Revista renova dezembro 2016

Page 1

renov a #2

E S P-

MG:

HÁ 7 0 AN DA S O S C O N T AÚ D E PÚ RIBUIN DO BLIC A E M PA R A O MIN A S G F O R TA L DEZEMBRO/2016 ECIM ERA IS ENT 1

O

renova esp-mg


Há 70 anos contribuindo para o fortalecimento da Saúde Pública em Minas Gerais

2

renova esp-mg


Expediente

Governador do Estado de Minas Gerais Fernando Damata Pimentel Vice Governador do Estado de Minas Gerais Antônio Andrade Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais Sávio Souza Cruz

ESP-MG / Unidade Sede Av. Augusto de Lima, 2061 - Barro Preto Belo Horizonte - MG - 30190-009 ESP-MG / Unidade Geraldo Campos Valadão R. Uberaba, 780 - Barro Preto Belo Horizonte - MG - 30180-080

Diretora-geral em exercício da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais Ludmila Brito e Melo Rocha Assessor de Comunicação Social/ESP-MG Editor Responsável Harrison Miranda Coordenadora de Jornalismo Sílvia Amâncio (JPMG12573) Revisaõ Final Ricarda Caiafa (JPMG10811) Sílvia Amâncio (JPMG12573) Projeto Gráfico Guilherme Almeida Nascimento Fotografia Danny Eloi (Estagiária de Jornalismo) Fernanda Carvalho (Estagiária de Design Gráfico) Colaboração Danny Eloi (Estagiária de Jornalismo) Leíse Costa (Estagiária de Jornalismo) Jonathan Guimarães (Estagiário de Design) Sabrina Mares (Estagiária de Publicidade)

3

renova esp-mg


Roseni vive! A Revista Renova foi concebida para registrar os bastidores dos aniversários da ESP-MG e resgatar sua memória, uma das propostas de nossa diretora-geral Roseni Sena. No fechamento dessa 2ª edição, literalmente paramos as máquinas para nos despedir de nossa diretora. Roseni partiu no final do mês de setembro, mas até o último suspiro não parou de trabalhar e de nos inspirar, sendo dedicada, firme, honesta em sua fala e atitudes, generosa, organizada e determinada em suas ações. Fica aqui o registro dos trabalhadores da ESP-MG dessa despedida.

Roseni Sena: trabalho, inovação e inspiração por Trabalhadores da ESP-MG Na manhã do dia 26 de setembro de 2016, com profunda tristeza, tivemos que informar sobre o falecimento de nossa diretorageral, Roseni Rosângela de Sena, em Belo Horizonte, para amigos, colegas, parceiros, mundo oficial e para nós mesmos, o corpo de trabalhadores da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG), instituição septuagenária da qual ela foi aluna na década de 1980 e teve sua última atuação profissional. Compreendemos o simbolismo das águas que invadiram as duas Unidades da Escola, devido à chuva que caira na madrugada anterior. Um alagamento que, de alguma forma, expressava o pesar institucional pela partida de uma presença que ainda nos inspira, fortalece e insiste no nosso melhor. Roseni Sena, Rosa para os mais próximos, era graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (1977), especialista em Saúde Pública pela ESP-MG (1982), mestre em Epidemiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1989) e doutora em Enfermagem pela Universidade do Estado de São Paulo (1996).

4

Em sua trajetória profissional, além da ampla produção científica, teve importante participação nos movimentos pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, pela Reforma Sanitária e na criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua dedicação e compromisso no cuidado na prática da Enfermagem, era igual quando se tratava de inovação e articulação nas diversas tarefas que desenvolvia, sempre pautada pelos ideais democráticos e de justiça social. Trajetória Roseni de Sena foi diretora da Escola de Enfermagem da UFMG (1998-2002) e uma das criadoras do curso de Nutrição da instituição de ensino, além de Professora Emérita. Coordenou serviços t é c n i c o s e s p e c i a l i za d o s n a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), do Ministério da Saúde, e, por 25 anos, foi consultora da Fundação Kellogg na área de projetos de desenvolvimento social na América Latina. Foi também diretora de Inclusão e Cidadania do Centro de Arte Contemporânea Inhotim e diretora na entidade Serviço Assistencial Salão do Encontro, em Betim (MG).

Prêmios e condecorações Entre os vários prêmios e condecorações recebidos estão a Medalha do Mérito da Saúde, Medalha da Inconfidência, Medalha de Honra Presidente Juscelino Kubistchek, Prêmio Isaura Barbosa Lima e Prêmio Anna Nery, além do reconhecimento como Cidadã Honorária do Município de Brumadinho (MG). No início de 2015, Roseni assumiu a direção de nossa Escola. Foram intensos 20 meses de provocações, reflexões, ressignificados e afetos. De aluna a gestora, nos ajudou a chegar aos 70 anos em 2016, pautada pela Educação Permanente em Saúde e pela Gestão Participativa. Seguimos com a sensação de que sua presença permanecerá c o m o i n s p i ra ç ã o d e f o r ç a e persistência na busca por transformar ideias em realidade. Assim como a ESP-MG é um patrimônio do Estado de Minas Gerais, viva e atuante, Roseni Sena sempre será lembrada por sua capacidade de erguer, reerguer e inovar. Roseni vive!

renova esp-mg


Índice 7

8

10 11

Palavra da Diretora-geral Crônica Deu Certo Momentos Registros Fotográficos

17

Dia de Festa ESP-MG completa 70 anos e se mostra viva e atuante em prol do SUS

20

Personalidade Momento de recordações na comemoração dos 70 anos da ESP-MG

22 25

27 28

30 33

34 36

44 5

Editorial

46

Crônicas Por onde anda? Desafio A saúde como ferramenta de democracia Parceiros Muita música e nosso eterno agradecimento Arte e Cultura Com repertório rico da cultura popular Brasileira, Xicas da Silva empolga a ESP-MG Memória Viva Secretaria de Ensino: o coração da Escola Depoimento O olhar de fora de um lar de Saúde Pública Nuvem de Tags Palavras que marcaram os 70 anos da ESP-MG Entrevistas Especiais Memória 70 anos: ex-diretores da ESP-MG Entrevista Memória 70 anos: João Carlos Pinto Dias Homenagem

renova esp-mg


6

renova esp-mg


Editorial

Se tornar septuagenária com o mesmo vigor da juventude não é pra qualquer instituição. Mas para a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) essa máxima é verdadeira. Em 2016, a Escola completa 70 anos viva e atuante, contribuindo para o fortalecimento da Saúde Pública em Minas Gerais. É um ano memorável para a Escola. Momento de relembrar o passado, viver o presente e planejar o futuro. Nesse ano, retomamos o processo de discussão de nossa missão, de forna coletiva e participativa, envolvendo todos os trabalhadores da Escola sobre o nosso fazer e o papel social da instituição. Nesse sentido, a celebração dos 70 anos da ESP-MG foi intensa, cuidadosamente planejada por uma Comissão, que se reuniu desde o início do ano. Uma Comissão que agregou servidores engajados de vários setores da ESP-MG, trazendo ideias e discussões buscando sempre externar toda a alegria e importância de pensar e realizar a comemoração desses 70 anos. Reuniões intensas, animadas, regadas com várias ideias, um palpite daqui e outro dali, e tudo foi tomando forma. Um evento à altura do que a ESP-MG merece foi enfim marcado para o dia

7

03 de junho de 2016, uma sexta-feira. Muito trabalho e dedicação para que tudo ocorresse como manda o figurino. E assim foi. Também fizeram parte de todos esses bastidores a Assessoria de Comunicação Social (ASCOM), a Superintendência de Planejamento e Finanças (SPGF), a Superintendência de Educação (SEDU), a Assessoria Jurídica (ASJUR), a Diretoria de Logística e Manutenção (DLM) e a equipe dos serviços gerais da Escola. Um agradecimento especial para todos e todas envolvidos. Nessa segunda edição da Revista Renova, os leitores poderão saborear as recordações dessa data. Teve muita emoção, muito brilho no olhar e percebeu-se o quanto essa Escola é importante e necessária para o fortalecimento e manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS). Mais que matérias e fotos, os leitores terão emoção e certeza que a missão da Escola permanece forte e vibrante e que a valorização da memória institucional é prioridade em nossas ações. Além das recordações do dia 03 de junho de 2016, a Renova edição número 02, traz uma série de crônicas de momentos vividos por trabalhadores que passaram pela Escola. Tais relatos tomaram forma e resgataram com

simplicidade a história de quem por aqui passou e contribuiui para que a Escola chegasse nesse marco. Uma série de entrevistas especiais com ex-diretores da ESP-MG também estão aqui. Diversas décadas separam esses gestores, mas o sentimento de amor pela Escola pode ser percebido em todas as conversas com esses personagens, parte importante na luta pela consolidação de políticas públicas para a saúde e pelo aprimoramento constante dos trabalhadores por meio da Educação Permanente em Saúde. Não podemos deixar de agradecer a confiança e o importante apoio da diretora-geral Roseni Sena em relação ao trabalho desenvolvido pela ASCOM. Desejamos a todos uma ótima leitura e que esse recorte dos 70 anos nos inspire. Vida longa à Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais! Parabéns a todos que por aqui passaram, aos que hoje atuam nas diversas frentes de trabalho, e por que não dizer, para aqueles que terão a honra de passar por esses corredores, essas salas e todos esses espaços que nos brindam com conhecimento e muita resistência.

Harrison Miranda Assessor de Comunicação Social Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais

renova esp-mg


Palavra da Diretora-geral

Bom dia! Agradeço a presença de todos e todas. Comemoramos hoje 70 anos da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais, patrimônio dos mineiros. Fundada em 1946, logo após a primeira Era Vargas, a Escola trilhou momentos de bonanças e de muitas dificuldades e limitações.

A luta da sociedade brasileira por seus direitos está viva e revigorada por uma cidadania que responda aos interesses de um Estado Republicano de direitos. Hoje, estamos atentos aos nossos compromissos em ser uma Escola do SUS para a qualificação e formação de seus trabalhadores: na assistência, no ensino, na gestão e no controle social.

Independente dos momentos desfavoráveis, a Escola manteve-se atuante e sempre presente em seu tempo histórico. Teve papel importante na qualificação e formação de quase 300 mil trabalhadores para os serviços de saúde. Formou sanitaristas para Minas e para o Brasil. Temos o orgulho de ter em nosso quadro de ex-alunos importantes figuras públicas, inúmeros dirigentes, a exemplo do Secretário de Estado de Planejamento e Gestão do Estado de Minas Gerais, Helvécio Magalhães. A Escola teve um papel fundamental na Reforma Sanitária e na Reforma Psiquiátrica no Brasil e em Minas Gerais.

Estamos ofertando:

Hoje, estamos atentos ao momento histórico, econômico e social que atravessa o país. Estamos atentos aos movimentos que propõem retroceder as conquistas no campo da saúde e no campo social.

• Curso de Comunicação em Saúde, na sua 2ª edição.

8

• Um mestrado em Vigilância em Saúde, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) • A 7ª edição do curso de Direito Sanitário, em parceria com a Secretaria de Saúde, Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça. • Vamos reiniciar o nosso Curso de Saúde Púbica, tradição e orgulho desta Escola, oferecido com docentes da Escola.

