessura: 10,2 mm • Caixa: Platina 950 com mostrador em prata maciça Coroa: Personalizada com o logótipo da marca • Vidro: Safira anti-risco com tratamento anti-reflexo em ambos os lados Movimento: Mecânico de corda automática L922.1 com função patenteada zero-reset • Decoração do movimento: Movimento decorado à mão segundo os elevados padrões Lange & Söhne com rotor em ouro 18 k • Funções e indicadores: Horas, minutos, segundos, data e calendário perpétuo • Estanquicidade: 20 metros • Bracelete: Pele de jacaré

www.alange-soehne.com

Fecho: Fivela em platina 950 • Preço: 60.000 euros

Em Foco A. Lange & Söhne

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Em Foco Ballon Bleu Cartier

A Cartier começou por ser conhecida pela sua extravagância joalheira, mas ganhou mais renome precisamente na concepção de relojoaria fina a partir do momento em que Louis Cartier assumiu os destinos da empresa em 1898. Grande entusiasta do design, abraçou imediatamente o conceito dos relógios de pulso e fui fundamental para a indústria relojoeira o seu rendez-vous com o aviador brasileiro Alberto Santos-Dummond: desse encontro nasceu o famoso modelo quadrado Santos, depois complementado com outros ícones como o Tortue, o Baignoire, o Tank, o Pasha… Um século e muitas inovações estéticas depois, a casa francesa apresenta o Ballon Bleu – um relógio que é um autêntico exercício de estilo à volta de uma original coroa com cabochon em safira azul, que forma uma espécie de bolha integrada no formato redondo da caixa e afecta directamente a explanação gráfica do mostrador. A conjugação das formas clássicas e futuristas, a delicadeza dos pormenores e a força do metal dão à mais recente criação relojoeira da Cartier um carácter unisexo.

Tamanhos e versões

Significado de um nome

Estanque a 30 metros, o Ballon Bleu está dis­

O relógio deve o seu nome de baptismo

ponível em três tamanhos – com os diâmetros

à coroa que serve para acertar as horas e

de 28,5, 36,5 e 42 milímetros, em versões

a data. A Cartier tem tradição de ‘brincar’

simples ou acompanhadas de brilhantes que

estilisticamente com a coroa e, no Ballon

podem ser concebidas em aço, ouro amarelo

Bleu, ela é integrada na caixa e protegida por

ou ouro branco. A cor do metal e a utilização

uma ponte exterior – em vez de ser colocada

de pedras pre­ciosas influem decisivamente

no exterior da caixa. Um picotado em relevo

no brilho e, consequentemente, na estética

facilita o manuseamento e o azul da safira do

do modelo.

cabochão dá um efeito notável ao conjunto.

Ruptura arquitectónica O visual do Ballon Bleu saltita entre o clas­

Philippe Guillaumet

sicismo e o futurismo, complementando as

[ Conselheiro Delegado Cartier Ibéria ]

curvas da caixa com as linhas rectas da bra­

Este modelo tem sido apresentado como sendo unisexo. Acabou no entanto de ganhar o Prémio de Relógio Feminino...

celete, alternando entre o plano e o con­vexo. A luneta perfeitamente redonda é cortada pela solução estilística encontrada para a inserção da carismática coroa, criando uma

O Ballon Bleu existe em 3 tamanhos:

surpreendente ruptura de formas arqui­tec­

Grande, Médio, Pequeno. Obviamente

tónicas.

que o modelo pequeno tem a preferência das mulheres, é mais delicado. Eu neste momento tenho um Ballon Bleu, gran­de modelo, no pulso e considero-o muito mas­culino! Ficámos lisonjeados e felizes com este prémio, de todas as formas, dada a abrangência de tamanhos e

Mostrador sumptuoso O mostrador opalino laqueado é sumptuo­sa­ mente concebido em prata, adornado com os típicos algarismos pretos romanos da Maison (com marca de legitimidade Cartier na pata do VII), ponteiros em espada azulados e um

materiais desta colecção, o relógio per­

sensacional trabalho em guilloché nos mode­

manece sendo um modelo unisexo, pen­

los grande e médio; a trajectória circular dos

sado e desenhado para ser usado tan­to

algarismos é afectada pelo contorno da coroa.

por homens como mulheres.

A versão grande inclui janela para a data sob uma lupa no vidro de safira.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Bracelete integrada O Ballon Bleu não tem asas que perturbem a sua fluidez arquitectónica: a bracelete é integrada na caixa. Composta por elos maciços (em aço ou ouro) polidos, é uma bracelete simultaneamente rígida pela sua robustez e maleável pela capacidade de abraçar ergo­ nomicamente o pulso. Está equipada de um fecho de segurança de grande qualidade.

Ficha técnica Ballon Bleu Cartier

Referência: W69013Z2 • Caixa: Ouro Branco 18k • Coroa: Coroa acoplada com cabochão de safira azul • Vidro: Safira com tratamento anti-reflexos • Movimento: Mecânico de corda automática, calibre Cartier 049 • Funções e indicadores: Horas, minutos, segundos, data • Estanquicidade: 30 metros • Bracelete: Ouro branco 18k • Fecho: Fecho de báscula em ouro branco 18k Preço: 23.400 euros

www.cartier.com

Em Foco Cartier

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


[ Laboratório ] Franck Muller começou por estabelecer a sua reputação junto do público masculino graças a modelos cronográficos de grande qualidade técnica e estética. O Split Seconds surge na mesma linhagem, surpreendendo pelo seu totalizador suplementar no fundo da caixa.

texto Miguel Seabra | fotos Nuno Correia

Quando se fala em complicações de prestígio no universo da relojoaria mecânica, pensa-se imediatamente em turbilhões, grandes sonneries ou calendários perpétuos – mas o cro­ nó­grafo é igualmente uma especialização que requer grande mestria técnica, sobretudo os complexos modelos dotados de um segundo ponteiro de recuperação (rattrapante, em francês; split seconds, em inglês). Autodenominado ‘Master of Complications’, desde muito cedo que Franck Muller investiu na concepção de excepcionais instrumentos de precisão – e o Split Seconds Chronograph é mais um modelo excepcional entre as inúmeras varian­ tes cronográficas que têm saído de Watchland, sendo surpreendentemente dotado de um outro ponteiro suplementar que eleva a complexidade técnica do conjunto.

cronográficas e à leitura das indicações dos vários ponteiros: para evitar confusão, as horas e os mi­ nutos surgem num submostrador descentrado às 6 horas, libertando o eixo central para os dois ponteiros de medição dos segundos; os segundos contínuos surgem às 9 horas e o acumulador da contagem dos minutos está situado às 3 horas.

