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TRADUÇÃO: REVISÃO INICIAL: REVISÃO FINAL: FORMATAÇÃO:


Apavorada com o que minha família queria fazer comigo, eu fugi deles e fui diretamente para os braços de um estranho de olhos cinzentos. O homem me ensinou a amar, criou um casulo ao redor do meu coração que nada poderia quebrar. Eu pensava que minha antiga vida fazia parte do passado, mas meus sonhos não se realizaram. Eles haviam me encontrado e manipularam a situação a seu favor, destruindo minha vida no processo. Para salvar o homem que eu amava, não tive escolha a não ser traí-lo. Ele estava fora da prisão agora. Ele vai querer vingança. Tudo que podia fazer agora era implorar por misericórdia.

Cinco anos. Foi o tempo que passei na prisão por um crime que não cometi. Minha vida, meu status, minha mulher, todos foram roubados de mim. Tantas pessoas sofrerão as consequências pela injustiça feita a mim. Mas eu começarei com aquela que mais me traiu. A mulher que eu amava, a única mulher que ocupou meus pensamentos todos esses anos, desde o momento em que a conheci. A única mulher por quem eu costumava viver. Vivian.


Dedicação

As segundas chances.


Este livro é recomendado para maiores

de 18 anos devido a conteúdo sexual, palavrões, abuso, violência explícita e assuntos adultos. Pode ser lido como independente, embora esteja conectado com a série Pakhan Duet.


Pakhan ou Krestnii Otets "Padrinho": É o chefe e controla tudo. O Pakhan geralmente expande a gangue em quatro células (grupos menores) e as controla por intermédio de um “Brigadier”. Brigadier ou Avtorityet ("Autoridade"): É como um capitão encarregado de um pequeno grupo de

homens. Ele dá empregos para Boyeviks ("guerreiros") e presta homenagem ao Pakhan. Ele dirige uma tripulação que é chamada de Brigada (Bratva). Uma Brigada é composta de 5 à 6 Boyeviks e Shestyorkas. Dois espiões: Vigiam a ação dos brigadiers para assegurar a lealdade deles e para que nenhum se torne poderoso demais. Sovietnik: É o conselheiro e o indivíduo de confiança mais próximo do Pakhan, semelhante ao Consigliere em famílias de crime da máfia ítalo-americana e clãs da máfia siciliana. Kaznachei ou Kassir: É o contador da gangue, recolhe todo o dinheiro dos brigadiers e suborna o governo.

Boyevik: São literalmente "guerreiros", trabalham para um brigadier e tem uma atividade criminosa especial para executar, semelhante aos soldados em famílias de crime mafioso ítalo-americano e clãs da máfia siciliana. Um Boyevik está encarregado de encontrar novos caras e prestar homenagem ao seu Brigadier. Boyevik é também a principal força de ataque de uma brigada (bratva). Os Boyeviks são divididos em três categorias: Kryshas, Torpedos e Bykis. Kryshas: Literalmente "cobertura". Eles são "executores" extremamente violentos, bem como indivíduos astutos. Tal como um executor é frequentemente empregado para proteger um negócio de outras organizações criminosas. Torpedo: "Assassino contratado". Byki: São guarda-costas (literalmente: touros)


SETEMBRO DE 2011 HOUSTON, TEXAS

RADMIR

Cercado pela noite, eu lentamente abri a porta e entrei. A luz do luar deslizou através das fendas e brilhou pelo corredor enquanto uma leve brisa refrescava minha pele aquecida, me trazendo o necessário alívio do tempo quente. A antiga casa, uma


mansão realmente, localizada à beira da cidade, me lembrou de Downton Abbey. A estrutura criava uma aura de mistério e inquietação. Figuras de bronze e troféus de caça cumprimentavam os convidados, aumentando a vibração assustadora, mas para mim, elas não faziam nada. A casa, geralmente cheia de risadas, música clássica e os deliciosos odores de comida caseira, estava envolta na escuridão, somente o barulho do ar condicionado rompendo o silêncio. Obviamente, o convite exibido no meu telefone não era para mim. O que diabos estava acontecendo? Removendo a arma da parte de trás da minha calça e destravando a segurança, eu a ergui na minha frente, varrendo o ambiente. Todos os meus sentidos estavam em alerta máximo e meu instinto me dizia que algo estava terrivelmente errado.


A cozinha localizada à minha direita estava vazia, tudo polido e brilhante, mas o cheiro de água sanitária perturbava minhas narinas. Franzindo o cenho, me movi para o escritório em busca de Cliff, mas o encontrei vazio. Estava habituado a vê-lo fumando o seu charuto ou comendo na mesa convenientemente situada perto de uma janela. O cara raramente mudava sua rotina, alegando germes existentes em todos os lugares e que deveríamos ter cuidado, caso contrário, poderíamos morrer em breve. Cliff era estranho assim, mas era extremamente leal, então eu lidava com sua merda estranha. Uma única folha de papel branca estava sobre a mesa, como se alguém a tivesse colocado intencionalmente ali para que qualquer um pudesse ler. Minha mão enluvada a pegou enquanto eu lia em voz alta. — Eu não vou fazer isso. Não posso. Isto... — a tinta azul deslizara através da


folha em letras ilegíveis, como se alguém tivesse arrancado o papel para longe dele, e estava claro que ele não terminou. Essa era a razão da porra da sua chamada? Franzindo o cenho, pensei de novo na mensagem que ele me enviou uma hora atrás, alegando que ninguém além de mim poderia ajudá-lo e que as consequências poderiam ser fatais se eu não possuísse as informações que ele tinha. Cliff não era uma rainha do drama, então eu acreditei nele. Especialmente nas circunstâncias atuais, quando eu tinha uma guerra em minhas mãos sobre a minha mulher, e não tinha o apoio da Bratva desde que Vasya se recusou a me ajudar. A julgar pela casa de Cliff, ele não estava errado em sua suposição, e alguém deve ter vindo para detê-lo. O som de passos pesados chamou minha atenção, e corri para a espaçosa sala de estar, que dava para uma vista do terraço. Uma figura correu em direção às


cortinas brancas onde o ar quente soprava através de uma porta francesa aberta. Um homem que usava uma máscara negra, uma camisa escura e calças de couro, com botas pesadas cobertas por botinhas de hospital azuis desapareceu por ela, mas não antes que eu visse a tatuagem em sua mão de chifres em cima de dois corações entrelaçados. Eu tinha visto muitas tatuagens em minha vida, mas não reconheci a desse estranho. Quem diabos teria algo assim em sua pele quando matava pessoas? Isso era como colocar um sinal de néon em si para que todos pudessem ver. — Espere, seu filho da puta. — gritei, seguindo-o. Quando pisei em algo pegajoso, minha mente registrou meus arredores. A mesa de jantar, localizada no canto direito da sala, tinha fragmentos da mais fina porcelana espalhada ao redor, como se alguém tivesse as esmagado com raiva. O


sofá de couro largo e as duas cadeiras estavam manchadas de sangue e rasgadas por arranhões profundos como unha. Luminárias e lâmpadas antigas estavam quebradas sob os móveis. Alguém realmente lutou pela vida no cômodo. Os itens destruídos eram as posses mais preciosas de Cliff, então os intrusos não eram ladrões. O tapete persa branco estava manchado por uma grande piscina vermelha, e Cliff estava bem no centro enquanto o sangue escorria dele. Segurando sua mão sobre sua ferida no estômago, seus olhos arregalados em choque e medo, ele sufocava alto enquanto lutava para respirar. — Foda-se, Cliff. — eu murmurei, ajoelhando-me e examinando as feridas de faca que foram feitas em suas principais artérias, removendo qualquer chance que ele teria de sobreviver. A faca estava ao lado de onde tinha me ajoelhado, e sem


pensar, eu a peguei para examiná-la. Pelas bordas afiadas e punho de couro requintado, eu concluí que era uma rara faca de barbear de crocodilo, que poderia infligir mais dor e sofrimento para a vítima. O maldito assassino nem sequer foi rápido sobre isso. Cliff gemeu alto, e eu coloquei minha mão sob sua cabeça enquanto a tristeza preenchia cada osso em meu corpo e a dor passava através de mim. Não restava nada que eu pudesse fazer, além de segurar meu querido amigo em seus últimos minutos de vida. Mais uma alma que seria lembrada pelo resto da minha vida. Sendo parte da irmandade, o sentimento de perda deveria ser familiar, mas ainda disparava através de mim como uma flecha a cada fodida vez. — Ei, está tudo bem. — eu apertei sua mão enquanto ele piscava uma vez, provavelmente entendendo que não tinha chance de sobreviver. Sem hesitação,


comecei a entoar uma oração enquanto ele falava através dos lábios secos. — Obrigado. — e em poucos segundos, ele congelou quando seu coração parou de bater, e então eu fechei seus olhos, esperando que ele encontrasse paz no outro mundo. O que diabos tinha acontecido aqui? Quem iria querer matar Cliff? A Bratva precisava saber sobre isso para me ajudar. Ele era um dos nossos amigos mais próximos; Eles iriam querer sua morte vingada. De repente, lanternas brilharam através da casa enquanto os cães latiam alto e a polícia gritava para abaixar minha arma. Logo antes de levantar as mãos, lembrei-me da mensagem de texto em meu telefone celular enquanto pavor instalavase dentro de mim.


Desconhecido: você.

Vivian não é para

Quem diabos teve a coragem de armar para mim?

Diretor

Emergindo do banheiro fumegante, eu envolvi a toalha em volta da minha cintura. Minha pele doía de tanto esfregar para remover o sangue de Cliff. Eu até mesmo me masturbei no chuveiro, já que nada me excitava mais do que o cheiro de um corpo recentemente morto. Uma onda de poder correu através de mim nas memórias da luta em sua casa. O homem estúpido queria viver e pensou que ele poderia interferir no meu plano para obter o que era legitimamente meu. Ele


não sabia o que jogou bem em minhas mãos. Radmir tinha o mais alto senso de honra; Ele nunca teria deixado seu amigo em necessidade. Meu riso ecoou no quarto enquanto eu estalava meu pescoço de um lado para o outro, desfrutando do alongamento e da sensação de estar no topo do mundo. Servindo-me de um pouco de vinho do minibar do hotel, perguntei-me se alguma coisa na vida me fizera tão feliz. Secando meu cabelo com a toalha, sentei-me na minha cadeira na varanda. Descansei meus pés descalços na pequena mesa enquanto meus olhos estudavam o tabuleiro de xadrez na minha frente. Meu cavaleiro branco se moveu sem esforço no tabuleiro e com um movimento rápido e prático, bloqueei o rei. — Shah mat1! — eu murmurei, e afastei-o do tabuleiro quando ele caiu no 1

O mesmo que Xeque-mate.


chão e rolou debaixo dos móveis. — Sovietnik, você perdeu. Com isso, eu peguei a rainha negra, a cumprimentei com minha taça de vinho e imaginei meu futuro com Vivian. A rainha pertencia a mim agora.


OUTUBRO DE 2017

Vivian

A leve brisa tocou minha pele úmida, criando arrepios na minha coluna. Minha respiração engatou enquanto eu tentava escutar algo que não fosse o meu coração batendo rapidamente.


Thump, thump, thump. Lambendo meus lábios inchados de beijos, eu puxei minhas mãos mais uma vez, esperando escapar da gaiola que ele tinha criado, mas era inútil. À medida que a corda apertada cavava mais fundo na minha pele macia, gemi em angústia pelos espasmos da dor. Por que ele tinha que ser tão hábil nisso, droga? A venda cobriu meus olhos, aumentando meus outros sentidos e forçando a adrenalina a correr através de minhas veias. — Você não pode escapar delas, Vivian. — a voz de Sovietnik tomou conta de mim. Seus passos vindo em minha direção eram o único som no espaço de outra maneira silenciosa. — Eu disse para você me ouvir. Ele parou bem ao meu lado; Eu podia sentir sua respiração abanando minha bochecha enquanto sua mão deslizava através de meu cabelo, em seguida, puxou minha cabeça para trás, fazendo-me


arquear em seu toque. Seus lábios beliscaram meu pescoço, não o suficiente para ferir, mas o suficiente para deixar uma marca. Eu engasguei com a dor leve, e ele imediatamente acalmou com sua língua enquanto me banhava em seu perfume masculino. — Você esqueceu por um segundo que é minha. — seu rosnado enviou arrepios através de mim, e meu núcleo ficou molhado, desesperado por sua atenção. Mentiroso. Mesmo que tudo dentro de mim rejeitasse as palavras, eu assobiei para ele. — Eu não sou sua. — minha resposta foi recebida com um tapa em minha bunda, queimando minha pele e sem dúvida deixando uma impressão vermelha irritada. Uma sacudida de prazer despertou meu desejo, meus mamilos se


endureceram quando meu corpo traidor reagiu à sua presença. — Vamos ver, não é? — ele sussurrou acima da minha boca antes de capturar meus lábios em outro beijo áspero. Suas mãos deslizaram para baixo da minha bunda e me ergueram, forçando-me a envolver minhas pernas em torno dele até minha buceta estar em contato direto com a sua ereção. Ele esfregou para cima e para baixo meu clitóris com seu pau, deixando-me louca com necessidade. Ele não entrou em mim; Ele só permitiu que a ponta entrasse em minha abertura. Soltando minha boca e me deixando lutando para respirar, ele beliscou o meu mamilo direito. Eu ofeguei, e ele lambeu e sugou suavemente sobre ele enquanto choques de eletricidade varriam através de mim. — Vivian. — murmurou ele. Mudando seu foco para o outro peito, ele repetiu sua ação enquanto suas mãos


deslizavam para baixo e cavavam dolorosamente em meus quadris. — Eu vou arruinar você esta noite. Oh, Deus. Eu não tinha certeza se iria sobreviver ao seu tipo de tortura.


HOUSTON, TEXAS ABRIL DE 2017

Radmir

Os portões se abriram lentamente, revelando a estrada empoeirada e um jipe solitário, bem no meio dela, brilhando ao sol - quase fodidamente me cegando. Um homem estava inclinado sobre ele com um enorme sorriso no rosto, os braços cruzados. Ele piscou para mim como se


fosse uma piada de merda. Aparentemente, a Bratva esqueceu nosso código; Caso contrário, Dima, nosso advogado, não teria ousado me mostrar nada além de respeito. A Bratva, ou máfia russa, era uma organização criminosa que gerou gerações e gerações de pessoas com os mesmos valores e código de fidelidade. Vivíamos, lutávamos e morríamos pela irmandade. Havia uma hierarquia específica que nunca poderia ser quebrada ou questionada, e todos tinham que conhecer seu lugar. O Pakhan, o chefe, era o chefe da organização, cujas palavras eram absolutas quando se tratava das regras e das ordens, e quem ousasse desafiá-las enfrentaria sua ira. Infelizmente, devido ao meu humor, até mesmo a presença de Dominic não teria controlado a fúria dentro de mim. — Você está livre para ir, russo. Não faça nada estúpido.


Eu mal me contive de socar o guarda. Ben tinha a reputação de perseguir os presos tanto quanto possível, tentando obter algum tipo de correção através da humilhação. Eu não podia contar o número de vezes que ele me colocou em serviço de limpeza de toalete ou noites solitárias em isolamento depois que ele me bateu até que não houvesse nenhum lugar não marcado deixado em meu corpo. Ele nunca teria sobrevivido contra mim numa briga de rua ou fora da prisão, mas este lugar tinha suas próprias regras especiais. Ninguém consideraria ajudar um prisioneiro que desafiasse os guardas. Então, eu mordi minha língua toda vez e tentei me concentrar no quadro maior, Como me afastar daqui. Naquela época, eu tinha uma razão para viver. Ben não receberia nenhuma satisfação de mim; Em vez disso, eu sorri para ele e o saudei com a minha mão.


— Foda-se. — antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, os portões se fecharam enquanto a poeira sob meus pés soprava em meu rosto, mas quem se importava? Inalando profundamente, meus pulmões acolheram os cheiros repugnantes e o ambiente desolado. Liberdade Liberdade.

finalmente,

Radmir.

Alguém limpou a garganta, e meus olhos se abriram e notaram Dima bem ao meu lado quando ele abriu seus braços e me deu um abraço de homem, acariciando minhas costas vigorosamente. — É bom ver você, cara, muito bom. — ele sussurrou, apertando-me uma última vez, e então se inclinou para trás, me mostrando outro sorrisinho irritante. Por mais que eu pensasse em repreendê-lo por seu comportamento, as lembranças do pequeno garoto que eu pegara nas ruas não me deixariam.


Praticamente todos da Bratva consistiam dos meninos ou adolescentes que eu levei sob a minha asa. Somente esse pensamento me fez sentir mais velho que meus trinta e nove anos. — Você também, Dima, você também. Obrigado por ter me tirado daqui. — o crédito tinha que ser dado quando era devido. Eu não tinha ideia de como ele conseguiu encontrar o verdadeiro assassino de Cliff ou seu negócio com o juiz; Tudo o que importava era que Dima me devolvera a minha liberdade. Algo brilhou em seus olhos, mas ele manteve sua boca fechada, e isso me perturbou. Dima e Dominic muitas vezes tinham uma expressão estranha, como se eles quisessem me dizer algo cada vez que o assunto da minha liberdade surgia, mas não sabiam como. Uma onda de adrenalina surgiu através de minhas veias, sabendo que eu estava finalmente livre do lixo onde passei


cinco anos. Tecnicamente, foram seis, mas recusei-me a contar os seis meses antes da sentença, pois a esperança ainda estava viva que a Bratva poderia encontrar uma solução para os meus problemas na época, e nos últimos seis meses nós sabíamos que eu estava saindo, era apenas uma questão de quando. Sem mais algemas. Sem mais espancamentos dos guardas ou lutas por dominância com os detentos. Nada de comida fodida ou de roupa laranja fodida. Eu era um homem livre. Aquele que estava prestes a fazer as pessoas que o colocaram aqui pagarem. — Você tem todos os arquivos? — Dima se enrijeceu, mas sob meu olhar severo, ele assentiu e estendeu a mão com as pastas.


— Tem certeza disso, brat2? — perguntou ele, claramente não gostando da minha decisão, porque isso ameaçava tudo pelo que eu tinha lutado durante os últimos cinco anos. Oh, eu tinha certeza. Tantas pessoas para cobrar dívidas. Mas eu começaria com aquela que mais me traiu. A mulher que eu amava, a única mulher que ocupou meus pensamentos durante todos esses anos, desde o momento em que a conheci. A única mulher neste mundo por quem eu vivia. Vivian.

2

Irmão, em russo.


Nova Iorque Vivian

Meu telefone tocou alto na sala silenciosa, ecoando nas paredes e esfriando meus ossos, enquanto meu corpo se aquietava e não conseguia mover-se do medo correndo por minhas veias. Eu estava esperando por essa chamada, temia, mas tinha chegado e era terrível. Nenhuma parte de mim queria atender, mas às vezes a vida não lhe dava escolhas. Uma dura verdade que aprendi ao tentar sobreviver neste mundo. Deslizando lentamente para o chão de mármore gelado e frio, engoli todo o ar possível em meus pulmões para não parecer fraca a ninguém.


Finalmente, pegando o telefone perto da lâmpada da mesa ao lado do sofá, eu o levantei para o meu ouvido e respondi com uma voz firme. — Olá? — Vivian. — meu pai falou do outro lado da linha, cheio de preocupação. — Ele está fora. Três palavras simples. No entanto, essas três palavras simples ameaçaram destruir a vida que eu conhecia, e eu era impotente para deter isso. Sem me preocupar em ouvir mais alguma coisa que ele tinha a dizer, desliguei a ligação, atirei o telefone na cadeira e caminhei até a varanda, tentando me acalmar com a visão noturna de Nova Iorque. Luzes cintilantes iluminavam a cidade de uma forma que criava um ar de mistério e romance. Mas enquanto na maioria dos


dias me acalmava e permitia que minha mente se afastasse, naquele momento, não me ajudou tanto quanto eu queria. A leve brisa esfriou minha pele aquecida, coberta apenas com uma camisola branca leve, de cetim. Meu cabelo comprido estava puxado por cima do meu ombro, e eu fechei meus olhos por um segundo, deixando ir todas as preocupações. Instantaneamente, minha cabeça ficou cheia de imagens de dois corpos entrelaçados em uma cama enquanto o homem acariciava suavemente a bochecha de uma mulher que tinha um sorriso em seu rosto. — Vivian. — a voz. A voz era profunda e rouca. A voz dos meus pesadelos. A voz em meus sonhos.


A voz que pertencia ao único homem que eu costumava amar incondicionalmente. O homem que era o pai do meu filho. Ele estava fora da prisão. E ele viria atrás de mim por vingança. Tudo que eu podia fazer era orar por misericórdia.

Radmir

Entrando no armazém, eu olhei de um lado para o outro enquanto a pessoa sentada com os braços amarrados à cadeira de metal choramingava. Dando-lhe o meu melhor sorriso sinistro, eu disse a Dima, Petor e Vitya: — Saiam.


Eles saíram, mas não antes de Vitya sussurrar em meu ouvido: — Pense antes de agir. Com isso, a porta do armazém se fechou, deixando-me sozinho com vários dispositivos de tortura espalhados sobre a mesa e o filho da puta que testemunhou contra mim no tribunal todos aqueles anos atrás. Uma única lâmpada iluminava o espaço frio e escuro. O gêmeo de Dominic sabia, de fato, como infligir dor às pessoas, se sua coleção de facas, fios, correntes e alicates fosse um indicativo. Fora ele quem trouxera tudo aqui. — Me desculpe. — o cara implorou, enquanto respirava pesadamente com medo. Ele lutou para sair da cadeira, mas tudo o que conseguiu foi bater contra o chão. Ignorando suas desculpas, eu coloquei luvas de látex e passei meus dedos pelas


correntes de metal, desfrutando sensação de poder correndo por mim.

da

Sim, seria realmente libertador finalmente me vingar dos que mereciam, um presente generoso que o Pakhan me permitiu, considerando nossas regras arcaicas. O Sovietnik, o conselheiro, era a mão esquerda do Pakhan, e seu trabalho era supervisionar as ações que o chefe ordenasse e tudo relacionado com os negócios da Bratva, cuidar dos aspetos legais da organização e da situação financeira. Mas a parte mais importante para o Sovietnik era ser um conselheiro imparcial do Pakhan e resolver conflitos internos. Para todos os efeitos, o Sovietnik deve ser desprovido de qualquer interesse ou ambição, o que significa que ele não sabia metade da merda que estava sob o radar. E mais importante, ele nunca deve se envolver em qualquer tipo de luta ou tocar


qualquer aspeto ilegal da Bratva. Estar presente durante espancamentos e outras coisas era uma das coisas que ele não deveria ser associado. Antes de Vasya, nosso antigo Pakhan - que ele descanse em paz - me conceder a posição de Sovietnik, eu costumava ser o executor, o que significava que eu era o melhor quando se tratava de lutas e armas. Além disso, ele confiava em mim com novos recrutas, e essas merdas me fizeram muitas vezes bater de frente com a sua teimosia e atitude não-foda-comigo. Mas eu não podia permitir que mais ninguém vingasse meus anos perdidos, e Dominic poderia ser o Pakhan, mas ele era meu amigo em primeiro lugar. Além disso, ninguém, a não ser ele, compreendia a necessidade de vingança. Sorrindo, eu brincava com os alicates, causando um som metálico, e o homem engoliu alto, medo evidente em seu corpo. Gotas de suor escorriam pela testa dele,


enquanto seus olhos procuravam freneticamente uma saída, o que não era possível considerando quem projetou este estabelecimento. — Por favor, não tive escolha. Rindo com aquelas palavras absurdas, eu me inclinei para baixo e rocei o metal contra seus nós dos dedos, e ele fechou os olhos, choramingando. Mas em vez de bater em seus dedos como esperava, cortei a corda e libertei suas mãos e pernas da cadeira. Arfando, cantava:

esfregou

os

pulsos

enquanto

— Obrigado, muito obrigado. Eu vou te pagar o quanto você quiser. — eu levantei minha sobrancelha em diversão, porque o norte-americano fodido era hilário. Será que ele realmente pensava que eu iria deixá-lo ir tão facilmente, só porque ele pediu para ir?


A generosidade era um dom que não era de esperar de um homem que perdeu tudo no espaço de cinco anos. Minha vida, meu status e minha mulher foram roubados de mim. A misericórdia era um presente que nenhum dos meus inimigos conseguiria. Colocando soqueiras de bronze e com uma faca na mão direita, eu a joguei para ele. Ele mal a pegou, segurando-a firmemente em seu peito enquanto tremia de medo. — Eu jogo limpo, mesmo com pessoas que não merecem. — nas ruas onde cresci, o mais forte sempre vencia. Meus valores e o código pelo qual eu vivia não me permitiam torturá-lo sem lhe dar uma chance. Dessa forma, ele poderia pelo menos perder as esperanças, porque ninguém era melhor que eu. Mas certo como o inferno, seria surpreendente ver esse homem tentar.


— Lute. — com isso, eu balancei meu punho contra ele e ele o bloqueou. Na luta, nós nos empurramos para trás enquanto ele procurava por meus pontos fracos. Recuando, forcei-o para frente quando ele tentou empurrar a faca para dentro do meu fígado, mas eu deslizei para o lado e em vez disso acertei-o no queixo, de modo que sua cabeça girou para trás. Não lhe dando muito tempo para se recuperar, eu o soquei nas costas, mas não antes de lhe dar um golpe no rosto. Gemendo, ele caiu no chão enquanto o sangue escorregava pelos dedos dele, mas eu não me importava. Tudo que eu podia ver eram as memórias que piscavam através de minha mente como um vívido filme preto e branco. — Sr. Harrington, você é uma testemunha neste caso. Você viu quando Radmir Abdulabekov fez um ferimento fatal à faca a Cliff Harrington em 19 de setembro de


2011? — perguntou o juiz debaixo de seus óculos, enquanto eu estava sentado ao lado de meus advogados. A audiência foi encerrada para que ninguém na plateia pudesse vê-la como uma espécie de circo, enquanto o júri me olhava com desprezo e desdém. Conrad endireitou-se e sorriu em minha direção, mas rapidamente cobriu-o de tristeza enquanto baixava a cabeça. — Sim. Como você sabe, eu fui ver meu irmão, Cliff, naquele dia, e quando entrei em sua casa, esse homem — apontou para mim. — Segurava uma faca na mão depois de apunhalá-lo. Graças a Deus a polícia estava comigo, ou ele teria me matado também. — então seus olhos se iluminaram com raiva enquanto ele se dirigia ao juiz, sua voz cheia de ódio. — Pessoas como ele merecem apodrecer na prisão por toda a vida. As palavras do filho da puta ecoaram em meus ouvidos quando as algemas foram


postas em meus pulsos enquanto o juiz anunciava minha sentença. Saindo do passado, eu o chutei com força no estômago. Ele gemeu mais alto. Incapaz de se levantar, ele rastejou pelo chão, sua camisa branca rapidamente encharcada de sangue. Assobiando em voz alta, eu peguei a arma e apontei para sua testa enquanto ele balançava a cabeça, ainda aparentemente esperando por misericórdia. — Você estava certo, Conrad. Eu matei um Harrington, afinal. — com isso, eu disparei a arma, e ele caiu de costas com os olhos abertos, mortos. Um já foi, faltam dez. Eu desejei matá-lo por tanto tempo - seu testemunho tinha sido o último prego no meu caixão - mas eu não poderia desfrutar muito sem torturar sua mente em primeiro lugar. As minhas próximas vítimas não receberiam tanta misericórdia.


