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SUMÁRIO 1. Apresentação ..................................................................................................................................................... 2 2. Introdução ........................................................................................................................................................... 3 A. Estrutura do Guia ................................................................................................................................................. 3 B. Considerações sobre as dimensões humana, ambiental e econômica............................................... 3 C. Seções nas páginas do Almanaque ................................................................................................................ 4

3. Orientações sobre atividades ................................................................................................................... 5 A. Investigação ........................................................................................................................................................... 5 B. Temas ........................................................................................................................................................................ 5 C. Sugestões de atividades ..................................................................................................................................... 5

4. Atividades ............................................................................................................................................................ 6 I. Paulo Freire: Cidadão Nordestino.................................................................................................................. 6 Atividade 1................................................................................................................................................................... 6 Atividade 2................................................................................................................................................................... 8 Atividade 3................................................................................................................................................................. 11 II. Paulo Freire: Cidadão do Mundo ............................................................................................................... 14 Atividade 1 ................................................................................................................................................................ 14 Atividade 2 ................................................................................................................................................................ 17 III. Paulo Freire: Cidadão Brasileiro ................................................................................................................ 21 Atividade 1................................................................................................................................................................. 21 Atividade 2 ................................................................................................................................................................ 23 Atividade 3 ................................................................................................................................................................ 23 Atividade 4 ................................................................................................................................................................ 25


1. Apresentação

2. Introdução

“Acho que o papel de um educador conscientemente progressista é testemunhar a seus alunos, constantemente, sua competência, amorosidade, sua clareza política, a coerência entre o que diz e o que faz, sua tolerância, isto é, sua capacidade de conviver com os diferentes para lutar com os antagônicos. É estimular a dúvida, a crítica, a curiosidade, a pergunta, o gosto do risco, a aventura de criar.”

A – Estrutura do Guia

(FREIRE, Paulo. A educação na cidade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001, p. 54.)

Cara professora, caro professor, Paulo Freire dedicou sua vida à construção e à prática de uma educação transformadora, emancipatória e humanizadora. Sonhava com a concretização desse projeto por meio de uma escola alegre, séria e comprometida, voltada para a realidade concreta das comunidades. Falou a educadores e a educadoras de todo o mundo, tocando fundo em cada um dos que, como ele, assumiram o risco de lutar contra todas as formas de opressão e de degradação da dignidade humana, empenhando-se na criação e na recriação de nossas escolas e de nosso mundo. Convidamos você, professora, professor, a levar, a compartilhar, a reinventar, com seus alunos e comunidade escolar, as palavras e as propostas de um dos pensadores mais importantes e generosos de nosso tempo. Elaboramos o “Guia do Professor” buscando reunir sugestões de temas e de como trabalhar o Almanaque Histórico Paulo Freire – Educar para Transformar. Sim, sugestões, pois o que desejamos é que cada docente recrie este material pedagógico em função de seus alunos reais, de acordo com as condições e os recursos disponíveis em seu local de trabalho, ampliando-o e enriquecendo-o com seus potenciais e de seus alunos.

INSTITUTO PAULO FREIRE

PETROBRAS

Organizamos este Guia em três blocos, a partir dos três eixos geradores do Almanaque: “Paulo Freire: Cidadão Nordestino”, “Paulo Freire: Cidadão do Mundo” e “Paulo Freire: Cidadão Brasileiro”. Esclarecemos que se trata de um manual de orientações e sugestões e não de um “receituário” com regras a seguir, rigidamente. Elegemos, dessa forma, o tema social como eixo que orienta este Guia e as áreas do conhecimento como meios instrumentais importantes para o estudo do tema e subtemas. As áreas de conhecimento Ciências humanas (História e Geografia), Ciências da natureza (ciência e matemática) e a área de Comunicação e arte estão aqui contempladas: • Destaque para aspectos ambientais enfocando, de modo especial, conteúdos de abrangência nacional e urgência social. • Objetivos e conteúdos de geografia perpassam significativamente este estudo, a partir da vida e da obra de Paulo Freire no exílio e “andarilho” entre o Brasil e diversos países do mundo. • A história de Paulo Freire é relacionada com momentos da história do Brasil e do mundo. Acontecimentos históricos não são apenas descritos, mas interpretados e avaliados, destacadamente, sob a ótica do oprimido. • Foram pontuados momentos diversificados para o desenvolvimento da leitura, escrita e oralidade dos alunos. Estes aplicam instrumentos de pesquisa, categorizam dados, resumem e sintetizam textos, elaboram cartazes ilustrativos, organizam um mural sobre o tema em foco e expressam oralmente o que aprenderam em painéis de apresentação à classe e a convidados da comunidade local. Diversos gêneros textuais podem ser trabalhados: charges, poemas e composições musicais. Portadores de texto, como o Almanaque ilustrado, sites da internet, jornais, revistas e livros compõem o material didático de apoio sugerido. Tipos discursivos que estão aqui representados: texto de entrevista, textos tipo depoimento, a linguagem cinematográfica, textos dissertativos. Ao entrar em contato com tudo isso, o professor pode redefinir, pontuar a diversidade dos gêneros. Dessa forma, a área de comunicação e artes se integra às demais disciplinas. • Comparações de dados populacionais, superfícies territoriais entre os países estudados, áreas desmatadas, entre outras, conduzem a questões contextualizadas de cálculo aritmético, porcentagens, medidas etc.

FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL

B – Considerações sobre as dimensões humana, ambiental e econômica “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 68.)

O pensamento e a vida de Freire não se limitam a uma teoria do conhecimento em educação. Por sua complexidade, a proposta de Freire pressupõe a educação integral do ser humano em seu meio e com os outros. É, portanto, uma educação inteiramente preocupada com o mundo dos valores, com o mundo do trabalho e com o sistema-vida (planeta). Para Freire, o processo de humanização requer a construção de uma “ética universal do ser humano”, a partilha justa da riqueza entre todos os habitan-

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tes da Terra e a garantia de um planeta sustentável para as atuais e futuras gerações. Nessa perspectiva, o mundo da cultura não se isola da economia, da política e do ambiente natural. São temas que Freire tratou com insistência em suas últimas obras. Sua teoria educacional abre um novo entendimento sobre a sustentabilidade e sobre a economia, para além da preservação ambiental. Ela é uma ecopedagogia – uma prática educacional em que os seres humanos se relacionam de forma cuidadosa, justa e solidária consigo mesmos, com os concidadãos e com o seu meio vital. A Ecopedagogia, inspirada nos princípios de Freire e de outros autores, é uma pedagogia do fazer humano sustentável. Alimenta a reflexão e a ação crítica sobre a organização da vida na Terra, para a construção de um mundo culturalmente diverso, socialmente justo e ambientalmente sadio. Aqui neste Guia do Professor, ao tratar da vida e da obra de Freire e nas atividades propostas, esses temas aparecem, ora explicitamente, ora tacitamente. Sabemos que a humanização só pode ocorrer pela ação de seres humanos, mediatizados pelo mundo, em seus múltiplos aspectos (econômico, social, ecológico, cultural etc.), que se relacionam entre si. Todavia, para fins didáticos, em alguns momentos, esses temas serão tratados de forma específica, para que possamos perceber melhor as múltiplas dimensões da vida e da existência humana, na perspectiva da educação crítico-libertadora.

C – Seções nas páginas do Almanaque As páginas do Almanaque foram organizadas a partir de um texto-base pautado na vida e na obra de Paulo Freire e de boxes anexos, distribuídos em diferentes seções. As seções que organizam os conteúdos anexos são: Palavras geradoras: Na filosofia freireana, palavra geradora emerge do contexto social onde acontece a prática pedagógica. Por sua significação e riqueza, ela gera situações problematizadoras que auxiliam a “leitura do mundo” e a “leitura da palavra”. No almanaque essa seção dá destaque a palavras relacionadas à vida e à obra de Freire. Mais do que palavras, esses vocábulos constituem temas e/ou conceitos freqüentemente discutidos por Paulo Freire. Conhecendo mais: Informações e ampliações do conteúdo essencial da página. Leitura do mundo: Destaque para acontecimentos do contexto social e histórico em paralelo com a vida e obra de Paulo Freire ou tema título da página. Que lugar é este?: Explicitação e detalhamento de situações geográficas citadas. Você sabia?: Informações paralelas ou curiosidades a respeito de conteúdos da página.