• Curso de Gestão do Trabalho e da

Educação, em sua 2ª edição, m parceria com o Ministério da Saúde e a ENSP/ Fiocruz. • Acabamos de iniciar o curso de Especialização em drogas, iniciado como Residência em Saúde Mental. • Temos os cursos profissionais de Enfermagem e de Saúde Bucal, formando profissionais na maioria dos municípios de Minas Gerais. Nosso cardápio é amplo de cursos livres, os quais nos permitem muitas parcerias com os municípios, com os movimentos sociais, com os Conselhos de Saúde e com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. A Educação Permanente apresenta-se como um desafio da Secretaria de Estado de Saúde e temos o compromisso de estar juntos para efetivá-la. Tudo isso faz parte dos setenta anos vividos com glórias e bons resultados. Agora, temos que pensar nos próximos 70 anos. Alguns de nós não teremos condições de trilhar muitos anos desse período que vem pela frente. Temos que avançar nos próximos meses no Desenvolvimento

renova esp-mg


Institucional. Nosso desejo é apresentar um primeiro documento nos próximos três meses. Um grande desafio é a reforma administrativa do Estado, que nos coloca em uma nova e desconhecida situação. Vamos ter que manter uma mobilização ativa para entendermos e aproveitar a reforma para o fortalecimento da Escola. Temos ainda as conquistas dos servidores em sua pauta sindical: auxílio à creche, de grande importância para uma Escola com composição majoritária de servidores do sexo feminino e com alta taxa de fecundidade. Na pauta, consta ainda a questão das 30 horas semanais. Entendo que, para o futuro, a Escola tem que se colocar no contexto de discussão do SUS: quais serão nossas propostas e como podemos consolidar

um SUS para todos, como definido na Constituição de 1988.

podemos ser uma ameba, que muda de forma sem perder sua essência.

Não podemos esquecer que uma Escola forte se constrói e consolida com pessoal qualificado, que exige uma política institucional além do esforço e da preparação continuada de cada um de seus trabalhadores.

Eu certamente não estarei nos próximos 70 anos, mas de onde estiver, estarei olhando para vocês com um olhar carinhoso e generoso.

Uma Escola forte faz-se com visibilidade dos atores externos: nossos primeiros parceiros são as Regionais de Saúde, o COSEMS, o Sindicato e os conselhos municipais e estadual de saúde, Ministério Público, Defensoria e Tribunal de Justiça e os movimentos sociais.

Muito obrigada por terem me acolhido nestes 15 meses. Jamais vou esquecêlos, jamais vou deixar de pensar na Escola como um patrimônio do Estado de Minas Gerais Íntegra do discurso da diretorageral da ESP-MG, Roseni Sena, no dia 03/06/2016, no evento de comemoração dos 70 anos da Escola

Não podemos nem queremos ser uma ostra que produz uma pérola maravilhosa. Queremos ser um polvo com muitos tentáculos que o faz movimentar com muita agilidade. Ou

Independente dos momentos desfavoráveis, a Escola manteve-se atuante e sempre presente em seu tempo histórico. Teve papel importante na qualificação e formação de cerca de 300 mil trabalhadores para os serviços de saúde.

9

renova esp-mg


CRÔNICA

Deu certo

COMISSÃO DOS 70 ANOS FAZENDO OS ÚLTIMOS AJUSTES por Danny Eloi Sete da manhã de uma sexta-feira. Passo pela catraca da portaria e quase sou atropelada por Clarice no hall de entrada. Marisa desce as escadas com milhares de vasilhas nos braços, ruídos podiam ser ouvidos através da porta da sala da ASCOM. Cuidadosamente abro a porta e o cenário que encontro me faz ter

10

vontade de voltar para casa e me esconder embaixo de cobertores. Cogito até voltar para o aconchegante útero de minha mãe. Harrison, milhares de vezes mais enlouquecido que o normal, aponta para todos os lados e troca o nome das centenas de pessoas presentes na sala. Seus cabelos pareciam mais para cima que o normal e o seu rosto chegava a reluzir de tão vermelho.

O restante do dia? Prefiro não relatar. É uma tentativa de proteger as faculdades mentais dos leitores! Oito horas da noite. Faço o caminho inverso. Desta vez não existem mais os ruídos na sala da ASCOM, ninguém está descendo as escadas e escapo ilesa, sem nenhum quase atropelamento. Respiramos aliviados, a missão foi cumprida, o aniversário de 70 anos foi um sucesso!

renova esp-mg


DIA

DE CASA CHEIA!

EBOLO! TEVE

MOMENTOS

Registros fotogrรกficos 11

renova esp-mg 11


FLORES

NO NOSSO

JARDIM!

MOMENTO

SOLENE...

REGISTRO DAS

PRESENÇAS!

NOSSA PLACA

COMEMORATIVA ENCONTRO DOS

DE 70 ANOS

EX-DIRETORES DA ESP-MG 12

renova esp-mg


PALAVRAS

DA DIRETORA

CONVIDADOS QUE RECONHECEM A ESCOLA COMO FORMADORA E

QUALIFICADORA PARA O SUS.

13

renova esp-mg


VOZES & OLHARES

COMISSÃO DOS 70 ANOS:

UFA, CONSEGUIMOS!

HOMENAGEM À FÁTIMA CAMARINHO E

EQUIPE DA SECRETARIA DE ENSINO.

14

renova esp-mg


REGISTRO PARA A

POSTERIDADE...

GERAÇÃO DE TRABALHADORES

E ALUNOS

QUANTA HISTÓRIA BOA!

Marcelo Arinos, “o homem que está há mais tempo na Escola”

UMA SALVA DE PALMAS! 15

renova esp-mg


BOLO DE ANIVERSÁRIO:

TODO MUNDO FELIZ!

XICAS DA SILVA

ESP-MG, 16

QUASE 80% DE MULHERES

TRABALHADORAS

EMPOLGARAM E ENCANTARAM renova esp-mg


DIA DE FESTA

ESP-MG completa 70 anos e se mostra viva e atuante em prol do SUS Passado e presente juntos em um dia memorável de comemorações

por Ricarda Caiafa Uma manhã de intensas emoções. Assim foram as comemorações dos 70 anos da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), que aconteceu no dia 03 de junho de 2016. Com o tema “ESP-MG: Há 70 anos contribuindo para o fortalecimento da Saúde Pública em Minas Gerais”,

17

trabalhadores, ex-funcionários e convidados confraternizaram, compartilharam histórias e fatos marcantes da Escola, como também refletiram sobre os desafios para o futuro. Já na chegada à Escola, os convidados foram recebidos por músicos da Banda de Música da Academia da Polícia

Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG), que abriram oficialmente a cerimônia executando o Hino Nacional. Em formato de “Sala de visita”, a diretora-geral da Escola, Roseni Sena, convidou para as primeiras palavras do dia o chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Lisandro Carvalho de Almeida

renova esp-mg


A banda A Banda de Música da Academia foi criada no ano de 1954 e desde a sua fundação, apresentase em solenidades cívicas e comemorativas das grandes datas nacionais, realizando concertos em todo o Estado de Minas Gerais, divulgando sempre de forma brilhante a nossa cultura musical colaborando ativamente para a integração entre comunidade e a PMMG. Além, disso com o projeto “Artistas da Paz”, os músicos ministram aulas de música para crianças e adolescentes no Aglomerado do Morro das Pedras, em Belo Horizonte, integrando a corporação com a comunidade. Mais informações: www.policiamilitar.mg.gov.br.

Lima, representando o Secretário Sávio Souza Cruz, o Defensor Público e Coordenador do Núcleo da Defensoria Especializada de Saúde, Bruno Barcala Reis, a Secretária Municipal de Saúde de São Joaquim de Bicas, Beatriz Eugênia Palhares, representando o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde Minas Gerais (COSEMS) e a ex-diretora da ESP-MG, Mariana Tavares. Os componentes da Sala de visita descerraram uma placa comemorativa pelos 70 anos da ESP-MG e compartilharam com os presentes muitas histórias e sentimentos.

Por três vezes Mariana Tavares, que esteve à frente da Escola por três gestões (1991-1993 | 1995-1996 | 2000-2002) contou suas experiências profissionais e de vida nesses anos, com destaque para a década de 1990, quando a instituição promoveu os primeiros cursos na área de Saúde Mental, discussões dos planos municipais de saúde, a idealização do Expresso SUS, a primeira formação dos

18

conselheiros de saúde, a organização das conferências de saúde e também o esforço para se desenvolver pesquisas. “Naquela época era preciso romper e criar novos laços, largar para trás o conforto da lamúria e planejar, almejar, articular, reformar, quebrar paredes, viajar, convencer, fazer acontecer. E fizemos!”, afirmou. Ainda em sua fala ela expressou a tradição da Escola e de seu corpo de trabalhadores. “Sei que cada um que está aqui faria o mesmo que fizemos e também fará, porque a ideia dessa Escola é inventar futuros melhores, naquilo que sem dúvida nenhuma é o maior bem que cada um de nós pode ter: a saúde. Saúde individual, pública, coletiva. Esse é o nosso DNA, nossa tradição, o que nos une em qualquer tempo. Somos sanitaristas, somos pelo SUS!”

Tradição, protagonismo e parcerias Beatriz Eugênia, representante do COSEMS e aluna do curso de Especialização em Gestão de Política

de Saúde Informadas por Evidências, ressaltou que a melhor palavra para definir a ESP-MG é desafio, por estar sempre criando e recriando ações. “A Escola é atuante, pioneira, participou de movimentos importantes na saúde brasileira. É com muita alegria que hoje estou aqui revivendo esses momentos. A ESP-MG é essencial para o nosso SUS. Parabéns pelos 70 anos de constantes desafios. Continuem acreditando no SUS!”, frisou a gestora. O Defensor Público, Bruno Barcala Reis aproveitou o momento para comentar da parceria bem-sucedida da ESP-MG com a Defensoria Pública de Minas Gerais e com o Ministério Público de Minas Gerais na realização da Especialização em Direito Sanitário, que nesse ano iniciou sua seétima turma. “Parabenizo a todos da Escola, é uma satisfação ver e conhecer todo o trabalho que é feito nessa Instituição e os seus benefícios para os cidadãos mineiros”. Já o Chefe de Gabinete da SES-MG, Lisandro Carvalho, reafirmou o apoio e compromisso da Secretaria com a Escola. “A Escola tem uma história

renova esp-mg


grandiosa na saúde pública em Minas Gerais. Sem dúvida nenhuma a existência dessa instituição é essencial para o SUS. Parabenizo a ESP-MG pela passagem dos 70 anos e reafirmo o apoio e o compromisso da SES-MG com a Escola”, afirmou.

Lembranças Uma das convidadas, Maria Imaculada Zandonade, que chegou à Escola em 1975, hoje aposentada, trouxe boas lembranças de sua passagem e aprendizado na ESP-MG. “Um dos meus ricos aprendizados aqui veio das minhas leituras dos relatórios das antigas ‘Visitadoras Sanitáras’, que realizaram belíssimos estudos de casos. Vale lembrar que esses relatórios foram feitos por mulheres guerreiras e isso me fez criar mais vida, mais empolgação e consciência do lugar onde atuava”, emocionou-se ela.

Homenagens

Missão para o futuro

As homenagens também foram intensas nesses 70 anos. A diretorageral Roseni Sena fez um emocionado agradecimento aos trabalhadores da Escola, em especial à Maria de Fátima Camarinho, Secretária de Ensino, que tem 40 anos de história na instituição, Maria Lúcia Cyrino, da Superintendência de Planejamento, Gestão e Finanças (SPGF), Clarice Figueiredo, da Diretoria de Logística e Manutenção (DLM), seus assessores e a Comissão Organizadora dos 70 anos, carinhosamente lembradas pela Diretora.