Eu ainda tinha satisfação do ato.

de

experimentar

a

Removendo as luvas de látex, eu joguei-as na caixa e lavei minhas mãos na pia, então chamei Vitya. Em cinco minutos, ele apareceu junto com Misha, para o meu choque. — O que diabos você está fazendo aqui? Misha revirou os olhos, enquanto sorria para mim e me deu um abraço de urso, apesar de ser mais baixo do que eu por alguns centímetros. — Dominic me enviou. Não podemos arriscar que você quebre qualquer lei nos EUA. — ele colocou sua pasta preta no chão enquanto esfregava as mãos. — Bom trabalho que você tem para mim aqui. — ele colocou as luvas enquanto suspirava entusiasticamente pelo homem morto à sua frente. Misha era o limpador da Bratva, o queria dizer que, quando alguém era morto ou


precisávamos dispor de evidências, ele aparecia e se assegurava de que os policiais nunca pudessem rastrear a Bratva ou qualquer outra pessoa. O que ele fazia, eu não tinha ideia, mas era bom nisso. O cara era seriamente doente. Ele era magro e nerd em comparação com outros membros, e não acreditava em violência física, embora não seria bom alguém subestimá-lo. Ele poderia matar alguém e teria a certeza de que ninguém jamais encontrasse os restos mortais. — Divirta-se. — eu murmurei, enquanto ele acenava, não gostando de ser interrompido durante seu processo. Ao sair do armazém, dois jipes esperavam por nós, e Vitya respondeu à minha pergunta silenciosa. — Petor vai levá-lo para a cobertura, para que você possa descansar. — ele estava escondendo alguma coisa, mas eu não tinha vontade de saber. Limpando a


garganta, acrescentou: — Nós vamos embora amanhã de manhã, não podemos ficar muito tempo, Dominic precisa de Misha lá. Falando no Pakhan... — Como ele está? Os olhos de Vitya tristeza. — Nada bem.

escureceram

em

Sim, ele teve sua tragédia com sua própria mulher e mal tinha tempo para a irmandade. Ainda bem que ele tinha um homem tão leal como Vitya ao seu lado. — Eu ainda tenho dez pessoas para punir. — Agora não, Radmir. Você precisa relaxar por um tempo, e depois pode fazer o que quiser. Mas você não é mais um prisioneiro. Você é um Sovietnik. Balançando a cabeça em acordo, eu bati nas costas dele. — Não se preocupe, Vitya. Tudo está voltando ao normal.


Sua boca se ergueu em um sorriso zombeteiro. — O Pakhan e o Sovietnik estão sofrendo e vão infligir sua vingança nas pessoas que os prejudicaram. Nada voltará ao normal até que ambos possam se livrar de sua dor. Eu não tinha declaração.

resposta

para

sua

Seguir em frente estava fora de questão até que todas as pessoas envolvidas tivessem morrido com uma morte dolorosa. Só então, meu coração e minha mente se acalmaria. Mas o que eu faria com a única mulher que eu já amei?


Diretor

Radmir Abdulabekov foi libertado da prisão, não importa o quanto eu tivesse tentado mantê-lo lá. O maldito idiota tinha uma estrela de sorte ou algo mais ligado a ele. Grunhindo de raiva, empurrei o laptop, lâmpadas e notebooks de minha mesa de escritório enquanto eu me levantava, minha raiva muito esmagadora para ignorar enquanto minha mente procurava uma solução para esta situação. Finalmente acalmando-me, um sorriso suave puxou meu rosto enquanto levantava a foto emoldurada de Vivian Jordan e traçava sua beleza com meus dedos.


Ela seria minha, mas eu jamais a machucaria. Mesmo matar Radmir nunca foi parte do plano, porque ela amava o homem. Eu poderia ficar puto por isso; Afinal, nós pertencemos um ao outro, e ela não deveria sonhar ou chorar sobre outro homem. Mas sua ilusão de amá-lo a manteria longe de outros homens, e isso funcionaria para mim. Subconscientemente, ela estava se guardando para mim; Ela não tinha me encontrado naquela época, então não entendia nossa conexão. Ele ficou no caminho. Eu estava pronto para ser generoso com qualquer um, mas parecia que eles não me deixavam escolha. Todos os que estavam entre Vivian e eu teriam que morrer. Até mesmo seu filho representava o passado que ela tinha compartilhado sem mim, e eu não permitiria isso. As crianças


eram inocentes, mas ela não me ouviu quando tentei convencê-la a abandoná-lo todos aqueles anos atrás. A única escolha que me deixara foi a crueldade. O jogo tinha começado oficialmente. Que o mais forte vença.


TEXAS JULHO DE 2011

Vivian

Passaporte, bilhetes e documentos, ok. Bagagem, laptop, câmera e smartphone, ok. Cachecol, água, barra de cereais e chiclete, ok. Se alguém me dissesse há alguns dias que iria arrumar uma mochila e deixar tudo isso para trás, eu teria rido em seus rostos.


Vivian Jackson não era capaz de tais coisas espontâneas e imprudentes. Vivian era a filha perfeita, o tipo de criança com que todos os pais sonhavam. Graduada com honras em Harvard, onde ela ganhara uma bolsa de estudos e trabalhou duro. Maneiras perfeitas, trabalhava com a caridade, sempre educada e gentil. Sempre colocava sua família em primeiro lugar e nunca foi rebelde. Sem rumores, má reputação, ou brincadeiras. Amada pelos professores, e ela tinha apenas alguns amigos próximos. Não havia tempo para se divertir com todas essas responsabilidades, mas Vivian nunca se queixou disso. Ela estava feliz de que sua família precisasse dela, mesmo que alguns amigos não entendessem que essa era a sua vida. Talvez fosse por isso que todos eles desapareceram com o tempo.


Como eu disse, Vivian era perfeita, e olhando seu reflexo no espelho, eu nunca a odiei mais. Eu estava cansada de ser a Vivian perfeita que todo mundo adorava e usava. Eu não tinha vida. Nada para se preocupar, nada para se orgulhar. Esperava que o cara certo aparecesse, e adivinhem? Ele nunca veio, e eu odiava esse cara imaginário também. Ressentia-me dele, até. Eu pensava que minha existência inútil seria compensada pelo menos com alguma história de amor épica, mas não havia tal coisa. Eu já tinha o suficiente. A última gota foi a decisão do meu pai de me casar com Alex Jordan, porque ele fez negócios com seu pai e essa fusão beneficiaria ambas as famílias. Ele apenas


me informou, como se fosse um negócio feito. Como se minha vida pertencesse a ele, e eu fosse uma boneca sem emoção. E antes que eu pudesse até mesmo protestar, ele me lembrou o quanto minha vida dependia dele, já que eu trabalhava em sua empresa e o ajudava a administrá-la. Ele teve um ataque cardíaco há um ano e a filha responsável em mim entrou logo após a formatura, na esperança de tirar o fardo dele por um tempo. Eu nunca esperei que meu sacrifício fosse jogado na minha cara. Eu tinha um diploma de prestígio, mas nenhum trabalho, porque toda a minha energia estava focada em ajudar meu pai. Meu único amor verdadeiro era a fotografia, mas mesmo esse relacionamento acabou. Coloquei toda a minha energia em negócios familiares, e a constante rejeição de galerias, jornais e revistas também não ajudou muito em meu caso. Meu site também não teve muita sorte. Ninguém o


visitava, e eu tive que constantemente ouvir o meu pai zombar de seus investimentos em meu hobby pouco produtivo, porque não trazia nenhum lucro. Agora, como ele considerou um investimento comprar uma câmera profissional há alguns anos para mim, estava além de minha percepção. Quem diabos vivia assim? Sem auto respeito, onde ninguém se preocupava com meus desejos, esperanças e sonhos? Como eu poderia ter permitido isso? Todos esses luxos valiam a pena? O medo do desconhecido valia a pena? Eu costumava pensar que valia. Mas não mais. Pela primeira vez em minha vida, eu estava mostrando meu dedo médio para as responsabilidades, deveres e tudo o mais que implicava que eu tinha que ser a garota perfeita, enquanto minha vida passava como um borrão. Foda-se essa merda. Não mais.


Pegando minha mochila em uma mão enquanto a outra pegava a mala, eu olhei uma última vez para o lugar que chamava de casa. Eu costumava adorar a casa de fazenda maciça, onde você poderia apreciar a beleza da natureza. Agora, olhar para ela me fez sentir nada além de náuseas. Minha própria prisão que estava retirando lentamente a vida de mim, e para sobreviver, eu tinha que fugir. Antes que alguém pudesse me parar, eu subi dentro de um táxi, coloquei meus óculos de sol e olhei para frente. Nada neste mundo poderia ter mudado meus planos. A vida estava esperando por mim.


ABRIL DE 2017

Radmir

Inclinando-me sobre a cerâmica fria, gemi quando as gotas quentes de água aliviaram meus músculos doloridos enquanto o chuveiro se enchia de vapor. A água suja em meus pés desceu pelo ralo, levando a prisão e toda a sujeira daquele lugar embora. Eu me ensaboei, saboreando o luxo de não estar tenso ou sempre ter que olhar por cima do meu ombro em caso de perigo. Pequenas coisas como um chuveiro, que são uma necessidade, pode despir você do seu orgulho ou de qualquer outra coisa na prisão. Eu nunca poderia permitir-me saborear uma chuveirada adequadamente


quando alguém estava lá comigo. As pessoas devem apreciar as coisas que elas têm e não tomá-las como algo certo. A água começou a esfriar, então eu fechei a válvula e saí, peguei uma toalha, envolvi-a em torno dos meus quadris e, em seguida, exalei alto enquanto eu enrolava meus dedos do pé no tapete macio fofinho. Era um contraste com o azulejo robusto, frio, quebrado na prisão. Eu ainda tinha algumas bolhas e cortes em meus pés da última vez que alguém quebrou um copo no chão e tirou meus sapatos para que eu pisasse nos estilhaços. A vida na prisão não era fácil; Alguém sempre se certificava disso. A quantidade de merda que eu recebi lá só poderia ser explicada como uma vingança pessoal contra mim. Aquelas pessoas não perceberam um fato importante, embora. Não envie ovelhas para matar um lobo.


Cada golpe, briga, cicatriz, dor só me fez mais forte para que eu pudesse sobreviver para minha vingança. Limpando a névoa do espelho com a palma da mão, estudei meu reflexo, tentando reconhecer esse animal barbudo com corte de cabelo Mohawk como Radmir Abdulabekov. Eu costumava ser o mais certinho da Bratva. Ternos, cortes de cabelo sofisticados e, geralmente, barbeado. Mas agora, várias cicatrizes novas marcavam meu peito e costas de feridas de faca. Novas tatuagens nas minhas mãos e nas costas forneceram uma memória permanente dos anos que perdi e, finalmente, a pele áspera e danificada das batidas que nunca seriam as mesmas. Meus olhos, que costumavam ser cinza e cheios de risos e brincadeiras, não continham mais nada senão fúria e raiva pela injustiça feita a mim.


Grunhindo com os pensamentos inquietantes, eu desliguei a luz e entrei no quarto só para parar quando eu notei uma estranha lá. Uma mulher nova com cabelos louros e longos, usando um vestido preto apertado que mal chegava até suas coxas e saltos altos, o que permitia que seus quadris balançassem de um lado para o outro ao se aproximar de mim. Seus olhos verdes deslizaram para baixo do meu corpo enquanto acendiam com apreço pelo meu físico. Eu gostava de sexo tanto quanto qualquer outro cara, e muitas vezes eu me divertia mimando meus casos de uma noite com jantares caros e sendo cavalheiro, mas não significava nada. No entanto, eu sempre reconheci o olhar em seus olhos quando elas pensavam que tinham acertado na loteria comigo.


— Sovietnik. — ela murmurou. Seu sotaque era grosso, então não havia dúvidas de que ela era da Rússia. Quando o perfume dela chegou a mim, eu me encolhi com o cheiro forte. Que porra de marca era aquela? — Estou aqui para fazer você se sentir melhor. — ela empurrou seu cabelo sobre seu ombro. — Ordem direta da Bratva. — logo antes que sua mão tocasse meu abdômen, eu a agarrei e empurrei para atrás... para seu ofego surpreendido. — Saia daqui. — ela puxou seu vestido, confusão escrita em seu rosto. Na minha velha vida, eu teria sido mais gentil, já que costumava adorar as mulheres, mas no momento, meu humor não era exatamente acolhedor. — Mas você está fora da prisão... eu sou um presente. — ela ainda insistiu, lambendo seus lábios e mostrando seu decote generoso, mas eu não me


importava. Minha mente estava tentando entender suas palavras. Então me ocorreu. A Bratva tinha várias regras, um código pelo qual todo mundo vivia, e elas nunca foram quebradas. Uma delas dizia que, se um membro tivesse se encontrado na prisão em qualquer ponto de sua vida, e se ele não fosse casado, uma mulher deveria ser entregue em sua casa ou em seu quarto para lhe dar prazer para compensar todos aqueles anos solitários. Dima estava simplesmente seguindo as regras, provavelmente sem consultar o Pakhan primeiro, porque Dominic sabia minha posição sobre isso. — Eu não vou repetir novamente. Sai fora, porra. Ela franziu a testa, abriu a boca para discutir mais uma vez, mas deve ter visto algo em meus olhos, pois rapidamente agarrou sua jaqueta da cadeira e se moveu


para a porta. Com força, ela a abriu e saiu, mas não antes de gritar: — Um homem normal precisaria de uma mulher. — e bateu a porta com força atrás dela. Caminhando até a enorme janela, que iluminava o quarto com as luzes da cidade refletida nela, eu descansei o meu braço sobre o vidro e me concentrei nas luzes acesas abaixo. Oh, ela estava certa. Eu precisava de uma mulher. Mas não qualquer mulher. Eu precisava de Vivian, tão patético quanto soava, e antes de encerrar tudo com ela, eu sentiria o prazer de seu corpo mais uma vez. Talvez então a ideia de machucá-la fosse menos dolorosa. Com esse pensamento em mente, eu removi a toalha e movi-me para o guardaroupa. Por que esperar o inevitável, se tudo isso poderia ser feito agora?


Vivian

Olhar para o meu teto e contar navios não me ajudou a adormecer, não importa o quanto eu tentei. O ligeiro sussurro das cortinas voando em volta da porta da varanda aberta me perturbava, criando uma consciência no meu corpo que não me permitia relaxar e derivar para a terra dos sonhos. Ou talvez você esteja enlouquecendo. Abandonando a ideia de dormir, eu empurrei o cobertor para longe e me levantei, gemendo alto na rigidez em minhas costas. Isso é o que eu recebo por passar muito tempo em minhas costas durante um photoshoot caro para a revista Vogue.


Mas o dinheiro era bom, e na minha posição, eu estava grata por ter um trabalho bem remunerado que me permitia ser financeiramente independente de qualquer um. Minha existência sob as pilhas de mentiras era bastante difícil. O barulho do meu telefone celular me tirou de minhas reflexões deprimentes, e percebendo a identificação do chamador, meu rosto iluminou com um sorriso. Ele sempre tinha o melhor timing. — Oi querido. Um grito, e então um alto: — Oi, mamãe! — me cumprimentou do outro lado da linha, e a alegria se apoderou de mim. Meu filho pequeno era a única fonte de felicidade em minha vida. — Adivinha, mamãe? — perguntou, animado, sentando-se na minha cadeira grande e macia, verde, desfrutando da suavidade que proporcionava.


— O quê? — Acabei de assar meu próprio biscoito. Eu parei por um segundo com essa informação, porque com meu filho, você nunca sabia de verdade, e então disse: — Você assou? Como assim? Ele bufou, claramente exasperado que tivesse que me explicar. — Vovó me mostrou como, e então nós assamos bolinhos de chocolate juntos. Os meus são melhores. — disse ele orgulhosamente, e eu esfreguei minha testa, me perguntando se essa fase poderia jamais passar. Jake, meu filho, tinha cinco anos de idade e o coração mais gentil de todos. Ele traria animais feridos para casa de seu passeio no bosque, ajudaria os idosos na calçada com seus mantimentos - e com isso eu queria dizer que eles lhe davam algo leve, então ele teria um senso de responsabilidade - e ele sempre contaria


histórias para quem ouvisse, para iluminar o humor. No entanto, ele também tinha um senso de competitividade, e ele sempre tinha que ser o melhor em alguma coisa. O segundo lugar não. Eu não tinha ideia de como controlá-lo ou explicar algo a ele, sem desencorajá-lo a fazer o seu melhor. Infelizmente a maternidade não vinha com algum tipo de livro que tinha uma lista de diretrizes. — Tenho certeza que sim, querido. Mas a vovó prepara os melhores cookies. — olhando para o relógio, eu mentalmente contei o tempo no Texas e perguntei. — Por que você ainda não está na cama? — Vovô disse que eu podia ficar acordado. — ele simplesmente respondeu, e depois ficou quieto, enquanto o som de seu desenho favorito poderia ser ouvido no fundo.


Rangendo meus dentes, eu mal me contive de chamar meu pai e repreendê-lo por esse comportamento. Ele não se importava com a agenda de Jake, sempre tentando ser o melhor vovô. Como se tivesse alguém para competir pelo título. Anos atrás, ele se assegurou de que Jake não tivesse ninguém além de minha família ao seu redor. Meu pai não era um homem com quem você pudesse mexer, e francamente ele não se importava com meus sentimentos, mas ele amava Jake com tudo o que tinha. Era o neto esperado há muito tempo, finalmente um menino na dinastia Jackson, e meu pai o amava. Se dependesse de mim, Jake não iria deixar o meu lado, mas as regras eram diferentes. A ordem de Alex de mandar Jake lá uma vez por mês era estranha, mas eu não me opunha muito. De todas as coisas estranhas que ele poderia ter exigido de mim, aquilo pelo menos beneficiava meu


filho. A única graça salvadora deste arranjo era o fato de Jake gostar de passar apenas um fim de semana com eles a cada mês. Caso contrário, eu ia agarrá-lo e correr para longe, onde ninguém ousaria ameaçar nos machucar. Os pensamentos de um homem de olhos cinzentos e bonitos entraram em minha mente, e meus olhos se fecharam por um segundo, saboreando a imagem de Radmir que minha mente criou. Com apenas um olhar severo, ele poderia fazer um homem parar imediatamente, assim não olharia nem mesmo em minha direção. Ele não permitiria que seu filho ou mulher ficassem aterrorizados com o que os rodeava. Se ele tivesse tido a chance nos proteger o tempo todo... Se sua vida não estivesse na linha quando engravidei. Apenas ‘se’.


Limpando a garganta, voltei-me para o presente e ignorei o pensamento estúpido correndo pela minha mente. — Jake, querido? — Sim, mamãe? distraidamente.

ele

respondeu

— Que tal tomar um banho e depois ir dormir? — à essa distância, eu poderia imaginar que ele estava exausto. Papai sempre planejava viagens de pesca junto com um churrasco. Adicione assar os bolinhos, e tinha sido o suficiente para cansar um menino de cinco anos de idade. Ele provavelmente comeu açúcar suficiente para durar por uma semana, e essa era a única razão pela qual ainda estava em pé. — Ok, mamãe. — ele reclamou, e então disse: — Amo você, mamãe. Meu coração bateu dolorosamente no meu peito, aquecendo minhas entranhas congeladas.


Meu bebê, que fazia tudo isso suportável e valer a pena. — Amo você, querido. Mal posso esperar para te apertar amanhã. — com isso, desliguei o telefone e escrevi uma mensagem rápida para minha mãe a respeito dele. Ela ouviria, e depois da minha última conversa com o pai algumas horas atrás, eu não aguentava falar com ele. Por que ele me ligaria para falar sobre isso? O tema Radmir estava estritamente proibido em minha casa. Tivemos brigas suficientes sobre isso para durar uma vida inteira. Às vezes eu me perguntava se eles achavam que fiquei grávida do nada, e em sua cabeça, Jake não tinha pai. Colocando o telefone na mesa, eu estava prestes a ir ao banheiro tomar um banho quente, esperando relaxar meu corpo o suficiente para dormir, quando o som de um vaso esmagando no chão me pegou desprevenida.


Correndo rapidamente para a sala de estar, meus olhos arregalaram-se ao notar a porta do terraço aberta que geralmente estava fechada em nossa pequena casa suburbana. O forte vento que deve ter aberto a porta do terraço também deve ter derrubado o vaso. O luar iluminava tudo, permitindo que eu me movesse livremente sem as luzes acesas, e quando me inclinei para pegar os cacos espalhados ao redor, uma ingestão áspera de fôlego me parou no lugar. Uma consciência se apoderou de mim, aquecendo meu corpo enquanto o cheiro familiar masculino enchia o ar, e meu coração congelou por um segundo e depois retomou, batendo duas vezes mais rápido do que antes. Girando, eu me vi cara a cara com o homem que tinha assombrado meus sonhos durante os últimos seis anos. O amor da minha vida.


Radmir. Ele estava aqui. Eu não podia acreditar que depois de seis anos de separação, ele veio no meio da noite à minha casa, quando eu estava vestindo nada além de uma camisola branca transparente. Ele havia mudado durante os anos passados na prisão. Meus olhos examinaram seus ombros maciços e sua figura volumosa. Ele estava muito mais musculoso do que antes, e embora sempre tivesse sido musculoso, antes ele costumava ser mais magro. Até as veias de seu pescoço estavam inchadas. Seu cabelo estava cortado em um Mohawk3, e seu rosto tinha uma barba, um contraste incomum ao seu rosto geralmente bembarbeado. Tatuagens percorriam todo o seu corpo, provavelmente tendo algum significado importante, mas confundiu-me que ele tinha tantas. Até mesmo os nós de 3

Moicano.


seus dedos tinham letras sobre eles, como se ele estivesse fazendo uma declaração. — Radmir. — eu exalei seu nome em uma respiração pesada. Depois de todos esses anos, seu nome ainda tinha a capacidade de enviar arrepios por minha coluna, pois me lembrava quem ele realmente era. Seus olhos percorreram todo o meu corpo, escuros e aquecidos, prometendo retribuição por tudo o que ele pensava que eu era culpada. Um homem dominante e possessivo que precisava de sua mulher. Me dando seu sorriso torto, ele deu um passo mais perto, e subconscientemente, eu me movi para trás, o que despertou sua raiva. — Então, você se lembra do meu nome, krasivoglazaya4. Pelo menos isso é algo que você não esqueceu. — sua voz era sarcástica, magoada, e naquele momento, minhas costas bateram na parede, não me 4

A tradução literal é: olhos lindos.


deixando escapar, porque ele estava me encurralando em um instante. Suas mãos estavam em ambos os lados da minha cabeça. Seus quadris empurraram contra os meus, o que me permitiu sentir seu tesão, e tudo que era feminino em mim despertou ao seu toque. Essas partes de mim ficaram adormecidas durante todos esses anos, porque ninguém poderia evocar essa resposta senão ele. Os olhos cinzentos de Radmir percorreram minha pele exposta, e ele se inclinou para mais perto, inalando meu cheiro. — Tão bom como eu me lembro. — então ele passou o nariz em meu pescoço e beliscou minha pele com os dentes, o que me fez tremer. Minhas mãos automaticamente agarraram seu cabelo. — Um gosto tão bom como eu me lembro. — seus lábios se moveram para minha boca, e sem aviso, sua língua mergulhou para dentro, tomando posse.


O beijo era profundo, apaixonado, punitivo, quente, e por alguma razão, tinha um toque de desespero nele. Como se ele tentasse memorizar o gosto e me odiasse por isso, como se trouxesse prazer e dor ao mesmo tempo. Como se me beijar fosse um pecado, e felicidade ao mesmo tempo. Afastei minha boca da dele, porque era difícil respirar. Enquanto eu engolia ar, suas mãos se moveram para a borda da minha camisola e começaram a levantála lentamente sobre minhas coxas e até meu estômago, a suavidade da seda evocando arrepios e me expondo. Rápido, era muito rápido. Precisávamos conversar. Ele tinha que ouvir minha explicação primeiro e entender por que eu fiz o que tive que fazer. Era cedo demais para fazer amor, muito cedo.


— Não. — eu sussurrei contra sua boca e tentei afastá-lo, mas ele não se moveu. Deus, eu esqueci o quão forte ele era. — Não? — ele zombou de mim enquanto suas mãos rasgavam minha calcinha com uma rápida puxada, com sua boca movendo-se para sugar meu mamilo através do material, molhando-o, fazendo-o ficar duro. Sua mão se moveu para meu núcleo, empurrando seu dedo para dentro, espalhando minha umidade em todo o meu calor apertado. Meus músculos apertaram em torno de seus dedos, e ele rosnou. Enfiando meus dedos no cabelo dele, eu puxei sua cabeça para mais perto e gemi alto quando ele mordeu levemente minha pele, enviando sensações de formigamento através de mim. Como uma mulher deveria resistir a um homem que ela amava de todo o coração? — Não devemos fazer isso. — sussurrei de novo, e ele parou, erguendo o olhar para


mim, me memorizando com olhos ardentes e cheios de desejo. Sem quebrar nosso olhar, ele tirou seu dedo de mim e trouxe-o para sua boca, sugando-o com força, provando-me em sua língua. Ele me agarrou pela nuca e bateu sua boca mais uma vez na minha, permitindo-me provar-me nele, arrancando um gemido de mim. Não sendo capaz de suportar seu ataque, eu empurrei sua camisa para cima. Ele me soltou por um segundo e jogou-o sobre sua cabeça enquanto minhas mãos finalmente tocavam sua pele áspera, minhas unhas cavando em suas costas. — Estranho como seu corpo diz sim, quando você continua dizendo não. — ele desabotoou suas calças, as abaixou, e circulou minhas pernas ao redor dele, enquanto eu o puxava para mais perto.


Com um empurrão forte, ele empurrou para dentro de mim, e tudo congelou. Era doloroso, agradável, consumidor, e áspero ao mesmo tempo. — Apertada pra caralho. — ele murmurou. — Esse filho da puta americano não te fodeu como eu, krasivoglazaya. — na neblina do meu desejo, eu não entendi o significado por trás de suas palavras. Que filho da puta americano? Ele estava falando sobre o meu passado antes dele? Ele nunca falou nisso. Por que ele falaria sobre isso em tal momento? Outras pessoas não pertenciam ao nosso relacionamento ou amor. Nós prometemos isso um ao outro durante a nossa primeira noite juntos todos aqueles anos atrás. — Ninguém além de você importa. Ele parou, agarrou meu cabelo dolorosamente, e empurrou minha cabeça para trás, expondo meu pescoço para ele.


— Ninguém? — a dor brilhou em seus olhos... e remorso, mas ele rapidamente o mascarou, me confundindo ainda mais. — Você... — ele gemeu, e então sua boca estava de volta na minha, possuindo-me de novo, enquanto ele se movia dentro e fora de mim, me fazendo sentir tão cheia e tão bom. Suas mãos apertaram meu rosto dolorosamente, deixando contusões, mas eu não me importava. Ele estava finalmente aqui, comigo, dentro de mim, onde ele pertencia. Todos aqueles anos de separação desapareceram em seus braços. — Eu senti tanto sua falta. Ele rosnou para minhas palavras. — Você me traiu. Tentei balançar a cabeça, mas não consegui com seu aperto forte em meu rosto. Forte e rápido, ele continuou a me foder.


