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Tradução: Inari Revisão Inicial: Hígia Revisão Final: Mitra Leitura Final: Taciana Formatação: Kytzia/cibele Disponibilização: Grupo Rhealeza Traduções 07/2019


Sinopse Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda. Ele a prefere em sua cama. Antonio Forte sempre colocou os negócios antes de prazer, mas desde que conheceu a magnífica CEO da Interstellar Corp, ele se vê querendo os dois. E ele espera que ela não seja capaz de recusar sua última oferta. Lauren Bradley sabe como sobreviver como mulher no mundo dos homens, não confie em ninguém. Especialmente, homens bonitos que fazem a calcinha molhar com um único olhar como Antonio. Mas sua oferta é quase tão tentadora quanto ele. Às vezes para ganhar tudo, você tem que desistir de tudo.

—A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória no ataque. —- Sun Tzu


CAPÍTULO UM ANTONIO Ficando entre as pernas de Lauren, eu giro meus quadris e mexo meu pau contra sua boceta. —Eu não estou pronto para dizer adeus. Seus dedos se enroscam no meu cabelo enquanto ela envolve seus braços em meu pescoço. —Ainda temos algumas horas. —Ela olha para mim com um sorriso pecaminoso. O sol entra pelas janelas, iluminando a cama e nos banhando em calor. O barulho distante dos trovões se mistura com o das ondas quebrando perto da costa, como se fazendo serenatas para nós ficarmos. Eu não estou pronto para encarar a realidade ou as pessoas que somos, uma vez que sairmos da ilha. A dureza que eu vi em Lauren dentro das paredes da Interstellar desapareceu nos últimos dois dias, substituída pela criatura linda e delicada debaixo de mim. —Vamos ficar mais um dia. —Enterrando meu rosto em seu pescoço, eu respiro o salgado de sua pele antes de pressionar meus lábios contra os dela. Ela vira a cabeça, me dando rédea livre para me deleitar em sua pele, mas não fala nada. Eu deslizo minha mão pela lateral do seu corpo antes de agarrar seu quadril na palma da minha mão e repetir as palavras. —Vamos ficar mais um dia. —Nós não podemos. —Ela sussurra, olhando para mim, e eu sei que ela está certa, embora eu não queira ouvir. —Temos que voltar. Deixar a ilha irá colocar de volta entre nós a barreira que foi derrubada. Lentamente, tijolo por tijolo, a verdadeira Lauren surgiu, mostrando-me partes


dela que eu não sabia que existiam. A mulher por baixo é forte como eu esperava, mas seus sonhos não são dela. Ela é impulsionada pelas memórias de seu pai, e ela está se enterrando em seu trabalho em vez de viver a vida. Meus lábios roçam seu pescoço antes de encontrar sua boca. —Prometame que as coisas não vão voltar a ser como eram. —Eu digo, olhando nos olhos dela, procurando por afirmação de que o fim de semana inteiro não era apenas uma estratégia. —Antonio, eu... Eu esmago minha boca na dela, selando o que ela diria lá dentro. São palavras que não estou pronto para ouvir, porque sei que a barreira voltará a ser erguida logo que sairmos da praia. A única coisa que posso fazer é lembrá-la é de como podemos ser um. Como somos verdadeiramente compatíveis e como juntos podemos fazer a mágica acontecer. Ela geme enquanto meus dedos deslizam debaixo de sua bunda, inclinando seus quadris para cima para melhor acesso. Cada momento que ela esteve em minha presença eu tive que lutar contra o desejo de me enterrar dentro dela porque é o único momento em que eu me sinto em paz e verdadeiramente satisfeito. Quando eu empurro meu pau para dentro, ela envolve suas pernas em mim, me segurando perto. Eu abro meus olhos, olhando para ela enquanto nossos corpos estão unidos em um. Eu queria poder congelar o tempo. Este momento é pura perfeição, mas assim como tudo, é fugaz e impossível de capturar para a eternidade. Eu deslizo meu pau para dentro e para fora dela, saboreando a sensação de seu corpo apertando ao redor do meu a cada movimento. Não há como negar o que há entre nós. Não importa o que ela diga quando aterrissarmos em Chicago, eu sinto o jeito que o corpo dela me anseia. Eu sinto dentro de mim que ela é tão apaixonada por mim como eu sou por ela.


—Descubra tudo o que puder sobre Trent Moore. —Eu grito no telefone. Menos de uma hora atrás, cheguei à Interstellar para obter a decisão de Lauren sobre a fusão entre nossas empresas. Foi a única maneira que eu pude pensar para manter nosso relacionamento vivo e salvar a bagunça que se tornou a aquisição Cozza-Interstellar. Eu dei a Lauren o dia para pensar sobre isso e compartilhar com sua equipe antes que ela me desse a resposta final para trazer de volta a Cozza. Mas Lauren não estava em nenhum lugar. Cassie não a via há pelo menos 3 horas, e não há nada escrito em sua agenda que dê a qualquer um de nós uma pista sobre onde ela possa estar. Eu vasculhei seu escritório, procurando por alguma evidência, mas não encontrei nada. Lentamente, o pânico se instalou e meus piores temores se concretizaram. Lauren não é o tipo que desaparece sem uma palavra, especialmente quando o futuro da Interstellar está em jogo. Em pânico, fiz a única coisa que pude. Liguei para o chefe de segurança da Cozza e fiz de Lauren uma prioridade máxima. Eu não queria envolver a equipe dela porque isso provocaria um alarde em toda a empresa e causaria pânico generalizado, e isso não é algo que qualquer um de nós possa se dar ao luxo. Maverick, meu chefe de segurança, geralmente está ocupado mantendo nossos segredos da empresa a salvo ou jogando invasores de nossas instalações de teste fora dos limites da cidade de Chicago, mas nada é mais importante do que encontrar Lauren. —Me dê uma hora. —Ele me diz. —Você tem trinta minutos. —Eu desligo antes que Maverick possa responder.


Acabei de perder mais um segundo discutindo os detalhes quando ele deveria estar procurando por ela e Trent. A cada minuto que passa, ela está se afastando mais e se torna mais difícil de encontrar. Nas poucas horas que ela está desaparecida, ela pode estar a centenas de quilômetros de distância e ainda mais difícil de rastrear. Eu bato meu celular na mesa de Lauren com tanta raiva que eu poderia facilmente esmagá-lo na palma da minha mão. —Porra. —A tela se fragmenta em centenas de pedaços sob a palma da minha mão com o impacto. A única coisa que importa agora é encontrá-la, e não vou descansar até que ela seja encontrada viva. Mas Trent é esperto. Encontrá-lo não será tão fácil. Com sua vantagem inicial e a capacidade de esconder seu rastro digital, minha equipe terá que ser criativa e esperar que ele foda alguma coisa. Mas há uma coisa que eu sei. Eu vou encontrá-lo. Eu não irei parar até que ele pague pelo que fez e eu tenha Lauren de volta em meus braços. Se Trent machucar um fio de cabelo dela, a punição será cem vezes mais dolorosa do que o que ele fez com ela. Meu telefone toca, um pedaço de vidro pica meu dedo enquanto atendo. —Sim? —É melhor você vir até aqui. —Cassie diz. Eu não queria que ela fosse para lá sozinha, mas Cassie insistiu em ir ao apartamento de Lauren na esperança de encontrá-la lá. Eu sabia que a probabilidade de Cassie encontrá-la seria quase zero, mas eu não iria impedi-la. —Ela está aí? —Não, mas... —Sua voz desaparece, e ela choraminga.


—Cassie? —Eu ando em direção ao elevador, pronto para matar Trent e qualquer outra pessoa envolvida no desaparecimento de Lauren. —Alguém destruiu seu apartamento. É como algo saído de um filme, Sr. Forte. Eu bato no botão dentro do elevador, espalhando meu sangue pelo T. —Não chame a polícia. Eu estarei aí em dez minutos. —Sim, senhor. A última coisa de que preciso, ou Lauren precisa, é que o desaparecimento dela se torne notícia na mídia. Seria um pesadelo, pessoalmente e para nossas empresas. Se a polícia investigar seu paradeiro antes do sequestro e descobrir nossa viagem à minha ilha particular, a mídia terá um prato cheio com a notícia de que os CEOs da Cozza e da Interstellar estão romanticamente envolvidos. Enquanto eu ando em direção ao prédio de Lauren, eu ligo para Maverick de volta e peço a ele para me encontrar na cobertura dela para reunir qualquer evidência que possa levar ao seu resgate. Cassie está esperando no saguão por mim com a cabeça baixa, andando de um lado para o outro, e murmurando coisas sem sentido para si mesma. —Cassie? Ela para de se mover, ergue a cabeça e nossos olhares se encontram. O pânico que senti se multiplica. Visões de Lauren ferida, ou pior, surgem em minha mente, e estou momentaneamente congelado pelo medo antes de me recompor e correr para o lado de Cassie. —Não é bom. —Ela sacode a cabeça e começa a puxar as pontas do cabelo. —Deus, é horrível.


Eu estendo a mão para ela, tocando seus braços. —Fique aqui embaixo. Ela fica rígida e olha para mim com os olhos estreitados. —Eu não posso ficar aqui e não fazer nada, Sr. Forte. Eu não posso. —Então me leve para cima. Nós vamos descobrir isso juntos. Ela se move em direção aos elevadores do outro lado do saguão, olhando para o chão enquanto andamos. —Trent é um bastardo, Sr. Forte, mas nunca pensei que ele faria isso. —Nós vamos encontrá-la, Cassie. Isso eu prometo a você. — Eu fico ao lado dela quando as portas do elevador se fecham. Nós dois olhamos para o chão, silenciosos em nosso medo enquanto o elevador sobe em direção ao andar de Lauren. Eu sei que a encontraremos, mas cabeças vão rolar se... Eu não posso me deixar pensar assim. Eu não posso ceder à possibilidade de que não a encontraremos. As primeiras quarenta e oito horas são as mais críticas em qualquer investigação, e pretendo usar todos os meus recursos, legais e ilegais, para rastrear Trent e resgatar minha garota. Cassie olha para mim antes das portas do elevador se abrirem. —Se há alguém pode encontrá-la, senhor, eu sei que é você. Em qualquer outra situação, sua confiança em mim teria me feito sorrir, mas, em vez disso, dei-lhe um rápido aceno de cabeça porque, pela primeira vez na minha vida, não tenho certeza de nada. Eu dou um passo para trás quando as portas do elevador deslizam, e vejo a porta da frente da cobertura de Lauren aberta. O belo piso de madeira está coberto com seus pertences pessoais, e pedaços de sua mobília estão espalhados por toda parte. Não há um local intocado e nem um único item está em sua forma original.


Entrando, tenho cuidado para não modificar muito a cena. — Você viu sangue em algum lugar? Cassie sacode a cabeça. —Você já esteve aqui antes? Ela acena com a cabeça. —Você pode me dizer se qualquer coisa está faltando? —Não, senhor. —Ela olha pela janela do outro lado da sala, quase em transe. —Mas está uma bagunça aqui, eu não sei nem se eu poderia dizer se há alguma coisa faltando. Cassie quase pula meio metro do chão quando Maverick bate à porta. Ela está ainda mais pálida do que quando cheguei, e a culpa me inunda por ela ter testemunhado o caos no apartamento de Lauren sozinha. Se eu estivesse pensando claramente, eu teria a mandado a minha segurança vir aqui em vez de Cassie. —Não tenha medo, Cassie. Liguei para minha equipe de segurança. Maverick não está nem a meio metro da cobertura quando começo a questioná-lo. —Você já descobriu alguma coisa? —A equipe está trabalhando nisso. Preciso de alguns minutos para examinar o apartamento em busca de provas e depois conversaremos. —Seus olhos pousam em Cassie em pé perto do canto da sala de estar, olhando para a cidade. —Ela é uma testemunha? —Ela trabalha para a senhorita Bradley. Ela não viu nada, mas conhece a história de Trent e Lauren e pode ser vital para ajudar a descobrir onde ele a levou. —Temos cem por cento de certeza de que ele está com ela?


—Sim. —Eu digo, minha raiva crescendo a cada segundo que está sendo desperdiçado. Maverick atende seu telefone no primeiro toque. —Sim? Digame o que você descobriu. —Seus olhos se encontram com os meus, e ele acena com a cabeça para o corredor antes de se afastar... —Cassie. —Eu digo baixinho, me aproximando dela com cautela para não assustá-la mais do que ela já está. A pobre mulher está definitivamente no limite. Ela poderia ter encontrado Trent ou outra pessoa e ter sido morta. —Eu preciso saber tudo sobre Trent e Lauren. Cassie olha para mim, mas é como se ela estivesse olhando através de mim, incapaz de se concentrar. —Tudo o que você precisar. —Ela diz, quase em um sussurro. —Senhor. A voz profunda de Maverick assusta Cassie novamente, tirando-a do transe. Estendendo a mão, eu a seguro. Maverick poderia assustar pra caralho até a pessoa mais calma. Ele tem quase 2 metros de altura, com ombros largos, olhos escuros, e parece mais Neanderthal que a maioria das pessoas nas ruas. Ele é um empregado leal há dez anos e tive a sorte de contratá-lo logo depois que ele se aposentou do Green Berets1. Com suas conexões em todo o mundo, ele tem fácil acesso às informações, e é a pessoa mais leal da minha empresa. Eu dou a Maverick um olhar gelado, porque ele deveria saber que não pode se arrastar pela cobertura silencioso como um rato e chegar falando. —Me dê alguns minutos com Cassie. Olhe em volta e veja se consegue encontrar alguma coisa primeiro. 1

As Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, também conhecidas como os Boinas Verdes por causa de sua boina distinta de serviço, são uma força de operações especiais.


—Vou fazer isso. —Maverick desaparece rapidamente. —Cassie, sente-se aqui. —Eu coloco de lado um travesseiro que está no chão com o enchimento espalhado e faço um lugar para nós sentarmos. Ela se move devagar e dobra as mãos no colo enquanto sentase, mas ela não olha diretamente para mim. Ela ainda está olhando para fora da janela. Se ela está se concentrando em nada ou em tudo, eu não posso dizer. Cassie sempre foi falante, e raramente eu estive em sua presença e ela não estava tagarelando palavras tão rápido que eu não conseguia acompanhar. Mas hoje, depois de tudo o que aconteceu, ela é um fantasma de seu antigo eu. —O que você pode me dizer sobre Trent e Lauren? Eu sei que é uma conversa estranha para ter comigo, mas até mesmo a menor informação pode nos ajudar a encontrá-los mais rápido. Ela segura a barra da saia e seus olhos acompanham o movimento. Ela não fala no começo, e eu não a forço. —Eles começaram o projeto Mercury juntos, e depois de passar incontáveis horas trabalhando juntos, as coisas simplesmente aconteceram. —Ela olha para mim. —Lauren terminou depois que se tornou CEO, mas Trent... —Ela suspira e balança a cabeça. —Trent não aceitava que eles terminaram. —Me diga mais. Cassie passa os dez minutos seguintes me contando tudo o que sabe sobre Trent e como ele tratou Lauren nos últimos anos. É difícil para mim entender como Lauren o manteve como um empregado com tudo o que ele tinha feito para ela. Mas, como muitas pessoas em sua situação, em nossa situação, mantemos pessoas que detestamos pelo bem da empresa.


A única coisa que sei com certeza sobre Lauren é que a Interstellar é a coisa mais importante em sua vida. Ela sacrificaria seu conforto se isso significasse sucesso para seus empregados e alcançar o sonho de seu pai. Quando Cassie termina, eu a deixo no sofá e encontro Maverick no quarto de Lauren, vasculhando uma pilha de papéis rasgados e fotografias. —Isso é interessante. —Ele me entrega uma foto amassada. Trent e Lauren estão sentados lado a lado em uma rocha com uma pequena cabana ao fundo. —Se eu sequestrasse alguém, é exatamente para onde eu levaria. Eu pego a foto da mão dele e estudo a imagem. Uma Lauren mais jovem com um grande sorriso despreocupado no rosto. Virando a foto, o ano de 2012 está escrito no verso com a palavra Canadá. — O que seu contato disse antes? —Eles estão levantando seus bens e histórico. Ele tem feito um bom trabalho cobrindo seu rastro. Com base na falta de informações, eu diria que ele estava planejando isso há um tempo. Lidar com governos estrangeiros também pode ser complicado. Mas não tenha dúvidas, Sr. Forte, eu a encontrarei. —Porra. —Eu rosno. —Eu não me importo com quem temos que pagar, faça acontecer, Maverick. —O que você quer fazer sobre o apartamento? Eu olho em volta, examinando o dano causado por Trent. Eu odiaria que Lauren voltasse a essa bagunça, especialmente depois de tudo que ela possa ter passado. —Limpe e substitua tudo o que estiver danificado. —Isso será feito hoje.


—Vou levar Cassie para casa. Ligue para mim assim que tiver mais informações. —Sim, senhor. —Maverick pega seu telefone e se dirige para o elevador comigo logo atrás dele. —Ele olha para Cassie, que não se mexeu desde que a deixei no sofá. —Senhora. —Ele sorri em sua direção. Seus olhos percorrem o corpo dele, mas ela não retribui o sorriso. —Senhor. Faço um movimento para Cassie depois que as portas do elevador se fecham com o Maverick dentro. —Vamos embora. Minha equipe cuidará do apartamento. Ela fica em pé e caminha na minha direção, esmagando os pedaços de detritos no chão a cada passo. —Devemos chamar a polícia. —Agora não. Ela cutuca meu peito e seus olhos se estreitam enquanto ela olha para mim. —Não. Agora, Sr. Forte. A polícia vai encontrá-la. — Ela me cutuca novamente, mas um pouco mais forte. —Você pode ter passado algum tempo com Lauren, mas como eu posso saber que você tem boas intenções? —Cassie. —Afasto-me de seu dedo esguio e da unha me fincando. —Vamos lá. Não seja louca. Ela arregala os olhos, e a vermelhidão sobe em seu pescoço enquanto ela se aproxima e me cutuca com mais força. —Louca? Você é o homem que está tentando roubar a empresa dela. Acho difícil acreditar que você tenha boas intenções. Eu não posso culpá-la. Do lado de fora, pareço ser o inimigo. Ninguém realmente sabe o que aconteceu na ilha ou a maneira como


Lauren me cativou completamente. Ela é como uma droga que eu desejo e não consigo tirar do meu sistema. Bastou experimentar uma vez e eu já estava viciado. Ninguém nunca teve esse efeito em mim antes. Eu estive com muitas mulheres, mais do que eu realmente gostaria de admitir, mas eu nunca persegui alguém antes dela. Eu envolvo minhas mãos ao redor dos braços de Cassie, mas eu a aperto suavemente. —Ouça. Se chamarmos a polícia, a mídia descobrirá. Seria desastroso para Lauren e para a Interstellar se a notícia sobre o sequestro fosse divulgada. Não importa o que você pense, eu estou fazendo o que é melhor para Lauren. Ela tensiona e mostra os dentes. —É melhor você encontrá-la rápido, ou você não será capaz de controlar o que vai acontecer dentro da Interstellar. Palavras mais verdadeiras nunca foram ditas. Nós só temos algumas horas para encontrar uma maneira de ganhar algum tempo para manter o alto escalão da Interstellar satisfeito com sua ausência. —Eu vou lidar com isso. Ela se afasta e respira fundo enquanto puxa a camisa social de dentro da saia que vai até a altura do joelho. —Sinto muito, senhor Forte. Eu não quero soar como uma cadela, mas eu amo Lauren como uma irmã. Eu gosto de controle, e não tenho nenhum agora. Não sei o que dizer a ninguém amanhã de manhã. —Deixe-me levá-la para casa e, quando você passar pelas portas de Interstellar amanhã, ou eu terei Lauren de volta ou terei uma desculpa para você usar para impedir que as pessoas façam muitas perguntas. —É melhor você fazer isso bem, Sr. Forte. Lauren nunca perde o trabalho, então será difícil convencer alguém.


—Acredite em mim, Cassie. Eu vou fazer isso ser convincente. Ela franze os lábios, me encarando nos olhos como se estivesse lendo meus pensamentos. Com uma assistente como Cassie, não é difícil entender como Lauren começou a conquistar o mundo.


CAPÍTULO DOIS ANTONIO

—Temos que seguir em frente. —Carlino, meu segundo em comando na Cozza, diz antes mesmo de eu ter a chance de dar dois passos em nosso escritório em Chicago. Eu não dormi nada a noite passada. Eu não conseguia tirar Lauren da minha mente. Ela estava bem? Trent estava a tratando bem? Ela ainda estava viva? Ela estava pensando em mim? É um pensamento egoísta de se ter, mas eu não pude evitar. Ela tinha que saber que eu moveria céus e terra para encontrá-la. Não importa o que esteja acontecendo entre nossas empresas, nosso relacionamento é totalmente separado e significa mais para mim do que qualquer outra coisa. Sua segurança é minha principal prioridade e a única coisa que ocupa meus pensamentos. Eu não poderia me importar menos com a aquisição ou a fusão. Quando eu disse a ela que há coisas mais importantes na vida do que trabalho, eu quis dizer isso. Maverick e eu falamos no telefone não menos que dez vezes depois que eu deixei Cassie em seu apartamento. Ainda tinha dificuldade em encontrar informações sobre Trent, mas havia encontrado algumas pistas. Até agora, não tinha tido um único sinal de quaisquer torres de celular de seu número de telefone ou um registro de uso de qualquer um de seus cartões de crédito. O bastardo era esperto demais para erros de principiante como esses. Ele sabia que seria facilmente rastreável com a tecnologia. Eu ando em direção ao elevador com Carlino me seguindo logo atrás. —Seguir em frente sobre o quê?


—Interestelar e a fusão. O conselho não quer esperar. Gostaríamos de pressioná-los a tornar o acordo uma realidade o quanto antes. Eu estreito meus olhos e aponto no botão do elevador antes de olhar para ele. —Eu posso pelo menos chegar ao meu escritório antes de você começar a latir no meu ouvido, Carlino? Ele sempre quis meu trabalho. Desde o primeiro dia que ele entrou pela porta, ele queria me derrubar, mas ele não conseguiu. Eu me tornei muito poderoso para ele ter uma chance, mas isso não significava que ele não tivesse coragem de tentar em cada oportunidade. Ele estala o pescoço, inclinando a cabeça em direção aos ombros. —Há boatos, Antonio. —Cruzando os braços na frente do peito, ele arqueia uma sobrancelha e sorri. As portas se abrem e entramos. Eu mordo minha língua, esperando as portas se fecharem para nos dar privacidade antes de eu voltar toda a minha atenção para o homem ao meu lado. —Boatos? Ele passa a mão pelo cabelo excessivamente oleoso com um sorriso arrogante. —Sobre a Srta. Bradley. —Carlino. —Fecho minha mão em punho, mas resisto ao impulso de socá-lo no queixo. Embora eu adoraria vê-lo cair no chão como o imbecil que ele é. —Eu observaria o que vai falar e tomaria muito cuidado com suas próximas palavras. Seu sorriso endurece quando ele eleva o queixo. —Com base em sua resposta, os boatos são verdadeiros. Ou você toma alguma atitude hoje, ou eu trago uma discussão para a diretoria junto com um voto de desconfiança para você, Antonio.


—Vou marcar uma reunião com Josh Goldman, vicepresidente da Interstellar, e vocês dois podem resolver os detalhes e dar o pontapé inicial. Ele cruza os braços e ergue um ombro. —Ocupado demais para participar da mais importante fusão de negócios do século? Estou a dois segundos de quebrar o seu rosto presunçoso, mas sei que é o que ele quer e preciso controlar minha raiva. Ele está me provocando, e pela primeira vez, conseguindo uma reação minha. — A papelada é padrão, Carlino. Eu não achei que você precisasse de mim para segurar sua mão, mas eu vou se for necessário. —Eu posso lidar com isso sozinho, mas não esqueça onde está sua lealdade, Antonio. Alguém pode considerar sua falta de atenção agora do jeito errado. —Faça o seu trabalho e eu farei o meu. Não me teste. —As portas se abrem e eu deixo Carlino próximo ao fundo do elevador, porque o escritório dele fica em outro andar. Ele ergue o queixo forma presunçosa enquanto as portas do elevador se fecham. Eu nunca fui capaz de suportá-lo, e me certifiquei de que, embora eu não esteja aqui com frequência, ele fique sempre o mais longe possível de mim quando eu estou. Se eu tivesse que passar mais um minuto com ele, eu acabaria nocauteando-o e dando a ele muita munição para usar contra mim. Depois que tudo estiver pronto e a fusão tiver ocorrido, preciso reavaliar a estrutura corporativa da nova empresa. Carlino está no topo da minha lista. —Bom dia, senhor Forte. —Marny, minha assistente executiva nos últimos dez anos, me cumprimenta com uma xícara de expresso e um sorriso. —O Sr. Maverick está em seu escritório esperando por você.


Dou-lhe um sorriso cortês e tomo o expresso antes de pedir licença, tentando não parecer ansioso. Quando eu entro, ele está sentado à minha mesa, teclando no meu computador enquanto fala ao telefone, e ele olha para mim. Fazendo sinal para ele ficar onde está, eu tomo o assento em frente a ele, colocando o expresso na beira da mesa junto com o meu celular. Eu ouço suas palavras com muito cuidado. —Canadá. —Os olhos de Maverick encontram os meus. Uma espécie de alarme dispara e a imagem de Lauren e Trent passa pela minha mente. É o lugar perfeito para ele levar Lauren. Perto o suficiente, mas ao mesmo tempo tão longe e fora da jurisdição policial local. Mas ele se esqueceu de uma coisa: meu alcance é mais amplo que o de qualquer departamento de polícia. —Quando você tiver o endereço, envie para mim. —Ele faz uma pausa e aperta algumas teclas no teclado. —Nós não precisaremos de reforço. Estamos tentando manter isso fora do radar. Ele diz mais algumas coisas para a pessoa do outro lado do telefone antes de desligar. Recostando-se na cadeira, ele solta um suspiro alto e aliviado. —Estamos quase certos de que Moore está no Canadá. Nosso melhor palpite é que ele a levou para aquela cabana da foto. —Você está adivinhando? —A placa dele foi identificada por meio de alguns pedágios indo naquela direção. Nosso palpite é que ele a levou para o outro lado da fronteira. Mas eu vou encontrá-lo, Sr. Forte. Se depender de mim, a Sra. Bradle estará de volta ao solo americano antes do sol se por. —Eu vou com você.


Não há nenhuma maneira no inferno que eu deixaria ele ir atrás dela sozinha. Estou completamente certo de sua competência, mas eu quero que meu rosto seja o primeiro que Lauren veja depois de seu resgate. Não porque eu quero roubar os holofotes, mas porque eu quero que ela saiba que eu me importo o suficiente para colocar todo o resto em espera para encontrá-la. Maverick me estuda por um momento. —Antonio, não é seguro. Eu alcanço meu café expresso, precisando da cafeína para que minha bunda e minha cabeça funcionem direito depois de uma noite tão longa. —Não há nada para discutir. Eu vou estar ao seu lado quer Lauren esteja nessa cabana ou não. Eu não serei capaz de descansar até você encontrá-la. Entendido? —Eu arqueio uma sobrancelha e olho para ele por cima do meu copo. —Sim, senhor. O que quer que o faça feliz, embora eu desaconselhe fortemente. —Basta encontrá-la e prometo não me colocar em perigo se puder ser evitado. Ele me dá um leve aceno de cabeça. —Eu terei o endereço antes do meio dia. Meu amigo nas Forças de Operações Especiais do Canadá está trabalhando no local. —Obrigado, Maverick. Agora me dê um tempo para checar alguns negócios e organizar meu dia para que eu possa ir com você. —Desculpe por usar o seu computador. —Ele diz, levantando-se da minha cadeira e batendo os nós dos dedos contra a mesa de mogno. —Nunca peça desculpas por me ajudar. Não sei o que faria sem você.


Ele sai sem outra palavra, e eu sei que tenho tempo limitado para fazer o acordo com a Interstellar antes de sairmos para o Canadá sem sermos notados. —Josh Goldman, por favor. —Eu clico nos e-mails intermináveis que chegaram desde a noite passada enquanto espero Josh atender a ligação. Eu tenho tanto amor pelo homem quanto pelo Carlino. —Goldman. —Josh diz assim que atende o telefone. —É Forte. Eu gostaria de marcar uma reunião hoje para você e meu vice-presidente discutirem a fusão. —Eu não acho que é sensato sem Lauren aqui. Eu reviro meus olhos. —Você quer a fusão ou não? —Lauren e eu já discutimos a fusão e decidimos apresentá-la ao conselho. —Então não há tempo a perder. Encontre-se com Carlino hoje e convoque uma reunião do conselho de emergência o quanto antes. Cabe a vocês dois convencer as pessoas por trás da Interstellar que é a fusão é de interesse delas. Tenho certeza de que você pode fazer acontecer, não? —Eu posso fazer isso acontecer, Sr. Forte. Lauren pode estar no comando, mas eu sou tão influente quanto ela. O número dois está sempre disposto a estar à frente e mostrar sua capacidade. Mas não importa o que eles façam, as pessoas da empresa sabem que estão apenas tentando ser mais importantes e só cuidam de si mesmos. —Então faça acontecer. Carlino estará presente para garantir que você tenha todos os detalhes antes de apresentar a proposta e fechar o negócio.


—Você não vai vir? Eu não tenho certeza se ouço decepção ou desdém em sua voz. —Eu acho que você e Carlino podem lidar com isso sozinhos. Eu tenho outros negócios importantes para atender. —Parece ser algo comum ultimamente. —Ele diz em um tom sarcástico, referindo-se à ausência de Lauren. Parece que Cassie foi capaz de vender a mentira para o pessoal da Interstellar e nos ganhou um pouco de tempo até Lauren ser encontrada. A mídia não foi alertada, e ninguém está em pânico. Deixe-os fofocar tudo o que quiserem sobre um suposto caso de amor entre nós. Eu prefiro que isso aconteça em vez da notícia de seu desaparecimento estampado na primeira página. Nada pode prejudicar mais rápido uma empresa do que um CEO sequestrado.

LAUREN

Eu congelo, fecho os olhos e engulo a bile que está subindo na minha garganta quando a trava se abre, raspando contra o metal enquanto a tranca se move. Talvez ele me deixe em paz, segura na escuridão, se ele achar que ainda estou inconsciente. Estar nesta sala me assusta, mas pensar em não saber do que Trent é capaz é muito mais assustador. Eu sabia que ele tinha uma obsessão doentia por mim e que ele nunca aceitou completamente ou superou o nosso rompimento, mas eu nunca pensei que ele faria algo parecido com isso. Até recentemente, ele nunca tinha sido agressivo e nunca me tinha me pressionado. Mas todos os sinais de alerta estavam lá, construindo-se lentamente até o ponto de ruptura. Eu devia ter percebido isso e ter


colocado mais distância entre nós. Eu deveria tê-lo demitido há muito tempo, mas simplesmente não consegui. Deixando a empresa e a invenção como prioridades sobre qualquer outra coisa, eu me abri ao seu ataque, e isso me levou a estar nesta sala. Há um rangido alto quando a porta se abre, mas não me atrevo a olhar para o chão em direção aos seus pés. Quando o barulho dos passos soa e fica cada vez mais alto conforme ele se aproxima, eu prendo a respiração e espero o que vem a seguir. Ele vai me manter nesta pequena sala como prisioneira até que alguém me encontre ou até eu morrer? Será que ele me torturará ou, meu Deus, me estuprará até que esteja satisfeito? Um dia atrás, eu teria dito que Trent não seria capaz de fazer isso, mas depois que ele me sufocou até eu desmaiar, eu sei que ele é capaz de qualquer coisa. Trent desliza as mãos pelas minhas costas enquanto me levanta em seus braços. Minha pele se arrepia quando nossos corpos se tocam, e ele me segura contra seu peito enquanto me carrega. Eu fico mole, deixando meus braços soltos enquanto ele me leva caminhando com passos pesados para fora da sala que ele está me mantendo trancada. Eu quero correr, me afastar e fugir, mas estou tomada pelo pânico e apavorada demais até para respirar, quanto mais para me mover. —Eu sei que você está acordada. —Ele diz enquanto seus dedos afundam na minha cintura e quadril. —Você pode parar com o teatro, Lulu. Porra. Eu caio contra ele, derrotada e sabendo que tenho que encará-lo. Mas ainda tenho minha força e velocidade para fugir dele. Eu só preciso descobrir onde estamos e dar o fora daqui. Eu faria qualquer coisa para me libertar e me afastar do louco, mesmo que isso significasse morrer por uma chance de liberdade.


Eu pisco meus olhos, cega pela luz forte na nova sala, e engulo o soluço que quer se libertar. Não chore. Eu nunca fui uma chorona, e recuso-me a começar a ser agora. Eu não lhe darei a satisfação de saber que ele está me aterrorizando ou qualquer suspeita de que eu perdi a esperança por causa dele. —Onde estamos? —Eu tento permanecer o mais calma possível, sabendo que minha vida depende da minha capacidade de manter minha mente focada. Estou me contorcendo por dentro porque esse homem, alguém que eu achei que amava, fez isso comigo. Esse homem me sufocou até eu desmaiar, é preciso uma espécie de loucura para fazer isso com alguém que supostamente se ama. Eu afasto isso da minha mente e penso em apenas uma coisa... sobrevivência. Se eu atuar bem, talvez, apenas talvez, ele abaixe a guarda por tempo suficiente para eu fugir. —Nosso lugar favorito. Meu nível de pânico aumenta de medo para morrendo de medo, estamos fora do mapa, porque eu sei exatamente onde ele me trouxe. Estamos em seu lugar favorito, uma cabana isolada no Canadá. A pequena casa fica a quilômetros de distância de qualquer rua principal, e os vizinhos mais próximos estão a mais de 1,6 km de distância. Muito longe para alguém me ouvir gritar se eu fosse capaz de escapar e perto o suficiente para ele me rastrear a pé se ele estiver consciente quando eu fugir. Quanto tempo eu fiquei inconsciente antes de acordar na sala escura? Ele teve que me drogar para me impedir de acordar durante as seis horas antes de atravessar a fronteira. Eu deveria saber que a


pulsação na minha cabeça foi causada por mais do que suas mãos apertando meu pescoço. —Por que aqui? —Minha voz parece distante, quase robótica. Estou em choque, mas quem não ficaria na mesma situação? Não consigo olhar para ele, o homem que agora é meu raptor. Ele gentilmente me coloca na cama como se ele pudesse me quebrar, o que é quase cômico. —Porque eu precisava que nós estivéssemos sozinhos. Eu olho para o meu corpo parcialmente vestido, e meu estômago revira enquanto a bile sobe novamente na minha garganta. Ele estica o braço e pega algo perto da cabeceira da cama, mas eu não consigo olhar. Quando ele alcança meu pulso, eu me afasto e tento me encolher. Eu quero chorar e fugir, mas eu sei que não há ninguém e nada por quilômetros. —Deixe-me. —Eu digo, lutando contra as lágrimas que estão ameaçando cair. Eu não posso chorar. Eu não quero chorar. Eu não posso dar a ele esse poder de saber o quanto ele está me afetando. —Dê-me o seu pulso, ou então eu vou colocá-la de volta na escuridão. Não sei o que é pior – a escuridão fria e dura do quarto seguro ou estar aqui fora com um lunático demente. Eu sei que no segundo em que ele me colocar de volta no quarto, não haverá chance de fuga. A única maneira de sair daqui é jogar com as regras dele e deixá-lo me algemar. Mas me entregar de bom grado não é algo que estou acostumada a fazer, especialmente quando tudo dentro de mim já está gritando para fugir. Eu rolo de costas e olho para as vigas rústicas acima da cama, ainda incapaz de olhar para o rosto dele. Eu respiro fundo e fecho


meus olhos. —Eu prefiro ficar aqui com você. —A mentira deixa um gosto amargo na minha boca. Trent não fala enquanto levanta meu braço em direção à cabeceira da cama. Quando ele envolve uma algema fria de metal no meu pulso, recuso-me a fazer qualquer barulho. —Não se preocupe, Lulu. Não será assim para sempre. Em breve ambos seremos livres. Delirante nem sequer começa a descrever Trent, e temo ter que me deixar cair em sua insanidade antes para que eu possa sair daqui viva. Eu olho para ele. Grande erro. Não há mais o homem bonito e centrado que me seduziu anos atrás. Ele foi substituído por outra pessoa com tanta escuridão em seus olhos que me arrepia até os ossos. Há uma maldade que eu não vi antes. Como se algo nele tivesse se transformado nessa criatura selvagem diante de mim. O medo que estava fervendo lá dentro, mal mantido à distância, começa a se infiltrar em cada fibra do meu corpo.


CAPÍTULO TRÊS ANTONIO

Quando o jato começa a descer a pista, Maverick abre uma mochila cheia de armas, colocando-as na mesa entre nós. Menos de uma hora atrás, o contato de Maverick no Canadá chamou para comunicar que houve atividade na cabana perto de Windsor, no Canadá. Temos certeza de que é Lauren e Trent. Sem hesitar, preparei o jatinho e deixei Carlino e Josh para discutir o futuro de nossas empresas. —Estaremos pousando em trinta minutos, senhor. —O piloto anuncia antes que as rodas se levantem do chão. Se o acordo de fusão de errado, que assim seja. Meu coração não se importa mais. Eu tenho dinheiro suficiente no banco para durar vinte vidas. Eu consegui quase tudo que eu queria na vida, tudo menos uma coisa... encontrar uma pessoa para chamar de minha. Agora que eu a encontrei, eu não me importo com nada além de trazêla de volta em segurança e protegê-la de qualquer coisa que possa acontecer com ela novamente. Maverick coloca uma pequena arma preta na minha frente, girando o gatilho em minha direção. —Use isso apenas se necessário, senhor. Eu o encaro, passando o dedo sobre a arma. —Eu já atirei com uma arma antes. Acho que te surpreenderia com a minha precisão. Um sorriso puxa o canto de seus lábios. —Tenho certeza que você é como o Rambo, mas a última coisa que eu preciso é que você


mate o homem. Lidar com as autoridades canadenses quando há um assassinato cometido por uma pessoa importante seria um pesadelo. —Quem disse que eles encontrariam um corpo? Maverick aperta a parte superior do nariz e balança a cabeça. —Se o animal precisar ser abatido, por favor, deixe-me cuidar disso, senhor. —Se eu tiver uma chance e Lauren estiver em grave perigo, não hesitarei em puxar o gatilho. —Merda. —Ele murmura. —Vamos examinar o terreno e a área ao redor da cabana. Quero ter certeza de que estamos na mesma página antes de entrarmos, armas em punho. Ele puxa um pedaço de papel dobrado do bolso de trás, alisa e aponta para a pequena construção no centro. —A cabana está localizada perto da costa do Lago Erie, sem habitantes por pelo menos um quilômetro e meio de cada lado. Eu aceno, estudando o mapa enquanto seu dedo desliza por ele. —Vamos entrar pela água ou por terra? Maverick detém uma risada. —Por terra, senhor. Nós vamos tomar este caminho através da floresta a partir da estrada lateral. — Ele toca o papel. —Então vamos percorrer este caminho através da floresta fechada até a cabana aparecer. —Então? —Eu me inclino para frente, estudando a imagem. —Então esperamos a noite. —Inaceitável. —É um pouco depois das duas horas, e falta muitas horas até escurecer. Eu não estou disposto a deixar Lauren nas mãos do louco por tanto tempo.


—A escuridão nos dará maior cobertura e nossa melhor chance de resgatar Lauren sem que ninguém se machuque. —Vamos discutir o tempo depois que pousarmos e tivermos a cabine à vista Maverick concorda, sabendo que não sou do tipo que espera, especialmente quando algo importante está em jogo. —Precisamos trocar de roupa. —Ele diz, levantando uma segunda mochila na mesa. —Você não pode entrar lá de terno. Nós seremos vistos a um quilômetro de distância. Eu pego as roupas de suas mãos e rapidamente tiro meu terno de homem de negócios e visto a calça e a camisa camufladas. —Não importa o que eu estou vestindo, desde que façamos o trabalho. Ele levanta um coldre na minha direção. —Você sabe como isso funciona? Sem hesitar, tiro o coldre de couro das mãos dele e o prendo ao redor do corpo. —Eu tenho mais experiência do que você jamais saberá. Mas eu sei que Maverick sabe tudo sobre mim. O homem não concordou em ser o número um em segurança na Cozza sem descobrir tudo sobre minha vida. Ele sabe que eu sou um ávido homem do ar livre e adoro caçar. Passei grande parte dos meus vinte anos viajando pelo mundo e participando de expedições de caça em alguns dos terrenos mais remotos do planeta. Conforme fui envelhecendo, passei a achar a caça não tão emocionante e minha consciência moral mudou. —Eu acho que estamos prontos. —Ele pega sua roupa, se dirigindo para o quarto na parte de trás do avião.


Aproveito os poucos momentos sozinho para olhar através da paisagem quando o lago Erie aparece. Eu não sou um homem paciente, e estar sentado aqui, sabendo que ela está lá embaixo, assustada e sozinha, me deixa enjoado. Não há como esperar até que o véu da escuridão nos dê cobertura suficiente para invadir a cabana. —Deixe-me cuidar da alfândega quando aterrissarmos. — Maverick diz, enquanto caminha de volta para a cabine principal com roupa camuflada e o rosto pintado. —Eles estão cientes de que estamos chegando, mas entrar no Canadá não é uma tarefa fácil e custa muito dinheiro. —Pague a eles o que quiserem. Eu quero ter essa cabana na minha mira dentro de uma hora, Maverick. —Telefone desligado, Sr. Forte. Não há mais comunicação com o mundo exterior, e não quero nenhuma evidência de que estivéssemos aqui caso tudo dê errado. Fazendo o que ele pede, eu desligo meu telefone e coloco no meu bolso. Há muito pouco para falar enquanto o jato desce através das nuvens, finalmente aterrissando em um pequeno aeroporto nos arredores de Windsor. Os funcionários da alfândega estão esperando por nós no portão. Maverick os intercepta, caminhando com eles alguns metros à minha frente. Eu não consigo ouvir o que eles estão dizendo, mas quando Maverick entrega ao homem um envelope grosso e nós somos rapidamente deixados sozinhos, eu sei que estamos dentro. Agora não há nada que nos impeça de chegar a Lauren. Subimos no Durango preto que está esperando por nós na pista e dirigimos em direção à cabana. A última coisa que me interessa é minha vida ou ir para a cadeia; minha única preocupação é tirar Lauren de Trent utilizando qualquer meio necessário.