2. Orientações sobre atividades As atividades são divididas em etapas que representam momentos do processo de construção e socialização de saberes. Todas as atividades aqui sugeridas têm por objetivo contribuir para a organização do trabalho de educandos e educadores numa perspectiva freireana, valorizando o saber feito de experiência, a pesquisa, a organização dos dados, a intervenção social, a ética, a politicidade e o trabalho coletivo, entre outros aspectos. As etapas são três: investigação, temas e sugestões. Vamos a cada uma delas.

A. INVESTIGAÇÃO Consiste em:

Levantamento de dados – Aspectos significativos da vida do educando e da realidade social, que permita ao(à) professor(a) perceber como o educando sente a sua realidade e refletir sobre a melhor maneira de contribuir no processo educativo. Se for necessário, ajude os(as) alunos(as) a escolher os elementos a serem investigados. Essa investigação pode ser realizada por meio de reflexões pessoais, conversas com pessoas da família, entrevistas com pessoas da comunidade, como vizinhos e autoridades locais, pesquisas em documentos, álbuns de fotografias etc. Elaboração – Apresentação dos resultados da investigação para a classe. Esse é o momento para a discussão coletiva sobre os dados encontrados individualmente e para propiciar condições para que todos possam se identificar como um membro dessa comunidade e assim perceber sua inserção naquela difícil e dura realidade, se na verdade ela o for, e os conflitos decorrentes disso. É o momento de conhecer os problemas que precisam ser superados, a realidade de seus colegas e familiares, bem como a dos outros que ali vivem, idêntica ou diferente da sua. Os assuntos mais significativos ou os resultados que indicam problemáticas comuns são discutidos pelo grupo. O objetivo principal é a busca da superação da primeira visão – ingênua, individualista, impotente – por uma visão crítica que visa ao coletivo e é capaz de transformar a realidade. Conscientes de sua própria realidade, agora podem compreendê-la e nela intervir criticamente. Essa discussão de situações locais abre perspectivas para a análise de problemas regionais e nacionais.

B. TEMAS Os temas podem ser desenvolvidos por áreas ou trabalhos em projetos interdisciplinares.

Nesse estudo realizam-se pesquisas em outras fontes: livros, revistas, jornais, discos, filmes, internet, documentos, entrevistas etc, para aprofundamento das questões mais relevantes e com vistas à integração do conhecimento.

C. SUGESTÕES São os encaminhamentos de atividades de intervenção social ou de reflexão. Podem ser projetos individuais, de pequenos grupos, ou coletivos da classe ou da escola. O professor pode escolher realizar todas as sugestões ou apenas algumas.

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4. Atividades I.

• Planejamento familiar. • Relações de pertinência e de inclusão, representando os núcleos familiares como conjuntos matemáticos.

CIDADÃO NORDESTINO

O primeiro bloco do almanaque trata da vida de Paulo Freire, no período que vai do nascimento até o início da vida adulta, quando suas ações profissionais e político-pedagógicas o levaram à prisão e ao exílio. Nesse bloco são relatadas as vivências de um cidadão nordestino que, nessa condição, sofre muitas e profundas dificuldades – dificuldades que alimentaram o seu ideal de construir um mundo melhor para todos – e as enfrenta com coragem, discernimento e determinação, objetivando um futuro melhor para si.

ATIVIDADE 1 A. Investigação: Por meio da leitura das páginas que tratam da data e local de nascimento, nomes, livro do bebê, cantigas de ninar, brincadeiras infantis e família, é possível desencadear diversas questões relativas ao nascimento e à infância. Podem, então, ser investigados: • Fatos relacionados com o próprio nascimento, determinados pela situação socioeconômica e cultural da família. • Tradições de sua família em relação aos nascimentos: aspecto social, religioso etc. • O que aconteceu no dia do seu nascimento: fatos relevantes da sua comunidade e fatos acontecidos no Brasil e no mundo; quem nasceu no mesmo dia que você. • O lugar onde você nasceu: características do local, da sua cidade, do estado de seu nascimento. • A presença das cantigas de ninar em sua vida: quem e o que cantaram para você, as canções eram tradicionais ou canções populares de sucesso na época, fatos curiosos. • Seu nome: foi escolhido por quem, por que, se há alguém em sua família com o mesmo nome, o que significa, qual a sua origem etc. • Como foi a sua infância até os seis anos. • Como foi a sua experiência de alfabetização.

B. Temas: Os dados levantados nessa investigação são elaborados e, da discussão coletiva, emergem temas que podem ser estudados nas diferentes áreas de conhecimento. Ciências da Natureza • Cuidados no período pré-natal. • Fases do desenvolvimento de um bebê durante a gestação e depois do nascimento. • Leitura de gráficos e tabelas sobre dados da taxa de natalidade e de mortalidade infantil. • Conhecimento sobre as causas mais freqüentes da mortalidade infantil.

Ciências Humanas • Tradições familiares ligadas ao nascimento: visitas, presentes etc. • Tradições étnicas relacionadas com o nascimento. • Tradições religiosas ligadas ao ingresso de um novo membro na comunidade. • Aspectos ambientais e culturais que caracterizam o local onde moram os educandos(as). • Artesanato e cooperativa: uma parceria de sucesso em Pernambuco. Outras experiências exitosas. • Cantigas de ninar: função afetiva e social. • O nome de uma pessoa e sua função social. • Significado dos nomes dos educandos(as). • Registro civil e cidadania. Comunicação e Artes • Formas de comunicação do nascimento para a família e para amigos. • Livro do bebê e outras formas artísticas de registro. • Cantigas de ninar: canções típicas de sua cultura e da família. • Literatura infantil. • Artesanato, música e dança de Pernambuco e da região onde vive o educando(a). • A função social da escrita. • Biografia e autobiografia. • Brincadeiras infantis: parlendas, travalínguas, danças de roda, brincadeiras de corda, de bola, com brinquedos feitos “em casa” e outras.

C. Sugestões: 1. O que quero ser? A primeira atividade pode ser desencadeada pela leitura da apresentação de Paulo Freire: “Conta Freire que queria ser cantor”. E os jovens de sua turma, o que querem ser? A exemplo de quem? Por que e para quê? É uma excelente oportunidade para conhecê-los melhor e favorecer a desinibição, expressão oral e corporal e a integração do grupo. 2. Conhecendo diferentes religiões Trabalho com as práticas religiosas de cada religião, sem entrar em juízo de valor. Montagem de gráfico com a situação religiosa da sala; elaboração de quadro para que alunos e alunas pesquisem e descrevam como são as práticas religiosas nas diferentes religiões presentes em sua comunidade. Exemplo: PRÁTICAS

ISLAMISMO

CATOLICISMO

EVANGELISMO

Batismo Casamento Ritual fúnebre Natal Forma de oração

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BUDISMO

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UMBANDA

CANDOMBLÉ

OUTROS


3. A vida humana – saber cuidar A partir de pesquisas sobre questões de saúde da mulher e do bebê, organizar uma exposição na escola destinada à visitação da comunidade. Essa exposição pode utilizar os seguintes recursos: cartazes, projeção de filmes, exposição de modelos e maquetes e ainda contar com palestra proferida por pessoa habilitada, como um(a) médico(a) ou um(a) enfermeiro(a) do hospital / posto de saúde local, além de demonstrações a respeito dos cuidados com bebês etc. Esse projeto coletivo pode abranger os seguintes temas: Planejamento familiar / Pré-natal / O que é uma gravidez de risco / Tipos de parto / Aleitamento materno / Os prejuízos e complicações de várias naturezas decorrentes da gravidez das adolescentes/ Vacinação / Causas da mortalidade Infantil / Fases do desenvolvimento da criança na primeira infância, entre outros. 4. Conhecendo a cidade Conhecendo a cidade de Recife por meio da leitura da página “Paulo Freire: pernambucano”, complementada por figuras, filmes de turismo, matérias em revistas e jornais etc, os educandos podem fazer uma pesquisa para conhecerem a sua própria cidade, dando ênfase aos aspectos culturais. 5. Resgatando as tradições Iniciando com uma pesquisa sobre a comunidade onde vivem e suas origens, buscar brincadeiras, brinquedos infantis, cantigas de roda e outros aspectos relacionados com o universo infantil, como a narração de histórias. Depois, organizar pequenos grupos para realizar uma ação de vivência de brincadeiras tradicionais visitando creches e outras instituições que trabalham com crianças; na própria escola, convidando as crianças moradoras das redondezas; em praça pública e outros espaços da comunidade. 6. Produção cooperativa de artesanato Tentar organizar o trabalho em cooperação para a produção e comercialização de produtos artesanais feitos pelos alunos, suas famílias e por outros artesãos da comunidade. 7. Força-tarefa em favor da vida Depois de realizada a exposição sugerida no item 3, uma equipe de alunos interessados e dispostos, orientados por um(a) médico(a) ou enfermeiro(a), poderão realizar uma força-tarefa para levar informações àquelas gestantes e novas mamães que necessitam desse cuidado.