Isso não era apenas sexo; Nossos corpos aprenderam de novo o que significava pertencer um ao outro, e mesmo que nada tenha sido resolvido entre nós, eu nunca poderia dizer não a ele. A pressão cresceu dentro de mim quando eu subi cada vez mais alto com cada impulso, e então meu grito de prazer ecoou pela casa. Meus músculos não utilizados apertaram em torno dele, enquanto meu orgasmo fazia meu corpo tremer, e depois de um último empurrão, ele gozou também, rugindo alto. Nossos corpos estavam lisos com transpiração, mas eu me agarrei a ele enquanto nossas respirações irregulares se misturavam. Em seguida, algo mais surgiu. Tão ótima como a experiência foi, tinha algo de diferente nela. Ele usou um preservativo. Nós só usamos durante nosso primeiro mês juntos; Depois


disso, não havia necessidade. Estávamos totalmente comprometidos e limpos. Por que ele usaria um preservativo agora? Nunca deixei que outro homem me tocasse, e ele também não faria isso comigo. — Radmir. — eu sussurrei, desejando respostas para minhas perguntas. Ele não respondeu, apenas saiu de suas calças e, descalço, passou pelo meu quarto direto para o banheiro, ainda me segurando. Ele entrou no chuveiro, seus olhos examinando o cômodo como se estivesse procurando alguma coisa. Quando a água aqueceu e vapor começou a aparecer, ele entrou, colocando-me em meus pés. — Radmir. Ele me ignorou novamente, pegando minha esponja cor-de-rosa e ensaboando antes de metodicamente passá-la sobre a minha pele. Ele esfregou de meus ombros para


minhas costas até os meus joelhos, e então ele girou-me, suavemente limpando meus seios ainda sensíveis, meu estômago e, finalmente, minha buceta. — Vivian. — ele sussurrou, e uma única lágrima deslizou pela ponte do meu nariz, misturando-se com a água espirrando sobre nós. Sua voz me lembrou meu velho Radmir, aquele que me ensinou a amar. Ele manobrou-me de modo que minhas costas estivessem pressionadas contra a cerâmica fria, e caiu de joelhos, colocou uma das minhas pernas sobre seu ombro, e expôs minha carne nua e aquecida. Esfregando sua barba por dentro da minha coxa, ele beliscou-a e depois lentamente, agonizantemente, lambeu de baixo para cima e depois de cima para baixo. Ele repetiu a ação várias vezes, me deixando louca, e então finalmente sua língua entrou na minha abertura, sondando profundamente enquanto ele gemia como um homem faminto.


Um gemido escapou de mim com o toque de veludo de sua língua em minha pele sensível, sua barba intensificando a sensação. Antes, ele estava sempre bem barbeado, então as sensações não me eram familiares. Fechando meus olhos, eu puxei seus cabelos enquanto ele se deleitava em mim, enviando fogo através de meu sangue e acendendo um desejo furioso dentro de mim. Os ruídos eróticos que vinham dele enquanto me provava, me excitaram ainda mais. A forma como ele estava se banqueteando em mim dava a entender que estava tentando imprimir-se permanentemente lá para que ninguém jamais se comparasse. Ele beijou, lambeu, enfiou, mordeu. Então, de repente, sua boca se foi, e eu gemi de angústia. Meu corpo estava excitado além da crença, mas faltava satisfação até que ele pressionou a ponta de sua língua no meu clitóris enquanto


dois dedos empurravam para dentro até encontrarem o local perfeito. Então tudo se transformou em êxtase. Tentei me segurar, puxando seus cabelos, mas ele não parou. O calor me dominou enquanto outro orgasmo me invadia. Eu empurrei meu núcleo mais firmemente contra sua boca, mas ele apenas cavou seus dedos em minha bunda mais duramente até as últimas reações serem sacudidas de mim. Quando estava coerente o suficiente para entender o que estava acontecendo, a névoa de bem-aventurança, desejo e prazer tinha sumido. Ele desligou a água, enrolou uma toalha ao meu redor, e me jogou na cama, ainda um pouco molhada. A cama mergulhou sob seu peso, e então ele afastou meus joelhos e tomou seu lugar entre eles. Sem aviso, ele entrou em mim com um impulso suave. Porque eu ainda estava tão sensível desde cedo, quase cheguei lá. Eu podia sentir sua carne


aquecida dentro de mim, o desespero com o qual ele me queria, então eu apertei ainda mais minhas pernas em torno dele. Cavando meus calcanhares em seu traseiro, meus dedos do pé enrolaram enquanto ele martelava dentro de mim, mais selvagem do que antes. A bofetada de carne contra carne, respirações irregulares, músculos tensos, desejo avassalador - um desejo que só nós compartilhávamos, porque nada mais comparava a ele neste mundo. Era muito, muito cedo, e ainda assim tão tarde. Oh Deus, eu estava gozando de novo, minhas costas arqueando enquanto ele chupava meu pescoço. Então ele encontrou sua liberação alguns minutos depois. Ele caiu em mim, e embora fosse difícil respirar, eu apreciei seu peso em mim. Isso provava que eu não estava sonhando e que tudo era real.


Fazer amor com ele tinha sido mágico. A única diferença de agora para o passado foi que ele quase não me disse nada. Antes que eu pudesse me concentrar muito nisso, embora, ele rolou sobre suas costas e me puxou para seu peito, e então a exaustão me reivindicou. Com a batida constante de seu coração sob o meu ouvido, eu fui embalada para dormir. Meu homem voltara para mim.

Radmir

No instante em que Vivian adormeceu, eu me afastei dela o mais gentilmente possível, de modo que minha saída não a acordasse. Fiquei de pé, reunindo minhas roupas no processo. Enquanto as vestia,


meus olhos focaram na bela mulher esticada na cama, seu peito subindo e descendo pacificamente no sono. Seus ricos cachos cobriam seus seios, mas suas longas pernas eram visíveis sob o lençol. Vários chupões marcavam seu pescoço de cisne, minhas marcas de propriedade em sua pele de porcelana para que todos vissem. Embora eu nunca planejei que isso acontecesse, porque ela já não me pertencia, meu corpo se lembrava. Meu pau endureceu com a imagem, mas eu ignorei, fechando minhas calças rapidamente. Ninguém me trazia maior prazer do que ela, e esta besta possessiva em mim desejava raptá-la e trancá-la na Rússia, para que não nos separássemos mais. Eu a torturaria por dias por desistir de mim, por romper sua promessa de amor eterno, mas então estaríamos juntos, e tudo isso poderia ser posto atrás de nós.


Sentando na beira da cama, movi uma mecha de cabelo, e ela seguiu minha mão, apreciando a carícia em seu rosto, mesmo adormecida. Pela primeira vez desde que Dominic anunciou que ela estava por trás de minha prisão, pensei em algo que eu achava impossível em nossa situação. Perdão. Construir uma vida com ela depois de tudo, esquecendo toda a merda que tinha acontecido conosco. Apenas imaginar isso em minha cabeça desatou o nó duro em meu coração, e eu estava prestes a colocar um beijo em seus lábios, quando uma foto emoldurada em sua cabeceira chamou minha atenção. Vivian estava de pé em um parque, vestindo jeans e uma camisa leve enquanto sorria brilhantemente para a câmera. Ela segurava um bebê recém-nascido em um cobertor azul, abraçando-o firmemente ao


peito. Olhando para baixo, notei uma pequena legenda manuscrita. O primeiro dia de Jake no parque. Jake. Minhas mãos esmagaram o quadro. O vidro rachou sob minha força enquanto um rugido de injustiça retumbava em minha garganta. Devia ser o nome do nosso filho. Como ela se atreveu a nomear o filho de seu marido com o nome do meu pai? Jogando o quadro na cama, mas pegando a foto por alguma maldita razão, peguei minha jaqueta e saí da casa, mas não antes de fechar as portas da varanda e verificar o alarme de segurança. Logo depois que fechei a porta atrás de mim, bati com os punhos na parede várias vezes, com força suficiente para que o sangue escorresse lentamente das feridas. Meu coração batia como louco no meu peito, a única indicação de que eu estava vivo, porque todo o resto estava morto.


Eu poderia ter amado seu filho e tê-lo criado como meu. Eu poderia ter vivido com o fato de que ela tentou seguir em frente. Mas eu não poderia perdoá-la por casar com outra pessoa enquanto testemunhava contra mim no tribunal. Por que ela fez isso? Como poderia ter feito isso? Pensei que minha última vingança me traria paz, que usar seu corpo aliviaria o desejo em minha alma por ela. Eu pensei que me mostraria que nossa atração e amor não era nada mais do que uma novidade que eu tinha experimentado e aumentado exageradamente em minha cabeça durante meu tempo na prisão. Eu nunca machuquei as mulheres de qualquer maneira, então esta punição parecia ser uma boa escolha. Junto com a destruição de sua família.


Mas tudo o que fez foi piorar minha condição. Eu fui o único que perdeu nesta batalha. Vivian Jackson estava gravada para sempre em meu coração, tão gravada que não conseguia ver uma maneira de me livrar dela. Colocando o telefone junto ao meu ouvido, esperei que Vitya atendesse e quando ele atendeu, eu disse: — Coloque uma pessoa para ficar de olho nela. Ela precisa ser protegida 24 horas, com relatórios. Se um cabelo deixar sua cabeça bonita, eu pessoalmente vou matar quem ficou responsável por sua segurança. — terminando o telefonema, caminhei até Dima e Petor que tinham ficado lá fora esperando por mim, fumando cigarros, mas eles se endireitaram uma vez que perceberam minha expressão. — Aeroporto.


Dima franziu o cenho para minha ordem, exalando fumaça. — Mas não deveríamos sair até amanhã. — lendo meu rosto, ele se calou e abriu a porta para eu entrar. Descansando minha cabeça no banco traseiro, eu olhei para a foto que roubei dela e passei meu dedo sobre seu rosto. Eu era um idiota, mas não podia deixá-la para trás. Seria um lembrete para mim nunca ir atrás dela por causa do garoto em seus braços. Vivian me quebrou. Mas não importava o quanto eu tentasse esquecê-la, nunca poderia permitir que mais ninguém a prejudicasse. E desde que eu planejava começar uma guerra, ela poderia ser um dano colateral nela. E ninguém, ninguém mesmo, podia machucar minha mulher. Ninguém além de mim.


Vivian

Assustados, meus olhos se abriram. Desorientada, estudei meu ambiente. A primeira coisa que minha mente registrou foi o espaço vazio ao meu lado. Movendo meus dedos no lençol ainda morno, eu chamei: — Radmir. — mas nenhuma resposta veio. Envolvendo o lençol o meu redor, eu sentei na cama e minhas pernas acertaram algo afiado. — Ouch. — eu murmurei e então peguei o quadro em minhas mãos, só para ver que o vidro estava quebrado. Onde estava a foto? Ele pegou? Ah, não. Não! Rapidamente de pé, corri para a sala. Tudo estava fechado e trancado. Ele tinha ido embora. O alarme estava ligado, provando


mais uma vez que Radmir sempre se importaria com minha segurança, mesmo que me odiasse. Ele saiu antes que eu pudesse explicar o que aconteceu todos aqueles anos atrás, porque eu me casei com Alex. Meu coração doía de uma maneira insuportável, e esfregando meu peito, eu desejei poder criar uma caixa de indiferença dentro de mim para que ela fosse embora. Afinal, a técnica tinha me ajudado através de todos esses anos. Ele tinha vindo para se vingar, e seu comportamento estranho enquanto fazíamos amor fez sentido para mim agora. Soluçando calmamente, caí de joelhos enquanto minha mente procurava desesperadamente uma maneira de se acalmar. Mas como uma pessoa poderia se acalmar enquanto o mundo com o qual sonhara era queimado até virar cinzas?


Ele estragaria sua vida, Vivian. Este é o tipo de homem pelo qual você se apaixonou. Descobrir que meu pai despótico tinha razão em uma coisa, era difícil de admitir. Não haveria felizes para sempre em nossa história de amor. Talvez tivesse chegado o momento de seguir em frente.


Vivian

Correndo pelo aeroporto, fui até o balcão e, respirando pesadamente, perguntei: — Qual é o próximo voo? — a jovem piscou para mim do outro lado do balcão, e então seus olhos deslizaram por minhas roupas. Ela deve ter achado que eu estava apresentável o suficiente para pagar, porque seus dedos clicaram com velocidade impressionante no computador.


— Um voo para Moscou sai em noventa minutos. E depois há um voo para Paris. Mordendo meu lábio, passei meus dedos pelo meu cabelo. — É isso? Não há outras opções? Era um maldito aeroporto J.F. Kennedy, e eles poderiam me oferecer apenas dois voos? Eu voei do Texas até aqui para que assim meu pai tivesse dificuldades em me achar e foi tudo por nada! Talvez eu devesse ter pensado nisso antes da minha grande fuga, mas nos filmes, eles sempre tinham voos disponíveis para lugares como Peru, Brasil ou algum lugar, certo? Países que falavam de paixão e aventura? — Não, desculpe. — ela respondeu. Meu telefone tocou outra vez com mais uma chamada de meu pai e mãe, e conhecendo ele e a sua equipe enlouquecedora, eles começariam a rastrear-me em uma hora e, em seguida, bloqueariam os voos se eu tentasse fugir.


Simplesmente não havia tempo para pensar, então eu sibilei, se o empurrão de seu queixo fosse um indicativo: — Moscou. Tanto quanto eu amava Paris, seria o primeiro lugar que eles iriam procurar por mim. Minha irmã mais nova, Tina, mudouse para lá quando sua carreira de modelo começou, e aos vinte anos de idade, ela já tinha feito um nome para si mesma na indústria da alta moda. Papai odiava, mas ele não podia fazer merda nenhuma sobre isso desde que ela tinha um contrato de um milhão de dólares, e isso trouxe boa publicidade para sua empresa de petróleo. Era patético que até mesmo minha irmã mais nova tinha sua vida bem encaminhada, enquanto eu tinha que fugir como uma garota de seu poder e autoridade. Eu não podia me dar ao luxo de ser encontrada tão cedo, não até que eu


pudesse pensar e decidir o que queria fazer com minha vida. Tudo que sabia naquele momento era que eu precisava respirar e minha família me sufocava até o ponto de não retorno. Não deveria culpá-los, porque eu tinha vinte e três anos de idade, mas o ressentimento ainda sim havia se instalado dentro de mim e não iria embora. — Só restou a primeira classe. — ela arqueou uma sobrancelha, esperando minha resposta. Quando eu deslizei meu cartão de crédito para ela, sua sobrancelha se ergueu ainda mais, reconhecendo claramente o nome da minha família. Eu quase nunca usei o cartão de ouro que o meu pai me deu, mas desde que ele veio com este negócio de me casar com Alex, poderia pagar por este voo. Eu precisaria de minhas economias para o futuro. Ela não comentou, apenas fez os arranjos, e me deu o meu passaporte de embarque


enquanto a minha bagagem era etiquetada e enviada. Mesmo para esta curta viagem, eu não queria viajar levemente. — Você precisa se apressar. — disse ela. — Obrigada. — com isso, eu passei por todos os check-ins, enquanto o meu telefone continuava a zumbir. Sério, duas horas sem eu responder, e eles já tinham prontamente criado drama? Talvez devessem ter pensado nisso antes de decidirem me vender para Alex Jordan. O homem era nojento. O jeito que ele olhava para mim às vezes... as palavras que ele dizia. Como se sua única determinação fosse me fazer dele. O cara estava obcecado desde o início, mas não como os mocinhos em livros de romance. O único sentimento que ele inspirava em mim era terror. Ainda pensando profundamente sobre Alex, ou melhor, sobre o quanto não conseguia


suportá-lo, eu não olhei para onde estava indo e bati em um peito duro, e se não fosse pelas mãos fortes me agarrando, minha bunda teria provavelmente encontrado o chão. — Desculpe. — eu murmurei, enquanto estudava o cara na minha frente que me olhava com olhos vazios, frios e castanhos. Seus cabelos estavam presos em um coque, e seus braços musculosos estavam cobertos com uma T-shirt apertada, que deixavam expostas suas tatuagens. Ele tinha uma aura de dominância e selvageria sobre ele, e embora pudesse ser considerado bonito, tudo o que ele fez foi me assustar. — Pare de fazer carranca para a pobre moça, Dominic. — disse uma voz rouca, enviando arrepios inesperados pela minha espinha, e só então minha mente registrou que fora esse estranho que me salvou da queda. Eu me virei e minha respiração engatou, enquanto seu olhar, comparado ao de


Dominic - ou do que quer que o cara fosse chamado - era suave e surpreso enquanto ele examinava minha aparência. Ele era muito bonito para descrição lhe fazer justiça.

qualquer

Ele era alto, cerca de 1.83 de altura, magro, mas os braços musculosos estavam cobertos de tatuagens, que eram visíveis através de sua apertada camisa preta. Seus ombros eram largos, junto com um pacote de seis, quadris estreitos e pernas musculosas, que estavam cobertas por jeans. Tão gostoso quanto o seu corpo era, não fazia jus ao seu rosto. Ele tinha os olhos mais bonitos e cinzentos que eu já tinha visto. Seria tão fácil perderse neles, que quase tiravam a atenção de sua pele bronzeada, impecável, maçãs do rosto altas e barba por fazer, o que o tornava ainda mais bonito e enfatizava a masculinidade que emanava dele. Seu


cabelo era preto e cortado em um penteado James Dean que combinava com seu visual geral. — Está tudo bem. — eu finalmente encontrei minha voz, saindo da névoa que ambos criamos, e abri um sorriso fraco para Dominic e para ele. Ele murmurou: — Krasivoglazaya5. Embora eu reconhecesse foneticamente qual língua ele falava, meu russo era inexistente, então eu não tinha ideia do que ele disse. Antes que eu pudesse lhe perguntar, meu voo foi anunciado, e sem mais explicações, corri para o portão, esperando que essa sensação estranha, como se a Terra fosse desaparecer debaixo de mim, fosse embora. No entanto parecia inútil, enquanto sua voz ecoava em meus ouvidos. Krasivoglazaya. Krasivoglazaya. 5

Como dito anteriormente: significa “olhos lindos”.

Krasivoglazaya.


MAIO DE 2017 HOUSTON, TEXAS

Radmir

O homem respirava pesadamente, suas pernas mal o apoiavam enquanto ele estava de pé, mas as correntes que estavam penduradas no teto e enroladas em torno de seus pulsos ajudavam a mantê-lo ereto. O sangue escorria de sua cabeça para o peito, que estava coberto de pequenos cortes e contusões azuispúrpura de todas as pancadas que ele tinha recebido. — Eu não sei de nada. — ele sussurrou, o que só me fez rir ainda mais enquanto eu


acendia um cigarro, obtendo uma ligeira pausa da tortura. — Vamos voltar para a história, sim? — ele piscou para mim em confusão, mas acenou com a cabeça quando eu abri a janela. O cheiro do seu suor estava me irritando seriamente. Mas ele tinha sido torturado durante as últimas sete horas, então provavelmente não deveria ser culpado por isso. Como é que todos esses homens fracos conseguiram me colocar atrás das grades, enquanto eles nem sequer sabiam como se virar em uma luta? Eles sempre tinham uma chance justa, mas eram derrotados tão facilmente que eu me perguntava se deveria continuar fazendo isso. Estava apenas desperdiçando um tempo muito necessário. Finalmente, ele começou a falar. — Eu estava trabalhando como um mensageiro em uma empresa de correio rápido. Um homem veio até mim e me pediu para lhe dar uma mensagem para


aparecer em um lugar específico. Foi isso. Ele pagou somente pela entrega. Eu não sei de mais nada. — então ele implorou: — Por favor, eu tenho uma namorada. Vamos nos casar em duas semanas. — Fascinante. — foi a minha única resposta, como se eu já não soubesse essa informação. Engraçado como ele pensava que isso deveria me fazer mudar de ideia. Eu tinha uma mulher e planos de casamento quando ele arruinou minha vida. E eles me pediam misericórdia? No entanto, me colocar na prisão foi a única coisa ruim que ele tinha feito, e ele era jovem, apenas vinte e sete anos, então isso trabalhou a seu favor. Ele me lembrava daqueles estúpidos jovens recrutas da máfia que primeiro faziam merda e depois se arrependiam quando era tarde demais. Mas ele merecia sofrer, porque estava mentindo para mim e pensava que poderia


escapar disso. Eu não o mataria, mas não hesitaria em machucá-lo. Não até que ele me dissesse a verdade, de qualquer maneira. — É uma pena que seja somente disso de que você se lembra. — eu joguei a ponta de cigarro pela janela, fechei-a e me virei para a mesa com vários instrumentos que faziam as pessoas falarem bem rápido. Até agora, eu não tinha usado muitas coisas sobre ele, batendo-o aqui e ali, fazendo alguns cortes, e outras coisas. Passando meus dedos sobre o metal, eu peguei um alicate e brinquei com a ferramenta, enquanto ele engolia em voz alta e olhava para mim com medo. — Parece que teremos que arruinar o seu dedo de casamento. Que pena. Eu fui para a sua mão, agarrei o seu dedo, e estava prestes a cortar quando ele gritou, embora fosse mais como um sussurro, considerando sua condição.


— Eu vou te dizer, eu vou! — ele lambeu os lábios secos enquanto baixava os olhos. — O homem usava um capuz e óculos escuros. Ele me pedia para enviar pacotes diferentes em dias diferentes e pagava bem. Um dia, ele perguntou se eu queria ganhar mais dinheiro. — ele limpou a garganta. — Minha irmã estava doente. Eu não tinha escolha, o que provavelmente não significa muito para você. Ele me pediu para assistir você por um dia ou dois para aprender seus hábitos e, em seguida, para entregar a mensagem em um dia e hora específica, porque ele tinha uma surpresa para você. Foi assim que ele chamou. Afastando-me dele, eu perguntei: — Mais alguma coisa? — ele balançou a cabeça. — Ele transferiu o dinheiro para minha conta no dia seguinte. Quando eu vi você no noticiário, entendi que algo estava


errado... mas honestamente, eu não me importei. A verdade brilhava em seus olhos, então coloquei os alicates de volta na mesa e tirei o meu telefone. — Da6? — toque.

Vitya respondeu no primeiro

— Terminei. Levem-no para um hospital ou algo assim. Assenti e fiz uma última pergunta, que era uma peça importante do quebra-cabeça. — Ele nunca mostrou seu rosto, mas você reconheceria sua voz? Quanto ele te pagou? — Cem mil dólares. Sua voz sempre soava engraçada, como se um robô estivesse falando. Porra. Quão rico e obcecado com seu plano ele estava para pagar tanto a um garoto, apenas para obter informações? Um homem como ele não planejava nada 6

Sim, em russo.


desnecessariamente. Quanto mais pessoas eu questionava, mais clara a imagem se tornava. Ele não era apenas um homem que me odiava. Ele era um homem que me desprezava tanto, que não se importava com o que usava para me eliminar do jogo, e desde que eu nunca fui ferido em seus jogos, cheguei a apenas uma conclusão. O estranho que arruinara minha vida nunca quis me machucar ou me matar; Ele só precisava que eu saísse do seu caminho para o seu grande plano, que de alguma forma envolvia Vivian. E isso significava que, ao ficar livre e procurar por ele, eu me coloquei na sua lista de alvos. Com minhas mãos cerradas em punho, eu pensei de novo em minha mulher. Ela precisava de mais proteção, mas e se fosse o marido dela?


Afinal, Alex Jordan era o único homem neste mundo que tinha razão para me odiar e querer Vivian ao mesmo tempo.

Algumas horas depois.. Entrando silenciosamente na casa, corri para o quarto de Vivian. Seu marido estava viajando a negócios em Houston, dandome a oportunidade perfeita para entrar na casa. Visitar Houston sem vê-la... Era uma tarefa impossível. Ela estava visitando seus pais, e graças a porra por isso, porque esses idiotas não mudaram o código de segurança, e eu já sabia como entrar em seu quarto, com a alcova de orquídeas localizada debaixo de sua varanda. Aprendi essa merda quando voltei para ela há seis anos, quando seu pai a tirou de mim.


Encontrando seu quarto, eu abri a porta e fechei rapidamente quando ela se mexeu na cama. Removendo meus sapatos, caminhei mais perto apenas para parar quando notei seu filho deitado ao lado dela em seu pijama de avião. Ele tinha cabelos longos para um garoto, madeixas pretas semelhantes às minhas. Seu peito subia e descia enquanto dormia, o braço de sua mãe jogado sobre sua barriga protetoramente. Por que ela ficaria assustada por sua segurança, mesmo em seu sono? Ao invés de sentar ao seu lado da cama, eu escolhi o lugar ao lado de Jake e suavemente removido o cabelo de seu rosto. Eu não consegui me impedir de acariciar sua cabeça; A visão dele despertou algo dentro de mim que eu não conseguia explicar. Eles pareciam perfeitos juntos, e por um segundo, eu fechei meus olhos, imaginando o que seria me esgueirar aqui


para ver minha família. Para assistir Vivian cuidar do nosso filho. Mas meus olhos se abriram quando percebi que não podia me importar com isso, porque algo dentro de mim dizia que se a mulher pertencia a mim, então o filho dela também, mesmo que meu sangue não estivesse correndo em suas veias. Mas o anel dourado no dedo de Vi anulava meus desejos porque ela estava casada, o que significava que ela valorizava sua família. E eu não podia reivindicar o que não me pertencia. Eu me levantei porque precisava ir, mas não antes de deixar um beijo em sua testa. Seu murmúrio me impediu de seguir em frente. — Radmir. Ela estava sonhando comigo? Ignorando o pensamento, eu escorreguei de volta para a noite, ignorando a dor no meu coração e a


voz na minha cabeça que gritava para voltar e levá-los para longe deste lugar. Por que eu continuava torturando-me estava além de minha percepção. O amor deveria trazer para fora o melhor nas pessoas, mas tudo que me deu foi angústia e desespero, que me transformaram em um babaca que não poderia viver e funcionar sem a sua mulher.


JUNHO DE 2017 MOSCOU, RÚSSIA

Radmir

Exalando fumaça, sentei-me no parachoque do meu Mercedes enquanto meus olhos admiravam a bela arquitetura na minha frente. A casa era maciça, feita de mármore branco que brilhava ao sol da manhã, criando uma imagem mágica como se eu estivesse no topo do Olimpo e prestes a conhecer os deuses. Essa foi a comparação que Vivian usou quando eu a trouxe aqui pela primeira vez. A enorme varanda tinha duplo balanços em ambos os lados. Peônias roxas estavam espalhadas ao redor, suas flores favoritas. As portas de carvalho marrom escuro tinha


lindas maçanetas de ouro. A casa ficava no meio da propriedade, isolada dos vizinhos e permitindo uma privacidade tão necessária. O jardim com rosas e nichos cobertos por um design único criava um visual sofisticado e luxuoso, que poderia ter sido usado em revistas que anunciavam um grande design de interiores. A Bratva certamente a tinha mantido em boa forma. O que diabos eu estava pensando ao comprar esta propriedade? Ela se destacava entre as casas russas como um polegar dolorido. As pessoas provavelmente achavam que estava me exibindo, quando na verdade, eu recriava um sonho de merda para a minha mulher. Uma memória de muito tempo me atingiu. — Onde você está me levando? — Vivian perguntou, com travessura em seus olhos quando ela beliscou meu pescoço, enquanto eu tentava dirigir com o meu furioso tesão.


— Surpresa. — minha voz estava grossa com meu sotaque. Eu não conseguia controlá-lo enquanto a mão de minha mulher deslizava pelo meu peito em direção ao meu pau. Vivian gemeu e entrelaçou os dedos no meu cabelo logo antes de meu pé apertar os freios, parando o carro abruptamente. Rindo, ela usou a oportunidade para montar meus quadris e trancar nossas bocas em um beijo aquecido. Ela esfregouse em mim, e com toda a porra da força de vontade que eu possuía, me desenredei de seus braços com nós dois respirando pesadamente. — Krasivoglazaya, o tempo para isso virá mais tarde. Ela piscou algumas vezes e depois franziu a testa. — Você está me dispensando, de bom grado? — ela pegou minhas mãos e as colocou em seus quadris enquanto se


deslocava ligeiramente em cima de mim, trazendo sua buceta em contato direto com meu pau, e um gemido escapou-me. Ela mordeu seu lábio inferior e desejo brilhou para mim em seus olhos. Por que diabos eu deixaria minha mulher insatisfeita? — Pensando bem, isso não pode esperar. Ela gritou e depois riu quando eu a virei para o assento de carro, e nós tivemos um sexo incrível e selvagem no meio de nossa propriedade. Embora ela não tivesse ideia sobre aquilo ainda. — Radmir? — a voz de Michael me tirou dos meus pensamentos, e pelo tom que usou, eu entendi que ele tinha chamado o meu nome algumas vezes. A maioria dos membros Bratva tendia a ficar longe de mim ultimamente, já que o meu temperamento era curto, e Michael parecia ser o mais corajoso entre eles.