LAUREN Trent está sentado ao meu lado, segurando um anel de ouro em frente ao meu rosto. —Você sabe o que é isso? Eu estou na cama há horas, algemada à cabeceira, incapaz de me mover. Meus braços estão dormentes ao ponto da dor, mas ele recusou todos os meus pedidos para remover as algemas. —Um anel. —Eu balanço meus dedos e estremeço quando parece que pedaços de vidro estão sendo arrastados pelos meus braços. —Seu anel. —Ele sussurra. —Meu anel? —A dor é substituída pelo pavor que instantaneamente me toma com suas palavras. —Você sabe por que estamos aqui? Eu olho para cima enquanto ele olha fixamente para o anel e o gira em seus dedos. —Este é o seu anel de casamento, Lulu. Não é lindo? Choque. Horror. Dormência. Tantas emoções agitam meu corpo que é difícil respirar. Eu quero cuspir na cara dele e dizer a ele que ele é claramente louco, mas eu sei que isso não me fará bem. Eu sou sua prisioneira, acorrentada a uma cama que uma vez fizemos amor, e sem nenhum resgate à vista. Há apenas uma coisa que eu posso fazer para sair daqui... eu tenho que entrar no seu jogo. Aguentar Trent e unir-me à sua fantasia


maluca é a única maneira de ganhar liberdade suficiente para escapar da cabana viva. —É lindo. —Eu sussurro, quase engasgada com a mentira. Mas, assim como na sala de reuniões, eu tenho que me tornar uma versão diferente de mim mesma. Eu deixo de lado a menininha que quer se encolher em uma bola e chorar para me tornar alguém que anda sobre o limite de sua fantasia insana. —Eu esperei você me pedir por anos. Um sorriso aparece em seu rosto, mas desaparece rapidamente. —Mas e o Antonio? Eu engulo a bile que está subindo na minha garganta e sorrio para o homem que merece nada menos do que a morte. —Eu estava tentando fazer ciúmes em você, Trent. É loucura, mas Trent não está muito bem da cabeça. Talvez ele compre a mentira e tenha perdido o suficiente do pensamento racional para acreditar que é verdade. É minha única esperança, e vou me ater à história mesmo que isso me mate. —Você alcançou seu objetivo. —Ele se abaixa, colocando o anel de ouro no meu abdômen nu antes que a palma da sua mão repouse ao lado dele. —Eu estive esperando você para voltar para mim. Eu não aguentava mais um minuto ver você se afastar. Meu traseiro afunda na cama, querendo escapar do seu toque, mas eu fico rígida, tentando ficar parada. —Eu nunca iria a lugar algum. Meu coração sempre pertenceu a você. —A mentira parece mais fácil desta vez. Ele se inclina para frente, pressionando os lábios nos meus. No começo, eu não o beijo de volta, mas quando seus dedos me apertam dolorosamente, eu abro minha boca para ele. Eu quase


engasgo quando ele passa a língua dentro da minha boca, mas o impulso de permanecer viva entra em ação e eu supero a ânsia. Quando ele se afasta, sorri enquanto as pontas dos seus dedos acariciam a pele macia perto do meu umbigo. —Amanhã vamos dizer nossos votos antes de tudo terminar. Antes de tudo terminar? —O que isso significa? Ele se levanta da cama e começa a andar ao meu lado. —Nós não podemos voltar, Lulu. Nossas vidas estão acabadas. Nós vamos dizer nossos votos e entrar na vida após a morte juntos. Todos os músculos do meu corpo ficam tensos e de repente sinto que estou me afogando. Sua vida pode ter acabado, mas a minha mal começou. Eu só preciso ganhar tempo suficiente para Antonio nos encontrar, se ele já começou a procurar. Mesmo que às vezes eu pense que Antonio está brincando comigo, se ele não me resgatar, eu terei certeza. Alguém já deve ter percebido que estou desaparecida. Minha bolsa ainda estava no meu escritório quando saí para encontrar Trent. Normalmente, eu a teria levado comigo, mas saí correndo com tanta pressa que deixei para trás. Cassie deve ter a encontrado quando trancou meu escritório no final do dia. Se não houver ninguém com quem eu possa contar na minha vida para perceber que estou desaparecida, ainda a tenho. —Nós podemos voltar. —Eu sussurro, tentando encontrar uma maneira de argumentar com ele. Ele anda em passos mais longos, movendo-se de uma extremidade da cabana para a outra como um animal preso. —Nós não podemos. Depois de dizermos nossos votos, devemos terminar


tudo para estarmos juntos para sempre. Prometo fazer isso de forma indolor e fácil. Quanta gentileza dele pensar que eu ficarei bem em terminar minha vida contanto que seja de forma indolor. A única coisa que sei sobre morte é que nunca é fácil. O corpo luta contra a escuridão, mesmo sem escapar. Não há nada fácil sobre isso. Eu já vi alguém morrer diante dos meus olhos, e o processo é a coisa mais horrível que já presenciei. —Como? —Eu realmente não quero saber como ele planeja tirar a minha vida antes de terminar a sua própria, mas eu preciso comprar tempo suficiente para alguém, qualquer pessoa nos encontrar. Ele para ao pé da cama e olha para mim com uma calma antinatural. —Nós dois adormeceremos nos braços um do outro e nunca mais acordaremos. Não posso pensar em um melhor caminho a percorrer. Você pode? Eu olho pela extensão da cama para o homem que uma vez pensei ser a mente mais brilhante do planeta. A facilidade com que sua genialidade transformou-se em irracionalidade é absolutamente chocante. Eu deveria saber que algo assim poderia acontecer depois que ele tentou se forçar em mim no meu escritório. Mas quem realmente acredita que alguém poderia sair dos trilhos de maneira tão espetacular tão rapidamente quanto ele? —Trent. —Eu sussurro, já tentando encontrar uma saída, mas não achando nada. —Você pode remover as algemas? Ele envolve os dedos no estribo de ferro forjado enquanto olha para mim. —Eu não acho que seja uma boa ideia.


—Mas eu quero tocar em você. Eu prefiro passar a noite fazendo amor com você, se for a nossa última juntos. Podemos ter uma noite feliz nos braços um do outro antes de morrermos amanhã? Ele desliza para a cama ao meu lado. —Diga-me que você me ama. —Diz ele. —Eu te amo. As mentiras saem mais fáceis sabendo que minha vida está em jogo. —Você promete ser minha para sempre? —Eu sempre fui. Eu não repeti as palavras que ele queria, mas eu respondi de uma forma que o faria feliz. Eu já fiz o pior que foi dizer que o amava quando tudo o que eu queria era arrancar os olhos dele com meus próprios dedos. Ele olha para mim e nenhum de nós fala. Eu rezo para que eu possa ser capaz de esconder meu ódio do homem o suficiente para que ele acredite que as mentiras que estão saindo dos meus lábios são verdades. Quando ele se levanta e começa a soltar a primeira algema, respiro fundo e me preparo para o que vem a seguir. A alegria da liberdade é rapidamente substituída pela dor lancinante quando meus braços escorregam para baixo. Eu mal posso mover meu braço quando o metal desliza do meu pulso. Eu solto um grito estrangulado enquanto mexo meus dedos. Trent não responde aos meus gemidos antes de passar para a próxima algema e repetir o processo. Mesmo se eu quisesse correr neste mesmo segundo, eu não poderia. Meus braços doem com o menor movimento. Eu não chegaria até a varanda antes que ele me puxasse de volta.


—Melhor? —Trent pergunta, jogando a chave na mesinha de cabeceira ao lado da minha cabeça. —Obrigada. —Eu digo através das lágrimas. Ele se inclina para frente, roçando seus lábios contra minha bochecha. —Eu te amo muito, Lulu. Me desculpe se eu te machuquei, mas eu não sabia mais o que fazer. Eu não posso te perder. Com minha nova liberdade, as mentiras saem mais facilmente. Estou a um passo de escapar dele. —Você nunca poderia me perder. Eu entendo porque você fez o que fez. Eu tenho bancado a difícil há muito tempo, e o jogo é cansativo. Incapaz de mover meus braços, eu ainda minto, deixando ele me tocar, mesmo quando minha pele arrepia debaixo de seus dedos. Ele sobe em cima de mim, ficando entre as minhas pernas com o peso do seu corpo no meu e o anel afundando em minha pele. —Isso é tudo que eu sempre quis. —Eu também. Nós não estamos falando da mesma coisa. Eu quero minha liberdade e a cumplicidade dele em fazer isso acontecer. A primeira chance que eu tiver, eu vou correr para a porta e rezar para que eu tenha velocidade suficiente para fugir dele através da vegetação que ele conhece melhor do que eu jamais irei. Talvez haja campistas próximos que ouvirão meus gritos antes que ele tenha a chance de me arrastar de volta para a cabana, me trancando na escuridão novamente. A dor em meus braços começa a diminuir quando o formigamento dá lugar a um pulsar lento. Mexo as pontas dos meus dedos, fazendo o sangue circular de volta para as partes que ficaram impedidas de ter circulação por horas. Não falo enquanto seus lábios


se arrastam pelo meu pescoço, pairando perto da alça do meu sutiã em um movimento lento e preguiçoso. —Seu cheiro é exatamente como eu me lembro. —Ele murmura contra a minha pele. —Eu preciso estar dentro de você. Lágrimas escorrem pelos lados do meu rosto quando percebo que ninguém está vindo a tempo de impedir o que está prestes a acontecer. Talvez pedir minha liberdade tão cedo não foi o plano mais inteligente. O simples pensamento de ter Trent dentro de mim, violando meu corpo, quase me deixa hiperventilando. —Não chore, baby. Eu vou ser gentil. —Ele sussurra antes de puxar a alça do sutiã para baixo, expondo meu seio. Não há escapatória e não há prazer no que está por vir. Eu deixo minha mente vagar até Antonio e nosso tempo na ilha. Minha mente se afasta para a praia, a água batendo aos meus pés e a sensação de sua pele na minha.


CAPÍTULO QUATRO ANTONIO

Meu corpo praticamente treme quando nos aproximamos da cabana. Nós atravessamos os poucos quilômetros da estrada principal até a cabana em menos de meia hora e mal começamos a suar no ar úmido e frio da primavera do Canadá. Maverick parou de falar, optando por sinais com as mãos para não sermos ouvidos por Trent. Ele está no modo de comando completo, revivendo seus dias no exército, e tem a arma a sua frente, pronto para atirar em qualquer coisa que ande diante de nós. Meu dedo está coçando para puxar o gatilho, mas eu prefiro acertar Trent entre os olhos para que Lauren nunca tenha que olhar por cima do ombro novamente e se perguntar se o louco está atrás dela. Maverick usa seus dois dedos para apontar entre seus olhos e a cabana. Eu não sei o que ele quer dizer, mas meu conhecimento limitado de filmes de ação me leva a acreditar que ele vai checar os arredores. Ele segura a palma para mim e aponta para o chão. Concordo com a cabeça porque não sei mais o que fazer antes que ele se afaste. Suponho que ele queira que eu fique parado enquanto ele dá uma olhada na cabana e procura qualquer sinal de Trent e Lauren. Eu acompanho o movimento dele enquanto ele se mistura com a floresta e se move pelas árvores, circulando o perímetro da cabana. A cada poucos segundos, eu deixo meus olhos vagarem em direção às janelas, rezando por qualquer sinal de que Lauren esteja viva. Dentro de um minuto, Maverick está de volta ao meu lado. Ele começa a mexer com a mão, mas agora eu nem consigo imaginar o


que todos os pequenos movimentos significam. —Fala, Maverick. — Eu sussurro. —Eu não sei o que isso significa. —Repito os movimentos de seus dedos, ou o mais próximo do que ele tinha feito, de volta para ele. Ele fica tão perto quanto possível, mas sem encostar em mim e coloca a boca ao lado da minha orelha. —Eu vi pela janela lateral. Eles estão lá, senhor. Eu olho, tentando ver qualquer coisa através das janelas da frente, mas há apenas uma parede com uma janela para os fundos. — O que você viu? —Eles estão na cama. Eu viro minha cabeça ligeiramente, e meus lábios apertam junto com todos os músculos do meu corpo. —Ela está ferida? —Não é possível dizer. O fato de que Trent a tenha na cama e provavelmente a está tocando contra a sua vontade está me irritando. Eu estou pronto para sufocá-lo até a morte com minhas próprias mãos, dane-se a lei. —Eu não posso esperar mais duas horas até escurecer. Nós não temos tempo a perder. Precisamos agir. —Deixe-me ver mais uma vez e certificar-me de que ele está ocupado antes de derrubar a porta da frente. —Vá ver, mas eu estou indo de qualquer maneira. —Eu digo a ele, acabando com a espera de o sol se pôr. Não vai mudar o resultado. De qualquer maneira, vamos entrar, e se alguém morrer, com certeza não planejo ser eu. Nós temos o elemento surpresa do nosso lado. Trent provavelmente pensa que cobriu seus rastros o suficiente para que levasse dias para encontrá-


lo, mas ele subestimou minha capacidade de rastrear a mulher que eu amo. Maverick se afasta e me dá um aceno rápido antes de correr de volta para o lado da casa tão silenciosamente que nem sequer ouço seus passos. O homem devia ser um animal quando era um militar e provavelmente matou mais pessoas do que eu iria querer saber. Estou feliz que ele está do meu lado e não está trabalhando para o inimigo. Não consigo tirar os olhos da cabana, imaginando o que está acontecendo lá dentro e se Lauren está bem. Maverick disse que eles estavam na cama e eu sei que Trent a está tocando. Não posso imaginar a dor mental que ela está sentindo, tentando argumentar com um lunático enlouquecido. O grande corpo de Maverick cria uma sombra ao meu redor enquanto ele corre de volta para o meu lado. —Estamos bem para ir. Vou entrar primeiro e arrombar a porta antes de pegar Trent. Depois que ele estiver fora de cena, você pode entrar e pegar Lauren, senhor. Eu olho para ele, recriando o cenário na minha cabeça. Não posso pensar em uma ideia melhor. —Nós só vamos correr até lá? Ele se aproxima de novo, tentando manter sua voz rouca e profunda o mais baixo possível. —Não. Nós vamos ir devagar. Eu não preciso de muito espaço para derrubar a porta de madeira fora de suas dobradiças. Apenas um chute da minha bota, e está feito. Vou tê-lo no chão antes que ele tenha a chance de sequer reagir por instinto. —Eu estarei bem atrás de você. Ele anda devagar, devagar demais para o meu gosto, mas ele está no comando, mesmo sendo eu quem está assinando seus cheques. Com muita atenção, passamos por galhos caídos e qualquer coisa que possa causar um som não natural antes de seguirmos para


o canto da cabana. Como se não pesasse nada, Maverick atravessa a varanda de tábuas, esquivando-se sob todas as janelas para evitar ser detectado. Eu fico perto do canto, conhecendo meus limites e não disposto a arriscar a vida de Lauren só para que eu possa estar colado nas costas de Maverick. Ele faz um gesto para mim, segurando três dedos. Dois. Um. Ele levanta a perna do chão e recua antes de empurrar para a frente com tanta força que a porta se quebra em pequenos pedaços sob o impacto.

LAUREN Eu viro minha cabeça para o lado e olho para a velha lâmpada marrom na mesa de cabeceira. Se eu pudesse me mover mais uns centímetros, provavelmente poderia tocá-la, mas não estaria perto o suficiente para envolver meus dedos na base. É a única coisa próxima com peso suficiente para derrubar Trent se eu o acertar no ângulo certo. —Você é tão gostosa. —Diz Trent, movendo-se no meio do meu peito com seu peso corporal me prendendo no colchão. Eu toco seu braço, deslizando minhas unhas suavemente sobre sua pele percorrendo até o ombro. —Você também.


Ele murmura sua apreciação quando engulo meu medo. Eu solto a mão do ombro dele, colocando-a perto do meu rosto. Eu me contorço contra a cama, fingindo que estou desfrutando a sensação de seus lábios contra minha carne. Eu nunca fui boa em fingir, mas Trent está muito ocupado com seu próprio prazer para perceber. Sua ereção pressiona minha perna enquanto sua boca desliza pelo lado direito da minha caixa torácica. Eu levanto meus dedos em direção à mesa de cabeceira, esforçando-me para tocar a base de metal. O peso do corpo de Trent diminui e eu congelo. —O que você está fazendo? Meus olhos se voltam para ele e se arregalam quando percebo que ele está olhando para a minha mão. —Eu estou com cãibra. Estou apenas me alongando. —Porra. Eu pensei que estava me movendo tão devagar que ele não notaria. Ele puxa meu corpo, tornando impossível alcançar a lâmpada agora. —Desculpe-me por mantê-la acorrentada por tanto tempo. — Ele cobre meu ombro com a mão, massageando-o rudemente. Eu cerro meus dentes pela dor que seus dedos deixam pior. Ele sorri para mim enquanto trabalha em direção ao meu pescoço. — Melhor? —Sim. Não foi assim que pensei que minha vida terminaria. Eu pensava em trabalhar até estar tão velha que os únicos terninhos que caberiam em mim viriam de uma loja de roupas e precisariam de elástico. Eu imaginei que eu passaria da sala de reuniões para um asilo onde viveria o resto dos meus anos assistindo episódios de reality shows enquanto me alimentava de comida que havia passada em um processador de alimentos para evitar que eu sufocasse por causa da


minha boca desdentada. Mesmo que seja deprimente, essa visão é melhor do que a da minha morte nas mãos do meu ex-amante. Meus olhos queimam quando as lágrimas começam a se formar. Cada pequena centelha de esperança se apagou do meu corpo quando eu percebi que não há como escapar do destino Trent determinou em meu nome. Eu olho para o teto, observando as pequenas rachaduras pretas nas vigas acima da minha cabeça. Eu tento me perder na escuridão enquanto os lábios e as mãos de Trent exploram meu corpo e eu estou impotente para impedi-lo. Ele começa a puxar suas calças, e eu sei o que está por vir, mas não planejo ajudá-lo de maneira alguma. Eu permaneço imóvel e distante enquanto ele puxa o cós da minha calcinha. Eu fecho meus olhos, repetindo a oração da serenidade para mim enquanto ele desliza a renda pelas minhas pernas. Minha pele arrepia sob o seu toque, e fecho os olhos e me arrependo das mentiras que disse antes que me colocaram nessa situação. Assim que o material passa por meus tornozelos, a porta se abre, fazendo nós dois pularmos. Trent fica de pé, com as calças na metade das pernas e não preparado para companhia. Uma fera de um homem vestido de camuflagem e o rosto pintado de negro irrompe pela porta com sua arma desembainhada. Trent rosna, se lançando para o homem que é facilmente uns trinta centímetros mais alto e não é páreo para ele fisicamente. Antes que Trent possa chegar a um metro e meio do homem, um único tiro é disparado. Eu cubro meus ouvidos e solto um grito quando Trent tropeça para trás, agarrando seu peito. Sangue escorre entre os dedos, deslizando pelo peito quando ele cai no chão. Sua boca está aberta enquanto ele suspira por ar, mas nenhum som sai de seus lábios. Os mesmos lábios que momentos atrás estavam sobre minha pele.


Eu deveria estar horrorizada pela cena diante de mim, mas mesmo que o homem que puxou o gatilho esteja aqui para me matar também, pelo menos eu tive a satisfação de ver Trent morrer primeiro. Não tenho medo de morrer. Todo mundo que eu já amei partiu antes de mim. Eu sempre me permiti acreditar em algo maior do que temos neste planeta e neste corpo. Eu sonhava com o dia em que eu envolveria meus braços em volta do meu pai novamente e seria embalada por minha mãe. Eu só não queria que isso estivesse nas mãos da pessoa sem valor morrendo diante dos meus olhos. —Senhorita Bradley. —O homem diz suavemente com a arma abaixada ao lado dele. Eu arrasto meus olhos para longe do corpo sem vida de Trent enquanto uma mão empurra o homem para fora do caminho. Meu coração pula enquanto Antonio se move na minha direção, usando a mesma roupa e maquiagem, parecendo completamente fora de lugar. —Antonio? —Eu sussurro enquanto lágrimas escorrem pelo meu rosto. Meu coração salta um ritmo mais rápido do que momentos atrás, quando eu pensei que ia morrer. Ele envolve seus braços poderosos em volta de mim, segurando meu rosto firmemente contra seu peito. —Lauren, oh Deus. —Ele me balança suavemente e beija o topo da minha cabeça enquanto eu me aninho nele. —Você está aqui. Eu me pergunto se estou sonhando e talvez minha imaginação tenha saído dos trilhos depois que Trent tirou minha calcinha das minhas pernas. Quando Antonio se afasta e suas mãos tocam meu rosto, aqueles olhos azuis penetram dentro de mim, e eu sei que ele é real. —Eu moveria o céu e a terra para encontrar você.


Eu sorrio através das minhas lágrimas, mas elas caem mais copiosamente quando me dou conta que isso não é um sonho. A manchete do jornal não será sobre meu assassinato e do suicídio do meu ex-amante e empregado da Interstellar. Este homem, meu antigo inimigo, que roubou meu coração tão rapidamente, agora se tornou meu salvador das trevas. —Você está aqui. —Repito. —Senhor, leve a Srta. Bradley para fora. Antonio envolve o cobertor da cama em meu corpo antes de me levantar em seus braços. Eu me enrolo nele e fecho meus olhos, sentindo que finalmente estou segura e que o pesadelo acabou. Enquanto ele me leva em direção à porta, dou uma última olhada no corpo de Trent esparramado no chão, coberto de sangue que agora está se acumulando debaixo dele. —Não olhe. —Antonio sussurra. Ele não entende que eu já vi uma pessoa morrer antes. Eu já assisti alguém dar o seu último suspiro. Eu segurei a mão do meu pai enquanto ele ofegava por ar com seus olhos vidrados olhando para o nada até que seu corpo cedeu. Esse momento foi devastador. Observar alguém que você não está pronto para ver partir deixar de existir é mais do que qualquer pessoa deveria ter que suportar. Ver Trent fazendo o mesmo não tem efeito em mim. Depois do inferno que ele me fez passar, eu rezo para que cada último suspiro seja doloroso e impossível. Agarrando a camisa de Antonio, deixo as lágrimas escorrerem. Não lágrimas de tristeza ou medo, mas aquelas de total alegria e alívio. Mesmo que eu tivesse conseguido pegar a lâmpada, eu não saberia como sair da floresta. Trent conhecia todos os cantos da floresta que


cercava a cabana, e eu não teria ido muito longe antes que ele me capturasse novamente. Antonio se inclina para frente, segurando meu corpo contra o dele enquanto senta-se na beira da varanda. —Você está ferida? — Ele pergunta, levantando o cobertor o suficiente para ver a minha pele. —Estou bem. E eu estou. Eu estou melhor que bem. Eu estou viva e livre. As horas de angústia mental de estar nas mãos de um lunático acabarão por desaparecer. Saber que ele está morto, fará com que eu não tenha que reviver isso a cada momento. Não vou ter que passar por um julgamento e encarar o homem que tentou roubar meu futuro junto com minha vida. —Oh Deus. Ele... —A voz de Antonio desaparece e eu posso ouvir a dor em suas palavras. Eu quero que não haja perguntas sobre o que aconteceu naquela cabana. Trent não me violou. Ele teria se lhe fosse dada a oportunidade, e muito provavelmente, eu teria sido impotente para detê-lo. Mas ele não chegou tão longe porque Antonio me salvou. Eu levanto meus olhos para Antonio, afastando minha cabeça de seu peito e segurando sua bochecha na minha mão. —Ele não conseguiu. Você chegou antes que ele pudesse... —Eu engasgo com o que poderia ter acontecido se Antonio não tivesse me salvado como ele fez. O homem sai da cabana, virando o celular na palma da mão com a arma no coldre. —Ele está morto. Meus homens virão lidar com seu corpo antes do anoitecer.


—Obrigado, Maverick. Eu sorrio para o homem que se eleva sobre nós, que Antonio chama de Maverick. —Obrigada. —Eu sussurro e enxugo as lágrimas na minha bochecha. —Eu não sei como agradecer a vocês dois o suficiente. —Eu vou pegar o carro para que possamos voltar para os Estados Unidos antes de nos depararmos com quaisquer problemas. —Diz ele com um sorriso bonito. Eu não faço perguntas. Eu não quero saber sobre seus homens e como eles vão lidar com os restos de Trent. Eu não poderia me importar menos se eles o deixassem na mata fechada e deixar a vida selvagem beliscar sua carne até que ele não seja nada mais que ossos. Pela primeira vez desde que o bastardo colocou as mãos em volta da minha garganta, sinto que posso respirar. Aninhada nos braços de Antonio, ouvindo a batida constante de seu coração, deixo a exaustão me tomar enquanto ele me carrega pela estrada de terra.


CAPÍTULO CINCO ANTONIO

Eu lamento não ter puxado o gatilho eu mesmo. Lauren parecia tão longe quando entramos na cabana, como uma alma perdida esperando pela morte. Ela mal piscava e falou em uma voz tão diferente da dela. Meu coração doeu no momento em que eu coloquei os olhos nela. Eu pensei que estava preparado para qualquer coisa, mas vê-la assim... tão sem vida... tirou o meu ar. De pé na porta, eu a observo com cuidado enquanto ela dorme. Seus longos cabelos castanhos estão bagunçados e molhados, colando em seu rosto enquanto ela está no meio da cama. Ela estava no avião e não queria nada além de um banho quente quando voltássemos para a casa dela. Minha equipe fez um ótimo trabalho na limpeza do apartamento e conseguiu substituir quase tudo que havia sido danificado. Meu celular vibra na minha mão e eu olho para baixo. Os homens de Maverick no Canadá deixaram tudo limpo. Eu não queria nenhum detalhe. Enquanto não houvesse nenhum vestígio da morte de Trent ligado a mim e a Lauren, eu não me importava com o que eles faziam com ele. —Antonio. —A voz suave de Lauren atravessa o quarto, chegando até mim. Eu enfio o telefone de volta no meu bolso e vou até ela. — Você está segura. —Tenho repetido essas palavras a ela uma centena de vezes desde que eu a tirei da cabana. Eu vou continuar dizendo até que ela acredite nelas também.


—O que você está fazendo? —Ela faz uma careta, parecendo pequena e frágil demais na grande cama king size. Deslizando ao lado dela, eu a puxo contra o meu lado, descansando minha cabeça acima da dela. Enrosco meus dedos em seu cabelo enquanto acaricio a pele delicada em seu pescoço, onde se encontra a linha do cabelo. —Apenas observando você. Você realmente deveria descansar. —Quão ruim é? Eu olho para ela. —Quão ruim é o que? Ela se afasta e se ergue quando minhas mãos caem de seu corpo. —O dano à minha empresa. —Não há nenhum, Lauren. Seu olhar endurece. —Nenhum? Eu balanço minha cabeça e sento-me ao lado dela. —Eu me certifiquei de que tudo permanecesse discreto. —Alguém deve ter feito perguntas. —Cassie lidou com isso. —Como? —Vou fazer algumas ligações e amanhã juntaremos as peças. Mas esta noite, quero que você descanse. Você está segura e viva, e isso é tudo que importa. O trabalho é o menos importante no momento. Eu não me importo se Interstellar ou Cozza quebrarem ou queimarem enquanto ela estiver bem. Tantas coisas horríveis poderiam ter acontecido, ela poderia ter sido morta no chão daquela cabana em vez de Trent. Eu sei quão preciosa e curta é a vida, e nunca vou desperdiçar outra oportunidade para aproveitar o dia.


—Você sabe o quão importante é o trabalho para mim. —Vou obter uma atualização sobre o que aconteceu hoje para aliviar sua mente, mas todo o resto pode esperar até amanhã. Sim? Ela franze os lábios, mas acena de qualquer maneira, imitando meus movimentos. Eu não me contento com nada menos. Depois das últimas vinte e quatro horas sendo as mais infernais que já experimentei, a última coisa que quero fazer é me preocupar com algo que está sendo tratado por nossos funcionários. —Há um médico vindo para examinar você. —Seus olhos se arregalam, e ela está prestes a protestar quando eu cubro seus lábios com o meu dedo. —Por mim, está bem? —Bem na hora, há uma batida na porta. —Basta ser gentil com o homem, e ele lhe consultará rapidamente. Ela revira os olhos antes de recuar contra a cabeceira da cama com os braços cruzados. —Mande-o entrar. Eu deixo seu quarto, mas não antes de olhar por cima do meu ombro e dar outra olhada. Eu não consigo parar de olhar para ela, precisando me lembrar que ela é real. Eu levo o médico ao quarto dela, fechando a porta e deixando-os sozinhos antes de ligar para Carlino para uma atualização. —Sentimos sua falta hoje. —Ele diz, torcendo a adaga que gostaria de colocar nas minhas costas um pouco mais. —Foi um dia muito agitado. —Apenas me dê os detalhes. Eu não estou com disposição para seus jogos. —Eu digo enquanto ando pela cozinha me afastando o suficiente do quarto para que ela não ouça. —Josh apresentará os termos ao conselho e aos acionistas amanhã. Ele convocou uma reunião de emergência. Parece que a Interstellar finalmente abriu os olhos.


—Não foda isso, Carlino. Eu estarei na reunião do conselho da Interstellar. —Eu posso fazer isso. —Ele diz, mas com ele, há sempre uma razão por trás quando ele se oferece para fazer qualquer coisa. Ele não é um homem abnegado. Ele não sabe, mas seu tempo na Cozza acabou e ele não continuará com a empresa recém-formada. —Eu. Estarei. Lá. —Eu digo de novo e desligo antes que ele possa dizer outra palavra.

LAUREN

Antonio volta para o quarto depois de acompanhar o médico. Estou agradecida por não ter que ficar sozinha esta noite. Normalmente, gosto do meu tempo para mim mesma, mas não consigo imaginar outro segundo sem Antonio ao meu lado. Eu quero voltar àqueles dias na praia. Havia muita serenidade enquanto observávamos as estrelas. Embora as coisas parecessem tão complicadas, eu daria qualquer coisa para voltar. —Está tudo bem? —Antonio pergunta enquanto sobe na cama. Eu me viro de lado, descansando minha cabeça contra seu peito e escuto a batida constante de seu coração debaixo de mim. — Ele disse que estou bem e que posso voltar a trabalhar amanhã. —Tire um dia de folga, Lauren. Eu te imploro. Eu deslizo minha mão em seu peito, descansando-a em sua bochecha enquanto olho para baixo pelo corpo dele. —Eu preciso


voltar ao normal, Antonio. Não posso ficar aqui o dia todo amanhã pensando no que aconteceu. A última coisa que preciso é de tempo de inatividade. Ficar deitada nesta cama, olhando para o teto, só vai fazer as memórias da cabana voltarem rapidamente, me atingindo novamente. Eu quero esquecer. Eu quero afastar isso o mais longe possível da minha memória. —Apenas um dia é tudo que peço. Cassie pode mantê-la atualizada e você pode atender ao telefone na cama. Mas não corra de volta para o escritório. —Por quê? —Eu giro meu dedo em seu cabelo logo na parte de trás da orelha. —Eu odiaria que você se descontrolasse na frente das pessoas. Dê à sua mente um dia para descansar antes de voltar para a cova dos leões. Eu odeio admitir que ele está certo. Não posso me dar ao luxo de ter um colapso mental diante de meus colegas de trabalho ou da diretoria. Se Cassie já cobriu meus rastros, explicar por que eu me tornei uma bagunça chorosa, fará as pessoas fazerem mais perguntas do que eu posso responder. —Tudo bem. —Eu digo, curvando em seu corpo e cobrindo as pernas com as minhas. Estou segurando-o com força, agarrando-o como se ele fosse um cobertor de segurança. —Eu vou fazer isso por você. —Por nós. —Ele corrige enquanto passa a mão quente nas minhas costas subindo e descendo lentamente. Eu ainda não consigo imaginar um "nós" no futuro. Nós somos concorrentes por natureza e circunstância. Depois de deixar a


ilha, eu me deixei acreditar por um momento que era possível, mas é apenas uma fantasia caprichosa que eu me deixo comprar. —Fique comigo esta noite? —Eu sussurro em seu peito. Ele achata a palma da mão contra as minhas costas, me puxando para mais perto enquanto se acomoda no colchão. —Feche os olhos, mi amore. Eu deixo meus olhos se fecharem, feliz em seus braços, cercada por seu calor e força. O som de seu coração e a suavidade de seus dedos deslizando em minha pele me embalam em um sono que eu não experimento há anos. ***

Quando abro os olhos e rolo na cama, pisco algumas vezes e olho para o relógio. Eu pisco de novo, ainda estou sonhando. Dez. Eu me levanto e meus braços começam a latejar. Por um momento, acho que estou atrasada para o trabalho, até que os eventos dos últimos dias atingem. Trent. A cabana. Sangue. Eu mal consigo controlar minha respiração enquanto as imagens passam pela minha mente, e cada emoção que eu sinto desde que ele me sufocou me atinge de uma vez. Eu cubro meu rosto com minhas mãos e me deixo sentir tudo. O medo. A tristeza. O choque. A alegria. Não me permitirei afundar em auto piedade. Eu nunca fui uma vítima, e não planejo começar agora. Eu me deixo chorar enquanto


estou sentada aqui sozinha por esses poucos minutos. Isso é tudo o que tenho em mim para dar a um homem como Trent e ao que ele me fez passar. Está no passado e ficou completamente para trás. Recuso-me a remoer sobre o que aconteceu por muito tempo, porque não estou disposta a perder quem eu sou em minha essência. Eu sou Lauren Bradley. Primeira CEO de uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo. Eu sou uma força, e nenhum homem, nem mesmo Antonio Forte, pode me impedir de alcançar meu objetivo. Repetindo as palavras como um mantra, sento-me um pouco mais ereta e enxugo as lágrimas. Na quietude da sala ouço a voz de Antonio, distante e abafada. Levanto-me e caminho pelo carpete tentando ouvir a conversa dele, mas a porta abafa muito o som. Lentamente, eu viro a maçaneta e tento evitar fazer barulho antes de caminhar na ponta dos pés pelo corredor em direção a sua voz. —Está feito? —Ele pergunta a um homem no telefone. Ele está andando de um lado para o outro na cozinha, de terno preto elegante e gravata vermelha. Ele parece tão bonito quando passa a mão pelo cabelo, parando em frente às janelas do chão ao teto e olhando para a cidade. —Vamos ligar para uma coletiva de imprensa em breve. Apenas espere. Estou prestes a entrar no escritório. —Antonio declara de costas para mim. Eu coloco meu corpo contra a parede e pressiono contra a superfície fria em busca de apoio. Eu sinto que alguém me deu um soco no estômago. Como Antonio poderia avançar sem mim? Se ele realmente queria algo mais comigo, por que ele iria mentir na minha cara?


Não é a primeira vez que ele mente. Ele ainda não me disse quem era o espião que nos vendeu para Cozza, apesar de ter assinado o contrato que claramente dizia que revelaria o nome depois que nosso fim de semana tivesse sido concluído. Eu ando em direção ao quarto, minhas pernas tremendo enquanto uso as paredes como apoio. Uma vez lá dentro, fecho a porta antes de me arrastar de volta para a cama e cobrir o rosto com o cobertor. Todos os homens em minha vida estão se transformando em duas caras. Eles são mentirosos e psicopatas, e eu caí por ambos. —Lauren. —Antonio chama quando bate suavemente na porta. Eu fecho meus olhos, não querendo olhar para ele. Eu faço o que eu fiz no quarto escuro na cabana de Trent, finjo que estou dormindo. A porta se abre e, por um minuto, prendo a respiração, esperando que ele se aproxime. Vá embora. Estou farta de ser decepcionada pelos homens da minha vida. O único homem de quem eu poderia depender era meu pai, e ele não está mais aqui para segurar minha mão e me guiar. Quando a porta se fecha e o som dos passos de Antonio diminui enquanto ele caminha pelo corredor, eu finalmente me permito respirar fundo e me debruçar sobre a cama. —Foda-se ele. —Eu sussurro. Como ele ousa fazer isso comigo?


Eu chuto os cobertores em fĂşria, pronta para enfrentar o mundo.


CAPÍTULO SEIS ANTONIO

Mesmo estando sentado na sala de reuniões ao redor de uma mesa cheia dos principais executivos da Cozza, não posso me concentrar na discussão, não importa o quanto eu tente. Eu odeio ter deixado Lauren hoje. Eu deveria ter ficado e pelo menos esperado que ela acordasse. Que tipo de babaca deixa sua garota para trás depois dos acontecimentos dos últimos dias porque ele tem que ir para o trabalho? Eu. Como CEO da Cozza, tenho a capacidade de deixar tudo nas mãos da minha equipe, mas a fusão com a Interstellar é importante demais para não participar de sua conclusão. Como parte da fusão, quero garantir que Lauren receba a maior posição. Ela fez por merecer e merece mais do que ninguém. Com a conclusão do motor Mercury, ninguém vai discordar. Eu precisava entrar para ter certeza de que Carlino ou Josh não encontrariam uma maneira de tirá-la de um emprego que ela claramente conquistou. —Quem vai dirigir a nova empresa? —Carlino pergunta na hora certa. Meus olhos se dirigem para ele e estreitam quando eu me inclino para trás em minha cadeira, esperando ouvir o que todo mundo tem a dizer antes de dar minha opinião. —Acho que o Sr. Forte ainda deve ser o CEO. —Afirma Fiorentino, o membro mais antigo e respeitado. —Isso faria mais sentido.


—Sim. —Piper McKay, nossa mais recente adição, acrescenta enquanto gira sua caneta entre as pontas dos dedos. —Ele tem mais experiência e levou a Cozza ao topo e a manteve nessa posição por mais de uma década. Quando Piper se juntou ao conselho de Cozza, achei que ele apenas ficaria sentado ao redor da mesa, assentindo, sem acrescentar nada à conversa. Ele recebeu sua posição através de seu pai, o CEO antes de mim. Depois que ele se formou na North western com um diploma em negócios, seu pai sentiu que ele deveria ingressar na Cozza. Carlino se inclina para frente e limpa a garganta. —Talvez seja hora de permitir que outra pessoa leve a nova empresa para uma direção ainda maior. Eu sorrio para Carlino porque ele é tão previsível. Eu sabia que o homem aproveitaria qualquer oportunidade para me apunhalar pelas costas. Ele é uma bagagem que já não podemos dar ao luxo de transportar. Se Lauren for dirigir a nova empresa, ele estará fora antes que a tinta esteja seca no novo contrato. —Absurdo. —Fiorentino dispara. —O que você está sugerindo seria uma maneira rápida de derrubar as ações da empresa assim que a fusão estiver completa. Precisamos de estabilidade na empresa recém-formada, não uma completa reformulação. —Tenho tanta experiência quanto o Sr. Forte, e trabalhei ao lado dele por anos. Eu poderia fazer o trabalho tão bem, se não melhor do que ele. Além disso, eu não tenho nenhuma distração, ao contrário do Sr. Forte, e eu poderia dedicar todo o meu tempo à Cozza Interstellar. Eu estalo meus dedos antes de apoiar meus cotovelos na mesa. —Você está certo sobre uma coisa, Carlino. —Eu respiro fundo e


cada pessoa em volta da mesa me olha. —Deve haver alguém novo como CEO da Cozza Interstellar, mas não deveria ser você. —Isso é besteira, Antonio, e você sabe disso. Eu sorrio. —O que eu sei, Carlino. —Seu nome escorrega da minha língua como se eu tivesse acabado de lançar um insulto em sua direção. —É que você venderia sua mãe, sem mencionar seu CEO e esta empresa, se isso significasse que você conseguiria uma posição mais alta. Você é um oportunista. Ele se levanta e bate o punho contra a mesa, fazendo com que todos os copos de água saltem. —Eu não sou. —Você é o único que foi em busca de informações privilegiadas e pagou alguém na Interstellar contra minhas ordens. Ele ainda está de pé, pairando sobre a mesa como uma fera enjaulada. A veia que corre no meio da sua testa está pulsando e parece que está pronta para estourar. —Eu fiz este acordo acontecer. Você gostar de como eu alcancei o objetivo, não está em questão. O futuro desta empresa está em jogo, e talvez você não seja o homem que precisamos para nos conduzir para o futuro. —Eu não poderia concordar mais. —Levanto-me do meu lugar à cabeceira da mesa e ando atrás dos membros do conselho. Movendo-me devagar, toco o topo de cada assento enquanto passo. —Eu não quero mais ser CEO da Cozza Interstellar. Eu levei a empresa ao topo, e ainda é minha principal prioridade nos manter lá. Mas há outra pessoa que tem mais visão e, francamente, coragem para nos levar na direção certa e nos manter em ascensão por muitos anos. Os olhos de Carlino se arregalam, e a veia fica um pouco mais perto de explodir. Eu sorrio para ele enquanto passo e mantenho meu ritmo lento e constante ao redor da mesa. —Avançando, gostaria de assumir o


papel de COO2 da empresa combinada e ser o segundo em comando para o novo CEO. Com base em tudo o que sei sobre esse negócio, desde meus anos de experiência e sucesso documentado, o novo CEO precisa ser um visionário. —Sr. Forte, você tem sido o nosso visionário por mais anos do que eu tenho sido um membro deste conselho. O que te faz pensar que você não é a melhor pessoa para o trabalho? —Piper pergunta. —Eu poderia fazer o trabalho, Piper. Sem dúvida, eu poderia permanecer como CEO e manter a grandeza desta empresa. Mas acho que outra pessoa nos ajudará a conseguir coisas que eu nunca pensei serem possíveis. —Não diga isso. —Carlino mostra os dentes. Eu balanço minha cabeça. —Eu gostaria de colocar Lauren Bradley como CEO da Cozza Interstellar, assim que a nova empresa for formada. De bom grado, eu tomaria o papel de segundo no comando e trabalharia lado a lado com a Srta. Bradley, uma verdadeira visionária, para nos lançar para o futuro. —Ele está dormindo com ela. —Carlino deixa escapar na frente de toda a sala. O olhar de choque nos rostos dos membros do conselho coincide com o meu. —Meus sentimentos pessoais pela Srta. Bradley não têm nada a ver com minha decisão. Os dedos de Piper param de se mover e a caneta cai na mesa. —Então, você está dormindo com ela? —O que aconteceu ou não aconteceu na minha vida pessoal não tem influência na minha decisão. Bradley fez algo que ninguém mais fez. —Eu olho para baixo na mesa para os outros membros e 2

Um diretor de operações, frequentemente abreviado como C.O.O. é o executivo-chefe de operações, braço direito do diretor executivo. É quem cuida mais de perto da rotina do negócio


aperto o encosto da minha cadeira. —Ela desenvolveu um motor que não requer combustível. Ela mudou um sistema que permaneceu o mesmo por quase cem anos. Ela fez algo que nunca pudemos fazer desde que Cozza começou, há mais de cinquenta anos. Ela é quem deve nos guiar por causa de sua visão. O Sr. Fiorentino esfrega a testa e solta um suspiro alto e exasperado. —Temos muitas coisas a considerar antes que o acordo seja concluído. Nós vamos tomar todas as informações em consideração antes de chegar a um acordo, mas Srta. Bradley mostrou que tem a capacidade de liderar a nova corporação. Com você ao seu lado, não vejo onde podemos errar. —Concordo. —Diz Piper, seguido por outros membros menos falantes espalhados pela mesa. —Eu só renunciarei se a Sra. Bradley assumir a posição. Então eu retomaria o papel de COO, que eu mantive anteriormente. —Onde é que isso me deixa? —Carlino pergunta, praticamente fervendo. —Eu ouvi que a Boeing está procurando por ajuda. —Eu respondo com um sorriso que não passa despercebido a Carlino ou aos outros membros. —Precisamos ter uma equipe que pense nos melhores interesses da empresa, não os seus próprios. —Eu não suportarei isso, Antonio. Eu vou ter certeza de que você e seu lado... —Essa é a atitude a que me referi. Eu não ouvi uma palavra sobre a Cozza nessas duas últimas frases, apenas "eu". Esta empresa é maior e mais importante que uma pessoa. Carlino sai da sala, batendo a porta atrás dele enquanto os membros do conselho assistem horrorizados.


