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Alcides Jucksch

Amor sem

Fronteiras

3ª edição - Letra grande

Devocional


Copyright ©2004, Editora Evangélica Esperança Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos­ reservados pela:

Editora Evangélica Esperança Rua Aviador Vicente Wolski, 353 82510-420 Curitiba-PR E-mail: eee@esperanca-editora.com.br Internet: www.esperanca-editora.com.br Editora filiada à ABEC e a CBL

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As citações bíblicas foram extraídas da Edição Revista e Atualizada 2ª edição (1993) da tradução João Ferreira de Almeida da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo quando outra fonte for indicada.


Alcides Jucksch

Amor sem

Fronteiras

3ª edição - Letra grande

Devocional

Curitiba 2009


Alcides Jucksch

Amor sem Fronteiras Devocional

Coordenação editorial: Walter Feckinghaus Revisão de texto: João Guimarães Revisão 3ª edição: Josiane Zanon Moreschi Revisão de prova: Sandro Bier Capa: Marianne Bettina Richter Dias Editoração eletrônica: Josiane Zanon Moreschi Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Jucksch, Alcides Amor sem fronteiras : devocional / Alcides Jucksch. - 3. ed. rev. - - Curitiba, PR : Editora Evangélica Esperança, 2009. ISBN 978-85-7839-021-1 1. Amor 2. Deus - Amor 3. Devoções diárias 4. Vida cristã I. Título 09-09373

CDD-242.2 Índices para catálogo sistemático: 1. Amor de Deus : Leituras devocionais diárias : Cristianismo 242.2

Editora Evangélica Esperança

Rua Aviador Vicente Wolski, 353 - CEP 82510-420 - Curitiba - PR Fone: (41) 3022-3390 - Fax: (41) 3256-3662 eee@esperanca-editora.com.br - www.esperanca-editora.com.br


Prefácio Fronteira é um limite traçado por uma nação para garantir e proteger seu território. Quando um viajante deseja passar pela fronteira, necessita de um passaporte. Às vezes, sua passagem é barrada.. Nossa incredulidade diante das promessas de Deus, a indiferença com as dores do próximo e nosso apego ao pecado, são barreiras que impedem vencermos fronteiras e limitações em nossas vidas. Assim vivemos, muitas vezes, em grande solidão, tristeza e frustração. Somos prisioneiros das barreiras que nós mesmos erguemos ao nosso redor. Mas Deus não nos esqueceu. Seu amor ultrapassa e vence todas as barreiras. Sua paciência conosco, sua misericórdia e seu perdão desejam eliminar as fronteiras que a falta de fé ergue. Ele nos envolve em sua graça, transformando nossas vidas. Para estabelecer novamente contato conosco, Deus enviou seu Filho, Jesus Cristo, ao mundo. E Jesus, em seu grande amor, procura-nos até nos achar. As devocionais deste livro falam deste grande amor. A leitura devocional de cada dia vem acompanhada de uma ilustração da vida diária que explica uma verdade bíblica, tornando-a mais compreensível. É nosso desejo que você, leitor, tenha, cada dia, um encontro precioso e pessoal com Deus. Isso é possível porque o amor de Deus transpõe todas as fronteiras. Alcides Jucksch


1º de janeiro Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio (Sl 90.12). Veja como você é rico! Com um novo ano que lhe é concedido, você recebe em relação ao tempo: 365 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos, 31.536.000 segundos. Que vai fazer com este capital? Necessário será usar para: comer 550 horas dormir 2.920 horas trabalhar 1.936 horas 5.406 horas Restam-lhe ainda 3.354 horas. O que você vai fazer com este tempo disponível? Que tal firmar hoje em seu coração a disposição de ler a Bíblia diariamente por 15 minutos e dedicar 15 minutos para a oração? Seriam 10.950 minutos por ano, equivalentes a 182 horas. Ainda lhe restam 3.172 horas, ou seja, 132 dias para os outros afazeres. Por “mundana”, compreendemos uma pessoa que dispõe de seu tempo exclusivamente para si. Ela se deixa governar pelos seus desejos, seus sentimentos e seus planos. Procura tirar da vida o máximo de prazer. Por “cristão”, compreende-se uma pessoa que aceitou, de livre vontade, Jesus Cristo como Senhor e Salvador pessoal. Em tudo quer ser submissa a ele. “Dispõe de mim!”, é o denominador comum na vida dos seguidores de Jesus. Embora nenhum tenha conseguido realizar isso sempre com perfeição, o desejo é este: “Senhor, que queres que eu faça?”. Quer, prezado leitor, começar hoje uma vida assim? A realidade é que somos criaturas de Deus, e por isso, responsáveis perante nosso Criador pela vida que nos deu. Chegará o dia em que prestaremos contas do que temos feito com o tempo a nós concedido. Feliz aquele que então ouvirá do Juiz supremo esta avaliação: “Ela fez o que pode.” (Mc 14.8). Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu senhor (Mt 25.21). Leitura bíblica: Salmo 90.


2 de janeiro Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê, tem a vida eterna (Jo 6.47). Um professor estava se preparando para a aula de religião. No dia seguinte, deveria explicar aos seus alunos o que é “fé”. Meditando sobre o que queria dizer, teve uma ideia. – Sim – pensou ele – darei de presente o meu relógio para aquele aluno que acreditar na minha oferta. Os meninos então aprenderão o significado da palavra “crer”. E assim o fez. No dia seguinte, iniciando a aula, pegou o seu precioso relógio e disse para os alunos: – Meninos, aqui está o meu relógio. Dou-o de presente àquele que vier agora à frente, estender a sua mão e o pegar. Todos os alunos começaram a rir. Somente o pequeno Carlos, sentado no último banco, ficou bem sério. Sabia que o professor nunca mentia. Estaria mentindo agora? Os outros meninos se entreolhavam e, cochichando, diziam: – Engraçado. Nosso professor começa a aula de religião com brincadeiras. É claro que quando alguém for para a frente ele, rapidamente, esconderá o relógio no bolso. Um relógio tão caro não se dá de presente. Contudo, Carlos levantou-se para ir à frente pegar o relógio. Quando os outros notaram a sua intenção, começaram a debochar: – Vejam só! Carlos acredita no que o professor disse! Nem pensa que é uma simples brincadeira. Intimidado, Carlos sentou-se. O professor, porém, continuava a balançar o relógio em sua mão, repetindo: – Eu já menti alguma vez para vocês? Não? Então! A quem vier à frente e estender a sua mão, darei o relógio de presente! Novamente, Carlos se levantou e foi para a frente. Não reparou nas risadas dos seus colegas. Desta vez, não se deixou intimidar. Enquanto andava, pensava: – Ele disse! Ele disse que dará o relógio de presente a quem for à frente e o pegar. Chegou perto do professor, estendeu a mão e pegou o relógio. Virou-se e retornou ao seu lugar. Os outros alunos, perplexos, perguntaram, então, ao professor: – Mas professor, foi sério mesmo? Não foi uma brincadeira?