Ou talvez ninguém ingenuidade.

mais

tivesse

sua

— Sim? Ele estendeu a pasta em sua mão para mim. — Vitya me pediu para lhe dar isso. — ele tirou os óculos de sol enquanto examinava a propriedade e assobiava alto. — Bastante grande a casa que você tem. — então ele me deu um sorriso enquanto suas sobrancelhas se moviam para cima e para baixo. — Planejando correr por este lugar nu? — então ele riu de sua própria piada, batendo no joelho. Michael tinha seus momentos, e dado o fato de Dominic o ter trazido aqui quando ele era adolescente, eu era tolerante com ele. Ele estava vagando pelas ruas de Irkutsk, vendendo seu corpo para comer quando a Bratva o tomou sob sua asa. O cara não podia atirar ou tolerar a violência, então ele se tornou uma espécie de


assistente pessoal para o Pakhan. O trabalho parecia coxo como o inferno e provavelmente foi criado somente para ele, já que Dom tinha um lugar especial para ele em seu coração. De alguma forma, arruinar seus momentos borbulhantes parecia quase cruel, então deixei-o continuar. Aparentemente, eu deixava tudo continuar ultimamente. Olhando através da pasta, estudei as fotos de Vivian e Jake no parque, galerias e jogos de hóquei. Ela tinha uma vida bastante ativa com seu filho. Nenhuma noite de meninas ou amizades embora, como se a vida sem ser uma mãe não existisse para ela. Franzindo o cenho, fiquei imaginando por que a merda do fotógrafo sempre tirava as fotos do garoto de trás ou de lado, nunca mostrando completamente o rosto de Jake. Então eu congelei enquanto minhas mãos apertavam os papéis com força, olhando a foto dela sorrindo para a câmera com Alex


Jordan abraçando-a suavemente durante o evento de caridade em Nova York. Embora ela não parecesse feliz, estava confortável o suficiente para deixá-lo segurá-la como se ela fosse a coisa mais preciosa para ele. E por que ele não iria? Afinal, ele era seu marido. Ele tinha todos os direitos. Eu era o velho amante, muito patético para deixar de lado o passado, e ela era uma mulher que não tinha problemas em dormir comigo enquanto seu marido estava ausente. Fechando a pasta, levantei-me e dei uma olhada na porra da casa. — Você gosta dela? Michael bufou para minha pergunta, enquanto tirava algumas fotos com o telefone dele. — Se eu gosto dela? Eu a amo! É uma pena que eu e Vi... — ele parou antes de dizer muito e depois limpou a garganta. —


É uma pena que eu não posso pagar por ela agora. — a troca foi tão coxa, mas eu não comentaria sobre isso. Ele achava que eu não tinha ideia do seu relacionamento com Vitya? Entrei no carro, abri minha janela e gritei: — Ei, Michael. — ele se virou e ergueu o queixo. Eu joguei as chaves para ele, e ele as pegou facilmente. — A casa é sua. — O quê? — sua voz estava atada com choque enquanto balançava a cabeça. — Radmir, é muito... Não me incomodando em ouvir a resposta dele, voltei para a sede, ignorando as imagens de pura alegria no rosto de Vivian quando seus olhos a viram pela primeira vez. — Você a comprou para nós? — ela perguntou com admiração enquanto rodopiava na varanda, seus olhos brilhando para a casa. Tudo em que eu poderia focar era em como ela estava perfeita com seu


vestido branco e florido, com seus cabelos escuros balançado com a brisa leve. Seus lábios estavam de um tom de vermelho escuro, inchado de nossos beijos profundos. — É a nossa casa, querida. — Você é louco, russo. — ela disse, então correu para mim. Eu tive apenas tempo suficiente para abraçá-la quando ela pulou em mim, envolvendo seus braços e pernas ao meu redor. — Mas eu te amo de qualquer maneira. — acariciando sua bochecha, eu coloquei um beijo suave em seu cabelo. — Você ama? Que bom que eu comprei esta casa, então. Ela se inclinou para trás, segurando minha cabeça. — A melhor ideia de sempre. Começaremos uma vida aqui. Suas últimas palavras me acompanharam enquanto eu dirigia para cada vez mais longe do lugar que deveria ser o paraíso na terra para nós.


JULHO DE 2017 HOUSTON, TEXAS

Vivian

— Vamos fazer um brinde para minha filha e futuro genro! — papai disse em voz alta. As pessoas ao seu redor aplaudiram quando o “casal feliz” cedeu a um beijo apaixonado na ampla sala de jantar onde minha família realizava encontros importantes ou de alta sociedade. Tina, minha irmã e a futura noiva, inclinou a cabeça para trás e riu quando seu noivo, John, arrastou alguns beijos pelo pescoço dela, segurando-a a poucos centímetros do chão em um beijo digno de filme. Ele a levantou, girou-a em um círculo, e ela


envolveu seus braços ao suspirando alegremente.

redor

dele,

Um sorriso agridoce apareceu no meu rosto, mas para cobri-lo da mídia, eu levantei o copo de champanhe mais alto e tomei outro gole, rezando que ninguém percebesse que tinha sido o meu segundo na noite. Embora não fosse muito, com certeza iria criar atenção indesejada e a imprensa começaria a alegar que Alex e eu tínhamos problemas conjugais ou outras desculpas idiotas. Com seis anos de experiência no negócio, eu não poderia chamar isso de casamento, eu simplesmente aprendi a sobreviver com os tubarões. Contanto que você lhes desse algo, eles o deixariam sozinho. Beber durante encontros sociais não me fazia sentir melhor sobre a situação, mas com certeza ajudava a manter a pretensão viva e bem. — Oh, eles são perfeitos um para o outro. — minha mãe suspirou, seus olhos


enevoados com lágrimas que ela enxugou com um lenço. — Quem teria pensado? — Sim, com certeza. — eles me deram esperança de que alguns membros da minha família poderia encontrar a felicidade e realmente segurá-la sem medo de ser arrancada. Mamãe franziu a sobrancelha, o que era impressionante considerando todas as cirurgias plásticas e de Botox que ela teve ao longo dos anos. Embora, em meados dos seus sessenta anos, ela não parecesse um dia mais velha do que cinquenta, com seus cabelos louros compridos, olhos azuis-céu, e corpo apto, de que ela cuidava religiosamente. As únicas rugas em sua pele impecável e bronzeada eram aquelas nos cantos de seus olhos de todas as risadas e sorrisos que ela dava. Pena que eram todos falsos. — Vi... — ela começou preocupada, mas graças a Deus, antes que pudesse


continuar, nós fomos interrompidas por uma Tina saltitante, que quase me derrubou do abraço feroz que ela me deu. — Vivian! — seu perfume de orquídea me invadiu, enquanto seus braços ósseos escavavam em minha pele dolorosamente, sem mencionar como meu pescoço doía de olhar para cima para poder segurar seu olhar. Considerando que ela tinha quase 1.83 metros de altura comparado com os meus 1.52, isso acontecia muito, mas com seus saltos de quinze centímetros, eu senti a dor. — Olhe o meu anel. — ela estendeu a mão na frente dela, me dando uma boa visão do magnífico anel de diamante de três quilates, com lapidação princesa da Tiffany's. A luz do candelabro acima de nós refletia nele, quase hipnotizando a pessoa que olhasse para ele. Parecia excecionalmente elegante em seu dedo longo e bem cuidado.


Engolindo o nó na minha garganta, eu disse: — É muito bonito. — sem intenção, meu polegar roçou a pedra, me lembrando de outro anel. Só que o outro anel tinha safiras cercadas por diamantes brancos. John se juntou a Tina, passando a mão em torno da cintura dela, e meus olhos se chocaram com os dele em um longo olhar. Eu esperava que ele lesse que se ousasse magoar minha irmã, as consequências seriam severas. Ele riu e acenou com a cabeça, reconhecendo minha ameaça. — Não se preocupe, Vi. — ele a puxou para mais perto dele enquanto a olhava amorosamente. — Vou cuidar bem dela. Eu sei o quanto ela é importante para você. Tina revirou os olhos, enquanto parava o garçom com uma bandeja de bebidas. — Umm... olááá? Eu não sou uma criança. — então alguém os chamou, e


com um pedido de desculpas, eles partiram para falar com os outros convidados. John e Tina se encontraram em Paris há um ano, onde ele se apaixonou instantaneamente e tentou tudo o que pôde para chamar sua atenção. Depois do desastre que experimentou com seu primeiro marido, que era um golpista, Tina jurou não casar e continuou recusando-o. O cara fez tudo o que pôde: jantares caros, surpresas românticas, presentes, atenção. Ela finalmente cedeu quando ele cuidou dela enquanto ela estava doente por duas semanas inteiras. Tina afirmou que se a visão dela toda vermelha com um nariz escorrendo não o assustasse, nada o faria. Provavelmente ajudou que ele tinha herdado uma fortuna de sua família, assim ele não precisava do dinheiro dela. De repente, tudo se tornou demais. A música clássica, champanhe à esquerda e à direita, sussurros abafados e conversas


da alta elite, perfumes fortes demais, e o casal feliz, que claramente estavam apaixonados. Engolindo o nó na minha garganta mais uma vez, eu contei até dez, enquanto verificava Jake, que brincava com Lola e a nossa governanta, Katy. Ele tentou ensinar a Lola como brincar com suas figurinhas da Marvel, mas ela apenas suspirou pesadamente e descansou seu queixo em sua mão. Ela provavelmente teria escapado de sua companhia se houvessem outras crianças ao redor. Ele ficaria bem sem mim por um tempo, então eu disse a minha mãe: — Vou me deitar por alguns minutos. Ela tocou meu braço gentilmente. — Você está bem? — Sim, não se preocupe, mamãe. — eu fui lá para cima, meus saltos clicando alto nas escadas. Alex ergueu a sobrancelha, mas não fez nenhum movimento para me deter.


Graças a Deus, um de seus colegas de trabalho estava aqui, ou ele não teria deixado meu lado. Mais um mês e nosso divórcio seria finalizado, apenas mais um mês dessa vida de mentira. Eu poderia sobreviver a ele; Eu tinha sobrevivido seis anos, depois de tudo. Finalmente, cheguei à porta, fechando-a o mais suavemente possível atrás de mim, e encostei-me nela, engolindo respirações enquanto lágrimas escorregavam pelas minhas bochechas. Limpando-as rapidamente para que não arruinassem minha maquiagem, caminhei até meu closet, peguei uma caixa da prateleira superior e sentei-me no chão com ela. A caixa continha as fotos de Radmir e eu em uma cabine de fotos enquanto eu tentava convencê-lo a sorrir mais porque ele não podia deixar de lado sua expressão séria. Ao lado delas havia uma caixa de joias preta, quadrada. Correndo meus dedos


amorosamente sobre a caixa, eu a abri e o anel mais bonito, na minha opinião, entrou em exibição. Uma safira de cinco quilates estava cercada por minúsculos diamantes cristalinos, quase refletindo meu rosto neles. — É enorme, Radmir! Ele riu de minhas palavras e então me girou pela pista de dança em meio do restaurante enquanto as pessoas silenciosamente conversavam. Quem se importava, porém, quando o homem que eu amava profundamente tinha acabado de me propor? — Bom. Todo mundo vai saber que você pertence a mim agora, krasivoglazaya. — suas mãos em minha cintura apertaram, e sua voz baixou para um rosnado. — Caso não estivesse claro antes. — então ele calou qualquer protesto com um beijo, enquanto a felicidade que eu nunca tinha conhecido antes criava um casulo seguro em torno de nós, onde nada além de amor existia, e o


futuro não tinha nada além de infinitas possibilidades para nós. Piscando para a memória, perguntei-me se era possível viver com metade do meu coração pelo resto da minha vida. Quando ele estava na prisão, minha única esperança era que nos procurasse e nos salvasse da prisão em que sua situação nos colocara. Em vez disso, ele não queria nada comigo e não ficou por perto para ouvir minhas razões. O que mudou tanto no homem que amei? Mesmo que ele estivesse zangado com minha suposta traição ao casar com Alex, como ele poderia não querer ver Jake? Eu lhe enviara tantas cartas sobre seu filho, contando-lhe histórias que ele gostaria de saber. Eu até mesmo mantive um diário com todas as fotos. Ele deveria ter estado aqui conosco todo esse tempo, e era meu jeito de devolver todos aqueles momentos roubados. Mas ele não nos queria, não me queria.


E tanto quanto eu tentei substituir meu amor opressivo por ele com puro ódio, isso não ajudou. Como você poderia odiar um homem que já havia sido seu tudo? Era mais fácil acostumar-se à dor que sangrava como uma ferida de faca todos os dias. — Mamãe... — gritou Jake, subindo as escadas. Eu rapidamente fechei a tampa e guardei a caixa, bem a tempo de ele irromper no quarto e direto para os meus braços quando eu o peguei. — Eu não conseguia te encontrar. — ele envolveu suas pernas e braços firmemente ao meu redor, e eu respirei seu cheiro, o que entorpeceu a dor permanente dentro de mim e me deu uma razão para sobreviver e lutar. Eu tinha meu filho. O que poderia ser mais importante neste mundo do que ele? Eu achava que Radmir teria entendido por que eu me casei com


Alex, considerando que expliquei nas cartas, mas ele não queria ver a razão. Eu poderia viver com a dor de perdê-lo. Mas eu nunca seria capaz de respirar sem Jake. O amor por um homem era consumidor. Mas nunca poderia se comparar com o amor que uma mãe sentia por seu filho, então eu jamais poderia me arrepender das escolhas que tinha feito, e talvez fosse isso o que ele não poderia perdoar. Nem uma vez nas minhas cartas eu pedira perdão.


AGOSTO DE 2017 MOSCOU, RÚSSIA

Radmir

Acendendo a luz, entrei na ala do apartamento no quartel-general da Bratva, colocando minhas chaves sobre a mesa enquanto eu escaneava a área para localizar o cheiro estranho, como se alguém tivesse espirrado perfume. Minha ala era a maior após a do Pakhan, consistindo de uma ampla sala de estar que tinha uma enorme janela, com vista para uma sala de treino de tiro, onde membros aprimoravam suas habilidades e eu poderia manter um olho sobre eles enquanto saboreava o meu café da manhã.


Um bar ficava no canto direito com todos os tipos de “bebidas masculinas”, ou assim as casas da máfia as chamavam, com uma máquina de gelo e dois banquinhos, então sempre que eu sentia a necessidade de relaxar sozinho no meu quarto, podia. A lareira elétrica criava uma atmosfera acolhedora, juntamente com o tapete vermelho persa, o sofá de couro e as duas cadeiras. Uma mesa de escritório com papéis e um laptop ocupavam o canto esquerdo da sala com uma cadeira giratória confortável-pra-caralho. Várias peças das obra de arte de Dominic que consegui pegar dele ao longo dos anos ocupavam minhas paredes brancas, fazendo meu apartamento parecer bastante artístico em vez de um simples apartamento de solteiro. Servindo-me de um pouco de uísque, me mudei para o meu quarto, que tinha uma cama king-size no meio, um banheiro adjacente, e closet.


E uma parede com um tabuleiro7 montado com várias fotografias e nomes ligados por setas e notas. Com um marcador vermelho, eu marquei com um X enorme as fotos de Conrad, o cara da entrega, o motorista que me levou para a casa, o juiz e um dos presos. Eu tinha me resolvido com eles, e eles tinham aprendido a lição. Eu tinha deixado Benjamin para o grande final. Ele tinha que sofrer mais do que os outros. Pegando um marcador verde, eu criei setas que apontavam para a imagem do meio, que era um ponto de interrogação, porque o nome do cérebro por trás de toda essa merda ainda era desconhecido. Ele se levava nome, sua 7

escondeu bem, pois nenhuma pista à ele; Ninguém conhecia seu rosto, nem mesmo sua voz. Eu escaneei tatuagem através de vários

São aqueles “quadros” transparentes que detetives usam, e lá colocam nomes de suspeitos, fotos, manchetes de jornais e etc.


mecanismos de busca e bancos de dados, mas nem ele nem o projeto tinham aparecido em qualquer lugar. Deve ter significado algo importante para ele, mas Honey, a garota de Connor e hacker do FBI, prometeu encontrar um designer que se especializava em tais coisas. Essa era a minha única pista até agora. Uma única testemunha, Alex Jordan, o pai de Vivian, o promotor e um dos jurados foram os únicos que ficaram no quadro. Cada um deles forneceu informações falsas sobre mim para me colocar atrás das grades, então talvez com eles eu pudesse obter mais informações. Seis torturas a mais para infligir, só que eu não tinha ideia de como fazer isso para a família de Vivian, porque machucá-los significaria machucá-la, e mesmo com toda a fúria ardendo dentro de mim como um inferno, eu não conseguiria fazer isso com ela.


— Prometa-me, Radmir. Não machuque meu pai. Ele só precisa de tempo. — Vivian implorou enquanto segurava o colarinho da minha camisa com força, lágrimas brilhando em seus olhos. Nós estávamos no meio do quarto enquanto a Bratva esperava por mim lá em baixo, já que seu pai lançara um desafio para nós. Eles não tinham ideia de que Vasya me despojou da minha posição, caso contrário, ninguém teria me ajudado. — Krasivoglazaya, ele está declarando guerra para mim. Eu não posso controlar o que pode acontecer na irmandade se ele colocar policiais atrás de nós. Ela balançou a cabeça. — Você é o Sovietnik. Sua palavra conta. Radmir, por favor. Prometa-me. — enquanto ela me agarrava com força, eu não sabia como explicar para a mulher que se tornara meu tudo, que essas não eram promessas que eu poderia manter. Eu fazia parte do mundo perigoso onde os homens matavam


sem remorso se alguém ficasse em seu caminho. Sua família ficou puta com nosso relacionamento, e seu pai usou tudo em seu arsenal para me eliminar e fazê-la se casar com Alex Jordan. Com suas conexões nos Estados Unidos, a única maneira de detê-lo era fazê-lo calar-se da nossa forma. Vivian estava me pedindo para desistir da única arma que eu tinha contra seu pai, e era uma missão suicida em construção. Eu abri a boca para recusar, quando ela respirou pesadamente e enterrou a cabeça mais fundo no meu pescoço enquanto minhas mãos se envolviam ao redor dela. Algo me sacudiu quando suas lágrimas encharcaram minha camisa, e meu coração se quebrou. Porra. Como eu poderia quebrar seu coração? Ela não poderia viver comigo se eu o prejudicasse, e eu não poderia viver sem ela.


A escolha era simples, porque ela não me deixou escolha. — Eu prometo. — murmurei em seus cabelos, e ela me abraçou mais apertado enquanto minha mente girava com as possibilidades de que isso não terminaria bem. Precisávamos voltar para a Rússia, era a única maneira de garantir a nossa segurança. No entanto, no dia seguinte, Cliff tinha morrido, e meus planos não se tornaram realidade. Mas mesmo com esse resultado, eu sabia que nunca poderia quebrar minha promessa a ela. Então orei a Deus que seu pai não tivesse nada a ver com esse assassinato, porque eu não poderia torturá-lo, mas com toda a certeza do inferno, ele acabaria na prisão, onde sua vida seria insuportável.


Vivian

O advogado de Alex, Hugh, deslizou os papéis para mim na brilhante mesa de madeira, junto com uma caneta prateada com o nome da firma gravado no metal. — Tudo o que sobrou para assinar são esses, e o divórcio será finalizado. — lendo através deles, eu estudei os papéis, procurando qualquer pequena impressão que ocultasse lacunas. Eu não precisava perder nada, e não confiava que os advogados de Alex considerassem meus interesses. O ponto mais importante era que Alex não tinha acesso a Jake e só podia vê-lo se eu concordasse. Além disso, tudo o que pertencia a mim continuaria sendo meu, e a cada mês, Alex mandaria dinheiro para


minha conta, contanto contasse seus segredos.

que

eu

não

Ele poderia empurrar todo o seu dinheiro e poder pela garganta. Eu estava contente que minha prisão tinha acabado e ele não seria capaz de mandar em mim mais. O arranhão da caneta quando eu assinei soou alto no quarto de outra forma silencioso enquanto Hugh exalava em alívio e Alex sorria tristemente. — Eu vou ter certeza que vocês dois serão cuidados. Isso não deveria ter terminado assim. — meu ex disse suavemente, porém frustrado, mas eu balancei a cabeça e me levantei. — Fique com seu dinheiro. Nunca foi sobre ele, e você sabe disso. Estou feliz por ter terminado. — reajustando a bolsa no meu ombro, peguei minha cópia dos documentos. — Obrigado pelo rápido trabalho. — eu apertei a mão de Hugh. Ele era um bom sujeito - para um advogado - e


valorizava minha opinião também, então eu não podia sustentar muito contra ele. Eu saí sem olhar para Alex. Eu pulei em um elevador aberto, apertei o botão do andar térreo rapidamente, e apoiei minha cabeça na parede quando as portas se fecharam. A memória de seis anos atrás me assaltou, me lembrando de como eu entrei nesta bagunça de bom grado para começar. Grogue e desorientada, eu abri meus olhos quando uma dor de cabeça perfurante me assaltou e, por um segundo, eu esforcei-me para respirar enquanto cada movimento trazia uma dor maior. As máquinas emitiam um som alto ao meu redor, todo o meu corpo doía como se alguém tivesse me espancado quase até a morte. Colocando minha mão na minha testa, eu ofeguei quando meus dedos tocaram um ligeiro inchaço. Eu gemi alto.


Algo frio tocou minha pele antes de puxar meu braço para trás enquanto a mão esfregava minha bochecha. — Shh... meu amor. Eu tive de fazer isto. Você entende, certo? — embora a voz fosse gentil, e apesar da febre correndo através de mim, o frio escorregou em cada osso do meu corpo, enquanto o medo ofuscava qualquer outro desconforto. Levantei os olhos, piscando para longe da névoa só para ver a imagem embaçada de um homem de roupa azul com uma máscara no nariz. Eu estava no hospital? O que tinha acontecido comigo? A última coisa que eu conseguia me lembrar era gritar com meu pai que eu nunca iria me render aos seus desejos, e então tudo ficou em branco. Em pânico, eu quis esfregar meu estômago, mas meu braço estava preso à cama com o gotejamento IV e quase caiu sobre mim,


mas o médico, ou quem quer que ele fosse, conseguiu pegá-lo. Não que eu me importasse. — Meu bebê... — eu mal falei, minha garganta seca e arranhada, provavelmente do grito quando eu caí na rua. Uma luz brilhante me cegou quando a porta do quarto se abriu e uma voz feminina questionou: — Quem é você? — ela usava uma bata verde, provavelmente era uma enfermeira ou outra médica. — Doutor Alan. — ele mostrou-lhe seu nome em sua camisa. Ela assentiu com a cabeça, embora permanecesse confusa, se seu olhar franzido fosse qualquer indicação. Então seus olhos se arregalaram quando ela percebeu que eu estava acordada. De pé ao meu lado, ela ajustou o IV e trouxe gelo para os meus lábios. — Você está acordada agora. — ela sorriu brilhantemente. — Isso é bom.


— Meu bebê? — eu precisava que ela me dissesse a verdade, que me dissesse que estava tudo bem e eu não tinha perdido o meu bebê. Ela me deu um tapinha suavemente enquanto aplicava um creme calmante na minha testa. — Graças a Deus as pessoas te encontraram na rua rapidamente. Nada está quebrado e você tem apenas um pequeno inchaço em sua cabeça, e sua pele está levemente arranhada. O bebê está bem, querida. — sua voz se tornou mais suave quando acrescentou: — Você pode ter uma ligeira febre devido ao estresse e à medicação que lhe demos, mas é seguro para o bebê. Você teve sorte. O alívio me dominou, e se eu não estivesse na cama, provavelmente teria caído no chão. — Ok, pequeno, você está bem.


Mesmo que eu tivesse descoberto sobre o bebê alguns dias atrás, já o amava com tudo que eu tinha e não podia esperar para compartilhar as notícias com Radmir. Então a porta fechou alto enquanto o médico que me tratou desapareceu atrás dela sem dizer qualquer outra coisa. Esquisito. Mas parte de mim estava feliz, porque ele não inspirou as melhores emoções dentro de mim. — Seu noivo está esperando lá fora, pálido como o inferno. Ele não deixou seu lado desde que você foi trazida para dentro. Franzindo o cenho, confusa, eu estava prestes a perguntar sobre quem ela estava falando quando Alex entrou no quarto segurando um buquê de rosas vermelhas. A enfermeira piscou para mim. — Vou permitir esta visita por alguns minutos, mas ela precisa descansar.


Com isso, ela saiu, me deixando em um quarto com o homem que eu menos queria ver. Alex e eu éramos amigos de infância, até que ele viajou para o exterior para estudar. Quando voltou, não nos reconectámos nem nada. Mas depois que meu pai fez esse... negócio – porque do que mais uma pessoa poderia chamar algo assim? – ele mudou seu comportamento imediatamente. Simplificando, ele não tinha lugar na minha vida, e eu não sabia como deixar isso mais claro. Não nos víamos desde aquele jantar de caridade de gala, logo antes de eu partir para a Rússia. — Vivian. — cumprimentou, colocando as flores na única cadeira disponível na sala. O quarto era pequeno e não tinha TV. Só esperava que meu seguro pudesse cobri-lo. Mais um problema que eu teria que pensar. — O que você quer, Alex? Ele riu.


— Não está afim de conversar, não é? — ele se encostou na parede, seus olhos em mim enquanto segurava o casaco na mão. — Podemos resolver os problemas um do outro. O quê? — Eu estou grávida. — ele precisava saber, e eu esperava que, com a notícia, ele me deixaria em paz. Parecia um ato de traição, porém, dizer essas palavras pela primeira vez ao homem errado. Radmir merecia ouvir primeiro, para que seus olhos brilhassem de alegria. Em vez disso, meu homem estava trancado, e ele não poderia saber que tínhamos criado uma vida juntos. Meu coração doeu quando eu pensei sobre ele na prisão, mas a esperança ainda vivia. Eles iriam encontrar o verdadeiro assassino. Nem por um segundo eu acreditei que ele era parte disso. Alguém tinha armado para ele, e quando eu ficava acordada à noite, chorava


até dormir, esperando com tudo em mim que não fosse meu pai. Ele se transformara em alguém que eu não reconhecia mais. — Eu sei. — Eu amo outro homem. Eu o escolhi. Por favor, desista. Ele caminhou para mais perto, descansando sua palma no topo da cama. — Um homem que foi sentenciado por assassinato. Um membro da Bratva, estou ciente. — Haverá apelação! — o advogado de Radmir prometeu que eles poderiam vencer, mas o cara estava tão nervoso e tímido que eu me perguntava se ele mesmo acreditava em suas próprias palavras. — Isso levará anos, Vivian, e nem você nem seu bebê terão esse tempo. Meu pânico voltou. — O que você quer dizer?


— Sua queda não foi um acidente. Alguém tentou ajudá-la a naturalmente abortar. Balançando a cabeça diante do absurdo de suas palavras, eu indiquei: — Ninguém sabe sobre isso. Ele riu, embora carecesse de humor. — Sério? Você está em perigo, porque ninguém quer que isso — ele apontou para o meu estômago. — Continue vivo e bem. — Você está... — fúria correu sobre mim, e eu odiava que não pudesse fazer nada sobre isso no momento. Eu adoraria jogar algo em seu rosto presunçoso. — Certo. E se você me ouvir, vai manter seu bebê. Eu disse para ele ir embora, porque não queria vê-lo novamente. Desde que meu pulso subiu, o monitor cardíaco emitiu um som alto e, felizmente, ele foi conduzido para longe.