—Sinto muito que você tenha testemunhado isso, senhoras e senhores. Agradeço o seu tempo hoje e por considerar meu pedido para colocar a Srta. Bradley no comando da Cozza Interstellar. Lembre-se, o conselho dela deve concordar com a fusão também para que o negócio seja aprovado. Tenho certeza de que eles se sentiriam mais confortáveis sabendo que ela manteria sua posição. Se o acordo fracassar, eles se tornarão o novo número um assim que o motor entrar em produção plena. Agora, se me dão licença, preciso ir verificar algumas coisas. Deixo todos conversando entre si e entro no corredor para ligar para Lauren. Quando não ela não atende, eu ligo para Cassie. —Escritório da Senhorita Bradley. —Ela responde. —Você teve notícias da senhorita Bradley hoje? —Ela está aqui, senhor, mas estou sob ordens estritas de não repassar suas ligações. —Por quê? —Eu não sei. Ela murmurou algo sobre a fusão quando entrou e agora está se encontrando com o Sr. Goldman. —Porra. —Eu assobio, segurando minha tela rachada com tanta força que o vidro afunda na ponta dos meus dedos. —Eu estarei aí. —Boa sorte. —Ela diz antes de desligar. A última vez que Lauren e eu conversamos sobre negócios, antes que ela desaparecesse, o acordo tinha acabado de ser colocado diante dela. Ela não teve sequer a chance de concordar antes de Trent arrancá-la de sua vida. E eu coloquei o Sr. Goldman e Carlino no comando de tudo sem levar em conta como ela se sentiria sobre tudo.


Eu deveria ter sido honesto com ela. Esta manhã, antes de sair, eu deveria ter dito a ela que a fusão estava avançando e explicado como planejava fazer dela a nova CEO e que eu seria seu segundo em comando. Eu estraguei tudo e agora tenho que consertar as coisas.

LAUREN Eu estou batendo minha caneta contra o bloco de papel enquanto eu olho para Josh. É a única coisa que posso fazer para me impedir de me atirar na mesa e envolver minhas mãos ao redor de seu pescoço até que eu o sufoque. —Eu fiz isso pela empresa. —Ele diz, esfregando nervosamente as palmas das mãos contra os braços da cadeira. —Eu juro. Ele pode repetir isso um milhão de vezes, e eu nunca acreditaria. Josh está fora para ser o número um, assim como todos os outros neste edifício. De certa forma, eu também estou, mas isso é para realizar o sonho do meu pai e não para ganhar fama e riqueza empresarial. Eu aponto para a porta sem olhá-lo nos olhos. —Saia. —Lauren —Fora, Josh. Josh faz uma pausa na porta, mas ele sai quando eu não olho em sua direção.


Eu não tenho mais nada. Eu nem tenho energia para gritar. Estou exausta dos últimos dias, e as traições de Josh e Antonio apenas aumentam a dor do ato hediondo de Trent. —Senhorita. —A voz de Cassie vem através do alto-falante no meu telefone de mesa. —Tara está no telefone para você. —Coloque-a, Cassie. —Eu levo o receptor ao meu ouvido porque eu sei que Tara vai ser Tara, portanto vai falar alto e provavelmente vomitar palavrões como um comediante de fim de noite. —Jesus Cristo. —Ela diz antes mesmo que eu tenha a chance de dizer olá. —O quê? —Minha voz é defensiva, mesmo que eu soubesse que ela me daria uma bronca assim que eu pegasse o telefone. —Ontem à noite você me disse que estava tirando o dia de folga. Agora você está na porra do trabalho? Cara... —Ela resmunga em voz alta. —O que diabos há de errado com você? —Eu estive fora por muito tempo. Eu não aguentaria outro dia. —Besteira. —Ela dispara. —Você é uma workaholic. Você foi sequestrada, pelo amor de Deus. O último lugar que você deveria estar é nesse ambiente de trabalho hostil. —Não é hostil. —Baby, é como os Jogos Vorazes sem as armas brilhantes. Eu vou ligar para o Antonio. —Não! —Todos os músculos do meu corpo ficam tensos. —Por que não?


Ugh. A última coisa que quero é ter essa conversa com Tara. Há muita coisa acontecendo para explicar tudo o que aconteceu esta manhã. —Eu não posso confiar nele, Tara. Deixe isso assim. —Eu não sei que merda está acontecendo nessa linda cabecinha sua, mas o homem rastreou você em outro país e resgatou você de um lunático. —Eu sei. O que mais há para dizer? Ele fez isso, mas não quer dizer que ele fez isso pelas razões certas. Não importa que ele tenha salvado minha vida enquanto está tentando arruinar minha empresa e minha carreira no processo. —Além de mim, ele é provavelmente a única pessoa em quem você pode confiar, Lauren. —Eu tenho que correr. Estou atrasada para uma reunião. Ela começa a dizer alguma coisa, mas eu desligo antes que ela despeje mais palavras da sua boca. Estou bem ciente de tudo que Antonio fez por mim, e sou grata, mas isso não significa que ele ganhou o direito de ter controle total sobre minha vida ou sobre minha empresa.


CAPÍTULO SETE ANTONIO

—Eu não iria lá. —Cassie diz, pisando na minha frente assim que eu alcanço a maçaneta da porta do escritório de Lauren. Eu olho para ela, tentando controlar minha raiva que está prestes a transbordar. —Cassie. —Eu digo, tentando colocar um sorriso falso no meu rosto. —Eu sei que você está fazendo o que você acha que é melhor para Lauren, mas ela não deveria estar aqui agora. —Eu sei. —Seus lábios franzem e ela respira fundo. —Eu já lhe disse isso, Sr. Forte, mas ela me disse para manter minhas opiniões para mim. Eu descanso minhas mãos em seus ombros e dou-lhes um leve aperto. —Deixe-me falar com ela por um minuto. Talvez eu possa colocar um pouco de juízo nela. —Ela me deu ordens estritas para não deixá-lo se aproximar de qualquer lugar perto de seu escritório. —Então vá embora e eu vou entrar. Cassie mordisca o canto do lábio inferior, olhando para mim. —Eu não sei. —Apenas vá. —Eu digo a ela porque estou indo para o escritório, mesmo que eu tenha que pegar Cassie e colocá-la de lado. Ninguém vai me impedir de falar com Lauren, nem mesmo sua pequena pitbull assistente.


—Eu vou confiar em você porque você a trouxe de volta segura. Mas este é um acordo único, Sr. Forte. Eu nunca vou contra os desejos da Srta. Bradley, mas eu vou desta vez porque ela não deveria estar aqui hoje. —Obrigado, Cassie. —Eu sorrio, dando-lhe outro aperto leve nos ombros. —Eu prometo que você não vai se arrepender. Ela hesita por um momento antes de voltar, mantendo os olhos fixos nos meus. —Eu não estarei longe. —Ela diz. Eu bato levemente antes de abrir a porta. —Lauren. —Eu olho para ela enquanto ela está sentada em frente à sua mesa, com a luz do sol atravessando as janelas, banhando-a na luz. Ela levanta-se rapidamente, andando na minha direção com os olhos estreitados. —Saia. —Eu não vou embora. Ela tenta me dar um tapa, mas eu pego sua mão e a puxo para um abraço. Ela tenta se desvencilhar de mim, mas eu não a solto do meu abraço. —Você não deveria estar aqui. Ela olha para mim como se eu fosse o monstro que a sequestrou. —Você não é meu pai, Antonio. —Nós conversamos sobre isso. Não é bom você estar aqui tão cedo. Seu olhar se torna gelado. —É difícil roubar minha companhia quando estou aqui, não é? —Ela recua assim que eu a solto dos meus braços. —Eu sempre soube que você me esfaquearia pelas costas. Suas palavras me afetam profundamente, mas dou um passo à frente, incapaz de deixar tanto espaço entre nós. —Você não pode estar falando sério. Eu não fiz nada para você, Lauren. Você precisa voltar para casa.


Ela cruza os braços na frente do peito, levantando um ombro enquanto olha para mim. —Eu te ouvi no telefone esta manhã e falei com o Josh. Ela se afasta enquanto me aproximo. —Eu não te esfaqueei pelas costas. —A fusão está acontecendo. Você fez isso sem nem pedir minha opinião. Ela tem um ponto. Eu posso ter me adiantado, mas o conselho estava pressionando para que o acordo se desenrolasse mais rápido. Com tudo o que ela tinha passado enquanto isso estava acontecendo, eu pensei que estava fazendo o que era melhor para nós dois. Eu pensei que estava fazendo o que era melhor para todos, mas claramente, eu fui egoísta. —As empresas não podiam mais esperar, e achei que seria de seu interesse se eu cuidasse de tudo sozinho. Ela inclina a cabeça para trás enquanto seus olhos se arregalam. —Eu perdi a procuração onde você fala em meu nome? Eu esfrego a minha nuca e me sinto como o maior idiota da história do mundo. Mesmo que eu queira que ela descanse, eu devia ter, pelo menos, mantê-la atualizada sobre tudo o que estava acontecendo. —Sinto muito. —Eu digo, olhando nos olhos dela. — Eu não queria que você se preocupasse com nada. Assim que as palavras saem da minha boca, eu gostaria de poder trazê-las de volta. Eu não tenho certeza se já disse alguma coisa tão estúpida para uma mulher ou um parceiro de negócios antes. Como eu poderia pensar que lidar com tudo em seu nome lhe daria paz de espírito? Eu sento-me no sofá logo atrás de mim e me recosto. Meus olhos percorrem o comprimento do corpo dela. Feroz e bonita em


sua raiva dirigida a mim, ela caminha indo e voltando, sua fúria emergindo em seus movimentos e seus olhos. —Escute. —Eu digo, fazendo sinal para ela vir até mim, mas ela balança a cabeça e ajeita os ombros. Eu passo minhas mãos pelo meu cabelo, tentando descobrir o que dizer em seguida que não vá fazê-la chutar a minha bunda no minuto seguinte. —O acordo está em andamento agora, Antonio. Não há nada que você possa dizer para pará-lo. Tudo pelo que trabalhei tanto durante todos esses anos está arruinado. —Isso não é verdade. Tudo o que eu fiz é para ela. Não há mais ninguém no mundo para quem eu daria o meu lugar na empresa, exceto ela, mas ela não tem ideia sobre o funcionamento interno e o que eu já coloquei em movimento. —É. Você corre para me resgatar e depois arrancar minha vida. Você deveria ter me deixado naquela cabana com Trent. Eu me levanto e vou em direção a ela, cheio de raiva. —Cale a boca. —Eu agarro a nuca dela e trago os lábios dela para os meus. — Estou salvando nossas empresas e nossas carreiras, Lauren. Sua respiração ofegante e rápida combina com a minha quando ela olha para mim. —Você está mentindo. —Ela rosna. Eu olho em seu olhar inflamado enquanto seu hálito doce toca meus lábios. Meu aperto em seu pescoço afrouxa quando meus dedos se enroscam no seu cabelo. —Tudo o que fiz foi para você. Suas mãos empurram contra o meu peito enquanto ela se esforça para se desvencilhar de mim. —Solte-me. —Eu não vou. —Eu olho para ela até que ela pare de tentar se libertar do meu aperto. —Não até você me ouvir.


Ela fica rígida em meus braços e franze os lábios. —Fale. Eu me inclino para frente, pressionando meus lábios contra os dela. Eu preciso da conexão. Preciso que ela se lembre do que tínhamos poucos dias atrás, ou inferno, o que tínhamos antes de ela ter escutado minha conversa esta manhã e pensado que eu ainda estava tentando roubar sua companhia. Minha língua desliza através da dela, e elas se entrelaçam. Nosso beijo é alimentado com raiva a cada segundo, enquanto seus dedos afundam na pele em meu pescoço. Quando eu finalmente me afasto, a respiração dela combina com a minha enquanto ofegamos por ar. —Não faça isso de novo. —Ela diz antes de puxar o lábio inferior inchado entre os dentes. Eu envolvo um braço ao redor das costas dela, solidificando meu domínio sobre ela. —Você é minha, Lauren, e eu sou seu. Farei o que for necessário para te fazer feliz, não importa o custo. —Você não pode me beijar, professar seu amor e depois arrancar meu sonho, Antonio. Você não está jogando de maneira justa. Inclinando-me para frente, coloco meu rosto na curva do pescoço dela e fecho os olhos. Mesmo com raiva dela, sinto-me em paz. —Eu não estou destruindo nada. Deixei bem claro que você será a CEO da nova empresa. Ela se afasta e sai do meu aperto. Seus olhos estudam meu rosto, tentando encontrar a mentira na minha verdade. —Mas... —Eu estou desistindo da minha posição para você.


LAUREN Eu tropeço para trás, sem palavras. Eu não posso ter ouvido corretamente. Ele está desistindo de sua posição na empresa para mim? Eu pisco repetidamente e olho para ele novamente. O Antonio Forte que eu conhecia, o notório idiota e CEO da Cozza, de quem se fala em sussurros, não desistiria de sua posição tão rapidamente. —Por quê? Ele passa a mão pelo seu cabelo bonito e escuro, mas mantém seus olhos nos meus. —É a coisa certa a fazer. Eu apoio minha bunda na mesa atrás de mim para evitar cair. Meu corpo está formigando, e tudo parece surreal neste momento, quase como se eu estivesse sonhando. —Quando você já fez alguma coisa porque é certo? Ele se move para frente, pisando entre meus pés. Ele toca meu queixo, obrigando-me a olhar para ele. —Eu faço quando você está envolvida. Meu coração palpita quando ele diz essas palavras. Abro minha boca e a fecho novamente, sem saber o que dizer. Eu não consigo descobrir por que ele faria isso. Não deveria importar se estou envolvida porque alguns dias juntos não compensam a carreira que ele passou a vida inteira construindo. —Eu não significo nada, Antonio. —Você significa tudo. —Ele agarra meus quadris enquanto avança, e eu perco o fôlego. O olhar em seus olhos diz tudo sem que ele diga uma palavra. Há uma intensidade atrás do azul do oceano que eu não vi antes.


Eu achato minha palma contra o peito dele e me pressiono contra ele. —Eu... —Eu não sei o que dizer. Eu raramente fico sem palavras, especialmente quando se trata da Interstellar, mas Antonio me tirou o fôlego. —Como? Nós mal passamos tempo juntos. Eu estaria mentindo se não admitisse, pelo menos para mim mesma, que sinto o mesmo por ele. O fim de semana sozinha com ele mudou como eu o vejo. Ele não é o monstro que eu pensava baseado no jeito que ele é retratado por outras pessoas em nossa indústria. Sim, ele é difícil, implacável quando está indo atrás de algo que ele quer, mas ele é mais do que aparenta. —Lauren. —Ele diz e acaricia as costas de seus dedos contra a minha bochecha ternamente. Eu me movo em seu toque. —Eu sei que você não acredita no destino, mas eu acredito. Você é minha e eu sou seu. Eu engulo em seco quando meu coração começa a bater mais rápido, e as palavras que ele falou momentos atrás repassam em minha cabeça. Ninguém nunca me disse isso. Nem mesmo Trent em toda sua insanidade ciumenta. Antonio disse as palavras com tanta ternura e ferocidade que eu quase podia senti-las acariciar minha alma. —Depois da nossa noite juntos, eu não consegui tirar você da minha cabeça, e eu fiquei louco. Eu pensei que eu nunca iria vê-la novamente, mas então você foi colocada na minha frente. Apesar de sermos inimigos, não podia imaginar não tocar em você pelo menos mais uma vez. —Ele fecha o espaço entre nós e me puxa para a frente, pressionando nossos corpos juntos. —Eu tinha um grande plano para o nosso fim de semana na ilha, mas na primeira noite, foi uma merda. Eu não podia usá-lo. Você é mais bonita que qualquer estrela no céu. As lágrimas começam a se formar em meus olhos enquanto ele fala. Minha mente está me dizendo para continuar lutando e não me


apaixonar por suas palavras românticas, mas meu coração e a sensação dele contra a minha pele me fazem querer ceder. Seu olhar me cativa. —Eu não poderia continuar com isso. Quando nos deitamos na praia e olhamos para o céu, decidi que queria mais de você do que um fim de semana. Eu procurei toda a minha vida por alguém, Lauren, e nunca encontrei ninguém especial antes de você entrar no bar que eu estava. —Você entrou no bar que eu estava. —Eu o corrijo com um pequeno sorriso. A seriedade em seu rosto diminui quando ele sorri e balança a cabeça. —Antes de sairmos da ilha, eu sabia que faria qualquer coisa em meu poder para te fazer feliz e te manter ao meu lado. E quando você foi sequestrada, quase perdi a cabeça. —Ele faz uma pausa e a seriedade volta. —Eu teria matado Trent com minhas próprias mãos para te salvar. —Ele coloca uma mecha de cabelo atrás da minha orelha antes de seu dedo deslizar pelo meu rosto, traçando minha mandíbula. —Não há nada que eu não faria por você. Eu olho em seus olhos, ainda em descrença. —Mas desistir de sua empresa... Ele coloca o dedo sobre meus lábios. —Você é a pessoa certa para nos levar para o futuro, e eu estarei ao seu lado o tempo todo. Eu envolvo minhas mãos em seu pescoço e luto contra as lágrimas. —Eu não sei o que dizer. —Apenas diga sim. —Ele sorri. —Sim. —Eu digo rapidamente. —Mas só se você estiver ao meu lado. —Não há outro lugar onde eu prefira estar. —Ele diz e faz uma pausa antes de sua mão que estava descansando no meu quadril


deslizar sob a minha bunda. —A menos que você esteja nua, então eu quero você debaixo de mim. Eu rio baixinho e me inclino para frente, pressionando meus lábios nos dele. Fechando os olhos, esqueço a raiva que me consumia minutos atrás. Como uma idiota, eu entendi tudo errado. Antonio não estava tentando roubar a Interstellar de mim. Eu fui paranoica e deixei minhas suposições sobre ele me induzirem ao erro. Eu precisava lembrar que o homem de terno elegante era o mesmo homem com o sorriso sexy e pele bronzeada na ilha. O mesmo homem que segurou minha mão e olhou para o céu noturno durante horas sem reclamar de nada. Nossas línguas se entrelaçam quando a mão dele aperta minha bunda com força. Entrelaço meus dedos em seu cabelo, segurando seu rosto no meu enquanto eu o beijo com tanta força que meus lábios ardem. —Sim. —Eu murmuro em sua boca enquanto sua mão livre cobre meu seio, e meu corpo se arqueia em direção a sua palma. Eu o quero. Agora mesmo. Bem aqui. Eu quero Antonio Forte. O homem italiano, complicado, com um ego que o precede e que conseguiu me fazer relaxar. —Eu preciso de você. —Eu sussurro.


Ele me coloca no chão, apoiando minha bunda contra a mesa. Ele usa suas pernas para afastar as minhas enquanto nosso beijo se aprofunda, e eu começo a desabotoar sua camisa. —Senhorita Bradley. —Cassie diz através da porta antes de bater levemente. Meus olhos se abrem enquanto eu me esforço para me libertar do seu aperto. —Oh Deus. O que estamos fazendo? Antonio sorri e aumenta o aperto na minha perna. —Cassie, estamos um pouco ocupados. Você pode nos dar cinco minutos? — Ele diz por cima do ombro porque Cassie felizmente não entrou no meu escritório. —Eu gostaria de poder, mas a diretoria está esperando a Srta. Bradley. —Porra. —Eu assobio e empurro-o suavemente. —Por que agora? Ele recua, me observando. —Eu estarei lá! —Eu grito para Cassie deslizando da mesa e puxando minha saia para baixo antes de tentar alisar minha blusa. — Ugh. Eu não posso entrar lá assim. Ele sorri. —Você está perfeita. Ele vem em direção a mim, mas eu o afasto novamente. — Não. Não. Não há tempo. —Eu gemo quando viro para o lado e vejo meu reflexo no espelho. —Nosso dia a dia normal não será assim, Sr. Forte. Eu não posso ir lá fora desse jeito. —Se for do meu jeito, Srta. Bradley, você vai sair assim todos os dias. Este é apenas o começo. —Ele sorri. —Termine a sua reunião e, em seguida, vou levá-la para casa.


Estou ferrada. Sei quem eu sou. Como voltarei a ser a CEO intransigente e sensata que eu era antes, com esse homem lindo me distraindo a cada instante. Eu deixo Antonio em meu escritĂłrio e vou para o buraco do abutre enfrentar o conselho da Interstellar sobre a fusĂŁo.


CAPÍTULO OITO LAUREN Antonio não parou de andar pela cozinha desde que chegamos à minha cobertura. Não posso tirar os olhos dele também. As mangas de sua camisa estão enroladas logo abaixo do cotovelo, a gravata jogada sobre a cadeira ao meu lado junto com seu paletó, e seu cabelo está bagunçado enquanto ele corta tomates como se fosse para a escola de culinária. Quando a reunião do conselho terminou, ele mal me deixou pegar minha bolsa antes de me levar para fora do escritório da Interstellar e entrar no Escalade dele. Eu não me opus a ele. Eu não deveria ter entrado no escritório esta tarde, e deveria ter confiado em minha equipe para lidar com tudo em relação à fusão. Eu não estava pronta para enfrentar o bombardeio de perguntas que eu suportei por mais de uma hora. Por sorte, Josh me apoiou e ajudou a preencher as informações que eu não tinha quando necessário. Eu ainda estou chateada com ele por lidar com os detalhes do acordo sem mim, mas o que está feito está feito. Antonio olha para cima por um momento enquanto eu olho para ele do outro lado da ilha de mármore. —Então, como foi a reunião? —Bem. —Eu me inclino para frente e acaricio distraidamente o pedaço de pele que não está coberto perto do meu colarinho enquanto o vejo empunhar a faca como se ele fosse uma estrela da Food Network. —Tudo bem ou bem ruim?


—O que você está fazendo? Não tenho vontade de falar sobre a diretoria ou a fusão. Na verdade, eu realmente não sinto vontade de falar muito, mas eu sei que Antonio não vai deixar isso passar tão facilmente. Ele não tira os olhos da tábua de cortar enquanto empurra um tomate picado para o lado e pega outro. —Molho de macarrão. Agora responda à pergunta. —Você está fazendo molho caseiro? —Meu queixo cai. Isso não leva horas?

No nosso período na ilha, eu aprendi que Antonio gosta de cozinhar e ele é bom nisso também, mas o molho caseiro é um nível diferente de cozinhar. Algo que eu nunca fui capaz de dominar em todos os meus anos de tentativas, apesar de ter tentado dezenas de vezes. —Sim, molho caseiro. É uma receita que minha mãe costumava cozinhar quando não tinha muito tempo. Pare de desviar. Estou morrendo de vontade de perguntar sobre sua mãe. Ele nunca mencionou sua família antes, e eu quero saber tudo sobre o homem pelo qual estou me apaixonando. Ainda há tanta coisa que eu não sei. Eu suspiro, mas decido responder à pergunta para que eu possa descobrir sobre sua família. —Tudo correu bem. O conselho tinha um milhão de perguntas. A maioria das quais eu poderia responder, e as que eu não pude, Josh respondeu sem nenhum problema. Um rosnado baixo e profundo escapa de sua garganta quando ele joga a pilha de tomates na panela ao lado, cobrindo as cebolas que começaram a fritar no fundo. —Tenho certeza que ele podia.


Quando ele não faz outra pergunta, eu aproveito a chance de conhecer mais sobre Antonio. —Você não falou sobre seus pais antes. Eles ainda estão vivos? Ele joga a cabeça para trás, jogando para trás os poucos fios de cabelo que caíram sobre a testa. Suas mãos estão cobertas de suco de tomate, e tudo que consigo ver é o homem diante de mim. Eu não consigo me concentrar no trabalho ou na fusão. Eu só vejo Antonio, o chef com o sotaque italiano, casual e descontraído. —Meu pai trabalha e viaja muito, e minha mãe faz trabalhos de caridade. Ele faz uma pausa e olha para mim enquanto limpa as mãos, mas não dá mais detalhes. —Onde eles estão? —Eu pergunto porque não vou deixar ele se safar tão facilmente. Ele sabe dos meus pais. Eu tenho compartilhado tanto sobre meu pai que Antonio sabe mais sobre mim do que eu sobre ele. Estou prestes a remediar isso e deixar o jogo mais equilibrado. —Eles moram na Itália, no Lago Como3, com minha irmã e sua família. —Você tem irmãos? A inveja me atinge brevemente. Ser filha única não foi fácil. Eu tinha Tara, mas mesmo assim, eu não era sempre prioridade. As férias se tornaram algo que eu temia com o passar dos anos. Toda a conversa sobre encontros familiares fazia meu estômago se revirar de inveja. Antonio joga algumas especiarias, mas não consigo ler os rótulos do outro lado da ilha da cozinha. Eu sei que é algo que ele

3


deve ter comprado porque eu só tenho o básico. E com isso, quero dizer sal e pimenta para temperar minha comida quando estou em casa cedo o suficiente para comer aqui. —Eu tenho cinco. —Ele diz. —Cinco? —Eu sussurro. —Dois irmãos e três irmãs. —Ele sorri. —Você pode conhecê-los se quiser. Uau. Isso é um salto, não tenho certeza se estou pronta para fazer isso tão rapidamente. Conhecer a família significa compromisso e, embora Antonio tenha captado totalmente minha atenção, não sei se já passamos para esse nível. —Eu estava apenas curiosa. Diga-me sobre eles. Eles são tão motivados quanto você? Ele ri suavemente enquanto mexe o molho que cheira a algo do meu restaurante italiano favorito. —De suas próprias maneiras. Enzo, meu irmão mais velho, é dono de uma fazenda na Itália e produz alguns dos melhores azeites que você pode provar. Catarina, minha irmã mais velha, é uma artista. Ela é especialista em trabalhos de restauração e trouxe de volta à vida algumas das peças de arte danificadas mais importantes da história. —Uau. Eu gostaria de ser artista. —Resmungo. Eu era a garota da turma que não conseguia desenhar uma flor que não parecesse mais com um teste de mancha de tinta do que com qualquer objeto real. —Sua arte não pode ser contida em uma tela. Sua imaginação é grande demais para um espaço tão pequeno. Seu elogio me aquece por dentro e eu sorrio para o outro lado da cozinha. —Obrigada. —Ninguém nunca disse nada tão bonito


sobre minha incapacidade de desenhar ou pintar, mas suas palavras fazem sentido. Ele me dá um aceno rápido antes de continuar. —Flavia é o bebê da família e está passando um ano viajando pelo mundo antes de ir para a universidade estudar jornalismo. —Eu a invejo. Eu nunca tive a chance de fazer isso, mas eu queria mais do que tudo. Agora eu não tenho tempo, e estou muito velha para viajar de mochila pela Europa. Ele ri, limpando as mãos novamente e chegando ao meu lado. —Minha querida. —Ele afasta algumas mechas de cabelo para trás do meu ombro, roçando com os dedos no meu pescoço. —Você pode ir quando quiser. Em vez de uma mochila, levamos bagagem e usamos meu jato particular. Suas palavras fazem meu coração pular uma batida. —Você faz parecer fácil. —Você é a chefe, Lauren. Você pode fazer o que quiser. —Deixar a empresa por um longo período de tempo não seria sensato agora, especialmente se eu fizesse isso com você. —Teremos que fazer algumas viagens de negócios. Você vai precisar saber tudo sobre a Cozza enquanto eu tomo conhecimento de tudo sobre a Interstellar. Eu olho para baixo, desejando que suas palavras fossem verdadeiras. —Você é um sonhador. Antonio coloca as pontas dos dedos sob o meu queixo, forçando-me a olhar para seu rosto bonito e sorridente. —Eu sou realista. Haverá muitas viagens nos próximos meses, e não há ninguém com quem eu prefira fazer isso do que você.


—E os seus outros irmãos? —Eu mudo de assunto porque não estou pronta para pensar no amanhã, muito menos em algumas semanas ou meses. Ele cobre meu queixo. —Eles podem vir também se quiserem. —Ele diz dando uma piscadela. Eu dou um tapinha no braço dele. —Estou falando sério. Você não terminou de me contar sobre seus irmãos e irmãs. —Vamos ver. —Ele se move de volta para a cozinha, colocando distância muito necessária entre nós. Embora eu não queira nada mais do que pressionar meu corpo contra o dele, meu estômago está ganhando a batalha interna das vontades. —Eu já falei sobre Flavia, Enzo e Catarina. Violetta é uma pianista clássica, e para o horror da minha mãe, ela se juntou a uma banda punk há dois anos e está vivendo em uma van enquanto canta em barzinhos. Ela é a rebelde do grupo. Eu não sei por que, mas eu dou risada. —E o último irmão? Antonio mexe lentamente o molho, que exala o aroma mais celestial no ar. —Stefano. Meu estômago ronca, mas eu coloco de lado minha fome quando Antonio não continua. —E ele é...? —Ele e eu somos gêmeos. —Eu não sabia que você tinha um irmão gêmeo. —É uma das razões pelas quais eu me mantenho tão discreto. Eu odiaria que as pessoas nos confundissem, porque nós somos muito parecidos. —Ele sorri porque sabe que na maior do tempo eu nem mesmo estou certa de que eu gosto dele. —E Stefano é a pessoa mais legal que você já conheceu, mas só se ele gostar de você.


—Eu preciso conhecê-lo porque ele parece ser exatamente como você. Antonio coloca a panela de água no fogão para ferver antes de se encostar no balcão. —É complicado. —Você é complicado. Como ele seria diferente? Ele me dá aquele sorriso arrogante que faz meu coração pular uma batida. —Eu sei, mas Stefano não necessariamente vive sua vida do lado certo da lei. —Então, ele é...? —Eu empurro meu nariz para o lado com o meu dedo indicador, fazendo o sinal de torto. —O que é...? —Ele repete o movimento com as sobrancelhas franzidas. —Tipo, ele está nas gangues? —Eles não chamam desse jeito na Itália, mas alguma coisa assim. Eu não quero saber, então mantenho meu nariz fora de seus negócios. —Você está seguro, então. Antonio levanta uma sobrancelha. —Seguro? —De Stefano me roubando de você. —Eu dou uma risada tão forte que bufo. Antonio atravessa a cozinha com facilidade, quase como se estivesse flutuando enquanto caminha, elegante e suave. —Baby, eu nunca deixaria ninguém ter você. Nem mesmo meu irmão. Meu estômago dá uma cambalhota, mas desta vez não é de fome.


ANTONIO Eu continuo, deixando meu pau enterrado dentro dela. — Diga isso. —Eu rosno em seu ouvido, minha frente deitada contra suas costas. —Eu não posso. Percorro meu dedo em seu clitóris, e seu corpo treme contra mim. —Você quer gozar, baby? —Eu pressiono minha mão contra ela, puxando sua bunda para cima e empurrando meu pau mais fundo. Ela levanta a cabeça, virando-se para olhar nos meus olhos. — Você joga sujo. —Ela sussurra contra meus lábios. —Não há outro jeito de jogar. —Eu sorrio. O jogo foi divertido, mas agora estou morrendo pelo orgasmo que ela está mantendo fora de alcance para nós dois. Eu posso ter dado a ela a minha posição na Cozza, mas vou continuar no comando no quarto. A admissão é simples para a maioria das pessoas, mas a maneira como começamos torna tudo mais complicado. —Eu sou... —Ela esfrega seu clitóris contra a palma da minha mão, tentando conseguir o que ela quer sem dizer o que eu quero ouvir. Quando eu aperto minhas mãos, impossibilitando que ela se mova, ela finalmente cede. —Eu sou sua, Antonio. Eu sou sua. Ouvi-la finalmente dizer essas palavras são como música para meus ouvidos. Eu me ergo, arqueando meu corpo em cima do dela antes de afundar com tanta força que seu corpo se move para frente na cama. Ela empurra para trás, encontrando cada impulso com um grito de paixão. Cada grama de energia reprimida, frustração, paixão e desejo fluem da minha alma, criando um orgasmo que pode nos rasgar ao


meio. Eu retardo um segundo, brincando com seu clitóris enquanto eu puxo para fora e bombeio meu pau de volta nela. Minha espinha começa a formigar à medida que o clímax cresce, irradiando por todo o meu corpo. Não posso respirar. Ela me segue, mas não tão silenciosamente quando o orgasmo nos atinge. —Jesus. —Ela sussurra debaixo de mim antes que eu tenha a chance de dizer uma palavra. Estou muito ocupado me concentrando em cada respiração enquanto meu coração martela dentro do meu peito, ameaçando se libertar. Querido Deus. A mulher faz isso comigo como ninguém nunca fez. Não sei se é a sua relutância de tornar as coisas simples, mas a cada dia ela conquista um pouco mais. Eu rolo de lado, puxando-a comigo para o edredom. — Mmm. —Murmuro, incapaz de reunir quaisquer palavras inteligíveis. Meus pensamentos estão distantes. Menos de um mês atrás, eu sonhava em assumir a Interstellar e torná-lo minha. Agora eu estou entregando toda a empresa para a mulher que eu acabei de foder. Ou eu estou perdidamente apaixonado por ela, ou eu oficialmente perdi o juízo. Eu fecho meus olhos e acaricio a pele macia em seu braço enquanto ela se enrosca em mim. Minha vida, embora louca às vezes por causa dos negócios, nunca foi tão pacífica quanto nos momentos em que Lauren está ao meu lado. Eu nunca pensei que estaria aqui. Os últimos vinte anos foram de uma vertiginosa variedade de mulheres desfilando e sacudindo as bundas na minha frente, esperando que eu me ajoelhasse e propusesse casamento. Fiquei tentado por algumas, mas nenhuma chegou tão perto quanto Lauren Bradley. Há algo nela, algo em nossa conexão,


que me faz querer reivindicá-la como minha e colocar um anel em seu dedo. —Estamos nos enganando? —Ela pergunta, olhando para mim assim que eu abro meus olhos. —O que você quer dizer? —Meu raciocínio enevoado póssexo torna o pensamento mais simples quase impossível. Ela se levanta, colocando a mão no meu peito enquanto olha nos meus olhos. —Isso pode realmente funcionar? Quer dizer, somos eletrizantes na cama, mas... —Nós vamos fazer isso funcionar, Lauren. —Eu levanto minha cabeça, beijando sua testa e deixando meus lábios se demorarem contra sua pele. —Não vou me contentar com mais nada nem ninguém. —Quando a notícia sobre nós sair, as pessoas vão me odiar. —Ela confessa. Puxando-a para cima de mim, eu afasto o cabelo dos seus olhos. Seu coração está batendo tão rápido quanto o meu, quase em sincronia. —Por que eles vão te odiar? —Eles vão dizer que usei sexo para chegar ao topo. Eu dou risada baixinho, tocando seu queixo enquanto meu polegar acaricia seu lábio inferior. —Você já estava no topo, meu amor. Você já provou a si mesma com o motor Mercury e bem antes disso, na verdade. Tenho certeza de que todos os funcionários odiarão a nós dois igualmente, mas não somos feitos para ser amados. Quando você está no topo, as pessoas que estão por baixo estão sempre esperando o seu fracasso. Pequenas linhas se formam em sua testa e ela aperta os lábios. —Isso nem sempre é verdade.


—É sempre verdade. Eles rezam pelo nosso fracasso. É a única coisa a que podem agarrar-se na esperança de um dia tomar os nossos empregos. Mas agora nós temos um ao outro para nos proteger, então será mais difícil para eles nos derrubarem do jogo. Sua unha roça a pele no meu peito enquanto suas feições suavizam. —Você realmente acha que nós trabalharmos juntos vai ser uma coisa boa? Antes de beijá-la, eu digo: —Nós vamos dominar o mundo, Lauren. Nós éramos muito fortes separadamente, mas juntos, seremos insuperáveis.


CAPÍTULO NOVE LAUREN Eu estou de pé na sala de estar, esfregando meus olhos e usando apenas a camiseta de Antonio cobrindo meu corpo nu. Quando acordei, estendi a mão para o lado dele, mas ele tinha saído e os lençóis estavam frios onde ele havia estado horas antes. —Onde você vai? —Eu pergunto, piscando algumas vezes para ter certeza de que as malas na minha sala de estar são reais. Antonio atravessa a sala de estar com uma xícara de café nas mãos e eu rezo que seja para mim. —Estamos saindo da cidade. Eu balanço para trás nos meus calcanhares em descrença. — Não podemos ir a lugar nenhum. Ele estende a xícara para mim, e eu pego, olhando para ele por cima da borda enquanto tomo um gole e ele fala. —Você não pode ir trabalhar, e é quase o final de semana. Nenhum negócio será feito por alguns dias. Josh e Carlino vão lidar com tudo na nossa ausência. Eu murmuro coisas sem sentido na caneca enquanto tento deixar a cafeína fazer efeito para que eu possa formar um argumento coerente sobre por que não é o momento certo para nós desaparecermos. Desde que Antonio entrou na minha vida, eu passo mais tempo longe do escritório do que realmente fazendo meu trabalho. Parte disso tem sido culpa dele, enquanto o resto foi pela confusão de Trent. Antonio se afasta, seus olhos percorrendo minhas pernas nuas em um olhar aquecido. —Já cuidei de tudo. Expliquei que


passaríamos alguns dias na sede da Cozza, na Itália, para que você possa relatar ao seu conselho sobre o estado de nossos negócios. —Essa bobagem funcionou? —Há um pouco de verdade nisso. Eu arrumei suas malas, então quando você estiver pronta, vamos embora. —Para onde? —Minha mente ainda está meio desligada e eu não tomei café suficiente para processar tudo o que ele acabou de dizer. —Itália. Eu balanço um pouco quando a percepção de que vou passar um fim de semana na Itália com Antonio me atinge. O país sempre esteve na minha lista de viagem, mas eu nunca encontrei tempo para fazer a viagem eu tinha planejado desde a faculdade. Embora isso não seja uma estadia prolongada, viajar pelo campo e mergulhar na cultura, será nos braços do homem por quem eu me apaixonei rapidamente. —Roma? —Eu estou quase tonta com o pensamento de ver as fontes e pátios repletos de história e tomar um café expresso enquanto observo as pessoas. —Como é o aniversário da minha mãe, não posso perder. Desculpe dizer, vou sujeitar você a toda a família Forte de uma só vez. Meu queixo cai e eu olho boquiaberta para ele, piscando repetidamente enquanto minha boca se fecha e se abre novamente. Esta não é só uma viagem casual ou de negócios. Ele vai me apresentar a sua mãe e irmãos de uma só vez. Eu coloco meu café na mesa perto do sofá e corro em direção às minhas malas, rapidamente abrindo a primeira. —Oh meu Deus.


Você arrumou as coisas certas? Eu não posso parecer uma bagunça quando os encontrar. —Eu abro a primeira mala de roupas, impressionada com suas escolhas, porque é tudo que eu teria escolhido. Ele se ajoelha na minha frente, afastando minhas mãos da bagagem cuidadosamente e meticulosamente arrumada. —Confie em mim um pouco. Eu peguei tudo que você precisa, e o que quer que esteja faltando, nós compraremos. As lojas em Como são algumas das mais espetaculares do mundo. Pânico me atinge. Nos relacionamentos, há sempre um pequeno espaço de tempo de espera para um evento como este. Pelo menos, acho que existe. Eu não tive muitos relacionamentos que chegaram ao ponto de conhecer os pais, mas sempre achei que teria mais do que algumas horas para me preparar. —Você não pode simplesmente fazer isso comigo. Ai Jesus. Ele sorri suavemente e coloca as mãos nos meus ombros, apertando suavemente. —Minha família vai amar você. Não importa o que você vista, Lauren. Eles estão entusiasmados por você ir à festa. Meu rosto fica pálido ao pensar em uma sala cheia de pessoas e olhando para mim. Tenho certeza que Antonio levou várias beldades para todas as festas da família, e eu serei comparada a cada beleza antes de mim. —Tenho certeza que eles estão acostumados a você levar para casa um certo tipo de mulher. —Eu digo, inspirando pelo nariz enquanto fecho os olhos e tento me acalmar. —Eu nunca levei ninguém para casa comigo. —Ele diz. Abro meus olhos, e o segundo de calma que eu consegui evapora. —O quê? —O pânico se intensifica, porque isso significa que eu sou a... Eu não consigo nem pensar nas palavras.


—Você é a primeira mulher que eu estou levando para conhecer minha família, Lauren. —Ele fala para mim. Eu resisto ao impulso de cair para trás e me enrolar na posição fetal. Estendendo a mão, eu a envolvo em seu antebraço e o uso como uma âncora. —Você não acha que devemos esperar para fazer algo tão importante? —Eu já contei para minha mãe e ela está animada para conhecer você. Você não quer que eu parta o coração dela, quer? Eu enrugo meu nariz e olho para ele. —Usar a culpa não é bom, Antonio. —Vou usar todos os meios necessários para passar o fim de semana com você novamente. —Ele sorri e desliza o polegar no lado do meu pescoço suavemente enquanto mantém as mãos firmemente plantadas nos meus ombros. —Mas esteja preparada, não existe culpa para uma mãe italiana. Ela pode obrigar você fazer qualquer coisa que seu coração desejar com um único olhar. —Ótimo. —Murmuro e suspiro, ainda me agarrando a ele para me impedir de cair. —Eu vou para conhecer a sua mãe e porque é a Itália. —E porque você me ama. Essas cinco palavras são o suficiente para fazer eu me soltar dele e cair de costas da maneira mais desajeitada. Eu olho para o teto enquanto Antonio se levanta e fica sobre mim. Eu fecho meus olhos e bloqueio o mundo. Eu não estou pronta para fazer uma admissão tão grande quanto essa. Ontem, pensei que ele estava roubando minha empresa, e minha cabeça não aceitou totalmente a ideia de que Antonio e eu estamos nos apaixonando por uma conexão tão profunda e forte que nada poderia destruí-la.


Exceto conhecer sua mãe e fazer papel de boba. Se eu não a conquistar, poderemos terminar antes de começarmos realmente. —Eu estarei pronta em uma hora. —Eu digo quando rolo para o meu lado e me levanto do chão. —Ligue o jato. Itália, aqui vamos nós. —Eu levanto meu braço para o alto, dando um pequeno bater de mãos com ninguém. A excitação falsa é fácil quando estou de costas para ele, porque o olhar no meu rosto é de horror absoluto. Sem nada mais, saio ilesa da situação e sem professar meu amor por Antonio, mesmo que as palavras sejam verdadeiras. Eu não estou pronta para abrir mão da pequena admissão que tenho guardado para mim mesma.

