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TRADUÇÃO – DAY REVISÃO INICIAL- DAY,JEN REVISÃO FINAL - MARTABITCH LEITURA FINAL- MARA SANTS

OUTUBRO/ 2018


Sinopse Verdade: Penn Walker entrou na minha vida como uma tempestade de verão - escura, sinistra e cheia de trovões.

Depois de testemunhar o assassinato de meu marido, não tive muito coração para oferecer a um homem.Mas Penn levou tudo.Cada pedaço recortado.Cada pedaço quebrado.Mesmo as peças sujas e torcidas que eu nunca desejei. Mentira: Eu não precisava dele para me salvar. Mentira: Eu sabia exatamente quem ele era. Mentira: Perder ele não me destruiria.Mas essa é a coisa sobre mentiras - você nunca sabe em quem acreditar


Penn Um minuto antes de perdê-la ... Um quarto de hotel. É onde eu estava deixando Cora. Um maldito quarto de hotel com tapete comercial de merda, que fez minha pele arrepiar. Claro, era um lugar agradável com segurança em tempo integral, e eu tive a certeza de que estaríamos no último andar, mas a ideia de deixá-la em um maldito quarto de hotel, transformara meu sangue em lama. Era a única maneira. Eu precisava dela fora daquele prédio por uma noite e depois para sempre. Eu olhei para o lado de seu rosto, seus lábios entreabertos, e guardei cada curva na memória. Sua pele lisa, seus longos cílios, até aquela pequena mancha abaixo do lábio. Tudo isso era meu.


Ela era minha. E, para salvá-la, tive que deixá-la ir. Eu poderia dar-lhe o dinheiro. Eu tinha o suficiente. Mas enquanto os irmãos Guerrero ainda compartilhassem o oxigênio da Terra, ela nunca estaria livre. Eles iriam encontrá-la, manipulá-la, puni-la e eu não tinha nenhuma dúvida de que acabariam matando-a. E enquanto eu estava fora exigindo vingança por uma mulher que eu amava, mas não tinha sido capaz de salvar, o ciclo se repetiria. Todos nós tivemos escolhas na vida. Eu poderia ter ficado. Eu poderia ter mantido Cora. Eu poderia ter levado ela e River para longe, colocá-las em uma casa chique com segurança particular, mas elas sempre estariam olhando por cima dos ombros. Isso não era liberdade. Isso seria mover elas de uma prisão para outra.


E isso não teria resolvido nada. Thomas Lyons, o homem que havia ordenado a morte de minha esposa, fazia parte do mundo de Cora. Pelo que pude perceber, ela estava ajudando a mulher dele, Catalina, e a filha dele, Isabel, a se esconderem dele. Um dia, ele descobriria e viria atrás de Cora também. Meu mundo havia se fundido oficialmente e Thomas, o procurador-geral da cidade com o registro perfeito, era a fonte da ferida. Então, no final do dia, eu não tive escolha alguma. A única coisa que eu podia fazer, era não deixar o sangue sujar as mãos dela. Mesmo que isso significasse me apunhalar no coração e desaparecer completamente de sua vida. Ela ficaria bem. Ela se recuperaria, seguiria em frente, faria sua própria vida.


Eu não faria. Nunca. Mas pelo menos eu seria capaz de descansar à noite, sabendo que ela estava dormindo com segurança sob as estrelas. Inspire. Expire. Fechei os olhos, dei um beijo em sua testa e enchi meus pulmões com toda a essência de Cora Guerrero. A risada dela. O sorriso dela. Seu gentil coração. Sua natureza altruísta. O jeito que ela amava. O jeito que ela se entregava. O jeito que ela me trouxe de volta à vida. — Verdade —, eu sussurrei contra sua têmpora. — Eu te amo. — Ela não se mexeu quando eu me arrastei para fora da cama.


Ela não se mexeu enquanto eu guerreava com meu corpo para forçar minhas pernas a me afastarem dela. E ela não se mexeu quando as chamas do inferno finalmente me devoraram quando eu entrei no corredor e silenciosamente fechei a porta. — Está pronto? — Drew perguntou. Eu mandei uma mensagem para ele no minuto em que a respiração dela tinha se tornado constante. Embora eu provavelmente tenha ficado esperando mais tempo do que deveria. Eu cerrei meus dentes para cobrir a emoção. — Jura que você vai cuidar dela.— Seus olhos castanhos e ferozes se fixaram no meu azul. — Jure por mim que você vai matar aqueles filhos da puta e depois voltar vivo. — Eu estendi a mão em sua direção. — Feito. — Ele sorriu, batendo palmas com a minha. — Então você tem a minha palavra. —


Nós caminhamos em direção ao elevador no mesmo pé, todo o meu corpo gritando quando eu a deixei lá. Eu sabia que era errado no minuto em que decidi fazer. Mas minhas costas estavam contra a parede. — Eu não me sinto bem em deixá-la pensar que eu estou roubando o dinheiro —, eu disse a ele. Sua mão serpenteou, pegando meu bíceps, me impedindo no meio do caminho. — Você tem que fazer isso. Você me ouviu? Você não é outro homem que ela precisa passar treze anos ansiando depois. Você pega o dinheiro, coloca na caixa de ferramentas e faz parecer que Dante e Marcos apareceram quando você estava indo embora. — — Ela não vai acreditar nisso, Drew. Ela vai ver a verdade. — Ele entrou na minha frente, as sobrancelhas franzidas, e apunhalou um dedo no meu peito. — Então faça ela acreditar. Eu vou ajudar na minha parte, plantando a semente da melhor forma possível, se ela não chegar à conclusão por conta própria, mas não vou passar os próximos seis meses consolando uma mulher que pensa que seu namorado pobre e doce foi incendiado enquanto tentava proteger sua honra. Ela não vai se


recuperar disso, Penn. Ela passará o resto da vida se culpando por matar um homem inocente e você sabe disso. — Ele cutucou meu peito, pontuando cada frase. — Seja o cara mau. Assuma a culpa. Deixe ela ficar puta. Quebre seu maldito coração. E ajude-a a deixar você ir. — O problema era que eu não queria que ela me deixasse ir. Mas eu não podia levá-la comigo. Por uma infinidade de razões, eu precisava colocar a maior distância possível entre Cora Guerrero e Thomas Lyons. O problema é que, se e quando minha verdadeira identidade estivesse ligada a Penn Walker, ela seria seu próximo alvo ou uma suspeita em seu assassinato. Até agora, eu - Shane Pennington - estava livre e limpo. Aquelas centenas de milhares de dólares que gastei comprando uma nova identidade valeram a pena. Para o bem dela, eu precisava continuar assim. Mas eu não pude ir embora até ter certeza de que ela estaria tão distante de toda essa porcaria quanto eu pudesse. Ou, como se viu, tão longe quanto Drew conseguiria leva-la. Eu o prendi com o ombro enquanto passava por ele até o elevador e, em seguida, apertei o botão.


Drew não terminou sua palestra ainda. — Eu juro por Deus, se você tentar se desviar do plano, eu vou te encontrar e te matar. Você não é mais o cara bom. Ela vai ser um desastre quando você morrer de qualquer maneira, mas odiar você será mais fácil. Ela sabe como lidar com situações de merda, Penn. — — Mas é só isso. Isso é tudo que ela já recebeu. Merda, merda e mais merda. E agora estou adicionando mais a essa merda. — De repente, ele estava na minha cara. — Eu não vou estar lá para salvar sua bunda se isso for para o lado errado. Você pega o dinheiro, coloca na sua caixa de ferramentas e depois o deixa no assento do caminhão. Os policiais não devem procurá-lo, uma vez que está em meu nome, mas se eles fizerem isso, eu vou produzir os registros bancários, onde Shane Pennington deu a seu melhor amigo que acabou de sair da prisão um empréstimo. Cora não precisa saber disso. E se ela descobrir, vou mentir e dizer que meu dinheiro foi queimado no fogo. Pensamos em todos os ângulos possíveis para deixar ela no mínimo de risco. Não saia do script agora. Este não é um daqueles momentos em que você pode se divertir. Você tem que parar de ficar obcecado com a merda que você não pode mudar e se concentrar em


realmente sobreviver a essa besteira. Derrubar não um, mas dois Guerreros não será fácil. — Meus ossos doíam, como se estivessem sendo quebrados em dois. —Eu prometo a você que vai ser mais fácil do que deixá-la.— —Provavelmente. Mas eu preferiria ouvir você chorando por uma mulher em qualquer dia da semana por colocar você no chão. Então eu vou repetir: Foco. Há muito tempo para chorar em seus cereais depois.— Atirei-lhe uma carranca, mas a leviandade começou a aliviar a pressão no meu peito. —Certo.— —Agora. Tem certeza de que não posso ir com você? Eu estou sedento para marcar meu ponto em Dante por um bom tempo. — O elevador apitou. —Não. Você fica com ela. Se algo realmente acontecer comigo ... você ... — Ele deu um aperto no meu ombro. —Entendi. Um milhão, cem, uma tonelada de outros números e noventa e nove centavos. —


Segurando seu olhar, eu engoli em seco, uma montanha de palavras não ditas nos dividindo. Drew tinha sido meu melhor amigo por dezessete anos. Ele se tornou minha família quando me casei com sua irmã. E quando nós a perdemos, ele se tornou meu parceiro em uma busca por vingança. E, então, havia uma chance muito sólida de que eu não estivesse deixando apenas Cora naquela noite. —Drew ... eu-— —Não se atreva. Você tira sua bunda daqui. Faça o seu trabalho. Vamos tomar uma cerveja e nos reencontrar em alguns meses, quando tudo estiver dito e feito, certo? — —Sim—, eu sussurrei. —Agora vá. Saia daqui antes que você fique todo emocionado e seu pau caia. Você acabou de recuperá-lo recentemente. Eu odiaria ver você perder de novo. — Eu soltei uma risada. Maldito seja. Ele era um bom homem. Com um último aceno, entrei no elevador e olhei para o chão enquanto as portas se fechavam.


No caminho para o primeiro andar, muitas coisas aconteceram: Minha mente clareou. Minha resolução voltou ao lugar. E aquele entorpecimento familiar passou por cima de mim. Penn Walker subiu no elevador naquela noite, mas quando as portas se abriram no final, Shane Pennington saiu focado, determinado e alimentado por mais dor do que nunca. O problema era que, apenas algumas horas depois, percebi que ambos estavam irrevogavelmente apaixonados por Cora Guerrero.


Cora Quatro anos antes ... —Chrissy!— Eu gritei, batendo na porta do apartamento dela. Olhei de relance para Angela, que estava parada no corredor, mordendo o lábio inferior. —Você fez a coisa certa.— —Vamos ver—, ela murmurou, mostrando seus nervos em suas unhas. Eu comecei a procurar pelo meu chaveiro. —Ang, me escute. Se ela trouxer um John aqui, isso nos coloca em risco. Correndo o risco de os policiais descobrirem. Ou Dante ou Marcos. Ou até mesmo Manuel. Eu não sei sobre você, mas eu não estou disposta a deixar a minha bunda pela Chrissy para ela fazer um par de dólares aqui. — —Não. Eu sei. É só que me sinto mal. Ela é minha garota, sabe? — Eu enfiei a chave na fechadura. —Se ela fosse realmente sua garota, ela não teria colocado você nessa posição para


começar.— Eu não tive a chance de virar a chave antes que a porta se abrisse. Chrissy apareceu na entrada vestindo uma camisola preta. Seu cabelo escuro e grosso, tingido, estava desgrenhado, e o batom dela se alinhava na borda externa da boca. —Você poderia parar de encher a cabeça dela com besteira?— Ela se inclinou para encarar Angela. —Eu vou costurar sua boca.— As costas de Angela se endireitaram e seus olhos se arregalaram antes de entrar em seu apartamento. —Você tem que ser uma puta o tempo todo?— Eu perguntei. Chrissy sorriu, toda cheia de dentes amarelos. —Eu poderia te fazer a mesma pergunta.— Eu zombei. —Eu sou uma puta? Você traz um John aqui, colocando todas as mulheres neste prédio em perigo, mas eu sou a puta? Jesus, Chrissy. Puxe sua maldita cabeça para fora da sua bunda por um minuto e pense em alguém que não seja você mesma. — Ela revirou os olhos, apoiando o ombro no batente, sorrindo como se eu tivesse contado uma piada. —Eu não sei do


que você está falando. Não há um homem aqui. — Ela balançou o braço para fora, me convidando para entrar. —Veja por si mesma.— Com menos de zero interesse em percorrer seu apartamento inútil em busca de um homem ainda mais inútil, eu respondi. —Tire-o daqui. Agora.— —Não há ninguém aqui.— Ela fez beicinho e desenhou um X invisível sobre o coração. Então a voz de uma mulher que eu não reconheci veio de trás de mim. —Uhhhh, porque ele está bem aí.— Girando ao redor, avistei um homem semi-nu correndo no estacionamento. Felizmente para mim, era a metade inferior que estava coberta. No entanto, depois de ter testemunhado seu estômago coberto de pêlo saltando na brisa, eu não tinha certeza se a sorte era o termo certo. —Oh, você poderia verificar isto,— Chrissy respirou em descrença falsa. —Você sabe, você deveria conversar com Angela. Eu a vi escondendo um cara mais cedo, mas eu não queria denunciá-la. Você sabe que somos as garotas e tudo mais. —


Eu virei minhas retinas em chamas para ela. —Você está brincando comigo, Chris? Você de todas as pessoas sabe melhor que ... — —Quem diabos é ela?— Ela empurrou o queixo em direção ao estacionamento. No reflexo, eu olhei por cima do meu ombro e encontrei uma morena alta e esguia de pé, do lado de dentro da passarela. Ela usava shorts rosa que abraçavam sua figura magra e uma camisola de seda branca que não mostrava decote suficiente para essa profissão, mas inteiramente demais para ela ser uma Testemunha de Jeová para salvar minha alma. —Posso ajudar?— Eu perguntei logo antes da porta de Chrissy se fechar. Eu solto um gemido, prometendo lidar com ela mais tarde. Apesar de não ligar para um Guerrero - o que, de jeito nenhum - não havia muito mais que eu pudesse fazer. A mulher sorriu, revelando o que deveria ser uma pequena fortuna na ortodontia infantil e uma dieta de nuvens. Ela apontou um dedo bem cuidado na porta de Chrissy. — Ela parece legal.—


—Um prêmio real—, eu respondi, dando-lhe outra vez uma vez. —O que eu posso fazer para você hoje?— —Oh, certo.— Ela se aproximou, me forçando a levantar a cabeça para vê-la. Eu era baixinha, mas ela tinha que ter pelo menos um metro e oitenta de altura sem aqueles saltos. Olhos quentes e castanhos olhavam para mim quando ela perguntou: —Estou procurando por Dante Guerrero—. Eu enrolei meu lábio. —Bem, isso é lamentável. Ele não mora aqui—. Ela inclinou a cabeça para o lado como um cachorrinho confuso. —Mas ele é dono do prédio, certo?— —Isso ele é.— Eu abri meus braços, agitando-os ao redor, fazendo a minha melhor impressão de uma modelo do The Price Is Right. —Mas, de alguma forma, ele consegue resistir ao desejo de tornar este luxuoso palácio sua residência principal.— —Você… sabe como eu poderia entrar em contato com ele? Ele me disse para encontrá-lo aqui, mas não peguei o número dele. —


Os cabelos na parte de trás do meu pescoço ficaram em pé quando o pânico inundou meu sistema. —Merda! Ele vem aqui? Hoje? — —Hum… Bem, não hoje, hoje. Ele só me deu este endereço e me disse para vir sempre que eu ... hum ... tivesse a chance. Então aqui estou.— Eu soltei um suspiro alto, batendo no meu peito como se eu pudesse diminuir manualmente meu coração acelerado. —Jesus. Não me assuste assim. — —Desculpe—, ela sussurrou timidamente. De perto, ela era ainda mais bonita. Ela era mais velha do que eu, talvez trinta, mas tinha uma pele boa e com uma bonita e sutil maquiagem. Ela não era o tipo de linda que enfeitava as páginas de uma revista, mas ela era bonita o bastante para pensar que talvez pudesse. O pensamento me fez estremecer. —Posso perguntar que tipo de negócio você tem com Dante?— —Oh, hum ...— Seus olhos brilharam. —Eu respondi um anúncio on-line—


—Para modelo?— Eu terminei por ela. —Sim! Exatamente.— Suspirei. Como diabos ele conseguiu encontrar tantas mulheres desesperadas, além de mim. E uma que parecia assim? Esqueça. —Escuta. Você parece agradável. Então vou te contar um pequeno segredo—. Eu me inclinei para perto e abaixei minha voz para um sussurro. —Não é o que você pensa. Isto é um golpe. Vá para casa e esqueça. Você não quer nada disso—. Eu comecei a me virar, mas ela pegou meu braço. —Eu não tenho para onde ir. Eu usei o último dinheiro que eu tinha que pegar um táxi para vir aqui hoje. Olha, eu sei o que acontece aqui. Eu tenho clientes meus. Os ricos. Estou apenas mudando de equipe. Isso é tudo.— Empurrando meu braço para longe, eu olhei para ela com admiração fingida. —Você é de outro cortiço?— Ela assentiu repetidamente. —Você tem Johns de sua preferência?—


Ela assentiu novamente. —E Dante lhe deu este endereço?— Mais com um aceno de cabeça louco. Eu olhei para ela com cautela, procurando a verdade em seus olhos grandes. Não havia nenhuma para ser encontrada. —Você é tão cheia de merda. Nós não executamos esse tipo de negócio aqui. Tire a merda da minha propriedade—. —Certo, tudo bem! Eu não sou de outro ... cortiço. Mas eu tenho experiência—. Revirei os olhos, dando-lhe as costas quando comecei a subir as escadas. Meu telefone começou a tocar e, depois que eu o tirei do bolso de trás, o número de Manuel apareceu na tela. —Não. Não. Não. Espere! Ela chorou—. Mas eu a ignorei, sabendo que não deveria deixar que o chamado dele fosse para o correio de voz. —Olá.— —Ela está fodidamente grávida!— Ele explodiu.


A aspirante a supermodelo Heidi Klum me seguiu, sussurrando pedidos a cada passo. —Quem?— Eu perguntei a Manuel, parando no segundo andar para tirar o dedo e apontar para o estacionamento. Então falei sem som e com uma expressão severa: — Saia —. Ela ergueu as mãos em oração. —Por favor. Apenas me ouça—. Manuel ficava reclamando no meu ouvido. —Eu não sei, porra. Seja qual for a cadela que você levou ao médico esta manhã—. Merda. Lucy —Desligue-a, Cora.— —Não, espere—, eu respirei. O rosto da mulher acendeu. —Você não!— Eu assobiei para ela. Manuel continuou. —Eu te avisei fodidamente. Ela já era. Esta noite. E se eu tiver que ir até lá e fazer isso sozinho, juro por Deus que estou levando River para casa comigo—.


Minha cabeça girou quando todo o sangue foi drenado do meu rosto. Eu estendi a mão, agarrando o corrimão para me equilibrar. —Não. Não. Eu vou cuidar disso. Eu juro. Lucy já era. Agora mesmo.— —Bom. Agora, graças a sua estupidez, eu preciso de uma garota. Então eu não dou a mínima se você tem que bater na rua para fazer isso acontecer, mas eu quero hoje à noite. Você me deve isso—. Eu não sabia como ele poderia me culpar por uma prostituta engravidar, especialmente não quando eu me esforçava tanto para garantir que todas fizessem controle de natalidade e tivessem acesso regular aos preservativos. Mas Manuel nunca precisou de uma razão para me culpar por nada. —Eu… é uma noite de terça-feira. As garotas não podem dobrar o lance. Me dê até o final da semana. Eu prometo que vou fazer acontecer—. —Quantos anos tem River agora? Me lembre de novo? — Não foi uma pergunta. E ouvi sua ameaça alta e clara.


Meus olhos se arregalaram, a bile subindo pela parte de trás da minha garganta. —Eu vou fazer acontecer. Dobrar o lance—. —Esta noite—, ele fervia. —Esta noite. Eu juro.— Eu segurei o telefone no meu ouvido por muito tempo depois que ele desligou. Eu não tinha ideia de onde conseguiria esse dinheiro. As terças-feiras só traziam cerca de três mil, o que - menos os trinta por cento que as garotas recebiam - me deixava um buraco de mais de dois mil dólares. Se fosse sexta ou sábado, não haveria problema. As garotas tiram dez vezes esse valor num fim de semana. Mas não havia nenhum livro que me mostrasse sucesso nisso em uma terça-feira. Sem mencionar que eu estava com apenas quatro garotas, Lucy, pobre Lucy, fazendo cinco. —Merda—, eu murmurei. Isso ia ser um grande sucesso para minha conta da Liberdade, mas que outra escolha eu ... —Eu posso te dar esse dinheiro.— Minha cabeça levantou.


Um sorriso perfeito dividia seu rosto perfeito. —Eu não estava mentindo. Eu tenho um cara rico no gancho. — —Este gancho grande o suficiente para conseguir dois mil para hoje?— Sua cabeça estalou para trás com genuína surpresa. —É isso aí?— —É isso—, eu zombei, fechando os olhos e belisquei a ponte do meu nariz. — Por que você ainda está aqui?— —Porque estou pensando que agora você precisa de mim. Você me dá quatro horas, eu vou ter dois mil para você. Seis e posso torná-lo um bom três. — Eu me afastei do corrimão. —Oferta generosa, mas que diabos você tiraria disso?— Ela virou a cabeça e sussurrou: —Proteção—. Minha boca ficou boquiaberta enquanto eu olhava para ela por vários segundos. Então eu soltei uma risada alta. — Proteção? Isso é uma piada?— Ela franziu os lábios. —Garotas Guerrero são respeitadas, não são?—


—Talvez na rua, mas o respeito é uma palavra grande com muitos significados.— Acenei meus braços de novo, desta vez menos como um modelo do The Price is Right e mais como uma mãe irada.— Dentro dessas paredes, o respeito não existe. E não pense por um segundo que você será diferente. Dante não está interessado em você modelar para ele. O homem nem possui uma câmera. Ele quer te prostituir, pegar setenta por cento do seu dinheiro e mantê-la em cativeiro neste prédio pelo resto de sua vida esquecida por Deus. Então, se você tiver algum conceito da palavra respeito, você irá embora. Pegue seus dois mil dólares, consiga um emprego que não exija que você se deite de costas e respeite a si mesma. Agora, se você me der licença, eu tenho uma merda para fazer. — Eu subi as escadas, toda a minha paciência acabada. —Eu ainda preciso do número de Dante!— Ela gritou atrás de mim. —Porra. Fora.— —Estou morta sem isso.— Eu congelei, deixando cair meu queixo no meu peito. Ela estava morta se eu desse a ela também.


Eu não deveria ter perguntado. Eu não deveria ter me importado. Eu nem sabia o nome dela. E ainda…. —De quem você está fugindo?— Sua voz se aproximou enquanto falava. —Eu roubei algumas contas de um cara. Você sabe, apenas para conseguir algo para comer e ... e, bem, eu preciso de ajuda. Se eu disser que estou trabalhando para um Guerrero, ele vai recuar. Eu preciso muito disso. — Eu me virei. —Então, vá para a polícia.— —Essa merda não funciona. Você sabe disso.— Infelizmente eu sabia. Tudo muito bem. —Você não tem ideia do que está dizendo agora. As mulheres não vêm aqui para escapar - elas saem daqui para fugir. Você me ouve? Este não é o lugar para fornecer segurança. —


Ela desafiadoramente segurou meu olhar. —Talvez não. Mas, como você disse a pouco sobre respeito, a segurança é uma palavra grande com um monte de significados. Deixe-me decidir por mim mesma. OK?— Estendi a mão, peguei a estrela no meu colar e a arrastei de um lado para o outro pela corrente. —Por favor, não me faça fazer isso.— Ela deu um passo para cima. —Você estaria me ajudando muito. E eu vou te ajudar também. Vou te dar tudo o que eu levar para casa a cada noite. Meio a meio?— —Sua parte seria trinta por cento. Guerreros ganham setenta. E então, desses trinta por cento, você tem que pagar cinquenta por cento para cobrir aluguel e serviços públicos. Então, dos dois mil que você está fazendo hoje à noite, você terminará a noite com trezentos dólares no bolso. — —Ok, então você terminaria com setenta e cinco.— Meu peito doía. —Eu não quero o seu dinheiro.— Ela deu outro passo para cima. —OK. Então eu posso ajudar de outras maneiras. O que você precisar. Eu posso fazer isso.—


—Jesus. Por que você está tão determinada a fazer isso? Estou te dando uma saída. Pegue isso. — —Não existe mais uma saída. Você saiu? E as outras garotas daqui? Eles saíram? Não. E se você me deixar entrar aqui ou não, também não tenho saída. — Eu bufei uma risada sem graça e coloquei a mão no meu quadril. —Você percebe que está pedindo ajuda ao diabo, certo?— —No fundo do poço, o diabo é o único que resta para ajudar. — Não era essa a maldita verdade. Eu balancei a cabeça. —Eu teria que ver isso com Dante primeiro.— —OK.— Jesus, eu realmente faria isso? Meninas geralmente eram deixadas para mim. E aqui estava eu, colocando uma nova quando finalmente tive a capacidade de dizer não a ela.


—Se eu ligar para ele, não há como dizer o que ele vai dizer.— Eu deslizei meu olhar até as pernas longas e bronzeadas e sobre o inchaço de seus seios grandes. Ela era linda. Se eu ligasse para Dante, sabia exatamente o que ele faria com ela. E não ia sentir nada como segurança. —Eu sei—, ela respondeu, esperança brilhando em seus olhos. Eu segurei seu olhar, dando-lhe todas as oportunidades para me parar quando eu levantei meu telefone. Ela não disse nada. Finalmente, eu disquei um número, mas não era de Dante. —Por que diabos você está me chamando agora?— Marcos cumprimentou. Tirando Catalina, eu não tinha amigos na família Guerrero. Mas quando eu precisava de algo, Marcos sempre foi meu primeiro telefonema. Ele poderia me bater, mas ele não jogava seus problemas fodendo as garotas. Marcos tinha um tipo muito específico de mulher que ele gostava: o tipo com um pau. Mesmo que ele nunca dissesse a sua família.


— Última chance —, eu murmurei para ela. Ela sorriu, cruzando as mãos na frente dela. —Por favor.— Eu respirei fundo e depois a arruinei também. —Dante me enviou por uma garota.— —Eeeee?—, ele demorou impacientemente. —Ele não mencionou isso. Eu estou apenas checando se é bom se eu colocá-la aqui. — Por favor, diga não. Por favor, diga não. Por favor, diga não. —Mulher, quem me fez sua maldita babá? Ela é foda? — Eu mastiguei o interior da minha bochecha. —Sim.— —Então deixe ela foder!— Ele desligou. Eu enfiei o telefone no bolso de trás e lancei-lhe um sorriso apertado. —Bem-vinda ao prédio…— —Lexy—, ela preencheu. —Lexy Palmer—. —Prazer em conhecê-la. Sou Cora Guerrero. — Ela ofegou.


—Não me olhe assim. Eu sou apenas uma Guerrero pelo casamento. — Ela engasgou novamente, adicionando uma protuberância nos olhos que me fez rir. —E ele faleceu anos atrás.— —Ah Merda. Eu sinto muito.— —Não se preocupe com isso. Apenas lembre-se: eu não sou um deles. OK?— —OK.— Ela sorriu grande, largo, de tirar o fôlego e ... sem noção. Porém, alguns anos depois, descobri que eu era a ignorante.


Cora Nos dois dias desde o incêndio, parecia que eu estava vivendo em um estado de animação suspensa. Tempo passou. O mundo ao meu redor continuava se movendo. Mas eu estava igualmente perdida e no centro de tudo isso. Lembrei-me de Drew pedindo comida algumas vezes. Eu até me lembrava vagamente de comer, embora não pudesse dizer o que era. Poderia ter sido chinês tão facilmente quanto poderia ter sido um hambúrguer. Tudo tinha gosto de miséria. —Cora, descanse hoje a noite—, Drew implorou, esparramado ao meu lado na cama. Ele tinha ficado no quarto conosco desde que voltamos.


—Não—, eu recortei, clicando no botão reiniciar novamente. Isso me desnudava toda vez, mas eu não conseguia parar de assistir. Não consegui entender o rosto dele, mas não duvidava que fosse ele. Penn de capuz preto, subindo as escadas. Penn indo para o meu apartamento. Penn saindo com sua caixa de ferramentas e indo para o caminhão. Dante e Marcos aparecendo. Penn subindo as escadas enquanto Dante disparava sua arma, acertando-o na parte de trás da perna. Penn entrando no meu apartamento. Mais tiros são disparados na porta até que ela se abriu. Os irmãos Guerrero entrando lá dentro. Ninguém nunca mais voltando.


Eu avancei seis minutos até as chamas irromperem do meu apartamento, a câmera tremendo violentamente antes de ficar preta. Eu movi o cursor de volta para pairar sobre o botão reiniciar, preparado para clicar novamente, mas a voz de River me puxou para baixo. —Pare. Você já viu o suficiente. Você está apenas se torturando agora. — Eu tirei meu olhar da tela e dei a minha atenção. Ela esteve no chuveiro na última hora. Seus olhos estavam vermelhos, e o longo cabelo castanho caindo sobre os ombros fazia círculos úmidos se formarem na frente de sua camiseta cinza. Nós encontramos o Walmart a caminho de casa depois que deixamos o prédio, naquela primeira manhã. Eu tirei uma grande parte da minha conta da Liberdade e corri para dentro para comprar as necessidades. A primeira sendo um laptop para que eu pudesse assistir a filmagem da câmera de segurança secreta de Penn em algo diferente da tela rachada do meu celular. Eu peguei para River algumas coisas que eu pensei que ela poderia precisar, mas eu estava muito esgotada para olhar tamanhos. Nós só acabamos com algumas camisetas largas e


calcinhas que eram muito pequenas. Eu prometi a ela que iria levá-la de volta, mas eu não tinha sido capaz de sair da sala ainda. O mundo exterior parecia muito pesado sem ele. —Ele se foi, River. É tortura de qualquer maneira. — Ela franziu os lábios, um tremor de queixo escapando antes que ela pudesse escondê-lo. —Eu sei, mas não importa o quanto você assista aquele vídeo. Não vai mudar. — Sim. Eu não era a única que lutava contra a morte de Penn. —Vem cá, baby—, eu sussurrei, estendendo um braço em sua direção. —Não! Eu não quero um abraço. Eu quero que você pare de assistir aquele maldito vídeo e descubra onde vamos morar ou quando eu posso voltar para a escola, ou ... ou ... ou ... o que acontece agora, se Manuel vier atrás de nós por isso. Você sabe que ele vai encontrar um jeito de culpar você. — Ela voltou sua fúria para Drew. —E você… Jesus, era seu irmão. Ele também virá atrás de você. —


Drew sentou-se, colocando os dois pés no carpete e apoiando os cotovelos nos joelhos. —E foi Marcos e Dante quem o mataram. Eu não estou me sentindo particularmente simpático com Manuel esta noite. Deixe que ele envie alguém atrás de nós. Eu o desafio a tentar. — River olhou para ele, incrédula. —Você consegue um acordo dois-para-um no caixão de Penn? Porque é para onde você está indo. — Drew abriu a boca, mas falei primeiro. —Está bem, está bem. Vamos descer um pouco. Estamos todos um pouco esgotados agora. — —Basta colocar o maldito computador no chão!— Ela gritou comigo. Minhas costas dispararam retas enquanto eu olhava para ela, lágrimas enchendo nossos olhos. Mas antes que eu pudesse contemplar a resposta apropriada, ela correu de volta ao banheiro e bateu a porta. —Merda—, eu assobiei. —Merda. Merda. Merda.— Meus ombros tremiam quando enterrei meu rosto em minhas mãos.


Drew estava ao meu lado no próximo instante. —Ei, shhhh.— Ele esfregou a mão para cima e para baixo nas minhas costas. —Ela vai ficar bem.— —Eu não acho que a palavra 'bem' vai estar em qualquer um dos nossos vocabulários por muito tempo—. Ele guiou minha cabeça até seu ombro. —Mas nós temos que tentar.— Minha respiração gaguejou. —Por que ele me deixou e foi para o prédio naquela noite?— —Eu não sei—, ele respondeu. Eu funguei e me endireitei, olhando para a porta do banheiro quando o som do chuveiro fez um barulho. River sem dúvida estava chorando lá dentro. A maldita garota era tão teimosa que nem me deixava consolá-la. Falando de crianças teimosas ... Eu limpei minha garganta e tirei meu telefone da cama. — Eu preciso tentar o hospital novamente.— —Savannah é menor de idade. Eles não vão contar nada pelo telefone. —


—Talvez não. Mas se eu conseguisse a pessoa certa ao telefone, nunca se sabe. Ela pode ter um coração. — Ele voltou para a cama, murmurando: Talvez.— Eu estava procurando o número do hospital novamente quando meu telefone começou a tocar, meu pulso disparou quando a palavra desconhecido brilhou na tela. —Olá—, eu atendi. —Puta merda, você está bem?— Catalina cumprimentou. Meu corpo desmoronou quando alívio, agonia e adrenalina formaram uma combinação terrestre dentro de mim. —Não—, eu engasguei, batendo a mão sobre a minha boca. —O que diabos está acontecendo? Acabei de ver no noticiário. Marcos e Dante realmente estão mortos? — —Sim—, eu sussurrei. Eu não tinha ideia de como isso iria acontecer. Ela os odiava, mas eles ainda eram seus irmãos. —O que diabos aconteceu?— Ela perguntou.


—Eu não sei. Honestamente, não tenho a mínima ideia. — Olhei de relance para Drew, que estava girando uma xícara de café e estudando, fingindo não ouvir. Depois de abrir a gaveta, peguei alguns dólares do topo. —Eu vou pegar um doce—, eu disse a ele e então apontei para o banheiro. —Mantenha um ouvido para ela.— Ele me deu um aceno curto e eu saí correndo. —Ei, você ainda está aí?— Eu perguntei, fechando a porta, checando novamente para ter certeza de que a fechadura estava engatada. —Sim, eu estou aqui—, respondeu Cat. —Eu acho que estou em choque embora. Eu não posso acreditar que eles se foram. — —Eu sei. Eu sinto muito. EU-— —Desculpa?— Ela retrucou. —Estou prestes a planejar uma festa. Cora, isso é enorme para nós. — Parecia enorme. Mas não me senti bem. Queimou como a faca mais quente e afiada cortando através de mim com tempo metódico. Mesmo em sua morte, eles conseguiram me punir uma última vez.


—Eles mataram Penn.— Ela amaldiçoou suavemente. Eu varri meu olhar pelo corredor, felizmente encontrando vazio. —Ouça, algo não está certo aqui. Não encaixa. Antes do incêndio, Penn entrou no meu cofre, deixou as chaves do caminhão e uma nota que dizia: Inspire. Expire. E ele tirou todas as estrelas do meu teto, Cat. — —Oh, uau.— —Também fica mais estranho. Ele deixou as estrelas em seu caminhão, dentro de sua caixa de ferramentas, junto com todas as minhas fotos e documentos importantes ... e o dinheiro da parede. — —O que!— Ela ofegou. —Você conseguiu o dinheiro?— Eu ri, mas comecei a chorar. —Oh, querida, você não faz ideia. Eu tenho todo o dinheiro. Penn me deixou mais de um milhão de dólares em dinheiro. — —Oh… me desculpe. O que você disse?— Eu me abaixei na área de vendas quando ouvi uma porta do quarto abrir nas proximidades. Eu assisti um casal feliz, de mãos


dadas, serpentear até o elevador, muito perdido um no outro para perceber que eu estava lá. —Você me ouviu. Era a quantia exata, até os centavos, que eu disse a ele que precisava me livrar dessa vida. — —Você disse que ele era o cara de manutenção. Onde ele conseguiu dinheiro assim? — —Eu não faço ideia. O irmão dele, Drew, o que estava preso ao seu pai na prisão - ele está tão perdido quanto eu. — —Não se atreva a deixar aquele homem tentar colocar as mãos naquele dinheiro.— —Ele não está tentando tirar isso!— Eu sussurrei gritando. —Ele está dormindo em uma cama ao meu lado como um guarda-costas. Eu não tenho ideia do que está acontecendo agora. Mas algo está seriamente errado. — —Merda. Ok, vamos respirar por um segundo e pensar sobre isso. Tem que haver uma explicação. Talvez ele fosse um desses milionários secretos. — —Isso não é um filme de merda!— Eu agarrei. —Jesus, Cat. Ele tinha câmeras de sensor de movimento em todos os


corredores. Drew disse que os instalou quase um mês antes, mas Penn nunca mencionou isso para mim. Eu assisti ao vídeo, e ele obviamente carregou meu dinheiro para fora do prédio em sua caixa de ferramentas. Mas de onde veio o outro dinheiro? Não estava no apartamento dele. Ele não levou isto abaixo. Apenas magicamente apareceu no banco de trás de seu caminhão. — —E fica pior: os policiais disseram que foi um incêndio elétrico no meu apartamento que deu início ao incêndio. Mas que porra é essa? A quantidade de coincidência envolvida aqui é impossível. Eu devo acreditar que Penn acabou de sair da minha cama no hotel e voltou para o prédio onde ele tinha que pegar meu dinheiro? E isso era dinheiro que ele nem deveria saber que existia. E então minhas estrelas? Eu nunca disse a ele que elas eram do Nic. Mas ele achava que elas eram importantes o suficiente para tirá-los do teto? — —E… e… e então seus irmãos simplesmente apareceram no meio da noite e o atacaram? Eu vi Dante atirar na perna dele antes de persegui-lo ao meu apartamento. Mas o que diabos aconteceu depois disso? Eles não apenas terminaram a noite e foram dormir. Mesmo que fosse pura coincidência que o fogo começasse naquele exato momento, por que nenhum deles viu


isso? Por que nenhum deles tentou sair? — Eu estava ofegante quando terminei. —Talvez o fogo não tenha sido uma coincidência, então. Talvez um deles tenha começado o fogo. — —Certo!— Eu gritei, sem o sussurro. —Ok, mas qual dos seus irmãos idiotas teria a ideia sobre como conseguir um incêndio elétrico? Eu vou te dizer quem poderia embora ... Penn. Ele consertou pelo menos três apartamentos enquanto ele estava lá. Mas veja, quando os policiais encontraram seus corpos ... — Meu estômago revirou com a lembrança. —Penn estava amarrado a cadeira.— —Merda—, ela respirou. —Mais uma vez, é esperado que eu acredite que ele acabou de tirar tudo o que significava alguma coisa para mim naquele prédio naquela noite, então me deixou a quantia exata de dinheiro que eu precisava para eu e todas as garotas escaparem. E então o prédio pegou fogo, queimando até o chão, levando os dois homens que me mantiveram presa por mais da metade da minha vida com ele? Isso simplesmente não faz sentido. —


—É definitivamente suspeito. Mas não tenho certeza se ficaria reclamando. Ele basicamente resolveu todos os seus problemas. — —Mas ele morreu fazendo isso.— Uma onda de lágrimas que eu deveria ter deixado escapar há muito tempo. —Eu quero saber o que aconteceu com ele. Eu o amava, Cat. Eu o amei tanto. E eu sinto que ele era outro homem que sacrificou tudo por mim. Eu não sei como processar isso. — Eu descansei minha testa contra a parede enquanto duas máquinas automáticas zumbiam atrás de mim. —Você não precisa processar, Cora. Não agora, de qualquer maneira. Fique triste. Chore. Muito. Mas você não precisa descobrir. O que os policiais estão dizendo? — Demorei alguns segundos para me recompor antes de responder. —Nada realmente. Acho que eles ficaram felizes em finalmente se livrar de Marcos e Dante. Você sabe que os policiais não são seus maiores fãs desde que Manuel caiu. — —Eles não são os únicos—, ela murmurou para si mesma. —Bom. Pelo menos eles não estão culpando você por nada disso. E o irmão de Penn? Você já falou com ele sobre isso? —


Outra porta do quarto se abriu, e eu espiei pelo corredor e vi Drew vindo em minha direção como se suas orelhas estivessem queimando. Eu fiquei ocupada arrumando notas de dólar ao lado da máquina pop e sussurrei: —Eu não sei. Eu acho que ele ainda está em choque. Ele continua dizendo porcaria estúpida, como talvez Penn estava tentando fugir com todo esse dinheiro. Mas Penn claramente deixou tudo para eu encontrar. — Eu só tinha colocado uma nota na máquina antes de Drew virar a esquina. —Merda. Aí está você. Quanto tempo demora para pegar um doce? Eu estava começando a me preocupar. — Passei por baixo dos meus olhos e ofereci-lhe um sorriso indiferente. —Desculpa. Eu só precisava de um minuto sozinha. — Eu apontei para o telefone. —É a Bretanha. Eu estava conversando com ela sobre juntar as meninas para que eu possa lhes dar algum dinheiro. — Suas sobrancelhas se reuniram. —Certo. Claro.— —Eu estarei de volta em um minuto. OK?— Eu levantei o dólar em sua direção. —Você quer alguma coisa?—


—Não. Eu estou bem.— Com ceticismo, ele me encarou por mais um segundo. Então ele balançou a cabeça e relutantemente recuou. Inclinei-me pela porta e observei até que ele estava fora do alcance da voz. —Escute, eu preciso de um jeito de entrar em contato com você. As coisas são diferentes agora. Não precisamos mais nos esgueirar por aí. — —Bem, talvez não dos meus irmãos, mas meu pai e Thomas ainda estão muito vivos.— —Eu só preciso de um número, Cat. Eu vou manter isso privado. — —OK. OK. Eu vou escrever. — —Obrigada—, eu sussurrei. —Agora, tenho que ir. Eu vou ver as informações que posso tirar de Drew. Vou mantê-la atualizada se alguma coisa acontecer. Ah, e fique longe da unidade de armazenamento. Foi lá que eu larguei o dinheiro. — —Jesus. Um milhão de dólares. Sério?— Meu estômago se agitou quando acrescentei: - —E noventa e nove centavos. —


Ela suspirou. —OK. Eu te amo. Inspire. Expire. Lembre?— —Sempre—, eu respirei antes de desligar. Eu terminei na máquina, pegando para River um Mountain Dew que eu esperava servir como uma espécie de oferta de paz. Enquanto eu caminhava de volta para o quarto, liguei para Brittany e pedi para ela ir até o hotel o mais rápido possível. Se eu quisesse manter Drew no escuro, eu teria que ser um pouco mais convincente.


Penn Minhas mãos doíam ao meu lado enquanto eu o observava sair do tribunal. Ele estava sorrindo, despreocupado e distraído, enquanto conversava com a manada de homens bem vestidos, pendurados em cada palavra sua. De seu terno de alfaiataria até seu cabelo castanho-escuro perfeitamente estiloso, o homem parecia o promotor de sucesso que a cidade sabia que ele era. Mas eu sabia que ele era muito mais que isso. Thomas Lyons era um bastardo sem alma que eu me daria a certeza de seguir seus velhos amigos Marcos e Dante em uma sepultura prematura. O vento quente do verão envolveu-me, abanando o fogo na minha alma. Não havia muito que eu pudesse fazer naquele momento. Não em um lugar tão público. E não sem o tempo ou o espaço para fazê-lo sofrer adequadamente. Uma morte rápida e indolor não era nada do que eu planejara para ele.


Vinte e nove minutos haviam me destruído. Vinte e nove minutos de gritos de agonia. Vinte e nove minutos ele tinha arranjado. Não. Thomas Lyons pagaria dez vezes por cada um desses minutos. Mas esperar pelo momento certo para fazer um movimento não estava provando ser fácil também. Cada respiração sua me provocava, sabendo que seu coração ainda bombeava sangue através de suas veias inúteis enquanto a dela estava apodrecendo em um pedaço de carpete manchado em uma pilha de lixo em algum lugar. Ela estava morta. E ele estava sorrindo. Minha visão ficou vermelha quando ele parou na parte inferior dos degraus de concreto para conversar com uma mulher mais jovem. Ela também era estilosa, embora o dela fosse pontuado por um par de saltos e uma pasta de couro preta ao lado. Um colega talvez.


Mas tudo o que vi foi Lisa. Ela tinha sido destemida no dia em que a conheci. Sabendo que aquela mulher era louca, ela provavelmente marchou até Thomas, seus Louboutins que eu tinha trabalhado duro para ajudá-la a comprar clicando na calçada, e soltado a bomba sobre toda a sujeira que ela tinha desenterrado. Ela teria querido testemunhar em primeira mão o choque contorcendo seu rosto. Ela teria revelado o brilho de medo aparecendo em seus olhos. Lisa era uma boa pessoa com um vício perverso à justiça. Não havia posição em seu caminho. Deus sabia, eu tentei, mas eu nunca fui capaz de faze-la desistir de nada. Ela não se importava com o que custava ou o quanto ela tinha que fazer para que isso acontecesse. Seu coração estava determinado a tornar o mundo um lugar melhor. Mesmo quando bateu pela última vez. A dor da bala de Dante na minha panturrilha me fez estremecer quando me movi para ficar fora da linha de visão de Thomas. Não que ele tivesse me reconhecido. Nossos mundos colidiram, mas ele e eu nunca nos cruzamos.


Pelo menos ainda não. Eu casualmente apoiei minhas costas contra a parede de tijolos do lado de fora do café local, meu estômago revirou quando ele sorriu para a mulher e sua mão a embalou no cotovelo enquanto ele se inclinava para tocar seus lábios em sua bochecha. Foi casto o suficiente para ser amigável, mas a maneira como ela se aproximava dele não era nada. Essa porra de merda. Assassinato à parte, ele tinha uma esposa que estava tão apavorada com ele que ela pegou a filha e fugiu. E ele estava fazendo movimentos - ou, no mínimo, olhando - em uma mulher que tinha que ser vinte anos mais jovem. Minhas mãos começaram a doer novamente. —É ele?— Savannah sussurrou no meu ouvido. —Merda!— Eu rosnei, girando e quase derrubando a xícara de café da mão dela. —Merda—, ela repetiu, oscilando para o lado. Eu coloquei uma mão para fora, pegando-a antes que ela tombasse. —Jesus, garota.—


—Não me diga Jesus. Você foi o único que se transformou aleatoriamente no Hulk atrapalhado. Aqui.— Ela estendeu uma xícara de café de papel na minha direção, pegando o chocolate gelado para ela. Voltei a tempo de ver Thomas e a mulher indo embora juntos. —Ele não é atraente? —, Savannah anunciou em torno de sua bebida. Enrolando meu lábio, lancei-lhe um olhar por cima do ombro. —Você está brincando comigo agora?— Suas sobrancelhas vermelhas e amassadas se ergueram. — O que? Eu estava apenas fazendo uma observação. — Indo em direção ao carro, dei-lhe as costas. —Bem, guarde suas observações para si mesma. Aquele homem é um pedaço de merda disfarçado de sal da Terra. Eu não dou uma maldição em como ele é. Tudo o que me importa é a rapidez com que posso derrubá-lo. — —Credo. Esqueça que eu disse qualquer coisa. — Ela zombou, seguindo trás de mim.