Alguns dias depois, pedi ajuda a meu pai, mas ele só riu e não queria nada com meu bebê. Depois disso, através das minhas conexões e de Dominic, encontrei Vasya e implorei que ele me aceitasse. Eu e meu bebê fazíamos parte da irmandade. Pertencíamos a Radmir. Essas eram suas leis! Ele me disse para ir para o inferno e esquecer que eu até mesmo conhecia Radmir, e para ele, Jake não era ninguém, e só Deus sabia a quem pertencia meu bebê. Eu estava desesperada e não sabia o que fazer, mas quando um carro quase me atropelou, entendi que minha vida já não importava. Jake era tudo o que importava. E um mês depois, me casei com Alex Jordan, odiando cada minuto. Naquela época, a única coisa que me mantinha viva


era que Radmir resolveria tudo uma vez que estivesse livre e entendesse minha decisão. Acabou. O casamento, o esquema, as mentiras... eles estavam finalmente atrás de mim, e eu não teria que fingir. As lágrimas escorriam por minhas bochechas quando o riso explodiu de dentro de mim, ecoando pelas paredes, e quando as portas se abriram, as pessoas me cumprimentaram com expressões confusas. Ignorando todos elas, saí do prédio e levantei meu rosto para o sol, desfrutando da leve brisa e do calor que se espalhava sobre mim enquanto uma sensação de liberdade caía sobre minha alma. Minhas mãos descansaram na cruz ortodoxa prateada no meu pescoço, que eu não tinha tirado em seis anos, não desde que Radmir a colocou lá depois da nossa primeira noite juntos. Ele me disse uma


vez que era dada a eles uma vez que se tornavam legítimos membros da irmandade, e eles a davam somente à suas mulheres, para que todos ao redor soubessem a quem ela pertencia. Era o sinal final da devoção que falava sobre seus sentimentos. Eu nunca seria livre de algumas coisas, tão desolador como era.

SETEMBRO DE 2017 MOSCOU, RÚSSIA

Radmir

A canção de Kipelov, “Ya Svaboden”, que se traduzia em “I'm Free”, ressoava nos altofalantes no ginásio vazio da Bratva enquanto meus punhos perfuravam o saco


de pancadas rapidamente. O sangue da minha pele dividida manchava todo o couro enquanto o suor escorria pela minha testa e costas. Girando rapidamente, eu chutei a coisa com todas as minhas forças, e ela se separou do teto e caiu com um baque denso, enquanto eu respirava pesadamente. Porra, essas coisas nunca duravam muito tempo, não importava quantas correntes eu colocasse nelas. Meu corpo doía em todos os lugares certos após o treino extenso. Balançando os braços de um lado para o outro e me esticando um pouco, tirei as luvas de boxe com a boca e peguei uma garrafa de água no canto, pulverizando-a no meu peito enquanto enxugava o suor com uma toalha. Senti um olhar perfurando minhas costas, e em um movimento, tirei uma arma da minha bolsa e girei para enfrentar o intruso. Todos os membros da Bratva


estavam ocupados bebendo e fodendo desde que o Pakhan trouxe sua mulher de volta. Esperando um filho da puta que vinha prejudicar a Bratva, eu fiz uma careta ao ver Vitya me estudando através das cordas enquanto descansava seus braços em cima delas. — Então, você vai fazer qualquer outra coisa além de matar as pessoas, obter relatórios sobre sua mulher e o filho dela, e depois passar todo o seu tempo no ginásio? Você é o Sovietnik. Talvez seja hora de agir como um. — ele meditou, enquanto o aborrecimento passava por mim. — Eu não me lembro de pedir sua opinião sobre como viver minha vida. — por que diabos ele estava falando assim comigo? Nós tínhamos uma hierarquia a seguir, e que eu saiba, ele era o principal executor, o que significava que minha palavra estava


acima da dele, e ele não tinha o direito de vir aqui e questionar minhas escolhas. Ele bufou, pulou no anel e ergueu a camisa enquanto minhas sobrancelhas arqueavam. Que merda ele estava fazendo? Apontando para a cicatriz no estômago, ele me perguntou: — Lembra-se de como eu consegui isto? Surpreso com uma pergunta tão bizarra, eu assenti. — Uma luta. Ele balançou sua cabeça. — Não apenas uma luta, uma luta com um homem que me chamou de todos os nomes possíveis quando ele me viu fodendo outro cara. Tinha apenas vinte anos e você estava comigo naquele clube da França. Franzindo o cenho, eu envolvi a toalha ao redor do meu pescoço e segurei os cantos de cada lado da minha cabeça.


— E? — Ele continuou vomitando para você que eu não deveria ser permitido na Bratva, que você deveria acabar com a minha vida lá, e ele continuou batendo em mim, mas eu nunca o acertei, porque não tinha forças contra ele. Você também não me ajudou. Uma vez que ele acabou, fomos deixados na parte de trás do clube comigo deitado no chão, sangrando, e você segurando uma arma, sem saber o que diabos estava acontecendo. Pensei que meus dias estavam contados. Sim, essas eram coisas que preferia não me lembrar. — Escute, Vitya... Ele não me deixou terminar, interrompendo-me com seu discurso. Normalmente ficava em silêncio. Por que de repente ele sentiu a necessidade de compartilhar? — Você se ajoelhou ao meu lado e me disse que eu deveria me lembrar para


sempre daquele dia, para gravá-lo no meu cérebro, assim, da próxima vez que alguém me derrubasse por quem eu era, eu devia socar o filho da puta de volta. — seu nariz tinha estado quebrado. Eu ainda podia ver seus olhos ocos, como se a vida tivesse terminado para ele. Em qualquer outra circunstância, provavelmente teria. Nenhuma máfia permitiria que homens abertamente gays fizessem parte da irmandade. — Eu ainda acredito nessas palavras. Às vezes conversar com os membros era exaustivo, considerando que todos tinham alguma da minha sabedoria para me devolver. Mas como poderia ser diferente? Eu os criei quando Vasya apenas queria resultados. Ele era um bom Pakhan, mas não se importava com seu estado emocional, desde que pudessem ser úteis para a irmandade. A única pessoa para quem ele tinha um ponto fraco era


Dominic, mas eu também o tinha sob a minha asa durante anos. — Você me deu uma chance de viver minha vida, e nós dois sabemos disso. Você me ensinou naquele dia a não pensar menos de mim mesmo e a lutar de volta. Foi por isso que você não me defendeu. — algo passou por seus olhos. — Aquele homem foi encontrado morto na manhã seguinte. Eu não tinha nenhum comentário para isso. Ambos sabíamos que o matei sem remorso. O filho da puta tinha duas vezes a idade de Vitya. Ele não faria mais nada para machucar crianças. Não comigo por perto. — Qual é o seu ponto, Vitya? Toda essa conversa feminina está me irritando. Sem mencionar que eu estava todo suado e precisava desesperadamente de um banho. O único lugar onde eu poderia realmente fechar meus olhos e imaginar Vivian ao


envolver minha mão em torno de meu pau e obter algum tipo de alívio deste desespero consumidor que minha vida tinha se tornado. Então, de certa forma, eu ansiava por um chuveiro depois de um treino como um adolescente com tesão que passava a maior parte de seus dias em banheiros. Ele ajustou a camisa de volta no lugar, enquanto abria os braços. — Eu serei para sempre grato a você por estar lá para mim quando eu mais precisei de você. Então pare de sentir pena de si mesmo e empurrar todos para longe quando tudo o que queremos é te ajudar. — ele parou por um segundo. — E lembrese do seu lugar aqui. Todo mundo está muito assustado para te dizer, e Dominic está ocupado com sua mulher. — ele terminou e cruzou os braços enquanto me olhava com expectativa. Fodidamente hilariante.


Pegando meu saco, eu passei por Vitya e saltei para baixo, em seguida, me virei para ver que ele ainda estava franzindo a testa para mim. — Dominic estava ocupado viajando ao redor do mundo matando todos os envolvidos na situação de sua Rosa. Eu lido com as reuniões com os investidores e as máfias rivais. Certifico-me de que todos estão sendo cuidados, e supervisiono os estatutos financeiros de Yuri. Durante as aulas, ensino aos recrutas como não perder a cabeça neste mundo, e à noite, me certifico de que a sede está sendo patrulhada. Sem mencionar que sou eu que fico no telefone com todas as autoridades na Terra para onde você vai, assim você não terá uma guerra em suas mãos. — seus olhos se arregalaram de surpresa. — Sim, interessante, não é? Você segue Dominic em todos os lugares, porque é sua pessoa mais confiável, mas você não sabe nada sobre o que acontece aqui.


— Radmir... Sem disposição para suas desculpas, acenei minha mão para que ele calasse a boca. — Tudo corre bem na irmandade, com exceção de Yuri que, por algum motivo, se interessou por uma agente do FBI, mesmo que ele não queira admitir, e o Pakhan, que por muito tempo todo mundo pensou que estava louco, mas descobriu-se que sua mulher estava realmente viva, e agradeço por isso. — eu apontei meu dedo para ele. — E ninguém sabe sobre você e Michael, porque eu corto os rumores no momento em que eles começam. Então, Vitya, vou dizer isso só uma vez. Nunca me diga como fazer meu trabalho ou questione minhas ações. Ao contrário de todos vocês, eu nasci nesta vida. Vocês todos viram esta vida como uma fuga de um pesadelo, mas para mim, tornou-se um pesadelo. Sem esperar por sua resposta, eu andei para a minha casa, me perguntando


quando todo mundo iria aprender que, ao contrário deles, eu sabia sobre as responsabilidades em meus ombros. Mas Vitya estava certo sobre uma coisa. Chega dessa merda. Eu nunca fui o tipo de homem de esperar a vida me conceder algo, então por que começar agora? Vivian Jackson pertencia a mim, e já era tempo de todo mundo saber. Foda-se o passado. Eu iria encontrar maneiras de puni-la por ele sem ter que viver sem ela pelo resto da minha vida. Um homem não poderia viver sem o seu coração; Ele poderia funcionar e sobreviver, mas não viver. E eu estava cansado de apenas sobreviver na porra deste mundo.


Vivian

— Mamãe? — Jake gritou animadamente por trás de mim. Eu me virei a tempo de pegá-lo em meus braços quando ele pulou em mim, rindo alto. — Nós ganhamos! — ele gritou, e então levantou o queixo com orgulho enquanto eu o abraçava, respirando seu cheiro. Nada poderia me acalmar melhor que ele. — Eu não duvidava nem por um segundo, querido. — eu respondi suavemente, acariciando sua cabeça, enquanto ele levantava a bola em sua mão. — Meu objetivo era ganhar! — então ele se mexeu, indicando que queria descer. Eu o coloquei em seus pés, e imediatamente ele correu para a sala de estar e mergulhou no


sofá ao mesmo tempo que ligava a TV. — Hora dos desenhos animados. Balançando a cabeça, divertindo-me com as oscilações de atenção de Jake, não pude evitar rir, porque ainda tinha o capacete de treino de hóquei, mas não parecia incomodá-lo muito. Alex jogou a mochila de prática de hóquei de Jake no chão e colocou alguns papéis na mesa. — Eles querem transferi-lo para um grupo mais avançado. Ele é bom para a sua idade. — orgulho atava sua voz, e eu odiava isso, embora ele sempre tivesse sido bom para meu filho. — Eu disse a eles que teriam que entrar em contato com você, já que estamos divorciados agora. — Obrigada. Ele se moveu desajeitadamente, mas então limpou a garganta. — Poderíamos ... poderíamos ainda ter os domingos de hóquei juntos?


A raiva estalou dentro de mim em suas palavras quando eu cruzei meus braços e olhei para ele. — Você não tem o direito. Ele nunca foi seu. Todo mundo sabe disso. Seu nome não está na certidão de nascimento. Jake é meu, e se você pensar em ir ao tribunal sobre ele... Ele levantou discurso.

a

mão,

parando

meu

— Vi, não foi isso que eu quis dizer. — ele exalou pesadamente, passando os dedos pelo cabelo. — Ele não é meu filho. Eu sei disso e ele sabe disso. Mas... eu sou uma estabilidade em sua vida. Quem irá a esses jogos com ele? Você? Sem ofensa para as mulheres, mas os filhos costumam sair com os pais. — ele se encostou na parede, seus olhos em Jake. — Além disso, eu me acostumei com isso também. Estou pedindo que você não tire isso de nós. Mas esse era o ponto, não era? Aqueles momentos não eram dele. Toda vez que ele passava algum tempo com Jake, sentia


como se eu tivesse roubado esses momentos de Radmir; Eles lhe pertenciam legitimamente. Mesmo o amor de Jake pelo hóquei... meu russo amava também. Era um grande esporte na Rússia, e ele tinha sonhos de ensinar seu filho a patinar, para ele jogar profissionalmente, caso a criança se interessasse. Em vez disso, Alex foi o que experimentou, e eu odiava com todo o meu ser. Alex e eu tivemos um relacionamento complicado, para dizer o mínimo. Alex tinha um segredo, e eu mantive-o escondido enquanto ele fornecia a tão necessária proteção para o meu filho e para mim. O nome da família Jordan não teria sobrevivido à notícia de que seu único filho tinha certas necessidades sexuais. Alex não compartilhou muito comigo, só que precisava de muita gente para satisfazê-lo. O que quer que isso signifique.


Ele nunca tentou me tocar. O casamento era platônico; Nós tínhamos até mesmo assinado um contrato. Ele tinha relações sexuais com outras pessoas constantemente e não se importava se eu tivesse um caso, não que eu quisesse um. Jake sabia que Alex não era seu pai; ele o chamava de tio Alex. Eu não acho que ele sabia que sua mãe estava casada com ele, já que nunca agimos como um casal. Acontece que Alex tinha uma boa explicação para ser um idiota para mim naquela época, mas ele não era nada além de educado desde então. Se fosse apenas sobre ele, eu o teria dispensado e dito a ele para se foder. Afinal, sua ajuda não veio de graça. Mas ele estava certo, Jake precisava desses domingos, e com Radmir fora do quadro, não era como se ele estivesse aqui para apreciá-lo. — Somente aos domingos, Alex.


O alívio e a gratidão brilharam em seus olhos enquanto assentia. — Obrigado. Se precisar de alguma coisa... Okay, certo. Ele estava brincando comigo? — Nunca lhe pedirei. Ele rangeu os dentes e saiu, acenando para Jake, que acenou de volta e depois voltou para seu desenho animado, dispensando Alex também. A única coisa que aprendi durante a minha gravidez de Jake foi que, com o meu mundo caindo aos pedaços, não deveria esperar ajuda de graça. Sempre haveria um preço a pagar.


5Vivian

— Gostaria de beber alguma coisa, senhorita, antes de irmos? — perguntou a comissária educadamente, oferecendo uma bandeja com todos os tipos de bebidas. Embora minha família fosse rica, papai não acreditava em arruinar seus filhos com


passaportes de primeira classe. Muitas vezes viajávamos dessa forma, mas sempre em classe econômica, e geralmente desde que ele fazia arranjos de última hora, acabávamos com maus lugares, tipo em algum lugar no meio, esmagados entre outros passageiros. Minha irmã costumava se importar com isso, mas eu não. As pessoas sempre foram ótimas, e tive a oportunidade de tirar várias fotos para minhas coleções. Sem mencionar que davame uma ruptura tão necessária da zombaria constante de minha mãe ou do desprezo de meu pai por ousar ter uma opinião. Mas desde que eu estava na primeira classe de qualquer maneira, por que não aproveitar todos os luxos? Enterrando-me mais profundamente em um assento confortável e largo de couro, eu disse: — Champanhe, por favor. — parecia apropriado celebrar esta grande fuga e esquecer por um tempo sobre minha casa.


A comissária colocou o guardanapo na bandeja do encosto do banco e, em seguida, o copo, juntamente com algumas nozes no lado. Então, com um sorriso educado, saiu para cuidar dos outros passageiros. Inclinando-me de volta no meu assento, tomei um gole enquanto observava pela janela como a equipe do aeroporto continuava colocando as bagagens dentro do avião. Uma mochila de repente caiu no assento ao meu lado, me surpreendendo, e quase derramei minha bebida. Que diabos? Abri minha boca para dizer a quem quer que fosse o que estava em minha mente, quando meus olhos se arregalaram para o estranho. Ele era o cara do corredor - Dominic! Inaporra-creditável. Se a carranca de aborrecimento fosse um indicativo, ele


ainda não estava feliz por ficar ao meu lado no assento. — Bem, olá. Quão coxa eu parecia? Ele apenas balançou a cabeça e respondeu: — Oi, de novo. Não se preocupe — ele riu, claramente divertido com alguma coisa. Um homem passou por ele, saudando-o, enquanto dois mais sinalizavam para ele de trás. Quantos estavam lá? — Não vamos passar muito tempo juntos. Ele me assegurou, então gritou: — Radmir, eu vou tomar seu lugar. Então ele se afastou e sentou-se algumas fileiras na minha frente, dispensando-me. Pisquei algumas vezes com sua hostilidade. Eu entendi que ele provavelmente não gostava de mim, mas precisava mudar de lugar? As minhas sobrancelhas franziram, mas não tive muito tempo para me debruçar sobre isso quando Radmir apareceu.


E minha respiração parou mais uma vez. — Krasivoglazaya. — ele disse, sua voz como um cobertor quente que eu queria me enrolar. — Perdoe a falta de maneiras de Dominic. — ele franziu a testa para a parte de trás da cabeça de seu amigo. — Falaremos depois sobre isso. — ele murmurou. — Tudo bem. — o que mais poderia ser dito em tal situação? Minha garganta ficou seca e eu rapidamente peguei o champanhe e tomei um grande gole, saboreando como o líquido refrescante percorreu meu corpo e me distraiu do estranho. Ele colocou a mala no compartimento superior, fechou-o e sentou-se ao meu lado. Instantaneamente, o cheiro de cigarros ricos e colônia cara me lavou, fazendo-me instintivamente inclinar mais perto dele para cheirá-lo. Se eu tivesse uma fraqueza, eram homens que usavam colônia, e embora eu odiasse


cigarros, algo sobre a combinação daqueles dois naquele homem fazia coisas loucas a minha libido e imaginação. — Nervosa? — sua voz era profunda, e rouca, e porra, por que fez-me mexer desconfortavelmente no assento? Sem olhar para ele, coloquei o nariz na janela. — Não, nunca estive na Rússia, mas não é o meu primeiro voo. — ele riu; Era rico e alto, como se ele não tivesse uma preocupação no mundo. — Você terá uma surpresa, então. Nenhum sotaque era evidente em sua voz, e antes que eu pudesse me impedir, perguntei: — Você é de lá? Ele ergueu a sobrancelha, colocou o cotovelo no braço entre nós e inclinou-se, o que deixou seu rosto mais perto do meu e permitiu-me ver a diversão e algo mais em seus olhos, algo que eu não consegui


identificar. Nenhum homem me olhou com tanta expressão antes. — Onde? — Moscou? Ele meio sorriu e então balançou a cabeça. Eu entendi errado? Ele era americano? — Oh, me desculpe. Eu apenas presumi... — Sou de Irkutsk. Piscando várias vezes em confusão, eu esclareci: — Irkutsk? — Uma cidade na Sibéria. Onde fica o lago Baikal. — ele riu. — Meu amor por esta cidade transferiu-se para o resto dos caras. — acrescentou, provavelmente falando sobre o tal de Dominic. Eu sabia sobre o lago Baikal. Quem não? Afinal, era um dos maiores lagos do mundo e tinha a água quase limpa, perfeita para beber, de modo que a Rússia seria um destino perfeito em caso de qualquer


cataclismo. Também foi dito que se alguém se perdesse lá, ninguém seria capaz de salvá-lo, porque o lago era muito profundo. Era misterioso, grande e, com base em imagens, muito bonito. No entanto, eu não tinha ideia de que existia uma cidade na Sibéria... e espera, cidade? — Existem cidades na Sibéria? A bebida que a aeromoça lhe entregou enquanto eu estava digerindo suas informações parou a meio caminho de sua boca. Ele piscou e então franziu a testa. — Sim, algumas. Por que você está surpresa? — então ele me estudou por um segundo, e antes que eu pudesse responder, ele riu novamente. — Você não esperava que a Sibéria tivesse cidades? Ok, isso era embaraçoso, e minhas bochechas aqueceram. Eu provavelmente estava tão vermelha como um tomate, mas não podia dizer muito para ele.


— Não! — eu decidi rapidamente esclarecer o mal-entendido. — Eu simplesmente assumi que era um estado, tipo o Alasca. Ele assentiu, bebendo o uísque. — A Rússia não tem estados, embora. Eu corei novamente. — Desculpa. — Não há necessidade de pedir desculpas, krasivoglazaya. Algum dia, você terá a oportunidade de ver por si mesma. Essa palavra novamente, a curiosidade estava me matando, e talvez uma vez que eu soubesse o significado, meu corpo não iria ficar em alerta máximo. Provavelmente era um apelido imbecil. — O que isso significa? Ele me estudou por um segundo, em seguida, colocou sua bebida no suporte e segurou meu queixo com os seus dedos. O primeiro contato de sua pele com a minha fez meu coração bater mais rápido enquanto ele sussurrava há alguns centímetros de distância de meus lábios:


— Olhos bonitos. Fiquei muito atordoada com o seu elogio para responder, mas quando eu finalmente encontrei minha voz e queria falar, uma aeromoça nos interrompeu e sussurrou algo em seu ouvido. Radmir estreitou os olhos e ela deu um passo para trás, baixando a cabeça. Claramente, ela sabia que tinha ferrado. Ele se levantou, me deu mais um sorriso e caminhou na direção da cabine dos pilotos. Esquisito. Uma vez que ele saiu, notei que a primeira classe estava preenchida com apenas homens adequados com expressões estoicas e alguns caras vestindo jeans e camisas. Esses homens tinham uma variedade de tatuagens, e eles continuavam a verificar a porta e seus telefones. Nenhuma mulher ou alguém que parecia tão comum quanto eu estava na primeira classe. O que diabos estava acontecendo?


E mesmo que isso não importasse, eu ainda tentava acalmar meu coração que batia rapidamente, já que as sensações desconhecidas atravessavam meu corpo. Em que diabos eu me meti?

Radmir

Eu esperava muitas coisas ao entrar na sala principal, mas não Dominic sentado no bar, bebendo vodka como se fosse água, enquanto Kostya continuava me dando olhares preocupados enquanto ele reclamava sobre suas ordens. Outros membros estavam ocupados jogando bilhar ou fazendo com as mulheres que lhes serviam bebidas esfregassem seus seios sobre eles. O candelabro de cristal colorido pendia perigosamente baixo e corria o risco


de danificar aqueles malditos idiotas que continuavam a balançar as mãos para cima e para baixo ou que estavam flexionando os músculos ou brincando com armas. O piso de mármore preto vibrava com a música explodindo dos altofalantes, tão alta que minhas orelhas quase sangravam. Por que no inferno Dominic permitiu tal comportamento estava além de minha compreensão; Não era como se merecesse isso. Eles não estavam matando pessoas ou realizando coisas à torto e à direita. Os últimos meses foram descontraídos para a irmandade, uma vez que o foco do Pakhan estava em fazer com que sua mulher, Rosa, voltasse. Kostya era o barman e o principal protetor da sede. Eu não tinha a mínima ideia sobre de onde ele veio ou por que Vasya lhe deu a posição, e nunca questionei isso. Ele era um cara bom o suficiente que sabia o que fazer quando a merda batia no ventilador. Seu relacionamento com


Konstanciya, nossa atiradora, me interessava, porque poderia criar o caos entre a Bratva. Fazendo uma nota mental para verificar isso mais tarde, eu me dirigi ao Pakhan enquanto sentava no banquinho ao lado dele. — Ficar bêbado não vai ajudá-lo nesta situação. — Kostya me entregou um copo de whisky e eu o saudei com ele. Ao franzir a testa, Dom apontou: — Engraçado você me dizer isso... considerando que também não é um santo. Eu ri enquanto estudava as meninas dançando na mesa de bilhar. Os caras salivavam enquanto olhavam para elas, alguns deles se deslocando desconfortavelmente, ajustando seus paus. Qual era o apelo de querer mulheres que literalmente fodiam todos na irmandade? Algumas delas estavam por perto antes mesmo de eu ter sido preso. Embora gostasse de foder no passado, como


Dominic, eu preferia encontrar mulheres lá fora. A ideia de colocar meu pau em alguém que acabou de ter um dos novos recrutas dentro dela não ajudava exatamente meu tesão. — Ao contrário de você, eu tenho razões melhores para isso. Minha resposta foi recebida com um grunhido quando ele bateu o copo no bar. — Minha mulher foi abusada e depois se transformou em alguém que ela não é, tudo por causa de um filho da puta doente que eu ainda não consegui localizar. Isso não é motivo suficiente para você? Calmamente bebendo perguntei em voz alta:

minha

bebida,

— Onde ela está? — se Dominic achava que sua explosão de raiva conseguiria uma briga, ele estava errado. Eu o criei. Eu poderia reconhecer quando seu coração estava magoado. Vasya me apresentou a ele quando ele tinha quinze anos, um


filhote irritado que sonhava em encontrar sua identidade neste mundo. Ele aprendeu tudo comigo. — No andar de cima. Ruslan disse que ela desmaiou por choque e nervos. Eu a deixei com Michael, porque suas palavras ainda me machucam. Eu não podia simplesmente continuar sentado lá. — Ruslan era o médico da Bratva, e era um bom cara. Eu ainda lhe devia por costurar minha ferida à faca há dez anos. — Certo. Mas ela é sua. Ao contrário da minha... Vivian casou-se com Alex e teve um filho dele. — minha voz estava coberta de frieza, escondendo a amargura correndo em minhas veias ao pensar nela, minha mulher, nos braços do filho da puta. Se ela não fosse sua esposa, eu a teria arrastado para a Rússia comigo e nunca a deixaria ir, mas ela pertencia legalmente a ele. E se havia uma regra que eu nunca quebrava, era a de tirar a esposa de outra pessoa. Ela se divorciaria dele e então eu reivindicaria


o que era legitimamente meu desde o início. Nossa única noite juntos foi minha vingança dela, mas acabei por ser a única pessoa que puni. As imagens de sua beleza e gemidos assombravam meus sonhos todas as noites, enquanto meu coração desejava segurá-la em meus braços. Antes que eu pudesse adicionar qualquer outra coisa, uma ruiva veio até nós com um enorme sorriso no rosto. Ela usava uma saia curta que exibia suas longas pernas e um top branco sem um sutiã, seus mamilos estavam visíveis através da coisa. Toda a sua atenção estava em mim. Mas que porra ela queria? — Sovietnik. — ela murmurou, arrastando seu dedo indicador pelo meu peito, seus olhos escaneando meu torso sem camisa com apreço. — Gostaria da minha companhia? — ronronando, ela lambeu os lábios, prometendo-me um bom tempo entre os lençóis.


Adorava mulheres, nunca tendo uma por mais de uma noite, e todas gostavam de mim. Presentes generosos e jantares pareciam uma boa pechincha por uma noite de sexo; Nunca quis que elas se sentissem usadas. Nenhuma delas inspiravam nada além de uma ereção em meu corpo, mas mesmo assim, eu sempre tentei ser um perfeito cavalheiro. Mas então Vivian apareceu, e eu vivia e respirava por ela. E ela pode estar casada e ter um filho... mas meu corpo não recebeu o memorando. Qualquer pensamento de colocar minhas mãos em outra mulher me repelia, como se eu estivesse traindo algo precioso. De repente, fiquei furioso. Estava tão cansado dessas cadelas tentando me enfiar em suas camas. Cortesia simplesmente não funcionava com algumas pessoas. Eu agarrei seu cabelo dolorosamente, e ela gemeu de prazer, pisando mais perto de mim, pescando por um beijo, mas eu a


empurrei de lado asperamente. Ela quase tropeçou em seus saltos. — Eu vou repetir mais uma vez o que já disse, e se você não ouvir, seu traseiro estará fora daqui permanentemente. — segurando meu braço, ela choramingou e baixou seu olhar, incapaz de suportar meu escrutínio. — Nunca me toque sem minha permissão. — eu me dirigi ao resto das prostitutas que estavam no canto, seus olhos arregalados. — O mesmo vale para vocês. Eu não estou interessado no que vocês estão oferecendo. — elas assentiram freneticamente. A ruiva se juntou a elas, e elas a envolveram em um abraço apertado. — Estou cansado de explicar isso a cada uma de vocês. — minha raiva atravessou o ponto da racionalização, e elas recuaram mais para um canto. — Desligue a porra da música. Igor rapidamente desligou os alto-falantes, enquanto exalava um suspiro de alívio.