***

Antonio me levou para fora da sede da Cozza tão rápido que nem consigo me lembrar da cor das paredes em seu escritório. Ele me apresentou a algumas pessoas, referindo-se a mim como a CEO da Interstellar e nada mais. A maior parte do que ele disse foi em italiano e eu não entendi nada. Sento-me em uma cadeira no café do outro lado da rua da sede moderna, quase grotesca, que não combina com a arquitetura clássica em volta. Um homem bonito usando uma camisa branca com um avental enrolado na cintura se aproxima e murmura algo em italiano. Eu sorrio para ele enquanto meu rosto aquece, desejando ter aprendido italiano em vez de espanhol na faculdade. —Espresso, por favore. (Expresso, por favor). Ele acena, dando-me um rápido sorriso antes de sair. Embora eu tenha dito as palavras corretamente, meu sotaque gritava


americano, junto com o jeans e a camiseta do Cubs4 que eu vesti nessa manhã antes de sairmos do hotel. Eu pensei que hoje seria um dia relaxante em que apenas passearíamos um pouco por Milão, onde a sede Cozza está localizada. Antonio não mencionou que estaríamos visitando alguns de meus futuros funcionários, senão eu teria usado algo um pouco mais apropriado. O garçom coloca a xícara de café expresso na minha frente junto com uma pequena garrafa de creme e uma tigela de açúcar. Eu sorrio para ele com um aceno rápido, não arriscando massacrar a bela língua italiana novamente. Ele me deixa sossegada para contemplar a vista e sons da cidade em volta de mim. Depois que eu despejo duas colheres de açúcar e uma pitada de creme na minha xícara minúscula, eu fico lá sentada deixando-me absorver o fato de que estou na Itália com Antonio. Penso nas milhares de pessoas que caminharam pela mesma rua ao longo dos séculos ou colocaram uma xícara desse expresso celestial no mesmo lugar que eu ocupo atualmente. Embora eu ame Chicago, comparada a uma cidade como Milão, ela é nova. —Se divertindo? —Antonio diz, criando uma sombra sobre a mesa quando ele surge na minha linha de visão. Meu olhar percorre o comprimento dele, lentamente apreciando o homem bonito diante de mim. —Eu estou. Obrigada. Café? Ele senta-se, estalando os dedos, e o garçom vem antes que sua mão tenha descansado na mesa novamente. Os dois riem como se fossem velhos amigos enquanto falam palavras que não significam nada para mim.

4

O Chicago Cubs é uma equipe da Major League Baseball sediada em Chicago, Illinois, Estados Unidos.


Eu os observo sobre a beira da xícara de expresso enquanto suas mãos se movem como se estivessem falando a língua de sinais, além do italiano. Antonio parece relaxado, quase em casa pela primeira vez desde que o conheci. —Lauren, este é Fabrizio. Ele é um amigo querido há anos. Fabrizio acena com a cabeça e eu também antes de Antonio voltar para sua língua nativa. Os olhos de Fabrizio continuam se voltando para mim, seu sorriso se ampliando a cada palavra dita. Eu olho em volta da rua para evitar seu olhar. Quando Fabrizio se afasta, Antonio se encosta para trás na cadeira e suspira. —É bom estar em casa. Eu não tinha pensado muito sobre o fato de que sua casa não é em Chicago, muito menos nos Estados Unidos. Nossas vidas estão em continentes diferentes. Não estou disposta a largar tudo em Chicago e me comprometer a viver na Itália em tempo integral, mas no pouco tempo em que estive aqui, me apaixonei perdidamente por Milão. —Eu entendo porque você sente falta. É lindo aqui. Um automóvel vem em velocidade, descendo a rua mais rápido do que qualquer um antes, e o cabelo de Antonio sopra na brisa, seguindo o carro. —Milão não é nada comparada a cidades como Veneza. Nós visitaremos todas elas em outro momento. Outro momento. Eu pisco. Outro momento. Eu pisco de novo. Quando foi que minha vida se tornou viajar por todo o mundo em aviões particulares nos braços do meu homem bonito, no entanto às vezes idiota que costumava ser meu rival? Eu escolho ignorar a afirmação porque meu cérebro ainda não consegue processar o pensamento no tempo, ou seja, ao longo dos anos, o que me aterroriza.


—Termine o seu café, e depois iremos para Como pelo resto do fim de semana. —Antonio diz, como se não fosse grande coisa. —Ok. —Eu respondo, soando calma e serena. Uma sala de reuniões cheia de acionistas hostis não me assusta tanto quanto a ideia de conhecer a família Forte.


CAPÍTULO DEZ ANTONIO —E se eles me odiarem? —Lauren aperta minha mão enquanto a propriedade da minha irmã aparece. Ela está colada à janela desde que entramos na rua de Catarina. As grandes propriedades que variam do antigo estilo italiano a mansões modernas e exuberantes pontilham a orla. A casa da minha irmã não é diferente das outras que cercam o lago com sua majestade, exalando a riqueza e excesso. —Eles não vão te odiar. —Como você sabe? —Minha família é o grupo menos crítico de pessoas. —Por que eu não acredito nisso? —Ela resmunga. —Eu sou um idiota e eles me amam. Ela ri baixinho e finalmente olha na minha direção. —Eles têm que amar você. Você é da família. Eu sorrio e puxo sua mão para os meus lábios antes de beijar a pele macia dos seus dedos. —Isso só significa que eles têm de me aturar. Estou triste que meu pai não esteja aqui para te conhecer. Ele está fora com meu cunhado, trabalhando em um projeto especial. —Tudo bem. Compreendo. Quando nos aproximamos dos grandes portões de ferro, Lauren estica a mão e puxa a viseira acima de sua cabeça. Ela desliza


o espelho, virando o rosto de um lado para o outro e fazendo expressões mais estranhas. —Eu não sei por que estou tão nervosa. —Ela diz enquanto passa os dedos pela bochecha. Os portões se abrem e subimos pela calçada de paralelepípedos em direção à estrutura de acabamento marfim que poderia ser facilmente confundida com um resort em vez de uma casa. —Não saia do meu lado. —Eu não vou deixar você, mas esteja preparada. Ela agarra meu braço, segurando-o com força. —Para quê? —Eles são um pouco exagerados. —Antonio, há anos eu não tenho uma família. Não posso respirar. Não sei se posso fazer isso. Eu não tinha realmente considerado como o encontro com a minha família reunida iria afetá-la. Eu não consigo imaginar como seria não ter mais ninguém no mundo que seja do meu sangue. A dor de tal pensamento é incompreensível para mim. A família inteira está do lado de fora quando paramos em frente à casa. O aperto de Lauren se intensifica à medida que ela se inclina para a frente, olhando para a pequena multidão de pessoas quando estacionamos. —Jesus. Isso é um monte de gente. —Todo mundo veio ao seu encontro. Ela se agita em seu assento, mal conseguindo soltar o cinto de segurança com os dedos trêmulos. Eu me aproximo, dando-lhe um sorriso caloroso enquanto a ajudo a soltá-lo. Antes que eu tenha a chance de desligar o motor, minha mãe abre a porta de Lauren.


—Bella donna. (Linda mulher) —Mamma diz, esticando os braços para Lauren e esperando um abraço. Lauren se vira para mim, procurando por ajuda, mas não há nada que eu possa fazer quando se trata de minha mãe. Ela é uma mulher que está acostumada a conseguir o que quer e nunca aceitou um não como resposta. Eu saio, pronto para ir ao resgate de Lauren, mas não sou necessário. Lauren caminha em direção a minha mãe e seu abraço sem hesitação. Eu apenas fico olhando, paralisado pelas duas mulheres mais importantes da minha vida se encontrando. —Minha garota, você é tão magrinha. —Mamãe diz enquanto seus braços envolvem Lauren com força. —Meu filho não tem te alimentado bem. Lauren leva numa boa, rindo baixinho enquanto minha mãe começa a tatear seus braços, e ela lentamente se afasta. Os olhos da minha mãe observam o tronco de Lauren enquanto ela segura suas mãos. —Eu tenho que alimentar você. Venha. Lauren olha para trás, ainda rindo com bochechas rosadas brilhantes. Qualquer remanescente de preocupação e nervosismo desapareceu poucos segundos depois de estar nos braços de minha mãe. Catarina me envolve em um abraço antes de me dar um beijo grande e molhado na bochecha. —Nós sentimos sua falta, mas vejo por que você está fora há tanto tempo. Ela é linda. —Ela é mais que um rostinho bonito, Cat. Ela é simplesmente perfeita.


Ela arregala os olhos e inclina a cabeça para trás. —Espere. — Ela diz, colocando a palma da mão contra a minha testa. —Você não está com febre. Eu afasto o braço dela e dou risada. —Estou bem, apenas apaixonado. —Você não acabou de dizer o que eu acho que você disse, não é? —Enzo pergunta quando ele se aproxima com um grande sorriso. —Meu irmão está finalmente apaixonado? Eles nunca viram esse meu lado. Eu sempre mantive as mulheres em minha vida longe o suficiente dos olhos curiosos da minha família, mas eu não posso fazer isso com Lauren. Ela significa mais para mim do que todas elas juntas, e eu quero mostrá-la e trazêla para o grupo. Eu dou de ombros, incapaz de esconder meu sorriso. —Ela é a única. —Eu olho para a escadaria que leva à casa. Lauren e mamãe estão andando de mãos dadas, em uma conversa profunda. —Zio Ant! Zio Ant! —Minhas duas sobrinhas, as meninas de Catarina, gritam enquanto descem a escada, quase derrubando Lauren. Eles lançam seus minúsculos corpos em meus braços assim que eu me abaixo o suficiente para que eles não me chutem nas bolas. —Ah, minhas meninas. —Eu encosto levemente em suas bochechas e dou uma dúzia de beijos em cada uma. Lauren está me observando com curiosidade porque ela nunca me viu como nada além de um homem de negócios implacável. Mas minha família significa tudo para mim. Minhas sobrinhas e sobrinhos preencheram o vazio que ficou quando desisti da possibilidade de um dia ter meus próprios filhos.


—Dove sei stato? (Onde você estava?) —Amalia pergunta enquanto pressiona sua pequena palma quente na minha bochecha e me força a olhar para ela. Ela cresceu nas poucas semanas que estive fora. Toda vez que vejo as meninas, posso praticamente vê-las crescer diante dos meus olhos. Eu quero mantê-las pequenas e inocentes como elas são agora. Vestindo seus vestidos de babados com longos cachos que balançam com o vento. —Eu estava com ela. —Eu levanto meus olhos em direção a Lauren. Ela não se mexeu e minha mãe não parou de falar. Nossos olhares se encontram e algo passa entre nós. Algo que nunca experimentamos antes. Uma espécie de compreensão, ou talvez ela finalmente reconheça o meu eu verdadeiro, que compartilho com poucas pessoas. —Ooh. —Guila, a mais velha das duas, fala. —Ela é bonita. Eu não desvio o olhar, mantendo meu olhar fixo em Lauren. —Ela é. —Você vai se casar, Zio Ant? Eu dou risada e beijo seus rostos enquanto elas se soltam dos meus braços para escapar do amor exagerado que eu tipicamente dou a elas. —Corra, Amalia. Ele está vindo! —Guila grita, correndo em um círculo enquanto eu vou em direção a elas com meus braços estendidos e faço ruídos rosnados baixos. —Você não pode fugir. —Eu me movo mais rápido, perseguindo-as em direção à escada e Lauren. —Você já o viu assim antes? —Enzo pergunta a Catarina.


—Quando ele está bêbado. —Ele está bêbado de amor, minha querida Catarina. Subo as escadas, dando um rápido beijo nos lábios de Lauren antes de me afastar, pronto para perseguir as princesinhas. —Eu gosto deste seu lado, Forte. —Ela diz e toca meu braço antes de eu escapar. Há muito de mim que quero compartilhar com ela. Muitas coisas que eu quero mostrar a ela, mas primeiro, eu vou fazê-la se apaixonar. Tudo faz parte do meu plano maligno de fazer Lauren ser minha para sempre.

LAUREN Eu não consigo me mexer. Meu estômago está prestes a explodir enquanto meu zíper machuca a minha pele. Não me lembro de uma época da minha vida em que tive tantos pratos saborosos ao mesmo tempo. Toda vez que eu tentava parar, a Sra. Forte empurrava o prato na minha frente novamente e insistia que eu comesse mais. —Mangia. (Coma) —Ela dizia, apontando para a boca. Eu não podia dizer não para ela também. Ela sentou-se ao meu lado, do lado oposto ao de Antonio e o resto da família sentou-se conosco. Comi enquanto ela falava e, felizmente, ela não me fez muitas perguntas. Todos pareciam falar ao mesmo tempo e, de alguma forma, eles se ouviam porque a conversa nunca parava de fluir.


Eu tentei imaginar como seria crescer em uma casa com tantos irmãos e irmãs. Jantares com meus pais antes que minha mãe falecesse eram sempre sobre assuntos tranquilos, em que meus pais perguntavam sobre a escola ou conversavam sobre o trabalho. Como adultos, Antonio e seus irmãos são um grupo barulhento e falador. Eu não consigo imaginar quando eles eram pequenos e provavelmente mal conseguiam conter sua energia por tempo suficiente para ficar sentados por dez minutos. —Como vai à aquisição? —Violetta pergunta do outro lado da mesa e alto o suficiente para que todos ouçam a pergunta claramente. Todo movimento cessa quando todos os olhos da sala se voltam para Violetta em um olhar gelado. Com base nisso, sei que sua família está plenamente consciente de quem eu sou, exceto a pobre Violetta. Sra. Forte levanta-se de sua cadeira. —Que tal uma sobremesa? Todo mundo ignora sua pergunta. A sala está tão quieta que eu posso ouvir meu próprio batimento cardíaco e os pássaros cantando nos arbustos do lado de fora da janela. —Vou querer uma sobremesa. —Digo à Sra. Forte com um sorriso grande e falso. Eu não consigo colocar mais nada no meu estômago, mas não posso aguentar o silêncio que é ainda pior. —Oh, bom. Eu fiz só para você. Antonio disse que você ama tiramisu. —Isso é tão doce da parte dele. Só porque eu comi duas porções, a minha e a dele, no café em Milão ontem não significa que é o meu favorito. Mas, caramba. Esse tiramisu poderia ser um pequeno pedaço do céu. Ok, dois pedaços enormes, se for para ser honesta. Mas depois da quantidade de


comida que acabei de comer, não consigo imaginar colocar mais qualquer coisa dentro do meu corpo e poder sair desta sala com algum tipo de graciosidade. O olhar de Violetta percorre ao redor da mesa. —Por que todo mundo está olhando para mim assim? Em vez de deixar um deles responder, acho que devo colocar a questão de modo que não fiquemos pisando em ovos durante todo o final de semana. —A aquisição se transformou em uma fusão, Violetta. —Vi, por favor, Lauren. —Violetta joga os cabelos castanhos com pontas roxas para atrás dos ombros de uma forma muito glamorosa. —Vi. —Eu sorrio. Eu gosto desta menina. Muito. Ela é o oposto de seu irmão, ela parece ser rebelde e despreocupada, e ela vai completamente contra a tradicionalidade do resto da família. —Eu acho que sua família não te contou, mas eu sou a CEO da Interstellar, a mesma empresa que seu irmão tentou assumir. —Fanculo. (Porra) —Ela abaixa a cabeça e suspira alto antes de gritar outra coisa que eu não entendo, em italiano. Antonio grita de volta, agitando seus braços e em dez segundos, todo mundo está gritando. Exceto sua mãe, que correu para a cozinha como se soubesse que uma guerra estava prestes a explodir. Ela se esquivou em um instante, e eu me arrependo de não ter me juntado a ela. —Basta. —Antonio bate os punhos na mesa e olha para mim. —Eu sinto muito, Lauren. —Não tem problema. —Viro para olhar para sua irmã sentada calmamente no final da mesa. —Vi, por favor, não se sinta mal.


—Eu não posso acreditar que ninguém me disse. Por favor, aceite minhas desculpas. Eu dou uma risada baixinho, pegando a mão de Antonio que ainda está fechada em punho. —Se eu posso perdoar seu irmão por tentar roubar minha companhia, eu posso superar qualquer coisa. Você não estava sendo maldosa. Por favor, não pense nisso, Vi. Antonio está prestes a dizer alguma coisa, mas antes que ele possa, a Sra. Forte entra na sala com o maior tiramisu que já vi. — Espero que todos ainda estejam com fome. Há um gemido coletivo quando ela coloca o prato ornamentado na mesa e fica sobre ele. Eu sei que eu tenho que comer pelo menos um pedaço pela maneira como ela está olhando para ele com orgulho. Eu já conheci italianos suficientes na minha vida para saber que comida é algo que você não pode recusar sem ferir seus sentimentos. —Parece maravilhoso. —Eu digo a ela e coloco minha mão sobre a de Antonio, dando-lhe um leve aperto. —Este é o fim de semana do meu aniversário, e a última coisa que quero é que vocês, filhos... —Sua voz se demora na palavra, dirigindo-a para todos na casa, mas não posso dizer se ela está falando sobre o comportamento deles ou o papel dela na família. —Nada de conflitos novamente. Entendido? —Si, Mamma. (Sim, mamãe). —Antonio responde junto com seus irmãos e irmãs. —Bom. —Ela sorri, colocando as mãos nos quadris enquanto olha em volta da mesa. —Este é um fim de semana para comemorar, não para brigar, e nós temos uma convidada de honra.


Meu rosto fica vermelho com o elogio. —Por favor, não se incomode. Estou aproveitando cada momento de estar com você e sua família. A Sra. Forte coloca sua pequena mão no meu ombro. — Coma sua sobremesa, e então eu gostaria de mostrar a propriedade a você. Eu não sei porque eu estava tão preocupada com ela. Ela não tem sido nada além de doce e extremamente cordial desde o momento em que chegamos. Acho que imaginei que ela não seria aberta e amigável, já que o filho dela não é a pessoa mais simpática até você conhecê-lo melhor. Mas até o momento, estou com inveja de Antonio. Não por causa do que ele conseguiu nos negócios, mas porque teve a sorte de nascer nesta família. Uma com tantas pessoas e cheia de tanto amor que ele nunca conheceu a solidão que eu tive em minha vida.


CAPÍTULO ONZE LAUREN Os jardins da mansão dos Fortes são de tirar o fôlego. O interior da casa é inspirador, mas de pé entre as fontes, arbustos floridos e do Lago Como, eu não posso deixar de me apaixonar por este país majestoso. Há uma paz e tranquilidade que Chicago, minha cidade natal e primeiro amor, nunca será capaz de vencer. Lembro-me das palavras que Antonio falou comigo no W bar. Eu me senti ofendida quando ele disse que Chicago era legal para uma cidade americana, mas agora eu entendo isso. Embora eu possa viajar para qualquer lugar do mundo, eu mal tinha saído dos Estados Unidos, a menos que eu viajasse a negócios. E mesmo assim, eu não tinha tempo para mergulhar na beleza ao meu redor. Nas últimas duas semanas, Antonio me mostrou mais do nosso pequeno mundo, levando-me a uma ilha particular no Caribe e à paisagem deslumbrante da Itália. O braço da Sra. Forte está entrelaçado ao meu enquanto caminhamos pela beira do lago. A preocupação que eu senti quando nos aproximamos da propriedade rapidamente desapareceu assim que ela me envolveu em seu abraço caloroso. —Então, Lauren. —Ela diz, e eu amo a forma como meu nome soa em sua língua, assim como o de Antonio. —Eu soube o que aconteceu no último fim de semana. Eu paro de andar com os flashes de acordar na sala escura e, em seguida, a sensação de Trent contra mim me atinge.


Ela me puxa para mais perto, me girando para me envolver em seus braços. —Oh minha querida menina. Eu não queria assustá-la com esse assunto. Eu envolvo meus braços ao redor dela, segurando-a com força. Eu não sei porque, mas eu entro em crise. Finalmente, quase uma semana depois do meu sequestro, perco a batalha. As lágrimas inundam meus olhos, caindo em seu ombro, manchando seu lindo vestido florido. Ela sussurra belas palavras em italiano em meus ouvidos e acaricia sua mão lentamente para cima e para baixo nas minhas costas em um ritmo constante. Eu deixo as lágrimas caírem, e elas caem incontrolavelmente enquanto ela me consola. Ela pode não ser minha mãe, mas é a de Antonio e me mostrou mais gentileza do que muitas. Eu sofro pela minha mãe neste momento. Eu lamento sua morte mais uma vez, desejando que eu pudesse ter outro segundo em seus braços para me ajudar com este evento trágico em minha vida. —Deixe sair. —Ela diz, beijando minha têmpora com tanta ternura que minhas lágrimas caem mais e mais rápido. Eu não sei porque eu estou tão afetada por tudo de repente. Se foram as suas palavras ou sua gentileza que finalmente me levaram a lidar com o que aconteceu sem mascarar isso tudo. —Venha sentar-se, querida menina. —Ela diz baixinho, guiando-me em direção a um banco apenas a alguns metros de distância. Eu enxugo as lágrimas e me permito mais um segundo de pena antes de me recompor. A última coisa que quero que sua mãe pense é que sou uma chorona emocionalmente instável. Eu não sou assim. Eu nunca fui esse tipo de garota, tão carente que constantemente precisa de apoio. Aquela garota morreu no dia em que minha mãe foi enterrada.


—Sentir-se triste não faz você fraca. Eu dirijo meu olhar para o dela, me perguntando se ela consegue ler minha mente. —Se você é parecida com o meu Antonio, é difícil para você mostrar tristeza ou medo, porque você acha que isso faz você fraca. —Ela abraça meu ombro, me puxando para o lado antes de continuar. —Mas é preciso ser uma pessoa corajosa para sobreviver a tudo o que você passou em sua vida. Descansando minha cabeça em seu ombro, eu fecho meus olhos e escuto suas palavras, deixando-as penetrarem profundamente em minha alma. Já faz muito tempo desde que recebi conselhos maternais, e me aprofundo em cada palavra, desejando que eu pudesse ter isso em minha vida. Sua mão desliza pelo meu braço e volta para baixo enquanto ela inclina a cabeça contra a minha. —Antonio está bem com você. Eu nunca o ouvi falar de alguém do jeito que ele fala de você. É preciso uma mulher especial para capturar sua atenção tão completa e rapidamente. Ele é muito parecido com o pai dele. —Ele é? —Eu não sei mais o que dizer. Sua gentileza e conforto não são algo que eu esperava quando aceitei seu convite para me mostrar os arredores. —Meu marido era um homem bonito quando eu o conheci, mas então... Como você diz isso...? —Ela faz uma pausa por um momento antes de rir. —Ele era muito convencido. Eu pensei que ele era um idiota e não se importava com ninguém. Durante meses, eu o recusei e ele me seguiu como um cachorrinho. Sua escolha de palavras me faz sorrir. Há um charme em ouvila falar no meu idioma. —E então o que aconteceu? O que mudou?


—Eu tinha dezenove anos e voltava para casa tarde da noite depois de trabalhar em uma padaria local. Vivíamos em uma pequena aldeia e nunca pensei em minha segurança. Todas as pessoas se conheciam onde morávamos. Ninguém tinha segredos, e nada de ruim acontecia. Mas naquela noite, um homem me derrubou, arrancou minha bolsa dos meus braços e saiu pela rua. Eu me sento, virando-me para encará-la, totalmente cativada com esse vislumbre de sua vida. —Ele salvou você? —Lorenzo saiu do nada, perseguiu o homem e trouxe minha bolsa de volta. Abro um grande sorriso. A história parece um começo perfeitamente romântico para um relacionamento bonito. —Depois que ele me ajudou a me levantar do chão, ele disse que eu tinha que beijá-lo se eu quisesse minha bolsa de volta. Ele me disse que eu devia esse gesto a ele depois que me salvou. —Ela ri um pouco mais e balança a cabeça. —Você o beijou? —Eu pergunto, esquecendo toda a tristeza que eu estava sentindo ao pensar no último fim de semana. —Eu beijei, e o resto é... como você diz... história. —Você o beijou e sabia que era amor? —Eu gostaria de fingir que foi assim tão fácil, mas o amor nunca é, minha querida. Lorenzo era atraente. Todas as meninas da aldeia queriam ser sua esposa, e meus pais já haviam prometido minha mão em casamento ao filho de um amigo da família. Meus olhos se arregalam. —O quê? —Os tempos eram diferentes, naquela época. Parece tão antiquado, mas meus pais nunca se aventuravam fora da pequena


cidade e acreditavam que estavam fazendo o que era melhor para a família me encontrando um parceiro adequado. —Mas Lorenzo arruinou tudo. —Meus pais não gostavam de Lorenzo. Sua família não tinha boa reputação e eles não eram considerados gente respeitável. Mas depois que meus lábios tocaram os dele... —Ela passa os dedos pelos lábios enquanto olha para frente como se estivesse se lembrando da sensação dos lábios dele contra os dela. —Eu sabia que não queria mais ninguém além dele. —O que você fez? —Nós fugimos e nos casamos. Eu suspiro. —Uau. —Demorou anos até que meus pais falassem comigo de novo e ainda mais para que aceitassem Lorenzo como meu marido. —O que fez eles mudarem de ideia? —As crianças. Quando dei à luz nosso primeiro filho, eles finalmente deixaram de acreditar que meu casamento acabaria e nos aceitaram como um casal. —Você foi tão corajosa. —Eu estava apaixonada e tola. —Ela dá um tapinha em cima da minha mão, virando-se para mim com um pequeno sorriso. —O amor nos faz ir contra a corrente. Mesmo quando sabemos que não será um caminho fácil, nosso coração é algo que não podemos negar. Eu sabia, quando fugi com Lorenzo, que haveria mágoa pela frente, mas a ideia de não o ter em minha vida doía mais do que qualquer outra coisa. —Você se arrepende?


—Eu me arrependi por um segundo. —Por quê? —Eu descobri que ele planejou o roubo da bolsa. Ele não teve sorte de estar por perto quando o homem me derrubou e fugiu. Lorenzo o encontrou na aldeia vizinha e pagou-lhe um bom dinheiro para roubar minha bolsa para que ele pudesse me resgatar. —Homens. —Eu suspiro. —Mas o homem não deveria tocar em mim. Um ano depois de nos casarmos, encontramos o homem no mercado. Ele não deve ter me reconhecido porque se aproximou de nós e cumprimentou Lorenzo como se fossem velhos amigos. —Uh-oh. —Eu dou risada, cobrindo minha boca com a mão. —Vamos apenas dizer que demorou muito para eu perdoá-lo. Ele sentiu muito pela mentira. Mas eu não me arrependo de um único dia passei com aquele homem. Ele e eu fomos feitos para ficar juntos pela eternidade. Eu não acredito que quando morremos tudo o que existe é a escuridão. Há algo além de nós, algo maior. Seja o que for, Lorenzo estará comigo sempre. —Você soa como Antonio. —Meu filho pode ser bastante romântico em seu pensamento, mas raramente ele demonstra afeto e diz palavras gentis como ele faz com você. Ele me ligou na semana passada quando você desapareceu. Eu nunca o ouvi tão confuso antes. Ele não precisou me dizer que estava apaixonado, eu podia ouvir em sua voz. Calor me atinge. Sua mãe confirma tudo o que Antonio me disse antes. Tudo o que sei com base em suas ações, vez após vez. —Ele me salvou. —Eu deixo escapar.


Ela se levanta e estende as mãos para mim. —Ele teria vasculhado os confins da terra até encontrar você. Assim como procurarei nos céus pelo meu Lorenzo quando fecharmos os olhos pela última vez. Quando o amor é para ser, não podemos permitir que ele escape sem lutar. Eu deslizo minhas mãos nas dela e me levanto do banco, olhando-a diretamente nos olhos. —Sim, senhora Forte. Nós concordamos com isso. —E quando tiver dúvida, faça bebês. —Ela ri enquanto minha boca se abre e meus olhos se arregalam. —Não muito rápido, mas estou ficando velha, minha querida. Vocês dois fariam filhos lindos e inteligentes. Eu gostaria de curti-los por um tempo antes de ir. —Hum, está bem. —Eu sorrio nervosamente. Antonio e eu nem nos comprometemos um com o outro, mas ela já me fez dar à luz seus netos. Entre o seu charme e o calor da sua família, não consigo imaginar voltar à minha vida de vodka e o trabalho me fará feliz. Com a ajuda de sua família, Antonio Forte me arruinou para sempre.

ANTONIO Stefano entra na sala de estar enquanto observo Lauren e minha mãe conversando perto da beira do lago. —Eu nunca pensei que veria o dia em que você se apaixonaria, irmão. —Venha aqui, seu bastardo. Eu senti sua falta.


Mesmo que eu não visse Stefano há meses, é como se nenhum tempo tivesse se passado enquanto nos cumprimentávamos. Ele é o único na família que é muito parecido comigo, mas isso não é nenhuma surpresa, uma vez que somos gêmeos. Nós começamos a vida juntos, compartilhando o mesmo útero e a maioria das coisas enquanto crescíamos. Quando éramos mais jovens, até compartilhamos as namoradas quando se encaixavam no humor ou nos nossos gostos. Ele bate nas minhas costas quando me dá um abraço de um braço só. —Eu não teria acreditado a menos que eu visse por mim mesmo. —Lauren está fora dos limites, Stefano. —Eu digo, deixando claro para ele entender como será nosso relacionamento quando se trata dela. —Eu não vou compartilhá-la. Seus olhos brilham, e ele abre o sorriso travesso que eu estou muito familiarizado. —Você não precisa dizer isso. —Mas eu vou. —E eu vou repetidamente até que ele entenda a seriedade das minhas palavras. Ele sorri. —Ela deve ser espetacular. Eu disse a Lauren que eu tinha um irmão gêmeo, mas deixei de fora a parte sobre nós sermos idênticos em todos os sentidos. Ele é a minha outra metade. Os mesmos genes idênticos preenchem nossas células e, exceto por algumas tatuagens que pontilham sua pele, nossos corpos são iguais em tudo. Quando éramos crianças, minha mãe costumava nos confundir se não tivesse tempo suficiente para realmente observar nossas manias. Foi um truque útil que usamos para nossa vantagem, mas desde que nos tornamos adultos, não é tão difícil nos diferenciar.


—Como vão os negócios? —Ele pergunta quando volto minha atenção de volta para a janela com vista para o quintal. —Não poderia estar melhor. —Eu vi o novo motor da Interstellar pela televisão e imaginei como você se saiu com a aquisição depois do grande sucesso na mídia e do teste de lançamento bem-sucedido. —Para minha sorte, estamos nos fundindo. Stefano chega perto de mim. —Como isso é melhor? —Veja ela. —Eu movo meu queixo em direção a Lauren antes de virar para encarar meu irmão. —Ela é a CEO da Interstellar. Ela não estaria aqui se eu ainda estivesse tentando assumir a sua empresa. Em vez disso, ela concordou com uma fusão a pedido de seu conselho. —É o nosso pau mágico. —Ele bate no meu ombro. —Isso faz a mulher mais louca implorar por um quarto acolchoado. Eu reviro meus olhos. Sua declaração não é totalmente falsa porque ele está se referindo a uma mulher com quem eu dormi que acabou tentando se suicidar depois que eu disse a ela que não haveria futuro. Não havia sinais de que ela fosse suicida ou tivesse qualquer tipo de instabilidade mental. Desde então Stefano acredita que foram minhas habilidades na cama que a levaram ao limite. Ele gosta de acreditar, porque ele acha que tem as mesmas habilidades que eu, mas ele não tem. —Lauren é diferente, Stef. Ela é mais que uma foda rápida. Mesmo quando a conheci no bar em Chicago, odiei sair de manhã sem me despedir. Foi algo mais do que uma grande foda, e eu senti isso, mas eu pensei que talvez


fosse o estresse da situação ou o jet lag. Quando eu descobri quem ela era, eu sabia que poderia ser mais. —Você a fodeu antes que ela concordasse com a fusão? Não respondo imediatamente, esperando Lauren e mamãe chegarem ao patamar do lado de fora logo abaixo da janela antes de irem em direção ao bar. —Não. —Eu minto porque não vou dar a Stefano mais informações ou munições para usar contra mim e nosso relacionamento. Stefano segue e se inclina contra o tampo do bar, me observando enquanto eu me sirvo um copo de uísque. Ele empurra um copo ao lado do meu antes que eu tenha a chance de colocar o decantador na mesa. —Então deve ter sido o seu charme. —Ele sorri quando eu olho para cima e empurro seu uísque na frente dele. —Isso fez um bom negócio para ambas as empresas. Estou prestes a mudar de assunto e perguntar a Stefano sobre seus negócios, quando Lauren e minha mãe entram na sala. Lauren está do outro lado da sala com os olhos arregalados alternando entre mim e Stefano, enquanto mamãe se dirige diretamente para Stefano e o enche de beijos. —Agora estou feliz. Todos os meus filhos estão em casa para comemorar. —Ela diz, mas eu não consigo tirar meu olhar de Lauren. Eu deveria ter avisado a ela porque isso pode ser chocante para o sistema, e essa não era a minha intenção. Parte de mim esperava que ele não aparecesse neste fim de semana. —Mamãe, vamos lá. —Stefano tenta se libertar do aperto da minha mãe e de seus beijos exagerados. —Mostre alguma dignidade. Nós temos uma convidada.


Quando eu olho para o meu lado, Stefano está olhando fixamente para Lauren, e eu corro para ela. Eu não estou tentando tranquilizá-la, mas sim marcar o meu território, o que é um movimento idiota, mas é a única coisa que posso fazer quando o Stefano está envolvido. —Ele é... —Ela sussurra, olhando por cima do meu ombro. —Você. Eu coloco uma mão no ombro dela e toco seu queixo com a outra, trazendo seu olhar para o meu. —Ele pode se parecer comigo, mas posso garantir que somos diferentes. —Claro que parece. —Ela sorri, mas se inclina para frente e beija meus lábios. O simples gesto acalma meus nervos sobre ela encontrar Stefano. Eu sei que Lauren achava que eu era implacável. Mas Stefano pode parecer ser como o Príncipe Encantado, quando ele é realmente mais como Jack, o Estripador. Ele é o chefe de uma das famílias criminosas mais famosas na Itália. É impressionante que ele ainda esteja vivo com metade da merda que aconteceu sob seu reinado. O fato de ele não ter sido preso apenas reafirma que a polícia italiana está à venda. —Ah, Lauren. —Stefano se move pela sala, se aproximando rapidamente, como eu esperava. —Eu ouvi muito sobre você, mas sua beleza não pode ser adequadamente expressa em palavras. Eu reviro meus olhos enquanto Stefano me afasta para o lado para pegar a mão de Lauren. Ela cora quando os lábios dele tocam sua pele, e minha pressão sanguínea instantaneamente dispara. —É um prazer conhecer você. —Lauren diz com a mão ainda contra os lábios dele. —O prazer é todo meu.


Eu rosno na troca, pronto para puxar Lauren para longe até que ela me lança um olhar gelado. Eu nunca fui tão territorial sobre alguém antes, e não tenho certeza se estou totalmente confortável com isso também. Eu posso dizer que este será um fim de semana muito longo.


CAPÍTULO DOZE ANTONIO Lauren seca o cabelo com a toalha, vestindo a camisola de seda mais sexy, que mostra perfeitamente cada curva e a dureza de seus mamilos. Minha boca saliva enquanto seus seios balançam com cada movimento. —Por que você não me disse que Stefano era seu gêmeo idêntico? —Ela olha para mim da porta do banheiro enquanto eu estou sentado na beira da cama, fascinado por sua beleza. —Eu não sei. Eu não posso explicar como é ter um gêmeo idêntico. A maioria das pessoas não tem alguém andando por aí que tenha a aparência exatamente igual a elas, como eu tenho. Se estou sendo honesto, Stefano e eu sempre competimos pela atenção das mulheres, especialmente à primeira vista. —Você está preocupado, não é? —Ela pergunta, colocando a toalha na bancada. Ela caminha em direção à porta e se inclina contra o batente apoiando-se no ombro, observando-me. —Um pouco. —Eu admito antes de levantar e caminhar em direção a ela. —Você não gostou muito de mim quando nos conhecemos. Nós éramos inimigos. Você não tem um histórico com Stefano como você tem comigo. O que impediria você de decidir que ele é digno de você porque não há bagagem com ele? Ela envolve os dedos ao redor do colarinho da minha camisa, me puxando para frente. —É verdade. Eu não gostei de você.


Eu passo meu braço por trás dela e pressiono meu corpo contra o dela. —Mas então eu fiz aquela coisa que você gostou. — Eu balanço minhas sobrancelhas, fazendo referência a nossa primeira noite juntos no hotel. Ela ri baixinho enquanto eu deixo meus lábios a poucos centímetros dos dela. —Você se lembra, não é? —Meu pau endurece contra o tecido das minhas calças, pressionando em seu núcleo. Ela olha nos meus olhos, aproximando sua boca enquanto seu hálito quente percorre meus lábios. —Eu me lembro muito bem, Sr. Forte. —Quer refrescar a memória? —Eu levanto uma sobrancelha, ansioso para estar dentro dela. —Não até que você me diga por que você acha que eu trocaria você por seu irmão. Eu enrolo minha mão em seu cabelo antes de descansar minha palma contra seu pescoço, sentindo a batida constante de seu coração contra o meu polegar. —Temos uma longa história juntos, meu irmão e eu. E você e eu temos uma história sórdida que complicou tudo. Os dedos dela deslizam sob minha camisa, passando contra as minhas costas enquanto ela pressiona seu corpo contra a frente do meu. —Mas não foi ele que me resgatou. —Não foi ele também que tentou roubar sua empresa. —Quando as coisas começaram a se desenrolar, não havia nada que você pudesse fazer para impedir. Mas você tem feito mais do que suficiente para compensar isso. Somos mais fortes como uma equipe do que como entidades individuais. Eu sorrio contra sua boca, querendo prová-la. —Isso vale para nós, assim como para nossas empresas?


Ela pisca lentamente enquanto suas bochechas se erguem em um sorriso. —Sim. Juntos, ninguém conseguirá nos parar. —Palavras mais verdadeiras, Srta. Bradley. Agora sobre esse refresco... —Eu deixo as palavras derivarem em sua boca enquanto pressiono meus lábios nos dela. Suave no início, saboreando a delicadeza dela em meus braços e contra a minha pele. Lauren Bradley é inebriante. Nunca fiquei tão envolvido em alguém a ponto de desistir da minha posição na empresa e abrir todo o meu mundo para ela também. Eu não consigo me cansar dela mesmo quando estou enterrado dentro dela. Eu sempre quero mais. Deslizando minha mão pelas suas costas, eu aprofundo o beijo, gemendo em sua boca enquanto minhas palmas seguram sua bunda. Eu roço meu pau no tecido macio e sedoso perto de seu núcleo, e quando a fricção se torna demais, eu a levanto no ar e a carrego de volta para a cama. Ela geme enquanto meus dedos beliscam sua pele, e ela se esfrega contra mim. Eu me inclino para frente, colocando-a gentilmente na cama antes de soltá-la. De pé, desabotoo a camisa enquanto mantenho meus olhos nela. O olhar dela está cheio de necessidade e desejo, e combina com o meu. Seu olhar segue meus dedos enquanto exponho meu peito e atiro a camisa no chão. Seus olhos se demoram em meus peitorais, percorrendo minha pele enquanto ela lambe os lábios, fazendo com que seja difícil não rasgar minha roupa e pular em cima dela. Ela coloca as mãos acima da cabeça e se contorce contra a cama enquanto eu desfaço o botão na minha calça. A paciência nunca foi uma das minhas virtudes, e a maneira como a luz transpassa por sua camisola, mostrando cada contorno e curva, torna isso quase impossível.


—Antonio, eu preciso de você. —Ela diz em um tom abafado. Eu tiro minhas calças, chutando-as para longe de mim com pressa antes de subir entre as pernas dela. Lentamente, eu puxo as tiras de sua camisola, expondo seus seios fartos que estão pedindo atenção. Ela geme, arqueando as costas enquanto eu fecho meus lábios ao redor do mamilo e agito a dureza com a minha língua. Levando isso devagar quase ao ponto da tortura, eu não deslizo meu pau nela imediatamente, embora a necessidade de fazê-lo seja quase insuportável. Eu levo o meu tempo, movendo-me entre cada seio até que ela esteja incapaz de permanecer imóvel. Estou prestes a me abaixar para enterrar meu rosto entre suas pernas e me deliciar até que ela fique quase incapaz de respirar, mas ela agarra meu rosto e me força a olhar para ela. —Foda-me, Antonio. Eu preciso de você dentro de mim. Incapaz de esperar um segundo mais, eu pego meu pau e esfrego a ponta através de sua umidade. Suas pernas se abrem enquanto seus joelhos caem no colchão, esperando que eu empurre para dentro. —Diga isso de novo. —Eu digo a ela, provocando-a com o meu pau enquanto eu o esfrego em torno da entrada de sua boceta.


LAUREN Eu amo uma boa brincadeira tanto quanto qualquer garota, mas agora, a única coisa que eu quero é sentir seu pau tão fundo dentro de mim quanto ele possa ir. Eu quero tudo dele. Cada centímetro, acariciando meu interior repetidamente até que a necessidade que sinto diminua e meu corpo esteja exausto de tantos orgasmos. Eu afasto algumas mechas de seu cabelo escuro que caíram para frente, quase cobrindo seus olhos, antes de puxar seu rosto para o meu. —Me. Foda. —Eu acentuo cada palavra, indo direto ao ponto, porque minha paciência está se esgotando. Ele empurra dentro, centímetro por centímetro de seu pau me enchendo deliciosamente. Mesmo que nós tenhamos feito sexo mais do que um punhado de vezes, cada vez é mais gloriosa do que a outra. Meu corpo anseia por ele e seu toque. Fui atraída por Antonio como um drogado para uma droga, mas nunca vou admitir meu vício a ninguém além dele. Meus dedos emaranham no cabelo da sua nuca e eu olho em seus olhos azuis, completamente perdida na sensação dele. Juntos, alimentamos um ao outro com nossa necessidade. Eu empurro contra seu pau enquanto ele puxa para fora, apenas para ele voltar a bater em meu corpo com tanta força que o formigamento dispara em meu clitóris. Eu sou rapidamente conduzida para o limite enquanto cada golpe de seu pau empurra contra o meu ponto G. Eu suspiro por ar enquanto seu corpo me consome completamente e eu gozo, cavando minha unha em sua pele enquanto grito seu nome. Ele segue, prendendo a respiração enquanto coloca sua testa contra a minha, montando a onda de êxtase que tanto precisamos.


Ele desmorona em cima de mim, quase me esmagando com seu peso. Eu me enrolo nele, pressionando minhas costas no colchão buscando ar para meus pulmões. —Sinto muito. —Ele diz e rola para o lado, finalmente percebendo que não posso respirar. Deitando minha cabeça em seu ombro, fecho meus olhos e me concentro em minha respiração e diminuo minha frequência cardíaca. Meu coração está bombeando tão rápido e forte que parece que está batendo contra o meu peito, tentando se libertar. O quarto está quase silencioso, exceto por nossa respiração ofegante e as batidas dos nossos corações. Traçando a ponta dos peitorais com a unha, observo a constante subida e descida de seu peito a cada respiração. Eu olho para o comprimento do seu corpo e percebo sua beleza. Eu sabia desde o momento em que ele se despiu na minha frente que seu corpo era algo que poderia fazer as mulheres caírem de joelhos e adorá-lo, mas não foi até as últimas semanas que eu percebi que o homem é muito mais complicado e bonito do que seu exterior. Eu estou me apaixonando por Antonio e caindo em amores. Estar aqui com sua família só amplificou cada sentimento e tornou completamente inegável. O amor, a admiração e a luxúria que eu tinha antes estão cimentados ao meu ser. —Antonio. —Eu sussurro contra sua pele. Ele geme enquanto seus lábios tocam meu cabelo, e sua palma macia desliza em meu braço. —Eu te amo. —Eu admito com verdadeira convicção. Eu segurei a declaração lá dentro, na ponta da minha língua a semana toda, mas nunca tive coragem de dizer.