O professor respondeu: – Vejam, meninos, todos vocês acharam que eu estava mentindo. Eu prometi o relógio para aquele que viesse à frente. Vocês não acreditaram em mim, exceto o Carlos, que realmente creu naquilo que eu DISSE. Portanto, o relógio é dele. O espanto dos meninos foi grande, e murmuravam entre si: “Era tão fácil obter o relógio. Por que não o pegamos?”. Jesus nos oferece salvação grátis e completa. Na cruz, ele eliminou todos os nossos pecados. Ninguém, portanto, se perderá pelos pecados cometidos, porque eles já foram pagos e liquidados. Quem, porém, não crê nisso, acusa Jesus de mentiroso e se exclui da família de Deus. Quem crê naquilo que Jesus disse – que ele já pagou pelos pecados de todo o mundo – receberá a salvação. Porque é pela fé (acreditar no que Deus disse) que somos salvos. Mas, pela incredulidade (não acreditar no que Deus disse) seremos perdidos. Portanto, vemos que eles não puderam entrar na Terra Prometida porque não creram (Hb 3.19). Leitura bíblica: Mateus 8.5-13.

3 de janeiro Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa (At 16.31). Uma menina de seis anos perguntou: – Papai, o que é crer? Um senhor que nos visitou, disse: “Sem crer, não é possível ser salvo”. Mas como se faz isso? – Filhinha – respondeu amavelmente o pai – vou aguardar o momento de lhe explicar isso. Certo dia a viu brincando, à tardinha, no seu lugar predileto, em cima de um muro largo que cercava o jardim. Distraída com suas bonecas, ela não percebeu que anoitecia. O pai, sem se fazer notar, aproximou-se e se escondeu à sombra do muro. Quando a noite chegou, levantando-se, chamou pela filha. Somente então a menina percebeu que estava escuro e disse: – Papai, não estou vendo você. – Mas eu estou vendo você, filhinha. Pule, meus braços estão abertos para segurá-la. Então, encorajada pela palavra paterna, a menina pulou e achou-se segura nos braços do pai. Era o momento de explicar à filha: – Você não me via na escuridão. Somente ouvia a minha voz e tinha


a minha promessa – pule – e você pulou. É isso que a Bíblia quer dizer quando fala em crer. Contar com a promessa de Deus, mesmo não vendo nada. É suficiente saber o que ele disse, baseando-se sempre na sua palavra. Crer também significa: ter fé, confiar, acreditar. Por fé, compreende-se: não duvidar da palavra de Deus e alicerçar-se no que ele prometeu fazer. Leitura bíblica: Mateus 15.21-28.

4 de janeiro Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras (1Co 15.3). No tempo dos navios veleiros aconteceu a seguinte história. Um deles estava atravessando o oceano quando desabou uma pesada tempestade e uma tábua desprendeu-se do casco do navio. A água entrava com tal força para dentro da embarcação, que não era possível bombeá-la. O capitão examinou o estrago. Depois, disse a todos os marinheiros: – Só há uma solução para salvar a tripulação e os passageiros. Um voluntário deverá, com a ajuda de cordas, saltar para o lado de fora e, com seu corpo, tapar o buraco. A força da água empurrará o corpo para dentro do buraco e assim o fechará. Dessa maneira, será possível alcançarmos o porto. Sem o sacrifício de um voluntário, todos estaremos perdidos. Depois de ouvirem as palavras do capitão, todos ficaram em silêncio. Então, um moço de 18 anos foi à frente: – Eu quero fazê-lo, meu pai. Quando o capitão viu que era seu filho, assustou-se profundamente. Porém, tinha chamado um voluntário – e ali estava ele. Não podia poupar seu próprio filho de fazer o que era necessário. O navio alcançou o porto. Todos estavam salvos. Mas o filho do capitão estava morto. Seu corpo, de fato, havia fechado o buraco no casco do navio. Todos acompanharam o enterro ao cemitério. Lembraram, com profunda gratidão, que o filho do capitão sacrificara sua própria vida para que eles fossem salvos. Deus viu que a sua criação estava andando para a perdição. Então Jesus, o Filho de Deus, apresentou-se voluntariamente. Desceu do céu, deixou a sua glória, para morrer na cruz do Calvário. Ofereceu a vida para salvar a todos nós. Pensando na cruz do Gólgota, será que


podemos continuar indiferentes para com Jesus? Não lhe seremos imensamente gratos em toda nossa vida? Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (Is 53.5). Leitura bíblica: Isaías 53.4-12.

5 de janeiro Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida (Ap 21.6). Em Londres, capital da Inglaterra, dois ingleses estavam comentando a situação dos pobres nos bairros. – É de lamentar que tanta gente lá seja tão pobre! – A culpa é deles – respondeu o outro. – Eles querem ser pobres. Dinheiro eles não aceitam, são muito desconfiados. – Como assim? Não entendo – disse pensativo o amigo. – Se eu oferecer moedas de ouro pelo preço de um pence, eles não aceitarão? (Na Inglaterra, naquele tempo, usava-se moedas de ouro. A moeda de menor valor era o pence. Equivalente a mais ou menos 1 centavo.) – Então vamos fazer uma aposta – sugeriu o outro. – Você alugará por um dia uma barraca na praça central do bairro mais pobre, cobrirá a mesa com moedas de ouro que oferecerá por um pence. Então verá que ninguém as comprará. O outro aceitou a aposta. Combinaram que até as seis horas da noite ele deveria vender todas as moedas. No dia seguinte, bem cedo, lá estava ele sentado oferecendo suas moedas aos trabalhadores que iam para as fábricas, gritando: – Minha gente, acabem com a pobreza. Estou vendendo libras esterlinas por um pence! Os que passavam, riam-se dele, comentando: – Que história é esta? Ele quer nos enganar; certamente são pedaços de chumbo pintados com tinta imitando ouro. Quer tirar do nosso bolso o pouco dinheiro que temos. Não vamos ser tão ingênuos e aceitar esta oferta. Faltavam cinco minutos para as seis e o inglês não tinha vendido sequer uma moeda. Já estava rouco de tanto gritar. Passou então um pai com seu filho de cinco anos. O garoto, descalço e com frio, tinha ido buscar o pai na fábrica. Quando o menino ouviu que podia comprar moedas de ouro por um pence, ficou entusiasmado:


– Pai, compre as moedas de ouro! Vendendo-as, não preciso mais ir para a cama com fome e ainda poderemos comprar um par de sapatos para mim. – Filho, não deve acreditar nestes vendedores ambulantes. Ouro não se compra por moedas de cobre. Mas o garoto não quis dar atenção às explicações do pai. – Papai, me dê um pence de presente. O pai, achando que o filho queria comprar uma bala na esquina, atendeu ao seu pedido. Porém, o menino foi correndo comprar uma moeda de ouro. O pai, vendo que ele não acreditara nas suas palavras, achou que devia dar-lhe uma lição. Quando passaram pela loja de um ourives, disse: – Filhinho, este homem tem uma balança onde se pesa ouro. Ele examinará a moeda que você comprou; então, verá que é um metal sem valor. O menino entrou na loja e perguntou quanto valia a moeda. O ourives pesou-a, e disse: – É ouro legítimo. Você quer vender? E lhe ofereceu uma soma significativa. – O quê? – gritou o pai. – É ouro mesmo? Espere aqui, vou correndo até a praça e comprar todas as moedas que o vendedor tiver. Mas quando chegou lá, a mesa estava vazia. O vendedor tinha ido embora, afinal, já passava das seis horas e ele perdera a aposta: vendeu uma única moeda de ouro. Tinha de dar razão ao seu amigo: as pessoas não queriam aceitar a oferta generosa, preferindo continuar pobres. É só uma história? Não. Ela se repete de certa forma todos os dias; pois, o evangelho de Jesus Cristo, a salvação eterna, a paz com Deus e o perdão de todos os pecados são oferecidos DE GRAÇA diariamente. Mas as pessoas não aceitam o presente, continuando pobres. Esta história serve para ilustrar que nós, homens, temos chance de sair da nossa miséria interior. Não o fazemos, simplesmente, porque não acreditamos no presente da salvação. A Palavra nos orienta: Porém, Deus me deu este privilégio de anunciar... as Boas Notícias das imensas riquezas de Cristo (Ef 3.8). Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas (Jr 2.13). Acaso não há bálsamo em Gileade? ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo? (Jr 8.22).


Estendi as minhas mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos (Is 65.2). Leitura bíblica: Romanos 8.31-39. Deus não espera de nós uma grande fé; mas espera que confiemos em um grande Deus.

6 de janeiro Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (1Pe 5.7). Um homem, com poucos recursos financeiros, resolveu emigrar para a América do Norte. Vendeu tudo que possuía e a quantia que recebeu era suficiente apenas para comprar a passagem de navio. Visto que a viagem seria longa, levou um pacote de mantimentos, a fim de não passar fome. Porém, chegou o dia em que terminou o último pedaço de pão e toucinho. O imigrante começou a sentir fome e o que mais o torturava era o cheiro agradável que vinha da cozinha do navio, deixando-o com água na boca. Quanto custará um almoço? – pensou ele. Não pôde conter-se, quando logo em seguida, viu o garçom e perguntou: – Diga-me, por favor, quanto custa o almoço que está sendo servido naquela sala? O garçom interrogou: – Mas o senhor não comprou a passagem? – Sim, comprei, porém, não me sobrou dinheiro, exceto para um pouco de mantimento que já terminou. Então o garçom exclamou admirado: – Mas o senhor está se preocupando à toa. No preço da passagem estão incluídas a viagem e a comida. O senhor tem pleno direito de comer fartamente todos os dias. Como passaremos o futuro? Teremos sempre o necessário para nos mantermos? Será que nossa força é suficiente para vencermos todos os obstáculos? Será que conseguiremos passar o ano sem nos preocuparmos com coisa alguma? A respeito dessas dúvidas, Jesus disse: Não andeis ansiosos pela vossa vida... Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes?... vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.25-33). Deus, que nos deu a vida, também cuidará que nada nos falte.


Tudo está previsto para que tenhamos o necessário para viver. Por que se preocupar? Nossa vida corresponde a um maravilhoso plano de Deus, e tudo o que nos acontece é da vontade divina. Todas as coisas cooperam para o bem. A Bíblia diz: Não andeis ansiosos de coisa alguma: em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça (Fp 4.6). Leitura bíblica: Mateus 6.25-34.

7 de janeiro Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus (1Jo 3.1). Na Europa, ergue-se uma grande cadeia de montanhas: os Alpes. Os cumes mais altos estão constantemente cobertos de neve, mesmo no verão, enquanto os campos nos vales estão todos floridos. Muitas pessoas passam suas férias nessa linda paisagem. Certa vez, um turista, que estava passando suas férias lá, encontrou no campo um homem já idoso, cuidando de suas ovelhas. Conversando com ele, também falou sobre passagens da Bíblia. O homem idoso suspirou: – Admiro o seu conhecimento, você sabe tantos versículos bíblicos de cor. Eu já tentei decorar apenas um, para poder segurar-me nele na hora da morte, mas não consigo. Minha memória é muito fraca. Só consigo ainda cuidar do meu rebanho. Não adianta o senhor citar partes da Sagrada Escritura, logo as esquecerei. – Vou ensinar-lhe como decorar um só versículo da Bíblia – disse o turista. – Os seus dedos irão ajudá-lo. Experimente: como você tem cinco dedos na mão, pegue com a sua mão direita o polegar da mão esquerda e diga “O”, depois segure o indicador e diga “Senhor”. Continue com o dedo médio e diga “é”, depois segure o anular e fale “meu” e, finalmente, segure o dedo mínimo e diga “pastor”. Assim, você consegue facilmente decorar o começo do Salmo 23: O Senhor é meu Pastor. O idoso experimentou. Começou bem devagar, depois mais ligeiro, pegando um dedo após outro e dizia: O – Senhor – é – meu – Pastor. Contente, exclamou: – Sim, com a ajuda dos dedos consigo me lembrar. Muito obrigado. O turista então explicou ao homem que essa era a Palavra de Deus e pediu que não só decorasse as palavras, mas realmente acreditasse


ser Cristo o “seu” Pastor, o “seu” Senhor e Salvador, também na hora da morte. Prometeu voltar no ano seguinte, para saber se ele ainda se lembrava do versículo. No ano seguinte, quando o turista voltou à aldeia e perguntou pelo homem que cuidava das ovelhas, ficou sabendo que ele morrera. No inverno, havia caído muita neve nas montanhas, que cobriu sua casa, e ele foi desenterrado já sem vida. Um vizinho comentou pensativo: – Apenas um detalhe nos chamou a atenção. Quando achamos o pastor de ovelhas, ele estava segurando com a mão direita o quarto dedo da mão esquerda. Queríamos dobrar-lhe as mãos, mas não conseguimos, visto a firmeza com que segurava. – O quarto dedo – refletiu o turista – deve ter sido um sinal de que ele obteve a certeza da salvação, pois foi o dedo indicado para memorizar a palavra “meu”. O Espírito Santo certamente revelou a ele que Jesus não era só um Salvador, mas sim o seu Salvador pessoal. A certeza da salvação não se baseia em sentimentos. Fundamentase somente naquilo que Deus disse. Jesus disse, e isso é uma promessa: E o que vem a mim de modo nenhum o rejeitarei (Jo 6.37b). E Deus, na sua palavra, nos assegura: Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo (Rm 10.13). Crendo nessa promessa, a pessoa pode estar convicta de que pertence à família de Deus. Então a paz divina se estende no coração e nasce a alegria de saber: Jesus é meu e eu sou dele! Leitura bíblica: Salmo 23.