Emocionada com uma manhã de importantes reencontros e reconhecimentos, Roseni Sena, enfatizou que independente dos momentos desfavoráveis a Escola manteve-se atuante e sempre presente no seu tempo histórico e teve papel importante na qualificação e formação de cerca de 300 mil trabalhadores da saúde pública de Minas Gerais. “Formamos muita gente para os serviços de saúde, muitos sanitaristas e atores importates do SUS para Minas Gerais e para o Brasil. Para o futuro é hora da Escola se colocar no contexto de discussão do SUS: quais serão nossas propostas e como podemos consolidar um SUS para todos, como definido na Constituição de 1988? Afinal, somos uma Escola do SUS, para o SUS e pelo SUS”, finalizou.

Roseni também foi homenageada. A Comissão dos 70 presentou a Diretorageral com uma placa contendo referências a um poema de Rubem Alves, “Escola Asa e Escola Gaiola”, que inspirou um projeto na Escola, com o objetivo de despertar pertencimento aos trabalhadores.

Trabalhadores, ex-funcionários e convidados confraternizaram, compartilharam histórias e fatos marcantes da Escola, como também refletiram sobre os desafios para o futuro.

Gestões anteriores Também estiveram presentes nos 70 anos os ex-diretores Renato Quintino, Mariana Tavares, Lúcia Vieira Sarapo, Tammy Angelina Mendonça Claret e Rubensmidt Ramos Riani, que foram homenageados na comemoração com uma calorosa salva de palmas.

19

renova esp-mg


PERSONALIDADE

Momento de recordações na comemoração dos 70 anos da ESP-MG Lucimar Ladeia, 28 anos de ESP-MG, emociona convidados com contação de histórias

LUCIMAR, LEVE E ENCANTADORA

20

renova esp-mg


por Danny Eloi Em um momento inédito, a servidora da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), Lucimar Ladeia Colen emocionou os presentes com um momento de contação de histórias, no aniversário de 70 anos da Escola. Com muito carinho, ela relembrou o momento em que chegou à ESP-MG. “Ingressei na Escola em janeiro de 1988. Encontrei um ambiente rico de discussões, muito entusiasmo com relação à mudança do sistema de saúde, um rico espaço de seminários, de aulas e de cursos na área da formação de técnicos e da pósgraduação. Encontrei uma equipe ativa no Programa de Apoio ao Usuário, um diretor sonhador e atuante e uma vicediretora que sempre me estimulou a continuar os estudos”, recorda-se. Lucimar relembrou a mobilização da ESP-MG para construção do projeto W.K Kellogg no período de 1998 a 2002. “Este foi um projeto que mobilizou a participação de vários setores da Escola, do grupo da área de Epidemiologia, do Núcleo de Formação em Saúde da Família, da área de Saúde Bucal, da área de Saúde Mental e de formação de conselheiros. Pude compartilhar viagens e projetos com diversos professores daqui”, disse.

Mudança Em seu relato, a servidora também falou do desafio enfrentado pela Escola no ano de 2007, quando se tornou autônoma da Fundação Ezequiel Dias (Funed). “Manter a qualidade nos projetos, buscar renovação dos docentes e de pesquisadores foi um grande trabalho e foi possível perceber que cada diretor que por aqui passou, imprimiu a sua marca, seu jeito de ser na Escola”, destacou.

setembro / 2016 21

MOMENTOS

MARCANTES NO CAMPO DA

SAÚDE MENTAL Comoção Durante a contação de histórias poucos dos presentes conteram suas lágrimas e alguns aproveitaram para compartilhar suas lembranças, como o servidor do Núcleo de Redes de Atenção à Saúde (NRAS), Marcelo Arinos, que diz ser o ‘homem que está há mais tempo na Escola’. “Vai fazer 20 anos que trabalho aqui. É o maior tempo que eu já passei em um local de trabalho e a minha vida, em boa parte, é a Escola de Saúde. Ele relata que na Escola tornou-se entusiasta da Saúde Coletiva e mesmo já trabalhando com questões do campo da Saúde Mental, foi aqui na Escola que ele teve apropriação. “Eu não imaginava o que ia acontecer na minha vida, eu devo tanto à essa casa.

Aqui é um local de relações muito boas”, conta Marcelo.

Agradecimento especial Encerrando sua fala, Lucimar fez um agradecimento à diretora-geral Roseni Sena por seu compromentimento com a missão da Escola e pela sua forma de condução dos trabalhos. “Agradeço à Roseni pelos ricos momentos que vivi na Capacitação Pedagógica, onde pudemos compartilhar nossas vivências de forma mais humana e acolhedora. Aprendemos com Roseni a resgatar e reconhecer o significado do trabalho de cada servidor e de cada setor da Escola pra efetivação desse projeto. Educação é aquela que mexe com o coração, que mexe com o sentido”, finalizou Lucimar.

renova esp-mg 21


CRÔNICAS

Por onde anda? Desde 2015, a Assessoria de Comunicação Social da ESP-MG integra a Comissão Permanente de Avaliação de Documentos de Arquivo (CPAD), instituída pelo Decreto 45.731/2011 e tem a missão de preservar a memória institucional, como forma de manter a instituição viva, fortalecer suas bases, além de informar à popupalção sobre a importância do bem público. Assim, nesse ano, foi iniciada uma série de entrevistas especiais com atores que passaram pela Escola. Desse material, selecionamos os bastidores e optamos por narrar esses momentos em forma de crônicas. São textos leves, bem humorados com a intenção de captar momentos próprios da Escola. Nessa divertida tarefa contamos com apoio das servidoras Clarice Figueiredo (DLM) e Janete Nagda (S) que conhece a Escola como poucos. Confira o “Por onde anda“!

por Danny Eloi

Afonso de Miranda Pylro, ex-coordenador e professor da ESP-MG Há alguns anos, em um aniversário da Escola, não sei precisar quantos, este senhor, Afonso de Miranda Pylro, foi convidado a dar um depoimento sobre a época em que aqui trabalhou. Ele veio carregando uma espécie de dossiê cheio de histórias e ficou por muito tempo esperando que alguém o atendesse, mas isso não aconteceu. A ASCOM tomou conhecimento disso e foi atrás dele para finalmente ouvi-lo. Em um momento inédito na existência de Harrison Miranda ele estava sussurrando, isso mesmo que vocês leram, meu querido e delicado chefe estava sussurrando! “As pessoas que entravam na sala da ASCOM eram repreendidas por vários “psius” logo que ameaçavam abrir a boca para emitir qualquer som. Precisávamos de silêncio. A entrevista era por telefone e a ligação chiava. A voz de “Sô” Afonso estava longe, ele também não me ouvia, a ponto de gritar por ajuda: “Rogéria, Rogéria, aumente meu telefone!” Mas foi assim que conheci a história deste senhor que tanto fez

22

pela Escola e tinha imenso prazer em educar, conscientizar quem não tinha consciência, como o próprio diz. Falar com Sô Afonso foi como entrar em um túnel do tempo, muitas lembranças, emoção e até uma pitadinha de aventura. Aos 85 anos, sua memória não falha, ele se lembra de diretores, alunos, funcionários. São poucos os detalhes que lhe escapam. Cada palavra que saía de sua boca era carregada de carinho, que nem os 35 anos de aposentadoria conseguiram apagar. “Duas coisas me faziam viver, essa Escola e a minha família”, confessou ele.

*** Elisabeth Rodrigues, ex-Secretaria de Ensino Cheguei à Escola pronta para fazer o meu trabalho normal do dia-a-dia, havia me esquecido que naquele dia eu deveria entrevistar duas servidoras antigas para o “Por Onde Anda?”. Assim que botei meus pés na sala, meu querido gestor falou delicadamente: “Elas já chegaram! Estão te esperando na salinha dos serviços gerais! Vai logo, pega a chave da Carmo de Minas... não, Jacutinga, Juiz de Fora, ARAXÁ! Entrevista uma de cada vez!”

E lá fui eu, esbaforida pelos corredores atrás das chaves e das minhas entrevistadas. Quando abri a porta da salinha de serviços gerais, parecia que eu tinha entrado em um encontro de melhores amigas. Elas gargalhavam, falavam dos filhos e netos, não pude deixar de sorrir. A primeira a passar pela sabatina foi Beth. Afastada da ESP-MG desde 2014 e aguardando aposentadoria, ela relembrou a convivência com os colegas de trabalho. “A gente era uma família. Começamos juntos e fomos seguindo a vida tivemos filhos, problemas, aconteceram muitas coisas. Era como se fosse uma família. Depois a família foi se desmembrando, chegaram outros agregados e assim fomos levando”, recorda. Elisabeth aparenta ser extremamente reservada, mas confessou: “A gente era muito moleque! Lucy e eu tínhamos mania de nos esconder no corredor quando íamos ao banheiro para assustar uma a outra, um dia me escondi e assustei minha chefe sem querer, ela quase enfartou!”, recorda. Naquele momento eu só conseguia pensar “Tadinha da Fátima Camarinho!”. Quanta coisa ela já passou naquela Secretaria de Ensino...

renova esp-mg


*** Geraldo Rodrigues de Paula, ex-Serviços Gerais e folguista do rondante Chá de não sei o que, remédio dos EUA que faz milagre para depressão, marido de fulana que está doente, assim foi o meu percurso de cerca de 30 minutos até a casa de ‘Seu’ Geraldo. Minhas companheiras de missão Clarice e Janete não paravam de falar por nada, faziam perguntas que elas mesmas não me deixavam responder. Edmilson, o motorista, se divertia com minha aflição, eu percebia. Desci do carro com minha pauta em mãos e determinada. Fomos recebidas com abraços apertados e beijos estalados de ‘Seu’ Geraldo e sua filha. Sentei já preparada para começar com minhas perguntas, mas... “O senhor continua a mesma coisa!”. “Quanto tempo!”. “Fulana morreu ‘Seu’ Geraldo!”. Clarice e Janete atacam novamente! Uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Mas o que importa é: depois de mais ou menos 40 minutos de saudades e recordações, eu pude finalmente concluir meu trabalho e conhecer um pouquinho deste senhor tão simpático que como diz ele: “Agora tô aposentado e só quero saber de passear e prosear com as moças!” Não há dúvidas de que Geraldo foi uma figura que marcou a história da Escola e que teve sua vida marcada pela Escola. Sua simplicidade deixou saudades para muitos, mas também muitas lembranças boas. Vinte anos após sua aposentadoria, ‘Seu’ Geraldo conserva seu bom humor e se lembra até das plantinhas que cuidava. “Tenho saudade de tudo lá uai. Ô menina, eu vou te falar, eu tenho saudade até do prédio, das plantinhas, da caixa d’água”...

23

*** Lucy Soares de Barros, ex-Secretaria de Ensino Lucy Soares durante muitos anos foi companheira inseparável de Beth, outra personagem que conheci anteriormente. Tão inseparável que tive certo trabalho em conversar a sós com ela. Foi preciso quase sequestrá-la, mas no final deu tudo certo! Aposentada desde 2009, Lucy se emociona ao lembrar que aqui na Escola foi o seu primeiro emprego. “Eu tive muita dificuldade, porque eu comecei a trabalhar na biblioteca para ser datilografa, nunca tinha visto uma maquina de datilografia na vida, mas com muita boa vontade, acabou sendo fácil”, relembra. Sempre bem humorada, ela relembra as peripécias que fazia junto com as companheiras Beth e Clarice e de quando quase foi separada de suas amigas. “Teve uma vez que uma diretora quis separar Beth e eu, quando fiquei sabendo disso pensei ‘se separar a gente, tá danado’, travamos uma batalha, mas não separaram a gente!”, conta. Mas este carinho todo não é direcionado apenas às suas companheiras, quando pergunto se ela gostava de trabalhar na Escola, seu sorriso se abre ainda mais e ela fala com firmeza: “AMAVA!”.

