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Escola Sesc de Ensino Médio COLEÇÃO INCUBADORA CULTURAL • 2014

Volume

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IV CONCURSO JOVENS

DRAMATURGOS 2014

Sistema Off-line Rafael Lorran – MG


Sistema Off-line


Sistema Off-line Rafael Lorran Minas Gerais Sesc | Serviço Social do Comércio Escola Sesc de Ensino Médio Gerência de Cultura Rio de Janeiro, novembro de 2014


Sesc | Serviço Social do Comércio Presidente do Conselho Nacional Antonio Oliveira Santos Diretor-Geral do Departamento Nacional Maron Emile Abi-Abib Diretora da Escola Sesc de Ensino Médio Claudia Fadel

Coordenação do IV Concurso Jovens Dramaturgos Viviane da Soledade Núcleo de Comunicação Leonardo Minervini Edição Projeto gráfico e diagramação Rafael Macedo Preparação de originais e revisão Mariana Nascimento

Diretor adjunto da Escola Sesc de Ensino Médio Robson Costa

© Escola Sesc de Ensino Médio Gerência de Cultura Av. Ayrton Senna, 5.677 – Jacarepaguá Rio de Janeiro – RJ – CEP 22775-004 www.escolasesc.com.br espacocultural.escolasesc.com.br

Coordenação Editorial Gerência de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio Gerente Sidnei Cruz

Impresso em novembro de 2014. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte dessa publicação poderá ser reproduzida sem autorização prévia por escrito da Escola Sesc de Ensino Médio, sejam quais forem os meios e mídias empregados: eletrônicos, impressos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.

LORRAN, Rafael. Sistema Off-line / Rafael Lorran. — Rio de Janeiro: Escola Sesc de Ensino Médio, 2014 44p.: 11 x 17 cm. — (Concurso Jovens Dramaturgos, v.4) Texto apresentado no 4o Concurso Jovens Dramaturgos. ISBN 978-85-66058-30-7 1. Dramaturgia. 2. Cultura. I. Escola Sesc de Ensino Médio. II. Título. III. Série CDD 869.2


Ao longo do tempo, os projetos nacionais e regionais do Sesc tornaram-se referência e conquistaram credibilidade do público, com iniciativas que expressam a contribuição permanente do empresariado para o desenvolvimento cultural da sociedade brasileira. As ações nas áreas de Educação, Saúde, Cultura e Lazer traduzem a busca da entidade em promover a melhoria da qualidade de vida do trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo. Democratizar o acesso aos bens culturais, apoiar manifestações que contribuam para a criação artística e intelectual, estimular projetos de interesse público, especialmente os que circulam à margem do mercado, são objetivos da entidade. Uma das formas de o Sesc atuar no campo da cultura é o estímulo à produção artístico-cultural. Ao se constituir como um dos espaços de sua viabilização, o Sesc cria condições para o seu revigoramento e contribui para o aperfeiçoamento da produção cultural brasileira, para a melhoria do nível intelectual do povo brasileiro e para o fortalecimento do sentimento de identidade nacional, vistos como condições essenciais do desenvolvimento. Antonio Oliveira Santos Presidente do Conselho Nacional do Sesc 5


Há mais de seis décadas, o Sesc trabalha para proporcionar aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo uma melhor qualidade de vida por meio de uma atuação de excelência nas áreas de Educação, Saúde, Cultura e Lazer. Apoiar manifestações que contribuam para a criação artística e intelectual; estimular projetos de interesse público, especialmente os que circulam à margem do mercado; democratizar a cultura nacional, promovendo o acesso aos bens culturais, são objetivos cotidianos da entidade. A proposta do IV Concurso Jovens Dramaturgos 2014 é incentivar a criação artística da juventude brasileira contemporânea e contribuir para o hábito da leitura e da escrita. Conscientes de que a cultura brasileira é um importante pilar para a afirmação de nossa identidade, esperamos continuar contribuindo para atingir as mais diversas comunidades e difundir toda a riqueza cultural de nosso país. Maron Emile Abi-Abib Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc

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É com imensa satisfação que a Escola Sesc de Ensino Médio, por meio da sua Gerência de Cultura, abre espaço para novos talentos da dramaturgia. O estímulo a jovens talentos brasileiros tem sido objeto constante de nossas ações. Nesta direção, o IV Concurso Jovens Dramaturgos revelou, e agora apresenta ao grande público, a riqueza da expressão literária brasileira no âmbito das Artes Cênicas. Esta bela coletânea revigora a crença no potencial da nossa dramaturgia em sintonizar o imaginário coletivo e de reinventar-se cotidianamente. É, de fato, um presente para todos nós. Claudia Fadel