Ela esteve comigo por dois dias. Dois dias excruciantes. Ela não era uma criança má. Verdade seja dita, ela era realmente uma boa criança, com um bom coração e uma alma perturbada que seus pais nunca tinham tido tempo para curar. No entanto, quando olhei para ela, tudo o que vi foi Cora. Não em suas feições ou seus maneirismos, mas sim em minhas lembranças. E considerando que tinha sido apenas um pouco mais de uma semana, essas memórias ainda estavam tão frescas e tão potentes que me destruíram todas as vezes. Senti falta ferozmente de Cora. E com ela lá fora, sofrer, era uma maravilha para que eu pudesse funcionar. Mas eu fiz tudo o que pude por ela. Eu tinha sacado uma parte substancial da minha conta de aposentadoria para deixá-la aquele milhão e se mudar, mas onde eu estava indo, o dinheiro no banco não importava. No entanto, se eu estivesse sendo sincero, nunca teria realmente importado. Não salvou Lisa.


Não me impediu de cair na escuridão depois que ela morreu. Mas eu esperava que pudesse salvar Cora. Havia uma boa chance de que Drew nunca mais falasse comigo. Dar a ela o dinheiro sempre deveria ser o plano de backup se algo realmente acontecesse comigo. Mas quando eu cheguei ao prédio naquela noite, olhei para o corrimão no terceiro andar, imaginando seu sorriso enquanto ela olhava para mim do jeito que ela costumava fazer quando eu chegava em casa de uma corrida. Deixá-la ia me destruir de maneiras que eu nunca recuperaria. Mas eu não podia ir embora sem saber que ela tinha tudo que eu poderia dar a ela. No entanto, isso significava tirar algumas coisas dela também. Aquele prédio. Aquele maldito edifício. Foi sua casa por mais de uma década. Mas tinha que ir embora.


Eu não podia arriscar que eles tentassem levá-la de volta para lá. Manuel tem pelo menos mais cinco anos de prisão, mas seu império ainda não estaria de pé quando saísse dos portões da cadeia. A maior parte desse legado era o nome de sua família. Então, um após o outro, eu sufoquei a vida de seus filhos também. Nos últimos quatro anos, fiz muitas coisas em nome da morte de Lisa. Mas isso. Matar Dante e Marcos. Isso foi para Cora. E eu nunca sentiria o primeiro arrependimento por isso. Então, sim, enquanto eu odiava saber que Cora estava machucada, eu fui capaz de sair da cama, colocar um pé na frente do outro e respirar com a dor de perdê-la porque eu sabia que ela estava livre.


Drew ia ficar com ela até se estabelecer em algum lugar novo. Eu gostaria de pensar que ele estava fazendo isso como um favor para mim. Eu conhecia Drew embora. Ele gostava de interpretar o asno duro, mas ele era um bom sujeito que se importava mais com Cora do que jamais admitiria. Ele se certificaria de que ela fosse cuidada. Mesmo se eu não pudesse. Savannah e eu subimos no meu carro, bati minha porta enquanto a dela suavemente clicou. —Vamos segui-lo?— Ela perguntou. Eu cerrei meus dentes, odiando como o inferno que ela estivesse envolvida nisto, foda-se. Mas no momento em que a deixei subir em meu carro naquela noite, fiz dela uma parte disso. Eu não deveria ter pego ela. Eu deveria ter ligado para Drew, dito onde ela estava e deixar que ele cuidasse disso. Mas eu prometi a Cora que a recuperaria. Inferno, eu dirigi sete horas para Cleveland usando os pequenos detalhes que eu


tinha reunido sobre Savannah durante meus dois meses com Cora para rastreá-la. E vendo ela de pé naquele canto, com hematomas em seus braços, claramente não era bom, eu não podia esperar. Ela precisava de ajuda. E eu estava lá. Bem ... Shane Pennington estava lá. Eu não sabia mais quem diabos eu era. Quando ela fez perguntas sobre Cora, eu fui forçado a lhe contar a verdade. Ou pelo menos parte disso. Eu escondi Lisa. Então disse a ela que Marcos e Dante estavam mortos, mas eu não expliquei o como, ou seja, eu sendo responsável. Isso nos levou ao incêndio no prédio, depois o dinheiro que deixei para trás e, finalmente, o corpo que Drew havia propositalmente identificado como meu. Por ter dezesseis anos, ela pegou tudo surpreendentemente bem. Sua primeira pergunta foi uma gritaria: —Puta merda. Você a deixou um milhão de dólares?


Seguido por: —Puta merda. Onde você conseguiu um milhão de dólares? — Seguido por: —Puta merda. Posso ter um milhão de dólares? — Mas depois que ela se acalmou, seu rosto empalideceu quando ela sussurrou: —O prédio todo se foi? — Seguido por: —Alguma das meninas foi ferida?— Seguido por, —Cora acha que você está morto?— Sua preocupação comovente não era nada comparada ao furacão que rodava dentro de mim, mas eu tinha apenas uma resposta. —Sim. E não importa o que aconteça, você não pode dizer a ela que estou vivo. Ela vai se tornar um alvo, Savannah. Eu saí para que ela pudesse finalmente ter uma vida própria, não se atolar na merda de outra pessoa. Depois de tudo o que ela fez, acho que podemos concordar que ela merece muito. — Ela assentiu com a cabeça, eu balancei a cabeça, e então nós passamos as primeiras três horas de volta a Chicago em silêncio, ambos perdidos em nossos próprios pensamentos. A quarta hora foi gasta não em silêncio depois que ela teve o que eu só poderia explicar como uma convulsão vocal quando peguei seu telefone no meio de uma mensagem de texto e jogueio pela janela ao sul de Ann Arbor. Eu disse a ela que iria substituí-lo. Ela olhou ao redor do carro, sem dúvida se


lembrando do dinheiro que deixei para Cora, e depois exigiu o mais recente e melhor iPhone. Eu ri e disse que ela era engraçada. Ela se irritou por uma hora inteira, mas depois adormeceu e dormiu pelas duas últimas horas. Essas foram as minhas preferidas na viagem porque, durante aquelas duas horas, tinha sido fácil esquecer o quanto tudo tinha sido ruim. Cora e River estavam a salvo com Drew. Savannah estava segura comigo. E por mais uma noite, enquanto os faróis iluminavam aquela rodovia aparentemente interminável, fingi que ainda estava me afogando e já não no fundo do oceano. Agora, observando Savannah com o canto do meu olho enquanto ela sorveu seu café, senti a mesma sensação de contentamento deslizando através de mim. Se apenas Cora estivesse lá também. Cora. Cora.


Cora. A distração favorita da minha mente. E tortura. Eu respirei fundo, segurando até meus pulmões doerem. Expirando, respondi: —Não. Nós não estamos seguindo ele. — —Por que não? Ele está tão perto. — Entrei em trânsito na direção oposta à qual Thomas se afastara. —Porque você está comigo. Eu não quero você envolvida nisso. Eu não deveria ter trazido você aqui para tomar café hoje. Falando nisso ... — Eu estalei meu dedo e apontei a palma da mão. —Troco. Eu te dei cinquenta. — —Oh vamos lá! É como 30 dólares. E se eu precisar de alguma coisa? Nem tenho dinheiro para pegar um táxi de volta para o seu apartamento. — —Um taxi?— Eu lancei um olhar para ela. —Eu não tenho certeza se você percebe isso, mas a coisa em que você está sentada agora é mais do que apenas uma linda peça de maquinário alemão. É na verdade um carro também. —


Meu olhar estava voltado para a estrada, mas eu não tive que vê-la para saber que ela estava revirando os olhos. —Quero dizer, se não estivermos juntos, Penn. Você ainda não substituiu meu telefone. — Ela fez beicinho seu lábio inferior e bateu seus cílios pintados de preto para mim. —Eu estaria sozinha lá fora sem ter como voltar para você, papai.— —Você me chama de papai novamente e eu vou te enterrar pelo resto da sua vida.— Ela riu, jogando a cabeça para trás contra o assento. — Papai? Isso é melhor? — —Deus. Não.— —OK certo. Você está certo. Vamos manter isso simples e ficar com o pai. — Eu diminuí a velocidade em um semáforo e inclinei para olhar para ela. Seu cabelo ruivo estava em uma daquelas pilhas bagunçadas no topo da cabeça que River usava com frequência. Mas não se engane; Leva pelo menos vinte minutos em frente ao espelho para deixar a coisa bagunçada sem ser muito confusa.


Eu tinha esquecido como era viver com uma mulher. Cora precisava de tão pouca manutenção quanto conseguia. Se seus cachos loiros não estavam caindo em cascata pelas costas, eles foram puxados para trás em um elástico que ela usava permanentemente em torno de seu pulso. Esta ação de estilo era geralmente realizada enquanto ela estava andando, conversando, ou, ocasionalmente, montando meu… — Merda. Eu tinha que parar de pensar nela. Savannah. Isso é o que eu precisava focar. No dia seguinte em que chegamos de Cleveland, eu a levara para fazer compras. O que isso realmente significava é que eu a levei para o shopping onde discutimos sobre roupas, ela acabou desistindo, e eu finalmente joguei uma pilha do que eu considero ser um traje adequado à idade - mesmo que ela tivesse considerado tudo —medonho— - além da caixa registradora junto com meu cartão de crédito. Ela só começou a falar comigo de novo quando eu lhe entreguei meu cartão e concordei em ficar do lado de fora quando ela entrou na Victoria's Secret. Eu não dava a mínima para o que ela usava sob suas roupas, desde que elas não fossem visíveis.


—Que tal ficarmos com você me chamando de Penn, e então você realmente me devolver meu troco? Nós não concordamos com dinheiro, sem telefone, sem nada até que você tenha algum tipo de programa de drogas. — —Não. Você concordou com isso. Ela enfiou a mão no bolso da calça jeans inteiramente apertada - as pernas furadas mais do que provavelmente o chão do meu quarto de hóspedes - e colocou uma bola cheia de dinheiro e moedas na minha mão. — Eu lhe disse que não preciso de um programa. Estou limpa há meses. — Eu arqueei uma sobrancelha. —Verdade?— Seus lábios se afinaram antes que ela se afastasse de mim para espiar pela janela, murmurando: —Não incluindo a merda que Dante me deu. — —Eu não estou falando sobre isso. Uma vez que você saiu do hospital, você não tocou em nada? Nenhuma erva? Sem cocaína? Não há nada? Verdade, Savannah? A luz ficou verde e joguei o dinheiro em um porta-copos antes de acelerar. —Você não sabe o que é lá fora—, ela sussurrou.


Forcei minhas mãos a permanecerem no volante. Não parecia certo tocá-la, não quando ela estava confiando em mim o suficiente para baixar a guarda. Era raro ela mostrar qualquer tipo de vulnerabilidade, e eu pessoalmente não tinha visto nada desde o dia em que ela se virou para Cora por não dormir comigo ainda. Eeeeee estávamos de volta em Cora. Merda. Eu tinha que me concentrar. —Não—, eu respondi. —Eu não sei como é. E eu não estou afirmando que sim. Mas eu sei o quão incrível você é quando está limpa. Você é inteligente, Savannah. E engraçada. E brilhante. E bonita de maneiras que não têm nada a ver com suas roupas ou maquiagem. Mas nada disso importa se você está deixando as drogas arruinarem o tipo de perfeição que você já tem. Você lidou com alguma merda, garota. Eu não culpo você nem um pouco por qualquer coisa que você tenha feito no passado. Mas agora é hora de mudar. E eu lhe disse que ajudaria com isso, e eu particularmente não me importo se você concordou ou não. Porque eu vejo algo em você, se você vê em si mesmo ou não. —


Seu rosto ficou tenso, mas quando dividi minha atenção entre ela e a estrada, vi as lágrimas escorrendo por suas bochechas. Ela se apressou em secá-las - assim como alguém que eu conhecia. E não conseguia parar de pensar. —Merda. O que é isso, um especial depois da escola? — Eu sorri. —O que você sabe sobre aulas especiais? Não é, tipo, trinta anos antes do seu tempo? — —Educação escolar pública, Penn. As crianças daqui a vinte anos ainda estarão assistindo essas coisas na aula de saúde. — Eu ri e então nós dois ficamos quietos novamente. Eu passei tanto dos últimos quatro anos orando pelo silêncio e esperando que as pessoas me deixassem em paz. Mas logo em seguida, sem nenhuma pista do que estava passando pela cabeça dela, isso me incomodou. —Você sabe que eu estou apenas tentando ajudar, certo?— —Sim, eu sei—, ela disse à janela. A viagem de volta ao meu apartamento foi curta. Na primeira vez em que estacionamos na garagem subterrânea,


Savannah teve outro ataque vocal, exclamando: —Puta merda! Você vive aqui?— Desta vez, porém, ela não disse nada enquanto subíamos de elevador até meu apartamento de três quartos, quatro mil metros quadrados e sexto andar. Era um exagero. Completamente e totalmente. Eu não tinha motivo para comprar um lugar tão grande, bom ou permanente. Eu não precisava disso. No fundo, eu realmente só queria voltar para aquele prédio de merda e me arrastar para a cama de Cora novamente. Talvez ficar lá pelo resto da minha vida, alternando entre interpretar Verdade ou Mentira, ouvindo-a rir e fazendo amor com ela. No entanto, quando vi fotos daquele apartamento on-line, tudo que pude ver foi Cora. Seus pés descalços estavam encostados no chão de madeira escura - sem uma mancha de tapete em qualquer lugar à vista enquanto ela serpenteava do quarto vestindo apenas uma das minhas camisetas. Seu sorriso sonolento enquanto ela navegava ao redor da grande ilha de mármore para chegar até mim.


Seus braços envolvendo meus quadris e seu rosto roçando contra o meu peito, fazendo-me sentir mais corpóreo do que eu tinha em toda a minha vida. Seus lábios macios roçando os meus quando ela pressionou na ponta dos pés para um beijo muito breve antes de pegar a xícara de café da minha mão. Seu suspiro quando ela inclinou para trás como a cafeína tocou sua alma. Pacífica. Feliz. Radiante além de todas as explicações. Cora nunca sequer veria aquele apartamento, mas com esse cenário brincando na minha cabeça enquanto eu passava pelas fotos, eu esvaziava outra porção pesada da minha aposentadoria e comprei - totalmente mobiliado - na hora. E foi exatamente essa cena que me assaltou quando Savannah e eu entramos, o sinal sonoro do alarme de segurança agindo como nosso comitê de boas-vindas. Só que, como uma tempestade de navalhas, Cora não estava em lugar nenhum.


E o lembrete constante de que ela nunca estaria era sufocante. Savannah saiu de seus altos saltos no meio do vestíbulo, nunca quebrando sua marcha enquanto continuava andando. —Hum, olá. Sapatos - eu repreendi, digitando uma série de números no painel de segurança. — Eu escutei seu huff, talvez um gemido exagerado. Ela nem sequer reconheceu que eu falei. —Ei!— Eu chamei enquanto ela desaparecia no corredor. Cristo. Adolescentes eram uma raça própria. Chutando os sapatos para fora do caminho, eu continuei na sala de estar expansiva e prontamente desabei no sofá de couro de chocolate. Não era nem meio-dia, mas parecia que era meianoite. Não surpreendentemente, eu não estava dormindo bem. Minha mente era uma bagunça confusa de culpa, ressentimento e vingança. Mas eu tinha merda para fazer. Eu não podia ficar lá o dia todo e me perder do jeito que eu queria desesperadamente.


Chupando, inclinei-me apenas para parar quando Savannah reapareceu com uma tigela de água e um saco branco de mercearia pendurado em seus dedos. Ela vestiu calças de pijama de bolinhas cor de rosa e uma camiseta grande que eu escolhi para ela. Apenas no dia anterior, ela me disse que elas pertenciam a uma criança de 6 anos e ameaçou queimá-los. —Sente-se—, ela ordenou, empoleirando-se na beira da mesa de café. Ela colocou a tigela ao lado dela e começou a raspar a gaze, preparando-a com creme antibiótico. Nos últimos dez minutos, ela chorou, fez uma piada e me ignorou. Ela nunca se desculparia. Mas isso, vestindo roupas que ela odiava enquanto se oferecia para cuidar da ferida na minha perna, era seu ramo de oliveira. Eu ainda precisava descobrir como conseguir uma certidão de nascimento para que eu pudesse coloca-la em um programa de tratamento. Eu subestimei muito a documentação necessária para obter uma pequena ajuda médica. Inferno, eu não tinha ideia de como Cora a havia registrado na escola. De acordo com minha pesquisa on-line, eu precisava de tudo, inclusive um


frasco de sangue e uma cabra sacrificial para conseguir que ela se matriculasse novamente. Mas toda essa merda poderia esperar mais um dia. E só por essa razão, eu dobrei a perna da minha calça jeans e apoiei minha bota na mesa ao lado dela.


Cora — Não—, eu bati. —O que você quer dizer com não? Você deu cinco mil para Jennifer. E eu recebo duzentos dólares? — Meredith perguntou, completamente insultada. —Você tem duzentos dólares e uma viagem para a reabilitação—, eu corrigi. — Quando você terminar lá e ficar limpa por mais 30 dias de tratamento ambulatorial, pagarei uma passagem de avião para você ir para a casa da sua irmã na Virgínia. E quando você conseguir um emprego que realmente exija que você pague impostos e fique limpa por mais trinta dias, eu pagarei seu primeiro e último aluguel em um apartamento seu. — —Isso não é justo!— Ela gritou, olhando ao redor da sala para alguém apoiá-la. Jennifer não ficou surpreendentemente silenciosa. Lágrimas ainda escorriam por suas bochechas depois de ouvir a notícia de que eu - ou, na verdade, Penn - pagaria pelo primeiro


ano de faculdade, e eu dera cinco mil para comprar um carro e um guarda-roupa com um pouco mais de tecido. —Meredith, eu vou te contar isso mais uma vez e então, se você mantiver essa merda, você está saindo daqui sem nada. Eu não estou aqui para financiar sua vida. Estou aqui para garantir que você viva o tempo suficiente para realmente ter uma. Então pegue o maldito dinheiro. Vá comprar uma escova de dentes e um pouco de sabonete líquido, e vou te mandar os detalhes do programa de reabilitação que eu encontrar para você. A escolha é sua, se você quer aparecer ou não. Mas se você não fizer isso, então este será o último dinheiro que você já tirou de mim. Você entende?— Ela estava tão chateada que seu rosto estava ficando vermelho. Eu não poderia ter me importado menos. Penn morrera para conseguir esse dinheiro. Se elas não quisessem, eu daria a alguém que o fizesse. Cortar e secar. Fim da história. Acenei os duzentos dólares em sua direção. —Última chance.—


—Isso é besteira—, ela murmurou, mas ela arrancou o dinheiro entre os meus dedos e pisou fora. Eu não tinha certeza se ela aceitaria minha oferta de reabilitação, mas ela precisava disso. Desesperadamente ela estava usando drogas e álcool para adormecer a dor por muito tempo. E com absoluta agonia queimando minha alma, eu a entendi mais do que nunca. Mas eu não tinha a capacidade de cair nos desesperos como muitas das garotas tinham ao longo dos anos. Eu tive que continuar. Continue andando. Continue vivendo. Mesmo quando não conseguia respirar. Inspire. Expire. —Obrigada, Cora—, Jennifer disse suavemente antes de me dar um abraço.


—Sem problemas. Coloque esses aplicativos o mais rápido possível e deixe-me saber onde você é aceita. — Ela assentiu com a cabeça, mais lágrimas caindo de seu queixo. —E pare de chorar. Você merece isso. Você é inteligente, Jenn. Apenas mantenha sua cabeça erguida, e eu sei que você vai chutar uma bunda grande da faculdade. — —Eu prometo. Eu vou.— —Agora sai daqui. Você tem algumas compras para fazer. — Ela assentiu novamente e começou a sair, mas Drew a impediu de sair pela porta. —Você encontra um carro em que está interessada, liga para mim e eu vou dar uma olhada antes de comprar. Os vendedores de carros usados adoram roubar uma mulher desavisada. — Ela sorriu para ele. —Obrigada, Drew.— Ele ofereceu-lhe uma piscada, mas não havia nada de flertar nisso. Foi doce.


Com a exceção de ir e voltar para a unidade de armazenamento para me pegar mais dinheiro e o jantar ocasional, ele não tinha deixado nosso lado desde o incêndio. Eu não tinha certeza se ele estava nos usando como uma distração para escapar da realidade que ele realmente perdeu seu irmão. Ou talvez ele estivesse genuinamente preocupado comigo e ficasse para se manter dentro da coisa. De qualquer forma, era legal tê-lo por perto. No início. Na última semana, todos nós estávamos em um padrão de espera. O sol se levantava todas as manhãs e se punha todas as noites, mas essa era a única coisa que parecia mais normal. Todo o resto era território estrangeiro. A vida sem o caos de administrar o prédio. A vida sem o medo de Marcos e Dante. A vida sem o calor dos braços de Penn. Eu ainda estava confusa sobre o que realmente aconteceu naquela noite. Eu perguntei a Drew um milhão de perguntas diferentes, mas ele não parecia ter nenhuma resposta. Ou pelo menos nenhuma que ele estava me dizendo.


Ele jurou que não sabia de onde o dinheiro tinha vindo. E me prometeu que não fazia ideia do por que Penn estivera no apartamento. Ele me olhou diretamente nos olhos e me disse veementemente que estava tão confuso quanto eu. Mas ele não estava, porque ele não tinha passado a última semana me perguntando exatamente as mesmas perguntas. As pessoas, por natureza, procuram as respostas para o que não entendemos. Especialmente quando se trata de nossos entes queridos. Quando Nic foi assassinado, eu estive lá e ainda procurei uma explicação dos Guerreros para os eventos que levaram à sua morte. Enquanto Drew definitivamente parecia afetado por ter perdido Penn, ele não foi consumido pela tristeza. A polícia estivera várias vezes no hotel para conversar com Drew. Ele sempre entrava no corredor ou os encontrava no saguão. No começo, pensei que fosse porque ele estava me protegendo de mais dor.


Mas, mais recentemente, eu estava suspeitando que talvez ele estivesse realmente me protegendo da verdade. Eu tive o meu quinhão de conversas com os policiais também, mas eles não parecem ter mais respostas do que eu tinha. Depois que Manuel foi preso em uma lista de condenações, a polícia estava de olho em Marcos e Dante há anos. Eles eram suspeitos um e dois quando o famoso promotor distrital da cidade, Thomas Lyons, relatou que sua esposa e seu filho estavam desaparecidos - essa besteira, incluindo uma coletiva de imprensa cheia de lágrimas que fez notícia do horário nobre. Naquela época, eu achava que isso equivalia a declarar a Terceira Guerra Mundial. E enquanto eu teria amado nada mais do que terminar o que Thomas tinha começado e derrubar o resto da família Guerrero, surpreendentemente, ele nunca havia seguido adiante. Ele tinha o poder, mas eu suspeitava que ele gostasse da atenção nacional, e o mistério de tudo isso definitivamente não tinha prejudicado sua carreira. O rótulo de —vítima enlutada— só tornara seu desfile da justiça muito mais impressionante, enquanto ele, sozinho, arrasara a população criminosa da cidade.


Os policiais nunca deixaram o desaparecimento de Catalina, e assistir a Thomas, que eles consideravam um dos seus próprios, perder a família, só tinha pintado um alvo maior nas costas dos Guerreros. Mas eles nunca conseguiram nada para pegar qualquer um deles. Agora, porém, com um vídeo de Marcos e Dante perseguindo um homem em um apartamento, aquele homem sendo meu namorado e eu sendo a esposa do irmão morto deles, não era como se estivessem gastando muito tempo tentando provar a inocência dos Guerreros. Especialmente depois que uma busca em suas casas revelou um corpo fresco enterrado no quintal de Marcos e mais de um milhão de dólares em drogas na casa de Dante. No que dizia respeito à polícia, tudo estava amarrado em uma linda curva vermelha para eles. Caso encerrado. Quanto a mim, eu estava mais preocupada com o modo como isso aconteceu. A causa oficial de morte de Dante e Marcos tinha voltado como inalação de fumaça, mas eles sofreram um trauma significativo em seus rostos e corpos antes disso. Os policiais concluíram que era por ter brigado com Penn no apartamento antes que o fogo tivesse começado.


Enquanto isso, a causa oficial da morte de Penn havia sido considerada um homicídio, graças a uma bala no peito. Eu vomitei por mais de uma hora depois que o detetive Morris nos informou sobre isso. Mesmo em um estado de total agitação emocional, fiquei de olho em Drew. Ele era irmão de Penn, afinal. Sua única resposta foi deixar escapar uma maldição alta, agradecer ao detetive, e então sentar no chão do banheiro comigo, alternando entre esfregar minhas costas e encarar seus sapatos. Foi estranho. Mas todos lidavam com emoções de maneira diferente. Então ficou mais estranho. Drew ainda estava esperando que a cidade liberasse o corpo de Penn e, nos últimos dias, eu comecei a planejar uma pequena cerimônia memorial. Eu nunca tinha visto Drew tão louco como quando eu disse a ele sobre isso. Ele saiu da sala e sentou-se no corredor com os antebraços apoiados nos joelhos e a cabeça pendurada entre os braços por mais de duas horas. Eu posso ter (leia-se: definitivamente) assisti-lo através do olho mágico por pelo menos metade desse tempo. Ele não falou enquanto se arrastava para a cama naquela noite. E no dia seguinte, ele não mencionou nada.


Sim. Era seguro dizer que algo definitivamente não estava certo. E enquanto eu ainda não tinha sido capaz de descobrir, eu não estava prestes a desistir. Com o passar dos dias, minha paciência estava escorregando com Drew. Mas se havia uma coisa que eu aprendi nos treze anos desde que Nic morreu, foi que a raiva não me levou a lugar nenhum. No entanto, um sorriso despretensioso e um plano bem pensado? Sim. Eu estava no negócio. —Alguém mais vem hoje?— Perguntou Drew, abrindo a fechadura no alto da porta depois que Jennifer saiu. Eu sentei ao lado de River na cama. Ela moveu o laptop para o outro lado para me permitir espaço. Eu lhe dei um sorriso apreciativo. —Não, eram apenas essas duas hoje. Quanto nos dedicamos? — Ele puxou o telefone para fora, passando os dedos pela tela do que eu supunha ser a calculadora. —Eu acho que, dependendo de quanto a faculdade custa hoje em dia, sobraram pouco mais de seiscentos.— Eu gemi. Eu tinha muito a fazer. Eu não estava ansiosa para dar uma grana a nenhuma das garotas. Seria muito fácil para


elas serem roubadas ou gastar vinte dólares por vez até não restarem mais nada. Em vez disso, eu estava pagando o máximo que podia para empresas, complexos de apartamentos, faculdades, médicos e, em breve, algumas instalações de reabilitação diferentes. Vendo como tudo isso tinha que ser feito via transação em dinheiro, era incrivelmente demorado. Mas ficar ocupada era muito melhor do que a dor aguda que eu sentia toda vez que pensava em tudo que perdemos. River olhou para mim. —Você vai mesmo dar todo esse dinheiro? — —Você tem uma ideia melhor?— Ela virou o computador para me encarar. —Sim. Encontramos um apartamento que custa mais de setecentos dólares por mês. Esses lugares não são muito melhores do que o último. — —Baby, nós temos mais de um milhão de dólares em dinheiro e eu tenho um registro policial e nenhum trabalho. Se conseguirmos algo que custe mais do que setecentos dólares por mês, poderíamos também pendurar uma bandeira vermelha na porta. Além disso, você só vai esquecer todo mundo? O que você


acha que vai acontecer com elas a seguir? Dante se foi, mas isso não significa que outra pessoa não esteja esperando para ocupar seu lugar. E quem sabe? Talvez esse cara seja pior. Nós cuidamos umas das outras. Isso significa eu e você. E nós e elas. — Ela se mexeu desconfortavelmente e voltou a olhar para a tela. —OK. Eu continuarei procurando. — Eu joguei meu braço em volta dos ombros dela. —Eu vou te dizer o que. Vou chegar até as setecentos e cinquenta. Isso torna isso mais fácil? — Ela começou a percorrer as listagens de apartamentos novamente. —Não, setecentos é bom. Nós ficaremos bem.— Deus, ela era uma boa criança. Drew se acomodou na cama ao lado de nós, pegou o controle remoto e apontou para a TV. —Então, o que estamos fazendo esta noite, senhoras? Você quer alugar um filme ou algo assim? — —Por que você não sai?— Eu sugeri. Sua cabeça se virou no meu caminho. —Você está tentando se livrar de mim?—


Sim, pensei. —Talvez—, eu provoquei. Sua mandíbula se afrouxou com ferimentos fingidos, mas antes que ele tivesse a chance de responder, uma pancada alta soou na porta. O humor em seu rosto desapareceu quando ele perguntou: —Você está esperando alguém?— Eu balancei a cabeça, o pânico entrou em erupção dentro de mim. River deve ter sentido, porque ela colocou o computador de lado e sentou-se. Ele se levantou da cama e caminhou até a porta, respirando uma maldição antes de abri-la. —Detetive Morris, como eu posso—— —Onde está Cora?— Eu voei para fora da cama, meu coração disparou contra a minha garganta quando o detetive - ladeado por dois policiais uniformizados - entrou na sala. O olhar castanho-escuro do detetive disparou por cima do meu ombro. —River Guerrero?—


—Sim?— Ela respondeu. Um dos policiais avançou sobre ela, murmurando —Nós a pegamos— no rádio em seu ombro. Abrindo meus braços como se eu pudesse escondê-la, eu o interrompi. —Você tem quem? O que é isso? — O olhar do detetive voltou para o meu. —Você precisa vir comigo. Vocês duas. Agora.— River bateu nas minhas costas, seu corpo já tremendo. Meu coração trovejou em meus ouvidos enquanto entrelaçava sua mão com a minha. —Por quê?— Eu perguntei, examinando o quarto. O cabelo na parte de trás do meu pescoço ficou em pé enquanto os policiais continuavam a se aproximar. —O que está acontecendo?— Ele plantou as mãos nos quadris e desconfortavelmente desviou o olhar para longe. Eu não conhecia bem o detetive Morris, mas eu o tinha visto o suficiente na última semana para ser um pouco amigável com ele. Ele tinha sido gentil a cada vez que nos falamos, gentil como se ele quase se sentisse mal por mim.


E os nervos no meu estomago atingiram o pico quando tive a distinta sensação de que ele não queria estar lá mais do que eu queria que ele estivesse. —Nós temos um mandado para sua prisão, Cora. Eu vou pedir para você se afastar gentilmente da criança e vir comigo. — Meus pulmões se agarraram quando minhas mãos começaram a tremer. —O ... para quê?— —O que?— Drew rosnou atrás dele, mas não consegui encontrá-lo na sala subitamente lotada. —Criança em perigo—, disse Morris. —Agora, você vem sem problemas e eu não vou algemar você na frente da garota.— —Mamãe!— River gritou, o medo em sua voz me cortando até o osso. —Está tudo bem—, eu respondi como uma reação instintiva. Claramente não estava bem. Mas, novamente, nunca foi e nós sobrevivemos do mesmo jeito. —Que tipo de perigo?— Um dos policiais uniformizados fez um movimento para agarrar o braço de River, e eu pisei para o lado para bloqueá-lo.


—Espere. Espere. Espere.— Eu levantei minhas palmas. — Eu não fiz nada de errado.— Morris desviou o olhar. —E você pode explicar isso para um juiz. Mas, por enquanto, preciso que River vá com o oficial De Salva e você para vir comigo. — Ele apontou o queixo para o meu ombro e o outro oficial uniformizado entrou, pegando River pelo braço. Ela começou a chorar quando eles a puxaram para longe, e cada lágrima me atingiu como o ferro de marcar mais quente. Ela passou por tanto em seus treze anos. Nós nunca tivemos a polícia aparecendo e levando ela embora antes, mas vê-la sendo arrastada para fora do meu alcance não era algo novo para qualquer uma de nós. Mas esta não era a última vez. Isso era diferente. Nós não estávamos mais presas pelos Guerreros. Eu estava livre. Nós deveríamos ser livres.


—Mamãe!— Ela chamou enquanto eles a carregavam para a porta, seus olhos castanhos ancorados em mim por cima do ombro. —Relaxe querida. Vai ficar tudo bem, — eu menti, esperando que eu pudesse transformar em verdade. —Apenas vá com o oficial e eu te vejo daqui a pouco. Eu prometo.— O pânico nos olhos dela me despedaçou quando ela desapareceu pela porta. Assim que ela se foi, o segundo oficial uniformizado veio até mim, puxando dolorosamente meus braços enquanto ele forçava minhas mãos nas minhas costas. O metal frio de suas algemas apertou em volta dos meus pulsos, mordendo minha carne. Mas minha mente estava ocupada demais tentando descobrir o meu próximo movimento para dar algum peso à dor. —Drew? Drew?— Eu gritei, beirando a beira da histeria. —Estou bem aqui, Cor—, ele respondeu do corredor, onde estava com outros dois policiais. Jesus. Eles enviaram quatro policiais e um detetive? Isso deveria ter sido o momento em que ouvi o alarme. Eles sabiam exatamente onde eu estava e eu tinha sido mais do que


cooperativa durante toda a semana, mas eles enviaram quatro policiais e um detetive atrás de mim como se eu estivesse segurando River com uma arma. Mas eu estava muito focada em como eu ia trazer River de volta para considerar os porquês. —Eu preciso de você para me encontrar um advogado—, eu disse a Drew. —Um bom, ok?— Seu rosto estava duro como pedra quando ele olhou para o policial me forçando a andar pelo corredor, mas ele me deu um breve aceno de cabeça e cortou, —Eu estou nisso.— —Por favor. Depressa, —eu respirei.

—Cora Guerrero?— o policial chamou. —Esta sou eu!— Eu disse, levantando do banco na cela e correndo em direção à porta. —Mãos—, ele ordenou.


Quando ele colocou as algemas no lugar, perguntei: —Você pode me dizer onde está minha filha?— —Não. Agora pare de falar. — Meu estômago caiu. Eu estava ficando mais nervosa a cada minuto. Eu estive lá por bem mais de três horas sem nenhuma palavra sobre River ou meu advogado. —O meu advogado está aqui? Eu realmente gostaria de falar com ele. — —Na verdade, ele está—, ele respondeu. Eu soltei uma respiração instável, um alívio inebriante surgindo em minhas veias. —Oh! Graças a deus.— Mas eu não conseguia parar de me preocupar sobre onde eles tinham levado River. Pelos padrões da maioria das pessoas, a vida que eu lhe dera não era boa, mas pelo menos eu a amava. Com todo o meu ser. Eu sempre me certifiquei de que ela fosse cuidada. Sim, ela veio de uma família de criminosos, mas eu ensinei a ela a diferença entre certo e errado. E quando ela era pequena, eu


sempre a levava para consultas médicas e recebia todas as suas vacinas a tempo. Agora que ela era mais velha, eu não podia comprar aparelho ou algo assim, mas ela nunca teve uma cárie. Toda noite ela assistia todas as garotas saírem para o trabalho, eu lutava como o inferno para ter certeza que ela entendia que ela valia muito mais do que apenas seu corpo. Eu nunca quis aquela vida para ela. Então eu gastei todo minuto, todo recurso, e toda oportunidade que eu tive preparando para ela coisas maiores e melhores do que eu já pude provê-la. Eu estava longe de ser uma mãe perfeita, mas eu tentei. Todo dia. E enquanto eu concordava sinceramente que ela merecia mais do que isso, eu sabia que o sistema de adoção nunca iria dar a ela mais do que eu poderia. Eu tive muitas garotas vindo para o meu prédio com dezoito anos e recém-saídas do sistema para acreditar no contrário. O policial desacelerou até parar no final do corredor e depois empurrou uma porta à minha esquerda. —Dentro.— Ele não me seguiu.


Com uma mesa e duas cadeiras, a sala estava vazia. Não havia janelas nem espelhos de dupla face. Não era como nada que eu tenha experimentado em prisões anteriores. Era apenas uma sala branca descolorida de todas as cores e esperança. —Sente-se. Eu volto já.— Ele deixou a porta silenciosamente fechar, nem mesmo clicando nela trancada atrás dele. Procurando por uma câmera ou qualquer sinal de vida lá fora, eu caminhei e usei meu dedão para deslizar a cadeira antes de afundar. Minha perna saltou para cima e para baixo enquanto eu esperava. Por hábito, eu peguei a estrela em volta do meu pescoço só para lembrar que eles tinham tirado isso de mim quando eles me processaram. Eu tive dois ataques contra mim, mas supondo que nenhuma droga tivesse subido em meus bolsos por sua própria vontade, eu deveria estar bem. Era uma falsa confiança como aquela que fez o golpe de ver seu rosto aparecer na porta parecer um soco.


—Olá, Cora—, Thomas Lyons falou enquanto entrava no quarto. Ele envelhecera visivelmente desde a última vez que o vi. Eu não conseguia lembrar exatamente o quanto mais velho do que Catalina ele era, mas manchas de cinza agora apareciam em seu cabelo castanho escuro. Seus olhos azuis eram amigáveis o suficiente para torná-lo acessível, mas eu sabia muito bem quão sem fundo sua alma realmente era. Ele abriu o botão em seu paletó quando se sentou. Minha atenção foi atraída para o anel de casamento que ele ainda estava usando na mão esquerda. Mas foi tudo para mostrar. Thomas era uma prostituta de atenção da pior maneira. —O que diabos você está fazendo aqui?— Eu perguntei. Ele sorriu, cheio de arrogância. —Eu ouvi que os policiais te pegaram. Eu pensei que talvez você precisasse de algum conhecimento legal. — Eu enterrei minhas mãos no meu colo para que ele não pudesse vê-las tremer. —Você ouviu? Ou os enviou atrás de mim? —


Ele encolheu os ombros, virando-se para o lado para cruzar as pernas, joelho sobre o joelho como o idiota pretensioso que era. —Besteiras. O que importa é que estou aqui para te tirar daqui. — Quantidades negativas de esperança atingiram meu peito. Thomas nunca fez nada pela bondade de seu coração em toda a sua vida. Ele não estava prestes a começar comigo. —Oh sim? E o que isso vai me custar? — Seus olhos se estreitaram, mas seu sorriso nunca vacilou. —Onde ela está, Cora?— Meu pulso trovejou em meus ouvidos, mas eu não lhe mostrei nada. —Eu não tenho ideia de quem você está falando.— —Certo. Claro que você não faz. — Ele entrelaçou os dedos e embalou-os em torno do topo do joelho. —Mas vamos falar hipoteticamente aqui. Vamos fingir por um segundo que há uma certa criança que pode ou não estar em grave perigo. Veja, sua mãe é uma prostituta com várias condenações por drogas em seu registro, e mais de uma vez, ela teve a filha mencionada acima tirada dela. O que você acha que aconteceria se, digamos,


um tio preocupado, que também é um homem de muitos poderes, chamado a favor de ter a criança permanentemente removida dos cuidados da mãe? — Meus pulmões queimavam quando o ar naquela sala se tornou tóxico, mas eu segurei seu olhar e recusei meus olhos das lágrimas que eles estavam chamando para a superfície. —Bem, hipoteticamente, é claro, parece que o tio está fazendo algumas suposições sobre a mãe e está tentando controlar uma situação da qual ele não sabe absolutamente nada. Se eu tivesse que adivinhar, eu diria que ele provavelmente estava compensando algumas inadequações pessoais, se você sabe o que quero dizer. No entanto, se eu fosse aquela mãe, o que, claramente, não sou, visto que você mencionou que ela era uma prostituta, meu conselho para ela seria parar de falar com o idiota e esperar por seu advogado. — Ele riu. —Você quer dizer Frank Esposito? Sim, eu o vi lá na frente. Aquele homem é uma fera quando se trata de direito de família. — Oh! Graças a deus. Drew tinha conseguido. —Certo. Então, por favor, dirija todos os jogos hipotéticos do seu jeito. —


—Eu o mandei para casa.— Eu fiquei de pé, a cadeira caindo atrás de mim. —Você não pode fazer isso!— —Cora, querida. Frank e eu jogamos golfe todo fim de semana. O que você espera? — Eu esperava que, pela primeira vez na minha vida, alguém realmente me ajudasse - mesmo que eu tivesse que pagá-los para fazê-lo. Eu deveria ter conhecido melhor. A lei só era justa quando todos seguiam as mesmas regras. Ele se levantou do assento e andou em volta da mesa. O pânico explodiu dentro de mim e eu tentei me afastar, mas a sala era pequena demais para me permitir qualquer espaço. Minhas costas bateram na parede quando sua mão encontrou minha garganta. —Pare—, eu assobiei, arranhando seu pulso, mas isso só o fez aumentar seu aperto até que a respiração se tornou uma tarefa impossível. Frenética, olhei para a porta, implorando para alguém passar. Mas mesmo que soubessem, eu não tinha certeza se alguém se importaria.


Inclinando-se, ele colocou os lábios no meu ouvido e rosnou: —Você está no meu mundo agora. Perder River é apenas a ponta do quanto eu poderia te foder. Você acha que Manuel está apodrecendo em uma cela de prisão porque ele cooperou? Não me teste, Cora. Esta não é uma luta que uma mulher como você quer enfrentar. — A pressão no meu peito aumentou quando a adrenalina e a falta de oxigênio fizeram minha cabeça brilhar. —O que você quer?— Eu sufoquei. Esperei que ele mais uma vez me perguntasse onde estava Catalina. Esperei que ele me batesse ou gritasse para mim. Esperei que ele me estrangulasse até que desmaiasse ou morresse quando lhe dissesse que não sabia onde ela estava. Mas eu nunca, nem em um milhão de anos, esperava suas próximas palavras. —Diga a ela para ficar fora—, ele fervia. —Eu juro por Deus, se ela tem uma porra de ideia sobre aparecer aqui para reivindicar as propriedades de seus irmãos, pensando que ela pode valsar de volta, arruinar minha carreira porque agora ela


tem um centavo no bolso… Foda-se. Eu vou matar vocês duas antes de deixar isso acontecer. — Minha visão era de túnel e meus pulmões estavam gritando por oxigênio, mas minha mente não conseguia processar suas palavras. Era como se ele estivesse falando uma língua diferente. Thomas passou anos tentando encontrar Catalina. Da mesma maneira que os Guerreros pensavam que eles me possuíam, Thomas acreditava de todo o coração que ele possuía ela. Manuel tinha tudo, mas deu ela a ele como um presente. Aos seus olhos, ela era a sortuda. Ninguém se afastou de um homem como Thomas Lyons. Acrescente ao fato de que ela levou sua filha com ela ... Esqueça isso. Eu sempre imaginei que ele ainda estaria tentando encontrá-la em seu leito de morte para fazê-la pagar. Mas agora ele queria que ela ficasse longe? —Eu não ...— Entenda. —Sei onde ela— Ele me deu um aperto forte, me batendo na parede, batendo no pouco de ar que eu tinha deixado do meu peito. Fechando-se em mim, ele pressionou sua grande estrutura contra o meu lado. —Você não mente para mim. Você sabe onde ela está. Você sempre soube. Eu estava disposto a deixar você manter seu segredo quando isso me beneficiasse. Mas se


Catalina pensa por um segundo que seus irmãos de merda são cinzas é sua deixa para sair do esconderijo, ela obviamente precisa de uma lembrança de quem ela realmente precisa temer. — Eu ofeguei por ar quando ele deslizou a mão até o meu queixo. Seus dedos morderam meu rosto quando ele inclinou minha cabeça para que eu olhasse para ele. Seu olhar malévolo trancou no meu enquanto ele fervia: — Se você quiser ver River de novo, você vai pegar a porra do telefone e dizer para aquela cadela ficar ... fora. — Ele me soltou com um empurrão, a dor detonou na minha cabeça quando ela quebrou contra a parede. Se foi por causa das minhas pernas trêmulas, minha visão turva, ou meu peito arfando, minha capacidade de me equilibrar sozinha desapareceu. Minhas únicas opções eram comer o chão de ladrilhos ou afundar na minha bunda. Eu escolhi o último, mas mantive meus olhos em Thomas o melhor que pude. Ele endireitou o paletó e passou a mão por cima do cabelo para alisá-lo de volta ao lugar. —Tomei a liberdade de agendar


sua audiência com o juiz Mayso para a próxima semana. Antes de ficar muito animada, ele me deve mais favores do que eu tenho tempo. Você fala com Catalina, vou me certificar de que tudo está perdido e você pega River de volta, sem perguntas. Mas estou te observando, Cora. Eu sinto o cheiro daquela cadela nessa cidade e você pode dar um beijo de despedida na criança. Diga que você me entende. — Com o coração na garganta, assenti. —Diga!— Ele exigiu, correndo em minha direção. Eu disse ao meu corpo para não vacilar. Eu queria ser forte o suficiente para travar minhas emoções do jeito que eu havia me treinado na última década. Mas em apenas uma semana, eu me tornei tão emocionalmente crua que não conseguia mais fingir. Naquela época, todas as emoções que eu já possuía tinham entrado em guerra dentro de mim, meu corpo fisicamente se tornando nada mais do que os campos de batalha devastados deixados para trás. Deveria ter acabado. Eu deveria estar livre.


Mas talvez a liberdade não fosse mais do que uma ilusão de convencer pessoas como eu a continuar trabalhando no inferno. Sem a luz no fim do túnel, aceitaríamos a escuridão pelo que realmente era: eterna. Fechei os olhos, preparando-me para o seu ataque e falei correndo. —Eu te ouvi. Ela não vai voltar. Eu prometo.— —Espero que por sua causa você possa manter sua palavra sobre isso.— Eu olhei para cima quando ouvi seus passos se afastando. A porta se abriu silenciosamente, o som das pessoas à distância sendo a única prova. Ele fez uma pausa antes de sair. —Você está livre para ir, Srta. Guerrero. Cuide-se. — Então ele foi embora. E eu estava sozinha. Assim. Totalmente. Sozinha.


Cora Era um pouco antes da meia-noite quando eu saí da delegacia. O caminhão de Penn estava parado na frente e a visão de Drew saindo da porta do motorista parecia igualmente o alívio mais doce e salgado de uma ferida. Ele era um cara amigável. E mentiroso. Mas, triste como era, ele também era a única pessoa que me restava. As lágrimas finalmente romperam meus olhos quando ele correu e me envolveu em um abraço apertado que empalideceu em comparação com o de seu irmão. —Você está bem?— Ele perguntou. Eu balancei a cabeça. —Não. Nem mesmo perto.—


Usando meus ombros, ele me afastou dele. —O que está acontecendo? Com o que eles estão te acusando? — Eu bati na umidade que escorria pelo meu rosto. —Ser uma Gguerrero—. Caminhando em direção ao caminhão, perguntei: —Você trouxe meu telefone?— Ele caiu ao meu lado. —Sim. Está no banco. Você ouviu alguma coisa sobre River? Podemos ir buscá-la? — A faca enferrujada se torceu dentro de mim. —Não. O serviço social a tem até a data da minha corte na próxima semana. — —Que diabos? Você não fez nada de errado. Eles não podem acusá-la de abuso infantil e não seguir com a prova. — —Se você é Thomas Lyons, você pode.— Drew chegou a um ponto morto. —O que você disse?— Continuei andando, concentrada demais em chamar Catalina para me preocupar com a reação dele. Depois de ir direto para a porta do passageiro, me inclinei para pegar meu telefone. —Eu preciso de um minuto—, eu disse, procurando nos meus contatos o número dela. Eu dei


exatamente um passo antes de colocar o rosto contra o peito de Drew. —Repita isso—, ele rosnou. —O que você disse?— Eu estiquei minha cabeça para trás, e a luz da rua no estacionamento iluminou a fúria gravada em seu rosto. Quando sua raiva se aplainou em mim, seus olhos se arregalaram quando ele explodiu: —E o que diabos aconteceu com o seu rosto?— Eu esfreguei minha mandíbula dolorida. Eu já podia sentir os hematomas das pontas dos dedos de Thomas se formando no meu rosto e pescoço - um lembrete não tão sutil de que eu tinha algo a fazer. —Se mova. Eu preciso fazer uma ligação. — Ele agarrou meu braço, me puxando em direção a ele. — Não. Comece a falar. Thomas Lyons fez isso com você? — —Sim!— Eu bati, minha voz ecoando nos carros estacionados em ambos os lados de nós. —E se você não sair do meu caminho e me deixar fazer essa ligação, ele vai fazer muito pior.— Eu tirei meu braço do seu aperto.