A desmontagem efectuada pelo relojoeiro Vítor Rosa nos ateliers da Torres Distribuição permitiu avaliar mais de perto a excelência dos mostradores Franck Muller. Nada é deixado ao acaso; as indicações contrastantes e a soberba decoração em guilloché reforçam a tridimensionalidade que acompanha a forma da caixa… que, no lado

Vocação no mostrador A função principal de um relógio é indicar as horas e os minutos. No Split Seconds Chronograph dá-se importância primordial às funções

Laboratório Franck Muller Split Seconds

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Os testes Os testes de estanquicidade permitiram confirmar uma re­sis­tência à água até 30 metros, enquanto a análise ao funcionamento também revelou a fiabilidade do meca­ nis­mo ultracomplicado: avaliado em cinco posições (VB, coroa para baixo; VG, coroa à esquerda; VH, coroa para cima; HB, horizontal com mostrador para baixo; HH, hori­ zontal com mostrador para cima), o Franck Muller Split Seconds Chronograph apresentou uma média entre as vá­ rias posições de apenas cinco segundos!

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Em suma: uma delícia para coleccionadores em geral e aficionados de cronógrafos em particular. Se a função cronográfica torna um relógio mais interactivo, o Split Seconds Chronograph triplica o prazer de utilização!

oposto, esconde um segredo: existe um segundo mostrador que é exclusivamente reservado a fun­ ções cronográficas e que se faz acompanhar de uma escala pulsimétrica, uma escala telemétrica e uma escala taquimétrica dupla!

Mecanismo de excepção O Franck Muller Split Seconds Chronograph assenta mecanicamente no calibre automático FM 7002 RDF, com raízes num fiável calibre integrado Valjoux cujo pedigree foi elevado com a adição de um rotor em platina 950 de grande densidade (para optimizar a circulação), uma roda de colunas (em vez da roda de cames), uma placa rattrapante (inovadoramente colocada do lado do mostrador) e uma desmultiplicação (graças a um pivot no meio do rotor) que permite o funcionamento do ponteiro suplementar no mostrador do verso. O cronógrafo rattrapante (ou de recuperação) é o tipo de cronógrafo mecânico mais complexo. Apresenta um segundo ponteiro acoplado ao tra­ dicional ponteiro do cronógrafo; esse segundo ponteiro da contagem dos segundos, após ser travado, recupera (rattrape) instantaneamente o atraso de modo a juntar-se ao outro. Graças aos dois ponteiros independentes do mostrador principal, o Split Seconds Chronograph permite controlar a duração de duas ou mais sequências iniciadas ao mesmo tempo. Ao pressionar o botão de partida, os ponteiros arrancam em simultâneo e podem ser separados – ao carregar no botão integrado na coroa (dotado de uma tige com mola), o segundo ponteiro pára para se determinar um tempo intermédio enquanto o outro prossegue a sua marcha. Voltando a pressionar o mesmo botão, o ponteiro que parou recupera instantaneamente a sua posição colada ao outro ponteiro, prosseguindo ambos a contagem até serem imobilizados e remetidos a zero. Outra possibilidade de uso consiste em, após se ter parado um primeiro ponteiro e medido uma primeira contagem, travar o

segundo ponteiro e então calcular a diferença de tempo entre ambos.

Caixa sublime Um mecanismo poderoso e masculino exige uma caixa de dimensões viris. E a caixa do Franck Muller Split Seconds não podia ser mais perfei­ ta – não só na sua concepção arquitectónica estanque a 30 metros, mas também na relação entre forma e função. O emblemático formato Cintrée

Curvex foi construído sobre um ponto de referência esférico que reúne os três eixos curvos da caixa; o mostrador, os ponteiros maiores e o vidro de safira acompanham a curvatura geral da caixa para um acabamento perfeito. Em suma: uma delícia para coleccionadores em geral e aficionados de cronógrafos em particular. Se a função cronográfica torna um relógio mais interactivo, o Split Seconds Chronograph triplica o prazer de utilização!

Escalas complementares O Franck Muller Split Seconds Chronograph apresenta uma escala taquimétrica no mostrador e mais três tabelas de cálculo no verso • A escala taquimétrica, presente no mostrador (60 a 900 km/h) e no verso (20 a 30 km/h e 30 a 60 km/h), permite medir a velocidade de um veículo cronometrando o tempo necessário para se percorrer um quilómetro; acciona-se o cronógrafo e, um quilómetro depois, o ponteiro cronográfico dos segundos indica a média da velocidade desse quilómetro na escala taquimétrica localizada no perímetro do mostrador ou em espiral no centro. • A escala telemétrica permite medir uma distância em quilómetros com base na velocidade do som; exemplo: inicia-se a cronometragem quando se avista um relâmpago e pára-se a cronometragem quando se ouve o trovão; o ponteiro do cronógrafo indica, na escala, a distância que separa o observador do local onde ocorreu o fenómeno. • A escala pulsimétrica permite um rápido calcular da pulsação de uma pessoa e era muito utilizada em reló­ gios de médicos. A maior parte das escalas pulsimétricas estão calibradas de 15 a 30 pulsações. Quando se inicia a contagem do cronógrafo à primeira pulsação, pára-se o cronógrafo à 15.ª ou 30.ª pulsação e a indicação do ponteiro dos segundos calculará a frequência cardíaca do paciente num minuto.

Laboratório Franck Muller Rattrapante

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Perfil David Rosas [92]

Saborear o Tempo Westin Campo Real [96]

Saborear o Tempo Restaurante Tavares [98]

Acontecimentos [100]

Livros [110]

Espiral doEspiral Tempodo 24Tempo Primavera 27 Prazeres 2007

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[ Perfil ] Em Portugal, o seu nome confunde-se com o nome Patek Philippe. Também já o apelidaram ‘ministro dos negócios estrangeiros’, quando foi o maior exportador nacional de ourivesaria. São reflexos de uma vida intensa, com enormes lutas e ainda maiores sucessos, com acumulação de riqueza e de prestígio, que fez de David Rosas um exemplo de vida e de empreendedorismo, ao longo de 50 anos.

entrevista de Paulo Costa Dias | fotos de Nuno Correia texto Paulo Costa Dias | fotos Nuno Correia

A origem A ligação de David Rosas à ourivesaria remonta a meados do século XIX, por via de um bisavô que fazia cordões de ouro, em Gondomar, quando «se falava em gramas e não no número de voltas. Ia até ao quilo…». Mais tarde, um avô de ar nórdico fez de «um tasco a maior fábrica de ourivesaria de Gondomar» e lançou-se na aventura de vender bolsas de prata em Inglaterra, em plena I Guerra Mundial, com o Canal cheio de minas. Aos 50 anos, decidiu aprender francês... Mas foi o pai, por volta dos 10 ou 11 anos, que delineou o futuro da família. Quando foi encarregado da venda de correntes de prata a um armazenista do Porto, «tentaram explorá-lo» devido à tenra idade, ofe­ recendo-lhe menos do que o pedido. Reticente, o miúdo dirigiu-se à Casa Reis junto à Igreja de Santo Ildefonso, provavelmente a melhor ourivesaria de Portugal na altura. A venda concretiza-se e o sucesso da iniciativa fez com que a família

Aspecto do interior da loja da Avenida da Liberdade em Lisboa, desenhada por Siza Vieira.

passasse a vender directamente às lojas, alterando o negócio e o lucro. «Era um tipo imparável em qualquer lado do mundo. Tudo na vida lhe corria bem. Chegaram a apelidá-lo de milagreiro na praça de Lisboa».