Diretora da Escola Sesc de Ensino Médio

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Educação da sensibilidade Múltiplas são as vias de acesso à educação da sensibilidade do jovem cidadão brasileiro e para dar conta de tão variadas possibilidades é que imaginamos e praticamos uma regularização sistemática de projetos de incentivo para o desenvolvimento da leitura e da literatura, da fruição e da criação. Acreditamos que a ampliação de oportunidades para a produção de escritas criativas por meio de concursos, laboratórios, oficinas, publicações, leituras performáticas, palestras e encontros com profissionais e amadores é um horizonte que se abre com vistas à formação de novas comunidades de ideias. Sempre pensamos em ações conjugadas que como ondas se desdobram sobre o terreno arenoso da práxis, de tal maneira que o Concurso Jovens Dramaturgos se liga a um encontro-residência entre os autores selecionados e os participantes da comissão de seleção e, em outro momento, liga-se a uma atividade de convivência com autores profissionais da nova geração, ligando-se, ainda, a um programa de debates e experiências de ver os textos publicados com direito ao ritual da noite de autógrafos. Estamos atentos à necessidade de estimular os diversos elos da cadeira criativa que alimentam o desenvolvimento da sensibilidade. O sistema vai dos impulsos mentais da criação, da vontade de se expressar pela escrita, passando pelo jogo, pela prática social da 8


formalização no papel, na tela, na lida da fabricação de artefato escrito, até a confecção do objetivo livro e do prazer de fazê-lo circular de mãos em mãos. O Concurso Jovens Dramaturgos não é uma ação isolada; pelo contrário, é uma ação-imã que atrai e integra um conjunto de atividades componentes das linhas de ações da política de incentivo à literatura e à formação de leitores realizadas pela Gerência de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio. Trata-se de um agir cotidiano com o propósito de contribuir para o desenvolvimento cultural local, estendendo e disseminando práticas culturais para as populações juvenis escolares e comunitárias. Assim, ambicionamos dialogar com as pedagogias formais das escolas públicas e privadas, oferecendo uma rede de ações que abrigam projetos e espaços como o Poética, o Canto Poético, o Café Literário, o Banco de Con/Textos, as Leituras em Cena, os Laboratórios de Crítica Teatral, o Diário de Bordo de Vivências Culturais, a Caixa de Ferramentas e a Incubadora Cultural. Parafraseando Michel de Certeau, pelas artes de fazer vamos reinventando o cotidiano.

Sidnei Cruz Gerente de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio

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Rafael Lorran


Nasci em Itamarandiba, cidade enraizada no alto Vale do Jequitinhonha/MG. Ali, onde a poesia respinga doce entre as montanhas e o sal da terra tonaliza as relações vividas, cresci gostando de contar histórias, observar os homens e recriá-los em mim mesmo. Desde então, pairo entre contos e recantos. Professor de Teatro Licenciado pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES e mestrando em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Em Montes Claros, através da Associação Cultural A Trupe e da Companhia RÁ! de Teatro, integrei o elenco e co-dirigi as montagens dos meus respectivos textos dramáticos: “O Caixeiro a Flor” (2011), “De Chapéu e Coração, Três Histórias de Paixão” (2012), “A Lição da Águia” (2010). No ano de 2013, escrevi o drama em cordel “Mané Romão Perdeu a Rima”, com montagem homônima realizada pelo ator e bailarino Antônio Meira (Instituto Brincante, Antônio Nóbrega - SP). Integro o corpo de Colunistas do Página Cultural de Uberlândia, onde compartilho vestígios de inquietação em forma de crônicas e contos. Sou membro do Núcleo 2 – Ateliê de pesquisa e criação teatral, coordenado pelo professor e diretor Narciso Telles (UFU) e passo as manhãs de quintas-feiras no Ateliê de Dramaturgia da mesma Universidade. Bom, como em toda suma pensante, não sabendo ao certo quem sou, o exercício de composição da própria biografia é um gesto de apego e desapego. O que esqueci de citar, de certa forma não existiu. Sigo querendo escrever sobre pessoas, seus pés e suas asas. Tudo isso junto é tudo que se pode dizer.

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Texto de apresentação da obra

Paco e o tempo SISTEMA OFF-LINE Rafael Lorranda obra Texto dedeapresentação

Paco e o tempo

de Cecilia Ripoll Eizirik Por Renata Mizrahi Por Dora Sá


Sistema off-line Num futuro não muito distante, um cataclismo destrói os meios de conexão digital, deixando o planeta Terra off-line. Em apenas um Ato, o autor condensa esse acontecimento de alto impacto, levantando alguns pontos de vista sobre o assunto. A partir de ações e diálogos que expõem nossa dependência e fragilidade diante desse sistema digital solicitado para o simples transcorrer do nosso dia a dia, o texto nos coloca a pensar sobre o assunto... E se ficássemos realmente off-line, o que aconteceria? Somente esse resumo superficial já dá “pano pra manga” para se imaginar desdobramentos e situações para o assunto: o texto é um prato cheio para qualquer equipe de criação que queira levá-lo à cena. Com a negação da relação palco plateia proposta pelo autor e indicações de cena claras e diretas, Rafael coloca as personagens no meio da plateia, ou a plateia no meio das personagens, gerando uma relação diferenciada do teatro realizado no palco italiano tradicional. As sensações geradas por essa proximidade são força e potência para a equipe dos criadores da cena mexerem com a imaginação dos presentes. A partir de uma tragédia de alcance global, o autor expõe alguns diferentes pontos de vista e possibilidades de recomeços para a humanidade. Tudo isso deve acontecer muito próximo da plateia, a partir da aproximação física das personagens, presente na citada indicação do autor. 13


O texto traz também indicações cenográficas, mas não pretende uma explicação, ou lição de moral ao final. Na conclusão do espetáculo, a interrogação que fica não pretende nos “ensinar” como devemos viver nossas vidas, mas sim nos fazer refletir sobre nossas escolhas. Os diálogos trazem uma carga literária e seguem uma estrutura cronológica de fácil entendimento e com um pouco da complexidade das ficções científicas. Levantam uma discussão de interesses, e, nesse sentido, interesses da humanidade, de modo a trazer um sentido universal ao texto que poderia se passar em muitos lugares no mundo, de forma generalizada, nos forçando a pensar em que tipo de mundo queremos e como construímos nossas dependências e necessidades para o futuro. Assim, o texto “Sistema off-line” promete uma leitura ritmada e dinâmica, indicando uma cena cheia de ação, agilidade e diálogos mais densos.