8 de janeiro Jesus disse: ...quem crê no Filho tem a vida eterna (Jo 3.36a). Foram diversas as pessoas que embarcaram no navio. Ele estava pronto para partir de Londres, capital da Inglaterra. Todos os passageiros tinham o mesmo destino. Queriam ir para Nova Iorque, uma cidade na América do Norte. Os passageiros eram homens e mulheres, jovens e crianças. A viagem deveria durar 12 dias. Nos primeiros dias, todos se sentiram bem. Bastante sol e nada de ondas. Mas isso logo mudou quando veio uma tempestade. Alguns se dirigiram ao seu beliche, para deitar. Houve alguns que vomitaram por não aguentarem o constante subir e descer do navio na água. Outros se conservaram em silêncio, procurando ler um livro. Mas outros


nada sentiam de incômodo, brincavam alegremente no salão. Depois do tempo estipulado, o navio chegou ao seu destino. Todos desembarcaram, porque ninguém tinha abandonado o navio, embora tivessem oportunidade para tal. É verdade que alguns estavam mais pálidos do que os outros. Mas todos foram recepcionados pelos seus amigos e parentes que os esperavam. Já que embarcaram no navio, todos alcançaram o seu destino. Um cristão também está fazendo uma viagem em sua vida no mundo. Há dias ensolarados com bastante alegria espiritual. Porém, na vida da fé, também há tempestades. É diferente a reação dos seguidores de Jesus aos acontecimentos. Alguns cantam todos os dias e se sentem imensamente felizes. Outros derramam muitas lágrimas. Há cristãos que pouca atenção dão às ondas tempestuosas. Outros passam por muito medo e aflições. Mas todos chegarão ao alvo eterno. É só não deixar de seguir a Jesus. Tanto os otimistas quanto os pessimistas chegarão à eternidade. Tanto os que riram bastante quanto os que choraram muito, chegarão à pátria eterna, recepcionados por aqueles que antes alcançaram a beira do além. Basta ficar com Jesus. Ele nos dá a garantia da vida eterna. Leitura bíblica: Salmo 46.

9 de janeiro Jesus disse: Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno (Mt 5.37). Certo filho causava muita mágoa a seu pai. Estudava em outra cidade, e lá vivia em farras, fazendo dívidas. O pai procurou o filho e, falando-lhe carinhosamente, mostrou o grande perigo da vida desregrada que levava. O filho prometeu regenerar-se e, então, o pai lhe disse: – Dê-me todas as notas promissórias que você ainda deve e eu as liquidarei. O filho tirou da gaveta um maço de papéis e entregou-o a seu pai; porém, as três notas de dívidas mais comprometedoras ele as guardou para si, pois achou que não devia mostrá-las ao pai. Estava muito envergonhado e pensou que podia pagá-las sozinho. Não queria que seu pai soubesse que havia gasto tanto dinheiro. – Estas notas que me deu são todas as dívidas que você tem para pagar? – perguntou o pai. – São todas – mentiu o filho.


O pai, logo após, liquidou toda a dívida, pagando nota por nota e, despedindo-se do filho, voltou para casa. Em seguida, o infeliz jovem foi procurado pelos três credores restantes, que exigiam: – Queremos também o pagamento, como os outros. – Tenham paciência – suplicou o moço. – Esperem, que eu mesmo as pagarei. – Não queremos mais esperar – responderam os credores. – Se não puder saldar a dívida, falaremos com seu pai, e ele nos pagará a devida importância. O filho, nervoso, arrependido de ter dado tanto prejuízo e desgosto ao pai, pegou um revólver e suicidou-se com um tiro na cabeça. Novamente, o pai viajou para ver, pela última vez, o filho querido e para sepultá-lo. Emudecido de dor diante do túmulo, finalmente, com profunda tristeza disse: – Meu filho, por que não me disse toda a verdade? A mentira nunca faz bem. Sempre faz mal. Ela separa de Deus e, também, das pessoas com as quais convivemos. A Bíblia nos diz que Satanás é o pai da mentira. Quem, pois, não fala a verdade, está se encaminhando para a família dos demônios. Tão séria é a situação do mentiroso! Porém, é possível voltar e pisar novamente na plataforma da verdade. Isso acontece quando é retificada a mentira, pedindo perdão tanto a Deus quanto à pessoa que foi enganada. É um gesto de humildade. Mas ao humilde e ao sincero é dado o perdão. Deus não pode poupar esta humilhação, pois temos de sentir como é terrível a mentira. Depois da confissão, volta a paz para a alma ferida, conforme diz no Salmo 32: Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Tu perdoaste a iniquidade do meu pecado (Sl 32.5). Leitura bíblica: Salmo 51.1-10.

10 de janeiro Deus deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1Tm 2.4). Um homem estava escalando as montanhas dos Alpes à procura de filhotes de águias. Elas fazem seus ninhos em lugares quase inacessíveis para proteger seus filhotes. A águia é um pássaro enorme, também chamado de “o rei dos pássaros”. Ela ataca violentamente quando percebe qualquer ameaça. Por isso, caçar filhotes de águias é muito perigoso.


No passado, os jardins zoológicos pagavam um preço elevado por uma aguiazinha, e existiam pessoas que se expunham a essa perigosa aventura. *( Hoje essa prática é proibida e é um crime) Bem no alto de uma montanha, o caçador viu um ninho com dois filhotes. A águia-mãe certamente procurava alimentos, pois o ninho estava desprotegido. A saliência rochosa onde o ninho estava preso, se distanciava uns dez metros abaixo do caminho; a rocha parecia uma parede vertical e depois se estendia um abismo profundo. Mas, o caçador de filhotes de águias estava preparado para tal dificuldade. Pegou sua corda, prendeu-a em um tronco de árvore e amarrou a outra ponta em seu corpo. Assim, desceu bem devagar em direção à saliência da rocha. Quando se abaixou para pegar os filhotes, a corda soltou-se. Tinha se descuidado ao fazer o nó. O caçador ficou atônito. Subir era impossível, sem a ajuda da corda. Embaixo, estava o abismo profundo; e se a águia-mãe chegasse, uma defesa seria impossível, ela o estraçalharia com as garras e com seu bico pontudo. Ele estava perdido. Desesperado, notou que a corda que se soltara de seu corpo ainda estava balançando em um movimento de vai e vem, porém não conseguia pegála com a mão. A única maneira seria pular em direção a ela. Se esperasse muito, o movimento da corda cessaria e então ficaria longe demais para alcançá-la. A decisão foi instantânea. Tinha de pular já! E assim o fez. Alcançou-a, subiu e conseguiu dessa maneira salvar-se da morte certa. Há momentos decisivos em nossa vida. Perdendo-os, a oportunidade talvez nunca volte. Deus quer a salvação de todos. Jesus estende sua mão para você e pede: Dê-me, filho meu, o seu coração! (Pv 23.26). Não perca esta oportunidade! Apegue-se na mão de Jesus e continue a sua vida guiada e guardada por ele. Leitura bíblica: Mateus 7.13s.

11 de janeiro Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé (2Co 13.5). Um viajante trocou o seu dinheiro por moedas de um país estrangeiro, para fazer compras no exterior. Porém, não mandou examinar o dinheiro recebido de um banco competente. Tranquilamente, ele embarcou e seguiu para o seu destino. Mas quem poderia descrever o seu desespero, quando soube que aquela moeda havia sido recolhida tempos atrás e não tinha nenhum valor? Ele possuía uma grande soma de dinheiro, porém sem valor. Além disso, estava longe de sua pátria e sem recursos, vendo-se na impossibilidade de regressar.