Seus olhos ficaram escuros, seus lábios se apertaram e seu corpo magro se tornou assassino. —Entre no caminhão—, ele ordenou em um baixo resmungar. —Saia da minha, hey!— Não foi áspero nem foi gentil, mas um segundo depois, eu me vi dentro do caminhão de Penn, a porta bateu atrás de mim, e Drew atacando o capô. —Ele apenas me maltratou—, eu sussurrei para mim mesma, o trauma do dia finalmente se manifestando em fúria violenta. Ele abriu a porta e entrou, que foi quando eu gritei com um decibel que nunca deveria ser usado em um veículo fechado. — Você apenas me maltratou!— —Eu tenho certeza que foda fiz.— Ele ligou o caminhão, deu marcha ré e depois acelerou, saindo do estacionamento. —Você está brincando comigo agora?— Eu peguei meu cinto de segurança e cliquei. —Porque claramente o meu dia não tem sido ruim o suficiente, você precisa vir psicótico em mim também?— Sua mandíbula tiqueou quando ele pulou o meio-fio para pegar a estrada. —O que diabos você quer dizer que ele vai fazer


muito pior? Comece no começo. Quero ouvir todos os detalhes que envolvem Thomas Lyons. — —Ah, de repente, eu deveria estar respondendo suas perguntas agora? Quando você está mentindo para mim por uma semana? — Ele desviou o olhar da estrada o tempo suficiente para olhar para mim. —Que diabos você está falando? Eu não tenho mentido para você. — —Besteira!— Eu gritei, enganchando minha perna no banco para poder encará-lo. —Você mentiu para mim sobre tudo desde a noite do incêndio. Eu não sei porque. E eu não sei o que você está escondendo. Mas não se atreva a sentar aí e exigir uma explicação de mim quando você nunca me deu uma —. Ele respirou instável como se estivesse procurando paciência. —Já lhe ocorreu que talvez eu esteja tentando te proteger?— —Já lhe ocorreu que não quero ser protegida? Eu quero a verdade. Eu passei toda a minha vida sendo enganada, manipulada e controlada, e agora, você quer que eu cale a boca e engula mais de você? —


Ele abriu a boca, mas eu não tive tempo para mais explicações de merda. Eles não iriam conter nada além de fumaça e espelhos de qualquer maneira. —Salve isso, ok?— Eu peguei meu telefone de novo, mas minha mente estava girando em muitas direções diferentes para lembrar o que eu tinha programado o número de Catalina. Não como eu poderia chamá-la na frente de Drew de qualquer maneira. Ou isso importava mais? Eu não queria explodir nele, embora eu não tenha me sentido mal com isso também. Entre a nova merda de Thomas, River longe, minha incapacidade de encontrar Savannah, o buraco aberto em meu coração por causa da morte de Penn ... Eu não podia aguentar muito mais. Tudo no meu corpo doía - por dentro e por fora. Eu estava além de exausta. E, pior de tudo, senti falta do conforto do meu inferno naquele prédio de apartamentos. Eu só queria ir para casa, onde algo - qualquer coisa - parecia normal de novo. —Eu terminei, Drew. Estou tão cansada.— —Não diga isso.— Ele suspirou. —Você não entende.—


—Não. Eu realmente não sei - eu disse ao pára-brisa. — Porque você não me deu uma chance.— —Jesus Cristo.— Ele disse isso como uma maldição, mas estava cheio de resignação. —Você e Penn não jogaram esse jogo? Verdade ou Mentira ou algo assim. — Minha garganta ficou apertada e eu balancei minha cabeça em sua direção. —Eu não quero mais mentiras.— Por uma fração de segundo, os faróis do tráfego que se aproximava iluminaram a cabine do caminhão, permitindo que eu visse seu estremecimento. —Eu preciso de uma saída, Cora. Alguma dessa merda, você não precisa saber. E isso não é porque é um grande segredo que irá desvendar os mistérios do universo. É porque eu quero saber um pouco dessa merda. Vou te dar o que puder, mas se houver algo que você não precisa saber, não vou responder. — Eu mastiguei o interior da minha bochecha. Não era ideal. Mas qualquer luz era melhor do que ficar no escuro. —Bem. Verdade ou Mentira. — —Tudo bem. Pergunte para mim. — —Onde ele conseguiu um milhão de dólares?—


—Mentira. Eu não sei.— Atirei-lhe um olhar. —Ele roubou? Roubar um banco? O que? As garotas têm o dinheiro agora. Elas vão ser presas por usá-lo? — —Verdade. Não. Eles vão ficar bem. Próxima questão.— Eu revirei meus olhos. —Ok, por que ele foi ao prédio naquela noite?— Ele gemeu e depois levantou um maço de cigarros no ar. — Você se importa se eu fumar enquanto conversamos?— Eu não me importava se ele tricotasse um suéter enquanto voava no trapézio, se ele realmente ia me contar a verdade. —Vá em frente—, respondi. Ele baixou a janela antes de acender a ponta. Então ele puxou algumas inalações profundas cheias de tabaco e soprouas para fora do caminhão. —Ele estava chateado com o que Dante fez para Savannah, e ele sabia que não ia parar por isso. Depois de tudo o que ele passou com Lisa, a ideia daqueles idiotas machucando você ou River ao lado ... Bem, era mais do que ele poderia aguentar. Transformei nossos registros de


celular para a polícia. Eu não queria contar porque achei que só iria te machucar mais, mas ele ligou para Marcos e Dante naquela noite. Algumas vezes. Não sei o que foi dito, mas só posso imaginar que foi bem colorido —. Eu fechei meus olhos. Sim, isso doeu. Sabendo que eu era o motivo de Penn, caiu em mim como uma marreta. Apesar de finalmente ter visto a verdade recuperar o fôlego era uma fração mais fácil. —Então ele cutucou a fera e eles realmente apareceram?— Eu perguntei. —Pelo que eu entendi, sim, isso é exatamente o que ele fez.— Eu falei em volta do nó na garganta. —E ele começou o fogo, não foi? Era esse o seu plano o tempo todo - matar Marcos e Dante? — Ele deu outra tragada no cigarro, mas nunca me deu os olhos. —Sim.— —E ele fez isso por mim também, não foi?— —Sim.—


Foi uma resposta simples que não precisava de explicação. Fechei os olhos quando começaram a picar. Eu estava tão cansada de chorar todo o maldito tempo. —Eu sabia—, eu murmurei. —Eu sabia disso.— A mão de Drew pousou no lado do meu pescoço, onde ele me deu um aperto suave. —A verdade é que, Cora, ele amava você, e ele faria o que fosse necessário para que você ficasse segura.— —Sim, bem. Se você quer a minha verdade, preferia que eles ainda estivessem vivos do que ele esteja morto. — —Eu sei. Mas você tem que entender que eu estou aqui, cuidando de você, fazendo o melhor que posso de uma maneira que eu sei que ele iria querer. Eu estou no seu time. E eu estou cansado de ver você chorar, então se eu puder evitar isso, às vezes, eu posso te contar uma mentira. Mas é só para te proteger. Nem todas as mentiras são ruins —. Essa pequena explosão do passado me fez balbuciar, — Você soa exatamente como ele. Ele costumava me dizer isso também. — —Oh, vamos lá, Penn não é tão inteligente.—


Eu ri, mas acabou em um soluço. —Eu sinto falta dele, Drew. Então muito. E estou muito brava com ele. Eu não achei que encontraria alguém depois que perdi Nic. E eu nem quero tentar depois de perder o Penn. Não vale a pena. Na minha vida, nada é permanente, a não ser dor. É sempre uma corrida após a outra. Eu nem recuperei o fôlego depois de perder Penn, e agora, Thomas está tentando tirar River de mim? — O caminhão desacelerou até parar no acostamento da estrada, mas a represa dentro de mim quebrou. —O que eu fiz errado? Eu sou uma boa pessoa, mas estou cansada de ser forte. Estou cansada de lutar perdendo batalhas. E estou cansada de tirar o melhor proveito de uma situação ruim pelo bem de todos ao meu redor. — Ele colocou o caminhão no ponto morto e se inclinou em minha direção para me dar um abraço desajeitado. —Shhh… acalme-se. Se controle, porque vamos descobrir isso —, ele acalmou. Mas eu não consegui me controlar. Minha vida se desfez no momento em que pus os olhos em Nic Guerrero pela primeira vez. E agora, quatorze anos depois, não restava nada de mim além de restos irregulares e cacos quebrados. Nenhuma das


peças cabia mais, e eu estava muito cansada de tentar juntar elas. —Eu parei—, eu disse ao seu ombro. —O universo pode ter sua vitória, porque eu não aguento mais.— —Você não é uma desistente. Ou não estaríamos sentados aqui agora. — Eu me sentei, passando meus olhos. —Ele levou minha filha, Drew. E a menos que eu possa entrar em contato com Catalina e convencê-la a não voltar para reivindicar as propriedades de seus irmãos, ele diz que a levará para longe de mim para sempre. E ele é apenas doente e torcido o suficiente para eu acreditar nele. Embora eu não tenha certeza se isso será antes ou depois que ele me matar. Algo que ele também ameaçou. Então, talvez eu devesse me preocupar com isso primeiro. — No dia em que conheci Drew Walker, achei que ele era bonito. Mas, em retrospectiva, isso só aconteceu porque ele estava ao lado de Penn. Drew era um tipo diferente de bonito. Um tipo diferente de doce.


Um tipo diferente de pensativo. E, então, com a mandíbula apertada, os olhos estreitados em fendas, os músculos esticados em seu pescoço e os lábios formando um corte duro, ele também era meio assustador. —O que?— Ele respirou tão baixinho que eu mal o ouvi sobre o barulho do motor. —E ele enviou o advogado que você encontrou em casa hoje à noite embora. Aparentemente, eles jogam golfe juntos. Eeee ... o juiz que vai ouvir o meu caso lhe deve mais favores do que o Thomas lembra. Como eu devo lutar contra isso? Porque sério, se você tem uma ideia, eu sou toda ouvidos. Porque eu não tenho nada. — —Oh, eu tenho um plano.— Ele olhou para mim. Seus lábios estavam curvados em um grunhido raivoso e seu peito subia e descia mais rápido a cada respiração, mas seus olhos não estavam focados. Era como se ele estivesse olhando através de mim. Eu esperei por alguns segundos, mas quando ele não conseguiu oferecer uma explicação, eu perguntei: —Você se importa em compartilhar isso comigo?—


Ele piscou, virou-se em seu assento, engatou o carro e ligou o acelerador. —Não.— Eu o observei de perto enquanto ele atravessava o tráfego. Ele não estava dirigindo rápido ou excessivamente agressivo, mas os músculos de seus braços flexionavam como se ele estivesse tentando arrancar a roda da coluna de direção. No momento em que ele abriu a porta do nosso quarto de hotel, ele relaxou um pouco. Eu, por outro lado, estava uma bagunça. Um olhar ao redor daquele quarto vazio e eu queria desmoronar novamente. Graças aos Guerreros, eu havia perdido anos de River crescendo. Mas desde que Manuel ficou trancado, ela não passou uma única noite longe de mim. Agora, eu nem sabia onde ela estava. Suas roupas estavam espalhadas ao acaso no que deveria ser uma pilha no canto, e seu telefone ainda estava carregando na mesa de cabeceira. Nunca senti meu peito mais vazio. Mas chorar não ia trazer minha filha de volta.


Drew estava certo: eu não era uma desistente, não importava o quão atraente a ideia soasse às vezes. Eu não tinha dúvidas de que River me chamaria na primeira chance que ela tivesse. Ela era inteligente, e tanto quanto eu odiava toda a merda que ela teve que lidar em seus treze anos, me deu conforto que ela sabia como lidar com ela mesma em qualquer situação. Eu tinha uma semana antes da data da audiência. Eu precisava entrar em contato com Catalina e descobrir o nosso próximo passo. Eu não poderia viver assim. Eu acabei de me livrar de dois problemas sem adicionar Thomas Lyons à minha lista. Mesmo que isso significasse encontrar River e decolar da mesma forma que Catalina fizera todos esses anos antes. Depois que consegui que o resto das garotas do prédio fossem atendidas, eu não tinha muita razão para ficar mais. O prédio foi embora. Penn também. E, enquanto eu me importava com Drew, não era como se ele fosse passar o resto de sua vida ao meu lado na cama. Nem


eu queria que ele ficasse. No entanto, eu estava fraca o suficiente para deixá-lo ficar até que eu recebesse River de volta. Mas o que aconteceria depois disso? Eu sempre estaria olhando por cima do meu ombro. Segurando minha respiração. Esperando o dia, que Thomas ou um de seus capangas de azul nos encontrassem. Não fazia nem duas semanas desde que Marcos e Dante morreram. Mas havia algo inerentemente viciante sobre não ter que monitorar todos os seus movimentos. Eu não pensei antes de falar. Eu chorei sem medo de ser usado contra mim. E eu não acordei quatro vezes por noite para ter certeza de que as portas estavam trancadas. Penn havia desistido de sua vida para me libertar. Thomas não conseguiu tirar isso. Mas que outra escolha eu tenho? —Eu preciso fazer uma ligação—, eu disse a Drew quando comecei a percorrer o meu telefone.


Ele sentou na minha frente na cama. —Catalina?— Meu olhar saltou para o dele. Eu poderia ter mentido. Eu poderia ter protegido ela. Eu poderia ter mantido a fachada que eu era tão ignorante quanto todo mundo quando se tratava de onde ela tinha ido. Mas droga, eu estava cansada de me esconder. —Sim—, eu sussurrei. —Por favor, não faça perguntas.— Ele deu meu joelho um aperto reconfortante. —Que tal eu ir para o bar do hotel por um tempo. Dar-lhe algum tempo sozinha. Você pode me ligar se precisar de alguma coisa. OK?— Eu assenti. —Obrigada, Drew.— —A qualquer hora, Cora. A qualquer momento.— Eu olhei para o meu celular até que a porta se fechou atrás dele. Depois disso, eu rolei até encontrar o número que eu programara como Padaria de Delilah e chamada de sucesso. Ela respondeu no primeiro toque. —Eu preciso que você volte, Cat.— —Você perdeu sua maldita mente?—


—Não. Eu perdi minha filha. — A linha ficou em silêncio - junto com meu coração.


Penn —Por favor, Penn!— Cora gritou. Eu saí de sua janela e estava olhando para as chamas, que se tudo estivesse indo como planejado, estavam queimando Marcos e Dante para sempre. Mas ela não deveria estar lá. Ela deveria estar no hotel. Ela era… Quando ela bateu nas vidraças, seus olhos azuis se encheram de terror, fogo lambendo suas costas, fumaça ao redor dela. —Por favor, Penn!— Sua voz rasgou através de mim com a velocidade de uma bala, tirando o ar dos meus pulmões antes de perfurar meu coração. —Cora!— Eu gritei, cambaleando em direção ao prédio, pronto para abrir caminho até ela, mas minhas pernas não se moviam mais do que seu nome carregava qualquer som.


Eu não conseguia me mexer. Eu não conseguia respirar. Tudo que eu pude fazer foi vê-la morrer. Essa era a minha maldição na vida. Eu acordei com um rugido alto rasgando minha garganta. Levantando, ofeguei e freneticamente tentei diferenciar meu pesadelo da realidade. Não foi o primeiro pesadelo que eu tive sobre ela. Ela era a obsessão favorita do meu subconsciente ultimamente. Ela estava sempre morrendo. Eu estava sempre assistindo. E eu nunca poderia chegar até ela. Com a mão trêmula, eu esfreguei meu rosto, tentando desesperadamente limpar a imagem mental dela em pé naquela janela. No escuro, dei um tapinha na cama ao meu lado como se ela aparecesse de repente.


O que eu teria dado para ela estar lá comigo, fisicamente me tranquilizando enquanto minha mente tomava o caminho mais longo para acompanhar. Meu pulso desacelerou quando fechei meus olhos e a imaginei lá. Ela teria ronronado quando eu a rolei, esticando como um gato antes de passar os braços em volta do meu pescoço. Seu coração batendo. Ar nos pulmões dela. Segura ao meu lado. Seu cabelo loiro bagunçado teria caído em cascata sobre o rosto, mal revelando um sorriso sonolento quando ela murmurasse: —Você está bem, baby?— Quando eu teria dito a ela que não, que eu precisava dela, seus olhos teriam se aberto, o azul cintilando mesmo na escuridão, me curando enquanto ela sussurrava: —Eu estou bem aqui, Penn.— E então ela teria me beijado, lenta e suavemente, com uma reverência que fazia parecer que talvez eu estivesse curando ela também. Como sempre aconteceu conosco, não demoraria muito para ficar quente. Suas mãos vagando pelas minhas costas, e


como as minhas caíam em sua bunda, o pesadelo se desvaneceria enquanto o desejo nos dominava. Ela teria aberto as pernas, me convidando para entrar. E eu teria deslizado para dentro, mais desesperado do que nunca para me enterrar dentro de seu calor. Sozinho, no meu quarto, eu quase podia sentir as pontas dos dedos deslizando sobre o meu ombro enquanto nossos corpos rolavam juntos, e quando eu caí de volta contra os travesseiros, o som de seus gemidos tocando nos meus ouvidos, eu senti minha mão deslizar para dentro do meu suéter. E enrolar meu pau duro. —Porra do inferno. O que você está fazendo?— Um homem rosnou. Meu corpo inteiro acordou pela segunda vez enquanto eu voava para fora da cama, a arma debaixo do meu travesseiro subindo comigo, meu dedo equilibrado. —Whoa, whoa, whoa! Sou eu! Shane, pare! — Ele gritou.


A familiaridade dissonante era a única coisa que me impedia de puxar o gatilho, mas eu ainda não conseguia processar quem ele era ou por que ele estava lá. —Quem diabos é você!— Eu explodi, levantando a arma mais alto, caminhando em direção a sua silhueta indistinguível. —Sou eu. Desenhou. Merda, cara. Sou eu! Abaixe a arma! — Minha respiração me deixou com pressa. —Jesus, Drew! O que diabos você está fazendo aqui? Não se aproxime de um homem assim. — Ele bateu na luz, quase me cegando. —Eu não me aproximei de você, idiota. Eu acordei sua bunda arrependida. Você se sentou e tudo mais. Então você foi para o seu pau como o início de uma pornografia seriamente fodida. — Ok, então eu claramente não tinha acordado completamente entre o meu pesadelo que virou sonho molhado. Bem jogado, subconsciente. Bem jogado. Usando um braço para proteger os olhos da luz, abri a gaveta na mesa de cabeceira e enfiei a arma para dentro. —Você assustou a merda fora de mim.—


Ele plantou as mãos nos quadris. —Sim, bem. Eu preferiria isso qualquer dia do que assistir você sacudir seu pau. — —Você calaria a boca?— Eu assobiei. E então, como se na sugestão ... —Penn?— Sua voz assustada voou pelo corredor. Excepcional. Eu comecei a me aproximar da porta para deixar minha mente à vontade quando vislumbrei o rosto de Drew. Juro por Deus, sua boca estava tão aberta que eu pensei que sua mandíbula iria soltar. —Você está brincando comigo agora?— Ele rosnou. —Não faz nem duas semanas e você tem uma mulher aqui? Você. Está. Brincando comigo? — Eu atirei-lhe um olhar entediado. —É Savannah, seu bundão.— Quando entrei no corredor, encontrei-a de pé do lado de fora da porta do quarto. Ela ainda estava usando a camisa de dormir enorme, mas ela tinha tirado as calças do pijama em algum momento.


—Volte para a cama. É só Drew, —eu disse a ela. —Está tudo bem?— Ela perguntou. Eu desconfortavelmente arranhei a parte de trás da minha cabeça. —Sim. Ele ... me surpreendeu. Isso é tudo.— Ela visivelmente relaxou até que Drew aproveitou a oportunidade para tornar as coisas estranhas novamente. —Oh meu Deus, por favor, me diga seriamente que você não está dormindo com Savannah.— Eu virei para ele, pronto para alimentá-lo meu punho só para fazê-lo calar a boca, mas Savannah chegou lá primeiro. —Ai credo! Não! Isso seria nojento. Penn é meu novo papai. — Minha vida, senhoras e senhores. Minha vida. Eu estalei meus dedos para Savannah. —Pare de dizer isso.— Então olhei de volta para Drew. —E você, pare de dizer qualquer coisa. Eu acordei, tipo, trinta e sete segundos atrás. Por favor, posso ter um minuto para descobrir que dia da semana é antes de lidar com suas acusações ridículas? —


Com um desafio, ele deu um passo em minha direção. —É quinta-feira. Agora, o que diabos ela está fazendo aqui? — Roubando uma jogada do manual de Cora, revirei os olhos, passei por ele e fui direto para a cafeteira, gritando: —Volte para a cama, garota.— —Noite, Drew. Noite-— —Não diga isso, Savannah—, eu resmunguei, cortando-a antes de qualquer variação de papai cair de sua língua. Ela riu, mas felizmente, apenas os passos de Drew seguiram atrás de mim. Dei-lhe as costas quando fui trabalhar no café. Eu mandei uma mensagem para Drew com o endereço do meu novo telefone assim que eu garanti o lugar. Embora eu nunca tivesse lhe dado uma chave ou o código de segurança. —Como você entrou?— Eu perguntei, pegando duas canecas. —Porque ela está aqui?— Ele respondeu.


Eu preferiria voltar a ouvi-lo falar sobre o meu pau do que ter essa conversa. Mas não havia como ele deixar isso passar. — Eu prometi a Cora que a pegaria de volta.— —Sim—, ele zombou. —Então você morreu. — Eu me virei, apoiando minha bunda contra o balcão. —Não, Drew. Penn Walker morreu. Mas eu, Shane? Prometi a Cora naquele dia que a recuperaria. Então eu fiz.— Sua boca ficou boquiaberta quando ele me deu uma piscada lenta. —E agora? Você só vai manter a garota para sempre? Porque ela com certeza não pode voltar para Cora agora. — Eu cruzei meus braços sobre o peito. —E porque não?— —Porque você está morto! — Ele começou a andar pela cozinha. —O que diabos está passando pela sua cabeça agora? Primeiro, você deixa todas aquelas malditas estrelas e o dinheiro, e então você explode tudo para pegar a criança? — —Eu não pensei nada. O que você preferiria que eu fizesse? Deixasse ela lá? Ela estava de pé na esquina de uma rua, procurando por um Jhon para poder comprar drogas. —


Ele parou de andar, passando uma mão áspera pelo topo de seu cabelo. —Você poderia ter me chamado. Eu teria ido e pegado ela. — —Eu não tive tempo para isso—, afirmei definitivamente. Ele esfregou os olhos com o polegar e o indicador. —Você não teve tempo? Ou não queria dar tempo? Porque eu vou ser honesto: acho que você está fazendo essa merda de propósito. Você fechou a porta com Cora, mas você está deixando a janela quebrada a cada chance que tem. Você está planejando voltar, Penn? Algo que eu preciso saber? — —Isso não é o que eu estou fazendo.— —Então abra sua maldita boca e me diga o que você está fazendo. Dar dinheiro aos pobres? Salvando crianças na rua? Voltando do túmulo? Onde estou, parece que você está a um passo de se tornar o próprio Jesus Cristo —. —Eu não vou voltar!— Ele me nivelou com um olhar. —Mas você também não está indo, não é?— Eu não tenho uma resposta para isso.


Sim, deixá-la era mais seguro. Sim, isso me destruiu. Sim, eu passei cada minuto desde o fogo imaginando tê-la de volta. Sem dúvida, eu estava indo atrás de Thomas Lyons, e havia apenas três cenários de como isso terminaria. Mais do que provável, eu seria pego e condenado à prisão perpétua. E se fosse esse o caso, eu não queria que a vida dela parasse com a minha. Conhecendo Cora, ela teria assado bolos com limas neles para o resto de sua vida. Ela era teimosa como o inferno, e Deus sabia que eu não era forte o suficiente para afastá-la. Mas eu queria mais do que isso para ela. Eu queria que ela fizesse uma vida. Sozinha. A ideia de ela estar com qualquer outro homem foi o suficiente para me mandar para fora da ponte. Ele nunca seria bom o suficiente. Mas sorri ao pensar nela tendo uma família, um bando de meninas loiras que poderiam chamar sua mãe sem medo de retaliação. Este foi o cenário que me convenceu a deixar o dinheiro para ela.


O outro resultado possível para mim foi que eu falharia. Thomas de alguma forma me mataria ou me trancaria primeiro. Cora já estava em seu radar por causa de Catalina, mas a última coisa que ela precisava era estar conectada a mim de qualquer maneira. Ela se tornaria o próximo alvo dele e eu estaria seis pés abaixo da terra, incapaz de salvá-la. Este foi o cenário que tornou tão óbvio que Penn Walker precisava morrer. Sem ele, não havia nada conectando Shane Pennington e Cora Guerrero. Se eu falhasse, ela tinha dinheiro. Ela tinha Drew. Ela tinha uma rede de segurança. No entanto, foi esse último resultado possível que tocou na minha cabeça todas as noites quando olhei para o teto sem estrelas. Foi aquele em que eu o matei e fugi com isso. O mundo seria um lugar melhor e eu sairia livre e limpo. As chances de isso acontecer eram quase zero. Você não podia matar o promotor da cidade e esperar partir para o pôr do sol. Mas foi o único cenário que me deu esperança de recuperá-la, e não importava o quanto eu tentasse, não podia deixar passar. Eu não queria admitir isso. Mas era esse último cenário que estava me alimentando dia após dia.


E como eu aprendi no dia em que eu sufoquei a vida fora de Dante enquanto seu irmão apavorado assistia, sabendo que ele era o próximo: Não havia muito que eu não faria por Cora Guerrero. Voltando para o bule de café gorgolejante, eu coloquei uma caneca enquanto declarava: —Eu não estou mais falando sobre isso. Quando Thomas der seu último suspiro, podemos nos preocupar com o que vou fazer ou não fazer em seguida. —Certo, bem. Eu acho que eu deveria te dizer que, se você está esperando que Cora viva tempo suficiente para fazer parte dessa equação, você pode querer se apressar em fazer a coisa toda de fazer parar a respiração. — O fogo atingiu minhas veias. —O que diabos isso significa?— Ele arrogantemente inclinou a cabeça. —Você me ouviu. Thomas fez uma pequena aparição hoje à noite. Inventou alguma acusação de ameaça à criança contra Cora, mandou prendê-la e levou River. — Outra explosão de adrenalina me atingiu com força. —Que porra é essa? Onde diabos você estava? —


Ele estreitou os olhos. —Deitado na cama ao lado dela. Eu não posso lutar contra os policiais, Shane. É assim que um homem morre. Rápido. Consegui um advogado para ela, mas Thomas mandou-o para casa. Eles jogam golfe ou alguma merda. Ele encurralou Cora embora. Disse a ela para se certificar de que Catalina permanecesse longe ou que ambas estariam mortas. — Sua boca continuou se movendo, mas nenhuma palavra passou pelo som do meu coração rugindo em meus ouvidos. Visões de Lisa deitada naquele tapete explodiram na minha cabeça. Só que desta vez, Cora estava ao lado dela. Ambos os conjuntos de seus olhos frios e mortos olhando para mim. Antes que eu percebesse, meus punhos estavam enrolados na frente da camisa de Drew, meu rosto vibrando enquanto eu pedia: —Ele nunca mais se aproxima dela novamente. Você me entende?— Ele me deu um empurrão forte, mas meu corpo estava tão rígido que todos os meus músculos estavam gritando. Ele poderia muito bem estar empurrando uma parede de tijolos. —É por isso que estou aqui, idiota. Você tem que acelerar essa merda. Saia da sua bunda, pare de jogar Nanny McGee e lide


com isso de uma vez por todas. Ou saia do meu caminho e deixeme cuidar disso sozinho. — Eu olhei para ele com olhos selvagens. —Ele é meu.— —Então considere isso sua cortesia e um aviso. Não estou mais me sentindo realmente paciente. Ele está respirando há quatro anos, Shane. Você quer seus vinte e nove minutos. Tomeos. Mas se eu conseguir um tiro claro antes disso, acabou. Você me entendeu?— —Esse não era o plano, Drew.— —Que plano?— Ele estendeu a mão e apontou para o corredor até o quarto de Savannah. —Você tem merda em todo plano de porra que já fizemos. Atualmente, temos uma mulher que te amarrou em tantos malditos nós que você está irreconhecível. Eu pensei que ela era boa para você no começo, mas agora, está tão desequilibrado que você nem consegue pensar direito. — Ele respirou fundo e segurou meu ombro, dando-lhe um aperto áspero. —Eu sei que você está sonhando com isso. E eu sei que te prometi que você poderia ter seu momento com ele. Por Lisa. Mas, irmão, essa merda tem que acabar. Nós o encontramos. Agora vamos acabar com ele.


Ele estava tão certo. Foram quatro anos. Quatro anos de busca por respostas. Quatro anos sangrando seca emocionalmente e fisicamente. Quatro anos de queima nas chamas do inferno. Aqueles dois meses passados se afogando em Cora, sentindo-me como eu novamente, pensando mais que minuto a minuto eram a única razão pela qual eu ainda era capaz de funcionar. Não havia nada que eu não fizesse para voltar a isso. Nem mesmo sacrificando a mesma vingança que me trouxe à sua porta. Eu estendi a mão para ele. —Eu quero que Cora seja a prioridade um. Você tem um tiro. Você faz. Contanto que possamos mantê-la fora de seu alcance. Eu vou lidar com o resto. —


Ele sorriu, pegando minha mão. —Agora, isso realmente soa como um plano que podemos fazer—. Ele me puxou para um rápido tapinha nas costas, e antes de me soltar, ele fez o que Drew fez melhor: Ele me fez querer rir e, em seguida, alimentálo com o meu punho novamente. —Eu não posso acreditar que você estava tentando me fazer assistir você sacudir seu pau. Você sabe que eu não funciono assim. — Eu soltei uma risada e dei-lhe um forte empurrão. —Saia da porra do meu apartamento.— Ele recuou com os braços bem abertos. —Lugar legal, a propósito.— —Você ainda fica no hotel com ela?— —Sim.— Ele esfregou as mãos juntas. —Economizando meus pontos de recompensa para umas pequenas férias agradáveis quando isso finalmente acabar. Eu estou pensando no Brasil. Praias de topless e tudo mais. — —Um trabalho vai fazer você chegar lá mais rápido.— Ele torceu os lábios. —Psshh, quem precisa de um emprego quando você tem um melhor amigo rico que deve a você por salvar a bunda de sua futura esposa uma vez ou setecentas?—


Alguns meses atrás, ouvi-lo dizer algo assim me teria feito cair em parafuso. Agora embora? Isso me deu esperança de que talvez sair dessa com ela não fosse tão impossível quanto eu pensava. —Como ela está?— Seu sorriso caiu. —Você quer verdade ou mentira?— Verdade ou mentira. Aquelas palavras simples fizeram a dor detonar no meu peito. Cristo, ele realmente estava saindo com ela. E maldição, isso me deixou com ciúmes. —Verdade.— Ele balançou sua cabeça. —Não é bom. Nada bom. Ela sabe que estou mentindo sobre o fogo. Eu a driblei algumas coisas esta noite e acho que isso a fez se sentir melhor. Mas ela sente falta de você e se culpa. — —Merda—, eu respirei, beliscando a ponte do meu nariz enquanto a culpa apodrecia meu intestino. —Mas nós vamos consertar isso. Thomas primeiro. Então podemos nos preocupar com o hematoma de corpo inteiro que a


mulher vai colocar em você por fingir sua própria morte. — Ele piscou.


Cora Na manhã seguinte, quando fui liberada, recebi uma ligação de uma assistente social perguntando se ela poderia passar pelo hotel e pegar as coisas de River. Depois do incêndio, a criança não tinha muito, então fui ao shopping e peguei algumas coisas que eu achava que ela gostaria. Ela provavelmente odiaria todas elas. Mas isso me fez sentir melhor. A assistente social também me informou que ela poderia ter seu telefone. Eu quase comecei a chorar com essa notícia. Eles não me deixavam vê-la, mas pelo menos tínhamos podido conversar. River me ligava toda noite e eu podia dizer pelo tom de sua voz que era porque ela sentia minha falta. Mas no período da manhã, eu sabia que ela só ligou porque estava preocupada comigo. Não era segredo que as manhãs eram difíceis para mim. Aquela primeira piscadela quando eu escorreguei da terra da felicidade para a consciência, lembrando onde eu estava como


uma avalanche de memórias infernais me atingiu como se estivessem acontecendo pela primeira vez. Dia após dia, toda vez que o sol se levantava, aquele momento de realização era agonia. Mas se eu quisesse trazer minha filha de volta, não poderia chafurdar com auto piedade. Eu tive que levantar e fazer as coisas acontecerem. River não estava errada. Setecentos e cinquenta dólares não lhe deram muito quando se tratava de habitação na cidade. Embora, na periferia, eu conseguisse uma casa de dois quartos quase de merda que incluía água. Drew e eu estávamos pegando as chaves no final da tarde, quando recebi uma ligação da casa do grupo me avisando que o caso contra mim havia sido cancelado e que eu poderia ir buscar River a qualquer hora que quisesse. Eu gritei e meu novo senhorio olhou para mim como se ele já estivesse se arrependendo de sua decisão de me dar a casa. Eu não poderia ter me importado com o quão louca ele achava que eu era. Minha garota estava voltando para casa. E então nós estávamos saindo dessa vida para sempre.


Eu não conseguia decidir o que Thomas estava jogando. Minha data de corte não seria por mais alguns dias e eu imaginei que ele iria arrastar por mais tempo, desde que a lei permitisse. Mas seja qual for o motivo, se me trouxesse River de volta, eu não ia reclamar. Quando Drew entrou no estacionamento, vi o Cadillac de Thomas. O medo encheu meu estômago, mas com a contagem regressiva em diante, seu reino de corrupção estava chegando ao fim. Eu congelei no meio do caminho. —O que você está fazendo?— Drew também parou, a porta aberta e uma de suas botas no asfalto. Ele arqueou uma sobrancelha. —Indo com você?— —Não. Você vai ficar aqui. — —Você perdeu sua maldita mente, mulher.— —Você entra aí comigo, ele vai assumir que você é meu namorado. Eu não estou dando a ele mais uma pessoa para usar contra mim da próxima vez que ele ficar chateado. —


—Ele pode assumir o que diabos ele quiser, mas ele fica com o cabelo selvagem para colocar as mãos em você novamente e eu vou estar lá para bloquear essa merda bem rápido.— E foi exatamente por isso que não pude deixar Drew entrar comigo. Na última semana, soube que, enquanto estava na cadeia, Manuel havia preenchido Drew com todas as coisas, sobre Thomas Lyons. Não me surpreendeu, no mínimo, que, mesmo quatro anos depois, Manuel ainda estivesse fumegando. Ele acreditava firmemente que ninguém cruzava um Guerrero. E Thomas não só se voltou contra ele, como também usou a própria filha de Manuel para afastá-lo - a última facada nas costas. Também não me surpreendeu que Drew tivesse passado a última semana reclamando e falando de Thomas. Ele não tinha sido capaz de olhar para mim sem ficar chateado com as contusões no meu rosto e pescoço. Eu não podia imaginar o que teria acontecido se eles ficassem cara a cara. A monstruosidade do ego de Thomas nunca permitiria que o confronto terminasse em favor de Drew.


—Ele não vai fazer nada—, eu assegurei a ele. —É uma casa de grupo para adolescentes. Eu não serei a única ali. Ele estará em seu melhor comportamento de advogado pretensioso. Veja, Drew. Ele tirou as acusações. Não lhe dê outro motivo para provocar mais problemas para nós. — —Elas eram acusações de besteiras para começar. Ele dificilmente é um herói. — —Não. Mas estou recebendo River de volta. Vamos tentar não fazer besteira hoje. — Eu desci o resto do caminho para fora do caminhão, de frente para ele enquanto eu endireitava o meu top verde hortelã e alisava meu cabelo despenteado pelo vento. —E sobre isso ...— Eu peguei meu telefone e digitei seu número. Um toque abafado veio do bolso de trás. —Você pode ouvir. Se você ouvir algo que não parece certo, você está a poucos metros de distância. — Ele fechou os olhos, balançando a cabeça. —Penn literalmente me bateria com o corpo, mesmo se considerasse isso.— Alguns dias eram mais fáceis que outros. Às vezes, o pensamento de Penn me cortava como estilhaços. Outras vezes, a lembrança dele me dava paz e conforto. E naquele dia,


enquanto eu estava a poucos minutos de ter minha filha de volta, eu na verdade sorri com o pensamento da carranca irritada de Penn. —Por favor, Drew.— Ele pegou o telefone e respondeu, colocando-o ao ouvido e dizendo: —Esta linha desconecta e estou atravessando a porta como o homem instantâneo—. Eu ri. Ele me olhou furiosamente - definitivamente relacionado a Penn. Mas antes que ele tivesse a chance de mudar de ideia, eu disse: —Já volto— e fechei a porta. Segurando meu telefone, eu corri pela calçada até a porta da frente e então bati. Uma mulher em seus quarenta e tantos anos com um caso grave de rosto de cadela em repouso respondeu. —Posso ajudar?— Eu sorri largo e genuíno. —Estou aqui para pegar minha filha.—


Seu nariz enrugou quando ela me deu uma avaliação da cabeça aos pés. Era a reação de todos quando descobriram que eu tinha uma filha adolescente. Eu sempre parecia mais jovem do que eu era, o que aos vinte e nove anos era uma bênção quando se tratava de gastar dinheiro com creme antirrugas, mas não tanto quando se tratava de convencer as pessoas de que eu era uma mãe apta. —River—, preenchi quando ela não respondeu. — Guerrero— Suas sobrancelhas se ergueram, mas não suavizaram seu olhar crítico. A grande estrutura de Thomas apareceu atrás dela. Seus lábios se inclinaram em um sorriso viscoso quando ele encontrou meu olhar, suas palavras apontadas para a mulher. — Cynthia, eu vou lidar com isso. Pegue a criança. — —Certo. Não tem problema — disse ela, afastando-se com a velocidade de uma lesma. Meu pulso acelerou e eu apertei o telefone com mais força, tomando cuidado para não pressionar nenhum dos botões.


—Cora—, ele cumprimentou, empurrando uma mão no bolso de sua calça. —Entre.— —Obrigada—, eu sussurrei, pisando no limiar da porta. Ele olhou por cima do ombro a tempo de ver a Srta. Cheery saindo por uma porta que levava mais para dentro do prédio. — Eu confio que você esteve em contato com Catalina.— Eu mudei meu olhar para a parede e usei minha mão livre para procurar meu colar. —Ela não vai voltar.— Ele arqueou uma sobrancelha escura. —E o que acontece se isso mudar?— —Eu vou perder River para sempre—, eu respondi roboticamente. Ele baixou a voz e deu um passo à frente, me acuando. — Ou?— Eu engoli em seco, mas foi puramente para mostrar. Eu não estava mais com medo de Thomas. —Ou você vai me matar.— Ele traçou um dedo ao redor da curva do meu rosto, mergulhando sob o meu queixo para inclinar minha cabeça para


trás. —Como está minha filha, Cora? Ela tem, o que ... quatorze agora? — Não respondi. Ele não merecia saber nada sobre Isabel. No dia em que se casou com Catalina, nada mais era do que um acordo intermediado por Manuel. Ele fez o advogado corrupto com sonhos de se tornar um juiz uma parte da família. E Thomas conseguiu uma linda esposa para ficar ao seu lado, o dinheiro de seu pai o apoiando, e um dos maiores criminosos da cidade em seu bolso de trás, alimentando-o com a concorrência como isca de tubarão. Isabel não tinha sido planejada. Duas pessoas geralmente precisavam fazer sexo para planejar algo assim. Mas uma noite, depois que Thomas chegou em casa, bêbado, declarando que era dever de sua esposa abrir as pernas para ele, tudo mudou. Ela já estava grávida quando conheci Nic. Mas a família sabia o que estava acontecendo entre ele e Catalina. Nic e Dante tinham quase explodido com ele. Mas Manuel precisava de Thomas, então ele fez vista grossa e depois sua filha o vendeu rio abaixo por causa disso.


—Ela não vai voltar—, repeti. —Eu juro para você. Elas não causarão nenhum problema. — Tocando o medo, eu permiti a minha respiração para engatar quando ele se inclinou para perto. Seu rosto estava a poucos centímetros do meu, sua respiração sussurrando em minha pele enquanto ele dizia: —É bom ouvir isso. Mas não fique confortável, Cora. Eu não perco meu tempo com ameaças ociosas. Você me atravessa e está feito. Não seria uma má ideia passar essa mensagem para minha esposa também. — —Claro. Vou lembrá-la. — Ele sorriu e, a tempo, com o rangido de uma porta atrás de nós, ele abruptamente se afastou. —Cora—, River chamou, correndo e jogando os braços em volta do meu pescoço. Eu mantive meus olhos em Thomas quando a puxei para um abraço. —Olá baby.— —Aqui estão suas coisas—, disse a mulher, arrastando-se com um saco de mercearia pendurado na ponta do dedo, o


carregador de celular pendurado em um buraco no fundo. Ela virou uma carranca para mim. —Talvez da próxima vez você devesse comprar uma bolsa de verdade para ela. — —Não haverá uma próxima vez—, afirmei como fato absoluto. —Então estamos claros?— Ele pressionou. —Como cristal—, eu murmurei. —Não esqueça seu telefone.— Ele pegou o celular de River no canto da mesa da mulher e ofereceu a ela. Se olhares pudessem matar, River teria nos poupado de todo um monte de problemas ali mesmo. —Obrigada—, ela murmurou, arrebatando-o da mão dele. Depois que eu joguei meu braço ao redor de seus ombros, nós começamos a caminhar juntas para a porta. Enquanto eu não estava comprando a rotina do Poderoso Padrinho de Thomas, eu estava mais do que pronta para dar o fora dali. —Oh, e, Cora—, ele chamou.


Eu enrolei River na minha frente enquanto colocava meu queixo no meu ombro para olhar para ele. —Sim?— —Diga olá a Drew por mim. É uma pena não poder conhecê-lo hoje, especialmente depois de ouvir sobre o que aconteceu com a irmã dele. — Pisquei e, pela primeira vez desde que entrei naquela sala, senti uma sensação doentia de inquietação me invadir. Eu não tinha certeza do que ele estava falando. Penn tinha à revelia me dito que Drew era seu único irmão. Mas foi o sorriso perverso como se ele tivesse acabado de lançar uma bomba em mim que me dava nos dentes. Com arrepios formigando minha pele, optei por não ficar parada e fazer perguntas. Eu mergulhei minha cabeça em reconhecimento e então saí correndo pela porta. Drew já estava fora do caminhão, correndo em nossa direção, o rosto escuro e trovejante. —Você está bem?— —Estou bem. Basta entrar no caminhão. — Sua mandíbula assinalou enquanto ele olhava para o prédio.


—Drew—, eu assobiei, dando um puxão forte no braço dele. —Vamos.— —Certo—, ele rosnou, relutantemente seguindo depois de mim. Depois que estávamos todos no caminhão e em segurança na estrada, me virei para Drew. —Você tem uma irmã?— Ele balançou a cabeça e esticou o volante. —Ele tinha que ter falado sobre a esposa de Penn.— Eu imaginei que teria sido sua cunhada. —Como ele sabe sobre isso?— —Eu não sei. Mas o fato de ele saber quem eu sou e que ele está cavando no meu passado não se encaixa bem comigo. — Também não estava bem comigo, mas a essa altura, no dia seguinte, não precisaríamos mais nos preocupar com isso. —Dirija por aí por um tempo. — Eu me virei no meu assento e olhei pela janela de trás. —Certifique-se de que não estamos sendo seguidos.— Suas sobrancelhas se uniram. —Eu pensei que você deu ao serviço social o novo endereço ontem?—


—Eu fiz. Mas não vamos para casa hoje à noite. — Cheguei no banco de trás e peguei a mão de River. —Nós estamos indo para Catalina.— A cabeça de Drew balançou em minha direção tão rápido que era uma maravilha que não saiu do pescoço dele. —O que!— River engasgou, esticando o cinto de segurança até o limite enquanto ela avançava. —Ela está de volta?— Eu sorri; minha garota amava sua tia. —Sim. Eu dei a ela algum dinheiro para conseguir uma casa há alguns dias. Com Marcos e Dante fora, ela não precisa mais se esconder. — Seus grandes olhos brilharam. —E quanto a Thomas?— —Sim. E quanto a Thomas? Drew repetiu —, sacudindo seu olhar furioso entre mim e a estrada. —Relaxem—, eu disse a ambos. —Ele me tirou de você brincando. Você não acha que ele fará o mesmo com Isabel? — River perguntou, sua ansiedade fazendo uma aparição muito frequente. Eu dei a mão dela um aperto. —Ele pode tentar. Mas ele não será um problema depois de amanhã. Catalina vai à polícia.


