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TAG Heuer Embaixadores para Portugal  Jaeger-LeCoultre 80º Aniversário do Reverso Patek Philippe Entrevista a Thierry Stern

Preço € 5,00 - Quadrimestral - Outono 2011


Sumário Espiral do Tempo #37 - Outono 2011

34 tema de capa

Troika ao volante São três pilotos com um currículo forrado a vitórias e que constituem o núcleo dos embaixadores motorizados da TAG Heuer em Portugal. Uma troika do volante composta por Miguel Barbosa, Pedro Lamy e Filipe Albuquerque.

12 Grande Plano 16 Editorial por Hubert de Haro

72 À Lupa: Abissal Porsche Design P’6780 Diver

18 Ficha Técnica

76 Leilões Antiquorum: Important Modern & Vintage Timepieces

20 Internet: Surf ‘n tell

78 Produção: A nossa Escolha

22 Iniciativa: Veni, vidi, vici 24 Tendências: Louboutin-Like

88 Dicas: Cronómetro ou Cronógrafo? por Miguel Seabra

26 Embaixador: Comentarista dandy

90 Técnica: O calibre Panerai P.9000 e P.9001

28 Curtas: À conquista do silício

108 Acessórios

29 Curtas: David Rosas Wonderlab

112 Produção TAG Heuer: O Duelo 128 Glamour

30 Curtas: Fortis renova com Roskosmos 32 Crónica: Um Joyce de limão, por Rui Cardoso Martins 50 Selo de suprema qualidade por Miguel Seabra

138 Embaixador: Um campeão couraçado 140 Um por todos: Only Watch por Cesarina B. Sousa 142 Livros 144 Onde comprar

52 Montblanc mantém confiança em Portugal

145 Assinaturas

70 Coração de Dragão por Cesarina B. Sousa

146 Crónica: Cronómetro, por José Luís Peixoto

Filipe Albuquerque fotografado por Nuno Correia


reportagem

entrevista

em foco

40

46

94

As mil e uma faces do Reverso Não há muitos ícones na história da relojoaria mecânica de pulso... por Miguel Seabra

De pés bem assentes na Terra Thierry Stern por Hubert de Haro

Cvstos Challenge Chrono 5th Anniversary

96 reportagem

entrevista

54

106

A última corrida Disputado num pedaço de terra localizado entre a Grã Bretanha e a Irlanda, o Tourist Trophy... por Carlos Torres

Camanga brilha mais à luz do dia Camanga por Paulo Costa Dias

reportagem

entrevista

135

124

Relojoaria iluminada Breguet é o sobrenome mais respeitado na história da relojoaria... por Miguel Seabra

dossier

“A minha linha condutora é a emoção” Gracinha Viterbo por Paulo Costa Dias

Audemars Piguet Royal Oak Offshore Turbilhão Cronógrafo

98

Jaeger-LeCoultre Master Memovox

100

A. Lange & Söhne Saxónia Automatik

102

Franck Muller Cintrée Curvex Master Date

58

Com os ponteiros na Lua O luar guiou a humanidade através de séculos de mudança... por Miguel Seabra

104

Graham Silverstone Tourbillograph Full Black


13 Artes mágicas Os verdadeiros aficionados da relojoaria mecânica sabem que cada relógio concebido em manufatura esconde segredos surpreendentes. Durante a montagem de um calibre, por exemplo, a colocação de forma correta da mais ínfima peça é, só por si, uma arte admirável. Nesta imagem, num atelier da Chopard, um mestre relojoeiro prepara-se para dar vida ao espiral, elemento do órgão regulador que contribui de forma decisiva para a precisão do movimento. Entre relojoeiros, a espiral é comummente designado por ‘cabelo’. Graças à sua reduzida dimensão...


15 Tempos Modernos Conhecido pela sua divertida crista e insaciável curiosidade, Titeuf foi mais longe do que se poderia esperar e aventurou-se, qual Charlie Chaplin, pelas rodagens de um Reverso à éclipse da Jaeger-leCoultre. Ao contrário do que se possa pensar, não estamos a falar de um novo livro da personagem criada por ZEP, mas sim de uma peça única personalizada pelo desenhador no âmbito do 80º aniversário do icónico modelo reversível. O Reverso by ZEP será leiloado, a 20 de novembro, em Paris, em benefício da Association Monégasque Contre les Myopathies.


editorial

Regresso ao passado Em Paris, a secção relojoeira do Louvre revela aos seus escassos visitantes uma surpreendente coleção de relógios de mesa e de bolso, maioritariamente, dos primórdios da Renascença até ao século XVIII. Nessa altura, as cortes europeias demonstraram grande interesse em colecionar relógios que se tornaram fascinantes objetos de arte. As caixas redondas, quadradas, octogonais ou, ainda, em forma de caveira revelaramse um suporte ideal e um terreno de experimentação para especialistas oriundos de toda a Europa. Assim, ao latão e ao aço do relojoeiro juntaram-se a prata e o ouro gravados, as pedras preciosas, o cristal de rocha ou o esmalte como elementos decorativos. O resultado merece amplamente a viagem a Paris - a ‘concorrência’ do sorriso da Mona Lisa assegura, por sua vez, uma visita sossegada a esta secção, um luxo no Louvre! Para além da diversidade das peças apresentadas, surpreendeu-me este gosto pelas máquinas do tempo. Séculos antes da revolução industrial e dos ‘tempos modernos’ de Charlie Chaplin, quais eram os motivos que estavam por trás desta moda? Estes relógios, que marcavam unicamente as horas, não eram, de certeza, admirados apenas pela sua funcionalidade. A resposta poderá passar simplesmente pelo gosto apurado, e porque qualquer novo gadget seria pretexto para mais um divertimento. O relógio de mesa capaz de tocar as horas originaria muito mais comentários do que uma mesa em marqueterie, por muito elegante que ela fosse. O relógio tornou-se, então, um ‘brinquedo’ de último grito, de última geração, que devia espantar pela sua mecânica e inserir-se nos interiores requintados dos palácios dos séculos XVII e XVIII, numa sociedade que adorava o jogo em sociedade. A criatividade incessante e a diversidade do mundo relojoeiro da atualidade não fogem muito a estas raízes. Ao procurarem provocar admiração e espanto, os criadores conseguem nunca ficar reféns da própria funcionalidade do relógio (dar as horas e os minutos), deixando sempre espaço para interpretações lúdicas. É por este motivo e mais alguns, que toda a equipa da Espiral do Tempo entra nesta segunda década de edição com muitas expectativas. Vamos continuar a acompanhar com rigor, número após número, a atualidade do nosso sector, bem como a tentar antecipar as últimas tendências. Para nossa alegria e, esperamos, para a alegria do nosso leitor! Saudações relojoeiras Hubert de Haro Diretor PS: A.V.B. – Parte II Para os incondicionais do desporto rei, as iniciais AVB significam André Villas-Boas, treinador do F.C.Porto no ano transato e atual treinador do Chelsea. Para os adeptos do clube nortenho, estas iniciais foram, aquando da transferência do treinador para o Chelsea, quase, sinónimo de traição. Para a Espiral do Tempo, AVB entrou na sua história, aceitando fazer a capa da edição n.º 36. Mostrou disponibilidade, respondeu com simpatia e reservou tempo para uma sessão de fotografias feita pelo nosso colaborador Nuno Correia. Por estes motivos e mais alguns, decidimos voltar a destacar o relógio Franck Muller AVB, uma série limitada pensada pelo FC do Porto e dedicada ao seu treinador. O fundo da caixa foi redesenhado e exibe agora uma elegante silhueta do técnico, como poderá constatar na página (...)


ficha técnica

Diretor Hubert de Haro hubert.deharo@espiraldotempo.com

Dody Giussani

Editores Paulo Costa Dias costa.dias@espiraldotempo.com

Diretora da revista italiana L’Orologio, é também autora de uma das mais conceituadas rubricas de análise técnica de relógios. E é precisamente com os seus artigos técnicos que Dody Giussani tem colaborado para a Espiral do Tempo.

Cesarina Sousa cesarina.sousa@espiraldotempo.com Editor técnico Miguel Seabra cronopress@hotmail.com Design gráfico/ilustrações Paulo Pires paulo.pires@espiraldotempo.com

José Luís Peixoto

Magda Pedrosa magda.pedrosa@espiraldotempo.com

Livro é o nome do mais recente livro de José Luís Peixoto, o quarto romance daquele que é, provavelmente, o mais pop dos escritores consagrados portugueses. Crónicas à volta do Tempo foi a proposta que lhe fizemos e que teve a gentileza de aceitar. A consequência dessa proposta poderá passar a lê-la em cada edição da Espiral do Tempo. O privilégio é nosso mas o prazer, confiamos, será seu!

Fotografia Nuno Correia Colaboraram nesta edição Carlos Torres • Dodi Giussani • José Luís Peixoto • Rui Cardoso Martins Contabilidade Elsa Henriques - elsa.henriques@espiraldotempo.com Coordenação de publicidade e assinaturas Patrícia Simas: patricia.simas@espiraldotempo.com Revisão Letrário - Serviços de Consultoria e Revisão de Textos Contactos Correspondência: Espiral do Tempo, Av. Almirante Reis, 39 -1169-039 Lisboa • Tel: 21 811 08 96 Propriedade Todos os artigos, desenhos e fotografias estão sobre a proteção do código de direitos de autor e não podem ser total ou parcialmente reproduzidos sem a permissão prévia por escrito da empresa editora da revista: Company One, Lda sito na Av. Almirante Reis, 39 – 1169-039 Lisboa. Sede da Redação Av. Almirante Reis, 39 - 1169-039 Lisboa A revista não assume, necessariamente, as opiniões expressas pelos colabo­radores. Distribuição: VASP Impressão: Peres-Soctip, Indústrias Gráficas, SA Estrada Nacional 10, Km 108,3 2135-114 Samora Correia - Portugal Periodicidade: Quadrimestral Tiragem: 20.000 exemplares Registo pessoa coletiva: 502964332 Registo no ICS: 123890 Depósito legal Nº 167784/01 Registo na ERC - 123890 Nota da redação: A Espiral do Tempo foi redigida ao abrigo do novo acordo ortográfico Fundador: Pedro Torres

Carlos Torres É editor da revista 12 - Exclusive Timepieces and Lifestyle e do portal temático www.relógioserelogios.com.pt, para além de escrever para um número de publicações nacionais e internacionais. Quarta geração de uma familia com laços fortes neste tema, para ele, o relógio é uma porta para um mundo muito mais vasto, multidisciplinar e abrangente. Um fonte de informação científica, histórica e social quase inesgotável sobre quem somos e como aqui chegámos.


internet

Com apenas alguns cliques descobrem-se espaços online realmente interessantes. Uma breve recolha de curiosidades ou sites que nos chamaram a atenção pelo modo como descobrem o mundo da relojoaria e não só…

Vallée de Joux O Vale de Joux, no coração do Jura Suíço, é visita obrigatória para os aficionados da bela relojoaria. Ali, a arte da criação da relógios ganha estatuto de sagrado e cada manufatura transforma-se num lugar de culto. Além disso, o berço da relojoaria é também reconhecido pelas paisagens avassaladoras, pelo silêncio de uma longa história e pela sensação de paz que transmite. O site Vallée de Joux tem tudo o que precisa de saber para lá ir e por lá ficar... www.myvalleedejoux.ch

Panerai: Aplicação no iPad A primeira aplicação específica Panerai para iPad em formato de magazine online. Disponível diretamente a partir da Apple Store, a nova aplicação apresenta imagens e vídeos sobre as recentes novidades, bem como uma grande variedade de imagens, vídeos e artigos, permitindo aos entusiastas da marca admirar e ter acesso a informações detalhadas sobre os novos modelos, desde as informações técnicas, passando pelos materiais utilizados e pela ligação de cada relógio à história da marca. http://store.apple.com/us

National Geographic Na redação da Espiral do Tempo somos particularmente sensíveis a grandes fotografias. Momentos únicos que se transformam em obras de arte graças ao olhar de alguém que está no lugar certo na hora certa. Por isso, se já éramos apreciadores da edição impressa da revista National Geographic pelas suas reportagens e fotos incríveis, rendemo-nos ao site oficial. Uma oportunidade de viajar para longe sem sair do lugar através de uma diversidade de imagens que nos trazem uma outra visão do mundo. www.nationalgeographic.com


iniciativa

Veni, vidi, vici O Franck Muller Casablanca Chronograph André Villas-Boas surge como uma série limitada e numerada de 33 exemplares que presta homenagem ao carismático treinador português e atual embaixador da marca suíça.

É um dos treinadores de futebol portugueses mais reconhecidos internacionalmente. André Villas-Boas distingue-se pela sua personalidade forte, pelo seu empenho e pelo seu talento, qualidades que o têm levado a construir uma carreira verdadeiramente excecional. Aos 33 anos, realizou um dos seus maiores sonhos ao assumir o lugar de técnico principal do F.C.Porto, e foi ao serviço do clube nortenho que provou que o sucesso nem sempre escolhe idades. Na época 2010/2011, conquistou três grandes títulos e tornou-se no mais jovem treinador a ganhar um troféu europeu. O avassalador percurso de André Villas-Boas acabou por levar a Franck Muller a aceitar desenvolver uma edição limitada que lhe presta homenagem, num desafio proposto pelo próprio F.C.Porto. A marca louvou o seu desempenho e rendeu-se ao carisma do

jovem treinador, vendo nele também o embaixador perfeito para os seus emblemáticos relógios. Na opinião do célebre relojoeiro suíço, «André Villas-Boas personifica, com a sua jovialidade, empenho e dedicação o verdadeiro ‘ser’ português.» Apesar da transferência para o Chelsea, o projeto não ficou parado e o cronógrafo André Villas-Boas chega agora ao mercado, numa edição simbolicamente limitada a 33 exemplares, preparada para conquistar os amantes do desporto rei. Para Villas-Boas, o cronógrafo que lhe foi dedicado é um objeto de que se orgulha, porque está associado a momentos muito importantes da sua carreira. O próprio técnico referiu à Espiral do Tempo que «marca também feitos positivos que o F.C.Porto conseguiu alcançar nesta época.» O Franck Muller Casablanca Chronograph André Villas-Boas aposta no preto e no azul, a pedido do técnico português. O mostrador inclui as iniciais do seu nome e o fundo a gravação da sua inconfundível silhueta. Instrumento do tempo que traduz o reconhecimento de um excelente desempenho, esta é também uma peça de coleção incontornável, tendo em conta que presta tributo a um dos raros nomes que foram selecionados para embaixadores da Franck Muller.


tendências

Louboutin-like Por Cesarina B. Sousa As braceletes de dupla face são perfeitas para quem aprecia a sofisticação de forma discreta. Do lado exterior, uma cor mais sóbria, do lado interior uma cor fora de série. Com pesponto a condizer, claro.

Diz-se que a sola vermelha caraterística dos sapatos de Christian Louboutin nasceu num dia em que o designer francês estava manifestamente insatisfeito com o resultado final de um protótipo de um sapato. Sentia que faltava qualquer coisa, sem saber bem o quê. Até que viu um verniz vermelho na secretária de uma das suas colaboradoras e, impulsivamente, pintou a sola do sapato, lançando assim aquela que é, até hoje, a sua imagem de marca. Um pequeno detalhe fez toda a diferença, e o mundo dos detalhes é um mundo no qual a bela relojoaria se sente muito à-vontade. Por isso, dos sapatos Louboutin até ao setor dos relógios não é preciso muito! Forma sofisticada de manter uma aparência discreta com um toque de irreverência q.b., as braceletes de dupla face em relógios de pulso surgem não como uma tendência, mas como uma aposta distinta, segura e intemporal. Atualmente, podemos encontrar modelos complementados por braceletes alternativas de diversas cores que permitem mudar a aparência do relógio sem grande esforço. Uma solução cada vez mais frequente nas coleções femininas, sempre tão associadas à versatilidade exigida pela mulher dos nossos tempos. Mas já as braceletes de duas faces surgem como uma opção ainda

mais requintada e podem ser encontradas pontualmente em modelos masculinos de perfil urbano/desportivo que primam pelos detalhes de exceção. E, apesar de só poderem ser verdadeiramente apreciadas fora do pulso, acabam mesmo por se revelar como elemento determinante para o estilo e para a identidade do próprio relógio. À boa maneira dos sapatos de Christian Louboutin, o relógio distingue-se assim por uma personalidade distinta, elegante e com um toque de ousadia que o torna muito particular. Hoje em dia, é mais comum encontrar braceletes de dupla face em pele, as designadas correias, principalmente em rel��gios de cores discretas, mas que são pontuados por detalhes de cores vivas no mostrador, quer nos ponteiros, nos indexes ou mesmo na escala taquimétrica. O TAG Heuer Carrera Calibre 300 SLR, em edição limitada, destaca-se pelos apontamentos laranja, por si só, que sobressaem do mostrador castanho degradé. No entanto, a face laranja do interior da correia em calfe perfurada é um segredo bem guardado, perfeito para estreitar a relação de proximidade entre o cronógrafo e quem tem o bom gosto de o usar. No caso do Extreme-Lab da Jaeger-LeCoultre, a bracelete preta esconde no interior uma face vermelha que acentua ainda mais as linhas futuristas e estruturadas do inovador modelo, uma receita também aplicada nos inconfundíveis modelos da Cvstos, estes com cores ainda mais irreverentes. Por fim, há que ter em conta o glamoroso pesponto a condizer com o interior da correia. Mais um toque crucial para deixar bem claro que um estilo bem marcante é aquele que dá valor aos mínimos detalhes.


embaixador

Comentarista dandy Darren Tulett é o mais francês dos especialistas britânicos de futebol, mas agora surge também como embaixador da Graham. Darren Tullet, o britânico conhecido pelo bom gosto no vestir e apontado como o ‘dandy’ da classe jornalística, passa a ostentar exclusivamente relógios Graham. Atualmente radicado em França, onde o estilo e excentricidade fizeram dele um personagem muito admirado, é apresentador das rubricas televisivas Match of ze Day (irónico título que goza com a pronúncia francesa da língua inglesa) e Samedi Sport. www.graham-london.com


CURTAS

À conquista do silício A Patek Philippe tem vindo gradualmente a testar e a comprovar as potencialidades do Silinvar®, uma variante do silício que, à boa maneira da marca, pode contribuir de forma decisiva para o superior desempenho de um mecanismo, ao longo de gerações. Foi com a apresentação do balanço GyromaxSi® que a Patek Philippe revelou mais uma etapa da sua aventura pelos meandros das tecnologias ligadas ao silício. Depois de uma primeira roda de escape em 2005, da espiral Spiromax® em 2006 e do Pulsomax® em 2008, a marca lança em 2011 o elemento que faltava para a criação de um sistema de escape totalmente composto por peças em Silinvar®: o Oscillomax®. Para quem tem acompanhado a determinação com que, nos últimos anos, a Patek Advanced Research Team – o departamento de inovação e desenvolvimento tecnológico da casa genebrina – tem apostado eficaz e gradualmente nas potencialidades do silício, a apresentação do Oscillomax® surge, sem qualquer dúvida, como um ponto culminante e uma porta rumo ao futuro. Fruto da associação entre a Patek Philippe, a Rolex e o Grupo Swatch, o Silinvar® é um composto que resulta de um processo de oxidação do silício e que tem vindo a revelar-se como mais um potencial contributo para aumentar a longevidade de um relógio mecânico. Com efeito, a extrema leveza e baixa densidade, bem como as propriedades de anti-corrosão e de resistência aos campos magnéticos, enquadram o silício, na sua variante Silinvar®, como uma solução para a eliminação de muitas das fraquezas que estão na base da perda de precisão de um movimento. Mas, graças aos avanços conseguidos pela Patek Philippe, representa também uma etapa decisiva na melhoria da estabilidade do seu órgão regulador

e na melhoria do seu rendimento. A tecnologia DRIE (Deep Reactive Íon Etching) torna possível a concepção precisa e tridimensional de micropeças em silício e é este processo que tem permitido à marca explorar também novas possibilidades ao nível da geometria dos componentes, com o intuito de alcançar elevados níveis de desempenho. Como espiral plana que se distingue por ser concebida em Silinvar e por ser antimagnética, a Spiromax® surge com um aro integrado e uma curva final muito particular que contribuem para uma efetiva melhoria no seu isocronismo e, consequentemente, na precisão do relógio. Já o Pulsomax® inclui uma âncora sem rubis nas extremidades e uma nova roda de escape, que permitem aumentar a percentagem de energia transmitida ao balaço. Agora, o GyromaxSi, com a sua base em Silinvar® de inovador formato e com os elementos em ouro de 24 quilates, resulta numa considerável poupança de energia. A marca tem vindo a testar as suas conquistas em edições muito limitadas e, desta forma, tem a garantia de que todos os componentes são fiáveis e respeitam os elevados padrões de desempenho exigidos. Só depois de comprovados é que serão integrados em modelos da coleção regular. Nesta linha, o Oscillomax® parece estar a seguir um bom caminho ao revelar-se supremo, em termos práticos, no que diz respeito à autonomia: potenciou um aumento da reserva de corda de 48 para 70 horas!


David Rosas Wonderlab Depois de ter inaugurado um espaço exclusivo dedicado ao culto da alta-joalharia e da alta-relojoaria em Lisboa, no Centro Comercial Colombo, a David Rosas posiciona-se agora a norte, na cidade do Porto que lhe está na origem. Depois de uma bem-sucedida aposta no Centro Colombo, em Lisboa, a casa portuense com mais de 25 anos descobriu no Norteshopping, na sua Invicta, o local ideal para ampliar o inovador conceito de experimentação do melhor da alta-relojoaria e da alta-joalharia. Um espaço com um visual inovador, fruto de uma arquitetura surpreendente, prenhe de modernidade e de jovialidade, onde o consumidor pode ter «experiências sensoriais» e onde o protagonismo vai para as peças apresentadas. Um espaço amplo e convidativo que promove a «transmissão de conhecimento e de saber técnico» que estão na base do conceito Wonderlab da David Rosas. Em geral, a arquitetura do novo espaço surpreende pelo contraste entre o ambiente envolvente e a própria decoração. A arquiteta Luísa Rosas optou por uma estrutura contemporânea em madeira, «inspirada no conceito da casa», que confere uma sensação de movimento e permite ver de fora para dentro sem criar desconforto para quem está no interior. Além da marca própria de joias David Rosas, da autoria desta arquiteta, o espaço Wonderlab disponibiliza uma criteriosa seleção das marcas relojoeiras e de joalharia com que habituou os seus clientes. www.davidrosas.com


CURTAS

Fortis renova com Roskosmos A Agência Espacial Russa tem, desde abril, Vladimir Popovkin como novo diretor. Mas a marca suíça mantém o seu ‘cargo’ como relógio oficial.