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PERSONAGENS O SENHOR A SENHORA O RAPAZ A MOÇA

ESPAÇO Drama para encenação em espaços alternativos. Negação da relação palco/plateia estabelecida pelo espaço palco Italiano.

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PRÓLOGO Blecaute total. Além da transmissão de voz em off, ouve-se ofegantes respirações, barulhos e estalos produzidos pelos personagens que estão distribuídos pelo espaço, junto à plateia. Os sons gradativamente aumentam volume e ritmo ao longo do comunicado. Sensação de caos e desordem compõe a atmosfera da cena.

VOZ EM OFF: 08 de dezembro de 2035. O Planeta Terra vivencia o mais terrível caos desde a derrocada dos dinossauros e a implosão do divino dilúvio. O inesperado “Cataclismo Ambrosius” assolara o litoral oeste da Europa, parte da América e da Ásia ocidental. Cerca de dez milhões de toneladas de cabos intramarítimos infiltrados ao longo do Atlântico e em parte do Pacífico, responsáveis pela conexão e distribuição da rede virtual de internet entre os continentes do planeta, foram rompidos e inutilizados pelo desastre climático, comprometendo 70% da conectividade digital na Terra. Como se não bastasse a catástrofe da natureza, a Corporação Russa CiberMilitar de Hakers profissionais, em parceria com a até então desconhecida C.i.374, Central de Inteligência Cibernética da Ásia Oriental, lançam no espaço os primeiros mísseis de destruição em massa dos 3.456 satélites de recepção e distribuição do código digital às centrais de redes e mídias interativas via internet, aniquilando em menos de duas horas todo e qualquer transmissor de informação virtual do universo. O Planeta Terra atualiza o status: SISTEMA OFF-LINE. Silêncio profundo. 18


ATO ÚNICO RAPAZ: (Depois de uma longa tentativa, consegue, enfim, acender uma fogueira entre pedras e gravetos) A... a...alguém aí? Ouço alguém se mexendo, re...responda! MOÇA: (Surge ameaçando o rapaz com uma pedra nas mãos, tomada pelo medo e nervosismo) Como você fez isso, responda? Como fez isso aí? Passe já pra cá, anda, passa, passa. RAPAZ: Pelo amor de Deus, não faça nada comigo. MOÇA: Fica quieto, calado! Passa isso pra cá, já, não vou repetir. RAPAZ: Passar o quê? A fogueira? Não tô te entendo, senhora. MOÇA: Senhora o caramba. (impressionada) Como é mesmo que isso aí se chama? Pra que serve? SENHOR: (gritando do outro lado da sala) Isso serve pra destruir uma Era e instaurar outra ainda mais inútil. MOÇA: Quem é você, do que tá falando? RAPAZ: Abaixa essa pedra, moça, vamos conversar como dois... MOÇA: (grita) Já disse pra ficar calado! SENHOR: Sua persuasão não vai adiantar, rapaz, passe pra ela o fogo. Entre um fruto, um desejo e uma ordem, 19


criou-se o pecado. Ela sabe disso, é mulher, e foi quem primeiro escolheu o desejo, não hesitará em te matar. Nós dois nem temos o que escolher, já estamos procriados, o que significa a perda de nossa função aqui. O Senhor ri alto. A Moça acende um lampião a gás na chama da fogueira.

MOÇA: Muito bem, agora quero que todos me ouçam. SENHORA: Socorro! Alguém, socorro! A Moça segue andando lentamente até a Senhora, que está soterrada sobre um enorme monitor de computador, e a resgata. Aos poucos, a luz do ambiente vai tomando conta do espaço, revelando escombros, vários fios e cabos de conexão, destroços de aparelhos eletrônicos, celulares e monitores de computador por toda parte. Fumaça e silêncio.

MOÇA: Diga o seu nome e o que sabe fazer para contribuir com essa comunidade. SENHORA: Mas que história é essa, onde conseguiu isso, mocinha? Apague-o agora, acabou de amanhecer e precisaremos de luz ao anoitecer, não gaste os últimos resquícios de gás. Céus... A Moça obedece.

SENHOR: A moça está certa! Muito bem, garota. Precisamos restabelecer uma nova ordem vigente. Posso dominar as técnicas de linguagem, conhecimentos gerais 20


e armazenamento de alimentos em rede. E você, rapaz? Fale um pouco sobre o que sabe. RAPAZ: Posso construir habitações, senhor! Conheço os principais métodos de criação de plataformas online. Já cultivei sítios e fortes digitais; também conheço os mecanismos de invasão inimiga. Inventei mais de quarenta programas antihakers e antivírus de capacidade intransponível e gratuita. SENHOR: Ótimo, meu camarada, sendo assim, acabamos de consolidar uma metrópole segura. Todo poder só é vigente num aglomerado de inconscientes. Assim, temos uma cidade organizada agora. SENHORA: Mas do que vocês estão falando? Precisamos nos lembrar da última coisa que aconteceu antes de pararmos aqui. Peraí... Acordei, tomei um banho frio, me troquei e fui ao banco retirar dinheiro, isso! SENHOR: Não se preocupe, senhora, criaremos nossa própria moeda. Aliás, se bem me lembro, esse é o próximo passo: comercializar, e comercializar muito. Quem aqui sabe navegar? A Moça e o Rapaz arguem os braços com entusiasmo.