Rosas de Portugal É o nome da firma que se tornou num sucesso tremendo, vendendo ourivesaria para o «mercado do mundo livre. Interessava-me a Escandinávia, a Inglaterra, a América. Tive um cliente em Inglaterra que, se fosse hoje, me compraria uns bons milhões de euros por ano, e nunca tive um calote». Mas o início do período de exportação

Perfil David Rosas

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


David Rosas, que sempre teve a excelência como objectivo, encontrou no seu filho Pedro a continuidade de um nome incontornável na relojoaria nacional.

foi terrível porque a tecnologia e o conhecimento em Portugal não acompanhavam as exigências do mercado internacional. O ouro rachava porque ficava duro. «Não sabíamos nada sobre os toques e as soldas necessários. Um dia fui comprar máquinas a Itália – tivemos equipamento pioneiro em Portugal – e visitar uma oficina. Senti empatia com o patrão e contei-lhe o nosso drama. Tínhamos 70 operários e estávamos em vias de não poder exportar. Ele abre um cofre, puxa de um livro de capa dura e grossa parecido com o dos padeiros e disse: “olhe, comprei isto na Suíça, nem o chefe da oficina alguma vez viu este livro. Não sei porquê mas apetece-me ajudá-lo, copie o que quiser que está tudo aí”. Estavam lá as soldas de todos os tipos, o ouro de todos os tipos, e no fim concluiu: “agora tem é de me pagar”. Fiz umas contas de cabeça e respondi-lhe: “sim, senhor, diga lá.” “Então pague-me um café aqui na esquina”, respondeu-me». Como resultado, David Rosas fez uma autêntica revolução na ourivesaria portuguesa. Desde o design, ao fabrico, passando pelo acabamento e pelas pedras, a perfeição era o objectivo. «Foi um sucesso, tínhamos 30 cravadores e entregávamos a dez meses. Cheguei a ter de importar para fazer face ao mercado nacional, o que me permitiu apresentar coisas que mais ninguém tinha. Tive no senhor Carlos Augusto Torres, que criou o império Torres, um contacto único, porque ele tinha fome de novidades. Era um indivíduo fantástico. Havia uma grande amizade, que já vinha do meu pai, e havia, até, carinho entre nós. Cheguei a imaginar jóias a pensar nele. Foi o indivíduo que mais impacte teve em mim, a nível nacional».

Patek Philippe Tinha quatro ou cinco anos e o hábito de pular para a cama do pai, nas poucas manhãs em que este descansava. Numa conversa em que os relógios foram tema, o pai responde à insistente pergunta «qual o melhor relógio do mundo?», com o nome Patek Philippe. Nunca mais se esqueceu disto, e quando, já nos anos 80 do século XX, decide abrir uma loja – «sempre achei que não viveria muitos anos e que seria mais fácil para a minha

mulher administrar uma loja» –, projectou-a de modo a albergar essa marca. Na altura, a Patek vendia um ou dois relógios por ano em Portugal, mas David Rosas foi a Genebra, à sede, na Rue du Rhône, entrou, pediu para falar com o responsável, explicou-lhe a sua tese… e nos dois primeiros meses, enquanto representante da marca em Portugal, vendeu 13 relógios. Questionado sobre o segredo do seu sucesso, respondeu: «a Patek arranjou a loja que me­ rece, e essa loja arranjou o relógio que melhor a serve». Hoje, vende uma média de um por dia. «Conseguia vender mais, se eles mos dessem. Tenho clientes que já me compraram mais de 50. Nestas coisas dos relógios, quando se é rico e se tem a paixão, não se pára. Já tenho encomendas até 2012, algumas de relógios de muitas centenas de milhar de euros cada».

O futuro «O meu é curto», responde com um sorriso e o desassombro que o caracteriza. «Hoje já não ligo ao dinheiro. Com a minha idade, já nada me acres­centa. Continuo a vibrar é com o crescimento da firma e os elogios, como ainda há dias recebi da parte do CEO da Jaeger-LeCoultre». Mas o futuro está muito bem assegurado na reconheci­ da – pelo pai em primeiro lugar – solidez e competência do filho Pedro. Com uma licenciatura em gestão e formação em pedras preciosas, em Nova Iorque, assume com naturalidade o passado em três valores fundamentais: o cliente, a exclusividade e o rigor. Já é pela sua cabeça que passa a estratégia de aposta em novas marcas de relógios que completem a oferta do segmento luxo; de protagonismo na joalharia; de consolidação das lojas existentes e abertura de novos espaços e, não esconde, da internacionalização. Com a mãe a desenhar muitas das jóias com a marca David Rosas, a irmã crescentemente envolvida – «acho que a David Rosas vai ganhar muito com ela» –, este negócio de família poderia ter como lema, hoje, há 50 anos, ou há 100 anos, a lapidar frase de Pedro Rosas: «O nosso benchmarking não pode ser o melhor que há em Portugal, tem de ser o melhor que há no mundo».

As pessoas quiseram exibir no passado, querem hoje e hão-de querer exibir no futuro.”

David Rosas

David Rosas Porto Av. da Boavista 1471 Lj. 3-4 • 4100-131 Porto Lisboa Hotel Lapa Palace Rua Pau de bandeira, 4 Lj. 1 • 1249-021 Lisboa Av. da Liberdade, 69 A 1250-140 Lisboa Cascais Av. Hotel Cascais Miragem Av. Marginal, 85 • 2750 Cascais Funchal Est. Monumental, 182 Lj. A 9000-098 Funchal T: 226000078 T: 213243870 info@davidrosas.com

Perfil David Rosas

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“Gosto de marcas relojoeiras e não de marcas de moda. Não têm história.”

Manuel Gomes

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


[ Saborear o tempo ]

A cadeia de hotéis Westin pertence ao grupo Starwood Hotels & Resorts e posiciona-se nas unidades de cinco estrelas concebidas para o dolce fare niente dos seus clientes. Além de uma série de possibilidades de relaxamento, o que caracteriza esta unidade é a relação com o Tempo. «Aqui, quase todos os serviços do hotel funcionam 24 horas por dia». As palavras são do director do golfe, Manuel Gomes, que acrescenta: «as pessoas são donas do seu tempo, se quiserem podem fazer ginásio às três horas da manhã». E o tempo também é determinante no sucesso do complexo. «Estamos a meia hora de Lisboa, a meia hora do actual aeroporto». E é também a gestão do tempo que caracteriza este antigo futebolista convertido a outros greens. «Uma amiga diz que sou mentalmente hiperactivo. É que eu tenho sempre tempo só que, às vezes, o tempo das pessoas é que não é o meu…» diz com um sorriso. E acrescenta, reforçando a tese «Sou dependente das horas e sem relógio não consigo, sequer, dormir. Também, costumo dizer que cinco horas equivalem a uma cura de sono». Inevitavelmente, cedo se apaixonou por relógios. «Quando era miúdo, o meu pai tinha um Breitling Navytimer, e a única maneira que tinha de eu não o chatear era The Westin Campo Real Golf Resort & Spa Rua do Campo • 2565-779 Turcifal www.camporeal.pt • campo.real@westin.com T: 261960900

dar-me o relógio». Ainda hoje, remata, «para mim, um relógio tem de estar ligado àquela imagem de que há um tipo cheio de saber e orgulho que está ali, debruçado sobre o mecanismo».