ATIVIDADE 2

pensando que fugiria da pobreza? • Fome: você já passou? Tem ou teve outras dificuldades? E sua família? • Você conhece ou sabe de Trabalho infantil em sua família ou em sua comunidade? Como você reage a isso? E sua família e sua comunidade? Como você, sua família e sua comunidade pensam a respeito de outras questões, igualmente importantes, como: • Como é ser adolescente? Como é ser adulto? • Consciência ecológica. • A água – disponibilidade, abastecimento e uso. • Identidade cultural. • Respeito aos mais velhos.

B. Temas: A partir da investigação, da tabulação dos dados e da análise de seus resultados, sugerimos que se realize uma discussão coletiva em torno dos seguintes temas: Área de Ciências da Natureza • Adolescência: mudanças físicas e psicológicas. • Subnutrição e desnutrição. • Consciência ecológica e desenvolvimento sustentável. • Poluição dos rios. • Saneamento básico e sistema de saúde. • Gravidez na adolescência. Área de Ciências Humanas • O campo e a cidade. • Mapas do Brasil – divisão política. • Bacias hidrográficas, em especial à qual pertence o Rio Jaboatão. • A água – uso racional. • Domínio holandês em Pernambuco – Batalha de Guararapes. • Desigualdade social nas cidades. • Trabalho infantil e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). • Relações sociais na adolescência. • Estudo e oportunidades de melhoria de vida. • Identidade cultural.

A. Investigação: Dentre os problemas sociais que enfrentam, o grupo de estudo poderá trabalhar com temas-problema, como esses abaixo propostos. • Moradia e falta de infra-estrutura nos bairros pobres. Como é a vida em seu bairro? • Experiências com mudanças: você já mudou de escola, casa, bairro ou cidade? Conhece alguém ou você mesmo já migrou do campo para a cidade? Ou de uma cidade maior para outra menor,

Área de Comunicação e Arte • Um mesmo idioma e muitos acentos: sotaques e expressões de linguagem que refletem as idades, os grupos sociais etc. • Narrativas de caráter regional: leituras, interpretação de textos e redações. • Redação de folhetos e cartazes para orientação da comunidade. • A arte como expressão cultural das pessoas e das comunidades: pintura, escultura, música, poesia, dança, representações e festividades folclóricas.

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C. Sugestões: 1. Gravidez na adolescência Pesquisa em dados estatísticos, entrevista com jovens que estejam ou tenham passado por essa situação. Levar folhetos de postos de saúde sobre sexualidade e prevenção de gravidez e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) para leitura, reflexão e diálogo. Sugerimos reelaborar com a classe folhetos contextualizados nos problemas do grupo, que poderão servir para divulgação na comunidade. Sugerimos também uma discussão a respeito dos prejuízos e complicações de várias naturezas decorrentes da gravidez das adolescentes, a partir do material obtido. 2. Cuidando da água Propostas de ações visando ao uso racional da água dentro do ambiente familiar. Realização de uma campanha conscientizadora na comunidade para evitar o desperdício e mau uso da água. Realizar pesquisa das fontes de abastecimento de água. Buscar caminhos para solucionar problemas locais de água e de esgotos. 3. Tem gente com fome “[...] O real problema que nos afligiu durante grande parte de minha infância e adolescência – o da fome. Fome real, concreta, sem data marcada para partir, mesmo que não tão rigorosa e agressiva quanto outras fomes que conhecia.” (FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994, p. 33).

O projeto, de nome inspirado no poema da música “Tem gente com fome”, de Solano Trindade, é organizado com base nas respostas de pessoas de todas as idades, de diferentes classes sociais, profissões, nível de escolaridade, à pergunta: Você já teve fome? O projeto pretende levantar as diferentes causas da fome e as ações existentes de combate a ela. Com as respostas em mãos, o grupo seleciona as causas apontadas, bem como as melhores sugestões para resolvê-las. No final, analisam a possibilidade de encaminhá-las às autoridades competentes, ou acionar organizações da sociedade civil, ou ainda de formar equipes de voluntários para realizar as ações que estejam a seu alcance.

Querendo chegar em algum destino Em algum lugar Sai das estações Quando vai parando começa a dizer Se tem gente com fome, dá de comer Se tem gente com fome, dá de comer Se tem gente com fome, dá de comer Se tem gente com fome, dá de comer Mas o trem irá todo autoritário Quando trem parar... 4. “Eu me identifico” Conhecidas as formas culturais mais relevantes de sua comunidade (da região ou do país), cada um escolhe aquela com a qual mais se identifica e organizam-se em grupos para discutir e encontrar uma maneira de apresentá-la em público para defender a preservação daquela modalidade. Podem ser consideradas aqui as manifestações folclóricas de usos e costumes locais, as diferentes formas de manifestação artística: literatura, música, dança, teatro e as diversas artes visuais. LEITURAS COMPLEMENTARES: FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina: reflexões sobre minha vida e minha práxis. São Paulo: Editora Unesp, 2002. FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. São Paulo: Olho d’Água, 1995. JUNIOR TELAROLLI, Rodolpho. Mortalidade infantil – Uma questão de saúde pública. São Paulo: Moderna, 1999. STRAZZACAPPA, Cristina e MONTANARI, Valdir. Pelos caminhos da água. São Paulo: Moderna, 1999. www.ibge.gov.br http://dtr2001.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pre_natal.pdf www.pernambuco.com/turismo/artesanato.html www.saudedacrianca.org.br www.sabesp.com.br www.uniagua.org.br

Tem gente com fome Letra de Solano Trindade Trem sujo da Leopoldina Correndo, correndo, parece dizer Tem gente com fome, tem gente com fome Tem gente com fome, tem gente com fome Tem gente com fome, tem gente com fome Tem gente com fome Estação de Caxias De novo a correr De novo a dizer Tem gente com fome, tem gente com fome Tem gente com fome, tem gente com fome Tem gente com fome, tem gente com fome Tem gente com fome Tantas caras tristes

ATIVIDADE 3 A. Investigação: A vida adulta de Paulo Freire até o momento em que foi para o exílio é contada na parte do almanaque da página 19 a 30. Da leitura destas páginas certamente ressaltarão as questões relacionadas ao casamento, à família, à educação, ao trabalho, à conscientização e à ideologia. Assim, podem ser investigados dentro de sua comunidade: • A sua ascendência quanto a: etnia, pessoas, relações afetivas; incorporação de outras pessoas à família por casamentos, apadrinhamentos etc. • Há analfabetos em sua família? Em que proporção o analfabetismo está presente em sua comunidade? • Como seus familiares e outras pessoas próximas foram alfabetizados?

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• As pessoas que você conhece valorizam a educação? Como? Por quê? • Trabalho – em que trabalham as pessoas de sua família? Como escolheram a profissão? Qual a profissão que seus pais gostariam que você seguisse? Qual a profissão que você pretende seguir e o que é necessário fazer para se preparar para exercê-la? • Arte e trabalho – há espaço para o trabalho artístico como profissão em sua comunidade? • Você possui um ideal? Qual? O que faz para que ele se converta em realidade? Você conhece alguém cuja conduta reflita verdadeiramente o ideal que tem? • Você acha que as pessoas de sua família e da comunidade são conscientes de seu papel de cidadãos? • Indicar exemplos de ações de pessoas de sua comunidade que refletem a sua consciência social e ecológica e de ações que demonstrem comportamentos alienados da realidade ou cujo individualismo prevalece sobre os interesses coletivos.