MOÇA E RAPAZ: Conhecemos técnicas de navegação em rede com alta velocidade, senhor. SENHORA: (indiferente aos outros, tenta recobrir a memória, ficando cada vez mais nervosa à medida que se recor21


da) Passei na casa da Viviane, a coitada estava dormindo sobre efeito de fortes calmantes; tomei café com o Valdemar, com quem eu não falava desde novembro do ano retrasado. Aí cheguei ao banco... A explosão, foi isso! Um bando de pessoas explodiam os caixas eletrônicos dizendo que precisavam pagar suas contas, precisavam comer, as empresas não depositaram os salários, o sistema financeiro estava inativo pela falta de internet, os cartões de crédito também não funcionavam... Som de bombardeios lá fora. O Rapaz sobe sobre um dos escombros e é como se visse através de uma janela.

RAPAZ: Eu já imaginava, santo Deus! Os inimigos estão declarando guerra. Quantos somos, senhor? Quantos somos? MOÇA: Não temos cavalos, não temos armas suficientes. Precisamos de um informante lá fora, alguém que se conecte para além de nossas fronteiras, o que o senhor sugere? SENHORA: Silêncio! Não percebem que estou tentando entender tudo isso. (silêncio) Fui para casa desesperada, e tentei fazer o almoço enquanto assistia TV, mas meu aparelho digital nem dava sinal, chiava o tempo inteiro. O apartamento da Juraci, o 102, começou a pegar fogo, mas os telefones não funcionavam e os bombeiros não apareciam. (começa a anotar, desesperadamente, tudo que se lembra numa pequena caderneta que tirara do casaco). 22


RAPAZ: Eu também me lembro de algo assim. Quando saí da universidade... SENHOR: Um minuto! Estou notando algo estranho e com toda esse barulho comprometem minha interatividade com o espaço. Sintam! Por um instante recobro meus sentidos e ultrapasso vossa pobreza espiritual. Algo de muito esquisito paira logado na atmosfera. MOÇA: O senhor está passando bem? SENHORA: (continua suas anotações) Aí a Juraci tentou correr pra minha casa e saber se o telefone funcionava no terceiro andar, mas os elevadores nem se mexiam. Então, corri para fora de casa e a Marilda me disse que os aeroportos estavam parados, porque toda informação de voo vinha dos satélites, falou que a vendedora de coxinha na esquina teve um ataque de asma e que os hospitais estavam congestionados e não faziam ficha porque os computadores estavam inúteis.... Intensificam os sons de bombardeios. Segue um minuto de silêncio e calmaria que logo é cortado pelo som de pancadas na porta.

MOÇA: (assustada) Uma invasão surpresa. É o fim. RAPAZ: Acenda o lampião, podemos lançar fogo pelas janelas. O monitor que estava próximo ao Senhor pisca rapidamente, ouve-se o efeito de mensagem recebida em caixa de e-mail ou Facebook. Todos entreolham-se atônitos. 23


SENHOR: Vejam só, ouçam todos, recebi um sinal! TODOS: Um sinal? A Moça e o Rapaz correm de joelhos até os pés do Senhor. A Senhora permanece onde está.Esforçando-se ainda para relembrar cada pormenor, anota tudo em sua caderneta.

SENHOR: Um sinal para além de nossa razão, apareceu para mim, para mim! MOÇA: O que isso significa, o que dizia, fale? SENHOR: O que já imaginávamos. Fui o escolhido para guiar nossas estratégias e reger essa nação. Sou digno entre vocês de receber informações virtuais e tomar as melhores decisões. Sobre minha regência soberana estarão salvos. Recolham alimentos e me tragam o que houver de valor nessa bagunça, produzam seus armamentos. Lutaremos ao anoitecer deste mesmo dia. Aliás, de que serve uma nação sem uma missão digna de morte? RAPAZ E MOÇA: Sim, senhor! MOÇA: Ao que parece, o senhor quer dizer que agora temos um rei? SENHOR: Como acharem melhor! RAPAZ: E como devemos chamá-lo, senhor? SENHOR: Pode ser... bom... bem.... ON, apenas ON! Hã, que tal? 24


RAPAZ E MOÇA: Sim, Grande ON! SENHOR: Para os seus trabalhos, meus amados. Logo anunciarei a hora do ataque. Os jovens obedecem. Levam comida enlatada para ele e põem-se a torcer infindáveis fios e cabos de cobre que estão sobre os escombros. O Senhor senta-se sobre o monitor que piscara e degusta calmamente os produtos enlatados.