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É mais um grande passo para uma marca que se sente no espaço como um peixe na água. Mesmo depois de o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ter demitido Anatoli Perminov do cargo de diretor da Agência Espacial Russa (Roskosmos) e de o ex-vice-ministro da defesa, Vladimir Popovkin, ter sido nomeado para ocupar essa posição, a Fortis continua a ocupar o seu lugar enquanto relógio de confiança da Agência. No âmbito do lançamento da cápsula Soyuz TMA-02M, no passado mês de junho, a marca suíça renovou o seu programa espacial para os

próximos anos, dando, assim, continuidade à sua reputação enquanto relógio de referência no espaço. A Soyuz TMA-02M partiu da plataforma de lançamento do Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão, com a missão de colaborar em ex­ periências científicas diferentes e de cuidar da manutenção e reparação da Estação Espacial Internacional (ISS). A bordo seguiram o americano Mike Fossum, o russo Sergei Volkov, o japonês Satosho Furkawa... e cronógrafos Fortis. Alexander Samokutyayev, que estava na ISS desde abril, mas que já regressou à Terra, foi responsável pelo Uragan, um projeto de longa data que documenta, em vídeo e fotografia, as diferentes mudanças que ocorrem na superfície da Terra, em especial, as mudanças que ocorrem após catástrofes naturais, como furacões, mas também as alterações que resultam da intervenção humana. A FORTIS esteve no espaço pela primeira vez em 1992. www.fortis-watches.com


CRÓNICA RUI CARDOSO MARTINS

Um Joyce de limão

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A última vez que entrei numa drogaria com esta arrumação personalizada — tudo em cima de tudo, pergunta ao senhor do balcão por uma coisa e só ele sabe se a tem, e debaixo do quê — havia produtos para todos os efeitos humanos. Por exemplo, bolas de ténis, que em princípio dão saúde, e veneno para o escaravelho da batata, mais usado para suicídios. Outro exemplo, guitarras espanholas e cordas de forca. Mas também ganchos do cabelo, poções para as verrugas, iscos e canas de pesca, sabonetes e óleos amorosos, espingardas de pressão de ar e camaroeiros. Isto foi no Alentejo, há muitos anos, onde o Sol aquece demais as cabeças, mas agora estamos em Dublin, na Irlanda, onde o Sol, disse-me um taxista, se encontra num pub a partir das seis da tarde e numa caneca de cerveja preta. Vemos a porta de três arcos antigos, branco-sujo, as vitrinas e a porta de gonzos, do lado esquerdo o aviso ‘Chemist’, do direito ‘Druggist’ e no meio o nome da loja, ‘Sweny’. Uma drogaria igual ao que era há um século, nos armários deve haver de tudo para secar e para humedecer um homem, uma drogaria serve para equilibrar os fluidos, escolher dos antigos os remédios que funcionam, às vezes perde-se uma receita, às vezes descobre-se uma pomada. Mas esta não é bem drogaria, também tem muitos, muitos livros. Um deles enorme, largo como um missal, sublinhado a lápis numa página aberta, e que diz na parte de cima Ulysses, James Joyce. Foi aqui que Joyce trouxe o sr. Bloom a comprar o sabonete de limão, diz o senhor do balcão, numa bata apertada, o cabelo grisalho de maestro.


... é difícil andar por Dublin sem pisar qualquer sítio imortalizado no livro, Joyce levou o seu realismo lunático ao ponto de escrever os nomes das ruas e os nomes verdadeiros das pessoas nas ruas, incluindo os seus pecados, por isso é que tantos dos vizinhos o odiaram e juraram vingança, em 1922, e conseguiram por muitos anos a proibição da obra

A sério? Não sabíamos. Entrámos porque gostámos da loja. Muito obrigado. É, de qualquer modo, uma coincidência relativa, é difícil andar por Dublin sem pisar qualquer sítio imortalizado no livro, Joyce levou o seu realismo lunático ao ponto de escrever os nomes das ruas e os nomes verdadeiros das pessoas nas ruas, incluindo os seus pecados, por isso é que tantos dos vizinhos o odiaram e juraram vingança, em 1922, e conseguiram por muitos anos a proibição da obra (ele escrevia em Paris e Trieste). Lemos a parte onde diz — capítulo quatro — que Leopold Bloom, no início da epopeia mundana e anti-heroica de um dia pelas ruas da cidade, entra na Sweny, Lincoln Place. Vai a pensar na pele da sua mulher, Molly, cantora, prestes a cometer adultério, e começa a pedir remédios, mas não trouxe a receita porque trocou de calças para um funeral e a receita estava nas outras. Quer óleo de amêndoas doces, tintura de benzoína, água de flor-de-laranjeira e cera branca também, que lhe realça o belo negro dos olhos. E um sabonete. «Mr. Bloom levou uma barra às suas narinas. Cera de limão doce. Vou levar este, disse.» O senhor do balcão, ouvindo-nos falar, diz que sabe inglês, evidentemente, mas também gaélico, italiano, francês, russo, e dá aulas de espanhol, pelo que também lhe interessa o português. O senhor é mesmo droguista? Na verdade, sou professor de literatura. Temos um grupo que preserva intactos os lugares de Joyce. Este é o meu turno. Compramos dois sabonetes de limão, embrulhados com fitinha em papel pardo, o cheiro é de uma frescura inesperada, um contraste com as descrições obscuras que vêm no livro, a começar pelo homem do balcão. «Crânio encolhido. E velho.

A busca da pedra filosofal. Os alquimistas. As drogas envelhecem-te depois da excitação mental. Letargia agora. Porquê? Reação. Uma vida inteira numa noite. Muda gradualmente o teu caráter. Viver o dia inteiro entre ervas, unguentos, desinfetantes. Todos estes frasquinhos de alabastro.» «O primeiro tipo que colheu uma erva para se curar a si próprio tinha um bocado de coragem. Ervas medicinais. Ter cuidado. Suficiente material aqui para te cloroformizar.» «Overdose de láudano. Pílulas para dormir. Filtros do amor. Xarope paregórico de papoila mau para a tosse.» «Venenos, as únicas curas. Remédio onde menos se espera. A Natureza é esperta.» Desculpem o nível da tradução, é minha, quem nunca traduziu mal Ulysses que atire o primeiro sabonete. Pelos vistos, nesta loja não se ofenderam com Joyce. Aqui não, foi simpático. Mas há outros sítios com razões de queixa... Daqui, Leopold Bloom sai com o sabonete de limão na mão esquerda. Vai aos banhos ter obscenos pensamentos, vendo «os caracóis do seu bosque flutuante, flutuante tufo à volta do coxo pai de milhares, lânguida flor flutuante.» Modernismos metafóricos. O livro tem partes muito mais explícitas de sexo e escândalo no seu tempo. Mas isso seria abrir a discussão sobre a riqueza interminável do romance, para Joyce se rir no túmulo e nós gastarmos a vida a falar dele, como se faz em Dublin.


Tema de capa

Troika do volante Por Miguel Seabra, fotos Nuno Correia A profissão deles é andar o mais depressa possível, aproveitar a mais pequena fração de tempo para ganhar vantagem, acelerar até aos limites do bom senso e, por vezes, mais além. São três pilotos com um currículo forrado a vitórias e que constituem o núcleo dos embaixadores motorizados da TAG Heuer em Portugal. Uma troika do volante composta por Miguel Barbosa, Pedro Lamy e Filipe Albuquerque.

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Vivem a sua vida a carregar no pedal e a olhar para o tempo – mais precisamente para frações de tempo que os distinguem dos outros, que lhes dão vantagem para serem campeões, que lhes dão desvantagem para afinarem o que for necessário para voltarem a ganhar. Miguel Barbosa, Pedro Lamy e Filipe Albuquerque são três pilotos que honram o nome de Portugal nas corridas e nos meandros do tempo cronometrado. São também embaixadores da TAG Heuer e partilham, para além da necessidade profissional de correr a favor e contra o tempo, a mesma paixão pelas máquinas do tempo – por relógios especiais de corrida, carregados de história automobilística, impregnados de ADN motorizado. O relógio e o automóvel são dois soberbos exemplos de engenharia mecânica; as suas afinidades situam-se a um nível cultural ou até mesmo intelectual. As origens do automóvel situam-se nos fins do século XIX, numa altura em que a arte da relojoaria ostentava já alguns séculos de maturidade. Tornou-se óbvio o recurso a reconhecidas manufaturas relojoeiras para a concepção de instrumentação de bordo de viaturas da primeira metade do século XX e essa ligação histórica tem-se mantido latente ou sempre evidente. Desde os seus primórdios que a TAG Heuer manteve um relacionamento contínuo com o

universo automóvel e os seus protagonistas. Como Miguel Barbosa, Pedro Lamy e Filipe Albuquerque. Hora de ponta Sir Stirling Moss afirmava perentoriamente que «as corridas não têm a ver com a velocidade, têm a ver com o tempo»; pelos vistos, o lendário ‘escocês voador’ guiava mais com os olhos postos no relógio do que no tablier. O certo é que entre o automóvel e o relógio existem mais afinidades do que as existentes entre os ponteiros do mostrador e do velocímetro: são criações dotadas de um coração mecânico, objetos de culto que suscitam fortes emoções. São muitas as analogias entre automóveis e relógios, a começar pelo facto de ambos serem alimentados por máquinas – e se o relógio mecânico tradicional apresenta um perfil mais similar ao do automóvel, a verdade é que os modelos de quartzo também têm paralelo nos componentes eletrónicos cada vez mais presentes no automobilismo. Miguel Barbosa, Pedro Lamy e Filipe Albuquerque posaram para a câmara com os seus relógios e foram surpreendidos com perguntas como se fossem curvas a 200 km/h. Como em qualquer pista e em hora de ponta, saíram-se bem – cada um ao seu estilo...


Pedro Lamy, 39 anos. Primeiro piloto português a pontuar num Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Histórico homem das 24 Horas – tendo ganho as de Nurburgring e ficado no pódio das de Le Mans. Este ano está a competir em provas de resistência. Qual foi a melhor derrota da sua vida? Não gosto de falar em derrotas!!! (forte exclamação) Com que piloto atual ou do passado gostaria de visitar a TAG Heuer em La Chaux-de-Fonds? Com o Ayrton Senna. Ser piloto ajuda ao sex-appeal? Dizem que sim, mas eu acho que não! Rapidinha é uma volta pequena muito rápida? Nas corridas não há rapidinhas! Quem é mais rápido: o Miguel Barbosa, o Speedy Gonzalez ou o Lucky Luke? O Lucky Luke porque é mais rápido que a própria sombra. Se, numa corrida, o Filipe Albuquerque ou o Miguel Barbosa disserem que lhe vão dar ‘uma abada’, como se sente? Acho que eles estão a sonhar! (risos) Reparei que estava a olhar para o pulso do Filipe Albuquerque. Estava a invejar o TAG Heuer dele? Não, estava a comparar com o meu que ainda é mais bonito!


Miguel Barbosa, 33 anos. Recentemente sagrado tetra-Campeão Nacional de Todo-o-Terreno; também compete no Campeonato Nacional de GTs (Gran Turismos) e no Iberian Supercar Series. Qual foi a melhor derrota da sua vida? Aquela que me faz ganhar a guerra! Com que piloto atual ou do passado gostaria de visitar a TAG Heuer em La Chaux-de-Fonds? Sem sombra de dúvida, com o Ayrton Senna! Ser piloto ajuda ao sex-appeal? O que é isso do sex-appeal?!? Rapidinha é uma volta pequena muito rápida? É uma volta de qualificação!!! Quem é mais rápido: o Miguel Barbosa, o Speedy Gonzalez ou o Lucky Luke? O Michel…. Vaillant! Se, numa corrida, o Pedro Lamy ou o Filipe Albuquerque disserem que lhe vão dar ‘uma abada’, como se sente? A dormir…. Reparei que estava a olhar para o pulso do Pedro Lamy. Estava a invejar o TAG Heuer dele? Não, estava impressionado porque ele chegou mesmo a horas!!


TAG Heuer

Limited Edition Racing Team Referência: WAH1014.TEAM PORT | Preço: € 1.150 Uma edição limitada a 150 exemplares em homenagem à iniciativa “Mastering Speed for 150” que evoca a histórica ligação da marca ao mundo automóvel, mas que celebra também os três pilotos portugueses, Miguel Barbosa, Filipe Albuquerque e Pedro Lamy, que constituem a equipa de embaixadores da TAG Heuer em Portugal. Com uma caixa de 44 milímetros em aço, o TAG Heuer Racing Team tem um mostrador preto decorado com duas listras em vermelho e verde, clara alusão a Portugal. Disponível com bracelete em cauchu.


Filipe Albuquerque, 26 anos. Bateu o Campeão do Mundo de Fórmula 1 (Sébastien Vettel) e o hepta-Campeão do Mundo de Ralis (Sébastien Loeb) para ganhar a Corrida de Campeões em 2010. Este ano participa no DTM (Campeonato Alemão de Turis­ mo) e no Blancpain Endurance Series. Qual foi a melhor derrota da sua vida? Não há melhores derrotas, as derrotas são sempre difíceis. Se tivesse de dizer uma seria a do apuramento de um campeonato europeu de karts no Bombarral. Dominei todas as mangas de qualificação, ganhei na pré-final e na final, que era o que contava, a 3 voltas do fim, com 6s de avanço, saltou-me a corrente... foi duro! Com que piloto atual ou do passado gostaria de visitar a TAG Heuer em La Chaux-de-Fonds? Gostaria de a ter visitado com o Ayrton Senna. Ser piloto ajuda ao sex-appeal? Não sei, mas a minha namorada pode responder por mim. Rapidinha é uma volta pequena muito rápida? Eu digo que é uma volta rápida mas que pode ser melhorada! (risos) Quem é mais rápido: o Miguel Barbosa, o Speedy Gonzalez ou o Lucky Luke? Falta-me conhecer cara-a-cara o Speedy e o Lucky, mas todos eles têm bom nome na praça... (risos) Se, numa corrida, o Pedro Lamy ou o Miguel Barbosa disserem que lhe vão dar ‘uma abada’, como se sente? Sinto-me confiante e imbatível. Mas há vezes faço bluff, o jogo psicológico afeta alguns pilotos! (risos) Reparei que estava a olhar para o pulso do Miguel Barbosa. Estava a invejar o TAG Heuer dele? O Pedro e o Miguel têm relógios que eu adoro e que só com o tempo é que os irei conseguir... acho que eles, enquanto estiverem ao pé de mim, não os deviam tirar do pulso!


TAG Heuer

Concept 24 Referência: CAL5110.SET24 | Preço: € 17.500 Uma edição simbolicamente limitada a 24 exemplares que reúne, num estojo persona­ lizado, dois dos mais notáveis feitos tecnológicos da TAG Heuer: o Monaco Twenty Four Calibre 36 Chronograph e o MERIDIIST Gulf Edition. Com um sistema avançado de absorção de choques que protege o movimento das vibrações, o Monaco Twenty Four está equipado com uma caixa transparente que revela o excepcional mecanismo. Já o MERIDIIST Gulf Edition é um telemóvel de luxo que surpreende pelos seus dois ecrãs e por funcionalidade de topo.


reportagem


As mil e uma faces do Reverso Por Miguel Seabra Não há muitos ícones na história da relojoaria mecânica de pulso, mas há um que foi mais declinado do que todos os outros em simultâneo. Ao longo de oito décadas, a árvore genealógica do já lendário Reverso não tem parado de apresentar novas ramificações e o 80.º aniversário do modelo reversível tem sido comemorado com pompa e circunstância pela Jaeger-LeCoultre – e também com muita arte e engenho.

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reportagem

O Reverso é uma lenda viva que não cessa de aumentar o seu fascínio, e a sua entrada no novo milénio representou o alargamento de uma família cada vez maior e mais complexa.

1931

Oitenta anos constituem uma provecta idade, e o aniversário tem sido celebrado com pompa e circunstância, tendo em conta que a pujança tem crescido a par da longevidade: ao longo das últimas oito décadas o Reverso foi rejuvenescendo o seu estatuto de ícone da relojoaria mecânica para se tornar no modelo de pulso mais declinado e multifacetado de sempre. A linha reversível da Jaeger-LeCoultre tem conseguido redefinir-se e reinventar-se face às crescentes exigências do mercado e à inventividade da concorrência – embora, na verdade, o Reverso nem tenha propriamente concorrência: trata-se de um relógio que se mantém numa categoria à parte desde inícios do século passado. É uma lenda viva que não cessa de aumentar o seu fascínio, e a sua entrada no novo milénio representou o alargamento de uma família cada vez maior e mais complexa. Mas a história do Reverso é também uma estória de redenção. Se o termo significa, em latim, ‘dar a volta’, teve

Nascia o Reverso depois de um oficial britânico ter lançado o desafio ao negociante César de Trey de descobrir um relógio imune aos choques das partidas de pólo. A ideia chegou ao engenheiro Alfred Chauvot que respondeu ao desafio com uma caixa reversível.

1991

mesmo de dar uma grande volta ao seu destino para recuperar das convulsões da Segunda Guerra Mundial, na década de 1940, e da crise que quase vitimou a indústria relojoeira suíça nos anos 1970 – graças à sensibilidade artística de Giorgio Corvo, distribuidor exclusivo da marca em Itália e que convenceu a Jaeger-LeCoultre a reatar a produção do relógio reversí­ vel para satisfazer os pedidos dos seus clientes mais sofisticados numa altura em que as linhas art déco estavam fora de moda. O reatamento do fabrico não foi fácil, e a redistribuição começou a ser feita a conta-gotas: a escassez aumentou a sua apetência entre celebridades italianas como Gianni Versace, Enzo Ferrari e Gianni Agnelli. E já se sabe que o que é bem sucedido em Itália convence o resto do mundo. De desportivo a elegante A adoção do Reverso como relógio de estilo no pulso de líderes irrepreensivelmente

O Reverso Grande Taille inaugurou uma linha de relógios de maiores dimensões que vieram permitir a exploração ao máximo de complicações. Sete modelos diferentes em edições limitadas de 500 exemplares cada revelaram novas potencialidades do Reverso.


vestidos não remete imediatamente para as suas origens desportivas, tanto mais porque o formato retangular sempre esteve associado a um caráter elegante na história da relojoaria. Mas a génese ideológica do Reverso encontra-se num clube desportivo na Índia, quando um oficial britânico lançou ao negociante helvético César de Trey o repto de descobrir um relógio com uma proteção do vidro que permitisse resistir aos choques das partidas de pólo, mas mantendo a elegância exigida pelo estatuto de oficial da coroa britânica. No regresso à Suíça, César de Trey falou com Jacques-David LeCoultre, que falou com Edmond Jaeger, que falou com o engenheiro francês Alfred Chauvot – e o resto é história: a 4 março de 1931, a patente 712.868 descrevia «uma caixa de aço inoxidável, suscetível de deslizar no seu suporte e poder dar a volta completamente sobre si mesma». A caixa deslizava sobre uma calha na estrutura de base e virava a 180 graus. Desde então, e ao longo da sua

2006

existência, o Reverso passou de relógio desportivo-elegante a relógio elegante que posteriormente se tornou complicado e também adquiriu ramificações desportivas numa árvore genealógica que não para de crescer. Sempre teve o outro lado que, revirado, oferecia uma face para personalizações. E, para além de um maior ecletismo nas suas funções, também ganhou novas dimensões ao longo do tempo. Depois do formato clássico original de 1931, do modelo de senhora estreado em 1981, do Grande Taille lançado em 1991 e do XGT, em 2001, a Jaeger-LeCoultre foi aos seus arquivos para ressuscitar um segundo desenho mais quadrado e dotá-lo não só de um espírito mais contemporâneo, mas também de um formato maior para acompanhar a evolução dos tempos e o crescimento da estatura média da população mundial, de modo a satisfazer os aficionados da marca apreciadores de relógios sobredimensionados ou com pulsos grandes. Nascia o Squadra, em 2006:

A Jaeger-LeCoultre apresenta o Reverso Squadra, uma versão de desenho mais quadrado, design assumidamente desportivo e de maiores dimensões. É um dos modelos preferidos por alguns dos embaixadores da marca, ligados ao pólo.

2008

o quadrilátero juntou-se ao retângulo. O estilo da caixa manteve a inspiração art déco do Reverso original e o sistema reversível é o mesmo, mas a reinterpretação estética assume caraterísticas diferentes, graças a proporções mais próximas do quadrado. «A denominação Squadra é uma home­ nagem ao contributo da Itália no regresso do Reverso à ribalta no final dos anos 70, graças ao papel do então importador da marca, Giorgio Corvo; sentíamos necessidade de exprimir essa ligação ao espírito latino e ao design italiano. O Reverso Squadra é um relógio que tem em conta as necessidades estéticas e funcionais do homem contemporâneo», justificou-se então o presidente da marca, Jérôme Lambert, perante os puristas. Era necessário um novo tamanho que fosse confortável para pulsos maiores, dotado de um mostrador com indicações maiores, de modo a ser lido mais facilmente até por pessoas com dificuldades de visão. Em 2010, a Jaeger-LeCoultre tomou a decisão

Depois de ter lançado o Gyrotourbillon, a Grande Maison apresenta o fantástico turbilhão esférico na icónica caixa reversível. Desta forma, o Reverso surgiu com um mostrador hipnotizante e um verso revelador das maravilhas da micromecânica.

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de lançar um novo modelo retangular que mudou ligeiramente o equilíbrio da chamada ‘Regra de Ouro (A sobre B é igual a A mais B sobre A – 1,618) para melhor assentar nos pulsos masculinos. Palco de complicações A maioria das marcas relojoeiras compra um mecanismo e depois concebe uma caixa para o acomodar, colocando calibres redondos em formatos retangulares ou quadrados; na manufatura JaegerLeCoultre, noblesse oblige, os mecanismos e as carrosserias são desenvolvidos em paralelo. Com o lançamento do Grande Taille, em 1991, o Reverso entrou numa nova era, dando origem – de 1991 até 2001 – a uma sequência de sete versões limitadas a cinco centenas de exemplares que são autênticas preciosidades e que complementaram a coleção tradicional: o Reverso 60ème com reserva de marcha (1991), o Reverso Tourbillon (1993), o Reverso Répétition Minutes (1994), o Reverso Chronographe Rétrograde (1996), o Reverso Géographique (1997), o Reverso Quantième Perpétuel (2000) e o Reverso Number One esqueletizado (2001). Terminada essa série comemorativa, a manufatura apresentou o Septantième que, em 2001, transformou o Reverso num palco ainda mais frequente para grandes complicações ao mesmo tempo

que o dotava de uma reserva de corda de oito dias. E surgiam as primeiras versões automáticas, após uma primeira experiência nesse exercício de estilo que foi o Gran’Sport, no final da década de 1990. Mas foi sobretudo ao longo dos últimos anos que o Reverso atingiu os píncaros com exemplares ultracomplicados, desde o Reverso Grande Complication à Tryptique até ao Reverso Gyrotourbillon. Sem esquecer que a própria caixa deslizante e reversível do Reverso também é de uma grande complexidade de construção, pacientemente aperfeiçoada ao longo das décadas por especialistas. O verso da arte É um trunfo no fascínio exercido pelo Reverso desde 1931: o seu verso é um espaço criativo que tem servido de tela para criações artísticas – desde uma outra face relojoeira até à gravação de iniciais, datas relevantes, frases simbólicas, brasões de família, imagens fetiche, desenhos em esmalte ou expressões joalheiras. Devido às suas caraterísticas peculiares, nenhum outro relógio está tão associado às artes como o modelo bipolar da manufatura de Le Sentier, cujo ‘segundo rosto’ tem proporcionado uma tela muito particular para divagações artísticas. As possibilidades técnicas e estéticas têm sido aproveitadas pela Jaeger-LeCoultre – que

foi dotando o verso do Reverso com prodigiosas complicações relojoeiras ou belas manifestações artísticas. Cedo se tornou evidente que o verso era ideal para devaneios criativos e o percurso do Reverso foi permitindo à manufatura reunir no seu portefólio uma larga panóplia de personalizações à vontade do freguês. As edições limitadas Reverso/Arte Portuguesa assumem um papel destacado entre as mais belas interpretações jamais criadas no Reverso. O projeto foi idealizado por Pedro Torres, responsável pela distribuição da marca em Portugal, e exaltado pela Jaeger-LeCoultre – quatro consagrados artistas plásticos lusos foram convidados a utilizar o verso para transmitir a sua interpretação do tempo. O resultado: obras de arte intemporais de elevado valor intrínseco e emocional, com a assinatura de Júlio Pomar (em 2000), Manuel Cargaleiro (2001), Paula Rego (2002) e José de Guimarães (2003) que provam que a arte e o tempo são um excelente investimento. Para comemorar os seus 80 anos, o Reverso regressou às origens, com a reedi­ ção do modelo original e o lançamento de vários modelos Squadra desportivos alusivos ao pólo que inspirou a sua criação – como que um fechar do círculo para o mais famoso dos relógios geométricos. Que novas dimensões terá para nos ofere­ cer rumo ao seu centenário?


reportagem

12 34 Manuel Cargaleiro baseou-se na espiral do relógio para sugerir uma espiral do tempo. 12 34 No Reverso que lhe foi dedicado, Júlio Pomar fez uma interpretação da fábula da lebre e da tartaruga. 12 34 Para Paula Rego o tempo surge associado à passagem de gerações. 12 34 José de Guimarães inspirou-se na arte africana e no símbolo de eternidade que a serpente representa.