Jaeger-LeCoultre Master World Geographic • € 9.950

Saborear o Tempo Westin Campo Real

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[ Saborear o tempo ]

A travessa já não é colocada em cima

considera-se um mero gestor de uma equipa em quem

da mesa e da ementa já não constam a perdiz ou o bife.

confia e, acrescenta, «de resto, só estorvo». Não é fácil

Hoje, no espaço único que é o Tavares, há uma sofisticada

pegar num espaço carregado de protagonistas célebres e

cozinha de autor do Chefe Philippe Peudenie, suportes

numa história de 223 anos, e torná-lo num local contem-

com design, um chefe de sala premiado e um serviço

porâneo, sem abastardar as raízes. Mas a segurança do

renovado. Antes associado a algo inatingível ou, quanto

nosso interlocutor convence: «Lisboa tem espaço e preci-

muito, a momentos de celebração – um doutoramento,

sa de um Tavares pujante. Hoje, é tão caro vir aqui como

um mestrado, um pedido de casamento –, pretende-se

a outro restaurante de referência. O que nos diferencia é

hoje que este «seja um espaço para um público a partir

o espaço. Esta é a grande referência, um património que

dos 30 anos, cosmopolita e com apurado sentido de exi­

ninguém tem, mas ao qual queremos devolver moderni-

gência». Quem o diz é Joaquim Henriques, administra-

dade». Como, aliás, «as grandes e clássicas casas de alta-

dor e rosto do ‘novo’ Tavares. Ex-quadro superior do BES,

relojoaria se adaptam ao desenvolvimento».

Restaurante Tavares Rua da Misericódia, 37 • 1200-270 Lisboa www.tavaresrico.pt • reservas@tavaresrico.pt T: 213421112

Audemars Piguet Millenary • € 19.870

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


“Eu sou um aprendiz de gastronomia. Isto é a Champions League.”

Joaquim Henriques

Saborear o Tempo Tavares

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[ Acontecimentos ]

Este último trimestre de 2007 foi marcado por dois grandes eventos. A nível nacional, o destaque vai para o relógio do Arco da Rua Augusta, que depois de anos sem se fazer ouvir, voltou a bater as horas às 12:00 em ponto do dia 22 de Outubro. A ocasião merecia uma celebração em grande, que decorreu no Mosteiro dos Jerónimos. Já a nível mundial, realizou-se o Grande Prémio de Relojoaria de Genebra, que vai na 7ª edição. E a mostrar que a alta-relojoaria está mesmo a conquistar o mundo estão as inaugurações das novas lojas da Audemars Piguet e da F. P. Journe, em Paris e na Florida, nos EUA.

Jaeger-LeCoultre devolve relógio da Rua Augusta Às 12 horas do dia 22 de Outubro, o histórico

uma forma exemplar no mesmo 22 de Outubro,

relógio do Arco da Rua Augusta voltou a soar. No

numa extraordinária noite de gala. A Jaeger-

topo do Arco, assistiram ao momento a Ministra

-LeCoultre escolheu como palco para a celebração

da Cultura, Isabel Pires de Lima, o Director do

o Mosteiro dos Jerónimos, monumento classifi-

Igespar, o Vice-Presidente da Câmara Municipal

cado como património mundial da UNESCO desde

de Lisboa, Marcos Perestrello, o Administrador

1983, onde recebeu cerca de 200 convidados. O

da Torres Distribuição, Pedro Torres, o Direc-

cocktail que precedeu a noite de gala foi pretexto

tor do IGESPAR, Elísio Summavielle e o Director

para uma retrospectiva histórica das mais belas

Artístico e de Design da Jaeger-leCoultre, Janek

peças da manufactura. Na ocasião foi ainda apre-

Deleskiewicz. O restauro resulta de uma parce-

sentada aos admirado­res da marca a série limita-

ria entre o Igespar, a empresa Torres Distribuição,

da Reverso Squadra Au­gusta, que vai servir para o

líder na importação e distribuição de marcas de

financiamento do restauro. A Jaeger-LeCoultre con-

alta-relojoaria em Portugal, e a manufactura suíça

seguiu conquistar o coração da alta-sociedade lis-

Jaeger-LeCoultre, que mostrou um interesse im-

boeta, que não se esqueceu de marcar presença

ediato no co-financiamento desta iniciativa. Este

nesta noite memorá­vel, em que o mecenato e o

acontecimento único tinha de ser celebrado de

glamour andaram de mãos dadas.

O polo é indissociável do Reverso e também esteve presente.

Jérôme Lambert e Pedro Torres, os responsáveis pela acção.

O Mosteiro dos Jerónimos foi o palco para uma noite relojoeira.

A Duquesa de Cadaval e o Príncipe Charles-Philippe D’Orleans.

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Grande Prémio de Relojoaria de Genebra já vai na 7.ª Edição

Presidente da Baume & Mercier em Portugal Michel Nieto, director-geral da Baume & Mercier, esteve em Portugal no passado mês de Outubro – primeiro numa visita a Lisboa, depois para liderar o

A sétima edição do Grande Prémio de Relojoaria de Genebra realizou-se na noite de 14 de

Seminário Internacional de Marketing da Baume &

Novembro no Grande Teatro de Genebra. Com a presença do famoso artista de Zurique Gerry

Mercier que este ano, e pela primeira vez em Por-

Hofstetter, o Grande Teatro recebeu mais de 1500 convidados, onde se incluíam os maiores

tugal, decorreu no Hotel Reid’s da Madeira. Numa

nomes da indústria relojoeira suíça, representantes da comunicação social e coleccionadores.

conversa informal com a imprensa, regozijou-se

O Prémio “L’Aiguille d’Or” (Ponteiro de Ouro), o mais prestigioso de todos, coube ao relógio

com os últimos sucessos de vendas e indicou a bem

RM012, de Richard Mille. Como acontece em todas as edições do evento, um prémio foi

sucedida abertura do mercado chinês como um

atribuído ao melhor estudante de primeiro ano da na Escola de Relojoaria de Genebra. Bastien Anderes foi presenteado com um magnífico estojo de ferramentas para relógios oferecido pela

marco importante na história recente da marca a que preside.

Montblanc, bem como um estágio na Manufactura. De acordo com a tradição, os laureados foram convidados a doar uma peça de cada vencedor do prémio ao Museu do Relógio e Esmalte da Cidade de Genebra.