B. Temas: A elaboração dos resultados pode levar à indicação dos seguintes temas para estudo nas áreas: Ciências da Natureza • Análise de gráficos e tabelas sobre analfabetismo e alfabetização. • Leitura e compreensão dos dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). • Consciência ecológica e a preservação de espécies. • O uso racional dos recursos naturais – desenvolvimento sustentável. Ciências Humanas • A família e a árvore genealógica. • A década de 1960 e o “poder jovem”. • Comparar o analfabetismo através da história entre brancos(as), negros(as) e índios(as). • As experiências de alfabetização. • Educação problematizadora, questionadora e crítica x Educação bancária. • Liberdade de pensamento e de expressão. • O que é ser cidadão – ações cidadãs. • O golpe militar de 1964. Comunicação e Arte • Francisco Brennand: ceramista, pintor, escultor. • A linguagem das Histórias em Quadrinhos. • Notícias de jornal. • Teatro do Oprimido de Augusto Boal. • Arte-educação e suas dimensões: sentir, apreciar, refletir e criar arte. • Gêneros literários diversos, como a poesia.

C. Sugestões:

gistro de dados para os grupos familiares próximos – avós, bisavós, tios, primos –, na qual devem ser anotadas: nome completo do pesquisado (nome de solteira e de casada das mulheres) / data e local do nascimento / nomes dos cônjuges, data e local do casamento / data e local dos falecimentos / acrescente algum dado se achar importante, como, por exemplo, a profissão das pessoas. Para as pesquisas, é importante usar fontes confiáveis: registros de nascimento, casamento, certidão de óbito, escrituras, testamentos, registros de batizaManoel Ana João Anna João Maria do João Ana dos em igrejas etc. Há também outras Carmo fontes: cartas, cartões de felicitações e postais, convites etc, que podem ter sido guardados como recordação. José Mirita Vicente Antonia Exemplo: Giovanni é filho de Sonia e Livio. Sonia é filha de José e Mirita. Livio é filho de Vicente e Antonia. José é filho de Manoel e Ana. Mirita é filha de João e Anna. Vicente é filho de João e Maria do Carmo. Antonia é filha de João e Ana.

Sonia

Lívio

Giovanni

2. “Projeto Cidadão” O que posso fazer para ter uma participação mais ativa na minha comunidade? Como posso contribuir para o seu crescimento e para a melhoria de vida das pessoas? Em resposta a essas indagações, os(as) alunos(as) constroem um projeto de ação cidadã na área em que estejam mais interessados ou preparados para atuar. 3. “Anos dourados?” Debates a respeito dos anos 60 no Brasil e no mundo: cotidiano, moda, costumes, música, política etc. 4. “Projeto alfabetizar” Os(as) alunos(as) podem fazer uma pesquisa de campo na comunidade, levantar dados e registrá-los em gráficos para indicar a necessidade de ações voltadas para a alfabetização de jovens e adultos. Depois podem procurar instituições que realizam esse trabalho e oferecer-se para um trabalho voluntário de apoio a essa ação. 5. “O oprimido no teatro” Experiências com jogos dramáticos propostos por Augusto Boal.

1. Projeto “Árvore Genealógica” Começando por si mesmo, cada educando pesquisa e registra os seguintes dados: nome, data e local de nascimento / nomes completos de solteiros de seus pais, data e local de nascimento e do casamento deles. Os(as) alunos(as) devem ser orientados para prepararem uma folha padrão de re-

LEITURAS COMPLEMENTARES: BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. FREIRE, Paulo e GUIMARÃES, Sergio. Aprendendo com a própria história. V.1. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

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II.

CIDADÃO DO MUNDO

O segundo bloco do almanaque trata da vida e da obra de Paulo Freire no período de exílio, de 1964 a 1979. Trata, inicialmente, do contexto nacional do Golpe Militar e do afastamento de Paulo Freire do Brasil e, a seguir, focaliza Freire “andarilho” por vários países do mundo, entre eles: Bolívia, Chile, Suíça, Estados Unidos e países da África, onde realizou importantes trabalhos político-pedagógicos, principalmente como consultor de programas de alfabetização de adultos. Foram destacados os livros escritos nos anos de exílio, recortes de seu pensamento e informações paralelas sobre o Golpe Militar no Brasil e a Anistia, como também aspectos relevantes sobre os países visitados por Freire.

ATIVIDADE 1 A. Investigação:

• Ações de resistência à ditadura (guerrilhas, passeatas, greves etc.). • Comunismo x capitalismo. • Democracia. • Guerra Fria. • Milagre econômico. • Dívida externa. Comunicação e Artes • Teatro de Arena. • Movimento de Cultura Popular. • Ideologia nacionalista. • Cinema Novo. • Tropicalismo. • Textos literários do período. • Jovem guarda. • Festivais da Música Popular Brasileira (MPB). • Censura Federal.

Sobre o contexto nacional do Golpe Militar, entre outros aspectos, podem ser investigados:

C. Sugestões:

• Organização e estrutura política do estado militar. • O Estado de exceção: os Atos Institucionais – perseguições, torturas e mortes. • Movimentos sociais. • Tendências e movimentos culturais brasileiros. • Economia e desenvolvimento. • Organização social. • Cotidiano brasileiro (hábitos, costumes, gírias, comportamentos etc.). • Ciência e tecnologia.

1. Análise de desenho A análise do desenho de Ziraldo – exibido na página 34 – poderá iniciar adequadamente o estudo desse bloco, que parte dos acontecimentos políticos de 1964 no Brasil. Esse desenho de Ziraldo pode ser reproduzido na lousa, em tamanho bem grande. Melhor ainda se puder ser feito um cartaz reproduzindo o desenho com caneta grossa preta sobre fundo branco, à semelhança do modelo, ou em cores vibrantes, se o grupo considerar mais criativo. Os(as) alunos(as), que certamente se organizarão em círculo, farão, inicialmente, uma leitura inicial da imagem, tecendo os seus próprios comentários. A partir daí, com a mediação problematizadora do(a) professor(a), ampliam-se as questões relacionadas à temática da Ditadura Militar. Na linguagem freireana: eles fariam, com esse procedimento, primeiro a decodificação em superfície e depois a decodificação em profundidade. A exemplo de Ziraldo, ao final do estudo do segundo bloco do Almanaque, os(as) alunos(as) poderão ser incentivados a criar seus próprios desenhos (ou pintura, escultura, recorte e colagem etc.) sobre o período da Ditadura Militar no Brasil.

B. Temas: Das questões levantadas e investigadas, podem ser contempladas temáticas de distintas áreas: Ciências da Natureza • Impacto ambiental na construção de grandes obras públicas. • Gastos nacionais e dívida externa. • Usina Nuclear de Angra dos Reis. • Rodovia Transamazônica. • Hidrelétrica de Itaipu.

2. Ditadura Militar no Brasil – O que já sabemos e o que desejamos saber A primeira atividade acima abre caminho para uma discussão seguida da produção coletiva escrita da seguinte tabela: Tema: O período da ditadura militar no Brasil

Ciências Humanas • Ligas camponesas. • Reformas de base do governo Goulart. • Movimento estudantil. • Movimento sindical. • Comunidades Eclesiais de Base.

O que já conhecemos sobre o assunto

Essa atividade pode ser complementada com a discussão sobre a questão: “Como e onde podemos obter as informações de que necessitamos?”.

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O que queremos saber mais

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3. Entrevistas Podemos iniciar por entrevistas junto a pessoas conhecidas, com idade em torno dos 50 anos ou mais, para pesquisar o que elas sabem e como viveram esse período do governo militar no Brasil. É interessante planejar coletivamente o roteiro prévio das questões, mas o(a) aluno(a) entrevistador(a) pode acrescentar novas perguntas, de acordo com o contexto e com o seu interesse. Exemplos de possíveis questões a serem propostas às pessoas entrevistadas: Anotar nome (ou siglas do nome), idade, sexo, escolaridade, profissão da pessoa entrevistada e a data da entrevista. Depois assine o seu nome no final da página. 1- Qual era a sua idade e o que fazia em 1964, quando houve o golpe militar no Brasil? 2- O golpe militar no Brasil foi positivo ou negativo para o povo brasileiro e a nação? Explique. 3- O senhor/senhora conhecia Paulo Freire? O que sabia a respeito dele? Elaboração dos dados: Os(as) alunos(as) se encontram novamente em aula, para socializar, discutir os dados e registrar uma síntese, a ser afixada em mural, e intitulada: Como o período da ditadura militar no Brasil e o próprio Paulo Freire foram avaliados pelas pessoas entrevistadas.