Não sei se foi por tudo pelo que passei ou talvez por ter falado com a mãe dele, mas as palavras acabaram de sair. Eu também quero dizer isso. Eu nunca me senti assim por alguém tão rapidamente. Seu amor por sua família junto com seu trabalho faz dele o pacote completo. Eu nem sequer acho que eu murmurei essas palavras quando eu namorei Trent. Algo sempre me impedia de dizer isso. Talvez minha mente soubesse que meu coração estava errado por ter algum sentimento em relação a ele e me bloqueava. Ele me forçou a dizer isso na cabana, mas eu não queria dizer uma palavra. A mão de Antonio continua contra a minha pele, e ele sentase, me levando com ele. Eu me sento ao lado dele com meus pés enfiados embaixo de mim e espero. Ele não fala enquanto olha para mim, mas eu posso ler a emoção em seu rosto. —Eu te amo. —Eu repito, me perguntando como eu o deixei atordoado e em silêncio. Ele nunca fica quieto e sempre tem uma resposta rápida. Ele encosta as mãos em meu rosto, roçando seus polegares contra minhas bochechas. —Eu também te amo. —Ele diz antes de abrir um sorriso gigante em seu rosto. —Eu estive esperando para ouvir você dizer essas palavras. —Eles estão na ponta da minha língua desde que você me resgatou, mas eu não estava pronta para dizê-las antes. —O que mudou? Eu olho em seus olhos azuis e sinto cada apreensão que eu sentia sobre ele se evaporar. —Estar perto da sua família e fazer esta viagem me fez perceber que não há mais ninguém para mim. Eu disse que não acreditava no destino, mas tudo no universo está trabalhando a nosso favor.


—Eu não posso explicar o quanto fico feliz em ouvir você dizer essas palavras. Eu sei que é difícil. Eu nunca falei para outra mulher. Meus olhos se arregalam enquanto minha cabeça se afasta para trás em espanto. —Nunca? Não sei porque estou chocada, mas estou. Desde o momento em que o conheci, soube que ele era um playboy. Mas dormir com mulheres não envolve promessas de amor. Inferno, eu dormi com ele também. Tenho certeza que muitas mulheres dormiram com Antonio na esperança de que ele se apaixonaria loucamente por elas. Infelizmente, nenhuma delas conseguiu o que se elas se propuseram a fazer. Eu nem estava tentando, e o homem me enganou para me apaixonar por ele. —Nunca. Não é uma palavra que saia facilmente da minha boca, Lauren. —Isso é tão errado. —Eu dou risada da insanidade das últimas semanas. Se alguém tivesse me dito há três meses que eu me apaixonaria loucamente por Antonio Forte, eu teria dito à pessoa que ela tinha um parafuso solto. Com toda a honestidade, se eu não tivesse dormido com ele naquela noite depois de beber martinis demais, provavelmente não estaríamos sentados na cama nus agora. Mas é difícil negar a conexão e respeito mútuo que temos um pelo outro. O que começou como sexo se transformou em muito mais. Estou quase chorando por causa do jeito que ele está olhando para mim. Seus olhos estão cheios de tanto amor e esperança que eu quero acreditar que tudo vai ficar bem. Mas há muita coisa que precisamos aprender um sobre o outro nos próximos meses, e a fusão de nossas empresas inevitavelmente nos levará ao limite.


—Nada que valha a pena vem sem sacrifício. Nós passamos muito em tão pouco tempo para estragarmos tudo agora. —O que vamos fazer? Nós teremos que enfrentar todo mundo, eventualmente. Nós não vamos ser capazes de esconder nosso relacionamento para sempre. —Por enquanto, nós manteremos isso em segredo. Uma vez que a fusão for feita e você esteja no comando, vamos com tranquilidade nisso. Eu deslizo minha mão até sua coxa, deixando os pelos grossos da sua perna fazer cócegas na minha palma. —Quanto tempo até que tenhamos que voltar? —Dois dias até que tenhamos que voltar para os Estados Unidos. —Obrigada. —Eu digo e me inclino para frente, descansando minha testa contra a dele. —Obrigada por me trazer aqui e me apresentar a sua família. Ele me puxa para baixo na cama, deitando de costas enquanto eu me enrolo em seu braço. —Eu sabia que eles amariam você. —Eu os adorei. Você é um homem de sorte por tê-los em sua vida, Antonio. —Minha mãe parece gostar muito de você. —Seus dedos traçam círculos na parte de trás dos meus braços enquanto ele fala. —Espero que ela não tenha sido muito dura com você. —Porquê? —Eu dou risada, fazendo o mesmo desenho em seu peito que ele faz no meu braço. —Ela é uma mulher adorável. Ela me faz sentir muita falta da minha mãe. —Conte-me sobre ela, sobre sua mãe. —Ele diz suavemente.


—Eu era muito jovem quando ela morreu. —Eu paro e me dou a oportunidade de deixar a dor familiar da tristeza me percorrer antes de continuar. —Minhas lembranças dela vêm em flashes como uma apresentação de slides em alta velocidade, juntas em blocos. —Eu sinto muito. Aconchegando meu rosto em seu peito, fecho meus olhos e penso no dia em que ela morreu. É a lembrança mais viva que tenho dela. —A última lembrança que tenho dela antes de morrer é a de um dia antes do meu mundo mudar. Ela me levou para o parque no centro, perto do Museu Field. Ficamos deitadas na grama por horas apreciando um dia ensolarado de primavera. Eu me enrolei ao lado dela, assim como estou com você agora. —Dias como esse são sempre as melhores lembranças. Eu não me lembro muito do que tínhamos quando eu era criança, mas lembro das vezes que passei sozinho com meu pai apenas estando juntos. —É verdade. Não consigo me lembrar da minha boneca favorita, que provavelmente estava sentada na minha cama naquela idade, mas eu me lembro do tempo que passei sozinha com meus pais fazendo as coisas simples como apenas estar juntos no parque. Passamos horas debaixo do sol, e ela me contou histórias sobre quando ela era uma menina. Minha mãe era uma contadora de histórias talentosa e conseguia cativar uma audiência inteira com sua habilidade. Ela me contou histórias sobre as constelações e como elas surgiram. E ela me disse que meu pai iria lá em cima logo para tocar os céus e que precisávamos apoiá-lo. Eu me lembro de estar dividida com ele indo tão longe. Antonio me puxa para mais perto e descansa seus lábios contra a minha testa.


—Eu prometi a ela naquele dia que deixaria meu pai ir para alcançar seus sonhos. Ela disse que ele nos faria ficar orgulhosas e que teríamos que sacrificar nosso tempo com ele para o bem da ciência. Eu realmente não entendi tudo o que ela estava dizendo para mim. Eu estava feliz por estar passando um tempo aconchegada nos braços de minha mãe. Depois dessa conversa, minhas lembranças são mais como flashes das horas seguintes, entre o parque e quando ela me coloca na cama. Ela deu um beijou de boa noite e esperou ao meu lado até eu adormecer. Ela estava vestida com o vestido vermelho mais bonito que eu já vi porque ela e meu pai estavam indo para uma festa no Museu da Ciência e Indústria em benefício do crescente programa espacial naquela noite. A última lembrança que eu tenho dela é de seu lindo rosto enquanto ela olhava para mim até que eu não conseguisse manter meus olhos abertos mais. —Sinto muito, Lauren. —Antonio sussurra. —Não é sua culpa. Nunca mais a vi e, mais do que tudo, eu gostaria de ter dito que a amava antes de partir. —Tenho certeza que ela sabia. —Eu espero que ela soubesse. Meu mundo acabou naquela noite. Quando acordei de manhã, corri para o quarto dos meus pais, mas a cama deles estava vazia. Minha avó estava esperando lá embaixo na cozinha, soluçando. Eu sabia que algo horrível havia acontecido, mas eu não entendia a infinidade da morte. —Todos aprendemos com o tempo. Você acabou aprendendo mais cedo do que a maioria. —Sim. —Eu coloco minha mão contra seu peito e fecho meus olhos. —Com a minha mãe ausente, meu pai e eu nos tornamos uma equipe. Ele era o meu mundo e eu tudo o que eu mais queria era deixá-lo orgulhoso.


—Você deixou. Antes de meu pai morrer, ele não deixou palavras não ditas. Não teve um dia que ele não me disse que me amava. Nem uma semana se passou, onde ele não teve certeza de me dizer que era sortudo porque eu era sua filha. Mesmo que ele não pudesse seguir seu sonho, ele nunca me fez sentir culpada por ter escolhido a mim sobre seu trabalho. Perder alguém coloca tudo em perspectiva. O complexo de super-herói que a maioria de nós tem, pensando que somos invencíveis, rapidamente desaparece depois de perder alguém que amamos tanto. Mesmo que eu não os tenha tido em minha vida por muito tempo, eu fui abençoada por ter pais tão maravilhosos e cuidadosos para me trazer ao mundo. —Embora eu não estivesse entusiasmada com a nossa fusão, eu acho que, a longo prazo, isso nos permitirá ir ainda mais longe e fazer coisas que nem sequer começamos a pensar serem possíveis. — Eu digo, sabendo que tenho a benção de meus pais sobre Antonio e a nova empresa. —Eu tenho plena fé que você vai nos levar para o próximo século, indo mais longe do que qualquer humano antes. Quem sabe, talvez por nossa causa, os humanos pisarão em Marte antes de morrermos. —Mercury pode tornar isso uma realidade. —Você pode tornar isso possível. Eu acredito nas palavras dele. Quando adormecemos, eu não quero mais andar cegamente pela minha vida enterrada no meu trabalho e esquecendo de apreciar as maravilhas do mundo ao meu redor. Antonio me faz querer mais do que o escritório da esquina com uma vista incrível. Eu não quero mais ver os outros vivendo suas


vidas. Eu quero fazer coisas que nĂŁo me permiti porque nĂŁo me permiti sonhar mais.


CAPÍTULO TREZE ANTONIO Eu mal posso respirar quando Lauren desce a grande escadaria no hall da casa da minha irmã pouco antes dos convidados chegarem. O vestido preto da Versace que eu tive entregue em mãos esta tarde parece que foi feito para ela. A seda envolve seu corpo, descendo em ondas e espalhando-se aos seus pés. Sua mão desliza pelo corrimão enquanto ela desce devagar mantendo os olhos em mim sem romper o contato. —Você é um bastardo sortudo. —Stefano diz ao meu lado. —Eu sei. —Eu digo a ele quando ela chega ao final das escadas, e eu me afasto dele. Ela coloca a mão em mim e sorri. —Este vestido é lindo. —O vestido só é bonito por causa de como você o usa. Ela pode fazer qualquer coisa parecer espetacular. Mesmo quando ela usa minhas grandes camisas, ela pode parar o trânsito com sua beleza. —Gostaria de uma bebida? —Eu pergunto, levando-a para a sala de jantar, assim que os primeiros convidados chegam. —Por favor. —Ela inclina a cabeça em uma pequena reverência. —O evento é formal, mas eu certamente não sou. Esta noite é para celebrar minha mãe, mas garanto que haverá mais diversão do que seriedade.


Quando entramos na sala de jantar, Enzo e Catarina já estão de pé perto do bar, servindo bebidas. —O que eu posso pegar para vocês dois? —Enzo pergunta. — Dirty martini5 para Lauren, e eu vou beber o mesmo que você. —Uísque? —Está bem para mim. Catarina caminha em direção a Lauren, olhando seu vestido. —Deus, esse vestido é digno de aplausos. —Ela agarra os braços de Lauren e a ajuda a girar. —Gucci? —Versace. —Lauren ri, girando de novo como uma princesa. —Os vestidos dele não são divinos? —Os melhores. O seu também é lindo demais. Catarina toca o corpete de seu vestido de contas de pérolas e suspira. —É lindo, mas respirar é quase impossível. —Onde estão Vi e Flávia? —Stefano pergunta quando se junta a nós. —Ainda se arrumando. —Digo a ele enquanto pego o copo de uísque que Enzo serviu. Minhas irmãs, todas as três, sempre foram exigentes. Nenhuma delas pode se preparar com pressa. Eles passam horas pintando seus rostos com muita maquiagem e ainda mais tempo fazendo o cabelo. Eu nunca poderia ser uma mulher. Elas

5

O Dirty Martini é um martini clássico de gim ou vodka que é feito com suco de azeitonas (também chamado de salmoura de azeitonas)


desperdiçam muito tempo de suas vidas. Lauren é o oposto direto de minhas irmãs. Ela se faz linda sem muito esforço. —Essas duas são impossíveis. —Ele murmura e pega um copo e o conhaque, servindo-se da bebida. —Marcus estará aqui? —Stefano pergunta a Catarina. —Ele está viajando a negócios. Ele não podia fugir disso mesmo que tentasse. Marcus, marido de Catarina, é arquiteto de uma das maiores firmas da Itália. Ele está trabalhando em um projeto em Dubai há quase um ano e, uma vez concluído, o prédio será o mais alto do mundo. Embora Marcus não tenha sido a minha primeira escolha para ser o marido da minha irmã, ele sempre a tratou com gentileza e respeito. Ele poderia ter ficado sentado usando seu fundo fiduciário em vez de trabalhar para fazer um nome para si mesmo em seu ramo de trabalho. —O projeto está quase pronto? —Stefano pergunta. —O que ele faz? —Lauren pergunta baixinho ao meu lado enquanto Catarina responde à pergunta de Stefano. —Ele é um arquiteto. Violetta e Flavia entram na sala de braços dados rindo como colegiais. Sendo as filhas mais novas, o comportamento delas foi sempre justificado como juventude. Eu sinto falta dos dias de rir das coisas mais frívolas. Com a idade vem a complicação, mas Lauren parece estar mudando isso rapidamente. Flavia limpa a garganta e tenta recuperar a compostura. —Vocês duas estão tramando algo que não é bom? —Eu pergunto.


—Angelo acabou de entrar pela porta e quase teve um ataque cardíaco quando viu o vestido de Vi. —Angelo é...? —Lauren pergunta. —Angelo é meu ex-namorado. —Diz Violetta enquanto caminha em direção ao bar, provavelmente precisando beber tanto quanto o resto de nós. —Nossos pais são amigos de longa data. —Vi partiu o coração dele. —Flavia entrega uma taça a Vi antes de pegar uma garrafa de champanhe. —Ele é um idiota pomposo também. Então, não digam o pobre Angelo. Vi nunca trouxe para casa um homem que não fosse um idiota pomposo. Cada um é um pau maior que o anterior. Temo pelo futuro da minha irmã. Ela nunca se estabelecerá se não começar a escolher seus companheiros melhor, mas ela me garante que seu principal objetivo na vida é diversão e não casamento. Por viajar pelo mundo com sua banda, ela está totalmente imersa no estilo de vida punk-rocker. A menina com os laços no cabelo que ficava sentava em frente ao piano se foi e foi substituída por uma mulher forte e líder de uma das maiores bandas de indie punk da Europa. —Não durma com ele esta noite. —Flavia avisa Vi com um olhar gelado. —Não seria legal. Vi admira suas unhas e dá a Flavia um sorriso diabólico. —Quem disse alguma coisa sobre dormir? Stefano coloca seu copo no bar e levanta as mãos em derrota. —Eu não posso ouvir isso. —Pare de ser tão antiquado, Stefano. —Vi desliza na frente dele antes que ele tenha a chance de sair e coloca as mãos em seu


peito. —Se eu fosse um homem falando dessa maneira sobre uma mulher, você estaria perfeitamente bem com isso. Os olhos de Stefano se estreitam enquanto ele olha para a nossa irmãzinha. Eu posso ver a tempestade furiosa dentro dele enquanto ela zomba dele. —Por que você não me elogia pelo meu pensamento moderno? —Ela sorri. —Você ainda tem o sobrenome dos Fortes, Vi. Você representa nossa família e não deveria estar se prostituindo. Vi cambaleia para trás. Ah merda. Não sei se tenho mais medo dela ou de Stefano. Alguém não sairá dessa ileso. O choque de suas palavras não dura muito enquanto ela avança e o cutuca no peito. —Ouça, irmão mais velho. —Ela diz baixinho enquanto a tempestade dentro dela cresce. —Pelo menos eu não mato pessoas. Eu puxo Lauren para o meu lado enquanto dou alguns passos para longe. Eu estive no meio de suas brigas, e normalmente mais do que uma peça de cerâmica próxima a eles acaba voando pelo ar. —Ela acabou de dizer isso? —Lauren sussurra em meu ouvido, observando-os com horror. Os olhos de Stefano se arregalam, mas ele se mantém firme. —Eu nunca matei ninguém, irmãzinha. Tecnicamente, ele não está mentindo. De tudo que Stefano me disse, ele nunca matou alguém com suas próprias mãos. Ao longo dos anos, ele deu ordens para seus subordinados que levaram à morte mais de uma dúzia de pessoas que eu conhecia, mas tenho certeza de que há ainda mais que eu não conhecia.


O rosto de Vi se contrai quando ela se aproxima, ficando cara a cara com Stefano. —Talvez você não, mas seus homens mataram. Foi-se a imagem da família perfeita que Lauren viu no último dia, e agora o lado feio da família Forte apareceu. —Você é quem envergonha esta família. Quase todos os dias há um artigo sobre alguma atividade ilegal com seu nome em algum lugar do texto. Quem é que mais envergonha o nome de papai? —Não acredite em tudo que você lê nos jornais. Eu não violei nenhuma lei. Quando Vi era mais jovem, ela acreditava nas mentiras dele. Ela costumava segui-lo como um cachorrinho perdido, querendo sua atenção. Isso foi até que as crianças na escola começaram a chamá-la de assassina e deixaram recortes de artigos com o nome de Stefano em sua mesa. —Nem eu. E para o registro... —Ela se aproxima mais de seu rosto. —Se compararmos nós dois, tenho certeza que suas merdas ainda ganham das minhas. Você é um prostituto também, Stefano e um criminoso. Mamma pigarreia, parada na porta da sala de jantar, parecendo nada menos que assassina. —Oh, merda. —Lauren sussurra e agarra a minha mão. Oh, merda, de fato. Faz muito tempo desde que minha mãe testemunhou um confronto entre esses dois e fazer isso em seu aniversário na frente dos convidados é inaceitável. Vai ser um inferno de cobranças, mas pela primeira vez, eu não sou o centro das atenções.


LAUREN —Vamos sair na varanda. Que tal? —Antonio diz, indo em direção aos convidados que estão em pé ao lado da sua mãe. —Quem gostaria de uma bebida? Eu o sigo, segurando sua mão enquanto nos dirigimos para as portas. Passando por Vi, dou-lhe uma rápida olhada. Eu me identifico com a dualidade de critérios que ela vive todos os dias. Eu não tenho que lidar com as ideias de meus irmãos sobre como eu deveria me comportar, mas estando em um mundo corporativo que é predominantemente dominado por homens, eu também sou tratada num nível diferente. —Lauren, esta é a senhora Moretti. —Antonio diz, inclinando ligeiramente a cabeça para a mulher mais velha. —Ela é uma das amigas mais antigas da minha mãe. —É maravilhoso conhecer você. —É bom ver o meu querido Antonio encontrou uma mulher bonita para estar ao seu lado. —Ela é mais do que um rosto bonito, Simona. Ela é a chefe de uma empresa muito impressionante na América. Simona franze os lábios enquanto seus olhos percorrem o comprimento do meu corpo, me avaliando. —Uma mulher poderosa. Eu não teria escolhido você para me apaixonar por sua beleza e inteligência, Antonio. Eu não tenho certeza se o comentário dela é uma piada ou um elogio, mas eu deixo isso de lado e decido que ela está sendo legal mesmo que ela não esteja.


—Como está seu marido? —Antonio me puxa para o lado dele, provavelmente sentindo minha agitação. Mas eu não faria nada para envergonhá-lo ou a sua família depois de me mostrarem tanta bondade. Eu acho que Vi e Stefano já fizeram um espetáculo suficiente. Sua mãe merece um pouco de paz e tranquilidade pelo resto da festa de qualquer maneira. —Ele está muito bem. Ele pergunta sempre sobre você. Catarina me afasta de Antonio e entrelaça o braço dela com o meu. Ela não diz nada até estarmos perto da beirada da varanda com vista para o lago e longe de Simona. —Deus, essa mulher é além de chata e miserável. —Obrigada pelo resgate. —Nós cuidamos um do outro. Até mesmo Stefano e Vi. O relacionamento deles sempre foi tenso. —Sempre? —Sempre. —Ela se vira, olhando por cima do ombro em direção à sala de jantar onde encontra Vi, Stefano e sua mãe. —Eu queria te perguntar sobre o seu inglês. Toda a família fala tão bem. Onde você aprendeu? —Meus pais achavam que era importante para cada um de nós aprender inglês. Eles contrataram um professor particular para nos ensinar. Todos os verões, desde a época em que éramos pequenos, só podíamos falar inglês em casa. Quando nos disseram que você estava vindo, ficamos empolgados porque muitos de nós nunca conseguimos usá-lo exceto quando viajávamos. —Quem te ensinou fez um trabalho maravilhoso. Eu gostaria de saber italiano.


—Fique com esta família por tempo suficiente e você, pelo menos, aprenderá os palavrões. —Espero que esta não seja minha última viagem aqui. Sua casa é tão adorável, e você foi muito gentil em nos deixar ficar. Um garçom caminha, e Catarina pega duas taças de champanhe da bandeja, colocando uma na minha frente. Eu nem percebi que tinha acabado com o meu martini e estava carregando uma taça vazia. —Beba. Você vai precisar de todo o álcool possível para passar esta noite. —Isso é ruim? —Eu pergunto, levando o champanhe aos meus lábios. Ela toca minha mão, inclinando minha taça. —Beba mais rápido porque as amigas da minha mãe são um bando de mulheres enfadonhas e pretensiosas que não têm um pau duro há anos. Quase cuspo o champanhe na cara dela quando começo a rir. Catarina é como seu irmão com seu raciocínio rápido e manias. Ela tem seus olhos azuis claros e o mesmo tom de cabelo castanho, mas ela é mais magra e uns bons dez centímetros mais baixa. —Você faz com que pareçam horríveis. —Minha mãe é a mulher mais doce que você já conheceu, mas suas amigas são italianas velhas e malvadas que gostam de se gabar de suas riquezas enquanto esnobam seus narizes para todo mundo. Eu tenho a maior casa ao redor do lago, mas todas elas me tratam como se aqui não fosse meu lugar. Deus, elas parecem ser horríveis. Bebo a taça de espumante, esvaziando-a rapidamente baseado no que ela contou. —Por que sua mãe é amiga dessas mulheres?


Catarina encolhe os ombros. —Elas fazem parte da mesma organização filantrópica. —Bem, pelo menos elas fazem algo de bom com suas vidas. Catarina gargalha e coloca a mão sobre a barriga. —É apenas outra maneira de superarem uma a outra. Não tem nada a ver com ajudar as pessoas, exceto por minha mãe. —Seus olhos se arregalam quando ela olha por cima do meu ombro para os convidados se aglomerando na varanda. —Puttana. (Puta) Eu morei em Chicago e frequentei restaurantes em Little Italy por tempo suficiente para conseguir traduzir essa palavra sem qualquer ajuda. Meu olhar segue o dela, pousando em uma mulher loira deslumbrante usando um vestido vermelho. —Quem é aquela? —Eu pergunto, incapaz de tirar meus olhos dela. —É a Camilla e é uma longa história, mas não é minha para contar. Vou pegar outra bebida para nós. —Ok. —Eu murmuro. Camilla, a puttana no vestido vermelho, dá a Antonio um sorriso astuto enquanto se aproxima dele. —Antonio. —Ela diz, estendendo a mão e continuando a falar em italiano. Antonio olha para baixo, mas ele não a toca mesmo que ela deixe a mão ficar no ar entre eles por um período desconfortável de tempo. Mesmo que eu não possa entender o que eles estão dizendo um ao outro, eu posso ler sua linguagem corporal perfeitamente. Enquanto ela o quer – está claro pela maneira como ela fica tocando o braço dele – ele não faz nada, mas constantemente tenta escapar de seu atrevimento.


—Eu vou lidar com isso. —Diz Catarina, entregando-me duas taças de champanhe antes de caminhar em direção a Antonio. A garota tem estilo e eu gosto da atitude dela. Catarina não tem medo de nada nem de ninguém, especialmente da puttana. —Camilla, que maravilha que você conseguiu vir. —Catarina diz ao beijar Camilla nas bochechas. —Eu não achei que eles te liberariam no fim de semana para um evento tão pequeno. Liberar no fim de semana? O rosto de Camilla perde a cor quando ela se afasta de Catarina. —Seu marido ainda está fora do país a negócios, ou é isso que ele diz para poder se afastar de você? Camilla ri e Catarina também. É tão bizarro, mas eu não consigo parar de assistir à estranha exibição de ódio amigável sendo vomitada de um lado para outro. —Quer sair daqui? —Antonio pergunta, e eu pulo. Eu estava tão entretida com sua irmã e Camilla que não o vi andando na minha direção. —Quem é aquela? —Eu pergunto quando ele pega meu braço e me conduz pelas escadas em direção ao quintal. —Ninguém. Paro de andar e dou a ele um olhar eu não acredito em você enquanto cruzo os braços na frente do peito. Ele passa os dedos pelo cabelo castanho e macio e olha para o chão, chutando a grama com seus sapatos pretos perfeitamente engraxados. —Camilla e eu tivemos um envolvimento muito breve e ardente. Ele não disse nada que eu já não soubesse. Era evidente pelo comportamento deles que eles se conheciam intimamente. Eu me


afasto dele, vagando em direção ao banco que eu sentei com sua mãe perto da beira da água. —Lauren, espere. —Ele corre atrás de mim, agarrando meu braço antes de eu chegar ao banco e me para. —Eu não deveria ter sido tão vago sobre Camilla. Nós namoramos, mas foram apenas algumas vezes quando estávamos na faculdade. —Todos nós namoramos, Antonio. Você parece estar deixando algo de fora. A cautela em sua resposta me deixa desconfortável. —Quando eu disse a ela que não queria mais vê-la, ela não aceitou um não como resposta. —Então ela te perseguiu? —Não exatamente. —Ele olha para o céu e suspira. — Camilla tentou cometer suicídio quando terminei com ela. Sem que eu soubesse, Stefano decidiu se passar por mim e a visitou no hospital. Ele a influenciou e a usou. Era tudo doentio e distorcido, mas é Stefano. —Uau. Ele dá trabalho. —Éramos jovens e tolos, mas nunca superei a vergonha de Camilla tentar tirar a própria vida depois que terminamos, e depois o que Stefano fez. Quando ela descobriu, ela pirou, e sua família a internou em uma instituição psiquiátrica por alguns anos. Estou horrorizada e um pouco chocada com a admissão. Não sei por quem eu me sinto pior, Antonio ou Camilla. —Depois que ela tentou se matar, eu não me permiti me aproximar de ninguém. Eu não queria ser colocado nessa situação novamente.


Eu estendo a mão e acaricio seu rosto, embalando sua bochecha na palma da minha mão. —O que ela fez não é culpa sua e nem o comportamento de Stefano. Você a enganou? —Não. —Ele sorri sombriamente. —Mas não fiz nada quando descobri o que Stefano havia feito. Eu deveria ter parado seus jogos, mas eu não queria me envolver com ela novamente. Eu deixei minha mãe lidar com isso, e não foi bonito. —Todos cometemos erros, Antonio. Desde que você tenha aprendido algo com a experiência. —Não sei se aprendi alguma coisa útil além de não confiar em meu irmão. O pior é que Camilla acabou grávida do filho de Stefano. Eu cubro minha boca com a mão e suspiro. —O que aconteceu? —Quando ela descobriu que não era eu, ela ficou histérica. Ela perdeu o bebê e depois acabou no hospital psiquiátrico por mais tempo do que provavelmente deveria estar. —Novamente, não foi sua culpa. Ela sabia sobre Stefano, não sabia? —Ele concorda, mas eu não alivio seu sofrimento. —Eu só estive perto dele por um tempo curto, mas eu nunca confundiria vocês dois. Talvez ela soubesse o tempo todo. Às vezes, viver com um substituto, especialmente um que é um idêntico, como Stefano, é mais fácil do que ficar sozinho e perder a pessoa que amamos. Talvez ela não se permitisse acreditar no que ela sabia que era verdade até ter que enfrentar a situação. Ele envolve seus braços em minha cintura, me puxando contra ele. —Você é madura para sua idade, Lauren. —É fácil quando não estou no seu lugar. Não sei o que teria feito nas mesmas circunstâncias, mas é hora de deixar o passado para


trás, junto com os arrependimentos que o seguem como uma nuvem negra. —Senhoras e senhores, se vocês pudessem se juntar a nós na sala de jantar. —Uma voz, que soa como Stefano, diz na varanda acima de nós. Eu suspiro e descanso minha cabeça contra seu ombro, desejando que pudéssemos ficar ao longo da margem com a brisa da primavera do Lago Como refrescando a nossa pele. —Vamos cantar feliz aniversário e nos afastarmos depois. Eu quero te mostrar algo. —Ele agarra minha mão, dando passos maiores do que eu posso conseguir com meus saltos altos na grama. Quando eu me movo devagar demais, ele me levanta em seus braços e sobe as escadas de dois em dois. Assim que seus pés tocam a varanda, ele me coloca no chão, mas pressiona meu corpo contra o dele até ficarmos cara a cara. — Quero mostrar-lhe uma coisa que nunca compartilhei com ninguém, nem mesmo com Stefano. Agora o homem provocou minha curiosidade. É a minha vez de pegar a mão dele e puxá-lo para a sala de jantar. Já tive agitação suficiente por hoje, e vou fazer qualquer coisa e ir a qualquer lugar para mantê-lo longe de Camilla.


CAPÍTULO QUATORZE ANTONIO Segurando a mão de Lauren, eu a guio pelo caminho curto e desgastado ao redor do lago. —Estamos quase lá. Mesmo que esta seja agora a casa da minha irmã, eu cresci na mesma rua em uma propriedade igualmente grande, à margem do Lago Como. A casa tinha dez quartos, doze banheiros e poderia facilmente abrigar uma pequena aldeia. Eu pensava que vivia em um castelo dos contos de fadas que minha mãe costumava nos dizer na hora de dormir. Quando cresci, a casa não parecia tão grande, especialmente com cinco outras crianças e funcionários vagando pelos corredores. —Onde estamos indo? —Para o meu lugar favorito quando criança. Empurrando os galhos de árvores enormes para fora do caminho, eu sigo em frente e limpo o caminho para Lauren. A lua está cheia, brilhando no lago, e nos dá luz suficiente para tornar a caminhada possível. Quando chegamos à clareira e ao local onde passei horas sonhando quando criança, viro-me para Lauren e pego o cobertor de suas mãos. Ela me observa enquanto eu abro o cobertor por cima das pedras planas que alinham a margem. —É lindo aqui. —Ela diz enquanto seu olhar percorre o lago, observando as luzes das casas à distância.


Eu a ajudo para o cobertor para que ela não perca o equilíbrio nas pedras e caia na água fria do lago, arruinando a noite. —É ainda mais bonito à luz do dia. —Tenho certeza. —Ela pisa no cobertor e pega minha mão antes de nos sentarmos um ao lado do outro. —Por que você não trouxe mais ninguém aqui? —Em uma casa cheia de tantas pessoas, e com Stefano constantemente à minha volta, usei isso como minha fuga para um pouco de paz e tranquilidade. É o único lugar em que posso pensar sem ser interrompido. —Eu imagino que isso tenha sido um problema. Toda a minha infância foi cheia de solidão, mas posso supor que às vezes as coisas ficavam irritantes. Estou entristecido pelas palavras dela. —Eu não queria soar tão... —Não. —Ela diz rapidamente, apertando minha mão suavemente. —Eu gostaria de ter o que você teve, mas eu posso entender como você deve ter se sentido. Sua família pode ser um pouco esmagadora. —E barulhenta. —Eu dou risada. Deus, eles eram barulhentos. Nós nos aquietamos ao longo dos anos, mas quando adolescentes, era mais como um show de rock na casa com todos os gritos. Eu deito e puxo Lauren para baixo para olhar o céu sem nuvens. —Este sempre foi o meu lugar e só o meu lugar, mas eu queria compartilhar com você. Ela aproxima-se mais e descansa a cabeça na dobra do meu braço, olhando para cima. —Eu gosto de saber algo sobre você que ninguém mais sabe. Isto me faz sentir especial.


Eu rolo para o meu lado, olhando para seu rosto lindo iluminado pela luz do luar enquanto ela está deitada sobre meu braço. —Mas você é especial, Lauren. Eu compartilhei coisas sobre mim que nunca mostrei para ninguém antes. Eu disse palavras para você que nunca disse para qualquer outra pessoa da minha família. Quero que você saiba o quanto você é especial para mim. Ela levanta a mão, apoiando-a contra a minha bochecha. — Eu sei que você se sente diferente sobre mim. Eu sei que te amo como você me ama. Você é falho, mas eu aceito você por quem você é e quem nós poderíamos ser. —Eu não sou falho. Ela passa os dedos pela minha pele enquanto olha para mim sorrindo. —Somos todos falhos, Antonio. É o que nos faz humanos. Lauren é uma das criaturas mais magníficas que já conheci. Sua vida não tem sido fácil, deixada por sua mãe e seu pai cedo na vida, com ninguém mais para se apoiar, a não ser ela mesma. Eu não sei se eu poderia ser tão otimista em seu lugar. Inferno, estou cansado e tive uma vida fácil comparada a dela. Incapaz de resistir à atração dela na quietude, me inclino para frente e pressiono meus lábios nos dela. Minhas mãos deslizam sob seu corpo enquanto eu a embalo em meus braços e aprofundo o beijo, precisando dela mais do que de qualquer outra coisa no mundo. Quando minha mão desliza por sua perna, ela agarra meu rosto e se afasta lentamente. —Não aqui fora. —Ela diz suavemente. —Mas eu preciso de você. —Eu admito, avançando meus dedos mais alto em sua coxa quente e macia. —E a festa?


—A única festa que me interessa está aqui. Eles nem saberão que nós fomos embora. —Eu digo contra seus lábios antes de devorar sua resposta com um beijo mais exigente, porque nada vai me impedir ou me fazer deixar essa pedra até que eu esteja dentro dela. Seus dedos se enroscam no meu cabelo enquanto ela me abraça e me beija de volta mais e mais forte. Meus dedos deslizam para cima, sob seu vestido, encontrando a cinta liga por baixo e quase perco o controle. A imagem vívida em minha mente dela em pé sob a luz em nada além de sua cinta liga e lingerie sexy combinando torna impossível parar e recuar, mesmo que eu quisesse, mas eu não quero. Passando sobre a liga, meus dedos encontram a borda da calcinha de renda e mergulham por baixo. Ela está molhada, pronta para mim. Eu não quero apressar um único momento. Eu engulo seus gemidos de prazer enquanto as pontas dos meus dedos deslizam sobre seu clitóris, lentamente acariciando o mesmo ponto que faz suas pernas caírem para os lados quando ela se abre para mim.

LAUREN Os dedos de Antonio afundam na minha boceta e minhas costas arqueiam, empurrando contra a rocha, mas o prazer que suas mãos proporcionam superam o incômodo doloroso da dureza debaixo de mim. —Antonio. —Eu gemo contra sua boca. Quando seu polegar encontra meu clitóris, desenhando círculos tortuosos e lentos ao redor da parte mais sensível do meu


corpo, eu ofego por ar e estremeço contra seu corpo. Minha mão envolve seu bíceps para mantê-lo no lugar e como um apelo silencioso para ele continuar. Seus dedos entram e saem repetidas vezes, me levando precariamente para perto do limite e pronta para explodir com tanto prazer que estou preocupada de não conseguir ser silenciosa. Como se estivesse em uma missão, ele continua em frente, movimentando mais seus dedos através da minha umidade e profundamente em meu núcleo. Incapaz de esperar mais um minuto, eu levanto meus quadris em oferta. Eu quero tudo o que ele tem para oferecer e muito mais. A língua de Antonio invade minha boca, capturando meus gemidos quando seu polegar se fecha no meu clitóris. Meu traseiro se desloca contra a rocha, empurrando meu clitóris com mais força contra seus dedos enquanto meu corpo inteiro se aperta. Cores explodem atrás das minhas pálpebras tão vividamente que é como fogos de artifício no quatro de julho. Eu suspiro por ar, me afogando no orgasmo que está me devastando. Meus gemidos são engolidos pelos seus lábios para manter nosso esconderijo secreto. Meus músculos doem da deliciosa felicidade que começa entre as minhas pernas e emana de cada extremidade e fibra do meu ser. Seus lábios se afastam dos meus primeiro, seguidos por seus dedos saindo lentamente do meu corpo. Quando eu abro meus olhos, Antonio está olhando para mim com nada além de luxúria em seus olhos. Ele leva o dedo à boca, lentamente lambendo minha umidade, saboreando-a como se fosse a melhor coisa que ele já provou. —Não há nada mais doce do que isso. —Ele diz, fechando os olhos enquanto desliza os dedos para trás em sua língua e fecha os lábios ao redor da base. Eu me levanto e coloco minha mão em seu peito, empurrandoo de volta contra as pedras. Eu desafivelo o cinto dele e faço o


trabalho rápido no botão e zíper. Ele levanta a bunda do chão, tornando mais fácil deslizar sua calça pelas pernas e expor seu pau duro glorioso para o ar fresco da noite. Envolvendo a palma quente e os dedos ao redor dele, acaricio seu eixo endurecido lentamente da base até a ponta, e ele ergue seus quadris em resposta. O luar dança sobre sua pele, causando sombras em seu peito que combinam com o meu movimento. Inclinando-me para a frente, pressiono a ponta da língua na cabeça do pau inchado e lambo. Ele geme e fecha os olhos, sabendo que eu não vou ser apressada. Eu já me deliciei em seu pau antes, e ao contrário de algumas mulheres, eu gosto de fazer oral, especialmente para Antonio. Eu fecho meus lábios ao redor da ponta, passando a língua pela coroa antes de deixar a parte de baixo do seu pau escorregar. Minhas mãos se movem em uníssono, trabalhando em seu eixo enquanto eu me concentro em bater em cada ponto sensível ao redor da ponta. Ele emaranha as mãos no meu cabelo, empurrando meu rosto para baixo e me obrigando a levá-lo mais fundo. Seu corpo estremece quando seu pau atinge a parte de trás da minha garganta, e eu resisto ao reflexo de entrar em pânico enquanto ele bloqueia minha via aérea. Usando minha mão livre, eu empurro seus quadris para baixo e aperto em torno de seu pau para controlar a profundidade. Não é minha primeira vez e os homens sempre gostam de empurrar os limites, mas eu aprendi maneiras de impedilos de se tornarem um pouco demais. Chupando forte e apertando com mais força, aumento a velocidade, continuamente passando a ponta da minha língua contra a parte inferior da cabeça do seu pau. Seus dedos afundam mais no meu cabelo enquanto ele geme e estremece contra a rocha.


—Isso é. Incrivelmente. Bom. — Ele murmura com os olhos ainda fechados. Eu olho para seu corpo, observando o modo como seus lábios se separam enquanto ele tenta respirar e o instável subir e descer de seu peito quando ele se aproxima do orgasmo. Poderosa... é assim que me faz sentir controlar seu prazer e vê-lo chegar ao limite com o meu toque. Estimulada por seu desejo e a necessidade de seu orgasmo, eu chupo mais forte, mais rápido do que antes. Seus quadris balançam violentamente, empurrando seu pau em minha boca até meus dedos o impedirem de avançar mais. Sua parte superior do corpo se tensiona e eu me preparo quando o orgasmo cai sobre ele. Eu o engulo facilmente porque, com toda a honestidade, nós transamos tantas vezes hoje que estou surpresa que ele tenha alguma coisa sobrando. Cada vez que eu recuo e meus lábios roçam a cabeça de seu pau, seu corpo estremece enquanto ele jorra. Uma vez que seus braços caem e seu corpo fica relaxado, eu solto meu aperto e tiro minha boca de seu pau. Ele abre os olhos e dá uma pequena risada. —O que é tão engraçado? —Eu costumava sonhar com algo assim, mas nunca imaginei que se tornaria realidade. Eu limpo os cantos dos meus lábios e chupo a ponta dos meus dedos antes de responder. —É muito difícil conseguir um boquete, especialmente se você vem aqui sozinho. —Venha aqui. —Ele diz, apontando para eu me juntar a ele antes de enfiar o pau de volta em suas calças e fechar.


Eu me deito contra ele, descansando minha cabeça perto do seu ombro, e olho para o céu estrelado da noite. —Eu gostaria que a vida fosse sempre tão fácil quanto isso. —Bebê. —Sua mão acaricia minhas costas, me puxando para mais perto. —Eu sempre serei fácil. Eu bato nele de brincadeira antes de deixar minha mão descansando contra seu peito. Eu suspiro, contente e feliz, enquanto observamos os minúsculos pontos brilhantes se moverem muito lentamente pela escuridão. Eu quero essa vida. Uma pequena parte de mim sempre invejou as pessoas que não tem um trabalho tão estressante. Mesmo depois de sair do escritório, o trabalho me segue para casa. Dirigir uma grande corporação não é trabalho habitual das nove às cinco, e sim uma tarefa constante que é interrompida algumas horas por dia durante o sono. Eu quase quero fugir com Antonio e viver em sua ilha particular, fugindo do mundo e das empresas que ajudamos a construir. O motor Mercury foi meu presente, o grande feito da minha vida, e não sei se algum dia conseguiremos superá-lo. Em vez de me debruçar sobre o que está esperando por nós em Chicago, olho para as estrelas e observo a beleza do momento.


CAPÍTULO QUINZE ANTONIO —Você perdeu uma festa incrível. —Diz Enzo quando se senta à mesa em frente a mim. Lauren e eu voltamos para a casa logo após o último convidado sair, evitando mais desentendimentos com Camilla ou qualquer uma das amigas sufocantes da minha mãe. Ficamos deitados sob as estrelas por horas, observando a lua cruzar o céu, conversando, e quase adormecemos. Eu desvio o olhar do meu telefone e o vejo servir-se de uma xícara de café antes que ele encha a minha. —Tenho certeza que vou me arrepender por muitos anos da decisão de fugir. —Por que Camilla teve que vir? Eu me concentro nos e-mails que ignorei por dias e passo as páginas que parecem infinitas. —Ela sempre gostou da atenção. —É tão embaraçoso. —Bom dia. —Diz Flavia, quase saltando para a cozinha em um shorts jeans e camiseta regata, o que parece ter se tornado seu traje preferido. —Como estão meus dois irmãos favoritos esta manhã? —Bem. —Murmuro, desligando a tela do meu telefone porque não há nada que não possa esperar, desde que eu esteja cercado pela minha família. —O que está te fazendo tão feliz hoje? —Enzo olha para ela por cima da xícara de café, observando-a com desconfiança.


