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Nogueira

em revista

nยบ dois { 2013 }

escola secundรกria henrique nogueira // torres vedras


índice

Quatro quatro sete

Voz Off

Singularidades da Ciência

Youropia # visita a Óbidos O Conhecimento... Experimentar Ciência... na Henriques Nogueira

treze

Viagem como aprendizagem José Felix Henriques Nogueira

dezasseis Plataforma Plurilingue

"Youth of Europe" A cebração do direito da Saúde

catorze

Espaço Ensaio HN

Joaquim Oliveira # a prisão do avô da Raquel O meu serviço militar Entrevista a Virgílio Santos

Multikulti

Exposição de trabalhos # 12º F Entrevista # Antero Valério Belarmino # 12º F Poesia

Histórias de Torres

O Corpo e o Gesto

Twittarte

oito onze nove

Profissionais

Só para

Projetar, Agir, Refletir

Editorial

três cinco


Editorial Sendo

este o nosso último ano na Henriques Nogueira, é com saudade e orgulho que olhamos para o nosso percurso ao longo dos anos e relembramos todas as mudanças que vivemos juntos.

É certo que são as transformações físicas, as novas instalações e os novos materiais de apoio que primeiro nos captam a atenção, e é inegável a importância das obras que decorrem nos espaços escolares para o nosso sucesso, mas são as experiências vividas que verdadeiramente deixam a sua marca e uma viva recordação nas nossas mentes. A nossa participação ativa nos projetos proporcionados pela escola concedeu-nos a oportunidade de conhecer um novo leque de culturas e costumes, hábitos e valores, que não os nossos, e alargou a nossa visão para aquilo que poderá vir a ser o futuro quando cada um de nós seguir o seu caminho, seja este artístico, científico, humanístico ou económico. São estas atividades, as palestras, os eventos, os concursos matemáticos e literários, e os conhecimentos que adquirimos e partilhámos neles, intelectuais ou emocionais, que serão a rampa de lançamento para a fase seguinte da nossa vida. Porque, no final, são as nossas experiências que fazem quem realmente somos e somos nós que fazemos a nossa escola.

Alunas | Ana Póvoa ; Maria Pio; Ana Raquel, 12º

Nogueira em Revista || Ficha técnica

Nº 2 || Ano 13 Edição || Escola Secundária Henriques Nogueira Conceção e coordenação || Paula Viegas Projeto Gráfico || Maria Beatriz Faria 3º PTDG Orientação do projeto e paginação || Olga Moreira Apoio || comunidade escolar Publicação || junho de 2013


quatro

VOZOFF

... É urgente acabar com a pressa, Aproveitar cada momento, Multiplicar os beijos E dividir as tristezas .......... É urgente Ser forte e resistir Abrir uma janela Olhar para o que nos rodeia Não para alcatrão, poluição e tristeza Mas para flores, pessoas e beleza. Ana Rita, 8º B

! e t n e g r Éu

É urgente !

É urgente ser feliz É urgente estar contente É urgente sentir-se livre E em paz na nossa mente É urgente olhar para o céu E ver o sol a brilhar

É urgente estudar Para o futuro trabalhar

Joana Correia, 8º A

É urgente seguir em frente Para encontrar boa gente Márcia Pardal, 8º A

É urgente pintar sorrisos Nas caras de quem precise.

É urgente compreender Ver o secreto

... E se tudo isto não for urgente E eu estiver a fazer confusão É urgente dizeres-me tu O que é urgente então? Joana Jorge, 8º A

É urgente dizer algumas palavras Dizê-las não só por dizer, Mas dizê-las conforme o seu valor. É urgente revelar O sentimento mais secreto e dizê-lo com clamor É urgente revelar, É urgente compreender.

Mariana Cintrão, 8º A

urg

Carlos Lourenço

É urgente !

PROJETOS

Carlos manuel soares miguel Numa das últimas reuniões de Câmara, estava agendada a adjudicação de projetos de arquitetura para o “Centro de Artes de Carnaval” e para o “Centro Cívico de Santa Cruz”. Na altura, alguns Vereadores questionaram a razão de se estar a en-

do dia de amanhã. Tudo muda, tudo se altera. Esta é a altura de preparar projetos para amanhã fazer a obra. Esta é a altura de estudar, de obter conhecimentos, para amanhã os poder aplicar profissionalmente.

comendar projetos quando não há meios financeiros para fazer a obra. A resposta pronta e simples, é que sem projetos nunca teremos obra. Perguntar-me-ão o porquê desta conversa. Creio que muitos de vocês interrogam-se sobre a necessidade ou a

É com agrado e esperança que vos deixo esta mensagem, de prepararem no presente o vosso amanhã, porque as oportunidades aparecem sempre, só temos de estar atentos e preparados.

vantagem de estudar, de gastar tempo, paciência e dinheiro a fazer um curso, se não há empregos e com mais estudo ou menos estudo o destino é o mesmo: o desemprego. Mas a falta de soluções dos dias de hoje, podem ser as oportunidades

Carlos M. S. Miguel ex-aluno da Escola Henriques Nogueira e Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras


ag i r

Projetar refletir Youropia # visita a Óbidos Textos de três dos alunos participantes no projeto Youropia, no âmbito da disciplina de História da Cultura e das Artes* Foi-nos proposto pela professora de História da Cultura e das Artes que preparássemos uma visita guiada à vila de Óbidos, no âmbito da disciplina, com o objetivo de darmos a conhecer este espaço, do ponto de vista histórico e artístico, a um grupo de jovens alemães, escoceses, polacos, italianos, e de outras nacionalidades europeias. Eu e as minhas colegas preparámos este trabalho procurando informação sobre a história, a arquitetura, a pintura, centrando-nos essencialmente nos edifícios do castelo e da Igreja de Santa Maria, e dos objetos que a partir deles se avistavam. Visitámos também o local para termos uma perceção mais clara do que deveríamos comunicar. A mim e à Marta, coube-nos fazer a visita guiada ao castelo. Fizemo-lo com uma ligação entre os dois muito positiva, sem atropelos, e ajudando-nos mutuamente sempre que foi necessário. Conseguimos manter uma conversa fluida e constante, interagindo com os visitantes sempre que colocavam questões. Adorei a experiência toda. Conheci pessoas simpáticas e fiquei a saber mais sobre a cultura e a história da vila de Óbidos. Uma das mais-valias que retirei da atividade foi a possibilidade de ter feito a visita guiada, ganhando experiência e à vontade numa área diferente, experiência que nunca tinha vivido. Foi útil irmos previamente a Óbidos para conhecermos melhor o património que íamos dar a conhecer a outros. Ajudou-nos na recolha de informações e na redação do folheto, que oferecemos aos convidados, e com base no qual preparámos a apresentação.” João Malhado # 11º F