*** Maria Neide Ribeiro “Dona Neide”, ex-cantineira Passamos em frente de casa onde crianças brincavam e uma senhora de touquinha na cabeça estava sentada. Olhamos o número daquela residência e concluímos que era o lugar que

procurávamos. Minha companheira nessa missão parou em frente ao portão e chamou: “Dona Neide!”. A senhorinha que nos observava curiosa, traída pela memória, demorou um tempo para sorrir e alegremente dizer: “Mas meu Deus, é a Clarice!”. Muitos abraços, vários sorrisos e por fim o motivo da visita: “Dona Neide, viemos aqui para pegar um depoimento da senhora e tirar uma foto, porque esse ano a Escola faz 70 anos!” Envergonhada, Dona Neide cobre o rostinho cheio de pintinhas e por fim diz: “falar eu falo, mas foto eu não tiro não! Tô feia demais menina!”. Eu e minha parceira nos olhamos significativamente como se disséssemos “Vamos dobrar Dona Neide!” e conseguimos! Câmera, gravador e lágrimas a postos e lá fomos nós, entramos nas memórias de Dona Neide, que nos contou das brincadeiras com as colegas, de como era servir o cafezinho e do carinho que recebia dos alunos. No meio disso tudo, uma frase nos fez derramar um verdadeiro rio de lágrimas: “Lá era a minha casa, eu vivia mais lá que aqui! Vestia a camisa da Escola com muito amor!”.

*** Raimunda Isabel Teixeira, ex-coordenadora do Núcleo de Vigilância Sanitária Tarde de terça-feira, a ASCOM desfalcada, telefones tocando, barulho de teclado, todo mundo falando ao mesmo tempo. De repente a porta se abre, entra Clarice acompanhada de uma mulher de feição simpática que eu nunca havia visto antes. “Harrison, olha quem eu achei no posto de saúde que veio para tomar vacina!”. O Chefe, com toda a sua costumeira delicadeza

renova esp-mg


responde: “Põe ela sentada ali! Danny, pega depoimento!”. Depoimento de quem? Por quê? Depois de uma pequena confusão, constatei: Lá vem um novo “Por onde anda”... Raimunda estava ali, sentadinha em minha frente, meio tímida, mas com um sorrisinho nos lábios. Sua memória já lhe traía e foi preciso recorrer ao livro de Resgate dos 68 anos da Escola para que ela se lembrasse melhor da época em que trabalhou aqui. Depois de algum tempo percorrendo as páginas do livro, ela riu abertamente e disse: “Foi isso! Trabalhei aqui de 2000 a 2008!”. E assim começou o mergulho nas lembranças de Raimunda. Saudosa, ela falou sobre como foi coordenar o Núcleo de Vigilância Sanitária e a implantação dos diversos cursos e oficinas dos quais ela participou. Quando pergunto sobre o que ela mais gostava, surge um pequeno momento de silêncio em que seus olhos brilham e por fim ela responde: “O gostoso era esse trabalho em equipe com esse povo todo, o envolvimento com os profissionais do município e do estado. Foi um momento muito rico de produzir conhecimento e formar pessoas”, recordou ela.

*** Raquel Aparecida Ferreira, ex-SUPE Era um dia como outro qualquer e a ASCOM estava, como sempre, movimentada e barulhenta. Esta pobre estagiária que vos fala estava se descabelando pensando onde arrumar material para um novo “Por onde anda”. Estava eu fitando a porta quando duas moças entraram, uma eu já conhecia, Ana Flávia, da SUPE, a outra eu nunca tinha visto.

24

“Leíse, Sabrina, Fernanda... Não... DANNY, entrevista a Ana, para a matéria da pesquisa dos Xacriabás” (Reparem. Meu Chefe não lembra meu nome). Eu conversava com a Ana, mas mal ouvia o que ela dizia, estava preocupada, até que a outra moça abriu a boca e tudo o que escutei foi “Trabalhei aqui por muito tempo”. Pronto! Achei o meu “Por onde anda”! Esbanjando simpatia, Raquel Ferreira deixou clara a paixão que sentia pelos lanches da ES...Opa! Pela ESP-MG. “Tinha muito lanche aqui! O pessoal abria as gavetas e elas estavam sempre cheias de comida! Comecei a engordar aqui!”, brinca ela. Brincadeiras à parte, hoje atuando como servidora no Centro de Pesquisa ReneRachou (Fiocruz Minas), ela diz lembrar da Escola com muito carinho por ter sido um ambiente de muito amadurecimento e aprendizado. “Eu aprendi muito na SUPE, nunca tinha trabalhado com pesquisa qualitativa antes, então foi meu primeiro contato, a equipe já tinha muita experiência e me ensinou bastante. Ingressei no projeto de controle e prevenção da Leishmaniose Tegumentar no Xacriabá e também foi a primeira vez que eu tive contato com comunidades indígenas, foi uma época de amadurecimento muito grande”, afirmou ela.

*** Sandra Silva, ex-Assessoria de Comunicação Social Era o dia da comemoração dos 70 anos da Escola. Em meio a tanta loucura e correria, eu estava sentada em meu lugar preparando um texto gigante que já nem me lembro mais o que era, mas devia ser algo muito chato porque minha atenção estava toda voltada para a moça que estava

na sala e conversava animadamente com o Chefe. Ela já estava indo embora quanto nos foi apresentada: “Gente, essa é a Sandra, trabalhou aqui na ASCOM comigo!”. Sim, meu querido Chefe ia simplesmente deixar um “Por Onde Anda?” escapar pelas portas da Comunicação!!!! Com muita calma e um sorrisinho no rosto, Sandra começou a contar como foi a sua passagem pela Escola, especialmente na ASCOM. “Trabalhar na Escola era muito divertido, o trabalho fluía leve, era gostoso”. Relembrando momentos marcantes, como o aniversário de 60 anos da ESP-MG, Sandra deixa claro que não faltava serviço. Ah e ela aproveitou para fazer uma denúncia: “O Chefe gostava de criar intrigas!”. No primeiro dia dele aqui, disse para todo mundo que eu dedurava tudo o que acontecia aqui para ele! O resto da equipe ficou brava comigo por semanas, até que ele desmentisse a história!”. Sentado perto da gente, o Chefe parecia mais vermelho que o normal e tentava (em vão), explicar a história. Rimos muito e nos divertimos bastante com as lembranças. Atualmente aposentada, Sandra diz sentir saudades da Escola e se lembrar com frequência da época em que aqui trabalhou. “Com sinceridade, sinto saudades de tudo. Da turma, das brincadeiras... Menos do serviço!”. Já estávamos terminando, mas tive que perguntar, pedir uma dica na verdade. “Como você aguentava o Harrison?”. Ela deu uma sonora gargalhada e respondeu: “E quem disse que eu aguentava?”.

renova esp-mg


DESAFIO

A saúde como ferramenta de democracia A persistência das desigualdades na saúde e seus desafios foram temas presentes na programação dos 70 anos da ESP-MG por Leíse Costa

JOSÉ ÂNGELO TROUXE REFLEXÕES

SOBRE O SUS 25

renova esp-mg


Na vida e nas políticas públicas é sábio olhar para atrás e perceber quais caminhos se percorreram. Naquilo que se teve êxito e no que se falhou. Nessa perspectiva, foi convidado para uma reflexão sobre o cenário da saúde pública mineira e nacional José Ângelo Machado, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Núcleo de Estudos em Gestão e Políticas Públicas da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH). José Ângelo ministrou no dia 03 de junho, nas comemorações dos 70 anos da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), a palestra “SUS - Política nacional com gestão descentralizada repensando capacidades locais em contextos de desigualdades”. Ele já foi parte do corpo docente e pesquisador da ESP-MG, ingressando na instituição nos vindos de 1992, época em que o Brasil saia recentemente de longos 21 anos de Ditadura Militar, um regime autoritário, centralizador e vertical. “As capacidades de decisões estavam concentradas no governo federal, os municípios atuavam dependendo da unidade da federação e alinhados ao Regime Militar, de forma mal coordenada pelos governos estaduais”, lembrou ele.

A Escola nesse contexto José Ângelo recordou que era tempo de se soltar das amarras de um regime antidemocrático e opressor. Na saúde e na educação, a ESP-MG teve seu papel de importância neste movimento. Engajada nesta missão, a Escola foi testemunha dos primórdios da municipalização autárquica da saúde, até o incremento do papel regulador da União e dos estados, especialmente a partir da Norma Operacional Básica

26

(NOB/96), da Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS) e do Pacto de Gestão. Ele contou sobre uma pesquisa da ESP-MG, publicada há 22 anos que já analisava experiências inovadoras da municipalização da saúde e que envolveu vários técnicos e pesquisadores da Escola. Em sua fala, citou trechos dessa pesquisa, com destaque para a parte em que os “municípios deveriam articular-se numa rede nacional de interinfluências, para possibilitar e potencializar o processo de promoção da saúde”, assim como acontecia em diversas partes do mundo. Tal rede, pouco tempo depois se transformou no Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1990, e que corrigiu em grande parte as distorções em termos de capacidades fiscais locais, especialmente se tratando de Minas Gerais com seus 853 municípios, que segundo ele condicionou repasses e responsabilidades estratégicas, seja na Atenção Primária ou Secundária e Terciária (Baixa, Média e Alta Complexidade). O apoio técnico, como o da ESP-MG, na formação e qualificação de pessoal, bem como de pesquisa, permitiu que municípios de pequeno porte aderissem aos programas nacionais a despeito de baixas capacidades técnicas locais. Uma revolução para a época.

Desafios da democracia na saúde pública A concepção de saúde como algo que não seja “o contrário de doença” ou que seja mais que “bem-estar físico e mental” levou alguns expoentes do movimento pela Reforma Sanitária a tomá-la como algo próximo de

“Na saúde e na educação, a ESP-MG teve seu papel de importância neste movimento. Engajada nesta missão, a Escola foi testemunha dos primórdios da municipalização autárquica da saúde, até o incremento do papel regulador da União e dos estados.” capacidades para o exercício da autonomia do sujeito. José Ângelo explica este conceito de autonomia também no sentido de democracia, em que todos estão submetidos às leis e normas, sem distinção. “Na democracia a autonomia assume o sentido de liberdade positiva dos gregos, que significa viver segundo as próprias normas ou sobre as normas que os sujeitos, agora coletivos, dão a si próprios”, explica. Passados 70 anos de história da Escola e 28 anos de SUS, não há dúvidas que se formou uma parceria sólida, digna de defesa. Mas segundo José Ângelo nos dias atuais o cenário é de ressalvas devido à persistência das desigualdades na saúde pública. “O desafio da igualdade nunca passa. Ainda hoje há uma grande assimetria de distribuição de recursos, seja orçamentário ou até de qualificação dos representantes da saúde, especialmente no interior. Mas nós vamos defender o SUS, enquanto trabalhamos para melhorá-lo”, conclui o professor.

renova esp-mg


PARCEIROS

Muita música e nosso eterno agradecimento

por Silvia Amâncio As comemorações dos 70 anos da ESP-MG foram marcadas por muita emoção ao som de boa música. No dia 03 de junho, a Banda da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais executou o Hino Nacional, emocionando os presentes e despertando o sentimento de patriotismo. Nesse mesmo dia ainda tivemos a apresentação do grupo Xicas da Silva. E para dar continudiade às festividades, no dia 24 de junho, a Escola foi brindada com a apresentação da Bombeiro Instrumental Orquestra Show (BIOS), do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, no Jardim de Inverno da Unidade Sede, que literalmente mexeu com todos os trabalhadores da Escola e seu vizinho, o Centro de Saúde Oswaldo Cruz. A BIOS, criada em 2006, é composta por 14 músicos, distribuídos em saxofones, clarinetes, flauta, trompetes, trombones, guitarras, baixo, teclado, bateria e percussão, o que possibilita tocar uma variedade de estilos musicais, em especial Jazz e a Bossa Nova. A proposta do grupo é apresentar para a população mineira um show inovador, misturando música, informação cultural e dicas preventivas e de saúde.