Podemos ainda assistir, com os(as) alunos(as), filmes que contextualizam a época (ver filmes indicados na sugestão bibliográfica) e debatê-lo com eles. Elaboração dos dados: Produções escritas pelos(as) alunos(as), para essa parte do trabalho, irão compor o quadro mural de textos selecionados sobre o estudo em pauta. Serão trechos escolhidos ou a peça completa de poemas, músicas, paródias, listagem de palavras-chave, aprendizados significativos a partir da discussão sobre um filme assistido. É um momento oportuno para que o(a) professor(a) ajude seus alunos a definir e a diferenciar gêneros literários como prosa e poemas, charge, cartum e tiras de jornais e revistas. 6. Júri simulado Um júri simulado nessa ocasião pode se tornar uma atividade muito interessante, desenvolvida da seguinte forma: um grupo de alunos faz a defesa do Golpe Militar, representando as forças militares, governamentais e não governamentais que lhe deram apoio. Outro grupo representa as forças militares, governamentais e não governamentais contrárias ao golpe. Um terceiro grupo será o júri popular encarregado de apresentar um parecer final.

4. Palestra Os conteúdos do texto-síntese das entrevistas deverão suscitar novas perguntas. Seria interessante que os(as) alunos(as) escrevessem uma carta coletiva de convite a um(a) professor(a) de História ou de outra área qualquer do conhecimento, que conheça bem a história não oficial do Brasil na época, ou outra pessoa, que, necessariamente, esteja comprometida com a realidade que precisa ser transformada, para ministrar uma palestra sobre o tema. Elaboração dos dados: resumo das principais informações da pessoa palestrante e do que ela falou devem ser, depois do encontro, afixado no mural da sala para, posteriormente, os(as) alunos(as) voltarem à temática para aprofundamento.

7. Leitura e discussão de novos textos: O estudo do segundo bloco do Almanaque se completa com a leitura de textos em jornais, revistas e livros, selecionados da biblioteca da escola e da biblioteca pública da comunidade local, ou pesquisados na internet. (Neste caderno, há sugestões bibliográficas de livros e sites na internet.) Elaboração dos dados: este estudo pode resultar num texto-síntese escrito por alunos e alunas, sobre a Ditadura Militar no Brasil, com cópia afixada no mural da classe.

5. Música, poema, charge, filme Oferecemos aos alunos a oportunidade de ler as letras de músicas e poemas feitos por exilados ou encarcerados na época da ditadura. O almanaque oferece poemas de Thiago de Mello, Pedro Tierra e Paulo Freire (“Recife sempre”, onde ele fala, já no exílio chileno, de sua prisão em 1964, e “Canção Óbvia”, composta nos anos 70, em Genebra), além da música de Vandré. Há também um poema declamado por Dom Pedro Casaldáliga na página que focaliza o conceito de utopia, tão valorizado por Paulo Freire. Depois da interpretação inicial, os alunos poderão relacionar o que aprenderam sobre a utopia (o sonho possível), como por exemplo: “qual é a utopia presente em cada uma dessas composições poéticas e musicais?”. Que outras palavras-chave aparecem no conjunto dessas peças literárias? O que espera Paulo Freire na sua “Canção Óbvia”? E como ele espera? Uma análise semelhante de outras músicas de protesto, das décadas de 1960 a 1980, vai enriquecer o estudo. Estimule seus(suas) alunos(as) a pesquisar em várias linguagens: músicas, poemas, cordéis, charges, vídeos, filmes documentários e de longa metragem etc. e o que dizem e pensam os seus autores sobre essa conturbada época da história brasileira. (Veja também as sugestões bibliográficas). Muito pertinente seria a comparação entre as músicas e outras linguagens artísticas de então com as de hoje. Por exemplo, algumas músicas atuais também denunciam as desigualdades e injustiças sociais, a violência policial, o racismo, etc?

ATIVIDADE 2 A. Investigação: Sobre o tempo de Paulo Freire no exílio, podemos desenvolver novas investigações e identificar aspectos gerais do contexto mundial, entre outros: • A Guerra Fria. • Os movimentos revolucionários na África, América e Ásia. • As correntes ideológicas e sistemas econômico-políticos: comunismo x capitalismo. • A divisão internacional do trabalho. • As disparidades sociais: riqueza x pobreza. • Os movimentos relacionados ao “poder jovem”. • A descolonização afro-asiática.

B. Temas: No período de exílio de Paulo Freire, podem ser contempladas temáticas das seguintes áreas:

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Ciências Humanas • Revoluções: em Cuba, na Nicarágua e em ex-colônias portuguesas na África. • A guerra do Vietnã. • A corrida espacial e armamentista. • O movimento negro nos Estados Unidos. • O feminismo. • O apartheid. • A Primavera de Praga. • As revoltas estudantis em 1968. Ciências da Natureza • A introdução e o desenvolvimento da informática. • Os avanços da medicina. • O surgimento do movimento ecológico. • A demografia. • A chegada do homem à Lua. Comunicação e Arte • A popularização do cinema americano. • Os jogos olímpicos e o seu uso midiático como propaganda das superpotências (EUA e URSS). • A popularização da TV. • A contracultura.

C. Sugestões: 1. Localização geográfica de países visitados por Freire Com um mapa mundi escolar, aberto na lousa, os alunos se reúnem em pequenos grupos, para a localização dos principais países onde, no exílio, Paulo Freire desenvolveu projetos políticopedagógicos: Bolívia, Chile, Suíça, Estados Unidos e África (Tanzânia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Guiné-Bissau). Por meio de um desenho esquemático do mapa mundi, no seu caderno, os(as) alunos(as) poderiam traçar, com setas coloridas, uma espécie de rota, pelos países onde Freire teria feito sua “andarilhagem” pelo mundo. 2. Lideranças políticas e culturais brasileiras no exílio Após o estudo dos(as) professores(as) e das professoras do segundo bloco do almanaque, podemos focalizar que, nos quase 16 anos de exílio, Freire escreveu livros que trouxeram significativa contribuição para a práxis ético-político-pedagógica de diversos países, assessorou projetos nacionais de alfabetização e recebeu, no exílio e depois dele, uma enorme lista de prêmios, títulos, medalhas e homenagens, pela importância do trabalho educacional que desenvolveu em vários países e pelo conjunto de sua obra. Assim como Freire, outros brasileiros atuaram com dignidade e competência no exílio. Aos comentários iniciais dos(as) alunos(as) podemos acrescentar que no Brasil houve um inestimável retrocesso para o seu desenvolvimento social e econômico e a perda significativa de lideranças políticas e culturais, além de sofrimento humano intenso, como fala a composição musical

abaixo. Apesar dessas perdas, o Brasil se projetou no mundo com a presença da inteligência brasileira, no exílio. (...) Meu Brasil que sonha com a volta do irmão do Henfil / com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete / Chora a nossa pátria, mãe gentil / choram Marias e Clarisses no solo do Brasil / Mas sei, que uma dor assim pungente / não há de ser inutilmente, a esperança / Dança na corda bamba de sombrinha / e em cada passo dessa linha pode se machucar.(...) O Bêbado e a Equilibrista – Aldir Blanc / João Bosco (fragmento)