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entrevista

De pés bem assentes na Terra Entrevista por Hubert de Haro, em Genebra, fotos Patek Philippe Não é todos os dias que podemos estar sentados lado a lado com um dos principais nomes daquela que é uma manufatura de verdadeiro calibre. Sobretudo num momento tão importante quanto foi o do lançamento do Ref. 5235 Régulateur à Quantième Annuel, no passado mês de junho. Thierry Stern é o atual presidente da Patek Philippe e tem absoluta consciência do poder inerente à sua função, mas a verdade é que, em apenas alguns minutos de conversa, fomos surpreendidos por uma forma simples, prática e realista de encarar a vida. As virtudes e qualidades devem ser aceites com a mesma naturalidade com que se encaram as limitações. Depois, é seguir em frente com o apoio de quem sabe. Fundamentais, neste caminho, são os mestres (o pai) e todos os que colaboram em equipa com empenho e paixão em prol de um mesmo objetivo.


entrevista

Que balanço faz destes dois anos passados à cabeça da Patek Philippe? O vencimento é melhor (risos)...

Graças ao recrutamento feito ao longo dos anos pelo meu pai, pude beneficiar da presença de pilares muito estáveis e muito leais. Conseguimos juntar uma equipa jovem que acabou por ‘tomar o poder’: todos nós crescemos juntos, tivemos as nossas alegrias e as nossas tristezas; tudo isto ajudou a unir a equipa.

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Esta mudança foi acontecendo muito docemente. Eu trabalhei com o meu pai durante 20 anos. Apesar de nenhum de nós desejar parar com esta colaboração, conseguimos fazer com que esta passagem de testemunho fosse efetuada muito calmamente, embora sempre com o sentimento de alguma tristeza. Era um prazer entrar no gabinete do meu pai e dialogar com um homem cuja experiência era de tal ordem, que só poderia ser o melhor professor. Graças ao recrutamento feito ao longo dos anos pelo meu pai, pude beneficiar da presença de pilares muito estáveis e muito leais. Conseguimos juntar uma equipa jovem que acabou por ‘tomar o poder’: todos nós crescemos juntos, tivemos as nossas alegrias e as nossas tristezas e tudo isto ajudou a unir a equipa. Por outro lado, todos aprendemos muito com o meu pai, ‘um mestre’ com experiência e com ligação à tradição e história e que nos foi deixando inovar. Por tudo isto, esta mudança foi sendo feita gradualmente. Eu desafio qualquer pessoa a identificar os impactos desta mudança, porque não os encontrará. Por fim, se nós tivermos uma boa equipa e se soubermos até onde queremos ir, então, a equipa funciona muito bem. Mas tudo passa, também, pela educação: eu não tenho um ego muito marcado e o meu pai também não. Ser presidente da Patek Philippe significa ter muito poder: podemos ver muitas pessoas, fazer muitas escolhas e é preciso saber gerir. Graças aos meus pais, recebi uma educação que me permitiu manter os pés bem assentes na terra. Desde o fim dos seus estudos até assumir a função de presidente da empresa em 2009, acabou por seguir um verdadeiro percurso de globe-trotter, com longas estadias nos Estados Unidos, na Alemanha, na Bélgica… mas igualmente uma formação multidisciplinar começando pela escola de relojoaria, passando pela venda e ainda pela produção. Quando terminei a escola obrigatória, tive uma conversa com o meu pai sobre o meu futuro. Depois da escola de comércio e da escola de relojoaria, poderia ter escolhido a universidade. Mas, sendo uma pessoa ativa, eu não gostava propriamente de estar sentado sempre no mesmo lugar. Naquela altura, o meu pai respondeu-me que eu iria encontrar na Patek Philippe pessoas com capacidades académicas bem superiores àquelas que eu poderia algum dia ter, génios mesmo. O nosso trabalho consiste em descobrir essas pessoas. O meu pai também me disse que, por outro lado, eu não encontraria nenhuma pessoa que conhecesse os nossos produtos, os nossos valores, a nossa mentalidade e que soubesse também como agir no terreno. E foi isto que me levou


à minha formação: formação no produto, para conhecer as pessoas internas, bem como os limites do próprio produto – isso é o mais importante – e, em seguida, o meu conhecimento do cliente final, os nossos retalhistas e a forma de comunicar com eles. Os retalhistas são, para mim, pedras fundamentais. Sem eles não existiria a Patek Philippe. Ao andar no terreno, acabo por ter mais lacunas em relação a áreas importantes, como a contabilidade. Mas, na verdade, este aspeto não é assim tão importante, uma vez que temos bons colaboradores e, portanto, bons professores para mim. Sempre que não estou bem a par de um dossier, peço ajuda. Podemos levar uma hora, um dia, se for necessário, para que tudo me seja bem explicado. Depois de 20 anos, as viagens são, atualmente, um pouco pesadas para a minha família e para mim... mas, se não as fizesse, acabaria por sentir falta delas e não poderia criar novos relógios. Afinal, as ideias nascem a partir de conversas com os nossos clientes. Em 1932, os seus bisavôs, Charles e Jean, compraram a Patek Philippe. Estão, eventualmente, a pensar celebrar esta data no próximo ano? Oitenta anos depois? Não se deve abusar de comemorações. A relojoaria celebra hoje os dez anos de um relógio, os 100 anos de uma sociedade. Tem de haver limites! Com que frequência o vosso mestre, o vosso professor, vem ao escritório ? Três vezes por semana. Mas não vem muito cedo nem sai muito tarde por duas razões: porque esta ainda é a sua paixão, e não o vejo a parar de um dia para o outro; e depois para se dedicar ao Museu Patek Philippe. Acaba de anunciar o lançamento do GyromaxSi®, o balanço da Patek Philippe em Silinvar®, dez anos depois de ter sido apresentada esta nova matéria à base de silício em colaboração inédita com a Rolex e o Grupo Swatch… Nós já tínhamos colaborado no passado com o objetivo de lutar contra o quartzo dos japoneses. Quando as inovações são tão importantes, é possível realizar os investimentos necessários. Para o Silinvar®, trata-se da estreia de um material. Tudo estava bem esclarecido desde o início: assim que o material estivesse estabilizado cada um poderia utilizá-lo da maneira que entendesse. Em relação ao GyromaxSi®, trata-se de aplicações feitas pela Patek Philippe e para a Patek Philippe, como por exemplo, a possibilidade de calcular o declive da espiral. Depois da apresentação, em 2005, da roda de escape e da âncora em Silinvar®, do Pulsomax®, e, mais recentemente, da espiral na mesma matéria (o Spiramax®), o GyromaxSi® é um ponto culminante? Sim e não. Nós descobrimos uma matéria fantástica que começámos a utilizar. Mas dez anos na relojoaria não representam

muito tempo. Nós continuaremos sempre, mesmo que, efetiva­ mente, tenhamos passado um capítulo muito importante. Os relojoeiros são os mais apologistas do aço e do latão, a melhor dupla de materiais para, por exemplo, uma roda e um carrete. Como gerir este aparente conflito entre tradição e inovação ? Tomemos como exemplo François-Paul Journe, um caso que eu conheço bem. Sabemos que tem preferência pela utilização do latão, o que não é errado, pois, realmente, funciona muito bem. Nós próprios nunca tínhamos utilizado o silício até agora. Mas, como é óbvio, eu compreendo a renitência de François-Paul Journe, uma vez que para ele esta solução não é evidente, tendo em conta que ele não teve acesso a esta tecnologia. Mas a verdade é que se a Patek Philippe utiliza o silício é porque o silício funciona. Quais são os resultados concretos do Silinvar® na marcha dos relógios ? Não é possível desenvolver um movimento com uma precisão perfeita, já que nós não trabalhamos o quartzo. O Silinvar® é um avanço que resulta de uma investigação muito mais global e que compreende a montagem do calibre. Vê-se a colaborar novamente com outras marcas? Porque não? É bom escolher os nossos parceiros e saber até onde nos levam. Eu sou aberto a este género de projetos que fazem evoluir a indústria relojoeira. Na Suíça, nós temos um savoir-faire que é muito importante e que deve ser conservado. Uma última questão. O sucesso da marca na América do pós-guerra, uma época de grandes inovações como, em 1941, o primeiro Calendário Perpétuo, não explica hoje os resultados nos salões de venda em leilão ? Nós começámos com a Tiffany nos anos 50. O mercado americano é o que tem o maior número de colecionadores da Patek Philippe. Ali sempre tivemos um mercado muito forte, desenvolvido pelo meu avô que residiu nos Estados Unidos durante um longo período de tempo. Ele próprio convencia constantemente os retalhistas a insistir na qualidade dos nossos produtos. O meu pai confidenciou-me, há não muito tempo atrás, que ele tinha posto de lado alguns retalhistas americanos, os mesmos que hoje são clientes da marca! Assim, penso que certamente tenha ajudado, mas não tanto quanto isso. Eu compreendo a vossa questão uma vez que são dois os empreendedores americanos, Packard and Graves, que na época desejavam mais os relógios e que ajudaram a impulsionar a nossa marca. (DNLR: em 1999, o relógio de bolso com 24 complicações da Patek Philippe para M. Graves, datado de 1932, foi vendido por 11.002.500 dólares pela Sotheby’s Londres, sendo ainda hoje o relógio mais caro vendido em leilão).

www.patekphilippe.com


reportagem

Selo de suprema qualidade Por Miguel Seabra, Le Fleurier, Suíça O selo Qualité Fleurier não é apenas mais um padrão de qualidade da relojoaria mundial: ao contrário do Controlo Oficial Suíço dos Cronómetros ou do Punção de Genebra, certifica relógios acabados e não apenas os mecanismos.

Para o bem e para o mal, há como que uma obsessão humana por certifica­ções oficiais ou oficiosas – desde as agências de notações financeiras que, nos últimos tempos, tanto têm estado em foco relativamente à economia portuguesa, até às simples listas das personalidades do ano ou dos mais bem vestidos. Na indústria relojoaria, as coisas não são diferentes. São sobejamente conhecidos dois tradicionais certificados oficiais emitidos no âmbito da relojoaria suíça: o estatuto de cronómetro emitido pelo Controlo Oficial Suíço dos Cronómetros (COSC) para mecanismos de elevada precisão e o Punção de Genebra, marca que sanciona elevadas exigências técnicas e estéticas. E depois há manufaturas de peso com elevados padrões de exigência que controlam a sua própria certificação: a Jaeger-LeCoultre tem um programa intensivo de testes designado Master Control 1000 Horas; mais recentemente, a Patek Philippe inaugurou o Selo Patek Philippe para certificar as suas obras-primas. O estabelecimento da Fundação Qualité Fleurier, em 5 de junho de 2001, insere-se num projeto partilhado pela Chopard, Parmigiani Fleurier, Bovet Fleurier e Vaucher Manufacture Fleurier – visando estabelecer novos critérios estéticos e técnicos para certificar relógios acabados de uma qualidade irrepreensível. Apesar de ter os seus relógios da coleção L.U.C certificados tanto pelo COSC como pelo Punção de Genebra, a Chopard (que divide as suas instalações entre Genebra e Fleurier) quis ir ainda mais longe e, com os seus parceiros, desenvolveu um conceito próprio oficializado pelas autoridades da região de Fleurier com o suporte do Cantão de Neuchâtel e consubstanciado na Fundação Qualité Fleurier. Os grandes mentores do projeto foram Karl-Friedrich Scheufele, vice-presidente da Chopard, e Michel Parmigiani, patrão da Parmigiani Fleurier. Como os certificados em vigor na altura não incidiam sobre relógios acabados, consideraram necessário estabelecer um novo selo de superlativos padrões de qualidade que estabelecesse critérios estéticos e técnicos de manufatura de acordo com os melhores princípios da alta-relojoaria. A Patek Philippe seguiu o mesmo caminho em 2009.

L.U.C. 1937. Modelos da Chopard que ostentam o selo Qualité Fleurier


O estabelecimento da Fundação Qualité Fleurier, em 5 de junho de 2001, insere-se num projeto partilhado pela Chopard, Parmigiani Fleurier, Bovet Fleurier e Vaucher Manufacture Fleurier – visando estabelecer novos critérios estéticos e técnicos para certificar relógios acabados de uma qualidade irrepreensível.

Sem restrições geográficas O conceito Qualité Fleurier destina-se a permanecer aberto à evolução das técnicas da relojoaria tradicional nas recentes décadas, desde que contribuam positivamente para a qualidade de produtos acabados. Para mais, e ao contrário do que sucede com o Punção de Genebra, está acessível a qualquer marca e não há limites geográficos em relação ao local da produção, porque aceitam-se relógios de toda a Europa; o certificado (consubstanciado por um documento inscrito e a gravação do logotipo no relógio) é atribuído por uma comissão técnica independente das entidades fundadoras, baseado em várias premissas e testes já determinados. O caderno de encargos é o seguinte: o mecanismo tem de ter o certificado prévio de cronómetro atribuído pelo COSC; tem de se sujeitar ao teste Chronofiable (testes de duração, de força sobre coroa, botões e luneta, de reação a campos magnéticos, de resistência ao choque e de estanqueidade); tem de atingir um nível estético de acabamento exclusivo (todas as partes do calibre são apresentadas separadamente e analisadas a olho nu e ao microscópio para apreciação da decoração e dos acabamentos); e, já dentro do relógio, tem de passar testes de precisão no Fleuritest, uma máquina capaz de reproduzir todo o tipo de atividade humana e fazer a alternância entre fases calmas ou de hiperatividade. Após os testes, o relógio passa a ostentar o selo ‘FQF La Haute Horlogerie Certifiée’ e é acompanhado por um documento de certificação escrito. Para celebrar a Fundação Qualité Fleurier e o respetivo certificado, a Chopard já criou relógios come­-

Testes de uso quotidiano do relógio. A máquina reproduz situações de uso diário enquanto uma aplicação informática recolhe os dados.

morativos – orgulhosamente dotados do novo selo de qualidade, gravado no fundo da caixa. O estabelecimento da Fundação Qualité Fleurier é o mais recente marco de um historial rico e preponderante na evolução económica da relojoaria suíça. As origens da aventura relojoeira no Cantão de Neuchâtel remontam a 1650 e, na zona de Val-deTravers, foi precisamente em Fleurier que os primeiros relógios foram concebidos. Em 1851, era fundada a Escola de Relojoaria de Fleurier. Em 1920, o local Charles-Édouard Guillaume recebeu o Prémio Nobel da Física pela invenção de ligas metálicas que melhoraram a relojoaria, como o Invar e o Elinvar. A crise dos anos 70 veio condenar a indústria relojoeira da pacata comunidade montanhesa ao marasmo, mas o estabelecimento da Manufatura Chopard, da Parmigiani Fleurier, da Bovet Fleurier, da Vaucher Manufacture Fleurier e da Fleurier Ébauches ao longo das últimas duas décadas ressuscitou o rico património cultural da região. www.qualite-fleurier.ch

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reportagem

Montblanc mantém confiança em Portugal Fotos Montblanc «Vamos continuar a investir em Portugal.» foram as palavras de ânimo deixadas por Karl-Heinz Handke, presidente da Montblanc para o hemisfério ocidental, no evento de celebração dos dez anos da primeira boutique da marca em Lisboa.

Para celebrar o 10.º aniversário do seu primeiro espaço exclu­ sivo em Portugal, a Montblanc organizou, em julho, um cocktail e uma conferência de imprensa, e aproveitou para apresentar o novo visual da boutique de Lisboa recentemente renovada. No evento, esteve presente Karl-Heinz Handke, presidente da Montblanc para o hemisfério ocidental, que deixou bem clara a sua posição relativamente à presença da marca no nosso país. Numa referência explícita ao atual clima negativo que se vive, Handke referiu que «Portugal é um país com uma grande história e cultura, aspetos que identifico muito com os valores da Montblanc. Vamos continuar a investir em Portugal, como o temos feito até aqui, sempre com excelentes resultados.» Conotada de um modo geral como segmento dos instrumentos de escrita, a

Montblanc tem vindo a reforçar também a sua aposta no mundo da relojoaria. Segundo o Presidente, «apesar de o segmento das canetas continuar a ser a imagem de marca, o segmento dos relógios tem vindo a conhecer uma grande evolução». Esta evolução deve-se também à aquisição da manufatura Minerva, que veio permitir à Montblanc desenvolver integralmente os seus próprios movimentos relojoeiros. Em exclusivo para o evento de celebração, a Montblanc trouxe algumas peças de exceção a Lisboa. Entre elas, quatro relógios de produção muito limitada que integram a coleção Villeret 1858, a primeira coleção de relógios integralmente produzidos pela marca – do movimento a todos os componentes externos. Destaca-se ainda diversos modelos que constituem a coleção de sucesso Nicolas Rieussec, bem como vários instrumentos


«Portugal é um país com uma grande história e cultura, aspetos que identifico muito com os valores da Montblanc. Vamos continuar a investir em Portugal, como o temos feito até aqui, sempre com excelentes resultados.» Karl-Heinz Handke

de escrita, nomeadamente a edição limitada Patron of Art Edition Gaius Maecenas. A boutique Montblanc situa-se na Av. da Liberdade, em Lisboa, num edifício histórico totalmente recuperado pelo Arquiteto Carrilho da Graça, e destaca-se pelo contraste entre os móveis azuis, cor associada à marca, e o bege/dourado das paredes. Um contraste perfeito para oferecer a cada peça exposta um lugar de verdadeiro destaque. Com uma área total de 81 m2, o espaço renovado oferece ainda uma zona VIP destinada aos clientes que desejam um atendimento mais personalizado, mas que se revela também como o local ideal para a exposição de peças exclusivas do variado portefólio da marca. www.montblanc.com

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reportagem

A última corrida Por Carlos Torres, fotos Graham, Ilha de Man Disputado num pedaço de terra localizado entre a Grã Bretanha e a Irlanda, o Tourist Trophy da ilha de Man representa para muitos o pináculo do calendário anual de provas de motociclismo de velocidade... Da janela do pequeno turboélice que faz a ligação aérea entre Manchester e a Ilha de Man, o azul imenso do mar era apenas interrompido pela figura diminuta de um ferry que eu sabia ter o mesmo destino. A bordo, centenas de motards faziam a ligação de duas horas em direção a uma ilha que há mais de 100 anos é o palco de uma das corridas mais incríveis do planeta. A peregrinação anual estava em marcha, e eu, após décadas de um sonho adiado, ia finalmente cumprir o meu destino e assistir à corrida que desde sempre povoou o meu imaginário. O que Meca representa para os muçulmanos e o Vaticano para os católicos, é o mesmo que o TT da Ilha de Man representa para os motociclistas de todo o mundo. Este é um local sagrado de

pere­grinação e de culto aos deuses da velocidade e, provavelmente, é a última e verdadeira corrida onde o espírito genuíno e o puro prazer pela velocidade ainda não foi adulterado. Um evento desprovido de vaidades onde os habituais palmarés de campeão de outras disciplinas pouco contam. Aqui, cada piloto sabe à partida que esta pode ser a sua derradeira prova, o que incute um enorme sentido de humildade perante o irreal circuito que se lhe depara. Nenhum fardo de palha será suficiente grande para minimizar o risco que casas, muros, árvores, bancos, postes de iluminação e outro mobiliário de rua representam para os pilotos que passam por eles a 90 metros por segundo. Ao contrário dos circuitos modernos, com as suas largas escapatórias, no fim de cada reta e à saída de cada curva, o mais pequeno erro de cálculo na travagem ou trajetória irá ditar invariavelmente a saída de pista, e, na maioria dos casos, a tragédia. Uma sentença que para a maioria dos pilotos, é


Os pilotos do TT são efetivamente diferentes, e essa foi uma experiência que pude verificar in loco, ao falar com Ian Hutchinson e John McGuinness, duas figuras maiores da história recente da prova.

permanentemente adiada para a próxima corrida. Uma espécie de espada de Damócles que define também a atitude de humildade com que esta raça de pilotos em vias de extinção se apresenta na linha de partida. Mas vencer o TT é mais do que um prémio a que muito poucos podem ambicionar. Representa, acima de tudo, poder sentar-se ao lado dos deuses. Foi aqui que nomes míticos como Giacomo Agostini, Mike Hailwood, John Surtees, Joey Dunlop ou Phil Read construíram a sua reputação lendária, e foi a esta prova que voltaram sempre, ano após ano, incapazes de resistir ao seu apelo e carisma únicos. Os pilotos do TT são efetivamente diferentes, e essa foi uma experiência que pude verificar in loco, ao falar com Ian Hutchinson e John McGuinness, duas figuras maiores da história recente da prova. É impossível não reparar na paixão e reverência com que falam do TT e na atitude de humildade que demonstram em relação a um circuito com 60 km de extensão e cerca de 250 curvas e contracurvas, que já levaram a vida de mais de 200 pilotos desde 1907.

Que outro circuito se pode gabar de ter pontos do seu traçado batizados com nomes como Bray Hill, Sarah´s Cottage, Ballaugh Bridge, Parliament Square ou Joey´s Bend, este último em memória do mítico Joey Dunlop e do seu recorde de 26 vitórias no TT. Ao longo de cada volta, que no caso das Superbike será cumprida em menos de 18 minutos, cada piloto irá passar por zonas de calor, frio, chuva ou nevoeiro desde o nível do mar até uma altura de 426 metros em Brandywell. O Mountain Course mantém-se, nos nossos dias, o mais exigente circuito do mundo, e tanto Hutchinson como McGuiness são categóricos ao afirmar que o circuito do TT requer um processo de aprendizagem contínuo, que demora anos até ser dominado. Bastou aliás uma visita guiada ao circuito na companhia de ‘Milky’ Quayle, para nos apercebermos do grau incrível de conhecimento e experiência que os pilotos têm de ter no que respeita a este circuito para o poderem dominar. Richard ’Milky’ Quayle foi obrigado a abandonar as corridas após um aparatoso acidente durante o TT de 2003, que correu o mundo virtual via YouTube.

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reportagem

Graham Silverstone Tourist Trophy Ref. 2BLUV.B25R.L13N Preço: € 5.750

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Apesar disso, a sua paixão pela prova mantém-se intacta e incondicional, o que reflete a forma como se nos apresenta para o tour, «eu vivo e respiro o TT, a minha vida é o TT!» Ao longo de quilómetros, Quale descrevenos cada curva, cada lomba, cada defeito do alcatrão antecipando permanentemente a reação da carrinha em que viajamos em relação às irregularidades do piso. Um testemunho impressionante, onde a expressão mais comum era definitivamente um ’back on the throttle and flat out’ (acelerar e sempre a fundo), proferida num sotaque típico da Ilha de Man. Prova bastante de que, a 300 km por hora, a condução se transforma numa questão de instinto, e a navegação por entre vilas, muros e passeios pejados de motards em êxtase, uma reação natural.