E antes de dizer, sim, sei em primeira mão quantas pessoas desonestas ele tem à sua disposição por toda a cidade. Mas Catalina é uma pessoa desaparecida há anos. Seu retorno repentino chamará a atenção nacional da mesma maneira que quando desapareceu. Thomas não tem esse tipo de alcance. Além disso, ela tem mais do que o suficiente para afastá-lo para sempre. Thomas é um idiota. Eu nunca teria pensado nisso se ele não tivesse entrado em pânico e me prendido. Dante e Marcos não tinham exatamente testamentos e, como Manuel ainda está na prisão, Cat é a único Guerrero que restou. Ela herdará tudo, River. Tudo. Os negócios legítimos. As propriedades. As casas. Todo o material que Manuel foi forçado a assinar com seus filhos quando Thomas foi atrás dele. —Ótimo, então ela tem dinheiro agora—, Drew brincou. — Isso não lhe dá invencibilidade.— —Não. Mas não está vulnerável. Ela não está mais presa. Se você quer admitir ou não, o dinheiro é poder para pessoas como nós. Não, não vai resolver os nossos problemas, mas dá-nos espaço para respirar e uma rede de segurança para nos apoiar. Catalina foi embora pela primeira vez com seu orgulho e duzentos dólares. Melhor decisão que ela já fez. Mas, agora, ela não precisa se preocupar sobre como vai colocar comida na


mesa. Ou pagar por um médico quando Isabel adoecer. Ou comprar material escolar ou roupas ou colocar gasolina no carro. Dinheiro não é igual a segurança, mas oferece oportunidade. Esta é a nossa chance, Drew. Eu e a Cat. Nós temos sonhado em sair desta vida de uma vez por todas. E graças a Penn, agora que Marcos e Dante estão fora do caminho, resta apenas um obstáculo. — Eu descansei minha mão em seu antebraço. —Eu cansei de me esconder. Eu cansei de deixar o mundo passar por mim. Eu estou feita sendo uma Guerrero. Eu quero sair. Eu posso provar isso. Tão perto.— —Jesus, Cora—, Drew respirou. —Você acha que um homem assim vai deixar Catalina voltar depois de quatro anos sem consequências?— —Não há muito que ele possa fazer com ela mais. Ele está doendo para conseguir um lugar como juiz. E com as eleições chegando em alguns meses, ele precisa começar sua campanha. Imagine como vai parecer quando sua esposa e filho aparecerem, afirmando que eles suportaram incontáveis anos de abuso mental e físico em suas mãos. Sem mencionar toda a informação que Catalina tem sobre suas atividades extracurriculares. Ele lidera como se fosse um homem da lei, mas na verdade, ele é o mestre das marionetes por trás de pelo


menos metade dos crimes que acontecem na cidade todos os dias. Se ela conseguir alguém para ouvir, a prova já está lá nos registros do tribunal. Alguém só precisa saber onde procurar. — —Ele poderia matá-la!— Drew exclamou, sua súbita explosão fazendo River se encolher. —E você no processo. Me desculpe, mas esta é uma ideia estúpida. Aquele homem é fodidamente perigoso, Cora. E eu não estou falando sobre ele tentando pegar River ou qualquer outra besteira que ele tenha na manga. Ele tem conexões muito piores do que os juízes e os advogados de polo com quem ele joga golfe nos finais de semana. Estou falando de homens maus que estão tentando evitar ser processados. Homens desesperados que literalmente farão qualquer coisa para ficar do lado bom dele. Encontrar alguém para passar sobre você e Catalina será um passeio no parque. — Eu enganchei minha perna no banco e me virei para encará-lo. —Uau. Estou verdadeiramente tocada pela sua confiança. — —Isso não é uma conversa estimulante. Essa é a verdade. Isso é o que você disse que queria de mim, certo? Não mais


mentiras? Bem. Então isso é insano. E eu não quero fazer parte disso. — —Então vá embora. Ninguém está pedindo para você ficar com a gente. — Ele soltou uma gargalhada alta e sem graça. —Se isso fosse verdade.— Eu estreitei meus olhos nele. —O que isso deveria significar?— Ele balançou sua cabeça. —Isso não importa. Você vai fazer essa merda, quer eu vá com você ou não, não vai? — Eu cruzei meus braços sobre o peito. —Sim.— Com os dentes cerrados, ele gritou: —Então eu acho que vamos ver a infame Catalina Lyons hoje.— Um sorriso vitorioso dividiu minha boca. Ele deve ter pego com o canto do olho, porque sem olhar para mim, ele disse: —Tire esse sorriso do seu rosto. Não estou feliz com isso—. Mas ele disse isso quando virou em uma rua lateral que não estava a caminho de casa. E quando ele começou nosso desvio de uma hora por bairros aleatórios, seu olhar


constantemente passando pelo espelho retrovisor, ele murmurou: —Cristo. Outra porra de Maricas, Drew. E ele diz que não tem um tipo. —


Penn Drew : Por favor, me diga que você tem olhos em Thomas. Eu : Sobre ele agora. Por quê? Eu estava sentado na rua da casa de Thomas. Tornou-se minha rotina noturna. Com o desfile de mulheres, empregadas domésticas, colegas e alguns poucos aleatórios que eu ainda não tinha identificado dentro e fora de sua casa durante toda a semana, estava se provando mais difícil do que eu jamais pensara em pegar o pedaço de merda sozinho. Mas esta noite era a noite. Ele estava com a morena do tribunal novamente. Marcou a terceira vez esta semana. E se fosse como aquelas noites, ela sairia na ponta dos pés por volta das duas da manhã, girando apenas a fechadura da maçaneta antes de correr para o carro. Isso me dava cinco horas antes de sua empregada aparecer.


Fechar a janela com o tempo para entrar e sair e eu tinha quatro horas gloriosas para vê-lo morrer. Eram quase onze. Eu puxei o aplicativo de segurança para o meu celular. E de acordo com a câmera acima da minha porta da frente, que eu ainda não havia mencionado para Savannah, ela já estava na cama ou se transformara no Homem-Aranha, desceu seis andares e saiu para passar a noite. Eu estava apostando no primeiro. Ela estava indo muito bem. Eu ainda não tinha sido capaz de levá-la a um verdadeiro centro de reabilitação, mas contratei um médico particular especializado em vício que aparecia a cada dois dias e eu também tinha ido a algumas reuniões de Narcóticos Anônimos com ela também. Se eu não conseguisse voltar, eu realmente sentiria falta daquela garota. Mas ela sabia como encontrar Drew se alguma coisa acontecesse comigo. E desde que minha vontade deixou tudo para Cora Guerrero, eu tinha paz de espírito que elas sempre seriam atendidas. Olhei para o texto de Drew como se eu pudesse ler nas entrelinhas e encontrar uma explicação.


Eu : Você vai elaborar?

Dez minutos depois, meu peito estava começando a ficar apertado. Ele me mandou uma mensagem mais cedo naquele dia que eles iriam pegar River. Eu esperava que isso significasse que Thomas estava desistindo de Cora. Mas agora ... algo não parecia certo.

Eu : Olá! Está tudo bem?

Quando outros dez minutos se passaram sem resposta, minha ansiedade aumentando a cada tique da segunda mão, desisti do jogo de espera e liguei. Ele foi para o correio de voz após o segundo toque. Um movimento na porta da frente de Thomas me chamou a atenção. Ele estava saindo com a mão na parte inferior das costas da morena. Ele fez uma pausa para trancar e depois a acompanhou pela curta caminhada até seu Lexus prateado.


O telefone vibrou na minha mão.

Drew : Com Cora. Não posso falar. Apenas fique nele até que eu possa te atualizar.

Ele estava com ela. Eu soltei uma respiração aliviada. Isso era bom. Muito bom, e meu pulso respondeu imediatamente. Luzes de freio saindo da garagem de Thomas atraíram meu olhar para cima. —Onde você pensa que está indo?— Eu sussurrei quando o Cadillac de Thomas seguiu seu Lexus para a estrada principal. Eu liguei meu carro e saí na direção oposta. Eu dei a volta no bairro e o encontrei na entrada. Mas minhas suspeitas cresceram quando ela virou à esquerda e ele passou direito. Ok, então eles não estavam indo juntos para algum lugar. Não é um grande negócio, exceto Thomas não era conhecido por ser uma coruja da noite. Eu o segui a alguns carros de distância enquanto ele atravessava a cidade. Com as luzes da cidade brilhando atrás de


nós, ele me levou para os subúrbios. Era uma área agradável. As casas estavam espalhadas e fora da estrada principal. A falta de tráfego dificultou a aproximação. Em seu bairro rico, meu Audi se misturava bem. Mas lá, eu poderia muito bem ter um sinal de néon no meu capô. Quando ele parou, rapidamente entrei em uma garagem próxima e apaguei as luzes, rezando para que a família que morava lá dentro estivesse dormindo e não espiando pela janela. Eu afundei no meu lugar quando um sedã dos anos 90 parou atrás dele. Dois homens saíram e Thomas se juntou a eles, mas ele não os cumprimentou antes de decolar com longos e pesados passos pela estrada escura, os mais recentes acréscimos à nossa festa indo atrás dele. —Que porra você está fazendo?— Eu perguntei a noite quando eu silenciosamente me separei do meu carro. Eu enfiei minha arma na parte de trás do meu jeans e me escondi nas sombras. Justo quando estava convencido de que Thomas só estava fora para fazer um pouco de cardio no fim da noite, os três homens se voltaram para uma pequena casa de tijolos completa com uma caixa de correio de fazenda. A rua estava morta


naquela hora da noite, apenas algumas luzes da varanda expunham as casas. Mas a porta da frente para a qual ele estava indo tinha janelas brilhantes em toda a volta. Eu me aproximei, afundando profundamente na linha de árvores arborizadas que dividia as casas. E foi quando tudo parou. Meu coração. A Terra. Tempo. Meu caminhão estava na entrada da garagem. Meu caminhão que eu vendi para Drew por um dólar. Meu caminhão que eu deixei Cora mais de um milhão de dólares dentro. Meu maldito caminhão que Drew sem dúvida estava dirigindo naquela noite. E ele estava com Cora.


O pânico congelou minhas veias, roubando o ar dos meus pulmões. Mas uma batida depois, o fogo da adrenalina me incendiou. —Oh, merda—, eu respirei quando Thomas caminhou direto para a porta da frente, os dois homens se separando em direções opostas, indo em direção ao fundo. Eu pesei freneticamente minhas opções: eu poderia ir atrás de Thomas ou seguir os dois homens que eram inteiramente reminiscentes dos que Thomas tinha enviado para matar Lisa. E então, de alguma forma, tudo piorou. A porta da frente se abriu e Thomas sacou uma arma do bolso. Eu mal conseguia distinguir —Onde está a minha mulher?— Antes que o tiro explodisse na noite silenciosa. Eu não pensei. Eu não planejei. Eu nem sequer conscientemente decidi me mover. Acabei de sair em uma corrida, morto, seus olhos azuis alimentando cada passo meu.


Demorei mil anos para chegar a essa casa. Eu corri pela entrada e depois pela porta aberta. Assim que meus pés bateram na porra do tapete, eu examinei a sala, procurando a única coisa que poderia desacelerar meu coração acelerado. Ela não estava lá. Pelo menos não que eu pudesse ver. Drew estava sentado no peito de Thomas, seu punho voando em seu rosto. Ele fez uma pausa longa o suficiente para virar seu olhar raivoso no meu, o lampejo de reconhecimento o atingindo pouco antes de continuar seu ataque. —Elas estão no quarto—, ele latiu. —Vá. Agora.— Minha visão piscou em vermelho e meu corpo me agraciou com mais uma onda de poder quando o som do grito gorgolejante de uma mulher ecoou pela sala. —Cora!— Eu rugi, seguindo a comoção no corredor. Meus pulmões se agarraram quando encontrei um dos homens de Thomas sobre uma mulher. Ela chutou e se agitou embaixo dele enquanto ele apertava sua garganta. Não era Cora, mas isso significava que eu ainda não tinha ideia de onde ela estava.


Mergulhando para a frente, eu o arrastei para longe dela. O cara não era pequeno por qualquer padrão, mas ele era desajeitado e claramente não era movido pela emoção crua do jeito que eu era. Nós rolamos juntos, batendo contra as paredes até chegarmos a um dos quartos abertos. Nós trocamos socos, no entanto, com uma fonte infinita de raiva alimentando a minha luta, ele logo caiu flácido. Levantei seu corpo inconsciente e virei minha atenção para a mulher que reconheci das fotos por ser Catalina. Seus olhos castanhos e a pele lisa de oliva combinavam com os dos irmãos. —Onde ela está?— Eu retumbei, limpando o sangue do meu lábio inferior com as costas da minha mão. Com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela levantou as mãos em sinal de rendição. —O ... espere—, ela gaguejou, recuando para o canto. —Cora. Diga-me onde ela está — eu exigi. Tossindo entre as palavras, ela conseguiu sufocar: —Não… ninguém mais… aqui. Eu juro. Ninguém.— Seu corpo inteiro tremeu quando eu avancei nela. —Não por favor.—


Eu me inclinei em seu rosto e em um sussurro violento disse: —Eu não estou aqui para te machucar, Catalina. Preciso encontrar Cora e depois vou tirar vocês daqui. — Ela piscou para mim, seu queixo tremendo quando perguntou: —Quem é você?— Eu não tive a chance de responder antes do som mais doce que já atingiu meus ouvidos veio de trás de mim. Meu coração bateu. A terra girou. E o para sempre começou. Inspire. Expire. —Penn?—


Cora No dia em que Nic morreu, lembrei-me de não conseguir compreender nada. Enquanto eu me sentava na calçada, vendoos carregar seu corpo em uma ambulância, os policiais falaram comigo. Suas bocas se moviam. Os sons encontraram meus tímpanos. Mas nada chegou ao meu cérebro. De vez em quando, eu encontrava palavras saindo da minha boca para responder a uma pergunta, mas era mais como um reflexo involuntário do que um pensamento consciente. Meus pés se mexeram quando me disseram. Minha cabeça virou quando alguém estava falando comigo. Eu consegui dizer o número de telefone de Manuel para um policial quando eles perguntaram se havia alguém que eles deveriam ligar para Nic. Era como se eu estivesse no piloto automático.


A mesma coisa aconteceu comigo quando Penn morreu. E então aconteceu tudo de novo no momento em que ouvi sua voz no corredor. —Cora. Diga-me onde ela está — exigiu ele. Meu corpo inteiro sacudiu, e então minha mente deu uma olhada. Tudo estava errado. Drew estava lutando com Thomas. Isabel e River estavam escondidas no armário. Catalina foi pega por alguém no corredor. E Penn estava do lado de fora da porta. Meus ouvidos começaram a tocar quando minha mão subiu para a maçaneta. Eu não poderia estar certa. Era impossível. Ele se foi. Eu abri a porta. As costas largas e musculosas lutando contra uma camiseta branca poderiam ser de alguém. Mas essas tatuagens? Eu as toquei muitas vezes para poder esquecê-las.


—Eu não estou aqui para te machucar, Catalina. Preciso encontrar Cora e depois vou tirar vocês daqui. — Ele estava… Vivo. Oh, tão lindamente vivo. —Penn?— Ele se virou tão rápido que eu quase caí quando o peso tangível em seus olhos me atingiu. —Cora—, ele respirou, todo o seu belo rosto suavizando. Meu nariz começou a queimar e ele deu um passo em minha direção. Instintivamente, recuei. Balançando a cabeça rapidamente, esperei que ele desaparecesse. Tinha que ter sido algum tipo de truque cruel que Thomas estava usando para me torturar. —Você não está aqui—, eu falei. —Eu estou bem aqui, baby—, ele acalmou em uma voz tão doce e tão gentil que desintegrou a realidade. Lágrimas atingiram meus olhos. Eu estava sonhando. Isso tinha que ser.


Mas eu não estava. Ele era muito real. Muito perfeito. Muito Penn. Eu trouxe uma mão trêmula para a minha boca. —Como?— Ele enrolou dois dedos no ar. —Venha cá, Cor.— Eu não consegui processar mais palavras. Ele poderia ter desaparecido quando chegasse a ele. Ou talvez eu também estivesse morta. Mas não importa o que aconteceu depois daquele momento, havia apenas um lugar que eu queria estar. Eu me lancei de corpo inteiro, de uma só vez, em seus braços e comecei a chorar. —Shhhhh—, ele respirou, segurando a parte de trás da minha cabeça e enfiando meu rosto na curva de seu pescoço. Eu deslizei em seus braços. Eu não conseguia chegar perto o suficiente para absorvê-lo do jeito que eu precisava desesperadamente.


O barítono profundo da voz de Drew interrompeu nossa reunião cor-de-rosa. —Nós temos que ir. Policiais estão a caminho. — Minha cabeça apareceu e, embora minhas coxas ainda estivessem enroladas em sua cintura, esperei que Penn deixasse de existir. Em vez disso, ele respondeu: —Onde está Thomas?— Drew tirou a mão de sua cabeça, revelando uma ferida aberta derramando sangue do lado. —Eu não sei. Seu amigo me pegou com um ferro. Eles saíram daqui. — Senti o corpo de Penn ficar rígido. Penn. Maldito Penn. Vivo, bem, respirando. Penn. Ele virou o olhar azul que estava assombrando meus sonhos por quase três semanas em mim. —Onde está River?— —No armário—, eu respondi.


Ele gentilmente me pôs de pé, beijou minha testa e marchou. Eu sabia o momento exato em que ele abriu a porta, porque eu estava certa de que ela estava ofegante e então o soluço que se seguiu poderia ter sido ouvido em todo o mundo. —Penn? Oh Deus, Penn! — Eu me virei a tempo de vê-la mergulhar em seus braços do jeito que eu tinha. Não é necessário teste de DNA. River não era particularmente fofinha com ninguém além de mim. Com o jeito que ela foi criada, eu nunca a vi abraçar um homem. E lá estava ela, enrolada em volta dele como se também estivesse tentando absorvê-lo. E, como ele tinha comigo, ele a segurou, segurando a parte de trás de sua cabeça e sussurrando algo que eu não conseguia distinguir em seu ouvido. Vê-la com ele, ele com ela, quebrou-me de muitas maneiras. Eu queria tanto que isso fosse real. Para ela. E para mim.


Eu não sabia o que diabos estava acontecendo ou quando de repente isso terminaria, mas eu nunca queria acordar. Eu poderia viver uma mentira. Para manter esse momento, eu poderia viver uma mentira pelo resto da minha vida e morrer com um sorriso no rosto. —Mamãe?— Isabel resmungou, empurrando-se e correndo para os braços de Catalina. Catalina olhou para mim e fez a única pergunta que eu não poderia responder com uma verdade ou uma mentira. —O que diabos está acontecendo?— Isso implicaria que alguém me dissesse primeiro. No entanto, não imaginei que tivéssemos cem anos para alguém me explicar como Penn havia superado a praga da morte para me salvar de novo. —Temos que ir, cara—, disse Drew. —E eu quero dizer agora.— Ele estendeu a mão. —Cat, vamos embora.— Ela olhou para mim nervosamente e depois se aproximou dele.


Penn colocou River em pé. A tinta em seu braço dançou enquanto ele tirava as chaves do bolso e as jogava em seu irmão. —Meu carro estacionado a três casas. Mude a placa antes de trazê-la de volta ao apartamento. — Drew olhou para as chaves. —É um de dois lugares.— —Só você—, esclareceu Penn. Tomando River pela mão, ele marchou para mim e me enrolou em seu lado antes de nos levar para a porta. —Eu tenho todos os outros.— Drew ficou parado por um momento, com a mandíbula apertada, olhando para as chaves e para Catalina. Então ele finalmente murmurou: —Parece bom.— Catalina pegou minha mão quando passamos por ela, caindo ao meu lado. Sua filha combinava com nosso passo enquanto todos nós andávamos para acompanhar os passos longos e decididos de Penn. De alguma forma, todos nós chegamos ao caminhão. De alguma forma, acabei na frente com meu cinto de segurança - o mesmo com River, Catalina e Isabel no banco de trás.


E, de alguma forma, no milagre para acabar com todos os milagres, um homem morto ficou atrás do volante. Eu não conseguia parar de encará-lo quando ele colocou o caminhão em marcha a ré. —Como você está aqui?— Eu sussurrei. Ele respondeu, mas não com uma resposta. —Como ele encontrou você?— Sirenes gritavam à distância. —Quem?— —Thomas— Ele olhou para mim, preocupação batendo nos olhos dele. —Merda, você está bem?— Sua palma grande e quente desceu na minha coxa. Eu pisquei para ele mais um pouco, esperando o oásis desaparecer. —Eu não acho que estou.— —Você vai ficar—, ele prometeu. —De agora em diante, você vai ficar.— Foi doce. E impossível.


—Você acha que ele poderia ter rastreado meu telefone?— River perguntou da parte de trás. —Eles os mantiveram trancados durante o dia, às vezes. Você acha que ele ... — Penn estalou os dedos. —Telefones. Todo mundo. Agora.— Três pequenos telefones vieram pelo assento. Penn levou todos eles e entrou em um posto de gasolina antes de sair. Eu assisti com admiração quando suas longas pernas o levaram para três latas de lixo diferentes e depois de volta para a minha porta. Ele abriu-a. —Baby, eu preciso do seu telefone.— Eu apenas olhei para ele. E então eu o beijei porquê ... ele estava lá. Ele sorriu contra a minha boca, sua mão subindo para cobrir meu rosto. Seu polegar calejado acariciou minha bochecha. —Telefone, Cor. Prometo que podemos continuar assim que chegarmos a minha casa. — —Sim—, eu respirei sem me mexer. E então ele sorriu, lindo e cheio de vida. —Bolso de trás?— —Sim—, eu repeti.


Ele beijou minha testa enquanto cavava e depois foi para outra lixeira. E então ele estava de volta, o caminhão estava no caminho ... e Penn estava vivo.

Choque era estranho. Ele entorpece sua mente, permitindo apenas que uma única emoção quebrasse a superfície de cada vez. Começou com negação quando o vi na casa de Catalina. Mas quando chegamos ao apartamento de Penn, ele ainda não tinha desaparecido no ar. E eu ainda tinha que acordar. Então, usando a fórmula solta de A mais B igual a C, chegaria à conclusão definitiva de que não estava delirando. E isso me irritou mais do que palavras poderiam explicar. Mas mais, doeu mais do que as palavras poderiam explicar.


Ele me deixou. Ele mentiu para mim. Ele ... ele me quebrou. E agora ele estava de volta? Mesmo sabendo de tudo isso, ainda havia uma parte de mim que queria rastejar em seu colo e segurá-lo por toda a eternidade. Simplesmente não era uma parte grande o suficiente para bloquear a raiva crescente. —Você vive aqui?— Eu perguntei quando ele cortou a ignição. Estávamos em uma garagem subterrânea ligada a um arranha-céu no centro de Chicago. À minha esquerda estava um Acura branco. À minha direita, um Mercedes azul royal. Considerando que eu dirigi um sedan que saiu da linha de montagem quando Magnum PI era o homem mais sexy do mundo, eu não era exatamente a entusiasta de carros mais instruída. Mas, mesmo sendo uma novata, eu poderia garantir que havia pelo menos meio milhão de dólares em incrementos de quatro rodas em todo aquele esconderijo de concreto. —Eu comprei recentemente.—


Eu ri e não havia dúvidas sobre a traição em meu tom quando eu disse: —Bom para você. Este é um grande passo em frente —. Eu pendurei a porta do caminhão, tomando cuidado para não danificar os outros carros, e então abri a porta dos fundos para River. —Eu acho que isso significa que você tinha mais do que apenas um milhão de dólares por aí, hein?— —Sinto muito—, ele murmurou. Ele se arrependeu. Ele. Pediu. Desculpa. Minha cabeça estava cambaleando. Meu coração estava simultaneamente dolorido e transbordando de felicidade. Foi pura força de vontade que manteve minhas pernas tremendo debaixo de mim. E ele se desculpa. Bati a porta do caminhão e dei a volta para encontrá-lo no para-choque. —Por quê?— Foram apenas duas palavras, mas continham nada menos que mil acusações. Seus cílios longos e escuros se fecharam por um segundo. —Vamos apenas colocar todo mundo dentro e eu vou explicar.—


Ele pegou minha mão, mas apesar do fato de que meu corpo estava chorando por eu aceitar o conforto dele, no fundo, eu sabia que a raiva nunca curava a ferida. Eu peguei minha mão e mostrei: —Eu mal posso esperar.— Catalina se aproximou ao meu lado enquanto Penn liderava o caminho para um pequeno elevador. Ele cavou um pouco no bolso porque só Deus sabia o que e então as portas se abriram. Todos nós entramos, como um bom rebanho de ovelhas seguindo um pastor fantasmagórico. Catalina estava atrás de mim e, quando as portas se fecharam, ela se inclinou para a frente e sussurrou: —Onde estamos?— Eu bufei. —Eu sinceramente não sei.— Penn usou sua audição sobre-humana. —Eu tenho um lugar no sexto andar. Nós estaremos seguros. Há uma empresa de segurança a alguns níveis abaixo. Eles mantêm uma vigilância atenta em todas as entradas e saídas do edifício. Thomas tem alguma ideia sobre aparecer aqui, eu não serei o único chateado. —


—E quem exatamente é você de novo?— Ela perguntou. —Oh, me desculpe—, eu disse sarcasticamente, acenando com a mão entre eles. —Permita-me apresentar você. Catalina, este é meu ex-namorado, Penn Walker. Você sabe, aquele por quem passei as últimas semanas sofrendo, depois que ele - eu virei um sorriso irônico para Penn - morreu. — Penn me lançou um olhar inexpressivo. —E eu lhe disse que explicaria— - ele apontou o queixo para uma câmera de segurança - —quando entrarmos.— Eu apertei minha boca e olhei para a porta enquanto subíamos. Eu disse a mim mesma que o zumbido em minhas veias era o remanescente da adrenalina. Mas eu não podia nem mentir para mim mesmo. Era da mesma maneira que meu corpo sempre reagiu a ele - independentemente de quanto eu queria odiá-lo. Mordendo meus lábios, eu lancei um olhar para ele pelo canto do meu olho. Eu me arrependi imediatamente. Ele estava olhando para mim. Seu olhar era sombrio e solene, mas o mais leve toque de um sorriso se inclinou de um


lado de sua boca. Isso me lembrou da primeira vez que o vi sorrir. Foi naquele dia em que estávamos sozinhos no apartamento de Brittany e ele estava consertando o ventilador de teto. Parecia que tinha sido uma vida inteira atrás. Mas eu ainda podia sentir o jeito que todo o meu corpo se aqueceu quando ele apontou para sua boca e me disse que era uma condição médica. A nostalgia me atingiu com força total, fazendo meu nariz doer. E meu temperamento explodir. —Pare de olhar para mim—, eu falei. —Eu não posso—, ele sussurrou. —É surreal que você esteja realmente aqui agora.— Minhas sobrancelhas se uniram quando eu olhei para ele com uma carranca. —Eu não sou a única que morreu, Penn.— Seu sorriso cresceu em um sorriso completo, possivelmente me engravidando no local. Eu desesperadamente tentei ignorá-lo - e dei um sério esforço para evitar que meu olhar caísse para sua boca. Essa tarefa ficou impossível quando sua mão pousou no meu pescoço. Calafrios explodiram em


minha pele enquanto seus dedos penetravam na parte de trás do meu cabelo. E então ele se inclinou, apontou os lábios para o meu ouvido e murmurou: —Deus, eu senti sua falta.— Mordi minha bochecha enquanto minha visão nadava. Eu também sentia falta dele. Então muito. Mas me foi permitido sentir falta dele. Ele não estava autorizado a sentir minha falta. —Não me toque—, eu fervi. Penn puro. Sua mão caiu na próxima batida - junto com o sorriso dele. Por uma fração de segundo, quase me senti culpada. E então, do nada, um pensamento me atingiu. —Drew sabia que você estava vivo o tempo todo, não é?— Ele teve o bom senso de parecer envergonhado enquanto murmurava: —Sim—. Meu estômago caiu e não de um jeito bom. Era como se alguém tivesse arrebatado não apenas o tapete debaixo de mim,


mas todo o planeta. Pelo amor de Deus, sobrou alguém que não estava brincando comigo? —Excelente—, eu assobiei. O elevador apitou, anunciando sua chegada, e eu embarquei para frente. No instante em que a porta se abriu, eu me virei de lado, correndo para longe e arrastando River para trás. Presumi que Catalina e Isabel estivessem seguindo. Mas graças a esse zumbido em minhas veias, eu sabia com certeza que Penn estava quente em meus calcanhares. Havia apenas uma porta no sexto andar, então eu pisei na direção dela, minha pressão sanguínea subindo a cada minuto. Penn apareceu, acenou com um pequeno cartão branco na frente de um dispositivo na maçaneta e abriu a porta. Minha boca ficou boquiaberta. Eu sabia que o prédio seria bom, baseado apenas na garagem. Mas, aparentemente, Penn Walker - o homem que havia quebrado meu banheiro, limpado mofo de dentro das minhas paredes e dormido ao meu lado em um antigo colchão irregular no chão - tinha tanto dinheiro que


ele não podia nem ser incomodado com o ato de colocar uma chave de metal em um buraco e torcê-lo. Sério, quando eu ia parar de me surpreender? —Ohhh, talvez quando eu descobrir o que diabos está acontecendo?— Eu respondi em voz alta. —O que?— —Nada—, eu gemi. —Vamos entrar para que eu possa gritar com você.— Um sorriso lento e lindo esticou sua boca. —Agora, como é que um homem deve resistir a uma oferta como essa?— Ele me deu uma piscada. Uma piscada. Um piscar de olhos. Homens mortos não conseguem piscar. Especialmente quando eles não estavam realmente mortos. Penn ficou ocupado desligando o alarme enquanto eu estava no foyer. Seu lugar era lindo. Até mesmo Catalina - que


morava em algumas mansões antes de fugir - sussurrou: — Uau—. Pisos de madeira escura espalhavam-se pela imensa extensão da sala de estar aberta, sala de jantar, combinação de cozinha - a mobília era a única coisa a delinear as áreas. Havia sofás de chocolate recheados de almofadas. Uma enorme tela plana pendurada na parede. Bancadas de pedra e luminárias de bronze esfregadas a óleo. Mas nada disso foi o que fez meu coração cair na minha garganta. —Ei, você está de volta—, ela chiou, seu cabelo ruivo oscilando no topo de sua cabeça em um nó no topo enquanto ela girava. Com uma caneca de sorvete em uma mão e uma colher a meio caminho da boca na outra, todo o seu corpo bonito e saudável se sacudiu no momento em que nossos olhos se encontraram. E esse foi o exato momento em que perdi. Novamente. —Meu Deus!— Eu chorei, correndo para frente, não parando até que eu tivesse Savannah envolta em um abraço


incrivelmente apertado. Confusão, euforia, frustração, raiva fundiram-se dentro de mim para criar uma super emoção sem nome que fez meu coração cantar, meu peito se apoderar e minhas pernas fracas. —Oh meu Deus—, eu repeti, minhas mãos tremendo quando eu dei um tapinha nas costas dela como se eu estivesse procurando por uma lesão. —Você está realmente aqui.— Eu a soltei o tempo suficiente para dar-lhe um olhar de novo e, em seguida, puxei-a de volta. —Deus, é bom ver seu rosto. Como vai você? Você está se sentindo bem?— Ela riu, me dando um aperto persistente. —Sim. Cor. Eu estou bem.— Ela estava bem. Ela estava bem. Ela estava… Ah Merda. Depois do dia que eu tive, eu mal estava de pé. No entanto, menos de um segundo depois, quando o peso esmagador da realidade se instalou em meus ombros, não havia quase nada a respeito.


Meus joelhos cederam completamente.


Penn - Porcaria - disse Savannah enquanto ela e Cora, ainda trancadas em um abraço, se dirigiam para o chão. Eu já estava nisso. Enganchando um braço, peguei o par e ajudei elas a se levantarem. Cora estava muito instável para ficar sozinha, então eu ancorei um braço ao redor de seus quadris e a enrolei em meu peito. Como um verdadeiro idiota, eu estava tão extasiado no elevador que esqueci de avisá-la sobre Savannah. Mas ver Cora ali comigo - não importava o quanto ela estivesse chateada ou quantas montanhas ainda íamos escalar - tinha sido inebriante. Eu só pensava que sentia falta dela antes daquele momento. Eu fisicamente doía para tocá-la. Para beijá-la novamente. Para abraçá-la.


Mas não como ela estava agora: uma remanescente quebrada da mulher que eu amava, balançando ao meu alcance. —O que está acontecendo?— Ela chorou. —Shhh, eu vou explicar tudo.— Pegando Cora, eu olhei para Catalina. —Tranque a porta. Deixe-me saber quando Drew chegar aqui. — Ela olhou para mim, preocupação dançando em seus olhos castanhos, mas ela não discutiu enquanto eu carregava Cora pelo corredor até o meu quarto. Ao longe, ouvi River guinchar: —Oh. Meu. Deus. Savannah! O que você está fazendo aqui?— Eu mentalmente gemi quando a resposta de Savannah foi como seria de esperar: —Penn é meu novo papai—. Depois de chutar a porta, levei Cora para a cama, a abaixei gentilmente e tirei meus sapatos antes de começar a segui-la. Na minha cabeça, parecia a coisa mais natural do mundo. Nós dois construímos um relacionamento inteiro em nada além de ficarmos juntos na cama.


Nós não tínhamos ido em datas para restaurantes agradáveis. Nós não tínhamos falado na TV. Nós ficamos juntos, conversando, beijando e passando tempo um com o outro. Era quem nós éramos como casal. Mas nós não éramos mais um casal, não importa o quanto isso me abatesse. De repente, sentando-se, ela correu para a borda oposta. — Não. Eu preciso de algum espaço. — Queimou como ácido, mas o que eu esperava? Que ela ficaria tão feliz em me ver de novo que esqueceria o fogo, o dinheiro - tudo nas últimas semanas - e me receber em casa com a boca e depois com o corpo dela? Porra. Depois daquele beijo no caminhão, foi exatamente o que eu estava esperando. Idiota.


Assentindo, eu mudei de direção e me movi para a poltrona de couro no canto, empoleirado na borda como se o banco estivesse cheio de piranhas. —Você está bem?— Ela levantou um dedo no ar. —Vamos fazer uma pausa no fato de que você deveria estar morto por um minuto e ir direto para: Por que você tem Savannah?— —Eu fiz uma promessa.— Ela riu em uma explosão curta. —Eu acho que estou feliz que não seja mentira.— Merda. Ela tinha estado vagando para trás e para frente entre ser doce, mergulhar em meus braços e estar chateada. Mas eu estava realmente esperando que o seu yo-yo de emoções fosse a meu favor. Mais uma vez: Idiota. —Thomas ...— —Você—, ela interrompeu, pegando seu colar e arrastando-o para frente e para trás através da corrente. —Eu não quero falar sobre Thomas até que eu saiba o que diabos está


acontecendo com você, Penn.— Lágrimas escorriam do queixo e ela usou o ombro para secá-las. Os músculos do meu maxilar ficaram tensos. Ela tinha todo o direito de estar chateada. Inferno, ela tinha o direito de nunca mais falar comigo. Mas eu não estava prestes a cair sem lutar. Eu respirei fundo e coloquei meus cotovelos nos meus joelhos. Era agora ou nunca. E como eu aprendi nas últimas semanas, nunca era uma opção quando se tratou dos meus sentimentos sobre Cora. —Não podemos falar de mim sem falar sobre Thomas. Ele matou minha esposa. — Sua cabeça estalou para o lado. —O que?— Eu estalei meu pescoço. Aqueles vinte e nove minutos haviam mudado minha vida. Eu tinha ficado obcecado com eles nos últimos anos, e foi só quando conheci Cora que consegui passar uma única noite sem ficar preso naquele maldito quarto de hotel. Eu não queria que ela conhecesse o homem que eu me tornei depois que perdi Lisa.


Eu me senti como o velho eu quando estive com Cora - mais do que eu tinha em anos, se não sempre. Para mim, aqueles momentos com ela eram como um perdão de última hora do corredor da morte. Ela foi a primeira pessoa a me dar uma razão para querer viver de novo. Mas se eu estava sendo honesto comigo mesmo, o homem superficial e sem coração, impulsionado pelo ódio e pela dor, o mentiroso que manipulara seu caminho até a cama dela, era tudo o que ela já sabia de mim. E me arruinou que eu tivesse que dizer isso a ela. Mas eu devia isso a ela. E muito mais. Então, enquanto olhava para seus olhos azuis profundos, finalmente lhe dei a verdade. —Meu nome é Shane Pennington. Drew não é meu irmão. Na verdade, ele é meu cunhado - gêmeo de Lisa - e não conseguimos o emprego em seu prédio por acaso. — Sua boca se abriu em puro espanto. —Você é como um policial disfarçado?—


Recostei-me na cadeira, mas apenas para não me aproximar dela. —Longe disso. Drew e eu viemos aqui para encontrar e matar o homem responsável pela morte de Lisa. — Ela balançou a cabeça. —Eu… eu não entendo. Você disse que a polícia atirou nos homens que a assassinaram. — —Eles fizeram. Mas aqueles homens não invadiram o quarto dela e a mataram em um assalto que deu errado do jeito que a polícia tentou enfiar na minha garganta. Eles a mataram por esporte. Explodi com investigadores particulares, mas nunca pudemos ligar os homens que a mataram a Manuel, Dante ou Marcos. Então, Drew e eu juntamos nossas cabeças e decidimos ir direto para a fonte. Drew roubou dois carros para ficar trancado com Manuel. — —Manuel? Por que ele faria isso?— —Porque Lisa estava bisbilhotando no negócio de Guerrero quando foi morta.— Ela bateu a mão sobre a boca. —Oh Deus.— Esfregando minhas palmas para trás e para frente sobre minhas coxas cobertas de jeans, eu ansiava por segurá-la. Mas se eu quisesse passar por isso, eu tinha que contar tudo a ela.


—Nós tivemos sorte quando ele e Manuel se tornaram amigos e depois companheiros de cela, mas mesmo que Manuel o odiasse, estar por dentro nos dava mais informações do que poderíamos obter do lado de fora. — Ela balançou a cabeça, fez uma pausa e depois sacudiu de novo. Ela parecia que estava em um labirinto, mentalmente correndo em becos sem saída antes de retroceder e se mover em uma direção diferente. —Espere ... Então, Manuel te disse que Thomas matou sua esposa?— Eu gemi, temendo mais essa parte. —Não. Você me disse isso. — De repente, saindo da cama, ela pulou de pé. —Eu nunca disse isso!— —Relaxe. Venha aqui.— Eu estendi um braço para ela, morrendo de fome para puxá-la para o meu colo, mas ela se esquivou da minha tentativa. —Não me toque. Apenas fale. — Eu resmunguei, mudando de posição no meu lugar. — Viemos aqui procurando por Catalina. Manuel dissera a Drew que sua neta participara de uma reunião em que um homem


pedira que ele pedisse um golpe em uma repórter intrometida. Nós simplesmente não conseguíamos descobrir quem era esse homem. Manuel só tinha uma neta e sempre acreditou que você sabia onde estava sua mãe. Na noite anterior ao incêndio, quando você estava me contando sobre o a prisão de Manuel e Thomas, todas as peças se encaixaram. — Ela se aproximou como se eu tivesse lhe dado um soco no estômago. —Oh Deus. Foi River, não foi? Ela era a única que estava lá. — Eu não tive que responder. Ela começou a andar. —Oh Deus. Isto é mau. Tão tão ruim. Ele vai descobrir que River foi quem te contou. — —Eu não vou deixar nada acontecer com ela. Eu prometo. Eu vou matá-lo, Cora. — —Oh, ótimo—, ela soltou. —Isso torna tudo melhor. Isso funcionou tão bem quando você matou Marcos e Dante. — Ela acenou com a mão em minha direção. —Merda, talvez isso funcionou depois de tudo.— Meus lábios se contraíram. Porra, ela era fofa.


Eu forcei minha boca quando ela parou e olhou para mim, seus olhos se estreitaram em perplexidade, não em atitude. —Espere. Se você está vivo, de quem era o corpo que Drew identificou no fogo? — —Um dos capangas de Marcos. Eu liguei para eles. Zombei deles sobre assumir o negócio. Disse a eles que você e todas as mulheres eram minhas. Eles enviaram dois homens primeiro, pensando que eu estaria morto antes que eles tivessem que calçar os sapatos. Não funcionou assim. Eu os atraí pelas escadas dos fundos. Apaguei os trinta segundos de filmagens deles me seguindo até o seu apartamento e então tirei as estrelas do teto enquanto esperava Dante e Marcos chegarem. — —Havia apenas três corpos no fogo. O que aconteceu com o outro cara? — —Não importa.— —Importa!— Eu cerrei meus dentes. —Você ficou chateada que eu tirei o lixo com aqueles dois idiotas? Confia em mim, Cora. Nós fizemos nossa pesquisa. Esses picos eram os bandidos de Marcos por uma razão. Eles conseguiram o que estava vindo para eles. —


—Eu não me importo que você os tenha matado. Se eu tivesse um par de saltos agora, eu faria uma porra de festa. Estou, no entanto, cansada de mentiras e ser mantida no escuro sempre que você e Drew o consideram adequado. Então, ou me diga a porcaria da verdade, Penn, ou você pode voltar a representar o papel do homem morto nessa história. — —Bem. Eu rolei o corpo para fora da porra da janela antes de passar a noite enterrando-o no quintal de Marcos. — Sua boca se abriu e fechou, mas com poucas vozes audíveis, nada saiu. Ela me encarou por alguns segundos, seus olhos se alternaram entre a surpresa e o estreitamento, incrédulo, até que finalmente perguntou: —Quem é você?— Foi a pergunta mais fácil que eu recebi a noite toda. — Quem eu precisar ser para mantê-la segura.— Incapaz de me conter, levantei-me e, em alguns passos curtos, fechei a distância entre nós. Ela imediatamente recuou, colidindo com a parede, e enquanto eu queria ser homem o suficiente para lhe dar a opção de espaço, eu não podia. Naquela época, eu estava me afogando de uma maneira diferente.


Com cuidado para não tocá-la, coloquei as palmas das mãos na parede de cada lado da cabeça e mergulhei até que nossas bocas estivessem a poucos centímetros de distância. —Eu amo você, Cora. E eu não me sinto mal com nada disso. Eu era seu homem. Cuidar de você e de suas garotas - esse era meu único trabalho. — Sua respiração estremeceu, mas suas costas se endireitaram quando ela me encarou bem nos olhos e cuspiu: — Você nunca foi meu homem.— O sangue trovejou em meus ouvidos enquanto eu me aproximava, meu peito encontrando o dela, seus seios descansando entre nós. Minha voz era baixa e irregular quando eu disse: —Isso é besteira e você sabe disso.— —Eu nem sabia o seu nome—, ela ferveu. —Meu homem não mentiria para mim a cada minuto de cada dia. Nem ele teria falsificado sua própria morte, deixando-me afundar nos buracos da dor novamente. Especialmente depois que eu abri meu coração, contando tudo o que eu tinha passado com Nic. Você perdeu a porra da sua mente quando eu desapareci por algumas horas, porque lembrei você de Lisa. E então você sai da minha vida, virando cada um dos meus botões quando sai? De jeito


nenhum.— Ela deu um forte empurrão no meu peito, me pegando de surpresa e me mandando de volta um passo. —Eu não sou uma especialista em amor, Penn, Shane, qualquer que seja o seu nome, mas posso garantir que não é isso.— —Eu fiz isso para te proteger. — —Eu não precisei de proteção! Eu precisei de você!— Ela pisou em volta de mim. —Eu estava indo para a faculdade, Penn. Estou a um semestre da minha licenciatura em contabilidade. Eu tinha dinheiro. Eu tinha planos para um futuro. Eu estava saindo de lá. Eu não precisava de um homem para me apressar e me resgatar. Eu precisava de um homem para ficar ao meu lado e me ajudar a descobrir uma vida fora de lá. Eu precisava de um parceiro, não de outro obstáculo. — Eu plantei minhas mãos nos meus quadris e respirei: —Um obstáculo? Você está me cagando? Deixei tudo que você poderia precisar. — Seu rosto vibrou quando ela rugiu: —Tudo menos você!— Minha paciência se quebrou. Ela não era a única que estava sofrendo.


—Eu não poderia ficar.— Eu passei a mão áspera pelo topo do meu cabelo. —Acredite em mim, Cora. Eu tentei descobrir uma maneira de mantê-la. Eu não sei onde isso acaba para mim. Mas eu sei que termina com Thomas morto. Eu não queria você envolvida com isso. Eu não poderia tolerar a ideia de ser outra pessoa para te arrastar para baixo. Quando o Nic morreu, ele te deixou sozinha e abandonada. — Seu olhar se tornou assassino. —Não se atreva a dizer o nome dele.— —Diga-me que sua vida inteira não teria sido melhor se ele tivesse se afastado de você algumas semanas antes de morrer.— —Isso não é sobre Nic—, ela retrucou. Corri em direção a ela, não parando até que nossos corpos inteiros estivessem vermelhos. Uma das minhas mãos espalhouse por sua parte inferior das costas, a outra aterrissando entre suas omoplatas. Seu peito arfava com o meu e seus olhos estavam selvagens, mas não com medo. Eu me inclinei para perto, escovando meu nariz com o dela antes de dizer: —Oh, mas é, baby. Veja, Nic era um garoto jovem e idiota que achava que poderia levar seu diamante para o ferro-


velho e sair com ela ainda no bolso. Só ele morreu naquele ferrovelho, e esse diamante ficou preso lá até o dia em que a encontrei. Eu não estava fazendo isso com você de novo. Eu não estava te arrastando para baixo, cobrindo você em minha sujeira, e então pendurando sua bunda para secar quando algo acontecesse comigo. Eu queria você fora de lá, apesar do fato de que eu tinha que ficar longe. — Eu apontei meu polegar no meu peito. —Eu assisti você dormir a cada maldita noite por dois meses com medo acumulando no meu intestino, sentindo como se meu coração estivesse sendo arrancado do meu peito com o simples pensamento de te perder. Mas não havia solução. Para que você escapasse daquela vida, os Guerreros precisavam morrer e eu tinha que sair. — —Mas você não tem que me fazer pensar que você estava morto—, ela disparou de volta. —Tudo bem, você quer o crédito? Aqui está. Você era meu cavaleiro de armadura brilhante. Eu deveria estar de joelhos, agradecendo agora. Mas você terá que me desculpar. Meus joelhos estão um pouco doloridos. Passei as últimas semanas neles, chorando por você. — —Você acha que eu queria isso? Você acha que eu queria deixar a mulher que me fez sentir mais vivo em dois meses do


que eu tinha em todos os trinta e sete anos da minha vida juntos? Pelo amor de Deus, a ideia de você seguir em frente, fazer uma vida com outro homem corrói minhas veias. Eu sei que te machuquei, Cora. Mas eu juro por Deus que fiz a única coisa em que consegui pensar para melhorar a sua vida em vez de piorar a situação. — Ela fechou os olhos, todo o rosto se contorcendo de dor. — Por que você não pode me dizer? Eu poderia ter lidado com isso. — —Eu não queria arrastar você para este inferno.— —Eu já estava nisso. Muito antes de você estar. — —Mas eu não pude assistir você queimar. Você pode não ter medo das chamas dentro de mim - eu bati no lugar do meu coração -, mas eu estava. Então essa conexão entre eu e você teve que ser cortada, não importa o quanto isso me destruísse. — —Você?— Ela acusou. Seus olhos se abriram e a traição ardente dentro deles me rasgou. —Então você decidiu me destruir em vez disso?— —Destruído não está morto.—


—Pare de dizer isso—, ela fervia. —É besteira. Tudo isso. Isso nunca foi sobre mim. O dia em que você entrou no meu apartamento e todos os dias depois, você era uma grande mentira. Você me jurou que não estava procurando por Catalina. — —Eu não estava lá para machucá-la.— —Não. Você salvou isso para mim, certo? — —Não—, afirmei definitivamente. Seus lábios tremeram quando ela olhou para mim. —Você entrou na minha vida, deu uma olhada e sentiu pena de mim? Foi isso? Você não pôde salvar Lisa, então decidiu tentar outra vez comigo. — Pressão dentro de mim. Eu queria gritar com ela que ela estava errada. Agite-a e faça-a entender. Mas eu realmente só queria que isso parasse. Tudo isso. —Não foi isso que aconteceu.— Seus braços estavam pendurados em seus lados, e o vazio em seus olhos tirou o fôlego de mim. —Você fez amor comigo


todas as noites, olhou diretamente para o meu rosto e mentiu com o seu corpo também.— —Cora, baby. Não. Eu nunca menti pra você desse jeito. — Eu estava perdendo ela. Ela estava lá em meus braços e eu ainda não a tinha recebido de volta. Mas eu estava perdendo ela de novo. —Por favor. Apenas me escute.— —O que mais há a dizer? No minuto em que você obteve a resposta sobre o que aconteceu com sua preciosa esposa, você jogou algum dinheiro para mim como uma prostituta e depois saiu. — Meu corpo inteiro ficou tenso, os músculos do meu pescoço dolorosamente esticando contra a minha pele. Com cuidado para controlar meu tom, eu gritei: —Não foi assim. E você sabe disso. — —Eu não sei mais nada! Nada faz sentido. Isso era real, Shane ? — Eu odiava o jeito que ela dizia meu nome. Como se fosse uma maldição própria. De muitas maneiras, eu supus que fosse. Porque, não importa o quanto eu quisesse negar, Cora Guerrero nunca tinha sido apaixonada por Shane Pennington.