Este pareceu-me um projeto muito interessante para colocar em contacto jovens de muitos países europeus, permitindo uma importante troca cultural. Gostei muito de participar. Para mim, a ideia de que somos todos iguais nas nossas diferenças era um valor assumido. Ainda assim, esta atividade mexeu comigo, pois todos gostamos de ser acolhidos nos locais que não são os nossos, mas sermos nós a acolher outras pessoas na nossa terra, e mostrar-lhes como somos, e a origem da nossa cultura, e sem falar a nossa língua nem a deles, faz-nos ver que há sempre algo que temos em comum. Eu não só ensinei, como aprendi; já conhecia a vila de Óbidos, mas ao aprofundar conhecimentos sobre a praça de Santa Maria, o pelourinho, a fonte, a Igreja de Santa Maria, fiquei mais deslumbrada por esta vila, que fica mesmo aqui ao lado. Foi muito bom termos sido envolvidos no Youropia que, a nível do projeto, achei bastante interessante, sobretudo por sermos nós, outros alunos, a fazermos de guias do nosso património. Era a única possibilidade de interagirmos com os outros, mas falarmos inglês dificultou um pouco a comunicação e a explicação mais clara de certos conceitos. Nesse aspeto, poderíamos ter feito melhor trabalho, mas valeu pelo que descobrimos do património e dos valores humanos. Foi uma boa viagem no tempo muito agradável. Não me importava de repetir!” Inês Miranda # 11º F

A visita à vila de Óbidos, no âmbito do projeto Youropia, decorreu no dia 25 de fevereiro e teve por objetivo conhecer, e dar a conhecer a um grupo de alunos e professores estrangeiros, objetos do património histórico e artístico português. Eu, com outros três colegas, fizemos uma pesquisa inserida na disciplina de História da Cultura e das Artes, a partir da qual elaborámos um roteiro, que escrevemos em Inglês. Com esta experiência fiquei a conhecer Óbidos de uma outra maneira, com um olhar mais atento ao conjunto e aos pormenores. A minha atenção foi despertada para aspetos em que nunca antes havia reparado, como o facto de a vila ter sido ofertada, noutros tempos, às rainhas. Por isso escolhemos para o nosso roteiro o subtítulo “Land of Princesses”. Ganhei muito com esta experiência na medida em que foi a primeira vez que desempenhei um papel destes e, portanto, fiquei também a conhecer mais de mim própria; o contacto com pessoas de outros países foi igualmente importante e enriquecedor. O projeto Youropia parece-me uma ótima oportunidade de conhecer novas realidades, culturas e pessoas, e gostaria, no futuro, de também nele participar.” Marta Crespo # 11º G

* lecionada pela professora Cacilda Costa


seis O conhecimento só se torna imprescindível e recompensador quando compartilhado O projeto “DORMIR+ para LER MELHOR” tem como objetivo consciencializar para a importância do sono no desenvolvimento das competências leitoras, na capacidade de aprendizagem e no sucesso escolar. A minha primeira participação no projeto “Dormir + para ler melhor” teve lugar no dia 25 de Janeiro de 2012, numa palestra intitulada “Ler o meu sono” cujo orador era o Dr. Filipe Silva (neuropediatra com subespecialização em pediatria do desenvolvimento). Mais tarde, em Março, dado o interesse pelo tema, tomei a iniciativa de participar noutra conferência

Experimentar Ciência… na Henriques Nogueira

integrada na semana científica e literária mas desta vez com a Dr.ª Áurea de Ataíde (Ex- aluna da nossa escola e atualmente Especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência). Qualquer das conferências era aberta à participação dos Pais e Encarregados de Educação, tendo a minha mãe participado também em ambas. Em resultado da minha participação nas diversas ações realizadas acerca da temática do sono, realizei uma exposição à turma 12ºB no âmbito da disciplina de Psicologia B (ano letivo 2011-2012) e, mais recentemente, uma apresentação

a encarregados de educação e professores da Escola Básica Nº1 de Torres Vedras, numa sessão com a Professora Dra. Rebelo Pinto, no âmbito do projeto “Ressonhar com os Pequeninos”. Aí fiz uma síntese dos conhecimentos adquiridos acerca da importância do sono nas nossas vidas. Por fim, gostava de realçar o interesse e disponibilidade dos nossos convidados em dar o seu contributo para um projeto tão relevante e, sobretudo, dar os meus parabéns a todos os envolvidos no projeto. Inês Pereira # 12º B

O Departamento de Ciências Experimentais da nossa escola realizou no dia 19 de Abril de 2013 um dia de atividades laboratoriais com o tema “Experimentar Ciência…”, direcionado à comunidade escolar e restantes interessados. Os laboratórios estiveram em funcionamento entre as 9.30 h e as 22.00 h, contando com a presença de várias turmas acompanhados pelos respetivos professores no período da manhã e da tarde. Durante a noite estiveram presentes várias pessoas da comunidade educativa incluindo vários encarregados de educação. Os alunos integrados no projeto dedicaram-se a monitorizar os participantes de modo a que fossem estes a realizar as diversas experiências disponíveis, nas diversas áreas da física, química, biologia e geologia. Durante o período noturno foi também montado um telescópio à entrada da escola, onde os interessados puderam observar a Lua. O feedback recebido por parte dos que participaram foi muito positivo, verificando-se a presença de bastantes interessados nas atividades que procuravam dar a conhecer e despertar o gosto pela ciência. De um ponto de vista pessoal pode dizer-se que esta iniciativa promoveu também o desenvolvimento das nossas capacidades de interação com os outros. A experiência como monitores das atividades laboratoriais foi algo que nos agradou imenso fazer, principalmente quando o público foi bastante participativo e colaborativo connosco. É de realçar também o espirito de equipa e entreajuda de todos os monitores. No final do dia o cansaço era notável, mas foi gratificante pelo sucesso que esta iniciativa teve. André Silva e Ricardo Santos # 12º B


Singularidades da ciência

sete

A química de um pastel de feijão

N

a presença de um pastel de feijão, o olhar e o olfacto originam informações químicas que, ao chegarem a cérebro, vão desencadear recordações e a libertação de neurotransmissores que provocam reacções fisiológicas como a salivação. O trincar do pastel é acompanhado por sons subtis que evocam memórias e pela solubilização das moléculas que vão impressionar as papilas gustativas. Em simultâneo, chegam, pelo interior da boca, moléculas de cheiro agradável ao receptores olfactivos, desencadeado mais memórias e a libertação de endorfinas.

Q

gorduras. O feijão e a amêndoa são misturas complexas de glúcidos, proteínas e lípidos (entre outras substâncias) que, em conjunto com a farinha e as gemas de ovo, criam alguma variedade nutricional. A sacarose é também uma substância natural, obtida pela purificação da mistura natural desta substância com outros compostos presentes na cana de açúcar. Trata-se de um dos materiais naturais mais puros a que temos acesso no nosso dia a dia e o seu consumo moderado é provavelmente muito mais saudável do que o consumo massivo de edulcorantes artificiais (agora de mais baixo custo que a sacarose) em doces e refrigerantes industriais.