Bom saber que a Bratva ainda lembrava do meu temperamento. Girando no assento, voltei para o meu uísque e apertei o copo no meu punho. Foda-se, eu precisava de sexo. Meu corpo estava constantemente hiper-alerta durante os treinos e missões, mas minha frustração só podia ser acalmada ao gozar, o que me deixava ainda mais ansioso do que antes para provar minha mulher. Mais exercícios ajudariam a tirar minha mente das minhas necessidades; Pelo menos conseguiu me ajudar nos últimos cinco meses. Logo, eu reivindicaria minha mulher de novo e a traria de volta para cá, onde ela ficaria para meu prazer. Eu pensaria em outras maneiras de puni-la por sua traição. Foda-se minhas regras. Ela pertencia à mim primeiro; Alex poderia ir se foder. Dominic limpou a garganta e disse:


— O menino, seu nome é Jake, e ele tem cinco anos de idade. Ele é seu. — eu congelei, inalando bruscamente enquanto minha mente tentava entender as informações que ele me havia dado. — A razão pela qual ela se casou com Alex Jordan foi porque ele a chantageou. Eu não sei os detalhes. Mas ele nunca a teve. Ela ainda é sua. O quê? Todo esse tempo na prisão, ela foi o que me manteve vivo, me manteve em pé e resistindo a toda a tortura das pessoas que tentaram me matar. Porque enquanto ela me esperasse lá fora, nada mais importava. Então, Dominic apareceu há um ano e me disse que ela se casou com outra pessoa e teve seu filho, e fúria e dor me encheram desde então. Eu nem tive tempo de processar que Jake era meu ou a alegria no meu coração pelo pequeno ser o resultado do nosso amor;


Tudo o que eu poderia pensar era na traição da única pessoa que eu nunca tinha esperado. A cadeira caiu no chão enquanto eu me levantava. Peguei sua camisa e cuspi furiosamente: — Onde está a merda da sua lealdade? Eu vou te matar, porra! — os homens correram para nós, porque ninguém ousava ameaçar o Pakhan. A mão levantada de Dom os parou, porque tínhamos que resolver isso entre nós. Meu interior coçava por uma briga e, com sua expressão resignada, ele estava disposto a me dar uma. O Pakhan da Bratva sempre cuidava de sua irmandade, afinal. Recuando meu punho, eu o soquei no rosto, derramando minha raiva e frustração nele. A cabeça de Dom inclinou-se para trás, mas ele rapidamente se recuperou e me deu um soco no estômago. A dor me dobrou em


dois enquanto os homens formavam um círculo ao nosso redor, e as mulheres ofegavam, fugindo do bar. A foto de Vivian segurando um bebê embrulhado em um cobertor azul piscou na frente dos meus olhos. — Ela teve meu filho! Meu filho, Dominic! — eu gritei, dando um golpe em seu fígado - um golpe baixo de minha parte, considerando que eu sabia que era seu ponto fraco. Ele me chutou, o que resultou em eu perder o equilíbrio, mas não antes de agarrar seu pescoço, golpeando-o rapidamente. Nós caímos no chão e nossos punhos voaram violentamente. Acabamos lutando cegamente um com o outro. — Mas que porra é essa? — gritou alguém, e em um segundo, ele envolveu seus braços em torno de mim por trás e me tirou de Dom enquanto Vitya o segurava, mas ainda nos encaramos, parados e prontos para um segundo round.


— De todas as pessoas, não esperava isso de você, Dom. — finalmente disse, minhas emoções ameaçando me deixar louco, bloqueando qualquer dor física. — Avançar, Lembra?

nunca

recuar,

Radmir.

Nós paramos, estudando um ao outro enquanto meus ensinamentos passavam por minha mente. Sempre que ele ficava puto quando era adolescente ou era derrotado no ringue, e não queria se levantar, minhas palavras eram como um mantra para ele. Avançar, nunca recuar. Aquele mantra fodido não funcionava quando tinha a ver com Vivian e Jake. Depois de alguns segundos curtos, anos de treinamento me permitiram colocar uma expressão indiferente para cobrir minha agitação interior. Pegando os olhos culpados de Vitya, eu me dirigi a ele.


— Me dê toda a informação que você tem sobre meu filho e Vivian. — eu parei e depois, sem olhar para Dom, perguntei: — O que você me disse na prisão... sobre ela testemunhando contra mim. É verdade? Ou mais uma de suas mentiras? Se ele tivesse mentido para mim sobre isso, eu não conseguiria me impedir de atirar nele. — Sim, era a verdade. Minha mandíbula pulsou, a tensão torcendo dentro de mim. Assentindo, caminhei na direção da minha ala com Vitya nos meus calcanhares. Ele me daria todas as respostas antes de eu soltar a fúria profunda dentro de mim. — Faça com que Yuri, Petor, Gleb e Dima venham aqui agora. — eu ordenei. Ao continuar caminhando, acrescentei: — Traga-me toda a informação que você tem, Vitya.


— Radmir, nós achávamos que isso seria para o seu bem... Agarrando-o pelo colarinho da camisa, o bati com força contra a parede enquanto ele resmungava dolorosamente. — Você escondeu meu filho de mim. Você permitiu que eu machucasse minha mulher. A fraternidade da Bratva deveria cuidar deles. Em vez disso, vocês a jogaram para os lobos. Não me diga para me acalmar. Seja agradecido, porra, que não vou colocar uma bala na cabeça de Dominic. Todos vocês quebraram o código. — cuspindo as últimas palavras, o soltei e continuei meu caminho para o meu quarto. Abrindo o meu telefone, disquei o número e, quando a pessoa atendeu, eu lati: — Oleg, deixe o avião pronto para ir aos Estados Unidos. Estarei no aeroporto em três horas, no máximo.


Desligando, pensei: como posso pedir perdão à única mulher que eu já amei?

Vivian

A campainha tocando me distraiu de misturar a salada. Olhei para Jake, que estava deitado de bruços no tapete roxo e fofo e lia o livro sobre aviões. Ele levantou os olhos confusos para mim. — Quem é, mamãe? — nós raramente recebíamos visitantes, então eu entendia sua confusão. Abrindo um sorriso, respondi: — Não sei, querido. Deixe-me verificar. — mas antes que eu pudesse abrir a porta, alguém a destrancou. Tina entrou carregando um buquê de lírios nas mãos, e


o cheiro agridoce instantaneamente.

me

irritou

— Surpresa! — ela gritou, colocando-os na pequena mesa da porta quando John entrou logo atrás dela com várias caixas da minha padaria favorita, que recentemente abriu ao lado do meu estúdio, a poucos quarteirões de distância da minha casa. — A chave é apenas para emergências. — finalmente encontrei minha voz, muito atordoada no início com sua aparição. Tanto quanto amava minha irmãzinha, vir a Nova York de todos os lugares e em minha casa era muito incomum para ela. Ela amaldiçoou a cidade no momento em que encontrou seu ex-marido na cama com uma de suas amantes e seu ódio por ele se estendeu para o lugar em si. Tina revirou os olhos, mostrando-me um grande sorriso e puxando seu vestido curto e laranja, que mal cobria a sua bunda, mas mostrava suas pernas incríveis; Não é


de admirar que muitas revistas comparem sua beleza com a de Candice Swanepoel. Elas poderiam ser facilmente consideradas gêmeas com seus cabelos dourados e olhos azuis. — Isto é uma emergência! Você se divorciou. — ela sussurrou, provavelmente por consideração à Jake e então fez cócegas em seu pé, fazendo com que ele risse alto. — Por que você não está saudando sua tia de forma adequada, munchkin8? — ela o perseguiu, e então ele pulou diretamente em seus braços, deixando-a quase sem fôlego do forte abraço. — Tia Tina! — ele gritou, e então seus olhos se arregalaram quando ela lhe mostrou a caixa do jogo de hóquei Kinect que ele estava me implorando para

8

É essa raça de gatinhos super fofos com as perninhas curtas.


comprar por anos. Eu me recusei, porque ele já tinha o suficiente desses tipos de jogos e geralmente ficava frustrado, pois ele jogava sozinho. Seus amigos se recusavam a brincar com ele, já que ele sempre ganhava. Deixei a minha irmã agir como a tia legal e comprá-lo para ele. — Gostou, amigo? — ele fez um movimento para arrancá-lo de suas mãos, mas ela o levantou mais alto. — Que tal me mostrar como jogar? Ele balançou a cabeça ansiosamente, levantou-se, e virou seu olhar suplicante para mim. — Podemos, mamãe? — seus olhos cinzentos e cristalinos me lembraram tanto de seu pai naquele momento, que meu coração doeu. Como eu poderia recusar isso a ele? — Tudo bem, mas apenas por uma hora, e então você vai ler um pouco mais.


— Tudo bem! — então ele puxou Tina na direção de seu quarto. — Apresse-se, tia Tina. — ela riu, agarrou uma das caixas, que tinha suas rosquinhas de chocolate favoritas, e com uma piscadinha para mim desapareceu até a extremidade da casa, deixando-me sozinha com John na sala de estar/cozinha. E aquela era uma das razões pela qual eu planejava me mudar deste lugar o mais cedo possível. Quando eu estava grávida de Jake, tudo que eu queria era fugir de todos e viver em algum lugar em paz. Este complexo de apartamentos parecia uma ótima ideia, especialmente porque era localizado perto do meu estúdio e o bairro era bom. No entanto, o prédio estava cheio de artistas boêmios, as pessoas tinham se estabelecido em suas vidas, e com quase nenhuma criança para brincar, Jake ficava solitário. A maioria dos seus amigos vivia muito longe, e ele não podia andar de bicicleta. Então, meu corretor de imóveis já


estava à procura de uma casa pequena e aconchegante para nós nos subúrbios do Upper East Side. Eu esperava que pudesse caminhar até o trabalho, desde que não tinha obtido uma carteira de motorista. Aqueles carros eram muito assustadores para dirigir, eu juro. — Espero que não estejamos sendo intrometidos. — a voz calma de John me trouxe de volta ao presente, e eu balancei a cabeça, abrindo as caixas alinhadas no balcão da cozinha. Uma risadinha escapou da minha boca. — Claro que não. Você até mesmo se certificou de começar com a maior e terminar com a menor. Ele encolheu os ombros, sentando-se na cadeira com toda a sua atenção em mim. — Digamos que a importante para mim.

ordem

é

algo

Uma delas tinha meus cupcakes de morango favoritos, e não consegui resistir a mergulhar meu dedo nele. Eu quase


gemi, desfrutando o sabor doce em minhas papilas gustativas. — Fico feliz que você goste deles, Vivian. — ele disse, e por um segundo a atmosfera no lugar mudou, o rosto inteiro de John mudando quando algo brilhou em seus olhos, mas foi tão rápido que não tive tempo para estudá-lo. Ignorando a sensação estranha, eu derramei café preto em um copo e coloquei na frente dele. — Vocês sabem do que eu gosto. Então, o que vocês estão fazendo em Nova York? — à distância, eu ouvi Jake gritando para Tina algo sobre defesa e ataque rápido, ensinando-lhe claramente as regras do jogo. John bebeu sua bebida por um momento e finalmente respondeu. — Tina queria ver você depois da coisa do divórcio. Nós acabamos de descobrir, ou teríamos estado aqui mais cedo. — ele


parecia tão apologético que sobrancelhas se levantaram.

minhas

— Está tudo bem, realmente. Alex e eu... nós tínhamos nossas diferenças. — essa era a desculpa que daríamos para os jornais no caso de a imprensa querer escavar mais fundo e descobrir por que a família Jordan se separou. Eu estava arranhando nervosamente a mesa, pensando que deveria continuar preparando nosso almoço, quando John colocou a palma aberta sobre os nós dos meus dedos, parando meus movimentos enquanto nossos olhares se chocavam. — Você sempre pode confiar em nós, caso precise de alguma coisa. — atordoada com o contato, um pouco de desconforto se espalhou por mim, e eu deslizei minha mão de seu toque. Minha pele ardia do contato, como se estivesse queimada, e de repente eu queria que minha irmã voltasse, porque seu noivo


estava agindo de forma estranha. Ele nunca fez algo assim antes, mas talvez essa fosse a maneira dele de confortar as pessoas? — Claro. — foi a minha única resposta, e então, graças a Deus, Tina gritou: — John, você poderia por favor vir aqui e brincar com Jake? Eu preciso falar com a minha irmã para obter informações! Ele se levantou rapidamente, me deu um aceno brusco, e saiu enquanto eu exalava em alívio. Talvez eu precisasse de umas férias desse ambiente estressante, porque minha mente estava brincando comigo, fazendo até um gesto de bondade parecer estranho ou suspeito. Mas para minha paz de espírito, era melhor eu não ficar sozinha com John nunca mais.


Radmir

Correndo os dedos pelo meu cabelo em frustração, passeei de um lado para o outro na minha sala de estar, segurando as pastas com o nome de Vivian, tentando acalmar a besta furiosa dentro de mim que desejava disparar e matar todas as pessoas que machucaram seu companheiro. Fraternidade. Cuidamos dos nossos, Radmir. Enquanto você fizer parte da Bratva, você vive sob nossa proteção, assim como sua família. Besteira. Malditas mentiras. Ninguém cobriu minhas costas quando eu mais precisava.


— Me dê uma razão, Vitya, por que eu não deveria matar o Pakhan e todos os envolvidos agora? Vitya exalou pesadamente, mas ficou em silêncio, sem encontrar meu olhar. Embora isso não fosse sua culpa, considerando que ele estava na Europa naquela época, ele também escondeu a verdade de mim, então não o tornava menos culpado. A família de um membro deve ser protegida a todo custo, e se a Bratva não conseguiu fazer isso, um membro poderia pedir retribuição. Era nossa lei mais absoluta. — Dominic não podia dizer nada naquela época, Radmir. Vasya emitiu uma ordem depois de sua desobediência. Ele até se recusou a ajudá-lo. Por que ele se importaria com sua mulher? — perguntou Petor. — Depois de se recusar a matar o pai dela, ele assinou seu mandado de morte. Se você não fosse à prisão, alguém teria


que matar você. — as palavras de Yuri congelaram todos, e olhares surpresos voltaram-se para ele. Ele tomou um grande gole e encolheu os ombros. — Você sabe como eram as coisas com ele. Sim, a ordem do meu tio não me surpreendeu. Sobrinho ou não, ele só tinha um ponto fraco na Bratva, que era Dominic. Todo mundo era apenas um membro que tinha que seguir o código religiosamente. Mesmo seu próprio filho viciado em drogas não merecia sua atenção. Ele não era um homem cruel, apenas um homem endurecido pelas circunstâncias da vida. E além disso, se você não tivesse nada de bom a dizer sobre os mortos, era melhor ficar em silêncio. Que meu tio descanse em paz. Deus sabia que eu tinha em minha vida pessoas suficiente para odiar. No entanto, algo não estava somando aqui.


— Mas eu mantive meu status como Sovietnik. Como isso é possível? Ele deveria ter nomeado alguém. — Ele nomeou. Ele escolheu Dominic. Depois de sua morte, Dom foi escolhido para assumir o lugar dele, e ao subir ao poder, ele restabeleceu você na posição. — Gleb disse, descansando seus braços na parte de trás do sofá. — Ele também foi quem colocou o cara para ficar de olho em Vivian, assim nós saberíamos que seu filho estava sendo protegido. A ordem era clara; Se Jake fosse maltratado, ele seria tirado de onde estivesse. Apesar da minha fúria, um sentimento de gratidão se instalou no interior, porque Dominic permaneceu um verdadeiro amigo mesmo durante meus anos na prisão. Dado o seu passado, embora, não me surpreendeu que ele quisesse ter certeza que Jake não estivesse sofrendo. Deus sabia que Dominic e seu irmão gêmeo, Damian, viveram o inferno na Terra


durante seus anos de cativeiro. Ninguém sofreria o mesmo pesadelo sob sua proteção. — Ela me libertou da prisão? — eu me dirigi a Dima. Ele estremeceu, removendo o gelo e mostrando-nos o hematoma roxo que meu punho tinha deixado lá. — Quando você foi esfaqueado no hospital enquanto Dominic enfrentava problemas com a Cosa Nostra9, lembra? Sim, difícil de esquecer quando cinco prisioneiros de merda me atacaram no meu sono, esfaqueando-me e me espancando quase até a morte com bastões de beisebol. Eu lutei tanto quanto pude, mas minha força não era útil nessa situação. Felizmente para mim, um guarda apareceu e os parou. Eles me levaram para um hospital em Houston, onde levou dois meses para eu ficar melhor, e então eles me colocaram de volta na prisão e meu 9

Máfia Italiana.


caso foi reaberto naquele momento. Ninguém me disse por que, só que foi me dado um álibi. Desde que vários dias antes, eu tinha pedido ao Pakhan para me tirar de lá, não me surpreendeu, e eu pensei que eles finalmente tinham encontrado uma forma. Mais uma mentira no final! — Ela deu um álibi escrito da noite da morte de Cliff, alegando que você tinha passado a noite inteira com ela, e então vocês dois foram ver Cliff, mas ele já estava morto. Você disse a ela para fugir, e desde que ela estava grávida, ela estava com medo de falar. — Dima ofegou dolorosamente enquanto tocava sua pele inchada, e continuava: — Estúpido como o inferno, mas o juiz não tinha mais nenhum controle sobre você, já que nós tínhamos um álibi. — Dominic disse que ela testemunhou contra mim. Isso é verdade?


— Foda-se, estamos tão mortos. — murmurou Yuri e depois terminou a bebida dele, jogando o copo contra a parede, de modo que se espalhou em minúsculos pedaços. — Esperando que isso alivie a sua frustração, e você não bata em ninguém, porque, cara, sério? Nós achávamos que sim. Eles apresentaram o testemunho dela como verdadeiro, embora nunca tenha sido testemunha no caso. Mas o promotor afirmou que ela deu uma confissão escrita onde culpou você e outras coisas. Descobriu-se embora... Ele mudou sua atenção para Gleb, que continuou: — Provavelmente era armação, porque durante seu julgamento ela estava no hospital. Um aborto espontâneo ou alguma merda assim. Dominic não sabe, mas Melissa me contou. Talvez o papel fosse falso; Nós não poderíamos saber. Os olhos de Yuri se estreitaram de raiva quando Gleb mencionou uma conexão com


a mulher que ele atualmente fodia, mas ele apenas rangeu os dentes e não disse nada sobre isso. — Então, deixa eu ver se entendi — eu finalmente disse, enquanto suas palavras e as informações na pasta criavam uma imagem quase clara na minha cabeça. — Sua família me odiava, e ela ficou sozinha e grávida sem meios de sustentar a si mesma e a criança. Ela veio para a Bratva para obter ajuda, mas foi enviada de volta para casa, e no momento em que Dominic soube disso, ela já estava casada com Alex Jordan, e ninguém sabe o que aconteceu depois? Todos assentiram enquanto o riso vazio explodia de mim, me chocando até os meus ossos. Perdão. Eu pensei em dar-lhe o meu perdão? Eu era o único que deveria me ajoelhar e implorar para que ela me desse uma


chance de torná-la minha novamente, porque enquanto ela confiou em mim com sua vida, acabei na prisão, deixando-a sozinha. Minha mulher sofreu durante esses anos junto comigo, e em vez de acalmar seu coração com amor e beijos, em vez de restabelecer uma conexão, eu a afastei e usei seu corpo com ódio. Moya krasivoglazaya. Eu corrigiria isso. Ou morreria tentando.


6Vivian

Desligando meu telefone para o voo, tentei entender a tensão na cabine de primeira classe enquanto os homens continuavam murmurando entre eles com relação a alguma coisa, e isso me confundiu. Todos falaram em russo, enquanto me davam olhares curiosos.


Radmir ainda não estava presente, finalmente minha paciência se esgotou.

e

— O que está acontecendo? — Dominic e o resto dos homens voltaram sua atenção para mim com surpresa, claramente não esperando que eu dissesse algo. Pelo amor de Deus, eles eram o tipo de homens como meu pai, que pensavam que as mulheres não tinham voz em nenhum assunto? Antes que eu pudesse acrescentar qualquer outra coisa, Radmir emergiu da cabine da tripulação quando a senhora anunciou através do sistema de altofalantes para todo o avião ouvir. — Vivian Jackson está neste avião? Se você estiver sentado ao lado dela, informe a tripulação. Ela é procurada por seu pai. Há uma emergência familiar. O pânico correu através de mim enquanto minhas palmas começavam a suar e meu coração martelava rapidamente contra


minha caixa torácica enquanto eu envolvia minha mão em volta do meu pescoço. Não, não, não. O meu pai usou sua conexão com o aeroporto para me impedir de ir? Ele era tão poderoso? Não posso voltar. Agora não. Não para a vida que ele tinha planejado para mim e desistir sem lutar. Esta viagem era minha única maneira de escapar do pesadelo que eles criaram com Alex e seu pai, Julius. Tanto quanto a América era um país livre, quase ri daquele pensamento; Meu pai tinha conexões em todos os lugares, mesmo na polícia. Ninguém me protegeria. Através da névoa de medo e angústia, eu não tinha notado as mãos fortes que me seguravam; Minha mente só registrou isso quando ele me levou para a frente do avião onde havia uma pequena sala com refrescos e ele latiu para a aeromoça.


— Saia. Vivian não está neste avião. Faça essa porra entrar em movimento. Descansando minha cabeça em seu ombro, tomei respirações calmantes tentando funcionar normalmente, mas estava dominada pela lembrança de Alex e sua forte colônia enquanto ele beijava amorosamente os meus dedos. Bile subiu e eu cobri minha boca por medo de vomitar ali mesmo. — Mas... ela está aqui! — a menina apontou para mim, sua voz tremendo, e ele voltou a grunhir: — Diga-lhes que ela não subiu no avião. Corrija isso, Olga. Não se esqueça de quem é dono desta empresa. Ela assentiu apressadamente e fechou a porta atrás dela, deixando-nos no lugar semiescuro. Radmir imediatamente me fez sentar, me deu um saco de papel e pediu: — Respire, krasivoglazaya. Respire. — seguindo seu comando, eu fiz, lentamente


inalando e expirando no saco, e em poucos segundos, meu pulso se acalmou enquanto o pânico sumia, só a preocupação ficando no meu coração. — Boa garota. — ele murmurou, tirando o saco de mim e depois me ajudando a ficar de pé. Ele pressionou minhas costas contra a parede enquanto se inclinava em seu cotovelo, seu cheiro me lavando e me cercando como uma bolha protetora. — Agora responda. O que diabos está acontecendo? Inalando em voz alta, respondi sem sequer pensar em quão bizarra parecia toda essa situação. — Meu pai... ele... Seus olhos se estreitaram. — Ele abusa de você? — ele apertou uma mão em um punho, e em um instante, coloquei minha palma sobre ela. — Não. Tanto quanto ele era controlador, ele jamais machucaria nenhuma de suas filhas assim. Tivemos uma infância feliz, mas meu pai


queria que nós vivêssemos à sua maneira. E quem gostaria de ter uma vida dessas? Eu certamente não me inscrevi nela quando concordei em trabalhar no negócio da família e fiquei com eles em vez de me afastar. Talvez esse tenha sido meu erro. — Ele insiste em querer me casar com Alex Jordan. — Radmir se aproximou mais de mim quando lambi meus lábios secos e continuei. — Eles são parceiros de negócios, e nos conhecemos desde que éramos crianças. Alex é um cara legal. Bem, ele costumava ser, antes que a ideia de casamento fosse apelativa para ele. Ele me estudou por um segundo e depois ergueu meu queixo, e nossos olhos se trancaram um com o outro. O seu olhar era suave e curioso, e o meu provavelmente era confuso. — Ele é seu namorado? sentimentos por ele?

Você

tem


Eu balancei minha cabeça. Apenas a ideia era risível. Alex, o garoto que costumava urinar no parquinho e me fazia chamar a sua babá. Era meio difícil formar sentimentos românticos por alguém daquele jeito. — Não, nós éramos apenas amigos. Não quero esse casamento. Eu só... por uma vez... — a frustração atropelou minha voz. — Eu sempre vivi pelas suas regras, seguias religiosamente, pensando que era melhor do que brigar... principalmente porque eu me adequava a algumas. Mas isso... não posso. — mal consegui terminar. Mas como eu poderia explicar a esse homem, que provavelmente vivia sua vida como ele escolheu, o significado da obrigação e as outras coisas que enfiaram em minha cabeça durante meus anos de crescimento? Às vezes, quando você crescia na riqueza, você sentia que devia seus pais, mesmo que não fosse o caso.


Mas eu me recusava a desistir do amor para casar por culpa de suas ambições. A linha tinha que ser desenhada em algum lugar para parar essa loucura. — E você está fugindo para a Rússia, porque...? Foi divertimento que eu vi em seus olhos cinzentos? — Para ter algum tempo para pensar sobre como proceder... sem o meu pai me ameaçando constantemente. — Isso é tudo? Por que ele não estava satisfeito com a minha resposta? Certamente, soava melhor do que a verdade. — Okay. Por aventura. Minha vida não é nada além de maçante. Eu nunca quebro as regras. Estou cansada de viver assim. Oh, meu Deus, quem dizia coisas assim a um cara gostoso? Ele pensaria que eu estava louca.


Radmir riu, para minha surpresa, e então suas mãos deslizaram mais para baixo quando ele as colocou nos meus quadris, levantando-me quase aos meus dedos dos pés para que nossos olhos se trancassem e nossos lábios ficassem a poucos centímetros de distância um do outro. — A Rússia é uma boa escolha para isso. — ele murmurou, e eu fechei os olhos, esperando algo e sem me importar com o fato de que acabamos de nos conhecer e de como isso era estranho. Afinal, as pessoas não sabiam muito sobre si mesmas durante uma noite também, mas era o suficiente para eles fazerem sexo. Não que eu soubesse por experiência própria, porque no passado, eu preferia um relacionamento estável. Mas eu abriria uma exceção para ele. — Venha. — ele disse de repente, rompendo o momento e o humor. Ele abriu a porta, e por um segundo, a luz brilhante me


cegou e eu tive que colocar minha mão na minha testa para bloqueá-la. Segurando minha mão na dele, ele se moveu em direção à cabine dos pilotos em vez da cabine da primeira classe, e eu parei em minha direção, apontando para a parte de trás. — Você está indo na direção errada. Ele ignorou minhas palavras, apenas puxou nossas mãos unidas, e não tive escolha a não ser seguir. Ele entrou, onde um piloto estava sentado pressionando alguns botões. Ele saudou Radmir com um sorriso e acenou com a cabeça. O banco do segundo piloto estava vazio. Hã? Não são dois indivíduos que costumam pilotar os voos comerciais? Onde diabos o segundo estava, se o avião estava prestes a decolar?