Mesmo pilotos como o antigo campeão do Mundo Kevin Schwantz têm dificuldade em caraterizar esta corrida. «Este sítio é de loucos! O que mais me impressiona são as reduzidas condições de segurança, e não é só a velocidade incrível que aqui se pratica que me deixa atónito. Compreender o que estes tipos (os pilotos) são capazes de fazer requer um total reajustamento do meu entendimento. Aqui não há espaço para qualquer erro.» Mas no TT a verdadeira corrida é a corrida contra o tempo. Os pilotos partem isolados e em sequência, em intervalos de 10 segundos, e, no caso das Superbikes, para um conjunto de seis voltas, cumprido atualmente a uma média estonteante, e difícil de compreender, que excede os 200 km hora. Medir e controlar esse tempo é, pois, uma tarefa crucial na qual a Graham London se quis envolver. Cronometrista oficial da prova desde 2007, este ano a marca anunciou ter prolongado esse estatuto até 2014. Uma decisão em sintonia com o êxito e reconhecimento internacional que a prova tem vindo a ganhar e que é comemorada todos os anos com o lançamento de edições limitadas que vão ficando associadas a cada prova. Cada vencedor de cada categoria recebe da Graham um modelo de edição limitada personalizado. E se Ian Hutchinson tem já um número considerável devido às suas múltiplas vitórias nos últimos cinco anos, o grande vencedor de 2011 da categoria Superbike, John McGuiness, não se inibiu à chegada da prova, mostrando a todos o raro Graham Silverstone Tourist Trophy que trazia no pulso. Um modelo a que também o comum dos mortais terá acesso e que, para quem conhece o TT, não deverá marcar apenas por se tratar de um excelente relógio com um design ao mesmo nível. A presença do símbolo do TT no mostrador fará recordar, para sempre, as emoções difíceis de descrever de uma prova de superlativos, única no mundo. No meu caso, e no ano em que o Mountain Course cumpriu o seu primeiro centenário, far-me-á recordar para sempre que... eu estava lá! www.graham-london.com


Mas no TT a verdadeira corrida é a corrida contra o tempo. Os pilotos partem isolados e em sequência, em intervalos de 10 segundos, e, no caso das Superbikes, para um conjunto de seis voltas, cumprido atualmente a uma média estonteante, e difícil de compreender, que excede os 200 km hora. Medir e controlar esse tempo é, pois, uma tarefa crucial na qual a Graham London se quis envolver.

Em cima à esquerda: Ian Hutchinson conquistou cinco vitórias no TT de 2009. Em baixo à esquerda: John McGuiness, vencedor do TT 2011, na categoria de Superbikes. À direita: Guy Martin, piloto do TT e protagonista do documentário TT3D Closer to the Edge, patrocinado pela Graham.


Dossier

Com os ponteiros na Lua Por Miguel Seabra, ilustrações Magda Pedrosa O luar guiou a humanidade através de séculos de mudança, desde as primeiras gravações rupestres até às primeiras pegadas na superfície lunar. A Lua sempre exerceu sobre o homem um peso emocional equivalente à sua influência sobre a natureza, sendo simultaneamente fonte de ado­ ração e inspiração. Foi instrumento de navegação, fonte de iluminação noturna, cenário de episódios místicos e científicos... e fica sempre bem num relógio de prestígio!


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Dossier

A Lua tem exercido um enorme fascínio sobre o homem desde sempre – e ornado relógios desde o Renascimento. Atualmente, todas as marcas relojoeiras de prestígio que não sejam de pendor declaradamente desportivo têm no seu catálogo vários modelos com uma abertura para as fases lunares no mostrador, seja associada a outras complexidades mecânicas (habitualmente calendários triplos ou perpétuos) ou apenas a solo (para ganhar protagonismo). E uma das tendências recentes na indústria relojoeira face aos tempos de recessão prende-se precisamente com a declinação de relógios de linhas puras e simples acompanhados de uma pequena complicação… na maior parte das vezes com a Lua em destaque. Será porque a crise afasta a ostentação e impele o retorno a tendências mais clássicas, como as que caraterizam a maior parte dos relógios dotados de fases da Lua? Ou será um desejo inconsciente de ‘estar na Lua’ perante a sucessão de acontecimentos desanimadores e notícias preocupantes? O certo é que, depois de tantos milénios e mesmo após já ter sido pisado num ‘passo pequeno para o Homem, mas grande para a Humanidade’, o único satélite natural da Terra (há já 4,5 biliões de anos) continua a exercer magnetismo sobre nós e, aparentemente, a afetar as nossas vidas quase tanto quanto o Sol. É normal que assim seja. Desde que se conhece, o Homem tem convivido com dois astros alternadamente omnipresentes que o ajudaram na perceção do tempo. O Sol, numa frequência diária; a Lua, em períodos cíclicos e sob diferentes formatos. Cada um com uma personalidade muito própria, sendo o Sol mais óbvio e a Lua mais misteriosa.. Um astro no mostrador O Sol é o centro do seu próprio sistema e não tolera olhares insistentes; a Lua não passa de um satélite e pode ser mirada diretamente. Mas o facto de iluminar o reino das trevas sempre lhe deu um fascínio muito especial – sobretudo porque sempre houve a consciência da sua maior proximidade relativamente a todos os outros corpos da abóbada celeste. E se o Sol permitiu dividir o tempo em dias, a Lua ajudou a estabelecer as semanas e os meses... Curiosamente, é o Sol que contribui para a visibilidade da Lua. Como não tem luz própria, o único satélite natural da Terra reflete a luminescência solar de modo diferente segundo a posição em que se encontra – variações

Como não é possível criar uma roda com 29,5 dentes para acompanhar a duração aproximada de uma lunação, os relojoeiros adotaram uma astuciosa solução: um disco com duas luas opostas, movimentado por uma roda com 59 dentes. No decurso de 59 dias (duas lunações), esse disco roda uma vez em volta do seu eixo, revelando o estado da Lua através de uma abertura semicircular no mostrador.

conhecidas por fases da Lua. As cambiantes, a luminosidade e a possibilidade de ser claramente vista a olho nu transformaram a Lua num objeto privilegiado de contemplação; não admira que tenha servido de inspiração a todas as culturas... e como os relojoeiros tradicionais também são uma espécie de poetas, há muito que conseguiram materializar a atração lunar no mostrador de um relógio. Mesmo que o curso irregular do caprichoso astro noturno não lhes tenha facilitado a vida. As indicações astronómicas têm marcado presença em todos os sistemas de medição de tempo desde tempos imemoriais. Os calendários da antiguidade eram empíricos e respeitavam uma certa lógica: cada lua nova determinava o início de um mês e cada quarto indicava o começo da semana – ao longo da sua trajetória, a Lua apresenta diversas fases (lua nova, quarto crescente, lua cheia, quarto minguante e retorno à lua nova) em função das posições relativas da própria Lua, do Sol e da Terra. As quatro fases da Lua equivalem a uma lunação, que dura 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2,8 segundos e nada tem a ver com o Sol. O único denominador comum entre o astro do dia e o da noite encontra-se no ciclo de Méton: 235 meses lunares correspondem a 19 anos do calendário Juliano. Um número que de nada serve aos relojoeiros... A dentição da Lua Como não é possível criar uma roda com 29,5 dentes para acompanhar a duração aproximada de uma lunação, os relojoeiros adotaram uma astuciosa solução: um disco com duas Luas opostas, movimentado por uma roda com 59 dentes. No decurso de 59 dias (duas lunações), esse disco roda uma vez em volta do seu eixo, revelando o estado da Lua através de uma


abertura semicircular no mostrador. Mas é possível fazer melhor: é que se a roda tiver 59 dentes, o dispositivo ganhará um avanço de 44 minutos e 2,8 segundos por lunação – antecipando o ciclo lunar em um dia por cada dois anos e sete meses. Esse é o desfasamento máximo tolerado num relógio de qualidade. Os sistemas de fases da Lua em relógios de pulso mais aperfeiçoados são dotados de uma roda com 135 ínfimos dentes, que se adianta apenas 57,2 segundos por lunação e necessita de ser corrigida somente a cada 122 anos (uma precisão de 0,002 por cento!). A qualidade de um sistema de fases da Lua num relógio está diretamente associada à capacidade de a respetiva marca ser capaz de produzir uma minúscula rodagem com mais ou menos dentes. Só que não é assim tão fácil transformar dados astronómicos em engrenagens de dimensões quase microscópicas, e uma reputada casa relojoeira tem orgulho em desenvolver o seu próprio sistema, pelo que a precisão e o modo de correção (botão ou corretor) são muito variáveis. Normalmente, as marcas com maior tradição apresentam melhores soluções – aperfeiçoando a indicação das fases da Lua paralelamente ao desenvolvimento de calibres com calendários triplos, anuais ou perpétuos. É o caso de seculares manufaturas como a Audemars Piguet, a JaegerLeCoultre ou a Lange & Söhne, acompanhadas pelas criações de mestres como François-Paul Journe ou Franck Muller. Os mestres Martin Braun e Paul Gerber especializaram-se mesmo em complicações lunares. Por outro lado, jovens marcas como a De Bethune aperfeiçoaram um sistema tridimensional baseado numa Lua esférica ou optam por uma representação gráfica modernista. E a Linde Werdelin até lançou um relógio de mergulho com fases da Lua – afinal de contas, a Lua afeta as marés! A Lange & Söhne faz questão de exaltar sistemas que mostram a Lua em avanço contínuo e não aos supetões, ou com paragem quando se acerta o relógio. O destaque que a histórica firma saxónica dá à Lua está bem patente em diversos modelos da sua coleção, sejam eles regulares ou em edição limitada, como foi o caso de um estojo com dois relógios Lange 1 Luna Mundi lançado há uma década – um reproduzia a Lua no firmamento como ele é visto a partir do hemisfério norte (com a Ursa Maior em destaque) e outro mostrava o astro no céu encarado a partir do hemisfério sul (sendo o Cruzeiro do Sul a constelação dominante). Mais recentemente começaram a surgir modelos

dotados de fases duplas da Lua – fiéis tanto no hemisfério norte quanto no sul, como sucede no Chopard LUC Lunar One Big Date com revolução sinódica. Entre as várias soluções que acompanham a indicação das fases da Lua, deve-se igualmente salientar a presença de um ponteiro ou escala de 29 dias e meio para mostrar a ‘idade’ da Lua em vários modelos, como acontece no Duomètre à Quantième Lunaire ou no Master Moon da JaegerLeCoultre. A manufatura de Le Sentier revela ainda a sua vocação astronómica no Reverso Sun Moon, dotado de um indicador dia/noite para se poder efetuar a correção das fases lunares a qualquer hora. Esteticamente, o grande mérito reside na qualidade da tinta ou da laca utilizada no disco (os tons azulados para o céu ou dourados para os astros variam bastante) e no modo artístico como a Lua e as estrelas são desenhadas. O formato da abertura da janela e a sua colocação no mostrador também contribuem decisivamente para a elegância e a eficácia do modelo. Geralmente, a Lua é a única representação gráfica num mostrador analógico e deve ser tratada com o destaque que merece.. Do céu ao pulso Muitos calendários religiosos são estabelecidos segundo a Lua. Mas o ritmo frenético em que vivemos atualmente faz-nos mergulhar na irreversibilidade do tempo e na inexorável sucessão de segundos, minutos, horas, dias, meses e anos. São essas as unidades de tempo pelas quais a sociedade ocidental se rege, não prestando a devida atenção à Lua e respetivas fases em constante alternância – mesmo que, ocasionalmente, possamos reparar nela quando brilha na escuridão do firmamento. A Lua tem um diâmetro 3,66 vezes menor e uma massa 81 vezes inferior à da Terra. A distância da sua órbita é variada: no perigeu (mais perto), está a 356.334 km; no apogeu (mais distante), está a 406.610 km. Mas exerce uma notável influência sobre a Terra e os terrestres. O movimento das marés, as percentagens de nascimento ou falta de sono em noites de lua cheia são alguns desses fenómenos e mesmo simples atividades como cortar o cabelo, efetuar tratamentos médicos, atividades sociais, práticas amorosas, arrancar ervas daninhas e plantar ou transplantar estão sujeitas aos insondáveis poderes ocultos da Lua. Para além de haver todo um imaginário

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Dossier

construído à volta do parceiro da Terra: o lunático, o lobisomem, a lua de mel, as serenatas ao luar, a conquista do espaço... Já no século XIII, existiam relógios mecânicos dotados de calendário com fases da Lua. Os relojoeiros desse tempo pretendiam impressionar os seus abastados clientes alardeando mestria na sua arte, enquanto os compradores revelavam publicamente sensibilidade artística e interesse pela astronomia. O período renascentista que se seguiu gerou um interesse ainda mais científico pelos astros e os relógios da altura faziam-se acompanhar frequentemente pelas fases lunares. Essa popularidade e o contínuo fascínio pelo pálido satélite fizeram com que os relojoeiros dos séculos posteriores adotassem o mecanismo de fases da Lua a relógios de bolso cada vez mais pequenos. No século XVIII, já existiam guardiões do tempo portáteis de grande qualidade, mas inacessíveis ao homem comum. Abraham-Louis Breguet inventou ou desenvolveu quase todas as complicações relojoeiras conhecidas atualmente, e muitos dos seus relógios estavam dotados de fases da Lua, satisfazendo abastados clientes com necessidades estéticas ou científicas... Os primeiros modelos de pulso com uma janela lunar surgiram nos anos 20, dando especial relevo aos mostradores. Iniciou-se então uma moda que teve o seu auge nos anos 40 e sobreviveu até aos nossos dias, revelando-se indissociável da relojoaria mecânica tradicional. A Lua colocada sobre um céu azulado, visível através de uma janela em forma de semicírculo, é inclusivamente um símbolo da relojoaria clássica – e a relojoaria clássica está de novo na moda. Inspiração ancestral As fases da Lua são apenas uma das várias complicações de calendário disponíveis na relojoaria mecânica. A mais simples é a data, seguida do dia da semana e do mês (quando juntos, formam um calendário triplo). Geralmente, essas complicações simples necessitam de ser ajustadas manualmente para anular as diferenças de dias entre os vários meses. Num plano mais avançado, há também os calendários anuais (que têm de ser avançados uma vez por ano, de fevereiro para março) e os calendários perpétuos, que contabilizam anos bissextos e não necessitam de correção. Os relógios dotados de equação do tempo têm um calendário perpétuo com indicação adicional do tempo solar e o desfasamento em relação ao tempo civil. Geralmente, todos os

calendários mais elaborados fazem-se acompanhar de fases da Lua. Já se sabe que os relógios mecânicos ‘adormecem’ se não lhes for dada corda (mecânicos manuais) ou se não forem utilizados no pulso (mecânicos automáticos). E, tal como sucede em relação aos modelos com calendário, um relógio mecânico dotado de fases da Lua que para durante algum tempo tem de ser posteriormente corrigido com o recurso a uma tabela das fases lunares. A revolução lunar empregada na relojoaria é apelidada de sinódica – corresponde ao intervalo médio de duas conjunções consecutivas da Lua e do Sol. Desde a passagem para o terceiro milénio, a sua duração exata é de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2,806 segundos – valor que diminui 0,16.10 sextos em cada século Juliano, que corresponde a 36.525 dias. Nos relógios de pulso, as indicações das fases da Lua podem atingir um desfasamento que vai de 45 horas por lunação até 24 horas em 122 anos em caso de funcionamento contínuo; a correção pode ser efetuada manualmente e ‘a olho’ através do botão ou corretor presente na caixa do relógio. Basta alguma prática e um almanaque com as fases da Lua (em papel ou virtualmente na Internet) para que qualquer utilizador efetue a correção, mas os relojoeiros que corrigem as variações até à milésima parte do milímetro são cada vez mais raros. O grande especialista nessa tarefa foi o francês Antide Janvier, que, por volta de 1800, utilizava rodas inclinadas de centro variável para corresponder às diversas leis da física que regem os movimentos da Lua na sua órbita (e há mais de 1.500 elementos a afetar a trajetória). Antide Janvier foi uma grande referência para François-Paul Journe, pelo que a coleção do mestre marselhês tinha de ter um modelo que celebrasse as fases da Lua: o Octa Lune. Nos tempos modernos, o ciclo lunar deixou de influir diretamente no calendário civil. Mas a Lua continua fascinante, e é um parceiro de prestígio para a dança do tempo presente no mostrador de um relógio mecânico tradicional – e no nosso imaginário.

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Dossier

Raymond Weil

Maestro Tradition Referência: 2839-STC-00209 Movimento: Mecânico de corda automática. Funções: Horas, minutos, segundos, data e fases da lua. Caixa: Aço, vidro e fundo em safira. Estanque até 50 metros. Dimensões: Ø 39,5mm Bracelete: Pele com fivela em aço. Preço: € 1.980


Franck Muller

Aeternitas Mega 4 Referência: 8888AEMEGA4/OBBRV Movimento: Turbilhão mecânico de corda automática com micro rotor em platina. Funções: Horas; minutos; turbilhão sem pontes sobre um rolamento com esferas de cerâmica; reserva de corda nas 12h; cronógrafo rattrapante com três rodas de colunas, ponteiros dos segundos ao centro, contador dos minutos nas 3h e contador das horas nas 9h; indicação dia-noite; grande sonnerie com carrilhão Westminster com 4 gongos; pequena sonnerie; mecanismo de isolamento da sonnerie quando na posição de acerto dos ponteiros. Caixa: Ouro branco maciço 18 kt, vidro em safira, estanque até 30 metros. Dimensões: Ø 42,1x61mm Bracelete: Pele de crocodilo com fivela em ouro branco maciço 18 kt. Preço: € 2.064.000


Dossier

Jaeger-LeCoultre

Duomètre à Quantième Lunaire Referência: Q6042420 Movimento: Calibre JLC 381. Funções: Horas, minutos, segundos, dupla reserva de corda, data, fases da Lua e segundos foudroyantes. Caixa: Ouro rosa 18 kt, vidro e fundo em safira, estanque até 50 metros. Dimensões: Ø 42mm Bracelete: Pele de aligátor com fecho de báscula em ouro rosa 18 kt. Preço: € 29.400


Audemars Piguet

Jules Audemars Equação do Tempo Referência: 26003BC.OO.D088CR.01 Movimento: Mecânico de corda automática calibre AP 2120/2808. Funções: Horas, minutos, hora de nascer e pôr do Sol, equação do tempo, calendário perpétuo e fases da Lua. Caixa: Ouro branco 18 kt, vidro e fundo em safira, estanque até 20 metros. Bracelete: Pele de jacaré com fecho de báscula em ouro branco 18 kt. Preço: € 85.540


Dossier

François-Paul Journe

Octa Automatique Lune Referência: FPJ.OAL40.PT.B Movimento: Mecânico de corda automática FPJ 1300-3 em ouro rosa 18 kt com 120h de reserva de corda. Funções: Horas e minutos ao centro, pequenos segundos às 4:30, grande data, indicação da reserva de corda às 9h e fases da Lua. Mostrador: Prata. Caixa: Platina, vidro e fundo em safira, estanque até 30 metros. Dimensões: Ø 40mm Bracelete: Pele de crocodilo com fivela em platina. Preço: € 45.760


Patek Phillipe

Grande Complication Minute Repeater Tourbillon, Perpetual Calendar with Retrograde Date and Moon Phases Referência: 5216R Movimento: Mecânico de corda manual Calibre R TO 27 PS QR LU com turbilhão Funções: Horas, minutos, pequenos segundos. Repetição de minutos, calendário perpétuo com ponteiro retrógado da data. Dia da semana, mês, anos bissextos, fases da Lua e indicação dia/noite. Caixa: Ouro rosa 18 kt, fundo em ouro rosa de 18 kt e fundo em vidro safira intercambiáveis Bracelete: Pele de aligátor com fecho dase báscula em ouro rosa 18 kt. Preço sob consulta.


reportagem

Coração de Dragão Por Cesarina B. Sousa, fotos Vacheron Constantin O Vladimir é uma obra de grande imponência que faz parte do leque restrito de criações personalizadas do Atelier de Cabinotiers da Vacheron Constantin. Peça única e exclusiva, destina-se ao cliente particular que teve um dia a ambição de ser detentor de um dos relógios mais complicados do mundo.

Quatro anos de concretização com recurso a mais de 20 especialistas, 891 peças, 17 complicações, 47 milímetros de caixa. Números que impõem respeito, mas que são manifestamente insuficientes quando se trata de encarar a grandiosidade de um relógio como o Vladimir. Desenvolvido e manufaturado pelo Atelier de Cabinotiers – designação do novo e exclusivo serviço de criação de peças personalizadas da Vacheron Constantin – o Vladimir resulta da encomenda de um cliente particular que queria nada mais nada menos do que ser detentor de um dos relógios mais complicados do mundo. O pedido foi, então, analisado e a casa genebrina não só aceitou o desafio, como também acabou por reservar grande parte dos seus recursos para a realização do projeto.

Se por um lado o Atelier de Cabinotiers evoca o espírito dos relógios por encomenda que faziam parte da realidade genebrina do século XVIII, por outro lado, tem a vantagem de hoje poder usufruir dos longos anos de experiência comprovada e dos avanços tecnológicos do terceiro milénio. Atualmente, os clientes podem dar-se ao luxo de exigir o impensável porque até mesmo o impensável se pode tornar concebível em relógios de um extraordinário aperfeiçoamento técnico e estético. Este facto, sem qualquer dúvida, transparece no intimidante Vladimir. A caixa de generosas dimensões surpreende pelo minucioso trabalho de gravação com que é decorada. Nas laterais estão representados, em baixo relevo, os 12 signos do zodíaco chinês: do lado direito está o porco, o cão, o galo, o macaco,


a cabra e o cavalo; do lado esquerdo, o rato, o boi, o tigre, a lebre, o dragão e a serpente. Cada figura foi talhada para se destacar da superfície, um trabalho que demorou mais de seis meses. Para tornar possível a criação desta obra, foi necessário conceber uma caixa particularmente espessa que permitisse talhar e polir com o máximo cuidado. É esta caixa que guarda, no seu interior, o movimento de exceção Calibre 2750, distinguido com o Selo de Genebra, que dá vida às diversas funções que compõem o relógio. No mostrador descentrado sobressaem, desde logo, os ponteiros das horas e dos minutos em ouro rosa condizentes com a caixa, desenhados especialmente para esta peça. O turbilhão, apesar de ser fabuloso com a ponte em forma de cruz de malta e de estar emoldurado por uma escala de pequenos segundos, não tira destaque à belíssima indicação das fases da Lua. Concebida em ouro e gravada à mão, a lua surge de forma original, com um sorriso ou com um semblante mais sério consoante as fases lunares. Em destaque surgem, ainda, o indicador do binário da repetição de minutos, um segundo fuso horário com indicação do dia e da noite, um indicador de

reserva de marcha e um indicador de 52 semanas. Já o fundo, numa primeira abordagem, quase se confunde com o próprio mostrador. Isto acontece devido à profusão de funções que o pre­ enchem: calendário perpétuo com dia da semana, mês e data; indicador do ano bissexto; equação do tempo; nascer e pôr do sol; e um delicioso planisfério celeste de precisão do hemisfério norte. Tanto o mostrador quanto o fundo primam pelos detalhes de decoração guilloché e acabamentos minuciosos, mas também pelo elegante jogo de cores, entre tons azuis, dourados e brancos. Resultado de uma capacidade fora de série para interpretar e concretizar os desejos de um cliente, o Vladimir é uma peça proibida com destino agendado desde o início, mas é também a prova de que (apesar da positiva vertente futurista e iconoclasta que se mantém de boa saúde) a relojoaria tradicional vive, hoje em dia, tempos surpreendentemente gloriosos, continuando, de forma heroica, a dar vida a relógios que são verdadeiras obras de arte. www.vacheronconstantin.com

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à lupa

Abissal Por Cesarina B. Sousa, ilustrações Magda Pedrosa

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Era difícil prever o impacto que uma linha como a P’6780 Diver da Porsche Design poderia ter, tanto pela óbvia relação com o modelo que lhe terá servido de inspiração (Eterna Kontiki Diver), como pelas soluções técnicas e opções cromáticas tão demarcadas do atual conceito de uma marca como a Porshe Design. Mas a resposta a eventuais dúvidas surgiu logo no ano seguinte com um segunda versão que fez respirar de alívio os puristas da marca, não tivesse o novo modelo um revestimento completamente negro e um alinhamento de cores ideal para o contexto das profundezas.