tel

s uando comemos do pa r a c n i ns O tr estão presentes ara fazer os pastéis, o feijão é demolhado, retirampor so o d a h n . a . todos os nossos se as suas cascas e finalmente é cozido. Durante . órias acomp m é e m sentidos. E a o decorrer desses processos, uma boa parte dos cam oca, ue evo b q a s i d t química é imporoligossacarídeos, solúveis em água, é eliminada. sub terior n i o l s e o tante em todos Estes compostos são açucares, presentes nos feivel a gam, p gradá a ... che o r eles porque é fundajões, couves e outros vegetais, que não são digerii e che d n e s s a l e u mental na transmissão dos pelos seres humanos, mas existem bactérias perto s, d moléc factivo l o s e e interpretação dos do final do intestino que os adoram, provocando, quando r órias m ecepto e r m s impulsos nervosos. O comidos em excesso, os incomodativos gases. ai ndo m cadea paladar e o olfacto são, no entanto, sentidos químicos de forma directa, pois reagem às stão actualmente registados (www.cas.com) mais de moléculas que se solubilizam na saliva setenta milhões de compostos químicos e todos os dias e às moléculas que, passando ao estado gasoso, vão excitar o são descobertos, ou inventados, mais alguns milhares. sentido do olfacto. Estes dois sentidos funcionam de forma comMuitos dos compostos que são descobertos são de origem plementar (muito do sabor é perdido a comer com o nariz entubiológica e alguns deles poderão estar na origem a novos pido), estando o olfacto muito ligado à química das memórias. medicamentos, quem sabe, vindos de humildes legumes No caso da visão, o mecanismo é também químico: a luz que como o feijão. A verdade é que nas bases de dados de artigos chega à retina vai provocar reacções fotoquímicas que envolvem científicos tem, nas ultimas décadas, aumentado visivelmente a pigmento biológicos, sendo a informação enviada ao cérebro de referência à química do feijão, existindo muito mais referências à forma química. química deste legume que à da amêndoa.

P

E

A

maior parte dos doces é pouco equilibrada em termos nutricionais devido a excesso de açúcares ou de gorduras, mas o seu consumo moderado e ocasional é uma fonte de alegria que contribui para o equilíbrio emocional. Em particular os pastéis de feijão, embora metade da sua composição seja açúcar (sacarose), são muito saborosos e têm aspectos nutricionais interessantes. Na sua receita entra, além da sacarose, farinha, feijão, amêndoa, gemas de ovo e

Confeccionar e saborear pastéis de feijão tem muita química, assim como tem química o mundo que nos rodeia, basta estarmos atentos. Sérgio Rodrigues Professor Auxiliar de Química da Universidade de Coimbra


oito

e t r a t t i w t

Um coração repleto de tudo aquilo que não entrega

lar, regu a d assa om p nça, c a s r coi ase alca ia lque Qua fonte qu de a âns . r a n Que ão esco m a olha a n j r e s a t es Ma talh ventura ue a r de a De q ostaria esse po a. g v r u u m o g e h B os o se h ã l n a t Se a mosa, e er Vai f ºB a, 10 d n a r o Mi Pedr

Rita Fortunato # 10º B

a verdade que crescemos a sonhar. Vivemos a pensar e acabamos por morrer no desconhecido. Bernardo Ferreira # 10º G

A Arte é… tornar visível o invisível, conseguir ver aquilo que não se dá a ver. Sara Pissarra e Pedro Silva # 11º G

um mundo de complexidades; faz-se para os outros, mas mantém-se íntima e pessoal. Pedro Rebocho # 11º G

uma forma de viajar por dentro de nós, levando-nos dos mais claros sentimentos às mais obscuras emoções. Inês Lucas # 11º G

a expressão do nosso interior mais profundo através de um labirinto de caminhos que só alguns conseguem percorrer. Maria Rebela # 11º G

a intimidade do nosso olhar, acrescentada da contemplação do olhar do outro. Carlos Tavares # 11º G


o corpo e o gesto

nove

EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS DOS ALUNOS DO 12º F NA DISCIPLINA DE MATERIAIS E TECNOLOGIAS Estes trabalhos respondem ao pedido do professor da disciplina que, segundo os conteúdos programáticos, e em conjunto com o professor da mesma disciplina da turma do 12º G, decidiram agregar estas duas tecnologias, de forma a aplicar o princípio da sustentabilidade na arte com o objectivo de recuperar resíduos de madeira e metal que, de outra forma, seriam atirados para o lixo.

Entrevista # Antero Valério

Antero Valério tem 52 anos, é professor e artista. Já expôs em diversos locais e tem um blog onde publica os seus cartoons sobre o estado de Portugal. apesar de gostar de ensinar, Antero gostaria de se dedicar mais às suas obras. Admira e é admirado, influencia e é influenciado pelo mundo.

# Qual foi o motivo que o levou a começar a pintar? # Recordo-me de gostar de desenhar desde sempre. Passava horas entretido a fazer “bonecos” e banda desenhada. Esse gosto levou-me a ter curiosidade em relação a todas as formas de arte. Na sequência desse processo, descobri a pintura a óleo, por volta dos 15 anos. Essa experiência e o contacto com o trabalho de alguns artistas, levou-me a concluir que o meu caminho era por ali. # A que se deve a sua maneira de pintar? # A minha maneira de pintar deve-se à experiência dos anos de trabalho. Todos nós observamos os trabalhos de grandes artistas, somos influenciados e estudamos, de alguma maneira, a sua forma de fazer. Mas procuramos sempre, ou devemos procurar, a nossa própria linguagem, a nossa identidade. E isso consegue-se com muito trabalho, experimentação, descoberta, sucessos e falhanços. E, sobretudo, com o prazer que nos dá esse trabalho. # Que parte de si expressa nas suas obras? # Ora aí está uma pergunta difícil! Penso que, muitas vezes, totalmente.

Ficam lá espelhados os meus estados de alma (mesmo que só eu entenda os signos). # Habitualmente, que técnicas utiliza na sua pintura? # Já há muitos anos que comecei a usar o que se designa por técnica mista. Ou seja, misturo frequentemente as técnicas clássicas do acrílico e óleo com colagens, carvão e grafite, texturas com pastas, pó de pedra, cimento...Enfim, vale quase tudo para obter o efeito desejado. # Em que situações sente mais necessidade de pintar? # Sempre. Não tem que haver uma situação específica. Não quer dizer que seja sempre a pintura, propriamente dita. Pode ser desenhar, arte digital, etc. Mas é uma necessidade quase diária, registar um movimento, dar vida a uma ideia. Parece quase doentio, não? # Quais são os pintores que mais admira? # Tantos!...O incontornável Pablo Picasso, pela vasta e original obra que nos deixou e, sobretudo, pela forma como o fez (era incansável, o homem!). O Antoni Tápies, o Franz Kline, o Cy Twombly, o Richard Serra

(que é sobretudo escultor), o Ângelo de Sousa, por encontrar neles uma linguagem próxima da minha. Mas existem tantos outros...desde os pintores “clássicos” como o Velásquez a pintores contemporâneos, se olhar-mos com olhos de ver, encontramos trabalhos verdadeiramente admiráveis. # Pinta com frequência? # Não com a frequência com que desejaria, mas sim, sempre que as minhas outras actividades me permitem. # Se tivesse de se enquadrar numa corrente artística, qual seria? # Nunca concordei muito com esse “compartimentar” dos artistas. Por exemplo, o Picasso é muitas vezes apelidado de pintor cubista, quando isso se aplica apenas a um curto período da sua vida. A pintura que faço andará algures entre o Minimalismo, Expressionismo Abstracto e Abstracionismo Geométrico. Mas, como já disse anteriormente, o acto de pintar é uma busca incessante e por vezes conduz-nos a caminhos que não prevemos com antecedência. Como dizia o Picasso, a tela é como uma arena onde o pintor luta e a pintura, um somatório de destruições. # Gosta do seu trabalho como professor ou preferia ocupar-se apenas com a sua arte? # Gosto muito de ensinar e partilhar o que sei com quem tem apetência para as artes. Infelizmente, no ensino básico e secundário isso não acontece com muita frequência. Neste momento, penso que preferia ocupar-me apenas da minha arte.