—Estou indo para Amsterdã. Eu rosno. Conheço os prazeres e excessos que a cidade mais notória da Holanda tem a oferecer muito intimamente. É como a Vegas da Europa, muitas vezes um paraíso para turistas e criminosos por causa de suas leis permissivas quando se trata de drogas e prostituição. —Você não acha que deveria ir a algum lugar que ofereça mais... —Enzo esfrega a testa, provavelmente experimentando a mesma dor aborrecida dentro de sua cabeça que só nossa irmã pode causar. —Cultura. —Eu termino sua frase para ele. Flavia coloca as mãos na mesa e nos encara. —Eu sei que cada um de vocês esteve lá. Por que eu não posso ir? —Somos homens. —Enzo estufa o peito de forma presunçosa. —Nós podemos nos proteger. Oh Deus. Eu me encolho e fecho um olho, me preparando para o que quer que possa voar pelo ar em direção à cabeça de Enzo. Ele não disse isso à Flavia. A garota, na verdade uma mulher de vinte e três anos, provavelmente pode nos dar uma surra com uma mão amarrada para trás. Minha mãe insistiu que ela fizesse aulas de autodefesa antes de completar dezoito anos. Enzo e eu sabemos como dar um soco e até mesmo movimentos extravagantes para desviar do caminho de um punho em nossa direção, mas nenhum de nós tem um treinamento formal como Flavia. Enzo nunca acreditou que ela realmente pudesse derrubar um homem adulto mais alto e pesado do que ela. Mas eu vi com meus próprios olhos e não estou prestes a fazer o teste.


Em vez de ter um ataque e dar uma surra em Enzo, Flavia revira os olhos como se fosse uma piada. —É incrível que você tenha encontrado uma mulher que se casou com você. Enzo se endireita e corre os dedos por baixo do queixo na direção dela. —Não me interpretem mal. Eu sei que Marquita pode chutar a minha bunda, mas estamos falando de você. Você é só pele e ossos, garotinha. Você vai se meter em problemas em Amsterdã. —Eu vou encontrar um grupo de amigos lá esta tarde. Eu estarei segura, não se preocupe. Eu não pergunto sobre seus amigos. Sabendo como Flavia é, ela mentiria sobre eles de qualquer maneira. Eu só rezo para que haja alguém maior do que ela que a proteja, porque eu tenho a sensação de que ela vai cair na farra mais do que ela espera. —Apenas esteja segura, Flav. Amsterdã pode ser um lugar perigoso. —Sim, Antonio. —Eu recebo o mesmo revirar de olhos que Enzo recebeu, menos o barulho, mas eu disse o que eu precisava, e o resto é com ela. Eu termino o último gole de café, desejando que eu pudesse fazer essa viagem com Lauren durar mais tempo. —Eu voltarei em algumas semanas. Espero ver Marquita da próxima vez. —Digo a Enzo, porque ela teve que ficar em casa com o filho mais novo deles que está resfriado. —E você. —Eu volto minha atenção para Flavia. —Seja uma boa menina, porque a última coisa que eu preciso é ser preso. —Vamos deixar isso para Stefano. —Ela pisca para mim antes de rir.


Eu beijo os dois me despedindo e vou em direção ao quarto para pegar Lauren para que possamos dizer adeus para minha mãe. Quando chego, ela está sentada na cama com minha mãe ao seu lado, conversando baixinho. Elas estão sorrindo uma para a outra e riem algumas vezes enquanto falam. Lauren parece tão relaxada e feliz que é difícil interromper seu momento para levá-la de volta à insanidade que é a nossa vida. Eu bato suavemente, esperando por sua atenção antes de interromper. —Temos que sair em breve. Minha mãe se levanta e toca Lauren no ombro antes de se inclinar para frente e beijar suas bochechas. —Estou ansiosa para vêla novamente, minha querida menina. —Eu também, senhora Forte. —Lauren sorri para ela, os olhos brilhando na luz do sol da manhã. —Mamma, por favor. Eu congelo, espantado com as palavras de minha mãe porque, embora ela seja amistosa, ela não disse a Marquita ou Marcus para usar essa palavra tão rapidamente. —Mamma. —Lauren diz, e isso rola de sua língua enquanto ela abraça minha mãe em um abraço rápido com dificuldade de deixála ir. Eu entendo. É sempre difícil para mim dizer adeus, mas minha mãe nunca usou a culpa para nos manter perto. Ela sabe que posso estar aqui sempre que precisar de mim, não importa onde eu esteja no mundo. Eu largo tudo por ela. Minha mãe anda pelo quarto em seus chinelos, ainda usando sua camisola rosa claro que tem sido sua favorita por anos. —Seja bom para ela. —Ela diz enquanto agarra meu rosto. —Não estrague


tudo. —Ela me dá um olhar severo, que me faz lembrar da minha infância. —Ti amo, mamma. —Eu beijo suas bochechas e envolvo meus braços ao redor dela, absorvendo o doce aroma de bolo e biscoitos que parecem segui-la ao redor. —Nós estaremos de volta em breve. Ela me olha bem nos olhos antes de me dar um aceno rápido e nos deixar a sós. Quando meu olhar pousa em Lauren, ela está enxugando lágrimas de seus olhos, e espero não ter cometido um erro terrível.

LAUREN As lágrimas começam a fluir antes de sair do quarto. Antonio a abraça, sussurrando que a ama, e meu coração dói por meus próprios pais. Pela primeira vez em décadas, eu me senti como parte de uma família, e isso me fez ansiar por algo que eu perdi, não importa o quanto eu tente bloquear a tristeza da minha mente. Quando sua mãe me pediu para chamá-la de mamãe, quase me descontrolei. De alguma forma, consegui manter a compostura até ela sair pela porta. Antonio corre para o meu lado, me abraçando. —Não chore, mi amore. Eu enterro meu rosto em seu peito, arruinando sua camisa branca perfeita com meu rímel. —Se você partir meu coração, eu vou te dar uma surra, Antonio. —Meus dedos se enroscam no tecido perto de seus ombros enquanto respiro fundo e tento recuperar a compostura.


Ele está rindo do meu comentário, mas eu estou falando sério. Eu me apaixonei por sua família mais rápido do que eu me apaixonei por ele. Perdê-lo seria horrível, mas perder sua família seria... eu não posso nem pensar nisso. Eu já me permiti curtir a fantasia de Natal e Ano Novo cercada pelos Fortes, com suas vozes altas e agitação. Esses feriados sempre foram os mais difíceis para mim desde que meu pai faleceu, mas este ano eu quero que seja diferente. Chame-me de tola por pensar tão longe, mas quero a família. Eu quero os Fortes. Ele beija o topo da minha cabeça, e segue gentilmente dando beijos em meu cabelo enquanto sua mão desliza para cima e para baixo nas minhas costas em um ritmo lento e constante. —Você deve me amar muito. Eu olho para ele com a maquiagem escorrendo pelo meu rosto manchado. —Eu amo, mas também amo sua família. Se você me deixar, será um estrago que poderia fazer Camilla parecer normal. Naturalmente, estou brincando, zombando da ex-namorada maluca. Não tenho moral para falar. Pelo menos ela nunca o sequestrou, sonhando com um suicídio duplo depois de se casar. Isso foi comigo. Ele sorri, segurando minhas bochechas em suas mãos. Você me faz um homem feliz.

Enrugo meu nariz porque não era o comentário que eu esperava na menção de Camilla. —Porque você me deixou emotiva e louca? —Você ama minha mãe e minha família e não há mais nada que eu possa pedir. Eles te amam da mesma forma.


Eu me sento com as mãos dele ainda no meu rosto enquanto ele olha nos meus olhos. —Bem, sua mãe e Catarina, mas os outros... não tenho tanta certeza. —Eu os conheço toda a minha vida. Quando eles não gostam de alguém, eles deixam isso claro. —Eu tenho certeza. —Murmuro contra seus dedos, sentindo como meu rosto se assemelha a um peixe barrigudinho6 pela forma que ele está segurando minhas bochechas. Ele finalmente solta as minhas bochechas manchadas de rímel. —Agora, pare de se preocupar. Vamos voltar para Chicago e concluir a fusão para não ficarmos presos à cidade por muito tempo. Eu o beijo suavemente antes de entrar no banheiro para refazer minha maquiagem. Mas quando eu olho no espelho e me olho nos olhos, lembro-me de algo que eu disse a mim mesma há não muito tempo. Eu disse que Chicago sempre seria minha casa. Com Antonio ao meu lado, não sei se isso é uma possibilidade. Seu amor pela minha cidade natal é quase inexistente, especialmente nos invernos frios e escuros. É uma complicação na qual não tenho pensado muito desde que comecei a viajar pelo mundo e me apaixonei por ele. Ele me ajuda a esquecer da cidade que eu amei a vida toda. Mas eu poderia comprometer-me com ele e me afastar para sempre do lugar onde há tantas lembranças? Por enquanto, a resposta é sim.

6

O Barrigudinho, também chamado de Guppy ou lebiste é um peixe ornamental de comportamento pacífico, originário da América Central e América do Sul, com vida de aproximadamente 2 anos, usado em exposições aquarísticas.


CAPÍTULO DEZESSEIS LAUREN

Due diligence7, planejamento de integração, executivo... todos esses termos têm sido citados por semanas desde que Antonio e eu voltamos da Itália. Em algum momento, meus olhos começaram a ficar embaçados após a menção das palavras pela enésima vez em uma tarde. Eu digito um novo e-mail da empresa enquanto ouço Josh e três outros altos executivos da Interstellar falarem sobre o status de aprovação da SEC8 e sobre como não podemos avançar até que eles deem o seu aval. Em minha mensagem, asseguro aos funcionários que a fusão está progredindo conforme o planejado e logo eles trabalharão para a maior empresa aeroespacial do mundo, ajudando-nos a impulsionar a humanidade para o espaço jamais percorrido antes. Meu e-mail começa a soar como algo direto de Star Trek com sua conversa futurista e técnica que poderia rivalizar com o vocabulário de qualquer Trekkie9 no Comic-Con10 anual. Se nada mais, isso me mantém ocupada enquanto divulgam os detalhes para uma reunião amanhã com a equipe da Cozza.

7

Diligência prévia refere-se ao processo de investigação de uma oportunidade de negócio que o investidor deverá aceitar para poder avaliar os riscos da transação. Embora tal investigação possa ser feita por obrigação legal, o termo refere-se normalmente a investigações voluntárias 8 Securities and Exchange Commission (SEC) A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA é uma agência do governo federal independente responsável por proteger os investidores, manter o funcionamento justo e ordenado dos mercados de valores mobiliários e facilitar a formação de capital 9 Trekkie é o nome dado aos fãs da série Star Trek 10 Uma convenção internacional na cidade californiana de San Diego onde são realizadas exibições de filmes, venda de artigos de merchandising, exposições de coleções exclusivas das tiras em quadrinhos, venda de filmes, reproduções de estúdios cinematográficos ou histórias de aventuras, etc.


Eu resisto a encerrar o email com uma frase de Toy Story, um filme que eu já memorizei graças a Amalia, sobrinha de Antonio, que o assistiu repetidamente durante nossa última viagem ao Lago Como. Amalia insistiu em que eu me sentasse com ela para assistir ao desenho bobo enquanto ela representava as cenas na frente da televisão de tela grande comigo como expectadora. Eu odeio admitir isso, mas eu adorei cada minuto do filme e a reencenação de Amalia. —Com licença, senhores. —Antonio diz antes de bater na porta que eu deixei aberta, rezando para alguém nos interromper. — Vou roubar sua chefe de vocês um pouco. Eu me abaixo no computador e cubro a boca murmurando: —Obrigada. —Nenhum problema, senhor. —Josh se levanta da cadeira, fechando o caderno de couro preto. —Nós terminamos, de qualquer maneira. Eles saem do escritório e inclinam a cabeça para Antonio. De alguma forma, eles parecem ter mais medo dele do que de mim, embora eu seja a chefe deles e continuarei a ser assim que nos fundirmos. —Pronta para o jantar? —Antonio pergunta, entrando no meu escritório no mais belo terno cinza com riscas brancas. Eu lambo meus lábios, querendo um gosto dele mais do que qualquer refeição. Desligo o computador depois de clicar em enviar no e-mail que digitei para passar o tempo e manter o moral da empresa. —Onde iremos hoje à noite? Ele sorri enquanto senta-se na beira da minha mesa e olha para a minha blusa. —É uma surpresa. Eu olho para baixo, percebendo que eu não fechei todos os botões da minha blusa depois da nossa "reunião de almoço" hoje


cedo. Minhas bochechas esquentam com o pensamento de que metade dos homens com quem eu estive em contato hoje provavelmente agora sabem qual é a cor do meu sutiã. —Merda. —Eu me atrapalho com o botão, tentando fechá-lo quando Antonio cobre minha mão com a dele. —Não. —Ele diz, inclinando-se para a frente e dando outra olhada. —Não há necessidade de abotoar agora. Não para onde estamos indo. Eu me levanto e fico entre as pernas dele. —Por que, Sr. Forte, você vai me levar para uma noite de diversão? —Eu pisco flertando com um sorriso lascivo. —Você pode lidar com agitação? —Ele afasta o cabelo que se soltou do meu coque para longe dos meus olhos. —Você parece cansada. —Lisonjeiro. É uma maneira de dizer que pareço horrível. Ele balança a cabeça e roça minha bochecha com a ponta do polegar. —Não, mas acho que precisamos nos afastar durante o fim de semana e nos desconectar. Essa é sempre sua resposta para tudo. Ele escapa da cidade a cada oportunidade, levando-me para os confins do planeta em uma missão para me mostrar todos os lugares que eu tinha me privado de visitar por causa do trabalho. Eu fecho meus olhos e me movo em seu toque, evitando por pouco um bocejo. —Eu gostaria de ficar mais perto de casa neste fim de semana. —O acha sobre a ilha? É um voo rápido.


A atração das ondas, da areia e do sol, além de saber que Antonio estará usando pouca roupa, torna a decisão incrivelmente fácil. —Isso soa perfeito. —Vamos sair depois do jantar e chegar à ilha antes da meianoite. —Mas é quinta-feira. Ele suspira e balança a cabeça. —Um dia, vou fazer você tirar um dia de folga sem planejá-lo com semanas de antecedência. —Quando a fusão das empresas estiver completada e não houver nenhuma chance de um problema balançar o barco, eu vou fugir com você a qualquer momento. —Eu vou acreditar quando eu vir. Ele sabe que não posso tirar um dia de folga. Toda vez que damos uma escapada eu prometo que teremos mais dias assim sem tanto tempo no meio, mas eu sempre desisto quando ele me pede para fugir. Logo a fusão estará completa, e eu poderei respirar um pouco mais fácil sabendo que está tudo pronto para a nova empresa funcionar de forma eficiente. Esse dia virá. Mas por enquanto, nós temos a ilha.

ANTONIO Eu surpreendi Lauren com Tara esperando em seu restaurante mexicano favorito na mesma rua de sua cobertura. Lauren diz que minha família é barulhenta, mas Tara pode competir com eles.


—Eu chutei sua bunda para fora do meu carro. —Tara diz em voz alta e coloca sua margarita na mesa em frente a ela. O líquido verde derrama da taça e cai na mesa, formando uma poça. —Eu literalmente chutei sua bunda. —Ela levanta a perna, impulsionandoa para a frente e quase derruba o garçom que está por perto, com o salto alto da bota preta. Lauren ofega e cobre a boca. —Você não fez isso? —Eu não tenho tempo para joguinhos. —Tara puxa a taça de borda salgada na frente dela, fazendo com que mais bebida se derrame. Nesse ritmo, metade dele acabará na mesa em vez de na boca dela. —Certo, irmã. —Lauren levanta a taça sem derramar uma gota, segurando sua bebida melhor que Tara, o que me surpreende. Nas últimas semanas, passei bastante tempo em torno de Tara para me apaixonar por ela tanto quanto Lauren é. Não de uma maneira sexual, claro. Em vez disso, ela me lembra Flavia e Violetta juntas em um único corpo. Deus ajude qualquer homem capaz de prender-se a ela como companheira. Ele terá muito trabalho para sempre. —Espero que minha bota tenha deixado uma marca na sua bunda. —Tara para de falar por tempo suficiente para tomar um gole, e aproveito a oportunidade para fazer algo que eu não costumo fazer, ser gentil e altruísta. —Tara, você gostaria de vir para a ilha conosco no fim de semana? Em um movimento quase robótico, Lauren se vira para mim com os olhos arregalados, a boca abrindo e fechando como um peixe fora d'água. O rosto de Tara está correspondente ao de Lauren, porque tenho certeza de que tiveram mais de uma conversa de garotas


falando sobre minhas tendências idiotas e o modo como monopolizei o tempo de Lauren. A taça de Tara é colocada com um pouco mais de força na mesa desta vez, mais líquido derramando sobre o lado. —Você faria isso? —Ela bate as mãos ao lado de seu copo e vira a cabeça para o lado, colocando a orelha mais perto para me ouvir melhor. —Você está me sacaneando, Forte? —Querido, você está doente? —Lauren coloca a palma da mão na minha testa enquanto franze as sobrancelhas e se aproxima. Eu puxo a mão dela e dou risada. —Eu imaginei que poderíamos nos divertir ao sol, e vocês duas merecem um pouco de tempo juntas também. Me desculpe por tê-la afastado de você tantas vezes. Eu sei o quanto vocês são importantes uma para a outra. —Bem, porra. —Tara pega o telefone da mesa, que de alguma forma escapou da cachoeira de tequila caindo ao redor, e apunhala a tela algumas vezes. —Tara tem que trabalhar neste fim de semana. Você sabe que esses são seus dias ocupados. Tara olha para cima, dando a Lauren um olhar feio. —Cale essa sua boca prostituta. Eu não vou deixar de ir a uma viagem para as Bahamas. Meu trabalho pode ir à merda como aquele idiota que eu expulsei do meu coração. Forte, eu aceito seu convite, mas eu preciso de um cara gostoso para mim. —Desculpe, Tara. Seremos apenas nós três na ilha. Ela para um pouquinho por um segundo, mas rapidamente se recupera. —Bebidas e comidas ilimitadas? —Isso eu posso fazer.


Ela quase se arremessa na pequena mesa de bar em minha direção. —Você é o melhor namorado que Lauren já teve. —Não é difícil superar o último. —Digo com uma risada. —Vou arrumar minhas malas e te encontrar no escritório às cinco? —Eu vou mandar um carro para te levar até o aeroporto. Ela bate no queixo e tenta manter a calma, mas posso ver que está prestes a explodir. —Quantas bagagens tenho direito de levar? —É um avião particular, boba. Não há limite. Eu posso imaginar isso agora. Tara vai fazer as malas como se estivesse indo para uma turnê mundial e não retornasse por pelo menos seis meses. Lauren deve estar pensando a mesma coisa, porque ela diz: — Apenas lembre-se, é uma ilha. Nós não vamos sair. Eu mal uso nada quando estou lá. —E você, garotão? Eu olho para Lauren, deixando-a responder a essa. A última viagem que fizemos, eu mal mantive minhas roupas porque há algo libertador sobre nudez em uma ilha privada. Se alguém aparecesse em um caiaque ou em um iate, não era problema meu se eles vissem mais do que esperavam. —Nós dois usamos roupas de banho, Tara, mas não muito mais. Basta trazer sua roupa e protetor solar. Tudo que possa caber nessa sua bolsa gigante. Tara arremessa sua bolsa listrada em preto e branco que está em seu colo e é tão grande quanto bagagem de mão. —Mas minha maquiagem.


Lauren revira os olhos e desiste. —Tudo bem, traga o que você quiser. —Esperta. —Murmuro porque aprendi apenas a ceder quando se trata dos caprichos das mulheres. Não muitas delas que poderiam viajar com apenas um maiô e nada mais. —Ugh. Eu tenho que ir. —Tara diz, olhando para o telefone enquanto a tela se ilumina. —É melhor não ser ele. —Lauren avisa. —Quem? —O cara da bunda. Tara geme. —Não é. É trabalho. Eles querem que eu cubra o turno atrasado e feche o bar já que eu tenho uma emergência familiar neste fim de semana. Eu deveria ter esperado até amanhã para cancelar este fim de semana. —Você pode dormir no avião amanhã. Tem um quarto privado. —Lauren sorri e agarra minha mão. —Antonio viaja em grande estilo. —Tenho certeza de que sim, e tenho certeza de que é útil várias vezes. Eu dou uma pequena risada desconfortavelmente e aperto a mão de Lauren. Claro, algumas mulheres estiveram na cama comigo, mas não desde o dia em que Lauren entrou no meu mundo e virou tudo de cabeça para baixo. Tara nos dá beijinhos de despedida e sai correndo do restaurante para chamar um táxi. —Ela pode trabalhar assim?


—Ela trabalha em um bar. Ela vai ficar bem. E ela só tomou duas bebidas. —Digamos que sim, já que a maior parte da última taça está na mesa. Lauren ri, colocando seus braços em volta do meu pescoço. — Eu não sei o que deu em você, mas obrigada. —Ela esfrega o nariz contra o meu e olha nos meus olhos. —Você poderia se divertir um pouco com sua amiga. Teremos muito tempo para nós dois. —Merda. —Lauren descansa sua mão contra a minha testa e suspira. —Onde ela vai dormir? —Ela pode usar a casa de hóspedes para não precisar nos ver ou ouvir. —Graças a Deus. Eu odiaria ligar para ela e dizer que mudamos de ideia. —Nós poderíamos ficar sem nos tocar durante o fim de semana se fosse preciso, Lauren. Eu estou mentindo, claro. Desde que nos conhecemos, manter nossas mãos para nós mesmos não tem sido nosso ponto forte. Ela levanta a cabeça e abana o rosto com a mão. —Você pode ser capaz, mas você nunca viu quando a água cai em cascata pelo seu corpo, acumulando-se nas elevações de seus músculos. —Você nunca viu a maneira como a luz é refletida pelas gotículas de água nos seus seios, então estamos quites. —Vamos para a minha casa. —Ela diz. Eu comecei a ficar na casa de Lauren com mais frequência do que voltar para o hotel onde nos conhecemos, mesmo que seja na


mesma rua. Tem se tornado mais difícil passar um tempo longe um do outro também. Nossos dias estão cheios de negócios, mas eu sempre tenho suas noites.


CAPÍTULO DEZESSETE LAUREN O sol pairava acima do horizonte quando o avião aterrissou em Nassau, a ilha principal mais próxima da propriedade de Antonio. Tara vibrou como uma criança enquanto voávamos sobre a água cristalina do Caribe. —Não estou acreditando! —Ela exclama. —Eu posso ver o fundo. Eu não valorizei a beleza abaixo de nós desde a primeira vez que nós fizemos o voo. Minha atenção estava sempre em Antonio ou falando com ele sobre o trabalho. Eu realmente não tinha tido tempo para apreciar a majestade e perfeição enquanto voávamos acima. —É impressionante, não é? —Pergunto a ela enquanto olho pela janela para a areia. —É a coisa mais linda que eu já vi. —Ela sussurra. Antonio tem estado ocupado com seu telefone e nos deixou conversando pela última meia hora do voo. Estou começando a me preocupar que algo esteja errado, mas ele simplesmente não encontrou uma maneira de me dar a notícia. —Antonio. —Eu digo, tentando desviar sua atenção do trabalho e voltá-la para o nosso fim de semana de relaxamento. —O que há de errado? Ele coloca o telefone no assento ao lado dele e inclina a cabeça para trás. —É Stefano.


—Ele está ferido? —Naturalmente, eu pulo para conclusões porque o homem é perigoso, e isso não está fora das possibilidades. —Pior. Eu suspiro, quase me jogando no avião e em seu colo. —Oh meu Deus. —Eu pego seu rosto, querendo banhá-lo com amor e tirar sua dor. —Não. Não. —Ele diz, agarrando meus ombros para parar meu ataque. —Ele está bem, mas de alguma forma ele ouviu sobre o nosso fim de semana na ilha e estava por perto, então ele está esperando por nós. —Stefano? —Tara se vira e levanta uma sobrancelha. —Mas este é o nosso fim de semana. —Eu sussurro em seu ouvido, fuzilando-o com o olhar. —Ele vai estragar tudo. —Alô. —Tara chama porque nenhum de nós respondeu a ela. —Tem uma garota na pista. Antonio olha por cima do meu ombro enquanto eu me sento em seu colo e tento não ficar histérica. —Ele é meu irmão. —Ele é seu irmão muito perigoso. Stefano, apesar de ter os mesmos genes de Antonio, não é como ele. Eu gosto do homem, mas às vezes ele deixa um gosto amargo na minha boca. Não sei se são suas atividades ilegais ou sua atitude blasé quando se trata de mulheres, mas rezo para que ele encontre alguém para colocá-lo em seu lugar. —Ele é solteiro? Todo o sangue é drenado do meu rosto. Tara tem feito alguma merdas imprudentes em sua vida, mas inserir Stefano em seu mundo


é algo que eu não aguentaria. —Você não vai sair com o irmão de Antonio. Ela sorri. —Quem disse alguma coisa sobre namoro? Antonio me vira em seu colo como uma boneca de pano e envolve seus braços em minha cintura. —Eu tenho que concordar com Lauren sobre isso, Tara. Stefano não é como qualquer outro homem que você conheceu. Ele é muito perigoso para brincar. Tara volta a olhar pela janela quando nos aproximamos do aeroporto em Nassau. —Vocês dois precisam seriamente se acalmar. Estamos em férias com nada além de sol e areia. O que poderia dar errado? ***

Stefano está esperando por nós na praia enquanto nosso barco encosta no cais. Ele está sem camisa, bronzeado e usando o chapéu mais ridículo que eu já vi, mas de alguma forma, ele faz com que pareça bom. Tara se vira para Antonio com os olhos arregalados. —Ele é seu gêmeo idêntico? —Sim. —Antonio dá um sorriso nervoso. —Como, como idêntico? —Ela olha para a virilha dele e não posso deixar de perceber. —Basicamente o mesmo. —Antonio me dá uma piscada e eu sorrio rapidamente. Talvez essa não tenha sido a melhor ideia. Eu não devia estar rindo. É meio estranho pensar que ele carrega o mesmo pau que Antonio. Eu não pensei sobre Stefano dessa forma, nem mesmo por


um momento. Eu deveria saber, mas nunca passou pela minha cabeça. —Isso pode ser divertido. —Tara esfrega as mãos enquanto Antonio amarra o barco na doca para não perdermos a carona para casa. Stefano acena em nossa direção e mostra um lindo sorriso branco que quase brilha contra sua pele bronzeada. Se eu não conhecesse o homem, pensaria que ele era quase amigável. —Ei. —Ele diz, correndo até o barco e pegando a alça da bolsa de Tara assim que ela a levanta no ar. —Deixe-me ajudá-la. —Obrigada. —Ela cora e deixa ele pegá-la das mãos dela. Carregar pouca coisa não está no seu vocabulário. Mesmo depois de explicarmos que ela não precisava trazer muitas roupas, juro por Deus que ela arrumou todo o seu armário dentro da mala enorme. Eu resisto à vontade de revirar os olhos ou fazer qualquer barulho que possa começar o fim de semana com uma observação azeda. Stefano é irmão de Antonio, e mesmo com todas as besteiras dele, eles se amam. Por causa disso, vou deixar meus sentimentos por Stefano de lado e tentar conhecê-lo melhor. —Amei a tatuagem. —Tara diz enquanto caminha ao lado de Stefano até a praia. Ela sempre teve uma queda por tatuagens e bad boys. Stefano é como o santo graal de más decisões e o tipo dela. —Estamos fodidos, você sabe. —Digo a Antonio calmamente enquanto eles caminham à nossa frente. —Eles são adultos. Eles nunca funcionariam, de qualquer maneira, mas deixe-os se divertir um pouco e nunca mais terão que se ver novamente.


Eu suspiro e piso duro enquanto caminhamos em direção à casa principal. —Você pode compartilhar a casa de hóspedes comigo. — Tara oferece, e minha angústia vai de fervente para erupção. Stefano sussurra alguma coisa em seu ouvido, e ela ri de um jeito delicado e não parecido com Tara. Eu não tinha sequer pensado sobre os arranjos para dormir, mas eu deveria ter pensado. Eu sabia que não tinha quarto para uma outra pessoa na casa principal. Bem, há espaço, mas não há paredes, o que poderia levar a uma situação desconfortável. —Ei pessoal. —Stefano volta, andando para trás ao lado de Tara. —Nós vamos nos instalar e desfazer as malas. Encontramos vocês na praia em uma hora para bebidas? Tara ergue o punho no ar enquanto dança na areia. —Eu gosto do jeito que esse homem pensa. Pelo menos dois de nós estão felizes.

ANTONIO —Ele não é tão ruim assim. —Eu não sei se estou tentando convencer a ela ou a mim mesmo que meu irmão não é o idiota que eu descrevi. Inferno, ele fez um bom trabalho sinalizando em alto e bom som sem a minha ajuda. Mas pelo que sei sobre Tara, ela não é o tipo de garota que precisaria ser resgatada de um homem como meu irmão.


Embora ele seja perigoso, eu nunca o vi colocar as mãos em uma mulher. Nunca. E eu vi algumas merdas muito loucas acontecer, de um simples tapa de uma frequentadora de boate até uma joelhada nas bolas. Stefano nunca revidou porque sabia que minha mãe o mataria. Em sua mente, qualquer coisa menos que uma tentativa de assassinato não era uma razão para tocar uma mulher. Lauren puxa um vestido florido sobre sua cabeça e olha para mim fixamente. —Apenas certifique-se que esta será a única vez. —Eu não vejo nenhum relacionamento, você acha?

deles

entrando

em

um

Ela geme enquanto puxa o cabelo para cima em um rabo de cavalo bagunçado. —Eu não estou tomando nenhum lado. Nós não estávamos querendo compromisso quando isso – ela balança os braços entre nós – aconteceu. Ela tem um ponto. Um ponto muito válido. Eu envolvo meus braços em sua cintura e a puxo contra mim. —Você pensou que eu era um idiota quando você descobriu quem eu era, e você estava errada. —Então. —Ela diz, colocando as mãos nos meus ombros com um olhar sério. —Você está dizendo que seu irmão não é um idiota? —Oh, ele é, mas todo mundo encontra a parte idiota dele eventualmente. —Você é louco. —Ela se inclina para frente, beijando meus lábios enquanto deslizo minhas mãos debaixo de seu vestido e tateio sua bunda. —Vamos ficar aqui e deixá-los na praia. Ela se afasta e olha para mim. —Absolutamente não. Nós não os deixaremos sozinhos lá fora.


Vou acrescentar isso à lista de vezes em que meu irmão me impediu de transar e, desta vez, não somos adolescentes. —Se isso vai te fazer feliz. Seus dedos envolvem minha camisa e a puxam para cima. — Temos uma garota para proteger. —Ela aponta para a areia e meus olhos seguem seu dedo. Ao longe, Stefano e Tara estão sentados em um cobertor perto da beira da água, tomando champanhe e banhando-se à luz de tochas que ele deve ter retirado do depósito. Eles estão confortáveis e sentados perto um do outro enquanto olham para a escuridão. Lauren ainda está apontando, e as pequenas linhas ao redor de sua boca que só aparecem quando ela está brava estão bem definidas. —Isso não pode acontecer. —Vamos lá fora para você não me atacar e acabarmos na cama, fazendo sexo louco e apaixonado a noite toda. Ela olha para mim quase com os olhos vesgos porque ela está enlouquecida e meu comentário não a divertiu. —Pegue outra garrafa de vinho. Esta será uma longa noite. Eu pego duas que já estavam na adega climatizada que a equipe tinha abastecido antes que Stefano chegasse, junto com duas taças. A casa de hospedes tinha sido totalmente abastecida também, então Tara não ficaria sem e nem sentiria que estava nos incomodando por ter que ir à casa principal. —Oh, ei. —Tara diz, olhando para cima do cobertor onde ela e Stefano estão sentados um pouco próximos demais para o conforto de Lauren. —Seu irmão estava me contando ótimas histórias sobre sua família.


Eu nem sequer pergunto, porque conhecendo Stefano, é algo que faz com que ele pareça um santo, enquanto o resto da família está prestes a explodir em chamas por seus atos pecaminosos. —Sentem-se. Sentem-se. —Stefano pega o vinho das minhas mãos e o abre rapidamente. Enquanto nos sentamos, eu olho para Lauren, Lauren olha para Tara, e Tara está fazendo charme no olhar para Stefano. É hora de desarmar a situação e mudar para algo mais leve e menos estressante para todo o grupo. —Como as mesas te trataram? —Pergunto a Stefano porque, assim como eu, o homem ama o jogo. —Eu fui bem até ontem. Mas hoje de manhã perdi cinquenta no blackjack. Tara cospe seu vinho, felizmente voltando-o para o copo em vez de molhar todos nós. —Cinquenta dólares? —Ela pergunta, franzindo o nariz. —Não, querida. —Stefano acentua seu sotaque mais do que o normal, porque ele sabe como as mulheres americanas acham sexy e irresistível. —Cinquenta mil dólares. —Ele ri baixinho enquanto enche nossas taças. O rosto dela fica pálido e ela lança a ele um olhar de lado. — Você sabe o que você poderia ter feito com tanto dinheiro? —Tara. —Lauren diz e balança a cabeça. —O quê? —Tara se agita. —Só vou dizer que cinquenta mil dólares poderiam encher meu armário com os saltos altos mais espetaculares.


—Eu ainda poderia encher seu armário muitas vezes. — Stefano levanta a mão de Tara para seus lábios em um movimento suave. —Você não vai encher nada dela. —Lauren grita, e eu quase engasgo com o meu vinho. —Lauren, meu amor, sinto alguma hostilidade. Eu olho para o céu e espero Lauren explodir em uma demonstração gloriosa de raiva feminina. —Eu sinto muito, Stefano. Eu estou sendo rude. —Ela afunda os dedos nos cantos dos olhos e respira fundo. —Tara é minha melhor amiga, e eu não quero que você brinque com ela. Stefano sorri e se vira para Tara. —Quem disse que eu estou brincando com ela? Sua amiga é bastante impressionante. Tara acena para Lauren. —Relaxe, Lauren. Estamos apenas nos divertindo. Viva um pouco e pare de levar tudo tão a sério. —Posso falar com você em particular? —Lauren faz um movimento para o lado com a cabeça. Tara se levanta sem dizer uma palavra e se dirige longe o bastante do cobertor para não ser ouvida. Lauren segue com os braços para baixo em seus lados como uma mulher possuída. —Desculpe-me se eu arruinei o fim de semana. —Stefano gira o vinho ao redor de sua taça, observando o líquido que se move. — Estou apenas me divertindo, assim como Tara. —Não estrague meu relacionamento jogando com a melhor amiga dela. —Eu o aviso com um olhar gelado. —Dê-me um pouco de crédito, vai?


Eu provavelmente deveria estar alertando-o sobre Tara, porque se alguém pode "lidar" com Stefano, é ela. Com base em tudo o que Lauren me contou, Tara poderia subir na hierarquia da organização de Stefano com sua atitude e saltos quase letais. Eu olho para as mulheres, que estão falando muito baixo, mas suas mãos estão acenando freneticamente no ar. Tara não está dando a mínima para nada que Lauren está dizendo a ela. Lauren chuta a areia perto de seus pés e parece culpada. —Vou lhe dar uma chance para se redimir. Se você quiser fazer parte da minha vida daqui para frente, fará a coisa certa. —Eu sou um homem de honra. Eu dou risada e balanço a cabeça porque a honra nunca faz parte de seu vocabulário quando se trata de boceta. Stefano é implacável em sua busca por mulheres e pelos prazeres da carne. Tara abraça Lauren, sussurrando em seu ouvido, e Lauren ri. O que quer que tenham dito uma para a outra, espero que o clima fique mais leve. A última coisa que quero é arruinar nosso fim de semana que deveria ser relaxante. —Tudo melhor? —Stefano pergunta quando Tara pisa no cobertor. Ele estende a mão, ajudando-a a sentar-se, e ela bate os cílios, não parecendo estar perturbada por qualquer coisa que ela e Lauren disseram uma para a outra. —Estamos bem. Só precisávamos de uma conversa franca. Eu olho para Lauren quando ela senta-se ao meu lado. Ela me dá um sorriso genuíno, e espero que tenhamos virado a página, senão vou mandar Stefano para o continente amanhã.


CAPÍTULO DEZOITO LAUREN Antonio não me deixou sair da cama desde que abri meus olhos. Nem mesmo para me servir uma xícara de café muito necessária. Ele me puxou de volta em seus braços e murmurou a palavra relaxamento antes de voltar a dormir. Eu estou olhando para a cafeteira há mais de uma hora, ouvindo Stefano e Tara rindo no convés enquanto eu estou presa debaixo do peso de Antonio. Eu tento me livrar, mas não adianta. Antonio é muito pesado. —Não vá. —Ele geme e me puxa com mais força contra seu corpo. —Café. —É a única palavra que posso dizer, incapaz de formar frases completas sem cafeína no meu sistema. Sua palma roça meu peito e envia ondas de arrepios pelo meu corpo. Não posso acreditar que meu corpo não esteja entorpecido depois da noite que tivemos, tanto por beber demais quanto da maratona sexual depois que voltamos para a casa principal, deixando Stefano e Tara na praia. —Eu tenho algo melhor do que café. —Ele esfrega seu pau duro contra a minha perna e eu fecho meus olhos, saboreando a sensação dele contra mim. Eu tento afastá-lo quando a dor surge entre minhas pernas e se intensifica, aumentando com o simples pensamento de mais um orgasmo. —Estou muito dolorida agora.


Ele se apoia ao meu lado e joga o braço de volta no meu peito. —Você vai conseguir relaxar hoje com eles aqui? —Sua cabeça se inclina para o pátio onde ainda estão rindo. —Sim. —Eu sorrio para ele. Quando Tara me puxou para o lado, ela me passou um sermão. Ela me lembrou sobre Vinny, um homem que ela namorou no ano passado que não era honesto. Depois que Tara se apaixonou pelo bastardo, ela quase foi morta ao sair de um clube em seus braços. Um de seus inimigos decidiu descarregar sua arma em ambos, mas de alguma forma ele falhou depois de ser derrubado no chão pelo segurança de Vinny. Depois disso, Tara terminou com ele, mas não antes que ela causasse um pequeno derramamento de sangue e dissesse a ele para esquecer seu número. Tara é provavelmente a pessoa mais forte que eu conheço. Qualquer uma das canções de Beyoncé poderia ser sobre Tara e sua ferocidade. Ela não tolera ninguém nem nada, não aceitando merda das pessoas que ela escolheu em sua vida. É a única razão pela qual eu posso tolerar ela com Stefano neste fim de semana. Ela me assegurou que mesmo se ela fizer sexo com ele, as coisas que acontecem nesta ilha permanecerão nesta ilha. Ela disse que era como Vegas e eu precisava me acalmar e tratá-la como uma adulta em vez de uma criança. Ela está certa. Não é meu trabalho protegê-la, e eu provavelmente deveria estar protegendo Stefano dela porque ele não entende o quão mortal é seu gancho de direita ou seu salto alto. —Acho que o fim de semana será bom para os dois. —Digo, porque poderia ser pior?


Ambos são adultos consensuais. Stefano é um mulherengo, mas Tara não é a Madre Teresa também. A mulher provavelmente poderia estar no mesmo patamar que Stefano Forte. —Bom. —Antonio sorri e finalmente me liberta de seu peso. —Vamos pegar uma xícara e verificar o tempo. Acho que devemos tirar os jet skis. Eu pulo da cama como um saltador e corro para a cafeteira, esquecendo que não estou vestida. No meio da sala, eu congelo e cubro meus seios com uma mão e minha boceta com a outra. Muito bem, gênio. O pensamento de café e jet skis me fez perder a cabeça e esquecer o fato de que eu tinha um público cativo a poucos metros de distância. —Bom dia. —Stefano diz, virando-se enquanto eu danço de um lado para o outro. —Merda. —Eu murmuro. Tara está rindo, quase histérica com o fato de que estou nua como no dia em que nasci. Estou morrendo um pouco por dentro, porque eles estão olhando para mim. Enquanto ela mostra sua pele, basicamente seus seios, porque eles são ótimos e ela pode dar a mínima para o que alguém pensa, eu sempre fui a pessoa que mal mostra a clavícula em público. —Virem-se. —Eu grito e recuo, sabendo que não posso me virar ou vou mostrar a eles minha bunda muito branca. —Agora. Tara e Stefano olham um para o outro e riem antes de encarar a areia para o oceano. Quando me viro, Antonio ri baixinho e enrola o lençol em volta da cintura para não sofrer o mesmo destino. —Você poderia ter me avisado. —Eu digo a ele enquanto ele caminha em minha direção com o suficiente do lençol pendurado para fora que eu possa me cobrir também.


—Você levantou tão rápido que não tive chance. —Bem, é café. —Eu não preciso dizer mais nada. É a minha vida, e eu não posso realmente formar um pensamento coerente até que eu beba pelo menos uma xícara. Isso é ainda mais evidente depois do meu pequeno show de nudismo esta manhã. Eu me escondo atrás do lençol e pego meu maiô, imaginando que posso pular um vestido hoje. O traje cobre muito mais do que a minha mão, então todos já viram o que eu tenho para oferecer. Além disso, nós vamos entrar na água assim que eu tiver bastante café no meu sistema para que eu não acabe me matando, ou o Antonio. Depois de me vestir e ir direto para a cafeteira, Antonio entra no banheiro e me deixa sozinha com Tara e Stefano. —Dormiu bem? —Pergunto assim que piso no convés e absorvo profundamente o aroma do café quente que cheira a magia em uma caneca. —Eu não dormia tão bem há anos. —Tara cora, olhando para Stefano sob os cílios. —Tara ronca. —Stefano acrescenta. —Muito alto. Eu me sento ao lado de Tara e dobro meus joelhos até meu peito enquanto aperto a caneca de café como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. —Eu estou bem familiarizada com a Tara dormindo enquanto todo mundo fica acordado. Stefano acena com a mão e pisca para Tara. —Eu não dormi muito, de qualquer maneira. A cama estava um pequeno pedaço do paraíso. —Oh, eu sei. Não estava divina? Isso responde à pergunta. Eu tomo um gole de café e não penso no fato de que Stefano e Tara não estão apenas dividindo a


cama, mas provavelmente terminaram a noite da mesma forma que Antonio e eu fizemos. —Bom dia. —Antonio diz enquanto faz uma grande entrada, usando apenas calções de banho e um sorriso. —Ainda é tão estranho que há dois de vocês. —Os olhos de Tara se movem para Antonio e de volta para Stefano. —Eu não acho que gostaria de alguém andando por aí usando meu rosto. —Eu não conheço de outro jeito. —Stefano diz a ela e pega suas duas xícaras de café da mesa que está entre eles. —Mais? —Por favor. —Tara bate os cílios e flerta descaradamente com ele. —Eu vou deixar os jet skis prontos. —Antonio beija minha bochecha. —Eu sei que um pequeno passeio pelo oceano ajudará a acordá-la. Eu viro minha cabeça e beijo seus lábios antes que ele se afaste. Tara está olhando para mim enquanto estamos sentadas sozinhas no convés, e eu posso sentir isso mesmo que eu não esteja olhando para ela. —O quê? —Eu pergunto, olhando para a minha caneca de café e evitando me virar na direção dela. —Você é uma garota de sorte. —O quê? —Eu não posso deixar de encará-la agora. —O que pelo amor de Deus você está falando? —Eles são idênticos em todos os sentidos, certo? —Sim. Tara arqueia as sobrancelhas e sorri tão amplamente que eu posso ver todos os dentes em sua boca. —Não diga isso.