Porsche lança cinema na internet A Porsche tem uma nova aplicação interactiva que Da esquerda para a direita: Jean-Marc Wiederrecht - Agenhor, Richard Mille - Richard Mille, Georges-Henri Meylan - Audemars

permite aos fãs dos carros de corrida verem filmes

Piguet, Thierry Nataf - Zenith, Bernard Fornas - Cartier, Kari Voutilainen - Voutilainen, Jérôme Lambert - Jaeger-LeCoultre, Thomas

oficiais da Porsche nos seus computadores através

O’Neill - Harry Winston, Jean-Claude Biver - Hublot

do síte na Internet da empresa – existe mesmo a opção large-screen display. O Porsche Web-Cinema recupera todos os filmes sobre os modelos da marca,

Lista dos Vencedores

a tecnologia utilizada e o desenvolvimento da Por-

Grande Prémio “L’Aiguille d’Or” • RM012 - Richard Mille

sche. Até mesmo os filmes vencedores de prémios

Prémio Especial do Júri • Reverso Grande Complication à Triptyque - Jaeger-LeCoultre

True to Yourself – sobre o Porsche Cayman S – e No –

Prémio Melhor Relojoeiro • Jean-Marc Wiederrecht - Agenhor AS

sobre o 911 Carrera 4/4S, que foram laureados com

Prémio Relógio Feminino • Ballon Bleu – Cartier Prémio Relógio Masculino • Observatoire - Kari Voutilainen Prémio Relógio Design • Millenary Watch with Deadbeat Seconds - Audemars Piguet Prémio Relógio-Jóia • One Million $ BB – Hublot Prémio Relógio Complicação • Tourbillon Glissière - Harry Winston

o Golden Camera Award, em Hollywood, podem ser vistos no computador. Estão ainda disponíveis para download nesta nova aplicação reportagens sobre eventos, como, por exemplo, o acompanhamento da American Le Mans Séries e do Transsyberia Rally, bem como narrativas sobre a história da Porsche.

Prémio Relógio Desportivo • Chronographe Royal Oak Offshore Alinghi Team – Audemars Piguet

Um dos destaques do Web-Cinema é um vídeo fil-

Prémio do Público • Defy Xtreme Open Stealth - Zenith

mado a partir de um carro que participou em Le Mans em 1977.

Acontecimentos

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[ Acontecimentos ]

Cartier premeia mulheres empreendedoras Lançado em 2006 pela Cartier e pelo Women’s Forum, em parceria com a McKinsey e a escola de gestão INSEAD, os prémios Cartier Women’s Initiative são um evento anual com o objectivo do reconhecimento internacional de mulheres empreendedoras. Cinco mulheres vão receber, pela primeira vez, o prémio Cartier. Depois de uma competição composta por duas etapas, foram seleccionadas, entre as 15 finalistas pela criatividade, sustentabilidade e impacte dos seus projectos. O prémio inclui acompanhamento estratégico durante um ano, 20 mil dólares e uma subscrição na newsletter da INSEAD, exclusiva para empresários. Foi escolhida uma

Audemars Piguet abre loja em Paris Depois de longos meses de trabalho, a nova loja da Audemars Piguet em Paris está finalmente pronta. Situado no cruzamento de duas ruas míticas – a rue Saint-Honoré e a rue Cambom –, o novo espaço

vencedora oriunda de cada continente: África, Ásia,

permite aos visitantes admirarem as mais conhecidas colecções da marca, as últimas novidades ou

Europa, América Latina e América do Norte.

mesmo a mais recente versão do Royal Oak Offshore Rue St-Honoré, especificamente concebida para a ocasião da inauguração da loja. Representada em Paris há já vários anos, a manufactura reforçou a sua

Rolex apoia pesquisa de Alzheimer

presença na capital francesa com a abertura deste novo espaço de 75 m2, completamente consa­grado

A Rolex patrocinou, uma vez mais, a Gala Anual da

à marca, que foi inaugurado no dia 2 de Outubro. Para assinalar a ocasião da inauguração oficial da

Associação de Alzheimer Rita Hayworth, um evento

loja, que se realizará no início de Dezembro, a Audemars Piguet concebeu uma série limitada criada

em honra da lendária estrela do grande ecrã, que

pela manufactura em honra da sua mais recente vitrina – o cronógrafo Royal Oak Offshore Rue St-

se viu afectada pela doença quando tinha cerca

-Honoré. A série é limitada a 100 exemplares que serão apresentados na inauguração oficial da loja.

de 40 anos. A gala decorreu no Hotel Waldorf Astoria, em Nova Iorque, e conseguiu angariar mais dois milhões de dólares para a referida associação. Marcaram presença várias personalidades do jet set

Dixon Aykroyd e Dan Aykroyd, John McEnroe, Ron

Alta-relojoaria no grande ecrã

Perelman, Regis Philbin e Ivana Trump. A Rolex é o

O último filme do realizador David Cronenberg,

patrocinador oficial da gala desde há cinco anos e

Eastern Promises (Les Promesses de l’Ombres)

vai continuar a sê-lo pelo menos até 2012, data em

está quase a estrear nos cinemas mundiais e

nova-iorquino, de actores a músicos, passando por estrelas de TV, entre eles Muffy Potter Aston, Donna

que se celebrarão dez anos de parceria.

os cartazes publicitários espalhados por todo o mundo não conseguem passar despercebidos: em grande plano, vemos umas mãos tatuadas e no pulso, espreitando de uma camisa branca, um imponente Master Control da Jaeger-LeCoultre. Mas este modelo, que no novo thriller de Cronenberg é utilizado pela personagem de Viggo Mortensen (Nikolaï), não é o único a brilhar na película: Armin Mueller-Stahl (Semyon), exibe um Reverso Grande Réserve e Vincent Cassel (Kirill) enverga um Reverso Squadra World Chronograph em titânio.

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[ Acontecimentos ]

Jaeger-LeCoultre continua plano de investimento em lojas próprias

F.P.Journe abre loja nos EUA

A Jaeger-LeCoultre vincou a sua presença no es-

Depois de Tóquio, Hong Kong e Genebra, a F.P. Journe vai abrir a sua primeira loja nos Estados Unidos.

trangeiro com a abertura de quatro novas lojas: em

Esta primeira boutique em solo norte-americano vai localizar-se em Boca Raton, no estado da Florida,

Pequim, Istambul, Macau e Taipei. Com estas quatro

e vai abrir as portas ao público a 4 de Dezembro. O mestre genebrino abriu a sua primeira loja com

inaugurações, a manufactura de Le Sentier conta

nome próprio em 2003, em Tóquio.

agora com uma rede de 14 pontos de venda próprios em todo o mundo. Nestas lojas, os clientes locais e internacionais poderão descobrir os mais prestigiantes modelos da Jaeger-LeCoultre, incluindo peças de grandes complicações, joalharia, os pêndulos Atmos e ainda as edições limitadas vendidas em exclusivo nesses pontos de venda.