# Tem por hábito influenciar os seus alunos com a sua maneira de se expressar? # Tento não o fazer. Procuro orientálos dentro da sua própria linguagem. Mas é natural que, ao dar-lhes pistas e sugestões, os influencie de alguma maneira. # E é influenciado por eles? # Sou muito observador e sou influenciado por tudo o que me rodeia. Isso inclui os alunos. Por vezes, os jovens surpreendem-nos com soluções muito interessantes. Estamos em constante evolução e sou da opinião de que quem não está atento à forma como as novas gerações olham o mundo, tende a cristalizar. # Qual a opinião que tem quanto ao ensino artístico em Portugal? # Por um lado, o ensino artístico teve uma evolução enorme. Existem hoje muitas escolas superiores de artes com ofertas de diferentes cursos que permitem aos jovens encontrar a melhor forma de expressar a sua criatividade. Há também uma maior ligação entre a Universidade e a sociedade civil, o que permite uma melhor estruturação da carreira e do crescimento dos jovens artistas (coisa que não encontrei na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, quando lá andei. Era uma escola muito fechada sobre si própria.) por outro lado, o ensino artístico no ensino básico e secundário tem vindo a piorar devido aos cortes de algumas disciplinas do currículo e nos recursos necessários para um ensino artístico de qualidade. Tudo isto não só por questões financeiras mas sobretudo por falta de visão acerca


fonte de vida

dez

Ó Árvore, Sopro de sabedoria, tu que sofreste por nossas mão, mas nos deste alegria. Ó tronco de madeira, com veias de seiva fundida. que por teu coração passa, as dores de toda a tua vida.

da importância que a arte tem para todos os cidadãos. # Sabemos que faz cartoons em relação à política e tem um blogue onde os publica. Por que o faz? # Como já referi anteriormente, tudo o que faço é, acima de tudo, pelo prazer que isso me dá. É o prazer de “brincar”. No caso dos cartoons , comecei por os fazer para divertir os meus colegas. Adoro ver gente divertida e bem disposta à minha volta. Como começaram a circular na net (a partir de fotocópias) com algum sucesso, resolvi fazer o blog e, mais recentemente, o Facetoons no Facebook. Agora consigo divertir muito mais gente, o que é uma sensação muito agradável! Mas tornou-se também uma forma de exercer a cidadania, de intervir socialmente. O humor, está provado, é uma arma muito eficaz. # Quais foram os cartoonistas que o inspiraram? Foram só portugueses? # Não posso dizer que tenha sido inspirado por este ou aquele cartoonista. Até porque aquilo que faço não é o que, convencionalmente, se chama

de cartoon. O que faço é uma mistura de banda desenhada e aquilo que se chama a “tira cómica” (que se publica nos jornais). Há muitos, e bons, autores portugueses. Mas não sinto que tenha sido inspirado por algum deles. A minha grande referência é, sem dúvida, o Quino, que é argentino (autor de cartoons e das “tiras” da Mafalda) e aquele que o inspirou a ele, o Charles Schulz (autor das “tiras” dos Peanuts – Charlie Brown, Snoopy...). # Porquê cartoons e não apenas letras? # Porque é no desenho que me sinto à vontade e que comunico mais eficazmente. Consigo, com alguns traços, descrever uma situação que teria muita dificuldade em transmitir apenas com palavras. E depois, voltamos à questão do prazer. Dá-me muito mais gozo, assim. Entrevista realizada por Bárbara Barreto e Beatriz Torres # 10º G

Belarmino Interpretação Gráfica | Plano Nacional de leitura DESENHO A # 12ºF “Belarmino”, de Fernando Lopes (Col. Cinemateca Portuguesa) Documentário; 1964

Árvore que te fizeram sofrer, venho-te pedir perdão, em nome dos Homens-sem-Saber, de alma e coração. Sem ti não posso viver. Sem o teu trabalho e dedicação, Juro não te fazer mais mal a mão do meu irmão. Árvore, de verde rugoso de casca de pedra rija de raízes de universo profundo, peço que nunca nos deixes, e que salves todo o mundo. Nídia Bento,16 anos # 11ºG nº26

dentro de mim há um mar Eu sentado aqui a olhar Quantos barcos por ti navegaram, Quantos homens aí morreram, Quão belo e trágico consegues ser. Tantas viagens fizeram Quantos foram e não voltaram, Saudades deixas Ó imenso mar! A esperança do regresso, O olhar no horizonte, Uma espera interminável Um final inimaginável. Para quem parte, A incerteza do futuro, A tristeza no olhar Um destino obscuro Sem saber que rota há-de levar. Para quem fica A vida continua, Contudo perde a sua cor. Tudo se transforma E fica somente a dor. Meu grande amigo mar, O teu grande destino É mexer sem parar. Entre as brumas do meu olhar A minha felicidade vai despertar. O mar dá-me inspiração Porque está dentro do meu coração. Dentro de mim há um mar Qua faz de mim um poeta de encantar. Emanuel Santos # 8º B

Antigo campeão de boxe, Belarmino Fragoso # Um homem de origem humilde surpreendido pelo sucesso, até ao resvalar da sua vida marginal e popular, pela cidade em que viveu: Lisboa


onze

Joaquim Oliveira

{ A prisão do avô da Raquel } Tinha três anos. Lembro-me da imagem do meu pai a entrar em casa com um grupo de homens. Perguntei se eram seus amigos e o meu pai respondeu rispidamente: "Não, estes homens não são meus amigos e não me querem bem. Vai embora para ao pé da mãe". Estranhei porque normalmente ele era meigo e bem disposto e a sua atitude foi completamente diferente. Eu, irritada, deitei a língua de fora aos homens. Quando fui ter com a minha irmã ao quarto, reparei que estava à janela a chorar. Depois o meu pai foi embora e não me recordo de mais nada; só de a minha rotina ter mudado por completo devido à ausência do meu pai e de sentir saudades. Foi preso no dia 31 de Março de 1967. Já mais crescida percebi que o meu pai tinha ido embora pois tinha sido preso pela PIDE, que o tinha ido buscar ao local de trabalho. Antes de o levarem para Caxias, passaram por casa para revistá-la. Procuravam jornais, livros proibidos e tudo o que pudesse incriminá-lo por ser contra o regime instaurado. O motivo principal da sua prisão tinha sido uma denúncia, pois pertencia ao sindicato dos metalúrgicos e, no âmbito da atividade do sindicato, fundou uma biblioteca para operários metalúrgicos, na qual existiam livros proibidos. O meu pai não gostava de falar do assunto, mas contou-nos o que aconteceu no tempo em que esteve preso. Esteve sete dias e sete noites em interrogatório constante, sem dormir. Durante esse tempo, obrigaram-no a escutar gravações com crianças a chorar e abriam e fechavam gavetas. Era a forma de o forçarem a falar, embora não tivessem sucesso, pois ele nunca falou. Esta era uma honra para qualquer preso político, não falar nem denunciar os camaradas. Ficou a aguardar julgamento na cadeia de Caxias. Mas, enquanto aguardava, o Papa Paulo VI veio em visita a Portugal e foi então anunciada a amnistia a todos os presos políticos que aguardavam julgamento. Também me recordo desse dia. A minha irmã mais velha estava doente, com 40 graus de febre, e, apesar de o médico ter feito tudo, a febre não baixava. Chegou a notícia, através de um familiar nosso: o pai tinha saído da prisão e a minha irmã melhorou de forma mágica... O sustento da casa era através do trabalho do meu pai e algumas rendas obtidas pelo património existente na altura. Com a sua prisão, a nossa situação económica ficou complicada, pois a minha mãe não estava empregada. No entanto, os amigos e camaradas não iam deixar que a nossa vida ficasse ainda mais difícil e todos contribuíram com o que podiam para que a nossa vida continuasse o mais normal possível. Esta era uma prática habitual com todos os amigos que fossem presos. A solidariedade dos amigos não termina aqui, pois a minha irmã, na altura, frequentava a 4ª classe e para quem quisesse continuar os estudos era obrigatório um exame de admissão. A professora dava explicações em troca de uma mensalidade e, quando soube do sucedido, deixou de cobrar as mensalidades dando as explicações da mesma forma. No dia em que o meu pai foi preso, a minha mãe tentou que a nossa vida continuasse de forma normal, pois não podíamos desistir. Assim, a minha irmã foi à escola como em qualquer outro dia, mas estava muito triste. A professora chamou-a e disse-lhe: “não fiques assim tão triste, o teu pai não é um assassino nem um criminoso”. De facto, não era! Apenas pensava de forma diferente e sonhava com um mundo mais igual para todos. Essa foi a razão da sua prisão e perseguição durante anos. Testemunhos de Ana Cristina Oliveira e Graça Oliveira (encarregada de educação da aluna Raquel Oliveira, do 12º G)