3. Ler Paulo Freire Propor leituras de uma ou mais obras de Paulo Freire, para que os(as) alunos(as) possam, anotando as frases mais significativas no caderno e refletindo sobre elas, iniciar uma introdução aos estudos sobre o pensamento freireano. 4. Países visitados por Freire Nas páginas do Almanaque encontram-se dados sobre os principais países visitados por Freire. Antes da leitura e da discussão sobre a caracterização de cada um desses países, os(as) alunos(as) podem listar suas perguntas. “O que podemos saber mais sobre esses países por onde ‘andarilhou’ Paulo Freire?” As perguntas podem ser categorizadas. Por exemplo: situação geográfica, dados populacionais, aspectos relevantes da história atual, índice de desenvolvimento humano, relações bilaterais com o Brasil, gastronomia típica desses países. O estudo pode ser feito em pequenos grupos com data marcada para um painel de apresentação, utilizando cartazes ilustrados com desenhos, principalmente. Os(as) alunos(as) irão encontrar dados relevantes nas páginas do Almanaque, mas o estudo de cada um desses países pode ser ampliado com pesquisas em livros didáticos e sites na internet, inclusive os sites da Embaixada brasileira nos respectivos países e os sites desses países divulgados especialmente para brasileiros e brasileiras. 5. Vamos saber mais sobre a África No Almanaque demos um destaque para a África, tendo em vista a história de alguns países desse continente na formação do povo brasileiro, a importância muito especial da África na vida e na obra de Paulo Freire e do papel deste no processo de libertação dos povos africanos do colonialismo europeu. Relacionamos os “contrastes do continente africano”, particularmente a gravidade da situação ecológica do desmatamento, com problemas semelhantes na Amazônia. Esse paralelo pode ser aprofundado. Podemos ainda incentivar a pesquisa e a criação de charges ou tiras humorísticas de conteúdo relacionado aos problemas atuais do meio ambiente. 6. Busca criativa de soluções Tendo em vista o paralelo entre o desmatamento na África e na Amazônia, desenvolvido na página do Almanaque: “Contrastes no continente africano”, os(as) alunos(as) poderão redigir uma lista de como nós podemos interferir nessa questão. 7. Intervenção coletiva na realidade Escrever uma carta coletiva endereçada ao Ministério do Meio Ambiente, solicitando a intensificação do “Plano de Combate ao Desmatamento”. O objetivo é o desenvolvimento da responsabilidade pessoal e coletiva de cada cidadão frente a esse problema de urgência nacional. 8. Marcas africanas no Brasil Essa página do almanaque convida ao resgate do que já é conhecido pelos(as) alunos(as) e a novas atividades:

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• Escrever receitas culinárias de origem africana (texto instrucional). • Recriar padrões de desenhos africanos em trabalhos artísticos. • Identificar trabalhos artísticos em modalidades diversas, de artistas africanos, afro-americanos e afro-brasileiros. ��� Escrever uma lista de palavras (e significados) do vocabulário nacional de origem africana. • Manter uma conversação em duplas de colegas, empregando palavras de origem africana. • Pesquisar e detalhar festas e danças folclóricas de origem africana. • Detalhar a situação sociopolítica de pessoas negras no Brasil, os projetos de Movimentos da Comunidade Negra e discussões sobre políticas afirmativas. 9. Socialização do conhecimento junto à comunidade local Os registros de sínteses escritas durante todo o estudo do segundo bloco devem ter sido afixados em mural. Os alunos podem agora se organizar para um painel de apresentação oral, em que cada um escolhe um recorte do tema para comentar. Nessa ocasião, poderão convidar familiares e amigos. O objetivo é socializar e oferecer à comunidade local algo do que aprenderam sobre o período da Ditadura Militar e sobre o Exílio de Paulo Freire. Nessa apresentação, podem declamar versos, cantar trechos selecionados de músicas estudadas, dramatizar cenas breves, projetar slides dos seus desenhos produzidos em sala de aula, apresentar informações em jogral, comentar cartazes ilustrados etc. SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS: Músicas: • de Chico Buarque: “Cálice”, “Vai passar”, “Apesar de você”, “O que será”; • de João Bosco e Aldir Blanc: “O Bêbado e a Equilibrista”; • de Gilberto Gil: “Aquele abraço”. Filmes que contextualizam a Ditadura Militar: • Jango, de Silvio Tendler (1984); • Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho (1964-1984); • Muda Brasil, de Oswaldo Caldeira (1985); • Feliz Ano Velho, de Robert Gervitz (1988); • Lamarca, de Sergio Rezende (1994); • As Meninas, de Emiliano Ribeiro (1995); • O Que é Isso Companheiro?, de Bruno Barreto (1997); • Ação entre Amigos, de Beto Brant (1998). Livros: • ARNS, Dom Paulo Evaristo. Brasil: nunca mais. São Paulo: Vozes, 1996. • CONY, Carlos Heitor; VENTURA, Zuenir & VERÍSSIMO, Luis Fernando. Vozes do Golpe (4 volumes). São Paulo: Cia. das Letras, 2004. • GASPARI, Elio. A Ditadura Envergonhada. São Paulo: Cia. das Letras, 2002. Sites: • Fundação Perseu Abramo: http://www.fpa.org.br/especiais/golpe/index.htm • Vésper Estudo Direcionado : http://www.escolavesper.com.br/historiamain.htm • Estado de São Paulo – 1964 a 2004: http://www.estadao.com.br/1964/ • 40 anos do golpe militar: http://oglobo.globo.com/especiais/64/default.asp • Regime Militar – personagens e fatos do período: www.conhecimentosgerais.com.br/historia-do-brasil/regime-militar.html • Resquícios da Ditadura – sobre mortos e desaparecidos: www.dhnet.org.br/denunciar/JusticaGlobal/RequiciosdaDitadura.html

III.

CIDADÃO BRASILEIRO

O terceiro bloco do Almanaque trata da vida, da morte e da repercussão da práxis de Paulo Freire, no Brasil e no mundo. Pontua importantes acontecimentos da vida de Paulo Freire, desde 1980, quando volta a morar no Brasil, até sua morte, em 1997. Nos dias correntes, o pensamento desse educador continua a inspirar não apenas projetos relacionados à alfabetização de jovens e adultos, mas projetos socioambientais, tecnologias sociais, redes de alfabetização, racionalidades econômicas alternativas pautadas na cooperação, no diálogo, na solidariedade.

ATIVIDADE 1 A. Investigação: A primeira atividade deste bloco pode ser desencadeada a partir da leitura do “Parecer sobre Paulo Freire”, de Rubem Alves, e, em especial, à seguinte explicação: “Quem dá um parecer empresta os seus olhos e o seu discernimento a um outro que não viu e nem pôde meditar sobre a questão em pauta”. Num primeiro momento, podem-se levantar quais são os problemas que, aos olhos dos educandos, merecem ser mais bem conhecidos pela população da localidade onde residem e pelo poder local. Aspectos sociais, econômicos, socioambientais, culturais e político-administrativos podem ser explorados, tendo em vista despertar a percepção dos(as) alunos(as) para a qualidade de vida em seu bairro, ou mais amplamente, em sua cidade, em seu país. A investigação pode iniciar-se com a pergunta: “Como é morar no lugar onde você mora?”, levando em conta as características locais: • Infra-estrutura: saneamento, energia elétrica, telefonia, limpeza pública. • Presença de serviços básicos: creches, escolas, postos de saúde, hospital, transporte coletivo. • Áreas de lazer, centro esportivo e/ou cultural, praças e áreas verdes. • Ruas e prédios públicos e a acessibilidade a deficientes físicos. • Segurança pública no bairro.

B. Temas: Alguns temas podem emergir e ser aprofundados em estudos e pesquisas coletivas, nas diversas áreas, tais como: Ciências da Natureza • A relação entre o ciclo da água e o saneamento básico na região onde mora. • Conseqüências da poluição causada pelo depósito de lixo em locais inadequados para a saúde da população e para a saúde da natureza (terra, rios, mananciais etc.) em sua região. • Relação entre a descarga industrial de produtos químicos no ambiente e a toxidade da água, da terra e do ar; legislação brasileira para os crimes ambientais. • Cálculo da média de horas gastas pelos pais ou familiares dos(as) alunos(as) para se desloca-

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rem de casa ao trabalho, semanalmente, mensalmente e anualmente. Procurar dados estatísticos sobre o desgaste físico, psicológico e econômico dessa população para os seus deslocamentos.

ATIVIDADE 2 A. Investigação:

Ciências Humanas • Formas cooperativas de articulação da sociedade civil para o enfrentamento dos problemas locais (associações de moradores em parcerias ou não com organizações não governamentais – ONGs, fundações e/ou poder público). • Educação para o trânsito, os direitos e os deveres do pedestre e do motorista; segurança nas vias públicas e nas estradas. • Os direitos do cidadão portador de necessidades especiais. Comunicação e Artes • Os sinais de trânsito e outras linguagens e códigos, como o braile, a Libras (Língua Brasileira de Sinais). • Os esportes, as brincadeiras de rua, a dança e o teatro. • Produção de textos em forma de pareceres.