27

MÚSICA PARA ENCANTAR renova esp-mg


ARTE E CULTURA

Com repertório rico da cultura popular brasileira, Xicas da Silva empolga a ESP-MG Apresentação animou o público e marcou pelo manifesto da violência contra as mulheres

28

renova esp-mg


por Danny Eloi Fechando as comemorações dos 70 anos da ESP-MG, o grupo mineiro Xicas da Silva balançou os quadris do público com o show “Pindorama Para Mulheres”, iniciando sua apresentação com um manifesto da violência contra as mulheres ao som de Maria da Vila Matilde, de Elza Soares. Logo nos primeiros versos, os presentes irromperam em aplausos. No decorrer da apresentação, o grupo apresentou músicas carregadas de referências aos batuques próprios de religiões de matriz africana que animaram os presentes. “Foi perfeito! Aquele começo foi super feminista, sobre a cultura do estupro, a violência com as mulheres. Faz a gente pensar. Foi maravilhoso. Como umbandista, gostei da parte em que elas usaram os pontos de cantos africanos, fiquei muito feliz. Foi uma atração que animou todo mundo, estavam todos tímidos, mas de uma hora para outra todos estavam animados e dançando”, comentou a servidora Gabriela Brito, da Diretoria de Logística e Manutenção (DLM). O jovem aprendiz da Escola, Hubert Guilherme acredita que a atração foi um diferencial para as comemorações. “Foi muito legal, divertido, elas tocam muito bem e tem ótimas músicas. Acho que esse momento mudou completamente o dia para todos nós”, disse. A estagiária de Publicidade e Propaganda da Assessoria de Comunicação Social da ESP-MG, Sabrina Mares se surpreendeu com a apresentação. “O grupo Xicas da Silva é surpreendente. Eu já esperava por um bom show, mas elas são melhores do que eu poderia imaginar. Que energia! Todo mundo se envolveu e se encantou com tudo”, conta.

29

XICAS DA SILVA: MÚSICA E EMPODERAMENTO FEMININO Tambores mineiros Composto exclusivamente por mulheres, o grupo surgiu com a proposta da afirmação da Cultura Popular Brasileira apresentando variados ritmos nacionais como samba de roda, coco, cacuriá, congo, maracatu, moçambique, que compõem o repertório, enfatizando os tambores mineiros que remetem à tradição do congado e da Folia de Reis. Para Júlia Borges, componente do grupo, a presença das Xicas na Escola também foi surpreendente. “Foi muito bacana, não esperava uma recepção tão calorosa do público. Ficamos muito satisfeitas com a apresentação e espero que quem assistiu também tenha ficado”, diz. Lucas Valentim, da Manutenção da ESP-MG, é natural de Alvinópolis (Centro-Leste de Minas Gerais) e aproveitou a apresentação para recordar as festas de Congado que acontecem sua terra cidade natal. “Lá na minha terra tem Congado, então a apresentação fez eu me lembrar de lá. Foi maravilhoso. Eu pude lembrar das pessoas, dos ensaios e poder compartilhar com o pessoal da Escola foi muito bom”, emociona-se Lucas. Criado pelo músico Santonne Lobato, em 2004, o grupo teve sua estréia no

Avon Women in Concert. Depois disso, já se apresentou com vários artistas renomados, como Milton Nascimento, Vander Lee, Daniela Mercury, Maurício Tzumba, entre outros. Hoje, compõem o grupo: Julia Borges, Iami Rane, Débora Costa, Gislaine Matos, Izabela Faria, Andressa Versi e Hozana Passos. O nome Xicas da Silva faz referência a uma das mulheres mais emblemáticas da história de Minas Gerais. Francisca da Silva de Oliveira, conhecida como Chica da Silva foi escravizada, no antigo Arraial do Tijuco, hoje Diamantina (Vale do Jequitinhonha). Dotada de personalidade forte e pensamentos à frente de sua época, entrou para o imaginário popular como uma mulher que superou a opressão e conseguiu ter poder em uma época em que somente os homens brancos o tinham. Utilizar este nome é uma forma de o grupo mostrar a sua identidade, suas raízes e sua força. Nos 70 anos da ESP-MG, o repertório da apresentação contou, além do hino de Elza Soares, com Tambores de Minas de Milton Nascimento, Meninas de Minas, Tá Caindo Fulô de Kátya Teixeira e Batuques. Saiba mais sobre as Xicas da Silva: http://facebook.com/xicasdasilva.

renova esp-mg


MEMÓRIA VIVA

Secretaria de Ensino: o coração da Escola Muito trabalho e dedicação para manter os registros históricos de sete décadas de ensino

por Leíse Costa Você abre o armário. Antes mesmo de tentar conter, você já perdeu essa luta. Uma pilha de papéis escorrega e cai nos seus pés e ao seu redor, misturando documentos e embaralhando datas. Só de começar a pensar em reorganizar tudo isso, te bateu um desespero? Para Maria de Fátima Camarinho Pereira Franca para nós carinhosamente Fátima Camarinho essa sensação um dia já foi rotineira, já que ela trabalha na Escola desde 1976 e está à frente da Secretaria de Ensino desde 1999 que, segundo ela, é o ‘coração da Escola’. Em 2010, no subsolo da Unidade Geraldo Campos Valadão, só da Secretaria de Ensino, havia 69 arquivos de aço de quatro gavetas e 40 estantes lotadas de documentos de cursos e de alunos. Os espaços naquelas gavetas acabaram, mas a produção de documentos só aumentou e caixas de

30

papelão passaram a ser empilhadas em cima das estantes, ainda no subsolo. Para uns, uma montanha de papéis, para Fátima, eram registros históricos da instituição. Ninguém incumbiu a Secretaria de Ensino da demanda de zelar por toda aquela documentação, mas Maria de Fátima fez disso uma missão juntamente com sua valiosa equipe de trabalho. “Por isso que eu tenho o maior ciúme do arquivo, isso aqui tem a minha mão, a minha cara”, diz ela enquanto passa a mão pelas prateleiras do arquivo deslizante. Se hoje ela caminha feliz pelos corredores do arquivo organizado, não tem nada a ver com destino ou sorte, mas trabalho e dedicação de todos. Assim que Damião Vieira Mendonça, ex-diretor-geral da ESP-MG (2011-2014) tomou posse, Fátima pediu melhores instalações para os arquivos de alunos, docentes e dos cursos. “Se esses arquivos se acabarem, a história da Escola acaba. A nossa história está no

meio de poeira, umidade, se apagando com a ação do tempo. Eu vou guardar toda essa documentação, só preciso do arquivo”, disse ela para o então diretor. Ela relembra que queria coisa boa. “Eu pedi logo os arquivos deslizantes que eu tinha visto em outro lugar e adorado”, brinca. O pedido aconteceu em março de 2011 e em junho o arquivo deslizante estava instalado.

Acervo Mas guardar documentos não é o único desafio. Sua conservação e organização também são de extrema importância, uma vez que não se tem noção de quanto tempo ele ficará guardado e nem quando será solicitado. Estima-se que quase 300 mil trabalhadores do SUS já foram alunos da ESP-MG, fora docentes e servidores que atuaram na instituição. No setor público, tudo que acontece é registrado e desde a década de 1940, a Escola guarda todos estes documentos

renova esp-mg


gerados e que não param de crescer. São 70 anos contados em forma de diários de classe, listas de presenças, ofícios e outros. Mas, muito além de guardar a história da instituição, ali está a história de cada um que passou pela Escola e que a qualquer momento podem requerer informações a seu respeito.

Da concepção ao primeiro dia de aula “Geralmente as pessoas imaginam que nosso trabalho se resume à certificação de alunos, mas considero que somos uma porta de entrada da Escola, desde quando o aluno é matriculado no curso até o momento da certificação”, diz Fátima.

São 70 anos contados em forma de diários de classe, listas de presenças, ofícios e outros. Mas, muito além de guardar a história da instituição, ali está a história de cada um que passou pela Escola e que a qualquer momento podem requerer informações a seu respeito.

Todas as exigências legais que precisam ser atendidas para que o curso saia do papel são realizadas pela Secretaria de Ensino. O primeiro passo é defender o curso, sua matriz curricular, seu plano de curso, calendário, etc. Processo montado, ele é entregue para a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG), que envia uma inspetora responsável pela verificação in loco das instalações de onde o curso vai acontecer. Uma das peças cruciais para o processo é o relatório que a inspetora vai gerar, atestando se o local está de acordo para sediar o curso. Após este relatório, o processo segue para o Conselho Estadual de Educação, responsável por estudar este processo e realizar o parecer final. Caso tudo seja aprovado, uma portaria é publicada no Diário Oficial de Minas Gerais, e então

o curso está autorizado a começar. Absolutamente tudo relacionado à ação educacional está presente neste processo. Da ideia inicial do curso ao primeiro dia de aula, geralmente já se passou mais de um ano e a pasta em que o processo está guardado já nem fecha. Em todo esse processo, a Secretaria de Ensino está presente. “Nesses 41 anos de trabalho na ESP-MG, pude viver grandes desafios e experiências das quais tenho muito orgulho e satisfação. Por aqui, já passaram muitos colegas de trabalho e com alguns destes ainda mantenho amizade. Hoje conto com uma equipe formada pelas servidoras Adinéia Maduro, Conceição Resende, Cremilde Mendes, Juracy de Oliveira e Janete Mendes e as estagiárias Evellem Oliveira, Gislene Cruz, Laiz Almeida e Naiara dos Santos.

De Abadia dos Dourados a Wenceslau Braz É difícil saber quantos documentos exatamente estão guardados pelos oito corredores do arquivo da Secretaria, haja vista que o processo de trabalho ainda é manual, mas alguns números merecem destaque. Só do Plano Diretor da Atenção Primária, realizado em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG), atuaram na ação:

235 tutores 3.375 facilitadores 44.602 participantes alcançados em todos os 853 municípios de Minas Gerais. Na modalidade cursos livres, de 2007 até 2016:

62.020 alunos certificados, incluindo 12.000 da PBH, do Plano Diretor. De 2000 a 2015, foram:

13.542 Agentes Comunitários de Saúde formados.

31

renova esp-mg


DEPOIMENTO

O olhar de fora de um lar de Saúde Pública

WILLIAM ARAÚJO: DE UMA PROVA DE ESTÁGIO A UMA

AMIZADE COM A ESP-MG

32

renova esp-mg


Durante quatro meses tive a oportunidade de testar meus limites para registrar o que funcionários, ou melhor, “uma família institucional”, realiza pelo bem maior – a saúde pública. Eu toquei onde era mais sensível, mas, também, me sensibilizei. Achei que seriam difíceis, chatos, por muitas vezes teimosos, mas para meu alento, foram o que posso chamar de “Esp”. Os trabalhadores da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais convidaram-me a participar da celebração dos 70 anos da própria trajetória. Caminhada esta que, como eu pouco sabia, tinha ligação direta com minha vida. E não seria engano dizer que fizeram parte de todas as vidas que já conheci. Tudo começou com uma reunião pouco habitual. Nada engessado, nada sisudo. O que encontrei naquele primeiro dia foi o que descobriria nos dias seguintes: aquela instituição é um lar. Seus mestres, discentes, funcionários eram pessoas que compartilhavam simplicidade no olhar. Fui muito bem recebido, foram muitos sorrisos. Conheci o carioca mais mineiro que já vi. Não pelo sotaque, mas pelo jeito entusiasmado e desconfiado. Era um misto de “para ontem” com “pode ser amanhã” que me acalmou. Todos muito profissionais, mas sabendo o limite entre ser eficiente e ser desumano com os subordinados. Isso me encantou. A proposta era fazer o registro das histórias marcantes que cada um teve durante a estada na instituição; dos anos bons aos ruins e, novamente, de volta aos bons que os mantiveram firmes em seus cargos. Eu entrevistei secretário de estado,

33

doutores, mestres, atendentes, auxiliares, estagiários, diretores, políticos, gestores, motoristas, administradores. Vi os olhos brilharem. Vi olhos respirarem a história que contavam e isso me contagiou. Me senti um “Esp”.

respeitar e honrar o juramento de servir à vida. O “Esp” é Especial.