SENHOR: (para a Senhora) E você, o que está fazendo parada aí? Deixe-me ler o que tanto escreve nesse caderno sujo. Não vê que estabelecemos uma ilha absolutista? Não temes o poder e a ordem, senhora? Lembre-se que a qualquer momento posso receber outro sinal da grande rede e mudar todo o curso dessa página! SENHORA: Faça-me o favor. Acha mesmo que vou cair nessa conversa fiada. Me deixe quieta, estou tentando resolver essa desordem do meu jeito. SENHOR: (rindo) Como é inocente, pobre mulher. Pouparei sua punição em homenagem a seu exímio gosto pela literatura. Vejo que ainda sabes escrever à mão. Isso pode ser de grande valia num futuro próximo. Falando nisso, quer ocupar o cargo vago de conselheira? Tenho boas propostas para esse título. Mais sons de bombardeio e pancadas na porta. A Senhora corre por toda parte tentando averiguar o espaço.

SENHORA: (nervosa, corre até o Rapaz e a Moça) Ô rapaz! Ô mocinha! Querem parar com essa palhaçada e me 25


ajudar a encontrar uma saída, tirem esses traseiros da ignorância e vamos encontrar juntos uma solução pra toda essa bagunça. MOÇA: A senhora ficou louca, não tá ouvindo o que está acontecendo lá fora? Se sairmos daqui sem armas potentes seremos esmagados pelos inimigos. Se eu fosse você, não discutiria tanto, há muito trabalho a fazer. Comece logo, antes que seja castigada pelo Grande ON. Não creio na piedade de nosso soberano. SENHORA: Mas isso não é possível, isso não pode estar acontecendo comigo, com vocês, seus tontos! Estão confiando suas vidas nas mãos desse ordinário. RAPAZ: Não insista, esperaremos o sinal para o ataque. O Grande ON tem vastos conhecimentos de guerrilha e já leu todas as biografias de grandes monarcas que se encontravam disponíveis para download. MOÇA: Se eu fosse a senhora, tomava cuidado, ele não gosta de opiniões contrárias, é preciso curtir e compartilhar as suas ordens. (em segredo) Não corra riscos, ele pode te excluir da comunidade, e isso não será legal. RAPAZ: Ele também nos permite comer quando nos cansamos do trabalho. Assim nos tornaremos fortes, uma frente imbatível contra o inimigo. O Senhor cantarola uma canção qualquer. A senhora abraça a Moça e o Rapaz e fala em tom de confidência.

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SENHORA: E quem lhes disse que são inimigos? As pessoas lá fora estão tão desconectadas quanto nós. Talvez precisem de ajuda, de comida, de abrigo. Melhor ainda, talvez elas tenham respostas para tudo isso, saídas mais racionais. Quem sabe até não batem em nossa porta para dizer que tudo voltou ao normal. Essas bombas podem ser tiros de comemoração ao retorno da grande rede. As pessoas estão contentes, livres de novo. Precisamos adicioná-los. Abrir as portas, as janelas, deixar que a luz invada esse esconderijo de trevas e cheiro de mijo. O Rapaz e a Moça mostram-se profundamente pensativos.

SENHOR: (ainda comendo) Não temos tempo para carência e muito menos utopia vã, minha senhora. Estamos produzindo o futuro desse planeta. Porque não continua escrevendo o seu livrinho, hein? Pode servir de memória e documento em nossos próximos arquivos armazenados na nuvem. Hã? SENHORA: Quer saber de uma coisa, Senhor Grande ON de merda? Pouco me importa seu comando mal administrado enquanto dorme seu traseiro sobre a minha liberdade , seu canalha! SENHOR: O que foi que a senhora disse? Repita, sua insolente! SENHORA: Eu disse isso mesmo que você ouviu. Não me venha dar ordens porque não serei escravizada pelo

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seu sistema falido. Essa comida não é sua, esses destroços não são seus, esse povo não é seu. Somos livres, tá ouvindo, livres pra pensar, para postar e criar a página que quisermos nesse espaço. Vou sair por aquela porta, recuperar a sanidade que estou prestes a perder aqui dentro, e, junto dos outros necessitados, vamos recriar um novo sistema mais justo, veloz e eternamente online. Perde quem ficar aqui, sendo capacho de um Rei FAKE! RAPAZ E MOÇA: Oh não, essa não, ela disse Fake! SENHOR: (com ódio) A senhora sabe que, em nosso idioma vigente, essa maldita palavra significa mentira, blasfêmia, inverossimilhança, minha nobre corajosa? E sabe também que, ao dizer tudo isso, sujou a minha reputação diante do MEU povo. PRENDAM-NA, AMARREM-NA! Ela é uma ameaça ao nosso futuro, ao nosso sucesso, “uma ameaça foi detectada”! O Rapaz e a Moça agarram a senhora e prendem-na com os cabos e fios de cobre.

SENHORA: NÃO, vocês vão se arrepender por isso! SENHOR: Também a boca dessa insolente, amarrem, tampem-na. Muito bem! Masque coisa desnecessária. Isso me deixou extremamente cansado. Moça, cante uma canção para mim! Todo grande líder carece de um artista por perto. Preciso descansar meus ouvidos e minha mente. Não posso passar por isso novamente, 28


ouviram? Continuem em seus trabalhos, precisaremos de fortes cabos de conexão e grandes escalas de metragem de cobre. (pausa) Mocinha, ainda não começou a cantar? MOÇA: Mas senhor, eu não sei fazer isso. SENHOR: Como não sabe cantar? Por acaso não acompanhava as recentes produções musicais, não vivenciou o avanço da tecnologia musical nas últimas duas décadas? Autotune, Autotune... Ninguém sabia cantar minha filha, seus avós e pais também não sabiam cantar. Mesmo assim todos cantavam. Venderam discos e ganharam prêmios importantes. Se vira! Faça como eles, encontre uma saída. Quero música para meus ouvidos. A Moça começa a cantarolar um grande sucesso musical de massa que seja ouvido na atualidade.