Hermés apresenta Hbox No dia 28 de Novembro, a Hermès abriu as portas à Hbox, no Centro Pompidou, um espaço de projec­ção nómada que difunde as criações de oito ar­tistas videastas. Os espectadores descobrirão no interior desta visionneuse nómada 6,5 x 5 metros, as criações dos videastas provêm de culturas e países diferentes : Alice Anderson, Yael Bartana, Sebastian Diaz Morales, Dora Garcia, Judith Kurtág, Valérie Mréjen, Shahryar Nashat et Su-Mei Tse serão os primeiros a apresentarem os seus trabalhos ao público. A cada ano, quatro novos artistas inscrever-se-ão na programação, substituindo quatro dos anteriores. O espaço é pensado para acolher dez espectadores à vez e para percorrer o mundo ao reencontro de públicos e olhares múltiplos. O Centro Pompidou aceitou acolher esta iniciativa móvel de 28 de Novembro de 2007 até 5 de Janeiro de 2008, seguindo-se uma viagem até Espanha, Musac de Léon, ao Mudam no Luxemburgo, bem como out-

Cartier aposta na arte contemporânea

ros locais de exposição na Europa, Ásia, América e

A aposta da Fondation Cartier na arte contem­

quem sabe Lisboa...

porânea é já conhecida. Em Novembro, a fun­ dação apoiou duas iniciativas que vieram cimentar ainda mais esta relação. Robert Adams está a expor, pela primeira vez, em Paris, na Fondation Cartier. Esta exposição vem demonstrar as mais recentes inquietudes deste artista, conhecido mundialmente pela sua devoção às paisagens do oeste americano. Intitulada On the Edge, a exposição apresenta cerca de 150 fotografias inéditas. Já Lee Bul, uma das mais importantes artistas corea­nas da sua ge­ ra­ção, apresenta a fundação uma ambiciosa colecção de instalações de cultura que, presas no tecto ou espalhadas pelo chão, se mis­ turam com as linhas do edifício da Cartier, cria­do por Jean Nouvelle.

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[ Acontecimentos ]

TAG Heuer e Uma Thurman Deu-se, no dia 29 de Outubro, o culminar da histórica parceria entre Uma Thurman e o UNIFEM: um leilão on-line – Online Charity Art Auction – gerido pela Antiquorum. Em 2006, a TAG Heuer uniu forças com a sua glamorosa embaixadora Uma Thurman e o UNIFEM para criar o projecto Strength & Beauty Embodied by Avant-Garde Women, uma excepcional galeria de retratos fotográficos celebrando as mulheres Avant-Garde de todo o mundo. A prestigiosa exposição fotográfica, que foi revelada numa gala apresentada por Uma Thurman em Nova Iorque, no ano passado, já viajou por todo o mundo e, finalmente, foi leiloada num evento de caridade organizado pela Antiquorum. As 32 fotografias originais foram leiloadas em 14 lotes, cada um contendo imagens de uma ‘avant-garde woman’ e um relógio exclusivo de série limitada da TAG Heuer: o Aquaracer 32 mm, assinado pela Uma Thurman e pelo UNIFEM. «Enquanto uma das embaixadoras da TAG Heuer, estou muito contente por a marca se ter mostrado disponível para trabalhar num projecto que beneficia directamente o UNIFEM. Sinto-me verdadeiramente emocionada e honrada por fazer parte de um projecto tão grandioso, em colaboração com a TAG Heuer», disse a actriz.

Calendário Lavazza 2008 Sigilosamente guardadas, as glamorosas imagens do Calendário Lavazza 2008 foram reveladas aos apaixonados de todo o mundo no Palácio de Versalhes. The Most Majestic Espresso Experience, o título da 16.ª edição do Calendário, é dedicado às mulheres que se sentem umas verdadeiras rainhas na vida. Realizado pelo fotógrafo escocês Finlay MacKay e com a direcção artística da agência italiana Armando Testa, o Calendário retrata a magnificência de cortes imaginárias, através de uma combinação original entre a pop e as clássicas escolas pictóricas inglesas. Seis imagens, colhidas por um dos mais inovadores artistas do actual mundo fotográfico, caracterizam-se pela constante alusão ao mundo da Arte Nova, através da reconstrução e mise-en-scène de um imaginário no qual MacKay, com alusões às cortes francesas e imperiais chinesas, bem como à Idade Média, deixa transparecer ironia, sensualidade e elegância, em perfeita sintonia com as qualidades do célebre Espresso Lavazza.

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Aston Martin e Jaeger-LeCoultre: evento de luxo

Lágrimas Delicatessen abre na Quinta das Lágrimas

A Anselmo 1910, a Aston Martin e a Jaeger-LeCoultre uniram-se para realizar um evento memorá-

Foi inaugurada na Quinta das Lágrimas a Lágrimas

vel: o “Run and Drive”, onde a paixão pela velocidade e o luxo se uniram. No final da tarde do

Delicatessen, loja de ‘coisas boas’. Esta é uma loja

dia 20 de Novembro, um grupo de 25 convidados teve a possibilidade de fazer um test drive ao

que oferece uma selecção de alguns dos melhores

volante de um dos seis V8 Vantage que a Aston Martin disponibilizou para o evento, num percur-

vinhos e produtos de gourmet nacionais e interna-

so entre o Hotel Grande Real Villa Itália, em Cascais, e o Guincho, sempre acompanhados pelos

cionais. A loja pode ser visitada não só pelos clien­

responsáveis da marca, Diogo Durão Barroso e Tiago Espinha. De regresso ao hotel, recebidos

tes do hotel como também pelo público em geral.

por Nuno Torres, da Anselmo 1910, seguiu-se uma prova de vinhos magistralmente orquestrada pelo engenheiro Bento dos Santos: a degustação dos quatro diferentes vinhos da Quinta do Monte d’Oiro decorreu ao som de Paganini e Rachmaninoff. Seguiu-se um jantar requintado, onde os convidados puderam trocar impressões sobre os automóveis da Aston Martin e as cria­

Além de produtos de gourmet e vinhos, esta loja de coisas boas oferece ainda cabazes de Natal, um presente sempre saboroso. A Lágrimas Delicatessen está aberta todos os dias, das 11 h às 24 h.

ções da Jaeger-LeCoultre, que lá se encontravam expostas. Os modelos AMVOX2 e AMVOX DBS tiveram especial destaque e foram enviados pela manufactura suíça para Portugal especialmente para estarem presentes neste evento.

Montblanc apoia exposição “Monumentos de escrita” De 17 de Novembro de 2007 a 17 de Fevereiro de 2008, o Museu de Grão Vasco, em Viseu, apresenta ao público a exposição Monumentos de Escrita: 400 Anos da História da Sé e da Cidade de Viseu (1230-1639). Esta exposição é composta por dois programas narrativos, um dedicado à memória da escrita e outro à escrita da Memória. O primeiro explica como a escrita e os escritos evoluíram ao longo deste período cronológico, recorrendo a tecnologia multimédia que convida o público à experiência da interacção com os conteúdos apresentados. O segun­ do explora a história da Sé e da cidade de Viseu, entrecruzando o exercício do poder concelhio e os aspectos relacionados com a formação e ocupação do espaço urbano, com o protagonismo dos bispos e cónegos de Viseu no contexto religioso, cultural e político dos períodos medieval, renascentista e da contra-reforma. A exposição conta com o apoio natural da Montblanc.