Assim, muitos vivem sossegados, pensando que tudo está em ordem em sua vida religiosa. Mas chegará o dia em que perceberão, com grande desespero, que sua fé não tem valor nenhum perante Deus. Ela não é válida na eternidade. A fé mental – produto do nosso cérebro – nada vale. Os que acreditam que Cristo existiu, trouxe uma nova religião e morreu como todos os homens, creem apenas em um Cristo histórico. Essa fé não nos liga com Deus. Muitos têm fé assim: basta ter qualquer fé. Cantam a melodia: “Maometanos, cristãos ou judeus – cremos todos em um só Deus”. É uma fé falsa. A fé da qual a Bíblia fala não é uma crença vaga, mas sim o crer do coração, a fé que se entrega a Cristo, contando com ele, baseando-se nele, confiando em Jesus em todas as situações, querendo obedecer a ele também em pensamentos, palavras e atos – esta é a fé verdadeira que nos liga com Deus. A fé, se não tiver obras (obediência), por si só está morta (Tg 2.17). Leitura bíblica: Hebreus 11.1-12.

12 de janeiro ...buscarás ao Senhor teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma (Dt 4.29). Um pai disse ao seu filho: – Hoje à noite, vamos à igreja. Haverá uma palestra evangelística. O filho respondeu: – Papai, isso não me interessa. Hoje à noite, vou jogar baralho no bar. Triste, o pai pediu: – Então vá me buscar quando terminar o culto. A noite é escura e eu não enxergo bem. Preciso de alguém que me acompanhe até em casa. Isso o filho prometeu, e às nove horas da noite estava diante da igreja esperando o pai. Porém, a palestra ainda não terminara e, como fazia frio, o jovem abriu um pouco a porta e se encostou do lado de dentro, à espera do pai. Ouviu o pregador, lendo a Bíblia, dizer em alta voz: “Jesus Cristo diz que quem está no caminho largo do pecado está perdido; quem está no caminho apertado da fé, será salvo. Amém.” Em seguida, cantaram o hino de encerramento e os ouvintes se retiraram. Então, pai e filho voltaram para casa.


O rapaz foi deitar, mas não conseguiu dormir. As palavras do pregador ecoavam no seu íntimo: “Quem está no caminho do pecado está perdido! Perdido!”. Essa palavra ressoava dentro dele com a força de um trovão. Tentou afastar, de várias maneiras, aquela voz, mas foi inútil. Finalmente, ele se rendeu. Levantou-se, ajoelhou-se e disse em oração: “Senhor Jesus, realmente estou no caminho do pecado. Porém, peço-te: salva-me. Quero ser um dos que andam no caminho da fé!”. O pregador não reparou no jovem que abriu a porta da igreja para se abrigar do frio, mas Jesus o viu e lançou a boa semente no seu coração. Essa germinou e trouxe o fruto do arrependimento. Assim, o moço também foi presenteado com a fé que o uniu a Jesus. Deus tem muitos meios para salvar. Se você for sincero, a palavra de Deus tocará em seu coração. É sua a responsabilidade de dizer “sim” a Cristo. Orarás a ele, e ele te ouvirá (Jó 22.27). Disse Jesus: Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei (Jo 14.14). Leitura bíblica: Mateus 7.7-14. Quanto mais chegamos a conhecer a Jesus, tanto mais o medo nos deixará.

13 de janeiro Por esta razão não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor (Ef 5.17). Uma moça estava acostumada a tocar piano continuamente. Sempre de manhã, até o meio-dia. Neste espaço de tempo, decorava uma peça musical. Tornou-se esse o conteúdo de sua vida. Um dia, ela conheceu um rapaz. Enamoraram-se, noivaram, casaram e foram fazer a viagem de núpcias. De volta, ele foi para o seu trabalho e ela, conforme seu costume, tocou piano até o meio-dia. Quando o marido voltou do serviço, ela o cumprimentou com um beijo e disse: – Querido, decorei hoje uma sonata de Beethoven. É linda, vou tocar para você. O marido disse: – Bonita mesmo, mas estou com fome. O que você preparou de almoço para nós? – Almoço? Nem me lembrei disso – respondeu ela.


Bondosamente, ele disse: – Querida, então vamos comer em um restaurante. No dia seguinte, aconteceu o mesmo. Ela tocou piano até o meiodia. Quando o marido chegou, ela disse alegremente: – Querido, hoje de manhã decorei uma peça de Brahms. É lindíssima. Vou tocar para você. – Formidável – disse ele. – Mas estou com muita fome. O que você preparou para o almoço? – Almoço? – perguntou ela assustada. – Puxa! Não me lembrei de cozinhar. E assim aconteceu nos dias seguintes. Quando ele chegava do serviço, ao meio-dia, encontrava-a tocando piano. Sempre se esquecia de cozinhar. Depois de três meses, ele separou-se dela. Ela nada havia feito de mal. Fora fiel a ele. Mas vivia uma vida completamente alheia ao marido. Não perguntava o que ele precisava e o que esperava dela. Assim, o casamento acabou. Essa pianista não precisava se casar, não estava obrigada a assumir esse compromisso. Mas já que quis construir um lar, sua responsabilidade era cuidar de seu marido e honrar seu compromisso. Ninguém será obrigado a entrar no céu. Jesus Cristo não quer discípulos forçados. Mas quem quer ser um seguidor de Jesus e ama o seu Salvador, terá de viver submisso a ele. Ser cristão significa honrar o compromisso de seguir a Jesus Cristo. Sabemos, por intermédio da Bíblia, de pessoas que começaram bem, vivendo conforme a vontade de Deus, mas não estavam dispostas a depender dele em tudo. No Antigo Testamento, lemos a respeito de um rei chamado Saul. Ele queria servir a Deus, porém não queria honrar o seu compromisso com o Senhor. Por isso, perdeu a sua coroa. No Novo Testamento, é mencionado Demas. Foi um ajudante do apóstolo Paulo no trabalho missionário. Contudo, Demas não queria se sujeitar à vontade de Cristo. Por isso, certo dia, o apóstolo Paulo teve de escrever: Demas, tendo amado o presente século, me abandonou... (2Tm 4.10). Que não sigamos esses exemplos! Exercitemo-nos cada dia, perguntando pela vontade de nosso Senhor em todas as decisões e pedindo sua orientação. Leitura bíblica: 1 Samuel 15.10-23.