Ainda não. Eu precisava dela para sentir a honestidade batendo no meu peito, correndo em minhas veias e fluindo em meus pulmões. Tomando sua mão, levantei-a para o meu peito, selando-a contra mim com as duas mãos em cima. — Nós somos a verdade, Cora. Nós somos a única verdade em toda essa situação fodida. — Seus ombros se arredondaram para frente na derrota. —Eu nem sei mais qual é a verdade.— —Não diga isso.— —Então o que você quer que eu diga, Penn?— Ela se encolheu. —Quero dizer ... Shane.— —Penn. Por favor, me chame de Penn. — —Por quê? Então podemos continuar com a mentira? — Minha mão passou sobre a dela. —Não parece mentira quando você diz isso. Cora, me desculpe. Por tudo isso. Não, eu não deveria me apaixonar por você quando isso começou. Mas você praticamente não me deixou escolha. Você é uma mulher


incrível. Eu sabia disso desde o momento em que Lisa me contou sobre você. Mas quando finalmente conheci você ... — Ela pegou a mão dela como se eu tivesse eletrocutado ela. —O que você quer dizer quando Lisa lhe contou sobre mim?— Eu engoli em seco e cavei meu celular. —Ela veio para Chicago depois de receber uma dica sobre algumas garotas se envolverem com drogas e prostituição depois de responderem a anúncios de modelos online. Os policiais não estavam fazendo nada sobre isso, então ela decidiu que faria. Através disso, ela encontrou os Guerreros. — Eu rolei pelo meu telefone até que encontrei uma foto dela em pé com Drew em uma festa de Natal da família. Ela estava sorrindo para a câmera, o braço de seu irmão em volta dos ombros. Fotos dela costumavam me quebrar. Agora, eu estava preocupado que elas também quebrassem a Cora. Virando a tela do meu telefone na direção dela, terminei com —E então ela encontrou você—. Eu vi o momento exato em que o reconhecimento a atingiu. Seu rosto empalideceu e então seu pequeno corpo se transformou em pedra.


—Não—, declarou ela, lutando para longe de mim. —Não, isso não é possível. Essa é Lexy. — E então, quando eu pensei que não poderia machucá-la ainda mais, uma luz de compreensão bateu em seus olhos antes que ela quebrasse. —Oh Deus. Oh, meu Deus, você é o Shane. Você é o Shane de Lexy. —


Cora Quatro anos antes ... —Em uma escala de um a dez, quão ruim seria se acertássemos um drive-thru para o jantar?— —Ruim?— River perguntou do banco de trás. —Isso seria incrível.— Eu sorri para ela no espelho retrovisor. Ela estava ficando tão velha, parecendo cada vez mais com seu pai todos os dias. — Ok, mas só desta vez.— Ela jogou uma bomba no ar. Eu ri e coloquei meu pisca-pisca, cortando o tráfego para entrar na pista de volta. —Você encontrou algum bom livro na biblioteca?— —Ah. Na verdade não. Eles eram todos tão vagabundos. — —Ah sim. Esses livros malignos são notórios por isso. Realmente infeliz, hein? —


—Total. Como foi seu teste? — —Noventa e sete.— Eu escovei a sujeira invisível do meu ombro. Ela riu. —Ei, bom trabalho!— —Obrigada. Eu tive aproximadamente os mesmos minutos de sono na noite passada, mas seja o que for. Eu posso dormir quando chegarmos a nossa mansão no céu. — —Oh, isso me lembra. Quando tivermos a nova casa, quero pintar estrelas no teto. — Meu coração pulou uma batida. —Eu posso pegar algumas estrelas para você ter lá por agora, se você quiser. Ou você pode tirar algumas das que seu papai pôs meu teto. — —Nah, essas são suas. Eu quero pintá-las eu mesma. Inspire. Expire.— Orgulho subiu em minhas veias. —Sim. Claro. Alguma chance de você me deixar ajudar? — —Depende. Você vai me deixar tomar um milkshake com o jantar?—


Meu sorriso se esticou quando eu estreitei meus olhos para ela no retrovisor. —Você seriamente vai me chantagear desse jeito?— Ela riu. —É o que acontece quando você nega um açúcar infantil por anos a fio. Eles se voltam para uma vida de crime —. Jesus, ela era uma espertinha. Definitivamente a filho de seu pai. Meu telefone começou a tocar quando eu entrei no estacionamento do nosso lugar favorito de hambúrguer. —Bem. Chocolate ou baunilha? — —A gente se conhece?— Ela sofreu. —Uma ou duas vezes. Mas continuo esperando converter você em uma amante de chocolate. — —Eu não iria nem sufocando.— Mostrei minha língua para ela quando entrei na fila do drive-thru e levantei o telefone para o meu ouvido. —Olá?— Era Brittany, e o pânico em sua voz me atingiu como um caminhão Mack. —Dante está aqui.—


Os pelos dos meus braços estavam em pé. Era engraçado como três palavras podiam causar uma reação tão visceral, mas foi tudo o que levou comigo. Três palavras e o núcleo da minha alma estremeceu. —Eu estou a caminho.— Deixei o telefone no colo sem sequer desligar primeiro. —Ei!— River reclamou quando saí da linha. —E o meu milk-shake?— —Dante está no prédio—, eu corri para fora, meu coração indo para a guerra com minhas costelas. Eu mentalmente lembrei daquela manhã em minha cabeça, revendo todos os meus movimentos. Eu coloquei o meu livro escondido. Meu dinheiro estava escondido. Os depósitos daquela semana estavam prontos para ir. River estava comigo. E todas as garotas foram contabilizadas. Ele não tinha ido há algum tempo, mas estávamos sempre preparadas. Deus, eu esperava que estivéssemos preparadas. Eu olhei de volta para River e lágrimas já estavam caindo de seus olhos enquanto ela silenciosamente olhava pela janela.


—Tudo vai ficar bem. Tenho certeza de que ele acabou de deixar uma garota nova. — Eu menti. —Mas quando voltarmos, quero que suba diretamente e se tranque no seu quarto. Você sabe o que fazer.— Ela assentiu sem olhar para mim. —Hey, baby, olhe para mim. Vai ficar tudo bem. Ele não tem razão para levá-la desta vez. — Eu só a recuperei na noite anterior. Manuel a teve por mais de uma semana daquela vez. Meu sangue se transformou em lama quando eu pensei nele tomando-a novamente. —Vai ficar tudo bem—, repeti por nós duas. —Eu juro.— —Verdade?— Nem mesmo o sussurro dela podia esconder a vibração de sua voz. Eu olhei para o espelho. Eu não queria mentir para ela. Eu nem queria dizer a ela que era mentira. Eu queria que fosse a verdade com cada fibra do meu ser. Tanto que não hesitei quando respondi: —Verdade. Eu não vou deixar ele te levar. — Levamos mais cinco minutos para chegar em casa. Assim que paramos, vi uma congregação de mulheres amontoadas ao redor da escada e olhando para cima. Meu coração parou


quando dez pares de olhos aterrorizados brilharam em minha direção antes que eu estacionasse o carro. O som da porta de River batendo veio ao mesmo tempo em que desliguei o motor. Eu saí correndo atrás dela, observando seu rabo de cavalo marrom balançar enquanto corria em direção aos degraus. —Cora!— —Cora!— —Cora!— Eu coloquei a mão para silenciá-las enquanto examinava o grupo para uma em quem eu confiava. —Angela—, eu disse. — Vá com ela. Tranque a porta.— Ela saiu do grupo, dando dois passos de cada vez para alcançar River. Eu voltei minha atenção para Brittany. —Onde ele está?— Seu rosto já pálido brilhou fantasmagoricamente. —Ele está com a Lexy.— Meu pulso disparou quando o medo me balançou para trás um passo. —Merda—, eu respirei, subindo as escadas em uma corrida.


Eu acabei de movê-la para o terceiro andar. Ela não estava lá há muito tempo, mas ela já queria sair. As meninas lá em cima a amavam. Mais frequentemente do que não, eu as encontraria sentadas ao redor, ficando poéticos sobre o que elas queriam fazer com suas vidas. Isso me deu esperança de um dia ajudá-las a se tornar realidade. Lexy queria entrar no jornalismo. Ela tinha grandes sonhos de se tornar uma repórter investigativa de uma das principais redes de cabo. Seu rosto inteiro se iluminaria como um nascer do sol quando ela falaria sobre isso. Mas eu tinha que tirá-la de lá primeiro. Quando cheguei ao terceiro andar, encontrei Angela tentando convencer River a entrar no nosso apartamento. Mas ela estava congelada no meio do corredor, a boca aberta, enquanto olhava para a porta entreaberta de Lexy. E então entendi o porquê. —Saia de mim!— Lexy gritou de dentro. —Cala a boca—, rosnou Dante. Houve vários estrondos altos, seguidos de outro grito que ecoou pelo corredor, me cortando até os ossos a cada reverberação.


Minha mente foi trabalhar tentando descobrir qualquer maneira possível em que eu pudesse parar isso. Eu poderia ter entrado lá, arrastando-o para longe dela. Dante gostava de me bater. Inferno, provavelmente teria sido um deleite para ele. Mas com um olhar para River, percebi que não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer por Lexy. Ele teria levado ela. Ele teria me batido sem sentido e então ele a teria levado de volta para Manuel. E só Deus sabia por quanto tempo dessa vez. Eu estava presa. Presa entre permitir que uma boa mulher seja estuprada e abusada e perder minha filha para o mesmo homem. Meu corpo inteiro tremeu, e minha mente girou, tentando freneticamente encontrar uma solução. —Você é uma fodida prostituta—, Dante fervia. —Não!— Lexy chorou. Eu levantei uma mão tremendo para a minha boca enquanto as lágrimas rasparam a parte de trás dos meus olhos como lâminas de barbear enferrujadas.


—Cora—, Angela pediu. Eu balancei a cabeça repetidamente. —Entre River.— —Não—, River argumentou. —Temos que ajudá-la.— Outro grito. Outro grunhido. Outro pedaço de mim sendo retirado. Minha cabeça latejava com dor aguda e penetrante - mais do que provável que minha consciência tornasse sua presença conhecida. —Eu não posso. Ele vai te levar se eu me envolver. Eu não posso deixá-los fazer isso de novo. Eu não posso consertar isso, baby. Eu simplesmente não posso. — Outro grito. Outro grunhido. Outra faca para o meu coração. Como uma covarde, eu descolei e marchei para a porta do meu apartamento. Eu peguei a mão de River, arrastando-a atrás de mim, e lati para Angela: —Vá dizer a todos para entrarem em


seus apartamentos e trancarem a porta. Não quero ver ninguém de fora até que eu saiba que a barra está limpa. — Lamentavelmente, ela olhou de volta para a porta de Lexy. Ela queria ajudar tanto quanto eu, mas ninguém naquele prédio podia se dar ao luxo de ficar cara a cara com um Guerrero. —Isso é tão fodido—, ela sussurrou antes de entrar. Outro grito. Outro grunhido. Outra onda devastadora de culpa. —Dê-me sua chave—, eu pedi a River quando percebi que tinha deixado a minha no carro. Ela rapidamente tirou do bolso e colocou na palma da minha mão. Afiando meu foco em acalmar o tremor em minhas mãos, fui trabalhar nas fechaduras. Outro grito. Outro grunhido. E então eu morri. Ou pelo menos, eu pensei que estava indo.


—Dante—, River chamou, mas ela não estava mais atrás de mim. Eu me virei e a encontrei empurrando a porta de Lexy. — River!— Eu sussurrei, pulando em direção a ela, mas já era tarde demais. —Dê o fora daqui, garota! — Dante explodiu. Ela não se moveu, mas eu assisti com horror quando ela mergulhou baixo, pegando algo do chão antes de enfiar no bolso de trás. Então ela disse: —Manuel está procurando por você. Ele está tentando ligar para você. Aparentemente, algo está acontecendo no lado sul. Ele quer que você o encontre em casa o mais rápido possível. — —Que porra é essa?— Dante rugiu, mas ouvi seus passos pesados. —Onde diabos está o meu telefone?— No bolso de River. Merda. Eu ia matar aquela garota. Com respirações ofegantes e um pulso de maratona, eu subi pelo corredor e coloquei minhas costas contra o tijolo ao


lado da porta. Fora de vista, mas perto o suficiente para agarrála se eu precisasse. —Sim, não me pergunte—, ela respondeu em um tom entediado. —Ele não me deu nenhum detalhe. Mas ele parecia louco. — —Filho da puta—, ele resmungou. Eu vacilei quando ele tropeçou no limiar, quase derrubando River, antes de tropeçar escada abaixo. Ele estava alto, sem dúvida. Eu só podia rezar para que ele se batesse em uma árvore antes de descobrir que River havia mentido para ele. Depois de andar na ponta dos pés até o corrimão, eu espiei e o encontrei entrando em seu carro. Recusei o ar aos meus pulmões até que ele soltou um jato de cascalho e poeira enquanto arrancava a estrada. Eu corri de volta para o apartamento de Lexy. Ela estava sentada no chão, as costas encostadas na parede, os olhos castanhos selvagens e distantes, o sangue escorrendo do canto da boca. —Está bem. Ele se foi, — minha brava e estúpida garota de nove anos disse, agachada ao lado dela.


Seu apartamento parecia um inferno. Tudo, desde as almofadas do sofá até as mesas do final, estava espalhado pela sala. Sua camisa estava rasgada e seu sutiã estava torto, mal cobrindo seus seios, mas eu soltei um longo suspiro de alívio quando vi que ela ainda estava de short. Pelo menos havia isso. Eu me ajoelhei ao lado dela. Ela pulou quando eu toquei seu braço. —Relaxe. Sou só eu, —eu assegurei a ela. —Você está bem?— Ela virou o olhar para mim e sussurrou: —Preciso sair daqui. Eu tenho que ... eu tenho que ir para casa antes que ele volte. — De repente, levantando-se, ela deu um tapinha na frente, fazendo o pouco que podia para fazer sua camisa esfarrapada cobrir o peito. —Eu tenho que sair daqui. — Eu concordei de todo coração. Se Dante a queria, não havia dúvida de que ele voltaria. A menos que ela tivesse ido, tudo que River havia feito era prolongar o inevitável.


Deslizando sob o braço dela, eu peguei um pouco do peso dela. —Você tem algum lugar para onde você possa ir? Talvez alguém para quem você possa ligar? — —Shane—, ela sussurrou antes de começar a chorar. — Meu Deus. Eu não posso contar a ele sobre isso. Ele vai matá-lo. — —Quem é Shane? Um Jhon? — Eu perguntei, guiando-a em direção à porta, River seguindo logo atrás de nós. —Meu marido—, ela resmungou. O ar parou junto com meus pés. Eu coloquei minha cabeça para o lado. —Você é casada?— Ela assentiu e então limpou a garganta. —Eu preciso de você para me levar de volta para o hotel.— —Espere. É esse o cara que você estava fugindo? Porque eu não quero que você tome uma decisão precipitada com base no que acabou de acontecer. Nós podemos descobrir outra coisa. Levá-la a algum lugar seguro. — —Não. Shane nunca ... eu só ... — Ela se afastou de mim. Suas mãos tremiam quando ela alisou o cabelo para baixo. —


Ouça, Cora. Eu preciso sair por um tempo. Mas eu volto, ok? Eu não vou esquecer de você. Eu juro.— Eu gostava da Lexy. Ela era uma das garotas mais fáceis do prédio. Ela era gentil e engraçada, sempre disposta a ajudar. Seu sorriso era contagiante e sua atitude de positiva era difícil de não entender. Lexy era doce. E quando a deixei no hotel naquela noite, olhei-a diretamente nos olhos e contei a verdade. —Por favor, nunca mais volte.—


Cora O que diabos estava acontecendo? Eu conhecia a esposa de Penn. Ela disse a ele sobre mim. Seu nome era Shane. Drew não era seu irmão. Thomas matou Lexy. Penn ia matá-lo. Ele já havia matado Dante e Marcos. Savannah estava de volta. Assim foi Catalina. Thomas tentou atirar nela. Penn estava vivo.


E eu estava de joelhos no meio do gigantesco banheiro bilionário de Penn, vomitando a seco no vaso sanitário. —Eu não sou um bilionário —, disse ele. Eeee aparentemente eu estava pensando em voz alta. Impressionante. Ele estava sentado, sua bunda no chão frio, as pernas dobradas, os pés no chão, os antebraços apoiados nos joelhos. Não muito perto. Não muito longe. Ele estava lá apenas na maneira mais possível de Penn Walker. —Eu fiz da sua esposa uma prostituta—, eu anunciei. —Ela não era uma prostituta, Cora. Ela nunca dormiu com ninguém. — —Este é provavelmente o momento completamente errado para lhe dizer isso, mas ela trouxe para casa muito dinheiro. Disse que ela tinha um cara rico no gancho. — Ele me deu um sorriso tenso. —Prazer em conhecê-la. Eu sou o cara rico. — —Você estava lá?— Eu respirei, porque neste momento, tudo era possível.


—Não. Mas ela costumava conversar por vídeo comigo algumas vezes por semana naquele hotel. Quando ela tinha que voltar no final da noite, ela tirava dinheiro do caixa eletrônico. De uma forma indireta, eu pessoalmente paguei algumas contas de Marcos e Dante por um tempo—. Deus. Minha cabeça dói. Era tudo demais. Suspirei. —Não, você não fez. Eu tirei dinheiro suficiente dos Guerreros para cancelá-lo. Embora você provavelmente tenha pago minha conta telefônica uma ou duas vezes. — Ele sorriu. —Eu posso viver com isso.— —Eu a deixei no hotel naquela noite—, eu soltei quando não pude mais segurar. Seus pesados olhos azuis se ergueram para os meus. —Eu sei.— —Ela… te disse por quê? — —Eu desloquei os dois ombros de Dante e, em seguida, os coloquei de volta no lugar antes que eu o sufocasse e o deixei para a fumaça e o fogo acabar com ele.— Piedoso.


Merda. Esse lado do Shane era assustador. Mas eu não podia dizer que Dante não merecia isso. A culpa se assentou como uma pedra no meu estômago. — Eu pensei que ela estava indo para casa. Dante veio procurá-la no dia seguinte, mas eu disse que ela fugiu. Eu nunca considerei que algo realmente aconteceu com ela. — —Ela estava voltando para casa. Ela reservou um voo para a manhã seguinte. — —Ela nunca fez isso—, eu sussurrei, a emoção borbulhando para a superfície novamente. A primeira vez que Penn me contou sobre sua esposa, eu pensei que era uma loucura que ele se culpasse por falhar com ela quando havia obviamente nada que ele pudesse ter feito. Mas logo em seguida, eu entendi. Soltando-a lá, eu também falhei com ela. Passando por cima da minha cabeça, peguei uma toalha floral decorativa que eu sabia, sem sombra de dúvida, que Penn não havia comprado e usado para limpar minha boca.


—Eu tenho uma escova de dentes extra se você quiser—, disse ele. O hálito fresco era a menor das minhas preocupações. Estabelecendo-se na minha bunda, eu espelhei sua posição contra a banheira para dois. Meu corpo doía como se tivesse passado por um ciclo de lavagem, e minha mente estava uma bagunça confusa, tentando encaixar todas as peças que ele estava distribuindo sobre o último Deus só sabia quanto tempo. Toda vez que eu pensava que tinha controle, ele jogava outra bomba aos meus pés. —Mais alguma coisa?— Eu perguntei. —Você tem filhos ou algo que eu preciso saber?— —Não—, ele prometeu. —Ok, você precisa de um rim e eu sou a única disponível?— Seus lábios se contraíram. —Não, Cora. Todos os meus órgãos estão em boas condições. — —Sério, eu não aguento mais surpresas. Se você tem mais alguma coisa em suas mangas tatuadas, ela precisa sair agora.


Você é secretamente o pai biológico de Savannah para salvá-la das garras de seus pais adotivos abusivos? — —O que? Não. E não a encoraje com isso. Ela está me chamando de papai há semanas. — Meu estômago revirou. Aparentemente, ele tinha mais surpresas. —Você a teve por semanas?— Eu gritei. Ele inclinou a cabeça contra a parede. —Eu cheguei a ela assim que pude. Eu espreitei o hospital por alguns dias, esperando vê-la ser expulsa. Quando isso não funcionou, fui para Cleveland e localizei seus pais. Eu a encontrei de pé na esquina, tentando ganhar algum dinheiro. Apanhei-a e trouxe-a para casa. — —Casa—, eu sussurrei tristemente. —Certo.— Ele amaldiçoou em voz baixa. —Isso não foi o que eu quis dizer. Obviamente, a casa dela é com você. — Perdendo qualquer outra resposta, repeti: —Certo—. —Verdade ou mentira?—


Eu peguei o fio invisível da toalha. —Não. É por isso que estou sentada aqui agora, perdida e confusa, sentindo que fui transportada para a vida de outra pessoa. Eu deixei você mentir para mim por muito tempo. — —Ok… então verdade. Meu corpo está prestes a arrancar minha pele por aqui. Alguma chance de você me deixar ir até aí e te abraçar? — Com tristeza saturando minha visão, eu olhei para ele. Ele estava usando o uniforme de Penn Walker: botas, jeans rasgados e uma camiseta. Sua penugem tinha crescido até que ele estivesse montado na linha de se tornar uma barba, e as tatuagens pretas em seus braços e mãos pareciam completamente fora de lugar naquele banheiro exuberante. Mas Penn sempre foi bonito - robusto e pouco ortodoxo - e, como se tivesse lançado um feitiço em mim, mesmo sabendo o que eu sabia agora, ainda ansiava por seu toque. —Passei as últimas semanas desejando que você estivesse sentado na minha frente—, confessei, parando quando minha voz cedeu. —E aqui está você, mas é como todos os meus sonhos e todos os meus pesadelos se fundiram para formar o perfeito mundo fodido. Eu adoraria nada mais do que mergulhar em seus


braços e enterrar minha cabeça nas areias do conforto, em vez de confusão. — O alívio suavizou seu rosto quando ele começou a se levantar. —Mas eu não posso, Shane. O homem por quem me apaixonei não passava de uma fachada cuidadosamente construída, adaptada a quem ele precisava ser para me seduzir. — —Isso não é verdade. Sempre fui eu. — —E quem é exatamente isso? Por favor, estou morrendo de vontade de saber. Que partes de você eram meu Penn com o grande coração e o toque gentil e que parte era a Shane de Lisa para se vingar? — Ele balançou sua cabeça. —Eu. É tudo só eu. Eu não te mostrei quem eu queria que você visse para te seduzir, Cora. Se você se lembra, a única sedução que fiz foi implorar a você que ficasse longe de mim por medo de que nos encontrássemos sentados bem aqui, agora mesmo. — —Então é minha culpa.—


—Não. De modo nenhum. Eu só quero dizer que não tive que fingir com você. Sim, eu omiti muitas coisas sobre o meu passado e até menti sobre meus motivos. Mas todo sorriso. Cada risada. Cada beijo. Cada toque. Esse era eu. Isso era nós. E essa era a verdade. — —Talvez. Mas essa é a coisa sobre mentiras, Penn. Elas mancham a verdade até você não ter ideia do que acreditar. — Um torno no meu peito pesou até que eu pensei que minhas costelas quebrariam. Eu sabia de fato que rastejando em seu colo e sentindo suas mãos fortes deslizando para cima e para baixo nas minhas costas iria facilitar isso. Mas o que eu queria e o que eu me permitia ser sugado de novo eram duas histórias diferentes. Ele disse que queria me proteger. Mas no processo, ele me quebrou de maneiras que Dante, Marcos, ou até Thomas nunca conseguiram. Não havia o suficiente de mim para aproveitar a chance novamente. —Eu acredito em você. Eu acho que você teve meu melhor interesse no coração, mas eu também acho que você subestimou quem eu sou como pessoa. Tudo o que sei com certeza agora é que, apesar de seu coração estar batendo, Penn Walker morreu naquele incêndio. E você precisa aceitar que não estamos apenas


caindo de volta em nós dois. Eu tenho que descobrir por mim mesma o quanto do homem que eu amei foi deixado dentro desse cara Shane, mas vai levar tempo. — Eu me levantei e fui até ele, estendendo a mão para ajudá-lo. —Tempo que vai ter que esperar. Depois desta noite, há uma tempestade se formando ao nosso redor. Todos nós precisamos nos sentar e descobrir o que fazer com Thomas. Há três garotas por aí que passaram por coisas bem traumáticas. Nossos problemas não importam até que façamos desaparecer. — Ele olhou para mim, seus olhos azuis fixos nos meus. — Você não precisa se preocupar com Thomas.— Eu zombei. —Essa pode ser a maior mentira que você já me contou.— Ele pegou minha mão e se levantou. Quando ele se levantou, ele me deu um puxão forte, me fazendo tropeçar em seu peito. Eu não tive a chance de reagir antes que seu braço serpenteasse ao meu redor, me arrastando para mais perto até nossos corpos ficarem nivelados, da cabeça aos pés. Minha respiração acelerou quando seu calor me envolveu, expulsando o frio que se instalou em meus ossos desde que ele se foi. Seu peito se movia com o meu, subindo e descendo em


uma dança sincronizada, como se até nossas exalações se desejassem. Ele baixou a cabeça, os cabelos em sua mandíbula fazendo cócegas na minha bochecha, provocando inúmeras lembranças de seu rosto esfregando o meu quando ele estava dentro de mim, nossos corpos febris e frenéticos. Melhor julgamento me disse para recuar. Eu pedi tempo. Trinta segundos não foi o que eu quis dizer. Mas então sua respiração passou pela minha pele, fazendo com que uma onda de calafrios me inundasse quando ele disse: —Essa coisa entre nós nunca foi sobre verdades ou mentiras. Nós dois sentimos isso antes da primeira palavra ter sido falada. Naquele dia, em seu banheiro, quando você agarrou meu braço, implorando-me para não expor Savannah, você poderia muito bem ter se arrastado para dentro de mim e ficar gravada em meu DNA, porque dois segundos depois, minha vida começou de novo. Você sentiu isso então. — Ele me deu um aperto agudo. — E eu sei que você sente isso agora. Então pegue todo o tempo que precisar, baby. Mas considere este aviso justo: Penn Walker não morreu. Estou muito vivo e vindo para você. — Eu ofeguei quando seus lábios tocaram logo abaixo da minha orelha, acendendo faíscas dentro de mim.


E então, muito em breve, ele me soltou e foi em direção à porta do quarto. —Eu preciso ter certeza de que Drew voltou.— Eu pisquei. Como um milhão de vezes. O que diabos estava acontecendo? Eu conheci a esposa de Penn. Ela disse a ele sobre mim. Seu nome era Shane. Drew não era seu irmão. Thomas matou Lexy. Penn ia matá-lo. Ele já havia matado Dante e Marcos. Savannah estava de volta. Assim foi Catalina. Thomas tentou atirar nela. E Penn estava vivo ... e vindo para mim. O que diabos estava acontecendo?


—Você jantou?— Penn perguntou, abrindo a porta. Eu fiz outra rodada do piscar de olhos. —Certo—, ele murmurou. —Deixe-me ver se consigo encontrar um local de entrega que ainda esteja aberto. Alguma preferência? — —Sim. Um que pode me entregar uma nova vida. — Ele piscou. —Verei o que posso fazer.— Ele inclinou a cabeça em direção à porta. —Você vem?— Eu queria dizer não. Eu queria trancar a porta e bater na cama dele, que provavelmente era confortável e cheirava como ele. Eu queria dormir por um mês e espero acordar em um mundo que fazia sentido. Mas River estava lá fora, mais do que provavelmente preocupada. E Savannah estava lá fora, saudável e sorridente. E se minha memória me servia corretamente, ela usava um pijama que na verdade a fazia parecer da idade dela e não vinte e seis anos. Só isso era um milagre muito maior do que o de Penn voltando dos mortos. E com tudo isso em mente, coloquei um pé na frente do outro e disse: —Sim. Estou indo.—


Ele ficou na porta, segurando-a até que eu andasse, e nesse momento ele provou que não tinha noção do tempo porque colocou as mãos nas minhas costas. Nesse momento, meu corpo seguiu o exemplo, provando que não tinha desejo de tempo, arqueando-se nele. Droga! —Oh, graças a Deus, você está de volta—, disse Penn enquanto ele me conduziu para a área de estar aberta. Drew estava sentado em uma banqueta enquanto Catalina pairava sobre ele, colocando uma bandagem sobre o olho esquerdo. Eu avistei Savannah, Isabel e River amontoadas em um dos sofás de couro marrom estofados, e quando todas as suas cabeças viraram nosso caminho, eu lancei um sorriso tranquilizador. Isabel e Savannah retornaram, mas River estava ocupada demais observando Penn como se estivesse esperando que ele desaparecesse. Deus, quanto tempo eu poderia atrasar dizendo a ela que Lexy era na verdade a esposa de Penn? Ela ia ser esmagada, e depois das últimas semanas, a culpa não era outra coisa que eu queria acrescentar ao seu prato. —Está tudo bem?— Drew perguntou, sacudindo o olhar entre mim e Penn.


Penn foi direto para a geladeira. —Sim. Cora precisa de tempo. Eu não. Nós ficaremos bem.— Atirei-lhe um olhar que espero que tenha queimado seu cabelo no peito. Sua resposta foi levantar uma cerveja na minha direção. — Beber?— Eu poderia ter uma bebida. Merda ao quadrado. Depois de pisar, peguei a garrafa aberta da mão dele. —O júri ainda está decidido se vamos ficar bem, Shane.— —Penn—, ele corrigiu. —E nós vamos ficar bem, Cora. — Ele torceu a tampa de sua garrafa, bateu com a minha e depois inclinou-a para a boca para um longo gole. Idiota nem tentou esconder seu grande e lindo sorriso. Desesperada para ficar longe dele por medo de que o próximo movimento do meu corpo estivesse se curvando para o lado dele, eu dei a volta na ilha e parei ao lado de Catalina. — Quão ruim é isso?— Ela me deu uma rápida olhada. —É apenas um corte. Vai cicatrizar, mas ele não vai morrer. —


—Boa. Bom — eu disse logo antes de cutucá-lo com força na bandagem. Drew saltou para longe, aninhando seus olhos. —Que diabos, mulher?— Eu apontei um dedo para ele. —Isso foi por mentir para mim.— Ele estendeu a mão para Penn. —Essa foi a sua ideia!— —Ei!— Penn objetou. —Não me culpe por tudo isso. Você foi quem quis que eu a fizesse pensar que eu estava roubando todo o dinheiro dela. — Eu levantei meus olhos para Drew, trocando a cerveja na minha outra mão antes de ir para outra cutucada. Ele se esquivou. —Merda, pare.— —Oh, este é apenas o começo, Drew.— Eu andei em direção a ele. Ele recuou, mas continuei avançando até que eu estava perseguindo-o pela cozinha. —Você me assistiu chorar por dias. Você sentou lá com um lugar na primeira fila enquanto eu desmoronava. É melhor você dormir com um olho aberto, porque quando eu terminar com você — - apontei para a


bandagem dele, tendo muito orgulho do jeito que ele pulou para trás — —a única cicatriz que você vai ter é a minha impressão digital bem ali. — Catalina e as meninas riram. No entanto, a boca de Drew caiu aberta. —Jesus, você é assustadora.— —Você não tem ideia—, disse Catalina e, em seguida, estalou os dedos. —Sente. Ainda não terminei com você. — —Você vai ser capaz de me proteger dela enquanto você termina?— Ele perguntou a Catalina, mantendo o olhar fixo no meu enquanto se encaminhava para o banquinho. —Provavelmente não—, respondeu ela, piscando-lhe um sorriso provocante. —Mas se você se apressar, eu vou te dar uma camada extra de gaze para estofar enquanto você dorme.— Assim que ele se sentou novamente, eu cambaleei em direção a ele, meu dedo equilibrado. Ele atirou de volta a seus pés, jogando as mãos para bloquear seu rosto. —Vamos. Saia. Isso não é engraçado. —


A contração dos meus lábios em uma noite quando eu pensei que era impossível disse o contrário.


Cora — Você pode foder bem com essa merda—, Catalina sussurrou enquanto andava de um lado para o outro nas madeiras de Penn. Seu cabelo castanho e comprido flutuava atrás dela a cada passo. —Você não vive com esse monstro.— As narinas de Drew se alargaram enquanto ele observava cada movimento, seus punhos abrindo e fechando ao lado do corpo. Ele estava olhando para ela a noite toda. Mas isso era diferente. Incapaz de ficar quieto, ele abandonou o sofá pelo menos vinte minutos antes e agora estava encostado na parede na entrada do corredor, constantemente mudando seu peso de um pé para o outro. —Não. Eu não fiz. Mas eu prometo a você, se o homem ainda está recebendo uma hora sob meu sol e três refeições por dia, é demais para mim. — Olhei para Penn, que estava sentado no sofá ao lado do meu. Nós estávamos em lados opostos, literalmente tão longe quanto o assento permitiria.


—Nada ainda?— Eu perguntei a ele, incrédula. Seu olhar azul levantou para o meu, mas ele não disse uma palavra. Ele ficou em silêncio desde que esse argumento começou. Depois que Penn ordenou que o exército servisse comida chinesa para o exército, todos nos reuníamos em volta da ilha, com garfos na mão, e devorávamos - sem mentira. Eu recebi incontáveis abraços de Savannah e Isabel, enquanto River se mantinha principalmente para si mesma, isto é, se você não contasse como ela nunca tirou o olhar desconfiado de Penn. No começo, eu pensei que ela estava apenas chocada ao vê-lo novamente, mas quanto mais eu assistia ela olhando para ele, eu tive a sensação de que ela estava vivendo pela teoria de —manter seus inimigos próximos—. Eu não podia culpá-la. Minha implícita confiança nele havia desaparecido também, mas por ela, eu sorri quando todos nós empilhamos nos sofás com barrigas cheias. Não muito tempo depois, as garotas foram, uma a uma, vagando pelo corredor até o quarto de Savannah e fecharam a porta. Elas ainda estavam acordadas - daí o sussurro gritante.


Mas a conversa —o que fazer com Thomas Lyons— estava em pleno vigor. Drew queria matá-lo. Catalina queria mandá-lo para a cadeia pelo resto de sua vida. Penn estava quieto, mas ele estava cerrando os dentes ao ponto de eu querer procurar dentistas de emergência nas proximidades do Google por precaução. E eu ... Bem, eu sentei lá no meu novo estado de ser: confusão. —Sob o seu sol?— Catalina retrucou, cruzando os braços sobre o peito. —Quem morreu e te deixou o universo? — —Minha irmã —, ele rosnou. Os olhos de Catalina se estreitaram nele. —Então você sabe que a morte é boa demais para um pedaço de merda desprezível e egoísta assim. Eu quero que ele apodreça em uma cela, com medo aterrorizante do jeito que ele fez questão de me aterrorizar. Eu quero que ele acorde todas as manhãs imaginando se é a última. Eu quero que ele pare, com as palmas


das mãos suadas e o coração acelerado, antes de dar a volta em um canto. Toda vez que uma pessoa passa por ele, eu quero que seu estômago se espete enquanto espera o golpe aterrissar em seu intestino. E se Deus quiser, eu quero que haja um homem que ensine a ele da mesma maneira que ele me ensinou que não, não significa nunca. Muitas noites, eu deitei na cama até o sol nascer, minha mente me atormentando com todos os cenários possíveis do que aconteceria quando ele me encontrasse. Às vezes eu conseguia dormir apenas para acordar gritando a plenos pulmões quando o medo me seguia em sono. Eu quero tudo isso para ele, porque por quatorze anos, quatorze anos, Drew, eu vivi assim. Agora é a vez dele. — Ele estalou o pescoço e empurrou a parede. —Não se preocupe. Vou me certificar de que ele está bem e com medo antes de eu cortar a garganta dele. — Todos nós estávamos vindo de um lugar escuro e desesperado. Nossa dor pessoal e angústia estavam guiando nosso caminho. Catalina tinha vivido com medo, então ela queria que Thomas fizesse o mesmo.


Drew perdeu a irmã - então ele queria que Thomas perdesse a vida. E enquanto Penn ainda não havia declarado isso diretamente, presumi que seu reinado de terror contra seus molares cada vez que Catalina falasse significava que ele discordava dela. Ele assistiu sua esposa ser assassinada - então ele queria torturar Thomas da mesma maneira. Mas eu estava em uma situação interessante. Tirando Manuel Guerrero, eu odiava Thomas Lyons mais do que qualquer um na Terra. Ele abusou do meu melhor amigo, matou uma mulher gentil e boa e mais recentemente me prendeu e colocou minha filha em uma casa de grupo. Se ele acabar na cadeia ou seis pés abaixo, tudo bem por mim. No entanto, eu não era movida por perdas indescritíveis ou cego por ódio. De onde eu estava sentada, tudo que eu podia ver eram três pessoas inocentes que me importavam em permitir que suas emoções nublassem a realidade. Eu fiz isso muitas vezes enquanto tentava escapar dos Guerreros ao longo dos anos. Eu fiquei tão chateada ou com medo que eu pulei para fora do avião sem verificar se eu tinha um paraquedas. A verdade era que derrubar Thomas não ia ser


tão fácil quanto Catalina entrando de novo e indo para a polícia. Ele provou isso quando ele de alguma forma apareceu na porta de Catalina, uma arma apontada para o rosto de Drew, e dois de seus amigos da vida baixa vindo por trás. Nem era tão fácil quanto Drew e Penn colocá-lo em um túmulo. Thomas não tinha chegado onde estava para ser superado. Penn usara o elemento de surpresa com Marcos e Dante, mas se o que Thomas dissera antes sobre Drew perder a irmã era na verdade a ameaça que eu pensava ser, eles também já estavam em sua mira. Batendo meus dedos na palma da minha mão, levantei-me. —Podemos ter um tempo limite por um minuto?— Todas as suas carrancas suavizaram quando eles pousaram em mim. —Eu odeio ser a portadora de más notícias, mas depois desta noite, acho que precisamos descobrir o plano C. Thomas sabe que você está de volta, Cat. Eu estaria disposta a apostar a minha vida que, agora, aquele homem já está trabalhando em um ataque preventivo contra você. Não me surpreenderia nem um pouco se ele já tivesse uma lista de acusações e uma campanha de difamação pronta para o momento em que você


ressurgisse —. Eu me virei para olhar para Drew. —E você. Ele sabe quem você é e colocou dois e dois junto com Lisa. — Eu me virei para Penn. —O que significa que ele provavelmente já está com você na mira também. Ele não vai cair sem lutar, e enquanto Thomas é a lei, ele nunca a seguiu. Vai ficar ruim. Ele conhece os botões de todas as pessoas nesta sala e eu não tenho nenhuma dúvida de que ele vai pressionar todos eles nos próximos dias. Então, se não podemos parar de lutar entre nós mesmos, não temos esperança contra ele. — Catalina respirou fundo. —Você está certa.— Drew zombou. —Não, ela não está certa. Ela é a antítese do certo. Ela está tão obviamente errada, a direita nem vai mais reivindicá-la. Ela está além de ... —Chega — grunhiu Penn. —Certo. Errado. Roxa. Banana. Não importa porra hoje à noite. Está tarde. Todos nós precisamos descansar um pouco. A primeira coisa da manhã, podemos reagrupar e descobrir os detalhes. Mas, por enquanto, preciso dormir. Catalina, você está no quarto de hospedes. Drew, você tem o sofá. Cora, você está comigo. —


Eu ri, alto e genuíno, completo com dobrar um braço sobre o meu estômago e dobrar. —Oh, Deus, isso foi engraçado.— Eu apontei para Penn. —Bom toque lá no final.— Ele arqueou uma sobrancelha, o rosto estoico como sempre. —Quem está brincando? Vamos. Você pode ficar puta com tudo o que quiser, mas ... — Todo o humor se dissipou. —Não termine essa afirmação. Não pense por um segundo que você vai me dizer o que eu vou fazer. Você vai perder. Cada vez. Eu sou uma menina grande, com sentimentos de menina grande e um cérebro de menina grande. Posso decidir onde quero dormir e, esta noite, depois do dia que tive, não é com você. — Seus olhos brilhavam escuros, mas então, com a mesma rapidez, eles cortaram meu ombro. —Tudo o que eu quis dizer— — —Oh, eu sei o que você quis dizer. Não precisa explicar. Você não precisa de tempo - eu entendi. Mas eu preciso. E isso não envolve rastejar em sua cama. Então, hoje à noite, Isabel pode dormir com sua mãe, eu vou dormir com River e Savannah, e você e Drew podem brincar de pedra e papel-tesoura para o sofá, eu não me importo.


Seus lábios se afinaram. —É só uma cama de casal, Cora. Você vai acordar com hematomas se dormir lá com elas. — Dei de ombros. —Melhor do lado de fora do que permitir que você coloque mais em meu interior.— Ele franziu a testa - lindo e frustrado. Eu segurei seu olhar - com cara de pinto e perturbada. Eventualmente, ele desistiu, plantando uma mão em seu quadril enquanto ele olhava para o chão. —Cristo, você é teimosa.— —Não é uma revelação.— Fui até Catalina e apertei o braço dela. —Você vai conseguir dormir esta noite?— Ela sorriu, todo o seu lindo rosto se aquecendo. — Provavelmente não, mas estou exausta.— —Eu também.— Nós começamos a descer o corredor, deixando os caras sozinhos na sala de estar. Nenhum de nós tinha nada para dormir, mas tudo o que realmente precisávamos eram as três garotas no quarto e um ferrolho na porta da frente.


História da minha vida. Pouco antes de abrir a porta do quarto de Savannah, espiei por cima do ombro para Penn. Ele estava em pé no fim do corredor, seu olhar ardente bloqueado nas minhas costas. Sim, eu escapei dormindo em sua cama naquela noite, mas eu não tinha ideia de quanto tempo isso duraria. Eu queria estar com ele - desesperada e profundamente. Mas eu também precisava de espaço para decidir se isso era uma ideia plausível. Ele mentiu para mim mais vezes do que eu poderia contar. Mas mesmo com a traição paralisante, pude entender por que ele achava que era melhor. Ao contrário da maioria dos homens da minha vida, ele fez isso para me ajudar. Para ajudar a River. Até mesmo para ajudar Savannah. Mas qualquer que fosse sua explicação, ele ainda faria isso. Ele ainda me subestimou. Ele ainda decidiu o que ele achava que era melhor para mim, sem nem mesmo uma conversa. E ele fez isso de tal maneira que me deixou ainda mais quebrada do que eu estava em primeiro lugar. Eu não sabia se alguma vez seria capaz de deixar essa amargura ir embora.


Eu finalmente tinha uma voz. Eu finalmente tinha opiniões. Eu finalmente tinha escolhas. Eu seria amaldiçoada se eu deixasse alguém tirar isso de mim novamente. Drew foi até ele, segurando o punho na palma da mão. —Eu preciso descer e fumar. Vamos fazer melhor de três? — Penn nunca desviou o olhar do meu quando ele respondeu: —Dê o fora do meu rosto com essa besteira. Eu não estou fodidamente jogando pedra-papel-tesoura com você. — Mordi meu lábio para abafar um sorriso. No entanto, quando os olhos de Penn se iluminaram e seus lábios se inclinaram para o céu, presumi que tinha falhado. No entanto, depois de correr para o quarto de Savannah sem sequer bater, consegui esconder o suspiro de colegial.


Cora Penn estava certo. Nós três dormindo em uma cama tinha sido uma zona de guerra. Eu tinha uma contusão nas minhas costelas do cotovelo de River e uma na minha coxa, do calcanhar de Savannah. Por que pensei que seria uma boa ideia dormir no meio, nunca saberia. Na época, eu queria estar perto das duas. Em retrospectiva, a cama de Penn provavelmente teria sido mais segura - pelo menos fisicamente. Mentalmente, não consegui me desligar naquela noite. Havia muito o que pensar. Mas depois de passar o dia suprido com a dose de adrenalina de um elefante, meu corpo estava deprimido. Eu tinha feito aquela coisa onde eu tinha me jogado e me virado, convencida de que não conseguiria dormir, mas de alguma forma, as horas se passaram em um intervalo de minutos. Por volta das seis, com pouco mais de quatro horas de inquietação, desisti e fiz uma viagem ao bule de café. A casa ficou


em silêncio enquanto eu andava na ponta dos pés pelo corredor. A porta de Catalina estava fechada, sem luz aparecendo no fundo. O mesmo com a de Penn, embora em um reaparecimento do meu lado esquisito, parei na porta dele e coloquei meu ouvido nele. Eu não sabia o que estava esperando. Talvez um ronco ou o som do chuveiro. Ou talvez o som de seus pedidos ríspidos e sem esperanças enquanto ele estava de joelhos, confessando que ele tinha visto o erro de seus caminhos e orando ao Senhor por meu perdão, todo o tempo segurando uma foto minha com um diabo. Um sorriso carinhoso, cabelos despenteados e uma camisa decotada que me fez parecer simultaneamente elegante e inteligente, mas também fez meus peitos parecerem que eu tinha dezenove anos novamente. Quer dizer, não que eu tenha pensado muito ou algo assim. Em vez disso, ouvi: —Você está procurando por mim?— Ressoou atrás de mim. Eu pulei pelo menos dois metros no ar - mais ou menos seis pés e onze polegadas - e agarrei meu coração. —Jesus, não se aproxime de mim assim.—


E então aquele meu coração, que acabara de ser despertado para a arritmia, parou. Porque Penn estava lá parecendo que tinha sido arrancado direto do meu cofre de fantasia. Sem camisa, suado, abdome ondulando, bíceps flexionando e segurando uma xícara de café fumegante como se ele fosse o deus da cafeína. Eu levantei minha mão como se estivesse bloqueando o sol. —Alguma chance de você colocar algumas roupas?— —Não depois que você gemeu assim.— Ele sorriu antes de inclinar a caneca para seus lábios. Eeeee eu gemi. Porra Fantástico. Agora não era hora de ficar envergonhada. Agora era a hora de rastejar de volta para a cama e esperar por Deus que isso era um sonho e o calor que estava lambendo sobre mim não era nada mais do que Savannah respirando pela boca na minha cara. Eu girei em um dedo do pé, pronta para fazer a minha fuga, mas ele pegou meu braço.


—Espere, espere, espere. Certo, tudo bem. Eu vou colocar uma camisa. Acabei de voltar de uma corrida e estava prestes a entrar no chuveiro. — Deixando cair meu queixo no meu peito, lamentei momentaneamente o fato de que a sua frente não ficou colada com as minhas costas. Nem seus braços fortes envolveram meus quadris, ancorando-me em sua curva enquanto ele salpicava beijos para cima e para baixo no meu pescoço. Apenas algumas semanas antes, tudo isso logo seguido de um banho para dois teria sido em ambos os nossos futuros. O arrependimento não durou muito quando pensei na pura agonia de descobrir que ele se fora e depois na euforia que abalava a terra - por mais breve que fosse - em vê-lo pela primeira vez. Eu sabia que estava me apaixonando por Penn antes daquela noite, mas não havia nada como perder alguém para forçar sua mente a alcançar seu coração. Sua xícara de café apareceu na minha frente. —Que tal eu temporariamente abandonar o chuveiro e você manter isso quente para mim enquanto eu cozinho algum café da manhã?— Eu pisquei para o líquido marrom cremoso. Penn bebe o seu negro. Este tinha creme - e provavelmente açúcar também.