Manual de instruções para mergulhadores O P’6780 está equipado com uma caixa articulada acoplada a uma estrutura em gaiola concebida em titânio. Pressionando os dois botões nas asas superiores da estrutura, a caixa eleva-se permitindo rodar a coroa ou regular o tempo de mergulho por meio da luneta. Ao baixar a caixa esta volta a encaixar na estrutura. Uma pressão na zona superior do vidro seguida de um ‘clique’ garante que a caixa e a luneta ficam fixas. Além deste engenhoso sistema, este modelo de mergulho inclui um dispositivo de estanqueidade inédito, descartando a tradicional válvula de descompressão de hélio.


à lupa

Legibilidade Apesar de os números surgirem todos com a mesma dimensão, o mostrador preto tem boa legibilidade graças aos revestimentos luminescentes contrastantes, mas também ao azul da escala de mergulho e dos limites do ponteiro dos minutos, uma das características que distingue esta versão da primeira que foi apresentada. Está provado que em altas profundidades, o azul é a última cor a desaparecer.

Manuseamento A luneta, a coroa e os botões são trabalhadas com efeito em relevo de forma a garantir um perfeito manuseamento com luvas de mergulho. Pelo mesmo motivo, os botões e a coroa são sobredimensionados e de fácil utili­ zação. Embora o sistema de gaiola garanta a sua fixação, a luneta rotativa é unidirecional e tem um verso com ranhuras bem salientes que contribuem para uma movimentação mais controlada.

Até 1000 metros O fundo da caixa é maciço e esconde um engenhoso sistema de estanqueidade que dispensa a válvula de hélio. O segredo é uma junta de vedação interna que veda a caixa proporcionalmente à pressão. No momento da descompressão, a própria junta permite a libertação das moléculas de hélio. Tudo isto sem intervenção do utilizador. Tal sistema permite que o relógio esteja apto a desafiar o mar até aos 1000 metros de profundidade.

Estrutura e caixa A generosa caixa de 46,8 milímetros está encaixada numa estrutura em titânio e, com a bracelete bem ajustada, é garantia de perfeito conforto no pulso. Na lateral, a gravação referente ao modelo pode ser apreciada graças às aberturas laterais da estrutura. Bracelete Fiel à tradição Porsche Design, o P’6780 inclui uma bracelete integrada em cauchu negro com fecho de báscula em aço e titânio com extensão para adaptação ao fato de mergulho. A cereja no topo de bolo seria a inclusão de um sistema de segurança no fecho.

Articulação perfeita Os botões sobredimensionados nas zonas laterais da estrutura em titânio permitem elevar a caixa por meio de um sistema articulado pensado para garantir a máxima segurança. A bracelete está integrada na estrutura também por meio de um sistema articulado.


Porsche Design P’6780 Diver Referência: 6780.4543.1218 Movimento: Mecânico de corda automática ETA 2892-A2. Funções: Horas, minutos, segundos, data e indicação do tempo de mergulho (marcador azul). Mostrador: Indexes e ponteiros luminescentes. Caixa: Basculante em aço PVD acoplada a uma estrutura em titânio PVD, vidro de safira com tratamento antirreflexos dos 2 lados, estanque até 1000 metros. Dimensões: Ø 46,8mm. Bracelete: Cauchu com fecho de báscula em aço PVD e titânio PVD com extensão para mergulho. Preço: € 7.750

Sugestões de relógios de mergulho

Jaeger-LeCoultre Master Compressor Diving Pro Geographic

Audemars Piguet Royal Oak Offshore Diver

Referência: Q185T770 Preço: € 20.500

Referência: 15703ST.OO.A002CA.01 Preço: € 15.650

Rolex Perpetual Submariner

TAG Heuer Aquaracer 500

Referência: 11610LN Preço: € 6.460

Referência: WAJ2110.FT6015 Preço: € 2.480


leilões antiquorum

Important Modern & Vintage Timepieces A Patek Philippe esteve em destaque no leilão promovido pela casa Antiquorum no passado dia 14 de setembro, em Nova Iorque. Mas a grande surpresa foi o resultado obtido por alguns dos exemplares Rolex que estiveram em hasta, confirmando, assim, a popularidade crescente dos modelos desportivos vintage da marca suíça. No geral, o leilão que contava com 319 instrumentos do tempo de coleção, totalizou 2.792.050 dólares. A Espiral do Tempo selecionou, do catálogo geral, algumas peças que considerou particularmente interessantes.

World Time Globe Clock Um curioso relógio de horas mundiais datado de cerca de 1945 e que tem a particularidade de ser um globo terrestre. Com uma base em alumínio, permite a calibragem dos graus de latitude, e inclui, curiosamente, um analema – o diagrama imaginário que resulta do registo do movimento aparente do Sol na esfera celeste. Inclui indicação do dia e da noite, horas e minutos e indicação do tempo em 75 locais do mundo. Esta peça assinada pelo seu criador, Reploge Globes Inc., foi vendida por $ 3.750.

J.L. Reutter Patent Atmos, by Gattle & CO e Wall-Mounted J.L. Reutter Atmos O Atmos é um dos mais populares relógios da Jaeger-LeCoultre, graças ao seu movimento capaz de funcionar para sempre. O segredo da sua intemporalidade é uma cápsula hermeticamente fechada que alberga uma mistura gasosa que se dilata quando a temperatura sobe e se contrai quando a temperatura desce – uma máquina do tempo que origina a sua energia através das variações térmicas. Terá sido Jean-Leon Reutter o criador do Atmos original, ainda nos anos 20, no entanto, nessa altura, o jovem engenheiro usou mercúrio para dar vida ao movimento, já que era uma substância particularmente sensível às condições atmosféricas – daí o nome Atmos. Mais tarde, o sistema foi vendido e melho­rado pela Jaeger-LeCoultre. Os dois exemplares aqui apresentados são peças raras de inspiração art déco datadas de cerca de 1935. O destaque vai para o sistema de funcionamento que ainda inclui mercúrio. Com uma estimativa inicial que rondava os 6.000 e os 8.000 dólares, o Atmos by Gattle foi licitado por $ 10.625. Já o elegante Atmos de parede atingiu o valor de $ 15.625, após uma estimativa entre os $ 8.000 e os $ 12.000.


Rolex Ref. 6241 Gold Daytona “Paul Newman” Os Rolex Daytona Cosmograph Paul Newman são das peças mais procuradas entre os colecionadores da Rolex. Designado Daytona pela sua utilidade no cálculo das médias de velocidade por volta num circuito, foram concebidos diversos modelos com diferentes mostradores. Entre eles, os também chamados ‘mostradores exóticos’ de cor champanhe com contadores pretos ou pretos com contadores pretos com indexes quadrados. A ligação do Daytona a Paul Newman é uma discussão de longa data entre os aficionados da Rolex, mas a explicação mais aceite é aquela que defende que o ator terá usado frequentemente um dos modelos de mostrador exótico. Com uma estimativa inicial que rondava os $ 80.000 e os $ 120.000, este Rolex foi vendido por $ 110.500.

Rolex Ref. 1655 Explorer II “Steve McQueen” Um Rolex Explorer II raro de 1972, perfeito para descobrir a evolução de um ícone ao longo dos tempos. O Explorer II, também designado ‘Steve McQueen Rolex’ por ter sido muito usado por este ator norteamericano, acabou por ter pouca popularidade no seu tempo de produção, mas, atualmente, é uma peça muito procurada entre os colecionadores. O seu mostrador distintivo com um ponteiro extra de 24 horas em laranja foi criado a pensar nos espeleologistas que rapidamente perdiam a noção do dia e da noite nas suas explorações. No leilão foi arrematado por $ 21.875, um preço bem mais elevado do que a estimativa, que rondava os $ 12.000 e os $ 17.000.

Fortis Marine Master O número quatro de uma edição de 70 exemplares feita em 1972. Este inusual relógio da Fortis distingue-se pela sua forma ligeiramente tonneau e por uma tabela de descompressão laranja e branca no mostrador. Instrumento do tempo vocacionado para o mergulho, é uma peça estanque com visíveis pontos luminescentes para as horas e três ponteiros centrais. A coroa localizada nas duas horas permite regular as escala interior. O Fortis Marine Master atingiu o valor de $ 1.750.


A nossa escolha Ainda faltam alguns meses para a apresentação, nos principais salões relojoeiros, das grandes novidades para 2012 – por isso, até lá, há tempo para apreciar devidamente algumas das peças mais marcantes dos últimos tempos. É essa a nossa proposta. Um leque de relógios extraordinários que pelas suas potencialidades, pelas soluções técnicas, pelo design surpreendente e pelos acabamentos fora de série são a prova de que a bela relojoaria continua pujante, inventiva, numa incessante procura da extrema qualidade artesanal, estética e tecnológica aliadas à suprema função de nos dizer ‘a quantas andamos’.


Rolex

Explorer II Referência: 216570-77210 | Preço: € 6.285 As linhas poderosas do Explorer II ganharam uma nova vida com o lançamento de uma nova reedição. Na caixa de dimensões atualizadas o contraste de acabamentos é notável e a evocação ao modelo original de 1971 encontra-se patente em detalhes essenciais como as secções luminescentes e o ponteiro de 24 horas cor de laranja em forma de seta.


Vacheron Constantin

Quai de l’Ile Calendário Anual Retrógrado Referência: 86040/000R-I0P29 | Preço: € 52.300 Um novo modelo da reconhecida linha contemporânea da marca que surge com a associação do calendário anual à visualização retrógrada da data, esta última tão cara à Vacheron Constantin. O submostrador para indicação dos meses do ano surpreende pela originalidade, já o novo calibre 2460 QRA é certificado pelo Selo de Genebra.


Patek Philippe

Régulateur à Quantième Annuel Referência: 5235G | Preço: € 41.757 O primeiro relógio de pulso da Patek Philippe com mostrador tipo regulador e que, além disso, integra um coração com espiral, âncora e roda de escape em silício, resultado dos mais recentes avanços da marca. Uma peça que fica certamente para a história da relojoaria e, certamente, um objeto de procura nos futuros leilões.


François-Paul Journe

Centigraphe

Referência: FPJ.CENTI.OV.V | Preço: € 51.920 Um cronógrafo mecânico de pulso capaz de cronometrar 360.000 quilómetros por hora. É esta a prestação possível do incrível Centigraph. Os três totalizadores, localizados nas 2, 6 e 10 horas, apresentam as escalas de tempo a vermelho e as escalas taquimétricas a preto que se complementam nos cálculos. Nas 10 horas o ponteiro dá uma volta completa em apenas um segundo!


Raymond Weil

Nabucco Va, Pensiero Referência: 7820-STC-05607 | Preço: € 4.450 Uma das peças mais poderosas da Raymond Weil. Além do seu tamanho intimidante ( 46 milímetros de diâmetro), este cronógrafo distingue-se pela inovadora combinação de materiais. A caixa em titânio recebeu um tratamento especial que lhe permite adquirir uma textura ligeiramente porosa. O Va Pensiero é a expressão clara da faceta inovadora da marca.


Chopard

L.U.C. Quattro Referência: 161926-5001 | Preço: € 19.100 Em cada lançamento, a Chopard prova que valeu a pena o investimento que tem feito na manufatura e na certificação das sus criações relojoeiras. Um excelente exemplo é o L.U.C. 1.98 que equipa este modelo e que é o único movimento com quatro tambores sobrepostos que garantem 9 dias de autonomia.


A.Lange & Söhne

Richard Lange Tourbillon “Pour le Mérite” Referência: 760.025 | Preço: € 184.500 Diretamente inspirado numa peça histórica de bolso datada de 1807, este foi um relógio que marcou, sem sombra de dúvida, os mais recentes lançamentos. Se o engenhoso sistema de disco móvel que permite contemplar o turbilhão no mostrador tipo regulador faz deste um relógio muito especial, o elaborado movimento que o equipa distingue-se por diversos mecanismos patenteados.


Jaeger-LeCoultre

Master Geographic Referência: 1428421 | Preço: € 9.150 Uma nova versão da reconhecida linha da marca suíça que surpreende pela grande abertura do mostrador, possível graças à redução da espessura da luneta. O mostrador é uma verdadeira obra de arte pelo trabalho de decoração em profundidade e pelo elegante sistema de disco para a apresentação das várias cidades do mundo.


Panerai

Luminor 1950 Chrono Monopulsante Lefthanded Referência: PAM00345 | Preço: € 14.900 Esta edição limitada a 150 exemplares foi lançada a pensar nas pessoas que preferem usar o seu instrumento do tempo no pulso direito. Carateriza-se, por isso, por incluir a coroa e respetivo dispositivo protetor no lado esquerdo e não no lado direito da caixa. O calibre de corda manual conta com três tambores e uma reserva de corda de oito dias.


dicas

Cronómetro ou Cronógrafo? Dois termos vulgarmente utilizados como se fossem o mesmo – no entanto, têm significados bem distintos, mesmo que um cronógrafo também possa ser cronómetro. Confundidos? Eis a explicação para a maior confusão etimológica relacionada com a relojoaria.

O que é um cronógrafo? O que é um cronómetro? Para clarificar imediatamente o assunto antes de demais considerandos, uma explicação simplista: um cronógrafo é um relógio dotado de um mecanismo que permite registar tempos independentes (start, stop, e reset), um medidor de espaços de tempo; um cronómetro é um relógio de precisão comprovada por testes realizados por uma entidade oficial de controlo de relógios (COSC) e tanto pode ser simples com três ponteiros como também ser um cronógrafo, mas o que conta para a designação é a exatidão do mecanismo. Confusão etimológica Apesar de o termo cronógrafo se ter institucionalizado e ser universalmente aceite, a designação não é uma tradução fiel da origem grega da palavra... que realmente significa algo como ‘conspirador do tempo’. Num sentido ainda mais literal, a palavra composta chronograph (do grego graphein, escrever, e chronos, tempo) indica a marcação do tempo com a inscrição de uma marca de tinta num mostrador ou folha de papel. E tendo em conta que os relógios existem precisamente para mostrar o tempo, a designação mais correta para cronógrafo seria chronoscope (do grego skopein, olhar... o tempo) – ou seja, cronoscópio. No próprio Dictionnaire professionnel illustré de l’horlogerie (Dicionário Profissional Ilustrado da Relojoaria) (de G.-A. Berner) é referido que «um cronoscópio mostra intervalos de tempo, ao passo que um cronógrafo, em sentido estrito, deve registá-los.»

O certo é que, depois de se abandonar o registo gráfico do tempo no século XIX, o cronógrafo evoluiu tecnicamente para cronoscópio – embora conserve a sua anterior denominação, talvez mais simbólica e lírica. A confusão etimológica também inclui a expressão cronómetro, erradamente utilizada na maior parte das vezes: um cronómetro não é um cronógrafo; é simplesmente um relógio (que pode ser cronógrafo ou não) cuja elevada precisão é certificada pelo já referido Controlo Oficial Suíço dos Cronómetros. No entanto, o verbo derivado ‘cronometrar’ indica precisamente o ato de medir o tempo com o recurso a um cronógrafo (que deveria chamar-se… cronoscópio!). Precisão de Lei Para a lei suíça, um fabricante só pode afixar a designação ‘cronómetro’ a um modelo próprio depois de cada exemplar ter superado uma série de testes e obtido o certificado do Controlo Oficial Suíço dos Cronómetros. Atenção: o COSC testa apenas mecanismos e não o relógio completo (como acontece nos testes Chronofiable ou nos que a Jaeger-LeCoultre faz, por exemplo). De qualquer forma, a bateria de testes do COSC fez lei e é a mais conhecida também porque a designação ‘chronometer’ surge nos mostradores dos sempre populares Rolex (na frase officially certified chronometer). E que testes são esses? Os movimentos mecânicos são muito sensíveis a variações de temperatura e posição, daí o COSC testar cada mecanismo durante 15 dias consecutivos,


Cronómetro Rolex Submariner Referência: 116610LN Preço: € 6.460

submetendo-o a cinco diferentes posições e três temperaturas (20º, 4º e 36º centígrados). Todas as alterações na precisão são anotadas e comparadas a uma norma padrão. Atualmente, quando testados no COSC, os mecanismos devem apresentar o seguinte comportamento para serem classificados como cronómetros e receberem o boletim de marcha oficial: 1) a variação diária média em cada posição não pode representar um atraso superior a quatro segundos ou um adiantamento maior do que seis; 2) a média de todas as variações observadas durante 10 dias de testes não deve ser superior a dois segundos; 3) a maior variação entre as diversas posições testadas não pode ser superior a cinco segundos; 4) a diferença entre as médias das posições horizontais e verticais não pode significar um atraso de seis ou adiantamento de oito segundos; 5) a diferença entre a maior variação num dia e a variação diária média não pode ser superior a 10 segundos; 6) não pode ocorrer um atraso ou adiantamento superior a 0,6 segundos por cada grau centígrado de variação na temperatura dos testes; 7) em cada ciclo de cinco dias de testes, não pode ocorrer uma variação média superior a cinco segundos de atraso ou adiantamento. Os testes do COSC simulam as condições aproximadas a que o relógio será submetido em uso normal. Alguém que tenha tendência a manter o pulso em apenas uma posição (que trabalha ao computador, por exemplo) fará com que o seu relógio acumule regularmente todos os erros

Cronógrafo Jaeger-LeCoultre Master Chronograph Referência: Q1538420 Preço: € 7.600

relativos àquela posição. A precisão do relógio só é alcançada através do fenómeno da ‘compensação de erros’. Um relógio que, colocado numa única posição durante o dia, adianta dois segundos, e, no dia seguinte, noutra posição, atrasa dois segundos, não possuirá variação alguma ao terceiro dia. O mesmo raciocínio pode ser aplicado às alterações de temperatura, sendo que atualmente se utilizam materiais e óleos mais imunes às variações. Alta-costura e pronto-a-vestir O certificado de cronómetro atribuído pelo COSC indica o extremo cuidado da manufatura e correspondentes relojoeiros no ajuste e construção do movimento dos seus relógios, sendo garantia de excelente precisão – mas nem sempre de precisão completamente absoluta, algo de praticamente impossível para um relógio mecânico. De qualquer forma, um relógio mecânico que tenha uma variação de 10 segundos por dia atinge a notável precisão de 99,97 por cento! Mais importante do que isso – e numa era em que estamos rodeados pelo tempo certo no telemóvel, no automóvel, no computador ou na televisão – é o estatuto: um relógio mecânico tem corpo e alma (um microcosmos de peças) e mede o tempo, enquanto um relógio de quartzo (com um simples circuito elétrico barato) dá friamente as horas. É mais ou menos a diferença entre alta-costura e pronto-a-vestir, entre cozinha fina e fast-food. Daí a acentuada diferença na qualidade e no preço!


técnica

O calibre Panerai P.9000 e P.9001 Por Dody Giussani, diretora da revista L’Orologio A análise de alguns aspetos técnicos e funcionais de especial interesse, no exame da relojoaria mais emblemática. O calibre P.9000 marca um ponto de viragem para a Officine Panerai. Trata-se de uma nova família de movimentos mecânicos de manufatura, inteiramente projetada e montada no laboratório suíço da casa e que vai equipar uma completa gama inédita de modelos com preço mais acessível em relação aos precedentes exemplares com movimento de manufatura. O projeto de um primeiro movimento inteiramente Panerai remonta a 2002, tendo sido oficialmente lançado em 2005. Desde então, em apenas sete anos, com a linha P.9000 a casa passou de uma produção em grande parte baseada no calibre ETA para a utilização de um movimento de manufatura na maior parte dos seus relógios, com oito calibres no catálogo: P.2002, P.2003, P.2004, P.2005, P.2006, P.9000, P.9001, P.9002. A família P.9000 vem equipar modelos da série Luminor 1950, agora com caixa redesenhada e ligeiramente modificada, pertencentes à coleção de manufatura. Esta declina-se em três versões dotadas de funções diversas, mas que têm em comum o facto de serem movimentos de corda automática, com três dias de reserva de corda (contra os oito dias da família P.2000). O novo calibre tem uma dimensão idêntica, de 13 ¾ linhas (cerca de 31 milímetros de diâmetro), e numerosas caraterísticas em comum: dois tambores, que asseguram 72 horas de reserva de marcha; rotor em peça única bidirecional; e janela da data. No entanto, diferem em algumas funções suplementares apresentadas no P.9001, como: a indicação do segundo fuso horário (GMT); a indicação da reserva de marcha numa janela no fundo; e a cómoda função de reset dos segundos (quando se puxa a coroa, os pequenos segundos posicionam-se automaticamente no zero para facilitar a sincronização com o sinal horário). Os movimentos foram projetados pela mesma equipa de engenheiros, liderada pelo engenheiro de movimentos Eric Klein, que desenvolveu a série P.2000 (cuja cereja no topo do bolo é o calibre manual com turbilhão). Ao P.9000 e ao P.9001 apresentados nestas páginas, junta-se o P.9002, que oferece as mesmas funções do P.9001 mas com indicação da reserva de corda no mostrador. Nesta página podemos observar os três modelos equipados com os calibres P.9000, P.9001 e P.9002. Tratam-se das referências PAM 00328, PAM 00329 (com reserva de corda no fundo) e PAM 00321.


O sistema antichoques Incabloc, na típica forma de lira, protege o eixo do balanço de eventuais ruturas causadas por impactes violentos. A mola antichoques centraliza o rubi do balanço, evitando que o eixo do balanço funcione numa posição incorreta.

O novo calibre de manufatura Panerai P.9000 é um movimento automático com três dias de reserva de corda. Tem um diâmetro de 31 mm por 7,9 mm de espessura, é montado sob 28 rubis e dispõe de dois tambores. Na sua totalidade, compreende 195 componentes. Aqui é salientado o rotor do sistema automático.

O balanço em glucydur do calibre P.9000 e P.9001 é do tipo de inércia ajustável. A frequência é ajustada alterando o momento de inércia do balanço: aparafusando ou desaparafusando os quatro parafusos de regulação da coroa do balanço, o momento de inércia diminui ou aumenta e, consequentemente, adianta ou atrasa o relógio. Desta forma é regulada a marcha do movimento. A frequência nominal dos calibres P.9000 e P.9001 é de 28.800 alternâncias/ hora.

Os acabamentos dos movimentos Panerai são sempre essenciais. Aqui vemos um acabamento acetinado das pontes, sucessivamente rodeadas. A cor azul é aplicada à mão, antes do polimento.

O inversor de corda permite ao rotor do sistema auto­ má­tico transmitir energia ao relógio em qualquer direção do movimento (causado pelos movimentos dos braços). O inversor utilizado no calibre da família P.9000 é do tipo alavanca dupla, já utilizado no movimento automático P.2003.

A roda dos segundos do sistema de engrenagens do tempo está posicionada nas 9 horas. No seu eixo, do outro lado do movimento, é introduzido o ponteiro dos pequenos segundos.

A roda média. Cada roda em latão está inserida num carrete em aço. A primeira roda do sistema de engrenagens que liga o tambor ao escape é designada como roda de centro. As rodas do calibre de manufatura Panerai são produzidas no estabelecimento ValFleurier de Buttes, propriedade do Grupo Richemont, do qual a casa faz parte.

A velocidade de rotação da roda de escape é determinada pela frequência do balanço/da espiral. É a oscilação do balanço que dá o ritmo da marcha ao relógio.