Mas o que seria um “Esp”?

Sim, durante quatro meses eu fiz parte dessa família de heróis, do mais singelo faxineiro ao mais graduado fundador. E, de tudo que experimentei, levo apenas o essencial: que tenha mais mil anos este lar da saúde pública.

Seria alguém que trabalhou arduamente, mas alegremente; foi todos os dias ao mesmo lugar para fazer os dias das pessoas serem diferentes. Foi aquele gestor, que parecia um paizão. Foi o mestre, que em sala, humanizou a saúde pública.

Minhas lentes, minhas fotografias, minhas entrevistas são apenas o reflexo da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais. Aquela pintura linda, pendurada na minha parede para ser apreciada e lembrada por toda minha vida.

O “Esp” é a raiz do Sistema Único de Saúde (SUS). Veio dele a linhagem de profissionais que cuidam das pessoas e não somente a enfermidade; os frutos benditos entre os desesperados.

Parabéns “ESPs”, pelos 70 anos de vida. Obrigado pela oportunidade ímpar.

O “Esp” é a mão confortável que atua na casa amiga. É quem rega, faz crescer,

Cordialmente, William Araújo futuro jornalista

William Araújo William Araújo é estudante de Jornalismo, cinegrafista, fotógrafo, empreendedor e um tanto de outras coisas que ele arruma para fazer. Aceitou, sem limitações, ser o “captador” dos depoimentos de trabalhadores da Escola em comemoração aos 70 anos da instituição. Chegou de mansinho, rindo, fazendo várias promessas... O resultado, a cada novo vídeo concluído, emocionou a quem assistiu, mas quem esteve nos bastidores das filmagens, teve a oportunidade de acompanhar a potência de traduzir em poucos minutos o sentimento de cada trabalhador da Escola. O trabalho de William não se limitou a ser um registro de depoimentos. Foi além. Captou vozes, faces, tons, sentimentos, histórias pessoais e anseios de quem faz a Escola. Fica aqui nosso eterno agradecimento por abraçar esse projeto e nos permitir assistir repetidas vezes os brilhos nos olhares capitados por suas lentes. Equipe da ASCOM/ESP-MG

renova esp-mg


NUVEM DE TAGS

PALAVRAS QUE MARCARAM OS 70 ANOS DA ESP-MG

34

renova esp-mg


TIRE UM TEMPINHO E TOME UMA ATITUDE Para enfrentar o Aedes aegypti é preciso a união de toda sociedade. Que tal tirar dez minutos semanais para fazer uma vistoria completa na sua casa, escola ou no ambiente de trabalho e, desta forma, eliminar qualquer possibilidade de água parada? É simples e rápido. Mobilize os seus familiares e amigos.

Saiba mais:

www.saude.mg.gov.br/dengue SaudeMG

35

@SaudeMG

@saudemg

Saúde MG

blog.saude.mg.gov.br

renova esp-mg


ENTREVISTAS ESPECIAIS

Memória 70 anos: Ex-diretores da ESP-MG

Dora Beatriz Barrancos

Lúcia Vieira Sarapu

Mariana Lúcia Ferreira

Ismair Zaghetto

Tammy Angelina

Damião Vieira Mendonça

36

renova esp-mg


Dora Beatriz Barrancos 1983-1984 por Sílvia Amâncio Socióloga, recém-chegada ao Brasil na década de 1980 como exilada política da sanguinária ditadura militar Argentina, ela nos contou com saudosismo como aceitou ser diretora da ESP-MG durante a redemocratização do Brasil. Segundo ela, eram desafios, dificuldades, erros e acertos, mas acima de tudo, havia consenso em prol da melhoria da saúde pública mineira. Qual sua formação acadêmica? Sou licenciada em Sociologia pela Universidade de Buenos Aires. Assim que cheguei ao Brasil conclui meu mestrado em Educação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Minhas especializações são completamente brasileiras! Como você veio para a ESP-MG? Foi uma história engraçada. Eu trabalhava com planejamento na Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Quando ocorreu o processo de redemocratização do Brasil eu estava participando de um grupo que debatia propostas de saúde. A partir dai fui convidada para ir para a Escola e eu recusei enfaticamente, dizendo que um estrangeiro não devia ocupar esse espaço. Acabei aceitando. Eu era uma anomalia: mulher, não era médica e ainda estrangeira. Como foi sua trajetória até assumir a Diretoria da Instituição? Como socióloga eu tinha trabalhado na área de serviços médicos e sociais para a população aposentada em meu país. Quando a Ditadura Militar

37

(1976-1983) foi imposta na Argentina, eu e meu marido que era médico, nos exilamos no Brasil, minha segunda casa. Meu primeiro trabalho no novo ciclo como exilada foi na SES-MG, quando Minas Gerais tinha-se tornado pioneira na América Latina na Atenção Básica. Era tudo muito emocionante. Provavelmente, cometemos muito erros, mas nunca abandonamos a boa fé e a convicção de contribuir para tornar a vida das pessoas excluídas mais digna. Como era a Escola durante sua gestão? A Escola estava sofrendo com muitos problemas, desde projetos a falta de recursos humanos. Havia muitas irregularidades. Um dos meus primeiros atos foi abolir os “instrumentos de tortura”. Era como chamávamos a marcação de ponto que era feita somente pelos trabalhadores nas escalas mais baixas. Uma desigualdade absurda. Quando abolimos isso foi um alvoroço e uma grande alegria. Como estava a questão da saúde pública no Brasil em 1983-1984, anos de sua gestão? A saúde pública ainda tinha problemas sérios apesar de ter passado por um ciclo de reformas. A situação social era precária, as diferenças de renda e de oportunidades eram barreiras para que a saúde fosse efetiva. Lembro-me que fazíamos estimativas desanimadoras de recursos para uma região que tinha parcos resultados. Tinham erros de estratégias, mas ainda sim, para mim, é comovente ter feito parte desses esforços. Qual sua melhor lembrança na Escola? A felicidade dos funcionários quando tomávamos medidas que visavam a equidade, o respeito à igualdade de direitos.

E quais eram as dificuldades? A maior dificuldade foi definir as pessoas e suas funções. Haviam muitos projetos novos e tinha que se pensar em quem e como as equipes seriam formadas. O que a ESP-MG te ensinou? A Escola me ensinou muito e talvez uma das questões mais importantes foi aprender a viver com muitas pessoas diferentes, mas que tinham consenso nas decisões. Quais eram as demandas? As principais demandas eram: formar quadros de pessoal para as políticas de saúde; contribuir para a formação contínua dos profissionais de saúde, principalmente os médicos que eram capacitados para enfrentar os desafios clínicos e epidemiológicos; contribuir na formação do pensamento crítico dos profissionais especializados em saúde pública e formação de recursos humanos em saúde. Em sua opinião qual a importância da ESP-MG para Minas Gerais e para a saúde pública? É um espaço institucional de enorme importância. Muitos dos que passaram pela Escola fizeram contribuições

“A Escola me ensinou muito e talvez uma das questões mais importantes foi aprender a viver com muitas pessoas diferentes, mas que tinham consenso nas decisões” renova esp-mg


importantes para a saúde pública e não apenas as contribuições estaduais. A Escola mostra sua importância quando expressa seu pensamento crítico e atual. Uma saudade que a ESP-MG deixou? O imenso carinho funcionários.

de

todos

os

O que você faz atualmente? Nos conte! Quando voltei do exílio em 1984 para a Argentina, tomei a decisão de me dedicar à pesquisa histórica. Ainda era um assunto pendente. Publiquei artigos sobre cultura e educação dos trabalhadores. Mas, nas últimas décadas, a questão dominante para mim tem sido a condição feminina e as questões de gênero. Publiquei muito sobre o problema constante da desigualdade humana e o sistema de sexo-gênero na história. Hoje sou diretora do Consejo Nacional de Investigaciones Cientifícas y Técnicas (CONICET) que regulariza a atividade científica na Argentina. Uma tarefa bem difícil, mas me incentiva a contibuar pesquisando e participando nas lutas pelos nossos direitos.

*** Lúcia Vieira Sarapu 1984-1987 por Danny Eloi Exilada política na França durante os anos de chumbo No Brasil, Lúcia nos falou dos primeiros passos para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o papel da Escola na formação de recursos humanos na saúde pública mineira e da alegria e vitalidade dos alunos nas salas de aulas da ESP-MG. Qual sua formação?

38

Sou formada em Psicologia pela na Universidade de São Paulo, especialista em Psicologia Educacional. Fiz mais duas especializações na Université de Paris, na França. De volta ao Brasil, na própria ESP-MG me especializei em Recursos Humanos em Saúde. Como você veio para a ESP-MG? Retornei ao Brasil no início da década de 1980 (redemocratização do país) e trabalhava em Brasília. Alguns colegas do Ministério da Saúde me convidaram para me estabelecer em Minas Gerais. A então diretora da Escola, Dora Barrancos, me pediu um projeto de Educação Médica Continuada, voltada aos médicos da rede estadual. Este foi meu primeiro trabalho na ESP-MG. Como foi sua trajetória até assumir a Diretoria da Instituição? De São Paulo, onde fui docente no departamento de Psicologia Educacional, e após uma longa caminhada (exílio), quando trabalhei como Consultora da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em vários países, voltei ao Brasil e fui então responsável pela área de Recursos Humanos da Fundação das Pioneiras Sociais (Rede Sarah de Hospitais). Como era a Escola durante sua administração? Era um período de nova organização do sistema de saúde, os primórdios do Sistema Único de Saúde (SUS). Desse modo foram desenvolvidos cursos, treinamentos, simpósios que decorriam da necessidade de se preparar pessoal técnico e gerencial para tal objetivo. Foram reformulados e reforçados os cursos de Saúde Pública, sempre direcionados a cobrir necessidades de quadros melhor formados para assumirem postos em municípios e no próprio estado.