histórias de Torres

O meu serviço militar

A 1 de Fevereiro de 1965 entrei no quartel das Caldas da Rainha RI,5 com o nº de ordem 97, sendo-me atribuído o nº de identificação 18562. Tendo terminado a recruta a 16 de Abril, fui fazer a especialidade para o RI,6 em Senhora da Hora, no Porto, onde dei entrada no dia 20 de Abril com o nº 174, na especialidade de Explorador Observador. A 20 de Junho de 1965 passei para o RI,1, na Amadora, onde nem a noite passei porque saltei o muro e vim a casa do meu pai para a matança do porco. No dia seguinte estava de embarque para a cidade da Guarda. Ia formar o Batalhão por estar já mobilizado para a Guiné. Embarcámos em Braço de Prata, num comboio para a Guarda que demorou 14 horas a lá chegar. Era tão lento, esse comboio, que saíamos na carruagem da frente, íamos às cerejas e aos figos e apanhávamos a carruagem de trás. Até nele entravam as vendedeiras com as cestas no braço para vender vários produtos da época. Chegados à Guarda, onde formámos o Batalhão 1856 com as companhias 1416, 1417 e 1418, passámos à instrução. Estivemos acampados num vale, de que não soube o nome, onde próximo havia uma pequena aldeia cujo nome também não cheguei a saber. Apenas me lembro que um dia havia lá um baile e alguns de nós saímos do acampamento e fomos ao baile. Mas que ninguém desse por isso! No regresso, com a ajuda de uma bússola, íamos a direito até ao acampamento. Tudo às escuras. Ao descer um combro, caí de barriga para baixo e fiquei com o peito cheio de bicos das castanhas, que andei a tirar até já estar na Guiné. A 4 de Agosto embarcámos no comboio até Braço de Prata e daí para o cais, para embarque no dia 6 de Agosto, no Niassa, a caminho da Guiné. Passámos pela ilha da Madeira, onde estava mais uma companhia de madeirenses à nossa espera. Aí estivemos 4 horas enquanto estes embarcavam e passeámos um pouco pela ilha. Chegámos a Bissau no dia 12 de Agosto. Fomos para o quartel de Brá, que fica entre o Aeroporto e Bissau. Aí estivemos 6 meses. Fui convidado a ir para a messe de Oficiais como ajudante de cozinha. Passado pouco tempo, dei entrada no Hospital militar para ser operado a duas hérnias. Acabei por não ser operado pois o hospital estava cheio de sinistrados de guerra devido à situação da altura. Então regressei ao quartel. De seguida, embarquei em Bissau numa embarcação civil que transportava géneros alimentares para Bafatá. O barco transportava arroz, cocos, que foi a minha alimentação durante os dois dias da viagem, e ainda peixe seco, a maior parte da carga. Esse peixe, parte da alimentação dos indígenas, tinha um cheiro nauseabundo. De Bafatá fui em coluna militar para Pixe, passando por Nova Lamego. Fui destacado para Pixe para receber e guardar os géneros alimentares no armazém. Passado algum tempo, fomos render o Batalhão 705 em Nova Lamego. Aqui se fixou então a minha companhia até ao fim da missão.


doze

Entrevista realizada por Catarina e Inês Santos # 10º B

Entrevista a Virgílio Santos

Passei à faxina da messe de sargentos. Daí a algum tempo chamaram-me para ser então operado. Fui no avião Dakota, que nos abastecia e trazia o sempre esperado correio, até ao Hospital Militar de Bissau, onde permaneci cerca de dois meses. Aí me encontrei com grandes amigos. Um era de Fernandinho. Foi ferido e ficou sem um olho, passando depois à disponibilidade por invalidez. Outro era o maqueiro e tantos outros... No Hospital fiquei a saber algumas coisas da guerra explicadas pelo Capelão, uma pessoa excelente. Era médico e capitão Capelão. Visitava-nos todos os dias nas enfermarias e se precisávamos de alguma coisa logo nos atendia. Fiquei com a pele queimada de a lavarem com éter e o maqueiro André, meu amigo, falou com ele, que logo arranjou uma pomada que de imediato me aliviou as dores. O Capelão convidava-nos para ir à missa, que mais parecia uma reunião onde nos explicava muitas coisas. Foi aí que fiquei a saber como tinha começado a guerra. Contava ele que um dia os estivadores não quiseram trabalhar porque ganhavam muito pouco. Ganhavam apenas meio peso, o equivalente a cinco tostões. Já havia alguma organização. Nessa altura era o Domingos Ramos, que fez escola de corneteiro na metrópole, e também o Amílcar Cabral, que estudou em Coimbra. Ao sentirem-se tão explorados agiram. Um capitão que estava do lado dos industriais e comandava o quartel da Amura, em Bissau, enviou um pelotão de tropas para o local e fez disparar armas automáticas sobre os estivadores. Logo a revolta começou, com a morte de vários trabalhadores. Depois regressei ao acampamento em Nova Lamego e acabei a minha comissão no dia 16 de Abril. Embarquei no barco Uíge (aqui não tenho a certeza se foi no Uíge se foi no Niassa, mas tenho a certeza que fui num e vim no outro).