Dois tambores ligados em série asseguram ao calibre P.9000 (na foto, surge sem o mecanismo de corda automática) e ao P.9001 três dias de reserva de energia.

Os dois tambores estão ligados em série: a coroa do primeiro tambor (em cima) engrena com o rochet dos segundos (em baixo) e, à medida que o primeiro tambor descarrega, o segundo tambor é carregado.


técnica

O calibre P.9001 tem em comum com o P.9000 o diâmetro de 31 mm e a espessura de 7,9 mm. Para além disto, é dotado de funções suplementares: GMT ou 12 horas, reset dos segundos e indicação da reserva de corda. O calibre é composto por 227 componentes, dos quais 29 são rubis. A frequência de funcionamento é, neste caso, de 28.800 alternâncias/hora. A reserva de corda fornecida pelos dois tambores é de três dias.

A ponte da roda de escape é integrada por fresagem na ponte do sistema de engrenagens do tempo.

O calibre P.9001 é dotado de algumas funções suplementares, incluindo a indicação da reserva de corda no fundo. O movimento é, obviamente, usado no modelo com fundo à vista. A reserva é sinalizada por uma janela que muda de cor para vermelho à medida que o movimento vai perdendo a corda.

O rotor do sistema automático, que com a sua rotação dá corda ao movimento, está assente num rolamento de esferas, o que reduz consideravelmente o atrito no eixo.

A reserva de corda é indicada no fundo. A secção vermelha do disco, que se encontra do lado oposto da janela, indica as últimas 18 horas de corda residual.

Desmontado o mecanismo de corda automática, no lado do fundo do calibre P.9001, é visível a rotação da reserva de corda que fornece a leitura da autonomia residual do relógio e que está ligada aos dois tambores.

A roda com diferencial calcula a diferença entre a energia armazenada nos dois tambores e aquela que é transferida para o mecanismo durante a marcha.


Eixo do ponteiro dos pequenos segun­ dos. A roda dos segundos está inserida no fundo do movimento. O eixo atravessa, portanto, a platina e floresce no lado do mostrador, na posição das 9 horas.

No grande mostrador do calibre P.9000 encontra-se o disco da data, com números brancos sobre fundo preto.

Nota-se a particular forma da roda de avanço da data, que permite acionar o disco nas duas direções.

O grande mostrador do calibre P.9001 revela a roda das horas, coaxial à roda do GMT, que indica o segundo fuso horário com ponteiro central, nas 12 horas. O ponteiro GMT avança em intervalos de uma hora.

O carrete para acerto da hora é acionado pela coroa de corda e de regulação.

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Parabéns a você Um cronógrafo comemorativo que celebra meia década de uma marca com um trajeto fulgurante: o Challenge Chrono 5th Anniversary é a prova personificada de que a Cvstos se apresenta como uma das manufaturas relojoeiras da nova geração. E todos os elementos de estilo do relógio fazem a apologia da alta-relojoaria contemporânea: o visual agressivo, inspirado nas linhas dos automóveis desportivos de luxo, coloca todo o seu tecnicismo em evidência no plano estético através da fusão de novos materiais e de um visual estruturado que acentua a tridimensionalidade do conjunto. As linhas aerodinâmicas da carrosseria tonneau de imponente formato, juntamente com o contraste entre o preto e o vermelho num mostrador cheio de garra, fomentam a agressividade desportiva do Challenge Chrono 5th Anniversary. O nome da marca foi inspirado numa inscrição dos antigos sestércios romanos, e ‘Cvstos’ significa ‘Guardião’ – «guardião de um sistema assente em quatro valores: eficácia, performance, elegância e preciosidade», sublinham os fundadores Sassoon Sirmakès e Antonio Terranova.


Em Foco Cvstos Challenge Chrono 5th Anniversary Referência: CVS.CR.TON.5TH/TIPR Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática calibre Cvstos 577 com rotor numa liga exclusiva Cvstos Technology: Tungsténio 88 e Titânio. 28.800 alternâncias/hora. 25 rubis. Funções: Horas, minutos, segundos, cronógrafo, data e reserva de corda. Caixa 53,7 x 41 mm: Titânio (TiGrd2), acabamento polido e escovado. Parafusos em titânio de grau 5 polido, com padrão exclusivo Cvstos Technology, coroa de rosca em titânio de grau 5 com inserção em Nitril (NBR®), botões do cronógrafo e de acerto rápido da data em titânio de grau 5 polido. Estanque até 100 metros Bracelete: Borracha vulcanizada (Nitril NBR®) com fecho de báscula a condizer com o material da caixa. Preço: € 17.290

Edições limitadas O Challenge Chrono 5th Anniversary é declinado em várias edições limitadas de grande exclusividade, uma vez que a tiragem é de apenas cinco exemplares para cada diferente material: titânio (TiGrd2), titânio de plasma negro, Ergal preto, Ergal vermelho, ouro rosa 5N. O fundo do relógio apresenta uma serigrafia exclusiva, tal como o vidro de safira do fundo tem a inscrição ‘5th Anniversary’ e existe uma personalização para cada país.

Mostrador racing A função cronográfica exalta o caráter desportivo de um mostrador que parece um autêntico painel de instrumentos com três submostradores (segundos contínuos, totalizador das horas, totalizador dos minutos) e um indicador (da reserva de corda). O vermelho surge acentuado nos contornos dos ponteiros e algarismos, preenchidos com matéria luminescente SuperLuminova. O grafismo, com inscrições até nos botões, promove ainda mais o espírito racing do relógio.

Motor de arranque Para além do seu design único com a assinatura Cvstos Technology, o calibre cronográfico de corda automática CVS357 é alimentado por um rotor concebido numa exclusiva liga de tungsténio 88 e titânio e funciona a 28.800 alternâncias/hora. Contém 25 rubis. Funções: horas, minutos, segundos, cronógrafo de segundos, minutos, horas, data e indicador de reserva de corda; a data surge numa janela e a autonomia de 48 horas é apresentada numa escala no mostrador.

Jaime Severino - Severino Relojoeiros

Este cronógrafo existe em diversas versões mas esta, em que sobressai o tom escurecido do titânio, revela-se muito poderosa. Aprecio bastante os detalhes vermelhos que dão vida ao mostrador estruturado. António Machado – Machado Joalheiro

Uma peça que celebra o quinto aniversário de uma marca que tem vindo a crescer mais e mais. Cronógrafo de linhas sobredimensionadas e com um design identificável, tem todas as caraterísticas essenciais para quem aprecia uma forte presença no pulso.

Fuselagem apurada A caixa apresenta a arquitetura tonneau modernista típica da marca, no imponente formato 53,7 por 41 mm. Está declinada nos cinco diferentes materiais em edição limitada e é estanque a 100 metros. Os parafusos são em titânio de grau 5 polido, com padrão exclusivo Cvstos Technology; a coroa de rosca em titânio de grau 5 tem uma inserção em Nitril (NBR®) e os botões do cronógrafo e de acerto rápido da data são também em titânio de grau 5 polido e podem ter uma base em Ergal vermelho a pedido.


No topo da lista A linha Royal Oak há muito que se tornou no ex-libris da Audemars Piguet e continua a reforçar todo o seu protagonismo no universo da relojoaria fina, estando prestes a celebrar o 40.º aniversário sobre a sua primeira apresentação na feira de Basileia e o 20.º aniversário sobre o lançamento da sua variante ‘extrema’ Royal Oak Offshore. O Royal Oak Offshore Tourbillon Chronograph é uma das peças de maior prestígio na coleção e até ilustra a capa do catálogo da reputada manufatura de Le Brassus – com toda a razão, já que se trata de uma peça excecional que associa duas fascinantes complicações (turbilhão e cronógrafo) numa obra-prima de técnica relojoeira. Se o advento do Royal Oak, em 1972, marcou o nascimento do relógio moderno e o surgimento do Royal Oak Offshore, em 1992, representou o nascimento do relógio contemporâneo, o Royal Oak Offshore Tourbillon Chronograph, apresentado em 2010, personifica a superlativa competência de uma manufatura fundada em 1875 – mas sempre na vanguarda da alta-relojoaria.


Em Foco Audemars Piguet Royal Oak Offshore Turbilhão Cronógrafo Referência: Referência: 26288OF.OO.D002CR.01 Movimento: Cronógrafo turbilhão cronógrafo de corda manual calibre AP 2912. Funções: Horas, minutos e cronógrafo. Caixa: Ouro rosa de 18 kt, luneta em carbono forjado, vidro e fundo em safira com tratamento antirreflexos, estanque até 20 metros. Dimensões: Ø 44mm Bracelete: Pele de crocodilo com fecho de báscula em ouro rosa 18 kt. Preço: € 270.670

Força de contrastes O Royal Oak Offshore Tourbillon Chronograph mescla diversos materiais tradicionais e inovadores na sua construção. A caixa é em ouro rosa (de 18 quilates), a luneta é em carbono forjado (trabalhado exclusivamente nos ateliers da manufatura), a coroa e os botões do cronógrafo são em cerâmica e a correia é em pele de crocodilo – para além das diversas componentes e ligas presentes num calibre que assenta em 328 peças, das quais mais de sete dezenas pertencem ao mecanismo turbilhão.

Arquitectura modernista A carrosseria do Royal Oak Offshore surge com nuances interessantes no Tourbillon Chronograph. Os botões são de forma e estão assentes em bases retangulares, solução estética que inspirou a renovação da linha em 2011; o mostrador apresentase recortado em três partes – uma às 9 horas que desvela o turbilhão, apoiado numa ponte em alumínio anodizado preto, e outras duas que deixam entrever os dois tambores de corda que permitem uma reserva de corda de 237 horas.

Calibre de exceção Com uma arquitetura moder­ na, que é reforçada pelo estilo contemporâneo das pontes, o Calibre 2912 de corda manual alia um turbilhão a um cronógrafo de roda de colunas e dois tambores sobredimensionados de corda. A original geometria e o contraste das partes em alumínio anodizado podem ser apreciados através de um fundo transparente em vidro de safira. As arestas e as superfícies de cada peça são trabalhadas e decoradas à mão segundo os métodos artesanais.

Paulo Torres - Torres Joalheiros

Se a linha Royal Oak Offshore tem por si só elementos realmente marcantes, este cronógrafo e turbilhão dificilmente deixará alguém indiferente. Seduz-me em particular o mostrador que revela as excecionais maravilhas da micromecânica. Carlos Cunha - Joalharia Cunha

As linhas inconfundíveis da icónica coleção aliadas a um mostrador vanguardista de caraterísticas únicas serão certamente responsáveis pelo impacto que esta peça transmite. No interior encontramos a fiabilidade inerente a um calibre de exceção.

Épica herança As linhas do Royal Oak foram traçadas por Gerald Genta, que morreu recentemente, com 80 anos. O designer inspirou-se nas bocas de canhão do couraçado da marinha britânica com o mesmo nome para idealizar um ícone da relojoaria – inconfundível com a luneta octogonal acoplada a uma poderosa base através de oito parafusos hexagonais. A partir do primeiro Royal Oak, de 1972, surgiram várias versões e tamanhos; o Royal Oak Offshore Tourbillon Chronograph é uma das mais nobres declinações concebidas. O preço prova-o…


Toque do tempo É difícil encontrar um relógio com um estilo mais puro e intemporal do que o elegante Master Memovox, o mais recente herdeiro de uma nobre linhagem na coleção da manufatura de Le Sentier. As raízes do Memovox (em português, ‘voz do tempo’) remontam ao primeiro relógio de pulso com alarme e mecanismo de corda manual da Jaeger-LeCoultre, em 1950, e ao seu sucessor de corda automática, em 1956. Depois de várias versões ao longo de meio século, o novo Master Memovox aproveita todos os últimos desenvolvimentos da Jaeger-LeCoultre na área das complicações acústicas e apresenta uma estética clássica extremamente apurada. A excelência do mecanismo – o Calibre 956 – contribui para o elevado prestígio do Master Memovox: os relógios-despertadores mecânicos da maior parte das restantes marcas produzem um som inferior e que dificilmente acordaria gente com sono leve. Mas já se sabe que as complicações acústicas são uma especialidade da casa Jaeger-LeCoultre, que parece deter o segredo da alquimia metalúrgica...


Em Foco Jaeger-LeCoultre Master Memovox Referência: Q1418430 Movimento: Mecânico de corda automática JLC 956. Funções: Horas, minutos, segundos, data e alarme. Caixa: Aço, vidro em safira, estanque até 50 metros. Dimensões: Ø 40mm Bracelete: Pele de aligátor com fecho de báscula em aço. Preço: € 7.550

Timbre suspenso A elegante caixa de 40 milímetros está concebida de modo a obter a melhor ressonância possível para que a eficácia do alarme seja máxima. Um minúsculo martelo faz vibrar o timbre suspenso na periferia do interior da caixa. A qualidade sonora é excelente (com uma frequência que agrada ao ouvido, nem demasiado baixa nem excessivamente elevada) devido à descoberta de uma liga especial que permanece sigilosa e à conceção de uma forma específica para o timbre.

Proporções clássicas A caixa em aço (existe a versão em ouro rosa) apresenta proporções ideais para um formato redondo que não é nem demasiado grande nem demasiado pequeno: tem 40 milímetros de diâmetro para 14 de espessura. Por baixo do vidro de safira antirrisco, o mostrador argenté ligeiramente curvo contém algarismos árabes e indexes das horas aplicados, tal como o caixilho da janela para a data. A marca e os minutos são pintados e têm pontos luminescentes nas horas. Os ponteiros das horas e dos minutos são em forma de lança (bifacetados com um traço luminescente no meio).

Duas coroas As coroas, colocadas às 2 e às 4 horas, são de fácil manuseamento. A que está às 4 horas é a de acerto das horas e dos minutos quando puxada (inclui a função stop-seconds para maior precisão no ajuste). Na sua posição habitual, serve também para a corda. A coroa das 2 horas destina-se a dar corda manual ao alarme e, puxada, a ajustar a hora do toque num sentido e a data noutro sentido. Ao centro, encontra-se o disco giratório com o triângulo para a marcação da hora do alarme e a inscrição ‘Memovox’.

José Faria – Relojoaria Faria

Uma peça particularmente distinta, pelas suas linhas clássicas atualizadas. Na versão em aço, o mostrador com detalhes prateados contribui decisivamente para a harmonia do conjunto. José Teixeira - Camanga

O mostrador deste modelo carateriza-se pela elegância e pela excelente legibilidade. A história deste Master Memovox, intimamente associada ao indicador de alarme, é essencial para o seu caráter de excelência.

Testado 1000 horas O fundo aparafusado da caixa inclui o caraterístico selo em relevo da linha Master Control 1000 Horas, a garantia da Jaeger-LeCoultre de que o relógio foi devidamente testado e corresponde aos mais elevados padrões de qualidade e precisão – mais até que os do Controlo Oficial Suíço de Cronometria (COSC). Qualquer exemplar Master Control é controlado o triplo do tempo, em mais posições e por um maior número de testes do que no COSC, para além de serem efetuados com o produto final, e não apenas com o mecanismo.


Suprema distinção Um relógio de estética intemporal está agora disponível com uma nova motorização: a A. Lange & Söhne dotou o seu modelo Saxonia de uma versão automática para complementar a original versão de corda manual – pelo que todos aqueles que preferem a autonomia de um mecanismo automático podem agora regozijar-se! Numa era caraterizada por instrumentos do tempo sobredimensionados e/ou de pendor desportivo, o Saxonia Automatic surge na contracorrente a favor de relógios de proporções clássicas. O facto de surgir finalmente dotado de corda automática não altera em nada a suprema elegância do conjunto: os mestres relojoeiros da histórica manufatura sedeada em Glashütte conceberam o novo Calibre L086.1, de modo a que a colocação do rotor não requeresse uma maior espessura do mecanismo, mantendo os mesmos 7,8 mm da versão em corda manual. Coração mecânico à parte, o Saxonia exibe orgulhosamente a sua personalidade teutónica: linhas irrepreensivelmente puras.


Em Foco A. Lange & Söhne Saxonia Automatic Referência: 380.032 Movimento: Mecânico de corda automática Calibre L086.1 Funções: Horas, minutos, pequenos segundos Caixa: Ouro rosa de 18 quilates. Dimensões: Ø 38,5 mm Bracelete: Pele de crocodilo com fivela em ouro rosa de 18 quilates. Preço: € 18.300

Mostrador depurado O mostrador do Saxónia Automatic é um paradigma da tradição estética dos modelos elegantes da Lange & Söhne. Concebido em prata maciça, coloca os pequenos segundos em destaque num submostrador às 6 horas, e os indexes aplicados (em vez de algarismos) despoluem ainda mais a vista. Os ponteiros em ouro são galvanizados. E o vidro de safira apresenta um tratamento especial para que a beleza do mostrador não seja afetada por nenhum reflexo.

Plano, mas com substrato É automático, mas não espesso. O fundo transparente em vidro de safira desvela a bela arquitetura e a refinada mecânica do elegante Calibre L086.1 – ajustado a cinco posições, composto por 209 peças manufaturadas e alimentado por um rotor em platina 950 que proporciona 72 horas de reserva de corda. Como é tradição, o mecanismo assenta numa platina de três quartos em prata e é profusamente decorado à mão segundo os elevados padrões ancestrais de Glashütte (galo de balanço gravado, polimentos).

Soberana discrição Porque o melhor exige o melhor, o Saxonia Automatic está somente disponível em caixas elaboradas em ouro rosa ou ouro branco, e são dotadas de uma proporção clássica: 38,5 milímetros de diâmetro para 7,8 de espessura. O vidro de safira ligeiramente oblíquo faz com que o mostrador pareça maior. O precioso conjunto reatualiza os valores tradicionais da relojoaria saxónia e é complementado com uma rica correia de pele de crocodilo da Luisiana equipada de fivela de ouro personalizada a condizer com a caixa.

Paulo Torres - Torres Joalheiros

Pela pureza de linhas, simplicidade elevada a estatuto de luxo e pelo seu movimento de manufatura, o Saxonia Automatic é, por um lado, um hino às grandes tradições relojoeiras, e, por outro, o enaltecimento de uma elegância clássica mas atual. WatchTime.com

O novo Saxonia Automatic foi redesenhado e surge com uma caixa maior, mais fina e com um movimento automático. O design discreto incorpora elementos fundamentais da marca e o novo calibre distingue-se por toques de assinatura, como as gravações.

Assinatura de prestígio O apurado e depurado design germânico das caixas e dos mostradores da A. Lange & Söhne, devidamente complementado com prodigiosas criações micromecânicas, permitiram o ressurgimento em pompa de um dos mais celebrados focos relojoeiros do planeta – quando os herdeiros da dinastia Lange puderam regressar às origens, logo após a queda do Muro de Berlim. Desde então, a localidade de Glashüte refloresceu como o único foco de alta-relojoaria capaz de rivalizar com as melhores marcas suíças.


Tempo sumptuoso A reputação da Franck Muller começou por assentar em relógios vincadamente masculinos – e mesmo que a coleção ostente, atualmente, um grande ecletismo (diferentes formas, tamanhos, complicações, cores, materiais e clientelas), os grandes modelos clássicos para homem continuam a representar um vetor fundamental na projeção da marca. O Master Date em ouro insere-se nessa casta, assentando na irreverência da caixa Cintrée Curvex de formato tonneau tão característica da assinatura Franck Muller, e num mostrador contrastante que valoriza sobremaneira a tripla função de calendário. Numa era de extravagância técnica e estética na alta-relojoaria, modelos neoclássicos como o sumptuoso Master Calendar apresentam um carisma viril adaptado a todas as circunstâncias. As suas generosas dimensões dão-lhe um toque masculino e contemporâneo – mas sem se revelarem esmagadoras, já que a ergonomia perfeita do conceito Cintrée Curvex se adapta a qualquer tipo de pulso.


Em Foco Franck Muller Cintrée Curvex Master Date Referência: 8880GD/OVBRV Movimento: Mecânico de corda automática. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, dia da semana retrógrado e mês. Caixa: Ouro rosa maciço 18 kt, vidro de safira, estanque até 30 metros. Dimensões: 39,6 x 55,4 mm Bracelete: Pele de crocodilo com fivela em ouro rosa maciço 18 kt. Preço: € 36.120

Troika em destaque Um acessório de prestígio, com perfil inimitável e em metal precioso: não há outro objeto de culto tão desejado como um excelente relógio em ouro capaz de dourar os momentos mais valiosos. Principal caraterística do Master Date: o calendário triplo em destaque – com três diferentes leituras para a data, o dia da semana e o mês, acentuando de modo audacioso o neoclassicismo do conjunto. O soberbo mostrador decorado em guilloché soleil sublinhado com indicadores pretos e alguns toques de vermelho acentua toda a sua sensualidade.

Data ao centro Fazendo jus ao seu nome, o Master Date apresenta a data de modo bem visível numa janela digital aberta debaixo da posição das 12 horas. A indicação pano­ râmica, assente em dois discos rotativos, apresenta uma grande e óbvia vantagem sobre a janela de tamanho tradicional, já que se torna mais legível devido às suas maiores dimensões, e, ao contrário do que acontece com as datas aumentadas através de lupas no vidro, a leitura mantémse fácil sob qualquer ângulo de visão.

Semana e mês O dia da semana é indicado analogicamente através de um ponteiro retrógrado de eixo central que completa um semicírculo de 200 graus para chegar a domingo e regressar instantaneamente à segunda-feira, de modo a retomar um novo ciclo semanal. Quanto ao mês, é revelado de modo circular através de um ponteiro no submostrador dos pequenos segundos. Os diferentes sistemas de indicação do calendário triplo tornam o mostrador mais rico e preenchido de maneira original.

Nuno Torres - Anselmo 1910

Os modelos Cintrée Curvex da Franck Muller são sempre uma excelente opção para um apreciador de bela relojoaria. No caso do Master Date é ainda mais evidente perante o requintado mostrador, como ao enquadramento das várias funções. Felisberto Lopes - História d’Ouro

As funções mais essenciais para quem vive no meio urbano reunidas num relógio surpreendente. A janela da Grande Data e o semicírculo para os dias da semana são a garantia de perfeita legibilidade. A caixa revela um exímio trabalho de polimento.

Forma e função O Master Date personifica o fascínio exercido pelos relógios masculinos com a assinatura de Franck Muller: apresenta formas simultaneamente voluptuosas e elegantes numa caixa de 55,4 por 39,6 milímetros. A originalidade técnica é alimentada por um calibre automático equipado com o módulo GGDT 4600 para o calendário triplo e profusamente decorado com Vagas de Genève, perlage e anglage. O mecanismo, composto por 197 peças e 26 rubis, bate a uma frequência de 28.800 alternâncias por hora e apresenta 42 horas de reserva de corda.


Um turbilhão para todos os dias Com um carismático visual totalmente negro, o Silverstone Tourbillograph Full Black alia a mais nobre (o turbilhão) à mais popular (o cronógrafo) das complicações relojoeiras. A novidade é que essa combinação é alimentada por um calibre automático e que o conjunto foi idealizado para ser particularmente robusto. O apuro técnico e a utilização de materiais vanguardistas nos tempos mais recentes possibilitaram a criação de turbilhões mais resistentes, mas continuam a ser escassos os modelos adequados a uma despreocupada utilização diária e até desportiva. O Tourbillograph da Graham é um deles, tendo a particularidade adicional de associar o turbilhão à função cronográfica num calibre de raiz. A combinação do cronógrafo com o turbilhão é rara mas não inédita – a novidade é que se trata de um calibre de corda automática e que o turbilhão, protegido por duas patentes e com um peso inferior a meio-grama para as 48 peças que o compõem, é extremamente robusto e pode ser utilizado em atividades mais radicais… ao contrário dos demais turbilhões, ‘demasiado’ delicados.