SENHOR: Cale-se! Volte a trabalhar com seu companheiro. Mas o que é isso? Essa música ainda existe? MOÇA: Sim, senhor, há vinte anos lidera o ranking das rádios virtuais, inspirou grandes obras populares, foi solicitada pelas maiores transmissoras de TV, tem mais de 400 trilhões de visualização na rede social, quer dizer, tinha não é mesmo! Mais sons de bombardeio e batidas ainda mais fortes na porta. A senhora range os dentes tentando desatar as amarras.

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RAPAZ: Senhor, creio que já podemos atacar. Temos fogo e metal suficiente. Não aguento mais trabalhar. Estou enfraquecendo e isso não será interessante à nossa guerrilha. Os alimentos estão acabando e precisamos economizar energia. SENHOR: Por acaso está dizendo que eu como muito, rapaz? MOÇA: Ele só quis dizer que... SENHOR: Ainda não te desbloqueei, minha cara mocinha. Mas o que é isso, todos resolveram torrar minha paciência de uma só vez? Quero esse exército forte o suficiente para enfrentar qualquer tipo de combate lá fora. E vocês ainda não se mostraram dignos de batalha. Continuem a trabalhar! O Rapaz e a Moça põem-se imediatamente a trabalhar.

SENHOR: Pão e circo, não é mesmo? Imagino que lhes falta o circo nesse instante. De nada posso fazer, o único entretenimento e prazer que gozávamos encontra-se fora do ar, log out, exit, off-line. (gargalha irônico) O Senhor retira de dentro do seu figurino um antigo walkman e tapa os ouvidos. A senhora, vendo-o, tenta desesperadamente avisar e mostrar aos outros.

RAPAZ: Mas o que é isso senhor? Não sabíamos que o senhor possuía um aparelho de extrema tecnologia. Talvez possamos nos comunicar com as centrais e encontrar um informante externo. 30


O Senhor não ouve o Rapaz, está entretido com o aparelho.

MOÇA: (num ódio súbito, retira o walkman do Senhor) Mas o que é isso? Quer dizer que o amado Grande ON goza de privilégios dos quais não temos consciênciae muito menos acesso? Por acaso o senhor não percebe que somos nós quem dominamos as armas e as técnicas de combate? Rapaz, solte a senhora. Ela tinha toda a razão, amante do povo, senhora do saber. (O Rapaz obedece). RAPAZ: (aproximando-se lentamente do senhor, com cabos de cobre nas mãos) Que coisa feia. Utilizando das posses fielmente dadas pelo povo, crentes em sua inteligência e capacidade de liderança, e passa a usufruir sozinho do maior bem da humanidade. Nunca pude imaginar coisa assim, nunca. SENHOR: Mas o que é isso, voltem ao seu trabalho, insolentes! Ora, rapaz, lembra que fui euquem te salvei quando a moça aí queria lhe tombar com uma pedrada em sua memória ram, querendo destruir nossa placa mãe em troca de fogo? Lembre-se disso! MOÇA: Não acredite nele, rapaz. Sabes muito bem que estávamos todos confusose inexperientes. A partir de agora, somos a lei desse estado livre, temos o poder e a ordem em nossas mãos. O povo nos amará, seremos o símbolo da segurança mundial impedindo as ameaças à conectividade pacífica entre os novos internautasque nascem numa Era de transformação. 31


RAPAZ: Por todo esse tempo pensei que o senhor representasse meus sonhos de retorno ao acesso, que sabia ao certo o que devíamos fazer para conseguir de novo nossos perfis e páginas. Mas não. Ao contrário, plantava a indiferença e a diferença, possuía nos escombros de seu poder a célula do avanço, a semente e esperança do futuro guardada só para si. MOÇA: Plantaremos a liberdade nos corações desse universo, nos confins onde os cabos e fios ainda estejam inativos e imersos na escuridão. A Senhora, assustada, observa tudo de longe.

RAPAZ: Todo poder aos CiberMilitares! Prendem o Senhor e colocam sua cabeça sobre a tela de um monitor. Enquanto a Moça o segura, o Rapaz sustenta um imenso cabo de cobre em posição de corte.

SENHOR: Vocês ficaram loucos, não sabem como agir daqui para frente. Me solta, me larga! MOÇA: Não somos franceses, meu caro senhor, mas sabemos muito bem como se corta a cabeça de um tirano indigno. SENHORA: Um momento! Imediatamente interrompem a morte do tirano.