Como estava a questão da saúde pública no Brasil em 1984-1987, anos de sua gestão? A questão central era focada na necessidade e nas ações delas decorrentes para que se caminhasse no estabelecimento de um sistema nacional único de saúde. De atividades desconexas e de baixa racionalidade organizacional, os sistemas componentes do maior sistema (único) que se buscava precisavam abrir novos caminhos, buscar novos modus operandi. A falta de quadros preparados para atuar nessa tarefa cheia de desafios, colocava na área de Recursos Humanos, uma de suas principais questões. Qual sua melhor lembrança na Escola? O burburinho dos muitos alunos, com as salas da Escola repletas, plenas de vitalidade, nos dando a sensação de que participávamos todos de um momento de transformação. Por certo os obstáculos sociais e históricos vieram, na sequência, a mostrar que em tais processos não se anda tão rápido de modo que os olhos de uma única vida possam ver como algo acabado a não ser resultados limitados e parciais. Mas a emoção volta a me tomar quando penso no que acontecia, na energia que vinha das pessoas/alunos/docentes que circulavam pelos corredores da Escola. E quais eram as dificuldades? Em todo o período em que dirigi e trabalhei na ESP-MG o financiamento da instituição representou o seu maior obstáculo. Formação/pesquisa são ações que exigem recursos relativamente importantes e cujo retorno financeiro, senão aqueles pensados no âmbito social e dos retornos operacionais na área fim, é inexistente. Uma saudade que a ESP-MG deixou?

renova esp-mg


Da emoção coletiva, que criava laços de companheirismo e que estava presente num grupo de “batalhadores” pela saúde pública no Brasil, e da certeza (ingênua) de que se buscava fazer o melhor possível, para o que se entendia como justo para com o país. O que a ESP-MG te ensinou? Os percalços sempre presentes: níveis gestores decisórios que pouco entendiam ou compartilhavam da ideia do que deveria ser a manutenção de uma instituição com a finalidade de uma Escola de Saúde Pública. A aprendizagem de que a realidade impõe limites e possui a sua própria temporalidade e que a mudança é luta incessante numa maré que vai e vem. Quais eram as demandas de prioridade nestes anos que você ficou? Formação de pessoal para as complexas demandas da criação de um sistema de saúde, que hoje é o nosso SUS. Em sua opinião qual a importância da ESP-MG para Minas Gerais e para a saúde pública? Não se pode imaginar um sistema de saúde que funcione adequadamente, e se renove sistematicamente, sem que exista uma instituição voltada para a formação de seus quadros e para pensar e debater o que nele ocorre. Em Minas Gerais é da ESP-MG essa missão, desde que a ela sejam dadas as condições para cumpri-la, e daí sua importância. O que você faz atualmente? Nos conte! Saí da Escola em 1995 e atuei desse momento até 2011 na Secretaria de Estado da Educação (SEE-MG) onde desenvolvi funções gerenciais, sendo a última delas no grupo de Auditoria desse órgão.

39

*** Mariana Lúcia Ferreira Tavares 1991-1993 | 1995-1996 | 2000-2002 À frente da gestão da Escola por três vezes, Mariana Tavares nos contou sobre sua trajetória, sobre a ameaça de fechamento da ESP-MG na década de 1980 e também sobre o cinquentenário da instituição em 1996 por Ricarda Caiafa Como você veio para a ESP-MG? A minha entrada se deu em 1984, após um período de atuação como psicóloga em um Centro de Saúde da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. A partir desta experiência vim para a Escola e me encarreguei de retomar a discussão sobre a criação de uma formação em saúde mental com o forte desejo de iniciar a Reforma Psiquiátrica em Minas Gerais. Como foi sua trajetória até assumir a Diretoria da Instituição? O primeiro curso de saúde mental, sob minha coordenação aconteceu em 1985. Aconteceram três turmas e depois houve uma interrupção. A Escola, que então tinha perdido seu sobrenome de Saúde Pública, ficando apenas Escola de Saúde, oferecia na época, o curso de Saúde Pública e o curso de auxiliares de Enfermagem. No final da década de 1980, corria a certeza de fechamento da Escola, com o projeto de cessão de seu prédio para a iniciativa privada. Fizemos um intenso movimento para impedir tal descalabro. Assim, em 1991, assumi a direção da Escola. Como estava a questão da Saúde Pública no Brasil nos anos de sua gestão? De 1991 em diante, com a promulgação

do Sistema Único de Saúde (SUS) na nova Constituição, houve um impulso enorme na credibilidade da Escola, por meio de sua aproximação com os municípios. Foi uma época de enorme efervescência. Abrimos um leque grande de cursos de especialização, com a consciência de que seria preciso formar equipes para dar conta da municipalização: Planejamento e Gestão, Administração Hospitalar, a retomada do curso de Saúde Mental, Epidemiologia, Supervisão Hospitalar e tantos outros. Nessa época aconteceram ainda a primeira formação de conselheiros municipais e a formação para elaboração de Planos Anuais de Saúde. E quais eram as dificuldades? Os problemas crônicos eram a falta de profissionais que dessem andamento à profusão de demandas que captávamos e falta de recursos financeiros. Mas, batalhamos! Trouxemos profissionais de outros vínculos, começamos iniciativas de captação de recursos financeiros e inovamos. Criamos o jornal SUS-pense e um semanário informativo, Atos e Fatos, que seguia via malote para todos os municípios do Estado. Em 1996, durante sua gestão, a ESP-MG completou 50 anos. Quais as lembranças daquele ano?

“A ESP-MG é uma instituição formadora para trabalhadores do SUS, que não pode ser minimizada, em seu papel de reflexão, crítica, formulação, análise, pesquisa e divulgação” renova esp-mg


Retomamos o sobrenome Pública em seu nome, articulamos para resolver o problema da titulação, contratamos uma historiadora, lançamos o livro Destino Áspero, que narra a trajetória dessa Instituição durante seus primeiros 50 anos de vida e ainda realizamos um Seminário Nacional sobre o futuro da formação em Saúde Pública. Quais eram as demandas/missões de prioridade nestes anos que você ficou? As prioridades sempre foram o equacionamento de sua identidade institucional, dotação orçamentária, quadros de vagas, concurso e carreira. Qual sua melhor lembrança na Escola? A ESP-MG foi uma verdadeira escola de trabalho coletivo, ensaiamos os primeiros passos de uma gestão verdadeiramente participativa, com formulação coletiva e essa é a maior saudade, o vigor, a certeza de que estávamos construindo o melhor, com a garra e determinação da escolha pelo SUS. E houve também muita, muita risada e festa. Em sua opinião qual a importância da ESP-MG para Minas Gerais e para a saúde pública? E no cenário nacional? É uma instituição formadora para trabalhadores do SUS, que não pode ser minimizada, em seu papel de reflexão, crítica, formulação, análise, pesquisa e divulgação. Acreditávamos numa posição crítica em relação a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), sempre foi um questionamento importante de qual seria a distância ideal, nem longe, que descolasse da realidade dos serviços de saúde, nem tão perto que aceitasse conduções acríticas.

Deixe uma mensagem para a ESP-MG. Essa entrevista foi baseada apenas em minha memória, correndo o risco de ser traída pelo tempo e por minhas emoções. Deixo meus agradecimentos à equipe da Escola e meus votos de longa e fértil vida. Viva a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais! Viva o SUS!

*** Ismair Zaghetto 2002-2003 por Danny Eloi Diretor da Escola no ano de 2002 ele trabalhou no processo de desvinculação da instituição da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Atualmente aposentado e trabalhando em seu primeiro romance, ele nos contou um pouco de sua trajetória Qual sua formação acadêmica? Sou Jornalista, Sociólogo, professor de Sociologia e Antropologia e Escritor. Como você veio para a ESP-MG? Por convite do então Governador do Estado de Minas Gerais Itamar Franco, de quem sempre fui amigo pessoal, assessor e secretário. Como foi sua trajetória até assumir a Diretoria da Instituição?

O que você faz atualmente?

Uma trajetória profissional de cerca de 40 anos, dividida entre o jornalismo e o magistério superior, com passagens pela vida pública, entre as quais a de Superintendente da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage, que, em Juiz de Fora, corresponde a Secretário Municipal de Cultura.

Hoje atuo como Psicanalista.

Como era a Escola durante sua gestão?

40

Um trabalho difícil. A Escola não possuía autonomia, pois estava vinculada à Funed. Aí talvez esteja a minha melhor contribuição. Desde o primeiro dia, percebi que era impossível tal subordinação. Afinal, com todo o peso histórico da Fundação, ela não dispunha de qualquer tradição na formação de recursos humanos. Essa vinculação impedia o desempenho e a evolução da instituição. Começa comigo o processo de desvinculação, concluída pelos diretores que me sucederam. Tive uma passagem curta pela direção da Escola, mas acredito, modéstia às favas, que deixei uma contribuição histórica, ao deflagrar o processo de soberania, bem como de tornar concreto o projeto de uma revista, até então um sonho inacabado. Como estava a questão da saúde pública no Brasil nos anos de sua gestão? Acredito que não muito diferente de agora. Educação e Saúde no Brasil sempre foram somente palanque de políticos. Qual sua melhor lembrança na Escola? A qualidade acadêmica e a boa vontade de seu corpo pessoal. Gente comprometida com as questões de saúde pública no Estado. E quais eram as dificuldades? A ausência de recursos e de soberania da ESP, pela qual trabalhei com empenho.

“A ESP-MG tem uma tradição e um conceito acadêmico que ultrapassam os limites do Estado. Seu trabalho faz justiça a isso” renova esp-mg


Uma saudade que a ESP-MG deixou?

transformar o mundo.

Deixar de viver o dia-a-dia da Escola e o convívio com o seu pessoal maravilhoso.

durante sua gestão a ESP-MG teve dois grandes marcos: o Plano Diretor da Atenção Primária e a inauguração da Unidade Geraldo Campos Valadão

O que a ESP-MG te ensinou?

Qual sua formação acadêmica?

Senti, atuando na Escola, a magnitude do problema da saúde pública no Brasil.

Socióloga. Especialista em Gestão de Pessoas e em Gestão Hospitalar para o Sistema Único de Saúde (SUS) e atualmente mestranda na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na área da Promoção da Saúde e Prevenção da Violência.

Foram inúmeras. Dentre elas, dar vida a Escola como órgão autônomo, organizar administrativamente, adequar o prédio garantindo acessibilidade a todos, concluir as obras da Unidade Geraldo Campos Valadão, implantar o Plano Diretor da Atenção Primária em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) em todo o estado, realizar o primeiro concurso público para a formação do quadro de servidores, colaborar com a formação dos profissionais da saúde em nosso estado.

Quais eram as demandas/missões de prioridade nessa época? Todas aquelas que se pode imaginar para uma instituição que pretendia voar e era impedida pelos limites decorrentes da ausência de soberania, problema que só não era maior porque o superintendente da Funed naquele tempo, o médico Ivan Vaz de Mello, sempre nos apoiou no esforço pela independência. Em sua opinião qual a importância da ESP-MG para Minas Gerais e para a saúde pública? E no cenário nacional? A ESP-MG tem uma tradição e um conceito acadêmico que ultrapassam os limites do Estado. Seu trabalho faz justiça a isso. O que você faz atualmente? Nos conte! Já aposentado do jornalismo e da cátedra universitária, dedico-me à atividade de escritor. Escrevi quatro livros, três voltados à historiografia municipal e um livro de contos. E devo lançar ainda este ano o meu primeiro romance.

*** Tammy Angelina Mendonça Claret 2008-2010 por Ricarda Caiafa Diretora da Instituição de 2008 a 2010,

41

Como foi sua trajetória até assumir a Diretoria da Instituição? Entre 1986 e 2007 vivi diversas experiências em iniciativas públicas e privadas, enriquecendo meu saber profissional, na área de gestão e implementação de projetos. No ano de 2007, um novo sonho realizado. Comecei uma jornada como diretorageral da ESP-MG, que associava meus dois pilares: educação e saúde. Qual sua melhor lembrança na Escola? Lembro-me das pessoas que se dispuseram naquela época a organizar a Escola como órgão autônomo, partilhando ideais e sonhos. E quais eram as dificuldades? Muitas. Mas a vontade de uma equipe em dar vida a um Projeto superou obstáculo por obstáculo. Uma saudade que a ESP-MG deixou?

Quais eram as demandas/missões de prioridade nestes anos que você ficou?