Enquanto estive em Nova Lamego, parte do tempo foi passado na messe de sargentos, apesar de, de vez em quando, fazer escoltas de reconhecimento ao mato, para a seguir irem as colunas de abastecimento às companhias destacadas, que eram a 1416, em Madina de Boé, a 1417, em Boruntumade e a 1418, em Bojecunda. Então ia várias vezes a Chéxe, que ficava à beira do rio. Atravessávamos o rio para abastecer as companhias em Madina de Boé, onde havia bastante guerra. Chegámos a ser atacados com morteiros que vinham do outro lado do rio. Uma vez, num reconhecimento ao rio Xéxe, tivemos de andar 7 quilómetros dentro de água, com ela pelo peito devido às cheias nessa altura. Andámos 17 quilómetros ao todo porque os carros não podiam transitar. Desta vez todos ficámos doentes. O que mais me marcou foi quando fizemos uma escolta a Canjadude, onde rebentou uma mina que matou vários civis e o soldado condutor da viatura que fez rebentar o engenho. Esse soldado, que se chamava Valdemar, foi transportado no lastro de chapa duma camioneta Mercedes militar. Quando o descarregámos, fui pegar nele pelos ombros e a pele ficou agarrada às minhas mãos por estar queimado. Deixei-o cair, batendo com a cabeça no lastro da camioneta. Voltei a pegar nele para o levar para o caixão. Ainda me lembro como se fosse ontem. Faltava então pouco tempo para nos virmos embora. Contávamos os dias e apontávamos em cadernos. Depois até as horas se contavam. Testemunho de Joaquim Tomás Henriques Faustino, familiar de uma aluna do 12º G

Virgílio Santos é um soldado reformado de 69 anos. Lutou na guerra da Guiné. Hoje conta-nos o que aconteceu e como seguiu a sua vida.

Se a família lá soubesse que uma pessoa a esta hora estava aqui a fazer um trabalho destes.

Em que anos esteve na guerra e que idade tinha? Tinha vinte e dois anos. Fui em Fevereiro de 1965 e voltei em Novembro de 1966. Foram vinte e dois meses.

Por que foi esse acontecimento que o marcou mais? Porque foi de noite. Se fosse de dia, já não metia tanto medo. De noite não há barulhos, não há carros, não há nada. No mato ouvíamos os galos cantar a uma distância de três ou quatro quilómetros. Os inimigos podiam ouvir-nos a fazer aquele trajeto. Eles têm o ouvido muito afinado.

Como se sentiu quando soube que iria para a Guiné? Foi complicado. Senti algum receio, medo de morrer. Tinha noção de que iria ser chamado para ir combater? Eu estava na tropa. Naquele tempo íamos todos para a guerra. Poucos cá ficavam. Como reagiu a sua família? Choraram. Era um navio com mais de mil pessoas. A família sabia que poderia não me ver mais. Nós ainda estávamos mais ou menos uns com os outros. Mas, ao fim de duas, três horas, já não se via terra, só água. Olhámos para a esquerda, olhámos para a direita, para onde olhássemos só víamos água. Como viveu enquanto esteve na Guiné? Como vivi? Numa barraquinha. Estive três meses em Bissau, onde tinha uma caverna, mais ou menos; mas o resto do tempo estive numa palhota. Umas casas em bico, com telhado de palha. Não têm quartos, não têm nada: uns ficavam cá dentro e outros à volta da palhota. O que pensava sobre a guerra? Pensávamos que um dia ia ter fim. Estávamos numa guerra subversiva, de contato direto. O que o marcou mais nesse tempo? Faz anos no dia oito de dezembro que nós saímos à noite e estava tão escuro que, no mato, não nos víamos uns aos outros a um metro de distância. Levávamos as armas às costas e pegávamos na arma do da frente. Eram três e meia da manhã, estávamos a atravessar um rio num barco sem motor. Um de nós, que sabia nadar, atirou-se à água com a corda na mão. Metiam-se seis ou sete no barco, ele puxava a corda e atravessávamos assim. E eu a pensar, que triste vida, às três e meia e uma pessoa a atravessar o rio com aquele escuro.

Por que saíram nessa noite? Para atacar os “terroristas”.

Morreu algum colega do seu pelotão? Sim. Muitos. Um deles já tinha mandado avisar a família que ia para casa quando pisou uma mina. Como se sentiu quando voltou a Portugal? Contente por ainda estar vivo. Na guerra há três fases. Primeiro é a fase do medo. Andamos dois-três meses que toda a gente tem medo de morrer, toda a gente tem muito cuidado. Depois é a fase do já se estar habituado e toda a gente quer ser herói, toda a gente é valente, ninguém tem medo. Depois vêm os últimos três meses em que é feito um calendário com os noventa dias, cada dia mais, um número riscado, até chegar ao zero e aí já todos temos medo outra vez. Chegou a hora de ir para casa, mas algo pode acontecer. Alguma vez pensou em voltar? Se tivesse dinheiro, voltava para visitar. Sofreu algum trauma devido à guerra? Não, nunca tive grandes aflições. Se houvesse novamente uma guerra, o que aconselharia aos mais jovens que tivessem de participar? São conflitos entre nações, os governantes que lutassem entre eles. Os jovens que tivessem oportunidade que fugissem. Ainda mantém contato com os seus antigos colegas? Sim, fazemos almoços. Este ano não pude participar, mas espero voltar a encontrá-los.


treze

‘’ Youth of Europe ‘’ A escola Secundária Henriques Nogueira recebeu nos dias 24,25 e 26 de fevereiro 40 alunos de vários países, no âmbito do projecto Comenius. Nesses dias, a escola acolheu-os e levou-os a visitar alguns sítios da região tais como Santa Cruz, Óbidos e Lisboa, onde passaram a maior parte do tempo. Durante esses dias tivemos também a hipótese de conviver com todos e de treinarmos a língua Inglesa, tendo também a oportunidade de ensinar a língua portuguesa a alguns dos alunos estrangeiros. Consideramos esta actividade muito importante e especial, tendo em conta o desempenho dos alunos e professores desta escola assim como as amizades criadas durante o evento.

Dentro de mim há o mar, ondas que são expressão de rebeldia, de insegurança e, por vezes, de crueldade. Para me conhecer, é preciso olhar bem no fundo, sentir a brisa em redor. É preciso não ter medo da profundidade, ter confiança e coragem de enfrentar as consequências, mas também o desejo de desfrutar a dádiva. Para me alcançar, basta olhar de espírito aberto e com-

só para profissionais

preender as palavras ou então ouvir o silêncio que questiona sem pedir respostas.

Dentro de mim há o mar, pensamento infinito, saudade que cresce, lágrimas que gritam e um coração marinheiro que vai e volta, vai e volta...