—Ele tem um grande pacote. —Ugh. —Eu gemo e fecho meus olhos. —Eu não queria saber se você dormiu com Stefano. —Estou orgulhosa de você. —Ela diz. —Por quê? —Eu resmungo contra a beira da caneca antes de tomar um gole gigante, porque vou precisar de uma recarga antes de irmos para a água. —Por pegar o cara com o maior pau que eu já vi e mantê-lo. Eu reviro meus olhos. —Obrigada. —Eu digo a ela assim que Stefano volta para o convés. Eu uso sua chegada como minha deixa para entrar na casa e tomar outra xícara de café. Além de ser estranho que outro homem ande por aí com o mesmo rosto que meu namorado, é ainda mais estranho que minha melhor amiga saiba exatamente com o que ele está trabalhando.

ANTONIO Eu desmorono na praia, coberto de areia enquanto protejo meus olhos do sol. —Essas garotas jogam duro. Depois de duas horas no jet ski, precisei de um descanso e meu irmão me seguiu. Tara e Lauren decidiram ficar na água para nos dar um tempo de irmãos juntos.


Stefano senta-se ao meu lado, observando Tara e Lauren correndo pela água, pulando ondas e gritando alto. —Elas são um bom par. —O que você está fazendo aqui? Meu irmão não está de férias e não se junta a mim para uma viagem há anos. Quando ele ligou, dizer que eu fiquei surpreso seria um eufemismo. Mas agora ele está ficando confortável com Tara, e estou me perguntando se cometi um grande erro deixando ele se juntar a nós. —Eu precisava ficar longe por alguns dias. —Autoridades atrás de você? É uma questão lógica, dada a sua linha de trabalho, e eu odeio que meu irmão não tenha escolhido um caminho como o meu. Ele poderia estar dirigindo uma grande corporação sem nenhum problema. O homem tem pulso firme, assim como uma mente que nunca desliga. —Ninguém está atrás de mim. Eu só precisava me afastar de tudo. A vida está me cansando. —A maioria das pessoas em sua linha de trabalho não vive o suficiente para que nada as canse. Ele se deita e abre bem os braços. —Eu acho que é hora de eu fazer uma mudança antes de terminar a sete palmos abaixo da terra em um túmulo sem identificação. Eu me sento surpreso com sua declaração. —Você vai mesmo desistir? Stefano sempre defendeu seu estilo de vida. Mas não importava como ele tentasse contar, eu sabia exatamente o que ele


fazia. Filmes como The Godfather11 tentaram romantizar a máfia italiana, especialmente para pessoas de fora da Itália, mas não era tão bonita ou tão sexy quanto o estúdio de cinema retratou. —Eu acho que é hora de me juntar ao lado dos cidadãos cumpridores da lei. —Eles apenas deixam você sair? Eu sei que não funciona assim. Nem mesmo nos filmes alguém só pendura o chapéu e sai de cena. Stefano sabe o suficiente para derrubar toda a organização. —Não, mas eu encontrei uma maneira de fazer isso acontecer. —O que você vai fazer? —Nada. Eu tenho dinheiro suficiente para nunca mais trabalhar. Deito de novo, fecho os olhos e sorrio. —Eu não posso imaginar você sem fazer nada, mas é melhor do que o que você tem feito toda a sua vida. —Eu vou encontrar maneiras de me entreter. —Ele ri baixinho. Eu viro minha cabeça, bloqueando meus olhos do sol acima. —E Tara? Ele olha para mim e eu quase vejo um vislumbre de humanidade em sua expressão. —Ela é divertida. Eu gosto dela. —Não fique muito confortável. —Eu aviso. —Antonio, minha vida é na Itália e não na América. Ela e eu nunca iríamos funcionar, mas isso não significa que não possamos 11

O Poderoso Chefão


nos satisfazer um pouco enquanto estamos aqui. Eu prometo que estou sendo um cavalheiro completo. Com Stefano, não existe isso de ser um cavalheiro, mas eu não discuto o ponto. Recuso-me a passar o fim de semana brigando ou me preocupado com o que duas pessoas crescidas estão fazendo em particular. Eu tenho o suficiente em minhas mãos com Lauren e me certificando de que ela esteja feliz e relaxando como eu esperava. —Você e Lauren parecem estar bem. —Nós estamos. Estamos mais do que bem, mas não entro em detalhes com o Stefano. Ele sempre achou necessário saber o essencial, e agora, ele não precisa saber tudo quando se trata da minha vida com Lauren. —Você está se mudando para a América? Mamãe diz que você raramente tem estado em casa. —Eu não sei. A fusão me manteve nos Estados Unidos mais tempo do que eu planejara. E estar com Lauren não torna fácil para mim fugir, mas uma vez que tudo se acalme... —Ela está bem em se mudar para a Itália? —Ele pergunta antes que eu possa terminar a frase. —Eu não sei. Nós ainda não discutimos isso. O relacionamento ainda é novo, Stefano. Estamos dando passos de bebê. —Você esteve na América por muito tempo. Você está começando a falar como um americano. Que homem diz passos de bebê? —Cale a boca com sua besteira de bravata machista italiana. Espere até você se apaixonar, e veremos quanto tempo vai levar até você ficar de joelhos, implorando a ela por um gosto.


—Eu nunca imploro. —Mm-hm. —Eu murmuro. Espero poder viver o suficiente para ver o dia em que alguém fará Stefano implorar e colocá-lo em seu lugar.


CAPÍTULO DEZENOVE LAUREN —Ouch. —Tara se vira e olha para Stefano enquanto eles sentam-se na beira do convés. —Mais leve. A cor da pele de Tara coincide com a lagosta que acabamos de comer no jantar. Eu disse a ela para usar protetor solar, mas sendo a pessoa teimosa que ela é, ela nem sequer se preocupou. Ela me deu um discurso sobre sua ascendência italiana e como o sol nunca fez sua pele queimar. Mas este é o Caribe, e até um italiano de sangue puro pode queimar. —Quando eu terminar, você pode passar em minhas costas? —Stefano pergunta a ela enquanto esfrega os óleos em seus ombros, mas desta vez muito mais suave. —Termine as minhas e eu vou cuidar de você. Stefano e Tara são um par correspondente com suas peles vermelhas e cabeças-duras. Mas eles parecem funcionar da maneira mais estranha. Tara já me disse que Stefano tentou se impor, tentando controlar todos os aspectos de seu tempo juntos. Ela rapidamente colocou-o em seu lugar e ensinou-lhe como as mulheres americanas cuidam de si mesmas. Surpreendentemente, ela não o afugentou, e ele ainda está atrás dela como um cachorrinho. Ele se inclina sobre as costas dela, mas é cuidadoso para não tocar em sua pele enquanto coloca a boca ao lado de sua orelha. — Deus, isso soa tão sexy vindo de seus lábios. Antonio espreita por cima do balcão e sorri para mim de dentro da casa. —Quem quer algo para beber?


—Vodka. —Eu aponto para mim mesma e decido que não vou passar nossa última noite na ilha sóbria como pedra, observando Stefano e Tara dando olhares um para o outro. —Vamos tomar Lemon Drops. —Diz Tara por cima do ombro, dando-me um sorriso diabólico. Merda. Eu não bebo Lemon Drops12 desde a faculdade, e da última vez, eu jurei que nunca mais beberia aquilo novamente. Eu passei tantos anos devotada ao meu trabalho e não me divertindo com os amigos enquanto eles frequentavam vários bares e dormiam por aí que eu rapidamente me decidi. —Estou dentro. —O que é esse Lemon Drops que você está falando? Stefano pergunta enquanto coloca mais óleo na palma da mão.

—É pecado em uma taça, baby. —Tara sorri para Stefano antes de me dar uma piscadela. —Soa perfeito. —Vamos jogar uma brincadeira de beber também. Eu olho para cima, já me arrependendo de ter pedido vodka. —O que é isso? As diferenças culturais entre nossos companheiros italianos não são tão visíveis até algo assim. Tenho certeza de que Antonio aprendeu sobre jogos de beber na faculdade porque garotos de fraternidade são os mesmos em todo o mundo. Mas Stefano... ele é um caso completamente diferente. Eu não posso imaginar o mafioso

12

O Lemon Drop é um coquetel feito com vodca. O drink pode ser servido como dose ou pode ser disposto em copos maiores. Ingredientes opcionais podem ser adicionados à vodca – como suco de limão, triple sec e licores com sabor de limão.


sentado por aí inventando razões infantis para consumir álcool em quantidades que poderiam ser letais. —Bem. —Tara bate os dedos no queixo e faz uma pausa. — Você joga e depois tem que beber. —Os americanos são tão estranhos. —Diz Stefano com uma pequena risada. —Por que você precisa de um motivo para beber? —Vamos lá, do contra. Não seja um estraga prazeres. Eu quase caio da minha cadeira quando ela o chama de do contra. Eu cubro minha boca e escondo minha risada enquanto ela continua. —Vai ser divertido. Eu prometo. Isto é, a menos que você esteja com medo de perder. Ela acabou de lançar o desafio. Um homem como Stefano não gosta de ser desafiado, especialmente quando se trata de uma mulher. Ela sabia exatamente o que estava fazendo quando falou essas palavras. Eles se provocam mutuamente, e por alguma estranha razão, acho isso divertido. Antonio senta-se ao meu lado com uma garrafa de vodka na mão enquanto olha para Stefano e Tara. —Isso será um problema. —Você está pronto para isso, Forte? —Eu levanto uma sobrancelha e sigo o exemplo de Tara com uma pequena provocação. Antonio sorri enquanto coloca a garrafa de vodka na mesa à sua frente. —Mi amore, minha mamadeira tinha vinho. Acho que posso lidar com qualquer coisa que garotas possam me dar. Meus lábios se curvam e dou risada. —Vamos jogar "eu nunca". —Tara anuncia. —Ugh. —Eu gemo. É o jogo de beber que eu menos gosto.


—Não saia, Lauren. Será divertido. Podemos descobrir uma coisa ou duas sobre esses caras. Ela tem um ponto. Há muitas coisas que eu ainda não sei sobre Antonio porque não são coisas que você pode perguntar. Mas talvez depois de algumas rodadas, eu descobrirei mais do que jamais quis saber. —Manda ver. —Eu estalo meus dedos e rezo para não me arrepender disso pela manhã.

***

Foram seis perguntas enquanto estávamos sentados em volta de uma mesa no deck, e todos tomamos drinques o suficiente para encerrar a noite. Isso se nós estivéssemos jogando qualquer jogo normal sem a provocação que começou tudo. Eu já sei que vou amaldiçoar Tara em voz baixa. Temos uma longa viagem para casa, e a última coisa que quero fazer é passá-la enrolada no sofá, rezando para morrer. —OK. Então… —Tara se endireita na cadeira e olha ao redor da mesa. —Nunca estive em um trio. Eu levanto uma sobrancelha porque sei que Tara fez sexo com mais de uma pessoa. —Você não deveria dizer algo que não fez? —Não foi um trio. —Ela sorri. —Tecnicamente, foi um quarteto. Você deveria saber disso. As descrições vívidas que ela me deu voltam a minha mente. Ela está certa; ela era a quarta pessoa nesse grupo. Eu a provoquei


por semanas depois, mas porra, se eu não fantasiei em estar lá em seu lugar. Stefano leva o copo a meio caminho dos lábios quando se volta para ela com os olhos arregalados. —Três outras mulheres? —Ele soa esperançoso e ligado. —Desculpe, amigo. Três homens. Stefano vira sua bebida e coloca o copo na mesa antes de se inclinar para sussurrar no ouvido de Tara. Ela ri, voltando-se para olhar nos olhos dele depois que ele fala. Não sei o que ele disse, mas fez o rosto dela corar um novo tom de vermelho. Eu olho para Antonio e seu copo vazio. Eu estava tão envolvida com Stefano e Tara que eu não o vi beber. Mas eu não estou surpresa que o homem tenha participado de um ménage à trois. Tenho certeza, baseada em seu passado, que ele esteve em mais de um. —Beba a dose, Lauren. —Tara volta sua atenção para mim porque a vadia conhece muitos dos meus segredos. Eu posso sentir os olhos de Antonio me observando enquanto bebo minha dose e bato o copo na mesa. —O quê? —Eu digo, me sentindo defensiva. —Eu estava na faculdade e experimentei. Eu não deveria me ofender com os olhares. Não é como se nenhum deles não tivesse bebido. Todos eles estiveram em uma situação sexual de grupo, mas eu acho que já que sou eu, de alguma forma parece estranho. —Homem ou mulher? —Antonio pergunta quando me viro para encará-lo. —A terceira pessoa? —Era eu e outra mulher com um homem.


Antonio esfrega o queixo enquanto seus olhos percorrem meu corpo. —Eu imaginei. —E você? —Homem. —Ele diz rapidamente. Eu levanto as sobrancelhas, imaginando como seria essa delícia. Antonio com outro homem. Gah. É mais do que o meu cérebro pode processar de uma só vez. Stefano levanta a mão. —Ele está sentado aqui como prova. Meus olhos vagueiam entre os dois e minha mente fica fora de controle. Talvez seja a vodka ou o fato de alguém ter transado com os irmãos juntos, mas meus pensamentos estão frenéticos. —Uau. —Os olhos de Tara estão quase saltando de suas órbitas, combinando exatamente com meus sentimentos. —Isso é meio estranho mesmo para mim. —Por quê? —Stefano pergunta. Eu olho para Antonio, estupefata. Ele sorri com um encolher de ombros, mas não diz mais nada. —Porque ele é seu irmão. Eu nunca mais quero ver minha irmã nua. —Tara finge vomitar debaixo da mesa. —É só... eca. Stefano ri enquanto cobre a mão dela com a sua. —Não é como se eu não tivesse visto o pau dele antes. Eu tenho exatamente o mesmo, amor. —Foi apenas uma garota aleatória? Eu quase quero dizer a Tara para ficar quieta. Eu não quero ouvir mais nada porque, bem, estamos falando sobre a vida sexual do meu namorado. Mas então, estamos falando de sua vida sexual, uma


vida sexual que eu não conhecia e estou mais interessada em ouvir a resposta do que deveria. —Não. Nós namoramos durante nosso último ano do ensino médio. Era noite de formatura e bebemos um pouco demais. Uma coisa levou a outra e, bem... —Que boa sorte. —Tara diz, olhando para baixo entre as pernas de Stefano. —Vocês dois a arruinaram por toda a vida. —Minha vez! —Eu grito, um pouco mais alto do que eu esperava, porque toda a conversa de trio me deixou desconfortável e um pouco excitada. —Encham seus copos, sacanas. —Eu empurro a garrafa de vodka para a frente e espero Stefano servir a próxima rodada. Eu olho para Antonio e descanso minha mão em sua perna. —Divertindo-se? —Eu pergunto a ele porque estou dividida entre esta estar sendo a melhor noite passada com amigos em um longo tempo ou a experiência mais estranha com a minha melhor amiga e meu namorado de todos os tempos. Antonio olha para mim com um olhar que eu não consigo identificar. Talvez ele esteja envergonhado com seu irmão, mas eles eram adolescentes. Eu também fiz uma merda estúpida aos dezoito anos. Eu não estava muito longe de ser uma caloura quando eu concordei em fazer sexo com meu então namorado e outra mulher. Eu nunca pensei que eles acabariam se apaixonando um pelo outro e eu ficaria de mãos abanando. Para dizer a verdade, eu e ele não estávamos firme e só tínhamos tido três encontros oficiais quando ele tocou no assunto. Eu deveria correr como o vento, mas eu pensei, por que não? Tenho que experimentar tudo pelo menos uma vez. —Tudo bem. Estou me divertindo. —Digo a ele e aperto sua perna. —Esteja pronto, Forte. Eu estou vindo para você. —Eu sorrio.


Levanto o meu copo e espio ao redor da mesa enquanto eles olham para mim, esperando. Existem tantas possibilidades. Tantas coisas que eu quero saber, mas eu também não estou disposta a me incriminar. Trata-se de descobrir seus segredos e não divulgar os meus. —Nunca fui presa. —Eu sorrio porque, inferno, eu nunca tive nenhum problema com a lei. Em sincronia, eles levam os copos até os lábios e viram a vodka antes de pegar um limão para acompanhar. Acrescento isso à crescente lista de coisas que eu não conhecia sobre Antonio. Esta noite está se revelando cheia de surpresas.

ANTONIO Lauren mal consegue ficar de pé sem minha ajuda. Ela caiu duas vezes e não estamos nem a um metro da mesa. Tara não está em melhor situação enquanto Stefano a leva para a casa de hóspedes, e ela está cantando uma versão muito desafinada de "Welcome to the Jungle" do Guns N 'Roses. —Um animal está morrendo? —Lauren pergunta olhando para mim com olhos vidrados. —É Tara, mi amore. —Eu a levanto em meus braços porque não quero passar uma hora ajudando-a a chegar na cama. —Ela está cantando. Ela descansa a cabeça no meu peito e suspira. —Eu queria que você me carregasse assim sempre. É muito mais fácil do que andar.


—Você está bem? Ela está um pouco mais despreocupada do que costuma ser, mas geralmente é assim depois de tantas bebidas. Embora Lauren tenha ficado bêbada na minha frente antes, ainda na noite que nos conhecemos, ela ultrapassou seu limite. Amanhã, ela vai se sentir infeliz. Eu a coloco na cama, e ela se estende com os braços e as pernas afastadas, parecendo quase angelical. —Deixe-me aqui para morrer. —Ela sussurra com os olhos fechados. —Você está relaxada? —Eu tento não rir. O plano para este fim de semana era de relaxamento, e agora, ela não passa de uma piscina de gelatina. Não, isso não está certo. Ela provavelmente tem um teor mais alto de vodka em seu corpo do que de água. —Eu estou em coma. Ela começa a rir baixinho e seus olhos se abrem. Ela olha para baixo, para o comprimento do seu corpo, onde eu estou de pé sobre ela, observando com diversão completa. —Tire a roupa. Eu levanto uma sobrancelha e sorrio. —Eu vou limpar lá fora. Por que você não descansa um pouco e eu estarei na cama daqui a pouco? Com mais destreza do que eu espero de uma mulher em seu estado, ela fica de joelhos e coloca as mãos no meu peito. Ela bate os cílios enquanto usa suas unhas para traçar meu peitoral. —Tire seus shorts. Eu não quero pedir duas vezes. —Amor, eu não acho que você esteja em condições de... Ela cobre minha boca com a mão e se inclina para frente. —Você não é meu pai. Tire e apresente-se.


Eu toco seu ombro, segurando meu riso com sua fala sexy e severa. —Onde está o seu chicote? —Eu tenho uma mão para bater em você. —Ela insulta. Ela balança e eu solto seus ombros, deixando seu corpo cair de costas na cama. Antes que ela possa dizer outra palavra, abro o botão do meu short e empurro-o para o chão. Meu pau está pronto, ereto e apontando diretamente para ela. Eu gosto do lado brincalhão de Lauren, onde ela assume o controle. Não sei se são as bebidas falando hoje à noite, mas não vou tentar convencê-la do contrário de novo. —Venha aqui. —Ela faz movimentos com as mãos, ainda deitada de costas, mas olhando para baixo, para mim. Eu subo na cama, avançando entre as pernas dela com um grande sorriso porque ela mal consegue se concentrar e provavelmente vai desmaiar antes mesmo de começarmos a foder. —Não assim. Suba aqui. Eu quero chupar esse pau lindo. Eu escalo sua cintura, tomando cuidado para não a esmagar com meus joelhos enquanto me movo para frente. —Deitada? Seu rosto fica sério. —Não me questione. Eu pairo sobre seu peito com meu pau a poucos centímetros de sua boca. Ela lambe os lábios e coloca as mãos quentes na minha bunda, tateando-me asperamente. —Você está sempre pronto, Forte. Eu coloco minhas mãos nos meus quadris, deixando meu pau em seu rosto. Quando se trata de Lauren, estou sempre pronto para qualquer coisa que ela tem a oferecer, especialmente quando ela quer chupar meu pau.


Eu posso dizer que o ângulo está errado. A única coisa que eu vou fazer é bater no céu de sua boca. Eu pego um travesseiro e levanto a cabeça dela, enquanto meu pau está fazendo uma corrida louca por seus lábios, como se tivesse mente própria. Ela envolve suas pequenas mãos em meu eixo e me puxa para frente. —Mais perto. —Diz ela em um tom profundo e sensual. Eu riria do seu comportamento se meu pau não estivesse tão perto de seus dentes e ela não estivesse bêbada. Eu avanço, com cuidado para não a sufocar, mas não vejo como isso vai funcionar com seus reflexos tão prejudicados. —Lauren, eu... Seu ronco ecoa pelo quarto enquanto sua mão escorrega da minha bunda e cai na cama ao seu lado. A brincadeira foi boa enquanto durou. Poderia ser sexy se ela estivesse sóbria, mas sei que amanhã ela vai sentir mais dor do que eu agora. Eu saio da cama e a ajusto de modo que ela esteja deitada no comprimento da cama, em vez de ter seus pés balançando para fora. O fim de semana não foi um fracasso total. Lauren e Tara se divertiram, embora a maior parte tenha sido induzida pelo álcool. Pelo menos, nós aprendemos mais um sobre o outro, e eu senti que meu irmão está finalmente mudando o rumo da sua vida.


CAPÍTULO VINTE LAUREN Eu decidi que o sol no Caribe é muito brilhante. Mesmo com o meu par mais escuro de óculos de sol, eu não posso abrir os olhos totalmente porque a claridade é mais do que posso suportar. A minúscula britadeira dentro da minha cabeça é um lembrete constante da quantidade de vodka que bebi na noite passada. Eu mal me lembro de ter ido para a cama, mas tenho uma imagem vívida do pau de Antonio na minha cara antes de adormecer. —Obrigado pelos dias maravilhosos. —Stefano diz enquanto abraça seu irmão quando estamos do lado de fora do aeroporto em Nassau. Eu puxo a aba do meu chapéu de praia um pouco mais, tentando sombrear meus olhos, mas não adianta. Qualquer quantidade de luz é demais neste momento. Tara não está se saindo melhor do que eu. Se ela não estivesse tão bronzeada, eu juraria que seu novo tom é verde. Nós tivemos conversa fiada em nosso caminho para a pior ressaca do mundo, e esta é a maneira de Deus nos retribuir. —Estou feliz que você tenha se juntado a nós. Talvez possamos fazer isso de novo algum dia. —Mas sem vodka, ok? —Tara coloca as mãos na cabeça e balança. Stefano estende a mão e a estabiliza. —Isso é tudo culpa minha.


Ela agarra seus braços e olha para ele sob a aba do chapéu. —Não é minha primeira ressaca, Stefano. Eu sou uma garota crescida. —Talvez possamos fazer isso de novo algum dia. —O pobre parece esperançoso quando faz a declaração, mas eu conheço minha garota, e ela provavelmente não vai mergulhar o pé nesse poço novamente. —Vamos ver. Eu tenho uma agenda bastante ocupada. —Eu gosto de uma mulher que se faz de difícil. Tara ri brevemente. —Porra, isso é horrível. —Ela segura a cabeça novamente e solta um pequeno gemido. —Eu acho que nunca mais vou beber. Eu sinto o mesmo, mas nós duas sabemos que é uma mentira. Stefano tira a mão dela da cabeça e beija os dedos antes de seguir até o pulso dela. —Até a próxima, Tara. Foi um prazer. Uma sugestão de um sorriso cruza seu rosto, mas está muito escondido por seus óculos escuros e chapéu. Nós vamos conversar assim que nos recuperarmos para que eu possa descobrir exatamente o que aconteceu neste final de semana. Antes de Stefano se afastar, ele me dá um beijo em cada bochecha e diz: —Eu aproveitei o fim de semana com você, Lauren. Estou feliz que você faça parte da família. Eu congelo e meu olhar coberto por óculos de sol encontra Antonio. Ele parece tão chocado quanto eu estou com as palavras de Stefano, então eu ignoro o comentário e dou a ele um leve tapinha nas costas. —O fim de semana acabou melhor do que eu esperava. Menos a ressaca. Na primeira noite eu estava um pouco tensa, preocupada com a minha amiga porque eu tinha esquecido que ela


poderia se virar sozinha. O Stefano que veio para a ilha é alguém que eu poderia amar. Não da mesma maneira que eu amo Antonio, mas alguém que eu poderia respeitar como família. Stefano se afasta e pega o telefone. Antes de ele desaparecer no prédio, o telefone de Tara soa e Stefano sorri para ela. —Você deu a ele o seu número? —Eu pergunto. —Talvez. —Ela sorri. Seu discurso de não vê-lo novamente e se fazer de difícil era tudo um ato. A pequena sirigaita não resistiu aos encantos de Stefano Forte, mesmo que ele se comportasse como um idiota. —Nós não estamos namorando, mas eu foderia com ele novamente, com certeza. —Ela diz enquanto digita uma resposta. Eu dou de ombros, exausta demais para qualquer outra coisa e me sentindo um pouco como se tivesse sido atropelada. —Estou pronta para ir para casa. —Sua carruagem aguarda. —Antonio diz, apontando para a pista privada à direita do terminal principal. Definitivamente, há um lado positivo em voar em um jato particular. Eu não conseguiria lidar com uma multidão no momento. Especialmente com o anão malvado que está martelando partes do meu crânio como um lembrete constante da estupidez da noite anterior. Tara entrelaça seu braço ao meu enquanto caminhamos em direção ao asfalto. —Esses homens Fortes são demais, hein? —Apenas tome cuidado. Eu odiei Antonio quando o conheci e veja onde estou agora.


—Em um avião privado voando pelo mundo e apaixonada por um cara que carrega um pau de vinte e cinco centímetros? Eu não posso ajudar. Eu dou risada e seguro minha cabeça, estremecendo com a dor até ela se transformar em lágrimas. —Eu odeio você às vezes. —Eu digo a ela enquanto subimos as escadas para o jato com Antonio atrás de nós. —Mas você está presa comigo para sempre. —Eu não faria de outra forma.

ANTONIO Lauren está deitada na cama e checando seus e-mails, quase se recuperando da vodka e da viagem de avião. Ela olha para cima da tela e sorri suavemente. —Eu estava pensando sobre este fim de semana. —Digo enquanto me acomodo ao lado dela. Ela abaixa o telefone e me dá total atenção. —Qual parte? —Pouco antes de você desmaiar. Ela arregala os olhos. —Meu pau estava... Ela enterra o rosto nas mãos e geme. —Estou tão envergonhada.


Eu afasto as mãos dela do rosto. —Estou brincando. Eu não esperava que nada acontecesse. Você estava muito bêbada, mas você era mandona. Mais ou menos como eu pensei que você seria como dominadora. —Dominadora? No quarto? —Você ameaçou me espancar. —Eu sorrio enquanto seu rosto se transforma em um lindo tom de vermelho. Ela afunda no travesseiro e esconde o rosto. —Isso é mortificante. —Se é disso que você gosta, eu vou jogar. —Agora mesmo? Eu sacudo minha cabeça. —Sempre que você quiser. —Oh Deus, nunca me deixe beber tanto assim de novo. Eu dou risada e puxo-a para os meus braços enquanto me deito. —Eu não estava realmente pensando sobre isso. Vamos esquecer que isso aconteceu. Eu não vou esquecer. É uma lembrança que guardarei para sempre. Mesmo quando estivermos velhos e grisalhos, vou me lembrar disso. —E a surra? —Vamos falar sobre isso outro dia. —Você está a fim? —Ela pergunta, acariciando seu lugar favorito no meu peito. —Eu estou a fim de qualquer coisa que você quiser.


Ela olha para mim com olhos questionadores. —Mude de assunto, por favor. —Eu queria falar sobre o que Stefano disse. Eu estive contornando o assunto por horas. Eu percebi que as palavras a atingiram quando Stefano as disse no aeroporto antes de entrar no terminal. Ele me perguntou se eu pretendia pedir Lauren em casamento, e eu disse a ele que ela era a primeira mulher que eu considerava fazer isso. —Stefano abordou um assunto sobre o qual eu pensei na última semana. Sua mão continua. —Ok. Eu cubro a mão dela com a minha e olho para baixo. Digamos que um dia nos casemos. Onde vamos morar?

É uma pergunta justa. Lembro-me de Lauren me dizendo que não viveria em nenhum outro lugar além de Chicago. Ela disse que precisava da coragem da cidade como se precisasse de ar. Embora eu goste da cidade, eu nunca poderia morar aqui em tempo integral. —Eu não sei. —Ela murmura, aconchegando sua bochecha contra o meu peito. —Eu não pensei sobre isso. —Eu possuo uma casa na Itália, e você tem essa cobertura em Chicago. —Teríamos que escolher um ou outro? Eu nunca fiquei em um lugar por muito tempo. O trabalho me manteve em movimento por mais de uma década, mas as viagens estão começando a me desgastar.


—Não no começo. —Eu admito. —Mas algum dia, se tivermos filhos, não poderíamos viajar tão facilmente. Eles precisam de estabilidade. Ela se levanta e olha para mim com um olhar que eu não vi antes. —Uau. Uau. Uau. Você está falando sobre bebês que eu dou à luz? —Sim. —Eu toco seu nariz e sorrio. Deus, nossos filhos seriam as pequenas coisas mais bonitas do mundo. Eu quase posso imaginá-los rindo e correndo em volta do nosso... quintal? As crianças não podem crescer em uma cobertura rodeada de cimento e metal. Eles precisam de espaço para brincar, crescer, explorar. —Quando devo me encaixar nisso? Entre negócios de bilhões de dólares? Basta dizer, ei, podemos colocar isso em espera enquanto eu estou dando à luz um mini Forte? —Você pode tirar uma folga. Você não é a primeira CEO do planeta. Ela estreita os olhos. —Eu não acho que estou pronta para ter filhos. —Não estou dizendo que vamos tê-los amanhã, mas temos que pensar no futuro. —Talvez seja melhor deixar para o acaso. —Ela cai de volta em meus braços com uma bufada alta. —Eu quero filhos algum dia, Lauren. Eu quero um exército inteiro de pequenas pessoas com nossos olhos e narizes. Eu quero isso com você. Nunca quis mais nada. Há seis meses, crianças e casamento nem sequer passavam pela minha cabeça. Mas estar com Lauren e me apaixonar mudou tudo.


—Eu vou ficar em casa e cuidar deles. —Eu digo porque eu sou um idiota do caralho. Eu não posso cuidar de crianças sozinho, mas eu diria qualquer coisa para tornar o meu sonho uma realidade. —Podemos conversar sobre isso amanhã? Eu me acomodo na cama e a puxo para mais perto. —Sim, mas vamos ter que enfrentar o nosso futuro mais cedo ou mais tarde. —Ainda estou de ressaca e exausta. Preciso dormir, ou eu serei inútil no escritório. Embora seja bom falar sobre o futuro do relacionamento, se essa fusão não der certo, não haverá muita coisa acontecendo por um longo tempo. Eu beijo sua testa e fecho meus olhos. —Tudo vai dar certo. Durma e falaremos sobre isso outra hora. Ela coloca a perna sobre a minha e se aconchega em sua posição favorita. Minha mão sobe e desce por suas costas enquanto olho para o teto e penso em nosso futuro. Dois viciados em trabalho, vivendo em continentes diferentes. O que poderia dar errado?


CAPÍTULO VINTE E UM Dois meses depois LAUREN —Parabéns. —Sr. Grayson sorri enquanto aperta minha mão. —Agora tenho mais dinheiro do que consigo gastar. —Senhor, você já tinha isso antes da fusão ser concretizada. —Eu lembro a ele. —Talvez eu finalmente me aposente e aprenda a jogar golfe. —Ele ri, as maçãs de suas bochechas chegando aos olhos. O Sr. Grayson está na casa dos setenta anos, mas nunca foi de esperar sentado. Ele nunca perdeu uma reunião do conselho e sempre me apoiou. Se ele se aposentasse, eu sentiria falta da presença dele na sala de reuniões, e ninguém jamais seria capaz de ocupar o seu lugar. —A propósito, você já descobriu quem nos vendeu para a Cozza? Eu dou-lhe um sorriso amargo. —Eu descobri, senhor, e trataremos desse assunto antes do fim do expediente hoje. —Ótimo. Eu tenho plena fé de que você fará a coisa certa, minha querida. —Ele diz antes de sair da sala de reuniões com Tad Connors ao seu lado. Pela primeira vez desde que o conheci, Tad não fez uma única pergunta antes que a papelada fosse finalizada com a Cozza. Acho


que todos os zeros que foram adicionados à sua conta bancária o deixaram sem palavras. —Ótimo trabalho, senhorita Bradley. —Sra. Edwards tenta sorrir, mas seu rosto está tão esticado com a nova cirurgia que parece como se ela tivesse comido algo azedo. —Tenho certeza de que Stanton está chorando até dormir hoje à noite. Pobrezinho. Eu dou risada porque seu marido, Stanton, era realmente um idiota. Ele era um membro do bom e velho clube de homens que tratavam as mulheres como merda. Tive o prazer de trabalhar com ele por alguns anos, e celebrei o dia em que ele deixou o cargo de CEO depois de praticamente ser forçado a sair do conselho. —Eu não estaria aqui sem ele. Ela ri exuberantemente acenando com a mão enquanto dá um passo para trás. —Obrigada por fazer algo que meu marido nunca poderia fazer. —O que, Sra. Edwards? —Fazer-me feliz. —Ela dá uma pequena risadinha infantil antes de sair pela porta da sala de conferências no mais belo par de Louboutins. Antonio está de pé do outro lado da sala, cumprimentando os membros de sua diretoria, assim como fiz com os meus. Ainda há alianças que precisam ser desfeitas e reconstruídas, porque nós começamos como inimigos, mas precisamos encontrar uma maneira de nos tornarmos uma única entidade que seja mais profunda do que o nome da empresa. Eu inclino minha cabeça para ele com um pequeno sorriso enquanto ele aperta a mão do Sr. Alesci, um membro da equipe jurídica da Cozza. Antonio devolve o gesto com uma piscadela, e de repente fica tão quente quanto um dia de verão na sala de reuniões


com ar condicionado, que geralmente parece mais uma câmara frigorífica. Eu o vejo seguir até mim uma vez que a sala fica vazia, e meu coração acelera. O homem ainda me deixa sem fôlego de alguma forma, pelo menos uma vez por dia. Embora eu tenha evitado o assunto do casamento e dos filhos, não consigo imaginar estar com outra pessoa. —Você está pronta para isso? Eu aceno, mas não tenho certeza se estou. Depois que o acordo foi firmado e a fusão estava acontecendo, Antonio revelou a identidade do espião. Não foi fácil tirar o nome dele também. Ele queria esperar, mas eu lembrei a ele sobre o papel que ele assinou em meu escritório quando aceitou a proposta que nos levou ao caminho para a fusão das nossas empresas, em primeiro lugar. Fiquei ainda mais chocada ao descobrir quem havia nos entregado para os executivos da Cozza, mas dizem que qualquer um está disposto a apunhalá-lo pelas costas se o preço for alto o suficiente. —Vamos acabar com isso. Arranque o Band-Aid. Antonio tinha se tornado melhor com seu inglês, pegando frases engraçadas e usando-as demais, mas eu não me importava porque elas normalmente me faziam sorrir. Nós caminhamos juntos em direção ao meu escritório com as mãos quase se tocando. Nós não conseguimos esconder o nosso relacionamento. A notícia se espalhou rapidamente quando começamos a fazer muitas viagens juntos. Quase não houve reações depois que garantimos a todas as partes que isso não afetaria de


maneira alguma a fusão ou como a empresa seria administrada no futuro. Eu conquistei meu lugar como CEO. Eu trabalhei duro e trouxe um novo motor para o mercado que revolucionará toda a indústria. Ninguém poderia negar isso. Eu não dormi com ninguém para chegar ao topo ou comprei minha entrada para a diretoria. Eu ganhei a minha posição com sangue, suor e lágrimas, e nada pode mudar isso. Cassie olha para cima de sua mesa quando nos aproximamos, com o maior sorriso no rosto. —Está feito? —Sim. Somos oficialmente a Cozza Interstellar Corp, CIC. Ela se inclina para trás e gira em torno de sua cadeira, cheia de emoção. —Estou comprando um Lexus para mim. Antonio e eu olhamos um para o outro e rimos. —Comprou algumas ações, não é? —Eu tenho adquirido ações desde o dia em que a Srta. Bradley se tornou CEO. Eu sabia que essa mulher me faria rica. De repente, me sinto em pânico. —Você não vai sair, não é? —Ainda não. Temos trabalho a fazer, senhorita Bradley. Antonio puxa um envelope amarelo de dentro do paletó e entrega para Cassie depois que eu dou a ele o sinal de que finalmente é hora de nos livrarmos desse peso. Ela olha para a frente e seus olhos se arregalam. —Você quer que eu... —Arquive os papéis e depois diga a ele para ir ao meu escritório imediatamente. —Eu digo e respiro fundo, porque essa será uma das coisas mais difíceis que já fiz.


—Sim, senhora. —Ela pega o telefone e aperta alguns botões enquanto Antonio me leva ao meu escritório. Quando descobri que havia um espião dentro da minha empresa, todo mundo era suspeito, até mesmo Cassie. Como ela trabalha muito próxima a mim, ela sabe mais do que a maioria das pessoas na empresa. Teria feito sentido para ela vender segredos para o concorrente, porque ela poderia ganhar dinheiro para uma vida inteira em uma única tacada. Mas Cassie não me traiu. Não. Ela sempre esteve ao meu lado e sua lealdade será recompensada. Mas a pessoa que me apunhalou pelas costas está prestes a ter sua relação com a Cozza Interstellar cortada para sempre.

***

Antonio está ao lado da minha cadeira com os braços cruzados em frente ao peito, parecendo bastante imponente. —Sente-se. —Ele diz. —O que está acontecendo? —Ele olha para Antonio e depois de volta para mim. —Eu estava no meio de algo importante. —Josh. —Eu limpo minha garganta e me inclino para frente com as mãos entrelaçadas na minha frente sobre a mesa. —Chegou ao meu conhecimento que você estava por trás do vazamento para a Cozza. Josh. O traíra. Ele não apenas deu informações secretas, mas mais de uma vez durante a fusão, ele tentou assumir minha posição futura dentro da nova empresa. Ele rosna e seus olhos brilham de raiva. —Eu não fiz isso. —Ele se agarra a mim.


Antonio coloca a mão na minha cadeira e dá um passo à frente, mas eu levanto a mão e paro seu avanço. —Eu tenho uma declaração assinada de Chloe Cantrell, uma antiga funcionária da Cozza, que diz que você deu a ela a informação que iniciou toda a aquisição, para começar. —Quem? —Ele se inclina para a frente em sua cadeira e se finge de sonso. —Por que eu faria uma coisa tão estúpida? —Senhora Cantrell tinha uma boa história para contar sobre você, Sr. Goldman. —Antonio acrescenta, e quase consigo ouvir o sorriso em sua voz. —É tudo mentira! Eu puxo o papel e empurro em direção a Josh para que ele possa ler as palavras por si mesmo. Ele pega da mesa antes que eu tenha a chance de tirar a minha mão e começa a ler as palavras. Eu me inclino para trás, observando-o atentamente enquanto seus olhos se arregalam com cada frase. A história que ela contou foi condenatória, tanto profissional como pessoalmente. A esposa de Josh acabara de ter seu terceiro filho, e algo assim sair seria devastador. Antonio me contou toda a história sórdida com detalhes muito vívidos, e quando eu não acreditei, ele me deu o depoimento para que eu pudesse ler com meus próprios olhos. Carlino, o vice-presidente da Cozza, planejou tudo, e Josh entrou na armadilha que ele havia preparado. Eles observaram inúmeras pessoas dentro da minha empresa, à procura de alguém que tivesse um ponto fraco que pudessem explorar para obter informações privilegiadas. Josh foi a vítima do esquema deles, mas ele poderia ter vindo até mim, e nós teríamos encontrado uma maneira de consertar isso.


Em vez disso, ele vendeu a Interstellar e fez uma atuação digna de Oscar quando começaram o ataque para a aquisição. Eu, Chloe Cantrell, participei de bom grado de um esquema para extrair informações do Sr. Josh Goldman da Interstellar Corp. Ao conseguir um emprego de meio período na Pleasure Den, eu deveria levar o Sr. Goldman como um novo cliente interno. Na minha posição de dominadora e no processo de servir suas necessidades, eu deveria tirar fotos incriminatórias para serem usadas mais tarde contra o Sr. Goldman para facilitar a extração de informações. Eu tive cinco sessões com o Sr. Goldman no mês em que ele se tornou meu escravo. Enquanto ele era meu submisso e estava excitado com a humilhação, aproveitei a oportunidade para fotografar e filmar nossas sessões como prova, a pedido de Carlino Sosa. Após as cinco sessões e reunindo informações mais do que suficientes, encerrei meu relacionamento sexual com o Sr. Goldman, juntamente com meu emprego na Pleasure Den. Depois de esperar três meses, liguei para o sr. Goldman e marquei uma reunião. Ele estava mais do que ansioso para me ver novamente, mas não estava ciente do motivo da reunião. Em vez de mim, o Sr. Sosa encontrou-se com o Sr. Goldman e mostrou-lhe as fotos e o vídeo. O Sr. Goldman foi informado de que, se ele não fornecesse informações sobre o que a Interstellar estava


trabalhando, uma foto por dia seria enviada para sua esposa, juntamente com clipes da longa sessão de vídeo. Temendo que seu segredo fosse exposto, não apenas por causa de sua família, mas também por causa da natureza sensível de suas inclinações sexuais, o Sr. Goldman cooperou sem hesitação e forneceu ao Sr. Sosa a informação, terminando assim minha comunicação com o Sr. Goldman

—Sr. Sosa e Sra. Cantrell foram dispensadas. —Antonio diz enquanto se move para a frente da minha mesa. —Seu escritório está sendo esvaziado agora, e você será escoltado para fora da empresa assim que você sair deste escritório. —Lauren. —Josh se inclina para frente, segurando o papel com tanta força que ele amassa em seus dedos. —Deixe-me explicar, por favor. —Ele implora. Se ele tivesse vindo a mim, eu o teria ajudado. Eu poderia ter dado a ele algo para entregar a Cozza que os satisfaria e tiraria o foco de cima dele por tempo suficiente para que encontrássemos uma maneira de salvar sua reputação e carreira. —Não há nada para explicar. O dano está feito. Você deveria ter vindo até mim e eu teria ajudado você. Eu faria qualquer coisa para proteger meus funcionários e evitar que qualquer catástrofe caísse sobre minha empresa. Se estão dispostos a pedir a ajuda porque precisam salvar suas próprias bundas, é escolha deles. Ele está pálido e curvado, quase hiperventilando.