Em Foco Graham Silverstone Tourbillograph Full Black Referência: 2TSAB.B02A.C115D Edição restrita e numerada. Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática turbilhão calibre G1780 com 34 rubis, reserva de corda de 48H e frequência de 28’800 alt/hora. Funções: Horas, minutos, segundos, cronógrafo e turbilhão. Caixa: Aço com tratamento PVD preto, vidro e fundo em safira com tratamento antirreflexos dos 2 lados, estanque até 50 metros. Dimensões: Ø 48mm Bracelete: Pele de crocodilo com fecho de báscula em cerâmica preta. Preço: € 37.900

Conjugação excecional O turbilhão do Silverstone Tourbillograph Full Black inclui 48 componentes para um peso total de 0,485 gramas, numa cons­ trução que integra o turbilhão num mecanismo cronográfico com uma roda do balanço de alargado diâmetro. Trata-se de um cronógrafo automático de roda de colunas, o mais sofisticado dos sistema cronográficos. O calibre G1780, desenvolvido pelos especialistas da La JouxPerret, é o resultado de quatro anos de pesquisa e ostenta duas patentes que asseguram grande estabilidade, perfeita rigidez e resistência a campos magnéticos.

Coração negro Também por dentro o Silverstone Tourbillograph Full Black não perde o seu caráter negro: todas as partes do calibre G1780 foram escurecidas com ródio – desde a massa oscilante (rotor) que assenta em rolamentos de esferas de cerâmica até à roda de colunas, passando pela ponte dupla e pelo galo do balanço. O mecanis­ mo pode ser admirado através de um fundo transparente, para além da abertura do turbilhão no mostrador. Tão robusto coração mecânico faz com que seja um turbilhão anti-choque.

Para usar com smoking O Silverstone Tourbillograph Full Black apresenta uma inconfundível sofisticação do negro devido ao seu visual preto total que também denota um espírito desportivo graças às suas caraterísticas e ao ponteiro vermelho do cronógrafo. A caixa sobredimensionada em aço inoxidável recebeu um tratamento em PVD com uma mistura preta de ruténio. No verso inclui ainda o número da edição restrita. Uma luneta interior com taquímetro acentua o tom racing e os algarismos romanos polidos em ródio alteram o reflexo consoante a incidência da luz.

António Machado - Machado Joalheiro

Tal como o espírito da marca que o concebeu, este modelo tem características técnicas de grande originalidade. Entre elas, o soberbo turbilhão, que, localizado nas onze horas, faz deste um cronógrafo fora de série. Pedro Rosas - David Rosas

Sempre irreverente e fiel a si própria, desta vez a Graham brindou-nos com uma peça que une duas consagradas complicações: o cronógrafo e o turbilhão. O negro dominante é decisivo para o seu caráter urbano e vanguardista.

Detalhes de exceção Com uma correia em pele de crocodilo, também negra, com pesponto cinzento a condizer com os números e indexes do mostrador, o Silverstone Tourbillograph destaca-se ainda pela fivela de báscula gravada com a inscrição ‘Titanium,’ alusiva ao material em que é concebido. Aliás, o próprio fecho é todo ele detalhes. O pinhão da fivela inclui duas extremidades redondas, com um trabalho de decoração semelhante ao que encontramos nos botões do cronógrafo. Os acabamentos de superfície são igualmente muito requintados.


entrevista

Camanga brilha mais à luz do dia Perguntas Paulo Costa Dias, fotos Nuno Correia Em 1975 vieram de Angola, instalaram-se no Centro Comercial de Alvalade e fizeram da sua ‘gruta’ – como era conhecida a loja devido à sua decoração –, durante muitos anos, uma das referência no comércio relojoeiro em Portugal. 35 anos depois, sensíveis ao tempo que passa, com uma nova geração cada vez mais interventiva e após múltiplos desafios ultrapassados, chegou a hora de sair do casulo e brilhar à luz do dia, num dos mais prestigiados locais de Lisboa. Entre a avenida António Augusto de Aguiar e o largo de S. Sebastião da Pedreira, em frente do El Corte Inglés, um novo, luxuoso e funcional espaço desponta para os aficionados da bela relojoaria: a nova loja Camanga. Justificava-se a conversa com os três protagonistas: José Teixeira, pai, e os filhos, José e Gonçalo.

Qual a sensação de passar, depois de tantos anos, da loja no Centro Comercial Alvalade, sem luz solar, situada numa cave, para um espaço destes com mais de 400 m2? É uma mudança radical nas condições de trabalho e, principalmente, na qualidade do serviço que podemos oferecer aos nossos clientes, que nos transmite uma sensação de dever cumprido. Dever cumprido no sentido em que aqueles que nos conhecem e acompanham há muitos anos percebem que o esforço que fizemos, e que foi grande, foi feito no sentido de perpetuar não só um negócio de família, como também as excelentes relações que temos com os nossos clientes, os nossos fornecedores e os nossos amigos. Que ambições acarreta esta mudança? As ambições continuam as mesmas de sempre: tentar ser uma referência no setor, apostando na qualidade do nosso serviço e na diversidade da nossa oferta – como diz o nosso slogan «Sempre algo mais» –, mas agora com outras armas que nos permitem alargar o nosso leque de clientes, quer em número, quer em segmento. Para além da dimensão do espaço, o que é que esta loja traz em termos de oferta? Em termos de oferta, além do investimento em mercadoria com novas marcas de joalharia de luxo e alta-relojoaria, esta nova loja tem para oferecer diversos espaços com condições ímpares de comodidade e privacidade. Esta é uma exigência de cada vez mais clientes dos segmentos mais altos a que ambicionamos corresponder. Neste momento, abrir um espaço destes, numa zona destas, em Portugal, ‘é de homem’! É nestas alturas que, apesar das muitas dificuldades inerentes ao abraçar um projeto desta envergadura, se forem dados passos seguros, ainda que temperados por uma boa dose de risco e audácia, se fazem as grandes apostas. Querer é poder! Para quando a inauguração? E, já agora, vai contar com a presença da nova Miss Universo, a angolana Leila Lopes? Prevemos a inauguração em meados de outubro e os nossos clientes têm sempre a nossa preferência e atenção, embora saiba de fonte segura do interesse da Leila Lopes em estar presente… (risos)


Acessórios

Crazy Jacket A Franck Muller celebra em 2011 o seu 20.º aniversário e, como parte das celebrações, a marca suíça lança o FRANCK MULLER JACKET, uma capa protetora para o iPhone 4, irreverente, à boa maneira do Mestre das Complicações.  A capa, concebida em titânio, é adornada com o motivo dos numerais bizantinos simbólicos da Franck Muller evocando a imponência e espírito divertido dos relógios e joias da marca. São seis os modelos disponíveis em edições de 500 unidades cada. Franck Muller Jacket: Preço sob consulta


Em nome de Balaji Nova peça da coleção Artiste da Caran d’Ache, a caneta Balaji representa o deus hindu que lhe dá o nome e foi criada por Edouard Jud que se inspirou num dos locais sagrados mais visitados no mundo, o templo Tirupati, na Índia. Cada instrumento de escrita desta coleção é inteiramente concebido à mão, estando disponível apenas em edições limitadas por encomenda. A caneta Balaji foi concebida em duas versões distintas: esculpida em ouro e em prata maciços, com revestimento de ródio, assente num acabamento lacado a preto mate que remete para a tez escura dos deus que inspirou a sua criação. Balaji em prata maciça: tinta permanente 1.900 euros, roller 10.600 euros Balaji em ouro maciço: preço por cotação.

Para a aventura Um saco de viagem Louis Vuitton que se destaca pelo seu perfil militar, pelas cores de inspiração denim e pelo emblema vintage da marca impresso na lateral. Como em todas as propostas Louis Vuitton, os sacos Cabas Denim foram pensados para garantir o máximo conforto, pelo que incluem pegas de calfe ajustáveis de maneira a garantir o transporte à mão ou ao ombro sem qualquer inconveniente. Os acabamentos são minuciosos e os detalhes, como as fivelas finamente escovadas, contribuem para a harmonia do conjunto. Louis Vuitton: Cabas Denim Preço: Sob consulta


Acessórios

Linhas discretas Se a M9 surgiu como descendente digital das lendárias câmaras fotográficas M da Leica, a nova M9-P descobre-se como uma descendente que prima pelos pormenores. Tecnicamente, o novo modelo é muito semelhante à M9, no entanto surge como um objeto ainda mais discreto. Por exemplo, o caraterístico ponto vermelho na zona frontal foi suprimido nesta versão. Em vidro de safira, o écrã LCD é resistente aos riscos e inclui um tratamento antirreflexos dos dois lados para uma melhor leitura de imagem. www.comercialfoto.com


Segurança de luxo Para todos os que têm um particular gosto por andar na estrada, a MOMODesign lançou uma original linha de capacetes que garantem total segurança sem deixar de lado o estilo e o bom gosto. Caraterizados pelas linhas puras e por uma diversa paleta de cores, os capacetes distinguem-se ainda pelo alto nível de inovação no que diz respeito aos materiais utilizados. Os modelos apresentados da linha Fighter incluem inserções em rede de alumínio e um visor integrado. Capacetes MiniMomo: Preços entre os 250 e os 271 euros - www.fashionclinic.pt

Espírito racing A coleção de acessórios da TAG Heuer tem vindo a ser bem sucedida pelo modo como consegue transportar os conceitos e linhas dos seus relógios para peças de utilização diária e funcional. Desta forma, a marca suíça assume-se não apenas como marca, mas também como uma forma de estar na vida. Neste caso, dois cintos inspirados diretamente no icónico relógio Monaco e na ligação da TAG Heuer ao mundo automóvel como sugestão para um look fora de série. TAG Heuer: Cinto Monaco: 300 euros Cinto Vintage: 270 euros


Foi com umas surpreendentes boa disposição e total disponibilidade que a equipa de embaixadores da TAG Heuer em Portugal aceitou mais um desafio proposto pela Espiral do Tempo. A ideia era simples: evocar o mundo automóvel de forma assumidamente divertida, tendo Filipe Albuquerque, Miguel Barbosa e Pedro Lamy como atores principais. À partida, com a jovialidade, bonomia e empenho demonstrados, a nossa proposta tinha tudo para dar certo. Ao imaginário racing de Le Mans e de Michel Vaillant juntámos o espírito lendário e o look galante de Steve McQueen e de Ayrton Senna, ícones da própria marca, e uma pitada de Top Gun para um confronto que se adivinhava de elevado risco – competidores habituados a ganhar, que nem a feijões gostam de perder, modernos Cavaleiros do asfalto numa pista de ... carrinhos de choque! O embate a três passou a duelo depois de motivos de força maior afastarem Filipe Albuquerque da contenda com um “Epá! Furei o pneu! Não vou poder ir ter com o Pedro e com o Miguel” que ficou registado nas imagens mas que não convenceu ninguém!... À Espiral do Tempo resta agradecer-lhes o superior fair play. Fotografia: Nuno Correia Direcção de arte: Alexandre Beda Pós- produçâo: Alessandro Bêda e Nuno Machado Os nossos agradecimentos a Maria de Lurdes Afonso pela cedência da pista de carrinhos de choque.

Filipe Albuquerque Relógio: TAG Heuer Aquaracer Calibre 16 Automatic Chronograph 42 mm Referência: CAP2110.BAO833 Preço: € 2.350 Blusão: TAG Heuer preto em pele Preço: € 810 euros Saco de viagem: TAG Heuer castanho em pele Preço: € 605 euros

Todos os acessórios TAG Heuer à exceção dos óculos encontram-se em venda exclusiva na boutique TAG Heuer do El Corte Inglès em Lisboa


Pedro Lamy Relógio: TAG Heuer Aquaracer 500M Referência: WAJ2150.FT6015 Preço: € 3.850 Blusão TAG Heuer preto em pele Preço: € 810 Óculos TAG Heuer miguel barbosa Saco de viagem TAG Heuer castanho em pele Preço: € 605 Óculos TAG Heuer

Pedro Lamy Relógio: TAG Heuer Carrera Calibre 16 Heritage Automatic Chronograph 41mm Referência: CAS2110.BAO730 Blusão TAG Heuer preto em pele Preço: € 810 Carteira TAG Heuer Classic Billfold Preço: € 245


Pedro Lamy Relógio: TAG Heuer Carrera Calibre 16 Heritage Automatic Chronograph 41mm Referência: CAS2111.FC6292 Luvas TAG Heuer racing em pele

Pedro Lamy Relógio: TAG Heuer Monaco V4 em ouro rosa Referência: WAW2040.FC6288 Preço: € 95.000 Blusão TAG Heuer preto em pele Preço: € 810


Pedro Lamy Luvas TAG Heuer em pele Blusão TAG Heuer preto em pele Preço: € 810


Miguel Barbosa Blusão TAG Heuer preto em pele Preço: € 810 Pedro Lamy Relógio: TAG Heuer Limited Edition Racing Team Preço: € 1150 Blusão TAG Heuer preto em pele Preço: € 810


entrevista

“A minha linha condutora é a emoção” Perguntas Paulo Costa Dias, foto Pedro Ferreira Por trás do discurso caudaloso, emotivo, abrangente, de Gracinha Viterbo percebe-se que as ideias que lhe subjazem estão perfeitamente enraizadas, completamente seguras. Repartida pelos três continentes onde a marca Graça Viterbo se tornou uma player reconhecida, a noção de tempo torna-se incontornável. Neste caso particular, uma noção aguda do tempo passado, do tempo que corre e daquele que há-de vir – seja na família, na profissão ou no mundo.

Gracinha Viterbo, filha de peixe sabe nadar?  Eu acho que filha de peixe aprende a nadar! Aprende a nadar! Acompanhou a sua mãe desde criança e muito do que viu e ouviu terá ficado no seu inconsciente. Mas o que é que a apaixonou ou apaixona na profissão? Poder otimizar a vida das outras pessoas, seja num projeto público ou privado. Eu olho para a minha profissão como uma mais-valia, no tempo e no espaço. A decoração é uma atividade multidisciplinar. Esse desenvolvimento de competências foi apreendido ao longo desse tempo, durante a infância e a adolescência? Houve um lado intuitivo e natural, por ter uma relação tão próxima com a minha mãe. Mas também teve que ver com o meu interesse natural por gostar de aprender, de ser curiosa e não ser ortodoxa. Além disso, gosto do bizarro e gosto de ir pelo caminho menos caminhado, sempre. E depois tive a formação em Arquitetura de Interiores e a especialização em Artes Decorativas, ambas em Londres, que foram o arranque do meu processo criativo, consubstanciado pela minha passagem pelo gabinete da designer Kelly Hoppen, também em Londres. Um verdadeiro profissional nunca deixa de estudar e aprender, as tecnologias mudam e o nosso interesse tem que ser constante. Gosto de me superar e de me surpreender quanto ao que inovo e aprendo no dia a dia. Gosta de arriscar, portanto? Eu não acho que ir pelo caminho menos caminhado seja arriscar. É intuição, eu tenho mais curiosidade em ir por um caminho onde não vejo o fim e em que tenho de encontrar a forma para lá chegar, do que ir por um caminho onde tenho um elevador á minha disposição e me basta carregar num botão para sair no andar certo.


entrevista

Costumo dizer que, lá muito para a frente na minha vida, acho que vou desenhar um móvel com muitas gavetas onde adorava guardar as memórias de tudo o que tenho na cabeça.

Criei a ideia de que decorar uma casa é como montar um relógio. São peças que se vão juntando até o mecanismo ganhar movimento, vida. Mas sei que a Gracinha acha que um projeto de decoração nunca está acabado… Ora isso é aborrecido na perspectiva relojoeira, porque assim o relógio não funciona… (risos) Uma das minhas palavras preferidas é ‘vazio’, porque é o princípio de tudo. Ao mesmo tempo, pensando que há uma história, eu sou a introdução dessa história que irá continuar e que não serei eu a escrever. Quero deixar espaço para quem vai escrever a história, o cliente ou quem usufruir de um espaço público do qual eu tive o privilégio de desenhar os traços fundamentais da estrutura, do esqueleto. Quando a estrutura está bem construída, o texto funciona muito bem, torna a história numa história de sucesso. É como num filme francês, em que nós entramos e saímos da sala, e parece que a história continua além do momento em que a ela assistimos. Quase como na expressão que todos conhecemos: «A vida continua». Os relógios marcam momentos, não param o tempo, e os espaços também. E gosta de voltar aos projetos, ou às consequências dos projetos que fez? Normalmente eles é que voltam a mim (risos). Acho que fica a ligação inata, porque há uma ligação profissional entre o cliente e o profissional. Eu ponho os clientes à frente de tudo na profissão – acho que tenho de ser uma mais-valia na vida deles e acho que os clientes sentem e gostam disso, e confiam em nós. Eles sabem que temos sempre as portas abertas para voltar a olhar para um projeto e reavaliá-lo. Às vezes, nós próprios temos de parar na vida, parar o tempo e reavaliármo-nos para nos tornarmos melhores, de ano para ano, de época para época – e um projeto também necessita disso. A decoração deve marcar um tempo ou pretende-se intemporal? (pausa) Sabe que eu sou Gémeos, embora temperada por um marido Balança… as duas respostas são possíveis. Tem de haver um equilíbrio, é o yin e o yang. Serão, talvez, os dois ponteiros de um relógio. Não se deve ter só a indicação das horas, precisamos do ponteiro dos minutos. Quanto do seu trabalho é inspiração e quanto é transpiração? O meu processo criativo tem várias fases e passa por esses dois aspetos. Eu inspiro-me com tudo o que está à minha volta, tudo me passa à memória. As coisas podem não ser imediatamente exploradas, mas ficam armazenadas. Costumo dizer que, lá muito para a frente na minha vida, acho que vou desenhar um móvel com muitas gavetas onde adorava guardar as memórias de tudo o que tenho na cabeça. Decorar um espaço pressupõe milhões de possibilidades, de opções, de pormenores. Conseguese ter um estilo próprio? Há um estilo que se possa atribuir a este atelier ou à Gracinha? Cada projeto é um exercício de estilo, de estética, mas a minha linha condutora é a emoção. Acho que o meu estilo está nas linhas e nas emoções que eu quero passar aos clientes. Diga-me uma peça essencial para uma decoradora? Uma peça de mobiliário, quadros, as cores, texturas, tecidos… Não há resposta. Ou há todas as respostas possíveis. Não lhe posso dar uma, porque é diferente para cada projeto. Num poderá ser a iluminação; noutro, a arte, uma star piece fora do normal que se procurou e encontrou para aquele lugar. Poderia dizer I’ll tell you but then I’ll have to kill you, porque são coisas que se fazem para aquele projeto, nunca para todos.


Pode transmitir-se alguma forma de espiritualidade na decoração de um espaço? Isso é muito pessoal (pausa). Eu acho que sim. Há pessoas pragmáticas que dizem que querem funcionalidade. Eu sou católica praticante e, além de ter muita fé, isso acompanha-me e ajuda-me muito na vida. Mas como sou ambivalente, também acredito muito em energias e sou adepta do Feng Shui. Tenho esses dois lados, essas duas espiritualidades completamente diferentes que me completam e que, com certeza, estão comigo quando estou a projetar. Se o cliente leva isso com ele, depende. O que mudou nos últimos dez anos no atelier? Fizemos uma grande viagem, experimentámos técnicas e tecnologias diferentes. Neste momento, há um regresso às origens, ao intemporal, abraçámos e fortificámos a marca Graça Viterbo. Pensámos no que fizemos, no que fizemos bem e mal, achámos o valor que a nossa marca tem e decidimos torná-la conhecida internacionalmente. Achamos que somos mesmo uma mais-valia nos projetos em que participamos e temos um estatuto de qualidade internacional. Já ganharam, aliás, vários prémios internacionais. Já, ao longo dos 40 anos, em residências e hotelaria. Aliás, acabámos de ganhar, pelo segundo ano consecutivo, o International Property Awards Europe & Africa na categoria de Luxury Residencial.   A marca foi lançada em Angola e na Ásia. Além do evidente interesse comercial, como vê estes mercados? Além da troca comercial, encontro fontes inesgotáveis de inspiração que me alargam os horizontes, e isso tem mais a ver comigo do que ficar fechada sempre com os mesmos horizontes. Há um lado de aventura, de inspiração, de crescimento empresarial da marca que cria raízes noutros lugares. A lusofonia é uma arma empresarial, ou é mais que isso? Eu sinto que sim, que há uma certa afetividade. Sinto que os portugueses têm essa afetividade. Estou muito ligada às minhas raízes, sou muito sentimental e emociono-me com muita facilidade; gosto de me ligar às pessoas e gosto de história. E Angola tem sido uma descoberta fabulosa no que respeita às pessoas e à cultura – como também sinto na Ásia. Orgulho-me de onde venho, mas respeito para onde vou. Não quero impor nada. Quando estou noutro país, eu sou visita, e o desafio é adaptar a marca ao lugar e apresentar o nosso serviço e a nossa criatividade nesse lugar. Os valores da nossa marca são uma mais-valia em qualquer lugar do mundo. Decora casas, hotéis, restaurantes, companhias de aviação… É caso para perguntar, is the sky the limit? Na nossa cabeça é! A resposta vem do briefing, do pacote que é apresentado e discutido com o cliente. É o cliente que nos dá asas para voar e é o cliente que vai decidir até quão alto nós vamos subir. Como é que gere o seu tempo? Dispersa pela gestão do atelier, pelos projetos, pelo espaço geográfico, pelas obrigações familiares? Sou rigorosa ao minuto e incomodam-me muito os atrasos, não cumprir o que tenho planeado. Eu adorava que o tempo não passasse, mas adoro ver o tempo passar e acho que o tempo se pode inventar. O tempo que não se tem. Eu trabalho o dia inteiro em três continentes: Ásia, África e Europa. Tenho uma família com quatro filhos pequenos, por isso tenho de inventar tempo que não existe. Acho que tenho um PHD em gestão do tempo e cada vez aperfeiçoo mais essa caraterística.   O que é que a faz perder o sorriso? Quando algo não acontece e eu sinto que devia ter feito qualquer coisa mais para que acontecesse. www.gviterbo.com


glamour

Sempre à mão Porque nem sempre é fácil encontrar o telemóvel na mala, a Dior desenvolveu um conceito ultraprático a pensar nas necessidades e exigências da mulher contemporânea. Um telemóvel concebido em materiais requintados complementado por um dispositivo de reduzidas dimensões que permite atender e fazer chamadas sem recorrer ao telemóvel principal. Basta prender o pequeno complemento na alsa, como se de um porta-chaves se tratasse, e, de imediato, tem à sua disposição as funções básicas de comunicação sem demoras. Seguro e confortável, o telemóvel principal mantém-se guardado longe dos olhares indiscretos, porém, está mais perto de si do que nunca. Dior Phone e My Dior em aço polido com diamantes Preço: 19.700 euros


Elegância sempre Para reacender o velho dilema ‘pulseira ou relógio’ e a pensar na versatilidade e elegância tão associadas aos nossos tempos, propomos duas deslumbrantes opções nas quais a combinação de materiais e jogos de formas são garantia de um resultado perfeito no pulso. Por um lado, um relógio Franck Muller Cintrée Curvex com diamantes que prima pela discreta originalidade, por outro lado, uma pulseira Louis Vuitton com um minucioso entrelaçado boudeaux. Franck Muller: Cintrée Curvex Lady Diamonds Preço: 19.670 euros Louis Vuitton: Pulseira Charleston Preço: 750 euros


Brilhos de sonho Há ocasiões especiais que merecem um brilho especial e para essas o detalhe perfeito fará, certamente, toda a diferença. Atualmente descobre-se cada vez mais peças de alta-relojoaria e de alta-joalharia que são verdadeiras obras de arte graças à extraordinária combinação de pedras e metais preciosos. Quase sempre em destaque, os diamantes brilham como elementos obrigatórios para atribuir um toque de absoluto requinte e um brilho de exceção. Aqui, propostas Chopard, Raymond Weil e Anselmo 1910/Monseo para surpreender. Anselmo 1910/Monseo: Brincos Colors com diamantes e tsavorites Preço: 3.150 euros Raymond Weil: Jasmine Preço: 2.200 euros Chopard: Pulseira Peacock em ouro branco com diamantes, esmeraldas, turmalinas paraíba, safiras, tsavorites, lazulitas e lápis lazúli Preço sob consulta


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Tons de outono Se os dias mais quentes se despedem aos poucos deixando para trás a euforia e descontração estivais, essa não é razão para deixar de deslumbrar ou para se deixar levar pela melancolia tão associada aos longos momentos de outono. O ideal é mesmo contrariar a tendência e aproveitar ao máximo os tons quentes, evocativos das românticas tardes da época que já se fazem gradualmente sentir: dourados, castanhos, vermelhos são cores repletas de vida e a sua companhia ideal nos mais variados complementos de guar­ da-roupa. Versace: Relógio Krios Preço: 995 euros Hermès: Capas para agendas Preço: 360 euros cada Versace: Anel Dafne em ouro amarelo de 18 kt e citrino Preço: 4.810 euros Versace: Anel Elegance em ouro amarelo de 18 kt e ónix preta Preço: 3.680 euros Hermès: Saco Double Sens Preço: 2.950 euros


reportagem

Relojoaria iluminada Por Miguel Seabra, fotos gentilmente cedidas pela Breguet Breguet é o sobrenome mais respeitado na história da relojoaria – porque se devem a Abraham-Louis Breguet praticamente todos os principais desenvolvimentos da arte relojoeira. Em sua homenagem e em homenagem às suas máquinas do tempo, o Museu Nacional Suíço apresenta a exposição ‘A.-L. Breguet: Como a Relojoaria Conquistou o Mundo’.