Do jeito que eu gosto. Meu nariz começou a doer. —Há quanto tempo você está esperando eu levantar?— Ele se aproximou, seu calor pairando ao meu redor sem que ele realmente me tocasse. —Desde o momento em que você foi dormir. Eu até deixei Drew tomar o quarto ontem à noite para o caso de você não conseguir dormir. Eu só fui correr para não arrancar aquela porta das dobradiças. E então eu estive aqui, tomando leite açucarado disfarçado de café desde então. — Eu sufoquei uma risada, mas isso só fez meus olhos lacrimejarem. Meus ombros caíram, e antes que eu pudesse me impedir, me inclinei contra ele. Ele não perdeu tempo envolvendo seu braço livre em volta de mim, mas não em meus quadris. Seu antebraço densamente tatuado cobria meu peito, onde ele me abraçou com força e por muito tempo. —Por que você não confia em mim?— Eu sussurrei, colocando minha mão em seu braço, desejando que pudesse fazê-lo sentir o vazio que seu engano havia deixado dentro de mim. —Eu acho que é o que dói mais.—


—Cora—, ele respirou antes de pressionar um beijo na minha testa. —Entendi. No começo, eu genuinamente entendi. Você não estava lá para me machucar. Mas uma vez que você me conhecia. Depois que eu me abri sobre Nic e tudo mais. Eu só ... não consigo descobrir o resto. — —Sinto muito—, ele disse asperamente. —Eu sinto muito por isso. Eu sabia que você ia se machucar, e tentei suavizar o golpe o melhor que pude. Nós dois tínhamos segredos, Cora. Você nem sequer mencionou River ser sua filha até ser forçada a isso. — Eu fiquei tensa. Eu deveria ter sabido que ele torceria isso em algo que ele poderia me culpar. Deus sabia que todos os outros me culpavam pelo modo como me tratavam. Mas antes que eu tivesse a chance de ficar brava, ele rapidamente emendou sua declaração. —E eu não estou dizendo que isso estava errado.— Segurando o café para o lado, ele se moveu na minha frente, as pontas dos dedos arrastando sobre a minha garganta e meu ombro, enviando um arrepio pela minha espinha.


Minha respiração engatou quando ele descansou sua testa contra a minha, sua mão encontrando sua casa na curva do meu quadril. —Você acreditava que as pessoas que não sabiam que ela era sua eram melhores para ela. E você estava disposta a sacrificar tudo o que tinha que fazer, inclusive ouvi-la chamá-la de mãe para ter certeza de que isso aconteceu. Eu respeito isso, Cora. E cem por cento da verdade honesta de Deus, eu confio em você. Você é a mulher mais forte que eu já conheci. Mas estou lhe implorando para, por favor, dar um passo atrás e ver objetivamente o que eu fiz. Lisa estava louca por você. Ela me contou inúmeras vezes como você era desinteressada e amável e quanto você ajudou as meninas e encorajou-as a lutar por mais na vida. Mas eu não tinha ideia do que estava me metendo quando te conheci. Você era muito mais do que tudo isso. A única coisa que eu sempre quis para você foi tornar sua vida mais fácil. Não importava se isso era consertando o encanamento ou pendurando os ventiladores de teto ou mudando as luzes do corredor. Eu queria dar-lhe folga suficiente para respirar novamente. Eu serei o primeiro a admitir que eu estraguei tudo. Mas só porque me apaixonei por você. — Eu engoli em seco. Ele estava fazendo sentido.


Eu odiava quando ele fazia sentido. Odiava isso. Odiava isso. Odiava isso. Porque eu sabia que não estava exagerando, mas ainda me sentia culpada. Por um lado: sim, eu guardava segredos. Mas não havia nenhuma regra sobre ter que arejar sua roupa suja no primeiro encontro. No entanto, ele não estava errado. À sua maneira, ele estava tentando me poupar. Que, honestamente, qualquer outro homem, qualquer outra situação, eu teria alegremente visto. Mas, por outro lado: tudo o que ele teria a dizer era: —Você conhecia minha esposa como Lexy Palmer—, e eu estaria a bordo. Ela era uma das minhas meninas, independentemente de que ela era sua esposa. Se ela tivesse dito a ele o quanto eu me importava com as mulheres que viviam naquele prédio e tudo o que eu tentava fazer para cada uma delas, ele deveria ter tido um pouco mais de fé em mim como pessoa. Mas retrospectiva era uma cadela. Saber não significa mudar. Eu não podia viajar através do tempo e abalar os sentidos antes que ele partisse. Este é o lugar onde estávamos neste momento.


Ele em pé sem camisa e segurando uma xícara de café frio depois que ele passou horas esperando por mim para acordar. Eu olhando nos olhos azuis que uma vez me capturaram em suas profundezas - e se eu estava sendo honesta comigo mesma, eu ainda não tinha escapado. Se eu pudesse descobrir em quem eu estava perdida - Penn ou Shane. —Verdade ou mentira—, eu sussurrei. —Qual você quer?— Ele fez uma careta como se não quisesse também. — Verdade.— —Estou muito brava com você. E não porque você fez algo errado necessariamente. — Seus olhos se fecharam. —Eu sei.— —Ainda não entendi muito do que aconteceu entre nós. Ou como me sinto sobre isso. Ou como vou me sentir sobre isso amanhã. Mas agora… — eu peguei o café da mão dele. — Supondo que isso ainda está quente, estou disposta a ouvir você me falar sobre quem você realmente é enquanto cozinha o meu café da manhã.—


Seus olhos se abriram, a mistura mais doce de surpresa e alívio rodando por dentro. Sua boca se dividiu em um sorriso gigante que deveria ter pertencido a Shane, porque eu nunca tinha visto um tão grande no repertório de contorções de lábio de Penn. Em um movimento rápido, ele cruzou o braço em volta da minha cintura, esmagando-me contra o peito e, em seguida, levantou-me dos meus pés. Eu ri enquanto café espirrava em todos os lugares. E então eu ri mais forte enquanto eu me pendurava em seus braços enquanto ele me levava para a cozinha, roncando, —Mulher, eu tenho um microondas. Eu posso manter essa coisa quente para o resto da sua vida. —

Enquanto mexia as claras e fritava bacon, Penn começou no começo - Lisa. Onde eles se conheceram. Quanto tempo eles namoraram? Isso me fez uma masoquista, considerando que ela tinha sido a esposa do homem que eu amava, mas ela também era Lexy. Parte de mim se alegrou com o conhecimento de que,


independentemente de como terminara, sua vida fora bela. Ele me contou tudo sobre ela entrando no meu quarto e plantando aquela câmera escondida em minhas estrelas. Fiquei chocada e me senti um pouco violada para ser honesta. Quero dizer, quem fez isso? Mas a maneira como Penn parecia mais leve, com todos os detalhes que ele divulgava, tornava impossível que eu insistisse nisso. Eu nunca o vi falar tanto ou tão rápido - mesmo com as coisas dolorosas. Alguns fatos divertidos que aprendi: Penn tinha ido para o MIT - como puta merda, o verdadeiro MIT. Segundo seu diploma, ele era arquiteto. Piscar. Piscar. Piscar. De acordo com sua conta bancária, ele era uma espécie de magnata do setor imobiliário. O único status de magnata que eu já tinha chegado perto era no campo do extermínio de percevejos. Ele ainda possuía a casa à beira-mar que ele tinha compartilhado com Lisa na Flórida, o que era meio triste e muito intimidante.


Ele pagou a um cara centenas de milhares de dólares para comprar a identidade Penn Walker. Considerando que ele me pagou um milhão de dólares para escapar, eu pensei que ele tinha conseguido um bom negócio. Entrei naquela conversa desesperada para saber quem ele era, mas não estava pronta para a resposta. Sua cor favorita era, na verdade, ainda azul. Mas foi aí que as semelhanças terminaram. No entanto, com um coração partido e um sorriso forçado, dei-lhe o benefício da dúvida e continuei escutando. Depois que cobrimos todas as coisas, sobre Lisa começou a me contar sobre nossas primeiras semanas juntos. Foi uma loucura ouvir minhas memórias da perspectiva de outra pessoa. Algumas partes eram engraçadas. Como quando ele me contou como havia perdido o primeiro lote de bolinhos de Maury Poppins e teve que dirigir até a padaria para conseguir mais. Outras partes eram mortificantes. Se não houvesse bacon envolvido, eu teria me arrastado para baixo do bar quando ele começou a listar todas as vezes que ele me pegou olhando para ele. Aparentemente, eu não estava tão calma quanto pensava.


E então eu pensei que meu coração fosse bater no meu peito - e não porque eu estava na minha terceira xícara de café quando ele me disse por que ele nunca tocou meu colar de estrelas. —Cada momento com você se sentiu como um alívio. Quando eu olhei para você, quando te toquei, quando você me tocou. A culpa não estava me devorando. O fracasso não estava me consumindo. O ódio não estava me sufocando. E com a chance de que você sentia o mesmo, eu queria dar isso de volta para você. Nunca poderei esquecer Lisa, e não espero que você esqueça Nic. Mas eu não queria te lembrar dele. E no minuto em que toquei o colar, sua mente teria pulado para a perda, a dor e o passado. Eu queria você comigo no presente, onde eu poderia protegê-la de tudo isso. — Ele fez uma pausa, espátula na mão, um lado da boca enrolando adoravelmente, e depois terminou com: —E apenas sobre o ponto zero zero zero zero, cinco por cento disso tinha algo a ver com eu estar com ciúmes que ele chegou até você primeiro. — Eu ri e joguei um pedaço de bacon para ele. Estava um pouco queimado. Eu não era uma idiota total.


Ao que lembrei a ele que era mais nova que Savannah quando conheci Nic. Para o qual ele esfregou o rosto com tanta força que parecia que ele estava se dando um tratamento facial. Depois de termos abordado todos os aspectos básicos do —como chegamos aqui—, Penn me deu sua história de fundo. Ele era um filho único que tinha vindo de dinheiro e crescido em escolas particulares. Sua mãe morreu de câncer. Seu pai de um derrame alguns anos depois. Ele adorava esquiar - água e neve. Ele sabia o suficiente espanhol para sobreviver. Ele viajou para seis dos sete continentes. E eu ainda era eu. Cora Guerrero. Mãe solteira, criminosa e escória da sociedade. Eu não queria sentir isso. Não com ele. Mas a inadequação estava gritando dentro de mim com cada palavra falada.


Penn me deixou por um motivo. Ele alegou que era para me manter fora da linha de fogo. Proteção, segurança, blá blá blá. Mas depois de ouvir todas as suas histórias sobre o passado, aprendendo quem Shane Pennington realmente era, enquanto estava sentada em seu apartamento chique, olhando para o homem lindo e bem-sucedido, eu tive que me lembrar que Penn nunca tinha pretendido ficar comigo. E essa não era uma festa da desgraça. Era a verdade. Ele disse isso mesmo. Não me entenda mal. Eu fui uma verdadeira pegadinha. Talvez não quando eu tinha dois homens controlando minha vida e um prédio cheio de garotas trabalhando, dependendo de mim, vinte e quatro por sete - isso era uma bagatela de bagagem. Mas eu era uma boa pessoa. Eu era gentil e inteligente e engraçada. Eu tinha uma bunda grande e seios quase perfeitos, mesmo. Mas um homem como o da minha frente era um oceano de completamente diferente. Ele não queria se apaixonar por mim. Suas palavras. Não minhas. E ele não iria ficar apaixonado por mim também. Minhas palavras. Não deles.


De muitas maneiras, essa percepção me cortou como a faca mais afiada. Mas, em outras, isso me libertou, minha raiva e frustração em sua traição indo para o nada. A verdade é uma merda. Mas era como saber que alguém estava mentindo para você. Você não tinha a expectativa de que qualquer coisa que ele dissesse realmente se concretizaria. E porque não havia expectativa da verdade, não poderia haver dor causada pela mentira. Tanto quanto eu odiava admitir: Shane era a verdade. E meu Penn, o homem mais incrível que eu já conheci, era a mentira. Eu não poderia culpá-lo. Eu não podia culpá-lo. Eu não podia nem ficar com raiva dele mais. Em suas infames palavras de todas as semanas anteriores, nem todas as mentiras eram ruins.


Aquele que era alto, moreno e de tirar o fôlego, do outro lado da cozinha, era realmente incrível. E no meu mundo, você se agarrava a qualquer bem que pudesse encontrar. Mesmo se isso te matasse. Eu poderia fingir. Não era o mesmo, mas ele era o mais próximo de Penn que eu poderia conseguir. Eu poderia aceitar esse cara novo. Abrace-o por quanto tempo ele decidir ficar por perto. Era mentira. Mas eu sabia e poderia me preparar para isso. E talvez eu estivesse pronta para terminar quando chegasse a hora. Eu poderia usá-lo como ele me usou. Qualquer coisa era melhor do que a dor de aceitar que ele realmente tinha ido embora.


Ou entĂŁo eu disse a mim mesma - por, oh, cerca de sessenta segundos.


Penn —O que está errado?— Eu perguntei quando seu rosto empalideceu. Ela sorriu - brilhante, largo e falso. —Nada por que?— —Você está olhando para mim como se seu namorado tivesse acabado de entrar e você estivesse tentando ser legal, então ele esperançosamente não vai notar você, o tempo todo tentando se forçar a se concentrar em mim para que eu não note que você ' está assistindo outro cara também. — Ela piscou, e a pressão no meu peito diminuiu quando seu rosto se iluminou em genuína diversão. —Uau, isso era estranhamente específico e, no entanto, não fazia sentido.— Eu ri. —Resumo: Você parece desconfortável e pronta para fugir.— Ela se virou no banco. —Eu não estou desconfortável. Este foi um bom papo. Isso realmente ajudou a esclarecer o que está acontecendo entre nós nos últimos meses. —


Não soou bem. E eu notei que ela não havia negado a parte —pronta para fugir—. Minhas suspeitas se mostraram corretas quando ela se levantou do banco, dizendo: —Preciso tomar um banho—. Meu intestino se torceu. Merda. Talvez eu tenha contado a ela muito sobre Lisa. Ninguém queria ouvir sobre a ex. Mas ela parecia interessada e até sorriu algumas vezes durante aquelas partes. Eu saquei minhas memórias, tentando identificar o momento em que ela começou a desaparecer. Inferno, talvez ela estivesse cansada. Deus sabia que nenhum de nós tinha dormido. E então me lembrei da metade de um bule de café que ela bebeu. Ela teria sorte se estivesse cansada novamente na próxima semana. Eu xinguei baixinho quando ela começou a descer o corredor. Empurrando fora do balcão, segui atrás dela. —Cora, por favor.— Ela fez os olhos para mim por cima do ombro. —Você vem?— Minhas costas dispararam em linha reta, meus ossos se transformaram em pedra e eu congelei no meio do caminho.


E, miúdo, essa é a história de como me tornei uma escultura. —Eu sinto muito. O que?— Ela sorriu - mais brilhante, mais largo e falso. —Ninguém está acordado ainda. Eu notei que havia um chuveiro no banheiro do corredor. Pode ser nossa única chance. — Tudo abaixo do cinto respondeu com um Oh, inferno sim. Acima do cinturão ficou um pouco mais cauteloso. —Nossa única chance de quê?— Ela torceu os lábios. —Não brinque comigo, Shane. — Ela poderia muito bem ter jogado um balde de água gelada em mim. —Não me chame assim.— —É o seu nome. Eu me sinto idiota chamando você de Penn. — Ela inclinou a cabeça para o lado como um querubim, mas eu conhecia Cora. Algo estava acontecendo em sua cabeça. Era feio e sujo, e eu não queria nada com isso. Mas acima de tudo, eu queria que ela não tivesse nada a ver com isso também.


—Meu sobrenome é Pennington, Cora. As pessoas me chamam de Penn desde o ensino médio. E você me chama de Penn desde o dia em que você me conheceu. Não faz sentido parar agora. — Foi uma declaração simples e honesta. Quando Drew e eu decidimos ir em busca do assassino de Lisa, pensamos que o melhor plano de ação era não entrar com o nome de seu parente mais próximo. Penn foi a escolha lógica. Mas algo sobre a minha correção a tinha acendido. Seus olhos se arregalaram e pude vê-la subindo a superfície. Eu não sabia o que era ou quando ia se libertar, mas estava chegando e ia ser enorme. —Não faz sentido parar agora—, ela murmurou para si mesma. —Não—, eu respondi. Ela cruzou os braços sobre o peito. —Não tem sentido, né? Nenhum. De modo nenhum.— Eu espelhei sua posição, espalhando minhas pernas na largura dos ombros, preparando para o impacto. —Nada—


Seus ombros se endireitaram e seu pescoço se esticou. Juro por Deus, acho que seu rosto vibrou por um segundo, e então, de repente, a bomba-relógio dentro dela explodiu. —É o seu maldito nome! Você não é o Penn Walker. Você não é meu namorado. Você não é nada além de uma fraude. Ela bateu a mão sobre a boca. — Não era assim que essa conversa deveria terminar. O chuveiro, absolutamente. Mas não com ela desmoronando novamente. Eu só a tinha de volta nem mesmo um dia, e ela passou a maior parte chorando. Talvez eu não devesse voltar em tudo. Mas foda-se isso. Ela era minha. Shane Penn. Quem quer que eu me tornasse na próxima vida. Cora sempre foi minha. Minha raiva também explodiu. —Como eu sou uma fraude?—


—Oh, deixe-me contar. Esquiar, MIT ... — Ela abriu os braços e girou em círculo. —Esse lugar. Meu Penn estava contente sentado em um sofá velho comigo. Meu Penn gastou cerca de nove por cento de sua renda semanal em cupcakes para mim e minhas meninas. Meu Penn usava jeans rasgados e botas. — Eu fiz uma demonstração de olhar para as minhas roupas de treino. —Isso dificilmente é um terno.— —Quanto custaram esses shorts, Shane?— —Pare de me chamar de Shane.— —É o seu nome! Se você quer que eu aceite este novo você, então você tem que aceitar também. — Eu suguei o que eu esperava que fosse uma respiração calmante. Não foi. Não no mínimo. Se qualquer coisa, esses poucos segundos me deram uma pausa para pensar. —Então deixe-me ver se entendi. Você está chateada por eu ter um hobby, um diploma universitário e dinheiro? — —Estou chateada porque os últimos meses não passaram de um ardil e me apaixonei por um homem que não existe.—


Eu plantei minhas mãos em meus quadris e então sussurrei ameaçadoramente: —Oh, eu existo, Cora.— Eu dei um longo passo em direção a ela, esperando que ela recuasse, mas ela se manteve firme. E com mais alguns passos, eu fiz isso também. Com uma mão, encontrei seu quadril. A outra foi para a parte de trás do pescoço dela, inclinando a cabeça para forçar seu olhar para encontrar o meu. Minha frustração diminuiu quando eu olhei em suas bochechas rosadas e manchadas de lágrimas, mas no momento em que aqueles olhos azuis que alteraram sua vida pousaram nos meus, ela me roubou toda a raiva. Deslizando minha mão ao redor de seu rosto, usei meu polegar para limpar a umidade sob seus olhos. —Eu sei que existo porque durante os quatro anos antes de te conhecer e pelas semanas desde que te perdi, não queria. Meu único propósito nos últimos anos foi fazer com que Thomas pagasse pelo que fez a Lisa - mesmo antes de saber quem ele era. Eu respirei porque precisava. Meu coração bateu porque tinha que fazer. Eu coloquei comida no meu corpo porque eu tinha que fazer. Mas tudo era apenas um meio para um fim. E então eu conheci você. Cora, baby, um minuto naquele banheiro


minúsculo com você e eu mais do que existia. Eu estava vivo de novo. — Eu não esperei. Eu não pedi permissão. Eu apenas a beijei. Difícil e demorado. Lenta e reverente. Minha boca não se abriu. E nem a dela. Mas foi de longe o beijo mais profundo que eu já lhe ofereci. Estava cheio de desculpas. Esperança. Gratidão. Arrependimento. Foram palavras não ditas. Mentiras desvendadas. Achados e perdidos. Eu beijei Cora com a verdade - tudo isso - pela primeira vez.


Ela se afastou primeiro, mas ela não foi longe. —Penn—, ela sussurrou, lágrimas enchendo os olhos novamente. Alívio inundou minhas veias. —Eu estou bem aqui.— Eu peguei seu pulso e guiei sua mão para descansar sobre o meu coração. —Sou eu. Ainda sou eu. — —Eu quero ir para casa—, ela chorou. —Algo tem que fazer sentido novamente. Eu só quero ir para casa.— Eu a empurrei com muita força. Muito rápido. Demais. Ela pediu tempo, mas eu estava tão empenhado em recuperá-la que não tinha considerado devidamente o impacto emocional e físico que tudo isso levaria sobre ela. Mentiras eram leves e fofas. Feitas sob encomenda. Fácil de digerir. Impossível de se segurar. Mas a verdade era densa. Um pedregulho feito de ímãs, a Terra de norte ao sul. A verdade poderia esmagar uma pessoa com nada mais que a realidade. E então, quando ela plantou seu rosto no peito, estava esmagando a nós dois.


Movimento pegou meus olhos, puxando minha atenção para cima. Nossa pequena altercação atraiu uma multidão. Drew, Savannah, River, Isabel e Catalina estavam todos de pé no corredor, preocupação em seus olhos. Eu olhei para Drew primeiro. —Eu preciso do quarto.— —Sim. Certo. Vá em frente, — ele disse, saindo do caminho. Ela queria o Penn. Ela queria conforto. Ela queria que algo parecesse normal novamente. Eu poderia fazer isso. —Feche os olhos—, eu sussurrei. Quando ela não objetou, eu coloquei um braço na parte de trás de suas pernas e a levantei. Os olhos de River estavam arregalados quando levei sua mãe quebrada para o meu quarto. —Está tudo bem —, eu murmurei para ela. Ela assentiu, não convencida.


Pouco antes de fechar a porta do quarto, Savannah - que Deus abençoe aquela criança - agarrou seu braço e falou: —Sinto cheiro de bacon. Vamos dar uma olhada. — Quando a porta clicou, coloquei Cora em pé e beijei sua testa. —Fique aqui. Eu volto já.— Depois de empurrar a mesinha de cabeceira e a poltrona para um canto, peguei todos os cobertores da cama e arrastei o colchão para o chão. A caminho do armário de roupas de cama no banheiro, puxei as cortinas com força, bloqueando o máximo de sol da manhã que pude. Eu não tinha uma colcha como a que Cora usara em sua cama, mas havia um cobertor fino que estaria perto o suficiente. Eu espalhei no colchão e depois caí de joelhos. —Eu não tenho estrelas. Mas estou aqui, Cora. Estamos aqui. Eu e você.— Ela abriu os olhos, o queixo tremendo enquanto tentava sorrir. —Penn—. Suave como uma pena, aquela sílaba me varreu. —Venha cá, Cor.—


A próxima batida, ela estava em meus braços, seu rosto enterrado no meu pescoço. Eu a joguei em nossa posição falante: eu em minhas costas, sua cabeça descansando no meu ombro, sua coxa envolta em meus quadris, sua mão descansando no meu estômago. E só então eu exalei. Toda essa explosão do passado deveria ser para ela. Mas o suave aroma floral de seu xampu encheu meus sentidos e me levou de volta ao seu apartamento também. Meu corpo caiu, verdadeiramente relaxando pela primeira vez em semanas. —Verdade ou mentira?— Murmurei contra o topo de sua cabeça. —Eu não quero mais jogar.— —Bem. Então me escute falar. Eu te disse todas essas coisas na cozinha porque eu pensei que você queria que eu te contasse sobre o homem que eu costumava ser. Eu estava tentando ser o mais honesto possível, não deixando nada de fora. Mas, claramente, deixei de fora as partes que você precisava ouvir mais. As partes em que eu sempre fui Penn. E eu sempre serei. —


Suas sobrancelhas se uniram. —Isso é treta. Penn não iria esquiar—. Sim. Isso é o que ela disse. Ela estava tendo um colapso nervoso porque eu gostava de esquiar. Isso me fez um idiota, mas eu ri. —Sim, ele fodidamente faria, Cora. Ele alugaria uma cabana com seu melhor amigo, Drew. Ficaria chapado de uísque, perderia uma aposta, desceria a ladeira do coelho em um trenó em nada além de sua calcinha, e então acordaria na manhã seguinte para pegar o elevador até a corrida mais alta, na esperança de conseguir uma alta adrenalina na descida. — Sua cabeça se levantou como se eu a tivesse ofendido. —Oh meu Deus, Shane usa calcinha?— Eu ri de novo, mesmo quando a senti atirando em mim com seus olhos. — Shane tinha vinte e quatro anos nessa história. Sua mãe morava na esquina e ainda lavava a roupa duas vezes por semana. Confie em mim, se você tivesse que ouvir minha mãe falar sobre os benefícios escrotais dos homens que usavam


roupas íntimas toda vez que ela não encontrasse nenhuma no cesto, você as colocaria também—. Ela olhou para mim, não mais louca, mas estranhamente confusa. —Existem benefícios escrotais para usar roupas íntimas?— Eu sorri abertamente. —Nenhum que eu encontrei. Embora se você quiser gastar esse tempo vasculhando a internet para garantir que meu pau esteja em boas condições, ficarei feliz em esperar. — Sua confusão se transformou em um brilho. E eu amava isso. Porque ela não parecia mais triste. —Ok, então essa foi a sua pergunta, e antes de discutir, eu deixei você pegar duas. Então é a minha vez. Verdade ou mentira: por que você quer ser uma contadora? — —Eu te disse que não estava jogando.— Ela sentou-se, cruzando as pernas na frente dela como uma barreira. Uma que eu ignorei quando eu deslizei até que os joelhos dela bateram no meu lado.


Coloquei um braço sobre as pernas dela e dei-lhe um aperto na coxa. —Sim, mas então você fez uma pergunta e eu respondi, então, como dito no livro de regras da Verdade ou da Mentira, isso significa que você está obrigada a pelo menos uma rodada de dez perguntas.— Ela olhou para mim como se eu tivesse brotado uma segunda cabeça, mas isso estava bem para mim. Porque ela ainda não parecia triste. —Não existe livro de regras da Verdade ou da Mentira. Eu criei as regras. E em nenhum lugar diz que perguntar sobre os benefícios escrotais te trava em uma rodada de dez perguntas — . Minhas sobrancelhas se ergueram. —Uau, você está realmente obcecada com o meu pau.— Sua boca se abriu, e foi tudo que eu pude fazer para não arrastá-la para baixo e beijá-la sem fôlego. Porque não só ela não parecia triste - suas bochechas brilhavam com um rosa sexy.


Ela cortou o olhar para longe. —Se você está tentando provar para mim que ainda é o Penn, você pode querer parar de sorrir e fazer piadas e me encarar um pouco mais.— —Eu virei uma nova folha. Nada para franzir quando eu tenho você—. Desta vez, não só ela não estava triste. Seus lábios realmente começaram a se inclinar nos cantos. —Oh, o outro lado dessa folha estava coberto de linhas de queijo?— Eu estendi a mão e puxei as pontas de seu cabelo loiro. — Talvez. Está funcionando?— E então aconteceu. Ela riu. E foi tão intoxicante que eu também ri. A piada não era tão engraçada assim. Era realmente muito estúpida. Mas foi um breve momento de felicidade no meio de um pesadelo. Eu a abraçaria o quanto pudesse.


Ela ainda estava rindo quando desabou ao meu lado, de costas, olhando para o teto. —Você é ridículo.— Mudando para o meu lado para encará-la, apoiei a cabeça na minha mão com um cotovelo na cama. —Você está certa. Eu sou. E não porque sou o Penn ou o Shane. Eles são a mesma pessoa, Cora. Sou só eu. Todos nós temos facetas diferentes para nossas personalidades —. Eu mergulhei e escovei os lábios dela. —E cada um dos meus está apaixonado por você. Cora, a grisalha mãe. Cora, a futura contadora. Cora a mãe. Cora, a viciada em chocolate. Cora, as quatro colheres de sopa de cerveja e ela está bêbada. Cora a linda. Cora estressada. Cora a triste. Cora a feliz. Eu amo absolutamente todos elas —. Ela piscou para mim, seu rosto ilegível. Tanta coisa havia acontecido no último dia que eu sabia que ela tinha que estar sobrecarregada. Mas eu não aguentava mais o limbo. Nossa jornada pelo inferno estava longe de terminar. Thomas ainda estava vivo. Drew estava furioso e pronto para ir atrás dele. E Catalina estava decidida a ir aos policiais. Ter algum


tipo de resolução entre nós dois teria diminuído a pressão no meu peito. —Diga alguma coisa—, eu sussurrei, meu coração batendo até que eu temesse que ela pudesse ouvir. —Arranque o BandAid. Seja o que for, apenas diga. — Seus olhos ficaram suaves e, enquanto ela não emitia um som, eu vi todo o seu corpo suspirar. Esperança cantou em minhas veias. E então o mais ínfimo dos sorrisos diminuiu seus lábios. — Eu tinha razão. Sua nova folha realmente estava coberta de linhas de queijo. — Eu estreitei meus olhos, mas vendo como eu nunca tinha sorrido tão largamente em toda a minha vida, eu não imaginei que isso enchesse qualquer calor. —Você sempre foi assim tão esperta?— Ela assentiu com a cabeça, avançando em minha direção até que seu peito ficou nivelado com o meu, seu corpo macio moldando ao meu redor. —Sim. É uma das minhas melhores facetas. —


—Qual é seria uma das piores, então?— Ela encolheu os ombros. —Meu gosto por homens.— —Ouch— Ela riu, aconchegando-se perto. —Você nunca respondeu à minha pergunta sobre por que você escolheu contabilidade.— —Eu sou boa com números. É uma vida honesta. E é chato como o inferno. — —Sim. Eu poderia usar algumas coisas chatas agora mesmo. — Ela cantarolou, mas não disse mais nada. Eu olhei para o teto naquele quarto, contando suas respirações. Inspire. Expire. Enquanto o ponteiro dos minutos passava, seu corpo ficou flácido e sua respiração se estabilizou. Eu queria falar mais. Nada havia sido resolvido.


Mas ela não estava mais triste. Ela estava abraçada ao meu lado, confortável o suficiente para finalmente cochilar. Confiando em mim o suficiente para segurá-la enquanto ela fazia isso. Isso por si só era mais do que qualquer conversa que nos levasse a sério. E ela estava abraçada ao meu lado, então isso me deixou confortável o suficiente para finalmente cochilar também.


Cora O som do seu grunhido irritado me arrancou do sono. Eu me endireitei e Penn se levantou antes que seus olhos se abrissem. —Tire suas mãos de mim!— Catalina gritou do outro lado da porta do nosso quarto. Eu não processei totalmente o que, quando ou onde do que estava acontecendo lá fora. Mas eu conhecia o homem e corri para a voz dela. Penn agarrou meu braço, puxando-me para baixo, sussurrando: —O que você está fazendo? Alguém poderia estar lá fora. — Eu abri minha boca para dizer: Sim, Catalina. Mas ele levou um dedo aos lábios e ordenou em torno dele: —Shhhh ... Fique aqui.— Isso teria sido bom e elegante se ele não tivesse produzido magicamente uma arma.


Que diabos… —Penn, espere.— Ele olhou para mim com impaciência e estalou o dedo antes de apontar mais fundo na sala. —Escute. Volte. — Eu não gostava da coisa toda de —estalar e me dizer o que fazer—, mas eu estava muito ligada ao meu pulso. Se ele estava certo sobre alguém estar lá fora, Penn tinha uma arma e eu mal tive a respiração da manhã. Eu era teimosa, mas não estúpida. Afastando-me, prometi discutir o estalo com ele mais tarde, como quando eu estava cortando legumes com uma faca muito grande - supondo que eu fizesse isso por tanto tempo. Silenciosamente, girando a maçaneta, ele abriu a porta e espiou para fora. Prendi a respiração, minha mão na minha estrela quando comecei a fazer as contas em que River poderia estar no apartamento. Eu vagamente me lembrava de ter visto ela e Savannah no corredor pouco antes do meu incontável colapso emocional do dia.


Então minhas costas dispararam em linha reta quando o rosnado de Drew entrou no quarto. —Você precisa relaxar.— Os ombros de Penn caíram e ele soltou um suspiro irregular, abrindo a porta. —Jesus fodido Cristo. Com que diabos vocês estão brigando? — Alívio surgiu através de mim - prematuramente. —Oh, bom. Você está acordado — disparou Cat, passando por Penn. Seus olhos castanhos pousaram em mim, a luz do corredor revelando uma quantidade alarmante de ansiedade. — Pegue seus sapatos. Estamos indo embora. — —O inferno que você está—, disse Penn. —Vocês podem ter Thomas—, ela disse a Penn. —Mate ele. Derrube-o vivo. Pendure-o nos degraus do tribunal, eu não dou a mínima. — Ela apontou para mim. —Mas ela e eu, e todas as crianças, estamos saindo. Agora. — Meu estômago revirou. Catalina não era conhecida por ser dramática. Ela se machucou, ela chorou, mas ela não era Debbie do apocalipse. Então, o que quer que a tenha feito, tinha que ser


maior que grande, e isso me deixou nauseada antes mesmo que eu soubesse o que era. —O que está acontecendo?— Eu perguntei. Penn se moveu para o meu lado, seu braço ao redor dos meus ombros rígidos, mas eu só tinha olhos para Catalina. —Conte-me.— Ela olhou para o possessivo suspense de Penn e lançou a Drew um olhar penetrante antes de começar. —Cedo esta manhã, um juiz concedeu ao meu pai uma libertação temporária para assistir ao funeral de seus filhos. Há vinte minutos, o agente penitenciário que o protegia foi encontrado morto, sem nenhum sinal de Manuel em lugar algum. Está em todos os noticiários. Uma caçada total está em andamento. — Minha cabeça girou quando o sangue drenou do meu rosto. Penn estava lá para me manter de pé, mas quem impediria o mundo de sair de órbita abaixo de todos nós? —Isso não significa nada—, disse Drew, apoiando o ombro no batente da porta, mas estava relaxado. Seu olhar estava fixo em seu amigo, uma conversa silenciosa acontecendo entre eles. Catalina se virou. —Você está brincando comigo? Nas primeiras horas da manhã, depois que meu marido me encontra


pela primeira vez em quatro anos e não consegue me matar, um juiz assina para ter meu pai temporariamente libertado da prisão? Por favor, me diga que você não é idiota o suficiente para pensar que isso é uma coincidência. — Ele revirou os olhos. —Thomas colocou Manuel fora. Por que diabos ele o deixaria sair agora? — —Merda, você é tão estúpido.— Ela inclinou a cabeça. — Como você chegou até aqui sem um cérebro?— Ele arqueou uma sobrancelha. —Boa aparência e grande pau. Você?— Penn e eu assistimos a conversa deles como uma partida de tênis. Eles se conheciam há menos de um dia e já era seguro dizer que não havia amor perdido entre os dois. —Jesus Cristo—, Penn murmurou. —Vocês dois podem parar por um minuto? Catalina, fale. — Ela virou Drew antes de se virar para Penn. —Me diga isso. Se meu corpo fosse encontrado fresco e flutuando em um rio, quem a polícia presumiria que tivesse me matado? O advogado do distrito despedaçado com uma reputação de ouro ou o meu pai criminoso que testemunhei e desde então matou um guarda


e escapou da custódia? — O pânico se instalou no meu estômago quando ela olhou para cada um de nós. —Qualquer suposição?— —Ele é o cara para levar a queda—, respondi, tomando o meu próprio peso novamente. —Puta merda. Ele não apenas pintou um alvo ainda maior em suas costas, como também tirou o seu. — —Bingo!— Catalina tocou a ponta do nariz. Meu coração acelerou quando todas as peças começaram a se encaixar. —Oh. Meu. Deus.— Eu levantei meu pânico em Catalina. —Você acha que-— —Sim. Querido pai velho tem sessenta e cinco anos agora, mas mesmo aos sessenta e um anos, ele estava com uma péssima saúde. Artrite, muitos anos de drogas que ele passou para Dante, muitos quilos extras colocando pressão sobre os joelhos. Sua mente é afiada, mas fisicamente, ele tem noventa e um pé no túmulo. De jeito nenhum ele dominou um guarda e o matou sozinho. — A sala ficou estática. Penn ficou mais alto.


Drew empurrou o batente. Os cabelos na parte de trás do meu pescoço arrepiou. E Catalina me encarou, esperando que eu chegasse à mesma conclusão que ela já havia concluído. —Eles estão trabalhando juntos de novo—, eu respirei. — Thomas e Manuel. A fuga e o assassinato encenados mantêm as mãos de Thomas limpas, mas recupera um Guerrero. — Nem mesmo o calor de Penn poderia bloquear o frio em minhas veias. —Oh, Deus, ele sabe quem você é.— Eu me afastei dele. —Oh, Deus, ele sabe quem vocês são. Temos que sair daqui. Temos que sair agora. —Corri em direção à porta, chamando: —Preparem as meninas!— Eu dei dois passos antes de um antebraço tatuado ao redor dos meus quadris me puxar de volta. —Que porra você está fazendo?— Ele rosnou. Com as mãos frenéticas, eu empurrei seu braço. —Eu tenho que tirá-las daqui!— Eu olhei para Catalina. —Precisamos tirar o dinheiro da unidade de armazenamento e sumir—. —Concordo—, ela respondeu com um breve aceno de cabeça.


Ele foi seguido por um boom: —De jeito nenhum!— Penn se virou na minha frente. —Você não vai a lugar nenhum.— —Mova-se—, eu retruquei, fazendo o meu melhor para contorná-lo sem sorte. —Você perdeu sua maldita mente se você acha que eu vou ficar aqui e assistir você sair. Eu só te peguei de volta a dois dias. — A frustração me ultrapassou. —E quem disse que você me recuperou, Shane?— Seu rosto ficou duro enquanto todo o seu corpo se encheu de raiva. —Você fez. No minuto em que você adormeceu no meu peito, sua mão agarrada à minha camisa como você estava com medo de que eu desaparecesse, seu corpo se aproximando até que você estivesse em cima de mim e respirando meu nome - e não fodido Shane, mas meu verdadeiro nome.— —Não é seu nome verdadeiro!— —É porque você me chamou assim. Eu não era ninguém antes de entrar no seu apartamento. Você me fez Penn. E por causa disso, eu estou fodendo para isso. Então não se atreva a me dizer que você não voltou para mim. Você pode ficar tão puta


quanto quiser, tão magoada quanto quiser, tão amarga quanto quiser, mas você sentiu, Cora. Da mesma maneira que eu fiz. A mesma maneira que sempre sentimos. — Ele estava certo. Eu sempre senti isso com ele antes mesmo de saber o que era aquilo. Mas os sentimentos não mudaram nossas circunstâncias. A verdade não fez as mentiras desaparecerem. E tanto quanto eu teria dado qualquer coisa para acreditar no contrário, o amor nem sempre conquistou tudo. —Você tomou todas as decisões por mim nos últimos meses e, enquanto algumas delas foram ótimas, outras não. Estou cansada de deixar todo mundo ditar minha vida. Thomas está fazendo isso. Manuel agora também. E eu vou ser amaldiçoada se eu vou deixar você se juntar a esse elenco. — —Eu não estou tentando administrar sua vida. Eu estou tentando impedir você de sair da minha. — Ele passou a mão pelo topo de seu cabelo. —Nós podemos descobrir isso. Manuel não é o começo e o fim de tudo. Não há necessidade de correr para qualquer lugar. Não quando estamos juntos. — —Seja agora ou mais tarde, vai acontecer de uma forma ou de outra.—


—Não. Não vai. Eu não vou deixar. Eu sinto muito, ok? Eu lhe disse que de todas as maneiras que eu sei como, mas deixeme tentar de novo. Eu estraguei tudo, Cora. Eu admito isso. Mas eu não posso deixar você sair agora. E não sou eu quem tenta governar sua vida ou tomar decisões por você. Esse sou eu tentando ser seu parceiro. — Eu pensei sobre por que eu estava muito brava com Penn no último dia. Primeiro, foi por causa de todas as mentiras. Porque ... bem, duh. Isso nunca foi legal. Então eu pensei que era por causa de mais mentiras, especificamente aquelas em que ele não era Penn, mas na verdade esse cara rico e vigilante chamado Shane. Mas logo em seguida, a verdadeira razão pela qual meu coração foi partido em um milhão de pedaços voou dos meus lábios com a velocidade de uma ogiva nuclear. —Até você sair de novo!— Sua cabeça foi para trás. —O que?— —Okayyyyy,— Drew demorou. —Eu acho que Cat e eu vamos dar a vocês dois um pouco de privacidade.— Ele a


conduziu, inclinando-se para dizer: —Penn, cara, pense na casa na Flórida—. Ele bateu no batente da porta duas vezes, me deu uma piscadela e depois fechou a porta. Por tudo isso, Penn nunca arrancou seu olhar irado de mim. —O que você quer dizer até sair de novo? Eu não estou indo a lugar nenhum.— Deixei escapar um suspiro resignado. —Vamos. Vamos ser sinceros aqui. Depois de tudo dito e feito, você não estará aqui. — —Sério?— Ele perguntou. —E onde diabos eu vou estar?— Eu balancei meus braços para os meus lados, batendo minhas mãos contra minhas coxas enquanto elas caiam. —Eu não sei. Esquiar?— Suas sobrancelhas se comprimiram. —O que há com você e esquiar?— —Eu não gosto de esquiar. É isso que é.— —Você já fez?— —Não.—


—Então como você sabe?— —Porque é caro.— —Então é uma coisa de dinheiro?— —Não, é coisa de gente!— Ele coçou a parte de trás da cabeça. —Sim, ok, eu não tenho ideia do que estamos falando agora.— Eu gemi por sua incapacidade de seguir a bola quicando tão óbvia. —Você já viu Uma linda Mulher? — Suas sobrancelhas estalaram tão alto que quase atingiram sua linha do cabelo. —A menos que esta seja a sua maneira de me dizer que você tem trabalhado na rua com as meninas nos últimos meses, isso não ajuda a esclarecer nada para mim.— —Eu não sou como você, ok? Nós não temos os mesmos interesses. Nós nem mesmo somos do mesmo mundo. Quando tudo isso acabar, você perceberá como somos diferentes. — Eu estava à beira de mais lágrimas. Mas Penn ... bem, ele sorriu, escuro e sexy. —Jesus, Cora. Agora isso eu posso lidar. —


—Oh, fantástico. Lide com isso. — Ele sorriu. —Alguma chance de você vir se deitar comigo para que eu possa explicar corretamente todas as maneiras pelas quais diferente pode ser bom sem você tentar colocar espaço entre nós como um cinto de castidade? — Por meu corpo: Sim. Absolutamente sim. Por minha mente e, portanto, minha boca: —Não tenho certeza se é uma boa ideia—. Seus olhos brilhavam com malícia. Tomando minha mão, ele deu alguns passos para trás, me puxando com ele. —Ok, bem, isso é definitivamente uma diferença que nós temos. Porque acho que pode ser a melhor ideia que já tive há algum tempo. — —Sem ofensa, Penn. Mas sua última ideia foi fingir sua própria morte. Eu não acho que haja muita competição na categoria das grandes ideias que você teve recentemente. — Seu sorriso cresceu em um sorriso, e ele continuou recuando. —Então você admite que é uma ótima ideia.— —Na verdade, tenho certeza que disse o contrário disso.—


Meu pulso acelerou quando seus calcanhares bateram no colchão. Seu olhar provocante ficou quente, o que enviou uma corrida pelo meu sistema nervoso. Deus, eu senti falta desse sentimento. Foi como sair da sombra e entrar no sol. Eu pensei que tinha perdido quando o perdi. Mas ele não foi embora. Ele estava bem ali na minha frente. Sua mão foi para a parte de trás de sua camisa e, em seguida, ele estava de repente em pé na minha frente sem camisa. —Pessoalmente, acho que precisamos reduzir esse negócio de diferenças a um nível muito básico —.


Cora Minha respiração ficou presa na minha garganta quando sua mão calejada foi para a barra da minha camisa. —Você pode me dizer para parar, Cora. E você sabe que eu vou. Mas eu estou te implorando para não fazer isso. — Ele estava tão perto que eu estava sem esperança de impedir que meu corpo respondesse. O zumbido me atingiu com uma força ensurdecedora, formigando minha pele como se o ar entre nós tivesse se tornado eletrificado. Eu olhei para cima em olhos azuis com capuz. —Eu não acho que isso consertará nada, Penn. Temos muita coisa para nos preocupar. — Ok, não é totalmente verdade. Pulando nele naquele momento teria feito maravilhas para consertar a dor entre minhas pernas, mas não teria mudado quem nós éramos. Ou quem nós não éramos.


—Isso é porque não há nada para consertar. E pare de se preocupar. Eu estou bem aqui.— Ele deslizou minha blusa alguns centímetros, revelando meu estômago. —Então vou repetir: você pode me dizer para parar, Cora. E você sabe que eu vou. Mas eu estou te implorando para não fazer isso. — —Eu não quero que você pare, Penn. Eu nunca quis que você parasse. Mesmo quando você fez. — Seus olhos ficaram suaves. E então eu os perdi de vista completamente. Seus lábios desceram, selando os meus, desmoronando a resistência que eu nunca tive. Ele me beijou sem fôlego, ainda mais do que a primeira vez que eu o provei. Sua boca abriu, nossas línguas deslizando juntas, roubando meus pensamentos e medos. Me levantando na ponta dos pés, eu circulei meus braços ao redor de seu pescoço, aprofundando o beijo até que decidi que não poderia chegar perto o suficiente e comecei a subir em seu corpo.