—As fotos foram destruídas e nunca verão a luz do dia. O Sr. Sosa e a Sra. Cantrell assinaram acordos de confidencialidade e se os violarem perderão mais dinheiro do que desejam. Portanto, suas escapadas sexuais secretas estão seguras e nunca serão reveladas por nenhuma das partes envolvidas. Antonio senta-se na beirada da minha mesa e olha para Josh. Ele manteve-se quieto e me deixou assumir a reunião na maior parte. Eu esperava que ele tomasse o controle, mas mais uma vez, o Sr. Forte me surpreendeu. —Você receberá um pequeno acordo de rescisão e deverá resgatar suas ações imediatamente. Com base no número de ações que você possui, você nunca precisará trabalhar novamente. —Mas… Eu levanto a minha mão, impedindo-o de dizer outra palavra. —Não há mais nada a dizer. Você é um traidor da empresa e será banido da indústria. Se você se candidatar a um emprego, direi ao seu potencial novo empregador por que você foi dispensado. Seja sábio e aposente-se jovem. Eu deveria mandar você para a cadeia. —Não, não faça isso. —Ele se levanta rapidamente e olha para Antonio. —Eu vou. —Ele caminha em direção à porta e olha para o chão. Antes de sair, ele se vira para mim e diz: —Sinto muito, Lauren. Eu realmente sinto. —Eu também, Josh. Eu também. Ele sai sem outra palavra. A segurança está do lado de fora do meu escritório esperando por ele. Eles o escoltam até o elevador sem nenhum problema. Todos do escritório param e ficam o observando enquanto ele espera um carro chegar.


—Eu quase me sinto mal pelo cara. —Eu sussurro para Antonio que fica do lado de dentro da porta, e observo enquanto Josh espera. —Nós fazemos nossas próprias escolhas, e agora ele tem que lidar com as consequências. Não é como se ele estivesse saindo daqui de mãos vazias. Ele é multimilionário. —Você está certo, mas isso não ajuda a me acalmar sobre toda a situação. O fato de que Josh se beneficiou com a fraude é revoltante. Ele teria sido muito rico se nossa nova invenção tivesse chegado ao mercado sem nenhum percalço, e ele ainda estaria empregado na Interstellar. Mas eu não me deixo pensar nisso. Olhar para trás e querer reescrever a história significaria que eu não teria Antonio ao meu lado. Esse pensamento é insuportável porque ele se tornou parte da minha vida assim como o meu trabalho.


CAPÍTULO VINTE E DOIS ANTONIO O primeiro dia completo como Cozza Interstellar começou melhor do que eu esperava. Todos parecem estar mais animados, e ninguém fez nenhuma observação maliciosa em minha presença. A empresa ainda está alojada em duas sedes separadas, enquanto uma nova sede mundial está sendo construída a apenas alguns quilômetros de distância, nos arredores de Chicago. Lauren está se encaixando com o pessoal da Cozza e facilmente assumiu meu lugar. Ela entrou atirando, e eu acho que ela assustou mais do que algumas pessoas com sua atitude de não dar a mínima. Eu não poderia estar mais orgulhoso dela e de tudo que ela conseguiu com tantas cartas contra ela. Ontem à noite, depois que saímos do escritório, ela não queria sair para comemorar. Em vez disso, nós visitamos as sepulturas de seus pais para que ela pudesse dar a notícia a eles. Eu fiquei ao lado do carro, observando-a enquanto ela chorava sobre o terreno gramado, para dar a ela o espaço que ela precisava. Antes de sairmos, tirei um momento e fui prestar meus respeitos sozinho. Mas eu não estava lá para dizer algo aleatório. Eu queria dizer aos pais de Lauren que eu cuidaria dela. Cheguei a perguntar a seu pai se eu poderia ter sua mão em casamento, embora eu soubesse que ele não podia responder. Se ele estivesse aqui, eu teria feito a mesma coisa. De certa forma, sou antiquado e sei que a opinião de seus pais significaria muito. Depois que eu disse o que queria, me juntei a ela no carro e a levei de volta para sua cobertura para uma noite tranquila junto à


lareira. Não houve grande celebração ou festa. O dia que foi cheio de alegria e excitação foi maculado por ter de demitir seu anterior segundo no comando. Eu sabia como ela se sentia. Ter que abrir mão de alguém é horrível, mas fazer isso com alguém com quem você é próximo é incomparável. Não senti nada no dia em que demiti Carlino. Não. Isso é uma mentira. Senti uma sensação de alívio por não ter mais que olhar por cima do ombro, esperando ver o brilho da lâmina que ele estava prestes a enfiar nas minhas costas. Parado do lado de fora do escritório de Lauren, aproveito para olhar em torno do andar e observar nossos novos funcionários no trabalho. Eles estão cheios de entusiasmo quando atendem o telefone e dizem as palavras Cozza Interstellar Corp. Nenhuma outra empresa pode igualar nosso poder e riqueza, especialmente agora que o motor Mercury está em plena produção e todas as companhias aéreas do mundo encomendaram aviões suficientes para substituir toda a sua frota nos próximos dez anos. Além disso, a NASA contratou a CIC para adequar seus novos foguetes ao Mercury, para que eles possam começar a testar sua potência e resistência para uma possível viagem a Marte dentro de uma década. Embora eu queira levar crédito, a coisa toda é por causa de Lauren. Seu desejo de ter sucesso e orgulhar seu pai nos trouxe a esse momento e lugar. Vozes altas vindas de dentro de seu escritório desviam minha atenção da tagarelice dos funcionários. Eu não bato. Eu pressiono meu ouvido contra a porta, escutando. Eu sei que Lauren me mataria se ela me pegasse. —Seja razoável. —Diz um homem. —Faça o que é certo para a empresa e renuncie.


Eu me inclino mais perto e seguro a maçaneta, pronto para invadir o interior e salvar o dia, mas algo me faz parar e esperar. —Saia do meu escritório! —Lauren grita. —Você não merece ser a chefe desta empresa. Forte só deixou o cargo porque você está transando com ele. Sob quaisquer outras circunstâncias, você realmente acha que ele faria isso? Eu invado a porta e ataco Jim Alesci, o principal consultor jurídico da Cozza. Ele pula para trás, mas tropeça em uma cadeira, facilitando que eu envolva meus dedos em seu pescoço. —Seu merda. —Saliva voa da minha boca, caindo no rosto abaixo de mim. —Eu vou acabar com você. Jim luta com meus dedos, mas não estou tentando matá-lo. Eu já causei bastante dano físico para ser facilmente removido do cargo de COO da empresa, mas eu faço um balanço para saber que ele não estará por perto também. —Você chupa o pau dela, Antonio? —Ele provoca enquanto eu resisto à vontade de matá-lo. Lauren puxa meu paletó, tentando me tirar de cima dele, mas ele afasta com a perna enquanto tenta se libertar. Ela perde o equilíbrio e cai no chão perto dos pés de Jim. Eu me ergo e levanto-o do chão comigo. Eu puxo meu punho para trás, pronto para atacar quando Lauren agarra meu braço. — Não. —Ela diz, pedindo-me por esse idiota. Eu me viro para ela, aumentando meu aperto na camisa de Jim. —Por quê? O bastardo merece pelo menos um olho roxo. —Ele não vale a pena. —Ela diz, calma e muito direta. —Por favor.


Lentamente, libero meu aperto e empurro-o para trás. —Pegue suas porcarias e saia daqui. Você não é mais um funcionário da CIC. Seus olhos se estreitam e as narinas se dilatam. —Você não pode fazer isso. Eu vou fazer você pagar por isso. —Processe-me, Jim. Tenho certeza de que os tribunais adorariam ouvir o processo de assédio sexual que traremos contra você. Ele endireita os braços ao lado do corpo e olha para nós dois. —Eu vou fazer você pagar. Eu aceno para ele porque Jim fala por falar, mas o homem certamente não perde a caminhada. Nunca o vi desacatar um funcionário de nível inferior antes, muito menos um membro do conselho. Eu me pergunto quantos outros empregados ele importunou antes sem meu conhecimento e tiveram medo de serem demitidos se eles reportassem isso.

LAUREN Eu esperava uma reação negativa depois que assumi oficialmente o comando da Cozza Interstellar, mas nunca esperei que fosse de alguém da equipe jurídica e um amigo valioso de Antonio. Jim nunca havia mostrado um pingo de animosidade comigo nos últimos meses. Ele nem sequer olhou para mim de lado ou fez qualquer observação que pudesse ser interpretada como depreciativa. Não sei o que mudou que o fez ir até meu escritório e exigir minha renúncia. Ele não tinha autoridade para fazer isso, e eu não ia


recuar por algum idiota que achava que poderia me pressionar para me fazer abrir mão do meu cargo. —Sinto muito. —Eu digo assim que Jim sai e bate a minha porta atrás dele. Antonio se vira para mim e envolve seus braços na minha cintura, me puxando para perto. —Por quê? Eu fecho meus olhos e pressiono meu rosto no paletó dele. —Tudo está uma bagunça agora. —Não, não está. Não dê ouvidos a esse idiota. Você está exatamente onde deveria estar. —Tenho certeza de que outras pessoas estão dizendo a mesma coisa pelas minhas costas. Talvez não as mulheres dentro da empresa, mas noventa por cento dos homens provavelmente estão, pelo menos, pensando a mesma coisa que Jim, mas eles têm o bom senso de não pronunciar as palavras na minha cara. Não importa quantos tetos de vidro sejam quebrados, sempre haverá um idiota misógino para dizer bobagens a uma mulher. Antonio agarra meus ombros e me segura a distância, olhando nos meus olhos. —Não importa o que eles pensem, eu nunca trouxe uma invenção para o mercado que irá evoluir toda a indústria aeroespacial da maneira que você trouxe. Não deixe um idiota destruir tudo o que você trabalhou tão duro para conseguir. —Eu sei. —Resmungo antes de expirar, porque ainda estou cheia de dúvidas. —Mas eu não sei se posso fazer isso. Eu duvido de mim mesma como nunca antes. Cuidar da Interestelar era uma coisa. Eu subi na carreira e aprendi as regras, especialmente quais homens deveria evitar ao longo dos anos, mas


adicionar o pessoal da Cozza à equação me coloca em território virgem. —Você consegue fazer isso. Se Antonio e eu não estivéssemos em um relacionamento, eu provavelmente não sentiria o mesmo. Com ele me apoiando, eu acredito que tudo acabará dando certo e nós seremos capazes de unir as empresas para funcionarem como uma só. Mas isso repousa nos meus ombros, e o fardo é pesado. —E se eu não quiser? As sobrancelhas de Antonio franzem enquanto seus olhos procuram os meus. —Você não quer dizer isso. Você precisa se afastar do escritório por um tempo. —Eu quero dizer isso. —Eu saio de seus braços e atravesso meu escritório. —Fiquei trancada neste escritório por anos, trabalhando duro o tempo todo para fazer da Interstellar a número um e inventar algo tão grandioso que deixaria minha marca na história. —E você conseguiu isso. —Mas a que custo? Se eu não tivesse encontrado você naquele bar meses atrás, estaria sozinha, com uma garrafa de vodka e Tara como minha confidente mais próxima. Antonio está chocado com minhas palavras, mas elas são sóbrias e verdadeiras. Ao longo dos anos, pensei na minha marca na história e no sonho do meu pai. E agora que fiz tudo o que me propus a fazer, qual é o objetivo? —Vamos nos afastar por alguns dias e relaxar. Talvez depois de um fim de semana longe da cidade, você se sinta diferente. —Eu quero passar um tempo com sua família.


—Você quer? —Ele arqueia as sobrancelhas antes de seus lábios se transformarem em um sorriso. —Sim. Sua mãe ligou hoje de manhã para me parabenizar e eu gostaria de passar um tempo com ela. Nos últimos meses, a Sra. Forte abriu os braços, assim como a casa dela, para mim. Esse sentimento de estar perdida como eu tenho agora exige uma viagem para uma pequena perspectiva que só uma mãe pode dar. Mesmo que ela não tenha me dado à luz, ela tem bastante experiência e gentileza para me ajudar no caminho certo. —Eu vou preparar o jato. Nós sairemos quando você estiver pronta. Eu quase o derrubo quando o abraço pelas costas. Embora eu ame o oceano, meu coração não quer nada mais do que estar cercada pela família amorosa e barulhenta de Antonio, onde eu não tenho que me preocupar com suas opiniões ou julgamento. Ele pressiona as mãos no meu rosto, forçando-me a olhar em seus olhos. —Eu te amo, Lauren. —Ele sorri suavemente. Meu coração palpita porque mesmo que ele tenha dito essas mesmas palavras cem vezes, nunca me canso. —Eu também te amo, Antonio. As palavras vêm facilmente para mim agora. Eu nunca pensei que encontraria alguém que me tirasse o fôlego e me desafiasse a cada passo, mas de alguma forma, eu encontrei. Antonio Forte me faz pensar que todas as coisas são possíveis.


CAPÍTULO VINTE E TRÊS LAUREN Eu olho pela janela, admirando os topos dos Alpes cobertos de neve enquanto serpenteamos as curvas aparentemente infinitas em sua base. Senti-me revigorada assim que descemos do avião para o ar matinal quente e perfumado, como se eu estivesse onde deveria estar. Eu nunca pensei que poderia morar em outro lugar além de Chicago. Eu nasci lá, fui criada lá, e é o único lugar na terra que mantém muitas memórias de meus pais. Mas a Itália me enganou, me fazendo querer o modo de vida mais lento, onde cada momento é saboreado e nada é desperdiçado. —Minha mãe cozinhou a noite toda. —Antonio diz como se eu já não soubesse disso. A Sra. Forte desistiu de sua missão de tentar colocar um pouco de carne nos meus ossos. Ela murmura em italiano toda vez que estamos lá, as mesmas palavras sobre o quão frágil eu sou e que ela precisa cuidar de mim. Para ser honesta, eu amo a família de Antonio tanto quanto eu o amo. Eles abriram seus braços para mim e me abraçaram como um dos seus, sem quaisquer reservas ou motivações secretas. Afeiçoei-me até a Stefano, o que eu nunca pensei que aconteceria. Eu olho para Antonio e sorrio. Meu estômago ronca com o pensamento da comida da Sra. Forte. —Todo mundo estará lá? —Não. Violetta está em turnê na Alemanha com sua banda, e Flavia está em algum lugar da Noruega em busca de um viking.


Eu sorrio enquanto imagino Flavia espreitando através das aldeias, tentando encontrar o estereótipo do viking com pelos faciais e músculos volumosos. —Ela sabe que eles realmente não existem mais, certo? Ele suspira. —Ela vem perseguindo um cara no Instagram há meses. Ela afirma que ele é verdadeiro e que ela é apenas uma fã, mas eu me preocupo que está se tornando uma obsessão doentia. —Todos nós amamos nossas fantasias. Deixe-a viver um pouco a dela. Ela descobrirá em breve que a imagem que retratamos nem sempre é a que queremos. —Eu suponho, mi amore. Quando entramos na estrada familiar, uma sensação de calma me envolve. Todo o estresse que tenho vai embora cada vez que estamos aqui. Isso só acontece em dois lugares, e ambos são próximos e importantes para Antonio. A Sra. Forte sai pela porta da frente antes que o carro pare por completo e desce a escada de pedra com o maior sorriso no rosto. —Eu te disse que ela estava animada. —Ele ri enquanto estaciona o carro e desliga o motor. Assim como ela faz todas as vezes, ela me arranca do meu lugar e me envolve em um abraço tão apertado que quase perco o fôlego. —Ah, minha querida. Você está bem. —Ela se afasta e coloca as mãos em minhas bochechas, beliscando-as forte. Eu estremeço e coloco minhas mãos sobre as dela, ainda não acostumada a ela beliscar áreas do meu corpo para testar minha fragilidade. —É tão bom ver você, mamma. —A palavra escorrega da minha língua como se eu tivesse nascido para dizê-la para ela.


—É tão bom ter você em casa. —Ela diz enquanto puxa Antonio em nosso abraço. —Eu sei que as garotas estão animadas também. —Onde elas estão? —Antonio pergunta quando sua mãe finalmente nos libera. —Dormindo. Nós não lhes dissemos que vocês viriam para que elas não acordassem tão cedo. Venham, vamos tomar café na varanda. Antonio envolve o braço nos meus ombros enquanto seguimos sua mãe para dentro da casa. Catarina está do lado de fora, esperando por nós com quatro xícaras e um bule de café feito na hora. O sol bate nas pequenas ondulações na água e cintila quando a brisa passa suavemente. A visão do lago é mais bonita toda vez que a vejo. Catarina se levanta da cadeira com o maior sorriso. —Estou tão feliz por você estar aqui neste fim de semana. Eu precisava de alguém para fazer compras. Estava destinado. —Ainda bem que eu trouxe meus cartões de crédito. —Eu dou risada porque Catarina faz compras como um esporte olímpico. —Sente-se. Sente-se —Ela diz, abrindo os braços e apontando para as cadeiras. —Eu quero ouvir sobre o trabalho. Eu esfrego minha mão no meu rosto, querendo falar sobre qualquer coisa, menos isso. Prefiro enfiar espetos quentes debaixo de minhas unhas, mas eu decido acalmá-la com uma resposta fácil. —A fusão está concluída e os negócios vão como sempre. —É isso aí? —Ela olha para Antonio com um olhar perplexo. Ele dá de ombros e pega o bule. —Tudo está indo bem, mas tivemos alguns obstáculos. —Ele enche minha xícara e olha para mim antes de servir o seu. —Mas nada que não possamos lidar.


—Mamãe. —Uma pequena voz diz atrás de mim, e todos nós voltamos. É Amalia, de pé dentro da casa, com os pés descalços caminhando em direção da varanda de pedra enquanto esfrega os olhos. Ela está vestindo a camisola rosa mais fofa, com babados e rendas cobrindo as barras e deslizando pelo chão. —Mali. —Antonio diz e estende os braços. A mão dela cai para o lado e seus olhos se arregalam. —Zio! —Ela grita e corre pelo pátio em disparada antes de saltar em seus braços. —Ah, minha garota. Eu senti sua falta. —Ele sussurra em seu ouvido enquanto ela envolve seus braços no pescoço dele como um macaquinho. Ela se afasta e coloca as palmas das mãos contra as bochechas dele, apertando até que seus lábios se enruguem. —Zio Ant, tenho muito a contar para você. —Seu rosto é tão sério quanto ela fala, e meu coração palpita enquanto Antonio sorri para ela. —Diga ao Zio Ant o que há de errado, piccolo (pequena). Eu resolvo isso. O homem moveria montanhas por aqueles que ama, especialmente suas sobrinhas que o envolvem em seus pequenos dedos. Mas para dizer a verdade, elas também me têm. Todas as horas gastas jogando e assistindo Toy Story repetidas vezes não foram para nada. Elas me atraíram, e não há como escapar do feitiço mágico delas agora. —Tem um menino. —Ela sussurra. Os olhos de Antonio se estreitam e ele olha para a irmã. Ela levanta as mãos e desvia o olhar. —Eu sei. Eu sei.


—Ela tem sete anos, merda. Amalia suspira. —Zio, você não pode dizer essa palavra. O rosto de Antonio suaviza quando ele olha para o anjinho em seu colo. —Desculpe. O que esse menino fez? —Ele levanta uma sobrancelha e eu me pergunto se ele já está conspirando contra o garoto. —Bem. —Ela coloca a mão em seu rosto novamente e inclina a cabeça, ainda com a cara mais séria que eu já vi. —Nós estávamos nos balanços e ele estava me empurrando. —Ele te derrubou? —Antonio pula direto para o pior cenário. —Não, Zio. Me deixe terminar. —Amalia assume o controle da situação e coloca seu tio em seu lugar como ela sempre faz. — Quando o professor nos chamou de volta para a sala, ele me ajudou a sair do balanço e então ele me beijou. Bem, derrubar Amalia do balanço teria sido preferível ao que ela acabou de dizer a Antonio. Seu rosto se torna um tom de vermelho que eu não vi antes, nem mesmo quando Jim disse as coisas mais vis. Antonio olha para sua irmã, que está sorrindo. —Eu vou acabar com ele. Ela ri e revira os olhos. —Ele tem sete anos, irmão. Não há muito o que fazer sobre isso. —Zio. Me. Ouça. —A voz de Amalia é tão grave e rouca que ela imediatamente chama a atenção de Antonio. —A professora viu e deu a ele uma detenção. Mas eu não entendo. —O que você não entende? —Ele diz enquanto seu rosto ainda está esmagado nas pequenas mãos dela.


—Por que ele se meteu em confusão? Ele não fez nada de errado. Quero dizer, você beija a Zia Lauren, e o Pappa beija a Mamma, e ninguém te coloca em detenção. —Mali, você é apenas um bebê. —Eu não sou um bebê. Eu tenho sete anos. Eu cubro minha boca e dou uma pequena risada na palma da minha mão. Meninas. Nós sempre queremos crescer mais cedo do que deveríamos. Eu me lembro do meu primeiro beijo e como eu estava apaixonada pelo garoto que sempre estará gravado em minha memória. Isso passou rápido, especialmente quando eu o peguei beijando minha melhor amiga no trepa-trepa no dia seguinte. Foi meu primeiro relacionamento fracassado, mas certamente não o meu último. —Eu sei. Mas você é nova demais para beijar. Suas mãos finalmente caem do rosto dele, e ela cruza os braços na frente do peito, colocando distância entre eles. —Eu não sou muito nova. Eu gostei também. —Ela diz com muita certeza. Antonio está em estado de choque. Sua boca se abre como se ele fosse dizer alguma coisa, mas ele não consegue decidir o que dizer, então ele fecha os lábios. Amalia faz uma careta para ele e pula de seu colo antes de entrar em casa. —Bem, eu... —Antonio diz, completamente perplexo. Mamma e Catarina estão rindo quase a ponto de chorar porque não é muito comum que Antonio não saiba como lidar com uma situação. —Nós sabemos. —Catarina diz. —Eu tive a mesma conversa com ela ontem. É inútil. —Eu não estou pronto para elas crescerem.


—É inevitável. Eu lembro da primeira vez que você se meteu em problemas por beijar uma garota. —Mamma diz com uma risadinha. —Os pais dela ficaram tão furiosos que o pai bateu na nossa porta e exigiu um pedido de desculpas. —E assim começa. —Antonio murmura. —Espere até você ter os seus. É muito pior. —Catarina responde. Antonio faz uma careta e olha em minha direção. —Não precisamos nos preocupar com isso por algum tempo. Lauren e eu estamos indo devagar. Mamma limpa a garganta e franze os lábios. Seu desagrado pela declaração é evidente. —Bem, não espere muito tempo. O tempo não é um luxo que vem com um suprimento infinito. Eu aprendi essa lição com meus pais. Como uma menina, eu pensei que eu os teria para sempre. A morte não é algo que uma criança possa compreender, mas aprendi rápido quando minha mãe não voltou. Eu chorei na janela da frente da sala durante meses, olhando pelo vidro enquanto esperava que ela voltasse. Com o tempo, a verdade fria e dura tornou-se a minha realidade, mas foi só quando me tornei adulta que finalmente entendi que a única coisa que é infinita é a morte.

ANTONIO Guila, Amalia, Catarina e Lauren saíram duas horas atrás com montes de dinheiro e dúzias de cartões de crédito em suas bolsas. Elas provavelmente gastariam uma quantia igual ao PIB de uma pequena


nação e ajudariam a impulsionar a economia de Como em um único dia. —Quando você vai pedi-la em casamento? —Mamma pergunta enquanto estou sentado com ela na cozinha enquanto ela prepara o jantar desta noite. —Eu já mencionei o futuro, mas Lauren não estava pronta para falar sobre isso ainda. —Naturalmente, ela não está. Havia muita coisa acontecendo entre os negócios e essa confusão com o ex-namorado. Tudo está resolvido agora, sim? —Sim, mamma. —Você a pediu em casamento? —Ela olha para mim por cima da panela com a cabeça inclinada. Eu balanço minha cabeça e desvio o olhar. Ela coloca a colher no balcão ao lado da panela de molho que já está sendo cozido há horas, mas isso não a impede de apurar até que o sabor esteja perfeito. —Nenhuma mulher quer falar sobre um futuro hipotético. Faça a pergunta a ela. Se ela te ama, ela vai dizer sim. Se ela não... —Se ela não amar, o quê? Eu termino a melhor e realmente única relação que já tive? —Não. —Minha mãe cobre minha mão com a dela. —Se ela disser não, você pede de novo e de novo até que ela diga sim. —Então, eu a pressiono para se casar comigo? —Eu passei bastante tempo com Lauren para saber que ela dirá sim. Ela está loucamente apaixonada por você, mas está com medo de dar o próximo passo. Lembre-se, ela perdeu todos que ela


amava. Não há maior dor no mundo do que a perda de seus pais. Você deveria saber disso. —Eu sei. —Mas você ainda tem a mim e seus irmãos e irmãs. Lauren não tem ninguém. Ela tem sido sozinha por tanto tempo que dar o próximo passo deve ser assustador. —Eu suponho que você está certa, mamma. —Eu estou sempre certa, Antonio. —Ela sorri e dá um tapinha na minha mão, voltando para a panela de molho e pegando a colher. —Pergunte a ela. É a única maneira de você avançar com certeza. —Eu vou. —Agora corra para a cidade e compre o maior diamante que puder encontrar. Não corte todos os cantos, e tenha certeza que é impecável. Estou chocado que ela acha que eu faria menos por Lauren, mas é minha mãe, e ela sempre sente a necessidade de "guiar" seus filhos. Eu dou a volta na ilha e beijo suas bochechas, pensando em tudo o que preciso para fazer um pedido que faça Lauren dizer sim sem qualquer hesitação. —Eu voltarei em algumas horas. —Grande, Antonio. —Ela diz enquanto estou a meio caminho da porta. —Entendi, mamãe! —Eu grito de volta e vou para a cidade, pronto para gastar uma pequena fortuna em um anel.


CAPÍTULO VINTE E QUATRO LAUREN —Por que não comemos com o resto da família? —Eu pergunto enquanto coloco meu garfo no meu prato vazio. Não há nada melhor que o molho da Sra. Forte. Nem mesmo os melhores restaurantes da Little Italy de Chicago podem chegar perto da perfeição que ela atinge todas as vezes. —Eu queria me sentar no meu lugar favorito com minha garota favorita. —Ele sorri sobre a luz das velas. —Sua única garota. —Lembro-lhe com um sorriso irônico. —Você esteve ocupado enquanto estávamos fora. Seu lugar secreto perto do lago foi transformado. As rochas foram cobertas com cobertores e travesseiros, com dois lugares esperando por nós quando chegamos. Ele me atraiu até aqui, lembrando-me que haveria uma chuva de meteoros hoje à noite. E assistir aos fogos de artifício da natureza foi um final perfeito para uma semana estressante. —Eu tive ajuda. Eu olho através das chamas bruxuleantes e sorrio, tocada pelo sentimento e a consideração com que ele preparou tudo. Ele move os pratos para o lado e se aproxima sobre o cobertor até nossas pernas se tocarem. —Mi amore. —Ele diz baixinho enquanto pega a minha mão. —Eu tenho pensado muito.


—OK. —Eu engulo em seco, minha boca seca de repente por causa do olhar em seu rosto. —Como a lua, você me trancou em sua órbita desde o momento em que nossos mundos colidiram. Eu amo quando esse homem fala comigo como se estivéssemos em uma série de romance no Science Channel. —Eu não posso imaginar minha vida sem você nela. Em poucos meses, você mudou tudo o que eu já conheci e me fez querer mais da vida. Meu coração dispara. Esta conversa é séria, mas ele não iria... Será que ele? Ele enfia a mão debaixo do travesseiro ao lado e eu prendo a respiração. Talvez ele faça. Oh meu Deus. Ele vai perguntar. Eu ofego, de repente incapaz de respirar quando a luz do luar irradia no diamante como uma estrela beijada pelos céus. —Antonio. —Eu cubro minha boca com as mãos trêmulas. —Eu não posso esperar mais. Eu nunca amei outra pessoa como eu te amo, Lauren. Eu nunca quis me estabelecer e ter minha própria família até você entrar na minha vida. Eu não quero que você seja minha namorada mais. Eu quero que você seja minha esposa e mãe dos meus filhos. Eu prendo a respiração quando ele faz uma pausa e as lágrimas começam a encher meus olhos. Quando ele insinuou sobre o nosso futuro na ilha, eu o calei rapidamente. Mas a cada dia que passava, eu não conseguia me imaginar sozinha novamente. Eu queria tudo. Eu o queria. Eu queria a cerca de estacas e os minúsculos pés correndo pela casa com uma risada estranhamente


alta em comparação ao tamanho deles. Eu queria o sonho americano e tudo que eu não tive quando criança. —Sim! —Eu grito e me jogo em seus braços, enchendo seu rosto de beijos. —Sim. Ele ri e se afasta, ainda segurando o anel em suas mãos. —Eu não perguntei ainda. —Vá em frente, Forte. Pare de rodeios. —Mexo os dedos perto do anel, incapaz de esperar mais. Meu corpo inteiro está tremendo. Eu não me lembro da última vez que fiquei tão animada. Provavelmente foi algo relacionado ao trabalho, mas pela minha vida, não consigo me lembrar. Mas deste dia, deste momento, eu vou lembrar para sempre. Sentada no lugar secreto de Antonio enquanto a Perseid Meteor Shower13 cai sobre nossas cabeças. Antonio se inclina para a frente, apoiando-se sobre um joelho. —Lauren Bradley, você vai me dar a honra de se tornar minha esposa? —Sim. —Eu digo novamente com tanto entusiasmo quanto eu sinto um momento antes de ele deslizar o anel no meu dedo. É de longe a maior pedra que eu já vi, além das dos museus que exibem os excessos da realeza ao redor do mundo. —É tão lindo. Ele cai para trás e me leva com ele. —Eu amo você, Lauren. Você me fez o homem mais feliz esta noite. —Eu também te amo, Antonio.

13

As Perseidas ou Perséiades são uma prolífica chuva de meteoros associada ao cometa Swift-Tuttle. São assim denominadas devido ao ponto do céu de onde parecem vir, o radiante, localizado na constelação de Perseus. As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra atravessa um rastro de meteoros


Mas eu sei que há mais uma coisa que eu tenho que fazer, e Antonio não vai gostar. Isso precisa ser feito. Eu tenho que ser livre.

ANTONIO Eu estava praticamente zumbindo no momento em que voltamos para a casa logo após a lua subir o suficiente para bloquear os meteoros. Lauren disse sim, e logo ela seria minha esposa. O sono era impossível; meus nervos estavam muito agitados para descansar. Eu olhei para ela por horas, observando-a dormir tão profundamente com uma sugestão de um sorriso no rosto. Logo ela seria a Sra. Forte, e eu faria tudo ao meu alcance para fazê-la feliz. —Não consegue dormir? —Mamãe pergunta quando entra na cozinha logo depois das seis. —Eu tentei. Ela pega uma xícara do armário e serve café antes de se juntar a mim na mesa. —Não foi como você esperava? —Ela disse sim, mamãe. O rosto da minha mãe se ilumina com a notícia. —Você me fez uma mulher feliz esta manhã, Antonio. —Eu nunca estive mais feliz na minha vida. As palavras que eu falo são verdadeiras. Nunca experimentei a euforia que sinto na presença de Lauren. Tudo, até mesmo a tarefa mais mundana, é emocionante e de alguma forma interessante quando eu tenho que compartilhar com ela.


—Por que você não conseguiu dormir? —Estou preocupado que vou estragar tudo. —Eu admito, virando a xícara de café em minhas mãos. —O casamento não é fácil. Você cometerá erros, como todos os outros, enquanto encontra seu caminho em uma nova vida. Minha mãe me deu o melhor conselho logo depois que me casei com seu pai. —Ela olha pela janela, olhando para longe. —Ela disse para nunca ir para a cama com raiva. Essa era a chave para um casamento feliz e longo. —É isso? —Quando isso não funcionar, ela disse para beber muito vinho. Eu dou risada e lembro da minha avó. A corpulenta mulher que não usava nada além de preto nos últimos vinte anos de sua vida porque seu marido havia morrido. —Sempre me ajudou com o seu pai, especialmente depois que vocês, crianças, nasceram. —Ela ri enquanto leva a xícara aos lábios. —Eu sinto muito a falta dele, Antonio. —Eu sei, mamãe. Ele estará em casa em breve. —Eu sei. Eu não trocaria um dia da minha angústia, porque me casei com o amor da minha vida. Eu entendo as palavras dela. Houve dias em que fiquei angustiado com Lauren, como quando Trent levou-a para longe. Mas mesmo durante esses dias, eu nunca desejei que eu não a tivesse conhecido. Eu vivo sem arrependimentos, especialmente quando se trata dela. —Não se enterre no trabalho também. A vida é curta demais para ficar preso em um escritório.


—Diga isso para Lauren. —Eu suspiro. —Temo que ela se mate de tanto trabalhar. —Encontre uma maneira de fazê-la mudar de ideia. —Como? —Um bebê muitas vezes coloca a vida em perspectiva. —Mamãe. —Eu balanço minha cabeça e fecho meus olhos. —Eu não posso forçá-la a ter um filho. —Vinho, meu filho. Vinho.


CAPÍTULO VINTE E CINCO ANTONIO —Pare de mexer nisso. —Stefano bate minhas mãos para longe da minha gravata borboleta. —Eu não posso ficar consertando. O minúsculo pedaço de tecido parece mais um laço do que uma decoração. Minhas mãos estão suando, e não consigo permanecer parado. Eu nunca estive tão nervoso na minha vida, nem mesmo quando pedi Lauren em casamento. —Não. —Ele diz quando eu estico a mão para tocá-la novamente. —Deveríamos ter nos casado na praia nas Bahamas. Stefano enfia um copo de uísque na minha cara, dizendo-me para beber. —Sua ilha é pequena demais para todos nós. Eu engulo sem respirar e entrego o copo vazio para ele. — Lauren nunca deveria ter deixado Mamma planejar o casamento. Ela transformou isso no assunto do século. —Tudo ficará bem. Até o final do dia de hoje, tudo será apenas uma lembrança. —Stefano sorri enquanto enche meu copo. —Mais um e chega. Mamãe vai me matar se eu deixar você ficar bêbado. Há uma leve batida na porta, mas deixo Enzo atender, porque ele está mais próximo e estou muito ocupado com meu segundo copo de uísque. Mamma entra segurando um pequeno envelope em suas mãos. Ela beija meus irmãos antes de parar na minha frente. —Meu filho. Você está tão bonito hoje. —Ela diz.


Eu beijo sua bochecha, tomando cuidado para não estragar sua maquiagem. —Obrigado, mamãe. —Eu vi Lauren. Ela está deslumbrante em seu vestido. —Ela está bem? Eu odiei estar longe dela na noite passada. Passar a noite inteira separados na noite anterior ao casamento é uma tradição tola, mas uma que minha mãe insistiu para que obedecêssemos. Meus irmãos se encarregaram de me levar para uma farra final antes de minha vida mudar para sempre. Era só mais uma desculpa para ficar bêbado e festejar um pouco demais na idade deles, mas eu fui condescendente. Eu fui o único que acordou sem dor de cabeça esta manhã. —Ela está bem, querido. Está um pouco nervosa, mas está melhor que eu quando me casei com seu pai. —Você estava nervosa? Minha mãe sempre parece tão centrada e no controle de suas emoções. Ela é amorosa, mas calculista em tudo que faz, e ela sempre se comportou com um certo senso de autocontrole. Pensar nela nervosa com qualquer coisa é quase absurdo. Ela balança a cabeça enquanto me entrega o envelope, fechando meus dedos ao redor do papel. —Não leia até eu sair e você estar sozinho. E sim, eu estava nervosa, principalmente sobre a nossa noite de núpcias. —Eu não quero saber. —Eu dou risada e cuidadosamente beijo sua bochecha novamente. —Vá ver Lauren. Ela precisa de você. —Digo a ela. Hoje não será um dia fácil para ela. Quando pequena, Lauren sonhava com o dia do casamento. Ela me disse isso. Ela pensou que sua mãe abotoaria seu vestido e daria um conselho sábio antes que


seu pai a levasse pelo corredor. Mas nenhum dos seus sonhos se tornaria realidade com os pais dela mortos. —Eu estou indo. Não deixe seu irmão bêbado. —Ela diz a Stefano. —Mamãe. —Ele diz como se estivesse insultado. —O padre estará aqui em breve para acompanhá-lo ao altar. Minha mãe sai sem outra palavra e olho para o envelope com o meu nome rabiscado na frente. Para minha surpresa, não está escrito na letra da minha mãe, mas na letra cursiva familiar de Lauren. —Dê-me um minuto. —Digo aos meus irmãos e balanço o envelope no ar. —Eu gostaria de um momento em particular. Tenho certeza de que as palavras não são ruins. Minha mãe não me daria más notícias sem um aviso. Ou, pelo menos, não acho que ela me traria alguma coisa sem saber o que era primeiro. Enzo, Stefano e Marcus saem da sala e fecham a porta silenciosamente atrás deles. Sento-me no sofá na extremidade oposta da sala, resistindo ao impulso de tirar a gravata borboleta do meu pescoço. Lentamente, eu abro o envelope, cuidadosamente desdobrando o delicado pedaço de papel branco dentro. Eu me inclino para trás e me preparo para qualquer coisa.

Meu querido Antonio, Seis meses atrás, você entrou na minha vida e mudou tudo em um instante. Você foi meu Big Bang, fazendo com que cada partícula e átomo da minha alma


explodissem em vida. Antes de você aparecer, eu estava andando na escuridão sem nenhum propósito real. Eu tentei te esquecer. Eu tentei seguir em frente. Você não era Lou, e eu não era Elizabeth, não importava o quanto quiséssemos ser. Mas sendo o homem que você é, você não desistiu e me perseguiu até que eu não tinha mais nenhuma vontade de lutar. Como

você

disse

antes,

nossas

órbitas

estão

entrelaçadas. Você é meu sol, a estrela gigante e brilhante que afugentou a escuridão e o frio que encheram meu mundo. Todas as coisas que realizei antes de você têm pouco significado. Não há nenhum ponto na vitória sem alguém para compartilhar nos pequenos momentos que pontuam

nossas

breves

vidas

em

um

universo

aparentemente infinito. Eu pensei muito em nosso futuro e tudo o que você sonha para nós. Seus sonhos são meus quando estamos prestes a dizer eu aceito e nos tornarmos uma entidade única, para sempre juntos num casamento feliz. Eu não quero nada mais do que ouvir o som de pequenos pés enquanto nossos filhos brincam. Eu quero suas risadas, lágrimas e tudo mais. Eu quero deixar para trás um pedaço de nós quando nosso tempo aqui acabar. Algo que só nós criamos através do verdadeiro milagre


da vida. Não é algo que construímos com as mãos ou construímos a partir de um monte de metal, mas um momento sagrado que é verdadeiramente uma bênção dos céus. O pensamento de ter uma família sempre me assustou. Depois de perder meus pais e ser deixada sozinha,

nunca

mais

quis

enfrentar

essa

mágoa

novamente. Mas não posso mais negar a mim mesma uma chance de felicidade. Eu não posso mais negar a você o que você mais deseja. Quero vocês. Quero que nossos filhos conheçam sua família e cresçam na Itália, cercados pela beleza da natureza e por tanto amor que nunca conhecerão a tristeza que sofri. Eu quero a família que nunca tive. Devido a isso, efetivamente em 1º de janeiro, eu estarei deixando o cargo de CEO da Cozza Interstellar e começando na minha nova jornada. Você me ensinou que a vida é muito curta para ficar presa em uma sala de reuniões. Eu consegui tudo o que sempre quis nos negócios e realizei o sonho de meu pai. Para continuar meu legado, e o de nossas famílias, é melhor você me engravidar rápido, porque leva muitos anos para cultivar uma pequena tribo.


Eu estou lançando o desafio, Sr. Forte. Você o aceitará? Eu nunca estive mais animada com uma jornada e com o desconhecido, mas eu sei que com você ao meu lado, o melhor ainda está por vir. Sempre com amor, Lauren

Eu olho para o pedaço de papel na minha mão completamente chocado. Demora um minuto depois que eu li a última linha para que eu possa conseguir pensar em uma única palavra. Cada grama de nervosismo sai do meu sistema. Não estou mais preocupado que ela esteja duvidando de sua decisão de se tornar minha esposa. —É a hora. —Stefano diz, abrindo a porta lentamente enquanto eu estou sentado atordoado no sofá. —Eu estou pronto. —Digo a ele enquanto me levanto com a gravata borboleta ainda perfeitamente intacta. Eu nunca estive mais preparado para nada na minha vida.


LAUREN Ele está lá. De pé no altar, esperando para ser meu. —Você está pronta, garota? —O Sr. Grayson pergunta ao meu lado. Quando ele soube sobre o nosso casamento, insistiu que ele me levasse até o altar. Foi um pouco surpreendente, mas eu aceitei educadamente o convite dele. Ninguém mais tinha sido tão gentil e solidário comigo na Interstellar quanto ele. —Eu estou. —Digo e dou um passo à frente, segurando em seu braço. —Obrigada, Sr. Grayson. Ele dá um tapinha na minha mão e sorri. —Qualquer coisa para você, minha querida menina. Antonio não tira os olhos de mim. O seu olhar é semelhante à primeira vez que nos encontramos em uma sala de reuniões. Todos os convidados ficam de pé e observam enquanto eu atravesso o corredor tão graciosamente quanto posso nos saltos e vestido estilo princesa que estou usando. Eu queria ser a princesa que sempre imaginei quando era pequena. A essa altura, Antonio leu a carta e sabe que não só eu estou me casando com ele, eu estou indo com tudo. Eu não quero mais perder minha vida trancada no meu escritório enquanto o resto do mundo vive. Eu quero mais do que eu já me permiti sonhar. A caminhada até o corredor passa em um borrão porque eu não parei de olhar para o homem que será meu marido por tempo suficiente para me concentrar em mais ninguém. Ele nos encontra na base do altar com a mão estendida e um sorriso no rosto.


—Mi amore. —Ele diz suavemente enquanto pega a minha mão na sua. —Mio marito. —Eu sussurro. O Sr. Grayson solta minha mão e desaparece na direção da multidão que ainda está de pé. Meus olhos estão fixos aos de Antonio enquanto subimos os degraus para dizer nossos votos. Não tenho a menor dúvida de que estou olhando nos olhos do homem que amo. Os olhos que carregam meu futuro.

Fim

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Takeover Duet 2 - Merger Chelle Bliss - serie concluída  

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