14 de janeiro Hoje se ouvires a sua voz, não endureçais os vossos corações (Hb 3.8a). Um rei, à frente de seu grande exército, chegou diante do portão fechado de uma cidade, rodeada por alto muro, e mandou dizer ao prefeito: – Aproxima-se um poderoso rei, com muitos soldados, para arrasar essa cidade e levar-vos como escravos para o seu país. Mas eu vim para vos salvar. Entregai-me a cidade e eu a defenderei. – Majestade – respondeu o prefeito, no alto do muro, – sabemos que és um rei bondoso. Também temos ouvido da chegada do inimigo. No entanto, gostaríamos de manter nossa autonomia. Queremos ser livres. Nós te estimamos, mas continuaremos independentes. Então o rei mandou colocar uma vela acesa diante do portão, e disse: – Quando esta vela terminar de queimar, me retirarei. Deveis saber que não podereis resistir ao inimigo e sereis escravos dele para sempre. O prefeito e seus assessores olharam para a vela que, devagarzinho, se consumia. Que fazer? A cidade sempre fora independente. Mas o poder do inimigo era terrível. A vela estava chegando ao fim. Então, o portão foi aberto e o prefeito entregou ao rei a chave da cidade, dizendo: – Entra, e sê nosso rei. Viveremos agora dependentes de ti. O rei tornou-se, então, o governador da cidade. Ao aproximar-se o inimigo com milhares de soldados, aconteceu um grande combate, mas o rei venceu e eles se retiraram. Dessa maneira, aquela cidade continuou vivendo em paz, sob o governo do bondoso e poderoso rei. Esse fato, ocorrido há quase mil anos, serve muito bem de aviso para nossos dias. Em nós existem desejos de autonomia, como naquela cidade; não queremos nos sujeitar a ninguém, nem a Deus. O bondoso rei representa Jesus Cristo, e a vela, os dias da nossa vida. No rei maligno, temos uma ilustração de Satanás que nos quer manter escravos para sempre. Abrir a porta e entregar a chave é um convite a que nos rendamos a Jesus. Somente tomando conta de nossa vida, ele dará a nós a vitória contra o poder do pecado e do mal. Jesus quer viver para sempre conosco, a fim de nos conferir vida feliz e vitória completa.


E a sua decisão, prezado leitor? Dia a dia, a sua vida se esvai, e não deve esperar os últimos momentos para se render a Jesus. Rendido ao seu amor, abra hoje mesmo o seu coração ao rei supremo e viva sempre dependente dele. Já se decidiu assim, ou será HOJE a sua decisão? Leitura bíblica: Hebreus 3.1-13. Na gratidão a Deus, residem as forças que vencem. Portanto, dê sempre graças a Deus por tudo.

15 de janeiro Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor (Ef 5.14-17). Uma cuidadosa mãe contratou um táxi para passar em sua casa às sete horas da manhã. Sua filha iria fazer exames de laboratório em uma clínica. Às seis horas, acordou a filha e disse: – Marianinha, levante, porque às sete horas o táxi vem nos buscar. A menina, ainda sonolenta, respondeu: – Já vou, mamãe. – E continuou a dormir. Às 6h15min, a mãe chamou-a novamente: – Levante já, Marianinha! Temos de ser pontuais no laboratório. É para o seu bem. Levante! A resposta da menina foi a mesma: – Já vou, mamãe. – Virou-se para o outro lado e continuou a dormir. O que a mãe fez às 6h30min? Pegou a criança e sacudiu-a fortemente, dizendo: – Levante já! Agora! Foi o amor da mãe que a levou a agir assim, porque era necessário fazer o exame no laboratório. Na Bíblia, lemos: “Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem, para reconduzir da cova a sua alma, e o alumiar com a luz dos viventes” (Jó 33.29s). Cada pessoa que passa por este mundo será chamada por Deus. Ele quer que todos se dirijam ao seu Filho para dele receber a salvação. Contudo, muitos continuam sonolentos. As atrações que o mundo oferece e as diversões que se apresentam lhes são mais interessantes.


Se os chamados de Deus não adiantam, em seu amor Deus começa a se manifestar sacudindo as pessoas. Esse sacudir são os grandes abalos que acontecem na vida. Talvez a separação dolorosa de uma pessoa querida, ou uma doença grave. Seja o que for, é o amor de Deus agindo. Não são castigos, porque os nossos pecados já foram castigados em Jesus, quando ele foi cravado na cruz. “Despertar espiritualmente” significa entregar a vida a Jesus e consagrar-se a ele para servi-lo. Leitura bíblica: Atos 8.6-34.

16 de janeiro Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação (2Co 6.2). O renomado evangelista Rowland Hill pregava, certo dia, em uma praça pública, na Inglaterra. Enquanto falava, chegou Lady Erskine que, somente por divertimento, queria ouvir o pregador. Rowland Hill, que a conhecia, interrompeu a pregação e disse em alta voz: – Vejam, aí está chegando Lady Erskine. Vamos colocá-la em leilão! Antes que a mulher assustada pudesse responder, ele continuou: – Quem dá mais pela alma de Lady Erskine? Ela agora está em leilão! E prosseguiu: – Estou ouvindo ofertas. Satanás está dizendo: Eu dou todos os divertimentos carnais e todos os prazeres deste mundo, para que ela me sirva eternamente na perdição. – Não! – gritou Rowland Hill. – Não aceitamos esta proposta! Senhor Jesus, o que dás pela alma de Lady Erskine? Estou ouvindo a resposta: Já dei por ela minha vida, quando, também por ela, morri na cruz. Quero dar-lhe ainda, na ressurreição, a eterna glória com Deus. Embora aqui no mundo, muitas vezes será desprezada, por causa da fé que tem em mim, sempre terá paz no seu coração. E o pregador exclamou: – Sim, Senhor Jesus, aceitamos a tua oferta! Sim, Lady Erskine deverá pertencer-te. O evangelista voltou-se diretamente a ela e perguntou: – Vale, Lady Erskine? Ela, com lábios trêmulos, mas voz firme, disse: – Sim! Foi o momento em que ela aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador


pessoal, servindo a ele abnegadamente. Compreendeu, de repente, que Jesus é a única pessoa digna de dispor da vida dela. Caro leitor, já você já respondeu a Jesus com o seu “sim”? Lembre-se que dois senhores querem apropriar-se da sua alma: Jesus e Satanás. A um deles, terá de servir. Que a decisão de Lady Erskine seja também a sua! A Bíblia diz: Jesus, digno és de executar o plano de Deus, com o mundo e comigo, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9). Leitura bíblica: Colossenses 1.13-23.

17 de janeiro ...cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males (Rm 1.29). Uma mulher, que era vizinha de dois jovens recém-casados, observava como eles se sentiam felizes. Em vez de alegrar-se com essa felicidade, ela se contorcia de inveja. Não demorou a entrar em ação com sua língua malvada. Enquanto o marido da jovem esposa estava trabalhando, ela a visitou e disse: – Você pensa que seu marido tem muito trabalho e é por isso chega sempre tarde em casa? Mentira dele! Ele já arranjou uma amante e a visita à noite. Eu conheço os homens. Todos são assim! A jovem esposa, infelizmente, deu atenção à língua afiada da vizinha e, com ciúmes, começou a desconfiar da lealdade do seu marido. Quando, à noite, o esposo chegou em casa, cansado do trabalho, ela disse rispidamente: – Você está sempre chegando tão tarde. É porque já arranjou uma amante e a visita todas as noites. Não é assim? Há gente que já está falando disso. – Meu bem, como você pode pensar isso de mim? – disse ele profundamente ofendido. (Ela pensa: Por que ele está tão nervoso? Parece que a vizinha tem razão.) (Ele pensa: Por que ela é desconfiada e ciumenta já que não há motivo nenhum para isso?)