Ele espalmou minha bunda, levantando-me dos meus pés. Minhas pernas se enrolaram em torno de seus quadris, um gemido escapando quando encontrei uma fricção gloriosa contra seu estômago. Esperei que ele voltasse, me levasse ao colchão no chão e apagasse as últimas semanas de dor intensa com nada além do corpo dele. Em vez disso, ele murmurou uma maldição e começou a andar comigo apertada em seus braços. —Onde você vai?— Murmurei, movendo meus beijos para o pescoço dele. —Eu ouvi Drew roncando pela porta ontem à noite. Eu não vou ficar quieto, Cora. E tenho certeza que, porra, não quero que você seja também. — Sorri quando percebi que estávamos no banheiro. Ele chutou a porta e me pôs de pé. Ele foi direto para a gigante banheira de hidromassagem e ligou a torneira. Meu estômago mergulhou na ideia de montá-lo com as ondas de água ao redor de nós. No entanto, como um tornado, ele girou de volta,


batendo no chuveiro — os dois - e a banheira ligada até que eu não tinha certeza se íamos fazer sexo ou inundar o prédio. —O que você está fazendo?— Eu ri. Ele colocou a mão no ouvido e depois me deu uma piscadela. —Isto deve ser bom o suficiente.— Enrolando um dedo para mim, ele disse: —Venha cá, amor. Eu quero te mostrar algo.— Minhas bochechas aqueceram enquanto eu andei em direção a ele. Ele me bicou nos lábios e mais uma vez pegou a bainha da minha camisa. —Posso?— Eu levantei meus braços acima da minha cabeça. —Tão cavalheiro.— —Por agora.— Ele sorriu, puxando o tecido sobre a minha cabeça e jogando-o distraidamente pela sala. Batendo os dentes sobre o lábio inferior, ele olhou para o seu dedo enquanto ele traçava os meus seios. Arrepios percorreram minha pele quando um frio ricocheteou através de mim. Eu assobiei, minhas pálpebras se


fechando, quando seu dedo calejado mergulhou dentro da taça do meu sutiã e roçou meu mamilo duro, enviando faíscas diretamente para o meu clitóris. —Oh, Deus—, eu respirei. Ele se moveu para o meu outro seio, repetindo o processo de entorpecer a mente, enquanto provava que era um multitarefa ao soltar meu sutiã ao mesmo tempo. —Melhor—, eu murmurei, permitindo que ela caísse pelos meus braços no chão. Senti seu sorriso quando ele arrastou beijos no meu pescoço até o meu ouvido, onde ele murmurou: —Dê-me sua mão.— Eu ofereci a palma para fora, e ele colocou em seu peito antes de pedir: —Agora, me dê sua outra mão.— Eu segui a direção dele e esta pousou no meu peito nu. Ele cobriu minhas mãos com as suas, usando nossa conexão para apertar e esfregar. —Como se sente, baby?— Eu arqueei minhas costas e tentei sair de debaixo do aperto dele. —Melhor quando você faz isso.—


—Não. Como se sente? Dois seios, mas são diferentes, certo? — Meus olhos se abriram e eu engoli em seco. —Penn ... eu-— —Shhhh— Ele ergueu as mãos que nós tínhamos sobre o coração dele para a boca e beijou cada um dos meus dedos, esfregando o último para trás e para frente sobre o lábio inferior. —O que é isso, baby?— —Sua boca.— Ele sorriu, tirou minha mão do meu peito e puxou meu mamilo - áspero e inebriante. —E isto?— —Meu mamilo—, eu respondi sem fôlego. —Então, temos minha boca e seu mamilo. Duas coisas muito diferentes. Vamos ver como isso funciona entre os dois. — Meus pulmões ardiam de antecipação quando ele lentamente afundou, seus olhos azuis apontaram para mim e sugou meu mamilo entre seus lábios. —Oh Deus.— Eu usei seus ombros para me equilibrar enquanto balançava nas pernas desossadas.


Perdida na sensação, fechei meus olhos, mas ele afastou sua boca rapidamente. —Não, Cora. Eu quero que você olhe para mim. Eu quero que você veja exatamente o quão bonito pode ser diferente. — Eu gritei na mais incrível mistura de dor e prazer enquanto seus dentes arranhavam minha carne sensível, que ele seguiu com carícias arrojadas de sua língua girando e suavizando. Seus olhos estavam trancados nos meus, bonitos, hipnóticos e poderosos, e ele mudou seu foco para o meu outro seio. Aquele primeiro beliscão acendeu uma febre em minha pele, aquecendo-me da cabeça aos pés. Dos mamilos para o clitóris. —Penn—, implorei, suas intenções sendo claras quando ele felizmente começou a abrir o botão do meu jeans. Eu trabalhei com ele, deslizando por minhas coxas o melhor que pude sem quebrar a conexão de sua boca no meu peito. Eu tinha acabado de sair do jeans pesado quando ele arrastou minha calcinha para o lado e arrastou seu dedo ágil sobre a minha fenda, mergulhando no molhado sem pressionar para dentro.


—Sim—, eu assobiei, espalhando minhas pernas, silenciosamente pedindo mais. Foi uma oferta que ele aceitou com entusiasmo, deslizando dois dedos dentro de mim. —Oh, Deus, baby, sim, por favor, sim—, saiu dos meus lábios em uma sequência de divagações incoerentes. —Meus dedos e seu calor, Cora—, ele murmurou contra o meu peito. —Você sente aquilo?— —Sim.— Ele enrolou os dedos, acariciando e persuadindo minha liberação para a superfície. —Diferente é bom, baby?— —Sim—, respondi com desdém, só capaz de sílabas únicas. —Diferente é bom, né?— Mudei minha mão para a parte de trás de sua cabeça, pedindo-lhe para tomar mais do meu peito. Sua boca se abriu mais e ele me chupou profundamente. Seu gemido de aprovação vibrou meu mamilo, enviando uma carga pecaminosa rugindo através do meu corpo já em chamas.


—Muito—, eu respondi. Eu silenciosamente lamentei respondendo a ele quando de repente ele se levantou e se afastou. Seu olhar ardente passou por cima de mim, um sorriso arrogante puxando seus lábios. —Ela fodidamente gosta assim e está surtando como se eu fosse um prêmio.— Minhas bochechas aqueceram sob o seu louvor. —E ela é fofa.— Ele enfiou os polegares no cós de seu short e empurrou-os para baixo, sua ereção longa e grossa se soltando. —Mmmm—, ele cantarolou, chamando minha atenção de volta para seu rosto sorridente. —E ela olha para mim assim. Jesus, mulher. Você vai me matar. — —Bem, tecnicamente ...— —Você faz qualquer tipo de piada agora sobre eu já estar morto e estou colocando meus shorts de volta.— Eu mostrei meu próprio sorriso arrogante e encolhi os ombros. —Bem, Penn já está morto, então ...— Ele balançou a cabeça e murmurou: —E ela aceitou meu blefe—.


Eu ri quando, de repente, ele me tirou do chão e me levou para o chuveiro. Era tão grande que não havia uma porta ou uma cortina. Havia um chuveiro em cada extremidade, caindo água de cima. Mas eu estava olhando para o longo banco que corria o comprimento da parede. Ele me colocou de pé sob o spray e pegou uma garrafa de sabonete líquido da prateleira de pedra no canto. —Eu preciso de um banho. E te foder de forma feroz, mas primeiro precisamos terminar a discussão sobre sermos diferentes —. Meu estômago mergulhou e meus mamilos endureceram. —Acho que gosto mais do seu jogo de diferenças do que de Verdade ou Mentira. — —Eu também, fodidamente—, ele respondeu, fazendo uma rápida rotina de esfrega as mãos antes de colocar as mãos ensaboadas em mim. Eu sorri, dando-lhe as costas, mas suas mãos voltaram direto para os meus seios. —Eu senti falta de tomar banho com você. Eu sou sempre muito mais limpo quando você faz isso —, eu disse.


Seu peito bateu nas minhas costas e a barba em seu queixo fez cócegas enquanto ele salpicava beijos no meu pescoço. —Eu não sei o quão limpo vou deixar o resto de você, mas estes— rolou meu mamilo entre o polegar e o indicador - —ficarão impecáveis—. —Mmm—, eu gemi, inclinando a cabeça para trás e fechando os olhos. A água caiu sobre nós, enxaguando o sabão enquanto a pressão entre as minhas coxas aumentava como uma onda pronta para quebrar. —Me dê sua mão, Cor. — Eu obedeci imediatamente, ansiosa para onde esta ia pousar. Ele se deslocou para o meu lado oposto e guiou meus dedos entre as minhas pernas. O ar arrancou dos meus pulmões quando eu encontrei o meu clitóris, a sensação emocionante crescendo no meu estômago. —O que você sente?— Ele sussurrou, mordendo meu ouvido. —Eu—, eu respondi, embalando a cabeça para o lado para descansar em seu ombro.


Seus dedos se juntaram aos meus, provocando e brincando antes de entrar em mim lentamente, alongando-se com intenção deliberada. Minha mão parou quando eu dobrei para frente, ofegando por ar e soltando. —Não pare—, ele exigiu. Eu estava ofegante, perto, mas tão longe de qualquer tipo de liberação, quando ele guiou minha mão livre para o seu comprimento, envolvendo minha palma em torno de seu eixo e colocando por cima. O chiado mais sexy saiu de seus lábios enquanto eu o deslizava através do meu punho. Os músculos do peito dele se esticaram contra o meu braço enquanto trabalhávamos juntos. —O que você sente?— Ele perguntou com uma voz rouca. —Você—, eu respondi, inclinando a cabeça para trás, pedindo um beijo. Seus lábios vieram aos meus, mas não por um beijo. Ele enfiou o dedo dentro de mim, incitando uma explosão de prazer que abalou a Terra. Liberando seu comprimento, ele serpenteou


o braço em volta de mim para me manter em pé e sussurrou em minha boca aberta, —Diferente pode ser bonito. Nós viemos de mundos diferentes - eu vou concordar com isso. Mas eu vivi no seu e agora você vai morar no meu. Porque nós pertencemos juntos. — —Penn!— Eu chorei, meu orgasmo se elevando. Seu dedo bombeou dentro de mim, torcendo e girando enquanto ele me levava para a borda. Ele beliscou meu lábio inferior. —Nós ganhamos isso. Você e eu. Nós ganhamos esse sentimento, bem aqui, agora mesmo. E nós ganhamos da maneira mais difícil possível. Não foi fácil e eu suspeito que nunca será, mas caramba, nós estaremos juntos—. Eu engoli cada uma das suas palavras. Elas tinham gosto de esperança - minha maior inimiga de todas. —Por favor, Penn—, eu implorei, a dor enrolada da necessidade pulsando ao ponto de insanidade. Eu precisava dele. Eu precisava dele de muitas maneiras. O vazio que só ele poderia preencher dentro de mim não era apenas sexual. Estava no meu coração.


Era na minha alma. Era no meu ser como um todo. Era só ele. Era tudo o que aconteceu desde o dia em que nos conhecemos. Shane, Penn. Eu não me importava. Era só ele. Ele continuou, a emoção o ultrapassando, preenchendo não apenas suas palavras, mas seus movimentos com uma urgência desesperada. —Nós éramos a única verdade que importava em tudo disso. Nós ganhamos isso. Eu não vou perder isso. Eu não vou perder você. — —Não!— Eu chorei quando ele de repente retirou os dedos quando eu estava à beira do orgasmo. Mas não tive tempo de reclamar porque, em um movimento fluido, ele girou, afundou no banco, me puxou para o seu colo, seu peito nas minhas costas e me empalou na experiência mais erótica da minha vida. —Penn—, eu engasguei quando o orgasmo arrancou do meu corpo como se tivesse sido arrancado da minha alma.


Ele rapidamente fechou minhas pernas, mantendo-as fechadas com suas coxas. Então, circulando seus braços ao redor da minha cintura, ele usou sua força na parte superior do corpo para me foder fundo com o ritmo duro e rápido de determinação. Meu clitóris rolou entre minhas coxas cerradas, me enviando mais e mais através dos picos voláteis e vales de êxtase. —Eu te amo—, ele rosnou, as pontas dos dedos mordendo meus quadris enquanto ele dirigia para dentro de mim. —Eu te amo tanto assim. Não vou desistir de nós novamente. Prometame que você também não vai. Prometa-me, Cora. — Eu estava descendo de um orgasmo e podia senti-lo inchando incrivelmente mais forte quando ele começou sua própria escalada até o topo. A última coisa que eu queria era que seu desespero demorasse quando ele chegasse lá. Eu me senti linda com ele. Eu me senti segura com ele. Eu me senti amada com ele. Eu sempre senti.


E o sangue zumbiu em minhas veias de uma maneira que eu sabia que nunca desapareceria. Não com ele. —Pare—, eu respirei e foi como se eu tivesse ligado um interruptor. Suas pernas se abriram, seus braços caíram e ele se inclinou para trás, de modo que nem mesmo seu peito estava me tocando. Deus. Este homem. Este doce, doce e belo homem. Aquele que me amava e só estava tentando cuidar de mim embora um pouco mal orientado às vezes. E sim, e daí? Ele era rico e gostava de esquiar. Eu gostava de dinheiro e, embora eu provavelmente quebrasse meu rosto em uma ladeira, ficaria mais do que feliz em beber chocolate quente e observá-lo. Não havia como negar que viemos de mundos diferentes. Mas ele nunca me julgou ou me fez sentir mal ou suja pelo local de onde eu vim. E eu tinha uma suspeita de que não importava


em qual mundo nos instalássemos enquanto estivéssemos juntos. —Sinto muito—, disse ele enquanto eu saía do seu colo, o vapor do chuveiro fazendo com que minha pele se avermelhasse. Eu me virei, encontrando seu rosto forte e bonito cheio de desculpas. —Você está-— —Estou bem.— Eu sorri, colocando um joelho em ambos os lados dele e depois voltando para o colo dele. Ele escovou meu cabelo molhado do meu pescoço e, em seguida, passou a mão até a minha bochecha. —Jesus Cristo, você me assustou.— Eu me inclinei para beijar seus lábios, onde eu murmurei: —Volte para dentro de mim, baby. Eu só queria ter essa conversa cara a cara. — Seus olhos escureceram e ele não demorou em guiar seu comprimento para a minha abertura. Segurando seu olhar, eu afundei, lento e firme.


Ele soltou uma maldição quando eu o levei completamente - da base para a ponta. —Porra, Cor—, ele murmurou, inclinando-se para um beijo que eu lhe neguei. —Prometa que você nunca mais mentirá para mim.— Ele olhou para mim, esperança enchendo seus olhos. —Eu juro.— Aquela foi fácil. Eu temia que a próxima pudesse ser o lugar onde nos deparamos com problemas. —E me prometa que você não vai matar Thomas.— Todo o seu corpo estremeceu. —Cora, eu—— —Eu não posso perder você de novo. Eu simplesmente não posso. — Lágrimas brotaram nos meus olhos. —Você prometeu que não mentiria para mim. Então, se é isso que você está planejando ... — —Ei, ei, ei. Shhh… Relaxe. Eu não vou atrás de Thomas novamente. Não vale a pena. Ele não vale a pena. Mas nós estamos ok? Nós vamos descobrir isso. Contanto que ele não


possa tocá-lo, aprenderei a aceitar o que quer que aconteça com ele. — Foi a minha vez de empurrar. —Tão fácil?— Ele zombou. — Não. Não havia nada de fácil nessa decisão. Mas viver sem você nas últimas semanas, depois te ter de volta ... bem, isso coloca uma merda séria em perspectiva para mim. — —Eu era a merda séria ou a perspectiva?— Seus lábios se contraíram. —Ambas, espertinha.— Eu sorri e isso forçou uma lágrima de cada um dos meus olhos. Ele gemeu e levou a mão para limpar meu rosto. —Alguma chance de você parar de chorar e falar sobre Thomas enquanto meu pau está dentro de você? Há uma chance sólida de que estou prestes a ficar mole. — Rindo, inclinei-me para a frente e beijei-o profunda e reverente. —E mais uma coisa—, eu murmurei.


Ele revirou os quadris, provando que não havia nada mole sobre ele. —Faça isso rápido, baby.— —Quando tudo isso acabar e você nos comprar uma casa completamente ostensiva, eu quero um banho como este. E tudo bem, então mais duas coisas - você tem que prometer que River pode pintar estrelas no teto de seu quarto. — Penn era robusto e bonito - a imagem da masculinidade pura. Mas, naquele momento, um enorme sorriso infantil iluminou seu rosto. —Você está morando comigo?— Dei de ombros. —Você meio que queimou meu apartamento.— —Eu fiz—, disse ele com orgulho. —Eu fodidamente fiz isso.— Eu perdi seu comprimento enquanto ele se levantava, mas ganhei muito mais quando Shane Pennington - meu Penn - me deitou no chão de azulejos de seu chuveiro, a água quente fluindo sobre nós e lavando as mentiras pelo ralo, e fez amor comigo pela primeira vez.


Penn —Relaxe. Eu não estou te levando para um penhasco. Não tenho certeza se alguém lhe contou isso, mas existe humanidade fora de Chicago — falei para Cora quando saímos da garagem. Não convencida, ela balançou a cabeça, ancorou a mão na minha coxa e começou a trabalhar arrastando o colar como se tivesse uma vendeta contra ele. Vinte horas depois, enquanto o portão se abria, revelando a casa alta de três andares que eu dividia com Lisa, ela me ofereceu segurança. —Relaxe. Eu estou bem aqui.— Saímos de Chicago no mesmo dia em que as notícias surgiram sobre Manuel. Ele ainda estava solto. Mas, independentemente de quão pequeno o mundo fosse às vezes, na verdade era um lugar muito


grande. Então, em vez de ficarmos sentados esperando Thomas fazer a sua jogada, decidimos pegar as garotas e dar o fora. Se Thomas quisesse nos encontrar, ele iria. O mesmo com Manuel. Mas eu com certeza faria com que ele viesse para o meu território - um estado onde ele tinha pouca ou nenhuma conexão. Nada como mil e trezentos quilômetros para nivelar o campo de jogo. Vir para a Flórida, na verdade, foi ideia de Drew. Inicialmente, eu recuei com a ideia de voltar lá. Eu não estava realmente ansioso para trazer Cora para a casa que eu compartilhei com Lisa. Mas era grande o suficiente para todos nós, mobiliada, e longe o suficiente para nos dar tempo para descobrir o nosso próximo passo. Ele não havia dito ainda, mas eu conhecia Drew bem o suficiente para ver que ele não tinha intenção de ficar na Flórida. Enquanto Cora e a promessa de um futuro juntos haviam reorganizado minhas prioridades pessoais, Drew ainda tinha seu coração posto na vingança. Eu não tinha a menor dúvida de que, um dia, todos nós íamos acordar para não o encontrar. Isso


significava que, se eu tentasse convencê-lo a não ir atrás de Thomas sozinho, teria que agir rápido. Nós não sabíamos o que fazer com a informação de Catalina ainda. Se Manuel estivesse lá fora, reunindo as tropas, levarmos Thomas aos olhos da lei só iria colocar um foco maior em Catalina. A mídia teria tido um dia de campo com essa história. Nossa melhor aposta era ficar parado por alguns dias, talvez uma semana, e ver se os policiais poderiam fazer seus malditos trabalhos pelo menos uma vez. Se pudéssemos tirar Manuel de cena novamente, eu estava disposto a fazer o que fosse preciso - incluindo chutar uma bunda - para evitar que Drew fosse atrás de Thomas antes que Catalina tivesse a chance. Drew não era meu irmão de acordo com o DNA, mas ele era minha família mesmo assim. Eu não suportava a ideia de perdêlo. Isso era parte da razão pela qual todos aqueles anos atrás, quando decidimos encontrar o assassino de Lisa, eu declarei que eu era o homem que iria matá-lo. Sim, eu absolutamente, com todo o meu coração, queria aquele idiota morto.


Mas eu não queria que Drew caísse por isso. Eu dei um sorriso apreciativo para Cora, levantei as mãos unidas aos meus lábios e beijei. Ela estava realmente lá. Alguns dias antes, tê-la ao meu lado novamente era mais do que eu esperava. Embora eu nunca tenha considerado uma vez trazê-la para esta casa. Muito menos trazendo todas elas. —Caramba,— River respirou no banco de trás. O que foi seguido por Savannah dizendo: —Papai, vou precisar de uma roupa de banho. Imediatamente. — Isabel deu uma risadinha, mas como durante toda a viagem, ela não disse nada. A garota ficou quieta. Tão natural. Mas, novamente, quando você tinha que competir por oxigênio com River e Savannah, era uma maravilha que ela pudesse encontrar o ar para rir. Drew apareceu de repente na minha janela, fazendo o movimento universal de rotação da janela. Ele e Catalina nos


seguiram no meu Audi. Eu tinha assumido que apenas um deles conseguiria sobreviver à viagem, mas também vi Catalina sair. —O que?— Eu estalei quando abaixei a janela. —Nós vamos acampar aqui ou você está planejando dirigir para dentro?— Eu olhei de volta para a casa. Eu não ia lá há anos. No dia em que saí, jurei que nunca mais voltaria. Havia muitos fantasmas. Lisa e eu estávamos casados há alguns anos quando reformamos aquela casa. Nós a compramos como um encerramento quando o mercado despencou e depois estragou tudo. Nós personalizamos cada centímetro desses seis mil metros quadrados, das janelas às paredes, incluindo um enorme home theater sobre a garagem. Não havia como eu voltar por aquelas portas sem ver Lisa em todos os lugares. Mas, graças a Cora, essa parte era administrável. Depois de tantos anos sem sequer pronunciar seu nome, sorri mais de uma vez quando Cora contou uma história sobre sua velha amiga Lexy.


Os fantasmas que esperavam por mim dentro daquelas quatro paredes eram as minhas memórias de joelhos em nosso quarto, vendo-a tomar seu último suspiro na tela do meu telefone. Lembrei-me daqueles vinte e nove minutos muito claramente. Lisa não estava naquela casa quando morreu. Mas eu estava. E eu odiei porque era tudo que eu conseguia pensar depois que a perdi. Essas lembranças arruinaram qualquer felicidade que eu senti naquela casa. Tipo como ela decoraria toda a maldita coisa, de cima a baixo, todos os cantos no Natal todo ano. Ou como, na Páscoa, ela me forçaria a ficar com ela a noite toda, enchendo um milhão de ovos de plástico com doces para se esconder na praia para turistas e moradores locais. Não, essas não eram as memórias que tinham atingido meu estômago no minuto em que a casa apareceu. Sangue. Tapete. Gritos. Eu não fui capaz de vendê-la embora. Era tudo o que restou dela.


Mas eu também não podia morar lá. Eu tinha cuidadores que se certificaram de deixar limpa e os reparos foram feitos a tempo. Eu liguei e dei a eles um aviso que estávamos chegando na cidade. Acho que eles ficaram tão chocados com o telefonema quanto eu. Mas lá estava eu. Cora ao meu lado. Meu coração estava na minha garganta quando me sentei na entrada da garagem, incapaz de atravessar o portão. Eu olhei para Drew. —Honestamente, eu não tenho certeza ainda.— —Ok, bem, você se importa se formos para dentro? Cat precisa usar o banheiro. Eu tenho ouvido ela reclamar sobre isso pela última hora. — —Oh eu também!— Savannah disse, batendo no meu lugar. —Deixe-me sair.— —É uma ótima ideia—, disse Cora, saindo para abrir a porta de trás. —Todas vocês, vão com Drew. Penn e eu estaremos lá em alguns minutos. — —Podemos ir até a praia?— River perguntou animadamente.


Nenhum delas jamais havia visto o oceano. Era a única parte daquela viagem que eu não estava temendo. Eu fiquei um pouco tonto toda vez que eu pensava no rosto de Cora quando eu a levaria para a água. As garotas também. —Espere por mim—, eu respondi. —Há uma piscina nos fundos que vocês podem usar enquanto esperam.— Eu virei e peguei o braço de Savannah antes que ela tivesse a chance de deslizar para fora. —Use shorts e uma blusa até comprarmos uma roupa de banho - nada dessa merda de calcinha e sutiã.— Ela sorriu, seus olhos verdes cintilando com problemas. — Faça duas roupas de banho e você tem um acordo.— Eu arqueei uma sobrancelha. —Um maiô de minha escolha. Sem calcinhas e sutiãs. E vinte e quatro horas sem televisão. — Sua boca se abriu. —Isso não é um negócio melhor!— —Então talvez você devesse parar de tentar fazer acordos comigo e fazer o que eu digo.— —Penn, um maiô de sua escolha vai ser um roupão de banho.—


—Certo? Imagine como você vai voar na praia neste verão. — Ela enrolou o lábio. —Você disse voar? Ninguém diz voar mais. — Minha boca se contorceu quando eu suprimi um sorriso improvável. Eu amo essa criança. Ela era uma dor na minha bunda a cada minuto de todos os dias. Se ela não estivesse discutindo comigo ou apertando meus botões, ela não estava vivendo. Mas ela era uma boa criança. Com um bom coração, e eu ia ter certeza que ela teria um bom futuro. —Eles vão quando te verem em seu roupão de banho.— —Cora—, ela choramingou, implorando por backup. —Ok, ok, vocês dois. Acalme-se — - disse Cora, entrando. — Vou levá-la às compras de roupa de banho.— —Quem disse que você não vai usar um roupão de banho também?— Eu perguntei a ela, meu peito se enchendo de calor. Eu amo essa mulher louca também. Na descida, nós jogamos um jogo de sete horas de verdade ou mentira. O que para nós foi realmente um jogo da Verdade. Nós trocamos


histórias, estrategicamente tentando ficar longe das coisas pesadas. Quando Cora acabou adormecendo, River assumiu a mãe dela. Antes de partirmos, Cora tomou a difícil decisão de contar a River sobre Lisa ser Lexy. Eu teria dado qualquer coisa para poupar aquela garotinha de mais dor. Mas como estávamos indo para a casa de praia, onde fotos dela ainda estavam penduradas nas paredes, não havia como esconder. River tinha recebido a notícia com calma, colocando uma cara corajosa e dizendo que ela entendia. Mas no minuto em que estávamos sozinhos naquele caminhão enquanto todos dormiam, ela veio para mim com um interrogatório. Era óbvio que ela se importava com Lisa mais do que eu percebi, porque a maioria de suas perguntas eram declarações disfarçadas me culpando pelo que tinha acontecido com ela. Mas não havia nenhuma quantidade de culpa no mundo que River pudesse me atribuir que eu já não tivesse assumido. Então eu disse a ela: —River, o que você tem que entender é que eu não deixei Lisa fazer nada. Eu era o marido dela. Não dependia de mim decidir como ela viveria sua vida. A única coisa


que esse papel me garantiu foi a chance de viver a minha ao seu lado. Ela sabia exatamente como eu me sentia sobre ela fazer esse tipo de trabalho investigativo. E adivinha? Ela fez isso de qualquer maneira porque isso era importante para ela. Você entra em um casamento pensando que você pode mudar a outra pessoa, posso prometer-lhe que a única coisa que vai mudar é o seu histórico de divórcio. Ela era quem ela era. Há muitas coisas que eu me critico diariamente. Mas como eu a deixei perseguir seus sonhos não é uma delas. Isso nunca aconteceu comigo. — Ela ficou quieta por um tempo depois disso, até que ela perguntou suavemente: —Você vai deixar Cora também perseguir seus sonhos?— Eu olhei para Cora enquanto ela estava cochilando pacificamente com a cabeça encostada na porta e respondi: — Não. Sua mãe já fez o suficiente para durar uma vida inteira. De agora em diante, o que quer que ela sonhe, eu vou descobrir uma maneira de dar a ela. — —Meu pai lhe deu as estrelas—, River respondeu. Nic Guerrero tinha dado a Cora uma merda, mas eu não ia contar isso à filha dele.


Em vez disso, dei de ombros: —Acho que isso significa que tudo o que resta é a lua.— Ela sorriu e olhou pela janela pelas próximas 80 milhas. Eu sabia porque eu sorri e olhei para o espelho retrovisor para ela. Silenciosamente, observei todas as meninas saírem da minha caminhonete e subirem a entrada da casa, Drew e Catalina liderando a missão. Cora foi rápida para voltar para o caminhão, e sua mão veio de volta para a minha, entrelaçando nossos dedos como se ela nunca tivesse saído. —Você quer falar sobre isso ou apenas sentar aqui por um tempo?— Ela perguntou. Eu não - de qualquer forma, maneira ou circunstância merecia aquela mulher. Mas eu ia mantê-la pelo tempo que ela quisesse. Com um suspiro, eu deixei cair minha cabeça contra o encosto de cabeça e me virei para encará-la. —Isso tem que ser estranho para você. Estar aqui. As coisas dela ainda estão no armário, sabe? Eu nunca fiz nada com esse lugar desde que ela


morreu. Não sei porque te trouxe aqui. Devíamos alugar um apartamento ou algo assim. — Ela sorriu. —Você quer que eu diga que estou desconfortável, então você não precisa entrar lá?— Ela me conhecia muito bem. Rindo, levantei meu dedo no ar e os juntei. —Um pouco.— —OK. Mas, Penn, você dormiu sob as estrelas de Nic por meses. Você fez amor comigo enquanto eu usava o colar dele. E você cuidou de sua filha sem um segundo de hesitação. Você acha que roupas femininas em um armário vão me incomodar? — Eu sorri. —Há fotos também. Como uma do nosso casamento na lareira. — —Você me disse em nosso primeiro encontro que você tinha se casado antes. Eu prometo que não ficarei chocada ao ver que um fotógrafo capturou imagens estáticas daquela ocasião importante. No entanto, como eu disse, se você quer que eu diga que estou desconfortável para fazer você se sentir confortável, eu estou nisso. Mas passei vinte horas neste caminhão, então vou precisar que o próximo lugar fique por perto. —


Rindo, eu voltei meu olhar para a casa. Era uma boa casa. Uma casa muito legal, bem na praia. Mas não tinha sido minha casa em anos. Se eu estivesse sendo honesto, o único lugar onde eu sentira algo parecido com uma casa era o antigo apartamento de Cora. Mas isso tinha menos a ver com a estrutura e mais com a mulher e as crianças dentro dele. Eu me afligi. Eu segui em frente. Eu conheci a única mulher que poderia ter me salvado. Mas a dor era engraçada assim. Mancha sua alma muito depois que você curou. E, estando lá, uma parte de mim estava esperando que aquela dor reaparecesse e me consumisse de novo. Mas então olhei para Cora. Seu rosto estava suave enquanto ela olhava para mim. Seus lábios estavam inclinados para cima, gentis, mas provocantes.


Seu cabelo estava em um rabo de cavalo bagunçado que ela provavelmente gritaria comigo por não ter dito a ela o quão bagunçado realmente estava. Como eu encontrei algo tão bom no meio de algo tão ruim? Dando um puxão na mão dela, eu a puxei pelo console central. Eu peguei a parte de trás do seu pescoço, encontrando-a no meio do caminho para um beijo muito breve, antes de murmurar contra seus lábios, —eu te amo. E se você se sentir confortável em estar aqui, fico confortável em estar onde quer que você esteja. — Ela cantarolou: —Oh, meu doce Penn. Suas linhas de queijo estão melhorando. Estou impressionada.— Eu mordi o lábio inferior dela. —Suas piadas não estão.— —Então o que você quer fazer? Eu estou realmente bem se você não puder ficar aqui. As garotas serão esmagadas, Drew vai pirar e Catalina vai fazer cara feia. — Ela colocou a mão no peito. —Mas eu, Penn Pennington, ficarei bem. — Aquilo foi o suficiente para mim. Eu ri, colocando o caminhão na direção.


Eu poderia fazer isso. Eu poderia fazer novas memórias. De Cora. De River. De Savannah. Talvez até algumas de Penn. —Meu nome não é Penn Pennington.— Eu aliviei o acelerador até que nós rolamos pelo portão. Ela riu alto e despreocupada. E depois que estacionamos, subimos os degraus de trás e entramos pela porta juntos, aqueles vinte e nove minutos de memórias não me atacaram. Não com ela sorrindo para mim.


—Meu Deus! Você sentiu isso? Ela chorou, balançando em meus braços quando outra onda caiu em nós. Suas pernas estavam em volta dos meus quadris, dois pedaços de tecido nos dividindo, meu pau dolorosamente duro. Mas enquanto River e Isabel perseguiam Savannah pela praia com um pedaço de alga molhada, não havia uma única coisa que eu poderia fazer sobre isso. —Você teve que comprar uma porra de biquíni, não foi?— Resmunguei por pelo menos a vigésima vez desde que voltamos da loja da praia. —Você poderia parar de se preocupar com o que eu estou vestindo e mais sobre o tubarão que está prestes a arrancar minhas pernas?— —Que tubarão?— Coloquei a mão atrás de mim e fiz cócegas no pé dela. Ela gritou a plenos pulmões, lutando para fugir, mas eu me recusei a deixá-la ir. Acontece que Cora não sabia nadar.


Nem River sabia. Ou Savannah. Tendo crescido na água, onde as pessoas ensinavam seus bebês a nadar antes que pudessem conversar, eu nunca considerei que elas não soubessem. Mas eu imaginei que, em Chicago, não era tão imperativo. —Isso não foi engraçado—, ela repreendeu. —Oh vamos lá. Foi um pouco engraçado. — Ela balançou a cabeça de um lado para o outro. —Por que não posso ver o fundo? Você não deveria ver o fundo? — Eu soltei uma risada, deslizando as mãos para baixo para segurar sua bunda. —Talvez se estivéssemos nas praias Keys.— —Ok, então vamos lá. Este lugar é assustador. — Eu girei em um círculo rápido, a areia escavando sob meus pés, Cora agarrada ao meu pescoço. —É uma viagem de duas horas, baby.— —Penn, pare!—


Ela odiava cada minuto desde que eu a tinha arrastado para a água. Cada concha em que pisou era um caranguejo e cada marulhar das águas era uma água-viva. Eu a mantive presa por trinta minutos, rindo o tempo todo. Nunca perdeu a graça. No entanto, estava ficando claro que uma vida na praia não estava no nosso futuro. Talvez uma casa de inverno onde pudéssemos escapar do frio e ela pudesse sentar-se no convés, tomando uma xícara de café e observando as ondas quebrarem. Mas se não for Chicago. E não a Flórida. Onde? —Onde você quer viver?— Eu perguntei, voltando para as águas rasas. Ela continuou procurando a água escura pelo tubarão invisível. —O que você quer dizer?—


—Quando tudo isso acabar, Thomas e Manuel dividindo uma cela ou sepultura, e finalmente conseguimos começar uma vida juntos, onde você quer morar?— Suas sobrancelhas se uniram quando seu olhar saltou para o meu. —Quais são as minhas escolhas?— —Ummm… planeta Terra. Eu tenho dinheiro, mas não dinheiro de Marte. E no ritmo que estou indo, eu não vou nem ter o dinheiro da Terra em alguns anos, então eu provavelmente precisarei encontrar um emprego em algum momento, então vamos tentar mantê-lo em algum lugar com o inglês como a primeira língua. — Quando chegamos ao nível da cintura - para ela - eu a coloquei de pé. Ela se encolheu quando seus dedos bateram na areia, mas se eu tivesse qualquer esperança de baixar minha ereção nos próximos milhões de anos, eu precisava impedi-la de esfregar contra ela a cada passo. Eu caí de joelhos para não escandalizar a praia pública. —Você está bem?— Eu perguntei.


Ela endireitou as costas. —Sim. Eu provavelmente poderia fugir de um tubarão se ele tivesse alguma ideia. Isso parece mais sólido do que líquido aqui —. Subaquática, eu apertei minha mão na sua panturrilha e ela pulou no ar, soltando um grito estridente. Eu rugi de rir e ela jogou água no meu rosto. —Droga, Penn.— —OK. OK. OK.— Eu levantei minhas mãos em rendição. — Eu prometo: não mais foder com você.— Eu me levantei quando o trecho do meu calção de banho me disse que era seguro e joguei meu braço ao redor de seus ombros. —Então, sério, onde você quer viver?— Ela estendeu a mão, pegou minha mão pendurada no ombro e atou nossos dedos. Juntos, nós caminhamos em direção à costa. Catalina e Drew estavam relaxando com cervejas debaixo de um guarda-chuva. Ah, tão casual para um homem em uma missão suicida e uma mulher destroçada com um gosto pela guerra psicológica. —Eu não sei—, disse Cora. —Cat e eu conversamos sobre Seattle quando terminasse o curso. —


Minhas sobrancelhas apareceram. Seattle era incrível, mas não me pareceu a cara de Cora. Então, novamente, eu não tinha certeza de qual era a cara dela. Ela sempre foi tão caseira, forçada pela necessidade. Eu parei de andar abruptamente, puxando-a para cima de mim. —Seattle?— Ela encolheu os ombros. —Há muito café lá. É como o meu sinal de morcego. — —Há café em toda parte, querida. Não tenho certeza de que esse deve ser seu único pré-requisito para o lugar onde você se instalar. Mas se Seattle é o que você quer, eu vou. — Inclinei minha cabeça quando um pensamento me dominou. —Espere ... Você quer se casar?— Todo o seu corpo sacudiu, incluindo os olhos, que brilhavam comicamente. —Espere. Espere. Espere. Isso não foi uma proposta —, esclareci. —Eu não estou perguntando se você quer se casar comigo.— A única coisa mais engraçada que seus olhos arregalados era a decepção palpável.


Meu peito não apenas aqueceu. Acendeu em um incêndio total. E não como aquele que estava rugindo dentro de mim pelos últimos quatro anos. Esta foi uma queima controlada, destruindo todos os detritos, criando espaço para um novo crescimento. Ela queria estar comigo. E foda-me, mas eu queria estar com ela mais do que eu queria qualquer coisa em toda a minha vida: Cora, comida, água, abrigo. Naquela ordem. Mas eu não precisava de uma certidão de casamento ou de um anel no dedo para fazer isso acontecer. Eu só precisava dela. Enroscando-a no meu lado, beijei o topo de sua cabeça. — Relaxe. Eu não estou perguntando ainda, ok? Ocorreu-me que passamos tanto tempo discutindo o passado que nunca descobri o que você quer da vida. Nós conversamos sobre você terminar a faculdade e obter seu diploma, mas o que vem depois? Você quer se casar em geral? Não só comigo. Ela me deu um olhar lateral. —Eu não estou em poligamia, Penn Pennington.—


Eu ri. Esticando a cabeça para trás, ela olhou nos meus olhos. — Sim. Eu me casaria novamente. — Ela me cutucou com o cotovelo. —Assumindo o que o cara certo pergunte.— Eu sorri para ela e comecei a andar novamente. —Você quer filhos?— Ela tocou os lábios. —Uau. Eu sinceramente não sei. Eu nunca pensei que teria a opção novamente. — Seu nariz enrugou e ela balançou a cabeça de um lado para o outro em consideração. —Eu amo crianças, mas da maneira que as coisas foram na primeira vez, eu teria que me sentir ... segura antes de dar esse salto novamente.— Segurança.Com crianças ou não. Eu poderia dar isso a ela. Eu daria isso a ela. Eu poderia dar a ela a vida mais chata, monótona e simples do mundo. Geralmente não é um ponto de vista para um casamento, mas para nós, a vida lenta era exatamente o que finalmente precisávamos. —Você?— Ela perguntou, sua voz rangendo no final como se estivesse se preparando para a resposta.


—Eu adoraria começar uma família. Lisa nunca se interessou. Não se encaixava em seu estilo de vida. Eu aceitei isso. Mas se dependesse de mim, eu iria querer um casal. — —Mesmo?— Ela sussurrou. Eu a cutuquei do jeito que ela me fez. —Assumindo que a mulher certa diga sim.— Seus pés continuaram se movendo, mas ela derreteu no meu lado, me fazendo pensar que talvez ela tivesse tomado sua decisão sobre as crianças também. —Meninos ou meninas?— Ela perguntou. —Rapazes. Acho que levar Savannah e River para a vida adulta vai ser o suficiente para fazer minha cabeça. — —Aww— ela me deu um sorriso. —Obrigada por sempre incluí-las. Desde o primeiro dia. Eu não posso te dizer o quanto isso significa para mim. — —Você não precisa me agradecer por isso, Cora. Passar tempo com elas não foi uma dificuldade. — —Para outros homens, seria.—


Eu atirei-lhe uma piscadela. —Então, vamos esperar que nenhum desses outros homens te proponham antes de mim.— Suas bochechas rosadas e ela voltou sua atenção para os pés de areia, murmurando —Dedos cruzados—. Quando nos aproximamos de Drew e Catalina, apertei os olhos, tentando forçar meu cérebro a entender o que eu estava vendo. Ele estava deitado de lado, de frente para ela, ostentando um enorme sorriso enquanto garoava areia molhada na palma da mão dela. Ela estava rindo, seu cabelo escuro soprando ao vento enquanto ela se sentava com as pernas esticadas ao lado dele, em um biquíni muito parecido com o de Cora. E, embora ambos estivessem usando óculos escuros, era óbvio que havia uma séria troca de olhar sendo trocada, pelo menos do lado de Drew. Eu não tinha ideia do que tinha acontecido no meu Audi naquela viagem de carro de vinte horas de Chicago. Mas se o pesadelo à minha frente fosse qualquer indicação, o escape do motor teria de ter sido desviado para dentro do carro e afetado os dois cérebros.


—Ei—, Catalina chiou, afastando a mão quando ela arrancou os olhos de Drew por tempo suficiente para perceber que outras pessoas existiam. Porra. Eu não queria imaginar o engano épico que aconteceria se aqueles dois começassem alguma coisa. Drew era um cara legal e, embora conquistar as mulheres fosse definitivamente sua coisa, ficar com elas não era. —Ei—, eu respondi rudemente, atirando-lhe um olhar silencioso questionando o que você está fazendo? Ele passou direto sobre sua cabeça. —Ei, então, como você se sente sobre mim e Cat levando as garotas para um filme hoje à noite?— —Eu não vou. E isso não está acontecendo, —eu murmurei, liberando Cora para pegar duas cervejas do refrigerador. Eu torci o topo de uma, passei para o lado dela e depois fiz o mesmo na minha. —E porque não?— Ele perguntou defensivamente. Eu sentei no topo do cooler, acariciando minha coxa em um convite que Cora rapidamente aceitou. Quando ela se acomodou


no meu colo, eu respondi: —Porque isso não são férias. Eu não tenho ideia do que Thomas e Manuel estão fazendo agora, mas é melhor para todos nós se ficarmos bem, mantermos a cabeça erguida e tentar descobrir o que vem a seguir. — —Certo—, ele murmurou de uma maneira que soou mais como foda-se do que um acordo. —Oh eu sei!— Catalina exclamou. —E se alugarmos um filme e assistirmos na sala de cinema na garagem? — Ela balançou as sobrancelhas. —Talvez dê a vocês dois algum tempo sozinhos na casa.— Agora, eu poderia embarcar com isso. Se me desse algum tempo sozinho e muito necessário com Cora, Drew e Catalina poderiam foder a noite toda. —Que filme?— Cora perguntou. Eu passei meus dentes por cima do ombro dela. —Não importa. Você não está assistindo. — Drew sorriu e empurrou os óculos escuros pelo nariz, estreitando o olhar nos pés de Cora. —Puta merda, isso é um tubarão de areia?—


E foi assim que me tornei surdo. Ela voou direto para o ar, mas não antes de gritar no meu ouvido. Quase derrubei minha cerveja e a dela derramou sobre nós dois. Mas Drew e Catalina riram tanto que quase valeu a pena. —Baby, relaxe.— Eu ri, arrastando-a de volta para o meu colo. —Tubarões de areia ainda vivem no oceano.— —Meu Deus! Eu te odeio pessoas - todos vocês. — —Ei, o que eu fiz?— Catalina choramingou. —Você está rindo—, ela cuspiu. E ela estava. E assim estava Drew. E então eu me juntei ao grupo. E não foi só alguns segundos depois que Cora se juntou a nós também. Como parece, éramos uma família grande e feliz.


NĂŁo foi atĂŠ algumas horas mais tarde, quando um rio de sangue forjou um caminho pelo chĂŁo da minha sala de estar, que eu percebi que tudo tinha sido uma grande mentira.


Cora Eu menti. Ficar na casa de Lisa era um pouco estranho. Depois que voltamos da praia, todos se espalharam pelos vários banheiros do outro lado da casa - todos os cinco. Meu cabelo ainda estava molhado enquanto eu caminhava pelo labirinto de pisos de madeira em busca do meu homem. — Penn?— Gritei. —Bem aqui, baby.— Segui a voz dele até o final de um corredor diferente e o encontrei olhando para uma porta fechada do que devia ser o quarto principal. Ele evitou isso como a praga no grande tour anterior. E enquanto o quarto em que Penn largara nossas malas era grande com um banheiro privado, não havia como ser o quarto do dono de um lugar luxuoso. —O que você está fazendo?— Eu perguntei. Eu não estava orgulhosa demais para admitir que uma pontada de ciúmes me atingiu quando imaginei o que ele estava pensando.


Todas as noites em que ele fizera amor com ela naquele quarto. Todas as noites ela dormiu ao lado dele. Todas as manhãs ele tinha se despedido dela antes de sair para sua corrida. Ele a amava. E tudo bem. Mas isso não significava que eu gostava de pensar sobre eles juntos, o que estava provando ser um pouco difícil porque havia muito mais do que apenas uma foto de casamento no suporte da lareira. Antes de irmos para a praia, Penn havia removido a maioria delas. E ele fez isso sorrindo e não em dor agonizante, do jeito que eu esperava depois de seu pequeno ataque de pânico no caminhão. Mas ela ainda estava lá naquela casa conosco. E eu odiava a ideia de que talvez ele estivesse perdido em suas memórias com ela. Seus olhos azuis vieram para os meus, o peso do seu olhar roubando minha respiração. —Debatendo se eu posso entrar lá novamente.—


Eu engoli em seco. —São apenas paredes e memórias. Ela não está atrás daquela porta. — —Não. Mas eu estou. Naquela noite, quando a vi morrer, eu estava naquele quarto. E durante vinte e nove minutos, Thomas Lyons e aqueles homens também me mataram. De certa forma, parece uma lembrança distante e embaçada. Em outras, é tão nítido e fresca que posso ver na parte de trás das minhas pálpebras —. Deus, eu era uma idiota. Enquanto eu estava ocupada com inveja de uma mulher que não estava mais viva, Penn estava perdido nos momentos ruins, não nos bons. —Oh, Penn—, eu respirei, correndo para envolvê-lo em um abraço. —Eu sinto muito.— Ele colocou os lábios no topo da minha cabeça e inalou profundamente. —Eu acho que ela teria gostado disso.— Eu coloquei meu queixo no peito dele e olhei para ele. — Gostado de quê? — —Eu e você.—


Eu sorri. —Você era o marido dela. Eu posso falar com absoluta certeza quando digo que ela odiaria sua nova namorada. — Ele sorriu, vindo até a minha boca para um rápido beijo. — Eu não sou uma daquelas pessoas que acreditam que tudo acontece por um motivo. Nunca poderei dizer que havia uma razão pela qual ela deveria ter morrido. — Ele me beijou de novo, deixando demorar quando respirou de forma reverente. —Mas talvez seja por isso que eu tive que assistir.— Calafrios explodiram na minha pele e meu nariz começou a doer. —Não baby. Não. Isso foi— — —A única razão que eu tenho você—, ele terminou. — Vivenciando a raiva, a dor e o desamparo, acendeu o fogo, Cora. E ficou mais quente todos os dias até te conhecer. Perder ela teria me deixado de joelhos, não importa o quê. Mas assistir aconteceu para que eu nunca mais pudesse voltar. Isso colocou tudo em movimento. Nasceu a raiva que exigia vingança. E então essa mesma vingança me guiou diretamente para a sua porta. — Meu coração doeu. Eu não queria ser o forro de prata de seu pesadelo. Ele sempre via isso em mim e eu queria ser algo diferente para Penn. Algo bom.