C. Sugestões: 1. “Conhecendo o bairro, eu me posiciono” Exploração dos principais problemas identificados no bairro onde moram os alunos, por meio de pesquisas em grupo realizadas em livros, jornais, revistas e/ou internet e posterior socialização das sínteses com toda a sala. Para uma etapa seguinte de aprofundamento, propomos que sejam feitas pesquisas de campo. Para tanto, é importante que sejam previamente discutidos e estabelecidos nos grupos roteiros de entrevistas, bem como pontos a serem observados pelos alunos. A partir das reflexões coletivas em torno do problema investigado, cada grupo redigirá seu parecer, emprestando “os seus olhos e o seu discernimento a um outro que não viu e nem pôde meditar sobre a questão em pauta”. Os pareceres poderão ser socializados, também com a comunidade escolar, por meio de exposição, bem como ser endereçados a órgãos governamentais responsáveis, associações de moradores ou a outras entidades ou organizações da sociedade civil envolvidos com o enfrentamento/solução das questões levantadas. 2. Refletindo sobre ética Ainda pensando na formulação de pareceres, situações de injustiça costumam despertar indignação. Mas nem toda indignação é traduzida em ação. Veja, abaixo, um trecho da letra da música “Indignação”, de Samuel Rosa e Chico Amaral, da banda Skank: “A nossa indignação É uma mosca sem asas Não ultrapassa as janelas De nossas casas”

• Análise de sua postura pessoal frente a situações de injustiça. • O que mais o(a) indignou nos últimos tempos? Qual foi a sua atitude? • Você já teve que dar um parecer sobre alguém? Em que situação? • Você é capaz de identificar situações de injustiça social em sua comunidade? Em sua cidade e país? No mundo? • Há uma organização comunitária que discute essas questões?

B. Temas: Nas áreas do conhecimento, podemos trabalhar: Comunicação e Arte • O papel social da linguagem poética. • Denotação e Conotação. • Figuras de linguagem – metáfora. • Produção de textos dissertativos com foco nas atitudes solidárias. • Dramatização como forma de expressão, participação e engajamento nas questões sociais. • Desenho, história em quadrinhos, charge e outras formas de uso da criatividade a serviço da transformação social. Ciências Humanas • A ética nas relações humanas. • Ação propositiva no enfretamento dos problemas cotidianos (participação, mobilização, organização social etc.).

C. Sugestão: 1. Teatro na comunidade Montagem de uma peça de teatro a partir da construção coletiva de uma história, baseada ou não em fatos reais, em que um personagem ou grupo tenha sofrido alguma injustiça, com a produção de diversos desfechos para a história. Que desfechos podem ser produzidos a partir de uma indignação do tipo “mosca sem asas”? E a partir de uma indignação que se converta em atitude, em decisão?

ATIVIDADE 3 A. Investigação:

Analisando, com os(as) alunos(as), os sentidos da metáfora empregada nessa estrofe de “Indignação” e utilizando como referência o “Parecer sobre Paulo Freire”, de Rubem Alves, no Almanaque Histórico (p. 51), é possível desencadear ricas discussões sobre Ética, a partir da interpretação dos alunos, tanto do trecho da letra Indignação como da postura de Rubem Alves, por ter dado um parecer que foi uma recusa em dar qualquer parecer sobre Paulo Freire.

Paulo Freire sofreu muito com a morte de sua primeira esposa, mas não se deixou abater. Em A Pedagogia da Esperança, reflete: “Tenho uma lealdade para com a minha sobrevivência” (Almanaque Histórico Paulo Freire, p. 50). O que isso quer dizer? A lealdade com a vida foi o que levou Paulo Freire a continuar trabalhando e a se permitir, com coragem, amar outra mulher, Nita (Ana Maria Araújo Freire), com quem se casou, pela segunda vez.

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Tomando essa passagem da vida de Paulo Freire como ponto de partida, podem ser investigados:

ATIVIDADE 4

• Momentos da história de vida familiar ou de pessoas conhecidas dos(as) alunos(as) que “recriaram” seu modo de viver, após a perda de uma pessoa querida, de um relacionamento importante, de um emprego, de bens materiais. • As relações de solidariedade e compaixão entre as pessoas. • A indiferença de uns perante o sofrimento de outros. • A defesa da vida, local e globalmente. • Casamento, outras uniões conjugais, separação, filhos.

A. Investigação:

B. Temas: Das histórias narradas, extrair temas a elas relacionados, que possam inspirar reflexões coletivas e pesquisas nas diferentes áreas: Ciências da Natureza • A vida e a morte para a ciência (das células aos ecossistemas). • A defesa da vida como instinto presente em todos os animais. • Práticas alimentares, esportivas, saúde e longevidade. • Buscar saúde e evitar doenças, com modos de vida pró-ativos. • A influência das crenças religiosas na adesão a determinadas práticas médicas, tais como doação e transfusão de sangue, doação e transplante de órgãos, métodos contraceptivos, pesquisas científicas com células-tronco, embrionárias ou adultas etc. • Pesquisa com dados de número de casamentos na sua região. Ciências Humanas • Os cerimoniais de casamento nas diversas religiões. • Os cerimoniais de morte nas diversas culturas. • A concepção de vida e morte nas diferentes religiões. • Causas mais freqüentes da mortalidade infanto-juvenil. Comunicação e Arte • A vida e a morte na prosa e na poesia. • Leitura e produção de textos literários. • Elaboração de cartazes sobre solidariedade e desarmamento. • Seminários sobre Cultura da Paz. • Elaboração de história em quadrinhos.

C. Sugestão: 1. Projeto coletivo: “A vida sustentável no planeta – Saber cuidar” Pesquisar as principais ameaças à sustentabilidade dos diversos ecossistemas do planeta, bem como movimentos e projetos, globais e locais, legislação e acordos internacionais que, na atualidade, buscam reverter ou minimizar os efeitos dos diversos desequilíbrios ecológicos e socioambientais, acentuados pela ação humana, nas últimas cinco décadas. Além da exposição das pesquisas feitas, sugerimos a produção de crônicas, contos, poemas, desenhos, pinturas, colagens, músicas, entrevistas, encenações teatrais a partir dos temas específicos levantados durante a pesquisa ou a partir de sua socialização.

A educação escolar pública, a escola democrática e sua função social, a vida e a gestão da escola, a construção do conhecimento, a relação de alunos(as) com a comunidade escolar, a professora e o professor como profissionais e não como “tios” são temas interligados que despontam nas páginas 51, 52, 53 e 59 do Almanaque Histórico Paulo Freire. • Que tal conhecer um pouco mais sobre o que os(as) alunos(as) têm a dizer uns para os outros e, especialmente, para seus professores, a respeito do que aprendem com a vida na escola e fora dela? • Há escolas em número suficiente em sua região em função da demanda? • Existe oferta para continuidade dos estudos na mesma escola? • Há a necessidade de mudar de bairro ou até mesmo de município para a garantia da continuidade dos estudos? • Os alunos e as alunas prestigiam a escola? Cuidam de seu patrimônio? • Eles e elas se sentem valorizados nela? • A escola é aberta à comunidade? • O que as crianças esperam de uma escola? • Existem conselho de escola, grêmio ou outros instituidores da gestão democrática? • Quais as suas propostas para que a sua escola se torne um lugar de maior alegria e participação? • Como tornar tais propostas reais?

B. Temas: Ciências da Natureza • Pesquisa sobre o espaço da escola do bairro (metragem das salas, estado de conservação, recursos materiais e humanos existentes, equipamentos etc.). • Proporção de área verde e área construída. • Construção de gráficos com número de alunos matriculados ou que abandonaram a escola nos últimos dois anos. • Levantamento de projetos desenvolvidos. Ciências Humanas • Levantamento do histórico da escola. • Resgate de memória, mostrando como era a escola dos pais dos(as) alunos(as) e como é agora. • Estudo cartográfico da escola no bairro. • Pesquisa sobre a relação entre escola e comunidade. Comunicação e arte • Levantamento da biografia do patrono da escola. • Pesquisa da cultura popular local. • Concursos de redação e poesia. • Intercâmbio com alunos de outras escolas.