O jovem casal não teve mais paz, os dias que se seguiram foram de completa infelicidade e, pouco tempo depois, eles se separaram. Mais uma vez, uma língua malvada destruiu um lar feliz. Isso acontece com frequência. Para as pessoas honradas e sinceras, mas, contudo, são difamadas por outros, vale aqui o alerta do apóstolo Paulo ao jovem Timóteo: Não aceites denúncias... senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas (1Tm 5.19). Leitura bíblica: Atos 25.1-12.

18 de janeiro Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou e, compadecido dele, correndo, o abraçou e o beijou (Lc 15.20). O moço sentado no banco do trem estava visivelmente inquieto. De vez em quando, olhava com angústia pela janela. Um pastor, sentado ao lado do jovem, perguntou-lhe: – Você parece muito agitado. Não está se sentindo bem? Posso ajudá-lo? O moço respondeu constrangido: – Faz anos que fugi de casa, depois que furtei dinheiro do meu pai e fui desonesto no meu emprego. Atirei-me na farra e dissipação, e pequei muito. Pensei que acharia pelo mundo afora uma vida melhor. Não tolerava mais ter de obedecer sempre aos meus pais. Muito tempo se passou, e estou completamente decepcionado, pois todos se aproveitaram de mim. Perdi tudo que tinha. Então, escrevi aos meus pais dizendo que voltaria neste trem e neste horário. Se eles me aceitarem novamente como filho, deveriam amarrar um lenço branco na árvore que está diante de nossa casa, porque o trem passa bem perto dela. Agora estou na expectativa de encontrar ou não o lenço branco na árvore. E o pensamento de que não mais serei aceito pelos meus pais me deixa desesperado. O trem diminuiu a velocidade. O moço suspirou: – Dentro de poucos minutos o trem passa diante de nossa casa. Não tenho coragem de olhar para fora! – Eu olharei para você, disse o pastor. Caso eu veja o lenço, avisarei. Alguns momentos se passaram em silêncio. De repente, o pastor gritou: – Moço, olhe para fora! Veja só! O jovem assim o fez. E que foi que viu? Não só um lenço estava


dependurado na árvore, mas guardanapos e muitos lenços. E ao pé da árvore, um casal idoso acenava alegremente... O pastor disse ao jovem: – Agora você sabe que seus pais o esperam com alegria. Eles o perdoaram e esqueceram seu passado. Sua gratidão a eles tornará fácil a convivência com um filho obediente. Jesus disse que no mundo invisível haverá alegria toda vez que um pecador se arrepender. Arrependimento é tristeza por ter pecado, não querendo fazê-lo mais. Quem assim, em oração, se apresenta a Jesus, sempre recebe o perdão. Este perdão cobre todos os pecados. Devemos crer nesta promessa de Jesus: ... e o que vem a mim, de modo nenhum o rejeitarei (Jo 6.37). Leitura bíblica: Isaías 43.1; 25 e Lucas 15.11-24.

19 de janeiro Salvai-vos desta geração perversa (At 2.40). Certo dia, em uma pequena cidade do interior, um idoso pastor foi visitar uma família. Quando chegou, não encontrou a quem procurava, apenas a mulher dele estava em casa, preparando o almoço em seu fogão a lenha. O pastor perguntou por ele e a mulher respondeu: – Ele não está. Antes de sair, atirou seu baralho ao fogo porque, na noite passada, novamente, ele perdeu muito dinheiro no jogo. Mas, pastor, tive de dizer a ele: Não adianta fazer isso, porque no sábado que vem você vai comprar outro baralho e se reunirá com seus amigos para jogar. Sei que você não pode mais viver sem o baralho, você está viciado no jogo! Outro vício dominador é a paixão pela bebida. Conheço um homem que, quando recebia o seu salário na fábrica, não ia comprar alimentos para os filhos famintos. Ele se dirigia a um bar, comprava uma garrafa de cachaça, enchia o copo e, encostado no balcão, bebia, dizendo: “Isto é o meu céu”. Se esses dois homens, em vida, não conseguem abandonar esses vícios, é certo que a morte não os libertará deles. A morte não muda a personalidade de uma pessoa, só a separa do mundo. Ela levará a sua paixão consigo. No além, o beberrão também procurará o “seu céu”, que é deliciar-se tomando cachaça. O jogador procurará o baralho. Mas isso eles não encontrarão no além, por ser um reino espiritual. Porém, as paixões cultivadas na vida terrena continuarão a arder em


seu íntimo. Quando a Bíblia fala do “fogo do inferno”, ela não se refere a uma fogueira, tal qual as que são feitas nas festas juninas. O fogo eterno é a paixão cultivada, que não pode mais ser satisfeita. Sendo assim, cada pessoa que quer satisfazer os seus desejos carnais neste mundo, está construindo o seu próprio cantinho do inferno. É isso que a Bíblia diz a respeito: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção (perdição)” (Gl 6.7s). Jesus nos contou a história de um homem que vivia somente para as delícias de sua língua. Todos os dias, ele se deliciava em seus banquetes. Quando morreu, estava em um lugar de tormento, vendo de longe água cristalina. Pediu: “...mande para cá o Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16.24). Assim está explicado: este homem que viveu a vida terrena somente para os prazeres da sua língua, queria também, após a morte, saciar os mesmos desejos. O homem não consegue se libertar de seus vícios com as próprias forças. Muitas e muitas vezes o viciado no jogo ou na bebida, vendo as consequências da sua desgraça, promete: “Nunca, nunca mais!” Mas, as boas intenções não mudam e não resolvem nada. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio justamente para libertar os desgraçados, os pecadores e os viciados. Jesus se identifica com todo aquele que o aceita como Senhor pessoal. É a força de Jesus que opera no coração humano. Esta força vence todos os vícios, sejam eles quais forem. É uma promessa de Jesus: Quem eu libertar, este realmente está livre (Jo 8.36). Leitura bíblica: Lucas 16.19-31.

20 de janeiro Jesus disse: as palavras que eu vos tenho dito, são espírito e vida (Jo 6.63). Pouco havia para comer na Alemanha, durante a segunda guerra mundial. Então, os químicos entraram em ação. Procuraram artificialmente


suprir a falta de alimento e de combustível. Conseguiram fazer, de carvão de pedra, gasolina e também margarina. Para mostrar o que a química é capaz, fizeram artificialmente um ovo de galinha. Em tudo era igual ao ovo natural. Continha as vitaminas, cálcio e as calorias necessárias. Era realmente um ovo perfeito. Com uma exceção: deste ovo, mesmo chocado o ano inteiro, nunca iria sair pintinho. É porque “vida” o homem não pode criar. Isso compete unicamente a Deus. Deus colocou a vida natural no ovo ou na semente. A vida espiritual ele colocou nas palavras da Bíblia. Por isso, é oportuno cada dia ler um trecho da Sagrada Escritura. Desse modo, estabelecemos verdadeiro contato com Deus. A experiência do profeta Jeremias pode ser também a nossa: Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração (Jr 15.16). Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais que o mel à minha boca. Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade. Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos. Jurei, e confirmei o juramento de guardar os teus retos juízos. Estou aflitíssimo: vivifica-me, Senhor, segundo a tua palavra. Aceita, Senhor, a espontânea oferenda dos meus lábios, e ensina-me os teus juízos. Estou de contínuo em perigo de vida, todavia não me esqueço da tua lei (Sl 119.103-109). Leitura bíblica: Atos 2.42-47.