—Eu não sei sobre isso, Penn. Drew não assistiu e ele parece ter a mesma raiva fermentando dentro dele. — Sua testa franziu quando a confusão atingiu seu rosto. — Drew? — Ele fez uma pausa. —Eu já te disse onde ele estava na noite em que Lisa morreu?— Eu balancei a cabeça, uma sensação estranha de mal-estar tomando conta do meu estômago. Ele fechou os olhos brevemente. —A meia milha de distância dela.— Eu sacudi como se seus braços tivessem se eletrificado. —O que? Eu pensei-— —Drew e eu pegamos o pior dos dois mundos. Eu tive que assistir de mais de mil quilômetros de distância, enquanto ele estava sentado no bar na mesma rua, esperando que ela aparecesse, sem noção de que ela estava morrendo a apenas alguns quarteirões de distância. — A respiração saiu da minha garganta como se ele tivesse me dado um soco. —Como?—


—Ele odiava quando ela saia naquelas tarefas assim, a maneira de Drew lidar com esse medo era fingindo que não estava acontecendo, então ele se esquivou de suas ligações por mais de um mês. Eles estavam sempre super perto e a incomodava que ele não respondesse. Então, uma noite, ele e eu saímos para tomar uma bebida e eu dei a ele tanta merda que ele finalmente cedeu. Ele ligou para ela, e ela contou tudo sobre os Guerreros, Thomas e você. Que, para Drew, saber tudo só piorava. Então, alguns dias depois, ele pegou um avião, voou até lá, amarrado e determinado a arrastá-la para casa. E se alguém pudesse fazer isso, era o irmão dela. — Ele sorriu, apertado e triste. —Eu estava tão excitado que eu mesmo comprei o bilhete de avião. Ela ficou puta quando descobriu que ele estava lá, recusou-se a lhe dizer onde estava hospedada - provavelmente porque era o seu prédio naquela noite em particular -, mas ela disse a ele para encontrá-la no bar na noite seguinte. Ela nunca apareceu. — Minha visão flutuou como lembranças dele correndo para mim na casa do grupo depois que ele ouviu Thomas mencionar sua irmã. Eu pensei que ele estava chateado, mas só então eu entendi o medo que colocou fantasmas em seu rosto. Meu


estômago se contorceu em nós. —Meu Deus. Pobre Drew. Ele estava tão perto. — Penn assentiu dolorosamente. —Sim. Ele foi a única razão pela qual os policiais a encontraram. Ele havia mencionado o nome do bar para mim de passagem e, quando finalmente me lembrei, contei para a operadora do 911 e eles enviaram carros para os dois hotéis próximos. Então, quando eu digo que Drew tem a mesma raiva dentro dele. Quero dizer, ele tem a mesma. Fodida. Raiva. — —Oh Deus. Você deveria ter me dito isso antes de eu começar a cutucar o olho dele. Ele não pôde salvar sua irmã e eu dei a ele uma cicatriz da minha impressão digital. — Penn sorriu. —Não se preocupe com isso. Ele eventualmente lhe dará uma razão para se sentir bem novamente. — Deslizando meus dedos até a nuca, eu empurrei meus dedos e escovei meus lábios sobre os dele, oferecendo o único conforto que pude. —Eu sinto muito que vocês tiveram que lidar com tudo isso.—


—Eu também. Mas ficar aqui com você agora faz com que o quarto seja muito menos assustador —. Meu estômago revirou. Ok, então talvez ser o forro de prata para o pesadelo de Penn não era tão ruim, afinal. Pelo menos ele tinha um agora. Deslocando seu peso para trás e para frente, ele me balançou em seus braços. —Seria estranho se eu pedisse para você ir lá comigo?— Meus lábios engataram. —Sim. Totalmente estranho. Mas se você está perguntando se eu vou, então sim. Absolutamente.— Ele me beijou, dessa vez abrindo a boca, sua língua varrendo a minha. Era sensual, mas não era sexual. Era doce e cheio de gratidão. Era a maneira de Penn dizer obrigado sem o uso de palavras. E mesmo que eu não precisasse agradecer por amá-lo, tomei o que ele estava disposto a dar, me perdendo na beleza de algo tão simples. Mas quando o som do grito de uma mulher ecoou pelo corredor, percebi que nada em nossa vida seria simples.


Cora Meu corpo veio a vida no próximo segundo, adrenalina surgindo através de minhas veias como um tsunami. —Fique aqui—, Penn rosnou, correndo para longe e me deixando sozinha no corredor, a voz de Catalina ainda ecoando em meus ouvidos. Foi o tipo de grito que fez as pessoas agirem primeiro e pensarem em segundo porque não havia como confundir nada com exceção do terror. E, por causa disso, eu não atendi as instruções de Penn, mas sim o segui. Enquanto corria, examinei minha cabeça em busca de lembranças de onde as garotas estavam. Por último, eu tinha visto, elas estavam indo para a sala de cinema acima da garagem. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas senti um pouco de alívio por saber que elas não estavam na casa principal.


Quando dobrei a esquina para a sala de estar, quase bati em Penn. Ele estava congelado no fim do corredor, o peito arfando, mas não tinha nada a ver com a curta corrida. Fazia anos desde que eu tinha visto seu rosto, mas ainda enviava um arrepio na minha espinha. O cabelo escuro de Marcos. O olhar malévolo de Dante. A mandíbula forte de Nic. Manuel Guerrero. O patriarca do clã Guerrero. O homem que pegou minha filha, me manipulou e me aprisionou em seu mundo por mais de uma década. E ele estava atualmente de pé na sala de estar de Penn, o braço em volta da garganta da filha, com a ponta de uma arma cavando em sua têmpora. —Seu filho da puta,— Penn rosnou, se lançando para frente. Ele recuou com movimentos desajeitados, a arma tremendo em sua mão enquanto arrastava Catalina com ele. — De volta a merda. Vou colocar uma porra de uma bala na cabeça dela nesse exato segundo. —


—É melhor você saber como correr. Se acontece algo com ela você está três segundos atrás dela a caminho do outro lado. — Manuel riu, rouco e gutural, e deslizou sobre a minha pele. —Eu já sou um homem morto, seu idiota!— Eu segurei minha respiração enquanto seu dedo balançava inteiramente perto do gatilho. Agarrando o braço de Penn, tentei puxá-lo de volta enquanto implorava: —Por favor, pare. Você está tornando isso pior. — Ele me sacudiu, rosnando sem nunca tirar os olhos de Manuel. —Dê o fora daqui, Cor.— Com o coração na garganta, olhei para Catalina. Seus olhos estavam arregalados, voltados diretamente para mim. — Vá —, ela murmurou. Eu balancei a cabeça, o pânico crescendo no meu peito. Tinha que haver uma saída. Tinha que haver uma solução onde isto finalmente terminaria de uma vez por todas.


Eu estava tão feita com o pêndulo constante das emoções. Um minuto, eu estava beijando nas nuvens com Penn. No dia seguinte, o rei dos demônios havia chegado. Algo tinha que dar fim a isso. Eu não tinha ideia do que ia ser, e esperava que não fosse a vida de Catalina. Eu juntei minhas mãos em oração. —Manuel, por favor. Não faça isso. Ela é a única família que restou a você. — Seu rosto ficou duro e suas grossas sobrancelhas peludas se apertaram. —E que porra de desculpa é essa? Não foi o bastante que você tirou o Nic de mim. Você tinha que vir atrás de Marcos e Dante também? — Eu endureci, rezando para todo e qualquer deus que ouvisse que ele não sabia que Penn era responsável por isso. Não havia como discutir com ele sobre Nic. Eu era culpada em seus olhos desde o primeiro dia. Mas se eu pudesse mantê-lo falando, sua raiva se concentraria em mim, talvez Catalina pudesse fazer um movimento. Ele era mais velho e acima do peso. Se não fosse pela arma na cabeça, ela poderia facilmente


ter se afastado dele. E então Penn, que estava fumegando ao meu lado, poderia tê-lo subjugado - e provavelmente matado ele. Mas precisávamos daquela janela, um momento de distração. Mantendo minha voz calma e tranquila para não corresponder à sua intensidade, eu menti, —não tive nada a ver com o incêndio. Nem Cat. Então apenas deixe ela ir. — —Você tem sido uma maldição sobre todos que você tocou em sua vida inteira. Meus filhos, seu irmão, e agora, você afundou seus dentes em seu cunhado. Não admira que Drew tenha sido tão rápido em me dizer onde você estava. — O ar no quarto parou. O registro proverbial parando. O que? Porra. Com o canto do olho, vi Penn se mexer. Mas eu olhei para Manuel, tentando fazer cara ou coroa. Drew? Drew havia dito a ele onde estávamos?


Onde diabos estava Drew? Manuel continuou seu discurso. —Você é uma viúva negra do caralho. Medusa disfarçada. — De repente, sua arma virou para mim. —Eu deveria ter te fodido e destruído no dia em que você matou Nic.— Meu pulso disparou quando o caos irrompeu. Penn pulou na minha frente, me colocando em suas costas, gritando com Manuel. Mas antes que eu perdesse a visão de Catalina, notei algo. Ela não estava lutando. Seus olhos estavam grandes, lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas ela não tentou fugir. Esse deveria ter sido o momento dela. Seu braço em volta do pescoço afrouxou quando a arma saiu de sua cabeça. E ela apenas ficou lá. —Cora—, Penn rosnou. —Dê o fora daqui. Agora. — Minha vida nunca foi ótima. Não até recentemente, de qualquer maneira, e mesmo assim, decididamente não foi fácil.


Mas com Penn de volta, falando sobre Seattle, bebês e anéis de casamento, estava chegando lá. No entanto, naquele momento, quando Drew chegou andando na esquina, com as mãos no ar, a arma de Thomas nas costas dele, comecei a pensar que Manuel estava certo. Talvez eu tenha sido uma maldição.

Penn —Não. Não. Por favor, fique, Cora. — Thomas sussurrou, entrando na sala de estar com uma arma nas costas de Drew. A lava derretida substituiu o sangue em minhas veias. Que merda estava acontecendo? Não foi assim que Drew contou a Manuel onde estávamos. Sim, eles tinham sido companheiros na prisão, mas nada disso tinha sido real. Ele era meu irmão apesar de nossas certidões de nascimento listarem pais diferentes. Desde o primeiro dia, ele e eu estávamos juntos nisso. Cada passo. Cada respiro. A cada


minuto de cada dia, compartilhamos a mesma sede voraz de vingança. A terra sendo plana era mais crível do que ele virando se contra mim. Mas o que diabos ele estava fazendo, e por que ele me manteve no escuro? Catalina lutou nos braços de seu pai quando viu seu exmarido. —Querida, eu estou em casa—, ele cantou com um sorriso largo. Apoiando, forcei Cora a se aproximar de mim e tentei olhar o meu irmão. Seus olhos estavam trancados nos de Catalina. —Agora, olhe para isto—, Thomas disse alegremente. —É uma reunião de família. Bem, menos nossa querida amiga Lisa. — Ele inclinou a cabeça na minha direção. —Meus sinceros pêsames. Ela era uma mulher adorável. Mas, como ela aprendeu, eu não sou homem para ser desafiado. Eu dei a ela todas as oportunidades para sair da minha cidade, Shane. Eu juro que fiz.


Pessoalmente, eu admirava sua tenacidade, até o momento em que ordenei que cortassem sua garganta. Ele sorriu. — Minha visão ficou vermelha e eu cerrei meus dentes. Teria sido muito fácil permitir que a raiva reprimida borbulhando até a superfície me alcançasse. Mas deixaria Cora exposta, e isso não era um risco que eu pudesse me dar ao luxo de correr com ela, nem mesmo se finalmente me desse a satisfação de arrancar a cabeça de Thomas Lyons de seus ombros. Foi um verdadeiro testemunho do meu autocontrole quando não movi um músculo. Ele se inclinou para o lado, tentando dar uma olhada em Cora, mas eu me movi para que ele não pudesse vê-la. Eu nem sequer queria que seu olhar a tocasse. Ele arrogantemente inclinou a cabeça. —Sua esposa sabia que você tem gosto por prostitutas, ou isso é uma nova predileção sua?— Meu corpo inteiro se esticou, inchando até que eu temesse que ele se libertasse da minha pele. Minhas mãos doíam, e a mesma coisa que Cora tinha queimado dentro de mim estava de volta e vibrando com a necessidade de ...


—Chega — grunhiu Drew, juntando-se à conversa. Meu olhar saltou para ele, procurando por uma pista qualquer pista do caralho - para o que realmente estava acontecendo, mas seu rosto era vazio e sem emoção. Ele empurrou o braço de Thomas. —Tire essa maldita arma do meu rosto. Eu fiz isso, ok? Você quer Catalina? Lá está ela. Mas isso acabou você me entende? Você esquece de mim. Vocês dois. Eu não quero mais fazer parte disso. — Ele plantou as mãos nos quadris e olhou para o chão. —Sinto muito, Shane. Mas eu não posso viver assim. Não vale a pena essa merda. Eu tenho que sair desta vida. Decorrer, e se esconder. O constante olhar por cima do meu ombro. Eu também poderia voltar para a prisão se é assim que eu tenho que viver minha vida. Eu só quero acabar. Eu preciso disso. — E então ele finalmente olhou para mim, seu olhar escuro batendo no meu com toda a gentileza de uma marreta. Ai sim. Eu conhecia esse Drew Walker. Nós nos conhecemos na faculdade no MIT. Ele era dois anos mais novo do que eu, estudando engenharia mecânica. O garoto era tão inteligente que, nos cinco anos que me levou para


me formar, ele me alcançou e nós atravessamos esse palco juntos. Ele ficou lívido quando me encontrou na cama com sua irmã e se recusou a falar comigo por uns impressionantes seis dias. Mas quando nos formamos e eu a mudei de volta para a Flórida, ele comprou uma casa a duas quadras de distância. E no dia em que coloquei um anel em seu dedo, jurando até a morte nos separar, ele não era apenas meu padrinho, mas também seu homem de honra. Drew Walker foi costurado no tecido da minha vida. Eu nunca iria esquecer o olhar em seu rosto na noite em que nós fizemos nosso compromisso de encontrar e matar o homem responsável pela morte de Lisa. Enquanto eu segurava seu olhar do outro lado da sala agora, era a mesma determinação implacável olhando de volta para mim - e desta vez, ele realmente estava feito. Os pelos dos meus braços ficaram em pé e meu peito desmoronou em mim, mas antes que eu pudesse pronunciar uma única sílaba, Drew girou, puxou uma faca da parte de trás de sua calça e, em um movimento fluido, esculpiu uma ferradura na frente do pescoço de Thomas.


Sangue explodiu em sua pele. Choque apareceu em seu rosto, e suas mãos subiram para sua garganta como se ele pudesse parar o sangramento. Eu queria me embasbacar quando ele caiu de joelhos, saboreando sua dor. Eu queria ver o sangue carmesim escoar de sua garganta enquanto ele tossia e gorgolejava, sem saber se ele iria se afogar ou sangrar até a morte primeiro. Eu queria me agachar na frente dele e encará-lo enquanto a vida escorria de seus olhos. Eu queria vinte e nove minutos para fazê-lo sofrer. Mas eu estava disposto a me contentar com vinte e nove segundos de vê-lo morrer. Infelizmente, também não pude ter. Cora estava lá, seu corpo doce e macio tremendo nas minhas costas. E eu estava mais preocupado com a reação de Manuel e as balas que estavam prestes a pairar no ar do que eu estava me aquecendo em vingança.


Eu balancei meu olhar para Manuel. Esperando e pronto para minha janela para derrubá-lo. Manuel estava sorrindo largamente embora. —Jesus Cristo, Walker, poderia você ter levado você mais tempo?— Drew respondeu: —Não comece comigo, meu velho. Eu não tenho paciência com suas besteiras. Você apareceu quinze minutos antes. Eu mal voltei a deixar as crianças no cinema a tempo. Eu disse a sua bunda ontem à noite para estar aqui às oito. — Legal, casual, Drew virou os olhos para mim. —Oh, ei, Shane. Atenciosamente, levei as crianças ao cinema. Eu sei que você disse que não as queria fora de vista, mas eu não as queria aqui para isso. Eu pisquei e depois ronquei: —E que porra é essa, exatamente?— Catalina chamou minha atenção quando se afastou de seu pai. —Cora, você está bem?— —Hum… não. Não, como não ... nada. Eu não tenho ideia, — ela divagou, permanecendo firme nas minhas costas. Enxugando o cabo da faca em sua camisa, Drew foi até Manuel e depois trocou suas armas.


—Talvez, da próxima vez, você possa me dar uma arma que realmente tenha balas—, Manuel resmungou. —Nunca confie em um criminoso, Manuel. Eu acredito que você foi quem me ensinou isso. — Drew piscou, enrolando Catalina em sua frente. Eu só fiquei lá piscando, minha cabeça latejando enquanto tentava descobrir o que diabos estava acontecendo. —O que está acontecendo?— Cora sussurrou. Eu não tinha a mínima ideia. O sangue estava em todo lugar. Thomas foi jogado para o lado, de cara para baixo em uma poça. Manuel gemeu de dor enquanto caminhava até o sofá e sentou-se, respirando como se tivesse corrido uma maratona, quando não andou seis passos. E Drew - bem, ele estava salpicando beijos no topo da cabeça de Catalina como se fossem amores há muito perdidos e não em pé ao lado do corpo de seu marido.


—Catalina, querida—, Manuel chamou. —Eu não quero ver essa merda. Passei as últimas vinte e quatro horas com aquele idiota. Estou cansado. Pegue o telefone e ligue para a polícia e diga a eles que seu pai acabou de matar seu marido. — Que maldita merda estava acontecendo!


Drew Eu provavelmente deveria começar no começo. Então lá estávamos nós, dois dos meus dedos enterrados em sua boceta apertada. Seus seios redondos e mamilos escuros balançavam enquanto ela arqueava as costas do assento de couro preto do meu apartamento alugado. Ok, espere, isso não é realmente o começo. Mas essas eram as partes que faziam meu pau se contorcer no minuto em que ela abriu a porta naquele dia em que Cora, River e eu chegamos à casa dela. O começo seria na mesma noite, quatro anos antes, quando ela entrou no bar. Eu foquei nela imediatamente. Honestamente, acho que todas as pessoas no bar fizeram. E não porque ela era linda - o que ela era. Mas em vez disso, porque o bar era um pequeno buraco imundo na parede e ela se exibia como a esposa de um senador. Ela estava usando uma saia preta na altura do joelho que se agarrava a sua bunda de todas as maneiras certas e um top de


seda creme que beirava a linha entre a bibliotecária sexy e a avó de oitenta anos de idade. Mas, com um peito como o dela, estava inclinado para o bibliotecário. Suas longas e tonificadas pernas estavam cobertas por saltos pretos e seus dedos eram perfeitamente pintados com pontas brancas. Mas, mesmo sem tudo isso, seus lábios carnudos foram suficientes para chamar minha atenção. Eu a observei durante a primeira hora enquanto ela brincava com as pontas de seu longo cabelo castanho. Ela bebeu três martinis enquanto alternava entre verificar nervosamente o telefone e olhar para a porta. A segunda hora, eu decidi fazer uma abordagem enquanto silenciosamente declarei que qualquer babaca era estúpido o suficiente para convidar uma mulher assim a um lugar como aquele e depois não ir era o meu novo idiota favorito no mundo. Eu estava ficando louco enquanto estava sentado no hotel, mas eu tinha mais algumas horas para matar antes que Lisa me encontrasse lá. E que melhor maneira de matar o tempo do que com uma mulher bonita? Eu não tinha dito olá antes que ela descesse dois bancos.


Eu lhe dera espaço, mas apenas fisicamente. Eu comecei conversas, e com a mesma rapidez, ela as fechou. Mas então isso só se tornou um desafio para mim, e considerando que falar era o meu forte, não era mais do que trinta minutos antes de eu a quebrar. Bem, quase a quebrei. —Deixe-me a merda sozinha— ainda estava falando. Ela me disse que estava esperando por um amigo. E toda vez que a porta desse bar se abria, eu rezava para o inferno que o amigo não passasse por ela. Demorei um pouco, mas finalmente consegui que ela falasse - mais dois martinis me ajudaram nessa tarefa. E então eu fui feito pra caralho. Ela era tão engraçada - uma verdadeira destruidora de bolas. Eu adorava cada minuto de suas respostas sarcásticas e provocando olhares laterais. Eu juro por Deus que eu ri mais com aquela mulher durante o período das próximas três horas do que eu tive em toda a minha vida.


E quando ela começou a procurar em seu telefone pelo número de uma empresa de táxi, o pensamento de sua partida me atingiu muito mais fundo do que deveria. Eu pedi a ela para ficar. Ela me disse não. Eu pedi a ela para me deixar levá-la para casa. Ela me disse não. Pedi-lhe para voltar ao meu quarto de hotel. Ela me disse não. Eu perguntei o número dela. Ela me disse ... não. Mas, enquanto esperávamos juntos no estacionamento escuro, eu não perguntei antes de mergulhar a cabeça e tomar sua boca em um beijo que mudou toda a minha vida. Porque aconteceu no exato momento em que eu falhei com a única mulher na minha vida que importava.


Nós assistimos seu táxi chegar e sair, rindo e fazendo como estudantes do ensino médio no banco da frente antes de ir para o banco traseiro. Penn estava explodindo meu telefone o tempo todo que eu estava dentro dela. E quando finalmente atendi, chutei-a para fora do meu carro tão rápido que nem lembrei se ela estava vestida. Seu nome era Cat e ela era o maior arrependimento da minha vida. Eu nunca fui corajoso o suficiente para admitir que eu era um homem de trinta e um anos fodendo uma mulher aleatória no fundo do meu carro na noite em que minha irmã foi assassinada a 800 metros de mim - nem mesmo para Penn. Em algum lugar em minha auto aversão e necessidade desesperada de colocar a culpa pelo que tinha acontecido, tudo se tornaria culpa dela. Ela era linda, engraçada e inteligente - a perfeita tempestade de uma mulher que o próprio diabo deve ter plantado naquele bar para me distrair.


Eu não sabia em qual hotel Lisa estava hospedada, mas no jogo de hipóteses, o raciocínio não importava. Se Cat não estivesse lá, talvez eu tivesse saído mais cedo. Talvez eu tivesse passado pelo hotel e visse uma comoção. Talvez naqueles vinte e nove minutos, eu poderia tê-la encontrado e salvado ela. Mas não, eu estava fodendo uma mulher chamada Cat enquanto minha irmã estava sendo espancada, torturada e esfaqueada. Cat do caralho. Então, imagine minha surpresa quando, alguns meses depois, comecei a investigar a família Guerrero e seu rosto apareceu nas descobertas do investigador particular. Ela era casada. Tinha sido por mais de quatro anos. E ela e a filha desapareceram. Presumivelmente mortas. Mas parecia muito conveniente para mim que ela estivesse lá comigo naquela noite. Isso solidificou minhas suspeitas de que os Guerreros estavam envolvidos. Esse foi o momento em que me ofereci para ir para a prisão. Minha vida acabou, e eu perdi meu emprego


depois que me tornei tão envolvido em minha própria dor que parei de aparecer. Eu acabaria ficando sem dinheiro. A única coisa que eu estaria perdendo era Shane. E ele era uma porra de bagunça. Toda vez que ele olhava para mim, eu achava que ele podia ver o que eu tinha feito até que comecei a evitá-lo completamente. Mas então eu sentiria falta de Lisa, e ele era tudo o que restava dela. Dois anos em uma cela com Manuel Guerrero e a única informação que eu realmente tinha conseguido era que a mesma mulher que eu irracionalmente odiava mais do que qualquer outra pessoa no mundo era a mulher que eu tinha que encontrar para finalmente escapar da dor. Eu esperava que ela não me reconhecesse quando Cora me deu instruções para a casa dela naquele dia. Fazia quatro anos, então talvez eu tivesse fantasmas de suas memórias do jeito que eu nunca fui capaz de me livrar dela. Um olhar e eu estava de volta naquele bar. Catalina ainda era linda. Mas os olhos dela não eram os mesmos.


Ou talvez fosse meus olhos. Eu sabia mais sobre ela agora. Como por que ela estava fugindo. Como ela conseguiu sua filha. E quem era o marido dela. E então outras coisas, tipo como ela era a única pessoa que já foi boa para Cora. E Deus sabia que eu havia me apaixonado por aquela mulher. Não no sentido de que Shane a amava, claro, mas não havia nada que eu não fizesse por ela ou aquelas crianças. Então, quando Catalina me encurralou em sua casa naquela primeira noite, exigindo saber quem diabos eu era e que diabos eu estava fazendo, meu ódio deslocado por ela se dissipou. Eu a beijei. Ela me deu um tapa. E então, horas depois, quando ela ouviu o tiro de Thomas do quarto que eu tinha estado antes de abrir a porta da frente, ela gritou meu nome em um tom tão aterrorizado que eu nunca seria capaz de apagar a impressão que fez na minha alma. Quando Shane me disse que a encontrou no corredor, sendo sufocada por um homem que eu nem sabia que estava na casa naquele momento, o peso do fracasso tirou meus joelhos.


Cat e eu não víamos olho no olho, nem perto de nada, mas havia algo nessa mulher espertinha. E quando ela entrou no meu quarto naquela manhã no apartamento de Shane em Chicago, enquanto ele dormia no sofá e Cora estava com River e Savannah, finalmente tivemos a chance de conversar. E eu disse a ela a verdade. Tudo isso. Mas eu não queria as verdades dela, porque enquanto eu achava que ela era linda e incrível, suas verdades nos uniam de uma forma que me fazia desejar mentiras. Ela estava no bar naquela noite para conhecer Lisa às sete. Eu deveria encontrá-la às nove. Minha maldita Sherlock Holmes de uma irmã estava seguindo Catalina e implorando a ela para ajudar a derrubar Thomas. Sério, minha irmã era uma maluca. Mas, aparentemente, funcionou, porque na bolsa de Catalina naquela noite havia toda a documentação necessária que ela planejava entregar. E eu peguei ela.


Enquanto Lisa estava morrendo e a vida de Catalina em casa era aterrorizante, eu peguei ela no banco de trás de um carro como uma prostituta. Ela me disse que, na época em que ela dava os primeiros passos para recuperar sua vida e descobrir quem ela era como mulher, o fato de que alguém realmente a queria e era gentil e respeitoso tinha sido o maior incentivo da sua vida. Ela também me disse que, quando eu a chutei para fora do carro seminua e sozinha em um estacionamento vazio por razões que eu não tinha explicado, eu mudei sua vida também. E não para melhor. Ela foi para casa desanimada e se sentindo mais usada do que nunca, e ela cedeu às exigências de Thomas para testemunhar contra seu pai. E depois passou quatro anos vivendo em solidão com Isabel, por medo de ter outra chance em um homem. Para minha surpresa, ela me deixou abraçá-la naquela noite na cama de Shane. E quando acordamos com ele e Cora discutindo na cozinha, ela saiu da minha vida para o que eu temia que fosse a última vez.


Isso até que Manuel ligou para o meu telefone naquela manhã, enquanto estávamos cozinhando ovos e bacon para as meninas, antes mesmo que a notícia de sua fuga chegasse ao noticiário local. Apesar do fato de que ele havia concordado em ajudar Thomas a perseguir Catalina em troca de sua liberdade, a única coisa que Manuel queria era que Thomas morresse. E ele queria que eu fizesse isso. Isso eu poderia fazer. Que eu poderia fazer isso. Manuel não tinha ilusões sobre o fato de estar voltando para a cadeia. Ele estava morrendo, e ele disse que poderia ir tranquilamente enquanto Thomas Lyons chegasse ao inferno antes que ele o fizesse. E então ele chocou a merda fora de mim, me dizendo exatamente onde Catalina estava se escondendo e me pediu para ir buscá-la para que ele pudesse vê-la uma última vez antes de morrer. Parecia que perder três dos seus quatro filhos e se preparar para atender o nosso criador amoleceu o homem.


E considerando que ela estava de pé ao meu lado, as lágrimas rolando pelo rosto ao saber que ele sabia onde ela esteve o tempo todo e nunca a entregou para Thomas, Marcos ou Dante, ela pegou o telefone. Eles conversaram por mais de uma hora. E enquanto eu dizia que o bate-papo era terapêutico para Catalina, nada foi esquecido durante aquela conversa. Ela o odiava. Mas ela finalmente conseguiu algum encerramento. Quando nós três arquitetamos o plano de descer para a Flórida - um território neutro para que Thomas não conseguisse se agitar e puxar qualquer besteira para nós - decidi fornecer as armas - cheias de espaços vazios. Com razão, Thomas decidiu que não confiava em mim no último minuto. Quando ele e Manuel apareceram para recuperar e matar a esposa de Thomas, ele confiscou minha arma. Mas tudo bem - meu plano sempre foi drenar aquele filho da puta. E logo em seguida, enquanto eu levantava Catalina em meus braços através do corpo de seu marido abusivo, com Manuel em seu caminho de volta para a prisão onde ele pertencia e Penn e Cora se amontoavam, oferecendo um ao outro amor e segurança, eu finalmente senti o peso esmagador de perder Lisa cair dos meus ombros.


Foi feito. Foi finalmente feito porra.


Penn Um maldito hotel. Embora esta fosse uma suíte à beira-mar de dois quartos e eu nunca estive tão excitado em toda a minha vida. Ela estava lá. Eles estavam lá. E logo eu estaria lá com eles. Para sempre. No início da noite, Manuel sentou-se no meu sofá, tomando uma garrafa da minha água, e olhou com raiva para a minha mulher quando Catalina e Drew nos deram o quem, o que, quando, onde e como o que tinha acontecido. Depois de tudo o que Manuel colocou na vida de Cora, levou todo o autocontrole que possuía para não deixá-lo no chão ao lado de Thomas. Ou, no mínimo, dizer a ele que eu era Penn Walker e, em seguida, dar a


ele a peça, incluindo todos os detalhes excruciantes sobre como eu matei seus filhos. A única coisa que me impediu foi o fato de que Manuel estava tomando a culpa pelo morto na minha sala de estar e não Drew. O plano estúpido de Drew, Cora pegou o caminhão e saiu antes que Catalina chamasse a polícia. Não havia razão para ela estar envolvida em nada disso. Com seu registro e o fato de estarmos abrigando uma fugitiva adolescente, era melhor para todos os envolvidos se ela pegasse todas as crianças do teatro e as levasse para algum lugar seguro. Cora deixou Isabel fora de algumas ruas, e no momento em que os policiais chegaram ela veio correndo pela praia e nos braços de sua mãe. Os policiais estavam na minha casa há horas, fazendo perguntas, tirando fotos e revistando o lugar. Eu tinha que admitir que Drew havia coberto suas bases. As mentiras que todos concordamos foram assim: Lisa ficou de fora completamente. Catalina e Drew começaram a namorar depois que ele foi enviado por seu antigo companheiro de prisão para encontrar sua filha. Ela estava se escondendo de seu marido e irmãos e ela não confiava na aplicação da lei. Então


seu novo namorado, Drew, a trouxe para a minha casa - o único lugar em que ele pensou que poderia protegê-la. Thomas e Manuel os localizaram. Manuel pensara que estavam salvando Catalina, e Thomas o enganara e tentara matá-la. Manuel chegou primeiro, com uma faca na garganta de Thomas. O fim. Com a captura e confissão de Manuel, não havia muito trabalho policial do tipo detetive acontecendo. Os porquês, no entanto, estavam definitivamente em jogo, especialmente quando perceberam que Catalina e sua filha haviam sido declaradas desaparecidas por quatro anos. Mas, como ela havia prometido, ela tinha mais sujeira de Thomas do que suficiente para contar por uma vida. Neste caso, foi compartilhado depois que sua vida terminou, mas foi útil, no entanto. Todas as suas alegações foram corroboradas com um pequeno arquivo que ela instruiu a polícia a encontrar em uma unidade de armazenamento em Wisconsin. Nela havia inúmeros documentos que ligavam Thomas a negócios de Guerrero e vídeos dele agredindo Isabel e ela.


Eu fui o primeiro a ser libertado do interrogatório policial. Afinal de contas, eu era apenas o inocente cunhado, sem nenhum motivo. Catalina, Isabel e Drew ainda estavam na delegacia, mas tinham advogados e, quando avistei Drew enquanto eu saía, ele sorria em um semicírculo com alguns policiais. Era bom que ele estivesse fazendo alguns amigos de uniforme, porque no momento em que eu o visse, eu ia bater na merda sempre amorosa dele. Ele precisava de toda a proteção que pudesse conseguir. Esse idiota não me contou nada sobre seu pequeno plano. Ele disse que estava com muito medo que eu dissesse a Cora, que sem dúvida teria me freado em alguma merda estúpida como aquela. E, dada a nossa nova política de honestidade, ele estaria certo, eu absolutamente teria dito a ela - e então eu teria jogado os freios em alguma merda estúpida assim. Mas funcionou. Thomas estava morto. Manuel estava de volta atrás das grades.


E eu estava entrando em um maldito quarto de hotel, onde minha mulher e minhas filhas estavam me esperando. Eu bati suavemente, e levou menos de um segundo para abrir a porta. Eu liguei para dizer a ela que eu estava subindo, mas eu preferia ter um —quem é— antes de abrir a porta. —Baby, você checou o olho mágico?— Ela não respondeu quando ela jogou os braços em volta do meu pescoços, trouxe seu tronco contra mim, e depois jogou o rosto contra o meu peito. Eu sorri, alisando a parte de trás do cabelo dela. —Você está bem?— Ela balançou a cabeça. Entrei no quarto com ela ainda colada à minha frente; cada passo meu em frente ela combinava com um para trás. —Você quer deitar e falar sobre isso?— A porta se fechando atrás de nós era o único som na suíte silenciosa. Ela esticou a cabeça para trás, seus olhos vermelhos encontraram os meus. Eu odiava que ela tivesse passado o resto


da noite chorando, mas as razões para essas lágrimas eram boas para mim. —Foi muito fácil—, ela sussurrou. Minhas sobrancelhas se ergueram. —Fácil? Você está brincando comigo? Acho que morri pelo menos dezessete vezes esta noite sozinha. — —Algo vai acontecer, Penn. Eu apenas sinto isso. — Eu a peguei e levei-a para o quarto, embora eu parei em uma porta entreaberta com um olho marrom e um olho verde olhando para nós. Eu queria checá-las, dar-lhes uma olhada, para tranquilizá-las e à minha própria mente exausta de que todos nós havíamos saído ilesos. Mas, quando eu dei uma piscadela, ouvi uma risadinha e a porta se fechou rapidamente. Quando chegamos ao nosso quarto, a cama estava desarrumada como se ela não tivesse estado apenas nela, mas passou o tempo chutando e girando em vez de descansar. Coloquei-a na borda, tirei os sapatos e depois me arrastei. Meu corpo estressado caiu nos lençóis frios e macios. Cora não demorou em assumir seu lugar ao meu lado, sua perna em meus quadris, sua cabeça no meu ombro e sua mão no meu peito.


—Você está certa—, eu disse a ela assim que nós dois nos sentimos confortáveis. —Algo vai acontecer. Nós vamos comprar uma casa em Seattle. Vou colocar um anel no seu dedo. Deus queira, um bebê em sua barriga. Savannah vai ter um professor de educação domiciliar porque não estamos matriculando ela na escola. Ela vai começar a voltar para as reuniões de NA, e vamos procurar um novo especialista em dependência. River pode ter sua escolha se quiser voltar para a escola ou trabalhar com esse tutor também. E vamos dar um cachorro para a garota porque é isso que as famílias fazem. E, depois de fazermos tudo isso - bem, talvez antes do anel e do bebê - eu vou conseguir um emprego. Você vai terminar a escola. E então, uma respiração de cada vez, eu vou descobrir como te dar a lua do jeito que eu prometi a River que eu faria. — O rosto dela ficou tenso, mas do jeito que me disse ela estava piscando de volta. —Você prometeu River você me daria a lua?— Eu dei-lhe um aperto, puxando-a para dentro e toquei meus lábios com os dela. —Sim. Ela disse que seu pai já te deu as estrelas. Não posso deixar que ele me supere, Cora. —


Ela sorriu, aquelas lágrimas se soltando. —E o que eu tenho para lhe dar?— Eu olhei para baixo em seus brilhantes olhos azuis, meu peito tão cheio que era quase doloroso da maneira mais incrível possível, e eu disse a ela a verdade. —Um motivo para respirar. Inspire. Expire, Cora. Nic pode ter colocado essas palavras no seu teto, mas eu vou ser o homem para garantir que essas respirações sejam fáceis e frequentes para todos nós. Daqui em diante. Tudo o que você precisa fazer é ... — Eu mergulhei para outro toque labial e sussurrei:— Respirar. —


Cora Dez anos depois… —Oh meu Deus, está quebrado? — Savannah chorou. —Relaxe, não está quebrado. Está apenas preso. — E talvez quebrado. Mas, como estávamos a aproximadamente vinte minutos antes de seu casamento começar e não poderíamos tirar o zíper de seu vestido, eu poupei meus tímpanos da dor de seu grito e guardei essa informação para mim. —Vire. Deixe-me tentar, — River disse, se apertando na minha frente. Ela estava usando um longo vestido roxo de dama de honra que ela odiava com uma paixão. Isso, desconfiei, foi o motivo pelo qual Savannah o escolheu em primeiro lugar. Depois que nos mudamos para Seattle, Penn seguiu colocando um anel no meu dedo. Primeiro, uma pedra de um anel de noivado. E então, três meses depois, em uma cerimônia tranquila em nosso quintal gigante e pitoresco, ele colocou outro anel e me fez Cora Pennington.


Alguns dias depois, quando fui ao departamento de trânsito para obter uma nova carteira de motorista, comecei a chorar ao ver algo diferente de Guerrero como meu nome. Eu amava Nic, mas Penn estava certo. Ele havia deixado seu diamante em um ferro-velho. E eu estava presa lá todos os dias, esperando alguém me encontrar. Eu lutei e lutei para ficar no topo da pilha. Mas, se não fosse por Penn, não tenho certeza se teria vivido o suficiente para sair. Um dia, eles teriam me pegado roubando o dinheiro. Um dia, o soco de Marcos teria errado. Um dia, Dante não teria parado. E, um dia, eu teria morrido, deixando meus diamantes River e Savannah - naquele ferro-velho também. Em vez disso, eu encontrei um homem lindo que me amava e minhas meninas incondicionalmente e me deu um sobrenome que eu poderia sentir orgulho. E então, dois anos depois, ele deu a nossa filha, Hope, seu sobrenome também. Uma vez eu disse que nada me desapontou, me quebrou ou me destruiu como a esperança. Mas isso foi antes de eu me casar com Penn. A esperança já não parecia o impossível. Parecia o


futuro, e é exatamente isso que aquela garotinha nos deu. Ela tinha oito anos agora, e ela tinha meus olhos azuis, o cabelo castanho de seu pai e toda a atitude de River. Ela também tinha um lindo quarto rosa, uma cama quente e nenhuma única tranca na porta do quarto. —Mãe—, River chamou, lutando com o zíper. —Você pode me pegar algumas pinças? Talvez eu possa usá-las para puxar tudo. — Corri para o kit de emergência de mãe e encontrei três pares diferentes - você sabe, só por precaução. Então eu os carreguei de volta para ela. Nos primeiros anos antes do nascimento de Hope, River alternava entre me chamar de Cora e mamãe. Não havia rima ou razão para o que ela me chamava ou quando. Não era como se ela tivesse que esconder mais isso. Mas assim que Hope teve idade suficiente para falar, eu nunca mais fui Cora. E não foi até então que percebi o quanto eu tinha perdido, deixando-a me chamar de Cora por todos esses anos. Mas não mais. Eu era mãe. Apenas mãe. Houve um estalo antes que o vestido de Savannah caísse.


—Oh meu Deus, o que foi isso?— Ela gritou —Oh, merda,— River respirou, levantando a guia de zíper de metal pendurado na ponta da pinça. —O que você fez!— Savannah gritou. Enquanto minhas garotas ainda lutavam como gatos e cachorros e amavam como irmãs, elas estavam todas crescidas agora. River tinha vinte e três anos, percorrendo o caminho lento da faculdade, morando em um apartamento do outro lado da cidade e se formando em design gráfico. Ela ainda não tinha trazido um namorado para casa, mas ela não fazia segredo de deixar seu controle de natalidade no balcão do banheiro, então eu sabia que eles existiam. Isso poderia ser porque ela aprendeu com os erros de Savannah e ganhou um respeito saudável pela veia da testa de Penn. Savannah conhecera um cara em seu primeiro ano na Universidade de Washington. Ele parecia bom o suficiente para mim, mas Penn queria amarrá-lo por seus jeans sujos e cabelo longo e sujo. Felizmente, aquele cara acabou fodendo com ela. Obviamente, essa não foi a parte da sorte. Com o coração


partido, ela se curvou e se concentrou em seus trabalhos escolares, e acabou se apaixonando pelo assistente de ensino do professor, Matthew Lintz. Quer dizer, eu não poderia culpá-la. Ele era um garoto bonito. O problema era que ele não era realmente uma criança - ele era um estudante de medicina de 22 anos indo para a faculdade de odontologia no outono. Que bom para ele. Ambos estavam na faculdade, então eu estava bem com isso. Penn, no entanto, queria amarrá-lo com as calças cáqui e o uniforme formal de trabalho. Quase no fim do ano, o professor descobriu. Matthew quase foi expulso e acabou mudando de escola no último semestre antes de se formar. No final, estávamos em pé em uma igreja, com o zíper do vestido de Savannah na metade, preso e agora oficialmente quebrado. Tudo isso aconteceu vinte minutos antes de seu casamento com o Dr. Matthew Lintz. Sério, o garoto não podia fazer nada sem drama. —Meu Deus. Meu Deus. Ai meu Deus — gritou Savannah. —Eu te disse que você deveria ter conseguido aquele com o espartilho em volta—, provocou River.


Oh! E Savannah estava grávida. Esta notícia veio um ano depois do noivado e apenas três semanas antes do casamento, daí a única razão pela qual o Dr. Matthew Lintz, ainda estava vivo e não enterrado no meu quintal enquanto as botas enlameadas de Penn estavam no meu bagageiro. —Ok, acalme-se. Eu tenho isso. Não é grande coisa.— Eu não tinha e era um grande negócio, mas eu era boa em meio à turbulência. Peguei a pinça, sacudi a aba de metal e apertei-os bem na cabeça do zíper. —Ok, segure a respiração um segundo.— —Estou segurando!— River riu. —Ok, então diga ao seu demônio para segurar também.— —Alguém por favor pode ir buscar o papai? Ele saberá como consertar isso. — Savannah nunca tinha chamado Penn nada além de pai novamente. No começo, ela fez isso para provocá-lo. Então, quando os meses se transformaram em anos, ela fez isso para irritá-lo. Mas então ela começou a fazer isso porque eu acho que ela queria que fosse verdade. Com o jeito que ela cresceu, era


fácil entender por que ela se agarrou a Penn. E, não surpreendentemente, Penn havia aceitado logo. River foi até a porta e abriu-a. —Penn, sua majestade precisa de sua ajuda.— —Ela se vestiu?— Ele perguntou cautelosamente. —Isso é… o que ela precisa de ajuda. Mas sim, ela não está nua. Entre.— Já fazia mais de uma década desde que ele entrou pela porta do meu apartamento, mas eu ainda sentia calafrios quando ele entrava em um quarto - o terno cinza quente que ele estava usando também não doía. Nós éramos pessoas diferentes agora. E Penn não estava errado. Diferente não era ruim. Penn tinha voltado a investir em imóveis, usando algumas novas construções ao longo do caminho. E me formei na faculdade e comecei a trabalhar como contadora. Eu tirei licença de maternidade quando eu tive Hope, e então quatro anos depois, eu parei completamente quando Shane nasceu. Esse menino apropriadamente chamado parecia com seu pai. Nem brincando, a criança saiu de cara feia. Onde Hope sempre tinha


sido uma tagarelice mesmo antes de ter palavras, Shane estava quieto e estoico, sempre observando o mundo ao seu redor. —Hey, baby, o que está acontecendo - oh, uau.— Seus olhos se arregalaram quando ele deslizou o olhar pelo vestido de noiva branco sem alças. Era tão bom e clássico que nem mesmo o superprotetor Penn conseguia encontrar alguma coisa para reclamar. Eu nunca tinha visto Penn chorar. Oprimido com emoção, absolutamente. Ele fez a coisa de rir e sorrir tão grande que seus olhos começaram a encher de água nos dias em que Hope e Shane nasceram. Mas Savannah era diferente para ele. Ela nunca tinha sido um bebê, mas ela era sua primeira filha a usar um vestido de noiva. —Jesus—, ele respirou, esfregando a mão sobre sua bochecha. —Você está bonita.— Ela desmoronou quando ele a puxou para um abraço. — Meu vestido está quebrado.— —Não chore. Sua maquiagem vai borras! Eu disse a ela enquanto saía para pegar um lenço. —


Quando voltei, Penn já estava na parte de trás do vestido. —Oh, tudo bem. Não está quebrado. Eu tenho isso.— Ele enfiou a mão no bolso e tirou uma ferramenta multifuncional. —Eu preciso de um alfinete de cabelo, uma moeda e um ingresso de hóquei.— —Eu sinto muito. O que?— —Foi uma piada, Cor.— Ele me dispensou quando se inclinou para pegar o pedaço quebrado do zíper do chão. Ele o puxou de volta para o vestido, deu um puxão forte e fechou o resto do caminho como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Os pais eram bons assim. —Oh, graças a Deus—, Savannah respirou, acariciando seu coração. Ela se virou, deu um beijo na bochecha de Penn e, em seguida, foi para o banheiro, chamando River: —Tenho que fazer xixi! É seu dever segurar meu vestido. — River gemeu. —Você esteve no vestido dez segundos. Por que você não fez xixi primeiro? Eu não estou segurando seu maldito vestido. — Mas ela disse isso enquanto caminhava atrás dela e, sem dúvida, segurava seu vestido maldito.


Meu marido roubou minha atenção com os lábios no meu pescoço. —Eu não tenho certeza se a mãe da noiva deveria ser tão gostosa.— Eu ri. —Eu não tenho certeza se a mãe da noiva deveria ter trinta e nove anos e ser uma futura avó também.— Suas mãos encontraram meus quadris e ele me puxou contra sua frente. —Não me lembre que ela está tendo um bebê se você quiser que eu passe por essa cerimônia sem castrar Matthew.— Eu sorri, o calor de Penn me cercando. —Verdade ou mentira.— —Verdade—, ele sussurrou, inclinando-se para descansar a testa na minha. —Verdade: você fez isso. Ela está aqui. Feliz. Saudável. Casando com um homem bom, que eu realmente acredito será quase tão bom pai como ela será uma boa mãe. Você fez isso, Penn. Eu te amo por muitas razões. Mas hoje, ao vê-la, eu amo você especialmente por isso.—


Seus olhos se suavizaram. —Baby, você fez isso. Eu, você, Savannah, River, Hope, Shane. Todos nós temos uma boa vida porque você nunca desistiu de lutar pelo sua. — Meu nariz começou a doer, então estendi a mão e peguei o colar da lua que ele tinha enrolado no meu pescoço no dia em que chegamos em Seattle. River usava minha estrela agora - não porque Penn tinha me pedido para tirá-la, mas porque era o momento em que percebi que menti para Nic quando lhe disse que só queria ele e as estrelas. Tudo que eu sempre quis foi a lua. Penn ainda estava tão lindo quanto no dia em que eu o conheci. Sua presença poderosa ainda fazia sua sombra ser longa e larga. Sua pele ainda estava bronzeada, e seu cabelo curto e castanho ainda era rico em partículas naturais de mogno e castanho, como se trabalhasse ao sol. Ele ainda tinha o nariz de um gladiador romano, distinto e ligeiramente torto da batalha.


Sua mandíbula ainda era composta de ângulos régios e afiados mascarados por uma espessa camada de barba. E tatuagens intrincadas e pretas ainda viajavam pelos braços até as costas das mãos. Mas havia uma coisa que mudara nele. Os olhos de Penn não eram mais um azul pesado profundo e oco. Agora, os olhos de Penn eram na verdade a cor da liberdade. Para nós dois. Eu subi na ponta dos pés e dei um beijo em seus lábios. — Verdade: eu te amo, Penn.— —Verdade: Eu sempre amarei você, Cora. —

O FIM

The Truth Duet 2 - The Truth About Us - Aly Martinez  
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