A celebração do direito da saúde

No dia 8 de Abril de 2013, realizou-se a comemoração do Dia Mundial da Saúde, na Escola Secundária Henriques Nogueira, cuja dinamização foi efetuada pela turma do 11º ano do Curso Profissional de Técnico Auxiliar de Saúde no âmbito do trabalho desenvolvido nas disciplinas de Gestão e Organização dos Serviços e Cuidados de Saúde (G.O.S.C.S), Português e Saúde, propostas pelas formadoras Isabel Esteves, Conceição Margaça e Manuela Gameiro. Neste evento, a Multiculturalidade foi a nota dominante uma vez que conhecer, compreender e aceitar diferentes valores culturais capacita o Profissional de Saúde a prestar um serviço de qualidade a todos os utentes dos serviços de saúde de um mundo em globalização. A primeira atividade do dia iniciou-se às 10:00h da manhã, no átrio da escola, onde foram colocadas várias mesas com demonstrações das várias culturas por membros da turma: etnia Cigana (Inês Caetano e Andreia Carcavelos); Indiana (Ana Botelho e Carina Silva); Hippie (Soraia Matias e Solange Silva); Africana (Marisa Ribeiro, Andreia Santos e João Faria); Muçulmana (Diana Oliveira, Jéssica Duarte e Jéssica San-

tos) e Judaica (Alexandra Veloso e Nuno Vieira). Cada cultura distribuiu panfletos com informações sobre as respetivas culturas e ofereceram-se bolos representativos das mesmas. Esta atividade prolongou-se por toda a manhã com a atuação de uma profissional pertencente ao grupo “Hindu”, dona Lajja, que nos trouxe várias danças da cultura Indiana e algumas pinturas exemplificativas dos motivos que eram, antigamente, pintados nos seus vestuários. No mesmo dia, profissionais da Farmácia Santa Cruz deslocaram-se à nossa escola com o objectivo de efetuar vários rastreios, nomeadamente da diabetes, do colesterol e do tabagismo aos alunos, professores, funcionários e a outras pessoas pertencentes à comunidade torreense que desejassem deslocar-se à nossa escola. Para a concretização desta atividade, duas alunas, desta mesma turma (Andreia Carcavelos e Alexandra Veloso), tiveram uma formação para poderem realizar as medições, juntamente com duas funcionárias da Farmácia Santa Cruz que estiveram presentes. Desta forma, as estudantes puderam também fazer os rastreios de modo correto, com todos os cuidados que se devem ter.

Joana Costa Santos # 10º PTAS

Da parte da tarde, para finalizar este grande dia, Soraia Matias, Inês Caetano e Solange Silva, juntamente com o chefe José Figueiredo, um dos representantes dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, apresentaram uma palestra que tinha como tema “Chamadas de Emergência e Suporte Básico de Vida” que teve lugar no Auditório da Câmara Municipal de Torres Vedras, abordando os procedimentos a ter em caso de emergência. Nesta actividade estiveram presentes como espectadores ativos duas turmas do 11º ano do Curso Profissional de Auxiliar de Saúde e a turma A do Curso Científico-Humanísticos e duas turmas do 10º ano também de cursos profissionais nomeadamente da área da Saúde e do Controlo e Qualidade Alimentar da nossa escola. Assim, este dia ficou marcado na nossa escola, pois os alunos e restantes membros da comunidade educativa aderiram pela positiva a todas as atividades, mostrando interesse e curiosidade em experimentar e saber mais sobre as outras culturas. Como o saber não ocupa lugar e pela nossa saúde, vale sempre a pena!


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Henriques Nogueira

catorze

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VIAGEM

“Para viajar basta existir”.

Viajar. Uma mudança geográfica ou também uma mudança num sentido mais amplo e profundo enquanto seres humanos? Decididamente, uma mudança.

como aprendizagem

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Certamente que em algum momento da nossa vida, experienciamos o que é ser viajante. Isto porque uma viagem pode ser tanto uma mudança de continente ou país como apenas uma mudança de ideia ou de opinião. O importante é que cada viagem deve refletir a predisposição para conhecer o mundo além do nosso quotidiano básico e a vontade necessária para entender o que nos rodeia, com admiração ou com desilusão, aprendendo com outras cultura e com as pessoas os diferentes pontos de vista, por mais simples e remotos que nos possam parecer.

De certa forma, os postais, as fotografias, as lembranças, os locais visitados e as pessoas com quem se travou conhecimento contribuem para o enriquecimento a nível cultural e pessoal. Porém, a aprendizagem que pode ser extraída de uma viagem jamais estará completa se a nossa mentalidade não viajar conjuntamente connosco e continuar fechada e cingida ao que lhe é confortável e seguro. Como constata o ensaísta e filósofo Émile-Auguste Chartier “instruímo-nos viajando (...) Mas, por outro lado só aprendemos aquilo que já sabemos”. Sem dúvida,

é este o ponto fulcral: o objetivo da viagem como aprendizagem é auxiliar na compreensão e na perceção de nós próprios, de qual é o nosso lugar no mundo e do que podemos aspirar nele. De modo similar a um motor que impulsiona a máquina, a viagem enquanto jornada envolve experiências que inspiram, abrem e estimulam a mente.

Citando Álvaro de Campos, “a melhor maneira de viajar é sentir”. Viajar através dos sentidos, ao ver o horizonte, ao cheirar a fragrância, ao ouvir o som, ao provar os diversos ingredientes e ao tatear as variadas formas. Viajar através da mente, aperfeiçoando o raciocínio, desenvolvendo opiniões, consolidando ideias, mudando atitudes e sobretudo progredindo e aprendendo.

Sumariamente, a visão de Miguel Torga aborda a matéria da seguinte forma: “Viajar, num sentido profundo, é morrer. É deixar de ser manjerico à janela do seu quarto e desfazer-se em espanto, em desilusão, em saudade, em cansaço, em movimento, pelo mundo além.” Ana Raquel # 12º ano


José Félix Henriques Nogueira Leonor Fernandes # 11ºF

José Félix Henriques Nogueira é a personalidade que dá nome à nossa escola desde 1988. Em prol de todas as suas ideias e feitos na sua época relativamente à Educação, Henriques Nogueira mostrou-se grande homem e grande cidadão, defendendo uma pátria mais instruída e, consequentemente, mais preparada para o/um futuro. Apesar dos seus breves 35 anos, Henriques Nogueira deixou um importante testemunho, que ainda hoje é considerado o resultado de um grande pensamento e de uma enorme atitude.

Um homem do século XIX

José Félix Henriques Nogueira nasceu a 15 de Janeiro de 1823, na Bulegueira, freguesia de Dois-Portos, no concelho de Torres Vedras, vindo a falecer a 23 de Janeiro de 1858. Apesar de ter vivido apenas 35 anos, não deixou que esta curta vida o impedisse de ser um homem de grandes feitos, consonantes com o seu espírito inovador, pioneiro e revolucionário. Residiu solteiro em Lisboa e foi um homem de letras, apesar de não ter concluído os estudos académicos, por não haver finalizado o Liceu. Por ter sido um homem que dedicou grande parte da sua vida a tratar das suas propriedades, a agricultura desempenhou um papel importante na formação da sua personalidade. Henriques Nogueira foi um homem atento às necessidades da sociedade em que vivia, sendo militante ativo de causas solidárias e generosas e crente na bondade do ser humano. Foi também um apaixonado observador das lutas que os povos europeus empreendiam para atingir a dignidade no trabalho. Fez parte da primeira geração de socialistas portugueses, mas foram os republicanos da segunda metade do século XIX que o consideraram um “ilustre fundador da moderna democracia portuguesa”. Estes admiradores de Henriques Nogueira reuniam-se, com frequência, num clube por eles fundado pouco depois da sua morte. Participante ativo da democracia liberal, e figura de proa na defesa do associativismo e do municipalismo, foi por duas vezes candidato à Câmara de Deputados, cargo para o qual nunca conseguiu ser eleito. Pugnou, no entanto, pela defesa dos interesses das populações do seu concelho. Entre as muitas obras deixadas por Henriques Nogueira, destaca-se a que escreveu, com apenas 17 anos de idade, e onde defendia a manutenção de um dos concelhos, em vias de ser extinto, da zona onde residia. É, no entanto, na educação que o seu pensamento inovador mais se fez sentir.