Só muito recentemente, desde a década de 1990, é que se adotou a prática de colocar o nome de um mestre contemporâneo no mostrador de uma marca moderna de alta-relojoaria. De resto, as mais prestigiadas manufaturas têm nomes seculares – e nenhum deles apresenta uma auréola que suscita tanto respeito como o sobrenome Breguet. Porque Abraham-Louis Breguet é considerado o maior relojoeiro de todos os tempos, tendo patenteado todas as principais invenções da relojoaria mecânica no final do século XVIII e inícios do século XIX. Foi precisamente na transição do Século das Luzes para o Século da Revolução Indústrial que o mundo cambiou substancialmente, não só através de clivagens sociais e da conquista de novas fronteiras geográficas como também de uma perceção do tempo mais apurada do que nunca. Abraham-Louis Breguet nasceu em Neuchâtel, na Suíça, em 1747 e as-

sentou posteriormente arraiais em Paris, onde passou mais de 50 anos a conceber preciosos instrumentos do tempo para as mais poderosas personalidades da altura até à data da sua morte em 1823 – desde Maria Antonieta e Napoleão Bonaparte ao rei Jorge IV de Inglaterra, sem esquecer o Czar Alexandre I e Luís XVIII. E é em honra do genial relojoeiro que o Museu Nacional Suíço reúne, numa exposição que decorre em Zurique até ao dia 8 de janeiro de 2012, mais de 200 items históricos relacionados com ele: relógios de bolso, cronómetros de marinha, retratos, esboços que ilustram os pedidos de patente destinados a proteger as suas invenções, manuscritos raros que são revelados publicamente pela primeira vez. O histórico acervo foi reunido graças ao empréstimo de peças por parte de diversas instituições e museus um pouco por essa Europa fora (sobretudo França, Inglaterra, Rússia, Suíça) e que se vieram

juntar às criações pertencentes à Montres Breguet SA e ao lendário relógio adquirido por Napoleão Bonaparte em 1798 antes da sua campanha egípcia (atualmente integra a coleção do próprio Museu Nacional Suíço). O inédito acervo foi primeiramente apresentado no Château de Prangins e depois passou pelo Louvre antes de chegar a Zurique, onde se faz acompanhar de artesãos relojoeiros que exemplificam manualmente, em ateliers montados no próprio local de exposição aos domingos, os diversos mesteres clássicos da altarelojoaria – desde a gravação à decoração em guilloché.


reportagem

As mais prestigiadas manufaturas têm nomes seculares – e nenhum deles apresenta uma auréola que suscita tanto respeito como o sobrenome Breguet. Porque Abraham-Louis Breguet é considerado como o maior relojoeiro de todos os tempos, tendo patenteado todas as principais invenções da relojoaria mecânica no final do século XVIII e inícios do século XIX.

Património e tradição O chamado estilo Breguet marcou vincadamente as criações relojoeiras de 1790 a 1850 – com uma linguagem estética assente um caixas caneladas, ponteiros azulados de abertura na ponta, indicações assimétricas, mostradores trabalhados em guilloché ou esmaltados. Esses traços distintivos sobreviveram à passagem dos tempos e constituem o paradigma do classicismo relojoeiro, estando disseminados na indústria relojoeira (o espiral Breguet, os ponteiros Breguet, os algarismos Breguet) e podendo sobretudo ser encontrados em modelos de uma elegância clássica elevada à máxima potência que constituem a coleção da marca nos dias de hoje. E a Breguet só

inclui na sua coleção monumentos dedicados ao mais famoso relojoeiro da história e que são adaptações contemporâneas das suas criações. Mas por mais tradicionais que possam parecer os mostradores evocativos do Século das Luzes, a marca também trabalha com materiais de vanguarda como o silicone e apresenta um naipe de modelos assaz completo – desde os fabulosos La Tradition, que transbordam de técnica, até às complicações dos elegantes Classique, passando pelo mais militar Type XXI e pelos femininos Reine de Naples. O certo é que são dignos do mais significativo apelido na história da relojoaria, assentes em mais de 40 calibres mecânicos distintos, manufaturados na Vallée de Joux; as grandes especialidades são as com­plicações, desde o turbilhão (a mais afamada invenção de AbrahamLouis Breguet) até ao calendário perpétuo, do alarme à repetição minutos, do cronómetro ao cronógrafo.

Breguet foi mesmo nomeado Relojoeiro da Marinha Real no século XIX graças à qualidade dos seus cronómetros de marinha. Já no século XX, a sua marca passou a fornecer contadores e cronógrafos de bordo nos aviões de caça. Os dois vetores patrimoniais juntam-se em 1958 na referência Type XX Aéronavale; o recente Type XXII evoca esse lendário modelo mas utiliza o primeiro mecanismo dotado de um órgão regulador que bate à frequência de 10Hz (72.000 alternâncias/ hora), graças ao seu escape ultraleve elaborado em silicone. A exposição do Museu Nacional Suíço evoca as raízes clássicas do melhor que se faz atualmente na relojoaria e sobretudo homenageia esse enorme vulto na história da micromecânica que foi Abraham-Louis Breguet – o homem que dominou o tempo no tal Século das Luzes que iluminou o pensamento da humanidade. www.breguet.com


embaixador

Um campeão couraçado Por Miguel Seabra, fotos Audemars Piguet Perfeito paradigma do tenista contemporâneo, Novak Djokovic é o novo embaixador da Audemars Piguet – e usa no seu pulso o protótipo do relógio contemporâneo, o Royal Oak Offshore. Em 1972, o advento do Royal Oak marcou o nascimento do relógio de pulso moderno. Em 1992, a declinação Royal Oak Offshore tornou-se o paradigma do relógio contemporâneo. Quase quarenta anos após o lançamento da sua emblemática linha e quase coincidindo, de modo nefasto, com a morte do seu criador Gérald Genta, a Audemars Piguet anunciou – no final de agosto – uma nova parceria com o tenista Novak Djokovic. O timing do anúncio foi excelente: aconteceu imediatamente antes do US Open, que o tenista sérvio viria a ganhar para erguer o troféu com um Royal Oak Offshore Diver no pulso. A final diante de Rafael Nadal foi um microcosmos do que se tem passado ao longo de 2011 no circuito masculino. Novak Djokovic apresentou-se couraçado, inoxidável, insubmersível – como um Royal Oak, cujo design de Gérald Genta foi inspirado por um couraçado da marinha de guerra britânica com esse nome. O triunfo do rapaz de Belgrado no Arthur Ashe Stadium de Flushing Meadows foi o corolário de uma época absolutamente notável e que é já uma das temporadas mais bem-sucedidas de sempre: dos quatro torneios do Grand Slam só lhe escapou Roland Garros e o facto de ter logrado o chamado mini-Slam coloca-o a par de somente seis outros jogadores na história do ténis profissional que também ergueram três troféus do Grand Slam num mesmo ano. O atual líder do ranking – e melhor desportista do planeta no ano em curso, segundo a revista americana Sports Illustrated – tem-se revelado intratável em 2011 e já logrou um registo de vitórias consecutivas e uma percentagem de sucesso que nem Roger Federer ou Rafael Nadal conseguiram nas suas melhores temporadas. Entretanto, acumulou um total de 64 encontros vitoriosos traduzidos em dez títulos – com destaque para três do Grand Slam (Open da Austrália, Wimbledon, US Open) e cinco Masters 1000 (um recorde absoluto). Um jogo estanque O estilo de Novak Djokovic faz dele o protótipo do tenista contemporâneo. Não é Roger Federer, porque o suíço apresenta-se como um clássico moderno com nuances

técnico-táticas que remontam às décadas de 50 e 60. Nem é Rafael Nadal, porque tem um topspin exagerado reminiscente dos especialistas de terra batida do passado e atingiu um patamar elevadíssimo sobretudo graças a qualidades físicas e psicológicas quase sobrehumanas. O sérvio tem uma base de jogo que evoca os principais precursores do estilo contemporâneo: Jimmy Connors e Andre Agassi – mas mais alto e mais possante, com­provando a evolução da(s) espécie(s) para além de apre­sentar todas as restantes caraterísticas inatas de um fora de série como a força mental, a assertividade competitiva, a motivação suplementar e a capacidade de adaptação. Novak Djokovic emergiu graças ao seu ténis profundo e em estéreo – pancadas de direita e de esquerda de qualidade muito semelhante e executadas o mais cedo possível, que lhe permitem dominar a troca de bolas em cima da linha do fundo em qualquer dos diferentes tipos de piso… que atualmente estão muito homogeneizados, já que a relva está menos rápida, a terra batida menos lenta e os hardcourts a assumirem-se como superfície padrão. Jimmy Connors foi o primeiro campeão moderno a emergir com caraterísticas especialmente adaptadas aos hardcourts que, desde a década de 70, passaram a polvilhar o planeta: pancadas de chapa no fundo do court, esquerda a duas mãos, rápidas transições para concluir o ponto no vólei. Seguiu-se-lhe o também iconoclasta Andre Agassi, menos afoito no jogo de rede mas ainda mais sólido no fundo do court; baseando-se em sistemáticas combinações cruzadas de esquerda e de direita para fazer correr os adversários e depois fazer a diferença com acelerações paralelas. Foi precisamente assim que Novak Djokovic ganhou o ascendente que lhe permitiu este ano ganhar seis finais a Rafael Nadal em três superfícies diferentes e ultrapassálo no topo da hierarquia. O sérvio não só tem a técnica ideal que lhe permite bater consistentemente em profundidade e com precisão como também conseguiu o impensável: impor-se fisicamente e psicologicamente. Royal Novak!


A associação entre Novak Djokovic e a Audemars Piguet não podia ter começado da melhor maneira: foi oficialmente anunciada logo no início do torneio e quinze dias depois o sérvio número um mundial erguia o troféu do Open dos Estados Unidos com um Royal Oak Offshore Diver, enquanto a sua namorada Jelena Ristic celebrava nas bancadas com um exemplar de joalharia da linha Millenary.


curtas

Um por todos O Only Watch é um leilão de relógios únicos que se realiza de dois em dois anos, sob o alto patrocínio de Alberto do Mónaco, com o objetivo de angariar fundos para uma causa maior. O evento teve lugar no Mónaco, no passado dia 23 de setembro, reafirmando o ‘rochedo’ como um concorrente sério de Genebra relativamente aos grandes eventos de alta-relojoaria. Por Cesarina B. Sousa

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Há quem lhe chame ‘concurso de beleza’ (www.businessmontres.com) ou ‘concurso internacional de protótipos relojoeiros’ (Osvaldo Patrizzi), mas a verdade é que a iniciativa Only Watch se tornou um caso sério no mundo da relojoaria e uma oportunidade para as marcas explorarem ao máximo a sua energia criativa. Lançado pela primeira vez em 2005, o Only Watch é um leilão internacional de caridade que se realiza bienalmente com o objetivo único de angariar fundos para centros de investigação da distrofia muscular de Duchenne (DMD), um distúrbio genético que afeta, principalmente, crianças do sexo masculino. O DMD traduz-se no gradual enfraquecimento dos músculos e consequentes problemas respiratórios e cardíacos. Segundo a Association Monégasque contre les Myopathies, um em cada 3500 nascimentos é atingido por esta disfunção que, muitas vezes, se revela fatal. Numa organização conjunta e sob o alto patrocínio do príncipe Alberto do Mónaco, a Association Monégasque contre les Myopathies, a casa de leilão Antiquorum e o Monaco Yacht Show convidam, assim, as marcas interessadas a cederem um modelo único das suas coleções para ser leiloado num prestigiado evento que decorre em Monte Carlo, no Mónaco. A iniciativa tem vindo a conhecer um sucesso crescente e a assumir contornos de tal forma reconhecidos que o leilão deste ano conta já com 40 casas participantes. Como é óbvio, as marcas têm aqui o momento ideal para firmar posição num setor tão exclusivo. Se o primeiro quartel do ano vive animado com os salões de apresentação das principais novidades, nos anos do Only Watch o marasmo do verão é mais facilmente suportável graças

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TAG Heuer € 44.000

à apresentação regular dos protótipos que estarão disponíveis em hasta. E todos são surpreendentes. É que aqui vale tudo: graças à liberdade inerente ao próprio regulamento, as marcas dedicam-se seriamente à criação de peças com caraterísticas inéditas e até mesmo excecionais. Não estamos a falar de um Grande Prémio de Relojoaria no qual um grupo reduzido de especialistas avalia modelos de acordo com parâmetros muito específicos. Falamos da oportunidade de ver um público bem mais alargado a ‘lutar’ por relógios literalmente únicos. Quanto maior o valor obtido pela peça, maior será certamente o sentimento de vitória dos seus criadores e maior será o valor reunido para uma causa tão importante. De acordo com dados da organização do Only Watch, desde 2009 já foram doados 2,5 milhões de euros a 18 parceiros científicos com equipas que integram 90 investigadores, clínicos e químicos. A iniciativa Only Watch acaba assim por estimular as mentes efervescentes de relojoeiros, já que, aparentemente, aqui não está em causa a viabilidade comercial em grande escala. Por isso, todos podem ‘inventar’ à sua vontade. Linhas arquitetónicas irreverentes, soluções técnicas fora de série, elementos decorativos à altura de peças de museu são assim adotados em relógios que se tornam de imediato peças em vias de extinção. Um tour que antecedeu o leilão levou os relógios em hasta a vários lugares do mundo para aguçar o apetite aos eventuais interessados e o Only Watch propriamente dito decorreu no dia 23 de setembro com o valor angariado a superar muitas das expetativas: 4.563.000 euros. www.onlywatch.com

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Chopard € 35.000


Livros

Audemars Piguet Le maitre de l’horlogerie depuis 1875 / Textos François Chaille / Edição Flammarion, 2011 / Fotografias Éric Sauvage et Francis Hammond A história da Audemars Piguet revisitada num livro extraordinário. Ao longo de mais de 300 páginas, o percurso histórico da manufatura de Le Brassus é contado desde as suas origens e ilustrado por imagens de grande qualidade. Do Vallée de Joux como inspiração para a criação relojoeira, passando por um portefólio composto por uma impressionante diversidade de instrumentos do tempo, a legitimidade da companhia familiar, enquanto nome de calibre na relojoaria suíça, é, de imediato, apreendida em apenas breves instantes de contacto. Peças raras apresentadas em grande plano, detalhes minuciosos e paisagens de cortar a respiração fazem deste livro um tributo ao que de melhor se faz em relojoaria.


Heuer Monaco – Design Classic / Textos Richard Crosthwaite Edição de autor, 2011

100 Superlative Rolex watches / Textos John Goldberger / Edição Damiani, 2008

Esta é a história de uma lenda da relojoaria. O primeiro cronógrafo automático com uma caixa quadrada estanque. A sua ligação a Steve McQueen nasceu no cinema e os modelos mais contemporâneos revelam-se um verdadeiro sucesso. Como não poderia deixar de ser, falamos do TAG Heuer Monaco. Mas se muitos estão a par dos grandes momentos deste modelo, poucos conhecem os meandros que estão por trás do seu nascimento e dos seus primeiros anos. Da autoria de um colecionador de relógios Heuer que tem um particular interesse pelo Monaco vintage, este é um livro obrigatório para os aficionados da relojoaria, da marca e da história do design.

Imprescindível para amantes e colecionadores Rolex, este livro mostra 100 relógios emblemáticos da marca que, tendo a coroa por logótipo, há quem considere ser a rainha da relojoaria suíça. O autor coleciona e estuda relógios vintage há um quarto de século e mostra-nos bem, através dos exemplares destacados, a evolução da marca. De tal forma que é bem perceptível, e igualmente curioso de verificar, que também para a Rolex houve um antes e um depois da II Grande Guerra Mundial.


ONDE COMPRAR

Marcas, importadores e agentes oficiais A.Lange & Sohne

Louis Vuitton

www.alange-soehne.com

www.louisvuitton.com

Torres Joalheiros

Boutique Louis Vuitton

Audemars Piguet

Anselmo by Monseo

www.audemarspiguet.com

www.monseo.com/pt

Torres Distribuição

Anselmo 1910

Breguet

Montblanc

www.breguet.com

www.montblanc.com

Boutique dos Relógios, Torres Joalheiros

Montblanc boutique

Chopard

Panerai

www.chopard.com

www.panerai.com

EdJóia, David Rosas, Giles Joalheiros, Pimenta Joalheiros, Torres Joalheiros

Anselmo 1910, Machado Joalheiro, Margarido Joalheiros

Cvstos

Patek Philippe

http://www.cvstos.com

www.patek.com

Torres Distribuição

David Rosas

Dior

Porsche Design

www.dior.com

www.porsche-design.com

Torres Distribuição

Torres Distribuição

Fortis

Raymond Weil

www.fortis-watches.com

www.raymond-weil.com

Torres Distribuição

Torres Distribuição

Franck Muller

Rolex

www.franckmuller.com

www.rolex.com

Torres Distribuição

Aquaverdi, David Rosas, Pires Joalheiros, Torres Joalheiros

F.P.Journe – Invenit e Fecit www.fpjourne.com

TAG Heuer

Torres Distribuição

www.tagheuer.com

Torres Distribuição, Eyewear Prooptica Graham – London www.graham-london.com

Vacheron Constantin

Torres Distribuição

www.vacheron-constantin.com

Hermès

David Rosas, Machado Joalheiro, Marcolino Relojoeiro, Relojoaria Faria

www.hermes.com

Boutique Hermès Jaeger-LeCoultre www.jaeger-lecoultre.com

Torres Distribuição

Versace www.versace.com

Torres Distribuição

Anselmo 1910 www.anselmo1910.com 218 480 738 Aquaverdi 22 203 7525 Boutique dos Relógios www.boutiquedosrelogios.pt 21 831 12 43 Boutique Hermès 21 324 20 70 Boutique Louis Vuitton 21 358 43 20 Cunha Joalharia www.joalhariacunha.com.pt David Rosas www.davidrosas.com 21 324 38 79 EdJóia www.edjoia.com 28 939 23 34 Eyewear Prooptica www.prooptica.pt 21 361 65 80 Giles Joalheiros www.gilesjoalheiros.com 21 895 12 38 Machado Joalheiro www.machadojoalheiro.com 21 154 39 40 Marcolino Relojoeiro www.marcolino.com.pt 22 200 16 06 Margarido Joalheiros margaridojoalheiros.com 28 432 32 52 Montblanc boutique 21 325 98 25 Pimenta joalheiros www.saldanhaepimenta.pt 213 852 190 Pires Joalheiros 25 320 1280 Relojoaria Faria www.relojoariafaria.pt 219 105 580 Torres Joalheiros www.torres.pt 213 472 753 Torres Distribuição www.torresdistrib.com 218 110 890


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crónica José Luis Peixoto

Cronómetro Levo no pulso uma máquina que, como a natureza, como eu próprio, tenta medir aquilo que sou. É uma máquina que me informa sobre mim e, ao fazê-lo, me informa sobre o mundo. Através de números, não me fala apenas do seu funcionamento; fala-me também da sua essência.

Enquanto corro, os segundos substituem-se uns aos outros no meu pulso. Os minutos aguentam mais tempo, permanecem imutáveis, arrogantes durante sessenta segundos e, depois, na viragem de algo, desaparecem, também são substituídos, dão lugar a outro minuto, com igual soberba e igual solidez aparente. Diante de mim, os meus pés alternam-se, o direito ultrapassa-me e puxa-me, o esquerdo ultrapassa-me e puxa-me. São passos que, um a um, possuem o seu instante próprio. Pertence-lhes. Dentro do peito, no centro, levo o coração a bater, cada batida é absolutamente necessária para a construção deste ritmo. Eu sei que essas batidas dão origem a um fluxo de sangue que me atravessa em todas as direções, eu sei que levo tudo isso debaixo da pele. Também terá o seu ritmo. Procurando com uma lupa, um microscópio, encontra-se intermitência mesmo naquilo que flui. Respiro, inspiro e expiro, inspiro e expiro, respiro. Os meus pulmões enchem-se com o ar que me entra pelas narinas, sinto-o na garganta, e esvaziam-se com ar que também sinto na garganta e me sai pela boca, devolvo-o ao início da noite. Corro a poucos metros do oceano, no caminho de cimento entre a areia da praia e a estrada. As ondas lançam-se sobre a areia da praia, estendem-se e, depois, recolhem-se, deslizam, escorregam na areia lisa. São essas mesmas ondas que a alisam. Lá em cima, as primeiras estrelas. Qual é a porção de tempo que marcam? No outro lado, enquanto corro, passam carros ocasionais. Às vezes, passa um e, depois, tempo, uma pausa, silêncio, depois, passa outro a grande velocidade, e nada, durante um momento longo, nada, depois, dois carros seguidos. Apesar de não ser capaz de decifrar o seu ritmo, a sua lógica, não creio que sejam aleatórios. Saíram de algum lugar num instante preciso, fizeram um caminho específico para passarem por mim num instante exato. Têm o seu mundo próprio que, visto daqui, comporta uma complexidade distante. Recusar a sua razão seria demasiado fácil. Corro sobre tudo isto. Acrescento passos aos segundos, ao meu coração, à minha respiração, às ondas, aos carros, às estrelas. São como linhas numa fita métrica, marcam milímetros e centímetros. E, em tantos aspetos, sou comparável ao vento que começou agora a levantar-se. Como ele, também eu transporto essa superfície que as marcas tentam quantificar; é transparente e ilimitada, nela cabem os segundos, os meses, as idades, os filhos, a vida inteira; nela cabem os passos que dou agora e que dei durante tardes enormes, durante verões que pareciam intermináveis, todos os passos que ainda darei; nela cabe a minha respiração a correr, a dormir, a ler ou à espera que o tempo passe; nela cabem todas as ondas que ouço, que imagino, imaginei e todas aquelas que ignorei, em horas longe do mar. O vento sabe do que falo. Como eu, o vento também corre. Como eu, também existe desde sempre e para sempre.



Espiral do Tempo 37