21 de janeiro Jesus disse: quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue (Jo 12.48). Diário de uma Bíblia 20.1. Foi uma semana de descanso. Nos primeiros dias do Ano Novo, meu dono leu regularmente em mim. Mas parece que agora me esqueceu. 16.2. Hoje, houve grande faxina na casa. Com um espanador, tiraram o pó de mim. Depois, fui recolocada no meu lugar. 27.3. Hoje, domingo, depois do café matinal, fui usada por meu proprietário. Leu algumas passagens. Ele até me levou para o culto na igreja! 8.5. Hoje, o trabalho foi árduo. Fui bastante folheada. Meu dono tinha de dirigir um estudo bíblico. Necessitava encontrar diversos versículos. Foi difícil achá-los, embora eles continuem no lugar de sempre.


1.6. Hoje, alguém colocou em mim uma folha de trevo com quatro pétalas. 29.6. Fui colocada, entre roupas e outros objetos em uma mala. Pelo jeito, estamos em viagem de férias. 10.7. Ainda continuo na mala, apesar de todos os objetos terem sido retirados. 15.7. Novamente, voltei para o meu lugar costumeiro, a estante. Foi uma viagem exaustiva. Não compreendo porque viajei. Não fui usada uma única vez! 19.8. Hoje, fui usada pela filha Helena. Ela escreveu para uma amiga, cujo pai morreu. Precisava de um versículo adequado. 30.8. Novamente, com um espanador, tiraram o pó de mim. Prezado leitor, será que esta Bíblia pode ser a sua? No mundo, há coisas lindas, criadas por Deus. Porém, a criação mais maravilhosa é a Bíblia. Sim, a Bíblia é uma criação de Deus, embora Deus usasse, para sua confecção, “redatores” chamados profetas e apóstolos. Na Bíblia, achamos as palavras que Deus disse. Por isso elas são eternas. Tudo o que existe no mundo, inclusive o mundo, é passageiro, menos as verdades da Bíblia. O contato com Deus se estabelece pela fé, por intermédio do conhecimento e obediência à sua palavra. A Bíblia chama isso de renascimento. O crescimento espiritual se realiza pelas palavras da Bíblia. Contra pensamentos tristes, tentações e ataques malignos, as palavras da Bíblia são arma eficaz. Confiantes no “Deus disse!”, podemos enfrentar qualquer dificuldade na vida. Por isso, o manuseio da Bíblia todos os dias é de vital importância. Como o nosso corpo necessita de alimento, assim a alma precisa todos os dias da palavra de Deus, que está na Bíblia. Ela nos transmite a vida eterna. Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos (Sl 119.105). Leitura bíblica: Salmo 119.1-16.

22 de janeiro E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. Mas se não perdoardes, também vosso Pai celeste não vos perdoará as vossas ofensas (Mc 11.25s).


Tudo corria bem, enquanto o idoso pai vivia. Depois que ele morreu, o filho mais velho disse ao seu único irmão. – Aquele terreno perto da montanha é meu. – Não – disse o mais moço. – Aquela parte da herança, papai me prometeu. – É meu – afirmou o mais velho. – Aquele terreno é meu – disse o segundo. Brigaram, e resolveram levar o caso à justiça. Depois de gastarem muito dinheiro com advogados, o irmão mais velho ganhou a questão. Porém, por causa disso, os dois irmãos não se visitaram mais. Diziam-se cristãos, mas quando se encontravam, às vezes, diante da porta da igreja, um olhava para a direita e o outro para a esquerda, a fim de não se cumprimentarem. Passados alguns anos, o irmão mais velho ficou gravemente doente e sentiu que ia morrer. Então, chamou sua esposa e disse: – Procure o meu irmão e diga para ele vir até aqui. Quero fazer as pazes com ele e dar-lhe a mão. Ele pode ficar com o terreno, afinal nada se leva para o além. A mulher correu para o cunhado e disse: – Seu irmão, o João, quer fazer as pazes com você. Ele está perto da morte e sente muito medo e angústia. Vem ligeiro, ele disse que você pode ficar com o terreno. – Não vou – respondeu o irmão. – Ele tirou o terreno de mim. Ele me processou. De nada adiantou a insistência da mulher, ele simplesmente não atendeu ao pedido. E o irmão mais velho morreu sem reatar a amizade com o irmão mais novo. Passou-se um ano, e o irmão sobrevivente adoeceu gravemente. Um medo indizível apoderou-se dele. A febre subia e ele, já delirando, começou a gritar: – Vão buscar o João! Vão buscar o João! Os parentes se assustaram e responderam: – Seu irmão João não pode vir. Já faz um ano que o enterramos! Mas o homem, irreconciliável, continuou a gritar: – Vão buscar o João! E assim ele morreu. Há, na Bíblia, palavras muito sérias a respeito daqueles que estão brigados com alguém e não querem perdoar. As Sagradas Escrituras continuamente nos lembram que, já que recebemos o perdão do nosso Senhor, devemos perdoar ao nosso próximo da mesma forma: Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepen-


der, perdoa-lhe. Se por sete vezes no dia pecar contra ti, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe (Lc 17.3s). Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou (Ef 4.32). Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós (Cl 3.13). Leitura bíblica: Apocalipse 22.12-17.

23 de janeiro Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem (Rm 12.21). Em uma noite, um homem teve um sonho. Viu-se visitando o inferno e tinha permissão de visitar os perdidos. Passou em muitas salas e andou em diversos lugares. Viu os habitantes de Sodoma e Gomorra. Nos lugares mais baixos e mais terríveis, encontrou os cidadãos de Cafarnaum. Finalmente, chegou a uma grande sala. Havia lá muitas pessoas que, aparentemente, estavam pensando sobre um assunto muito sério. – Mas você não se lembra nem mesmo do nome? – perguntou um morador.– Procurei lembrar-me – respondeu outro tristemente. – Mas não consigo, embora em minha vida terrena o tenha ouvido muitas vezes; mas nunca dei atenção a esse nome. –Eu sei, com certeza – disse melancólico um terceiro – que clamando por esse nome, poderei sair daqui para sempre. Mas também eu não me lembro dele. Igualmente, não prestei atenção. Ah, se me lembrasse agora desse nome! O visitante, então, não se conteve mais. Confiantemente, gritou: – Eu sei o nome! Sei, também, que quem clamar por este nome será salvo da perdição. O nome é Jesus! Jesus é o nome! Jesus! Gritou tanto, que das paredes veio o eco: “Jesus! Jesus!”. Mas o que foi isso? Os presentes não conseguiram captar o nome. Em sua vida na terra, não quiseram ouvi-lo e não prestaram atenção a ele. Ali não podiam mais percebê-lo. Triste, o visitante afirmou: – Vocês jamais poderão sair deste lugar! Antes, não queriam saber de Jesus. Agora, não podem mais lembrar o nome. Irritado, um dos moradores da sala disse ao visitante:


Amor sem Fronteiras