Henriques Nogueira e a Educação

Para Henriques Nogueira, só a política revolucionária do liberalismo e da liberdade poderia levar o povo a beneficiar amplamente do novo regime democrático. Defendeu que esta política só seria aceite se o povo a conhecesse e, para tal, o povo necessitava de estar instruído, caso contrário não a quereria, mesmo que fosse apenas por não saber da sua existência. Na sua ótica, a falta de instrutores/mestres da população, a personalidade/ mentalidade rude em relação aos estudos (não valorizados na época anterior) e a dificuldade do ensino conduziram à falta de instrução do povo português e, consequentemente, a uma ignorância provocada pelo analfabetismo. Nogueira explicitou ainda que a grande escala de analfabetismo na sua época levaria o povo a desprezar/ignorar o progresso, bem como todos os seus mais importantes direitos. Seguindo o seu pensamento, a educação era a chave para a instrução e dignidade da população e o caminho para a felicidade, que levaria ao homem os inúmeros benefícios de ser sábio, responsável, justo e bom cidadão - valores que só a educação poderia desenvolver. A sociedade tinha, assim, o dever de promover uma educação gratuita, agradável e necessária à prosperidade da vida de cada cidadão. Para ele, quando ignorante o Homem seria sempre alvo de violência e opressão, mas quando instruído ninguém poderia impedir o seu crescimento. Henriques Nogueira assentou nesta premissa o seu projeto educativo, que chamou “Educação Popular” e que visava, antes de mais, a instrução primária nas escolas locais, nas escolas para adultos e ainda nas escolas paroquiais, bem como nas escolas industriais, que formariam os “homens de trabalho”. As escolas locais destinavam-se a formar as crianças dos dois sexos, dos 5 aos 10 anos, ensinando-as, corrigindo-as, sustentando-as e moralizando-as. Estas escolas funcionariam durante o dia e seriam orientadas por mulheres (as mestras), em virtude das aptidões que alcançaram para este objetivo. Estas escolas locais dividiriam a aprendizagem em duas partes; a primeira seria

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destinada à leitura, à escrita e à numeração e a segunda seria destinada à moral (doutrina cristã e civilidade), aos ofícios (coser e cozinhar) e ainda pequenos trabalhos físicos (ginástica). Estas duas partes da instrução a promover nas escolas locais tinham como objetivo a preparação/habituação das crianças ao mundo do trabalho, do sacrifício e do progresso. As escolas de adultos destinavam-se àqueles que desejavam aprender a ler, escrever e contar. Estas escolas funcionariam à noite, para não impedirem o trabalho, e os cursos durariam quatro a cinco meses, no Inverno. O objetivo destas escolas seria não só instruir os homens, mas também mostrar-lhes que, no futuro, esta instrução lhes daria vantagem porque os prepararia para as novidades do progresso. As escolas paroquiais destinavam-se mais aos “Estudos sobre a Reforma de Portugal”, bem como aos estudos sobre “O Município do século XIX”. Nestas escolas, os alunos aprenderiam disciplinas mais específicas e aprofundadas, de que são exemplo a Aritmética, a Geometria, a Caligrafia, a Geografia…. As escolas industriais eram escolas dirigidas aos operários e empreendedores, funcionando aos domingos ou em noites intercaladas durante a semana. Nestas escolas aprender-se-ia aritmética, geometria, mecânica aplicada, agricultura, tecnologia, higiene e medicina. Todos estes estudos teriam um carácter mais prático, destinadas a melhorar a indústria local e a prepará-la para os desafios do futuro. Para além destas escolas, Henriques Nogueira projetou ainda o funcionamento de gabinetes e bibliotecas populares e preocupouse também com os níveis superiores do ensino, como as escolas municipais, centrais e institutos (de Artes e Ciências). Podemos afirmar que o desejo de combater o analfabetismo fez com que Henriques Nogueira desenvolvesse muitas das suas ideias e princípios no campo da educação em pleno século XIX porque acreditava que na instrução residia a base do progresso e da felicidade. Foi, assim, uma personalidade importante na difusão do ensino em Portugal, e foi precursor no entendimento de que ele deveria ser extensivo a homens e mulheres, jovens ou adultos, a estudantes mas também a trabalhadores, e deveria apostar numa vertente técnica, fundamental para o progresso económico do país. O seu pensamento enquadra-se, pois, muito bem, no caráter e na tradição da nossa escola, e mantém grande atualidade:

Henriques Nogueira

“[a educação] ensina o homem a descobrir e aproveitar as preciosidades da natureza; habilita-o a fazer uso da sua razão; apontalhe os direitos e deverem que o ligam à sociedade, enriquece-o, moraliza-o e fá-lo útil a si e aos outros” (Henriques Nogueira)


dezasseis

PLATAFORMA PLURILINGUE

MULTIKULTI DORUL

Nuits de juin L’été, lorsque le jour a fui, de fleurs couverte La plaine verse au loin un parfum enivrant; Les yeux fermés, l’oreille aux rumeurs entrouverte, On ne dort qu’à demi d’un sommeil transparent.

E Assim Passamos a Tarde

Les astres sont plus purs, l’ombre paraît meilleure; Un vague demi-jour teint le dôme éternel; Et l’aube douce et pâle, en attendant son heure, Semble toute la nuit errer au bas du ciel.

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E assim passamos a tarde conversando coisas banais, da superfície do mundo.

Victor Hugo

Lucian Blaga

E estamos cheios de mistérios que não comunicamos. E assim morreremos, decerto. E não dais por isso. Cecília Meireles Julho, 1962

ПАТРІОТ Усе я бистро виджу, Все оплюю, все збриджу, Все сквашу, все розстрою, Всіх гіркістю напою. Де треба, влізу в душу, Де схочу, честь нарушу, На кождого подвір’я Посію недовір’я, На кождого підсіння Положу підозріння — І все те, все буквально, Я вчиню так формально, Спокійно, і прилично, І вповні методично, Що все уйду скандалу, Не нюхну криміналу. А хто би мав охоту Назвать мою роботу Яким поганим словом, Я судом гоноровим Йому прикручу роги І чистий, без тривоги, Неначе пес за плотом, Все буду патріотом. Іван ФРАНКО

O Merlin in your crystal cave Deep in the diamond of the day, Will there ever be a singer Whose music will smooth away The furrow drawn by Adam’s finger Across the memory and the wave? Or a runner who’ll outrun Man’s long shadow driving on, Break through the gate of memory And hang the apple on the tree? Will your magic ever show The sleeping bride shut in her bower, The day wreathed in its mound of snow and Time locked in his tower? Edwin Muir (1887-1959)

Quem somos? O mar chama por nós, somos ilhéus! Trazemos nas mãos sal e espuma cantamos nas canoas dançamos na bruma somos pescadores-marinheiros de marés vivas onde se escondeu a nossa alma ignota o nosso povo ilhéu a nossa ilha balouça ao sabor das vagas e traz a espraiar-se no areal da História a voz do gandu na nossa memória... Somos a mestiçagem de um deus que quis mostrar ao universo a nossa cor tisnada resistimos à voragem do tempo aos apelos do nada continuaremos a plantar café cacau e a comer por gosto fruta-pão filhos do sol e do mato arrancados à dor da escravidão Olinda Beja

Revista 2013 final hq 2  

Nogueira em Revista - Edição nº2

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