Em sua opinião qual a importância da ESP-MG para Minas Gerais e para a saúde pública? E no cenário nacional? A ESP-MG é o local onde conhecimento e prática se encontram, onde as políticas públicas podem e devem ser discutidas, pensadas e repensadas. A Escola agrega duas grandes áreas saúde e educação. Áreas que podem mudar paradigmas, mudar a história. O que você faz atualmente? De volta a Belo Horizonte, componho a equipe da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), atuando na área da Promoção da Saúde e Prevenção da violência com o olhar da intersetorialidade. E o sonho por um SUS efetivo continua.

A convivência diária com vários que se tornaram amigos. O que a ESP-MG te ensinou? Que projetos e pessoas precisam ter afinidades e que sonhar e acreditar são ingredientes essenciais para

renova esp-mg


Damião Vieira Mendonça 2010-2014 por Sílvia Amâncio Em 2016, a Escola começou a resgatar a memória de seus ex-diretores, em comemoração aos seus 70 anos. Nessa entrevista, Damião nos fala sobre o retorno da tradicional especialização em Saúde Pública e do comprometimento dos trabalhadores da Escola. Confira! Qual sua formação acadêmica? Sou Graduado em Ciências Contábeis e em Administração de Empresas. Como foi sua trajetória até assumir a Diretoria da Instituição? Atuei no Ministério da Agricultura e do Abastecimento, na Secretaria de Estado de Trabalho e Ação Social, na Fundação de Seguridade Social de Minas Gerais e também fui Secretário Municipal de Administração da Prefeitura de Patos de Minas. Como era a Escola durante sua gestão? Inovadora. Realizamos dois cursos inovadores, o Curso Técnico de Hemoterapia e a Oficina de Educação Popular em Saúde Mental em Projetos de Reforma Agrária. Se bem me lembro, além das ações educacionais tradicionais, realizamos 60 ações em um curto período. Qual a sua melhor lembrança da Escola? Essa pergunta é fácil. Com certeza foi quando conseguimos reiniciar o curso de Especialização em Saúde Pública. Reunimos todos os servidores da Escola e os convencemos da importância dessa qualificação e eles concordaram em se tornar docentes. Na minha gestão fizemos duas edições

42

do curso com grande aceitação pelos atores envolvidos e principalmente das secretarias municipais de saúde. Acredito que essa mobilização foi um legado. Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas durante a sua gestão?

Estado, qualificando os trabalhadores do SUS. Em sua opinião qual a importância da ESP-MG para Minas Gerais e para a saúde pública? E no cenário nacional?

Imagino que as dificuldades sejam as mesmas enfrentadas hoje, que é a interlocução com SES-MG com relação a recursos financeiros. Apesar de a Escola já ter um orçamento próprio, ela ainda depende desse apoio da Secretaria.

A ESP-MG é fundamental para a saúde pública e para o desenvolvimento de recursos humanos no Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais. Li que já passaram pela Escola, cerca de 300 mil trabalhadores. Este número mostra a importância da Escola, uma das mais importantes do Brasil.

Uma saudade que a ESP-MG deixou?

O que você faz atualmente, nos conte!

O corpo de servidores! Esse pessoal é totalmente comprometido com suas atividades, então mesmo com as dificuldades que nós tínhamos tudo que a gente planejava com eles, nós conseguíamos. Então a saudade grande é de quem faz a Escola, os servidores.

Quando eu deixei a Escola eu fiquei por um período na Funed como superintendente. Logo depois, retornei para a minha cidade natal, Patos de Minas, para cuidar das minhas atividades particulares. E estou assim atarefado até hoje...

O que a Escola te ensinou? Ensinou muita coisa! Eu saí da ESP-MG muito melhor. Quando cheguei aqui eu tinha uma experiência profissional, de certa forma dispersa, mas aqui houve uma concentração das atividades para um único objetivo e eu acabei tendo que trabalhar muito em grupo. A coletividade foi o diferencial. Quais eram as demandas/missões de prioridade nestes anos que você dirigiu a ESP-MG? Acho que as demandas mais importantes foram alguns convênios assinados que estavam praticamente paralisados, como o Curso de Saúde Bucal. Com grande esforço de todos os servidores conseguimos cumprir a meta pré-estabelecida e aplicar recursos, beneficiando vários trabalhadores. Conseguimos levar formação de qualidade a vários municípios de Minas Gerais. Viajamos muito pelo interior do

“A ESP-MG é fundamental para a saúde pública e para o desenvolvimento de recursos humanos no Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais”

renova esp-mg


FUNDAÇÃO EZEQUIEL DIAS A Funed afirma seu compromisso de manter-se como uma instituição pioneira no desenvolvimento de pesquisas, inovação científica e tecnológica. Sendo referência em vigilâncias, produção de medicamentos e no cuidado com a saúde pública de Minas e do Brasil.

43

renova esp-mg


ENTREVISTA

Memória 70 anos: João Carlos Pinto Dias

Na Escola estive, com o sanitarista Sérgio Arouca, em seminários fundamentais sobre Saúde Pública. Por tudo isto, cada vez mais a ela me afeiçoei

por Leíse Costa Em 2015, a ESP-MG começou um profundo resgate da memória de sua história. Buscamos depoimentos de ex-diretores, ex-servidores e dos sempre parceiros da Escola, e nas lembranças destes, traçamos 70 anos na qualificação de profissionais atuantes na saúde pública em Minas Gerais. João Carlos Pinto Dias é um destes

44

valiosos parceiros. O doutor em Medicina e neto do pesquisador Ezequiel Dias presidiu a fundação que leva o nome de seu avô, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) na década de 1990. Assim que assumiu a Funed, ele se reuniu com a então diretora-geral da Escola, Mariana Tavares e ali estabeleceram uma relação de diálogo e de encontros regulares em prol das instituições vinculadas. Confira suas impressões sobre esse importante período:

renova esp-mg


Como estava o cenário da saúde pública em sua gestão na FUNED em 1991? Estávamos recém saindo da Ditadura Militar, em plena etapa de nascimento do SUS, vivendo ainda o clima da VIII Conferência Nacional de Saúde e imbuídos dos pressupostos éticos e sociais da nova Constituição. Minas fora fundamental como referência concreta à regionalização da Saúde, com as experiências de Montes Claros e Diamantina. Foi uma época de abertura e construção, muito a fazer. E a Funed nesse contexto? A Funed estava sucateada, triste, pouco operante. E vale lembrar que a ESP estava fragilizada dentro desse sistema, relegada a plano inferior. Havia sofrido muito nos tempos de exceção, a despeito de valentes servidores. Lembro-me que o então secretário de saúde Saraiva Felipe tentava a duras penas montar sua equipe, esbarrando em intrincados processos político-partidários que complicavam as nomeações, especialmente no âmbito das Diretorias Regionais. Assim, companheiros da Faculdade de Medicina e na própria Secretaria, me convocaram com veemência para a Funed. Como sua trajetória passa pela ESP-MG? Já conhecia a Escola há anos, por atividades eventuais com o Centro de Pesquisa René Rachou, da Fiocruz, onde eu trabalhava. A proximidade geográfica no bairro Barro Preto e o crescente acercamento com queridos amigos militantes da Saúde Coletiva, que foram elementos importantes ao meu entrosamento com a ESP-MG. E foi nesse cenário que tive autonomia para compor a diretoria da Escola, que deleguei à jovem Mariana Tavares. Como se estabeleceu essa relação? A Escola acolheu-me prontamente. Uma

45

das primeiras atividades que realizamos o 1º Curso Nacional de Educadores Sanitários para a Vigilância da Doença de Chagas, em 1986. Neste mesmo ano, compartilhei importantes momentos com colegas da Escola na VIII Conferência Nacional de Saúde, em Brasília/DF. Na Escola estive, com o sanitarista Sérgio Arouca, em seminários fundamentais sobre Saúde Pública. Por tudo isto, cada vez mais a ela me afeiçoei. Alguma ação daquele ano em parceria com a ESP-MG que te marcou em especial? Várias. A começar por minha imediata decisão de visitar a Escola e debater com os trabalhadores aquele momento. Mariana acolheu-me carinhosamente e passamos toda uma tarde a firmar posições e levantar os problemas e expectativas. De particular, recordo-me do acolhimento, pela Escola, de um seminário internacional sobre aspectos socioculturais em doença de Chagas, presentes importantes referências da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e de países latino-americanos. O que era mais urgente? Havia muita penúria, acrescendo-se a distância geográfica da unidade com o bairro Gameleira, dificultando decisões e prioridades. Buscamos minimizar isto melhorando a comunicação e estabelecendo visitas regulares dos dirigentes à Funed e à Escola. De pronto,

havia que desburocratizar a liberação de recursos financeiros para viabilizar cursos e atividades. Qual é a importância da qualificação dos trabalhadores no SUS? A meu ver, total. O SUS há que construir-se sobre sólidas posturas éticas, técnicas, organizacionais e políticas, que não brotam por acréscimo em gestores, gerentes e profissionais vários, periodicamente renovados nos Estados e Municípios. É papel básico, pertinente ao Estado e assumido valorosamente pela ESP-MG. A Escola completou 70 anos em 2016. Qual a importância e o papel que a Escola tem construído? Setenta anos de lutas, resistências e construções. Nem sempre valorizada. A Escola tem cumprido seu papel, sou testemunha disso. Há sempre mais a melhorar e construir, há os constantes problemas de sustentabilidade, de renovação, de oportunidades a assumir, de chamados à inércia, de eventuais descasos políticos. Há os incontáveis problemas do SUS, entre o extraordinário modelo pensado e as realidades de sua luta por sobreviver. A Escola, feliz e teimosamente, tem honrado seu ideal histórico para com o SUS e para com o povo. Por isto a estimo, cada vez mais e torcendo, de coração, para que siga e cresça nesta trajetória.

João Carlos Pinto Dias Graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo (1963), mestre em Medicina (Medicina Tropical) pela UFMG (1974) e doutor em Medicina (Medicina Tropical) pela UFMG (1982). Atuou como pesquisador na Fundação Oswaldo Cruz e outras instituições. Atualmente faz parte do Conselho Curador da Funed.

renova esp-mg


Homenagem por Ricarda Caiafa

HOMENAGEM NA ALMG: TRABALHADORES ATENTOS E

EMOCIONADOS

Deputados Estaduais da Comissão de Saúde, com a presença de trabalhadores da Escola. O requerimento de homenagem foi solicitado pelo então Deputado Estadual Ricardo Faria, hoje, Secretário de Estado de Turismo de Minas Gerais.

COMISSÃO DE SAÚDE DA ALMG E A DIRETORA-GERAL ROSENI SENA No dia 02 de junho de 2016, a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) foi homenageada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), por meio de uma moção pelos seus 70 anos. A solenidade foi conduzida pelos

46

Na oportunidade a diretora-geral da ESP-MG, Roseni Sena, destacou a atuação da instituição em momentos importantes na história da Saúde Pública. “A Escola participou da Reforma Sanitária, Reforma Psiquiátrica, sobreviveu a Ditaduras. E sobreviveu com muita dignidade. Essa Instituição é um patrimônio para todos os que por aqui passaram. Tivemos alunos que se tornaram Ministros, passamos por momentos de dificuldades, mas também momentos promissores. Nosso presente é um desafio constante e o futuro também”, disse.

Selo Comemorativo No incío de 2016, a ASCOM/ ESP-MG elaborou um Selo Comemorativo de 70 anos da Escola. Todas as correspondências foram postadas pelos Correios com esse registro.

renova esp-mg


47

renova esp-mg


Acesse nossos canais de comunicação

twitter.com/espmg fb.com/escoladesaudepublicamg esp.mg.gov.br

48

renova esp-mg


Millions discover their favorite reads on issuu every month.

Give your content the digital home it deserves. Get it to any device in seconds.