SENHORA: Sei que tal ato faz-se necessário. Mas podemos pular a etapa do senso comum, e adentrar a solução correta de uma vez. Ganhando tempo, ganhamos o resto. 32


MOÇA: O que a senhora quer dizer, o que sugere? Ele cuspiu sobre a face da nossa moral, subestimou nossa força conhecimento. SENHORA: Eu entendo, e concordo com cada palavra sua. Mas precisamos primeiro saber o que acontece lá fora. Como explicaremos um homem e sua cabeça ensangüentada rolando por nossas mãos? Podemos ser fotografados durante esse ato, não sabemos se o grande monitoramento virtual já normalizou o seu funcionamento. Podemos estar sendo filmados agora, nesse exato instante. RAPAZ E MOÇA: Oh, isso é verdade! O grande olho que tudo sabe e tudo vê. MOÇA: Que saudade da não-privacidade, como me sentia segura e amada. Oh, Grande Senhora, diga-nos como devemos agir a partir de agora? SENHORA: Não me tratem assim, devemos nos comportar igualmente, com os mesmos direitos, interesses e deveres em prol de uma ordem maior, um bem comum, uma comunidade justa, eu, você, você e todos que se encontram necessitados ali, atrás daquela porta. Juntos somos o poder! RAPAZ: Sei o que ela quer dizer, já entendi os seus planos. Criaremos um forte PARTIDO e, quando sairmos lá fora, mostraremos ao mundo tudo o que vivemos aqui dentro, nossa história de resistência e sabedoria, nosso 33


sofrimento, e então saberão ao certo como viver um novo sistema, não é isso? SENHORA: Justamente, meu caro rapaz. Não podemos matá-lo assim. Ao contrário, ele pode se tornar nosso cúmplice, álibi de imagem popular. Ora, podemos tirar fotos ao lado do sujeito e compartilhar o perdão e compaixão que vertemos a esse pobre homem. RAPAZ E MOÇA: Que honestidade, que honra conhecê-la! SENHOR: Que honestidade, que honra conhecê-la! SENHORA: Se aniquilarmos a vida deste homem, quando retomarema grande rede, podemos ser expostos mundialmente como assassinos cruéis e impiedosos. Teremos sujado para sempre nossa reputação, não teremos dinheiro suficiente para limpar das mídias os nossos rostos, comentários, correntes, compartilhamentos e criação de movimentos sociais que incitarão a revolta contra nós. RAPAZ: Que perspicácia! MOÇA: Precisamos conhecer melhor os seus planos de ação. SENHORA: Claro, mas lembrem-se: não sou a mentora de nada, apenas reflito junto de vocês. Cada um de nós terá uma função nessa nova empreitada. Inclusive o senhor, sua sentença é prestar serviços à divulgação de nossas ações. 34


SENHOR: Como quiser. SENHORA: (aos poucos a fala da Senhora torna-se um eloquente discurso quaseeleitoral) Cada um de nós receberá o seu salário mínimo para que possa dedicar cada minuto de suas vidas ao bem estar do universo. Ao abrir aquela porta, quero sentir no rosto de vocês a gana, a força, a vontade de mudar esse caos que instauraram em nosso planeta. (aplausos e contidos gritos de aprovação por partedos demais personagens) Eu, você, todos nós temos a capacidade humana deencontrar saídas, de resolver problemas e criar um lugar mais digno para constituirnossas famílias, aumentar o número de nossos amigos, encontrar relações sólidas,postar nossas reais impressões sobre o mundo e nossas sinceras opiniões sobre o cursodessa história. TODOS: Bravo! Bravo! Bravo! SENHORA: Quando abrirmos aquela porta, deixaremos aqui dentro toda e qualquerforma de medo, todo tipo de pressão e injúria contra o acesso à informação e aoentretenimento. Somos capazes de atualizar uma nova página em nossas vidas, deconstruirmos juntos, como uma enorme família, uma plataforma mais sólida, forte,democrática e verdadeiramente UNIVERSAL! (gritos e aplausos. Música) SENHORA: E, se atrás daquela porta encontrarmos a face sombria da oposição, saberemos como agir, porque lutamos lado a lado, somos bem alimentados e 35


pagos para provar com bravura a nossa gana, garra e gosto pela vitória! Saboreie, minha gente, navegue com segurança, não haverá limite para nossa curiosidade e conhecimento. A TERRA É NOSSA! (gritos e euforia) De repente, ouve-se a sobreposição gradativa de toques musicais e “vibracal” oriundos dos aparelhos celulares guardados nos bolsos dos personagens. As telas detodos os monitores acendem-se repentinamente, revelando as diferentes páginas de redes sociais e sites populares. Uma grande gritaria pode ser ouvida do lado de fora. Mais batidas na porta. Cai a luz do ambiente e instaura-se um caos sonoro e digital, celulares e demais aparelhos tocando. Os personagens permanecem incrédulos e emudecidos enquanto dá-se o blecaute.

FIM

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Comissão julgadora Alvaro Fernandes de Oliveira é formado em Comunicação Social - habilidade em Jornalismo Impresso, pela Universidade Estadual da Paraíba. Dramaturgo premiado em vários Festivais de Teatro, ator, diretor teatral, poeta e escritor de livros infantis premiados, professor de teatro do Curso de Formação de atores do Teatro Municipal Severino Cabral, Coordenador de Cultura do Sesc Centro Campina Grande e Curador do Projeto Palco Giratório.