Acontecimentos

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[ Acontecimentos ]

Porsche Design: montras de luxo Os relógios Porsche Design têm inevitavelmente uma ligação com a temática automóvel, sem nunca descurar a sua natureza luxuosa. As novas montras da marca mostram na perfeição a essência da marca alemã. Em grande plano está uma jante de um Porsche – que está também presente nos modelos Porsche Design, uma vez que o rotor assume esta forma. No centro da imagem, e numa decoração requintada, podem vislumbrar-se todos os principais modelos da marca, mas o maior destaque vai para a “Laranja Mecânica” da Porsche Design – o PTC Limited Edition 2007. Assim, na exposição predomina, além do tradicional negro do universo Porsche, o tom laranja. A Marcolino Relojoeiro, no Porto, já exi­ biu estas montras extraordinárias, que ainda podem ser vistas na Giles Joalheiros, no Centro Comercial Vasco da Gama, e na Jóia Pura, em Almada.

Góis Joalheiros ganha exclusividade em Coimbra A Góis Joalheiros fez com que as peças de alta-relojoaria da Jaeger-LeCoultre chegassem a Coim­bra, tornando-se a representante exclusiva da marca na região Centro do país. O joalheiro de Coimbra convidou alguns representantes da marca noutras áreas de Portugal para assistirem à apresentação dos relógios com a assinatura Jaeger-LeCoultre aos clientes da cidade. Jorge Amaro, director comercial da marca, e Arlindo Almeida, representan­ te comercial da manufactura de Le Sentier em Por­tugal, estiveram entre os convidados e referi­ ram que «é um prazer trabalhar com Carlos Góis, um empresário dinâmico, pelo que esta será uma aliança perfeita».

Encontro entre Jaeger-LeCoultre e David Rosas Há 75 anos que o ícone Reverso continua a exibir o cunho de uma modernidade fabulosa, pelo que a David Rosas e a Jaeger-LeCoultre decidiram revelar aos lisboetas o fabuloso mundo JLC. Assim, foi organizada a “Révélations”, uma exposição única com as mais recentes novidades e peças do museu da manufactura expostas pela primeira vez em Portugal. De 25 de Outubro a 5 de Novembro, quem passou pela Avenida da Liberdade não pôde deixar de reparar nas três imagens gigantes que adornavam a fachada da loja, anunciado a excepcional exposição.

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[ Livros ]

A arte de medição do tempo, em geral, e a tradicional arte relojoeira, em particular, constituem um mundo fascinante e mesmo viciante. Como tal, a história da relojoaria, a complexidade das complicações micromecânicas, a evolução do ‘design’, a respectiva inserção na conjuntura socioeconómica e as lendas da indústria relojoeira surgem bem documentadas em vários livros que prometem ser uma leitura extremamente agradável para os aficionados. Alguns desses livros são mais técnicos, outros mais históricos, outros são mais uma espécie de catálogo de marcas. Alguns são para principiantes, outros para coleccionadores experimentados. Mas todos eles despertam o interesse de quem aprecia tudo sobre a relojoaria: factos históricos, curiosidades, anedotas, mitos.

Jaeger-LeCoultre - La Grande Maison Este é o livro referência sobre a Jaeger-LeCoultre, a ‘Gran­de Casa’ relojoeira fundada por Antoine LeCoultre. Ao longo das quase 400 páginas são apresentas dezenas de criações antigas e alguns dos relógios com que a marca tem surpreendido o universo relojoeiro. As mais de 600 ilustrações, as fotografias e os textos tornam esta obra indispensável para um apaixonado da bela relojoaria. • Por Franco Cologni • Edições Flammarion • Texto em Francês • Formato 25 x 29 cm • 381 páginas • Capa dura • € 165

O livro convida o leitor a viajar ao longo dos anos com que se faz a história da relojoaria de precisão. As técnicas, os homens que as concretizam e as marcas que ousam criá-las são o tema central deste livro que se organiza em oito capítulos que vão desde o funcionamento dos relógios desportivos, dos cronógrafos e cronómetros até à apresentação dos modelos que contam a evolução das peças de precisão.

Montres Sportives

Montres O inventário do especialista

Les montres et horloges de table du Musée du Louvre - Tome II

Organizada por décadas, esta obra propõe-nos uma viagem de descoberta dos modelos e dos nomes da indústria relojoeira que fizeram história ao longo de todo o século XX. As fotografias dos relógios mais emblemáticos de cada época estão em destaque, bem como os pormenores técnicos de cada peça e a fechar, um glossário com termos técnicos.

As mais de duas centenas de relógios de bolso e de mesa, balizados entre os séculos XVI a XIX, analisados pela conservadora Catherine Cardinal, compõem este segundo volume. O catálogo com peças de diferentes colecções, permite descobrir mais os objectos de arte guardados no Museu do Louvre.

• Por Constantin Parvulesco • Edições ETAI • Texto em Francês • Formato 30 x 25 cm • 178 páginas • Capa dura • € 65

• Por René Pannier • Edições Vilo Paris • 219 páginas • Texto em francês • Formato 18 x 24 cm • Capa semi-dura • € 45

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• • • •

Por Catherine Cardinal • Texto em francês Edição Réunion des Musées Nationaux Formato 26 x 27 cm • 239 páginas Capa dura • € 65


La folie des montres Um pequeno livro quadrangular de leitura simples e rápida, com vários capítulos referentes a diversos tipos de abordagem relojoeira e com a ilustração de um relógio por página. Apresenta fotografias dos relógios de pulso mais marcantes do século XX e de alguns modelos de excepção verdadeiramente raros. • Por G.-A. Berner • Edições Société du Journal La Suisse Horlogère SA. • Formato 15 x 21 cm • 1150 páginas • Capa dura • € 30

Dictionnaire professionel ilustré de l’horlogerie

Vrais & Fausses Montres Um dos grandes temas da actualidade em relação à indústria do luxo é o fenó­me­no da contrafacção, sendo um dos sec­tores mais vulneráveis a este flagelo económico, justamente, o sector relojoeiro, nomeadamente no ‘ataque’ que é feito às marcas mais prestigiadas. Daí a pertinência deste livro que nos ajuda a destrinçar o ‘trigo do joio’ mostrando as diferenças, bem mais óbvias do que se pensa, entre o original e as cópias.

Conhecido como Dicionário Berner, é uma verdadeira enciclopédia consagrada à medição do tempo com 4800 termos técnicos em francês, alemão, inglês e espanhol. Um documento de referência único no mundo, indispensável tanto para os entendidos como para os amantes da melhor relojoaria. • • • •

Por G.-A. Berner Edições Société du Journal La Suisse Horlogère SA. Formato 15 x 21 cm • 1150 páginas Capa dura • € 235

• Por Fabrice Guêroux • Edição ArgusValentines • Texto em Francês • Formato 15 x 21,5 cm • 320 páginas • Capa dura • € 65

La Cote de Montres Modernes et de Collection Este livro ajuda-nos a aferir o valor de cerca de 650 modelos das principais marcas, pelo que se torna um livro fundamental para quem faz colecção, para todos os que o desejam vir a fazer ou para aqueles que têm a sorte de herdar algum dos relógios de pulso encontrados no armário do sótão, na quinta do avô. Aqui encontra as principais características, o preço caso ainda seja produzido e a cotação atribuída. • Por MMC • Edição ArgusValentines • Texto em Francês • Formato 21,5 x 30 cm • 219 páginas • Capa dura • € 80