— Oleg, esta é Vi. Ela estará conosco durante o tempo do voo. O piloto me saudou, tirando o boné da cabeça e pegando o rádio. — O voo 103 da Boeing está pronto para a decolagem. — então ele apertou o botão de desligar, recostou-se no assento e me mostrou um sorriso largo. — Já esteve na cabine do piloto antes? — Umm, não. Radmir se esticou por trás de mim, e em um segundo, um assento no meio dos dois pilotos apareceu. Apontou para ele. — Sente, krasivoglazaya, e aproveite este lindo voo. Muito atordoada para questioná-lo, coloquei minha bunda no assento enquanto me perguntava como ele poderia decidir algo assim, quando ele sentou no assento do segundo piloto, colocando fones de ouvido e movendo alguns interruptores. Ele apertou seu cinto de segurança e então ergueu uma


sobrancelha para mim enquanto minha boca se abria e fechava em estado de choque. Ele iria pilotar este avião? A aeromoça escolheu esse momento para entrar. Os olhos dela se arregalaram ao me notar, mas ela rapidamente encobriu seu choque e disse: — As portas estão fechadas. Estamos prontos quando você estiver. Oleg assentiu. Quando ela saiu, ele disse: — Senhoras e senhores, aqui é o capitão que fala. Eu gostaria de... Não escutei o que ele disse, porque Radmir acariciou suavemente a minha bochecha e depois sussurrou no meu ouvido, o suficiente para que eu ouvisse: — Prepare-se para a sua aventura. — e assim, acabei em um voo para Moscou com um Sovietnik da Bratva como meu piloto.


Mas eu saberia disso tudo somente mais tarde. Naquele momento, o único sentimento que me invadia era uma felicidade absoluta ao finalmente fazer algo selvagem com um belo estranho. Lógico e racional não era. Mas eu tinha minha liberdade. E o que poderia ser melhor do que isso?

Radmir

Estudar uma Nova York moderna da janela da minha limusine me fez pensar uma vez mais qual era o fodido apelo desta cidade para todos. Ruas lotadas com pessoas correndo em direção a Deus sabe onde, nem sequer incomodando-se em olhar ao redor. O cheiro constante de alimentos que


reviravam meu estômago. A atmosfera agitada, como se a vida não pudesse esperar um melhor momento, como se o trabalho e o desejo primordial de avançar fosse mais importante do que a própria vida. Isso estava além do meu entendimento, embora muitas pessoas a comparassem com Moscou. Eu nem me importava com Moscou. Eu nunca me incomodei de residir permanentemente lá, então talvez isso explicasse meu desgosto por esta cidade. Embora eu tivesse que admitir que a brisa fria e a natureza colorida na primavera valessem a pena uma estadia por um ou dois dias, bem como os seus parques incríveis. Por que diabos eu me incomodei em pensar sobre o clima? — Nós estaremos lá em alguns minutos, Sovietnik. — disse Petor educadamente, e o prazer me atravessou no título, não tanto pelo respeito que me deu entre os


membros da Bratva, mas por recuperar minha identidade. Pedaço por pedaço, talvez eu pudesse encontrar um homem lá em vez de um animal furioso que vivia apenas por vingança. Mas, ser chamado de preso número vinte ou fodido russo por quase seis anos provavelmente faria isso para todos. De repente, as velhas lembranças e a fúria voltaram, e eu gritei: — Pare o carro e espere em algum lugar por aqui. Rapidamente, ele fez exatamente isso, e eu saí, respirando pesadamente e contando meus batimentos cardíacos quando meus punhos se fecharam, enquanto eu sacudia a cabeça para me livrar das vozes internas. — Sovietnik, não tão poderoso agora, hein? — Ben levantou meu prato e cuspiu, fazendo um show para todos verem enquanto a cafeteria da prisão se acalmava. — Aqui, deve ser mais saboroso.


— ele jogou o prato na minha frente, e me levantei rapidamente para dar um soco em seu rosto presunçoso, quando o pensamento de Vivian entrou em minha mente, me lembrando que eu tinha um motivo para viver. Sentei-me de volta, sem tocar na comida, mas sem dar nenhuma reação também, e em poucos minutos, ele ficou entediado e foi embora, deixando-me com a satisfação de saber que não tinha prejudicado minhas chances de ver meu anjo. Percorrendo a calçada em direção a uma das mais prestigiadas galerias da cidade, perguntei-me se Vivian conseguiu tudo o que ela sempre quis na vida. A menina tinha muitos sonhos. Finalmente, parei bem na frente do prédio com uma aparência boêmia, que estava localizado à beira do exclusivo Upper East Side. O pequeno estabelecimento de dois andares era feito de tijolos brancos com


enormes janelas que se abriam para uma vista do lado de dentro da galeria. Eu vi pisos de madeira, requintados lustres brancos e negros, e delicadas rosas apareciam aqui e ali na forma de vasos ou cestas nas mesas. A enorme placa no prédio dizia “Galeria Vivian Jackson”. Pintada de azul, era grande o suficiente para todos notarem, e o orgulho me encheu com meu sucesso, porque minha garota estava prestes a desistir de seu sonho, todos aqueles anos atrás. Ninguém possuía seu talento para supor e sentir as emoções de outras pessoas. No entanto, tudo isso nem sequer importava, porque no minuto que os olhos de alguém pousassem na galeria, notariam as fotos únicas em preto e branco penduradas nas paredes, o que criava uma história própria. Cada retrato tinha pessoas em diferentes estágios da sua idade adulta, capturando o


momento de sua felicidade. Permitia ao visualizador notar todas as rugas, cada cintilação nos olhos, as emoções passando por eles enquanto viviam naquele momento, criando uma conexão desejável com esses sentimentos de felicidade e, por um segundo, você acreditava que fazia parte disso. No meu caso, só inspirava um desejo furioso como o inferno que nenhuma quantidade de água poderia acalmar. Mas a verdadeira beleza, pelo menos para mim, estava no meio da galeria com as costas viradas para mim, usando seu vestido azul favorito, retrô, de cocktail, de festa – um fodido nome que eu tinha que aprender, uma vez que ela só usava vestidos. Ela finalizou seu look com saltos altos pretos que mostravam suas pernas incríveis e enfatizavam as curvas de seu corpo, que minhas mãos coçavam para tocar.


Seu cabelo castanho sedoso deslizava por sua espinha em ondas pesadas que balançavam de um lado para o outro enquanto ela se movia, e eu não precisava ver seus olhos azuis para saber que eles provavelmente brilhavam com emoção e admiração. Ela tinha esse olhar sempre que via algo de sua própria criação. Todos esses pensamentos me fizeram rir em voz alta, eu me tornava um maldito bobão poético, mas toda a informação que eu havia reunido voltou para mim, quase me derrubando, e a fúria se instalou dentro de mim novamente. E naquele momento, Vivian girou e nossos olhares entraram em confronto na janela. Ela suspirou e recuou, enquanto os papéis que segurava caíam no chão. Sim, moya krasivoglazaya. Eu vim pegar você.


Caminhei até a porta e entrei, pronto para reivindicar tudo o que era legitimamente meu.

Vivian

O que ele estava fazendo aqui? Procurei uma razão para ele aparecer na minha galeria depois de meses de silêncio. Ele não tinha acabado comigo? Em que diabos ele estava aparecendo aqui assim?

pensando,

Radmir entrou na galeria, a porta fechando alto atrás dele, enquanto o sino acima dela ecoava em todo o lugar. Nós olhamos um para o outro, meus olhos bebendo sua beleza masculina, porque eu não tive tempo suficiente para estudá-lo todos aqueles meses atrás.


Embora ele me lembrasse mais seu velho eu, com seu terno feito sob medida que enfatizava seus músculos, rosto bem raspado e o cheiro de charutos e colônia cara que eu associava apenas a ele, seus cabelos agora compridos estavam amarrados em um coque. De alguma forma, só o deixou mais gostoso - para o meu aborrecimento. Tudo nele despertava algo dentro de mim enquanto seu olhar faminto percorria meu corpo e eu desejei suas mãos e boca, imaginando o que ele poderia fazer com elas. Mas então a realidade me chutou, lembrando-me de forma descuidada que ele me deixou naquela cama e nunca se incomodou em me contatar em todo esse tempo. — O que você está fazendo aqui? — minha voz soou trêmula devido ao tumulto dentro de mim e eu clareei minha garganta.


— Não é óbvio? — ele deu um passo na minha direção. Instintivamente, recuei e ele congelou. — Vivian. — ele disse meu nome com voz rouca, como se tentasse me acariciar com ela. Ele fazia isso o tempo todo, seis anos atrás; Tudo o que ele tinha que fazer era falar, e eu saberia o quanto ele me amava. Ele nunca mais usou essa voz, nem mesmo durante a nossa noite, há cinco meses. O que mudou? — Por que você está aqui? — repetir minha pergunta era melhor do que pensar em seu humor ou no passado. Eu não poderia me perder novamente nele, ser a mulher fraca que só seguia seu coração, enquanto ele o pisoteava sem um único cuidado no mundo. — Deus, você é linda. — ele murmurou. Avançando rapidamente, ele passou o


braço em volta da cintura antes que eu pudesse piscar. — Me deixe ir... Ele cobriu minha boca com a dele, empurrando sua língua na minha boca em um beijo apaixonado onde o mundo exterior deixou de existir. Sua outra mão deslizou no meu cabelo, agarrando-o firmemente enquanto ele juntava nossos peitos, e por um momento, fechei os olhos, curtindo o beijo, impotente contra o tornado de emoções que ele inspirava em mim. Sugando o meu lábio inferior e mordendo levemente, ele sussurrou: — Minha. A palavra foi como ter água fria disparada de uma mangueira durante o inverno em mim, destruindo a neblina de desejo que ele conseguiu criar em apenas alguns segundos. Eu o afastei. Como ele não esperava isso, seus braços se afrouxaram ao meu redor, e eu dei alguns passos para


trás enquanto confuso.

ele

olhava

para

mim,

Inacreditável! — Sua? — eu perguntei, mas antes que ele pudesse responder, perguntei novamente: — Sua? Então de repente, eu sou sua de novo? Suas mãos enrolaram enquanto ele apertava os lábios, ainda úmidos do nosso beijo. — Você sempre foi minha, Vivian. Uma risada vazia explodiu dentro de mim, ecoando na minha galeria. — Eu era sua quando você apareceu na minha porta cinco meses atrás e me fodeu como uma prostituta? Eu era sua quando você nunca me contatou depois disso? O que mudou, Radmir? Agora eu sou digna de você? Seus olhos cinzentos escureceram, e algo parecido com mágoa brilhou lá, mas ele rapidamente mascarou-a com indiferença,


então eu não consegui ler suas emoções. Ele tinha coragem, aparecendo aqui como se nada tivesse acontecido e bancando o ofendido. — Eu não sabia. — ele finalmente disse, segurando meu olhar acusador. — Toda a verdade... eu não fazia ideia. — Você não tinha ideia? Enviei-lhe cartas. Fotos. Eu... eu expliquei tudo muitas vezes. Eu implorei que me deixasse visitar você na prisão e você sempre recusou. E você acha que tem o direito de vir aqui e afirmar que não sabia? Eu suspeitava que ele ficaria furioso comigo por me casar com outro, mas nunca pensei que ele me causaria mais dor, em vez de fazer tudo melhorar. Ele não era mais o homem por quem me apaixonei, e a ficha acabara de cair. — O quê? — ele franziu a testa, uma linha profunda aparecendo entre suas


sobrancelhas. — Você nunca pediu nada. Eu nunca recebi nada de você. Foi minha vez de ficar confusa. Dobrei meus braços, estudando-o, e ele não escondeu nada de mim. Ele legitimamente não tinha ideia do que eu estava falando! Como poderia ser possível? Eu costumava fazer viagens a sua prisão todos os meses, esperando que ele me visse, mas toda vez, aquele horrível guarda Benjamin declarava com satisfação que Radmir se recusava a me ver. Eu fiz uma última viagem depois que Jake nasceu, querendo mostrar-lhe a beleza que nosso amor criou, mas mesmo assim, ele disse que não. Eu desisti depois disso, convencendo-me que ele me perdoaria algum dia por me casar. Por que os guardas me manteriam longe dele? Isso não fazia sentido. Minha cabeça começou a doer de todos esses pensamentos, e eu esfreguei minha testa na esperança de acalmá-la. Então outro pensamento surgiu em mim.


Se ele nunca teve notícias sobre meu casamento com Alex, nunca viu nenhuma das cartas que eu havia escrito para ele... então ele achava que eu tinha me casado com Alex por vontade própria e tive seu filho! Ele pensou que eu o traí da pior maneira possível. Para um homem como ele, que vivia e respirava o código da Bratva... a lealdade era uma das coisas que ele mais valorizava nas pessoas. Meus olhos se arregalaram quando um suspiro me escapou, e eu o cobri com meus dedos, muito chocada com essa percepção para dizer qualquer coisa. — Você pensou que eu tinha seguido em frente? — ele assentiu, agonia evidente em sua expressão. — Como você poderia pensar isso? Eu ainda uso a sua cruz. Seus olhos suavizaram quando ele deu um passo na minha direção, mas uma


pequena voz o impediu de continuar e nós dois viramos nossas cabeças para Jake. — Mamãe. — ele pareceu inseguro enquanto caminhava lentamente da parte de trás do estúdio, onde ele tinha uma pequena sala com todos os seus brinquedos e uma TV, para que pudesse relaxar ou ler enquanto eu trabalhava na galeria. Jake escolheu vestir hoje jeans e uma camiseta de tamanho grande com o número 17 na parte dianteira e traseira, feita sob medida por um designer local. Era o número do lendário jogador de hóquei russo Valeri Kharlamov, e Jake podia assistir seus velhos jogos por horas. Uma vez que o número 17 na Liga de Hóquei Russo sempre pertenceu a Kharlamov, ninguém poderia tê-lo mais, então eu não poderia encomendar camisas adequadas para ele. Ele chorou por dias, e eu acabei pedindo ao designer para recriála.


Ele puxou-a agora, enquanto sua atenção se deslocava para Radmir, e ele disse com admiração: — Papai? Olhos cinzentos idênticos se estudaram, ambos atordoados com o encontro. Algo começou entre eles, e eu me senti quase como uma intrusa neste momento, mas, no entanto, não pude desviar o olhar. Pai e filho se viam pela primeira vez, e eu temia que meu coração quebrasse de todas as emoções que borbulhavam dentro dele.

Radmir

Sempre que pensava na possibilidade de ter filhos antes de Vivian, eu ria, porque meu estilo de vida tornou isso quase impossível. Eu não tinha certeza de que


queria que meu filho experimentasse o que eu tinha passado. Após Vi, sonhava em ter uma pequena família, me tranquilizando com o pensamento de controlar o processo desde o teste de gravidez até o parto. Desta forma, minha família ficaria segura. Nunca, no entanto, esperava encontrar meu filho pela primeira vez quando ele tivesse cinco anos, enquanto me olhava com curiosidade e imediatamente me chamava de papai. Meus olhos absorveram sua pequena figura, sem perder qualquer detalhe, sinal ou arranhão. Seus olhos eram idênticos aos meus, bem como seus cabelos escuros e sua postura feroz. Mas eu podia ver Vivian também em seu sorriso brilhante, nariz pontiagudo e alto e maçãs do rosto. Parecia que ele recebera um pouco de nós dois.


Ele era simplesmente perfeito, e não poderia estar mais agradecido por tê-lo. O rosto de Jake passou de feliz para triste quando ele correu para mim. Eu me ajoelhei. Apenas a tempo, porque ele quase me derrubou em minha bunda ao me abraçar ferozmente, enquanto suas lágrimas molhavam minha camisa. Embora eu controlasse minhas emoções, uma única lágrima deslizou pela minha bochecha enquanto eu o abraçava, inalando o cheiro do meu filho, minha carne e meu sangue, criado com puro amor. A vontade de protegê-lo me possuiu, bem como o amor que não tinha barreiras ou fim. Eu sempre amaria, apreciaria e protegeria meu filho. E lhe daria uma escolha. Ele não teria que ser um membro da Bratva ou teria que


sujar as mãos nesse estilo de vida fodido que levava a situações como essa. — Não nos deixe mais, sentimos saudades de você.

papai.

Nós

Ouvi o soluço de Vivian, mas quando levantei os olhos para ela, ela girou, se escondendo de mim. Meu coração partiu por nós três. — Nunca. — eu disse com confiança, porque ninguém nunca mais me separaria da minha família. Ele me abraçou seguida, recuou.

mais

apertado,

em

— Você vai voltar para casa conosco? — sua voz parecia tão esperançosa, meu pequeno guerreiro. — Sim. — minha voz estava rouca da emoção. — Beleza. — eu o baixei quando seus pés chutaram. — Podemos pedir pizza hoje,


mamãe? É a segunda segunda-feira do mês! — Claro, querido. — ela sorriu para ele. — Pegue sua bolsa, e podemos ir para casa. Vou chamar a pizzaria no caminho. — mesmo com suas minúsculas pernas, ele se moveu rápido. — Como? — eu perguntei, tentando entender o que diabos estava acontecendo em sua vida. Essas eram perguntas às quais os relatórios nunca tinham respondido. — Nós temos fotos suas em toda a casa. Ele sabe que tem um pai. Nunca escondi você dele. Ele sabe como nos encontramos, a versão limpa sem todo o drama e a sujeira. — ela não encontrou meus olhos, quase como se tivesse vergonha de admitir tudo isso para mim. Deus, eu tinha que implorar perdão de joelhos. — Ele sabe que eu estava na prisão?


Ela balançou a cabeça. — Eu disse a ele que você é um piloto que tem um trabalho perigoso e que não poderia estar conosco por enquanto. Com ele. — ela corrigiu rapidamente, e eu tinha medo de surtar e destruir sua galeria. Piloto. Essa era uma mentira que as mães costumavam dizer a seus filhos quando seu pai não era presente, assim eles teriam algum herói em mente, em vez de um perdedor que abandonou sua família. Nunca pensei que meu filho iria ouvir tal história. Nunca pensei que não estaria lá para o meu filho. Jake voltou e uniu nossas mãos. — Vamos, papai. Vivian era o meu mundo. Eu a amava com uma paixão tão forte, que lhe daria todas as minhas noites e dias. Mas Jake seria dono do meu mundo.


Vivian

— Este é o melhor desenho de sempre, papai! — Jake quase empurrou a capa de O Rei Leão contra o nariz de Radmir. — É sobre um pai e filho. Vamos vê-lo juntos! Radmir engoliu em voz alta, mas assentiu quando Jake colocou o disco no PlayStation e pegou o controle para preparar tudo, enquanto seu pai acompanhava todos os seus movimentos, como se estivesse memorizando para armazenar nas memórias mais tarde. Peguei a caixa de pizza, guardanapos e dois refrigerantes e coloquei tudo na pequena mesa quadrada à sua frente. — Você não vai comer com a gente? — sua voz rouca enviou arrepios por mim, e


minhas mãos tremiam levemente enquanto eu sacudia minha cabeça. — Eu acho que você precisa deste tempo com ele sozinho. — então, para aliviar o humor, brinquei: — Além disso, é fantástico ter algum tempo para mim. Assim eu posso tomar um banho com velas e música. — somente quando as palavras saíram da minha boca, percebi meu erro. Falar sobre mim, molhada e nua, não era a ideia mais brilhante, especialmente quando percebi como seus olhos dilataram e seu aperto no braço do sofá aumentou. Ele não fazia nenhum segredo sobre me querer, mas o desejo não era suficiente para construir um relacionamento duradouro. Tínhamos tantas mentiras e erros entre nós, mas acima de tudo, amor. Eu podia sentir aquele amor desesperado pendurado sobre nossas cabeças como um machado, pronto para cair e criar outro


desastre a qualquer momento. Nós não poderíamos mais ser imprudentes. Nós tínhamos uma criança. — Precisamos conversar. — ele disse calmamente, e eu acenei de acordo. Devíamos honestidade um para o outro. — Mamãe, você está bloqueando a visão. — reclamou Jake, pegando uma fatia de pizza. — Desculpe, querido. Divirtam-se, meninos. — o cabelo nas costas do meu pescoço levantou-se quando fisicamente senti a carícia dos olhos de Radmir em mim.

Radmir

Jake mal conseguia manter os olhos abertos quando os créditos começaram a


rolar. A espuma do refrigerante escorria de sua boca, e sua camisa de hóquei tinha várias manchas de molho de pizza sobre ela. Para um menino de cinco anos, ele tinha bastante apetite; A grande pizza estava quase toda devorada, com apenas duas fatias para Vi, no caso de ela ter fome. Jake colocou na geladeira e voltou para assistir seu desenho. Até eu derramei uma lágrima quando o leão, Mufasa, morreu. Quem mostrava aquelas coisas para crianças? Então Jake sugeriu que assistíssemos um canal de esportes, e com sorte, tinha uma reprise de hóquei passando. Meu coração quase explodiu com orgulho que ele compartilhava meu amor pelo esporte e já tinha jogado com um treinador profissional. Eu tive que ranger meus dentes quando ele mencionou Alex e suas viagens de domingo para a pista de gelo. Embora ele não tenha falado muito sobre ele, apenas que ele era um cara legal, seja


lá o que essa merda significasse, de jeito nenhum esse cara compartilharia mais qualquer tipo de experiência com meu filho. Era melhor ele se afastar do que pertencia a mim. Jake descansou sua bochecha no meu ombro e uma risada escapou da minha boca com aquele gesto. Eu poderia imaginar um futuro cheio de viagens de pesca, treinos de tiro e jogos de hóquei. Um verdadeiro relacionamento pai-filho. Vivian não poderia ter me dado um presente melhor do que essa pequena pessoa. Eu o amei desde o primeiro olhar, assim como sua mãe. Deslizando minhas mãos por suas costas, eu o peguei e caminhei até o quarto dele enquanto ele dizia, sonolento: — Papai, você estará aqui amanhã?


Fisicamente me machucava ouvir o medo em sua voz, e eu o abracei mais forte, beijando a sua cabeça. — Claro, amigo. Eu nunca mais irei embora. Eu o coloquei na cama e troquei seu pijama enquanto ele estava meio acordado, mas reclamando. Então sua cabeça bateu no travesseiro, e ele dormiu instantaneamente, assim como eu na minha vida antiga. A prisão mudou esse hábito rapidamente, porque você nunca sabia quem tentaria matar você ou quando. Eu tive que ter sono leve para isso. Cobrindo-o com um cobertor, eu o observei por alguns minutos enquanto seu peito subia e descia pacificamente, sem uma única preocupação no mundo, e eu prometi a mim mesmo que ele sempre teria isso.


Uma vida pacífica onde a sujeira do meu mundo não o tocaria. Onde ele não teria que passar pelo mesmo inferno que eu experimentara. E então rezei para Deus pela primeira vez em um longo tempo, pedindo para poder manter esse voto. Eu mataria por Vivian. Mas por Jake, eu destruiria todos e qualquer um.


7Vivian

Uma leve tremulação me despertou. Quando meus olhos se abriram, quase gritei de surpresa quando Dominic apareceu na minha frente, com a mão no meu braço e a aversão óbvia em seu rosto. — Nós aterrissamos. — sua voz rouca estava alegre como de costume. Não.


Piscando algumas vezes em confusão, eu me endireitei no assento, o cobertor junto com o travesseiro caindo no chão quando passei meus dedos no meu cabelo, esperando que ele não parecesse como um ninho de um rato. — Mas... eu estava na cabine do piloto. Dominic me deu um olhar estranho, e por um segundo divertimento brilhou em seus olhos, mas foi rapidamente substituído por indiferença. — Sério? Oh meu Deus, foi tudo um sonho? Realmente, Vi. Saia dessa. Você tem uma imaginação fértil, mas não tanto assim, ou você teria feito muito dinheiro com sua arte. Depois que o avião decolou, Radmir me disse para manter minha atenção no céu e não me preocupar com nada. Ele me deu fones de ouvido com uma música russa estranha, mas, surpreendentemente, eu me apaixonei por ela e relaxei completamente


no banco enquanto me perguntava sobre minha pequena aventura. Eu não tinha reputação de cair nas cantadas de homens estranhos, mas essa situação era intrigante, para dizer o mínimo, e pela primeira vez na minha vida, eu não me importava com a minha reputação. O que de pior verdade?

poderia

acontecer,

na

Em algum momento, a aeromoça trouxe mais bebidas e uma bandeja de comida, enquanto os pilotos conversavam um com o outro e meus olhos se fecharam por um segundo. E aqui estava eu, enlouquecendo ao lado de Dominic novamente. Minhas bochechas aqueceram; Apenas a ideia de que tudo aquilo aconteceu na minha cabeça me deixava envergonhada, então tirei o cinto de segurança e tentei-me levantar, quando ele me empurrou para trás no assento.


— Sente-se. O avião ainda está em movimento. — então ele gritou por cima do ombro. — Yuri, você chamou o carro? O cara na primeira fila, vestindo um terno preto que abraçava seu corpo, mostrando perfeitamente seu corpo magro e braços musculosos, levantou-se. Seu cabelo loiro era um ótimo contraste com seus profundos olhos azuis enquanto o seu rosto e mandíbula forte indicavam uma personalidade bastante teimosa. Ele mal me poupou um olhar enquanto respondia: — Sim, eles devem estar aqui em um minuto ou mais. — então ele abriu o compartimento acima dele e tirou a pasta. — Os fodidos voos comerciais sempre deixam meu pescoço doendo. — ele esfregou a parte de trás da cabeça bruscamente enquanto os caras riam. Ok, eles eram algum tipo de gangue ou tinham a mesma profissão? Todos se


conheciam e, como a primeira classe não tinha outros passageiros além deles, era possível que sua empresa tivesse comprado os passaportes para eles? O que mais poderia explicar tudo isso? Tanto quanto eu tinha experiência em viajar, aquilo me deixou chocada. Talvez fossem todos pilotos? Isso poderia explicar o comentário sobre voos comerciais, bem como por que Radmir conseguiu me ajudar e não reportar o fato de eu estar a bordo. — Sua viagem aos Estados Unidos estava relacionada ao trabalho? — perguntei com curiosidade, e Dom ergueu a testa e cruzou os braços. — Relacionada ao trabalho? — Sim, sabe... a associação mundial de pilotos ou alguma coisa assim? Sua boca se contraiu e, pela primeira vez, notei a sugestão de um sorriso em seu rosto.


— Algo assim. — ele respondeu, e então o avião parou, e ele se moveu para a frente, mas não antes de latir para todos. — Levem seu traseiro para fora do avião o mais rápido possível. Esta viagem foi muito longa. Está bem, então. Com isso, também entrei em ação. Eu rapidamente agarrei minha mochila e sombrinha, porque a hora local de Moscou era 7:00 da manhã e, aparentemente, estava quente como o inferno. Não que eu acreditasse em todos os rumores sobre o inverno da Rússia, mas sinceramente... Eu esperava ter algum indulto do calor do Texas. Naquele momento, Radmir emergiu da cabine do piloto, e nós dois paramos enquanto nossos olhares se chocavam. Sob seu olhar acalorado, meu corpo corou enquanto o calor se espalhava por mim e minha respiração engatava.


Quem diabos reagia assim a um homem? Toda essa atração era inexplicável para mim. Ele não era nem mesmo meu tipo. Eu preferia garotos bonitos que tinham maneiras e auras alegres em torno deles. — Para onde você está indo, krasivoglazaya? — ele questionou, aproximando-se. Nossos peitos escovaram um contra o outro; Ele se elevava sobre mim, mesmo eu estando nos meus saltos. — Eu não sei. — minha voz tremia. Seu polegar acariciou meu lábio inferior, e a eletricidade percorreu-me com seu toque. Tentei me afastar, mas ele não deixou. Seu braço serpentou ao redor de minha cintura, não me dando chance de escapar. — Eu pensei que você quisesse uma aventura. — ele sussurrou suavemente no meu ouvido, raspando os dentes no lóbulo da minha orelha e minha respiração acelerou. Coloquei minha palma em seu peito e agarrei sua camisa. — Ninguém vai te dar uma melhor que eu.