Dora Sá é carioca, atriz profissional desde 1999 e atuou em diversos espetáculos amadores e profissionais na cidade do Rio de Janeiro. Em 2007, mudou-se para Belo Horizonte, onde atuou em projetos realizados pelo Galpão Cine Horto, trabalhando com profissionais como Luis Alberto de Abreu, Tiche Vianna e Francisco Medeiros no espetáculo Lúdico Circo da Memória. No

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ano seguinte, estava no elenco de Arande Gróvore, espetáculo de rua dirigido por Inês Peixoto e Laura Bastos, que gerou o Arande Coletivo de Atores. Hoje, segue conciliando suas atividades com Arande Coletivo de Atores, seu trabalho como analista de Artes e Cultura no Sesc MG e o curso de especialização em Mediação em Arte, Cultura e Educação na Escola Guignard, UEMG.

Fabiano Barros é natural de Recife, radicado em Rondônia desde 1999. É formado em Letras pela Universidade Inter Americana de Porto velho, tendo se especializado em Gestão Cultural pelo Senac-MT. Em 2011, foi curador do Prêmio Myriam Muniz da Funarte. Recentemente, cursou Licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Rondônia, na qual apresentou a sua monografia intitulada “A humanização dos mitos e lendas na dramaturgia amazônica”. Dirige a Cia de Artes Fiasco, que atua há treze anos em artes cênicas em Porto Velho. Escreveu cerca de vinte textos de teatro, entre os quais O Segredo da Patroa, Já Passam das Oito, Memória da Carne e O Dragão de Macaparana, todos montados em Rondônia. Atualmente, coordena o Setor de Cultura do Sesc-RO.

Felipe Vidal é diretor teatral, ator, dramaturgo e tradutor. Desde de 2009, é diretor do coletivo teatral Complexo Duplo. Realizou sua primeira montagem profissional em 1997, com O Rei da vela de Oswald de Andrade. Encenou e traduziu peças de Sarah Kane, Pu-

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rificado (2001) e O amor de Fedra (2004). Dentre seus trabalhos mais recentes estão: Rock’n’Roll, de Tom Stoppard (2009), Sutura, de Anthony Neilson (2009), Louise Valentina (2010/2011), de sua autoria junto com Simone Spoladore, e Tentativas contra a vida, de Martin Crimp (2010). Dirigiu também O campo e a cidade, de Martin Crimp (2012), e Depois da Queda, de Arthur Miller (2012/2013), que também traduziu. Em 2013, estreou Garras curvas e um Canto Sedutor, de Daniele Avila Small. Em setembro de 2014, estreia Na República da Felicidade, de Martin Crimp.

Henrique Buarque de Gusmão é professor do Instituto de História da UFRJ e membro do Instituto do Ator e da companhia Studio Stanislavski. É mestre em teatro pela UNIRIO, onde desenvolveu uma pesquisa sobre o diretor russo Constantin Stanislavski. Defendeu o doutorado em História Social na UFRJ, produzindo uma tese sobre a dramaturgia de Nelson Rodrigues. Desde 2002, trabalha com a diretora Celina Sodré, atuando em diversos de seus espetáculos como dramaturgo e ator.

Leonardo Munk é Doutor em Teoria Literária pela UFRJ, com doutorado sanduíche na Universidade Livre de Berlim. Atualmente, é Professor Adjunto 2 da UNIRIO, onde atua tanto na graduação (Teoria do Teatro/ Escola de Letras) quanto na pós-graduação (Pós-Graduação em Ensino de Artes Cênicas/Pós-Graduação em Memória Social). Dedica-se ao estudo das relações en-

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tre teatro e artes visuais, com ênfase nas tensões entre palavra e imagem, mito e história, memória e amnésia. É autor de textos publicados em livros e revistas acadêmicas, além de integrar os grupos de pesquisa ‘Formas e Efeitos, Fronteiras e Passagens na Linguagem Teatral’ e ‘Linguagem, Artes e Política’.

Lucas Feres é licenciando em Letras Português Francês pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Escreve desde novo, experimentando diferentes gêneros ficcionais. Em 2012, foi vencedor do II Concurso Jovens Dramaturgos. Atualmente, trabalha no Espaço Cultural Escola Sesc.

Tahiba Chaves é bacharel em Artes Cênicas, formada pela Universidade de Brasília (UNB). Atualmente, cursa o MBA em Gestão e Produção Cultural na FGV/RJ. Cursou especialização em Terapia Através do Movimento na Faculdade Angel Vianna, desenvolveu projetos e ministrou cursos para o Instituto Gaia trabalhando com comunidades no Vale do Jequitinhonha – MG. Atualmente, é assessora técnica em programação e produção cultural na Assessoria de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio.

Viviane da Soledade tem formação profissional como atriz pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e é Bacharel em Teoria do Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pós-graduada em Arte e Cultura pela Universidade Candido Mendes

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(UCAM) e mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É Assessora Técnica em Artes Cênicas da Gerência de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio, na qual desenvolve o trabalho de curadoria do projeto Palco Giratório, programação e produção cultural do Espaço Cultural Escola Sesc e coordenação do Projeto Social da Escola Sesc de Ensino Médio. Integra também a comissão julgadora do Prêmio Questão de Crítica e o Conselho Editorial da Revista Questão de Crítica no Rio de Janeiro.

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Sistema off line rafael lorran minas gerais  

Um dos textos vencedores do Concurso Jovens Dramaturgos - 2014

Sistema off line rafael lorran minas gerais  

Um dos textos vencedores do Concurso Jovens Dramaturgos - 2014

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