Encomende os seus livros com 15% desconto para os assinantes da revista Fotocopie este questionário e preencha-o. Junte um cheque endereçado à Company One no valor da encomenda e envie para: Espiral do Tempo, Departamento de Livros e Catálogos > Av. Almirante Reis, 39 > 1169-039 Lisboa > Portugal Nome:

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www.thebritishmasters.com

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www.fpjourne.com

www.worldtempus.com

www.jaeger-lecoultre.com

Worldtempus Todo o tempo do mundo Para os amantes da relojoaria que têm por hábito ‘navegar’ pela Internet, há um site que, a cada dia, se torna mais obrigatório: o Worldtempus. Disponível em duas versões – francês e inglês – este site é, sem dúvida, um dos mais completos entre aqueles que se dedicam ao sector dos relógios. Todas as marcas de que se consiga lembrar estão lá. Para cada uma delas, há a indicação do site oficial, a história da marca e das personagens que a assinalaram e

www.porsche-design.com

ainda as notícias dos últimos anos relacionadas com a empresa. O Worldtempus dispõe ainda do vantajoso serviço de recortes de imprensa, actualizado várias vezes ao dia, que dá conta de todas as novidades do sector publicadas a nível internacional. No site encontram-se ainda entrevistas exclusivas aos representantes das principais marcas, informações sobre as últimas tendências relojoeiras e sobre os grandes eventos do sector – como o Grande Prémio de Relojoaria. Para fechar com chave de ouro, há ainda duas secções indicadas para os verdadeiros amantes da relojoaria: enciclopédia e leituras. Na primeira secção, descobre-se a mais variada informação: desde a secção de

www.raymond-weil.com

“relógios e pêndulos”, passando pela da “produção mundial” e pelas “manufacturas relojoeiras”, até à descoberta do “tempo na arte, literatura, poesia e filosofia”. Nesta secção pode ainda conhecer “os primeiros relojoeiros” ou “os relojoeiros mais célebres”. Na secção das leituras, pode encontrar sugestões de dicionários, livros, revistas e revistas parceiras. www.torresdistrib.com

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


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[ Crónica ] Fernando Campos Ferreira

Quotidianos

Como se não bastasse o lastimoso estado do pavimento rodoviário da nossa capital, mais próxima de Rabat do que de Madrid, as vias pedonais não lhes ficam atrás, como também não ficam as paredes garatujadas de ‘graffitis’. Outubro, 21h 45m Os habitués são assim como que uma espécie de

vias pedonais não lhes ficam atrás, como também não

Maçãs de Carvalho, obras rapidamente vendidas na

identificadores da Via Verde. Não param nas bichas.

ficam as paredes garatujadas de graffitis.

pré-inauguração da Feira, mas também nas obras de

São íntimos de tutti quanti concierge, empregado de

No meio destes pensamentos, cruzei-me com um

mesa e patron de estabelecimento. O habitué chega,

funcionário da Câmara, de colete fluorescente vestido,

abraça efusivamente os seus íntimos, ignora a plebe

máquina de sulfatar de plástico high-tech às costas,

Novembro, 12h 45m

que aguarda vez e sobre a qual ele tem direito de per-

aspergindo cuidadosamente os musgos que neste Ou­­

Pensei que não gostasse de heavy metal, preconceito

nada, e lá vai no exercício do seu direito de suserania

tono estival emolduram graciosamente algumas pe­­dras

cinquentão avesso ao ruído da música das bandas

feudal a caminho da mesa ou do lugar que não lhe

da nossa calçada, como se neles residisse o problema.

pós-Stones, como se destes tempos não fossem tam-

João Pedro Vale e Pedro Cabrita Reis.

bém os Led Zeppelin ou os Deep Purple. Mas o filme

estava reservado.

Novembro, 15h 45m

do tributo ao malogrado Colin McRae recebido via net,

«A idosa que chocou contra um autocarro»... notícia

com imagens fantásticas da carreira de um dos maio-

trágico-urbana de primeira página de um diário gra-

res rallymen de sempre, com música de fundo dos

Novembro, 13h 40m

tuito, jogado incivilizadamente fora por um qualquer

Iron Maiden, Fear of the Dark, ao vivo no Rock in Rio,

Descer a Avenida da Liberdade pelos passeios late-

transeunte que nunca diz que não ao que quer que

fez-me mudar a opinião preconcebida. Vale a pena

rais é um exercício circense de elevado risco, tal o

seja de borla, estatelado sobre o calcário da calçada

ouvir o CD e, porque não, ver o DVD do espectáculo.

contorcionismo equilibrista que nos exige. Aquilo há

nos Restauradores, a acrescer aos papéis e a outro

muito que deixou de ser passeio. São trilhos de ‘foo­

lixo comum do quotidiano porco e encardido do sé-

Novembro, 20h 50m

ting off-road radical’, quebra-colos-do-fémur. Mas será

culo XXI do lisboeta serodiamente convencido de que

O trânsito completamente engarrafado em todas as

que ninguém se incomoda ou barafusta...?! Parece que

o mundo termina na 2.ª Circular, algures entre a Luz e

artérias a partir da Avenida da Liberdade, a caminho

os senhores do urbanismo da CML – com os seus inú-

o Colombo, dos passeios de domingo em família, de

das saídas para a A5 e para a ponte sobre o Tejo, 50’’

meros assessores – acham que está tudo bem, que é

fato de treino, ar alarve e barriga proeminente.

para fazer o trajecto entre a Castilho e as Amoreiras.

Há VIP habitués, mas poucos habitués VIP. Entre uns e os outros, venha...

Não sendo fim do mês nem estando a chover, qual a

para ficar assim, género pé-de-chinelo, como o abandonado Parque Mayer do nosso descontentamento.

Novembro, 21h

razão do fenómeno?

A calçada portuguesa de Lisboa está em risco!

Visita à Arte Lisboa (feira de arte contemporânea).

A explicação tive-a na manhã seguinte: uma men-

Ondulada e esburacada do tapa-destapa-tapa, pre-

Ocasião para ver os últimos trabalhos de artistas

te brilhante, ao que parece de Almada, tinha decidi-

dominantemente suja. Malfadado bom exemplo da

plásticos nacionais e estrangeiros, uns quantos ditos

do organizar uma mega operação stop nos acessos

nossa falta de rigor e exigência, do nosso proverbial

consagrados, outros nem tanto, mas, nalguns casos,

à ponte, precisamente entre as 18’ e as 21’. O País

desleixo, do nosso olhar acrítico sobre o que nos ro-

com aparente potencial para virem a sê-lo. Muita coi-

fica-lhe a dever a tamanha genialidade, o desperdício

deia. Como se não bastasse o lastimoso estado do

sa ‘à la façon de...’ Pouca escultura, menos vídeo-

de muitas horas e de uns largos milhares de euros em

pavimento rodoviário, triste singularidade da nossa

arte ainda... ficaram-me os olhos e a memória na tela

combustível.

capital, mais próxima de Rabat do que de Madrid, as

do Nuno Viegas e na fotografia descomunal do José

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Espiral do Tempo 27 Inverno 2007


Espiral do Tempo 27  

A revista de quase todos os relogios.

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