Então ele puxou minha cabeça para trás, e seus lábios se moveram para o meu queixo, mordiscando-o levemente. Meus olhos se fecharam quando a ponta de sua língua lambeu meus lábios, persuadindo-os a responderem, e sem pensar, abri minha boca enquanto a sua capturava-a em um beijo profundo, faminto e possessivo, onde o mundo exterior deixou de existir. Minha mão livre deslizou até seus cabelos, passei meus dedos através dele, e me aproximei, assim não haveria espaço disponível entre nós. Eu tive minha parte justa de beijos, mas nunca um assim. Onde meu corpo acordara de um sono profundo e até mesmo a leve brisa fazia minha pele formigar, enquanto as sensações desconhecidas passavam por mim. Ele tinha gosto de charuto e whisky quando sua língua roçou a minha como se estivesse se impondo sobre mim. Meus pulmões queimavam, mas não pude me libertar dele. Suas mãos cavaram mais fundo em meus


quadris, deslizando debaixo da minha camisa até tocar minha pele nua, e no momento em que ele conseguiu o contato, gemi com prazer, amando a sensação de sua mão calosa em mim. Alguém limpou a garganta e nos tirou do nosso frenesi. Radmir terminou o beijo, enquanto eu piscava com confusão, ainda procurando sua boca. Ele gentilmente agarrou meu queixo, interrompendo minha ação. — Não agora, krasivoglazaya. Além de seu ombro, Dominic e Yuri aguardavam. Eles compartilharam um olhar, mas voltaram sua atenção para nós. Um suspiro de angústia me deixou, enquanto um rubor se espalhava por mim, provavelmente me deixando tão vermelha quanto uma lagosta. Minha pele pálida não ajudava exatamente a esconder minhas emoções. Enterrando meu rosto na camisa dele, rezei para que fossem embora.


Radmir rosnou, o descontentamento estava escrito em toda a sua pose. — Por que diabos vocês estão aqui? — seu corpo ficou tenso, e automaticamente minha mão acariciou seu abdômen, esperando acalmá-lo. Que diabos eu estava fazendo aqui? Beijar um homem estranho, ter uma atração incontrolável em relação a ele, era loucura. Meus hormônios não me governavam. Mesmo com todos esses motivos, porém, não consegui soltá-lo. — Precisamos estar na sede em breve. Além disso, os outros passageiros precisam sair, assim você pode querer levá-la para outro lugar. — a voz de Yuri soou aborrecida e entediada ao mesmo tempo. — Vasya tem uma reunião com Vito na Itália. Vladimir está cuidando da Bratva. Nós temos tempo. — ambos gemeram e resmungaram alto.


— Foda-se, Radmir. Nós gostaríamos de tomar um banho. — murmurou Dom. Em vez de respondê-lo, Radmir empurrou minha cabeça para trás para que eu pudesse encontrar seu olhar enquanto ouvi passageiros queixarem-se de que não podiam sair do avião. — Você quer meu tipo de aventura, Vivian? — ele brincou, seus olhos cinzentos cheios de promessas que eu não poderia querer, mas ansiava. Fugir para um país estrangeiro com um estranho era insano e estúpido, mas não conseguia agitar a sensação de segurança que me envolvia como um casulo quando eu estava perto dele. E além disso, seguro e racional era o credo da minha vida, e não me trouxe a lugar nenhum. Pelo menos os erros seriam meus, e eu não queria perder a oportunidade de experimentar novamente o desejo que me esperava em seus braços.


Então, tirei o salto, assenti e disse com firmeza: — Sim. Quem poderia dizer que minha vida nunca mais seria a mesma depois dessa decisão?

Vivian

Estudando meu reflexo no espelho, eu me chamei de todos os tipos de estúpida, mas isso não mudou minha decisão. Precisávamos conversar, certo? Então, e daí que eu tivesse tomado um banho de aromaterapia antes que os meninos terminassem o jantar e depois que Radmir colocara Jake na cama - a pedido de Jake. Como mãe solteira, eu não tinha tantos luxos como tempo livre para me cuidar.


E daí que eu tivesse aplicado creme em todo meu corpo, assim minha pele estava macia como cetim, brilhando levemente sob a luz? E não significava absolutamente nada que eu escolhi usar a camisola de safira azul que Tina me deu no final do Natal, que era feita com a melhor seda e exibia meu corpo lindamente. Meus cabelos úmidos caíam pelas minhas costas em ondas naturais, deixando os meus olhos azuis mais claros. Minha pele brilhava, e eu tinha que admitir que a mulher que estava olhando para mim era maravilhosa. E que estava necessitada. Minha pele sensível reagiu a cada leve toque ou brisa, e era difícil para mim respirar. E se eu pudesse usar Radmir e seu corpo para o meu prazer? Uma mulher também tinha necessidades e, infelizmente para


mim, ele era o único com quem eu poderia me satisfazer. Sacudindo a cabeça das imagens carnais que surgiram em minha mente, saí do banheiro apenas para me encontrar cara a cara com o homem. Radmir estava na entrada, seus olhos me escanearam da cabeça aos pés enquanto eles ardiam com desejo e possessividade. Sua boca se ergueu com satisfação quando ele entrou. — O que você está fazendo? — ele não respondeu. Em vez disso, agarrou sua camisa pelas costas, puxou-a, atirou-a na cadeira e depois desafivelou o cinto. — Pare! — suas mãos congelaram justo quando ele tinha começado a descompactar suas calças e nossos olhares se trancaram. — Por quê?


Lambendo meus lábios secos, tentei ignorar a protuberância atrás do zíper que desejava tocar. Eu finalmente respondi: — Porque o sexo não conserta nada! Olhe onde acabamos da última vez. Nós precisamos conversar. — Você apareceu assim — ele apontou para minha camisola. — Porque quer conversar comigo? — Sim. — então, não pude deixar de acrescentar: — A última coisa que preciso é acordar sozinha depois que você usar o meu corpo para seu prazer. — a mágoa estava presente minha voz e ele não perdeu isso. A diversão desapareceu de seu olhar quando ele ficou sério e me perseguiu como um leão à caça de sua presa, e eu fiquei congelada no lugar, incapaz de me mover. — Isso nunca mais irá acontecer. Passarei o resto dos meus dias pedindo desculpas para você. — ele puxou-me para ele,


juntando nossos abdomens, e mordi meu lábio quando meus mamilos pontiagudos sentiram os cabelos de seu peito através do tecido macio e sedoso, e endureceram ainda mais. — Mas por enquanto... — seu dedo deslizou da minha clavícula para o estômago, deixando um rastro de fogo em todos os lugares que ele tocava. — Nós dois precisamos um do outro da maneira mais primitiva. Então você pode gritar, repreender, conversar. Estarei aqui. Eu sempre vou estar aqui. — ele sussurrou com dureza, lambendo a costura da minha boca e depois empurrando a língua para dentro, duelando com a minha quando colidimos em um beijo onde nada importava senão nós. Agarrei sua cabeça, e abri minha boca ainda mais para ele, e ele aceitou o convite, mas então suas mãos deslizaram para baixo, e eu recuei, desejo me consumindo. Ele me deu um olhar confuso antes que


seus olhos caíssem em meus lábios inchados, que estavam um pouco úmidos e ele entendeu imediatamente. Esfregando os polegares sobre os meus lábios, ele respondeu: — Você quer o meu pau na sua boca, krasivoglazaya? — ele gemeu no meu cabelo assim que acenei com a cabeça e depois recuou, franzindo a testa. — O que você está esperando? Ajoelhe-se e pegue o que é seu por direito. Eu não sei as outras mulheres, mas quando ele me apresentou àquilo, eu adorei a sensação de poder que me deu, adorei tê-lo na minha boca, explorando todas as maneiras pelas quais eu poderia excitá-lo. Embora eu não fosse virgem antes de Radmir e o sexo fosse bom com os meus três parceiros anteriores, nunca tentei fazer isso com outro homem, e fiquei feliz porque ele foi gentil em me guiar. Quem


sabia se outra pessoa teria sido tão atenciosa? Ficando de joelhos, acariciei sua carne coberta e depois desabotoei as calças lentamente, curtindo a sensação de seu pau contra a minha mão. Finalmente, o tirei para fora, amando o comprimento e a espessura dele nas minhas mãos, deslizando meu dedo sobre a grande veia enquanto gemia de novo, enfiando os dedos nos meus cabelos, com um aperto dominante e possessivo. Eu lambi a ponta de seu pau levemente, mordiscando-o. Seu aperto aumentou, exortando-me a tomar ações mais sérias e quase ri. Deslizando minha língua ao longo do seu comprimento, abaixei minha boca, levando-o enquanto minha mão acariciava a base de seu pau. Seus quadris flexionaram enquanto empurrava um pouco para a frente.


Radmir

Foda-se, a sensação de sua boca quente ao redor do meu pau era irreal, e eu precisava empurrar para frente. Ela apertou meu pau um pouco mais forte, enquanto sugava a cabeça ansiosamente, provocando um espasmo na minha maldita coluna enquanto o fogo se espalhava do meu pau para as minhas bolas. Ela o soltou com um pop e mordiscou a parte inferior da pele sensível. Com os dedos de uma mão, ela rolava minhas bolas umas contra as outras, enquanto, por outro lado, acariciava meu comprimento duro, e depois gemeu um pouco, como se não pudesse ter o suficiente. Receber um boquete era uma coisa. Mas quando você sabia que sua mulher adorava fazer isso tanto quanto ela o


amava.... Quando ela transformava o ato simples em uma demonstração de amor, onde você era o centro de sua atenção e seus olhos brilhavam com o sentimento de agradar você, enquanto seus lábios vermelhos inchados imploravam para ser beijados depois disso... Sim, nada se comparava a isso. Ela me pegou de novo na boca, chupando mais fundo enquanto eu deslizava ligeiramente para a frente e depois recuava, e então repetia o movimento e ela continuava a passar os dedos pela minha base. Agarrando seus cabelos, quase gozei quando ela gemeu ao redor do meu comprimento, enviando vibrações por minha coluna vertebral. Minhas bolas e bunda apertaram, ondas quentes esmagaram meu corpo e eu estava prestes a atirar minha carga em sua boca, mas não era assim que eu queria gozar na primeira vez que fizéssemos sexo depois de nos separarmos.


Recuando, puxei-a enquanto protestava, mas não por muito tempo. Coloquei-a na cama, afastando suas coxas, de modo que sua buceta linda ficasse aberta para mim, e sem outro convite, coloquei minha boca nela, me alimentando de seu desejo. A ideia de que ela ficou tão molhada enquanto chupava meu pau era embriagante. Deslizando minhas mãos debaixo de seu traseiro redondo e perfeito, aproximei mais suas dobras e sondei profundamente, memorizando cada deslize da minha língua e dos meus lábios. Eu mordi seu clitóris o suficiente para ela sentir a picada. Ela ofegou, mas depois gemeu enquanto eu o acariciava com meus lábios. Chupando-o, desejei poder aproveitar tudo o que fazia dela uma mulher. Devorá-la era o meu único objetivo naquele momento. — Radmir, aquilo doeu. — ela choramingou. Levantei os olhos e porra, a


visão dela apertando seus mamilos me paralisou enquanto suas costas arqueavam da cama. — Eu vou fazer melhorar. — eu prometi, dando uma lambida longa em sua fenda, depois foquei em seu clitóris e estiquei-a com os dedos para prepará-la para o meu pau. Tão apertada para mim, minha mulher. — Agora, faça isso agora. Não quero gozar sem você. — embora tudo o que eu quisesse fosse sentir sua buceta espremer minha língua e ela puxar meu cabelo violentamente enquanto gozava na minha boca, eu entendia seu desejo de se reconectar, mesmo que ela não soubesse que era isso. Precisávamos de nossa marca de conexão. Eu me levantei, deixando pequenos beijos em seu estômago, seus peitos, sua clavícula e, finalmente, alcançando sua boca, nos beijamos, compartilhando o


gosto um do outro. Ela respondeu ansiosamente, puxando-me para mais perto. Eu me posicionei em sua entrada, esfregando meu pau para cima e para baixo nela, e então, finalmente, a penetrei e nós dois gememos. Foda-se, seu calor apertado em torno do meu pau sem preservativo ameaçou acabar comigo antes mesmo de começar. Eu não me movi enquanto descansávamos com nossas testas se tocando, respirando um ao outro enquanto minha circunferência a esticava. Ela abriu mais as pernas para me dar um melhor acesso. Eu tirei e então empurrei mais profundamente, apertando seu traseiro nas minhas mãos, mantendo-a no lugar enquanto ela deslizava pela cama. A visão de nós dois unidos, juntamente com seus gemidos a cada vez que eu me movia dentro dela, ameaçava me desfazer. Gotas de suor cobriam sua clavícula e não consegui me impedir de lambê-las e depois


me deslocar para os seios, mordendo seus mamilos e cobrindo-os com a minha boca quente, chupando suavemente. Suas unhas arranhavam minhas costas, seus calcanhares cavavam em minha bunda e senti quando ela me apertou, derretendo em mim até que ela gozasse com força. Seu grito teria despertado os mortos, mas eu o cobri com a minha palma, porque nós tínhamos uma criança dentro do apartamento. Enquanto abafava seu grito, ela me mordeu com força, tirando sangue, e porra, isso me desfez. Eu empurrei profundamente, depois mais fundo até que não tinha ideia de onde ela começava e eu terminava. Ela arrancou o meu orgasmo de mim enquanto eu explodia dentro dela, rugindo em seu pescoço, meus quadris ainda flexionando para a frente e para trás. Completamente gasto, eu me deitei sobre ela, amando suas curvas suaves debaixo de mim, mas quando eu rolei nas minhas


costas, ela não se juntou a mim. Ela respirou pesadamente, olhando para o teto, e então para minha surpresa, ela me montou. — De novo. — seus olhos estavam arregalados, sua boca inchada, e era como se a deusa do amor tivesse me agraciado com sua presença e como eu poderia ter dito não a isso? Pelo resto da noite, nada além de nós dois existia no mundo.


8Vivian

Eu realmente não sabia o que esperava ver quando ele mencionou a “sede” da Bratva, mas com toda certeza não era uma mansão de algum tipo de filme de suspense. A enorme estrutura era ampla e parecia ser dividida em diferentes seções. Construída por tijolos marrons, provavelmente poderia


suportar fogo e tornados. Várias janelas tinham varandas, e o lugar estava cercado pela floresta no meio de nada. Barras de metal com câmeras foram colocadas ao redor da propriedade, de modo que ninguém pudesse entrar sem aviso prévio ou escapar, para falar a verdade. Embora a mansão parecesse ser chique, também estava envolta em desesperança e depressão. A grama verde não tinha flores, fontes ou arbustos. Apenas trilhas feitas de concreto para longas caminhadas e uma enorme área de estacionamento para vários carros e motocicletas. Por que todos esses homens viviam juntos? Eles eram algum tipo de organização? Este lugar estava a apenas trinta minutos do aeroporto. Poderia ser que eles treinassem juntos, certo? Ou você é muito estúpida para viver. O pensamento era irritante, mas na verdade, o que diabos eu estava fazendo?


— O que é a Bratva? — finalmente encontrei minha voz, enquanto Radmir dirigia suavemente pelo portão em sua Mercedes Gelenvagen, que me lembrava de um tanque. Provavelmente era à prova de balas, já que as portas eram maciças e não conseguia abri-las eu mesma, não que Radmir deixasse. O resto do seu pessoal estava dividido em dois Jeeps lado a lado separados atrás de nós, como seguranças ou algo vindo dos filmes. As mãos de Radmir apertaram o volante até que seus dedos ficassem brancos. Logo, ele suavemente parou o carro, saiu, ainda silencioso, e abriu a porta para mim, estendendo a mão para me ajudar a descer, o que não era fácil com a saia lápis marrom, estiletes e camisa branca. Dominic e Yuri olharam para Radmir com expectativa, e ele moveu a cabeça na direção da mansão. Com um aceno de cabeça, todos os homens carregaram as malas pesadas para dentro,


deixando-nos sozinhos nesta rua estranha como o inferno. Um pouco de medo correu por mim, porque eu estava presa entre o carro e o belo estranho que apoiou o braço acima de mim enquanto nossos olhos se mantinham presos uns nos outros. — A Bratva é uma irmandade na Rússia. Crime organizado. Piscando algumas vezes, tentei processar essa informação. Eu repeti fracamente: — Crime organizado. — Sim. Ele achava que suas palavras requeriam mais explicações?

não

Espere um minuto... Bratva. Crime Organizado. A lembrança de uma série de TV russa que meu pai costumava assistir alguns anos atrás passou por minha mente. Como se


chamava mesmo? Brigada. Os homens costumavam ser melhores amigos até não terem escolha senão formar uma fraternidade de armas, morte e sangue. Meu Deus! Tipo, a máfia assustadora? Eu recuei, apenas para me lembrar que estava encurralada, e quando eu o empurrei, ele nem se mexeu, parecendo tão duro quanto uma parede de tijolos. — Me deixe ir. Eu sou tão estúpida. Eu bati em seu peito algumas vezes, enquanto me perguntava como diabos iria sair dessa bagunça, considerando que não havia uma alma viva por perto que pudesse me ajudar. Ele amaldiçoou em russo e agarrou minhas mãos, afastando-as até que nossos abdomens se juntassem um contra o outro. — Você está segura. — ele disse roucamente, e eu ri sem precisar de algum humor.


— Você é um criminoso! — todos devem ter pensado que eu era estúpida com meus comentários. Talvez meu pai fosse legal, depois de tudo. Eu não me conhecia e não tinha ideia de como sobreviver neste mundo, já que o tinha seguido de forma absurda até aqui. E com base no quê? Apenas uma faísca que havia entre nós. — Sim. — ele respondeu, e eu abri minha boca para dizer algo doloroso, quando me dei conta de algo; Ele nem sequer se desculpou ou tentou ocultar o fato. — E você está orgulhoso disso ou algo assim? Quando ele me empurrou mais forte contra o carro, senti seus músculos contra mim enquanto respirávamos pesadamente. A auto aversão preenchia sua voz quando ele respondeu: — Orgulhoso? Não, moya krasivoglazaya, não tenho orgulhoso disso. Mas não vou ter


vergonha de minha educação em uma vida que você não entende. Não importa. — Não importa? — eu repeti como um maldito papagaio. — Não muda o que está acontecendo entre você e eu. Minhas bochechas aqueceram com sua suposição. — Isso muda tudo. Eu sou a estúpida garota que seguiu um membro da máfia até sua sede. Eu sequer pensei... — Não, você é uma mulher que está cansada de viver de acordo com as regras do seu pai e eu encaixo no perfil. Ele estava ouvindo a si mesmo? — Então, você deveria ser a minha fantasia de menino mau? — ele riu, mordendo meu queixo, acendendo meu desejo novamente. Aparentemente, meu corpo e meu coração não queriam ouvir o senso comum. — Odeio te decepcionar, mas eu não sou virgem.


Enquanto não tinha sido uma adolescente rebelde, eu tive três namorados sérios nos meus vinte e três anos. Embora nenhum deles pudesse nem mesmo segurar uma vela para ele, ou para as emoções que ele evocava em mim. Algo irreconhecível brilhou em seus olhos quando ele segurou meu cabelo em uma mão enquanto a outra envolvia possessivamente meu pescoço exposto, como se ele quisesse me enforcar, mas o toque era gentil. — Não fale sobre outros homens, nunca mais! — Ele sugou meu lábio inferior, tirando um gemido de mim. — Isso é uma loucura. — Talvez. — ele se moveu mais para baixo, mordiscando meu queixo. — Você se recusa a ver onde isso a leva? A resposta era simples. Não.


Radmir

A luz do sol atravessava a janela, acordando-me e, por um momento, olhei em volta, desorientado com os meus arredores. Imediatamente, minha mão deslizou sob o travesseiro em busca de minha arma. A perna sedosa e magra sobre minha coxa me deteve, me lembrando que eu estava na cama da minha mulher em sua casa nos Estados Unidos e não em algum ambiente hostil. Instantaneamente, meu corpo relaxou quando Vivian enterrou seu rosto entre meu pescoço e meu ombro enquanto ela murmurava incoerentemente. Eu esfreguei suas costas em movimentos calmantes para cima e para baixo, não querendo que ela acordasse. Depois de uma noite de amor, ela precisava de seu


descanso. Ao fechar os olhos, pressionei minha bochecha contra seus cabelos e inalei seu cheiro de baunilha que eu sempre associaria apenas a ela. Isso acalmava a turbulência no meu coração, e orei a Deus para que ela encontrasse uma maneira de me perdoar. Ela poderia ter sucumbido a seu desejo por mim, mas a dor ainda era forte, e era meu trabalho corrigir isso. Os últimos seis anos de prisão fizeram-me ter um sono leve, e tínhamos que acordar cedo, então eu sabia que não seria capaz de adormecer novamente, mesmo que estar na cama com minha mulher fosse o paraíso na terra. Deslizando minha mão de baixo dela com cuidado, eu a deixei sozinha na cama e a cobri com um lençol. O peito dela subia e descia pacificamente, mesmo que resmungasse. Eu quase ri. No passado, ela gostava de dormir muito, então aquilo não me surpreendia.


Tomando um banho rápido no banheiro dela, coloquei meu jeans e fui até a cozinha para tomar um café. Eu precisava cuidar dos negócios da Bratva. Vários novos contratos chegaram na semana passada, e eu tinha que aprová-los legalmente antes que eles pudessem produzir um lucro. Além disso, alguns membros novos de uma gangue rival se juntariam a nós em breve; O Pakhan precisaria da minha ajuda. No entanto, todos os pensamentos sobre o trabalho escaparam da minha mente quando notei que meu filho usava grandes fones de ouvido brancos enquanto assistia desenhos animados do Mickey Mouse e comia uma maçã. Ele ainda usava o pijama do Homem-Aranha e continuava empurrando os cabelos de sua testa. Meu filho era muito fofo, mas precisávamos cortar seu cabelo em breve. Seu cabelo estava um pouco longo para sua idade, e


eu não gostava que ele estivesse enfrentando qualquer tipo de desconforto. Caminhando até ele, chamei suavemente: — Jake. Como ele não me ouviu, eu o toquei suavemente, e ele levantou seus olhos surpresos para mim. Ele sorriu, mostrando os dois dentes da frente desaparecidos e depois desligou a TV. Ele pendurou os fones de ouvido em volta do pescoço dele quando disse em um sussurro bastante alto: — Papai. — e pulou em meus braços. Eu o peguei a tempo, embora ele sempre baixasse a minha guarda com sua fácil aceitação de tudo. Ele me apertou, e eu fiz o mesmo, saboreando a sensação de ter conhecido meu filho e que ele não me estranhasse. Vivian, minha Vivian, era uma mulher notável que me manteve presente em sua pequena família de dois. Eu não tinha certeza de que teria


sobrevivido se ele considerasse outro homem como seu pai. Ela fez tudo o que pôde para me proteger e a nossa criança, mas não era mais o trabalho dela. Meu filho e minha mulher seriam protegidos por mim de todos, e ninguém, porra, ninguém mais ousaria machucá-los. Não se eles valorizassem suas vidas. — Que tal tomar café da manhã, amigo? Ele assentiu ansiosamente e se esticou para ser colocado no chão, então eu fiz exatamente isso. Sentou-se na pequena mesa redonda no canto da cozinha e olhou-me com curiosidade. — Você sabe cozinhar? — ele parecia muito esperançoso, e não pude deixar de rir. Suspeitava do motivo da sua esperança. — Sim. Ele exalou em alívio. — Eu amo a mamãe, mas ela não sabe cozinhar muito. Nós geralmente vamos tomar café da manhã


em uma padaria próxima. — então ele franziu a testa, provavelmente não gostando de como isso soou, porque acrescentou: — Mas mamãe faz chá e saladas e macarons e espagueti incríveis e... Pegando ovos, leite e algumas frutas, coloquei-os no balcão e baguncei seus cabelos. — Está tudo bem, amigo. Conheço as habilidades culinárias da mamãe. Ela era um paradoxo quando se tratava disso; Ela podia assistir a programas de culinária por horas ou fazer tudo exatamente como instruído, mas no momento em que suas mãos tocavam a panela, tudo queimava, literalmente. Ela conseguiu ferver bem algo ou misturar coisas diferentes, mas o que quer que envolvesse panelas e gás... ela era um desastre. — O que você vai cozinhar?


— Do que você gosta? Pensou por um segundo e depois encolheu os ombros. — Enquanto não tiver tomates, eu gosto de tudo. Eu anotei mentalmente que meu filho tinha uma aversão aos tomates. E então tive uma ideia. — Que tal tvorozhniki? Ele franziu a testa. — O que é isso? — É um prato esloveno. Delicioso. — além disso, não doía que era o favorito de Vivian. — Quer experimentar? Jake assentiu ansiosamente, e então se juntou ao meu lado do balcão. — Posso ajudá-lo a preparar? Mamãe adoraria! Sorrindo, abracei-o ao meu lado por um momento, apenas para ter certeza de que isso era real e não um sonho fodido que eu estava tendo nos últimos cinco anos. — Claro, amigo. Mas primeiro, precisamos encontrar uma boa música e um avental.


Procurando por alguns momentos, encontrei um avental rosa e coloquei, e quando eu o amarrei nas costas, ele se assemelhava mais a um tutu de uma bailarina em mim e Jake riu. Contanto que isso deixasse o meu filho feliz, eu não ficaria irritado, por mais ridículo que pudesse parecer. Piscando para ele, coloquei o meu telefone ao lado dos alto-falantes na TV e conectei-o a ela através do fio, para que eu pudesse apresentar meu filho a uma de minhas músicas favoritas de todos os tempos. A música começou a tocar, e bati com as mãos e disse: — Vamos lavar as mãos e preparar um café da manhã.


Vivian

Assustada, meus olhos se abriram enquanto eu olhava para o teto, confusa, tentando entender os sons estranhos vindos até o meu quarto. Olhei para a janela aberta, mas parecia que o som vinha da casa. Então, ao concentrar-me na música, reconheci a incrível música da banda russa B2 e Chicherina chamada “My Rock and Roll”. A música suave do violão ecoou pela casa, despertando emoções esquecidas dentro de mim, como se a noite passada não tivesse sido suficiente. — O que significa? A última linha da música? Eles parecem tão tristes enquanto a cantam. — perguntei a Radmir, que ouvia a música com os olhos fechados enquanto


ela explodia pelos alto-falantes da sede da Bratva. — Doroga v moi gom i dlya lublvi eto ne mesto. — ele repetiu as palavras desconhecidas para mim e depois traduziu. — O caminho para minha casa e para o amor não é o lugar. — ele girou a bebida na mão e o gelo tilintou. — Muito simbólica para a nossa situação. Meu coração apertou dolorosamente, porque entendia o significado por trás dela. Subindo do meu assento ao lado dele, fiquei entre suas pernas e espalmei o seu rosto quando ele finalmente abriu os olhos para mim, e tudo o que pude ver foi agonia e arrependimento. — Eu amo você. — nós nos mantivemos parados por um longo minuto, até que com um gemido, ele me abraçou, escondeu o rosto no meu pescoço enquanto me apertava, e eu fiz o mesmo, esperando que isso acalmasse a guerra dentro dele.


Nenhum de nós poderia mudar nosso passado, mas não o deixávamos nos definir. A Bratva não tinha lugar para o amor, mas ele tinha. — Deixe-me ser sua casa a partir de agora. — eu sussurrei em sua orelha, e um tremor percorreu-o, enquanto sua respiração acelerava. Ele não respondeu, mas seu braço me apertando ainda mais foi resposta suficiente. Não havia casa para mim sem ele. As lágrimas caíam em meus lençóis brancos e sedosos, provavelmente deixando manchas, mas não me importei. Havia uma história de amor neste mundo que não tivesse elementos trágicos? Algumas pessoas conseguiam ser felizes e criar uma família sem sofrer. Eu me apaixonei por Radmir, mas parecia que nosso amor apenas nos punia e nos deixava cicatrizes.

Série Bratva & Cosa Nostra #03 - Sovietnik's Fury - V. F. Mason - 1º parte  
Série Bratva & Cosa Nostra #03 - Sovietnik's Fury - V. F. Mason - 1º parte  
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