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C. Sugestões: 1. Conhecendo mais nossos alunos e nossas alunas Os principais temas levantados na investigação podem ser explorados por meio de dramatizações, desenhos, colagens ou, num jogo de faz de conta, por meio de cartas endereçadas a estudantes de outros estados, de outros países ou de um outro tempo – cartas endereçadas às futuras gerações, como memórias do presente. São atividades lúdicas e ficcionais, usadas como recurso para tratar de questões e valores concretos, históricos e/ou relacionados à vida cotidiana. Resgatar, na leitura dos nossos alunos e alunas, qual é a concepção de sua participação na vida da escola, passando pela recuperação histórica do que foi e do que é, atualmente, o movimento estudantil. Qual o olhar de alunos(as) e de professores(as) para as transformações do mundo da comunicação e suas inter-relações com a escola? 2. Projeto “A mesa do professor” Tomando como referência a paródia de Vera Lúcia C. Leite, “A mesa do professor”, Almanaque Histórico Paulo Freire (p. 52), sugerimos as seguintes atividades: • Na primeira estrofe, a autora utilizou palavras que demonstram a transformação da natureza em objetos utilizados pelo professor em seu trabalho; além de mesa, papéis, livros, cadernos. Na segunda estrofe, a autora traz palavras que ampliam a relação do homem com o mundo, por meio dos símbolos: o nome, que marca a singularidade de cada sujeito, os números, que permitem contar, medir, quantificar, antever situações futuras. Os(as) alunos(as) poderão discutir quais profissionais necessitam da matemática para desenvolverem seu trabalho, dando exemplos. • Propor aos alunos a escolha de um profissional como personagem central de um texto poético construído a partir de “A mesa do professor”. Caso o profissional escolhido não necessite de uma “mesa” para desenvolver seu trabalho, que outros objetos, instrumentos ou equipamentos estariam presentes no seu dia-a-dia? O texto pode ter o caráter de homenagem à profissão de um dos familiares ou, simplesmente, referir-se a uma profissão admirada pelo(a) aluno(a). Por que determinada profissão foi a escolhida? Qual a sua importância para a vida em sociedade ou para o bem viver do cidadão que necessita de seus serviços? Que virtudes desejáveis os(as) alunos(as) associam ao desempenho de tal trabalhador? 3. Conhecendo melhor os projetos de Educação de Jovens e Adultos Vimos, na página 54 do Almanaque Histórico, projetos como o MOVA-BRASIL e o BB-Educar. Em muitas regiões, iniciativas semelhantes podem existir envolvendo empresas, órgãos públicos e movimentos sociais.

4. Recuperando o saber popular Na página 55 do Almanaque Histórico, temos: “As Tecnologias Sociais podem combinar saber popular, organização social e conhecimento técnico-científico. Importa, essencialmente, que as soluções sejam efetivas e reaplicáveis (multiplicáveis), propiciando desenvolvimento social em grande escala. Um exemplo de tecnologia social são as cisternas de placas pré-moldadas, que muito têm atenuado os problemas de acesso à água de boa qualidade à população do semi-árido”. Outra tecnologia social é o conhecido soro caseiro, cuja ação é eficaz, com custos baixíssimos e proveniente da sabedoria popular. Solicite aos alunos o levantamento do saber popular que as pessoas da comunidade detêm sobre receitas caseiras com ervas medicinais. Após essa investigação, divulgue com cartazes, livretos e/ou outras formas de socialização dos resultados. 5. Prestando homenagens Paulo Freire é o educador brasileiro que mais homenagens recebeu em vida (Cf. p. 60, 61 e 62). É possível resgatar a história, a cultura, os valores e as crenças locais, observando os marcos da cidade, seus monumentos, nomes de rua, de bairros, de praças, avenidas. Em Estocolmo, uma grande escultura de pedra, feita pela artista sueca Pye Engstron, em 1972, foi uma homenagem da artista a homens e mulheres que lutaram contra a opressão. Paulo Freire é representado ao lado de Pablo Neruda, Ângela Davis, Mao Tse-Tung, Sara Lidman, Elise Ottosson-Jense e Georg Borgström. • Sua cidade presta alguma homenagem a Paulo Freire? Qual? Há outras pessoas que merecem ser homenageadas? Quem são elas? Por que foram homenageadas? Como foram ou são homenageadas? Discuta com os seus alunos qual é o sentido de se homenagear publicamente alguém. • Solicite uma pesquisa que levante quais pessoas do bairro, da cidade, do país e do mundo são homenageadas por sua cidade ou localidade. Por que razão? Existe algum padroeiro? Existe algum monumento? O que ou quem ele(s) representa(m)? • Para quais causas, virtudes, acontecimentos seus alunos construiriam um monumento, fariam uma música, um manifesto, um poema, um livro, uma obra de arte? Proponha uma mostra, na escola, de homenagens prestadas por seus alunos a pessoas que abraçaram causas sociais. 6. Por um mundo melhor “Em 2005, inauguramos a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. A Unesco, por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, coordenará as ações voltadas para o decênio, com o principal objetivo de estimular os países-membro da ONU a incorporarem o conceito de desenvolvimento sustentável em suas políticas educacionais. Para tanto, propôs oito Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio (ODM), a serem alcançados até o ano de 2015.” (http://www.unesco.org.br)

Esses objetivos podem ser objeto de trabalho interdisciplinar: • Sugira uma investigação sobre a existência de cursos para jovens e adultos nas proximidades onde os(as) alunos(as) residem. São cursos mantidos pela Prefeitura, pelo Estado ou são fruto da iniciativa e organização dos movimentos sociais, associações de moradores, cooperativas da região etc? Seria interessante que os(as) alunos(as) pudessem fazer entrevistas com representantes desses movimentos, associações ou cooperativas, com foco nas estratégias de comunicação utilizada para divulgarem suas ações e produtos. Se pouco conhecidas, como ajudar na divulgação dessas iniciativas? • Socialização dos resultados da pesquisa com toda a escola, com a intenção de ampliar a abertura da escola à realidade local.

• Mediante pesquisa de campo, podem ser identificados e investigados, localmente, os principais problemas e causas que mantêm correspondências com os problemas e causas para os quais foram estabelecidos os ODM. • O que tem sido feito para se enfrentar os principais problemas detectados e investigados?

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G UIA DO P ROFESSOR Paulo Freire – Educar para Transformar

Fundação Banco do Brasil Presidente Jacques de Oliveira Pena

Coordenação Geral Mercado Cultural

Diretor Executivo de Desenvolvimento Social Almir Paraca Cristóvão Cardoso

Coordenação de Produção Flávia Diab

Diretor de Ciência & Tecnologia & Cultura Luis Fumio Iwata

Coordenação de Administração Cléo Assis

Assessora Maria Helena Langoni Stein

Coordenação Pedagógica Jason Mafra Sonia Couto

Petrobras

Textos e Atividades José Eustáquio Romão Maria José Vale Sandra Benedetti Sonia Maria Gonçalves Jorge

Presidente José Sergio Gabrielli Gerente Executivo de Comunicação Institucional Wilson Santarosa

Consultoria Alípio Casali Lisete Arelaro Moacir Gadotti Ricardo Hasche Vera Barreto

Gerente de Comunicação Nacional Luis Fernando Nery Coordenadores do Projeto Memória Janice Dias Lenart Nascimento Filho

Curadoria Ana Maria Araújo Freire Lutgardes Costa Freire Instituto Paulo Freire

Instituto Paulo Freire Diretor Geral Moacir Gadotti

Produção Maria Oliveira Noêmia Inohan

Diretores Pedagógicos Ângela Antunes Paulo Roberto Padilha

Revisão de Textos Beatriz de Paoli

Diretora de Relações Institucionais Salete Valesan Camba

Imagens Acervo Ana Maria Araújo Freire, Acervo Filhos Paulo Freire, Acervo Instituto Paulo Freire

Coordenadores do Projeto Memória Jason Mafra Sonia Couto

Projeto Gráfico e Diagramação Miriam Lerner

Colaboradores Anderson Alencar Alex Ribeiro Flander Calixto

Capa Lula Ricardi – XYZ Design

28 Paulo Freire

E D U C A R PA R A T R A N S F O R M A R



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